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Caro

tradutor iniciante ou aspirante,



Compartilho com você algumas dicas para inserção no mercado e uma carreira sólida:

1) Invista em formação (faculdade ou cursos de longa duração – não é obrigatório, mas
ajuda bastante), materiais (dicionários, glossários, guias de estilo, livros sobre técnicas
de tradução), ferramentas de auxílio ao tradutor (um bom computador, licenças e
treinamento em CAT tools, um conversor de PDF, um ambiente de trabalho que atenda
as suas necessidades e seja o mais ergonômico possível, um armazenamento em
nuvem), cursos (on-line e presenciais), congressos e associações (ABRATES, ATA,
Sintra).
2) Faça a sua propaganda! Todos que cruzam o seu caminho devem saber que você é
tradutor/a. Não seja insistente nem se autopromova o tempo todo, mas deixe que os
outros saibam sutilmente que você é tradutor/a. Já fechei traduções em consultório
médico, durante uma conversa com o meu gerente do banco, durante happy hours...
Tenho certeza de que todos que me conhecem sabem que sou tradutora, e eles me
ajudam muito com contratações e indicações.
3) Viva a sua propaganda! Não adianta seu currículo estar recheado de qualificações, se
você não tem uma postura profissional nas redes sociais, nos eventos de tradução e no
contato com colegas. Pense que o mundo é uma vitrine e você está sendo observad@ o
tempo todo.
4) Confie em si mesm@, mas mantenha uma dose de humildade. Viu uma vaga e não se
julgou capaz de concorrer? Deixa disso... tente e, pelo menos, ganhe a experiência da
participação. Gostaria muito de trabalhar para um certo cliente, como o “Banco
Pixinguinha”? Entre no site deles, tente entrar em contato (sempre com bom senso),
veja no LinkedIn se tem algum contato que pode indicar você, vá a eventos da empresa,
veja se tem alguma empresa grande que fornece traduções para eles e, se tiver, se você
consegue ser contratado por essa empresa e prestar serviços para eles indiretamente.
Corra atrás do que você quer, mas sem derrubar ninguém pelo caminho.
5) Ouça os mais experientes e se espelhe naqueles que mais admira. Meus ídolos me
trouxeram um bocado de inspiração e conhecimento ao longo desses anos. Os humildes
aprendem muito mais e vão bem mais longe do que quem acha que já sabe tudo. Siga
blogs, leia artigos, veja as publicações deles nas redes sociais... Neste caso, ser “stalker”
é um pouquinho permitido.
6) Cuide dos seus idiomas. Nossos idiomas de trabalho são como plantas que precisam ser
regadas com frequência. Nunca teremos total domínio do nosso próprio idioma, quem
dirá dos outros. Erros todos nós cometemos e merecemos perdão, mas o importante é
sempre tentar se aprimorar. Além disso, tem coisa mais gostosa que aprender palavras
novas, expressões e regrinhas que até então passavam despercebidas?
7) Esteja pront@ para quando a grande oportunidade chegar! Não é raro ouvir de um
colega que ele começou na tradução por acaso. Isso acontece e muito, então mantenha
os olhos abertos, o conhecimento na caixola, e a atitude profissional e confiante. Se um
cliente gostar do seu trabalho, você provavelmente será chamad@ de novo, então dê o
seu melhor desde o primeiro contato.
8) Tire proveito da tecnologia. Esteja sempre bem informado, leia bastante, assista a
vídeos que lhe trarão mais conhecimento, use e abuse dos aplicativos, participe de
grupos de tradução no Facebook e no WhatsApp e contribua positivamente, ouça
podcasts e audiobooks para treinar os seus idiomas, estude um idioma novo
gratuitamente pela internet só para manter o cérebro aquecido. Enfim, use o
bombardeio de informações ao seu favor.
9) Mantenha viva a sua curiosidade! Questione o mundo ao seu redor, busque
informações, participe de debates, ouça com atenção os que os outros têm a dizer, aja
como uma criança de três anos que vive perguntando o porquê das coisas. Para nós,
conhecimento nunca é demais.
10) Escolha uma área de especialidade. Qual é o seu maior sonho profissional? Quer
