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Secretaria Municipal da Educação

SME - SP
Professor de Educação Infantil
EDITAL Nº 01/2015 DE ABERTURA DE INSCRIÇÕES

ARTIGO DO WILLIAM DOUGLAS

CONHECIMENTOS GERAIS

BRASIL. Ministério da Educação. SEESP. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação
Inclusiva. Documento elaborado pelo Grupo de trabalho nomeado pela Portaria Ministerial n.º 555, de 5 de junho de
2007, prorrogada pela Portaria n.º 948, de 09 de outubro de 2007: Brasília, Ministério da Educação Básica, Secretaria da
Educação Especial, 2007..............................................................................................................................................................01
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Educação Infantil e práticas promotoras de
igualdade racial. Brasília: MEC/SEB, 2012..............................................................................................................................06
BRASIL. Ministério da Educação. TV Escola – Índios no Brasil – Eps. 01 – Quem são eles?......................................22
BRASIL. Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Artigos 5º, 37 a 41, 205
a 214, 227 a 229............................................................................................................................................................................24
BRASIL. Presidência da República. Lei Federal n.º 8.069, de 13/07/1990 – Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do
Adolescente. Artigos 53 a 59 e 136 a 137....................................................................................................................................41
BRASIL. Presidência da República. Lei Federal n.º 9.394, de 20/12/96 – Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação
Nacional........................................................................................................................................................................................43
BRASIL. Presidência da República. Lei Federal n.º 10.639, de 09/01/2003 – Altera a Lei n.º 9.394/96, que estabelece
as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir, no currículo oficial da Rede de Ensino, a obrigatoriedade da
temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências..............................................................................57
BRASIL. Presidência da República. Lei Federal n.º 11.645, de 10/03/08 – Altera a Lei n.º 9.394/96, modificada pela Lei
10.639/03, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para incluir, no currículo oficial da rede de ensino,
a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”..................................................................57
BRASIL. Presidência da República. Lei Federal n.º 12.796, de 04 de abril de 2013 – Altera a Lei n.º 9.394/96, que
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar
outras providências......................................................................................................................................................................58
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Programa Mais Educação São
Paulo: subsídios para implantação. São Paulo: SME/DOT, 2014...........................................................................................59
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Decreto n.º 45.415/04 – Estabelece diretrizes para a Política de
Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema Municipal
de Ensino. SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Portaria n.º 5.718/04 – Dispõe sobre a regulamentação do
Decreto n.º 45.415, de 18/10/04, que estabelece diretrizes para a Política de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens
e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema Municipal de Ensino, e dá outras providência..............94

Didatismo e Conhecimento
Índice
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Decreto n.º 51.778/10 – Institui a Política de Atendimento de
Educação Especial, por meio do Programa Inclui, no âmbito da Secretaria Municipal de Educação..............................103
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Portaria n.º 2.496/12 – Regulamenta as Salas de Apoio e
Acompanhamento à Inclusão – SAAIs, integrantes do inciso II do artigo 2º – Projeto Apoiar, que compõe o Decreto n.º
51.778/10.....................................................................................................................................................................................103
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Decreto n.º 54.452/13 – Institui, na Secretaria Municipal de
Educação, o Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal
de Ensino de São Paulo – Mais Educação São Paulo.............................................................................................................. 111
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Portaria n.º 5.930/13 – Regulamenta o Decreto n.º 54.452/13, que
institui, na Secretaria Municipal de Educação, o Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e
Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo – Mais Educação São Paulo................................................. 111
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Decreto n.º 54.454/13 – Fixa diretrizes gerais para a elaboração
dos regimentos educacionais das unidades integrantes da Rede Municipal de Ensino, bem como delega competência ao
Secretário Municipal de Educação para o estabelecimento das normas gerais e complementares que especifica...........121
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Portaria n.º 5.941/13 – Estabelece normas complementares ao
Decreto n.º 54.454, de 10/10/13, que dispõe sobre diretrizes para elaboração do Regimento Educacional das Unidades da
Rede Municipal de Ensino e dá outras providências..............................................................................................................121
SIAULYS, Mara O. de Campos. Brincar para todos. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação
Especial, 2005.............................................................................................................................................................................137

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS

BARBIERI, Stela. Interações: onde está a arte na infância? São Paulo: Blucher, 2012................................................01
BECCHI, E. et al. Ideias orientadoras para a creche: a qualidade negociada. Campinas, SP: Autores Associados,
2012. Trad. Maria de Lourdes Tambaschia Menon. (Coleção Formação de Professores. Série Educação Infantil em
Movimento)...................................................................................................................................................................................01
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Parâmetros nacionais de qualidade para a
educação infantil. Brasília: MEC/SEB, 2006.............................................................................................................................03
BRASIL. Ministério da Educação. Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais
das crianças. Brasília: MEC/SEB, 2009.....................................................................................................................................22
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes curriculares nacionais para educação
infantil. Brasília: MEC/SEB, 2010.............................................................................................................................................28
BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Brinquedos e brincadeiras nas creches: manual
de orientação pedagógica. Brasília: MEC/SEB, 2012...............................................................................................................39
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB n.º 20/2009, de 11/11/2009 –
Revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil.............................................................................77
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/
CEB n.º 5 de 17 de dezembro de 2009 – Fixa as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil..................86
DIDONET, Vital. A Avaliação na e da Educação Infantil.................................................................................................88
FALK, Judit (org). Educar os três primeiros anos: a experiência de Lóczy. Araraquara: Junqueira & Marin, 2011.
Trad. Suely Amaral Mello...........................................................................................................................................................94
FARIA, Ana Lúcia Goulart de; FINCO, Daniela (orgs). Sociologia da infância no Brasil. Campinas: Autores
Associados, 2011. Cap. 3, pág. 55 a 79........................................................................................................................................97
FOCHI, Paulo. Afinal, o que os bebês fazem no berçário? Comunicação, autonomia e saber-fazer de bebês em um
contexto de vida coletiva. Porto Alegre: Penso, 2015. Capítulo 1, pág.29 a 59.......................................................................98
GOBBI, Marcia Aparecida; PINAZZA, Mônica Appezzato. Infância e suas linguagens. São Paulo: Cortez, 2014.
caps. 2, 4 e 5..................................................................................................................................................................................98
HOFFMANN. Jussara. Avaliação e Educação Infantil: um olhar sensível e reflexivo sobre a criança. Porto Alegre:
Mediação, 2014. cap. 2...............................................................................................................................................................101
MELLO, Suely Amaral. Os bebês como sujeitos no cuidado e na educação na escola infantil. Revista Magistério, São
Paulo – SME/DOT, n. 3, p. 46-53, 2014....................................................................................................................................103
NASCIMENTO, Maria Letícia. Algumas considerações sobre a infância e as políticas de Educação Infantil. Educação
& Linguagem, São Paulo, v. 14. n. 23/24, p. 146-159, jan-dez. 2011......................................................................................106

Didatismo e Conhecimento
Índice
OSTETTO, Luciana Esmeralda (org). Encontros e encantamentos na educação Infantil: partilhando experiências de
estágios. Campinas/SP: Papirus, 2000. cap.10........................................................................................................................109
RICHTER, Sandra Regina Simonis; BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Os bebês interrogam o currículo: as
múltiplas linguagens na creche. Revista Educação, Santa Maria, v. 35, n. 1, p. 85-96, jan./abr. 2010.............................. 110
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Orientação Normativa n.º 01:
Avaliação na Educação Infantil: aprimorando os olhares. São Paulo: SME/DOT, 2013.................................................... 114
SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Orientação Técnica. Indicadores da Qualidade na
Educação Infantil Paulistana. São Paulo: SME/DOT, 2015..................................................................................................124

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A ETERNA COMPETIÇÃO ENTRE O LAZER E O ESTUDO

Por William Douglas, professor, escritor e juiz federal.

Todo mundo já se pegou estudando sem a menor concentração, pensando nos momentos de lazer, como também já deixou de
aproveitar as horas de descanso por causa de um sentimento de culpa ou mesmo remorso, porque deveria estar estudando.
Fazer uma coisa e pensar em outra causa desconcentração, estresse e perda de rendimento no estudo ou trabalho. Além da
perda de prazer nas horas de descanso.
Em diversas pesquisas que realizei durante palestras e seminários pelo país, constatei que os três problemas mais comuns de
quem quer vencer na vida são:
• medo do insucesso (gerando ansiedade, insegurança),
• falta de tempo e
• “competição” entre o estudo ou trabalho e o lazer.

E então, você já teve estes problemas?


Todo mundo sabe que para vencer e estar preparado para o dia-a-dia é preciso muito conhecimento, estudo e dedicação, mas
como conciliar o tempo com as preciosas horas de lazer ou descanso?
Este e outros problemas atormentavam-me quando era estudante de Direito e depois, quando passei à preparação para concursos
públicos. Não é à toa que fui reprovado em 5 concursos diferentes!
Outros problemas? Falta de dinheiro, dificuldade dos concursos (que pagam salários de até R$ 6.000,00/mês, com status e
estabilidade, gerando enorme concorrência), problemas de cobrança dos familiares, memória, concentração etc.
Contudo, depois de aprender a estudar, acabei sendo 1º colocado em outros 7 concursos, entre os quais os de Juiz de Direito,
Defensor Público e Delegado de Polícia. Isso prova que passar em concurso não é impossível e que quem é reprovado pode “dar a
volta por cima”.
É possível, com organização, disciplina e força de vontade, conciliar um estudo eficiente com uma vida onde haja espaço para
lazer, diversão e pouco ou nenhum estresse. A qualidade de vida associada às técnicas de estudo são muito mais produtivas do que a
tradicional imagem da pessoa trancafiada, estudando 14 horas por dia.
O sucesso no estudo e em provas (escritas, concursos, entrevistas etc.) depende basicamente de três aspectos, em geral,
desprezados por quem está querendo passar numa prova ou conseguir um emprego:
1º) clara definição dos objetivos e técnicas de planejamento e organização;
2º) técnicas para aumentar o rendimento do estudo, do cérebro e da memória;
3º) técnicas específicas sobre como fazer provas e entrevistas, abordando dicas e macetes que a experiência fornece, mas que
podem ser aprendidos.
O conjunto destas técnicas resulta em um aprendizado melhor e em mais sucesso nas provas escritas e orais (inclusive entrevistas).
Aos poucos, pretendemos ir abordando estes assuntos, mas já podemos anotar aqui alguns cuidados e providências que irão
aumentar seu desempenho.
Para melhorar a “briga” entre estudo e lazer, sugiro que você aprenda a administrar seu tempo. Para isto, como já disse, basta
um pouco de disciplina e organização.
O primeiro passo é fazer o tradicional quadro horário, colocando nele todas as tarefas a serem realizadas. Ao invés de servir
como uma “prisão”, este procedimento facilitará as coisas para você. Pra começar, porque vai levá-lo a escolher as coisas que não são
imediatas e a estabelecer suas prioridades. Experimente. Em pouco tempo, você vai ver que isto funciona.
Também é recomendável que você separe tempo suficiente para dormir, fazer algum exercício físico e dar atenção à família ou
ao namoro. Sem isso, o estresse será uma mera questão de tempo. Por incrível que pareça, o fato é que com uma vida equilibrada o
seu rendimento final no estudo aumenta.
Outra dica simples é a seguinte: depois de escolher quantas horas você vai gastar com cada tarefa ou atividade, evite pensar em
uma enquanto está realizando a outra. Quando o cérebro mandar “mensagens” sobre outras tarefas, é só lembrar que cada uma tem
seu tempo definido. Isto aumentará a concentração no estudo, o rendimento e o prazer e relaxamento das horas de lazer.
Aprender a separar o tempo é um excelente meio de diminuir o estresse e aumentar o rendimento, não só no estudo, como em
tudo que fazemos.

*William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller
“Como passar em provas e concursos” . Passou em 9 concursos, sendo 5 em 1º Lugar
www.williamdouglas.com.br
Conteúdo cedido gratuitamente, pelo autor, com finalidade de auxiliar os candidatos.

Didatismo e Conhecimento
CONHECIMENTOS GERAIS
CONHECIMENTOS GERAIS
dades. Essa problematização explicita os processos normativos de
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. distinção dos alunos em razão de características intelectuais, físicas,
SEESP. POLÍTICA NACIONAL DE culturais, sociais e linguísticas, entre outras, estruturantes do modelo
EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA tradicional de educação escolar.
DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA.
DOCUMENTO ELABORADO PELO A educação especial se organizou tradicionalmente como aten-
GRUPO DE TRABALHO NOMEADO PELA dimento educacional especializado substitutivo ao ensino comum,
PORTARIA MINISTERIAL N.º 555, DE 5 evidenciando diferentes compreensões, terminologias e modalidades
DE JUNHO DE 2007, PRORROGADA PELA que levaram a criação de instituições especializadas, escolas especiais
PORTARIA N.º 948, DE 09 DE OUTUBRO e classes especiais. Essa organização, fundamentada no conceito de
DE 2007: BRASÍLIA, MINISTÉRIO DA normalidade/anormalidade, determina formas de atendimento clí-
EDUCAÇÃO BÁSICA, SECRETARIA DA nico terapêuticos fortemente ancorados nos testes psicométricos que
EDUCAÇÃO ESPECIAL, 2007. definem, por meio de diagnósticos, as práticas escolares para os alunos
com deficiência.

No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência teve início na


I – APRESENTAÇÃO época do Império com a criação de duas instituições: o Imperial Insti-
tuto dos Meninos Cegos, em 1854, atual Instituto Benjamin Constant
O movimento mundial pela inclusão é uma ação política, – IBC, e o Instituto dos Surdos Mudos, em 1857, atual Instituto Na-
cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de cional da Educação dos Surdos – INES, ambos no Rio de Janeiro. No
todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem ne- início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi - 1926, instituição
nhum tipo de discriminação. A educação inclusiva constitui um para- especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental; em
digma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, 1954 é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcio-
que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que nais – APAE e; em 1945, é criado o primeiro atendimento educacional
avança em relação à ideia de equidade formal ao contextualizar as cir- especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi,
cunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola. por Helena Antipoff.

Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de Em 1961, o atendimento educacional às pessoas com deficiência
ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discrimi- passa ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Ba-
natórias e criar alternativas para superá-las, a educação inclusiva as- ses da Educação Nacional, Lei nº. 4.024/61, que aponta o direito dos
sume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e “excepcionais” à educação, preferencialmente dentro do sistema geral
do papel da escola na superação da lógica da exclusão. A partir dos de ensino.
referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos, a
organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada, impli- A Lei nº. 5.692/71, que altera a LDBEN de 1961, ao definir ‘tra-
cando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os tamento especial’ para os alunos com “deficiências físicas, mentais, os
alunos tenham suas especificidades atendidas. que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de
matrícula e os superdotados”, não promove a organização de um siste-
Nesta perspectiva, o Ministério da Educação/Secretaria de Edu- ma de ensino capaz de atender as necessidades educacionais especiais
cação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial e acaba reforçando o encaminhamento dos alunos para as classes e
na Perspectiva da Educação Inclusiva, que acompanha os avanços do
escolas especiais.
conhecimento e das lutas sociais, visando constituir políticas públicas
promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos.
Em 1973, é criado no MEC, o Centro Nacional de Educação Es-
II - MARCOS HISTÓRICOS E NORMATIVOS pecial – CENESP, responsável pela gerência da educação especial no
Brasil, que, sob a égide integracionista, impulsionou ações educacio-
A escola historicamente se caracterizou pela visão da educação nais voltadas às pessoas com deficiência e às pessoas com superdota-
que delimita a escolarização como privilégio de um grupo, uma exclu- ção; ainda configuradas por campanhas assistenciais e ações isoladas
são que foi legitimada nas políticas e práticas educacionais reproduto- do Estado.
ras da ordem social. A partir do processo de democratização da educa-
ção se evidencia o paradoxo inclusão/exclusão, quando os sistemas de Nesse período, não se efetiva uma política pública de acesso uni-
ensino universalizam o acesso, mas continuam excluindo indivíduos versal à educação, permanecendo a concepção de ‘políticas especiais’
e grupos considerados fora dos padrões homogeneizadores da escola. para tratar da temática da educação de alunos com deficiência e, no
Assim, sob formas distintas, a exclusão tem apresentado características que se refere aos alunos com superdotação, apesar do acesso ao ensino
comuns nos processos de segregação e integração que pressupõem a regular, não é organizado um atendimento especializado que considere
seleção, naturalizando o fracasso escolar. as singularidades de aprendizagem desses alunos.

A partir da visão dos direitos humanos e do conceito de cidada- A Constituição Federal de 1988 traz como um dos seus objeti-
nia fundamentado no reconhecimento das diferenças e na participação vos fundamentais, “promover o bem de todos, sem preconceitos de
dos sujeitos, decorre uma identificação dos mecanismos e processos origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discrimi-
de hierarquização que operam na regulação e produção das desigual- nação” (art.3º inciso IV). Define, no artigo 205, a educação como um

Didatismo e Conhecimento 1
CONHECIMENTOS GERAIS
direito de todos, garantindo o pleno desenvolvimento da pessoa, o O Plano Nacional de Educação - PNE, Lei nº 10.172/2001, des-
exercício da cidadania e a qualificação para o trabalho. No seu artigo taca que “o grande avanço que a década da educação deveria produzir
206, inciso I, estabelece a “igualdade de condições de acesso e perma- seria a construção de uma escola inclusiva que garanta o atendimento
nência na escola” , como um dos princípios para o ensino e, garante, à diversidade humana”. Ao estabelecer objetivos e metas para que os
como dever do Estado, a oferta do atendimento educacional especiali- sistemas de ensino favoreçam o atendimento às necessidades edu-
zado, preferencialmente na rede regular de ensino (art. 208). cacionais especiais dos alunos, aponta um déficit referente à oferta de
matrículas para alunos com deficiência nas classes comuns do ensino
O Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei nº. 8.069/90, artigo regular, à formação docente, à acessibilidade física e ao atendimento
55, reforça os dispositivos legais supracitados, ao determinar que educacional especializado.
“os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos
ou pupilos na rede regular de ensino”. Também, nessa década, docu- A Convenção da Guatemala (1999), promulgada no Brasil
pelo Decreto nº 3.956/2001, afirma que as pessoas com deficiência
mentos como a Declaração Mundial de Educação para Todos (1990) e
têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as de-
a Declaração de Salamanca (1994), passam a influenciar a formulação
mais pessoas, definindo como discriminação com base na deficiência,
das políticas públicas da educação inclusiva. toda diferenciação ou exclusão que possa impedir ou anular o exercício
dos direitos humanos e de suas liberdades fundamentais. Esse Decreto
Em 1994, é publicada a Política Nacional de Educação Especial, tem importante repercussão na educação, exigindo uma reinterpreta-
orientando o processo de ‘integração instrucional’ que condiciona o ção da educação especial, compreendida no contexto da diferenciação
acesso às classes comuns do ensino regular àqueles que “(...) possuem adotada para promover a eliminação das barreiras que impedem o
condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares acesso à escolarização.
programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos
normais”. (p.19). Ao reafirmar os pressupostos construídos a partir de Na perspectiva da educação inclusiva, a Resolução CNE/CP
padrões homogêneos de participação e aprendizagem, a Política não nº1/2002, que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a
provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que Formação de Professores da Educação Básica, define que as institui-
sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino ções de ensino superior devem prever em sua organização curricular
comum, mantendo a responsabilidade da educação desses alunos formação docente voltada para a atenção à diversidade e que contem-
exclusivamente no âmbito da educação especial. ple conhecimentos sobre as especificidades dos alunos com necessida-
des educacionais especiais.
A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº
9.394/96, no artigo 59, preconiza que os sistemas de ensino devem asse- A Lei nº 10.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais como
gurar aos alunos currículo, métodos, recursos e organização específicos meio legal de comunicação e expressão, determinando que sejam ga-
para atender às suas necessidades; assegura a terminalidade específica rantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão, bem
àqueles que não atingiram o nível exigido para a conclusão do ensino como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currí-
fundamental, em virtude de suas deficiências e; a aceleração de estudos culo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia.
aos superdotados para conclusão do programa escolar. Também define,
dentre as normas para a organização da educação básica, a “possibilida- A Portaria nº 2.678/02 aprova diretriz e normas para o uso, o ensi-
de de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendiza- no, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades
do” (art. 24, inciso V) e “[...] oportunidades educacionais apropriadas, de ensino, compreendendo o projeto da Grafia Braile para a Língua
Portuguesa e a recomendação para o seu uso em todo o território na-
consideradas as características do alunado, seus interesses, condições de
cional.
vida e de trabalho, mediante cursos e exames” (art. 37).
Em 2003, o Ministério da Educação cria o Programa Educação
Em 1999, o Decreto nº 3.298 que regulamenta a Lei nº 7.853/89, Inclusiva: direito à diversidade, visando transformar os sistemas de
ao dispor sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Porta- ensino em sistemas educacionais inclusivos, que promove um amplo
dora de Deficiência, define a educação especial como uma modalidade processo de formação de gestores e educadores nos municípios brasi-
transversal a todos os níveis e modalidades de ensino, enfatizando a leiros para a garantia do direito de acesso de todos à escolarização, a
atuação complementar da educação especial ao ensino regular. organização do atendimento educacional especializado e a promoção
da acessibilidade.
Acompanhando o processo de mudanças, as Diretrizes Nacionais
para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB Em 2004, o Ministério Público Federal divulga o documento O
nº 2/2001, no artigo 2º, determinam que: Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da
Rede Regular, com o objetivo de disseminar os conceitos e diretrizes
Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo mundiais para a inclusão, reafirmando o direito e os benefícios da es-
às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com neces- colarização de alunos com e sem deficiência nas turmas comuns do
sidades educacionais especiais, assegurando as condições necessárias ensino regular.
para uma educação de qualidade para todos. (MEC/SEESP, 2001).
Impulsionando a inclusão educacional e social, o Decreto nº
As Diretrizes ampliam o caráter da educação especial para realizar 5.296/04 regulamentou as leis nº 10.048/00 e nº 10.098/00, estabele-
o atendimento educacional especializado complementar ou suplemen- cendo normas e critérios para a promoção da acessibilidade às pessoas
tar a escolarização, porém, ao admitir a possibilidade de substituir o com deficiência ou com mobilidade reduzida. Nesse contexto, o Pro-
ensino regular, não potencializa a adoção de uma política de educação grama Brasil Acessível é implementado com o objetivo de promover
inclusiva na rede pública de ensino prevista no seu artigo 2º. e apoiar o desenvolvimento de ações que garantam a acessibilidade.

Didatismo e Conhecimento 2
CONHECIMENTOS GERAIS
O Decreto nº 5.626/05, que regulamenta a Lei nº 10.436/2002, III - DIAGNÓSTICO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
visando a inclusão dos alunos surdos, dispõe sobre a inclusão da Libras
como disciplina curricular, a formação e a certificação de professor, O Censo Escolar/MEC/INEP, realizado anualmente em todas
instrutor e tradutor/intérprete de Libras, o ensino da Língua Portuguesa as escolas de educação básica, acompanha, na educação especial, in-
como segunda língua para alunos surdos e a organização da educação dicadores de acesso à educação básica, matrícula na rede pública, in-
bilíngue no ensino regular. clusão nas classes comuns, oferta do atendimento educacional especia-
Em 2005, com a implantação dos Núcleos de Atividade das Altas lizado, acessibilidade nos prédios escolares e o número de municípios
Habilidades/Superdotação – NAAH/S em todos os estados e no Dis- e de escolas com matrícula de alunos com necessidades educacionais
trito Federal, são formados centros de referência para o atendimento especiais.
educacional especializado aos alunos com altas habilidades/superdo-
tação, a orientação às famílias e a formação continuada aos professo-
A partir de 2004, com a atualização dos conceitos e terminolo-
res. Nacionalmente, são disseminados referenciais e orientações para
organização da política de educação inclusiva nesta área, de forma a gias, são efetivadas mudanças no Censo Escolar, que passa a coletar
garantir esse atendimento aos alunos da rede pública de ensino. dados sobre a série ou ciclo escolar dos alunos atendidos pela educa-
ção especial, possibilitando, a partir destas informações que registram
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, a progressão escolar, criar novos indicadores acerca da qualidade da
aprovada pela ONU em 2006, da qual o Brasil é signatário, estabelece educação.
que os Estados Parte devem assegurar um sistema de educação inclu-
siva em todos os níveis de ensino, em ambientes que maximizem o de- Os dados do Censo Escolar/2006, na educação especial, registram
senvolvimento acadêmico e social compatível com a meta de inclusão a evolução de 337.326 matrículas em 1998 para 700.624 em 2006, ex-
plena, adotando medidas para garantir que: pressando um crescimento de 107%. No que se refere à inclusão em
a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do classes comuns do ensino regular, o crescimento é de 640%, passando
sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças de 43.923 alunos incluídos em 1998, para 325.316 alunos incluídos em
com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e 2006, conforme demonstra o gráfico a seguir:
compulsório, sob alegação de deficiência;
b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino fun-
damental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de con-
dições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art.24).

Em 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o Ministé-


rio da Educação, o Ministério da Justiça e a UNESCO lançam o Plano
Nacional de Educação em Direitos Humanos que objetiva, dentre as
suas ações, fomentar, no currículo da educação básica, as temáticas re-
lativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas
que possibilitem inclusão, acesso e permanência na educação superior.

Em 2007, no contexto com o Plano de Aceleração do Crescimento Entre 1998 e 2006, houve crescimento de 640% das matrí-
- PAC, é lançado o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE, culas em escolas comuns (inclusão) e de28% em escolas e classes
reafirmado pela Agenda Social de Inclusão das Pessoas com Deficiên- especiais.
cia, tendo como eixos a acessibilidade arquitetônica dos prédios esco-
lares, a implantação de salas de recursos e a formação docente para o
atendimento educacional especializado.

No documento Plano de Desenvolvimento da Educação: razões,


princípios e programas, publicado pelo Ministério da Educação, é rea-
firmada a visão sistêmica da educação que busca superar a oposição
entre educação regular e educação especial.

Contrariando a concepção sistêmica da transversalidade da edu-


Quanto à distribuição das matrículas nas esferas pública e
cação especial nos diferentes níveis, etapas e modalidades de ensino, a
educação não se estruturou na perspectiva da inclusão e do atendimen- privada, em 1998, registra-se 157.962 (46,8%) alunos com necessi-
to às necessidades educacionais especiais, limitando, o cumprimento dades educacionais especiais nas escolas privadas, principalmente em
do princípio constitucional que prevê a igualdade de condições para o instituições especializadas filantrópicas. Com o desenvolvimento de
acesso e permanência na escola e a continuidade nos níveis mais políticas de educação inclusiva, evidencia-se um crescimento de 146%
elevados de ensino (2007, p. 09). das matrículas nas escolas públicas, que passaram de 179.364 (53,2%)
em 1998, para 441.155 (63%) em 2006, conforme demonstra o gráfico
O Decreto nº 6.094/2007 estabelece dentre as diretrizes do Com- a seguir:
promisso Todos pela Educação, a garantia do acesso e permanência no Com relação à distribuição das matrículas por etapa e nível de
ensino regular e o atendimento às necessidades educacionais especiais ensino, em 2006:
dos alunos, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas.

Didatismo e Conhecimento 3
CONHECIMENTOS GERAIS
112.988 (16%) são na educação infantil, 466.155 (66,5%) no en- formação de professores para o atendimento educacional especializado
sino fundamental, 14.150 (2%) no ensino médio, 58.420 (8,3%) na e demais profissionais da educação para a inclusão; participação da
educação de jovens e adultos, 46.949 (6,7%) na educação profissional família e da comunidade; acessibilidade arquitetônica, nos transportes,
(básico) e 1.962 (0,28%) na educação profissional (técnico). nos mobiliários, nas comunicações e informação; e articulação interse-
torial na implementação das políticas públicas.
No âmbito da educação infantil, as matrículas concentram-se
nas escolas/classes especiais que registram 89.083 alunos, enquanto V - ALUNOS ATENDIDOS PELA EDUCAÇÃO ESPECIAL
apenas 24.005 estão matriculados em turmas comuns, contrariando os
estudos nesta área que afirmam os benefícios da convivência e apren- Por muito tempo perdurou o entendimento de que a educação
dizagem entre crianças com e sem deficiência desde os primeiros anos especial organizada de forma paralela à educação comum seria mais
de vida para o seu desenvolvimento. apropriada para a aprendizagem dos alunos que apresentavam defi-
ciência, problemas de saúde, ou qualquer inadequação com relação à
O Censo das matrículas de alunos com necessidades educacio- estrutura organizada pelos sistemas de ensino. Essa concepção exerceu
nais especiais na educação superior registra que, entre 2003 e 2005, impacto duradouro na história da educação especial, resultando em
o número de alunos passou de 5.078 para 11.999 alunos. Este indica- práticas que enfatizavam os aspectos relacionados à deficiência, em
dor, apesar do crescimento de 136% das matrículas, reflete a exclusão contraposição à dimensão pedagógica.
educacional e social, principalmente das pessoas com deficiência, sa-
lientando a necessidade de promover a inclusão e o fortalecimento das O desenvolvimento de estudos no campo da educação e a defesa
políticas de acessibilidade nas instituições de educação superior. dos direitos humanos vêm modificando os conceitos, as legislações e
as práticas pedagógicas e de gestão, promovendo a reestruturação do
A evolução das ações da educação especial nos últimos anos se ensino regular e especial. Em 1994, com a Declaração de Salamanca
expressa no crescimento do número de municípios com matrículas, se estabelece como princípio que as escolas do ensino regular devem
que em 1998 registra 2.738 municípios (49,7%) e, em 2006 alcança educar todos os alunos, enfrentando a situação de exclusão escolar das
4.953 municípios (89%), um crescimento de 81%. Essa evolução tam- crianças com deficiência, das que vivem nas ruas ou que trabalham,
bém revela o aumento do número de escolas com matrícula, que em das superdotadas, em desvantagem social e das que apresentam dife-
1998 registra apenas 6.557 escolas e chega a 54.412 escolas em 2006, renças linguísticas, étnicas ou culturais.
representando um crescimento de 730%. Destas escolas com matrícula
em 2006, 2.724 são escolas especiais, 4.325 são escolas comuns com O conceito de necessidades educacionais especiais, que passa a
classe especial e 50.259 são escolas comuns com inclusão nas turmas ser amplamente disseminado, a partir dessa Declaração, ressalta a inte-
de ensino regular. ração das características individuais dos alunos com o ambiente educa-
cional e social, chamando a atenção do ensino regular para o desafio
O indicador de acessibilidade arquitetônica em prédios escolares, de atender as diferenças. No entanto, mesmo com essa perspecti-
em 1998, aponta que 14% dos 6.557 estabelecimentos de ensino com va conceitual transformadora, as políticas educacionais implementadas
matrícula de alunos com necessidades educacionais especiais possuíam não alcançaram o objetivo de levar a escola comum a assumir o desafio
sanitários com acessibilidade. Em 2006, das 54.412 escolas com ma- de atender as necessidades educacionais de todos os alunos.
trículas de alunos atendidos pela educação especial, 23,3% possuíam Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa
sanitários com acessibilidade e 16,3% registraram ter dependências e a constituir a proposta pedagógica da escola, definindo como seu pú-
vias adequadas (indicador não coletado em 1998). blico-alvo os alunos com deficiência, transtornos globais de desenvol-
vimento e altas habilidades/superdotação. Nestes casos e outros, que
Em relação à formação dos professores com atuação na educação implicam em transtornos funcionais específicos, a educação especial
especial, em 1998, 3,2% possuíam ensino fundamental; 51% pos- atua de forma articulada com o ensino comum, orientando para o aten-
suíam ensino médio e 45,7% ensino superior. Em 2006, dos 54.625 dimento às necessidades educacionais especiais desses alunos.
professores que atuam na educação especial, 0,62% registraram so-
mente ensino fundamental, 24% registraram ensino médio e 75,2% Consideram-se alunos com deficiência àqueles que têm impedi-
ensino superior. Nesse mesmo ano, 77,8% destes professores, decla- mentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou senso-
raram ter curso específico nessa área de conhecimento. rial, que em interação com diversas barreiras podem ter restringida sua
participação plena e efetiva na escola e na sociedade. Os alunos com
IV - OBJETIVO DA POLÍTICA NACIONAL DE EDU- transtornos globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam
CAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e na comuni-
INCLUSIVA cação, um repertório de interesses e atividades restrito, estereotipado e
repetitivo. Incluem-se nesse grupo alunos com autismo, síndromes do
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da espectro do autismo e psicose infantil. Alunos com altas habilidades/
Educação Inclusiva tem como objetivo assegurar a inclusão escolar superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das se-
de alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e guintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, lideran-
altas habilidades/superdotação, orientando os sistemas de ensino para ça, psicomotricidade e artes. Também apresentam elevada criatividade,
garantir: acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em
e continuidade nos níveis mais elevados do ensino; transversalidade áreas de seu interesse. Dentre os transtornos funcionais específicos
da modalidade de educação especial desde a educação infantil até a estão: dislexia, disortografia, disgrafia, discalculia, transtorno de aten-
educação superior; oferta do atendimento educacional especializado; ção e hiperatividade, entre outros.

Didatismo e Conhecimento 4
CONHECIMENTOS GERAIS
As definições do público alvo devem ser contextualizadas e não Na educação superior, a transversalidade da educação especial se
se esgotam na mera categorização e especificações atribuídas a um efetiva por meio de ações que promovam o acesso, a permanência e
quadro de deficiência, transtornos, distúrbios e aptidões. Considera-se a participação dos alunos. Estas ações envolvem o planejamento e a
que as pessoas se modificam continuamente transformando o contexto organização de recursos e serviços para a promoção da acessibilida-
no qual se inserem. Esse dinamismo exige uma atuação pedagógica de arquitetônica, nas comunicações, nos sistemas de informação, nos
voltada para alterar a situação de exclusão, enfatizando a importância materiais didáticos e pedagógicos, que devem ser disponibilizados nos
de ambientes heterogêneos que promovam a aprendizagem de todos processos seletivos e no desenvolvimento de todas as atividades que
os alunos. envolvem o ensino, a pesquisa e a extensão.

VI - DIRETRIZES DA POLÍTICA NACIONAL DE EDU- Para a inclusão dos alunos surdos, nas escolas comuns, a educação
CAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO IN- bilíngue - Língua Portuguesa/LIBRAS, desenvolve o ensino escolar
CLUSIVA na Língua Portuguesa e na língua de sinais, o ensino da Língua Portu-
guesa como segunda língua na modalidade escrita para alunos surdos,
A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa to- os serviços de tradutor/intérprete de Libras e Língua Portuguesa e o
dos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional ensino da Libras para os demais alunos da escola. O atendimento edu-
especializado, disponibiliza os serviços e recursos próprios desse aten- cacional especializado é ofertado, tanto na modalidade oral e escrita,
dimento e orienta os alunos e seus professores quanto a sua utilização quanto na língua de sinais. Devido à diferença linguística, na medida
nas turmas comuns do ensino regular. do possível, o aluno surdo deve estar com outros pares surdos em tur-
mas comuns na escola regular.
O atendimento educacional especializado identifica, elabora e
organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as O atendimento educacional especializado é realizado mediante
barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas a atuação de profissionais com conhecimentos específicos no ensino
necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento da Língua Brasileira de Sinais, da Língua Portuguesa na modalidade
educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala escrita como segunda língua, do sistema Braille, do soroban, da orien-
de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendi- tação e mobilidade, das atividades de vida autônoma, da comunicação
alternativa, do desenvolvimento dos processos mentais superiores, dos
mento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vis-
programas de enriquecimento curricular, da adequação e produção de
tas à autonomia e independência na escola e fora dela.
materiais didáticos e pedagógicos, da utilização de recursos ópticos e
não ópticos, da tecnologia assistiva e outros.
O atendimento educacional especializado disponibiliza progra-
mas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos Cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na
específicos de comunicação e sinalização, ajudas técnicas e tecnologia perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de instru-
assistiva, dentre outros. Ao longo de todo processo de escolarização, tor, tradutor/intérprete de Libras e guia intérprete, bem como de mo-
esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica nitor ou cuidador aos alunos com necessidade de apoio nas atividades
do ensino comum. de higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio
constante no cotidiano escolar.
A inclusão escolar tem início na educação infantil, onde se de-
senvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e Para atuar na educação especial, o professor deve ter como base
seu desenvolvimento global. Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas da sua formação, inicial e continuada, conhecimentos gerais para o
diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos fí- exercício da docência e conhecimentos específicos da área. Essa for-
sicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência mação possibilita a sua atuação no atendimento educacional especiali-
com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a zado e deve aprofundar o caráter interativo e interdisciplinar da atuação
valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento nas salas comuns do ensino regular, nas salas de recursos, nos centros
educacional especializado se expressa por meio de serviços de inter- de atendimento educacional especializado, nos núcleos de acessibili-
venção precoce que objetivam otimizar o processo de desenvolvimen- dade das instituições de educação superior, nas classes hospitalares e
to e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência nos ambientes domiciliares, para a oferta dos serviços e recursos de
social. educação especial.

Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendi- Esta formação deve contemplar conhecimentos de gestão de
mento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvol- sistema educacional inclusivo, tendo em vista o desenvolvimento de
vimento dos alunos, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de projetos em parceria com outras áreas, visando à acessibilidade arqui-
ensino e deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na tetônica, os atendimentos de saúde, a promoção de ações de assistência
própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educa- social, trabalho e justiça.
cional.
Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e VII - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a
ampliação de oportunidades de escolarização, formação para a inser- BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da
ção no mundo do trabalho e efetiva participação social. Educação Nacional, LDB 4.024, de 20 de dezembro de 1961.
A interface da educação especial na educação indígena, do campo
e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento
educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da
construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos. Educação Nacional, LDB 5.692, de 11 de agosto de 1971.

Didatismo e Conhecimento 5
CONHECIMENTOS GERAIS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasí- BRASIL. INEP. Censo Escolar, 2006. Dispo-
lia: Imprensa Oficial, 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Secre- nível em: <http://http://www.inep.gov.br/basica/censo/default.asp
taria de Educação Especial. Lei Nº. 7.853, de 24 de outubro de 1989. >. Acesso em: 20 de jan. 2007.

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil. Lei n. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Convenção sobre
8.069, de 13 de julho de 1990. os Direitos das Pessoas com Deficiência, 2006.
BRASIL. Declaração Mundial sobre Educação para Todos: pla- BRASIL. Ministério da Educação. Plano de Desenvolvimento
no de ação para satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem.
da Educação: razões, princípios e programas. Brasília: MEC, 2007.
UNESCO, Jomtiem/Tailândia, 1990.

BRASIL. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre


necessidades educativas especiais. Brasília: UNESCO, 1994. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO BÁSICA.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- EDUCAÇÃO INFANTIL E PRÁTICAS
cial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília: MEC/SEESP, PROMOTORAS DE IGUALDADE RACIAL.
1994. BRASÍLIA: MEC/SEB, 2012.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, LDB 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- Carta aos profissionais da Educação Infantil
cial. Decreto Nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999.
Existe a crença de que a discriminação e o preconceito não fa-
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- zem parte do cotidiano da Educação Infantil, de que não há conflitos
cial. Lei Nº 10.048, de 08 de novembro de 2000. entre as crianças por conta de seus pertencimentos raciais, de que os
professores nessa etapa não fazem escolhas com base no fenótipo das
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe-
crianças. Em suma, nesse território sempre houve a ideia de felicidade,
cial. Lei Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
de cordialidade e, na verdade, não é isso o que ocorre.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- Os estudos de mestrado e de doutorado que tratam das relações
cial. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Bási- raciais na faixa de 0 a 6 anos apontam que há muitas situações de dis-
ca. Secretaria de Educação Especial - MEC/SEESP, 2001. criminação que envolvem crianças, professores, profissionais de edu-
cação e famílias. Isso é prova de que a concepção de que na Educação
BRASIL. Ministério da Educação. Lei Nº 10.172, de 09 de janeiro Infantil não há problemas raciais é uma falácia. Portanto, temos que
de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providên- fazer uma intervenção nessa etapa da educação básica, pois esta é uma
cias. fase fundamental para a construção da identidade de todas as crianças.
BRASIL. Decreto Nº 3.956, de 8 de outubro de 2001. Promulga Os estudos referidos apresentam situações em que aquelas que são ne-
a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas gras estão em desvantagem, pois são as que mais vivenciam situações
de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência. Gua- desagradáveis em relação às suas características físicas. Por outro lado,
temala: 2001. as crianças brancas recebem fortes informações de valorização de seu
fenótipo. Nesse período, elas se conscientizam das diferenças físicas
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- (o fenótipo) relacionadas ao pertencimento racial – “Por que o meu
cial. Lei Nº. 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua cabelo é assim? Por que a cor da minha pele é de um jeito e a da minha
Brasileira de Sinais – LIBRAS e dá outras providências. amiga é de outro? ”. Se uma criança negra se sente bem com o seu
corpo, seu rosto e seus cabelos, e uma criança branca também se sente
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe-
bem consigo mesma, pode haver respeito e aceitação entre elas. Essa
cial. Decreto Nº 5.296 de 02 de dezembro de 2004.
é a importância do trabalho com a promoção da igualdade racial nesta
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- etapa. Se houver uma intervenção qualificada e que não ignore a “raça”
cial. Decreto Nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei como um componente importante no processo de construção da identi-
Nº 10.436, de 24 de abril de 2002. dade da criança, teremos outra história sendo construída.
A identidade tem mil faces, mas há duas características que con-
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Espe- tribuem de forma decisiva para sua formação: a relação que estabele-
cemos com nosso corpo e a relação que estabelecemos com o grupo
cial. Direito à educação: subsídios para a gestão dos sistemas educacio-
ao qual pertencemos. Como construir uma história de respeito e va-
nais – orientações gerais e marcos legais. Brasília: MEC/SEESP, 2006. lorização de todos os tipos físicos após tantos anos de discriminação
racial? Uma das possibilidades é repensar as práticas pedagógicas na
BRASIL. IBGE. Censo Demográfico, 2000. Disponível Educação Infantil, rever os espaços, os materiais, as imagens, as inte-
em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2000/ rações, a gestão, e incluir como perspectiva a igualdade racial – o que
default.shtm>. Acesso em: 20 de jan. 2007. certamente produzirá um movimento em que muitas ações e atitudes

Didatismo e Conhecimento 6
CONHECIMENTOS GERAIS
serão reformuladas, ressignificadas e outras, abandonadas. Um olhar manência na escola, de ela ser respeitada pelos educadores, de ter sua
atento ao que vem acontecendo nessa etapa em relação ao tema ora identidade e seus valores preservados e ser posta a salvo de qualquer
tratado – igualdade racial – será benéfico para as crianças negras, para forma de discriminação, negligência ou tratamento vexatório.
as crianças brancas e para o futuro do País. Em uma primeira aproximação, portanto, a política educacional
Profa Dra. Maria Aparecida Silva Bento – Diretora Executiva do igualitária assume contornos de uma obrigação preventiva imposta ao
CEERT e Profa Dra. Lucimar Rosa Dias – UFMS/CEERT Estado e aos particulares, afim de editarem normas e tomarem todas as
providências necessárias para evitar a sujeição das crianças a qualquer
Apresentação do projeto forma de desrespeito, discriminação, preconceito, estereótipos ou tra-
O Plano de Cooperação Técnica estabelecido entre o Ministério tamento vexatório.
da Educação por meio da Secretaria de Educação Básica, da Coorde-
nação de Educação Infantil e a Universidade Federal de São Carlos, Apresentação
cuja execução é compartilhada com o Centro de Estudos das Relações Vale ressaltar ainda a existência de normas constitucionais que
de Trabalho e Desigualdades e com o Instituto Avisa Lá – Formação
prescrevem textualmente a valorização da diversidade étnica e da iden-
Continuada de Educadores possibilitou conceber, elaborar coletiva-
tidade dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.
mente e produzir esse conjunto de materiais.
Ancoradas neste preceito, as Diretrizes Curriculares Nacionais
Esse inventário de práticas promotoras da igualdade racial na
Educação Infantil apresenta dois traços singulares: o primeiro é que ele para a Educação Infantil (DCNEIs) estabelecem que a “identidade
foi construído em situações reais com foco no cotidiano das creches e étnica, assim como a língua materna, é elemento de constituição da
pré-escolas; o segundo, que representa a oportunidade de tornar reali- criança”.
dade as diretrizes e as leis que abordam a questão da igualdade racial Alterações recentes impressas na Lei de Diretrizes e Bases da
em centros educacionais. Educação Nacional (LDBEN) acrescentaram lhe dois artigos – 26-A
Trata-se, portanto, de publicação que costura de modo criativo e 79-B –, que preveem o estudo da história e cultura afro-brasileira
e inovador elementos conceituais com propostas e experimentos de e indígena e a inclusão no calendário escolar do dia 20 de novembro
práticas bem-sucedidas de promoção da igualdade racial na Educação como Dia Nacional da Consciência Negra.
Infantil. Encontra-se em questão, portanto, não a especificidade ou o tema
O que é interessante e também revelador do caráter do texto e dos de interesse de negros ou indígenas, algo secundário, incidental, mar-
vídeos é que eles enfocam questões do cotidiano: como devo chamar ginal à gestão da educação, mas assunto que constitui verdadeiro pilar
uma criança negra? Posso chamá-la de negra? Isso seria ofensivo? Qual jurídico-político da educação brasileira.
é a conexão entre a decoração das instituições de Educação Infantil e a Não pode haver dúvida, portanto, quanto ao fato de que a previsão
didática etnocêntrica e excludente? Como desenvolver atividades que normativa de que a Educação Infantil torne-se um ambiente de apren-
eduquem crianças brancas e negras para valorizar a diversidade e se dizado de valorização da diversidade racial é condição básica para a
comprometerem com a igualdade racial? construção de uma política educacional igualitária e pluralista.
Estas são apenas algumas perguntas a que o material se propõe a Prof. Dr. Hédio Silva Júnior – Diretor Executivo do CEERT
enfrentar com conhecimento, criatividade e competência pedagógica.
“Pensar globalmente e agir localmente. ” Esta máxima do pen- Capitulo 1
samento contemporâneo é levada a sério neste texto. Pouco adianta Gestão – Todos juntos
pensar as grandes teorias, os grandes tratados acadêmicos, os marcos A gestão de um ambiente educativo que tem como objetivo educar
jurídicos que regem a política educacional igualitária se não oferecer- para a igualdade racial não é tarefa de uma pessoa só. As Secretarias de
mos também instrumentos, dicas e sugestões para que o professor sai- Educação dos municípios, por meio de suas equipes técnicas, os gesto-
ba o que fazer no dia a dia. res das unidades educativas, diretores, coordenadores pedagógicos, os
Fazer aprendendo e aprendendo a fazer melhor: assim se proces-
professores e equipe de apoio, as famílias e a comunidade precisam se
sam as grandes transformações.
unir com o objetivo de transformar a situação de discriminação exis-
Veja você mesmo, leitor, decisões do cotidiano escolar podem en-
sejar grandes transformações na educação e na sociedade brasileira, tente nos ambientes escolares. Muitas são as dimensões que precisam
afim de construirmos um país mais forte, coeso, e no qual todos os ser pensadas para que uma real mudança de atitudes, procedimentos
brasileiros sejam tratados com igualdade e dignidade. e conceitos em relação às desigualdades sejam implantadas em uma
creche ou pré-escola.
Marcos legais para a Educação Infantil igualitária
Desde a Constituição de 1988 – à época por pressão exclusiva do
Movimento Negro Brasileiro –, o Brasil vem se preocupando com a
inclusão do tema da diversidade racial na educação escolar.
É interessante perceber, por exemplo, que em obediência ao prin-
cípio da autonomia didática, a Constituição Federal absteve-se de deta-
lhar o currículo escolar, mas previu três conteúdos curriculares obriga-
tórios em todos os níveis de ensino: a língua portuguesa, as contribui-
ções das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro
e a educação ambiental. Este fato revela a importância atribuída à te-
mática da diversidade racial na conformação da política educacional.
Lembremos que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
assegura a toda criança o direito de igualdade de condições para a per-

Didatismo e Conhecimento 7
CONHECIMENTOS GERAIS
1.1. Compromisso para conhecer, agir e mudar Nas DCNEIs está explícito que:
Conhecer as leis, a história da população negra, as suas lutas, e O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto
reconhecer a herança dos povos africanos e suas culturas na formação de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crian-
do Brasil é um bom começo. Outra ação importante é estudar os do- ças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural,
cumentos oficiais, por exemplo, as Diretrizes Curriculares Nacionais artístico, ambiental, cientifico e tecnológico, de modo a promover o
para a Educação Infantil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na- desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade. (Art 3º)
Considerando que o currículo é um conjunto de práticas peda-
cional, assim como ler documentos orientadores como os Referenciais
gógicas, as Orientações Curriculares para a Valorização da Igualdade
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEIs) e outros
Racial na Educação Infantil pretendem colaborar para que os profissio-
documentos e experiências que tratam da igualdade racial na Educação nais da Educação Infantil desenvolvam um olhar atento as atividades
Infantil. realizadas no cotidiano das instituições, para que elas sejam inclusivas
Essas atitudes são fundamentais para a construção de práticas pe- e promovam a igualdade e não reproduzam a discriminação racial.
dagógicas que estejam preocupadas com o pleno desenvolvimento da Com base nos documentos oficiais e naqueles de caráter orienta-
criança e que considerem o reconhecimento do pertencimento racial dor, nas experiências desenvolvidas especificamente para a organiza-
como questão importante para a construção da identidade. O compro- ção desses materiais, nas múltiplas experiências coletadas pelo CEERT
misso dos profissionais da área com a educação de qualidade e iguali- e pelos pesquisadores envolvidos na construção da Rede Educar para a
tária é o principal motor para que procurem o conhecimento necessá- Igualdade Racial na Educação Infantil, apresentamos a seguir algumas
rio afim de construir novas práticas que promovam a igualdade racial possibilidades para os profissionais iniciarem a construção da proposta
nessa etapa. A especificidade do trabalho educativo para crianças de 0 pedagógica que promova a igualdade, tendo sempre em vista que as
a 5 anos está na busca do desenvolvimento integral que se faz de modo experiências de aprendizagem com as crianças de 0 a 5 são articuladas
intencionalmente planejado. Para que todas as crianças tenham acesso entre si e não compartimentadas e fragmentadas, como poderá ser visto
no Capítulo 3 – Experiências de aprendizagem na Educação Infantil.
aos diferentes conhecimentos que advêm do processo educativo, na
variedade de experiências com objetos, materiais e espaço, e na inte- Para refletir
ração com pessoas que as cercam. No entanto, a constatação da discri- Os profissionais de sua equipe conhecem:
minação e do preconceito racial ainda existente na sociedade brasileira – O parecer no 20/2009, que apresenta a Revisão das Diretrizes
tem onerado as crianças negras impossibilitando-lhes ocupar-se tão Curriculares Nacionais para a Educação Infantil?
somente dessas experiências de forma produtiva e integral. Para elas, o – A Coleção História Geral da África?
contato cotidiano com a rejeição à sua aparência e a desvalorização de – A História dos Negros no Brasil?
suas heranças culturais causam impacto no seu pleno desenvolvimen- – A s Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infan-
to, e muitas vezes as tornam presas a um “pessimismo racial”7, já que til?
requer grande equilíbrio emocional conviver com tal situação e ainda
ter disposição e energia para aprender. Passo a passo de um projeto institucional com enfoque nas ques-
Com o intuito de garantir que professores e gestores estejam aten- tões raciais
tos ao tema, a revisão das DCNEIs incluiu em seu artigo 8o, § 1o, a Diagnóstico
Como essas questões da diversidade racial estão sendo tratadas na
exigência de que a proposta pedagógica das instituições de Educação
unidade educativa?
Infantil explicitasse as ações sobre o tema: a. Para isto, fazer uma análise dos documentos e identificar se a
(...) deverão prever condições para o trabalho coletivo e para a questão é tratada e como está explicitada nos textos escritos.
organização de materiais, espaços e tempos que assegurem: b. A organização do espaço físico, materiais disponíveis para as
VIII – a apropriação pelas crianças das contribuições histórico- crianças, a utilização do tempo e as atividades desenvolvidas incluem
culturais dos povos indígenas, afrodescendentes, asiáticos, europeus e a temática racial (como será especificado a seguir).
de outros países da América; IX – o reconhecimento, a valorização, o c. O uso dos Indicadores de Qualidade para a Educação Infantil
respeito e a interação das crianças com as histórias e as culturas afri- com questões que abordam o tema podem também ser uma boa opção,
canas, afro-brasileiras, bem como o combate ao racismo e à discrimi- para identificar problemas relativos ao assunto. Organizar os dados
nação; encontrados em um documento e socializar com a equipe de profissio-
X – a dignidade da criança como pessoa humana e a proteção con- nais, famílias e comunidade em uma reunião interativa pode apontar
tra qualquer forma de violência – física ou simbólica – e negligência caminhos de transformação de uma prática que discrimina.
no interior da instituição ou praticadas pela família, prevendo os en-
Escolher um foco
caminhamentos de violações para instâncias com petentes. (DCNEIs
– De tudo que foi levantado, o que é possível mexer de imediato?
CNE, 2009)
– O que é prioritário? O que é mais estratégico?
No entanto, mesmo antes da exigência legal e explícita presente – Por exemplo: um olhar e uma ação diante dos momentos de jogo
nas DCNEIs de que é necessário incluir na proposta pedagógica práti- simbólico ou organizar um espaço que traduz a igualdade?
cas promotoras da igualdade racial, os RCNEIs, não exatamente com
esta clareza em relação às crianças negras, já indicavam a diversidade Itens de um projeto institucional
como uma dimensão importante no trabalho da Educação Infantil, es- – Justificar os objetivos para os gestores, diretor e coordenador
pecialmente ao tratar da formação pessoal e social, da identidade, da pedagógico, professores, equipe de apoio, crianças e famílias.
socialização, do acesso ao conhecimento construído pela humanidade – Conteúdos de formação, ensino e aprendizagem, metas a curto e
e da organização da escola a fim de atingir os objetivos para as diferen- médio prazo, indicadores de avaliação para os diferentes participantes.
tes faixas etárias. – Delinear as etapas prováveis.

Didatismo e Conhecimento 8
CONHECIMENTOS GERAIS
1.2. Um projeto de todos A relação com as famílias parte de alguns princípios:
Transformar práticas educacionais que não incorporam da mesma • considerar a família uma instituição plural, que apresenta
forma todas as crianças e suas famílias é tarefa exigente e que necessita diferentes composições, dinâmica, na qual emergem sentimentos, ne-
de uma equipe decidida. Os gestores da unidade educativa têm papel- cessidades e interesses nem sempre coesos;
chave neste processo quando possibilitam a vivência democrática, plu- • considerar o conhecimento e a cultura das famílias como
ralista e, ao mesmo tempo, profissional; quando organizam as ações, parte integrante do processo educativo;
planejam, avaliam constantemente o processo e o reorganizam sempre • manter canais abertos de comunicação entre as instituições,
que necessário. Os profissionais da instituição de Educação Infantil permitindo uma cooperação significativa e enriquecedora para ambos.
constituem um corpo vivo e dinâmico, responsável pela construção
do projeto educacional, conhecido como projeto pedagógico. Nele, os Ações a ser desenvolvidas com as famílias:
conhecimentos relativos ao tema racial devem ser contemplados. Além • acolhimento inicial: matrícula, apresentação da unidade edu-
deste documento geral norteador, outros pequenos projetos podem di- cacional;
namizar as intenções e a prática cotidiana. • desenvolver os processos de adaptação nos primeiros dias;
• realizar entradas e saídas cuidadosas e acolhedoras.
Para isto, nada melhor do que elaborar e implantar um projeto
• organizar reuniões em pequenos grupos para discutir o currí-
institucional, que tem como maior mérito conjugar, ao mesmo tempo,
culo, as atividades e demais assuntos;
informação, conhecimento, formação continuada e práticas pedagógi- • estimular a participação na organização de eventos;
cas transformadas coletivamente. Esses projetos podem durar um ou • convidar as famílias para participar da construção dos pro-
mais semestres, e as práticas desenvolvidas deverão ser incorporadas jetos pedagógicos;
paulatinamente à rotina da instituição. • incluir a família, sempre que possível, nos projetos didáticos
desenvolvidos com as crianças
1.3. Dimensão formativa
Criar e manter espaços de formação tem fundamental importân- 1.4.2. Parcerias com ONGs e museus que trabalham a questão
cia. Momento e lugar especialmente destinados à formação devem racial
possibilitar o encontro entre os profissionais para a troca de ideias so- A luta pela igualdade racial e o combate a toda forma de discrimi-
bre a prática, para a supervisão, estudos sobre a questão racial, organi- nação deve muito às diferentes organizações negras que atuam na área.
zação e planejamento de uma rotina prazerosa do tempo e das ativida- Com diferentes enfoques, algumas voltadas para a educação, outras
des e outras questões relativas ao projeto em pauta. A instituição deve para o trabalho, geração de renda, saúde etc., atingem amplo espec-
proporcionar condições para que todos os profissionais participem de tro de problemas e apontam e encaminham soluções interessantes. Por
momentos de formação de natureza diversa: tematização da prática, isso, são fontes importantes de conhecimento e parcerias.
palestras sobre questões específicas, visitas a museus, ONGs e espaços As instituições organizadas com base em aspectos das culturas
culturais, atualizações por meio de filmes, vídeos e acesso a informa- africanas e do povo negro no Brasil também fornecem um conjunto de
ções em livros e em sites. conhecimentos imprescindíveis ao trabalho educativo. Museus físicos
Diretor e coordenador podem avaliar como estão os processos de ou virtuais, espaços culturais, bibliotecas, escolas de samba, grupos de
formação continuada em sua unidade. dança, capoeira podem ser contatados para enriquecer o dia a dia das
As equipes técnicas podem fazer o diagnóstico da rede em relação instituições educativas.
à formação continuada. Como: PDDE (Dinheiro Direto na Escola) do Ministério da Edu-
cação (MEC), o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) e o
1.4. Dimensão das parcerias PBE (Programa de Bibliotecas Escolares) podem ser acessados pelos
1.4.1. Parceria com as famílias Estados, municípios e suas escolas. A preocupação do Ministério com
a promoção da igualdade racial encontra-se em todos os programas,
A faixa etária das crianças atendidas e a intenção da construção de
conduzindo, por exemplo, à compra de livros e materiais apropriados
uma sociedade democrática e pluralista, que respeita a todos e valoriza
para trabalhar a diversidade. (Fonte: www.mec.gov.br)
a diversidade, exigem atenção especial às famílias de todas as crianças,
Nos municípios, existem ainda diferentes formas de a escola con-
sejam elas negras ou brancas. O fundamental é não partir de uma ima- tar com recursos. As Secretarias de Educação são responsáveis por
gem de família idealizada, hegemônica, mas valorizar e investir nas prover as unidades de brinquedos, livros, mobiliário e demais materiais
singularidades dos arranjos familiares e nas contribuições de todos na e formação para as questões específicas sobre o tema. Sabe-se também
construção de uma educação de qualidade e igualitária. da enorme disposição dos gestores para organizar eventos nos quais
recursos são amealhados para comprar materiais específicos.
O trabalho com a diversidade e o convívio com a diferença pos-
sibilitam a ampliação de horizontes tanto para o professor quanto para A organização dos espaços, materiais e tempos para apoiar as
a criança. Isto porque permite a conscientização de que a realidade de práticas promotoras da igualdade racial
cada um é apenas parte de um universo maior que oferece múltiplas 1.5. Dimensão organizacional – Recursos humanos, financeiros,
escolhas. Assumir um trabalho de acolhimento às diferentes expres- espaço, tempo, materiais e experiências de aprendizagem
sões e manifestações das crianças e suas famílias significa valorizar 1.5.1. Recursos humanos e financeiros
e respeitar a diversidade, não implicando a adesão incondicional aos Estes são dois pontos importantes que nem sempre estão total-
valores do outro. Cada família e suas crianças são portadoras de um mente nas mãos dos gestores, principalmente se a instituição for pú-
vasto repertório que se constitui em material rico e farto para o exer- blica. A contratação, avaliação, promoção e demissão também não
cício do diálogo aprendizagem com a diferença, a não discriminação costumam ser da alçada da direção, mas, quando é, vale a pena incluir
e as atitudes não preconceituosas. (MEC/SEF, Referencial Curricular a temática racial para equilibrar a contratação de pessoas e mesmo para
Nacional par a Educação Infantil,1998, volume 1, p. 77) avaliar os preconceitos existentes.

Didatismo e Conhecimento 9
CONHECIMENTOS GERAIS
Em relação à compra de materiais necessários a uma educação estar relacionada com sua capacidade para estimular, provocar deter-
promotora da igualdade racial, há diferentes possibilidades para as es- minado tipo de respostas e atividades. Para a escritora Fanny Abra-
colas públicas. Programas como: PDDE (Dinheiro Direto na Escola) movich, no livro Quem educa quem?, o modo como são decoradas as
do Ministério da Educação (MEC), o PNLD (Programa Nacional do escolas revela muito sobre as concepções das pessoas envolvidas. “En-
Livro Didático) e o PBE (Programa de Bibliotecas Escolares) podem trando em salas de aula de escolinhas e escolonas, em geral, toma-se o
ser acessados pelos Estados, municípios e suas escolas. A preocupa- maior susto... Uma olhada e já se percebe qual é a proposta da escola,
ção do Ministério com a promoção da igualdade racial encontra-se em como a professora encaminha o processo educacional, quais os valores
todos os programas, conduzindo, por exemplo, à compra de livros e em jogo” (Abramovich, 1985, p. 77).
materiais apropriados para trabalhar a diversidade. (Fonte: www.mec. Quando as paredes estão repletas de desenhos fixos pintados por
gov.br) adultos, com personagens infantis de origem europeia ou norte-ame-
Nos municípios, existem ainda diferentes formas de a escola con- ricana, exortações religiosas de uma única religião, ou ainda letras e
tar com recursos. As Secretarias de Educação são responsáveis por números com olhos, bocas e roupas etc., há uma concepção de infância
prover as unidades de brinquedos, livros, mobiliário e demais materiais explicitada. Uma visão de criança homogênea, infantilizada e branca.
e formação para as questões específicas sobre o tema. Não há espaço para a variedade de imagens ou para a produção da
Sabe-se também da enorme disposição dos gestores para organi- criança real que habita a instituição.
zar eventos nos quais recursos são amealhados para comprar materiais Assim, a escolha das imagens que povoam a unidade educativa
específicos. deve incluir a questão racial. Belas imagens de negros em posição de
Espaço, tempo, materiais e experiências de ensino e aprendiza- prestígio, motivos da arte africana, reproduções de obras de artistas
gem serão objeto de um capítulo e de um vídeo próprio, considerando negros, fotos das crianças e de suas famílias, e nos espaços mais des-
sua importância para a Educação Infantil. tacados, os desenhos e as produções das crianças etc. são exemplos
que podem fazer parte do acervo das instituições de Educação Infantil.
2.1. Organização de um ambiente de aprendizagem
Considerar o espaço como ambiente de aprendizagem significa Direto da prática
compreender que os elementos que o compõem constituem também Imagens que alimentam
experiências de aprendizagem. Os espaços não são neutros; sua orga- Yasmim, do berçário dois: o pai é negro e a mãe é branca. Quando
nização expressa valores e atitudes que educam. viu a imagem de um homem negro no mural da sala, logo associou
Lina Fornero, em A organização dos espaços na educação infantil, a seu pai e apontou a fotografia, demonstrando satisfação enorme, e
falou: “Papai! Papai!” Quando observamos essa cena, nós nos demos
de 1998, propõe, ao pensar o ambiente escolar, uma importante distin-
conta de que talvez as crianças negras nunca houvessem tido a oportu-
ção entre espaço e ambiente, especialmente relevante quando pensa-
nidade de fazer esse tipo de associação ou identificação entre os seus
mos a Educação Infantil. Para ela o termo espaço refere-se ao espaço
familiares e imagens expostas nas paredes do CEI. Isso teve muito
físico, incluindo locais e objetos, enquanto o ambiente refere-se não
impacto. Isso mudou nosso olhar e nos fez ver como a questão da di-
só ao espaço físico, mas ao conjunto espaço e relações que nele se
versidade racial precisa estar presente em todos os espaços da escola.
estabelecem. Assim, no conceito de ambiente, que inclui as relações,
Professora Ana Carolina, CEI Josefa Júlia, 25/5/2011.
contemplam-se também os afetos, as relações interpessoais entre as
crianças, entre elas e os adultos próximos e da comunidade. Para gestores, diretores e coordenadores pedagógicos
Sabemos que, ao organizar as salas dos grupos e demais ambien- Diagnosticar
tes das unidades de educação, os gestores e os professores colocam à – Será que todas as crianças são representadas ou sentem-se
disposição das crianças “artefatos culturais”, brinquedos, livros, ima- representadas nas imagens de crianças, famílias etc., que, em geral,
gens etc. Em geral, não há consciência de que esses objetos traduzem compõem os murais?
determinadas ideologias e concepções, que educam em uma direção – Quais imagens predominam na decoração das paredes, mu-
que esses profissionais não planejaram e que não o fariam intencional- rais, capas de livros e caixas, pastas, toalhas e cortinas da sua institui-
mente. Isso é especialmente importante na Educação Infantil, em que ção?
muito do que se ensina se faz por meio das oportunidades criadas na – Propor que os elementos mencionados sejam fotografados.
organização do tempo, do espaço e dos materiais, não só explicitamen- – Socializar as fotos e refletir com seu grupo de trabalho sobre
te, mas por meio das atividades orientadas. as imagens que aparecem
Em uma proposta de trabalho para a igualdade racial é importante
lembrar que os “artefatos culturais” presentes nas creches e nas pré Agir
-escolas podem oferecer imagens distorcidas, muitas vezes preconcei- Pesquise com seu grupo imagens que podem compor um acervo
tuosas e estereotipadas dos diferentes grupos raciais. Propomos aqui para a igualdade racial: reproduções de imagens de arte africana, de
considerar a organização do espaço, dos materiais e do tempo, também negros em situações de protagonismo etc.
como um elemento curricular. – Comentem e apreciem as imagens e selecionem aquelas que
Os ambientes de aprendizagem para a igualdade racial devem ser mais gostarem.
abertos às experiências infantis e possibilitar que as crianças expres- – Onde essas imagens podem ser usadas?
sem seu potencial, suas habilidades e curiosidades e possam construir
uma autoimagem positiva. Educar para a igualdade racial na Educação 2.1.1. Organização dos materiais, brinquedos e livros
Infantil significa ter cuidado não só na escolha de livros, brinquedos, Esses elementos são importantíssimos na Educação Infantil: es-
instrumentos, mas também cuidar dos aspectos estéticos, como a elei- pelhos, brinquedos, livros, lápis, pincéis, tesouras, instrumentos musi-
ção dos materiais gráficos de comunicação e de decoração condizentes cais, massa de modelar, argila, jogos diversos, blocos para construção,
com a valorização da diversidade racial. A escolha dos materiais deve materiais de sucata, roupas e tecidos.

