Brasília, agosto de 2008

© 2008 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) Representante Vincent Defourny Coordenadora da Área de Educação a.i. Marilza Regattieri Coordenador Editorial Célio da Cunha

Os autores são responsáveis pela escolha e apresentação dos fatos contidos neste livro, bem como pelas opiniões nele expressas, que não são necessariamente as da UNESCO, nem comprometem a Organização. As indicações de nomes e a apresentação do material ao longo deste livro não implicam a manifestação de qualquer opinião por parte da UNESCO a respeito da condição jurídica de qualquer país, território, cidade, região ou de suas autoridades, nem tampouco a delimitação de suas fronteiras ou limites.

Equipe de elaboração Coordenação Técnica Timothy Ireland Pesquisa e Redação Maria Clara Di Pierro (Coordenação) Cláudia Lemos Vóvio Eliane Ribeiro Andrade Colaboradores Elionaldo Fernandes Julião (Educação prisional) Lúcia Alberta Andrade de Oliveira (Educação indígena) Maria Margarida Machado (Contribuições das universidades) Rosilene Silva Vieira (Cadastro e siglas) Revisão: Márcia de Oliveira Revisão técnica: Jeanne Sawaya Diagramação: Rodrigo Domingues Projeto gráfico e capa: Edson Fogaça

Alfabetização de jovens e adultos no Brasil: lições da prática.— Brasília : UNESCO, 2008. 212 p. BR/2008/PI/H/27 1. Alfabetização de Adultos—Brasil 2. Educação de Adultos— Brasil I. UNESCO ISBN: 978-85-7562-112-9
Representação no Brasil

CDD 372

SAS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9º andar 70070-914 – Brasília/DF – Brasil Tel.: (55 61) 2106-3500 Fax: (55 61) 3322-4261 grupoeditorial@unesco.org.br www.unesco.org.br

...........................................................SUMÁRIO AGRADECIMENTOS...........................................................................................................50 5...................2 O financiamento das políticas de educação de jovens e adultos ..... As políticas públicas recentes de educação de jovens e adultos ...............................1 Políticas e programas federais de educação de jovens e adultos ............36 5............................................................................................................ O direito à alfabetização na legislação nacional..............................................32 4........... Um pouco da história da alfabetização de jovens e adultos no Brasil ..........09 EPÍGRAFE ..........................................21 1.......................42 5....................54 .24 2...............................................................45 5.........................................................................3 Responsabilidade pública e participação da sociedade civil ........................................... Lições aprendidas ............52 6......17 CAPÍTULO I A alfabetização de jovens e adultos na legislação e na política educacional brasileiras............ Alicerces e horizontes ....... Um desafio de milhões ...........................15 INTRODUÇÃO .......................................................31 3.............

........................................................................................................................57 1.CAPÍTULO II Alfabetização de jovens e adultos em movimento .....................................77 1º Desafio – assegurar o direito de todos à alfabetização de qualidade ...139 7º Desafio – desenvolver uma cultura de avaliação.............2 A alfabetização nos censos demográficos........................3 Alfabetização: uma questão de método? ................................................................. e promover a leitura ............................................................................58 1...........1 Alfabetização e mudança social .............................................. Concepções e práticas de alfabetização de jovens e adultos .......155 CAPÍTULO IV Lições aprendidas e recomendações .......................5 Novas pesquisas e conceitos .....67 1......................................104 5º Desafio – considerar a diversidade dos educandos e dos contextos de aprendizagem................59 1.................64 1....................4 A visão ampliada de alfabetização e educação para todos .......................................167 ..............88 3º Desafio – estimular a participação social.......97 4º Desafio – promover a formação dos alfabetizadores .60 1........121 6º Desafio – elaborar e distribuir materiais didáticos................................................77 2º Desafio – incorporar uma concepção ampliada de alfabetização...............70 CAPÍTULO III Aprendendo com a experiência.............................

.............................................REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......204 SIGLAS ......................188 MATRIZ DOS PROGRAMAS PESQUISADOS ...................................190 CADASTRO DE PROGRAMAS CITADOS ....................186 SÍTIOS DE INTERESSE NA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES ..............................175 MATERIAIS DIDÁTICOS MENCIONADOS ....................................................................................................................192 NÚCLEOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE UNIVERSIDADES ...............207 ........

Noriko Kanamura Nishizawa. Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação. Fernanda Teixeira Frade Almeida. Sérgio Haddad e Vera Masagão Ribeiro – Ação Educativa • Ana Rita de Lima Ferreira – Movimento de Atingidos por Barragens • Ângela Marques Almeida – Departamento de Estudos e Divulgação da Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho • Angélica Ayres. Maria Aparecida Zanetti. que contribuíram com informações sobre políticas.AGRADECIMENTOS A todas as pessoas e instituições que responderam à consulta. Jaqueline Moll. Maria Virgínia de Freitas. que leram e comentaram versões preliminares do texto: • Abdizia Maria Alves Barros. Marinaide Lima de Queiroz Freitas e Tânia Maria de Melo Moura – Universidade Federal de Alagoas • Alessandra Velloso e Julieta Borges Lemes – Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação • Alexandre Aguiar – Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação – Sapé • Ana Paula Corti. 9 . Leonor Francisco de Araújo. programas e projetos de alfabetização. Jorge Luiz Teles. Carmen Isabel Gatto. Suzana Martelleti Grillo Guimarães – Secretaria de Educação Continuada.

Di Giorgi – Universidade Estadual Paulista • Débora Gonçalves dos Santos e Carlos Evandro dos Santos – Secretaria Municipal de Educação de Diadema • Edna Castro de Oliveira – Universidade Federal do Espírito Santo • Ednéia Gonçalves e Margarete Rose Rodrigues – Alfabetização Solidária • Eduardo de São Paulo – Oficial de Projetos da UNESCO • Eliane Martins e Mariana Raposo – Serviço Social da Indústria – Sesi • Emília Maria Prestes Trindade e Timothy Ireland – Universidade Federal da Paraíba • Enere Braga Mota – Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (MG) 10 .• Anna Helena Moussatché e Jane Paiva – Universidade do Estado do Rio de Janeiro • Antônio José Ferreira e Maria do Carmo Alves Bonfim – Universidade Federal do Piauí • Beth Pares – Departamento Municipal de Educação do Município de Socorro (SP) • Carivaldina Farias de Souza – Fórum de Educação de Jovens e Adultos de Sergipe • Carlos Roberto Jamil Cury – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais • Cinthia Regia Gomes do Livramento – Secretaria de Educação do Amazonas • Clarice Aparecida dos Santos – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária do Instituto de Colonização e Reforma Agrária do Ministério do Desenvolvimento Agrário • Cristiano G.

Pohl – Movimento de Educação de Base • Leandro Patrício – Escola Multimeios • Lencie Felix Garcez – Secretaria Municipal de Educação de Ilhabela (SP) • Luis Donisete Grupioni – Universidade de São Paulo 11 .• Fernanda Alves. Maria Helena Nobre e Nahissa Harumi Seino Andrade – Diretoria de Ensino e Profissionalização da Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais • Izabel Cristina Santos da Silva – Secretaria Municipal de Educação de Aracaju (SE) • Joice Aparecida Trisltz Zainun e Leila Lima – Secretaria Municipal de Educação e Cultura de São Carlos (SP) • João Fausto – Secretaria Municipal de Educação de Guarulhos (SP) • Julieta Ida Dallepiane – Universidade Regional do Oeste do Estado do Rio Grande do Sul • Júlio G. Lígia Carvalho e Maria Corrêa da Silva – Secretaria de Estado da Educação do Acre • Flora Prata Machado – Secretaria de Educação do Município do Rio de Janeiro (RJ) • Francisca de Assis Pereira da Silva e Justina Iva de Araújo Silva – Secretaria Municipal de Educação de Natal (RN) • Francisco Saraiva de Souza – Secretaria de Estado da Educação do Piauí • Helena Travassos de Melo – Secretaria de Estado da Educação e Cultura da Paraíba • Ionilton Gomes Aragão – Movimento de Alfabetização Mova São Paulo • Isabel Linhares.

• Márcia Cristina Rugine – Secretaria Municipal de Educação de Pilar do Sul (SP) • Márcia Rocha e Rosana Feltran – Secretaria Municipal de Educação de São José do Rio Pardo (SP) • Margarida Brito – Universidade do Estado do Amazonas • Maria Aglaê Medeiros – Conselho Nacional de Secretários de Educação – Consed • Ligia Maria Paes Macacchero, Maria Alice Lopes de Souza, Marisa Narcizo Sampaio, Maron Emile Abib-Abib, Rosilene Souza Almeida – Serviço Social do Comércio – Sesc • Maria Celina de Assis – Centro Federal de Educação Tecnológica de Roraima • Maria Cristina Chaves Garavelo – Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (RS) • Maria da Conceição Ferreira Reis Fonseca – Universidade Federal de Minas Gerais • Maria Emília Siqueira Costa e Sérgio Roberto Ramos – Programa Cidadão Nota Dez – Idene • Maria José da Costa Silva – Secretaria Municipal de Educação de Campina Grande (PB) • Maria José Nascimento Moura Araújo – Projeto Escola Zé Peão • Maria Luiza Pereira Angelim – Universidade de Brasília • Maria Sueli de Andrade Ambrosio – Secretaria Municipal de Educação de São Gabriel da Cachoeira (AM) • Mariana Pantoja Franco – Universidade Federal do Acre • Marta Maria Azevedo – Universidade Estadual de Campinas • Marúcia de Campos Kirsch – Secretaria Municipal de Educação de Sapucaia do Sul (RS)
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• Miguel Farah Neto – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro • Neusa Maria Capitão Pereira – Secretaria de Educação e Pesquisa do Município de Cachoeirinha (RS) • Nietta Lindenberg Monte – Comissão Pró Índio do Acre • Nuria Aligant-Vivancos – Centro Internacional de Estudos Pedagógicos (CIEP) – França • Ricardo Henriques – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social • Romy Schinzare – Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SP) • Rosana Núbia Sorbille – Consultora do Programa Saberes das Águas • Sandra Maria Borba Pereira – Universidade Federal do Rio Grande do Norte • Silvana Batista de Freitas – Secretaria Municipal de Educação de Embu das Artes (SP). • Socorro Guterres – Centro de Cultura Negra do Maranhão • Sônia Couto – Instituto Paulo Freire • Taís Weigert Behr – Secretaria Municipal de Educação de Gravataí (RS) • Vera Barreto – Vereda Centro de Estudos em Educação • Vivian Fuhr – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) • Wagner Amaral – Secretaria de Estado da Educação do Paraná

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[...] Não se trata apenas de fortalecer e articular aquilo que já existe, mas também recuperar e sistematizar o realizado no passado em cada país, e em nossa região em seu conjunto, uma região extremamente fértil no campo da educação de pessoas jovens e adultas que, entretanto, não prestou atenção suficiente ao registro, sistematização, documentação e difusão dos processos, experiências e lições aprendidas. Persiste uma forte tendência a importar acriticamente modelos e experiências realizados em outras realidades, sem a necessária contextualização, sem antes rever aquilo que foi feito ou consultar os grupos e instituições conhecedores do campo em cada país. Em nenhum caso se trata de partir do zero. O acumulado histórico nesta região é suficientemente rico e variado. Há um amplo repertório de programas e experiências de alfabetização e de promoção da leitura e da escrita, com variações importantes em torno de fatores como idade, línguas, gêneros, zonas urbana e rural, métodos, meios e tecnologias empregadas etc. Existe também, em cada país e na região, uma massa crítica de especialistas em alfabetização, leitura e escrita, educação de jovens e adultos, bem como instituições e redes especializadas nesses campos com uma compreensão da cultura nacional e latino-americana, essenciais para pôr em marcha processos educativos em qualquer âmbito e nível. Rosa Maria Torres

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INTRODUÇÃO

Este livro recolhe lições aprendidas na experiência brasileira recente, dando visibilidade a uma diversidade de programas de alfabetização de jovens e adultos – que órgãos governamentais e organizações sociais empreenderam na última década –, alguns dos quais contêm aspectos inovadores. Ainda que a educação de jovens e adultos continue a ocupar um lugar secundário no sistema educacional brasileiro, revisitando sua história é possível afirmar que essa modalidade já reúne um conjunto significativo de experiências que merecem ser conhecidas, debatidas, avaliadas e analisadas, de forma a romper com a idéia recorrente de estarmos sempre começando do zero. Esta publicação foi elaborada com o objetivo de proporcionar informação confiável e atualizada, e subsidiar a tomada de decisões de governantes e equipes técnico-pedagógicas dispostos a enfrentar o desafio de estruturar ou reorientar, com qualidade, políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos. Espera-se que contribua também para o intercâmbio de experiências entre os países lusófonos e da América Latina. A publicação adota uma linguagem didática, contém orientações práticas e recomendações de fontes de consulta, podendo ser utilizada na formação de educadores. O estudo que serviu de base à publicação foi realizado no segundo semestre de 2007, e consistiu em um levantamento em todo o Brasil de programas e projetos de alfabetização de jovens e adultos, que respondem aos grandes desafios que pesquisas e avaliações indicam ser cruciais para a área: institucionalidade, intersetorialidade,
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abrangência socioterritorial. a fim de apontar desafios e perspectivas. como a participação das instituições de ensino superior. foi preciso recorrer à colaboração de especialistas. estruturação de um sistema de avaliação e caráter inovador. consideração da diversidade social. adesão à concepção ampliada de alfabetização. São apresentados também os grandes números do analfabetismo no Brasil. solicitando indicações de iniciativas significativas de alfabetização de jovens e adultos. Além das indicações dessa consulta. 18 . e os acordos e iniciativas internacionais referentes à alfabetização e educação da juventude e das pessoas adultas. O livro está organizado em quatro capítulos e traz em anexo um cadastro com o perfil sintético de cada uma das iniciativas de alfabetização de jovens e adultos mencionadas no seu transcorrer. O primeiro capítulo introduz o tema das políticas públicas de alfabetização de jovens e adultos em âmbito nacional. procurou compreender as cinco regiões geográficas do país e os diversos tipos de promotores (ver quadro em anexo).gestão democrática. As políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos mencionados não são necessariamente os melhores. foi realizada uma consulta a redes. pesquisadores. Um questionário informativo foi preenchido por responsáveis pelos programas ou projetos que receberam maior número de menções. de cujos acertos e erros é possível extrair aprendizagens relevantes. a seleção de políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos mencionados neste livro considerou pesquisas recentes. revendo brevemente sua história e a legislação vigente. investimento na formação dos educadores. Inicialmente. a alfabetização de indígenas ou nas prisões. eles compõem uma amostra representativa de iniciativas. Em alguns temas. dirigentes de instituições públicas e organizações civis vinculados ao tema. O levantamento realizado não foi exaustivo e certamente não esgotou todo o rol de iniciativas relevantes e inovadoras de alfabetização de jovens e adultos em curso no país.

e as decorrências dessas novas concepções sobre os processos de ensino e aprendizagem e sobre a configuração dos programas e políticas de alfabetização de jovens e adultos. As lições aprendidas com essas experiências são sistematizadas no quarto capítulo. a escrita e os conhecimentos matemáticos adquiriram na sociedade contemporânea. com qualidade. Mais extenso que os demais. o terceiro capítulo relaciona as respostas das iniciativas de alfabetização de jovens e adultos em curso no Brasil aos desafios de considerar a multiplicidade de contextos e a diversidade dos educados na criação de um ambiente alfabetizador e na oferta de oportunidades de ensino e aprendizagem de qualidade para todos.O segundo capítulo analisa as mudanças no conceito de alfabetização em virtude da ampliação das funções sociais que a leitura. na forma de orientações para políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos. 19 .

Não necessitam. a fim de usufruir da cultura letrada. que o Brasil sediará em maio de 2009. responsabilidade que convida à realização de um balanço do itinerário percorrido e das lições aprendidas. e constituem temas que os governos e a sociedade devem enfrentar permanentemente. Ciência e Cultura (OEI) de que tomam parte 17 países latino-americanos. promover a participação cidadã e a equidade de gênero. Entretanto. iniciativa da Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação. portanto. datas e eventos marcantes oferecem a oportunidade de reavaliar a experiência nacional.CAPÍTULO I A ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA LEGISLAÇÃO E NA POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRAS Promover com sucesso a alfabetização dos jovens e adultos e superar o analfabetismo são desafios que o Brasil ainda está distante de equacionar. proclamada pelas Nações Unidas como um período de esforços concentrados para assegurar a todas as pessoas o direito de desenvolver as habilidades de leitura e da escrita. O ano de 2007 foi o Ano Ibero-americano da Alfabetização e inaugurou o período de vigência do Plano Ibero-americano de Alfabetização e Educação Básica. melhorar as condições de vida. de datas festivas ou iniciativas excepcionais para compor o rol de prioridades das políticas públicas e das preocupações dos educadores. Também se iniciam os preparativos para a VI Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA). Encontramo-nos a meio caminho da Década da Alfabetização 2003-2012. preservar a saúde e o meio ambiente. 21 . fortalecer as identidades socioculturais.

Na V Conferência Internacional de Educação de Adultos. no Canadá. em 1960. a terceira teve lugar em Tóquio. em 1972.500 representantes de 170 países assumiram compromissos para fazer valer o direito dos cidadãos de todo o planeta à aprendizagem ao longo da vida.org/education/litdecade/ As Conferências Internacionais de Educação de Adultos são convocadas pela UNESCO periodicamente: a primeira ocorreu em Elsinore. na Dinamarca. Ciência e Cultura (UNESCO). 2000) relativas à satisfação das necessidades de aprendizagem dos jovens e adultos. na Alemanha. 1. no Japão. Senegal. em 1949.Diante da existência de quase 800 milhões de jovens e adultos no mundo que são analfabetos (dois terços dos quais são mulheres). concebida para 22 . Para saber mais.unesco. consulte: http://www. em 1985. enfocando as metas do Fórum Mundial de Educação (Dacar. que incluem a redução do analfabetismo em 50% e a eliminação das disparidades entre mulheres e homens no acesso à educação básica de qualidade e às oportunidades de educação ao longo da vida. a quarta foi em Paris. O Plano adota uma visão renovada da alfabetização. estabelecendo no ano seguinte um Plano de Ação cuja coordenação foi entregue à Organização das Nações Unidas para a Educação. a 56ª sessão da Assembléia da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2001 adotou a resolução que proclamou a Década da Alfabetização 20032012. realizada em 1997 em Hamburgo. a segunda em Montreal.

aprovada na Conferência. na Tailândia. não foi otimista. mediante a difusão de uma cultura de paz e democracia promotora da coexistência tolerante e da participação criativa e consciente dos cidadãos. O balanço realizado nessa ocasião. no ano de 2003. pois a contribuição da educação de adultos à solução dos conflitos globais. à formação para o trabalho e à preservação do meio ambiente e da saúde não tem sido devidamente aproveitada.além da escolarização ou da educação formal. em grande medida devida à prioridade concedida por agências internacionais e governos à educação primária das crianças e adolescentes. A UNESCO realizou em Bangcoc. concebidas como ferramentas para a democratização do acesso à cultura. 23 . A Declaração de Hamburgo atribui à educação de jovens e adultos o objetivo de desenvolver a autonomia e o sentido de responsabilidade das pessoas e comunidades para enfrentar as rápidas transformações socioeconômicas e culturais por quais passa o mundo atual. uma reunião intermediária com o objetivo de avaliar o desenvolvimento da educação de adultos após a V CONFINTEA. sintetizado no Chamado à Ação e à Responsabilização. à igualdade entre homens e mulheres. Entre os temas abordados com prioridade pela Agenda para o Futuro. ao combate à pobreza. Em quase todos os países houve redução do financiamento público para a aprendizagem dos adultos. incluindo as situações de aprendizagem informais presentes nas sociedades contemporâneas. aos meios de comunicação e às novas tecnologias da informação. consta a garantia do direito universal à alfabetização e à educação básica.

2006. 165-185 (Educação para Todos). Essa mesma proporção de analfabetos foi encontrada pelo censo realizado em 1890. Até fins do século XIX. as oportunidades de escolarização eram muito restritas. Disponível em: <http://www. MEC.es/alfabetizacion/b/DOCBASE%20PIA. 2007-2015: documento base. 2004. minoria da população. O primeiro recenseamento nacional brasileiro foi realizado durante o Império. 2006. Ministério da Educação. BRASIL. Educação de jovens e adultos: uma memória contemporânea (1996-2004). Brasília: UNESCO. acessíveis quase que somente às elites proprietárias e aos homens livres das vilas e cidades.pdf >. 2006. UM POUCO DA HISTÓRIA DA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL A difusão da alfabetização no Brasil ocorreu apenas no transcorrer do século XX. set. Plan iberoamericano de alfabetización y educación básica de personas jóvenes y adultas. em 1872. Brasília: UNESCO.Para saber mais. acompanhando a constituição tardia do sistema público de ensino. Madrid: OEI. após a proclamação da República.3% das pessoas com mais de cinco anos de idade eram analfabetas. No início do período republicano. Alfabetização para a vida: relatório conciso de monitoramento global de educação para todos. e constatou que 82. p. a iluminação do povo e o disciplinamento das cama24 . que qualificavam o analfabetismo como vergonha nacional e creditavam à alfabetização o poder da elevação moral e intelectual do país e de regeneração da massa dos pobres brancos e negros libertos. UNESCO. a alfabetização e a instrução elementar do povo ocuparam lugar de destaque nos discursos de políticos e intelectuais. consulte: OEI. 1. _____.oei.

1920 a 2000. modelos e materiais pedagógicos. Assistiram-se no período a duas outras campanhas que obtiveram poucos resultados efetivos: a Campanha Nacional de Educação Rural. Brasil. Devido às escassas oportunidades de acesso à escolarização na infância ou na vida adulta. capacitação para o trabalho e incremento da produtividade. corroborando a concepção que atribuía à alfabetização mudanças individuais ligadas à inserção na vida cívica. diversos países da América Latina. foi realizado nesse período no sentido de desencadear ações educativas que se estendessem a uma ampla faixa da população. porém. 25 . fundamentais para o projeto desenvolvimentista em que numerosos países se engajaram naquele momento. pois o voto lhe era vedado. consideradas incultas e incivilizadas. em 1952. segundo os censos demográficos. quando se estruturou o Serviço de Educação de Adultos do Ministério da Educação e teve início a Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos (CEAA)1.das populares. Ásia e África realizaram campanhas massivas. o que a mantinha excluída da vida política. p. valorizou a alfabetização de adultos como meio de difusão de valores democráticos e motor do desenvolvimento dos países atrasados. As primeiras políticas públicas nacionais destinadas à instrução dos jovens e adultos foram implementadas a partir de 1947. 201. atendendo recomendações da recém-criada UNESCO que. e a Campanha Nacional de Erradicação do Analfabetismo. Gráfico I . devido ao caráter superficial do aprendizado que se efetivava num curto período de tempo e a inadequação dos programas. inúmeras críticas foram dirigidas às campanhas. no contexto do pósguerra. Fonte: FERRARO. até 1950 mais da metade da população brasileira era analfabeta.Evolução do número de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais. 2003. em 1958. 1 Nesse período. Pouco. que não consideravam as especificidades do adulto e a diversidade regional.Evolução da taxa de analfabetismo entre os censos demográficos Gráfico II . No final dos anos 50.

O golpe militar de 1964 interrompeu os preparativos para o início das ações do Plano Nacional de Alfabetização que o educador pernambucano coordenava a convite do governo. a alfabetização de adultos compôs as estratégias de ampliação das bases eleitorais e de sustentação política das reformas que o governo pretendia realizar. 26 . e os Centros Populares de Cultura. órgãos culturais da União Nacional dos Estudantes (UNE). que em sua maioria adotaram a filosofia e o método de alfabetização proposto por Paulo Freire (vide box a seguir). da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A efervescência políticosocial do período compôs o cenário propício à experimentação de novas práticas de alfabetização e animação sociocultural desenvolvidas pelos movimentos de educação e cultura popular. a partir de 1961. a Campanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler. com o patrocínio do governo federal. Exemplos de programas empreendidos por intelectuais. estudantes e católicos engajados na ação política foram: o Movimento de Educação de Base. e a repressão que se abateu sobre os movimentos de educação popular acabou levando Paulo Freire ao exílio.No início dos anos 60. onde escreveu as primeiras obras que o tornariam conhecido em todo o mundo. o Movimento de Cultura Popular do Recife. da Secretaria Municipal de Educação de Natal. estabelecido em 1961.

da compreensão da realidade e da participação favorecia a conscientização das pessoas sobre as estruturas sociais e os modos de dominação a que estavam submetidos. agrária e oligárquica. Sua compreensão inovadora da problemática educacional brasileira interpretava o analfabetismo como produto de estruturas sociais desiguais e. e a alfabetização era vista como uma ferramenta propícia ao exame crítico e à superação dos problemas que afetavam as pessoas e comunidades. efeito e não como causa da pobreza. Freire propunha que os processos educativos operassem no sentido de transformar a realidade. políticos e vivenciais. A seguir eram selecionadas as palavras desse universo vocabular com maior densidade de sentido e que reunissem um conjunto variado de padrões silábicos. culturais. portanto. transformando-a em consciência crítica. carregada de significados sociais. As palavras 27 . Sua proposta de alfabetização previa uma etapa preparatória de imersão do educador na realidade na qual iria atuar. alinhando-se a projetos políticos emergentes na época. destinada à pesquisa sobre a realidade existencial e a linguagem usada pelo grupo para expressá-la. A educação teria o papel de libertar os sujeitos de uma consciência ingênua. o que se opunha de maneira contundente às representações de analfabeto até então preponderantes. fortemente marcadas pelo preconceito. A perspectiva freireana reconhecia os analfabetos como portadores e produtores da cultura. Sua pedagogia fundada nos princípios de liberdade.A PROPOSTA DE ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS DE PAULO FREIRE Paulo Freire criou uma proposta para a alfabetização de adultos que inspira até os dias de hoje diversos programas de alfabetização e educação popular. herança de uma sociedade opressora.

A escolarização de jovens e adultos ganhou a feição de ensino supletivo. instituído pela reforma do ensino de 1971. mas não cumpriu sua promessa de erradicar o analfabetismo durante aquela década e. que ficou conhecida pela sigla Mobral. foi implantado com recursos escassos e sem uma adequada formação de professores. promovida pelo governo. a educação de jovens e adultos. por sua vez. Durante a ditadura militar. em 1985. O método vinculava a prática alfabetizadora ao exame de problemáticas que impediam ou dificultavam o acesso aos bens da própria cultura e à participação política. colaborou na manutenção da coesão social e na legitimação do regime autoritário. o Mobral espraiou-se por todo o país. na transição à democracia. A iniciativa de maior repercussão derivada do Mobral foi o PEI – Programa de Educação Integrada –. Afirmava-se ser possível alfabetizar em três meses. nutrindo o mito de uma sociedade democrática em um regime de exceção. mesmo ano em que teve início a campanha denominada Movimento Brasileiro de Alfabetização. levando-os a se reposicionarem como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Com um funcionamento muito centralizado. Previa-se também uma etapa na qual os educandos dialogariam sobre o papel dos seres humanos como produtores de cultura e suas diferentes expressões.geradoras conformavam a base tanto do estudo da escrita e leitura como da realidade. O ensino supletivo. servia como meio para desvelar processos de opressão e dominação no mundo do trabalho e desigualdades das condições de vida dos brasileiros. abriu 28 . acabou sendo extinto e substituído pela Fundação Educar. que condensava o antigo curso primário e criava a possibilidade de continuidade de estudos para os recém-alfabetizados e demais pessoas que dominavam precariamente a leitura e a escrita. com cerca de vinte palavras geradoras.

e comprometeu os governos com a superação do analfabetismo e a provisão do ensino elementar para todos. associações de moradores. As práticas educativas desses agentes se inscreveram na corrente que ficou conhecida como educação popular. As expectativas geradas pelo marco jurídico construído na transição democrática foram nutridas. Tailândia. a começar pela alfabetização. também. mas ficou estigmatizado como educação de baixa qualidade e caminho facilitado de acesso a credenciais escolares.um canal de democratização de oportunidades educacionais para os jovens e adultos excluídos do ensino regular. A riqueza do legado construído nessa época influenciou. tanto a ampliação de direitos sociais e políticos como o desenho de programas de alfabetização desenvolvidos em parceria entre governos e organismos civis. concebida como instrumento especialmente eficaz para a aprendizagem. pelos compromissos assumidos pelo país no âmbito internacional. em que numerosos países e organismos internacionais estabeleceram uma iniciativa para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem de crianças. 1990). a Constituição de 1988 restituiu o direito de voto aos analfabetos. Atendendo aos reclamos da sociedade. jovens e adultos. No mesmo período. concedeu aos jovens e adultos o direito ao ensino fundamental público e gratuito. desenvolveram ações educativas que incluíam a alfabetização de jovens e adultos. um movimento subterrâneo de rearticulação da sociedade civil e resistência ao regime militar organizou-se fora do controle governamental. organizações de trabalhadores urbanos e rurais e outros agrupamentos orientados por valores de justiça e eqüidade. Comunidades eclesiais de base. Entre eles destaca-se a participação brasileira na Conferência Mundial de Educação para Todos (Jomtien. 29 . e engajados na reconstrução da democracia. filiada às concepções freireanas. para a criação de novos conhecimentos e para a participação cultural. na transição para a democracia. para o acesso e a elaboração da informação. em caráter facultativo.

com igualdade de oportunidades para as mulheres e acesso eqüitativo de todos os adultos à educação básica e continuada. realizada em 1990. em Jomtien. entre os quais a redução. As políticas educacionais dos anos 90 não corresponderam às expectativas geradas pela nova Constituição. Outros níveis e modalidades de ensino.org. China. Índia.br/areas/educacao/ institucional/EFA/index_html/mostra_documento>. o sistema das Nações Unidas realizou uma série de conferências relativas a temas sociais. Frente à reforma do Estado e às restrições ao gasto público impostas pelo ajuste da economia nacional às orientações neoliberais. A primeira delas foi a Conferência Mundial de Educação Para Todos. a avaliação realizada em 2000 – no Fórum Mundial de Educação realizado em Dacar –. Indonésia. Mais informações em <http://www. liderados pela UNESCO. rol em que o Brasil aparece ao lado de Bangladesh. Admitindo que as metas de Educação para Todos não haviam sido alcançadas. que reuniu 155 governos e aprovou a Declaração Mundial sobre Educação para Todos e o Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem. à metade.Na década de 1990. Nigéria e Paquistão. concentrou a ajuda internacional em nove países populosos com índices elevados de analfabetismo. entre os quais a educação de jovens e adultos. postergou para 2015 a consecução dos seis objetivos prioritários. 30 . Tailândia.unesco. México. no Senegal. um comitê de organismos da ONU. Egito. Nos dez anos seguintes. foram relegados a um plano secundário na agenda das políticas educativas. as políticas públicas da década de 1990 priorizaram a universalização do acesso das crianças e adolescentes ao ensino fundamental. dos índices de analfabetismo.

Encerrada a gestão. 2. Posteriormente. públicas e particulares. em 2003. a colaboração da União é imprescindível para suprir os estados e municípios com menores recursos (onde os desafios da alfabetização são maiores) dos meios financeiros e apoio técnicopedagógico necessários ao desenvolvimento das ações de alfabetização e educação básica. o Programa Alfabetização Solidária (PAS) foi um programa de alfabetização destinado aos municípios mais pobres e com maiores índices de analfabetismo do país. a partir de 2007. mas programas centralizados e uniformes resultam inapropriados e pouco flexíveis para responder à diversidade territorial. e desenvolvido com assessoria pedagógica de instituições de ensino superior. Uma delas se refere à necessidade de cooperação entre as esferas de governo. que freqüentemente atuaram em parceria. a alfabetização de jovens e adultos adquiriu nova posição na agenda das políticas nacionais. LIÇÕES APRENDIDAS São muitas as lições aprendidas ao longo dessa breve história. Em um país continental. um conjunto de ações de enfrentamento da pobreza recebeu a denominação de Comunidade Solidária. assumiu a figura jurídica de organização não-governamental e continuou atuando. co-financiado pelo Ministério da Educação e empresas. por determinação legal.Nesse processo. político-econômica e sociocultural do 2 Durante os dois mandatos do Presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). em programas como Alfabetização Solidária2 ou Movimentos de Alfabetização (Movas). a Fundação Educar foi extinta em 1990 e a atribuição da alfabetização dos jovens e adultos foi descentralizada para os municípios ou delegada às organizações sociais. No início do terceiro milênio. o PAS passou a captar também doações individuais e foi estendido a áreas metropolitanas. 31 . com o lançamento. com grandes desigualdades socioeconômicas e territoriais. do Programa Brasil Alfabetizado e a progressiva inclusão da modalidade no Fundo de Financiamento da Educação Básica (Fundeb). coordenar as políticas em âmbito nacional. Parte dessas iniciativas. inclusive por meio de convênios com o governo federal. Cabe ao governo federal. no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado.

o que resulta nos altos índices de abandono dos programas educativos dirigidos aos jovens e adultos. abrindo oportunidades de elevação de escolaridade. 3. Por isso. necessidade da participação das instâncias estaduais e municipais na definição dos conteúdos de aprendizagem e delineamento das estratégias de implementação dos programas. pois. mas salvo raras exceções. Hoje. UM DESAFIO DE MILHÕES Os desafios da alfabetização e educação elementar dos jovens e adultos no Brasil ainda são imensos: em 2006 mais de 65 milhões de jovens e adultos brasileiros tinham escolaridade inferior ao ensino fundamental. qualificação profissional. ainda. as iniciativas de alfabetização têm maiores chances de êxito quando se articulam a outras políticas de inclusão socioeconômica e desenvolvimento local. não produzem resultados efetivos e duradouros. e o país possuía. 14. 32 . As experiências nacional e internacional de mais de meio século demonstram que campanhas que apelam à urgência da alfabetização em massa podem. sensibilizar a sociedade e mobilizar a demanda dos jovens e adultos. Outra lição relaciona-se às características dos programas de alfabetização e escolarização. a maior parte dos quais pertencentes aos grupos com idades mais avançadas. Sabemos que a aquisição da leitura. Há. e sua consolidação demanda a existência de oportunidades de continuidade de estudos e de um entorno sociocultural estimulante ao uso cotidiano das habilidades recém-adquiridas. em um primeiro momento. escrita e do cálculo requer um período não muito breve de aprendizagem.país.3 milhões de analfabetos absolutos. temos ciência de quão difícil é motivar o ingresso e permanência em processos de aprendizagem de pessoas que vivem múltiplos processos de marginalização socioeconômica e cultural. fruição cultural e participação cidadã.

000 64. 3 Segundo a Pnad 2006 do IBGE. mostrava uma vantagem de dois anos para brancos (8.278.852 18.584.604 73.541.4 milhões de analfabetos brasileiros. e afetam principalmente as populações mais pobres e os afrodescendentes3.90 56.5%) e pardos (28. mais de 10 milhões eram negros e pardos. em relação a negros e pardos (6.008. Censos Demográficos e Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2006.07 13. para negros e pardos.233.675 138.709.5% para brancos e de mais que o dobro.000 95.63 10. 14%.632 15.00 50.837.60 33.043 Total Analfabetos 11.964. nas regiões Nordeste e Norte do que no centro-sul do país.50 20.423 40.401.1 anos de estudos). as taxas de analfabetismo continuam a ser bem mais elevadas nas zonas rurais do que nas áreas urbanas.889 14.294. Assim.769 30. ou mais. As taxas de analfabetismo para a população de 15 anos de idade.758 16.2).556.557.847 19.269. ou mais.391.60 25.249.272.716.715 13. a distribuição de oportunidades educacionais entre os grupos étnicos continua a apresentar diferenças significativas.TABELA I Brasil: Evolução do analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais – 1920/2006 Ano/Censo 1920 1940 1950 1960 1970 1980 1991 2000 2006 17.381 15.50 39. A média de anos de estudo da população de 15 anos de idade. Refletindo as desigualdades socioeconômicas e territoriais. o Brasil continua a ser o país latino-americano que possui o maior contingente de analfabetos da região.977 18.943 119. A taxa de analfabetismo funcional também era muito menor para brancos (16. apresentando taxas de analfabetismo bem mais elevadas que países com perfil educacional ou nível de desenvolvimento econômico similares.38 % Fonte: IBGE.282 23. 33 .146.6%). Dos 14. foram de 6.4%) do que para negros (27.602 54.

900 2.600 292.073.377.600 15.600 159.800 120.719.600 1.000 2.600 Bolívia 13 Honduras Nicarágua Haiti 34 .506.600 1.500 944.300 460.100 61.400 911.TABELA II América Latina e Caribe: analfabetismo na população com mais de 15 anos – 2000 Argentina Costa Rica Venezuela Colômbia Equador México Brasil República Dominicana El Salvador Guatemala Região Fonte: UNESCO Institute for Statistics. Uruguai Cuba Chile País Analfabetos 845.000 % 2 3 3 4 4 7 7 8 8 8 10 15 16 25 21 34 31 11 50 9 Paraguai Panamá Peru 5.300 2.900 39.700 973.900 732.100 223.100 705.016.186.892.836.600 859.

