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CÂNTICOS DE LOUVOR E PEDIDO DE AJUDA

SALMO DE DAVI

SALMO 40.1-17

Verso 1 – “Esperei com paciência pelo Senhor”.

1. Nas adversidades não temos escolha a não ser esperar; ou, escolher desesperar-se.
2. O salmista fez a melhor escolha. Na sua espera com paciência, não significa que o
Senhor é demorado em nos atender, significa apenas que Jeová atende no tempo
próprio.
3. O tempo da paciência talvez seja o tempo necessário para atingirmos a maturidade; a
dor pode ser o laboratório para a maturidade.
4. Pode ser só o tempo de sermos provados e aprovados; pode ser o tempo de
alcançarmos a nossa bem-aventurança (Ver Tiago 1.2-4).

“Ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”.

1. Como é gostoso e momento de alívio e felicidade quando nosso Pai bondoso se


inclina até onde estamos. Inclinar é se colocar do tamanho daquele que está
necessitado. É bem assim que fazemos quando nossos pequenos nos puxam pelas
pernas das calças ou pelas barras das saias.
2. Não que Deus precisasse se curvar tanto para nos ouvir, mas o que fica evidente é o
seu real interesse em cuidar de nós quando a Ele recorremos.
3. Spurgeon retrata a cena assim: “Como se o suplicante clamasse da mais baixa
depressão, e o amor condescendente se inclinasse para ouvir os gemidos fracos”.
Tantas vezes a dor é tanta que nos falta o som, nos falta a voz, nos falta a coragem, e
nos sobra desânimo.

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Verso 2 – “Tirou-me de um poço de perdição, de um atoleiro de lama”

1. Quem era eu? Eu era alguém afundado em um poço de perdição. O Senhor ouviu o
meu clamor e estendeu os seus braços de compaixão e misericórdia para tirar-me de
lá.
2. Onde eu estava? Eu estava afundado, eu estava sem esperança. Mas tudo mudou
quando o Senhor, gentilmente, afetuosamente, em atitude transbordante de amor me
buscou onde eu estava.
3. Como eu estava? Eu estava na pior situação que alguém pode estar: “Eu estava
atolado em um poço de lama”. A lama pode ser tanto física quanto uma disposição da
alma e da vida; a vida na lama é uma vida em desonra. Certamente não era assim que
estava o salmista, mas é assim que o Senhor restaura a vida de muitas pessoas.
Quando Jesus conversou com a mulher adúltera Ele a restaurou da lama da desonra.

“colocou os meus pés sobre uma rocha e firmou os meus passos”.

1. A minha restauração teve início quando o Senhor me tirou do lugar onde eu estava:
“Tirou-me de um poço de perdição”.
2. A minha restauração foi completa porque Ele não só “se inclinou” como “me
tirou” como “colocou-me os pés sobre uma rocha”.
3. Eu vejo nisso tudo um excelente traslado. Eu saí do fim da linha para a firmeza da
rocha.
4. O tempo de espera, mesmo com paciência me deixou exaurido, e meus pés
estavam frouxos e vacilantes. Mas o Senhor fez a obra completa e sobremaneira
excelente: “Ele firmou os meus passos”. Ele me fez pisar com segurança; Nele
meus pés são firmados.

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Verso 3 – “E me pôs nos lábios um cântico novo”.

1. Restaurado, o salmista passou a ter nos lábios um novo cântico (v.3). A restauração
promovida pelo Senhor abriu a alma poética do salmista. Para o salmista, tudo o que o
Senhor fez para ele era digno de uma nova canção.
2. Não se tratava de uma canção com cunho comercial, mas de cunho espiritual.
Podemos dizer que o salmista se derramou de alma e coração em novas melodias.

“Um hino de louvor ao nosso Deus”.

1. Davi não trata com dois Deuses, mas aqui o salmista fala de Elohiym. O poderoso
Yehovah é o Elohiym que merece um hino de louvor.
2. Enquanto o clamor de angústia ao Senhor era extremamente pessoal, o cântico é
comunitário: “ao nosso Deus”.

“Muitos verão essas coisas”

1. “Muitos” entre o seu povo: amigos e inimigos.


2. Os adversários de Davi esperavam ansiosamente a sua derrota.
3. Mas os seus inimigos não imaginavam que ele seria restabelecido, que ele seria
exaltado, que ele seria colocado sobre a rocha e que a força dos seus pés voltaria.
4. Eles não imaginavam que Davi já estava apto para a batalha.
5. Como verão? Viram porque Davi se deixou ver. Viram no próprio Davi. Viram pela
restauração. Viram através de um cântico novo.

