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UNIDADE 4

Metodologia
do ensino
de lutas
Unidade 4

LUTAS OCIDENTAIS E
ORIENTAIS NO CONTEXTO
DOS PROJETOS NA ESCOLA

Mário Molari

Objetivos de aprendizagem: Nesta unidade você estudará dois assuntos


muito pertinentes nesta disciplina: as lutas no contexto da escola (lutas
orientais e ocidentais) e os projetos de lutas na escola. O primeiro discute
as questões sobre a capoeira e sua musicalidade e as artes marciais mistas
(MMA), que tiveram um grande impacto na última década em nosso país. O
segundo assunto está pautado no projeto de lutas na escola e será ilustrado
com dois relatos de experiência.

Seção 1 | Capoeira e musicalidade


Nesta seção vamos refletir sobre as lutas ocidentais, tendo como
foco de estudo a capoeira. Iremos conhecer a história da capoeira
e sua musicalidade que, de uma forma impactante, provocam o
desenvolvimento físico e cognitivo no contexto da escola.

Seção 2 | Artes marciais mistas (MMA)


Num segundo momento iremos discutir sobre as lutas orientais,
buscando contextualizar as artes marciais mistas, que combinam as
principais lutas orientais no seu conjunto de técnicas. Elas se tornaram um
fenômeno na última década, não somente no Brasil, mas no mundo todo.
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Seção 3 | O contexto das lutas nos projetos na escola


Nesta última seção iremos descrever três projetos de lutas na escola,
tendo como abordagem pedagógica os relatos de experiência.

152 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


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Introdução à unidade

Os desafios para um mundo que se encontra em rápidas transformações


requerem da educação esforços para a modificação nos quadros tradicionais da
existência humana que coloca a humanidade no dever de compreender o outro
e o ambiente que o cerca. Esse modelo exige a harmonia de valores sociais que o
mundo mais carece (DELORS, 2001).

Os projetos de lutas na escola têm como objetivo desenvolver habilidades


socioafetivas pautadas em valores morais, além de favorecer as crianças e
adolescentes que apresentam dificuldades em aspectos específicos a construir-se
sob o respeito mútuo e modificar seu meio a médio e longo prazo.

A educação para século XXI se define em quadro tópicos: aprender a conhecer,


aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser. Priorizam, assim, a
cooperação, resultando em mudanças interpessoais e intrapessoais e resgatando
valores humanos que dão suporte ao processo de convivência e construção de
uma verdadeira autonomia (DELORS, 2001).

Para que essa proposta se concretize, ações efetivas precisam ser realizadas e
o esporte – especificamente as modalidades de luta – podem contribuir. A partir
disso, esta unidade se propõe a apresentar dois modelos de lutas e fazer um relato
de experiência de projetos no contexto da escola, levando o leitor a compreender
que as lutas têm como meta desenvolver não só as habilidades motoras essenciais
a todo ser humano, mas, também, as questões sociais pautadas no conhecimento
por meio das relações sociais.

As lutas têm como principal objetivo formar cidadãos conscientes de seus


direitos e deveres, desenvolver a inteligência, fortalecer o espírito e garantir a
boa saúde. Portanto, elas podem ser um alicerce de vida para que o praticante
se aperfeiçoe e se transforme numa pessoa justa e amante do seu próximo e do
seu país (LOPES, 1995). Porém, quando se pensa em lutas na escola, percebe-se
um desconforto, muitas dúvidas e um temor de gestores, pais e professores, por
ainda não entender a luta como uma filosofia de vida, expressa nos movimentos
individuais e de grupo.

As artes marciais que representam os conteúdos de lutas, nos Parâmetros


Curriculares Nacionais e nas Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná, são
apenas manifestações culturais que agregam e transmitem valores sociais e morais.

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Embora as lutas estejam incluídas nos blocos de conteúdos da Educação


Física na escola, não é comum observar essa prática nas instituições de ensino.
Sendo assim, os projetos aqui apresentados têm como objetivo predominante a
integração das diversidades culturais e a estruturação de referências sociomorais
positivas para uma população carente de diferentes e múltiplos fatores estruturais
do exercício da cidadania, sendo visto sob um olhar de recurso pedagógico.

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Seção 1
Capoeira e musicalidade

Introdução à Seção
A capoeira é a principal luta brasileira pelo fato de estar relacionada com a
nossa cultura e a história do povo negro em nosso país. Além disso, a característica
da capoeira se distingue de outras lutas por apresentar uma diversidade em sua
movimentação sendo em muitos casos um jogo, uma luta, uma dança ou uma
arte, ou seja, a capoeira é uma representação social que mais se identifica com a
nossa população e, principalmente, no contexto da escola.

1.1 História da capoeira


A capoeira teve seu início na África e foi trazida ao Brasil pelos escravos, no século
XVI. Sua história é marcada por mistérios, isso devido às inúmeras dúvidas por parte
dos pesquisadores sobre a sua verdadeira raiz (FONTOURA; GUIMARÃES, 2002).

Na perspectiva histórica, a capoeira nasceu do escravo, em solo brasileiro,


com o instinto de autopreservação (AREIAS, 1996). Os escravos eram proibidos de
praticar formas de luta, portanto, dissimularam a capoeira em forma de dança e
jogo. Os escravizadores não sabiam do potencial desta arte e acabou sendo uma
forma de os escravos se comunicarem, treinarem e se desenvolverem sem que os
brancos soubessem.

É difícil encontrar uma data precisa a respeito de sua evolução, pois os


documentos desta época foram todos queimados com a abolição da escravidão,
um meio para “se livrar do passado”. Os feitores logo perceberam que a capoeira
era perigosa e passaram a proibi-la. Qualquer negro que fosse pego praticando
capoeira seria castigado e serviria de exemplo para os demais. A capoeira, assim,
foi rotulada de arte negra (SANTOS, 1990).

O negro e a capoeira continuaram marginalizados até 1930, quando Getúlio


Vargas permitiu a prática desta luta, desde que em recintos fechados e com alvará
da polícia. Desde então, a capoeira luta para conquistar seu espaço e respeito
merecidos. Apesar de ser única, existem alguns estilos diferentes de praticá-la que
se denominam como angola, regional e contemporânea.

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A capoeira de Angola foi criada pelo mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha).
É a mais antiga de todas e recebe este nome, pois os escravos angolanos na
Bahia eram os que mais se destacavam em sua prática. Este estilo de capoeira é
caracterizado pelo uso de todos os instrumentos musicais e do jogo mais lento e
mais baixo (CRUZ, 2003).

Figura 4.1 | Jogo de angola Figura 4.2 | Mestre Pastinha

Fonte: Capoeira na Angola. Disponível em: <http:// Fonte: Fica Bahia. Disponível em: <http://www.
caracteristicasdacapoeiraangola.blogspot.com.br/>. ficabahia.com.br/html/pastinha.html>. Acesso
Acesso em: 16 maio 2016. em: 16 maio 2016.