Belo Horizonte: Autêntica. 1995.org.. M. p. 35 . 108130. Disponível em: <http://www. DI PIERRO. M.. E.Para saber mais. 4. A.). Revista Brasileira de Educação. consulte: BEISIEGEL. Revista Brasileira de Educação. HADDAD. Escolarização de jovens e adultos. São Paulo: Global./ago.pdf>. n. A alfabetização de jovens e adultos em uma perspectiva de letramento. GALVÃO. L.pdf>. História da alfabetização de adultos no Brasil. 2003. 2007. 26-36. T. (Org. 2004. C. FERRARO.br/rbe/rbedigital/RBDE04/RBDE04_04_ CELSO_DE_RUI_BEISIEGEL. R.br/ rbe/rbedigital/RBDE14/RBDE14_08_SERGIO_HADD AD_E_MARIA_CLARA_DI_PIERRO. Rio de Janeiro. In: RIBEIRO. GALVÃO.org. História quantitativa da alfabetização no Brasil.. Disponível em: <http://www. (Orgs. R.). Preconceito contra o analfabeto. LEAL. M.anped. A. M.anped.. Letramento no Brasil. SOARES. M. Considerações sobre a política da União na educação de jovens e adultos. In: ALBUQUERQUE. A. São Paulo. p. V. C. S. DI PIERRO. n. C. mai. 2000. 14. São Paulo: Cortez.

org. que o Brasil subscreveu em 1990 <http://www. 3. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita. ARTIGO 26° DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS 1. e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. pelo menos nos graus elementares e fundamentais. Sociais e Culturais. A instrução elementar será obrigatória. esta baseada no mérito. 2.br/publicacoes/ copy_of_pdf/convdiscensino>. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrado a seus filhos. Disponível em: <http://www. é um marco na história da construção do direito à educação. A instrução técnico-profissional será acessível a todos. e pelo Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos.br/ counter/Onu/Sist_glob_trat/texto/texto_2.unesco.4.onu-brasil. a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.direitoshumanos. refletindo o consenso internacional com respeito à prerrogativa inalienável de todo cidadão de ter acesso ao ensino elementar4.html>. em 1948.org. de 1960 <http://www. 36 . O DIREITO À ALFABETIZAÇÃO NA LEGISLAÇÃO NACIONAL A proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.usp. 4 O direito à educação é abordado também pela Convenção Relativa à Luta contra a Discriminação no Campo do Ensino.br/documentos_direitoshumanos. bem como a instrução superior.php>. A instrução promoverá a compreensão.

A Constituição Federal de 1988 atendeu aos reclamos da sociedade e reconheceu o direito dos jovens e adultos ao ensino fundamental. o artigo 60 das Disposições Transitórias da Constituição também estabelecia que. inclusive. obrigatório e gratuito. O direito das pessoas jovens e adultas ao ensino foi reafirmado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB). apropriada às necessidades e condições peculiares desse grupo. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: I – ensino fundamental. assegurada.planalto. aplicando não menos que 50% dos recursos vinculados à educação para esse fim. sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria.] VI – oferta de ensino noturno regular. obrigando os poderes públicos a sua oferta gratuita5. adequado às condições do educando. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14/1996) [. que instituiu o Fundo de Desenvolvimento do ensino fundamental (Fundef ).Para que o direito à educação seja garantido pelo poder público e possa ser exigido pelos cidadãos. pela Emenda Constitucional nº 14. nos dez primeiros anos da promulgação da Constituição.. 208.. Disponível em: <http://www. Esse artigo foi modificado. é necessária sua inscrição em legislação nacional.gov.htm>. 5 Em sua versão original. os governos e a sociedade organizada deveriam mobilizar-se para eliminar o analfabetismo e universalizar o ensino fundamental. na qual foi inscrito como modalidade da educação básica. em 1996. CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 Art.br/ccivil_03/Constituicao/ Constitui%C3%A7ao. 37 .

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL Nº 9. DE 1996 TÍTULO III DO DIREITO À EDUCAÇÃO E DO DEVER DE EDUCAR Art. ainda.] VII – oferta de educação escolar regular para jovens e adultos. em regime de colaboração.] Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito público subjetivo.] 38 . e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso. com características e modalidades adequadas às suas necessidades e disponibilidades. inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade própria.... [. 4º O dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de: I – ensino fundamental. podendo qualquer cidadão. grupo de cidadãos..394. e. II – fazer-lhes a chamada pública. § 1º Compete aos Estados e aos Municípios. e com a assistência da União: I – recensear a população em idade escolar para o ensino fundamental. entidade de classe ou outra legalmente constituída. associação comunitária. [. o Ministério Público. acionar o Poder Público para exigi-lo.. obrigatório e gratuito. garantindo-se aos que forem trabalhadores as condições de acesso e permanência na escola. [. organização sindical..

38.TÍTULO V DOS NÍVEIS E DAS MODALIDADES DE EDUCAÇÃO E ENSINO [. consideradas as características do alunado. 39 . mediante ações integradas e complementares entre si.] Seção V Da Educação de Jovens e Adultos Art. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos. seus interesses. Art. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.. condições de vida e de trabalho. que compreenderão a base nacional comum do currículo.. 37. que não puderam efetuar os estudos na idade regular. habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular... § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador na escola. oportunidades educacionais apropriadas.] CAPÍTULO II Da Educação Básica [. § 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos. mediante cursos e exames.

mec. coube ao Conselho Nacional de Educação (CNE) criar normas sobre a duração mínima dos cursos e a idade mínima de ingresso. respectivamente. entre as prioridades maiores. a idade mínima para ingresso nesses cursos foi estabelecida em 15 e 18 anos. a garantia de ensino fundamental a todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram. Uma das inovações introduzidas pela LDB foi reduzir a idade mínima para conclusão dos exames supletivos de ensino fundamental e médio para 15 e 18 anos (antes. que instituiu o Plano Nacional de Educação (PNE).§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I – no nível de conclusão do ensino fundamental.gov.mec. bem como fixar Diretrizes Curriculares para a Educação de Jovens e Adultos6.gov. O Parecer CNE/CEB nº 36/2004 fixou a duração mínima dos cursos para jovens e adultos em 24 meses – para as séries finais do ensino fundamental – e 18 meses – para o ensino médio. 18 e 21 anos). Entre as 26 metas do PNE 6 As Diretrizes foram estabelecidas em 2000 no Parecer 11 da Câmara de Educação Básica (CEB) do CNE.br/cne/arquivos/pdf/CEB012000. as idades mínimas exigidas eram.pdf>. Essas determinações legais implicaram grandes desafios às três esferas de governo.br/cne/arquivos/pdf/pceb011_00. A introdução do Plano inclui. Como a LDB não foi específica. para os maiores de dezoito anos. 40 . cujas políticas deveriam orientar-se pela Lei nº 10. respectivamente.172. § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.pdf>. II – no nível de conclusão do ensino médio. para os maiores de quinze anos. Carlos Roberto Jamil Cury (<ttp://portal. do qual derivou a Resolução CEB/CNE nº 1 <http://portal. de 2001. relatado pelo Prof.

consulte: CURY. a generalização da oferta de educação geral e profissional em presídios e estabelecimentos que atendem adolescentes que cometeram atos infracionais e cumprem medidas socioeducativas em regime fechado7. CNE.pdf>. como responsabilidades tão amplas são distribuídas entre as esferas de governo? A Constituição e a LDB atribuem responsabilidades específicas à União. Para saber mais. Brasília: MEC. a erradicação do analfabetismo e a oferta de séries finais do ensino fundamental para todos que têm menos de oito anos de estudos até 2011. J. A alfabetização e o ensino fundamental de jovens e adultos compõem esse campo de responsabilidades compartilhadas que exigem a colaboração dos municípios.br/cne/ arquivos/pdf/pceb011_00. determinando que cada instância organize o respectivo sistema de ensino em regime de colaboração com as demais. 2000.gov. 7 A íntegra do PNE está disponível em: <http://portal.br/arquivos/pdf/pne. destacam-se: a oferta de séries iniciais do ensino fundamental para 50% das pessoas jovens e adultas que têm menos de quatro anos de estudos e a duplicação da capacidade de atendimento no ensino médio até 2006.pdf>. C. de articulação e apoio técnico e financeiro às demais instâncias. R.mec.referentes à educação de jovens e adultos. Disponível em: <http://portal. Considerando que o Estado brasileiro é uma Federação constituída por entes autônomos. 41 . Parecer CNE/CEB 11/2000 que dispõe sobre as diretrizes curriculares para a educação de jovens e adultos. estados e da União.mec.gov. cabendo ao governo federal as funções de coordenação das políticas nacionais. aos estados e aos municípios. cooperando entre si para garantir o ensino obrigatório.

uma das características importantes das políticas públicas de educação de jovens e adultos é sua orientação em direção a uma maior centralização no âmbito federal ou a tendência à descentralização em direção aos governos estaduais e municipais. Porém. que mantêm as redes escolares. Nesses contextos. o governo federal abandonou a provisão direta da alfabetização de jovens e adultos. e são os estados e municípios.5. eram os principais mantenedores do ensino supletivo. as organizações da sociedade civil continuaram ocupando um lugar importante na promoção da alfabetização de jovens e adultos. para as quais muitas organizações sociais também contribuíram de modo significativo. Por isso. do Programa Alfabetização Solidária (1998-2002) ou do Brasil Alfabetizado (2003-2007). proporcionando-lhes a continuidade dos estudos e a consolidação das aprendizagens. conforme a denominação utilizada na época. capazes de acolher a maior parte dos estudantes jovens e adultos (inclusive aqueles oriundos dos programas de alfabetização organizados por iniciativa da sociedade civil). o governo federal foi a instância que concebeu. assumindo funções subsidiárias de financiamento e apoio técnico aos estados. municípios e organizações sociais. 42 . o sistema de ensino básico brasileiro é descentralizado. superando os estados que. Outro aspecto relevante são os vínculos e a distribuição de responsabilidades entre os governos e as organizações sociais nesse campo educativo. AS POLÍTICAS PÚBLICAS RECENTES DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Ao longo da história brasileira. por intermédio da Fundação Educar (1985-1990). até a década de 1990. A história recente da alfabetização e educação de jovens e adultos no Brasil foi marcada pela redefinição do eixo centralização-descentralização das políticas educativas. Após a extinção do Mobral em 1985. financiou e coordenou a maior parte das campanhas e programas da alfabetização dos jovens e adultos. mas foram os municípios que assumiram responsabilidades crescentes na oferta de oportunidades de escolarização para os jovens e adultos.

998 57 0 1.315.419. A tendência à municipalização é particularmente nítida quando se analisam os dados do primeiro segmento do ensino fundamental – etapa de ensino em que os municípios responderam por 80% da matrícula de jovens e adultos em 2006. o mesmo não pode ser dito sobre sua influência na configuração das políticas educacionais.711 39 1.104 80.674.080.628 37 0 1.490 2.380.171 38 2. Em contrapartida.818.395.515 53 1. que continuou intensa.675 2005 3. seja pela capacidade de indução 8 Para interpretar esse dado é necessário considerar que alguns estados subscrevem os convênios “guarda-chuva” com o governo federal no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado.089 9 3 2 2 2 1 Fonte: Censo Escolar. respondendo por 49% dos alfabetizandos inscritos no Programa em 20068.354.736 67.798 59 Estadual % Municipal % Particular % 351. Inep.925 2002 2. MEC.949 39 2.300.505 42 1.387.592 2003 3. seja pelas prerrogativas de estabelecimento de diretrizes curriculares e coordenação das políticas.846. Os estados são também os principais executores do Brasil Alfabetizado.124.427.779 909 381 446 389 0 2.516.797 54.887 2004 3.723 58 0 1. respondendo por 54% das matrículas no 2º segmento do ensino fundamental presencial e por 88.034.964 56 0 1.292 103.808 39 1.225 Ano Total Federal % 5. os estados ainda são os principais mantenedores das etapas mais avançadas da educação escolar de jovens e adultos.987.TABELA III Brasil: evolução da matrícula inicial em cursos presenciais de ensino fundamental de jovens e adultos por dependência administrativa – 2001/2006 2001 3.2% das matrículas no ensino médio em 2006.509 76.136 60 0 1.027.905. 43 . coordenando as ações no âmbito da Unidade Federada. mas a execução das atividades de alfabetização é realizada pelos municípios. Se a União recuou na oferta direta dos serviços educativos destinados aos jovens e adultos.550 2006 3.

trabalhadores da educação. de indígenas. 11 Criada pelo Decreto Presidencial nº 4. movimentos de alfabetização.forumeja.br/ basica/encceja/>.475. desde meados dos anos 1990. um representante da UNESCO e um das instituições de ensino superior. organizações sociais e instituições de ensino superior. É formada por 17 membros. mediante a transferência de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) aos estados. Para exercer a função de regulação das políticas. realização de exames10.gov. desde 1996. estados e organizações da sociedade civil11. de abril de 2007. afrodescendentes e juvenis. movimentos sociais do campo. e dez representantes da sociedade civil (fóruns de EJA. a Proposta Curricular para o 1º Segmento do ensino fundamental de Jovens e Adultos e. estaduais (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e municipais (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).093. Assim. bem como organizações não governamentais dedicadas a questões da educação e do meio ambiente). de junho 2004. a partir de 2004 o Ministério da Educação (MEC) reuniu a gestão dos programas de apoio à alfabetização e ensino fundamental de jovens e adultos em uma nova Secretaria de Educação Continuada. e instituiu uma Comissão Nacional para consulta aos municípios. ambas disponíveis em: <http://portal. Essas medidas conferiram maior coerência e eficácia às iniciativas do MEC 9 O MEC dissemina. a Proposta Curricular para o 2º Segmento do ensino fundamental. por meio do qual pode.br/secad/>. de março de 2006 (http://www.br/cnaeja/). a Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos (Cnaeja) teve seu âmbito e composição ampliados pelo Decreto nº 5. distribuição e apoio à aquisição de livros didáticos. sendo quatro representantes dos governos federal (Secad e SEB/MEC). a União passou a influenciar as políticas e práticas de educação de jovens e adultos dos demais agentes por meio da difusão de propostas curriculares9 e programas de formação de professores.org.inep.mec. reafirmados pelo Decreto nº 6. 10 A partir de 2002. o governo federal criou o Exame Nacional de Certificação de Competências (Encceja).proporcionada pelo exercício das funções supletiva e redistributiva. Alfabetização e Diversidade (Secad). Sua composição recente foi estabelecida pela Portaria nº 602. a partir de 2002.gov. 44 . municípios. mediante convênio com estados e municípios.834/2003 para tratar exclusivamente da alfabetização de jovens e adultos. substituí-los na realização de exames supletivos <http://www. bem como pelo co-financiamento de programas previamente modelados.

no âmbito do Programa Brasil Alfabetizado e do Concurso Literatura para Todos12. dispersos em distintos órgãos do governo federal. de edições anuais do Concurso Literatura para Todos. estavam alocados em diferentes ministérios e secretarias.gov. formado por um conjunto heterogêneo de medidas que visam reverter o baixo desempenho do sistema de ensino básico diagnosticado pelo Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb). O PDE não prevê novas medidas para a educação de jovens e adultos. visando à promoção da alfabetização e de educação básica de jovens e adultos em curso em 2007. mas não foram suficientes para superar as dificuldades de coordenação interministerial dos programas de educação de jovens e adultos. mediante a realização. 12 A Secad estimula a elaboração de literatura para leitores jovens e adultos iniciantes.1 POLÍTICAS E PROGRAMAS FEDERAIS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS No centro da atual política educacional do governo federal encontra-se o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). incorporando ações já em curso. destinadas à alfabetização. inovando apenas na criação de selos para certificação de municípios que alfabetizem 96% da população ou reduzam as taxas de analfabetismo à metade até 2010.094/2007. Os programas federais.mec. Estados e municípios com Ideb baixo podem receber apoio técnico e financeiro da União mediante adesão ao Compromisso Todos pela Educação – um conjunto de 28 diretrizes de melhoria da qualidade a serem alcançadas até 2022.para essa etapa de ensino. previstas no Decreto nº 6. 5. que combina informações sobre o fluxo e rendimento escolar com a proficiência demonstrada nos exames nacionais padronizados.br/secad/>). cujas obras premiadas têm ampla distribuição (mais informações em: <http://portal. a partir de 2006. como veremos a seguir. de apoio aos estados e municípios. 45 .

assegurando a continuidade de estudos aos egressos do Programa Alfabetização Solidária. recebeu a denominação Fazendo Escola e foi progressivamente estendido a todas as regiões do país. Complementarmente a esses programas. ainda.610. A partir de 2003. de suplementação do orçamento de estados e municípios para a oferta de ensino fundamental. e se encontra em fase de conclusão13.500.549. na aquisição e reprodução de materiais didáticos e pedagógicos e. criado em 2003 e voltado à alfabetização.292 3. pois as ações que lhe correspondiam passaram a ser financiadas com recursos do Fundeb.381 1.342.00 387.626 1.988 3. Fnde.226. municípios e organizações sociais no campo da educação de jovens e adultos: o Brasil Alfabetizado.000.000.307 823. 46 .920. com valores per capita diferenciados em uma escala proporcional ao déficit educativo da localidade.656.00 *Em 2001 e 2002. Em 2007 foi suspenso.000. Fonte: MEC.00 412.327.842 Municípios 1. a prover ensino fundamental de jovens e adultos. e o programa Fazendo Escola.00 306. que teve início em 2001 com o nome Recomeço – Supletivo de Qualidade.TABELA IV A Diretoria de Educação de Jovens e Adultos (Deja) da Secad desenvolve dois programas de apoio técnico e financeiro da União aos estados.00 420. permitindo aplicação na contratação temporária e remuneração de pessoal docente.004 1. que será analisado em detalhe mais adiante.200. Suplementava o orçamento desses estados e municípios com verbas na proporção de R$ 230.00 por aluno/ano. 13 O Programa Recomeço – Supletivo de Qualidade foi criado pelo MEC em 2001 para apoiar os municípios e estados com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).772 2. a Deja Brasil: Cobertura do Programa Fazendo Escola* – 2001-2006 Ano 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Beneficiários 1.000. denominado Recomeço.015 2.251.796.305 Investimento (R$) 187.000.531 3. na formação continuada de professores.000. em um programa suplementar de alimentação destinado a esses alunos.380 4.00 460. em especial do Norte e Nordeste do país.

disponível para download no portal http://www. Em 2007 ocorreu a seleção do Programa Nacional do Livro Didático para Alfabetização de Jovens e Adultos – PNLA. desde 2005. assim como promove concursos e distribui obras literárias para pessoas jovens e adultas recém-alfabetizadas.eja. composta por 27 Cadernos de EJA. com metodologias e currículos apropriados15. Disponível em: <http://www. destinada ao ciclo inicial do ensino fundamental.planalto. preparou para a Secad uma nova coleção didática para o ensino fundamental.org. com originais distribuídos gratuitamente e impressão apoiada pelo FNDE. destinado à elevação de escolaridade. instituiu em 2005 o Programa Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem). em 2002. A Secretaria Nacional de Juventude. dois programas. consultar o 6º Desafio no Capítulo III. provenientes de famílias de escassos recursos.elabora e distribui materiais didático-pedagógicos14. Sobre esse tema. o Proeja registrou cerca de sete mil matrículas no biênio 2006-2007. 93-103. Com um investimento de R$ 22.htm>.2 milhões entre 2005 e 2006. Escola de Fábrica consiste no aporte de recursos do governo federal para abertura de salas de aula em empresas e se destina à capacitação profissional de jovens de 16 a 24 anos.br/ccivil/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5840. vinculada diretamente à Presidência da República. de 2006. ou em versões impressa e magnética.840. uma equipe pluri-institucional. que não concluíram o ensino básico. equipes contratadas pelo MEC elaboraram também materiais didáticos para a preparação dos jovens e adultos ao Encceja. cuja distribuição terá início em 2008. a Secretaria de Educação Básica do MEC encomendou à organização não governamental Ação Educativa a coleção didática Viver. e na oferta para esse público de ensino fundamental e médio articulados à formação profissional básica ou técnica. Durante os governos do Presidente Luís Inácio Lula da Silva.br/. p. Aprender. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC também desenvolve. 15 O Proeja foi instituído pelo Decreto nº 5. O Programa de Integração da Educação Profissional ao ensino médio na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja) – consiste na reserva de um percentual mínimo de vagas para jovens e adultos na rede federal de educação profissional e tecnológica.gov. liderada pela Unitrabalho. 47 . 14 Durante o primeiro governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso.

qualificação profissional. recebeu 124. 48 . e adota o regime de progressão continuada. implementa desde 1998 o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). O programa desenvolve-se nas capitais e demais cidades das regiões metropolitanas com mais de 200 mil habitantes. o programa acolhe também os trabalhadores rurais acampados cadastrados pelo Incra. um modelo pedagógico integral e acelerado16. subdividida em quatro unidades trimestrais. com a missão de ampliar os níveis de escolarização dos trabalhadores rurais assentados. desenvolvida em 12 meses. a ampla maioria das quais assentadas no Nordeste e Norte do país.365 matrículas nas 27 unidades da federação. 16 O Projeto Pedagógico do ProJovem prevê uma carga horária de 1. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No ano de 2006. No caso da alfabetização e do ensino fundamental. mediante convênios com as administrações públicas dos entes federados. O programa é operacionalizado por convênios que regem o financiamento do Incra a instituições de ensino superior que atuam em parceria com os movimentos sociais do campo. subordinado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). inclusive as pessoas com necessidades educativas especiais. mediante formação de educadores e promoção de cursos de educação básica de jovens e adultos (alfabetização. que não concluíram o ensino fundamental. inclusão digital e ação comunitária de jovens entre 18 e 24 anos.00. Ao longo dos últimos cinco anos.600 horas (75% das quais presenciais e 25% não presenciais). técnicos profissionalizantes de nível médio e diferentes cursos superiores e de especialização. ensino fundamental e médio). o Pronera fixou metas de alfabetização e escolarização de jovens e adultos superiores a 56 mil pessoas ao ano. em caráter experimental. sem vínculo empregatício formal. e concede aos estudantes auxílio mensal de R$ 100. O ProJovem adota.

4% Acumulado 225.526 Fonte: INCRA. Endereços úteis Ministério da Educação Secretaria de Educação Continuada.377 27.488 19.br/setec 49 . 2104-8429(Escola de Fábrica) Site: http://www.360 2.770 61.276 8.080 3.786 4.256 Sul 2.4% 6.186 15.343 48.166 13.086 CentroSudeste Oeste 3.302 3.315 53.680 25. Alfabetização e Diversidade – Secad Esplanada dos Ministérios Bloco L Edifício Sede 7º Andar CEP: 70047-900 Brasília – DF Telefone: (61) 2104 9400 Site: http://portal.700 9.600 2.773 115.4% 25.912 8.740 2.2% 29.gov.5% 1.442 35.mec.br/secad Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica – Setec Esplanada dos Ministérios Bloco L Sala 400 Edifício Sede CEP: 70047-900 Brasília – DF Telefones: (61)2104-8550(Proeja).981 51.980 4.174 64.255 12.gov.176 18. PRONERA.400 6.280 9.694 100 Norte Nordeste 20.TABELA V Alfabetização e ensino fundamental de jovens e adultos: evolução das metas de atendimento do Pronera – 2003-2006 Ano 2003 2004 2005 2006 % Brasil 59.mec.

O FINANCIAMENTO DAS POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A amplitude e o impacto das políticas públicas de alfabetização e educação escolar de jovens e adultos são fortemente condicionados pelo financiamento atribuído a esse ensino.Secretaria Nacional de Juventude Coordenação Nacional do Projovem SCES – Centro Cultural Banco do Brasil Trecho 2 Conj. em grande medida.incra. 22 Ed. Tancredo Neves 1º andar Área A CEP: 70200-020 Brasília – DF Telefones: 0800 722 7777 ou (61)3411-3550 / 3411-3552 3411-3571 E-mail: projovem@planalto. A oferta reduzida e a precária qualidade da educação de jovens e adultos no Brasil podem ser explicadas.gov.2.br/ Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária SBN Quadra 1 Sala 1.gov.057-900 Brasília – DF Telefones: (61)3411-7392 ou 3411-7276 Site: http://www.br Site: http://www.gov.424 Edifício Palácio do Desenvolvimento 14º andar CEP: 70. embora em alguns períodos as políticas para o setor tenham se beneficiado de recursos vinculados ou 50 .projovem. pelo fato de que em nenhum momento da história da educação brasileira a modalidade recebeu aporte financeiro significativo.br/ 5.

mecanismo que tende a inibir a expansão das matrículas. Passada uma década. impediu que as matrículas no ensino presencial dos jovens e adultos fossem contabilizadas nos cálculos do Fundef. cabendo aos estados o maior aporte de recursos. No triênio 1994-1996. a festejada inclusão do ensino de jovens e adultos no sistema de financiamento público. o que traduz a posição marginal da modalidade na agenda governamental. Na história recente. 17 Criado em 1942.fonte própria de financiamento17. constata-se que em 2006 apenas 1. em que a prioridade da política educacional foi universalizar o acesso à escola na infância e adolescência. o Fundo Nacional do Ensino Primário foi regulamentado em 1945. que permitia às pessoas jurídicas deduzir do Imposto de Renda doações feitas ao órgão.7) não permite cobrir as despesas totais com a manutenção e desenvolvimento de um ensino de qualidade. a extraordinária difusão do Movimento Brasileiro de Alfabetização no território nacional foi possível graças a incentivo fiscal. o veto presidencial à Lei nº 9. por meio da Emenda Constitucional nº 53 – que instituiu o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) – e da Lei nº 11. a escassez de recursos financeiros representou um claro limite para que os poderes públicos cumprissem seus compromissos na garantia do direito dos jovens e adultos à educação. por exemplo.3% e 0. Em 1996.424. o que proporcionou a base financeira das campanhas de alfabetização dos anos 50. o que desestimulou a expansão dessa modalidade educativa. prevendo que 25% das transferências realizadas pela União aos Estados fossem aplicadas no ensino de jovens e adultos. Dez anos depois.5% da despesa total com educação. ocorre em condições desvantajosas. pois os gastos com a modalidade não podem exceder a 15% do Fundo e o fator de ponderação que lhe foi atribuído (0. o gasto das três esferas de governo com o ensino de jovens e adultos oscilou entre 0. 51 .494/2007 – que o regulamentou –. Décadas depois.3% do gasto realizado pelos estados em educação foram dedicados ao ensino de jovens e adultos. que regulamentou o Fundo de Desenvolvimento do ensino fundamental e Valorização do Magistério.

preferindo os processos formativos conduzidos por seus próprios membros. aos quais muitos grupos populares têm dificuldade de se adaptar. que atraem a colaboração de organizações da sociedade civil para os programas de alfabetização e escolarização de jovens e adultos. No caso brasileiro. das organizações empresariais e dos sindicatos. os governos têm buscado ativamente a colaboração dos movimentos e organizações sociais para o desenvolvimento 52 . Esse é o contexto. a alfabetização e a educação básica de jovens e adultos são territórios que atraem a participação da sociedade organizada em quase todo o mundo. do qual não podem furtar-se os governos. também. pois a leitura. a escrita e o cálculo são habilidades necessárias aos processos de conscientização. à medida que constitui a base da qualificação profissional dos trabalhadores. organização e participação cidadã. muitas iniciativas de alfabetização e escolarização de jovens e adultos resultam da auto-organização das comunidades para satisfazer necessidades formativas que os serviços governamentais não contemplam ou o fazem de modo insatisfatório. devido ao viés escolarizado. em que as funções do Estado vêm sendo redefinidas e restringidas. adquire especial relevância. Trata-se de um campo sensível às ações de educação popular dos movimentos sociais e organizações políticas.É nesse cenário de escassez de recursos para o financiamento da educação de jovens e adultos que a suplementação da União aos estados e municípios. mesmo quando os montantes transferidos são de pequeno porte. homogêneo e pouco flexível. É um terreno de interesse. também. mobilização.3 RESPONSABILIDADE PÚBLICA E PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL Embora configurem âmbito de responsabilidade pública. que impulsiona as três esferas de governo a adotar estratégias de parceria. 5. Na história recente. em programas especiais dos diversos ministérios (mencionados no tópico anterior).

Educação e Sociedade. C. n. 92. visto que envolve parcerias na execução direta das atividades educativas. Para saber mais. GOMES. Notas sobre a redefinição da identidade e das políticas públicas de educação de jovens e adultos no Brasil. As parcerias configuram uma estratégia duplamente conveniente ao poder público. monitoramento e avaliação dos programas e políticas governamentais. ao mesmo tempo que permite desonerar a máquina pública de encargos permanentes. Entre os riscos da difusão da estratégia de parcerias estão a desresponsabilização do poder público e a oferta de ensino em condições físicas precárias. L. 26. DI PIERRO. Educação de jovens e adultos: um campo de direitos e de responsabilidade pública. L. Diálogos na educação de jovens e adultos.de políticas públicas. Belo Horizonte: Autêntica.. incidindo na conscientização. Disponível em: <http://www. ou na concepção. 2005. A. a participação dos movimentos e das organizações sociais na alfabetização e educação básica de jovens e adultos pode ser de outra natureza.br/ scielo. G. M. G. 1115-1139. como a contratação de pessoal docente. v.php>.scielo. M. p. 2005. mobilização e organização da sociedade. pois atende às demandas de participação dos movimentos e organizações sociais. GIOVANETTI. como as de formação dos jovens e adultos. Especial. p. No entanto. Boa parte dos programas de alfabetização que são analisados neste livro está sujeita a essa polêmica. consulte: ARROYO. Campinas.. M. N. por educadores que nem sempre possuem formação adequada. J. 19-50. 53 . In: SOARES.

que alicerces foram construídos como a base jurídica de reconhecimento dos direitos educativos e de responsabilização do poder público na provisão gratuita de oportunidades educacionais de qualidade para todos. Mas o contexto indica. de um lado. portal de acesso à educação de qualidade ao longo da vida. É com essa “colheita” nos braços que podemos mirar o horizonte e planejar os próximos passos na busca de uma educação de qualidade para todos. ALICERCES E HORIZONTES O cenário delineado nas páginas anteriores exibe o enorme desafio de assegurar aos milhões de brasileiros jovens e adultos analfabetos ou com baixa escolaridade o direito à alfabetização. As iniciativas internacionais podem ir além da retórica das reuniões e documentos. Entre os pilares que sustentam as políticas de educação de jovens e adultos no país estão. Entre erros e acertos. 54 . as organizações e redes da sociedade civil dedicadas à temática. as experiências do passado deixaram aprendizagens que as políticas educacionais do presente devem incorporar. quando há outras urgências a atender. de outro. também. Aponta também as dificuldades de fazê-lo com meios escassos em situações de pobreza e desigualdade. como a educação das novas gerações. os sistemas públicos descentralizados de ensino e. propiciando o intercâmbio de experiências e a articulação de redes de cooperação.6.

às identidades (de gênero. étnica. como em relação às representações sobre o ler e escrever. Apesar de não terem domínio da leitura e da escrita. criam formas alternativas. Conhecer quem são estas pessoas. tanto no que diz respeito aos ciclos de vida (juventude. sua organização e funcionamento. o que sabem. podem informar como esse desafio se configura em cada região. grupo social. de geração. cultural). que sentido conferem à leitura e à escrita. para lidar com variadas situações em que essa linguagem está presente em seu dia-a-dia. Quando observados de modo estratificado. são milhões de jovens e adultos que não puderam se escolarizar durante a infância e adolescência. velhice). Os programas de alfabetização de jovens e adultos. Em suas vivências. município. como vivem. Os números do analfabetismo nos oferecem não só a dimensão do desafio educacional brasileiro. os conhecimentos e as habilidades desenvolvidos ao longo de suas vidas. seus conteúdos e abordagens metodológicas devem estar ancorados nas necessidades dos sujeitos que dela tomam parte. comunidade e nos diferentes segmentos da população. às suas disposições e necessidades de aprendizagem. o que influencia no modo como se engajam na alfabetização.PARA QUEM SE DESTINAM OS PROGRAMAS DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS? No Brasil. onde estão. maturidade. jovens e adultos não alfabetizados vivem num mundo regulado pela linguagem escrita e. o que querem aprender é condição para delinear programas compatíveis e viáveis a quem essa educação é de direito. Diferenciam-se. ocuparam papéis sociais distintos e participaram de práticas sociais as mais diversas. construíram bagagens culturais diversas. 55 .

Outros dados podem ser encontrados no sítio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística <http://www. conhecer sua realidade e oferecer alternativas para que se engajem na alfabetização e para que possam dar continuidade aos estudos. Cuiabá (MT) contou com o apoio da Justiça Eleitoral para cadastrar as pessoas analfabetas ou com baixa escolaridade que compareceram ao plebiscito sobre o desarmamento. 18 Os dados do analfabetismo em cada um dos municípios brasileiros podem ser encontrados no sítio do MEC <http://portal. do qual participaram todos os professores do município. é possível realizar um planejamento integrado e organizar estratégias para chegar até as pessoas.br>. um censo escolar de casa em casa. em horários compatíveis com suas disponibilidades. 56 . os poderes públicos cumprem também com a obrigação legal de recensear os jovens e adultos que não tiveram acesso ao ensino fundamental.Nessa perspectiva. Mais recentemente.gov. com apoio de uma universidade pública. oferecendo aos jovens e adultos alternativas de estudo no próprio centro escolar. Em algumas regiões do México. se gostariam de iniciar e retomar seus estudos e quais as condições necessárias para isso. as autoridades recolhem informações sobre a escolaridade dos membros das famílias durante a matrícula de seus filhos na educação infantil e no ensino básico. há diversas outras maneiras de obter essas informações.ibge. para evitar superposição de iniciativas. Ao fazê-lo. A cidade de Santos (SP) realizou. De outro lado.br/index. Além de consultar as estatísticas oficiais18 e os cadastros dos programas de saúde e assistência social.php?option=com_content&task=view&id=8866 &Itemid=&sistemas=1>. Com esses dados.mec.gov. um passo fundamental é realizar um levantamento para saber quem são. é preciso identificar as ofertas de alfabetização e educação de jovens e adultos já existentes na localidade e saber como elas funcionam. onde estão e como vivem os jovens e adultos não alfabetizados ou pouco escolarizados.

Esse conjunto é muito heterogêneo quanto às suas características sociais. se produzem. a escrita está presente em boa parte das situações de convívio e interação. e o uso efetivo dessa linguagem exige das pessoas o emprego de competências cada vez mais sofisticadas. São saberes que podem limitar ou ampliar a participação e neles estão implicadas a aprendizagem de comportamentos. de ler e de escrever. há um enorme contingente de pessoas que não sabem ler e escrever ou que não puderam se escolarizar. Além disso. se promovem o acesso e a interação com a cultura. de escutá-los. de comentálos. usando tanto os artefatos de papel – cadernos. registram e fazem circular conhecimentos e informações. No Brasil. folhetos – como outros suportes – como a televisão e o cinema. atitudes e valores. procedimentos. Imersos na cultura letrada. o computador. necessidades 57 .CAPÍTULO II ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM MOVIMENTO Em sociedades contemporâneas. a linguagem escrita é um instrumento cultural por meio do qual se estabelecem relações sociais. entre tantas outras coisas. gestos. nos deparamos diariamente com a necessidade de falar apoiados em textos escritos. o telefone celular ou o caixa eletrônico do banco. livros. o que traz uma série de conseqüências para os modos como as pessoas percebem a si mesmas e são vistas socialmente. se ordena e regula a vida em sociedade. jornais. Ter domínio ou não dessa linguagem e saber ou não usá-la em múltiplas práticas sociais afeta de muitas maneiras os papéis que as pessoas assumem ou lhes são atribuídos nas mais diferentes atividades. revistas.

restringindo os lugares sociais que podem ocupar. a promoção da alfabetização é também um dever do Estado. dos locais onde residem. posteriormente. da condição de sexo. até então hegemônica. A mobilização social em torno do direito de todos à educação. são estigmatizadas e discriminadas socialmente. as pessoas estariam aptas a usar a escrita em seu cotidiano e.formativas e às peculiaridades dos diversos subgrupos que o compõem. Essas parecem razões suficientes para que a alfabetização seja um processo a que todos tenham acesso. dar prosseguimento aos estudos. 1. com a aprendizagem de letras. em alguns meses. considerava-se que uma pessoa estava alfabetizada quando sabia escrever seu nome e ler algumas palavras ou pequenas frases. sobre o processo de aprendizagem da leitura e da 58 . e. sílabas e palavras. é o fato de que seus integrantes não correspondem às expectativas sociais relacionadas à escolarização e aos diversos usos da linguagem escrita – o que afeta suas vidas. no entanto. as possibilidades e os recursos de que podem lançar mão para agir – nos mais variados âmbitos sociais. por essa razão. independente do ciclo de vida em que se encontram. as mudanças socioculturais verificadas no final do século XX e o desenvolvimento dos estudos científicos transformaram a compreensão. CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Durante boa parte do século XX. de sua ocupação e renda. São identificadas como analfabetas pela falta de conhecimentos e pouca familiaridade com a linguagem escrita. Um aspecto que unifica esse grupo. Acreditava-se que. Além de uma necessidade básica. etnia. representando apenas a primeira etapa da educação a que todos constitucionalmente têm direito – o ensino fundamental. do grupo social a que pertencem. A maior parte das políticas e práticas de alfabetização de jovens e adultos estava pautada também na crença de que a alfabetização tinha o potencial de catalisar mudanças individuais e societárias.

escrita, atualizando as diretrizes de políticas e as orientações didáticas para a alfabetização. Entretanto, essa renovação não se processa sem tensões, já que as concepções de alfabetização emergentes convivem e disputam o campo intelectual e as diretrizes das políticas educacionais com as visões até então dominantes, o que se reflete na diversidade das orientações e práticas pedagógicas. Os tópicos que seguem abordam algumas dessas polêmicas.
1.1 ALFABETIZAÇÃO E MUDANÇA SOCIAL

Durante a maior parte de sua história, a alfabetização de jovens e adultos no Brasil esteve sob influência de pelo menos duas formas de conceber a relação entre educação e mudança social. A adesão a esta ou àquela concepção afeta o modo como se concretizam programas de alfabetização de jovens e adultos. Uma dessas concepções é a da educação como meio de emancipação e transformação das pessoas e sociedades. O modelo emancipatório foi inaugurado nas experiências inovadoras de alfabetização de jovens e adultos, realizadas por Paulo Freire na década de 1960, e continuado pela corrente da educação popular. Nessas experiências, promovidas majoritariamente por grupos e organizações da sociedade civil, os processos de alfabetização estão conectados à formação mais geral dos sujeitos e à realização de atividades nos âmbitos de convivência social, da participação cidadã e profissional. São iniciativas que comportam uma heterogeneidade de ações e apontam para uma visão pluralista e múltipla da alfabetização. Orientam-se por finalidades, práticas e atividades que proporcionam aprendizagens, para que as pessoas possam agir em uma variedade maior de contextos sociais. Apesar da riqueza de princípios e da criatividade como as propostas educativas foram geradas, as repercussões dessas experiências ainda são tênues nos programas de alfabetização mantidos pelas redes estaduais e municipais de ensino.
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A outra concepção tem um caráter compensatório, reporta-se à educação regular e atribui à educação de jovens e adultos a função de recuperar o “atraso” escolar daqueles que não puderam estudar em idade considerada “própria”. Esse paradigma tem como principal conseqüência enquadrar o funcionamento e organização de programas de alfabetização de jovens e adultos em modelos da alfabetização escolarizada. Um dos seus efeitos negativos é a adoção de uma perspectiva assistencialista, que concebe a ação alfabetizadora como uma doação ou missão, motivada pela ajuda aos menos favorecidos.
1.2 A ALFABETIZAÇÃO NOS CENSOS DEMOGRÁFICOS

Uma das formas de captar as alterações e a progressiva extensão do conceito de alfabetização é acompanhar os critérios adotados no Censo Demográfico para distinguir, no conjunto da população, as pessoas alfabetizadas e não alfabetizadas. Até 1940, era considerado alfabetizado aquele que simplesmente declarasse que sabia ler e escrever, o que era interpretado como a capacidade de escrever o próprio nome. A partir de 1950 até o momento atual, a obtenção de informações sobre o analfabetismo da população se dá por meio da aplicação de duas perguntas, uma delas de auto-avaliação (sabe ler e escrever?) e a outra de determinação da série ou ciclo escolar concluído (o tempo de estudo). Ser alfabetizado passou, então, a abarcar a capacidade de ler e escrever um bilhete simples, ou seja, exercer uma prática de leitura e escrita comum em nossa sociedade. Implícita ao critério do tempo de estudo, subjaz a consideração de que, após alguns anos de aprendizagens escolares, as pessoas não só terão aprendido a ler e escrever, como a fazer uso da leitura e da escrita no cotidiano, consolidando tais habilidades, de modo a afastar o risco de regressão ao analfabetismo.

