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ILUSTRÍSSIMOS SENHORES MEMBROS DA COMISSÃO DE CONCILIAÇÃO PRÉVIA

TRABALHISTA DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO HOTELEIRO E SIMILARES DE


LONDRINA/PR.

SÔNIA MARIA ORTIS RIBEIRO, brasileira, divorciada, gerente administrativa, residente


e domiciliada em Londrina/Pr., à Rua Gomes Carneiro, nº 55, Jardim Higienópolis, CEP
86015-240, portadora da CTPS. n.º 28127, série 0489J, por intermédio de seus advogados
devidamente legitimados (mandato incluso), com escritório profissional sito à Rua Uruguai,
n.º 1.161, (fone: 323-6886), comparece, respeitosamente, a fim de propor a presente
DEMANDA TRABALHISTA contra imobiliária SCHIETTI & MORTARI S/C LTDA,
inscrita no CGC/MF sob nº 7802187/00001-34, empresa com sede à Av. Juscelino
Kubitscheck, n.º 1.967, sala 17, centro, Londrina/Pr., CEP n.º 86020-000, pelos motivos de
fato e de direito a seguir expostos:

I- DO CONTRATO DE TRABALHO
A reclamante foi admitida aos serviços da empresa reclamada em
12/03/93, para exercer o cargo de gerente administrativo. Entretanto, fora registrada apenas em 03/01/94,
conforme verifica-se pela cópia da CTPS, em anexo.

A demandante foi dispensada SEM JUSTA CAUSA em 30/12/2.000 e


até a presente data, não recebeu o pagamento referente as verbas rescisórias a que tem direito.

A reclamante, desde janeiro de 1.995, percebia um salário mensal junto à


empresa no valor de R$ 500,00 ( quinhentos reais ), embora sempre tenha sido registrada apenas pelo valor
do piso da categoria previsto em CCT., conforme se verifica pela CTPS em anexo.

A partir de janeiro de 1.996, a reclamante passou a prestar seus serviços


também no setor de Locação da empresa reclamada, percebendo assim, além do salário fixo de R$ 500,00
mensais, mais comissão sobre a locação de imóveis. Entretanto, os valores de tais comissões também não
foram anotados em CTPS, e não integraram o salário da demandante para efeitos de reflexos nas demais
verbas trabalhistas devidas, tais como Décimo Terceiro Salário, Aviso Prévio, Férias mais 1/3
constitucional, e ainda sobre o FGTS.
II- DAS VERBAS RESCISÓRIAS
A reclamante não recebeu o pagamento de Décimo Terceiro Salário, Aviso
Prévio e Férias com o acréscimo constitucional, de acordo com as disposições legais. Preceitua o art. 457,
§1º da CLT,
“Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como
também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas,
diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador” (grifo nosso).

Desta feita, a demandante deveria receber Férias com acréscimo


constitucional e Décimo Terceiro Salário, com base no valor efetivamente pago a título de salário, ou seja,
R$ 500,00, acrescidos dos valores referentes às comissões percebidos pela mesma ( Salienta-se que os
valores devidos referentes as comissões são calculados de acordo com o disposto no art. 478, §4º da
CLT ).
Assim sendo, requer-se desde já, seja efetuado o pagamento das
verbas supracitadas, de acordo com o demonstrativo a seguir:

DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO

Período valor devido valor pago diferença devida


Jan/98 à ------------- ------------ ------------
Dez/98 R$ 790,91 R$ 500,00 R$ 290,91
Jan/99 à ------------- ------------- --------------
Dez./99 R$ 767,47 R$ 500,00 R$ 267,47
Jan./2.000 à ------------- ------------- ---------------
Dez/2.000 R$ 732,45 R$ 500,00 R$ 232,45
Jan./2.001 ( 1/12 ) R$ 61,03 ________ R$ 61,03

FÉRIAS MAIS 1/3 CONSTITUCIONAL

Períodos Valor devido Valor pago Diferença devida

Março/98 à ----------------- ------------------ -------------------


Fev/99 R$ 1.054,54 R$ 500,00 R$ 554,54
Março/99 à -------------- -------------- -------------------
Fev/2.000 R$ 1.023,30 R$ 500,00 R$ 523,30
Março/2000 ----------------- ------------------- --------------------
Jan/2001 R$ R$ 500,00 R$ 395,21
895,21

AVISO PRÉVIO INDENIZADO

De acordo com o que preceitua o art. 487, §1º da CLT, a reclamante faz
jus ao pagamento do aviso prévio, uma vez que a empresa reclamada não cumpriu as exigências do art.
487, inc. I do mesmo estatuto. Assim sendo, requer seja a empresa demandada compelida ao pagamento do
Aviso Prévio no valor de R$ 732,45 ( Setecentos e trinta e dois reais e quarenta e cinco centavos ) ,
valor este calculado de acordo com as disposições do art. 478,§ 4º somados ao salário fixo mensal no
importe de R$ 500,00.

