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UNIDADE 2

Metodologia
do ensino
de lutas
Unidade 2

LUTAS NA ESCOLA

Mário Molari

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você vai conhecer a


evolução das lutas, os modelos conceituais e as possibilidades pedagógicas
de se inserir os conteúdos de lutas no contexto escolar, a fim de levar o
acadêmico de licenciatura em Educação Física a ter condições de utilizar
esse conhecimento nas suas aulas após sua formação acadêmica.

Seção 1 | A origem das lutas


Nesta seção você vai conhecer as origens das lutas e os aspectos
culturais que fazem parte do contexto do esporte de lutas. Além disso,
será apresentado às diferenças entre lutas e artes marciais.

Seção 2 | A Educação Física e o conteúdo de luta


Nesta seção será feita uma relação entre as particularidades da Educação
Física com as lutas, tendo como aspectos estruturantes algumas sugestões
de como é realizada a formação profissional nessa perspectiva.

Seção 3 | Propostas metodológicas das lutas na escola


Nesta seção você aprenderá algumas sugestões de como inserir as lutas
num aspecto de intervenção. Além disso, irá conhecer que o caminho para a
relação das lutas nos conteúdos escolares deve ser mediado pela ludicidade.
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Introdução à unidade

Olá! Nesta unidade vamos conhecer a evolução das lutas e nos apropriar
de conhecimentos pertinentes à introdução delas no contexto escolar. Você
compreenderá que por meio da luta é possível criar ações que possam contribuir
com a melhora da educação da criança, permitindo que ela leve esse conhecimento
para a vida adulta. Também discutiremos sobre as possibilidades de atividades que
podem facilitar o processo da inclusão dos conteúdos pertinentes as lutas na escola.

De acordo com as Diretrizes Curriculares da Educação Física para os anos finais


do ensino fundamental e para o ensino médio: “[...] as lutas devem fazer parte do
contexto escolar, pois constituem-se das mais variadas formas de conhecimento
da cultura humana, historicamente produzidas e repletas de simbologias" (BRASIL,
2008, p. 39). Neste sentido é que vislumbramos nos esportes de lutas um
importante instrumento e uma especial necessidade de implantá-las como um
recurso positivo.

Segundo Manoel (1995, p. 65-68), a relevância do ensino das lutas ocorre


principalmente no plano motor, quando as capacidades físicas e motoras são
amplamente solicitadas. Para Virgílio (1986) e Manoel (1995), são atividades capazes
de contribuir para: a diminuição da agressividade, proporcionar autoconhecimento,
melhoria do autoconceito, conhecimento de outras culturas e reforço de conceitos
acadêmicos, uma vez que há aprendizado sobre o movimento e por meio do
movimento. A aplicação de lutas nas escolas deve ser ampliada e adequada às
condições socioeconômicas, regionalização, cultura e necessidades do aluno.
Constituindo-se uma “cultura corporal” ampla, acessível e praticável (COLETIVO
DE AUTORES, 1992, p. 30-31).

A própria palavra “luta” já nos remete ao processo de aquisição de conhecimento


ou de experiência. Haveria melhor palavra para descrever as incontáveis tentativas
de uma criança de permanecer em pé ou mesmo de caminhar? Ou para o notável
esforço que é empenhado por um garoto que aprende a manter uma bicicleta em
movimento? Lutamos desde nossa concepção e o fazemos invariavelmente para
vencer o estágio anterior e prosseguir na perpetuação. Lutamos constantemente pela
superação, fazendo de tal habilidade um item indispensável à sobrevivência. Assim,
entendemos que luta não é nenhuma novidade para o desenvolvimento humano.
Então por que estranharmos que a luta seja utilizada como processo educador?

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Assim como nos outros esportes, na luta também está representada grande
parte das situações da própria vida, só que com grande exigência ética. Imaginemos
um espaço delimitado, em que devemos, durante um tempo predeterminado,
enfrentar um oponente, estando este a nós equiparado em categoria de peso,
tamanho e graduação técnica. Tais condições, somadas à ação de controle das
regras, faz com que haja um grande equilíbrio entre os oponentes. A partir daí farão
a diferença as qualidades extremamente desejáveis, como: coragem, perseverança,
autoconfiança, paciência, tolerância ao estresse, tolerância à dor, capacidade de
raciocínio e processamento de informações sob pressão adquiridas por meio do
treinamento, desejo de autossuperação e respeito às regras.

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Seção 1
A origem das lutas

Introdução à Seção
A evolução das lutas é um conhecimento que deve estar incorporado nas
aulas que tratam dessa questão e, por isso, é um conteúdo que deve constar no
currículo escolar nas aulas de Educação Física. A questão histórica das lutas faz
parte da perspectiva histórica humana que apresenta um processo advindo da
antiguidade, Idade Média e dos dias atuais. Na antiguidade, as lutas eram vistas
como um meio de sobrevivência. Na Idade Média, muda-se para perspectiva social
e humana e, na atualidade, as lutas ganham espaço pedagógico nas mais diversas
áreas de atuação.

1.1 A Perspectiva histórica das lutas


Para se aprender sobre qualquer assunto é necessário primeiro conhecer pelo
menos um pouco de sua origem. Se voltarmos no tempo, podemos constatar que
a luta sempre esteve presente no cotidiano do homem. Talvez não expressa em
movimentos bruscos de um homem contra o outro, mas no interior de cada um,
como busca por instrumentos interiores e externos para a adaptação ao meio.

Desde o início de sua história, o homem teve que se organizar para sobreviver
e foi no movimento da natureza, em todos os seus fenômenos que parece ter
encontrado o que necessitava.

Quando passou de nômade a sedentário, o homem precisou apropriar-se de


conhecimentos e adaptá-los aos seus objetivos para garantir seu território. Em
tempos de guerras, por exemplo, os mais fracos e oprimidos tiveram que fortalecer
o seu corpo com sacrifício e disciplina para salvar os seus entes queridos.

Acredita-se que a luta como a conhecemos, em diferentes modalidades, surgiu


entre 4000 e 3000 a. C., no entanto, mitos e lendas que fazem parte de muitas
civilizações antigas nos levam a crer em origens ainda mais remotas, chegando à
lendária civilização atlante, demonstrando que as lutas fazem parte do cotidiano
do homem há milhares de anos, em diferentes contextos.

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Na história da humanidade, vários povos destacaram-se pela formação guerreira


(OLIVEIRA, 2004) que era dada aos seus cidadãos. Os egípcios, apontados por muitos
historiadores como a mais antiga civilização, deixaram registros e cenas militares que
descrevem a longa luta pela independência, contra outros povos da antiguidade.

Oliveira (2004) aponta que na região situada entre os rios Tigre e Eufrates, os
sumérios, os caldeus ou os babilônios e os assírios disputavam com os egípcios a
primazia histórica de haver alcançado o momento cultural denominado “civilização”,
mas até então os seres humanos se levantavam com os primeiros raios de sol e iam
dormir quando não podiam mais usufruir da luz que do astro emanava.

O espaço de tempo entre a aurora e o ocaso (SUGAI, 2000) era vivido


momento a momento, de acordo e em consonância com o ritmo da natureza,
das estações e das catástrofes, que provocava o homem a desvendar mistérios,
compreender fenômenos, experimentar medidas conciliatórias e, utilizando do
contexto da natureza, percebeu dentro da perspectiva oriental a magia que existia
entre o ar, a água, o fogo e o vento e incorporou dentro das artes marciais os
segredos extraídos dessa observação na natureza. Isso pode ser visto por meio dos
movimentos desenvolvidos pelos lutadores de kung fú.

Na sua concepção, as lutas foram as primeiras manifestações


humanas ligadas aos jogos? Reflita sobre isso.

Para saber mais sobre a existência do homem na sociedade Grega, leia


o artigo a seguir:
CASSIMIRO, Érica Silva; GALDINO, Francisco Flávio Sales. As
concepções de corpo construías ao longo da história ocidental: da
Grécia Antiga à Contemporaneidade. Μετάνοια, n. 14, São João del-Rei,
2012. Disponível em: <http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/
revistalable/4_GERALDO_CONFERIDO.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

Ao se buscar dados sobre as artes de combate, encontramos registros em


poemas e tratados épicos, como no caso da Índia, o Ramayana (narra a guerra de

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Deuses empreendida por Rama); na região de escandinava, o Edda; na Grécia, as


obras de Homero (a Ilíada e a Odisseia) que relatam a guerra de Troia e o retorno do
Magnífico Ulisses; em Roma, a obra de Eneida de Virgílio; no Japão, temos os deuses
solares Izanmi e Izanagui e os guardiães das portas denominados de Nio e, por fim,
temos também a obra Dom Quixote de La Mancha, que explora a ideia de viagem
por diversos territórios em busca de novas formas de expressão de lutas e aventuras.

Em relação ao desenvolvimento das lutas, registros mostram que foi na Índia,


Irã, China, Egito, Mesopotâmia e Japão que ocorreram os primeiros passos para a
construção das artes de combate.

E foi na Índia, em 520 a. C., onde um príncipe Hindu, por meio de suas
pesquisas marciais, criou um método de luta, tendo como principal arma as mãos.
Para o desenvolvimento desse estilo de luta sacrificou muitos escravos, aplicando
os golpes nos pontos vitais, tendo como objetivo descobrir os pontos fracos do
corpo humano. A este método de luta foi atribuído o nome de “Vajramushti”, sendo
traduzido como os punhos fechados podem se transformar em um diamante por
sua resistência (LUBES, 1991, p. 21). O principal objetivo da luta era desenvolver no
indivíduo a meditação, o físico e a defesa pessoal.

