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Desenvolvimento

&
Avaliação
de Coleções

Nice Menezes
de Figueiredo

MULTIMíDIA
Nice Menezes de Figueiredo

])esenvolvllnento
&
Avaliação
de Coleções

RabislUls
Rio de Janeiro
1993
COPYRIGHT © 1993 da autora

CAPA: Anelise Rublescki

EDITORAÇÃO E IMPRESSÃO:
Rabiskus Multimídia Ltda.
Av. Gomes Freire, 663 Gr. 1102
Centro - Rio de Janeiro - RJ
Te!.: (021) 222.9188

Impresso no Brasil

FIGUEIREDO, Nice Menezes de. Desenvolvimento e avaliação de


coleções. Rio de Janeiro: Rabiskus, 1993.

184p.

1. Desenvolvimento de coleções 2. Coleção-Avaliação

CDD 025.2
CDU
APRESENTAÇÃO

or vários anos temos produzido dezenas de textos

P para a área de Biblioteconomia/Ciência da Informação


os quais, obedecendo determinadas linhas de estudo
e interesse, vieram a constituir um conjunto coerente
de conhecimento sobre o tópico desenvolvido.

Publicados como artigos em periódicos nacionais


especializados ou em anais de congressos, estes textos
acham-se dispersos na literatura. Resolvemos , assim,
agrupá-los por tópicos, oferecendo uma seqüência lógica
sobre o tema tratado. Por questões editoriais, tivemos que
efetuar uma seleção dos textos existentes.

o campo de desenvolvimento e avaliação de coleções


é apresentado inicialmente sob a denominação anterior de
"Seleção de Livros", onde oferecemos uma tradução!

J
adaptação dos capítulos iniciais da obra clássica de Helen
Haines que, apesar de ter sido publicada há quase sessenta
anos, os conceitos ali transmitidos ainda fundamentam
grande parte da atividade neste campo até hoje em dia.
Segue-se artigo que, de certa maneira, atualiza o texto
anterior, trazendo conceitos sobre compartilhamento de
recursos e técnicas bibliométricas. Dois artigos de revisão
da literatura introduzem as metodologias para avaliação de
coleções, conhecimento imprescindível para uma atuação
bibliotecária dinâmica. Seguem-se textos de ordem prática,
propondo metodologias para avaliação de coleções de
periódicos e de referência. O texto final refere-se a uma
pesquisa efetuada para a CAPES, que mostra a situação
das atividades de seleção e de aquisição em bibliotecas
universitárias brasileiras, em 1981; um estudo que precisa
ser renovado.

Esperamos que com esta contribuição possamos


colaborar para o aperfeiçoamento da atuação bibliotecária
no País.

A Autora
SUMÁRIO

Seleção de Livros
1- Introdução ... .... .............. ....... ... ............................. ... ...... ....... 9
2- O papel da coleção.... ..... .......... ......... ......... .... ...... ..... ........... 13
3- Conceitos de seleção de livros ........... ................ ............... ... 15
4- Os objetivos da biblioteca e a política de seleção ..... ............ 23
5- Definições: níveis da coleção ou códigos dos níveis da
coleção ....................................... ... .................. .... ....... ..... 30
6 - Elementos de uma declaração de política de desenvolvimento
de coleção ........................................................... ........ .. ....... 31
7 - Apresentação dos textos de Haines ........ ............ ................ .. 32
7.1 Introdução .. ..... .... ...................... .................... .................. 32
7.2 Pessoas e livros .... .. ..................... .... ............. .................. 33
7.3 Livros para as pessoas: princípios da seleção ... ..... .. ...... 36
7.4 Testando os valores do livro .......... ........... ...... ........ ... ..... 40
7.5 Testes para não ficcção .......... ....................... .. .......... ..... 43
7.6 Testes para ficção .................................... ...... .. ............... 44
8 - Referências bibliográficas........... ..................................... ..... 48

Seleção e Aquisição: da visão clássica à moderna


aplicação de técnicas Bibliométricas
1 - Introdução .......... ..... ....... ......... ............................................. 51
2 - Seleção ...... ....... ........ .. ............... .......... ................ ............ 54
2.1 Critérios para descarte ........................................... ......... 57
3 - Técnicas bibl/iométricas aplicadas ao desenvolvimento de
coleções .............................. .... .......... .......... .... ............... ... 60
4 - Aquisição ..... ............. ..... ..... ... ... .............. .... .... .... ..... ....... .... 65
4.1 Aquisição planificada e cooperativa ............. ................... 67
5 - Conclusões ........................................................................... 70
6 - Referências bibliográficas ............... .................. .......... .. .... .... 72

Avaliação de Coleções
1 - Introdução ....... ........ ....... .. .... ... ......... ........... .. ....................... 75
2 - Métodos de avaliação de coleções ......... ..... ..... ........ .. .......... 76
2.1 Compilação de estatísticas ....... ..... ....... .............. ...... .... .. 77

5
2.1 .1 Tamanho bruto... ..... ..... .... ....... ............ ... .. .. ......... 78
2.1.2 Volumes entrados por ano ... ............... .... .... .... .... 79
2.1.3 Fórmulas .... ......... ........... ..... .. .............. ..... ........... 79
2.1.4 Comparações ......... .. ............................ .. .... ......... 79
2.1.5 Equilíbrio de assuntos.. ....................... .. .... ....... .. . 79
2.1.6 Pedidos não atendidos .............. .. .. .. ........ .. .. .... .. .. 79
2.1.7 Emprésti mos entre bibl iotecas .... .. ...................... 80
2.1.8 Tamanho de excelência.. ... ...................... .. ......... 80
2.1.9 Circulação .... .. .. .. .. ... .... .. .......... .. ........ ...... .. ..... ... .. 81
2.1 .10 Gastos...................................................... ........ ... 82
2.2 Verificação de listas, catálogos e bibliografias .. .. .... ........ 83
2.2.1 Catálogos-padrão e listas gerais básicas ............. 84
2.2.2 Catálogos de bibliotecas importantes ................. . 84
2.2.3 Bibliografias especializadas e listas básicas de
assunto ............ .. ................................................. 84
2.2.4 Listas correntes ... ............................... ................ . 85
2.2.5 Obras de referência .. ..... ............................ .... .... . 85
2.2.6 Periódicos .......... ...... ........ .......................... ......... 85
2.2 .7 Listas autorizadas ................ ... .. .. ...... .......... .. .. .... 86
2.2.8 Listas para casos específicos ..... .... .. .. .... .. ..... .. ... . 86
2.2.9 Citações ............... ... ....... ................ ... ......... ...... ... 86
2.3 Obtenção da opinião dos usuários ..... .. .......... ....... .......... 87
2.3.1 Corpo docente e pesquisadores.. ........................ 89
2.3.2 Estudantes .............................. .......... .. ........... ..... 89
2.3.3 O público em geral....................... ...... .... ......... .... 89
2.3.4 Bibliotecários.... ........ ..................... .. ...... ..... .. .. ..... 90
2.4 Observação direta .............. .. .. .. .. .. ........ ...... ........ ............. 90
2.5 Apl icação de padrões.. .................... ............ ....... ........ ..... 91
2.5 .1 Verificação da adequação dos recursos totais ..... 92
2.5.2 Teste da capacidade de fornecer um documento 92
2.5.3 Teste do uso relativo de várias bibliotecas .. ........ 93
2.6 Conclusões ...... .. .. .. .... .......... ................... ............. ... ... ..... 93
3 - Referências bilbiográficas ... ... ..... .... .............. .. .. ... ...... .. ..... .... 95

Metodologias para Avaliação de Coleções, incluindo


Procedimentos para Revisão, Descarte e
Armazenamento
1 - Introdução ..... ........ ....... ................ ... ..................................... 99
2 - Glossário ............................................................ ..... .. ......... 102
3 - Metodologias para avaliação de coleções ................ .. ......... .. 103
4 - Procedimentos para revisão, desbastamento, remanejamento,
, descarte e armazenamento ............ .. ....... .. ............................ 120
5 - Referências bibliográficas .... ........... .. .... .. ...... .............. ...... .... 135

6
Seleção e Aquisição de Material em Bibliotecas
Universitárias Brasileiras
1- Introdução ......... .... ........... .. .. .. .................. ... .... ... ......... .. . ... ... 137
2- Análise do levantamento ... .... ........ ........ ...... ..... ...... ........ .. ... .. 138
3- Conclusões .. ....... ...... .......... .................................................. 148
4- Questionário aplicado para pesquisa sobre seleção e aquisição
de material bibliográfico em bibliotecas universitárias
brasileiras .......... ................ ... .. ... ............... ... .............. ... ..... .. 149

Metodologia para Avaliação de Coleções de Periódi-


cos em Bibliotecas Universitárias
1 - Introdução ............................................................................ 157
2 - Proposta de metodologia para avaliação das coleções de
periódicos nas bibliotecas universitárias brasileiras ......... ..... 160
2.1 Objetivo .................................................... ......... ............. 160
2.2 Metodologia ....... ............................ ....... ....... .... .......... ..... 160
2.3 Material ...... .......... ..................................... ........ ...... .. ...... 160
2.4 Métodos ............ ............ .................................. ................ 161
2.4.1 Preenchimento de formulários ..... ............ .......... . 161
2.4 .2 Rotina para tabulação .............. .. ............... .. ........ 161

Avaliação da Coleção de Referência nas Bibliotecas


Universitárias Brasileiras: Proposta de Metodologia
1- Introdução ....................... ............ .................. ............. ......... . 167
2- Justificativa .... ............. ................ .. ................... ....... .... ... ...... . 169
3- Objetivo geral ............................................... ........... ...... ..... :. 170
4- Objetivos específicos ............................ ................... .......... ... 170
5- Especificação das metas ................................. ............... ...... 170
6- Fases do projeto .................................................. ........ ;~ ...-.... 172
6.1 Planejamento .......................... .. ................. ............... ...... 172
6.2 Execução ................................. ....................................... 172
6.3 Avaliação ........... .. .............. .... ......................................... 172
7 - Referências bibliográficas.................... .. ............... .. .............. 173

Avaliação das Coleções de Referência nas


Bibliotecas Brasileiras:
Uma Proposta de Metodologia................................. 175
Referências bibliográficas.............................................. ............. 183

7
SELEÇÃO DE LIVROS

1 - INTRODUÇÃO

É atribuído a Gabriel Naudé no seu livro publicado em 1627: Avís


pourdresser une bíblíotehéque, considerado como o primeiro tratado de
biblioteconomia, o trabalho de ter condensado a informação até então
esparsa e indefinida sobre o assunto, e de ter discutido extensivaménte
os princípios de seleção de livros.
A reação inicial ao livro de Naudé foi bastante fria e o seu trabalho
não mereceu maiores considerações dos círculos intelectuais da época.
Gradualmente, e à medida que ia construindo a sua reputação, com um
trabalho bibliográfico cuidadoso, a contribuição de Naudé começou a
ser notada, e o seu livro se tornou o ponto de partida para os
pensamentos subseqüentes em torno da seleção de livros.
Em obras publicadas ainda no século XVII, era declarado que "a arte
de constituire organizar uma biblioteca requermais do que as modestas
práticas de um vendedor de livros; o bibliotecário, na verdade, tem que
conhecer tanto livros como pessoas, o bastante para fornecer os livros
apropriados para os seus leitores, sem hesitação, assim como os
farmacêuticos têm que conhecertanto as drogas como as pessoas para
prescreverem as drogas necessárias aos seus pacientes". 6

9
A atividade de selecionar livros nasceu então numa época de
mudanças, e quando a própria natureza da biblioteconomia estava
sendo formatizada. Seleção de livros tem sido considerado como uma
das atividades básicas do bibliotecário, uma arte tão profundamente
específica deste profissional , que nenhum bibliotecário poderia sentir-
se realizado se não estivesse, de alguma maneira , praticando esta
"arte". 21
Autores sobre o assunto têm sempre procurado enfatizar esta
atividade como uma das bases fundamentais do profissional bibliotecário.
Shera considera o bibliotecário, primeiramente, como um bibliófilo, e
"como sua responsabilidade básica, a de colocar nas estantes da sua
biblioteca aqueles livros que mais contribuem para o crescimento
intelectual da sua clientela".22
Spiller, na sua obra sobre a seleção de livros, declarou que
"juntamente com o trabalho de referência, de aconselhamento de
leitoras, a seleção de livros representa a esfera da biblioteconomia que
distingue a profissão de muitas outras ocupações administrativas". 24
Spiller comenta a controvérsia existente no passado sobre a atividade
de seleção, se é uma "arte" ou "ciência". A definição desta atividade
- como uma "arte" data do século XVII, e tem-se mantido através dos
séculos, sendo ainda definida porWheeler & Goldhor, na obra clássica
Practical administration of public libraries, publicada em 1962. Por outro
lado, Metcalf, como citado por Edelman, dizia que seleção "é a mais
importante atividade pela qual o bibliotecário é responsável" . 7
Spiller critica a tendência de ter se considerado esta atividade como
uma arte: "foi uma tendência enganadora, pois "arte" pressupõe uma
atividade para a qual se requer uma inclinação, um jeito especial, um
certo grau de habilidade ou mesmo de mística, que é inatingível por
aqueles não dotados do toque mágico". Ele segue criticando os
bibliotecários por terem-se permitido, por um tempo demasiadamente
longo, permanecer escudados atrás desta definição vaga e imprecisa,
e por terem dado demasiada importância a essa definição. Concorda
que não se pode negar o valorda experiência, e sua influência, junto ao
instinto natural, para a seleção correta - assim como um sexto sentido
- mas termina dizendo que seleção é, primeiramente , um problema de
organização. 24
Broadus reafirma que "uma seleção inteligente envolve uma vida
inteira estudando pessoas e materiais" (não se prende a livros somente).
Acrescenta ele, que, "desenvolver e modelar a coleção de uma
biblioteca é o coração da biblioteconomia , envolvendo a filosofia
essencial da profissão .3
Um editorial do Library Journal, publicado em 1 de janeiro de 1960,
declara que "seleção de livros é a mais importante, mais interessante
e mais difícil responsabilidade do profissional bibliotecário".

10
No prefácio da 4a edição do livro de Carter/Bonk & Magrill Buíldíng
líbrary co/lectíons, Ulveling corrobora o pensamento de Spiller acima,
dizendo: "Juntamente com orientação de leitores, seleção de livros é o
ápice profissional da biblioteconomia . Todas as outras atividades não
são mais do que funções de suporte. O fato de muitas vezes, aquelas
funções auxiliares terem tido uma atenção desproporcional na literatura,
é de ser deplorado". 5
Na introdução desta obra, livro texto utilizado pela maioria das
escolas de Biblioteconomia americanas, os autores chamam a atenção
para o fato de que, "a atividade fundamental do bibliotecário é realizada
de maneira tão reservada e discreta (a leitura atenta de um período
bibliográfico em um canto quieto de sala) que um observador pode
interpretá-Ia de maneira errada , e interpretar também erroneamente o
papel de bibliotecário". 5
O que Shera chama de "a responsabilidade ímpar do bibliotecário"
(The líbrarían 's uníque responsabílífy) é a de atuar como "um mediador
entre o homem e os registros gráficos que a sua e a geração que o
precedeu produziu". E que "a meta do bibliotecário é a de maximizar a
utilidade social dos registros gráficos para o benefício da humanidade". 23
E ele acrescenta: "o melhor que o bibliotecário pode fazer para facilitar
um contato frutífero é se utilizar amplamente de todos os recursos para
garantir o mais possível que os melhores materiais para cada obj etivo
em particular, encontre o caminho para o leitor".23
Da mesma maneira como Shera critica o fato de o bibliotecário ter-
se afastado da bibliografia (The líbrarían's refreaf from bíblíography)
dando maior atenção a áreas para as quais não estava equipado para
atuar - mas que lhe ofereceriam maior nível social - ele também se
refere à falha do bibliotecário em não ter sido capaz de desenvolver um
relacionamento realmente profissional com o leitor, de não ter sabido
atuar como um intermediário entre o leitor e a informação. E ele cita
Bundy & Wasserman quando eles declaram que o bibliotecário
acomodou -se a esta situação "pelo fato de que tem pequeno
conhecimento sobre muitas coisas, mas não possui entendimento
verdadeiro sobre coisa alguma".23
Deste modo, Shera veio reforçar as declarações dos autores
anteriormente citados, e foi mais adiante, procurando explicar o porquê
da negligência dos bibliotecários com relação à atividade de seleção,
pois que, embora considerada um conhecimento básico e característico
do bibliotecário, tem sido relegada em favorde atividades não tipicamente
biblioteconômicas. É de se lembrar a explicação oferecida por Spiller
(acomodação, pois que seleção era considerada uma "arte" que somente
poucos poderiam realizar) e o fato mencionado por Ulveling, da
preponderância da literatura em outras áreas, que não nesta, típica de

11
bibliotecári os. Spiller oferece outro dado sob este aspecto, quando
menciona que "não fo i publicad o nenhum livro na Inglaterra sobre o
assunto, nos últimos v inte anos". 24
Em um artigo datado de 1968, Sable fala da "morte da seleção de
livros como uma prática biblioteconômica que vem morrendo nas duas
últimas décadas, e que agora o fim se comp letou: seleção de livros não
existe mais".21 E ele apóia a sua afirmação em vários fatores :

a - os avanços técnicos da Biblioteconomia, cuja nomenclatura


evita "seleção de livros"; somente aqueles que definem
Biblioteconomia na sua maneira li mitada etradicional olharão
para a seleção de livros e as suas finalidades;
b - a afluência da economia americana, na época, quando as
bibliotecas foram beneficiadas com amplos recursos (seleção
tornou-se uma necessidade secu ndá ria);
c - mesmo as bibliotecas com pequenos recursos vieram a se
beneficiar com o apoio oferecido pel os sistemas regionais
e sistemas locais de universidades, agências das bibliotecas
estaduais e outros projetos bi bli ot ecários . de âmbito
municipal, estadual e federal.
d - a multiplicidade de termos para designar o bibliotecário:
especialista da informação , documentalista, etc ... e que
este "novo bibliotecário" pode não lidar apenas com livros,
mas ele não mais seleciona livros. 21

Diz Sable que, com este apoio, "a biblioteca pública pode fornecer
praticamente quase tudo que qualquer leitor desej e, e a seleção, assim,
se torna dispensável" . 21 .
Mas este artigo deve ter mostrado uma posi ção muito individual e
discutido uma situação extrema mente passageira, pois, em outro
artig o, somente sete anos depois, Bone aponta um quadro totalmente
diferente: "por motivo de uma cha mada "fase prolongada" de baixa
econômica , as bibliotecas americanas esta riam necessitando dar maior
importância a uma cuidadosa seleção de livros e desenvolvimento da
coleção".2 E o autor chama a atenção para o fato de que , mais do que
nunca, este aspecto importante de responsabilidade do bibliotecário,
não deve ser relegado humildemente a ning uém mais (o "novo
bibliotecário" mencionado por Sable?).
E Bone conti nua, declarando que o profissional selecionador de
livros deve estar pronto para atestar a sua posição:
"Os bibliotecários de biblioteca pública dev em estar preparados
para dizer que eles não podem cede r a cada demanda feita pelo público,

12
que o material selecionado para assuas coleções deve, necessariamente,
ser consistente com as metas e objetivos da instituição, para as quais
a comunidade teve participação para serem formuladas; os bibliotecários
de bibliotecas acadêmicas devem estar preparados para dizer à
administração e ao corpo docente das universidades e faculdades que
os bibliotecários também entendem de objetivos educacionais e são
largamente educados para ajudar a atender a estes objetivos, com
práticas profissionais e con hecimentos de assuntos; os bibliotecários de
bibliotecas escolares devem esta r preparados para dizer aos
administradores escolares e às suas comunidades que não somente
entendem do processo educacional, mas também da variedade de
recursos que podem ajudar os jovens a aprenderem". 68
Este papel, termina Bone, exigirá "indivíduos do mais alto calibre
intelectual , que continuarão a ler e a se auto-educarem , que
permanecerão sensíveis às necessidades dos seus clientes, que serão
dedicados aos seus altos padrões profissionais.2
Em um artigo cons iderado cláss ico na literatura e ai nda
absolutamente atua l e adequado à situação mundial , apesarde ter sido
escrito há 30 anos, Monroe alerta os bibliotecários para o papel que
deve ser desempenhado pela biblioteca , ou especificamente neste
caso, pela coleção da biblioteca, num tempo que ela chamou "de crise".
E, de certa maneira como iremos ver, a autora foi capaz de prever a
importância e o valor que teria a informação para a própria sobrevivência
individual, nas décadas seguintes. Ou seja, ela foi capaz de predizer o
fato de que na década de 1980, informação era considerada sinônimo
de poder, e quem quer que seja que controla a informação terá poder,
pois esta é a "era da informação" (the information age).
Escrevia Monroe, profeticamente, em 1962:

2 ~ O PAPEL DA COLEÇÃO

UEm primeIro lugar, a cOleçao ae biblioteca contribui com informação.


Deve ir ao encontro das demandas de informação, feitas pelos indivíduos
e pela sociedade, por causa da crise . A demanda do desempregado
para livros de retreinamento de práticas vocacionais deve ser atendida,
bem como as demandas do empregador, por materiais para auxiliar nas
mudanças e ad aptações dentro de plantas industriais. Os problemas
criados para os indivíduos, por causa de uma crise pública, devem ser
encaminhados para solução através da provisão da informação.
Segundo , a crise política, ela mesma, deve ser entendida, e a
bibli oteca deve contri buir para um programa de educação pública
fornecendo informação e co nhecimento, análise variadas do problema
e su as soluções correspondentes. Isto deve ser disponível nos diversos
, 13
níveis de entendimento requerido pela comunidade a ser servida .
Jovens, adultos e cidadãos idosos têm diferentes abordagens para os
problemas e materiais de diferentes pontos de vista devem estar
disponíveis.
Terceiro, recursos para pesquisa, com vistas a aliviar a crise
pública , devem estar disponíveis. Até que a crise passe, há esperança
para uma solução útil, e informação é a matéria básica para o pesquisador.
Além do possível suprimento de informação, a coleção da biblioteca
deve dar atenção à crise pública de maneira condizente à sua solução '
adequada . A disponibilidade de títulos importantes, sua promoção
através de exposições, a interpretação de seu significado através de
listas de leitura , discussões sobre livros, palestras, estão entre as
maneiras de assegurar o uso da coleção da biblioteca para a solução do
problema.
Finalmente, a coleção da biblioteca deve ser usada com leitores
individuais para chamar a atenção a aspectos importantes do problema .
Isto é essencial para a opinião pública informada e para presteza em
decisões e ações. Esta é a função educacional da co leção da biblioteca,
a qual é dirigida para responder às necessidades das mentes
inquiridoras".27
Haines, numa obra clássica escrita há 55 anos (a primeira edição do
Living with books) e ainda perfeitamente válida nos princípios essenciais
traçados para a atividade de seleção de livros, assim resumiu o papel
do bibliotecário, como bibliófilo e colecionador de livros, escrevendo
com grande sensibilidade e belo estilo literário:
"Biblioteconomia é a única profissão que se devota a colocar livros
na vida de todo o público do mundo. Os materiais com que os
bibliotecários trabalham são os materiais que fornecem o entendimento,
conhecimento e a razão, que podem informar a mente e dirigi r a ·
vontade para enfrentar os desafios do tempo, para nos adaptarmos às
suas compulsões, para discernir e guiar as forças que moldam o
futuro" . 14
Parece-nos que, após tudo o que foi dito aqui, só nos cabe lamentar,
como fizeram todos anteriormente, o abandono a que foi relegada a
atividade e a disciplina de seleção, entre os bibliotecários brasileiros . .
Conforme levantamento da CAPES, somente sete escolas das 29
levantadas, possuem um curso isolado de seleção. As outras, ou a
maioria absoluta trata deste aspecto básico , essencial e característico
da formação do bibliotecário apenas como um tópico dentro da disciplina
de organização e administração de bibliotecas, supomos.
Se a escola não ensina como deve, isto é, enfatizando a importância
de tal conhecimento, não õ trata como um atributo típico e ímpar do
profissional bibliotecário, como poderemos exigir que o profissional, na
vida prática , tenha meios para bem desempenhar esta tarefa-chave?

14
Por outro lado, como ensina r ao profissional, se são de todo inexistentes
textos na nossa língua e adaptados às nossas próprias necessidades de
desenvolvimento?
Ainda no levantamento rea lizado pela CAPES, anotamos a existência
de 22 textos em português, distribuídos entre artigos apresentados em
congressos, artigos de periódicos, traduções, folhetos, partes ou capítulos
traduzidos de textos não especializados em seleção; nove textos em
espanhol , entre livros, artigos , folhetos e partes de obras não
especializadas; em francês verificamos a existência de sete textos,
entre livros e partes de obras não especializadas, e em inglês, notamos
a existência de 17 textos, entre livros, artigos e obras não especializadas,
além de artigo de enciclopédia.
Um estudo mais detalhado nos levaria ao levantamento individual
das bibliografias utilizadas nos sete cursos mencionados, mas
acreditamos não ser necessário chegar a esta especificação. O quadro
apontado já nos parece suficiente para comprovarmos a assertiva
acima , de que são de todo inexistentes textos adequados, na nossa
língua, à disciplina de seleção de livros.
Os 22 textos em português do levantamento acima, em conjunto,
não serviriam de base para um curso para seleção de livros, pois não
tocaram em princípios ou conceitos, normas ou políticas de seleção,
mas sim, em aspectos secundários, sendo abordados de maneira
apenas superficial, sem qualquer valor didático maior para o ensino de
seleção*.
O resultado desta negligência e a acomodação dela resultante , ou
a negligência resultando da acomodação, ou, ainda, a falta de percepção
para a importância da atividade de seleção, na vida profissional çlo
bibliotecário, veio a se constituir numa das origens do problema sentido
hoje em dia pela classe : a falta de reconhecimento da profissão e dos
serviços bibliotecários, que são considerados tão dispensáveis quanto
as coleções de bibliotecas - por sua vez, representativas do profissiona l
bibliotecário e dos serviços bibliotecários .. .
Procuramos trazer aqui, portanto, uma contribuição para auxiliar o
despertar da profissão para a necessidade de efetivo exercício desta
atividade elevada etípica do verdadeiro profissional em Biblioteconomia .

3 - CONCEITOS DE SELEÇÃO DE LIVROS

Para esta parte do nosso trabalho faremos uso do texto clássico de


Helen Haines, Líving with books, do qual traduzimos e adaptamos a
Introdução e os Capítulos 1,11 e 111, que se seguem neste trabalho .

15
Vale a pena comentar o texto de Haines e confrontá-lo com outros
mais atuais, o que fará apenas reforçar tudo o que ela expressou de
maneira tão bonita, há tantos anos atrás, e que hoje em dia representa
ainda a base de toda a atividade de seleção.
Na introdução, Haines faz considerações sobre o valor da leitura,
dos benefícios que podem ser obtidos, como diz ela "através do simples
atode leitura". Oqueela afirmava então, é, hoje emdia, fato comprovado
em inúmeros estudos, pesquisas, dissertações e teses, nas áreas de
Educação, Psicologia, Comunicação, etc. O Library Trends publicou,
em 1975, uma revisão intitulada: Reaserch in lhe fields Df reading and
communication, enquanto o Advances in Librarianship apresentou um
levantamento denominado The impacl of reading on human behavior,
e outro, em 1974, intitulado The use of resources in lhe learning
experience.
É um tópico atualíssimo, mormente quando se procura provar os
males da televisão, confrontando-se os benefícios da leitura conduzida
criteriosamente. .
No capítulo I, Haines levanta um dos pontos mais correntes hoje em
dia, ou seja, a necessidade de que os serviços bibliotecários visem,
primordialmente, aqueles a quem eles são dirigidos. Segundo ela
"somente quando a biblioteca relaciona e integra as influências variadas
e o uso dos livros com os interesses e atividades variadas da vida
humana é que ela preenche o seu objetivo moderno".
Assim, ela levanta o papel da biblioteca pública na vida da
comunidade, detalha as maneiras de como descobrir as necessidades
da comunidade e, ainda, chama a atenção para a cooperação
indispensável entre todas as instituições de ensino da comunidade para
que a biblioteca possa cumprir aquele objetivo moderno de servir à sua
clientela da melhor maneira possível. São conceitos-chaves que
perduram até hoje e são insistentemente lembrados e citados na nossa
literatura especializada.
Wellard, numa obra publicada apenas dois anos após o Living wilh
books em 1937, escreveu um capítulo magistral e até hoje valioso sobre
o estudo da comunidade, que deve serestudado portodos os interessados
no assunto; comenta ele sobre o problema da seleção de livros: "Deve-
se admitir que os livros, afinal de contas, são escritos para serem lidos
por leitores reais, não hipotéticos; desta maneira o conhecimento
destes leitores deve ser levado em conta quando fazemos a análise de
um livro para o selecionarmos para a biblioteca".27
No entanto, até hoje, parece não haver uma fórmula certa para
estes estudos de comunidade, muita coisa ainda deixando a desejar
quanto aos resultados obtidos. Assim, um autor mais atual comenta:
"Nosso problema é que na verdade, não sabemos, nem nesta era de

16
automação, o que as pessoas querem ler; muitos não sabem eles
mesmos o que querem ler, até que encontram o livro".11 E aqui nos
ocorre uma analogia com o serviço de referência: o fato de que muitos
usuários não sabem exatamente o que perguntar, senão quando já
estão quase perto da obtenção da resposta . Disto se conclui que muito
pouca coisa é ainda conhecida sobre o comportamento, as reações e
as associações da mente humana, ou das pessoas propriamente ditas.
Daí, talvez, o problema básico, cerne de todo o serviço bibliotecário,
que tem por princípio atender às necessidades de informação reais e
em potencial de pessoas.
Haines identifica dois fatores básicos no planejamento da coleção:
fornecimento e demanda - conceitos debatidos até hoje. Sable comenta
que: "sugerir que a biblioteca deva adquirir todos os títulos que
aparecem na lista de os mais vendidos é o mesmo que sugerir que os
usuários sabem dirigir a biblioteca melhor que os bibliotecários". 21
Por outro lado, outro autor, Cabeceiras, discute as três diretrizes de
seleção, quais sejam: selecionar apenas o melhor livro, ou o de maior
demanda ou o de menor custo.
Ele levanta pontos pertinentes, também levantados por outros
autores. Assim quanto à aquisição apenas do melhor livro, isto envolve,
logicamente, muita subjetividade por parte do selecionador que,
possivelmente, correrá o risco de incursionar pelo terreno da censura.
E esta teoria poderá levar o selecionador a incorrer na falha de estar
selecionando livros que não respondem às necessidades da comunidade
e, então, se pergunta: de que adianta ter uma biblioteca de melhores
livros, se eles não são usados, ou o são muito pouco?
A segunda teoria, pode levar a outro extremo, isto é, a de ficarmos
com uma coleção de lixo literário, mas que se justifica por ser a
demanda dos usuários. Obviamente, conclui o autor, é necessário
flexibilidade em selecionar o melhor versus o que é mais demandado.
Quanto ao custo menor, esta teoria mantém que ambas as teorias
anteriores pode ser atendidas se todos os livros selecionados tiverem
como consideração primária a versão menos cara de cada livro em
particular. Um uso integral desta teoria levaria a coleção da biblioteca
para uma situação de livros de aspecto desagradável, não só fisicamente
como também quanto ao conteúdo. "Estas teorias merecem consideração
por parte do bibliotecário e são essenciais para se formular a política de
seleção", conclui Cabeceiras. 4
Outro autor mais moderno também faz observações a respeito
deste aspecto da seleção, e acrescenta: "cuidado com o bibliotecário
que diz: eu acho que deveríamos ter (teríamos a obrigação de ter)

17
aquele livro. Selecionar livros com base no prestígio é má seleção de
livros. Um livro adquirido por um preço 30% mais barato será um
desperdício de dinheiro, se ele não vier a ser adquirido pelo preço
total" . "
Ainda sobre este problema de demanda, She ra nos oferece as
considerações a seguir. Diz ele : "é na biblioteca pública que os
problemas de seleção se tornam mais difíceis. Os seus objetivos são
muito menos bem definidos do que aqueles de outros tipos de bibliotecas
e, frequentemente, ela não possui o lastro de conhecimento que as
outras comunidades acadêmicas e de pesquisa podem fornecer. Como
consequência, duas escolas de pensamento se desenvolveram a
respeito da seleção de livros para bibliotecas públicas. A primeira que
foi chamada de teoria de demanda, mantém que, por motivo de ser a
biblioteca pública uma instituição pública mantida por um tesouro
municipal, ela deve responder às demandas do público ao qual deve
supostamente servir, isto é, deve dar ao público Q que ele quer. A teoria
contrária a esta é a teoria do valor, que mantém que é responsabilidade
do bibliotecário estocar apenas "os melhores livros". Mas esta filosofia
levanta a questão: quais livros são melhores" para quais propósitos, e
para quem? No fim, o bibliotecário deve apoiar-se na filosofia de "o que
a biblioteca deve ser", e suplementá-Ia com o seu próprio julgamento,
senso de valores e gosto literário".22
Devem-se salientar, também, dois pontos levantados por Haines,
com relação ao bibliotecário, na sua atitude como profissional: deve ler
regularmente um jornal diário, isto é, o bibliotecário é um profissional
que tem necessidade de estar atualizado com o que ocorre no seu
âmbito de trabalho, na sua cidade, no seu país, no mundo. Somente
assim terá ele a possibilidade de prever a demanda que haverá sobre
os seus serviços - uma questão chave para o bom serviço bibliotecário
- além de, é lógico, esta leitura constituir-se numa base sólida para o seu
próprio desenvolvimento e o crescimento intelectual. Diz ela, também,
que o bibliotecário precisa ter "um interesse genuíno e simpatia pelas
pessoas"; hoje em dia, diríamos que o bibliotecário precisa ter empatia,
saber entender a linguagem corporal dos seus usuários, e assim por
diante. Mas o que ela preconizava era, simplesmente, que aquele que
não tem aptidão para o trato com as pessoas não deveria ser bibliotecário ,
pois que as pessoas e as suas necessidades de leitura e/ou de
informação são o próprio sentido do serviço bibliotecário.
Segundo este conceito, no capítulo II ela chama a atenção para isto:
"o bibliotecário que olha a sempre mutável multidão de leitores somente
como um fluxo interminável de estúpidos irracionais consumidores do

18
trivial e do baixo deve procurar outra profissão" . É uma maneira muito
clara e bastante forte para alertar aqueles que não tem simpatia por
pessoas a que não entrem nesta profissão de prestação de serviços a
pessoas. À época em que escreveu o livro, vigorava este conceito de
que leitores de biblioteca pública era uma massa que não deveria
merecer maiores considerações por parte dos bibliotecários - idéia que
Haines tentou corrigir com os dizeres acima.
De fato , aos bibliotecários de biblioteca pública cabe o papel de
educadores, e a importância e o valor da sua tarefa são inestimáveis.
Entre nós, existe, hoje emdia, também um certotipode menosprezo por ·
este tipo de bibliotecário, valorizando-se mais aqueles que trabalham
em bibliotecas universitárias e especializadas. É um erro que nos ·
parece bastante grave, pois que, num país em fase de desenvolvimento,
o trabalho que pode ser prestado pelos bibliotecários das bibliotecas
públicas pode ser muito mais relevante, importante e útil ao país como .
um todo, do que aquele prestado a uma pequena minoria, a pequena .
elite intelectual da nação. É a maioria tida como educacionalmente
inferior - que é a nossa massa de população - que deve merecer um
maior apoio e auxílio, e aos bibliotecários de bibliotecas públicas que
recebem esta massa realmente nossa, cabe maior consideração por
parte dos seus colegas de classe, já que estão na tarefa de tentarelevar
o nível de desenvolvimento da população através "do simples ato da
leitura".
A admoestação de Haines aos bibliotecários de biblioteca pública
que "olham a sempre mutável multidão de leitores somente como um
fluxo interminável de estúpidos e irracionais" foi corroborada por
Wellard, quando. se referiu ao "leitor-padrão", uma idéia existente na
época . Se fosse possível estabelecero tipo de leitor-padrão de biblioteca
pública, seria possível também estabelecerem-se coleções e serviços
para este público homogêneo; mas os estudos de usuários ou de
comunidade, dos quais Wellard foi um dos pioneiros, mostraram que
não há leitor-padrão, mas sim, cada leitor varia de acordo com a sua
necessidade do momento . Wellard aconselhou os bibliotecários a
evitarem este conceito de leitor-padrão, de uma lado, e os tipos
generalizados de leitores indicado pelas estatísticas da biblioteca, que
nada mostram dos leitores propriamente ditos, de outro. 27
Shera também tratou do mesmo problema, referindo-se ao "leitor
geral" como se existisse, diz ele, "um tipo de espécime biológico ou
psicológico que pudesse ser identificado, caracterizado e motivado de
maneira particular. Mas este leitor generalizado não existe, da mesma
maneira como não existe o homem econômico. Cada, leitor é "especial",
aos seus próprios olhos, e deve ser assim tratado pelo bibliotecário.22

19
No texto a seguir, Haines oferece alguns exemplos simples e
básicos para pequenos exercícios de avaliação de coleções que são
altamente recomendáveis às nossas bibliotecas, no nível em que se
encontram. Vale acrescentar que, dentro deste campo de assunto de
avaliação, a literatura que mais de perto diz respeito aos nossos
problemas é aquela de 1930, 40 e 50. A partir dos anos sessenta, com
a implantação do computador nas bibliotecas americanas, os métodos
de avaliação de coleções e/ou de serviços se tornaram extremamente
complexos e sofisticados e, portanto, não mais aplicáveis às nossas
necessidades atuais.
Os doze princípios traçados por Haines para a seleção de livros
representam, ainda hoje, as linhas mestras, os pilares da atividade de
seleção em bibliotecas públicas, aplicáveis muito deles a outros tipos
de bibliotecas.
O capítulo 111 é, talvez, o mais importante, pois que nele estão
traçadas as diretrizes para o trabalho do dia-a-dia do bibliotecário
colecionadorde livros. Os testes preconizados porHainessão utilizados
até hoje pelos bibliotecários americanos, e, segundo Lyman, "vinte e
cinco anos após a publicação do livro de Haines, a seleção se estende
por formatos inumeráveis, assuntos e ambientes mutáveis. Os critérios
mudaram, mas os princípios essenciais permaneceram. Os bibliotecários
continuam a considerar úteis os testes, como foram preconizados por
Haines".16
Ela chama atenção para o problema da "coleção bem equilibrada"
- um conceito também existente na época e, que já não era mais
considerado válido. Consistia em que a biblioteca, tendo um pouco de
cada coisa, acabava não tendo o suficiente para atender à demanda em
certas áreas, ou tendo demais para cobrir assuntos sem qualquer
demanda da comunidade. Assim, ela definia como mais válida "uma
coleção desenvolvida cuidadosamente, para suprir a demanda do
público mais evidente".
Wellard, por sua vez, também tocou neste conceito, dizendo que
coleção bem equilibrada "é uma teoria que deve serdesafiada. Existem,
naturalmente, livros clássicos e eruditos que devem ser encontrados
em toda biblioteca pública. Mas eles não devem "lá estar por serem
eruditos, mas porque são potencialmente úteis a um grupo conhecido
de leitores. Utilidade é um conceito fora de dúvida".27 E acrescenta:
"esta coleção equilibrada acaba sendo nada mais nada menos do que
o reflexo dos gostos, desgostos e indiferença do bibliotecário" . 27
Completeza, um outro conceito que era corrente na época, e que
hoje em dia não é mais aceito. A coleção deve ser desenvolvida de

20
acordo com um plano definido numa ampla base de generalizações, já
dizia Haines.
Segundo Wellard, "o problema da seleção de livros é fornecer ao
leitor, cujos interesses e capacidade são conhecidas, o livro que se
ajustar àqueles interesses e capacidades melhor do que qualquer outro
livro".27 Outro autor, Thompson, discorda da linha traçada por Haines,
dizendo que "deve haver algum método de seleção, mas não deve
necessariamente ser a seleção de livros individuais. Devemos procurar
uma política básica, pela qual separamos, em geral, o mais urgentemente
necessário do menos urgentemente necessário. Devemos lidar com
generalidades, pois, se lidarmos com especificidade, otempo consumido
pode ser equivalente ao custo de uma cobertura completa de campos
pertinentes para a biblioteca".26
Um conceito básico salientado e repetido por Haines no texto diz
respeito à cooperação estreita que deve ser mantida pela biblioteca e
demais entidades da comunidade para atender às necessidades dos
seus usuários. Novamente, é um tópico atualíssimo, pois nada mais
objetivaram as cooperativas de biblioteca, os sistemas, consórcios e
redes criadas nestas últimas décadas.
Na época na qual o livro foi escrito, os Estados Unidos atravessavam
uma época difícil, reerguendo-se da recessão histórica do fim dos anos
vinte, e as incertezas e as inseguranças eram muitas. Também o futuro
não parecia muito promissor, "sob o espectro da alucinação atômica".
De maneira muito semelhante como o fez Monroe, anos mais tarde, no
seu texto inspirado Haines coloca sobre o bibliotecário uma grande
responsabilidade: a de, "conhecendo e utilizando livros, esclarecer
preconceitos, ampliar o entendimento de questões vitais, fortalecer a
aceitação pública e praticar a cooperação e a tolerância entre as nações
como único solvente de muitos problemas tensos e persistentes da vida
de hoje". E ela finaliza alertando para os problemas da censura que,
anos mais tarde, iria abalar a democracia americana, na época que
ficou conhecida com de "McCarthismo".
Haines discorre, a seguir, em detalhes, sobre os testes para ficção
e não ficção, após delinear as divisões básicas às quais os livros podem
.pertencer, como base à atividade de seleção.
É realmente , uma atividade das mais difíceis e elevadas realizada
pelo bibliotecário, o ter que decidir sobre se o livro merece, ou não, por
seu valor, ser incorporado à coleção já existente. Até hoje, este assunto
ainda suscita dílemas.
Num texto mais atual, Gill comenta que "a maior parte da seleção
de livros é ainda feita na base do palpite, um amálgama de experiência

21
baseada em trabalho com usuários, sensibilidade para as diretrizes e
estilos dos interesses populares, e preconceito puro de nossa parte" . 11
Taube, um outro autor clássico, tem as seguintes considerações
sobre este aspecto de seleção: é possível distinguir cinco critérios
relativamente independentes que determinam as políticas de seleção
de livros, a saber: o aditivo, o de referência, o crítico, o documentário
e o monetário.
Um livro tem um valor positivo quando a sua adição na biblioteca
aumenta o tamanho da biblioteca, mas um livro tem diferentes valores
aditivos para diferentes bibliotecas. A relevância do valor aditivo à
prática de seleção de livros é ilustrada pelo fato de que as bibliotecas
são classificadé;ls pelos tamanhos de suas coleções. Assim, antes que
um livro possa ter um valor aditivo para coleções especiais, ele deve ter
um certo tipo de impressão, ser escrito numa época especial , ou ser
publicado em algum lugar especial.
Todo livro tem algum valor como referência, mas ograu em que ele
serve a este propósito determina o seu valor como obra de referência
e sua seleção pelas bibliotecas.
Por "valor crítico" subentende-se o valor usualmente conferido em
julgamento que críticos, recensões ou bibliotecários fazem a respeito
de livros comuns. Em geral, existe uma concordância ampla a respeito
de valores de livros, entre autoridades competentes, e somente no que
diz respeito aos aspectos secundários que desacordos podem aparecer.
Qualquer tipo de material impresso ou manuscrito tem valor
documentário, se puder ser usado pelo historiador literário, político ou
social. Acredita-se que os valores "aditivos" e "documentário" tendem
a coincidir. O valor documentário de qualquer tipo de material tende a
aumentar ou a cair, de acordo com as mudanças das tendências, e os
problemas de erudição podem variar em diferentes instituições e
regiões, dependendo dos interesses dos eruditos locais.
O valor monetário é o denominador comum de todos os Iivros. 25
A seguir, Haines toca em dois outros princípios básicos de seleção:
"selecione livros que tendam ao desenvolvimento e enriquecimento da
vida" e "deixe que a base da seleção seja positiva, não negativa".
Wellard também tem um comentário bastante objetivo a este respeito:
"a seleção de livros, diferentemente da crítica literária, diz respeito tanto
ao leitor quanto ao livro. O grande problema - não é um dilema - do
selecionador, é observar o equilíbrio entre o princípio utilitário, isto é, as
reais necessidades de leitura, interesses e habilidade da clientela total
da biblioteca e o princípio humanístico baseado nos padrões literários". 27
Shera também toca neste assunto, dizendo apenas: "nem todos os
livros têm valor permanente, e livros demais não têm valor algum". 22

22
Outro autor nos traz uma idéia altamente prática: "nós temos que
evitar a atitude superior de que a nossa seleção de livros deva voltar-
se apenas para os livros de alto nível, e que temos que nos desculpar
pelo resto. Se adquirirmos apenas livros de alto padrão, nós teremos
uma coleção pequena e muito poucos leitores". Ou ainda: "nós estamos
gastando dinheiro público. Um livro na cabeceira do leitor equivale a
dois na estante de títulos encomendados pelo bibliotecário" . 11
São finais as palavras de Shera sobre este assunto: "uma biblioteca
não é meramente um aglomerado de livros colocados juntos por uma
série de circunstâncias fortuitas, mas uma criação significativa, projetada
para, intencionalmente, estimular no usuário uma atividade cerebral" .22
E, éomo Haines, ele atribui ao bibliotecário a "responsabilidade de
trazer o melhor do mundo dos livros para o usuário, nas maneiras que
mais aproximadamente satisfaçam necessidades, pressupondo ,
naturalmente, que aquelas necessidades são legítimas e não hostis aos
melhores interesses e bem-estar da sociedade". 22
Chamam a atenção as considerações feitas a respeito da leitura
técnica do livro, bem diferente daquela mais simples para a tarefa de
catalogação. De maneira clara, fica demonstrado o trabalho profundo
e cuidadoso que deve ser desenvolvido para a análise do livro com a
finalidade de seleção, para a decisão de acrescentar-se ou não um novo
título à coleção.
Haines termina o capítulo enfatizando a necessidade de o
bibliotecário adquirir um sólido julgamento crítico para a atividade de
seleção, conhecimento que ela reconhece ser difícil, mas que deve ser
obtido por aqueles que querem bem cumprir uma das mais elevadas
atividades intelectuais que poderá vir a ser realizada por um profissiQnal
bibliotecário.