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O CONCEITO DE ALFABETISMO FUNCIONAL

É considerada alfabetizada funcional a pessoa capaz de utilizar a leitura e a escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e usá-las para continuar aprendendo e se desenvolvendo ao longo da vida. Com a ampliação do acesso à escolarização, para além da alfabetização, voltaram-se as atenções para a qualidade do processo de escolarização oferecido a todos. A questão que se coloca não é simplesmente se as pessoas sabem ler e escrever, mas também o que elas são capazes ou não de fazer com essas habilidades. Isso quer dizer que, além da preocupação com o analfabetismo, problema social que ainda persiste no Brasil, emerge a preocupação com o analfabetismo funcional, ou seja, com a falta de capacidades para fazer uso efetivo da leitura e da escrita nas diferentes esferas da vida social, após alguns anos de escolarização. Pelo critério adotado nas pesquisas censitárias, são analfabetas funcionais as pessoas com menos de quatro anos de estudo. Para saber mais sobre o conceito de alfabetização funcional, consulte: RIBEIRO, V. M.; VÓVIO, C. L.; MOURA, M. P. Letramento no Brasil: alguns resultados do indicador nacional de alfabetismo funcional, Educação & Sociedade. v. 23, n. 81, p. 49-70, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0101-73302002008100004&lng=pt&nrm=iso>. SOARES, M. B. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Ceale, Autêntica, 1998.

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Pode-se inferir que o resultado produzido na primeira medida, na qual o sujeito se autodeclara alfabetizado ou analfabeto, seja afetado pelos significados atribuídos à pergunta e pelo que se entende por saber ler e escrever em determinado grupo social; significados e conceitos esses que variam à medida que as condições sociais e econômicas mudam e as expectativas sociais se transformam. Quando a alfabetização e a escolarização estão conectadas de modo indissociável, um sujeito sem escolarização pode se autodeclarar analfabeto, mesmo tendo algum conhecimento e familiaridade com a escrita. No segundo processo, o tempo de estudo é uma medida que pressupõe uma homogeneidade na qualidade da educação que se oferece e na possibilidade de desenvolvimento das pessoas nesse âmbito. Assim, a apuração da última série concluída não possibilita identificar as capacidades desenvolvidas na multiplicidade de práticas e demandas de uso da escrita a que estão submetidas as pessoas em seu cotidiano, os valores que a ela atribuem, os conhecimentos que construíram na participação em eventos mediados por esta linguagem, bem como suas identidades como usuários da escrita.
UM INDICADOR NACIONAL DE ALFABETISMO FUNCIONAL

Realizada anualmente pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, o Indicador Nacional de Alfabetismo (Inaf) é uma pesquisa sobre o desempenho em testes de leitura e matemática aplicada a uma amostra dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos, que estão ou não estudando, residentes em áreas rurais ou urbanas, em todas as regiões do Brasil. Os dados consolidados do Inaf, no período entre 2001 a 2007, evidenciaram que a escolarização é o principal fator de promoção das habilidades de leitura e escrita da população, bem como de aplicação de conhecimentos matemáticos para a resolução de problemas. Enfim, quanto maior o nível de escolaridade, maior a chance de se obter bons desempenhos nas tarefas contidas no testes de leitura e conhecimentos matemáticos, conforme se observa no quadro.

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proporções e cálculo de área e lêem e interpretam informações matemáticas. envolvendo percentuais. Nível Rudimentar – Pessoas com capacidade de localizar informação explícita em textos curtos e familiares e ler e escrever números usuais e realizar operações matemáticas simples. fazem inferências. ainda que uma parcela deles consiga ler números familiares. resolvem problemas envolvendo mais de uma operação. lêem números na casa dos milhões. resolvem problemas matemáticos que exigem planejamento e controle.Níveis de Alfabetismo Analfabeto – Condição daqueles que não conseguem realizar tarefas simples que envolvem a leitura de palavras e frases. Escolaridade 1ª a 4ª série 5ª a 8ª séries ensino Ensino Total médio Superior Brasil 12% 1% 0 0 11% 52% 26% 8% 2% 26% 31% 53% 45% 24% 37% 5% 20% 47% 74% 26% Analfabetos funcionais Alfabetizados funcionais 64% 36% 27% 73% 92% 8% 98% 2% 37% 63% 63 . Nível Pleno – Pessoas que possuem habilidades necessárias para transitar com autonomia em sociedades letradas. localizam informações. têm noção de proporcionalidade. Nível Básico – Pessoas que lêem e compreendem textos de maior extensão. não há restrições para compreensão e interpretação de textos escritos.

3 ALFABETIZAÇÃO: UMA QUESTÃO DE MÉTODO? Um dos grandes esforços na promoção da alfabetização se concentrou.acaoeducativa. a alfabetização tornou-se objeto de um campo espe64 . à cultura escrita e aos seus benefícios.ipm. até mesmo pelas inovações tecnológicas que dão suporte a esses usos. para ser considerado alfabetizado. Como se vê. em formas para promover o aprendizado das primeiras letras e o desenvolvimento das habilidades de codificação e decodificação.org. as pessoas consigam se comunicar por meio da escrita. de modo constante. durante quase um século. A questão dos métodos de alfabetização só ganhou importância quando a instituição escolar responsabilizou-se pela alfabetização da população. Os usos da linguagem escrita também mudaram no interior das instituições sociais. os saberes necessários para que todos possam usar a escrita ao longo da vida. A alfabetização escolarizada passou a ser o início ou a via única para o acesso à educação básica. passando seu ensino e aprendizado a constituir-se numa função típica da escola. o que atualiza. por espaços domésticos e por iniciativas informais e improvisadas. à formação de profissionais. na questão dos métodos de ensino da leitura e escrita. antes da escola. leia os relatórios anuais produzidos no site do Instituto Paulo Montenegro: <www. Diferenciada dos usos rotineiros da leitura e da escrita.br> ou no site da ONG Ação Educativa <www. além desse domínio. circunscrita a esse âmbito. O ensino da escrita passou. bastava ter domínio do código de escrita. como também passou a abranger novas exigências que tornaram mais complexo esse campo pedagógico.org>. espera-se que. até algumas décadas atrás. A alfabetização não apenas sofreu mudanças conceituais que ampliaram seu significado. mas atualmente. 1.Para saber mais sobre o Inaf.

cífico de estudos – o da educação –.. em qualquer instância. um conjunto de princípios teórico-procedimentais que organizam o trabalho pedagógico em torno da alfabetização. a ação alfabetizadora. por meio de currículos organizados para esse fim. Compreendem o método alfabético que toma como unidade a letra: o método fônico toma como unidade o 65 . que delineou e uniformizou seus métodos. os objetos de ensino. um livro didático de alfabetização proposto por algum autor. E POR FALAR EM MÉTODOS.. a sílaba. o fonema. como o silábico. das partes para o todo. Até hoje. O método de alfabetização é uma expressão que pode designar: um método específico. caracteriza-se pelo uso de um ou mais métodos para ensinar a ler e a escrever. Métodos sintéticos são aqueles que seguem o caminho indutivo. o global. um conjunto de saberes práticos ou de princípios organizadores do processo de alfabetização. Portanto. muitas são as disputas entre os que se consideram portadores de um eficiente e revolucionário método de alfabetização e na atribuição dos resultados insatisfatórios dos processos de ensino aos métodos e às didáticas empregadas pelos educadores. bem como o que se espera como resultado desse processo. a organização e progressão das aprendizagens. filiado ou não a uma vertente teórica explícita ou única. por exemplo. combinados a formas de conceber os sujeitos. Todos esses privilegiam a memorização de sinais gráficos (letras) e de suas correspondências fonográficas (sons). (re)criados pelo professor em seu trabalho pedagógico. o fônico. processos e resultados. e podem ser organizados de variadas formas a partir da eleição de um princípio ou unidade: a letra.

gravado em áudio e disponível em: www. certamente ela ocupa um lugar considerável nesse processo. ciclo de conferências que reúne pesquisadores da área de alfabetização e professores da educação básica. Esses métodos tomam como unidade de análise a palavra. do todo para as partes. baseandose no reconhecimento global como estratégia inicial. consulte a conferência de Isabel Frade. vão do texto à frase. combinando métodos diversos em função dos diferentes momentos do processo de alfabetização. Para saber mais sobre métodos e sua concretização em materiais pedagógicos. a frase e o texto e. Métodos analíticos são aqueles que alternativamente seguem um caminho dedutivo. pautando-se pelo modo como se compreende o sujeito da aprendizagem e o objeto de ensino – a linguagem escrita e seus usos sociais.br/ceale Embora não se possa atribuir os resultados da alfabetização unicamente à opção metodológica. as opções didáticas no processo de alfabetização extrapolam a escolha de um ou outro método. o fonema ou a sílaba) é o que diferencia o tratamento em torno das correspondências fonográficas do sistema alfabético de escrita.fae. supõem que os aprendizes podem realizar posteriormente um processo de análise de unidades que. que é a sílaba.fonema e o método silábico toma como unidade um segmento fonológico mais facilmente pronunciável. sentenciação ou palavração). no Ceale Debate. Nessa perspectiva. De maneira geral. e procuram romper com o princípio da decifração. da frase à palavra. dependendo do método (global de contos.ufmg. Entretanto. 66 . da palavra à sílaba. a escolha por apenas um caminho para sistematização das relações fonema-grafema (a letra. é possível superar polarizações.

No que concerne aos sujeitos da aprendizagem. Quanto à natureza do objeto de ensino. bem como a análise dos processos de aprendizagem por eles vivenciados. com ênfase em intervenções didáticas que propiciem avanços de aprendizagem. Implica também a reavaliação da prática à luz das orientações teórico-metodológicas sugeridas pela produção acadêmica. 1997) foram eventos internacionais que reafirmaram o direito de todos à educação ao longo de toda a vida.4 A VISÃO AMPLIADA DE ALFABETIZAÇÃO E EDUCAÇÃO PARA TODOS A Conferência Mundial de Educação para Todos (Jomtien. de planejamentos e de rotinas necessários à aprendizagem da leitura. Tailândia. de compreensão. as regularidades e irregularidades ortográficas. um conjunto de procedimentos pertinentes à preparação do ambiente físico e social do centro educativo ou escola e das turmas de alfabetização. uma diretriz a ser cultivada é o reconhecimento dos saberes de que os educandos são portadores. escrita e de seus usos por pessoas jovens e adultas. o diagnóstico dos saberes e necessidades dos estudantes. e de seu papel ativo no processo de alfabetização. Nesses documentos. sabe-se atualmente que a alfabetização envolve aprendizagens para além da decodificação. reconhecimento global e construção de sentidos em contextos de usos sociais da escrita e da leitura. a formação permanente de alfabetizadores. 1990) e a V Conferência Internacional de Educação de Adultos (Hamburgo. incluindo o domínio das relações entre fonemas e grafemas. como os princípios de organização do sistema alfabético-ortográfico da escrita. portanto. 1. As decisões sobre como conduzir o processo de alfabetização envolvem. a alfabetização de jovens e adultos foi apontada como um território estratégico para fazer frente à exclusão e à desigualdade 67 . a seleção de livros e materiais didáticos que apóiem de forma consistente o trabalho pedagógico. e de princípios pertinentes à progressão das aprendizagens e ritmos dos jovens e adultos.

levar à prosperidade e ao bem-estar social.social e. a alfabetização só ganhará sentido na vida dos jovens e adultos se eles puderem aprender algo mais que juntar as letras. desse modo. que se estende ao longo de toda a vida e que considera que as pessoas estão permanentemente se educando em diversos âmbitos sociais. da solidariedade entre os povos e a não discriminação. não só na escola. a participação cidadã. Durante boa parte do século passado e ainda nos dias de hoje são desenvolvidos programas com uma visão técnica. a noção ampla de alfabetização proposta nesses documentos – entendida como instrumento singularmente eficaz para a aprendizagem. e para a participação na própria cultura e na cultura mundial – não é concretizada em muitos dos programas e práticas de alfabetização implementados em nosso país. para o acesso e a elaboração da informação. Muitos desses programas espelharam-se no modo como tradicionalmente a escola funciona e promovem o ensino de modo semelhante às campanhas de alfabetização de curta duração. desarticuladas de outros programas nos quais jovens e adultos possam dar continuidade ao processo de aprendizagem. a valorização da diversidade cultural. Porém. desenvolvendo novas habilidades e criando novas motivações para transformar a si mesmos. Nesse contexto. à melhor atuação profissional. garantir os direitos humanos. saber ler e escrever tem sido interpretado como conhecimento capaz de. Indicam também a necessidade de conexão entre as ações de alfabetização e as práticas sociais relevantes para os alfabetizandos. interessar-se por questões públicas e intervir 68 . ao cuidado consigo e com a família. que limita o processo de alfabetização ao mero domínio do sistema de escrita. Contrariamente à perspectiva assumida nos acordos internacionais. por si só. As noções de alfabetização e educação assumidas em Hamburgo e em Jomtien associam-se a uma visão ampla de educação.

devem variar tanto quanto as realidades sociais em que essas pessoas estão imersas. Ainda mais problemático é tomar por base os currículos e programas organizados para a educação de crianças e adolescentes como fontes ou parâmetros para a organização de processos de aprendizagem. as aprendizagens previstas em programas de alfabetização deveriam contribuir para o desenvolvimento humano e. O enfoque proposto em ambas as declarações questiona os programas de alfabetização de jovens e adultos. ao ambiente doméstico. os programas deveriam. às demandas culturais de variados grupos sociais. portanto. à atividade política. incluindo aquelas decorrentes das inovações tecnológicas. simultaneamente. Demandam de gestores. ainda. à consideração das exigências crescentes do mundo do trabalho para a geração de emprego e renda.na realidade da qual fazem parte. pesquisadores e educadores a criação de um conjunto de programas viáveis e compatíveis às necessidades dos aprendizes. Abarcariam processos e conteúdos formativos nos quais se incluem iniciativas que visam ao desenvolvimento comunitário e local. à formação política para a cidadania moderna. colaborar para a investigação e busca de soluções para problemas do contexto em que se vive e para a participação em atividades relacionadas ao mundo do trabalho. às esferas da cultura e do lazer. que extrapolam disciplinas ou áreas do conhecimento e relacionam-se com o desenvolvimento de atitudes. Coerentes com essa visão ampla de educação. 69 . já que desconsideram a bagagem cultural diversa que jovens e adultos construíram em outras bases e âmbitos de convivência. orientar-se para a valorização dos saberes prévios e da diversidade cultural de jovens e adultos e para a criação de múltiplas e variadas oportunidades de aprendizagem. seus tempos e espaços rigidamente delimitados. seus conteúdos e objetivos e processos de interação pautados por relações hierárquicas e assimétricas. e que. Conseqüentemente. que adotam características tipicamente escolares.

Em vez de respostas educativas uniformes e desligadas das necessidades locais. 1. disseminaram-se no país pesquisas e estudos nos campos da Sociologia. As pesquisas sobre o letramento. Como conseqüência. ainda. da Lingüística. interesses e aos contextos em que se desenvolvem. da História e da Pedagogia que iluminaram a compreensão dos usos e impactos da aquisição da linguagem escrita. da Comunicação. compreendido como o conjunto de práticas sociais relacionadas aos usos da escrita e suas funções e possíveis efeitos na sociedade. por exemplo.Ofertas educativas homogêneas (de mesmo tipo e com conteúdos e aprendizagens preestabelecidos. Essa vertente de pensamento concebe o funcionamento da mente humana como produto social. conectadas às necessidades. Pressupõe que tais formulações devam ser revistas por um modelo que permita identificar as conexões entre o desenvolvimento cognitivo e a atividade exercida pelos sujeitos no contexto histórico e cultural em que estão inseridos. a atribuição de qualidades às sociedades letradas em detrimento das não letradas. como os jovens. Questiona. ou. muitos dos programas de alfabetização acabam por inviabilizar tanto a permanência dos educandos quanto a realização de aprendizagens significativas. portanto. trouxeram grandes contribuições para a superação de uma visão técnica e instrumental da alfabetização. programas de alfabetização deveriam ser tão diversos quanto as características dos contextos em que ocorrem e dos grupos atendidos.5 NOVAS PESQUISAS E CONCEITOS Entre as décadas de 1980 e 1990. de um nível de desenvolvimento cognitivo mais elevado aos sujeitos escolarizados-alfabetizados em detrimento dos sujeitos não escolarizados. e não como mero resultado do domínio de tecnologias e de sistemas de representação. as mulheres ou certas categorias de trabalhadores. da Psicologia. presumidos como necessários para os envolvidos) têm grande probabilidade de não atender aos interesses e necessidades de determinados grupos. 70 .

compreender a natureza das hipóteses de escrita dos adultos. co-editada pelo MEC e pela ONG Ação Educativa em 1997. E é a partir dessas vivências. como construtivismo ou socioconstrutivismo. nas quais a linguagem escrita está presente. Na década de 1980. materiais didáticos para estudantes e professores. e se constatou que nas experiências diárias nas quais a escrita está presente todos. podem-se citar a Proposta Curricular para Educação de Jovens e Adultos: 1º segmento do ensino fundamental. e o Programa federal de Formação de Professores Alfabetizadores (Profa). aprendem algo. tornou-se conhecida em toda a América Latina por sua investigação sobre o processo de aquisição da escrita em crianças de língua espanhola. no Brasil. com relativa autonomia da condição de alfabetização. Esses estudos questionaram os efeitos da aprendizagem da escrita sobre as pessoas.Muitos dos estudos que circularam no período demonstraram que as pessoas. descobrir o tipo de conhecimento que o adulto possui antes de iniciar processos formais de alfabetização. que as pessoas apreendem comportamentos. funções e modos de atuar em cada situação. a partir dos postulados da teoria psicogenética de Jean Piaget. 71 . Seu intuito foi o de identificar os processos cognitivos implicados na aquisição da escrita. O QUE SABEM JOVENS E ADULTOS SOBRE A ESCRITA ANTES DE FREQÜENTAR OS BANCOS ESCOLARES? Emília Ferreiro. valores e conhecimentos. descobrem papéis. conhecimentos e atitudes advindos da própria situação de comunicação. radicada no México. gestos. Emília Ferreiro realizou pesquisa tratando da mesma problemática com os adultos. 19 Entre as iniciativas influenciadas por essa perspectiva. pesquisas sobre aquisição da escrita por jovens e adultos19. pesquisadora argentina. desenvolvem competências. potencialmente. Seu trabalho teve grande repercussão e influenciou a elaboração de propostas curriculares. ao compartilhar de práticas sociais em que a escrita está presente. A perspectiva psicogenética inaugurada por esses estudos ficou conhecida. programas de formação de educadores. criado em 2001. apreendem formas de participação.

72 . uma sucessão de etapas com progressão regular. negando-se os velhos pré-requisitos que caracterizariam a prontidão para ser alfabetizado. faz com que essas pessoas tenham idéias sobre como a escrita funciona e para quê ela serve. Muitos jovens e adultos que nunca passaram pela escola sabem distinguir letras de números. mesmo pessoas que não sabem ler e escrever mantêm contato intenso com a escrita. Esses conhecimentos prévios constituem as bases das aprendizagens posteriores e devem ser considerados pelos educadores no processo de alfabetização. É por meio da interação com materiais de leitura reais e com situações concretas de comunicação que se aprende a ler e a escrever. pelas quais tanto as crianças como os adultos passam durante o processo de aquisição da escrita. reside na reiteração de que. conhecem o nome de algumas letras. sabem para que e em quais situações a escrita é utilizada. os métodos considerados tradicionais de ensino. os sujeitos reconstroem gradativamente esse sistema de representação por meio da interação com o objeto de conhecimento. associado à convivência com outros que sabem ler e escrever. bem como seus usos mais comuns são identificados. seus padrões são observados. sabem escrever seus nomes e reconhecem palavras. Esse contato. conhecem certas práticas sociais de leitura e escrita. De modo geral. na convivência com outros mais experientes na cultura escrita. alguns de seus princípios organizadores são reconhecidos. Muito antes de freqüentar a escola. A grande contribuição dessas pesquisas. ninguém está indiferente à escrita. o que coloca em segundo plano os estímulos externos para aprender o sistema de escrita e.Ferreiro identificou. em sociedades modernas. conseqüentemente. semelhante à seguida pela humanidade na construção da escrita alfabética. Participando ativamente da aprendizagem. ainda. ao lado dos estudos sobre o letramento.

formando-se continuamente como ser cultural. Em sua teoria. o desenvolvimento é compreendido como decorrente da interação. p. Para mio a mudasa na tie probemas: As primeiras produções escritas do alfabetizando adulto. da cooperação social que se produz mediante a interatividade entre sujeitos mais experientes da cultura. In: KLEIMAN. 1). a linguagem é o elemento basilar para a compreensão do funcionamento da mente. FERREIRO. psicólogo que viveu na antiga União Soviética.. (Paideia Latinoamericana. leia: DURANTE. Vygotsky. ao aprender a usar instrumentos próprios de sua cultura e sistemas lingüísticos. F. Alfabetización de ninõs y adultos: textos escogidos.Uma outra vertente disseminou-se no Brasil no mesmo período: a teoria sociohistórica sobre o desenvolvimento humano e a aprendizagem de Liev S. para este autor a cultura tem papel central nas possibilidades de desenvolvimento humano. E. Diferentemente da perspectiva psicogenética. seus estudos colaboraram para destacar o papel propositivo do professor/alfabetizador na mediação do processo de aquisição da linguagem escrita. com ferramentas culturais e recursos disponíveis e que entram em jogo na situação. as pessoas desenvolvem novas formas de atividade. 2007. In: Crefal. Para Vygotsky (1994). Porto Alegre: Artes Médicas. Entre outras contribuições. 1998. 19-207. Pátzcuaro. Para ele. México: Crefal. M. no início do século passado. Para saber mais sobre a psicogênese da língua escrita. A. sendo constituinte das formas de inteligência e consciência humanas. Los Adultos no alfabetizados y sus conceptualizaciones del sistema de escritura. PICOLI. 73 . Alfabetização de adultos.

Reconhece-se que. São Paulo: Papirus. o que inclui capacidades muito mais complexas que o mero uso do alfabeto. Outra constatação importante advinda dos estudos sobre o letramento é que os atos de falar. escritor. utilizar a escrita com sucesso exige a apropriação de regras e normas que tanto instituem como legitimam essas práticas. Ensinar ou aprender: Emília Ferreiro e a alfabetização. apreende-se a diversidade de seus propósitos e usos sociais. também. ler e escrever envolvem conhecimentos distintos. e são determinados pela situação comunicativa. 1993. 74 . RIBEIRO. Muda-se o foco de atenção no processo de alfabetização: da linguagem escrita em si para as práticas e situações em que a escrita é central. V. envolvendo aprendizagens que não se restringem à decodificação. à capacidade de usar a leitura e a escrita em diferentes situações. a alfabetização também passou a ser considerada como ferramenta importante para o uso efetivo e competente da leitura e da escrita. Porto Alegre: Artmed.SIGNORINI. I. Nos anos 90. simultaneamente à aquisição da escrita. M. O ensino e a formação do professor: alfabetização de jovens e adultos. mas dizem respeito. leitor. M. 2001. Os alfabetizandos precisam aprender o que está envolvido em cada situação em que a comunicação ocorre. como o exercício de papéis diversos – de orador. a partir da disseminação dos estudos do letramento. por exemplo – em contextos de interação social. Nesse enfoque. pela instituição na qual ocorrem e pelo contexto em que são produzidos.

criam estratégias para lidar com situações em que a escrita está presente. A apropriação da escrita é um processo complexo e multifacetado. uma das principais aprendizagens para a formação de leitores e escritores que saibam lidar com a escrita nas mais variadas situações de seu cotidiano. Pessoas não alfabetizadas não têm autonomia para lidar com a escrita em seu cotidiano.MAS. É uma dessas práticas que introduz os estudantes na reflexão sobre o sistema de escrita (saber para que serve. Isso quer dizer que a alfabetização é um processo fundamental para que todas as pessoas possam se envolver e participar de modo autônomo em ações nas quais a linguagem escrita esteja de algum modo presente. Trata-se de um processo que tem início quando se começa a conviver com as diferentes manifestações da escrita na sociedade e se prolonga por toda a vida. que promove o domínio desse sistema (saber como ele funciona) e que introduz aprendizagens sobre a leitura e a produção de textos. sua função social). portanto. mas não possuem conhecimentos suficientes para participar de modo pleno em diversas práticas sociais. Sabem muitas coisas sobre a escrita. com a crescente possibilidade de participação em variadas práticas relevantes e necessárias que envolvem a escrita. que envolve tanto o domínio do sistema alfabético-ortográfico quanto a compreensão e o uso efetivo e autônomo da língua escrita em práticas sociais diversificadas. É. A alfabetização demanda o ensino intencional e sistemático. O QUE LETRAMENTO TEM A VER COM ALFABETIZAÇÃO? Letramento e alfabetização são processos indissociáveis e interdependentes. 75 . Letramento é um conceito que diz respeito ao conjunto de práticas de uso da linguagem escrita numa dada sociedade ou contexto. AFINAL.

nessa perspectiva. das letras e dos números. A pessoa alfabetizada é aquela que aprendeu a lidar com textos diversos. É preciso experimentar um amplo conjunto de situações nas quais a leitura e a redação são necessárias.br/scielo. Disponível em: <http://www.php?script=sci_arttext&pid=S1413 -24782004000100002&lng=pt&nrm=iso>.scielo. 25. Porto Alegre: Artmed. Nesse sentido. 76 . Revista Brasileira de Educação. O processo de alfabetização. hoje se sabe que. colabora para que as pessoas possam transitar com familiaridade entre diversas práticas sociais de uso da linguagem e saibam buscar conhecimentos e informações para continuar aprendendo ao longo da vida. M. À luz desses estudos. 17-39. leia: KLEIMAN. que sabe como a escrita funciona e para que é usada. p. para uma pessoa tornar-se de fato um usuário da escrita. SOARES.É por isso que alfabetização e letramento são processos complementares e devem ocorrer simultaneamente. 2004. n. Para compreender as relações entre alfabetização e letramento e sua aplicação na educação de jovens e adultos. para além daquelas de que tradicionalmente a escola se ocupou. Saber como funciona o sistema de escrita é apenas uma das aprendizagens necessárias para que as pessoas saibam aplicar a lectoescritura em diferentes situações. que incorpora e faz uso da escrita em sua vida – de maneira adequada e freqüente –. A. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. os processos de aprendizagem devem focalizar as práticas culturais relacionadas à escrita e suas variadas modalidades de uso. é preciso mais do que o conhecimento dos códigos. et al. 2001. O ensino e a formação do professor: alfabetização de jovens e adultos. B.

mesmo nos países mais prósperos. Em todas as partes do mundo. e promover a leitura. Para ordenar os diversos aspectos do tema e a profusão de informações disponíveis. cultural. (Agenda para o Futuro da Educação de Adultos) 77 . que abordam os principais desafios enfrentados no desenvolvimento de políticas e programas de alfabetização: 1º) assegurar o direito de todos à alfabetização de qualidade. a alfabetização deveria abrir o caminho de uma participação ampliada na vida social.CAPÍTULO III APRENDENDO COM A EXPERIÊNCIA Neste capítulo. 3º) estimular a participação social. 4º) promover a formação dos alfabetizadores. são extraídas lições de experiências recentes de alfabetização de jovens e adultos ou ainda em curso no Brasil. 2º) incorporar uma concepção ampliada de alfabetização. 7º) incorporar uma cultura de avaliação. 6º) elaborar e distribuir materiais didáticos. há milhões que não estão em condições de manter essa conquista. mais de um bilhão de pessoas não adquiriram uma instrução elementar e. 1º DESAFIO – ASSEGURAR O DIREITO DE TODOS À ALFABETIZAÇÃO DE QUALIDADE Ainda hoje. 5º) considerar a diversidade dos educandos e dos contextos de aprendizagem. política e econômica. o capítulo foi subdividido em sete tópicos.

entre muitos que poderiam ser citados. entre 2000 e 2006. uma das qualidades necessárias às políticas de alfabetização é a capacidade de resgatar os direitos educativos violados. mobilização dos alfabetizandos e recrutamento e capacitação dos 20 O Censo Escolar realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação em 2006 revela que 80% das matrículas nas séries iniciais em cursos presenciais do ensino fundamental de jovens e adultos foram efetuadas no ensino público municipal. Modelado e financiado pelo governo federal. com o intuito de coordenar. Esse é o primeiro desafio que governos e sociedade buscam afrontar quando institucionalizam políticas de educação de jovens e adultos. em 2007. Mas. em que ocorre a iniciação e consolidação da alfabetização20. teve um crescimento de 278% e recebeu. mais de 33 mil matrículas. Na experiência brasileira recente. um exemplo de programa que projeta metas ambiciosas de superação do analfabetismo é o Brasil Alfabetizado. o programa é executado de modo descentralizado por estados. formação para o trabalho e geração de renda. como já assinalamos. que têm autonomia didático-pedagógica e são responsáveis pelas instalações físicas. a União desempenha importante papel indutor sobre as políticas dos demais entes federados. 78 . de que há vários exemplos em nossa história. instituições de ensino superior e organizações sociais.Em um país em que um em cada dez jovens e adultos vive em condição de analfabetismo absoluto. induzir e apoiar ações de alfabetização articuladas a outras políticas de assistência social. é o Programa de Educação de Jovens e Adultos do Rio de Janeiro que. Os municípios são hoje as instâncias de governo responsáveis pela maior parte das matrículas nas séries iniciais do ensino fundamental de jovens e adultos. chegando a um número significativo de pessoas em todo o território. Outro exemplo.5% das quais efetuadas na etapa em que transcorre a alfabetização. Com 115 mil matrículas em 2007. municípios. São Paulo é o município com a mais ampla oferta escolar para jovens e adultos no país. ou quando desencadeiam campanhas da alfabetização. lançado em 2003 pelo Ministério da Educação. 12.

assemelha-se a outros programas e campanhas similares que o Brasil conheceu na segunda metade do século XX.718 77. Evolução da cobertura do Programa Brasil Alfabetizado – 2003/2007 Ano Inscritos Alfabetizadores Projetos Recursos / Turmas Municípios (milhões Parceiros de R$) 2003 2004 2005 2006 2007 1. mas as pesquisas não evidenciam impacto significativo desse esforço na redução das taxas de analfabetismo.1 167.mec.446 1.474 67. Resultados – Em cinco anos de existência. aquisição de livros didáticos e óculos. Esse desenho não é original. a avaliação do programa tornou-se sistemática e rotineira. foram desenvolvidos subprogramas destinados a quilombolas e pescadores.250 85.155 1. Fonte: MEC/Secad. entre outras medidas. Ao longo de meia década de existência.842 90.609.705 1.653 69.526.065 97.gov.430 1.alfabetizadores voluntários. pelas dificuldades de mobilização de uma 79 .3 * 102.729 * * * * 162.598. o Brasil Alfabetizado sofreu reformulações e aperfeiçoamentos: o período de alfabetização foi ampliado de seis para oito meses.286. Mapa do Brasil Alfabetizado <http://mecsrv04.070 2. transporte. Um primeiro fator a considerar nesse resultado é a distância que separa o cadastro inicial da freqüência efetiva dos jovens e adultos às salas de aula.750 180 381 636 673 83.643 88. que mantém o ritmo anterior à existência do programa.173 * Informação não disponível. foram previstos repasses financeiros para merenda.br/ secad/sba/inicio.839 1. a prioridade na destinação das verbas foi redirecionada das organizações sociais para as redes públicas de ensino. o Brasil Alfabetizado já cadastrou mais da metade dos analfabetos do país.1 208.asp>.3 180.070 87.875.

transporte e iluminação). escrita e matemática tampouco evoluem suficientemente. indicam que os analfabetos adquirem noções das primeiras letras. também. Os estudos não são conclusivos.população que vivencia precárias condições de vida e trabalho e múltiplas formas de exclusão social associadas à pobreza. mas não alcançam as competências requeridas de uma pessoa alfabetizada. enfermidades e exigências do trabalho) predominam na explicação da elevada evasão e da freqüência intermitente dos cursistas. Os parceiros alegam que o intervalo de tempo que separa o cadastramento dos alfabetizandos. já possuíam conhecimentos rudimentares de leitura. Os analistas consideram outras duas hipóteses para explicar a pequena repercussão do Brasil Alfabetizado nos índices de analfabetismo: uma causa provável é a de que uma porção expressiva dos inscritos não sejam analfabetos absolutos. merenda. a liberação dos recursos e o início dos cursos contribui para a desmobilização de educandos e educadores. aqueles que. boa parte dos cursistas são pessoas que procuram aperfeiçoar conhecimentos de leitura. As avaliações realizadas até o momento confirmam parcialmente ambas as hipóteses: de fato. 80 . mas fornecem evidências de que as condições de ensino e aprendizagem inadequadas (ausência de óculos. Avaliações externas indicam que as causas extra-escolares (mudanças. ao ingressar no programa. Mas auditorias verificaram. a formação pedagógica dos alfabetizadores e o período de tempo estipulado para os cursos são insuficientes para proporcionar uma alfabetização de qualidade. escrita e cálculo adquiridos durante uma escolarização anterior muito breve ou de má qualidade. que o alistamento de alfabetizandos é superestimado pelos voluntários. por sua vez. que inscrevem pessoas não pertencentes ao público alvo porque necessitam formar turmas com um número mínimo de educandos para fazer jus ao auxílio econômico concedido pelo governo federal. os testes cognitivos. outra. de que as aprendizagens esperadas não se realizem devido à precariedade das condições de ensino e à insuficiente formação dos recursos humanos mobilizados pelo programa.

