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A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO

DE 9 A 12 DE OUTUBRO

ESPAÇO E TEMPO DO SAIRÉ EM ALTER DO CHÃO NO


OESTE PARAENSE.
MARIA AUGUSTA FREITAS COSTA CANAL1
Resumo
Nesse trabalho procuramos apresentar resultados parciais de análises que posteriormente serão
aprofundadas na elaboração de nossa tese de doutorado. O objetivo principal desse texto é analisar
as escalas espaço-temporais horizontais e verticais que propiciam formas e conteúdos à festa do
Sairé, buscando entender suas relações com a produção cotidiana de práticas de subjetivação
existencialistas. Para a efetivação do trabalho teremos como suporte metodológico a pesquisa
qualitativa pautada em análise documental e em relatos de campo tendo como procedimentos
interpretativos a história oral e a análise do discurso.
Palavras-chave: Espaço, Tempo, Sairé, Cultura, Subjetivação.
Abstract
In this paper, we present partial results of analyzes that will be deepened later in the development of
our Ph.D. thesis. The main aim of this paper is to analyze the horizontal and vertical spatial and
temporal scales which provide form and content to Sairé‟s festival, in order to understand their
relationships with daily production of subjectivity existentialist practices. In order to the
accomplishment of this work we had as methodological support both qualitative research, based on
document analysis and field reports, and interpretive procedures such as oral history and discourse
analysis.
Key-word: Space, Time, Sairé, Culture, Subjectivity.
1. Introdução
O tempo e o espaço são, de acordo com Santos (1999), duas categorias
analíticas que se imbricam e engendram uma inseparabilidade reveladora da
possibilidade de pensarmos a totalidade. Saquet (2007) nos diz que “[...] Os tempos
são tempos desiguais, vividos em cada dialética espaço-tempo, mas dá-se também
uma relação singular x universal, em diferentes velocidades, complexidades e
intensidades [...]” (p. 12). Isso quer dizer que, vivemos uma simultaneidade de
variação temporal instaurada por sujeitos diversos e que impõem ao espaço um
hibridismo cuja produção em “[...] sucessão interminável de formas-conteúdos, é o
traço dinâmico da sua ontologia [...]” (SANTOS, 1999, p. 21).
A simultaneidade de variação temporal, de acordo Heller (1987), pressupõe
“[...] que las diversas épocas son representables a traves de los diferentes
individuos-tipos, sin embargo, tales tipos de individualidade – aunque de ua manera
compleja – están construídos el uno sobre el otro [...]” (IDEM, p. 49). O que nos
permite reconhecer que a horizontalidade das relações particulares cotidianamente

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Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Geografia da FCT/UNESP/Presidente Prudente, e
docente da Faculdade de Turismo (ICSA/UFPA). E-mail de contato: augustageo@yahoo.com.br.

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estabelecidas é impulsionada a um movimento de superações “quantiqualitativas”


sem aniquilação do velho ou das velhas formas–conteúdos. Ou, como diz Koselleck
(2006), pensar o tempo não necessariamente é uma margem quantitativa, mesurada
por calendários ou máquinas, mas é, antes de tudo, uma margem de “experiência” e
de “expectativa”.
Conforme Koselleck, o par “experiência” e “expectativa” corresponde a duas
categoria “[...] adequadas para nos ocuparmos do tempo histórico, pois, elas
entrelaçam passado e futuro [...] para tentar descobrir o tempo histórico, pois
enriquecidas em seu conteúdo, elas dirigem as ações concretas no movimento
social e político” (2006, p. 308). Para o autor, a apreensão de duas categorias
existencialistas: tempo e espaço pode ser mediada pela composição de um “espaço
de experiência” (o presente passado) cujas recordações antecipam esperanças
configuradas em um “horizonte de expectativa” (o passado futuro).
Dessa forma, quando observamos a cultural do Sairé apresentada em Alter
do Chão, distrito santareno situado no oeste paraense, percebe-se formas-
conteúdos que revelam um tempo engendrado pelo presente que é passado e
futuro. O Sairé é um híbrido de festa, materialidade simbólica e saudação que em
Alter do Chão se configurou desde o processo de colonização como expressão do
sagrado (DANIEL, 2004; BATES, 1962 [1864]). Após sofrer proibição de
manifestação nessa localidade por cerca de quarenta (40) anos (PEREIRA, 1989), o
Sairé novamente compôs o “espaço de experiência” dessa localidade a partir de
1973, sendo seu universo simbólico construído por meio das recordações da
memória coletiva de seus grupos sociais (SANTIAGO, 1996). Nesse ínterim, Alter do
Chão já vivenciava uma demanda turística de fluxos regionais, nacionais e
internacionais (PEREIRA, 2007), fator que irá persistir até as duas primeiras
décadas do século XXI.
Nessa perspectiva, a horizontalidade da vida cotidiana de Alter do Chão,
expressa nas manifestações do Sairé, sempre esteve vinculada a múltiplas escalas
geográficas e, portanto, seus “espaços de experiência” são temporalidades verticais.
Ou seja, concomitantemente, ao processo de horizontalidade há um de verticalidade
das espacialidades, esse último abriga tempos oriundos de tradições os quais são
chamados de tempos lentos, bem como tempos derivados da fluidez tecnológica,

