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Igreja de Dons e Ministérios

e os Grupos Societários
Reflexão histórica da evolução e não evolução dos
grupos societários na perspectiva da Igreja de Dons e
Ministérios

Geoval Jacinto da Silva e Nicanor Lopes

Resumo

O artigo estuda se a nova forma de ser, adotada


pela Igreja Metodista a partir de 1987 e conhecida
como Dons e Ministérios, possibilitou a evolução
dos grupos societários — tão bem já caracterizados
na prática da Igreja —, ou se estes grupos
perderam sua força agregadora. Para estudar o
tema, propõe-se realizar uma reflexão em duas
direções. Primeiro, por meio dos Cânones de 1934,
fazer um recorte histórico do entendimento da
Igreja sobre os grupos societários e,
posteriormente, refletir sobre a situação dos grupos
societários na Igreja de Dons e Ministérios.

Palavras-chave

Vida e missão – dons e ministérios – federações –


grupos societários.

Geoval Jacinto da Silva é Bispo


da Igreja Metodista, professor
da Fateo e do Programa de
Pós Graduação em Ciências da
religião da UMESP. Nicanor
Lopes é pastor metodista,
professor da FATEO e
doutorando no programa de
Pós Graduação em Ciências da
Religião da UMESP.

Revista Caminhando v. 12, n. 20, p. 135-148, jul-dez 2007 135


The Church of Gifts and Ministries
and the woman, men and youth divisions
Historical reflection on the evolution and non–evolution
of social groups in the perspective of the Church of
Gifts and Ministries

Geoval Jacinto da Silva and Nicanor Lopes

Abstract

This article proposes to study the question of


whether the system of Gifts and Ministries adopted
by the Methodist Church beginning in 1987 made
possible the evolution of the structure known as
women, men and youth divisions characteristic for
the practice of the Methodist Church, or if with the
new form of being a Church these organizations and
its groups on the level of the local church lost their
aggregated strength. As such, in order to study this
theme the reflection pursues two directions. First,
the discussion presents an historical perspective of
the understanding of the Church with regard to
social groups, with emphasis on the Canons. In
second place, the text reflects on the situation of
social groups in the Church of Gifts and Ministries.

Keywords

Life and Mission – Gifts and Ministries – Federations


– Social Groups.

Geoval Jacinto da Silva is a


Bishop in the Methodist
Church, and professor in the
School of Theology and the
Graduate Program in Religious
Sciences, UMESP. Nicanor
Lopes is a Methodist pastor
and currently pursuing doc-
toral studies in the graduate
Program in Religious Sciences,
UMESP.

136 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...
Iglesia de Dones y Ministerios
y los Grupos Societarios
Reflexión histórica de la evolución y no evolución de
los grupos societarios en la perspectiva de la Iglesia
de Dones y Ministerios

Geoval Jacinto da Silva e Nicanor Lopes

Resumen

El artículo se propone estudiar si el sistema de Dones


y Ministerios adoptado por la Iglesia Metodista a par-
tir de 1987 posibilitó la evolución de los grupos so-
cietarios tan bien caracterizados en la práctica de la
Iglesia o si con la nueva forma de ser Iglesia los gru-
pos societarios perdieron su fuerza agregadora. Por
lo tanto, para estudiar sobre el tema, me propongo
realizar una reflexión en dos direcciones. Primero,
hacer un recorte histórico del entendimiento de la
Iglesia sobre los grupos societarios, a través de los
Cánones y posteriormente reflexionar sobre la situa-
ción de los grupos societarios en la Iglesia de Dones
y Ministerios.

Palabras clave

Vida y Misión – dones y ministerios – federaciones


– grupos societarios.

Geoval Jacinto da Silva es


Obispo de la Iglesia Metodista,
profesor de la FATEO y del
Programa de Posgraduación
en Ciencias de la Religión de la
UMESP. Nicanor Lopes es
pastor metodista, profesor de
la FATEO y doctorando del
programa de Posgraduación
en Ciencias de la Religión de la
UMESP.

