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Trajetória do Partido Trabalhista Brasileiro entre 1946 e


1964
Trajetória do Partido Trabalhista Brasileiro entre 1946 e 1964

Carlos Frederico Rubino Polari de Alverga

Publicado em 04/2011. Elaborado em 04/2011.

Sumário:1. Introdução; 2. As origens históricas do PTB e sua formação; 3. O PTB


gaúcho, o pensamento de Alberto Pasqualini e a "complementaridade conflitiva"
entre Vargas e Pasqualini; 4. O PTB em São Paulo; 5. O PTB e o Ministério do
Trabalho; 6. O PTB e os sindicatos; 7. A dissidência do trabalhismo – O Movimento
Trabalhista Renovador (MTR) de Fernando Ferrari e outras divisões dentro do PTB
(Grupo Compacto e parcelas do PTB que integraram a Frente Parlamentar
Nacionalista (FPN) e a Frente de Mobilização Popular (FMP)); 8. Evolução da
representação parlamentar trabalhista no Legislativo Federal (Câmara dos
Deputados e Senado Federal – 1945 a 1962); 9. Conclusão;10. Complemento; 11.
Notas; 12. Bibliografia.

1.Introdução:

Este trabalho segue a orientação adotada por Campello de Souza (1976), segundo a
qual o sistema partidário brasileiro tem sua composição influenciada
significativamente pela atuação do Estado na vida nacional, ou seja, o Estado é
considerado um ator importante, decisivo, na composição do quadro político-
partidário.

Estabelecida essa premissa, dado que a formação do PTB teve decisiva ingerência do
Ministério do Trabalho (Gomes e D’Araújo, 1989), é conveniente justificar a
relevância do estudo do PTB. Segundo Schmitt (2000:27), o referido partido foi a

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agremiação política que exerceu a hegemonia da esquerda brasileira durante a


terceira República, entre 1945 e 1964. Como razão adicional para estudá-lo, pode-se
citar o fato de que o PTB foi, entre as três principais agremiações políticas da
"República Populista"(que eram, além dele próprio, o PSD e a UDN), a única a
registrar crescimento percentual da representação parlamentar no período
compreendido entre 1945 e 1962, segundo Schmitt (2000:23 e 24).

2.As origens históricas do PTB e sua formação:

As origens do PTB estão relacionadas a alguns dos objetivos que Getúlio Vargas, com
o respaldo das elites brasileiras, tentou alcançar ao longo de seu período no poder
(1930-1945 e 1951-1954), tais como: a neutralização da influência do Partido
Comunista Brasileiro no meio urbano – industrial e sindical, entre os operários das
cidades; o amortecimento da luta de classes na sociedade brasileira, por meio da
"doação" da legislação social e do trabalho, reunida na "Consolidação das Leis do
Trabalho", de 1943; a consolidação da base política varguista entre o proletariado dos
maiores municípios brasileiros. O que foi escrito acima será confirmado por
transcrições de textos de estudiosos no assunto.

Segundo Benevides, "O PTB poderia servir de instrumento de mobilização –


principalmente frente à ameaça comunista..." (Benevides,1989:23). Segundo a
mesma autora, "Getúlio criou o Partido Social Democrático com a mão direita e o
Partido Trabalhista com a mão esquerda" (Ibidem:31). Gomes e D’Araújo (1989)
concordam com Benevides em relação ao argumento de que o PTB surgiu, em parte,
para neutralizar a influência comunista nas áreas urbanas e sindicais e entre o
operariado. Segundo elas, referindo-se à fundação do PTB e do PSD, "A criação
desses dois partidos políticos não resulta de um cálculo maquiavélico, que buscava
distinguir bases diferenciadas de apoio político. Ao contrário, o PSD e o PTB
emergem como a solução pragmática possível num contexto em que as presenças de
um significativo partido de oposição (UDN) e de uma forte esquerda organizada (PC)
forçavam a tomada imediata de decisões políticas. Pode-se descartar, portanto, com
segurança, a versão corrente de que a concepção do PTB tenha sido uma invenção de
última hora. Não foi concebido exclusivamente para funcionar como um contrapeso à
força crescente – e surpreendente – do Partido Comunista, nem foi imaginado a
posteriori como alternativa popular face ao elitismo do PSD.

Certamente o PTB foi imaginado como a melhor opção partidária para o trabalhador
brasileiro. Nesse sentido era uma cunha entre as massas trabalhadoras e o
comunismo, mas não um partido cujo móvel e sentido fosse o anticomunismo.(...). O
PTB não deve ser entendido como mera força reativa ao comunismo "(Gomes e
D’Araújo, 1989:16).

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Ainda sobre esse assunto, e considerando ter sido a necessidade de contraposição à


penetração do PCB nos meios sindicais urbanos a principal razão da fundação do
PTB, Moniz Bandeira nos informa o seguinte: "Vargas viu-se então na contingência
de autorizar a organização do Partido Trabalhista Brasileiro, a fim de evitar que
ponderável setor da classe operária se voltasse para o PCB" (Bandeira, 1979:33). O
mesmo autor também nos informa que o PTB " Funcionaria como anteparo contra o
avanço do PCB, organização mais avançada dos trabalhadores, até então reprimida
pelo Estado Novo. Essa preocupação em neutralizar o comunismo, também por
métodos que não os de força, sempre acompanhou Vargas" "(Bandeira, 1978:29).

De acordo com Benevides "O trabalhismo brasileiro encontra suas raízes logo após a
Revolução de 30, e é durante o Estado Novo que se desenvolve, vinculado à
implantação da legislação trabalhista. Consolida-se, portanto, como uma verdadeira
emanação de Getúlio Vargas. (...) o trabalhismo getulista expressava-se em três
grandes linhas: o nacionalismo,"a justiça social", com a exaltação da legislação
trabalhista, e o sindicalismo populista. Como eixo unificador, temos a noção de um
Estado interventor e "organizador", baseado no projeto de emancipação nacional e
desenvolvimento econômico" (Benevides, 1989:94). Para corroborar o que foi escrito
acima, transcrevo um trecho do verbete sobre o PTB do Dicionário Histórico –
Biográfico Brasileiro (DHBB): "A primeira convenção nacional do PTB, realizou-se
em 14 de setembro de 1945, no Rio de Janeiro. (...). Nessa convenção, foi também
lançado o programa do PTB que (...) defendia sobretudo: 1) o reexame da
Constituição sem que fossem reduzidos os direitos por ela assegurados aos
trabalhadores; 2) o amparo da legislação aos trabalhadores rurais e também aos
trabalhadores das autarquias e servidores públicos, quando seus direitos fossem
inferiores aos dos trabalhadores das empresas privadas; 3) a criação de órgãos
paritários da Justiça do Trabalho em todos os grandes centros trabalhistas do país,
assegurando-se um rápido andamento nos processos; 4) a ampliação da
representação das classes, sem preponderância de nenhuma delas, em todos os
órgãos que representassem o capital e o trabalho; 5) a planificação econômica
atingindo todos os setores, por meio da orientação, intervenção ou gestão do Estado,
para que a produção do país atendesse às necessidades internas; 6) a melhor
distribuição da riqueza, reconhecido ao capital o direito a um lucro com limite
razoável; 7) a extinção dos latifúndios improdutivos, assegurando-se a possibilidade
de posse da terra a todos os que quisessem trabalhá-la e 8) o direito de greve pacífica
e a distinção entre greve legal e ilegal" (Beloch e Abreu, 1984:2600).