traduzir para a indústria farmacêutica? Quer ser intérprete em um órgão internacional?
Quer legendar a próxima temporada de Black Mirror? Quer ser intérprete de
acompanhamento? Quer traduzir jogos? Quer verter obras literárias? Defina o seu
objetivo e corra atrás dele! (só compartilhando que eu sou apaixonada por balanços
financeiros – cada louco com a sua loucura)
11) Invista em viagens e contatos com estrangeiros. A língua é viva e nem sempre os livros
acompanham a sua evolução de maneira tempestiva. Viagens e amigos de outros países
nos enriquecem em termos culturais e linguísticos, além de abrir a nossa mente para o
desconhecido.
12) Tenha bom senso, sempre! Cobre valores que você considera justos, mas que também
estejam em linha com o nosso mercado. Não entre em briga pelas redes sociais (e nem
pensar em palavras pejorativas, ameaças e calúnias). Cuidado com o que você escreve,
pois pode resultar em perda de trabalho e até processos. Se for encontrar um
(potencial) cliente, pense também na sua aparência, cordialidade, bons modos. Não
roube (ou tente roubar) clientes dos colegas, pois o mercado é muito amplo e tem
trabalho para todo mundo.
13) Mantenha bons relacionamentos. Os seus primeiros clientes (e muitos outros) serão
decorrentes de seus relacionamentos mais próximos, como família, colegas de
faculdade, vizinhos etc. Além deles, os seus próprios colegas de profissão poderão se
tornar seus contratantes. Afinal de contas, só temos duas mãos e, às vezes, para dar
conta do trabalho, precisamos de umas 18! Por isso, veja os outros tradutores como
colegas e não concorrentes, e os trate com respeito. Embora alguns digam que a
profissão de tradutor é “solitária”, sabemos que trabalhamos em rede e somos mais
fortes quando unidos.
14) Capriche no currículo e divulgue o seu trabalho. Neste quesito, também é importante
saber o que você quer. Quer trabalhar para clientes diretos ou prefere começar
trabalhando em uma agência? Quer trabalhar para uma editora, uma multinacional,
uma rede de TV? Saber o que você quer contribui muito para a sua carreira.
15) Use as críticas para o seu bem. Por mais infundadas que pareçam ser, muitas vezes as
críticas trazem uma dica sobre como podemos nos desenvolver profissionalmente e
pessoalmente. Reflita sobre as críticas, tire uma lição, e libere o que não serve. Nada de
remorsos porque faz mal à saúde! Quando comecei a fazer traduções financeiras, meus
textos vinham sangrando de revisões. Na primeira vez, chorei. Na segunda, briguei. Na
terceira, comecei um glossário que hoje tem mais de seis mil termos e pretendo
publicá-lo um dia. É o famoso “junte os limões e faça uma limonada”.
16) Siga em frente! O cliente não aceitou seu orçamento? Perdeu o cliente para outro
tradutor? O projeto foi cancelado? O cliente faliu? Em vez de ficar remoendo o que não
deu certo, use seu tempo para procurar novas oportunidades. A maior vingança é viver
bem e ter sucesso!
17) Contrate um bom contador e pague os seus impostos bem direitinho. Fui roubada pela
minha primeira contadora e isso me rendeu muitas noites sem dormir, anos de dívidas e
um desgaste emocional tremendo. Hoje sei que um bom contador não é despesa... é
necessidade.
18) Por fim, equilibre trabalho e vida pessoal. Confesso que isso ainda é um desafio para
mim, mas melhorei nos últimos dois anos. É importante termos um tempinho para
família, amigos, relacionamentos amorosos, e até para não fazer nada. A estafa mental
nos impede de fazer um bom trabalho e acaba nos trazendo prejuízos. Por isso, tenha
cuidado na hora de estimar o tempo necessário para entregar uma tradução. Às vezes,
duas páginas de um dado tema demoram mais que oito páginas de outro assunto. Não
pense em palavras, parágrafos, páginas... Tudo é muito relativo.

Desejo a vocês uma linda carreira e estou certa de que terão muitas oportunidades
interessantes se agirem com integridade, ética, profissionalismo e respeito.

Abraços,
Carmen Reis