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CCBSA- campus de ciência biológicas e sociais aplicadas


Aluna: Maria Beatriz Santos azevedo
Professora: Giuliana Dias
Teoria política contemporânea
Fichamento: livro TPC- cap. 03 - reconhecimento

“ O fi lósofo Charles Taylor é creditado por haver reabilitado o conceito de reco-


nhecimento na teoria política contemporânea” p.113
“(...) conceito fi losófi co de reconhecimento não se limita simplesmente à identifi cação de uma pessoa,
mas, além de ter isso como premissa, requer que a essa pessoa seja conferido
um valor positivo e que esse ato seja explícito.”P.115
“(…)Em outras palavras, o reconhecimento só se dá quando aquele que reconhece o faz de uma posição
autônoma.”P.116
“Hegel acredita que nossa conduta se pauta mais pela percepção que temos do valor que as pessoas com
quem nos relacionamos dão a ela do que pelo valor lntrínseco que lhe atribuímos. Em certo sentido, nos
guiamos pelos valores dos outros porque necessitamos que o reconhecimento que eles nos outor gam seja
renovado constantemente;” P.117
“De acordo com o diagnóstico de Taylor, a política do multiculturalismo tornou-
se hegemônica na atualidade. Segundo o autor, se tomamos as demandas advindas
dos movimentos sociais, notamos a proeminência adquirida pela questão do reconhecimento”P.118
“Segundo Taylor, algumas mudanças históricas importantes foram responsáveis por trazer à tona essas

preocupações com a identidade e o reconhecimento, sendo a principal delas o colapso das hierarquias

sociais que baseavam o sistema de prestígio do antigo regime europeu”P.119

“Nos dias de hoje, argumenta o autor, as demandas por reconhecimento igualitário se voltaram para a

questão do status das culturas e dos estilos de vida (p. ex., etnicidade, sexualidade, gênero etc.). Taylor

não se limita, contudo, a identificar as consequências léxicas e semânticas dessa mudança histórica, e

também pretende ancora-la em processos culturais profundos. Seu argumento principal é o de que o

reconhecimento torna-se uma questão importante somente a partir do surgimento de um novo

entendimento da identidade individual, que se deu por volta do final do século XVIII: “Podemos falar de
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uma identidade individualizada, uma que é propriamente minha, que eu descubro em mim mesmo. Essa

noção surge em conjunto

com o ideal de ser verdadeiro consigo próprio e com meu modo de vida particular.”

O autor chama isso de ideal da autenticidade.”P.120

“A guinada para a autenticidade interior, representada por Rousseau e Herder, aponta para a não

conformidade instantânea às pressões da vida social. Aquele que aquiesce imediatamente na verdade

bloqueia o caminho para o seu eu interior. O mesmo se pode dizer daquele que instrumentaliza a si

próprio. Argumenta Taylor:ser verdadeiro consigo mesmo signifi ca ser verdadeiro com sua própria

originalidade , algo que pode ser articulado e descoberto. Ao fazer essa articulação, estou defi nindo a

mim mesmo. Estou realizando uma potencialidade que é pró-

pria de mim mesmo.”P.121

“Taylor reconhece o fato de haver elementos comuns entre as políticas de redistribuição material do

estado de bem-estar e as demandas por reconhecimento da diferença cultural. As primeiras exigem que se

entendam certos grupos como vítimas de discriminação socioeconômica, enquanto a segunda depende da

identifi cação de grupos que são oprimidos devido a seus modos de vida (cultura). Nos dois casos, a

igualdade só pode ser atingida através do tratamento diferencial”P. 122

“A política da dignidade igualitária é baseada na noção de que todos os seres humanos merecem respeito.

Para Kant, esse respeito derivava de nosso status como agentes racionais, capazes de guiar nossa vida por

princípios morais. Taylor chama isso de potencialidade humana universal, que não depende do que as

pessoas reais

façam dela. No caso da política da diferença, pode-se dizer, o princípio normativo

baseia-se no potencial que todos têm de defi nir sua própria identidade como indivíduo e como cultura.