Segundo Lubes (1991), nesse período, segue da Índia para China um dos samurais
que tinha domínio da luta marcial Vajramushti. Seu destino era lecionar no templo de
Shaolin, conhecido naquele período como Shorin-ji. Este samurai ficou conhecido
na Índia como Bodhidharma (“Bodhi” significava intuição e, “Dharma”, lei), na China
como Ta Mo e entre os japoneses como Daruma Daishi (LUBES, 1991).

Bodhidharma, ao chegar, à China encontrou os monges numa condição de


saúde precária devido a longas horas diárias de estudo e meditação. Com o intuito
de resolver o problema e melhorar a qualidade de vida dos religiosos, inseriu uma
ginástica com movimentos que lembravam a yôga e o tai chi chuan.

As técnicas desenvolvidas por Bodhidarma receberam o nome de “Shaolin


Kung Fu” e, devido às guerras que se desencadeavam na época, os monges
que praticavam esta arte de combate se separaram e se espalharam por muitos
territórios levando consigo os princípios e as técnicas do kung fu.

Ao pesquisar sobre esse período, encontramos na literatura relatos da existência


de dois templos de Shaolin, um situado na província de Honan e outro em Fukien,
mas esses templos foram saqueados e queimados em meados de 840 a 846. Os
historiadores relatam que os templos de Shaolin foram novamente reconstruídos,
porém, nos anos de 1368 a 1677, foram destruídos por completo pelos guerreiros
Mnachus. Alguns estudiosos afirmam ainda que isso ocorreu porque o Governo
Imperial Chinês mantinha uma política de perseguição aos budistas (MOLARI, 2003).

Os monges que fugiram para diferentes territórios ficaram conhecidos como

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“Os Cinco Ancestrais” e, nessas viagens pela China, ensinaram e divulgaram um


estilo próprio de kung fu. Talvez seja esse o motivo pelo qual alguns autores
afirmam que foi a partir desses acontecimentos que, aos poucos, foram surgindo
os cinco estilos do kung fu: Tigre, Dragão, Leopardo, Serpente e Grou (LUBES,
1991; MOLARI, 2003).

Nas regiões em que os monges chegavam e se instalavam, novos estilos iam


surgindo como resultado da adaptação a um pensamento filosófico regional.

A luta, então, pode ser definida como uma forma de expressão cultural e corporal
na qual as pessoas que praticam desenvolvem os aspectos cognitivos, motores e
sociais. As artes marciais se diferenciam por inserir em seus contextos aspectos
filosóficos. A grande maioria dos estilos nasceu no continente asiático, em países
como China, Índia e Japão, e tinham nesse período um caráter militarista, de defesa
pessoal. Mas, com o passar do tempo, tornaram-se uma cultura educativa a fim de
aprimorar o autodomínio, superar os limites e aumentar o poder de concentração
e de autoconhecimento (RAMALHO, 2006).

A base de sustentação das modalidades da luta está fundamentada nos códigos


no pronome “DO”, que significa caminho. Esse conceito tem relação direta com
a busca pela formação de um caráter saudável e pelo aperfeiçoamento interior.
O incessante cumprimento (saudação) existente nas modalidades orientais
da luta (judô, karatê, aikido, tai chi chuan, sumô) expressa significados como: a
perseverança, resistência e disciplina, qualidades que todo ser humano deve
construir para sua vida. Entende-se nesse preceito que as adversidades da vida
devem ser enfrentadas com sabedoria, pois as perdas e os ganhos são situacionais
e dependem da interpretação pessoal.

Outros ensinamentos relevantes são: fidelidade para com o verdadeiro


caminho da razão, que é também expressa no provérbio japonês “a gratidão e o
reconhecimento são mais altos que a montanha e mais profundos que o mar”. A
sinceridade, o respeito nas relações humanas, o desenvolvimento da persistência e
de esforço, a dedicação a um propósito pessoal e coletivo são capazes de conter
impulsos e ações que carreguem o espírito de agressividade.

No diagrama a seguir você poderá ver uma possibilidade de estrutura para o


planejamento do ensino da luta:

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Figura 2.1 | Modelo conceitual das lutas

Lutas de combate: um modelo


conceitual

Lutas de combate
Lutas de japonesas:
combate
chinesas Aikido,
Muay thai,
Kung fu (Gongfu), Sumô,
Tai Chi Chuan, Jiu-Jitsu,
Wushu Kendo, Karatê,
Judô

Lutas de
Combate
ocidentais Luta de combate
koreana
Boxe, Capoeira,
Esgrima, Luta Taekwondo
Greco-Romana,
Luta Livre

Fonte: Molari e Zuleika (2013).

Os mestres que desenvolveram as lutas tiveram como motivação as dificuldades


encontradas no período histórico vivido por cada civilização, fato que fez ressaltar
habilidades específicas e desenvolver mais um estilo que outro. Muitos dos estilos
de luta evoluíram como forma de defesa pessoal. Países como Japão e Coreia
foram oprimidos pelas guerras e, nesses períodos, foram proibidos de usarem
armas de fogo, sendo obrigados, então, a desenvolver o uso das mãos para se
defenderem. Em lugares como Okinawa, no Japão, o predomínio da agricultura
possibilitou que os japoneses tivessem muita agilidade com suas mãos, fato
percebido nos movimentos de karatê. Na Coreia, local em que se utilizava muito
o cavalo, percebe-se que os membros inferiores adquiriram força e coordenação,
que se expressam nas lutas de taekwondo.

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Qual a diferença entre lutas e artes marciais? Reflita sobre isso.

Para saber mais sobre a diferença entre a luta e artes marciais, leia o
artigo a seguir:

BARREIRA, Cristiano Roque Antunes. Uma análise fenomenológica da luta


corporal e de arte marcial. Anais IV SIPEQ. Disponível em: <http://www.
sepq.org.br/ivsipeq/anais/artigos/obs3.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

A partir do conteúdo exposto nesta seção, responda as


questões a seguir:

1. Qual era o sentido da luta nas antigas sociedades?

2. Descreva a relação entre Índia, China e Japão na história


das lutas.

3. Qual o significado de “DO” nas artes marciais?

4. Diferencie as lutas chinesas das japonesas.

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Seção 2
A Educação Física e o conteúdo de luta
Introdução à Seção
Esta seção busca aproximar os conteúdos de lutas aos contidos na área de
conhecimento da Educação Física nos cursos de licenciatura. Por mais que as lutas
e a Educação Física pareçam estar distantes, se contextualizam na perspectiva
pedagógica por ambas terem um caráter educacional. O primeiro fato que
aproxima tais questões é o momento histórico em que a sociedade parece perder
os limites entre a escola e seus princípios de educação disciplinar. As lutas podem
ser um exercício muito apropriado para aproximar esses conteúdos e isso só é
possível pelo fato do conteúdo pertinente às lutas apresentar um aspecto singular
da disciplina. O segundo ponto é que o que está sendo ensinado na escola não
agrada a todas as crianças. Dessa forma, apresentar novos conteúdos pode gerar
motivação e interesse por parte dos alunos.

2.1 Esporte de luta x educação


Ensinar luta é, sobretudo, educar-se para educar, pensamento este
contextualizado por Gonçalves (1994) na relação entre a Educação Física e a
formação do homem. Para a autora, o processo de formação do ser humano
envolve o indivíduo como uma unidade em relação dialética com a realidade social.

Darido e Souza Junior (2007) afirmam que a educação é um fator modulador do


desenvolvimento, podendo facilitar ou dificultar as mudanças que comportam o meio
em que se vive, fazendo com que surjam, cedo ou tarde, mudanças no indivíduo.

O processo de ensino-aprendizagem da luta em seus estilos, nos cursos de


Educação Física, se refletido sob a perspectiva educacional, deve pautar-se em
conteúdos e estratégias que favoreçam a aprendizagem significativa, ou seja,
que os conhecimentos apreendidos possam transpor os muros da universidade,
academias e escolas e provocar mudanças de atitudes frente à resolução dos
desafios cotidianos.

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Ensinar luta é um processo de educar? Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

NUNES, Hugo Cesar Bueno. Lutas e artes marciais: possibilidades


pedagógicas na educação física escolar. Revista EF Deportes, ano 18, n.
183, Buenos Aires, ago. 2013. Disponível em: <http://www.gpef.fe.usp.
br/teses/hugo_01.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

Atente-se para os seguintes princípios:

• 1º: a luta busca, em seus estilos, reconstruir no homem, diante das


possibilidades, o seu próprio eu.

• 2º: o maior desafio é lutar consigo mesmo, tendo como obstáculos os


aspectos que provocam ou que sustentam os conflitos interiores.

• 3º: a prática dos estilos de luta, após um extenso treinamento, requer que o
indivíduo aprimore sua técnica num momento solitário, ou seja, uma reflexão
sobre os anos de prática.

Os cursos de graduação em Educação Física no eixo da licenciatura devem criar


as possibilidades de os alunos conhecerem os aspectos do processo de ensino-
aprendizagem no contexto escolar no seguinte caminho pedagógico, conforme
apresentado na Figura 2.2: panorama histórico, artes marciais chinesas, japonesas,
coreanas e ocidentais, incluindo a capoeira.