A capoeira regional foi criada por mestre Bimba (Manoel dos Reis Machado) e
se destaca por ser mais traumatizante, com menos elementos acrobáticos, luta
mais rápida, alta e com golpes mais fortes.

Figura 4.3 | Jogo da regional Figura 4.4 | Mestre Bimba

Fonte: Google Imagens. Disponível em: <https://


www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome- Fonte: Minha Capoeira. Disponível em: <http://
instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=historia+da+c minhacapoeira.blogspot.com.br/2012/02/
apoeira+regional>. Acesso em: 16 maio 2016. biografia-do-mestre-bimba.html>. Acesso em:
16 maio 2016.

A capoeira contemporânea surge a partir da década de 70, pela junção dos estilos
angola e regional. Ela se assemelha mais com a capoeira regional, pois é rápida e
com muitos golpes, porém, com os elementos acrobáticos da capoeira angola.

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Em termos de diferenças entre o estilo de capoeira angola e regional destacam-


se os seguintes pontos:

Quadro 4.1 | Capoeira angola x capoeira regional


Angola Regional
Caracterizada por ser um jogo rasteiro Um jogo alto, na posição de pé, sendo
(baixo), com movimentos sempre próximos que o praticante utiliza como ponto de
do chão, equilibrando o corpo, na maioria equilíbrio uma das pernas, mas o jogo pode
dos golpes sobre as mãos, utilizando alternar para jogo baixo, dependendo das
principalmente as pernas e os pés. características do oponente (adaptação).
Fonte: Nestor (2002); Silva (2003).

Na sua concepção, quais são os conteúdos da capoeira que


podem ser inseridos no contexto da escola? Reflita sobre a
inserção da capoeira no contexto escolar!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

MEDEIROS, José Eduardo Segala de; PERES, Luís Sérgio. A capoeira na


escola: perspectivas para a educação física escolar – uma abordagem
teórica e pratica. Disponível em: <http://www.gestaoescolar.diaadia.
pr.gov.br/arquivos/File/producoes_pde/artigo_jose_eduardo_segala_
medeiros.pdf>. Acesso em: 16 maio 2016.

1.2 Instrumentos musicais da capoeira


A capoeira apresenta também uma questão musical por meio de alguns
instrumentos, como o berimbau, pandeiro, atabaque, agogô e caxixi. A seguir, veja
a descrição destes instrumentos:

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Figura 4.5 | Berimbau

O berimbau é um instrumento feito de


uma verga de madeira, tradicionalmente
denominada “biriba”, com um arame de
aço, sendo a caixa de ressonância a cabaça
seca. Apesar de ser o principal instrumento
da capoeira, de acordo com Freitas (1977),
foi o último a fazer parte dos instrumentos
que compõem a capoeira, sendo utilizado
apenas no século XIX.
Fonte: Wikipedia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Berimbau>. Acesso em: 16 maio 2016.

Figura 4.6 | Reco-reco

Reco-reco, também conhecido por ganzá,


é um instrumento de gomos de bambu
por onde se desliza uma haste de metal.
Existem algumas variações: a haste pode
ser feita de madeira ou os gomos de
bambu são substituídos por metal.
Fonte: Sheet Music Jazz. Disponível em: <http://www.sheetmusicjazz.com/wp-content/uploads/2013/01/T-LBG.
jpg>. Acesso em: 16 maio 2016.

Figura 4.7 | Pandeiro


O pandeiro foi trazido pelos portugueses
ao Brasil, em 1549, e logo foi adotado
como instrumento musical pelos negros. O
pandeiro da capoeira é feito de couro fino,
pois produz um som mais abafado e gostoso
de ouvir (REGO, 1968).
Fonte: Mundo Percursivo. Disponível em: <http://files.mundopercussivo.com/200010511-55799576db/pandeiro.
jpg>. Acesso em: 16 maio 2016.

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Figura 4.8 | Atabaque


O atabaque é um instrumento de origem
árabe e, apesar de conhecido pelos africanos,
também foi trazido ao Brasil pelos portugueses.
Ele tem certa resistência dos mestres mais
antigos, pois seu som alto abafa o berimbau.
Quem utiliza atabaque tem que estar em íntima
harmonia com o berimbau, para não interferir
no ritmo da roda.

Fonte: Mestres Brasil. Disponível em: <http://www.mestresbrasil.com/de/components/com_virtuemart/shop_


image/product/Atabaque_capoeir_4d774a960cdc5.jpg>. Acesso em: 16 maio 2016.

Figura 4.9 | Agogô

O agogô é um instrumento de metal típico da


cultura africana e que se assemelha a um sino.
Apesar de existirem versões industrializadas,
de metal, é sempre mais interessante dar
preferência às manufaturadas.

Fonte: ML Static. Disponível em: <http://bimg2.mlstatic.com/agog-de-castanha-para-capoeira-e-percusso-geral-


artesanal_MLB-F-2935108106_072012.jpg>. Acesso em: 16 maio 2016.

Figura 4.10 | Caxixi


O caxixi é um pequeno chocalho feito de
palha, trançado com a base de cabaça,
cortada em forma circular e a parte superior
reta, terminando com alça da mesma palha. As
sementes secas colocadas no interior do caxixi
originam um som característico ao sacudi-lo.
Normalmente é tocado com a mão que segura
a baqueta, juntamente com o berimbau.
Fonte: ML Static. Disponível em: <http://bimg2.mlstatic.com/agog-de-castanha-para-capoeira-e-percusso-geral-
artesanal_MLB-F-2935108106_072012.jpg>. Acesso em: 17 abr. 2016.

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Qual a relação que o professor de Educação Física pode criar


quando utiliza do conteúdo de musicalização na capoeira?
Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

RODRIGUEZ, Carmen Aguera Munhoz; ROSIN, Sheila Maria. A


importância do ensino de música para o desenvolvimento infantil.
Disponível em: <http://www.crc.uem.br/pedagogia/documentos/
carmen_rodrigues.pdf>. Acesso em: 16 maio 2016.

1.3 As técnicas da capoeira


Para se jogar capoeira é preciso conhecer seus movimentos. Estes podem ser
agrupados da seguinte forma: movimentações, defesas, ataques e movimentos
acrobáticos. A seguir estão apresentadas as principais movimentações existentes
na capoeira:

Figura 4.11 | A ginga

Fonte: <http://www.istockphoto.com/br/vetor/conjunto-de-capoeira-gm465092308-
59245090?st=0412135>. Acesso em: 24 maio 2016.

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Figura 4.12 | Au

Fonte: Canto Capoeira. Disponível em: <http://cantocapoeira.free.fr/plus/lecons/pages/au.htm>. Acesso em: 16


maio 2016.