5). RAAAB. algumas organizações da sociedade civil – como o Serviço Social da Indústria (Sesi). assegurando oportunidades para ampliar e consolidar as habilidades de leitura.. Os parceiros – A princípio. TELES. J.. escrita e cálculo. 2006. Alfabetização Através da Literatura (Alfalit) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – foram os principais agentes do programa. Ireland.). Brasília: UNESCO. consulte: HENRIQUES. trabalho e renda) que favoreçam a mobilização e permanência dos educandos no processo. incluindo assistência aos estudantes (merenda. A política de educação de jovens e adultos do governo Lula. M. continuar o processo de alfabetização. pois indicam a necessidade de atuar simultaneamente em quatro direções: articular a alfabetização de jovens e adultos a outras políticas sociais (de saúde. 22: série avaliação. Brasil alfabetizado: experiências de avaliação dos parceiros. aperfeiçoar a gestão. T. 2005. mas essa liderança foi sendo paulatinamente transferida para as redes públicas de ensino.As lições proporcionadas por essa experiência são fáceis de extrair e difíceis de realizar. In: Construção coletiva: contribuições à educação de jovens e adultos. óculos. Brasília: UNESCO. L. Para saber mais sobre o Brasil Alfabetizado e seus resultados. agilizando processos e controles. M. criar condições de ensino e aprendizagem apropriadas. assistência. que possuem a responsabilidade e os meios para assegurar continuidade de estudos 81 . CARNEIRO. 3). transporte) e desenvolvimento profissional dos educadores. (Org. MEC. R. (Coleção Educação para Todos. o Programa Alfabetização Solidária (PAS). (Coleção Educação para Todos. MEC. de C.

o Paraná Alfabetizado capacitou cinco mil alfabetizadores e cadastrou 207 mil jovens. No transcorrer desses quatro anos. Na Secretaria de Educação. 82 . a experiência paranaense proporciona aprendizagens. propondo-se a cumprir a meta de alfabetizar todos os 540 mil analfabetos até 2010. 1/3 foi transferido pelo governo federal e 2/3 provenientes do Tesouro estadual. Foi implantado em 2004 e alcançou em 2007 as zonas urbanas e rurais de 397 municípios.7% do orçamento do programa foi destinado às redes públicas de ensino. as ONGs receberam 54. Assim. desde 2006 os governos estaduais são responsáveis pela maioria das turmas e alfabetizandos do Brasil Alfabetizado. acampamentos e assentamentos da reforma agrária. o índice médio de evasão gira em torno de 21%.aos egressos21. Mesmo que os resultados educativos alcançados sejam modestos. mas depende das prefeituras municipais. O encaminhamento dos egressos para a continuidade de estudos é incentivado. sobretudo no que toca à prioridade atribuída à alfabetização de educação de jovens e adultos na política educacional. o programa ganhou a denominação de Paraná Alfabetizado e posição destacada na agenda política do governo estadual. e 38% das inscrições correspondem a pessoas que permanecem no programa durante mais de um período. expressa no aporte de recursos e na institucionalidade conferida ao programa. inclusive ilhas. bem como na cuidadosa produção do material didático Um dedo de prosa. A proporção de educandos alfabetizados com sucesso no tempo inicialmente previsto é de 30%.8% dos recursos do Brasil Alfabetizado. o programa conta com uma equipe 21 Em 2003. adultos e idosos analfabetos. por não terem obtido níveis satisfatórios de aprendizagem. No estado do Paraná. terras indígenas e de remanescentes de quilombos.7% em 2006. ano em que 70. participação esta reduzida para 28. Em 2006. dos quase R$20 milhões investidos no Paraná Alfabetizado. responsáveis pelo atendimento ao primeiro segmento do ensino fundamental.

A escassez de recursos materiais e humanos e a precariedade de condições de trabalho da equipe que coordenou essa primeira iniciativa foram superadas a partir de 2003. foi elaborado o material didático Caderno Florestania e adquirida uma frota de veículos (carro. havia cerca de 700 turmas de alfabetização em funcionamento para atender aos dez mil inscritos no programa. motos e barcos) para uso da coordenação estadual e das equipes de supervisão pedagógica formadas por 40 profissionais. Nessa nova fase. 83 . Como nos anos anteriores. onde no início do milênio um em cada quatro jovens e adultos era analfabeto. o Sesc.de coordenação estadual e regional de 40 profissionais. incluindo adolescentes que cumprem medidas socioeducativas em regime de internação. presidiários e indígenas (que recebem ensino bilíngüe ministrado por professores das 14 etnias presentes no Estado). metade dos quais desistiu antes de concluir o curso. envolvendo desde sindicatos rurais e igrejas a instituições como o Sesi. a Fundação Banco do Brasil e o Programa Alfabetização Solidária. Lições semelhantes são extraídas da experiência do Acre. Entre 2000 e 2006. cobrindo metade das despesas de R$ 4 milhões realizadas em 2007. nas florestas. o governo acreano suplementou os recursos concedidos pelo governo federal no âmbito do Brasil Alfabetizado. iniciando-se no biênio 2000-2002 com o Movimento de Alfabetização do Acre (MOVA). as turmas de alfabetização – distribuídas nas zonas urbanas e rurais. aos quais se somam 900 coordenadores municipais. que articulou uma rede de 90 organizações sociais conveniadas ao governo estadual. quando o Estado – com o apoio do governo federal e de empresas privadas – relançou o programa com o nome Alfa 100. Em 2007. que são docentes da rede pública cumprindo jornada adicional nessa função. reservas extrativistas e ao longo da extensa rede hidroviária dos 22 municípios acreanos – acolheram mais de 80 mil jovens e adultos. A mobilização em prol da alfabetização de jovens e adultos antecedeu a criação do Brasil Alfabetizado.

o Brasil Alfabetizado define a alfabetização como o início de uma trajetória educacional. pela falta de recursos para custear o transporte. 42. que realiza esforço adicional para melhorar o fluxo dos egressos da alfabetização de jovens e adultos para o ensino fundamental. a Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte diversifica a oferta de oportunidades de estudos aos jovens e adultos. 84 . Por isso é oportuno conhecer experiências como a da capital mineira. Em apenas 5% dos municípios que dispunham de oferta de oportunidades de escolarização para jovens e adultos.Continuidade de estudos – Ciente de que um curto período de estudos é insuficiente para consolidar as aprendizagens de leitura. anunciando a intenção de proporcionar continuidade de estudos aos egressos. Com o objetivo de garantir os direitos educativos de toda população. problemas de saúde. os concluintes do programa de alfabetização são encaminhados para continuidade de estudos no ensino fundamental para jovens e adultos das redes municipais de ensino. escrita e cálculo. No Acre. migrantes aposentados ou precariamente inseridos na economia informal – que tem dificuldades de participar dessas modalidades escolarizadas. Nas escolas da rede municipal de ensino existem duas modalidades: a Educação de Jovens e Adultos e o Ensino Regular Noturno. incompatibilidade de horários com o trabalho ou as tarefas domésticas etc. no Paraná e em outros estados brasileiros.6% da população com mais de 22 Segundo avaliação realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pesquisas in loco e dados do IBGE e do Inep mostram que essa transição não é fácil. o fluxo de egressos foi equivalente ou superior a 2/3 dos inscritos no Brasil Alfabetizado no ano anterior. Há uma parcela vulnerável da população – formada por idosos e mulheres. sendo pequena a proporção dos recém-alfabetizados que seguem seus estudos22. por não se perceberem como sujeitos de direitos educativos e também pela distância entre as escolas e os locais de moradia. em uma amostra de 2. É nesse grupo que se encontra a maior parte das 78 mil pessoas que não sabem ler e escrever (4.3% não proporcionavam oportunidades de continuidade de estudos.318 municípios em que o Brasil Alfabetizado funcionou em 2005.

a exemplo do Sesc Ler ou Alfabetização Solidária. expressa na continuidade ao longo do tempo. com docentes profissionais vinculados à rede e às escolas municipais. para alcançar os resultados pretendidos. Gestão e financiamento – Que características deve ter a gestão governamental para que uma política ou programa de alfabetização tenha êxito? Nas experiências dos órgãos públicos das três esferas de governo e das organizações sociais até agora analisadas (e também em outras mencionadas neste livro) sobressaem duas: institucionalidade e capacidade de investimento. Criado no final da década de 1990 para alfabetizar famílias beneficiárias do Programa Bolsa Escola. segundo o Censo de 2000). às quais se destinam o Brasil Alfabetizado e o EJA/BH. órgão consultivo formado por representantes de outras secretarias do MEC. as políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos precisam de um mínimo de institucionalidade. Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação. como naqueles mantidos por organizações da sociedade civil. Esses atributos podem ser encontrados tanto em políticas e programas públicos dos três níveis de governo. No caso do governo federal. 85 . que consiste na oferta de ensino fundamental para adultos nas próprias comunidades. realizado nas escolas.14 anos. subordinada à Secretaria de Educação Continuada. Encontramos evidências de que. desde 2005 as políticas de alfabetização e ensino fundamental são coordenadas por uma Diretoria de Educação de Jovens e Adultos (Deja). o EJA/BH teve sua abrangência ampliada em 2004 para acolher egressos do Brasil Alfabetizado que não se dispunham a participar do ensino para jovens e adultos. O atendimento nessa modalidade cresceu para duas mil pessoas em 2007. e acompanhadas pela Comissão Nacional de Alfabetização Educação de Jovens e Adultos (Cnaeja). dos governos subnacionais e da sociedade civil. na existência de uma instância de coordenação dotada de certa autonomia e prestígio e de uma equipe administrativa e pedagógica estruturada e constituída por profissionais adequadamente formados.

o que inclui instalações físicas apropriadas. O Peja do Rio de Janeiro. bem como os recursos humanos e operacionais para o acompanhamento pedagógico das turmas. como o da Secretaria Municipal de Natal. 86 . com 48% do total de investimentos realizados na versão local do Brasil Alfabetizado. que em 2006 foi pouco superior a R$ 108. valor bem maior que o investimento realizado pelo governo federal por cada estudante cadastrado no Brasil Alfabetizado. O Sesc Ler é um dos raros programas de alfabetização e ensino fundamental de jovens e adultos desenvolvidos por organizações sociais que investem em todos esses itens. em que a destinação de recursos públicos para a educação básica foi regulada pelo Fundo de 23 Além dos casos do Acre. por exemplo. que contribuiu.Um segundo fator estratégico é a disponibilidade de recursos financeiros que permitam realizar os investimentos necessários à satisfação das necessidades educativas com qualidade. a provisão de acervos de leitura. aplicou R$ 980 por aluno no ano de 2007. em 2007. a formação inicial e continuada dos alfabetizadores e a retribuição por seu trabalho. O gasto com jovens e adultos inscritos nos cursos presenciais das redes públicas tende a ser superior àquele realizado nas campanhas de alfabetização que recorrem ao voluntariado. a seleção criteriosa dos educadores. parceiros do Brasil Alfabetizado. somaram recursos financeiros próprios àqueles transferidos pelo governo federal para assegurar um diferencial de qualidade ao programa em seu território23. outros exemplos poderiam ser mencionados. No atual sistema de financiamento da educação básica. materiais pedagógicos e serviços de assistência ao estudante. O que importa destacar é que muitos governos estaduais e municipais. a disponibilidade de recursos que os governos estaduais e municipais dispõem para investimento no ensino de jovens e adultos é reduzida e variável (ver box a seguir). Paraná e Belo Horizonte citados. A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E O FUNDEB No decorrer da década 1996-2006.

Entretanto. correspondendo a 70% do valor de referência. existe quem ainda interprete a expressão “ensino regular” em oposição ao “ensino supletivo” (com o qual a educação de jovens e adultos é erroneamente identificada). A regulamentação do Fundeb estipulou. como a Lei nº 5. até alcançar 100% em 2009). A consideração das matrículas na EJA presencial no Fundeb é progressiva (um terço ao ano. Com a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). por meio do qual o governo federal prestou assistência financeira para a contratação e formação de professores e provisão de materiais didáticos para cursos de ensino fundamental para jovens e adultos. o programa Recomeço (rebatizado em 2003 como Fazendo Escola). em 1998. que impediu o cômputo das matrículas nessa modalidade nos cálculos do Fundo. Todas essas condições impõem 24 Não existe uma definição unívoca do que seja “ensino regular”. cujos custos reais são muito diferenciados. a provisão de ensino aos jovens e adultos sofreu restrições devido às dificuldades de financiamento decorrentes do veto presidencial. 87 . um teto máximo de 15% para despesas com EJA e conferiu prioridade ao ensino regular24. Estados e parte dos municípios tiveram um alívio parcial quando o MEC instituiu. de 1996. e sua interpretação pelo Parecer nº 11/2000. Entretanto. o que inclui o ensino presencial dos jovens e adultos. de 1971. O fator de ponderação atribuído à EJA é o menor de todas as modalidades compreendidas pelo Fundo. ainda. da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. com exigência de freqüência mínima obrigatória. e não varia segundo as etapas de ensino. conforme os artigos 4 (incisos VI e VII) e 38 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.692.Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef ). de modo que se supõe um mesmo gasto com um estudante de alfabetização ou do ensino médio profissionalizante. as reivindicações em favor da inserção da educação de jovens e adultos (EJA) no sistema de financiamento da educação básica foram parcialmente atendidas. reportando-se à legislação já revogada.394. o temor de que a disponibilidade de financiamento levasse a um crescimento acelerado de matrículas – e que isso trouxesse dificuldades financeiras aos governos – justificou uma regulamentação desfavorável para a modalidade. O entendimento corrente referese ao ensino caracterizado pela relação pedagógica face a face entre professores e alunos. que instituiu Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos.

a alfabetização é 88 . nos espaços de lazer.. políticas e culturais. dependendo a Unidade da Federação) abre novas perspectivas para as políticas públicas de EJA. 2º DESAFIO – INCORPORAR UMA CONCEPÇÃO AMPLIADA DE ALFABETIZAÇÃO A alfabetização. Nossa sociedade organizase por meio da escrita. Isso implica criar précondições para a efetiva educação. econômicas.dificuldades à ampliação da oferta. de educação básica de jovens e adultos. por meio da conscientização e do fortalecimento do indivíduo. concebida como o conhecimento básico. e em nosso dia-a-dia. Dominar a linguagem escrita e conhecer seus usos também amplia as possibilidades de registrar pensamentos. na religião e nas práticas sociais mais variadas. rever a própria história.60.. necessário a todos num mundo em transformação [. com qualidade. comunicar-se com outros.]. tanto no ambiente doméstico. além de ser requisito básico para a educação continuada durante toda a vida. Em toda sociedade. nos deparamos com a necessidade de ler e de escrever.40 a R$1.433. a alfabetização é uma habilidade primordial em si mesma e um dos pilares para o desenvolvimento de outras habilidades. A alfabetização tem também o papel de promover a participação em atividades sociais. mas a simples garantia de uma fonte regular de financiamento (com um valor mínimo por aluno que em 2007 varia de R$662. O desafio é oferecer-lhes esse direito. Existem milhões de pessoas – a maioria mulheres – que não têm a oportunidade de aprender nem mesmo o acesso a esse direito. bem como permite a expressão e fruição estética. opiniões. é um direito humano fundamental. quanto no trabalho. (Artigo 11 da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos) Alfabetizar-se é um direito e uma necessidade para incluir-se na vida social com autonomia e dinamismo. Assim. sentimentos.

A segunda diz respeito à organização do próprio processo ensino-aprendizagem. como referências e motores desse processo. Algumas experiências de alfabetização de jovens e adultos enfrentam esse desafio. escolarizado e homogenizador. Inicialmente. por meio de propostas curriculares inovadoras na seleção de conteúdos e orientações didáticas. Mas. inovando em três direções articuladas entre si. desde 1985. favorecendo a consolidação das competências leitoras e de escrita e propiciando a continuidade de estudos no ensino fundamental ou em outros processos de formação cultural ou profissional.um processo que favorece a inclusão em um conjunto amplo de práticas comunicativas e é. um processo de conquista de cidadania. A terceira orientação inovadora consiste na adoção de uma perspectiva integral de formação que agrega novos conteúdos e aprendizagens relacionados à vida econômica. o Peja está integrado ao sistema público de ensino. que as apóiam e fortalecem para a participação social. como assinalamos anteriormente. à participação comunitária. tomando as necessidades básicas de aprendizagem dos educandos e suas especificidades socioculturais. sendo necessário avançar em direção a uma concepção ampla de alfabetização e superar as amarras do modelo compensatório. não é qualquer ação alfabetizadora que promove tais mudanças. desenvolvido pela Secretaria de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro. que permanece indiferente à diversidade dos contextos e à pluralidade das necessidades de aprendizagem dos participantes. e de alternativas para a progressão nos estudos. no qual pessoas têm mais possibilidades de acesso a bens culturais. sobretudo. A primeira direção refere-se à ampliação dos tempos de aprendizagem. ao meio ambiente etc. Aprovado pelo Conselho Municipal de Educação. à saúde. Uma dessas experiências é o Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja). destinava-se somente aos jovens de 15 a 20 anos 89 . bem como as dos contextos em que vivem.

prestando-se para a revisão de planos de aula e do ensino oferecido. Destaca-se a implantação do Centro de Referência de Educação de Jovens e Adultos (Creja). e o regime de progressão automática adotado é uma estratégia para evitar a reprodução da lógica excludente da reprovação. passou a atender a jovens e adultos e ampliou-se para o ensino fundamental completo. no que diz respeito à flexibilização de tempos e espaços pedagógicos. Posteriormente. organizada por meio de projetos temáticos. à organização do ensino e da aprendizagem e à elevação da escolaridade. Pauta-se pela flexibilidade de horários de atendimento (as turmas funcionam nos períodos matutino e vespertino. Está estruturado em dois níveis. Outra experiência governamental inovadora. à participação cidadã e à ampliação de repertórios culturais dos estudantes. processos educativos que se voltam à compreensão da realidade social. além do noturno) e espaços. funcionando nos três períodos e desenvolvendo aprendizagens relacionadas à escolarização. Amparado por uma concepção ampla. à educação permanente e à preparação para o mundo do trabalho. seguindo uma proposta de ensino não seriada. subdivididos em blocos e unidades de progressão. objetivando não só a elevação da escolaridade. por meio da experimentação e participação em diferentes práticas sociais. visa oferecer aos jovens e adultos. que atende trabalhadores das áreas centrais do município. é a realizada 90 .e restringia-se ao primeiro segmento do ensino fundamental. Entre seus objetivos. mas o desenvolvimento de competências para continuar aprendendo ao longo da vida. A avaliação tem como foco o processo de aprendizagem. além da apropriação do sistema de representação da escrita e a introdução à leitura. balizada por princípios freireanos. evitando a fragmentação produzida pela organização disciplinar da aprendizagem. como centros comunitários e salas cedidas pela comunidade. oportunidades variadas de estudo. a proposta de alfabetização do Peja abrange. atendendo também em instalações não escolares.

5 e 6 à pós-alfabetização. 2 e 3 correspondem à alfabetização e as 4. a progressão no processo de escolarização por meio de ciclos. A preocupação com a oferta de uma educação de qualidade orientou a proposição de novas formas de organização dos tempos e espaços escolares adequados e flexíveis. O currículo e seus componentes seguem uma lógica diversa da organização disciplinar do ensino. a produção de um currículo e sistema de avaliação apropriado às especificidades sociais dos educandos. o caráter interdisciplinar da proposta curricular por meio da articulação de áreas de conhecimento. aprendizagens e condições de vida e trabalho. destaca-se também a experiência da Escola Plural. da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre. se relaciona a tempos singulares e às biografias dos envolvidos. Três aspectos se apresentam como inovadores: a superação das características de seriação do ensino. prevê etapas sucessivas que coadunam a flexibilidade para abarcar ritmos e tempos diversos para aprender. e a promoção de práticas educativas que partem do 91 . Ainda no âmbito governamental. que se pauta pelo desenvolvimento humano. compreendendo todo o ensino fundamental. no município de Belo Horizonte.desde 1990 pelo Serviço de Educação de Jovens e Adultos (Seja). que tem como premissa assegurar o direito à educação escolar de qualidade a todos os jovens e adultos e sua permanência em processos educativos correspondentes ao ensino fundamental. O Seja filia-se a uma concepção ampla de alfabetização e ao ideário da educação popular. As Totalidades 1. por sua vez. e tanto professores como estudantes compartilham de sua produção por meio de projetos e módulos temáticos. e a noção de que a alfabetização é um processo de longo prazo. Os estudantes avançam nessas etapas de acordo com seus ritmos. denominadas Totalidades de Conhecimentos. a consolidação de habilidades e conhecimentos e a integração de áreas e componentes curriculares. As aprendizagens organizam-se em função das especificidades e necessidades dos estudantes. e a proposta curricular.

reconhecendo a produção de conhecimentos nas trajetórias singulares de cada jovem e adulto. Além disso. organizado em dois ciclos com duração total de seis semestres. o Projeto Sesc Ler funcionava em três períodos em 5. que deve adequar-se às realidades locais em que os centros se encontram. para além do escolar. totalizando 454 turmas. em 1999. a perspectiva de uma educação intercultural. A primeira versão do projeto previa apenas um ano para a alfabetização. em 18 estados e 65 municípios. 12. em pouco tempo. de opção sexual e religiosa. O Projeto Sesc Ler é uma das experiências realizadas fora do âmbito governamental que procura qualificar a organização e funcionamento de programas educativos para jovens e adultos. que admite a diversidade social e orienta-se para o reconhecimento das especificidades geracionais (com ênfase nas juventudes e suas singularidades). mas em variados espaços de convivência e âmbitos sociais. de etnia. a postura ativa na mobilização de parceiros para intervenção em problemáticas que afetam a vida dos estudantes e suas comunidades. inicialmente. Em 2007. de condições de vida e trabalho. o desenvolvimento de projetos educativos articulados à geração de renda. passou a abarcar o primeiro segmento do ensino fundamental para jovens e adultos. a integração de ati92 .926 Centros Educacionais.884 alunos matriculados e 518 educadores. depende fundamentalmente da continuidade e dos usos sistemáticos da leitura e escrita.reconhecimento de suas identidades culturais e condições de vida. Criado. contribuir para a redução do analfabetismo nas regiões Norte e Nordeste do país. A proposta pedagógica do Sesc Ler considera que a formação de pessoas capazes de tomar parte de sociedades letradas. de modo crítico. mas. o modelo pedagógico produzido na Escola Plural admite que as aprendizagens não ocorram somente em tempos diversos. de gênero. pelo Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio visava. Entre seus elementos de inovação destacam-se a produção de uma proposta pedagógica flexível.

O que se observa. O experimento piloto envolveu organizações comunitárias locais e foi realizado em 2005 e 93 . de modo que nela possam se expressar e agir. ao meio ambiente. por mudanças nas formas de progressão em níveis de escolarização. que articulou a alfabetização com a geração de renda nos moldes da economia solidária. de modo geral. transformando o meio em que vivem. adquirindo conhecimentos e valorizando as diferentes culturas.vidades culturais no currículo e nos projetos didáticos elaborados pelos educadores e estudantes. pela formulação de propostas pedagógicas e currículos pautados pela articulação entre conhecimentos socialmente relevantes e aqueles localmente produzidos. à saúde. à participação política. Esse caminho se caracteriza pela flexibilização de tempos e espaços de aprendizagem. nas quais se sintam protagonistas de suas histórias. porém. às novas tecnologias e à pluralidade de manifestações artísticas. para além daquelas relacionadas diretamente à cultura escrita. com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) –. Permanece. relacionadas ao trabalho e à geração de renda. Uma experiência nessa direção foi realizada pelo projeto Alfainclusão – uma parceria da Fundação Banco do Brasil com o Ministério da Educação. por processos democráticos e inclusivos de avaliação e pela consideração da bagagem experiencial dos sujeitos a quem essa educação é de direito. o desafio de desencadear processos educativos que contemplem também outras necessidades de aprendizagem das pessoas jovens e adultas. nas experiências analisadas e em outras espalhadas por todo o país. envolvendo também a comunidade local. é que um novo caminho vem sendo constituído para a educação de jovens e adultos no sentido de concretizar um conceito amplo de alfabetização e garantir o acesso e a permanência de jovens e adultos em processos educativos. Outro destaque é a promoção de situações de aprendizagem que focalizam a construção identitária dos estudantes. incluindo as dos grupos a que pertencem.

empregando o tradicional método Ver. No ano de 2006. e na periferia urbana de Brazlândia – cidade satélite do Distrito Federal –. produção de alimentos embutidos e de artesanato. Desenvolvido em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e dirigido prioritariamente aos beneficiários do programa Bolsa Família. destacam-se: a família no processo de construção de políticas públicas. Esse é o caso não apenas do projeto Alfainclusão. administração e economia solidária. fome e desenvolvimento sustentável. meio ambiente e sustentabilidade. adotado pelo MEB. escola e direito à educação. Julgar e Agir. Seu propósito foi experimentar uma metodologia de alfabetização aliada ao desenvolvimento da consciência empreendedora dos alfabetizandos. e guia de elaboração de projetos de desenvolvimento comunitário.2006 em um assentamento rural de Arinos – noroeste de Minas Gerais –. e articulado a oficinas de geração de renda. ética e cidadania. Entre os principais temas trabalhados e selecionados pelos próprios agentes locais. Os resultados foram cuidadosamente sistematizados em duas publicações. mas também do Programa de Promoção da Cidadania e Desenvolvimento de Comunidades em Situação de Risco Social do Movimento de Educação de Base (MEB). O conceito de desenvolvimento sustentável vem aos poucos ganhando espaço em experiências que articulam a alfabetização de jovens e adultos ao enfrentamento coletivo de problemáticas socioeconômicas e ambientais. que resultaram em empreendimentos associativos de cultivo de hortaliças. com vistas à inserção propositiva na realidade social e no mundo do trabalho. criação de aves. escolhidos pelo baixo índice de desenvolvimento humano e pela inexistência de outras iniciativas de alfabetização de jovens e adultos. o MEB contou com 154 formadores para ministrar 94 . O processo de alfabetização foi enriquecido com conteúdos de cooperativismo. tem por objetivo capacitar lideranças para a realização de projetos de desenvolvimento sustentável de comunidades.

Julgar e Agir. entre 2001 e 2004. com base na assertiva de que o uso desses recursos deve servir à humanização e à diminuição das desigualdades socioculturais. Uma dessas iniciativas desenvolveu-se no Movimento de Alfabetização (Mova) de São Carlos (SP). e também como linguagens de comunicação e expressão. formando um total de 1. O programa propõe-se a desenvolver processos de inclusão social mediados pela alfabetização. desenvolvido por iniciativa da Secretaria de Estado Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas Gerais. também. A recente difusão de tecnologias de comunicação. com dois meses adicionais de formação. utilizando materiais pedagógicos que abordam temas como os da saúde. em uma parceria da Secretaria Municipal de Educação com os departamentos de 95 . como suportes de práticas de leitura e escrita.cursos no Maranhão. caracteriza o contexto da chamada sociedade da informação. no Piauí. no qual a leitura e a escrita exercem um papel fundamental. Um aspecto ainda pouco desenvolvido nas experiências brasileiras de alfabetização é a incorporação dessas novas tecnologias como ferramentas no processo de ensino e aprendizagem. no Programa Cidadão Nota 10 – alfabetização. Os primeiros seis meses são dedicados à alfabetização pelo método Ver. A metodologia desenvolvida pelo MEB está presente.065 Agentes de Educação de Base. A segunda etapa. no Amazonas e em Roraima. com a participação do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene) e de uma ampla rede regional de parceiros. do meio ambiente e dos direitos humanos. da cultura. Mas já há programas em que a familiaridade com as novas tecnologias é considerada entre as necessidades básicas de aprendizagem dos participantes. inclusão social. no Ceará. compreende cursos de promoção da cidadania e desenvolvimento sustentável de comunidades. assim como a intensa circulação de informações que elas proporcionam. cidadania ativa e gestão participativa –.

o projeto investiu também na familiaridade dos educandos com as máquinas. reforçando sua autoconfiança na apropriação do computador como instrumento de aprendizagem. promoveu-se o acesso dos alfabetizandos a microcomputadores e à internet. Incentivou-se o uso da internet para a pesquisa de lugares. Sobre adoção de um conceito amplo de educação.php?i=83 96 . leia entrevista com Rosa Maria Torres para a Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação.Metodologia de Ensino e de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O foco do trabalho foi o emprego do computador e da rede mundial como fonte de informação e mediadores do ensino e da aprendizagem da leitura e da escrita. pessoas e conhecimentos de interesse dos usuários. explorando o potencial de interação e informação da rede.org/news. fazendo uso de processadores de texto e utilizando as ferramentas de correção de ortografia e sintaxe que os programas oferecem. Os registros dessa experiência salientam que o uso do computador enriqueceu o processo de alfabetização e favoreceu a inserção dos educandos no mercado de trabalho (BECKY. Considerando o valor simbólico que o acesso à informática adquiriu na sociedade contemporânea. Para tanto. no endereço: http://www. Especial de Alfabetização. 2006).campanaderechoeducacion.

que sempre tiveram presentes os objetivos de conscientização dos participantes sobre as estruturas sociais produtoras de desigualdades. Essa explicitação da dimensão política dos processos formativos tem raízes na história da alfabetização de pessoas jovens e adultas e na tradição dos movimentos de educação popular. o respeito à diversidade sociocultural e a formação para uma cidadania ativa.). Por desenvolver-se em espaços alternativos e não-formais. levarão ao desenvolvimento justo e sustentável. reafirmamos que apenas o desenvolvimento centrado no ser humano e a existência de uma sociedade participativa. a educação popular usufruiu de liberdade de experimentação pedagógica. a participação social passou a compor o rol de objetivos da maioria dos projetos e programas de educação de jovens e adultos. participantes da V Conferência Internacional de Educação de Adultos (.. cultivando valores e incentivando atitudes que conduzem à transformação dessas estruturas. 97 . e suas inovações contribuíram para repensar a educação formal. A efetiva participação de homens e mulheres em cada esfera da vida é requisito fundamental pra a humanidade sobreviver e enfrentar os desafios do futuro. adensado pelo ideário da educação popular. pois sua sensibilidade para as temáticas das camadas sociais desfavorecidas contribuiu para que o sistema educacional assimilasse conteúdos até então desconsiderados nos currículos convencionais – como a cultura e as condições de vida e trabalho dos educandos. crítica e autônoma. O campo da formação de jovens e adultos..3º DESAFIO – ESTIMULAR A PARTICIPAÇÃO SOCIAL Nós. teve importante papel na transformação da educação brasileira. baseada no respeito integral aos direitos humanos. (Artigo 1º da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos) Nas duas décadas que se seguiram à redemocratização das instituições políticas brasileiras.

proporcionam as relações e a comunicação intersubjetivas em meio às quais os indivíduos também se transformam. Por isso. Na dimensão epistemológica. Dessa opção ética decorre a dimensão política. valorizando igualmente os saberes teórico e prático. produzido pelos métodos científicos ou provenientes da experiência. Coerentes com os princípios que as orientam. na atualidade. as práticas da educação popular adotam metodologias participativas. e nutrem a utopia de uma sociedade igualitária. erudito e popular. da justiça e do respeito à diversidade. reconhece a riqueza da cultura popular. um dos quais se relaciona à corrente de pensamento e de práticas pedagógicas inspiradas na obra de Paulo Freire e desenvolvidas na América Latina no último quarto do século XX. os processos formativos dos movimentos sociais e políticos influenciados pelo paradigma da educação popular buscam instituir uma cultura de direitos e adotam uma pedagogia da participação cidadã. de compromisso com a transformação das relações assimétricas de poder que servem à exploração e alienação. Essa transformação é pensada como processo e resultado da organização e ação coletivas que. as agendas educativas incluem a participação social entre as necessidades básicas de aprendizagem dos jovens e adultos. Essa trajetória permite compreender as razões pelas quais. a educação popular se inscreve entre as correntes libertárias do pensamento social moderno que rejeitam a exploração e alienação. As práticas de formação humana iluminadas por esse paradigma se orientam pelos valores da liberdade. Na dimensão ética. Esse paradigma comporta e articula pelo menos três dimensões: a ética. dialógicas e interculturais. a corrente da educação popular afirma a vocação ontológica do ser humano para o conhecimento. a política e a epistemologia. considerando tanto os mecanismos do sistema eleitoral e da democracia representativa quanto o exercício cotidiano da cidadania ativa (materializada em 98 . por sua vez.A expressão educação popular comporta diferentes significados.

São 99 . conselhos deliberativos. discutindo e propondo políticas públicas para essa modalidade. Embora o tema da participação seja recorrente nos discursos relativos aos programas de alfabetização de jovens e adultos. oriundo da luta pela alfabetização do Sindicato dos Metalúrgicos. leis de iniciativa popular. É certo que. a alfabetização ganha significado especial. nesse contexto. articulando-se nacionalmente. responsável e solidária. serão analisadas experiências diversas. produzindo novas sinergias entre estado e sociedade civil. Considerando que a noção de participação abriga múltiplos significados. encampada pelas prefeituras de Santo André. fóruns consultivos etc. que vem incorporando a participação dos cidadãos e das comunidades na gestão das políticas. de que é exemplo o Mova-ABC. Uma experiência que traz essa marca é aquela dos Movimentos de Alfabetização (Movas). de parceria entre governos e organizações sociais. acirradas no tenso campo de disputa e cooperação das parcerias entre os governos e a sociedade civil. de mobilização comunitária.). no início da década de 1990. e de controle social dos programas de alfabetização e educação de jovens e adultos. as experiências práticas são marcadas por contradições inerentes aos processos democráticos. de formação cidadã. por ser reconhecida como instrumento que amplia a capacidade de jovens e adultos exercerem a participação social e política. A presença desses conteúdos está relacionada à redemocratização da sociedade brasileira. orçamentos participativos. APROXIMANDO PARTICIPAÇÃO E ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Diversos grupos e organizações da sociedade civil vêm elaborando pedagogias da participação no campo da alfabetização e da educação básica de jovens e adultos. com o propósito de tornar os governos mais públicos e a sociedade civil mais alerta.plebiscitos.

em parceria com empresários. Mauá.Bernardo do Campo. igrejas. os alfabetizandos se constituiriam em sujeitos da ação transformadora dessa mesma realidade. Para isso. A confluência entre a vontade política do governo municipal e os interesses das organizações comunitárias resultou na parceria em ações de alfabetização de jovens e adultos e formação de educadores populares. as temáticas abordadas no decorrer do processo de alfabetização do Mova-ABC são selecionadas a partir do diálogo entre os diferentes atores envolvidos na ação educativa. escolas e outros grupos organizados da sociedade. no período em que Paulo Freire foi secretário de Educação do Município (19891992). Por meio desse processo de tomada de consciência. sindicatos. A gestão democrática do programa era garantida pela participação das organizações comunitárias no Fórum dos Movimentos Populares de Educação de Adultos da Cidade de São Paulo. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e das suas respectivas Câmaras Municipais. de apropriação e criação de novos conhecimentos. que participam dos Fóruns Municipais de Alfabetização. instâncias de leitura crítica da realidade e mobilização dos movimentos populares da região. O Mova ABC tem por objetivos elevar a auto-estima dos alfabetizandos como sujeitos do processo educacional e fortalecer sua autonomia para exercer a participação na produção de cidades socialmente justas. A HISTÓRIA DO MOVA O Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos – Mova tem sua origem na cidade de São Paulo. Diadema. movimentos populares. instituições de ensino superior. 100 . Os núcleos de alfabetização do Mova-SP foram sediados em equipamentos das próprias comunidades e concebidos como pólos aglutinadores e irradiadores da cultura local.

Outra experiência de pedagogia da participação ocorre no município de Porto Alegre desde 1989.Nas décadas seguintes. método objetivo de definição de recursos para investimento. e processo descentralizado. times de futebol. sindicatos. O QUE É ORÇAMENTO PARTICIPATIVO? Trata-se de um mecanismo de gestão pública. grupos religiosos. 101 . que formam hoje uma rede nacional. escolas. A deliberação a respeito da abertura de turmas de alfabetização e ensino fundamental de jovens e adultos nas escolas da rede municipal ocorreu nas assembléias populares que discutem e decidem as prioridades do orçamento participativo. referentes a um ciclo anual de orçamento do município. aproximando o orçamento participativo da cidade com as questões da educação de jovens e adultos. esse modelo participativo de alfabetização em parceria com organizações dos movimentos sociais foi adotado por outros municípios e estados. A participação de diferentes atores sociais organizados – associações de moradores. teve como conseqüência a incorporação da educação de jovens e adultos ao sistema de ensino de Porto Alegre. entre outros –. que possibilitou a participação direta dos educandos nas decisões dos planos de estudo e projetos a serem desenvolvidos no processo educativo. moradores de determinadas ruas. inclusive no Planejamento Pedagógico Participativo. baseado na participação comunitária e guiado por três princípios básicos: regras universais de participação em instâncias institucionais e regulares de funcionamento. tendo por base a divisão da cidade em regiões orçamentárias.

em torno de uma política pública de enfrentamento dos altos índices de analfabetismo dos 188 municípios dos vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas Gerais. A fim de criar uma rede de governança que fortaleça o tecido social. municípios e organizações da sociedade civil. O programa tem por objetivo reduzir o analfabetismo funcional e absoluto dos jovens e adultos. o programa contou com 1.O programa Cidadão Nota Dez é um exemplo de parceria entre instituições federais. a Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens Adultos (Cnaeja) é formada por representantes de instituições governamentais e da sociedade civil sob a presidência do 102 . em 1988. REDES DE PARTICIPAÇÃO NA GESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS A Constituição Federal. denominados Mesas de Gestão Participativa. Criada em 2003. constituindo espaços públicos de controle social sobre a gestão pública e de articulação entre governo e sociedade. por meio da criação de projetos de desenvolvimento comunitário e de geração de trabalho e renda. os conselhos gestores de políticas públicas são os mecanismos de participação mais difundidos.300 parceiros. 86 mil alunos alfabetizados e 10 mil alfabetizadores capacitados. instituiu no Brasil uma democracia representativa e participativa. educando para a conscientização e vivência da cidadania ativa da participação social. aproximadamente 400 mil cidadãos atendidos. Os principais parceiros envolvidos são a Secretaria Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas Gerais (Sedvan) e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene). incorporando a cidadania ativa na gestão das políticas públicas. foram estabelecidos mecanismos colegiados de gestão e controle social. estaduais. Até o momento. Nesse importante exercício democrático.

destacam-se os Fóruns de Educação de Jovens e Adultos. reduzindo a distância que ainda separa o discurso e a prática. A Cnaeja é consultiva e subsidia o governo na definição de diretrizes e prioridades. da operacionalização e dos resultados das políticas adotadas e programas realizados. existem 26 Fóruns Estaduais. 26). O movimento dos Fóruns gerou também os Encontros Nacionais de Educação de Jovens e Adultos (Enejas). Contudo. configurando um campo de disputa de concepções e propostas. realizados anualmente desde 1999. O reconhecimento das organizações sociais como interlocutoras legítimas dos governos deve-se. 103 . Dez anos depois. em grande medida. estaduais e municipais. no processo preparatório da V Conferência Internacional de Educação de Adultos (CONFINTEA). limites e possibilidades. Espera-se que esses mecanismos de participação possam construir formas mais inovadoras e democráticas de se pensar e fazer política.ministro da Educação. Nesse terreno. os Fóruns e os Enejas – é marcada por tensões. O primeiro foi criado em junho de 1996. o Fórum do Distrito Federal e 52 Fóruns Regionais. ao papel desempenhado pela sociedade civil na consolidação de direitos educativos de jovens e adultos. educadores e educandos. representando uma importante rede de intercâmbio de experiências e controle social de ações governamentais. o encontro é sediado por um Fórum e reúne aproximadamente cerca de 600 delegados entre gestores dos níveis nacional. A relação entre as três instâncias de governo – a Comissão Nacional. assegurando a transparência e o controle social do financiamento. ao longo das duas últimas décadas. no Rio de Janeiro. é possível reconhecer que em todas as regiões brasileiras aparecem sinais de uma participação mais expressiva e densa da sociedade no fomento e nas ações em prol da alfabetização de jovens e adultos. pesquisadores. A cada ano. professores universitários. com o objetivo de acompanhar e avaliar as políticas públicas para o setor (ver nota 11 na p.