Didatismo e Conhecimento 10
CONHECIMENTOS GERAIS
A forma como estão dispostos no ambiente pode facilitar ou difi- 2.1.3. O s livros, as revistas e os demais portadores de textos
cultar a independência das crianças, favorecer a socialização, possibi- As creches e as pré-escolas devem ser cuidadosas ao escolher,
litar as escolhas e a criação. A organização das salas ou de outros es- adquirir e apresentar os materiais escritos para as crianças. Além da
paços em cantos de atividades diversificadas é opção particularmente qualidade do texto e das ilustrações, é importante analisar os portado-
interessante para as creches e pré-escolas. res de texto do ponto de vista da igualdade racial, especialmente, os
Assim como os demais elementos da organização dos ambientes livros de literatura.
educativos não são neutros, eles trazem consigo ideias e valores sobre Estudos realizados pelo CEERT, por Fúlvia Rosemberg e Regina
o mundo e podem apoiar a educação para a igualdade racial. Pahim, em Criança pequena e raça na PNAD 87, de 1997, e por Silva,
em sua dissertação de mestrado Estereótipos e preconceitos em relação
Direto da prática ao negro no livro didático de comunicação e expressão de primeiro
A hora da hidratação já estava se aproximando, então eles foram grau nível 1, de 1988, trazem referências que orientam profissionais a
tomar um suco e, enquanto isso, arrumamos a sala para a próxima ati- tomar decisões importantes no momento de escolher livros de literatu-
vidade, que seriam os cantos diversificados. Pelo fato de o grupo ser ra que consideramos também adequados para os demais portadores de
pequeno, optou-se por ter apenas dois cantos, um canto de desenho e quais texto que serão apresentados para as crianças.
outro de jogo simbólico, com bonecas negras. Quando as crianças vol- Na hora da escolha, é preciso ficar atento para questões como:
taram, explicamos como funcionaria aquele momento. Quem quisesse • há pessoas negras que ocupam diversas posições sociais e
poderia ir para um canto ou para o outro, dependendo da vontade. Esse profissionais, como médicos, professores, empresários etc.;
foi um momento muito rico de nossa ação. Sabemos que desde mui- • as crianças negras encontram-se em posição de destaque de
to pequenas, as crianças podem fazer as suas escolhas. Desse modo, um modo positivo;
conhecem mais sobre si mesmas e também dão dicas importantes à • a imagem de pessoas negras é apresentada de modo positivo
professora sobre suas preferências, suas singularidades. Por tudo isso, e não pejorativamente;
mas também por organizar o tempo e o espaço, e ainda por favorecer • a população negra é apresentada como protagonista impor-
as interações em pequenos grupos, a proposta de trabalhar com can- tante de fatos históricos e não apenas como escrava.
tos de atividades é interessante como atividade diária (permanente) na
Educação Infantil.
Direto da prática
Professora Luciana, CEI Josefa Júlia, 28/4/2011.
Quando li o livro As tranças de Bintou, de Sylvianne Diouff,
fiquei encantada com a história e com as ilustrações. A personagem
2.1.2. Escolha de brinquedos e de livros
principal é uma linda menina negra, com a qual – tinha certeza –, as
Ter em mãos bonecas e bonecos negros, instrumentos musicais
meninas certamente se identificariam. Essa era uma preocupação nos-
usados nas manifestações afro-brasileiras e livros que contemplem per-
sa, como professoras, escolher livros em que as personagens negras
sonagens negros representados de modo positivo é fundamental para o
tivessem uma representação bela, condizente com a realidade e com
desenvolvimento de uma educação para a igualdade racial.
os aspectos culturais desse grupo, apresentando-os de forma a valori-
Ao escolher bonecas e bonecos negros, é preciso olhar para a di-
versidade de tonalidades de pele, de traços e de tipos de cabelo. Será zá-los. No caso de Bintou, a padronagem de sua roupa, bonita e bem
que as bonecas escolhidas expressam essa diversidade? Assim como a retratada, assim como os enfeites nos cabelos, certamente cumpriam
boneca loira e de olhos azuis não traduz a diversidade de tipos da raça todos esses critérios. Além disso, os aspectos culturais que surgem na
branca, também ao escolher as bonecas e os bonecos negros devemos história, como o batizado do irmão, o modo de as mulheres se arru-
procurar aqueles que representam os negros na sua variedade de tons marem de acordo com a idade, os rituais em geral são apresentados
de pele e tipos de cabelo, a pluralidade fenotípica que caracteriza a de forma a fazer o leitor pensar: “Puxa! Que interessante essa cultura,
população negra. Além disso, há os critérios básicos que jamais deve- como é diferente da minha, ou ainda, esse livro me fez conhecer mais
riam ser esquecidos: os bonecos são bonitos e benfeitos? Dá vontade um pouco de uma parte da cultura africana”. A história também traz
de brincar com eles? algo universal, que reforça nossos vínculos com a literatura, quando
São interessantes para as crianças? percebemos que sentimos algo semelhante a uma personagem ou mes-
mo quando a história nomeia aquilo que sentimos e não sabemos muito
Direto da prática bem o que é. No caso de Bintou, a menina traz um drama e um desejo
Agora era o momento da roda e de a Luciana trazer a sua surpresa comum a todas as crianças do mundo: a vontade de ter algo que faz
de casa. Muitas bonecas e bonecos. Dos mais variados tipos. De pano, parte do mundo dos adultos, dos mais velhos. Que criança não deseja
de plástico, boneca mãe com a filhinha na barriga, bonecas-bebês, crescer para ter algo que ainda não pode alcançar?
crianças com laço na cabeça. Havia também bonecas brancas e uma Professora Ana Carolina, EMEI Guia Lopes, 1o/6/2011.
de origem asiática. Conversando com as crianças, Luciana apontava
as características da boneca ou do boneco: vocês perceberam como é 2.1.4. Objetos de amplo alcance, jogos, instrumentos musicais,
a pele deles? Ela é negra, sua pele é escura. Parece a minha pele, não CDs, DVDs e muito mais
é? Nesse momento, algumas crianças já estavam mais perto e passa- Objetos de amplo alcance
vam a mão na boneca conforme Luciana ia mostrando e apontando as Nem só de brinquedos e livros se faz a Educação Infantil. É inte-
características. Na sala, havia a Sofia e o Eduardo, que em uma hetero- ressante que se tenha materiais versáteis e menos estruturados que po-
classificação são negros. As bonecas fizeram sucesso entre as crianças! dem se transformar em muitas coisas, como tecidos, tocos de madeira,
A Yasmin, a todo momento ia até a mala e pegava uma boneca negra, sucatas etc. Esses materiais são polivalentes, pois podem ser utilizados
seguida pela Ana Beatriz. Professora Ana Carolina, CEI Josefa Júlia, com diferentes finalidades, ser transformados pelo professor na orga-
28/4/2011. nização dos ambientes ou pelas crianças nas interações e brincadeiras.

Didatismo e Conhecimento 11
CONHECIMENTOS GERAIS
E justamente porque são tão importantes e tão presentes no coti- O olhar atento do professor é essencial para que o respeito à di-
diano da instituição infantil, é preciso estar atento à estética e aos va- versidade seja sempre valorizado nas interações que se estabelecem
lores que apresentam e representam para as crianças. Os tecidos, por entre as crianças.
exemplo, apresentam múltiplas funções: podem se transformar em ca- A organização do tempo em uma creche e na pré-escola envolve
banas, delimitar um castelo, ser a capa do rei, a vela de um navio pirata uma variedade de ações e possibilidades.
e muito mais... Para facilitar o arranjo e dar conta de todas as demandas de cuidar
Além disso, os tecidos com padronagens que remetam ao conti- e educar crianças em espaços coletivos os RCNEIs elencaram três mo-
nente africano podem compor bonitos cenários para brincar ou decorar dalidades: atividades permanentes, sequencias de atividades e projetos
as paredes da instituição. didáticos.
Os jogos estruturados de tabuleiro, os quebra-cabeças, jogos da
2.2.1. Atividades permanentes (crianças de 0 a 5 anos)
memória, dominó, os de origem africana e de outros povos, assim São aquelas que atendem às necessidades básicas de cuidados,
como materiais como corda, garrafa pet para o boliche, bolas de dife- aprendizagem e de prazer para as crianças, cujos conteúdos e/ou ações
rentes tamanhos e propósitos devem compor o acervo das instituições. necessitam de constância. Os objetivos são os de aproximar as crianças
de um conteúdo, de criar hábito e familiaridade. A frequência pode ser
Os instrumentos sonoros diária ou de alguns dias na semana. Consideram-se atividades perma-
Os brinquedos, os instrumentos de efeito sonoro, os CDs, os nentes, entre outras:
DVDs são materiais bastante apreciados pelas crianças e muito ade- • cuidados com o corpo;
quados ao trabalho com a musicalidade, importante marca da cultura • brincadeiras e jogos no espaço interno e externo;
afro-brasileira. • roda de história;
Devem-se valorizar os instrumentos/brinquedos populares como • roda de conversas;
a matraca, a maraca, os piões sonoros, os chocalhos, entre outros. Os • ateliês ou momentos de desenho, pintura, modelagem e mú-
tambores também podem ser utilizados no trabalho musical; eles são sica;
instrumentos dotados de função ritual ou sagrada para muitos povos • cantos de atividades diversificadas.
e as crianças os apreciam muito. Esses materiais podem fazer parte
de atividades de improvisação ou pequenos arranjos, de exercícios de Em todas as situações, o planejamento dos profissionais de Edu-
discriminação de sons ou ainda podem ser utilizados na sonorização de cação Infantil precisa contemplar a promoção da igualdade racial.
Dentre as situações cotidianas, elegemos para detalhar e servir de
histórias e brincadeiras.
exemplo durante a formação, os cantos de atividades diversificadas de-
Os instrumentos/brinquedos podem ser industrializados, feitos vido a seu potencial para permitir interações, criatividade e contribui-
por artesãos ou confeccionados pelas crianças, como parte de sequên- ção para a construção de uma autoimagem positiva. Organizar cantos
cias didáticas organizadas pelo professor. Esta pode ser uma excelente. de atividades diversificadas (que são arranjos na sala e⁄ou no pátio, em
que há variedade de materiais agrupados por áreas específicas) é uma
2.2. Organização do tempo das formas de garantir a organização de tempo muito adequada às ne-
A rotina na Educação Infantil pode ser facilitadora ou cerceadora cessidades infantis. Essa modalidade, em geral, possibilita atividades
dos processos de desenvolvimento e aprendizagem. Práticas pedagógi- de 30 a 40 minutos de duração, realizadas com frequência regular, em
cas rígidas e inflexíveis desconsideram a criança, e exigem que ela se que a organização do espaço e dos materiais incentiva escolhas (do que
adapte, e não o contrário, como deve ser. Essas práticas desconsideram fazer e com quem fazer) e movimentação autônoma das crianças pelos
também o adulto, tornando seu trabalho monótono, repetitivo e pouco cantos. Nessa modalidade, as crianças podem aprender a: escolher com
participativo. Como tudo o que acontece no ambiente educativo, a roti- autonomia, e ter suas decisões respeitadas e apoiadas pelos adultos;
na não é neutra e pode trazer marcas do preconceito e da discriminação. realizar ações sozinhas ou com a ajuda do adulto e de outros parceiros;
Uma rotina clara e compreensível para as crianças é fator de se- valorizar ações de cooperação, solidariedade e diálogo, desenvolvendo
gurança, que dinamiza a aprendizagem e facilita as percepções infantis atitudes de colaboração e compartilhando suas vivências; relacionar-
sobre o tempo e o espaço. A rotina pode orientar as ações das crianças, se com os outros adultos e crianças demonstrando suas necessidades,
assim como dos professores, possibilitando a antecipação das situações interesses, gostos e preferências; cuidar dos materiais de uso individual
e coletivo; participar em situações de brincadeiras e jogos, leitura, ex-
que irão acontecer.
pressão plástica etc. Esse tipo de proposta contribui muito para auxiliar
É importante que a organização do tempo na instituição não perca
a construção de uma autoimagem positiva.
de vista a necessidade de favorecer o brincar, as iniciativas infantis, os
cuidados e a aprendizagem em situações orientadas, ou seja, combinar E o professor? O que ganha com essa modalidade de organização
e equilibrar períodos para aprendizagens intencionais, planejadas pelo do tempo?
professor com períodos para mais independência, em que as crianças Isso permite que ele possa atender e, principalmente, observar as
construam conhecimentos nas ações de sua escolha. crianças em situações variadas: individualmente, em grupos, interagin-
A organização do trabalho pedagógico deve possibilitar que as do com outros parceiros, para compreendê-las melhor, conhecer suas
crianças sejam atendidas de diferentes maneiras: individualmente, dificuldades e incentivar as potencialidades.
quando for o caso; em agrupamentos definidos ou não pelo professor; Após refletir sobre as dinâmicas e os temas que ocorrem durante o
em situações nas quais possam escolher com quem trabalhar (como jogo simbólico, por exemplo, o professor pode organizar ações durante
nos cantos de atividades diversificadas). as atividades orientadas, visando ampliar o repertório das crianças. Ler
É necessário haver momentos que favoreçam tanto as produções livros informativos sobre países do continente africano e proporcionar
mais individualizadas quanto as coletivas, as atividades que exigem que nos cantos existam materiais relativos à cultura dos povos africa-
mais concentração ou que são movimentadas, com dispêndio de mais nos, como adereços para jogos simbólicos e instrumentos, ampliando
energia motora. o brincar e as relações entre as crianças.

Didatismo e Conhecimento 12
CONHECIMENTOS GERAIS
São muitos os cantos que podem ser organizados para os jogos – Por onde começariam e o que discutiriam primeiro com sua
simbólicos: casinha, feira, posto de saúde, escritório, canto da beleza. equipe?
E os que incentivam a brincadeira a partir de temas trabalhados nos
projetos ou em sequências didáticas. Para promover a igualdade racial 2.2.2. As sequências e os projetos didáticos (crianças de 4 a 5
é possível incluir temáticas africanas, por exemplo, espaços para que as anos)
crianças brinquem de princesas, rainhas, reis, príncipes brancos e prín- A sequência didática, assim como os projetos didáticos integram
cipes negros, com livros, materiais e objetos inspiradores do assunto. as ações que visam a aprendizagens orientadas pelo professor. Podem
Além desses que favorecem o brincar, cantos de expressão artís- tratar de assuntos os mais diversos, com o objetivo de fazer avançar
tica, de livros e jogos são também bem-vindos para as crianças de 4 a determinadas aprendizagens, por exemplo, aprimorar o desenho de
5 anos. observação por meio do autorretrato, comunicar o sentido e o prazer
de ler para conhecer outros mundos possíveis por meio da leitura de
Direto da prática contos africanos etc.
Canto da beleza A sequência promove ganhos nas aprendizagens das crianças, di-
Com as crianças de 1 a 3 anos ferentes daquelas atividades permanentes. As atividades são planejadas
O cantinho da beleza enfocava de maneira mais direta a temática como um conjunto de ações desenvolvidas em um tempo específico,
racial. Foi organizado no espaço da sala que é decorado com um espe- organizadas em ordem crescente de complexidade e finalizadas com a
lho médio em que os bebês podiam ver seu corpo inteiro refletido, que sistematização das aprendizagens.
era circundado por espelhos menores também fixados na parede, nos
quais era possível ver o rosto. Levei alguns materiais com o: espelhos, Projetos didáticos
escova de cabelo, pentes para diferentes tipos de cabelo, frascos de Os projetos permitem uma inserção entre temas/ conteúdos de di-
xampu, gel, tiaras, elásticos e presilhas. ferentes eixos de trabalho. Integram sempre sequências didáticas, mas
As crianças circularam livremente pelos dois cantos, esse e o de têm propósitos sociais e comunicativos compartilhados com as crian-
caixinhas com surpresas, ora brincando, ora admirando-se no espelho ças. Por exemplo, aprender sobre lendas africanas para apresentá-las
e tocando o próprio cabelo ou o meu. Começaram a brincadeira timi- em um sarau. Esses projetos têm em geral duração de meses, ou de
damente. Primeiro, uma das crianças, a Ana, se aproximou, curiosa, e todo o semestre.
provavelmente atraída pelo colorido dos objetos. Expliquei-lhe que ela
poderia usá-los à sua maneira, e, por tratar-se de um canto com mate- E o que mais compõe o tempo nos espaços educativos para as
riais mais estruturados, os objetos em si sugeriam o uso para o brincar. crianças?
Ana logo pegou um pente e começou a passá-lo em seus cabelos, em Os contatos com as famílias e a comunidade, os passeios e as fes-
seguida, voltou-se para mim e penteou os meus também. Percebendo a tas.... Que tal uma festa junina afro-brasileira? Saiba mais assistindo ao
atividade da Ana, outras crianças foram se achegando e observando os vídeo 1 sobre Gestão e Família. Nele, a diretora, os pais e as crianças
materiais com certa curiosidade. apresentam como foi a “festa junina afro-brasileira” da Escola Munici-
Professora Luciana, CEI Josefa Júlia, 14/4/2011. pal de Educação Infantil (EMEI) Guia Lopes.

Com as crianças de 5 anos Experiências de aprendizagem na Educação Infantil


No primeiro momento, o canto de cabeleireiro chamou muito a O planejamento e o desenvolvimento de boas práticas para a
atenção das meninas: certamente eram os pentes de diferentes tipos e igualdade racial deve ser organizado respeitando-se as DCNEIs e po-
para vários cabelos, elásticos, pingentes em forma de contas para pren- dem ser expressos em uma proposta pedagógica que contemplem dois
der os cabelos, tecidos coloridos que as atraíram! Estas mesas estavam eixos: identidade afro-brasileira e patrimônio cultural.
estrategicamente colocadas num dos cantos da sala, o que nos permitiu A) Identidade afro-brasileira e construção de uma autoimagem
colocar nas janelas as fotografias de cabelos de pessoas negras utiliza- positiva
das na roda de conversa e, num varal próximo, os panos coloridos para Segundo pesquisas, a discriminação e a formação do pensamento
adornar a cabeça. Em volta de duas mesas estavam oito cadeiras e, ne- racial começam muito cedo, ao contrário do que pensa o senso comum.
las, “clientes” e “cabeleireiras” experimentavam os adornos. Somente As crianças percebem as diferenças físicas, principalmente a cor da
um garoto ficou por perto, bem perto mesmo observando, às vezes pele e o tipo de cabelo.
pegando alguns dos objetos para olhar... Sem nenhuma dúvida as me- Se as crianças negras receberem mensagens positivas dos adultos
ninas – brancas e negras – começaram a mexer nos cabelos umas das e de seus pares acerca de seus atributos físicos e demais potencialida-
outras. Em determinado momento, sugeri que elas experimentassem des, aprenderão a se sentir bem consigo. De outro lado, se as crianças
utilizar os tecidos como vimos no livro e na foto que estavam expostos. brancas aprendem que seus atributos físicos e culturais não são os me-
Eu também fiz o meu turbante e em poucos instantes as crianças, inclu- lhores nem os únicos a ser valorizados, os dois grupos aprenderão a
sive os meninos, já estavam interessadas em mudar o visual. considerar as diferenças como parte da convivência saudável.
Professora Waldete, EMEI Guia Lopes, 25/5/2011. Ao reivindicarmos que é necessário abordar na Educação Infantil
aspectos que tratem das relações raciais, é porque as marcas raciais,
Observar, refletir e agir cor, cabelo, aspectos culturais são elementos presentes no cotidiano
Equipe Gestora (Diretores e coordenadores): das crianças nesta faixa etária suscitando-lhes curiosidades e confli-
– Observem a rotina diária durante uma semana, fotografem e, tos que não podem ser desconsiderados. Muitas vezes, a educadora
se for possível, filmem e anotem quais atividades realmente ocorrem e percebe prontamente esses conflitos e curiosidades, e age sobre eles
com que frequência. (...). Outras vezes cala-se por medo de tocar num assunto que a socie-
– Do que viram e analisaram, o que gostariam de mudar para dade brasileira quis esconder sentindo-se despreparada para abordá-lo.
incluir as questões da educação para a igualdade racial? (Dias; Silva Jr., 2011, p. 7)

Didatismo e Conhecimento 13
CONHECIMENTOS GERAIS
Direto da prática I Os dois eixos delineados anteriormente foram pensados para estar
Expliquei aos profissionais da creche os objetivos da atividade presentes nas atividades permanentes, nas sequências e nos projetos
desenvolvida no grupo com o cantinho de beleza. Este tipo de espaço didáticos, nas festas comemorativas, na relação com a família e com a
de jogo simbólico é uma oportunidade para as crianças entrarem em comunidade. Servem de base também na organização dos espaços, dos
contato com as características dos cabelos em relação à cor, textura, murais, na escolha de livros, dos brinquedos, dos instrumentos musi-
formato, e permite que sejam tocadas pela professora independente- cais.
mente da pertença racial e auxiliam a valorização de maneira iguali- Os eixos podem ser expressos em campos de experiências que se
tária. Expliquei ao grupo que a questão não é estimular uma vaidade articulam de diferentes maneiras, alimentadas por iniciativas e curiosi-
precoce, ao contrário, trata-se de auxiliar as crianças na construção de dades infantis, considerando os diferentes modos de as crianças peque-
autoimagem positiva e permitir que todas tenham acesso aos elogios e nas serem, pensarem e construírem o conhecimento.
ao toque da professora e dos colegas. Isto é particularmente importante
já que tal experiência de atenção e cuidado tem sido sistematicamente 3.1. Experiências com o corpo: cuidados, brincadeiras, movi-
negada à boa parcela de crianças negras e/ou que têm cabelos crespos. mento expressivo e a música
Professora Luciana, CEI Josefa Júlia, 13/6/2011. O trabalho com o corpo, o movimento e a brincadeira merecem
O trabalho com os atributos físicos, como ocorre em um canto da atenção especial, porque é no corpo que o racismo ganha concretude e
beleza, é importante para a educação para a igualdade racial, além é visibilidade na Educação Infantil, como constataram Oliveira e Abra-
claro das atitudes e ações que permeiam os cuidados e as brincadeiras. mowicz em sua obra O que as práticas educativas na creche podem nos
Outra atividade enriquecedora para a temática é o trabalho com revelar sobre a questão racial de 2009?
imagens que podem desencadear momentos que contribuem para a Nas brincadeiras na Educação Infantil, esse racismo aparece
construção de uma autoimagem positiva. São imagens do cotidiano, quando as crianças negras são as empregadas domésticas, quando as
mas selecionadas com o cuidado de apresentar cenas que valorizam as crianças brancas temem ou não gostam de dar as mãos para as ne-
boas situações de trabalho, a coragem, a delicadeza das relações entre gras etc. O racismo aparece na Educação Infantil, na faixa etária entre
as pessoas etc. Em nenhuma delas os negros aparecem como subal- 0 a 2 anos, quando os bebês negros são menos “paparicados” pelas
ternos, em subempregos, situação de pobreza ou descuido, porque a professoras do que os bebês brancos. Ou seja, o racismo, na pequena
intenção é mostrar momentos de protagonismo afirmativo. infância, incide diretamente sobre o corpo, na maneira pela qual ele é
Essas ações foram planejadas considerando-se a faixa etária das construído, acariciado ou repugnado. (Oliveira; Abramowicz,1985, p.
crianças, o apoio ao desenvolvimento da oralidade com base no recur- 221-222)
Propomos que o professor de Educação Infantil, ao contrário do
so de imagens e a questão da identidade afro-brasileira.
que foi encontrado na pesquisa apresentada, adote uma atitude de ob-
servação cuidadosa e interessada de cada criança. Além disso, ao uti-
Direto da prática II
lizar seu corpo de modo expressivo, em cada gesto, no modo de olhar,
As crianças que mais aproveitaram o canto de imagens foram o
sorrir, abraçar, pegar no colo, ele também constitui um modelo para
Carlos e o Davison. Aliás, o Davison está cada vez mais solto, embora
as crianças, e por isso deve estar atento à intenção comunicativa e à
ainda tenha momentos de muita timidez. Neste canto, ele olhou muito qualidade de seus movimentos na interação com elas. É fundamental
atentamente as fotos das meninas de Angola que traziam enfeites em desenvolver atitudes que favoreçam o processo de desenvolvimento
seus cabelos. Também se interessou muito pela foto de dois meninos infantil, reconhecendo e validando os avanços e as conquistas de cada
maiores de Angola que estão se abraçando e sorrindo. Enquanto ele criança, estimulando a interação entre pares e crianças de diferentes
olhava as fotos, eu aproveitava para apontar os cabelos das meninas, faixas etárias. A tomada de consciência do próprio corpo pela criança,
marcando algumas diferenças: uma tinha enfeites de peixinhos azuis, sua capacidade de perceber cada parte sem perder a noção de unidade,
outra, contas todas coloridas. Mostrei também algumas fotos de crian- de conhecer e reconhecer a sua imagem como parte da construção de
ças – meninas da sala – que usavam “maria-chiquinha”, mas não enfei- uma identidade positiva, requer um trabalho específico.
tes tão coloridos quanto os das meninas africanas. O uso do espelho, desde o berçário, é um recurso importante para
Professora Luciana, CEI Josefa Júlia, 13/6/2011. as crianças se reconhecerem, percebendo e identificando a imagem re-
fletida como “sua” e como sendo bonita.
B) Patrimônio cultural afro-brasileiro Para que isso aconteça, é importante o apoio do professor, ao iden-
Vindos de diversas partes da África, os negros trouxeram suas tificar a imagem com o nome da criança, descrever-lhe as característi-
matrizes culturais e participaram ativamente da formação do povo bra- cas corporais, valorizando-as, e as diferentes partes do corpo refletidas
sileiro. no espelho. Tratar cada criança como única e especial.
As influências africanas estão na linguagem, na comida, na reli- Além do uso do espelho, trabalhar as fotos de cada criança e de
gião, na música, nas brincadeiras, nas artes visuais, nas festas etc. No sua família em atividades como caixas de imagens, álbum do bebê,
entanto, sabemos que a valorização e o reconhecimento dessas heran- murais, são recursos inestimáveis para a construção de uma autoima-
ças não têm o mesmo peso do passado europeu. As matrizes indígenas gem positiva.
e africanas são muitas vezes consideradas inferiores, menos sofistica-
das e ficam relegadas a segundo plano. O valor e a importância desse Direto da prática
patrimônio cultural devem ser considerados pelas unidades escolares Havia uma foto nova para ser mostrada, era a foto da Yasmin,
e precisam ser incluídos entre os temas trabalhados na Educação In- com os cabelos amarrados. Lamentei mentalmente não estar retratada
fantil no dia a dia. A proposta é de que esse eixo possa incluir as ma- sua família, já que seu pai é negro e sua mãe é branca, e eu poderia
nifestações presentes nas comunidades e que, desse modo, as crianças comparar a aparência de ambos por meio da foto. Foi após essa primei-
sintam-se valorizadas à medida que os saberes locais adentrem os es- ra rodada de fotos que decidi lançar mão de um dos retratos que Ana
paços educacionais como produção de bens civilizatórios e produto de Carolina trouxera, escolhi o de um garoto negro e de cabeça raspada.
diferentes grupos. Carlos logo o pegou e começou a balbuciar coisas que eu não com-

Didatismo e Conhecimento 14
CONHECIMENTOS GERAIS
preendi. Resolvi “emprestar-lhe” minha voz, dizendo: “Ele se parece Caso, por exemplo, as crianças negras sejam desqualificadas nos
com você, ele é negro e careca”, disse isso tocando sua cabeça e seu papéis que venham a ocupar nos jogos simbólicos, o professor deve
rosto, e ele olhou para a foto novamente soltando gritos de satisfação estar atento e proporcionar mudanças que estimulem formas positivas
típicos de crianças pequenas, e pendurou no rosto um sorriso lindo en- de interação, além de estimular novas perspectivas entre as crianças.
quanto continuava a apreciar a foto daquele menino que não conhecía- Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio da leitura de histórias em
mos. Aprendemos naquele momento com Carlos a admirar o menino que surjam heróis e princesas negras, a fim de ressaltar situações em
da foto e a estabelecermos um vínculo com o que víamos, pois havia que pessoas negras em ação têm destaque positivo. Isso influenciará na
ali uma identidade coletiva sendo construída: eu sou negro, ele é negro construção de novos repertórios em relação à identidade das crianças
e gostamos disso. afrodescendentes.
Professora Luciana, CEI Josefa Júlia, 13/6/2011.
Direto da prática
3.1.1. Cuidados consigo e com o outro O canto da casinha foi muito visitado pelas meninas e pelos me-
Em sua experiência de ser cuidadas, as crianças aprendem a se ninos. Observar as meninas tratando as bonecas negras como suas fi-
lhas, foi um momento muito especial. Duas crianças, uma menina e
vestir, a se pentear, a comer, a fazer sua higiene e desenvolvem o senti-
um menino, por um breve período, encenavam que eram a mamãe e o
mento de bem-estar com esses hábitos.
papai de uma das bonecas, alimentaram, trocaram suas roupas e cui-
O cuidar de si mesmo, o olhar-se com atenção e assumir as ações
davam da boneca com demonstrações afetivas, acariciando, beijando,
para o seu próprio bem-estar são atitudes que se aprendem desde pe- e o “pai” a levava para passear. Observamos que algumas meninas,
queno. Ações muito simples, criadas nos momentos de lavar as mãos, ao brincarem com as bonecas, tocavam no nariz, nos lábios, ou seja,
de arrumar os cabelos com cuidado, alimentar-se, hidratar-se e olhar- estavam explorando as características físicas das bonecas e pareciam
se no espelho, por exemplo, podem gerar importantes aprendizagens, rever o que havíamos feito com as imagens deles e de outras crianças.
com reflexos na autoimagem que cada criança está construindo. Era um processo de identificação, sem dúvida positivo. Percebemos
que todas as bonecas negras, nesta brincadeira, foram trocadas, tocadas
Direto da prática e cuidadas pelas crianças.
Dentre todos os materiais que eu havia preparado para as cesti- Professora Daniela, EMEI Guia Lopes, 1o/6/2011.
nhas-surpresa, dois se destacaram: as caixinhas de variados tamanhos
e os espelhos individuais. Como as crianças pequenas são fascinadas 3.1.3. Jogos de destreza e de raciocínio
pelo espelho! Além de se olharem muito nos espelhos pequenos, às No processo de desenvolvimento corporal, cognitivo e afetivo,
vezes fazendo caretas, passando a mão em sua superfície, ou chegan- as crianças apreciam jogos de regras, nos quais precisam alcançar de-
do bem perto dele com o seu rosto. Algumas, logo após brincar com terminado objetivo, obedecendo a limitações impostas pelas normas
os espelhinhos, foram até o maior, pendurado na parede. Achei esse preexistentes ou acordadas no momento pelo grupo.
movimento curioso e fiquei pensando se elas queriam comprovar se As brincadeiras transmitidas de geração em geração são muito
a imagem era a mesma, se elas eram as mesmas em um espelho e no apreciadas por elas e constituem importante herança cultural.
outro. Talvez essa hipótese seja cabível, já que os bebês estão ainda Algumas brincadeiras de outros tempos nem sempre continuam
construindo uma autoimagem. Professora Ana Carolina, CEI Josefa presentes hoje – esconde-esconde, cabra-cega, pula-sela, amarelinha,
Júlia, 13/6/2011. jogos com pião, bola, corda, os de pontaria, de adivinhação, brincadei-
Em todas as ações cotidianas, mas principalmente nessas que ras de outras tradições culturais etc. Muitas delas são parte da herança
tratam especificamente da autoimagem física, é importante observar cultural afro-brasileira ou têm versões semelhantes nas culturas afri-
como as crianças interagem com parceiros de diferentes tons de pele. canas, e podem ser ensinadas às crianças como parte do trabalho de
O professor precisa estar atento às falas depreciativas em relação aos apresentação desse legado cultural e como modos de valorização da
colegas, às exclusões de brincadeiras, e deve mediar conflitos surgidos cultura da população afro-brasileira.
Os jogos chamados de tabuleiro existem há milênios, e foram
entre elas que tenham como motivo questões raciais. Apoiar boas ex-
criados por diferentes povos, entre eles, os africanos. Geralmente estes
periências de relacionamento entre as crianças, fazendo com que reco-
jogos possuem enredos ricos e históricos, que aproximam as crianças
nheçam positivamente as diferenças, ajuda a combater preconceitos e
de diferentes culturas, favorecem a socialização e o desenvolvimento
discriminações. do raciocínio.
O Mancala, por exemplo, conforme Kodama et al (2006):
3.1.2. Brincar e imaginar: o jogo simbólico como linguagem Há muito coisa escrita sobre o mancala. No livro Os melhores
A brincadeira é uma atividade que se transforma no tempo e se jogos do mundo (s.d., p.122-125), encontramos: A palavra mancala
apresenta de diferentes modos nas comunidades humanas, mas apare- origina-se do árabe naqaala, que significa mover. Com o tempo, esse
ce em diversas culturas como atividade importante da infância. termo passou a ser usado pelos antropólogos para designar uma série
Nas brincadeiras de faz de conta, as crianças aprendem a repro- de jogos disputados num tabuleiro com várias concavidades e com o
duzir os gestos e a fala de pessoas em diferentes papéis sociais ou de mesmo princípio de distribuição de peças. A forma pela qual este se
personagens de filmes e/ ou de histórias lidas. Podem inventar roteiros realiza está intimamente associada à semeadura. Esse fato, aliado ao
alimentados por sua fantasia e, por isso, devem ter espaço garantido na local de origem, leva a crer que os jogos da família mancala são talvez
Educação Infantil. No entanto, conforme Silva Jr. e Dias, em Orienta- os mais antigos do mundo. A origem mais provável é o Egito. A partir
ções Curriculares para a Valorização da Diversidade Racial na Edu- do Vale do Nilo, teriam se expandido para o restante do continente afri-
cação Infantil, de 2011, nem todas as crianças têm na brincadeira um cano e para o Oriente. Alguns estudiosos supõem que os mancalas têm
momento positivo de expressão e elaboração pessoal. Para as crianças cerca de 7 mil anos de idade (...). Os mancalas são atualmente jogados
negras, muitas vezes a brincadeira é também espaço de preconceito e em toda a África, ao sul da Ásia, Américas e na maior parte da Oceania
cerceamento de desejos. (...). (Kodama et al, 2006, p. 8-9)

Didatismo e Conhecimento 15
CONHECIMENTOS GERAIS
Como brincar de Maria-Macumbé Entre eles a dança, importante herança dos povos africanos, fonte
O grupo escolhe uma criança, que será a Maria--Macumbé. Esta de prazer, autoconhecimento e sociabilidade, que enseja muitas pos-
criança tem os olhos vendados com um lenço, enquanto as outras se es- sibilidades expressivas e o aperfeiçoamento dos gestos, que merece
condem. Com os olhos vendados, Maria-Macumbé procura as crianças lugar de destaque na Educação Infantil.
escondidas. Quando encontra uma delas, a que foi encontrada se torna O samba, o bumba meu boi, o frevo, o baião, o maracatu, a lamba-
Maria-Macumbé. da, a capoeira, o maculelê, o tambor de min a, a umbigada, a catira etc.
são manifestações que, embora originalmente estivessem restritas aos
Roda Guerreiros de Nagô negros, hoje fazem parte do patrimônio cultural dos brasileiros e das
Guerreiros Nagô? Você está cantando errado! A música não é as- práticas sociais de comemorações familiares, festas e grandes eventos
sim... Foi o que um menino disse à Virginia quando ela começou a públicos.
cantar a nova versão da conhecida música “Escravos de Jó”. Virginia O trabalho com a música e a dança originárias dessas manifesta-
respondeu: não, está certinho do jeito que estou cantando! É só outra ções deve fazer parte do cotidiano da educação.
versão da música que você conhece. Foi uma delícia ensiná-los! De- Na educação voltada para a valorização da diversidade, é impor-
tante que o repertório de músicas apresentado às crianças seja amplo
pois de já estarem familiarizados com a música, fomos lá fora fazer
e diversificado, composto de músicas de origem europeia, africanas,
uma roda. Foi uma atividade muito gostosa, muito divertida. Como
indígenas, asiáticas etc., cantadas ou instrumentais. Um repertório di-
essa turma gosta e aproveita esses momentos de brincadeiras no jar- versificado qualificará a escuta das crianças, que podem aprender que
dim! Acho que vale muito a pena investir mais nisso. há muitos tipos de música, não apenas aquela relacionada a um uni-
Conversando com Cibele Racy, diretora da EMEI Guia Lopes, verso supostamente “infantil”. Quanto mais diversificado o repertório,
mais tarde, fez muito sentido para ela que procurássemos cantar uma mais as crianças terão condições de identificar, reconhecer elementos e
música de modo a não enaltecer a condição de escravos dos negros, desenvolver preferências musicais.
mas algo positivo, como a força do guerreiro nagô.
Trecho do relatório da Professora Ana Carolina, EMEI Guia Lo- Direto da prática
pes, 25/5/2011. A participação na festa junina afro-brasileira trouxe a certeza de
que a integração entre dança e música usando o tema da igualdade
3.1.4. Movimento expressivo e a música racial é o exemplo vivo de como as questões da identidade e a heran-
Na Educação Infantil, o professor oferece à criança não só mode- ça cultural se alinham bem. Uma festa junina que reuniu o acarajé, o
los e materiais da cultura para os exercícios da imitação e da criação milho verde, a feijoada e a paçoca, jogos de argola com motivos afri-
livre, como interpreta seus gestos de modo a compor com ela um reper- canos, crianças vestidas como princesas e príncipes africanos, cabelos
tório de movimentos, uma “cultura corporal”. A atitude do professor é arranjados à moda afro, deu um ótimo caldo cultural.
importante, em todos os momentos, para que a criança construa uma As danças apresentadas pelas crianças: samba, boi bumbá, jongo,
relação de confiança com seu próprio corpo e com o do outro, além de congada etc. trouxeram alegria e, ao final, as famílias eram convidadas
desenvolver o domínio saudável e prazeroso em relação a seus movi- a participar, construindo uma diversão coletiva. Foi bonito de ver.
mentos. Professora Ana Carolina, EMEI Guia Lopes, 2/7/2011.
Ainda nas inúmeras situações do dia a dia, o professor, usando sua
Direto da prática voz nas brincadeiras sonoras e canções, abre um canal comunicativo
Uma rede ou um balanço? essencial para a expressão sensível e criativa. Assim, ele poderá orga-
Tendo em vista o sucesso da atividade de balanço (na qual um nizar situações em que o grupo de crianças, de acordo com as habili-
tecido é segurado por dois adultos, como se fosse uma rede, e a criança dades da faixa etária, explore os sons de diferentes emissores, sejam
é balançada nele) no tecido da intervenção anterior, decidimos repe- instrumentos, ruídos cotidianos, elementos da natureza, animais, obje-
tos, pessoas etc. O uso de instrumentos como afoxé, agogô, atabaque,
ti-la, mas acrescentamos à proposta a diversificação da padronagem
berimbau, tambor e outros de origem africana pode integrar o acervo
dos tecidos – neste caso com motivos africanos – e pusemos para tocar
à disposição das crianças, assim como CDs de canções diversas, brin-
algumas músicas lentas do CD Canções do Brasil, utilizado no canto
cadeiras cantadas, acalantos, parlendas, lenga-lengas, brincos, rimas,
de música, ao invés de cantarmos. Mal o tecido foi ajeitado no chão, adivinhas etc.
Yasmin e Eduardo já estavam deitados sobre ele, revelando o desejo
de participar da brincadeira e demonstrando que se lembravam perfei- 3.2. Experiências com linguagem oral e escrita
tamente da proposta feita quinze dias antes. E como gostaram de ser 3.2.1. Linguagem oral
balançadas! Quando terminávamos a vez de cada criança, ela saía do O acesso aos bens culturais é direito de todas as crianças. A lin-
pano sempre um pouco contrariada. A expressão no rosto de todas ao guagem, que se expressa em dois domínios, o oral e o escrito, é uma
ser balançadas era de satisfação. Talvez por ser embaladas, pelo pró- das mais importantes heranças culturais, responsável por mudanças no
prio balanço, que é uma atividade muito prazerosa para os pequenos. modo como as sociedades se organizaram, com reflexos na constitui-
Também consideramos que o pano em formato de rede envolve todo o ção da identidade humana.
corpo da criança e, dessa forma, ela se sente segura e acolhida enquan- A oralidade foi durante séculos a única forma de transmissão de
to brinca, e a rede é um jeito de dormir muito presente na cultura de cultura e conhecimentos. Por isso, os povos africanos desenvolveram
alguns grupos brasileiros. formas importantes de contar histórias por meio dos narradores de his-
Professoras Luciana e Ana Carolina, CEI Josefa Júlia, 14/4/2011. tórias e mitos, chamados de griots, considerados bibliotecas vivas da
cultura africana. Com o advento da escrita, para a qual várias comuni-
Além das ações cotidianas que envolvem as habilidades básicas dades da África deram a sua contribuição, como os egípcios, toda uma
de engatinhar, andar, correr, pular, subir em obstáculos etc., há que se literatura se desenvolveu nos diversos países que compõem o conti-
cuidar dos movimentos expressivos. nente, assim como em outras partes do mundo.

Didatismo e Conhecimento 16
CONHECIMENTOS GERAIS
No entanto, o gosto pelas narrações de histórias permanece uma Professoras Luciana e Ana Carolina, CEI Josefa Júlia, 25/5⁄2011.
importante herança africana que o povo brasileiro incorporou.
Na Educação Infantil, a comunicação oral e as narrativas têm pa- Essas experiências com a nomeação da raça/cor das pessoas pro-
pel fundamental, já que as crianças inicialmente se comunicam, sobre- duz o receio concreto nas professoras quando trabalham o tema com
tudo, corpórea e oralmente, por isso, exercitar essa habilidade é funda- as crianças. Será que devo falar que uma criança é negra, branca, asiá-
mental par a ampliar seu repertório. tica, árabe, japonesa etc.? Um trabalho que envolve a diversidade e
está atento para a igualdade racial não pode silenciar sobre algo tão
3.2.2. Falar para se comunicar
evidente.
Nas situações de conversa mediadas pelo professor, quando ele
garante os direitos de fala e de escuta, as crianças podem aprender a Você já imaginou como pode ser estranho para a criança observar
perceber como agem nas diversas situações, expressar suas intenções, diferenças que não podem ser nomeadas? Que sentimentos passamos
os pensamentos e os sentimentos e a ser um aprendiz confiante. Elas com este silêncio? Não há por que nos calarmos diante da identidade
aprendem ainda a comunicar suas próprias necessidades e opiniões, ao racial das pessoas, mas as expressões corretas devem ser usadas em
mesmo tempo que reconhecem e aceitam as necessidades, os direitos e contextos que façam sentido. Substituir o nome das pessoas por epíte-
as opiniões de outras pessoas. Isto as auxilia a construir sua identidade tos, usando a cor de forma pejorativa, é algo que deve ser evitado. No
como meninos e meninas, negros e brancos. Para que isso seja possí- entanto, quando se trata de descrever as características físicas de modo
vel, é imprescindível que o professor abandone a visão de homogenei- a valorizá-las, sim, uma criança é negra, a outra, branca, os cabelos
dade que acaba abafando as diferenças e ignorando as singularidades e têm texturas diferentes, os traços trazem marcas diversas e aí reside a
tenha disposição para trabalhar com as diferenças, com a diversidade. beleza de cada um ser como é.
O respeito e conhecimento acerca das características do pensa-
mento das crianças é a principal especificidade do professor de Edu- Direto da prática
cação Infantil. Ouvi-las e compreender as relações que estabelecem é
Tentando chamar atenção dos bebês para as fotos, tirava uma a
indispensável. Quanto menores são as crianças, mais o professor dá
voz às suas ações, balbucios e apoia as interações que ela vai construin- uma da caixa e ia descrevendo as características físicas dos familiares,
do nas rodas de conversa, de história, nos momentos de brincadeira, de como cor e textura dos cabelos, cor dos olhos, pertença racial etc. Ia
cuidados. Quando o professor ajuda a criança a nomear, a dizer o que perguntando aos bebês quem eram as pessoas retratadas e as palavras
quer, a partir de suas observações, além de dar voz à criança, mostra mais ouvidas foram “papai” e “mamãe”. Eduardo olhava sua foto com
que ele acredita na sua forma de pensar, na sua capacidade de estabe- admiração e repetia “mamãe”, enquanto Yasmin tentava tomar-lhe a
lecer relações entre as pessoas e os objetos, na sua aguçada capacidade foto das mãos. Tirei da caixa a foto da Ana que dessa vez não chorou
de observar o mundo. ao apreciá-la, apenas olhava atenta sem dizer ou balbuciar nada, então
resolvi felicitá-la pela atitude dizendo: “Olha, você está conseguindo
3.2.3. Roda de conversa olhar a foto da sua família sem chorar! ”, foi o sufi ciente para que ela
O reconhecimento da criança como sujeito que tem voz e deve ser fizesse biquinho esboçando um choramingo, mas logo parou e conti-
considerado um interlocutor, leva a indicar a roda de conversa como nuou mirando a foto.
atividade permanente na organização do cotidiano das instituições Professora Luciana,
A criança reflete sua cultura no modo como conversa, alimentan-
CEI Josefa Júlia, 25/5/2011
do os assuntos com ideias originais e explicações singulares sobre os
eventos que presencia ou conhece. À medida que os temas relativos
às questões raciais também estiveram presentes e disponíveis para a 3.2.4. Ouvir histórias e narrativas orais
conversa entre as crianças, elas poderão, com base em seus modos pró- Crianças pequenas gostam muito de ouvir histórias, sejam elas
prios de pensar e ver o mundo, ampliar o que sabem e aprender a lidar lidas ou contadas.
com essas questões, de forma que enriqueçam a vida no coletivo. Por Por esse motivo, há que se ter atividades permanentes nas quais as
isso a criança precisa conversar sobre essas questões com seus profes- histórias para os pequenos sejam lidas e outras vezes contadas. Embora
sores, com outros adultos da comunidade e conversar entre si. pareçam ser a mesma coisa, já que envolvem as narrativas, as aprendi-
zagens envolvidas nestas duas situações são diferentes. Quando lê uma
Direto da prática história para as crianças, o professor atua como um modelo de leitor,
Use as palavras certas fala sobre a escolha do livro, o título, o nome do autor, do ilustrador etc.
Eu posso me referir a uma criança como negra? Como preta? Se Ao ouvir uma história lida, a criança entra em contato com a lingua-
eu falar dessa maneira, ela não vai se ofender? Foram muitas as dúvi- gem escrita, que possui características próprias: é imutável – o texto é
das que ouvimos das professoras com quem trabalhamos ao longo da sempre o mesmo, não importa quem lê –, apresenta construções muitas
formação. E a primeira questão que abordamos foi a do silêncio.
vezes diferentes das que se usa para falar, como a linguagem poética,
Por que não podemos nos referir a alguém como negro, se falamos
respeitosamente, acentuando sem preconceito uma diferença eviden- as rimas, o próprio encadeamento das palavras cuidadosamente esco-
te? Nossa sociedade tem uma relação ambígua com a diferença de cor lhidas pelo escritor.
entre as pessoas, ao mesmo tempo que a usa cotidianamente para des- Ler e contar histórias para bebês e crianças de até 2 anos exige
valorizar pessoas negras ao ser confrontadas diretamente com o tema algumas estratégias, além da escolha de livros com ótimas ilustrações,
tentam evitá-lo. É comum o uso do termo preta ou negrinho para se re- texto bem escrito, divertido, com repetições tão ao gosto dos pequenos.
ferir a uma pessoa que não está presente. Mas quando ela está presente Lembrando sempre que a temática racial deve ser contemplada entre
se procura falar moreno, moreninho, pessoa de cor ou outros adjetivos? as demais.
Ou quem ainda nunca presenciou um conflito em que a palavra negro Para estimular a linguagem oral, o uso de caixas com alguns ele-
ou preto aparece como um xingamento à pessoa? mentos que aparecem na história é interessante.

Didatismo e Conhecimento 17
CONHECIMENTOS GERAIS
Direto da prática birotes de Bintou, os passarinhos que vieram enfeitar o seu cabelo no
Eu havia preparado a roda de história a partir de um livro que já final. Muitas observações, muitos olhares para o diferente em relação
utilizei muito com os pequenos e sempre foi um sucesso total. Trata-se à sua cultura, para a diversidade, para a valorização de outra cultura.
do Toc! Toc, uma história singela em que uma garotinha, Lucila, se Muito bacana!
perde de casa e começa a seguir um “périplo” para encontrá-la. Prepa- Pudemos observar que as crianças comentaram com naturalidade,
rei a história oralmente e fiz personagens negras tipo fantoche, a partir como pessoas acostumadas a ver tipos de cabelos diversos, assim, o
de belas fotos de revistas. Essa pode, de fato, ser uma boa saída para cabelo da avó da Bintou foi comparado com o da Waldete, que também
enfrentar a escassez de livros que tratem da diversidade racial para os estava arrumado para cima com uma faixa, não causou espanto, risos
pequenos. Durante a roda, todas as crianças ficaram muito mobilizadas ou outros tipos de comentários depreciativos.
e interessadas nos objetos e nos fantoches de papelão que eu havia pre- Outros aspectos também chamaram a atenção das crianças. As
parado e prestaram atenção na história de um jeito inquieto e ativo e, comidas, como o carneiro, que é tão diferente para elas. E o batizado
ao final, todos brincaram muito com as personagens, com as casinhas, do irmãozinho de Bintou, que teve a sua cabeça raspada. Mesmo com
algumas crianças repetindo o bordão da história, que sempre sinalizava uma história longa, as crianças estavam atentas ao enredo, principal-
a chegada de Lucila a uma das casas: “Toc! Toc!”. Outras crianças, mente em relação a todos esses aspectos tão distintos do cotidiano de-
como Carlos, ficavam repetindo: Mamãe! Mamãe!, expressando com las. Professora Ana Carolina, EMEI Guia Lopes, 4/5/2011.
alegria o trecho da história em que Lucila reencontra a sua mãe. Pro-
fessora Ana Carolina, CEI Josefa Júlia, 23/5/2011. 3.4. Experiências acerca do conhecimento de mundo
As instituições de Educação Infantil devem se caracterizar como
No outro dia... locais nos quais as crianças encontrem, desde cedo, espaço vivo de
Foi muito bom ter deixado o livro Toc! Toc e as imagens com a informações sobre a população negra, as tradições afro-brasileiras, o
Fabíola, professora da creche. Na roda do outro dia, quando as crianças continente africano e outros diferentes assuntos que compõem o uni-
ficaram muito mais interessadas nos objetos, a história ficou em segun- verso de conhecimentos sobre a questão racial.
do plano. No entanto, dessa vez, elas estavam muito atentas à história.
Isso reforça a ideia de que a repetição é fundamental para os pequenos.
3.4.1. Conhecer os povos e suas formas de ser e estar
É preciso um momento para explorar as novidades até que eles
Povos africanos
possam enfocar algo mais. Foi isso o que aconteceu entre os objetos e
A África é um imenso continente, com mais de 50 países, com
a história. Ao final, brincamos um pouco com os fantoches de papelão,
grande e variada diversidade política, econômica, social, cultural, lin-
repetindo alguns bordões e trechos da história. As crianças se diverti-
guística.
ram e mostraram apropriação de algumas palavras, como “toc toc”,
Conhecer essa amplitude e variedade é importante para romper
“mamãe” e gestos, ao bater com a pontinha do dedo na porta da casa
pequenininha. com a ideia simplista de que podemos nos referir à África como se ela
Professora Ana Carolina, CEI Josefa Júlia,13/6/2011. fosse um país único com habitantes de uma única origem. Saber, por
exemplo, que o Egito, país cuja história desperta admiração e desejo de
3.3. O papel da literatura saber mais, localiza-se na África, ainda causa surpresa. Deste continen-
Quando se lê para as crianças, mostramos a elas um pouco do te derivou parte da população brasileira, o que significa que somos em
mundo. O olhar de um autor, o modo como ele pensa, seus sentimen- grande parte constituídos por povos africanos.
tos, sua sensibilidade, a história que desejou contar. Quando o profes- Tendo em vista essa importância, Dias e Silva Jr. (2011) suge-
sor lê, oferece às crianças a possibilidade de fruição de um texto bem rem encaminhamentos para o trabalho na Educação Infantil relativas
escrito, de apreciação de belas imagens nas ilustrações, o contato com ao tema:
a linguagem escrita e a oportunidade de se identificar com os persona- As crianças poderão construir maquetes de sucatas para repre-
gens, refletir sobre aspectos de sua vida, de seu cotidiano, de sentimen- sentar as diferentes paisagens de lugares da África, rompendo com a
tos e pensamentos. ideia mais divulgada na mídia de que este seja apenas um continente
Quando o professor valoriza o que leu, comenta sobre aquilo que devastado. Pode-se mostrar DVDs, fotos, filmes nos quais os lugares
mais o emocionou, quando relê trechos bonitos ou engraçados e os e as paisagens sejam diferentes, possibilitando que compreendam o
compartilha, enfim quando apresenta todas as manifestações de al- continente africano em toda a sua riqueza, em diferentes épocas. Po-
guém que aprecia a literatura, ele está ensinando às crianças compor- derão produzir desenhos comparativos entre Brasil e África. Turmas
tamentos leitores que elas certamente vão incorporar em suas vidas. diferentes podem realizar projetos com lugares e paisagens distintas
Tudo isso envolve muitos aprendizados, mas não todo o aprendi- e depois trocarem entre si seus conhecimentos. No que se refere aos
zado que pode estar contido na experiência de ser leitor. Quando lemos objetos e suas transformações também aqui pode-se realizar trabalhos
um livro de outra cultura, por exemplo, podemos aprender muitas coi- comparativos sobre a utilização de um objeto, por exemplo, os talheres
sas sobre o modo de viver em outro lugar, sobre hábitos e costumes, – quais culturas usam talheres ou os tipos de objetos que são utilizados
aprendemos a apreciar e a valorizar outras paisagens. para a alimentação. São sempre iguais? Por que são diferentes? Em que
são diferentes? Sempre foram do mesmo jeito? As mesmas questões
Direto da prática podemos fazer com os instrumentos musicais. ” (Dias; Silva Jr., 2011,
A escolha do livro As tranças de Bintou depois da roda de conver- p. 21-22)
sa sobre cabelos e a brincadeira de cabeleireiro foi ótima! Além de ser
uma bela história, as ilustrações também chamaram muito a atenção Trabalho com texto informativo
das crianças. O curioso é que elas puderam fazer referências ao que Os espaços educativos nos quais a criança se relaciona com adul-
já haviam visto durante outros momentos: o pano de cabeça da avó, tos e com outras crianças criam oportunidade para ela conhecer e cons-
o jeito de arrumar o cabelo em tranças, algumas trazendo até moedas truir conhecimentos sobre aspectos da natureza e da cultura afro-bra-
de ouro como ornamento, o cabelo “espetado” e diferente da avó, os sileira.

Didatismo e Conhecimento 18
CONHECIMENTOS GERAIS
Quanto mais oportunidades as crianças tiverem par a falar e ouvir possam conhecer os “fazeres artísticos” de diferentes povos com desta-
opiniões de adultos, ou de outras crianças, sobre fatos, fenômenos e si- que para os povos negros, sendo postas sempre a se perguntarem como
tuações sociais observadas, mais elas poderão pensar e elaborar ideias e por que esses povos produzem arte, pois tais perguntas permitirão
sobre o continente africano, os povos negros e as questões raciais. que elas se aproximem de histórias, crenças e valores dos grupos es-
Para ajudá-la nesse processo, o professor deve criar condições tudados. Tal procedimento, também se aplica ao conteúdo Apreciação
para que ela aprenda a procurar informações em diversas fontes, nos em artes visuais, como já dissemos ao lado de Picasso é preciso estar
sites, em filmes e em produções escritas. artistas negros brasileiros e africanos. (...) Dar às nossas crianças opor-
tunidade de conhecer modos de representar o mundo e os sentimentos
Direto da prática de diferentes povos é construirmos com elas a concepção de igualdade
Resolvemos planejar a conversa sobre o livro Crianças como e irmandade entre os seres humanos. Todos são capazes e fazem arte.
você, do Unicef. Seguimos as seguintes etapas: primeiro, reapresentei (Dias; Silva Jr., 2011, p. 17-18)
o livro às crianças, em roda, relembrando a personagem que havíamos Em relação à produção das crianças, seus desenhos, pinturas, es-
conhecido no primeiro contato com o livro, a menina Aseye, de Gana. culturas, é importante socializar as alternativas que cada uma delas en-
Aproveitei a oportunidade para apresentar a criança africana que
contra, para por exemplo, representar a cor das pessoas. Quais procedi-
conheceríamos agora: a menina Esta, da Tanzânia. Iniciei a conversa
mentos elas mais utilizam? Quais ações e temas são mais frequentes?
mostrando as páginas do livro e levantando com eles quais as infor-
Com esta ação é possível questionar as estereotipias, ajudando-as
mações sobre a menina. Esta, aquelas páginas continham. Por meio da
observação atenta de algumas crianças, apontamos alguns aspectos: a a construir um pensamento e a desenvolver uma sensibilidade mais
casa, a comida, o tipo de roupa que ela usava, os colares, a família. Em investigativa e observadora não preconceituosa também no campo vi-
seguida, dividimos as crianças em grupos, demos cópias das páginas a sual.
cada duas crianças e solicitamos que elas olhassem com muita atenção Conforme o professor apoia as crianças a expressarem as sensa-
para ver o que descobriam mais sobre a vida de Esta. Depois, volta- ções e os sentimentos e a debaterem as ideias sobre suas produções,
ríamos para a roda, para que elas contassem o que haviam descoberto. elas podem fortalecer o desejo de novos projetos, mantendo aceso o
Professora Ana Carolina, EMEI Guia Lopes, 8/6/2011. interesse, a vontade e a curiosidade pela criação visual e pelo tema das
Os recursos da internet, os filmes e visitas a exposições, museus e relações raciais.
ONGs específicas pode abrir as portas aos mais variados conhecimen-
tos sobre o mundo. Além disso, pessoas da comunidade com histórias Trabalho com o retrato e o autorretrato
para contar acerca das transformações acontecidas no local, integrantes Quem trabalha com Educação Infantil sabe que o desenho é um
das manifestações culturais regionais e familiares também são fontes forte aliado para o desenvolvimento da expressão criativa das crianças.
importantes de conhecimento e de informação. Além de ser uma linguagem possível para que elas expressem o que
pensam sobre o mundo, o que sentem. Já pensou quantas informações
3.4.2. Expressão plástica estão presentes em um desenho de observação sobre uma árvore, por
Inclusão da produção africana e dos afrodescendentes exemplo? A cor de suas folhas, o formato e o formato da copa, a gros-
O desenvolvimento da curiosidade e da criatividade se dá nas sura do tronco, as ranhuras, o desenho dos galhos. E quando o objetivo
mais diversas experiências às quais as crianças são expostas. é desenhar uma pessoa? O que está em jogo? A cor de seus cabelos, o
O planejamento da atividade de criação na Educação Infantil seu comprimento, como está penteado, o formato do rosto, dos olhos,
deve atender ao critério da diversidade de modalidades e materiais sobrancelhas, nariz, lábios e queixo, a cor da pele. E como será que
em combinação com a continuidade no tempo, para assegurar-lhes a criança obtém essas informações? A partir de muita observação, de
a oportunidade de construir um percurso próprio. Esse campo reúne conversa sobre o que observou, reflexões sobre diferentes formas de se
aprendizagens desejáveis para que toda criança se aproprie de diversas retratar a si e ao outro.
linguagens que constroem as manifestações artísticas e trabalham a ex- Para colaborar no desenvolvimento dessa habilidade vale fazer ro-
pressividade humana.
das de apreciação de desenhos – da própria, de colegas e de artistas que
Todos os povos representam artisticamente, sentimentos, desejos,
fizeram retratos e autorretratos. No caso do desenho de autorretrato,
fatos ou ideias que fazem parte de um determinado momento histórico
de suas vidas. No trabalho com as artes visuais é importante proporcio- o espelho, a fotografia e a observação de modelo vivo (uma criança)
nar às crianças o contato com os mais variados tipos de manifestações podem ser bons aliados para a observação dos detalhes.
artísticas, modelagem, esculturas, instalações, telas, entre outros. Elas Neste caso, é importante verificar se nas produções apresentadas
devem aprender a apreciar a arte já produzida e ser estimulada a produ- há diversidade racial. São muitos artistas negros que produziram e pro-
zir também a sua arte. (Dias; Silva Jr., 2011, p. 17) duzem obras de grande relevância no Brasil e no mundo.
Não se defende um único padrão de beleza, mas sim as diferen-
tes abordagens construídas pela humanidade nas diversas regiões ao Chegamos ao fim...
longo da história, construindo assim a ampliação das possibilidades Concluímos este material, que é a contribuição a uma caminhada
expressivas das crianças. Assim, a perspectiva de uma educação para a mais longa que é a instituição da igualdade racial na Educação Infantil.
igualdade racial é: (...) apresentar para as crianças a produção das artes Acreditamos que esse material ajudará professores e gestores a repen-
visuais dos povos africanos e indígenas. Elas são riquíssimas e amplia- sar seus fazeres, incluindo na proposta pedagógica das instituições de
rá bastante a concepção das crianças sobre quem faz arte. A ideia de Educação Infantil um trabalho realmente inovador e significativo no
que a população negra brasileira e africana produz artes visuais ainda é que tange a igualdade racial. É compromisso de todos fazer da Edu-
muito restrita. Sempre que vemos alguém falar da arte negra a pessoa cação Infantil um espaço qualificado, acolhedor, igualitário, no qual
está se referindo a capoeira, a comida ou alguma coisa do tipo. Faz-se crianças negras e brancas sejam valorizadas e respeitadas para que
necessário ampliar esse universo. Sugiro que em todos os níveis da cumpramos a função primordial da Educação Infantil, que é promover
Educação Infantil ao trabalhar o conteúdo Fazer Artístico as crianças o pleno desenvolvimento das crianças. Mãos à obra para implantar e

Didatismo e Conhecimento 19
CONHECIMENTOS GERAIS
implementar uma educação para a igualdade racial! Utilize este guia Meninos e meninas do mundo. Núria Roca e Rosa Maria Curto.
e os filmes que o acompanham, leia os documentos oficiais, visite os São Paulo: Caramelo, 2010.
sites das ONGs que trabalham a igualdade racial, encontre os espaços Minhas contas. Luiz Antonio. São Paulo: Cosac Naify, 2008.
culturais que podem contribuir para o tema em sua região. Nyama. Christiane Lavaquerie-Klein. São Paulo: Companhia das
Inclua todos nesta missão: sua equipe, as crianças, as famílias, a Letrinhas, 2010.
comunidade! Núbia rumo ao Egito. Maria Aparecida Silva Bento. São Paulo:
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mus, 1992. Através de depoimentos de vários entrevistados fica demonstrado
TRINIDAD, C. T. Relações étnico-raciais em espaço de Educa- que a mídia passa informações sobre os índios de que eles são muito
ção Infantil. Avisa lá Revista, v. 42 p. 18-24, São Paulo: Instituto Avisa massacrados, discriminados, violentados, informações negativas, mas
Lá, 2010. sobre a sua cultura, o legado deixado isso não é difundido.
ZABALA, P. A prática educativa como Ensinar. Porto Alegre: Francisco Pianco, índio da tribo Ashaninka do Acre, desabafa que
Artmed, 1998. a população em geral tem que saber o que os índios têm, como é a
ZEICHENER, K. A formação reflexiva: ideias e práticas. Lisboa: cultura, a maneira que vivem, mas sem interferirem.
Educa, 1993. A população Ashaninka que vive no Acre é de 800 pessoas, já no
Peru é algo em torno de 30 mil.
______. Pensamento e linguagem. Lisboa: Antídoto, 1979.
Neste momento do vídeo é perguntado a vários entrevistados se
eles são índios, muitos negam, apesar de fisicamente terem todos os
traços indígenas. Alguns dizem que não são índios, mas são descen-
dentes, pois já não vivem mais em terras indígenas.
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.
TV ESCOLA – ÍNDIOS NO BRASIL – O que fica demonstrado é que muitos têm vergonha de serem ín-
EPS. 01 – QUEM SÃO ELES?. dios e da sua descendência.
A líder indígena Quitéria Maria de Jesus, da tribo Pankararu de
Pernambuco, afirma que alguns índios ao saírem de suas tribos, de suas
comunidades renegam o seu passado e a sua origem. Isso porque te-
mem serem discriminados, por serem considerados menores. Mas que
A série “Índios no Brasil” mostra a relação da população indígena
brasileira com a natureza, com o sobrenatural e com os não índios. têm outros que mesmo não vivendo mais nesses locais têm orgulho de
Ao contar a história do Brasil, muitas vezes o índio é tratado como serem índios ou de terem descendência.
um ser que parou no passado. Além disso, relacionado a atraso, pre- Ela afirma também que há muita informação errada no que se re-
guiça e selvageria. Este episódio apresenta quem são e como vivem os fere a não existência dos índios, pois muitos acreditam que não existem
indígenas no Brasil atual, tomando como foco a relação deles com os índios no nordeste do país.
outros brasileiros. Os Pankararus são uma população de 5.000 mil índios, ocupan-
Pessoas das tribos Krenak, MG; Kaxinawá, AC; Ashaninka, AC; do um espaço de 8.000 hectares de uma reserva que na verdade são
Yanomami, RR; Pankararu, PE e Kaingang, SC, conversam sobre o 14.000 e deveriam ser na integralidade.
assunto.
O vídeo neste momento colhe vários depoimentos dizendo que o
Este episódio começa com a pergunta O que você sabe sobre o índio é visto como um animal, um selvagem, uma pessoa preguiçosa,
índio brasileiro? E o que se vê é que muito pouco se sabe sobre o índio, quer tudo na mão. Outras pessoas têm um entendimento diverso, pois
onde eles vivem e como eles vivem. acreditam que o índio é descriminado, sofre preconceito.
Ailton Krenak, da tribo Krenak vivem em uma reserva no Vale do E é neste sentido que Azilene Inácio, Kaingang de Santa Catarina,
Rio Doce em Minas Gerais, fala que quase nada a população brasileira formada em Sociologia fala, pois para ela, quando o índio demonstra
sabe sobre os seus índios e o que é passado em sala de aula é obsoleto, interesse em retomar as suas terras, ele é visto de uma maneira pejora-
pois demonstra um índio que ainda vive em oca, vive da pesca e da tiva, como um atraso.
caça, ou então é ensinado sobre eles de uma maneira geral, algo que
Azilene afirma que o povo Kaingang é um dos maiores em núme-
ficou lá no passado, na época do descobrimento do Brasil.
Já o índio Joaquim Mana, da tribo Kaxinawá do Acre aborda que ro de pessoas principalmente nos estados de Santa Catarina e Paraná.
o que se ensina é o índio do passado, mas que o que se deve ser ensina- A seguir é passado algumas falas de entrevistados dizendo que
do é o que se passa hoje nas comunidades indígenas, com consciência e índio é aquele que vive de cocar, todo paramentado, que ser índio é
respeito; e isso deve ser passado por quem é referência na comunidade aquele que fala em seu dialeto e usa vestimentas indígenas.
acadêmica. É abordado também a respeito dos Maxacalis, índios que vivem
Os Kaxinawá são uma comunidade de aproximadamente 5.500 em Minas Gerais, são aproximadamente 800 pessoas que fazem ques-
pessoas, sendo 4.000 no Brasil e 1.500 no Peru. tão de falar o mesmo dialeto há mais de 300 anos.