Conforme os cálculos acima discriminados, a empresa reclamada deve a


reclamante, a título de diferença de verbas rescisórias, R$ 3.057,36 (Três mil e cinquenta e sete reais e
trinta e seis centavos ) devendo, portanto, ser compelida ao pagamento do valor supra.

III- DO FGTS.

A empresa reclamada não efetuou o registro em CTPS, devidamente de


acordo com os valores salariais percebidos pela reclamante, ou seja, importância fixa de R$ 500,00 mais
os valores referentes as comissões pela locação de imóveis. Assim sendo, não depositou os valores corretos
a título de FGTS em favor da mesma.

Desta feita, requer seja a empresa demandada compelida ao pagamento


dos valores integrais que deveriam ter sido depositados referentes ao FGTS, descontando-se os valores já
recolhidos, com base no salário registrado. Requer-se ainda, o pagamento da multa de 40% sobre o
montante total face à rescisão indireta, e ainda, a multa de 20%, conforme determina o art. 22 da Lei n.º
8036/90.

Requer, portanto, a condenação da empresa reclamada nos valores que


deveriam ter sido depositados e não foram, nos termos da fundamentação acima, de acordo com o
demonstrativo abaixo discriminado : -

-Período trabalhado – março/1993 até janeiro/2001

1. Valor devido R$ 6.316,51


2. 40 % multa/dispensa sem justa causa R$ 2.526,60
3. Valor pago R$ 987,08
4. Diferença (valor não depositado) R$ 5.329,43
5. 20 % sobre valor não depositado (art. 22 da Lei nº 8036/90) R$ 1.065,88
6. FGTS devido (computando-se os valores dos ítens 2, 4 e 5) R$ 8.921,91

IV- DA MULTA DO ART. 477 DA CLT


A demandante não deu motivos para a cessação das relações de trabalho;
assim sendo, tem o direito de haver da empresa demandada uma indenização paga na base da maior
remuneração que tenha percebido na mesma empresa. Assim sendo, requer seja a empresa reclamada
compelida ao pagamento da multa prevista no art. 477 da CLT, o que desde já se requer, no valor de R$
858,86 (Oitocentos e cinquenta e oito reais e oitenta e seis centavos), valor este que foi percebido pela
reclamante no mês de set/2.000, conforme recibo em anexo.

DO REQUERIMENTO FINAL

ISTO POSTO, requer:

a) Seja a empresa reclamada compelida a efetuar as devidas anotações em


CTPS de acordo com a remuneração efetivamente percebida pela reclamante;

b) Seja a empresa demandada compelida ao pagamento das verbas


rescisórias discriminadas no item II;

c) Seja a empresa reclamada compelida ao pagamento dos valores que


deveriam ter sido depositados a título de FGTS na base de 8%, acrescido da multa de 40%, e da multa de
20%, de acordo com os critérios delineados no item III;

d) Seja a empresa demandada compelida ao pagamento da multa prevista


no art. 477 da CLT;

e) A designação da audiência prévia de tentativa de conciliação, nos


termos da Legislação Trabalhista;

f) A notificação da empresa reclamada no endereço retro declinado, na


pessoa de seu representante legal, para querendo, comparecer a audiência prévia de tentativa de
conciliação, a fim de efetuar o pagamento dos valores devidos a reclamante, sob pena de se ingressar com
Reclamatória Trabalhista perante o Juízo competente.

Valor da presente: R$ 12.838,13 (Doze mil, oitocentos e trinta e oito reais


e treze centavos)

Termos em que
Pede Deferimento
Londrina, 15 de maio de 2018

ADRIANO ALVES DA SILVA NADIR FURTADO


OAB/PR nº 28.178 OAB/PR nº 10.179