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Quadro 2.1 | Sugestão de conteúdos estruturantes para elaboração do Plano de Ensino da


disciplina Lutas e Pedagogia das Lutas
TEMAS SUBTEMAS ESTRATÉGIAS
• Análise de lutas nacionais e
internacionais.
• Livros.
• Organização de festival de lutas.
• Filmes.
• Elaboração de proposta para ser
aplicada em projeções sociais de
• Evolução das lutas ao longo da comunidades carentes.
humanidade. • Microaula.
Panorama Histórico
• Conceito de lutas. • Análise crítica de artigos científicos.
• Conceito de artes marciais. • Debates.
• Palestras com atletas de diferentes
modalidades.
• Seminários.
• Entrevistas com treinadores e
professores de Educação Física que
utilizam lutas em suas aulas.
• Grupos de estudos.
• Kung fu (Gongfu). Levar os alunos até uma praça e
Artes Marciais Chinesas • Tai Chi Chuan. por meio do cenário da natureza
• Wushu. apresentar as artes chinesas.

• Aikido.
• Muay thai. A recreação pode ser o ponto de
partida da contextualização das
• Sumo.
técnicas.
Artes Marciais Japonesas • Jiu-Jitsu.
Em segundo momento, apresentar as
• Kendo.
regras e como as lutas acontecem em
• Karatê. uma perspectiva educativa.
• Judo.

Artes Marciais Coreanas • Taekwondo. Vídeos dos jogos olímpicos.

• Boxe.
• Capoeira. Usar as atividades lúdicas para
Artes Marciais Ocidentais • Esgrima. apresentar as técnicas de forma
• Luta Greco-Romana. adaptada.
• Luta Livre.
Contextualizar com materiais
• Nunthaku. alternativos, como jornais.
Kobudo • Bastão.
• Tonfá. - Fazer parceria com os professores de
artes.

• Técnicas básicas de entradas


e saídas.
• Musicalidade (berimbau,
pandeiro, atabaque).
Ter como metodologia inicial as
Capoeira • Dança maculelê.
músicas cantadas na recreação.
• Dança puxada de rede.
• Dança samba de roda.
• Construção de berimbau com
materiais alternativos (sucatas).

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As estratégias podem ser desenvolvidas


por conteúdo do karatê. São elas:
a) Kihon: movimentos básicos das
técnicas dos membros superiores
e inferiores dando prioridades aos
movimentos que desenvolvem o
esquema corporal.
b) Kata: a partir de uma sequência
• Kihon.
desenvolvida pelo professor, é pedido
• Kata.
Karatê para que os alunos se organizem em
• Kumite.
grupos de cinco e criem uma sequência
com técnicas de defesas e ataques,
porém, não podem repetir nenhuma
das técnicas.
c) Kumite: por meio de atividades
lúdicas, formar duplas para disputar
a força entre os alunos. Partindo do
princípio da cooperação e respeito pelo
próximo.
As estratégias de ensino podem ser
organizadas a partir de uma observação
• Punce.
Taekondo de vídeo de punce básico exibido e
os alunos irão desenvolvê-lo com
supervisão do professor.
Utilizar dos conhecimentos da ginástica
Rolar, cair, imobilizações
Lutas Projeções artística para contextualizar esses
básicas, técnicas de arremesso.
movimentos marciais.
Fonte: Molari e Zuleika (2013).

Como já exposto anteriormente, os estilos de luta emergiram do instinto de


preservação, da necessidade de sobrevivência em meio hostil ou do desejo de
conquista. Em tempos de conflitos sociais, os mais fracos e oprimidos tiveram que
fortalecer o corpo com sacrifício e disciplina para salvar os seus entes queridos.
Buscou-se na natureza a fonte inspiradora para compor as técnicas de defesas e
ataques, convivendo com as dicotomias naturais. A natureza, inspiradora e coerente,
ao manter a harmonia interna de seus elementos, pôde se mostrar soberana e forte,
por vezes violenta – se o desequilíbrio social a toca. Sendo assim, ser capaz de
observar e analisar o movimento natural do ser humano torna o homem sábio.

Os ensinamentos dos conteúdos sobre as lutas transcendem os paradigmas e


reforçam a ideia de que não precisamos utilizá-las para autodefesa ou simplesmente
para constranger os outros. Os estilos, embora de raízes e variações diversificadas,
guardam um eixo comum, que é a reflexão sobre si mesmo.

Os cerimoniais existentes nos estilos de luta se refletem diretamente nas


mudanças de atitude de seus praticantes. O respeito e a disciplina tornam-se
presentes no cotidiano dos mesmos.

É muito importante compreender que a prática marcial exige um período


mínimo de treinamento para que o seu praticante tenha resultados na saúde,
no corpo físico e, além disso, estimule a coragem para enfrentar os obstáculos

64 Lutas na escola
U2

existentes na vida sem que seja necessário prejudicar as pessoas.

Nota-se que, com os anos de treinamento, os jovens adquirem maior confiança


em si, sendo constante as vitórias sobre seus limites. As vitórias alcançadas e os
fracassos obtidos provocam mudanças positivas no que diz respeito ao medo, à
desconfiança, à preguiça e à indecisão.

Por fim, o mercado de trabalho apresenta-se ao profissional de qualquer área,


mas especificamente no caso do licenciado em Educação Física. A diferença
está no conhecimento científico, na capacidade de aplicabilidade deste e na
conduta ética, moral e espiritual do profissional. Ensinar a ensinar é tarefa árdua e
continua. Pode-se dizer que é uma forma de luta, mas, ao conhecer as raízes dos
fundamentos de cada estilo, aquele que ensina e aquele que aprende conhecem
um pouco mais de si mesmos.

A multidimensionalidade do processo de ensinar luta nos cursos de graduação,


na escola ou nas academias assegura ao aprendiz a apropriação de conhecimentos
sobre a corporeidade humana e as implicações destes nas atitudes de tomada de
decisão na vida diária.

Os estilos de luta ensinados nas aulas de Educação Física ou em projetos sociais


e academias especializadas, por exemplo, podem ser contextos de aprendizagens
múltiplas e fator de motivação para se aprender “a ser e a viver” junto de forma
harmônica. Conhecer-se e saber-se gestor de suas decisões, compreender o
outro em suas potencialidades e fragilidades, vivenciar valores e conceitos morais
de outras culturas, em outros momentos históricos, e aprender a expressar
sentimentos e emoções utilizando a flexibilidade do corpo e a força da mente por
meio da prática dos esportes de luta são práticas essenciais ao longo da vida.

A partir do conteúdo exposto nesta seção, responda as


questões a seguir:

1. Cite cinco estratégias de como ensinar as lutas no


contexto escolar.

2. O processo de ensino-aprendizagem está contextualizado


em alguns princípios. Descreva-os a seguir:

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66 Lutas na escola
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Seção 3
Planejamento das lutas no contexto escolar

Introdução à Seção
Nesta seção a ideia é contextualizar o planejamento das lutas na escola. Para
que isso ocorra, os estudos sugerem ao profissional de Educação Física do curso
de licenciatura organizar o seu planejamento anual, tendo os conteúdos das lutas
inseridos nos momentos de inclusão durante suas aulas. A partir disso, é importante
compreender as necessidades de cada fase escolar, que são: educação infantil,
ensino fundamental e médio.

Tendo esse conhecimento, a seção propõe a iniciação das lutas na escola por
meio da ludicidade pelo fato das brincadeiras fazerem parte do mundo da criança.
Você também verá um modelo de plano de aula para ser aplicado nas aulas de
Educação Física na perspectiva das lutas.

3.1 Propostas metodológicas das lutas na escola


Com a intenção de uma nova proposta metodológica na Educação Física
escolar, e visando a melhorias no desenvolvimento da criança e do adolescente,
esta seção apresenta uma proposta de intervenção pedagógica com os esportes
de lutas com o intuito destas serem inseridas no planejamento das aulas, pois
os esportes de lutas são componentes importantes, principalmente na fase
da educação infantil, fundamental e ensino médio, na contribuição para o
desenvolvimento geral, construindo um mecanismo de movimento corporal que
auxilia nas tarefas rotineiras num universo global.

Em particular, a criança deve ser incentivada a desenvolver todos os músculos


por meio de atividades físico-esportivas na disciplina Educação Física escolar,
possibilitando o desenvolvimento das capacidades físicas, dos movimentos naturais
e dos domínios do comportamento humano. Podemos citar como exemplo:
correr e pular, estando isso presente no contexto das lutas.

Afirmamos que a Educação Física escolar, por meio da atividade física e, em


particular, os esportes de lutas, tem o compromisso de oferecer e promover bem-
estar e qualidade de vida em época escolar, com o objetivo de melhorar os níveis

Lutas na escola 67
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de aptidão física (NAHAS, 2013; GUEDES; SILVÉRIO NETTO, 2013).

