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OLIVEIRA, Margarida Rios de. Linguística Textual. In: MARTELOTTA, M. E.

Manual de linguística. São Paulo: Contexto, 2012, p. 193-.

Diferente de outros enfoques teóricos, a linguística textual tem como objeto de


análise o texto. Comparada aos outros modelos, essa abordagem procura superar o
tratamento linguístico em termos de unidades menores — palavra, frase ou período
enxergando a unidade linguística como sendo muito mais do que um somatório de itens
ou sintagmas.
Apresentado numa definição mais estrita por Fávero e Koch (1994), o conceito
de texto refere-se a uma unidade linguística de sentido e forma, dotada de textualidade
sendo essa, um conjunto de propriedades que conferem à condição de ser compreendido
pela comunidade linguística como um texto. Essas propriedades, por questões didáticas,
apresentam-se como coesão e coerência.
De acordo com a autora, a coesão pode ser entendida como o conjunto de
estratégias de sequenciação que ligam os constituintes articulados no texto. Halliday e
Hasan (1976) afirmam que são cinco os mecanismos básicos da coesão textual:
a) Referência — pode ser exofórica, quando o referente está fora do texto ou
endofórica, nos limites do texto. Quando a referência endofórica remete a um termo
anterior, temos a anáfora. Caso contrário, quando a referência se faz como o item
subsequente, temos a referência catafórica;
b) Substituição — Consiste num tipo de remissão distinta da referenciação, pois
o termo substituído não recupera totalmente o item referenciado. Na substituição, há
uma matização dos sentidos articulados. Ressalta o autor que a substituição vai além do
estilo individual já que trata-se de um estratégia que visa a progressão da informação
através da expansão da forma;
c) Elisão — Conhecida também por anáfora zero, constitui um mecanismo de
coesão que é processado por um espaço vazio;
d) Conjunção — As relações conjuntivas estabelecem ligações de natureza
lógico-semântica na sequencialização textual, como temporalidade, causalidade,
consequência, condição, finalidade, proporcionalidade, etc.
e) Coesão lexical — Esta modalidade se relaciona com com dois mecanismos de
referenciação: a endofórica, por remeter a itens já ocorridos no texto e a substituição,
por utilizar os processos de sinonímias e hiperonímias.
Já a coerêcia diz respeito à construção do sentido textual tratando, portanto, da
possibilidade de atribuição de sentidos às produções textuais. Dessa forma, supostos
problemas de coerência, desvios de padrões gramaticais, produções linguísticas de
portadores de disturbios psíquicos ou produções literárias que parecem romper o
princípios de aceitabilidade não podem ser vistos como incoerentes em termos
absolutos, já que o contexto de comunicação que estão inseridas precisa ser levado em
conta na atribuição de sentido às mesmas. Em outras palavras, não há textos totalmente
incoerentes; incoerências localizadas podem ser superadas e em textos falados, a
incoerência se resolve no ato interativo.
Assim, trata-se a coerência no ambito da situação comunicativa, tendo em vista
o domínio linguístico, pragmático e extralinguístico.