Essa potencialidade, argumenta Taylor, deve ser igualmente respeitada. O problema surge nos contextos

multiculturais quando se fazem demandas pela igualdade de respeito de culturas já formadas. Ou seja, de

potencialidade passamos para factualidade. Não se trata mais de um respeito pela potencialidade, mas
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pelas formas de vida substantivas, não raro essencializadas, de determinados grupos e pessoas. O confl ito

entre as duas demandas então se instaura.”P.123

“Taylor propõe um outro tipo de liberalismo, que não seja puramente procedimental e que possa resolver

esse problema. Esse liberalismo seria um retorno a concepções de vida virtuosa que, portanto, confi ra à

integridade cultural um lugar importante.” P.124

“Contrário à concepção liberal “cega à diferença” de que o liberalismo seria um contexto neutro onde

todas as culturas pudessem coexistir e se encontrar, Taylor propõe que o liberalismo assuma-se como

produto da cultura ocidental e que, como tal, se choca com muitos aspectos de outras concepções de

mundo, como o islamismo, por exemplo”P.124

“Contudo, pontua o autor, essa suposição de igualdade é problemática, pois depende de um ato de fé: da

crença de que todas as culturas têm algo a dizer a todos os seres humanos. Taylor aceita que devamos

assumir um pressuposto de igualdade ao iniciarmos o estudo de qualquer cultura. Esse pressuposto, que

nada mais é que a derivação moral do potencial que todos têm de definir sua própria identidade, deve ser

entendido como uma extensão do princípio da igualdade de direitos.”P.125

“Como podemos perceber, Taylor resgata o conceito de reconhecimento para o

exame do problema do multiculturalismo. O que fi ca explícito em seu texto é que

a questão mais candente da democracia em sociedades multiculturais é o reconhe-

cimento da diferença cultural. Ora, dessa maneira, o autor toma o reconhecimento

como sinônimo de reconhecimento cultural e deixa de explorar as modalidades de

reconhecimento que não pertencem estritamente ao âmbito da cultura”P.125

“A posição de Honneth quanto à questão da necessidade de reconhecimento como fundamental à

condição humana é muito similar à de Taylor. Segundo o autor alemão , a negação do reconhecimento,

que ele chama simplesmente de “desrespeito, é um tipo de comportamento injusto não somente porque ele

rouba das pessoas sua liberdade de ação ou as insulta, mas também porque ele degrada o entendimento

que elas têm de si próprias (autoimagem), entendimento esse que é adquirido por meios

intersubjetivos.”P.126
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“O primeiro tipo de desrespeito mais básico corresponde a ser privado do controle sobre o seu próprio

corpo, como nos casos de tortura, estupro e outros tipos de violência física”P.127

“O segundo tipo de desrespeito corresponde à negação de direitos ao indivíduo, direitos esses que são

normalmente conferidos a outros, em uma dada sociedade. Aqui a pessoa se imagina, a princípio,

merecedora de ter tais direitos respeitados simplesmente por ser um membro da sociedade, mas acaba

tendo-os sistematicamente negados. Entre outras coisas, esse tipo de tratamento rebaixa o valor moral da

pessoa, pois viola sua expectativa subjetiva de ver-se reconhecida como sujeito capaz de fazer

julgamentos morais e, assim, a coloca em situação de inferioridade em relação aos outros cidadãos.”P.127

“Por fim, o terceiro tipo de desrespeito corresponde à marginalização e à discriminação dos estilos de

vida e opções culturais de indivíduos ou grupos de pessoas. Para Honneth, a dignidade e o status social de

uma pessoa correspondem ao grau de aceitação social do seu método de autorrealização no contexto do

horizonte cultural de tradições de uma dada sociedade. “P.127

“A partir de cada tipo de desrespeito, Honneth deriva uma forma positiva de reconhecimento . A primeira

forma corresponderia, assim, ao senso de segurança corporal proporcionado pelo amor, pela afeição

dispensada por aqueles que Mead chamou de “outros signifi cativos”: família, amigos e amantes.”P.128