Didatismo e Conhecimento 22
CONHECIMENTOS GERAIS
Atualmente os índios vivem mais em contato com a civilização Por região
branca e com isso passaram a ter e a viverem quase que da mesma ma- A região Norte permanece abrigando a maior quantidade de indí-
neira que o homem branco, mas de acordo com algumas entrevistas há genas, no total 342.836 entre declarados e não declarados, seguido do
o entendimento de que o índio para ser índio deve viver em sua aldeia, Nordeste, com 232.739, e do Centro-Oeste, com 143.432. As regiões
viver somente da sua terra, do que caça e planta. E que ao sair de suas Sudeste e Sul possuem, respectivamente, 99.137 e 78.773 índios no
terras eles deixam de serem índios. total.
Bonifácio José, da tribo Baniwa do Amazonas, reafirma este en- O levantamento do IBGE aponta ainda que a etnia tikúna tem o
tendimento que os próprios índios acham que ao aprenderem a ler e a maior número de indígenas no Brasil, com 46.045 pessoas, seguidos
pela etnia guarani kaiowa, com 43.401, e kaingang, com 37.470.
escrever deixam de serem índios, que se sair de seu habitat perdem sua
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2012/08/mais-de-324-mil-in-
identidade. Bonifácio dá como exemplo outras etnias como a japonesa,
dios-brasileiros-vivem-em-area-urbana-diz-ibge.html
que ao saírem de sua terra natal não deixaram de ser japoneses, que
com os índios é a mesma coisa, não é porque tem uma profissão, como Obs: Caro candidato para melhor compreender o tópico, o arqui-
médico, aviador, que ele deixou de ser índio. vo encontra-se na íntegra no link http://tvescola.mec.gov.br/tve/video-
Os Baniwas vivem no alto Rio Negro, são uma população de teca/serie/indios-no-brasil.
4.000 pessoas e mais 12.000 na Colômbia e Venezuela.
Neste momento do vídeo é feito vários depoimentos de que a cul- Professora Mariela Ribeiro Nunes Cardoso
tura indígena e os índios tendem a acabarem, alguns até afirmam que
eles estão sendo dizimados e que a tendência é virarem lenda. Jornalista e advogada na Área Civil e Direito de Família.
A Kaingang Azilene afirma que o índio não está acabando, que Especialização na Fundação Getúlio Vargas, graduada pelo Cen-
muito pelo contrário, a população indígena tem aumentado e por isso tro Universitário Eurípides de Marília e pela Universidade de Marília.
tem se dado a retomada das terras indígenas e que eles não estão fada-
Caro Candidato:
dos ao extermínio. De acordo com ela, o índio não é um ser em extin- Obrigado por adquirir esta apostila. Para nós é uma imensa satis-
ção, mesmo estando em outros cantos da sociedade como faculdades, fação tê-lo como nosso leitor. Graças a sua confiança nosso trabalho
escolas, trabalhando em diversos setores. O índio nunca vai deixar de vem se expandindo por todo o país. Esperamos atender suas expecta-
ser índio. tivas e auxiliá-lo em seu estudo; oferecemos suporte para dúvidas que
Finalizando o vídeo, Ailton Krenak, da tribo Krenak, afirma que porventura venham surgir.
os integrantes dessas tribos também não acham que eles estão acaban- A partir de agora serão analisados os temas em relação a esta ma-
téria.
do e que estatísticas do Governo Federal apontam que há 50 anos eram
O objetivo do presente trabalho é potencializar os seus estudos,
150 mil índios e na época em que este vídeo foi gravado são 350 mil sendo que procuramos trazer um conteúdo mais abrangente, viabili-
distribuídos em todo território nacional em mais de 200 culturas. zando um estudo mais aprofundado do tema.
O foco principal é disponibilizar um material didático, objetivo e
Informações atuais de conteúdo amplo, que os capacite para concursos públicos.
Segundo os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Portanto, não deixe de fazer a leitura minuciosa de toda a legisla-
Estatística (IBGE) divulgados em 2010, no Brasil há 324.834 índios ção pelo fato de que muitos artigos são autoexplicativos; tentar explicá
que vivem na zona urbana. O número equivale a 36,2% do número de -los ou comentá-los poderia não ser didático.
Diante disto, aproveitem o material fazendo-o bom uso e boa sor-
indígenas no país, que totalizam 896.917 pessoas. Segundo o IBGE,
te, para novas conquistas, com muita dedicação.
outros 572.083 indígenas vivem na zona rural. Acredite em sua aprovação! Acreditar em um sonho é o primeiro
Apesar do número total de indígenas considerado pelo IBGE ser passo para conseguir conquistá-lo!
896.917 pessoas, apenas 817.963 se autodeclaram índios. Essas 78.954
pessoas vivem em terras indígenas do país e declararam pertencer a
outra cor ou raça, mas também se consideraram indígenas. Os entrevis-
tados, de acordo com o IBGE, levaram em consideração as tradições,
costumes, cultura e os antepassados
Uma comparação dos dados dos três últimos Censos divulgada
pelo instituto indica que a população indígena autodeclarada voltou
a ter sua maioria na zona rural em 2010. Em 2000, a maior parte dos
índios se concentrava nas áreas urbanas das cidades.
De acordo com o instituto, comparando a população que se deno-
minou indígena em 1991 e 2000, houve um aumento de 439.996 pes-
soas nesse período. O aumento foi menor entre 2000 e 2010, somente
83.836 pessoas.
De acordo com dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), o
IBGE indica que existem 505 terras indígenas (áreas demarcadas pela
União onde existem aldeias) distribuídas pelo país.

Didatismo e Conhecimento 23
CONHECIMENTOS GERAIS
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações
BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer
FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. para fins de investigação criminal ou instrução processual penal;
ARTIGOS 5º, 37 A 41, 205 A 214, 227 A 229. XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o
sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz,
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou
FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 dele sair com seus bens;
PREÂMBULO XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não
frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local,
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia
sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada
a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a de caráter paramilitar;
a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de coopera-
como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem tivas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal
preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem em seu funcionamento;
interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, pro- XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvi-
mulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA das ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se,
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permane-
TÍTULO II cer associado;
Dos Direitos e Garantias Fundamentais XXI - as entidades associativas, quando expressamente autoriza-
CAPÍTULO I das, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extra-
DOS DIREITOS E DEVERES judicialmente;
INDIVIDUAIS E COLETIVOS XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à se- justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos
gurança e à propriedade, nos termos seguintes: nesta Constituição;
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade compe-
termos desta Constituição; tente poderá usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa indenização ulterior, se houver dano;
senão em virtude de lei; XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desuma- que trabalhada pela família, não será objeto de penhora para pagamen-
no ou degradante; to de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o ano- sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento;
nimato; XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização,
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros
além da indenização por dano material, moral ou à imagem; pelo tempo que a lei fixar;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à
da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades des-
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência portivas;
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença re- obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes
ligiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para e às respectivas representações sindicais e associativas;
eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privi-
prestação alternativa, fixada em lei;
légio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a ou-
e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a ima- tros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvi-
gem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material mento tecnológico e econômico do País;
ou moral decorrente de sua violação; XXX - é garantido o direito de herança;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será
penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos bra-
delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por deter- sileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de
minação judicial; cujus”;

Didatismo e Conhecimento 24
CONHECIMENTOS GERAIS
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do con- XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e
sumidor; moral;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informa- L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam
ções de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que permanecer com seus filhos durante o período de amamentação;
serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressal- LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em
vadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade caso de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de compro-
e do Estado; vado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins,
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do paga- na forma da lei;
mento de taxas: LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime po-
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos lítico ou de opinião;
ou contra ilegalidade ou abuso de poder; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela auto-
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de ridade competente;
direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão devido processo legal;
ou ameaça a direito; LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa,
perfeito e a coisa julgada; com os meios e recursos a ela inerentes;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização ilícitos;
que lhe der a lei, assegurados: LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julga-
a) a plenitude de defesa; do de sentença penal condenatória;
b) o sigilo das votações; LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identifi-
c) a soberania dos veredictos; cação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei; (Regulamento).
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se
vida; esta não for intentada no prazo legal;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
sem prévia cominação legal; quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos
e liberdades fundamentais; casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e impres- em lei;
critível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso
graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes ou à pessoa por ele indicada;
e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e
evitá-los, se omitirem; de advogado;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por
grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o sua prisão ou por seu interrogatório policial;
Estado Democrático; LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a judiciária;
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a
nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança;
até o limite do valor do patrimônio transferido; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentí-
outras, as seguintes: cia e a do depositário infiel;
a) privação ou restrição da liberdade; LXVIII - conceder-se-á “habeas-corpus” sempre que alguém so-
b) perda de bens; frer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liber-
c) multa; dade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
d) prestação social alternativa; LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito
e) suspensão ou interdição de direitos; líquido e certo, não amparado por “habeas-corpus” ou “habeas-data”,
XLVII - não haverá penas: quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autorida-
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. de pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do
84, XIX; Poder Público;
b) de caráter perpétuo;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
c) de trabalhos forçados;
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
d) de banimento;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legal-
e) cruéis;
mente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em de-
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de
fesa dos interesses de seus membros ou associados;
acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado;

Didatismo e Conhecimento 25
CONHECIMENTOS GERAIS
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de Temos uma exceção encartada na Constituição quanto a esse di-
norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liber- reito, que diz respeito à pena de morte em caso de guerra declarada (art.
dades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à 5º, XLVII, a). Outros valores constitucionais ou direito de terceiros po-
soberania e à cidadania; dem mitigar a primazia da vida, como é o caso da legítima defesa e o
LXXII - conceder-se-á “habeas-data”: estado de necessidade.
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pes- O início da vida é tema conturbado, posto que não existe consen-
soa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de enti- so sobre o momento em que ocorre, Marcelo Novelino destaca quatro
dades governamentais ou de caráter público; concepções sobre o tema:
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por Fecundação (ou concepção):
processo sigiloso, judicial ou administrativo; Ocorre com a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, resultan-
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação po- do o zigoto. Pacto de São José da Costa Rica
pular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade Nidação:
de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio am- Vida viável (sete a dez dias após a fecundação, o zigoto se fixa no
útero, é o início da gravidez.
biente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo com-
Formação do Sistema Nervoso Central (SNC):
provada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
Quando o ser passa a sentir dor ou prazer (14 dias após a concep-
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita
ção).
aos que comprovarem insuficiência de recursos; Capacidade do feto de existir sem a mãe:
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, as- França, Reino Unido e Estados Unidos (24 a 26 semanas de ges-
sim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; tação).
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na for-
ma da lei: Princípio da Isonomia (Inciso I): A igualdade é o primeiro direi-
a) o registro civil de nascimento; to defendido no plano dos direitos fundamentais, isso se deve ao fato
b) a certidão de óbito; de junto com a liberdade ser fator inerente à dignidade humana.
LXXVII - são gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas- Entretanto, se nos apegarmos literalmente ao vocábulo ter-se-á
data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. uma ideia inadequada do preceito constitucional. Não é possível tratar
LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são asse- a todos com as mesmas práticas, o fundamento do princípio “tem por
gurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a fim impedir distinções, discriminações e privilégios arbitrários, pre-
celeridade de sua tramitação. conceitos, odiosos ou injustificáveis”.
§ 1º - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais Assim, temos que a aplicação da máxima de Aristóteles funda-
têm aplicação imediata. menta o princípio da isonomia quando preceitua que deve se propor-
§ 2º - Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não ex- cionar tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais, na medida
cluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, das suas desigualdades.
ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil Para se aferir se a desigualdade deve ser feita uma análise da situa-
seja parte. ção a partir da discriminação e assim se chegar a uma afinidade com os
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos huma- valores protegidos pela Constituição, por exemplo, o fato de se exigir
nos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em uma altura mínima para o cargo de agente policial. O fato discriminató-
dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão rio (estatura) é perfeitamente razoável com as atribuições do cargo que
equivalentes às emendas constitucionais. exige uma compleição física mínima para sua eficiência, tal exigência
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacio- deve ter previsão legal no edital do concurso.
nal a cuja criação tenha manifestado adesão. Atualmente está em voga, discussão sobre o papel das chamadas
ações afirmativas, como o sistema de cotas, que está em perfeita con-
DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS (Art. 5º, caput) sonância com a redução das desigualdades sociais.
Os direitos individuais e coletivos, em nossa Constituição, foram
organizados como espécies do gênero direitos fundamentais.
Princípio da Legalidade (Inciso II): O preceito de que o indiví-
A cabeça do artigo 5º prevê que os destinatários desses direitos são
duo é proibido (deixar de fazer) ou obrigado (fazer) a ter uma conduta
“...os brasileiros e aos estrangeiros residentes no país...”, contudo, em
de acordo com a lei, intenta alcançar a segurança jurídica e estabilidade
razão da evolução do Direito Constitucional é fato constatar que o des-
nas relações, sejam públicas ou privadas.
tinatário não são apenas aqueles elencados no permissivo constitucio-
nal. Isto porque o constitucionalismo passou a defender a dignidade da A permissão tanto pode decorrer de uma lei quanto do silêncio
pessoa humana, devendo se “fazer uma interpretação extensiva deste da regra.
dispositivo no sentido de assegurar os direitos e garantias individuais Princípio da Estrita Legalidade: O caput do art. 37 determina
a todas as pessoas que estejam em território brasileiro e não apenas que o administrador público deva obedecer a alguns princípios na sua
aos brasileiros e estrangeiros residentes no país.” atuação, dentre eles está expresso o da legalidade. Desta forma, a Ad-
ministração Pública será regida dentro daquilo, e somente daquilo que
Direito à Vida: o direito à vida prescinde a qualquer direito fun- estiver prescrito na lei, sem espaço para qualquer tipo de permissão
damental. Nossa Constituição não observa esse direito apenas pelo fato infra legal. É uma limitação decorrente do inciso II, do art. 5º, sendo
do nascimento, mas sim de toda uma garantia e respeito para que se mais severo e levando à concepção de que a vontade da Administração
tenha dignidade em viver. Pública é a que decorre da lei.

Didatismo e Conhecimento 26
CONHECIMENTOS GERAIS
Princípio da Reserva Legal (Inciso XXXIX): O princípio da lega- Coisa Julgada:
lidade pode ser tomado como gênero do qual a reserva legal é espécie,
como podemos aferir do artigo de Warlei Belo: 1. Efeitos da sentença e autoridade da coisa julgada
O artigo 5.o, II, CF prevê que: “ninguém será obrigado a fazer ou A coisa julgada é uma especial qualidade que imuniza os efeitos
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Trata-se de lei substanciais da sentença, a bem da estabilidade da tutela jurisdicional.
em sentido amplo, ou seja, qualquer ato normativo editado pelo Poder Embora Chiovenda tenha lançado originariamente esta base teórica
Legislativo (Constituição; leis complementares; leis ordinárias; reso- sobre o assunto, ao considerar que a coisa julgada é obrigatória para
luções) ou, excepcionalmente, pelo Poder Executivo (medidas provi- os sujeitos da relação processual, enquanto a sentença existe e vale
sórias e leis delegadas). Aqui temos a salva-guarda do amplo princípio com respeito a todos, foi Liebman quem identificou com precisão a
da legalidade. diferença entre a eficácia da sentença e autoridade da coisa julgada.
Já o princípio da reserva (lexpopuli) é mais restrito. Refere-se es- Enquanto a coisa julgada corresponde à eficácia que torna imu-
tável e indiscutível a sentença, em relação às partes que integram a
pecificamente à emenda, lei complementar, etc. para regular determi-
relação jurídico-processual, sem prejudicar nem beneficiar terceiros, os
nado assunto. “Se todos os comportamentos humanos estão sujeitos
efeitos da sentença (condenatórios, constitutivos ou meramente decla-
ao princípio da legalidade, somente alguns estão submetidos ao da ratórios) correspondem às alterações que esta decisão judicial produz
reserva da lei. Este é, portanto, de menor abrangência, mas de maior na realidade jurídica, podendo ocorrer antes do trânsito em julgado,
densidade ou conteúdo, visto exigir o tratamento de matéria exclusi- sem o manto da imutabilidade, e beneficiar ou prejudicar terceiros (daí
vamente pelo Legislativo, sem participação normativa do Executivo”. porque se admite a assistência litisconsorcial, o recurso de terceiro e
Até bem pouco tempo atrás, a Parte Especial do nosso atual Códi- ação rescisória do terceiro prejudicado).
go Penal e a Lei de Contravenções Penais alcançavam vigência como Assim, todos são afetados pelos efeitos da sentença, até porque
decreto-lei. Seria comparativamente, hoje, aceitar a modificação malé- as relações jurídicas não existem isoladamente no plano da realidade,
fica ou criação de crimes por medida provisória ou lei delegada. mas a própria ordem constitucional rejeita que aqueles que não parti-
Quando a Carta, em seu artigo 5.o, XXXIX estabelece que não ciparam do processo fiquem vinculados à imutabilidade da coisa jul-
haverá crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia comi- gada lá produzida (princípios do devido processo legal, ampla defesa
nação legal, estamos diante de uma matéria reservada à lei formal. So- e contraditório).
mente a União, privativamente, através de seu Poder Legislativo, po- A coisa julgada pode ser material (quando se projeta para fora
do processo) ou formal (imutabilidade da sentença em si mesmo –
derá discipliná-la (art. 22, I, CF). “A garantia da lex populi exige que,
efeito endoprocessual que põe fim à relação processual). Representa
em matéria penal incriminadora, a lei respectiva siga estritamente o
uma opção política do legislador, que visa a conciliar os princípios da
procedimento legislativo constitucional da lei ordinária.”. Fica vedada celeridade e segurança, certeza e justiça das decisões, buscando um
a interferência dos Estados-Membros ou Municípios, assim como a equilíbrio entre estes vetores muitas vezes contrapostos. Sua previsão
ingerência do Executivo ou Judiciário, na criação de crimes e penas. constitucional está no art. 5º, XXXVI e infraconstitucional no art. 467
e ss do CPC.
Princípio da Não-Retroatividade das Leis (Inciso XXXVI):
Este é outro princípio fundamental de nosso ordenamento jurídico. 2. Eficácia preclusiva da coisa julgada:
Tem sua fundamentação legal na Lei de Introdução ao Código Civil, Ao prever os efeitos preclusivos da coisa julgada, o art. 474 do
art. 6º e na Constituição Federal, que assim dispõe: CPC determina que passada em julgado a sentença de mérito, reputar-
A irretroatividade assegura que direitos e atos consolidados no se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte
tempo não sejam objeto de modificação pelo ente estatal, mantendo a poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido.
Para Rodolfo Mancuso, a técnica da eficácia preclusiva acolhi-
estabilidade das relações e a segurança jurídica necessária ao estado de da por este dispositivo legal opera como uma válvula de segurança
direito. É composto por três outros institutos: do sistema, de modo a imunizar as questões deduzidas e deduzíveis,
Direito Adquirido: o conceito está expresso no art. 6º, § 2º da LICC mas desde que atinentes ao núcleo do thema decidendum, isto é, ao
que dispõe ser “os direitos que o seu titular ou alguém por ele, possa preciso objeto litigioso, técnica que lembra o collateral estoppel, das
exercer como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixo, classactions do direito norte-americano, pelo qual consideram-se in-
cluídos no julgado os necessary steps, ou seja, as premissas necessárias
ou condição preestabelecida inalterável, a arbítrio de outrem”.
à conclusão.
O instituto não é absoluto, assim como seu princípio regente, Barbosa Moreira entende que há uma relação de instrumentali-
como ensina Marcelo Novelino: dade entre os limites objetivos da coisa julgada e a sua eficácia pre-
Sendo defesa contra arbitrariedades do Estado, o direito adquirido clusiva, pois enquanto os limites objetivos geram a imutabilidade do
é garantia da estabilidade nas relações jurídicas do particular com o julgado, no que tange à parte dispositiva, a eficácia preclusiva consiste
no impedimento que surge à discussão e apreciação de questões susce-
poder público.
tíveis de influir neste julgado, cobrindo o deduzido e dedutível. Assim,
Ato Jurídico Perfeito: Dispõe o § 1º, do art. 6º da LICC que “re- pode suceder que, de fato, não tenham sido exaustivamente considera-
puta-se o ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente das, no processo, as questões que poderiam influir na decisão, sendo
ao tempo em que já se efetuou”. Repisadamente citada pela doutrina a vedado que depois de findo o processo se viesse a pôr em dúvida o re-
concepção de Celso Bastos nos parece a mais cristalina: sultado atingido, acenando-se com tal ou qual questão que haja ficado
na sombra e que, porventura trazida à luz, teria sido capaz de levar o
Como observamos, direito adquirido e ato jurídico perfeito não se
órgão judicial à conclusão diferente da corporificada na sentença (res-
confundem, sendo este um passo para se chegar ao primeiro: salvados os casos restritos de rescindibilidade do julgado).

Didatismo e Conhecimento 27
CONHECIMENTOS GERAIS
O expediente técnico a que se recorre é considerar implicitamente “A Constituição assegura aos litigantes, em processo judicial ou
decididas pela sentença que transitou em julgado todas as questões, administrativo, e aos acusados em geral, o contraditório e a ampla de-
ainda que não apreciadas, cuja solução se devesse reputar idônea para fesa, com os meios e recursos a ela inerentes (art. 5º, LV). O contra-
influir no conteúdo do pronunciamento judicial. Trata-se de uma fic- ditório entendido como a ciência bilateral dos atos do processo com a
ção, que não pode estender às questões a autoridade da coisa julgada possibilidade de contrariá-los, é composto por dois elementos: infor-
(não estão imunes à rediscussão em outro processo), já que assim não mação e reação, sendo esta meramente possibilitada em se tratando
ocorre nem mesmo entre as questões efetivamente apreciadas (a mo- de direitos disponíveis. A audiência bilateral é requisito indispensável
tivação da decisão não faz coisa julgada). Portanto, nem às questões
deduzidas nem às dedutíveis se estende a auctoritas rei iudicatae, mas para a garantir justiça das decisões, pois ‘somente pela soma da parcia-
todas se submetem à eficácia preclusiva da coisa julgada, para que não lidade das partes (um representando a tese e a outra, a antítese) o juiz
venham ser utilizadas como instrumento de ataque ao julgado. pode corporificar a síntese, em um processo dialético’. A ampla defesa
é uma decorrência do contraditório (‘reação’). Assegura ao indivíduo
3. Relativização da coisa julgada - coisa julgada rebus sic stan- a utilização, para a defesa de seus direitos, de todos os meios legais e
tibus – teoria da imprevisão moralmente admitidos. Não caracteriza uma violação a esta garantia o
Por fim, uma questão interessante se coloca: a coisa julgada gera simples indeferimento de uma diligência probatória considerada des-
imutabilidade absoluta ou relativa? Há possibilidades excepcionais de necessária ou irrelevante.”
reabertura da discussão (relativização da coisa julgada), quando estão
em jogo outros princípios e garantias constitucionais, dentre elas a ga- Princípio do Juiz Natural (Incisos XXXVII e LIII): Para que
rantia de acesso à justiça (CF, art. 5º, XXXV). “Não é legítimo eterni- exista um processo formalmente justo é necessário que o julgador seja
zar injustiças a pretexto de se evitar a eternização de incertezas”. escolhido por meios pré-definidos, a fim de não incorrer em insegu-
Um dos casos mais comuns em que esta questão se coloca é o do
rança às partes.
advento de coisa julgada sobre reconhecimento de filiação antes do
surgimento do teste de DNA, sendo posteriormente realizado o exame “O princípio do juiz natural encontra em nossa Carta Magna dois
e descoberta a ausência de vínculo genético. Caso tenha transcorrido o dispositivos de tutela, os incisos XXXVII e LIII do art. 5º, (...). Os
prazo da rescisória, é possível se anular a relação de paternidade com- dispositivos transcritos consagram o princípio do juiz natural, também
provadamente inexistente? denominado princípio do juiz legal. O conteúdo jurídico do princípio
Há quem defenda a propositura de ação declaratória de inexis- pode ser resumido na inarredável necessidade de predeterminação
tência de coisa julgada, imprescritível, para promover a coincidência do juízo competente, quer para o processo, quer para o julgamento,
entre a verdade formal e a verdade real. Barbosa Moreira, por sua vez, proibindo-se qualquer forma de designação de tribunais ou juízos para
acredita que seria interessante uma alteração legislativa neste caso para casos determinados. (...) A garantia constitucional tem dois destinatá-
estabelecer como termo inicial do prazo da rescisória o dia em que o rios: o cidadão, que deve submeter-se ao juízo aleatório do Estado, sem
interessado obtém o laudo de DNA, ao invés do trânsito em julgado da procurar romper a regra da leve distribuição, e o Estado, que não pode
sentença rescidenda. definir o juiz para determinado cidadão ou caso. O princípio, contudo,
não veda a existência de juízos especializados, desde que guardado o
Princípio do Devido Processo Legal (Inciso LIV): O estado de
direito tem como um de seus pilares o justo processamento das causas caráter generalizador da norma que os criar, que só ofenderá o prin-
litigiosas, ou seja, aquele que sofre a persecução do Estado em relação cípio em estudo no caso de, por via transversa, buscar a submissão
aos direitos de liberdade e propriedade é assegurado um processo em- de situações ou pessoas predeterminadas á competência desses novos
basado em regras legislativas que definam uma instrução e julgamento órgãos.”
justos e adequados. Essa garantia é assim definida por Alexandre de
Moraes: Princípio da Inafastabilidade da Apreciação Jurisdicional
“O devido processo legal configura dupla proteção ao indivíduo, (Inciso XXXV): O legislador constitucional resguardou a possibilida-
atuando tanto no âmbito material de proteção ao direito de liberdade, de de o indivíduo recorrer ao judiciário para se precaver de possível
ofensa ao seu direito (via preventiva) ou quando já ferido esse direito
quanto no âmbito formal, ao assegurar-lhe paridade total de condições (via repressiva).
com o Estado-persecutor e plenitude de defesa (direito a defesa técnica, “A rigor, a Constituição veda a possibilidade de exclusão da ale-
à publicidade do processo, à citação, de produção ampla de provas, de gação de lesão ou ameaça, uma vez que o direito de ação não se vin-
ser processado e julgado pelo juiz competente, aos recursos, à decisão cula à efetiva procedência do pedido. Portanto, não se deve confundir
imutável, à revisão criminal).” “negativa de prestação jurisdicional com decisão jurisdicional contrá-
ria à pretensão da parte.“
Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa (Inciso LV): O princípio sofre mitigações quanto à justiça desportiva (art. 217,
Outro princípio processual que visa a garantia da igualdade nas rela- § 1º), de responsabilidade do Senado (art. 52, I e II) e da Câmara em
ções jurídicas, que para melhor ser entendido segue colacionado os conjunto com o Senado (art. 55 § 2º).
entendimentos dos constitucionalistas Alexandre de Moraes e Marcelo
Novelino: Princípio da Razoável Duração do Processo (Inciso LXX-
“Por ampla defesa entende-se o asseguramento que é dado ao réu VIII): Este princípio visa uma justiça célere, pois não adianta garantir
ao indivíduo o acesso ao Judiciário, é necessário que ele se manifeste
de condições que lhe possibilitem trazer para o processo todos os ele-
em tempo hábil a garantir um resultado satisfatório.
mentos tendentes a esclarecer a verdade ou mesmo de omitir-se ou “A simples garantia formal do dever do Estado de prestar a Justiça
calar-se, se entender necessário, enquanto o contraditório é a própria não é suficiente, sendo necessária uma prestação estatal rápida, efetiva
exteriorização da ampla defesa, impondo a condução dialética do pro- e adequada.”
cesso (por conflito), pois a todo ato produzido pela acusação caberá Além do direito à vida, do qual decorrem todos os outros direitos,
igual direito da defesa de opor-se-lhe ou de dar-lhe a versão que melhor e dos princípios que regulam nossa ordem constitucional, temos vá-
lhe apresente, ou ainda, de fornecer uma interpretação jurídica diversa rias outras garantias e direitos que podem ser classificados da seguinte
daquela feita pelo autor.” forma:

Didatismo e Conhecimento 28
CONHECIMENTOS GERAIS
- Direitos Ligados à Liberdade: a concepção de liberdade não antena, pois o seu objetivo precípuo consiste em garantir aos partidos
deve estar ligada a noção de que se pode fazer qualquer coisa a qual- políticos espaços nos meios de comunicação social, como já assinala-
quer tempo, ou seja, de um pensamento extremamente anárquico. do.”
“A noção de liberdade deve ser associado à arbitrariedade, mas - Direito de Informação Jornalística (art. 220, § 1º): Também de-
sim à ideia de responsabilidade, que serve como limite ao seu exercí- corrente do direito de informação, a liberdade de informação jornalís-
cio. (...) A concepção formal considera a liberdade como um valor em tica assegura que o indivíduo possa ter acesso, sem censura prévia, às
si, caracterizada como um direito a que o Estado não impeça ação e questões cotidianas.
omissões (...) e uma permissão para fazer ou não fazer o que quiser...” “A liberdade de informação jornalística é por assim dizer a herdei-
São direitos ligados à liberdade: ra primogênita da antiga liberdade de imprensa. (...) Nesse sentido, a
- Liberdade de manifestação do pensamento (art. 5º, IV), direito informação jornalística é composta pela notícia e pela crítica. Aquela
de resposta e à indenização (art. 5º, V) e liberdade de expressão (art. 5º, traduz a divulgação de um fato cujo conhecimento tenha importância
IX): Por meio de reflexões internas o ser humano formula convicções para o indivíduo na sociedade em que vive. A crítica designa a opinião,
íntimas que exterioriza em opiniões. No entanto, esse direito não pode o juízo de valor, que recai sobre a notícia.”
ser ofensivo ao direito de outrem: Importa ressaltar que para se configurar notícia, a informação vei-
“Em alguns casos a manifestação do pensamento pode atingir di- culada deve ser verídica, bem como importar em relevância pública.
reitos de terceiros, sua esfera de privacidade ou causar-lhes prejuízos. - Direito de Informação Pública (art. 5º, XXXIII): Esse direito
Por essa razão é imprescindível a identificação do responsável pelos
deriva do princípio da moralidade administrativa (art. 37, caput), que
juízos emitidos a fim de viabilizar, se for o caso, sua responsabilização
dentre seus fundamentos consagra a publicidade dos atos administrati-
civil e/ou pena. A vedação do anonimato tem por finalidade desestimu-
vos. Desta forma, o ente público prima pela transparência de seu com-
lar manifestações abusivas do pensamento, sendo assegurado o direito
de resposta proporcional ao agravo, além da indenização por eventuais portamento.
danos materiais, morais ou à imagem do ofendido (art. 5º, V).” “Esse dever fica restrito aos organismos públicos, pois, confor-
Ainda na esfera da manifestação do pensamento está a garantia de me o disposto no art. 5º, XXXIII, da Constituição da República, os
que não haverá censura quanto à liberdade de expressão (art. 5º, IX): indivíduos têm o direito de ‘receber dos órgãos públicos informações
“A liberdade de expressão e de manifestação de pensamento não de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral...”, donde
pode sofrer nenhum tipo de limitação prévia, no tocante a censura de se conclui que o Poder Público tem a obrigação de manter o cidadão
natureza política, ideológica e artística. Contudo é possível à lei ordi- constante e integralmente informado, municiando-lhe com todas as in-
nária a regulamentação das diversões e espetáculos, classificando-os formações acerca das atividades públicas.”
por faixas etárias a que não se recomendem, bem como definir locais e - Liberdade de Consciência e Crença (art. 5º, VI): Esta é uma
horários das famílias quanto a programas de rádio e televisão que des- garantia de que o indivíduo não sofrerá qualquer tipo de coação do
cumpram os princípios determinados no art. 221, I a IV, como respeito Estado com relação as suas convicções, sem elas políticas, filosóficas
aos valores éticos e sociais da pessoa e da família (arts. 220, § 3º e 221). ou religiosas.
A inviolabilidade prevista no inciso X do art. 5º, porém, traça os limites “A liberdade de consciência consiste na adesão a certos valores
tanto para a liberdade de expressão do pensamento como para o direito morais e espirituais, independentes de qualquer aspecto religioso. ”
à informação, vedando-se o atingi mento à intimidade, à vida privada, - Escusa de Consciência (art. 5º, VIII): Assim como protege o di-
à honra e à imagem das pessoas.” reito do indivíduo de professar suas convicções, a Constituição da Re-
- Direito de Informação (art. 5º, XIV): A capacidade de emitir pública reprime a intervenção baseada em preconceitos contra religião,
opiniões é mais abrangente que a sua capacidade de informar, divul- convicções políticas e filosóficas. O direito é limitado para que não seja
gar o pensamento pode exprimir outras formas de exteriorização das invocado para se eximir de obrigação imposta a todos ou cumprir pres-
convicções individuais, como críticas e dúvidas, por isso não se deve tação alternativa, como é o caso, p. ex. , do serviço militar obrigatório
confundir o direito de opinião ou manifestação do pensamento com a (art. 143, § 1º).
o direito de informação. - Liberdade de Locomoção (art. 5º XV): A segurança em se loco-
“O direito de informação envolve o direito de passar, receber e mover em território brasileiro é o tema desse direito.
buscar informações: por isso, afirma-se que ele assume três feições: o “A locomoção é um dos aspectos fundamentais da liberdade física
direito de informar, de se informar e de ser informado. (...) O direito de do homem e engloba não apenas o direito de ir e vir, mas também o de
informar, ou de passar informações, tem um sentido constitucional de permanecer (art. 5º, XV). Além das limitações inerentes a sua própria
liberdade para informar. Em outras palavras, trata-se de direito funda- natureza, este direito pode encontrar restrições concernentes a sua ma-
mental de primeira geração, cuja preocupação consiste em impedir que nifestação (como é o caso da utilização de vias e logradouros públicos).
o Poder Público crie embaraços ao livre fluxo das informações. Assim Portanto, a liberdade de circulação não impede seja disciplinada a for-
o indivíduo possui liberdade para informar.” ma pela qual há de se dar a esta circulação. Visando à proteção de tal
- Direito de Antena (art. 17, § 3º): Em razão do preceito constitu- liberdade, a Constituição veda a prisão civil por dívida, que só poderá
cional pelo qual os partidos políticos são a expressão plural das ideolo- ocorrer nos casos de inadimplemento voluntário e inescusável de pen-
gias, a eles é assegurada a intervenção gratuita no rádio e na televisão. são alimentícia ou de depositário infiel (art. 5º, LXVII).”
“Em outras palavras, o direito de antena traduz o direito a espaço - Liberdade de Reunião e Associação (art. 5º, XVII a XXII): A
gratuito nos meios de comunicação para a propagação de ideias, dou- doutrina é consentânea que para se caracterizar reunião devem estar
trinas etc. (...) De se indagar, nessa linha de raciocínio, se a Constitui presentes alguns requisitos próprios, como a plurissubjetividade (duas
brasileira empalmou direito similar. Entendemos que sim. Embora de ou mais pessoas), consciência e vontade dos participantes e duração
maneira muito restrita, o tempo no rádio e na televisão assegurado pelo limitada. Quanto à associação, é didático o seguinte conceito:
art. 17, § 3º, da Constituição Federal tem nítido colorido de direito de

Didatismo e Conhecimento 29
CONHECIMENTOS GERAIS
“Direito de associação é o direito de exercício coletivo que, dota- “O direito à imagem possui duas variações. De um lado, deve ser
do de caráter permanente, envolve a coligação voluntária de duas ou entendido como o direito relativo à reprodução gráfica (retrato, dese-
mais pessoas com vistas à realização de objetivo comum, sob direção nho, fotografia, filmagem, etc.) da figura humana. De outro, porém,
unificante.” a imagem assume a característica do conjunto de atributos cultivados
Assim, pode-se extrair que a principal diferença entre os institutos pelo indivíduo e reconhecidos pelo conjunto social. Chamemos a pri-
é a temporalidade, enquanto a reunião é episódica a associação tem meira imagem de imagem-retrato e a segunda de imagem-atributo.”
caráter permanente. As reuniões devem ter propósito pacífico e no caso Para proteger a intimidade, a honra e a imagem do indivíduo, de-
de realização em local público, que a autoridade competente seja pre- vemos analisar alguns conceitos:
viamente avisada. - Gravação Clandestina: “A gravação clandestina é aquela feita
Quanto às associações (ou sindicatos), em caso de impetração de por um dos interlocutores sem o conhecimento dos demais, podendo
Mandado de Segurança coletivo é desnecessária a autorização indivi- ser telefônica, pessoal (realizada com um mini-gravador) ou ambien-
dual, conforme entendimento adotado pelo STF. tal (imagens captadas por uma câmera escondida). A utilização desta
espécie de gravação, em princípio, é vedada por caracterizar uma in-
Direitos Relativos à Privacidade: ao indivíduo a Constituição tromissão indevida na privacidade alheia (art. 5º, X).”
resguardou a liberdade para manifestar-se, com limitações é verdade. Dessa forma, tais gravações não podem ser utilizadas como pro-
Uma das limitações é o direito à privacidade dos outros, para que assim vas em processos (art. 5º, LVI), entretanto, há exceções quando tais
todos possam se proteger contra a interferência em sua esfera íntima da provas estiverem inseridas no âmbito de outros direitos fundamentais.
atuação do Estado e de outrem. É o caso de gravação que serve de defesa em processo penal, torna-se
“Como decorrência da autonomia da vontade e do respeito ao li- uma garantia da ampla defesa objetivando a manutenção do direito de
vre-arbítrio, o direito à privacidade confere ao indivíduo a possibilida- liberdade.
de de conduzir sua própria vida da maneira que julgar mais convenien- Outra excepcionalidade ocorre quando uma das partes intenta
te sem intromissão da curiosidade alheia, desde que não viole a ordem cooptar a outra em ato criminoso, nesse caso termos um excludente de
pública, os bons costumes e o direito de terceiros.” antijuridicidade, a parte que está sendo assediada pode utilizar a grava-
Contudo, dentro da esfera privada há um aspecto ainda mais res- ção como forma de proteção, sem o conhecimento da outra.
Por fim, temos a gravação de atos ilícitos praticados por agentes
trito das relações pessoais, a intimidade:
públicos, “em razão do princípio da publicidade, o qual retira os atos
“Com efeito, a vida social do indivíduo divide-se em duas esfe-
administrativos da privacidade do indivíduo.”
ras: a pública e a privada. Por privacidade, de conseguinte, devem-se
- Interceptação da comunicação: “... consiste na interrupção ou
entender os níveis de relacionamento social que o indivíduo habitual-
intromissão por um terceiro, sem o conhecimento de um (ou de ambos)
mente mantém oculto ao público em geral, dentre eles: a vida familiar,
dos interlocutores. A interceptação pode ocorrer em uma comunica-
as aventuras amorosas, o lazer e os segredos de negócio.”
ção epistolar, telegráfica, de dados ou telefônica, sendo vedada, por
“Podemos vislumbrar, assim, dois diferentes conceitos. Um, de
violar a liberdade de comunicação pessoal (art. 5º, XII)”
privacidade, onde se fixa a noção das relações interindividuais, que,
- Quebra de Sigilo: consiste na possibilidade de acesso ao conteú-
como as nucleadas na família, devem permanecer ocultas ao público. do de informações contidas em banco de dados e arquivos pessoais.
Outro, de intimidade, onde se fixam uma divisão entre o ‘eu’ e os ‘ou- Pode ser bancário, fiscal, telefônico ou de informática.
tros’, de forma a criar um espaço que o titular deseja manter impene- “Esse talvez seja o mais complexo, em termos de enquadramento
trável mesmo aos mais próximos.” constitucional. Isso porque, apesar do art. 5º, XII, fazer expressa refe-
Marcelo Novelino destaca que o direito de informação pode signi- rência à inviolabilidade do sigilo de dados, uma análise cuidadosa do
ficar uma exceção à privacidade do indivíduo: dispositivo conduz ao entendimento de que a proteção nele assegurada
“A divulgação de uma informação invasiva da privacidade deve é apenas em referência à liberdade e privacidade das comunicações
ser admitida quando concorrerem os seguintes fatores: pessoais.. Por essa razão, entendemos ser necessário um duplo enqua-
i) licitude da informação; dramento: a inviolabilidade do sigilo de dados transmitidos e/ou re-
ii) forma adequada de transmissão; e, cebidos está assegurada pela liberdade de comunicação pessoal (art.
iii) contribuição para o debate de interesse geral ou relevância para 5º, XII); a inviolabilidade de dados constantes de arquivos pessoais
a formação da opinião pública, eixo em torno do qual gira o direito à ou privados (‘não transmitidos’) deverá ser assegurada apenas quando
informação. A divulgação de uma deve ser de interesse público, não estiver em jogos uma invasão indevida da privacidade (art. 5º, X).”
apenas de ‘interesse do público’. (...) - Inviolabilidade do Domicílio (art. 5º, XI): “A entrada em uma
Por fim, são restrições legítimas à privacidade a divulgação de casa sem o consentimento do morador somente poderá ocorrer no
fatos que envolvam atividades criminosas (‘função de prevenção ge- caso de flagrante delito, desastre, para prestar socorro ou por deter-
ral’) ou de fatos noticiáveis, como enchentes, terremotos, acidentes e minação judicial. Em virtude do caráter emergencial, nas hipóteses
catástrofes de grandes proporções.” de flagrante delito, desastre ou para prestar socorro, a casa poderá
Ainda na esfera da intimidade temos a concepção do direito à hon- ser invadida a qualquer hora do dia ou da noite. Para cumprimento
ra e à imagem. de determinação judicial, se não houver consentimento do morador,
Conceitua-se como honra um valor dentro do que o indivíduo in- somente durante o dia.”
ternaliza como moral. Esse valor moral pode ser do próprio indivíduo - A Lei Complementar nº 105/2001, estabelece as hipóteses em
em relação a sua pessoa (honra subjetiva), como a que os outros têm que podem ser utilizados os dados constantes de instituições financei-
como conceito social (honra objetiva). ras;
Com relação à imagem, David Araújo e Vidal Serrano distinguem - O MP não possui legitimidade para quebrar sigilo, devendo soli-
dois tipos de concepção: citar à autoridade judicial a determinação;

Didatismo e Conhecimento 30
CONHECIMENTOS GERAIS
- A inviolabilidade de correspondência pode sofrer restrições, é bunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio
o caso do estado de defesa (art. 136, § 1º, I, b), ou estado de sítio (art. do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do
139, III); Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados
- A interceptação telefônica só é admitida se requisitada judicial- Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos
mente para investigação criminal ou instrução processual penal, sem Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros
esse requisito é considerada ilícita (fruits of the poisonous tree). Para e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie,
ser utilizada como prova deve obedecer ao regulamento da Lei nº dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Ju-
9296/96. diciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos
Procuradores e aos Defensores Públicos;
CAPÍTULO VII XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;
Seção I XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espé-
DISPOSIÇÕES GERAIS cies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço
público;
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor públi-
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios co não serão computados nem acumulados para fins de concessão de
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, acréscimos ulteriores;
publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e em-
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos bra- pregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto nos incisos XI
sileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;
aos estrangeiros, na forma da lei; XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, ex-
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de apro- ceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qual-
vação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de quer caso o disposto no inciso XI:
acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na for- a) a de dois cargos de professor;
ma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
declarado em lei de livre nomeação e exoneração; c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saú-
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, de, com profissões regulamentadas;
prorrogável uma vez, por igual período; XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convo- e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de
cação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou
títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para indiretamente, pelo poder público;
assumir cargo ou emprego, na carreira; XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão,
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por ser- dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os
vidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem demais setores administrativos, na forma da lei;
preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percen- XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e
tuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de autorizada a instituição de empresa pública, de sociedade de economia
direção, chefia e assessoramento; mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso,
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associa- definir as áreas de sua atuação;
ção sindical; XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso anterior, assim
definidos em lei específica; como a participação de qualquer delas em empresa privada;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,
para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de
admissão; licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os con-
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determi- correntes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento,
nado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual
público; somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do
específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funciona-
revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; mento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, te-
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções rão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão
e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacio- de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e
nal, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eleti- § 1º - A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e cam-
vo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra panhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo
espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou
as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão ex- imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servi-
ceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tri- dores públicos.

Didatismo e Conhecimento 31
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 2º - A não observância do disposto nos incisos II e III implicará I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital,
a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, nos termos ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
da lei. II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, em-
§ 3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na prego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração;
administração pública direta e indireta, regulando especialmente: III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função,
geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendimento ao usuá- sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compa-
rio e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços; tibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a infor- IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício
mações sobre atos de governo, observado o disposto no art. 5º, X e
de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os
XXXIII;
efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou
abusivo de cargo, emprego ou função na administração pública. V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamen-
§ 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspen- to, os valores serão determinados como se no exercício estivesse.
são dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilida-
de dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas Seção II
em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. DOS SERVIDORES PÚBLICOS
§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos pra-
ticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento. instituirão conselho de política de administração e remuneração de pes-
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito priva- soal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
do prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus § 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais compo-
agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de nentes do sistema remuneratório observará:
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos
§ 7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante cargos componentes de cada carreira;
de cargo ou emprego da administração direta e indireta que possibilite II - os requisitos para a investidura;
o acesso a informações privilegiadas. III - as peculiaridades dos cargos.
§ 8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos § 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de
e entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada me-
governo para a formação e o aperfeiçoamento dos servidores públicos,
diante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder pú-
constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a pro-
blico, que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o
moção na carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou
órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato; contratos entre os entes federados.
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, § 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o dispos-
obrigações e responsabilidade dos dirigentes; to no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX,
III - a remuneração do pessoal. XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados
§ 9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às de admissão quando a natureza do cargo o exigir.
sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem re- § 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Minis-
cursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios tros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remune-
para pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral. rados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o
§ 10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposenta- acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de
doria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer
cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis caso, o disposto no art. 37, X e XI.
na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comis- § 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municí-
são declarados em lei de livre nomeação e exoneração. pios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor remuneração
§ 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remunerató- dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no
rios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter art. 37, XI.
indenizatório previstas em lei.
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão
§ 12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo,
anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e em-
fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar, em seu âmbito,
pregos públicos.
mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como
limite único, o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo § 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni-
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centési- cípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários provenien-
mos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal tes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e
Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos fundação, para aplicação no desenvolvimento de programas de quali-
Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. dade e produtividade, treinamento e desenvolvimento, modernização,
reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e forma de adicional ou prêmio de produtividade.
fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes § 8º A remuneração dos servidores públicos organizados em car-
disposições: reira poderá ser fixada nos termos do § 4º.

Didatismo e Conhecimento 32
CONHECIMENTOS GERAIS
Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no cargo
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autar- efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo estabelecido
quias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter con- para os benefícios do regime geral de previdência social de que trata
tributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, o art. 201, acrescido de setenta por cento da parcela excedente a este
dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios limite, caso em atividade na data do óbito.
que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste ar- § 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-
tigo. lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme critérios estabe-
§ 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que lecidos em lei.
trata este artigo serão aposentados, calculados os seus proventos a par- § 9º - O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal
tir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17: será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de serviço corres-
I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcionais pondente para efeito de disponibilidade.
ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de acidente em servi- § 10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem
ço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, na de tempo de contribuição fictício.
forma da lei; § 11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumula-
de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos 75 (setenta e ção de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades
cinco) anos de idade, na forma de lei complementar; (Redação dada sujeitas a contribuição para o regime geral de previdência social, e ao
pela Emenda Constitucional nº 88, de 2015) montante resultante da adição de proventos de inatividade com re-
III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de dez muneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo
anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efe- em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, e de
tivo em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condi- cargo eletivo.
ções: § 12 - Além do disposto neste artigo, o regime de previdência
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se ho- dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que
mem, e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição, se couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previ-
mulher; dência social.
b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta anos de § 13 - Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em co-
idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de contribui- missão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como
ção. de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica-se o regime
§ 2º - Os proventos de aposentadoria e as pensões, por ocasião geral de previdência social.
de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do respectivo § 14 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios,
servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposentadoria ou que serviu desde que instituam regime de previdência complementar para os seus
de referência para a concessão da pensão. respectivos servidores titulares de cargo efetivo, poderão fixar, para o
§ 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por ocasião valor das aposentadorias e pensões a serem concedidas pelo regime de
da sua concessão, serão consideradas as remunerações utilizadas como que trata este artigo, o limite máximo estabelecido para os benefícios
base para as contribuições do servidor aos regimes de previdência de do regime geral de previdência social de que trata o art. 201.
que tratam este artigo e o art. 201, na forma da lei. § 15. O regime de previdência complementar de que trata o §
§ 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para 14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder Executivo,
a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, no que couber, por
este artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, intermédio de entidades fechadas de previdência complementar, de
os casos de servidores: natureza pública, que oferecerão aos respectivos participantes planos
I portadores de deficiência; de benefícios somente na modalidade de contribuição definida.
II que exerçam atividades de risco; § 16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto
III cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver ingressado
prejudiquem a saúde ou a integridade física. no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do
§ 5º - Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão correspondente regime de previdência complementar.
reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no§ 1º, III, «a», para § 17. Todos os valores de remuneração considerados para o cál-
o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício culo do benefício previsto no § 3° serão devidamente atualizados, na
das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamen- forma da lei.
tal e médio. § 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias
§ 6º - Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acu- e pensões concedidas pelo regime de que trata este artigo que superem
muláveis na forma desta Constituição, é vedada a percepção de mais o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de
de uma aposentadoria à conta do regime de previdência previsto neste previdência social de que trata o art. 201, com percentual igual ao
artigo. estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos.
§ 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por § 19. O servidor de que trata este artigo que tenha completado
morte, que será igual: as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas no § 1º, III,
I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, até a, e que opte por permanecer em atividade fará jus a um abono de
o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de permanência equivalente ao valor da sua contribuição previdenciária
previdência social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento até completar as exigências para aposentadoria compulsória contidas
da parcela excedente a este limite, caso aposentado à data do óbito; ou no § 1º, II.

Didatismo e Conhecimento 33
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de Segundo Reale (1986, p. 60): Princípios são, pois verdades ou
previdência social para os servidores titulares de cargos efetivos, e de juízos fundamentais, que servem de alicerce ou de garantia de certe-
mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente esta- za a um conjunto de juízos, ordenados em um sistema de conceitos
tal, ressalvado o disposto no art. 142, § 3º, X. relativos à dada porção da realidade. Às vezes também se denominam
§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá apenas princípios certas proposições, que apesar de não serem evidentes ou
sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de pensão que su- resultantes de evidências, são assumidas como fundantes da validez
perem o dobro do limite máximo estabelecido para os benefícios do de um sistema particular de conhecimentos, como seus pressupostos
regime geral de previdência social de que trata o art. 201 desta Consti- necessários.
tuição, quando o beneficiário, na forma da lei, for portador de doença Segundo apontamentos de Melo (1994, p. 450): Princípio - já
incapacitante. averbamos alhures - é, por definição, mandamento nuclear de um sis-
tema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servi- sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de crité-
dores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de con- rio para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a
curso público. lógica e a racionalização do sistema normativo, no que lhe confere a tô-
§ 1º O servidor público estável só perderá o cargo: nica e lhe dá sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado; preside a intelecção das diferentes partes componentes do todo unitário
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada que há por nome sistema jurídico positivo (...). Violar um princípio é
ampla defesa; muito mais grave que transgredir uma norma qualquer. A desatenção
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempe- ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento
nho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa. obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor es- de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, conforme o escalão do prin-
tável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se estável, cípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema,
reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aprovei- subversão de seus valores fundamentais, contumélia irremissível a seu
tado em outro cargo ou posto em disponibilidade com remuneração arcabouço lógico e corrosão de sua estrutura mestra. Isto porque, com
ofendê-lo, abatem-se as vigas que os sustêm e alui-se toda a estrutura
proporcional ao tempo de serviço.
nelas esforçada.
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor
Os princípios carregam consigo alto grau de imperatividade, o que
estável ficará em disponibilidade, com remuneração proporcional ao
denota seu caráter normativo (dever ser).
tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
Sendo que qualquer ato administrativo praticado pelos agentes da
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória
administração pública, deve ser praticado observando os princípios,
a avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa
pois qualquer ato administrativo que dele se destoe será inválido, con-
finalidade.
sequência esta que representa a sanção pela inobservância deste padrão
normativo, cuja reverência é obrigatória. Os princípios veiculam dire-
O artigo 37 da Constituição Federal de 1988, elenca os princí- tivas comportamentais, acarretando um dever positivo para o servidor
pios inerentes à Administração Pública, que são: legalidade, impessoa- público.
lidade, moralidade, publicidade e eficiência. A função desses princípios
é a de dar unidade e coerência ao Direito Administrativo, controlando - Princípio da legalidade
as atividades administrativas de todos os entes que integram a federa- Este princípio é basilar do regime jurídico-administrativo, pois
ção brasileira (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). além de ser essencial, específico e informador, submete o Estado à lei.
Estes princípios devem ser seguidos à risca pelos agentes públi- A Administração Pública só pode ser exercida na conformidade da lei.
cos, não podendo se desviar destes princípios sob pena de praticar ato Trata-se, portanto, da garantia mais importante do cidadão, protegen-
inválido e expor-se à responsabilidade disciplinar civil ou criminal de- do-o de abusos dos agentes administrativos e limitando o Poder do
pendendo do caso. Estado em interferir na esfera das liberdades individuais.
Para adentrarmos aos princípios basilares da Administração Pú- O princípio da legalidade significa que o agente público, em toda
blica, antes, devemos entender o significado de princípio. a sua atividade laboral, esta sujeito aos mandamentos da lei, não po-
Princípio vem do latim principium e tem vários significados no dendo desviar das leis, sob pena de praticar ato inválido e expor-se à
ordenamento jurídico. Por um lado, quer dizer base inicial, fonte, nas- responsabilidade disciplinar civil e criminal, conforme o caso, pois a
cedouro, alicerce, começo, início, origem, ponto de partida; por outro administração pública, em toda a sua atividade, presa aos mandamen-
lado, regra a seguir, norma, que são ideias fundamentais, valores bási- tos das leis, ou seja, as atividades administrativas estão condicionadas
cos da sociedade, com a função de assegurar a estabilidade da ordem ao atendimento da lei. E este princípio não esta condicionado somente
jurídica e a continuidade e igualar o sistema jurídico. a atividade da administração, estendendo-se também às demais ativi-
É, por definição, o elo do sistema jurídico, fazendo com que diver- dades do Estado.
sas normas sejam fundamentadas, estruturadas e compreendidas. Tem A lei, para a Administração Pública, significa “dever fazer assim”.
como responsabilidade, na ciência jurídica, de organizar o sistema e As leis, em sua maioria, são de ordem pública, não podendo ser des-
atuar como ponto de partida para todo o ordenamento jurídico. Seriam cumpridas.
pensamentos diretores, nas quais os institutos e as normas vão se apoiar
e fixar, ajudando a consolidar e interpretar normas administrativas. Por 1- Constituição Federal
fim, princípios são normas jurídicas estruturais de um dado ordena- A Constituição Federal consagrou o princípio da legalidade no in-
mento jurídico. ciso II do artigo 5º, no qual diz:

Didatismo e Conhecimento 34
CONHECIMENTOS GERAIS
Art. 5º- “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer O princípio da impessoalidade é dever do Estado e direito do cida-
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no dão. Este princípio não se dirige apenas ao administrador público, mas
país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à se- também ao legislador.
gurança e à propriedade, nos termos seguintes”:
II - “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma 2- Objetivo
coisa senão em virtude de lei;” Visa a neutralidade e a objetividade das atividades administrati-
2- Objetivo vas no regime político, que tem como objetivo principal o interesse
É beneficiar os interesses da coletividade como um todo, que é o público. No princípio da impessoalidade os atos e provimentos admi-
objetivo principal de toda atividade administrativa. nistrativos são imputáveis ao órgão ou entidade e não ao funcionário
3- Finalidade que praticou tal ato administrativo. Exige que os atos administrativos
Evitar que os agentes públicos ajam com liberdade, sem seguir sejam praticados sempre com a finalidade pública, não podendo o ad-
as normas especificadas em lei, contra a coletividade, desviando-se do ministrador criar outro objetivo ou praticá-los no interesse próprio ou
interesse coletivo. de terceiros.

- Princípio da impessoalidade 3- Finalidade


O princípio da impessoalidade visa a neutralidade e a objetividade Evitar que os agentes públicos beneficiem alguém ou a si mesmo,
das atividades administrativas no regime político, que tem como obje- ou prejudique pessoas que não é de seu agrado.
tivo principal o interesse público. Este princípio traz consigo a ausên- Este princípio veda a prática de atos administrativos desvincula-
cia de marcas pessoais e particulares correspondentes ao administrador dos do interesse público, que visa atender interesse pessoal ou priva-
que esteja no exercício da atividade administrativa. A pessoa política é dos – para proteger alguém ou prejudicar os agentes públicos - o que
o Estado, e as pessoas que compõem a Administração Pública exercem caracteriza desvio de finalidade e compromete a validade de tais atos.
suas atividades voltadas ao interesse público e não pessoal. O princípio
da impessoalidade proíbe o subjetivismo. III - Princípio da moralidade
O princípio da moralidade significa que, o administrador tem
1- Constituição Federal
que ter um comportamento ético, jurídico adequado. Este princípio
Previsões expressas da adoção do princípio da impessoalidade:
esta associado a honestidade. Veda condutas eticamente inaceitáveis
a investidura em cargos públicos, concurso público e processo de li-
e transgressoras do senso moral da sociedade, a ponto de não compor-
citação.
tarem condescendência. A moralidade administrativa abrange padrões
Agride o princípio da impessoalidade, o uso da máquina admi- objetivos de condutas exigíveis do administrador público, independen-
nistrativa na promoção pessoal ou política do administrador, transfor- temente, da legalidade e das efetivas intenções dos agentes públicos.
mando a atividade administrativa em personalizada à imagem deste ou Na definição de Rocha (1994, p. 192): “A moralidade administra-
do partido que ele representa, este caso está no art. 37, parágrafo 1º, da tiva é o princípio segundo o qual o Estado define o desempenho da fun-
Constituição Federal, e no parágrafo 6º, está a responsabilidade para ção administrativa segundo uma ordem ética acordada com os valores
com terceiro é sempre da Administração. sociais prevalentes e voltada à realização de seus fins (...)”.
O art. 100 da Constituição Federal refere-se aos precatórios ju- Conforme definição de Melo (1992, p. 85): De acordo com o
diciais; o dispositivo proíbe a designação de pessoas ou de casos nas princípio da moralidade, a Administração e seus agentes têm de atuar
dotações orçamentárias e nos critérios abertos para esse fim. na conformidade de princípios éticos. Violá-los implicará violação ao
No caso das licitações, o princípio da impessoalidade também faz próprio Direito, configurando ilicitude que as sujeita a conduta viciada
referências, no art. 175 da Constituição Federal: a invalidação, porquanto tal princípio assumiu foros de pauta jurídica,
O conteúdo do princípio da impessoalidade pode ser classificado na conformidade do art. 37 da Constituição.
em positivo e negativo. Segundo os canones da legalidade e da boa-fé, a Administração
Conforme ensina Rocha (1994, p. 148): haverá de proceder em relação aos administrados com sinceridade e
Muito importante é enfatizar que a impessoalidade administra- lhaneza, sendo-lhe interdito qualquer comportamento astucioso, eiva-
tiva tem conteúdo positivo e negativo. No primeiro caso, por ele se do de malícia, produzido de maneira a confundir, dificultar ou minimi-
assegura que a neutralidade e a objetividade têm que prevalecer em zar o exercício de direitos por parte dos cidadãos.
todos os comportamentos da Administração Pública. Neste sentido, a 1- Constituição Federal
impessoalidade assegura um conteúdo preceptivo positivo, indicando- Hoje, por força da expressa inclusão do princípio da moralidade
se o que se deve conter em determinado ato da Administração Pública. no art. 37 da Constituição Federal de 1988, cabe ao administrador pú-
Mas este princípio guarda também conteúdo negativo quando constitui blico cumprir os estritos termos da lei. Seus atos têm que estar adequa-
indicativo de limites definidos à atuação administrativa. Por ele, não dos à moralidade administrativa, e se não for assim, serão considerados
se podem praticar atos que tenham motivos ou finalidade despojada imorais e inválidos para todos os fins de direito.
daquelas características. O ato administrativo que ofender a boa administração - aquele que
O princípio da impessoalidade assegura não apenas que pessoas violar a ordem institucional, o Bem Comum, os princípios de justiça e
recebam tratamento particularizado em razão de suas condições espe- equidade - pode e deve ser invalidado pela própria Administração, não
cíficas, mas também, veda a adoção de comportamento administrativo o fazendo, deve ser anulado pelo Poder Judiciário, pois houve desvio
motivado pelo partidarismo. Este princípio assegura que a entidade es- de poder.
tatal realize os fins a que se destina como previsto no Direito.
Para Rocha (1994, p. 150): (...) a impessoalidade tem como con- 2- Objetivo
teúdo jurídico o despojamento da pessoa pública de vontade que lhe É o de nortear a ação administrativa e controlar o poder discricio-
seja enxertada pelo agente público, que, se agisse segundo os seus in- nário do administrador. Seu conteúdo objetivo é a boa-fé (obrigação
teresses, subjetivamente definidos, jamais alcançaria aquela finalidade, de comportar-se honestamente) e confiança (esta ligada à segurança
que se põe, objetiva, genérica e publicamente. pública), e o conteúdo subjetivo é o dever de probidade.

Didatismo e Conhecimento 35
CONHECIMENTOS GERAIS
3- Finalidade 2- Objetivo
É evitar o desvio de poder, em suas duas espécies denominadas Visa à transparência das atividades públicas, no qual os admi-
excesso de poder e desvio de finalidade, que acabou por fixar a di- nistrados possam ter conhecimento do que os administradores estão
mensão da teoria da moralidade administrativa como forma de limite fazendo.
à atividade discricionária da administração pública que, utilizando-se 3- Finalidade
de meios lícitos, busca a realização de fins de interesses privados ou É a visibilidade da gestão pública como fator de legitimidade.
mesmo de interesses públicos estranhos às previsões legais. Proporciona consenso, adesão, fiscalização, controle, democratização,
aproximação entre Estado e indivíduo, fazendo corresponder políticas
IV - Princípio da publicidade oficiais e demandas sociais, eficiência, reformulação das relações entre
O princípio da publicidade significa que, qualquer cidadão pode administrador e administrado, orientação social, educação, informa-
se dirigir ao Poder Público e requerer cópias e certidões de atos e con- ção, devido processo legal e garantia do bom funcionamento estatal e
tratos. O Poder Público, por ser público, deve agir com a maior trans- dos direitos dos administrados e, principalmente, instrumento de veri-
parência possível, a fim de que os administrados tenham, a qualquer ficação de princípios como legalidade, moralidade, proporcionalidade,
hora, conhecimento do que os administradores estão fazendo. É, por- imparcialidade, impessoalidade e outros. É a ampliação da transparên-
tanto, a proibição do segredo. cia, com intuito de romper com o segredo, tornando a gestão pública
Publicar é tornar público, ou seja, tornar do conhecimento públi- em público, onde toda a coletividade participa dos atos da Administra-
co, mas, também, tornar claro e compreensível ao público. É fazer com ção Pública.
que a publicidade cumpra o papel essencial de informar o público (aqui Ocorre a publicidade dos atos administrativos através da publica-
considerado tanto o conjunto de cidadãos em face de normas gerais – ção ou pela comunicação (notificação ou intimação) de acordo com a
como leis e decretos-, como, algum universo restrito de administrados, natureza do ato (atos gerais ou individuais, normativos, de efeito exter-
sujeitos aos efeitos de determinado ato administrativo – um edital de no ou interno etc.) e as finalidades que a publicidade pretende sobre ele
concurso com as normas a cumprir, por exemplo). (controle, fiscalização, eficácia, validade etc.). Esse é o dever da publi-
1- Constituição Federal cidade, completado por outras formas modernas, como a divulgação
A Carta Magna refere-se expressamente a publicidade, ora como via internet, por exemplo.
princípio, ora como bem jurídico, em diversas passagens:
Art. 5º, inciso LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos
V - Princípio da eficiência
atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social
Princípio da eficiência significa que, toda ação administrativa tem
o exigirem.
que ser de bom atendimento, rapidez, urbanidade, segurança, transpa-
A constituição é explicita, mas de forma indireta, em enunciar o
rente, neutro e sem burocracia, sempre visando a qualidade. O contri-
princípio geral de que “todos os atos deverão ser públicos”, condicio-
buinte, que paga a conta da Administração Pública, tem o direito de
nando severamente as exceções, sempre em lei expressa, aos casos de
que essa administração seja eficiente, ou seja, tem o direito de exigir
possível afronta ao direito de privacidade (protegido no mesmo artigo,
um retorno (segurança, serviços públicos, etc.) equivalente ao que pa-
inciso X) ou interesse social (o interesse social prevalece sobre o indi-
gou, sob a forma de tributos. A Administração Pública deve atender o
vidual, pelo princípio da solidariedade).
Art. 5º, X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra cidadão na exata medida de sua necessidade, com agilidade, mediante
e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano adequada organização interna e ótimo aproveitamento dos recursos
material ou moral decorrente de sua violação. disponíveis, evitando desperdícios e garantindo uma maior rentabili-
Aqui estamos diante da proteção de um bem jurídico relevante dade social.
para o constituinte originário – a dignidade da pessoa humana. Se para A eficiência deve ser entendida como medida rápida, eficaz e
a Administração Pública a regra é a publicidade, somente excepcioná- coerente do administrador público, no intuito de solucionar as neces-
vel por lei, para o particular a regra é diametralmente oposta, isto é, não sidades da sua coletividade. Nada justifica qualquer procrastinação.
se permite publicar a vida privada das pessoas, não sendo, esta regra, Aliás, essa atitude do agente público pode levar o Estado a indenizar os
excepcionável por qualquer lei ou outro ato normativo. O comando é prejuízos que o atraso possa ter ocasionado ao interessado num dado
peremptório e não dá margem a exceções. desempenho estatal.
O habeas data, como bem definido por Di Pietro (1997, p. 69): (...) Poderíamos definir o bom administrador como aquele seguidor da
é o remédio constitucional para promover a publicidade dos atos de moral administrativa, eficiência, justiça e racionalidade, ou seja, englo-
governo e administrativos que gerem armazenamento de informações baria outros princípios. A necessidade da eficiência no serviço público
privadas e íntimas do cidadão. Esta publicidade, no entanto, restringe- prende-se às variedades destes e das exigências políticas, culturais e
se à informação do próprio requerente, mas pode ter como conteúdo sociais de cada região e em face do momento a ser vivenciado pelos
informações de interesse coletivo. cidadãos.
Nestes casos, estamos diante da proteção do conteúdo da informa- O administrador público deve desempenhar com afinco as atribui-
ção, sem tanto se preocupar com a formalidade em si. Sendo os dados ções do seu cargo ou função, posto que fosse inadmissível compreen-
particulares, somente a ele interessam, e mereceram a tutela do legisla- der a desídia, a negligência de tal desempenho, sujeitando o referido
dor constituinte. Prepondera o conteúdo sobre a forma. O constituinte servidor às sanções administrativas, civis e penais. Conforme o caso
preocupa-se em resguardar o conteúdo de determinadas informações, está sujeito às punições por crimes de responsabilidade nos termos do
que somente aos particulares envolvidos interessa, e que, se a públi- art. 85 da Constituição da República e da Lei Federal nº 1.079/50, que
co vierem, podem causar consideráveis danos à pessoa, tanto morais dispõem sobre essas infrações, quando cometidas pelo Presidente da
como materiais. República, Governador do Estado e outros agentes públicos.