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social. Como igreja de missão ela permane-
Introdução ce até 1930, quando deixa de ser um campo
missionário e passa a ser Igreja autônoma,
Neste artigo recordamos a trajetó- isto é, reconhecida como igreja que tem
ria do Plano para a Vida e a Missão da condições de gerir seus próprios recursos,
Igreja Metodista (PVM) aprovado no nas dimensões pessoal, pastoral e adminis-
Concílio Geral de 1982, que foi apon- trativa.
tando para a recriação de uma nova Quando a Igreja Metodista foi organiza-
Igreja com a modalidade conhecida da, conforme sua constituição, recebeu toda
por Dons e Ministérios, para entender a influência da igreja mãe, em sua estrutura
se houve evolução dos grupos societá- e organização. Portanto, examinando o
rios – tão bem caracterizados na Igreja primeiro Cânones da Igreja Metodista de
Metodista –, ou se com essa nova 1934, encontra-se que os grupos societários
forma de ser igreja os grupos societá- são formados e organizados como uma forte
rios perderam sua força agregadora. expressão da vida da igreja. A seguir, o
Para refletirmos sobre o tema, propo- escopo formativo dos grupos societários,
mos caminhar em duas direções. Pri- conforme disposição canônica de 1934.
meiro, através dos Cânones, fazer um
recorte histórico do entendimento da Das sociedades
Igreja sobre os grupos societários e,
posteriormente, refletir sobre a situa-
ção dos grupos societários no modo de Da natureza e fins
ser Igreja de Dons e Ministérios.
Art. 291 – Sociedades são grupos organi-
zados nas igrejas para o cultivo de expe-
A herança Metodista riências positivas nos domínios da piedade
pessoal, da fraternidade cristã, do evan-
dos grupos societários gelismo, dos trabalhos humanitários, so-
ciais, literários e recreativos.
Qual foi a origem dos grupos socie-
Art. 292 – As sociedades previstas no ar-
tários na Igreja Metodista? Em sua
tigo anterior se dividem, segundo a idade
primeira tentativa a igreja Metodista de seus membros, em:
chega ao Brasil por volta de 1835 a a. sociedade metodista de adul-
tos,
1841, com o missionário Daniel Kidder b. sociedade metodista de jovens,
e, finalmente em 1867, com o missio- c. sociedade metodista de crian-
nário Junius E. Newman. Implantada ças.

em solo brasileiro, a missão metodista § 1º. – onde há conveniência, as socieda-


e outras igrejas vieram a ser conheci- des desdobram-se em duas:

das como igrejas de missão. Elas esco- a. de adultos, por sexo, em socie-
dade metodista de homens e
lheram o solo brasileiro para a implan-
sociedade metodista de senho-
tação da fé mediante a mensagem ras;
bíblica, vivenciada na propagação do b. a de jovens, por sexo e idade;
evangelho, e por meio de serviços
tanto de caráter educacional como

138 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...
c. a de crianças, por idade, Art. 296 – As sociedades que não fazem
em duas ou mais socie-
parte de uma federação se organizam de
dades metodistas de cri-
anças. acordo com a constituição estabelecida pela
Junta Geral de Educação Cristã e respondem
§ 2º. – Também, onde há conveni-
ência, máxime por motivos de dis- diretamente ao secretário regional de edu-
tância ou de existência de diferen- cação ao qual enviam as respectivas taxas.
tes igrejas numa paróquia, podem
organizar-se diversas sociedades
congêneres. Das disposições gerais

Art. 297 – Os presidentes das sociedades


Da organização de adultos, e das de jovens, embora eleitos
das sociedades locais pelos respectivos plenários, são, contudo,
confirmados pelos concílios paroquiais, de
Art. 293 – As sociedades se sujei- que se tornam membros (25, § 1 o.).
tam, na sua organização e ativida- Art. 298 – As diretoras das sociedades de
des, às determinações da Junta Ge- crianças, embora eleitas pelos gabinetes
ral de Educação Cristã, a qual lhes pastorais, são, contudo, confirmadas pelo
providencia as necessárias constitu- concílio paroquial de que se tornam
ições, de acordo com os Cânones. membros, uma vez que sejam membros
Art. 294 – A Igreja só reconhece as da igreja.
sociedades que se organizam de a- Art. 299 – É dever dos presidentes das so-
cordo com o padrão estabelecido pe- ciedades de adultos e de jovens, bem como
la Junta Geral de Educação Cristã. das diretoras das sociedades de crianças:
§ Único – Quando uma igreja não a. comparecer na assembléia da
tem elementos suficientes para a igreja e apresentar-lhe o seu
organização de sociedades com to- relatório;
dos os requisitos do padrão estabe- b. comparecer no concílio paro-
lecido pela Junta Geral de Educação quial e apresentar-lhe o seu re-
Cristã, deve organizá-las com os e- latório;
lementos disponíveis, dentro do re- c. estar presentes às reuniões do
ferido padrão, visando alcançá-lo gabinete pastoral;
(145 – no. 28). d. atender aos pedidos de infor-
mações dos secretários distri-
tais, regionais e gerais;
Das federações regionais e. fazer cumprir a legislação da i-
e confederações gerais greja no que diz respeito às so-
ciedades a que presidem.
Art. 295 – As sociedades congêne- Como é percebível, a inclusão dos gru-
res podem organizar-se em federa- pos societários na Igreja Metodista demons-
ções regionais e estas, em confede-
tra que eles são concebidos na estrutura de
rações gerais, ambas sujeitas à
Junta Geral de Educação Cristã, a crescimento e, com muita possibilidade, de
qual lhes providencia os respectivos transformar a sua participação na vida da
estatutos.
Igreja tanto em foco de serviço como, tam-
§ Único – As federações assim or- bém, de poder. O modelo de organização
ganizadas podem realizar congres-
sos distritais e regionais, e as con- nasce em todos os níveis obedecendo a
federações, congressos gerais. faixa etária de idade; tendo início na igreja
local, vai para os distritos eclesiásticos e as
regiões, até alcançar o nível nacional. São