4 - OS OBJETIVOS DA BIBLIOTECA E A POLíTICA DE SELEÇÃO

Para que qualquer biblioteca possa estabelecer a sua política de


seleção, ou seja, o conjunto das normas que irão reger o dia-a-dia do
trabalho dos selecionadores, é necessário primeiro que estejam bem
claros e delineados os objetivos da biblioteca, os quais ela se propõe a
alcançar com base na coleção existente (ou que irá desenvolver) e de
acordo com a instituição à qual está servindo ou deverá servir.
Os autores são unânimes a este respeito, isto é, de que deve existir
uma declaração dos objetivos gerais da biblioteca, relacionados com a
instituição e a comunidade que a ela serve, para de acordo com estes
objetivos, ser traçada a política de seleção da biblioteca.

23
Wellard já declarava, em 1937, que os objetivos da biblioteca são
coletivos, no sentido de que a comunidade é que é a beneficiária dos
serviços da biblioteca, não o indivíduo: o reconhecimento e a aceitação
desta função social, e os objetivos da biblioteca é que determinarão os
métodos e as práticas de seleção. De acordo com esta interpretação,
sustenta Wellard, os métodos e práticas de seleção não serão
bibliográficos, mas sim sociológicos, o tipo do livro sendo mais importante
que o volume individualmente. Acrescenta Wellard que "a seleção de
livros mais adequada é aquela que realiza os objetivos da função social
(da biblioteca), através do conhecimento da comunidade a ser servida" . 27
Haines enfatiza que o "serviço bibliotecário não é somente a
provisão de livros, mas sim, levar o livro certo ao leitor certo, pois que,
sem um leitor, o livro é inútil, e sem leitores, a biblioteca está morta.
Considere-se, em primeiro lugar, o público para o qual a biblioteca
existe, continua Haines, pois que não existe mundo vivo de livros
separado do mundo vivo de leitores. Somente quando a biblioteca
integra estes dois elementos é que ela preenche o seu objetivo
moderno. 14
Um autor mais atual faz a analogia entre seleção de livros e
arquitetura.
Em ambas, o profissional está tentando construir alguma coisa na
qual deve ser dada expressão à função e à forma. Alguns dos edifícios
mais imaginativos foram criados por um arquiteto, tendo que fazer
frente a severas limitações e confinamentos. É função do bibliotecário,
enfrentando problemas semelhantes, produzir uma seleção de livros
coerente, que é a marca do selecionar eficiente. 11 Relata ele que, num
estudo feito recentemente na Inglaterra para um levantamento das
políticas de seleção existentes nas 115 bibliotecas públicas inglesas
envolvidas, somente 67 responderam, e destas, somente 30 forneceram
uma declaração escrita da política de seleção adotada. Pergunta o
autor: "por quais critérios e com quais objetivos as outras 85 bibliotecas,
incluindo a minha própria, selecionam os seus livros? Como o pessoal
envolvido na seleção sabe o propósito da atividade na qual estão
trabalhando?"11
Tendo em vista que esta é uma situação quase rotineira nas
bibliotecas, - isto é, a falta de objetivos e critérios para o gasto dos
orçamentos concedidos - , ele propõe que se estabeleça outra maneira
de distribuir verba, ou seja: com base em projetos apresentados; é uma
idéia perfeitamente válida e aplicável, tangível e fácil de ser delineada.
Já o estabelecer objetivos e critérios mensuráveis não apresenta igual
facilidade. Assim, ele sugere que, em geral, as alocações de despesa

24
sejam feitas tendo em vista, primeiramente, a população e os problemas
levantados, devidamente pesquisados e definidos, e apresentados pelo
pessoal ao chefe da biblioteca. Este estabelecerá uma lista de prioridades
em consulta com o pessoal. Assim, os problemas que poderiam surgir
seriam: alocação de verba para substituição de livros retirados do
acervo em um ano, baseada em percentagem de retiradas anteriores;
fundos adicionais para uma área em crescimento de demanda; verba
para prover mais livros quando a faculdade local expandir o seu
curriculo; verba para desenvolver coleções de novos ramais de
bibliotecas públicas; fundo para reforço na coleção de uma biblioteca
cujouso está declinando; verba para diminuir o tempo de espera para
certas categorias de livros, e assim por diante. As vantagens deste
sistema, explica o autor, seriam : primeiramente, as bibliotecas estariam
gastando os seus orçamentos com um propósito definido e mensurável;
segundo, estaríamos numa situação bem favorável para demonstrar
como estamos gastando as verbas; e, terceiro, na solicitação de mais
verba estaríamos na posição de poder fornecer detalhes sobre todos os
projetos válidos que não foram realizados por insuficiência de fundos . 11
Analisando o aspecto realmente prático do estabelecimento de uma
política de seleção, Cabeceiras levanta treze pontos específicos que
deverão constar da política de seleção de qualquer biblioteca:

a - propósito da biblioteca - o livro não deve estar em conflito


com as metas filosóficas da biblioteca;
b - qualidade - o livro deve manter os padrões de qualidade
estabelecidos pela biblioteca, com relação à respeitabilidade
do conteúdo e às características físicas;
c - recensões - devem ser consultadas para a seleção;
d - usuário - o livro deve ser adequado às capacidades, neces-
sidades e interesses do usuário;
e - aplicabilidade - o livro deve ser analisado e avaliado sob o
ponto de vista de sua aplicabilidade a um público grande ou
pequeno;
f - uso - a determinação deve ser feita quanto ao uso mínimo
previsto. Um livro pode ter um curto uso antecipado e logo
se tornar obsoleto; mas se recebe um número prescrito de
usos, então a sua aquisição é justificada. De outro lado, um
livro pode receber um uso limitado mas ser de valor perma-
nente. Não pode ser criada uma fórmula para resolver este
problema;

25

..
g - auxiliares bibliográficosde seleção -devem ser consultados
para assegurar que o livro considerado é, na verdade, o
melhor para a biblioteca;
h - recursos afiliados - um livro não deve ser adquirido se está
convenientemente acessível ou pode estar mais apropriada-
mente guardado na coleção de outra agência da comunidade;
i - influência cultural- o livro deve apoiar a posição local no que
diz respeito a grupos culturais, políticos, étcnicos, religiosos
ou sociais;
j - censura - a política com respeito à censura deve serdesen-
volvida por uma comissão representativa dos interesses
seccionais e diversificados dos usuários da biblioteca;
k - equilíbrio da coleção de livros - os livros selecionados
devem manter a coleção adequadamente proporcional às
necessidades e ao uso dos usuários;
I - objetividade do selecionado r - os livros devem ser selecio-
nados para atender às necessidades dos usuários e não ao
que o bibliotecário imagina serem aquelas necessidades;
m - "mídia" alternativos - a consideração da "mídia" alternativos
podem influenciar grandemente na direção que a biblioteca
seguirá a respeito da aquisição de material impresso e não-
-impresso. 4

Estes pontos levantados por Cabeceiras são importantes e poderão


auxiliar os bibliotecários na elaboração da sua política de seleção. No
entanto, as sugestões apresentadas durante uma reunião patrocinada
pela Comissão de Desenvolvimento de Coleções, da Divisão de
Recursos e Serviços Técnicos (Resources And Technical Servicés
Division - RTSD) da ALA, nos parecem mais objetivas.
Parece-nos, contudo, ser importante estabelecermos primeiramente
a terminologia que está sendo usada na literatura de maneira alternada,
às vezes, para os termos: desenvolvimento de coleções (collection
development), termo mais moderno; seleção (selection), que é o termo
mais tradicional, e aquisição (acquisition). Segundo Edelman, existe
uma hierarquia entre estes termos . O primeiro nível é o de
desenvolvimento da coleção, que pode ser interpretado como um termo
que descreve o crescimento da coleção: é uma função de planejamento.
O segundo nível, a seleção, é uma função direta do desenvolvimento
da coleção; é o processo da tomada de decisão que diz respeito às
metas estabelecidas no desenvolvimento da coleção. O terceiro nível,
a aquisição, é o processo de implementação das decisões da seleção.

26
Embora, na prática, estas funções se interrelacionem , conceitualmente
elas devem ser julgadas separadamente.)
A avaliação da coleção (collectíon evaluatíon), por sua vez, é, na
maioria das vezes, considerada como uma função do desenvolvimento
da coleção, e deve estar rel.acionada com o planejamento, seleção e
desbastamento das coleções. 18
Como já tratamos desse assunto em outra publicação 1, não
trata remos deste aspecto de avaliação de coleções neste texto. No
entanto, ficam registradas como sendo as melhores revisões para este
assunto, as de 800n 2 e Lancaster3 • Existe, também, outra revisão, que,
de certa maneira, atualiza o trabalho acima mencionado. 4
Seleção propriamente dita será tratada a seguir.
Vejamos as sugestões apresentadas na reunião da RSTD:
"A política de desenvolvimento da coleção deve definir as metas e
os objetivos da biblioteca, identificar as necessidades da comunidade
que ela serve, a curto e longo prazos, avaliar o grau de força e fraqueza
dos recursos existentes e determinar a profundidade e o escopo da sua
política de aquisição. O principal desta política, usualmente, consiste
em listar os assuntos, com anotações acompanhando e indicando o
grau de cobertura recomendada . Delimitações por língua, data , formato
e custo oferecem outros refinamentos".6
Uma explicação nos parece válida, também, quanto ao que é e ao
que não é uma política de seleção. "Primeiramente, não substitui a
seleção de livros. Quando muito, define uma estrutura e fornece
parâmetros, mas nunca seleciona um livro específico. Cada título tem
de ser individualmente escolhido por um corpo de selecionadores, por
carta branca ou por planos de aprovação. Também, - não importa quão
específica e detalhada a política seja -, o julgamento individual ainda
precisará ser aplicado, em última análise. Mais, ainda, uma política por

1- FIGUEIREDO, N. , M., Avaliação de coleções e estudos de usuários . Brasflia,


Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, 1979. 96p. Vide também nesta
publicação, a seguir.
2- BONN, G. S., Evaluation of the collection. Library Trends, 22 ( ):265-304, January,
1974.
3- LANCASTER, F. W. Evaluation of the colleclion. In: LANCASTER, F. W.,The
measurernent andevaluation oflibrary services. (Washinglon, D. C.) Informalion
Resources Press (c 1977) p. 165 - 83.
4- MOSHER, P. H. Colleclion evalualion in research libraries: lhe search for quality,
consislency, andsyslem in collectiondevelopment. Library Resources & Technical
Services, 23 (1): 16 - 32, Winter, 1979.

27
escrito, delineada de maneira ampla, ou especificamente detalhada,
não deve ser fossilizada para a eternidade . Assim como as instituições
crescem , também as coleções e as políticasde seleção devem crescer.
Portanto , a presença de uma política exarada por escrito não pode
substituir um discernimento inteligente, nem um sentido sempre alerta
para as mudanças das necessidades da comunidade . Por este motivo ,
é altamente desejável- , na verdade, imperativo -, que tal política sofra
revisão periódica, regularmente .8
Outra sugestão, bem prática, apresentada na mesma reunião,
oferece os princípios gerais que devem estar contidos na política de
desenvolvimento da coleção, para bibl iotecas públicas. t
"I( preparação de uma política para o desenvolvimento da coleção
envolve mais do que o mero estabelecimento de princípios gerais.
Envolve:

a - o conhecime'J:l,to da comunidade e suas necessidades, atuais


e projetadas;
b - análise cuidadosa da coleção existente e a determinação de
seus pontos fortes e fracos;
c - estabelecimento da política de descartes;
d - uma estimativa das possíveis ou prováveis flutuações no
orçamento para aquisição;
e - consideração de quais os itens que devem ser considerados
como parte básica, e que, portanto, devem ser substituídos
continuadamente, e quanto deve ser reservado para novos
materiais;
f - consideração dos índices de inflação nos preços de livros e
materiais;
g - consideração do quê e quanto adquirir no formato de não-
-impressos, e qual a relação destes materiais com o que já
existe na coleção;
h - consideração de fatores de espaço, índice de deterioração
de materiais, grau de excelência da co leção e os seus
componentes, índices de perdas, etc.;
i - conhecimento dos recursos de outras bibliotecas que estão
disponíveis na comunidade, quer através de outras agências
do mesmo sistema público, quer em bibliotecas particulares
acadêmicas e não-acadêmicas, na comunidade, com
avaliação do grau de cooperação para o desenvolvimento
da coleção". t

28
Parece-nos oportuno oferecer algumas sugestões também quanto
à elaboração da política de desenvolvimento de coleção para uma
biblioteca universitária. Segundo Osborn, eis, em resumo, o que uma
política de desenvolvimento de coleção deve fazer:

a - modelar as coleções - a mais importante função desta


política é a de servir como uma diretriz para relacionar a natureza e o
escopo do desenvolvimento das coleções às necessidades instrucionais
e de pesquisa da universidade em questão. Esta política serve como
uma diretriz para a seleção de materiais bibliotecários, em todos os
formatos e tipos de aquisição, por compra, doação, carta branca.
Igualmente, a política pode ser útil para determinar que materiais
podem ser removidos da coleção principal, quer por descarte, quer por
remoção para depósito.

b - treinamento dos selecionadores - a política de


desenvolvimento da coleção funciona como um instrumento para os
selecionadores, quer sejam eles novatos na universidade ou no mister
de lidar com o processo de desenvolvimento de coleção.

c- planejamento na biblioteca e na universidade - as implicações


para o desenvolvimento da coleção não são confinadas à biblioteca
apenas, pois podem ser encontradas no planejamento da' própria
universidade. Assim, a montagem, com sucesso, de um novo programa
acadêmico, depende, grandemente, dos recursos, incluindo o pessoal
bibliotecário. Similarmente, planos para fortalecer, desenfatizar ou
cancelar programas acadêmicos devem levar em consideração os
recursos bibliotecários disponíveis.

d - racionalização do orçamento de aquisição - é, primeiramente,


através da alocação e gasto do orçamento que a política de
desenvolvimento de coleção é implementada. É importante que as
coleções resultem diretamente de uma política planejada, e somente
indiretamente das flutuações do poder de aquisição. Uma política
ampla antecipa mudanças além do controle da biblioteca, e fornece um
conjunto racional de planos para adaptação àquelas situações.

e - interpretação das necessidades e operações - uma política


ampla de desenvolvimento da coleção fornece o meio mais conveniente
através do qual se comunica o fato de que o desenvolvimento da
coleção segue um plano sistemático racional, para atender necessidades
específicas; também, oferece uma interpretação clara das atividades
acadêmicas. 20

29

r1
Finalmente, nesta reunião da RTSD foram discutidas as diretrizes
elaboradas pela Divisão, para formulação de políticas de
desenvolvimento da coleção, das quais vale a pena destacar:

5 - DEFINiÇÕES: NíVEIS DA COLEÇÃO OU CÓDIGOS DOS NíVEIS


DA COLEÇÃO

a - Nível de completeza (comprehensive) - uma coleção na qual


a biblioteca se empenha, tanto quanto possível, em incluir todos os
trabalhos significativos de conhecimento registrado (publicações,
manuscritos e outros formatos) em todas as línguas aplicáveis, para um
campo necessariamente definido e limitado.

b - Nível de pesquisa - uma coleção que inclui as melhores


fontes de materiais requeridos para dissertações e pesquisas
independentes, incluindo materiais contendo relatórios de pesquisa,
novas descobertas, resultados de experimentos científicos e qualquer
outra informação útil a pesquisadores. Pode também incluir obras de
referência importantes e uma ampla seção de monografias
especializadas, como também uma extensa coleção de periódicos e os
melhores serviços de indexação e resumos na área .

c- Nível de estudo- uma coleção adequada para apoiartrabalho


de curso de graduação e pós-graduação, ou estudo individual; isto é,
adequada para manter o conhecimento de um assunto requerido para
propósitos limitados ou generalizados, ou menos do que a coleção de
pesquisa . Inclui uma ampla gama de monografias básicas, coleções
completas de trabalhos dos autores mais importantes, seleções de
trabalhos de autores secundários, uma seleção dos periódicos
representativos, os instrumentos de referência e o aparato bibliográfico
fundamental pertencente ao assunto.

d - Nível básico - uma coleção altamente seletiva que serve para


introduzir e definir o assunto e indicar as variedades de informações
disponíveis em outro lugar. Inclui os melhores dicionários e enciclopédias,
seleção de edições de trabalhos importantes, levantamentos históricos,
importantes bibliografias e uns poucos periódicos mais importantes na
área.

e - Nível mínimo - uma área de assunto que é fora do escopo


para as coleções da biblioteca e para a qual poucas seleções são feitas
além dos instrumentos de referência básicos.

30
6 - ELEMENTOS DE UMA DECLARAÇÃO DE POlÍTICA DE
DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÃO

1 - Análise dos objetivos gerais da instituição, incluindo:


a - clientela a ser servida;
b - fronteiras gerais de assuntos da coleção;
c - tipos de programas ou necessidades de usuários a serem
apoiados (pesquisa instrucional, recreacional, informação
geral, referência, etc.);
d - prioridades gerais e limitações orientadas da seleção, inclu-
indo:
- grau de suporte continuado para coleções fortes
- formas de materiais colecionados ou excluídos
- línguas e áreas geográficas colecionadas e excluídas
- períodos cronológicos colecionados e excluídos
- outras exclusões
- duplicações de materiais;
e - acordos cooperativos de coleções em nível local, regional
e nacional, que complementam ou de qualquer maneira
afetam a política da instituição.

2 - Análise detalhada da política de desenvolvimento da coleção


para áreas de assuntos - o arranjo básico desta análise é por classificação;
um termo de assunto entre parêntesis segue o número da classificação,
para facilidade da interpretação. O mínimo de refinamento da
classificação na qual basear a análise é a separação em,
aproximadamente, 500 subdivisões (da LC; para Dewey e outras
classificações, um refinamento comparável deve ser tentado). EstE;! é
o mínimo recomendável; muitas instituições podem querer analisar as
suas coleções de maneira mais detalhada. Para cada categoria de
assunto (isto é, o número de classificação ou grupo de números), deve
indicar o seguinte:

a - nível conforme as definições da coleção para indicar:


- pontos fortes existentes na coleção
- atividade corrente real do nível da coleção
- nível desejável da coleção para atender às necessidades
do programa;
b - línguas (ou códigos correspondentes) podem ser adotados
aqui;
c - períodos cronológicos colecionados;
d - áreas geográficas colecionadas
e - formas de material colecionado (ou excluídos);

31
f - unidade da biblioteca ou selecionador responsável pela
seleção básica naquela área.

3 - Análise detalhada da política de desenvolvimento da coleção


para formar coleções - em algumas bibliotecas, políticas diversas de
desenvolvimento de coleção são necessárias para certas formas de
materiais, quando a política que governa esse segmento de coleção
difere da política geral da biblioteca . Alguns exemplos de formas para
as quais políticas especiais podem ser incluídas:

a- jornais;
b- coleções de microformas;
c- manuscritos;
d- publicações governamentais;
e- mapas;
f- materiais audiovisuais;
g- fitas de dados (data-tapes).

É aconselhável que a estrutura da política para formar uma coleção


siga , quanto possível , a classificação por assunto; mas para algumas
coleções será necessário usar outro arranjo (tipo de material, área ,
etc.). Por exemplo : a política para coleções de mapas poderia ser
dividida primeiramente em: "mapas topográficos". "mapas temáticos",
etc., com subdivisão por classificação de área: para uma coleção de
jornais, poderia ser primeiramente a divisão política. 13

7 - APRESENTAÇÃO DO TEXTOS DE HAINES

7.1 - Introdução

"Evolução através da leitura", é uma verdade comprovada pela


experiência pessoal de todo aquele que conhece livros e deles se
utiliza . Os padrões se elevam, a inteligência se alarga, as percepções
se aprofundam, através do simples processo de leitura. A educação
formal molda a mente; mas somente através dos livros é que a mente
se enriquece, se aprofunda , se aplica, se modifica e desenvolve os
padrões para realização de cada indivíduo.
A inteligência deve sermantida ativa, interpretando a educação que
está recebendo, tirando as suas próprias conclusões, fazendo suas
. próprias observações e suas próprias experiências; caso contrário, nós
teremos apenas uma fina superfície de instrução. Os livros são os
instrumentos da inteligência. São também os instrumentos da aberração
e da burla, pois que eles são a expressão de todas as qualidades e
defeitos da mente humana.

32
Considere-se o que os livros podem significar para o desenvolvimento
individual: na formação do caráter, na ativação da inteligência, no
enriquecimento dos recursos, no aprofundamento da sensibilidade.
Eles oferecem material para a formação do caráter através do
conhecimento e do pensamento. A formação do caráter é um processo
contínuo e inconsciente de auto-educação na escola diária da vida;
quando a mente alcança o uso e o controle destes fios, todo o panorama
da vida no mundo, passada e presente, se torna constantemente mais
variada e interessante, enquanto, ao mesmo tempo, os poderes de
reflexão e julgamento da própria mente são exercitados e fortalecidos.
Os livros dão à vida um significado mais profundo. Não há no
trabalho diário, ocupação humilde, que não possa se tornar mais
interessante ou mais útil, através dos livros. Eles são os meios para se
alcançar eficiência, são fontes inexauríveis de prazer. E eles nos
mostram a vida como era no passado e como é no mundo de hoje.
Aqueles que são capazes de utilizar livros como companhia, são
raramente solitários; nem sentem a necessidade de encontrar alguma
ação, a mais trivial, para preencher uma hora vazia. Eles têm amigos
que virão quando desejados, trazendo distração, aconselhamento, ou
absorção do espírito - amigos que, ao contrário da variedade humana,
podem ser afastados, quando perdem o interesse, e escolhidos
adequados a qualquer temperamento e ao interesse do momento.
Biblioteconomia é a única vocação que se dedica a levar livros à
vida comum do mundo. Os materiais com os quais os bibliotecários
trabalham são os que fornecem o entendimento, o conhecimento e a
razão que podem informar a mente e dirigir a vontade para fazer frente
aos desafios do tempo, para ajustar-se às suas compulsões, para
discernir e guiar as forças moldando o futuro .

7.2 - Pessoas e Livros

O campo e o objetivo da biblioteca pública é fornecer para cada


pessoa a educação capaz de ser obtida através da leitura. Isto não que
dizer a educação em qualquer sentido estreito ou formalizado, mas,
sim, a cultura da mente e do espírito que os livros podem trazer à vida.
Educação na sua realização ideal não é simplesmente a busca de fatos
ou a procura assídua da informação. Educação implica o uso de livros
não só para o aproveitamento espiritual e intelectual, como também
para o usufruto material e vocacional.
Serviço bibliotecário não é somente a provisão de livros, mas, sim,
trazero livro certo ao leitor certo. Sem leitor, o livro é inútil, sem leitores,
a biblioteca está morta . Pessoas e livros são os pólos positivos e
negativos que mantém vivo o fluxo de serviço bibliotecário.

33
Qualquer tipo oe serviço bibliotecário que se destina a aproximar
pessoas e livros deve ser baseado numa inteligente seleção de livros.
Os bibliotecários devem saber como selecionar livros de maneira
inteligente. Livros que são a expressão da vida e do pensamento
humano, que oferecem conhecimento que satisfazem e estimulam o
desenvolvimento individual, que alargam e clareiam a inteligência.
Considere-se, primeiramente, o público para o qual a biblioteca
existe. Pois que não existe mundo vivo de livros, separado do mundo
vivo de leitores. Somente quando a Biblioteconomia relaciona e integra
as influências variadas e o uso dos livros com interesses e as atividades
variadas da vida humana, é que ela preenche o seu objetivo moderno.
No entanto, a demanda feita na biblioteca pública pela sua massa
de leitores, é mais forte nas linhas de menor resistência mental - para
o popular, o superficial e o elementar na literatura, para fins quer de
recreação, quer de elevação.
Assim, o papel do biblioteca é duplo. Deve suprir as demandas da
maioria dos usuários, tão eficientemente quanto possível, e, ao mesmo
tempo, prestar serviço pessoal intensivo àquela minoria de leitores que
conhecem e amam a literatura, e têm capacidade de encontrar livros
para a mente, e inspiração para o espírito.
A biblioteca pública é uma parte integrante da atividade da
comunidade, um órgão do corpo social da comunidade. Funciona em
resposta ou por antecipação a toda a gama de necessidades da
comunidade. Presumivelmente, estas necessidades são as necessidades
de todas as pessoas da comunidade, não apenas daquelas que são
usuários da biblioteca; mas, na verdade, estas necessidades se tornam
evidentes pela demanda do público; a demanda na biblioteca vem
somente daqueles que, de algumas maneira, desejam fazer uso dela.
A demanda pode muitas vezes ser criada, estimulada e influenciada;
mas, se a demanda não existir, o material para supri-Ia não será
utilizado.
Assim, na provisão de livros, e no planejamento de seus serviços,
a biblioteca pública sempre deve considerar o suprimento em relação
à demanda; deve ter sempre em mente a grande variação nos valores
da demanda - a demanda mais forte nem sempre representa o valor
mais alto; e deve sempre ajustar estes dois fatores entre si e relacioná-
los a um terceiro, que são os recursos disponíveis na biblioteca na forma
de livros e o orçamento existente.
Esta é a basetriangulardo problema da biblioteca pública e os seus
objetivos. Exposta por Melvil Dewey, numa frase de onze palavras, tem
sido o lema da ALA desde a sua organização, em 1876: "a melhor
leitura, para o maior número (de pessoas), pelo menor custo". Como

34

=
descobrir as necessidades da comunidade é o primeiro problema do
bibliotecário, para o estabelecimento de relações com o público.
Como selecionar os livros a fim de atender àquelas necessidades
é o segundo; e isto implica o terceiro, como julgar o valor de cada livro.
Deve ser lembrado que os problemas de seleção são mais simples
numa grande biblioteca do que numa pequena, porque os livros padrões
já foram adquiridos, a seleção não precisa sertão restrita, pois a gama
de demanda é mais ampla . Numa grande biblioteca, também, a seleção
é geralmente dividida entre departamentos, cada um responsável por
seu próprio assunto. A pequena biblioteca pública, no entanto, pode
muitas vezes criar um relacionamento mais estreito, direto e pessoal
com a sua comunidade como um todo, do que um sistema de biblioteca
altamente formalizado e inter-relacionado, numa grande cidade.
Existem vários caminhos abertos para a descoberta das
necessidades da comunidade. É necessário conhecer as atividades,
interesses, organizações, instituições e características distintas da vida
na comunidade, para entender os canais, através dos quais, a demanda
de livros pela massa possa ser estimulada e desenvolvida. Numa
comunidade rural , haverá canais de interesse que não existem em uma
cidade urbana, ou numa cidade industrial, ou num centro universitário.
Cada um tem seus componentes distintos, diferenciados dos outros.
Novos canais estão constantemente se abrindo, à medida que o escopo
da biblioteca se expande,
É importante familiaridade com todos os elementos culturais e
raciais da população. Na biblioteca pública deve haver, para os leitores
estrangeiros, literatura de seu próprio país e em sua própria língua.
Deve haver uma relacionamento estreito entre a biblioteca e todas
a agências de educação da comunidade. A biblioteca da escola local,
por fazer uso de livros como parte da educação, deve ser olhada pela
biblioteca pública como um campo comum de cooperação na seleção
de livros.
Assim também deverão ser consideradas escolas de outros tipos,
escolas noturnas, cursos de extensão das universidades, instituições de
ensino superior e de pesquisa especializada. Deve ser estabelecida
uma união amiga da biblioteca pública com todas essas entidades. Essa
união, com entidade e diretrizes de educação formal, será de utilidade
mútua na correlação dos recursos de livros na comunidade e na ligação
com a educação informal, através dos livros que a biblioteca pública
mantém.
Cooperação ativa com organizações de trabalhadores dá à biblioteca
uma grande oportunidade de preencher seu alto objetivo como uma
agência de auto-educação através da leitura, podendo com isto ganhar
suporte na comunidade e reconhecimento da classe de trabalhadores
em todos os níveis.

35
Mesmo a pequena biblioteca pública pode manter uma coleção de
depósito no local de reunião dos trabalhadores, chamar a atenção dos
membros dos sindicatos para livros na opinião deles úteis e interessantes,
oferecer uma boa representação de literatura trabalhista na sua seleção
de livros, fornecer os mais importantes periódicos na área e prover
material adequado para as atividades educacionais dos trabalhadores
nas aulas, reuniões, conferências, etc.
Jornais locais são um elo importante entre a biblioteca e o público.
Nestes jornais o bibliotecário descobre os interesses e as necessidades
imediatas da comunidade, e se familiariza com as pessoas importantes
e com a diferentes organizações locais. As colunas destes jornais
podem tornar-se forte apoio para a biblioteca.
Além da familiaridade com a comunidade e suas características e
necessidades especiais, deve haver um amplo conhecimento dos
problemas do dia-a-dia, gerais, nacionais, locais. Para assegurar isto,
o bibliotecário deve ler regularmente um jornal diário e se manter em
contato com a enorme gama de tópicos nas revistas; isto ajuda, de
maneira especial, no reconhecimento das correntes de interesses
popular e na antecipação dos pedidos dos leitores.
Uma surpreendente variedade e multiplicidade de contatos pode
ser reconhecida e desenvolvida pela biblioteca, se cada um dos seus
membros ficar responsável por um círculo especial de influência na
comunidade. Naturalmente, quanto mais relações pessoais puderem
ser estabelecidas, melhor; um interesse genuíno e uma simpatia pelas
pessoas é indispensável, por parte dos bibliotecários encarregados
destas tarefas de relacionamento com a comunidade.

7.3 - Livros para as pessoas: princípios da seleção

Depois de conhecer bem a comunidade e seus interesses, podemos


nos voltar agora para os gostos da leitura, capacidades, necessidades
e hábitos dos indivíduos que formam o público. Quanto mais
profundamente os bibliotecários conhecerem todos os níveis e todas as
possibilidades de leitura individual na comunidade, mais criteriosa mente
poderão exercer a seleção de livros, e o seNiço bibliotecário poderá ser
realizado de maneira mais eficiente.
É necessário que dentro da biblioteca, e em todos os pontos de
contato com o público, o conhecimento dos leitores seja constantemente
alargado e esclarecido, para que a seleção de livros seja feita de
maneira inteligente e adequada . O bibliotecário que olha a sempre
mutável multidão de leitores, somente como um fluxo interminável de
estúpidos e irracionais consumidores do trivial e do baixo, deve
procurar outra ocupação. Ninguém que tenha percebido as realidades

36

k
da natureza e das experiências humanas, penetrando sob as aparências,
pode manter essa atitude. Leitores de bibliotecas públicas são tipos
humanos, diversos, variados. Nenhuma coleção representativa da
biblioteca é composta apenas de "lixo", embora ela contenha, muito
material impresso de vários valores: recreacional, prático, educacional
intelectual, ético e empírico. Nenhum público leitor consome apenas
ficção efêmera e rebotalho; nem os livros que formam o grosso de
qualquer coleção de literatura de ficção de biblioteca pública são
definidos de maneira correta por essa frase.
A leitura em uma biblioteca pública é tecida por diferentes fios -
fracos e fortes, alegres e sombrios, falsos e genuínos; e a leitura do
indivíduo é formada pela textura do todo. O serviço bibliotecário, na sua
relação com o público, é impessoal e pessoal. A parte que os livros
podem ter na vida de um indivíduo é revelada aos poucos para todo
bibliotecário, cujo trabalho leva a um relacionamento pessoal com os
leitores.
A melhor definição do objetivo da seleção de livros é ainda
encontrada na conhecida frase: "fornecer o livro certo para o leitor certo,
no tempo certo". Isto envolve conhecimento da extensão e do caráter
das demandas dos leitores, conhecimento dos livros que respondem a
estas demandas e satisfação daquelas demandas em termos de livros
de alto valor.
Quais são os mais altos valores do livro, e como são eles
determinados? Este fator oferece a maior dificuldade. A primeira
tentativa original e construtiva para definir e analisar este fator foi feita
pelo bibliotecário inglês McColvin, num pequeno volume: The theory of
book selectíon for public líbraríes.
A premissa de McColvin é a de que a biblioteca pública deve ser a
provedora universal, através de livros, das necessidades e dos desejos
de todos os homens. Já que nós não podemos dar tudo o que eles
precisam, devemos pelo menos avaliar as suas necessidades e desejos.
A seleção de livros reduz-se a duas áreas: demanda e fornecimento.
A demanda deve ser diferenciada em quantidade, valor e variedade.
Nem a quantidade de demanda, sozinha, é índice como nem o valor
sozinho, pois a demanda de maior quantidade é, muitas vezes, pelo
livro de menor valor e uma demanda de valor pode não conter
quantidade (os livros fornecidos não são utilizados). As duas qualidades,
portanto, devem ser relacionadas para que um princípio matemático
possa ser aplicado. Pesquisa e experimentação sobre a base estabelecida
por McColvin deve tornar a seleção de livros, no futuro, um processo
mais científico do que no passado.
O que se entende por completeza (comprehensíveness) de uma
coleção de biblioteca? Não completeza na representação dos assuntos,
mas uma abrangência de fornecimento que responde à demanda, e a
desenvolve.

37
Em qualquer biblioteca pública esta abordagem analítica para a
seleção de livros pode ser iniciada, através de estudo e comparação de
vários registros de uso da biblioteca. Por exemplo, para a averiguação
da "quantidade", a estatística da circulação das classes de não ficção
para adultos deve ser comparada anualmente com o número de livros
adquiridos na mesmas classes; uma análise indicará que classes têm
sido enfatizadas ou negligenciadas, e isso deve ser retificado
posteriormente na seleção de livros. "Valor" na demanda de ficção pode
ser medida por uma comparação semelhante à da circulação e do
fornecimento de diferentes grupos de assuntos, como ficção clássica e
de maior nível, ficção padrão boa, ficção leve, ficção de detetive e de
gênero de western. A quantidade de "reservas" feitas para livros deve
ser verificada contra o fornecimento , e o fornecimento aumentado de
acordo com uma política definida, baseada na demanda e no valor.
Os pedidos dos leitores devem ser estudados para a indicação da
"variedade"; deve ser mantido registro para livros que responderiam a
estas demandas e não foram considerados para a compra, embora
selecionados, indicando-se tal decisão. Inspeção sistemática das
estantes da biblioteca, notando a frequência da circulação pelo exame
das papeletas de datas, é uma maneira útil de medir a demanda em
grupos pequenos de assuntos. Uma das maneiras mais simples e
comuns de testar a amplitude e qualidade da coleção como um todo é
através da prática de verificar o acervo da biblioteca contra os títulos
incluídos nas bibliografias e listas padrões de confiança . No
desenvolvimento ou na revisão de grupos de assuntos, as consultas a
sugestões feitas por especialistas de fora da biblioteca são sempre
desejáveis e geralmente adotadas.
Estudo, experiência, observação e experimentação concentrados
em qualquer objetivo, logo se transformam em princípios e métoqos.
Desta maneira, através do serviço bibliotecário destinado a aproximar
pessoas e livros e a fornecer aos leitores os livros que vão ao encontro
de demandas, necessidades e gostos, surgiram certos princípios que
são comumente aceitos como fundamentais na seleção de livros.
Aqueles que se aplicam mais diretamente aos amplos aspectos de
demanda/fornecimento de bibliotecas públicas são :

a - estude a comunidade e conheça a sua característica geral,


as características especiais, os elementos culturais e raciais,
as principais atividades e os maiores interesses;
b - esteja familiarizado com assuntos de interesse atual, geral,
nacional e local;
c - represente na seleção de livros todos os assuntos que se
aplicam às condições existentes e que refletem os interesses
da comunidade;

38
d - torne a sua coleção de história local tão extensa e útil quanto
possível;
e - forneça materiais para todos os grupos organizados cujas
atividades ou interesses possam ser relacionadas com
livros;
f - forneça materiais para leitores reais e em potencial, satisfa-
zendo, tanto quanto possível, as demandas existentes e
demandas prováveis, por acontecimentos, condições ou
utilização crescente f!a biblioteca;
g - evite a seleção de livros para os quais a demanda não é evi-
dente, e substitua livros que tenham positivamente
ultrapassado a sua utilidade;
h - embora a demanda seja a base e a razão para o fornecimento
de materiais, lembre-se de que os grandes trabalhos da
literatura são pedras fundamentais da própria estrutura da
biblioteca e, portanto, selecione alguns livros de valor
permanente, não importa se serão ou não largamente
utilizados;
i - mantenha imparcialidade na seleção; não favoreça interes-
ses ou opiniões particulares; em assuntos controversos ou
sectários, quando a compra se torna indesejável, doações
podem ser aceitas;
j - forneça, tanto quanto possível, livros que irão responder às
demandas de especialistas ou de outras pessoas cujos
trabalhos serão benéficos para a comunidade;
k - não tente desenvolver uma coleção "completa"; selecione
os melhores livros sobre o assunto, os melhores livros de
um autor, o mais útil volume de uma série, e não faça uso
de "coleções completas" que não possuem utilidade evidente
ou específicas; .
I - um princípio que é muitas vezes afirmado, mas nunca
aplicado com cuidado é: dê preferência a um livro inferior,
que será lido e não a um superior, que não será lido. Isto
envolve "valores" opostos e merece a maior consideração
na seleção de ficção.

A estes princípios podem ser acrescentados dois outros, talvez


mais familiares:

a - mantenha, tanto quanto possível, rapidez e regularidade no


suprimento de livros. Existem bons argumentos para se
adiar a compra de livros novos, mas não há nada que os
leitores mais apreciem do que um suprimento rápido de

39
publicações recentes e, no caso de livros de importância e
interesse assegurados, deve haver o mínimo possível de
demora na seleção e aquisição;
b - mantenha-se atualizado quanto às correntes mutáveis de
pensamentos e opinião, e dê representação adequada às
forças da Ciência, sociais e intelectuais, que estão
remodelando o mundo moderno.

Inconsistência em alguns destes princípios em relação a outros é


bem aparente. Mas isto indica que somente um julgamento equilibrado
e a medição constante de valores relativos são necessários para uma
seleção de livros alcançar sucesso.

7.4 - Testando os valores do livro

o conhecimento de livros para responder às necessidades da


comunidade envolve conhecimento dos tipos e qualidades de livros, a
fim de que eles possam ser sabiamente escolhidos e efetivamente
utilizados. Isto significa conhecimento dos livros que já estão disponíveis,
como também de novos livros que fluem constantemente dos editores.
Significa a habilidade de comparar diferentes livros sobre um assunto,
pesaro mérito das demandas opostas, julgaro valorde livros individuais
e, na aplicação de princípios, estabelecer métodos de utilização de
verba para livros, da melhor maneira possível. Estes requisitos são
todos essenciais à prática, com sucesso, da seleção de livros.
Primeiramente, a variedade e a proposta da coleção, como um
todo. Há, atualmente, uma tendência para olhar "uma coleção bem
equilibrada" como menos importante do que uma coleção desenvolvida
cuidadosamente para suprir a demanda pública mais evidente.
"Completeza" (comprehensiveness) é impossível de atingir em
qualquer coleção de biblioteca. Esforço para manter uma média fixa
para diferentes classes, muitas vezes significa que a coleção se torna
rígida e que áreas nas quais existe um novo interesse ou um aumento
de interesses, ficam representadas de maneira inadequada.
De qualquer maneira, toda coleção de biblioteca deve ser
desenvolvida de acordo com um plano definido numa ampla base de
generalização. O desenvolvimento deve ser flexível, mas uma atenção
constante deve ser dada para a manutenção de uma proporção justa
como um todo, de maneira que certas classes não sejam enfatizadas
em prejuízo de outras. As necessidades da biblioteca existem e devem
ser respondidas, tanto quanto as necessidades dos seus leitores. Não
há uma regra fixa como base média equilibrada de assuntos. Deve ser
lembrado que a proporção de classes varia com o tempo.

40
Na determinação das necessidades da biblioteca, é importante
saber quando a utilização cooperativa de recursos de outras bibliotecas
da comunidade será oportuna. Bibliotecas de instituições de pesquisa,
de universidades ou escolas, bibliotecas especializadas em Medicina e
Direito e coleções mantidas por outros corpos especializados, todas
têm material que a biblioteca pública pode deixar de adquirir e que
responderá a demandas especiais, ocasionalmente. A biblioteca pública
pode ter um relacionamento de interdependência amigável com tais
coleções, de maneira que a duplicação de material caro especializado
possa ser evitado e os leitores possam vir a conhecer canais adicionais
através dos quais a informação está acessível.
As necessidades da biblioteca são fundamentalmente as
necessidades dos usuários, mas existe uma implicação maior. Para seu
próprio conhecimento e bem-estar, a biblioteca deve continuadamente
fortalecer o equipamento de livros básicos e procurar enriquecimento
constante na qualidade do material que forma a sua substância .
Naturalmente, a verba da biblioteca é o poder controlador na prática
da seleção de livros. A quantia varia de acordo com as condições
individuais. A única certeza é que nunca é adequada para responder às
necessidades e aos desejos. Isto força o alerta constante na compra, o
uso de técnicas econômicas e a contínua avaliação de demandas
opostas e de méritos relativos dos livr os.
Existem dois princípios comumente aceitos que se relacionam com
os livros propriamente ditos e que sublinham a seleção em todos os
campos da literatura. O primeiro destes condensa o objetivo e o ideal
da seleção de livros: "selecione livros que tenderem ao desenvolvimento
e enriquecimento da vida". Muito próximo deste: "deixe que a base da
seleção seja positiva, e não negativa. Se o melhor que se pode dizer de
um livro é que não fará dano à ninguém, não há razão válida para a sua
seleção; todo livro deve ser de serviço real de alguém, em inspiração,
informação ou recreação".
Considere o que significa "livros que tendem para odesenvolvimento
e enriquecimento da vida". O conhecimento de tais livros requer um
bom conhecimento literário, ou conhecimento de livros básicos. Mas
tais livros não são encontrados somente entre obras antigas e aceitas;
eles aparecem no fluxo sempre constante de novas publicações, e o
selecionador deve estar alerta e ser perspicaz para reconhecê-los e
apreciá-los.
Sob a sombra da alucinação atômica, muitos padrões profundamente
estabelecidos no pensamento da maioria das pessoas deverão mudar.
No bibliotecário repousa a responsabilidade cada vez maior de,
conhecendo e utilizando livros, esclarecer preconceitos, ampliar o
entendimento de questões vitais, fortalecer a aceitação pública e

41
praticar a cooperação e a tolerância entre as nações, como unlco
solvente de muitos problemas tensos e persistentes da vida de hoje em
dia. Assim, os bibliotecários não devem aceitar objeções censoriais de
leitores de mente estreita, e nem se render a preconceitos ou opiniões
tradicionalistas.
A seguir, vamos considerar os aspectos especiais que devem ser
observados nos livros para um julgamento inteligente sobre os mesmos.
Os livros têm sido geralmente olhados como pertencentes a uma das
seguintes divisões:

Livros de inspiração: Religião, Filosofia, poesia, drama, ficção


refinada ;

Livros de informação: biografia, História, viagem, Ciência,


Artes Práticas e Sociologia;

Livros de recreação: ficção, teatro, humor, ensaios, leituras


leves em vários campos.

