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Manual Eu e Os Outros

Um Programa de:

Com o apoio de:

Com parceriade:
Manual Eu e Os Outros

Ficha Técnica:

Título: Manual Eu e Os Outros


Edição: Instituto da Droga e da Toxicodependência, I.P.
Coordenadora do Programa: Patrícia Pissarra e Raul Melo.
Ideia Original: Vanda Baptista, Raul Melo, Nuno Marreiros.
Histórias: Nuno Marreiros, Raul Melo.
Manual: Raul Melo, Joana Lamas e Vera Ribeiro.
Equipa Técnica: Joana Lamas e Vera Ribeiro.
Revisão de Textos: Francisco Oca, Dulce Lamas.
Ilustração: Isabel Alves, Filipa Cunha, Susana Nunes e Catarina Melo
Composição Gráfica e Animação: Susana Nunes e Filipa Cunha.

Agradecimentos:

A todos os técnicos do EX-IDT, I.P e Parceiros que participaram activamente na revisão dos textos e
conteúdos do Manual e das Histórias de suporte ao Programa.
Manual Eu e Os Outros

Índice

Índice ............................................................................................... 5

1.Introdução .................................................................................... 7

2.Descrição dos materiais.............................................................. 9


2.1 As personagens ...................................................................................................... 9
12.2 As histórias ......................................................................................................... 15
5
3. Fundamentação Teórica........................................................... 17
4. Metodologia de Intervenção .................................................... 22
14.1 As Regras e O Papel do Mestre de Jogo ............................................................... 22
14.2 Constituição do grupo .......................................................................................... 23
14.3 Suporte Material .................................................................................................. 23
14.4 Organização do espaço ....................................................................................... 24
14.5 Organização do tempo de jogo ............................................................................. 24

5.Estratégias de dinamização do Grupo ..................................... 26


15.1 Ordem de participação dos jogadores no processo de decisão ................................ 26
25.2 Atribuição de direitos ........................................................................................... 27
25.3 Exploração das personagens ............................................................................... 28
25.4 Dinâmicas de Grupo ............................................................................................ 30
25.5 Tarefas intermédias ............................................................................................. 32

6.A Reflexão .................................................................................. 33

7.Exploração dos Temas / Histórias............................................ 36


27.1 História 1: Crescer ............................................................................................... 36
7.2 História 2: A Amizade ............................................................................................ 45
7.3 História 3: A Escola ............................................................................................... 57
7.4 História 4: A Família .............................................................................................. 66
7.5 História 5: Amores e desamores ............................................................................. 81
7.6 História 6: A Lei e as drogas ................................................................................... 93
7.7 História 7: Contexto Recreativo............................................................................. 101
7.8 História 8: Os problemas que se escondem por detrás do álcool ................................ 130
7.9. História 9: O futuro ....................................................................................................... 109

8.Dinâmicas de Grupo ................................................................ 141

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9.Protocolo de Avaliação de Processo ..................................... 151

10.Referências ............................................................................ 153

11.Bibliografia ............................................................................. 159

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Manual Eu e Os Outros

1.Introdução

O Programa “Eu e os Outros” foi desenhado por uma equipa técnica ligada à Linha
Vida SOS Droga e surge integrado no desenvolvimento do site juvenil “Tu
Alinhas?”. Este programa tem por objetivo genérico promover a redução dos
problemas relacionados com os comportamentos aditivos e dependências, um
melhor conhecimento e uso dos recursos nesta área e o desenvolvimento de
estilos de vida saudáveis. Para tal proporcionará a reflexão em grupo sobre temas
do desenvolvimento ligados à adolescência, criando uma dinâmica de grupo geradora de crescimento 7
pessoal e social. Constitui-se como um instrumento promotor de processos de tomada de decisão,
confrontação no seio do grupo e exploração de informação dirigido a grupos de jovens entre os 10 e
os 18 anos. Tem por base 9 histórias em suporte eletrónico, cada uma delas abordando temas
ligados ao desenvolvimento pessoal e social. Os jogadores têm por objetivo de jogo conduzirem um
grupo de personagens, mediante um conjunto de decisões partilhadas, na resolução de problemas do
dia-a-dia.

As histórias estão organizadas por parágrafos, no final dos quais os jogadores, assumindo o papel do
personagem principal, são confrontados com várias opções, das quais podem escolher apenas uma.
Este processo de decisão no seio de um grupo, bem como a exploração dos conteúdos que lhe estão
subjacentes serão objeto de análise neste manual. Neste sentido a estrutura do manual comportará
um breve enquadramento teórico, regras para a utilização das narrativas interativas, propostas de
exploração dos temas de cada uma das histórias e, finalmente, bibliografia de suporte.

Tratando-se de um material em constante adaptação a presente versão do manual será


progressivamente enriquecida com sugestões e exercícios e de formas alternativas de dinamizar este
material. Nunca é demais sublinhar que mais importante do que os conteúdos e a estrutura da
abordagem que aqui se propõe, é a relação que se pode estabelecer a partir deste material e a
exploração da dinâmica dos jogadores em torno das decisões de vida que compõem as diferentes
histórias.

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Manual Eu e Os Outros

2.Descrição dos materiais

2.1 As personagens

Como anteriormente foi dito, o material de suporte ao Programa EU e os OUTROS, é um conjunto de


9 narrativas interativas que se desenvolvem em torno da vida de 9 personagens. Destas personagens
– 5 rapazes e 4 raparigas – 8 foram desenvolvidos na sequência da consulta a um conjunto alargado
de jovens da área de Lisboa. Foram organizadas sessões de auscultação a turmas de jovens dos 2º e
3º ciclos do ensino básico no sentido de adequar o grafismo do site ao gosto dos adolescentes. Desta 9
auscultação resultou o desejo de que o grupo integrasse figuras representativas de ambos os sexos,
de diferentes etnias, e representando diferentes culturas juvenis. O grupo daqui resultante procurou
integrar betos, surfistas, fashions, nerds, góticos, freaks e dreads. Reservou-se um personagem que
de algum modo pudesse representar o estrangeiro, alguém que sendo oriundo de outro país
permitisse trabalhar temas ligados ao confronto de culturas. Do mesmo modo criou-se espaço para
incluir no grupo uma personagem portadora de deficiência que permita a exploração de conteúdos
referentes à diferença e à integração.
Uma vez desenhados iniciou-se um processo de construção das personagens. Foi proposto aos
frequentadores do site TU-ALINHAS que caracterizassem cada uma das oito personagens em
aspetos tão diversos quanto nome e idade, família, interesses e gostos, traços de personalidade,
objetivos de vida. Os elementos recolhidos foram então trabalhados pela equipa técnica de modo a
resultarem num todo coerente que passamos a apresentar:

Jamal (Surfista): Entre os amigos é conhecido pelo Ike. É um dos mais


velhos do grupo, com os seus 17 anos feitos no final de Junho o que o torna
Caranguejo de signo. Nasceu em Angola mas veio muito novo para Portugal
depois da morte da mãe. Vive com o pai, a madrasta e o seu irmão Emanuel
que vai em breve fazer 13 anos. O pai é empresário e a madrasta é
doméstica. Está no 11º ano e ainda não decidiu o que vai fazer da sua vida.
Para já tenta tirar o máximo proveito dela. Gosta de música e de vez em quando gosta de pegar na
viola e cantar para os amigos. Não é muito dado a modas. Gosta de se sentir confortável nas suas
roupas largas e descontraídas. Não tem uma cor favorita. Não dispensa uma boa lasanha, mas não
abusa porque preocupa-se em manter a forma e não ultrapassar os seus 74 kg habituais. Nesse
sentido uma boa salada de tomate e queijo fresco enche-lhe igualmente as medidas. Adora o mar, é
um praticante fervoroso de surf e interessa-se por todas as atividades na água. O seu sonho é
participar um dia numa competição a sério. Para já limitou-se a participar nalgumas provas locais as
quais nem lhe saíram muito mal. Adora nadar e gostaria um dia de experimentar fazer kite-surf. Gosta
de desporto em geral e no futebol a sua equipa favorita é o Belenenses. Não gosta particularmente de
ler, prefere um bom filme de aventura ou de terror. Tem uma maneira de ser simpática e atenta a
quem o rodeia. Os amigos consideram-no corajoso, alegre e otimista. É muito enérgico por natureza,
e talvez um pouco aventureiro, no modo como se arrisca no mar. O seu grande medo é que aconteça

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Manual Eu e Os Outros

alguma coisa às pessoas de quem mais gosta, medo que lhe ficou depois da morte da mãe. O mar é
o seu refúgio e quando quer estar só pega na prancha e vai para onde não esteja ninguém e deixa-se
embalar pelas ondas.

Emanuel (Nerd): também conhecido por E-man (ou @-man) é irmão mais
novo do Jamal, de um segundo casamento do pai. Terá em breve 13 anos, e
interessa-se por informática. É do signo de caranguejo, já que nasceu no
final de Junho. É gorducho e pouco dado ao exercício. Não se interessa
10 particularmente por desporto. Passa horas ao computador a jogar e a
comunicar com os seus inúmeros amigos da Internet. Nos últimos tempos
tem-se dedicado aos jogos on-line em particular aos de estratégia e de aventura tipo Jogo de
Personagens (RPG) onde joga com um guerreiro cujo nível e capacidades não param de aumentar.
Para falar verdade o Emanuel gostaria muito de ser como o seu guerreiro mas à falta de melhor fica
muito contente por o seu personagem ser tão poderoso. Tal como o irmão gosta de lasanha e a sua
bebida favorita é água. É um rapaz inibido que se solta quando fala de máquinas e jogos. Sente-se
pouco à-vontade com as raparigas. É dos melhores alunos da turma, com especial gosto pela área
científica. Tem dificuldade em se impor por isso às vezes é gozado. O seu irmão procura protegê-lo
mas ele também não gosta que isso aconteça porque só faz com que da próxima vez ainda seja pior.
Ele anda a tentar descobrir o que pode fazer para ultrapassar este problema. Tem pensado em
começar a fazer um pouco mais de exercício e a aprender uma arte marcial mas ainda não se
decidiu.

Sabrina (Beta): É, tal como o Jamal, uma das mais velhas do grupo. Tem 18
anos recentemente festejados e é Gémeos de signo. Vive com os pais e os
seus cinco irmãos. Tem uma irmã mais velha (a Maria de 20 anos) e quatro
irmãos mais novos (o João de 10, a Inês de 8 anos o Mateus de 5 anos e a
Maria de 2 anos). Ambos os pais são médicos. É uma rapariga muito bonita,
de corpo harmonioso, que investe muito na sua imagem. Preocupa-se com a
maneira como veste. Interessa-se pelas coisas da moda e sonha poder um dia
vir a ser modelo. É boa aluna. Gosta de ler e de dançar. As suas raízes africanas dão-lhe um ritmo e
uma energia muito próprias. É católica praticante e gosta de se envolver em causas sociais; sempre
que pode faz voluntariado numa instituição de crianças abandonadas ligada à sua paróquia. Não
come muito mas aprecia comida africana se possível com bastante picante. É especialista e todo o
tipo de saladas. Adora Colas mas evita beber com frequência… só se for light. Em termos de
atividade desportiva pratica natação mas não ao nível competitivo. É ambiciosa e os amigos
consideram-na confiante, exigente, casmurra e independente. É muito acelerada, o que é normal,
tantas são as coisas em que anda metida. Não gosta de mostrar pontos fracos e por isso é muito
reservada nas coisas que se passam com ela não dando confiança com facilidade. Esta maneira de
ser não lhe tem facilitado a vida no campo dos amores. Mantém uma paixão há já algum tempo que

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Manual Eu e Os Outros

não confessa a ninguém. Quando está mais triste é no seu quarto que se refugia, entre a música e os
livros... ou então arranja mais qualquer coisa para se manter ocupada.

João (Dread): É conhecido entre os amigos por Patas pelo carácter brusco e
algo conflituoso que tem. Os amigos descrevem-no como muito impulsivo e
aventureiro no mau sentido – quer experimentar tudo a que tem direito – mas
também frontal e fiel aos seus amigos. Fez 16 anos no mês de Novembro e
é Escorpião de signo. Tem uma estatura mediana – mede 1,70m – e tem um
ar pesado ainda que não passe dos 70Kg. Para isso muito contribuem as 11
roupas largas que gosta de usar. Azul é a sua cor favorita e não passa sem pizzas e cervejas (ainda
que a nova lei do álcool não o deixe beber a seu prazer). Vive com os pais, uma tia e uma avó, mais
os seus dois irmãos mais novos (a Ana de 12 e o Kiko de 10 anos). A mãe é cabeleireira e o pai tem
uma oficina de carpintaria. O João tem um feitio desconfiado e algo reservado. Quando os estudos
não apertam muito – o João anda no 10º ano – costuma ajudar um amigo num bar. Gosta muito de
música e gostaria muito de vir a ter o seu bar. Tem uma namorada chamada Lara mas não lhe é
muito dedicado. Gosta muito de Basquetebol e o seu ídolo é o Stephen Curry. Tem algum desgosto
de não ter altura para vir a ser um grande jogador mas isso não o impede de passar algumas horas
no campo de jogos a lançar umas bolas ao cesto e a desafiar quem por lá aparece. Embora se
mostre forte e destemido, não gosta nada de se aventurar no escuro. É um medo que não confessa a
ninguém. O João é um pouco radical nas ideias que defende. Considera que havendo tanto
desemprego no país, não se devia aceitar que tantos estrangeiros se instalassem em Portugal. Já
teve algumas discussões amargas com os amigos por defender esta posição. Aliás ele considera que
se o governo não faz nada talvez as pessoas se devessem organizar para tomarem elas medidas.
Afinal são elas as lesadas. O João é conhecido por assumir algumas posições provocatórias e de ter
de responder por isso. Há um segredo de família que envolve a morte de um familiar por problemas
ligados a drogas mas o João nunca quis falar sobre o assunto mesmo tendo sido uma questão que o
deitou muito abaixo.

Daniel (Estrangeiro): É conhecido entre os amigos por varias alcunhas (o


China, o Estranja,... o Chato), mas a mais frequente é Botekas. Nasceu em
Macau e só recentemente está a viver naquela localidade. Tem 15 anos e
nasceu em Novembro o que faz dele um Escorpião de signo. É muito
falador, (talvez um pouco demais) e dado à gabarolice, mas também é
alegre e criativo. A sua experiência de vida no estrangeiro, dá-lhe sempre
muitos motivos para comentários e pequenas histórias. Vive com a mãe e com a irmã, depois dos
pais se terem separado há alguns anos. A mãe gere um pequeno comércio local e o pai é advogado.
Tem dois irmãos, a Ana de 10 anos e o Rafael de 19 anos, mas este último vive com o pai para poder
concretizar o curso de engenharia informática para o qual entrou no ano passado. É alto para a sua
idade – mede 1,80m – e pesa 62 kg. É fã de futebol e sabe tudo sobre as melhores equipas
europeias e os craques do momento, nomeadamente o Messi o Cristiano Ronaldo que são os seus

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Manual Eu e Os Outros

ídolos. A sua equipa favorita é a Juventus e passa o tempo todo a dizer que o Ronaldo ainda há-de
jogar um dia em Itália. É um consumidor assíduo de Coca-Cola e adora bacalhau,
independentemente da maneira como seja cozinhado. Gosta de andar de bicicleta e de passear. O
seu sonho é conhecer o resto do mundo e procura amealhar todo o dinheiro que possa, para fazer o
inter-rail no Verão. Assim não é raro vê-lo em biscates ajudando aqui e ali em pequenas obras lá no
bairro. Gosta de uma boa discussão e um dos seus temas favoritos é a liberalização das drogas. Diz
frequentemente que as leis do país são atrasadas e que se devia aprender com as experiências dos
países mais evoluídos. À conta disso começa já a esboçar simpatias políticas não sendo raro ouvi-lo
dizer que qualquer dia se vai inscrever num partido onde possa dar voz às suas opiniões neste e
noutros campos dos direitos sociais. Contudo, dado o seu lado fala-barato não é seguro de que ele
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saiba do que está a falar. É dado às eletrónicas mas parece fazer disso o seu segredo já que
raramente fala disso com os amigos. Parece pensar que é um interesse pouco cool.

Maria (Freak): É conhecida entre os amigos por Smile ou Sorriso. É uma


jovem de 15 anos de natureza tranquila, que se interessa um pouco por
tudo, e em especial pelo que tenha a ver com pessoas. É de signo
Carneiro mas é pouco dada a confrontos. De facto poder-se-ia dizer que
é uma pacifista que detesta conflitos e discussões. É muito extrovertida e
dá-se bem com toda a gente. Adora um bom petisco, em especial
bacalhau com natas o que se traduz na sua tendência para o gorducho
(pesa 65 kg e mede 1,60m) que ela disfarça com roupas largas e de tons
alegres. Adora maçãs especialmente as verdes muito ácidas que se delicia a comer em pequenas
dentadas. Vive com os pais – a mãe é professora mas está de momento desempregada e o pai é
arquiteto: tem dois irmãos, o Lu de 19 anos e o Carlos de 11 anos. Orienta os seus estudos no
sentido de um dia vir a entrar para o curso de Serviço Social. Gosta de ir ao cinema, ler e escrever,
investindo os seus tempos livres no jornal da escola e em voluntariado na biblioteca local. É
romântica e sensível emocionando-se facilmente com as cenas dos filmes. Gosta muito da natureza e
tem como sonho dar a volta ao mundo de mochila às costas. Para já vai organizando algumas saídas
com os amigos aproveitando para os mobilizar para as questões ecológicas. Os seus gostos musicais
são muito variados mas nos últimos tempos tem-se entusiasmado com a música Trance.

Alice (Fashion): Das mais novas do grupo a Alie (é assim que é conhecida
entre os amigos), tem 12 anos feitos em Março e pertence aos nativos de
peixes. A mãe é artista plástica e o pai é advogado. É muito independente,
passando frequentemente por refilona. Adora dançar e ouvir música. O seu
prato favorito é canelones e é uma apaixonada por chás de toda a espécie,
uma paixão que herdou da sua mãe. Outra das coisas que herdou da mãe é
o gosto pelo desenho, dedicando uma parte do seu tempo a esboçar figuras de banda desenhada.

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Manual Eu e Os Outros

Adora tudo o que tenha a ver com fadas e elfos, dragões e histórias de fantasia e aventura. Adorou o
Divergente da Verónica Rothe anda a tentar ler o Senhor dos Anéis... mas queixa-se que o livro é
muito grosso. Não é muito persistente. Esse é um dos seus pontos fracos. Outro é roer as unhas,
coisa que tem tentado combater nos últimos tempos. É sonhadora, bem-disposta, mas sensível e
dada a alguns amuos. Tem uma paixão enorme pelo Johnny Depp e nos seus sonhos acordados
gosta de se imaginar a namorar com ele. Gosta de se refugiar no sótão onde a mãe guarda as coisas
antigas da família e vasculhar os baús e as arcas. Fica horas a folhear revistas antigas. Tem um
segredo que não conta a ninguém. Desde há algum tempo para cá que se apercebe que tem
tendência a trazer para casa coisas que não são suas. Não são coisas de valor, mas é uma
necessidade para a qual não encontra explicação. Isto parece acontecer, não importa onde esteja, e
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tem-na deixado muito preocupada. Anda a pensar que talvez precise de ajuda.

Catarina (Gótica): A Catarina não gosta de alcunhas. Tem 14 anos e


faz anos no final de Janeiro – é Aquário de signo. Vive com a mãe e o
irmão mais velho, o João de 17 anos. Os pais estão separados há uns
anos e dão-se mal. Ambos reconstruíram a sua vida afetiva, ainda que a
mãe não se tenha voltado a juntar e mantenha só relações de namoro
que não duram muito tempo. A mãe trabalha como secretária de
administração de uma grande empresa e o pai é jornalista. A Catarina é
uma rapariga desconfiada e meia casmurra. Os amigos descrevem-na
como estando sempre zangada com qualquer coisa. Utiliza a sua enorme inteligência para questionar
e argumentar por tudo e por nada. Interessa-se por temas místicos e do ocultismo. Sempre que pode
aproveita para ler sobre estes temas. Não é católica e assume posições muito críticas sobre as
posições assumidas pela Igreja em relação ao aborto e à contraceção. Considera-se ateia militante.
Adora música da pesada e gosta de cantar, tendo criado uma banda com uns amigos do bairro. De
qualquer modo não pretende fazer da música o seu futuro, estando inclinada para o design gráfico.
Passa muito do seu tempo livre a fazer lettering, símbolos muitos deles ligados à onda gótica em que
anda. O seu grande medo é não encontrar ninguém que venha a ser o seu grande amor. Até agora
nunca surgiu nenhum rapaz que a entusiasmasse e as poucas “curtes” em que se meteu não lhe
deixaram num sentimento muito positivo. O embaraço do dia seguinte, misturado com alguma
vergonha fizera com que não fosse uma experiência muito repetida. Por isso, diz que não acredita
nisso do amor e que os rapazes são todos parvos. Às vezes dá consigo no chuveiro – seu lugar de
reflexão – a pensar se não haverá alguma coisa errada consigo. Para já vai acreditando que só o
tempo lhe poderá dar essa resposta.

O nono personagem, foi criado posteriormente indo ao encontro de uma lacuna identificada em
termos da existência de uma personagem que represente a pessoa com deficiência. A personagem
foi criada igualmente através de um processo de auscultação não a partir das características da
pessoa mas em função dos temas que essa pessoa permitisse abordar em função da narrativa a que
deu corpo enquanto personagem principal.