Figura 4.13 | Cocorinha

Fonte: 1 BP. Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-1oYf2FSndkc/UF-


GLV2tbOI/AAAAAAAAAGM/1b_uKWyzT6k/s1600/cocorinha.png>. Acesso em: 16
maio 2016.

Figura 4.14 | Negativa

Fonte: 1 BP. Disponível em: <http://1.bp.blogspot.com/-TkrAOGTTgP4/UuqDnAn6spI/AAAAAAAAA5c/


itNWSnFym_c/s1600/negativa.jpg>. Acesso em: 16 maio 2016.

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Figura 4.15 | Ponteira

Fonte: 4 BP. Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-b0Zs0oX62fQ/Uk8fl7zNH0I/AAAAAAAABTc/


iUnUzQZP6CM/s1600/images.jpg>. Acesso em: 17 abr. 2016.

Figura 4.16 | Meia lua

Fonte: 4 BP. Disponível em: <http://4.bp.blogspot.com/-v_QxJ7dmnbA/Uu0pgu8z2iI/


AAAAAAAAA6k/5yW7B2MnF2k/s1600/meia+lua+de+frente.jpg>. Acesso em: 16 maio 2016.

Figura 4.17 | Macaquinho

Fonte: CDO Tokyo. Disponível em: <http://cdotokyo.com/wp-content/uploads/2010/07/macacoempe.gif>. Acesso


em: 16 maio 2016.

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A partir do conteúdo exposto nesta seção, responda as


questões a seguir:

1. O principal instrumento da roda de capoeira é:


a) Reco-reco.
b) Agogô.
c) Pandeiro.
d) Berimbau.
e) Caxixi.

2. O primeiro movimento que um capoeirista deve


aprender é:
a) Negativa.
b) Cocorinha.
c) Macaquinho.
d) Ginga.
e) Au.

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Seção 2

Artes Marciais Mistas (MMA)

Introdução à Seção
As lutas conhecidas como artes marciais mistas (MMA) tornaram-se um
fenômeno na última década. O lutador deve dominar inúmeras modalidades de
lutas para ter condições de superar os seus oponentes e, portanto, esta torna-se
uma modalidade de luta que exige características físicas e técnicas mais completas.

Outro ponto importante desta modalidade é a questão de que ela gera um


ganho financeiro muito superior às outras áreas do esporte, tanto por parte de
quem luta, como pelos seus organizadores.

2.1 As artes marciais mistas como esporte de contato


As artes marciais mistas, ou Mixed Martial Arts (MMA), é mencionada em quase
todo mundo apenas como MMA. É uma decorrência do “vale-tudo”, criado pelos
membros da família Gracie, como foi citado anteriormente (THOMAZINI; MORAES;
ALMEIDA, 2008).

Segundo Nunes (2006), as artes marciais mistas podem ser definidas como
um esporte de contato em que são combinadas diversas técnicas e golpes de
diferentes artes marciais e lutas existentes no mundo, como boxe, jiu-jitsu brasileiro,
muay thai, entre outras em um único combate.

Tal combinação pode se dar da seguinte forma: pela junção dos socos,
chutes, cotoveladas e joelhadas do muay thai, a fim de conseguir um nocaute ou
uma interrupção por parte do juiz, ou pela luta de chão, agarrada, desenvolvida
por meio da prática do jiu-jitsu brasileiro, que trabalha as torções de membros,
estrangulamentos e alavancas para conseguir uma finalização com o intuito de
vencer o combate, utilizando golpes não traumáticos.

O ambiente de luta acontece em um espaço chamado de octógono aonde os


oponentes se encontram e colocam em práticas suas técnicas.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 165


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Figura 4.18 | Octógono

Fonte: Fernando Ted. Disponível em: <https://fernandoted.wordpress.com/tag/arianny-celeste/>.


Acesso em: 16 maio 2016.

Para Pellanda (2009), as artes marciais mistas é um dos esportes de contato que
mais cresce atualmente no mundo inteiro. Isso acontece devido a muitos fatores,
como a criação de sites profissionais voltados à área, lojas virtuais e não virtuais,
voltadas à venda de produtos específicos para o mundo das lutas – em especial
as artes marciais mistas (MMA) –, e aos fóruns dentro desses sites, cujos usuários
discutem e trocam informações sobre o esporte.

No entanto, sem sombra de dúvidas, o que mais fez e faz com que o esporte se
difunda para o mundo inteiro é a compra de pay-per-view para assistir aos grandes
eventos de MMA pela TV a cabo, em especial o UFC e a venda dos ingressos.

As artes marciais mistas são um esporte relativamente novo, pois só passou a


obter regras e organizações reguladoras a partir da criação do UFC, em 1993. Para
Pellanda (2009, p. 2):

Ao contrário do senso comum presente


nos indivíduos, não ‘’vale tudo’’ no MMA. O
esporte vem evoluindo e profissionalizando-
se e suas regras também acompanham esse
desenvolvimento e estão cada vez mais rígidas.
O intuito de toda esta evolução é preservar cada
vez mais a integridade física do atleta.

As artes marciais mistas ainda não têm uma organização reguladora unificada
em nível internacional, como, por exemplo, a FIFA para o futebol. Existem
organizações parecidas, como a de boxe profissional, sendo que cada uma tem
suas regras, seu ranking, seus campeões e suas categorias.

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De acordo com Freitas (2002), esta modalidade de luta vem evoluindo cada
vez mais, não apenas com o intuito de preservar a integridade física do atleta,
mas, também, de adotar regras cada vez mais rígidas. Isso se dá para mostrar à
sociedade que as artes marciais mistas se tratam de um esporte de contato como
qualquer outro e merecem o devido respeito, para se tornar cada vez mais atrativa
a sua prática.

Como existem vários eventos de MMA espalhados pelo mundo, e cada um


deles com suas regras e regulamentos, é difícil determinar qual é o mais correto. De
acordo com Alonso (2002), as principais regras das artes marciais mistas são:

1. Divisão de peso de acordo com o evento.

2. Obrigatoriedade em utilizar luvas específicas para o esporte (dedos abertos)


fornecidas pelo evento.

3. Fica obrigatório o uso de protetor bucal e genital (coquilha).

4. Fica proibido o uso de produtos como óleos e vaselina sobre a pele.

5. Caso o atleta não consiga responder mais aos golpes, há possibilidade de o


árbitro interromper o combate.

6. Fica determinado que não são permitidos golpes baixos, cabeçadas, mordidas,
nem golpes que tenham a intenção de furar os olhos do adversário. É
proibido acertar golpes na nuca, agarrar as cordas do ringue ou as grades da
jaula, jogar o oponente para fora do ringue ou da jaula. Se os dois lutadores
estiverem no solo, a ponto de sair do ringue, o juiz deve parar a luta e colocar
os dois na mesma posição no centro do ringue.

