Você está na página 1de 19

Universidade Federal do Tocantins

Campus de Palmas
Curso de Medicina

PORTFÓLIO DE CANCER DE APENDICE

LUISA C. MILHOMEM

SAÚDE DO ADULTO 1
MÓDULO CIRURGIA GERAL
DR. PEDRO CUELLAR

Palmas

2016
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO.............................................................................................. 3

2. CASO CLÍNICO............................................................................................ 4

2.1 Anamnese................................................................................................. 4

2.2 Exame Físico............................................................................................ 6

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA................................................................ 9

4. DISCUSSÃO DO CASO ......................................................................... 17

5. DISCUSSÃO DOS ARTIGOS......................................................................... 18

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................ 18
1. INTRODUÇÃO

As neoplasias malignas primárias de apêndice cecal são doenças raras que, quanto à
histologia, podem se apresentar como tumores carcinóides, adenocarcinomas ou
adenocarcinóides, os últimos apresentando características comuns aos dois outros tipos.
Existem algumas controvérsias sobre a classificação dos adenocarcinóides entre os
adenocarcinomas, como um subtipo de tumor carcinóide ou como uma entidade
separada. Os tumores carcinóides são neoplasias derivadas de células neuroendócrinas e
representam cerca de 80-88% das neoplasias do apêndice cecal. No trato gastrintestinal,
o apêndice é o sitio mais comum de carcinóides, representando cerca de 35-44% do
total. Os sintomas de síndrome carcinóide são raros neste sítio (1%); e, geralmente,
indicam metástase para o fígado.

Quanto ao tratamento, como o diagnóstico é, geralmente, feito pelo patologista


durante o pós-operatório, cabe ao cirurgião a tarefa, por vezes difícil, de determinar
através do laudo anatomopatológico (analisando basicamente diâmetro do tumor,
localização no apêndice, idade do paciente e presença de metástases), se o paciente será
ou não levado a uma segunda intervenção cirúrgica, desta vez mais agressiva, sob a
forma de hemicolectomia direita. Linfonodos comprovadamente acometidos remetem à
hemicolectomia, em qualquer idade. Alguns autores orientam conduta mais agressiva
caso o paciente seja criança, pois, nestas, a neoplasia tende a ser mais agressiva. Quanto
ao prognóstico, como a grande maioria dos tumores carcinóides apresenta menos de 2
cm de diâmetro e não tem metástases, a sobrevida em cinco anos chega a 90-100%.

O adenocarcinoma de apêndice cecal, é encontrado em cerca de 0,1% das


apendicectomias, representando 4-6% de todos os tumores primários do apêndice. É
uma variante rara do câncer de cólon com características próprias ao seu local. Uma
variante da doença é o adenocarcinoma mucinoso, o qual pode estar associado a uma
condição denominada pseudomixoma peritoneal (condição clínica causada pelas células
cancerosas que produzem abundante mucina, os tumores causam fibrose dos tecidos e
podem comprimir os órgãos).

Embora quase sempre apresentando-se com quadro clínico de apendicite aguda, por
ser uma neoplasia mais agressiva e de caráter mais invasivo que o carcinoide, o
adenocarcinoma pode apresentar-se de forma incomum: como massa pélvica com sinais
urinários, hidronefrose, infiltração de bexiga, sangramento vaginal, melena e
intussuscepção.

Há ainda um caso, também raro, de tumor adenocarcinóide, por alguns também


denominado carcinóide mucinoso, por possuir aparência macroscópica e padrão de
tumor carcinóide, mas com o comportamento agressivo do adenocarcinoma. As
características clínicas e histológicas são suficientemente distintas para uma
classificação como entidade separada de adenocarcinomas e tumores carcinóides. O
prognóstico desta doença é intermediário entre o carcinóide clássico e o
adenocarcinoma bem diferenciado.
O diagnóstico pré-operatório das neoplasias malignas de apêndice cecal é raramente
realizado devido ao seu quadro clínico inespecífico, frequentemente compatível com um
quadro de apendicite aguda. Devem-se conhecer as suas características para que a
conduta mais aceitável possa ser tomada em cada situação.