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Manual Eu e Os Outros

O Martim foi o ultimo a integrar o grupo. Tem 19 anos sendo feitos no início
de Dezembro o que o torna um Sagitário de signo. Mudou-se recentemente
com a mãe e o pai, para esta cidade na sequência de uma transferência do
pai na empresa onde trabalha. O pai é gestor e a mãe professora mas
meteu uma licença para ajudar o filho. Limita-se a dar explicações de
matemática que é a disciplina em que dava aulas. O Martim tem ainda mais
dois irmãos mais velhos que já não vivem lá em casa. A irmã Leonor tem 25 anos e está a terminar o
14 curso de medicina numa faculdade no norte do país. O irmão mais velho tem 29 anos e é engenheiro
informático. O Martim é um rapaz que tem um feitio rebelde e quezilento. Por ser o mais novo foi
muito mimado e face ás ausências profissionais do pai procurou ser o reizinho lá em casa. Desafiou a
mãe, fez um caminho escolar muito instável e conflituoso. Cometeu um conjunto de abusos que
acabaram por resultar num acidente de viação há dois anos quando voltava para casa depois de uma
noitada. O resultado foi um traumatismo da medula e uma paralesia dos membros inferiores. Entre os
17 e os 19 anos entregou-se a um complicado processo de reabilitação que lhe permitiu recuperar
grande parte da sua autonomia, ainda que numa cadeira de rodas. Retomou recentemente os
estudos para acabar o seu 12º ano entretanto suspenso. Tem por objetivo seguir o curso de gestão e
dar continuidade ao percurso profissional do pai. Em termos de interesses o Martim adora basquete e
joga esta modalidade em versão adaptada. Tem como sonho chegar à seleção nacional e poder
integrar a comitiva portuguesa que vá aos jogos paralímpicos. Os seus gostos musicais vão para o
estilo rock embora não desgoste de música Pop. Adora uma boa feijoada de choco. Adora cerveja,
mas nos últimos tempos tem bebido muito pouco. Adora a água e gostava de vir a saber velejar. Com
os últimos desenvolvimentos da sua vida o Martim mantém alguma apreensão em relação ao seu
futuro. Tem medo de ficar sozinho mas é orgulhoso demais para o admitir.

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Manual Eu e Os Outros

12.2 As histórias

O processo de construção das histórias iniciou-se com a definição de grandes temas. Assumiu-se que
cada tema se desenvolveria em torno de um personagem diferente. O enredo geral determinava que
todos eles estariam ligados por relações de amizade ainda que de intensidade diferente. Viveriam na
mesma cidade e frequentariam a mesma escola ainda que em anos diferentes. Os grandes temas,
como já foi dito, deveriam traduzir aspetos característicos da adolescência surgindo a relação com as
substâncias psicoativas de forma integrada e não como elemento central da trama.

Deste modo, o primeiro a ser desenvolvido tirou partido dos 15


diferentes níveis etários do grupo indo ao encontro de aspetos
relacionadas com o crescimento. Nesta história em que a
personagem principal é o Jamal, são exploradas questões sobre o
corpo e a estética, a liberdade em função da idade, o retraimento
social, os interesses diferenciados e os mitos associados ao estatuto de ser crescido. No plano das
substâncias psicoativas é abordado o recurso aos anorexígenos para a perda de peso, bem como o
álcool como substância associada a um estatuto de gente crescida.

A segunda história, desenvolve-se em torno do tema da amizade


explorando, a partir da perspetiva da Maria, questões ligadas ao
processo de integração social, aos estereótipos, às culturas
juvenis, à vivência do conflito e à gestão do segredo … No plano
das substâncias psicoativas é explorado o recurso ao haxixe como fator de integração no grupo,
sendo abordada a perceção de normalidade deste tipo de consumo.

A terceira história desenvolve-se em torno do contexto escola,


incidindo sobre o tema do bullying. A personagem central é o
Emanuel, tendo a Alice como personagem secundária. A
substância psicoativa trabalhada é o tabaco, e reflete-se sobre
temas como a prevenção, a pressão de pares, a gestão do segredo, a confiança, a relação com
adultos de referência entre outros.

A quarta história tem por base questões da família, abordando


questões como as regras e rituais, diferenciação de papéis, medos
e expectativas. Mas aborda também a fidelidade entre amigos e o
abandono escolar. A personagem principal é o João e no plano dos comportamentos aditivos e
dependências explora-se a questão do jogo e das novas substâncias psicoativas. (Em revisão)

A quinta história centra-se nas questões associadas aos amores e


paixões, abordando questões como diferentes níveis de
profundidade de uma relação afetiva, os ciúmes e a dependência,
a violência dentro dos casais e algumas questões ligadas à
sexualidade. A personagem principal é a Catarina e retoma-se a abordagem ao álcool desta vez
numa perspetiva mais focada nos seus efeitos.

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Manual Eu e Os Outros

A sexta história aborda as questões ligadas às drogas e a lei,


desenvolvendo aspetos como o enquadramento legal das
substâncias, o funcionamento das Comissões de Dissuasão, a
articulação entre as estruturas no terreno nomeadamente a Polícia
(Escola Segura) a Educação (Escola) e a Saúde (Consultas para
adolescentes). A personagem principal desta história é o Botecas e faz uma abordagem transversal
das diferentes substâncias psicoativas.

A sétima história desenvolve-se em torno da vivência dos


espaços recreativos noturnos tendo por personagem
central a Sabrina. As substâncias que serão abordadas
16 nesta história são o ecstasy, a cocaína e o binge drinking.

A oitava história desenrola-se em torno dos


processos de reabilitação face a uma deficiência
adquirida e a adaptação a novas realidades.
Tendo esta deficiência resultado de um acidente
de viação, a narrativa explora também conteúdos ligados à prevenção rodoviária. A história explora
ainda o envolvimento voluntário em projetos da comunidade numa perspetiva de cidadania. A
substância abordada é o álcool cobrindo as motivações, efeitos, riscos e consequências que lhe estão
associadas.

Finalmente a nona história aborda o tema do futuro desenrolando-se


em torno das preocupações com as escolhas vocacionais e os
projetos de vida, as dificuldades antecipadas, o medo de não
corresponder às exigências numa conjugação que pode gerar grande ansiedade e tensão. São
abordados igualmente temas ligados à pro A personagem central desta história é a Alice e as
substâncias que serão trabalhadas são os fármacos antidepressivos e os alucinogénios.

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Manual Eu e Os Outros

3.Fundamentação Teórica

O “Eu e os Outros”, enquanto instrumento de intervenção preventiva, foi estruturado com base num
conjunto integrado de modelos teóricos. Entre estes modelos começaríamos por destacar a Teoria
do Comportamento Planeado (TCP; Ajzen, 1991) a qual, aponta como determinante próximo do
comportamento é o desejo de o realizar, o qual é influenciada pelas atitudes, pelas perceção da
pressão no sentido da sua concretização e pelo controlo percebido sobre o comportamento (Ajzen,
2013). O Modelo Informação-Motivação-Competências Comportamentais (MIMCC; Fisher e
Fisher, 1992), adaptado à prevenção dos problemas ligados ao álcool por Sharma, (2012) acrescenta
17
ao anterior a enfase no conhecimento e nas competências comportamentais como base para
decisões preventivas, para além das motivações e atitudes orientadoras do indivíduo na seleção
comportamental presentes na TCP. Segundo Noar e colaboradores (2007), ainda que se verifique o
uso de termos diferentes para conceitos semelhantes, a maioria das teorias sobre mudança dos
comportamentos de saúde sugere que as influências próximas de maior importância são o
conhecimento, as atitudes, a influência social, a auto-eficácia e as intenções. Ambos os modelos
inicialmente apresentados se enquadram de um modo mais lato no Modelo de Influência Social,
inspirado na teoria da aprendizagem social (Bandura, 1977) que considera a personalidade como
fruto da interação entre três fatores chave: ambiente, comportamentos e processos psicológicos
individuais. Este modelo atribui particular importância a fatores sociais (como os media, os pares ou a
família) no início do consumo de substâncias psicoativas. Nesta perspetiva, o comportamento
humano é orientado pelo conhecimento, pelas intenções e, fundamentalmente, pelas pessoas que
nos são importantes. A observação do comportamento dos outros revela-se determinante nas
reações emocionais e nas atitudes do indivíduo. A aprendizagem por modelagem ganha especial
enfoque neste modelo teórico. O processo de modelagem consiste na aquisição de um
comportamento através da observação de um modelo (Bandura, 1977). Deste modo, uma das formas
de promover a aprendizagem, é facultar ao sujeito um contexto de grupo que permita observação e
modelação de comportamentos mediante um processo reflexivo sobre atitudes e argumentos gerados
em contexto de jogo. Por outro lado o recurso a uma narrativa como base de intervenção permite um
duplo plano de identificação: por um lado o plano das personagens, mais distantes e como tal mais
passíveis de um investimento projetivo e, num plano mais próximo, os colegas de jogo, na forma
como interpretam e se posicionam face às questões com que se deparam.

Para além da importância atribuída ao processo de modelagem, o modelo de influência social


também sublinha o poder preventivo da promoção de competências de vida (Botvin, 1995) e de
gestão das crenças normativas (Hansen& O’Malley, 1966). No que respeita às competências de vida,
as temáticas exploradas nesta perspetiva envolvem a capacidade de resolução de problemas, o
desenvolvimento do pensamento crítico, a promoção de competências de comunicação, a
preocupação consigo próprio e o desenvolvimento de estratégias de adaptação afetiva para lidar com
o stress (Botvin, 1995). A gestão das crenças normativas, por seu lado, foca a sua abordagem nos
sistemas sociais e na forma como estes afetam os indivíduos. O termo crença normativa refere-se,
por exemplo, à perceção do indivíduo sobre a forma como os seus pares mais próximos se
relacionam com as substâncias e em que medida aprovam o seu uso. Assim, aquilo que é assumido

17
Manual Eu e Os Outros

como certo ou errado num quadro normativo pode ser determinante no rumo do nosso
comportamento (Hansen& O’Malley, 1966). Segundo este modelo, é na análise e manipulação deste
tipo de crenças que a intervenção preventiva deve atuar. A importância de fatores como a perceção
da estimativa do uso de substâncias na população em geral, entre os jovens ou entre pares e a
influência dos media e da publicidade no uso de substâncias psicoativas constituem os fatores
centrais da intervenção. A promoção de contextos de clarificação dessas crenças mediante um
processo de pesquisa guiado, enquadrado num contexto alargado de jogo em grupo, parece ser uma
estratégia integradora das componentes anteriormente expostas.

18
A segunda corrente de influência é denominada pelo OEDT no Prevention and Evaluation Resources
Kit (PERK) de Modelo Compreensivo/Social. Tal como no modelo anterior, é atribuído grande
ênfase aos processos de socialização que envolvem o indivíduo. Tem a particularidade de atribuir
uma forte importância aos fatores de risco e de proteção no desenvolvimento de comportamentos
aditivos (Jessor&Jessor, 1977), orientando-se em função destes na estruturação das suas
intervenções.

Os fatores de risco são assim denominados na medida em que são eles os percursores de
determinada condição problemática (aumentam a probabilidade do uso/abuso de substâncias
psicoativas) e podem estar associados ao indivíduo (características pessoais) ou ao contexto
ambiental (e/ou situacional) onde o mesmo se encontra. Os fatores de proteção são definidos como
aqueles que podem proteger o indivíduo de determinada situação problemática (uso/abuso) e
funcionam como amortecedor aos fatores de risco. São, assim, todos os fatores (pessoais e
circunstanciais) que inibam, reduzam ou atenuem a probabilidade do uso/abuso de substâncias
psicoativas (Moreira, 2001).

As abordagens que centram a sua Acão junto dos fatores de proteção privilegiam variáveis como o
sentimento de pertença a um grupo (familiar ou de pares) e o desenvolvimento de estratégias
individuais como a resiliência para lidar com a ansiedade social. Neste sentido, desenvolvem
mecanismos de socialização no grupo familiar ou educativo de forma a incrementar a adaptação ao
contexto envolvente. Hawkins, Lishner e Catalano (1985), sugerem que o sentimento de pertença e a
resiliência devem ser promovidos pela intervenção preventiva de forma a proporcionar aos jovens
oportunidades para se sentirem reconhecidos, competentes e integrados no seu universo relacional.
Segundo este modelo, são estas as competências básicas para melhor preparar o futuro e crescer de
forma saudável. Neste sentido, este instrumento ao definir o grupo como contexto de intervenção e o
confronto de posições pessoais como ponto de partida para a exploração da dinâmica do grupo,
reforça o desenvolvimento de competências pessoais e sociais como fatores fundamentais para a
gestão de futuras situações de tensão no quotidiano dos jovens a envolver.

A terceira corrente de influência proposta, denominada cognitiva/informativa, baseia-se na ideia de


que os indivíduos se comportam em função do seu conhecimento, das suas crenças e de normas
subjetivas. Os comportamentos derivam de um equilíbrio entre o conhecimento que o indivíduo tem

18
Manual Eu e Os Outros

sobre as substâncias e os seus efeitos e a forma como perceciona as normas sociais vigentes face à
utilização dessas substâncias (Fishbein & Azjen, 1975). Deste modo, se estiverem informados sobre
as consequências negativas de determinado comportamento deverão, racionalmente, fazer opções
comportamentais no sentido de o alterar. A compreensão do risco de doença e a noção do benefício
do comportamento de evitamento constituem os principais fatores para o desenvolvimento de uma
atitude saudável. Segundo esta corrente, a ação é regida por valores pessoais e pelas normas sociais
tendo a intenção um papel preditor para o comportamento. As atividades desenvolvidas apostam na
informação sobre as substâncias e os efeitos associados ao seu consumo. A intenção de consumo e
a perceção do risco associado são igualmente bons indicadores de avaliação. Neste material
consideramos contudo que a informação ganha mais sentido quando traduzida em conteúdos
19
próximos à realidade dos jovens jogadores não apenas na adequação dos termos usados mas,
sobretudo, enquanto integrada num todo mais lato de temas e dinâmicas de vida que não são
dissociáveis entre si. A exploração de alternativas e compreensão das consequências são igualmente
fatores de enriquecimento da base de informação com que os jovens poderão enfrentar os seus
desafios futuros.

A quarta corrente de influência teórica é oriunda dos campos da promoção da saúde e o seu
contributo preventivo reside na noção alargada que o conceito de saúde adquire. Assume-se como
uma abordagem genérica uma vez que cria uma base para qualquer tipo de intervenção mais
específica. Contudo pressupõe a noção de pro-atividade dos indivíduos na manutenção da sua
qualidade de vida, atitude esta que, na continuidade com o que foi dito anteriormente incide não
apenas nas áreas ditas de risco ou associadas à doença, mas numa perspetiva global de saúde,
física, psicológica, afetiva, social e espiritual. Neste sentido o indivíduo é instado a procurar uma
harmonia entre as diversas esferas da sua vida e a não procurar refúgios compensatórios numa área
de maior sucesso. A abordagem neste material de diferentes temas e vertentes relacionais permite
aos jogadores uma leitura de como as esferas se interligam e condicionam mutuamente.

Finalmente, um último modelo de referência é o construtivista, (Lecannelier:2001), segundo o qual a


sociedade está estruturada por um conjunto de significados que servem de matriz para os sujeitos se
interpretarem a si e aos outros. A realidade e o sujeito ordenam-se e estruturam-se através da
linguagem, ou seja, o significado é atribuído em formato discursivo. A criança, desde o início do seu
desenvolvimento, participa ativamente neste jogo de ordenar e estruturar a sua experiência de vida
em categorias narrativas. A estruturação narrativa é um processo de sequenciação, articulação e
complexidade da experiência humana, concebida através da relação contínua entre um domínio
emocional e um domínio cognitivo/linguístico e que se traduz numa trama histórica em constante
expansão. Ricoeur chega mesmo a afirmar que esta trama histórica em tudo se assemelha a uma
história de ficção (Ricoeur, 1990, 1999, cit in Lecannelier, 2001, p.2). A sua construção é, por isso
mesmo, um processo – na medida em que é um fluir constante de algo; um processo com
continuidade no tempo – é um fluxo contínuo que possui aspetos nucleares que permanecem
invariáveis e que constituem o “selo de distinção” de cada pessoa; e, finalmente, é um processo
contínuo e único – por ser particular e de cada um.

19
Manual Eu e Os Outros

Este processo de construção narrativa é também um processo de regulação emocional pois permite à
criança ordenar-se e ao mundo que a rodeia de determinada maneira e antecipar a realidade a partir
de experiências familiares. Esta reformulação e reordenamento permitem-lhe transformar a sua
experiência emocional em sequências temporais com um início, um meio (conflito) e um fim
(resolução) e, por consequência, uma melhor compreensão das suas ações e das dos outros.

O material de suporte a este projeto apresenta a estrutura de uma narração interativa que se constrói
em função das decisões do jogador permitindo ilustrar a dupla faceta do indivíduo enquanto
narrador/observador e autor da realidade que o envolve. O processo de interpretação, de decisão e
20 de reconstrução da narrativa está sempre presente ao longo de todo o projeto servindo de pano de
fundo ao esmiuçar dos diferentes conteúdos que dão corpo à estrutura da narrativa.

Finalmente, uma última referência para a Teoria do Jogo, como quadro de referência para a escolha
deste formato na presente abordagem. Ao longo do seu desenvolvimento, a criança confronta-se com
um vasto mundo de objetos e procedimentos que são atribuídos ao mundo dos adultos. Ao querer
aceder a esses estatuto, mesmo que de forma fantasiada a criança utiliza o jogo (protagonizado) para
poder representar esse papel. Os objetos e atos com eles realizados passam a estar inseridos num
novo sistema de relações da criança com a realidade, numa nova atividade de sensações prazerosas
(Elkonin, 1998, p. 404). O jogo protagonizado apresenta-se, assim, como uma atividade onde a
criança se apropria do mundo dos adultos da maneira que lhe é possível, face ao estádio de
desenvolvimento em que se encontra. Por outro lado, este tipo de jogo facilita a superação do
egocentrismo cognitivo postulado por Piaget (1990). Ao colocar-se no lugar do outro, a criança
abandona as suas posturas para adotar as do adulto, nunca esquecendo que é criança.

Deste modo, (…) o jogo apresenta-se como prática real não só da mudança de postura ao adotar o
papel, mas também como prática de relações com o companheiro de jogo do ponto de vista do papel
representado pelo companheiro; não só como prática real de ações com os objetos em congruência
com os significados atribuídos, mas também como prática de coordenação dos pontos de vista sobre
os significados desses objetos, sem os manipular diretamente. Esse é o processo de descentração
permanente (Elkonin, 1998, p. 412).

Para além da descentração cognitiva, o jogo protagonizado parece também facilitar a posição da
criança face ao mundo circundante, agilizando os mecanismos através dos quais ela irá operar as
suas mudanças de opinião e critério. As experiências de Manuilenko (1948, cit in Elkonin, 1998) com
crianças em idade pré-escolar sublinham a pesquisa experimental do desenvolvimento da conduta
arbitrada. Elkonin define conduta arbitrada como (...) a que se apresenta em conformidade com um
modelo (independentemente de se dar em forma de ato de outra pessoa ou de regra manifesta) e que
se verifica por confrontação com tal modelo. (Elkonin, 1998, p. 417). Como objetivo, o experimentador
pretendia avaliar a capacidade de uma criança permanecer imóvel, utilizando como critério de medida
o tempo. Dos resultados obtidos por Manuilenko, Elkonin (1998) salienta a comparação entre duas
séries de grupos distintas: aqueles onde foi proposto que se representasse o papel de sentinela e o
outro onde era pedido à criança que se mantivesse imóvel. Os resultados apontam para melhores

20
Manual Eu e Os Outros

performances nos grupos onde a situação convidava ao protagonismo teatral, em todas as idades,
ainda que com particular vigor entre os quatro e os seis anos e com tendência a diminuir com o
tempo. Para além disso, ao introduzir a variável grupo (ou seja, repetir as experiências num contexto
de grupo), o experimentador verificou que a postura de imobilidade foi mais forte no grupo do que na
condição de solitário. Assim, (...) há fundamento para supor que, ao representar um papel, o modelo
de conduta implícito neste papel, com o qual a criança compara e verifica a sua conduta, parece
cumprir simultaneamente duas funções no jogo: por uma parte interpreta o papel; e, por outra, verifica
o seu comportamento. (Elkonin, 1998, p. 420).

O jogo de papéis remete pois para outra dimensão: a presença do outro. Os estudos oriundos da 21
Etologia (Lorenz, 1973) fornecem diversos exemplos de como a presença de outro elemento da
mesma espécie provoca alterações marcantes nos desempenhos comportamentais dos indivíduos.
Na espécie humana a questão da presença do outro assume contornos ainda mais complexos, uma
vez que é a única espécie que, de forma voluntária, se organiza em grupos para observar,
passivamente, os movimentos e comportamentos de outrem (o teatro, por exemplo). Nestes
agrupamentos, a que Soeiro denominou de plateia grupal passiva (Soeiro 1990, p. 26) ocorrem com
frequência manifestações de agrado, regozijo (aplauso) e de descontentamento (vaias). Deste
enquadramento conceptual, Soeiro destaca os papéis de protagonista e espectador como principais
constituintes desta dinâmica a que denominou de instinto de plateia (Soeiro 1990, p. 27). O termo
instinto é utilizado não por se tratar de uma característica inscrita numa programação biológica mas
pela necessidade que o Homem tem, periodicamente, de ser avaliado pelos outros e de se comparar
a si próprio com um qualquer protagonista.

A utilização do jogo enquanto estratégia de intervenção preventiva permite de forma integrada a


exploração de conteúdos, papeis e competências num contexto prazenteiro e criativo, objeto de um
processo de reflexão e de atribuição de sentidos. Contudo não deve ser encarado com uma atividade
menor, secundária a abordagem racional e centrada na problemática. Nas palavras de Raul Melo
(2006) “o Brincar para a saúde não é apenas servir o jogo para consumo. É também fazer desse jogo
um espaço de mestria senão do exercício pelo menos da relação que lhe está subjacente.”

21
Manual Eu e Os Outros

4.Metodologia de Intervenção

Agora que já temos uma noção genérica dos materiais de base ao projeto, é altura de nos
concentrarmos sobre a sua utilização. Para a adequada aplicação deste material é necessário um
Mestre de Jogo (MJ), um grupo de jovens, uma história, um período de tempo estável e regular, um
espaço equipado com suporte informático – computador, projetor- e acesso a material de pesquisa
(Internet, biblioteca). Alguns materiais secundários poderão ser necessários dependendo das
dinâmicas que o MJ decida propor ao grupo em complemento ao trabalho de exploração da história
escolhida.
22

14.1 As Regras e O Papel do Mestre de Jogo

O MJ tem sempre um papel muito específico, que se deve equilibrar entre a disponibilidade para o
grupo e o fazer parte do mesmo salvaguardando a diferença de papéis. Ele será, essencialmente, o
promotor de uma dinâmica nova e o mediador das relações, assumindo-se, progressivamente,
como figura de referência para o grupo.