“O segundo tipo de reconhecimento se realiza por meio do usufruto dos direitos leglmente constituídos

em uma comunidade política. Nesse nível, as pessoas se reconhecem umas às outras como portadoras dos

mesmos direitos e responsabilidades. Mas tal modalidade de reconhecimento não está circunscrito ao

plano imediato das relações interpessoais em sociedade, ele é também mediado por instituições,

mormente o sistema legal”P.128

“O terceiro tipo de reconhecimento é alcançado por meio do sentimento de solidariedade social advindo

da aprovação coletiva de estilos de vida particulares.”P.128

“Segundo Fraser, o conceito de justiça social foi tradicionalmente associado a demandas por

redistribuição. Entretanto, mais recentemente, a política do reconhecimento invadiu a seara da justiça

social. Demandas por reconhecimento público de práticas culturais, raças, sexualidades e gêneros

tornaram-se proeminentes nos deebates sobre justiça social do mundo desenvolvido. E a noção normativa
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que anima essas demandas é a de que o respeito igualitário não requer a aquiescência com os valores

culturais dominantes”P.130

“Fraser identifi ca quatro pontos de discordância entre os paradigmas populares da redistribuição e do

reconhecimento:

1. Eles têm concepções diferentes de injustiça. O primeiro foca a estrutura econômica da sociedade,

enquanto o segundo ataca a cultura dominante.

2. Eles propõem remédios diferentes para a injustiça. O primeiro prega a reestruturação econômica da

sociedade, enquanto o segundo luta por uma mudança cultural, simbólica (p. ex., o politicamente

correto).

3. Eles trabalham com concepções diferentes de coletivo: classe versus grupos étnicos , gênero, raça.

Fraser anota com propriedade que, no paradigma do reconhecimento , os grupos se assemelham aos

grupos de status de Weber, diferenciados por gozarem de menor respeito, prestígio e estima que o grupo

dominante.

4. Eles diferem quanto ao valor e ao entendimento que dão à diferença. Para o paradigma da distribuição,

a diferença é a princípio ruim e portanto deve ser abolida. Há duas abordagens para o problema da

diferença dentro do paradigma do reconhecimento. Os essencialistas tratam as diferenças culturais como

genuínas, autênticas, e portanto lutam pela sua revalorização no con-

texto social, enquanto os “transformadores” argumentam que essas diferenças são construídas no

processo de opressão e, portanto, concluem que sua celebração é maligna.”P.131

“Como bons neo-hegelianos, Taylor e Honneth concebem a falta de reconhecimento como um

impedimento para que o sujeito alcance uma boa vida, uma vez que ele não pode atingir a autorrealização.

Fraser propõe reinterpretar a questão do reconhecimento em termos da justiça. A solução proposta pela

autora se encerra em uma fórmula negativa:É injusto que alguns indivíduos ou grupos tenham seu status

de parceiros na interação social negados simplesmente em consequência de padrões institucionalizados de

valores culturais – de cuja construção não participaram em pé de igualdade –, que menosprezam suas

características específi cas ou as características que lhes são atribuídas.


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Nesse caso, o reconhecimento é tratado como um problema de status social”p.132

“Como, no entender de Fraser, os enfoques tradicionais da justiça distributiva não dão conta do

reconhecimento e as teorias neo-hegelianas do reconhecimento não dão conta da redistribuição, é preciso

eleger um princípio de justiça por meio do qual esses dois valores sejam mutuamente inteligíveis.”P.134

“Honneth primeiro contesta a estratégia adotada por Fraser de basear suas noções de reconhecimento e

redistribuição em paradigmas populares, ou seja, no entendimento dos movimentos sociais do presente.

Para ele, uma teoria crítica normativa deve enxergar que muitas formas de opressão e sofrimento nem

sequer chegam a ser articuladas como demandas verbalizadas por movimentos sociais. Portanto, os novos

movimentos sociais podem ser objeto de análise, mas não deveriam ditar a genda teórica.”p.135

“Se naqueles textos o autor havia definido a terceira forma de reconhecimento como o valor positivo dado

pela sociedade em geral ao estilo de vida de um indivíduo ou grupo de pessoas, agora essa forma de

reconhecimento é redefi nida em termos dos prêmios em dinheiro e status recebidos por uma pessoa como

sinal de reconhecimento de sua contribuição social na forma de trabalho.”P.135