Você está na página 1de 9

2ª PROPOSTA DE REDAÇÃO DO DANDARA- 2018

Observando seus conhecimentos até aqui adquiridos, faça uma redação que
discuta e reflita sobre como estão sido colocados socialmente a identidade de
gênero, e como estão os direitos e deveres de dados a cada cidadão,
independente de sua idade ou gênero sexual.

Esclarecimentos sobre a estrutura textual:


➢ Escrever em caneta preta, legível;
➢ Trinta linhas corridas, sem separação de linhas para o título, se houver, pois
o título no ENEM, não é obrigatório;
➢ Obedecer aos critérios de um texto dissertativo–argumentativo, ou seja, não
utilizar as primeiras pessoas do singular ou plural, eu e nós, mas sim, a
terceira pessoa, singular ou plural, ele ou eles, mais o pronome se, como
um indeterminante do sujeito;
➢ O uso de tipos de letras está estabelecido da seguinte forma:
❖ o produtor do texto só poderá escrever sua redação em letra cursiva,
ou em letra de fôrma. A MISTURA DE LETRAS É
INDISCUTIVELMENTE PROIBIDA.

.Identidade e orientação sexual

Sexo, identidade de género, expressão de género e orientação sexual

Sexo biológico – assume-se frequentemente que é o sexo cromossomático ou


o sexo genital, que pressupõe capacidades reprodutivas. Existem vários fatores
que contribuem para o sexo biológico: cromossomas (XY, XX, ou outras
combinações), genitais (estruturas reprodutivas externas), gónadas (presença
de testículos ou ovários), hormonas (testosterona, estrogénios), etc. Uma
pessoa intersexo tem órgãos genitais/reprodutores (internos e/ou externos)
masculinos e femininos, em simultâneo, ou cromossomas que não são nem XX
nem XY.

Identidade de género – sentimento de ser do género feminino (mulher) ou do


género masculino (homem) independentemente da anatomia. Uma pessoa
transgénero é alguém que não corresponde às convenções sociais e
categorias tradicionais de género associadas ao seu sexo biológico. Uma
pessoa transexual é alguém que sente que a sua identidade de género é
diferente do seu sexo biológico. Algumas pessoas transexuais desejam mudar
o seu corpo através de tratamentos e/ou cirurgias, mas nem todas.

Expressão de género – diz respeito aos comportamentos, forma de vestir,


forma de apresentação, aspeto físico, gostos e atitudes. Uma pessoa
andrógina exprime-se de uma forma ambivalente, ou seja, apresenta uma
combinação de traços físicos quer masculinos, quer femininos ou uma
aparência que não permite identificar claramente o seu género.

Orientação sexual – refere-se ao que cada pessoa pensa e sente sobre si


própria e sobre a sua afetividade e sexualidade e por quem se sente atraído
afetiva e sexualmente. Uma pessoa é considerada:

• heterossexual se se sente sobretudo atraída por pessoas de género diferente


• homossexual se se sente sobretudo atraída por pessoas do mesmo género
• bissexual se se sente atraída por pessoas de ambos os géneros.

Fonte: adaptado por AMPLOS de https://tomandolugar.wordpress.com


Assumir uma orientação sexual diferente

Assumir uma orientação sexual diferente da


norma
A homossexualidade e a bissexualidade são apenas outras variantes da
sexualidade humana, como é a heterossexualidade. A consciência de que se é
homossexual (gay ou lésbica) ou bissexual surge, normalmente, no período da
adolescência. A forma de o descobrir é diferente de pessoa para pessoa e
envolve, quase sempre, um período de confusão e de muitas dúvidas.
Algumas pessoas jovens dizem que, de alguma forma, sempre souberam que
eram "diferentes". Quando percebem que são homossexuais ou bissexuais,
veem finalmente, esclarecidos muitos dos sentimentos confusos que tinham
sentido ao longo do seu crescimento. Outras só descobrem a sua orientação
sexual na altura das muitas mudanças que ocorrem durante a adolescência.
Ainda há quem só se dê conta de ser homossexual ou bissexual quando chega
à idade adulta.
A discriminação e estereótipos associados à homossexualidade e
bissexualidade ainda marcam muito quem se vê confrontado com a sua
orientação sexual. Se há quem aceite e assuma com alguma fluidez, muitas
pessoas tendem a negar ou a esconder a sua verdadeira orientação sexual.
É importante não sentir pressão na definição da própria orientação sexual. É
um processo que leva o seu tempo. Aquilo que uma pessoa sentir que
verdadeiramente é, é o que está certo que seja.

Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo


LGBTI é um acrónimo que se internacionalizou e que corresponde às palavras:

• Lésbica - designação atribuída a mulheres homossexuais;


• Gay - designação dada a homens homossexuais;
• Bissexual
• Trans - designação dada às pessoas transgénero e transexuais;
• Intersexo - designação dada a uma pessoa que tem órgãos genitais/reprodutores
(internos e/ou externos) masculinos e femininos, em simultâneo, ou cromossomas que
não são nem XX nem XY.

Referências

Documentos
• Georges Abraham, Willy Pasini; com la colab. de J.J. Eisenring... [et al.], prólogo de
Lluis Serrat (1980) Introducción a la sexologia médica. Barcelona, Editorial Crítica,
1980
• Afonso de Albuquerque (2003). A homossexualidade. Quarteto
• George Alan Appleby and Jeane W. Anastas (1998). Not just a passing phase : social
work with gay, lesbian and bisexual people. New York : Columbia University Press
• Elisabeth Badinter ; trad. Luís de Barros (1993). XY : a identidade masculina. Porto :
ASA
• Alan P. Bell y Martin S. Weinberg (1979). Homosexualidades : Informe Kinsey sobre la
homosexualidad de hombres e mujeres... Madrid : Editorial Debate
• Maria Belo (!986). Grupos sexualistas de mulheres. In: Análise Social. - Lisboa. - ISSN
0003-2573. - vol. XXII, nº 92/93 ( 1986 ), p. 707-714
• Agnes Bolso When women take : reworking concepts of sexuality. In: Sexualities. -
London : Sage Publications. - ISSN 1363-4607. - Vol. 4, nº 4 (Nov. 2001), pp. 455-473
• Marie-Jo Bonnet (1981). Un choix sans équivoque : recherches historiques sur les
relations amoureuses entre les femmes XVI-XX siècle. Paris : Denoel,
• Marie-Jo Bonnet (1995). Les relations amoureuses entre les femmes du XVI au XX
siècle: essai historique. Paris: Editions Odile Jacob
• Edward M. Brecher et les éditeurs du rapport de l'Union des Consommateurs des
États-Unis ; traduit par Michel Saint-Germain et Élise Bellefueille (1984). Rapport sur
l'amour et la sexualité après 50 ans. Le Jour,
• Teresa Castro d'Aire (1985). A homossexualidade masculina. Lisboa : Temas da
Actualidade, 1995
• Isabel Pereira Leal (1997). Sexualidade e parentalidade (pensar hoje o que se vem
pensando) - Actas do 1º Colóquio de Psicologia Social Clínica. Lisboa : Instituto
Superior de Psicologia Aplicada
• Emmanuel Cooper (1986). The sexual perpective : homossexuality and art in the last
100 years in the west. London ; New York : Routledge & Kegan Paul,
• Mário Cordeiro (2000). Adolescentes e homossexualidade. In: Adolescentes. - Lisboa.
- nº 15 ( Junho/Agosto 2000 ) , p. 100-103
• Jacques Corraze ; trad. de Evaristo Santos. A homossexualidade. Porto : Rés Editora,
19
• Éric Dubreuil ; préface de Geneviève Delaisi de Parseval (1998). Des parents de
même sexe. Paris : Odile Jacob
• Linnea Due (1995). Joining the tribe : growing up gay & lesbian in the 90s. New York :
Anchor Books,
• Júlio Gomes (1980-1981). A homossexualidade no mundo. Lisboa : Ed. Gráf.
Portuguesa
• Richard Green (1987). The "sissy boy syndrome" : and the development of
homosexuality. New Haven ; London : Yale University Press, 1987
• Groult, Benoite (1979). Les nouvelles femmes. Paris: Mazarine
• Hocquenghem, Guy; trad. Rosa Matos (1977). Homossexualidade, opressão e
liberdade sexual. Porto : Gráfica Firmeza
• Beger J., Nico; Krickler, Kurt;Lewis, Jackie; Wuch, Maren (1988). Egaux en droits : les
homosexuel/les dans le dialogue civil et social. Brussels, Ilga Europe