Nos livros de inspiração, a sabedoria e o entendimento encontram


a sua expressão. Aqui, poesia, drama e ficção refinada refletem e
interpretam a vida humana. O julgamento crítico requer que livros de
inspiração apresentem poder criativo, vitalidade, sinceridade, estrutura
firme, profundidade e beleza de expressão.
Em livrosde informação, o julgamento crítico requer encerrem mais
conhecimento do que poder criativo, como o essencial básico. Vitalidade
e sinceridade são requisitos; boa estrutura é mais importante que estilo,
apesar de que excelência de expressão é parte integ rante de todos os
livros que sobrevivem.
Livros de recreação podem pertencer a dois largos grupos que se
unem, mas são de diferentes qualidades. Na grande literatura criativa,
inspiração e recreação se mesclam de maneira indistinguível. Mesmo
em manifestações menores, a imaginação criativa quase sempre
desperta alguma emoção delicada - um entendimento mais rápido da
experiência humana, ou um impulso de simpatia , ou simplesmente a
alegria que envolve a sensação de simples prazer. Assim, apesar de a
grande maioria de livros de ficção, tanto quanto o drama e a poesia,
pertencerem à literatura de recreação, embora em níveis variados, são
também literatura de inspiração.
Estas três divisões, na verdade, nunca devem ser olhadas como
rigidamente separadas, pois suas fronteiras são sempre flexíveis. Deve
também ser lembrado que estas três divisões, inspiração, informação
e recreação, são simplesmente características amplas generalizadas
que indicam a natureza de um livro, mas não sua classe ou assunto

42
/
específico. Os livros que pertencem a estas divisões são também ~
especificamente definidos como História ou biografia, ou poesia, e daí
para a frente, através de todas as classes da literatura.
Existem diferentes padrões ou critérios para testar os valores dos
livros em cada uma destas classes. História, por exemplo, deve ser
baseada em fontes válidas, biografia deve dizer respeito a pessoas
interessantes, ou ser feita de modo interessante; viagem deve combinar
observação precisa e descrição interessante.
Estilo, isso é, uma expressão clara, polida ou nobre - é um elemento
necessário em livrosde inspiração, mas menos necessário em trabalhos
que tratam inteiramente de informação.
Estilo, entretanto, acrescenta valor a qualquer livro, sua presença
ou ausência é o teste principal da qualidade de um livro como literatura.
Existem, também, testes específicos que são comuns a muitos
tipos de livros. Numa análise de perto, estes testes serão vistos como
testes para livros de informação, testes para livros de inspiração e
testes para livros de recreação; mas na aplicação geral de ordem
prática , eles são usualmente divididos em dois grupos: testes para não
ficção e testes para ficção. Em cada grupo, os testes são de dois tipos:
testes para o assunto, autoridade e qualidade do livro, e testes para as
características bibliográficas e físicas. Considere alguns exemplos dos
testes mais usados.

7.5 - Testes para não ficção

ASSUNTO
1 - Qual é o assunto ou tema?
2 - Qual é o escopo? Completo? Parcial? História do assunto, ou
discussões de certos aspectos ou condições?
3 - São cobertos assuntos adicionais?
4 - É o livro sucinto? Exaustivo? Seletivo? Equilibrado?
5 - É o tratamento concreto? Abstrato?
6 - É popular? Erudito? Técnico? Semitécnico? É para o leitorcomum?
Estudante? Especialistas?
7 - Data (usualmente importante em relação ao assunto).

AUTORIDADE
1 - Quais são as especificações do autor? Qual é a sua formação?
Experiência? Preparo especial para escrever este livro?
2 - Utilizou-se de fontes de referência? Seu material secundário é de
confiança?
3 - É o trabalho baseado em observação pessoal ou pesquisa?
4 - É correto? Inexato?

43
5 - O autor entende perfeitamente o período, fatos, ou teorias com as
quais ele lida?
6 - Qual o ponto de vista do autor? Parcial? Moderado? Conservador?
Radical?

QUALIDADES
1 - O trabalho mostra algum grau de poder criativo?
2 - É a forma apropriada ao pensamento?
3 - Existe originalidade de concepção? Ou expressão?
4 - O estilo gráfico é claro? Grau de legibilidade? Atrativo? Profundo?
Poder imaginativo?
5 - Tem vitalidade? Interesse? Tem probabilidade de perdurar como
uma contribuição permanente à literatura?

CARACTERíSTICAS FíSICAS
1 - Existe um índice adequado?
2 - Existem ilustrações? Mapas? Diagramas ou gráficos? Bibliografias?
Apêndices? Alguns outros aspectos de referência?
3 - É o tipo gráfico claro? Papel bom?
VALORES PARA O LEITOR
1 - Informação?
2 - Contribuição para a cultura?
3 - Estímulo para os interesses?
4 - Recreação ou entretenimento?
5 - Que leitura relacionadas oferece?
6 - A que tipo de leitura atraí?

7.6 - Testes para ficção

(Alguns dos testes anteriormente mencionados são também


adequados para ficção).
1 - E real? Sensacionalista? Exagerado? Distorcido?
2 - Tem vitalidade e consistência na descrição de personagens?
Psicologia válida? Compreensão da natureza humana?
3 - É o enredo original? Vulgar? Possível? Simplório? Emaranhado?
4 - É o interesse dramático mantido?
5 - É estimulante? Provoca pensamentos? Satisfaz? Inspira? Diverte?

Numa análise apenas superficial destes testes é fácil diferenciar os


aplicáveis a livros de informação dos aplicáveis a livros de inspiração
e recreação . Testes para livros de inspiração e de ficção enfatizam os
valores mais intangíveis do poder criativo e da qualidade de expressão;
os testes para livros de informação dão maior importância a valores
factuais de conhecimento e de correção e ao método de tratamento.

44
Testes para a qual ificação do autor e para as características físicas
são de menor consideração em livros de inspiração e recreativos -
ensaios, peças, poesias, novelas; são julgados pelas suas próprias
qualidades, não pela experiência ou erudição do autor. Entretanto , em
qualquer campo da literatura, um autor que ganhou certa reputação
será sempre julgado, em parte, na base daquela reputação.
Um conhecimento sólido e profundo de literatura, e ampla
familiaridade com autores contemporâneos é de grande valor na prática
de seleção de livros porque este conhecimento concederá uma
discriminação rápida, quase instintiva, notrato de publicações correntes.
Excelência de impressão e papel, conveniência de tamanho e
encadernação satisfatória são importantes em livros de qualquer tipo.
Um bom índice é indispensável em todo o livro de informação : notas,
bibliografias e outros instrumentos para referência são essenciais para
muitos tipos de livros. A importância de ilustrações depende em grande
parte do caráter ou do objetivo do livro.
Diz-se que um assunto recebeu tratamento "concreto" quando o
autor apresenta ou analisa fatos, e as declarações são feitas de maneira
direta, resumida e verificável; tratamento "abstrato", quando o autor os
apresenta como parte de uma teoria filosófica ou de uma maneira
especulativa ou hipotética.
A data do livro é de importância variável. No caso de trabalhos
antigos, de valor, raros, ela denota se o livro é ou não uma edição antiga ,
e é então de um interesse especial a colecionadores, ou uma edição de
valor. Em publicações padrões e correntes de literatura de inspiração
ou de recreação, a data da publicação é de menor importância , pois o
valor do livro não depende tanto de sua atualidade, mas de sua
qualidade literária . Em literatura informacional, a data de publicação é
muitas vezes significativa e indica o valor atual do livro; em todos os
campos da Ciência e da Tecnologia, a data da publicação é extremamente
importante.
Consideramos a seguir algumas observações para a leitura técnica
adequada do livro:

Página de rosto - títulos honoríficos do autor, ou dados sobre


sua qualificação, subtítulos ou ampliação do título.

Data - comparar a publicação com a do copyríght.

Publicador - nome, de reputação; quando publicado pelo autor


ou publicador desconhecido, requer mais atenção no exame.

Prefácio I Introdução - devem ser sempre examinados ou pelo


menos folheados , porque, usualmente, esclarecem propósito,

45
escopo e ponto de vista do livro, ou dão informações sobre o
autor e seu trabalho.

Exame geral - examine os cabeçalhos dos capítulos, e dê


especial atenção ao primeiro e ao último capítulo, pois ambos
condensam o tratamento e os objetivo do livro. Escolha alguns
capítulos que pareçam controversos e leia-os bastante para
determinar se o autor demonstra algum preconceito ou idéia
fixa, se a sua atitude parece ser baseada em informação
positiva; se o tratamento é ficcionalizado, considere se a
maneira é discreta ou sensacionalista; se o conteúdo é erudito,
verifique se o estilo tem vigor, é fácil, difícil ou pedante.
Observe o tipo e a extensão de referência feitas às fontes de
informação. Teste o índice, a utilidade factual de uma biografia,
por exemplo, é diminuído, mesmo que ela possua alto valores
em interpretação e apreciação.

Habilidade para comparar e avaliar livros de tipo ou de caráter


semelhante é uma das melhores qualificações para uma efetiva seleção
de livros, a qual só pode ser adquirida pelo desenvolvimento de um
conhecimento pessoal com a literatura. Este conhecimento, apesar de
poder ser desenvolvido através da leitura - pois a leitura é a base
fundamental do conhecimento do livro - pode ser formada pela faculdade
de observação atenta, pelo hábito de mergulhar num livro e de folhear
aqui e ali, vários volumes. Auxiliares de biblioteca que lidam com livros
com atenção inteligente devem, inevitavelmente, adquirir este tipo de
familiaridade com os livros.
Uma seleção de livros bem sucedida demanda não somente uma
vida de conhecimento e familiaridade com o livro, mas julgamento
crítico e sólido, e gosto literário discriminativo. Ninguém pode
corretamente avaliar o poder criativo do livro, ou originalidade, ou
estilo, ou estrutura de enredo se não for capaz de reconhecer e analisar
estas qualidades.
Sólido julgamento crítico é adquirido principalmente através da
aplicação da inteligência, concentração e reflexão sobre uma boa
leitura. Ninguém nasce com gosto literário discriminativo, nem é ele
absorvido pela simples aceitação das opiniões dos outros. Mas não
pode haver um sólido julgamento crítico sem base na familiaridade
constante com livros. Mas deve haver, também, familiaridade com
bons textos de crítica, para estabelecer os fundamentos e desenvolver
a percepção de distinções e diferenças.

46
Julgamento crítico, no entanto, não deve ser estático. Deve ser
equilibrado e forte, mas também flexível. Deve permitir ao bibliotecário
reconhecer e usar todos os valores que um livro pode apresentar para
leitores diferentes sem consideração ao seu próprio apelo pessoal mais
imediato. Existem livros de qualidade literária medíocre que possuem
valores de reforço espiritual, estímulo psicológico, e auto
desenvolvimento, para muitos leitores de diferentes necessidades e
capacidades.
Leitura pessoal constante deve acompanhar e suplementar o
estudo e a prática de seleção de livros. Mas, o teste de valores dos livros
não depende do julgamento pessoal dos livros. Nenhum cérebro
humano pode entender e avaliar o conteúdo total da literatura. Ampla
gama de conhecimento de livros e poder sólido de julgamento crítico
intuitivo devem ser estabelecidos, em primeiro lugar.

NOTAS:

* A partir da implantação do novo currículo mínimo, aprovado em 1972,


tornou-se obrigatória a disciplina: Formação e desenvolvimento de
coleções. No que diz respeito ao material de ensino para esta área de
conhecimento, em outro estudo financiado pelo CNPq que realizamos
em 1988/90 (Avaliação do uso de material didático nos cursos de
biblioteconomia/Ciência da informação no país, em nível de graduação,
1991) identificou-se literatura predominantemente nacional, um fato
bastante auspicioso, e um quadro bem diferente do anterior.

** As definições de níveis de coleção não são aplicadas de uma maneira


relativa, isto é, relativa a uma dada biblioteca ou um grupode bibliotecas,
mas de uma maneira muito objetiva. Consequentemente, é muito
possível que grande número de bibliotecas mantenham coleções
amplas em alguma área. Similarmente, bibliotecas acadêmicas que
não apoiam programas de doutoramento, ou outros tipos de bibliotecas
que não são orientadas para pesquisa especializada, podem não ter
coleções no nível de pesquisa.

47
8 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - BENDER, A. - Allocation of funds in support of collection development in


public libraries. Library Resources & Technical Services , 23 (1):
45-5 1, Winter, 1979.

2 - BONE, L E. - The future of book selectio n and collection building. Catholic


Library World , 47 (1): 66-9, September, 1975.

3 - BROADUS, R. N. - Selecting materiais for libraries. New York, Wilson,


1973.

4 - CABECEIRAS, J. - The multimedia library. Academic Press, New York,


1978.

5 - CARTER , M. D. ; BONK, W. J. & MAGRILL, R. M. - Building library


collections Fourth edition, Mettuchen, New York, Scarecrow, 1974.

6 - CLARKE, J. A - A search for principies of book selection: 1550-1700.


Library Quartely , 41 (3): 216-22, July, 1971.

7 - EDELMAN, H. - Selection methodology in academic libraries. Library


Resources & Technical Services, 23 (1): 33-8, Winter, 1979.

22 - SHERA, J. H. - Introduction to library science; basic elements of library


service. Littleton, Colo, Libraries Unlimited, 1976.

23 - - The foundations of education for librarianship. New York,


Becker & Hayes, 1972. 511 p.

24 - SPILLER , D. - Book selection; an introduction to principies and


practice. Hamden, Conn. , Linnet Books, 1971.

25 - TAUBE, M. - The theory of book selection. College and Research


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26 - THOMPSON, LS. - The dogma of book selection in university libraries.


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27 - WELLARD, J. H. - Book selection; its principies and practice. London,


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8 - FENG, Y. T. - The necessity for a collection development policy statement


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48
9 - FIELD, C.W. - The librarian as selector. Catholic Library World, 46 (1):
4-7, July-August, 1974.

10 -GAVER, M. V., comp. Blackground readings in building library


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11 - GILL, P. - Book selection: by with criteria and with what objective? Library
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12 - GOLDHOR, H. - A note on the theory of book selection. Library Quarterly


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13 - GUIDELlNES for formulation of collection development policies. Library


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14 - HAINES, H. - Living with books. 2nd. ed. New York, Columbia University
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16 - LYMAN, H. H. - Reading and the adult new reader. Chicago, ALA, 1976.
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17 - MONROE, M.E. - The library's collection in a time of crisis. Wilson Library


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18 - MOSHER, P. H. - Collection evaluation in research libraries: the search for


quality, consistency and system in collection development. Library
Resources & Technical Services, 23 (1): 17-31, Winter, 1979. .

19 - OSBURN, C. B. - Some practical observations on the writing, implementation


and revision of collection development policy. Library Resources &
Technical Services, 23 (1): 7-15, Winter, 1979.

20 - - Planning for a university library collection development.


International Library Review, 9 (2): 209-24, April, 1977.

21 - SABLE, A. P. - The death of book selection. Wilson Library Bulletin, 43 (4):


345-48, December, 1968.

49

d
SELEÇÃO E AQUISiÇÃO:
DA VISÃO CLÁSSICA À MODERNA
APLICAÇÃO DE TÉCNICAS
BIBLlOMÉTRICAS

Com colaboração de: Regina Célia Montenegro de Lima


Profl Adjunto da UFRJ e Profa Colaboradora no Curso de
Mestrado em Ciência da Informação do IBICT/DEP

liA meta do bibliotecário é maximizar a utilidade social


dos registros gráficos para benefício da humanidade"
Shera (1 : 197)

1 - INTRODUÇÃO

Os países em desenvolvimento diferem dos desenvolvidos também


quanto às questões bibliotecárias. Enquanto as bibliotecas do "Norte",
conforme Wilson 2 , estão em dificuldades depois de terem tido a idade
de ouro dos anos sessenta, nos países em desenvolvimento, onde há
muito o que criar e fazer, as restrições econômicas colocam as bibliotecas
a disputar orçamentos com serviços essenciais, tais como, segurança,
saúde e infra-estrutura básica. E além disso, em cada país e em face da
escassez de recursos, há dificuldades de como decidir entre criar novas
bibliotecas, manter as existentes ou investir em automação e redes
cooperativas. Assim, existem muitos dilemas, não só os derivados da
escassez de recursos, como também os que decorrem da crença
generalizada de que informação é poder e como tal, faz parte da trilogia
básica de qualquer atividade humana - informação, matéria e energia .
Isto coloca às bibliotecas o paradoxo de poucos recursos financeiros
versus explosão de recursos informativos.
Segundo Shera 3 "nenhum bibliotecário pode, naturalmente, obter
todos os livros; nenhuma biblioteca pode atender a todas as necessidades.

51

d
As bibliotecas não podem crescer indefinidamente. Deve haver um
tamanho ótimo para toda a biblioteca que, indubitavelmente, varia de
situação para situação, e nós não sabemos o que vem a ser esse ótimo.
$empre deverá, portanto, existir seleção, até nas maiores bibliotecas.
Nem todos os livros têm valor permanente, e muitos livros nem mesmo
tem valor, Somente grandes livros são clássicos, imortais. Livros, como
pessoas, têm "direito" a morrer. A biblioteca é um "organismo em
crescimento", observou Ranganthan ...
Assim, pode-se afirmar que, "a verdadeira biblioteca não é,
meramente, um aglomerado de livros que se agruparam por uma série
de circunstâncias fortuitas mas, ainda conforme Shera 3 , é "uma criação
significativa destinada a estimular, no usuário, o desenvolvimento
intelectual" .
Desta forma, o incorporar ou descartar algum livro da coleção altera
as características do todo e a importância do (livro) item determina a
magnitude desta mudança. Seguindo o raciocínio de Shera 3 , o
desenvolvimento da coleção da biblioteca é um ato de criação intelectual
e o bibliotecário para realizá-lo deve conhecer livros e homens, e os usos
que os últimos farão dos primeiros.
Como todas as bibliotecas estão a serviço de uma instituição, suas
dotações refletem, inevitavelmente, as políticas dessa instituição e "a
cooperação nos domínios da aquisição e do compartilhamento de
recursos permitem melhor e mais efetivo emprego de insumos escassos,
ainda que ao preço de investimentos em novas infra-estruturas"2.
Dentro das considerações de Wilson 2, nas bibliotecas, como em
tudo o mais, a regra do 80:20 aplica-se, mais do que nunca, quando se
considera a relação custo/benefício. A British Library Document SUpply
Center com um núcleo de 6.000 a 7.000 periódicos pode satisfazer 80%
da demanda de empréstimo interbibliotecário da maioria dos países;
mas mantém 50.000 títulos de periódicos correntes para poder satisfazer
pouco mais do que 90% de todas as demandas. Se, por um lado, os
bibliotecários questionam sobre o que agregar às coleções, por outro
lado aos administradores interessa quantificar o menor investimento
que pode ser feito em uma coleção para satisfazer uma determinada
proporção de demanda.
As coleções são formadas por aquisição de itens e isto implica em
caracterizar o que adquirir - em termos de necessidades legitimadas
pelos usuários reais ou potenciais- onde e como adquirir. Assim, afirma
Shera 3 , "aquisição requer conhecimento sobre: os campos de
conhecimento envolvidos, a bibliografia da área e o comércio livreiro
relevante".

52
No domínio do comportamento a mensuração é difícil e as pessoas
ajustam as demandas às suas expectativas. Altos e baixos nos orçamentos
de aquisição causam somente um efeito marginal no âmbito das
Ciências Humanas e Sociais, mas podem acarretar maiores prejuízos
nas áreas da Ciência/Tecnologia.
Se a leitura influi na formação de valores, na criatividade e na
capacidade intelectual e operacional, é grande a responsabilidade que
cabe ao bibliotecário para equilibrar o desenvolvimento da coleção, da
qual só ele tem a visão de conjunto. Cada especialista, como usuário da
coleção, conhece e examina o seu campo apenas. Além disso,
experimentalmente se comprova que prevalece a lei do menor esforço,
já que as pessoas preferem a facilidade de acesso à qualidade da
coleção. Talvez, a lei do menor esforço explique porque há uma
percentagem insignificante de empréstimo interbibliotecário em relação
à utilização de recursos locais 2 .
Para a maioria das bibliotecas as necessidades de seus usuários
devem ser prioritárias e isto significa, segundo Wilson 2 :

1 - número suficiente de exemplares das obras mais


demandadas;
2 - concentração nos assuntos de maior interesse;
3 - um esforço positivo para reduzira coleção a um núcleo ativo,
mantendo em depósito os documentos de menor consulta e
realizando uma política racional de descarte.

A política de descarte deve possibilitar a preservação da memória e


garantiros objetivos daquelas bibliotecas que têm a responsabilidade de
conservar coleções exaustivas indefinidamente e que são as bibliotecas
de último recurso - as nacionais e as grandes bibliotecas de pesquisa 2 .
Cada bibliotecário tem o dever de atender a comunidade a que
pertence e serve e, para isso, deve manter uma coleção com o núcleo
de maior demanda e articular seus serviços com redes e sistemas para
atender as demais necessidades. Mas, ainda conforme Wilson 2 , "a
questão é equilibrar nossos orçamentos e os serviços a oferecer, nestes
tempos de rápida evolução tecnológica, social e política".
Desta forma, passam a ser de transcendental importância as
atividades profissionais de selecionar, para racionalmente desenvolver
a coleção, e avaliar continuamente produtos e serviços para melhor
atender com menos dispêndios e máximo rendimento.

53
2 - SELEÇÃO

Uma coleção selecionada e desenvolvida conforme os interesses e


necessidades de seus usuários torna mais fácil o acesso, a recuperação
e a disseminação da informação. Além disso, a necessidade de
racionalizar a recuperação e a disseminação da informação e, também,
da importância de bem aplicar recursos financeiros escassos, colocam
em destaque, como foi dito, a atividade de seleção na biblioteca.
Como pressuposto básico, afirma-se que a coleção deve ser
consistente com as metas e objetivos da instituição a que serve e que
os serviços de informação devem ser dirigidos aos usuários do sistema.
Assim, quando a instituição não definiu e expressou seus objetivos
e sua filosofia de ação, não é viável o estabelecimento de uma política
de seleção, já que ela deve ser calcada na filosofia e nos objetivos, bem
como nos programas institucionais.
Uma crise de identidade gera o andar em círculos; o fazer e refazer
programas dificulta o estabelecimento de uma política informacional e,
portanto, a seleção de obras para estabelecer uma coleção que atenda
necessidades que não estão definidas e/ou estruturadas. Conforme
Andrade 4 esta situação ocorre nas bibliotecas brasileiras e "devido à
redução dos orçamentos e a prioridade dada às assinaturas de periódicos,
a aquisição de livros foi reduzida ... A biblioteca recebe razoável número
de doações, na sua maioria de órgãos do governo, tanto em âmbito
nacional como intelectual. Neste caso o bibliotecário tem papel mais
ativo na seleção, sem dispensar, naturalmente, o concurso de
professores" .
Em avaliação de coleções Figueired0 5 afirma que a "qualidade e
quantidade de uma coleção de biblioteca depende quase que inteiramente
do programa de aquisição incluindo a política de aquisição, os
procedimentos de aquisição e, mais importante, os métodos de seleção.
Assim, uma avaliação da coleção da biblioteca é, efetivamente, uma
avaliação dos métodos de seleção ... "
A seleção envolve critérios que devem ser estabelecidos conforme
as diretrizes e o planejamento para a seleção . Cabeceiras* aponta três
critérios para a seleção:

"selecionar apenas o melhor livro, ou o de maior demanda, ou o


de menor custo".

* Cabeceiras, apud Figueiredo (6:10)

54
Todavia , é importante o bom senso do profissional que para bem
atender sua clientela deve lembrar que esses critérios envolvem
julgamento de valor, gosto literário e pesquisa de mercado. Além disso,
a todo o tempo pode-se questionar:

Os melhores livros? Melhores para que propósito? Melhores


para quem? Mais demandados em que circunstância? Menor
custo-benefício ou menor preço de aquisição?

Selecionar é ser capaz de "comparar diferentes livros sobre um


assunto, pesar o mérito de demandas opostas, julgar o valor de livros
individualmente, e na aplicação de princípios estabelecer métodos de
utilização de verbas para livros, da melhor maneira possível".**

Política de seleção é um conjunto de diretrizes e normas que visa


estabelecer ações, delinear estratégias gerais, determinar instrumentos
e delimitar critérios para facilitar a tomada de decisão na composição e
desenvolvimento de coleções em consonância com os objetivos da
instituição e os usuários do sistema.
O ideal é que a seleção seja feita por uma comissão composta de
uma representação dos usuários, da mantenedora e do pessoal que
atende aos usuários e que, portanto , conhece a clientela .
A política de seleção deve ser flexível e atualizada, e expressa de
forma a facilitar as decisões e a justificar a incorporação ou não de
determinados itens?
"A seleção mais adequada é a que realiza os objetivos da função
social da biblioteca através do conhecimento da comunidade", esta
afirmativa de Wellard*** destaca a importância da interação do sistema
biblioteca com o ambiente que a envolve. E para interagir muitos fatores
devem ser considerados, pois conforme Haines** selecionar envolve
vários aspectos dos quais destacamos:

1 - o conhecimento da comunidade e suas necessidades, atuais


e projetadas;
2 - análise cuidadosa da coleção existente e a determinação de
seus pontos fortes e fracos;
3 - estabelecimento da política de descartes;
4 - consideração dos índices de inflação nos preços de livros e
materiais;

.* Haines, apud Figueiredo (6:14), (6:23)


._. Wellard , apud Figueiredo (6: 18)

55

",
5 - consideração do que e quanto adquirir no formato de não-
impressos, e qual a relação destes materiais com o que já
existe na coleção;
6 - determinação de um núcleo básico, continuamente
atualizado, e de quanto deve ser reservado para novos
interesses;
7 - conhecimento de recursos disponíveis através de cooperação
entre bibliotecas e outras alternativas ao alcance dos usuários;
8 - fatores como: espaço de armazenamento, grau de deterio-
ração e obsolescência dos materiais, índices, perdas ... "

Para bem desempenhar as funções de selecionador o bibliotecário


deve se orientar por princípios pré-definidos. Para cada tipo de biblioteca
há variações, mas a título de orientação se pode considerar os princípios
de seleção para bibliotecas especializadas apresentados por Mount 8
como segue:

Princípios de seleção para bibliotecas especializadas:

Assunto - conteúdo de acordo com as áreas de interesse da instituição


a que a biblioteca pertence, é o fator mais importante.

Audiência para o qual o material é escrito - grande dificuldade para


neófitos ou pesquisadores.

Língua do texto - os resumos dos periódicos estrangeiros facilitam a


consulta de usuários fluentes em outras línguas.

Duplicação de trabalhos - já existentes na coleção em material similar.

Status do autor ou do editor - alta qualidade do trabalho assegura a


incorporação à coleção.

Data de publicação - obsolescência varia nas diferentes áreas de


conhecimento. Relação idade) demanda, custo de manter itens de valor
apenas histórico.

Formato - impressos ou não e características físicas, qualidade.

Controle bibliográfico - no caso de periódicos a cobertura por serviços


de indexação é consideração importante.

56
Níveis da coleção - exaustiva, de pesquisa, de trabalho, ocasional (para
atualização e criatividade).

A política de seleção em bibliotecas especializadas deve ser revista


continuadamente porque progn:lmas e objetivos mudam continuamente.
E deve ser escrita em parágrafos curtos, descrevendo os objetivos
atuais da coleção em termos gerais, e de modo específico, os assuntos
de interesse.
Por exemplo, a coleção da Empresa X consiste de monografias,
periódicos, relatórios técnicos e catálogos comerciais nos assuntos a, b,
c e d com particular ênfase em material moderno em língua inglesa e em
português . Assuntos correlatos, como m e n, também estão
representados. Material de referência proverá outros itens e o serviço
interbibliotecário alargará as possibilidades de consulta . Maiores diretrizes
como segue:
Assunto a - em nível de pesquisa com ênfase nos aspectos w e z.
Assunto b - em nível exaustivo, dos últimos cinco anos.
Assunto c - em nível de trabalho do setor y.
Assunto d - em nível exaustivo, dos últimos dez anos.
Assunto m - ocasionalmente nos aspectos f, g, h e j .
Assunto n - ocasionalmente sob a forma de manuais, textos básicos
e periódicos básicos (alguns).
Uma política de seleção estabelecendo as linhas gerais da coleção,
como no exemplo acima, pode ser definida rapidamente e, ainda que as
condições e necessidades mudem, essas diretrizes poderão serfacilmente
atualizadas e adaptadas.
Os aspectos de custo da coleção devem ser considerados para
facilitar a elaboração do orçamento anual do setor e para que se possa
racionalizar o aproveitamento de recursos. Os aumentos de custos
podem favorecero estabelecimento de redes cooperativas e generalizar
o compartilhamento de recursos, onde os cortes na aquisição de
monografias possibilitem manter a aquisição de periódicos. Para auxiliar
a tomada de decisão, é possível consultar serviços especializados
oferecidos por publicações como o Library Journal que apresenta
estatísticas de custo de assinaturas de periódicos e de serviços de
indexação.

2.1 - Critérios para descarte


Descarte de ma~erial bibliográfico é um processo que requer
experiência profissional e muitos são os fatores que tornam o descarte

57
necessário. Estudando bibliotecas especializadas, Mount 8 aponta como
fatores a serem considerados para descarte os que seguem:

Espaço físico - demanda de espaço disputado por outros setores,


principalmente, nas instituições privadas. O desbastamento é a solução
para se manter dentro do espaço alocado.
Mudanças de campo de interesse - em alguns casos as áreas de
interesse mudam rapidamente. Tópicos que foram importantes podem
perder todo o significado e sendo irrelevantes não justificam o espaço
que ocupam.

Material obsoleto - necessidade de informação corrente dispensa


material após determinado período, material antigo pode ser descartado
sem receio de que possa vir a ter demanda.

Condições físicas - material deteriorado pelo uso deverá serdescartado


elou substituído.

Há muitos princípios para orientar o processo de descarte, e há que


destacar que itens valiosos, clássicos, não podem ser dispensados,
sendo importante ouvir a opinião de usuários e especialistas antes de
decidir o descarte.
Quanto ao material produzido internamente na instituição é
aconselhável verificar se é sigiloso ou se é a única cópia existente . No
caso de ser sigiloso poderá ser incinerado e no caso de ser a única cópia
existente é importante pensar na preservação da memória local.
Uma boa sugestão é reter o material quando suscita dúvidas sobre
seu valor ou utilidade, para posterior reavaliação.
Aspectos a serem considerados no descarte de monografias em
bibliotecas especializadas, conforme Mount 8 :

Assunto - conforme os interesses e objetivos institucionais. Quando


mudam os interesses as obras cujos assuntos não mais interessam
devem ser descartadas.

Idade - a obsolescência varia conforme a área ; em algumas, a idade tem


pouca influência quanto ao valor da obra. Materiais ultrapassados
devem ser descartados.

58
Cobertura - descartar os títulos menos valiosos e conservar só os
melhores sobre determinado tópico . Reduzir o número de duplicatas.
Em dados acumulados, estatísticas, só interessa o trabalho mais recente.

Recursos alternativos - compartilhamento de recursos com outras


bibliotecas, principalmente em áreas correlatas.
Condições físicas - material em más condições para uso deve ser
descartado. Material de baixa qualidade, pouco durável; requer cópia
em outro formato para preservação.

Nível de profundidade no tratamento do assunto - os livros de "como


fazer" desatualizam quando muda o equipamento; porém princípios
básicos são permanentes.

Autoridade do autor - quando o assunto perde a atualidade, mas é um


clássico deve ser encaminhado para onde possa ser útil.

Língua - monografias em língua pouco usada são maiores candidatas


ao descarte.

Para o descarte de periódicos em bibliotecas especializadas,


Mount 8 recomenda que além dos aspectos a considerar no descarte de
monografias, deve-se também notar os seguintes:

Editor - periódicos publicados por associações e sociedades de grande


influência e importância devem ser preservados com prioridade em
relação aos de editores de menor prestígio.

Cobertura de indexação - artigos indexados/resumidos são mais


acessíveis. Nas pequenas coleções é importante obter o máximo de
cada título.

Versões alternativas - CD-Rom economizam espaço e preservam


melhor as informações apresentadas em formatos de baixa qualidade
como jornais.

Idade - conservar coleções completas a partir de determinada data e


descartar os mais antigos após examinar cuidadosamente para determinar
qual o período que convém reter na coleção - o que varia conforme o
periódico e a área.

59
Língua da publicação - periódicos em línguas estranhas podem ter
resumos e artigos em línguas acessíveis. É preferível manter os
periódicos publicados em línguas mais acessíveis.

Quando se verifica que não há interesse em manter um documento


na coleção e que o material deve ser descartado, há alternativas que
devem ser consideradas. As opções de descarte são:
Eliminação - prática usada para material efêmero e de pouco valor.

Venda - aplicável em pouquíssimos casos.

Permuta - troca de duplicatas e outros materiais disponíveis.

Doação - quando regulamentos permitem doar para outras instituições.

Incineração - queima de documentos especiais para evitar problemas


por questões de reserva, sigilo ou segurança.

Máquina de picotar - inutiliza o texto e possibilita o reaproveitamento


da matéria-prima (celulose).

3 - TÉCNICAS BIBLlOMÉTRICAS APLICADAS AO


DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES

Em Bibliometria e biblioteconomia, Figueired0 9 faz ampla revisão da


literatura onde são apresentadas muitas sugestões de aplicação de
métodos quantitativos aos serviços bibliotecários, inclusive no
desenvolvimento de coleções e na avaliação de serviços. Os estudos
incluídos na revisão apontam caminhos para aplicação de técnicas
bibliométricas, definindo bibliometria como "análise estatística dos
processos de comunicação escrita, tratamento quantitativo (matemático
e estatístico) das propriedades e do comportamento da informação
registrada".
No Brasil, as análises bibliométricas começaram a ser realizadas na
década de 70, introduzidas pelo Curso de Mestrado do IBICT - Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, por professores
como Tefko Saracevic e Gilda Braga.
O crescimento acelerado da Ciência foi objeto de estudo de Engels,
já em 1844, e foi definido como crescimento exponencial da ciência por
Solla Price em 1960. A proliferação de textos ou explosão bibliográfica,

60
torna indispensável seleção de títulos para o racional desenvolvimento
da coleção, de tal forma que a recuperação de informação seja ágil e
adequada .
As técnicas bibliométricas têm uma linha de evolução histórica que
vem desde 1962, quando Lotka investigou a produtividade de autores de
assuntos científicos e constatou que uma larga proporção da literatura
é produzida por pequeno número de autores. Estudando a lei de Lotka ,
Solla Price, novamente e, na década de 60, modificou-a inferindo que:
1/3 da literatura levantada é produzida por menos de 1/10 dos autores,
levando a uma média de 3,5 documentos por autor e 60% dos autores
produzindo um único documento.
Os estudos de Solla Price 10 apontam também o que é chamado de
Efeito Mateus, o princípio de que sucesso atrai sucesso e fracasso atrai
fracasso, expresso no Evangelho MT 25,29: - "a quem muito tem muito
será dado, a quem nada tem até o pouco, que parece que tem, será
tirado". Este efeito indica que os mais produtivos produzem sempre
mais.
Solla Price estabeleceu também o princípio do Elitismo - "toda a
população de tamanho N tem uma elite igual a..j N (raiz quadrada de N)".
Por exemplo, e conforme apontou o estudo de Lima 11 sobre o periódico
Scientometrics, para uma população de: 1164 artigos a elite é igual a 34;
294 periódicos a elite é 17. A determinação da elite pode apontar o
núcleo, o "core" da população e, em se tratando da seleção para
desenvolvimento da coleção, dos títulos que devem ser analisados para
serem incorporados ao acervo.
Um dos marcos teóricos da bibliometria é o estudo da dispersão da
literatura realizado em 1934, por Bradford. Ele estabeleceu uma relação
entre artigos de interesse para um especialista e os periódicos em que
podem ocorrer esses artigos. Em seus estudos de documentação , em
1948, Bradford propôs formas de ordenar o caos documentário e
constatou que organizando uma grande coleção em ordem decrescente
de relevância para um determinado assunto, destacam-se três zonas,
cada uma com 1/3 do total de artigos devotados ao assunto em pauta.
Descobriu também que 50% ou mais dos artigos aparecem em um
número muito pequeno de títulos de periódicos.
A lei de Bradford tem sido usada para explicar o comportamento da
literatura, principalmente de periódicos. Brookes 12 , ao estudar o
remanejamento de coleções através de métodos quantitativos apresentou
a seguinte formulação para a lei de Bradford: "Se periódicos científicos
forem dispostos em ordem decrescente de produtividade de artigos
sobre um determinado tema, pode-se distinguir um núcleo de periódicos

61

c1
mais particularmente devotados a este tema e vários grupos ou zonas
que incluem o mesmo número de artigos que o núcleo, sempre que o
número de periódicos existentes no núcleo e nas zonas sucessivas seja
da ordem de 1: n: n 2 : n3 : n4 : •.• "
Com o emprego da lei de Bradford, Brooks 12 analisou volumes de
periódicos que podem ser descartados quando o número de artigos
relevantes, por ano, cai a um nível pré-determinado. Line analisou
periódicos para predizer a obsolescência de títulos individuais em
relação a uma área de assunto.
Trueswell 13 propôs a distribuição de Bradford como instrumento
válido, para prever circulação e uso da coleção em bibliotecas, por ter
observado que 80% das demandas feitas pelos usuários são atendidas
por20% da coleção. A regra 80-20 é importante quando se considera que
é impraticável desenvolver uma coleção que reúna todos os itens
publicados em qualquer área do conhecimento .
Goffman e Morris 14 mediram circulação de periódico para estudar o
uso e poder programar aquisição.
Bourne apresentou a biblioteca que atende 90% ou 80% das
demandas feitas, já que o investimento para atender 100% da demanda
é desproporcional aos resultados obtidos e, portanto, inconveniente.
Leimkuhler indicou que o armazenamento de uma grande coleção
de pesquisa pode ser relativamente ineficiente em termos de busca e
recuperação e que, portanto, pode-se propor um depósito ativo e
seletivo onde 20% da coleção satisfaça a 2/3 das necessidades dos
usuários, aumentando o nível de recuperação ede satisfação. Leimkuhler
propôs dividir a coleção em zonas de alta e baixa probabilidade de
sucesso e estudar a relação custo/benefício .
Para decidir sobre descarte, Cole estudou o uso de periódicos em
relação à sua idade e através do estudo de citações confirmou que o
aumento na idade do periódico corresponde à diminuição no uso.
Buckland e Woodburn, com a lei de Bradford e a fórmula de Cole,
analisaram coleções de periódicos e demonstraram formas de fazer
melhor uso do espaço e dos recursos disponíveis nas bibliotecas. Títulos
com pouco uso após os primeiros anos não devem ser encadernados; é
mais econômico descartar do que encadernar. Em alguns casos, depósitos
centrais e empréstimos entre bibliotecas podem atender as poucas
solicitações existentes, com economia de verbas, espaço e serviços.
"Alguns autores, como Clapp/Jordan, Carter e Beasley, apresentam
fórmulas matemáticas para avaliação do tamanho da coleção, incluindo
variáveis como: recursos, população servida, circulação, capacidade de ·
pesquisa, etc", observa Guerreiro 15 ao concluir que a maior contribuição

62
de tais fórmulas é o aproveitamento de sua metodologia porque são
baseadas em padrões e estatísticas estrangeiras e, portanto, pouco
aplicáveis à nossa realidade.
Lehnus usou o acoplamento bibliográfico, introduzido por Kessler,
onde "documentos científicos que possuem uma relação expressiva
entre si, são bibliograficamente unidos", porterem uma ou mais citações
em comum. Kessler atribui o estudo do acoplamento bibliográfico a F ano
que sugeriu essa possibilidade de analisar o documento científico pelo
uso, mais do que pelo conteúdo. Todavia foi Kessler que elaborou e
testou a hipótese que deu origem ao postulado.
Estudos de crescimento e obsolescência de literatura e os de uso de
periódicos, como o realizado por Urquhart, apontam que o uso é
acentuado em apenas uma parcela pequena da coleção. Tais
constatações justificam o estudo de técnicas e métodos para
racionalmente avaliar as coleções e programar o seu desenvolvimento.
Inegavelmente, é muito mais fácil processar, acessar, e manter
atualizada uma coleção com menor número de títulos, provendo, ao
mesmo tempo, maior aproveitamento de conteúdo desta coleção.
São fatores determinantes, nos serviços de informação a economia
de recursos financeiros e de trabalho em termos de tempo de
processamento, busca, recuperação e disseminação da informação pois
que influem na relação custo-benefício e, diretamente, nas decisões que
envolvem políticas de seleção e de aquisição.
Para avaliar coleções e serviços é interessante o uso de técnicas
bibliométricas para analisar estatisticamente o tamanho, o crescimento
e a distribuição da bibliografia científica, avaliando ao mesmo tempo, a
estrutura social dos grupos que produzem a literatura científica e as
interações existentes entre os que produzem e os que consomem essa
literatura 16.
A análise da ciência através da produção escrita é objeto de estudo
de historiadores, sociólogos e documentalistas e oferece subsídios ao
desenvolvimento de metodologias que podem ser adequados às situações
nacionais para avaliar áreas da literatura, e das relações usuário-
coleção.
Ainda que exista um grande número de métodos quantitativos para
avaliar coleções o ideal é que se combine com eles os métodos
qualitativos para bem fundamentar a tomada de decisão. Avaliação
sempre envolve julgamento de valor, por menos subjetivos que sejam
os métodos quantitativos, e deve prevalecer o conhecimento técnico ao
lado do bom senso 15 .
É importante consultar a literatura de avaliação de coleção para
verificar o que já foi dito e feito e os fenômenos e as leis que a regem .

63

...
Muitosdos estudos que aqui enumeramos aparecem em estudo realizado
por Lima (1983) 11 e nas revisões de Lopes Piriero (1972) 17, Braga
(1974)18, Line & Sandison (1974)19, Figueiredo (1977)9, Sá (1977)16,
Guerreiro (1980) 15 e Figueiredo (1948) 20.
Análisesquantitativas de coleções, de uso e de serviços bibliotecários
são instrumentos auxiliares na tomada de decisão em relação à seleção,
aquisição, descarte, desbastamento, remanejamento, avaliação e revisão
da coleção. Para essa área de estudos apresentamos aqui a terminologia
proposta por Figueired0 2o :

Desenvolvimento de coleção (collection development) - função de


planejamento global da coleção.

Seleção - função do desenvolvimento da coleção; processo de tomada


de decisão para títulos individuais.

Aquisição - processo de implementação das decisões da seleção.

Avaliação da coleção (collection evaluation) - função de desenvolvimento


da coleção, relacionada com planejamento, seleção, revisão e
desbastamento.

Revisão da coleção (review/stock control) -termo mais amplo, genérico,


relacionado com avaliação e os que seguem . É o processo pelo qual
decisões são tomadas e ações executadas.

Desbastamento (prunning/weeding/de-selection) - processo de extrair


títulos ou partes da coleção, quer para remanejamento, quer para
descarte.

Remanejamento (relegationlretirement) - processo de retirar títulos ou


partes da coleção para outros locais menos acessíveis.

Descarte I seleção negativa**** (discard/purging/negative selection) -


processo de retirada de títulos ou partes da coleção para fins de doação
ou eliminação. Para esta última decisão deve sertomado em consideração
o aspecto físico da obra.
Conservação I preservação - conservação é a retirada temporária do
título para recomposição física e para retornar à coleção. Preservação

**** Seleção negativa é um pouco confundida com censura quando se parte da


noção de que o censor faz a seleção negativa, isto é, examina e baseia sua
seleção do título pelos aspectos negativos, ao contrário do bibliotecário, que
procura exatamente os valores positivos do título para incorporá-lo à coleção.

64
se refere mais à recomposição de títulos raros para armazenamento
especial.

4 - AQUISiÇÃO

Aquisição é o processo de agregar itens a uma coleção por meio de


compra, doação ou permuta. Aquisição é a operação que resulta da
seleção, ou seja, que implementa as decisões da seleção ao incorporar
à coleção os itens selecionados.
O serviço de informação tem um papel interativo entre o universo de
recursos bibliográficos e a população de usuários. A figura apresentada
por Lancaster 21 em "Pautas para la evaluación de sistemas y servi cios
de información" ilustra esta interação.

·
U nlverso ~
de População
Recursos de
Bibliográficos Usuários
f-

A interação de serviços de informação - Lancaster 21

Para destacar a importância básica do serviço de aquisição é


interessante analisar as tarefas a ele atribuídas pelo Comitê de
Especificação de Trabalho das Bibliotecas de Alberta, Canadá, em
relação a bibliotecas especializadas.
A lista de atividades específicas do setorde Aquisição de bibliotecas
especializadas não especifica o nível de pessoal que deve realizar as
tarefas e considera importante que se destaque as variações que
ocorrem em conseqüência das variações de situação, tamanho,
dimensões dos programas e pessoal envolvido. Assim, as atividades
apontadas pelo Comitê de Alberta 22 devem ser analisadas e adaptadas
às particularidades de cada biblioteca. Neste cas0 22 , a aquisição foi
dividida em três setores:

A - Seleção;
B - Verificação e empenho para aquisição;
C - Processamento.