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criadas: sociedades, federações e cia da escola dominical e seus professores
confederações, todas subordinadas à tinham uma composição mista. Todo este
Junta Geral de Educação Cristã. Por- modelo também possibilitava a manutenção
tanto, o que a lei da Igreja faz é dar e o crescimento dos grupos societários. Era
reconhecimento aos grupos societários dos grupos societários que juvenis e jovens
que, seguramente, já existiam na sempre saiam quando se sentiam chamados
prática das igrejas antes da autonomia para o ministério pastoral. Alguns, antes de
e, por certo, com bons resultados. Eula serem enviados à Faculdade de Teologia,
L. Kennedy escreve o seguinte sobre a passavam pelos pré-seminários. Também é
primeira sociedade de mulheres: de se destacar que as moças que se senti-
am despertadas para um serviço ministerial
Os primeiros missionários que vie-
ram dos Estados Unidos percebe- eram encaminhadas para o Instituto Meto-
ram logo a urgência de empregar dista (inicialmente em Ribeirão Preto, depois
nas igrejas os talentos e a dedica-
em São Paulo, Santo Amaro) uma escola
ção da brasileira crente. Foi assim
que o Rev. J. L. Kennedy organizou, que visava ao preparo de moças para o
em 1885, na igreja do Catete, no trabalho da educação cristã.
Rio de Janeiro, a Primeira Socieda-
Este cenário representava os grupos so-
de de Senhoras, batizando-a com o
nome de Sociedade Missionária cietários e sua íntima relação com a igreja.
(Kennedy, 1968, p. 200-2001.). Entretanto, é a partir da década de sessenta
Também é importante destacar que os grupos societários começam a enfra-
que, no decorrer de 1930/1988, os quecer. O grupo societário, representado
grupos societários por meio de suas pela juventude, sem nos atermos aos méri-
Confederações alcançam status tão tos, contou com diversos fatores internos e
privilegiado na vida da igreja que, já externos da Igreja que contribuíram para o
em 1929, havia sido criado pelas mu- enfraquecimento do modelo pré-
lheres e para as mulheres a revista estabelecido pela Igreja Metodista.
“Voz Missionária”. Porém, em 1920 foi
criada para as crianças a revista “Bem- Os grupos societários e a
Te-Vi. Os juvenis a “Flâmula Juvenil”, Igreja de Dons Ministérios
os jovens a “Cruz de Malta” e os ho-
mens a revista “Homens em Marcha”, No final da década dos anos oitenta a I-
que depois passou a ser “Em Marcha”. greja Metodista, reunida em seu XIV Concí-
Toda esta identidade já estabelecida lio Geral, tomou a decisão de estruturar-se
na Igreja dá sustentação aos grupos de forma mais missionária do que adminis-
societários. Também o modelo admi- trativa, isso porque os resultados até então
nistrativo local, ou seja, a “junta de obtidos com sua tarefa missionária não
ecônomos”, geralmentea composta por respondiam mais aos anseios do povo me-
homens e algumas mulheres. O cargo todista diante dos novos desafios em que a
de guia leigo, segunda pessoa da igre- Igreja estava vivendo, ou seja, o povo fazia
ja após o pastor, geralmente era exer- novas perguntas e exigia da igreja novas
cido por um homem. A superintendên- repostas. Rui afirma:

140 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...
Cremos que o Concílio Geral, ao to- dores e carismáticos. Houve muita resis-
mar a grave decisão de renunciar às tência na sua discussão e aplicação. Pou-
estruturas e à Igreja em torno de cas igrejas locais e instituições de ensino
cargos, abriu uma ocasião para a I- tomaram conhecimento mais profundo e
greja de amor e de serviços, para a conseqüente sobre o PVM.
igreja Ministerial (Rui, 1991, p. 16).
A IM tinha poucas alternativas em 1987,
Portanto, impulsionada pelo sopro diante do XIV Concílio Geral. Uma delas
era continuar dividida, alternando no po-
do Espírito e à luz dos seus Planos
der os diversos grupos ou, em alguns ca-
quadrienais 1974 e 1978 e, finalmen- sos, dividindo o próprio poder e, portanto,
te, com o Plano de Vida e Missão 1982, sem muitas perspectivas missionárias.
Outra alternativa era encontrar uma lin-
a mesma é levada a organizar-se
guagem que pudesse aproximar tais gru-
como igreja de Dons e Ministérios. pos e que permitisse o surgimento de
Clóvis afirma que: uma nova Igreja.