2. APRESENTAÇÃO DO CASO

2.1 ANAMNESE

IDENTIFICAÇÃO: J.G.R., 54 anos, masculino, casado, pardo, procedente e residente


de Araguaína- TO

QUEIXA PRINCIPAL

Encaminhamento de Araguaína para realizar cirurgia.

HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL

Paciente relata que em 2012 iniciou um quadro de dor abdominal em região hipogástrio,
de caráter em indefinido, de intensidade 4 em uma escala de 0 a 10, com irradiação para
fossa ilíaca direita, com piora durante o período noturno, não identificou fatores de
melhora ou piora. Paciente relata que procurou o serviço de saúde e houve suspeita de
apendicite aguda, foi realizada apendicectomia e descoberto um tumor de apêndice.
Paciente relata ter realizado tratamento com quimioterapia e radioterapia. Em 2015 o
paciente relatou que voltou a sentir dores em fossa ilíaca direita como mesmo padrão de
dor que teve em 2012 e agora acompanhada por um quadro de retenção urinária. Foram
feitas novas avaliações e descoberta uma tumoração que estava comprimindo a bexiga.
Foi realizado quimioterapia, sem atingir regressão completa da tumoração, fato que
culminou no encaminhamento do paciente ao HGPP para avaliação cirúrgica. Paciente
relata que no último ano teve uma perda de aproximadamente 7kg.

INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO

Sintomas Gerais

Paciente nega febre e astenia. Relata inapetência, associada aos episódios álgicos, além
de anorexia, calafrios e sudorese intensa durante os episódios álgicos.

Pele e Anexos

NDN

Cabeça e Pescoço

NDN
Linfonodos

Nega linfonodomegalia nas cadeias inguinais e supraclaviculares ou a presença de sinais


flogísticos.

Sistema Cardiovascular

Paciente nega dor precordial, palpitações, cianose, claudicação intermitente, dispneia


paroxística noturna e varizes em membros inferiores e edema de membros inferiores.

Sistema Respiratório

Paciente nega tosse, dispneia, ortopnéia, dor torácica, cianose, expectoração, hemoptise,
vômica, roncos e sibilos, rouquidão e disfonia.

Sistema Digestório

Paciente relata dor em região hipogástrica. Refere distensão abdominal e a presença de


tumoração. Nega desconforto pré e pós-prandial, náuseas, pirose, disfagia, odinofagia e
hematêmese, apesar disso relata ter uma alimentação frugal.

Sistema Urinário

Paciente relata dificuldade para urinar e no momento estava com sonda vesical.

Sistema Genital

NDN

Sistema Nervoso

NDN

Antecedentes Fisiológicos Pessoais

Paciente relata ter nascido de parto normal, em ambiente domiciliar, sem intercorrências.
Relata ainda desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade. Paciente relata
possuir cartão de vacinação completo, porém o mesmo não foi apresentado.

Antecedentes Patológicos Pessoais

Paciente relata ter tido sarampo, durante a infância. Nega hipertensão arterial sistêmica,
diabetes mellitus e histórico de neoplasias. Relata como cirurgia prévia apenas em 2012
para o tratamento do tumor de apêndice. Nega outras comorbidades. Nega realização de
transfusão sanguínea ou internações prévias.

Antecedentes Patológicos Familiares

Nega casos de neoplasia na família, relata ter pais e filhos hígidos.


Hábitos de Vida e Condições Socioeconômicas

Paciente relata morar em casa de alvenaria, em ambiente urbano. Relata consumo de água
filtrada e tratada. Paciente nega tabagismo e etilismo. Paciente relata dieta normossódica,
normocalórica e normolipídica. Relata não praticar atividade física.

