Você está na página 1de 8

Geografia – 4ºteste – 8ºano

Cidades: áreas de fixação humana

Os principais critérios utilizados para a definição de cidade são:


• Critério demográfico: tem em conta o número de habitantes
(população absoluta) e a sua distribuição pelo espaço (densidade
populacional).
• Critério funcional: existência de atividades a que a população se
dedica, sobretudo no setor secundário e terciário e exercendo
influência nas áreas envolventes. Limitações do critério funcional:
→ a atividade não coincide com a área de residência;
→ inadequação entre o critério demográfico e o funcional;
→ disparidade entre países desenvolvidos e países em
desenvolvimento.
• Critério jurídico-administrativo: cidades definidas por decisão
administrativa.
• Critério morfológico: refere-se à fisionomia do lugar (tipo de
edifícios, a existência de praças...).
• Modo de vida urbano: diferencia as cidades das áreas urbanas, em
que a evolução dos meios de comunicação e movimentos migratórios
levaram à redução da vida rural.

Fatores responsáveis pelo surgimento das cidades:


- Preocupações de defesa em tempos de guerra, como colinas e ilhas.
- Localização junto aos rios onde havia mais água, terrenos férteis para a
prática da agricultura e facilidade na deslocação de pessoas e mercadorias.

Crescimento urbano:

• Crescimento espacial: alargamento do espaço ocupado pela cidade,


resulta do crescimento natural e das migrações (relacionado com o
crescimento demográfico).
• Crescimento funcional: diversificação de atividades e de adaptações
às necessidades da população.
• Crescimento demográfico:
Nos países desenvolvidos (devido à revolução industrial e do
desenvolvimento de transportes) o aumento dos empregos nos
setores secundário e terciário, e a diminuição dos empregos no setor
primário é um grande desenvolvimento urbano, que motiva o êxodo
rural.
Nos países em desenvolvimento a precariedade nas áreas rurais e as
más condições de vida, acabam por produzir as mesmas
consequências.

Urbanização no mundo:

Taxa de urbanização (TU): percentagem de população urbana em relação à


população total do território.

população urbana
TU = ×100
população total

Expansão urbana:

Periferia: território que circunda a cidade.

Área metropolitana: vasta região urbanizada, pela junção de vários


aglomerados urbanos ou não urbanos, onde se verifica uma elevada
concentração de atividades económicas e de população.
Suburbanização: processo de expansão do espaço urbano que consiste na
ocupação das áreas rurais envolventes por construções habitacionais,
atividades económicas e infraestruturas que lhe dão um carácter
urbanizado, embora pouco consolidado.
Megalópole: extensa área urbanizada, constituída por várias cidades
independentes, mas aglutinadas pelos subúrbios.
Conurbação: agrupamento de cidades que se desenvolveram
individualmente formando uma mancha urbanizada contínua.

Problemas urbanos:

Nos países desenvolvidos houve uma perda de população, devido ao


aumento do preço do solo no interior da cidade e à maior qualidade
ambiental dos espaços rurais. Os principais problemas associados às
cidades são: o intenso volume de tráfego e engarrafamentos, o aumento da
poluição do ar e sonora e dos resíduos urbanos, conflitos sociais,
associados ao desemprego, à delinquência e ao aparecimento de inúmeros
espaços marginalizados.

Nos países em desenvolvimento o crescimento da população nas cidades


causa diversos problemas:
• Sobrecarga de infraestruturas, devido ao aumento da população e à
incapacidade de os governos manterem e melhorarem os
equipamentos coletivos;
• Aumento dos níveis de poluição do ar, solo e água como resultado do
crescimento da indústria. Este problema agrava-se ainda mais pela
falta de legislação para proteger o meio ambiente. A falta de redes de
saneamento adequadas conduz à contaminação da água e à
propagação de bactérias nocivas;
• Aumento do volume de tráfego em estradas mal conservadas;
• Carência de alojamentos e aumento das habitações clandestinas e
precárias, elevada densidade de construções e pela falta de condições
de habitabilidade;
• A falta de emprego obriga as pessoas a procurarem formas
alternativas de sustento, ingressando muitas vezes no mundo do
crime e da prostituição.

A procura de soluções sustentáveis:

Os problemas da procura de soluções sustentáveis: a falta de recursos


disponíveis e a grandeza dos problemas existentes.
Nos bairros de lata, tem-se apostado numa melhoria das condições de vida,
através do fornecimento progressivo de eletricidade, água e saneamento.
A outra iniciativa nos países em desenvolvimento é a instalação e
reabilitação das redes de saneamento, com o intuito de melhorar a
qualidade da água nas cidades e reduzir as taxas de mortalidade.
Para reduzir o congestionamento de trânsito, os complexos habitacionais
dispõem de lojas e serviços e localizam-se perto de vias ferroviárias. E
impuseram-se quotas sobre o número de carros a licenciar e portagens
regulares em todas as estradas principais.
Qualquer projeto para melhorar as condições de habitabilidade e ajudar a
solucionar os grandes problemas urbanos, terá sempre de ter em conta a
economia, o meio ambiente e a igualdade, ou seja, uma visão sustentável
do espaço urbano:
1. Igualdade social e económica:
• crescimento económico;
• redução da pobreza;
• melhoria das instituições.
2. Proteção do meio ambiente:
• qualidade do ar;
• segurança;
• redução do tráfego automóvel;
• energia.
3. Habitabilidade da comunidade:
• transportes públicos;
• desenvolvimento da cidade;
• qualidade de vida.
Função Urbana Vs Área funcional:

Função Urbana: atividade económica, político-administrativa ou social que


se desenvolve num centro urbano.