] as condições de trabalho e a remuneração do pessoal empregado nos programas e atividades de educação de jovens e adultos. 4º DESAFIO – PROMOVER A FORMAÇÃO DOS ALFABETIZADORES Nos comprometemos a melhorar as condições de trabalho e as perspectivas profissionais dos educadores de adultos (professores e facilitadores): elaborando políticas e adotando medidas para melhorar o recrutamento.org. 104 .. são denominados professores aqueles que possuem habilitação para a docência e atuam na educação escolar. Essas designações não só dizem respeito à diversidade de papéis e funções que assumem. monitores. (Tema 2 da Agenda para o Futuro da Educação de Adultos) Uma prática comum na organização de programas de alfabetização de jovens e adultos é a atribuição da ação alfabetizadora a um universo variado de pessoas. a fim de garantir a qualidade e continuidade desses programas e atividades [. sendo as outras denominações aplicadas aos agentes de programas organizados pela sociedade civil.Para saber mais.]. Os alfabetizadores que atuam nesse campo têm sido nomeados de variadas formas: educadores. alfabetizadores. professores. mas diz respeito à exigência ou não de habilitação para docência. formadores de adultos. em sistemas públicos e privados de ensino. instrutores. facilitadores. a formação inicial e [. A diferenciação não se encontra apenas no local de atuação do docente – a escola ou ambientes de educação não formal —. mas também expressam o modo como se compreende a profissionalização desses agentes... Comumente. consulte o site dos Fóruns de Educação de Jovens e Adultos: <http://forumeja. agentes sociais.br/>. educadores populares.. entre outros. com diferentes perfis de formação. às condições de trabalho e ao estatuto profissional. capacitadores.

seja por partilharem motivações de ordem política. desde aquelas de caráter prescritivo e regulador da ação pedagógica até aquelas de caráter emancipatório. estabelecendo com os estudantes relações horizontais. conhecimentos e identidades dos educadores de jovens e adultos. majoritariamente não contaram em sua formação inicial com cursos e disciplinas voltados para a atuação em processos de alfabetização e aprendizagem de pessoas jovens e adultas. seja pela produção de subsídios pedagógicos e materiais didáticos que privilegiam o alfabetizador como leitor. escolhas e práticas dos alfabetizadores como ponto de partida e de chegada do programa de formação. o conhecimento disponível indica que seus saberes profissionais se constituem no próprio contexto de ação. fato apontado por pesquisadores como um dos problemas que afetam a qualidade e resultados dos programas de alfabetização e educação de jovens e adultos. nos cursos universitários e habilitações para a docência. A formação do alfabetizador de jovens e adultos tem sido uma problemática que se tenta deslindar de várias maneiras. e que a maior parte dos alfabetizadores orienta a atividade pedagógica pelo princípio da solidariedade social. encontram-se também profissionais da educação que. Seu enfrentamento também se fundamenta em diversas tendências. sendo ainda necessário desenvolver esse campo de pesquisa. 105 . Nesse campo. A falta de habilitação para a docência é uma das principais características desses agentes educativos. a maioria atua sem reconhecimento de vínculo trabalhista. Embora se saiba muito pouco sobre as motivações. que tomam os saberes. seja pela ação direta em processos de formação inicial.No caso daqueles que atuam em programas não-governamentais ou em parceria com governos. seja por pertencerem às mesmas comunidades. e de formação continuada em serviço. percebendo modalidades diversas de auxílio econômico em valor inferior ao piso salarial dos professores. embora habilitados ao magistério. comunitária ou religiosa.

organizações sociais e igrejas. Cobra o desenho e implementação de políticas públicas que promovam concomitantemente formação e profissionalização. em nível médio. Tanto nas redes públicas de ensino.698 cursos de Pedagogia mantidos por 612 instituições de ensino superior no Brasil em 2005. Essa não é só uma questão pedagógica. sejam oferecidas oportunidades de estudos sobre a educação de jovens e adultos e suas especificidades. nos impôs a necessidade de considerar os educadores e educandos em sua diversidade. ao ampliar a concepção de educação ao longo da vida. 106 . Outra problemática diz respeito à habilitação específica para a docência. apontada como uma questão que afeta a qualidade da educação de jovens e adultos. ou de pedagogia e licenciaturas. A FORMAÇÃO INICIAL: A HABILITAÇÃO PARA A DOCÊNCIA É raro que na formação pedagógica inicial nos cursos de magistério. como nos programas organizados por movimentos. agravando esse quadro.394/1996 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. mas uma exigência jurídica da Lei nº 9.A Declaração de Hamburgo. somente 15 delas ofereciam 27 cursos com habilitação específica para o ensino de jovens e adultos. atua na alfabetização de jovens e adultos um número expressivo de educadores não habilitados com distintos níveis de escolaridade. na multiplicidade de contextos em que atuam. Dos 1. em nível superior. político ou comunitário. de modo que a prática alfabetizadora seja reconhecida para além de seu eventual cunho filantrópico. A extinção das habilitações decorrente das novas Diretrizes Nacionais para os Cursos de Pedagogia remeteu a especialização de educadores de jovens e adultos para a pós-graduação. e especialmente nas escolas do campo.

O artigo 87 das disposições transitórias da LDB atribuiu a cada município e. de professores do 1º segmento do ensino fundamental que atuam no ensino de crianças. e um serviço de apoio à aprendizagem realizado pela equipe de tutores e professores formadores. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. admitida. com habilitação para o magistério na modalidade Normal. de graduação plena.O QUE DIZ A LEI SOBRE A FORMAÇÃO DO MAGISTÉRIO? O artigo 62 da Lei nº 9. adolescentes. aos estados e à União a incumbência de realizar programas de capacitação para todos os professores em exercício. a oferecida em nível médio. a formação mínima em nível médio. 107 . no caso das séries iniciais do ensino fundamental.394/1996 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional determina que a formação dos docentes da educação básica se dê em nível superior. atividades individuais e coletivas. na modalidade Normal. os recursos da educação a distância. utilizando-se de materiais impressos e vídeos. na modalidade Normal: A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. utilizando também. em universidades e institutos superiores de educação. Uma ação do MEC em parceria com os estados e municípios para melhorar o desempenho do sistema de ensino fundamental e garantir que os docentes das redes públicas tenham a titulação mínima legalmente exigida foi a criação do Programa de Formação de Professores em Exercício (Proformação). mas admite. Destina-se à habilitação em nível médio. supletivamente. jovens e adultos. para isto. em curso de licenciatura. O Proformação funciona na modalidade de educação a distância.

da Universidade Federal de Pernambuco. uma iniciativa do MEC de 2004 com o objetivo de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público por meio da formação dos professores.gov.proinfo. Dois desses centros oferecem cursos de formação especificamente voltados para programas de alfabetização de jovens e adultos: o Centro de Estudos em Educação e Linguagem (Ceel). organizações nãogovernamentais e instituições públicas e privadas de ensino superior. mantendo equipes responsáveis pela elaboração de cursos presenciais. Leitura e Escrita (Ceale).br> ou telefone para (61) 2104 9604.Para saber mais sobre o Proformação. destaca-se a Rede Nacional de Formação Continuada de Professores de Educação Básica. também na alfabetização e educação de jovens e adultos a formação continuada é necessária ao desenvolvimento profissional dos educadores. e materiais de orientação para a formação continuada dos professores em exercício na educação básica. acesse o site: <http://proformacao. A rede é composta por universidades que se constituem em Centros de Pesquisa e Desenvolvimento da Educação. mobilizando a produção acadêmica na busca de saberes que apóiem os professores em sua prática pedagógica. e o Centro de Alfabetização. A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS ALFABETIZADORES EM SERVIÇO INICIATIVAS DO GOVERNO FEDERAL Assim como em outras modalidades. São numerosas as experiências realizadas por diferentes esferas de governo.gov. Essa estratégia ressalta o papel da universidade frente à educação escolar pública. a distância e semipresenciais.asp ou escreva para cnp@mec. 108 .mec. da Universidade Federal de Minas Gerais. Entre as iniciativas federais.br/default.

o Ministério da Educação produziu.br ou pelo telefone: (81) 2126 8921.br ou ceale@fae. Consulte os anais do I Seminário Nacional sobre o tema: Formação de educadores de jovens e adultos.br/seb>. MATERIAIS PARA A FORMAÇÃO Consciente da necessidade de prover fontes de estudo que promovam a reflexão sobre a prática pedagógica. entre em contato pelos e-mails: formacaoceale@fae.Para conhecer a Rede Nacional de Formação entre em contato pelo endereço rede-seb@mec. 2006.mec.pdf>. suas propostas e formas de estabelecer parcerias: CEEL – consulte o site: www.gov.br ou pelo telefone (61) 2104 8672 ou ainda pelo portal <http://portal. Disponível em: <http://unesdoc.fae.unesco.gov.br ou pelo telefone: (31) 3499 5333. entre em contato pelo e-mail: ceel@ce.org/images/0014/001493/149314porb. CEALE – consulte o site: www.gov.br/ceale. vários materiais destinados a apoiar processos formativos.br/ceel.ufpe.ufmg.ufmg. MEC/SECAD.pdf) Para conhecer esses Centros de Formação. 109 .ufpe. Orientações gerais: catálogo 2006 (http://portal. Brasília: Autêntica.mec. no período de 2004 até 2007.br/seb/arquivos/ pdf/Rede/catalg_rede_06. Belo Horizonte.pdf>.br/seb/ arquivos/pdf/livrodarede. bem como apresentem concepções e orientações didáticas para a alfabetização de jovens e adultos. UNESCO.ufmg.mec. no qual se encontram os seguintes documentos: Orientações gerais: objetivos e diretrizes <http://portal.gov.

sensibilizá-los para reconhecer a rica bagagem experiencial de seus educandos. da organização não-governamental paulista Vereda. Escravo. Almanaque do Alfabetizador é um material informativo dirigido aos alfabetizadores de jovens e adultos do Programa Brasil Alfabetizado. metodologias e questões práticas colabora para alertar os educadores sobre as características dessa modalidade de ensino.gov. tomando-a como ponto de partida para estabelecer novas aprendizagens.php?option=com_content &task=view&id=174&Itemid=328>. 110 . Seu objetivo é envolver os alfabetizadores para colaborar no combate a esse crime. produzido pelo Ministério da Educação em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a organização não-governamental Repórter Brasil. nem pensar.br/secad/index. Ele aborda a problemática do trabalho escravo. coordenada por Vera Barreto. O estilo narrativo e dialogado adotado no tratamento de conteúdos. por meio de histórias ilustradas baseadas em casos verídicos. A novidade desse material consiste em trazer situações concretas e familiares àqueles que estão envolvidos em processos de aprendizagem de jovens e adultos a fim de produzir reflexões tanto sobre os relatos que constam nos cadernos como sobre as práticas cotidianas nas escolas públicas. Conheça os Cadernos no endereço: <http://portal.Trabalhando com a EJA é uma coleção de cinco cadernos temáticos.mec. à qual estão submetidas cerca de mais de 25 mil pessoas no Brasil. propondo formas de abordar essa problemática na alfabetização. destinada a professores que atuam em redes públicas de ensino. orientá-los quanto às escolhas que realizam.

Conheça o Almanaque no endereço: <http://portal. propondo o estudo de temas. Jovens na alfabetização: para além das palavras. produzido pela Secretaria Nacional de Juventude e pelo Ministério da Educação e elaborado. ritmos de aprendizagem e interesses.br/secad/arquivos/pdf/almanaq_escravo nempensar. em 2007. e a realização de atividades que aproximem educadores da realidade de seus educandos. Contém informações. por meio de indicações de fontes de pesquisa variadas e acessíveis. pela organização não-governamental Ação Educativa. Para ter acesso ao material entre em contato com o Programa Brasil Alfabetizado pelo telefone: (61) 2104 6140 ou pelo e-mail: suporte.mec.gov. O livro põe foco nas necessidades de socialização e de aprendizagens de jovens no processo de alfabetização.sba@mec.gov. Partiu de duas constatações: a não permanência de jovens em turmas de alfabetização e a necessidade de materiais e propostas que abarquem as características de grupos juvenis. depoimentos e textos variados para promover a reflexão e mobilizar educadores na busca de jovens para compor turmas e apoiá-los em sua ação pedagógica junto a esse grupo específico.br 111 . seus estilos cognitivos.pdf>. decifrar mundos é um material dirigido a coordenadores e alfabetizadores de jovens e adultos do Programa Brasil Alfabetizado. Organizado em cinco capítulos. o volume foi elaborado para subsidiar processos de formação.

passando pela organização de tempos e espaços para alfabetizar e por instrumentos que auxiliam o planejamento e a reflexão sobre a prática.Ainda por iniciativa de outros órgãos públicos federais que estabeleceram parceiras. desde uma breve história da alfabetização. Também trata de temas fundamentais para a formação do alfabetizador. destacam-se as indicações para a organização da aprendizagem e funcionamento das turmas. 112 . como o próprio título diz. A proposta foi elaborada pela organização não-governamental carioca Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação – Sape. apresenta uma proposta para implementação de cursos de alfabetização voltados às especificidades dos trabalhadores da pesca. reflexões e pistas metodológicas na formação de educadores é um material voltado para a formação de alfabetizadores.mec. Entre os vários temas e conteúdos.br/secad/arquivos/pdf/secad_pescandole tras. Proposta pedagógica para alfabetização de pescadores e pescadores profissionais e aqüicultoras e aqüicultores familiares. Produzido em formato de revista.gov. Redes de saberes. com o objetivo de reduzir em 50% o analfabetismo entre pescadores costeiros e ribeirinhos e aqüicultores familiares. uma vertente do Brasil Alfabetizado desenvolvida pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca – Seap da Presidência da República. em 2005. O documento faz parte do Programa Pescando Letras. bem como a orientação para a abordagem de temas referentes à alfabetização em contextos onde vivem os pescadores. Alfabetização de pescadores artesanais: informações. Conheça a proposta no endereço: <http://portal. destacam-se dois materiais que se voltam para alfabetização dos trabalhadores da pesca e aqüicultura.pdf>. abarca diversos tipos de texto e ilustrações que aproximam o leitor da riqueza cultural do ambiente e do modo de vida dos trabalhadores da pesca.

Rede de Saberes: alfabetização de pescadores artesanais. Disponível em: <http://200. Paraíba.até uma coletânea de textos relacionados a temas próximos aos sujeitos da alfabetização. 113 . Espírito Santo. Foi elaborado. a estadual do Rio de Janeiro e a comunitária de Ijuí (RS). e predomínio das universidades públicas federais e estaduais (74% do total). as federais de Alagoas. Entre os grupos com maior tradição25 existem aqueles que respondem 25 Destacam-se os núcleos das universidades de Brasília. Brasília. esses núcleos se somaram aos fóruns de educação de jovens e adultos. Ceará.pdf>.145/seap/pescando/pdf/ Rede_de_Saberes. com maior concentração nas regiões Sudeste (36%) e Nordeste (23%). docentes de instituições de ensino superior brasileiras vêm se reunindo em grupos e núcleos especialmente dedicados às temáticas da educação popular com jovens e adultos.202. Minas Gerais. seguidas das instituições confessionais (13%) e privadas (13%). Ministério do Trabalho e Emprego. Os registros atuais do Ministério da Educação contabilizam 39 desses grupos em 17 dos 26 estados brasileiros e Distrito Federal. colaborando para a reflexão pedagógica e das políticas públicas para a modalidade. Nos últimos dez anos. 2004. Pernambuco. Goiás. o que favoreceu a interlocução das instituições responsáveis pela pesquisa acadêmica e formação inicial de futuros professores com os agentes que promovem a alfabetização de jovens e adultos. ampliando as oportunidades das instituições de ensino superior se engajarem em processos formativos de alfabetizadores vinculados a programas governamentais e não-governamentais. em 2003.198. pela organização não governamental carioca Centro de Ação Comunitária (CEDAC) para o Ministério do Trabalho e Emprego. A FORMAÇÃO PERMANENTE A PARTIR DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR Há cerca de duas décadas. Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

movimentos e organizações sociais. cooperando com redes de ensino e órgãos públicos. planejamento. Iniciado em 1990. sistematização e avaliação. Os eixos temáticos da formação compreendem educação e trabalho. visitas às salas de aula. pesquisa e extensão universitária na alfabetização e pós-alfabetização de jovens e adultos. oficinas pedagógicas. relatos de experiências e orientações específicas para questões enfrentadas no cotidiano das turmas. formação inicial e continuada de educadores. especificidades do campo e do mundo urbano e de temas relacionados ao cotidiano 114 . em eventos coletivos e individuais que englobam planejamentos participativos. qualificação profissional. o Projeto Escola Zé Peão é um exemplo de articulação entre ensino. reuniões de avaliação.br/un/ ?q=node/69>.pela oferta direta de cursos de alfabetização ou de ensino básico destinados aos funcionários ou abertos à comunidade (como é o caso da Escola de Aplicação da Universidade Federal de Minas Gerais). grupos de estudo. a análise da conjuntura nacional e internacional. Foi criado por meio de uma parceria entre a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e do Mobiliário (Sintricom) e compreende o primeiro segmento do ensino fundamental. organizado em duas etapas: Alfabetização na Primeira Laje e Tijolo sobre Tijolo. rodas de leituras. mas a maioria combina ensino e pesquisa à extensão universitária. educação básica.org. Para conhecer a ação específica de alguns desses núcleos/grupos. Estudantes de graduação da UFPB atuam no projeto como educadores e passam por um processo de formação que tem seu começo durante a seleção e se prolonga por toda atuação. na promoção de cursos de alfabetização. economia solidária. consulte o site dos fóruns de EJA: <http://forumeja.

O acompanhamento pedagógico está sob a responsabilidade de coordenadores que desenvolvem a formação em reuniões e oficinas. bem como do trabalho junto aos professores das redes municipais envolvidas. aten115 . associadas aos movimentos sociais do campo. uma rede de instituições de ensino superior que. Criado em 1990. que resulta das assessorias e formações oferecidas aos alfabetizadores dos programas. coordenadores de programas de alfabetização do Sesi. Alfasol e CUT. Essa rica produção é resultado do trabalho de reflexão teórico-prática do grupo.das turmas. coletâneas de textos para utilização em aulas e outras produções acadêmicas. desenvolvem ações de formação de educadores de assentamentos rurais para alfabetização e escolarização de jovens e adultos. O Nepeal produziu cinco livros com resultados de pesquisas que trazem contribuições para os formadores: quatro Cadernos de Produção Coletiva dos Alunos de EJA – Maceió-AL. da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Um exemplo disso é o Projeto Educampo: o letramento através da educação ambiental realizado pela Universidade do Estado do Amazonas (Ueam). desde 1998. Uma das experiências significativas de articulação entre a pesquisa e a produção de material para a formação de formadores e educadores é a do Núcleo de Estudos. que tem como objetivo promover a alfabetização em projetos de assentamentos da reforma agrária. O Zé Peão é também um laboratório de pesquisas e de elaboração de materiais didáticos. O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) do Ministério do Desenvolvimento Agrário subvenciona. o núcleo reúne professores e graduandos do Centro de Educação com técnicos e professores dos municípios de Maceió e Pilar. uma Proposta de Formação de Alfabetizadores que apóia a elaboração de projetos e planos de formação. Pesquisas e Extensão em Alfabetização (Nepeal). com textos produzidos pelos estudantes e que servem como materiais de leitura e para o preparo de aulas.

sendo exigida para o ingresso escolaridade mínima em nível médio. A seleção é feita por meio de editais públicos. A FORMAÇÃO PERMANENTE NO INTERIOR DOS PROGRAMAS A formação continuada no interior de programas tem assumido um caráter para além do compensatório frente à inexperiência ou falta de habilitação específica dos alfabetizadores que neles atuam. assim. possibilitando. Esses estudantes realizam orientações e acompanham a prática pedagógica dos educadores. que tem início antes da atuação direta nas turmas de alfabetização e durante todo o processo educativo. atuavam no Paraná Alfabetizado cerca de cinco mil alfabetizadores e 900 coordenadores locais. apoiados por estudantes bolsistas dos cursos de licenciatura. A alfabetização é desenvolvida por agentes selecionados entre as pessoas com maior grau de escolarização e liderança. residentes próximos aos assentamentos. organizados pela Secretaria de Educação do Estado. Todos tomam parte de um processo de formação desenvolvido pela Ueam. a ressignificação de sua prática. As dimensões do programa e a preocupação em assegurar processos educativos adequados às necessidades dos sujeitos da alfabetização demandaram a criação de estratégias de seleção e formação dos educadores. distribuídas em todo o estado. para atuação em locais de difícil acesso.077 jovens e adultos em dez municípios amazonenses. seus valores e saberes práticos e teóricos. O projeto fundamenta-se em princípios freireanos e da pedagogia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). ou habilitação para a 116 . conjugaram-se forças com parceiros locais. Em muitos programas essas instâncias formativas assumem um caráter reflexivo que considera o educador como agente responsável pelo processo educativo. ao valorizar suas experiências pessoais.dendo a 2. bem como para realizar os encontros de formação. Em 2007. Para superar a dificuldade de acesso às turmas de alfabetização nos assentamentos e reservas extrativistas.

docência. O Projeto SESC LER também é uma experiência que prevê o processo de formação permanente de seu corpo docente. Um dedo de Prosa. e coordenadores de segmentos específicos. também delineou estratégias voltadas à formação dos alfabetizadores. A formação dos alfabetizadores que ingressam no programa se dá por meio de um curso de caráter inicial e outro de caráter permanente que compreende também oficinas e reuniões pedagógicas quinzenais ou semanais. Todos tomam parte também da formação continuada por meio de encontros nos quais refletem sobre a prática pedagógica que desenvolvem. tendo em vista as especificidades da proposta pedagógica do programa. Além das reuniões. e coletâneas de textos pedagógicos. Apesar da dispersão territorial das turmas e das dificuldades de acesso. discutem problemáticas que afetam o processo de aprendizagem. que tratam de temáticas e necessidades cotidianas dos alfabetizadores. Para subsidiar as reuniões são usados os materiais didáticos do programa. da Secretaria Estadual de Educação do Acre. A formação tem início na seleção dos professores. O Programa Alfa 100. Todos os ingressantes passam por um curso de formação inicial que aborda temas. os alfabetizadores tomam de outras atividades previstas no processo de formação permanente: cursos intensivos e oficinas para alfabetizadores. teorias e metodologias adequadas às especificidades dos jovens e adultos. Estas últimas são planejadas pelos coletivos locais dos alfabetizadores por meio da elaboração dos Planos de Formação Continuada. conduzidas pelos coordenadores de turma. planejam e registram suas atividades e utilizam o Caderno Florestania (material pedagógico do programa). e que servem de referências para o trabalho nas turmas de alfabetização. familiarizando-os com a proposta pedagógica. revisam saberes. o programa garante encontros quinzenais e visitas periódicas dos coordenadores às turmas. com as concepções norteadoras do processo de alfabetização de jovens e adultos e com os instrumentos de que deverão 117 .

propõem ajustes de conduta e selecionam temas e problemáticas para as reuniões pedagógicas.dispor para planejar e registrar sua prática cotidiana. Essa primeira visita propicia uma imersão na realidade local para o estabelecimento de um plano de formação adequado às necessidades locais. mas abrangem o intercâmbio entre modos de vida e produções culturais locais. Os relatos da prática pedagógica dos educadores são objetos de leitura da equipe de orientação e da coordenação estadual que. Nessas reuniões mensais. que promove a leitura e discussão dos registros de outros educadores. a socialização de atividades e pesquisas para desenvolverem seus projetos didáticos e propostas diárias. A formação de educadores no Programa AlfaSol é feita a partir do estabelecimento de parcerias com instituições de ensino superior públicas e privadas de todo o país. ao comentarem os textos. Os temas da formação não se restringem àqueles que dizem respeito aos conceitos de alfabetização assumidos no programa. O processo formativo dos alfabetizadores compreende. Cada professor passa por um período inicial de acompanhamento do orientador pedagógico do Centro Educacional. Os professores também são incentivados a participar de congressos e encontros de educação. os educadores são deslocados de seus municípios para as instituições de ensino superior. o estudo de textos para a fundamentação do trabalho pedagógico. sendo valorizada a experiência anterior na educação de jovens e adultos. fazem indicações de estudo. os educadores realizam coletivamente o planejamento. passando por atividades educativas e culturais. A coordenação estadual visita os centros educacionais. realizando atividades de formação com a equipe docente. o deslocamento dos formadores para os municípios onde as turmas estão sendo formadas ou já estão em funcionamento. Os conteúdos da formação 118 . Em seguida. assiste às aulas e organiza reuniões de formação e de estudo da Proposta Pedagógica. Para o ingresso é exigida a formação em nível superior (Pedagogia ou Normal Superior). inicialmente.

entre 2002 e 2004. Associação de Educação Católica (AEC). Uma decorrência dessa parceria tem sido colocar em cena o tema da alfabetização de jovens e adultos e suas especificidades em numerosas instituições de ensino superior que não mantinham linhas de pesquisa ou qualquer ação de extensão voltada a essa modalidade de ensino. a Secretaria Municipal de Educação estabeleceu convênio com cinco ONGs paulistas – Ação Educativa. de três cursos de extensão em parcerias com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF). e produziram materiais de formação pautados pelas experiências desenvolvidas (cinco cadernos que apresentam fundamentos. Os professores do Programa de Educação de Jovens e Adultos (PejaRJ). Centro Cida Romano (Cecir). além de formação continuada na própria unidade escolar. a publicação de boletins e revista com artigos e temas voltados à alfabetização.são desenvolvidos a partir do levantamento das demandas da comunidade. cabendo a cada instituição de ensino superior aliar os conhecimentos e experiências prévias dos educadores com os conhecimentos acadêmicos. No período de 2003 a 2005. proposições e sistematizam experiências da formação). Instituto Paulo Freire (IPF) e Vereda. Na formação também estão previstos seminários regionais e nacional. caso do Movimento de Alfabetização do município de São Paulo (MovaSP). Esses cursos foram planejados com os professores dessas universidades e representantes do 119 . tomaram parte. Outro tipo de parceria voltada à formação de educadores é aquela feita entre órgãos públicos e organizações não-governamentais com tradição de atuação no campo da educação de jovens e adultos. a distribuição de acervos para educadores. Centros de Estudos – que delinearam em diálogo com os dirigentes um processo de formação continuada para alfabetizadores do Mova-SP e equipes técnicas das Coordenadorias Municipais de Ensino.

os cursos são ministrados pela Universidade Corporativa do Sesi (UniSESI). 420 professores e gestores participaram do primeiro curso de extensão com 120 horas de atividades presenciais e não-presenciais ministrado pela PUC-RJ em 2002. prioritariamente. a UNESCO e a Universidade de Brasília. 250 professores iniciantes no Peja. procurando coadunar interesses dos educadores. aproximando-os dos locais de atuação dos professores. o programa é organizado por meio de cursos modulares e a distância. teve como objetivo contribuir para a compreensão da dimensão político-pedagógica da ação dos profissionais na inclusão social de jovens e adultos. No mesmo ano houve ainda um terceiro curso desenvolvido pela PUC-RJ que atendeu. atendendo 500 professores. com materiais impressos para estudo e apoio. realizado em 2004 em parceria com a UFF. descentralizar os cursos. destaca-se o trabalho conjunto de coordenação dos professores de diferentes universidades. nas modalidades especialização e extensão. com o objetivo de permitir a esses educadores melhor entendimento dessa modalidade de educação. Visando à construção de uma identidade própria para modalidade na rede municipal. ainda. limites e possibilidades.programa. suas tensões. Há um consenso no campo educacional de que a profissionalização docente se produz na formação continuada e permanente. Nessa experiência. Dirigido aos profissionais do Sesi e aberto a outros interessados (mediante pagamento de matrícula). conformando uma instância formativa tanto para os formadores e pesquisadores da universidade como para a equipe docente do programa. O segundo curso. Atualmente. A formação 120 . diretores e coordenadores. Outra experiência de formação articulada à profissionalização docente é o Programa Formação de Formadores em Educação de Jovens e Adultos elaborado em parceria entre o Departamento Nacional do Sesi. as problemáticas com que lidavam e o aprofundamento teórico-metodológico necessário à sua formação e.

em que novos saberes são incorporados à ação alfabetizadora. (Tema VIII da Agenda para o Futuro da Educação de Adultos. PEREIRA. por uma pedagogia centrada na pessoa. 2000. 1998.]. responder às suas necessidades. Campinas: Mercado de Letras. Esses grupos deveriam ter acesso a programas educativos que pudessem. de A.continuada não é só uma exigência para atualização da atividade profissional frente às inovações do campo educacional e das demandas sociais. Antonio. seja ela nacional seja internacional. M. Embora haja concordância em que a educação de adultos deve ser aberta a todos. migrantes.. se necessário. C. um espaço de formação de um educador investigativo e crítico. reside na flexibilidade para ajustar as políticas e programas aos contextos e à 121 . Cartografias do trabalho docente. e facilitar a sua plena integração participativa na sociedade. 5º DESAFIO – CONSIDERAR A DIVERSIDADE DOS EDUCANDOS E DOS CONTEXTOS DE APRENDIZAGEM O direito à educação é um direito universal [. [. Para aprofundar o tema. FIORENTINI. o que supõe a satisfação de necessidades educativas muito diversas. leia: NOVOA. diversos grupos ainda estão dela excluídos: pessoas idosas. é também uma instância de produção do conhecimento.. G. ajudados a se beneficiar da educação de adultos..] deficientes e reclusos. em realidade. por exemplo... D. Todos os membros da sociedade deveriam ser convidados e.. Vidas de professores. GERALDI.) Uma das lições aprendidas na experiência recente de educação de pessoas jovens e adultas. M. E. Porto: Editora Porto.

Para participar do programa. ainda que sejam majoritários. Em uma sociedade multicultural como a brasileira. como. como as diferentes gerações (jovens e idosos). estruturando o ensino e a aprendizagem de acordo com o ambiente. são muitos os segmentos sociais que reivindicam a consideração de suas especificidades. minorias (populações indígenas e quilombolas. os estados e municípios devem apresentar projeto ao Ministério da Saúde.mec.diversidade das populações a serem alfabetizadas. DICA Entre as ações previstas no Plano de Desenvolvimento da Educação lançado pelo Ministério da Educação em 2007.gov. todo programa de alfabetização precisa desenvolver. estão sujeitos a discriminação (como as mulheres e os afrodescendentes). Um terço dos analfabetos brasileiros tem mais de 60 anos e alguns dos condicionantes de sua participação em atividades educativas são conhecidos. as dificuldades de visão que limitam a aprendizagem de grande parte dos adultos e idosos. de modo a satisfazer as necessidades de aprendizagem peculiares a cada grupo ou comunidade. A Portaria Interministerial nº 15. consta o programa Olhar Brasil. Por isso. detentos) ou grupos que.html>.br/ arquivos/pde/olharbrasil. As estatísticas e pesquisas evidenciam a presença marcante de pessoas do sexo feminino nos programas de alfabetização de 122 . pessoas com necessidades especiais. por exemplo. de 24/4/2007. que trata do assunto. estratégias de diagnóstico de acuidade visual e distribuição de óculos aos aprendizes que deles necessitarem. pode ser consultada em: <http://portal. junto com os órgãos e profissionais do sistema de saúde. a cultura e o modo de organização social. que até 2009 fará distribuição de óculos após triagem e encaminhamento de alunos do ensino básico e do Brasil Alfabetizado para consultas oftalmológicas no sistema de saúde.

Para saber mais. sofreram intensa exclusão no acesso à escola. Brasília: MEC/SEF. Discriminadas no mercado de trabalho. vulneráveis a múltiplas formas de violência. serviços públicos de educação infantil e assistência a idosos e. 1998 (acompanha fitas de vídeo e cassete). sobretudo. 123 . Por uma educação não discriminatória de jovens e adultos. O fato de que 70% das pessoas inscritas no Programa Brasil Alfabetizado se declare negra ou parda dá a dimensão da atenção a ser conferida às relações interétnicas e ao ensino da história e cultura afro-brasileiras nos programas de alfabetização de jovens e adultos. em especial mulheres com mais de 40 anos. a valorização da cultura. consulte: Cidadania e gênero. num passado não muito distante. a consideração dos interesses e a sensibilidade às necessidades de aprendizagem específicas são também condições para que jovens e afrodescendentes se beneficiem em condições de igualdade das oportunidades de alfabetização. REDEH – Rede de Desenvolvimento Humano. a valorização de seus conhecimentos e abertura aos seus interesses e necessidades de aprendizagem. aulas em horários diurnos e locais seguros próximos à moradia ou trabalho.jovens e adultos. por exemplo. Entre os alfabetizandos inscritos no programa Brasil Alfabetizado em 2007. e com problemas de saúde específicos. pertencentes às gerações que. O reconhecimento das identidades singulares. a participação das mulheres nos programas de alfabetização requer flexibilidade de organização. sobrecarregadas com a desigual distribuição do trabalho doméstico e das responsabilidades pelo cuidado das crianças e idosos. 58% eram do sexo feminino e 42% do sexo masculino.

Por uma educação não discriminatória de jovens e adultos. o extrativismo ou a produção agropecuária. 84 p.mec. CORTI. às dificuldades de acesso à escola e à má qualidade do ensino nas zonas rurais. ALFABETIZANDO POPULAÇÕES RURAIS E RIBEIRINHAS Ainda hoje. e também nas festas e ritos que pontuam o calendário de quase toda localidade do litoral e interior. decifrar mundos. As experiências que têm sucesso na tarefa de alfabetizar parcelas desse numeroso contingente de pessoas que vivem no campo reconhecem e valorizam esse patrimônio cultural e encontram na organização das comunidades a força para enfrentar as difíceis condições materiais de vida e estudo para fazer valer o direito à educação na juventude ou na vida adulta. em todo o Brasil as taxas de analfabetismo são mais elevadas no campo que nas áreas urbanas. gov. Disponível em: <http://diversidade.). Brasília: MEC/Ação Educativa. assim como as tradições e expressões artísticas dos povos do campo são transmitidos às novas gerações e compartilhados com outros segmentos da sociedade principalmente pela cultura oral. Central de Informações da Diretoria de Diversidade e Cidadania (DEDC). 1998 (acompanha fitas de vídeo e cassete).Cidadania. o rico acervo de conhecimentos sobre o meio ambiente.br/sdm/publicacao/engine.wsp>. Embora existam grandes variações entre as regiões. um em cada quatro brasileiros com mais de 15 anos que vive no campo não sabe ler ou escrever. Ana Paula (Coord. Por causa da pouca escolaridade da população. 124 . REDEH – Rede de Desenvolvimento Humano. ao trabalho precoce. o que se deve à incidência de pobreza. etnia/raça. 2007. Jovens na alfabetização: para além das palavras. Brasília: MEC/SEF. MEC-SECAD.

as comunidades atingidas pelas barragens necessitam se organizar e encaminhar reivindicações. o MAB iniciou atividades de alfabetização de adultos em reassentamentos na região Sul. e fortaleça a identidade e ação coletiva. é um exemplo do qual é possível extrair lições para a alfabetização de populações que vivem no campo. Por isso. Para proteger seus direitos. e também à dificuldade de motivar as pessoas a ingressar e persistir no estudo após exaustivas jornadas de trabalho braçal. já em 2000. indenização e reassentamento. Para tanto. o que também motiva a busca por mais formação. têm sua participação limitada nas negociações referentes à desapropriação.A experiência demonstra ser particularmente difícil alfabetizar jovens e adultos nas zonas rurais devido à dispersão da população no território. os agricultores familiares. obteve recursos também da Eletrobrás. a maioria mulheres jovens que ainda cursam ou já concluíram o ensino médio. à escassez de educadores com formação adequada. Anos depois aderiu ao Programa Brasil Alfabetizado. A ação educativa empreendida pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). ambientais e energéticas. na atualidade. formando grupos de alfabetização de ribeirinhos em 67 municípios de 14 estados brasileiros. cujas terras se encontram nas áreas de inundação dos reservatórios de usinas hidrelétricas. amplie sua compreensão das questões agrárias. Quando não sabem ler ou escrever. o que permitiu manter uma equipe de coordenação responsável por preparar e supervisionar pedagogicamente 338 alfabetizadores voluntários das comunidades. Identificado com a corrente da educação popular. à precariedade dos meios de transporte e das condições de ensino (como a falta de iluminação). O MAB se empenha para que a alfabetização proporcione maior autonomia e auto-estima dos jovens e adultos. o movimento organiza o processo de ensino-aprendizagem em torno a eixos temáticos vinculados ao contexto das comunidades 125 .