2.2 EXAME FÍSICO GERAL

Ectoscopia

Paciente REG, LOTE, afebril, acianótico e anictérico, normolíneo, com fala e linguagens
preservadas, hipocorado, hidratado, paciente se encontrava debilitado, emagrecido,
fáscies atípica, com atitude ativa no leito, sem preferência de decúbito no leito. Não foi
observado edema de membros inferiores. Não foram observadas linfonodomegalias nas
cadeias auriculares, cervicais, axilares e inguinais.

Sinais Vitais

Frequência Cardíaca: 88 bpm

Frequência Respiratória: 18 irpm

Pressão Arterial: 120/80 mmHg

Pulso: 86 bpm cheio, rítmico.

EXAME FÍSICO DO TÓRAX

Inspeção Estática

Paciente normolíneo, tórax atípico, simétrico, com pele normocorada, hidratado, sem
lesões, circulação colateral, abaulamentos e/ou retrações.

Inspeção Dinâmica

Respiração tóracoabdominal, com expansibilidade preservada bilateralmente, ausência de


tiragem e uso de musculatura acessória. Ictus cordis não visível.

Palpação

À palpação evidenciou-se expansibilidade e frêmito toracovocal preservados em ápices,


terços-médios e bases pulmonar. Ictus cordis não palpável.

Percussão

Som claro pulmonar presente bilateralmente em ápices, terços-médios e bases


pulmonares.

Ausculta
Murmúrios vesiculares presentes bilateralmente em ápices, terços-médios e bases
pulmonares. Não foram evidenciados roncos, sibilos, estertores ou quaisquer outros
ruídos. Na ausculta cardíaca evidenciaram-se bulhas normofonéticas, ritmo cardíaco
regular em dois tempos sem sopros ou estalidos.

EXAME FÍSICO DO ABDOME

Inspeção

Abdômen semigloboso, distendido, simétrico, sem hérnias, presença de tumorações. Foi


observada circulação colateral discreta. Presença de cicatriz cirúrgica em região mediana
suprainfraumbilical, sem sinais flogísticos associados.

Ausculta

Ruídos hidroaéreos presentes difusamente por todo o abdômen.

Percussão

Paciente pediu que essa etapa não fosse realizada pois estava com o abdome dolororso.

Palpação

À palpação superficial abdome tenso e evidenciou-se uma massa na região hipogástrica,


de consistência endurecida, imóvel e doloroso à palpação.

Resumo de alta, após primeira cirurgia, realizada em Araguaína:

Relatório médico de Araguaína:


Data : 03/06/2016, presença de cicatriz mediana suprainfraumbilical, abdome
semi globoso e presença de tumoração.
3. Fundamentação teórica

Tumor de Apêndice Cecal

A origem embriológica do apêndice vermiforme é a mesma do intestino grosso,


portanto, condições favoráveis ao aparecimento de tumor de cólon podem também
ocorrer no apêndice. A relativa pouca frequência de tumores de apêndice – somente 0,5%
dos tumores intestinais – reflete apenas o pequeno tamanho deste órgão.

A classificação histológica dos tumores primários de apêndice é controversa. Três


tipos são os mais frequentemente encontrados na literatura: adenocarcinoma, carcinoide
e adenocarcinoide. Outros tipos como leiomiossarcomas, fibrossarcomas e lipossarcomas
são extremamente raros.

Tumor Carcinoide

Os tumores carcinoides são neoplasias do sistema celular neuroendócrino difuso. É


certo o envolvimento de fatores genéticos na etiologia. É provável a deleção do gene
supressor PLCb3 provoque descontrole de crescimento de células neuroendócrinas, com
distorção do processo de apoptose e desenvolvimento de neoplasias.

Os tumores carcinoides do apêndice foram descritos pela primeira vez apenas em


1882, porém apenas em 1907, introduziu-se o termo Karzinóide para diferenciar estas
lesões de adenocarcinomas e para salientar, erroneamente, a sua benignidade. Em 1934
suspeitou-se do potencial maligno do tumor, e correlacionou-se manifestações clínicas
associadas ao tumor que, no entanto, somente foram melhor reconhecidas em 1948.
Manifestações clínicas como diarreia, eritema e dor abdominal foram descritas em 1954.