Atividades dos setores de:

65
A - Seleção
1 - Estabelece a política de seleção para material impresso e
não impresso. O serviço de informação tem um papel inte-
rativo entre o universo de recursos bibliográficos e a popu-
lação de usuários. A figura apresentada por Lancaster 21 em
"Pautas para la evaluación de sistemas y servicios de
información" ilustra esta interação.
2 - Avalia e seleciona o material através de revisão de literatura,
catálogos de publicações e itens pré-determinados.
3 - Avalia a coleção já existente.
4 - Aprova solicitações de usuário e itens para descarte.
S - Usa as listas de permutas e doações para preencher lacunas
na coleção.
6 - Encoraja a participação do pessoal da instituição na seleção.
7 - Mantém seleção corrente para acréscimos.
8 - Mantém listas de material a serem considerados para
descarte.

B - Verificação e empenho para aquisição


1 - Examina as fichas do catálogo para verificar a existência de
duplicatas.
2 - Verifica e localiza informações.
3 - Decide qual o canal para aquisição, se direto ou por inter-
mediário.
4 - Mantém listas de fornecedores e editores.
S - Expedição de empenhos (documentos de solicitação de
aquisição para o setor financeiro).
6 - Correspondência relativa a aquisição.
7 - Verifica listas de aquisição solicitadas e recebidas, renova
as assinaturas requeridas.

C - Processamento
1 - Recebe as aquisições, verifica erros ou defeitos e devolve
ao vendedor, quando for o caso.
2 - Repõe itens desaparecidos ou faltantes nas coleções.
3 - Mantém registros de aquisição (pedidos e recebidos).
4 - Aprova solicitações de pagamento.
S - Prepara mapas de aquisição e pagamento.
6 - Requisita, recebe e expede ordens de pagamento.
7 - Mantém registros financeiros de aquisição (ordens de
pagamento).

66
8 - Registra o material recebido e o prepara para empréstimo.

Para bem desenvolver as atividades do setor de aquisição é preciso


estudar as normas legais que se aplicam, os procedimentos de compra
viáveis para os diferentes materiais, tanto no país quanto no exterior, e
manter cadastros e catálogos de fornecedores.
É preciso estabelecer contactos com os fornecedores e conhecer as
linhas de publicação e vendas do comércio livreiro, avaliando os
diferentes canais de distribuição de editoras, livrarias e intermediários.
Convém manter atualizadas as fontes básicas para aquisição de
livros, periódicos, áudio-visuais, teses e patentes ... tais como, Books in
Print, Subject Guide, Ulrich's, Guide to microforms in Print, Leia,
cadernos culturais de jornais, catálogos de teses e de editoras. Da
mesma forma, deve-se atualizar informações sobre material não
convencional como as publicações de associações e de sociedades
culturais/profissionais, de universidades e do Governo de instituições
internacionais como OEA, UNESCO, ONU.
As rotinas de aquisição envolvem decisões de onde e como adquirir
por questões de preço e facilidade de obtenção. Geralmente o fornecedor
emite fatura pró-forma para que se faça o empenho que é encaminhado
ao setor financeiro; quando recebe o material, o setor de aquisição da
biblioteca encaminha a ordem de pagamento para o setor financeiro
liquidar a fatura. Quanto ao material adquirido no exterior, que é
regulado por legislação de importação, o pagamento é feito
antecipadamente e é necessário controlar recebimentos, atrasos, faltas
e falhas.
A correspondência com editoras, livrarias e demais fornecedores
envolve acusar recebimentos das encomendas e agradecer doações,
além dos expedientes para encomendar, reclamar, esclarecer e solicitar
material.
Comose mantém um registro de solicitações de usuários é importante
avisar aos interessados sobre eventuais atrasos e notificar quando o
material estiver disponível.

4.1 - Aquisição planificada e cooperativa


Com a escassez de recursos que caracteriza na atualidade os
serviços de informação, é importante considerar as possibilidades de
compartilhar recursos para equacionar a questão de desenvolvimento
das coleções. Aquisição planificada e aquisição cooperativa visam
otimizar o aproveitamento de recursos .
Aquisição planificada - a instituição faz um programa onde planeja
formar ou ampliar sua coleção conforme princípios definidos dentro da

67

.....
filosofia e das diretrizes institucionais. O programa estabelece prioridades
e procedimentos para adquirir o material informacional.

Aquisição cooperativa - as instituições, mediante acordos e


convênios, estabelecem programas envolvendo bibliotecas de uma
mesma região, com os mesmos interesses e com especializações de
assuntos, com a finalidade de assegurar acesso a informações relevantes
ao maior número possível de usuários.
A aquisição cooperativa tem o objetivo de garantir cobertura exaustiva
da literatura especializada relevante a todos os usuários de todas as
bilbiotecas cooperantes.
O compartilhamento de recursos informacionais intensifica o uso e
assim otimiza a relação custo/benefício ao mesmo tempo que diminui o
investimento.
Um programa bem organizado elimina duplicações desnecessárias
dentro de uma área geográfica e sobre determinados assuntos,
possibilitando melhor atendimento com economia de processamento
técnico e no armazenamento de materiais.
Qualquertipo de material pode ser objeto desses programas, desde
que conste nos termos de acordo ou convênios que a aquisição
cooperativa diz respeito a livros, periódicos, jornais, publicações oficiais,
publicações de sociedades eruditas estrangeiras, instituições
internacionais, etc ...
Ocasionalmente, as bibliotecas podem debater entre si para decidir
sobre aquisição de coleções de alto preço ou de baixa demanda para
evitar duplicações desnecessárias na região.
Com base para a efetivação destes programas é necessário levar
em consideração os seguintes aspectos:

1 - Determinar a divisão de responsabilidades e competência,


entre as unidades cooperantes, quanto à aquisição de itens.
2 - Localizar as obras por meio de catálogos coletivos.
3 - Fornecer as publicações através de empréstimo entre bi-
bliotecas de forma racional, padronizada, rápida e flexível.
4 - Itens necessários para a manutenção do programa , em
caráter permanente ou conforme preconizado nos acordos
ou convênios, inclusive quanto às possibilidades técnicas e
recursos financeiros de cada parceiro.
S - Distância entre as bibliotecas pode se constituir um fator
negativo por retardar o processo. Neste caso a restrição que

68
determina não duplicar material deve ser revista com a
necessária flexibilidade para garantir o atendimento satisfa-
tório de todos os envolvidos através de um núcleo básico
para atender consultas mais freqüentes. A alta freqüência de
consulta pode justificar duplicações de itens.

A aquisição cooperativa pressupõe, portanto, seleção planificada de


materiais que deverão compor as coleções das bibliotecas cooperantes.
Mas, a seleção planificada pode vir a ser a primeira barreira para a
realização efetiva das atividades cooperativas, já que muitas vezes o
processo de seleção não é feito pelos bibliotecários, mas pelos usuários.
O ideal é a comissão de seleção que reúna bibliotecários e usuários ao
lado de representantes da administração da instituição, cabendo ao
bibliotecário promover o desenvolvimento equilibrado das coleções,
tanto de materiais nacionais quanto de estrangeiros.
Um outro obstáculo à aquisição planificada é a não existência de
catálogos coletivos completos e atualizados que possibilitem a troca de
informações bibliográficas indispensável entre bibliotecas cooperantes.
Uma grande barreira ao cooperativismo é a "lei do menor esforço",
o usuário prefere qualquer obra de acesso rápido e fácil a ter que obter
outra mais relevante através do empréstimo entre bibliotecas que é a
base da aquisição cooperativa.
A aquisição planificada resulta de estudos prévios para identificar
necessidades de usuários e facilidades de acesso para direcionar a
política de seleção (positiva - incorporação, e negativa - descarte) que
dará origem ao processo de aquisição .
Os estudos para o diagnóstico e planejamento do setorde aquisição,
envolvem variadas questões para o conveniente e racional
desenvolvimento da coleção. Sem pretenderelaboraruma lista exaustiva
ou destacar prioridades, hierarquicamente, relaciona-se a seguir itens a
serem considerados:

1- Interesses e necessidades de usuários reais e potenciais.


2- Recursos disponíveis em bibliotecas vizinhas.
3- Orçamento da instituição.
4- Interesses e necessidades institucionais.
5- Desenvolvimento equilibrado e racional da coleção da bi-
blioteca .
6 - Programas em desenvolvimento pela mantenedora.
7 - Limites, profundidade e organização de coleções.

69
8 - Resultados das análises quantitativas para determinar
núcleos ou elites.
9 - Evitar duplicatas desnecessárias.
10 - Localizar títulos recém-publicados (guias, revistas e
catálogos).
11 - Assinaturas de periódicos que interessa manter.
12 - Possibilidade de obter cópias de documentos, artigos e
separatas.
13 - Acesso a bases de dados e serviços de busca bibliográfica
on-Iíne.
14 - Serviços de índices e resumos disponíveis.
15 - Mecanismos de controle de política de aquisição.
16 - Mecanismos de controle das operações de aquisição.
17 - Deficiências e facilidades de comércio livreiro no País.
18 - Restrições e trâmites da importação de publicações.
19 - Material reprográfico disponível (equipamento).
20 - Disponibilidade de equipamento de saída (leitora de
microformas ... ).

5 - CONCLUSÕES

Nesses tempos de rápida evolução tecnológica, social e política é


essencial a atividade de avaliação continuada de produtos e serviços
bibliotecários pois urge equilibrar orçamentos e ao mesmo tempo atingir
aos objetivos propostos com o máximo rendimento. Assim, a
racionalização da recuperação e disseminação da informação coloca
em destaque as atividades de seleção e aquisição do acervo bibliográfico.
Selecionar o que deve ser incorporado ou descartado do acervo é
uma atividade, intelectual e operacional, ao mesmo tempo em que
determina o desenvolvimento de coleções conforme as metas e objetivos
da instituição e os interesses dos seus usuários.
As rotinas de aquisição envolvem decisões de onde e como adquirir,
questões de preço e facilidade de obtenção dos itens. É preciso estudar
as normas legais que se aplicam, os procedimentos viáveis para os
diferentes materiais, avaliar os diferentes canais de distribuição e
comércio do livro .
A escassez de recursos financeiros no mundo em crise atinge os
serviços de informação e as bibliotecas estão considerando as
possibilidades de compartilhar recursos para racionalizar o
desenvolvimento das coleções através de aquisição planificada e
aquisição cooperativa .

70

L
o compartilhamento de recursos intensifica o uso, evita a ociosidade
de equipamentos e melhora a relação custo/ benefício. Acordos e
convênios podem resultar em melhor aproveitamento dos recursos
disponíveis e obtidos com economia de processamento técnico e de
espaço para armazenamento de materiais.
Para bem desempenharsuas funções o bibliotecário deve estabelecer
princípios de seleção e aquisição que variam conforme o tipo de
biblioteca, o ambiente, as circunstâncias e o momento histórico. Como
esses princípios traduzem as filosofias e diretrizes da instituições,
devem ser flexíveis e atualizáveis ao se descrever as políticas atuais da
coleção, os assuntos de interesse, os níveis de profundidade, a
abrangência e a cobertura das coleções.
A ordenação do "caos documentário" proposta por Bradford e
desenvolvida por inúmeros pesquisadores, tem contribuído para explicar
o comportamento da literatura e as propriedades da informação registrada.
Sendo os métodos quantitativos úteis instrumentos para a tomada de
decisão, é importante que sejam considerados pelo bibliotecário.
A habilidade técnica do profissional, aliada a sua capacidade
intelectual, deve dar origem a bibliotecas eficientes onde coleções
satisfatórias sejam úteis e benéficas às comunidades a que pretendam
servir. Ao colocar o universo de registros informacionais disponível e
acessível à população de usuários, com o mínimo de dispêndio e com
os melhores resultados, otimizando a relação custo/benefício, está o
biblotecário bem cumprindo a sua missão profissional.

71
6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - SHERA, J. - The foundation of education for librarianship . New york,


Becker & Hayes, 1972. 511 p.

2 - WILSON, Alexander - Collection development and services in recession .


IFLA Journal, 9 (1):11-9,1983.

3 - SHERA, J. - Introduction to library science: basic elements of library


service. Litleton, Libraries Unlimited, 1976. 208p.

4 - ANDRADE, M.T. Dias et ali - Avaliação do uso de coleção de livros em


bibliotecas universitárias: no campo de Saúde Pública. Brasília, 2°
Semínário Nacional de Bibliotecas Universitárias, 1981. 16p.

5 - FIGUEIREDO, Nice Menezes de - Avaliação de coleções e estudo de


usuários. Brasília, ABDF, 1977. 96p.

6- . Seleção de livros. In: Estudos avançados em biblioteconomia


e ciência da informação. v.1. Brasília, ABDF, 1982. p.1-48.

7- . Avaliação das coleções de referência nas bibliotecas brasileiras:


uma proposta de metodologia. Ciência da Informação, 11(2): 31-5,
1982.

8 - MOUNT, Ellis - Special libraries and information centers: an introductory


texto New York, Special Libraries Association , 1983. 194p.

9 - FIGUEIREDO, Nice Menezes de - Biblioteconomia e bibliometria. In:


Tópicos mod ernos em biblioteconomia. Brasília, ABDF, 1977.
p. 17-25.

10 - SOLLA PRICE, D. J. de - Network of scientific paper. Science, 194:


510-20, 1965.

11 - LI MA, Regina Célia Montenegro de - Estudo bibliométrico: citações de


.artigos de periódicos. Scientometrics. V. 1, n. 1, a V. 4, n. 6 - 1978 a
1982. Rio de Janeiro, IBICT, 1983. 37p.

12 - BROOKS, B. C. - The growth, utility and obsolescence of scientific


periodicalliterature. Journal of Documentation, 26(4): 283-94, 1970.

13 - TRUESWELL, Richard W. - User circulation satisfactions vs size of


holdings at three academic libraries, College & Research Libraries,
30(3): 204-13, 1969.

72
14 - GOFFMAN, W. MORRIS, T. G. - Bradford's law and library acqusitions.
Nature, 226: 922-3, 1970.

15 -GUERREIRO, Ivone et alii - Utilização de métodos quantitativos na


avaliação de coleção. Rev. Esc. Biblioteconomia, UFMG, 9(2): 217:24,
1980.

16 - sÁ, Elisabeth Schneider de - Evolução bibliométrica. Niterói, 1° Seminário


Nacional de Bibliotecas universitárias, 1978. 12p.

17 - LOPES PINEIRO, J. M. - EI análisis estatístico y sociométrico de la


literatura científica. Valencia, Facultad de Medicina, 1972. 82p.

18 - BRAGA, Gilda Maria -Informação: ciência, política científica; o pensamento


de Derek de Solla Price. Ciência da Informação, 3 (2): 155-77, 1974.

19 - UNE, M. B. & SANDISON, A. - Obsolescence and changes in the use of


literature. Journal of Documentation, 30(3): 325-64, 1974.

20 - FIGUEIREDO, Nice Menezes de - Metodologias para avaliação de


coleções; incluindo procedimentos para revisão, descarte e armaze-
namento. Rio de Janeiro, 1984. 47p. dat.

21 - LANCASTER, F. W. - Pautas para la evaluación de sistemas y servicios


de información. Paris, UNESCO, 1980. 177p.

22 -ALBERTA - Government Libraries' Council Job Specification Commitee.


Task analysis check list for special library. Special libraries, 69(11):
443-6, 1978.

73
AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES

1 - INTRODUÇÃO

Toda biblioteca existe principalmente para servir às necessidades


de sua própria comunidade de usuários. É óbvio, então, que uma
avaliação completa de uma biblioteca deve ser baseada no fato de quão
bem ela serve àquelas necessidades.
Uma avaliação completa de uma biblioteca ou de componentes
similares em várias bibliotecas é, necessariamente, uma operação
complexa e usualmente complicada. Requer um considerável tirocínio
profissional e julgamento, e uma boa porção de tato; geralmente , uma
avaliação é dividida em avaliações separadas dos componentes
individuais de uma biblioteca ou das biblioteca sendo avaliadas. Mais
frequentemente, talvez, alguma parte da biblioteca pode ser avaliada
por ela mesma e para casos específicos, e uma parte que parece ser
mais comumente avaliada é a coleção de livros e periódicos,
provavelmente na suposição de que a coleção é a melhor evidência
tangível do que acontece numa biblioteca e do que uma biblioteca é,
afinal de contas. Por outro lado, a coleção serve de maneira mais rápida

75
a uma observação física, verificação sistemática e manipulação
estatística, se não mesmo a um julgamento rápido de sua qualidade.
É geralmente aceito que quantidade e qualidade de uma coleção de
biblioteca depende quase que inteiramente do programa de aquisição,
incluindo a política de aquisição, os procedimentos de aquisição e,
mais importante, dos métodos de seleção. Assim, uma avaliação da
coleção de biblioteca é, efetivamente, uma avaliação dos seus métodos
de seleção, embora não possa sempre ser possível (ou mesmo de
interesse) apontar a causa precisa (um mecanismo específico de
aquisição ou seleção) e seu efeito (uma mudança definida ocorrida na
qualidade da coleção) usando, os métodos comumente empregados
para avaliar uma coleção de biblioteca.
É também correntemente aceito que qualquer avaliação da coleção
da biblioteca deve levar em consideração as metas estabelecidas pela
biblioteca, os seus objetivos, missão, ou o que quer que seja que defina
a sua razão de ser, no contexto, quando cabível, das metas, objetivos
ou missão da organização relacionada ou mesmo pertencente ao
mesmo sistema ao qual a biblioteca pertença. Ainda mais
especificamente, um teste padrão agora disponível pode ser utilizado
para avaliar a capacidade da biblioteca no fornecimento de um material
requerido de sua própria coleção, ou de outra qualquer, um
desenvolvimento natural trazido pelo amplo crescimento de redes de
bibliotecas, sistemas, centros de recursos bibliográficos e outros projetos
cooperativos entre bibliotecas, assim como também , pela aceitação
crescente do fato de que nenhuma biblioteca, quer seja rica, resoluta ou
estabelecida há longo tempo, pode ter tudo que qualquer pessoa possa
vir a querer.
As bibliotecas técnicas, particularmente, têm sido estudadas
extensiva e intensivamente em anos recentes, especialmente para o
desenvolvimento de critérios para medir os níveis de eficiência em
dadas situações ...
A literatura em avaliação, apenas da coleção e dos elementos da
seleção anteriormente existentes no processo de aquisição, é bastante
ampla e trata mais de bibliotecas acadêmicas, possivelmente porca usa
da prevalência e das pressões dos padrões de credenciamento para
instituições, pela importância conferida aos status acadêmico destas
instituições com relação à biblioteca que possuem.

2 - MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES

Através dos anos, muitas técnicas variadas foram desenvolvidas


para avaliar a coleção da biblioteca para um número diverso de

76
propósitos. Estas técnicas foram aplicadas em configurações diversas,
algumas vezes independentemente mas, mais frequentemente, em
conjunto com uma ou mais técnicas. Os diferentes níveis de sucesso
alcançado dependeram de quão bem o método escolhido poderia
realmente alcançar o propósito intencional da avaliação. Por exemplo,
a quantidade da coleção - o seu tamanho numérico - tem sido
relativamente fácil de se determinar, presumindo-se que haja exatidão,
objetividade e uso de unidade padrão de medida por parte do enumerador.
A qualidade da coleção - sua excelência relativa ou o seu valor ou
mérito numa situação particular - tem sido sempre mais difícil de ser
julgado de maneira objetiva .
A literatura numerosa e, em parte, repetitiva, identifica cinco
métodos razoavelmente distintos para avaliar coleções de biblioteca,
mais um ou dois que não cabem perfeitamente dentre os cinco:

1- compilação de estatísticas da coleção, uso, gastos;


2- verificação de listas, catálogos, bibliografias;
3- obtenção de opiniões de usuários regulares;
4- exame direto da coleção;
5- aplicação de padrões usando vários dos métodos anterio-
res, e
a - teste da capacidade da biblioteca no fornecimento de um
documento;
b - teste do uso relativo de várias biblioteca por um grupo
particular.

Estas duas últimas técnicas tomam em consideração mais do que


a coleção, mas em cada caso a adequação da coleção sendo estudada
determina quais os próximos passos a serem tomados para satisfazer
os usuários, se assim for necessário.

2.1 - Compilação de Estatísticas


As maiores vantagens deste método é que estatísticas são facilmente
disponíveis, facilmente inteligíveis, e fáceis de comparar; as maiores
desvantagens são a falta de definições de padrão de unidade, possível
falta de distinção entre título e volumes, dificuldade de contar material
não impresso, e possibilidade de incorreções e inconsistência nos
dados publicados.
Talvez a objeção mais comum às estatísticas é que elas não se
prestam ou não podem medir qualidade 1... Outra objeção é que
estatísticas não são possivelmente relacionadas, de maneira
significativa, à comunidade da biblioteca ou às suas metas e objetivos;

77
mas tão pouco o são alguns dos outros métodos frequentemente
usados para avaliar coleções. Parte do problema, neste caso, é que
nem a comunidade nem os objetivos da biblioteca podem ser descritos
facilmente em termos que possam ser avaliados fácil e objetivamente.
De qualquer forma, a compilação de estatísticas em bibliotecas tem
sido uma atividade dos bibliotecários por muitos anos. 2 Estatísticas
podem ser compiladas sobre o seguinte:

2.1.1 - Tamanho bruto


É uma contagem direta do total dos volumes na biblioteca ou dos
livros de referência, dos periódicos recebidos recentemente, ou do
material não impresso; pode ser dividida em classes de assunto e
podem ser relatadas por unidades. É geralmente aceito que tamanho
significa "alguma coisa" eque há uma correlação positiva entre tamanho
de uma biblioteca e, por exemplo, a excelência da instituição acadêmica
a qual a biblioteca pertence .. .
É também sentido que há uma relação definitiva entre o tamanho
de uma dada coleção e a sua capacidade de responder às necessidades
de sua clientela expressa em termos de probabilidade,3 e que a
probabilidade será maior ainda se a coleção tiver sido inteligentemente
selecionada por profissionais bibliotecários competentes. 4
Desde que parece existir uma alta correlação positiva entre qualidade
e quantidade, um autor disse que "qualidade se torna uma preocupação
séria apenas na pequena biblioteca"5 onde, conseqüentemente,
bibliotecários profissionais competentes seriam mais necessários, mas
onde , infelizmente, eles parecem mais faltar, com exceção,
naturalmente, das bibliotecas especializadas. Outro autor sente q"ue,
desde que todos os recursos não têm utilidade e informação idênticas,
a probabilidade de encontrar uma fonte útil é dependente da natureza
do pedido e da natureza da coleção, mais do que do tamanho da
coleção. 6
Um exemplo talvez possa ser a coleção usual de biblioteca
especializada, a qual é pequena em tamanho, mas é exaustiva na
cobertura de seus assuntos específicos e, deliberadamente mantida
atualizada através de rigorosos descartes. Uma coleção de 5.000 livros
em tal biblioteca pode ser mais útil que 10.000 livros no mesmo assunto
em algum outro tipo de biblioteca . 7 Isto sugere que desenvolvimento,
manutenção e exploração da coleção por um profissional, tudo somado,
é mais importante que tamanho.

78

j
2.1.2 - Volumes entrados por ano
É uma contagem direta por classes ou por unidade. Este dado é
considerado mais significativo que a média de crescimento, e é usado
em avaliação ao lado do tamanho bruto . 8 "O teste real é o número de
volumes relevantes disponíveis a um leitor em cada tópico em cada
biblioteca".9

2.1.3 - Fórmulas
São baseadas em um núcleo aceitável, mais volumes porestudantes,
para o corpo docente, por áreas de bacharelados e de pós-graduação
(Clapp-Jordan); 10 baseada no total de volumes, volumes acrescentados
anualmente, número de periódicos correntes (Carter), 11 baseada nos
recursos, população, circulação, capacidade de pesquisa (Beasley)5 .. .

2.1 .4 - Comparações
Dizem respeito a estudos feitos na mesma biblioteca em tempos
diferentes ou entre bibliotecas comparáveis (em cidades ou instituições
similares) ao mesmo tempo. Outros fatores sendo iguais, progresso ou
melhoria numa biblioteca podem ser medidos pela mudança no tamanho
da sua coleção total ou de certas partes dela, de um ano (ou de uma
década) para outro. Tamanhos relativos de bibliotecas comparáveis
indicam adequações relativas das suas coleções, outros fatores sendo
iguais.
Uma suposição em tais comparações é que as bibliotecas compram
livros bons e maus em proporções comparáveis, uma suposição válida
o bastante para muitos propósitos 12 particularmente se bibliotecários
profissionais competentes fazem a seleção. 13

2.1 .5 - Equilíbrio de assuntos


Estes estudos fazem análise proporcional por classes, duplicatas,
por autores, por datas e por relações com cursos oferecidos. Tais
análises revelam os assuntos fortes (ou talvez os preconceitos dos
selecionadores) e possíveis más correlações com as necessidades
locais, com coleções "padrões", com porcentagens recomendadas , 14 ou
com departamentos de ensino ou requisitos de instituições
educacionais. 15

2.1 .6 - Pedidos não atendidos


São mantidos registros para livros, periódicos e para informação
específica solicitada. Naturalmente, pedidos atendidos podem ser
contados em vez de disto, e um "índice de desempenho" (média do
material usado versus material pedido) 16 poderia ser calculado para
cada tipo de material, para cada classe de assunto ou para cada ramal

79
ou departamento de serviço público na biblioteca, ou mesmo por um
serviço de disseminação seletiva de informação. 17
Mas pedidos não atendidos, devendo logicamente ser em menor
número e assim menos trabalhosos para registrar, quando são
descobertos, deveriam ser anotados e comparados a totais periódicos
em intervalos regulares . Teria que ser pressuposto que a falta ou perda
de livros teria que ser de material pertencente à biblioteca , em primeiro
lugar, e que questões não respondidas aconteceram porque a fonte
provável não estava disponível, e não porque o bibliotecário cometeu
algum erro.

2.1.7 - Empréstimos entre bibliotecas


São similares a pedidos não atendidos ...
Muitos bibliotecários especializados, particularmente de grandes
bibliotecas técnicas, estabeleceram padrões internos de rendimento
das suas coleções: o limite máximo de empréstimos de fora, através de
empréstimos entre bibliotecas, e os limites mínimos de empréstimos
que devem sair de suas coleções.
Assim um bibliotecário considera a sua biblioteca uma "fonte
adequada de recursos, necessitando de um aumento padrão", "se a
coleção pode fornecer 95% dos itens requeridos pela clientela". Ou,
parece ser uma norma comum entre grandes bibliotecas especializadas;
"mas se a biblioteca precisa pedirfora 15% ou mais dos seus empréstimos
então precisa aumentar a sua política de aquisição". 18
Estudos feitos em 1970, nas Universidades de IIlinois e Michigan,
mostraram que cada biblioteca possuía respectivamente, 92,5% e
90,5% dos trabalhos citados pelos seus próprios corpos docentes. 19
Evidentemente nenhuma biblioteca, mesmo com grande coleção, é
uma ilha em si mesma, um fato reconhecido há muito tempo pelos
bibliotecários, mas que somente há pouco tempo começaram a se
preparar para a construção de centros, redes e sistemas. 20

2.1.8 - Tamanho de excelência


É o tamanho necessário para satisfazer uma percentagem x dos
pedidos da clientela da biblioteca. Quão grande tem que ser uma
biblioteca para fornecer', por exemplo, 95% dos itens requeridos pelos
seus usuários ou para satisfazer algum outro objetivo semelhante de
desempenho estabelecido pela biblioteca? Ou, ao contrário, quão
completa é a cobertura de uma coleção de uma biblioteca? .. Como um
autor diz: "A extensão da cobertura da literatura relevante em um centro
de informação especializado poderia ser medida com exatidão somente
se se soubesse o que constitui uma cobertura total". 21 Ele propõe uma

80
maneira de se saber isto pela aplicação do método de estimativa
baseado na distribuição Bradford/Zipf22, como sugerido por Brookes.
Dois outros autores usam a lei de dispersão de Bradford para
estabelecer a coleção mínima de periódicos médicos numa "coleção
dinâmica de biblioteca", determinado o "núcleo dos periódicos" através
dados da circulação, o "núcleo dos melhores usuários" (e suas
preferências de periódicos) e combinando estes dados. O orçamento
determinará o nível de desempenho (medido pelas zonas de Bradford)
possível numa biblioteca. 23
Em um artigo posterior, Brookes recomenda que o valor de P (P é
o desempenho da coleção da biblioteca no fornecimento de itens
desejados) "seja determinado por um ponto de eliminação (cut-off) no
qual se torna mais econômico emprestar do que comprar os periódicos
necessários".24 Numa base menos técnica, as datas da última circulação
têm sido usadas para determinar o número ótimo de livros para um
núcleo de coleção de livros mais passíveis de serem usados numa
biblioteca, determinado o nível desejado de desempenho ...25

2.1.9 - Circulação
Pode ser calculada pelo total, por adultos, por crianças, pelo corpo
docente, por estudantes, por classe de assunto, pela data de compra do
livro, pela data do último uso, pelas transações por ano, ou por unidade.
Estatísticas brutas da circulação são úteis para comparações, por
exemplo, com dados para anos diferentes ou para bibliotecas diferentes,
e elas tendem a ser usadas para demonstrar às autoridades mais altas
quão bem a biblioteca está servido à sua clientela.
Bibliotecas públicas, mais do que bibliotecas universitárias, são as
que provavelmente separam as estatísticas por classes e por unidade
mas ambas, geralmente, mantêm registro do uso por categorias de
usuários. 26 Bibliotecas especializadas são particularmente interessadas
no uso de materiais de aquisição recente: estes materiais devem ser
usados pelo menos uma vez antes de completarem um ano na
coleção. 27 Pequenas bibliotecas públicas também fazem estudos de
aquisições recentes para verificação da política corrente de seleção:
80% das últimas compras foram encontradas de acordo com um estudo
como tendo circulado 5-6 vezes dentro de três meses. 28
A última data de circulação também tem sido usada para estabelecer
núcleos ótimos de coleções, como observado na seção anterior ...
Estatísticas de circulação proporcional por classes de assunto,

81
compiladas num período definido, são excelentes para verificação das
normas gerais da seleção e da méd ia das aquisições, quando comparadas
com estatísticas das coleções proporcionais por classe de assunto. A
média do uso de coleções em classes de assuntos específicos, ambas
expressadas como porcentagens dos totais respectivos, é o "fator de
uso" para aquela classe de assunto e pode ser determinada tão
especificamente ou em quantos detalhes forem desejados, desde que
ambas, a circulação e as estatísticas da coleção sejam, primeiramente,
tão específicas e detalhadas, de maneira idêntica. 29
Fatores de uso podem medir a intensidade de uso de toda a parte
da coleção principal, ou de coleções separadas, como: livros de
referência, de reseNa, livros-textos, ou qualquer outra categoria especial;
podem ser usados em vários tipos de circulação, tais como: noturna,
interna, entre bibliotecas, etc. O período de levantamento pode ser tão
longo ou tão curto de acordo com o que as condições e o pessoal o
permitam ... Muitos bibliotecários, naturalmente, estão sempre
conscientes do uso proporcional de suas coleções, querou não, através
de cálculos formais. Bibliotecáriosde bibliotecas públicas, especialmente
aquelas com pequenas coleções, têm uma real necessidade de estarem
cientes do uso feito do que eles selecionaram para suas bibliotecas;
como antes assinalado, eles não têm o tamanho em seu próprio favor
e, assim, a qualidade, em termos de interesses e necessidades locais,
é de importância primária .. .

2.1.10 - Gastos
Podem ser encontrados, anua Imente, para livros e periódicos e para
salários e avaliados em relação ao número de matrículas, ou por
unidade. Presumivelmente, o valor monetário total de uma coleção de
biblioteca pode ser uma estatística a mais pela qual avaliá-Ia. Raramente,
se alguma vez, contudo, este dado bruto foi usado ou proposto como
uma medida adequada.
Gastos correntes, de outro lado, são usados regularmente na
avaliação de bibliotecas, juntamente com outras estatísticas e outros
procedimentos de mensuração, etêm sido recomendados como medidas
adequadas para avaliar coleções,30 na suposição, talvez, de que a
adequação da coleção depende, em grande parte, do seu suporte
contínuo, não só para materiais como também para o desenvolvimento
profissional. Salários e gastos com livros figuram em recomendações
que fazem parte de padrões de bibliotecas. 31

82
Deve ter ficado aparente agora, que nenhuma coleção de biblioteca
deva ser avaliada somente pelos seus méritos próprios, pois que, sem
suporte financeiro adequado e um corpo de pessoal profissional
competente para desenvolvê-Ia, organizá-Ia e explorá-Ia de maneira
adequada, uma coleção de biblioteca é apenas uma acumulação de
diferentes tipos de artefatos, ocupando espaço e existindo apenas para
ser contado.

2.2 - Verificação de Listas, Catálogos e Bibliografias


As maiores vantagens no uso de listas como método de avaliação
de coleções são que muitas listas, completas e especializadas, são
disponíveis em forma impressa; muitas listas são atualizadas
regularmente; na maioria das vezes estas listas são compiladas por
bibliotecários profissionais competentes ou por especialistas de assuntos;
e listas preparadas para casos específicos podem ser complementadas
para servirem bibliotecas individuais ou a tipos de bibliotecas, ou a
interesses ou necessidades particulares de bibliotecas; na maioria das
vezes estas listas são relativamente fáceis de usar, e a maioria é
relativamente eficiente na produção de uma resposta. As maiores
desvantagens são que listas publicadas podem ter sido usadas
previamente como guias de aquisição pela própria biblioteca sendo
avaliada; as listas são amostragens arbitrárias; listas publicadas logo se
tornam desatualizadas, a menos que sistematicamente revisadas;
listas publicadas não possuem nenhuma relação com a comunidade de
uma dada biblioteca, ou com os seus interesses ou necessidades; e
estas listas supõem que um núcleo de obras deva existir para cada
grupo de bibliotecas.
Uma objeção comum às listas, como instrumentos de avaliação, é
de que elas próprias não são, necessariamente, padrões de qualidade;
na melhor da hipóteses, apresentam um conceito ilusório. Assim,
verificando-se uma lista não se pode avaliar a qualidade de uma
coleção de maneira alguma melhor do que se pode fazê-lo com
estatísticas ; o resultado será uma estatística também: o número ou
percentagem de obras listadas que fazem parte da coleção da biblioteca
sendo avaliada. Outra crítica frequente é que uma lista não oferece
crédito para livros já existentes na coleção e que não constam da lista,
mas que são tão bons para as necessidades locais, ou melhores ainda
do que os livros na lista e que não existem na biblioteca .
Nenhuma lista automaticamente gradua ou classifica a qualidade
de uma biblioteca de acordo com um número padrão específico ou

83
percentagem de títulos encontrados na biblioteca. Presumivelmente,
quanto mais títulos contidos na coleção, melhor a biblioteca, mas
quantos devem constar para merecerem um "A" em qualidade e
adequação? De qualquer maneira, a verificação de listas é muito
comum na avaliação de coleções de bibliotecas, individualmente ou em
grupos, e os resultados dizem alguma coisa realmente sobre a coleção
da biblioteca em relação à lista usada. Apesa r do tempo, custo e fatiga
na verificação de listas, as melhores medidas de adequação são ainda
"aquelas às quais nos acostumamos - a lista de seleção de livros e as
bibliografias especializadas de assuntos, frequentemente revisadas e
mantidas atualizadas por peritos, de acordo com o uso".32
Listas especialmente compiladas, dirigidas a uma biblioteca ou
bibliotecas em particular com propósito bem definidos, são geralmente
consideradas muito mais de confiança como avaliadoras de qualidade
do que listas publicadas impressas disponíveis no mercado (mesmo
aquelas com títulos assinalados), as quais podem ser utilizadas de
maneira mais proveitosa como guias de seleção - para o quê a maioria
delas é dirigida em primeiro lugar. A literatura no uso de verificação de
listas para avaliação de coleções é muito extensa e vem desde 1930. 33

2.2.1 - Catálogos-padrão e listas gerais básicas


São exemplificados pelas coleções básicas da ALA e pelos catálogos
padrões da H.W. Wilson Company: Standard Catalog for Public Library;
Fiction Catalog; Children's Catalog; Junior High School Catalog; Senior
High School Catalog; as publicações Brodart: Elementary School
Library Collection; Junior College Library Collection; Books for College
Libraries; e a Choice's Opening Day Collection ...

2.2 .2 - Catálogos de bibliotecas importantes


São muitas vezes usados para avaliações; bibliotecas como Harvard,
Princeton, Michigan, Engineering Societies, Library of Congress, são
bibliotecas de renome nos seus campos e seus catálogos são
razoavelmente atualizados; coleções da G. K. Hall, catálogos de
bibliotecas especializadas importantes tem sido julgados úteis para
verificação de coleções de assuntos ou áreas especializadas.

2.2.3 - Bibliografias especializadas e Listas Básicas de Assunto


Inclui listas publicadas por sociedades profissionais, t écnicas e de
cultura; guiasda literatura; bibliografiasdefinitivasde autores conhecidos;
bibliografias completas e seletivas de assunto ... Estas bibliografias e
listas especializadas como catálogos de coleções especializadas, são

84
úteis como listas de verificações de assuntos ou áreas e, frequentemente,
são usadas com listas padrões e gerais em levantamentos completos
de grandes bibliotecas universitárias.

2.2.4 - Listas Correntes


Incluem livros mais vendid os, vencedores de prêmios, melhores
liv ros do ano, livros de publicado res selecionados (i m prensas
universitárias, sociedades profissionais, agências do governo) e
. compilações anuais de assunto .... Os usuários geralmente são avisados
de que tais listas devem ser usadas ainda mais judiciosamente de que
as listas padrões já estabelecidas. Os melhores livros publicados
podem não ser todos os melhores livros para uma biblioteca particular
e os mais vendidos podem nãosermais doquede interesse passageiro ,
para não dizer nada de valor duradouro. Grandes bibliotecas podem ter
ordens em aberto para livros de certos publicadores, e assim, a
verificação das suas listas pode ser útil apenas para avaliar a atuação
do vendedor mais do que a atualidade ou adequação da coleção.

2.2.5 - Obras de Referência


Inclui-se aqui aquelas listadas em guias padrõesde referência, quer
universais ou especializadas em suas coberturas. As obras de referênci a
são normalmente encontradas em listas de verificação para a avaliação
da coleção de uma biblioteca em relação aos títulos existentes nos
catálogos e em listas padrões e bibliografias de assuntos, ou elas
podem ser verificadas separadamente, usando-se guias de referência
padrão com outras guias especializadas, que o avaliador pode escolher...
A coleção de referência é inspecionada de maneira escrupulosa em
qualquer avaliação de biblioteca .

2.2 .6 - Periódicos
Estas listas incluem aquelas de títulos recebidos correntemente,
títulos mantidos e encadernados, co leções retrospectivas, e aqueles
listados em diretórios padrões ou outras com pilações (por ex.: universal ,
ou por assunto, língua, país, região, tipo de biblioteca, tipo de usuário)
ou cobertos por serviços de indexação e resumos padrões ou
especializados. A coleção de periódicos, como a coleção de referência ,
é sempre examinada cuidadosamente em qualquer avaliação de
biblioteca, e mais completamente em bibliotecas técn icas.
Perspectivas úteis sobre a coleção de periódicos de uma biblioteca
podem ser obtidas de maneira rápida através de uma tabela composta
dos números recebidos correntemente e da coleção retrospectiva,

85
arranjados por assuntos (tão específicos quanto se queira) e por país
(ou estado) de origem . Sabendo os assuntos de interesse dos usuários
de biblioteca ou da instituição maior a que esta se subordina, e os países
ou cidades do mundo onde os interesses por estes assuntos são fortes
(em pesquisa, desenvolvimento, aplicação), o avaliador pode
rapidamente perceber pontos fracos e fortes na coleção em ambas
coberturas de assunto e país, em assuntos importantes para a biblioteca
analisada. 34 De maneira similar, uma tabela arranjada por assunto e por
tipo de publicador (sociedade profissional, associação comercial, agência
do governo, instituto de pesquisa, instituição acadêmica, entidades
comerciais) pode ser útil para a verificação da adequação e propriedade
do material recebido e mantido .

2.2.7 - Listas Autorizadas


São as preparadas por autoridades federais, estaduais, regionais ou
locais ou por associações profissionais. Enquanto estas listas são
basicamente, guias de recomendação para aquisição, uma lista particular
pode ser usada para determinar a proporção dos títulos que foram
realmente adquiridos por uma biblioteca. Tais listas parecem ser mais
prevalentes na área escolar, mas são também mencionadas nos
padrões educacionais para credenciamento de algumas associações
profissionais.

2.2.8 - Listas para Casos Específicos (ad hoc lists)


São feitas sob medida para atender as necessidades de um
levantamento particular e para combinar os objetivos, propósitos e
interesses de uma biblioteca individual ou um grupo de bibliotecas;
usualmente, elas são compiladas pelo avaliador, de fontes diversas.
Este tipo de lista tem sido usado muito efetivamente em levantamentos
múltiplos de bibliotecas em relação as outras. 35 Como observado
anteriormente, listas ad hoc são consideradas de maior confiança para
verificação do que catálogos padrões ou listas básicas pré-estabelecidas.
Estas listas têm sido usadas muito efetivamente também em
levantamentos de uma só biblioteca, especialmente quando relacionada
diretamente a algum objetivo específico da biblioteca, tal como material
de suporte para um trabalho de curso. 36

2.2.9 - Citações
Incluídas aqui notas de rodapé, referências, bibliografias em trabalhos
significativos no campo ou campos de interesse da biblioteca. Uma
variedade de tipos de publicações tem sido usada ou recomendada

86
como fonte de citação: teses,37 trabalhos definitivos,38 bibliografias
finais,39 periódicos, periódicos mais usados numa biblioteca particular, 40
livros-textos, revisões do estado-da-arte e publicações de pesquisas do
corpo docente, 41 para mencionar algumas.
A avaliação é usualmente baseada no fato de a obra escolhida ter
podido ser escrita, ou pelo menos uma parte substancial dela, baseada
no material da biblioteca avaliada. Uma suposição é que a biblioteca
sendo avaliada e aquela que o autor provavelmente usou são muito
similares no propósito, tamanho e cobertura de assunto. Outra suposição
é que o trabalho sendo verificado é do tipo que poderia e deveria ser
escrito baseado na biblioteca em avaliação . Um problema é que os
autores são seres humanos e, mais provavelmente, usam e citam o que
quer que esteja mais à mão. Também, eles podem ou não estar
motivados de maneira similar ou estimulados em ambientes diferentes,
e, assim, o trabalho provavelmente não teria sido escrito em nenhum
outro lugar - mas somente naquele em que o escreveu (que pode não
ser a biblioteca avaliada). Ainda outro problema é que instituições
similares podem muito bem enfatizar aspectos diferentes da mesma
disciplina e, de qualquer maneira, o clima intelectual, cultural e social
em uma instituição é, normalmente, marcadamente diferente de qualquer
outro.
De uma maneira geral, a verificação de bibliografias, catálogos e
listas pode ser útil na avaliação de uma coleção de bibliotecas. Para
resultados mais proveitosos, no entanto, as listas usadas devem ser
cuidadosamente selecionadas ou especialmente compiladas para
combinar com as metas e os objetivos do levantamento e as metas e.
os objetivos da biblioteca ou das bibliotecas sendo avaliadas. E elas
devem ser usadas com outras técnicas de avaliação, a fim de que se
atinja a máxima corroboração possível dos resultados do levantamento.

2.3 - Obtenção da opinião dos usuários


As maiores vantagens na utilização das opiniões do usuário para
avaliação da coleção são que as partes fortes e fracas reais da coleção,
como também os níveis e tipos de necessidades dos usuários, podem
ser identificados; as questões podem ser relacionadas às metas e
objetivos específicos da biblioteca; diretrizes das pesquisas e mudanças
de interesses podem ser determinadas; e usuários sérios (i. é., o corpo
docente, pesquisadores, profissionais) são provavelmente peritos ou,
pelo menos, conhecedores da literatura em seus campos.