A proposta de uma Igreja Ministerial, or-


A ênfase na Igreja de Dons e Minis-
ganizada em Dons e Ministérios, valori-
térios, fortemente presente no XIV
zando a dinâmica da igreja local, com
Concílio Geral, trouxe um novo a-
uma estrutura burocrática mais flexível e
lento, uma nova esperança à Igreja
enxuta, foi o caminho encontrado para
Metodista. O período de 1982 a
forjar essa nova igreja.
1987 tinha sido marcado por muitas
crises e tensões na vida e missão O movimento de Dons e Ministérios criou
da Igreja Metodista. Era preciso en- na vida da IM uma nova esperança, um
contrar uma nova linguagem que novo ânimo. Percebia-se que era possível
possibilitasse o avanço missionário a unidade (mesmo que em meio às dife-
da Igreja Metodista. E que permitis- renças) em torno de um projeto de igreja
se uma unidade criativa em meio à mais missionária (Castro, 1991, 24-25).
diversidade.
Qual foi o lugar dos grupos societários
Na opinião dos Bispos era:
na Igreja de Dons e ministérios?
A oportunidade de Deus para a sua Claro que a estrutura de uma Igreja sus-
Igreja, visando uma auto-avaliação, tentada em princípios bíblicos teológicos e
uma revitalização, uma reciclagem,
um reencontro com Deus, com a pastorais de Dons e Ministérios é também
pessoa humana, com a história e desafiada a rever seus diversos segmentos;
com a Missão. O Concílio torna-se-á
tal procedimento não surge de uma hora
porta aberta de Deus para sua Igre-
ja (Relatório do CE ao XIV Concílio para outra, é preciso muito diálogo, sabedo-
Geral, p. 7). ria e discernimento. A mudança proposta
O XIV concílio Geral marcou forte- por Dons e Ministérios não considerou uma
mente a vida e a missão da Igreja evolução na organização como um todo,
Metodista. A Igreja Metodista havia
mas objetivava uma crise pontual ligada à
chegado ao XIV Concílio Geral bas-
tante dividida: carismáticos, con- perda de identidade religiosa; no novo for-
servadores e liberais progressistas, mato, Dons e ministérios não excluía defini-
cada um buscando aumentar seu
tivamente uma das organizações mais tradi-
espaço de poder nas estruturas e-
clesiásticas e nas Instituições de cionais da identidade metodista, os grupos
Ensino. O Plano para a Vida e a Mis- societários. A resistência ao novo modelo
são da Igreja, de corte liberal-
progressista, aprovado em 1982,
significava a crise do desconhecido. Como
havia incomodado a setores da I- no Concílio Geral a decisão foi de excluir os
greja, principalmente aos conserva- leigos da administração geral, certamente o

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temor de perda de espaço era o mais res(as) teve que ser enfrentado” (Magali,
evidente para os membros leigos. 2001, p. 68-69). Nesta direção foi muito
Quem podia garantir que as novas importante a contribuição oferecida pelo Dr.
normas eclesiásticas (Cânones de Reily que resgata um pouco do sentir do
1988) não representavam esconderijos movimento da Reforma, para que houvesse
e máscaras que o clericalismo estava a fixação da mesma. Afirma Reily:
utilizando para exercer um domínio
Não é à toa que todos os reformadores ti-
exclusivo. Como diz Vasconcelos: veram muito trabalho em orientar a Igreja
e mesmo coibir abusos. Calvino chegou a
Como não se mudam rapidamente escrever cartas e opúsculos sobre o ver-
estruturas internas frutos de uma dadeiro modo de reformar a Igreja. A re-
ação adaptativa desenvolvida du- forma passou por uma reafirmação da pi-
rante anos, a resistência à mudança edade cristã, do culto, da pregação e dos
pode ser diminuída à medida em ministérios, além das preocupações com a
que se dê possibilidades de ação ao saúde doutrinária. Wesley, por exemplo,
indivíduo, dentro da nova estrutura, que tanto enfatizou a “experiência vital”,
onde ele possa utilizar os meios de foi obrigado a muitas vezes e de modo
ação e cognição desenvolvidos na veemente orientar o caminho da piedade
estrutura organizacional anterior cristã que ameaçava deteriorar-se no mo-
para identificar-se com o novo pro- vimento metodista. Isso ele conseguiu
jeto de organização proposto, adap- dando à “experiência vital” um lugar as-
tando parcialmente suas estratégias segurado mas não como o centro das
de ação às novas perspectivas que preocupações. A “experiência vital”, para
lhe são oferecidas. Trata-se de efe- ele, era insuficiência para orientar em
tuar um diagnóstico anterior do sis- questões bíblicas, doutrinárias ou em
tema social e de prever-se, dentro questões de missão da Igreja. (Reily,
do processo de mudança organiza- 1991, p. 50).
cional, uma estrutura de transição
que oferece aos atores sociais um Também destacou Reily, sobre o minis-
espaço de reconstrução identitária
tério desenvolvido pelos leigos:
individual e/ou coletiva (Vasconce-
los, 2005, 47-49) Se Wesley teve preocupações em orientar
o povo metodista em sua reforma no sé-
Algumas experiências vividas com
culo XVII, é também verdade que o mo-
o objetivo de inspirar pessoas e colo- vimento representou uma reforma de mi-
car em práticas alguns ensaios da nistério, onde o ministério leigo assumiu
um papel novo e destacado. Não podemos
nova Igreja foram se concretizando
esquecer que o movimento metodista na
com bastantes resultados. Entretanto, sua busca de fidelidade e discernimento
também foi sendo constado que os foi em um de seus aspectos centrais uma
reforma de ministérios com várias outras
grupos societários eram um foco de
reformas que vieram como conseqüências
resistência ao novo modelo de Igreja da reforma na hinologia, forma de culto,
porque pessoas, não muito interessa- pregação e sistema administrativo Reily,
(1991, p. 50-.51)
das no projeto, adiantavam-se dizendo
que a nova Igreja iria extinguir os A nova Igreja iria sim encontrar, na di-
grupos societários em todos os seus nâmica de uma igreja ministerial, a melhor
níveis, constatação que não era total- forma de expressão de serviços missionários
mente verdadeira. Portanto, foi neces- para os grupos societários em todos os
sário “todo um trabalho de mudança níveis da Igreja Metodista. Neste sentido, a
de mentalidade de leigos e pasto- contribuição de Reily, foi e continua sendo