Tratando-se de um jogo que se desenvolve a partir de uma narrativa, o papel do MJ é, partindo do


texto existente, simplificá-lo de acordo com a capacidade de elaboração do grupo que tem pela frente.
A simplificação resulta natural se a história, em vez de ser apresentada ao grupo para uma leitura
passiva, for objeto de uma narração por parte do MJ, narração na qual ele poderá acrescentar ou
retirar elementos que considere importantes para uma melhor compreensão da história

A leitura é feita parágrafo a parágrafo, no final de cada um dos quais há uma decisão a tomar dentro
de um leque de hipóteses fornecido pelo texto. Seguindo uma ordem pré-definida o MJ solicitará a
diferentes jogadores que assumam o papel do personagem principal da história e tomem a decisão,
auscultando ou não o grupo. Veremos mais adiante diferentes estratégias para definir a ordem de
participação dos jogadores na função decisória bem como introduzir maior dinâmica no processo de
decisão.

Outro aspeto do papel do MJ neste processo é o de estar atento à interação que se estabelece dentro
do grupo, garantindo que a decisão é tomada pelo decisor. A exploração das diferentes hipóteses
poderá ser o ponto de partida para pequenas conversas lançadas pelo MJ, no sentido de
compreender a argumentação dos diferentes intervenientes e a sua eventual generalização a outros
domínios. Este trabalho deverá ser equilibrado de acordo com a decisão prévia do número de
parágrafos a trabalhar durante a sessão. Esta decisão prévia é de extrema importância pois é ela que
determina a liberdade que o MJ tem para promover a reflexão em torno dos diferentes temas
emergentes. Se o grupo for pequeno o MJ poderá optar por definir que a ronda – número de
parágrafos por sessão – corresponde a uma tomada de decisão por jogador. Se o grupo for maior o
número de decisões a tomar deverá ser adequado ao tempo disponível, devendo o MJ ter o cuidado

22
Manual Eu e Os Outros

de anotar os jogadores que vão tomando decisões de modo a garantir que na sessão seguinte não
sejam os mesmos a voltar a fazê-lo (a menos que adote uma estratégia de participação aleatória).

Em qualquer momento, o MJ poderá propor ao grupo, uma dinâmica que permita uma melhor
exploração do tema abordado por um parágrafo específico. Um capítulo específico deste manual
fornecerá sugestões para o desenvolvimento de diferentes dinâmicas parágrafo a parágrafo, história a
história. Cabe ao MJ perceber como e quando esse corte com a narrativa poderá ser bem aceite pelo
grupo.

23
14.2 Constituição do grupo

Como anteriormente foi dito, esta abordagem é dirigida a grupos de jovens dentro da faixa etária
superior aos 10 anos. A dimensão do grupo é um fator importante para o bom desenvolvimento da
intervenção já que a argumentação e a exploração conjunta de temas é central em todo o trabalho a
desenvolver. No decurso da fase de ensaio dos materiais, a equipa técnica trabalhou com turmas de
2º e 3º ciclos do ensino básico com bons resultados. Contudo, para um melhor aproveitamento da
dinâmica do grupo a dimensão deste deverá ser menor, situando-se na casa dos 12 elementos. Não
se recomendam precauções significativas na constituição do grupo, beneficiando a dinâmica de
diversidade de pontos de vista e de experiências de vida.

14.3 Suporte Material

Este projeto assenta sobre um suporte informático, requerendo a existência de um computador ligado
à internet de modo a permitir o acesso ao site www.tu-alinhas.pt a partir do qual se poderá fazer
correr a história escolhida. Idealmente, sugere-se a utilização de um projetor que permita a projeção
da história de modo a que todos tenham acesso a ela em simultâneo. A ligação à internet facilitará
igualmente o processo de pesquisa complementar ao jogo. Contudo, é possível aplicar este material a
partir de CD-ROM e remeter a pesquisa para processos mais tradicionais. Também a ausência de
projetor não impede a aplicação do material, requerendo do aplicador uma adaptação do processo de
aplicação, já que, não tendo o grupo acesso ao texto projetado cabe ao MJ assumir de forma mais
marcada a função de narração da história. Ao limite, a própria ausência de computador não impede a
aplicação do jogo já que o MJ, dispondo de uma cópia impressa poderá narrar a história a partir do
texto, ainda que o processo se torne mais moroso uma vez que a procura dos parágrafos a ler
passará a ser manual.

23
Manual Eu e Os Outros

14.4 Organização do espaço

O espaço deve ser organizado de modo a que os jogadores possam dispor-se em U em torno do
computador ou do projetor. Não deve haver segunda fila de modo a facilitar a ordem de participação
dos jogadores.
A sala deverá, igualmente, estar organizada de modo a que, se o MJ decidir avançar com uma
proposta de dinâmica que exija espaço, não precise de perder tempo a arrumar a sala, bastando-lhe
para tal afastar as cadeiras dos jogadores.

24
14.5 Organização do tempo de jogo

A organização do tempo de jogo poderá ser encarada em dois planos: o tempo de sessão e o tempo
de uma história.

O tempo de sessão deve ser sempre o mesmo, sugerindo-se um mínimo de 45 minutos. A sessão
deve prever três momentos: (1) de aquecimento do grupo, (2) de jogo e (3) de reflexão. Dentro do
segundo momento poderá ainda ser considerado um tempo de jogo dentro da narrativa e um segundo
tempo de dinâmica de grupo caso seja essa a opção do MJ.

O tempo de aquecimento do grupo corresponde ao estabelecimento de uma ponte entre sessões,


permitindo o recordar em que ponto se parou na sessão anterior, quem já tomou decisões e quem as
vai tomar nesta sessão e recordar algumas regras que necessitem de ser clarificadas. É também este
o momento para repegar algum tema ou tarefa que tenha ficado para ser concretizada pelo grupo
entre sessões ou que aquando da última sessão não tenha podido ser suficientemente trabalhada.
Existem temas que o próprio MJ poderá precisar de tempo para organizar ideias e só depois retomar
a discussão no grupo. Naturalmente, este tempo deve ser curto mas nem por isso deixa de ser
fundamental no processo de aplicação

O tempo de jogo ocupa de modo geral a maior parte da sessão. Tal como já foi dito anteriormente,
será benéfico que o MJ determine previamente quantas decisões serão tomadas no decurso deste
tempo de forma a ter uma noção de como deve gerir o jogo. É fundamental que o MJ seja rigoroso na
gestão deste tempo porque se não o for o resultado será sempre de prejuízo no tempo de reflexão,
no qual o grupo deve conseguir fazer uma síntese dos aspetos mais importantes da sessão. Esta
síntese não se deve limitar aos conteúdos abordados mas igualmente às atitudes adotadas pelos
diferentes jogadores no decurso da tomada de decisão, sua ou dos seus colegas.

Existe ainda o tempo entre sessões que o MJ poderá aproveitar para lançar questões que o grupo
tenha de resolver, nomeadamente no plano da pesquisa, do levantamento de opiniões, ou de outro
tipo de dinâmica que requeira mais tempo. Se optar por tirar proveito deste tempo, o MJ deverá ter a
noção que na sessão seguinte deverá prolongar o tempo de aquecimento para que o trabalho
entretanto desenvolvido, possa ser objeto de apresentação e discussão.

24
Manual Eu e Os Outros

O tempo de história corresponde ao número de sessões definidas para explorar uma determinada
história. Este número poderá variar de acordo com os conteúdos das histórias mas deverá ter um
tempo mínimo respeitado para qualquer história. Esse tempo deverá ser de 7 sessões de 90 minutos
ou 14 sessões de 50 minutos que, à imagem do tempo de sessão poderá igualmente ter um tempo de
aquecimento, um de desenvolvimento e um de reflexão final. O trabalho a desenvolver na fase de
aquecimento passa pela apresentação da história, dos personagens centrais, das regras que regem o
jogo, etc. Já o trabalho a desenvolver numa fase final de reflexão passa por uma leitura global da
história por oposição às reflexões parcelares que se desenvolvem em cada sessão. Nesta reflexão
deverá ser integrado o processo de avaliação da história, no que toca à sua inteligibilidade,
25
pertinência, etc. Naturalmente, esta segunda componente deverá ter um caracter individual para
evitar influências mútuas.

É possível que face à definição de um número mínimo de sessões o MJ se confronte com a situação
de terminar a exploração linear de uma história antes de atingir esse limite. Nesse caso propõe-se ao
MJ que recue na história e proponha ao grupo que explore outras decisões possíveis em momentos
chave da história, permitindo ao grupo de entre em contacto com temáticas não trabalhadas no
percurso decisório prévio.

25
Manual Eu e Os Outros

5.Estratégias de dinamização do Grupo

A condução do jogo exige do MJ algumas decisões estratégicas no sentido de garantir uma


participação ativa dos jogadores e a manutenção nos níveis de motivação. Exploraremos aqui
algumas dessas opções e suas implicações:

15.1Ordem de participação dos jogadores no processo de decisão


26
A ordem de participação dos jogadores poderá ter um papel importante na manutenção dos níveis de
motivação do grupo. Se a participação é sequencial e um jogador toma a sua decisão no início do
jogo, sabe de antemão que só será chamado a tomar decisões numa fase distante ou até mesmo só
noutra sessão. Tal poderá acarretar algum desinteresse que deverá ser acautelado pelo MJ.
Vejamos que alternativas se podem colocar ao MJ no plano da ordem de participação dos jogadores:

Sequencial por ordem do posicionamento na sala – Esta é talvez a mais básica das opções.
Facilita em termos de clareza de regra mas dificulta face a um grupo instável em que a mudança de
lugar possa ocorrer. Se numa ronda, nem todos os jogadores forem chamados a decidir, há que
manter um registo das participações para o caso de, na sessão seguinte os jogadores mudarem de
posição.

Sequencial por ordem alfabética de nomes – Esta opção poderá ter um interesse adicional numa
situação em que os elementos do grupo não se conhecem muito bem. Aí, o processo de ordenação
pode ir mudando de sessão para sessão, percorrendo áreas de descoberto do outro, como por
exemplo nome de família, data de nascimento, local de residência, etc. Para um grupo que já se
conheça melhor, esta opção pode não trazer um ganho significativo.
Sequencial por ordem numérica (após atribuição prévia de números) - Com esta opção o MJ
pode introduzir alguma aleatoriedade, já que os números são tirados ao acaso. Se se utilizar a regra
de que o número não pode ser revelado, nesse caso, há também a curiosidade de ver quem é o
próximo a decidir, podendo o MJ tirar proveito dessa situação para manter alguma animação no
grupo.

Aleatoriamente por extração de números - O MJ poderá optar por distribuir um número numa fase
inicial mas, em vez de seguir uma ordem sequencial, seguir uma ordem aleatória por extração de
números a partir de um saco previamente organizado para o efeito, contendo a totalidade dos
números em jogo. O MJ deverá apenas ter o cuidado de não repor os números retirados de modo a
garantir que cada jogador só decide uma vez por ronda.

Aleatoriamente com repetição de números - O MJ poderá decidir que o acaso faz parte do jogo e
que com um limite definido – por exemplo 3 decisões numa ronda – os jogadores poderão ser

26
Manual Eu e Os Outros

chamados a tomar mais do que uma decisão por sessão. Se optar pela utilização dos números como
critério de ordenação, basta que o número retirado do saco possa ser reposto no saco antes de nova
extração. Com esta opção o MJ garante que os níveis de motivação se mantêm constantes ao longo
da sessão – já que todos podem decidir em qualquer momento – mas pode acarretar que algum
jogador que não tenha tanta sorte possa estar um longo período de tempo sem nunca poder tomar
qualquer decisão.

Emparelhamento de jogadores (em caso de grande grupo) - Quando o MJ se confronta com um


número grande de jogadores, que faça com que a rotatividade da tomada de decisões seja mais
espaçada e eventualmente desmotivante, poderá optar por emparelhar os jogadores e criar a figura 27
do par decisório. A decisão deve ser tomada em consenso pelos dois jogadores devendo o MJ
acautelar um processo de desempate para situações extremas de desentendimento. Esta opção
agiliza este processo em situação de grande grupo mas pode acarretar algumas dificuldades de
participação com os jogadores mais assertivos a imporem a sua posição a colegas mais inibidos. A
constituição dos pares poderá ser aleatória e mudar de sessão para sessão.

Naturalmente, poderão ser exploradas outras estratégias de ordenar a participação dos jogadores. O
importante é garantir que a atenção dos jogadores é mantida e que a atenção não é dispersa na
espera por uma próxima oportunidade de participação. O MJ poderá optar por alternar as estratégias
de sessão para sessão de modo a evitar que o jogo caia num processo rotineiro.

25.2 Atribuição de direitos

O MJ poderá definir um conjunto de direitos que poderão funcionar como um elemento adicional de
motivação para a exploração das diferentes histórias. Estes direitos podem ser apresentados como
universais (de todos os jogadores por igual) ou como fatores aleatórios a introduzir no início da
sessão através do recurso a um sorteio. Neste segundo caso o MJ informa quais os direitos que irá
colocar em jogo e organiza um conjunto de papéis contendo os direitos selecionados que uma vez
dobrados são colocados num saco que deverá passar por todos os jogadores para que tirem à sorte.
Alguns exemplos de direitos são:
 O direito de ser soberano: a decisão final é do jogador decisor. Este é o direito básico do jogo,
isto é, aquele a partir do qual o jogo se desenvolve;
 O direito de não ser pressionado pelo grupo: a decisão do jogador é feita sem que este tenha
de auscultar o grupo;
 O direito de auscultação: a decisão só é tomada depois de ouvido o grupo.
 O direito de delegação: o jogador atribui a outra pessoa a decisão que lhe cabe tomar;
 O direito de veto: o jogador que utiliza este direito contesta determinada decisão tomada pelo
decisor, recusando-a. A decisão continua com o decisor mas não poderá ser a inicialmente
tomada. O veto, uma vez utilizado não poderá voltar a ser usado na mesma ronda;

27
Manual Eu e Os Outros

 O direito de não participação: o jogador opta por não tomar qualquer decisão;
 O direito de confronto: o jogador que utiliza este direito desafia o decisor para um confronto de
ideias sem a interferência do resto do grupo. No final o grupo decide quem argumentou melhor
e consequentemente qual a decisão a tomar;

Esta estratégia traz como mais-valia o garante que a dinâmica não é linear e que, mesmo fora da sua
vez, cada jogador poderá influenciar ativamente o desenvolvimento da história. A utilização dos
direitos permite, simultaneamente, trabalhar a dinâmica do grupo de uma forma mais clara já que o
recurso a um direito significa sempre um desejo de alterar o curso natural de decisão. Naturalmente,
28 esta opção corresponde a introduzir um maior grau de complexidade no jogo uma vez que cria
condições para a confrontação, a experimentação de sentimentos de que o MJ terá pouco ou nenhum
controlo. Daí que esta seja uma opção que sugerimos seja remetida para uma fase em que o MJ se
sinta já mais à vontade quer com a metodologia quer com o grupo com que a está a trabalhar.

25.3 Exploração das personagens

Na tarefa de criar um clima inicial facilitador da intervenção, o MJ deverá investir na exploração das
personagens que servem de base ao jogo. As personagens foram criadas não para representarem
figuras ideais, de gostos e atitudes adequadas, mas aproximarem-se da realidade dos jogadores,
integrando aspetos positivos com outros menos saudáveis. Cabe ao MJ no decurso da exploração
dos personagens tirar proveito de algumas das características apresentadas para promover uma
reflexão sobre áreas tão díspares quanto as Práticas Alimentares, a Identificação com Culturas
Juvenis, Interesses, Esquemas, Medos e Paranoias. Seguidamente apresentamos alguns aspetos
que poderão explorados a partir das particularidades de alguns das personagens:

1. Jamal - O que caracteriza um surfer? Ser Africano. Perda da mãe. Família reconstruída. As
escolhas para o futuro. Alimentação (Lasanha vs. salada). Preocupação com a forma física.
Ser aventureiro num contexto específico (o mar). Os medos (que aconteça alguma coisa às
pessoas de quem mais gosta).
2. Emanuel – O que é um nerd, geek ou dork? O risco da obesidade (má alimentação, pouco
interesse pelo exercício físico); O caráter aditivo dos computadores e da Internet; Realizar-se
na fantasia; Ser-se inibido/introvertido (em relação ao sexo oposto). Ser-se gozado/maltratado
pelos colegas. O risco de uma necessidade extrema de afirmação que conduza a
comportamentos de risco.
3. Sabrina - O que é ser-se beta? Ter uma família numerosa. A preocupação com o corpo. O
interesse pelo mundo da moda. Ter raízes africanas. Ser-se católica praticante. Fazer
voluntariado. Alimentação (não comer muito – dietas, produtos light); Ser-se ambicioso.
Ocupar-se para não pensar. Paixões platónicas.

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Manual Eu e Os Outros

4. João – O que é ser dread? O carácter quezilento, o desejo de explorar novas sensações
(risktaker), alimentação desadequada (pizza, cerveja), família nuclear numerosa, xenofobia,
problemática da toxicodependência na família,
5. Daniel – Ser estrangeiro. A gabarolice. Pais separados. Alimentação (Coca-Cola). Os limites
da exploração do Trabalho Infantil (biscates). O sonho de viajar. A liberalização das drogas. Os
interesses políticos.
6. Maria - O que é ser freak? O evitamento de conflitos. Alimentação (bacalhau com natas vs.
maças). Vivência do corpo; Desemprego de um dos pais. A causa ecológica.
7. Alice – O que é que distingue uma street fashion? A excentricidade de um dos pais. Ser 29
criativa e sonhadora. Não ser muito persistente. Roer as unhas. Os heróis e as paixões. O
roubo. A necessidade de ajuda.
8. Catarina - O que é ser gótica? Pais separados com conflito. Ser desconfiada e casmurra. A
necessidade de questionar e argumentar por tudo e por nada. O misticismo e o ocultismo. Ser-
se ateu. Não acreditar no amor; Insegurança na orientação sexual.
9. Martim – A pessoa portadora de deficiência, na sua sensibilidade, necessidades e
capacidades. Processos de reabilitação. A transformação pessoal a partir de uma situação
crítica. Ser o filho mais novo. Crescer com um dos pais ausentes com sobrecarga do segundo.

São muitas as opções que o MJ tem para explorar os temas introduzidos pela caracterização das
personagens. Poderá (1) selecionar um tema e trabalhá-lo isoladamente promovendo uma pesquisa
sobre o tema (ex. culturas juvenis), o debate sobre uma questão particular (ex. liberalização das
drogas), a exploração da perceção dos jogadores sobre a frequência de determinados aspetos (ex. o
trabalho infantil, a insegurança face à orientação sexual) a análise das implicações de alguns gostos
(ex. alimentação); outra opção (2) poderá passar por pedir aos jogadores que se caracterizem à
semelhança das personagens explorando depois os aspetos comuns e particulares no grupo. Como
variante deste procedimento o MJ poderá pedir aos jogadores que imaginem como poderiam fazer
uma campanha publicitária sobre si próprios. Neste caso o importante não é a quantidade de
informação mas aquela que é importante para criar uma boa imagem nos outros. Esta abordagem
deverá permitir uma reflexão sobre a dificuldade da tarefa, nomeadamente a seleção de aspetos que
nos realcem. Se esta questão for demasiado inibidora, o MJ poderá pedir que cada jogador execute a
tarefa – fazer publicidade a alguém – sobre um colega tirado à sorte. Neste caso a reflexão deverá
incluir a reação à imagem que os outros têm de nós e o medo de desapontar o outro. Uma terceira
opção (3) poderá passar por pedir aos jogadores que escolham a personagem com quem mais se
identificam. Esta escolha poderá ser feita às claras, isto é assumida perante os colegas ou ser feita às
escuras, isto é, mediante uma votação secreta. A primeira opção é objeto de maior pressão social
enquanto a segunda, permitindo a reflexão sobre os resultados globais, poderá permitir uma reflexão
mais protegida sobre o perfil que cada uma das personagens poderá ter, sem provocar grandes
confrontos ou exposições. Neste caso o MJ deverá ter a preocupação de garantir o direito à
privacidade ou, por oposição ser contentor em situações em que se verifique alguma perda de limites
face à intimidade de cada um. Finalmente uma última opção (4) poderá passar pela organização de
um pequeno role playing em que cada jogador tenha que representar uma personagem,

29
Manual Eu e Os Outros

apresentando-se enquanto tal. Neste caso deverá assumir-se que as personagens não se conhecem
funcionando o jogo como uma forma de exploração das mesmas, emprestando-lhes particularidades
imaginadas pelos jogadores. No final da experiência é importante que os jogadores reflitam sobre a
dificuldade de entrarem na tarefa, de se identificaram com a sua personagem, se gostaram de
interagir com as dos outros, se as acharam credíveis ou apenas o prolongamento das características
dos jogadores que as representaram, etc.

Naturalmente que existirão outras maneiras de explorar as personagens que poderão ser idealizadas
e desenvolvidas pelos MJ’s. A partilha dessas diferentes formas de trabalho poderá enriquecer este
30 capítulo do Manual, pelo que se agradece desde já a iniciativa de as enviarem através do site para a
equipa técnica que em função da sua pertinência as integrará em futuras versões. Contudo, todas as
formas possíveis de abordar esta tarefa devem deixar bem claro que não existe tal coisa como a
pessoa modelo, que a imperfeição é o que nos torna humanos e nos dá espaço para a evolução. As
personagens procuram ilustrar precisamente este facto. A importância deste trabalho em torno das
personagens, mais do que criar um clima e aquecer o grupo para a dinamização que se seguirá, é a
de procurar encontrar uma coerência nas histórias de vida recriadas que facilitem algum tipo de
identificação ao mesmo tempo de suportam o processo de descentração que se deseja na
intervenção.