As regras para o término do combate são:

1. Quando um dos lutadores não conseguir mais se defender dos golpes


desferidos contra ele.

2. Quando o lutador bate no solo do ringue ou jaula, indicando que não suporta
mais o golpe (finalização).

3. Quando o lutador desmaia em decorrência de um golpe traumático e o


árbitro decide por terminar a luta (nocaute).

4. Quando o lutador sangra e o ferimento não é estancado pelo médico no


tempo estabelecido.

5. O lutador viola as regras listadas acima.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 167


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6. O tempo da luta se esgota havendo assim uma decisão por parte dos juízes.

Que fenômeno é esse a luta do vale-tudo? Reflita sobre isso.

Para saber mais, leia o texto a seguir:

VASQUES, Daniel Giordani. As artes marciais mistas (MMA) como esporte


moderno: entre a busca da excitação e a tolerância à violência. Esporte
e Sociedade, ano 8, n. 22, set. 2013. Disponível em: <http://www.uff.br/
esportesociedade/pdf/es2203.pdf>. Acesso em: 16 maio 2016.

2.2 Técnicas utilizadas nas artes marciais mistas (MMA)


A seguir iremos detalhar algumas técnicas utilizadas no esporte MMA. São elas:

Figura 4.19 | Chute nos membros inferiores

É uma técnica utilizada para desequilibrar o adversário


com o propósito de que o mesmo baixe guarda
para ataques com os membros superiores utilizados
nas artes marciais mistas (MMA). Utiliza-se a guarda
fechada e a aberta.

Fonte: Uniceub. Disponível em: <http://repositorio.uniceub.br/bitstream/235/7392/1/20655077.pdf>. Acesso em: 16


maio 2016.

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Figura 4.20 | Levando para o solo

A estratégia desse movimento é levar o


oponente para o solo e a partir de aí executar a
imobilização lateral ou 100 quilos.

Fonte: Uniceub. Disponível em: <http://repositorio.uniceub.br/bitstream/235/7392/1/20655077.pdf>.


Acesso em: 16 maio 2016.

Figura 4.21 | Joelho na barriga

A técnica de joelho na barriga é muito usada nas


artes marciais mistas, para deferir golpes traumáticos
por meio dos punhos contra o oponente. Após ter
ocorrido a imobilização lateral, o lutador que se
encontra por cima posiciona o joelho na barriga
do adversário que se encontra por baixo e desloca
todo seu peso sobre a barriga do mesmo.

Fonte: Uniceub. Disponível em: <http://repositorio.uniceub.br/bitstream/235/7392/1/20655077.pdf>. Acesso em:


16 maio 2016.

Figura 4.22 | Chute lateral alto

O chute lateral alto é, sem sombra de dúvida, o


golpe mais utilizado na luta a distância. Seu sucesso
está no giro do corpo sobre o pé de apoio, o que dá
força ao golpe, que pode acertar o oponente com
a canela (perna) ou o peito (dorso) do pé. Também
pode ser deferido com a perna da frente ou a de
trás da guarda, sendo a última com mais potência
em relação ao golpe (PINTO, 2009).

Fonte: Uniceub. Disponível em: <http://repositorio.uniceub.br/bitstream/235/7392/1/20655077.pdf>. Acesso em: 16


maio 2016.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 169


U4

O MMA pode ser contextualizado como um esporte? Reflita


sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

MIRANDA, Fernanda de Alvarenga. O MMA no Brasil: um panorama da


modalidade. Esporte e Sociedade, ano 7, n. 20, set. 2012. Disponível
em: <http://www.uff.br/esportesociedade/pdf/es2003.pdf>. Acesso
em: 16 maio 2016.

A partir do conteúdo exposto nesta seção, responda as


questões a seguir:

1. Descreva o octógono, local de luta do MMA.

2. Defina a luta denominada artes marciais mistas (MMA).

170 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

Seção 3

O contexto das lutas nos projetos na escola

Introdução à Seção
Atualmente, as políticas públicas têm sugerido o desenvolvido de projetos,
entre eles o esporte, para a inclusão social de crianças e adolescentes de regiões
comprometidas pela carência de inúmeros fatores, como: alimentação, afeto,
autoestima, entre outros pontos.

Considerando o esporte como uma ação que objetiva mudar comportamentos


e transformar a realidade de seus participantes em indivíduos mais integrados na
comunidade, as lutas apresentam características muito peculiares dentro dessa
perspectiva, incluindo inúmeras crianças em seus projetos, seja por meio do judô,
da capoeira, do karatê, entre outros, ou seja, independentemente da modalidade,
as lutas têm uma ação promotora de saúde junto às crianças e adolescentes.

3.1 As lutas por meio de projetos


O professor que atua junto a uma população com dificuldades socioeconômicas
encontra várias dificuldades na mediação do processo de socialização dos alunos,
por eles terem seus próprios conceitos de convivência. Em algumas ocasiões, existe
muita resistência por parte das crianças e dos adolescentes em vulnerabilidade
social, o que dificulta o trabalho e, também, as pesquisas que esbarram no medo
e na desconfiança daqueles que, muitas vezes, precisam ignorar as próprias dores
para sobreviver.

Um dos desafios encontrados é o fato das crianças não serem motivadas pelos
familiares para o estudo e, quando chegam para participar de projetos de lutas,
exigem uma atenção especial, diferenciada, porque nem todos os participantes vão
para aprender alguma coisa; muitos vão apenas para fazer a única refeição do dia.

No entanto, Cury (2003, p. 11) diz: “há um mundo a ser descoberto dentro
de cada criança e de cada jovem, só não consegue descobri-lo quem está
encarcerado no seu próprio mundo”. Sendo assim, todos os envolvidos devem
trabalhar com muito cuidado para que essas crianças não abandonem o projeto.
Caso isso aconteça, elas devem ser incentivadas a levar consigo não só valores

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 171


U4

escolares, mas, também, valores bem mais profundos, da vida fora da escola, ou
seja, as formas saudáveis de convivência social, como também uma visão melhor
de mundo e das pessoas em sua volta.

Todas as crianças são iguais, porém umas precisam de uma metodologia mais
apropriada e segura. Assim, o que deve ser ressaltado é que o professor deve
ter paciência e boa vontade para trabalhar com crianças com histórias de vida
diferenciadas, embora com vivências bem parecidas.

A prática deve refletir o processo de adequação constante e pautar-se no eixo


Ação/Reflexão/Ação, pois, para Freire (2004, p. 15), “de nada adianta o discurso
competente se a ação pedagógica é impermeável à mudança”.

Barbosa (2003) argumenta que se fôssemos capazes de pensar mais no bem-


estar emocional de nossos filhos e menos em seu desempenho, teríamos menos
problemas e viveríamos numa sociedade mais sensata e mais tolerante.