Acerca da fundação do PTB, Moniz Bandeira nos informa que "O PTB,..., nasceu
numa das vertentes do Bonapartismo de Vargas(na outra o PSD se originou), quando
o Estado Novo agonizava e alicerçou sua organização no proletariado, apesar dos
elementos pequeno-burgueses e das peculiaridades que o influenciavam. (...). Nos
atritos de classe, o PTB intermediava, acomodava as reivindicações dos operários aos

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limites tolerados pelo capitalismo, ao mesmo tempo em que sofreava a exploração


excessiva de sua força de trabalho. Por isto alguns de seus líderes se celebrizaram
como pelegos1(...). Também nesse aspecto o PTB se aproximava da Social
Democracia, exercendo ofício semelhante ao que ela desempenhava na Europa, como
fator de equilíbrio nas relações de classe.

Evidentemente, como o próprio Vargas declarou, o PTB, ao menos em seus


primórdios, não era socialista, era apenas socializante e devia constituir uma opção
para os trabalhadores, que não integrariam nem o PSD nem a UDN, variantes da
oligarquia cindida"(Bandeira, 1978:28,29).

Segundo os autores do DHBB, um elemento relevante para a fundação do PTB foi o


Ministério do Trabalho, por intermédio do titular da pasta em 1945, Alexandre
Marcondes Filho (Beloch e Abreu, 1984:2600). Outro fator do processo de formação
do Partido Trabalhista Brasileiro foi o "queremismo", que, segundo os autores
anteriormente citados, "foi um movimento popular que tinha como objetivo lutar
pela permanência de Vargas na presidência da República através da convocação de
uma assembléia nacional constituinte"(Beloch e Abreu, 1984:2600). Ainda de acordo
com os mesmos autores, "a mobilização trazida por esse movimento proporcionou
uma grande expansão para o PTB e teve grande influência na fixação da política do
novo partido" "(Beloch e Abreu, 1984:2600).

3.O PTB gaúcho, o pensamento de Alberto Pasqualini e a


"complementaridade conflitiva" entre Vargas e Pasqualini:

O PTB-RS foi a mais importante seção do PTB nacional, na qual militaram os mais
destacados líderes trabalhistas brasileiros, tais como Getúlio Vargas, João Goulart,
Alberto Pasqualini, Leonel Brizola, Fernando Ferrari entre outros.

Dentre esses, o que se notabilizou por ser o teórico, o ideólogo, o doutrinador do


trabalhismo brasileiro, foi o ex-Senador Alberto Pasqualini, o qual, segundo Beloch e
Abreu (1984:2600), liderava uma "corrente de orientação mais doutrinária, ..., que
tinha uma perspectiva influenciada pelo trabalhismo inglês". Ainda segundo os
mesmos autores, "Pasqualini deixou claro que considerava inviável a implantação do
sistema socialista no Brasil. As influências mais marcantes em seu pensamento
partiam da doutrina expressa pelas encíclicas papais e pelo trabalhismo inglês,
sintetizadas em alguns princípios gerais que ele mesmo enunciou: a) o trabalho é a
fonte principal e originária de todos os bens produzidos; b) a coletividade humana é
um sistema de cooperação; c) a forma de cooperação é um intercâmbio de trabalho.
Quem de útil nada produz, nada tem para permutar; d) o poder aquisitivo é a
contrapartida do trabalho socialmente útil; e) a função precípua do Estado deve ser
hoje a realização da justiça social. Se a justiça social se admite, se traduz por uma

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distribuição eqüitativa da riqueza, isto significa,..., que garantido um mínimo


fundamental, a participação de cada um no produto social...deve estar em relação ao
valor social do seu trabalho, f) o objetivo fundamental do trabalhismo deve ser a
diminuição crescente da usura social e alcançar uma tal organização da sociedade
onde todos possam realizar um trabalho socialmente de acordo com as suas
tendências e aptidões, devendo a remuneração graduar-se pelo valor social desse
trabalho com a garantia de um número dentro dos padrões da nossa civilização para
as formas de trabalho menos qualificadas"(Beloch e Abreu,1984:2612).

É conveniente esclarecer a definição de usura social para Pasqualini. Segundo os


autores do DHBB, a usura social existe "quando as relações econômicas entre os
membros de uma sociedade não estão baseadas nos princípios de justiça social... . A
usura social é o que comumente se costuma denominar de exploração do homem
pelo homem" (Ibidem:2612).

Em relação ao PTB do Rio Grande do Sul, transcreverei alguns trechos que constam
da seção de história do trabalhismo do site do PDT na Internet, nos quais é feito o
retrospecto da trajetória do trabalhismo gaúcho, da figura central de Pasqualini e do
relacionamento político entre este último e Vargas, este último item baseado na obra
de Miguel Bodea.

"Para compreender melhor o projeto do PTB é necessário estudar a


formação e o desenvolvimento deste partido no Rio Grande do Sul,
que se destacou não só por ser a seção estadual mais organizada, mas
também pela contribuição teórica de Alberto Pasqualini.

O PSD surge no Rio Grande do Sul pelas mãos do interventor Ernesto Dornelles,
primo de Vargas, e por Protásio Vargas, irmão do Presidente. A sua primeira
convenção ocorre em julho de 1945 já marcada por divergências levantadas por um
grupo que defendia um apelo à mobilização de massas, uma posição antielitista e
favorável a um programa de reformas sociais. Estava criada a "Ala Trabalhista" do
PSD, embrião do Partido Trabalhista Brasileiro, composta basicamente por
lideranças sindicais.

A Ala Trabalhista envolve-se de corpo e alma no "queremismo", movimento que


defende a reeleição de Vargas e tem o apoio de Prestes, recém saído da prisão, do
Partido Comunista. Com isso distancia-se da cúpula do PSD, comprometida com a
candidatura do general Eurico Gaspar Dutra à presidência da República.

No dia 14 de setembro a "Ala" desliga-se formalmente do PSD e funda o PTB. A ata


de fundação é assinada por presidentes, diretores e lideranças de vários sindicatos,
entre os quais: metalúrgicos, carris, portuários, alfaiates, comerciários, madeireiros e
dos vários ramos da alimentação. Ao lado da assinatura de lideranças sindicais de

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peso apenas dois bacharéis.

O PTB é formado por sindicalistas com larga tradição de luta, tendo alguns
conhecido as prisões do Estado Novo, e arredios à entrada no partido de "bacharéis e
políticos profissionais" (...).

No mesmo mês de fundação do PTB é lançada em Porto Alegre a União Social


Brasileira (USB), formada por intelectuais, bacharéis e estudantes.

O presidente deste agrupamento político é o advogado Alberto Pasqualini, que havia


sido Secretário de Interior e Justiça na Interventoria de Ernesto Dornelles, onde após
breve período, demitiu-se em discordância com a política do Estado Novo.

As idéias de Pasqualini centram-se numa plataforma reformista que tem como meta
transformar o "capitalismo individualista em capitalismo solidarista, com uma
socialização parcial do lucro".

No seu discurso de lançamento da USB, Pasqualini frisa que o objetivo "não é a


socialização dos meios de produção, mas a criação de um capitalismo sadio onde o
fim social se sobreponha ao egoísmo, ao interesse e ao proveito exclusivamente
individual; de um capitalismo que compreenda o papel preponderante dos
trabalhadores e que, em conseqüência, não lhes recuse a parte dos proveitos que lhes
cabe por justiça".

A USB também defende em seu programa "uma organização sindical baseada no


princípio da liberdade, com a mais ampla autonomia" e constata que "não será
possível instituir no Brasil um verdadeiro regime democrático sem que se prepare as
bases econômicas".