25.4 Dinâmicas de Grupo

O MJ poderá recorrer a dinâmicas de grupo como forma de aquecer ou preparar o grupo para o jogo
ou como forma de reforçar alguma temática emergente a partir do mesmo. O recurso às dinâmicas
enquadra-se numa perspetiva segundo a qual esta abordagem permite pôr em evidência os
mecanismos de funcionamento do grupo bem como uma maior consciencialização dos papéis
individuais, sendo então mais fácil intervir sobre a própria dinâmica do grupo. Esse recurso deve ser
sempre orientado em função de um objetivo concreto e garantir um momento de reflexão que permita
o estabelecer de relações entre as experiências vivenciadas e os conteúdos em discussão. Eis alguns
princípios básicos à condução das dinâmicas de grupo:

1. Não existem receitas na utilização deste tipo de recurso. O MJ deve ter a noção que uma
dinâmica que se adapta a um determinado grupo não se adapta necessariamente a todos os
outros. Escolher um jogo requer que se leve em consideração parâmetros como os objetivos, a
idade, a motivação, os interesses e a própria dinâmica do grupo. O MJ deve utilizar a sua
sensibilidade e conhecimento do grupo para selecionar o jogo que promova a dinâmica
necessária à abordagem do tema a trabalhar. Nesse sentido é importante ir recolhendo
diferentes jogos e organizando o seu próprio dossier de dinâmicas, sempre que possível com
referência aos temas de reflexão.

2. O mesmo jogo pode ser utilizado com diferentes objetivos consoante a sequência em que se
integra ou as características do grupo a que se destina. Pode inclusivamente ser utilizado mais

30
Manual Eu e Os Outros

do que uma vez no trabalho de crescimento do grupo, permitindo a emergência de conteúdos e


reflexões diferentes bem como a noção de evolução entre os dois momentos.

3. O MJ deverá escolher dinâmicas com as quais se sinta familiarizado. As regras do jogo devem
ser claramente definidas antes do seu início. Uma vez esclarecidas, o jogo desenrola-se
segundo as regras, sem que estas devam ser alteradas. A opção por fazê-lo deve ser encarada
muito seriamente e só deve acontecer se servir algum objetivo muito específico. É igualmente
importante que a sua apresentação se processe de forma espontânea, informal e com recurso
à imaginação e humor. Em caso de dúvida é preferível fazer uso da sua criatividade de modo a
evitar que a consulta de um manual ou guião transmita ao grupo uma sensação de 31
inconsistência ou insegurança.

4. Deve estimular-se o "espírito de grupo" salvaguardando, no entanto, as características


individuais de cada elemento. Deve ser respeitado o desejo de não participação no jogo o que
não implica necessariamente a não participação na dinâmica do grupo. O MJ deverá garantir
que o jogador que se recuse a jogar poderá ter algum papel – observador, elemento de apoio
ao MJ, controlador do tempo, etc. – e que em função desse papel possa ser chamado a
participar na fase de reflexão.

5. O jogo, na dinâmica de grupo não visa o sucesso, mas a reflexão sobre o processo.
Frequentemente um insucesso resulta numa melhor reflexão do que um sucesso. É contudo
importante garantir que os jogadores percebam quais são os parâmetros que determinam o fim
do jogo e a conclusão da tarefa.

6. O dinamizador não deverá ser tão diretivo que tire espaço de Acão e de reflexão ao grupo, nem
tão flexível que perca a noção do fio condutor e do objetivo último da sessão. No primeiro caso
fornecer-se-ia ao grupo uma experiência demasiado rígida e, no segundo, uma experiência
demasiado desestruturante;

7. O espaço de uma dinâmica é do grupo e é essencial que este o sinta como de aceitação. O
dinamizador deve medir muito bem as suas intervenções, que devem ser facilitadoras,
conduzindo à estruturação do estar em grupo e não emitindo juízos de valor;

8. É essencial que o dinamizador encontre espaços nos quais seja possível refletir sobre as suas
próprias vivências e atuações, refletindo sobre elas, sobre as suas implicações, elaborando
sentimentos e sensações próprias e tentando encontrar novas formas, eventualmente
necessárias, de promover a relação com o grupo. O espaço de supervisão dos MJ’s deverá
assumir-se como um momento de partilha deste processo de reflexão pessoal

31
Manual Eu e Os Outros

No capítulo 8 será reunido um conjunto de propostas de dinamização em função das diferentes


histórias e a bibliografia incluirá sugestões de manuais e sítios onde novas dinâmicas poderão ser
pesquisadas.

O recurso ao role playing deverá ser sempre encarado pelo dinamizador como uma opção de risco
que apenas deve pôr em prática caso tenha alguma experiencia anterior na utilização desta técnica e
caso o grupo revele maturidade suficiente. Os riscos estão associados a dificuldade de diferenciar a
representação da realidade podendo cair-se em projeções pessoais que coloquem o dinamizador
perante temas e questões de foro íntimo de algum jogador, que não são para sere geridas num grupo
32 desta natureza. Também a exposição ao ridículo pode condicionar o desempenho dos jogadores,
resultando a dinamização numa caricatura do que se pretende trabalhar.

25.5 Tarefas intermédias

O MJ poderá propor ao grupo a concretização de tarefas que permitam a expressão individual face a
determinado tema. Essas tarefas poderão ser desenvolvidas no decurso da sessão ou, face à
limitação do tempo, remetidas para o período entre sessões. As tarefas intermédias podem envolver a
pesquisa, a recolha de opiniões, a produção de algum tipo de material, etc. Como estratégia, este
recurso permite por um lado transmitir que o trabalho que se está a desenvolver é continuado,
prolongando-se para além do tempo formal de sessão e, por outro, permite a noção que o exterior ao
grupo é igualmente importante podendo ser integrado como fator de aferição de perceções e atitudes.

32
Manual Eu e Os Outros

6.A Reflexão

Como já foi referido anteriormente a reflexão é a ultima fase de uma sessão de trabalho e reveste-se
de uma importância fundamental neste tipo de abordagem.

A Reflexão é o momento em que cada participante seleciona o que de mais significativo ocorreu
durante a ação, decide se o quer e pode partilhar com os outros e procura a forma correta de o fazer,
confrontando-se com a reação dos outros. Para o fazer elabora o que inicialmente não passou de
uma vivência provocada e atribui-lhe significado em função de experiências anteriores. 33

Para o melhor desenvolvimento do processo de reflexão é importante que todos os participantes se


disponham de modo a que todos se vejam. A distribuição em círculo poderá reforçar a ideia de
privacidade. A partilha é feita para dentro do grupo e deve ser regida pelo MJ com base em 3
princípios:

Circularidadeà intervenção de alguém solicita-se aos outros que comentem, contraponham ou


simplesmente se posicionem;
Equidistânciao dinamizador não assume o partido de nenhuma posição, explora-as requerendo
sempre ao grupo que reaja;
Não normatividadenão há posições certas ou erradas, apenas pontos de vista diferentes que
merecem ser respeitados

A Reflexão deve desenvolver-se a 5 planos:

1. Plano vivencial do jogo – é essencialmente uma abordagem descritiva, um relato que permita
perceber como cada jogador percecionou a tarefa que lhe foi proposta: “Como foi?”
2. Plano afetivocentra-se no relato de sentimentos, emoções ou reações associadas à
dinâmica procurando perceber o impacto emocional da dinâmica nos diferentes jogadores:
“Como se sentiram?”, “De que gostaram mais?”
3. Plano de avaliação da performanceprocura avaliar a leitura inicial dos jogadores,
compreender as expectativas criadas em termos de resultados e analisar o que os condicionou:
“Ficaram contentes com o resultado do jogo?”, “Era o que estavam à espera?”, “Porque acham
que correu desse modo?”
4. Plano temáticoprocura contextualizar a dinâmica dentro de grandes temas, explorando em
que áreas é que a experiência incidiu e quais os aspetos mais importantes que poderiam ser
retirados dela: “O que acham que foi mais importante neste jogo?” “O que é que este jogo
trabalha?”

33
Manual Eu e Os Outros

5. Plano de Reformulaçãoneste último plano, procura-se promover uma reflexão sobre as


aquisições que foram possíveis a partir do jogo: “Se voltassem a jogar o que é que mudariam?”

No presente projeto, o MJ deverá dar especial atenção ao facto da dinâmica se desenvolver a dois
níveis. Por um lado existe a dinâmica da narrativa na qual se enquadram a maior parte dos conteúdos
a trabalhar, mas existe igualmente o nível da dinâmica do próprio grupo onde a argumentação, o
respeito pelo posicionamento do outro, a recurso à utilização dos direitos de cada jogador, são
igualmente aspetos importantes a explorar. Se o MJ se centrar preferencialmente no plano das
aquisições tenderá a sobrevalorizar os temas trabalhados e a menosprezar o funcionamento do grupo
34 que neste caso se situará no plano da performance.
Os resultados obtidos não dizem respeito ao plano quantitativo do número de parágrafos resolvidos
mas ao modo como essas decisões foram tomadas e as dificuldades sentidas para o conseguirem.

Para a condução do processo de reflexão o MJ pode socorrer-se de utensílios de comunicação, que,


estando presentes em qualquer nível de relação, uma vez conscientes poderão garantir uma melhor
condução do processo de partilha. São 5 os utensílios à disposição do MJ:

Intervenções de Exploraçãosão intervenções que encorajam, que dão espaço ao outro, que o
incitam à participação ativa, produzindo material de reflexão e abrindo o espaço de relação.
(Porquê…, Como…, Conta-me…, Fala-me…) Sendo o tipo de intervenção mais frequente, a sua
presença em excesso pode resultar em confusão ou dispersão dado o volume de material a explorar.

Intervenções de Focagemsão intervenções que procuram clarificar os conteúdos de comunicação


resultantes da exploração, incitando à clarificação. Por oposição às intervenções exploratórias,
procuram fazer incidir a atenção num determinado tema sentido como importante. (o que queres dizer
é…? Será que …? Entre este aspeto e aquele qual…?) Este tipo de intervenção resulta em respostas
curtas de síntese. Se a intervenção de exploração abre o campo de partilha este tipo de intervenção
procura reduzi-lo para uma melhor exploração e compreensão a que se seguirá uma nova
intervenção de exploração.

Grande parte do processo de reflexão é feita com base neste dois instrumentos permitindo um
constante movimento de abertura e de focagem. Contudo, há momentos particulares que exigem do
MJ intervenções específicas.

Intervenções de Confrontosão aquelas que são diretas, frontais, sem serem brutais; elas incitam o
outro a pôr-se em causa. (Vocês estão a dizer isto mas eu observei aquilo…, parece-me que estão
com dificuldades para falar do que sentiram…) Este tipo de intervenção solicita ao grupo uma
mudança de nível de reflexão para planos de maior profundidade. São intervenções frequentes em
grupos defensivos que adotam uma postura simplista ou em grupos numa atitude de oposição ou de
evitamento. Como recurso este formato de abordagem ao grupo é arriscado já que um confronto
desadequado poderá colocar todo o grupo à defesa ou reforçar a atitude de oposição. O confronto

34
Manual Eu e Os Outros

deve ser utilizado de forma moderada, recorrendo se possível ao humor, mas sem assumir um
carácter de troça ou desafio.

Intervenções de ressonância afetivasão intervenções que se dirigem aos sentimentos, às atitudes


e aos valores. Passam também pela entoação e pela comunicação não-verbal, que em complemento
aos conteúdos verbais incitam à consciência de si. (o que sentiste…, de facto é difícil…, foi
complicado…). Este tipo de intervenção é importante como forma de validação de um sentimento ou
de uma experiência em momentos em que a tensão do grupo cresce na sequência da partilha de um
conteúdo de maior carga emocional. São intervenções menos frequentes mas de enorme importância
porque alargam o campo de exploração do grupo a planos mais profundos. 35

Intervenções de Transferesão aquelas que estabelecem paralelos com outras situações em


tempos e contextos diferentes - esta reflexão também se aplica a outros contextos? Em que outras
situações isto já vos aconteceu? Este tipo de intervenções permitem um processo de generalização
que ajude o grupo a extravasar o contexto do jogo para um plano mais alargado das suas vidas.
Deverão ser utilizadas numa fase mais tardia da reflexão após a análise e exploração dos diferentes
planos da vivência.

35
Manual Eu e Os Outros

7.Exploração dos Temas / Histórias

36

27.1 História 1: Crescer


Personagem central: Jamal
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica, cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. A preocupação do irmão mais velho com o comportamento do irmão mais novo.
2. A internet/computador como recurso de risco quando mal utilizada – diminuição de
competências sociais, componente aditiva da utilização do computador, alienação do eu pela
criação de personalidades alternativas, estabelecimento de relações virtuais, etc.
3. Desenvolvimento de uma má relação com o corpo em função da estética. A importância
particular deste processo na fase da adolescência.
4. A alimentação equilibrada
5. O recurso a substâncias como forma de controlo do apetite.
6. A capacidade de descentração e de se colocar no lugar do outro
7. Acessibilidade de bebidas alcoólicas a menores. Implicações da convivência em contexto
recreativo
8. O choque de gerações (pais/filhos; mais velhos/mais novos)
9. A gestão de conflitos (ocultar, confrontar, ou deixar andar)
10. A projeção no futuro
11. Os mitos ligados ao estatuto de adulto: consumo de álcool, a sexualidade
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente
cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

36
Manual Eu e Os Outros

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – O encontro com a Sabrina no café – do parágrafo 1 ao 46
Sub Bloco A – Alimentação
Sub Bloco B – Organização da festa
2º Bloco – Combinando as coisas no Bar do Joca – do parágrafo 47 ao 64
3º Bloco – A festa – do parágrafo 65 ao 95

37
Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (a chegada)
Temas: O atraso do Jamal: (1) a relação com o tempo: (a) ser-se desorganizado, (b) calcular mal o
U

tempo necessário para fazer as coisas, (c) não se preocupar em chegar a horas, (2) a relação com o
U U

outro: (a) capacidade de espera, (b) capacidade de transmitir ao outro o que se sente e pensa sobre a
espera; O aspeto da Sabrina: (1) a espontaneidade vs. a inconveniência (2) a importância de criar
clima antes de abordar um tema eventualmente delicado. Ir comer primeiro qualquer coisa: (1)
adiar o tema que motivou o encontro (2) prolongar a espera da amiga.
Proposta de atividade: em que é que reparam quando chegam a algum lado?

Parágrafo 2 – (preparar a festa)


33B

Temas: O E-man passa o tempo agarrado à internet: Exploração dos receios do Jamal – o
isolamento social (a perda de apetência por estar com as pessoas quando o contacto por computador
é mais fácil e protegido), a dependência dos computadores como fonte de bem-estar (jogar, conhecer
pessoas, aprender, etc.), a perda de controlo sobre os conteúdos existentes na internet (os bons e os
maus conteúdos, tomar por verdade tudo o que se encontra na internet, os maus encontros, etc.); As
preocupações entre irmãos: Ser o mais velho e preocupar-se com os mais novos vs. ser o mais
novo e ser o objeto da preocupação dos outros.
Proposta de atividade: (1) identificação de riscos – (a) aumento da inibição nos contactos diretos, (b)
criação de personalidades alternativas mais atrativas, (c) desenvolvimento de relações virtuais
(desconhecimento de quem está do outro lado) (d) carácter aditivo da Internet (perda de noção do
tempo, sobreposição do computador a qualquer outro interesse da pessoa, dificuldade de resistir ao
estabelecer de contacto, etc.) (2) identificação de aspetos positivos na utilização da internet.
Pesquisar o site www.miudossegurosna.net
H

Parágrafo 3, 16, 17, 18, 20 – (ir comer qualquer coisa)


34B

Temas: Escolhas saudáveis de alimentação: O pequeno-almoço com lacticínio (leite, queijo,


iogurte), fruta (sumo ou peça) e pão (de mistura). Comer entre refeições (barra de cereais, peça de
fruta+bolacha com pouco açúcar e gordura, iogurte líquido) A importância de saber ler os rótulos
para saber as calorias existentes no produto. Ter consciência dos valores diários recomendados

37
Manual Eu e Os Outros

dos principais grupos de nutrientes: quantidade de açúcar (consumo diário inferior a 10 mg) e de sal
(consumo diário inferior a 5 mg). O Risco da publicidade enganosa: informação parcial que esconde
conteúdos menos saudáveis. Comprimidos para emagrecer: explorar o conhecimento do grupo
sobre este tema. Atitudes: qual o limite da relação de amizade para se meter na vida do outro? Varia
com os temas? E com as pessoas? Compensar os exageros: as avarias também fazem parte do
comportamento saudável; funcionar entre o 8 e o 80; o castigo por oposição ao “pecado”.
Proposta de atividade:(1) exploração dos hábitos de alimentação dos jogadores (2) exploração do
site www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt(3) treino de leitura de rótulos de produtos alimentares
H

38 Parágrafo 4 – (reparar no ar cansado)


35B

Temas: A atitude da Sabrina: (a)negar o mau aspeto, (b) não ter consciência da sobrecarga, (c) a
utilização adequada do ginásio – ter em atenção o tipo de exercício, a carga, a intensidade, a
regularidade – em função da condição física.

Parágrafo 5 – (insistes no ar cansado)


36B

Temas: Concurso de beleza: (a) capacidade de se pôr no lugar do outro e avaliar o significado, (b) a
importância de se insistir num tema que preocupa vs. reconhecer o direito do outro em se proteger de
coisas de que não quer falar.
Proposta de atividade: explorar o que é que entusiasma ou entusiasmaria os jogadores

Parágrafo 6, 19, 28,29 – (organizar a festa à noite… levantar estratégias)


46B

Temas: Descentração: poder perceber que outras pessoas se poderão confrontar com dificuldades
diferentes para lidar com problemas que para nós parecem simples. Persistência: lutar por um
objetivo ou desistir facilmente. Estratégias de lidar com os problemas: confrontar os problemas,
contornar, negar… explorar de sugestões alternativas para ultrapassar as dificuldades para organizar
a festa noturna.
Proposta de atividade: remeter para o período entre sessões a exploração em casa da reação dos
pais a uma situação como aquela; pesquisa sobre qual seria a estratégia que a eles mais lhe
agradaria; levantamento das hipóteses que cada jogador teria de ser autorizado a participar numa
festa deste género;
Parágrafo 7 e 34 – (Mostras-te preocupado…)
37B

Temas: Níveis de preocupação: colocação do problema num plano físico, psicológico ou social.
Atitudes: gradientes de moralismo (entre a preocupação centrada na pessoa e a centrada na quebra
das normas) Reação ao descrédito: a tua opinião não é valorizada pela tua amiga. Ficas
aborrecido(a)? Depende do Tema?

Parágrafo 8, 10, 11, 13 – (procurar informação…)


38B

Temas: 1. Os anorexígenos: substâncias que pertencem ao grupo de estimulantes do SNC. Os seus


efeitos vão no sentido do aumento do ritmo da pessoa, associado a um sentimento de euforia e perda
de apetite entre outros. Tem como efeitos secundários dores de cabeça, má disposição, taquicardia e

38
Manual Eu e Os Outros

por vezes insónia, grande fadiga e inquietação. Em situações extremas podem conduzir a psicoses
tóxicas com sintomatologia delirante e alucinatória 2. As substâncias de abuso têm
frequentemente uma utilidade medicinal: (a)as boas intenções não anulam o risco; (b) a ilusão de
controlo sob o efeito das substâncias psicoativas. 3. A importância da informação: (a)o
conhecimento como ponto de partida para a alteração de crenças (b) o que se faz com o que se
aprende. 4. A banalização dos riscos: o impacto negativo de múltiplas chamadas de atenção para
riscos vários. Menor sensibilidade na avaliação dos riscos. Reatividade às chamadas de atenção 5.
Sobrevalorizar, Contextualizar ou Deixar Andar: exploração de atitudes (a) qual seria a minha
posição? (b) sou assim de um modo geral? (c) sou assim especificamente neste tema; 6. A anorexia
nervosa: perturbação do comportamento alimentar, frequente na adolescência, caracterizada por
39
uma alteração da imagem corporal (considerar-se demasiado pesada, independentemente da
realidade) que resulta num conjunto de comportamentos disfuncionais conducentes à perda de peso
– dietas, provocar o vómito, abuso de substâncias psicoativas. Em situações extremas envolve riscos
para a própria vida.

Parágrafo 9 – (insiste no ar cansado…)


39B

Temas: Entre ser amigo e ser chato: exploração das duas posições – (a) como é que eu reagiria se
fossem assim comigo, (b) seria eu capaz de ser assim com alguém.

Parágrafo 11, 17,34 (alertas para uma boa alimentação…)


40B

Temas: O limite da pressão: a partir de quando se reconhece que a vida é do outro? Atitude:
zanga, negação, disponibilidade para ajudar; O limite da ajuda: exploração sobre o tipo de ajuda que
se pode dar a alguém naquela situação Reação: a Sabrina é casmurra. Como se dão com pessoas
assim?
Proposta de atividade: o barómetro de casmurrice – 1. construir um quadro em que cada pessoa se
classifica no plano da casmurrice (utilizando uma escala de Likert de 1 a 6); 2. entregar um quadro
com os nomes das pessoas do grupo e pedir a cada jogador que caracterize os colegas. No final
entregam-se os diferentes quadros e trabalha-se conjuntamente os resultados. O grupo reflete sobre
a justiça dos mesmos e explora se cada um se revê naquelas classificações ou se fica surpreendido
com os resultados.

Parágrafo 12 – (Mostras interesse nos comprimidos …)


Temas: A curiosidade: exploração da importância da curiosidade na experimentação das
substâncias psicoativas. Os limites de um conselho: explorar situações em que um conselho não foi
suficiente para evitar uma situação complicada.

Parágrafos 13 e 15 (Mostras-te disponível para ajudar…)


42B

Temas: Os limites de uma atitude mais confrontativa: (a) nem sempre ter razão é suficiente, (b)
por vezes o confronto só aumenta a defesa/oposição do outro, (c) para se poder desenvolver uma
relação de ajuda, a relação ajuda (garantir que se preserva a relação para poder retomar o tema
numa melhor oportunidade) (d) nem tudo tem de ser dito numa única conversa

39
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 21, 22, 23, 24 e 25 – (tratar do presente…)


Temas: Escolher: (a) pensar em função dos gostos de quem recebe ou de quem oferece (b) em
função do que dá prazer ou do que é útil Virtualidade: cuidar no real ou em simulação – poderes e
limites de cada um. Dadas as características do E-man que outra prenda poderia fazer sentido. Prós
e Contras entre o virtual e o real: explorar as vantagens e as desvantagens entre o mundo
simulado e o real. A vantagem de poder recusar o que não se gosta no mundo virtual, voltando atrás,
acabando o jogo ou seguindo instruções de quem já jogou. A desvantagem de não sentir as vivências
proporcionadas pelo virtual.
40
Parágrafo 26 – (definir o tema da festa…)
50B

Temas: GET BIG - net-te a caminho do futuro: (a) prazer em crescer – gostar de descobrir novas
coisas (b) urgência em crescer – querer ter mais direitos, poder fazer mais coisas que os mais velhos
já fazem (c) estatuto – o que faz os outros reconhecerem-nos como mais velhos? e o que nos faz
sentir mais novos? (d) reverso do crescer – o que não é tão agradável no Crescer?