Didatismo e Conhecimento 36
CONHECIMENTOS GERAIS
2- Objetivo II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
O objetivo do princípio da eficiência é satisfazer às necessidades III - atendimento educacional especializado aos portadores de de-
coletivas num regime de igualdade dos usuários, ou seja, é a utilização ficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
dos melhores meios sem se distanciar dos objetivos da Administração IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5
Pública, atingindo a satisfação das necessidades coletivas. O adminis- (cinco) anos de idade;
trador deve estar atento para a objetividade de seu princípio, sob pena V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da
de incorrer em arbitrariedades. criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do
educando;
3- Finalidade VII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação
A finalidade deste princípio é a escolha da solução mais adequa- básica, por meio de programas suplementares de material didáticoes-
da ao interesse público, de modo a satisfazer plenamente a demanda colar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
social. A Administração Pública deve empregar meios idôneos e ade- § 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público
quados ao fim pretendido, não mais, nem menos. Por Flávia Martins subjetivo.
André da Silva § 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Pú-
blico, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da autoridade
CAPÍTULO III competente.
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO § 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensi-
Seção I no fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou respon-
DA EDUCAÇÃO sáveis, pela frequência à escola.

Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguin-


Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da fa-
tes condições:
mília, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade,
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exer- II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.
cício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino funda-
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes prin- mental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos
cípios: valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disci-
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensa- plina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
mento, a arte e o saber; § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexis- portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização
tência de instituições públicas e privadas de ensino; de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Terri-
concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; tórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá,
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a
VII - garantia de padrão de qualidade. garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos
educação escolar pública, nos termos de lei federal. Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios;
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhado- § 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino fundamen-
res considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de tal e na educação infantil.
prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de carreira, no § 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no
âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. ensino fundamental e médio.
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-cientí- § 4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Es-
fica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão tados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de colabo-
ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. ração, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório.
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao en-
§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos e
sino regular.
cientistas estrangeiros, na forma da lei.
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de pesquisa Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito,
científica e tecnológica. e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte e cinco por cento,
no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida a prove-
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado me- niente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.
diante a garantia de: § 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados
(dezessete) anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para aos respectivos Municípios, não é considerada, para efeito do cálculo
todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria; previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.

Didatismo e Conhecimento 37
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no «caput» deste Nesse sentido, o acesso ao ensino obrigatório e gratuito é qualifi-
artigo, serão considerados os sistemas de ensino federal, estadual e mu- cado como direito subjetivo (art. 208, § 1º), assegurando a sua univer-
nicipal e os recursos aplicados na forma do art. 213. salização, bem como a progressiva universalização do ensino médio
§ 3º A distribuição dos recursos públicos assegurará prioridade ao sob a égide da equidade (art. 206), dentre outros princípios que orien-
atendimento das necessidades do ensino obrigatório, no que se refere tam a atividade educacional.
a universalização, garantia de padrão de qualidade e equidade, nos ter- Para garantir o exercício do direito, no que diz respeito ao dever
mos do plano nacional de educação. do Estado, a Constituição, discrimina encargos e competências preci-
§ 4º - Os programas suplementares de alimentação e assistência à sas para os sistemas de ensino da União, dos Estados e dos Municí-
saúde previstos no art. 208, VII, serão financiados com recursos prove- pios (art. 211), e os correspectivos percentuais da receita de impostos
nientes de contribuições sociais e outros recursos orçamentários. para aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino (arts. 22,
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de fi- XXIV, 24, VIII, 30, VI, 208 e 212).
nanciamento a contribuição social do salário-educação, recolhida pelas Neste modelo, a partir da ênfase à competência genérica comum,
empresas na forma da lei. dá-se a indicação dos níveis de atuação prioritária, mas não exclusiva,
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da contribui- para cada esfera de governo, à exceção do federal, o que reclama e
ção social do salário-educação serão distribuídas proporcionalmente evidencia a necessidade de organização dos respectivos sistemas em
ao número de alunos matriculados na educação básica nas respectivas regime de colaboração, especialmente enfatizado com referência ao
redes públicas de ensino. ensino obrigatório. Assim, compete aos Municípios atuar prioritaria-
mente no ensino fundamental e na educação infantil, aos Estados e
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públi- Distrito Federal no ensino fundamental e médio, e à União atuar suple-
cas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou tivamente para garantir a equalização de oportunidades educacionais
filantrópicas, definidas em lei, que: e padrão mínimo de qualidade de ensino, mediante assistência técnica
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus exceden- e financeira aos Estados, Distrito Federal e Municípios, em todos os
tes financeiros em educação; níveis de ensino (art. 211, §1º).
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola co- A competência coordenadora da União em matéria de política na-
munitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso cional de educação é reforçada, na legislação infraconstitucional, pelo
de encerramento de suas atividades. art. 8o da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB (Lei 9.394,
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados de 20/12/96), visando articular os diferentes níveis (básico e superior)
a bolsas de estudo para o ensino fundamental e médio, na forma da e sistemas de ensino. Esta previsão complementa a norma genérica
lei, para os que demonstrarem insuficiência de recursos, quando hou- dos §§ 2o e 3o do art. 211, o que significa que, sob a coordenação
ver falta de vagas e cursos regulares da rede pública na localidade da da União, todos os entes políticos atuarão na educação infantil, e no
residência do educando, ficando o Poder Público obrigado a investir ensino fundamental, médio e superior, atendida a seguinte regra: Mu-
prioritariamente na expansão de sua rede na localidade. nicípios prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil;
§ 2º - As atividades de pesquisa, de extensão e de estímulo e fo- Estados e Distrito Federal no ensino fundamental e médio; sendo que
mento à inovação realizadas por universidades e/ou por instituições de o não oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua
educação profissional e tecnológica poderão receber apoio financeiro oferta irregular, importará a responsabilidade da autoridade competen-
do Poder Público. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, te (art. 208, §3º)
de 2015) Em razão de a Constituição Federal não ter indicado nenhum
nível de ensino para a atuação prioritária da União, reforça-se a sua
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de du- ação supletiva e redistributiva em todos os níveis. Considerando-se
ração decenal, com o objetivo de articular o sistema nacional de edu- o amplo escopo desta atribuição (todos os níveis de ensino), fica cla-
cação em regime de colaboração e definir diretrizes, objetivos, metas e ro que à União compete oferecer o ensino superior à ausência do seu
estratégias de implementação para assegurar a manutenção e desenvol- oferecimento pelas demais esferas de governos. Como estas devem se
vimento do ensino em seus diversos níveis, etapas e modalidades por ocupar prioritariamente da educação básica, a competência da União,
meio de ações integradas dos poderes públicos das diferentes esferas em relação ao ensino superior, é residual.
federativas que conduzam a: Cabe também à União intervir nos Estados e no Distrito Federal,
I - erradicação do analfabetismo; em hipótese de não aplicação, na educação, do mínimo exigido da re-
II - universalização do atendimento escolar; ceita resultante de impostos estaduais, na forma do art. 34, VII, “e”,
III - melhoria da qualidade do ensino; organizar o seu sistema de ensino e o dos territórios (art. 211, § 1o),
IV - formação para o trabalho; financiar as instituições de ensino público federais; autorizar e avaliar
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País. os estabelecimentos de ensino de seu sistema (art. 206, VII), inclusive
VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos os particulares (art. 209, II).
em educação como proporção do produto interno bruto. Para os Estados, o Distrito Federal e Municípios, restam os encar-
gos federativos de execução dos planos nacional e estaduais de edu-
A Constituição Brasileira, ao definir o dever do Estado com a cação, à vista do dever do Estado para com a educação (CF, art. 205),
educação (art. 205) e o seu comprometimento com o desenvolvimento e por força dos artigos 10 e 11, da LDB. Há também os encargos de
nacional e com a construção de uma sociedade justa e solidária (art. 3º), organização, manutenção e desenvolvimento dos respectivos sistemas
individualiza a educação – direito de todos – como bem jurídico, dado de ensino, em relação aos quais deverá ser aplicado, no mínimo, 25%
o seu papel fundamental para o desenvolvimento da pessoa e ao exercí- da receita resultante de impostos (na forma do art. 212); e, no âmbito
cio dos demais direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais. destes, a autorização e avaliação das instituições de ensino.

Didatismo e Conhecimento 38
CONHECIMENTOS GERAIS
No plano das competências legislativas reserva-se à União com- De todas as disposições constitucionais apontadas resultam, ine-
petência privativa para legislar sobre diretrizes e bases da educação quivocamente, avanços relevantes na promoção, proteção e exercício
nacional (CF, art. 22, XXIV), e para estabelecer o plano nacional de do direito à educação, em benefício da ampliação das possibilidades de
educação (art. 214), e competência concorrente à dos Estados e Dis- participação do indivíduo na elaboração dos valores da sociedade a que
trito Federal para legislar sobre educação mediante normas gerais (CF, pertence, como já indicado.
art. 24, IX). A competência dos Estados e Municípios, neste cenário, A recente jurisprudência do Supremo Tribunal Federal em ma-
é bastante restrita, posto que remanescente, limitada a baixar normas téria educacional tem acompanhado esta evolução, sendo inegável a
complementares para os respectivos sistemas de ensino. ampliação da atuação da Corte no que concerne à implementação de
Para suportar tais encargos foram garantidos recursos à manuten- políticas públicas educacionais, em particular no que se refere à educa-
ção e desenvolvimento do ensino, por meio de vinculação de receita ção infantil e fundamental, de competência dos Municípios.
tributária, na forma do art. 212: a União aplicará anualmente nunca No que diz respeito às competências concorrentes dos Estados-
menos de 18% (dezoito por cento); os Estados e Municípios 25% (vin- membros, entretanto, tem se mostrado dúbia, não sedimentada, sendo
te e cinco por cento), no mínimo, aí incluída a receita proveniente das razoável supor que o baixo número de demandas levado ao conhe-
transferências. cimento da Corte e as dificuldades inerentes à efetivação de direitos
No campo do financiamento da educação obrigatória, além da sociais contribuam para tanto. Contudo, de modo geral, apesar da pou-
previsão do art. 167, IV, que permite a vinculação da receita de im- ca margem de ação legislativa deixada aos Estados pela Constituição
postos para a manutenção e desenvolvimento do ensino, instituiu-se Federal, observamos que entre ambiguidades, avanços e retrocessos,
um eficiente sistema de distribuição de recursos públicos, baseado no a garantia dos meios de acesso e permanência na escola têm sido am-
número de matriculas em educação básica, nas redes estaduais, muni- pliados.
cipais e do Distrito Federal. A distribuição foi assegurada inicialmente É o que passamos a demonstrar, com a observação de que a es-
pelo Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental – FUNDEF colha dos acórdãos deve-se às particularidades do caso analisado, bem
(Emenda Constitucional no. 14, de 12/09/96), posteriormente amplia- como à qualidade do debate realizado no Plenário do STF, sem pre-
do para incluir a educação infantil e o ensino médio, no hoje denomina- tender exaurir todas as decisões referentes ao tema. Por Nina Ranieri
do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico – FUNDEB (art. 60,
do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a redação da CAPÍTULO VII
Emenda Constitucional no. 53, de 19/12/06). Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso
A Constituição Federal também prevê a destinação de recursos
(Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)
públicos às escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, em
caráter de fomento, atendidas as condições fixadas nos seus incisos do
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
art. 213. Esta previsão, por evidente, deve ser conjugada à do art. 205
criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à
no qual, expresso o dever do Estado para com a educação, indica-se
vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
a necessária colaboração da sociedade, o que se reforça em face do
art. 209, que permite o oferecimento do ensino pela iniciativa privada, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
observadas as normas gerais de educação e de autorização e avaliação e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
de qualidade pelo Poder Público. discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
No que diz respeito ao exercício do direito à educação, já assegu- § 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saú-
rado indiretamente pelo conjunto das previsões constitucionais antes de da criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de
indicadas, merecem destaque o seu reconhecimento como direito in- entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obede-
dividual e a qualificação do ensino fundamental como direito público cendo aos seguintes preceitos:
subjetivo, tal como previsto nos arts. 205 e 208 §1º, respectivamente. I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saú-
Tais previsões facultam ao indivíduo, aos grupos ou categorias, às as- de na assistência materno-infantil;
sociações, entidades de classe, organizações sindicais ou entes esta- II - criação de programas de prevenção e atendimento especializa-
tais personalizados, como é o caso do Ministério Publico, demandar do para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental,
a garantia ou tutela do interesse individual, coletivo ou público, por bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de
intermédio dos mecanismos previstos na própria Constituição Federal, deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e
como a ação civil publica, mandado de segurança, mandado de injun- a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação
ção, ação direta de inconstitucionalidade por omissão, dentre outros. de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação.
Notamos, ainda, a extensão da titularidade do direito subjetivo à § 2º - A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e
educação a grupos de pessoas indeterminadas, como as gerações futu- dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte
ras, por exemplo. É o que se comprova, a partir da previsão do art. 6º, coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de
em face do conteúdo do art. 210 (relativo aos conteúdos mínimos para deficiência.
o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum § 3º - O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspec-
e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais), e de tos:
seu § 2º (que, como exceção à regra geral de utilização da língua por- I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, ob-
tuguesa no ensino fundamental, assegura às comunidades indígenas a servado o disposto no art. 7º, XXXIII;
utilização de línguas maternas). II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
Além disso, o direito à educação beneficia-se das garantias cons- III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à es-
titucionais próprias aos direitos e garantias fundamentais, expressas no cola;
§ 1º, do art. 5º e do § IV, inciso IV, do art. 60, e também das normas IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato
internacionais relativas a direitos humanos, conforme assegura o §2º, infracional, igualdade na relação processual e defesa técnica por pro-
do art. 5º. fissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica;

Didatismo e Conhecimento 39
CONHECIMENTOS GERAIS
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e A Criança e o Adolescente
respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando É dever constitucional da família, da sociedade e do Estado asse-
da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade; gurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização,
incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência fami-
a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado; liar e comunitária. Ou seja, a criança e o adolescente possuem certos
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à direitos que devem ser assegurados pela família, pela sociedade e pelo
criança, ao adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e dro- Estado com absoluta prioridade. Trata-se de um novo olhar lançado
gas afins. sobre a vida daqueles que, por sua condição peculiar de pessoas em
§ 4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração desenvolvimento, necessitam de proteção diferenciada, especializada
sexual da criança e do adolescente. e integral.
§ 5º - A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da Assim, entende-se por direito da criança e do adolescente, o con-
lei, que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de junto de normas que regulam a conduta do homem do estado e da so-
estrangeiros. ciedade em face de sua população (menor) de 18 anos de idade, qual-
§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por quer que seja a faixa social ou econômica.
adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer A Lei nº 8.069/90, denominado, Estatuto da Criança e do Ado-
designações discriminatórias relativas à filiação. lescente, assegura o acesso da criança à Justiça e a criação da Justiça
§ 7º - No atendimento dos direitos da criança e do adolescente da Infância e da Adolescência (especializada), bem como a instituição
levar-se- á em consideração o disposto no art. 204. Conselhos Tutelares para assuntos de interesse de crianças e adoles-
§ 8º A lei estabelecerá: centes.
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jo- O Estado, no cumprimento de sua obrigação constitucional, pro-
vens; moverá programas de assistência integral à saúde da criança e do ado-
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando lescente, admitida a participação de entidades não governamentais,
à articulação das várias esferas do poder público para a execução de obedecendo aos preceitos da Constituição.
políticas públicas. Os recursos que são destinados à saúde, um percentual deve ser
destinado à assistência materno-infantil. Além disso, no atendimento
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito
da criança e do adolescente, devem ser observadas as diretrizes das
anos, sujeitos às normas da legislação especial.
ações governamentais na área da assistência social, previstas no art.
204 da Constituição Federal.
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos
Aos menores, portadores de deficiência física e mental, a Consti-
menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais
tuição determina que devem receber auxílio de programas de preven-
na velhice, carência ou enfermidade.
ção e de atendimento especializado, garantindo um melhor acesso ao
Família trabalho e a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos. 
A família é a base da sociedade e, constitucional e legalmente, tem Quanto à adoção, no Brasil, constitui um imperativo de ordem
especial proteção do Estado. A nova ordem constitucional trouxe uma ética e de natureza constitucional. Ela deve ser assistida pelo Poder
série de inovações relacionadas às estruturas familiares. Público, na forma da lei. Trata-se de instituto filantrópico, de caráter
Quanto à instituição família e sua proteção jurídico-constitucio- humanitário que desempenha papel de grande importância, sobretudo
nal, os princípios constitucionais que iluminam o Direito de Família na em casamentos estéreis, dando aos cônjuges os filhos que a natureza
Constituição Federal encontram-se presentes no art. 203, I, no art. 205, lhes negara.
e especificamente nos arts. 226 a 230. É possível a adoção de estrangeiros, desde que preenchidos alguns
O conceito de família pode se analisado de duas formas: ampla e requisitos especialmente definidos no ECA.
restrita. No primeiro caso, a família é o conjunto de todas as pessoas, li- A inimputabilidade penal prevista na CF, em seu art. 288, trata-se
gadas pelos laços do parentesco, com descendência comum, engloban- de verdadeira garantia individual da criança e do adolescente em não
do também, os afins (tios, primos, sobrinhos e outros). É a família que serem submetidos à persecução penal em juízo, tampouco poderem
se distingue pelo sobrenome, por exemplo, família Alves, Carvalho, ser responsabilizados criminalmente, com consequente aplicação de
Pereira, etc. No segundo caso, abrange os pais e os filhos, um dos pais sansão penal. Assim, o menor de 18 anos não comete crime, possui
e os filhos, o homem e a mulher em união estável, ou apenas irmãos. inimputabilidade penal, tratada em especial no estatuto da criança e
Essa é a forma mais utilizada. do adolescente que prevê a aplicação de determinadas medidas sócio
Nos termos do art. 226, §4º, da Constituição Federal, entende-se educativas para o menor que cometa ato infracional.
como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais É importante lembrar, que para a proteção especial às crianças e
e seus descendentes. Essa entidade deverá, ante a sua importância, ter aos adolescentes abrangerá os aspectos do art. 7°, XXXIII da CF e
especial proteção do Estado. vários artigos do ECA, como por exemplo, o art. 60.
O texto constitucional determina, que os direitos e deveres ineren-
tes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela Idosos
mulher. Dentro da estrutura familiar, é dever dos pais assistir, criar e O texto constitucional consagrou a proteção às pessoas idosas,
educar os filhos menores. Compete, por sua vez, aos filhos maiores, o prevendo como dever do Estado, da família e da sociedade ampará-los,
dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. assegurando sua participação na comunidade e defendendo sua digni-
A Constituição determina ainda, que o direito de filiação, é prer- dade e bem estar. Prevê ainda, a gratuidade dos transportes coletivos
rogativa de todos os filhos, mesmo que havidos fora do casamento ou urbanos aos maiores de 65 anos. Trata-se de norma constitucional de
adotivos, tem os mesmos direitos e qualificações previstos em lei.  eficácia imediata, que independe de regulamentação.

Didatismo e Conhecimento 40
CONHECIMENTOS GERAIS
O Estatuto do Idoso previu ser incumbência do Poder Público o III - atendimento educacional especializado aos portadores de de-
fornecimento aos idosos, gratuitamente, de medicamentos, especial- ficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
mente os de uso continuado, assim, como próteses e outros recursos IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis
relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação, vedando por fim, a anos de idade;
discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da
diferenciados em razão de idade os idosos são protegidos pela Consti- criação artística, segundo a capacidade de cada um;
tuição federal e pelo Estatuto do Idoso. VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do
É importante lembrar, que a Emenda Constitucional Nº 20/98 re- adolescente trabalhador;
vogou expressamente o inciso III do § 2º do art. 155 da Constituição VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas
Federal, o qual previa que o Imposto de Renda e Proventos de Qual- suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e
quer Natureza não incidiria: «nos termos e limites fixados em lei, sobre assistência à saúde.
rendimentos provenientes de aposentadorias e pensões, pagos pela pre- § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público
vidência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni- subjetivo.
cípios, a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda § 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público
total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho”. ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade com-
petente.
http://www.portaleducacao.com.br/educacao/artigos/30462/con- § 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino
ceito-de-familia-criancas-adolescente-e-idosos#!2 fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsá-
vel, pela frequência à escola.
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus
filhos ou pupilos na rede regular de ensino.
BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
LEI FEDERAL N.º 8.069, DE 13/07/1990 Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental
– DISPÕE SOBRE O ESTATUTO DA comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de:
CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGOS I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
53 A 59 E 136 A 137. II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgota-
dos os recursos escolares;
III - elevados níveis de repetência.

Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e no-


LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. vas propostas relativas a calendário, seriação, currículo, metodologia,
Atualizada pela Lei nº 13.106, de 2015. didática e avaliação, com vistas à inserção de crianças e adolescentes
excluídos do ensino fundamental obrigatório.
Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras
providências. Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores cultu-
rais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Faço saber que o Congresso adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: fontes de cultura.

Capítulo IV Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, es-
Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer timularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para pro-
gramações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e
Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando a juventude.
ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da
cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se lhes: Capítulo II
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; Das Atribuições do Conselho
II - direito de ser respeitado por seus educadores;        
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar:
instâncias escolares superiores; I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos
IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII;
V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as me-
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do didas previstas no art. 129, I a VII;
processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
educacionais. a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, servi-
ço social, previdência, trabalho e segurança;
Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descum-
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os primento injustificado de suas deliberações.
que a ele não tiveram acesso na idade própria; IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que cons-
II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao en- titua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou
sino médio; adolescente;

Didatismo e Conhecimento 41
CONHECIMENTOS GERAIS
V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua compe- 5) Princípio da proteção estatal: visa a sua formação biopsíquica,
tência; social, familiar e comunitária, através de programas de desenvolvi-
VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, mento.
dentre as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de 6) Princípio da prevalência dos interesses do menor, pois na inter-
ato infracional; pretação do estatuto levar-se-ão em conta os fins sociais a que ele se
VII - expedir notificações; dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais
VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou e coletivos, e sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
adolescente quando necessário; 7) Princípio da indisponibilidade dos direitos do menor: pois o
IX - assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indis-
orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da ponível e imprescritível, podendo ser exercido contra os pais, ou seus
criança e do adolescente; herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de justiça.
X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a viola- 8) Princípio da sigilosidade: sendo vedada a divulgação de atos
ção dos direitos previstos no art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e
Federal; adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional.
XI - representar ao Ministério Público para efeito das ações de 9) Princípio da gratuidade: pois é garantido o acesso de todo me-
perda ou suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades nor à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciá-
de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural.    rio, por qualquer de seus órgãos, sendo a assistência judiciária gratuita
XII - promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profis- prestada a todos que a necessitem.
sionais, ações de divulgação e treinamento para o reconhecimento de O objetivo estatutário é a proteção dos menores de 18 anos, pro-
sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes. (Incluído pela Lei porcionando a eles um desenvolvimento físico, mental, moral e social
nº 13.046, de 2014) condizentes com os princípios constitucionais da liberdade e da digni-
Parágrafo único.  Se, no exercício de suas atribuições, o Conse- dade, preparando para a vida adulta em sociedade.
lho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, Estabelece ainda direito à vida, à saúde, à alimentação, à educa-
comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe ção, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências
liberdade, à convivência familiar e comunitária para meninos e meni-
tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família.  
nas, e também aborda questões de políticas de atendimento, medidas
       
protetivas ou medidas socioeducativas, entre outras providências.
Art. 137. As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser
revistas pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo
São Direitos Fundamentais das Crianças e Adolescentes:
interesse.
. direito a saúde
. direito a alimentação
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é uma lei fede-
. direito a educação
ral, na qual trata sobre os direitos das crianças e adolescentes em todo
o Brasil. Tem o seu reconhecimento internacionalmente como um dos . direito ao esporte
mais avançados Diplomas Legais dedicados à garantia dos direitos da . direito ao lazer
população infanto-juvenil. . direito a convivência social
É preciso, pois, fazer com que os direitos e garantias legais e cons- . direito a convivência comunitária
titucionais assegurados a crianças e adolescentes sejam mais bem co- . direito a liberdade
nhecidos, pois se trata de um ramo do direito especializado, dividido . direito a dignidade
em partes geral e especial, onde a primeira estipula, como as demais . direito ao respeito
codificações existentes, os princípios norteadores do Estatuto. Já a se- . direito a profissionalização
gunda parte estrutura a política de atendimento, medidas, conselho tu- . direito a cultura
telar, acesso jurisdicional e apuração de atos infracionais.
O ECA é regido por uma série de princípios, os principais deles Tais Direitos têm sua efetivação através de políticas públicas so-
são: ciais que permitam: o nascimento sadio; a condição digna de existên-
1) Princípio da prevenção geral: É dever do Estado assegurar à cia, que é assegurado através do Sistema Único de Saúde, por meio do
criança e ao adolescente as necessidades básicas para seu pleno de- pré-natal.
senvolvimento e prevenir a ocorrência de ameaça ou violação desses Os Hospitais são obrigados a identificar o recém-nascido median-
direitos. te registro de sua impressão plantar digital e da digital da mãe; manter
2) Princípio da prevenção especial: o Poder Público regulará, atra- o recém-nascido em alojamento conjunto com a mãe; realizar exa-
vés de órgãos competentes, as diversões e espetáculos públicos. mes para verificar irregularidades no metabolismo do recém-nascido
3) Princípio de Atendimento Integral: o menor tem direito à aten- e orientar aos pais; fornecer declaração de nascimento onde constem
dimento total e irrestrito (vida, saúde, educação, esporte, lazer, profis- necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do
sionalização, etc) necessários ao seu desenvolvimento. neonato e propiciar condições para permanecia de um dos pais em tem-
4) Princípio da Garantia Prioritária: Tem primazia de receber pro- po integral no caso de internação da criança e do adolescente.
teção e socorro em quaisquer circunstâncias, assim como formulação Incumbe ao Poder Público fornecer gratuitamente àqueles que
e execução das políticas, sociais, públicas e destinação privilegiada de necessitarem: medicamentos; próteses; outros recursos relativos a tra-
recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à tamento, habilitação ou reabilitação e atendimento especializado aos
juventude. portadores de deficiência.

Didatismo e Conhecimento 42
CONHECIMENTOS GERAIS
A referida lei considera criança a pessoa de até doze anos de idade 10. Entrar na Justiça, em nome das pessoas e das famílias, para
incompletos, e adolescente aquela compreendida entre doze e dezoito que estas se defendam de programas de rádio e televisão que contra-
anos. Mas a mesma é aplicada às pessoas entre 18 e 21 anos de idade, riem princípios constitucionais bem como de propaganda de produtos,
em situações que serão aqui demonstradas. práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
Nenhuma criança ou adolescente poderá ser objeto de qualquer 11. Levar ao Ministério Público, casos que demandam ações judi-
forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade ciais de perda ou suspensão do pátrio poder.
e opressão, por quem quer que seja punindo também quem age com 12. Fiscalizar as entidades governamentais e não governamentais
ação ou omissão atentando contra os seus direitos fundamentais. que executem programas de proteção e socioeducativos.
O trabalho infantil é uma das principais situações que espoem a Os Conselheiros Tutelares exercem mandato popular e nesta qua-
criança a risco. Desta maneira prejudica a saúde e a vida escolar da lidade, só podem ser destituídos do mandato popular através do devido
criança em troca de módicos salários, o explorador do trabalho infantil processo legal, em ação própria perante o Poder Judiciário, levando-
pratica um ato de discriminação, negligência, exploração, violência, se em conta a legislação ordinária e a legislação específica municipal
crueldade e opressão. prévia.
É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, São impedidos de serem Conselheiros Tutelares:
pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrori- a) marido e mulher;
zante, vexatório ou constrangedor. b) ascendente e descendente;
c) sogro e genro ou nora;
Conselho tutelar. d) irmãos, cunhados, durante o cunhado;
São de interesse social os direitos da criança e do adolescente e é e) tio e sobrinho;
por isso que são considerados direitos indisponíveis, não admitindo a f) padrasto ou madrasta e enteado.
confissão ou a presunção de veracidade dos fatos aduzidos na inicial.
A perda de valores sociais, também são fatores que interferem di-
retamente no desenvolvimento das crianças e adolescentes e é por isso, BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.
que é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos LEI FEDERAL N.º 9.394, DE 20/12/96 –
direitos das crianças e dos adolescentes. ESTABELECE AS DIRETRIZES E BASES
Para esta fiscalização. É que cada município deverá haver, no mí-
DA EDUCAÇÃO NACIONAL.
nimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros, escolhidos
pela comunidade local, regularmente eleitos e empossados.
Ou seja, as medidas de proteção devem ser aplicadas pelo Con-
selho Tutelar ou pela autoridade judiciária, e devem sempre buscar os
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.
fins sociais a que se destinam, levando em consideração o universo
biopsicossocial em que vivem. As medidas específicas de proteção Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
aplicam-se: às crianças e adolescentes carentes e às crianças e adoles- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congres-
centes infratores. so Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
No caso de impedimento ou embaraço às suas ações, o Conselho
Tutelar poderá acionar a policia, com possibilidade jurídica de prisão TÍTULO I
em flagrante na forma da lei, por desrespeito ao artigo 236, podendo Da Educação
ainda representar ao Juiz de Direito contra a autoridade que descumprir
suas requisições. Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se desen-
Os Conselheiros Tutelares são eleitos para mandatos de três anos, volvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas ins-
permitindo-se uma recondução apenas, ou seja, um período máximo tituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações
de seis anos de atuação para cada conselheiro eleito. da sociedade civil e nas manifestações culturais.
São deveres dos Conselheiros Tutelares: § 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve,
1. Atender crianças e adolescentes e aplicar medidas de proteção. predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias.
2. Atender e aconselhar os pais ou responsável e aplicar medidas § 2º A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho
pertinentes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. e à prática social.
3. Promover a execução de suas decisões, podendo requisitar ser-
viços públicos e entrar na Justiça quando alguém, injustificadamente, TÍTULO II
descumprir suas decisões. Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
4. Levar ao conhecimento do Ministério Público, fatos que o Esta-
tuto tenha como infração administrativa ou penal. Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
5. Encaminhar à Justiça os casos que a ela são pertinentes. princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por
6. Tomar providências para que sejam cumpridas as medidas so- finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o
cioeducativas aplicadas pela Justiça a adolescentes infratores. exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
7. Expedir notificações em casos de sua competência.
8. Requisitar certidões de nascimento e de óbito de crianças e ado- Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princí-
lescentes, quando necessário. pios:
9. Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
orçamentaria para planos e programas de atendimento dos direitos da II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura,
criança e do adolescente. o pensamento, a arte e o saber;

Didatismo e Conhecimento 43
CONHECIMENTOS GERAIS
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; II - fazer-lhes a chamada pública;
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; § 2º Em todas as esferas administrativas, o Poder Público assegu-
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; rará em primeiro lugar o acesso ao ensino obrigatório, nos termos deste
VII - valorização do profissional da educação escolar; artigo, contemplando em seguida os demais níveis e modalidades de
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e ensino, conforme as prioridades constitucionais e legais.
da legislação dos sistemas de ensino; § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput deste artigo tem
IX - garantia de padrão de qualidade; legitimidade para peticionar no Poder Judiciário, na hipótese do § 2º do
X - valorização da experiência extraescolar; art. 208 da Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a ação
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas judicial correspondente.
sociais. § 4º Comprovada a negligência da autoridade competente para
XII - consideração com a diversidade étnico-racial.  garantir o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada
por crime de responsabilidade.
TÍTULO III § 5º Para garantir o cumprimento da obrigatoriedade de ensino, o
Do Direito à Educação e do Dever de Educar Poder Público criará formas alternativas de acesso aos diferentes níveis
de ensino, independentemente da escolarização anterior.
Art. 4º O dever do Estado com educação escolar pública será efe-
tivado mediante a garantia de: Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade. 
(dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma:  Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as seguintes
a) pré-escola;  condições:
b) ensino fundamental;  I - cumprimento das normas gerais da educação nacional e do res-
c) ensino médio;  pectivo sistema de ensino;
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de II - autorização de funcionamento e avaliação de qualidade pelo
Poder Público;
idade; 
III - capacidade de autofinanciamento, ressalvado o previsto no
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educan-
art. 213 da Constituição Federal.
dos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e mo-
TÍTULO IV
dalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; 
Da Organização da Educação Nacional
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio
para todos os que não os concluíram na idade própria; 
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de
criação artística, segundo a capacidade de cada um; ensino.
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do § 1º Caberá à União a coordenação da política nacional de edu-
educando; cação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função
VII - oferta de educação escolar regular para jovens e adultos, normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias
com características e modalidades adequadas às suas necessidades e educacionais.
disponibilidades, garantindo-se aos que forem trabalhadores as condi- § 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos ter-
ções de acesso e permanência na escola; mos desta Lei.
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação
básica, por meio de programas suplementares de material didático-es- Art. 9º A União incumbir-se-á de:       
colar, transporte, alimentação e assistência à saúde; I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com
IX - padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
variedade e quantidade mínimas, por aluno, de insumos indispensáveis II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições ofi-
ao desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem. ciais do sistema federal de ensino e o dos Territórios;
X – vaga na escola pública de educação infantil ou de ensino fun- III - prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito
damental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de
em que completar 4 (quatro) anos de idade. ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercen-
do sua função redistributiva e supletiva;
Art. 5o O acesso à educação básica obrigatória é direito público IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Fede-
subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação ral e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil,
comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legal- o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos
mente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder pú- e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica co-
blico para exigi-lo.   mum;
§ 1o O poder público, na esfera de sua competência federativa, V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação;
deverá:  VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento es-
I - recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade es- colar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os
colar, bem como os jovens e adultos que não concluíram a educação sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria
básica;  da qualidade do ensino;

Didatismo e Conhecimento 44
CONHECIMENTOS GERAIS
VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-gra- II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
duação; III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula esta-
VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de belecidas;
educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem respon- IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente;
sabilidade sobre este nível de ensino; V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendi-
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, mento;
respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando proces-
estabelecimentos do seu sistema de ensino.        sos de integração da sociedade com a escola;
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se
Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade perma- for o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento dos
nente, criado por lei. alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; 
§ 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz compe-
terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os tente da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público
estabelecimentos e órgãos educacionais. a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de cin-
§ 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas quenta por cento do percentual permitido em lei.
aos Estados e ao Distrito Federal, desde que mantenham instituições Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de:
de educação superior. I - participar da elaboração da proposta pedagógica do estabeleci-
Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: mento de ensino;
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais II - elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pe-
dos seus sistemas de ensino; dagógica do estabelecimento de ensino;
II - definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta III - zelar pela aprendizagem dos alunos;
do ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição pro- IV - estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de me-
porcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser aten- nor rendimento;
dida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas V - ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de
do Poder Público; participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à
III - elaborar e executar políticas e planos educacionais, em con- avaliação e ao desenvolvimento profissional;
sonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando VI - colaborar com as atividades de articulação da escola com as
e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios; famílias e a comunidade.
IV - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar,
respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão de-
estabelecimentos do seu sistema de ensino; mocrática do ensino público na educação básica, de acordo com as
V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, I - participação dos profissionais da educação na elaboração do
o ensino médio a todos que o demandarem, respeitado o disposto no projeto pedagógico da escola;
art. 38 desta Lei;  II - participação das comunidades escolar e local em conselhos
VII - assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual.  escolares ou equivalentes.
Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competên-
cias referentes aos Estados e aos Municípios. Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares
públicas de educação básica que os integram progressivos graus de
Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de: autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, obser-
I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais vadas as normas gerais de direito financeiro público.
dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educa-
cionais da União e dos Estados; Art. 16. O sistema federal de ensino compreende:       
II - exercer ação redistributiva em relação às suas escolas; I - as instituições de ensino mantidas pela União;
III - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; II - as instituições de educação superior criadas e mantidas pela
IV - autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do iniciativa privada;
seu sistema de ensino; III - os órgãos federais de educação.
V - oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com
prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do Distrito Federal
de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as neces- compreendem:
sidades de sua área de competência e com recursos acima dos percen- I - as instituições de ensino mantidas, respectivamente, pelo Poder
tuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e Público estadual e pelo Distrito Federal;
desenvolvimento do ensino. II - as instituições de educação superior mantidas pelo Poder Pú-
VI - assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal.  blico municipal;
Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se in- III - as instituições de ensino fundamental e médio criadas e man-
tegrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema tidas pela iniciativa privada;
único de educação básica. IV - os órgãos de educação estaduais e do Distrito Federal, res-
pectivamente.
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas co- Parágrafo único. No Distrito Federal, as instituições de educação
muns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: infantil, criadas e mantidas pela iniciativa privada, integram seu siste-
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; ma de ensino.

Didatismo e Conhecimento 45
CONHECIMENTOS GERAIS
Art. 18. Os sistemas municipais de ensino compreendem: Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será
I - as instituições do ensino fundamental, médio e de educação organizada de acordo com as seguintes regras comuns:
infantil mantidas pelo Poder Público municipal; I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distri-
II - as instituições de educação infantil criadas e mantidas pela buídas por um mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar,
iniciativa privada; excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver;
III – os órgãos municipais de educação. II - a classificação em qualquer série ou etapa, exceto a primeira
do ensino fundamental, pode ser feita:
Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classifi- a) por promoção, para alunos que cursaram, com aproveitamento,
cam-se nas seguintes categorias administrativas:               a série ou fase anterior, na própria escola;
I - públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, manti- b) por transferência, para candidatos procedentes de outras esco-
das e administradas pelo Poder Público; las;
II - privadas, assim entendidas as mantidas e administradas por c) independentemente de escolarização anterior, mediante avalia-
pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. ção feita pela escola, que defina o grau de desenvolvimento e experiên-
Art. 20. As instituições privadas de ensino se enquadrarão nas se- cia do candidato e permita sua inscrição na série ou etapa adequada,
guintes categorias:              conforme regulamentação do respectivo sistema de ensino;
I - particulares em sentido estrito, assim entendidas as que são ins- III - nos estabelecimentos que adotam a progressão regular por
tituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de di- série, o regimento escolar pode admitir formas de progressão parcial,
reito privado que não apresentem as características dos incisos abaixo; desde que preservada a sequência do currículo, observadas as normas
II - comunitárias, assim entendidas as que são instituídas por gru- do respectivo sistema de ensino;
pos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, com alunos de séries
cooperativas educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua en- distintas, com níveis equivalentes de adiantamento na matéria, para o
tidade mantenedora representantes da comunidade;  ensino de línguas estrangeiras, artes, ou outros componentes curricu-
III - confessionais, assim entendidas as que são instituídas por lares;
grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas que V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes
atendem a orientação confessional e ideologia específicas e ao disposto critérios:
no inciso anterior; a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com
IV - filantrópicas, na forma da lei.
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos re-
sultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
TÍTULO V
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso
Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino
escolar;
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante veri-
CAPÍTULO I
Da Composição dos Níveis Escolares ficação do aprendizado;
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
Art. 21. A educação escolar compõe-se de: e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência pa-
I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino funda- ralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a
mental e ensino médio; serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos;
II - educação superior. VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o
disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de en-
CAPÍTULO II sino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total
DA EDUCAÇÃO BÁSICA de horas letivas para aprovação;
Seção I VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escola-
Das Disposições Gerais res, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de
conclusão de cursos, com as especificações cabíveis.
Art. 22. A educação básica tem por finalidades desenvolver o edu-
cando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercí- Art. 25. Será objetivo permanente das autoridades responsáveis
cio da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em alcançar relação adequada entre o número de alunos e o professor, a
estudos posteriores. carga horária e as condições materiais do estabelecimento.
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de ensino, à vista das
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, condições disponíveis e das características regionais e locais, estabele-
períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, cer parâmetro para atendimento do disposto neste artigo.
grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros
critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse Art. 26.  Os currículos da educação infantil, do ensino fundamen-
do processo de aprendizagem assim o recomendar. tal e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser comple-
§ 1º A escola poderá reclassificar os alunos, inclusive quando se mentada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento esco-
tratar de transferências entre estabelecimentos situados no País e no lar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais
exterior, tendo como base as normas curriculares gerais. e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.  
§ 2º O calendário escolar deverá adequar-se às peculiaridades lo- § 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obri-
cais, inclusive climáticas e econômicas, a critério do respectivo sistema gatoriamente, o estudo da língua portuguesa e da matemática, o co-
de ensino, sem com isso reduzir o número de horas letivas previsto nhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política,
nesta Lei. especialmente do Brasil.

Didatismo e Conhecimento 46
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 2o  O ensino da arte, especialmente em suas expressões regio- II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em
nais, constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis cada estabelecimento;
da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural III - orientação para o trabalho;
dos alunos. IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas des-
§ 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da esco- portivas não-formais.
la, é componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua
prática facultativa ao aluno: Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os
I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua ade-
II – maior de trinta anos de idade; quação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente:
III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situa- I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais ne-
ção similar, estiver obrigado à prática da educação física; cessidades e interesses dos alunos da zona rural;
IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendá-
1969; rio escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;
V – (VETADO) III - adequação à natureza do trabalho na zona rural.
VI – que tenha prole. Parágrafo único. O fechamento de escolas do campo, indígenas
§ 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribui- e quilombolas será precedido de manifestação do órgão normativo do
ções das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasilei- respectivo sistema de ensino, que considerará a justificativa apresenta-
ro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia. da pela Secretaria de Educação, a análise do diagnóstico do impacto da
§ 5º Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoria- ação e a manifestação da comunidade escolar.
mente, a partir da quinta série, o ensino de pelo menos uma língua es-
trangeira moderna, cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar, Seção II
dentro das possibilidades da instituição. Da Educação Infantil
§ 6o  A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusi-
vo, do componente curricular de que trata o § 2o deste artigo. Art. 29.  A educação infantil, primeira etapa da educação básica,
tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5
§ 7o  Os currículos do ensino fundamental e médio devem incluir
(cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
os princípios da proteção e defesa civil e a educação ambiental de for-
complementando a ação da família e da comunidade.  
ma integrada aos conteúdos obrigatórios.    
§ 8º A exibição de filmes de produção nacional constituirá com-
Art. 30. A educação infantil será oferecida em:
ponente curricular complementar integrado à proposta pedagógica da
I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três
escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas
anos de idade;
mensais.
II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de
§ 9º Conteúdos relativos aos direitos humanos e à prevenção de idade. 
todas as formas de violência contra a criança e o adolescente serão in-
cluídos, como temas transversais, nos currículos escolares de que trata Art. 31.  A educação infantil será organizada de acordo com as
o caput deste artigo, tendo como diretriz a Lei nº 8.069, de 13 de julho seguintes regras comuns: 
de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), observada a produção I - avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvi-
e distribuição de material didático adequado. mento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso
ao ensino fundamental; 
Art. 26-A.  Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de II - carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distri-
ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da buída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional; 
história e cultura afro-brasileira e indígena. III - atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias
§ 1o  O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral; 
diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a forma- IV - controle de frequência pela instituição de educação pré-esco-
ção da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais lar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total
como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros de horas; 
e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira V - expedição de documentação que permita atestar os processos
e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as de desenvolvimento e aprendizagem da criança. 
suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à
história do Brasil. Seção III
§ 2o  Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e Do Ensino Fundamental
dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo
o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9
literatura e história brasileiras. (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos
de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como
ainda, as seguintes diretrizes: meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos di- II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema po-
reitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem lítico, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a
democrática; sociedade;

Didatismo e Conhecimento 47
CONHECIMENTOS GERAIS
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos
em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino
atitudes e valores; de cada disciplina.
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de soli-
dariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida Art. 36. O currículo do ensino médio observará o disposto na Se-
social. ção I deste Capítulo e as seguintes diretrizes:
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino funda- I - destacará a educação tecnológica básica, a compreensão do
mental em ciclos. significado da ciência, das letras e das artes; o processo histórico de
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam progressão regular por série transformação da sociedade e da cultura; a língua portuguesa como
podem adotar no ensino fundamental o regime de progressão continua- instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento e exercício da
da, sem prejuízo da avaliação do processo de ensino-aprendizagem, cidadania;
observadas as normas do respectivo sistema de ensino. II - adotará metodologias de ensino e de avaliação que estimulem
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua por- a iniciativa dos estudantes;
tuguesa, assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas lín- III - será incluída uma língua estrangeira moderna, como discipli-
guas maternas e processos próprios de aprendizagem. na obrigatória, escolhida pela comunidade escolar, e uma segunda, em
§ 4º O ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a dis- caráter optativo, dentro das disponibilidades da instituição.
tância utilizado como complementação da aprendizagem ou em situa- IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia como disciplinas
ções emergenciais. obrigatórias em todas as séries do ensino médio.
§ 5o  O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamen- § 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão
te, conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, ten- organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando
do como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o demonstre:
Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a produção e distri- I - domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem
buição de material didático adequado.      a produção moderna;
§ 6º O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como II - conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;
tema transversal nos currículos do ensino fundamental.      § 2º (Revogado)
§ 3º Os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habili-
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte inte-
tarão ao prosseguimento de estudos.
grante da formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horá-
rios normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado
Seção IV-A
o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer
Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio
formas de proselitismo.
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para
a definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as nor- Art. 36-A.  Sem prejuízo do disposto na Seção IV deste Capítulo,
mas para a habilitação e admissão dos professores. o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepa-
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pe- rá-lo para o exercício de profissões técnicas.
las diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos Parágrafo único.  A preparação geral para o trabalho e, faculta-
do ensino religioso.» tivamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas nos
próprios estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação com
Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo instituições especializadas em educação profissional.
menos quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progres-
sivamente ampliado o período de permanência na escola. Art. 36-B.  A educação profissional técnica de nível médio será
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas al- desenvolvida nas seguintes formas:
ternativas de organização autorizadas nesta Lei. I - articulada com o ensino médio;
§ 2º O ensino fundamental será ministrado progressivamente em II - subsequente, em cursos destinados a quem já tenha concluído
tempo integral, a critério dos sistemas de ensino. o ensino médio.
Parágrafo único.  A educação profissional técnica de nível médio
Seção IV deverá observar:
Do Ensino Médio I - os objetivos e definições contidos nas diretrizes curriculares
nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação;
Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação básica, com du- II - as normas complementares dos respectivos sistemas de ensi-
ração mínima de três anos, terá como finalidades: no;
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos ad- III - as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de seu
quiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de projeto pedagógico.
estudos;
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, Art. 36-C.  A educação profissional técnica de nível médio articu-
para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com lada, prevista no inciso I do caput do art. 36-B desta Lei, será desen-
flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento pos- volvida de forma:
teriores; I - integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o ensi-
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluin- no fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o aluno
do a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do à habilitação profissional técnica de nível médio, na mesma instituição
pensamento crítico; de ensino, efetuando-se matrícula única para cada aluno;

Didatismo e Conhecimento 48
CONHECIMENTOS GERAIS
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio ou § 2o  A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes
já o esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas para cada curso, cursos: 
e podendo ocorrer: I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional;
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunida- II – de educação profissional técnica de nível médio; 
des educacionais disponíveis; III – de educação profissional tecnológica de graduação e pós-gra-
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportu- duação. 
nidades educacionais disponíveis; § 3o  Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação
c) em instituições de ensino distintas, mediante convênios de in- e pós-graduação organizar-se-ão, no que concerne a objetivos, carac-
tercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimen- terísticas e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais
to de projeto pedagógico unificado. estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. 
Art. 36-D.  Os diplomas de cursos de educação profissional técni- Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação
ca de nível médio, quando registrados, terão validade nacional e habili- com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação conti-
tarão ao prosseguimento de estudos na educação superior. nuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho.   
Parágrafo único.  Os cursos de educação profissional técnica de
nível médio, nas formas articulada concomitante e subsequente, quan- Art. 41.  O conhecimento adquirido na educação profissional e
do estruturados e organizados em etapas com terminalidade, possibi- tecnológica, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação,
litarão a obtenção de certificados de qualificação para o trabalho após reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de
a conclusão, com aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma estudos.
qualificação para o trabalho.
Art. 42.  As instituições de educação profissional e tecnológica,
Seção V além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à
Da Educação de Jovens e Adultos comunidade, condicionada a matrícula à capacidade de aproveitamen-
to e não necessariamente ao nível de escolaridade. 
Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que
não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental
CAPÍTULO IV
e médio na idade própria.
DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e
aos adultos, que não puderam efetuar os estudos na idade regular, opor-
Art. 43. A educação superior tem por finalidade:
tunidades educacionais apropriadas, consideradas as características do
I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito
alunado, seus interesses, condições de vida e de trabalho, mediante
científico e do pensamento reflexivo;
cursos e exames.
II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, ap-
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a perma-
nência do trabalhador na escola, mediante ações integradas e comple- tos para a inserção em setores profissionais e para a participação no
mentares entre si. desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação
§ 3o  A educação de jovens e adultos deverá articular-se, prefe- contínua;
rencialmente, com a educação profissional, na forma do regulamento. III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica,
visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supleti- difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do ho-
vos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habili- mem e do meio em que vive;
tando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais, científi-
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: cos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de co-
de quinze anos; municação;
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e
dezoito anos. profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual
por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames. sistematizadora do conhecimento de cada geração;
VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente,
CAPÍTULO III em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados
DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
Da Educação Profissional e Tecnológica VII - promover a extensão, aberta à participação da população,
visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação
Art. 39.  A educação profissional e tecnológica, no cumprimento cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição.
dos objetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e
modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da Art. 44. A educação superior abrangerá os seguintes cursos e pro-
tecnologia. gramas:       
§ 1o  Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis
ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos requisitos esta-
diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo belecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o
sistema e nível de ensino.  ensino médio ou equivalente; 

Didatismo e Conhecimento 49
CONHECIMENTOS GERAIS
II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o § 2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades es-
ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados em processo trangeiras serão revalidados por universidades públicas que tenham
seletivo; curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos
III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e internacionais de reciprocidade ou equiparação.
doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos § 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por uni-
a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às versidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades
exigências das instituições de ensino; que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na
IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.
estabelecidos em cada caso pelas instituições de ensino. Art. 49. As instituições de educação superior aceitarão a transfe-
Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no rência de alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de existência
inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas instituições de vagas, e mediante processo seletivo.
de ensino superior, sendo obrigatória a divulgação da relação nominal Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma
dos classificados, a respectiva ordem de classificação, bem como do da lei.    
cronograma das chamadas para matrícula, de acordo com os critérios
para preenchimento das vagas constantes do respectivo edital. Art. 50. As instituições de educação superior, quando da ocorrên-
cia de vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos
Art. 45. A educação superior será ministrada em instituições de não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com provei-
ensino superior, públicas ou privadas, com variados graus de abran- to, mediante processo seletivo prévio.
gência ou especialização.              
Art. 51. As instituições de educação superior credenciadas como
Art. 46. A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como universidades, ao deliberar sobre critérios e normas de seleção e admis-
o credenciamento de instituições de educação superior, terão prazos são de estudantes, levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a
limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular de orientação do ensino médio, articulando-se com os órgãos normativos
avaliação.               
dos sistemas de ensino.
§ 1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventual-
mente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo, have-
Art. 52. As universidades são instituições pluridisciplinares de
rá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso, em desativação
formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de
de cursos e habilitações, em intervenção na instituição, em suspensão
extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam
temporária de prerrogativas da autonomia, ou em descredenciamento.                    
por:        
§ 2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo respon-
sável por sua manutenção acompanhará o processo de saneamento e I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo siste-
fornecerá recursos adicionais, se necessários, para a superação das de- mático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista
ficiências. científico e cultural, quanto regional e nacional;
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadê-
Art. 47. Na educação superior, o ano letivo regular, independente mica de mestrado ou doutorado;
do ano civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
efetivo, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver. Parágrafo único. É facultada a criação de universidades especiali-
§ 1º As instituições informarão aos interessados, antes de cada zadas por campo do saber.             
período letivo, os programas dos cursos e demais componentes curri-
culares, sua duração, requisitos, qualificação dos professores, recursos Art. 53. No exercício de sua autonomia, são asseguradas às uni-
disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-se a cumprir as respec- versidades, sem prejuízo de outras, as seguintes atribuições:
tivas condições. I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de
§ 2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento nos es- educação superior previstos nesta Lei, obedecendo às normas gerais da
tudos, demonstrado por meio de provas e outros instrumentos de ava- União e, quando for o caso, do respectivo sistema de ensino;     
liação específicos, aplicados por banca examinadora especial, poderão II - fixar os currículos dos seus cursos e programas, observadas as
ter abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as normas dos diretrizes gerais pertinentes;
sistemas de ensino. III - estabelecer planos, programas e projetos de pesquisa científi-
§ 3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, salvo nos ca, produção artística e atividades de extensão;
programas de educação a distância. IV - fixar o número de vagas de acordo com a capacidade institu-
§ 4º As instituições de educação superior oferecerão, no período cional e as exigências do seu meio;
noturno, cursos de graduação nos mesmos padrões de qualidade man- V - elaborar e reformar os seus estatutos e regimentos em conso-
tidos no período diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas institui- nância com as normas gerais atinentes;
ções públicas, garantida a necessária previsão orçamentária. VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
VII - firmar contratos, acordos e convênios;
Art. 48. Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando VIII - aprovar e executar planos, programas e projetos de investi-
registrados, terão validade nacional como prova da formação recebida mentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, bem como
por seu titular. administrar rendimentos conforme dispositivos institucionais;
§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas IX - administrar os rendimentos e deles dispor na forma prevista
próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições não-univer- no ato de constituição, nas leis e nos respectivos estatutos;
sitárias serão registrados em universidades indicadas pelo Conselho X - receber subvenções, doações, heranças, legados e cooperação
Nacional de Educação. financeira resultante de convênios com entidades públicas e privadas.

Didatismo e Conhecimento 50
CONHECIMENTOS GERAIS
Parágrafo único. Para garantir a autonomia didático-científica das § 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado,
universidades, caberá aos seus colegiados de ensino e pesquisa decidir, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educa-
dentro dos recursos orçamentários disponíveis, sobre: ção especial.
I - criação, expansão, modificação e extinção de cursos; § 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou
II - ampliação e diminuição de vagas; serviços especializados, sempre que, em função das condições especí-
III - elaboração da programação dos cursos; ficas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns
IV - programação das pesquisas e das atividades de extensão; de ensino regular.
V - contratação e dispensa de professores; § 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Esta-
VI - planos de carreira docente. do, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação
Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder Público gozarão, infantil.
na forma da lei, de estatuto jurídico especial para atender às peculia-
ridades de sua estrutura, organização e financiamento pelo Poder Pú- Art. 59.  Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
blico, assim como dos seus planos de carreira e do regime jurídico do deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
seu pessoal.               ou superdotação:  
§ 1º No exercício da sua autonomia, além das atribuições assegu- I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organiza-
radas pelo artigo anterior, as universidades públicas poderão: ção específicos, para atender às suas necessidades;
I - propor o seu quadro de pessoal docente, técnico e administra- II - terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir
tivo, assim como um plano de cargos e salários, atendidas as normas o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de
gerais pertinentes e os recursos disponíveis; suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o pro-
II - elaborar o regulamento de seu pessoal em conformidade com grama escolar para os superdotados;
as normas gerais concernentes; III - professores com especialização adequada em nível médio
III - aprovar e executar planos, programas e projetos de investi- ou superior, para atendimento especializado, bem como professores
mentos referentes a obras, serviços e aquisições em geral, de acordo do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas
com os recursos alocados pelo respectivo Poder mantenedor; classes comuns;
IV - elaborar seus orçamentos anuais e plurianuais; IV - educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva in-
V - adotar regime financeiro e contábil que atenda às suas peculia- tegração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para
ridades de organização e funcionamento; os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competiti-
vo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para
VI - realizar operações de crédito ou de financiamento, com apro-
aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística,
vação do Poder competente, para aquisição de bens imóveis, instala-
intelectual ou psicomotora;
ções e equipamentos;
V - acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suple-
VII - efetuar transferências, quitações e tomar outras providências
mentares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
de ordem orçamentária, financeira e patrimonial necessárias ao seu
bom desempenho.
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelece-
§ 2º Atribuições de autonomia universitária poderão ser estendi- rão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucra-
das a instituições que comprovem alta qualificação para o ensino ou tivos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial,
para a pesquisa, com base em avaliação realizada pelo Poder Público. para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
Parágrafo único.  O poder público adotará, como alternativa pre-
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, em seu Orçamen- ferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência,
to Geral, recursos suficientes para manutenção e desenvolvimento das transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou super-
instituições de educação superior por ela mantidas. dotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente
do apoio às instituições previstas neste artigo.  
Art. 56. As instituições públicas de educação superior obedecerão
ao princípio da gestão democrática, assegurada a existência de órgãos TÍTULO VI
colegiados deliberativos, de que participarão os segmentos da comuni- Dos Profissionais da Educação
dade institucional, local e regional.
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes ocuparão setenta Art. 61.  Consideram-se profissionais da educação escolar básica
por cento dos assentos em cada órgão colegiado e comissão, inclusive os que, nela estando em efetivo exercício e tendo sido formados em
nos que tratarem da elaboração e modificações estatutárias e regimen- cursos reconhecidos, são:
tais, bem como da escolha de dirigentes. I – professores habilitados em nível médio ou superior para a do-
cência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio;
Art. 57. Nas instituições públicas de educação superior, o profes- II – trabalhadores em educação portadores de diploma de peda-
sor ficará obrigado ao mínimo de oito horas semanais de aulas.   gogia, com habilitação em administração, planejamento, supervisão,
    inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado
CAPÍTULO V ou doutorado nas mesmas áreas; 
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso
técnico ou superior em área pedagógica ou afim.
Art. 58.  Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Parágrafo único.  A formação dos profissionais da educação, de
Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem
rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação
globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.   básica, terá como fundamentos: 

Didatismo e Conhecimento 51
CONHECIMENTOS GERAIS
I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conheci- Art. 65. A formação docente, exceto para a educação superior, in-
mento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de cluirá prática de ensino de, no mínimo, trezentas horas.
trabalho; 
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios super- Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-
visionados e capacitação em serviço;  se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de
III – o aproveitamento da formação e experiências anteriores, em mestrado e doutorado.
instituições de ensino e em outras atividades.  Parágrafo único. O notório saber, reconhecido por universidade
com curso de doutorado em área afim, poderá suprir a exigência de
Art. 62.  A formação de docentes para atuar na educação básica título acadêmico.
far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação ple-
na, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos
como formação mínima para o exercício do magistério na educação profissionais da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos
infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a ofere- estatutos e dos planos de carreira do magistério público:
cida em nível médio na modalidade normal.   I - ingresso exclusivamente por concurso público de provas e tí-
§ 1º  A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em
tulos;
regime de colaboração, deverão promover a formação inicial, a conti-
II - aperfeiçoamento profissional continuado, inclusive com licen-
nuada e a capacitação dos profissionais de magistério.
ciamento periódico remunerado para esse fim;
§ 2º  A formação continuada e a capacitação dos profissionais de
magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de educação a dis- III - piso salarial profissional;
tância. IV - progressão funcional baseada na titulação ou habilitação, e na
§ 3º  A formação inicial de profissionais de magistério dará prefe- avaliação do desempenho;
rência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo uso de recursos V - período reservado a estudos, planejamento e avaliação, incluí-
e tecnologias de educação a distância.  do na carga de trabalho;
§ 4o  A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios ado- VI - condições adequadas de trabalho.
tarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de § 1o A experiência docente é pré-requisito para o exercício pro-
formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica fissional de quaisquer outras funções de magistério, nos termos das
pública.  normas de cada sistema de ensino.
§ 5o  A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios § 2o  Para os efeitos do disposto no § 5º do art. 40 e no § 8o do art.
incentivarão a formação de profissionais do magistério para atuar na 201 da Constituição Federal, são consideradas funções de magistério
educação básica pública mediante programa institucional de bolsa de as exercidas por professores e especialistas em educação no desempe-
iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licencia- nho de atividades educativas, quando exercidas em estabelecimento
tura, de graduação plena, nas instituições de educação superior.   de educação básica em seus diversos níveis e modalidades, incluídas,
§ 6o  O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima além do exercício da docência, as de direção de unidade escolar e as de
em exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como coordenação e assessoramento pedagógico. 
pré-requisito para o ingresso em cursos de graduação para formação de § 3o  A União prestará assistência técnica aos Estados, ao Distrito
docentes, ouvido o Conselho Nacional de Educação - CNE.   Federal e aos Municípios na elaboração de concursos públicos para
§ 7o  (VETADO).  provimento de cargos dos profissionais da educação.  
Art. 62-A.  A formação dos profissionais a que se refere o inciso TÍTULO VII
III do art. 61 far-se-á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagó- Dos Recursos financeiros
gico, em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas.   
Parágrafo único.  Garantir-se-á formação continuada para os pro- Art. 68. Serão recursos públicos destinados à educação os origi-
fissionais a que se refere o  caput, no local de trabalho ou em insti-
nários de:
tuições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação
I - receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito
profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos e
Federal e dos Municípios;
de pós-graduação.  
II - receita de transferências constitucionais e outras transferên-
Art. 63. Os institutos superiores de educação manterão:        cias;
I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, in- III - receita do salário-educação e de outras contribuições sociais;
clusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para IV - receita de incentivos fiscais;
a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; V - outros recursos previstos em lei.
II - programas de formação pedagógica para portadores de diplo-
mas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca menos de dezoito, e
III - programas de educação continuada para os profissionais de os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, vinte e cinco por cento,
educação dos diversos níveis. ou o que consta nas respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da
receita resultante de impostos, compreendidas as transferências consti-
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administra- tucionais, na manutenção e desenvolvimento do ensino público.
ção, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para § 1º A parcela da arrecadação de impostos transferida pela União
a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou pelos Estados aos
em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garanti- respectivos Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo
da, nesta formação, a base comum nacional. previsto neste artigo, receita do governo que a transferir.

Didatismo e Conhecimento 52
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 2º Serão consideradas excluídas das receitas de impostos men- VI - pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando
cionadas neste artigo as operações de crédito por antecipação de receita em desvio de função ou em atividade alheia à manutenção e desenvol-
orçamentária de impostos. vimento do ensino.
§ 3º Para fixação inicial dos valores correspondentes aos mínimos Art. 72. As receitas e despesas com manutenção e desenvolvi-
estatuídos neste artigo, será considerada a receita estimada na lei do mento do ensino serão apuradas e publicadas nos balanços do Poder
orçamento anual, ajustada, quando for o caso, por lei que autorizar a Público, assim como nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da
abertura de créditos adicionais, com base no eventual excesso de arre- Constituição Federal.
cadação.
§ 4º As diferenças entre a receita e a despesa previstas e as efeti- Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, prioritariamente, na
vamente realizadas, que resultem no não atendimento dos percentuais prestação de contas de recursos públicos, o cumprimento do disposto
mínimos obrigatórios, serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do no art. 212 da Constituição Federal, no art. 60 do Ato das Disposições
exercício financeiro. Constitucionais Transitórias e na legislação concernente.
§ 5º O repasse dos valores referidos neste artigo do caixa da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios ocorrerá Art. 74. A União, em colaboração com os Estados, o Distrito Fe-
imediatamente ao órgão responsável pela educação, observados os se- deral e os Municípios, estabelecerá padrão mínimo de oportunidades
guintes prazos: educacionais para o ensino fundamental, baseado no cálculo do custo
I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo dia de cada mês, mínimo por aluno, capaz de assegurar ensino de qualidade.
até o vigésimo dia; Parágrafo único. O custo mínimo de que trata este artigo será cal-
II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao vigésimo dia de culado pela União ao final de cada ano, com validade para o ano sub-
cada mês, até o trigésimo dia; sequente, considerando variações regionais no custo dos insumos e as
III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro dia ao final de diversas modalidades de ensino.
cada mês, até o décimo dia do mês subsequente.
§ 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a correção monetá- Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da União e dos Estados
ria e à responsabilização civil e criminal das autoridades competentes. será exercida de modo a corrigir, progressivamente, as disparidades de
acesso e garantir o padrão mínimo de qualidade de ensino.
Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e desenvolvimen- § 1º A ação a que se refere este artigo obedecerá a fórmula de
to do ensino as despesas realizadas com vistas à consecução dos objeti- domínio público que inclua a capacidade de atendimento e a medida
vos básicos das instituições educacionais de todos os níveis, compreen- do esforço fiscal do respectivo Estado, do Distrito Federal ou do Muni-
dendo as que se destinam a: cípio em favor da manutenção e do desenvolvimento do ensino.
I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal docente e demais § 2º A capacidade de atendimento de cada governo será definida
profissionais da educação; pela razão entre os recursos de uso constitucionalmente obrigatório na
II - aquisição, manutenção, construção e conservação de instala- manutenção e desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno,
ções e equipamentos necessários ao ensino; relativo ao padrão mínimo de qualidade.
III – uso e manutenção de bens e serviços vinculados ao ensino; § 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ 1º e 2º, a União
IV - levantamentos estatísticos, estudos e pesquisas visando pre- poderá fazer a transferência direta de recursos a cada estabelecimento
cipuamente ao aprimoramento da qualidade e à expansão do ensino; de ensino, considerado o número de alunos que efetivamente frequen-
V - realização de atividades-meio necessárias ao funcionamento tam a escola.
dos sistemas de ensino; § 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá ser exercida em
VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de escolas públicas favor do Distrito Federal, dos Estados e dos Municípios se estes ofe-
e privadas; recerem vagas, na área de ensino de sua responsabilidade, conforme o
VII - amortização e custeio de operações de crédito destinadas a inciso VI do art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número inferior
atender ao disposto nos incisos deste artigo; à sua capacidade de atendimento.
VIII - aquisição de material didático-escolar e manutenção de pro-
gramas de transporte escolar. Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista no artigo ante-
rior ficará condicionada ao efetivo cumprimento pelos Estados, Distri-
Art. 71. Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvi- to Federal e Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de outras
mento do ensino aquelas realizadas com: prescrições legais.
I - pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou,
quando efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise, precipua- Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas,
mente, ao aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão; podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filan-
II - subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assis- trópicas que:
tencial, desportivo ou cultural; I - comprovem finalidade não-lucrativa e não distribuam resulta-
III - formação de quadros especiais para a administração pública, dos, dividendos, bonificações, participações ou parcela de seu patrimô-
sejam militares ou civis, inclusive diplomáticos; nio sob nenhuma forma ou pretexto;
IV - programas suplementares de alimentação, assistência médi- II - apliquem seus excedentes financeiros em educação;
co-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de assis- III - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola co-
tência social; munitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso
V - obras de infraestrutura, ainda que realizadas para beneficiar de encerramento de suas atividades;
direta ou indiretamente a rede escolar; IV - prestem contas ao Poder Público dos recursos recebidos.