A incidência de tumores carcinoides oscila em 0,7 casos por 100.000 habitantes. A


incidência real, entretanto, deve ser maior, haja vista que este é um achado frequente
observado em necropsias.

Os indivíduos geralmente têm média etária de 50 anos quando se efetua o diagnóstico


da neoplasia. O apêndice cecal é o segundo local do trato gastrintestinal de maior
incidência de tumores carcinoides, como pode ser observado na tabela a seguir:
Os tumores carcinoides são descritos como mais comuns em mulheres do que em
homens na proporção de 4:1. Aproximadamente 80% dos tumores carcinoides medem
menos de 1 centímetro, sendo que estes quase nunca apresentam metástases; 14% tem um
tamanho entre 1 e 2 centímetros, com uma incidência de metástases que está por volta de
3%, e, 6%, medem mais do que 2 centímetros, os quais são raros, apresentando,
entretanto, uma incidência de metástases entre 30 e 60%.

Considera-se que a extensão da invasão tumoral, ao contrário de tumores carcinoides


de íleo, estômago e cólon, é de pouco valor preditivo para o potencial metastático,
importando mais o tamanho do tumor.

Quanto à classificação dos tumores carcinoides, utiliza-se a classificação de Willians e


Sandler de acordo com a origem embrionária do tumor. Essa classificação divide os
tumores em:

- Tumores Derivados do Intestino Primário Anterior: Trato respiratório,


estômago, duodeno, vias biliares e pâncreas;
- Tumores Derivados do Intestino Primário Médio: Jejuno, íleo, ceco, apêndice
e cólon proximal;
- Tumores Derivados do Intestino Primário Posterior: Cólon Distal e Reto.

Quanto à localização do apêndice, 70 a 80% estão localizados na extremidade distal


do órgão, 15 a 20% no corpo do apêndice e, apenas 8%, encontram-se na base do órgão.
O tumor carcinoide é uma patologia de difícil diagnóstico e, apesar de exames
complementares, como raio-X, tomografia computadorizada, colonoscopia,
ultrassonografia e angiografia, a maioria deles são detectadas apenas no ato cirúrgico.

Geralmente os tumores carcinoides do apêndice são encontrados incidentalmente


durante laparotomia ou laparoscopia, e em alguns casos surge dúvida no diagnóstico
diferencial com apendicite aguda. Clinicamente, o tumor carcinoide apresenta-se como
dor abdominal em 11 a 50% dos casos de doentes sintomáticos. A síndrome carcinoide
composta por constipação, perda de peso, diarreia, massa abdominal, sangramentos
gastrintestinais e vômitos, está presente apenas 10% dos casos.

A USG mostra um lúmen apendicular com massa hipoecóica alongada, um achado


semelhante ao da apendicite aguda. Morfologicamente, a peça cirúrgica apresenta
pequenas elevações arredondadas, localizadas na submucosa. Ao corte, a coloração
amarela brilhante é comumente observada. Na microscopia, as células possuem
citoplasma rosa-pálido, grânulos e núcleo arredondados ou ovoides, com cromatina
granulosa. Atipia celular e pleomorfismo nuclear são mínimos, exceto em tumores mais
indiferenciados.

Fonte: www.portalesmedicos.com/pesquisaporimagem-
turmor_carcinoide_apendice/biopsia
Fonte: www.revista-portalesmedicos.compesquisaporimagem

O estadiamento dos tumores carcinoides se dá de acordo com o sistema TNM,


como será mostrado nas tabelas a seguir:

Fonte: INCA

A partir dessa classificação, segundo a extensão do tumor primário, o acometimento


ou não de linfonodos regionais e a presença ou não de metástases à distância, é possível
fazer o estadiamento clínico desses pacientes.
Fonte: INCA

A partir destes estágios é possível identificar as taxas de sobrevida em cinco anos dos
pacientes, levando-se em consideração a evolução da doença.