Parágrafo 29 (não criar ondas…)


59B

Temas: Desistir: (a) falta de confiança – em si ou nos outros, (b) realismo – o desgaste do confronto
não compensa os ganhos (c) pessimismo – não vale a pena, (d) experiências negativas passadas
Proposta de atividade: organizar um gradiente de perseverança em que cada jogador se avalia
numa escala de 1 a 6 sobre a sua capacidade de não desistir e lutar pelas coisas. Quais os
argumentos que utilizam para não desistir. Onde/em que domínio é que cada um se apercebe que é
mais combativo

Parágrafo 30, 39 – (mentir aos pais…)


56B

Temas: A Mentira como desejo de moldar o mundo aos nossos desejos: serão todas as mentiras
iguais? Quais são as implicações do mentir? As mentiras que puxam novas mentiras para evitar que
a primeira seja descoberta.

Parágrafo 32 – (levantamento de argumentos para os pais…)


47B

Temas: Natureza dos argumentos: coação, ameaça, sedução, racionalidade, negociação/troca,

Parágrafo 33 – (comentas o mundo da moda…)


48B

Temas: Sacrifícios para se ser/manter bonita: qual é o limite do sacrifício? Os fins justificam os
meios? Opiniões discordantes: confronto com uma visão discordantes sobre uma coisa de que se
gosta muito. Qual o impacto no nosso interesse? Qual o impacto na relação com essa pessoa?

Parágrafo 35 – (acusas de tomar droga…)


49B

Temas: Definição de dependência: Psicológica vs. Física – Os anorexígenos / anfetaminas


provocam grande tolerância (isto é, a mesma quantidade de substância deixa de produzir o mesmo
efeito a partir de um curto espaço de tempo, requerendo mais quantidade para produzir o mesmo

40
Manual Eu e Os Outros

efeito) e grande dependência psicológica envolvendo depressão e ansiedade associado a um forte


desejo de voltar a consumir a substância.
Proposta de atividade: fazer um levantamento do tipo de dependências conhecido (de substâncias
psicoativas e não só)

Parágrafo 37, 38, 46 – (gostavas de experimentar…)


51B

Temas: Reproduzir comportamentos dos outros: curiosidade, não ficar atrás, valorizar a opção do
outro. Tomada de decisão: (a) antecipação de consequências (b) avaliação da relação risco /
benefício, (c) avaliação de alternativas
41
Parágrafo 39 (optar pela mentira)
58B

Temas: Risco: Porquê correr riscos? Quando é que vale a pena?


Proposta de atividade: levantamento de riscos. Quais os riscos que nunca aceitaria correr? Qual o
maior risco que corri na minha vida?

Parágrafo 40, 41, 42, 43 – (decides tomar os comprimidos…)


54B

Temas: Efeitos no organismo: (a) características pessoais – peso, idade, constituição física (b)
aspetos contextuais – o que se tem no estômago; Aceitação das consequências: remeter para o
exterior (a culpa/responsabilidade – Sabrina, acaso) ou para si próprio (estupidez, má opção, …)
Impacto desta leitura – (por ser azar pode ser que para a próxima seja diferente, por ser uma má
escolha para a próxima não a faço); Aprendizagem pelos erros: há coisas que só se aprendem
experimentando? Há coisas que não se querem aprender porque o risco seria demasiado grande?
Vale sempre a pena aprender não importa o quê? Exploração dos limites de cada um
Proposta de atividade: o que é que nunca arriscarias fazer? Fazer um levantamento externo ao
grupo (em casa, junto aos amigos). Compreensão da perceção individual dos riscos

Parágrafo47,48, 49, 50 – (Segues para o bar do Joca/ Pista de dança…)


43B

Temas: Futuros profissionais: explorar em relação a cada jogador, (a) os interesses, (b) os sonhos,
(c) as expectativas, (d) as expectativas dos outros em relação a si.
Proposta de atividade: remeter para o tempo entre sessões a organização de um quadro de
expectativas (suas e dos familiares) face ao futuro.

Parágrafo 52, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63 – (não disponibilizas bebidas
45B

alcoólicas…)
Temas: Confronto com os outros: como se justifica uma decisão pouco popular – fatores externos
(a lei) fatores internos (crenças pessoais faz mal à saúde), Disponibilizar bebidas alcoólicas para a
festa do irmão de 13 anos: (a)Levantamento de implicações; (b) Sujeito à crítica dos outros – “preso
por ter cão e preso por não ter” (c) Banalização do consumo de bebidas alcoólicas (d) cocktails de
fruta. Confronto com os limites: (a)aceitar, recusar ou procurar o compromisso, (b) quando os
nossos desejos entram em choque com os limites dos outros: como se reage? A esquiva da Sabrina

41
Manual Eu e Os Outros

– ao remeter para o Jamal a decisão sobre o tema, deixa-o com a responsabilidade toda. É justo?
Incomodar-vos-ia? Argumentação: que argumentos se podem contrapor à lei? Alternativas: o que
pode fazer esquecer a ausência do álcool?

Parágrafo 52 (pensas nos comes e bebes)


44B

Temas: A alimentação associada a festas: os salgados e os doces. A importância da estética (jogar


com as cores dos alimentos ou com as formas dos mesmos), das texturas e dos cheiros para além
das questões práticas.

42 Parágrafo53 – (tratar da animação…)


52B

Temas: Atividades: ideias para animar a festa – levantamento de sugestões. Graffitis: estética,
mensagem, julgamento social
Proposta de atividade: levantamento dos graffitis da zona; perceber qual a mensagem subjacente;
criar uma mensagem (individual ou em grupo), concretizá-la (numa parede, no computador, no
papel…)

Parágrafo 65 e 66 – (fazer sair o E-man para a festa)


55B

Temas: Motivar: Como convencer alguém a largar o computador, (ou algo de que se gosta muito e
ao qual se está agarrado). O efeito hipnótico dos ecrãs.

Parágrafo 67 (começa a festa…)


60B

Temas: Reação aos estranhos: (a) vergonha, (b) receio de não gostem de nós/do julgamento que
façam (c) medo de que nos possam fazer mal (d) receio de não se saber comportar/ não saber o que
dizer
Proposta de atividade: dinâmica de Grupo – Guia e o Cego

Parágrafo 73, 72, 71, 75, 68, 69, 70, 74, 76, 77, 78 (dar-se a conhecer…)
61B

Temas: A Exposição: (a) a coragem de se assumir como se é; (b) o medo do julgamento dos outros;
(c) desigualdade de atitudes – é mais fácil quando todos participam (d) a descoberta de semelhanças/
dificuldades partilhadas – “pensava que só eu é que sentia assim” (e) a importância das diferenças
como aspetos complementares entre duas pessoas

Parágrafo 79, 82 (partilhas as preocupações)


62B

Temas: Contexto: (a) condicionamento dos contextos sobre os conteúdos de uma conversa, (b)
importância de criar um bom clima para abordar certos temas, Saber perguntar: (a) as perguntas
que condicionam as respostas (b) os entraves à comunicação – o que é dito que retira toda a vontade
de continuar a conversa Atitude: (a) desvalorizar, (b) insistir, (c) dramatizar, (d) disponibilizar-se…
Proposta de atividade: fazer um levantamento das atitudes que retiram logo a vontade de continuar
uma conversa

42
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 80 (perguntas sobre a Internet)


63B

Temas: Privacidade: (a) o direito a guardar para si coisas pessoais, (b) o desejo de tranquilizar o
outro, expondo-se a ele. Tempo e Controlo: (a) quanto tempo é suficiente e a partir de quando é que
se torna demais, (b) consciência da passagem do tempo (c) capacidade de parar quando se atinge o
tempo certo
Proposta de atividade: fazer um levantamento de estratégias de controlo

Parágrafo 81 (tentas perceber melhor…)


64B

Temas: A necessidade de ficar só: (a) tristeza, (b) aborrecimento, (c) sentimento de incompreensão
(d) perplexidade com o futuro e com a mudança, A importância de viver os sentimentos menos 43
agradáveis: (a) os contrastes de dão significado às coisas; (b) a irrealidade das coisas perfeitas
(negação das coisas más)

Parágrafo 84 (… onde arranjou o álcool?)


Temas: Atitude: Alinhar, reagir ou deixar andar Resistir a um desafio: capacidade de dizer NÃO.
Gerir o compromisso:(a) entre a lealdade ao Joca e a amizade.

Parágrafo 86, 90 (aceitas o convite…)


Temas: Os copos e as miúdas como solução dos problemas: os mitos contra a tristeza – (a) o
álcool como antidepressivo e desinibidor; (b) a sexualidade como fator de compensação e de
valorização pessoal, (c) utilizar as pessoas (d) resolver por agora adiando para depois os verdadeiros
problemas… O corpo em mudança: o peso da acne na autoimagem O evitamento como defesa: o
medo da rejeição; o que não vejo não desejo;

Parágrafo 88 (bebes tu…)


67B

Temas: O uso e o abuso: o consumo responsável, a perda de controlo, a embriaguez, a ressaca;


Lidar com as consequências (a) descarregar nos outros, (b) contextualizar (c) desvalorizar e partir
para a próxima.

Parágrafo 87, 89, 91 (agradeces e recusas…)


69B

Temas: Atitude:(a) ser cúmplice, (b) ser passivo / deixa andar, (c) ser firme, Evitar o Confronto:
consequências do adiamento de um problema (confronto com as regras) Gestão do Conflito:(a)
impor, (b) explicar, (c) propor alternativas, (d) sugerir soluções

Parágrafo 85 (ficas a pensar no que acabaste de ouvir …)


70B

Temas: Consciencialização: (a) o outro como espelho – pensar em mim a partir do que percebo no
outro, (b) oferecer-se como referência – de que serve ao outro a nossa experiência? Como transmiti-
la sem parecer paternalista Contextualização: ajudar a ver um problema em função do tempo e do
contexto (a) as mudanças que já ocorreram e as que ainda estão para vir (b) comparação com outras
pessoas da mesma idade (c) explorar o que já foi tentado e o que ainda pode ser feito em relação ao

43
Manual Eu e Os Outros

problema; Reconhecer e validar o que o outro está a sentir – a valorização do outro como fator
reconfortante
Proposta de atividade: levantamento do modo como cada um se vê, como gostaria de ser, o que faz
para se aproximar do seu ideal.

Parágrafo 92 (Fazes um balanço)


68B

Temas: Poder contar com o outro: o resultado da partilha, Pesar o positivo e o negativo:(a) o que
deve ser mantido, (b) o que pode ser melhorado Valorizar o que foi possível – o ideal como inimigo
do bom, especialmente quando toca à ajuda ao outro.
44

44
Manual Eu e Os Outros

45

7.2 História 2: A Amizade


Personagem Principal: Maria
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica, cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. Gestão de Conflitos dentro de um grupo de amigos – diferentes posicionamentos face ao
conflito (evitamento, confronto, negação, mediação, etc.);
2. Preocupação com o olhar dos outros face à sua imagem corporal;
3. Ritmos pessoais e o respeito pelo outro;
4. Exploração de culturas juvenis e contextos específicos de cada uma
5. Gestão afetiva de diferentes graus de intimidade - entre relações preferenciais e relações
grupais;
6. O Bodybuilding e o uso de esteroides
7. A Homofobia
8. O consumo de cannabis – perceções de (a)normalidade, função de partilha, contextos de
consumo, pressão de pares, efeitos da substância;
9. Reação ao que é diferente – respeito pelas opções individuais dentro do grupo;
10. Estratégias de integração
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente
cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

45
Manual Eu e Os Outros

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Preparativos para sair – do parágrafo 1 ao 19
2º Bloco – Ambientando-se à praia – do parágrafo 19 ao 37
3º Bloco – Confusões com o Patas e o Botecas - do parágrafo 37 ao 68
Sub Bloco – conversa com o Botecas
4º Bloco – Procurando uma solução - do parágrafo 68 ao 96
Sub Bloco – tratamento de som para o concurso das bandas

46
Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 8, 9, 10, 11 – (o acordar/preparar para sair)


Temas: As rotinas matinais: (1) o banho, (2) o pequeno-almoço, (3) a escolha da roupa; A gestão
do tempo: falha da noção do tempo, pensar que ainda há tempo para mais um pouco de sono;
Proposta de atividade: quais são os rituais matinais de cada um? O que é que tomas ao pequeno-
almoço? O que é que fazes enquanto tomas o pequeno-almoço.

Parágrafo 2, 4, 12, 13, 14, 15 – (a escolha da roupa)


72B

Temas: Preocupação com a imagem: ser prática, ser vaidosa, ser exigente ou despreocupada.
Cuidado pessoal: a preocupação com a imagem sobrepõe-se à higiene pessoal
Parágrafo 3 – (dormir mais um bocadinho)
73B

Temas: Gestão do atraso: (1) corresponder à responsabilidade em desfavor do seu cuidado pessoal;
(2) cuidar de si em desfavor dos compromissos assumidos; As consequências de uma má decisão.

Parágrafo 5, 6, 7 – (Avisar a amiga)


74B

Temas: O respeito pelo outro: pensar na amiga vs. poupar recursos (SMS).

101B Parágrafo 16 – (Telefonas a uma amiga)


Temas: A utilização de roupa que não é do próprio: Qual é o sentimento de utilizar uma peça de
roupa que pertence a outra pessoa. Formatos de corpo diferentes, estilos diferentes. Haverá
diferenças entre rapazes e raparigas neste aspeto de usar roupa de outra pessoa?

102B Parágrafo 17, 18 – (Compras um fato de banho novo)


Temas: A relação custo / benefício: Compensa gastar o dinheiro no fato de banho?
Proposta de atividade: organizar uma lista de argumentos a favor e contra a compra do novo fato de
banho e proceder a uma discussão de grupo. Fazer um levantamento no grupo de jogadores das
situações em que cada um consideraria possível que aquela situação lhe acontecesse. Explorar a

46
Manual Eu e Os Outros

mesma questão não aplicada a fato de banho mas a outro bem. Que bens justificariam uma decisão
deste tipo?

Parágrafo 19, 20 – (o encontro com a Catarina, diferenças de estilos)


75B

Temas: Níveis de proximidade: opção entre momentos de maior intimidade com um(a) amigo(a)
mais próximo(a) ou preferir a diluição no grupo. Fatores de Identificação: o que nos faz sentir mais
próximos dos nossos amigos a) gostos comuns, b) mesmo nível socioeconómico, c) objetivos
comuns, d) ideais/valores comuns, e) não querer ficar sozinho... A Influência das culturas juvenis
nas amizades: exploração da ideia de que um grupo de pertença possa interferir numa amizade.
Levantamento de situações conhecidas pelos elementos do grupo. 47
Proposta de atividade: explorar as subculturas juvenis conhecidas: os punks, os dreads, os
rastafari, os góticos, os freaks, os emo, os betos, os surfers, os skaters, os nerds, os geek… O
que os distingue? Interesse? Estilo? Música? Rivalidades? (sugere-se pesquisa na Wikipédia, Google
scholar, e outros motores de busca semelhantes)

Parágrafo 21, 22, 23, 34, 35 – (Instalas-te na praia)


Temas: Atividades de praia: a) a proteção/prevenção b) a diversão c) o relaxar ao sol, d) refrescar
do calor, e) convívio, f) apreciar o que nos rodeia. Cuidar de si: atitudes de proteção – cremes, beber
líquidos, selecionar a alimentação; Jogos de Praia: quais e onde, diferentes atividades em função da
idade, construir com areia, incomodar e ser incomodado, Lagartar ao sol – tempo de exposição em
função da hora do dia, Observar o que nos rodeia: as pessoas, o mar, explorar a praia... Tomar
Banho: entre o risco e o perigo, o fora de pé, não se estar só nas ondas, regras de sobrevivência
Proposta de atividade: explorar com os jogadores o que mais gostam de fazer quando estão na
praia e o que não gostam que aconteça

107B Parágrafo 24, 28, 30, 31 (nos campos de Volley)


Temas: As atividades desportivas de praia – o volley, o futebol, andebol, basquete… A
transposição para um espaço aberto de modalidades típicas de recintos fechados. O impacto da
prática desportiva no desenvolvimento físico – diferentes desportos realçam grupos musculares
distintos. A apreciação estética de um corpo vs. a atracão – será uma consequência da outra?
Poderá uma apreciação ser feita de forma neutra sem segundas intenções. A apreciação de alguém
do mesmo sexo pressupõe tendências homossexuais? A Homossexualidade – orientação sexual de
quem sente atração física, emocional e estética por outro ser do mesmo sexo; O carácter duradouro
da orientação (não ser uma experiência passageira); a adolescência como uma fase de estabilização
/ questionamento da orientação sexual. A identidade pessoal e social com base nessa atracão,
manifestando-se em comportamentos e aderindo a uma comunidade de pessoas que compartilham
da mesma orientação sexual; Homofobia – desenvolvimento de reatividade a pessoas, situações ou
temáticas relativas à homossexualidade.

47
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: pedir ao grupo que reflita sobre quais as modalidades que melhor
desenvolvem o corpo, em função da sua estética pessoal. Ter em consideração a diferença de
género.

106B Parágrafo 25 (os Papagaios de Vento)


Temas: os Hobbies: as coisas em que gostamos de investir o nosso tempo livre e nas quais
desenvolvemos competências especiais: a paciência, a persistência, a coordenação, conhecimentos
de aerodinâmica, conhecimentos de resistência de materiais, conhecimentos sobre a natureza do
vento – correntes, direção, estabilidade… Diferentes tipos de papagaio: as asas, os hexágonos, o
48 formato de arpão, os multiplanos. As diferentes aplicações do papagaio de vento: 1) Histórica –
como estratégia de observação do inimigo, 2) Desportiva – Kytesurf 3) Laser – ocupação de tempos
livres, 4) Modelismo – aproximação a atividades de construção de modelos de voo com ou sem
motor.
Proposta de atividade: propor ao grupo a construção de papagaios de papel. Poderá pesquisar sites
em busca de modelos e instruções e organizar com o grupo um dia para a largada conjunta dos
trabalhos produzidos.

Parágrafo 26 (Comentas a moche)


86B

Temas: O espaço próprio: o desejo de proximidade física vs. a necessidade de espaço próprio. A
variação desta necessidade ao longo da vida.
Proposta de atividade: levantamento dos comportamentos que os jogadores têm quando estão na
praia.

Parágrafo 27 – (Comentas o Mr. Músculos)


83B

Temas: A praia como um contexto de exposição aos outros: a exibição, a privacidade, a vergonha.
O Body Building / Musculação / Culturismo – As práticas: forma isométrica (contração mantida),
H

isocinética (com velocidade angular constante) ou isotônica (alternância de contrações concêntricas e


H H

excêntricas), contínua ou intervalada, leve, moderada ou intensa, com recursos aeróbios ou


anaeróbios. As motivações sentir-se bem consigo (ter um corpo bem feito); impressionar os outros
(sexualidade, competição, impor respeito, …); aumentar a competência física/desportiva (desportos
de contacto físico, combate, etc.). O investimento – entre um lado saudável e o excesso. O desejo de
resultados rápidos. O equilíbrio dos programas de treino (frequência, intensidade, combinação de
exercícios). A competição – existência de campeonatos nos quais se avalia o desenvolvimento
muscular e para os quais se desenvolve um trabalho específico de treino e de práticas alimentares.
As questões de género: analisar a prática em função do sexo.

108B Parágrafo 29, 32, 33 (Saber mais dos Esteroides)


Temas: Os Esteroides Anabolizantes (EA) são produtos químicos mas, também podem ser
produtos naturais que contêm hormonas masculinas - a testosterona. Estas substâncias promovem o
crescimento muscular (características anabólicas) e aumentam os caracteres masculinos

48
Manual Eu e Os Outros

(características androgénicas). Os EA são drogas legais frequentemente utilizados em medicina para


tratar a fraqueza muscular no pós-operatório. Os EA são utilizados na generalidade das modalidades
desportivas e nos ginásios para obter um desenvolvimento rápido da massa muscular e diminuir os
períodos de recuperação entre esforços. Os EA são proibidos na prática desportiva *. Um atleta que
H

acusa a utilização de EA é suspenso e penalizado. São normalmente injetados ou consumidos em


comprimidos, mas também podem ser colocados debaixo da língua (sublingual). Os efeitos dos EA
são diferentes de homem para mulher. Dependem, também, da idade e da fase de desenvolvimento
em que se encontra o teu corpo. Os Suplementos Nutricionais são utilizados pelos praticantes
desportivos com o objetivo de ultrapassar o desequilíbrio nutricional resultante do esforço físico e
como forma de otimização do seu rendimento desportivo. Muitos dos suplementos nutricionais,
49
comercializados atualmente, contêm, intencionalmente ou não, substâncias incluídas na Lista de
substâncias e métodos proibidos da Agencia Mundial Antidopagem. O mercado negro e os produtos
não rotulados deverão representar um cuidado particular; os atletas não deverão usar nada que tenha
uma origem desconhecida mesmo que venha de um treinador ou de um atleta amigo. (conteúdos
retirados do site do IDP).

Parágrafo 36 – (Falas do anuncio da rádio)


Temas: Os dons individuais: o cantar, representar, fazer imitações, fotografar, etc. A importância de
ter um projeto pessoal ou coletivo. O concurso de bandas júnior – acreditar no seu valor; perceber o
seu valor na comparação com os outros. O medo de não corresponder. A importância dos
pormenores para provocar a melhor impressão. A dependência de outros em áreas de conhecimento
técnico.

Parágrafo 37 – (Procuram o resto da malta)


Temas: Conciliar amizades: a dificuldade de manter a harmonia num grupo com pessoas com
características antagónicas. O desejo de perpetuar o grupo para sempre: ciclo de vida de um
grupo a) a constituição a partir de um objetivo comum, b) a instabilidade que resulta da adaptação
necessária entre os membros c) a fase de estabilidade e produtividade com base no bom
entendimento entre os membros d) a cisão ou desdobramento do grupo.