Didatismo e Conhecimento 53
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 1º Os recursos de que trata este artigo poderão ser destinados a § 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas
bolsas de estudo para a educação básica, na forma da lei, para os que de educação a distância e a autorização para sua implementação, cabe-
demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver falta de vagas rão aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e
e cursos regulares da rede pública de domicílio do educando, ficando integração entre os diferentes sistemas.       
o Poder Público obrigado a investir prioritariamente na expansão da § 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado,
sua rede local. que incluirá:
§ 2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radio-
receber apoio financeiro do Poder Público, inclusive mediante bolsas difusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de comunicação
de estudo. que sejam explorados mediante autorização, concessão ou permissão
do poder público;   
TÍTULO VIII II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educa-
Das Disposições Gerais tivas;
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público,
Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das pelos concessionários de canais comerciais.
agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, de-
senvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de Art. 81. É permitida a organização de cursos ou instituições de
educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas, com os ensino experimentais, desde que obedecidas as disposições desta Lei.
seguintes objetivos:
I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recupe-  Art. 82.  Os sistemas de ensino estabelecerão as normas de rea-
ração de suas memórias históricas; a reafirmação de suas identidades lização de estágio em sua jurisdição, observada a lei federal sobre a
étnicas; a valorização de suas línguas e ciências; matéria. 
II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às in-
formações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional Art. 83. O ensino militar é regulado em lei específica, admitida a
e demais sociedades indígenas e não-índias. equivalência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos siste-
mas de ensino.
Art. 79. A União apoiará técnica e financeiramente os sistemas
de ensino no provimento da educação intercultural às comunidades
Art. 84. Os discentes da educação superior poderão ser aprovei-
indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensino e pesquisa.
tados em tarefas de ensino e pesquisa pelas respectivas instituições,
§ 1º Os programas serão planejados com audiência das comuni-
exercendo funções de monitoria, de acordo com seu rendimento e seu
dades indígenas.
plano de estudos.
§ 2º Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos
Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos:
I - fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a titulação própria po-
comunidade indígena; derá exigir a abertura de concurso público de provas e títulos para car-
II - manter programas de formação de pessoal especializado, des- go de docente de instituição pública de ensino que estiver sendo ocu-
tinado à educação escolar nas comunidades indígenas; pado por professor não concursado, por mais de seis anos, ressalvados
III - desenvolver currículos e programas específicos, neles in- os direitos assegurados pelos arts. 41 da Constituição Federal e 19 do
cluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comu- Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.
nidades;
IV - elaborar e publicar sistematicamente material didático espe- Art. 86. As instituições de educação superior constituídas como
cífico e diferenciado. universidades integrar-se-ão, também, na sua condição de instituições
§ 3o No que se refere à educação superior, sem prejuízo de outras de pesquisa, ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, nos termos
ações, o atendimento aos povos indígenas efetivar-se-á, nas universi- da legislação específica.
dades públicas e privadas, mediante a oferta de ensino e de assistência
estudantil, assim como de estímulo à pesquisa e desenvolvimento de TÍTULO IX
programas especiais.  Das Disposições Transitórias
 
Art. 79-A. (VETADO)    Art. 87. É instituída a Década da Educação, a iniciar-se um ano a
partir da publicação desta Lei.
Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro § 1º A União, no prazo de um ano a partir da publicação desta Lei,
como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’. encaminhará, ao Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação,
com diretrizes e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veicu- Declaração Mundial sobre Educação para Todos.
lação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modali- § 2º (Revogado pela lei nº 12.796, de 2013)
dades de ensino, e de educação continuada.        § 3o  O Distrito Federal, cada Estado e Município, e, supletiva-
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime mente, a União, devem: 
especiais, será oferecida por instituições especificamente credenciadas I – (Revogado pela lei nº 12.796, de 2013)
pela União. a) (Revogado) 
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exa- b) (Revogado) 
mes e registro de diploma relativos a cursos de educação a distância. c) (Revogado) 

Didatismo e Conhecimento 54
CONHECIMENTOS GERAIS
II - prover cursos presenciais ou a distância aos jovens e adultos Segundo a LDB 9394/96, a educação brasileira é dividida em dois
insuficientemente escolarizados; níveis: a educação básica e o ensino superior.
III - realizar programas de capacitação para todos os professores Educação Básica:
em exercício, utilizando também, para isto, os recursos da educação a - Educação Infantil – creches (de 0 a 3 anos) e pré-escolas (de
distância; 4 e 5 anos) – É gratuita mas não obrigatória. É de competência dos
IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino fundamental do municípios.
seu território ao sistema nacional de avaliação do rendimento escolar. - Ensino Fundamental – anos iniciais (do 1º ao 5º ano) e anos fi-
§ 4º (Revogado pela lei nº 12.796, de 2013) nais (do 6º ao 9º ano) – É obrigatório e gratuito. A LDB estabelece que,
§ 5º Serão conjugados todos os esforços objetivando a progressão gradativamente, os municípios serão os responsáveis por todo o ensino
das redes escolares públicas urbanas de ensino fundamental para o re- fundamental. Na prática os municípios estão atendendo aos anos ini-
gime de escolas de tempo integral. ciais e os Estados os anos finais.
§ 6º A assistência financeira da União aos Estados, ao Distrito - Ensino Médio – O antigo 2º grau (do 1º ao 3º ano). É de res-
Federal e aos Municípios, bem como a dos Estados aos seus Municí- ponsabilidade dos Estados. Pode ser técnico profissionalizante, ou não.
pios, ficam condicionadas ao cumprimento do art. 212 da Constituição Ensino Superior:
Federal e dispositivos legais pertinentes pelos governos beneficiados. - É de competência da União, podendo ser oferecido por Estados
e Municípios, desde que estes já tenham atendido os níveis pelos quais
Art. 87-A. (VETADO).   é responsável em sua totalidade. Cabe a União autorizar e fiscalizar as
instituições privadas de ensino superior.
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios A educação brasileira conta ainda com algumas modalidades de
adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta educação, que perpassam todos os níveis da educação nacional. São
Lei no prazo máximo de um ano, a partir da data de sua publicação.    elas:
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regi- - Educação Especial – Atende aos educandos com necessidades
mentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sistemas especiais, preferencialmente na rede regular de ensino.
de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. - Educação a distância – Atende aos estudantes em tempos e es-
§ 2º O prazo para que as universidades cumpram o disposto nos paços diversos, com a utilização de meios e tecnologias de informação
incisos II e III do art. 52 é de oito anos. e comunicação.
- Educação Profissional e Tecnológica – Visa preparar os estudan-
Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser tes a exercerem atividades produtivas, atualizar e aperfeiçoar conheci-
criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta mentos tecnológicos e científicos.
Lei, integrar-se ao respectivo sistema de ensino. - Educação de Jovens e Adultos – Atende as pessoas que não tive-
ram acesso a educação na idade apropriada.
Art. 90. As questões suscitadas na transição entre o regime anterior - Educação Indígena – Atende as comunidades indígenas, de for-
e o que se institui nesta Lei serão resolvidas pelo Conselho Nacional de ma a respeitar a cultura e língua materna de cada tribo.
Educação ou, mediante delegação deste, pelos órgãos normativos dos Além dessas determinações, a LDB 9394/96 aborda temas como
sistemas de ensino, preservada a autonomia universitária. os recursos financeiros e a formação dos profissionais da educação. Por
Thais Pacievitch
Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Principais características:
Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs 4.024, de 20 de - Prevê um núcleo comum para o currículo de 1º e 2º grau e uma
dezembro de 1961, e 5.540, de 28 de novembro de 1968, não altera- parte diversificada em função das peculiaridades locais (art. 4)
das pelas Leis nºs 9.131, de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21 - Inclusão da educação moral e cívica, educação física, educação
de dezembro de 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692, de 11 de agosto de artística e programas de saúde como matérias obrigatórias do currículo,
1971 e 7.044, de 18 de outubro de 1982, e as demais leis e decretos-lei além do ensino religioso facultativo (art. 7)
que as modificaram e quaisquer outras disposições em contrário. - Ano letivo de 200 dias (art. 24)
- Ensino de 1º grau obrigatório dos 7 aos 14 anos (art. 20)
Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da Independência e 108º - Educação a distância como possível modalidade do ensino su-
da República. pletivo (art. 25)
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO - Formação preferencial do professor para o ensino de 1º grau, da
Paulo Renato Souza 1ª à 4ª séries, em habilitação específica no 2º grau (art. 30 e 77)
- Formação preferencial do professor para o ensino de 1º e 2º grau
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB em curso de nível superior ao nível de graduação (art. 30 e 77)
9394/96) é a legislação que regulamenta o sistema educacional (pú- - Formação preferencial dos especialistas da educação em curso
blico ou privado) do Brasil (da educação básica ao ensino superior). superior de graduação ou pós-graduação (art. 33)
Na história do Brasil, essa é a segunda vez que a educação con- - Dinheiro público não exclusivo às instituições de ensino públi-
ta com uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que regulamenta cas (art. 43 e 79)
todos os seus níveis. A primeira LDB foi promulgada em 1961 (LDB - Os municípios devem gastar 20% de seu orçamento com educa-
4024/61). ção, não prevê dotação orçamentária para a União ou os estados (art.
A LDB 9394/96 reafirma o direito à educação, garantido pela 59)
Constituição Federal. Estabelece os princípios da educação e os deve- - Progressiva substituição do ensino de 2º grau gratuito por siste-
res do Estado em relação à educação escolar pública, definindo as res- ma de bolsas com restituição (art. 63)
ponsabilidades, em regime de colaboração, entre a União, os Estados, - Permite o ensino experimental (art. 64)
o Distrito Federal e os Municípios. - Pagamento por habilitação (art. 39)

Didatismo e Conhecimento 55
CONHECIMENTOS GERAIS
Diretrizes e Bases para a Educação Nacional - alguns destaques 3. Papel e formação dos professores
1. O currículo A nova LDB dá atenção específica à questão dos professores e
Os currículos do ensino fundamental e médio passam a compreen- procura valorizar o magistério, estabelecendo critérios de ingresso e
der uma base nacional comum que deve ser complementada por uma falando da necessidade do plano de carreira nas instituições (art. 67).
parte diversificada, de acordo com as características regionais (art. 26). Na descrição das funções dos docentes, afirma que eles: “participam
Fica sugerida uma flexibilização dos currículos, na medida em da elaboração da proposta pedagógica das escolas”; “elaboram e cum-
que se admite a incorporação de disciplinas que podem ser escolhidas prem planos de trabalho”; “zelam pela aprendizagem dos alunos”;
levando em conta o contexto e a clientela. No ensino nas zonas rurais, é estabelecem estratégias de recuperação”; “ministram os dias letivos
admitida inclusive a possibilidade de um currículo apropriado às reais estabelecidos e participam integralmente do planejamento/ avaliação”;
necessidades e interesses (desses) alunos (art. 28, inciso I). “articulam escola/família/comunidade” (art.13).
A LDB determina que a Educação Artística seja componente cur- A denominação dada aos níveis escolares é: Educação Básica
ricular obrigatório no Ensino Básico (pré-escolar, 1º e 2º graus; art. 26, (compreende a educação infantil, o ensino fundamental (anteriormente
§ 2º). O objetivo é promover o desenvolvimento cultural dos alunos. 1º grau) e o ensino médio, anterior 2º grau); e Educação Superior.
Continua a exigência de uma língua estrangeira moderna a partir - O Ensino Fundamental (8 anos) aparece sempre como priori-
da 5ª série, e pedem-se duas línguas (uma opcional, de acordo com as dade. Sendo dever do Estado, qualquer cidadão ou entidade de classe
possibilidades da Instituição) no ensino médio. pode acionar o Poder Público para exigi-lo (art. 4º/5º).
Entre os saberes que o educando deverá dominar após o ensino - A carga horária mínima anual da educação básica é de 800 horas
médio estão os conhecimentos de filosofia e de sociologia necessários em 200 dias letivos, sem contar os exames finais. A jornada escolar no
ao exercício da cidadania (art.36, § 1º); contudo, a Lei não exige que ensino fundamental inclui pelo menos quatro horas de trabalho efetivo
tais disciplinas sejam incorporadas ao currículo. em sala de aula, mas o artigo 34 prevê que o período de permanência
O Ensino Religioso passa a ser disciplina de oferta obrigatória nas na escola seja progressivamente ampliado.
escolas públicas, com matrícula facultativa e sem ônus para os cofres - A educação profissionalizante passa a constituir um curso inde-
públicos (Art. 3). pendente do Ensino Médio.
- A LDB chama a atenção para a necessidade de se alcançar rela-
2. A avaliação ção adequada entre o número de alunos e o professor, acenando para
Termina a exclusividade do exame vestibular para ingresso no uma redução do número de alunos em cada sala de aula, porém sem
Ensino Superior (art. 4, inciso I). A LDB fala de uma classificação especificar (art. 25).
mediante processo seletivo, sem especificar. Podemos entender, por - A rede pública de ensino deverá ampliar seu atendimento aos
exemplo, as notas do 2º grau, ou uma prova aplicada pelo MEC. alunos com necessidades especiais de aprendizagem (art. 60 - pará-
A LDB cria o processo de avaliação das instituições de educação grafo único).
superior, assim como do rendimento escolar dos alunos do ensino bá- - A LDB rege que os recursos financeiros destinados à Educação
sico e superior. sejam, do orçamento da União, nunca menos de 18%; dos Estados e
No ensino superior, o MEC pode, mediante análise dos resultados Municípios, nunca menos de 25%. Abre-se a possibilidade, sem muita
da avaliação, descredenciar cursos, intervir na instituição, suspender clareza de critérios, de que tais recursos possam ser dirigidos também
temporariamente a autonomia, rebaixá-la a Centro Universitário (cen- a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas (art. 69 e art.7),
tros sem a exigência de trabalho de pesquisa), ou mesmo descredenciá inclusive para bolsas de estudo para a educação básica se não houver
-la. Passa a ser solicitado, além disso, o recredenciamento das univer- vagas na rede pública de domicílio do educando, comprovando-se a
sidades a cada cinco anos. insuficiência de recursos. Por Andrea Cecilia Ramal
Quanto à avaliação dos alunos do ensino básico por parte do go-
verno, não há maiores especificações. http://www.ebah.com.br/content/ABAAAenZQAG/ldb-9394-96
A classificação dos alunos nas séries iniciais passa a poder ocorrer
por promoção. Este termo (diferente de aprovação) é identificado tam-
bém no texto com a “progressão continuada” ou a “progressão parcial”
e com a “progressão regular por série”. Consiste na aprovação automá-
tica de alunos da 1ª até a 5ª série, pressupondo um acompanhamento
personalizado, com o fim de evitar a evasão escolar e a repetência nos
primeiros anos de estudo. Esse sistema não é uma inovação da LDB,
mas fica por ela legitimado (art.24; art.32, inciso 2º).
Isso abre a possibilidade de uma nova concepção de série. O ar-
tigo 23 rege que a educação básica poderá ser organizada tanto em
séries anuais como em períodos semestrais, ciclos, alternância regular
de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na
competência e em outros critérios, sempre que o interesse do processo
de aprendizagem assim o recomendar.
Nos termos da lei, a verificação do rendimento escolar deve ser
contínua e cumulativa, e a recuperação deve dar-se, de preferência,
paralelamente ao período letivo (art. 24). Continua a exigência do mí-
nimo de 75% de frequência, exceto para os sistemas de ensino não
presenciais (educação à distância).

Didatismo e Conhecimento 56
CONHECIMENTOS GERAIS

BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.


LEI FEDERAL N.º 10.639, DE 09/01/2003 LEI FEDERAL N.º 11.645, DE 10/03/08 –
– ALTERA A LEI N.º 9.394/96, QUE ALTERA A LEI N.º 9.394/96, MODIFICADA
ESTABELECE AS DIRETRIZES E BASES PELA LEI 10.639/03, QUE ESTABELECE
DA EDUCAÇÃO NACIONAL, PARA AS DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO
INCLUIR, NO CURRÍCULO OFICIAL DA NACIONAL, PARA INCLUIR, NO
REDE DE ENSINO, A OBRIGATORIEDADE CURRÍCULO OFICIAL DA REDE DE
DA TEMÁTICA “HISTÓRIA E CULTURA ENSINO, A OBRIGATORIEDADE DA
AFRO-BRASILEIRA”, E DÁ OUTRAS TEMÁTICA “HISTÓRIA E CULTURA
PROVIDÊNCIAS. AFRO-BRASILEIRA E INDÍGENA”.

LEI Nº 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003. LEI Nº 11.645, DE 10 MARÇO DE 2008.

Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modi-
as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo ficada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as
oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial
Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura
Afro-Brasileira e Indígena”.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar
acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B: Art. 1º O art. 26-A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996,
“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, passa a vigorar com a seguinte redação:
oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e “Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de
Cultura Afro-Brasileira.
ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da
§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste arti-
história e cultura afro-brasileira e indígena.
go incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos
§ 1º O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá
negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da
diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a forma-
sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas
ção da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais
social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros
§ 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira
e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira
serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial
e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as
nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3º (VETADO)» suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à
“Art. 79-A. (VETADO)” história do Brasil.
“Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro § 2º Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e
como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.” dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo
Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de
literatura e história brasileiras.” (NR)
Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182º da Independência e 115º da
República. Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Brasília,10 de março de 2008; 187o da Independência e 120o
Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque da República.

Parte do conteúdo desta Lei foi revogado pela Lei n.º 11.645 LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
(artigo 26-A), desta forma somente o artigo 79-B ainda está em vi- Fernando Haddad
gor da maneira que consta nesta Lei, ou seja, no calendário escolar
está incluso o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no Esta Lei altera parte do conteúdo da Lei n.º 9.394, especifi-
dia 20 de novembro. camente o artigo 26-A que torna obrigatório, nos estabelecimentos de
ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados o estudo da
história e cultura afro-brasileira e indígena.
Passando este conteúdo a ser ministrado no âmbito de todo o cur-
rículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de litera-
tura e história.

Didatismo e Conhecimento 57
CONHECIMENTOS GERAIS
Incluindo diversos aspectos da história e da cultura que caracte- § 1º O poder público, na esfera de sua competência federativa,
rizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos deverá:
étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta I - recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade es-
dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena colar, bem como os jovens e adultos que não concluíram a educação
brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, res- básica;
gatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, ....................................................................................” (NR)
pertinentes à história do Brasil. “Art. 6º É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das
crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade.”
(NR)
“Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fundamen-
BRASIL. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. tal e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser comple-
LEI FEDERAL N.º 12.796, DE 04 DE ABRIL mentada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento esco-
DE 2013 – ALTERA A LEI N.º 9.394/96, lar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais
QUE ESTABELECE AS DIRETRIZES e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.
E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL, ...................................................................................” (NR)
PARA DISPOR SOBRE A FORMAÇÃO DOS “Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica,
PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E DAR tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5
OUTRAS PROVIDÊNCIAS. (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade.” (NR)
“Art. 30. ........................................................................
..............................................................................................
LEI Nº 12.796, DE 4 DE ABRIL DE 2013. II - pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de
idade.” (NR)
Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece “Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as
as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a forma- seguintes regras comuns:
ção dos profissionais da educação e dar outras providências. I - avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvi-
mento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso
A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso ao ensino fundamental;
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: II - carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distri-
buída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional;
Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar III - atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias
com as seguintes alterações: para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral;
“Art. 3º ........................................................................... IV - controle de frequência pela instituição de educação pré-esco-
.............................................................................................. lar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total
XII - consideração com a diversidade étnico-racial.” (NR) de horas;
“Art. 4º .......................................................................... V - expedição de documentação que permita atestar os processos
I - educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 de desenvolvimento e aprendizagem da criança.” (NR)
(dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma: “Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta
a) pré-escola; Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na
b) ensino fundamental; rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos
c) ensino médio; globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.
II - educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de ...................................................................................” (NR)
idade; “Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com
III - atendimento educacional especializado gratuito aos educan- deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades
dos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas ou superdotação:
habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e mo- ...................................................................................” (NR)
dalidades, preferencialmente na rede regular de ensino; “Art. 60. .......................................................................
IV - acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa pre-
para todos os que não os concluíram na idade própria; ferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência,
.............................................................................................. transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou super-
VIII - atendimento ao educando, em todas as etapas da educação dotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente
básica, por meio de programas suplementares de material didático-es- do apoio às instituições previstas neste artigo.” (NR)
colar, transporte, alimentação e assistência à saúde; “Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação bási-
....................................................................................” (NR) ca far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação
“Art. 5º O acesso à educação básica obrigatória é direito público plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida,
subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação como formação mínima para o exercício do magistério na educação
comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legal- infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a ofere-
mente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder pú- cida em nível médio na modalidade normal.
blico para exigi-lo. ..............................................................................................

Didatismo e Conhecimento 58
CONHECIMENTOS GERAIS
§ 4º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios ado-
tarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de
SÃO PAULO. SECRETARIA MUNICIPAL
formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica
DE EDUCAÇÃO. DIRETORIA DE
pública.
ORIENTAÇÃO TÉCNICA. PROGRAMA
§ 5º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios in-
MAIS EDUCAÇÃO SÃO PAULO:
centivarão a formação de profissionais do magistério para atuar na
SUBSÍDIOS PARA IMPLANTAÇÃO. SÃO
educação básica pública mediante programa institucional de bolsa de
PAULO: SME/DOT, 2014.
iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licencia-
tura, de graduação plena, nas instituições de educação superior.
§ 6º O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima
em exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como
pré-requisito para o ingresso em cursos de graduação para formação de
docentes, ouvido o Conselho Nacional de Educação - CNE. Caros educadores e educadoras da Rede Municipal de Ensino
§ 7º (VETADO).” (NR) de São Paulo
“Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se refere o inciso O material que você tem em mãos é resultado de um trabalho
III do art. 61 far-se-á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagó- coletivo de reflexão e elaboração, que foi orientado pelas pergun-
gico, em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas. tas: “o que cada educador e educadora da Rede gostaria de ler no
Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada para os pro- início do ano de 2014? O que poderia ser oferecido para apoiá-los
fissionais a que se refere o caput, no local de trabalho ou em insti- na implantação das mudanças propostas pelo Programa Mais Edu-
tuições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação cação São Paulo?”. Uma enorme equipe foi convidada a contribuir
profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos e na realização deste documento e seu conteúdo agora se apresenta
de pós-graduação.” como retrato fiel desse processo.
“Art. 67. ........................................................................ Este material não teve seu título definido ao acaso. Subsídios
.............................................................................................. não são normas ou diretrizes – as quais se encontram no Decre-
to que institui o Programa Mais Educação São Paulo (Número
§ 3º A União prestará assistência técnica aos Estados, ao Distrito
54.452, de 10 de outubro de 2013) e nas correspondentes Porta-
Federal e aos Municípios na elaboração de concursos públicos para
rias, já publicadas ou as que serão no decurso do ano. Subsídios
provimento de cargos dos profissionais da educação.” (NR)
esclarecem, ajudam a interpretar e a operacionalizar as normas ou
“Art. 87. .......................................................................
diretrizes.
..............................................................................................
Subsídios podem se aperfeiçoar sempre. E, portanto, são ma-
§ 2º (Revogado).
teriais permanentes e ampliáveis para consulta e para as reflexões
§ 3º ...............................................................................
a serem feitas no dia a dia da Unidade Educacional. Cabem princi-
I - (revogado); palmente nos momentos de planejamento, de avaliação e de acom-
.............................................................................................. panhamento do trabalho pedagógico; valem também no apoio à
§ 4º (Revogado). gestão e para iluminar elementos de atendimento à demanda - em
...................................................................................” (NR) suas múltiplas dimensões.
“Art. 87-A. (VETADO).” Ainda como referencial fundamental ao trabalho, seguem
como anexo a este documento Notas Técnicas que foram produ-
Art. 2º Revogam-se o § 2º, o inciso I do § 3º e o § 4º do art. 87 da zidas em resposta à Consulta Pública, originalmente publicadas
Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. em 10 de outubro de 2013 junto ao Documento de Referência do
Programa Mais Educação São Paulo - Programa de Reorganização
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede
Municipal de Ensino de São Paulo. Esse conteúdo está disponível
Brasília, 4 de abril de 2013; 192º da Independência e 125º da Re- na íntegra em http://maiseducacaosaopaulo. prefeitura.sp.gov.br/
pública. documentos/. Sua apresentação aqui se deve ao fato de que essas
DILMA ROUSSEFF Notas são excelente referencial para os debates e para o planeja-
Aloizio Mercadante mento das Unidades Educacionais.
E qual é o horizonte do trabalho que se organiza a partir de
A referida Lei altera alguns dispositivos da Lei de Diretrizes e 2014 para a implementação do Programa Mais Educação São Pau-
Bases da Educação, e uma das principais atualizações está que os pais lo?
são obrigados a matricularem seus filhos de 4 e 5 anos na pré-escola. O momento de planejar é também momento de compreender
Os pais têm o dever de procurar vagas para seus filhos. Caso desres- o alcance das ações da Rede Municipal de Ensino e de organizar
peitarem a lei, a partir de 2016, os pais poderão ser multados (de três a esforços para o alcance dos objetivos que estão postos. Os passos
vinte salários mínimos) ou detidos de 15 dias a um mês. do planejamento, com os quais se inicia este ano de 2014, supõem
Quanto às escolas municipais, estas poderão se adaptar aos parâ- uma inovação profunda, não apenas inaugurada com um Decreto,
metros da nova lei até 2016. A matrícula das crianças com 4 anos já mas baseada na construção de um novo currículo e de seu acompa-
fazia parte de uma Emenda Constitucional nº 59, de 11 de novembro nhamento junto aos educandos.
de 2009, que já determinava uma educação básica e obrigatória dos 4 Nesse sentido, é fundamental compreender que o ordena-
aos 17 anos. mento de uma política de educação se estrutura num quadrilátero
político-pedagógico e administrativo:

Didatismo e Conhecimento 59
CONHECIMENTOS GERAIS
1. Qualidade social do ensino e da aprendizagem, o desen- ma Mais Educação São Paulo. Reorganização esta que abarca não
volvimento de um apenas o currículo, mas incide sobre a totalidade da Unidade Edu-
2. sistema democrático de gestão pedagógica, aliado a um cacional. O início do ano letivo de 2014 inaugura o momento de
amplo levar efetivamente para a sala de aula e para o ambiente educativo
3. sistema de formação de educadores da Rede Municipal as inovações propostas pela Reorganização já em curso.
de Ensino e A melhoria contínua das propostas em diálogo com a reali-
4. planejamento de atendimento à demanda, em suas múlti- dade das Unidades Educacionais (UE) é um dos fundamentos do
plas faces, focadas na ampliação da Rede e na melhoria dos equi- Programa. O saber construído e acumulado na Rede Municipal
pamentos. de Ensino (RME) é referência a esta Reorganização desde suas
Os subsídios aqui propostos estão focados nos eixos da Qua- primeiras concepções. A elaboração colaborativa foi reforçada no
lidade e da Gestão, essencialmente pedagógicos e profundamente processo de consulta pública e, a partir do lançamento do Docu-
articulados às demais dimensões da política que fazem parte do mento de Referência do Programa, em outubro de 2013, foi inau-
Programa Mais Educação São Paulo: a ampliação do acesso e a gurado um processo interno na Secretaria Municipal de Educação
reorganização administrativa da Rede Municipal de Ensino. Sabe- (SME) para definição, com representantes das equipes pedagógi-
mos que as práticas das Unidades Educacionais e de nossa imensa cas e técnicas dos vários setores da SME, de quais são as principais
Rede transcendem o fazer pedagógico. É também de nossa respon- questões cujo aprofundamento é considerado fundamental para a
sabilidade o atendimento à demanda – não apenas de vagas, mas implantação do Programa Mais Educação São Paulo.
de acolhimento e condições de transporte, alimentação, de produ- Em dezembro de 2013, como mais uma etapa desse processo,
ção e melhoria de materiais formativos e pedagógicos. foi realizado o Seminário Interno Mais Educação São Paulo, que
A gestão democrática, a vivência e a melhoria dos regimen- teve por objetivo:
tos, as modalidades de financiamento, a ampliação da permanência Formar equipes técnicas e dirigentes dos vários setores da Se-
dos educandos na escola, a manutenção dos prédios e a gestão dos cretaria Municipal de Educação (SME) para a implantação do Pro-
recursos financeiros são também fundamentos da nossa missão. grama Mais Educação São Paulo, na perspectiva de, a partir das
As nossas relações com a comunidade, o desenvolvimento e questões vivenciadas nas escolas, ampliar o entendimento sobre os
a apropriação das culturas, a análise e o tratamento educacional pontos principais do Programa, selecionando referenciais teóricos
das violências, o acesso democratizante às tecnologias, todos esses e construindo coletivamente as diretrizes das ações concretas para
desafios estão ordenando a criação e o desenvolvimento das ações sua execução.
do Programa Mais Educação São Paulo. O Seminário Interno teve caráter de trabalho pedagógico e téc-
Isso não se dará sem a parceria do trabalho de ações supervi- nico essencialmente coletivo e aconteceu na Secretaria Municipal
soras, que não se restringem aos registros dos passos dados, mas de Educação em quatro dias do mês de dezembro de 2013. Teve 22
se efetivam na reflexão conjunta, de forma presente e colaborativa horas de duração, compreendendo palestras, debates e grupos de
nas atividades escolares e no currículo em construção. trabalho. Todos os momentos contaram com relatores, que tiveram
Aliado a tais passos construtivos e centrais se encontram os a atribuição de registrar os principais pontos discutidos e as pro-
horários coletivos de trabalho pedagógico, em que a observação, postas formuladas nos grupos, de forma que se pudesse aproveitar
o registro, as análises, a avaliação e a publicação dos resultados ao máximo a produção coletiva na elaboração de subsídios para
façam com que o processo que ocorre em salas de aula/ambientes o planejamento da RME em 2014. A listagem de participantes do
educativos ganhe estatuto de alma da tarefa educativa. Seminário, em ordem alfabética, está ao final deste documento.
Os subsídios aqui organizados consideram a complexidade O presente documento é resultado desse Seminário e apresen-
das múltiplas dimensões do trabalho, fortalecendo princípios e ta, em sua estrutura, a lógica de organização temática do encontro.
elencando práticas que podem inspirar o trabalho nas Unidades Está pautado pelas premissas de que toda ação a ser realizada pelos
Educacionais, nas Diretorias Regionais de Educação e na Secre- diversos atores da RME está centrada no educando e em sua apren-
taria Municipal de Educação. Têm enfoque pedagógico e objetivo dizagem e de que a Rede se constitui pela busca da unicidade con-
claro: contribuir para a melhoria da aprendizagem de nossos edu- siderando a diversidade. Traz os pontos que devem ser referência à
candos. Sabemos que esse não é um processo que se concluirá no implantação do Programa Mais Educação São Paulo em termos de
ano de 2014 ou que se esgota nas ações empreendidas pelos edu- princípios, objetivos e metodologias.
cadores nos espaços educativos, mas supõe uma ação coordenada Desta maneira, o fortalecimento da Rede se dará na constru-
em relação às demais dimensões da política – ação esta que já está ção conjunta a partir de orientações pactuadas coletivamente, man-
em andamento. tendo-se o essencial espaço da busca de soluções específicas às
É para acompanhá-los, caros educadores e educadoras, neste particularidades territoriais que fazem parte da Cidade. O respeito
percurso complexo que este texto se propõe a contribuir. à autonomia das Unidades Educacionais é outro pilar que sustenta
Bom trabalho para todos nós! as propostas que se seguem, conforme já enunciado no Documento
Equipe da Diretoria de Orientação Técnica Secretaria Munici- de Referência do Programa Mais Educação São Paulo.
pal de Educação de São Paulo
A estrutura deste documento
Apresentação Este documento tem o objetivo de servir de referência aos
O ano de 2013 constituiu-se em um ano histórico para a Rede planejamentos e à elaboração dos Projetos Político-Pedagógicos
Municipal de Ensino de São Paulo: foi ano de implantação e im- das Unidades Educacionais, além de subsidiar os horários de tra-
plementação da Reorganização Curricular e Administrativa, Am- balho coletivo e as reuniões pedagógicas, assim como suas demais
pliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino, o Progra- ações formativas ou reflexivas. Deve ser compreendido como uma

Didatismo e Conhecimento 60
CONHECIMENTOS GERAIS
organização de possibilidades de trabalho, para serem estudadas (Orientação Normativa Número 01, de 02 de dezembro de 2013,
e revisitadas pelos educadores da Rede nos diversos momentos publicada no Diário Oficial da Cidade de 03 de dezembro de 2013,
de planejamento e formação. Foi concebido para ser utilizado de p. 103-105). É fundamental, ainda, que Unidades Educacionais e
forma autoral por todos os profissionais, que poderão organizar Diretorias Regionais de Educação acompanhem as publicações
o trabalho a partir dos princípios aqui dispostos, selecionando as das portarias que detalharão e aprofundarão Leitura; Professor
práticas mais adequadas aos seus contextos. Orientador de Informática Educativa).
Tendo em vista a necessidade de articulação entre as esferas
do Programa Mais Educação São Paulo, optou-se por abrir o do- Como mudar uma Rede?
cumento com uma Síntese Introdutória, que traz uma visão pano- De forma integrada: currículo como movimento, gestão como
râmica sobre os temas abordados e apresenta as questões definidas investigação, formação como o aprendizado das perguntas
como prioritárias no Seminário. Como a necessidade de integração A premissa maior de todas as ações da Rede Municipal de
entre as etapas e modalidades da Educação Básica foi ponto des- Ensino, seja no âmbito das Unidades Educacionais, das Diretorias
tacado no encontro, a estruturação dos conteúdos discutidos foi Regionais de Educação ou da Secretaria Municipal de Educação, é
realizada em dois grandes eixos em torno dos quais serão desdo- trabalhar para a melhoria da aprendizagem dos educandos.
brados aspectos específicos relacionados aos temas da Educação É para o educando – criança, jovem e adulto – e sua apren-
Infantil, do Ensino Fundamental e Médio e da Educação de Jovens dizagem que todos os esforços estão voltados e em função desse
e Adultos. propósito é que se organizam o movimento de reorientação curri-
No primeiro eixo, Qualidade, são abordadas as concepções cular, as práticas docentes, as propostas de gestão e as iniciativas
que orientam o Programa Mais Educação São Paulo na sua relação de formação de educadores.
estreita com a realidade das Unidades Educacionais. A problema- Todos os princípios e práticas propostos pelos Grupos de Tra-
tização do conceito de qualidade social relacionado ao currículo, balho do Seminário Interno Mais Educação São Paulo e elencados
a compreensão da Unidade Educacional como polo de desenvol- no decorrer deste documento estão orientados a partir dessa pers-
vimento cultural, espaço de investigação cognitiva e de formação pectiva.
ética são exemplos de temas abordados neste eixo. São conteúdos Primeiramente é necessária uma reflexão sobre o currículo.
relevantes a todos os professores e gestores da RME e devem se A discussão curricular está fundada em uma palavra principal: in-
tornar prática concreta nas Unidades Educacionais, conforme a clusão. A inclusão em termos pedagógicos é fundamental para a
inclusão de educandos com deficiência e a antecede. A inclusão
realidade de cada uma, a partir dos subsídios aqui sistematizados.
aqui compreendida se organiza em torno de três questões: conside-
No segundo eixo, Gestão, são tratados três elementos prin-
ração de tempos, ritmos e características dos educandos. Sem con-
cipais: Gestão Pedagógica, Gestão Democrática e Gestão do Co-
siderar essas questões para TODOS, não há inclusão possível de
nhecimento. São campos imbricados entre si, aqui abordados se-
educandos com deficiência. Não é possível estabelecer mediação
paradamente para fornecer aos profissionais da RME referenciais
sem saber com quem se está falando – e esse é o grande desafio da
para a condução de seus processos de trabalho, seja em sala de
educação contemporânea. Para tanto, é necessário estabelecer na
aula/ambiente educativo, seja na gestão pedagógica ou, ainda, na Unidade Educacional um ambiente de investigação cognitiva, que
organização de processos formativos. se debruce sobre a seguinte questão:
Importante notar que esse esforço de articulação entre os ele- Como o educando – criança, jovem ou adulto – pensa, repre-
mentos da política educacional resulta em categorias que não são senta, se comunica, faz relações e abstrai?
estanques e, muitas vezes, tópicos tratados em um item são reto- As teorias do desenvolvimento (construtivismo, sócio cons-
mados em outros itens, quando considerado que tal procedimento trutivismo) são referências, mas a investigação cognitiva nas
aprofunda a compreensão. Unidades Educacionais não pode se restringir ao seu estudo. A
É ainda fundamental destacar que este documento não tem a prática deve demandar a teoria e a teoria deve iluminar a prática.
pretensão de esgotar a totalidade dos temas tratados, mas objetiva Os educandos hoje estão submetidos a uma quantidade grande de
fornecer subsídios concretos para que as Unidades Educacionais estímulos e é necessário que educadores compreendam como eles
criem novas práticas a partir da investigação em seus contextos representam e ordenam todos esses elementos. Segundo a Profes-
específicos. Como material formativo complementar, estão sendo sora Selma Rocha, em sua fala de síntese no Seminário Interno
disponibilizados vídeos, em ambientes virtuais, de algumas das Mais Educação São Paulo, “mais do que compreender como é a
palestras realizadas no Seminário. família de uma criança, é importante compreender como é a sua
Esse processo de ação-reflexão-ação será contínuo, por meio família interna, isto é, como ela internaliza a sua experiência so-
do desdobramento de encontros como o realizado no Seminário cial e familiar”. O estudo socioeconômico sobre os educandos não
Interno Mais Educação São Paulo, pela realização de atividades dá conta, isoladamente, da compreensão de uma série de questões
formativas na Secretaria Municipal de Educação e nas Diretorias relacionadas à aprendizagem.
Regionais de Educação e pela publicação sistemática, pela SME, Essa abordagem é fundamental para que seja evitado o discur-
de Orientações Normativas e textos de referência complementares so lacunar, que observa o aluno a partir do que lhe falta, fazendo
aos conteúdos aqui tratados. com que ele seja compreendido como um “vir a ser”, enquanto
Reitera-se a importância da leitura, discussão e referência deve-se compreendê-lo como ele é, dentro dessas condições em
constante aos documentos já publicados, como: as Notas Técni- que vive e como ele as processa. Somente então é possível pen-
cas ao Documento de Referência do Programa Mais Educação São sar como os educadores podem interferir nesse processo. Essa é
Paulo (ANEXO, disponíveis na íntegra em http://maiseducacao- a perspectiva de inclusão que se deseja e, para efetivá-la, é neces-
saopaulo.prefeitura.sp.gov.br/documentos/); a Orientação Nor- sário compreender o currículo como um movimento, um processo
mativa Avaliação na Educação Infantil: aprimorando os olhares sócio histórico cultural.

Didatismo e Conhecimento 61
CONHECIMENTOS GERAIS
A avaliação, nesse contexto, configura-se de fato como uma Para dar materialidade a essa ambiência, as relações precisam es-
avaliação PARA a aprendizagem, que deve ocorrer continuamente tar pautadas pelo diálogo e pela dialogicidade, dando voz à ação
durante os três ciclos do Ensino Fundamental. Além das estratégias cultural da comunidade educativa. Essa voz cultural não se efetiva
de avaliação propostas pelo Programa Mais Educação São Paulo, apenas por meio de apresentações culturais: efetiva-se por meio de
é necessário um olhar sobre o processo, que se dá diariamente nos uma ambiência em que educandos e educadores são convidados a
horários coletivos e nos momentos de reuniões pedagógicas, con- produzir, pensar, investigar, fazer perguntas aos livros didáticos e
forme exposto no Segundo Eixo deste documento (Item 1. Gestão ao mundo.
Pedagógica). Essa avaliação processual permite a reorientação A Unidade Educacional é um espaço de criação e recriação
permanente do currículo de forma dialogada entre professores e da cultura. Não é só promoção da aprendizagem, mas recuperação
gestores a partir da experiência real com os educandos, concreti- do sentido no campo da filosofia, ciência e arte, recuperação do
zando a ideia de que o currículo se constitui em movimento. conhecimento. Um conjunto de áreas pode dialogar na experiência
A formação de educadores, segundo a perspectiva trabalhada educativa. A Unidade Educacional ao criar cultura precisa de um
no Seminário Interno Mais Educação São Paulo a partir da expo- tempo e espaço que não é a do mercado. A educação é um processo
sição do Professor social permanente. Não se esgota na Unidade Educacional nem
Doutor Fernando José de Almeida, Diretor de Orientação Téc- nos tempos prescritos.
nica da Secretaria Municipal de Educação, é um processo perma- A implementação de um currículo integrado para todas as
nente. Conforme o Programa Mais Educação São Paulo, está em modalidades da Educação Básica, que tenha como princípio a in-
organização um Sistema Municipal de Formação de Educadores, clusão, precisa colocar o educando na perspectiva de sujeito das
nomeado CEU-for2, para reconhecimento, reflexão crítica e apri- ações a serem desenvolvidas dentro das Unidades Educacionais.
moramento das práticas da Rede Municipal de Ensino. Conforme Isso pressupõe considerá-lo como sujeito de cultura, a qual precisa
exposto pelo Professor Fernando Almeida, “o objetivo principal estar presente no movimento curricular e em seus diversos compo-
do CEU-for é constituir um sistema de formação de educadores da nentes, que serão abordados nos tópicos subsequentes.
Rede Municipal de Ensino de São Paulo por meio da organização
da oferta de ações formativas com foco em prioridades estratégi- PRIMEIRO EIXO
cas, assim como fornecimento de condições de acesso e perma-
QUALIDADE
nência, resultando em uma política orgânica que alie a pesquisa na
1. Currículo e Qualidade Social da Educação
área da Educação à elaboração de novas metodologias de ensino
As escolas são as oficinas da humanidade
e aprendizagem, com foco na melhoria da qualidade da educação
Comenius, 1657
municipal”.
Ideias centrais da palestra do Prof. Dr. Alípio Casali (PUC
A formação concebida para sujeitos formadores como um pro-
São Paulo)
cesso permanente supera a visão de que o professor é mal forma-
Princípios e práticas propostos pelos Grupos de Trabalho
do e, formando-o adequadamente, toda a responsabilidade pelos
A afirmação da relação entre currículo e qualidade social da
processos educacionais será dele. Segundo a Professora Selma
Rocha, essa é uma visão ingênua, pois o mundo contemporâneo educação é necessária neste momento de reorganização curricular.
exige a formação continuada de todos, e o professor precisa estu- Ressalta-se que o currículo é aqui compreendido como um movi-
dar, pensar – isso é inseparável da natureza da profissão. Portanto, mento, em processo permanente de reorientação a partir de uma
um sistema de formação de caráter perene respeita a natureza da perspectiva dialógica, sempre pautado pela busca da qualidade
profissão dos educadores. social da educação. O Professor Alípio Casali conceituou, em sua
O grande desafio, além da implantação de cada um desses ele- palestra Currículo e Qualidade Social da Educação, currículo de
mentos dentro dos princípios e metodologias propostos pelo Pro- forma ampliada e crítica: Um percurso e experiência de forma-
grama Mais Educação São Paulo, é articular formação, avaliação ção que se faz numa prática social de ensino-aprendizagem, de
e Gestão Pedagógica em um movimento curricular que realize a ensino e pesquisa, que implica todos os sujeitos vinculados direta
relação entre teoria e prática, que são distintas (uma ilumina a ou- ou indiretamente à instituição educacional, que inclui vivências
tra, sem substituí-la ou confundir-se com ela). Os subsídios para a subjetivas e sociais, conhecimentos e atividades, em que se ma-
implantação elaborados pelos Grupos de Trabalho durante o Semi- nejam conteúdos e processos disciplinares e interdisciplinares, em
nário Interno e aqui organizados visam a apoiar o trabalho em uma realizações teóricas e práticas, explícitas e implícitas, didáticas e
perspectiva integrada e participativa, em que Unidades Educacio- organizacionais, sistêmicas e subjetivas, cognitivas, emocionais e
nais, DREs e SME possam investigar continuamente a partir da comportamentais, endógenas e exógenas, éticas e estéticas, insti-
realidade e propor práticas que viabilizem a implantação do Pro- tuídas e instituintes, conservadoras e inovadoras, interativas, in-
grama. Não é possível orientar por meio de prescrições definitivas tegradas, em ambiente de inovações tecnológicas, que tem como
a implantação do Programa de forma desarticulada das realidades objetivo (e se faz por meio de) a construção da autonomia dos
das Unidades Educacionais: é necessário que os próprios subsídios sujeitos implicados, no mundo das suas subjetividades, diferenças,
aqui dispostos se efetivem como movimento e como etapa de um culturas, trabalho e cidadania.
processo mais amplo de reorganização não apenas de caráter peda- Segundo o Professor Alípio Casali, qualidade social da educa-
gógico, mas de infraestrutura, financiamento, gestão democrática ção dá qualidade à vida e vice-versa. É orientada por valores intan-
e atendimento à demanda. gíveis, que regem a forma de relação entre as pessoas e das pessoas
Para que esse processo aconteça de forma articulada é neces- com o ambiente. Essa intangibilidade e a multiplicidade de fatores
sária a construção de uma ambiência maior do que a sala de aula, são concretas e afirmam que, em Educação, são as probabilidades
que abarque a totalidade da Unidade Educacional e chegue à Rede. que orientam o trabalho, não as certezas ou determinações.

Didatismo e Conhecimento 62
CONHECIMENTOS GERAIS
A garantia dos direitos está intimamente relacionada à busca Afirma-se, portanto, o compromisso da educação com a cons-
da qualidade social da educação. Os direitos de aprendizagem são trução de uma sociedade fundada nos valores da qualidade social
aliados dos direitos sociais (políticos, étnicos, culturais, religiosos, da vida contemporânea. Para boa compreensão da atual concepção
entre outros) na afirmação do significado da educação no mundo de qualidade, é necessário analisar o uso recente do conceito na
contemporâneo e do papel da escola na sociedade.
concepção de “qualidade total”, que se iniciou na década de 70 no
Sob essa perspectiva, de que esses são direitos de todos, a
oposição entre qualidade e quantidade perde o sentido. Existe Japão, relacionada aos processos do mundo empresarial e chegou
tensão entre qualidade e quantidade, não exclusão: de tudo que a pautar a educação:
é bom (qualidade) desejamos mais (quantidade) e melhor (mais O primeiro requerimento para a estratégia funcionar era o da
qualidade). qualidade dos recursos humanos. A chave era a capacitação da
A qualidade da educação é uma construção histórica, cabendo força de trabalho para a aquisição de um certo elenco de com-
a realização de uma distinção entre qualidades que são ancestrais petências cognitivas e operativas (entendidas como capacidades
(ex.: cuidado com a vida das novas gerações); qualidades que são técnicas focadas), porém flexíveis e adaptáveis. Os processos pro-
novas (ex.: campo social, político e cultural: democracia, diver-
sidade, sustentabilidade...); qualidades que são descartadas como dutivos, monitorados minuciosamente, resultariam em produtos e
pertinentes a uma época já passada (ex.: elite condutora; eugenia; serviços de excelência. A Qualidade poderia ser considerada Total
etc.)4. (...).
É importante destacar que ter qualidade não é sinônimo de Ainda segundo o professor Alípio Casali, a noção de “quali-
“funcionar bem”. O Professor Alípio Casali lembrou o exemplo dade total” denota a apropriação indébita do conceito de qualidade
das escolas nazistas, que funcionavam bem para seus objetivos, por uma classe social em favor de interesses econômicos. Uma
mas, atualmente, seus resultados não pertencem ao campo da questão de interesses, portanto, não uma questão de direitos. É
qualidade reconhecido pela sociedade. A qualidade dos fenômenos
também do movimento da qualidade total a noção de competência
sociais é, portanto, resultado do processo histórico.
Na cultura moderna (século XVI), o conceito de qualidade de como principal referencial de recrutamento, seleção e progressão
vida social esteve baseado nos seguintes valores: hierárquica dos profissionais – que até hoje pauta o mercado de
a. Liberdade (reduzida ao liberalismo) trabalho. A escola dialoga com esse parâmetro, mas não pode tra-
b. Igualdade (incapaz de ter percebido a equidade) balhar em função dele – uma vez que preparar seus educandos para
c. Subjetividade (reduzida ao individualismo) o mundo do trabalho inclui, necessariamente, prepará-los para li-
d. Democracia (restrita ao formal) dar com as demandas do mercado, inclusive para posicionarem-se
e. Propriedade (suposto direito “natural”: reduzida à pro-
criticamente diante delas.
priedade privada)
Os dispositivos educacionais predominantes na transmissão Segundo o Professor Doutor Alípio Casali, são pré-condições,
dessa cultura eram vigilância e punição, na perspectiva de Michel condições, práticas e resultados da qualidade social da educação8:
Foucault. Pré-condições de uma educação de qualidade:
Segundo o professor Alípio Casali, o desenvolvimento his- a. Estado de direito democrático;
tórico produziu, ao longo dos séculos, novos problemas e novas b. Democracia representativa e participativa em pleno fun-
soluções: cionamento;
A consciência desses problemas e a formulação de novas so- c. Políticas públicas com financiamento adequado, com-
luções se faz pela identificação de novos valores, direitos e obriga-
prometidas com a mesma democracia;
ções emergentes (novas qualidades da vida social) que podem ser
arrolados aproximadamente em termos de: d. Efetividade dessas políticas no que se refere à formação
• diversidade biológica e sociocultural; inicial e continuada dos profissionais da educação;
• dignidade e respeito à vida em todas as suas formas e mani- e. Garantia de inserção adequada desses profissionais nos
festações; sistemas de ensino;
• liberdade, responsabilidade, consequência; f. Remuneração digna dos profissionais da educação.
• justiça e equidade: direito pleno da vida para todos;
• igualdade, diferença, diversidade;
Condições de uma educação de qualidade:
• solidariedade intra e intergêneros, idades, etnias, povos, gru-
pos de identidade etc.; a. Infraestrutura física adequada de escolas, em termos de
• intersubjetividade, interculturalidade, internacionalidade; acessibilidade a todos (proximidade física ou transporte gratuito),
• direito e função social da propriedade; devidamente equipadas (salas de aula, biblioteca, laboratórios, sa-
• democracia real, representativa e participativa: cidadania las de uso multifuncional, refeitório, pátio, quadras e equipamen-
plena para todos; tos de esporte etc.), condições adequadas de vestuário e alimenta-
• sustentabilidade: direito das gerações presentes e futuras à ção dos alunos;
vida plena. b. Projeto pedagógico elaborado coletivamente e em per-
Afirmamos que, nos processos educacionais atuais, os princi-
manente implementação, com participação da comunidade;
pais dispositivos aptos para fazerem a transmissão dessas qualida-
des sociais, de modo construtivo, recriativo e efetivo, superando- c. Carreira docente transparente e efetiva;
-se os modos modernos da vigilância e punição, devem ser: a afir- d. Processos de avaliação transparentes do desempenho dos
mação da dignidade pessoal (que gera o sentimento de honra, que profissionais da educação;
cumpre e cobra respeito) e da consciência moral e cognitiva acerca e. Gestão Democrática representativa e participativa, efi-
das responsabilidades comuns. ciente, eficaz e efetiva.

Didatismo e Conhecimento 63
CONHECIMENTOS GERAIS
Práticas de uma educação de qualidade: mo qualidade ao longo das publicações de organizações interna-
a. Exercícios cotidianos do Currículo, em tempo integral, cionais, como: Declaração Universal dos Direitos Humanos, da
que mobilizam todos os sujeitos e recursos da comunidade educa- ONU (1948); Relatório Delors, da UNESCO (1996); o Programa
tiva, constituindo um ambiente educativo, em relações de ensino- Internacional de Avaliação do Estudante – PISA (1997) e a noção
-aprendizagem que sejam experiências de valor vital em todas as de competências-chave, da OCDE; as Metas do Milênio (2000)
dimensões, para todos: cognitivas, simbólicas, estéticas, políticas, e o Pacto Global (2002), da ONU. Analisa ainda outras questões
corporais e intelectuais, comunicativas, criativas, responsáveis, relevantes ao tema, como a concepção da Organização Mundial
participativas, prazerosas; de Saúde acerca da qualidade de vida, o surgimento dos Índices
de Desenvolvimento Humano (IDH) e de Felicidade Interna Bruta
b. Experiências de descoberta e construção coletiva, inte-
(FIB).
grada e interdisciplinar de conhecimentos que:
• despertem e estimulem as potencialidades dos alunos; Princípios elencados pelos Grupos de Trabalho
• permitam à comunidade educativa ser também uma comuni- A qualidade social na Rede Municipal de Ensino
dade aprendente em permanente desenvolvimento; • Currículo como espaço da valorização ética da vida humana
• respeitem cada sujeito e cada grupo em suas identidades de como mais importante do que qualquer convicção ou opinião;
gênero, idade, raça/etnia, condições físicas, mentais e psíquicas, • Qualidade social como acesso ao conhecimento, não como
orientação afetivo-sexual, formação e convicções políticas e reli- acesso ao consumo;
giosas, origem regional e nacional, preferências estéticas, lingua- • A ampliação do acesso e atendimento a toda a população não
gens etc. se antagoniza à produção pedagógica de serviços de qualidade;
• Centralidade do educando e sua aprendizagem, sejam crian-
Resultados da educação de qualidade: ças, jovens ou adultos;
a. Formação (pleno desenvolvimento das potencialida- • Compromisso das equipes gestora e docente com a aprendi-
des) que cada sujeito educando leva consigo da Escola como seu zagem dos educandos;
patrimônio de conhecimentos e sua constituição moral, e que o • Reconhecimento e incentivo à qualidade social já presente
possibilitam a usufruir de suas demandas básicas de alimentação, nas Unidades Educacionais;
saúde, segurança, reconhecimento social (participação plena da • Formação de professores de acordo com os princípios acima;
• Envolvimento de todas as instâncias nos processos educa-
vida social, cultural e política de sua comunidade e sua sociedade),
cionais: as ações não devem ocorrer neste ou naquele segmento,
autoestima quanto a suas competências e potencialidades pessoais
devem envolver SME, DREs e Unidades Educacionais (Gestores,
e profissionais, autorrealização pessoal e profissional; Professores, Funcionários, Educandos, Comunidade).
b. Capacidade de inserir-se e ser bem-sucedido no mundo
do trabalho; Unidade Educacional e conhecimento para todos de forma
c. Experiência local de exercício de cidadania, que referên- democrática, participativa, popular, dialógica, inclusiva, humana
cia para o pleno exercício crítico da cidadania como sujeito econô- e solidária
mico produtivo e como sujeito político e cultural proativo; • Equidade: educação pública é para TODOS. Garantia de di-
d. Experiência de convívio social e cooperativo na diversi- reitos para todos, mas, sobremaneira e prioritariamente, para aque-
dade, que referência para o exercício crítico da solidariedade como les que mais precisam;
sujeito social, cultural e político; • Noção de “todos” deve ser matizada e problematizada no
e. A escola segue, ela própria, aprendendo; sentido de compreender as especificidades de cada contexto e o
f. Os profissionais da educação nela atuantes se apropriam indivíduo dentro deste todo;
mais e melhor de sua identidade pessoal e profissional; • Unidade Educacional que alie quantidade e qualidade;
g. A escola gere sujeitos conscientes, livres, responsáveis, • Respeito à diversidade e às diferenças, promoção da inclu-
autônomos, apropriados de todo o seu processo de formação, ca- são;
pazes de produzir a si mesmos e de se apropriar de si como um • Qualidade na discussão de gênero, étnico-racial e de orien-
tação sexual;
projeto de subjetividade e de identidade jamais esgotável;
• Inclusão de todas as crianças, jovens e adultos em termos
h. Tais sujeitos são capazes de se apropriar também das ins-
de acesso e permanência em todos os níveis da Educação Básica;
tituições, organizações, comunidades das quais participam, apro- • Reconhecimento das características específicas de cada ciclo
priando-se das identidades que elas lhes imprimem como parte de da vida: infância, juventude e vida adulta;
sua marca cultural; • Qualidade nas relações: uma Unidade Educacional onde to-
i. Tais sujeitos são capazes de se reconhecer como unidades da das as vozes circulem e sejam ouvidas;
humanidade (Comenius, 1657: as escolas devem ser “oficinas da • Garantia de direitos políticos, sociais, éticos, étnicos, religio-
humanidade”); sos e culturais.
j. Nessas relações consigo mesmos, com sua cultura local e
com a humanidade, os sujeitos educandos são capazes de estabele- Unidade Educacional como ambiente de aprendizagem
cer o duplo vínculo: de aceder aos legados disponíveis, culturais e • Garantia dos direitos de aprendizagem;
universais; e de deixar por sua vez o seu legado singular à cultura • Intrínseca relação entre Projeto Político-Pedagógico e Regi-
e à universalidade. mento Educacional na perspectiva da garantia de direitos;
Para compreender as tensões da evolução do conceito de • Desenvolvimento máximo das potencialidades dos edu-
qualidade na educação, recomenda-se a leitura do texto Por uma candos, propiciando a construção de sua autonomia, criticidade,
educação de qualidade social: fundamentos para o currículo, do leitura de mundo, através de um ambiente prazeroso, atrativo e
professor Alípio Casali. Esse texto analisa as concepções do ter- estimulador;

Didatismo e Conhecimento 64
CONHECIMENTOS GERAIS
• Integração das etapas e modalidades da Educação Básica; • Promover momentos de auto avaliação com educandos;
• Reconhecimento e valorização das especificidades de cada • Avançar no Ensino Fundamental sobre questões de avalia-
etapa e modalidade da Educação Básica: Educação Infantil, Ensi- ção, evitando uma visão de média das notas e trabalhando pelo
no Fundamental e Médio e Educação de Jovens e Adultos; direito de aprendizagem e evolução do estudante e não apenas pela
• Construção do currículo nas relações: currículo não é apenas média ponderada;
o conhecimento organizado, mas deve contemplar os aspectos cul- • Buscar a qualidade na inclusão de educandos com deficiên-
turais e a diversidade viva; cia, respeitando as especificidades;
• Currículo integrado implica formação continuada, integra- • Realizar práticas que despertem o desejo e o interesse de
ção dos profissionais, problematização da realidade; aprender e que resultem em sentimentos de prazer em relação aos
• Política curricular que incorpore como elementos fundantes conhecimentos;
de sua estrutura as questões da cultura, da ética, dos valores e da • Proporcionar aos educandos ferramentas para lutarem pela
cidadania; garantia da dignidade humana e contra as injustiças sociais;
• Qualidade na apropriação dos conhecimentos historicamen- • Proporcionar aos educandos ferramentas para viverem expe-
te acumulados. Compromisso em propiciar o desenvolvimento da riências com a tecnologia;
leitura, da escrita e da matemática, proporcionar a sistematização • Favorecer o uso das tecnologias a serviço da humanização,
dos saberes; da convivência e do enfrentamento à violência.
• Garantia de princípios éticos em relação à arte, sensibilidade,
criatividade, sentimentos e sensações. Na Rede Municipal de Ensino
• Formar uma rede de proteção Inter secretarial;
Práticas elencadas pelos Grupos de Trabalho • Promover encontros Inter secretariais nas Unidades Educa-
Ações para concretizar a qualidade social na Rede Municipal cionais, nas regiões e na cidade;
de Ensino • Fomentar a Gestão Democrática em todos os níveis;
Dentro da Unidade Educacional • Realizar um planejamento articulado na RME, para SME e
Na Gestão Pedagógica DREs, com calendário de atividades;
• Discutir o que é qualidade social a partir das diferentes rea-
• Favorecer a acessibilidade arquitetônica e pedagógica;
lidades;
• Fornecer condições para melhoria do processo de construção
• Construir, por meio de ações pedagógicas, a identidade polí-
dos Projetos Político-Pedagógicos;
tico pedagógica da Unidade Educacional;
• Promover encontros para apresentação dos projetos que já
• Criar momentos de construção, reconstrução e consolidação
são desenvolvidos nas Unidades Educacionais, tanto em âmbito
dos Projetos Político-Pedagógicos;
regional como municipal;
• Promover aprimoramento das práticas de registro para com-
• Organizar formações presenciais com docentes na Unidade
por os Projetos Político-Pedagógicos;
Educacional, na região e na cidade, promovendo encontros de re-
• Organizar os Projetos Político-Pedagógicos numa aborda-
gem interdisciplinar, utilizando a pedagogia de projetos, realizan- latos de práticas pedagógicas, convidando familiares e educandos;
do: levantamento das demandas pedagógicas da unidade, levanta- • Proporcionar a formação docente para os temas: currículo,
mento das necessidades de formação e estudo da realidade local; pesquisa, interdisciplinaridade, pedagogia de projetos, registro pe-
• Articular Projeto Político-Pedagógico e Projeto Especial de dagógico, gestão compartilhada;
Ação (PEA) aos conceitos de autoria, pedagogia de projetos e in- • Viabilizar a formação docente no espaço da Unidade Edu-
terdisciplinaridade; cacional;
• Favorecer a acessibilidade arquitetônica e pedagógica; • Promover práticas de seminários pensando em múltiplas lin-
• Promover a convivência do pedagogo com o professor espe- guagens;
cialista na prática pedagógica e nos processos de formação conti- • Ampliar espaços de discussão interdisciplinar;
nuada; • Promover encontros entre Unidades Educacionais e entre
• Desenvolver o sentimento de pertencimento e corresponsa- DREs para trocas de experiências;
bilidade entre educandos e quem trabalha na Unidade Educacional • Dar visibilidade às ações que acontecem nas Unidades Edu-
por meio de fóruns de participação; cacionais, promovendo a divulgação de práticas interna e exter-
• Incentivar a participação dos educandos nos Conselhos de namente.
Unidades Educacionais;
• Promover a eleição de representantes de sala entre educan- 2. A Unidade Educacional como polo de desenvolvimento
dos; cultural
• Possibilitar que um professor represente cada turma no Ciclo Ideias centrais da palestra do Prof. Dr. José Sérgio Fonseca de
Autoral (professor coordenador de turma); Carvalho (USP)
• Problematizar, discutir e qualificar os registros das reuniões. Princípios e práticas propostos pelos Grupos de Trabalho

Nas práticas pedagógicas junto aos educandos Em sua palestra Cultura Escolar e Formação Ética, o Professor
• Reconhecer as múltiplas linguagens como fundamentais à Doutor José Sérgio Fonseca de Carvalho fez um convite à reflexão
aprendizagem e criar situações para sua experimentação; sobre os vínculos entre a experiência escolar e a formação ética:
• Aproximar o conhecimento formal dos saberes trazidos pe- em que medida a escola pode ser, de fato, um elemento decisivo na
los educandos: considerar e construir conhecimento levando em construção de um sujeito comprometido com a ética, entendendo a
conta o repertório trazido pelos educandos; ética como o viver juntos a partir de certos princípios?