Uma opção didática para se trabalhar as lutas no contexto escolar é por meio
das atividades recreativas, dando ênfase à aprendizagem dos movimentos das
lutas junto às atividades descritas nos tópicos que fundamentam os objetivos e o
conteúdo da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

Em se tratando do desenvolvimento das lutas nas épocas de educação infantil,


ensino fundamental e médio, podemos apontar os seguintes aspectos:

a) A educação infantil deve criar a oportunidade à criança de desenvolver


os conhecimentos adquiridos de zero a seis anos, ou seja, ampliar as
possibilidades do próprio movimento, utilizando das lutas nas demais
situações do cotidiano. Nessa fase deve-se explorar as capacidades físicas
que dão qualidade de dinâmica nos movimentos, como força, velocidade,
resistência e flexibilidade, conhecendo os limites e as potencialidades de seu
corpo (BRASIL, 1997).

b) No ensino fundamental deve-se dar prioridade para o indivíduo ampliar o


desenvolvimento motor e a aptidão física, considerando que alguns irão
obter resultados melhores, entrando na escala de competições, e, outros,
resultados em menor escala, mas com condições de levar uma vida ativa,
conseguindo interagir com o meio e podendo acompanhar os amigos nas
atividades de lazer (BRASIL, 1999).

c) No ensino médio deve-se valorizar atividades físicas relacionadas à saúde,


dando oportunidades aos cidadãos de obter hábitos sadios, acompanhados
de rotinas para que tenham maiores cuidados em áreas de nutrição, atividade
física, comportamento preventivo, relacionamento social e um melhor
controle no seu dia a dia, podendo administrar o estresse de maneira positiva,
além de dar continuidade as atividades desenvolvidas no ensino fundamental
(NAHAS, 2013).

Dessa maneira, podemos assegurar a continuidade e a progressão a cada ano


com objetivos claros, pois o desenvolvimento do aluno torna-se essencial em
todas as fases escolares (ensino infantil, fundamental e médio), ou seja, após o
desenvolvimento motor e a aptidão física, os indivíduos podem adquirir hábitos
positivos para um estilo de vida mais saudável no futuro.

68 Lutas na escola
U2

O que é uma intervenção pedagógica? Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

OLIVEIRA, Amauri Aparecido Bássoli de. Planejando a educação física


escolar. Disponível em: <http://www.def.unir.br/downloads/3001_
planejando_a_educacao_fisica_escolar.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

As lutas na escola devem contemplar, por meio dos objetivos e conteúdos


propostos pelos PCN, os domínios do comportamento humano, ou seja, o aspecto
motor (pelas habilidades exigidas), cognitivo (intelectual, linguagem e construção),
afetivo (discriminação e confiança) e o social (trabalhos coletivos) (CUNHA, 1996).

As lutas desenvolvem o ser humano por meio de três pontos básicos


encontrados em todos os estilos. São eles: a forma correta das técnicas, a
progressão da junção das técnicas e as lutas que podem ser desenvolvidas por
meio da ludicidade. O primeiro pode ser trabalhado individualmente ou em duplas.
É um dos componentes mais importantes para o desenvolvimento de todas as
técnicas existentes na arte marcial a ser ensinada. O segundo proporciona o
desenvolvimento das habilidades motoras por proporcionar a possibilidade de
unir uma técnica a outra. O último pode ser trabalhado por meio de atividades
recreativas e, também, como luta espetáculo. Além disso, podemos trabalhar as
lutas com regras pré-determinadas ou livres. Todos os três itens contemplam os
objetivos e conteúdos relatados pelos PCN.

As lutas na escola devem ser estruturadas nas aulas de Educação Física escolar
por meio dos componentes do plano de ensino junto à unidade bimestral. A seguir,
encontram-se descritos alguns dos aspectos que fazem parte dos componentes
que devem estar presentes na unidade bimestral:

• Aspectos da história: este componente deve contemplar os objetivos e

Lutas na escola 69
U2

conteúdo dos PCN, abordando nas aulas a origem e sua influência no meio
social, econômico, político, educativo, cultural e filosófico.

• Aspectos das características dos esportes de lutas: neste componente deve


ser discutida a divisão dos estilos da arte e sua maneira de se movimentar nas
técnicas (rápido/lento/agressivo).

• Aspectos da cultura corporal (frontais, laterais, circulares e giratórios):


neste componente deve ser discutida toda forma de movimento e qual o seu
sentido, ou seja, deve ser mostrada as técnicas que atacam para frente, para
os lados, para trás, para cima, em círculos e em giros.

Para que possamos contemplar as épocas escolares citadas nos tópicos anteriores,
podemos utilizar alicerces que contribuam como estratégias e mecanismos para
a compreensão da teoria à prática. Entre esses instrumentos de apoio, podemos
citar o documento didático desenvolvido e publicado em 1990, intitulado “Currículo
Básico para a Escola Pública do Estado do Paraná”, que tem os pressupostos teóricos
dos movimentos que devem ser desenvolvidos e sua aplicação na escola, que são
explorados no ensino dos esportes de lutas. Observe a figura a seguir, que descreve
os aspectos que são desenvolvidos durantes as aulas de lutas, como no caso
das condutas motoras de base ou formas básicas de movimento, neuromotoras,
esquema corporal, ritmo e aprendizagem objeto-motora.

Quadro 2.2 | Habilidades necessárias para a vida ativa

Consiste em desenvolver na criança as formas de


Condutas motoras de base ou movimentos básicos e elementares, como engatinhar,
formas básicas de movimento sentar, levantar, rolar, andar, lançar, apanhar, pegar,
levantar e transportar objetos, subir e descer.

São condutas que propiciam melhorias no


desenvolvimento mental da criança e podem ser
trabalhadas por meio da imitação e reprodução de
movimento com a intenção de vivenciá-lo. Esses
Condutas neuromotoras
movimentos são chamados como formas secundárias
e seguem uma continuidade dos movimentos básicos.
São eles: girar, golpear, correr, saltar, saltitar, pular em
um só pé e com os dois pés juntos.

É o conhecimento do próprio corpo por meio dos


Esquema corporal movimentos que propiciam o reconhecimento das
partes do corpo (braços, pernas, cabeça, entre outros).

70 Lutas na escola
U2

É o comportamento adequado do movimento corporal


Ritmo
diante das atividades a serem realizadas.

O desenvolvimento desta habilidade ocorre por meio


Aprendizagem objeto-motora de bolas de diversos tamanhos, texturas, pesos, formas,
com cordas e caixas.
Fonte: Currículo Básico para a Escola Pública do Estado do Paraná (1990).

Com isso, torna-se fácil o desenvolvimento do plano de ensino e de suas unidades,


pois são inúmeros os fatores que podemos utilizar junto às técnicas compreendidas
nos esportes de lutas na Educação Física escolar. Vale lembrar que os esportes de
lutas são muito pouco praticados no contexto escolar, devido ao fato de atingirem
um público de melhor nível econômico e por se restringir a academias.

A partir do instante que estiver presente nas escolas, os esportes de lutas


estarão mais acessíveis e poderão ser melhor divulgados e trabalhados junto ao
planejamento escolar.

3.2 Conhecendo e explorando as lutas


Para que os alunos conheçam as lutas, os professores de Educação Física no
contexto da escola podem propor algumas ações em que ofereçam possibilidades
de atividades de vivência das lutas, porém, de forma lúdica. Segundo Darido e
Souza Junior (2007), existem algumas propostas que podem ser bem-sucedidas
nessa perspectiva. São elas:

• Brincadeira de luta em grupo: puxar e empurrar em duplas, trios, quartetos,


até a turma toda. Divida a turma em duplas, procurando formar pares que se
equilibrem no peso e na altura. Os dois membros da dupla iniciam a atividade
sentados e de mãos dadas, um de frente para o outro. Ao mesmo tempo, a
dupla tentará ficar em pé.

• Desequilibrando o colega de cócoras (briga de galo): divida a turma em duplas.


Procure formar duplas que se equilibrem no peso e na altura. Em seguida,
os mesmos devem ficar frente a frente, de cócoras (agachados), cada um da
dupla deve tentar desequilibrar o colega, até que um dos dois caia no chão.

• Cabo de guerra: divida a turma em duas equipes com o mesmo número


de alunos, procurando equilibrar as equipes em força. Após isso, utilize uma
corda resistente e grande. Cada equipe deverá ficar com uma das pontas
da corda, deixando no centro pelo menos 1,5 metros livre sobre alguma
marcação no chão. O objetivo é puxar a equipe adversária até que ela
ultrapasse totalmente a marca no chão.

Lutas na escola 71
U2

• Sumô: divida a turma em duplas. Cada dupla fica em um círculo (de


aproximadamente dois metros de diâmetro) desenhado no chão ou marcado
com corda (caso não haja espaço para todos os círculos, faça o maior número
possível, para que as duplas se revezem nos círculos). O objetivo é tirar o adversário
do círculo ou derrubá-lo, apenas empurrando com força de braço (membros
superiores) e tronco (sem agarrar, bater ou usar os membros inferiores).

• Queda de braço (luta de braço ou braço de ferro): divida a turma em duplas.


Um participante segura a mão do outro, apoiando o cotovelo sobre uma
mesa ou no chão. O objetivo é empurrar o braço (membro superior) do
oponente até que o dorso de sua mão toque a mesa ou chão.

• Autoconhecimento: essa atividade pode ser realizada inserindo no chão


quatro colchonetes para cada aluno. Após isso, os alunos terão informações
de como devem agir ao cair, para não se machucarem. Trata-se de uma
atividade que envolve as habilidades do judô e jiu-jitsu. É muito bacana por
propor que o aluno tenha mais autoconfiança.