Área funcional: área urbana onde se localiza, de uma forma dominante,


determinada função urbana.

Função Urbana:
1. Função industrial: as cidades desenvolveram-se devido à forte
tradição industrial.
2. Função comercial: as cidades estão ligadas à atividade comercial,
sendo a razão do seu crescimento, pois funciona como polo de
atração para a população.
3. Função religiosa: cidades de importantes peregrinações.
4. Função turística: cidades com excelentes condições para a prática de
turismo, podendo estar ligada à função cultural.
5. Função cultural: todos os grandes centros urbanos têm atividades
culturais: teatros, óperas, galerias de arte...
6. Função residencial: acontece nas áreas metropolitanas.
7. Função político-administrativa: nas capitais do países é onde se
localiza a sede do governo, o parlamento e as instalações
ministeriais. Esta presença dos decisores nacionais acaba por fazê-la
crescer, pois atrai atividades comerciais, culturais, industriais e
turísticas.
8. Função militar: a atividade militar foi a causa da fundação de muitas
cidades, quer para defesa quer para domínio do espaço.

Áreas funcionais:
1. Centro/baixa/CBD: é o espaço de maior centralidade, acessibilidade
potencial, circulação de pessoas e onde o preço do solo é mais
elevado. Aqui encontra-se grande parte do comércio mais seletivo e
das atividades financeiras com maior valor.
2. Áreas residenciais: estas áreas ocupam a maior parte do espaço
urbano, sendo frequente que se caracterizem pela construção em
altura devido ao elevado preço do solo e à falta de espaço.
3. Áreas industriais: atualmente localizam-se em áreas periféricas
construídas propositadamente para a atividade industrial. A pressão
ambiental, a falta de espaço e o menor preço do solo, aliados às
acessibilidades, levaram ao afastamento progressivo das indústrias
para a periferia dos centros urbanos.
4. Áreas comerciais: com o crescimento das cidades, surgem espaços
comerciais atrativos ajudando à implementação de novas
centralidades no espaço urbano na periferia das cidades.

Planta funcional: mapa de uma cidade que representa diversas funções.

Organização do espaço urbano:

Morfologia urbana: aspeto apresentado por um centro urbano no que diz


respeito ao tipo de planta e à tipologia dos edifícios.

Planta urbana: mapa de grande escala que representa as ruas de uma


cidade ou parte dela.

1. Planta Ortogonal: (regular) tem um traçado de ruas retilíneas largas e


mais ou menos longas, que se cruzam
perpendicularmente, formando ângulos
de 90º. Este tipo de planta é de fácil
planeamento, rápida construção e
permite uma grande rentabilização do
espaço. No entanto, tem inconvenientes:
percursos longos, fraca visibilidade e a
circulação pouco prática, com muitos
cruzamentos. Devido ao seu traçado, as
ruas poderão ser ventosas e dificultam a orientação no espaço, dada a
semelhança entre elas. Para uma melhoria da circulação rodoviária,
constroem-se vias diagonais para escoamento do tráfego.
2. Planta radioconcêntrica: tem um núcleo central, em torno do qual se
desenham artérias mais ou menos
circulares, cortadas pelas vias de acesso
(assemelhando-se a uma teia), o núcleo
central é um local de grande importância
pela presença de uma igreja, de um
mercado ou de um castelo. Este tipo de
planta permite uma fácil circulação e
acesso ao centro de cidade, mas dificulta
a organização dos espaços construídos ou
a construir.
3. Planta irregular: este tipo de
planta resulta de um crescimento
desordenado, devido à falta de um
planeamento urbano global. Tem
ruas sem saída ou que acabam em
pátios interiores. Outras são
muito grandes, atravessando a
cidade, mas estreitas e com
traçado sinuoso. Existem também, muitas escadas e calçadas, que
dificultam ainda mais a circulação.

Planeamento urbano: conjunto de ações relacionadas com a gestão do


espaço urbano.

Inter-relações entre espaço rural e espaço urbano:

Espaço rural: área ocupada quer por atividades ligadas à agricultura e à


criação de gado, quer por outras como a indústria e o turismo. Compreende
também as habitações da população rural.

Espaço urbano: área de forte concentração populacional e grande


densidade de construções. Funciona como polo de atração, onde as
atividades principais são o comércio e os serviços.

Modo de vida rural e urbano: