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Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais I - UNIGRAN

Aula
05
CLASSIFICAÇÃO DE
MATERIAIS

Olá, caríssimos(as), tudo bem com vocês?

Faremos, aqui, discussões sobre classificação de materiais.


Verão como pensar esse tema facilita os processos de armazenamento.
Discutiremos, dentro desse contexto, a Curva ABC, que “[...] é um
método de classificação de informações, para que se separem os itens
de maior importância ou impacto, os quais são normalmente em menor
número” (CARVALHO, 2002, p. 226).

Vamos à leitura da aula?

Objetivos de aprendizagem

Ao término desta aula, vocês serão capazes de:

• compreender os processos de Classificação de Materiais;


• aplicar a teoria da Curva ABC.

Seções de estudo

• Seção 1 – Curva ABC


• Seção 2 – Como fazer a curva ABC

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Seção 1 – Curva ABC

Olá, pessoal, tudo bem até aqui?


Em nossa quinta aula, avançamos mais um pouco no conteúdo sobre gestão
e passamos a discutir, agora, o processo de classificação ABC. Caso façam uma
busca rápida na internet, poderão constatar que a curva ABC é utilizada em diversas
áreas. Mas, quando se fala de gestão de estoques, pode ser assim representada:

Figura 5.1: Curva ABC


Fonte: <http://www.gestaoindustrial.com/index.php/industrial/logistica/gestao-de-estoques>.
Acesso em: 24/09/2014.

É possível constatar nem sempre os percentuais serão os mesmos, no


entanto, a questão de que o menor percentual de itens terá maior percentual em
consumo é igual para todas as empresas.
Esse processo de classificação é um importante instrumento para a
gestão de estoques, visto que é possível, por meio dele, identificar os itens que
demandam mais atenção no que diz respeito à política de gestão utilizada pela
empresa. Além disso, vem sendo utilizado pela administração de estoques com
diversas finalidades:
• definição de política de vendas;
• estabelecer prioridades de produção;
• promover política de promoções;
• acompanhar a rotatividade de estoques etc.

Pensemos na seguinte reflexão:

As cadeias produtivas são abastecidas em tempo real, no


momento certo. Dessa forma, o aproveitamento dos recursos
financeiros da empresa é mais eficiente, e os desperdícios que
antes aconteciam devido à aquisição de materiais em tempos não

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planejados já não são mais responsáveis pelo capital estagnado


no estoque.
Para sistematizar o abastecimento das cadeias, é necessário
acima de tudo conhecer suas reais necessidades, ou seja,
saber quais os materiais que representam o maior consumo.
Uma das formas mais eficazes de analisar o consumo de uma
cadeia produtiva e buscar o equilíbrio entre necessidade e
disponibilidade de recurso é o sistema de análise ABC. Através
dele o administrador poderá visualizar qual item do estoque
representa o maior consumo da cadeia, e qual o item do estoque
que necessita de maior recurso para se manter. A partir do
sistema de análise ABC o administrador poderá planejar o
suprimento dos estoques focando os itens que dentro de um todo
são necessários para o funcionamento contínuo das atividades
da empresa (SIMÕES; RIBEIRO, 2007, p. 1).

Como é fácil constatar, o sistema ABC surge da necessidade de analisar


o fluxo do consumo de produtos, de modo à sempre buscar um equilíbrio.
Já sabemos qual a utilização da curva ABC em gestão de estoques. Agora,
vamos conhecer um pouco mais acerca do surgimento do termo?

A curva ABC de estoques teve sua origem em estudos realizados pelo economista
e sociólogo italiano Wilfredo Frederigo Samaso, ou mais conhecido como Vilfredo
Pareto que viveu entre os anos 1848 e 1923. Vilfredo Pareto estudou a distribuição de
renda entre a população e ressaltou a existência de uma lei geral de má distribuição,
ou seja, ele comprovou que uma parte menor da população absorvia uma grande
porcentagem de renda, restando uma porcentagem significativamente menor de
renda para a parte que representava o maior percentual da população. Segundo
Pareto, a relação dos percentuais era na proporção de 80% e 20%, o que segundo
seus estudos mostrava que 20% da população representavam a maior parte da renda
e os 80% restantes da população era composto pela parte que representava.
Alguns anos mais tarde, a filosofia de distribuição de renda de Pareto começou a ser
utilizada em diversas áreas, no entanto se mostra mais eficiente sendo utilizada na
gestão de estoque. No início dos anos 50, a lei de Pareto foi adequada por alguns
engenheiros da General Eletric (GE), para a administração dos estoques dando início
ao sistema de análise ABC. Sob instruções de H.F. Dixie, a General Eletric (GE) logo
após a segunda Guerra Mundial, pôs em prática para o controle de estoques o método
de Pareto, sendo a primeira empresa a utilizar a filosofia na gestão de estoques.
Atualmente, a curva ABC é um dos sistemas de análise de estoques mais utilizados
pelas empresas devido à facilidade, praticidade e eficiência além de poder ser utilizada
em qualquer empresa de qualquer segmento.A curva ABC busca o relacionamento
entre o consumo do estoque, o investimento aplicado e a quantidade de itens que
formam o estoque.
Segundo Cunha; Oliveira; Vignoli (1983), o ponto principal a visualizar no sistema
de análise ABC, é que em verdade os itens que representam o mais alto consumo
são os itens que fazem parte do menor percentual de valor do estoque e o contrário
disso, ou seja, os itens que fazem parte do maior percentual de valor do estoque são
justamente os que representam a menor parte desse estoque.
A curva ABC consiste em fazer uma análise do consumo dos materiais em um
determinado espaço de tempo que normalmente varia entre 6 meses a 1 ano, levando

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em consideração o valor monetário e quantidade de itens do estoque, a fim de


avaliar as condições e necessidades, planejando a partir desse ponto melhorias que
possibilitem aos administradores atingirem os resultados desejados pela empresa
(SIMÕES; RIBEIRO, 2007, p. 4).

Então, alunos(as). Perceberam o surgimento do termo? Verificaram a


sua importância e a possibilidade de aplicação na gestão de estoques? Bom, ao
refletirmos sobre a curva ABC, ao verificarmos acima, é fácil constatar a presença
de três níveis:
• Classe A: É o grupo de itens mais representativos em relação ao total
movimentado ou vendido pela empresa. Por isso, devem ser tratados com mais
atenção pela administração.
• É a categoria de elementos constituída por 20% do total de itens
existente na empresa e que apresenta alto valor de consumo acumulado entre 50
e 80% das vendas.
• Classe B: É a categoria de elementos constituída por um número
mediano de itens, 30% do total existente na empresa e que apresenta um valor de
consumo acumulado (entre 15 e 20%).
• Classe C: É o grupo de itens menos representativos em relação ao
volume de vendas da empresa. Por isso, requer menos atenção da administração.
É a categoria representada por um grande número de elementos, 50% do total de
itens existentes na empresa e que apresenta um baixo valor de consumo acumulado
no geral entre 5 e 10% do volume vendido.

Um dos objetivos da divisão dos itens consumidores em categorias é o


estabelecimento de critérios gerais seja para o dimensionamento dos estoques,
estabelecimento de critérios de controle e até mesmo, para conhecimento do perfil de
consumo de determinados produtos e também de sua participação no quadro geral.
Com relação aos níveis de estoques, os itens da classe A devem ter sempre
o menor estoque possível, devendo ser abastecidos por modelos just-in-time.
Entretanto, os itens da classe C, que de maneira geral, não apresentam um alto valor
de estoque, poderão apresentar um determinado nível de componentes armazenados.
Desde que isso possa ser, administrativamente, aceitável pela empresa.
Para efeito de controles físicos e contábeis os itens que apresentam uma
rotatividade ou uma participação maior em relação aos demais requerem uma
monitoração mais frequente e apurada. Os itens menos representativos, da mesma
forma, poderão ser acompanhados com uma frequência menor, mas, sem com
isso, menos apurada. Os itens intermediários terão controle entre os níveis mais e
menos frequentes em relação a sua representatividade.

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Seção 2 - Como fazer a curva ABC

Caros(as) alunos(as), agora que vocês já conhecem, teoricamente, a


curva ABC, é fundamental saber com aplicá-la, não é mesmo?
Nessa seção, buscaremos enfocar em alguns exemplos que os auxiliem
nessa questão.
Abaixo, o texto detalha como desenvolver, na prática, uma curva ABC.

Como fazer uma curva ABC


Em primeiro lugar, devem ser relacionados todos os itens que foram consumidos
em determinado período (1). Depois, para cada item registra-se o preço unitário (2)
e o consumo (3) no período considerado (se a análise fosse sobre vendas, ou sobre
transporte, ao invés de consumo seria usada a quantidade vendida, ou a quantidade
transportada, etc.). Para cada item, calcula-se o valor do consumo (4), que é igual ao
preço unitário X consumo. Aí, registra-se a classificação (5) do valor do consumo (1 para
o maior valor, 2 para o segundo maior valor, e assim por diante). Confira tabela abaixo.

Depois disso, colocam-se em ordem os itens de acordo com a classificação (5). Para
cada item, lança-se o valor de consumo acumulado (6), que é igual ao seu valor de
consumo somado ao valor de consumo acumulado da linha anterior. Para cada item,
calcula-se o percentual sobre o valor total acumulado (7), que é igual ao seu valor
de consumo acumulado dividido pelo valor de consumo acumulado do último item.
Veja tabela abaixo.

Para a definição das classes A, B e C, adota-se o critério de que A = 20%; B = 30%; e


C = 50% dos itens. Na tabela acima, há dez itens, em que 20% são os dois primeiros
itens, 30% os três itens seguintes e 50% os cinco últimos itens, resultando, assim, os
seguintes valores:

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- Classe A (2 primeiros itens) = 62,44%;


- Classe B (3 itens seguintes) = (83,85% – 62,44%) = 21,41%;
- Classe C (5 itens restantes) = (100% -83,85%) = 16,15%;
Assim, se houvesse a necessidade de controlar 80% do valor do estoque, deve-se
controlar apenas os quatro primeiros itens (já que eles representam 80 %). O estoque
(ou as compras, ou o transporte, etc.) dos itens da classe A, tendo em vista seu valor,
deve ser mais rigorosamente controlado, e também devem ter estoque de segurança
bem pequeno. O estoque e a encomenda dos itens da classe C devem ter controles
simples, podendo até ter estoque de segurança maior. Já os itens da classe B deverão
estar em situação intermediária.
Disponível em: <http://qualidadeonline.wordpress.com/2010/12/17/curva-abc-para-o-controle-de-
estoque-ou-de-materiais/>. Acesso em: 07/10/2014.

Bom, alunos(as). Por meio do texto acima se buscou esclarecer de que forma
se faz a Curva ABC. Espero que os exemplos práticos inseridos tenham ajudado!

Retomando a conversa inicial

Chegamos, assim, ao final da quinta aula. Espero que agora tenha


ficado mais claro o entendimento de vocês sobre Classificação de
Materiais. Vamos, então, recordar:

• Seção 1 – Curva ABC


É possível constatar que nem sempre os percentuais serão os mesmos, no
entanto, a questão de que o menor percentual de itens terá maior percentual em
consumo é igual para todas as empresas.
Esse processo de classificação é um importante instrumento para a
gestão de estoques, visto que é possível, por meio dele, identificar os itens que
demandam mais atenção no que diz respeito à política de gestão utilizada pela
empresa. Além disso, vem sendo utilizado pela administração de estoques com
diversas finalidades:

• Seção 2 – Como fazer a curva ABC


Com relação aos níveis de estoques, os itens da classe A devem ter sempre
o menor estoque possível, devendo ser abastecidos por modelos just-in-time.
Entretanto, os itens da classe C, que de maneira geral, não apresentam um alto valor

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de estoque, poderão apresentar um determinado nível de componentes armazenados.


Desde que isso possa ser, administrativamente, aceitável pela empresa.

Sugestões de leituras e sites

Leituras
• <https://www.google.com.br/search?q=referencias+cadeia+de+suprimentos&o
q=referencias+cadeia+de+suprimentos&aqs=chrome..69i57j0.4584j0j4&sourcei
d=chrome&es_sm=93&ie=UTF-8>.
CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos.
1ª edição, Tradução: Francisco Roque Monteiro Leite. Editora Guazzelli ltda. São
Paulo. 1999.

Sites
• <http://www.infoescola.com/administracao_/definicoes-de-cadeia-de-suprimentos/>.

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