Pouco mais da metade dos alfabetizandos lograram resultados de aprendizagem satisfatórios. memória das lutas e valores coletivos.400 que.728 alfabetizandos. Estima-se que ainda existam duas mil pessoas por alfabetizar. integra o Brasil Alfabetizado. a evasão foi elevada. destinado à alfabetização e qualificação profissional de trabalhadores da pesca nos municípios baianos de Barra. fluviais ou lacustres. por sua vez. um dos muitos desafios enfrentados pelo programa Saberes das Águas. A iniciativa faz parte do programa Pescando Letras que. identidade e cultura. o trabalho na pesca tem outras especificidades. como a gestão do 126 .108 concluíram pelo menos um ciclo de estudos nas 308 turmas que vingaram. precisam completar o processo de alfabetização. trabalho. às margens do médio São Francisco. além das 1. o Movimento avalia que os oito meses previstos pelo Programa Brasil Alfabetizado são insuficientes para a alfabetização de jovens e adultos que nunca foram à escola e que vivem em comunidades rurais nas quais as práticas sociais de leitura e escrita são pouco freqüentes. Pilão Arcado. política energética e ambiental) e incentiva os participantes a lutar pelo direito à educação e a continuar seus estudos. Entre 2004 e 2007. Além da relação peculiar com as águas marinhas. Diante desses resultados.rurais atingidas por barragens (história. Ajustar os tempos de aprendizagem a um trabalho regido pelos ciclos da natureza é.500 pescadores analfabetos. dos quais 5. Remanso e Xique Xique. onde diagnóstico realizado em 2004 pelo Ministério do Trabalho e Emprego apontou a existência de quase 2. natureza e tecnologias. Mesmo com adequação do calendário escolar às condições climáticas e aos ciclos de produção agrícola. o que levou ao fechamento de 26% das turmas inicialmente previstas. já tendo participado das turmas anteriores. também. variando de 20% a 41%. o Movimento improvisou espaços comunitários e cadastrou 7.

a distribuição de óculos e de materiais didáticos tivessem ocorrido em tempo hábil. período favorável ao início ou intensificação do processo de alfabetização dos pescadores profissionais.597 inscritos). a Universidade Estadual da Bahia. ao lado da produção de recursos pedagógicos e formação de professores para liderar processos de alfabetização flexíveis. Trata-se de um esforço por criar as condições materiais e pedagógicas para que os pescadores e suas famílias participem das turmas de alfabetização e continuem seus estudos no ensino fundamental. ventos e períodos de defeso26) e as necessidades de conhecimento relacionadas às tecnologias de produção. o programa Saberes das Águas contou inicialmente com recursos da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (Aeci) e articulou uma densa rede formada por órgãos federais (Seap e Ministérios da Educação e do Trabalho). Iniciado em 2005. preservação do meio ambiente. 127 . e constatam a necessidade de estratégias específicas de organização do ensino 26 O defeso corresponde ao período da piracema. em 2007. o programa Saberes das Águas ainda apresenta resultados quantitativos modestos: nas duas etapas concluídas em 2006 e 2007. 57% deles foram encaminhados para continuidade aos estudos nas redes municipais de ensino. Os promotores avaliam que a evasão poderia ter sido menor se as consultas oftalmológicas. prefeituras e colônias de pescadores dos municípios envolvidos. Nesse período a pesca é proibida para permitir a reprodução das espécies e os pescadores profissionais recebem um auxílio governamental para garantir a subsistência familiar. mas conseguiu alfabetizar quase 85% dos concluintes. enraizados na cultura local. óculos e materiais escolares. a Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco. apresentou índices de abandono elevados (40% e 45%). o defeso varia de dois a quatro meses no ano. Dependendo do contexto ambiental.tempo (condicionada pelas fases da lua. habilidades de gestão de negócios e defesa de direitos trabalhistas. contextualizados e significativos. Embora tenha mobilizado um número significativo de participantes (5. Compreende o fornecimento de merenda.

no período posterior ao defeso. os programas Pescando Letras e Saberes das Águas começam a consolidar uma identidade peculiar à alfabetização dos pescadores artesanais.presidencia. quando o retorno às atividades pesqueiras dificulta a freqüência escolar. Para saber mais. consulte: Ministério da Educação – Coordenação Geral de Educação do Campo SGAS Quadra 607 Lote 50 Av. No plano pedagógico.br/estrutura_presidencia/seap/ Ministério do Desenvolvimento Agrário Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – Pronera SBN Edifício Palácio do Desenvolvimento CEP: 70057-900 Brasília – DF Telefone: (61) 34117474 Site: http://www. em diálogo democrático com as comunidades atendidas. provavelmente.gov.br 128 .gov.br Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca – Seap Presidência da República Esplanada dos Ministérios Bloco D CEP: 70043-900 Brasília – DF Telefone: (61) 3218 3838 Fax: (61) 3224 5049 Site: http://www. no reconhecimento das dificuldades e benefícios da articulação de uma ampla rede de agentes dos governos e da sociedade. L2 Sul Edifício do CNE CEP: 70200-670 Brasília – DF Telefones: (61) 2104 6089/2104 6263 Fax: (61) 2104 6235 E-mail: coordenacaoeducampo@mec. Do ponto de vista da gestão das políticas de alfabetização de jovens e adultos.incra.gov. a aprendizagem mais significativa dessa experiência reside.

No final da década de 1990 as organizações indígenas se fortaleceram e a Secretaria Municipal de Educação. Um extenso município do noroeste do Amazonas. 15 da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos) Estimada entre 400 e 600 mil pessoas. O direito de ser alfabetizado na língua materna deve ser respeitado e implementado. além do português: nheengatu. que atende prioritariamente crianças e adolescentes. liderada pelo índio baniwa Gersem José dos Santos Luciano. configurando sua educação escolar como uma modalidade da educação básica. tucano e baniwa. vinculadas a cinco famílias lingüísticas distintas.ALFABETIZANDO POVOS INDÍGENAS A educação de adultos deve refletir a riqueza da diversidade cultural. deu início à implantação da educação escolar indígena na 129 . onde na última década se desenvolveram três projetos de alfabetização de jovens e adultos. bem como respeitar o conhecimento e formas de aprendizagem tradicionais dos povos indígenas. A Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 respeitam o direito dos povos indígenas a processos próprios de ensino e aprendizagem. Por muito tempo o Exército e missões religiosas católicas e evangélicas foram os principais agentes da escolarização na região. a população indígena brasileira pertence a 227 povos distintos que falam 180 línguas. na fronteira com a Venezuela e a Colômbia. é uma exceção. (Art. falantes de 19 línguas próprias. São Gabriel da Cachoeira tem 95% de uma população de quase 40 mil habitantes pertencentes a 23 povos indígenas. A formação de professores e a elaboração de materiais didáticos para o ensino intercultural bilíngüe têm absorvido a maior parte dos esforços em prol da educação escolar indígena. Uma lei municipal de 2002 instituiu outras três línguas oficiais. sendo pouco numerosas experiências de alfabetização de adultos.

perspectiva intercultural e plurilíngüe. Assim. Esse programa se diferencia 130 . Uma década depois. O Programa Alfabetização Solidária atuou em São Gabriel da Cachoeira entre 1999 e 2005. inicialmente na sede do município. concluíram o módulo e foram encaminhadas à rede municipal de ensino. mais de 2. alcançava 23.3%) e a população feminina (28. entretanto. A formação dos alfabetizadores e o acompanhamento pedagógico foram realizados pelas universidades estaduais de Campos Mourão (Paraná) e do Estado da Bahia. Ao longo de seis anos. mas alfabetizavam em português. em 2007.000 pessoas se inscreveram no programa. das quais 80%. atingindo especialmente as comunidades rurais (33. do governo federal. 90 alfabetizadores voluntários foram capacitados. Entre os objetivos da política pública de educação constava o enfrentamento do analfabetismo que. Em 2003 chegou ao município o programa Reescrevendo o Futuro. parte das 218 escolas localizadas no município tem turmas de ensino fundamental para jovens e adultos. os alfabetizadores – membros das comunidades – dialogavam com os educandos nas línguas indígenas. e depois também nos povoados e nas aldeias distantes. proporcionando supervisão pedagógica e formação em serviço. não contemplava o ensino bilíngüe.2% da população com mais de 15 anos. por 454 estudantes. freqüentadas.8%). Essa formação. em média. e não foram elaborados materiais didáticos adequados ao contexto. e pelo Centro Universitário do Norte (Amazonas). A atuação do PAS em São Gabriel é lembrada pelos alfabetizadores pela oportunidade de sair do isolamento e viajar a outras regiões do país onde ocorriam os cursos de formação. pelo Censo de 2000. desenvolvido pela Universidade Estadual do Amazonas em parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Amazonas e o Programa Brasil Alfabetizado. Já os técnicos da educação valorizam a presença freqüente e prolongada dos docentes universitários na localidade.

A originalidade da iniciativa é a combinação dos cursos de alfabetização com a formação de agentes comunitários para a cidadania. fardamento (uniforme) e uma ajuda de custo de R$ 30. tariano. peratapuya. baré e baniwa. Em 2007. Entre 2005 e 2007. cujo público prioritário é formado por beneficiários do programa Bolsa Família. que resulta na elaboração de projetos de geração de renda e desenvolvimento local sustentável. Nos bairros de Miguel Quirino. os concluintes são encaminhados às escolas das redes municipal e estadual de ensino para continuidade de estudos. o MEB formou 60 alfabetizadores voluntários e constituiu 41 turmas que acolheram 1. Nos três anos de funcionamento. alfabetizando apenas em português. Padre Cícero e Areal foram elaborados projetos de horta comunitária para cultivo de plantas medicinais e construção de uma maloca para recuperação de técnicas tradicionais de produção de artesanato. 131 . e manter atividades de ensino ao longo de todo um dia apenas uma vez por semana. tukano. 24 alfabetizadores do programa atuaram com 373 alfabetizandos de 22 comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira. sintetizada no trinômio “ver. comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira também participaram de turmas de alfabetização de jovens e adultos de uma iniciativa do Movimento de Educação de Base em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social. quando os educadores. Xié e na BR 307. o MEB também emprega sua tradicional metodologia de educação popular. agir”. Nessa iniciativa de alfabetização.por privilegiar a temática ambiental. Assim como os outros programas de alfabetização presentes no município. proporcionar um kit de material didático. essa iniciativa da universidade e do governo estadual não contempla as línguas indígenas na formação dos educadores e na produção de materiais didáticos. desano. entre os quais houve uma evasão média de 30%. Dabarú. se deslocam até os municípios.00 mensais aos alfabetizandos. nas regiões dos rios Içana e Negro.260 alfabetizandos das etnias yanomami. julgar. que são estudantes universitários.

Para saber mais.gov.mec.gov. a experiência do município de São Gabriel da Cachoeira deixa entrever a fragilidade da alfabetização de jovens e adultos indígenas no Brasil.br 132 .Ainda que seja uma exceção no cenário nacional por acolher vários programas e promotores. que na maioria dos contextos ainda não foi capaz de incorporar o ensino bilíngüe e produzir materiais pedagógicos pertinentes ao universo cultural dos diferentes povos. consulte: Ministério da Educação – Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena SGAS Quadra 607 Lote 50 Sala 209 Edifício CNE CEP: 70200-670 Brasília – DF Telefones: (61) 2104 6135/2104 6156 E-mail: susanaguimaraes@mec.gov.br/secad/ Fundação Nacional do Índio – Coordenação Geral de Educação SEPS 702/902 Edifício Lex 3º andar CEP: 70390-025 Brasília – DF Telefones: (61) 3226 5197/3313E-mail: cge@funai.br Site: http://portal.

O Censo Escolar de 2006 registrou 58 mil matrículas de pessoas deficientes na educação de jovens e adultos. (Art. menos de 400 mil estão matriculadas no ensino básico e a maioria ainda estuda nos ambientes segregados das escolas e classes especiais.ALFABETIZANDO PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS Na mesma linha da Declaração de Salamanca. O acolhimento sem preconceitos dos mais variados grupos sociais é um dos pilares do projeto pedagógico do 27 O assunto é tratado na Constituição Federal (art. onde as tecnologias adequadas de aprendizado sejam compatíveis com as especificidades que demandam. e apenas 37% delas estudavam em classes comuns. Essa diretriz ainda está distante de efetivar-se. § 4º). O Centro Municipal de Educação de Trabalhadores Paulo Freire. 133 . as pessoas com deficiências têm seus direitos educativos plenamente reconhecidos na legislação internacional e brasileira27. assegurando serviços de apoio especializado para aqueles que deles necessitem. no Estatuto da Criança e do Adolescente (art. § 2º). 208. 54. que dá preferência à inclusão nas classes comuns. em Porto Alegre (RS) – uma escola central que atende exclusivamente jovens e adultos durante todo o dia – é um bom exemplo de como é possível promover a aprendizagem na diversidade em um ambiente democrático e inclusivo. urge promover a integração e participação das pessoas portadoras de necessidades educativas especiais. § 2º) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (art. pois embora se estime em cerca de 15 milhões o número de pessoas que precisam de algum tipo de atenção especializada. Cabe-lhes o mesmo direito de usufruir oportunidades educacionais. 5. de ter acesso a uma educação que reconheça e responda às necessidades e objetivos próprios. 22 da Declaração de Hamburgo sobre Educação de Adultos) Embora ainda exista muito preconceito na sociedade. Em 2001 o Conselho Nacional de Educação aprovou a Resolução nº 2 que estabelece Diretrizes Nacionais para a Educação Especial.

audiolivros e Sorobã (instrumento de contagem). e também aos professores. A partir de 2004. ouvintes e surdos. Dos atuais 1. Em 1998 o Cmet deu início a um projeto piloto de alfabetização de surdos. a presença de intérpretes tornou-se desnecessária nas onze turmas de surdos que compreendem todo o ensino fundamental. bem como treino de habilidades para realização autônoma de tarefas diárias. dez cegos ou com visão subnormal e 90 surdos). A princípio. 230 são pessoas deficientes (120 deficientes mentais. técnicas de locomoção que permitem melhor orientação e mobilidade aos cegos. o que inclui pessoas com deficiências. dez com doença mental. A afirmação cotidiana do direito à diferença faz com que professores e estudantes (jovens e idosos. o Programa Brasil Alfabetizado prevê a contratação de intérprete de Libras e o pagamento de um valor maior aos alfabetizadores em cujas turmas estejam inscritos jovens e adultos com necessidades educativas especiais. o professor era ouvinte. os estudantes do Cmet puderam participar de oficinas sobre Braille (sistema de leitura a partir do tato). A instalação em 2000 de uma Sala de Integração e Recursos para alunos com deficiência visual proporcionou um apoio adicional a pessoas cegas ou com baixa visão.500 alunos. facultando-lhes a produção de material em Sistema Braille.Cmet. que foi se ampliando e institucionalizando. Para favorecer a inclusão dos deficientes visuais nas salas comuns. assistido por um intérprete na Língua Brasileira de Sinais. videntes ou 134 . quando foi concluída a formação em serviço dos professores em Libras. DICA Para apoiar a inclusão de pessoas deficientes. o que fez da escola um lugar de formação e encontro da cultura surda.

] nos comprometemos a reconhecer o direito dos detentos à aprendizagem..). a) informando os presos sobre as oportunidades de ensino e de formação existentes em diversos níveis. nas prisões.. D.. S.. 27-49. com a participação dos detentos. 47 da Agenda para o Futuro da Educação de Adultos) 135 . MORAES. (Art. J. Novos caminhos em educação de jovens e adultos: um estudo de ações do poder público em cidades de regiões metropolitanas brasileiras.br/seesp/ MOLL. ALFABETIZANDO NAS PRISÕES [. VIVIAN. consulte: Secretaria de Educação Especial – Seesp Esplanada dos Ministérios Bloco L 6º andar – Gabinete CEP: 70047-900 Brasília – DF Telefones: (61) 2104 8651/2104 9258 Fax: (61) 2104 9265 Site: http://portal. b) elaborando e pondo em marcha. C. 2007. amplos programas de ensino. Secretaria Municipal de Educação.e.cegos) reconheçam o Cmet como um lugar de enriquecimento e aprendizagem do convívio respeitoso na pluralidade humana. p.].gov. 2007. Educação Especial na EJA: contemplando a diversidade. Institucionalização e criação na EJA: perscrutando caminhos afirmativos no Centro Municipal de Educação de Trabalhadores Paulo Freire em Porto Alegre. (Org. e permitindo-lhes o acesso a elas. In: HADDAD.). (Coord. Para saber mais. Porto Alegre: Prefeitura Municipal. a fim de responder às suas necessidades e aspirações em matéria de educação [.mec. São Paulo: Global. S.

a reorientação dos projetos de vida seja a reinserção produtiva dos detentos na sociedade. a Lei de Execução Penal determina que a população carcerária tenha acesso ao ensino fundamental e à formação profissional. evidenciando que as prisões brasileiras não cumprem adequadamente as múltiplas funções que lhes são atribuídas. maus-tratos.5% são analfabetas (números estes que não incluem os adolescentes em conflito com a lei que cumprem medida socioeducativa em regime de privação de liberdade). Mas apenas 26% dos presos brasileiros desenvolvem alguma atividade laboral e 17% estudam28. 70% das quais não concluíram o ensino fundamental e 10. Não há consenso sobre o papel da educação nos espaços de privação de liberdade e 28 A Lei de Execução Penal prevê a remição de pena pelo trabalho (na proporção de um dia de pena para cada três dias trabalhados). São conhecidos os sinais de deterioração do sistema penitenciário. e que as unidades prisionais tenham bibliotecas e instalações apropriadas para educação e trabalho.O Brasil tem mais de mil estabelecimentos penais onde estão encarceradas quase 420 mil pessoas. Em meio a tantos problemas. rebeliões e os elevadíssimos índices de reincidência. O Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça tem funções de orientação e coordenação. Tramitam no Congresso projetos de lei propondo a remição penal pelo estudo. mas o tema é polêmico entre os parlamentares e na sociedade civil. Ao contrário. o que faz com que a realidade penitenciária do país seja bastante heterogênea. a ampliação das oportunidades de estudo e o estabelecimento de programas apropriados ao contexto peculiar das cadeias e penitenciárias são também desafios das políticas de alfabetização de pessoas jovens e adultas. como a superlotação. seja o controle e segregação de grupos marginalizados. mas a responsabilidade pela política de execução penal é dos estados. 136 . deixando aberta à interpretação dos juízes a concessão desse benefício. mas não explicita o mesmo para o estudo. ambiente degradante. é necessário reafirmar que as restrições à liberdade não suspendem o direito dos condenados à educação. Assim.

do setor privado e da sociedade civil que permitiram implantar o Telecurso de ensino fundamental em 15 das 25 unidades prisionais então existentes. o debate sobre a educação nas prisões tem sido incentivado pela UNESCO. por educadores sem formação adequada. promover cursos de informática e organizar salas de alfabetização com monitores presos. Rio Grande do Sul e São Paulo já instituiram. Boa parte das ações educacionais é desenvolvida de forma precária. a 1ª Conferência Internacional sobre o tema. nem todas as Unidades da Federação têm programas institucionalizados de educação e formação profissional nas prisões.muitos operadores de medidas de execução penal reduzem a escolarização a uma mera atividade ocupacional destinada a diminuir a ociosidade dos detentos. Corrobora esse quadro a indefinição sobre as fontes de financiamento (se o Fundo Penitenciário ou o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) e sobre as responsabilidades dos diferentes organismos das áreas de justiça e educação envolvidos. Rio de Janeiro. ações regulares de educação básica. ações sistemáticas de educação prisional tiveram início em 2001. os ministérios da Justiça e Educação firmaram convênios com doze estados visando à expansão e melhoria do atendimento educacional no sistema prisional. Desde então. na Bélgica. que em outubro de 2008 realizará em Bruxelas. há algum tempo. Paraná. Em Minas Gerais. os estados de Minas Gerais. Embora existam ações pontuais e descontínuas em muitos estabelecimentos penais. orientados por propostas curriculares e metodológicas inapropriadas para o contexto. quando o Programa Perspectiva de Recuperação Social estabeleceu parcerias do estado com organismos do governo federal. Desde 2004 a colaboração 137 . em espaços improvisados e com escassos recursos. Muitas vezes postergado na agenda pública. O governo brasileiro abriu as discussões em julho de 2006 em seminário que aprovou as Diretrizes Nacionais para a Educação Penitenciária. Com populações carcerárias numerosas.

29 Em fins de 2007 a Diretoria de Ensino e Profissionalização da Secretaria de Estado de Defesa Social contabilizou quatro mil estudantes. a Diretoria de Ensino e Profissionalização implementou o projeto Alfabetização para a Cidadania. a um acordo de magistrados em favor da remição penal pelo estudo.br/ boletim/ebul19/edi_verde./ago. 2006.html>. 30 Esse controle é importante devido à rotatividade e mobilidade da população carcerária. 44% dos presos mineiros encontram-se nas delegacias sob custódia da Polícia Civil. O ingresso nas turmas é precedido por uma avaliação do nível de letramento dos presos e sua participação no sistema de ensino rigorosamente controlada por um banco de dados informatizado30. Boletim Ebulição. entre pedagogas. consulte: A educação no sistema penitenciário. O serviço envolve 600 profissionais. Para saber mais. Disponível em: <http://www. financeira e técnica entre as Secretarias de Defesa Social e Educação permitiu conciliar as culturas prisional e escolar. supervisores. que adota metodologia diferenciada e material didático-pedagógico elaborado pelos próprios educadores do sistema prisional. 138 . professores. o que corresponde a 11% da população carcerária de Minas Gerais e 20% daquela que está sob custódia dos órgãos do sistema penitenciário. sem receber a devida assistência.org.administrativa. orientados por um regimento escolar especificamente elaborado para o contexto penitenciário. diretores escolares e auxiliares administrativos. jul. 19. fruto do Encontro de Juízes das Varas de Execuções Criminais de Minas Gerais realizado em 2004. expandir e institucionalizar a educação básica dos detentos29 em 27 escolas do sistema prisional. uma vez que. nas quais a docência é assumida por professores da rede de ensino e o acompanhamento pedagógico realizado por educadores do sistema prisional. subsidiando a progressão penal naquelas comarcas que aderiram. no Enunciado 4 do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Em 2006. devido ao déficit de vagas.controlesocial. n.

Quais livros e textos podem e devem povoar as turmas de alfabetização? Quais os efeitos da adoção do livro de ensino da escrita e leitura sobre a aprendizagem de pessoas jovens e adultas e a formação dos educadores? 139 . Brasília: UNESCO. Disponível em: <http://www. debates e proposições de um projeto para a educação nas prisões brasileiras. Educando para a liberdade: trajetória. 2006. A elaboração e seleção de livros didáticos e de outros materiais de leitura ganharam centralidade nesse processo em detrimento das tradicionais cartilhas. passaram a ser consideradas insuficientes para atender as novas demandas sociais postas em relação à alfabetização. Ministério da Justiça. Ministério da Educação. que prevaleceram durante décadas como único material para ensinar a ler e a escrever.mj.unesco.UNESCO et al. Em pouco tempo. Governo Japonês.br/depen 6º DESAFIO – ELABORAR E DISTRIBUIR MATERIAIS DIDÁTICOS. o que influi nas escolhas e práticas pedagógicas. Departamento Penitenciário Nacional Esplanada dos Ministérios Bloco T Anexo II Sala 629 CEP: 70064-901 Brasília –DF Telefone: (61) 3429 3187 Fax: (61) 3226 2942 Site: http://www. a elaboração. E PROMOVER A LEITURA Em cerca de 20 anos a alfabetização sofreu atualizações e agregou novos valores e funções sociais a esta etapa da escolarização. Ministério da Justiça. As cartilhas.org.gov. A tarefa dos alfabetizadores tornou-se mais complexa e as orientações didáticas ganharam novos significados. a seleção e a escolha de materiais de leitura também passaram a ser questões na alfabetização de jovens e adultos.br/publicacoes/livros/educandoliberda de/mostra_documento>.

há gestores. trazendo propostas que podem realizar sozinhos ou 140 . Eles alertam para o risco eminente do livro didático tornarse o único material de apoio à aprendizagem da leitura e da escrita. desarticulados da realidade social e não aplicáveis em eventos da vida cotidiana mediados pela escrita. esse material constitui-se em fonte de pesquisa e de novas aprendizagens. Alertam ainda para o fato de que muitos materiais didáticos em circulação não respeitam as especificidades e necessidades de aprendizagem de pessoas jovens e adultas e trazem conteúdos e orientações didáticas desatualizados. Entre seus argumentos. nas quais é usual a adoção de uma única variante da língua como padrão e um único método para ensinar a ler e a escrever. que negam suas culturas e que silenciam diversas vozes sociais. concretizando orientações didáticas. são usados textos artificiais. para os educandos. Por outro lado.O debate sobre a adoção ou não do livro didático na alfabetização de jovens e adultos e seus efeitos faz parte da busca por uma educação de qualidade para aqueles que não puderam se escolarizar quando crianças e adolescentes. formadores e educadores que avaliam negativamente o uso do livro didático nas turmas de alfabetização. pesquisadores. existem aqueles que avaliam positivamente o uso de livros didáticos. Por um lado. restringindo a ação dos educadores às atividades propostas no livro. confirmando ou atualizando o seu saber fazer. Argumentam que. ajudando-o a resolver problemas do processo de ensino-aprendizagem e municiando-o de atividades variadas. emancipando-o na tomada de decisão sobre o que e como ensinar. Outro risco apontado diz respeito à utilização de metodologias e ao desenvolvimento de atividades que não levam em consideração a bagagem experiencial dos educandos. Essa crítica torna-se mais acirrada quando os materiais didáticos em questão assemelham-se às tradicionais cartilhas. apontam que esses livros colaboram para formar e informar o educador sobre novas metodologias de ensino da língua escrita e da matemática.

aquisição e distribuição de livros e ao controle e regulação do mercado editorial. autores e suportes. à qualidade da abordagem de conteúdos e áreas de conhecimento e à atualização de metodologias na alfabetização. disciplinas que abordassem as especificidades da aprendizagem de jovens ou adultos e da falta ou precariedade de acervos disponíveis. não contam com bibliotecas ou acervos comunitários e os materiais de leitura são escassos. o que é especialmente relevante em contextos em que os usos sociais da escrita são restritos. Apesar de atender majoritariamente a grupos de baixo poder aquisitivo. A centralidade dos livros didáticos e materiais de leitura nos processos de alfabetização de jovens e adultos não afeta apenas o campo pedagógico. 141 . em sua formação inicial. a universalidade e gratuidade dos livros didáticos e dos livros de leitura até 2007 não haviam se tornado uma realidade nessa modalidade educativa. à destinação de recursos para a produção. de contar com educadores que não tiveram. gêneros. Isso se deve ao Programa Nacional do Livro Didático. O LIVRO DIDÁTICO DE ALFABETIZAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS Na série inicial do ensino fundamental regular. obras. responsável pela aquisição e distribuição universal de livros didáticos para os estudantes do ensino fundamental. nas redes públicas. mas também remete ao desenho e implementação de políticas públicas. possibilita a aproximação a novas leituras. Afirmam ainda que o livro didático. além de tratar de temas abrangentes que relacionam problemáticas locais a globais. sobre a linguagem e sobre temas e questões que afetam suas vidas e a de outros. o livro didático faz parte do cotidiano de professores e estudantes e constitui um dos apoios fundamentais para a organização do trabalho docente. e um instrumento de reflexão sobre o próprio processo de aprendizagem.em grupos. O reconhecimento dessa problemática tem resultado em inúmeras iniciativas de governos e da sociedade civil no sentido de reverter a situação de desigualdade em relação ao acesso ao livro e à informação por jovens e adultos.

br/ home/index. em 2007 foi criado o PNLA. pela Secretaria de Educação Básica (SEB) e pela Secretaria de Educação Continuada. à aquisição e à distribuição do livro didático: o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Para saber mais sobre o histórico. de caráter comunitário e filantrópico. PNLEM e PNLA. Alfabetização e Diversidade (Secad). que abrange a avaliação e distribuição de livros de alfabetização para entidades parceiras na execução do Programa Brasil Alfabetizado.A POLÍTICA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO O governo federal executa três programas voltados à avaliação. Dezoito obras didáticas integram o catálogo do PNLA e podem ser selecionadas de acordo com as necessidades de cada parceiro. o Programa Nacional do Livro Didático para o ensino médio (PNLEM) e o Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos (PNLA). 142 . os livros didáticos são distribuídos gratuitamente para todas as séries da educação básica da rede pública e para os educandos matriculados nas turmas do Programa Brasil Alfabetizado. funcionamento e abrangência do PNLD. órgãos ligados ao MEC. Atualmente. Também são beneficiados estudantes cegos ou com deficiência visual e alunos das escolas públicas de educação especial e das instituições privadas.fnde.html> Para dar cumprimento ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE).jsp?arquivo=livro_didatico.gov. Esses programas são desenvolvidos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). acesse: <http://www.

o que levou muitos projetos de materiais didáticos a incluírem manuais e guias. Para conhecer a relação das 18 obras avaliadas.pdf> O principal desafio da produção de livros didáticos para alfabetização de jovens e adultos consiste na concretização de propostas pedagógicas que abarquem as necessidades dos sujeitos envolvidos. E é preciso considerar ainda a necessária formação continuada de educadores. Outro desafio consiste na concretização de um conceito amplo de alfabetização. 143 . nos quais eles podem estudar.br/ arquivos/pdf/livrodidaticoalfabetizacao. as realidades locais e a diversidade cultural constitutivas dos grupos sociais que buscam aprender a ler e a escrever na vida adulta ou juventude. Mesmo restrito à distribuição do livro de alfabetização para os parceiros que integram o Programa Brasil Alfabetizado. assumindo papéis variados. a coerência metodológica e a observância de preceitos legais. apreender novas orientações curriculares e didáticas. que não se restrinja ao domínio do sistema alfabético. em 2007.mec. Chamou a atenção do mercado editorial para essa modalidade educativa e suas especificidades e estabeleceu padrões de qualidade sobre a produção e circulação de materiais didáticos para a alfabetização. exigindo dos editores e autores a correção conceitual. acesse: <http://portal. mas que se constitua em uma via para participar com autonomia de práticas sociais letradas.O PNLA representou um avanço no campo das políticas públicas para EJA.gov. e incluídas no catálogo do PNLA. compreender como desenvolver atividades e serem estimulados a criarem projetos e propostas tendo como parceiros os seus educandos e a comunidade. ainda que nem todos os estudantes dessa modalidade estejam contemplados. o PNLA teve o mérito de colocar em pauta o direito ao livro didático de jovens e adultos em processo de escolarização.

cada jornada de trabalho (unidade do livro) compreende atividades voltadas ao domínio da base alfabética do sistema de escrita e à introdução da leitura e produção textual. Viver.Entre as 18 obras avaliadas e incluídas no PNLA. interpretação e explicação da realidade natural e cultural e o diálogo entre culturas. O livro é organizado a partir da temática das comunidades rurais na sua interação com o mundo urbano e a humanização da vida. O primeiro livro da coleção. à medida que propõe a compreensão. foi utilizado em diversos programas de alfabetização de jovens 144 . tem como base a proposta pedagógica gerada no interior do Nupep que atualiza contribuições teóricas de Paulo Freire. Aprender. com financiamento do MEC. com ênfase na introdução à leitura e à escrita. do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e das organizações não-governamentais Ação Educativa e Instituto Paulo Freire. O livro do aluno é acompanhado pelo material Palavra do(a) educador(a). Pesquisa e Extensão em Educação de Jovens e Adultos e Educação Popular (Nupep). destacamos três que foram concebidas por instituições sem fins lucrativos com larga experiência nesse campo educativo: do Núcleo de Ensino. e os subtemas relacionados são abordados a partir de uma ampla diversidade de textos e de propostas de reflexão sobre esses textos e a realidade em que estão inseridos os sujeitos da aprendizagem. Além disso. aprender Alfabetização é fruto da experiência da Ação Educativa no final dos anos de 1990 de elaboração. que apresenta a proposta pedagógica e fornece indicações de como organizar e orientar as atividades do livro e textos complementares. livro de alfabetização. Natureza e cultura: as comunidades rurais na sua interação com o mundo urbano e a humanização da vida. da coleção de materiais didáticos para o primeiro segmento do ensino fundamental para jovens e adultos Viver. O processo de alfabetização é apresentado aos educadores como atividade que favorece a formação dos educandos.

seguindo os postulados de Paulo Freire e atividades de linguagem escrita e matemática. Contém também roteiros de avaliação e auto-avaliação e materiais complementares: a revista Quitanda Cultural. contendo textos informativos e literários. Sua avaliação recomendou a produção de uma versão melhor ajustada ao tempo didático da maior parte dos programas de alfabetização. o uso de outras linguagens e tecnologias da comunicação. Inova ao propor a realização de diagnósticos da realidade local e o desenvolvimento de projetos para a busca de soluções das problemáticas analisadas. Acompanha um livro destinado aos 31 Entre 2000 e 2003.000 alfabetizandos. O livro do educando. Concebido pelo Instituto Paulo Freire em parceria com a Escola Multimeios. o que contribui para o reconhecimento e a valorização dos saberes e culturas das pessoas envolvidas no processo de alfabetização. acompanhados de textos que amplificam a abordagem. Viver. Série Televisiva e um Almanaque Sonoro (uma coletânea de músicas e canções para apoiar a proposição de atividades e ampliar o repertório comunicativo nas turmas de alfabetização). os materiais de apoio e onze Cartazes temáticos que acompanham as lições e complementam os assuntos abordados no livro dos estudantes. é organizado por meio de temas geradores. aprender Alfabetização é organizado a partir de temáticas que articulam diversas áreas do conhecimento. atendendo cerca de 80. Alfabetização de Jovens e Adultos é um conjunto de materiais impressos do projeto Alfabetização Multimeios31 que prevê. Alfabetização de Jovens e Adultos. além de cadernos de estudo. além de introduzir pessoas jovens e adultas no mundo da leitura e da produção de textos escritos e incluir aprendizagens matemáticas. Aulas interativas são veiculadas por meio de Programas de Rádio.e adultos em todo o país. 145 . tem como objetivos favorecer a construção de conhecimentos sobre o sistema alfabético e ortográfico. o Projeto Alfabetização Multimeios foi implantado no estado da Paraíba. curiosidades e jogos.

produzidos por educandos e educadores: Na roda de 146 . ou resultantes do empenho de equipes técnicas de órgãos governamentais e universidades públicas. O tratamento gráfico é outro destaque. Hoje. não faltam exemplos de materiais didáticos de alfabetização elaborados no interior de programas e nas próprias turmas de alfabetização. histórias. além de materiais que se encontram no mercado editorial. Também compõem o acervo do Programa Paraná Alfabetizado livros para a leitura. e seu projeto pedagógico se alinha a um conceito amplo de alfabetização. apoiando-os no planejamento e execução das atividades previstas no livro do aluno. O livro Um dedo de prosa. O Programa Paraná Alfabetizado assumiu esse desafio de atender ao direito dos alfabetizandos de dispor gratuitamente do livro didático. imagens e escritas foram entretecidos sobre as páginas. sendo um específico para os alfabetizandos e outro para os alfabetizadores. ilustrações que representam a vida e as trajetórias de educandos e educadores do Paraná. lançado em 2007. compreendendo diversas linguagens (inclusive a iconográfica e a fotográfica) e uma gama variada de gêneros textuais. Está organizado em dois volumes. Diferentemente da maior parte dos livros didáticos. foi distribuído para 64 mil educandos e oito mil educadores. mitos. poesias. pelo cuidado e beleza com que temas. No livro do educador encontram-se subsídios para apoiá-los na ação alfabetizadora e na construção de propostas para o tratamento de temas.educadores com textos informativos e orientações didáticas. convidando os leitores a mergulhar nos causos. concebido e produzido no âmbito da Secretaria de Estado da Educação do Paraná com a participação de educadores e coordenadores locais. não há roteiros de atividades ou propostas prontas nos dois volumes. Trata-se de um livro texto – uma antologia organizada a partir de temas que emergiram da realidade das turmas. gêneros textuais e de outras fontes de informação que compõem o livro.

prosa: histórias de vida de educadores e educadoras do Paraná Alfabetizado. contendo fotos tiradas por educandos e educadores. Comparada à produção de literatura infanto-juvenil e de pesquisa para educação regular. há poucas obras disponíveis que apóiam 147 . Outra experiência de produção de livro de alfabetização para jovens e adultos no âmbito de órgãos públicos deu-se no Acre. As unidades valorizam os saberes e culturas locais na abordagem de temas e reúnem conhecimentos e informações referentes às áreas de Língua Portuguesa. que informa a respeito dos escritores e compositores de textos e canções que compõem o Caderno de Florestania. e outra de textos biográficos. O Caderno Florestania possui um volume específico para os educandos e outro para o educador. que tem como propósitos a ampliação do universo cultural dos educadores. com textos produzidos pelos alfabetizadores nos cursos de formação. possibilitando a mobilização de conhecimentos prévios dos alfabetizandos para a construção de novas aprendizagens. FORMAÇÃO DE LEITORES E DE ACERVOS PARA A ALFABETIZAÇÃO E EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Diferentemente da educação de crianças e adolescentes. só nos últimos anos autores e mercado editorial vêm reconhecendo as necessidades e especificidades da alfabetização e escolarização de jovens e adultos. Ciências. Fazem parte desse caderno duas coletâneas: uma de textos literários. História e Geografia local. O caderno dos alfabetizadores apresenta os fundamentos teóricos que sustentam as propostas e atividades para aprendizagem da leitura e da escrita e os estimulam a reconhecer os saberes dos estudantes e tomálos como pontos de partida para novas aprendizagens. no Programa ALFA 100. Matemática. O volume do educando está organizado em cinco unidades temáticas com gêneros textuais variados. cada uma composta por seqüências de atividades e situações-problemas que se relacionam às condições de vida dos acreanos. e Olhares.