A aproximação entre o PTB e a USB deu-se em seguida à fundação das respectivas


organizações, e o motivo inicial era o processo eleitoral que se avizinhava. Durante as
conversações ocorre a derrubada de Vargas, o que apressa a divulgação de um
manifesto conjunto "reconhecendo exclusivamente na vontade do povo, manifestada
sem qualquer constrangimento, o poder soberano de traçar normas jurídicas e de
escolher seus legítimos representantes".

O "Termo de Compromisso político entre o PTB e a USB" frisa também que "ambas
as agremiações conjugarão os seus esforços na defesa dos direitos e dos interesses
das classes trabalhadoras e da coletividade em geral".

Além disso, o documento afirma que "as duas agremiações discutirão conjuntamente
a questão eleitoral a nível municipal, estadual e nacional e qualquer deliberação será
tomada em harmonia. O mesmo sistema de consultas é também recomendado
relativamente às questões concernentes à política nacional".

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No decorrer do ano de 1946 ocorreria, na prática, a incorporação da USB no PTB. É a


fusão de um movimento social reformista com um projeto de desenvolvimento
nacional autônomo, o que vem dar ao PTB gaúcho um papel especial na estrutura da
organização a nível nacional.

Ao lado de uma forte liderança popular com implantação nacional funde-se uma
elaboração teórica reformista que dará, principalmente ao PTB gaúcho, uma tintura
de esquerda, apesar da entrada no partido da dissidência getulista do PSD, portadora
de posições mais conservadoras"(PDT,2002).

Para resumir o trecho transcrito, e caracterizar a filosofia trabalhista de Pasqualini,


destaco os seguintes pontos: 1) o PTB gaúcho se origina de uma dissidência do PSD
do Rio Grande do Sul, denominada "Ala Trabalhista"; 2) o PTB-RS foi, inicialmente,
um partido constituído essencialmente por trabalhadores, havendo resistência dos
primeiros dirigentes ao ingresso de bacharéis e profissionais liberais na agremiação;
3) no mesmo mês de fundação do PTB-RS foi lançada, sob a liderança de Alberto
Pasqualini, em Porto Alegre, a União Social Brasileira (USB), formada por
intelectuais, bacharéis e estudantes. Esse agrupamento, que depois viria a se fundir
com o núcleo inicial do PTB do Rio Grande do Sul, tinha uma proposta teórica sólida,
de cunho reformista, e propunha, basicamente: a) capitalismo com responsabilidade
e solidariedade social, na linha da Doutrina Social da Igreja; b) economia social de
mercado, com socialização parcial do lucro; c) repartição eqüitativa da renda
nacional, com participação dos trabalhadores, no produto social, de modo
proporcional à sua contribuição para a geração da referida renda; d) liberdade e
autonomia sindical, em contraposição à legislação sindical do Estado Novo, que
colocou os sindicatos brasileiros sob a tutela do Estado nacional; e) realização da
justiça social por intermédio da atuação do Estado; f) necessidade de intervenção do
Estado na esfera econômica; 4) o PTB-RS teve sua constituição consolidada pela
fusão do núcleo inicial do PTB gaúcho com a USB de Pasqualini, o que ocorreu no
ano de 1946, o que dará à referida seção do partido de que se trata uma orientação
voltada para a esquerda, ou seja, direcionada para uma proposta de transformação
da sociedade brasileira; 5) A referida fusão representou a associação de uma proposta
reformadora do capitalismo brasileiro (USB) com um projeto de desenvolvimento
autônomo para o Brasil (núcleo inicial do PTB gaúcho), dando ao PTB-RS um papel
de destaque na composição do PTB nacional.

Para finalizar este item, julguei importante abordar o relacionamento entre Vargas e
Pasqualini. Trancreverei mais alguns trechos da seção de história do trabalhismo do
site do PDT na Internet: "Sobre o relacionamento Vargas-Pasqualini é de
fundamental importância a tese de Miguel Bodea, apresentada no mestrado de
Ciência Política da Universidade de São Paulo, intitulada "Trabalhismo e
Populismo2: O Caso do Rio Grande do Sul". O autor sustenta que a "dimensão

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essencial do relacionamento Vargas-Pasqualini não se situa no confronto entre duas


tendências políticas ou na disputa entre duas lideranças partidárias rivais, mas na
dinâmica de uma divisão de tarefas no seio do mesmo partido, que gera, entre ambos
uma relação de complementariedade com aspectos conflitivos".

Esta "complementariedade conflitiva" se dá em três níveis:

- entre o projeto político nacional (Vargas) e o projeto de construção do Partido


Trabalhista (Pasqualini)

- entre a liderança política nacional (Vargas) e a liderança política regional


(Pasqualini)

- entre o estrategista político (Vargas) e o doutrinador e teórico (Pasqualini).

Para Pasqualini, o PTB era o instrumento fundamental de realização das reformas


sociais para chegar ao "Solidarismo". O teórico trabalhista defendia que "nosso
problema não é apenas vencer uma eleição e controlar o governo, nosso problema é
criar uma mentalidade social para realizar o programa que defendemos". A sua visão
do partido como educador das massas levou-o a ser conhecido na história do
trabalhismo "como candidato bom para ganhar e ótimo para perder", conforme as
palavras do deputado petebista Ruy Ramos, para quem Pasqualini era um candidato
que mesmo perdendo eleições fazia uma pregação durante a campanha que deixava o
partido fortalecido na derrota.

Porém, apesar das diferenças, existe um entrosamento, mesmo que conflitivo, entre
as duas lideranças, com o casamento do projeto nacional de Vargas e o social
reformismo de Pasqualini. Cumpre salientar que, embora não tenha pensado a
questão nacional, existe um ponto presente na proposta do desenvolvimento
autônomo getulista, também desenvolvido por Pasqualini, que é a questão da
intervenção do Estado na economia.

Segundo Pasqualini: "É imprescindível, portanto, a intervenção do Estado na esfera


econômica, quer para corrigir suas anomalias, quer para suprir as deficiências da
iniciativa privada, pois o Estado deve sempre colocar os interesses coletivos acima de
interesses particulares de pessoas ou grupos".

Um outro ponto, que leva muitos a considerar Vargas à esquerda de Pasqualini, é a


questão do socialismo. De fato, em várias peças dos discursos getulistas encontram-
se trechos que defendem o socialismo e o mais citado é aquele pronunciado no
comício de encerramento da campanha de Pasqualini ao governo do Estado do Rio
Grande do Sul, em 29 de novembro de 1947: "A velha democracia liberal e capitalista
está em franco declínio porque tem fundamento na desigualdade. A ela pertencem
vários partidos, com rótulo diferente e a mesma substância. A outra é a democracia

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socialista, a democracia dos trabalhadores. A esta eu me filio".

Este tipo de colocação seria repetido algumas vezes, mas nem por isso se poderia
atribuir a Vargas uma postura verdadeiramente socialista e uma posição à esquerda
de Pasqualini. Estas citações são muito mais um recurso de retórica para causar
impacto em determinadas situações.

Para Pasqualini "não existem condições materiais objetivas, nem condições


psicológicas e políticas para a instituição do socialismo. É necessário um certo
desenvolvimento industrial, que não existe no Brasil, e que se esse desenvolvimento
tivesse atingido aqueles limites em que já não seria conveniente se mantivesse sob o
regime da iniciativa privada".

Na medida em que não existem os pressupostos necessários para a transformação


socialista do Brasil é necessário, porém, mudar o "capitalismo individualista" que
tenderia para o "monopólio, para a hegemonia econômica, para exploração do povo,
para o imperialismo".