Didatismo e Conhecimento 65
CONHECIMENTOS GERAIS
Para refletir, o Professor José Sérgio propôs uma pergunta ini- Como a experiência formativa, a experiência escolar, pode
cial: impactar a formação ética?
O que é que é o escolar? Qual é a especificidade da escola? O Na perspectiva grega, a ética é uma forma de viver bem, uma
que faz a escola ser uma escola? possibilidade de diálogo consigo mesmo, não um dever, como pas-
Respostas imediatas seriam: a escola é o lugar da aprendiza- sa a ser entendida posteriormente, em especial a partir do Ilumi-
gem, é o lugar onde a criança se inicia em um mundo que é maior nismo (em que ética passa a significar “o que se deve e o que não
do que ela. Essas respostas têm sua validade, mas não trazem a se deve fazer”). Esse viver bem se refere a uma vida que valha a
essência da escola, o que lhe é único, exclusivo. Para compreensão pena ser vivida, não guiada unicamente pelas funções imediatas.
da essência da escola, o Professor José Sérgio foi ao seu princípio Portanto, para os gregos, não há separação da ética da experiên-
(ato fundante norteador da ação). Qual é o ato fundante da escola?
cia individual e da ética da vida política. “Não se pode viver bem
É um ato político, que aconteceu na Grécia Antiga e gerou o con-
quando tudo ao redor está mal”, afirma o Professor José Sérgio.
ceito de scholé.
Em grego, scholé significa ócio, tempo livre, espaço de dis- Essa compreensão aparece nas comédias, tragédias e poesias
cussão e formação, diferente de lazer e entretenimento. Lazer e gregas. A filosofia grega se dedicou à seguinte pergunta: a virtude
entretenimento não são livres, pois estão a serviço da produção. O pode ser ensinada? Até então, acreditava-se que a virtude ou era
relaxamento do lazer é uma função produtiva, enquanto o scholé é herdada, ou era um dom dos deuses. A scholé se propõe a formar,
uma contradição da lógica da produção. Portanto, no seu formato mas seria possível então formar para as virtudes morais? Esse é
fundacional, a escola era uma negação do tempo da produtividade. um debate intenso na Grécia Antiga, aparecendo, por exemplo, nos
Uma negação em favor da ideia de haver um tempo e um espaço Diálogos de Platão. E é fator central no julgamento de Sócrates.
no qual aqueles que são novos podem sair do mundo produtivo Dessa época, já houve a compreensão de que a formação ética
para se dedicar a uma outra coisa: a formação. A escola como di- e para as virtudes morais não é da mesma natureza que a formação
reito a tempo e espaço para constituição do sujeito. Esse direito nas áreas do conhecimento. Primeiramente, porque é uma respon-
deve existir e preservar a criança da entrada no mundo produtivo. sabilidade coletiva, na escola e fora dela. Não há professores de
Scholé, entendida como direito do cidadão, marcou o início do re- solidariedade: cada professor, gestor, funcionário da escola é res-
conhecimento de que a constituição dos sujeitos não está vinculada ponsável pela formação ética dos alunos, para que estes sejam soli-
aos marcadores sociais, em especial características do nascimento. dários. Mas ao professor cabe fornecer exemplos e reflexões sobre
Houve, pela primeira vez, a instauração de uma igualdade. as virtudes. Por exemplo, a literatura e a história podem fornecer
Nesse ponto, o Professor José Sérgio lembra que é fundamen- exemplos de ética, justiça, solidariedade. O esporte pode criar prá-
tal ressaltar que a promoção da igualdade pela escola não se dá
ticas de lealdade.
no aspecto econômico e social. Essa visão é uma visão dos eco-
nomistas sobre a educação, que ficou estabelecida nos últimos 20
anos: promover o engajamento das instituições educacionais para Como as práticas escolares encarnam princípios e os ensinam?
o progresso econômico. Mas a escola não pode cumprir essa fun- Neste ponto, o Professor José Sérgio cita Aristóteles: a forma-
ção que lhe é alheia, de produzir igualdade econômica. “À escola ção moral demanda experiência e tempo. A moral é mais do que
cabe produzir a igualdade de acesso aos bens e objetos culturais, uma competência, uma vez que a competência pode ser neutra,
que dão sentido à existência humana”. Um exemplo é a escrita, pode ser “utilizada” para o bem ou para o mal. A moral é um com-
que se transforma de um saber de poucos em um saber de todos. A promisso fundado em princípios, que não se aprende para fazer,
igualdade econômica é de responsabilidade da política econômica. aprende-se fazendo: “realizando ações justas ou sábias ou fortes
A escola nasce para desfuncionalizar o conhecimento, que não tornamo-nos sábios, justos ou fortes” (Aristóteles). Portanto, para
tem necessariamente uma função prática, servindo antes à forma- ensinar ética, justiça, solidariedade é necessário praticar e cobrar
ção do espírito. Através do estudo, do exercício e da prática, cons- ética, justiça e solidariedade ao longo de todo o tempo. As virtudes
tituem-se os sujeitos. A escola é uma oportunidade rara de relação se aprendem pela prática e pelo exemplo – o que vale também para
não instrumental com os objetos da cultura, em nossa sociedade os vícios.
em que a finalidade tem sido mais central que o sentido. Mas uma A experiência escolar pode ser um tempo livre que proporcio-
experiência pode ter profundo sentido, mesmo não possuindo fina- ne a formação ética na medida em que a própria instituição escolar
lidade. A pergunta que deve orientar a reflexão sobre a escola não se comprometa a ser um ambiente de cultivo dos princípios fun-
é “para quê?”. Para a compreensão de seu significado, a pergunta
damentais que regem a vida e a moralidade pública, como justiça,
é: “em nome do quê?”
igualdade, não discriminação. Mais do que falar sobre isso, a esco-
A escola transforma a experiência cultural em um bem comum
e público: nega a ideia de finalidade e estabelece espaço e tempo la precisa promover esse compromisso em seus gestos cotidianos.
livre. Nem tudo o que se passa na escola precisa ter uma aplicação O compromisso se concretiza na ação mais do que na palavra.
imediata. Os alunos têm liberdade para fruir as experiências dos O grande desafio é, portanto:
bens culturais – experiências simbólicas têm caráter formativo. Em que medida os nossos atos encarnam compromisso com
Formação e aprendizagem não coincidem: não há formação uma formação pública, moral e ética?
sem aprendizagem, mas pode haver aprendizagem sem formação. O Professor José Sérgio concluiu sua palestra com a seguinte
Uma experiência de aprendizagem só é formativa quando trans- citação: “Reparai: [ ... ] entre o semeador e o que semeia há muita
forma o sujeito, quando o que foi aprendido transforma profunda- diferença: (...) o semeador e o pregador é o nome; o que semeia e
mente quem aprendeu. A formação é uma experiência transforma- o que prega é a ação; e as ações são as que dão o ser ao pregador.
dora e imprevisível. Essa imprevisibilidade configura um espaço Ter o nome de pregador, ou ser pregador de nome, não importa
de liberdade para o sujeito em formação. Nesse ponto, o Professor nada; as ações, a vida, o exemplo, as obras, são as que convertem
José Sérgio faz uma nova pergunta: o mundo.

Didatismo e Conhecimento 66
CONHECIMENTOS GERAIS
[ ... ] hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente • Fortalecer a parceria com Programas Especiais;
pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obras são tiros sem • Fortalecer a Unidade Educacional como local de discussão
balas; atroam, mas não ferem. O pregar que é falar, faz-se com a sobre ética, valores e cidadania, problematizando a realidade, re-
boca; o pregar que é semear faz-se com a mão. Para falar ao vento, conhecendo contradições;
bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras”. • Contextualizar a Unidade Educacional no mundo;
Padre Antônio Vieira • Discutir a prática cotidiana da Unidade Educacional, na sala
de aula e fora dela, como o funcionamento dos Conselhos, por
Princípios elencados pelos Grupos de Trabalho exemplo;
• É necessário refletir como ética, valores e cidadania fazem • Explicitar a relação do Projeto Político-Pedagógico e do Re-
gimento Educacional com os princípios da ética, dos valores e da
parte do currículo;
cidadania;
• Deve-se buscar a efetivação nas práticas dos princípios teóri-
• Fortalecer a comunicação interna na Unidade Educacional,
cos que já são compreendidos conceitualmente; pautada por esses princípios;
• É necessário refletir sobre a cultura em relação à ética, • Realizar formações sobre essas questões, bem como refle-
valores e cidadania; xões que levem à percepção de que não se trata de segmentar ou
• Essas reflexões devem aparecer em todas as etapas e mo- realizar ações pontuais, mas de considerar que ética, valores e ci-
dalidades da Educação Básica e em todos os espaços (Unidades dadania devem ser objeto de todas as áreas e devem nortear as
Educacionais, DREs e SME); práticas cotidianas;
• Ética, valores e cidadania permeiam o trabalho pedagógico de • Além dos professores, gestores e funcionários também de-
maneira implícita e devem ser explicitados nos Projetos Político- vem ser envolvidos nesse tipo de discussão.
Pedagógicos e nos projetos desenvolvidos pelos educandos e pelos
educadores; Na relação Unidade Educacional e comunidade
• Os projetos são espaços privilegiados de desenvolvimento de • Promover diálogos entre Unidade Educacional e comunida-
ações que concretizem esses princípios; de;
• Ética, valores e cidadania devem ser trabalhados além dos • Conceber ações e atividades que deem voz e visibilidade a
eventos; educadores, educandos, famílias e responsáveis;
• Há necessidade de concretizar mais esses conceitos nas prá- • Promover encontros para apresentação dos projetos a fami-
ticas educativas, pois ainda há contradições entre o discurso e a liares e responsáveis;
• Envolver a comunidade no processo de discussão dos Proje-
ação;
tos Político Pedagógicos;
• É necessário ampliar o olhar e a escuta para os elementos
• Conhecer o que é oferecido na cidade em termos de projetos
trazidos pelos educandos, funcionários, educadores; educacionais, culturais e esportivos e fazer uso dessa oferta;
• A noção de direitos e deveres precisa ser igualitária para to- • Promover estudos de realidade local;
dos os envolvidos no processo de aprendizagem; • Promover espaços de troca sobre pesquisas existentes na co-
• É necessário respeito nas relações dentro do espaço munidade/bairro e também na comunidade docente.
educativo;
• Os conceitos devem ser aprofundados, as vivências devem 3. A Unidade Educacional como centro de investigação cog-
proporcionar a aprendizagem e contribuir para a formação; nitiva
• Todas as práticas pedagógicas são norteadas por princípios e Ideias centrais das palestras da Profa. Dra. Maria Machado
valores, porém, nem sempre eles são discutidos e compartilhados. Campos Malta (PUC
São Paulo), Monica Appezzato Pinazza (USP) e Maria Clara
Unidade Educacional como ambiente cultural: di Pierro (USP)
• As Unidades Educacionais também aprendem com os edu- Princípios e práticas propostos pelos Grupos de Trabalho
candos;
• Educandos são investigadores e produtores de cultura e de a. Avaliação e Qualidade na Educação Básica
conhecimento; Ideias centrais da palestra da Profa. Dra. Maria Machado
Campos Malta
• Educandos com acesso à produção cultural;
A relação da Unidade Educacional com a Cidade, além da
• Promoção da autoria na prática docente;
perspectiva da integração social e cultural, tem outro importante
• Divulgação dos projetos e da memória das Unidades Educa- fator: a Unidade Educacional reflete as questões urbanas, desde
cionais em múltiplos meios; os acontecimentos urgentes do cotidiano até as estruturas sociais
• Reconhecimento das marcas identitárias em sua pluralidade; mais profundas. Como afirmou a professora Maria Machado Cam-
• Diálogo com a história de identidade dos educandos, suas pos Malta, em sua palestra Avaliação e Qualidade na Educação
famílias e dos educadores; Básica: a educação não existe em um vácuo social.
• Estímulo e valorização da expressão e da comunicação dos No caso da Cidade de São Paulo, diante do quadro de desi-
educandos de diversas formas, por meio de múltiplas linguagens; gualdades que está posto, é necessário analisar atentamente como
• Aprofundamento da compreensão da realidade social, cami- essa interação se dá: ao mesmo tempo em que o acesso à escola
nhando para a transformação. contribui para diminuir as desigualdades sociais, os efeitos dessas
desigualdades influem fortemente nos resultados escolares. Os fa-
Ações elencadas pelos Grupos de Trabalho tores mais amplos da estrutura social e seus reflexos influenciam
• Tratar de ética e valores no cotidiano, não apenas em projetos na aprendizagem dos alunos e no seu desenvolvimento como ser
isolados; humano.

Didatismo e Conhecimento 67
CONHECIMENTOS GERAIS
Além de essa ser uma percepção concreta, fruto do dia a dia c. Controlando-se o nível socioeconômico do alunado, o de-
do trabalho de educadores junto aos alunos, estudos acadêmicos sempenho dos alunos da rede pública é significativamente menor
analisam a questão e apontam objetivamente alguns fatores. As que o dos alunos das escolas privadas. Notam-se os efeitos dos
pesquisas que examinam os resultados escolares de grupos diver- pares e da segmentação do sistema: alunos que têm contato com
sos verificam diferenças de aproveitamento em grupos de alunos diferentes contextos sociais aprendem melhor do que aqueles que
com desiguais níveis de renda, pertencentes a grupos étnico-raciais convivem em ambiente homogêneo.
diversos, moradores de zonas urbanas e rurais e de regiões com Quais os efeitos de fatores escolares afetam o desempenho
diferentes níveis de desenvolvimento. Além desses fatores sociais cognitivo dos alunos?
mais amplos, as pesquisas constatam que as condições de funcio- a. As condições de funcionamento da escola que afetam po-
namento das escolas também afetam a aprendizagem. Constata-se sitivamente o desempenho dos alunos:
ainda que, na maior parte dos casos, alunos com melhores condi- • Equipamentos
ções de vida têm maior oportunidade de frequentar escolas com • Segurança
melhores condições de funcionamento. • Limpeza
A Professora Maria Machado Malta Campos utilizou como • Qualidade das salas
referência o trabalho do pesquisador José Francisco Soares, no • Manutenção do prédio
artigo Qualidade e equidade na educação básica brasileira: fatos • Seleção de alunos
e possibilidades (integrante do livro Os desafios da educação no (Nota: Destaque-se, neste ponto, que nem todos os fatores que
Brasil, organizado por Colin Brock e Simon Schwartzman, Ed. afetam positivamente o desempenho dos alunos são considerados
Nova Fronteira, 2005). Essa pesquisa analisou os resultados de fatores que compõem a educação de qualidade social – a “seleção
matemática na oitava série a partir dos dados do SAEB de 2001. de alunos”, que seleciona os “melhores”, embora contribua com
Utilizou os instrumentos: teste de matemática (a matemática foi a melhoria dos resultados, não é compatível com o princípio da
escolhida a título de exemplo, poderia ter sido escolhido o teste inclusão, que deve nortear as ações na educação pública.)
de outra disciplina), questionários para alunos, professor, diretor e b. A visão do diretor sobre o comprometimento dos pro-
responsável pela coleta de dados. A amostra incluiu 5.300 alunos, fessores e a percepção de problemas internos e externos à escola
5.151 turmas, 4.992 professores, 4.065 escolas. O valor de pro- afetam positivamente os resultados dos alunos
ficiência esperada para o fim da oitava série era de 325 em uma c. Somente os itens equipamentos, segurança, limpeza e
escala de 0 a 500 pontos – apenas os alunos de escolas privadas qualidade das salas têm algum impacto positivo na equidade quan-
alcançaram a média próxima ao valor esperado. to à cor/raça
Porém, indo além dessa análise inicial, a pesquisa buscou res- E qual a influência de fatores familiares no desempenho cog-
ponder a seguinte questão (p.102): quais são as políticas e práticas nitivo dos alunos?
das escolas, medidas nos questionários contextuais do SAEB que,
de um lado, impactam positivamente o desempenho cognitivo dos São os fatores que apresentam maior impacto nos resultados
alunos e, de outro, diminuem o efeito das desigualdades associadas dos alunos.
a gênero, raça, cor e nível socioeconômico no desempenho dos a. Os aspectos que influem positivamente no nível de profi-
alunos? ciência dos alunos são:
Para tanto, a análise utilizou um modelo estatístico que consi- • Gosta de estudar
derou dois níveis hierárquicos: • Possui livros na residência (mais de 20)
• Nível 1: fatores ligados ao aluno • Faz dever de casa
• Nível 2: fatores ligados à escola • Possui hábitos de leitura
• Há envolvimento dos pais
b. E conclui-se que: “o conjunto de fatores escolares pode b. Desses, mostraram efeito na equidade de cor/raça: gosta
explicar 12,3% da variância total presente nos dados”, portanto, de estudar; possui livros na residência; faz dever de casa.
“é possível melhorar o desempenho dos alunos agindo sobre as c. Mostraram efeito na equidade de nível socioeconômico:
estruturas escolares”. gosta de estudar; possui livros na residência; possui hábitos de lei-
A Professora Maria Machado Malta Campos destacou alguns tura.
elementos da
Quais os efeitos de fatores escolares nos resultados dos alu- Principais conclusões do estudo de José Francisco Soares:
nos? a. Investimentos na infraestrutura escolar ainda produzem
As características e as atitudes dos professores que afetam o efeito nas escolas brasileiras (diferente de países onde há condi-
desempenho cognitivo dos alunos: ções de infraestrutura com qualidade garantida para a maioria ab-
• Se possuem licenciatura em matemática; soluta das escolas);
• Suas expectativas quanto ao futuro dos alunos; b. Qualificação, atitudes e condições de trabalho dos pro-
• O conteúdo já desenvolvido; fessores favorecem a aprendizagem dos alunos;
• A relação com o diretor e a equipe; c. A escola dos alunos de pior desempenho é pior do que a
• A percepção de problemas internos e externos à escola; • Sa- escola dos alunos de melhor desempenho;
lário. d. Alguns fatores podem contribuir para aumentar o nível
Apenas a qualificação e a relação com a equipe impactam a geral de desempenho, mas ao mesmo tempo podem afetar negati-
equidade quanto a cor/raça do aluno; apenas a dedicação (se o pro- vamente a equidade quanto à cor/raça e nível socioeconômico: por
fessor só leciona) impacta a equidade quanto ao nível socioeco- exemplo, a seleção de “melhores alunos” influencia positivamente
nômico. o desempenho, mas não contribui com a construção da equidade;

Didatismo e Conhecimento 68
CONHECIMENTOS GERAIS
e. A escola deve fazer o possível para que os pais e respon- Portanto, a relação entre os fatores sociais, econômicos e cul-
sáveis se envolvam na educação dos filhos. turais com a aprendizagem é inegável, mas há um campo de ação
possível para professores e gestores no que se refere à possibilida-
Discutindo as conclusões dessa pesquisa: de de ação sobre a melhoria da aprendizagem dos alunos.
a. Os resultados alcançados pelos alunos na prova de ma-
temática do SAEB dependem de muitos fatores, os quais se arti- Referências utilizadas pela Professora Maria Machado Malta
culam entre si: AÇÃO Educativa. Educação e desigualdades na cidade de
• Fatores intraescolares e extraescolares São Paulo. São Paulo: Ação Educativa, 2013 (Em Questão n. 8)
• Fatores familiares, sociais e culturais INDICADORES de qualidade na educação: Ensino Funda-
• Decisões que dependem de cada professor, da equipe da es- mental. São Paulo: Ação Educativa, 2013 (4. ed.)
cola e dos órgãos gestores em diversos âmbitos SOARES, José Francisco. Qualidade e equidade na educação
b. A nota de matemática foi aqui utilizada apenas como básica brasileira: fatos e possibilidades. In: Brock, C. e Schwartz-
exemplo, muitas outras pesquisas confirmam esse complexo con- man, S. (orgs.). Os desafios da educação no Brasil. Rio de Janeiro:
junto de fatores que atuam para facilitar ou dificultar a aprendiza- Nova Fronteira, 2005.
gem em outras áreas do conhecimento e favorecer ou não o desen- CAMPOS, Maria Machado Malta. Apresentação utilizada na
volvimento cognitivo dos alunos; palestra Avaliação e Qualidade na Educação Básica, dia 13 de de-
c. O que se faz na escola tem o poder de transformar e di- zembro de 2013, na Secretaria Municipal de Educação. Lâmina
minuir as desigualdades; 17.
d. Qualificação, atitudes e condições de trabalho dos pro-
fessores favorecem a aprendizagem dos alunos; b. Integração entre as etapas e modalidades da Educação
e. O envolvimento dos pais e responsáveis é fundamental
Básica
no processo de aprendizagem dos alunos e a escola deve agir nessa A integração entre as etapas e modalidades da Educação Bá-
sica demonstrou ser preocupação central entre os participantes do
direção;
Seminário Interno Mais Educação São Paulo. As concepções de
f. A escola deve se preocupar com o desenvolvimento integral
Ciclo de Aprendizagem e de Avaliação PARA a Aprendizagem,
dos alunos considerando o conjunto de fatores que influenciam o
centrais no Programa Mais Educação São Paulo, apenas podem
processo, não os fatores isolados.
ser plenamente efetivadas se houver aprofundamento e clareza nas
À luz das análises dessa pesquisa, a Professora Maria Machado compreensões de infância e do direito à educação ao longo da vida
Malta Campos notou que é possível ter uma nova percepção acerca pelos educadores da Rede, não apenas por aqueles vinculados di-
das dimensões da qualidade da educação no Ensino Fundamental: retamente às etapas e modalidades correspondentes.
a. Ambiente educativo A concepção de infância não esgota seus significados na Edu-
b. Prática pedagógica e avaliação cação Infantil, devendo ser objeto de estudo e reflexão também
c. Ensino e aprendizagem da leitura e da escrita por parte dos educadores dos três ciclos do Ensino Fundamental.
d. Gestão escolar democrática Assim como a compreensão do direito à educação ao longo da
e. Formação e condições de trabalho dos profissionais da vida não restringe sua relevância àqueles diretamente vinculados
escola ao trabalho com a Educação de Jovens e Adultos. Nessa perspecti-
f. Acesso e permanência dos alunos na escola va, torna-se fundamental compreender que as questões da inclusão
g. Ambiente físico escolar e da diversidade também não podem ser pensadas isoladamente: é
da consideração e respeito à diversidade e às diferenças que vem a
Destacou, das dimensões Prática Pedagógica e Avaliação, os promoção da inclusão. E essa diversidade não é unicamente étni-
seguintes indicadores: co-racial, de gênero ou relacionada a pessoas com deficiência: uma
a. Projeto político pedagógico definido e conhecido por to- Unidade Educacional inclusiva é um espaço de todos e acolhe os
dos diferentes tempos de aprender, abrindo espaço ao conhecimento e
b. Planejamento à cultura de educandos e educadores.
c. Contextualização A concepção de infância, além de constar no Documento de
d. Prática pedagógica inclusiva Referência do Programa Mais Educação São Paulo, é detalhada-
e. Formas variadas e transparentes de avaliação mente abordada na Orientação Normativa Avaliação na Educação
f. Monitoramento da prática pedagógica e da aprendizagem Infantil: aprimorando os olhares (Orientação Normativa Número
dos alunos Considerando os resultados da pesquisa de José Fran- 01, de 02 de dezembro de 2013, publicado no Diário Oficial da
cisco Soares e as dimensões e indicadores de qualidade da edu- Cidade de 03 de dezembro de 2013, p. 103-105). O estudo desses
cação, a Professora Maria Machado Malta Campos concluiu sua documentos é fundamental, mas neste momento de implantação
palestra expondo que: é necessário ir além: quais práticas podem ser propostas no sen-
a. O direito à educação de qualidade inclui o direito a apren- tido de concretizar essa concepção nas Unidades Educacionais da
dizagens significativas que possibilitem a participação consciente Rede?
das pessoas na sociedade contemporânea; Como lembrou a Professora Doutora Mônica Appezzato Pina-
b. Os resultados dos sistemas externos de avaliação revelam zza, em sua palestra Concepção de infância no Ensino Fundamen-
que uma parcela significativa de crianças, adolescentes e jovens tal de 9 anos, no Seminário Interno Mais Educação São Paulo, o
não está tendo esse direito respeitado no país e na cidade; discurso sobre infância corrente na RME já é bastante afinado às
c Muitos dos fatores identificados pelas pesquisas como ten- concepções defendidas nos documentos. Mas as práticas também
do impacto nesses resultados dependem de decisões tomadas no o são? As noções de experiência, bem-estar, atividade, precisam
âmbito da escola e/ou no âmbito das administrações das redes pú- ser problematizadas em relação às práticas correntes nas Unidades
blicas. Educacionais.

Didatismo e Conhecimento 69
CONHECIMENTOS GERAIS
A reflexão sobre a concepção de infância atualmente fica res- Revista de Educação, vol. 18, n. 2, 2011, Lisboa.
trita à Educação Infantil, enquanto deveria ser expandida também • DOWBOR, L. Educação e apropriação da realidade local.
ao Ensino Fundamental. No sentido da integração entre as etapas Estudos
e modalidades da Educação Básica, há que se pensar o que sig- Avançados, vol. 2, n. 60, maio/ago. 2007, São Paulo.
nifica a finalização do Ensino Fundamental com o Ciclo Autoral • DI PIERRO, M. C. A alfabetização e educação de jovens e
para problematização das rotinas ainda tão presentes na Educação adultos no Municipio de São Paulo. In: Lamari, R. E. (org.). Ciclo
Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental. O reconhe-
de debates Pensando São Paulo. São Paulo, Câmara Municipal,
cimento e estudo analítico das práticas da Rede Municipal de En-
Escola do Parlamento, Imprensa Oficial, 2012, p. 177-180.
sino são, portanto, fundamentais para a mudança estrutural que se
pretende. É importante, nesse âmbito, ir além do relato de expe- • MELO, R. et al. Comunidades de aprendizagem: outra esco-
riência, diagnosticando os problemas encontrados, reconhecendo la é possível. São Carlos, Edufscar, 2012.
as soluções criadas e também as fragilidades das práticas em curso.
Para pensar as etapas e modalidades da Educação Básica de Princípios elencados pelos Grupos de Trabalho
fato e de maneira integrada, é necessário compreender que a rea- Princípios da concepção de criança e de infância
lização do direito à educação ao longo da vida não se restringe à Como é atualmente:
perspectiva da Educação de Jovens e Adultos, conforme foi co- De uma forma geral, as Unidades Educacionais têm acom-
locado pela Professora Doutora Maria Clara di Pierro em sua pa- panhado o debate teórico e acadêmico acerca das concepções de
lestra A escola municipal e a realização do direito à educação ao infância. Muitas dessas discussões são recorrentes nos Projetos
longo da vida, no Seminário Interno Mais Educação São Paulo. Político-Pedagógicos de boa parte das Unidades Educacionais. No
Segundo a professora, a educação continuada é necessária a to- entanto, tal ocorrência precisa ser problematizada, já que existe
dos os cidadãos que vivem na atual sociedade de ritmo acelerado um distanciamento entre aquilo que é enunciado nos PPPs e o que
de mudanças tecnológicas e culturais. Portanto, crianças, jovens e
é praticado no cotidiano das Unidades Educacionais. Tal distan-
adultos precisam, nos dias de hoje, que se crie uma nova relação
ciamento deve-se, num primeiro momento, à compreensão parcial
com o conhecimento e com a aprendizagem. É necessária, tam-
bém, a superação da visão compensatória da EJA, como “supleti- ou mesmo à incompreensão de tais conceitos, ou está relacionada
vo”, em favor de uma visão renovada da educação continuada, que à ausência de preparo para incorporá-lo às práticas e, numa última
proponha abordagem intersetorial e incorpore a diversidade e as instância, à falta de infraestrutura. O espaço físico/ambiente, por
diferenças. Essa nova visão não pode prescindir da tarefa de moti- exemplo, nem sempre é condizente com a concepção de educação
var os alunos ao acesso, à permanência e à conclusão dos estudos. que coloca o brincar como central ao processo de aprendizagem.
Com o alongamento da vida, mesmo a formação para a velhi- O espaço/ambiente das Unidades Educacionais não tem permitido,
ce passa a ser necessária, no sentido da superação do estigma exis- muitas vezes, que se possa aprender brincando ou brincar apren-
tente e da construção de uma velhice ativa, independente e saudá- dendo, seja o brincar livre ou dirigido.
vel. Pensar essa sucessão geracional e como ela se dá no mundo Tal distanciamento corrobora-se em algumas constatações
contemporâneo é também papel da escola, o que só pode ocorrer que podem ser feitas a partir das experiências com o trato da infân-
na perspectiva da integração das etapas e modalidades da Educa- cia observáveis nas Unidades Educacionais. Em certa medida, não
ção Básica e da criação de espaços de convivência intergeracional. é a concepção de infância presente na Unidade Educacional que
Essa perspectiva integrada e integradora orienta também a
está equivocada, mas algumas condutas e práticas precisam ser re-
reorganização curricular do Ensino Fundamental no Programa
Mais Educação São Paulo, sendo a concepção dos três ciclos vistas, de modo a garantir uma prática que, desde a concepção do
voltada à construção do percurso de aprendizagem e desenvolvi- Projeto Político-Pedagógico até o cotidiano escolar, possa atender
mento, que por sua vez é orientado pelas estratégias da avaliação às necessidades afetivas, cognitivas e culturais das crianças.
PARA a aprendizagem. O trabalho com projetos, que perpassa os Existem práticas que concretizam as concepções desejadas,
três ciclos e os projetos de intervenção social propostos para a fi- mas, em parte, as práticas ainda refletem que:
nalização do Ciclo Autoral – os Trabalhos Colaborativos de Auto- • A criança não é vista como um sujeito de direitos, revelando
ria (TCA) – reforçam essa concepção, favorecendo ainda mais a uma concepção adultocêntrica. Isto equivale a dizer que sua voz
relação da Unidade Educacional com a cidade e o envolvimento não é escutada na organização e condução do processo de apren-
da comunidade educativa com questões do desenvolvimento local. dizagem, ou, quando o é, não é levada efetivamente em considera-
Também compõem a integração que se deseja o entendimento do ção. Deste modo, é possível afirmar que não há uma qualificação
território e da comunidade como fontes de conhecimento e da Uni- no “ouvir”, ou seja, não se tem considerado o repertório de edu-
dade Educacional como lócus de desenvolvimento de pesquisas e candos que, sendo sujeitos sociais possuidores de um repertório
projetos articulados interna e externamente. Além desses fatores, a
social, cultural e cognitivo precisam ter esse repertório reconhe-
formação integrada de educadores e a criação de atividades inter-
cido e respeitado.
geracionais foram estratégias apontadas pelas palestrantes e pelos
Grupos de Trabalho como fundamentais à integração entre as eta- • As Unidades Educacionais têm deixado de lado o protago-
pas e modalidades da Educação Básica. nismo infantil. As crianças são vistas como consumidoras de cultu-
ra e não como produtoras. Sendo assim, muitas vezes as Unidades
Referências utilizadas pela Professora Doutora Maria Clara di Educacionais se têm pautado por uma cultura de massa que, ape-
Pierro em sua palestra: sar de poder cumprir funções importantes, tende a deixar de lado
• CATELA, H. Comunidades de aprendizagem: em torno de a diversidade e as diferenças que marcam as relações no espaço
um conceito. educativo.

Didatismo e Conhecimento 70
CONHECIMENTOS GERAIS
• Ainda existe a visão de uma infância única a partir da visão • Os educandos da EJA devem ser respeitados como sujeitos
padronizada pelo adulto: rotina das Unidades Educacionais pensa- com diferentes experiências, a partir da compreensão de sua indi-
das pelo e para o adulto. Essa visão se concretiza em uma escola- vidualidade e de sua vida;
rização da infância. Exemplifica-se esse entendimento pelo fato de • Valorização da cultura desses educandos e reflexão a respeito
a maioria das atividades realizadas terem como suporte o papel. O do “conhecimento” e de que forma o conhecimento construído na
brincar é um direito e é fundamental ao desenvolvimento integral Unidade Educacional pode ajudá-los a ampliar seus repertórios;
das crianças. • Promoção da escuta como prática pedagógica;
• Não culpabilização pelas desistências;
A concepção que deveria se refletir na prática: • A EJA deve ser reconhecida nas suas especificidades, assu-
Para compreender a concepção de criança/infância, reitera-se mindo seu papel de atuar na transformação da realidade social e
a importância da consulta à Orientação Normativa Avaliação na rompendo com a ideia de que seria uma reprodução do Ensino
Educação Infantil: aprimorando os olhares (Orientação Normati- Fundamental;
va Número 01, de 02 de dezembro de 2013, publicado no Diário • O público da EJA deve ser atendido em condições estruturais
Oficial da Cidade de 03 de dezembro de 2013, p. 103-105). A con- equivalentes a todos os demais educandos, promovendo a equi-
cepção de criança/infância corresponde ao item 3 do documento. dade;
• O currículo da EJA deve contemplar a diversidade, possibi-
Princípios da integração entre as etapas e modalidades da litando a reorganização dos tempos e espaços, configurando um
Educação Básica currículo significativo, ligado às práticas sociais;
Conforme tratado anteriormente, existe fragmentação na con- • É preciso repensar, reconstruir o modelo de Unidade
cepção dos tempos de infância, ou seja, há uma cisão da infância Educacional oferecida a esse público, levando em consideração as
especificidades de currículo, tempos e espaços, formas;
pautada exclusivamente na perspectiva cronológica, como se a
• É necessária a integração entre as formas de atendimento da
criança deixasse de o ser a partir do momento que deixasse a Edu-
EJA existentes, por meio da discussão coletiva de suas questões
cação Infantil e fosse para o Ensino Fundamental. Por exemplo, a
nas Unidades Educacionais, nas DREs e na SME;
criatividade e a autonomia incentivadas na Educação Infantil pre-
• A promoção do diálogo intersetorial é fundamental para o
cisam ser princípios orientadores no Ensino Fundamental e Médio
atendimento ao educando da EJA.
e também na Educação de Jovens e Adultos.
Essa fragmentação deve ser superada, pois é direito de todos Práticas elencadas pelos Grupos de Trabalho
viver situações acolhedoras, agradáveis, seguras, desafiadoras para Concepção de criança e de infância
apropriar-se de diferentes linguagens e saberes. É necessário des- Para efetivar a concepção que consta nos documentos legais,
mistificar que “não há convivência possível entre jovens e adul- foram sugeridas pelos Grupos de Trabalho as seguintes práticas:
tos”, o que leva a uma fragmentação no interior da própria EJA. • Reconhecer as práticas já existentes na RME que refletem
Ao pensarmos a Educação Básica considerando os ciclos da essa concepção, problematizando-as para estudo das dificuldades
vida (infância, juventude e vida adulta) é necessário: enfrentadas e as intervenções que foram realizadas e resultaram
• Ter uma visão integradora, existindo a necessidade de tra- em sua boa implementação;
balhar a convivência entre as diferentes gerações, pensando na • Ofertar às crianças oportunidades de desenvolvimento em
participação de educandos de diferentes idades em práticas peda- múltiplas linguagens, em especial a linguagem corporal, bem como
gógicas comuns; o acesso a diversos materiais, que possibilitem a experimentação;
• Que a Unidade Educacional se configure como um polo • Reconhecer a importância e trabalhar com a ludicidade, a
cultural da comunidade, favorecendo o diálogo e a convivência expressão corporal e a imaginação como elementos integradores
diversa e intergeracional, por meio do desenvolvimento de “proje- do currículo;
tos de transformação baseados no diálogo, colaboração e respeito • Fortalecer a identidade do professor da Educação Infantil,
à diversidade, envolvendo escola e comunidade na promoção da valorizando o trabalho com a infância;
aprendizagem” (da palestra da Professora Maria Clara di Pierro); • Romper com as rotinas na Educação Infantil.
• Que o currículo contemple espaços educativos para além da
sala de aula; Integração entre as etapas e modalidades da Educação Básica
• Que os projetos intergeracionais possam diminuir as distân- • Realizar formações conjuntas entre os profissionais (profes-
cias por meio da compreensão de princípios e de elementos curri- sores e gestores) das diferentes etapas e modalidades da Educação
culares comuns e diferentes às etapas e modalidades da Educação Básica (encontros, reuniões, diálogos pedagógicos, cursos, estu-
Básica; dos de caso) na SME, nas DREs e nas Unidades Educacionais,
• Ter princípios éticos, estéticos e políticos de atuação em to- para que todos tenham clareza dos princípios comuns às diversas
das as etapas e modalidades da Educação Básica, fundamentais à etapas e modalidades da Educação Básica e para a ampliação dos
sua integração: a escuta, o protagonismo e a diversidade. conceitos de infância, juventude e vida adulta, considerando o su-
jeito como um ser em contínuo desenvolvimento;
Princípios do direito ao acesso e à permanência com qualida- • Realizar formações com a temática centrada nos ciclos do
de dos educandos da EJA Ensino Fundamental e nas formas de avaliação PARA a aprendi-
• A demanda na Educação de Jovens e Adultos é assunto peda- zagem, tendo em vista o percurso de desenvolvimento dos edu-
gógico e deve ser tratada dessa forma; candos;
• É necessário desmistificar a fala corrente de que “só há • Promover diálogos locais entre as diferentes modalidades da
adolescente na EJA atualmente”, pois a faixa etária mais presente Educação Básica com o objetivo de construir documentos de refe-
é entre 22 e 40 anos; rência com um fio condutor comum;

Didatismo e Conhecimento 71
CONHECIMENTOS GERAIS
• Realizar encontros dos profissionais da educação por região, • Identificar conflitos e contradições existentes no atendimento
professores e gestores, articulando as diferentes etapas e modali- à EJA e realizar propostas para sua superação;
dades da Educação Básica; • Flexibilizar horários para atender às especificidades do pú-
• Estudar e conhecer as Diretrizes Curriculares Nacionais da blico adulto, podendo realizar projetos diferenciados;
Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educa- • Ofertar diversas opções de processos de aprendizagem de
ção de Jovens e Adultos; forma articulada, garantindo formas de avaliação também diver-
• Valorizar e compreender as especificidades dos perfis dos sificadas;
educadores de cada etapa e modalidade da Educação Básica, ofe- • Valorizar as experiências individuais dos educandos, suas di-
recendo a possibilidade de formação em questões comuns a todas nâmicas e relações no espaço em que vivem;
as etapas e modalidades da Educação Básica ou específicas de seu • Divulgar a EJA dentro das Unidades Educacionais em que
campo de atuação; ela acontece, por meio da publicização de trabalhos de qualidade e
• Reconhecer os conteúdos que perpassam as diversas etapas da construção de projetos intergeracionais;
e modalidades da Educação Básica para a criação de ações inte- • Promover a participação dos educandos da EJA nas questões
gradas; da Unidade Educacional, do território e da cidade;
• Criar mecanismo de trânsito dos profissionais entre as Uni- • Promover a formação profissional por meio de itinerários
dades Educacionais como estratégia de formação, para que os edu- formativos nos CIEJAs e por meio das atividades desenvolvidas
cadores das diferentes etapas e modalidades da Educação Básica no PRONATEC;
conheçam as práticas e os espaços físicos e pedagógicos da Rede • Promover formações integradas e também formações especí-
Municipal de Ensino; ficas para os educadores da EJA, especialmente no que se refere à
• Realizar reuniões por polo e setoriais, com foco pedagógico Gestão Pedagógica de tempos e espaços, à elaboração de itinerá-
e para gestores, para discutir as concepções, propor e avaliar as rios formativos (CIEJAs) e projetos diferenciados.
práticas. Essas reuniões devem ser preparadas e contar com regis-
tros sistemáticos (pautas e atas); SEGUNDO EIXO
• Criar sistemática de registro das práticas que acompanhe o GESTÃO
educando ao longo de seu percurso através das etapas e modalida- Conforme exposto na Síntese Introdutória a este documento,
des da Educação Básica e utilizar esses registros nos planejamen- os participantes do Seminário Interno Mais Educação São Paulo
tos dos professores; entenderam que é necessário subsidiar a implantação do Programa
• Realizar planejamentos que considerem a continuidade entre também no nível da gestão, sendo este inseparável das questões
as diferentes etapas e modalidades da Educação Básica; curriculares.
• Estimular as Unidades Educacionais a construírem Projetos A separação em três tópicos – Gestão Pedagógica, Gestão
Político Pedagógicos que estabeleçam um fio condutor que perpas- Democrática e Gestão do Conhecimento – tem fins organizativos
se todos os anos de ensino de sua modalidade; e não deve ser entendida como incentivo à compartimentação do
• Na elaboração dos Projetos Político-Pedagógicos, realizar as trabalho ou à separação de tarefas pelas funções dos educadores.
discussões sobre as concepções de infância/criança e as demais Os princípios e práticas aqui sistematizados tiveram origem
concepções de forma ampliada, não apenas junto aos educadores nas discussões realizadas no Seminário e têm o propósito de confi-
da Educação Infantil; gurar uma gestão para uma Cidade Educadora, conforme disposto
• Problematizar, conhecer, dialogar, estudar coletivamente os no Programa Mais Educação São Paulo, além de configurar uma
fazeres em cada etapa e modalidade da Educação Básica; Rede de fato articulada, que possa trabalhar a diversidade de suas
• Construir PPPs que atendam às necessidades afetivas, cogni- realidades dentro da unicidade de princípios, da clareza de seus
tivas e culturais de crianças, jovens e adultos; objetivos comuns e da compreensão de suas responsabilidades pe-
• Estudar o processo de desenvolvimento do sujeito ao longo rante a Cidade de São Paulo.
da vida, refletindo sobre a intencionalidade das diversas práticas
didáticas em cada etapa e modalidade da Educação Básica; 1. Gestão Pedagógica
• Promover a convivência entre crianças e jovens de diferentes A Gestão Pedagógica é a base para a implantação do Progra-
idades; ma Mais Educação São Paulo. É por meio dela que as práticas de
• Promover atividades intergeracionais. educadores e gestores poderão se afinar cada vez mais aos prin-
cípios e ações propostos no Programa, destacando-se entre eles a
Direito ao acesso e à permanência com qualidade dos educan- efetivação das noções de interdisciplinaridade, autoria, pedagogia
dos da EJA de projetos e avaliação PARA a aprendizagem.
• Manter cadastro informatizado e ininterrupto para a EJA; Os Projetos Político-Pedagógicos são instrumentos funda-
• Organizar, territorializar e tornar pública a demanda da EJA; mentais da Gestão Pedagógica e é por meio deles que as Unidades
• Favorecer a divulgação das vagas nas regiões e territórios, Educacionais devem pautar suas ações. Para tornar os PPPs de fato
trabalhando de forma articulada com a SME e as instituições lo- democráticos e efetivos, o cotidiano do trabalho na Rede Munici-
cais; pal de Ensino precisa ter algumas características.
• Descentralizar a matrícula a fim de garantir o direito de es- A Gestão Pedagógica está diretamente relacionada aos pro-
colha e compatibilização do local de estudo com as reais necessi- cedimentos de avaliação processual, que se elaboram a partir dos
dades do educando; produtos e de suas avaliações intermediárias. Segundo a Professo-
• Promover fóruns, debates e estimular a participação crítica ra Selma Rocha, em sua fala de síntese dos trabalhos no Seminário
dos educandos da EJA em temáticas da sociedade contemporânea; Interno Mais Educação São Paulo, essa avaliação, que se dá por

Didatismo e Conhecimento 72
CONHECIMENTOS GERAIS
meio de horários coletivos e reuniões pedagógicas, não pode estar participantes, assim como precisam ser ouvidos sem julgamentos,
baseada unicamente no erro: é necessário que a Unidade Educa- precisam compreender as atribuições dos gestores, a quem cabe
cional seja orientada ao que é potencial e ao que seus profissionais tomar determinadas decisões. Compreender os diferentes papéis
podem fazer. Para tanto, é necessário olhar para o ambiente geral desempenhados é fundamental não apenas para o andamento dos
da Unidade Educacional, o que não exclui propostas assertivas so- processos, como também é um imperativo ético para que não se
bre pontos específicos, mas supera a lógica de causa e efeito que aniquile a função do outro, o que acontece muitas vezes por uma
costuma gerar frustração em professores e gestores. Muitas vezes, incompreensão da própria esfera de ação do sujeito. Apenas dessa
uma dificuldade é diagnosticada e se age sobre ela, mas o efeito forma é possível a construção de uma Gestão Pedagógica essen-
não acontece como esperado, já que os fatores envolvidos são múl- cialmente coletiva.
tiplos e se influenciam mutuamente.
Os horários coletivos de formação e as reuniões pedagógicas Princípios elencados pelos Grupos de Trabalho
devem ser espaço de reflexão e elaboração sobre as experiências • A construção de uma Cidade Educadora é objetivo a ser bus-
reais em sala de aula/ ambiente educativo. Para que uma reunião
cado pelos educadores da RME, em todos os níveis;
pedagógica ou horário coletivo se preste a esse propósito, é neces-
• O Projeto Político-Pedagógico é o instrumento da Gestão
sário haver:
Pedagógica por excelência, devendo ser elaborado de forma parti-
a. Preparação: a preparação de uma reunião é tão importan-
cipativa e ser conhecido por toda a comunidade educativa;
te quanto sua execução;
• É preciso que os conceitos norteadores do trabalho
b. Rigor na condução: pauta preparada e articulada às reu-
niões anteriores; pedagógico estejam presentes no PPP como diretrizes de todas as
c. Registro e produção de síntese: para que se tenha memó- ações a serem desenvolvidas dentro da Unidade Educacional;
ria, continuidade e compartilhamento de informações. • O PPP deve anunciar suas concepções e os princípios que o
A organização e a condução dos horários coletivos de forma- sustentam;
ção e reuniões pedagógicas com rigor são necessárias para que • Todo momento de diálogo coletivo dentro da Unidade Edu-
elas tenham caráter analítico e não de julgamento – dificilmente cacional é momento de formação;
alguém irá expor suas reais dificuldades se perceber que será ob- • O trabalho burocrático e administrativo deve atender ao pe-
jeto de julgamento pelo grupo. O sentido deve ser da análise das dagógico, não o contrário;
dificuldades para a construção coletiva de proposições, o que só • É necessária a criação de uma nova cultura de discussão
é conquistado por um ambiente de confiança. A confiança é a não dos problemas reais da Unidade Educacional por parte de todos
violação das dificuldades – em uma reunião, as dificuldades reais os sujeitos, sob a perspectiva da análise e da reflexão, sem
devem ser apresentadas e analisadas, não julgadas. Se elas forem julgamentos;
julgadas, a participação se esvaziará. A organização dos horários • Devem ser valorizadas a investigação, a discussão, a proble-
coletivos de formação e reuniões pedagógicas sob essa perspec- matização, a busca de respostas para os problemas reais vivencia-
tiva de análise e construção coletiva permitirá que se tenha espa- dos;
ço de ação-reflexão-ação contínuo nas Unidades Educacionais, o • A Gestão Pedagógica tem caráter formativo e deve incentivar
que deverá ser articulado às dinâmicas de reuniões nas DREs e na a pesquisa a partir da realidade local, relacionando-a a questões
SME. Esse processo de avaliação processual e acompanhamento universais;
é fundamental para a criação de oportunidades de aprendizagem • Os gestores têm a atribuição de pensar a transversalidade de
que atendam às necessidades dos educandos, organizando na prá- temas como a ética e a cultura, apoiando os educadores na confi-
tica os princípios do Programa Mais Educação São Paulo que, em guração de projetos interdisciplinares, nas diversas etapas e moda-
seu Documento de Referência, dispõe que “a avaliação do pro- lidades da Educação Básica;
cesso de ensino e aprendizagem é parte do currículo, constituin- • Os projetos interdisciplinares desenvolvidos nas Unidades
do etapa necessária e indispensável para o (re)planejamento das
Educacionais devem ter estreita relação com seus Projetos Polí-
ações pedagógicas e para a reflexão sobre o percurso cognitivo e
tico-Pedagógicos;
os conhecimentos significativos já construídos pelos educandos.
• Autoria, pedagogia de projetos e interdisciplinaridade são di-
Dessa forma, entende-se que a aprovação automática não é um
retrizes centrais do trabalho pedagógico a ser desenvolvido em na
procedimento de uso sistemático, bem como a retenção. As sinali-
zações de problemas relacionados à aprendizagem devem permitir Rede Municipal de Ensino;
o diagnóstico precoce, porém, em circunstâncias nas quais se evi- • Uma prática pedagógica que se paute pelo princípio da au-
denciam que as dificuldades não foram superadas ainda, a retenção toria, da pedagogia de projetos e da interdisciplinaridade precisa
pode ser necessária.” dialogar diretamente com a realidade local e as demandas trazidas
Os organizadores desses processos de Gestão Pedagógica – por esta;
supervisores, diretores e, especialmente, coordenadores pedagógi- • É preciso considerar o repertório dos educandos, os seus
cos – têm atribuições analíticas e reflexivas além de normativas. conhecimentos acumulados bem como suas inquietações;
Cabe a eles a intervenção para que os processos se desvelem e • Trabalho com projetos que desenvolvam o olhar crítico,
se encaminhem coletivamente, sem que seja instaurada uma di- curioso, que reconheçam o educando produtor, construtor;
nâmica de julgamentos, sem que a vida funcional dos educadores • Os projetos devem proporcionar experiências para além da
esteja em questão, pois discussão funcional e debate pedagógico atividade, levando à construção de um conhecimento mais elabo-
pertencem a espaços diferentes. Hierarquia existe na decisão e rado, compreendendo educandos e educadores como pesquisado-
não no debate pedagógico. O debate tem que ser responsável e, os res.

Didatismo e Conhecimento 73
CONHECIMENTOS GERAIS
Práticas elencadas pelos Grupos de Trabalho Portanto, a perspectiva democrática na gestão da escola e da
• Planejar, preparar (pautas), conduzir, registrar (atas) e ava- educação pública é fundamental. A Gestão Democrática requer
liar os horários coletivos de formação e reuniões pedagógicas, engajamento da equipe escolar, participação das famílias e da
construindo a memória dos processos vivenciados nas Unidades comunidade. A formação para a cidadania democrática implica
Educacionais; exercício cotidiano e, para ser pública, escola precisa incorporar
• Criar momentos para conversa contínua sobre os PPPs, para realidade sociocultural do seu contexto.
que eles de fato se constituam como documentos vivos dentro das A Gestão Democrática do ensino público está respaldada pe-
Unidades Educacionais, a partir dos quais se possa constantemente los Artigos 205 e 206 da Constituição Federal de 1988, pelo Artigo
planejar, avaliar e replanejar. Sem essa dinâmica, o exercício peda- 53 do Estatuto da Criança e Adolescente (Lei nº 8.069 de 1990) e
gógico fundamentado sob a perspectiva da autoria, pedagogia de pelos Artigos 3º, 13º e 14º da Lei de Diretrizes e Bases da Educa-
projetos e interdisciplinaridade não consegue se sustentar; ção Nacional (Lei nº 9.394 de 1996).
• Criar possibilidades de diálogo entre os PPPs das Unidades A Gestão Democrática está intimamente relacionada às con-
Educacionais, para que haja convergência entre os princípios e as cepções de direito à educação ao longo da vida que orientam as
práticas pedagógicas desenvolvidas na RME; práticas da Educação de Jovens e Adultos. É por meio da Gestão
• Criar estratégias para que os profissionais da Unidade Edu- Democrática que se pode efetivar o papel da Unidade Educacional
cacional possam ter momentos regulares de diálogo sobre os pro- enquanto polo cultural da comunidade, articulada em seu cotidiano
jetos a serem desenvolvidos, favorecendo trabalho na perspectiva ao território no qual está inserida.
interdisciplinar; A Unidade Educacional faz parte de uma rede de serviços pú-
• Promover encontros regionais e municipais com foco no blicos locais, portanto tem papel fundamental no desenvolvimento
compartilhamento de práticas pedagógicas. Esse diálogo ajudará local. Deve-se buscar a “ação comunitária de cidadãos informa-
a divulgar boas práticas que já acontecem e que precisam ganhar dos em interação com poder público para o desenvolvimento so-
visibilidade, na perspectiva de que possam inspirar e alimentar o cial, cultural e econômico sustentável do território”, entendendo a
repertório de outros educadores; Unidade Educacional como parceira e o território e a comunida-
• Subsidiar constantemente nos horários coletivos de forma- de como fontes de conhecimento. É preciso pensar sobre qual é
ção e reuniões pedagógicas a discussão teórica qualitativa sobre os o papel da Unidade Educacional, sobre a importância da Gestão
Democrática, da noção de participação e de pertencimento àquela
conceitos de autoria, pedagogia de projetos e interdisciplinaridade,
realidade. É importante entender que os educandos, independente
na perspectiva de revisitar a prática ampliando cada vez mais o
da faixa etária, são sujeitos que devem ter suas histórias valoriza-
repertório de professores e gestores;
das. Os recursos e equipamentos educacionais devem estar a ser-
• Estudar e discutir metodologias, realizando trocas de expe-
viço disso.
riências nos horários coletivos de formação e reuniões pedagógi-
No que diz respeito às relações intersetoriais (saúde, cultura,
cas;
esporte, assistência social), é preciso pensar que as pessoas aten-
• Combinar mediação pedagógica dialógica e investigação do
didas e participantes desses serviços são as mesmas e que a ação
território interno dos educandos. Investigação cognitiva: trabalhar conjunta pode contribuir de forma significativa para melhoria das
perspectivas dos temas curriculares levando em consideração o condições de vida dessas pessoas.
que a ciência traz e o que a comunidade apresenta;
• Mapear as práticas pedagógicas das regiões da Cidade; Princípios elencados pelos Grupos de Trabalho
• Aproximar as práticas da Unidade Educacional às questões • Construção da unicidade considerando a diversidade;
sociais; • Cidade Educadora é um conceito que vai além da Unidade
• Elaborar e implementar práticas de avaliação que proporcio- Educacional e pressupõe sua integração a outros espaços;
nem acompanhamento do processo; • Integração e articulação das Unidades Educacionais, Centros
• Elaborar e implementar projetos relacionados ao reconheci- Educacionais Unificados, Diretorias Regionais de Educação e Se-
mento e à intervenção na realidade local; cretaria Municipal de Educação;
• Integrar projetos de diferentes Unidades Educacionais; • Fortalecimento de ações coletivas da Secretaria Municipal
• Estabelecer comunidades de práticas para ação-reflexão- de Educação;
-ação sobre os projetos, nas DREs e em SME; • Articulação explícita das concepções definidas à legislação
• Potencializar a pesquisa com a produção de conhecimento e vigente;
registro dos fazeres pedagógicos enunciando as práticas pedagógi- • Recuperação do saber acumulado na Rede Municipal de En-
cas, dentro e fora da Unidade Educacional; sino;
• Divulgar e disseminar as experiências de pesquisa e projetos, • Integração entre os setores da SME (DOT, Núcleos e Progra-
objetivando dar visibilidade e ao mesmo tempo fortalecer as ações mas Especiais – em SME – e DOT-P, Programas Especiais, CEFAI
ocorridas nas Unidades Educacionais. e Supervisão Escolar – nas DREs);
• Transparência, rapidez e segurança na circulação de informa-
2. Gestão Democrática ções e comunicados entre os setores da RME;
A Gestão Democrática é diretamente vinculada ao papel da • Acesso democrático à informação;
escola pública na sociedade contemporânea. Segundo a Professora • Valorização do profissional;
Doutora Maria Clara di Pierro, em sua palestra A escola municipal • O professor também é um gestor, em todas as etapas e moda-
e a realização do direito à educação ao longo da vida: lidades da Educação Básica;
A escola pública é lugar de guarda, cuidado, desenvolvimento • As relações democráticas devem ocorrer nos diferentes espa-
e formação das novas gerações. ços da Unidade Educacional;

Didatismo e Conhecimento 74
CONHECIMENTOS GERAIS
• Unidade Educacional como produtora de Cultura; • Aproximar os setores pedagógico e administrativo, realizan-
• Unidade Educacional aberta e problematizadora, com clare- do orientações técnicas sobre procedimentos administrativos para
za do seu papel na sociedade; uniformizá-los, de modo a garantir celeridade e padronização em
• A Unidade Educacional precisa refletir a natureza da relação processos e na circulação de documentos de modo geral;
com a comunidade, incluindo tal reflexão como pauta da gestão; • Oportunizar mais espaços para contribuição dos diversos
• Valorização do aspecto social da Unidade Educacional, aber- atores da RME na elaboração de documentos relativos às publica-
ta à comunidade, transparente e não isolada; ções pedagógicas e legislações;
• Valorização da cultura das pessoas que compõem a comu- • Definir coletivamente as prioridades de formação;
nidade; • Buscar aproximação com outras secretarias promovendo a
• Respeito às características culturais implica também contem- efetivação de uma rede de proteção social;
plar as diversidades no currículo; • Ampliar a construção de políticas públicas integradas que
• Rede cultural envolve a comunidade, não apenas atividades respaldem as Unidades Educacionais;
escolares; • Usar as tecnologias a favor das necessidades de planejamen-
• Política cultural deve ser criada com a participação das Uni- to e organização;
dades Educacionais. • Articular DOT e Programas Especiais;
• Elaborar orientações normativas que apoiem a implantação
Práticas elencadas pelos Grupos de Trabalho do Programa Mais Educação São Paulo;
• Criar formas de pesquisar e conhecer a Cidade, seus proble- • Criar canal de acesso à informação que disponibilize de ma-
mas, potencialidades e conflitos, para uma relação humanizadora neira organizada orientações, documentos, notícias etc.;
com o espaço urbano; • Ampliar a participação das Unidades Educacionais nos pro-
• Fortalecer as instâncias de Gestão Democrática participativa gramas culturais já existentes na cidade. Ampliar os espaços de ati-
nas Unidades Educacionais, nas DREs e na SME; vidades culturais e esportivas para além da Unidade Educacional;
• Fortalecer os Conselhos das Unidades Educacionais para que • Promover o intercâmbio das produções culturais dos educa-
realmente sejam participativos e democráticos; dores e educandos;
• Criar Grêmios Estudantis e incentivar a participação dos
• Mapear a diversidade local (étnica, de gênero, geracional,
educandos;
social, etc.);
• Ouvir crianças, jovens e adultos e saber quais questões eles
• Mapear as redes de atuação local (ONGs, equipamentos de
trazem;
saúde, etc.);
• Construir calendário comum que contemple as especificida-
• Fazer parcerias com o entorno da Unidade Educacional
des das Unidades Educacionais, Centros Educacionais Unificados,
(equipamentos, lideranças) e implementar ações institucionais na
Diretorias Regionais de Educação e Secretaria Municipal de Edu-
rede local;
cação;
• Estabelecer uma rede cultural local e divulgá-la na Unidade
• Envolver a comunidade nos processos educativos, conside-
rando não apenas educandos, professores e funcionários, como Educacional;
também os adultos responsáveis pelas crianças e jovens e todos • Envolver as famílias nas ações da Unidade Educacional de
aqueles que compõem o entorno da Unidade Educacional; maneira qualificada (além de Festa Junina, reuniões de pais etc.).
• Articular as ações das Unidades Educacionais, Diretorias
Regionais de Educação e Secretaria Municipal de Educação; 3. Gestão do Conhecimento
• Promover diferentes formas de acompanhamento – cursos, Conforme se pôde perceber no decorrer deste documento,
seminários, encontros entre Unidades Educacionais, congressos, todos os palestrantes do Seminário Interno, assim como todos os
grupo de trabalho, ações diversificadas (presenciais e a distância) Grupos de Trabalho, na discussão de seus temas e propostas apon-
da DOT-P e DOT SME em parceria – articuladas ao Sistema Mu- taram necessidades de formação. Indicações de práticas e princí-
nicipal de Formação de Educadores – CEU-for; pios relacionados à formação de educadores apareceram de forma
• Gerir e acompanhar, a partir das várias instâncias da RME, distribuída nos tópicos anteriores, pois não há possibilidade de
a Unidade Educacional como “lócus” privilegiado da ação, enfati- estabelecimento de uma política formativa desvinculada de uma
zando a ação reflexão-ação; visão curricular. Porém, é necessário dedicar este tópico final do
• Estimular e apoiar as ações Inter secretariais; documento à organização de algumas questões sobre o tema da
• Realizar reuniões mensais com pautas formativas, no forma- formação que surgiram durante o Seminário Interno Mais Educa-
to do Seminário Interno Mais Educação São Paulo, para recuperar ção São Paulo.
os saberes e problematizar as práticas pedagógicas. Participantes: A opção pelo tratamento da questão da formação como Gestão
Programas Especiais, CEFAI, DOT-P, Supervisão e DOT/SME; do Conhecimento, neste documento, está afinada ao conceito de
• Realizar reuniões mensais na SME para discutir o acompa- organização da produção de conteúdos a partir do Seminário Inter-
nhamento da implantação do Programa Mais Educação São Paulo. no Mais Educação São Paulo e à perspectiva sob a qual a questão
Participantes: Diretor Regional, DOT-P, Planejamento, Programas, foi abordada nos Grupos de Trabalho e pelos palestrantes. Além
Supervisor Técnico e Coordenador de CEFAI; disso, converge com a proposta de estabelecimento de um Sistema
• Realizar reuniões semanais nas DREs com os participantes Municipal de Formação de Educadores, CEU-for, cujo objetivo
do Seminário Interno Mais Educação São Paulo de cada Diretoria: já foi aqui apresentado. O CEU-for, como Sistema, organizará o
Diretor de DOT-P, Diretor de Programas Especiais, Coordenador gerenciamento do conhecimento na Rede Municipal de Ensino em
do CEFAI e Supervisor Técnico; diversas esferas:

Didatismo e Conhecimento 75
CONHECIMENTOS GERAIS
a. Gestão das prioridades: seleção de tópicos de formação a Portanto, mais do que a padronização de um programa de for-
partir das necessidades e desejos da RME e da visão estratégica mação com conteúdos e metodologias definidas, a necessidade da
da política educacional; b. Gestão da oferta: articulação das ini- Rede Municipal de Ensino de São Paulo é que sejam organizadas
ciativas da SME, DREs e Unidades Educacionais; organização de as atividades formativas já existentes e criadas novas dinâmicas
Rede de Parcerias para oferta de cursos – que favoreçam a construção coletiva do conhecimento, seu regis-
Universidades, Sindicatos, ONGs; tro, sua organização e compartilhamento. Essa organização tem
c. Gestão do processo: sistemática de acompanhamento dos como um de seus elementos principais – mas não único e isolado –
cursos ofertados; o oferecimento de cursos que possam subsidiar educadores quanto
d. Gestão do legado: criação de um repositório virtual para a determinados conteúdos, práticas e teorias específicas.
A partir da compreensão da realidade da RME e de suas de-
organização e compartilhamento da memória do conhecimento
mandas é que devem ser definidos os cursos e as atividades. Isso
produzido na RME;
não significa que a Rede já não conheça suas necessidades ime-
e. Gestão da informação: sistema informatizado que cen-
diatas de formação. A princípio, os Grupos de Trabalho apontam
tralize as informações relativas ao percurso formativo dos profis- alguns temas prioritários de formação para a implantação do Pro-
sionais; grama Mais Educação São Paulo:
f. Gestão do conteúdo: realização de publicações em diferentes a. Currículo
mídias, contemplando as pesquisas realizadas e o conhecimento b. Integração entre Educação Infantil e Ensino Fundamen-
construído na RME, a partir das formações. tal
c. Trabalhos com Projetos
Essa organização dos processos estará também pautada por d. Ciclos de aprendizagem
premissas definidas nos Grupos de Trabalho do Seminário Interno. e. Autoria
Destacam-se alguns pontos: f. Interdisciplinaridade
a. Abordagem participativa e investigativa: formação não g. Regência Compartilhada
deve se restringir ao oferecimento de cursos por instituições par- h. Educação Integral
ceiras, sendo a maior demanda a formação da Rede pela própria i. Educação em Direitos Humanos e desmembramentos como
Rede, por meio do estabelecimento de dinâmicas de reconheci- igualdade étnico-racial e educação especial
mento, problematização e compartilhamento das práticas. j. Avaliação institucional de acompanhamento da aprendiza-
b. Relação teoria e prática: devem ser contempladas en- gem e as diferentes formas de registro
k. Tecnologias para a aprendizagem
quanto campos essencialmente diferentes que ganham sentido
quando articulados. Para a implantação do Programa Mais Edu-
A perspectiva investigativa é uma premissa da formação
cação São Paulo, os Grupos de Trabalho apontam a necessidade de educadores que deve ser estabelecida e foi tema de debate
da teoria para iluminação da prática e para construção coletiva de recorrente no Seminário Interno Mais Educação São Paulo.
conhecimento. Segundo a Professora Selma Rocha, em sua fala de síntese,
c. Multiplicidade dos espaços formativos: fortalecimento existe um entendimento corrente que não é adequado à visão de
dos horários coletivos e reuniões pedagógicas como espaços de educação que se pretende concretizar: o entendimento de que cabe
formação; reconhecimento da Unidade Educacional como lócus à universidade pesquisar e à escola reproduzir. Na realidade, cabe
privilegiado da formação; atividades formativas que proporcio- à universidade pesquisar e à escola investigar. O pesquisador uni-
nem maior integração entre Unidades Educacionais, DREs e SME. versitário trabalha com a formulação teórica sobre a prática, en-
d. Diversidade de formatos: cursos, seminários, fóruns, co- quanto os educadores, na escola, investigam para agir: não se pode
munidades de práticas etc.; presenciais e a distância. subtrair da escola o caráter de investigação e de criação cultural.
e. Unicidade considerando a diversidade: promoção de ati- Para que a escola construa conhecimento é necessário que consiga
vidades formativas sobre temas gerais, especialmente os princípios realizar mediações com o que educandos e educadores pensam,
e concepções do Programa Mais Educação São Paulo, que contem- sentem, além das demandas expressadas por meio da fala. Ou seja,
plem educadores de diversas etapas, modalidades e regiões. além do espaço democrático da escuta, é preciso observar, analisar
f. Valorização das especificidades: promoção de atividades for- o educando para tomar as decisões pedagógicas. Portanto, há uma
mativas que reconheçam as especificidades das etapas e modalida- combinação de estratégias que é fundamental:
a. Investigação cognitiva: mediação pedagógica a partir do
des da Educação Básica, assim como questões regionais, aprofun-
princípio dialógico;
dando em tópicos e promovendo a valorização, com equidade, dos
b. Relação entre currículo e território – não apenas o terri-
diversos profissionais da RME. tório social, mas o território interno dos educandos: escolha dos
g. Construção de conhecimento e da memória: é necessário temas tendo em consideração a produção científica da humanidade
estabelecer dinâmicas de registro das diversas atividades forma- e o que se percebe ser a necessidade dos educandos.
tivas realizadas, de modo que o acúmulo do conhecimento cons- Nessa perspectiva investigativa, a formação de educadores
truído esteja acessível, como legado, às novas gerações de profis- deve considerar a ampliação de repertórios para que os professores
sionais. possam, de fato, dialogar com as perguntas trazidas por crianças,
h. Uso das tecnologias de informação e comunicação: para jovens e adultos. Por exemplo, um professor de Educação Infantil
organizar as iniciativas e a comunicação entre os diversos atores não precisa dominar os detalhes de conteúdo de História e Geogra-
da Rede, democratizar o acesso ao conhecimento e sistematizar os fia, mas deve estar preparado para lidar com as questões de tempo
conteúdos produzidos coletivamente. e espaço trazidas pelas crianças.