87
As maiores desvantagens no uso da opinião dos usuários são que
a maioria dos usuários são, pro vave lmente, passivos a respeito das
coleções da biblioteca e, assim dev em ser aproximados individualmente
e entrevistados um de cada vez; partes da coleção podem não ser
cobertas por causa do interesse restrito dos usuários naquela época ou
por causa da falta de especialistas de assunto no campo; peritos podem
não concordar; e o calibre de usuários atuais (e, assim, as suas
demandas) pode ser muito alto ou muito baixo para o nível intencional
ou esperado da coleção . Mas, de todas as maneiras pelas quais se
avaliam a coleção da biblioteca, descobrir o que os usuários pensam
dela vem a ser o mais aproximado de uma avaliação em termos dos
objetivos ou missão da biblioteca.
Opinião do usuário ou opinião do consumido r, porquanto os usuários
da biblioteca são, com efeito, os consumidores do que a biblioteca
produz para o uso, é também parâmetro seguro e pode ser a mais
potente realimentação disponível para o processo de seleção da
biblioteca , particularmente em bibliotecas públicas ou em bibliotecas
especializadas, onde as coleções são mais dirigidas ao contemporâneo,
se não às necessidades e demandas imediatas.
Vários autores discutiram os prós e os contras de entrevistar os
usuários da biblioteca, em projetos mais prolongados da avaliação da
coleção em geral. 42
Talvez o maior pro blema , no entanto, na obtenção da opini ão do
usu ário, éque os usuá rios são também seres humanos e podem não ser
sempre consistentes ou cooperativos. Ainda mais, muitos usuários não
estão mesmo cientes do que a biblioteca deveria razoavelmente fazer
por eles; assim como podem eles julgar o que é adequado? Os usuários
se tornam condicionados ao que eles consideram ser uma coleção boa
ou má para as suas necessidades, porisso, ou eles retornam regularmente
a ela , ou dela se afastam de maneira definitiva, e a biblioteca nunca
saberá.
A inadequação de uma coleção depende largamente do quanto o
usuário estaria disposto a contar co m a coleção (ou não contar). Se ele
se acostuma com as faltas e lacunas e a não encontrar obras que
aparecem em listas padrões ou que são citadas em bibliografias
básicas; se ele não se habitua a não ser atendido ou a ser simplesmente
ignorado quando faz um pedi do para adições à coleção; se as suas
necessidades de literatura nunca foram desenvolvidas além do que ele
poderia encontra r facilmente à mão, ou se ele nunca tinha visto nada

88
melhor, então quase que qualquer coleção pode ser perfeitamente
adequada.
A adequação da coleção para apoiar as necessidades dos usuários
depende das demandas feitas a ela pelo usuário e quão bem ele sente
que as demandas são satisfeitas. Se suas demandas são moderadas,
então uma coleção modesta pode ser perfeitamente adequada . Se suas
demandas são extensas e altamente especializadas, então mesmo
uma coleção completa e forte poderá vir a não ser o suficiente adequada
para satisfazê-lo.

2.3.1 - Corpo Docente e Pesquisadores


São fontes de opinião quanto aos níveis de adequação de uma
biblioteca para satisfazer as necessidades. É uma prática comum ao
entrevistar o corpo docente e os pesquisadores, usar questionários, os
mais curtos, melhores e, quando possível, entrevistar pessoalmente
tantos quantos parecerem úteis para corroborar, esclarecer ou ampliar,
resolverdesacordos, verificar inclusive inconsistências ou para alcançar
usuários selecionados que não responderam aos questionários. Os
questionários podem ser apenas listas curtas de "níveis", os quais
podem ser assinalados pelo usuário para medir a adequação da coleção
para satisfazer suas necessidades, ou podem ser listas de questões
abertas, as quais devem ser respondidas especificamente ... Além de
serem úteis ao avaliador, estas avaliações do corpo docente sobre a
coleção da biblioteca universitária podem, às vezes, serem convincentes
para as autoridades financeiras da universidade,44 bem como os
membros docentes ou pesquisadores em perspectiva .

2.3.2 - Estudantes
São fontes de opinião a respeito dos níveis de adequação da
coleção para atender às suas necessidades. As necessidades dos
estudantes são também consideradas na avaliação de uma coleção de
biblioteca, apesar de que os insucessos deles em obterem o que
querem possam resultar, na maioria das vezes, da "escolha inadequada
de tópicos de teses" ... 45

2.3.3 - O Público em geral


É uma fonte de opiniões sobre a adequação da biblioteca para
satisfazer as suas necessidades ... Dois autores relatam que, com base
na evidência da literatura, "a avaliação da coleção feita de maneira

89
contínua não está sendo realizada corretamente nas bibliotecas públicas",
parcialmente porque, talvez, as bibliotecas públicas, diversamente das
de escolas ou universidades não tenham padrões para credenciamento
ou comissões de credenciamento para as pressionarem" ... 46
Outros autores sugerem que parte da razão por esta falha dos
bibliotecários de bibliotecas públicas é devida ao fato destes profissionais:
a) servirem de maneira mínima a mais séria (e mais numerosa) fração
de usuários em potencial da comunidade b) não possuírem habilidade
para o desenvolvimento das coleções com profundidade; e c) não
possuirem corpos docentes com quem interagir ou de quem obter
conselho no desenvolvimento das coleções".47 Outro autor, apesar de
admitir que os usuários de bibliotecas públicas não são muito verbais
sobre suas opiniões acerca da coleção da biblioteca, "eles precisam ser
indagados" ... 48

2.3.4 - Bibliotecários
Podem ser inquiridos sobre a adequação de suas coleções. Os
melhores avaliadores de coleção, dentro da própria biblioteca, de
acordo com um autor recente, são os bibliotecários de referência. Eles
podem dizer "o que é suficiente, o que é adequado" para esta biblioteca,
e eles devem manter-se em contato com o que o público deseja. 49
Bibliotecários de referência, naturalmente, deverão ser entrevistados
durante a avaliação de bibliotecas, e eles mais frequentemente do que
se considera, são aqueles que verificam as listas, catálogos e bibliografias
debatidas anteriormente.

2.4 - Observação direta


As maiores vantagens da observação direta resultam de fato de ser
prática e imediatamente efetiva. As maiores desvantagens estão em
requerer um perito em materiais ou assuntos, e em ser pouco científica.
Ao avaliador que conhece a literatura, um exame das prateleiras de
livros revelará rapidamente o tamanho, escopo, profundidade e
significado da coleção.
Ele pode dizer de imediato se exemplares em duplicata ou edições
ultrapassadas recheiam a coleção, e apenas ele pode dizer se as
coleções de periódicos são substanciais e completas. Ele pode fazer
uma estimath{a da proporção de várias partes da coleção e da atualidade
do material. Mais tarde, uma verificação do fichário de circulação pode
revisar qualquer julgamento preliminar.

90
Para o avaliadorque sabe alguma coisa de manutenção de estoque ,
um exame das prateleiras mostrará de imediato a condição da coleção,
a proporção do que está deteriorado ou caindo aos pedaços, os
periódicos que têm uso pesado ou pouco uso, as obras que devem ser
descartadas ou reencadernadas e a atmosfera geral de toda a área de
armazenagem .
Estantes vazias podem significar que todos os livros de uma classe
estão fora e que não há livros para mais ninguém, assim, a política de
aquisição deve ser examinada. Estantes cheias de livros não usados
podem significar que eles nunca foram retirados e assim, novamente a
política de aquisição deve ser examinada . "Tudo o mais depende
inteiramente da experiência do avaliador e da correção da sua
percepção".50

2.5 - Aplicação de Padrões


As maiores vantagens na aplicação de padrões são que eles podem
ser relacionados às metas e aos objetivos da biblioteca e à sua
instituição mantenedora; eles são, geralmente, de ampla aceitação,
possuem autoridade e são convincentes para obtenção de ajuda ou
suporte; e eles são especialmente eficientes quando promulgados por
agências de credenciamento. As maiores desvantagens são que metas
e objetivos, como declarados, não são possíveis à avaliação objetiva;
não são muitas vezes, fáceis de interpretar; requerem um alto nível de
conhecimento profissional e julgamento; peritos podem discordar sobre
os padrões, e qualquer decisão, afetando o credenciamento , é
necessariamente um assunto sério.
Nos Estados Unidos existem 32 associações e agências reconhecidas
pelo Comissariado de Educação para o credenciamento especializado
de escolas ou programas (dados de 1971). Todas estas agências
publicaram padrões ou critérios para credenciamento especializado de
seus respectivos programas educacionais; mas as seções dedicadas
nos padrões às normas de bibliotecas variam de uma mera menção sob
"acomodações" a muitos parágrafos sob um cabeçalho à parte.
No Brasil, o reconhecimento de cursos ou faculdades é feito pelo
Conselho Federal de Educação, orgão do MEC, cuja exigência, em
relação à biblioteca, é que reúna o número mínimo de 30.000 (trinta mil)
títulos de livros, no momento da constituição da Universidade. Quanto
à coleção de periódicos, é estipulado que a disponibilidade de assinaturas
correntes de títulos nacionais e estrangeiros deverá ser comprovada
"em números e qualidade compatível com os requisitos mínimos das

91
áreas de ensino que caracterizam a universidade" ... Há exigência para
que o acervo esteja devidamente registrado , catalogado e classificado;
qua nto ao pessoa l, a norma se refere a "pessoal técn ico habilitado e
responsável". (Resoluções n° 18/1977 e nO 7/1978 do CFE).
Os dois últimos métodos de avaliação de coleção a serem discutidos
levam em consideração não somente a coleção de uma biblioteca, mas
também em cada caso, se a adequação da coleção sendo estudada
determina que passos mais adiante devem ser tomados (i.é. , se outras
bibliotecas serão visitadas) a fim de satisfazer as necessidades
particularesdosusuáriosda biblioteca . Os dois métodos serão agrupados
posto que são de alguma maneira semelhantes neste aspecto de
"estender-se" (to reach out).

2.5.1 - Verificação da Adequação dos Recursos Totais


(Internos e Externos)
As maiores vantagens na medida da adequação total é ser um
sist em a realístico; usar métodos quantitativos; reconhece r a
interdependência das coleções de bibliotecas; encorajar a cooperação
bibliotecária; demonstrar o valor de redes e sistemas de bibliotecas. As
maiores desvantagens são: é dependente do conhecimento de quais
recursos estão disponíveis, e onde; pode ser difícil se estabelecer uma
amostragem adequada; é relativamente complicado, e assim sendo, é
mais suscetível a erro humano.
Todos os métodos de avaliação anteriores supuseram que o teste
da coleção da biblioteca é independente e contido em si próprio.
Entretanto, tem-se tornado mais e mais óbvio que nenhuma biblioteca
é, pode ser, ou, na verdade, deve ser, completamente auto-sufici~nte ;
assim , parece razoável que outros recursos , facilmente disponíveis
para aumentar ou suplementar os recursos próprios de uma dada
biblioteca, devem ser considerados na avaliação da adequação ou
qualidade da coleção daquela biblioteca . O que está sendo medido
aqui, então, é a totalidade dos recursos disponíveis para satisfazer as
necessidades do usuário de uma biblioteca, de maneira eficiente e
eficaz. Em alguns casos, isto pode incluir todas as bibliotecas da
cidade, num sistema ou rede, ou em um país, mas a rapidez, eficiência
ou eficácia (ou todos os três) podem sofrer o processo. A medição dos
recursos totais para a adequação da coleção incluiria o seguinte:

2.5.2 - Teste da Capacidade de fornecer um documento


A biblioteca sendo avaliada deveria ser capaz de satisfazer um
ped ido para um documento específico.

92
A avaliação é assim, baseada na rapidez requerida para fornecer
um dos documentos de um teste de amostragem de 300 documentos
da própria coleção da biblioteca ou de outras bibliotecas. Rapidez esta
expressa por uma "rapidez média" na escala de 1 a 5, onde 1 significa
que todos os itens do teste estão nas estantes da biblioteca testada, e
5 significa que a biblioteca não possui nenhum dos itens do teste e que,
havendo que emprestá-los, levaria mais de uma semana . 51

2.5.3 - Teste do uso relativo de várias bibliotecas


Refere-se ao uso de outras bibliotecas como um sintoma da
adequação da biblioteca primária (i.é., a que está sendo avaliada).
Como assinalados acima, os usuários aprendem logo as partes fracas
e fortes da coleção da biblioteca para as suas próprias necessidades,
adaptam-se a elas ou vão a alguma outra .
Assim, um registro de poucos pedidos não atendidos pode significar
que a biblioteca possui quase tudo que os usuários precisam ou que a
. biblioteca está sendo posta de lado , exceto para as necessidades que
seus usuários sentem que ela pode atender. 52 Os recursos de uma dada
biblioteca são ainda primários e básicos às necessidades dos usuários
da biblioteca e, então , eles devem ser desenvolvidos de maneira
adequada, o tanto possível, para atender àquelas necessidades. Mas,
arranjos cooperativos de vários tipos estão começando a tirar algumas
das pressões da biblioteca local e, ao mesmo tempo , expandindo seus
recursos e horizontes para benefício dos usuários locais. A totalidade
dos recursos disponíveis através da biblioteca local , portanto, deve ser
a "Coleção", que é avaliada de acordo com a capacidade dela satisfazer
as necessidades dos seus usuários de maneira eficiente, eficaz e rápid a
- em uma pa lavra, adequadamente.

2.6 - Conclusões
Dentre os conceitos e idéias que apareceram e reapareceram nesta
revisão da literatura sobre avaliação de coleções de bibliotecas, quatro
parecem poss uir implicações de mais longo alcance para o
desenvolvimento e avaliação de todos os tipos de bibliotecas:
1 - A ênfase nas metas e os objetivos da biblioteca corpo
fundamentos para a política de seleção ou aquisição, e
como su porte dentro do qual a coleção da bibli oteca
deve ser avaliada .
2 - A ênfase na qualidade e nas necessidades dos usuários
mais do que na quantidade e em listas padrões apenas,

93

M
como fatores decisivos no desenvolvimento da coleção
e da sua avaliação.
3 - Aaceitação deque nenhuma biblioteca pode sercomple-
tamente auto-suficiente, e que a crescente cooperação
bibliotecária pode vir a ser a única solução possível para
prover coleções adequadas de biblioteca para atingir às
necessidades dos usuários, onde quer que eles estejam .
4 - A necessidade básica de existir profissionais bibliotecários
competentes em pontos estratégicos como seleção e
serviços públicos, a fim de assegurar o desenvolvimento
e o uso adequado da coleção da biblioteca.

Metas e objetivos devem ser determinados cuidadosamente,


atualizados regularmente , descritos de maneira clara e declarados em
termos que possam ser avaliados objetivamente.
A qualidade, para uma coleção particular, depende das necessidades
dos usuários, e ela pode mudar como as necessidades dos usuários
mudam; assim, é essencial que os usuários sejam entrevistados
periodicamente quanto às suas necessidades e às suas opiniões a
respeito de quão bem as suas necessidades estão sendo atendidas.
Cooperação bibliotecária de todos os tipos deve ser encorajada, e
novas áreas de cooperação devem ser exploradas, não somente entre
bibliotecas de diferentes tipos e tamanhos. A maior preocupação da
biblioteca é, além da coleção, a totalidade de recursos disponíveis de
que ela faz uso.
É esta totalidade que deve ser avaliada.
Profissionais bibliotecários competentes fazem a diferença entre
uma coleção geral e uma biblioteca dinâmica, bem utilizada, altamente
considerada . Eles são a ligação entre as necessidades da comunidade
e a coleção da biblioteca, de um lado e, entre a coleção da biblioteca
e uma necessidade específica do usuário, de outro. Eles interpretam a
comunidade para a biblioteca através da seleção, e interpretam a
biblioteca aos membros da comunidade através dos serviços públicos.
A avaliação adequada de uma coleção deve, portanto, levar em
consideração a presença ou ausência de bibliotecários competentes
nas importantes áreas de seleção e serviços públicos.
Metas e objetivos , qualidade, cooperação bibliotecária, as
necessidades da comunidade e bibliotecários competentes, todos
devem ser considerados na avaliação de uma coleção de biblioteca .

94
3 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - Por exemplo: CARTER, Mary O., and BONK, Waliace J. - Building Library
Collections. 3d. Metuchen, N. J., Scarecrow Press, 1969, pp. 134-35;
LYLE , Guy R. The Administration of the College Library, 3d. ed. New
York, H. w. Wilson Co., 1961, p. 399.

2 - KRIKELAS, James - Library Statistics and the Measurement of Library


Services. ALA Bulletin, 60: 494-98, May 966; L YLE , Guy R. An
Exploration into the Origin and Evaluation of the Library Survey. IN:
Maurice F. Tauber and Irlene R. Stephens, eds. Library Surveys
(Columbia University Studies in Library Service, nO 16). New York,
Columbia University Press, 1967, pp. 3-22; BRAOFORO, Neil A. The
Problems of Academic Library Statistics. Library Quarterly,
38:231-48, July 1968: THOMPSON, Lawrence S. History of the
Measurement of Library Service. Library Quarterly, 21 :94/1 06, April,
1951.

3 - BURNS, Robert W - Evaluation of The Holding in Science Technology


in the University of Idaho Library (University of Idaho Library
Publication, nO 2). Moscow, University of Idaho Library, 1968, p. 4.

4 - BEASLEY, Kenneth E. - A Statistical Reporting System for Local Public


Libraries (Monograph, nO 3). University Park, Pa., Institute of Public
Administration, Pensylvania State University, 1964, p.8.

5 - BEASLEY, Kenneth E. - A Theoretical Fremework for Public Library


Measurement. IN: Herbert Goldhor, ed. Research Methods in
Librarianship: Measurement and Evaluation (Monograph n° 8).
Urbana, 111., University of Iilinois Graduate School of Library Science,
1968, p. 5.

6 - KRIKELAS, op. cit., p. 497.

7 - JACKSON, Eugene B. - Measurement and Evaluation in Special Libraries


IN: GOLOHOR, ed. op. cit. pp. 70-87.

8 - PITERNICK, op. cit., p. 229 (vide 3).

9 - CHANOLER, George - Objectives, Standards and Performance Measures


for Metropolitan City Library Systems. International Library Review,
2:457, Oct. 1970.

10 - CLAPP, Verner, W., and JORDAN, Robert T. - Quantitative Criteria for


Adequacy of Academic Library Coliections. College & Research
Libraries, 26:371-80, Sept. 1965.

95
11 - CARTER, Allan M. - An Assessment of Quality in Graduate Education.
Washington, O. C. American Council on Education, 1966. There was no
mention of a library resources index in the revised edition of this
publication: ROOSE, Kenneth O., and ANOERSEN, Charles J. A Rating
of Graduate Programs. Washington, O. C., American Council on
Education, 1970.

12 - MERRIT, LeRoy C. - Book Selection and Intellectual Freedom . New


York, H. W. Wilson Co., 1970, p. 57.

13 - BEASLEY - A Statistical Reporting System ... , op. cit. p. 8.

14 - WILLlAMS, Edwin E. - Surveying Library Collections . In Tauber and


Stephens, eds. op. cit. p. 30.

15 - MCGRATH, William E. - Oetermining and Alocating Book Funds for Current


Oomestic Buying. College & Research Libraries; 28:269-72, July
1967.

16 - MAIZELL, R. E. - Standards for Measuring the Effectiveness of Technical


Library Perfomance. IRE Transactions on Engineering Management,
7:69-72, June 1960.

17 -ALLEN, Albert H. - System to Manage the Industrial Library. Journal of


Systems to Management , 23:24-27, June 1972.

18 - RANOALL, G. E. - Special Library Standards, Statistics, and Performance


Evaluation. Special Libraries, 56:381, July-Aug. 1965.

19 - Sineath, Timothy W. - The Relationship between Size of Research


Library Collections and the Support of Faculty Research Studies.
Unpublished Ph. O. Thesis prepared for the University of lIIinois, 1970.

20 - OR NE, Jerrold - The Place of the Library in the Evaluation of Graduate


Work. College& Research Libraries, 30:25-31, Jan. 1969; e WILLlAMS,
Gordon R., Academic Librarianship: The State of The Art. Library
Journal, 91:2417, May 15, 1966.

21 - MARTYN, John - Evaluation of Specialized Information Centres. The


Information Scientist, 4: 130-31, Sept. 1970.

22 - BROOKES, B. C. - The Oerivation and Application of The Bradford-Zipf


Oistribution. Journal of Documentation, 24:257, Oec. 1968.

23 - GOFFMAN, W illiam, and MORR IS, l hom as G. - Bradford's Law and


Library Acquisitions. Nature, 226:922-23, June 6, 1970.

96
24 - BROOKES, B. C. - Optimun. P% Library of Scientific Periodicals. Nature,
232:461, Aug. 13, 1971. For comment, see: SANDISON, A. Library
Optimum. Nature, 234:368, Dec. 10, 1971 .

25 - TRUESWELL, Richard W. - Determining the Optimal Number of Volumes


for a Library's Core Collection . Libri, 16:49-60, 1966.

26 - HIRSH, Rudolph - Evaluation of Book Collections. In Wayne S. Yanawine,


ed. Library Evaluation (Frontiers of Librarianship, n° 2). Syracuse, N.
Y. Syracuse University Press, 1959, pp. 15-16.

27 -ALLEN, op. cit. p. 25.

28 - STAPLES, Robert - (Comunicação pessoal). Feb. 8, 1973.

29 - BONN, George S. - Library Self-Surveys. Library and Information Science,


9:115-21 , 1971 .

30 - HIRSH, op. cit. pp. 16-17.

31 - WAPLES, Douglas - The Evaluation of Higher Institutions. vol. IV. The


Library, Chicago, University of Chicago Press, 1935, pp. 80-81.

32 - CLAPP ANO JORDAN , op. cit, p. 380. vide também Carter and Bonk, op.
cit, pp. 119-32.

33 -In General Background Reading, vide Bone, Carter and Bonk, Cassata and
Dewey, Hirsh, Lyle, McDiarmid, Merritt, Tauber, and Williams, passim.

34 - BONN, op. cit. , p. 120.

35 - WILLlAMS , op. cit, p. 31 .

36 - WHITE, Carl M. - A Survey of the University of Delhi Library, Delhi, India,


Planning Unit, University of Delhi, 1965, p.41.

37 - EMERSON, op. cit.

38 - COALE, op. cit.

39 - BURNS, op. cito p. 3.

40 - MAIZELL, op. cit.

41 -SINEATH, op. cit. , e MCINNIS , R. Marvin - Research Collection: An


Approach to the Assessment of Quality. IPLO Quartely , 13:13-22,
July 1971 .

97

M
42 -ARMSTRONG, Charles M. - Measurement and Evaluation of the Public
Library. In Goldhor, ed., op. cit., pp. 15-24; MERRITT, op. cit., pp.
58-59; TAUBER, Maurice F. Survey Method in Approaching Library
Problems, Library Trends, 13:23-24, July 1964 e WILLlAMS op. cit.
pp. 33-34.

43 - BON N, George S. - Science-Tech nology Literatu re Resou rces in Canada


Otawa, National Research Council, Associate Committee on Scientific
Information, 1966, p. 24.

44 - ROGERS and WEBER, op. cit. , p. 115.

45 -WILLlAMS, op. cit., p. 34.

46 - BONE, Larry Earl, and RAINES, Thomas A. - The Nature of the Urban Main
Library: Its Relation to Selection and Collection Building. Library
Trends, 20:631 , ApriI1972.

47 -Ibid., pp. 628-30.

48 - MERRITT, op. cit., p. 58.

49 - HORN, Roger - Thin Big: The Evolution of Bureaucracy. College &


Research Libraries, 33:17, Jan 1972.

50 - WILLlAMS, op. cit., p. 34. Veja também: CARTER and BONK, op. cit., p.
137; LYLE, The Administration of the College Library, op. cit. pp.
399-400; MERRITT, op. cit., pp. 59, 62-63.

51 -ORR, Richard H. et aI. - Development of Methodologic Tools for PI'!Inning


and Managing Library Services: 11. Measuring a Library's Capability for
Providing Documents. Bulletin of the Medicai Library Association,
56:251 , July 1968.
-
52 - ORR, Richard H. et ai. - Development of Methodologic Tools for Planning
and Managing Library Services: IV. Bibliography of Studies Selected for
Methods and Data Useful to Biomedical Libraries. Bulletin of the
Medicai Library Association - 58:350-77, July 1970.

98
METODOLOGIAS PARA AVALIAÇÃO
DE COLEÇÕES
Incluindo procedimentos para revisão,
descarte e armazenamento.

1 0
INTRODUÇÃO

Ao apresentar um trabalho sobre metodologia para avaliação de


coleções é importante a definição de termos como: desenvolvimento da
coleção, seleção, aquisição, avaliação de coleção, revisão de coleção,
desbastamento, remanejamento, descarte e seleção negativa,
conservação e preservação . Esta tarefa de definição é a introdução
deste trabalho, que se estende sugerindo procedimentos para a revisão ,
descarte e armazenamento de material bibliográfico.
A avaliação de coleções pode ser intermitente, em separado,
intensiva ou contínua, depende do administrador e deve ser parte
integrante do planejamento e da tomada de decisão. A avaliação pode
refletir uma abordagem de uso da coleção ou ser feita em relação a
padrões e grau de completeza .
A abordagem de "fatores de uso" considera que o passado e o
presente podem indicar o futuro, e isto é uma premissa defendida por
vários autores.
Critérios e condições para avaliação são apresentados por autores
como Bonn (1974), Lancaster (1977), Line (1967) , ALA (1979) e Evans

99
(1979). O uso de fórmulas, como abordagem estatística, destaca as
fórmulas de Clapp-Jordan , Washington State , California state ,
Association of College and Research Libraries (ARL) e a de Beasley para
bibliotecas públicas.
O ponto inicial para o estudo de uso de uma coleção é a análise dos
registros de circulação, que podem ser tanto manuais como resultantes
de automação ou computadorizados; cada um tem as suas vantagens
e limitações, que devem ser consideradas. Entre os estudos de uso são
destacados os de McClellan, Fussler & Simon e o de Trueswe!1.
São feitas observações sobre empréstimos e uso interno na biblioteca,
em comparação com o uso no Brasil e em países industrializados.
Também se considera o uso do COMUT como instrumento de avaliação
do uso de periódicos.
Dos possíveis métodos de avaliação de coleções de periódicos são
citados: uso de dados brutos não trabalhados, densidade do uso,
contagem de citação, avaliação da lista da coleção de periódicos pelos
usuários. Para a decisão de cancelamento de assinatura deve ser
considerado o fator custo-eficácia.
Os estudos de disponibilidade de documentos se apresentam em
duas abordagens e também são apresentados o "teste de fornecimento
de documentos" e o "estudo de disponibilidade na estante" .
Destaca-se que , apesar de nenhum método ser adequado,
isoladamente, cada um se torna mais eficaz quando suplementado por
um ou mais métodos.
Evans recomenda , e são apresentados, oito passos para a avaliação
de coleções.
O segundo tópico do trabalho apresenta sugestões para
procedimentos de revisão, desbastamento, remanejamento, descarte e
armazenamento de materiais bibliográficos.
Uma coleção deve ser representativa das necessidades de informação
da comunidade , e elas mudam; assim, é preciso haver substituições,
acréscimos e atualizações para melhorar a disponibilidade e
acessibilidade das coleções.
A revisão da coleção deve se basearem vários critérios de importância
relativa e no consenso do pessoal da biblioteca envolvida.
O desbastamento e o remanejamento podem dividir a coleção em
vários níveis de acessibilidade em que se procura prevero padrão de uso
futuro da coleção através de análise de uso presente e passado.
A decisão de armazenamento em depósito deve levar em conta
estimativas de vários custos envolvidos e também que bibliotecas de
pesquisa ou de último recurso têm que manter muitos títulos antigos e

100
edições já ultrapassadas, enquanto que a maioria das bibliotecas deve
realizar revisão regular e desbastamento da coleção.
O custo envolvido para manter uma grande coleção é muito alto e
um programa de desbastamento poderá tornar a coleção mais atraente
e fácil de ser utilizada pelo leitor.
O fator mais importante para manter obras na biblioteca pública é a
deman<:la ampla da comunidade, enquanto que nas bibliotecas
especializadas a preocupação é manter a coleção atualizada com as
necessidades correntes de informação dos usuários, que se constituem
em uma clientela homogênea.
As bibliotecas universitárias, devido à explosão da informação,
tiveram que aceitar como impraticável a meta de possuir na coleção todo
o conhecimento humano registrado. A busca de soluções mais adequadas
aponta o fornecimento de serviços mais personalizados e do mais alto
nível, com coleções descentralizadas. Há vantagens e desvantagens
em qualquer das soluções. Já a biblioteca escolar desbasta a coleção
com freqüência para poder acompanhar mudanças no currículo e nos
programas.
Quanto a barreiras ao descarte, Evans relata interessante teste para
o candidato a bibliotecário , que embora pareça pilhéria deve ser
realmente considerado, pois está relacionado com os condicionamentos
emocionais e aspectos psicológicos que trazem reflexos no
comportamento do profissional.
O descarte é explicitado através de várias pesquisas e exemplos de
como desacelerar a ocupação do espaço necessário à guarda da
coleção e de que soluções podem · ser adotadas quando o edifício
principal teve a sua capacidade esgotada.
Algumas soluções são muito onerosas e outras, como maior número
de microformas e descarte intensivo, podem não ser interessantes para
o usuário.
A solução encontrada pela Biblioteca da Universidade de Purdue,
com 500.000 volumes, é apresentada nas diversas fases de seu
programa para rea rranjo físico do interior do edifício.
As diretrizes da ALA oferecem critérios para serem considerados
pelos administradores de bibliotecas com relação a remanejamento,
descarte ou preservação do material. São apresentados critérios de uso,
valor, qualidade, leitura nas estantes e papeleta do livro, duplicação
indesejável, remanejamento para periódicos e material em deteriorização.
As técnicas de revisão e desbastamento podem ser orientadas pelas
sugestões de Mosher e outras, inclusive pelos critérios para

101

6<
remanejamento e descarte ou pelos modelos de armazenamento
cooperativo para guarda de material de baixa demanda.
Os problemas brasileiros são considerados e todo este trabalho tem
o objetivo de auxiliar na decisão que envolve questões relacionadas com
o desenvolvimento de coleções.

2 - GLOSSÁRIO

Estamos propondo neste texto a seguinte terminologia para esta


área de estudo de Biblioteconomia e Ciência da Informação:

Desenvolvimento da Coleção (collection development)


Função de planejamento global da coleção.
Seleção
Função do desenvolvimento da coleção; processo de tomada de
decisão para títulos individuais.
Aquisição
Processo de implementação das decisões da seleção.
Avaliação da Coleção (collection evaluation)
Função do desenvolvimento da coleção, relacionada com pla-
nejamento, seleção, revisão e desbastamento.
Revisão da Coleção (review / stock control)
Termo mais amplo, genérico , relacionado com avaliação e os
que se seguem . É o processo pela qual decisões são tomadas e
ações executadas.
Desbastamento (pruning / weeding / de-selection)
Processo de extrairtítulos ou partes da coleção, quer para rema-
nejamento, quer para descarte.
Remanejamento (relegation / retirement)
Processo de retirar títulos ou partes da coleção, para outros
locais menos acessíveis.
Descarte I Seleção Negativa· (discard / purging / negative selection)
Processo de retirada de títulos ou partes da coleção, para fins de
doação ou eliminação, esta última decisão tomando em consi-
°
deração aspecto físico da obra.
Conservação / Preservação _
Conservação é a retirada temporária do título em avaliação para
recomposição física e para retornar à coleção .
Preservação se refere mais à recomposição de títulos raros para
armazenamento especial.

102
3 - METODOLOGIAS PARA AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES

A avaliação pode ser vista sob dois prismas: primeiro, como um


esforço separado, uma pausa para se verificar onde nos encontramos.
Este esforço resulta, na maioria das vezes, em um relatório, o qual tem
pouca chance de ocasionar mudanças na administração. Há ocasiões,
contudo , quando um estudo separado ou intensivo pode levar a ações
imediatas, por exemplo, quando um novo diretortraça as suas diretrizes,
ou quando surge algum problema , de ordem emocional ou política, que
deve, portanto, ser esclarecido.
Avaliação, sob outro prisma, e para realmente obter resultado, deve
ser incorporada como um processo contínuo, fazer parte da rotina dos
serviços. Colocar avaliação como parte integral do planejamento e
tomada de decisão não é fácil. A avaliação contínua exige:

a) visão crítica e analítica por parte do pessoal e dos adminis-


tradores, com relação aos trabalhos da biblioteca;
b) elementos dentro da organização com capacidade em técnica
de mensuração; e
c) aceitação firme dos resultados da avaliação, independente-
mente daqueles a quem estes resultados possam atingir.

A avaliação depende, portanto, do administrador, e é necessário


objetividade e segurança para desativar uma tarefa que possa vir a
refletir, desfavoravelmente, a direção do administrador.
Através dos anos, várias abordagens têm sido aplicadas para
avaliação de coleções. No passado, a abordagem mais comum era a de·
avaliar a coleção em relação a algum tipo de "padrão externo", o qual
poderia ser um especialista do assunto, ou um grupo de especialistas,
chamado para avaliar o conjunto ou alguma área limitada de assunto na
coleção. Este padrão poderia ser também uma forma de lista de livros
e periódicos recomendados para uma biblioteca de algum tipo, produzida
por uma entidade ou grupo com autoridade para isto.
Uma outra abordagem é estudar a quantidade e o tipo de uso feito
da coleção em um período determinado, pelo exame das papeletas ou
dos cartões do livro, através de amostragem randômica. Ou ainda, fazer
um estudo intensivo de todos os itens emprestados durante alguns
meses. O objetivo deste método é tentar predizer o uso futuro pelo
padrão de uso no presente e no passado; tem sido demonstrado que o
uso passado é uma boa previsão para o uso futuro .

103
Outra abordagem é a de se tentar ava liar a completeza da coleção
de uma biblioteca em alguma área específica de assunto. Para isto,
seleciona-se vários livros recentes ou artigos de revisão sobre o assunto
e agrupa-se as bibliografias associadas a estes livros/artigos para formar
uma ampla bibliografia de fontes citadas correntemente pelos
especialistas desta área . Esta bibliografia é, então, utilizada para avaliar
a cobertura deste assunto na biblioteca.
Na avaliação de uma coleção devem ser lançadas questões
relacionadas ao valor ou eficácia do uso feito desta coleção:

a) É a coleção ampla, variada, de autoridade, atualizada, su-


plementada por materiais básicos, monografias e periódicos,
para estudos e pesquisas especializadas?
b) É a coleção suficiente para campos especializados e técnicos
de interesse à instituição à qual a biblioteca está ligada?
c) Está a coleção sendo expandida de maneira a preencher as
lacunas, e desbastada eficientemente para mantê-Ia sólida
e corrente?
d) Está a coleção acrescida o bastante, em termos de títulos
novos, para mantê-Ia corrente com os avanços nos campos
de interesse?

Desde que os objetivos da biblioteca estejam claros, deve-se tomar


decisão a respeito dos métodos mais eficientes, de acordo com as
razões existentes para realizar a avaliação.
Na revisão de BONN (1974) são debatidas exaustivamente as
metodologias para avaliação de coleções; estas metodologias foram
categorizadas em:

a) Compilação de estatísticas
Tamanho bruto
Volumes entrados por ano
Fórmulas
Comparações
Equilíbrio de assuntos
Pedidos não atendidos
Empréstimos-entre-bibliotecas
Tamanho de excelência
Circulação
Gastos

104
b) Verificação de listas, catálogos e bibliografias
Catálogos padrão e listas gerais básicas
Catálogos de bibliotecas importantes
Bibliografias especializadas e listas básicas de assuntos
Listas correntes
Obras de referência
Periódicos
Listas autorizadas
Listas para casos específicos
Citações
c) Obtenção de opinião dos usuários
Corpo docente e pesquisadores
Estudantes
Público em geral
Bibliotecários
d) Observação direta
e) Aplicação de padrões
f) Testes de adequação dos recursos totais (internos e
externos)
Capacidade de fornecer um documento
Uso relativo de várias bibliotecas

Lancaster, no capítulo 5 da sua obra já considerada clássica , The


measurement and evaluation oflibrary services (1977) , cobriu amplamente
o assunto, classificando as metodologias como :

a) Quantitativas
Tamanho absoluto da coleção
Tamanho da coleção por categorias:
tipo de material
área de assunto
data, língua
Média do crescimento corrente
Tamanho com relação a outras variáveis, inclusive número
de volumes per capita e por item circulado
Gastos com a coleção, inclusive per capita e com relação
ao orçamento total
b) Qualitativas
Métodos "impressionistas" (subjetivos) - (especialistas de
assuntos, eruditos, bibliotecários)

105
Avaliação baseada em listas padrões ou coleções de
outras instituições
c) Fatores de Uso
Quantidade do uso da coleção, como refletido nas estatís-
ticas de circulação e uso interno

Analisando-se as abordagens destes dois autores, nota-se que


Lancaster agrupou sob "quantitativas" as categorias que Bonn colocara
sob "compilação de estatísticas" e "aplicação de padrões"; sob
"qualitativas", Lancaster reuniu os itens "verificação de listas, catálogos,
bibliografias", "obtenção das opiniões dos usuários" e "observação
direta",propostos por Bonn. As categorias que Lancaster classificou sob
"fatores de uso" e que incluíram o item "verificação da adequação dos
recursos totais", de Bonn, foram reformuladas e apresentadas como
artigo no novo periódico Collection Management, em 1982.
Esta abordagem de "fatores de uso" parte da premissa estabelecida
em investigação de Fussler & Simon, 1969, de que o uso do passado é
um bom previsor do uso presente, e que o uso presente é, por sua vez,
um bom previsor do uso futuro. Apesar de alguns críticos colocarem
dúvidas sobre esta premissa, Lancaster admite que existe, na realidade,
evidência considerável para apoiá-Ia, parecendo ser uma premissa
razoável.
Une, em sua obra também clássica, Library surveys, apresentou
aspectos de serviços bibliotecários passíveisde receberem aplicação de
técnicas de levantamento (surveys). Dentre estes aspectos salienta-se
o que se refere à coleção (stock):

tamanho - subdividido em tipos: livros, folhetos , assuntos é


outros critérios: língua, data;
aquisições correntes;
aquisições durante os últimos cinco anos;
média de crescimento;
avaliação com base em padrões, listas, bibliografias;
número de volumes por usuário - potencial; e
número de volumes por total de circulação - real.

o Comitê para Desenvolvimento da Coleção, da ALA, elaborou, na


publicação Guidelines for collection development (1979), os seguintes
métodos para avaliação de coleções:

a) verificação de listas, catálogos, bibliografias;


b) exame direto da coleção;

106
c) compilação de estatísticas:
tamanho;
volumes acrescentados em um dado período;
gastos para materiais bibliotecários;
fórmulas;
estatísticas da circulação;
pedidos atendidos e não atendidos;
empréstimos-entre-bibliotecas; e
tamanho de excelência. Núcleo de coleção de livros ou
periódicos, presumivelmente mais usados
d) citação de trabalhos dos usuários;
e) opinião dos usuários;
f) aplicação de padrões; e
g) testes para os recursos totais e para o fornecimento de
documentos

Para cada uma das metodologias listadas são apresentadas as


vantagens e desvantagens.
Evans, por sua vez, classificou as metodologias em quatro tipos:

a) impressionistas;
b) verificação de listas;
c) estatísticas;
d) de uso

Apesar de criticar o método impressionista por ser extremamente


subjetivo, Evans comenta que esta abordagem é importante, pelo
menos em termos de uma medida de opinião do usuário, o que é
obviamente de valor, mesmo que seja somente um esforço a mais de
relações públicas da biblioteca.
O método de verificação de listas é também considerado útil, apesar
de uma série de desvantagens, já assinaladas por Bonn, como: serem
seleções arbitrárias, não terem relevância para uma comunidade
específica, serem desatualizadas, serem ignorados outros títulos da
coleção sobre o mesmo assunto , não serem considerados os
empréstimos-entre-bibliotecas, nem materiais especiais que possam
ser importantes a uma biblioteca determinada. Mesmo assim, muitos
bibliotecários sentem que a verificação de listas ajuda a revelar lacunas
e fraquezas na coleção, que as listas fornecem guias práticos para
seleção, se a biblioteca quiser utilizá-Ias para aquele propósito, e que a
revelação de lacunas e fraquezas pode levar à reconsideração dos
métodos e políticas de seleção.

107

- se
o método estatístico, segundo Evans, compila dados sobre o
número de volumes no total da coleção e em suas várias partes. Coleta
dados também sobre os gastos para aquisição e a relação desta quantia
com o tamanho da coleção, com o total do orçamento da instituição e de
outros dados similares. É um método limitado pois, embora não possa
haver qualidade sem uma certa quantidade, a quantidade , sozinha, não
garante qualidade. Hoje em dia, metas para coleções são grandemente
baseadas em qualidade , que vem a significar utilidade, mais do que
quantidade. A fraqueza básica deste método está , assim, no uso feito
destas estatísticas para se fazer julgamento de valor, quando, na
verdade , elas só mostram quantidade.
Advogando a necessidade de serem desenvolvidas abordagens
quantitativas para avaliar coleções, que possam ser utilizadas para
tomadas de decisão mas que, ainda assim, retenham a virtude da
simplicidade, enquanto se mantêm relevantes aos programas e serviços
da biblioteca, Evans se estende em descrever o uso de fórmulas como
abordagens estatísticas. As fórmulas que chamaram mais atenção,
ultimamente, são as de Clapp-Jordan, Washington 8tate, California
8tate, e a da Association of College and Research Libraries (ARL) para
bibliotecas de faculdades e universidades, e a de Beasley para bibliotecas
públicas.
A fórmula de Clapp-Jordan é baseada na afirmativa dos autores de
que a adequação da coleção da biblioteca universitária pode ser medida
pelo número de livros que ela contém; mas o tamanho mínimo depende
de muitas variáveis, incluindo tamanho e composição do corpo docente
e discente, do currículo, dos métodos de instrução, da localização
geográfica do campus e das acomodações físicas da biblioteca .
Propuseram, então , uma fórmula mais tarde revista e que ficou assim:

v =50.750+100F+12E+12H+335U+3.05M+23.500D onde:
F =docentes
E =total de estudantes em tempo integral (TI)
H =total de alunos de graduação em estudo independente
U = número de assuntos na graduação
M =áreas de cursos de mestrado
D = áreas de cursos de doutorado
V = volumes
e 50 .750 é uma constante derivada de várias listas-padrão de coleções
básicas para bibliotecas de cursos de graduação . Representa a coleção
mínima viável para uma coleção de biblioteca universitária. A coleção
básica é assim discriminada:

108
LIVROS DOCUMENTOS
PERiÓDICOS TOTAL
TiTUlOS VOLUMES VOLUMES

35.000 42.000 250 3.750 5.000 50.750

Esta fórmula é, no entanto, considerada conservadora para a


adequação mínima, não adequação de alto nível. O problema é a
coleção mínima tornar-se máxima.
A fórmula da Washington State é baseada na de Clapp-Jordan e
permite desenvolver um modelo aplicável tanto a bibliotecas de
faculdades como de universidades, desde que levados em consideração
os fatores de matrículas e programas. A base da fórmula é a unidade de
recursos bibliográficos, unidades estas definidas como um volume, i. e.,
unidade física impressa, datilografada, manuscrita, mimeografada ou
processada, contida em uma encadernação ou álbum.
Fórmula da Washington State - determinação da adequação
quantitativa da coleção em unidade de recursos bibliográficos (faculdades/
universidades).
URB
• Coleção básica do dia da abertura 85.000
• Acréscimo por cada docente de TI 100
• Acréscimo por cada estudante de TI 15
• Acréscimo por cada área de mestrado quando não é
oferecido o doutoramento 6.100
• Acréscimo por cada área de mestrado quando é
oferecido o doutoramento 3.050
• Acréscimo por cada área de doutoramento 24.500

A fórmula da California State é baseada na do U.S. Office of


Education Standards que leva em consideração a oportunidade de
compartilhamento de recursos entre bibliotecas próximas:

Para uma coleção básica de 75.000 volumes no dia da


abertura, a biblioteca da nova faculdade e com os 600 pri-
meiros alunos de TI deve:
- acrescentar 10.000 volumes para cada 2.000 alunos TI;
- acrescentar 3.000 volumes para cada área de assunto de
nível de pós-graduação;
- acrescentar 5.000 volumes para cada programa de douto-
ramento; e

109
- subtrair do total 5% quando a faculdade ficar a menos de
40 km distante de uma outra instituição pública de ensino
superior.

Padrões ACRL - Fórmula A


Baseada na de Clapp-Jordan e similar à da Washington State. Um
elemento usado na de Clapp-Jordan e não utilizado é o acréscimo de 12
volumes para cada estudante de graduação em programas de estudo
independente. Por outro lado, acrescenta um elemento não incluído na
de Clapp-Jordan: 6.000 volumes para cada área de curso de
especialização (6th year course) . Os padrões ainda estabelecem que as
bibliotecas que podem fornecer 100% de material serão, em matéria de
qualidade, classificadas em A; 80-99% =B; 65-79% =C; e 50-64% =D.

Fórmula de Beasley para bibliotecas públicas


Esta fórmula não mede qualidade, partindo da premissa de que
qualidade é uma função do quadro de pessoal:

Serviço Potencial ~ =~
p p
.s
sendo:
B = recursos bibliográficos
C = circulação
P = população servida
=
S fator pesquisa

O ponto inicial para estudo do uso de uma coleção é a análise dos


registros da circulação; estes dados podem ser utilizados para:

a) identificar partes pouco usadas da coleção para serem


removidas para áreas menos acessíveis ou para armazena-
mento menos dispendioso;
b) identificar um núcleo de itens na coleção capaz de satisfazer
alguma percentagem especificada (p. ex. 95%) de todas as
demandas de circulação em futuro próximo;
c) identificar áreas de assuntos na coleção que são usadas
menos do que o esperado e áreas que são usadas mais do
que esperado para aperfeiçoar a política de seleção; e
d) identificar títulos individuais que são muito usados e que
requerem duplicação ou qualquer outra medida para melhorar
a sua disponibilidade.

110
Esse tipo de estudo pode ser dividido em:

a) análise de registros manuais; e


b) análise de registros automatizados.

Antes de se tornar possível extrair dados do sistema automatizado


é necessário usar alguma abordagem para estabelecer uma amostragem
da coleta de dados da circulação para uma análise subseqüente. Jain,
em 1967, identificou duas abordagens:

a) amostragem da coleção pelo topográfico; e


b) amostragem das retiradas por um período.

Cada uma destas abordagens tem vantagens e desvantagens. A


amostragem da coleção, se ampla o bastante, permite extrapolar para
toda a coleção, e pode constituir dados para estudo longitudinal dos
padrões da circulação. Podem ocorrer problemas quando há muitos
dados extraviados devido a substituições ou perdas de cartões de livros
ou etiquetas. A amostragem das retiradas, se baseada em período curto,
pode ter baixa confiabilidade para finalidade de tomada de decisão. Jain
chama a atenção que temos que nos interessar mais pelo uso relativo
do que pelo uso absoluto. O uso relativo diz respeito ao uso ocorrido,
comparado com o uso esperado. Exemplo:

Matemática representa 12% do total da coleção


Geologia representa 9% de Ciência

Probabilisticamente, Matemática deveria receber 12% e Geologia


9% do uso da coleção de Ciência. Mas, podemos verificar que:
Matemática teve 6% de uso e Geologia teve 15% de uso, donde se
conclui que a coleção de Geologia está sendo superutilizada e a de
Matemática está sendo subutilizada.
McCle"an, em 1956, fez um estudo do aumento/declínio do uso de
uma classe de assunto expressada pela:

a) proporção da circulação total; e


b) proporção de livros retirados dentro de uma classe

Para isto, foi feita uma contagem, em um dia específico de cada


mês, dos livros emprestados, subdivididos em 150 categorias de assuntos.
Com o tempo, pode-se observar tendências no uso da coleção . Por

111
exemplo, a classe 59 resultou em 2.75% do total da circulação em 1977,
mas somente 1.34% do total de circulação em 1978. Estes dados podem
ser coletados manualmente, como o foram por McClellan, ou por
sistema computadorizado .
Fussler & Simon, em 1961, realizaram um dos estudos mais
conhecidos deste tipo, na Universidade de Chicago, com finalidade de
identificar livros passíveis de serem demandados de maneira infreqüente ,
e, assim, podendo ficar menos acessíveis e serem guardados em
depósitos menos dispendiosos. O estudo utilizou:

a) dados do passado, para predizer uso futuro; e


b) dados da circulação, idade e língua do livro.

O estudo foi feito com base em amostragem de títulos do topográfico


e, para periódicos, a unidade foi o volume com seus fascículos. Para
cada item da amostragem foi examinado o registro das circulações
passadas e características como: língua, data da publicação, data da
aquisição. Em essência, foi descoberto que registros de uso passado,
durante um tempo suficientemente longo (eles estudaram de 1954-
1958), fornecem uma previsão excelente para o uso futuro. Mesmo
quando tais registros não existem, é possível fazer-se previsões de uso
futuro baseado nos fatores idade e língua, este principalmente para
material científico.
Para alguns propósitos, não é necessário conhecera história completa
da circulação do livro, mas apenas certas datas. Assim, o estudo de
Trueswell, em 1961, utilizou a última data da circulação do livro para
identificar o núcleo da coleção capaz de satisfazer 95-99% da demanda.
Por exemplo, em uma situação hipotética, 50% da circulação corrente
representa livros emprestados nos dois últimos meses; 80% desta
circulação é de livros retirados nos últimos seis meses e 90% da
circulação de livros retirados nos últimos 18 meses. Se verificarmos os
livros emprestados pelo menos uma vez nos últimos 18 meses, teremos
um núcleo de coleção que corresponderá a 90% da demanda em futuro
próximo; é a Biblioteca 90%, segundo Trueswell. A distribuição do uso,
pela data de publicação, é outra análise óbvia que pode ter valor para o
desenvolvimento da coleção.
Em um sistema computadorizado, os registros do uso podem ser
acumulados em períodos de anos e, se for adequadamente planejado,
poderá ter componentes embutidos que coletarão e formatarão os dados
necessários, de maneira contínua, como um subproduto de baixo custo
da operação normal do sistema. Assim, é possível correlacionar os

112
dados existentes sobre as características dos usuários com o uso da
coleção, i. e., retiradas por assuntos, para saber quem está lendo o quê.
Por outro lado, a quantidade de informação que pode ser extraída de
um sistema computadorizado sendo, naturalmente, dependente do tipo
e quantidade dos dados que estão armazenados requer, antes de tudo,
que se defina quais os dados que vão oferecer os melhores resultados
para análise. Assim, um número de chamada é um identificador do
documento que tem grande valor para análise subseqüente, enquanto
que o número de registro tem valor mínimo.
Desde que cada item emprestado leva um número específico, em
um sistema computadorizado é possível extrair-se dados referentes e
quais itens são mais ou menos usados, o que serve de suporte para a
tomada de decisão quanto às necessidades de duplicação e de baixas.
Uma maneira de fazer isto é relacionar o número de dias que um livro
ficou emprestado, com o número de total de dias que a biblioteca
permaneceu aberta; se a biblioteca, por exemplo, ficou aberta 280 dias
em um ano, a circulação de um item pode ser expressa em termos de
quantos dias o item ficou ausente das prateleiras (190/280) o que, na
realidade, apresenta a probabilidade deste item estar na prateleira
quando procurado pelo usuário.
Dados de circulação para duas cópias de um item podem ser
combinados e relacionados a um potencial de disponibilidade de 560
dias, e os dados para itens disponíveis em três ou mais cópias podem
ser manipulados de maneira idêntica.
Desvantagens deste método de análise de registros de circulação:

a) mostra apenas um aspecto do uso (retiradas/empréstimos); e.


b) mostra somente sucessos na busca.

Assim, uma outra metodologia é analisar-se os dados do uso interno


do material da biblioteca. É claramente mais difícil coletar dados sobre
este uso do que sobre material emprestado. Foi observado, no entanto,
que a média do uso interno com relação às retiradas/empréstimos tende
a se manter relativamente constante em uma dada biblioteca, a menos
que as características da própria comunidade que ela serve mudem
drasticamente. Isto é, se um levantamento revela que para cada três
itens usados na biblioteca, um é emprestado, esta média se manterá por
algum tempo.
Também foi demonstrado que o padrão do uso interno é passível de
ser paralelo ao padrão de empréstimos. Por exemplo, se materiais de
Química são emprestados cinco vezes mais do que os de Física, os

113
materiais de Química tenderão a ser usados na biblioteca cinco vezes
mais do que os de Física.
A relação entre o uso interno e empréstimos, no Brasil, conforme
estudo feito por McCarthy, é o oposto do que o descoberto em países
industrializados, pois no Brasil os livros são muito mais utilizados na
biblioteca do que fora dela. As razões são claras, segundo McCarthy: há
pouca tradição de empréstimos de livros para se ler em casa, entre as
nações latinas. No Brasil, grande parte do uso da biblioteca é feito por
crianças em idade escolar e elas preferem trabalhar na biblioteca, em
vez de em suas casas, onde dominam as televisões e as moradias são
amontoadas, com inúmeros irmãos e irmãs, o que torna o estudo difícil.
Pode também ser questionado que o uso interno na biblioteca é mais
eficiente, pois permite uso mais intenso da coleção.
As possíveis maneiras de se estudar o uso interno são através:

a) da cooperação dos usuários (deixar o material consultado


sobre a mesa ou caixas), que necessita da observação para
análise do uso real; e
b) da amostragem dos usuários que estão em locais específicos
da biblioteca em ho~as específicas de dias selecionados.

Na primeira abordagem é necessário solicitar, primeiramente, a


colaboração dos usuários, quer colocando avisos na biblioteca ou
através de notas entregues quando entram na biblioteca, pedindo que
deixem sobre as mesas ou em caixas especiais para isto, todos os
materiais consultados. Em intervalos regulares os materiais utilizados
são identificados e registrados, sendo recolocados em seus lugares.
Corre-se o risco de os usuários não cooperarem integralmente, e, para
evitar distorções, é necessário determinar a proporção de usuários que
coopera; sabendo-se a média de cooperação, pode-se derivar um fator
de correção que permitirá uma avaliação correta.
A melhor maneira para determinar a proporção de usuários que
coopera é observar os usuários ou uma amostragem deles durante um
breve período, para determinar quantos cooperam e quantos não o
fazem. A observação pode indicar que o material deixado sobre as
mesas ou colocado nas caixas representa apenas 60% do uso interno.
Se presumimos que a média da cooperação não é relacionada à área de
assunto, i. e., usuáriosde materiaisde Química não são mais cooperativos
do que os usuários de materiais de Economia, o fator correção pode ser
aplicado integralmente em todos os materiais deixados nas mesas ou

114
colocados nas caixas. Sem este fator de correção pode-se obter uma
estimativa bastante errônea do uso de materiais na biblioteca.
Outra precaução se refere ao estabelecimento do que vamos
considerar que seja contado como "uso": a contagem de materiais
deixados sobre as mesas, apenas, não inclui os que foram recolocados
pelos usuários, e exclui os consultados somente nas estantes e não
levados à mesa. Foi demonstrado que quando a interpretação de uso é
generalizada, a contagem pode ser 20 vezes mais do que o uso indicado
apenas pela contagem de material deixado sobre as mesas.
Na segunda abordagem, concentrando-se em uma amostragem
apenas de usuários, a melhor maneira é a de se centralizar em usuários
que estão sentados em lugares particulares, em horas determinadas e
dias selecionados. Este procedimento oferece um quadro mais completo
do uso interno do que aquele que se baseia somente na cooperação do
usuário; identifica os usuários, pode correlacionar tipo de usuário com
tipo de material usado e também identificar usuários que trazem seu
próprio material para estudar na biblioteca. Por outro lado, com esta
técnica é mais difícil fazer extrapolação para o total de uso interno em
período determinado e, também, não dá indicação de materiais
consultados nas estantes e não levados para as mesas/caixas.
Neste tipo de estudo são particularmente importantes as avaliações
do uso de periódicos, que não circulam em todas as bibliotecas; também
são utilizadas avaliações para a revisão da coleção, tendo em vista a
eliminação de certos títulos. Possíveis métodos de avali ar coleções de
periódicos:

a) uso de dados brutos não trabalhados: produção de uma lista


de todos os títulos ordenados pela quantidade de uso em um
período específico;
b) densidade do uso: produção de uma lista de todos os títulos
ordenados pela quantidade de uso registrado com relação à
quantidade de coleção disponível para uso (título de uma
coleção com 10 anos tem dupla oportunidade de ser usado
do que um título de uma coleção de 5 anos) ;
c) contagem de citação: Une é fortemente contrário, declarando
que "nenhuma mensuração de uso de periódicos tem igual
valor prático significativo quanto o estudo do uso local"; e
d) avaliação da lista da coleção de periódicos pelos usuários.

No Brasil , tendo em vista o estabelecimento do sistema COMUT


para o fornecimento de cópias de artigos de periódicos, principalmente

115

d
nas áreas de Ciência e Tecnologia, sistema apoiado por instituições do
governo e em ampla expansão, aconselha-se que outro instrumento
para a avaliação do uso da coleção de periódicos seja a mensuração da
utilização deste sistema pelas bibliotecas do país.
Estes vários métodos de coleta de dados podem dar como resultado
listas ordenadas diferentemente, que podem se assemelhar apenas nos
títulos do topo da lista. Sugere-se a adoção de vários métodos. Em
último caso, para a decisão de cancelamento de assinatura deve ser
considerado o fator custo-eficácia: uso x custo .
Outra metodologia para avaliação de coleções é a de "estudos de
disponibilidade de documentos" que tem como objetivo avaliar a
capacidade da biblioteca em prover aos usuários os documentos que
necessitam, no momento que deles necessitam. Existem, basicamente,
duas abordagens:
a) compilação de uma lista de citações de documentos que
representam as necessidades dos usuários, e aplicar esta
lista para determinar:
• quantos destes documentos existem na biblioteca; e
• quão disponível cada documento está na ocasião do teste.
b) obtenção da cooperação dos usuários da biblioteca a fim de
identificar falhas para encontrar documentos procurados
durante um período específico de tempo.

Apesar de que nenhum destes métodos possa ser legitimamente


chamado de "teste de fornecimento de documentos", esta expressão é
mais freqüentemente usada para os testes de ORR et aI., aplicados em
bibliotecas médicas, em 1968, e ao estudo de De Prospo et aI., aplicado
em bibliotecas públicas, em 1973. Porquestão de conveniência, Lancaster
designou o primeiro de "teste de fornecimento de documentos" e, o
segundo, de "estudo de disponibilidade na estante".
A parte mais difícil do "teste de fornecimento de documentos" é a
compilação do conjunto de citações que se assume refletem as
necessidades de documentos da biblioteca analisada. Testar a capacidade
de fornecer documentos de uma biblioteca sobre uma área de assunto
em particular é factível, mas difícil. É considerado mais difícil, contudo,
chegar-se a um conjunto de citações que possa fornecer um teste real
da capacidade de uma biblioteca em fornecer documentos sobre uma
gama de assuntos (p. ex., biblioteca pública).
A maneira mais factível de desenvolver um conjunto de citações em
uma área particular de assunto é extrair-se uma amostragem randômica
de fontes citadas por autores representativos escrevendo nesta área de

116
assunto. Se quisermos terminar com um conjunto de 300 citações
retiradas randomicamente de uma amostragem de, digamos, 2.000
citações, devemos primeiro selecionarum grupo de artigos recentemente
publicados para gerar as 2.000 citações. Se cada artigo selecionado na
área de assunto contém uma média de cinco citações, devemos extrair
400 artigos recentes a fim de obter as 2.000 citações.
A maneira mais direta é selecionar os 400 artigos, randomicamente,
de fascículos correntes de periódicos nas estantes da biblioteca a ser
avaliada. Mas esta abordagem deve serevitada, porque muitos periódicos
têm uma forte tendência de se citarem mutuamente e uma amostragem
extraída desta maneira seria preconceituosa, a favor da biblioteca que
está sendo avaliada. Isto porque o conjunto de citações assim extraídas
pode incluir uma proporção maior de citações de periódicos mantidos
pela biblioteca, do que com relação à amostragem extraída por um
método independente da biblioteca a ser avaliada. Uma abordagem
melhor, portanto, seria extrair a amostragem de 400 artigos de fascículos
recentes de periódicos em estantes de outra biblioteca diferente da que
está sendo avaliada. Esta biblioteca deve ser pelo menos tão grande
quanto a avaliada e, preferentemente, maior.
A aplicação deste teste, baseado no conjunto de citações, é feita em
um único dia, e é essencialmente uma simulação, pois simula 400
usuários entrando na biblioteca naquele dia, cada um procurando por um
item bibliográfico determinado. Para cada item desejamos saber:

a) se está na coleção; e
b) onde está fisicamente localizado na ocasião da administração
do teste.

Para a aplicação, o investigador entra na biblioteca com os formulários,


um para cada citação da amostragem . Cada citação é verificada nos
catálogos, Iistagensde periódicos e outros instrumentos, para determinar
se existe na coleção. Neste caso, o investigador determina onde está
localizado, o que, muitas vezes, só pode ser estabelecido através de
consulta com o pessoal da biblioteca que está sendo avaliada.
O resultado de cada busca, i. e., a localização do item procurado, é
registrado em um formulário. Para cada possível resultado, um código
de rapidez previamente estabelecido irá fornecer o quadro geral. Os
códigos usados por ORR et aI. eram cinco pontos em uma escala
exponencial, como segue:

117
a) 10 1 (menos de 10 minutos);
b) 10 1 a 10 2 (10 minutos e 2 horas);
c) 10 2 a 10 3 (2 horas e um dia);
d) 10 3 a 10 4 (um dia e uma semana); e
e) 10 4 a 10 5 (mais de uma semana) .

É importante reconhecer que estas escalas podem ser adotadas por


qualquer teste em qualquer biblioteca, mas o investigador tem que
elaborar uma lista prévia dos possíveis resultados naquela biblioteca e
relacionar estes resultados com um dos cinco valores de código de
rapidez . O mesmo resultado de busca pode receber, assim, diferentes
códigos em diferentes bibliotecas, refletindo política organizacional ou
de procedimento diferente entre estas bibliotecas.
Depois da aplicação do teste, o investigador terá um código de
rapidez para cada um dos títulos da amostragem; destes resultados é
derivada uma média e, desta, o índice de capacidade para a biblioteca,
em contagem na escala de 100. O índice seria 100 somente se todos os
itens do teste fossem fornecidos em menos de 10 minutos.
Verifica-se que um índice deste tipo é mais útil se comparado com
outras bibliotecas. Este teste é, assim, uma avaliação não só da coleção
como também da disponibilidade dos itens da coleção. Se quisermos
apenas avaliar a coleção, a amostragem pode ser extraída do próprio
catálogo topográfico da biblioteca, através de amostragem randômica
sistemática.
De Prospo et aI. desenvolveram um teste para ser aplicado em
bibliotecas públicas; em vez de capacidade, elas expressaram os
resultados em probabilidades;

a) probabilidade de existir o item na coleção (ownership) Pr (O);


b) probabilidade de disponibilidade do livro Pr (8); e
c) probabilidade de disponibilidade: Pr (O) x Pr (8) = Pr (A)

Suponhamos, por exemplo, que existam na biblioteca 325 itens de


uma lista de 500 e que 130 dos 325 estão na estante na ocasião em que
o teste foi administrado. O Pr (O) é: 325/500 ou 0.65; o Pr (8) é: 130/325
ou 4.0; e o Pr(A) é: 0.65x0.40, ou 0.26. Isto é, o usuário procurando um
item na lista de 500 títulos encontra 65% de probabilidade de que exista
na coleção, e 40% de probabilidade de, se existir, estar disponível. A
probabilidade de qualquer item exista e esteja disponível é o produto
destas duas probabilidades; neste caso, 26% é o índice de probabilidade

118
desta coleção, de acordo com De Prospo et aI., um exemplo de uma
biblioteca hipotética.
Este teste de fornecimento de documento é, essencialmente, como
foi assinalado, uma simulação, o que é menos satisfatório do que um
teste real. Assim , é preferível estudar capacidade de fornecimento de
documentos de uma biblioteca pela identificação das falhas encontradas
por usuários reais, durante um período específico de observação . Esta
é a abordagem do "estudo de disponibilidade na estante", que pode ser
realizado através de:

a) investigação da probabilidade de um item existente na


biblioteca estar na estante quando procurado pelo usuário,
ou pode ser expandido para;
b) medir a probabilidade de um item procurado pelo usuário:
- estar na coleção;
- ser encontrado no catálogo;
- estar na estante; e
- ser encontrado na estante .

Tal estudo, na verdade, seria uma combinação de avaliação da


coleção, estudo do uso do catálogo, mais estudo real da disponibilidade
do documento desejado . Pode-se envolver todos os usuários durante
um período específico ou pode-se fixar uma amostragem randômica.
Temos que assegurar a cooperação dos usuários, fazendo uso para isto
de uma "papeleta de falha" que é preenchida pelo usuário . Previamente,
é necessário que avisos e cartaze§ sejam colocados pela biblioteca
comunicando sobre o teste e pedindo a colaboração.
As papeletas de falhas podem ser fichas 7,5x12,5 cm, com breves
instruções sobre o que o usuário deve registrar e fazer, se não encontrar
um livro ou outro documento que busca na biblioteca . Esta papeleta
deve ser depositada em uma caixa especialmente para isto, quando o
usuário deixar a biblioteca. Em intervalos regulares esta caixa é esvaziada
e o investigador procura determinar a causa da falha. Através de
análises diagnósticas pode-se chegar à identificação das causas das
falhas e a decisões quanto às ações corretivas apropriadas. Estas ações
podem envolver mudanças nas práticas de aquisição, de catalogação,
nas guias das estantes da biblioteca, aquisição de duplicatas, mudanças
no período de empréstimos, etc.
Esta metodologia de avaliar a coleção pelo fator de uso, segundo
Evans, é a que tem sido menos executada nas bibliotecas, mas é, talvez,
a que tem o maior potencial como mensuração válida da coleção . Este

119
método fornece dados sólidos e objetivos, baseados nos quais se
executa a avaliação, servindo ainda como uma verificação dos outros
métodos, e é muito útil também para desbastar a coleção e mantê-Ia útil
e viva.
A grande desvantagem é a considerável quantidade de trabalho
necessário à coleta de dados. Entretanto, para a biblioteca com sistemas
computadorizados para sua operação, esta coleta é relativamente fácil
e menos dispendiosa de ser realizada. Não foram ainda estabelecidos,
contudo, quais os níveis adequados ou aceitáveis de uso. Também, não
foram estabelecidas as relações entre o valor intelectual de um livro e
sua circulação, mas, principalmente, não se pode presumir que porque
um livro é retirado da biblioteca, ele é realmente utilizado .
Apesarde nenhum método ser adequado, isoladamente, cada um se
torna mais eficaz quando suplementado por um ou outros métodos.
Evans recomenda os seguintes passos para a avaliação de coleções:

a) desenvolva o seu próprio conjunto de critérios de qualidade


e valor;
b) extraia uma amostragem randômica da coleção e examine
o uso dos itens (amostragem do catálogo topográfico);
c) colete dados sobre títulos desejados e não disponíveis
(pedidos de empréstimos-entre-bibliotecas);
d) mantenha um registro dos títulos deixados sobre as mesas
e nas áreas das estantes (uso interno);
e) mantenha um registro detalhado das atividades de emprés-
timos entre bibliotecas;
f) descubra quanto material obsoleto existe na coleção
(exemplo, trabalhos científicos com mais de 15 anos é não
considerados clássicos);
g) verifique listas selecionadas que possam ter relevância para
sua biblioteca; verifique o uso dos livros listados; e
h) relacione suas descobertas com os objetivos e metas da sua
biblioteca.

4 - PROCEDIMENTOS PARA REVISÃO, DESBASTAMENTO,


REMANEJAMENTO , DESCARTE E ARMAZENAMENTO

Uma coleção, por mais criteriosos que tenham sido os métodos do


seu desenvolvimento, pode possuir um grande número de material que
não é mais necessário. As necesidades da comunidade mudam, livros

120
velhos devem ser substituídos por edições mais recentes ou por títulos
novos no mesmo assunto . Um coleção que possui grande número de
títulos obsoletos apresenta dificuldades desnecessárias aos seus usuários.
Um programa de revisão/desbastamento da coleção é aconselhado
se a disponibilidade e acessibilidade da coleção podem ser melhoradas
pelo remanejamento de materiais, ou se o espaço atual não é mais
adequado para abrigar a coleção ou se, ainda, o envelhecimento e a
deterioração dos materiais se acelerar com a retenção dos mesmos na
situação de abarrotamento em que se acham.
A revisão da coleção , para identificar os títulos que devem ser
remanejados , descartados ou preservados, deve se basear em vários
critérios, sendo a importância relativa de cada um determinada pela
necessidade local. Vários membros da biblioteca devem examinar cada
porção da coleção, desde que é requerido um bom julgamento da
utilidade presente da obra, e é melhor se ouvir a opinião de várias
pessoas para se chegar a um consenso .
O objetivo do desbastamento, para finalidade de descarte, é eliminar
os livros e outros itens que não mais são de interesse do leitor. O
desbastamento é, algumas vezes, baseado na condição física do livro,
mas se é um título ainda útil, deve ser reposto. Bibliotecas públicas
muitas vezes adquirem múltiplas cópias para atender à demanda de um
título, em formato de livro de bolso; quando passa o interesse pelo livro,
muitas dessas cópias podem ser descartadas. Edições antigas,
ultrapassadas por edições mais recentes, também podem serdescartadas,
desde que existam livros mais recentes na coleção. Mas muitas bibliotecas
não vão querer descartar um cópia antiga de obra clássica, só porque
não circulou nos últimos anos; uma edição mais atraente pode ocasionar
o uso, bem como a colocação do livro em exposição ou local privilegiado.
Desbastamento, para o fim de remanejamento para um depósito,
significa identificar aqueles materiais com menor demanda e torná-los
menos acessíveis do que outras partes da coleção, com maiordemanda.
A fim de dividir a coleção em vários níveis de acessibilidade deve-se
procurar prever o padrão do uso da coleção, através da análise dos
cartões de retirada e papeletas de datas de vencimentos para verificar
a última data em que o livro circulou, ou a freqüência da circulação nos
últimos anos. A identificação inicial dos livros a serem desbastados deve
ser revista pelos membros da biblioteca responsáveis pela avaliação.
A decisão de armazenamento em depósito deve levar em
consideração estimativas do custo envolvido: no armazém ou depósito ,

121
na mudança, no transporte, transf erência e alteração dos registros,
custo para os usuários em tempo perdido.
Bibliotecas de pesquisa ou de último recurso, cujo objetivo primário
é apoiar a pesquisa numa frente bem ampla, têm que manter muitos
títulos antigos e edições já ultrapassadas, mas a maioria das bibliotecas
deve realizar revisão regulare desbastamento da coleção. Um programa
de desbastamento sólido, regularmente conduzido, leva a não se tornar
necessário expandir o edifício, mas, principalmente, tornará a coleção
mais atraente e fácil de utilizar pelo leitor.
Em bibliotecas públicas, o fator mais importante para a manutenção
das obras é a demanda . Materiais sem mais interesse para o público
devem, portanto, ser considerados para descarte. Assim, também , as
duplicatas desnecessárias e volumes obsoletos e deteriorados. O custo
envolvido em manter uma grande coleção é também uma consideração.
As bibliotecas especializadas são as que exercem políticas mais
rigorosas para desbastamento, por motivo de espaço e por se tratar de
materiais técnicos, com rápida obsolescência. A maior preocupação
destas bibliotecas é manter a coleção atualizada com as necessidades
correntes dos usuários. É tarefa mais fácil, portanto , do que em
bibliotecas públicas, devido aos padrões já previstos para uso, pela
clientela homogênea, por serem de tamanho pequeno e de metas
restritas. Custo, espaço , material corrente são as considerações mais
importantes para a manutenção da coleção e, assim, o desbastamento
é feito sem maiores hesitações.
As bibliotecas universitárias já tiveram como objetivo selecionar,
adquirir, organizar, preservar e tornar acessível todo o conhecímento
humano registrado . Demanda nunca foi considerada como medida de
valor pois os livros de valor para pesquisa têm pouco uso. Devido" à
explosão da informação, têm que desbastar as coleções; assim, no início
da década de 50, concluiu-se que completeza de coleção de bibliotecas
era uma meta impraticável, desnecessária e impossível. Com relação às
bibliotecas universitárias, uma das medidas tomadas para evitar a
duplicação dos edifícios foi a descentralização da coleção pelo formato
do material, i. e., separando-se a coleção dos livros raros, manuscritos,
documentos oficiais, mapas, etc. A contrapartida foi o oferecimento de
serviços mais personalizados e de maior nível. As desvantagens foram:
problemas operacionais, duplicatas da coleção de referência, possível
problema de acessibilidade (horário mais restrito, local menos acessível
que a central). Outra medida foi aseparaçãodo acervo em coleções para
os cursos de graduação em outros edifícios (undergraduate libraries) e
coleção de pesquisa, mantido no edifício central. Da década de 70 para

122

ti
cá, a tendência tem sido o estabelecimento de bibliotecas nos cursos
profissionais, descentralizando as coleções.
As bibliotecas escolares têm necessidade de correlacionar a coleção
com o currículo escolar e, geralmente, têm espaço reduzido . Assim,
desbastam a coleção com frequência, removendo o material obsoleto .
Três razões básicas são sempre citadas para desbastamento:

a) economia do espaço;
b) melhoria da acessibilidade; e
c) economia de verba

Este terceiro fato nem sempre é verdadeiro, pois não apenas em se


retirando o material da estante se encerra o processo; todos os registros
internos e públicos têm que ser mudados e a nova situação de cada título
registrada de acordo . Se é colocado em depósito, outro catálogo deve
ser estabelecido para aquela coleção, apesar da inconveniência disto
para o usuário. E todas estas atividades custam à biblioteca . Assim,
deve ser calculado se o custo do desbastamento não irá ser maior do que
se deixar o material sem uso nas estantes, incluindo a perda da
acessibilidade para o usuário.
Vemos, assim, que a decisão que era aceitável até há algum tempo
atrás, de construir um novo edifício, assim que o original se locupletava ,
já não é mais factível desde a década de 80. As decisões seriam, então,
no sentido de dividir a coleção, com as desvantagens previsíveis, ou
então desbastá-Ia com finalidade de remanejamento (para tornar a
coleção de menor demanda menos acessível e manter a coleção sob
demanda com a maior acessibilidade possível) ou de descarte final.
Os autores alertam que, para estas tomadas de decisão, existem
barreiras e o que se referem como "duas leis naturais":

a) por menos útil que pareça um item, alguém o achará de valor;


e
b) por mais tempo que se mantenha um título, dez minutos após
dispor dele, alguém virá procurá-lo.

Conclusão: lixo de um =tesouro de outro . É necessário, então , que


o bibliotecário tenha uma atitude responsável e possa oferecer ao
usuário uma justificativa aceitável e profissional quanto à remoção do
item por ele procurado. Existem muitas barreiras de vários tipos que
dificultam ao bibliotecário a realização desta tarefa :

123

c
a) Psicológica - os bibliotecários foram treinados a conseNar o
material bibliográfico e há sempre a idéia de que alguém
poderá precisar dele um dia;
b) Política - às vezes pode não ser conveniente ou oportuno tal
desbastamento; ou quando se pergunta ao usuário, geral-
mente em bibliotecas universitárias, a resposta é: "pode
desbastar as coleções dos outros professores, a minha parte
é o mínimo de que necessito para o ensino";
c) Tempo - é uma tarefa muito trabalhosa e exige tempo para
ser bem executada;
d) Legal - entre nós, os problemas são maiores por haver
discordância quanto a desbastar material permanente , i. e. ,
materiais bibliográficos; e
e) Status - tamanho ainda é considerado importante, diz alguma
coisa quanto à qualidade da coleção da biblioteca.

Algumas destas barreiras dão origem a várias desculpas para os


bibliotecários não realizarem ou relutarem em executar esta tarefa:

a) falta de tempo;
b) pretendem, tem a intenção, mas adiam sempre;
c) medo de cometer erro; e
d) relutância em se desfazer de livros.

Quanto a este último aspecto, Evans relata o fato de que deveria ser
necessário aos candidatos dos cursos de Biblioteconomia, a partir da
década de 80, passarem por um outro teste. Em consultório médico,
teriam a pressão arterial medida e, após uma conversa inicial, o médico
tomaria de um livro e solicitaria ao candidato que o rasgasse; isto feito,
a pressão seria novamente medida para verificação do efeito deste ato:
se subisse demasiadamente, este candidato não poderia ser aprovado ,
pois que o bibliotecário do futuro vai ter que se desfazerde alguma parte
da coleção da sua biblioteca - não desta maneira extrema, contudo - e
a sua reação terá que ser equilibrada e racional para esta tomada de
decisão.
A literatura oferece duas maneiras bastante simples de selecionar
certo tipo de material, já tendo em vista um futuro descarte, em caso de
remanejamento de coleção. Na Universidade de Yale, estes livros são
guardados em caixas, após a aquisição/processamento e não são
incorporados à coleção; é o que chamam de Book retirement program.
Na Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), a ficha de

124
encomenda, com o número de registro, é intercalada no catálogo do
público e o livro é guardado à parte, pelo número de registro (localização
fixa) sem ser classificado (temporary one entry).
De qualquer maneira, existem muitas sugestões na literatura para se
desacelerar a ocupação do espaço necessário à guarda da coleção.
Rouse sugere:

a) política restrita de aquisição;


b) desbastamento;
c) localização fixa;
d) armazenamento portamanho; 5 tamanhos = 20% de redução;
e) deixar menos espaço livre nas estantes = 75% de redução;
f) usar estantes mais altas;
g) armazenar em fila dupla (livros de coleção - Brasiliana);
h) diminuir a profundidade das estantes;
i) reduzir a largura do corredor entre as estantes;
j) adotar fileiras mais compridas de estantes;
k) adotar menor espaço de circulação;
I) adotar estantes compactas = 50% de redução;
m) microfilmar (material pouco usado = 15 - 55% de redução);
n) descartar, e
o) remanejar em depósito.

Enfatiza Rouse que a melhor maneira de desbastar ainda é na


seleção, i. e., na entrada do livro na biblioteca. Gore, por sua vez,
apresenta uma sugestão que é criticada por alguns outros autores:
descartar 30% de uma coleção de um milhão e substituir estes 30% por
duplicatas de material muito demandado, aumentaria significativamente
a eficiência da biblioteca.
Em levantamento realizado para avaliar a capacidade das estantes
de 89 bibliotecas universitárias, verificou-se que de 1964-1974 houve
95% de crescimento (de 19.5 para 38 milhões de volumes). De 1975-
1984 foi previsto um aumento de apenas 58%. Deste levantamento são
os dados referentes às opções escolhidas por estas bibliotecas para
quando o edifício principal tivesse sua capacidade esgotada:

a) Colocar parte da coleção em ramal nenhuma


b) Construir novo edifício 10.1%
c) Acréscimo ao edifício existente 44.9%
d) Instalar estantes compactas 28.1%

125
e) Estabelecer armazenamento à parte 27.0%
f) Microfilmar coleções de periódicos 52.8%
08S .: Algumas destas medidas foram tomadas simultaneamente.

Exemplos de outras opções: conversão da área de leitura para


armazenamento; adição de mais estantes; transferência para depósito;
acordos cooperativos com universidades vizinhas, acordos de depósitos
cooperativos; microfilmagem e descarte da coleção; remodelagem do
edifício; aquisição em microformas; armazenamento de periódicos em
depósitos cooperativos; conversão de exposição e leitura casual para
armazenamento; crescimento zero: só se adquire o suficiente para
ocupar espaço liberado por descarte (zero growth ou steady growth);
adição de mais um andar no edifício; reocupação de espaço cedido a
departamento da universidade; utilização de salas de aulas.
Este estudo verificou que o período de 1967-1974 foi o de crescimento
mais rápido em matéria de construção de novos edifícios para bibliotecas
universitárias. Durante este período foram construídos 570 novos edifícios
que abriram espaço para 166 milhões de volumes, sendo que a adição
foi de 163 milhões; houve, ainda, um descarte de 12 milhões de
volumes. Neste mesmo levantamento procurou-se verificar quais os
critérios utilizados para selecionar os volumes a serem remanejados
para armazenamento em depósitos:

a)Último registro da data de circulção 36.4%


b) Frequência do uso 50%
c) Data da publicação 63 .6%
d) Língua do texto 40.9%
e) Julgamento de especialistas 54 .5%
f) Outros 27 .3%
08S.: Algumas destas medidas foram tomadas simultaneamente.

Em outro estudo verificou-se a situação de 36 bibliotecas de


faculdades construídas entre 1967-1968, tendo sido constatados os
seguintes fatos: algumas bibliotecas, após 15 anos, já se vêem face a
problemas não encontrados pelos edifícios que substituíram, após o
dobro daquele período; a maioria das bibliotecas deste grupo possuem
coleções entre 100-200 mil volumes; 28% têm menos de 100 e 11 % ,
mais de 200 mil volumes; 5 bibliotecas já atingiram o limite da capacidade
de espaço para coleções e outras 5 que já excederam teoricamente o
limite de armazenamento, relataram ter espaço para menos de cinco
anos crescimento; 15 das 36 bibliotecas indicaram ter 5 ou menos anos

126

..
de espaço de crescimento para material impresso; 5, somente, têm
planos concretos para aumentar o armazenamento. Algumas das soluções
adotadas:

a) três bibliotecas construíram adições à estrutura original ;


b) duas adquiriram instalações para armazenamento remoto; e
c) uma abriu ramal.

Cada biblioteca de três aumentou a capacidade de armazenamento


por meios convencionais, principalmente adicionando mais áreas de
armazenamento em espaço não previsto para isto, ou eliminando
espaços abertos. Duas outras ganharam mais espaço diminuindo o
corredor entre as estantes. Não houve evidência no levantamento de
que espaço para estudo tenha sido convertido em armazenamento, mas
remodelações no interior do edifício foram realizadas em 63% das
bibliotecas, devido a vários fatores não previstos durante a construção,
como alteração dos objetivos dos programas escolares, formatos
diferentes e necessidades de oferecer novos serviços/coleções.
A conclusão deste estudo é de que os próximos anos serão difíceis
para estas bibliotecas, em matéria de espaço para guarda dos materiais,
pois certas soluções como novos edifícios, adição aos edifícios,
armazenamento remoto ou compacto são dispendiosos e outras soluções,
como maior uso de microformas e descartes intensivos, podem não ser
atraentes para os usuários. Em muitos casos, áreas no edifício ocupadas
por outras atividades podem ser retomadas. Como última solução, há
conversão de áreas de estudo em armazenamento; esta solução é,
ironicamente, talvez a mais aconselhável, tendo em vista o declínio das
matrículas, ocorrido nos últimos anos. Depoisdisto, porém, as bibliotecas
que tomarem esta decisão se verão na próxima década sem espaço para
usuários ou materiais.
Um estudo recente, de Pinzelick, partiu da premissa de que a
solução tradicional para estantes abarrotadas de bibliotecas, construção
de novo edifício, não é mais possível para muitas instituições e, sendo
assim, sugeriu um arranjo radical na biblioteca como solução factível. A
logística do rearranjo efetuado na biblioteca da Universidade de Purdue,
com 500.000 volumes, consistiu nas fases:

a) desenho do modelo do arranjo atual;


b) desenho do modelo do arranjo desejado;
c) programa de transição do arranjo antigo para o proposto e
teste do modelo integral;

127
d) reunião com o pessoal da mudança (colocadores dos livros
nas estantes) e outros membros do quadro de pessoal ,
explicando o plano e métodos de operação; e
e) providências quanto à comunicação visual adequada a fim
de que todos pudessem acompanhar a mudança.

Na biblioteca de Purdue, o programa foi elaborado em 41 passos,


mudando-se 250.000 monografias, principalmente para outros andares.
Planejado para ocorrer em dois meses, levou na realidade menos de um
mês, sem grandes perturbações no serviço rotineiro, usuários e pessoal
da biblioteca, capazes de interpretar os mapas, acompanhar os passos
da mudança e realizar a busca do material desejado, quer na localização
antiga ou nova, como adequado.
As diretrizes da ALA sobre o assunto oferecem os critérios que
devem ser considerados pelos administradores das bibliotecas, com
relação a determinação do material para remanejamento, descarte ou
preservação:

Critério de uso -Inclui dados de circulação, tempo na estante entre


retiradas, uso interno, empréstimo-entre-bibliotecas, consultas dos
usuários. Livros novos ou adquiridos nos dois últimos anos não
devem ser considerados. Para bibliotecas que têm registros de
circulações passadas, pode-se remanejar livros com base em
fatores tais como: língua, data de publicação, data de aquisição ou
área de assunto.

Critério de valor e qualidade - O mesmo que foi usado para a


seleção, refletindo as metas e objetivos da biblioteca. Fatores como:
assunto, importância histórica, idade, custo, condições físicas,
citação em outras publicações, disponibilidade de outro material na
área, frequência de uso, devem ser considerados.

Método de leitura nas estantes e papeleta do livro - É um método


para auxiliar as bibliotecas especializadas e de pesquisa que podem
precisar reter material sem registro de circulação ativa na coleção.
Atravésda leitura das estantes identificam-se os livros para descarte
e remanejamento. Em cada título identificado coloca-se uma papeleta
notificando o usuário da medida; esta papeleta permanece no livro
por 2 anos.

128

..
Critério de duplicação indesejável - Importante observar durante
a leitura das estantes as duplicatas não mais necessárias (livros
textos) que ocupam espaço significativo nas estantes.

Critério de remanejamento para periódicos - Periódicos que


circulam: observar uso passado, data da publicação . Periódicos que
não circulam: fazer estudo de citação.

Critérios de material em deterioração - Identificação do material


para tratamento de conservação/preservação ou para reposição
simples por cópia ou microformas, ou que pode ser descartado.

Mosher oferece como sugestão , as seguintes técnicas de revisão e


desbastamento:

a) Medidas do uso passado


• contagem da circulação;
• tempo na estante;
• uso interno;
• registro de empréstimos entre bibliotecas; e
• análise de citações.
b) Revisão das estantes
• Durante este processo, os títulos podem ser identificados
para armazenamento, descarte ou para tratamento de
preservação/conservação, iniciando-se a ação imediata-
mente ou adiando-a para mais adiante, com a aplicação da
papeleta do livro, informando ao usuário sobre a providência
a ser tomada.
c) Consulta com o usuário
• Na identificação de candidatos ao desbastamento,
aconselha Mosher, mais de um método deve ser utilizado,
aplicando-se técnicas mais mecânicas, como datas de
circulação passada e frequência de citação, juntamente
com considerações subjetivas, como necessidade do pro-
grama local e importância do título na área de assunto. Em
qualquer programa para a revisão da coleção, as seguintes
observações serão úteis:

- Adote métodos adequados à meta da biblioteca e às


disciplinas ou assuntos sob consideração.

129
- Seja prático . Se o objetivo é desbastar múltiplas cópias
obsoletas, textos ou edições ultrapassadas, a melhor
maneira é pela leitura simples e rápida das estantes,
nenhuma metodologia complexa é requerida para isto.

- Use mais de um método, assegure-se do apoio de espe-


cialistas do assunto para suplementar e corrigir resultados
de técnicas mecânicas.

• Não hesite em usaro corpo docente para podercontarcom


especialistas do assunto e para verificar ostítulos candidatos
ao desbaste.

No caso de remanejamento da coleção, existem as seguintes


observações e estudo comparativo dos métodos, feito por Lancaster:

Critérios para remanejamento pela data da:


Publicação - É a operação mais econômica porque pode ser
feita em massa no catálogo ou nos livros. O catálogo não precisa
ser alterado, apenas uma nota colocada de maneira bem visível
na área do catálogo : livros anteriores ao ano X localizados na
área Y.

Aquisição - É uma operação mais cara porque requer o exame


dos outros registros que não o catálogo e, mais importante,
requer a modificação do catálogo para assinalar a localização
dos itens.

Circulação - Parece ser a operação mais onerosa. Requer o


exame da circulação, das datas nas etiquetas, e mudança no
catálogo. Uma idéia do custo desta operação seria de U$ 0.80 a
U$ 1.00 por volume remanejado com base na circulação,
enquanto que o custo seria na base de U$ 0.40 por volume
remanejado com base na data da publicação. Uma sugestão:
para que haja equilíbrio entre custo e benefício, o remanejamento
por data da publicação pode ser o mais eficaz com relação ao
material científico.

Existem duas questões básicas a respeito do desbastamento da


coleção para fins de armazenamento:

130

!.
a) Como serão os livros selecionados para o armazenamento?
b) Como serão eles fisicamente armazenados?

Para a primeira questão, temos dois exemplos de crité rios adotados


por duas grandes bibliotecas universitárias americanas : Ya le baseou a
decisão em :

a) estudo dos livros nas estantes;


b) valor do título dentro do assunto;
c) importância histórica na área;
d) disponibilidade de outras edições;
e) disponibilidade de outros materiais sobre o assunto ;
f) uso do volume ; e
g) condições físicas .

Na universidade de Chicago , Fussler & Simon recomendaram as


seguintes alternativas para selecionar livros para armazenamento :

a) julgamento de um ou vários peritos na área;


b) exame do uso passado do livro; e
c) combinação destas duas abordagens.

Quanto à segunda questão, ou como serão os livros fisicam ente


armazenados, existem as sugestões a seguir, que dizem respeito ao
armazenamento remoto para bibliotecas universitárias:

ALTERNATIVAS BENEFíCIOS CUSTOS


a) Uso infreqüente
- Acesso livre, no campus , - Leitura casual
convencional posslvel.

- Acesso livre fora do campus , - Leitura casual não posslvel,


convencional somente para quem
pode ir ao local.
Recuperação com demora.

- Acesso fechado , fora do campus, - Leitura casual não posslvel.


compacto Recu peração com demora.

b) Uso moderado
- Acesso livre, - Leitura casual posslvel.
no campus , convencional

- Acesso fechado , no campus, - Leitura casual posslvel,


convencional porém difícil. Somente para
projetos especiais.

131

..:J
ALTERNATIVAS BENEFíCIOS CUSTOS
- Acesso livre, fora do campus, - Leitura casual possível
convencional somente para quem pode ir
ao local. Recuperação
com demora.

- Acesso fechado, fora do campus, - Leitura casual possível somente


convencional em condições especiais.
Recuperação com demora.

- Acesso fechado, no campus , - Leitura casual impossível.


compacto Recuperação rápida.

