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RESENHA CRITICA

1. INFORMAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS
FRIGOTTO, G. Novos fetiches mercantis da pseudoteoria do capital humano no
contexto do capitalismo tardio. Disponível em: <http://www.sinproeste.org.br/wp-
content/uploads/2013/04/O-rejuvenecimento-da-teoria-do-capital-humano-no
contexto-do-capitalismo-tardio.pdf>. Acesso em: 04 out. 2017.

2. DADOS SOBRE O AUTOR

Gaudêncio Frigotto é hoje um dos principais intelectuais na análise da relação


entre o sistema capitalista, o trabalho e a educação, na forma de educação
profissional, técnica e tecnológica, bem como na reflexão sobre as políticas públicas
e o sentido da educação como formação humana. Licenciado e bacharel em Filosofia
e Graduação em Pedagogia; Mestrado em Administração de Sistemas Educacionais
pela FGV; Doutorado em Educação: História, Política, Sociedade pela PUC.

3. POSICIONAMENTO CRÍTICO

Os trabalhos do autor, tem nos alertado de como o paradigma de capital


humano, vem orientando as políticas educacionais no mundo e no Brasil, propondo
um modelo de sociedade no qual são mantidas as relações desiguais de poder,
implementando assim, uma visão mercantil associada ao trabalho instável e precário.
No artigo em questão, Frigotto (2011) se propõe a debater as contradições que
envolvem as políticas públicas educacionais no Brasil, enquanto fenômenos
sociopolíticos.
Busca “entender o tempo presente e quais as concepções de educação que
foram dominantes nas duas últimas reformas educativas que tem como base a noção
de capital humano”. Ressalta as implicações direitas, sobre a vida escolar, o trabalho
docente e, sobretudo, no tipo de formação humana, que uma reforma educacional
pode ter.
Sequencialmente, discute porque a pseudoteoria, num outro contexto histórico,
amplia as mistificações sobre as noções de sociedade do conhecimento, qualidade
total, pedagogia das competências e, empregabilidade e empreendedorismo, no
contexto denominado capitalismo tardio.
O “capitalismo tardio” a que se refere Frigotto em seu texto, trata-se do sentido
de uma visão marxista de economia e das crises do sistema capitalista, que tem como
como características a expansão das grandes corporações multinacionais, a
globalização dos mercados e intensificação dos fluxos internacionais do capital.
No sub tópico “A noção de capital humano: a regressão da educação escolar
de direito social a um serviço mercantil” , Frigotto nos remonta ao século XVIII, onde
a gênese da escola se inicia, sendo a burguesia sua principal representante, para a
construção do sistema capitalista.
Sendo assim, a escola burguesa, não podia ser igual para todos, pela simples
razão que “a burguesia destruía uma sociedade de classes não para abolir as classes
sociais, mas para implantar outra estrutura de classe: os detentores de capital e os
trabalhadores que detém apenas sua força física e intelectual para ser vendida.”
Nesse sentido, pode-se inferir que a escola burguesa foi organizada, sobretudo,
para aqueles que não precisam vender sua força de trabalho.
Mesmo em sociedades que atingiram elevado grau de democratização
da escolaridade desenvolveu-se a dualidade. Uma escola mais
complexa, rica e que desenvolve conhecimentos, valores e atitudes
para dirigir, organizar, comandar, etc., e uma escola mais prática,
restrita, adestradora para os que se destinam ao trabalho manual ou
de execução. (FRIGOTTO, 2011)
Contextualizando para os dias atuais, essa realidade dual persiste. As classes
com maior poder aquisitivo priorizam uma formação superior voltada para a
gestão/supervisão, enquanto que para a classe trabalhadora, os “operários em
construção” restam apenas, e quando muito, uma educação técnico-
profissionalizante, voltada exclusivamente para o marcado de trabalho.
Por isso, a importância de uma educação numa perspectiva emancipatória, que
vise a formação do indivíduo não apenas como mão de obra para suprir o marcado
capitalista, e sim para uma formação integral do educando, visando sua autonomia e
possibilitando a sua ascensão social, no sentido de, através da educação diminuirmos
as desigualdades sociais.

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