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15/05/2018 pje.tjro.jus.

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ESTADO DE RONDÔNIA
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Tribunal Pleno / Gabinete Des. Paulo Kiyochi

Processo: 0801303-03.2018.8.22.0000 - MANDADO DE SEGURANÇA (120)

Relator: PAULO KIYOCHI MORI

Data distribuição: 10/05/2018 08:50:04

Polo Ativo: CONFUCIO AIRES MOURA e outros

Advogados do(a) IMPETRANTE: RICHARD CAMPANARI - RO0002889A, ERIKA


CAMARGO GERHARDT - RO0001911A, LUIZ FELIPE DA SILVA ANDRADE -
RO0006175A

Polo Passivo: PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DE


RONDÔNIA

Advogado do(a) IMPETRADO:

DECISÃO

Trata-se de mandado de segurança com pedido liminar


impetrado por Confúcio Aires Moura, contra ato do Presidente do Tribunal de

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Contas do Estado de Rondônia, que indeferiu o requerimento de retirada da


anotação de seu nome do rol de responsáveis com contas julgadas irregulares
pela referida Corte.

Relata ser de conhecimento público e notório que o impetrante


se encontra elencado no rol de responsáveis com contas julgadas irregulares
pelo Tribunal de Contas, razão pela qual é impossibilitada a emissão da
necessária certidão negativa para fins eleitorais.

Assevera que o Supremo Tribunal Federal, na oportunidade dos


julgamentos dos RE 848826 e 729744, assentou em repercussão geral, competir
exclusivamente a Câmara Municipal, com o auxílio dos Tribunais de Contas,
julgar as contas de Prefeitos, de modo que equivocada a autoridade
administrativa ao atestar a competência da Corte de Contas para o julgamento
do impetrante, à época, na qualidade de Prefeito do Município de Ariquemes.

Destaca que a supracitada decisão não faz exceção ao tipo de


conta, de forma que, sejam elas de governo ou gestão, a competência para
julgamento dos Prefeitos continua a ser das respectivas Câmaras.

Salienta que o processo originário da restrição é o de nº


2571/10, que ao registrar irregular a Tomada de Contas Especial, condenou o
impetrante nas penalidades de imputação de débito e multa, devidamente
quitadas, de forma que acreditou que a baixa de responsabilidade seria
suficiente para a exclusão do referido rol.

Sustenta que o impetrante é pré-candidato ao Senado pelo


Estado de Rondônia, e a simples aparição na lista causa prejuízo a sua imagem
no momento público vivenciado.

Ressalta que em decorrência de seu nome constar no referido


rol, tem sido vítima de notícias inverídicas publicadas em sites na internet.

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Defende a necessidade de concessão da medida liminar,


argumentando que não havendo a determinação de retirada do nome do
impetrante do rol de gestores com contas irregulares, a lista será encaminhada à
Justiça Eleitoral até a data de 15 de agosto do corrente ano.

Diante disso, requer seja concedida a liminar para determinação


da suspensão do ato impugnado, com a retirada do nome do impetrante do rol
de gestores com contas reprovadas pelo Tribunal de Contas até julgamento do
mandado de segurança.

É o relatório.

Examinados, decido.

Nos termos do art. 1º da Lei n. 12.016/2009 e em conformidade


com o art. 5º, LXIX, da Constituição Federal, "conceder-se-á mandado de
segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas
corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder,
qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de
sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem
as funções que exerça".

O art. 7º, inc. III, da referida Lei, possibilita ao julgador


suspender o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento
relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja
finalmente deferida.

No presente caso, a relevância na fundamentação,


representada pela fumaça do bom direito, se manifesta ante o teor do
julgamento dos RE 848826 e 729744, que assentou em repercussão geral,

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competir à Câmara Municipal o julgamento das contas de Prefeitos, acrescido o


fato da baixa de responsabilidade concedida ao impetrante pelo Tribunal de
Contas do Estado de Rondônia, consoante documentos de Id's n. 3718833 e n.
3718834.

Contudo, no tocante ao perigo da demora, tenho que não se


encontra presente, visto que conforme aduzido pelo próprio impetrante, é de
conhecimento público e notório que seu nome encontra-se elencado no rol de
responsáveis com contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas.

Não obstante a alegação da possibilidade de encaminhamento


da referida lista à Justiça Eleitoral, como explanado pelo Secretário de
Processamento e Julgamento da Corte de Contas no documento de Id n.
3718840, esta possui caráter meramente informativo, haja vista a ausência de
competência para emitir juízo de valor acerca da matéria.

Ademais, no que se refere as notícias veiculadas nos sites da


internet em razão do nome do impetrante constar no rol de responsáveis com
contas julgadas irregulares pelo Tribunal de Contas, extrai-se dos documentos
colacionados aos autos que se tratam de transcrições das decisões proferidas
pela sobredita Corte.

Destarte, tenho que os elementos constantes nos autos, neste


momento de análise perfunctória do presente remédio constitucional, não são
suficientes para concessão da liminar nos moldes pleiteados.

À luz do exposto, indefiro a medida liminar.

Notifique-se a autoridade coatora do conteúdo desta decisão e


da petição inicial, enviando-lhe os documentos necessários, a fim de que, no
prazo de 10 (dez) dias, preste informações pormenorizadas, em conformidade
com o art. 7º, inc. I da Lei n. 12.016/09.

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Dê-se ciência do feito ao órgão de representação judicial da


pessoa jurídica interessada, para que, querendo, ingresse no feito, conforme
previsão do art. 7º, inc. II da Lei n. 12.016/09.

Juntadas as informações, ou certificado o decurso do prazo, dê-


se vista à Procuradoria Geral de Justiça, para emissão de parecer, em atenção
ao disposto no art. 12 da lei retrocitada.

Expeça-se o necessário.

Após, retornem os autos conclusos.

Publique-se.

Porto Velho - RO, 14 de maio de 2018.

Desembargador Kiyochi Mori

Relator

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