• Coelho na toca: distribua giz de cera para as crianças desenharem círculos


grandes e pequenos no chão. Tratam-se das tocas nas quais os pequenos (ou
melhor, coelhinhos) irão entrar quando ouvirem o sinal de um apito. O objetivo
é fugir do lobo, que será representado por um dos colegas. Quem for pego,
passará a ser o lobo e vice-versa. O jogo termina quando praticamente todos
experimentaram os dois papéis. Na hora de fazer os círculos, um sempre
deverá sobrar do lado de fora. Nesse exercício, a criançada desenvolve
habilidades, como: correr, frear e ocupar um espaço.

Essas atividades lúdicas adaptadas para as lutas podem ser incorporadas dentro
de uma sistematização de jogos sugeridas por Gomes et al (2013), que classificam
como: jogos de esquivar, imobilizar, conquistar território e desequilibrar. A seguir é
detalhado esse contexto:

• Jogos de esquivar: consistem em jogos de ações de desvio dos ataques


desferidos, sendo que é preciso alternar os papéis de quem ataca e de quem
defende, evitando o contato com o adversário (GOMES et al., 2013, p. 314).

• Jogos de imobilizar: são jogos em que há a necessidade de contato para


se chegar a ações de imobilização e de saídas ou fugas de imobilização.
Os papéis podem ser combinados, ou seja, tanto se pode imobilizar quanto
escapar, ou separados, quando apenas um trabalha imobilizando enquanto o
outro somente tenta escapar (GOMES et al., 2013, p. 314-315).

• Jogos de conquistar território: são jogos que consistem em conquistar, defender

72 Lutas na escola
U2

ou excluir o adversário de um determinado espaço. Implicam aproveitamento


e diversificação das ações desequilibradoras para chegar a seus fins. É preciso
também puxar, carregar, empurrar, fazer virar, esquivar-se, desviar, resistir. O
contato é quase sempre inevitável (GOMES et al., 2013, p. 315).

• Jogos de desequilibrar: consistem em jogos que têm o objetivo de desfazer


os apoios do adversário no solo, podendo ser finalizados com o toque de
determinada parte do corpo no solo ou exclusão de determinado espaço ou
marca. Os papéis de ataque e defesa também podem ser ora alternativos, ora
simultâneos (GOMES et al., 2013, p. 315).

Uma iniciativa do Ministério do Esporte feita no ano 2014, com o objetivo de


exemplificar aulas de Educação Física com o conteúdo de lutas, propôs 10 aulas
no texto “Práticas Corporais e a Organização do Conhecimento”. As aulas foram
organizadas por tema e seguiram um planejamento vertical, ou seja, levando
o aluno a conhecer as lutas por um modelo evolutivo e cronológico das aulas
propostas. Os temas foram:

• Tema da aula 1: Diferenciando lutas de brigas – atividades introdutórias.

• Tema da aula 2: Jogos de lutas: compreendendo as características de lutar.

• Tema da aula 3: Classificação das lutas.

• Tema da aula 4: As lutas de demonstração: o que são?

• Tema da aula 5: Ações adaptadas e as lutas na inclusão.

• Tema da aula 6: Jogos de lutas de curta distância.

• Tema da aula 7: Jogos de lutas de média distância.

• Tema da aula 8: Jogos de lutas de longa distância.

• Tema da aula 9: Lutas, trabalho e consumo.

• Tema da aula 10: Festival de jogos de lutas.

Veja na integra a primeira aula que traz como tema: “Diferenciando lutas de
brigas: atividades introdutórias”1.

1
Caso você tenha interesse em acessar as outras nove aulas, acesse o link disponível em: <http://www.
esporte.gov.br/arquivos/snelis/segundoTempo/livros/lutasCapoeiraPraticasCorporais.pdf>. Acesso em:
5 maio 2016.

Lutas na escola 73
U2

Figura 2.2 | Plano de Aula de Lutas

TEMA DA AULA – 01

Diferenciando lutas de brigas: atividades introdutórias.

RODA INICIAL

- Professor reúne os alunos em roda e realiza o seguinte questionamento: qual a diferença


entre brigas e lutas?

- Pergunte se os alunos já viram duas pessoas brigando e duas pessoas lutando e peça
para que eles expliquem as diferenças entre essas ações. Mostre imagens e peça para eles
diferenciarem lutas e brigas:

- Explique que um dos princípios básicos das lutas é ter regras claras, que definem o que
pode e não pode ser feito, diferentemente das brigas, nas quais as regras não existem.

- Além das regras, fale sobre o respeito, pois sem ele não é possível lutar, assim, deverá ser
a base para a realização das aulas, caso contrário, constitui-se uma briga.

DESENVOLVIMENTO

1. Pega-pega das lutas: os alunos deverão pendurar em suas cinturas uma fita de
aproximadamente 30 cm que pode ser de diversos materiais como TNT, plástico, borracha,
papel crepom, entre outros. O objetivo da atividade será conquistar o maior número de fitas
das outras pessoas sem, com isso, perder a própria fita. Os alunos não poderão encostar uns
nos outros, apenas nas fitas penduradas na cintura. Os que forem perdendo as fitas podem
continuar na brincadeira buscando conquistar o maior número de fitas possível. Ganha aquele
que conquistar o maior número de fitas no prazo de tempo estipulado pelo professor. Explique
para os alunos que o objetivo é algo preso na outra pessoa, ou seja, o foco está na outra
pessoa e é móvel, pois ela se desloca, aspectos que encontramos de modo geral nas lutas.

2. Prendedores em grupo: os alunos deverão ser divididos em duas equipes com o mesmo
número de participantes. Cada aluno deverá receber uma quantidade entre três a cinco
prendedores de roupa presos na camiseta. O objetivo de cada grupo será pegar o máximo
possível de prendedores da outra equipe durante o tempo delimitado pelo professor (cerca
de 1 a 2 minutos). Os alunos poderão proteger seus próprios prendedores, impedindo com
as mãos que outras pessoas retirem os prendedores. Ao final de cada rodada, os grupos
deverão somar as pontuações (número de prendedores retirados da outra equipe). É
possível realizar várias rodadas (entre 3 e 5, pelo menos).

74 Lutas na escola
U2

3. Luta das bexigas: cada aluno deverá receber uma bexiga e enchê-la. Inicialmente, os alunos
deverão realizar diferentes movimentos relacionados às lutas de maneira livre nas bexigas
como dar socos, chutes, joelhadas, entre outros, sem deixar as bexigas caírem no chão (não
pode segurar as bexigas, somente tocá-las). Depois a atividade deverá ser realizada em duplas:
cada aluno deverá se concentrar em não derrubar sua própria bexiga (realizando movimentos
livres de lutas) ao mesmo tempo em que deverá retirar a bexiga do outro e manter as duas
no ar com movimentos de luta. Posteriormente, a atividade deverá acontecer em um grande
grupo: os alunos deverão buscar manter sua própria bexiga suspensa sem cair no chão
com movimentos de luta, ao mesmo tempo em que deverá estourar o máximo de bexigas
possível. Ganha o aluno que conseguir manter sua bexiga sem ser estourada.

4. Lutando por território: os alunos deverão estar divididos em duplas. Cada dupla deverá ter
à disposição um arco para a realização da atividade. Primeiramente, uma das pessoas da dupla
deverá entrar no arco enquanto o outro se mantém fora do mesmo. As duplas começam então
a se enfrentar: o objetivo de quem está fora do arco é empurrar com os braços aquele que se
encontra dentro do arco, fazendo-o desequilibrar e/ou sair (pisar fora do espaço delimitado). Já
quem está dentro do arco deve manter-se no espaço e, por isso, deve empurrar a outra pessoa
a fim de afastá-la do local. Após a vivência dessa atividade, as duplas trocam de função, ou seja,
quem estava dentro do arco passa a realizar as ações fora e vice-versa.

Obs.: É possível trocar de duplas para que os alunos possam vivenciar a realização das
atividades com pessoas diferentes.

DICAS

- Atividade 1: Em todas as atividades é importantíssimo ter sempre atenção com a


segurança, portanto, o respeito às regras estipuladas pelo professor é fundamental,
ou as atividades não poderão ocorrer. É possível substituir as fitas por bexigas cheias
que devem ser presas na cintura e estouradas pelos outros alunos. É possível fazer
várias rodadas da brincadeira, computando os pontos individualmente ou em grupo, a partir de
uma divisão prévia na qual, ao final, somarão os pontos (número de fitas) obtidos pelas equipes.

- Atividade 2: É aconselhável, se possível, que os grupos apresentem cores de prendedores


diferentes, para ficar mais fácil de diferenciar o número de cores de cada time.
Somente é possível impedir os outros de retirar o prendedor empurrando as mãos
deles. Não serão permitidos socos, ou então agarrar os próprios prendedores para que
ninguém os tire. Para guardar os prendedores do outro time é possível que cada aluno
tenha uma sacolinha plástica, ou então guarde nos bolsos para a contagem ao final
de cada etapa.

Lutas na escola 75
U2

- Atividade 3: Indica-se que o professor tenha bexigas a mais disponíveis, uma vez
que elas poderão estourar. Os alunos não poderão tocar uns nos outros, apenas nas
bexigas. É preciso ter cuidado com lesões porque, algumas vezes, ao ficar prestando
atenção nas bexigas dos outros, os alunos se esquecem de onde estão e podem
colidir uns nos outros sem querer.