Com relação ao tratamento dos tumores carcinoides, o mesmo pode seguir duas linhas,
podendo ser clínico ou cirúrgico.

O tratamento clínico é baseado no uso de análogos da somatostatina e quimioterapia, a


base de interferon-alfa e agentes citotóxicos para a síndrome carcinoide metastática. O
IFN-alfa em tumores bem diferenciados tem produzido uma resposta objetiva variando
entre 15 e 40%. Já o uso de agentes citotóxicos mostrou uma taxa de resposta menos do
que 30%. As combinações terapêuticas são as mais utilizadas na Europa e EUA,
mostrando uma boa resposta, sendo que a mais comum é a combinação com 5-
fluorouracil e dexorrubicina.

Embora os análogos de somatostatina de longa duração tenham mostrado ser altamente


eficazes na redução dos marcadores do tumor e controlarem os sintomas da síndrome
carcinoide, a regressão do tumor é relativamente rara. Entretanto, mais da metade dos
pacientes tiveram sua doença estabilizada em 11 meses.

Já o tratamento cirúrgico consagrado é a ressecção tumoral. Para tumores menores que


1 centímetro a apendicectomia apresenta elevados índices de cura, sendo próximo a
100%. Os tumores que apresentam tamanho entre 1 e 2 centímetros sem envolvimento
linfonodal também tem a apendicectomia indicada. Caso haja comprometimento
linfonodal, torna-se necessária a hemicolectomia direita. Esta conduta também está
indicada nos casos em que os tumores apresentam tamanho maior que 2cm
Fluxogramas de tratamento e manejo:
Adenocarcinoma de Apêndice Cecal

O adenocarcinoma primário do apêndice é uma doença de origem epitelial e de


ocorrência rara, que acomete indivíduos especialmente durante a sexta e sétima décadas
de vida.

Em relação ao quadro clínico, o adenocarcinoma de apêndice, apresenta-se na maioria


dos casos, como forma de apendicite aguda, e, em menor frequência, como tumoração no
quadrante inferior direito do abdome, fossa ilíaca direita (FID).

O adenocarcinoma pode se comportar como câncer de reto, devido a própria anatomia


do apêndice, pois um tumor pequeno pode se disseminar por via subserosa ou também
produzi metástases para linfonodos regionais.

O adenocarcinoma pode ser invasivo ou não invasivo, sendo possível, analogamente


aos adenocarcinomas de cólon, dar metástases para gânglios regionais e órgãos a distância
por via linfática e/ou sanguínea. Em casos de perfuração pode resultar em pseudomixoma
peritoneal. A classificação internacional mais aceita para adenocarcinoma de apêndice
cecal, segundo a penetração tumoral, é a seguinte:

- Estádio I (17%) – Tumor limitado à mucosa;


- Estádio II (36%) – Tumor invadindo todas as camadas sem ultrapassar a serosa;
- Estádio III (17%) – Tumor que invade o ceco, peritônio, gânglios ileocecais
e/ou perfuração apendicular;
- Estádio IV (17%) – Metástases em outros órgãos.

Adenocarcinoma de apêndice, em mulheres, com frequência metastatiza para ovários.


Em estudos publicados, cerca de 38% das mulheres com adenocarcinoma apresentam
metástase para ovários.

O diagnóstico do adenocarcinoma de apêndice cecal é feito basicamente pelo estudo


anatomopatológico da peça operatória, sendo rara a suspeita clínica, quer no pré-
operatório ou no intra-operatório. O encontro do apêndice perfurado é fato frequente
durante o estudo da peça operatória.

Considerando a histopatologia, os tumores primários do apêndice são classificados em


malignos e benignos. Os tumores benignos geralmente são: mucoceles, adenomas,
leiomiomas, neuromas, neurofibromas. Os tumores de natureza maligna são:
adenocarcinomas do tipo colônico ou do tipo mucinoso, cistoadenocarcinomas e
leiomiossarcomas, fibrossarcomas e linfomas.