142 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...
significativa a partir da reflexão sobre Art. 104 – O trabalho desenvolvido na á-
rea regional sob a coordenação, supervi-
“O Sacerdócio Universal de Todo os
são e controle do Bispo-Presidente, toma
Crentes”. Afirma: a forma de ministérios reconhecidos pela
Lutero desenvolveu essa doutrina Igreja.
principalmente num escrito polêmi-
Art. 105 – O funcionamento dos ministé-
co contra a igreja católica que se
rios regionais é disciplinado em regimento
definia pela oposição do clero (hie-
aprovado pelo Concílio Regional, segundo
rarquia) e do povo. O principio é
diretrizes dos órgãos superiores.
baseado no texto clássico de I Pe-
dro 2.9-10 e propõe Jesus Cristo Art. 106 – Os ministérios regionais são
como único sacerdote e como o exercidos por pessoas convidadas e de-
verdadeiro templo. Todo sacerdócio signadas pelo Bispo-Presidente, para exe-
é abolido, todo sacrifício é abolido. cutarem o Programa Regional das Ativi-
O sacerdócio universal e o sacrifício dades e demais tarefas dele decorrentes.
universal é restaurado em Cristo.
Com relação aos ministérios locais os
Ser sacerdote significa ser mediador
entre Deus e os homens. O novo Cânones afirmam:
sentido do sacerdócio universal de
Art. 134 – O trabalho desenvolvido nas i-
todos os crentes implica que cada
grejas locais toma a forma de ministérios
um de nós é sacerdote para o outro
por elas reconhecidos.
e que todos somos sacerdotes no
corpo de Cristo, mas sermos sacer- Parágrafo único – O funcionamento dos
dotes um dos outros é uma critica à ministérios locais, coordenado pelo Pas-
hierarquia de caráter exclusivista e tor-Presidente, é determinado em regi-
coloca todos, leigos e leigas, pasto- mento e normas aprovadas pelo Concílio
res e pastoras em igualdade no e- Local, segundo as diretrizes dos órgãos
xercício fundamental do sacerdócio superiores.
do Corpo de Cristo (Reily, 1991. p.
51-52). Art. 135 – O Concílio Local estabelece a
organização da igreja local, segundo os
Portanto, observamos que a Igreja dons concedidos pelo Espírito Santo e mi-
também tem procurado cautelosamen- nistérios dos seus membros, homens e
mulheres, e as necessidades de serviço da
te configurar nos Cânones a nova comunidade.
forma de relacionar-se com os grupos
Em decorrência disto, os grupos societá-
societários e sua maneira de atuação
rios locais e regionais, pela legislação, têm
nos segmentos da Igreja, sempre a
seu funcionamento a partir de sua caracteri-
partir da consciência de ministério
zação como ministério e, portanto, deveri-
inteiramente interligado com os de-
am fazer parte dos planos de ação de suas
mais ministérios da Igreja; a legislação
respectivas áreas. Em nível Nacional as
de 1988 afirma, tanto em nível regio-
Confederações, num primeiro momento,
nal e local, que a Igreja é ministerial e
ficaram interligadas ao Colégio Episcopal
quem dela participa precisa ter clareza
que tinha a responsabilidade administrativa
desta nova maneira de agir. Ocorre-
e pastoral da Igreja. Porém, nos exercícios
ram problemas? Sim!
eclesiásticos seguintes passam a fazer parte
A legislação — Cânones da Igreja
da Coordenadoria Geral de Ação Missionária
— sobre os ministérios da Área Regio-
– COGEAM. Pela falta de definição do pró-
nal foi bem especifica quando afirma:
prio projeto de Dons e Ministérios alguns
problemas estiveram presentes e causaram