Parágrafo 38, 40, 67, 68, 69, 70, 71, 73, 74, 78 – (Conversa com a Catarina e o
88B

Jamal)
Temas: Atitudes face ao risco de conflito: 1) envolvimento no conflito – dar opinião que obriga a
U U

tomar uma posição contra ou a favor de alguém de quem se gosta; 2) o silêncio como forma de evitar
o conflito; 3) de svalorização dos sinais de conflito; 4) procura de mais informação que permita uma
ee U U

tomada de posição mais segura; 5) ganhar tempo para poder pensar melhor sobre o assunto.
U U

Consequências do conflito: necessidade de negociação, rutura, clarificação, mediação,


questionamento de lealdades, etc. Congruência entre causa e consequência: 1) ter uma reação
exagerada face ao desencadeante; 2) ter uma relação branda face à gravidade; 3) ser firme vs. ser
tolerante; 4) ser contingente ao acontecimento vs. reagir mais tarde

49
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 39, 41 e 43 – (ficas mais um bocadinho, tentas convencer a Catarina a


76B

ficar)
Temas: Resistir à influência da amiga, não querer alinhar nas atitudes de rejeição, poder pensar
pela sua cabeça. A Confiança na relação que permite escolher diferente - ter de escolher entre duas
partes; o medo de magoar a amiga; A Frontalidade: ter de escolher entre dizer a verdade e magoar
o outro, ou evitar o confronto com situações potencialmente tensas. A Tolerância à frustração – ser
ou não capaz de suportar algo desagradável em prole de manter o grupo unido.

Parágrafo 42, 52 – (Dizes-lhe a verdade)


80B

50 Temas: Confrontação de imagens – arriscar dizer ao outro o que se pensa dele. A importância de
ser honesto consigo. A capacidade de suportar o choque do outro e ajudar a reconstruir uma melhor
atitude. A tentação de fugir ao confronto com o outro e alimentar uma imagem de si desadequada. A
Imagem de si: Como se constrói? O que a mantém? Os outros como espelhos de nós.
Proposta de atividade: o Jogo do Totem

Parágrafo 44, 47 – (Convidas o Botecas para irem até ao bar)


Temas: A tristeza de pessoas que nos são queridos(as). A descoberta de coisas que não sabíamos
de pessoas que são nossas amigas. A cerveja sem álcool: as estratégias de mercado para introduzir
um produto junto a grupos etários mais baixos ou junto a populações mais resistentes. A associação
de sabores à cerveja sem álcool para a tornar menos agressiva. A banalização de um comportamento
que facilita a instalação de outro. O menor teor calórico da cerveja sem álcool como um fator positivo.
A reação ambivalente dos habituais consumidores de cerveja à cerveja sem álcool.

Parágrafo 45 – (Despedes-te do Botecas)


82B

Temas: O peso do silêncio: a dificuldade de encontrar as palavras certas para ajudar o outro a lidar
com o sentimento doloroso. A dificuldade de suportar o silêncio. Dar espaço ao outro para pensar vs.
fugir da situação tensa.

Parágrafo 46, 50, 51, 55 – (Sabes o que se está a passar – fazer um charro)
79B

Temas: Consumo de Haxixe: O que sabem da substância a) apresentação, b) efeitos, c) riscos


associados d) crenças e) perceção de normalidade – entre o seu grupo de referência, comunidade,
grupo etário, etc. Atitude face ao consumo: Passivo (não faz nada), Assertivo (discutes,
argumentas), Agressivo (cortas relações, afastas-te)
Proposta de atividade: pesquisar no site www.tu-alinhas-pt informação sobre esta substância. Esta
HTU UTH

tarefa pode ser concretizada no período entre sessões.

Parágrafo 48 – (Comentas a atitude cansativa do Botecas)


84B

Temas: A procura da forma certa de dizer as coisas: A diferença entre saber o que se quer dizer e
encontrar a forma certa de se dizer. Ser frontal. Dar exemplos. Atenuar a intensidade do que se quer
dizer. “É porque sou teu amigo(a).”

50
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: (1) propor um role playing. Pedir que um conjunto de voluntários represente
a situação e solicitar à plateia que experimente formas diferentes de conduzir a conversa explorando
os prós e os contras de cada uma das situações. (2) Em alternativa o dinamizador poderá propor ao
grupo que se organize em trios em que um jogador tem a tarefa de comunicar ao outro uma
informação difícil de dar (que ele é chato, que cheira mal da boca, que não o querem na equipa, etc.)
o outro deverá reagir à situação enquanto o terceiro jogador observa e devolve, no final da
representação, o sentimento que lhe ficou de assistir à conversa. Todos os jogadores passam por
todos os papéis. No final o dinamizador conduzirá uma conversa em torno das diferentes experiências
vividas. Para facilitar esta dinâmica, o dinamizador pode organizar previamente pedaços de papéis
com os conteúdos que devem ser comunicados de modo a evitar que a situação fique dependente da
51
imaginação dos jogadores.

Parágrafo 49 – (Está na altura de te ires embora)


85B

Temas: O sentimento de ter conseguido falar sobre o que era preciso ser falado.

Parágrafo 53, 54 – (Dizes ao Botecas para não ser gabarola)


92B

Temas: Compreender o comportamento: tentar perceber porque é que alguém tem a necessidade
de ser gabarolas – não ter a noção de o fazer, achar que se é realmente melhor do que os outros,
querer ganhar o reconhecimento dos outros, não querer parecer ignorante ou incapaz, etc. Processo
de mudança: perceber que não se muda só porque os outros querem. A mudança implica tempo e
fases. 1) reconhecimento da necessidade de mudar, 2) levantamento de ganhos e perdas resultantes
da mudança; 3) aceitação dos custos da mudança; 4) definição e concretização de uma estratégia de
mudança; 5) perpetuação da mudança.

Parágrafo 56, 83 – (Dás-lhes uma lição de moral)


99B

Temas: O Moralismo: por muito que se tenha razão o moralismo por vezes apenas reduz a
disponibilidade do outro para escutar. Os perigos do consumo: é frequente cair-se no erro de
enunciar os perigos associados ao consumo, contudo ao perigo está igualmente associado a noção
de desafio – às regras, aos riscos, aos adultos, etc. - que tem um efeito de atracão para o consumo.
Por outro lado, o facto de alguns efeitos nocivos do haxixe não serem imediatos, resulta na
desvalorização dos argumentos contra o consumo. Formas alternativas de prazer: pode ser
importante perceber o que leva estes jovens a precisarem de sentir outras sensações para além
daquelas que a praia lhes estava a dar.
Proposta de atividade: solicitar ao grupo que reúna argumentos que considerem válidos para
convencer alguém a não consumir haxixe e promover uma discussão em torno dos resultados
obtidos.

103B Parágrafo 57, 61, 62 e 64 (Perguntam-te se queres dar uma passa)


Temas: Tomada de decisão: o jovem é frequentemente chamado a tomar uma decisão em escassos
segundos sobre aceitar ou passar o charro. Por vezes a falta de tempo para pesar os prós e os
contras conduz a más decisões. Levantamento de razões para aceitar consumir e razões para não

51
Manual Eu e Os Outros

aceitar. A pressão de pares: muitos dos primeiros consumos resultam para além da curiosidade, da
pressão que os outros exercem sobre o jovem, mesmo que não seja ativamente, ridicularizando,
frequentemente de forma passiva ao colocar a pessoa face ao receio sobre a reação dos outros face
à sua opção de consumir ou não. A capacidade de dizer não: existem múltiplas maneiras de dizer
não (não afirmativo, não explicado, “agora não”, “não posso” vs. “não quero” ou “não preciso”,
etc.).Pode ser importante explorar estas diferentes formas antes de se confrontar com este tipo de
situação. Os sinais do consumo: existem um conjunto de sinais que traem o consumo de haxixe
mas que podem ser confundidos com e conduzirem a desconfianças muito delicadas. O sinal mais
evidente é frequentemente o receio do próprio consumidor de ser identificado e que o leva a
comportar-se de forma pouco à vontade. O efeito desinibidor da substância é também por vezes fácil
52
de se observar. Fazer opções: quando duas realidades são incompatíveis – estar com quem
consome dificulta estar com quem não consome
Proposta de atividade: dinâmica de grupos: O Jogo do Porteiro.

Parágrafo 58 – (Confrontas-te com a zanga do Botecas)


90B

Temas: O que é ser Amigo? Quais são os limites da amizade? O que distingue um amigo de um
conhecido? O que se espera de um amigo? Diferentes papéis para diferentes feitios. Lidar com a
zanga de alguém: como nos sentimos, como reagimos, o que dizemos? A importância da zanga
como forma de conduzir a uma relação mais forte. O medo de que a zanga estrague a relação. Como
se repara uma relação depois de uma zanga? Ser firme apesar da zanga ou recuar para a evitar. Dar
espaço/tempo ao outro para poder pensar sobre as coisas.

Parágrafo 59, 63 – (o Botecas conta um segredo)


81B

Temas: Receber um segredo: atitudes a evitar a) gozar, b) desvalorizar c) fazer comentários


moralistas ou culpabilizantes, d) dar conselhos. Perfil de Confiança: quais as características da
pessoa a quem se confia um segredo.
Proposta de atividade: propor ao grupo que, individualmente, cada jogador escreva três
características que considere fundamentais em alguém para ser merecedor de confiança.

Parágrafo 60 – (Não juras guardar segredo)


91B

Temas: O medo da intimidade: receio de não saber lidar com os conteúdos do segredo; Falta de
tato – não ter a noção da importância da decisão de partilhar o segredo, não ser capaz de escolher a
atitude certa para receber o segredo do outro; Não querer ter o papel de confidente: achar que não
se tem o perfil para lidar com as questões dos outros. Diferentes tipos de segredo: nem todos os
segredos devem ser aceites sobretudo se põem em causa a segurança ou a saúde de alguém.

109B Parágrafo 65, 66 (Comentas o que estás a sentir)


Temas: Crises de Ansiedade – na sequência do consumo de cannabis verificam-se por vezes a
sensação de aperto do peito, taquicardia, respiração acelerada que traduzem um pico de ansiedade
que no extremo poderá atingir o ataque de pânico . Este efeito pode resultar da intensificação da
U U

52
Manual Eu e Os Outros

sintomatologia normal - aumento da frequência cardíaca, maior sensibilidade aos estímulos externos
– por interferência de características psicológicas individuais - maior insegurança, baixa autoestima,
desconfiança, medo, etc. Estados confusionais – algumas pessoas, em função de características
psicológicas prévias, podem, sob o efeito da cannabis, desenvolver estados de perturbação
psicológica que envolvem confusão no tempo e no espaço, autorreferenciação e até mesmo delírio.
Dá-se a este estado o nome de psicose cannábica , estado este que poderá assumir um carácter mais
U

estável sem remissão total. Os jovens referem-se a este estado com “sentir-se queimado” traduzindo
a incapacidade de concentração, investimento e de se proteger de ideação persecutória. As
diferentes apresentações da Cannabis no mercado em que, para além do haxixe prensado (pedra,
sabonete) surge o pólen (aparência de planta fresca com flor e folha), as bolotas (planta prensada
53
enriquecida com óleo de haxixe), e o óleo de haxixe – (formato líquido), têm facilitado o surgimento
destas situações, com os jovens consumidores a experimentarem tipos de cannabis com uma
concentração de THC (tetrahidrocannabinol) várias vezes mais elevada pensando tratar-se da
concentração habitual.

104B Parágrafo 73 (Desvalorizas dizendo que toda a gente fuma)


Temas: Mitos e Crenças: os comportamentos de cada um são fortemente influenciados por crenças,
que nem sempre são corretas e que jogam um papel importante como fatores protetores ou fatores
de risco face aos consumos. Uma boa forma de ajudar a prevenir ou a evitar novos consumos é
confrontar as crenças com a realidade através da pesquisa de informação. Levantamento de crenças
sobre o consumo de haxixe ou derivados da cannabis.

Parágrafo 76 – (Ignoras o assunto)


89B

Temas: Fugir aos conflitos: consequências de evitar sempre os conflitos. O não envolvimento nas
questões que nos dizem respeito fazem-nos passar ao lado das relações e dos problemas. O medo –
de ser injusto, de magoar, de não saber lidar com as coisas, de não suportar as consequências, etc. -
como fator que não permite desenvolver as relações.
Proposta de atividade: levantamento junto aos jogadores das situações de que se tem medo nas
relações com os amigos. O dinamizador deverá ter o cuidado de não permitir que se goze com o
medo expresso e garantir que quem não tem aquele medo explique como faz para não deixar aquela
situação tornar-se tão assustadora para si.

Parágrafo 77 – (Sugeres conversar com eles)


96B

Temas: Ser persistente: não desistir à primeira dificuldade, sobretudo face às implicações da
decisão que estão prestes a tomar. Participação de todos: quando o conflito envolve várias partes é
importante que todos possam participar em conjunto no esforço de resolução do problema. De outra
forma quem não participa pode sempre pôr em causa as conquistas conseguidas ou levar questões
que não foram exploradas na conversa em que não participaram.

53
Manual Eu e Os Outros

105B Parágrafo 47, 95 (o Confronto)


Temas: As opções em situação de conflito: 1) ambas as partes ganham – chegar a uma solução de
U U

benefício mútuo envolvendo frequentemente cedências de parte a parte. 2) uma parte sobrepõe-se à
U

outra – alguém impõe o seu poder ao outro obrigando-o a recuar ou a assumir erros sem nada em
U

troca. 3) ambas as partes perdem – situações em que há ruturas, como zanga, destruição,
U U

penalização mútua. A importância de um mediador face ao conflito – alguém que arbitre a situação
tornando-a leal e justa. A dificuldade de ser árbitro em causa própria. Não é mediador quem quer mas
quem é respeitado e escolhido por ambas as partes.

54 105B Parágrafo 80 (Perceber melhor o que se está a passar)


Temas: A importância do diálogo na procura de soluções. As crenças erróneas que influenciam
negativamente o indivíduo nas suas atitudes. O desmontar dessas crenças com nova informação: a
legalização da cannabis à imagem de outros países da Europa, a comparação da cannabis com o
tabaco, a classificação da cannabis enquanto droga leve.

Parágrafo 81 – (Propões reunir mais informação)


97B

Temas: Reunir informação: nem toda a informação na Internet é de qualidade. Ter cuidado com a
escolha das fontes. As características das substâncias, os seus efeitos e as consequências do seu
consumo.
Proposta de atividade: O grupo deve fazer uma pausa no jogo e entrar em contacto com a linha
Vida (1414) (via internet ou telefone) para saber informações/tirar dúvidas sobre a temática.
A Linha Vida funciona todos os dias úteis das 10:00 às 18:00, é gratuita, anónima e confidencial. No
âmbito do jogo, dizer de onde liga, e qual a história que estão na jogar.

Parágrafo 82, 84 – (Conversa com o Patas e o Botecas)


Temas: Aceitação das diferenças: não impor ao outro os nossos padrões não implicando com isso a
aceitação do comportamento do outro; Definição de Limites: a liberdade de cada um é limitada pelo
impacto nos outros. A clarificação dos limites permite ao outro decidir sabendo as implicações da sua
escolha nas suas relações com os outros. A comunicação como a melhor forma de gerir conflitos. O
consumo de haxixe como fator de exclusão – entre quem consome e quem não consome – e de
inclusão – entre pessoas que consomem e que deste modo se sente mais parte do grupo de
consumo (quando o consumo ocorre em grupo/em contexto recreativo)

Parágrafo 85, 86, 87, 89, 93 – (Deixas-te ficar a conversar)


94B

Temas: Ajudar os amigos a encontrar pontos em comum: os gostos comuns ajudam a ultrapassar
as barreiras à relação. A Entreajuda: Ajudar nem sempre significa ter a resposta podendo traduzir-se
no promover o contacto com quem a tenha e esteja na disposição de ajudar.

54
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 88, 92 – (Não confias em promover a aproximação do Botecas e da


98B

Catarina)
Temas: Ser Incoerente: Dificuldade de ter um pensamento estratégico. Às vezes um insucesso numa
área pode permitir um sucesso noutra área. Correr riscos. A possibilidade de Reformular uma
opinião quando se percebe um erro.

Parágrafo 91 – (A estratégia não é adequada)


95B

Temas: O Humor como forma de quebrar a tensão. Ainda que seja uma estratégia de risco – pode
ser confundida com o gozar com a situação – o humor pode ajudar a criar um clima mais propício a
um entendimento. Rituais de redução de tensão – o cachimbo da paz, os cumprimentos, as refeições 55
antes dos negócios, etc.

Parágrafo 95 – (Os limites da ajuda)


95B

Temas: A impossibilidade de corresponder aos desejos dos outros. As condicionantes à ajuda:


crenças e valores em conflito, o ciúme, a birra, O impacto da deceção na amizade. Confiar que a
qualidade de uma relação sobrevive a este tipo de experiências. A necessidade de dizer sim aos
desejos dos outros para não os dececionar e deste modo evitar o risco de os perder.

Parágrafo 96,97 – (FIM)


95B

Temas: A reparação das relações, quando é possível encontrar pontos de contacto entre pessoas
que não se gostam. A função de proporcionar o encontro entre pessoas que se podem ajudar
mutuamente. A transformação pessoal que pode resultar de uma confrontação dolorosa. O valor dos
títulos: o que têm de ridículo e o que proporcionam na promoção de uma melhor autoestima
Proposta de atividade: a atribuição de títulos a cada jogador em função da sua participação no
projeto. Ex. o mais crítico, o mais participativo, o mais provocador, etc. Todos os títulos devem ser
dados enquanto contributo positivo.

55
Manual Eu e Os Outros

57

7.3 História 3: A Escola


Personagem Principal: Emanuel
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, refletindo, depois de uma forma mais específica sobre cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. O Bullying – lidar com maus-tratos fortuitos;
2. A espiral da agressividade;
3. Os sinais de sofrimento – perturbações do sono, insucesso, problemas de concentração;
4. Atividade física e saúde;
5. Os efeitos do tabaco;
6. As medidas de prevenção do tabagismo em locais públicos;
7. A confiança na capacidade de ajuda dos outros (Família, Professores, Amigos);
8. A capacidade de se fazer respeitar;
9. Corresponder (ou não) às expectativas dos outros;
10. O sentimento de incompreensão;
11. Preconceitos;
12. Entreajuda, a proteção dos iguais;
13. Delegar ou resolver os próprios problemas.
Estes temas são explorados com maior ou menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente

57
Manual Eu e Os Outros

cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Um dia na escola – do parágrafo 1 ao 31
Sub Bloco – compra de cigarros
2º Bloco – Em casa/o sonho – do parágrafo 31 ao 46
3º Bloco – Gerindo o problema - do parágrafo 46 ao 89
58
Sub Bloco – Sala de convívio

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 4, 7 – (na escola a fazer tempo)


Temas: A ocupação dos tempos livres na escola. A atividade física e a saúde – a importância de um
corpo ativo como contraponto ao sedentarismo e aos maus hábitos alimentares. Os interesses de
cada um. As atividades individuais e de grupo, as espontâneas e as organizadas. A participação dos
alunos na mudança da escola – criação de espaços com os quais os jovens de identifiquem.
Proposta de atividade:(1) pedir a cada jogador que identifique o que mais gosta nos tempos livres
da escola – conversar, jogar à bola, ouvir música, ler...(2) propor aos jogadores que imaginem a
escola ideal ou espaços específicos da mesma. A construção poderá ser conjunta ou em pequenos
grupos. As ideias deverão ser reunidas e avaliadas pelos jogadores face aos custos, viabilidade,
aceitação, etc. (3) pesquisar se na escola decorre o Programa Fitnessgram (geralmente da
responsabilidade do grupo docente de Educação Física). Se sim, perceber se é possível que os
participantes acedam ao programa e avaliem a sua condição física. Se não, pesquisar no sítio
www.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgram .
HTU UTH

Parágrafo 2 – (Ficas a curtir o som)


Temas: O Hip-Hop como estilo musical. As características deste estilo por comparação com outros:
acid,, afro, country, folk, indy, house, metal (heavy, dark), pop, rap, reggie, rock, techno, trash... Os
cravas: a pressão para que se dê algo que os próprios podem obter por si próprios. As várias
possibilidades de resposta – dar, recusar, encaminhar...
Proposta de atividade: pedir a cada jogador que identifique o seu estilo musical, cantores/grupos
preferidos.

Parágrafo 3, 6, 8, 9, 11, 12, 13, 14, 31 – (Arranjar um cigarro)


112B

Temas: A pressão dos mais fortes sobre os mais frágeis. A agressão física. O sentimento de
insegurança e desproteção. Atitudes face à pressão: confronto, evitamento estratégico, submissão.

58
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 5 – (não voltas mais)


113B

Temas: O Fugir ao problema. Consequências desta opção. O adiar das questões até ao próximo
encontro, o aumento da tensão e do medo, a limitação nos percursos (evitar os locais por onde
andam os agressores)

Parágrafo 9 – (a proibição de fumar)


114B

Temas: A lei: presentemente a lei proíbe o consumo de tabaco em espaços públicos, restringindo-o a
contextos privados, ao exterior ou a espaços equipados com extratores de ar com capacidade
claramente definida. A mesma lei obriga as tabaqueiras a informar os consumidores dos efeitos
59
nocivos do tabaco. As atitudes face à pressão – ser pedagógico, confrontar, ser agressivo. A
importância de saber ler o oponente e adequar a atitude face aos riscos. A diferença entre a coragem
e a inconsciência.
Proposta de atividade: solicitar aos jogadores que recolham informação sobre a lei do tabaco, a
história desta substância, a sua forma de produção, os perigos para a saúde, etc.

Parágrafo 10 – (a aula de Educação Física)


Temas: A importância do exercício físico. A resistência de algumas pessoas ao exercício por não
quererem expor as suas limitações, ou evitarem comentários dos colegas ao seu aspeto. A
importância da atividade física no bem-estar físico e mental – a atividade física como uma forma de
cuidado pessoal, descarga de energia excedente, e espaço de realização. A competência física e a
competitividade: algumas pessoas face à sua competitividade, perdem a noção do limite dos outros
exigindo níveis de eficácia que não estão ao alcance destes reforçando a resistência destes à prática
desportiva. A variedade de modalidades poderá permitir que cada pessoa encontre o seu próprio
desporto. As diferentes competências trabalhadas em cada modalidade: força, agilidade, estratégia,
concentração, cooperação, etc. A defesa pessoal: as artes marciais como fator de proteção e reforço
da autoestima e do autocontrolo.
Proposta de atividade: solicitar aos jogadores que construam um quadro com as modalidades que
mais gostam e as competências por elas trabalhadas. É importante que todos contribuam. Listagem
dos desportistas preferidos em diferentes modalidades.

Parágrafo 15, 60 – (Procuras os teus amigos)


116B

Temas: Os malefícios do tabaco – os efeitos do tabaco no organismo. Os componentes mais lesivos


no cigarro. O impacto do consumo (1) a curto prazo: o cheiro, hálito, a energia, a capacidade física,
acne, dependência física, despesa financeira (2) a médio prazo: alterações ao nível da sexualidade,
fertilidade, problemas respiratórios e cardiovasculares, alteração da saúde oral, potenciação de risco
de doenças oncológicas (3) ao longo do tempo: problemas oncológicos. As campanhas: as
características que as campanhas devem ter: mensagem simples mas significativas para o grupo
alvo. Imagem apelativa, acessibilidade e visibilidade da informação, a credibilidade da informação
(evitar a mensagem que assusta mas não é demonstrável – frequentemente os jovens sentem que os
adultos os tentam enganar para os demover de comportamentos de risco). As campanhas contra:

59
Manual Eu e Os Outros

despertar a atenção de quem tem um estilo de oposição. Pesquisar: www.help-eu.com (em


HTU UTH

português), www.smokefreekids.info (inglês), www.quitbecause.org.uk (inglês).


HTU UTH HTU UTH

Proposta de atividade:(1) solicitar aos jogadores que pensem numa campanha de prevenção do
tabagismo: produzir um poster para uma campanha, idealizar outras ações, pensar nos recursos
necessários para as organizar. (2) propor um calculo das despesas com o tabaco que um fumador faz
ao fim de 1 mês, 1 ano, 5 anos, 20 anos; o dinamizador poderá explorar a perceção do grupo quanto
à quantidade de tabaco fumado por um fumador regular e utilizar o valor médio como referencia para
o cálculo. Comparar a despesa de um fumador que consome 1 maço de tabaco por dia com o
consumo de 3 maços por dia ao fim do mês.
60
Parágrafo 16, 23, 26, 28 – (Vais procurar um cigarro)
117B

Temas: A proibição da compra de cigarros por menores. Os adultos que pedem aos menores para
comprarem cigarros. As penalizações previstas para os vendedores. Mentir ou respeitar a lei. A
multiplicidade de marcas e tipos de cigarro: as cores que traduzem diferentes concentrações de
nicotina, monóxido de carbono e alcatrão; a falsa ideia de que existem cigarros que fazem menos
mal. A promoção do tabaco: porque é que a publicidade foi proibida e formas alternativas de
promover o consumo de tabaco e de determinadas marcas: os filmes/novelas, as fotografias, a
utilização das marcas de tabaco associadas a outro tipo de produtos (ex. Camel, Marlboro…). A
dificuldade de parar: a dependência do tabaco: física e psicológica – a rapidez da instalação da
dependência (surge em muitos casos antes do consumo regular). Substância de iniciação a outras
drogas (com igual peso que o álcool). Apoios e métodos para deixar de fumar. Pesquisar: Linha SOS
Deixar de Fumar (808.20.88.88) ou www.parar.internet e www.help-eu.com .
HTU UTH HTU UTH

Parágrafo 17, 18, 19 – (Encontras o pai quando estás no quiosque)


118B

Temas: A tomada de decisão / gestão de um conflito interno: Entre dois males: contar uma
verdade que vai trazer dificuldades ou mentir e prolongar o problema. A escolha de um mal menor.

Parágrafo 20, 21 – (Reação do pai)


119B

Temas: A gestão das expectativas dos outros. Conseguir corresponder ao que esperam de nós. O
sentimento de incompreensão. O confronto com o inevitável – emoções associadas.
Proposta de atividade: solicitar aos jogadores que imaginem o tipo de emoções que se vive numa
circunstância destas e como é que estas emoções se traduzem em sinais externos de
comportamento. (2) o dinamizador poderá propor um pequeno role-playing no qual os jogadores
ensaiem maneiras de contar o que se está a passar ao pai, de diferentes formas em busca da mais
eficaz a traduzir o que o Emanuel está a sentir naquele momento.

Parágrafo 22 e 27 – (no balneário)


120B

Temas: A higiene pessoal: cuidar de si depois do exercício físico: tomar banho, mudar de roupa,
repor os níveis energéticos do organismo (beber uma bebida isotónica, comer algum alimento (barras
de cereais, banana, …). A vergonha: a dificuldade de expor o seu corpo nas mudanças pubertárias –

60
Manual Eu e Os Outros

a presença ou a ausência dos primeiros caracteres sexuais secundários. O medo da comparação.


Como lidar com a aflição dos outros – desvalorizar, dar ideias para resolver o problema, ouvir, dar
conselhos, dizer piadas para desanuviar, dizer que tem de se ser forte. O sentimento de impotência
de não poder ajudar. O medo que contagia: quando achamos que as coisas que acontecem aos
outros também nos vão acontecer. Os assaltos e roubos: como reagir e lidar com estas situações –
lutar, fugir, negociar, evitar as agressões dando os valores que o assaltante nos pede, esperar pela
melhor oportunidade para a vingança, denunciar a alguém. O sentimento de revolta pelas coisas
injustas que acontecem.

Parágrafo 24, 25 – (na sala de convívio)


121B
61
Temas: A participação dos estudantes/jovens na dinâmica da escola/instituição – as associações
de estudantes. Vantagens e desvantagens. Reflexão sobre a realidade específica deste contexto de
aplicação. As normas: as leis (norma formal) e a perceção da normalidade (norma informal). O
choque das duas: o debate entre o benefício público e o direito pessoal. A importância de contrariar a
norma informal com a exploração dos dados de prevalência de fumadores (20 a 30% de prevalência
de fumadores em Portugal).
Proposta de atividade: (1) solicitar aos jogadores que imaginem a sala de convívio ideal. Cada
jogador poderá propor uma atividade. Pensar quais das ideias dadas são realizáveis e quais os
passos necessários para as concretizar. (2) Explorar com os jogadores qual a ideia que têm de
normalidade do consumo de tabaco (qual a percentagem de portugueses que fumaram no último
mês). Confronto com os dados nacionais. Comparação dos dados gerais com dados nos jovens.

Parágrafo 28, 29 – (em casa)


122B

Temas: O impacto das preocupações no bem-estar das pessoas. Entre o benefício coletivo e o
sacrifício individual. A necessidade de descontrair – atividades a que as pessoas recorrem quando
estão tensas.
Proposta de atividade: Listar um conjunto de atividades que ajudem a descontrair.

Parágrafo 42, 43, 45 – (na internet)


123B

Temas: O Messenger© e outros pontos de interesse na internet. A publicidade, os download, os


sites sobre sexo, os jogos on-line, os vírus informáticos. Os chats – encontrar os amigos ou procurar
novas relações. Coisas boas e coisas más da internet. A perda da noção de tempo e o carácter
aditivo da internet. O ciberbullying: o sentimento de impotência face ao comportamento dos outros;
os maus-tratos à distância; o desconhecimento dos autores; o ridicularizar.
Proposta de atividade: Pesquisar o site www.miudossegurosna.net
HTU UT

Parágrafo 44, 46 – (ouves música)


124B

Temas: As letras das músicas com que nos identificamos.

61
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: Criar em conjunto uma letra de rap que exprima o sentimento que esta
história provoca (2) Listar músicas que o grupo identifique como tendo letras com que se identifiquem.
(3) Organizar uma sessão de escuta de músicas e leitura das letras.

Parágrafo 33, 40 – (reagindo ao Jamal)


125B

Temas: As coisas que mais nos irritam: as bocas, as alcunham, as injustiças, etc. Como lidamos com
quem nos irrita – responder com o mesmo tipo de provocação, chorar, fugir, bater, desvalorizar, etc.
Proposta de atividade: pedir aos jogadores que escrevam num papel o que mais os irrita que lhes
seja dito, não se identificando. Os papéis são dobrados e misturados num saco e cada um, à sua vez
62
tira o seu papel e lê o que tem escrito falando dessa irritação como se fosse a sua. Não pode gozar
com o que lhe coube em sorte. Apenas pode falar da irritação que lhe causa aquela situação e o que
faz para lidar com ela. Durante o jogo nenhum jogador poderá revelar o que escreveu no papel que
pôs inicialmente no saco.

Parágrafo 34, 36, 37, 38, 39 – (reagindo ao cão)


126B

Temas: O sentimento de loucura. A perda de sentido das coisas que nos rodeiam. As emoções que
estão associadas ao estado de confusão. O sonho / pesadelo – o sonho como parte do sono; os
sonhos de que nos lembramos e os que não nos lembramos e pensamos que não sonhámos; a lógica
especial dos sonhos, diferente da lógica do real; o valor simbólico dos sonhos – raramente a
mensagem dos sonhos é direta. O sonho como forma de tentar resolver problemas do dia-a-dia. Os
sonhos de repetição.
Proposta de atividade: pedir que cada jogador tente lembrar-se do sonho mais estranho que já teve.
Evitar interpretações ou comentários de gozo. (2) Pedir que os jogadores procurem um sentido no
sonho do Emanuel.

Parágrafo 34, 35, 39, 41 – (Fumas)


127B

Temas: O efeito do tabaco no organismo – 3 grandes áreas de impacto: respiratória, cardiovascular,


e cancro. As alterações ao nível da resistência física em função da pior oxigenação. A diferença entre
o tabaco planta, o cigarro (o processo de fabrico que incluem a adição de outras substâncias) e o
fumo do cigarro (efeito da combustão)
Proposta de atividade: investigar as substâncias presentes no fumo do tabaco. Produtos onde
existem as várias substâncias presentes no fumo – ex. amónia, ou acetona, cádmio etc. –
características e perigosidade.

Parágrafo 47, 48, 53, 57, 63 – (Não querer falar)


128B

Temas: Não querer falar de um assunto – mentir, dizer frontalmente, mudar de assunto, inventar uma
desculpa para ter de ir embora.

62
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 45, 47, 49, 50, 56, 58, 83 – (Reagindo ao bully)


129B

Temas: o Bullying: definição e causas. As diferentes componentes do bullying – o bully, o alvo da


agressão, a plateia. Reagir ao prolongar dos maus-tratos – enfrentar, questionar, subjugar-se,
procurar aliados, denunciar. O crescendo de violência. As perdas...
Proposta de atividade:(1) pesquisar na internet mais informações sobre o bulliyng. Elaborar uma
lista de comportamentos de defesa; (2) Visionar spots ligados ao tema e promover uma discussão a
partir deles:
http://www.youtube.com/watch?v=fNumIY9D7uY – Ciberbullying;
HTU UTH

http://www.youtube.com/watch?v=nWJut7KQhI4 – Formas de ajuda por terceiros;


HTU UTH

63
http://www.youtube.com/watch?v=1j6YA03hm4k – Bullying verbal / Bullying no feminino;
HTU UTH

http://www.youtube.com/watch?v=xPboK6yWKno – Situações de Bulliyng;


HTU UTH

http://www.youtube.com/watch?v=jtz9o09Gjnc – Pedidos de ajuda; (3) pesquisar na internet sítios que


HTU UTH

abordem o tema como o portal da juventude ( www.juventude.gov.pt ) a Aventura Social (FMH)


HTU UTH

( http://www.aventurasocial.com/main.php ).
HTU UTH

Parágrafo 47, 51, 54, 63, 64, 85 – (Confiar num amigo/a)


130B

Temas: Falar com alguém sobre o que nos incomoda. Características importantes para incutir
confiança em alguém – não recriminar, não julgar, não interpretar, não ter pena, reconhecer as
dificuldades e situar-se face a elas, respeitar a privacidade. As consequências de não confiar em
ninguém – ficar sozinho com o problema, mais medo, achar que o problema é seu para atrair os
maus-tratos.

Parágrafo 47, 48, 52, 57 – (fazer o teste)


131B

Temas: o impacto dos problemas não resolvidos no rendimento escolar. A desconcentração, a


perda de confiança, a instabilidade/agitação motora

Parágrafo 59, 61, 62 – (Quadro do desporto escolar)


132B

Temas: A competição: a necessidade de ganhar, o prazer de jogar, o medo de perder. Ter de ser o
melhor. O desafio como forma de se autoavaliar. A importância do reconhecimento dos outros. A
ansiedade da competição. O evitamento de situações de competição. A compulsão pelo jogo. A
pressão dos colegas: aceitar jogar para agradar aos outros, recusar a situação por uma questão de
respeito por ti, agradar a ideia de integrar um grupo ganhador. Formas indiretas de maus-tratos:
rebaixar, ridicularizar, chamar nomes, ameaçar, etc.

Parágrafo 65, 67, 68, 74, 75, 76, 80 – (Falar com o pai)
133B

Temas: Dificuldade de chegar aos pais. Medo de ser repreendido ou criticado. A distância entre
pais e filhos. Os pais de uns e os pais dos outros. A ideia de que os dos outros são melhores que
nos nossos, mais protetores, mais compreensivos, mais tolerantes, etc. O receio de que as pessoas
não aprendem e reagem sempre da mesma maneira – as más experiências anteriores que nos
limitam. O sentimento de vergonha. Permitir-se ser surpreendido pelo outro. A aproximação entre a

63
Manual Eu e Os Outros

família e a escola. O conforto de ser protegido e encorajado. O papel de quem presencia no


desenvolvimento de uma situação de bullying – (1) reagir negativamente resulta frequentemente na
suspensão da ação agressiva, especialmente se essa reprovação for feita em grupo; (2) rir da
situação, reforça a posição do bully, tornando quem assiste seu cúmplice; (3) manter-se neutro com
medo de ser tomado com alvo, reforça a posição do bully por efeito de plateia.
Proposta de atividade: pensar em comportamentos que o pai pudesse ter numa situação destas.
Antecipar consequências.

Parágrafo 66, 69, 70, 71, 72, 74, 81 – (Falar com o professor)
134B

64
Temas: Confiar vs. Delegar. O sentimento de vergonha. Atitude dependente/passiva: pedir ajuda
para que o outro resolva o problema. Os adultos referência.
Proposta de atividade: pedir que cada jogador, que sem se identificar, escreva num papel em quem
confiaria na escola para contar um problema. O pedido pode ser desdobrado entre professores e
alunos. No final o grupo, trabalha os dados para perceber quem são as pessoas-referência eleitos
pela turma.

Parágrafo 70, 72 – (generalização)


135B

Temas: A importância de perceber que não se pode generalizar um aspeto negativo a todas as
pessoas do mesmo grupo de pertença.
Proposta de atividade: pedir ao grupo que faça um levantamento de situações que conheçam em
que a generalização é injusta.

Parágrafo 73, 74, 76, 79, 81, 82, 83 – (a entreajuda)


Temas: Conhecer pessoas que partilham o mesmo problema. Encontrar soluções em conjunto.
Perceber que não se é o único com esse problema. Partilhar soluções que resultaram em situações
semelhantes.

Parágrafo 75, 77 – (esperar pela altura certa para falar com alguém)
137B

Temas: O sentimento de urgência que nos leva a escolhermos os momentos errados para ter
conversas importantes. Criar o ambiente certo para uma conversa – não recorrer ao telemóvel para
ter uma conversa importante. A defesa de dizer coisas que nos embaraçam sem estarmos a ver o
outro.
Proposta de atividade: propor ao grupo um jogo em que os jogadores formam pares e devem ter
uma conversa em torno de um tema significativo a escolher pelo dinamizador (um pedido de ajuda,
por exemplo). Atribuir aos pares formas diferentes de comunicar o pedido – (1) de costas um para o
outro, (2) sem poderem falar, (3) cada um no seu extremo da sala, (4) à distância com recurso ao
telemóvel, (5) face a face, (6) por escrito em papel, (7) por escrito em SMS, etc. O pedido de ajuda
deve ser claro e definido previamente para que todos estejam a concretizá-lo ao mesmo tempo. No
final reflete-se sobre o impacto dos diferentes canais.

64
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 85, 86, 87 – (denunciar a situação)


138B

Temas: Expor o bully à opinião dos outros: envolver os outros num problema que é de todos. Evitar
que o problema seja de cada um isoladamente.
Proposta de atividade: pedir a cada jogador que escreva um artigo de jornal no qual denuncie uma
situação hipotética de bulliyng.

65

65
Manual Eu e Os Outros

66

7.4 História 4: A Família


Personagem Principal: João

Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica, cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. A dinâmica famílias – regras e rituais;
2. Projetos e limites;
3. O peso económico do consumo de Tabaco no orçamento familiar;
4. Os desencadeantes da dependência sem substância;
5. Os esquemas associados à dependência;
6. As Novas Substâncias Psicoativas;
7. O sistema de tratamento;
8. O abandono escolar;
9. Programas de formação alternativos;
10. A confiança;
11. O segredo;
12. A ajuda informal através dos pares.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente

66
Manual Eu e Os Outros

cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Ao fim da tarde - do parágrafo 1 ao 23
Sub Bloco – A conversa com a mãe
Sub Bloco – No quarto
Sub Bloco – No Café
2º Bloco – À conversa com o Xavier – do parágrafo 24 ao 53 67
Sub Bloco – Ida para a Escola
Sub Bloco – Fazendo a encomenda com o Xavier
Sub Bloco – À conversão sobre o problema
3º Bloco – Pesquisando informação– do parágrafo 54 ao 60
4º Bloco – À conversa com a Maria – do parágrafo 61 ao 70
5º Bloco – Gerindo a confusão entre a Família e o Amigo - do parágrafo 71 ao 94

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 14 – (Chegada da mãe)


Temas: A dinâmica familiar – horas de chegada a casa, estados de espírito, entreajuda, tarefas, etc.
Proposta de atividade: propor a cada jogador que sintetize as características da sua família dentro
de alguns dos parâmetro acima descritos. Quem compõe a família. Quem é o bem-disposto da
família, quem é o rabugento, quem ajuda, quem arruma...

Parágrafo 2, 4, 6, 7, 9, 10 – (saída de casa)


140B

Temas: A Autonomia: poder ou não sair quando se quer. O Controlo: necessidade ou não de se
dizer para onde se vai; sentimentos associados – pressão, irritação, (in)segurança, etc.; As
necessidades dos outros – perceber que as regras familiares (dizer para onde se vai) servem para
garantir a segurança e a estabilidade da família. O Respeito: ser ou não capaz de cumprir com a
dinâmica da família respeitando a diferença de estatuto entre pais e filhos. Avisar antes de sair: dar a
saber por onde se anda; aceitar a definição de limites. Cumprir com as combinações.
Proposta de atividade: (1) saber como é que as mães de cada um reagiriam se lhes dissessem para
se meter na sua vida. Quais poderiam ser as consequências (2) fazer um exercício de imaginação e
projetarem-se no futuro tentando prever a atitude que tomariam se um filho lhes dissesse para que se
metessem na vida deles.

67
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 3 – (falar com a mãe)


Temas: A proximidade entre os elementos da família. A importância de manter momentos dedicados
à partilha do que se passou ou do que se deseja no futuro. Os momentos de combinação familiar
como espaços para antecipar expectativas e organizar tarefas. Formas de evitar discussões em cima
dos acontecimentos antevendo as atividades previstas para um determinado período de tempo.
Proposta de atividade: (1) perceber junto ao grupo se existem nas suas famílias tempos de
partilha/conversa (às refeições, espontaneamente quando calha, existem momentos definidos para
conversar / combinar coisas) (2) perceber com quem é que cada um se sente mais próximo para falar
sobre as suas coisas (ninguém, a mãe, o pai, um irmão, outro elemento da família).
68
Parágrafo 5 – (ir para o quarto)
142B

Temas: O espaço de intimidade: a importância de ter um espaço próprio, não necessariamente um


quarto só seu mas um espaço que identifique como seu. A relação entre espaço psicológico e espaço
físico. Como ocupamos o nosso espaço (a arrumação/organização, o preenchimento, a invasão do
espaço do outro, etc.) O cheiro a fumo: o impacto do consumo de tabaco no ambiente de uma casa.
A diferença entre fumar e gostar do cheiro a fumo. O consumo passivo de tabaco: o impacto do
consumo dos outros nas pessoas que estão próximas a quem fuma.
Proposta de atividade: dinâmica de grupo: (1) A Ocupação de Espaço; (2) Pára agora.

Parágrafo 8, 11 – (no café)


143B

Temas: Os pontos de encontro: os locais de frequência habitual; Quem para lá pára. Porque se
escolhem estes sítios: pela frequência, pelo estilo de lugar, pela proximidade, pelo não cumprimento
das regras, pelos esquemas que por lá se fazem, etc. Os salões de jogo: o snooker, o bilhar, as
máquinas de jogos, as setas… Espaços de diversão que se misturam com locais para apostas
informais e ponto de encontro para esquemas. Potencial associação do jogo ao consumo de álcool e
tabaco.
Proposta de atividade: explorar com os jogadores quais os fatores que condicionam a escolha dos
seus locais de encontro: o acesso livre à internet, a simpatia do dono, a estética do local, a
acessibilidade, a existência de jogos, etc.

Parágrafo 12 – (jogar consola)


144B

Temas: Os jogos favoritos – estilos diferentes – de aventura, estratégia, jogo de personagens,


simuladores, atirador na primeira pessoa, jogos de azar… A comparação entre jogos eletrónicos e
jogos de sociedade (jogos de tabuleiro, cartas, dados…). As competências trabalhadas: a destreza
manual, rapidez de decisão, persistência, cálculo, domínio da língua estrangeira, etc. A violência nos
jogos. Jogar sozinho, com os amigos, online, etc. Diferentes apresentações: a consola, o PC, a
televisão, o telemóvel… Diferenças na escolha dos jogos em função do género

Proposta de atividade: explorar com os jogadores quais os seus jogos favoritos, qual a frequência e
intensidade com que jogam. Traçar o perfil médio da turma, diferenciando os géneros.