Didatismo e Conhecimento 76
CONHECIMENTOS GERAIS
O estabelecimento de um Sistema de Formação, que gerencie • Discutir concepções fundamentais: currículo, papel da Uni-
o conhecimento na RME e favoreça a construção compartilhada de dade Educacional, quem é o educador, quem são os profissionais
práticas pedagógicas, a investigação e a organização da memória, (Diretor, Coordenador Pedagógico, Professor, AVE, Supervisor);
é fundamental para que a Rede avance no sentido de seu propósito • Pautar o conceito de educação integral na formulação curri-
maior: a melhoria da aprendizagem dos educandos. cular, em formações sobre a organização estrutural (tempo, espa-
ço, recursos humanos, acessibilidade);
Princípios elencados pelos Grupos de Trabalho • Oferecer formação focada aos professores que trabalham
• Formação humanizadora e política; com projetos;
• Educador como pesquisador: realidade local e questões uni- • Pautar as Diretrizes Curriculares Nacionais como conteúdo
versais; de formação;
• Formação como valorização do profissional; • Formar os profissionais que trabalham na Unidade Educa-
• Metodologia dialógica e problematizadora; cional sobre a concepção de Cidade Educadora e sobre o papel da
• Unidade Educacional como lócus privilegiado de formação; educação nas Unidades Educacionais neste contexto;
• Organização do trabalho partindo do princípio da pesquisa • Oferecer formação para o educador da EJA pensando nas di-
em todos os níveis;
ferentes formas de atendimento – MOVA, CIEJA, EJA Modular,
• Formação continuada de todos os profissionais da educação,
EJA Noturno, CMCT;
contemplando o maior número possível de formatos disponíveis
• Demandar da UAB cursos de formação em temas como edu-
(presencial, a distância, encontros locais, encontros regionais, en-
contros municipais, horários coletivos etc.); cação integral (cursos de extensão e especialização), educação es-
• Democratização do acesso às atividades formativas; pecial e educomunicação (UFMG / USP).
• Formação voltada para estudos, mas com foco nas práticas,
no fazer coletivo; Participantes do Seminário Interno
• Integração das formações respeitando especificidades; Mais Educação São Paulo
• São temas transversais para a formação de educadores de to- Ordem alfabética
das as etapas e modalidades da Educação Básica: inclusão, convi- Adriana Jesus de Souza
vência, cultura, ética, valores, cidadania, participação, democracia, Adriana Sapede Rodrigues
protagonismo. Esses temas devem nortear as práticas cotidianas; Alessandra Perossi Brito
• É importante que o formador conheça a Rede; Alexandre da Silva Cordeiro
• Todos os momentos de diálogo coletivo dentro das Unidades Alfredina Nery
Educacionais são momentos de formação. Alípio Casali
Ana Angélica Markic
Práticas elencadas pelos Grupos de Trabalho Ana Claudia de Paula Correia
• Propor formações destinadas a públicos diversos, com ativi- Ana Karla Chaves Muner
dades comuns a educadores de diferentes etapas e modalidades da Ana Marcia Ferreira Gianezi
Educação Básica, de diferentes regiões da cidade; André Luiz Bafume
• Promover formatos diversificados de formação: seminários, André Marchesini Gabrielli
cursos, fóruns, encontros entre Unidades Educacionais, congres- Anna Cecília Koebcke de Magalhaes Couto
sos, grupos de trabalho; Simões
• Atender a todos os segmentos e às demandas formativas das Antonio Rodrigues da Silva
unidades a partir da escuta de suas necessidades; Bernadete de Araujo Carney
• Oferecer atividades formativas a todos os setores das DREs;
Bernardete de Lourdes Alvares Marcelino
• Oferecer formações que ocorram em unidades específicas ou
Camila Cristina Lopes
em escolas polos;
Carlos Alberto Mendes de Lima
• Estabelecer comunidades de práticas sobre os projetos -
Cesar Augusto do Nascimento
ação-reflexão-ação - integradas DRE e SME;
• Promover formações conjuntas SME, DRE e UE; Cesar Callegari
• Estabelecer prática de registros do que ocorre em cada seg- Clara Cecchini do Prado
mento para subsidiar a discussão; Claudete Vieira da Silva
• Promover atividades formativas itinerantes: circulação das Claudia Cecilia da Silva
equipes de formação pelas unidades e dos educadores por outros Claudia Regina Dias Branco
lugares, contemplando a ação pedagógica e envolvendo os gesto- Claudia Vendramel Ferreira Francisco
res; Conceição Letícia Pizzo Santos
• Realizar vivências culturais para ampliar a formação; Cristhiane de Souza
• Produzir novos materiais de apoio que contribuam com a im- Cristiane Santana Silva
plantação do Programa Mais Educação São Paulo; Cristina Benedicte Fernandes
• Realizar formações por fórum e videoconferências – com Daisy Vieira de Moraes
boa plataforma; Dalva Alves Santana
• Dar continuidade às ações conjuntas iniciadas, como por Daniel Fabri Bagatini
exemplo, Seminários para o Ciclo de Alfabetização, Congresso da Daniela da Costa Neves
Zona Leste, Semana de Alfabetização MOVA-EJA, Seminários de Denise Regina da Costa Aguiar
Avaliação e Qualidade na Educação Infantil; Ebelsione Pereira de Oliveira Pinto

Didatismo e Conhecimento 77
CONHECIMENTOS GERAIS
Edna de Fátima Santos Giannini Marilu Santos Cardoso
Edson Azevedo Barboza Marisa Alves Irie Maresca
Eliana Barbosa Marchesini Marisa Aparecida Romeiro Noronha
Eliana Pereira Marisa Leite da Fonseca Mendes Vaz
Elio Araujo da Silva Matilde Conceição Lescano Scandola Mônica Appezzato Pi-
Elza de Lima Ferrari nazza
Ester Marques de Paula Dionisio Monica Bueno de Oliveira
Eunice Sousa do Nascimento Mônica Carvalho Tang
Fátima Bonifácio Mônica Leone Garcia
Fátima Aparecida Antonio Natália Andreoli Monteiro
Fernanda Borsatto Cardoso Nilza Isaac de Macedo
Fernando Gonsales Patricia da Silva
Fernando José de Almeida Paulo Américo da Costa Junior
Helenilda Trindade Damasceno Pedro Luiz Ferreira
Hugo Luiz Menezes Montenegro Humberto Luis de Jesus Rafael Ferreira Silva
Ione Aparecida Cardoso Oliveira Renata Alencar Lopes Garcia
Iracema Barreto Sogari Renata Gloria Cunha
Jane Reolo da Silva Roberta Cristina Torres da Silva
Jarbas Mazzariello Roberto Antonio Maciel Rosamaria Cris Silvestre
Jeanny Moreira Szram Rosângela de Aguiar Lopes
Joane Vilela Pinto Rosangela de Almeida Costa
José Ivanildo Ferreira Santos Rosangela Gurgel Rodrigues
José Mario de Oliveira Britto Rosangela Nezeiro da Fonseca Jacob Rosania Maria da Silva
José Sérgio Fonseca de Carvalho Roseli Aparecida de Oliveira Pereira
Josefa Estela Titton Garcia Selma Rocha
Kátia Cristina Lima Santana
Silvana Moura Riguengo
Katia Gonçalves Mori
Silvia Katuyo Omae dos Santos
Keit Cristina Anteguera Lira
Silvia Maria da Silva
Kenya Paula Gonsalves da Silva
Simone Aparecida Preciozo
Leila de Cassia José Mendes da Silva
Sonia Larrubia Valverde
Leny Angela Zolli Juliani
Suelem Lima Benicio
Lívia Maria Antongiovanni
Sueli de Lima
Lourdes de Fátima Paschoaletto Possani
Suzandayse Cesarino Lovotrico
Luciene Cecilia Barbosa
Luiz Fernando Franco Terezinha Aparecida Sebestyian Rocha
Madalena de Souza Silva Valter de Almeida Costa
Magaly Ivanov Vera Helena Roveri Rodrigues
Manoel Romão de Souza Vera Maria de Souza
Mara Lucia da Silva Ribeiro Vera Tomasulo Bruno
Marcela Cristina Evaristo Viviane de La Nuez
Marcelo Alves Nishikata
Marcia Cordeiro Moreira Notas Técnicas sobre o Documento de Referência do Progra-
Márcia Martins Castaldo ma de Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação e
Marcos Antonio Goncalves Gabriel Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo - Pro-
Marcos Manoel dos Santos grama Mais Educação São Paulo (Publicadas originalmente no
Maria Aparecida Pantoni Luchiari Maria Áurea de Alvarenga Documento de Referência do Programa Mais Educação São Paulo
Labella – disponível na íntegra em: http://maiseducacaosaopaulo.prefeitu-
Maria Cecilia Carlini Macedo Vaz ra.sp.gov.br/documentos/)
Maria Clara di Pierro
Maria Cristina Boaski Fontes Considerando:
Maria da Graça Moreira da Silva • As dúvidas e sugestões a respeito da Educação Básica rece-
Maria de Fátima Lordelo Lopes bidas no decorrer da Consulta Pública do Programa Mais Educa-
Maria Emilia de Lima ção São Paulo – Programa de Reorganização Curricular e Admi-
Maria Filomena de Freitas Silva nistrativa,
Maria Helena Soares de Souza Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino
Maria Khadiga Saleh de São Paulo, encaminhadas por Unidades Educacionais da Rede
Maria Lucia Lopes do Prado Municipal de Ensino (RME), famílias, Organizações não Gover-
Maria Machado Malta Campos namentais (ONGs), Sindicatos e Universidades, por meio do site
Marilda Aparecida Bellintani Jamelli Mais Educação São Paulo.

Didatismo e Conhecimento 78
CONHECIMENTOS GERAIS
• As dúvidas e sugestões consolidadas em documentos elabo- os doze anos de idade. Assim, a Secretaria Municipal de Educa-
rados por entidades organizadas e as surgidas nas reuniões, audiên- ção terá ações de formação integradas envolvendo os educadores
cias públicas e plenárias realizadas em diversas regiões e espaços das duas modalidades (Educação Infantil e Ensino Fundamental),
da cidade. ressaltando-se a importância de que no Ciclo da Alfabetização a
• As discussões sobre Educação Básica realizadas pelas Equi- brincadeira, a ludicidade, a expressão corporal e a imaginação se-
pes das Diretorias Regionais de Educação (DRE). jam elementos integrantes do currículo.
• Os estudos, pesquisas e encontros formativos realizados pela
Diretoria de Orientação Técnica da Secretaria Municipal de Edu- Avaliação na Educação Infantil
cação (SME). Outro aspecto bastante abordado no decorrer da Consulta Pú-
• A análise dos relatórios realizados por meio de visitas às Uni- blica refere-se às questões relacionadas à avaliação na Educação
dades Educacionais e encontros formativos realizados pelas Dire- Infantil.
torias Regionais de Educação (DREs) da Cidade. A avaliação na Educação Infantil está em sintonia com a prá-
• O acúmulo histórico de conhecimentos e as experiências de tica cotidiana vivenciada pelas crianças e o planejamento do(a)
reflexão e ação dos educadores da Rede Municipal de Ensino de educador(a), constituindo-se em um elo significativo. Para isso
São Paulo. é imprescindível que o(a) educador(a) tenha uma reflexão perma-
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo publica as nente sobre as ações e pensamentos das crianças, realizando uma
Notas Técnicas que justificam as alterações realizadas em razão análise sistêmica contínua de suas observações. Desta forma, a
do processo de Consulta Pública do Programa Mais Educação São avaliação servirá para que o(a) educador(a) possa rever seu plane-
Paulo – Programa Reorganização Curricular e Administrativa, jamento com base nos interesses e necessidades das crianças, com
Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São vistas a ajudá-las a refletirem sobre os movimentos de construção
Paulo. de seu conhecimento, sobre si e do mundo.
Essas alterações constam na versão final do documento de re- A avaliação na Educação Infantil acontece nos âmbitos da
ferência do Programa Mais Educação São Paulo. aprendizagem e do Projeto Político-Pedagógico da Unidade Edu-
cacional, entendida como avaliação institucional.
Nota Técnica nº 1 – Programa Mais Educação São Paulo No âmbito da aprendizagem, desde agosto de 1992 quando
Educação Infantil 1 da aprovação do Regimento Comum das Escolas Municipais de
CURRÍCULO INTEGRADO PARA A PRIMEIRA INFÂN- São Paulo, a avaliação da aprendizagem na Educação Infantil é
CIA; ARTICULAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL COM O efetivada através de relatórios descritivos individuais que têm por
ENSINO FUNDAMENTAL; AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO objetivo descrever as atividades das crianças, sem, contudo, clas-
INFANTIL sificá-las nem tão pouco servir de critérios para retê-las no prosse-
Currículo Integrado para a Primeira Infância e Articulação da guimento de sua vida escolar.
Educação Infantil com o Ensino Fundamental Com o passar dos anos a Rede Municipal de Ensino tem apri-
A Educação Infantil paulistana tem como um dos desafios su- morado esses relatórios e introduzido o conceito de documentação
perar a divisão entre as faixas etárias de zero a três anos e de quatro pedagógica, entendida como instrumentos que auxiliam o profes-
a cinco anos e onze meses, garantindo o atendimento à criança sor a historicizar o processo vivido no dia a dia pelas crianças no
com base na pedagogia da infância, que busque articular as ex- percurso de suas aprendizagens.
periências e os saberes das crianças com os conhecimentos que Os instrumentos utilizados nessa avaliação passam por dife-
fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico rentes formas de registro: relatórios descritivos, portfólios indi-
e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral viduais e do grupo, fotos, filmagens, as próprias produções das
das crianças. crianças (desenhos, esculturas, maquetes, entre outras). Ressalta-
É importante que uma proposta político-pedagógica -se que a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo se afasta
integradora para a primeira infância seja efetivada por meio de de toda e qualquer forma de avaliação na Educação Infantil que
um currículo que considere as crianças de zero a cinco anos e onze compare ou meça o desenvolvimento e a aprendizagem das crian-
meses, independente de serem atendidas em Unidades Educacio- ças com finalidades classificatórias e segregacionistas.
nais distintas, com o compromisso de garantir às crianças o direito No âmbito da avaliação institucional, as unidades de Educa-
de viver situações acolhedoras, seguras, agradáveis, desafiadoras, ção Infantil realizam anualmente a auto avaliação em que são ana-
que lhes possibilitem apropriar-se de diferentes linguagens e sabe- lisados aspectos pautados nas ações cotidianas das unidades com
res que circulam na sociedade. base na rotina das crianças e dos(as) educadores(as), bem como
Os conhecimentos hoje disponíveis sobre a Educação Infantil na infraestrutura organizacional das unidades. É importante que a
e as experiências desenvolvidas pelos profissionais da Rede Muni- concepção de avaliação se amplie, oportunizando o envolvimen-
cipal de Ensino darão base a uma nova proposta curricular para a to das famílias e a avaliação de toda estrutura do Projeto Político
Educação Infantil, atualizando orientações vigentes e trazendo no- Pedagógico, organização e funcionamento das Unidades Educa-
vos elementos capazes de bem orientar o trabalho com as crianças cionais.
nas diferentes etapas de seu desenvolvimento. Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Educação está co-
Outro desafio a ser enfrentado diz respeito à articulação da locando a avaliação como um ponto de pauta nas formações de
Educação Infantil com o Ensino Fundamental, em que se consi- educadores, em especial com a organização de Seminários Regio-
dere que a Infância não se encerra aos cinco anos e onze meses de nais que discutirão o tema “Qualidade e Avaliação na Educação
idade, quando a criança deixa a Educação Infantil, mas ela se es- Infantil”. Tais seminários incentivarão as Unidades Educacionais
tende, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, até a utilizarem os Indicadores de Qualidade para a Educação Infantil,

Didatismo e Conhecimento 79
CONHECIMENTOS GERAIS
publicados pelo Ministério da Educação em 2009, como um ins- mínio das competências de base visadas pelo conjunto do curso.
trumento de autoavaliação. Os seminários servirão também como Portanto, um ciclo está diretamente relacionado aos direitos e ob-
disparadores para a construção conjunta de Indicadores de Quali- jetivos de aprendizagem definidos por um currículo e dispostos no
dade que ajudarão a avaliar as práticas desenvolvidas na Educação respectivo Projeto Político-Pedagógico.
Infantil da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, com o intui- Nessa perspectiva, a organização em ciclos de aprendizagem
to de subsidiar decisões e encaminhamentos, tanto na rede direta, permite a construção/apropriação do conhecimento em períodos
quanto na indireta e na conveniada particular. Tais Indicadores em que a singularidade dos estudantes seja respeitada em seus rit-
possibilitarão que as Unidades Educacionais e a Secretaria Mu- mos e considere sua condição social, cognitiva e afetiva. Também
nicipal de Educação redirecionem trajetórias, subsidiem decisões fortalece concepções de Educação no que tange à garantia dos di-
e formulem políticas e planos com vistas à melhoria da qualidade reitos e objetivos de aprendizagem de maneira a assegurar a for-
do atendimento dado às crianças na Educação Infantil da Cidade mação básica comum e o respeito ao desenvolvimento de valores
de São Paulo. culturais, étnicos, artísticos, nacionais e regionais.
Sendo assim, no Ensino Fundamental da Rede Municipal de
Nota Técnica nº 2 – Programa Mais Educação São Paulo Ensino de São Paulo, o ciclo de aprendizagem é uma etapa da es-
Educação Infantil 2 colaridade, organizado em três anos, no qual os alunos percorrem
CENTRO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL - CE- juntos um Projeto Político-Pedagógico definido, direitos e obje-
MEI tivos de aprendizagem claramente anunciados e gestão e imple-
A criação de novos Centros Municipais de Educação Infantil mentação compartilhada por vários profissionais. A avaliação é
(CEMEI) baseia-se na perspectiva da Lei de Diretrizes e Bases da formativa, permitindo comandar as aprendizagens e os percursos
Educação Nacional que estabelece a Educação Infantil como “pri- de formação de modo que todos os alunos atinjam os objetivos ao
meira etapa da Educação Básica”, oferecida em espaços institucio- final de cada ciclo. Os conhecimentos e as competências de dife-
nais não domésticos que cuidam e educam crianças de zero a cinco rentes saberes podem ser introduzidos, ampliados e consolidados
anos de idade no período diurno, em jornada integral ou parcial. dentro da especificidade de cada ciclo proposto, com o objetivo
Nessa perspectiva, o CEMEI se constitui em uma das formas de assegurar a aprendizagem de conceitos e formas de lidar com
de atendimento na Educação Infantil, oferecida em unidades que o conhecimento em diferentes áreas e de diversas formas de sis-
atendem crianças de zero a cinco anos e onze meses em um mesmo tematização.
prédio. Assim como nos Centros de Educação Infantil (CEI) e nas Cada comunidade escolar organizará as ações pedagógicas
Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEI), os CEMEI são avaliativas, como parte do processo ensino e aprendizagem, visan-
do a contribuir com os estudantes e seus responsáveis na tomada
caracterizados por uma Proposta Político-Pedagógica Integradora
de consciência de seus avanços e necessidades, e visando ao redi-
para a Primeira Infância.
mensionamento das ações didáticas para o alcance dos direitos e
Atualmente, existe um CEMEI em funcionamento na Dire-
objetivos de aprendizagem.
toria Regional de Educação de Campo Limpo. Paulatinamente
Considera-se a organização em ciclos a estrutura mais apro-
serão construídos novos CEMEIs na Cidade. Contudo, não have-
priada do ponto de vista da luta contra o fracasso escolar, e tam-
rá transformação ou fusão das Unidades de Educação Infantil já
bém a mais exigente. Requer uma estrutura curricular que favoreça
existentes. a continuidade, a interdisciplinaridade e a progressão, princípios
Para que os novos prédios atendam adequadamente as crian- fundamentais para uma educação de qualidade. Implica em ação e
ças neles matriculadas, a Secretaria Municipal de Educação esta- responsabilidade coletiva.
beleceu parceria com representantes da Secretaria do Desenvolvi- Contudo, a responsabilidade coletiva não se limita à obriga-
mento Urbano, discutindo as questões arquitetônicas desse novo ção “de resultados” de final de percurso. Ela é exercida no coti-
equipamento. A SME também estabeleceu, junto a representantes diano por meio do conjunto de decisões tomadas pela equipe es-
das Diretorias Regionais de Educação, um grupo de trabalho para colar, das ações que ela empreende, dos meios que mobiliza ao
discussão e encaminhamentos sobre a Proposta Político-Pedagógi- longo da duração do ciclo para oferecer a seus alunos condições
ca Integradora para Primeira Infância. de aprendizagem ótimas e de garantia de seus direitos. Portanto,
a possibilidade de retenção no interior do Ciclo Autoral (7º e 8º
Nota Técnica nº 3 – Programa Mais Educação São Paulo anos), além da possibilidade de retenção ao final dos três Ciclos,
Ensino Fundamental – Ciclos de Aprendizagem em nada contradiz o conceito de Ciclo, pois está associada a múlti-
CONCEITO DE CICLOS DE APRENDIZAGEM E A plas estratégias de acompanhamento pedagógico complementar e
REORGANIZAÇÃO DOS CICLOS DO ENSINO FUNDAMEN- inserida no contexto da avaliação para a aprendizagem.
TAL DE 9 (NOVE) ANOS Para trabalhar em ciclos, os professores e a equipe escolar en-
Conforme dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na- volvida deverão permanentemente colocar em questão a reinven-
cional, nº 9.394/96, é facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ção de suas práticas pedagógicas e ter em vista a organização do
Ensino Fundamental em ciclos. Assim, o Ensino Fundamental da trabalho dentro de cada escola de forma integrada e participativa.
Rede Municipal de Ensino de São Paulo terá duração de 9 (nove)
anos e estará organizado em 3 (três) ciclos de 3 (três) anos cada, Nota Técnica nº 4 – Programa Mais Educação São Paulo
denominados: Ciclo de Alfabetização, Ciclo Interdisciplinar e Ci- Alfabetização
clo Autoral. CICLOS, CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO E CICLO DE
Conceituando, um ciclo de aprendizagem é definido, em pri- ALFABETIZAÇÃO; DIREITOS E OBJETIVOS DE APRENDI-
meiro lugar, pelas aprendizagens a que visa, como uma etapa da ZAGEM E PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA
escolaridade associada a conteúdos de ensino e a níveis de do- IDADE CERTA - PNAIC

Didatismo e Conhecimento 80
CONHECIMENTOS GERAIS
O Programa Mais Educação São Paulo propõe para a Rede Metodológicos para a Definição dos Direitos de Aprendizagem e
Municipal de Ensino de São Paulo uma nova configuração para Desenvolvimento do Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º Anos) do
o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos em 3 (três) ciclos de 3 Ensino Fundamental, que aborda o contexto atual do movimento
(três) anos: Ciclo de Alfabetização, Ciclo Interdisciplinar e Ciclo curricular do Ensino Fundamental e do conceito de aprendizagem
Autoral. A organização em ciclos está garantida pelo que dispõe o como um direito humano, e portanto, a alfabetização como um
§ 1º do artigo 32 da Lei nº 9.394/96: “É facultado aos sistemas de direito social. Garantir esse direito significa proporcionar a todas
ensino desdobrar o Ensino Fundamental em ciclos”. as crianças condições para expressarem suas escolhas e exercerem
Ciclo de aprendizagem é uma organização dos tempos e es- sua cidadania, em qualquer situação social. Faz-se necessário, por-
paços e das interações entre os diferentes sujeitos e objetos do co- tanto, construir, no cotidiano do sistema educacional, condições
nhecimento. Tal organização está relacionada com a necessidade que permitam a plena concretização desse direito.
de se pensar uma nova concepção de currículo sócio histórico e Uma das ações que foram implementadas e que viabiliza essas
cultural com maior integração e articulação entre os anos do Ensi- condições foi a adesão do Município de São Paulo ao Pacto Na-
no Fundamental. Nesse sentido o ciclo tem a função de constituir
cional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), que propicia a
progressões em etapas plurianuais.
formação continuada, presencial, para todos os professores alfabe-
O Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º anos), consubstancia-se
tizadores (1º, 2º e 3º anos), incentivo aos professores participantes,
na aprendizagem das crianças de 6 a 8 anos. A meta é alfabetizá-
distribuição de recursos materiais do MEC – livros didáticos, acer-
-las considerando suas potencialidades, seus diferentes modos de
aprender e seus diversos ritmos como processos intersubjetivos vos literários, biblioteca do professor e jogos pedagógicos.
sócio históricos e culturais. Constitui-se como um período com No PNAIC, quatro princípios centrais são considerados ao
inúmeras possibilidades para que toda criança em processo de al- longo do desenvolvimento do trabalho pedagógico:
fabetização possa construir conhecimentos diversificados e multi- 1. A exigência de um ensino sistemático e problematizador
facetados de forma contínua e progressiva ao longo dos três anos. do Sistema de Escrita Alfabética.
Nesse ciclo é importante que as ações pedagógicas conside- 2. O desenvolvimento das capacidades de leitura e de pro-
rem as especificidades das infâncias – das crianças como sujeitos dução de textos durante todo o processo de escolarização, garantin-
produtores de cultura – e contemplem atividades lúdicas, como do acesso a gêneros discursivos de circulação social e a situações
o brincar, o ouvir, contar e ler histórias com/para as crianças de de interação em que as crianças se reconheçam como protagonistas
modo que a cognição e ludicidade caminhem juntas e integradas de suas próprias histórias.
para garantir os espaços de apropriação e produção de conheci- 3. Os conhecimentos oriundos das diferentes áreas podem
mentos. e devem ser apropriados pelas crianças, de modo que elas possam
A concepção de alfabetização considerada na perspectiva do ouvir, falar, ler, escrever sobre temas diversos e agir na sociedade.
letramento supõe que o estudante avance rumo a uma alfabetiza- 4. A ludicidade e o cuidado com as crianças como condi-
ção não somente na aprendizagem do sistema de escrita, mas tam- ções básicas nos processos de ensino e de aprendizagem.
bém nos conhecimentos sobre as práticas, usos e funções da leitura Um dos grandes desafios na implementação do Ciclo da Al-
e da escrita, o que implica o trabalho com todos os componentes fabetização é a exigência de um trabalho focado, conjunto e in-
curriculares e em todo o processo do Ciclo de Alfabetização. Des- tegrado, pautado em meios diferenciados de gestão, coletivos e
sa forma a alfabetização relacionada ao processo do letramento participativos, que envolvam verdadeiramente todos os sujeitos da
envolve vivências culturais mais amplas e exige que professores, comunidade escolar nesse mesmo propósito.
gestores educacionais, Conselho de Escola e comunidade escolar Para a superação dessa necessidade, propõe-se um planeja-
assumam o compromisso e a responsabilidade de garantir que TO- mento para os três anos, para cada ano e para os componentes cur-
DOS e CADA UM dos estudantes, de fato, se beneficiem do direi- riculares, elaborado coletivamente pelos professores do Ciclo de
to de estar alfabetizado. Alfabetização, visando a atender a cada criança em seu processo
O plano curricular no Ciclo de Alfabetização aponta para a
de aprendizagem. Essa forma de planejamento cria oportunida-
necessidade de planejar a organização do tempo sem fragmentar
des diferenciadas para cada criança, o que pode representar um
os conhecimentos oriundos dos diferentes componentes curricu-
ganho significativo na direção da formação de todos, sem excluir
lares. Os conhecimentos devem, portanto, ser tratados de modo
ninguém, e na garantia da construção dos direitos e objetivos de
articulado, retomados e aprofundados de um ano para o outro.
Para isso o planejamento deve estar fundamentado nos direitos de aprendizagem por todas as crianças no ciclo.
aprendizagem, que expõem como tratar a progressão de conheci- De modo a favorecer as condições para a plena concretização
mento e capacidade durante o Ciclo de Alfabetização. Um deter- do Ciclo de Alfabetização há que se pensar em mudanças estrutu-
minado conhecimento e capacidade pode ser introduzido em um rais no funcionamento da instituição escolar. Nesse sentido sugere-
ano e aprofundado em anos seguintes. Vale observar que, para o -se:
final do 1º ano do Ciclo de Alfabetização, as crianças devem ter 1. A organização das turmas de alfabetização em um mes-
se apropriado do sistema de escrita alfabética e conseguir ler e mo turno de funcionamento da escola.
escrever palavras, frases e textos, ainda que apresentem dificulda- 2. Atribuição de aulas no Ciclo de Alfabetização, priorita-
des. No 2º ano, deve ser garantido o progresso dos conteúdos e das riamente, aos professores vinculados à formação do PNAIC.
aprendizagens e, ao final do Ciclo, a alfabetização, de forma que 3. Participação de todos os professores do Ciclo de Alfabe-
sejam capazes de ler e produzir textos de diferentes gêneros com tização em horário coletivo.
autonomia. Os princípios dos direitos e objetivos de aprendizagem 4. Formação permanente para gestores e professores em ho-
encontram-se expressos no documento Elementos Conceituais e rários coletivos, reuniões pedagógicas, Conselhos de Escola, etc.

Didatismo e Conhecimento 81
CONHECIMENTOS GERAIS
Nota Técnica nº 5 – Programa Mais Educação São Paulo Trabalhar interdisciplinarmente confere autonomia e mobili-
Interdisciplinaridade dade ao currículo, ao organizá-lo em torno de um objetivo comum,
CONCEITO DE INTERDISCIPLINARIDADE E O CICLO compartilhado entre os professores, visando a propiciar a apren-
INTERDISCIPLINAR dizagem por meio de esforços coletivos que vão se constituindo
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira abre cami- durante o percurso.
nhos para além do compartilhamento das disciplinas. Não obriga, A elaboração de uma proposta pedagógica baseada no envol-
nem garante, mas facilita as práticas inovadoras dos educadores vimento em projetos socioeducativos requer reflexão, pois é práti-
mais preocupados com o alto nível de deslocamento entre os cur- ca que pede e sugere a teoria e é o repertório teórico que orienta e
rículos e a realidade dos alunos, os problemas do país, do mundo provoca a ação, a prática.
e da própria existência. A prática curricular interdisciplinar não é tarefa fácil, pois exi-
A reorientação curricular proposta para a Rede Municipal de ge participação e compromisso com um projeto comum, baseado
Ensino de São Paulo está estruturada pelos princípios pedagógicos na investigação, nos esforços de superação da fragmentação do
da interdisciplinaridade, que proporciona uma influência mútua
saber.
entre componentes curriculares e facilita o desenvolvimento dos
conteúdos por arranjos curriculares entre duas ou mais discipli-
Nota Técnica nº 6 – Programa Mais Educação São Paulo
nas, de forma a provocarem uma integração mútua, tomando como
base sistemas globais e não compartimentados, como nas discipli- Autoria
nas. A interação pode ocorrer pelo método, pelo procedimento e CONCEITO DE AUTORIA E O CICLO AUTORAL
pela organização do ensino. O Ciclo Autoral abrange do 7º ao 9º ano do Ensino Funda-
O Programa Mais Educação São Paulo propõe para a Rede mental. Esse ciclo se caracteriza pela construção de conhecimento
Municipal de Ensino de São Paulo uma nova configuração para o a partir de projetos curriculares comprometidos com a intervenção
Ensino Fundamental de 9 (nove) anos em 3 (três) ciclos de 3 (três) social e se concretiza com o Trabalho Colaborativo de Autoria –
anos: Ciclo de Alfabetização, Ciclo Interdisciplinar e Ciclo Auto- T.C.A. – elaborado pelo aluno e acompanhado sistematicamente
ral. O ciclo referente aos 4º, 5º e 6º anos do Ensino Fundamental, pelo professor orientador de projeto. Alunos e professores se enga-
denominado Ciclo Interdisciplinar, dará continuidade ao processo jarão no processo de elaboração do T.C.A. desde o 7º ano, proces-
de alfabetização/letramento, de modo a ampliar a autonomia nas so que será concluído no 9º ano.
atividades de leitura, de escrita e as habilidades relacionadas à re- Os projetos curriculares visam à participação com autoria e
solução de problemas. Além da Arte, da Educação Física, do es- responsabilidade na vida em sociedade de modo que o aluno, ao
tudo da Língua Estrangeira, das Ciências Humanas e da Natureza, intervir no âmbito das experiências do grupo familiar e escolar,
que estarão presentes com professores especialistas como forma possa tornar mais justas as condições sociais vigentes. A educação,
de contribuir no desenvolvimento dos estudantes para o exercício enquanto constructo humano, é pensada como forma de interven-
da cidadania. ção no mundo.
A interdisciplinaridade pressupõe um trabalho integrado com Será dada ênfase ao desenvolvimento da construção do conhe-
as áreas de conhecimento do currículo, na garantia dos direitos e cimento considerando o manejo apropriado das diferentes lingua-
objetivos de aprendizagem e para que os alunos aprendam a olhar gens, o que implica um processo que envolve a leitura, a escrita,
o mesmo objeto de conhecimento na perspectiva dos diferentes busca de resoluções de problemas, análise crítica e produção. É,
componentes curriculares. portanto, o domínio de diferentes linguagens (lógicoverbal, lógi-
Importante destacar a inovação posta para o Ciclo Interdis- co-matemática, gráfica, artística, corporal, científica e tecnológica)
ciplinar que apresenta a docência compartilhada, conforme Nota que permitirá a cada aluno, ao final do Ciclo Autoral, a produção
Técnica número 17. Essa docência é composta por um professor do T.C.A. comprometido com a construção de uma vida melhor.
polivalente/professor de Educação Infantil - Ensino Fundamental
A elaboração do T.C.A., concebido como sistematização dos
I e professores especialistas/professores do Ensino Fundamental II
projetos e pesquisas realizados ao longo do Ciclo Autoral e ideali-
para o desenvolvimento de projetos, visando à integração dos sa-
zado como forma de devolutiva à problematização da comunidade
beres docentes e discentes, a partir da reflexão, análise, avaliação
e busca de respostas cada vez mais adequadas às necessidades de local, deve levar em consideração que:
aprendizagem dos estudantes. 1. A formação da identidade só é possível com o outro, de
Ao aluno, neste ciclo, será oferecida a possibilidade de: tal modo que o indivíduo torna-se um ser social, com obrigações
• Consolidação do processo de Alfabetização/Letramento, éticas e morais, em um processo constante de desenvolvimento da
com autonomia para a leitura e escrita, interagindo com diferentes responsabilidade consciente e ativa.
gêneros textuais e literários e comunicando-se com fluência. 2. A permanência no mundo de forma consciente significa
• Vivência de processos individuais e coletivos sobre a cul- saber intervir e não apenas constatar.
tura e o território, com a elaboração de projetos fazendo uso de 3. A participação compreende aprender de forma comparti-
recursos convencionais e das novas tecnologias da informação e lhada, superando a ideia de participação concebida como a soma
da comunicação. de participações individuais.
Ao docente, a interdisciplinaridade implica em uma mudança Assessorados, no 4º e no 5º ano, pelo professor orientador de
de atitude epistemológica e metodológica na prática pedagógica projetos e em conjunto com os demais professores (todos esses
e, em consequência, transforma o processo de ensinar e aprender profissionais também concebidos como autores das ações de in-
entre professor(es) e estudante(s) no contexto escolar, não como tervenção social), os estudantes farão uso de metodologias de pes-
qualquer prática que se pode aplicar, mas como a abertura para quisa a partir de temáticas que, além de subsidiarem a apreensão
uma nova forma de pensar e agir, aventurando-se para conhecer e construção de conhecimentos e a significação de conceitos, pos-
outros componentes curriculares. sibilitarão a compreensão da cidadania como participação social e

Didatismo e Conhecimento 82
CONHECIMENTOS GERAIS
política, o posicionamento de alunos e professores de maneira crí- Aprender fazendo, experimentando, é o modo mais natural,
tica, responsável e construtiva diante das diferentes situações so- significativo e intuitivo de abrir-se ao conhecimento. Isso é mais
ciais. Dessa forma, considerando o diálogo como forma de mediar do que uma estratégia motivacional de aprendizagem. É um modo
conflitos e de tomar decisões coletivas, o T.C.A. comprometido de ver o ser humano que aprende. Ele aprende pela experimenta-
com a intervenção social deve ser fruto de um processo educativo ção ativa do mundo e por sua interpretação crítica.
caracterizado pela formação de cidadãos autônomos, conscientes Os projetos têm sido a forma mais organizativa e viabilizadora
e participativos. de uma nova modalidade de ensino que busca sempre escapar dos
Dessa forma, concebe-se o Ciclo Autoral a partir de uma pro- enquadramentos meramente disciplinares. Criam possibilidades
de ruptura por se colocarem como espaço experimental e crítico,
posta pedagógica que favorece o desenvolvimento humano me-
no qual é possível unir a Matemática à Educação Física, a Arte
diante o exercício da responsabilidade, da solidariedade, da toma-
à História, a Língua Portuguesa à formação e participação numa
da de decisões bem como apropriação e manejo do conhecimento identidade cultural.
culturalmente acumulado com a responsabilidade de transforma- Trabalhar com projetos é uma forma de viabilizar curricular-
ção social, sendo importante considerar a dimensão de continuida- mente, a partir de cuidadoso planejamento conjunto, as atividades,
de do processo de construção de conhecimentos pelos estudantes as ações, a participação do aluno no seu processo de produzir fatos
na perspectiva do Ensino Médio. sociais, de trocar informações, de divulgar, enfim, de construir e
compartilhar conhecimento.
Nota Técnica nº 7 – Programa Mais Educação São Paulo As diferentes fases e atividades que compõem um projeto são
Aprendizagem por Projetos no Ciclo Autoral planejadas pelos professores conjuntamente e permitem aos estu-
ELABORAÇÃO DE PROJETOS; INTERVENÇÃO dantes desenvolverem a consciência sobre o próprio processo de
SOCIAL aprendizagem. E permitem ao professor desenvolver a melhoria de
O Ciclo Autoral, que se refere ao trabalho do 7º ao 9º ano, conhecimento da classe e dos modos de ensinar.
trabalha, de modo prioritário mas não exclusivo, a questão da au- Os passos metodológicos para o desenvolvimento conceitual
de um projeto podem ser:
toria por meio da aprendizagem por projetos. É caracterizado pela
1. O passo inicial está na problematização da realidade.
integrada participação de alunos e professores na construção da Todo projeto nasce de questões significativas. Nasce de questões
aprendizagem e do ensino. São eles parceiros e atores privilegia- corajosas, amplas, éticas, humanizadoras, questões de justiça, de
dos nesta autoria. A marca forte desta fase é o trabalho sistemático criatividade, de democracia, de liberdade. São esperançosas e utó-
com a atividade em forma de projetos curriculares comprometidos picas. Elas povoam o universo de preocupações de alunos e pro-
com a intervenção social. fessores. São questões que tocam a todo o mundo e não só à cidade
Não se trata apenas de elaborar com os alunos um exercício de ou ao país.
sistematização de projetos, como uma mera técnica de aprender. A 2. Busca coletiva do saber que o aluno já traz. É por aí que
construção de um projeto, como atividade pedagógica, no interior a escola entra na vida de significados dos alunos e do saber local.
da reorganização curricular proposta pelo Programa Mais Educa- É a partir deles, o saber do aluno e o saber local, que se articulam
ção São Paulo, deve considerar determinados passos e conceitos os saberes universais com seus significados. O Projeto Político-Pe-
para que haja unidade de propósitos, consistência nas ações, senti- dagógico da escola ganha história quando cada professor descobre,
do comum nos esforços de cada um e resultados de aprendizagem ao vivo, a rede de significados, os conhecimentos, as motivações
dos alunos e da comunidade local.
e cidadania de todo o sistema escolar.
3. A terceira fase de um projeto pode se desmembrar na
pergunta: quem já pensou nisso antes? O que já foi feito, qual a
Elaboração de Projetos história do problema e que soluções foram dadas? Agora entra-se
As questões que a sociedade moderna coloca para a educação na fase da pesquisa. Leituras, entrevistas, pesquisas em ambientes
escolar cobram soluções articuladas e fundamentadas. As chama- tecnológicos, visitas a museus, arquivos, locais de cultura, família,
das “grades” curriculares funcionam frequentemente como verda- bairro, órgãos públicos. É aqui que se definem com os grupos as
deiras prisões da curiosidade, da inventividade, da participação e regras de funcionamento, como prazos, resultados esperados, res-
da vontade de aprender. ponsabilidades, as categorias de avaliação. Com os alunos e a par-
A Lei nº 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Brasilei- tir deles. Tudo feito no início do trabalho, mesmo que ajustes pos-
ra abre caminhos para inovações e ampliação do sentido de Currí- sam acontecer no decurso como forma de organização necessária.
culo Nacional. A Lei estimula práticas inovadoras dos educadores, 4. Quais as soluções e quais os parceiros que podem ajudar?
mais do que nunca preocupados com descolamento entre os currí- Aqui os recursos, as dificuldades, os prazos, os instrumentos são
culos e a realidade dos alunos, os problemas do país, do mundo e levantados, no sentido de viabilizar encaminhamentos. Alianças,
pactos, cobranças, senso de tempo e realidade se levantam entre os
da própria existência.
pesquisadores – e alunos, a escola, os responsáveis e professores
Muitas das atividades curriculares propostas pelas escolas têm
buscam as soluções. As redes sociais neste momento são ricos ins-
sido desenvolvidas por meio de projetos como forma de enfrentar trumentos de pesquisa e mobilização.
as questões postas à educação. Esta é uma forma inovadora de 5. Sínteses, fichamentos, dados, históricos, análises biblio-
romper com as estruturas curriculares compartimentadas em disci- gráficas, pesquisas de opinião, documentação fotográfica, filma-
plinas e de dar um formato mais ágil e participativo ao trabalho de gens, roteiros de teatro, materiais artísticos, articulam-se entre
professores e educadores. É criativo reunir competências e contri- alunos e professores, com os grupos de trabalho para construírem
buições de pessoas e áreas diferentes do conhecimento disciplinar a proposta de intervenção social: momento de apresentação de sín-
para olhar a realidade de vários pontos de vista. tese primeira no caminho da proposta.

Didatismo e Conhecimento 83
CONHECIMENTOS GERAIS
6. Neste momento já se pode ensaiar a primeira apresenta- Nota Técnica nº 8 – Programa Mais Educação São Paulo
ção pública do projeto para a classe para ser submetido ao conjun- Educação de Jovens e Adultos
to dos pesquisadores e projetistas. É momento de verificar incon- ACESSO E PERMANÊNCIA, SEMESTRALIDADE, PER-
sistências, melhorias e receber contribuições externas. É momento FIL DO ESTUDANTE DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADUL-
de avaliação para a aprendizagem. TOS, FORMAÇÃO DE EDUCADORES, CURRÍCULO E AVA-
7. A arte final do trabalho – quase sempre em múltiplas mí- LIAÇÃO, PRONATEC E PLANO DE EXPANSÃO
dias - então é feita para ser publicada. As publicações dos projetos A Secretaria Municipal de Educação (SME) acredita que a
supõem um momento de gala da escola. Sua apresentação pode diversidade de atendimento na modalidade Educação de Jovens e
ser feita nos ambientes amplos da escola que extrapolem a sala de Adultos (EJA), em suas cinco formas, contribuirá para a amplia-
aula, indo ao pátio, às quadras; indo a outros espaços do bairro, ção e qualificação da Educação de Jovens e Adultos nos próximos
como o supermercado, o posto de saúde, a subprefeitura, a escola anos.
de samba, as igrejas entre outros. Há mesmo possibilidade de que Para garantia do acesso, são necessárias a divulgação cons-
os trabalhos de projetos sejam partilhados com outras escolas do tante, a manutenção do cadastro e a reorganização do processo de
bairro, da cidade ou de outro país. É comum. O clima de festa com matrícula ao longo do ano letivo, realizado nas Unidades Educa-
que se encerram tais trabalhos são parte essencial dos resultados, cionais. A matrícula do estudante na Educação de Jovens e Adultos
clima quase sempre presente em trabalhos com significados para deve ocorrer a qualquer tempo do período letivo, mas preferencial-
toda a escola. mente no início de cada semestre, bem como favorecer sua presen-
Neste contexto as tecnologias da informação e comunicação ça na Unidade Educacional de sua escolha.
são ferramentas importantes pois facilitam o acesso a diversas fon- A semestralidade na formação das turmas se apresenta como
tes de informação (as rádios da escola, os jornais do bairro, revis- um facilitador da reinserção e da conclusão dos estudantes da EJA.
tas, blogs de opiniões, exposição de fotos, pesquisas em tabelas e A regularização do fluxo pode ocorrer com maior constância, prin-
gráficos, ilustrações, simulações). Fornecem ainda suporte para o cipalmente permitindo a organização dos tempos e espaços escola-
registro e o compartilhamento dos processos e dos produtos de- res mais apropriados à dinâmica das várias formas de atendimento,
senvolvidos pelos professores e alunos, entre alunos de diferentes uma vez que a EJA Noturno e CIEJA, apresentam condições para
o funcionamento semestral. Em relação à EJA MODULAR, será
escolas e pela comunidade.
mantida a atual forma de organização em módulos, pois este pro-
Projetos devem estar circunscritos a um tempo planejado, dis-
jeto apresenta esta peculiaridade. Os módulos na EJA MODULAR
cutido com os alunos e não muito extenso, com clareza do princí-
configuram-se em blocos de 50 dias letivos, sendo que a disciplina
pio, do meio e fim, para que o aluno não tenha o sentimento de que
de Português compõe um único módulo e os demais módulos são
o projeto não obteve êxito.
compostos por duas disciplinas, com 25 dias letivos para cada uma
delas desenvolver suas atividades.
Intervenção Social
Em relação ao MOVA, pelo fato desta forma de atendimento
O destino dos projetos não é os arquivos das escolas, nem os
trabalhar com a alfabetização dos jovens e/ou adultos, propõe-se a
fundos empoeirados das gavetas. Sua finalidade é tornar-se coisa
manutenção da anualidade. O CMCT terá sua periodicidade man-
pública, interpretação do mundo e possibilidade de participação tida na forma modular.
nele. Para incentivar a permanência destes estudantes, a SME pro-
Há necessidade de atribuir, ao saber por eles produzidos, pers- põe discutir e desenvolver o processo de formação de educadores
pectivas políticas, estéticas, éticas e afetivas. Além disso, os pro- com programas próprios para atender as características da EJA,
jetos devem estar marcados por rigor científico próprio de cada com currículo, procedimentos, material didático e elaboração de
área do conhecimento que foi acionada para lhe dar consistência matrizes de avaliação que qualifiquem e respeitem as especificida-
epistemológica. des desses jovens e adultos que buscam as Unidades Educacionais
Os problemas do mundo são econômicos, políticos, culturais para retomar seus estudos. A permanência do professor no decorrer
e éticos. Mas seu tratamento transcende as políticas imediatas só do ano letivo é fundamental para que a Unidade Educacional orga-
sendo compreendidos por um tratamento humanista, filosófico e nize um trabalho coletivo articulado e gestado no Projeto Político-
transcultural. A diversidade, o respeito às minorias, o tratamento -Pedagógico. Ressalta-se que a atribuição de aulas para os profes-
da liberdade e da justiça são as bases do olhar curricular sobre os sores será anual, como já ocorre.
projetos de intervenção e de autoria coletiva.
O professor que planeja e ensina o aluno a trabalhar em con- Perfil do Estudante da Educação de Jovens e Adultos
junto é também aquele que trabalha com os demais professores na As Unidades Educacionais que atendem a Educação de Jovens
construção de projetos em parcerias com diferentes áreas e com e Adultos necessitam conhecer as especificidades dos estudantes
diferentes agentes sociais. O isolamento das áreas do conhecimen- atendidos nessa modalidade da Educação Básica, para construção
to não favorece o olhar crítico sobre o mundo para dele participar de um programa pedagógico mais adequado, composição de seu
e transformá-lo. Projeto Político-Pedagógico e dos projetos formulados pelas equi-
A perspectiva é que a conclusão do Ciclo Autoral, de alunos e pes escolares.
professores, se consolide em trabalho de apresentação de um pro- Os estudantes que frequentam a EJA vivenciaram e vivenciam
jeto enquanto trabalho de autoria e intervenção social. Esse traba- experiências diversas de acordo com o seu cotidiano, suas relações
lho, denominado Trabalho Colaborativo de Autoria – T.C.A. – é familiares, culturais, sociais e essas experiências devem ser con-
tema da Nota Técnica número 6. sideradas.

Didatismo e Conhecimento 84
CONHECIMENTOS GERAIS
As considerações realizadas a partir da Consulta Pública do Por fim, existe necessidade de formação específica para os
documento Programa Reorganização Curricular e Administrativa, profissionais que atuam nos “Itinerários Formativos” (nos CIE-
Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São JAs) e na “Qualificação Profissional Inicial” (nas EJAs Modula-
Paulo sobre o perfil dos estudantes que compõem a EJA apontam res). Para tanto, será realizada avaliação para a continuidade ou
para a pluralidade do público atendido e dos possíveis conflitos não dos cursos já oferecidos (tais como EJA e mundo do trabalho;
advindos desta pluralidade. informática educativa; inglês instrumental; agente cultural mídia
De modo geral, o adulto matriculado nessa modalidade da rádio) e da criação de novas possibilidades de formação para a
Educação Básica é proveniente de áreas rurais empobrecidas, mi- qualificação profissional.
grante, com uma passagem curta e não sistemática pela escola,
por vezes marcada pelo fracasso escolar e trabalhando em ocupa-
Currículo e avaliação
ções urbanas não qualificadas. Este estudante busca a escola tar-
A partir do desenvolvimento de uma proposta curricular pró-
diamente para alfabetizar-se ou cursar algumas séries do Ensino
Fundamental. Por outro lado, o jovem dos programas de EJA é um pria para EJA, será necessária discussão sobre as questões de ava-
excluído da escola regular, ligado ao mundo urbano, envolvido em liação para a aprendizagem dos jovens e adultos inseridos nas Uni-
atividades de trabalho e lazer mais relacionados a uma socieda- dades Educacionais da Rede Municipal de Ensino (RME).
de letrada e escolarizada. Diferente do adulto, de modo geral este A avaliação é parte integrante do processo de ensino e apren-
estudante está mais adiantado em sua escolaridade, buscando as dizagem, desse modo, indica-se a realização de, no mínimo, 2
etapas finais para concluir o Ensino Fundamental. momentos de avaliação a cada semestre e/ou módulo, no caso da
A Educação de Jovens e Adultos nas Unidades Educacionais EJA Modular, e de momentos de autoavaliação com os estudantes
do Munícipio de São Paulo apresenta a diversidade dos jovens e dessa modalidade de ensino, assim como apresentação de sínteses
dos adultos, em seus interesses, costumes, valores e atitudes. En- avaliativas bimestrais aos estudantes (ou para os responsáveis, no
tende-se que essas diferenças possibilitam uma troca de experiên- caso de estudantes menores de 18 anos), para que estes possam
cias significativa entre essas gerações e contribuem para a forma- acompanhar e dar prosseguimento aos seus estudos.
ção cultural, social e ética desses estudantes. A Secretaria Municipal de Educação (SME) objetiva, ainda,
Contudo, é necessário avançar na construção de propostas desenvolver matrizes de avaliação que qualifiquem o atendimen-
curriculares que contemplem as especificidades e as características to dessa modalidade, respeitando as especificidades dos jovens e
relativas a esses grupos etários. adultos que buscam as nossas Unidades Educacionais para retomar
Destaque-se que muitos são os fatores que aproximam interes- seus estudos.
ses e necessidades dos diversos sujeitos que compõem a Educação
O MEC produziu, através do Instituto Nacional de Estudos e
de Jovens e Adultos, entre eles um objetivo comum: dar continui-
dade ao seu processo de escolarização. Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), matriz de com-
petências e habilidades que estrutura o Encceja (Exame Nacional
Formação dos educadores na Educação de Jovens e Adultos para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).
(EJA) A matriz de competências e habilidades que estrutura o Encce-
A Secretaria Municipal de Educação (SME) propõe a implan- ja considera, simultaneamente, as competências relativas às áreas
tação de um Sistema de Formação de Educadores (Nota Técnica de conhecimento e as que expressam as possibilidades cognitivas
número 15), envolvendo de forma participativa as Divisões de de jovens e adultos para a compreensão e realização de tarefas
Orientação Técnica e Núcleos da SME, as Diretorias Regionais relacionadas com essas áreas (competências do sujeito).
de Educação (DREs), as Equipes Gestora e Docente das Unidades As competências do sujeito são eixos cognitivos, que, asso-
Educacionais que atendem a EJA. Para a Educação de Jovens e ciados às competências apresentadas nas disciplinas e áreas do
Adultos, a formação de educadores considerará as especificidades conhecimento do Ensino Fundamental e Médio, referem-se ao do-
da modalidade, sobretudo as temáticas: perfil do estudante, forma- mínio de linguagens, compreensão de fenômenos, enfrentamento
ção para cidadania e currículo da EJA. e resolução de situaçõesproblema, capacidade de argumentação
Em relação ao currículo, destaca-se a discussão para desen- e elaboração de propostas. Dessas interações resultam, em cada
volvimento de uma proposta curricular própria, considerando as área, habilidades que serão avaliadas por meio de questões obje-
cinco formas de atendimento. tivas (múltipla escolha) e pela produção de um texto (redação).
Assim sendo, a formação visará discutir e implantar uma pro-
Este material será discutido com a Rede Municipal de Ensino
posta curricular que favoreça a articulação das diferentes formas
na busca da construção de um sistema próprio de qualidade da
de atendimento ao estudante, tendo em vista sua permanência e
suas especificidades, por meio de cursos, seminários e fóruns de Educação de Jovens e Adultos.
discussão das propostas.
A Secretaria Municipal de Educação (SME), através da Di- PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Téc-
visão de Orientação Técnica da Educação de Jovens e Adultos, nico e Emprego
pretende desenvolver uma formação inicial e continuada para edu- A Secretaria Municipal de Educação inscreveu-se no Progra-
cadores (coordenadores e monitores) do MOVA-SP, em parceria ma PRONATEC com a finalidade de atender os jovens e adultos
com as DREs e entidades conveniadas do MOVA-SP, qualificando como mais uma oportunidade de aprendizagem e inserção social.
o processo formativo proposto atualmente. Desenvolverá também Trata-se de ampliar as possibilidades de participação social des-
a formação permanente das equipes das DREs responsáveis pelo te grupo de cidadãos, por meio da participação dos estudantes da
acompanhamento da Educação de Jovens e Adultos, propondo Educação de Jovens e Adultos do Município de São Paulo nos
grupos de trabalho para estudos e discussões específicas da EJA cursos ofertados de formação inicial e continuada ou qualificação
Noturno, EJA Modular, CIEJA e CMCT. profissional.

Didatismo e Conhecimento 85
CONHECIMENTOS GERAIS
Esta ação deve contemplar as diretrizes estabelecidas pela estudante. Partindo deste pressuposto, a avaliação para a aprendi-
Secretaria Municipal de Educação no âmbito da modalidade da zagem e o acompanhamento dos estudantes com deficiência, TGD
Educação de Jovens e Adultos, considerando também o perfil dos e altas habilidades/superdotação devem estar direcionados ao seu
estudantes jovens e adultos matriculados nas Unidades Educacio- progresso e avanço, dentro de seu contexto. A avaliação deve ser
nais do Município. contínua, qualitativa, com ênfase no processo de ensino e aprendi-
Ressalta-se ainda que, em relação à qualificação profissional zagem, considerando as diversas formas e os diferentes níveis de
inicial, a Secretaria Municipal de Educação oferece aos jovens e desenvolvimento. É fundamental, quando necessário, a utilização
adultos cursos por meio dos Centros Municipais de Capacitação de estratégias pedagógicas e recursos de acessibilidade ao currí-
e Treinamento (CMCTs) localizados na região de São Miguel. A culo que atendam as necessidades educacionais destes estudantes.
SME está estudando meios de ampliar essa forma de atendimen- De acordo com a Nota Técnica 06/2011- MEC/SEESP/GAB
to. Parcerias com instituições formadoras, como SENAI, SENAC, de 11 de março de 2011:
instituições públicas federais e estaduais de formação profissional A avaliação é parte integrante e inseparável do processo de
estão previstas. ensino e aprendizagem. Desta forma, o projeto Político-Pedagó-
O currículo proposto no Centro Integrado de Educação de Jo- gico de uma escola inclusiva deve conceber a avaliação como um
vens e Adultos (CIEJA) e na EJA Modular apresenta como parte processo contínuo, por meio do qual, as estratégias pedagógicas
integrante os Itinerários Formativos e as Atividades Complemen- são definidas, reorientadas ou aprimoradas, de acordo com as
tares, respectivamente, com objetivo de desenvolver conhecimen- especificidades educacionais dos estudantes. O processo de ava-
tos e habilidades para propiciar condições de inserção do jovem e liação deve ser assim, diversificado, objetivando o aprendizado e
adulto no mundo do trabalho. não a classificação, retenção ou promoção dos estudantes. Cabe à
escola propor estratégias que favoreçam a construção coletiva do
Plano de Expansão conhecimento por todos os envolvidos no processo de ensino e
O Programa de Metas da Prefeitura de São Paulo, em seu aprendizagem.
compromisso com os direitos civis e sociais, apresenta como um A escola, ao longo dos anos, tem avaliado os estudantes que
de seus objetivos a superação da extrema pobreza na cidade de são público alvo da Educação Especial e, apesar de hoje existir a
São Paulo, elevando a renda, promovendo a inclusão e o acesso a possibilidade da reprovação no final dos atuais ciclos, a aprova-
serviços públicos para todos. Em relação a esse objetivo, a meta ção ou reprovação, bem como a atribuição de conceitos, tem sido
7 propõe “ampliar em 20 mil o número de matrículas na EJA e realizada a partir das premissas abordadas acima. Sendo assim,
implantar 3 novos Centros Integrados (CIEJA)”. as mudanças propostas no Programa Reorganização Curricular e
A Secretaria Municipal de Educação é responsável pelo cum- Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal
primento dessa meta. Desse modo, propõe ações que favoreçam de Ensino de São Paulo, não alteram os modos de considerar o
o acesso dos estudantes à Educação de Jovens e Adultos. Desta- indivíduo em suas potencialidades, necessidades e avanços, para
cam-se: a chamada pública, prevista para o início do ano letivo de fins de avaliação. Reconhece-se que a escola possui um saber acu-
2014; a manutenção do cadastro; e a reorganização do processo de mulado sobre o tema.
matrícula, a ser realizado nas Unidades Educacionais. Ressalta-se que a Rede Municipal de Ensino produziu do-
O estudo da demanda se faz necessário na ampliação e no cumentos específicos: RAADI – Referencial sobre Avaliação da
atendimento qualificado do público dessa modalidade, para fa- Aprendizagem na Área da Deficiência Intelectual no Ensino Fun-
vorecer a implantação de novos Centros Integrados (CIEJA) e/ damental I e II. No entanto, todos os estudantes com deficiência,
ou de outras formas de atendimento (EJA Noturno, EJA Modular, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/super-
MOVA, CMCT) onde se observa a necessidade real. dotação, têm direito à avaliação para aprendizagem, com respeito
A ampliação da Educação de Jovens e Adultos está diretamen- à diversidade, inerente à condição humana. O Referencial pode ser
te relacionada à qualidade da educação oferecida. Assim sendo, utilizado como norteador das ações para avaliação, não apenas dos
a Secretaria Municipal de Educação propõe discutir e implantar estudantes com deficiência intelectual, mas também dos que têm
formação aos educadores, organização curricular e avaliação dessa outras deficiências/TGD, respeitadas suas especificidades, sempre
modalidade, respeitando as especificidades do público atendido. que se julgar apropriado e eficiente, podendo a Unidade Educacio-
nal, buscar outros instrumentos que melhor atendam as necessida-
Nota Técnica nº 9 – Programa Mais Educação São Paulo des do aluno e/ou seu Projeto Político-Pedagógico. O RAADI é
Educação Especial 1 um documento com importante valor teórico, sendo que a leitura e
AVALIAÇÃO DOS ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA, problematização dos artigos introdutórios, bem como das orienta-
TRANSTORNO GLOBAL DO DESENVOLVIMENTO (TGD) ções para elaboração de relatórios descritivos podem ser úteis para
E ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO, MATRICULA- auxiliar a documentação do processo avaliativo destes estudantes.
DOS NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO (RME) DE SÃO A avaliação deverá ocorrer dentro de cada Unidade Educa-
PAULO cional, e ser realizada pelos seus profissionais, com a participação
A Secretaria Municipal de Educação reafirma seu compromis- da família, do Supervisor Escolar, podendo contar com o apoio do
so com a efetivação de um sistema educacional inclusivo, em que CEFAI – Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão e
todos podem aprender e construir conhecimento. dos professores regentes da Sala de Apoio e Acompanhamento à
No contexto da Educação Especial, a avaliação para a apren- Inclusão – SAAI.
dizagem deverá considerar o respeito e o direito à diferença, e ser Por fim, estes estudantes devem continuar a receber educação
utilizada para a reorientação das práticas pedagógicas e promoção e ser avaliados considerando o contido na Convenção sobre os Di-
do desenvolvimento, considerando as condições próprias de cada reitos das Pessoas com Deficiência, que reconhece que:

Didatismo e Conhecimento 86
CONHECIMENTOS GERAIS
A deficiência é um conceito em evolução e que a deficiência atividades de recuperação neste ciclo de aprendizagem, contando
resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras com o apoio dos instrutores de LIBRAS e outros profissionais da
atitudinais e ambientais que impedem sua plena e efetiva partici- Unidade Educacional.
pação na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais Nas EMEBS que atendem crianças da Educação Infantil, res-
pessoas. peitando o princípio da autonomia e o Projeto Político-Pedagógico
de cada escola, podem ser desenvolvidas ações e projetos especí-
Nota Técnica nº 10 – Programa Mais Educação São Paulo ficos para o uso e ensino de LIBRAS, contando com o instrutor de
Educação Especial 2 LIBRAS, professor regente de LIBRAS, desde que atendido o En-
ESPECIFICIDADE LINGUÍSTICA DOS ESTUDANTES sino Fundamental, e demais profissionais da Unidade Educacional.
SURDOS E ENSINO DE LIBRAS – LÍNGUA BRASILEIRA DE Desta forma, a Secretaria Municipal de Educação reafirma seu
SINAIS NAS EMEBS – ESCOLAS MUNICIPAIS DE EDUCA- compromisso com a efetivação de um sistema educacional inclu-
ÇÃO BILÍNGUE PARA SURDOS sivo, que busca a qualidade social da educação e a garantia do
A educação de alunos Surdos em Unidades Educacionais da respeito, reconhecimento e valorização das diferenças.
Rede Municipal de Ensino reconhece o direito dos Surdos a uma
educação bilíngue que respeite sua identidade e cultura, na qual a Nota Técnica nº 11 – Programa Mais Educação São Paulo
LIBRAS é a primeira Língua e, portanto, língua de instrução, e a Diversidade, desigualdades e diferenças
Língua Portuguesa é a segunda, sendo objeto de ensino da escola EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS;
na modalidade escrita. EDUCAÇÃO, GÊNERO E SEXUALIDADE
Respeitando a especificidade linguística destes estudantes, Durante a leitura e sistematização das contribuições, foi pos-
entende-se que eles têm o direito de aprender em sua primeira lín- sível perceber que as temáticas da diversidade, das desigualda-
gua e que a LIBRAS anula a deficiência linguística, consequência des e das diferenças estruturavam-se, prioritariamente, sobre os
da surdez, permitindo que as pessoas surdas se constituam como seguintes eixos: Currículo; Formação de Educadores; Educação
cidadãos de direitos. Desta forma, o Programa Reorganização de Jovens e Adultos (EJA); Legislação e Cultura de Violência x
Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Cultura de Paz, de modo a evidenciar que as referidas temáticas
Municipal de Ensino prevê um aumento da carga horária na matriz configuram ponto imprescindível para reflexão num programa de
curricular destinada ao ensino de LIBRAS nas EMEBS, desde os
reorganização curricular.
anos iniciais do Ensino Fundamental.
Muitos estudantes Surdos provenientes de famílias ouvintes
Educação para as Relações Étnico-raciais
chegam a estas Unidades Educacionais em situação de vulnerabi-
Reconhece-se o papel fundamental da educação no que tange
lidade, decorrente da falta de comunicação tanto em LIBRAS, já
à eliminação das discriminações e para a emancipação dos grupos
que esta não circula em seu ambiente familiar e social, quanto em
historicamente discriminados. No entanto, como foi apontado nas
Língua Portuguesa, pois devido à surdez, não têm acesso à moda-
intervenções analisadas, ainda existe uma série de lacunas para
lidade oral, ao contrário de outras crianças.
que as instituições escolares possam cumprir este papel, entre os
Embora a LIBRAS seja a primeira língua e língua de instru-
ção, circulando nas aulas de todos os componentes curriculares quais se destacam a formação inicial de educadores, ainda muito
das EMEBS, constata-se a necessidade de ampliar os momentos incipiente no trato com a diversidade, e a tímida implementação
destinados à sistematização e ensino de LIBRAS, em especial no das leis que pautam a obrigatoriedade da inclusão curricular de
início do Ensino Fundamental. conteúdos referentes à cultura e história de africanos, afro-brasilei-
Por isso, no Ciclo de Alfabetização, haverá ampliação da car- ros e indígenas, fazendo com que se reproduzam no espaço escolar
ga horária, de 3 horas aula semanais, para 5 horas aula semanais preconceitos que, na realidade, deveriam ser desconstruídos. Além
e as escolas passarão a contar com a presença de um professor disso, ainda são recorrentes as críticas a certo conservadorismo
regente para o componente curricular LIBRAS, em docência com- do sistema educacional que privilegia conteúdos quase sempre
partilhada com o professor polivalente, denominado bilíngue, am- alheios ao universo social de seu público, e se mostra pouco sen-
pliando as possibilidades de aquisição da língua. Anteriormente, a sível às necessidades de transformação de uma sociedade tão desi-
presença do professor regente de LIBRAS contemplava apenas o gual como a brasileira.
Ciclo II. Na contramão do quadro apresentado, situam-se uma série de
No Ciclo Interdisciplinar, além da ampliação da carga horária medidas que visam alterar a situação de desigualdade presente nas
do componente LIBRAS, as EMEBS contarão com a presença do escolas. Em primeiro lugar, há que se atentar para a promulgação
professor regente de LIBRAS também no 4º e no 5º ano, em do- da Lei nº 10.639/03 que inclui no currículo oficial da Rede de En-
cência compartilhada com o professor bilíngue. sino o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos ne-
A docência compartilhada entre o professor especialista e o gros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da
professor polivalente, proposta para o 6º ano do Ensino Funda- sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas
mental regular da Rede Municipal de Ensino, como forma de mini- áreas social, econômica e política, pertinentes à História do Brasil,
mizar o impacto da transição entre o modelo de um único professor lei esta que foi alterada, posteriormente, pela Lei nº 11.645/08,
de referência para o modelo de múltipla docência, também ocor- para a inclusão da temática indígena. A relevância de tais leis pode
rerá nas EMEBS, inclusive no componente curricular LIBRAS. ser traduzida no que é exposto na introdução do Plano Nacional de
No Ciclo Autoral estão mantidas as 3 horas aula semanais com Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Edu-
o professor regente de LIBRAS, com possibilidade de organização cação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e
de ações e projetos que ampliem a circulação da língua de sinais e Cultura AfroBrasileira e Africana:

Didatismo e Conhecimento 87
CONHECIMENTOS GERAIS
A Lei nº 10.639 e, posteriormente, a Lei nº 11.645, que dá Avaliação externa
a mesma orientação quanto à temática indígena, não são apenas A avaliação externa é concebida como um conjunto de ações
instrumentos de orientação para o combate à discriminação. São para diagnóstico e identificação das condições de ensino e apren-
também Leis afirmativas, no sentido de que reconhecem a escola dizagem do sistema de ensino, por meio da aplicação de provas e
como lugar da formação de cidadãos e afirmam a relevância de a questionários contextuais, visando a contribuir para a implementa-
escola promover a necessária valorização das matrizes culturais ção de políticas públicas.
que fizeram do Brasil o país rico, múltiplo e plural que somos. É importante salientar que a avaliação externa não substitui
(BRASIL, p. 5) as diversas ações avaliativas cotidianas do professor, realizadas
Embora na concepção inicial do documento disponibilizado em “sala de aula” e denominadas internas. As avaliações internas
para Consulta Pública não tenham sido explicitadas as referências têm por finalidade acompanhar o processo de desenvolvimento
a ambas as leis (somente há menção à Lei nº 10.639), as diretri- de competências e conhecimentos pelos alunos, de forma ampla,
zes dadas pelas referidas leis estão no horizonte da concepção de englobando valores e habilidades, como ética, solidariedade,
educação propostas pelo Programa Mais Educação São Paulo, no cooperação, entre outros.
que se refere à Reorganização Curricular, em ações da Secretaria Para possibilitar a reflexão sobre o processo de construção
Municipal de Educação (SME), voltadas para o cumprimento das de habilidades de um grupo ou escola, é interessante considerar
Leis nº 10.639/03 e 11.645/08 e, também, organizadas em acordo sua inserção em contextos mais amplos, como o nacional. Essa
com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Re- característica da avaliação externa não implica desconsideração
lações Étnico-raciais e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a de especificidades regionais ou culturais. O que se enfoca são os
Educação Escolar Indígena na Educação Básica. aspectos de consolidação de habilidades construídas durante a es-
Dessa forma, em consonância e sinergia com o “Plano Nacio- colarização.
nal de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Para avaliações dessa natureza, tem-se por base um conjunto
Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História de habilidades que muitas vezes são recortes do currículo. Entre-
e Cultura Afro-Brasileira e Africana”, a atual gestão da Secretaria tanto, o objetivo dessas avaliações não é a redução do currículo es-
Municipal de Educação deve investir grandes esforços para acele- colar à leitura e à resolução de problemas, por exemplo. É verificar
rar os processos de: como determinadas operações cognitivas e conteúdos, considera-
1. Formação contínua dos professores da Educação Infantil
dos básicos nas áreas do conhecimento, estão sendo apropriados
e do Ensino Fundamental e Médio e Educação de Jovens e Adul-
pelos estudantes.
tos.
Nas avaliações externas, como a Prova Brasil, consideram-se
2. Produção e gestão de material didático específico (im-
matrizes específicas para avaliação, que consistem em descritores
pressos, eletrônicos e virtuais) para professores e estudantes.
de habilidades das áreas avaliadas e utilizam-se expressões voca-
3. Sensibilização e formação de gestores da educação (dire-
bulares, gêneros textuais e temas de caráter e interesse nacionais.
ção, coordenação pedagógica e supervisão escolar, além de outros
A Prova Brasil faz parte do Sistema de Avaliação da Educação
agentes públicos).
4. Projetos (ações e atividades) dirigidos aos estudantes.
Básica (SAEB), que busca contribuir para a melhoria da qualidade
da educação e a universalização do acesso à escola. Além disso,
Educação, gênero e sexualidade procura oferecer indicadores que influenciam o desempenho dos
Refletir sobre a diversidade pelo viés da educação não pode estudantes avaliados.
prescindir de uma discussão que aponte para a problematização de Com o objetivo de avaliar a qualidade das escolas públicas,
questões referentes a gênero e sexualidade, pois é esta uma dimen- em Língua Portuguesa-Leitura, Matemática e Ciências, a Prova
são da vida dos estudantes que impacta diretamente nos modos de Brasil é realizada a cada dois anos. É uma avaliação censitária,
ser e estar na escola. envolvendo alunos da 4ª Série/5º Ano e 8ª Série/9º Ano do Ensino
A escola deve se constituir como local de acolhimento, em Fundamental das escolas das redes municipais, estaduais e federal
que alunos possam problematizar e desconstruir preconceitos de e, desde 1995, utiliza a metodologia da Teoria da Resposta ao Item
diversos tipos, entre eles aqueles que se constituem no sexismo e (TRI). Os resultados apresentados pelos estudantes na Prova Bra-
na heteronormatividade. sil e vinculados à aprovação escolar geraram o Índice de Desen-
Uma educação comprometida com valores, cidadania, garan- volvimento da Educação Básica (IDEB). Esse índice, criado pelo
tia de direitos e inclusão deve promover um trabalho que descons- Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP),
trua tais práticas de exclusão, violência e desrespeito à diversidade em 2007, permitiu que fossem estabelecidas metas bienais de qua-
de gênero e sexual, considerando o acúmulo de discussões aca- lidade a serem atingidas pelo País, por escolas, por Municípios e
dêmicas, programas institucionais e governamentais e legislação, Unidades da Federação.
para que sejam a tônica das formações de professores, bem como As avaliações externas na Rede Municipal de São Paulo não
diretriz organizadora do trabalho escolar. têm como meta apresentar rankings, mas apontar avanços das
crianças, contribuir com mais um diagnóstico a ser adicionado aos
Nota Técnica nº 12 – Programa Mais Educação São Paulo já detectados pelos Educadores das Unidades Educacionais e reo-
Avaliação para a Aprendizagem rientar o trabalho pedagógico.
AVALIAÇÃO EXTERNA, AUTOAVALIAÇÃO, LIÇÃO DE Com o objetivo de aproximar os Educadores (Gestores e Pro-
CASA, BANCO DE ITENS E EXPERIMENTOS E BOLETIM fessores) dos descritores da matriz de avaliação do SAEB e dos
Ressalta-se o conceito de avaliação como ação de atribuir va- procedimentos e técnicas da elaboração de itens, a Secretaria Mu-
lores, de fazer valer a aprendizagem em sua mais ampla acepção e nicipal de Educação vem propiciando cursos de formação em Ava-
abrangendo sua diversidade. liação para a Aprendizagem com elaboração de itens.