- Atividade 4: Se não houver arcos à disposição, é possível desenhar os círculos no chão


(do tamanho aproximado de 1 arco de ginástica) com giz ou marcar com fita adesiva.
É preciso enfatizar que só poderá utilizar ações de empurrar ou puxar os colegas, ou
seja, socos e chutes ou outras práticas de toque no outro não serão permitidas. Essas
ações deverão ser realizadas com as mãos das duplas entrelaçadas, cada um com a
palma da mão na do outro, empurrando-o. Atenção sobre a diferença de força, massa
corporal ou habilidade nas duplas. Sugira que os alunos proponham também modificações
nas regras durante as atividades.

- Dicas de inclusão: Lembre-se de que as regras dos jogos podem ser adaptadas,
caso haja alunos com deficiência nas turmas. Ex.: o ataque para retirar a fita da cintura
do aluno com deficiência visual deve ser feito por uma única pessoa por vez e
precedida do aviso de aproximação. Ao programar aulas com materiais com imagens e
vídeos, preocupe-se em torná-los acessíveis. Quando houver alunos cegos e/ou surdos
nas turmas, busque auxílio dos professores das salas de recursos multifuncionais
ou de profissionais e instituições especializadas e tente realizar áudio-descrição dos
vídeos, inserção de legendas e até mesmo convide intérpretes de Libras para realizar
a tradução simultânea durante a exibição do material.

RODA FINAL

- Pergunte aos alunos o que eles aprenderam na aula.

- Peça para que digam, novamente, quais as principais características das lutas e das brigas
e quais são as principais diferenças entre elas.

- Pergunte se os alunos gostaram das vivências. Se sim, por quê? Se não, quais as razões disso?

- Fique atento para as diferenças entre as respostas de meninos e meninas. Ambos


gostaram da aula de modo igual ou um grupo gostou mais do que o outro? É importante
contextualizar, na aula, a importância tanto de meninos quanto de meninas lutarem, pois as
lutas são feitas para todos.

76 Lutas na escola
U2

CHAVE, Eduardo. Lutas e brigas. 9 abr. 2013. (6 min 55s). Disponível


em: <http://www.youtube.com/watch?v=RNA2hgAEAwg>. Acesso em:
04 abr. 2016.
SILVA, Welington. Luta: conteúdo da educação física. 14 fev.
2011. (8 min 51 s). Disponível em: <http://www.youtube.com/
watch?v=n4cgYaD1lTo>. Acesso em: 04 abr.2016.
OLIVEIRA, Mario Marques; NOZAKI, Joice Mayumi. Lutas na educação
física. 28 out. 2010. (3 min.). Disponível em: <http://www.youtube.
com/watch?v=ES5Ie9XI9kM>.Acesso em: 04 abr. 2016.

Fonte: Ministério do Esporte. Disponível em: <http://www.esporte.gov.br/arquivos/snelis/segundoTempo/livros/


lutasCapoeiraPraticasCorporais.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

A partir do cenário apresentado anteriormente, a fim de possibilitar um equilíbrio


dos conteúdos de lutas no contexto da escola, Gomes et al. (2013) sugerem uma
proposta de organização curricular para o conteúdo de lutas para as séries iniciais
no ensino fundamental (Quadro 2.3). A ideia é que os professores de Educação
Física consigam explorar de forma dinâmica o conteúdo das lutas.

Quadro 2.3 | Organização curricular sobre o conteúdo das lutas

Fonte: Gomes et al. (2013).

Lutas na escola 77
U2

Além disso, Gonzáles, Darido e Oliveira (2014) contextualizaram alguns pontos


importantes que devem ser levados em conta quando se enfatiza o ensino das
lutas na escola. Para isso, no quadro a seguir é detalhada a faixa etária, a fase de
desenvolvimento, as principais características e o que enfatizar no ensino das lutas.

Quadro 2.4 | Orientações de atividades de lutas por faixa etária


Faixa Fase de Principais
O que enfatizar o ensino das lutas
etária desenvolvimento características
Atividades básicas como
brincadeiras gerais, atividades de
Fase do empurrar, rolar, correr e pegar de
Habilidades
5-7 movimento modo lúdico, indo do abstrato
fundamentais.
fundamental para o concreto, ou seja, jogos
mais gerais para jogos mais
específicos.
Combinação Início do processo de ensino dos
de movimentos aspectos gerais, brincadeiras
Fase do
fundamentais de oposição, movimentos de
7-10 movimento
em situações distância curta, média e longa,
especializado
esportivas e diversidade de jogos de oposição
recreativas. em duplas e grupos.
Movimentos mais avançados como
combinação de socos e chutes,
Maior tomada aprendizagem de esquivas,
de decisão, movimentos de defesa e
Fase do
ampliação da contragolpes,
11-13 movimento
relação com aplicação de movimentos como
especializado
a tarefa e o rolamentos, agarres e toques
ambiente. em situações de oposição direta,
jogos especializados e algumas
modalidades de luta adaptada.
Ampliação dos movimentos e
Uso do combinações, aprendizagem da
Fase do repertório motor lógica das diferentes modalidades,
14 anos
movimento mais refinados e características semelhantes e
ou mais
especializado aplicados aos diferentes entre as modalidades e
esportes. aprendizagem das práticas de
distância mista.
Fonte: Gonzáles, Darido e Oliveira (2014).

A grande questão em explorar as lutas nas séries iniciais do ensino fundamental


consiste em oportunizar que as crianças desenvolvam a coordenação motora
com o propósito de ampliar o seu repertório de movimento para a prática de
outros esportes nas séries futuras. De acordo com Gallahue & Ozmun (2003), a
coordenação motora é de grande relevância no início da infância, pois esta é a
fase na qual a criança começa a controlar seus movimentos fundamentais por

78 Lutas na escola
U2

meio de experiências concretas que tem, para posteriormente especializar estes


movimentos, por meio de uma atuação em conjunto entre o sistema nervoso
central e a musculatura esquelética.

Para Rosa Neto (2002), a coordenação motora é o resultado do desenvolvimento


dos aspectos da coordenação motora ampla e fina, equilíbrio, organização espacial
e temporal, esquema corporal e lateralidade.

A coordenação motora ampla é “o conjunto de habilidades desempenhadas


com o corpo todo, buscando a harmonia e controle de movimentos amplos”
(TOLKMITT, 1992, p. 179). No contexto das lutas, a coordenação motora ampla e
fina acontece de forma natural e progressiva, pois envolve toda a estrutura física
necessária para trabalhar os grandes e pequenos grupos musculares.

Sobre o equilíbrio, entendemos como a noção da distribuição do peso do


corpo em relação ao centro da gravidade, sendo a base de todo movimento,
como: posturas, posições e atitudes, que podem ser trabalhadas estática ou
dinamicamente (ROSA NETO, 2002).

Para Haywood e Getchell (2004), o equilíbrio estático é aquele que acontece


sem movimentação alguma, enquanto que o equilíbrio dinâmico se realiza com
a presença de movimentos. Dentro das lutas, o equilíbrio tem um grande papel,
pois ele é a base para a aplicação de todas as técnicas e atua juntamente com
a coordenação, ou seja, uma técnica só será eficiente se o corpo se utilizar
do conjunto: equilíbrio e estabilidade na posição, mobilidade e flexibilidade no
movimento e, ainda, um centro de gravidade baixo.

Já a organização e a orientação espacial estão relacionadas à “capacidade de


situar-se, orientar-se e movimentar-se em qualquer espaço, tendo sempre como
referência a sua própria pessoa” (TOLKMITT, 1992, p. 180). Rosa Neto (2002) afirma
que a organização espacial serve para avaliar com exatidão a relação física entre
o corpo e o ambiente e também serve para realizar as mudanças de curso nos
deslocamentos. A orientação espacial é requisitada no movimento das lutas, pois
envolve a noção de espaço que o indivíduo tem que ter durante a execução do kata,
que exige a execução de toda a sequência de movimentos e ainda faz com que ele
retorne ao exato ponto de partida, utilizando, assim, todo o espaço determinado.

Para Araújo e Valadares (1999, p. 12), a organização e a orientação temporal


permitam “situar o presente em relação a um antes e um depois; é distinguir o
lento do moderado e do rápido. Refere-se a noções de adaptação, orientação e
estruturação do tempo”.

Nas lutas, como em outros esportes, existe um ritmo a ser seguido, principalmente
dentro das técnicas que estão presentes em todas as artes, que pode se executado
de forma rápida ou lenta, dependendo das habilidades da criança. Nesta situação,

Lutas na escola 79
U2

o corpo precisa trabalhar em conjunto com a força, a concentração dos músculos


e a execução das técnicas.

O esquema corporal é considerado uma referência, um modelo postural de nós


mesmos. Este modelo é um estado que o organismo se encontra a cada instante (LÊ
BOULCH, 1982). De acordo com Gallahue e Ozmun (2003), o esquema corporal é a
capacidade de um indivíduo de diferenciar as partes do corpo e de entender como
ele funciona, isto tudo acontece em três fases: a primeira é quando o sujeito começa
a conhecer as partes do corpo em si mesmo e nos outros, a segunda é quando ele
passa a conhecer as capacidades que o corpo tem em executar uma tarefa e a terceira
é quando ele tem a habilidade de fazer o corpo se movimentar eficientemente em
variadas tarefas motoras. Nas lutas, o esquema corporal utiliza-se da terceira fase deste
processo, pois, dentro das técnicas, a criança deve possuir a habilidade de movimentar
o corpo nos mais variados atos motores exigidos pelo esporte de luta.