- Acesso fechado, fora do campus, - Leitura casual impossível.


compacto Recuperação com demora.

c) uso Pesado
- Acesso livre, no campus, - Leitura casual possível.
convencional

Com a demasiada expansão das coleções das bibliotecas surgiu a


necessidade de se buscar mais espaço para abrigar estas coleções.
Assim, a idéia de depósitos ou centros cooperativos tornou-se um meio
factível para obtenção de espaço, o qual ainda pode ser utilizado por
várias instituições, com o mínimo de custo. Geralmente, estes centros
são localizados em lugares mais af.astados, onde o terreno é menos
custoso e o edifício, por sua vez, ássemelha-se mais a um grande
depósito ou armazém, i. e., sem requintes arquitetônicos.
Permanecem ou são enviados para este centro materiais de uso
infrequente, mas de potencial valioso para estudo e pesquisa; as
bibliotecas podem descartar e doar ao centro estes materiais, com a
idéia de solicitá-los emprestados, quando necessário, ou podem até
adquirir material diretamente para ser localizado neste centro. Existem
três tipos de centros de armazenamento cooperativo, para guarda de
material de baixa demanda:

a) depósito central, pertencente e operado por um grupo de


bibliotecas; cada biblioteca aluga o espaço de um depósito
comum, determina a sua utilização, mantém a sua própria
coleção e controle;
b) depósito integrado, financiado por várias bibliotecas, cada
uma enviando as coleçõesde baixa demanda, principalmente
periódicos, os quais são integrados em uma coleção única;
e

132
c) depósito integrado seletivo , semelhante ao anterior, distin-
guindo-se pelo escopo e tamanho da coleção. Os materiais
enviados pelas bibliotecas-membro são incorporados à
coleção, quando a limitação do espaço o permite, e as
duplicatas são descartadas. Possui quadro de pessoal
tre inado que realiza trabalho de seleção e aquisição para
suplementar as coleções para membros, bem como para
fortalecer os recursos da região .

O exemplo mais característico destes centros é o Mid West Interlibrary


Centre, Chicago, 1949. É um Centro para armazenagem e aqu isição,
organizado e mantido por dez bibliotecas de estados vizinhos. A idéia
era economizar espaço e verba armazenando, em um depósito,
publicações importantes mas de baixa demanda para justificar a sua
'aquisição pelas dez bibliotecas. O acesso é através de empréstimo-
entre-bibliotecas e de cópias, podendo também haver consulta local e
a rede de telex interliga as bibliotecas participantes com o Centro . Em
1951, o Centro expandiu-se para constituir o Center For Research
Libraries; da idéia inicial de ser apenas um simples depósito para dez
grandes bibliotecas universitárias da região, evoluiu para uma organização
internacional com mais de 150 membros, principalmente grandes
bibliotecas universitárias, mas incluindo também bibliotecas de
faculdades , públicas, especializadas e governamentais. Tem como
objetivo promover acessibilidade de materiais de pesqu isa para as
bibliotecas-membro, adquirindo material de alto custo mas de baixa
demanda para preencher lacunas nas coleções; esta aquisição é feita
por compra, permuta ou aceitação de doações. Criado com a ajuda da ,
Carnegie Corporation e da Rockefe"~r Foundation, recebe subvenção
do governo federal para a sua manutenção e aquisição de materiais,
tendo já atingido três milhões de volumes na coleção . O Centro pode
mesmo vir a adquirir títulos para atender a solicitações feitas, os quais
não constavam da coleção : Este tipo de aquisição, por demanda, inclui
a compra de teses estrangeiras de qualquer data , microfilmes de jornais
americanos ou estrangeiros, microfilmes de arquivos americanos ou
estrangeiros (públicos ou particulares) e qualquer documento dos 50
estados americanos publicados de 1952 em diante. Pedidos para
periódicos que não podem ser atendidos pelo Centro são enviados
através de rede de computador para o British Library Document Supply
Center.
Existem centros ou depósitos para documentos oficiais, catálogos
de universidades e teses de doutoramento em áreas restritas. Há uso

133
extenso de estantes compactas, microformas e o material é altamente
selecionado para retenção. Outras categorias de materiais identificados
para possíveis futuros programas de armazenamento cooperativo incluem
aqueles em línguas exóticas, publicações não comerciais, materiais em
formatos não convencionais (mapas, fitas magnéticas), aqueles que
requerem procedimentos especiais para aquisição e obtenção.
O Center for Research Libraries é citado como exemplo de maior
sucesso de uma operação que se concentra em materiais de baixa
demanda , enquanto que o British Library Document Supply Center é o
exemplo de maior sucesso de uma instituição central com o objetivo de
fornecer acesso rápido e seguro a materiais correntes e de alta demanda,
basicamente periódicos.
Finalmente, se a avaliação da coleção nos leva a ter que considerar
o descarte de materiais, os seguintes critérios têm que ser estudados
para a tomada de decisão:

a) duplicatas;
b) doações indesejadas ou não solicitadas;
c) livros obsoletos, especialmente em Ciência ;
d) edições ultrapassadas por revisões correntes;
e) livros infectados, sujos, gastos;
f) livros com letras pequenas, papel quebradiço, páginas
extraviadas;
g) volumes de coleção, não necessários e não usados; e
h) periódicos sem índice (não aplicável às coleçõesde periódicos
brasileiros) .

Segundo Evans, existem três amplos critérios para descarte:

a) condições físicas - más condições podem ser indício de


livro muito usado, que deverá talvez sertratado ou substituído;
b) valor qualitativo - os mesmos fatores para a seleção devem
guiar o descarte ; os usuários devem ser consultados; e
c) valor quantitativo - o problema do "status" da coleção que
poderá ser atingido pelo descarte indiscriminado.

A dissertação de Moraes comprovou vários aspectos levantados na


bibliografia estrangeira com relação ao comportamento do bibliotecário
brasileiro, face ao problema do descarte. Assim, embora alegando falta
de espaço físico em suas bibliotecas, os bibliotecários brasileiros
"preservam acervos obsoletos e de pouca demanda e mantém-se numa

134
atitude negativa com relação ao processo de descarte". É-se levado a
pensarque são barreiras legais que ocasionam esta atitude, mas Moraes
explica que: "não é a legislação que impede o processo de retirada e/ou
descarte, uma vez que não existe uma lei específica, mas o entrave
decorre da própria atitude, positiva ou negativa, do bibliotecário".
Conclui, finalmente, a autora, declarando que "os bibliotecários possuem
um alto conceito sobre retirada e/ou descarte de materiais bibliográficos
mas reagem negativamente a este processo na sua biblioteca. Atribui-
se esta atitude, passiva e negativa, a diversos fatores : ausência de
diretrizes que orientem a seleção do material descartável, difusão da
legislação e apoio institucional".
A autora oferece como sugestão, apoiada na opinião unânime dos
profissionais que responderam o questionário enviado, a criação de
Depósitos Cooperativos Regionais, que centralizariam as coleções
descartadas, aliviando o ônusdo armazenamento por parte das bibliotecas
e, ao mesmo tempo, conservariam as coleções retrospectivas existentes
no país.

NOTA: A legislação mais corrente que trata do problema da alienação de


material no âmbito da Administração Federal é o Decreto nO 87.770 de
01/11/1982 e a Instrução Normativa da Secretaria Geral do DASP,
nO 151 de 19/12/1983, esta, tratando do desfazimento do material. É
necessário, contudo, procurar-se sempre se não existe alguma
regulamentação mais recente.

5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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COMMITTEE. Guidelines for collection developrnent. Chicago, ALA
(c1979).

2 - BONN, G. S. - Evaluation of the collection. Library Trends, 22(2) 265-304,


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135
4 - FIGUEIREDO, N. M. de - Avaliação de coleção e estudo de usuários.
Brasília, ABDF, 1979.

5 - FREEMAN, M. S. - College library building in transition : a study of 36


libraries built in 1967-68. College & Research Libraries, 43 (5):
478-80, novo 1982.

6 - GORE, D. - Farewell to Alexandria: solutions to space, growth and


performance problems of Iibraries. Westport, Conn., Greenwhich
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measurement and evaluation of library services. Washington , D. C. ,
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9 - UNE, M. - Library surveys. London, Bingley, 1967.

10 - McCARTHY, C. M. - Achievements and objectives of Brazilian librarianship.


International Library Review, 15: 131-45, 1983.

11 - MAGRILL, R. M. & EAST, M. - Collection development in large university


libraries. IN: "Advances in librarianship", V. 8, 1978. p. 2-54.

12 - MORAES, S. B. - Análise do problema da retirada e do descarte dos


acervos das bibliotecas brasileiras. Brasília, UnB. 129p. Dissertação
de mestrado.

13 - MOSHER, P. H. - Collection evaluation or analysis: matching library


acquisitions to library needs. In: STUEART, R. D. ed. Collection
development in Iibraries: a treatise. Greenwhich, Conn., Jai Press,
1980. V. 2 pt. VI. p. 527-45.

14 - ___ Managing llibrary collections: the process of review and pruning. In:
STUEART, R. D. ed. Collection development in libraries: a treatise.
Greenwhich, Conn., Jai Press, V. 1. pt. 11. p. 159-81.

15 - PINZEUCK, B. P. - Rearranging occupied space. Collection Management,


5( 1/2) : 89-103, Spring/Summer, 1983.

16 - ROUSE, R. - Within library solutions to book space problems. Library


Trends 19: 299-310, Jan. 1971.

17 - STUEART, R. O., ed. Collection development in libraries; a treatise.


Greenwhich, Conn. , Jai Press, 1980. 2 vols.

136
SELEÇÃO E AQUISiÇÃO DE MATERIAL
EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
BRASILEIRAS

Documento básico apresentado ao Grupo de Trabalho Seleção de Materiallnformacional


2° Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
Brasilia, 1981

1 - INTRODUÇÃO

A pedido da CAPES assumimos o compromisso, em meados do ano


de 1980, de realizar o levantamento da situação da seleção e aquisição
de material bibliográfico em nossas bibliotecas universitárias. .
Elaboramos o questionário, como base da pesquisa a ser efetuada.
Ficou sob a responsabilidade da CAPES revisar, diagramar, incluir itens
de interesse dos pesquisadores da parte de aquisição e distribuir os
questionários pelo país.
Tem sido uma preocupação da CAPES a situação das coleções das
bibliotecas universitárias. Pess·oalmente, também, temos nos preocupado
com o assunto, visto considerarmos sumamente importante o papel que
o bibliotecário deve ter no desenvolvimento destas coleções.
Assim, nos pareceu natural acedermos ao convite recebido, não só
para realizar este levantamento, como também para elaborar um texto
didático para servir de base ao ensino da disciplina de seleção.
Do ponto de vista prático, o levantamento nos propiciou uma noção
ou um diagnóstico realista da situação das atividades de seleção e
aquisição em nossas bibliotecas universitárias, fornecendo assim uma

137
base sólida para a reformulação e o fortalecimento do ensino desta
disciplina, tipicamente bibliotecária, para a formação dos recursos
humanos da área.
Os resultados deste levantamento são realmente desalentadores,
mas correspondem aos que se esperava.

2 - ANÁLISE DO LEVANTAMENTO

Em primeiro lugar, do ponto de vista quantitativo, dos 573


questionários enviados pela CAPES, foram devolvidos apenas 151,
sendo que 11 destes não foram respondidos, tendo restado então,
somente uma amostragem de 140 questionários, o que pode não ser
representativo do universo para um estudo realmente aprofundado
sobre o assunto, como se pretendera fazer.
No entanto, como o objetivo principal da CAPES era o de "se chegar
a um diagnóstico global da problemática e à possível quantificação dos
dados", o número atingido nos parece o suficiente para tal abordagem
e estudo do universo pretendido.
Poderíamos também justificar a aceitação desta amostragem porque
numa análise preliminar os dados levantados não trouxeram algo
realmente novo ou questionável: o diagnóstico a ser apresentado com
base nesta amostra é já sobejamente conhecido por todos.
Apenas, como aliás aconteceu em trabalho anterior patrocinado pela
mesma CAPES - o levantamento da situação do ensino da biblioteconomia
- ficará oficialmente registrado um conhecimento ou uma noção prévia
já existente com relação às atividades de seleção e aquisição de
materiais em nossas bibliotecas universitárias.
Outro fator negativo, com relação ao levantamento de dados obtidos
pelos questionários que serviram de base ao presente estudo, foi o
número de questionários apenas parcialmente respondidos com muitas
questões sem qualquer notação . Pensamos poder justificar também
este fato ao afirmar que o questionário foi elaborado de maneira lógica
e para avaliar a situação ideal de biblioteca universitária. Foram
previstos todos os possíveis envolvimentos e desdobramentos das
atividades de seleção/aquisição dentro de uma biblioteca moderna,
dinâmica e bem provida de recursos humanos e materiais.
Ora, sabe-se que estão bem longe as nossas bibliotecas universitárias
- apesar de serem consideradas como um tipo de biblioteca dos mais
desenvolvidos no País - de apresentar este quadro "ideal". Assim,
comprovando esta situação, um grande número de bibliotecas teve

138
dificuldades em preencher o questionário no seu todo - explica-se assim
também, talvez, o baixo percentual (24,4%) de respostas recebidas em
relação ao total de questionários enviados. Mesmo aquelas que se
esforçaram em responder não foram capazes de lidar a contento com
todas as questões. Apesar dos problemas, um número razoável o fez de
maneira correta, interessada e responsável- o que não podemos deixar
de louvar e apreciar devidamente.
Outro detalhe que nos chamou a atenção, no item XXIV, e que talvez
também tenha contribuído para os dados incompletos no questionário,
foi o número de elevado de bibliotecas setoriais (48), ou de Departamentos
(19) ou de Institutos (14) ainda existentes, que são fortemente dependentes
das Bibliotecas Centrais (55), e que se sentiram com dificuldades e/ou
impossibilitados de responder integralmente ao questionário. Muitas
questões diziam respeito ao órgão centralizador das atividades de
seleção/aquisição.
Em uma análise preliminar, não sentimos que fosse necessária uma
tabulação em nível regional - de interesse maior no aspecto aquisição
- visto que os tópicos sobre seleção abordados no questionário não
trariam qualquer distorção no diagnóstico global a que se pretendeu
chegar.
Outra observação bastante relevante é a que se refere ao fato de
terem sido poucas, na realidade pouquíssimas, as bibliotecas que
enviaram as cópias dos documentos solicitados. E, sob este aspecto, já
podemos oferecer a primeira análise do questionário propriamente dito.
Os poucos documentos que nos chegaram às mãos foram Regimentos,
Estatutos, Manuais de Serviço e Guias de Bibliotecas. Estes são
documentos meramente normativos ou, quando muito, além das normas
descrevem atribuições e execução de tarefas, mas não oferecem
qualquer possibilidade para embasar um estudo qualitativo das atividades
de seleção/aquisição de materiais. Ainda que importantes, tais
documentos não constituem, na forma em que estão redigidos, base
para mensuração daquelas atividades, passo inicial para qualquer
estudo de avaliação, quer com finalidade quantitativa ou qualitativa. Ou
seja , os objetivos de uma instituição devem ser definidos de maneira
absolutamente clara e precisam ser mensuráveis para possibilitar
exatamente a avaliação sistemática e periódica da instituição no
cumprimento dos objetivos pré-fixados. Não são objetivos como os que
seguem abaixo e que exemplificam de maneira direta o que está contido
nos Regimentos/Estatutos/Manuais, que serviriam de base para uma
avaliação das atividades de seleção/aquisição executadas pelas
bibliotecas universitárias do país. Notrabalho que estamos apresentando

139
para este Seminário debatemos longamente sobre este tópico: os
objetivos da biblioteca e a política de seleção.
Exemplo de objetivos apresentados e sem possibilidade de
mensuração:

- "A biblioteca se constitui no repositório de livros, periódicos,


documentos ou qualquer outro material bibliográfico que, de alguma
forma, se relacionem ou sejam necessários ao estudo ou pesquisa ... "

- "É finalidade primordial da biblioteca propiciar aos professores,


alunos e funcionários da Faculdade, bem como ... e usuários em geral,
acesso ao material de seu acervo, bem como instalações e meios
adequados para a sua utilização em ambiente apropriado à leitura e
meditação".

No que diz respeito a documentos de "política de seleção, política de


descartes, aceitação de doações" e outros materiais de elaboração da
própria biblioteca, recebemos apenas dois documentos, um dos quais
ainda sigiloso, tendo muitas respostas vindo com as anotações "em
preparo" ou "projeto em estudo". Assim, se pode concluir que os
bibliotecários trabalham sem qualquer suporte administrativo a respeito
dos objetivos das suas próprias bibliotecas e sem metodologias e/ou
critérios escritos para as tarefas de seleção/aquisição nas nossas
bibliotecas universitárias. E chegamos seguramente a esta conclusão,
embora noventa (90) questionários apresentem respostas afirmativas
(item 1) quanto ao conhecimento, por parte das bibliotecas, de algum
documento onde estivessem delineados os objetivos da entidade a qual
estão subordinadas, versus quarenta e sete (47) que declararam não ter
este conhecimento. Correlacionando esta questão com a que vem a
seguir (item 11) sobre a existência de um documento delineando os
objetivos da biblioteca, obtivemos setenta (70) respostas positivas e
sessenta e cinco (65) negativas, sendo que as positivas se calcaram em
documentos já apontados como meramente normativos e/ou descritivos.
Fica claro, portanto que este problema de "objetivos" não está sendo
corretamente percebido pelos administradores de bibliotecas
universitárias.
A questão seguinte (item 111) segue a mesma linha: A biblioteca
possui um documento traçando a política de seleção para os diferentes
materiais? As biblioteca responderam alegando possuir para:

140
- livros ....... ....... ......... ..... .. .... .... ......... 28
- periódicos .... .. .. .. .. ........ .. .. .......... .. ... 31
- AV.............. .... .......... .......... .. .......... . 03
- microformas .. ...... .... ...... .. .. ........ ...... 06
- outros (? interrogação nossa) .......... 07

Respondendo à indagação (item IV): É este documento revisado


periodicamente? Quinze (15) responderam positivamente e trinta (30)
negativamente mas no entanto nenhuma cópia, como assinalamos
inicialmente, nos foi enviada deste documentos. Que mistério é esse???
Quanto à existência de uma Comissão de Biblioteca (item V) ,
coordenando as aquisições e fazendo a alocação de verbas, as respostas
foram relativamente significativas: trinta e um (31) assinalaram possuir
Comissão, algumas esclarecendo que a Comissão apenas coordena as
aquisições mas a alocação da verba é feita por outro órgão ou pelo
Diretor. Mas no quase absoluto, noventa e cinco (95) declararam não
possuir Comissão e alegaram que a Biblioteca Central , o Setor de
Serviços Técnicos ou o Setor de Aquisição da Biblioteca é que tem esta
função (cinquenta e cinco Bibliotecas Centrais responderam ao
questionário) ou então outros órgãosda Universidade como Departamento
ou Divisão de Serviços Gerais ou Divisão de Material.
Quanto ao quesito (item VI) de quantos são os membros desta
Comissão, as respostas foram bastante diversificadas, não permitindo
tabulação sistemática mas, de qualquer maneira, os três elementos
mais citados foram : Bibliotecários, Professores e Estudantes, além de
Diretorde Faculdade e Professores Representantes dos Departamentos.
Na maioria dos casos, conforme resposta (item VII) vinte (20)
positivas versus trinta e nove (39) negativas, esta Comissão, quando
existe , não teve participação na elaboração da política de seleção
estabelecida pela biblioteca e, também na maioria dos casos, a Comissão
de Biblioteca não tem conhecimento da política de seleção existente.
(Dez respostas positivas versus dezenove negativas - item VII).
Contudo, na questão seguinte (item VIII), sobre as funções desta
Comissão são respondidas como sendo as de:

- Planejamento para cobertu ra de áreas carentes .............. ...... .. 29


- Fortalecimento de coleções em demanda ........ .. .... .......... .... .... 21
- Elaboração de programa para o desenvolvimento
sistemático da coleção.... ... .... .. ........................................ .. .. 17
- Decisões quanto à substituições por desgastes e extravios .. .... 15
- Decisão quanto ao formato das coleções ...... .. ...... .. .... .. .. ......... 05

141

_ _ -'.;A
Pergunta-se aqui: Como pode esta Comissão, sem ter conhecimento
dos objetivos da biblioteca e da sua política de seleção, contribuir
efetivamente para a execução das responsabilidades acima??? Baseado
em qual documento ou norma funcionam estas Comissões? Repetimos
que isto é algo misterioso,já que tais documentos são quase inexistentes
e quando existem não são divulgados ...
Entre outras funções desta Comissão são respondidas apenas as de
ca ráter administrativo em geral, como de supervisão da biblioteca e dos
seus serviços e de apoio e assessoria à Direção . No caso da Comissão
não se desincumbir das funções listadas (item IX), a maioria das
respostas assinalou que o Bibliotecário-Chefe é quem as executa (71
respostas) ou o Setor de Seleção (15) e outros (24), com respostas
bastante diversificadas, salientam "bibliotecários".
Na questão da verba própria anual para manter a coleção de
referência (item X), um número razoável de bibliotecas respondeu
possuir tal verba, quarenta e três (43) versus noventa (94) que alegaram
não possuir. A relação desta verba com o total do orçamento para a
aquisição foi assinalado (item XI), com percentagem de:

- Até 5% ............ ............... ... ....... ...... .... ..... 16


- mais de 20% ... ...... .... .. ... .......... .......... .. ... 11
- até 100/0 ..... ..... .................. ...... .... ... ..... .... 07
- até 200/0 .... .. .. .. .. .. .... .. .. .. .. .. ...... .... .. .. .. .. .... 07

Na questão de existência de rotina por escrito sobre metodologia


para a seleção (item XII), apenas uma minoria absoluta declarou possuí-
la, dezoito (18) bibliotecas versus cento e quatorze (114) respostas
negativas. E aqui nos permitimos levantar dúvidas ainda com relação a
estas dezoito: não estariam se referindo apenas aos procedimentos
contidos no Manual de Rotina?
A metodologia como a entendemos, deve conter todo um arrazoado
dos "porquês" da seleção e não uma simples descrição da rotina do
serviço ou das normas a serem cumpridas pelo pessoal subalterno. De
qualquer maneira, esta dúvida permanece, pois não nos foi enviado
qualquer documento contendo metodologia para a seleção por parte da
bibliotecas.
A atividade de seleção (item XIII) , conforme as respostas, é executada,
principalmente , pelos:

142
- Professores individualmente..... .... ... ...... ... ... 99
- Bibliotecários-chefe ... .. .... ... ... ........ ......... ... ... 97
- Sugestões de alunos...... .. .......... ..... .. ... ... ... .. 92
- Departamento como um todo .. ................ ... .. 43
- Setor de seleção da biblioteca .... ... ... ....... ..... 32
- Comissão de Biblioteca ......... ...... ...... ... ... ..... 30
- Outros ..... ..... .... .. ...... ..... ...... .. .. ... .. ... .. ... ... ... .. 27

Assim, a tarefa é principalmente desempenhada pelos professores


individualmente e pelos bibliotecários-chefes, com grande participação
do corpo discente, o que nos parece um fato relativamente novo e muito
auspicioso . A participação da Comissão de Biblioteca não é relevante,
embora este total (30) coincida aproximadamente com o número
declarado de bibliotecas que assinalaram possuir uma Comissão de
Biblioteca (31) .
Quanto aos instrumentos utilizados e a freqüência de utilização (item
XIV), o catálogos de editores são os instrumentos mais utilizados (98)
seguindo-se as bibliografias (84) e as recensões com relativamente
pouco uso (41), ou seja :
Rotineiramente os catálogos de editores são utilizados por setenta
e oito (78) bibliotecas, em relação a quarenta e seis (46) que utilizam as
bibliografias e quinze (15) usam as recensões.
Ocasionalmente, são utilizadas principalmente as Bibliografias (31) ,
seguidas das Recensões (20) e dos Catálogos de Editores (16) .
Em casos especiais utilizam Bibliografias (7), Recensões (6) e
, Catálogos de Editores (4) .
É surpreendente que material secundário, de caráter meramente
informativo e publicitário apenas, como catálogos de editoresse constitua '
no instrumento principal de base à atividade de seleção na bibliotecas
universitárias. Do ponto de vista teórico , tal material deveria ser utilizado
mais para a atualização de fontes de real autoridade como as Bibliografias
e as Recensões. Catálogos de Editores, na verdade, são fontes de valor
como informação corrente e atualizada e não se deveriam constituir em
instrumentos básicos de seleção de material.
Ironicamente, embora a seleção seja baseada em material corrente
e não relevante, como Catálogo de Editores, a aquisição é sempre feita
com anos de atraso - devido às crônicas faltas de verbas em nossas
bibliotecas - e quando finalmente adquiridos os livros vão às vezes ficar
muito tempo esperando sua hora de merecer um lugar nas estantes da
biblioteca. Em conseqüência destes problemas as coleções são falhas,
deficientes e desatualizadas, e desenvolvidas sem um caráter lógico e
consistente.

143
Na questão da verificação, antes da aquisição, de título solicitado
existente em biblioteca local (item XVI), parece ter havido interpretações
diversas quanto à expressão "biblioteca local". No nosso entender
"biblioteca local" é situada na mesma cidade. Alguns questionados
levantaram dúvidas a respeito mas, de qualquer maneira, setenta e
quatro (74) bibliotecas assinalaram fazeresta verificação rotineiramente,
trinta (30) em casos especiais e oito (8) ocasionalmente. Esta verificação
nos parece totalmente relevante à formação de uma coleção que
pretenda corresponder à demanda dos seus usuários, sem duplicar
desnecessariamente títulos não requeridos pelo uso. A não existência
dessa verificação é, portanto, altamente danosa ao desenvolvimento da
coleção .
Quanto à política de descarte (item XVII), um problema de difícil
solução devido à legislação existente, apenas três bibliotecas
responderam possuí-Ia em documento , enquanto cento e vinte e três
(123) declararam não possuir documento e doze (12) assinalaram que
este documento integra a política de seleção da biblioteca. Como já
informamos, não nos foram enviadas cópias de documentos que nos
possibilitassem uma análise mais completa.
A questão sobre normas para a aceitação de doações (item XVIII),
foi respondida de forma semelhante à questão anterior, embora com um
número um pouco maior de bibliotecas respondendo que tal norma
integra a política de seleção, quinze (15), versus quatro (4) que possuem
documento próprio e cento e dezoito (118) que não possuem qualquer
documento sobre o assunto.
Estesdois resultados mencionados acima exemplificam sobejamente
a falta de apoio administrativo para a atividade de seleção . Destacamos
que estas falhas, sem dúvida, devem ser atribuídas diretamente aos
Bibliotecários-chefes e de maneira indireta às nossas escolas que não
preparam os futuros profissionais de maneira adequada para exercer a
importante tarefa de seleção e desenvolvimento da coleção nas nossas
bibliotecas, e não enfatizam que a coleção é a base de todos os serviços
que são prestados pela biblioteca à comunidade .
No item XIX: A biblioteca realizou, nos últimos cinco (5) anos,
qualquer avaliação de suas coleções? Sessenta e três (63) responderam
ter realizado a avaliação de livros e sessenta e duas (62) a avaliação de
periódicos. Uma resposta aparentemente positiva que foi grandemente
distorcida pelas respostas a itens anteriores. Sem a existência expressa
dos objetivos da biblioteca e sem os documentos de política para
seleção, para descartes e para aceitação de doações a avaliação de

144
coleções nos parece altamente casuística, sem meta definida e sem
sistematização .
As metodologias (item XIX) mais utilizadas para estas avaliações
foram:

- Verificação nas estantes .... .. .... ..... ........ ........ .. .. ..... .... ... 47
- Confrontando dados de aquisição x circulação .. .. .... ..... . 42
- Verificação de proporções existentes por classe de
assuntos .. .... .... .. ...... .. .... .. ..... ... ...... .... ....... ... ...... .... .... 27
- Confrontando classes de assunto com bibliografias
especializadas. .. ........ ... ........ ... .. ........ ...... ...... ... .... ... .. 06
- Outras (incluindo : estudo de citações e frequência de
consultas a títulos de periódicos) .... .... .. ......., ... ...... .... 08

Estas metodologias empregadas conforme o item XIX comprovam,


de certa forma, a maneira casual da avaliação, o que se não a invalida
nem a desmerece por um lado , por outro lado não oferece correlação
com a questão (item VIII) sobre as funções da Comissão da Biblioteca,
onde justamente se levantou pontos que dizem respeito à avaliação
objetiva e sistemática das coleções. Mas, destaca-se um ponto muito
importante, há correlação estreita entre esta questão (item XIX) da
metodologia e aquela que aponta quem realiza a tarefa de avaliação
(item XX) . O Bibliotecário-chefe aparece soberanamente com sessenta
e duas (62) respostas seguido de professores com vinte e nove (29),
equipes especialmente formadas com vinte (20) , Setor de Seleção com
onze (11) e sendo que apenas uma utilizou especialistas externos.
Vê-se assim que uma tarefa extremamente complexa e que deveria '
ser apoiada grandemente por todos aqueles que têm responsabilidade
e interesse pela biblioteca é executada, na maioria das vezes, por
apenas uma pessoa de maneira empírica . Teoricamente, se sabe que
não existe uma metodologia ideal mas que para cada caso, em
particular, um estudo deve ser feito e decidido qual o conjunto de
técnicas que devem ser aplicadas para a montagem de um projeto de
avaliação que venha a ser o realmente adequado às necessidades
específicas de cada coleção.
No item XXI sobre métodos de aquisição, a resposta foi altamente
negativa quanto aos métodos mencionados (91), enquanto que alguns
(17) disseram fazer uso de algum método de ordem em branco ou de
plano de aprovação . Um número também bastante reduzido (item XXII)
assinalou fazer parte de programa cooperativo de aquisição planificada

145
ou de convênios, especificada mente: 27 para livros e 25 para periódicos.
No entanto, um número maior declarou estar envolvido em programa
cooperativo para aquisição de materiais:

- Área de assuntos especializados .. .... ...... .. ... ........ ... . 34


- Áreas geográficas determinadas .. . .. ..... ........ ... ...... .. 05
- Muito caro..... .. ... .. ... ...... .... .. .. .... .... ...... .. ...... .. ..... ..... 05
- Uso ocasional. .. .. .. .. ... .. .. ......... . ....... .. ...... ......... ....... 04
- Formato não padrão ... ...... .. ....... ...... . ... ........... ......... 00

Na questão de se estaria a biblioteca interessada em participar de


programa cooperativo (item XXIII) , as respostas mais numerosas
novamente se referiram à formação de depósitos estaduais ou regionais
para a manutenção de materiais:

- Muito especializados .. ......... .. ...... .... ....... ............... .. 37


- Coleções retrospectivas de periódicos .. ........ ........ .. 29
- Muito caros. ..... ..... ..... .... ....... .... .... .. ...... .. .... .... ........ 24
- De formatos não padrão. ....... .... ... ........ .. .... .... ...... ... 13
- De baixo uso ...... ... ......... .. .... ... .... ....... ... .. ... ........... .. 06

Quanto às questões com relação aos problemas criados para a


Biblioteca Central em razão da existência de Departamentos que
controlam fundos próprios (item XXV) e de Departamentos com coleções
especiais próprias (item XXVI), a grande maioria não respondeu. Algumas
alegaram não possuiro problema, outras alegaram que os Departamentos
não têm verba própria e o problema fica assim resolvido e uma única
respondeu que "ainda não resolveu este problema".
Na análise da situação/seleção aquisição (item XXVII), a maioria das
respostas (56) foi de que a biblioteca faz a seleção mas a aquisição é
feita pela Biblioteca Central, o que tecnicamente e de ponto de vista
administrativo-econômico é o mais correto. No entanto, um número
significativo de respostas , trinta e quatro (34), foi de que seleção e
aquisição são feitas pela própria biblioteca, enquanto outras (25)
informaram que a seleção e a aquisição cabem à Biblioteca Central. Esta
questão não nos pareceu bem formulada, pois que há choque entre ela
e a de número XIII, onde as respostas evidenciam que a atividade de
seleção é executada, principalmente, pelos professores individualmente
e pelo Bibliotecário-chefe .
Na questão seguinte (item XXVIII) verificou-se que a maioria das
bibliotecas (61) não possui controle sobre as verbas de convênio

146
enquanto várias (37) alegaram possuir tal controle. A malona (80)
respondeu não possuir orçamento próprio e específico para o
desenvolvimento da coleção bibliográfica , porém outras (57) alegaram
possuir tal orçamento . Estas duas questões mostram a baixa estima ou
consideração merecida pelos bibliotecá rios dentro das suas organizações,
onde poucos são ouvidos e também não possuem controle sobre verbas
que são destinadas ao desenvolvimento das coleções de suas bibliotecas.
Poucos possuem verba para gerir suas próprias coleções bibliográficas,
base de grande parte dos serviços prestados pela biblioteca. Da mesma
maneira como na seleção, as respostas destacam que o maior responsável
pela aquisição (item XXXII) é o bibliotecário (104) enquanto quarenta e
três (43) bibliotecas assinalaram outros profissionais como os
responsáveis poresta tarefa . Novamente , aparece o Bibliotecário-chefe
como responsável desta vez pela aquisição, formando-se o binômio
seleção/aquisição que depende inteiramente da atuação do Bibliotecário-
chefe. Esta atuação é expressa pela capacidade de supervisão e
delegação para bem distribuir estas tarefas entre os diferentes níveis de
seu quadro de pessoal, isto é, delegar as atividades intelectuais aos
profissionais bibliotecários e as de suporte aos pessoal administrativo.
Um número representativo de bibliotecas utiliza intermediários (item
XXXIII) para a compra de livros (84) e periódicos (82). Enquanto a
maioria faz a aquisição (item XXXIV) através do serviço de compras da
própria Universidade (76) há uma parcela de bibliotecas (46) que compra
diretamente do fornecedor. A maioria das bibliotecas assinalou que fa z
avaliação do acervo (item XXXV) para orientar a aquisição (94) contra
v inte e nove (29) que responderam negativamente. Esta questão
contradiz o item XIX onde sessenta e três (63) e sessenta e dois (62)
bibliotecas, respectivamente, alegaram fazer avaliação da coleção para
fins de seleção de livros e periódicos.
Para intercâmbio, muitas bibliotecas utilizam material da própria
Universidade (81) enquanto várias (37) não o fazem (item XXXV).
Uma grande maioria das bibliotecas assinalou (item XXXVII) não ter
realizado estudo de usuários (1 06) versus vinte e sete (27) que declaram
ter realizado este estudo. Algumas bibliotecas esclareceram estar
elaborando projeto ou planejamento deste estudo para os próximos
meses.
Também a maioria absoluta (item XXXVIII) respondeu não existir
treinamento para os selecionadores (127) contra cinco (5) que
responde rem oferecer tal treinamento. Pelos esclarecimentos feitos,
contudo, apenas uma nos pareceu oferecer o treinamento conforme o

147

- - - - -------
que apresentamos em nosso trabalho preparado para divulgação durante
este Seminário.
Quanto à revisão (item XXXIX) ou o mecanismo para a supervisão
da consistência na seleção, aparece o Bibliotecário-chefe como o
elemento-chave (52) enquanto que o Setor de Seleção e a Comissão de
Biblioteca aparecem como elementos principais em, respectivamente,
dezesseis (16) e treze (13) bibliotecas. Destaca-se novamente aqui o
papel do Bibliotecário-chefe, desta vez como revisor principal ou no
maior número de vezes como revisorde uma tarefa que é.realizada por
ele mesmo.
A questão final (item XL) diz respeito ao uso do serviço de empréstimo
entre bibliotecas nos últimos cinco (5) anos. Foi um dos itens que menos
respostas recebeu . A maioria das bibliotecas parece não fazer uso deste
mecanismo de enriquecimento das coleções e outras alegaram não
possuir os dados computados.
O registro do movimento anual de empréstimo entre bibliotecas
oferece uma amplitude de seis até duzentos itens. Nesta questão (item
XL) o resultado é díspare, portanto não tabulável.

3 - CONCLUSÕES

Em nossas palavras iniciais afirmamos que os resultados deste


estudo tinham sido desalentadores e o quadro apresentado parece ter
comprovado tal assertiva . Podemos constatar que a atividade de
seleção, apesarde ser uma das funções mais intelectuais e a mais típica
do profissional bibliotecário, é executado de forma descuidada e
secundária nas nossas bibliotecas universitárias.
Não há dúvida de que no ambiente universitário a seleção individual
das obras é de competência de professores e alunos. Mas ao bibliotecário
deveria caber um papel mais relevante: o de supervisionar o crescimento
da coleção como um todo. Sendo o único elemento que possui visão
global da biblioteca, a ele cabe de fato e de direito, a responsabilidade
pelo desenvolvimento coerente e uniforme das coleções em geral e
também a criação e manutenção das importantíssimas coleções
bibliográficas e de referência que atuam como suporte de toda e
qualquer área do conhecimento humano abrangido pela sua universidade.
Vimos no quadro apresentado que o diagnóstico final é bem diferente
deste ideal.
Procuraremos ilustrar estas nossas afirmações com declarações
extraídas dos próprios questionários, feitas por alguns bibliotecários
que, talvez já sensibilizados e conscientes deste fato , assim se
expressaram:

148
"A aquisição de material bibliográfico é centralizada, no que diz
respeito à verba orçamentária . A seleção é praticamente inexistente.
limitamo-nos a atender as autorizações (pedidos dos professores e
pesquisadores) provenientes dos Departamentos, porordem de chegada".

"As verbas de convênios são as únicas de que dispõem os


Departamentos para aquisição de publicações .. ,"

"Este ano não foi comprado nenhum livro. A verba apenas foi para
o pagamento de assinaturas de periódicos. Ainda há uma esperança.
Estamos apenas em agosto do corrente ano" .
"Às vezes, o Departamento faz o pedido de compras sem passar pela
biblioteca, recebe o material e nem sequer comunica à biblioteca , que
por acaso toma conhecimento do fato".

"A seleção é feita pelos professores e a aquisição pelo serviço de


compra da Universidade".

"Não adquirimos um livro há dois anos por falta de verba. Muitas


vezes falta até material básico de trabalho: fichas, canetas etc",

"Não se faz empréstimo entre bibliotecas. Não existe EEB",

4 - QUESTIONÁRIO APLICADO PARA PESQUISA SOBRE SELEÇÃO


E AQUISiÇÃO DE MATERIAL BIBLIOGRÁFICO EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS

I. Tem a Bt conhecimento de algum documento onde estão delineados


os objetivos da entidade à qual está subordinada?
SIM 90 NÃO 47
Se positivo , anexe uma cópia específica dos objetivos

11. Existe um documento delineando os objetivos da Bt?


SIM 70 NÃO 65
Se positivo, anexe uma cópia

111. A Bt possui um documento traçando a política de seleção, incluindo


os materiais: assinale onde couber.
Livros 28 Periódicos 31 AV 03 Microformas 06 Outros 07
Quando positivo anexe uma cópia

149
IV. É este documento revisado periodicamente?
SIM15 NÃO 30 mês .......... .... ... ano ........ .
Se positivo, indique a data da última revisão
Se negativo indique quando entrou em vigor

V. Existe uma Comissão de Biblioteca com função de coordenar as


aquisições dos vários Departamentos, fazendo alocações de
verba?
SIM 31 NÃO 95
Se negativo, indique a que órgão cabe a locação de verba aos
Departamentos para aquisição de materiais bibliotecários.

VI. Quais e quantos são os membros desta Comissão?


(N°) ...... ..... .... ............... ... . Bibliotecários
........ .. ................ ....... . Professores
....... ...... ........ ... ....... ... Estudantes
.... .... .................. .. ...... Outros

VII. Esta Comissão participou da elaboração da política de seleção?


SIM 20 NÃO 39
Se negativo, tem esta Comissão, conhecimento da política de
seleção da Bt?
SIM 10 NÃO 19

VIII. Quais as funções desta Comissão, com relação à política de


seleção da Bt?
Assinale conforme o caso e onde couber.
17 Elaboração de programa para o desenvolvimento sistemático
da coleção
29 Planejamento para cobertura de áreas carentes
21 Fortalecimento de coleções em demanda
15 Decisões quanto a substituições por desgaste e extravio
05 Decisão quanto ao formato das coleções
Mencione outras funções desta Comissão, relacionadas ou não
com a política de seleção da Bt. ..... .. ....................... .... ...... ... .. .. .

IX. Se a Comissão de Biblioteca não se desincumbe das funções


enunciadas acima , indique quem ou qual órgão as realiza .
Bibliotecário-chefe 71 Setor de Seleção da Bt 15
Outro (especifique) 24 .... ......... .. ....................... ........ ..... ............ ..

150
X. A Bt possui verba própria anual para manter a sua coleção biblio-
gráfica de referência?
SIM 43 NÃO 94

XI. Qual a percentagem desta verba em relação à verba total do


orçamento para aquisição de material bibliográfico?
Até 5% 16 Até 20% 07
Até 10% 07 Mais de 20% 11

XII. A 8t possui rotina por escrito da metodologia para seleção?


SIM18 NÃ0114
Se positivo, anexe uma cópia.

XIII. Quem realiza a atividade de seleção? Assinale, conforme o caso,


onde couber.
Comissão de Biblioteca 30
Bibliotecário-chefe 97
Setor de Seleção da Bt 32
Departamento como um todo 43
Professores individualmente 99
Aceita sugestões de alunos 92
Outros 27

XIV. Quando realizada pela Biblioteca Central, quais os instrumentos


utilizados?
Bibliografias 56
Recensões 22
Catálogos de editores 65

XV. Qual a freqüência da utilização destes instrumentos?


Bibliografias 83 Rotineiramente 46
Ocasionalmente 31
Em casos especiais 07
Recensões 42 Rotineiramente 15
Ocasionalmente 20
Em casos especiais 06
Catálogos de editores 96 Rotineiramente 78
Ocasionalmente 16
Em casos especiais 04

151
XVI. Há verificação da existência do título solicitado em biblioteca.
local, antes da aquisição?
Rotineiramente 74
Ocasionalmente 08
Em casos especiais 30

XVII. Existe um documento , traçando a política de descarte?


SIM 03 NÃO 123 Integra a política de seleção 12
Se positivo, anexe uma cópia

XVIII. Existe um documento traçando as normas para aceitação de


doações?
SIM 04 NÃO 118 Integra a política de seleção 15
Se positivo, anexe uma cópia

XIX. A Bt realizou, nos últimos 5 anos, qualquer avaliação das suas


coleções?
Livros 63 Periódicos 62
Se positivo , qual a metodologia adotada?
42 Confrontando dados de aquisição x circulação
06 Confrontando classes de assunto com bibliografias
especializadas
47 Verificação nas estantes
27 Verificação de proporções existentes por classes de
assuntos
08 Outra . Especifique .. .... .. ............. .. .. ........ ...... .... .. .... : .. ..

XX. Quem realiza a tarefa de avaliação de coleções? Assinale


conforme o caso:
62 Bibliotecário-chefe
11 Setor de seleção
20 Equipe especialmente formada
29 Professores
01 Especialista externos

XXI. A Biblioteca adota métodos globais de aquisição , tipo ordem em


branco (blanket arder) ou plano de aprovação (appraval plan)?
SIM 17 NÃO 91 Outro (especifique) .. .. .... ... ...... .. ....... ..

152
XXII. Está a Biblioteca envolvida em algum programa cooperativo de
aquisição planificada, ou em convênio para adquirir materiais?
Livros 27 Periódicos 25
34 Para áreas de assuntos especializados
05 Para áreas geográficas determinadas
05 Para aquisição de material muito caro
04 Para aquisição de material de uso ocasional
00 Para aquisição de material de formato não padrão

XXIII. Estaria a Biblioteca interessada em participar num programa


cooperativo para a formação de depósitos estaduais ou regionais
para a manutenção de materiais:
06 de baixo uso
24 muito caros
37 muito especializados
13 de formatos não padrão
29 de coleções retrospectivas de periódicos

XXIV. Especifique o tipo de sua Biblioteca :


55 Central
14 de Instituto
48 de Faculdade, Setorial , Seccional ........ ..... .... ... ..........
19 de Departamento
05 Outra. Especifique ..... .... .... .. ..... ... ... ....... .......... ... ..... .

XXV. No caso de não ser Biblioteca Central, explique como resolve o


problema de Departamentos que controlam fundos próprios,
fugindo à política de seleção/aquisição? ....... ..... ... .. ..... ........ .... ..

XXVI. Da mesma maneira , explique como resolve o problema de


Departamentos com coleções especiais, quanto ao aspecto de
seleção e aquisição .. .. ..... ........ ..... ..... ... .... .. ... ..... .. .......... ...... ... .

XXVII. Especifique a situação de sua biblioteca no processo de seleção


e aquisição no contexto universitário:
56 a seleção é feita pela biblioteca mas a aquisição é feita
pela Biblioteca Central.
34 a seleção é feita pela biblioteca e a aquisição também
25 a seleção e a aquisição cabem à Biblioteca Central.

153
XXVIII. A biblioteca tem controle sobre as verbas de convênio relati-
vas a aquisição de material bibliográfico?
SIM 37 NÃO 61

XXIX. O total da verba para aquisição de material bibliográfico nacio-


nal e estrangeiro em:
NACIONAL ESTRANGEIRO
1977: ....... .. ..... ........ ...... .... 1977: ........ .......... .. ........... .
1978: .... ..... ...... ... .. ........... . 1978:.... .... ... ... .. ... .... ...... .. .
1979: .... ........ ......... .... ... ... . 1979: ... ... ... ........... ..... ... ....
1980: ...... ...... ........ ..... .... ... 1980: .. .. ... .. .......... .. .. .. ..... ..