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diversas dificuldades, entre eles po- Os dez primeiros anos de prática do sis-
demos perceber que o sistema de tema de Dons e Ministérios, por falta de um
Dons Ministérios fortaleceu o clericalis- programa de implantação que contemplasse
mo na igreja permitindo assim que, em os diversos níveis da Igreja e os grupos
muitas situações, pastores/as assumis- societários estiveram bem desarticulados
sem a responsabilidade de indicar os em suas ações no sentido do envolvimento
coordenadores de ministérios de acordo e participação da liderança leiga. Magali
com seus próprios interesses. Vejamos afirma que, no 16º Concílio Geral, 1977,
este relato indicado por Magali: procurou-se corrigir tanto as dificuldades de
governo, como também a operacionalização
O vazio na orientação fez por refor-
çar o clericalismo de pastores(as) de sua estrutura criando a figura das coorde-
que, longe de uma mentalidade que nações locais, regionais e nacionais de ação
favoreça a participação democrática
missionária” (Magali, 2001, p. 71).
e a pluralidade de idéias, decidiram
por indicar eles (as) próprios (as) os As coordenações permanecem nos de-
representantes de cada ministério, mais Concílios Gerais, 17º. e 18º., 2002 e
sendo tentados(as) a optarem por
aqueles(as) pessoas afinadas com
2006, sem maiores alterações. É importante
sua forma de pensar e de conduzir salientar que o único grupo societário que
a vida da Igreja, e a substituírem vai ser acompanhado por coordenação são
arbitrariamente aquelas que mani-
festarem posições criticas. as crianças, nos níveis local, regional e
nacional. Os demais grupos seguem com a
Neste sentido os presidentes de
antiga nomenclatura de Sociedades, Fede-
Federações sentiram que suas ativida-
rações e Confederações. Numa tentativa de
des também estavam sendo limitadas
encontrar formas de ação na Igreja de Dons
por falta de definição e linhas de ação
e ministérios, em busca de uma revitaliza-
na vida da igreja. Nesta direção Magali
ção dos grupos societários, em 1996, na
afirma que:
Quinta Região Eclesiástica, duas federações,
O objetivo de dar mais participação homens e mulheres, articularam-se e, en-
aos leigos(as) da Igreja foi razoa-
volvendo os grupos societários locais, cria-
velmente atingido no que diz res-
peito ao trabalho, mas não no que ram o projeto “Uma Semana pra Jesus”,
diz respeito ao poder na Igreja. O neste ano na 12a. versão. Suas intenções
sistema de Dons e Ministérios na
são assim descritas pelos fundadores:
prática acabou por reforçar o cleri-
calismo imbuído na Igreja no que se O Projeto Missionário Uma Semana Pra
refere ao poder de decisão das Jesus é o resultado de uma visão dos lei-
questões relevantes no interregno gos e leigas, dirigentes das Federações
dos Concílios Locais e Regionais. das Sociedades Metodistas de Homens e
Com isso, pastores (as) e bispos de Mulheres da Quinta Região Eclesiásti-
passaram a ser os grandes adminis- ca, de que a Igreja deve sair de dentro
tradores da Igreja e detentores das das quatro paredes do templo e cumprir o
muitas decisões de ordem política. que está definido em nossos cânones, que
No nível local, houve uma massifi- dizem “A missão acontece quando a Igre-
cação da membresia e perdeu-se o ja sai de si mesma, envolve-se com a co-
mínimo de representação leiga e munidade e se torna instrumento da no-
societária como era o antigo Conse- vidade do Reino de Deus. À luz do conhe-
lho Local (Magali, 2001, 71). cimento da Palavra de Deus, em confron-
to com a realidade, discernindo os sinais