A lateralidade se refere à prevalência motora de um lado do corpo em uma


ação, que é vinculado a um hemisfério cerebral (corporal, sensorial e neurológico),
sendo necessário que não se discrimine a esquerda e a direita, pois ambos os
braços, pernas, mãos, pés, olhos e ouvidos devem ser desenvolvidos, possibilitando
ao indivíduo uma habilidade maior em seu lado preferencial (NEGRINE, 1986). É por
volta dos seis anos que o ser humano começa a manifestar o seu lado preferencial,
quando o fortalecimento da lateralidade é de suma importância para se construir
a base da orientação espacial e da coordenação geral. Durante a execução das
técnicas pertinentes às lutas, a criança deve utilizar ambos os lados do corpo, por
isso deve realizar as tarefas nas aulas de Educação Física uniformemente.

Essa sugestão de iniciação das lutas no contexto da escola pode ser feita
utilizando um plano de aula (MOLARI, 2013) já exposto em algumas experiências
feitas pelo autor. Veja a seguir a imagem do formulário:

Quadro 2.5 | Plano de Aula / Lutas no contexto escolar

Nome

Objetivos
(Específicos da atividade)

Materiais

Disposição

80 Lutas na escola
U2

Desenvolvimento da Atividade

Variações (Estratégias, Objetivos, Regras)

Observações

Fonte: Molari (2013).

Para que os objetivos sejam bem elaborados, tanto na perspectiva geral como
nas específicas, sugerimos alguns verbos que podem auxiliar na construção do
planejamento da atividade lúdica direcionada na aplicação para o conteúdo das
lutas. Seguem alguns exemplos:

Figura 2.3 | Modelos de objetivos para o Plano de Aula

Modelos Tipos de Verbos

Conhecimento Associar, calcular, citar, classificar, definir, descrever.

Compreensão Concluir, descrever, distinguir, deduzir, demonstrar, discutir.

Aplicação Aplicar, classificar, estruturar, ilustrar, interpretar, organizar.

Análise Analisar, classificar, categorizar, combinar, comparar, comprovar.

Síntese Combinar, compor, criar, comprovar, deduzir, desenvolver.


Fonte: Gil (1991); Lakatos e Marconi (2001).

Lutas na escola 81
U2

3.3 O papel das lutas na educação


Educar é deixar marcas profundas nos alunos para que os mesmos levem isso
no percurso de suas vidas. Talvez o maior desafio para um educador seja ensinar a
enfrentar as incertezas e solucionar os desafios. Segundo Lançanova (2007, p. 67),
“A luta é uma forma de integração e atividade coletiva, em que o educando tem a
possibilidade de exercitar a atenção, a percepção, a colaboração e a solidariedade”.

A ideia de inserir as lutas na escola é começar por um planejamento de ensino


diferenciado, priorizando variados tipos de esportes de lutas para que todos
possam ter acesso ao contexto, mostrando não somente sua forma competitiva,
mas o que traz de benefícios para o desenvolvimento e aprendizado dos alunos,
constituindo momentos de interação para construir o interesse pela atividade.

Incluir as lutas na escola implica em perseverança e determinação de um ideal


educativo, diante da realidade encontrada com as crianças. Porém, temos que
levar em conta alguns aspectos para que isso ocorra. São eles:

• 1º – O conhecimento do professor a respeito da história de vida das crianças.


Esse aspecto é fundamental para que seja possível realmente se inteirar com
a realidade do aluno.

• 2º – A falta de capacitação do profissional, fato este que pode impedir que


esse processo ocorra de forma eficiente.

• 3º – A criação de projetos multidisciplinares para que o professor de Educação


Física consiga relacionar os seus conhecimentos com outras áreas de atuação.

• 4º – Não atuar apenas com a técnica, mas principalmente deixar as crianças


exporem seus medos, seus sonhos, suas dúvidas a respeito de quase tudo que
as cercam.

A partir disso, ter projetos de lutas dentro da escola é, portanto, usar o tempo
vago que eles ocupam, aprendendo a importância da valorização de cada um, ou
seja, educar fazendo esporte, ou melhor, educar praticando lutas. Dessa forma,
os pais e professores entenderão que a luta não pode ser considerada como algo
perigoso, mas algo que traz conhecimento para a criança.

A luta é um caminho para as crianças estarem em constante amizade e


interação, pois é o que ela exige em sua prática. O profissional tem que saber
passar isso para as crianças, de forma simplificada e de fácil entendimento, para
que não haja problemas mais tarde.

As aulas de Educação Física podem propiciar uma vivência, cuja densidade


pode significar um aumento incalculável de experiências positivas que certamente
assegurarão aos educandos a construção segura de cada passo em direção às

82 Lutas na escola
U2

realizações pessoais e amadurecimento coletivo.

É como Delors (1998, p. 98) relata: educar é “aprender a ser, a fazer, a viver juntos,
e a conhecer”. Esse processo constitui aprendizagens indispensáveis que devem ser
perseguidas de forma permanente pela política educacional de todos os países.

Você teria dificuldades para trabalhar com as lutas no contexto


escolar? Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

SANTOS, Aiko. Complexidade e transdisciplinaridade em educação:


cinco princípios para resgatar o elo perdido. Revista Brasileira de
Educação, v. 13, n. 37, jan./abr. 2008. Disponível em: <http://www.
scielo.br/pdf/rbedu/v13n37/07.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

A luta proporciona uma forma para que se tenha desenvolvimento e


conhecimentos diferenciados dentro da sociedade, buscando sempre uma
qualidade de vida melhor. As lutas possibilitam e incentivam o desenvolvimento de
variadas dimensões, como: cognitiva, psicomotora e afetiva. “Por meio da luta, o
indivíduo pode conhecer a si próprio e aos outros, explorar o mundo das emoções
e da imaginação e criar e descobrir novos movimentos” (LANÇANOVA, 2007, p. 90).

A inclusão das lutas nas escolas e nas aulas de Educação Física proporciona ao
aluno integrar-se aos movimentos humanos, fazer com que eles consigam enxergar
não somente como uma luta de defesa ou ataque, mais o que ela oferece destes
seus conhecimentos filosóficos, históricos de educação e respeito dentro e fora da
escola, oferecendo ao aluno um conhecimento que lhe sirva para a vida toda.

Por meio das aulas de lutas o professor identifica as qualidades ou dificuldades


das crianças, tanto no movimento ou até na sua socialização. Essa compreensão
faz com que os professores desenvolvam ações pedagógicas que estimulem a
formação integral, levando os alunos a conhecerem suas limitações e capacidades,

Lutas na escola 83
U2

para que, assim, tenham um ambiente com crianças autocríticas e capazes de


solucionar os problemas. Este meio de ensino propicia ao aluno identificar estes
conceitos em seu dia a dia, podendo, assim, resolvê-los (LANÇANOVA, 2007).

As Diretrizes Curriculares da Educação Básica afirmam que:

O papel da Educação Física será o de transcender


aquilo que se apresenta como senso comum,
desmistificando formas já arraigadas e
equivocadas sobre o entendimento das diversas
práticas e manifestações corporais. Desse modo,
prioriza-se a construção do conhecimento
sistematizado como oportunidade ímpar, de
reelaboração de ideias e práticas que, por
meio de ações pedagógicas, intensifiquem
a compreensão do aluno sobre a gama de
conhecimento produzido pela humanidade e
suas implicações para a vida (BRASIL, 2008, p. 5).

O conhecimento adquirido pelo ser humano ajuda no desenvolvimento para


a educação do futuro, ampliando seus conhecimentos e proporcionando uma
dimensão ampla em todos os aspectos. Segundo Morin (2006, p. 47), “conhecer o
humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separar dele”.

As diferentes culturas existentes necessitam das diversas formas de aprendizado,


condicionando-as para a humanidade. Em vários estudos realizados, percebe-se a
importância do conhecer a si e aos outros e estar presente nas vivências dentro da
sociedade, e o conhecimento adquirido através dela, podendo assim estar aptos a
poder desenvolver aspectos que visam à educação para todos, buscando, assim,
uma transformação para o mundo (MORIN, 2006).

Os quatro pilares da educação desenvolvem o aprender em meio ao


conhecimento de uma forma geral. O que faz com que todos possam estar em
crescente aprendizagem, compreendendo os problemas da sociedade e tentando
solucioná-los.

Pensar em uma educação para a vida é, portanto, estar presente para a realidade de
cada um, vivenciando as dificuldades de cada criança e apoiando-as para a melhora
em seu dia a dia. O profissional, quando imposto em atividades extras ou projetos
sociais, tem que conhecer a realidade da escola, do local e da criança. A conversa
com os pais e professores é essencial para o desenvolvimento dos mesmos.

84 Lutas na escola
U2

3.4 A educação física e as competências para ensinar lutas


Os profissionais da educação e da Educação Física vivem os desafios de ensinar a
prática da luta na escola, pois os educandos de hoje serão os educadores de amanhã.
Portanto, é necessário desenvolver certas competências para que se possam ter
oportunidades de construir uma sociedade mais pacífica, e não o contrário. De
acordo com Serrão e Baleeiro (1999, p. 26), “a função social do educador diz respeito
de seu lugar de referência na comunidade como agente de transformação”.