O tratamento de escolha é a colectomia direita em todos os casos, pois há aumento


significante da sobrevida (63%), em cinco anos, quando comparado a apendicectomia
(21%). Nos casos em que são realizadas apenas a apendicectomia, por se tratar de uma
apendicite aguda e sem comprovação anatomopatológica, o tratamento deve ser
completado com colectomia direita, no primeiro mês de segmento.

Com relação ao tratamento adjuvante, estes tumores não são radiossensíveis, como
também a quimioterapia não traz resultados significativos, embora possa ser aplicada em
caráter paliativo, nos pacientes cuja lesão for irressecável ou nos casos em que há
carcinomatose peritoneal.

Todos os pacientes operados devem ser estadiados frequentemente, pela possibilidade


de recidiva ou de aparecimento de tumores colônicos associados. A periodicidade deve
ser trimestral no primeiro ano, semestral até o segundo ano e posteriormente anual. O
controle, além da avaliação clínica, inclui enema opaco ou colonoscopia, para pesquisa
de lesões de cólon e reto, como também a realização da dosagem de antígeno
carcinoembriogênico (CEA), radiografia de tórax, ultrassonografia e tomografia
computadorizada do abdome para identificar eventuais metástases.

Tumor Adenocarcinoide de Apêndice Cecal

O tumor adenocarcinoide apendicular é um tumor pouco frequente (2-5% dos tumores


de apêndice cecal). Afeta igualmente ambos os sexos e é mais frequente durante a sexta
e sétima décadas da vida. Provavelmente deriva de uma célula mãe pluripotencial das
criptas se diferenciando em células endócrinas e células mucosecretoras.
O diagnóstico pré-operatório também é bastante raro. A maioria dos pacientes
sintomáticos apresentam sintomatologia apendicular aguda com dor em fossa ilíaca
direita com massa palpável.

Macroscopicamente, o apêndice pode ser normal ou mostrar uma lesão localizada de


tamanho variável, geralmente na sua extremidade distal, ou apresentar um acometimento
apendicular difuso. Histologicamente, é formado por glândulas compostas por células
com distintos graus de diferenciação endócrina sendo menor do que nos tumores
carcinoides. A escassez de pleomorfismo nuclear e atividade mitótica, a ausência de áreas
sólidas ou cribriforme e desmoplasia e glândulas que se infiltram sem destruição cercado
por tecido estromal ou tecido muscular liso, é usado para diferenciar tumor
adenocarcinoide do adenocarcinoma.

O prognóstico é intermediário entre o tumor carcinoide e o adenocarcinoma bem


diferenciado, sendo que as taxas de sobrevida de 5 anos que se situam entre 60 e 80%. O
tratamento é controverso. Não está claro que em situações deve-se realizar a
apendicectomia ou recorrer-se a hemicolectomia direita, já que este é um tumor mais
agressivo e com risco aumentado de metástases. A apendicectomia simples é curativa em
muitos casos, mas a colectomia direita recomendada quando há o envolvimento da base
apendicular ou do ceco, margens cirurgicas positivas, tamanho do tumor maior que 2
centímetros, mucocele, atipia grave, ou mais de duas mitoses por campo.

A maioria dos autores defende a execução de uma ooforectomia bilateral para a alta
propensão a desenvolver metástases ovarianas. O papel da quimioterapia não está
claramente estabelecido. Seguimento pós-operatório deve ser realizado para detectar
recorrência local ou metástases à distância.