144 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...
do tempo presente, a Igreja traba- fortes ênfases da Igreja de Dons e Ministé-
lha, assumindo os dramas e espe-
rios, alguns grupos societários estão desar-
rança do nosso povo” (Igreja Meto-
dista, Cânones, p. 82). Foi assim ticulados e desmotivados.
que o Projeto Missionário Uma Se- Nos resultados da Avaliação Nacional,
mana Pra Jesus tornou-se instru-
realizada para o 18º. Concílio Geral 2006,
mento de expansão missionária da
Quinta Região Eclesiástica da Igreja constam os seguintes dados sobre os gru-
Metodista. Ele é mais uma oportu- pos societários:
nidade que a Igreja oferece aos
seus membros, leigos/as e cléri-
gos/as, mediante a coordenação Sociedade Freqüência
º
das Federações das Sociedades Me- (n .de citações pelas
todistas de Homens, de Mulheres, igrejas locais)
de Jovens e de Juvenis, para colo- Grupo de Mulheres 98
carem os seus dons a serviço da Sociedade de Mulheres
população, reunindo num só propó- Grupo de Jovens
sito o atendimento integral ao ser Sociedade de Jovens 76
humano, através dos/das médi- Mocidade
cos/as, dentistas, acadêmicos/as de Adolescentes/Grupo de
medicina e de odontologia, de as- Adolescentes
sistentes sociais, psicólogos/as,
Sociedade de Juvenis / 57
protéticos/as, enfermeiros/as, fisio-
Projeto Juvenil
terapeutas, fonoaudiólogos/as, nu-
Grupo de Homens 51
tricionistas, educadores, advoga-
Sociedade de Homens
dos/as, pedreiros, serventes e mes-
Sociedade Mista – 17
tres-de-obras, pintores, encanado-
Jovens e Juvenis
res, serralheiros, carpinteiros, en-
genheiros/as, eletricistas, pastores (Igreja Metodista. avaliação da implementação do plano
e pastoras, evangelistas, minis- nacional:objetivos e metas e do programa nacional de
tros/as de louvor e de teatro, costu- atividades, 2006, p.94)
reiras, cozinheiras/os, cabeleirei-
ras/os, e todos/todas possuem dons
para trabalhos manuais, etc. (Igreja A Avaliação Nacional – que obedeceu a
metodista, Projeto Missionário “Uma
critérios de pesquisa por amostragem –
Semana para Jesus”, Ano X, no.05,
Novembro/2005, p. 06) além dos números acima apresentou várias
outras informações e, assim, possibilitou
Como se pode observar os leigos e
uma compreensão da atuação dos grupos
leigas, membros dos grupos societá-
societários no atual momento da igreja de
rios fundamentam suas ações missio-
Dons e Ministérios.
nárias no Plano Vida e Missão.
Ainda que haja dúvidas quanto ao exer-
Por que é tão difícil mudar? Quan-
cício do papel das sociedades, das federa-
do observamos as estruturas da inclu-
ções e confederações, foi considerado o
são dos grupos societários da vida da
valor da cooperação delas na dinâmica das
Igreja Metodista, evidenciam-se certas
igrejas e das ações em nível regional. O
práticas que, no decorrer da história,
modelo está defasado; é necessário ser
precisavam ser ajustadas ao momento
revisto a partir da dinâmica de Dons e Mi-
histórico e às necessidades de cada
nistérios. Por outro lado, há pessoas que
tempo e participantes. Entretanto, pela
definem que os grupos societários preparam
falta do ajustamento, pelo crescimento
seus integrantes para trabalhar na dinâmica
e amadurecimento dos grupos e pelas

Revista Caminhando v. 12, n. 20, p. 135-148, jul-dez 2007 145


de Dons e Ministérios, que a participa- posta por jovens (professores/as de Escola
ção em projetos ajuda inspira a melho- Dominical, líderes de grupos pequenos, mi-
ria dos trabalhos nas igrejas locais. Os nistrantes de encontros, participantes de
projetos – Julho para Jesus, Uma Se- ministério de louvor, e muitos jovens evan-
mana pra Jesus, Passa à Macedônia – gelistas).
têm um papel importante na dinâmica Uma das Federações de Mulheres analisa
da Igreja. Apontam também que os que não os grupos societários não têm con-
grupos societários mais atuantes são, seguido atuar na dimensão dos Dons e Minis-
pela ordem, mulheres, juvenis, jovens térios. Elas estão envolvidas nos ministérios
e homens. Este último é avaliado como de oração/ intercessão, visitação e ação
o mais frágil. docente, terceira idade. Colocam a criativida-
A Confederação de Homens, ao de, a disponibilidade, a sensibilidade e o
participar da Avaliação, apresenta compromisso a serviço.
duas formas pelas quais os grupos Os grupos mais atuantes foram os de
societários de homens não estão atu- mulheres, jovens e juvenis (estes últimos,
ando totalmente na dimensão de Dons em algumas igrejas, formam sociedades
e Ministérios: mistas). Os de homens, aparentemente,
Em primeiro lugar, pelas próprias foram menos expressivos. Uma das manei-
limitações dos grupos societários de ras que os/as pastores/as encontraram para
homens, nem sempre bem organiza- colaborar no fortalecimento de todos os
dos nas igrejas locais fundamental- grupos é incentivar o intercâmbio com ou-
mente pela ausência de lideranças. tras igrejas (por meio de visitas) e participar
Muitas vezes, dos poucos homens de atividades distritais e/ou regionais.
ativos na igreja, os mais ativos estão Vale ressaltar que, na amostra dentre as
ocupados nas funções de liderança igrejas, recolhida pela Avaliação, o que so-
local, não se envolvendo com o grupo bressaiu é uma predominância quantitativa
societário. Depois, porque um bom de grupos de mulheres e de jovens e uma
número de pastores não simpatiza aproximação numérica entre grupos de juve-
com os grupos societários, não aju- nis e de homens. Entretanto, se levar em
dando na sua organização e até mes- conta as “sociedades mistas” de jovens e
mo impedindo ou dificultando o seu juvenis, então a diferença numérica aumenta
desenvolvimento. Por outro lado, atu- e os grupos societários de homens ocupam
am, parcialmente, devido ao entrosa- último lugar.
mento existente entre Federações e os
diversos órgãos regionais e, na igreja Considerações finais
local, onde possível, no real envolvi-
mento do grupo societário com a di- A capacidade dos grupos societários de
nâmica da igreja local. reagir à mudança, por meio das federações,
Três Federações de Jovens avaliam espaço típico da organização leiga da Igreja
que não atuam com Dons e Ministérios Metodista, revela que de forma ágil e efici-
e quatro que sim. Para estas, boa parte ente é possível realizar mudanças operacio-
da liderança das igrejas locais é com- nais na gestão eclesiástica. Estruturas orga-