2007. novelas.a ação alfabetizadora. o MEC.mec. criou ações específicas para entregar obras de literatura e de 148 . No período de 2000 a 2004. por meio da Secad. No sentido de estimular a produção de obras literárias para jovens e adultos recém-alfabetizados. publicada na Revista Brasileira de Educação. v. poesias e crônicas. foram premiadas dez obras inéditas.1 milhão de exemplares para a distribuição nas turmas do Brasil Alfabetizado A primeira coleção Literatura para Todos foi considerada uma ação inovadora no campo da promoção da leitura. 12. enriquecendo o ambiente alfabetizador com contos.br/secad/index. totalizando 1. Para saber sobre o Concurso Literatura para Todos e a relação das obras premiadas.gov. n. Disponível em: <http://www.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413 -24782007000300014>. Em 2006. o Programa Nacional da Biblioteca Escolar – PNBE tem por objetivo distribuir obras para a composição e ampliação de bibliotecas e acervos de escolas públicas. criou o Concurso Literatura para Todos.scielo. Para ler sobre o Concurso Literatura para Todos. resenhas dos livros e depoimentos de escritores sobre como eles aprenderam a ler. abordagens didáticas sobre os gêneros literários constantes na coleção. acompanha a coleção um manual para os alfabetizadores. Além do cuidado com a composição gráfica de cada exemplar. 36. Criado em 1997. sublinhando seu papel e informando sobre a importância da leitura.php?option=content&tas k=view&id=138&Itemid=278>. acesse o portal do MEC: <http://portal. que promovem a formação de recém-leitores e que organizam conhecimentos e informações voltados àqueles que retomam ou iniciam os estudos na juventude ou idade adulta. acesse a resenha de Ira Maria Maciel.

ensino fundamental e médio passaram a receber acervos.878 famílias atendidas e 9. acesse: <http://www. Outra iniciativa nacional de fomento à leitura com foco nas populações de assentamentos.426 bibliotecas implantadas. 508.964 escolas públicas que mantêm cursos para jovens e adultos. entre literatura infantil.br/home/index. 978. porém. todas as escolas públicas de educação infantil.fnde. comunidades de agricultura familiar e de remanescentes de quilombos é o Programa de Bibliotecas Rurais Arca das Letras. cientes de que não basta ter o livro em mãos. A partir de 2007. criado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. O programa articula os ministérios da 32 Em 2003. o Arca das Letras chegou a todos os estados brasileiros. incluindo aquelas com classes de educação de jovens e adultos32. selecionando quatro coleções especificamente voltadas para esse grupo.028 agentes de leitura formados. o PNBE beneficiou estudantes e escolas do ensino de jovens e adultos. totalizando 4. 149 .gov.html>. agricultura). para atender as metas estabelecidas no PDE. Para saber mais sobre o PNBE e conhecer acervos distribuídos. Em 2006. cada uma composta por seis volumes de obras de literatura e de informação. O programa visa incentivar a constituição de bibliotecas e o acesso a livros.jsp?arquivo=biblioteca _escola. Os acervos são constituídos de acordo com o perfil cultural das comunidades e são organizados em um móvel de madeira fabricado em marcenarias de penitenciárias por trabalhadores sentenciados.996 livros distribuídos. prevê também a formação de agentes voluntários de leitura. literatura para jovens e adultos. Cada biblioteca tem cerca de 220 títulos obtidos por doação. livros didáticos. saúde.informação diretamente aos alunos das escolas públicas. As coleções Palavra da Gente chegaram a 463.134 alunos matriculados em programas presenciais na última série do ensino fundamental (ou equivalente) e a 10. de pesquisa e técnicos (sobre cidadania. incluindo assuntos de interesse das populações rurais.

bibliotecas. Também integra recursos dos estados e municípios a fim de criar condições adequadas para a implantação das bibliotecas. da Justiça. ainda. pelo setor privado e pelo terceiro setor. da Cultura. estaduais e municipais. instituições 150 . universidades.creditofundiario. Para conhecer o Programa Arca das Letras. que publicam livros ou produzem informações de interesse para as pessoas que vivem no meio rural. o governo federal tem reconhecido iniciativas da sociedade civil. nas escolas. ações e iniciativas na área do livro. Na edição de 2007 foram inscritas mais de três mil iniciativas de todas as regiões do Brasil. 02 Lote 16 Bloco D Loja 10 Subsolo S2 Ed. E. Esse Prêmio integra o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) do Ministério da Cultura que engloba projetos. o prêmio anual é coordenado pela Organização dos Estados Ibero-americanos e conta com a parceria da Fundação Santillana.gov. Lançado pelos ministérios da Cultura e da Educação.org. possibilitando estabelecer uma panorâmica do que está acontecendo em termos da leitura. bem como outras esferas públicas e privadas. reúne esforços dos movimentos sociais e de órgãos não-governamentais que colaboram para a chegada do programa às diversas regiões do país.br/principal/arca. Sarkis CEP: 70040-000 Brasília – DF Fone/Fax: (61) 39616451 E-mail: arcadasletras@mda. escolas e empresas privadas na democratização do acesso ao livro e à leitura por meio do Prêmio Vivaleitura.Educação.br Além de promover programas de formação de leitores e constituição de acervos. da leitura e das bibliotecas desenvolvidos pelos governos federal. acesse o Portal do Programa Nacional do Crédito Fundiário: http://www. ou entre em contato com a Coordenação Geral de Ação Cultural SRA/MDA: SBN Q.

e que se sintam motivadas a se dedicarem à leitura como forma de fruição e de lazer. o projeto Retrato Falado. do Programa Salto para o Futuro da TVE do Rio de Janeiro.com. As experiências vencedoras foram: Borrachalioteca.htm> A leitura e o compartilhamento de práticas sociais de uso da escrita são um dos maiores legados que a educação básica pode fornecer aos cidadãos brasileiros. disponível em: <http://www. Você pode conhecer mais sobre o Prêmio Vivaleitura lendo o Boletim 04. planejar. e atende 220 usuários por mês.org. em Sabará (MG). O Projeto Incentivo à Leitura é iniciativa do Programa Crer Para Ver. foram priorizadas 1. utilizem a escrita e a leitura para se informar. acesse: <http://www.500 escolas que não dispunham de bibliotecas ou salas de leitura e 151 .tvebrasil. Leitura para Todos.premiovivaleitura. desenvolvido pela empresa Natura Cosméticos. que leva textos da literatura brasileira aos usuários dos ônibus urbanos de Belo Horizonte (MG).br/>.da sociedade civil e pessoas físicas. aprender. tendo a leitura como um dos eixos articuladores. depois de passarem por processos educativos. que busca a preservação e valorização das diversas culturas presentes na região. de 2007. transitem com autonomia pela sociedade letrada. Espera-se que as pessoas. Para inscrever experiências de formação de leitores e conhecer as ganhadoras. matricularam estudantes encaminhados pelas consultoras e vendedoras da empresa. que é uma biblioteca comunitária que funciona numa borracharia no bairro periférico de Caieira. se expressar. em 2005 e 2006. documentar. Das cinco mil escolas cadastradas em todo o país.br/salto/boletins2007/vlifi/index. e tem como objetivos distribuir acervos e promover a formação de leitores em escolas públicas de ensino fundamental que. de Barra Mansa (RJ).

542 para o Nordeste. sonharem e (re)conhecerem outros tempos e espaços. o envolvimento dos estudantes na gestão de acervos de leitura. OUTRAS PALAVRAS. seu fortalecimento como agência de letramento. O projeto tem como estratégias o diagnóstico das práticas de leitura nas escolas beneficiadas. a orientação para usos do acervo em sala de aula e sobre práticas pedagógicas voltadas à formação de leitores. analisarem criticamente a realidade. bem como na avaliação e implementação de processos educativos. manutenção e guarda. identificarem problemas que afetam suas vidas e a de suas comunidades e buscarem soluções coletivas para eles. Quanto maior o repertório de experiências com leituras. selecionaram as 50 obras que compõem o acervo e avaliam os impactos do projeto nas escolas atendidas. Em 2006 e 2007. tem valor à medida que possibilita às pessoas participarem ativamente da sociedade. a oferta de materiais e orientações para que estudantes e professores implementem ações de leitura na escola e com/no entorno. do Rio de Janeiro. e outras possibilidades de ser e estar no mundo. assim distribuídos: 87 para a região Centro-Oeste. que produziram materiais para a formação de professores e estudantes jovens e adultos. OUTRAS LEITURAS PARA JOVENS E ADULTOS Aprender a ler e formar-se leitor. O Projeto Incentivo à Leitura foi elaborado pelas organizações não-governamentais paulistanas Ação Educativa.atendiam jovens e adultos. Alfasol e Cenpec. bem como os profissionais da educação envolvidos no ensino da leitura. o Almanaque 152 . na educação formal ou em outros âmbitos de convivência e aprendizagem. maiores são as chances de reverter o desigual quadro de acesso ao livro em favor da criação de novos leitores. 101 para o Norte. lutarem por seus direitos. foram enviados a escolas das cinco regiões do Brasil 1. Elaborado pela organização não-governamental Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação (SAPÉ). 326 para o Sudeste e 146 para a região Sul.202 acervos.

Foi em Porto Alegre.Aluá. a parceria estabelecida entre Sapé e MEC. Adotando uma metodologia que valoriza a autoria dos estudantes. sem a linearidade e hierarquização dos livros e outros impressos. que se propõe apoiar a prática pedagógica dos educadores. às artes e artistas populares que constituem as identidades culturais da população brasileira pouco escolarizada. sua disseminação foi acompanhada por oficinas pedagógicas para educadores em todos os estados e Distrito Federal. por intermédio do Sapé. tendo como parceiros locais os Fóruns de EJA. 3.000 alfabetizadores do Programa Brasil Alfabetizado. no período de 1991 a 2004. A característica desse suporte permite a flexibilidade da leitura. Na distribuição foram priorizados 200. que está em sua terceira edição.300 exemplares chegaram a movimentos e organizações sociais que trabalham com educação. permitiu a produção e distribuição do Almanaque do Aluá nº 2. é uma experiência de formação de leitores jovens e adultos em processo de escolarização. que surgiram os cadernos Palavra de trabalhador. 126. dando possibilidades de escolha e variados usos. Por trás da escolha de um suporte como o almanaque e de seus gêneros correlacionados. autores. com tiragem de 330 mil exemplares. por meio da Secad.700 exemplares foram distribuídos para escolas públicas com turmas de jovens e adultos e. textos orais e escritos. no âmbito do Serviço de Educação de Jovens e Adultos (Seja) da Secretaria Municipal de Educação. tendo como temática central a construção da paz na diversidade. Os objetivos dessa produção 153 . encontram-se as intenções de dar vez e voz a temas. cada um dos 13 cadernos da série reúne textos e ilustrações produzidos pelos estudantes jovens e adultos. Em 2005. A incorporação de um instrumento de avaliação ao material permitiu que até o final de 2006 o Sapé tivesse recebido 752 roteiros com comentários e indicações de educadores e outros leitores. Seguindo a premissa de que para formar leitores não basta distribuir materiais de leitura.

tornando-se um canal para a expressão dos significados que atribuem a suas vidas e trajetórias. Instituto Paulo Montenegro. Para consultar obras.) Letramento no Brasil. acesse: <http://www. R.br/ pesquisa/PesquisaObraForm. RIBEIRO. M. O último caderno. ao seu processo de escolarização e a suas identidades culturais. bem como constituir-se em um material de leitura voltado à reflexão e ao entretenimento. M. textos e autores e conhecer propostas para a formação de leitores. (Org. ZILBERMAN.. em 2004. coloca à disposição de todos os usuários da internet uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores. São Paulo: Ática. M.são resgatar e dar voz às histórias. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. São Paulo: Global.dominiopublico. OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO E DA JUVENTUDE. Para saber mais sobre políticas e práticas de leitura no Brasil. pesquisadores e para a população em geral.jsp>. 2002. Políticas e práticas de leitura no Brasil. 154 . abarcou também as produções de alfabetizandos do Movimento de Alfabetização (MOVA) de Porto Alegre. Portal Domínio Público: com um acervo inicial de 500 obras. leia: LAJOLO. [s. Ação Educativa. opiniões e identidades culturais de cada um dos estudantes. 2003.gov.d. Leitura rarefeita: leitura e livro no Brasil.]. V. alunos.

.7º DESAFIO – DESENVOLVER UMA CULTURA DE AVALIAÇÃO Comprometemos-nos a melhorar a qualidade dos programas de alfabetização. [. a transparência das informações e o controle social outorgam maior legitimidade às políticas e favorecem a probidade no uso dos recursos públicos. boa parte das ações de alfabetização de jovens e adultos ainda hoje se realiza sem monitoramento de seu desenvolvimento e repercussões. constituindo uma base mundial de informação. Superadas as concepções burocráticas que a reduzem à mera fiscalização..]. a fim de favorecer a elaboração de políticas e de facilitar a gestão [. as informações e a avaliação crítica dos resultados alcançados nas experiências passadas. efetividade. de modo a ampliar seu reconhecimento social.. refletindo a pouca tradição brasileira na avaliação sistemática de 155 . relevância e qualidade) para a escolha de prioridades de investimento e permitem verificar os resultados à luz das metas estabelecidas no planejamento. aos poucos a sociedade e os governos começam a reconhecer a importância da educação de jovens e adultos. Entretanto. utilidade. O valor atribuído a essas políticas e programas considera.] estabelecendo um programa internacional para por em marcha sistemas de acompanhamento e avaliação [.. fornecendo também à opinião pública dados sobre os resultados alcançados. também. as práticas de avaliação na gestão pública oferecem critérios (de mérito. tomar decisões criteriosas e corrigir rumos durante a implementação das políticas e programas educativos. universidades e órgãos públicos da política educacional. em especial sua contribuição à melhoria da distribuição de bens econômicos e culturais.. A avaliação e o registro sistemático de informações permitem aos promotores planejar. Além disso. (Tema 26 da Agenda para o Futuro da Educação de Adultos) Fruto das lutas em que se empenham organizações da sociedade civil.]. movimentos de educação popular..

Nos últimos dez anos. a maior parte das ações de alfabetização desenvolvidas com jovens e adultos fora dos espaços escolares não é registrada pelo Censo Escolar. tem seu próprio sistema de coleta de dados e produção de estatísticas (disponível em: http://portal. situação final dos alfabetizandos etc. o Paraná Alfabetizado também desenvolveu em software livre um sistema próprio de registro e monitoramento (perfil e freqüência dos alfabetizandos e alfabetizadores. por exemplo. sob a coordenação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do Ministério da Educação. o Brasil modernizou seu sistema de estatísticas e avançou na produção de informações educacionais. em 1997. pagamento dos alfabetizadores. publicados anualmente na série Avaliação. Vejamos alguns exemplos. Um dos desafios pendentes nos programas de alfabetização de jovens e adultos reside. Entretanto. freqüência e perfil sociodemográfico dos alfabetizandos e alfabetizadores) e de avaliação da aprendizagem.gov. Para subsidiar a gestão do programa.mec. AVALIAÇÕES DE PROCESSO E RESULTADOS DE APRENDIZAGEM Com certo pioneirismo. na incorporação de uma cultura de avaliação apropriada aos objetivos e características desse campo de práticas educativas.). movimentação escolar. A metodologia de avaliação consiste na comparação entre as habilidades que os alfabetizandos apresentam no 156 .br/secad). é possível distinguir duas modalidades: a que enfatiza os resultados de aprendizagem dos alfabetizandos e a que aprecia também o processo de implementação das políticas. Quanto à experiência recente de avaliação de políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos. a Alfabetização Solidária adotou no início de suas atividades. um sistema de registro (com dados de matrícula. O Brasil Alfabetizado. portanto. cujas informações regulam as transferências de recursos do governo federal para as instâncias ou organizações parceiras.políticas sociais e programas educacionais.

55% dos inscritos eram mulheres e mais de 80% eram pardos e negros. TABELA VI Avaliação de resultados da aprendizagem do Programa Alfabetização Solidária – 2003/2005 Módulo Semestre/Ano Alunos (mil) Com escolaridade anterior Evasão Desempenho XIV XVI XVII n. O painel de controle assim criado (Tabela VI) demonstra que uma parcela substantiva dos participantes (que varia entre a metade e a terça parte) tem prévia experiência escolar e que os índices de evasão oscilam entre 16% e 24%.757 34% 21% 165. de acordo com o juízo dos educadores (o que comporta certo grau de subjetividade).d XIX 2º/2003 1º/2004 2º/2004 1º/2005 2º/2005 227. n.d.893 43% 16% 111. 2% 13% 3% 11% 2% 14% 2% 13% 3% 16% 7% 16% 6% 18% 6% 23% 4% 21% 6% 22% 157 .402 32% 20% 32% 18% 34% 17% Expressão oral clara e articulada Não lê Lê e compreende texto completo Não escreve Produz textos Inicial Final Inicial Final Inicial Final Inicial Final Inicial Final n.ingresso e na conclusão de cada módulo semestral. XVIII n. 41% 65% 52% 78% 51% 79% 48% 75% 50% 13% 54% 19% 54% 10% 52% 9% 51% 9% 3% 12% 4% 13% 2% 14% 2% 13% 3% 16% 47% 12% 52% 17% 51% 9% 49% 8% 48% 7% Resolve problemas com números e operações Fontes: Avaliação Final.d.d. As estatísticas do Alfasol confirmam os estudos que apontam predomínio das mulheres e das populações afrodescendentes nos cursos de alfabetização: em 2005.

a metodologia se apóia em uma matriz das habilidades que deveriam ser desenvolvidas pelos educandos e cuja aquisição é medida por testes realizados no ingresso. por exemplo). durante e ao final das atividades de ensino e aprendizagem. leitura. Baseada em experiências de outros países. Embora a maioria adquira novos conhecimentos e desenvolva algumas habilidades de expressão oral. A avaliação de saída é aplicada a todos os concluintes. escrita e cálculo. um Sistema de Avaliação de Competências. o Serviço Social da Indústria (Sesi) desenvolve. Esses resultados ensejam não só revisões internas ao programa (o aumento da duração dos cursos. como tornam ainda mais evidente a necessidade de assegurar oportunidades de continuidade de estudos para que os educandos consolidem e ampliem as aprendizagens realizadas. O sistema descreve com objetividade os conhecimentos e as habilidades matemáticas e de leitura associados à noção de alfabetização: 158 . de modo a fornecer informações sobre os conhecimentos prévios dos ingressantes. ler compreensivamente e resolver problemas utilizando os algoritmos e as operações matemáticas.Cerca da metade dos jovens e adultos não lia nem escrevia ao ingressar no programa e perto de 10% concluíram um módulo semestral sem desenvolver essas capacidades. o processo da alfabetização e seus resultados. Recomendações dessa ordem já haviam sido feitas em 2002 por uma avaliação interna do governo (BRASIL. e os testes de processo são aplicados a uma amostra dos alfabetizandos. uma proporção reduzida dos participantes do Alfasol adquire a capacidade de escrever textos. com a assessoria técnica da UNESCO e da Universidade de Brasília. desde 2004. Outro parceiro do governo federal no Brasil Alfabetizado. 2002).

C9 – Ler para ampliar a cultura literária.C8 – Coletar. 159 . rencialmente instrucionais) que aten. somente 23% nunca haviam freqüentado escolas. reladiferentes símbolos verbais e não. sentar formas geométricas. C8 – Ler textos não-literários (prefe.3%).ções. C4 – Ler letras do alfabeto agrupadas C4 – Reconhecer. e quantias de dinheiro. C5 – Localizar-se e orientar-se espaC6 – Ler textos multissemióticos cialmente. C2 – Ler palavras. mas frações iniciais. interpretar e analisar dados. frases e pequenos C2 – Usar e identificar números decitextos atribuindo-lhes significados em mais para representar comprimentos diferentes contextos. organizar. O estudo longitudinal demonstrou que os alfabetizandos evoluíram ao longo do processo de aprendizagem. pois 33% já haviam participado de programas de alfabetização de adultos e 38.monetário. Os participantes da avaliação final realizada no segundo semestre de 2005 eram majoritariamente mulheres (64%) e afrodescendentes (62. C3 – Demonstrar conhecimento do C3 – Compreender e identificar algualfabeto em diferentes modalidades. A avaliação inicial revelou que a maioria dos educandos possuía muitos conhecimentos prévios adquiridos na experiência de vida e também mediante processos sistemáticos de aprendizagem. dam as necessidades do dia-a-dia. desenvolver tarefas do mundo social C7 – Conhecer significativamente e representar valores do sistema e do trabalho. representações dos números verbais. C6 – Conhecer significativamente as C7 – Ler textos não-literários (prefe.Linguagens e Códigos Matriz de competências Numerização C1 – Demonstrar conhecimentos de C1 – Compreender as idéias.grandezas tempo e comprimento e rencialmente instrucionais) para seus processos de medidas.2% haviam cursado ensino fundamental. construir e repreem diferentes estruturas. C5 – Ler a estrutura silábica. para auxiliar na execução de tarefas. naturais e construir suas operações.

buscou. A Secretaria de Educação Continuada. o Centro de Alfabetização. isto é. como também a capacidade de acionar esses conhecimentos para ler. isolando a contribuição do programa no intuito de amplificar as mudanças positivas por ele desencadeadas. o domínio do sistema alfabético de escrita. tinham até três meses de duração na época de aplicação. 33 A avaliação externa coordenada pelo Ipea envolve outras cinco instituições: a Sociedade Científica da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Science). integrar em suas políticas e programas as etapas de planejamento. um teste de leitura e escrita e matemática. Visando aferir esses conhecimentos. monitoramento e avaliação. escrever e resolver problemas matemáticos em situações práticas e cotidianas. que inclui não somente as habilidades de codificação e decodificação. tendo em vista os objetivos de incorporar hábitos de leitura e escrita e introduzir conhecimentos básicos de matemática ao cotidiano dos alfabetizandos. O teste orientou-se por um conceito ampliado de alfabetização. elaborado pelo Centro de Alfabetização. foi aplicado. em 2006. o Instituto Paulo Montenegro (IPM). O Departamento de Avaliação e Informações Educacionais da Secad contou com a cooperação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) na elaboração de um plano de monitoramento e avaliação do Programa Brasil Alfabetizado33. 160 . e a Associação Nacional de Centros de Pós-Graduação em Economia (Anpec). Alfabetização e Diversidade (Secad).mas nos testes finais uma parte considerável não demonstrou capacidade de ler compreensivamente palavras. frases e pequenos textos (um dos resultados esperados da alfabetização). Leitura e Escrita da Universidade Federal de Minas Gerais. além de incentivá-los à continuidade dos estudos. Esse plano buscou subsidiar a correção de erros e a promoção de ajustes. desde sua implantação em 2004. a uma amostra de participantes de cursos que. em média. Leitura e Escrita (Ceale) da Universidade Federal de Minas Gerais. do MEC. Uma das diversas dimensões consideradas no sistema de avaliação é a qualidade da aprendizagem.

A pesquisa qualitativa compreendeu entrevistas. Mato Grosso do Sul. agravando as dificuldades advindas da reduzida duração dos cursos. Piauí e Rio de Janeiro). visando apreender a perspectiva dos sujeitos da ação educativa – gestores locais. AVALIAÇÕES DE IMPLEMENTAÇÃO E IMPACTO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS Entre as avaliações que compõem o Plano de Avaliação do Brasil Alfabetizado e que focalizam o processo de implementação das políticas públicas. que corresponde à definição corrente de alfabetização inicial em nosso país. no âmbito de um convênio firmado entre a UNESCO e a Secad/MEC. As avaliações cognitivas realizadas no início do processo indicam que muitos já entram alfabetizados e que os progressos realizados são modestos. Paraíba. insere-se o estudo que.8%) demonstrou capacidade de resolver problemas matemáticos envolvendo as operações fundamentais. A maioria (56. grupos focais. Realizada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). ficando uma parte considerável dos alfabetizandos aquém do estágio de ler e escrever um pequeno texto. 161 . alfabetizadores. nos quais os programas se desenvolviam concomitantemente. a avaliação coletou dados com as instituições governamentais e não-governamentais em dez municípios de seis estados (Alagoas. observação in loco e documentação fotográfica. mas nas habilidades de leitura e escrita apenas um grupo reduzido (21. esses estudos demonstram que o absenteísmo dos alfabetizandos é um problema generalizado. em 2004 e 2005. professores e alunos.A análise pedagógica dos dados estatísticos procurou interpretar os resultados à luz das teorias de alfabetização e letramento que nortearam a concepção do teste. Goiás. Tomados em conjunto. analisou a articulação entre os Programas Brasil Alfabetizado e Fazendo Escola na desejada efetivação da continuidade de estudos dos jovens e adultos.7%) foi capaz de ler compreensivamente pequenos textos.

muitos dos quais já alfabetizados e que participaram anteriormente de outras iniciativas de alfabetização. justificada por problemas com trabalho e saúde. a não ser nos casos em que esse controle era exercido pelas próprias instituições conveniadas (como no caso da Alfabetização Solidária ou do Sesi). faltando condições materiais básicas como água para beber. atuam solitariamente. A freqüência instável dos alunos. quadro de giz e banheiro. verificou desarticulação das secretarias estaduais e municipais de educação na maior parte dos municípios e a desresponsabilização dos poderes públicos frente ao fato de o MEC estabelecer convênios diretos com organizações sociais sem a mediação dos governos locais. inclusive com o mesmo docente. As turmas tinham de sete a dez alunos. formadas no ensino médio ou Normal (80%). Os locais onde funcionavam os cursos têm infra-estrutura precária. nas localidades de difícil acesso. sendo raros procedimentos de monitoramento. A desarticulação entre as instâncias de governo também afetava a atenção necessária aos educandos com necessidades 162 .No que tange ao Brasil Alfabetizado. a pesquisa constatou que a maioria dos alfabetizandos era mulheres (70%) e pessoas com mais de 30 anos. é uma das causas apontadas para que a duração dos cursos seja considerada insuficiente. Observou-se escassa articulação do programa com instituições de ensino superior no sentido de promover a formação em serviço das alfabetizadoras. sendo muito rara a presença de jovens. que enfrentam constante atraso no pagamento e. acompanhamento e avaliação sistemática. A maioria das alfabetizadoras são mulheres (80%) na faixa etária de 25 a 34 anos. luz. que combinam ecleticamente diferentes métodos e materiais didáticos. A avaliação constatou ingerência político-partidária na gestão do programa. Em muitos locais o programa foi implementado sem considerar os dados sobre o montante de analfabetos. sem adequada supervisão. Registraram-se casos de turmas formadas pelos mesmos professores e alunos que circulam por períodos consecutivos entre diferentes instituições conveniadas ao programa.

especiais e dificuldades de visão. Também foram identificados convênios com governos estaduais envolvendo recursos vultosos e metas grandiosas. também. a maioria eram jovens excluídos do ensino regular da própria escola. competição por alunos e padrões diferenciados de atendimento. currículos. Foram encontradas localidades com um número excessivo de instituições civis conveniadas ao programa e desarticuladas entre si. apenas dois de cada dez municípios pesquisados conseguiam articular esse fluxo apropriadamente. gerando queixas das administrações municipais. em razão de os professores pouco conhecerem sobre as especificidades do processo ensino-aprendizagem com jovens e adultos. A avaliação revelou que o Programa Fazendo Escola era desconhecido em 80% dos municípios pesquisados e as oportunidades de estudos abertas por esse apoio federal aos governos estaduais e municipais resultaram insuficientes frente à demanda gerada pelos egressos do Brasil Alfabetizado. Constatou-se a delegação das atividades de alfabetização a organizações sociais outras que não aquelas conveniadas. A qualidade do ensino era comprometida. Ainda que os esforços tenham sido vários. metodologias. 163 . materiais didáticos e formas de avaliação. A maioria dos alunos. Predominava uma oferta escolar organizada nos moldes do ensino supletivo. A avaliação concluiu que a falta de articulação e colaboração entre os sistemas de ensino estaduais e municipais e as iniciativas das organizações sociais representava um obstáculo ao fluxo dos jovens e adultos entre as turmas de alfabetização e o ensino fundamental. não provinha da alfabetização de adultos. não sendo incomum que coordenadores ou alfabetizadores se sentissem despreparados para responder sobre gestão. em unidades escolares às quais faltavam recursos mínimos (como quadro. cujos resultados eram questionáveis pela falta de articulação entre os sistemas de ensino para a garantia de oportunidades de continuidade de estudos. porém. muitos dos quais com necessidades educacionais especiais. carteiras e livros) e classes multisseriadas superlotadas cuja docência mal remunerada era atribuída com freqüência a docentes contratados temporariamente.

Os avaliadores propuseram descentralizar a gestão dos programas e fortalecer os municípios como instâncias de coordenação das ações de educação de jovens e adultos nos respectivos territórios. priorizando as redes públicas de ensino e direcionando investimentos para a qualificação de gestores e de uma supervisão pedagógica atuantes. Para incentivar a participação dos educandos. e suas indicações começam a ser apropriadas no redirecionamento das políticas e programas. Considerando que boa parte das organizações sociais conveniadas dispunha de meios de ensino precários e não tinha capacidade de proporcionar continuidade de estudos aos egressos da alfabetização. de modo a transpor os problemas de articulação constatados. Sua abrangência e complexidade é equivalente ao Sistema de Monitoramento e Avaliação do Programa Nacional de Inclusão de Jovens executado por uma rede de universidades públicas nas 27 capitais e regiões metropolitanas em que o ProJovem é desenvolvido. os múltiplos resultados ainda necessitam de maior divulgação e debate na sociedade. a avaliação recomendou reorientar o financiamento do Brasil Alfabetizado. a mais ousada estratégia de monitoramento já realizada na educação de jovens e adultos no país. foram feitas recomendações ao Ministério da Educação. Embora não sejam numerosos. a começar pela agilidade no repasse dos recursos financeiros e no aperfeiçoamento das estratégias de informação e orientação aos gestores. embora algumas publicações já estejam disponíveis. Entre eles está uma avaliação 164 . Em ambos os casos. sem dúvida. porém. reduzindo os fatores de evasão. desenvolvimento cultural. ação comunitária e cidadania.A partir desses resultados. O estudo sugeriu adotar estratégias de intercomunicação com a finalidade de minimizar o isolamento dos educadores. recomendou combinar a escolarização com oportunidades de educação profissional. existem ainda outros exemplos de avaliação de processo e resultado de programas de alfabetização e escolarização de jovens e adultos. O Plano de Avaliação do Brasil Alfabetizado é.

realizada.. como o acesso ao crédito e à assistência técnica. no caso. um corpo de especialistas e um conjunto de experiências nos quais os gestores podem apoiar-se para avançar na difusão de uma cultura de avaliação das políticas de educação de jovens e adultos. a elevada evasão nos cursos de alfabetização. Algumas das conclusões desse estudo são válidas também para outros programas de educação de pessoas jovens e adultas. saúde e educação escolar.externa do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). as universidades. A percepção dos envolvidos nos processos de formação nas diferentes modalidades inscritas no programa foi apurada por meio de estudos de casos e de um levantamento amostral. em grande medida. Outra constatação comum a outros programas refere-se à dissociação entre a proposta metodológica de alfabetização de jovens e adultos e a prática docente dos educadores. recomendando maior acompanhamento pedagógico por parte dos responsáveis pela formação. 165 . saneamento básico). iluminação. em 2004. a pedido do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pela organização não-governamental Ação Educativa (ANDRADE et al. Nessas condições. o que explica. sistema viário. garantia de direitos e desenvolvimento rural. A avaliação constatou que na maior parte dos contextos o Pronera não impacta significativamente as condições de vida dos educandos devido à ausência e/ou insuficiência de políticas públicas outras de combate à pobreza. nem sempre a população assentada encontra suficiente motivação para engajar-se ou permanecer em processos educativos que envolvem grande investimento pessoal e familiar. melhoria das condições físicas de infra-estrutura (moradia. como a necessidade de articulação intersetorial de políticas. 2004). Esse painel de iniciativas de monitoramento de processos e mensuração de resultados de programas de alfabetização demonstra que já há um acervo de metodologias. meios de transporte. segurança alimentar.

166 .