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“temerão e confiarão no Senhor”.

1. Entre o povo existem aqueles que aprendem a temer ao Senhor pelo que viu viram
(“temerão”).
2. Entre o povo muitos passaram a reverenciar a Deus a partir da sua ação na vida do
salmista.
3. Hoje, o povo vê partir da atuação de Deus em nós (Mt 5.16)
4. Hoje, o povo aprende a confiar no Senhor através das nossas atitudes, do nosso
testemunho.
5. O que nós somos, e o que Deus faz em nós é um canal de proclamação.

Verso 6 – “Sacrifícios e ofertas não quisestes”

1. No comentário de Calvino, que pode ter usado a LXX, aparece desta forma: “Tu não
tens prazer em sacrifício e oblação”. Oblação: oferenda à divindade ou aos santos.
2. Fica bastante evidente, em vários textos bíblicos, a repulsa de Deus aos sacrifícios
oferecidos por um coração impuro. (1 Sm 15.22; Isaías 1.11ss).

“abriste os meus ouvidos” (NAA); “Abriste os meus ouvidos” (ARA); “As minhas orelhas
furaste” (ARC).

1. A ARC faz uma possível referência à pratica de furar a orelha do servo/escravo


(Êxodo 21.6).
2. Na ARA e NAA, a ideia é que Deus abre os nossos ouvidos para o entendimento que
leva ao cumprimento e fidelidade.
3. O escravo com a sua orelha furada deve demonstrar fidelidade ao seu senhor; o servo
que tem abertos os ouvidos do seu entendimento deve fidelidade ao seu Senhor.

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“Holocaustos e ofertas pelo pecado não requeres”.

1. Nota na Bíblia Nova Reforma: “Isto é, sacrifícios totalmente queimados”.


2. Essa verdade descrita por Davi só vamos entender perfeitamente quando aplicada aos
crentes do Novo Testamento.
3. “A expiação do pecado não nos vem de um cerimonial elaborado, mas como efeito da
obediência do nosso grande Substituto à vontade do Senhor” (Spurgeon).

Verso 7,8 – Então eu disse: “Eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito;
agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; a tua lei está dentro do meu coração”.

1. Champlin, baseado na repetição do texto em Hb 10.5-7 (Que tem base na LXX),


considera esses versos do salmo como messiânico.
2. O tema principal não parece ser Davi, mas uma profecia a respeito do Bendito
Salvador.
3. Jesus no Getsêmani rendeu-se cabalmente à vontade do Pai.
4. Jesus cumpriu a Lei, a ponto de dizer no final de tudo: “Está consumado”.
5. Embora o salmo seja davídico, este ponto do Salmo nos aponta o futuro.
6. Por outro lado, vemos em Davi um fiel cumpridor da Lei do Senhor.

Verso 9 – “Proclamei as boas-novas de justiça na grande congregação; jamais cerrei os


lábios, tu o sabes Senhor”.

1. Temos dois teólogos expoentes: Calvino e Spurgeon. Calvino aplica o salmo à pessoas
de Davi; Spurgeon, à pessoa de Jesus.

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2. Sabemos que Davi era um pregoeiro da bondade e da justiça de Deus; sabemos através
dos seus salmos.
3. Sabemos que Jesus veio proclamar as boas-novas do Reino de Deus.

Verso 10 – Não ocultei no coração a tua justiça; proclamei a tua fidelidade e a tua
salvação; não escondi da grande congregação a tua graça e a tua verdade.

1. Não houve em Davi um coração mesquinho, egoísta; não guardou para si as bênçãos
da justiça que vem de Deus.
2. Davi proclamou a fidelidade a todos quem era Deus e o que Ele lhe fizera.
3. A grande congregação é o kahal em reunião; era a sinagoga para os LXX e é a igreja
para os nossos dias.

Verso 11- Não retenhas de mim, Senhor, as tuas misericórdias; que a tua graça e a tua
verdade sempre me guardem.

4. Calvino prefere dizer: “Não desvies de mim tuas ternas misericórdias”.


5. A graça é o sustentáculo e o refúgio da salmista; a verdade de Deus são os Seus
propósitos que nunca serão frustrados (embora nos esforcemos para tal).