146 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...
nizacionais que facilitem o processo de missionária profética contribui para ajudar
as igrejas locais e instituições a também
mudança são discutidas diariamente
cumprir, em outra dimensão e de outros
nas organizações. No entanto, o pro- modos, a mesma tarefa. (2). Fortalecer e
cesso de mudança não é simples; no promover, da esfera nacional à local, a
doutrina, identidade, unidade, conexidade
ambiente eclesial essas mudanças se
e ação missionária da Igreja Metodista.
tornam mais difíceis, uma vez que
existem muitos fatores que se inter- (B) – Nível regional. Compete aos ní-
relacionam e afetam a dinâmica da veis regionais (Região ou Campo Missio-
nário), inspirados pelas orientações e di-
mudança. retrizes da Igreja, planejar e articular a
Da mesma forma que a estrutura ação missionária em um Plano de Ação
organizacional mexe com valores teo- que atenda às características sociais e cul-
turais da área sob sua abrangência. É sua
lógicos da eclesiologia, ela também responsabilidade promover e orientar aos
afeta os valores culturais arraigados Distritos e Igrejas locais.
nas igrejas. E não podemos deixar de
(C) – Nível Distrital. O Distrito, em seu
fora a influência dos valores externos
modo de estar em missão, é um espaço
na construção de novas formas organi- no qual acontece a integração, articulação
zacionais. A influência das igrejas e promoção da ação missionária com as
igrejas locais, em conexão e solidarieda-
midiáticas – que concentram as suas
de. O Distrito Eclesiástico propicia a co-
ações na lógica de consumo, trocas munhão, a fraternidade, o compartilhar e
simbólicas e centralizadas na figura o pastoreio mútuo entre lideranças locais,
pastores/pastoras e diferentes ministé-
carismática dos clérigos – certamente
rios.
contribui para que o metodismo brasi-
leiro vivencie suas dificuldades organi- (D) – Igreja local. Vista e entendida
zacionais numa igreja de estrutura como a agência básica da ação missioná-
ria da Igreja, é decisiva a sua configura-
híbrida. ção em Dons e Ministérios. Esse é o modo
Para dirimir tais dificuldades vale a metodista de fazer missão e forma de ga-
rantir que esteja visível a ação da Igreja
pena conferir os indicativos que o
Metodista, e dessa com a Igreja Corpo de
Plano Nacional Missionário aprovado Cristo, em seu compromisso com a inte-
no último Concílio Geral, em 2006, gridade das pessoas, da coletividade e de
toda a criação. A Igreja é uma comunida-
recomenda:
de de servos e servas de Jesus Cristo, a-
(A) – Área Nacional da Igreja. nunciando e vivendo o Evangelho em atos
Em sua dimensão nacional, a Igreja de piedade, obras de misericórdia, espaço
Metodista como comunidade a ser- de adoração, acolhimento. Há um sacer-
viço do povo se expressa com estas dócio universal de todos os crentes. Os
principais competências: (1). Tornar Cânones da Igreja esclarecem sobre de-
visível a face da Igreja e audível a veres a serem cumpridos pelos membros,
sua mensagem, a sua palavra pro- sejam clérigos ou leigos. A Igreja local
fética para nosso tempo, país e con- caminha na Graça, serve com os dons,
fins da terra, em meio à global rea- produz os frutos do Reino de Deus. Ela é
lidade do mundo. A ação profética Comunidade missionária a serviço do po-
pública une a visão da Palavra e do vo, espalhando a santidade bíblica sobre
Reino com a realidade social, religi- toda a terra. Esforços e recursos precisam
osa, política, cultural, econômica e voltar-se para esta base missionária.
ética que afeta profundamente a vi-
da do povo. A responsabilidade

Revista Caminhando v. 12, n. 20, p. 135-148, jul-dez 2007 147


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148 Geoval Jacinto da SILVA e Nicanor LOPES, Igreja de Dons e Ministérios e os Grupos...