Os projetos na escola têm impacto nas questões de


vulnerabilidade social? Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

PALHARES, Leandro Ribeiro. Capoeira e projetos sociais. Revista Vozes


dos Vales, n. 1, ano 1, maio 2012. Disponível em: <http://site.ufvjm.edu.
br/revistamultidisciplinar/files/2011/09/Capoeira-e-Projetos-Sociais.
pdf>. Acesso em: 17 mar. 2016.

3.2 Relato de experiência 1: projeto escolinha de taekwondo


para crianças
O objetivo geral do projeto de extensão foi desenvolver as habilidades motoras
das crianças da Escola Municipal Prof. Carlos da Costa Branco e melhorar os

172 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

aspectos sociais e cognitivos.

A metodologia do projeto teve a participação de 110 crianças, na faixa etária


entre 5 e 10 anos (estudantes da Escola Municipal Prof. Carlos da Costa Branco
– Jardim Roseira – zona sul de Londrina). As aulas foram realizadas às terças e
quintas-feiras, no período das 10:30 às 11:30, com os alunos da pré-escola, primeira
e segunda série e, das 16:30 às 17:30, com os alunos de terceira e quarta séries.

3.2.1 Resultados
Foi desenvolvido um projeto pedagógico para ensinar os esportes de lutas,
considerando que seus fundamentos e suas filosofias são compreendidos a partir
do respeito mútuo, trabalhando a valorização das pessoas, independentemente
de sua origem social, etnia, religião, sexo e opinião. Foi incentivado o desejo de
aprender a ser e a viver em conjunto, diminuindo, assim, as limitações pessoais de
cada um que poderiam interferir na dinâmica do grupo.

Percebeu-se que as queixas dos pais e professores sobre as atitudes que


envolvem socialização e organização das crianças foram diminuindo ao passar
das aulas. Alguns pais apontaram que as crianças estavam gostando muito de
participar das aulas, o que é muito importante para educação dentro e fora da
escola. Outros perceberam mudanças físicas em seus filhos e no comportamento
no que diz respeito aos outros. Os professores, em suas considerações pessoais,
apontaram que os alunos estavam entusiasmados com as aulas e incentivaram
mais a participação desses jovens, pois, a atenção e o comportamento em sala
melhoraram muito.

Segundo Almeida (2006, p. 24), “[...] a Educação Física, como parte da educação
integral, está voltada para o desenvolvimento da capacidade e saúde física, como
também para o equilíbrio da personalidade. Ela move o mundo e realiza o ser humano”.

As aulas de Educação Física na perspectiva das lutas poderiam realmente fazer a


diferença na escola se o professor se comprometesse com o processo educativo,
pois Perroud (2002) apud Tessaro e Guzzo (2004. p. 3) afirma que: “ser um bom
professor não significa apenas ter a capacidade de transferir conhecimento, se faz
necessário uma postura reflexiva, capacidade de observar, de regular, de inovar e
de aprender com os outros”.

3.2.2 Considerações finais


Por meio dos resultados, concluiu-se que a luta, quando trabalhada com
objetivos bem definidos, de forma pedagógica, sensata e profissional, pode

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 173


U4

conquistar o desenvolvimento integral da criança e a interação dos grupos,


inclusive na sociedade, vivenciando todos os princípios filosóficos que a mesma
proporciona e os benefícios que trazem para a cultura corporal, incorporados à
aula de Educação Física ou em projetos sociais.

Os estudiosos perceberam que a filosofia dos esportes de lutas sustenta as


bases do aprender a ser e a viver, podendo chegar a resultados expressivos e
trazendo para as crianças o respeito mútuo e o desejo de evoluir para a construção
e manutenção de um ambiente favorável ao aprendizado, transpondo este
conhecimento para sua vida cotidiana.

Procurou-se, durante as aulas, enfatizar os fundamentos éticos e diversificar a


prática, pois nada teria modificado se apenas fossem aplicados os gestos técnicos e
as regras de competição. Utilizar estes esportes de lutas como recurso pedagógico
da área de Educação Física, valorizando as potencialidades da prática de exercícios
e do esporte, juntamente com a arte de aprender a ser e a viver junto, favorece
a construção de um novo paradigma, não só para as crianças, mas também para
todos os envolvidos.

Os profissionais de Educação Física devem estudar mais a respeito das lutas na


escola e pensar em desenvolver em seus alunos habilidades e competências não
somente físicas, mas, sim, de valores tão escassos em nossa sociedade, como
solidariedade e cooperação.

Acredita-se que as crianças que frequentam os projetos que envolvem as


lutas na escola ficam com lembranças marcantes e levam esses fundamentos e
princípios para a sala de aula e para a sua família, resgatando os valores da educação
e mostrando que podem ser adultos melhores e chegar ao sucesso. Comprova-se,
também, a quebra de alguns paradigmas que vinculam as artes marciais à violência,
valorizando o aprendizado como um todo e abrindo mais possibilidades no campo
de trabalho para área da Educação Física.

Outro ponto importante das lutas é que elas podem ser uma ferramenta
para auxiliar os professores na relação entre a teoria e a prática. Muitas são as
reclamações e pouco se faz para tentar diminuí-las. As aulas em sala não são as
preferidas e, sim, as aulas de Educação Física. No entanto, ainda hoje é comum
observar e encontrar relatos de professores que simplesmente desistiram de
buscar meios para que as aulas sejam prazerosas e bem aproveitadas, em geral,
eles sustentam seu desânimo na falta de estrutura física ou de apoios dos gestores
das instituições.

Muitos pensam que o único objetivo das aulas de Educação Física é formar
corpos fortes e saudáveis, mas esta disciplina na perspectiva das lutas vai além, pois
forma cidadãos dignos, conscientes de seus direitos e deveres e que conseguem
viver em um ambiente saudável, podendo aprender a viver em sociedade.

174 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

Os projetos de lutas, quando chegam como um recurso pedagógico, geram


o desafio de conscientização das crianças, pois a luta para elas, no começo, era
vista como “aprender a bater”. Como se pôde perceber, há um certo preconceito
de que as lutas estavam relacionadas com a violência e a agressividade, porém,
ao longo do tempo, foram sendo aplicados os princípios e fundamentos e, dessa
forma, conseguimos perceber as diferenças no comportamento das crianças,
tanto nas aulas do projeto quanto na escola e na família.

Propõe-se que os conceitos relacionados às lutas sejam trabalhados nas


aulas de Educação Física com propósito de formar cidadãos aptos para viver na
sociedade e que o respeito e a compreensão sejam fatores essenciais para o
desenvolvimento integral da criança, como a proposta dos PCN (BRASIL, 1997).