Como alternativa ao "capitalismo egoísta e agressivo, que gera a opressão, a miséria e


as guerras", Pasqualini propõe o "capitalismo solidarista". Porém, o que o líder do
PTB faz, influenciado pelo trabalhismo inglês e pelas idéias de Lord Keynes, é uma
análise linear do desenvolvimento capitalista dentro de uma visão de que fazendo
algumas reformas no capitalismo brasileiro poderia se chegar a um capitalismo
desenvolvido, do tipo inglês, e só aí propor o socialismo.

A divisão de tarefas entre Vargas e Pasqualini, referida no estudo, já cita Miguel


Bodea, encontra seu ponto mais importante na questão de funções político-
partidárias entre os dois líderes trabalhistas.

Vargas é o estrategista político que comanda o aparelho do Estado no período 30/45


e a partir dele tenta colocar em prática o seu projeto de Nação capitalista autônoma.
Na medida em que é derrubado e ocorre uma institucionalização democrática com
livre funcionamento dos partidos e do parlamento, se torna imprescindível a
reconquista do poder para a continuidade do projeto. E para isso é necessário forjar
os instrumentos adequados, trilhando um duplo caminho.

Por um lado, incentivar a aglutinação num partido das elites e dos esquemas
regionais das elites e dos esquemas regionais criados no Estado Novo (PSD), e por
outro organizar um partido que funcione como catalisador do voto das massas
urbanas (PTB).

Pasqualini se destaca como o teórico e o doutrinador do trabalhismo e tem uma


concepção do partido como "educador de massas". Via no PTB o instrumento
privilegiado e exclusivo do seu projeto de reformas sociais. Porém, na sua visão o

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partido deveria preocupar-se não só em ganhar eleições, mas sim em criar uma
conscientização na "sociedade civil" para realizar um amplo programa de
transformações sociais. Além disso, privilegia o consenso dos métodos democráticos
para chegar ao poder.

(...) E um verdadeiro partido trabalhista no Brasil "deveria ser um


movimento de ascensão do proletariado rural e urbano, dos pequenos
produtores, das populações pobres e desamparadas".

Pode-se dizer que Pasqualini remetia-se à "sociedade civil" e aos aspectos político-
educativos das massas, enquanto Vargas perseguia a "sociedade política" e o
aparelho do Estado. Esta divisão de tarefas fundia-se numa corrente partidária
fornecendo-lhe uma certa homogeneidade, muito embora estivessem presentes os
elementos conflitivos, que já citamos anteriormente.

A Carta-Testamento de Getúlio traz em seu bojo duas lições importantes:

(...) Um partido com programa de transformações sociais só se


mantém no poder e consegue seus objetivos, com uma ampla base de
penetração e organização na sociedade civil" (PDT, 2002).

Para sintetizar este trecho transcrito, destaco os seguintes pontos: 1) A função de


Pasqualini no trabalhismo era a de teórico e doutrinador; 2) O papel de Vargas no
PTB era o de estrategista que visava ao alcance do poder político, com vistas à
consecução de seu projeto de desenvolvimento econômico nacionalista e autônomo;
3) Pasqualini visava à sociedade civil em sua pregação teórico-doutrinária; 4) Vargas
atuava tendo como objetivo a conquista do aparelho de Estado; 5) Ambos
concordavam no que diz respeito à necessidade de intervenção do Estado na
economia, para suprir as deficiências da iniciativa privada.

4.O PTB em São Paulo:

Ao contrário do PTB-RS, o PTB-SP caracterizou-se, no período entre 1945 e 1964,


pela fragilidade política, pela indefinição ideológica e pela prática intensa do
fisiologismo político. Benevides (1989) apresenta uma série de aspectos que ajudam
a entender as referidas características, dos quais destaco os seguintes:

a) Indefinição quanto ao conteúdo político do PTB-SP: "Para este caso específico do


PTB paulista, até que ponto petebismo é sinônimo de getulismo? Ou será que, em
São Paulo, petebismo sempre rima com janismo e ademarismo? De qual populismo
estamos falando?" (Benevides,1989:16);

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b) O fato de o PTB bandeirante disputar votos com outras agremiações políticas de


cunho trabalhista, o que não ocorria nem no Rio de Janeiro nem no Rio Grande do
Sul: "Em certos estados, a identificação do PTB com os trabalhadores urbanos –
como no Rio de Janeiro - e com a tradição getulista, como no Rio Grande do Sul, era
facilitada por óbvias raízes históricas e pela competição restrita no campo do
trabalhismo. (...).

Em São Paulo, a situação era bastante diversa. (...) o PTB paulista, mesmo em seu
período mais articulado, nunca pôde se arvorar em "dono do trabalhismo" e
tampouco em líder inconteste do movimento sindical. O janismo e o ademarismo não
repudiavam Getúlio e também eram do "povo"; os comunistas (sob várias legendas
partidárias) controlavam boa parte dos sindicatos (...) e a "família trabalhista"incluía
aqueles pequenos partidos que Getúlio Vargas ironizava como "os partidos da Sloper,
as bijuterias políticas": o PRT, Partido Rural Trabalhista; o PTN, Partido Trabalhista
Nacional; o PST, Partido Social Trabalhista, e, mais tarde, o MTR, o Movimento
Trabalhista Renovador. Todos disputavam o eleitorado do maior parque industrial
brasileiro. A força do movimento dos trabalhadores em São Paulo tornava-se,
paradoxalmente, um dos motivos para a relativa fraqueza do PTB" (Ibidem:18);

c) Fragmentação do partido em conseqüência de disputas internas entre dirigentes


da cúpula estadual do PTB-SP: " A trajetória do PTB é marcada pelas constantes lutas
internas que o levavam a fragmentar-se em grupos e alas, sempre cambiantes. A
intervenção da direção nacional tornava-se rotina – as chamadas "comissões de
reestruturação" substituíam diretórios que supostamente deveriam ser eleitos. (...). A
fragmentação do partido é assim resumida por Fernando Henrique Cardoso: "As
disputas pela liderança interna do PTB a nível nacional e o clientelismo político de
lideranças pouco comprometidas com os interesses políticos da massa de
empregados e trabalhadores que o partido formalmente dizia representar
fragmentaram o PTB paulista entre o personalismo e o prestígio de uns poucos
líderes secundários e o controle da máquina pela Deputada Ivete Vargas"(1975)"
(Benevides,1989:19);

d) Divisão do movimento sindical em São Paulo: "O PTB paulista envolve-se nas
disputas políticas nos sindicatos e nas greves de trabalhadores, mas não consegue ter
uma posição "hegemônica" no movimento sindical, dividido entre várias correntes e
sob a forte influência dos militantes comunistas" (Benevides,1989:19);

Além do fator acima mencionado, qual seja, o de que a existência de várias


vinculações políticas a que estavam associados os diversos setores do sindicalismo
paulista ter impedido uma maior penetração do PTB no meio sindical de São Paulo,
contribuindo assim para o não fortalecimento do trabalhismo getulista3 naquela
Unidade da Federação, um outro fator que contribuiu para que o PTB não se
consolidasse em São Paulo foi a forma pela qual essa agremiação política procurou

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representar os trabalhadores a ela associados. Segundo Benevides (1989:21), esse


modo de representação manteve-se "no nível mais tradicional da representação
política conhecida no Brasil: elitista, da cooptação pelo peleguismo, de maneira a
formar, no máximo, um partido para os trabalhadores, e não de trabalhadores";

e) O excesso de clientelismo praticado pelos dirigentes petebistas em São Paulo:


"Além da fragmentação e das lutas internas, o PTB paulista destacou-se pelo mais
explícito fisiologismo – entendido como as transações políticas visando a nomeações
e benesses públicas, a transformação da política em negócio (e não negociação), a
confusão consciente entre público e privado. O exemplo mais eloqüente desse
fisiologismo é dado pela atuação, sempre eficiente, de Ivete Vargas – dona da
máquina, pelo menos a partir de 1955, e dos contatos dos bastidores com políticos,
empresários e governantes. Na sua visão, é claro, não se tratava de "fisiologismo"-
mas da própria arte de fazer política (...) com competência, senso de oportunidade e
até mesmo de dever" (Ibidem:25).

Isso vem a corroborar a caracterização feita no sentido de qualificar o PTB-SP como


"fisiológico", e o PTB-RS como "ideológico";

f) O interesse dos dirigentes nacionais do PTB na debilidade do PTB paulista: "Os


poucos analistas do sistema partidário em São Paulo, no período pré-64, são
unânimes em apontar as "conveniências" da cúpula nacional do partido. Para
Fernando Henrique Cardoso (1975), "o controle do trabalhismo por Getúlio Vargas e
depois por João Goulart requeria, na luta interna do PTB, uma seção paulista
relativamente fraca (...). Posto à margem o Partido Comunista, interesses nacionais,
no caso do PTB, contrariavam as tendências favoráveis à constituição de um real
partido de massas em São Paulo".(...).

O PTB paulista não podia crescer e ameaçar a hegemonia gaúcha (Pasqualini, Jango,
Ferrari, Brizola, Getúlio e família – o PTB era "feudo" dos gaúchos!)"(Benevides,
1989:22).

Além de Benevides (1989), Castro Gomes e D’Araújo (1989:38) também analisam o


PTB paulista. Segundo elas, "São Paulo seria um caso notável de contradições. Sendo
o Estado que possuía o movimento operário e sindical mais importante do país, tudo
levaria a supor que o PTB paulista estaria fadado a ser um grande partido. Não é isso
que ocorre. Contudo, esteve longe de ser um partido "fraco". Foi sempre uma força
política chave nas grandes articulações partidárias, quer a nível estadual, quer a nível
federal. Mas nunca conseguiu grande sucesso eleitoral e teve que competir
arduamente junto às massas trabalhadoras mobilizadas por outras lideranças como a
do ademarismo e sobretudo a do janismo*.Isto, naturalmente, sem falar nos
comunistas".

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*- Corresponde à característica b citada por Benevides.

5) O PTB e o Ministério do Trabalho:

No Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro (DHBB), no verbete que aborda o PTB,


Beloch e Abreu assim descrevem o relacionamento entre o PTB nacional e o
Ministério do Trabalho: "O veículo primordial para a organização do partido foi o
Ministério do Trabalho. O titular da pasta em 1945, Alexandre Marcondes Filho, foi
um dos seus principais organizadores, juntamente com José de Segadas Viana, Paulo
Baeta Neves e outros igualmente ligados ao ministério e aos sindicatos. O partido
tinha como base os sindicatos controlados pelo Ministério do Trabalho e utilizava-se
do prestígio adquirido por Vargas graças à legislação social e trabalhista do Estado
Novo para atrair as camadas populares, principalmente urbanas, para sua legenda"
(Beloch e Abreu, 1984:2600).

Sobre o mesmo assunto, Castro Gomes e D’Araújo (1989) nos informam que as
relações entre o PTB e o Ministério do Trabalho foram problemáticas no período
entre 1946 e 1950. Segundo elas, "O grande arquiteto do suporte de massas que o
PTB tivera fora o último ministro do Trabalho do Estado Novo, Alexandre
Marcondes Filho, que, ao assumir esta pasta em meados de 1942, desenvolveu um
amplo esforço sindical e doutrinário no meio das classes trabalhadoras. Portanto, o
PTB, em sua dinâmica, não pode ser entendido sem um exame de suas relações com
o Ministério do Trabalho e obviamente com a diretriz política aí dominante em
relação ao movimento sindical.

É muito significativo que, já nas articulações para a eleição de Dutra em 1945, a pasta
do Trabalho tenha sido o grande prêmio oferecido ao PTB por seu apoio eleitoral. Em
decorrência, a partir desse acordo, a tradição firmada é que deveria caber aos
trabalhistas a condução dessa importante área política. É compreensível, assim, que
as aproximações e afastamentos entre o PTB e o Ministério do Trabalho sejam um
indicador importante para a avaliação da força do partido e de sua tradução em
termos de presença na política governamental"(Castro Gomes e D’Araújo, 1989:43 e
44). Ainda segundo as mesmas autoras, nenhum dos Ministros do Trabalho do
Governo Dutra (1946-1951) "pode ser qualificado como um quadro do PTB"
(Ibidem:44).

Desses argumentos, podemos concluir que o Ministério do Trabalho, devido ao


controle que exercia sobre os sindicatos brasileiros em virtude da legislação
outorgada no Estado Novo (1937-1945), que estabelecia a obrigatoriedade de
reconhecimento das entidades sindicais pelo referido ministério, forneceu as bases
eleitorais urbanas que fundaram o PTB, mantendo com esse último um estreito
vínculo. Além disso, houve o fato de que, em algumas ocasiões, nos Governos da

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terceira República (1945-1954), a pasta do Trabalho foi destinada ao PTB,


principalmente na segunda Administração Vargas (1951-1954), quando, segundo
Beloch e Abreu (1984), Vargas relegou " a um segundo plano o fortalecimento do
PTB, que teve pouca expressividade na composição ministerial e recebeu apenas uma
pasta: o Ministério do Trabalho, ocupado sucessivamente por Danton Coelho, José
Segadas Viana, João Goulart e Hugo de Faria. Essa postura de Vargas, além de não
proporcionar um fortalecimento do PTB, iria permitir a instalação de sucessivas
crises no interior do partido ao longo de seu governo" (Beloch e Abreu 1984:2602). É
importante registrar a passagem de João Goulart pelo Ministério do Trabalho, entre
julho de 1953 e fevereiro de 1954, quando sua proposta de duplicação do salário
mínimo, segundo Beloch e Abreu (1984:2603), provocou uma reação forte de setores
conservadores e dos militares, que lançaram o "Manisfesto dos Coronéis", causando,
logo depois, a demissão de Jango por Getúlio.

Depois disso, ainda segundo os mesmos autores (1984:2603-2608), o PTB ocupou a


pasta do Trabalho no Governo Café Filho (1954-1955), com Alencastro Guimarães, da
ala conservadora do partido, no Governo JK (1956-1961), com José Barroso e
Fernando Nóbrega, que não representavam a linha mais autêntica do PTB. Após a
aprovação da emenda parlamentarista, em setembro de 1961, o PTB voltou a ocupar
a pasta do Trabalho somente em 1962, no segundo gabinete parlamentarista, de
Brochado da Rocha, com Hermes Lima. No terceiro e último gabinete
parlamentarista, de Hermes Lima, o Ministro do Trabalho foi o petebista João
Pinheiro Neto; no governo presidencialista de Goulart, do início de 1963 até a queda
em abril de 1964, ocuparam o Ministério do Trabalho os integrantes do PTB Almino
Afonso e Amauri Silva. Também vale a pena destacar que, nesse período, segundo
Beloch e Abreu (1984:2605), um fator que tornava o Ministério do Trabalho
estratégico, era o fato de este último "controlar os institutos de previdência social e as
delegacias regionais do trabalho, de grande importância em nível local nos dissídios
trabalhistas por categoria".

6.O PTB e os sindicatos:

De acordo com Castro Gomes e D’Araújo "Havia outro elemento da maior


importância para sua (do PTB) performance política: suas bases sindicais.