4. DISCUSSÃO DO CASO

O caso apresentado trata-se de uma recidiva de um tumor de apêndice (não


obtivemos acesso ao resultado do anatomo patológico), o paciente iniciou com sintomas
inespecíficos como, dor abdominal, e dificuldade para urinar que chegou ao ponto de
retenção urinária. Na grande maioria dos casos, como foi mostrado na fundamentação
teórica, os casos de neoplasias apendiculares consistem em achados intra-operatórios.
Isso porque tais neoplasias são extremamente raras e consistem numa minoria das
neoplasias de intestino grosso.
O início do caso se deu em 2012 quando o paciente foi internado com suspeita de
apendicite, e indícios de carcinomatose peritoneal. Foi realizada laparatomia exploratória
mais apendicectomia e coleta de líquido peritoneal e biópsia comprovando tumor de
apêndice e realizado tratamento com quimioterapia e radioterapia. Em 2015 houve
recidiva do tumor que inicialmente foi tratada com quimioterapia e radioterapia, não
conseguindo a regressão tumoral e a melhora dos sintomas urinários causados pela
compressão tumoral, o paciente veio encaminhado de Araguaína para o HGPP para uma
avaliação cirúrgica.

O paciente deu entrada no hospital dia 29 de fevereiro, realizou como único exame
de imagem uma tomografia computadorizada, a qual ainda não havia laudo até o dia 06
de março. O paciente decidiu procurar outro serviço, saiu do hospital dia 05 de março e
irá para o hospital Araújo Jorge em Goiânia –GO.

5. Discussão do artigo: neoplasias primárias de apêndice cecal

As neoplasias de apêndice cecal são bastante raras, e compreendem uma


pequena porção dentre os canceres do sistema gastrointestinal, se dividem em tumores
carcinoides, adenocarcinoides e adenocarcinomas. O diagnóstico preciso de cada subtipo
só é realizado através de biopsia pois suas manifestações são muito inespecíficas. Por
vezes são achados em necropsias e em apendicectomias. No trato gastrintestinal, o
apêndice é o sitio mais comum de carcinoides, representando cerca de 35-44% do total.
Os sintomas de síndrome carcinoide são raros neste sítio (1%); e, geralmente, indicam
metástase para o fígado.
É importante, na avaliação clínica dos pacientes, lembrar que as neoplasias malignas
de apêndice cecal, indiferentemente do tipo histológico, apresentam-se, na maioria dos
casos, com clínica de apendicite aguda (cerca de 68%), provavelmente devido à
obstrução maligna da luz apendicular, ocasionando infecção sobreposta. Em nenhum
dos casos, relatados no artigo, houve suspeita pré-operatória de neoplasia de apêndice
cecal e, na maioria dos casos, o paciente foi levado à cirurgia com hipótese diagnóstica
principal apendicite aguda. O diagnóstico de certeza da neoplasia e seu tipo histológico
é conferido apenas pelo exame histológico da peça.
Nos casos em que há acometimento linfonodal, é preciso que se realize também
colectomia direita para evitar recidivas e afastar a possibilidade de metástases. O
tratamento pode ser através de radioterapia e quimioterapia nos casos de tumores menores
que 1 cm. O prognostico pode variar, na grande maioria dos tumores carcinoides que
apresenta menos de 2 cm de diâmetro e não tem metástases, a sobrevida em cinco
anos chega a 90-100%.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FORMIGA, G. J. S. SILVA, J. H. Adenocarcinoma de Apêndice Cecal – Relato de 3


casos. Revista Brasileira de Coloproct. 17(4):245-247, 1997.

MÉRCIO, A. A. P. et al. Neoplasias Primárias de Apêndice Cecal. Medicina, Riberão


Preto, 32: 193-198, abr/jun. 1999.

URGELLÉS, R. G. et al. Adenocarcinoma Primario Del Apéndice Cecal. Rev. Cubana


de Cirurgia. 37(2):120-5, 1998.

YOUNES, R. N. BRADA, C. Os tumores neuroendócrinos (carcinoides): Aspectos


Gerais. Prática Hospitalar, XI, n° 63, Mai/Jun., 2009.

ROBBINS E COTRAN. Patologia - As bases patológicas das doenças. 5ª ed. Elsevier, 2005.