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Verso 12 – São incontáveis os males que me cercam; as minhas iniquidades me
alcançaram, tantas, que me impedem a visão; são mais numerosas que os cabelos de
minha cabeça, e o coração desfalece.

1. A oração do verso anterior, o pedido de Davi, tem muito a ver com esta sentença:
“São incontáveis os males que me cercam”. Entre esses males estão também os seus
inimigos.
2. Mas Davi não se apresenta de bonzinho e injustiçado; ele faz o seu mea culpa; Davi
confessa que ele tem parte em seu sofrimento pessoal: “as minhas iniquidades me
alcançaram”. Assim como as bênçãos de Deus são incontáveis (v.5), mas Davi
contrasta isso como as suas muitas iniquidades, a ponto dessas que me impedem a
visão.
3. Eram tantas que chegavam fazer de Davi um exagerado, até mesmo chegando a ponto
de desfalecer o seu coração. Davi estava vivendo extenuado em suas emoções.

Verso 13 – Apraza-te, Senhor, em me livrar; apressa-te, ó Senhor, em me socorrer.

7. Mesmo consciente, ou a consciência das suas iniquidades, não impediram que Davi
recorresse a Deus em oração. Davi deixa bastante claro que Deus condena a
iniquidade, mas também salva o pecador arrependido.
8. “Praza-te”, “Agrada-te”. Muito interessante. Mesmo sabendo-se pecador e
merecedor do que estava passando, Davi deixa para Deus o prazer em ajudá-lo. Aqui
Davi expressa a confiança na misericórdia e graça de Deus. É como se Davi dissesse:
“O Teu prazer é me livrar”.
9. “Apressa-te”. Não que Deus se perca no tempo; nós que não entendemos qual é o
tempo. Mas para Davi, o tempo era o tempo da aflição. Na aflição intensificamos
nossas orações e nos derramamos em petições.

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Verso 14 – Que sejam envergonhados e cobertos de vexame todos os que buscam tirar-me
a vida; retrocedam e cubram-se de vergonha os que se alegram com o meu mal.

4. “Vergonha e vexame”. Para Davi era isso que mereciam os que se apresentavam
como seus inimigos; para os que ‘buscam tirar-me a vida’.
5. “Retrocedam e cubram-se de vergonha os que querem o meu mal”. Retrocederão
porque não terão êxito em seus maus intentos contra Davi; seus inimigos sairiam
contra ele com arrogância (Golias), mas voltariam envergonhados, acovardados e
fracassados.

Verso 15 – Sofram perturbação por causa da sua vergonha aqueles que me dizem: “Bem
feito! Bem feito!”.

1. “Perturbação”, isto é, sejam desolados, destituídos, atordoados e pasmados (Em


linguagem popular, vulgar: Que fujam com os rabos entre as pernas).
2. Assim como Golias que chegou zombando e galhofando contra o povo de Israel,
assim será com os inimigos de Davi quando Deus o socorrer.

Verso 16 – Exultem e em ti se alegrem todos os que te buscam; os que amam a tua


salvação digam sempre: “O Senhor seja engrandecido”.

1. “Folguem” (ARC), regozijem-se, alegrem-se. A alegria resulta de estarmos na


presença do Senhor, daquilo que Ele pode fazer por nós e em nós.

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2. Os que amam a salvação e por ela são alcançados tem mais que motivos para
engrandecer ao Senhor (“Seja engradecido, oh Deus da minha vida, Tu és o Deus da
minha salvação”).

Verso 17 – Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim. Tu és o meu


amparo e o meu libertador; não te demores, ó meu Deus!

1. “Pobre e necessitado”. Não se trata de da escassez de bem; o salmista retrata a sua


situação e dependência de Deus diante dos seus inimigos, e diante de si mesmo,
porque se via cheio de iniquidades (v.12). O salmista aqui tem um quê do
publicano que se acha indigno e pecador. “Cuida de mim”. Mesmo diante de
provações e perigos de todos os lados Davi sabia que era objeto do cuidado
amoroso de Deus.
2. “Amparo e libertador”. Davi reforça o seu sentimento de segurança provido por
Deus diante dos perigos da vida, dos infortúnios e até das nossas incertezas.
3. “Não te demores”. Parece que Davi insiste que a coisa está extremamente pesada;
parece que ele corria o risco de esmorecer de vez caso não haja a intervenção de
Deus. O único grito que resta é: “ó meu Deus”.

Pr. Eli da Rocha Silva

16/05/2018 – Igreja Batista em Jardim Helena - Itaquera