Enquanto partido o PTB estava assentado nos sindicatos. Por orientação do próprio
Vargas, os organizadores do PTB deram prioridade a esse tipo de quadro com o
intuito claro de dar ao partido um cunho eminentemente sindicalista. Segundo José
Gomes Talarico, um dos fundadores do PTB em 1945, as listas de assinaturas para
criação do PTB foram colhidas "no instituto dos comerciários, nos industriários, por
parte dos assegurados, no instituto dos marítimos, no Iapetec, enfim, nas
organizações em que a presença do trabalhador era permanente" (...).

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(...). Uma das mais expressivas figuras do PTB da Paraíba declara que
neste Estado "não tinha um só presidente de sindicato, novo ou velho,
que não fosse membro do diretório do PTB". Em São Paulo, a situação
se repete. A presença marcante de lideranças sindicais
operacionalizaria, em termos práticos, a participação dos sindicatos
diretamente naquilo que era a matéria prima do trabalhismo getulista
3
: o trabalhador organizado.

(...). O que importa reter aqui é que o PTB surge como um partido que
tem por função canalizar os esforços investidos pelo Estado Novo na
organização sindical dos trabalhadores, e, nestes termos, ele foi bem
sucedido.(...) o PTB foi o lado mais modernamente organizado da
política trabalhista: os sindicatos tornavam-se as bases efetivas de um
partido político" (Castro Gomes e D’Araújo, 1989:37 e 38).

A esse tema também se refere Benevides (1989;151): "Quanto à relação partido e


sindicato – o que é também o ponto mais complexo – qualquer avaliação apontará
para a ambigüidade , no plano doutrinário, e para o peleguismo, no plano da atuação
concreta. O levantamento da presença do PTB no meio sindical e os depoimentos de
petebistas revelam dados francamente comprobatórios do peleguismo insidioso,
sobretudo dos membros da direção...". A mesma autora escreve que "No trabalhismo
getulista, o governo tutela e favorece os sindicatos – e os sindicalistas profissionais-,
e os sindicatos acatam as orientações políticas do governo, inclusive , como foi o
caso, o ostracismo dos comunistas. (...).No trabalhismo getulista o partido é o
intermediário entre o governo e os sindicatos" (Ibidem:156).

7) A dissidência do trabalhismo – O Movimento Trabalhista Renovador


(MTR) de Fernando Ferrari e outras divisões dentro do PTB (Grupo
Compacto e parcelas do PTB que integraram a Frente Parlamentar
Nacionalista (FPN) e a Frente de Mobilização Popular (FMP)):

7.1) O MTR de Ferrari:

Fernando Ferrari, deputado federal pelo PTB-RS no início da década de sessenta, foi
expulso do PTB, e fundou seu próprio partido, o MTR, motivado, principalmente,
pela falta de espaço, no âmbito do trabalhismo gaúcho, para exercer sua liderança
política. Nessa época, João Goulart e Leonel Brizola monopolizavam o exercício do
comando do PTB-RS, vedando a possibilidade de ascensão de outros políticos à
cúpula do trabalhismo. Fleischer e Bastos (1981:121) corroboram o argumento de
início apresentado, informando que "Problemas como a ... concentração de poder
partidário (em Jango e Brizola principalmente) foram motivos freqüentemente

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aventados por Ferrari para justificar...seus objetivos "renovadores"". Além disso, os


mesmos autores nos informam que "Nosso argumento básico quanto às razões da
cisão do MTR com o PTB consiste em que ela se dá frente ao progressivo
estabelecimento da ala brizolista dentro do partido..." (Ibidem:116). Ou seja, o
controle ostensivo da facção brizolista sobre o trabalhismo gaúcho estava asfixiando
a liderança de Ferrari, que viu-se obrigado a dissentir do PTB e fundar sua própria
agremiação política, o "trabalhismo renovador".

Segundo Beloch e Abreu (1984:2339), Ferrari iniciou sua militância política no PTB
do Rio Grande do Sul, por cuja legenda se elegeu deputado federal por duas vezes. Ao
final do Governo JK, João Goulart, do mesmo partido de Ferrari, resolveu se
candidatar novamente ao cargo de Vice-Presidente da República, cargo a que Ferrari
também aspirava. Devido à impossibilidade de se candidatar pela legenda
trabalhista, devido à candidatura janguista, Ferrari resolve se candidatar à Vice-
Presidência pelo Partido Democrata Cristão, que apoiava, no que se refere à
Presidência da República, o candidato opositor (Jânio Quadros) ao candidato do
PTB, partido ao qual pertencia Ferrari, que era o Marechal Henrique Lott. Devido a
essa situação, foi expulso da legenda trabalhista, e, em conseqüência disso, fundou o
MTR em abril de 1962. Segundo os mesmos autores, "Ferrari, que segundo Thomas
Skidmore fora "um dos mais ativos defensores do trabalhismo mais autêntico no seio
do PTB, uma vez afastado desse partido, decidiu fundar o MTR, tentando assim
resolver o impasse aberto por sua dissidência. Para o próprio Skidmore, Ferrari seria
um talentoso militante do PTB levado a uma dissensão estéril que o conduziria a uma
"bem intencionada, mas impotente tentativa de fundar um movimento trabalhista
reformista" (Beloch e Abreu,1984:2339). Pode-se considerar então que Ferrari
representava uma das vertentes da facção mais ideológica do trabalhismo, vinculada
ao pensamento reformista de Pasqualini (a outra era a de Brizola e do Grupo
Compacto, de orientação nacionalista e esquerdista), em oposição à ala fisiológica e
clientelista do PTB, ligada às práticas do Ministério do Trabalho e a João Goulart,
que fazia uma política de conciliação com as classes dominantes e com o PSD.

Ainda de acordo com o DHBB (pp.2339-2340), o MTR se posicionou contrariamente


à Emenda Constitucional nº 4 à Constituição de 1946, aprovada pelo Congresso
Nacional em setembro de 1961, e que instituiu o parlamentarismo no Brasil,
reduzindo os poderes do Presidente da República, na seqüência dos acontecimentos
posteriores à renúncia de Jânio Quadros, ao veto dos ministros militares à posse do
vice-presidente Goulart e ao movimento pela Legalidade e investidura de Goulart na
Presidência da República, liderado pelo governador Brizola no RS. Da mesma forma,
o MTR posicionou-se a favor do presidencialismo e contra o parlamentarismo no
plebiscito de 6/1/1963, no qual o Presidente João Goulart recuperou as prerrogativas
a ele atribuídas pelo texto constitucional original.

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Além disso, em termos programáticos, o trabalhismo renovador de Ferrari tinha as


seguintes características:

a) Defendia a incorporação efetiva das massas rurais na vida da nação;

b) No que se refere à economia, propugnava a conciliação do liberalismo político com


o dirigismo econômico;

c) Defendia a Doutrina Social da Igreja, estando de acordo com a encíclica Mater et


magistra (Mãe e mestra - 1961), do papa Roncalli (João XXIII);

d) Pleiteava a reforma agrária (criação do regime jurídico do agricultor com


sindicalização rural, a simplificação dos processos de legitimação de terras,
financiamento sem juros a longo prazo para aquisição da pequena e média
propriedade agrária);

e) Sustentava que era necessário controlar o capital estrangeiro e a remessa de


lucros, estimulando o reinvestimento no país, além de manifestar-se contrariamente
ao colonialismo e defender a criação de um mercado comum latino americano.

Com referência a esse assunto, Schmitt (2000:21) escreve que "Nascido como uma
dissidência interna do PTB, o Movimento Trabalhista Renovador (MTR) foi
organizado como uma sigla autônoma em 1959. Seu principal líder, o deputado
federal gaúcho Fernando Ferrari, candidatara-se a vice-presidente em 1960, quando
recebeu 19,4% dos votos. A única cadeira no Senado conquistada pelo MTR
pertenceu ao ex-deputado federal petebista Aarão Steinbruch, no Rio de Janeiro".