Os educadores físicos devem transmitir aos seus alunos que, além de praticar
os esportes de lutas, necessitam conhecer a sua história, discutindo suas regras e
princípios, analisando suas atitudes cotidianas na escola e na família, para obter um
aprendizado que se estende às dimensões afetivas e socioculturais da Educação Física.
Para isso, este professor precisa estar aberto a mudanças, ter conhecimento do ser
humano, considerando em todos seus aspectos, biológicos, psicológicos e sociais,
criando oportunidades para que os alunos se adaptem ao mundo em que vivem.

Como criar um projeto de lutas na escola? Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

MELO, Marcelo Galdino de et al. Lutas aplicadas à educação física escolar:


realidades e possibilidades. Disponível em: <http://www.sbpcnet.org.
br/livro/63ra/conpeex/prolicen/trabalhos-prolicen/prolicen-marcelo-
galdino.pdf>. Acesso em: 16 maio 2016.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 175


U4

3.3 Relato de experiência 2: projeto – karatê para síndrome de


Down
O objetivo deste estudo foi proporcionar o desenvolvimento aos alunos com
Síndrome de Down nos aspectos cognitivos, motores, afetivo e social por meio
da prática da atividade física do karatê, favorecendo a sua formação integral. E
os objetivos específicos foram: desenvolver o esquema corporal, o equilíbrio,
a coordenação motora geral, a coordenação viso-motora, a lateralidade e a
expressão corporal; e melhorar o relacionamento dos mesmos por meio da prática
da atividade física do karatê.

A metodologia utilizada foi de uma proposta de atividade física, tendo como


o esporte de luta o karatê. Considera-se que este esporte proporciona aos
seus praticantes melhorias nos aspectos de saúde e, também, na construção
e manutenção das habilidades motoras, sendo um agente importante para o
crescimento físico e intelectual.

As aulas tiveram a duração de 45 minutos, uma vez por semana. As sessões foram
constituídas por três partes: a parte inicial, a parte principal e a parte final. A parte
inicial teve duração de 15 minutos, sendo composta por atividades neuromotoras.
A parte principal foi realizada em 25 minutos, sendo que nela desenvolveram-
se as técnicas do karatê, mais especificamente o kihon e o kata. A parte final
teve a duração de 5 minutos, sendo que os exercícios tiveram como objetivo o
resfriamento e relaxamento. Em algumas ocasiões as aulas foram realizadas com
músicas apropriadas.

Os conteúdos das aulas foram organizados sobre a plataforma de duas


matérias do karatê: o kata e o kihon. Os cuidados especiais foram feitos mediante
as necessidades que cada aluno tinha para se adaptar às atividades e, também, para
confiar no educador.

É relevante, no planejamento da proposta da atividade física para as pessoas com


Síndrome de Down, que o professor rastreie e mapeie o aluno no que concerne
a sua estrutura física, mental, orgânica, ou seja, deve conhecer as dificuldades e
os problemas orgânicos que cada um possui junto a sua deficiência. Após isso, é
necessário preparar as atividades físicas, visando contemplar o aluno como um
todo, levando em conta o grau de dificuldade de cada um.

Em primeiro momento, foram inseridas doses pequenas de atividades, sendo


que estas tinham a intenção de gerar uma socialização entre os alunos, entre
alunos e professor e vice-versa.

Para que este trabalho tivesse êxito, Molari (2009) seguiu algumas orientações
de Bonfim (1996), que sugere algumas atitudes, como:

176 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

1. Trabalhar com grupos pequenos nas fases iniciais.

2. Explicar por meio de demonstrações.

3. Adaptar os conhecimentos, quando necessário, no sentido de reconhecer a


individualidade do aluno.

Além dos procedimentos citados anteriormente, foi pedido para que as crianças
com Síndrome de Down (as que participam do projeto) fizessem exames de saúde
gerais e com ênfase na Instabilidade Atlânto Axial.

Também foi pedido aos pais para que as crianças fossem com roupas
confortáveis e compatíveis com as atividades que seriam desenvolvidas. Por fim,
pediu-se também que as crianças participassem com tênis adequado, com a
intenção de facilitar a aprendizagem.

Em relação ao estilo de ensino na Educação Física, e em particular no karatê,


muitas são as formas de intervenção (estilo de ensino) utilizadas pelos profissionais
em suas aulas, para pessoas com necessidades especiais ou mesmo para aquelas
que não apresentam nenhum problema físico ou orgânico.

Mosston (1986) sugere alguns estilos de ensino, são eles: estilo comando, estilo
prático, estilo recíproco, estilo autocontrole, estilo inclusão, estilo descoberta
orientada, estilo divergente, estilo programa individual, estilo iniciativa pelo aluno
e estilo autoensino.

Gomes e Almeida (2001), em seus estudos, destacam que o estilo descoberta


orientada é uma das propostas que mais proporciona nos alunos especiais
segurança em questões como:

a) De reconhecer que já possuem algum tipo de conhecimento e que este deve


ser utilizado/transportado sem qualquer receio em toda e qualquer situação
de aprendizagem.

b) De que o professor pode auxiliá-los na descoberta e/ou aquisição de novos


conceitos.

c) De que podem arriscar, questionar e explorar as atividades no momento da


aprendizagem.

d) De se reconhecerem como aprendizes em processo de “descoberta, de


aprendizagem”.

Segundo Gomes (2000), o estilo de descoberta orientada é visto como um


indicativo que proporciona ao aluno a busca pela descoberta da resposta, sendo
configurado pela interação entre aluno e professor. Os objetivos deste estilo de
ensino norteiam a busca pela descoberta; a compreensão do relacionamento

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 177


U4

existente entre a resposta descoberta com o estímulo dado pelo professor; e a


conexão dos fatores que levam à resposta da questão, desenvolvendo habilidades
para a próxima ocasião e criando o hábito da concentração e paciência para
conseguir chegar aos resultados obtidos.

Diante disso, o projeto de extensão “Síndrome de Down – arte e vida em


movimento com o karatê” segue com proposta de ensino de descoberta orientada.
A experiência vivenciada nestes oito anos de extensão mostrou que os movimentos
realizados pelo karatê se desenvolvem com uma melhor categoria diante desta
metodologia.

Diante do cenário sobre a educação inclusiva na concepção


das lutas para crianças especiais, pense sobre uma intervenção
que utilize o estilo de ensino de descoberta orientada. Na sua
concepção, quais seriam as características desse tipo de ensino?
Reflita sobre isso!

Para saber mais, leia o texto a seguir:

MOVIMENTO DOWN. Síndrome de Down e artes marciais. 2013.


Disponível em: <http://www.movimentodown.org.br/2013/09/artes-
marciais-beneficiam-a-saude-e-estimulam-a-disciplina-em-pessoas-
com-sindrome-de-down-2/>. Acesso em: 17 mar. 2016.