Entretanto. com base nas quais é possível formular recomendações para auxiliar os gestores e as equipes pedagógicas 167 . pois estratégias bem-sucedidas ou adequadas em um determinado contexto podem ser inviáveis ou inapropriadas em outros.) Em um país extenso. (DI PIERRO.. prósperas e sustentáveis. populoso e diverso. para que possam transformá-lo coletivamente. impõe-se um esforço de sistematização e reconhecimento das lições aprendidas.CAPÍTULO IV LIÇÕES APRENDIDAS E RECOMENDAÇÕES Frente ao mundo inter-relacionado. após revisar esse conjunto de experiências e analisar como os poderes públicos e as organizações sociais têm enfrentado os principais desafios para conduzir políticas e programas de alfabetização. como o Brasil. pacíficas. democráticas.120. p. mas aquela que.. mas também uma condição de participação dos indivíduos na construção de sociedades mais tolerantes. desigual e inseguro do presente. o novo paradigma da educação de jovens e adultos sugere que a aprendizagem ao longo da vida não é só fator de desenvolvimento pessoal e um direito a cidadania (e. justas. pergunta quais são suas necessidades de aprendizagem no presente. reconhecendo nos jovens e adultos sujeitos plenos de direito e de cultura. 1.]. 2006. portanto uma responsabilidade coletiva). A educação capaz de responder a esse desafio não é aquela voltada para as carências e o passado [. é sempre arriscado fazer generalizações.

necessita compromisso de continuidade. O direito à educação está ligado aos demais direitos humanos e sociais. Uma política educacional dessa natureza não pode ser temporária ou improvisada. Para alcançar esse grau de institucionalidade é necessário que a sociedade e os governantes conheçam os benefícios e valorizem a educação das pessoas jovens e adultas. assistência. qualificação profissional. Os programas de educação dos jovens e adultos não se tornam atrativos nem alcançam êxito de modo isolado. que tornem a alfabetização mais relevante. cultura. recursos financeiros e estruturas de gestão apropriadas. desenvolvimento local. mediante uma oferta pública diversificada e qualificada de oportunidades de alfabetização e de estudos no ensino fundamental. na educação profissional e em outros níveis e modalidades de formação. com base em informações confiáveis e processos planejados de comunicação. contribuindo em processos mais amplos de melhoria socioeconômica e cultural das comunidades. o que requer articular a alfabetização com outras políticas de participação. Seus resultados dependem de mudanças mais abrangentes nas condições de vida das pessoas. geração e distribuição de renda.a fazer escolhas criteriosas e tomar decisões bem informadas para o desenvolvimento de políticas e programas de alfabetização e educação de jovens e adultos abrangentes e de qualidade: O reconhecimento e o respeito aos direitos educativos dos jovens e adultos previstos na legislação implicam responsabilidades dos governos em assegurá-los. o que requer debate público permanente. saúde. meio ambiente. A oferta de múltiplas oportunidades de alfabetização e formação de qualidade requer capacidade técnico-pedagógica e 168 .

recursos humanos e financeiros que a maior parte das localidades brasileiras não dispõe em quantidade suficiente, dependendo da cooperação e assistência de outras esferas de governo, universidades, organismos internacionais etc. Os responsáveis pelos programas nos municípios precisam receber formação, manter-se informados e articular-se aos diferentes níveis e setores de governo, para captar os recursos financeiros e a cooperação técnica disponíveis para o desenvolvimento de ações de alfabetização, ensino fundamental e outras oportunidades de formação para jovens e adultos. Os ministérios e secretarias que financiam programas dessa natureza, por sua vez, precisam agilizar e simplificar os procedimentos administrativos para fazer com que os recursos cheguem a tempo às localidades, evitando a desmobilização de alfabetizandos e alfabetizadores. A elevação do nível educacional e cultural da população, a formação de professores, técnicos e gestores inscrevem-se entre as responsabilidades das instituições de ensino superior, que podem e devem ser convocadas pelos governos e organizações sociais para colaborar com os esforços de alfabetização e educação dos jovens e adultos. O atendimento integral às necessidades de formação das pessoas jovens e adultas pode ser favorecido pela multiplicidade de agentes governamentais e não-governamentais que atuam nesse campo (redes de ensino, diferentes órgãos de governo, organizações sociais, empresariais e religiosas, instituições de ensino superior etc.), sempre que o atendimento seja planejado em coordenação, de modo a potencializar a cooperação mútua, evitar superposição de ações e o desperdício de recursos. Cabe aos estados e municípios assumir a coordenação da política pública de educação de jovens e adultos, articulando as iniciativas em curso no respectivo território.
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Essa é uma das razões que se somam em favor da gestão democrática das políticas públicas de educação de adultos, que implica a escuta, o acolhimento e o estímulo à participação dos diferentes segmentos interessados, especialmente os educandos, em instâncias de consulta e deliberação como fóruns, conselhos ou mesas de gestão compartilhada. Diante das exigências sociais de conhecimento colocadas pela sociedade letrada, o objetivo dos programas de alfabetização deve ser o de permitir aos jovens e adultos incorporar a leitura, a escrita e os conhecimentos matemáticos na comunicação e resolução cotidiana de problemas, participando com autonomia de práticas sociais mediadas por essas linguagens. Nessa perspectiva, a alfabetização de qualidade deve incentivar o uso social das habilidades adquiridas, o interesse pela busca por informações, pela ampliação do repertório vocabular e do universo comunicativo, mediante a criação de ambientes favoráveis à comunicação escrita e à leitura, nos quais bibliotecas, acervos de livros, materiais impressos e audiovisuais estejam presentes e sejam de fácil acesso. As experiências analisadas neste livro proporcionam evidência suficiente de que campanhas e programas breves e pontuais de alfabetização não logram desenvolver essas aprendizagens, têm diminuto impacto individual e social, sendo necessário evoluir na direção de políticas de educação de jovens e adultos mais abrangentes e articuladas que, além da alfabetização, abram perspectivas de estudos no ensino fundamental e outras oportunidades formais e não-formais de qualificação profissional, expressão e fruição cultural, de modo a favorecer a consolidação das aprendizagens iniciadas e a aquisição de novos conhecimentos, atitudes e habilidades.
170

Uma tarefa preliminar à definição de estratégias, metas e prioridades é conhecer bem a realidade na qual se vai intervir, diagnosticando quem são e quantas são as pessoas jovens e adultas que necessitam de oportunidades de alfabetização, ensino fundamental e outros processos de formação cultural e profissional, inquirindo sua condição socioeconômica, suas múltiplas motivações e necessidades de aprendizagem. Esse diagnóstico pode combinar diferentes fontes e meios de obtenção de informações, que vão desde a consulta aos bancos de dados estatísticos e aos cadastros de programas sociais, passando por sondagens nas comunidades, entrevistas e diálogos diretos com os potenciais participantes. Dispondo desse conhecimento sobre as dimensões e as características da demanda social, a elaboração dos programas de alfabetização e educação das pessoas adultas deve atentar à pluralidade das necessidades de aprendizagem peculiares aos diferentes grupos de jovens e adultos, considerando a diversidade sociocultural (vivência rural ou urbana, situação familiar, renda, gênero, geração, etnia, ocupação, orientação sexual, opção religiosa etc.) e de condições de estudo dos educandos. Os programas devem ser suficientemente diversos e flexíveis para que a proposta pedagógica seja ajustada às peculiaridades dos contextos locais e dos subgrupos sociais. Isso significa que a leitura, a escrita e os conhecimentos matemáticos devem agregar-se a outros conteúdos de aprendizagem, como as expressões culturais singulares àquele contexto, a preparação para o trabalho e a geração de renda, a educação para a saúde e a conservação do meio ambiente, o acesso às novas tecnologias da comunicação e informação, a formação política para a cidadania etc. Para beneficiar-se das oportunidades de alfabetização e formação, os jovens e adultos com diferentes biografias,
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projetos e condições de vida demandam que os programas se desenvolvam em tempos e espaços de aprendizagem flexíveis e variados, durante o dia ou à noite, nas escolas e também nos locais de trabalho e nos espaços comunitários. Se essa flexibilidade distingue a organização da educação das pessoas adultas dos padrões da escolarização regular de crianças e adolescentes, isso não justifica que ela fique desarticulada do sistema escolar. Muito pelo contrário, a alfabetização e educação de jovens e adultos devem ser reconhecidas como modalidades constitutivas do sistema educacional, preservadas as características que lhe são próprias. As formas inovadoras que a educação das pessoas adultas experimenta, por sua vez, podem ser úteis à renovação do ensino das crianças e adolescentes. Além disso, a educação da população adulta contribui para a melhoria do sistema educativo como um todo, já que pais e comunidades mais educados têm melhores condições de valorizar e apoiar a escolarização das novas gerações. A mobilização dos jovens e adultos para participar dos programas de alfabetização, ensino fundamental ou outras modalidades requer uma postura ativa dos organismos governamentais e sociais responsáveis, aos quais cumpre convocar os educandos com o apoio dos meios de comunicação de massa e o concurso das redes sociais existentes na localidade (igrejas, sindicatos, associações, clubes etc.). Não se pode delegar a responsabilidade de reunir aprendizes e formar as turmas de alfabetização apenas aos alfabetizadores, prática que, além de sobrecarregálos, produz distorções indesejáveis, como o alistamento de pessoas que não compõem o público-alvo dos programas. O bom aproveitamento das oportunidades de aprendizagem proporcionadas pelos programas de alfabetização e educação de jovens e adultos depende também de instalações físicas,
172

assegurando aos que não tiverem essa habilitação oportunidades para alcançar essa formação. mediante programas de alimentação e transporte escolar. ao lado das habilidades e conhecimentos especializados. 173 . de modo a torná-las presentes. De maneira complementar. Essas informações devem ser amplamente divulgadas e retroalimentar as políticas. o que requer selecionar criteriosamente os educadores. valorizando-os profissionalmente. atuantes e qualificadas. exames oftalmológicos e distribuição de óculos. A motivação e o engajamento pessoal dos educadores são. assim como da provisão de condições adequadas de estudo aos educandos.mobiliário. características importantes para uma ação alfabetizadora de qualidade. bem como de sistemas de monitoramento e avaliação das aprendizagens dos educandos e dos resultados alcançados pelos programas. A gestão administrativa e pedagógica da alfabetização de jovens e adultos implica a existência de procedimentos metódicos de cadastro de alfabetizandos e alfabetizadores. e de registro das atividades educativas. subsidiando a contínua revisão das metas. Por isso. estratégias e metodologias adotadas. orientação pedagógica e formação continuada em serviço. A capacidade dos alfabetizadores conduzirem processos ampliados de alfabetização depende de seu perfil e condições de atuação. proporcionando-lhes condições apropriadas de trabalho. no recrutamento dos educadores é recomendável dar preferência aos membros das comunidades que têm habilitação para o exercício do magistério. é preciso investir também na formação e valorização das equipes técnicas responsáveis pela coordenação e supervisão pedagógica dos programas. equipamentos e materiais pedagógicos apropriados. e distribuição de material escolar e pedagógico.

com boas razões. 174 . alguns estudiosos e administradores responsáveis pela formulação e desenvolvimento de políticas e programas de alfabetização e educação de jovens e adultos argumentarão. Entretanto. as experiências mencionadas ao longo do livro demonstram que a história recente das políticas e programas de alfabetização de jovens e adultos no Brasil oferece muitas lições que podem e devem ser consideradas na tomada de decisões. político-administrativos e educacionais do país e da região. conformando um acervo de conhecimentos a partir do qual é possível avançar na direção da democratização de oportunidades educacionais de qualidade para todos.Ao concluir a leitura desses tópicos. que é difícil atender a todas essas recomendações em determinados contextos socioeconômicos.

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Rio de Janeiro: Sapé. MEC. jan. (Série acreditar e agir. Disponível em: <http://200. 4). Secretaria do Estado da Educação. 2004. BRASIL. Brasília: Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República.198.MATERIAIS DIDÁTICOS MENCIONADOS ACRE. Brasília: MEB. Presidência da República. 186 . Fundação Vale do Rio Doce. et al. Cidadão Nota 10: cultura. Secretaria Especial de Aqüicultura. caderno do professor. 2005.202. Cedac. caderno do aluno. Ministério do Trabalho e Emprego. caderno temático. MEB et al. 2006. CNBB. _____. Programa Pescando Letras: proposta pedagógica para alfabetização de pescadores e pescadoras profissionais e aqüicultores e aqüicultoras familiares. CNBB. 2005.145/seap/pescando/pdf/Rede_de_Saberes. _____: direitos humanos. CEDAC. Rede de saberes: alfabetização de pescadores artesanais. 2. 2004. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego. 6). BUENO. MEC. Brasília: MEB. _____. Caderno florestania: Movimento de Alfabetização do Acre. Rio Branco: MOVA/SEE.pdf>. (Série acreditar e agir. vários módulos. Tecendo o saber: ensino fundamental. 2005. 2005. IDEBNE. 2004. _____. A. M. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho. n. _____. Rio Branco: MOVA/SEE. IDEBNE. ALMANAQUE DO ALUÁ. caderno temático. P.

2005. _____: meio ambiente. _____. PREFEITURA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE. _____. São Paulo: Ação Educativa. Global. _____. 2005 (Série acreditar e agir. Aprender: livro do alfabetizador. PARANÁ. _____. IDEBNE. caderno temático. 5). Curitiba: SEE. caderno temático.[. Secretaria do Estado da Educação. Secretaria Municipal de Educação. caderno temático. M. A. 2006. GADOTTI. C. _____. MEC. 2007. Superintendência de Educação. [s. Rio de Janeiro: Alfabetização Multimeios. 2). _____: livro do alfabetizando. DEJA. MEC. 187 . L. _____: fome. Rio de Janeiro: Escola Multimeios. _____: saúde. 3). (vários números). Brasília: MEB. 2007. MANSUTI. Alfabetização. IDEBNE. Superintendência de Educação. 2006. CNBB.. VÓVIO. Alfabetização de jovens e adultos: caderno do educando. Brasília: MEB. Viver. Curitiba: SEE. Palavra de trabalhador. CNBB. Alfabetização._____. DEJA. _____: caderno de formação. 2005 (Série acreditar e agir.d. et al. Um dedo de prosa: livro do educando. MEC. Global. 2007. IDEBNE. M. 2007. Brasília: MEB. _____. CNBB. Porto Alegre: SMED. _____: livro do educador. (Série acreditar e agir. _____. São Paulo: Ação Educativa.

Permite o acesso à Biblioteca Virtual de Educação. Centro de Cooperação Regional para Educação de Adultos na América Latina e Caribe – Crefal <www. 188 . Permite o acesso à biblioteca digital Paulo Freire. ferramenta de pesquisa de sítios educacionais do Brasil e do exterior. Disponibiliza textos para download e publica o boletim eletrônico Informação em Rede.html>.br/servicos/bancoteses.inep. Permite o acesso ao resumo de teses e dissertações.capes.paulofreire.acaoeducativa.crefal.SÍTIOS DE INTERESSE NA REDE MUNDIAL DE COMPUTADORES Ação Educativa – Assessoria. Centro de Informação e Biblioteca em Educação – Cibec do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP <http://www.br/pesquisa/cibec>. Pesquisa e Informação <www.mx>. disponibiliza biblioteca digital e publica em versão eletrônica as revistas Decisio e Revista Interamericana de Educación de Adultos.org.br>.gov. Centro de Estudos Paulo Freire <www.org>.gov. Oferece cursos a distância.edu. Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes <http://www.

Disponibiliza informações sobre iniciativas internacionais e contém textos sobre alfabetização e educação de jovens e adultos para download. Conselho de Educação de Adultos da América Latina e Caribe – Ceaal <www.cereja.ceaal.org. Portal de informações dos Fóruns. Permite o acesso às versões eletrônicas do boletim La Carta e da revista La Piragua. Disponibiliza biblioteca digital de textos e livro de e sobre Paulo Freire e temas afins. com seções por unidade federada.br/>.paulofreire.fronesis. comunicación y sociedad <http://www. 189 . Disponibiliza informações sobre iniciativas internacionais.org>.org>. Fóruns de Educação de Jovens e Adultos do Brasil <http://forumeja.br>.org>. a Ciência e a Cultura – UNESCO <www. Organização das Nações Unidas para a Educação. Instituto Fronesis: Pedagogia.br/>. Portal dos professores de EJA <http://www.org.org. temáticas e por segmentos. documentos e livros para download sobre alfabetização e educação de jovens e adultos. Instituto Paulo Freire <www. Portal da educadora equatoriana Rosa Maria Torres.Centro de Referência em Educação de Jovens e Adultos <www.org.br>. Disponibiliza para download a biblioteca digital do Alfasol.eja.unesco. Contém informações atualizadas e textos para download.

Sítio mantido pela Coordenação Geral de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do MEC para disseminação de materiais didáticos da coleção Cadernos da EJA. Revista Eletrônica de Educação de Jovens e Adultos – REVEJ@ <www.reveja.com.br/>. Revista eletrônica do Núcleo de EJA da Faculdade de Educação da UFMG.

MATRIZ DOS PROGRAMAS PESQUISADOS Região Nacional Norte Nordeste Saberes das Águas CentroOeste Sudeste Sul União

Natureza dos promotores Estados

Secad/MEC Brasil Alfabetizado

Municípios

Alfa 100/Mova Acre SME de Natal: Geração Cidadã

Alfa Inclusão Cidadão Nota Dez SME do Rio de Janeiro: Secretaria de Defesa PEJA Social de MG SME de Belo Horizonte Paraná Alfabetizado SME de Porto Alegre: SEJA e CMET

190

The Scientific Electronic Library Online – SCIELO – link para educação de jovens e adultos <http://www.scielo.br/cgi-bin/wxis.exe/iah>. Biblioteca digital de artigos científicos, que permite a consulta por tema, autor e publicação.

Movimento de Atingidos por Barragens

Movimentos

Natureza dos promotores ONGs

Universidades

Sistema S Sesc Ler Sesi

Alfabetização Solidária MEB UEAM

Projeto Escola Zé Peão UFAL UFRN UNB UFGO Movimentos de Alfabetização do ABCD, São Carlos e São Paulo UFMG UERJ UNIJUÍ

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CADASTRO DE PROGRAMAS CITADOS

ALFA 100 – MOVIMENTO DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – MOVA AC

Originalmente denominado Mova Acre (2000-2002), o programa Alfa 100 é a versão acreana do Brasil Alfabetizado, resultante de convênio entre os governos federal e do estado do Acre. Tem como objetivo alfabetizar a população residente nas áreas urbanas e rurais do estado, desenvolvendo metodologia especialmente elaborada para valorizar a identidade dos povos amazônicos, por meio dos Cadernos de Florestania. Endereço: Rua Rio Grande do Sul, 1.907 – Aeroporto Velho CEP: 69907-420 Rio Branco – AC Telefone: (68) 3223 8871
ALFA INCLUSÃO

Fruto de parceria da Fundação Banco do Brasil com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação. Trata-se de projeto-piloto realizado em 2005 e 2006 em dois municípios com altos índices de analfabetismo e exclusão social: a cidade-satélite de Brazlândia, Distrito Federal, e o Assentamento Chico Mendes, em Arinos, Minas Gerais. O projeto se propôs articular a alfabetização de jovens e adultos com ações de geração de renda organizadas sob os princípios da Economia Solidária. A experiência
192

está sistematizada nos cadernos A construção do Projeto Alfainclusão e Registro Pedagógico do Projeto Alfainclusão e Desafios à organização de uma cooperativa e de uma associação. Fundação Banco do Brasil Página web: www.fbb.org.br Endereço eletrônico: fundacaobancodobrasil@fbb.org.br Endereço: SCN Quadra 01 Bloco A Ed. Number One 9º e 10º andar CEP: 70711-900 Brasília – DF Telefone: (61) 3310 1900
ALFABETIZAÇÃO SOLIDÁRIA

O Programa Alfasol, como é mais conhecido, foi criado em 1997 como uma política do governo federal para desenvolver ações de alfabetização de jovens e adultos nas regiões menos desenvolvidas do país. Mais tarde, estruturou-se como organização não-governamental. Tem abrangência nacional e se caracteriza pela parceria entre instituições de ensino superior (responsáveis pela orientação pedagógica), os municípios (que providenciam locais, mobilizam os alfabetizadores e os educadores), governos, empresas e doadores individuais que financiam as atividades. Publica as revistas Trajetória (anual), Escrevendo juntos (semestral) e Revista da Alfabetização Solidária (anual); os boletins Notícias Instituições de Ensino Superior (bimestral), Notícias Municípios/IES (bimestral), Empresas (mensal), Informativo CEREJA (mensal), Equipe (mensal); e os livros Concurso de Redação (anual) e Avaliação Final (anual). Página web: www.alfabetizacao.org.br Endereço eletrônico: alfabetizacao@alfabetizacao.org.br Endereço: Rua Pamplona, 1.005 Conjunto 5B CEP: 01232-000 São Paulo – SP Telefone: (11) 3372 4371
193

desenvolve-se mediante convênios com estados.br Endereço eletrônico: sergiosabararramos@hotmail. municípios. Ministério da Educação Secretaria de Educação Continuada. 471 12º andar Sala 1.207 – Centro CEP: 30160-040 Belo Horizonte – MG Telefone: (31) 2129 8151 (Idene) 194 . instituições de ensino superior e organizações sociais. recrutamento e capacitação dos alfabetizadores voluntários.mec. com o apoio de diversas instituições. associado ao governo federal por meio do Brasil Alfabetizado e Fome Zero.cidadaonotadez. dirigido a zonas do Centro e Norte do estado que registram extrema exclusão social. É desenvolvido pela Secretaria Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas Gerais (Sedvan) e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene). mobilização dos alfabetizandos. como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Alfabetização e Diversidade – Secad Página web: http://portal.BRASIL ALFABETIZADO Programa do governo federal criado em 2003.br/secad Endereço: Esplanada dos Ministérios Bloco L Edifício Sede 7º andar CEP: 70047-900 Brasília – DF Telefone: (61) 2104 6140 CIDADÃO NOTA DEZ (MG) Programa do governo do estado de Minas Gerais.com Endereço: Rua Rio de Janeiro. por meio do Movimento de Educação de Base. que têm autonomia didático-pedagógica e são responsáveis pelas instalações físicas.com.gov. Viver e Lutar. Página web: www. que desenvolveu a coleção de material didático Saber.

com. 634 Ed. Conta com 27 escolas nas quais desenvolve a formação continuada dos professores e diretores. responsáveis pela elevação de escolaridade de quase quatro mil detentos. Endereço eletrônico: mhelenaeducacao@yahoo. o coletivo de educação do MAB alfabetiza membros de comunidades deslocadas pela construção 195 .com.linhares@yahoo.DIRETORIA DE ENSINO E PROFISSIONALIZAÇÃO DA SUPERINTENDÊNCIA DE ATENDIMENTO AO PRESO DA SECRETARIA DE ESTADO DE DEFESA SOCIAL DE MINAS GERAIS Realiza. com mediação do Núcleo de Pesquisa em Educação de Jovens e Adultos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de Natal. desde 2004. Ducal 10º andar Sala 11 – Cidade Alta CEP: 59025-500 Natal – RN Telefones: (84) 3232 4965/4729/4748 MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS – MAB Por meio de convênios celebrados a partir de 2003 com o Programa Brasil Alfabetizado e a Eletrobrás. a supervisão e acompanhamento do ensino e profissionalização nos presídios mineiros. 471 24º andar – Centro CEP: 30160-040 Belo Horizonte – MG Telefones: (31) 2129 9696/9697/9791 GERAÇÃO CIDADÃ (RN) Programa conveniado ao Brasil Alfabetizado desde 2003 que articula a alfabetização de jovens e adultos e programas de transferência de renda.br ou bela. Secretaria Municipal de Educação de Natal Endereço: Rua João Pessoa.br Endereço: Rua Rio de Janeiro.

a Associação dos Municípios do Paraná. não para morte: as lutas do Movimento dos Atingidos por Barragens fortalecendo a educação de Jovens e Adultos e o Caderno Pedagógico A Educação no Movimento dos Atingidos por Barragens.br Endereço eletrônico: comunicacao@mabnacional. Agir”. atuando em diversas regiões do país.br ou educacao@mabnacional.org.org.org. Central Bloco 655 Casa 6 CEP: 71710-012 Núcleo Bandeirante – DF Telefones: (61) 3242 8535 ou 3386 1938 MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE – MEB Vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB. em iniciativas independentes ou conveniadas com os governos federal.meb.org. Desde então promove a alfabetização e educação de pessoas adultas por meio da metodologia “Ver.mabnacional.br Endereço: Setor Comercial Sul Quadra 3 Bloco A Loja 79 CEP: 70303-903 Brasília – DF Telefones: (61) 3225 2999 ou 3225 2943 PARANÁ ALFABETIZADO (PR) Versão estadual do Programa Brasil Alfabetizado. Página web: www.org. resulta de parceria estabelecida entre os governos federal e estadual.br Endereço eletrônico: meb@meb. com o objetivo de valorizar a identidade dessa população e instrumentalizá-la para o enfrentamento coletivo dos problemas advindos do reassentamento. ambos disponíveis na página web da organização. estaduais ou municipais. a Undime-PR e organizações da sociedade 196 . Página web: www. Julgar. o MEB é um dos movimentos de educação e cultura popular constituídos na década de 1960.br Endereço: Av. Publicou Águas para vida.de barragens de usinas hidrelétricas.

197 .gov.rj.rj.br/sme Endereço eletrônico: pej. elaborada pelos professores do programa com consultoria de profissionais das universidades. No sítio da Secretaria na internet é possível consultar a publicação da proposta curricular Multieducação. 2. o Projeto é uma iniciativa conjunta da Universidade Federal da Paraíba e do Sindicato dos Trabalhadores da Construção e do Mobiliário de João Pessoa e municípios circunvizinhos.gov. que realiza formação de professores de toda a rede municipal. entre os quais o material didático Um dedo de prosa e o Dossiê das Experiências de Superação do Analfabetismo. Implementado em 2004.sme@pcrj. Página web: www.gov. 455 Sala 459 – Cidade Nova CEP: 20211-110 Rio de Janeiro – RJ Telefone: (21) 2503 2292 PROJETO ESCOLA ZÉ PEÃO Criado em 1990.gov.pr. conta com diversificados recursos pedagógicos. é um programa consolidado de escolarização de jovens e adultos que contempla a alfabetização e os dois ciclos do ensino fundamental.br Endereço: Rua Afonso Cavalcanti. Além do atendimento nas escolas e em classes anexas.br Endereço eletrônico: wramaral@pr.140 Sala 211 – Água Verde CEP: 80240-900 Curitiba – PR Telefones: 0800 416 200 e (41) 3340 8422 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DO RIO DE JANEIRO – Peja (RJ) Criado em 1985 pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.br Endereço: Av. Água Verde.civil.rio. Secretaria Estadual da Educação do Estado do Paraná Página web: www.paranaalfabetizado. conta com um Centro de Referência em EJA – Creja.

e são ministradas por licenciandos da UFPB. expressa em diversas publicações. Utiliza o livro de leitura A estória do trabalho que virou escola contada pela escrita de quem faz história. baseado em textos elaborados pelos alunos. A experiência está registrada em numerosas pesquisas e publicações. destinado à continuidade de estudos dos recém-alfabetizados que não se dispõem à freqüência escolar. todos homens. que hoje se realiza em quatro frentes. As aulas acontecem nos canteiros de obras e na sede do Sindicato. Endereço eletrônico: zepeao@zepeao. Sua proposta pedagógica compreende a alfabetização e o primeiro segmento do ensino fundamental. Benedito: um homem da construção e Alfabetização de adultos em ciências e matemática. a proposta pedagógica segue as orientações da Escola Plural. Em todos os casos. 75 – Varadouro CEP: 58010-120 João Pessoa – PB Telefones: (83) 3216 7687 e 3221 1807 SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE BELO HORIZONTE (MG) A partir de 1996 o município ampliou o atendimento educativo de jovens e adultos. 198 . como Escola Plural: educação básica de jovens e adultos (1996).Em 2007 tinha convênio com o Brasil Alfabetizado e possuía dez turmas com 156 alunos. e também resultou nos livros didáticos publicados pela editora da UFPB: Aprendendo com o trabalho.com Endereço: Avenida Cruz Cordeiro.gmail. O passo da escola no compasso da vida: a construção de um novo tempo e espaço para jovens e adultos (1998) e EJA: a construção de diretrizes político-pedagógicas para a RME/BH (2000). sendo duas delas nas escolas da rede municipal (a Educação de Jovens e Adultos e o ensino fundamental Regular Noturno) e duas em espaços não escolares: o Programa Brasil Alfabetizado (conveniado ao governo federal) e o Projeto Educação de Jovens e Adultos de Belo Horizonte (EJA/BH).

com. Educação de Jovens e Adultos.br Endereço postal: Rua Jerônimo Coelho.en@pbh.gov. 254 – Centro CEP: 90010-240 Porto Alegre – RS Telefone: (51) 3227 4365 199 .prefpoa.br Endereço: Rua Carangola. o Serviço de Educação de Jovens e Adultos de Porto Alegre está organizado em três modalidades: o ensino fundamental de jovens e adultos nas escolas da rede municipal (entre as quais se insere o Centro Municipal de Educação de Trabalhadores “Paulo Freire”).rs.prefpoa. 680 9º andar Sala 902 – Centro CEP: 90020-004 Porto Alegre – RS Telefones: 0800 510 0404 ou (51) 3289 1830/1832 Centro Municipal de Educação de Trabalhadores Paulo Freire – CMET Endereço eletrônico: cmet.gov. Página web: http://www2.portoalegre. este último em convênio com o Ministério da Educação.com.Secretaria Municipal de Educação Núcleo de Educação de Jovens e Adultos e Educação Noturna Endereço eletrônico: n. Histórias e Receitas: deliciosas lembranças do fazer pedagógico (2006) e Histórias do Trabalho (2007). o Movimento de Alfabetização Mova e o Brasil Alfabetizado.br Endereço: Rua dos Andradas. destacam-se: Reflexões Teórico-práticas do Fazer Docente: Educação Fundamental. Entre as publicações recentes da SMED.eja. 288 8º andar Sala 819 – Santo Antônio CEP: 30330-240 Belo Horizonte – MG Telefones: (31) 3277 8646/8656 SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE PORTO ALEGRE (RS) Iniciado em 1989.br/smed/ Endereço eletrônico: lovatto@smed.paulofreira@smed. ensino médio (2006).

br Endereço eletrônico: ralmeida@sesc. destacam-se: a Proposta Pedagógica e as Diretrizes para Orientação Pedagógica do Projeto SESC LER. em áreas cedidas pelas prefeituras de diversas cidades do país. Bairro Fortaleza CEP: 69750-000 São Gabriel da Cachoeira – AM Telefone: (97) 3471 1342 SESC LER Criado em 1999 pelo Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio. atuam 64 professores e estão matriculados 646 estudantes.com. organizado em dois ciclos com duração total de cinco semestres. s/n. compreende o primeiro segmento do ensino fundamental para jovens e adultos. É desenvolvido em centros educacionais construídos para este fim específico.org.SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA (AM) Em 2008 a rede municipal de ensino mantém 32 turmas de ensino fundamental de jovens e adultos.sesc. ambas de 1999. Entre suas publicações. 5. Nelas. Endereço eletrônico: semedsgcam@gmail.br Endereço: Avenida Ayrton Senna. que mantém convênio com a Universidade do Estado do Amazonas – responde pelo programa Reescrevendo o Futuro.com Endereço: Rua Crispiniano da Silva. Essas turmas acolhem os egressos dos programas de alfabetização atuantes no município. versão estadual do Brasil Alfabetizado.555 – Jacarepaguá CEP: 22775-004 Rio de Janeiro – RJ Telefones: (21) 2136 5229/5555 200 . sendo uma na sede e as demais na zona rural. Serviço Social do Comércio – SESC Página web: www.

br.br.forumeja. Roberto Simonsen 9º andar CEP: 70040-903 Brasília – DF Telefone: (61) 3317 9979 MOVIMENTOS DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS – MOVAS Estratégia de parceria entre governos e organizações da sociedade civil com o objetivo de alfabetizar jovens e adultos e promover a participação social. igrejas. em 1997.sesi. sobre a qual há informações no sítio http://www. Nas décadas seguintes esse modelo foi adotado por outros municípios e estados. A experiência pioneira data do período em que Paulo Freire foi secretário de Educação do Município de São Paulo (19891992). com participação das prefeituras. Em 1998 constituiu-se o Fórum Regional de Alfabetização. de uma parceria entre o Sindicato dos Metalúrgicos e a Câmara Regional. empresas.martins@sesi. instituições de ensino superior.org. o Mova surgiu.unesco.SESI POR UM BRASIL ALFABETIZADO Programa de alfabetização de âmbito nacional do Serviço Social da Indústria desenvolvido em convênio com o Programa Brasil Alfabetizado desde 2003.org. sob a coordenação do Sindicato dos 201 . movimentos e organizações sociais. O Sesi tem um convênio de cooperação com a UNESCO para o desenvolvimento de um sistema de avaliação de competências cujos resultados são divulgados anualmente em publicações disponíveis no sítio http://www.org. que formam hoje uma rede nacional. MOVA – ABC No ABC paulista.br Endereço eletrônico: eliane.org.br Endereço: Setor Bancário Norte Quadra 1 Bloco C Ed. Serviço Social da Indústria – Sesi Página web: www.

Secretaria Municipal de Educação e Cultura de São Carlos Página web: www. Em 2008 o Mova-ABC. Em 2003 o Fórum instituiu uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Mauá e Rio Grande da Serra. de alfabetização.sp. e o Mova.movaabc. Santo André e Ribeirão Pires – cidades nas quais tem parceria com as administrações municipais –.saocarlos. que atua em convênio com o Brasil Alfabetizado.058. que institui o programa Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos do Município de São Paulo (Mova-SP) na Secretaria de Educação.org.Metalúrgicos do ABC. ministrado nas escolas municipais.br Endereço postal: Rua São Sebastião. 2. 202 .100 estudantes. onde o movimento é autônomo e não conta com apoio das prefeituras. parcialmente subsidiadas com recursos do programa federal Brasil Alfabetizado: o ensino fundamental.gov. São Bernardo. 231 Subsolo – Centro CEP: 09721-100 São Bernardo do Campo – SP Telefone: (11) 4128 4291 MOVA – SÃO CARLOS A política de educação de jovens e adultos do município de São Carlos compreende duas frentes.br/mova/ Endereço: Rua João Basso. Página web: http://www. desenvolvido por igrejas e associações civis.828 – Vila Nery CEP: 13560-230 São Carlos – SP Telefones: (16) 3307 7505/3373 3221 MOVA – SÃO PAULO Em 2005 a Câmara Municipal aprovou a Lei nº 14.sp. a 1. iniciou o ano letivo com 325 salas espalhadas por Diadema. com cerca de 600 alfabetizandos.br Endereço eletrônico: educacao@saocarlos.gov.

br Endereço eletrônico: dot1@prefeitura. 1.gov.sp.tornando permanente o programa iniciado na gestão 1989-1992 e retomado durante a administração 2001-2004.br Endereço: Rua Dr.sp. Secretaria Municipal de Educação Divisão de Orientação Técnica de Educação de Jovens e Adultos Página web: http://educacao. Diogo de Faria.prefeitura.gov.247 Sala 303 – Vila Clementino CEP: 04037-004 São Paulo – SP Telefones: (11) 5080 5010/5115/5116 203 .

3.014 Bloco C CEP: 20550-900 Rio de Janeiro – RJ Telefone: (21) 2567 7791 UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UNB Faculdade de Educação – Departamento de Métodos e Técnicas da Faculdade de Educação Núcleo de Educação de Jovens e Adultos Docente responsável: Maria Luiza Pereira Angelim Endereço eletrônico: langelim@unb.br Endereço: Av.NÚCLEOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE UNIVERSIDADES UNIVERSIDADE ESTADUAL DO AMAZONAS – UEA Docente responsável: Margarida Brito Endereço eletrônico: mlsbrito@uea.edu. Djalma Batista.com.br Endereço postal: Rua São Francisco Xavier.br Endereço: Campus Darcy Ribeiro CEP: 70910-900 Brasília – DF Telefones: (61) 3307 2136/3307 2130 204 . 524 10º andar Sala 10.578 – Bairro das Flores CEP: 69050-030 Manaus – AM Telefones: (92) 3214 5772 ou 3648 0210 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO – UERJ Docente responsável: Anna Helena Moussatché Endereço eletrônico: annah@infolink.

BR 104 Norte.com Endereço: Campus A. C.ufmg. Pesquisas e Extensão em Alfabetização – Nepeal Docente responsável: Tânia Maria de Melo Moura Endereço eletrônico: tmmm09@hotmail.br Endereço: Av. disponível no site www.ufmg.627 – Pampulha CEP: 31270-901 Belo Horizonte – MG Telefone: (31) 3409 5319 Publicações: Revista eletrônica Revej@.fae.com. Simões. Km 97 – Cidade Universitária CEP: 57072-970 Maceió – AL Telefones: (82) 3214 11996 ou 3032 4560 UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS – UFG Faculdade de Educação Grupo de Estudos sobre Educação de Jovens e Adultos – Geaja Docentes responsáveis: Maria Margarida Machado e Maria Emília de Castro Rodrigues Endereço eletrônico: mmm2404@gmail.br 205 . Antônio Carlos.reveja. 6.br:8080/neja/ Endereço eletrônico: neja@fae.UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – UFAL Núcleo de Estudos.com Endereço: Rua 235 S/N – Setor Universitário CEP: 74605-050 Goiânia – GO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – UFMG Núcleo de Educação de Jovens e Adultos – Neja Docente responsável: Leôncio José Gomes Soares Página web: http://www.

br Endereço eletrônico: julietad@unijui. 206 .com.br Endereço: Campus Central Bairro Lagoa Seca s/n Sala 03 – Centro de Convivência CEP: 59078-970 Telefone: (84) 3215 3235 UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL – UNIJUÍ Departamento de Pedagogia Núcleo de Educação de Jovens e Adultos: Ensino. entre outros temas. Extensão e Pesquisa Docentes responsáveis: Julieta Ida Dallepiane e Elza Maria Falkembach Página web: http://www.edu.unijui.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE – UFRN Núcleo de Pesquisa e Estudos em Educação de Jovens e Adultos – Nupeja Docente responsável: Sandra Maria Borba Pereira Endereço eletrônico: nupeja@interjatos. dedicam atenção à educação de jovens e adultos.br Endereço: Campus Universitário de Ijuí – Bairro Universitário CEP: 98700-000 Ijuí – RS Telefones: (55) 3332 8657/2432/0230 Publicações: a editora da Unijuí publica as revistas Contexto & Educação e Espaços da Escola. que.edu.

Leitura e Escrita da UFMG CECIR – Centro Cida Romano CEB – Câmara de Educação Básica CEDAC – Centro de Ação Comunitária CEEL – Centro de Estudos em Educação e Linguagem da UFPE CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação.SIGLAS AEC – Associação de Educação Católica CEAA – Campanha de Educação de Adolescentes e Adultos CEALE – Centro de Alfabetização. Cultura e Ação Comunitária CMET – Centro Municipal de Educação de Trabalhadores Paulo Freire CNAEJA – Comissão Nacional de Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos CNE – Conselho Nacional de Educação CONFINTEA – Conferência Internacional de Educação de Adultos CONSED – Conselho Nacional de Secretários de Educação CUT – Central Única dos Trabalhadores DEJA – Diretoria de Educação de Jovens e Adultos EJA – Educação de Jovens e Adultos 207 .

ENCCEJA – Exame Nacional de Certificação de Competências de Educação de Jovens e Adultos ENEJA – Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos FNDE – Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação FUNDEB – Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica FUNDEF – Fundo de Desenvolvimento do ensino fundamental e Valorização do Magistério IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica IDENE – Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INEP – Instituto Nacional de Pesquisas Professor Anísio Teixeira IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPF – Instituto Paulo Freire IPM – Instituto Paulo Montenegro LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário MDS – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MEB – Movimento de Educação de Base MEC – Ministério da Educação MOBRAL – Movimento Brasileiro de Alfabetização MOVA – Movimento de Alfabetização MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra 208 .

Ciência e Cultura OIT – Organização Internacional do Trabalho ONG – Organização não-Governamental ONU – Organização das Nações Unidas PAS – Programa Alfabetização Solidária PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação PEI – Programa de Educação Integrada PEJA – Programa de Educação de Jovens e Adultos PNAD – Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios PNBE – Programa Nacional da Biblioteca Escolar PNE – Plano Nacional de Educação PNLA – Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Adultos PNLD – Programa Nacional do Livro Didático PNLEM – Programa Nacional do Livro Didático para o ensino médio PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PROEJA – Programa de Integração da Educação Profissional ao ensino médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos PROFA – Programa de Formação de Professores Alfabetizadores PROFORMAÇÃO – Programa de Formação de Professores em Exercício PROJOVEM – Programa Nacional de Inclusão de Jovens 209 . Pesquisas e Extensão em Alfabetização OEI – Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação.NEPEAL – Núcleo de Estudos.

PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária PUC – Pontifícia Universidade Católica SAPÉ – Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação SEJA – Serviço de Educação de Jovens e Adultos SEAP – Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca SEB – Secretaria de Educação Básica SECAD – Secretaria de Educação Continuada. Alfabetização e Diversidade SEDVAN – Secretaria Extraordinária para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas Gerais SEED – Secretaria Estadual de Educação SESC – Serviço Social do Comércio SESI – Serviço Social da Indústria SETEC – Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica SINTRICOM – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e do Mobiliário SME – Secretaria Municipal de Educação UEA – Universidade do Estado do Amazonas UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro UFAL – Universidade Federal de Alagoas UFF – Universidade Federal Fluminense UFPB – Universidade Federal da Paraíba UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UNB – Universidade de Brasília 210 .

UNDIME – União Nacional dos Dirigentes Municipais em Educação UNE – União Nacional dos Estudantes UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação. Ciência e Cultura UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNISESI – Universidade Corporativa do Serviço Social da Indústria 211 .

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