Didatismo e Conhecimento 88
CONHECIMENTOS GERAIS
Autoavaliação Constituído como um trabalho coletivo, o Banco de Itens po-
A auto avaliação deve cumprir uma função de autoconheci- derá ser usado pelos professores, em qualquer momento de suas
mento, de forma a auxiliar o aperfeiçoamento da aprendizagem, atividades didáticas, não consistindo em obrigação para a prepa-
tanto dos estudantes como dos educadores (gestores e professo- ração de avaliações internas. Pretende-se que os professores sele-
res), tendo como referência Paulo Freire e os três eixos no proces- cionem itens, de acordo com as habilidades que desejam avaliar e
so: ação-reflexão-ação. o desenvolvimento de suas ações pedagógicas, montando instru-
O desenvolvimento das atividades auto avaliativas terá como mentos que venham a compor as avaliações.
objetivo a consolidação de resultados que reflitam o real, permitin- O Banco de Itens deverá evoluir para se tornar também um
do, desse modo, que contribuam efetivamente para o (re)pensar o Banco de Experimentos, com projetos, aulas e recursos criados,
entorno e a realidade da comunidade escolar. adaptados e desenvolvidos pelos educadores e escolas, com vistas
Diante de tal compreensão, a auto avaliação deve servir aos ao seu compartilhamento em rede.
seguintes propósitos:
• Diagnosticar o momento em que o aluno ou o Projeto Políti- Boletim
co-Pedagógico (PPP) da Unidade Educacional se encontram.
O boletim tem como objetivo o registro e a síntese da avalia-
• Aperfeiçoar as ações pedagógicas ou o PPP, preservando e
ção do estudante e sua divulgação, principalmente para seus pais/
acentuando conquistas importantes, corrigindo rumos, apontando
responsáveis, e deverá ser disponibilizado bimestralmente.
novos horizontes, replanejando.
• Encontrar/Descobrir novos sentidos para as ações.
Constituído por informações relacionadas ao processo de en-
• Estimular a participação efetiva de todos, Estudantes e Edu- sino e aprendizagem, pode assumir diversas formas. A SME apre-
cadores, por meio do autoconhecimento que propicie o desenvol- sentará propostas para o boletim, que poderão ser alteradas pelas
vimento pessoal daqueles que participam do processo educacional Unidades Educacionais.
da aprendizagem. A possibilidade de acesso ao boletim não elimina as reuniões
• Integrar o processo avaliativo, complementando outras ativi- de pais, momentos importantes de integração família-escola e nos
dades e ações, inclusive avaliações externas. quais são relatados e explicados quais competências e conheci-
mentos não foram desenvolvidos pelo estudante em cada com-
Lição de casa ponente curricular. As informações apresentadas nesse registro
As atividades de lição de casa constituem-se como ações pe- podem contribuir para levar o pai/responsável a interagir com a
dagógicas complementares às diversas atividades desenvolvidas escola, a fim de entender e acompanhar o desenvolvimento escolar
pelos estudantes no cotidiano escolar. Elas não precisam necessa- do estudante.
riamente ser executadas “em casa”, mas são tarefas a serem reali- Visando ao respeito ao desenvolvimento cognitivo dos edu-
zadas em horários extra aulas. candos e à ampliação do acesso à informação, no Ciclo da Alfabe-
As tarefas a serem realizadas em horários e ambientes extraor- tização o registro se dará por meio de relatórios e conceitos. Nos
dinários à sala de aula devem ser resultantes de um pacto entre Ciclos Interdisciplinar e Autoral e no Ensino Médio, ocorrerá por
docentes e discentes, com a apresentação clara sobre seus senti- meio de notas de 0 a 10, acompanhadas de uma descrição de seus
dos e funcionalidades, em função dos exercícios e ações em curso. significados.
Constituem-se também como novas oportunidades de aprendiza- No caso dos estudantes com deficiências matriculados nas
gem e sistematização, por meio da execução de distintas ações. Em Escolas Municipais de Educação Fundamental (EMEF) e de Edu-
virtude disso, a lição de casa deve ser acompanhada por todos os cação Bilíngue para Surdos (EMEBS), poderão ser adotados re-
envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. latórios descritivos, em todos os Ciclos, de acordo com o Projeto
A proposição de atividades de lição de casa pode contribuir Político-Pedagógico da Unidade Educacional.
na intensificação e estreitamento dos vínculos familiares, pois
propicia o acompanhamento e a participação das famílias no pro-
Nota Técnica nº 13 – Programa Mais Educação São Paulo
cesso de ensino e aprendizagem. Além disso, a realização dessas
Processo de Aprendizagem
atividades tende a construir e solidificar uma cultura de estudos e
APROVAÇÃO AUTOMÁTICA, RETENÇÃO, RECUPE-
crescente desejo de saber, concorrendo para o aprimoramento da
autonomia do estudante. RAÇÃO / APOIO PEDAGÓGICO COMPLEMENTAR
Considera-se, assim, que as atividades de lição de casa devem Aprovação automática
se articular às propostas de avaliação e recuperação, com o concei- A aprovação automática, sem compromisso com a aprendiza-
to de aluno autor, sujeito no desenvolvimento das atividades que gem e o desenvolvimento, vem sendo um grande mal para a edu-
permitem a identificação e posterior superação dos obstáculos que cação de crianças e jovens brasileiros.
se opõem ao seu próprio processo de construção de conhecimentos Essa prática, ainda comum em muitas escolas, compromete o
e desenvolvimento cognitivo. futuro de milhões de estudantes, que, na vida, logo descobrirão que
conhecimentos importantes lhes foram sonegados e que condições
Banco de Itens e Experimentos indispensáveis para a sua plena cidadania lhes foram subtraídas.
O Banco de Itens é um instrumento de Apoio Pedagógico Aprovação automática é o desvirtuamento da correta concep-
Complementar, a ser construído coletivamente pelos profissionais ção de que os alunos têm direito ao aprendizado contínuo e pro-
da RME. gressivo e de que a escola, a família, o Estado e a sociedade têm o
Seu acervo será composto por um conjunto de itens criados dever de assegurar isso a eles.
por especialistas em avaliação das equipes técnicas da SME/DOT A recusa omissa em levar os processos avaliativos a todas as
e complementado por colaborações de educadores da RME, após suas consequências nada tem a ver com progressão continuada dos
orientações e formações sobre o processo de elaboração de itens. alunos, desejo e compromisso de todos os educadores sérios.

Didatismo e Conhecimento 89
CONHECIMENTOS GERAIS
Evidente que o objetivo maior da escola e do trabalho dos Para que esse apoio se concretize, é importante envolver a fa-
professores é o sucesso educacional dos seus alunos. A reprovação mília no processo de ensino e aprendizagem de seus filhos, estabe-
de um estudante é o fracasso de todos. lecendo um constante diálogo, como, por exemplo, em momentos
Porém, mais grave é o fracasso escamoteado, escondido, como reuniões periódicas com pais/ responsáveis para ciência do
como se na escola fosse possível aprender sem esforço, construir desempenho e do desenvolvimento dos estudantes. À escola cabe
sem trabalhar, criar sem experimentar. Um engodo que deseduca proporcionar meios de acolher e atrair as famílias, para que elas
e desorienta. participem de modo mais próximo das ações pedagógicas.
O objetivo é agir para que a cultura e a prática de aprovação A escola, avaliando continuamente os estudantes, deve pro-
automática não mais existam nas Unidades Educacionais da Rede mover ações/ reflexões/ações voltadas à percepção das dificul-
Municipal de Ensino.
dades encontradas por eles, à medida que elas surgem, para (re)
A avaliação do processo de ensino e aprendizagem é parte do
orientar escolhas relacionadas às práticas, esclarecer aspectos que
currículo, constituindo etapa necessária e indispensável para o (re)
planejamento das ações pedagógicas e para a reflexão sobre o per- não foram claramente compreendidos e realizar mediações especi-
curso cognitivo e os conhecimentos significativos já construídos ficamente direcionadas às dificuldades individuais.
pelos estudantes. Dessa forma, entende-se que a aprovação auto- O Apoio Pedagógico Complementar pode se concretizar, ain-
mática não é um procedimento de uso sistemático, bem como a da, por meio de ações desenvolvidas em momentos diferenciados
retenção. com grupos de educandos com dificuldades. É o caso da recupe-
A organização em ciclos pressupõe a consideração de fases de ração paralela, que acontece em aulas ministradas no contraturno.
desenvolvimento e de respeito aos ritmos diferenciados de apren- No âmbito da avaliação formativa, que permite a (re)orien-
dizagem. Isso significa que distintos instrumentos e estratégias tação das aprendizagens no próprio percurso, a possibilidade de
avaliativos sejam utilizados com a finalidade de apontar conquis- retomada e construção de conhecimentos, com a superação de di-
tas e fragilidades, servindo de base para a reflexão e a proposição ficuldades deve ser contínua. A recuperação consiste na ampliação
de atividades, trabalhos e orientações que contribuam para o avan- das oportunidades e representa um ato de cuidado.
ço na aprendizagem e para a superação de dificuldades. O acom- A recuperação de alunos de qualquer ano, que ainda não atin-
panhamento do processo é contínuo. giram o desenvolvimento cognitivo ou o domínio de conceitos
As sinalizações de problemas relacionados à aprendizagem esperados, poderá ocorrer de forma paralela às aulas, com plane-
devem permitir o diagnóstico precoce, porém, em circunstâncias jamento e mediação de um professor específico de recuperação.
nas quais se evidenciam que as dificuldades não foram superadas A participação de um grande número de escolas da Rede Mu-
ainda, a retenção pode ser necessária.
nicipal de Ensino no Programa Mais Educação do Governo Fede-
Retenção ral possibilitará a ampliação da jornada dos alunos e, assim, a uti-
A retenção é resultante de um processo e sinaliza que o per- lização de tempos e espaços escolares, em contraturno, destinados
curso do ensino e aprendizagem não atingiu o desejado até deter- a atividades de Apoio Pedagógico Complementar e Recuperação.
minado momento. É, nesse sentido, um indicador de dificuldades a
serem superadas, a fim de que o estudante possa, de fato, avançar Nota Técnica nº 14 – Programa Mais Educação São Paulo
para novas etapas. Não deve ser concebida como mecanismo pu- CADERNO INTERFACES CURRICULARES
nitivo ou de exclusão. Os Cadernos Interfaces Curriculares – 4º e 5º anos do Ciclo I
A retenção poderá ocorrer em todos os finais de ciclos (3º, 6º e 4º ano do Ciclo II do Ensino Fundamental de 9 anos – são os pri-
e 9º anos do ensino de 9 anos) e também nos 7º e 8º anos do Ciclo meiros de uma série sobre práticas curriculares. Foram produzidos
Autoral. Se, ao fim de todos os processos de exposição ao conhe- para dar apoio ao trabalho curricular dos professores e Coordena-
cimento, os direitos e objetivos de aprendizagem não tiverem sido dores Pedagógicos.
realizados, a ponto de comprometerem a continuidade dos estu- Nesse sentido, os Cadernos Interfaces Curriculares podem ser
dos, o estudante poderá ser retido. Ressalte-se que a retenção se um roteiro de estudos nos momentos de trabalho coletivo e forma-
configura como recurso posterior a todas as outras estratégias de ção em serviço, bem como suas situações didáticas utilizadas em
Apoio Pedagógico Complementar. Compõe também esse processo práticas de sala de aula. Sua finalidade é ser mais um instrumento
de acompanhamento do aprendizado a realização de avaliações bi- de melhoria do ensino e da aprendizagem.
mestrais, que têm por objetivo aumentar as possibilidades de alerta Os princípios, os conceitos trazidos e a metodologia sugerida
ao estudante quanto às suas dificuldades.
para os cadernos foram extraídos de reflexões, de textos, de banco
A retenção de um aluno em determinado momento de seu pro-
cesso de desenvolvimento pressupõe a oportunidade de revisão e de questões da base de dados da Secretaria Municipal de Educação
de amadurecimento, para que ele prossiga em melhores condições (SME) e de materiais já produzidos, aperfeiçoados pelas equipes
de acompanhar a etapa seguinte. da Diretoria de Orientação Técnica (DOT) e por consultoras de
Língua Portuguesa e de Matemática.
Apoio Pedagógico Complementar / Recuperação Os Cadernos objetivam colocar em debate práticas docentes
O Apoio Pedagógico Complementar consiste em iniciativas na escola, tendo em vista algumas interfaces curriculares – com
e recursos oferecidos ao estudante com o objetivo de acompanhar as artes, a história, as ciências, o movimento do corpo – enfati-
mais de perto suas atividades, de modo a auxiliá-lo a superar di- zando os processos de ensino dos professores e as aprendizagens
ficuldades, se elas surgirem. Tais iniciativas e recursos garantem dos alunos. São tratados os conceitos de Leitura e de Resolução
qualidade no monitoramento dos processos de ensino e aprendi- de problemas, como eixos do currículo, tendo em vista tanto suas
zagem, permitem detectar problemas e evitam que os estudantes especificidades quanto as relações entre fundamentos e conceitos
avancem em condições inadequadas ou frágeis. dos componentes curriculares.

Didatismo e Conhecimento 90
CONHECIMENTOS GERAIS
Em determinadas abordagens de análises textuais, há aponta- 1. Educação Infantil: formação para a criação e implemen-
mentos baseados nos descritores da Prova Brasil, como forma de tação de Projeto Político-Pedagógico Integrado para a Primeira In-
sinalizar algumas relações entre ensino e avaliação. Também apre- fância e procedimentos específicos de avaliação, conforme Notas
sentam o conceito de Avaliação para a Aprendizagem, em diálogo Técnicas de número 1 e 2.
com a Prova Brasil, bem como a proposição de itens de múltipla 2. Ensino Fundamental e Médio: formação para os temas
escolha, elaborados com base nos textos utilizados nas atividades tratados nas Notas Técnicas de 3 a 6 e para o trabalho com pro-
de leitura para as práticas docentes.
jetos (conforme Nota Técnica número 7), além de outros temas
Trazem, ainda, como Anexo, um “Banco de Itens de Leitura
relevantes.
e de Matemática”, referente ao 4º e 5º anos do Ciclo I e ao 4º ano
3. Educação Especial: questões de avaliação dos estudan-
do Ciclo II do Ensino Fundamental de 9 anos, como sugestão de
atividade pedagógica que visa contribuir para as reflexões sobre a tes com deficiência, transtorno global do desenvolvimento e altas
Prova Brasil e as propostas apresentadas. habilidades/superdotação, descritas nas Notas Técnicas de número
9 e 10.
Nota Técnica nº 15 – Programa Mais Educação São Paulo 4. Educação de Jovens e Adultos: suas especificidades, or-
Formação de Educadores ganização, metodologias, programas de formação e as matrizes de
CONCEITO E OBJETIVOS DO SISTEMA DE FORMA- avaliação, conforme descrito na Nota Técnica de número 8.
ÇÃO DE EDUCADORES 5. Diversidade, desigualdades e diferenças: formação para
A implantação do Sistema de Formação de Educadores da viabilizar a plena implantação das questões relativas à Educação
Rede Municipal de Ensino de São Paulo é condição básica para para as Relações Étnico-Raciais e à Educação, Gênero e Sexua-
realização e êxito do Programa Mais Educação São Paulo. Os te- lidade. Conforme prioridades especificadas na Nota Técnica de
mas e problemas levantados no contexto do Programa de Reorga- número 11.
nização Curricular e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento
6. Gestão pedagógica: oferecendo cursos que abordem a
da Rede Municipal de Ensino de São Paulo dependem intimamente
elaboração dos Regimentos Educacionais (Nota Técnica 21), entre
da criação, do aperfeiçoamento e da ampliação de amplo Programa
de Formação dos quadros docentes e técnicos na área de educação. outros assuntos.
As inovações propostas e a consolidação das políticas curricu-
lares já em curso exigem readequação dos programas de formação Temas prioritários e formas de abordagem
de educadores e dos Projetos Político-Pedagógicos das Unidades 1. Currículo
Educacionais, tornando-os organicamente ligados às diretrizes do 1.1 Práticas curriculares refletidas, inovadoras e eficazes: de-
Programa Mais Educação São Paulo. senvolvimento de seminários regionais e locais sobre este tema e
Faz parte intrínseca das diretrizes do Sistema de Formação de criação de política de comunidade de práticas.
Educadores a ser criado a abertura de espaços e condições para a 1.2 Montagem coletiva de bancos de experimentos regionais
reflexão sobre as dimensões filosóficas, científicas e ideológicas oferecidos pela Rede.
das mudanças em andamento; além disso, são necessários espa- 1.3 Produção interna ou compartilhada com outras redes pú-
ços e condições para a realização de pesquisas sobre a formação blicas de materiais didáticos e multimídia, coletivos e abertos.
dos profissionais da Rede Municipal de Ensino e de possíveis te- 1.4 Estudos sobre interdisciplinaridade, sobre suas teorias e
mas que os educadores apontem como prioritários para subsidiar
práticas;
o trabalho pedagógico; e, ainda, o acompanhamento permanente,
1.5 Estudos sobre projetos autorais e sociais.
a partir de diagnóstico inicial, do desenvolvimento das propostas e
do cumprimento de objetivos gerais da Rede e específicos das Uni- 1.6 Ações formativas no campo das didáticas das diferentes
dades Educacionais. As estratégias principais para a implantação disciplinas e áreas do conhecimento.
dessa dinâmica de acompanhamento se basearão em:
1. Sistema de gestão pedagógica, registro e documentação 2. Avaliação
dos processos de ensino e aprendizagem, das metodologias e das 2.1 Estudos sobre processos cognitivos e avaliativos dos alu-
experiências inovadoras. nos.
2. Publicação periódica dos resultados dos debates, das pro- 2.2 Interpretação de procedimentos de avaliação em múlti-
postas, da vida educacional das Unidades. plas formas (como de projetos, de desempenho social, de produ-
3. Publicação de materiais didático reflexivos sobre os re- ções artísticas) e não apenas de provas.
sultados dos processos avaliativos produzidos na Rede Municipal 2.3 Gestão de conhecimento de acordo com os princípios da
de Ensino, privilegiando os resultados das Unidades Educacionais. avaliação para a aprendizagem, já descritos do documento do Pro-
4. Ampliação da rede e equipamentos tecnológicos conso-
grama.
nantes com os programas de formação e gestão pedagógica.
Essa sistemática possibilitará, ainda, a criação de novas redes
Gestão Pedagógica
3.
de aprendizagem dinâmicas e colaborativas, integrando produção
de conhecimento e acompanhamento do processo de implantação Formação para Coordenadores Pedagógicos.
3.1
do Sistema de Formação de Educadores. Formação para Diretores.
3.2
Formação em cursos de especialização para Superviso-
3.3
Ressalta-se que o Sistema de Formação considerará as neces- res, montados pelos próprios Supervisores e operados em parceria
sidades e desafios de todas as etapas e modalidades do ensino: com a Universidade Aberta do Brasil ou outras universidades.

Didatismo e Conhecimento 91
CONHECIMENTOS GERAIS
Condições para a Formação: em serviço e continuada JORNADA DOCENTE NO SEXTO ANO, DOCÊNCIA
Para viabilização dos processos formativos é necessário ofe- COMPARTILHADA
recer condições para participação de educadores, conforme item De acordo com os princípios expressos no documento Pro-
3.3 do Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, grama Reorganização Curricular e Administrativa, Ampliação
Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São Paulo, a
Paulo. Esclarece-se que, neste sentido, além do já determinado no docência compartilhada apontada no Ciclo Interdisciplinar propõe
documento serão viabilizadas as seguintes iniciativas: um trabalho articulado entre professores especialistas/professores
1. Universidade Aberta do Brasil (UAB): a implantação dos do Ensino Fundamental II (preferencialmente os de Língua Por-
polos da UAB nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) visa tuguesa, Matemática e Inglês) e professor polivalente/professor
à ampliação do acesso à educação superior pública nas diferentes de Educação Infantil - Ensino Fundamental I (professor de Fun-
áreas do conhecimento por meio da oferta de cursos de Licenciatu-
damental I), garantindo tanto as especificidades dos componentes
ra, Formação Inicial e Continuada a professores da Educação Bási-
curriculares, como também a consolidação no que se refere à leitu-
ca, bem como cursos superiores e de pósgraduação, para formação
ra, à escrita e à resolução de problemas.
de gestores educacionais e trabalhadores em Educação Básica. A
Nota Técnica de número 19 detalha o processo de implantação da Um dos objetivos do Ciclo Interdisciplinar é atenuar a passa-
UAB nos CEUs. gem dos anos iniciais para os anos finais, trazendo um professor
2. Plano Anual de Incentivo às atividades de formação em de referência para o grupo classe, introduzindo a conexão entre as
serviço e formação acadêmica (Especialização, Mestrado e Dou- áreas de conhecimento, através de projetos realizados em parceria
torado). entre os professores especialistas/ professores do Ensino Funda-
3. Viabilização para que os cursos da Universidade Aberta mental II e o professor polivalente/professor de Educação Infantil -
do Brasil sejam ofertados aos professores da Rede Municipal de Ensino Fundamental I, para uma intervenção didático-pedagógica
Ensino, para formação inicial, continuada ou segunda licenciatura, mais adequada a este grupo.
além daqueles que tratam da saúde do trabalhador, das questões O princípio da docência compartilhada pressupõe o planeja-
relacionadas à violência nas escolas, assim como os de prevenção mento conjunto dos professores especialistas/professores do En-
ao uso indevido de drogas. sino Fundamental II e do professor polivalente/professor de Edu-
4. Criação de cursos de formação para educadores em par- cação Infantil - Ensino Fundamental I, de acordo com o Projeto
ceria com a TV ESCOLA/MEC com o uso de parte dos conteúdos Político-Pedagógico (PPP) de cada Unidade Educacional, articula-
online da TV e que são contemplados com Bolsas de Estudos. dos pelo Coordenador Pedagógico, de forma que o trabalho de um
As determinações para o funcionamento e exequibilidade do não se sobreponha ao do outro – eles se complementam.
Sistema de Municipal de Formação de Educadores serão objeto de Docência compartilhada é marcada pela corresponsabilidade
Decreto e Portarias Complementares.
dos professores do Ciclo Interdisciplinar (4º, 5º e 6º anos) no pla-
nejamento dos cursos, na organização da estrutura dos projetos,
Nota Técnica nº 16 – Programa Mais Educação São Paulo
na abordagem interdisciplinar das diferentes atividades de sala de
Recuperação de Férias
POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE PERÍODOS DE aula, no acompanhamento e avaliação das dinâmicas de aprendi-
FÉRIAS OU RECESSO PARA RECUPERAÇÃO zagem do grupo-classe e dos estudantes individualmente – fora ou
A implantação de recuperação durante o período de férias foi dentro do espaço da sala de aula.
indicada no Programa Reorganização Curricular e Administrativa, Não se trata, portanto, da presença contínua de dois profes-
Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São sores na mesma classe, (nos momentos assim previstos no currí-
Paulo, entre as estratégias de apoio ao desenvolvimento do proces- culo), mas da participação de um professor especialista/professor
so de ensino e aprendizagem. Apresentase como uma situação em do Ensino Fundamental II como orientador de projetos, atenden-
que tanto o aluno quanto o professor podem se dedicar, de modo do os estudantes simultaneamente ao desenvolvimento das aulas.
mais direcionado e pontual, a desenvolver atividades voltadas para O professor polivalente/professor de Educação Infantil - Ensino
a superação de dificuldades encontradas ao longo do ano. Fundamental I será referência para o aluno durante os três anos do
Considerando, neste momento, a ampla proposta de Apoio Ciclo Interdisciplinar.
Pedagógico Complementar apresentada, que inclui lição de casa, O professor polivalente/professor de Educação Infantil - En-
duas sínteses avaliativas por semestre, entre outras, a necessida- sino Fundamental I, no 6º ano, trabalhará de forma compartilhada
de de ampliação de infraestrutura e as manifestações oriundas da nas 5 horas aula de Língua Portuguesa e nas 5 horas aula de Ma-
Consulta Pública, quando necessário, as escolas poderão progra- temática, além de 2 horas aula de Língua Inglesa, totalizando 12
mar atividades de recuperação para os alunos nos períodos de fé- horas aula em uma única turma de 6º ano. A complementação de
rias e recesso, de acordo com suas condições e com os objetivos
jornada do professor polivalente/professor de Educação Infantil -
previstos em seus Projetos Político-Pedagógicos.
Ensino Fundamental I, excepcionalmente em 2014, que assumir
uma sala de 6º ano se dará com aulas de Apoio Pedagógico Com-
Nota Técnica nº 17 – Programa Mais Educação São Paulo
Composição da Jornada Docente no Sexto Ano do Ciclo In- plementar. Caso a unidade tenha duas turmas de 6º ano, o professor
terdisciplinar polivalente/professor de Educação Infantil - Ensino Fundamental
I assumirá a docência dessas turmas, totalizando 24 horas aula.

Didatismo e Conhecimento 92
CONHECIMENTOS GERAIS
Nota Técnica nº 18 – Programa Mais Educação São Paulo As novas construções e outras medidas de racionalização
JORNADA DE TRABALHO dos espaços escolares permitirão a redução gradual do número de
As jornadas de trabalho dos integrantes da carreira do Magis- alunos por sala. Como metas para 2016, o número de alunos nas
tério Municipal, constantes dos artigos 12 a 19 da Lei nº 14.660/07, EMEIs deverá ser reduzido de 35 para 30 e, nas EMEFs, de 35
não sofrerão quaisquer alterações com a implantação do Programa para 32.
Mais Educação São Paulo – Programa Reorganização Curricular A respeito dos Centros Educacionais Unificados - CEUs, se-
e Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal rão construídas 20 novas Unidades, estando 50% das áreas já iden-
de Ensino de São Paulo. tificadas. Serão construídas duas Unidades na DRE Penha, três em
O ingresso do docente na Jornada Especial Integral de Forma- Itaquera, duas em Pirituba, uma em Santo Amaro, uma em São
ção – JEIF se dará mediante a opção anual, desde que completado Miguel e uma na Freguesia/Brasilândia.
o número de horas aula que obrigatoriamente compõe a referida Também estão previstas a construção de 12 quadras poliespor-
jornada. tivas cobertas em estrutura metálica e, ainda, a cobertura de outras
Para a composição e/ou complementação das Jornadas de Tra- 128 quadras existentes.
balho/Opção, os professores escolherão/terão atribuídas, além da Outro importante avanço será a implantação de Polos da Uni-
regência de classe/aulas, trabalho de orientação de projetos equi- versidade Aberta do Brasil – UAB nos CEUs, sendo 18 em 2013
valentes a aulas em consonância com o Projeto Político-Pedagó- e 13 novos Polos em 2014, em consonância com as diretrizes go-
gico – PPP da Unidade Educacional. vernamentais, as políticas públicas e observância à legislação apli-
O Programa de Reorganização Curricular e Administrativa, cável à matéria.
Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São A implantação dos supracitados Polos na cidade de São Paulo
Paulo possibilitará aos educadores alternativas mais amplas para estará sob a responsabilidade da Secretaria Municipal de Educa-
composição de sua jornada de opção já que a caracterização dos ção, responsável pela aplicação dos recursos financeiros, consig-
Ciclos Interdisciplinar e Autoral envolverá diferentes projetos
nados no Orçamento Municipal.
para esta finalidade.
Os principais objetivos dos Polos de Atendimento Presencial
da UAB são a ampliação do acesso à educação superior pública
Nota Técnica nº 19 – Programa Mais Educação São Paulo
INFRAESTRUTURA DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO nas diferentes áreas do conhecimento por meio da oferta de cursos
DE SÃO PAULO de Licenciatura, Formação Inicial e Continuada a professores da
A Secretaria Municipal de Educação dispõe de um Plano de Educação Básica, bem como cursos superiores e de pós-gradua-
Obras, prevendo a construção de 367 Unidades Educacionais para ção, para formação de gestores educacionais e trabalhadores em
a Educação Básica até o ano de 2016, o que demandará um inves- Educação Básica.
timento total de R$ 2,3 bilhões. A implantação dos Polos da Universidade Aberta do Brasil
O atendimento na Educação Infantil – Etapa Creche, embora também permitirá a adequação de laboratórios específicos para
tenha apresentado um acréscimo de 17.939 crianças entre os anos química, física, matemática e biologia. Esses laboratórios estarão
de 2011 a 2013 ainda aponta um déficit de 7,41% para atendimento disponíveis aos alunos matriculados nas EMEFs nos horários em
a 50% da população nessa idade conforme Meta do Plano Nacio- que não haja aula nos Polos.
nal de Educação. Além dos investimentos relacionados à ampliação da estrutura
Para atendimento a essa Etapa, serão construídas 243 Unida- física, será implantado um sistema de manutenção preventiva e
des que, juntas, criarão 52.998 vagas. Há, ainda, a expansão de corretiva dos prédios e equipamentos escolares.
52.017 vagas, criadas por meio de ampliação qualificada da Rede Com essas ações, a Secretaria Municipal de Educação preten-
Indireta e Conveniada. de atender a demanda, melhorar a infraestrutura da Rede e cumprir
Em relação ao atendimento na Educação Infantil – Etapa Pré- o Programa de Metas para a Cidade de São Paulo.
-Escola, serão construídas 65 Unidades, que serão responsáveis
por 34.280 vagas. Nota Técnica nº 20 – Programa Mais Educação São Paulo
Também há a previsão da construção de 21 Centros Munici- Matrizes Curriculares
pais de Educação Infantil – CEMEIs, para atender crianças de 0 a 5 ALTERAÇÕES NAS MATRIZES CURRICULARES NO
anos de idade. Essa ampliação será responsável por 10.500 vagas. ENSINO FUNDAMENTAL, NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E
A construção de 21 Centros Municipais de Educação Infantil ADULTOS E NA EDUCAÇÃO ESPECIAL
- CEMEIs, 243 Centros de Educação Infantil – CEIs, 65 Escolas O Programa de Reorganização Curricular e Administrativa,
Municipais de Educação Infantil - EMEIs totalizará 329 Unidades Ampliação e Fortalecimento da Rede Municipal de Ensino de São
Educacionais o que, acrescido com a ampliação de 52.017 vagas
Paulo prevê mudanças importantes na estrutura das diversas Ma-
por meio da Rede Indireta e Conveniada, atingirá 150.000 novas
trizes Curriculares que organizam o currículo nas diversas etapas e
vagas e, assim, atenderá o Programa de Metas.
modalidades no Ensino Municipal.
Sobre o atendimento nas Escolas Municipais de Ensino Fun-
O Ensino Fundamental de nove anos é dividido em três ciclos:
damental - EMEFs, serão construídas 38 Unidades Educacionais
com capacidade de atender 63.293 alunos. Essa ampliação possi- Alfabetização, Interdisciplinar e Autoral. No Ciclo de Alfabetiza-
bilitará a eliminação do terceiro turno diurno, facilitará a perma- ção há acréscimo de uma hora aula por semana nos componentes
nência do aluno sob os cuidados da escola, permitirá uma redução de Língua Portuguesa e Matemática, de acordo com o compromis-
no número de alunos em sala de aula e ainda poderá ser utilizado so em criar as condições para garantir a alfabetização das crianças
para a criação de novos espaços pedagógicos. até os 8 (oito) anos de idade, conforme preconizado pelo PNAIC
– Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

Didatismo e Conhecimento 93
CONHECIMENTOS GERAIS
No Ciclo Interdisciplinar ocorrem as maiores mudanças. Assim, os novos Regimentos Educacionais da Rede Munici-
Além do acréscimo no número de aulas destinadas a Língua Portu- pal conterão um conjunto de elementos comuns a todas as Unida-
guesa e Matemática nos 4º e 5ºanos, o 6º ano passa a contar com a des e uma parte própria de cada Unidade.
presença de um professor polivalente /professor de Ensino Funda- Farão parte dos Regimentos Educacionais: organização das
mental I, além dos professores especialistas. etapas, modalidades e duração do ensino; gestão escolar; Conse-
No Ciclo Autoral, a matriz permanece a mesma. As modifica- lho de Escola; instituições auxiliares, como as Associações de Pais
ções neste ciclo são de caráter curricular. e Mestres (APM); a organização do processo educativo, contem-
Nos três ciclos do Ensino Fundamental, o espaço e o tempo do plando currículo, Projeto Político-Pedagógico, Ciclos de Apren-
trabalho das Áreas de Integração, serão compostos por professo- dizagem e Desenvolvimento, Educação Infantil, Ensino Funda-
res de Artes, de Educação Física, Professores Orientadores de Sala mental, Educação de Jovens e Adultos, Ensino Médio; o processo
de Leitura, Professores Orientadores de Informática Educativa e de avaliação: a avaliação institucional, a avaliação do processo
professores de Inglês. Seus trabalhos serão marcados pelo plane- de ensino e aprendizagem; a produção de relatórios na Educação
jamento integrado assim como por ações interdisciplinares com Infantil; as ações de apoio ao processo educativo; as normas de
as demais áreas de conhecimento. Suas ações serão organizadas convívio, contemplando direitos e deveres dos alunos, deveres da
preferencialmente por projetos. equipe escolar, participação dos pais ou responsáveis, medidas dis-
Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), considerando o dis- ciplinares; calendário de atividades, matrícula, classificação e re-
posto no parecer do Conselho Municipal de Educação – nº 202/10, classificação, recuperação; apuração da assiduidade, compensação
em sua conclusão, as Matrizes Curriculares se mantêm nas diver- das ausências, promoção; entre outros.
sas formas de atendimento. A alteração realizada refere-se à orga-
nização dos ciclos. No ano de 2014 a SME promoverá discussão Caro Candidato,
sobre a reorientação curricular, bem com a organização e flexibili- “Para melhor compreensão do conteúdo, os arquivos desse
zação de tempos e espaços na EJA. tópico, encontram-se disponível na íntegra no CD-ROM que
Nas EMEBS – Escolas Municipais de Educação Bilíngue para acompanha a apostila”.
Surdos, considerando a especificidade linguística dos estudantes
nelas matriculados, a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, que é
considerada a primeira língua e passa a ter um destaque maior no
currículo. Amplia-se o número de horas destinadas ao seu ensino SÃO PAULO. SECRETARIA MUNICIPAL
e sistematização na Matriz Curricular, sem prejuízo do número de DE EDUCAÇÃO. DECRETO N.º 45.415/04
horas destinadas a Língua Portuguesa, ministrada como segunda – ESTABELECE DIRETRIZES PARA
língua, na modalidade escrita e igualmente importante para a edu- A POLÍTICA DE ATENDIMENTO A
cação dos surdos. CRIANÇAS, ADOLESCENTES, JOVENS
E ADULTOS COM NECESSIDADES
Nota Técnica nº 21 – Programa Mais Educação São Paulo EDUCACIONAIS ESPECIAIS NO SISTEMA
REGIMENTOS EDUCACIONAIS MUNICIPAL DE ENSINO.
O Programa Mais Educação São Paulo – Programa de Reor- SÃO PAULO. SECRETARIA MUNICIPAL
ganização Administrativa, Ampliação e Fortalecimento da Rede DE EDUCAÇÃO. PORTARIA N.º 5.718/04 –
Municipal de Ensino de São Paulo redimensiona, reorganiza, rees- DISPÕE SOBRE A REGULAMENTAÇÃO
trutura a Educação Municipal de São Paulo, na busca da qualidade DO DECRETO N.º 45.415, DE 18/10/04,
social. QUE ESTABELECE DIRETRIZES PARA
Sua operacionalização exigirá uma série de novos atos norma- A POLÍTICA DE ATENDIMENTO A
tivos, como Decretos e Portarias, e demandará a reelaboração dos CRIANÇAS, ADOLESCENTES, JOVENS
Regimentos Educacionais das Unidades. E ADULTOS COM NECESSIDADES
Os novos Regimentos são instrumentos essenciais à concre- EDUCACIONAIS ESPECIAIS NO SISTEMA
tização de uma educação de qualidade e sua gestão democrática. MUNICIPAL DE ENSINO, E DÁ OUTRAS
Contemplam a descrição dos papeis e funções de todos profissio- PROVIDÊNCIAS.
nais das Unidades Educacionais.
Além disso, os Regimentos Educacionais trarão, na sua com-
posição, o conjunto de normas disciplinares, discutidas democrati-
camente pelas comunidades de cada Unidade em função das suas
necessidades, elaboradas pelo conjunto da comunidade escolar e DECRETO Nº 45.415, DE 18 DE OUTUBRO DE 2004
aprovadas pelos Conselhos de Escola e pelas DREs. Constam no
rol das possibilidades de medidas disciplinares: repreensão, adver- Estabelece diretrizes para a Política de Atendimento a Crianças,
tência e suspensão. A transferência de alunos para outra Unidade Adolescentes, Jovens e Adultos com Necessidades Educacionais Es-
Educacional é admitida, mas não se insere nesse rol de medidas peciais no Sistema Municipal de Ensino.
disciplinares. A transferência pode ser proposta pela Unidade Edu-
cacional como medida de proteção à integridade do educando, ou- HÉLIO BICUDO, Vice-Prefeito, em exercício no cargo de Pre-
vidos os Conselhos Escolares e a família. A decisão sobre esse feito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são
tipo de proposta caberá às Diretorias Regionais de Educação, que conferidas por lei e considerando o disposto nas Leis Federais nº 8.069,
poderão acionar os órgãos dedicados à proteção da criança e do de 13 de julho de 1990, e nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e na
adolescente. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro de 2001,

Didatismo e Conhecimento 94
CONHECIMENTOS GERAIS
D E C R E T A: § 1º. Entende-se por crianças, adolescentes, jovens e adultos com
necessidades educacionais especiais aqueles cujas necessidades educa-
Art. 1º. A Política de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jo- cionais se relacionem com diferenças determinadas, ou não, por defi-
vens e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema ciências, limitações, condições e/ou disfunções no processo de desen-
Municipal de Ensino de São Paulo deverá observar as diretrizes esta- volvimento e altas habilidades/superdotação.
belecidas neste decreto. § 2º. A avaliação educacional do processo ensino-aprendizagem
de que trata o «caput» deste artigo será realizada pelos profissionais da
Art. 2º. Será assegurada, no Sistema Municipal de Ensino, a ma- Unidade Educacional com a participação da família, do Supervisor Es-
trícula de todo e qualquer educando e educanda nas classes comuns, colar e de representantes da Diretoria de Orientação Técnico-Pedagó-
visto que reconhecida, considerada, respeitada e valorizada a diversi- gica das Coordenadorias de Educação das Subprefeituras e, se preciso
dade humana, ficando vedada qualquer forma de discriminação, ob- for, dos profissionais da saúde e de outras instituições.
servada a legislação que normatiza os procedimentos para matrícula.
Parágrafo único. A matrícula no ciclo/ano/agrupamento corres- Art. 5º. O Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão -
pondente será efetivada com base na idade cronológica e/ou outros cri- CEFAI, composto por membros da Diretoria de Orientação Técnico
térios definidos em conjunto com o educando e a educanda, a família -Pedagógica das Coordenadorias de Educação das Subprefeituras, por
e os profissionais envolvidos no atendimento, com ênfase ao processo Professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão - PAAI e por Su-
de aprendizagem. pervisores Escolares, é parte integrante das referidas Coordenadorias e
será por elas suprido de recursos humanos e materiais que viabilizem
Art. 3º. O Sistema Municipal de Ensino, em suas diferentes ins- e deem sustentação ao desenvolvimento de seu trabalho no âmbito das
tâncias, propiciará condições para atendimento da diversidade de seus Unidades Educacionais, na área de Educação Especial.
educandos e educandas mediante:
I - elaboração de Projeto Político Pedagógico nas Unidades Edu- Art. 6º. Compete ao Professor de Apoio e Acompanhamento à
cacionais que considere as mobilizações indispensáveis ao atendimen- Inclusão - PAAI o serviço de apoio e acompanhamento pedagógico
to das necessidades educacionais especiais; itinerante à Comunidade Educativa, mediante a atuação conjunta com
II - avaliação pedagógica, no processo de ensino, que identifique os educadores da classe comum e a equipe técnica da Unidade Educa-
cional, na organização de práticas que atendam às necessidades edu-
as necessidades educacionais especiais e reoriente tal processo;
cacionais especiais dos educandos e educandas durante o processo de
III - adequação do número de educandos e educandas por classe/
ensino-aprendizagem.
agrupamento, quando preciso;
Parágrafo único. O serviço de Educação Especial de que trata o
IV - prioridade de acesso em turno que viabilize os atendimentos
“caput” deste artigo será desempenhado por profissional integrante da
complementares ao seu pleno desenvolvimento;
carreira do magistério, com comprovada especialização ou habilitação
V - atendimento das necessidades básicas de locomoção, higiene
em Educação Especial, a ser designado no CEFAI de cada Coordena-
e alimentação de todos que careçam desse apoio, mediante discussão
doria de Educação das Subprefeituras.
da situação com o próprio aluno, a família, os profissionais da Unidade
Educacional, os que realizam o apoio e o acompanhamento à inclusão Art. 7º. As Salas de Atendimento aos Portadores de Necessidades
e os profissionais da saúde, acionando, se for o caso, as instituições Especiais - SAPNE ficam transformados em Salas de Apoio e Acom-
conveniadas e outras para orientação dos procedimentos a serem ado- panhamento à Inclusão - SAAI, competindo-lhes o serviço de apoio
tados pelos profissionais vinculados aos serviços de Educação Especial pedagógico para o trabalho suplementar, complementar ou exclusivo
e à Comunidade Educativa; voltado aos educandos e educandas com necessidades educacionais
VI - atuação em equipe colaborativa dos profissionais vinculados especiais, sendo instaladas em Unidades Educacionais da Rede Muni-
aos serviços de Educação Especial e à Comunidade Educativa; cipal de Ensino em que estiverem matriculados, podendo estender-se a
VII - fortalecimento do trabalho coletivo entre os profissionais da alunos de Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino onde
Unidade Educacional; inexista tal atendimento.
VIII - estabelecimento de parcerias e ações que incentivem o for- Parágrafo único. O serviço de Educação Especial de que trata o
talecimento de condições para que os educandos e educandas com ne- “caput” deste artigo será desempenhado por profissional integrante da
cessidades educacionais especiais possam participar efetivamente da carreira do magistério, com comprovada especialização ou habilitação
vida social. em Educação Especial.
Parágrafo único. Considera-se serviços de Educação Especial
aqueles prestados em conjunto, ou não, pelo Centro de Formação e Art. 8º. As 6 (seis) Escolas Municipais de Educação Especial exis-
Acompanhamento à Inclusão - CEFAI, pelo Professor de Apoio e tentes objetivam o atendimento, em caráter extraordinário, de crianças,
Acompanhamento à Inclusão - PAAI, pela Sala de Apoio e Acompa- adolescentes, jovens e adultos com necessidades educacionais espe-
nhamento à Inclusão - SAAI, ora criados, e pelas 6 (seis) Escolas Mu- ciais cujos pais ou o próprio aluno optaram por esse serviço, nos casos
nicipais de Educação Especial já existentes. em que se demonstre que a educação nas classes comuns não pode
satisfazer as necessidades educacionais ou sociais desses educandos
Art. 4º. As crianças, adolescentes, jovens e adultos com necessi- e educandas.
dades educacionais especiais regularmente matriculados serão enca-
minhados, durante o processo educacional, aos serviços de Educação Art. 9º. Os serviços conveniados de Educação Especial poderão
Especial quando, após avaliação educacional do processo ensino-apre- ser prestados por instituições sem fins lucrativos conveniadas com a
dizagem, ficar constatada tal necessidade. Secretaria Municipal de Educação, voltadas ao atendimento de crian-

Didatismo e Conhecimento 95
CONHECIMENTOS GERAIS
ças, adolescentes, jovens e adultos com necessidades educacionais es- Todos com necessidades especiais deverão ser matriculados nas
peciais cujos pais ou o próprio aluno optaram por esse serviço, após redes de ensino como forma de respeitar e valorizar a diversidade hu-
avaliação do processo ensino-aprendizagem e se comprovado que não mana, ficando vedada qualquer forma de discriminação, observada a
podem se beneficiar dos serviços públicos municipais de Educação legislação que normatiza os procedimentos para matrícula, no caso a
Especial. Portaria 5718/SP.
- Propostas para atendimento
Art. 10. Os serviços de Educação Especial previstos nos artigos I - elaboração de Projeto Político Pedagógico nas Unidades Edu-
6º, 7º, 8º e 9º deste decreto serão oferecidos em caráter transitório, na cacionais que considere as mobilizações indispensáveis ao atendimen-
perspectiva de se garantir a permanência/retorno à classe comum. to das necessidades educacionais especiais;
II - avaliação pedagógica, no processo de ensino, que identifique
Art. 11. O Sistema Municipal de Ensino promoverá a acessibili- as necessidades educacionais especiais e reoriente tal processo;
dade aos educandos e educandas com necessidades educacionais espe- III - adequação do número de educandos e educandas por classe/
agrupamento, quando preciso;
ciais, conforme normas técnicas em vigor, mediante a eliminação de:
IV - prioridade de acesso em turno que viabilize os atendimentos
I - barreiras arquitetônicas, incluindo instalações, equipamentos
complementares ao seu pleno desenvolvimento;
e mobiliário;
V - atendimento das necessidades básicas de locomoção, higiene
II - barreiras nas comunicações, oferecendo capacitação aos edu-
e alimentação de todos que careçam desse apoio, mediante discussão
cadores e os materiais/equipamentos necessários. da situação com o próprio aluno, a família, os profissionais da Unidade
Educacional, os que realizam o apoio e o acompanhamento à inclusão
Art. 12. A Secretaria Municipal de Educação designará profissio- e os profissionais da saúde, acionando, se for o caso, as instituições
nais de educação que atendam aos requisitos para atuar como profes- conveniadas e outras para orientação dos procedimentos a serem ado-
sor regente de Sala de Apoio e Acompanhamento à Inclusão - SAAI e tados pelos profissionais vinculados aos serviços de Educação Especial
como Professor de Apoio e Acompanhamento à Inclusão - PAAI. e à Comunidade Educativa;
VI - atuação em equipe colaborativa dos profissionais vinculados
Art. 13. O núcleo responsável pela Educação Especial perante a aos serviços de Educação Especial e à Comunidade Educativa;
Secretaria Municipal de Educação será suprido de recursos humanos VII - fortalecimento do trabalho coletivo entre os profissionais da
e materiais que viabilizem a implantação e implementação da Política Unidade Educacional;
ora instituída no âmbito do Município de São Paulo, bem como fixará VIII - estabelecimento de parcerias e ações que incentivem o for-
normas regulamentares complementares, específicas e intersecreta- talecimento de condições para que os educandos e educandas com ne-
riais. cessidades educacionais especiais possam participar efetivamente da
Art. 14. Ficam mantidas as Salas de Apoio Pedagógico - SAP, ins- vida social.
taladas nas Unidades Educacionais do Ensino Fundamental, como su- - Definição para necessidades especiais
porte para alunos que apresentem dificuldades de aprendizagem, para Entende-se por crianças, adolescentes, jovens e adultos com ne-
os quais tenham sido esgotadas todas as diferentes formas de organiza- cessidades educacionais especiais aqueles cujas necessidades educa-
ção da ação educativa, até que sejam oportunamente reorganizadas em cionais se relacionem com diferenças determinadas, ou não, por defi-
legislação específica. ciências, limitações, condições e/ou disfunções no processo de desen-
volvimento e altas habilidades/superdotação.
Art. 15. Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação, Portanto, as altas habilidades também são consideradas necessida-
revogado o Decreto nº 33.891, de 16 de dezembro de 1993. des especiais e não apenas as disfunções e limitações de aprendizado.

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 18 de - CEFAI (Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão)
Composição
outubro de 2004, 451º da fundação de São Paulo.
Membros da Diretoria de Orientação Técnico-Pedagógica das
HÉLIO BICUDO, Prefeito em Exercício
Coordenadorias de Educação das Subprefeituras;
LUIZ TARCÍSIO TEIXEIRA FERREIRA, Secretário dos Negó-
Professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão – PAAI; e,
cios Jurídicos Supervisores Escolares
LUÍS CARLOS FERNANDES AFONSO, Secretário de Finan-
ças e Desenvolvimento Econômico - Professores (competência)
MARIA APARECIDA PEREZ, Secretária Municipal de Educa- Compete ao Professor de Apoio e Acompanhamento à Inclusão
ção - PAAI o serviço de apoio e acompanhamento pedagógico itinerante
Publicada na Secretaria do Governo Municipal, em 18 de outubro à Comunidade Educativa, mediante a atuação conjunta com os edu-
de 2004. cadores da classe comum e a equipe técnica da Unidade Educacional,
JILMAR AUGUSTINHO TATTO, Secretário do Governo Mu- na organização de práticas que atendam às necessidades educacionais
nicipal especiais dos educandos e educandas durante o processo de ensino
-aprendizagem.
O presente decreto, seguindo pelas linhas de inclusão defini-
das pela Constituição Federal, aponta para a necessidade de promover - Acessibilidade
igualdade na Política de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens O Sistema Municipal de Ensino promoverá a acessibilidade aos
e Adultos com Necessidades Educacionais Especiais no Sistema Mu- educandos e educandas com necessidades educacionais especiais, con-
nicipal de Ensino de São Paulo. forme normas técnicas em vigor, mediante a eliminação de:

Didatismo e Conhecimento 96
CONHECIMENTOS GERAIS
- barreiras arquitetônicas, incluindo instalações, equipamentos e Art. 3º - O Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão
mobiliário; - CEFAI, será composto por profissionais da Diretoria de Orientação
- barreiras nas comunicações, oferecendo capacitação aos educa- Técnico-Pedagógica e Supervisores Escolares das Coordenadorias de
dores e os materiais/equipamentos necessários. Educação e, 04 (quatro) Professores Titulares com especialização e/
ou habilitação em Educação Especial, em nível médio ou superior, em
PORTARIA 5.718/04 - SME cursos de graduação ou pós-graduação, preferencialmente um de cada
área e designados Professores de Apoio e Acompanhamento à Inclusão
Dispõe sobre a regulamentação do Decreto 45.415, de 18/10/04, - PAAI por ato oficial do Secretário Municipal de Educação, e convo-
que estabelece diretrizes para a Política de Atendimento a Crianças, cados para cumprimento de Jornada Especial de 40 (quarenta) horas de
trabalho semanais - J 40.
Adolescentes, Jovens e Adultos com Necessidades Educacionais Espe-
§ 1º - O CEFAI será parte integrante de cada Coordenadoria de
ciais no Sistema Municipal de Ensino, e dá outras providências.
Educação das Subprefeituras e será coordenado por um Profissional da
Diretoria de Orientação Técnico-Pedagógica ou um Supervisor Esco-
A SECRETÁRIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, no uso de lar da respectiva Coordenadoria de Educação.
suas atribuições legais, e, § 2º - A equipe do CEFAI poderá contar, em sistema de coopera-
ção e de maneira articulada com as demais Coordenadorias da Sub-
CONSIDERANDO: prefeitura e Secretarias Municipais, com profissionais da Saúde, Ação
- a necessidade de organizar os Serviços de Educação Especial do Social, Esportes, Lazer e Recreação e outros, desde que justificada sua
Sistema Municipal de Ensino, em consonância com as diretrizes desta necessidade e com anuência dos respectivos Coordenadores.
Secretaria: a Democratização do Acesso e Permanência, a Qualidade § 3º - Excepcionalmente, desde que justificada a necessidade, o
Social da Educação e a Democratização da Gestão; Coordenador da Coordenadoria de Educação da Subprefeitura, pode-
- o Projeto Político Pedagógico como construção em processo, rá solicitar a autorização para a designação de outros PAAI, além do
elaborado com a participação de toda a Comunidade Educativa, ex- módulo mínimo, previsto no caput deste artigo, com a anuência do
pressando suas reais necessidades, interesses e integrando os segmen- Secretário Municipal de Educação.
tos que compõem ativamente o cotidiano das Unidades Educacionais;
- a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; Art. 4º - O CEFAI poderá funcionar em espaço adequado, em sa-
- a Lei Federal nº 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente; las da Coordenadoria de Educação ou da Subprefeitura, que aloje:
- a Lei Federal nº 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educa- a) formações
ção Nacional; b) produção de materiais
c) acervo de materiais e equipamentos específicos
- a Lei Federal nº 10.172/01 - aprova o Plano Nacional de Edu-
d) acervo bibliográfico
cação;
e) desenvolvimento de projetos.
- a Resolução CNE/CEB nº 2, de 11/09/01 - Diretrizes Nacionais Art. 5º - A Coordenadoria de Educação, por meio da Diretoria de
para a Educação Especial na Educação Básica; Orientação Técnico-Pedagógica e da Supervisão Escolar, deverá ela-
borar o Projeto de Trabalho do CEFAI, efetuando sua revisão anual
RESOLVE: para as necessárias adequações, em consonância com as diretrizes da
política educacional da Secretaria Municipal de Educação - SME.
Art. 1º - Os serviços de Educação Especial, inspirados na Política
de Atendimento a Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos com Ne- Art. 6º - A autorização de funcionamento do CEFAI será publica-
cessidades Educacionais Especiais, instituída pelo Decreto nº 45.415, da em Diário Oficial do Município - DOM após análise e aprovação do
de 18/10/04, serão oferecidos na Rede Municipal de Ensino de acordo Plano de Trabalho pela Diretoria de Orientação Técnica da Secretaria
com as normas e critérios estabelecidos nesta Portaria, e através: Municipal de Educação - DOT/SME.
1 - do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão - CE-
FAI Art. 7º - O CEFAI terá as seguintes atribuições:
2 - da atuação dos Professores de Apoio e Acompanhamento à I - manter estrutura adequada e disponibilizar recursos materiais
Inclusão - PAAI às Unidades Educacionais que assegurem o desenvolvimento de ações
3 - das Salas de Apoio e Acompanhamento à Inclusão - SAAI voltadas ao serviço de apoio e acompanhamento pedagógico itinerante
4 - das Escolas Municipais de Educação Especial - EMEE e o suporte do processo inclusivo no âmbito das Unidades Educacio-
nais da Rede Municipal de Ensino;
5 - das Entidades Conveniadas
II - organizar, coordenar, acompanhar e avaliar as ações formati-
vas nas Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino;
Art. 2º - Os serviços de Educação Especial de que trata o artigo
III - acompanhar e avaliar o trabalho desenvolvido nas instituições
anterior deverão ser organizados e desenvolvidos considerando a visão de Educação Especial conveniadas à Secretaria Municipal de Educa-
de currículo como construção sociocultural e histórica e instrumento ção;
privilegiado da constituição de identidades e subjetividades que pres- IV - promover o levantamento das necessidades da região por
supõem a participação intensa da Comunidade Educativa na discussão meio de mapeamento da população que necessita de apoio especia-
sobre a cultura da escola, gestão e organização de práticas que reco- lizado, otimizando o uso dos serviços públicos municipais existentes,
nheçam, considerem, respeitem e valorizem a diversidade humana, as visando ampliar e fortalecer a Rede de Proteção Social no âmbito de
diferentes maneiras e tempos para aprender. cada Subprefeitura;

Didatismo e Conhecimento 97
CONHECIMENTOS GERAIS
V - implementar as diretrizes relativas às políticas de inclusão, Art. 9º - As Salas de Apoio e Acompanhamento à Inclusão - SAAI,
articular as ações intersetoriais e intersecretariais e estabelecer ações instaladas nas Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino,
integradas em parceria com Universidades, ONG, Conselho Municipal serão destinadas ao apoio pedagógico especializado de caráter com-
da Pessoa Deficiente - CMPD e outras instituições; plementar, suplementar ou exclusivo de crianças, adolescentes, jovens
VI - desenvolver estudos, pesquisas e tecnologias em Educação e adultos com deficiência mental, visual, auditiva (surdez múltipla),
Especial e divulgar produções acadêmicas e projetos relevantes desen- surdocegueira, transtornos globais do desenvolvimento e superdotação
volvidos pelos educadores da Rede Municipal de Ensino; (altas habilidades), desde que identificada e justificada a necessidade
VII - desenvolver Projetos Educacionais vinculados ao atendi- deste serviço, por meio da realização de avaliação educacional do pro-
mento das necessidades educacionais especiais de crianças, adoles- cesso ensino e aprendizagem.
centes, jovens e adultos e suas famílias a partir de estudos relativos à Parágrafo Único - O serviço de Educação Especial de que trata o
demanda; “caput” deste artigo poderá estender-se a educandos e educandas de
VIII - dinamizar as ações do Projeto Político Pedagógico das Uni- Unidades Educacionais da Rede Municipal de Ensino onde inexista
dades Educacionais relativas à Educação Especial, objetivando a cons- tal atendimento.
trução de uma educação inclusiva;
IX - promover ações de sensibilização e orientação à comunidade, Art. 10 - A avaliação educacional do processo ensino e aprendi-
viabilizando a organização coletiva dos pais na conquista de parceiros; zagem mencionada no artigo anterior será o instrumento orientador da
X - discutir e organizar as ações de assessorias e/ou parcerias de utilização do serviço de apoio pedagógico especializado, permeando e
forma a garantir os princípios e diretrizes da política educacional da direcionando todos os encaminhamentos e determinará o período de
SME; permanência e desligamento da SAAI.
XI - realizar ações de formação permanente aos profissionais das Parágrafo Único - A avaliação será realizada pelos educadores
Unidades Educacionais por meio de oficinas, reuniões, palestras, cur- da Unidade Educacional de origem do educando e educanda, com a
sos e outros; participação da família, do Professor regente da SAAI, do Supervisor
XII - sistematizar, documentar as práticas e contribuir na elabora- Escolar e do CEFAI e, se preciso for, dos profissionais da saúde e de
ção de políticas de inclusão; outras instituições.
XIII - elaborar, ao final de cada ano, relatório circunstanciado de
suas ações, divulgando-o e mantendo os registros e arquivos atualiza-
Art. 11 - Os encaminhamentos para utilização do serviço de apoio
dos.
pedagógico especializado realizado na SAAI deverão considerar os se-
guintes procedimentos levados a efeito na classe regular comum:
Art. 8º - O Professor de Apoio e Acompanhamento à Inclusão -
I - os recursos pedagógicos registrados no Projeto Político Peda-
PAAI realizará o serviço itinerante de apoio e acompanhamento pe-
gógico da Unidade Educacional, numa perspectiva de ‘educar para a
dagógico à Comunidade Educativa, desempenhando as seguintes atri-
diversidade’ e considerada a visão de currículo discriminada no artigo
buições:
I - promover continuamente a articulação de suas atividades com 2º desta Portaria;
o Projeto de Trabalho do CEFAI, visando ao pleno atendimento dos II - o projeto de trabalho proposto pela Unidade Educacional e
objetivos nele estabelecidos; pelo regente da classe comum para assegurar a aprendizagem de todos,
II - efetuar atendimento: o trabalho com a diversidade, as estratégias de ensino inclusivas;
a) individual ou em pequenos grupos de educandos e educandas, III - a problematização, durante os horários coletivos e outros sob
conforme a necessidade, em horário diverso do da classe regular em coordenação do Coordenador Pedagógico, das práticas pedagógicas
caráter suplementar ou complementar; desenvolvidas e o apontamento das justificativas que limitam o aten-
b) no contexto da sala de aula, dentro do turno de aula do educan- dimento das necessidades educacionais especiais no âmbito da classe
do e educanda, por meio de trabalho articulado com os demais profis- comum, ou por meio de outros serviços de apoio, e que definem o
sionais que com ele atuam; encaminhamento para o serviço de apoio especializado realizado pela
III - colaborar com o professor regente da classe comum no desen- SAAI;
volvimento de mediações pedagógicas que atendam às necessidades IV - os procedimentos arrolados nos incisos I a III, bem como
de todos os educandos e educandas da classe, visando evitar qualquer a avaliação do processo ensino e aprendizagem, serão registradas em
forma de segregação e discriminação; relatório, a ser mantido em arquivo próprio da SAAI, na Secretaria da
IV - sensibilizar e discutir as práticas educacionais desenvolvidas, Escola, com cópia no prontuário do educando e educanda.
problematizando-as com os profissionais da Unidade Educacional em
reuniões pedagógicas, horários coletivos e outros; Art. 12 - O desligamento dos educandos e educandas que frequen-
V - propor, acompanhar e avaliar, juntamente com a equipe es- tam a SAAI poderá ocorrer a qualquer época do ano, após avaliação
colar, ações que visem à inclusão de crianças, adolescentes, jovens e do processo ensino e aprendizagem, objetivando a reorientação do pro-
adultos com necessidades educacionais especiais; cesso de apoio, a indicação de outros encaminhamentos que se façam
VI - orientar as famílias dos alunos com necessidades educacio- necessários e a decisão quanto ao desligamento.
nais especiais;
VII - participar, com o Coordenador Pedagógico, Professor regen- Art. 13 - O funcionamento da SAAI ocorrerá:
te da classe comum, a família e demais profissionais envolvidos, na I - se realizado em caráter complementar ou suplementar:
construção de ações que garantam a inclusão educacional e social dos - em horário diverso daquele em que o educando e educanda fre-
educandos e educandas; quentam a classe comum;
VIII - manter atualizados os registros das ações desenvolvidas, - em pequenos grupos de, no máximo, 10 (dez) educandos e/ou
objetivando o seu redimensionamento. educandas ou individualmente;

Didatismo e Conhecimento 98
CONHECIMENTOS GERAIS
- duração: no mínimo 4 h/a e no máximo 8 h/a distribuídas na II - horas-aula a título de Jornada Especial de Trabalho Excedente
semana, de acordo com os projetos a serem desenvolvidos. - TEX - destinadas ao cumprimento de horário coletivo e planejamento
II - se realizado com atendimento exclusivo: da ação educativa.
- em grupos de, no máximo, 10 (dez) educandos e/ou educandas
considerando a demanda a ser atendida e os projetos a serem desen- Art. 18 - A designação do Professor regente da SAAI ficará con-
volvidos. dicionada ao processo eletivo em nível de Rede Municipal de Ensino,
Parágrafo Único - Os diferentes agrupamentos serão organizados divulgado em D.O.M. e à eleição pelo Conselho de Escola, mediante
conforme as necessidades educacionais especiais e de acordo com a aprovação do Projeto de Trabalho, análise do currículo dos interessa-
especialização e/ou habilitação do Professor. dos e a especificidade da demanda a ser atendida.
§ 1º - Eleito o Professor, constituir-se-á expediente a ser encami-
Art. 14 - A SAAI será instalada por ato oficial do Secretário Mu- nhado para fins de designação, composto por:
nicipal de Educação, mediante expediente instruído na seguinte con- 1 - documentos do interessado:
formidade: - cópia do de