XXX. A biblioteca possui orçamento próprio específico, anual, para


desenvolver a sua coleção bibliográfica?
SIM 57 NÃO 80

XXXI. A biblioteca possui teto de importação?


SIM 24 NÃO 92
Quanto: 1977: ............ 1978: ......... ...
1979: ............ 1980: .. ......... ..

XXXII. Quem é o responsável pela aquisição?


Bibliotecário 104
Outros profissionais 43

XXXIII. A biblioteca se utiliza de intermediários para compra de


Livros 84 Periódicos 82

XXXIV. A Biblioteca
compra diretamente 47
compra através de serviço de Compra da Instituição 76

XXXV. A biblioteca faz avaliação do acervo para orientar a aquisição?


SIM 94 NÃO 29

XXXVI. A biblioteca se utiliza para o intercâmbio de obras da própria


instituição
SIM 81 NÃO 37

154
XXXVII. A Bt realizou algum estudo de usuários?
SIM 27 NÃO 106 mês .......... ....... .... .. ano ... ... .. ... .
Se positivo, indique a data do último estudo
Se negativo, indique quando pretende realizar

XXXVIII. Existe treinamento de qualquer tipo para os selecionadores?


SIM 05 NÃO 127
Se positivo; especifique ................................................... ..

XXXIX. Existe algum mecanismo para a supervisão da consistência


na seleção?
13 Revisão pela Comissão de Biblioteca
52 Revisão pelo Bibliotecário-chefe
16 Revisão pelo Setor de Seleção

Xl. Qual o uso feito de empréstimo-entre-bibliotecas nos últimos


5 anos, com relação à coleção total de livros existentes?
ano de 1979: Total de Iivros:..... ...... EEB solicitados: .. ..... .. .. .
1978:
1977:
1976:
1975:

155
METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO
DE COLEÇÕES DE
PERiÓDICOS EM
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

1 - INTRODUÇÃO

É sumamente gratificante ver concretizada uma aspiração antiga e


há muito reinvindicada pelos bibliotecários brasileiros: o estabelecimento
de um órgão coordenador das atividades das bibliotecas universitárias
no País.

Em nossa carreira profissional tivemos oportunidade de viver


experiências ímpares na área de bibliotecas universitárias: inicialmente
na Escola Politécnica da USP, no tempo dos catedráticos; depois na
UNESP onde iniciamos a biblioteca para uma recém criada Faculdade
de Filosofia, Ciências e Letras; nos tempos pioneiros de Brasília
vivenciamos a biblioteca Central da UnB, então um novo modelo de
organização bibliotecária; e, finalmente, hoje podemos encontrar no
Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias ações essenciais para a
implantação e desenvolvimento harmônico do sistema brasileiro de
bibliotecas universitárias.

É realmente difícil entender porque se levou tanto tempo para


conseguir conscientizar os poderes governamentais da necessidade de

157
tomar medidas que visam a racionalização administrativa nas bibliotecas
universitárias, com a consequente otimização dos serviços, redução
dos desperdícios e melhor aproveitamento dos recursos.

Os bibliotecários brasileiros jamais haviam sido alertados para os


altos custos de estabelecer e manter uma biblioteca ; de modo geral, os
bibliotecários brasileiros não estão acostumados ou treinados para
prestar conta de seus serviços, e não se havia exigido deles que
considerassem a biblioteca como um centro de custos que deve
participar dos orçamentos e prestações de contas. E, por outro lado,
quando dados estatísticos são coletados, o são apenas para o
cumprimento de uma obrigação, sem o compromisso ou preocupação
de estudo, análise e comparação com os objetivos institucionais e com
outros dados, tendo como destino o pronto esquecimento (arquivados/
engavetados).

Daqui para frente, contudo, este é um comportamento que deverá


ser modificado, pois não só os bibliotecários estão sendo melhor
treinados para trabalhar com dados quantitativos, como também às
autoridades às quais os bibliotecários justificam o seu orçamento, têm
que ser apresentados dados concretos, sólidos, pertinentes Oá não se
aceitam mais os: eu acho, eu penso ... ). Também porque, trabalhando
em regime de sistema de bibliotecas (o que, por sua vez é sinônimo de
cooperação), são os estudos, as análises e as comparações com base
em dados padronizados e coletados de maneira rotineira e criteriosa ,
que fornecem a sustentação para a rede, e a possibilidade de troça de
informação e trabalho cooperativo.

É com intenção de oferecer um instrumento para esta coleta de


dados, que transcrevemos a seguir, uma metodologia para avaliação de
coleções de periódicos em bibliotecas universitárias. Deve-se acrescentar
que esta pesquisa foi apresentada originalmente em 1984, com o título:
Localização e análise da situação das coleções especializadas em
bibliotecas universitárias visando otimização dos recursos disponíveis e
com os objetivos de :

1 - Identificar bibliotecas universitárias com capacidade de


servir como centros de sistemas regionais, em áreas espe-
cializadas de assunto;

158
2 - Alertar para a possibilidade de criação de depósitos regionais
localizados nestas bibliotecas, centralizando a aquisição de
material oneroso ou de potencial para a pesquisa e de baixa
demanda, a guarda de coleções de periódicos obsoletos e
em duplicata e a guarda de material não convencional
(dissertações , t eses , relatórios de pesquisa, mapas,
documentos oficiais, catálogos de universidades, etc.).

Para justificativa desta pesquisa consideramos o fato de que há


necessidade de se iniciar no País, de maneira efetiva e planejada, o
compartilhamento de recursos bibliográficos entre as universidades
brasileiras, para economia de verbas, de importação de material
bibliográfico e de espaço para guarda de coleções de baixa demanda.
A metodologia sugerida foi :

1 - Levantamento da localização/situação das coleções de


periódicos por áreas de assunto , identificando-se as coleções
"fortes" através do Catálogo Coletivo Nacional ;
2 - Levantamento idêntico com relação às coleções de livros,
através de questionários às bibliotecas envolvidas e consultas
aos usuários especialistas locais.

Tendo havido interesse por parte do IBICT para a realização de um


pesquisa semelhante , fizemos os ajustes requeridos e de acordo com a
política da instituiçào então dirigida por Yone S. Chastinet. Entregamos
o projeto refeito ao IBICT para distribuição e aplicação entre 280
bibliotecas universitárias brasileiras, no segundo semestre de 1984. A
pesquisa foi então intitulada: "Análise da situação das coleções brasileiras"
e gerenciada pelo IBICT, na pessoa de Maria Carmen Romcy de
Carvalho.

Esta pesquisa, no entanto, não foi terminad~ por motivos


absolutamente alheios à nossa vontade , mas a metodologia , conforme
dados e opiniões que coletamos posteriormente , foi aprovada, sem
grandes senões.

Foi, pois, como um documento base para discussão e possível


aperfeiçoamento que o apresentamos para a apreciação do 5° Seminário
Nacional de Bibliotecas Universitá rias.

159
2 - PROPOSTA DE METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO DAS
COLEÇÕES DE PERiÓDICOS NAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS

2.1 - Objetivo
Identificar títulos que respondem pelo maior uso quantitativo da
coleção de periódicos em bibliotecas universitárias em todas as áreas do
conhecimento .

2.2 - Metodologia
De acordo com critérios de avaliação de coleções, a metodologia
adotada deverá ser dividida em três abordagens:

a - Levantamento de dados completos (título, área de assunto,


idioma, data, tipo de usuários) dos empréstimos, ocorridos
durante o período de 4 meses, com base no formulário F-1,
em anexo;
b - Levantamento dos dados completos dos pedidos de forne-
cimento de cópias pelo COMUT e outros serviços de
comutação em formulários próprios, durante o período de 4
meses (F-2);
c - Obter opinião dos usuários (professores e alunos) durante o
período de 1 mês através de questionário de identificação de
tipo de usuário, acompanhado por uma lista de periódicos na
área de interesse, devendo o usuário assinalar no Formulário
F-4, os 15 periódicos mais importantes para ele , na sua área.

2.3 - Material
Instrumentos de Coleta de Dados:
F-i - Uso na Biblioteca;
F-2 - Comutação;
F-3 - Identificação dos usuários (anexo, tabela de classificação
de áreas);
F-4 - Opinião dos usuários (anexo, lista de periódicos de
interesse).

Instrumentos da Tabulação
T-1 - Uso na Biblioteca - título
T -2 - Uso na Biblioteca - idioma
T-3 - Uso na Biblioteca - Período
T-4 - Títulos não existentes na Biblioteca
T -5 - Listagem de Títulos mais importantes - assinalação semanal.

160
2.4 - Métodos

2.4.1 - Preenchimento de Formulários


F-1 - Para ser utilizado para consulta/empréstimo durante o
período de estudo . Os dados de identificação dos usuários são de
interesse e registro interno da Biblioteca.
Sugere-se que a assinatura do usuário seja aposta no verso do
formulário .

F-2 - São os formulários já existentes para a comutação, no qual


devem ser acrescentados os itens não existentes de: área de assunto/
idioma: sugere-se que estas anotações sejam feitas no verso do
formulário.

F-3 - Formulário para identificação dos usuários. O item Área de


Atuação deve ser preenchido de acordo com a classificação de área e
sub-área conforme a tabela em anexo .

F-4 - Formulário para coletar a optnlao dos usuanos


(acompanhado por uma lista de periódicos na área de interesse). Estes
formulários devem ser assinalados uma vez por cada usuário, durante
o mês de estudo.

2.4.2 - Rotina para a Tabulação


a - No final de cada mês, os formulários F-1 do Uso da Biblioteca
deverão ser ordenados alfabeticamente por títulos dos periódicos e
enumerados por frequência do uso.

b - Transferir o total desta contagem para T-1, na ordem


decrescente da frequência do uso, computando-se a % respectiva e
registrando-se a área de assunto correspondente.

c - Reordenar e enumerar os F-1, novamente, pelos idiomas,


transferindo os totais e respectivas % para a T-2.

d - Reordenare enumeraras F-1, desta vez por ano do periódico


e transferir os totais e respectivas % para T-3.

e - O F-3 e o F-4 seguem junto com a lista de periódicos na área


de interesse e devem ser assinalados pelo usuário, conforme as
instruções constantes em cada um.

161
f - Após o preenchimento pelos usuários, os formulários F-3 e
F-4 devem ser devolvidos ao bibliotecário que os grampeará juntos.

g - Semanalmente, os formulários F-3 devem ser separados,


primeiramente, pelas áreas de atuação; dentro de cada área de atuação,
separar, a seguir, pela categoria de usuário, sempre mantendo os F-4
juntos, e registrar o total em cada categoria da área de atuação no F-S.

h - Em seguida, dentro de cada categoria, listar à parte, os


códigos dos 15 títulos mais citados no F-4, por cada um dos usuários e
ir registrando nesta lista , cada vez que os códigos se repetirem (DO) ou
ir acrescentando os códigos cada vez que outros títulos aparecerem.

i - Transcrever os códigos, com os totais correspondentes


obtidos na semana, para o F-5, segundo a categoria do usuário e
registrando o código dos títulos mais importantes, em ordem decrescente
e colocando na coluna correspondente, o total de vezes que o periódico
foi citado.

j - Os dados de títulos e identificação dos usuários dos


formulários F-2 devem ser transferidos para a T-4 no final de cada mês,
anotando-se para cada título não existente, quantos usuários e que tipos
de usuários os solicitaram .

I - A tabulação por área de assunto , pode ser realizada à


semelhança de 1, fazendo-se uso de informação do F-1 , ordenando-se
e enumerando-se a frequência do uso por área de assunto .

162
F-1 - EMPRÉSTIMO/CONSULTA DE PERiÓDICOS

PROJETO DE PESQUISA: ANÁLISE DA SITUAÇÃO DAS


COLEÇÕES BRASilEIRAS

F - EMPRÉSTIMO/CONSULTA DE PERiÓDICOS

TíTUlO: ... .... ....... . ........... ... ........ ......... ............ ..... ......... ... ..... . ..... .. . .. .. .

ANO VOl. N°/MÊS IDIOMA

ÁREA DE ASSUNTO

D EST.GRAD. D EST. PG

CURSO ... ... ............. ... .... ..... ... .. ... .. . ........... ... ..... . .. ... .. .. ..... .. ... ..... .. ... .. ..

D PROFESSOR D PESQUISADOR

ÁREA DE ATUAÇÃO

OUTROS .... ....... ...... ..... .... .. ... ... . .... . .. .. .. .... ... ....... .. ... .... ... ... .. .. ' .... .. .... . .

F-3

Prezado Leítor
A bíblioteca está coletando dados para realizar uma avaliação de
uso de sua coleção de periódicos. A sua colaboração é imprescindív el
para isto.
Identifique-se no quadro abaixo:

D Estudante de Graduação D Estudante de PG Curso: .. ................ .... .. .. .. .. ..

D Professor O Pesquisador Área de atuação: .. .. .. ...... .. ............................. ..

163
F-4 - FORMULÁRIO PARA REGISTRO DE OPINIÃO DO USUÁRIO
Preencher com os códigos dos 15 periódicos mais importantes
para você, considerando o 1 o mais importante

6 11

2 7 12

3 8 13

4 9 14

5 10 15

T-1
Identificação da Biblioteca (Carimbo)

Responsável:

Mês: ................. .. ............... .... ..

Títulos mais solicitados para EMPRÉSTIMO/CONSULTA

N° de ÁREA DE
TíTULO TOTAL %
ORDEM ASSUNTO

164
T-2
Identificação da Biblioteca (carimbo)

Responsável:

Mês: .... ................. ... ............ .. ....... .... .

Idiomas dos Periódicos mais solicitados para empréstimo e consulta

IDIOMA TOTAL %
PORTUGUÊS

INGLÊS

ALEMÃO

FRANCÊS

ESPANHOL

ITALIANO

OUTROS

T-3
Identificação da Biblioteca (Carimbo)

Responsável:

Mês: .. ...... ... ......... ..... .... .. ......... ....... ...

Período de maior empréstimo/consulta do Título: ............... ............... .

PERíODO TOTAL %
1980 ·
1975 · 1979
1970 · 1974
1960 · 1969
1940 · 1959
1900 · 1939
· 1899

165
Identifi cação da Biblioteca (Carimbo)

Responsável: ........ ... ..... ... ...... ... .. .. .. .. ... ........ .. ... ........ ... ........... .

TíTULOS DE PERiÓDICOS SOLICITADOS E


NÃO EXISTENTES NA BIBLIOTECA

Título

____ Estudantes de Graduação _ _ _ Estudantes de PG

_ _ _ _ _ _ _ _ _o Professores _ _ _ Pesquisadores _ _ _ Outros

T-5
Formulário para registro de títulos mais importantes
Semana 1. 2. etc.

Estudantes de graduação: Total:


Estudantes de pós-graduação : Total :
Professores: Total :
Pesquisadores: Total :

Total Total Total

1 6 11
I i I I I, II I I I I I I
-r
i I i I
2 7 12
I II I i I I
I
I I
I I
i
I
3 8 13
! ! I I I Ii I I i I II
I

4 I 9 14 II
I III II I I I I I I
5 10 15
I I II I I I I I I I I
166
AVALIAÇÃO DA COLEÇÃO DE
REFERÊNCIA NAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS:
PROPOSTA DE METODOLOGIA

1 - INTRODUÇÃO

Entre agosto-setembro de 1981 realizamos visitas em mais de trinta


bibliotecas universitárias na Colômbia, como parte de uma consultoria
à Unesco , e com a missão de elaborar uma metodologia para avaliação
das coleções de referência existentes naquelas bibliotecas.

Tivemos ocasião de observar, então, a semelhança entre as condi-


ções daquelas coleções com as existentes nas bibliotecas universitárias
brasileiras, i. e. , também são falhas, desatualizadas, sub-utilizadas, e lá,
como no Brasil, as bibliotecas funcionavam, muitas vezes, sem biblio-
tecários de referência. Tendo em vista essa situação, foi proposta uma
metodologia global, não somente para avaliar as coleções, mas também
para desenvolvê-Ias de acordo com as necessidades de informação de
cada biblioteca, e para a otimização do seu uso, através do treinamento
adequado dos usuários e dos próprios bibliotecários de referência.
Foram acrescentadas, também, sugestões quanto ao lay-out da cole-
ção, para propiciar plena utilização, de maneira fácil e confortável.

167
A implantação das medidas sugeridas foi grandemente facilitada
pelo fato de na Colômbia já existir uma Rede de Bibliotecas Universitá-
rias, organismo inter-universitário que atua sob a coordenação da
Divisão de Documentação e Informação do Instituto Colombiano de
Fomento à Educação Superior (ICFES) e que fixa políticas, determina
as ações e avalia os programas que se desenvolvem em nível nacional
e local entre as bibliotecas de Educação Superior do País 1 •

Em 1982 publicamos uma Comunicação na Ciência da Informação,


propondo uma metodologia para avaliação das coleções de referência
nas bibliotecas brasileiras, com base nesta consultoria, incluindo, inclu-
sive, modelos dos formulários para coleta de dados 2 • Partindo deste
trabalho, elaboramos um projeto de pesquisa que chegamos a propor à
Biblioteca Nacional, por acreditarmos que, em nível nacional, tal tarefa
poderia caber a esta instituição; e, embora tenha havido interesse inicial,
não houve, contudo , oportunidade para realizar a pesquisa proposta,
devido à mudança na direção da Biblioteca Nacional.

Aproveitamos agora a realização deste 5° Seminário Nacional de


Bibliotecas Universitárias para recolocar este projeto, tendo em vista
que já temos no país, um Programa Nacional de Bibliotecas Universitá-
rias, cujos objetivo é: "Harmonizar e estimular as atividades desenvol-
vidas pelas Instituições de Ensino Superior, na área da informação e
documentação em Ciência , Tecnologia e Humanidades, otimizando a
prestação de serviços aos usuários".

Com a finalidade de apresentar a idéia neste Seminário, refizemos ,


novamente, o planejamento da pesquisa, com a metodologia adequada
para execução em meio ambiente de bibliotecas universitárias. Trans-
crevemos assim, a seguir, o projeto que elaboramos, para ser aplicado
nas bibliotecas universitárias brasileiras, mormente aquelas que servem
de apoio a cursos de biblioteconomia, pois que os professores de
referência e bibliografia, principalmente os de bibliografia bra,sileira,
deverão ser envolvidos na pesquisa.

Só nos resta augurar que possa esta pesquisa colaborar, efetiva-


mente, para que o PNBU concretize os seus objetivos maiores de
otimizar a prestação de serviços aos usuários das bibliotecas universi-
tárias brasileiras, e afirmar que estaremos à disposição daqueles que
tiverem interesse em aplicar a metodologia proposta .

168
2 - JUSTIFICATIVA

o material de referência, constituído de enciclopédias, dicionários,


guias, diretórios, bibliografias, índices, resumos, revisões , etc., repre-
senta uma das coleções de maior importância de uma biblioteca, não só
porque serve de base para a utilização das demais coleções, como
também , do ponto de vista econômico , é a coleção mais onerosa no
orçamento de qualquer biblioteca.

Esta coleção é também importante porque, através da utilização


destas fontes, é prestado grande parte do serviço de referência da
biblioteca , o qual é dirigido ao atendimento das necessidades
informacionais de seus usuários.

No entanto, as bibliotecas brasileiras não possuem coleções de


referência/informação adequadas ou suficientes para a prestação de um
serviço de bom nível. Duas deficiências principais podem ser identificadas
nas coleções brasileiras de material de referência:

a - falta de atualização das fontes nas áreas de Ciência e


Tecnologia;
b - falta de títulos para a cobertura adequada das áreas de
Ciências Sociais e Humanidades.

Estas duas falhas, sem dúvida, afetam o uso deste material nas
bibliotecas . Além deste problema de coleções incompletas e/ou
desatualizadas, existem barreiras de ordem física e intelectual para a
utilização deste material, quais sejam:

a - muitas coleções de referência ficam em acervo fechado


e/ou com localização e arranjo que dificultam o uso por parte
dos usuários;
b - os próprios bibliotecários não sabem explorar amplamente
a coleção;
c - muitos usuários não têm conhecimento da existência , utili-
zação e manejo do material de referência .

Portanto, medidas que venham propiciar o desenvolvimento de


coleções de referência/informação adequadas às necessidades de

169
informação dos usuários, bem como contribuam para a otimização do
seu uso, podem ocasionar o aperfeiçoamento organizacional da própria
biblioteca e, por conseguinte, a melhora dos programas de ensino,
pesquisa e extensão da universidade.

3 - OBJETIVO GERAL

Avaliar a coleção de referência/informação existente nas bibliotecas


do sistema, propondo medidas para o seu desenvolvimento de acordo
com as necessidades de informação de cada biblioteca, e para propor-
cionar a otimização do uso destas coleções, quer pelos usuários, quer
pelos próprios bibliotecários.

4 - OBJETIVOS ESPECíFICOS

Desenvolver em bibliotecas selecionadas do SNBU uma análise da


coleção de referência/informação para otimizar a sua utilização através
de:

1 - Levantamento da coleção de referência/informação exis-


tente nas bibliotecas;
2 - Aplicação de técnicas de Organização & Métodos nas se-
çõesde referência/informação das bibliotecas para propiciar
a otimização no uso destas coleções;
3 - Realização de estudo de usuários, identificando e caracteri-
zando os usuários de serviços de referência/informação das
bibliotecas, quanto às suas necessidades informacionais;
4 - Preparação de programa de treinamento de usuários para
cientificá-los da variedade e extensão da coleção de refe-
rência/informação e capacitá-los para o uso ótimo destas
coleções;
5 - Realização de programas de treinamento em serviço para o
pessoal profissional e auxiliar, da seção de referência/
informação das bibliotecas.

5 - ESPECIFICAÇÃO DAS METAS

1 - Levantamento da coleção de referência/informação exis-


tente em bibliotecas selecionadas do sistema, inclusive com

170
a retirada de material não específico, e o reagrupamento de
títulos dispersos. Compilação de lista detalhada da coleção
existente, por ordem de assunto e tipo de material.
2 - Apl icação de técnicas de O&M para melhor arranjo da seção
e coleção de referência/informação para facilitar a sua
utilização pelo usuário, inclusive com o uso de comunicação
visual, formação de "coleções de referência rápida" e
adoção de mobiliário indicado.
3 - Realização de estudo dos usuários das seções de referên-
cia/informação para caracterizá-los e identificar as suas
necessidades de informação, através de método de obser-
vação, da aplicação de questionários e entrevistas e pela
análise dos registros de uso.
4 - Preparação de programa de treinamento de usuários para
cientificá-los da variedade, extensão e manejo da coleção
de referência/informação, com a aplicação de teste piloto .
S - Realização de programa de treinamento em serviço para o
pessoal profissional e auxiliar lotado na seção de referência/
informação, a fim de habilitá-lo à prestação correta do
serviço, inclusive quanto à postura profissional, uso e mane-
jo adequado dos títulos da coleção.
6 - Estudo para a adequação da coleção de referência às
necessidades informacionais dos usuários das bibliotecas
através de:
a - grupo de bibliotecários do sistema realizam levantamento
nas fontes bibliográficas para o estabelecimento das listas mínimas de
títulos por assunto, que deverão existir nas coleções; estas coleções
devem ser constituídas de: 1) coleção de fundo geral de obras de caráter
cultural e informativo em língua portuguesa; 2) coleção de interesse
local; 3) coleção de obras especializadas em línguas estrangeiras.
b - Professores do Departamento de Biblioteconomia da
Universidade, especializados em Bibliografia Brasileira e outras, revi-
sam estas listas mínimas, inclusive com a consulta a outros professores
e especialistas no assunto, estabelecendo a lista mínima ideal e também
a percentagem de material brasileiro que deve existir nas bibliotecas,
com vistas à elaboração de padrões mínimos para estas coleções.
c - Bibliotecários e auxiliares de referência/informação man-
tém estatística de uso da coleção de referência durante o período de três
meses, registrando, também, questões não respondidas por falta de
apoio bibliográfico.

171
7 - Compatibilização da lista mlnlma ideal elaborada pelos
professores e especialistas com os títulos registrados no uso
real das coleções nas bibliotecas, para a identificação da
coleção de referência adequada às necessidades informa-
cionais dos usuários.
8 - Elaboração de uma política para completar/atualizar as
coleções, através de aquisição por compra, pedido de
doação, intercâmbio e/ou remanejamento de títul os entre as
bibliotecas do sistema.

6 - FASES DO PROJETO

6.1 - Planejamento
- Diagnóstico da situação das coleções de referência/informação
nas bibliotecas selecionadas do sistema.
- Levantamento das características e necessidades de informação
dos usuários da seção de referência.
- Levantamento nas fontes bibliográficas para o estabelecimento da
lista mínima de referência/ informação desejável nas bibliotecas
selecionadas do sistema.

6.2 - Execução
- Aplicação de técnicas de O&M nas seções de referência/informa-
ção.
- Preparação de programa para treinamento de usuários.
- Realização de programa de treinamento em serviço.
- Compatibilização da lista mínima compilada com o uso real
registrado nas bibliotecas.
- Estabelecimento da política para completar/atualizar coleções de
referência/informação nas bibliotecas do sistema.
- Estatística de uso e de questões não respondidas (três meses,
durante o período letivo).
- Revisão de listas mínimas.

6.3 - Avaliação
Acompanhamento das ações propostas na execução, através do
estudo dos levantamentos realizados, de reuniões/discussões para
definição da composição da lista mínima de obras de referência/

172

L
informação para formar as coleções das bibliotecas e para completar/
atualizar as coleções seguindo os seguintes passos:
- Estudo do levantamento da situação das coleções.
- Análise das características e necessidades de informação dos
usuários.
- Estudo do resultado do levantamento bibliográfico.
- Análise da aplicação de O&M nas bibliotecas.
- Teste piloto do programa para treinamento dos usuários.
- Análise do treinamento em serviço .
- Discussão para a compatibilização da lista mínima/uso real.
- Discussão para o estabelecimento da política para completar/
atualizar as coleções.

7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - ARIAS ORDONES, J. - Red Colombiana de Bibliotecas Universitárias.


Rev.
Interame. Bibliotecologia, Medellín , 1(2): 3-43, May-Aug, 1978.

2 - FIGUEIREDO, N. M. de - Avaliação de coleções de referência nas biblio-


tecas brasileiras: uma proposta de metodologia. Ciência da Informa-
ção, 11(2): 31-35, 1982.
173
CRONOGRAMA
Meses -7 1 2 3 4 5 6 '7 8 9 10 11 12
Planejamento
Diagnóstico situação das coleções ..................................... . X X
Levantamento caracterlsticas/necessidades usuários ........ . X X
Levantamento nas fontes bibliográficas ......... .. .... ........ ....... . X X
Execução
Aplicação de O&M .. ............................................................ . X X X
Preparação de programa de treinamento de usuários ......... . X
Realização de programa de treinamento em serviço .. ......... . X
Estudo do uso ...................................... .. .............. .. ...... ..... ... X X X X X X
Compatibilização lista mlnima/uso real ....... .. ..................... .. . X X
......
~ Estabelecimento política compl/atual. coleções ........ .... .. .... . X
Avaliação
Estudo situação das coleções ...... .. .. .. ......... ..... ................. .. X
Análise caracterlsticas/necessidades usuários ...... ...... .. ..... . X X
Análise levantamento bibliográfico ... ............... .............. .. .. .. . X X
Análise da aplicação de O&M .............. .......... ... .. ................. X
Teste programa treinamento usuários .. .. .. ................... ....... .. X
Análise treinamento em serviço ........ ... .. .. .. .... ...... ..... .... ... .. .. . X
Discussão compatibilização lista/uso real .... ......... ............ .. . X X
Discussão estabelecimento/política compl.latual. coleções. X X
Redação documento final ... ................... ... .. ........... .. : ... ........ . X

OBS.: O cronograma deverá ser reformatado, sempre que necessário, de tal forma que o estudo de usuários seja feito durante o período letivo.
AVALIAÇÃO DAS COLEÇÕES DE
REFERÊNCIA NAS
BIBLIOTECAS BRASILE IRAS:
UMA PROPOSTA DE METODOLOGIA

A avaliação de coleções de referência é reconhecidamente uma


tarefa complexa. Este deve ter sido um dos motivos pelos quais
Rothstein , em sua clássica revisão de 1964, assinalou que somente um
pequeno grupo de estudos se dedicara ao exame de coleções de
referência , dentre os inúmeros que analisou abordando a mensuração
e avaliação de serviços de referência.

o método mais utilizado para avaliação de coleções de referência ,


de acordo com Rothstein, era o de comparar a coleção da biblioteca
analisada com bibliografias padrões, gerais ou especializadas 1,2 .

Esta metodologia foi identificada como ainda a mais utilizada , dez


anos mais tarde, conforme mostrou a revisão de Weech 3 • Ela observou,
contudo, que algumas alternativas de métodos de avaliação de coleções
de referência tinham surgido durante aquele período. Como exemplo,
citou a de Houser, chamada de "distribuição de data". Este método se
constituiu em se chegar a uma curva ideal baseada na data do copyright
dos materiais existentes na coleção; esta curva foi calculada a partir de
listas padrões de coleções de bibliotecas consideradas com boas

175
coleções. A curva da coleção avaliada foi plotada e comparada com a
ideal. Segundo Weech, este método presumia uma relação entre a data
do copyright e o valor do material de referência e, assim, pode não ser
válido para todos os materiais de referência, indicando mais o valor da
coleção em relação à recuperação de informação corrente 4 •

Bunge foi muito mais crítico quanto a este método, pois que,
segundo ele, foi baseado em suposições não testadas ainda, como a da
existência de uma distribuição "ótima" de datas de copyright em uma
coleção a qual é relacionada à eficácia do serviços.

Outro método alternativo de avaliação de coleção de referência foi


relatado por Weech: um questionário apresentado aos usuários do
Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado de New York, indagando
sobre as melhorias resultantes no sistema em decorrência de ajuda
financeira do governo; 64% dos inquiridos opinou que os recursos de
referência tinham melhorado como resultado deste auxílio financeiro.
Apesar de questionar a validade e a confiabilidade do instrumento,
Weech declara que a utilização da opinião do usuário para avaliar as
coleções de referência é uma técnica interessante e pode ser utilizada
como uma das muitas medidas para avaliar o valor da coleção. Bonn
também reconhece existirem muitas vantagens na consulta de opinião
do usuário, mas salienta que existe o problema de que "os usuários são
também humanos e podem não ser sempre consistentes ou cooperati-
VOS"6.

Katz 7, comentando que os bibliotecários de referência nunca chega-


ram a determinar o número mínimo de títulos que deve existir em uma
coleção de referência, cita a generalização dos ALA Standards for
College Libraries que aparece de maneira semelhante nos padrões para
bibliotecas públicas especializadas: "Deve existir uma coleção de
referência forte e atualizada constituída de obras de referência de maior
autoridade e bibliografias em todos os campos do conhecimento. Esta
coleção não deve ser restrita aos assuntos que façam parte do currículo
apenas ou as publicações em língua inglesa somente"8 .

Após apontar os resultados do The National Inventory of Library


Needs (Chicago, ALA, 1965) Katz conclui que, quantitativa mente,
somente uma pequena percentagem dos vários tipos de bibliotecas
possui coleções adequadas. Mas, acrescenta, não há definição para
"adéquada". Discutindo sobre a possibilidade de haver correlação entre

176
o tamanho da biblioteca, a quantidade de títulos listados em várias
bibliografias e a experiência de bibliotecários de referência capazes,
Katz diz que parece ser seguro fazer três suposições:

1 - Uma coleção mínima de 5.000 títu los de referência ú provavel-


mente necessária para uma biblioteca que tenta oferecer mais
do que um serviço de referência rápida.

2 - Nenhuma biblioteca pode esperar funcionar eficazmente , mes-


mo em nível de referência rápida , com menos de 5.000 títulos.

3 - Se o tamanho da coleção é indicativo de um aspecto do serviço,


os bibliotecários em todo oPaís estão trabalhando com material
inadequado. A maioria dos bibliotecários de referência não pode
esperar dar informação em áreas de assuntos especializados 9 •

o problema para se indicar o número de títulos na coleção é


aumentado pelo fato de que novos títulos sempre são incorporados e
outros são descartados e, ainda, esta indicação pode falhar devido a
fatores como pessoal , catalogação, etc. O fato de o bibliotecário utilizar
outros materiais, como periódicos, microfilmes, man uscritos, jorna is e
tudo o mais disponível , inclusive recursos externos à própria biblioteca ,
dificulta também, a indicação do número de títulos que deve existir na
coleção .
Quanto ao aspecto qualitativo, Katz sugere os seguintes métodos:

1 - Comparar a coleção de referência com um ou dois guias sele-


tivos.

2 - Comparar com a lista "Melhores do Ano" do Library Joumal.

3 - Comparar a aquisição, dos últimos seis meses a um ano , com


artigos de revisão .

4 - Comparar áreas determinadas de assunto com o Winchell ou


bibliografias especializadas.

5 - Compor uma lista de livros de referência representativos por


tipo, de acordo com a mídia corrente de revisões e listas padrões
retrospectivas.

177
6 - Verificar se há um método sistemático de aquisição baseado na
necessidade (uso ou currículo) e que instrumentos de revisão são
utilizados.

Katz reconhece que estes métodos são subjetivos e que um espe-


cialista, um estudante ou um bibliotecário de referência pode realizar
uma avaliação mais correta da coleção baseado na exame de alguns
títulos, datas e edições, do que estes testes subjetivos 10.

Lancaster 11 , no capítulo de seu livro que trata da avaliação do serviço


de referência, concorda com as revisões citadas, dizendo que há poucos
estudos na literatura sobre a avaliação de coleções de referência e que
os métodos mais utilizados são os de comparar a coleção com bibliogra-
fias e listas padrões. Mais adiante no seu livro ele diz que o teste
fundamental da qualidade da coleção é o da extensão e maneira da sua
utilização 12.

Finalmente, Rothstein comenta no seu artigo que "se bibliotecas de


tipos e tamanhos semelhantes se dispusessem a tornar conhecidas as
suas percentagens de títulos mantidos com relação às bibliografias
adequadas, poderiam ser estabelecidas normas, e padrões logo se
seguiriam" 13 .

Fazendo uso do que foi transmitido nestas revisões apresentamos


uma proposta de metodologia para avaliação de coleções de
referência nas bibliotecas brasileiras.

Inicialmente, definimos, como obra de referência não somente


dicionários, enciclopédias, guias, etc., como também , bibliografias,
índices, resumos, revisões.

Podemos assumir, sem grande margem de erro, que, fosse realiza-


do no País um estudo como o mencionado por Katz (Nationallnventory
of Library Needs) o Diagnóstico das Coleções de referência das
Bibliotecas Brasileiras, mostraria o seguinte quadro:

1 - A maioria das bibliotecas brasileiras não possui material de


referência em quantidade considerada suficiente para provimento de
serviço de referência eficaz;

178
2 - Duas deficiências principais podem ser identificadas: falta de
atualização em áreas de Ciência e Tecnologia e falta de títulos suficien-
tes para cobertura de áreas como Ciências Sociais e humanidades.

Quanto à utilização que de certa maneira poderia propiciar uma idéia


da qualidade da coleção, o quadro Diagnóstico da utilização das
Coleções de Referência nas Bibliotecas Brasileiras apresentaria, a
respeito de muitas coleções, as seguintes barreiras à utilização:

1 - Ainda são de acesso fechado;


2 - As estantes estão abarrotadas;
3 - Os espaços entre as estantes não permitem a livre circulação ;
4 - Os locais não possuem adequada iluminação e ventilação;
. 5 - Material outro, que não o de referência, está reunido à
coleção ;
6 - A responsabilidade do serviço está com pessoal não profis-
sional ou profissional sem treinamento adequado .

Devido a este quadro, propomos, inicialmente, medidas corretivas


antes de se planejar ou iniciar qualquer avaliação da coleção de
referência.

É essencial que haja possibilidade de utilização plena da coleção


para que ela possa ser avaliada de maneira correta, e o diagnóstico
suposto acima mostrou vários entraves à utilização plena da coleção.

Como maneiras corretivas prévias à avaliação da coleção de


referênci a, sugerimos:

1 - Rearranj o da coleção de referência;


1.1 - Livre acesso;
1.2 - Estantes com o material disposto de maneira a ser facilmente
identificado e manuseado em consultas casuais;
1.3 - Estantes que permitam a livre circulação, dispostas em locais
com iluminação e ventilação adequada para a consulta
local;
1.4 - Retirada de material não específico para fo rmação de coleções
especiais sobre outro regime e em local próprio ;
1.5 - Mesas altas inclinadas especiais para consulta de referência,
em local próximo às estantes;
1.6 - Arranjar a coleção mais por tipo de material , do que obedecen-
do a ordem da classificação adotada ;

179
1.7 - Dividir a coleção de referência , onde couber, de acordo com
os assuntos (Ciência/Tecnologia, Ciências Sociais/Humanida-
des/coleção geral), em outros andares ou alas;
1.8 - Formação de uma coleção de 20/25 títulos para referência
rápida;
1.9 - Amplo uso de comunicação visual com indicadores para
orientação dos usuários;

2 - Realização de estudos de usuário, identificando e caracterizan-


do os usuários, suas necessidades e suas demandas mais frequentes ao
serviço;

3 - Extenso programa de treinamento de usuários, cientificando-


os da variedade, extensão e uso da coleção e das possibilidades do
serviço;

4 - Programa de treinamento em serviço para o pessoal profissional e


auxiliar. Ao pessoal auxiliar seria ensinada a prestação de serviço de
referência rápida e a necessidade de transmitir ao bibliotecário as
questões mais complexas.

Somente após a implantação destas medidas corretivas se pensaria


na avaliação das coleções de referência das bibliotecas brasileiras ,
que teria o objetivo de constituir:

1 - Uma coleção de fundo geral de obras de caráter cultural e


informativo em língua portuguesa;

2 - Coleções de obras especializadas em língua portuguesa;

3 - Coleção de obras especializadas em línguas estrangeiras.

Seriam utilizados os seguintes instrumentos para a avaliação:

1 - Bibliografias Brasileiras;

2 - Bibliografias especializadas em diversas áreas em língua


portuguesa;

3 - Listas especializadas já preparadas e publicadas no País.

180
4 - Edições atualizadas de Guias de Referência para o material
em língua estrangeira.

A Metodologia para avaliação seria desenvolvida em duas


etapas paralelas:

1 - Gru pos de especialistas por assunto estabeleceriam listas


mínimas de títulos para formação das coleções de fundo geral e
especializadas, conforme os objetivos do projeto. Poderiam ser
estabelecidas diferenças quanto aos títulos básicos comuns em todas as
coleções de bibliotecas de qualquer tipo e aqueles indicados somente
para bibliotecas centrais de universidades ou públicas - cabeça de
sistema - bibliotecas de humanidades, etc. Estes grupos estariam
definindo a percentagem de obras de referências brasileiras que
deveriam ser mantidas pelas bibliotecas do País e dando assim os
passos iniciais para a criação das normas para as coleções mínimas de
referência a serem mantidas nas bibliotecas - primeira providência para
o estabelecimento dos padrões nacionais.

2 - Bibliotecários de referência em bibliotecas previamente


selecionadas no Pais manteriam estatísticas de consulta do material
de referência feita por bibliotecários ao prover qualquer tipo de informa-
ção demandada , durante período não inferior a três meses. Seriam
também registradas as questões não respondidas por falta de material
adequado, oferecendo assim, outro elemento para a avaliação.

Ao término do trabalho dos grupos especializados e da coleta dos


dados sobre a utilização das coleções de referência em bibliotecas
selecionadas, seria comparada a lista ideal, compilada pelos grupos,
com o uso real registrado nas bibliotecas. Poder-se-ia estabelecer
assim o tipo e o tamanho da coleção adequada às bibliotecas brasileiras.
Aqui se pode definir o termo "coleção adequada", como sendo a
coleção constituída a partir da seleção criteriosa em listas de
autoridade e comprovada pelo uso feito na prática bibliotecária.

A avaliação assim realizada combinaria duas metodologias reco-


mendadas na literatura:

1 - Compor uma lista de obras de referência representativa e


baseada na mídia corrente e retrospectiva;

181
2 - Ouvir a opinião do usuário , neste caso proposta de maneira
altamente objetiva , medindo a utilização da coleção a disposição dele e
para cujo uso foi previamente treinado ,

Os resultados desta avaliação para as bibliotecas brasileiras


seriam :

1 - Estabelecimento da política de desenvolvimento da cole-


ção ;

2 - Separação da coleção de referência das demais;

3 - Ampla busca no País para obtenção dos títulos das listas


mínimas recomendadas para os diversos tipos de bibliote-
cas;

4 - Identificação dos títulos, dentro do sistema, necessários de


serem duplicados devido à demanda;

5 - Redistribuição das obras, entre as bibliotecas do sistema ,


conforme a demanda,

6 - Criação de depósitos locais para obras de pouca demanda;

7 - Criação de depósitos regionais para obras valiosas, mas


com pouca demanda ,

Recomenda-se que os descartes da coleção de referência sejam


mantidos por um ano em local de fácil acesso, acessível em 24 horas;
somente após este período experimental é que devem ser removidos
para o depósito local , e a médio e/ou a longo prazo, para o depósito
reg ional.

Outro resultado previsível , do maior alcance e interesse, seria a


identificação de obras de referência que é necessário produzir no País,
para atender a qualquer tipo ou nível de demanda de informação feita
pel os usuários das bibliotecas brasileiras.

Este conhecimento sobre as obras de referência é de grande


importância para órgãos brasileiros como DNL, editoras nacionais e
cu rsos de mestrado. Estes poderiam orientar seus pesquisadores e
alunos para realizarem trabalhos neste campo que é tão importante,
ca rente e necessário para os serviços de informação no País.

182
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - ROTHSTEIN, Samuel - The measurement and evaluation of reference


service. Library Trends, 12 (3): 456-72 , Jan , 1964.

2 - FIGUEIREDO, Nice M. de - Avaliação de coleções e estudo de usuários.


Brasília, ABDF, 1977. p. 21-6.

3 - WEECH, Terry - Evaluation of adult reference service. Library Trends, 22


(3): 315-35, Jan., 1974.

4- _ _ _ p.322.

5 - BUNGE, Charles A. - Approaches to the evaluation of library reference


services. IN: LANCASTER, F. W & CLEVERDON, C. W. Evaluation
and scientific management of libraries and information centres.
Leyden , Noordhoff, 1977. p. 64.

6 - FIGUEIREDO, Nice M. de - op. cit., p. 29.

7 - KATZ, William A. - Evaluating the reference collection. IN: Introduction of


reference work. Reference services. v. 2 New York, MacGraw, 1969.
p. 104-10.

8- _ _ _ p.106.

9- _ _ _ p.108.

10 - _ __ _ _ _ p. 109.

11 - LANCASTER, F. W . - The measurement and evaluation of library


services. Washington , Information Resources Press, 1977.

12- _ __ _ _ _ p.173.

13 - ROTHSTEIN, Samuel, op. cit. , p. 467.

14 - BONN, George S. - Evaluation of the collection. Library Trends, 22 (2):


265-303, Jan, 1974.

183
MODELOS DAS FICHAS PARA A AVALIAÇÃO

1 - Modelo de ficha para avaliação de utilização nas salas de aula .

Autor

Título

Ano Volume Classificação

Data Hora Data Hora Data


I Hora
I I I I
Uma ficha para cada obra, três meses no mínimo; todos os períodos
de funcionamento da biblioteca .
No caso de periódicos não se utilizaria o dado do Autor.

2 - Modelo de ficha para avaliação de utilização feita pelo bibliotecári o.

Autor

Título

Ano I Volume Classificação

Data Período
I
Tipo de Serviço

Uma ficha única para anotar o uso continuado de um só periódico.


Poder-se-iam adotar siglas para os diferentes serviços: RR (referên-
cia rápida), BR (busca retrospectiva), etc.
Recomenda-se que pelo menos um mês do período de avaliaçã o
seja na época de provas e exames escolares.

184
ERRATA

PÁGINA PARÁG.I ONDE SE LÊ LEIA-SE


LINHA

13 6° / 3" ... análise variadas ... ... análises variadas ...

27 3° / 4" ... de Boon 2 ... .., de Bonn 2 ...

33 5°/2" ... nao que dizer ... .. . nao quer dizer ...

46 2"/12" ... é diminuldo, ... ... é diminulda, .. .

64 1° /4" ... e Figueiredo (1948).20 ... e Figueiredo (1984) .20

80 5°/3" ... Ou, parece ser ... .. . Ou, uma expectativa


de atendimento na base
de 90-95% parece ser ...

81 4°/7" ... está servido à ... ... está servindo à .. .

90 4 0 /1" .. . resu ltam de fato ... ... resultam do fato ...

91 3° /7" ... , nao sao posslveis à ... .. . , Mo sao passlveis à .. .

99 10 /1" ... sobre metodologia para ... .. . sobre metodologias


para ...

"

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