Praticar a aula de lutas não deve ter o intuito de lutar, mais, sim, de acompanhar
o aluno no seu desenvolvimento dentro e fora da escola. Saber respeitar seus
amigos e seus pais e trabalhar em grupo, propiciando, portanto, no esporte de
luta, uma forma de conduzir o aluno para o aprendizado em todos os aspectos da
educação, fator fundamental para o desenvolvimento da criança. É necessário usar
o interesse da criança para educá-la.

Segundo Freire (1996, p. 22), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar
as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. Além disso, para
Serrão e Baleeiro (1999, p. 27), “Construir um novo ser e um novo mundo a partir
de uma nova relação é a chave da função social do educador. O vínculo que se
estabelece entre o educador e os alunos abre possibilidades para novas formas de
sentir, querer e agir”.

O diálogo com as crianças faz com que elas entendam a importância da prática
do esporte para sua melhor formação, trazendo resultados positivos vistos em
todo campo da educação. Portanto, os profissionais têm que, na sua disciplina,
implantar atividades que ajudem no desenvolvimento integral da criança, não
pensando diretamente no esporte de rendimento e de competição e, sim, na ideia
de formar cidadãos para viver em sociedade, usando práticas pedagógicas que
promovam o lazer, a saúde e a formação global do aluno.

Nesses cenários, alguns pontos acabam por atrapalhar esse processo educacional,
como no caso de dificuldades nas escolas públicas por falta de materiais para executar
as atividades, tendo que improvisar nas aulas. Outro fator seria a infraestrutura que
prejudica a prática de algumas atividades propostas. No entanto, devemos considerar
que a ação pedagogia pode superar todas essas dificuldades.

As atividades sociais propostas para os alunos ajudam na melhora de seu


desenvolvimento nos aspectos de respeito, educação e solidariedade, promovendo
a inclusão das diferenças e levando os alunos a ter autonomia.

O professor tem um papel fundamental na aprendizagem diversificada dos


alunos, fazendo com que eles melhorem o comportamento e a aprendizagem em
outras disciplinas. A vivência do aluno com as novas competências e habilidades
impostas nas aulas de Educação Física traz conteúdos importantes para seu

Lutas na escola 85
U2

cotidiano, visando sempre à cultura corporal.

Falar de projetos que envolvem lutas em seu contexto não é tão fácil. As pessoas
hoje em dia demonstram-se assustadas e acham que não é a forma mais correta de
se educar uma criança. O que elas não veem é que, por meio do ensino de lutas é
possível chamar a criança para sua realidade, envolvendo-a, e só assim explicar de
forma íntegra a interação social que a criança adquire por meio do esporte.

Pense em uma atividade lúdica e crie possibilidades de inserir


movimentos de lutas. Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

RUFINO, Luiz Gustavo Bonatto; DARIDO, Suraya Cristina. Pedagogia


do esporte e das lutas: em busca de aproximações. Rev. bras. Educ. Fís.
Esporte, v. 26, n. 2, p. 283-300, São Paulo, abr./jun. 2012. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rbefe/v26n2/11.pdf>. Acesso em: 5 maio 2016.

A partir de todo o trabalho realizado por meio de atividades nos esportes de


lutas, a ideia é que seja contextualizada a relação entre as questões práticas e as
teóricas. Por meio das observações e oficinas, os professores podem estabelecer
uma interação entre o contexto de ensinar as lutas.

A partir do momento em que exista uma relação mais proveitosa entre os


professores com seus alunos, por meio da ludicidade, as habilidades existentes
são estimuladas e ocorre o surgimento de outras, sempre primando por um
relacionamento afetivo e de respeito. Os professores devem tornar todas
as atividades de lutas regradas pela ludicidade e, a partir disso, desenvolver
apontamentos mais técnicos, considerando que, na escola, o que se espera é que
os alunos conheçam novas possibilidades de esportes.

86 Lutas na escola
U2

A partir do conteúdo exposto nesta seção, responda as


questões a seguir:

1. Quais são os quatro pilares da educação que devem estar


contextualizados nos esportes de lutas?

2. Segundo Freire (1996), qual é o significado de ensinar?

Após as discussões feitas nesta seção, temos que ter respostas


para as seguintes questões: Como ocorreu a evolução das lutas?
Quais os modelos de lutas? Quais as necessidades em cada fase
escolar? Como inserir as lutas por meio da ludicidade?

A compreensão dessas questões proporcionará ao educador


físico condições de incluir os conteúdos das lutas no mundo
escolar. Vale lembrar que a aula é um microespaço em que são
testados os diversos conteúdos propostos pelo professor. Em
muitos casos, as propostas feitas aqui nesta seção por meio
da ludicidade terão sucesso, pois já foram testadas em outros
projetos vivenciados por pesquisados que atuam com essa
proposta das lutas na escola.

Sendo assim, o educador, após adquirir esse conhecimento,


se apropria dos objetivos e cria suas metas para caminhar em
busca da inclusão das lutas na escola.

Lutas na escola 87
U2

As propostas aqui apresentadas devem ser levadas em conta


como um modelo para ser colocado em prática. A partir do
momento em que se aplica as atividades contidas neste livro,
surgem novas formas de ensino de um mesmo conteúdo, no
entanto, com uma leitura particular das experiências vivenciadas.

Os diferentes modelos de lutas devem ser explorados, adaptando


atividades lúdicas com a característica do esporte de luta. São
inúmeras maneiras de levar o aluno a completar o objetivo
proposto pelo plano de ensino.

Por fim, indicamos um aprofundamento nos seguintes pontos:

a) Busque fazer levantamento histórico das principais lutas de


forma individual, nas mais diferentes épocas da humanidade.

b) Organize conteúdos pertinentes às fases escolares: educação


infantil, ensino fundamental e médio.

c) Crie e faça adaptações em atividades lúdicas caracterizando


as lutas.

Ao finalizar esta seção, não se esqueça: devemos oportunizar


que as crianças utilizem de sua criatividade para dar vida aos
movimentos contidos nas lutas.

1. Verifique as afirmativas a seguir e assinale as opções de lutas


que têm origem japonesa:

I. Capoeira.
II. Judô.
III. Karatê.
IV. Taekwondo.
V. Kung fu.

88 Lutas na escola
U2

Marque a alternativa correta:

a) Afirmativas I e II.
b) Afirmativas IV e V.
c) Afirmativas I e V.
d) Afirmativas I e IV.
e) Afirmativas II e III.

2. Leia as afirmativas referentes ao o que deve ser ensinado


sobre as lutas no ensino infantil, fundamental e médio:

I. A educação infantil deve criar a oportunidade à criança de


desenvolver os conhecimentos adquiridos entre zero a seis
anos.
II. No ensino fundamental deve-se dar prioridade para o
indivíduo ampliar o desenvolvimento motor e a aptidão física.
III. No ensino médio se deve valorizar atividades físicas
relacionada à saúde.

Marque a opção correta:

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.


b) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
c) Somente a afirmativa III está correta.
d) Somente a afirmativa I está correta.
e) As afirmativas I, II e III estão corretas.

3. Leia as afirmativas e encontre o conceito de esquema


corporal:

I. É o conhecimento do próprio corpo, sem a necessidade de


estar em movimento.
II. É o conhecimento do próprio corpo, por meio dos
movimentos.
III. É o conhecimento do próprio corpo, na questão dos
membros inferiores.

Marque a opção correta:

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.


b) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
c) Somente a afirmativa II está correta.

Lutas na escola 89
U2

d) Somente a afirmativa I está correta.


e) Afirmativas I, II e III estão corretas.

4. Relacione a coluna A com a Coluna B:

Coluna A
I. Condutas motoras de base ou formas básicas de movimento.
II. Ritmo.
III. Condutas neuromotoras.

Coluna B
A. Girar e golpear.
B. Comportamento adequado no movimento do esporte de luta.
C. Rolar, andar, lançar e apanhar.

Marque a opção correta:

a. I-C; II-B; III-A.


b. I-C; II-A; III-B.
c. I-A; III-C; II-B.
d. I-B; II-A; III-C.
e. I-A; II-B; III-C.

5. Assinale V para as questões verdadeiras e F para as falsas:

I. Aspecto social significa contextualizar a individualidade.


II. Aspecto cognitivo busca desenvolver a criatividade.
III. Aspecto afetivo significa valorizar os fatores da confiança e
solidariedade.
IV. Aspectos da história devem contemplar os objetivos e
conteúdos dos PCN, abordando, nas aulas, a origem e toda
sua influência no meio social.
V. Aspectos frontais, laterais, circulares e giratórios são uma
forma de expor a complexidade do movimento de luta.

Marque a opção correta:

a) F, V, V, V, V.
b) V, V, V, V, F.
c) F, F, V, V, F.
d) F, V, V, F, F.
e) F, V, V, V, F.

90 Lutas na escola
U2

6. Crie uma atividade lúdica adaptada às lutas, conforme os


critérios a seguir:

Objetivo:

Materiais a serem utilizados:

Disposição dos alunos:

Desenvolvimento da atividade:

Variações:

Lutas na escola 91
U2

92 Lutas na escola
U2

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