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ARGUMENTAÇÃO E E-DEMOCRACIA: UMA ANALISE DE


FERRAMENTAS EM ESCALA MUNDIAL PARA UMA DISCUSSÃO
PÚBLICA CRÍTICA
RODRIGO FREITAS COSTA CANAL 1
MARIA AUGUSTA FREITAS COSTA CANAL2
Resumo
Como podemos fazer para participar de forma efetiva e com qualidade, nas esferas
estatais/governamentais, levando em conta os diversos e diferentes grupos sociais? Quais
viabilizações de ambientes em escala espaço-temporal do meio técnico-cientifico-informacional são
capazes de possibilitar e aprofundar discussões sobre os assuntos públicos? O projeto denominado
de Lógica Informal e Teoria da Argumentação podem nos ajudar a encontrar tais ferramentas
computacionais, teóricas e critérios como respostas a essas questões. Neste trabalho, apresentamos
alguns resultados e discutimos em que sentido os mesmos podem nos ajudar a incrementar/solidificar
nossa capacidade de participação nas discussões de assuntos públicos junto ao governo e em
nossas relações interpessoais via internet.
Palavras-chave: Critérios para boa argumentação; e-democracia; ferramentas computacionais para
argumentação; web semântica; analise e avaliação de argumentos.
Abstract
How can we do to participate effectively and with quality, in state / government levels, taking into
account the various and different social groups? What enabling environments scale spatiotemporal of
the technical-scientific-informational milieu are able to facilitate and deepen discussions on public
issues? The project called Informal Logic and Argumentation Theory can help us find these tools
(computational, theoretical and criteria) as responses to such questions. We present some results and
discuss in what way they can help us improve / solidify our ability to participate in public affairs
discussions with the government and in our interpersonal relationships via internet.
Palavras-chave: Criteria for good argumentation; e-democracy; computational tools for arguing;
semantic web; argument’s analysis and evalutaion.
1. Introdução
A literatura revisada neste trabalho oferece respostas precisas e diretas às
questões que propomos responder neste trabalho, “Como devemos fazer para
participar de forma efetiva e com qualidade, nas esferas estatais/governamentais,
levando em conta os diversos e diferentes grupos sociais? Quais viabilizações de
ambientes em escala espaço-temporal do meio técnico-cientifico-informacional são
capazes de possibilitar e aprofundar discussões sobre os assuntos públicos?” No
entanto, não é nosso intuito pretender fechar essas questões e nem mesmo tratar os
autores dos textos como autoridades intelectuais supremas, uma vez que há outras
ferramentas e abordagens a essas questões. Além do mais, as pesquisas ainda se
encontram em fase de desenvolvimento, e não há consenso algum ainda entre os

1 Professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará. E-mail de contato:


prof.rodrigocanal@gmail.com.
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Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Geografia da FCT/UNESP/Presidente Prudente, e
docente da Faculdade de Turismo (ICSA/UFPA). E-mail de contato: augustageo@yahoo.com.br.

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pesquisadores. Este é apenas um ensaio com o intuito de contribuir com a


discussão mostrando algumas possibilidades teóricas já engendradas e alargar
nossa compreensão do fenômeno da argumentação por meio da discussão de
algumas de suas ferramentas e critérios básicos da argumentação, de alguns
modelos computacionais para a argumentação hoje disponíveis e a relação destas
com a e-democracia. Faremos assim uma breve revisão dos diferentes tipos de
ferramentas, procurando destacar seus principais objetivos.
2. Logica informal, teoria da argumentação e modelos computacionais do
argumento
Lógica Informal e Teoria da Argumentação (daqui para frente LI e TA)
designam hoje programas de pesquisas em que confluem diferentes áreas ou
disciplinas cientificas e filosóficas, tais como a Inteligência Artificial, Psicologia,
Linguística, Filosofia, Direito, Sociologia, etc. O problema central estudado nessas
áreas é a natureza, estrutura e função (papel, importância, etc.) do fenômeno da
argumentação.
A LI teve seu inicio no final de 1970, vindo ao público pelo trabalho de um
grupo de filósofos da América do Norte, tais como Michael Scriven, Trudy Govier,
David Hitchcock, Perry Weddle, John Woods, Ralph H. Johnson e J. Anthony Blair:
um empreendimento de pesquisa que se constitui como um estudo normativo do
argumento (EEMEREN, et al, 2014). Isto é, uma tentativa de desenvolver uma lógica
para que possamos analisar e avaliar os argumentos que ocorrem na linguagem
natural: argumentos encontrados em discussões, debates e discordâncias que se
manifestam na vida cotidiana - em comentários sociais e políticos; em reportagens e
editoriais na mídia como jornais, revistas, televisão, a World Wide Web, twitter, etc.,
na publicidade e comunicações corporativas e governamentais, e em discussões
interpessoais que estabelecemos com outros pessoas (GROARKE, 2011).
Nesse viés, assim como a LI, a TA tem procurado compreender a natureza
teórica, prática e normativa da argumentação, bem como estabelecer padrões não
formais, critérios e procedimentos à análise, interpretação, avaliação e construção
crítica de argumentos no discurso filosófico, cientifico e cotidiano (SANTIBÁÑEZ,
2012; Van EEMEREN, 2014). Os teóricos compreendem que a argumentação é por

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