7.2) O grupo compacto, a divisão interna do PTB, e a participação de deputados


trabalhistas nas frentes parlamentares:

O grupo compacto "congregava parlamentares de tendências de esquerda que


pretendiam manter uma linha de independência frente ao comando de Goulart e
defendiam a implantação de reformas sociais a curto prazo, além de uma política
nacionalista mais agressiva" (Beloch e Abreu,1984:2605).

Segundo os mesmos autores "Grosso modo, o PTB poderia ser dividido em duas
grandes facções: um grupo ideológico, que procurava manter uma linha de
independência em face do comando de Goulart, defendendo a realização de reformas
de base4 de cunho radical e a adoção de medidas político-econômicas de caráter
antiimperialista, e um grupo moderado, que aceitava a política de conciliação do
presidente da República, postulando a realização de reformas sociais não radicais e
defendendo uma maior aproximação com o PSD" (Beloch e Abreu,1984:2607).

Com referência aos integrantes petebistas das frentes parlamentares do início dos

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anos sessenta, principalmente a de mobilização popular e a parlamentar nacionalista,


Beloch e Abreu escrevem que, ao longo do ano de 1963, "a ativa militância dos
radicais do PTB ganhou força no partido, neutralizando os setores moderados. Os
parlamentares petebistas Armando Temperani Pereira, Almino Afonso, Adão Pereira
Nunes, Fernando Santana, Leonel Brizola e Sérgio Magalhães ampliavam
continuamente sua atuação política, comandando as atividades da Frente
Parlamentar Nacionalista (FPN) e da Frente de Mobilização Popular (movimento
surgido em 1962 com o objetivo de pressionar em favor das reformas de base), com
vistas a denunciar a política de conciliação do governo e exigir uma recomposição
ministerial" (Ibidem:2609).

8.Evolução da representação parlamentar trabalhista no Legislativo


Federal (Câmara dos Deputados e Senado Federal – 1945 a 1964):

Segundo Schmitt (2000: 23), entre os anos de 1945 e 1962, no que se refere à Câmara
dos Deputados, foram eleitos sob a legenda petebista, na primeira legislatura do
período, 22 deputados, o que correspondeu a 7,7% do total de representantes,
enquanto que, em 1962, foram eleitos 116 deputados (28,4% do total). Crescimento
maior, relativamente aos quatorze partidos mais representativos da Terceira
República, só teve o PDC (Partido Democrata Cristão). Após as eleições de 1962, no
que tange à Câmara Federal, os três partidos mais importantes, PSD, PTB e UDN
tinham, respectivamente, 28,9%, 28,4% e 22,2% da representação parlamentar,
sendo o PTB o único dos três a apresentar crescimento no período. O PSD e a UDN
tinham, em 1945, as seguintes participações, em percentual, das vagas na Câmara
Federal: 52,8 e 29, respectivamente. Segundo o mesmo autor, "A trajetória do PTB,
por sua vez, é inversa à do PSD: o partido foi crescendo progressivamente em ambas
as casas legislativas. Na legislatura eleita em 1962, as três legendas já estão
praticamente equiparadas dentro do Congresso" (Schmitt, 2000: 25).

Relativamente ao Senado Federal, de acordo com Schmitt (2000:24), o PTB foi o


partido que teve o maior aumento de representação parlamentar. Na legislatura
eleita em 1945, foram dois os senadores eleitos pela agremiação trabalhista (4,8% do
total), enquanto que, no pleito de 1962, esse número foi de doze (26,7% do total)
senadores eleitos pela legenda trabalhista. Também no que se refere a essa casa
legislativa, houve um decrescimento das representações do PSD e da UDN, e um
incremento da bancada trabalhista. Segundo Schmitt (2000:24), depois da eleição de
1962, o PSD passou a ter 35,6% das cadeiras do Senado (após o pleito de 1945, tinha
61,9%), enquanto que a bancada udenista, em 1962, correspondia a 17,8% do total de
cadeiras, ao passo que, dezessete anos antes, detinha 28,6%.

Os dados acima expostos nos permitem concluir que, quando foi vitorioso o
movimento militar golpista de abril de 1964, a legenda trabalhista estava em franca

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ascensão eleitoral no país, enquanto acontecia um processo de enfraquecimento


político das agremiações conservadoras (PSD e UDN).

9) Conclusão:

Sobre o Partido Trabalhista Brasileiro e sua atuação na Terceira República, podem


ser feitas as seguintes considerações:

a)O papel do PTB era o de "garantir o funcionamento da política sindical do governo,


que tinha como objetivo evitar os antagonismos de classe e promover a unidade e
cooperação entre patrões e empregados, contemporizando nos conflitos sociais de
forma a conter seus aspectos mais agudos e agressivos" (Beloch e Abreu, 1984:2605).
Com este argumento concorda Bandeira (1978 e 1979). Com base nisso, verificamos
um certo viés corporativista no trabalhismo, naquilo que se refere à tentativa de
harmonização entre classes sociais antagônicas – trabalhadores e patrões, e seu
caráter de instrumento de amortecimento das lutas de classe;

b)Para alguns autores, principalmente Benevides (1989) e Bandeira (1978 e 1979),


uma forte razão para justificar a fundação do PTB foi a necessidade de restringir a
influência do Partido Comunista nos meios sindicais urbanos;

c)Em relação à aliança PTB-PSD, à degeneração do quadro político brasileiro no


início dos anos sessenta e ao próprio desenvolvimento do PTB entre 45 e 62, um
aspecto interessante é o apontado pelo seguinte trecho do DHBB: " O delineamento
de um quadro de maior complexidade interna do partido, aliado à expansão eleitoral,
começou por outro lado a acirrar as contradições entre o PTB e o PSD. O crescimento
do PTB e sua penetração no campo começaram a evidenciar a inviabilidade da antiga
aliança, na medida em que com isso eram solapadas as bases do PSD e subtraídos
contingentes eleitorais e áreas de influência desse partido" (Beloch e Abreu,
1984:2606), ou seja, o PTB começou a ganhar eleitores nos redutos do PSD,
localizados,principalmente,na área rural (talvez devido à atuação da esquerda do
PTB e à sua pregação favorável à reforma agrária, à expansão do sindicalismo rural e
à extensão dos direitos trabalhistas da CLT aos trabalhadores rurais), e isso
inviabilizou o prosseguimento da aliança PSD-PTB, se constituindo numa causa
relevante para o golpe de estado de 1964 e para a ruptura institucional dele
decorrente;

d) O PTB – SP pode ser considerado como representativo da área fisiológica e


clientelista do trabalhismo, enquanto que o PTB – RS como representante da suação
ideológica, programática e doutrinária.

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10) Complemento:

Apesar desse trabalho ser referente ao período entre 1945 e 1964, julgo ser
interessante traçar um rápido panorama sobre os acontecimentos que marcaram a
trajetória do trabalhismo brasileiro, depois da implantação, em 1964, do regime
ditatorial em nosso país.

O então "Presidente" Humberto de Alencar Castelo Branco, em 27/10/1965, por meio


da edição do Ato Institucional n° 2, extinguiu os partidos políticos da Terceira
República e instituiu o bipartidarismo compulsório no Brasil. O Governo passou a ser
representado pela ARENA (Aliança Renovadora Nacional), e a oposição pelo MDB
(Movimento Democrático Brasileiro). Segundo Schmitt (2000:35), dos 116
deputados do PTB em 1965, 38 (33%) se filiaram à ARENA, enquanto 78 (67%, dois
terços), passaram a integrar o MDB. No caso do Senado Federal, dos 17 senadores do
PTB, 6 (35%) se inscreveram na ARENA, e 11 (65%) se filiaram ao MDB. Dessa
forma, pode-se concluir que a maior parte dos trabalhistas, cerca de 2/3, passaram a
militar na oposição à ditadura militar, representada pelo MDB.