• Jolly, Margaretta (2001). Coming out of the coming out story : writing queer lives. In:
Sexualities. - London : Sage Publications. - ISSN 1363-4607. - Vol. 4, nº 4 (Nov. 2001),
pp. 474-496
• Kassler, Jeanne (1983). Gay men's health : a guide to the aid syndrome & other
sexually transmitted diseases. New York : Harper & Row
• Kippax, Susan; Smith, Gary (2001). Anal intercourse and power in sex between
men. In: Sexualities. - London : Sage Publications. - ISSN 1363-4607. - Vol. 4, nº 4
(Nov. 2001), pp. 413-434
• Lago, Maria; Paramelle, France (1978). A mulher homossexual : ensaio sobre a
homossexualidade feminina. Mem Martins : Publicações Europa-América
• Adam B. Cohen; Ilana J. Tannenbaum (2001). Lesbian and bisexual women's
judment's of the attractiveness of different types body types. In: Journal of sex
research. - ISSN 0022-4499. - vol. 38, n. 3 (Aug. 2001), pp. 226-232
• Masters, William; Johnson, Virginia E.; Perriard, Diana (1979). Homosexualidad en
perspectiva. Buenos Aires: Intermédica
• Masters, William H.; Johnson, Virginia E.; trad. de Barbara
Krotoszynski. Homossexualidade em perspectiva. Porto Alegre, Artes Médicas,
• Menezes, Isabel; Costa, Maria Emília (1992) Amor entre iguais: a psicoterapia da
diferença. In: Cadernos de Consulta Psicológica. - Porto. - ISSN 0871-7516. - nº 8 ( ),
p. 79-84
• Moita, Maria Gabriela (1998). Famílias homossexuais. In: Sexualidade & Planeamento
Familiar. - Lisboa : APF. - 2ª série, nº 19/20 (Jul./Dez. 1998), pp. 10-12
• Moniz, Egas (1913). A vida sexual : physiologia e pathologia. Lisboa, Livraria Ferreira,
• WHO - World Health Organization (1988). Guidelines on certain aspects of
homossexuality. London
• Poole, Joyce (1989). The cross of unknowing : dilemmas of a catholic
doctor. London, Sheed &Ward,
• Reuben, David R. (1971). Everything you always wanted to know about sex : but were
afraid to ask. London : Pan Books,
• Rosen, Ismond; Lima, Artur Nogueira (1971). Os desvios sexuais. Lisboa, Meridiano
• Sampaio, Daniel (1999). A arte da fuga. Lisboa, Editorial Caminho
• Schnabl, Siegfried; Gomes, João Pedro (1983). O homem e a mulher na intimidade :
questões da vida sexual. Lisboa : Caminho, imp. 1983
• Seidman, Steven (1997). Difference troubles: queering social theory and sexual
politics. Cambridge, Cambridge University Press
• Sengers, W.J.; Moura, Maria Emília (1974). Reconhece-se
homossexual? Lisbo, Futura
• Smirgel, J. Chasseguet; Ramos, Patrícia Chitonni (1988). Sexualidade feminina. Porto
Alegre : Artes Médicas
• Stoller, Robert; Veronese, Maria Adriana Veríssimo; Graña, Roberto Barberena
(1993). Masculinidade e feminilidade: apresentações do género. Porto Alegre, Artes
Médicas
• Suplicy, Marta (1999). Conversando sobre sexo. Petrópolis : Edição da autora, 1999
• John Hart, Diane Richardson (org.), com contribuições de Kenneth Plummer... [et al.] ;
trad. de Vera Ribeiro (1983). Teoria e prática da homossexualidade. In: Saúde e Bem
Estar. - Lisboa. - nº 21 ( Janeiro 1996 ), p. 54-58. Rio de Janeiro : Zahar Editores
• Anna Paula Uziel (2001). Homosexuality and adoption in Brazil. In: Reproductive
health matters. - London : Blackwell Science. - Vol. 9, nº 18 (Nov. 2001), pp. 34-42
• Glenn Wilson e David Nias; trad. Maria Adelaide Mendes de Carvalho
(1979). Psicologia da atracção sexual. Lisboa : Edições 70
Links de interesse
Associação ILGA Portugal
É a maior e mais antiga associação de defesa dos direitos de Lésbicas, Gays,
Bissexuais e Transgénero (LGBT) em Portugal.