3.3.1 Resultados
Todo indivíduo necessita movimentar o corpo para que, com isso, explore
o ambiente que o rodeia. E, além disso, a compreensão do ser humano diante
da comunidade requer um corpo saudável e com mais disponibilidade de ações
diante dos obstáculos encontrados nesta busca pela evolução.

Assim, a atividade física é um fator prioritário na vida de qualquer pessoa,


independentemente de suas dificuldades, porque ela possibilita ganhos de aptidão

178 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

física ou manutenção das mesmas.

Grandes quantidades de crianças com Síndrome de Down não participam de


programas de atividade física, isso devido ao fato da superproteção dos pais ou,
até mesmo, por uma imposição da sociedade provocando um número menor de
opções, de atividades físicas e de locais para que estas pessoas com necessidades
especiais possam praticar programas de atividade física.

No projeto observou-se que o karatê melhora a postura corporal e o equilíbrio,


pois as técnicas do karatê e, em particular, as bases, requerem postura e ao executar
deslocamentos entre elas exige-se o equilíbrio.

Os alunos também têm ganhos na agilidade, tempo de reação e no tempo de


movimento junto aos exercícios do karatê. Isso ocorre porque as técnicas do karatê,
quando trabalhadas em deslocamentos, exigem comandos para a execução das
mesmas e, com isso, desenvolvem as capacidades neuromotoras.

Há ganhos no fortalecimento dos membros inferiores e melhoras na fixação


dos artelhos no chão (devido ao posicionamento das bases), possibilitando, com
isso, participarem mais nas atividades escolares, em parques, ou seja, tendo, por
meio disso, uma vida ativa na comunidade.

A prática dos katas do karatê produzem na coluna cervical movimentos de flexão,


extensão, flexão lateral e rotação e, assim, auxiliam na manutenção da flexibilidade
em todas as partes do corpo das pessoas com Síndrome de Down, dando maiores
condições de mobilidade. Com isso, estes indivíduos têm melhor performance em
outras atividades esportivas, como no caso do vôlei, basquete, entre outros.

As atividades físicas por meio do karatê também contribuíram para a coordenação


motora, concentração, postura corporal, velocidade de reação, noção de espaço,
tempo certo de execução e força; ganho de ritmo ao trabalhar os braços e as pernas
em um mesmo tempo; desempenho motor ao utilizar braços, pernas e pés em um
mesmo movimento; e, também, ganhos nos aspectos cognitivos (raciocínio rápido).

Além disso, a prática desse esporte para as pessoas com Síndrome de Down
ajuda a melhorar a coordenação fina ao executar os exercícios dos katas avançados.
Também desenvolve uma maior concentração diante das técnicas que exigem
entradas e saídas rápidas.

Ao praticarem os movimentos dos katas, estes indivíduos melhoram a


lateralidade, porque os movimentos são executados por todos os lados, exigindo
dos seus praticantes o domínio do movimento em todas as direções.

Somando a isso, temos também a compreensão de um maior número de


regras, comandos, nomes de técnicas, socialização e muitos outros fatores que o
esporte, em particular o karatê, desenvolvem no ser humano como um todo.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 179


U4

3.3.2 Considerações finais


Observou-se inúmeros benefícios por meio do projeto para as crianças com
Síndrome de Down. O impacto dos movimentos cria uma impressão de bem-
estar e motivação, independentemente de suas limitações, criando um elo entre o
esporte e a cidadania.

3.4 Relato de experiência 3: a inclusão social e o judô para a


criança com deficiência visual
Oportuno se torna mencionar que a inclusão é uma palavra bastante abrangente,
pois é necessário, antes de qualquer coisa, lutar contra falsos conceitos de
civilidade e humanidade, instituir novos valores ou avaliá-los de maneira que toda
discriminação social, cultural e principalmente pessoal seja extinta. Esse seria o
primeiro passo para a inclusão – a aceitação da diferença, que não precisa se
tornar igual para participação da sociedade.

Em uma sociedade inclusiva ninguém é bonzinho, apenas cidadãos responsáveis


pela qualidade de vida do nosso semelhante, por mais diferentes que eles sejam ou
pareçam ser (WERNECK, 1997).

Incluir significa possibilitar uma inserção total e incondicional de todos e de


todos os seus aspectos (sociais culturais e pessoais), num contexto comum, que
envolve desafios, incertezas, erros e acertos.

Segundo Pacheco (2006), nesta esteira tem-se a escola como padrão de ensino
e inclusão, mas essa mesma escola coloca falsas barreiras, impossibilitando uma
mudança brusca desse paradigma social, onde vê-se o ser e o classifica por classe
social, cor e defeito. Para o mesmo autor:

[...] Para que se concretize a inclusão é


indispensável a alteração do modo como muitas
escolas estão organizadas. Para que a inclusão
passe a ser mais do que um enfeite de teses,
será preciso interrogar práticas educativas
dominantes e hegemônicas. Será preciso
reconfigurar as escolas (PACHECO, 2006, p. 15).

Sabe-se que a Educação Física nas escolas, atendendo a crianças especiais

180 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

ou não, deve ser aplicada como um incentivo ao aluno, motivando-o a ser


suficientemente capaz de atingir metas e alcançar objetivos.

Segundo Pedrinelli (1994, p. 69), "todo o programa deve conter desafios a todos
os alunos, permitir a participação de todos, respeitar suas limitações, promover
autonomia e enfatizar o potencial no domínio motor".

Paradoxalmente, instiga-se a inclusão social, sem abrir mão dos preconceitos,


tratando-se pessoas especiais como alienados e incapazes, sem conhecimento
da real capacidade. O aprendizado do estigma é uma parte da construção da
identidade do estigmatizado, ou seja, “a pessoa estigmatizada aprende e incorpora
o ponto de vista dos normais, adquirindo, portanto, as crenças da sociedade mais
ampla em relação à identidade e uma ideia geral do que significa possuir um
estigma particular” (GOFFMAN, 1988, p. 41).

Nessa concepção, o projeto de judô para crianças com deficiência visual


contribui para que as mesmas se movimentem e tenham sensações do meio
externo, que no qual as transformam em respostas sensitivas para sua realização,
ampliando sua relação com o mundo a sua volta. Em outras palavras, é por meio
das oportunidades corporais que as pessoas com deficiência visual expressam,
manifestam e agem nas rotinas diárias, conhecendo o meio em que vivem.

Nesse projeto que teve como proposta a prática do judô junto a pessoas com
deficiência visual, observou-se que 38% dos alunos consideram o judô importante,
37% consideram muito importante e 25% extremamente importante. Em ambos os
casos os deficientes sentem a grande importância do judô, pelo fato desse esporte
de luta começar a fazer parte da vida dos mesmos.

Em relação à socialização, 50% dos mesmos tiveram a percepção de que


aumentaram suas relações sociais entre os amigos. A ideia do projeto é que, para
ser um bom praticante de judô na escola, é precioso ser um grande ser humano e
não enxergar o amigo como um adversário.