O bipartidarismo imposto pelo AI 2 foi finalmente extinto, segundo Schmitt


(2000:47), "pela Lei n° 6767, de 20.12.1979, que reformou vários dispositivos da Lei
Orgânica dos Partidos Políticos". A reformulação do sistema partidário foi
completada no primeiro semestre de 1980, e caracterizou-se pela dispersão das
forças políticas oposicionistas em legendas diferentes, enquanto as situacionistas
permaneceram unidas no PDS (Partido Democrático Social), sucessor da ARENA,
exatamente conforme o desejo do General Golbery do Couto e Silva, formulador do
processo de distensão lenta, segura e gradual, Chefe do Gabinete Civil de Geisel e, na
época da reforma partidária, ainda ocupando a mesma função no Governo
Figueiredo (Castro e D’Araújo, 1997:273 e 432).

Depois de quinze anos de extinção formal do antigo PTB, a divisão entre as facções
fisiológica e ideológica do trabalhismo continuou. Segundo Schmitt (2000:49), "O
antigo legado do trabalhismo varguista foi reivindicado por duas diferentes
agremiações, que se envolveram numa disputa no TSE pelo uso da tradicional sigla
do PTB. A legenda do novo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) coube afinal ao
grupo moderado do velho partido, liderado por Ivete Vargas. O grupo reformista,
capitaneado por Leonel Brizola, acabou fundando o Partido Democrático Trabalhista
(PDT). O resultado da disputa entre as duas facções pela herança eleitoral do PTB foi,
coincidentemente ou não, o da preferência do governo militar". Ou seja, os
fisiológicos ficaram com a antiga sigla.

11) NOTAS:

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1)Pelego é a denominação dada à manta que se coloca entre a sela e o dorso do


cavalo, para facilitar a montaria, segundo Bandeira (1978). De acordo com Castro
Gomes e D’Araújo (1989:78), significa a "designação comum aos agentes mais ou
menos disfarçados do Ministério do Trabalho que atuam nos sindicatos operários". O
pelego seria "o trabalhador "seduzido" ou mesmo vendido ao poder do Ministério do
Trabalho, atuando, como a pele de carneiro, como um "amaciador" de atritos, ou,
numa visão mais crua, como uma espécie de traidor da classe trabalhadora"( Castro
Gomes e D’Araújo,1989:78).

De acordo com o DHBB (na Internet), pelego é um "Termo utilizado para designar o
dirigente sindical que defende as orientações do Ministério do Trabalho entre a
classe trabalhadora, cumprindo assim o papel de intermediário entre os sindicatos e
o governo. Em seu sentido próprio, a palavra designa a pele de carneiro que é
colocada entre a sela e o corpo do cavalo com a finalidade de amaciar o contato entre
o cavaleiro e o animal.

Na maioria das vezes os dirigentes pelegos transformam o sindicato em um órgão


essencialmente assistencial e recreativo, evitando que sirva de canal para
reivindicações de melhores salários e condições de trabalho. Em muitos casos, os
pelegos mantêm sindicatos chamados "de fachada" ou "de carimbo", entidades sem
existência real que vivem do imposto sindical obrigatório recolhido de cada
trabalhador, sindicalizado ou não. Muitas vezes, a designação pelego é atribuída aos
dirigentes das federações e confederações sindicais, que têm acesso direto Ministério
do Trabalho e vivem à sua sombra".

2) Populismo: Segundo o DHBB (na Internet), a definição de populismo é a seguinte:


"O termo "populismo" é um dos mais controversos da literatura política, possuindo
várias conotações. De modo geral, contudo, o termo tem sido utilizado, no Brasil e na
América Latina, para designar a liderança política que procura se dirigir de modo
direto à população sem a mediação das instituições políticas representativas, como os
partidos e os parlamentos - ou ainda contra elas - apelando a imagens difusas como
as de "povo", "oprimidos", "descamisados", etc. Em nossa história recente, líderes
como Vargas (http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/asp/upd_ins_perfil.asp?url=5458_1.asp&tp=1&
tpvrb=inc&cdverb=5458) , João Goulart (http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/asp
/upd_ins_perfil.asp?url=2412_1.asp&tp=1&tpvrb=inc&cdverb=2412) , Juscelino Kubitschek
(http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/asp/upd_ins_perfil.asp?url=2670_1.asp&tp=1&tpvrb=inc&
cdverb=2670) , Jânio Quadros (http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/asp
/upd_ins_perfil.asp?url=4387_1.asp&tp=1&tpvrb=inc&cdverb=4387) , Ademar de Barros, Leonel
Brizola, e outros, foram chamados de "populistas".

3.Trabalhismo Getulista: Segundo Castro Gomes e D’Araújo (1989:81), é "o conjunto


de leis e providências legais tomadas durante os Governos de Vargas visando à
garantia de direitos aos trabalhadores e a regulação do mercado de trabalho".

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4) Reformas de Base: Segundo Beloch e Abreu (1984), são "Propostas de mudanças


consideradas necessárias à renovação das instituições sócio-econômicas e político-
jurídicas brasileiras que tinham como objetivo remover os obstáculos à marcha do
processo de desenvolvimento do país. Essas propostas foram a base do programa de
governo do presidente João Goulart (1961-1964), assumindo o caráter de bandeira
política daquela gestão. As reformas consideradas prioritárias eram a agrária, a
administrativa, a constitucional, a eleitoral, a bancária, a tributária (ou fiscal) e a
universitária (ou educacional)".

12) Bibliografia:

Bandeira, M. Brizola e o Trabalhismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979;

___________. O Governo João Goulart. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,


1978;

Beloch, I. e Abreu, A. Dicionário Histórico – Biográfico Brasileiro. Rio de Janeiro:


FGV, 1984, e também versão disponível na Internet (2002);

Benevides, M. O PTB e o Trabalhismo – Partido e Sindicato em São Paulo


(1945-1964). São Paulo: Brasiliense, 1989;

Campello de Souza, M. Estado e Partidos Políticos no Brasil. São Paulo: Alfa-Ômega,


1976.

Castro, A. e D’Araújo, M. Getulismo e Trabalhismo. São Paulo: Ática, 1989;

D’Araújo, M. e Castro, C. Ernesto Geisel. Rio de Janeiro: FGV, 1997;

Fleischer, D. Os Partidos Políticos no Brasil. Brasília: Unb, 1981;

Partido Democrático Trabalhista (PDT) – Site na Internet – Parte referente à história


do trabalhismo, 2002.

Schmitt, R. Partidos Políticos no Brasil (1945-2000). Rio de Janeiro: Jorge Zahar


Editor, 2000.

Autor
Carlos Frederico Rubino Polari de Alverga

Economista graduado na UFRJ. Especialista em "Direito do


Trabalho e Crise Econômica" pela Universidade Castilla La

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Mancha, Toledo, Espanha. Especialista em Administração Pública (CIPAD)


pela FGV. Mestre em Ciência Política pela UnB. Analista de Finanças e Controle
da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda. Atua na área de
empresas estatais.

Informações sobre o texto


Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT)

ALVERGA, Carlos Frederico Rubino Polari de. Trajetória do Partido Trabalhista


Brasileiro entre 1946 e 1964. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina,
ano 16, n. 2851, 22 abr. 2011. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/18962>.
Acesso em: 14 maio 2018.

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