Relacionado

http://www.apf.pt/sexualidade/identidade-e-orientacao-sexual

Após polêmica, escola de Fortaleza inclui nome social de aluna transgênero em


documentos

A matrícula da adolescente havia sido negada, segundo


relatou a mãe nesta quarta-feira (22). A família considerou
o caso como discriminação e denunciou nas redes sociais.
Uma escola de Fortaleza comunicou aos pais de uma aluna transgênero que não
renovaria a matrícula da filha na unidade no próximo ano, segundo relato da mãe. A
aluna de 13 anos se identifica como menina. A família diz que é vítima de
discriminação.
De acordo com a mãe, a filha estuda na Escola Sesc Educar no Bairro Montese desde
os dois anos. Inicialmente, segundo a mãe, a escola aceitou a permanência da filha e
ofereceu apoio quando soube da mudança de identidade de gênero. “Eles disseram que
iam nos fornecer toda ajuda. E que tudo ia ser um aprendizado”, disse a mãe.
"Acreditávamos no projeto pedagógico construtivista e inclusivo, onde desde cedo
minha filha teve oportunidade de conviver com as mais diversas crianças: autistas,
down, portadores de deficiência física", acrescentou.
No entanto, ela foi chamada para uma reunião com a direção da escola. “Conversei
com uma gerente de educação da escola. Uma mulher educada, mas insensível e direta.
Ela foi bem clara e objetiva. Disse que minha filha não poderia mais estudar na
instituição em 2018 por ser 'aluna trans'. Eu fiquei perplexa e arrasada”, conta a mãe.
O G1 entrou em contato com a Escola Sesc Educar, mantida pelo Sistema Fecomércio.
Através da assessoria de imprensa, a escola disse lamentar profundamente que
“qualquer atitude, fruto de preconceito ou desconhecimento, tenha causado sofrimento
à família”. Informou também que “determinou imediata apuração e tomada de
providências para o acolhimento da aluna, bem como a adoção de protocolos para que
fatos semelhantes não voltem a acontecer”. Na nota, a Escola Educar Sesc afirma que
o “Sistema Fecomércio é inclusão e educação”. E concluiu: “à família, nosso sincero
pedido de desculpas”.
Sem carteira de estudante
A mãe lamenta o fato de a filha não ter conseguido a carteira de estudante já que não
teve a matrícula confirmada com nome social. “Se recusaram a fazer. A escola não
confirmou a matrícula da garota na instituição. Não foi possível tirar o documento. Eles
disseram para gente que precisaria consultar um setor jurídico, ainda que ela estivesse
frequentando as aulas regularmente. Um absurdo. O que causa danos morais e também
financeiros, uma vez que ela não pode exercer seu direito à meia”, desabafa.
A adolescente não possuía a carteira estudantil porque não teve a matrícula confirmada
com nome social na escola.
“Se recusaram a fazer. A escola não confirmou a matrícula da garota na instituição.
Não foi possível tirar o documento. Eles disseram para gente que precisaria consultar
um setor jurídico, ainda que ela estivesse frequentando as aulas regularmente. Um
absurdo. O que causa danos morais e também financeiros, uma vez que ela não pode
exercer seu direito à meia”, desabafou a mãe.
Mãe e filha são acompanhadas pelo Centro de Referência LGBT Janaína Dutra,
mantido pela Prefeitura de Fortaleza, desde o início do processo de transição de gênero
da adolescente.
https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/apos-polemica-escola-de-fortaleza-inclui-nome-
social-de-aluna-transgenero-em-documentos.ghtml