E por fim, um ponto de muita relevância é que 87% tiveram melhoras no


conhecimento do seu próprio corpo, ou seja, quando se tem uma percepção
melhor do corpo, melhora-se o esquema corporal, que é um marcador sinestésico
que responde, a cada instante, a situação presente do corpo e que varia a cada
mudança de atitude, sendo o esquema corporal a base fundamental do ajustamento
e ponto de partida necessário para o movimento (BOULCH, 1987). Além disso, a
prática do judô no projeto representa maior mobilidade corporal, percepção do
seu potencial e autonomia.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 181


U4

A partir do conteúdo exposto nesta seção, responda as


questões a seguir:

1. Descreva a proposta de ensino das lutas por meio do estilo


descoberta orientada.

2. Quais são as sugestões metodológicas para ensinar lutas


para crianças especiais?

Buscando rever o que foi apresentado nesta unidade, temos


de chegar ao fim dessa leitura com respostas há algumas
questões: o que é capoeira? Quais são os estilos de capoeira?
A musicalidade apresentada na capoeira pode contribuir para
o desempenho do aluno no contexto da escola?

Se você tem essas respostas, é sinal de que você compreendeu


a relação da capoeira e a musicalidade como um conteúdo
para ser disseminado na escola.

Além dessas questões, esta unidade procurou discutir sobre as


artes marciais mistas, conhecidas pela sigla MMA, que unem
diversas lutas e transformam o praticante em um ser humano
com uma característica diversificada de compreensão sobre o
combate em locais de competição.

Por fim, as lutas foram apresentadas em forma de projetos


na escola. Buscou-se trazer algumas ideias a respeito dessa
relação das lutas e como aplicás-la no mundo escolar.

182 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

Pode-se concluir que, ao aplicar os fundamentos e princípios


filosóficos das lutas, estamos falando em inserir junto aos
conteúdos nas aulas de educação física questões sobre cortesia,
integridade, perseverança e autodomínio, com o propósito de
contribuir para que as crianças consigam aprender a ser e a
viver juntas umas com as outras, ou seja, os projetos de lutas
na escola buscam desenvolver o respeito mútuo e o desejo
de evoluir para a construção e manutenção de um ambiente
favorável ao aprendizado, transpondo este conhecimento para
sua vida cotidiana.

Os profissionais de Educação Física devem estudar mais a


respeito das lutas na escola e pensar em desenvolver em
seus alunos habilidades e competências não somente físicas,
mas, sim, de valores importantes, porém escassos em nossa
sociedade.

Por fim, acredita-se que as crianças que fazem parte de projetos


de lutas na escola interagem esses conhecimentos e princípios
para a sala de aula e na sua família, resgatando os valores da
educação e mostrando que podem ser adultos melhores e
chegar ao sucesso.

1. Leia as afirmativas seguintes e assinale a(s) alternativa(s) que


são correta(s) referentes ao esporte capoeira:

I. O criador da capoeira regional foi o mestre Bimba.


II. O criador da capoeira angola foi mestre Pastinha.
III. Na roda de capoeira regional utiliza três tipos diferentes de
berimbaus, que são: ungra, médio e grave.

Marque a opção correta:

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 183


U4

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.


b) Somente a afirmativa I está correta.
c) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
d) Somente a afirmativa III está correta.
e) As afirmativas I, II e III estão corretas.

2. Leia as afirmativas a seguir sobre o significado de exclusão


social e assinale a(s) alternativa(s) correta(s):

I. O termo “exclusão social” tem sentido temporal e espacial,


sendo que um grupo está excluído devido ao determinado
espaço geográfico ou em relação à estrutura social do país
que pertence.
II. O termo “exclusão social” tem sentido temporal e espacial
e está relacionado com crianças que apresentam algum tipo
de deficiência.
III. O termo “exclusão social” tem sentido temporal e espacial
somente na questão econômica de países como o Brasil e não
tem sentido real quando se discute questões pertinentes ao
esporte de luta.

Marque a opção correta:

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.


b) Somente a afirmativa I está correta.
c) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
d) Somente a afirmativa III está correta.
e) As afirmativas I, II e III estão corretas.

3. Leia as afirmativas sobre o estilo de ensino descoberta


orientada, que pode ser utilizado nos projetos de lutas para
crianças com dificuldades de aprendizagem ou não e assinale
a(s) alternativa(s) correta(s):
I. Reconhecer que já possuem algum tipo de conhecimento e
que este deve ser utilizado/transportado sem qualquer receio
em toda e qualquer situação de aprendizagem.
II. Considerar que o professor pode auxiliá-los na descoberta
e/ou aquisição de novos conceitos.
III. Saber que podem arriscar, questionar e explorar as atividades
no momento da aprendizagem.
IV. Reconhecerem-se como aprendizes em processo de
“descoberta, de aprendizagem”.

184 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

Marque a opção correta:

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.


b) Somente a afirmativa I está correta.
c) As afirmativas I, II, III e IV estão corretas.
d) Somente a afirmativa III e IV estão corretas.
e) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.

4. Leia as afirmativas sobre as orientações sugeridas por


Bonfim (1996) na questão de projetos de esportes para
crianças com Síndrome de Down e assinale a(s) alternativa(s)
que são correta(s):

I. Trabalhar com grupos pequenos nas fases iniciais.


II. Explicar por meio de demonstrações.
III. Adaptar os conhecimentos, quando necessário, no sentido
de reconhecer a individualidade do aluno.

Marque a opção correta:

a) Somente as afirmativas I e II estão corretas.


b) Somente a afirmativa I está correta.
c) Somente as afirmativas I e III estão corretas.
d) Somente a afirmativa III está correta.
e) As afirmativas I, II e III estão corretas.

5. Leia as questões a seguir sobre a questão de desenvolver


projetos de esportes de lutas para crianças com Síndrome de
Down e aponte V, para verdadeiro, e F, para falso:

I. As crianças com Síndrome de Down melhoraram a


coordenação motora ao praticarem esportes de lutas.
II. Deve-se fazer um diagnóstico do aluno com Síndrome de
Down sobre sua estrutura física, mental e orgânica.
III. É dever do professor conhecer as dificuldades de
aprendizagem junto ao aluno com Síndrome de Down a fim
de obter boas propostas metodológicas.
IV. Nas aulas, deve-se levar em conta o grau de dificuldade
de cada um, mesmo todas sendo crianças com Síndrome de
Down.
V. As crianças com Síndrome de Down não têm condições de
participar de projetos de lutas na escola.

Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola 185


U4

Marque a opção correta:

a) V, V, V, V, V.
b) F, F, F, F, F.
c) V, V, F, V, V.
d) F, F, V, F, F.
e) V, V, V, V, F.

186 Lutas ocidentais e orientais no contexto dos projetos na escola


U4

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