*PROJETO DE LEI N.º 1.859, DE 2015


O artigo 3º da Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), à qual
propomos acrescentar um novo parágrafo, estabelece que o ensino nacional será
ministrado com base nos seguintes princípios:
“[...] III – Pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV – Respeito à liberdade e apreço à tolerância;” Estas determinações devem ser lidas
no amplo contexto da Constituição de 1988, na qual se encontram outros princípios
fundamentais que limitam, com razão, o âmbito das normas mencionadas na LDB. E
dizemos com razão, porque qualquer valor e norma social deve ser coerente com os
demais valores e normas sociais. Excelente é o princípio da liberdade, mas ele não
pode ser estendido até o ponto de constituir-se na violação da liberdade de todos os
demais.

Se o constituinte, em 1988, não mencionou explicitamente a possibilidade de ameaças


mais graves à família do que os apresentados pelos meios de comunicação social, isto
se deveu a que, naquele ano, a ideologia de gênero era algo impensável para o
público em geral. Estava começando a sair da mente de seus criadores para a mesa
de seus promotores, adquirindo sua configuração atual no início dos anos 90, na
Universidade de Berkeley, com a obra da professora Judith Butler intitulada “O
Problema do Gênero” [Judith Butler: Gender Trouble, Feminism and the Subversion of
Identity, 1990, Routledge, New York]. Logo em seguida o conceito foi ardilosamente
introduzido por meio do trabalho das Fundações Internacionais na Conferência sobre a
Mulher promovida pela ONU em Pequim.

A Conferência supostamente trataria da discriminação contra as mulheres, mas em


vez de falar-se de discriminação sexual, repetiu-se mais de 200 vezes, sem definição
de termos, a nova expressão “discriminação de gênero”. Tanto na conferência como
nas pré-conferências os delegados de numerosos países exigiram que o conceito de
gênero fosse claramente definido antes do documento ser apresentado ou aprovado,
mas as comissões responsáveis insistiram repetidas vezes que o termo era auto-
evidente e não necessitaria ser definido. O conceito, porém, foi finalmente definido em
2006, quando duas ONGs europeias, a International Commission of Jurists e a
International Service for Human Rights, convocaram 29 especialistas de 25 países,
incluindo a brasileira Sônia Correa, para uma Conferência a ser realizada em
Yogyakarta, na Indonésia, para “trazerem maior claridade e coerência às obrigações
sobre direitos humanos dos Estados”. http://www.icj.org/yogyakarta-principles/ A partir
de Yogyakarta foram definidos os termos “identidade de gênero” e “orientação sexual”.
Apesar da conferência ter sido convocada por duas ONGs e não contar com
delegados oficiais de nenhum país, esta tem sido mencionada, na Indonésia, para
prática, como se contivesse princípios indeclináveis de uma convenção internacional aprovado
pela comunidade das nações. [..]

http://www.camara.gov.br/sileg/integras/1359704.pdf

PARÂMENTROS CURRICULARES NACIONAIS


ORIENTAÇÃO SEXUAL
Sabe-se que as curiosidades das crianças a respeito da sexualidade são
questões muito significativas para a subjetividade, na medida em que se
relacionam com o conhecimento das origens de cada um e com o desejo de
saber. A satisfação dessas curiosidades contribui para que o desejo de saber
seja impulsionado ao longo da vida, enquanto a não-satisfação gera ansiedade,
tensão e, eventualmente, inibição da capacidade investigativa. A oferta, por
parte da escola, de um espaço em que as crianças possam esclarecer suas
dúvidas e continuar formulando novas questões, contribui para o alívio das
ansiedades que muitas vezes interferem no aprendizado dos conteúdos
escolares. Com a ativação hormonal trazida pela puberdade, a sexualidade
assume o primeiro plano na vida e no comportamento dos adolescentes. Toma
o caráter de urgência, é o centro de todas as atenções, está em todos os
lugares, na escola ou fora dela, nas malícias, 293 nas piadinhas, nos
bilhetinhos, nas atitudes e apelidos maldosos, no “ficar”, nas carícias públicas,
no namoro, e em tudo o que qualquer matéria estudada possa sugerir. A escola
pode ter papel importante, canalizando essa energia que é vida, para produzir
conhecimento, respeito a si mesmo, ao outro e à coletividade. Se a escola
deseja ter uma visão integrada das experiências vividas pelos alunos,
buscando desenvolver o prazer pelo conhecimento, é necessário reconhecer
que desempenha um papel importante na educação para uma sexualidade
ligada à vida, à saúde, ao prazer e ao bem-estar e que englobe as diversas
dimensões do ser humano. O trabalho sistemático de Orientação Sexual dentro
da escola articula-se, também, com a promoção da saúde das crianças, dos
adolescentes e dos jovens. A existência desse trabalho possibilita a realização
de ações preventivas das doenças sexualmente transmissíveis/Aids de forma
mais eficaz. Diversos estudos já demonstraram os parcos resultados obtidos
por trabalhos esporádicos sobre esse assunto. Inúmeras pesquisas apontam
também que apenas a informação não é suficiente para favorecer a adoção de
comportamentos preventivos. Reconhecem-se, portanto, como intervenções
mais eficazes na prevenção da Aids, as ações educativas continuadas, que
oferecem possibilidades de elaboração das informações recebidas e de
discussão dos obstáculos emocionais e culturais que impedem a adoção de
condutas preventivas. Devido ao tempo de permanência dos jovens na escola
e às oportunidades de trocas, convívio social e relacionamentos amorosos, a
escola constitui-se em local privilegiado para a abordagem da prevenção das
doenças sexualmente transmissíveis/Aids, não podendo se omitir diante da
relevância dessas questões. A Orientação Sexual na escola é um dos fatores
que contribui para o conhecimento e valorização dos direitos sexuais e
reprodutivos. Estes dizem respeito à possibilidade de que homens e mulheres
tomem decisões sobre sua fertilidade, saúde reprodutiva e criação de filhos,
tendo acesso às informações e aos recursos necessários para implementar
suas decisões. Esse exercício depende da vigência de políticas públicas que
atendam a estes direitos. O trabalho de Orientação Sexual também contribui
para a prevenção de problemas graves, como o abuso sexual e a gravidez
indesejada. Com relação à gravidez indesejada, o debate sobre a
contracepção, o conhecimento sobre os métodos anticoncepcionais, sua
disponibilidade e a reflexão sobre a própria sexualidade ampliam a percepção
sobre os cuidados necessários quando se quer evitá-la. Para a prevenção do
abuso sexual com crianças e jovens, trata-se de favorecer a apropriação do
corpo, promovendo a consciência de que seu corpo lhes pertence e só deve
ser tocado por outro com seu consentimento ou por razões de saúde e higiene.
Isso contribui para o fortalecimento da autoestima, com a consequente inibição
do submetimento ao outro. Com a inclusão da Orientação Sexual nas escolas,
a discussão de questões polêmicas e delicadas, como masturbação, iniciação
sexual, o “ficar” e o namoro, homossexualidade, aborto, disfunções sexuais,
prostituição e pornografia, dentro de uma perspectiva democrática e pluralista,
em muito contribui para o bem-estar das crianças, dos adolescentes e dos
jovens na vivência de sua sexualidade atual e futura.
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/orientacao.pdf