68
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 13 – (arrumar o quarto)


145B

Temas: As tarefas de que não se gosta. Viver na confusão, vs. manter o seu espaço pessoal
organizado. Saber onde estão as coisas. A iniciativa pessoal vs. a imposição familiar. A descoberta
de coisas do passado. Como e onde se guardam as recordações do passado. Do que é que se
lembram do tempo do 1º ciclo ou do pré-escolar. As alcunhas e os nick-name – quem as pôs,
porquê, as que gostamos, as que nos envergonham e as que nos irritam.

Parágrafo 15 – (farto da escola)


147B

69
Temas: A integração na escola: junto aos colegas, aos professores e à cultura escolar. A motivação:
a capacidade de perceber a aplicação direta dos conteúdos aos projetos de vida futuros e imediatos.
A importância das características pessoais dos professores na motivação dos alunos. A capacidade
de investir a longo prazo – apostar agora para recolher os frutos mais tarde. O imediatismo como
facto de desequilíbrio.

Parágrafo 16, 18, 20, 21 – (interesse na moto)


148B

Temas: A importância de ter um sonho. Capacidade de traçar objetivos e definir os passos


necessários para o atingir. A dependência de terceiros e a gestão da frustração. A procura de vias
alternativas. A comparação com os outros – o que se tem e o que os outros têm como facto de
pressão na família. A dificuldade de aceitar as limitações. O impacto económico do consumo do
tabaco. As atitudes num contexto de negociação – a imposição, a compreensão, a procura de
alternativas. Equacionar o custo/benefício de cada solução.
Propostas de atividade: (1) organizar um levantamento de sonhos entre o grupo de participantes.
Equacionar com o grupo a exequibilidade de cada um. (2) Proceder ao cálculo do custo médio do
consumo de tabaco para alguém que fume a) um maço de tabaco por dia, b) três maços de tabaco
por dia. Fazer esse cálculo para uma família em que ambos os pais fumam tabaco. (3) Fazer um
exercício de cálculo em torno do orçamento familiar partindo do valor dos ordenados dos pais do João
imaginado pelos jogadores e retirando as despesas familiares com base na listagem dos gastos
típicos que os jogadores consigam evocar. Avaliar o peso da despesa no orçamento familiar.

Parágrafo 17 – (a sobrecarga do pai)


Temas: Os sacrifícios que são necessários para a manutenção do equilíbrio financeiro familiar. Qual o
nível de preocupação dos filhos com as dificuldades laborais dos pais? O sentimento de ausência dos
pais por parte dos filhos. A importância do tempo de qualidade. Contrariar o estereótipo do pai que
trabalha mais, explorando a realidade laboral dos pais e das mães.

Parágrafo 19 – (passas os olhos pela matéria)


150B

Temas: Os métodos de estudo: sublinhar, fazer resumos, repetir e decorar, fazer exercícios, etc. Os
fatores de distração: a música, a televisão, as revistas, outras pessoas, etc. O espaço de trabalho:
à secretária, na cama, no café, etc. O tempo de estudo – períodos curtos com pequenos intervalos,

69
Manual Eu e Os Outros

períodos longos únicos, etc. Tomado de ponta: as coisas que fazemos que nos marcam aos olhos
dos outros.
Proposta de atividade: explorar com os jogadores os seus métodos de estudo pedindo a cada um
deles que comente a forma como o Patas se organizou para preparar o seu próximo teste.

Parágrafo 22 – (não cumprir horários)


151B

Temas: Questionar as regras familiares – consequências. Comparações entre direitos – consciência


da diferença de estatutos.

70
Parágrafo 23 – (o jantar)
146B

Temas: O jantar em família vs. cada um come à sua hora. As interferências: comer com a televisão
ligada, atender o telefone/telemóvel durante a refeição. Quem fala à hora do jantar sobre o quê – os
filhos contam as novidades e atualizam os pais? Os jovens interessam-se pelas atividades dos pais?
Só se fala da escola? Não se fala? É um tempo agradável ou aborrecido. Pratos favoritos. A
importância da alimentação na dinâmica familiar – é o único momento em que estão todos juntos, ser
um momento divertido pelo prazer que todos têm.

152B Parágrafo 24, 25, 26, 27 – (desejo de reencontrar o amigo)


Temas: A dificuldade/capacidade de esperar. O reencontro com alguém que já não se vê há muito
tempo. Amizades perdidas.
Proposta de atividade: propor a cada jogador que escreva um recado a deixar a um amigo de quem
se gosta muito e que não se vê há muito tempo. Colocar os recados dobrados num saco e redistribui-
los de modo a que cada jogador receba um que tenha sido escrito por outro jogador. Pedir que, após
a leitura do recado recebido, cada jogador fale do impacto que o texto lhe causou.

Parágrafo 28,29, 32, 33 – (chegar à escola)


153B

Temas: Resistência às coisas de que não gostamos. Aproveitar o que nos distrai – as motos, uma
conversa... Os sonhos que nos distraem. Lidar com uma má imagem junto aos professores. O
sentimento de injustiça vs. uma situação compreensível. Explorar o interesse dos adolescentes pelas
motos tendo em atenção a diferenciação por género: a sua importância para a autonomia, para o
estatuto, para o engate. Os estereótipos ligados às paixões pelas motas (os motards).

Parágrafo 30, 31 – (cumprimentar o professor)


154B

Temas: A boa educação vs. o desafio. A desconfiança do professor. Atitudes – ignorar, provocar,
confrontar, esclarecer...

Parágrafo 33, 34 – (encontro com o Xavier)


156B

Temas: Reagir à surpresa. Pensar em si ou nos outros. Procurar um espaço mais tranquilo para uma
conversa. As mil coisas em que se pensa num reencontro.

70
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: pedir aos jogadores que identifiquem um reencontro que desejassem muito
(um amigo que foi para longe, um familiar, uma pessoa muito significativa). Em seguida pode pedir
que cada um pense em coisas que lhe gostasse de dizer quando se reencontrassem. O dinamizador
pode propor que se representem alguns destes encontros, se considerar que o grupo tem maturidade
suficiente para o fazer. Deve ter o cuidado de se centrar mais no plano cognitivo de compreensão das
diferentes coisas que nos passam pela cabeça num reencontro e menos nas emoções que, podendo
ser intensas, serão mais difíceis de controlar pelo dinamizador

Parágrafo 34, 36, 38 e 39 (pedido de dinheiro)


155B

Temas: Emprestar ou não o dinheiro. Implicações – pôr em causa a amizade, não voltar a ver o 71
dinheiro, questionar uma relação que após tanto tempo sem se verem é reatada desta forma. Os
sacrifícios em prole das amizades. Querer saber ou não para o que é – os amigos confiam e não
precisam de saber; mesmo sendo amigo tenho de saber para o que é. Ter medo de ficar a saber de
mais. Não se querer meter na vida do amigo. Antecipar que não é para boa coisa. Diferentes formas
de dizer não.

Parágrafo 35 – (esperar pelos amigos)


157B

Temas: Como compreender a recusa. Sentimento de menor à-vontade e de perda dos laços.
Vergonha do mau aspeto? O evitamento como forma de defesa.

Parágrafo 36 – (explicação sobre o dinheiro)


158B

Temas: O jogo a dinheiro. As apostas e os riscos. As crenças (irrealistas ou irracionais) de sucesso


que aumento o risco da aposta. A autoestima elevada como fator de risco por facilitar o
desenvolvimento destas crenças. Apostar o dinheiro que se não tem.

Parágrafo 37, 40, 45 – (convite para beber um copo)


159B

Temas: As encomendas online – a possibilidade de poder encomendar tudo através da internet


nomeadamente as novas substâncias psicoativas (gerir esta informação de acordo com o
conhecimento e a maturidade do grupo). A compreensão dos sinais dos outros – a agitação do amigo
como sinal de tensão ou de ansiedade. Correr riscos por um amigo – aceitar receber algo de
alguém. Não antecipar consequências. Gerir as implicações da ilegalidade envolvendo a família nas
mesmas. Crenças megalómanas: ser impune, não lhe acontecer nada, ter uma estrelinha que o
protege. Colocar a amizade acima da família.

Parágrafo 41, 46 – (conversa no bar)


161B

Temas: O que se bebe no bar – explorar a lei do álcool tendo em conta que o Patas ainda não tem
18 anos. Analisar o que se poderá ter passado para que o Patas tenha uma cerveja à sua frente (ex.
o empregado do bar não conferiu a idade, facilitou a aquisição, o amigo comprou as bebidas para os
dois). Consequências à luz da nova lei (penalização com coima da pessoa que facilita o acesso à
bebida alcoólica a um menor). O consumo de anfetaminas e metanfetaminas: a substância – efeito
estimulante do SNC. Tipos de apresentação: cápsulas, comprimidos e pó. Algumas destas

71
Manual Eu e Os Outros

substâncias estão presentes em produtos criados para outros fins, como por exemplo fertilizantes de
plantas. Tipos de consumo – fumado, injetado ou snifado. Efeitos – euforia, desinibição, sentimento
de ativação (mais concentrado e produtivo), em algumas ocasiões, agressividade, falta de apetite,
fadiga e hiperatividade. Pode provocar dependência psicológica – ansiedade, agitação, depressão,
ideação suicida. A nível físico pode provocar taquicardia, suores, náuseas, vertigens, aumento da
tensão arterial, tiques (morder os cantos da boca) ou movimentos estereotipados. A sobredosagem
pode resultar em convulsões, cãibras, náuseas, irritabilidade, alucinação, insuficiência respiratória e
em situações extremas, à morte. Pode interferir com a atividade sexual, com alterações da líbido e
até mesmo impotência. No calão estas substâncias assumem vários nomes, como met, cristal, ice ou
adotando o nome de marcas como blow, bliss, entre outros.
72
Proposta de atividade: pesquisa na internet sobre a substância.

Parágrafo 42, 43, 47, 50 – (o jogar do Xavier)


162B

Temas: A Intensidade: jogar muito tempo e em ciclos horários trocados. As perturbações do sono.
As estratégias para se manter acordado: o recurso a substâncias, o dormir de dia. O tipo de relação
como jogo: assumir-se como apreciador de um tipo específico de jogo ou ser um jogador de
múltiplos interesses: a mistura de jogos ou o funcionamento por ciclos de grande investimento em
jogos específicos (jogar intensamente até se fartar). O Jogo em rede: jogar com outros ou contra
outros, individualmente ou em equipas. A possibilidade de integrar redes internacionais ligadas a
jogos específicos. Implicações: domínio mais alargado das línguas, desenvolvimento de relações
mediadas por uma atividade, alteração dos ritmos de vida em função da conjugação de
disponibilidades com outros elementos da rede. A escalada do comportamento: a evolução
progressiva do comportamento de uma fase recreativa pontual até ao assumir da centralidade no dia-
a-dia do indivíduo. O caracter compensatório do jogo: preencher tempo livre, compensar a
impossibilidade de estar com outras pessoas, combater o aborrecimento ou o isolamento, falta de
projetos ou objetivos, formas alternativas de realização pessoal. O comportamento compulsivo:
comportamentos sobre os quais não se tem controlo e que têm um caracter intrusivo na vida de uma
pessoa. Estão frequentemente associados a formas de controlo da ansiedade mas acabam eles
próprios por se tornarem fonte da própria ansiedade e mal-estar, quando não é possível adotá-los.
Base dos comportamentos aditivos sem substância.

Parágrafo 48 - (Que séries o Xavier via)


163B

Temas: O comportamento compulsivo de ver séries: Como consequência direta do


desenvolvimento da indústria televisiva verifica-se uma enorme oferta em estilos e enredos o
mercado das séries televisivas que tem assumido um lugar de destaque no dia-a-dia de algumas
pessoas. A acessibilidade às mesmas e a possibilidade de as ver fora do horário televisivo tem vindo
a proporcionar a instalação de um comportamento compulsivo de visionamento de séries que se
traduz na incapacidade de controlo e gestão do tempo, face ao desejo de dar continuidade ao enredo.
Este comportamento, levado ao extremo, traduz-se em alterações graves nos comportamentos de
saúde e bem-estar, como o ritmo de sono, a prática de exercício e os comportamentos alimentares. A
irritabilidade como sinal da exposição excessiva aos écrans. Os conflitos familiares resultantes da
necessidade de uma partilha da televisão. A proliferação de televisões ou o recurso ao computador

72
Manual Eu e Os Outros

pessoal, como estratégia de redução de conflitos. O impacto destas estratégias nos vínculos
familiares: do visionamento em família, ao isolamento e à criação de distâncias.
Proposta de atividade: explorar com os jogadores quais as suas séries prediletas e quais os hábitos
de visionamento.

Parágrafo 49 – (há quanto tempo joga com este grupo)


164B

Temas: O jogo em equipa: a definição de estratégias, o assumir de papéis específicos em função da


natureza do jogo. A dificuldade de abdicar da individualidade para integrar um grupo. Choques de
protagonismo. A atenção aos sinais: a irritabilidade e intolerância como sinal de mal-estar,
73
facilmente associado ao consumo prolongado de substâncias estimulantes ou à instalação de
dependências sem substância.
Parágrafo 51 – (o lugar que ocupa no ranking)
164B

Temas: Os rankings, como estratégias de prender o jogador ao jogo. A afirmação pessoal e o


desejo de superação. Contornando as regras: a compra de lugares no ranking: pagar a alguém que
joga muito bem para jogar em seu lugar; encontrar bugs no jogo que permitam a aquisição externa ao
desenrolar do jogo, de recursos facilitadores do mesmo (pontos, vidas, equipamento, dinheiro…). A
compulsividade associada ao bater records.

Parágrafo 52 – (onde se gasta o dinheiro)


164B

Temas: O jogo a dinheiro: Muitos dos jogos de azar, tem por estratégia de motivação do jogador, o
proporcionar ganhos mediante uma aposta. O exemplo mais popular prende-se com o jogo nos
casinos mas pode igualmente verificar-se no jogo online ou mesmo em situações de jogo privado.
Outra versão desta realidade é o jogo de apostas (ex. a lotaria, o totoloto, as raspadinhas, etc.) em
que o núcleo do jogo é a própria aposta. O dinheiro no jogo: Alguns jogos integram no seu
funcionamento a possibilidade do jogador investir em recursos, podendo adquirir componentes
essenciais para um maior sucesso no jogo. Tratando-se de um procedimento à base da compra a
crédito, está na base da perda de controlo sobre os gastos, nomeadamente quando estes são feitos
por menores usando os cartões de crédito de adultos.

Parágrafo 53, 60 – (pedido de ajuda)


164B

Temas: Diferentes tipos de ajuda – medicamentosa, psicológica, social, jurídica, etc. Diferentes
níveis de ajuda – a prevenção (seletiva ou indicada) para pessoas que estão numa fase inicial do
problema e para as quais se considera que a dependência ainda não está instalada ainda que o seu
equilíbrio já esteja condicionado e o tratamento para quem já tem a sua vida comprometida pelo
comportamento aditivo. Motivação para a Mudança: as várias etapas no processo de mudança 1) a
negação do problema, 2) o reconhecimento do problema mas sem o sentimento de estar preparado
para mudar, 3) desejo de mudança 4) capacidade de agir no sentido da mudança, 5) capacidade de
manter a mudança conseguida. A importância de ajudar a pessoa a criar o desejo de mudar. Ajuda
especializada (Centros de Resposta Integrados das ARS/ ONG’s e IPSS ligadas a esta área) vs.
ajuda generalista (médicos de família). Grupos de Autoajuda (Jogadores Anónimos).

73
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: pesquisa na internet sobre respostas de tratamento.

Parágrafo 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60 – (procuras informação)


165B

Temas: Como se procura a informação. Sites oficiais e sites de organizações não-governamentais.


Informação fidedigna vs. Informação tendenciosa. O recurso à linha de apoio 1414 – chamada
telefónica, e-mail ou chat.
Proposta de atividade: consultar o site www.tu-alinhas.pt à procura de informação. Fazer um
HTU UTH

telefonema para a linha 1414 procurando sugestões para a ajuda a um amigo.

74
Parágrafo 54 – (as novas substâncias psicoativas)
166B

Temas: Entende-se por "Novas Substâncias Psicoativas" (NSP) um novo estupefaciente ou um


novo psicotrópico, puro ou numa preparação, que não seja controlado pelas entidades competentes.
O termo "novo" não se refere unicamente a substâncias recém-inventadas ou recém-sintetizadas,
mas também às recentemente disponíveis no mercado ou às que são usadas de forma imprópria.
São criadas para imitar os efeitos das existentes naturais ou sintéticas já controladas no âmbito das
leis e lista das referidas convenções. Outras são quimicamente semelhantes às substâncias
psicoativas controladas, mas ao mesmo tempo suficientemente diferentes em termos da sua estrutura
molecular para não serem incluídas nas referidas listas. Surge no mercado anualmente mais de 50
novas substâncias psicoativas por ano resultado da manipulação química de compostos. Nesta
categoria cabem substâncias com todo o tipo de efeitos desde as depressões (ex. Kraton), os
estimulantes (ex. metanfetaminas como o Bloom, Bliss, SnowEve, etc.) ou perturbadores (ex. sálvia,
canabinoides sintéticos - Spice, Ninja, FidelMix, e os cogumelos alucinogénicos).São usadas
designações diferentes para este tipo de substâncias: Legal Highs, Herbal, Highs, Designer Drugs,
PartyPills…A Lei 54/2013 de 17 de abril vem definir o regime jurídico para o tráfico e consumo destas
substâncias.

Parágrafo 55, 57 – (Dependência do Jogo)


168B

Temas: A dependência do Jogo (Gambling) foi incluída pela primeira vez no Manual Diagnóstico e
Estatístico das Doenças Mentais (DSM) em 2001, sob a denominação de “Jogo Patológico”. A
definição desta doença centra-se exclusivamente sobre o jogo de apostas. Para ser diagnosticada
deverão estar presentes 4 sinais de uma lista de 9 critérios (nos últimos 12 meses). São eles (1)
precisar de jogar quantidades maiores de dinheiro para sentir o mesmo nível de excitação (2) ficar
inquieto ou irritado quando tenta reduzir o jogo, (3) a existência de esforços repetidos e infrutíferos
para parar de jogar; (4) pensamento dirigido frequentemente para o jogo (reviver, planear, procurar
maneiras de ter dinheiro para jogar), (5) jogar em fases em que se sente mais stressado, (6) jogar no
dia seguinte a grandes perdas para recuperar o dinheiro perdido, (7) mentir para ocultar o jogo, (8)
por em causa relações significativas, (9) confiar que alguém ajudará a compensar as perdas
resultantes do jogo
Os jogos que mais impacto têm na geração de dependência são, por ordem decrescente: jogos
clandestinos de cartas, jogos online, slotmachines (Henrique Lopes, 2009)

74
Manual Eu e Os Outros

O problema pode surgir em qualquer idade. Jovens de género masculino iniciam-se mais cedo entre
família/amigos; preferem mais apostas desportivas; é um problema muito associado a impulsividade e
consumo substâncias. As mulheres iniciam-se mais tarde.
O Gaming (internet game disorder) é uma perturbação ainda em estudo. Envolve os problemas
resultantes do jogo compulsivo online. Apresenta critérios semelhantes à dependência do jogo de
apostas (pensamento preponderantemente direcionado ao jogo, irritabilidade por não poder jogar,
necessidade de mais tempo e mais intensidade de jogo para atingir o mesmo grau de satisfação,
perda de interesse por outras atividades com compromisso de relações interpessoais, utilização do
jogo como forma de compensação em estados de tensão com o encobrimento do comportamento
perante pessoas significativas. 75
O comportamento prolonga-se por 8 a 10 horas por dia com compromisso dos cuidados básicos
como a alimentação, a higiene pessoal e o tempo de descanso
Os problemas com o jogo são mais frequentes em famílias onde há problemas prévios de jogo ou de
alcoolismo.

Parágrafo 56 – (outras dependências sem substância)


167B

Temas: Dentro das Dependências sem Substância podem ser incluídas a Adição à internet e às
novas tecnologias virtuais – pesquisa de informação, manter contactos através das redes sociais – a
Adição ao Sexo (Shaeffer, B., 2008), a Adição às Compras – aquisição compulsiva de bens e objetos
- a Adição ao Écran – numa abordagem mais alargada que inclui o jogo, lado a lado com o
visionamento compulsivo de séries televisivas, redes sociais e cybersexo. Todas estas adições têm
em comum a perda de controlo sobre o comportamento que se traduz no dedicar de mais tempo a
estas atividades em prejuízo de outras áreas essenciais do seu dia-a-dia. Compromisso de relações
significativas e da situação profissional, em função de consequências resultantes desta compulsão,
nomeadamente o acumular de dívidas no caso das compras, o crescente isolamento social no caso
da adição ao ecrã. No limite destas situações há experiências depressivas intensas que por vezes
envolvem ideação suicida. Todas estas situações extremas requerem tratamento que pode envolver
medicação, psicoterapia e em algumas situações, internamento.

Parágrafo 58 – (componentes aditivas do jogo)


167B

Temas: São várias as componentes que contribuem para o caracter aditivo do jogo. A primeira e mais
importante é o prazer proporcionado na forma de excitação. A rapidez da resposta, o facto de o jogo
proporcionar sempre ação que muda constantemente e de forma imprevisível, é igualmente um facto
importante. A continuidade do jogo em histórias que se prolongam no tempo mantem o interesse na
sua exploração. Alguns jogos combinam personagens familiares de outras sagas de modo a
aumentar a adesão dos jogadores pela ligação aos personagens. A existência de um ranking que
permite ao jogador manter uma pressão constante para se superar e subir na classificação. Do
mesmo mofo a existência de um record constantemente a ser ultrapassado por outros adversários,
mantém o jogador preso ao jogo. Naturalmente, nos jogos de azar, o retorno de apostas é uma
estratégia dos produtores para prender o jogador ao jogo numa fase inicial, retorno esse que se torna

75
Manual Eu e Os Outros

progressivamente mais difícil resultando em perdas que o jogadores de risco procurará reaver. Alguns
jogos de azar proporcionam situações de “near miss” em que o jogador tem a sensação que perdeu
por muito pouco e que se continuar a insistir poderá ganhar. Essas situações são frequentes em
apostas que envolvem combinações de elementos, falhando-se apenas um deles, sendo visível que
esse elemento em falta ficou num lugar muito próximo do lugar de seleção.

Parágrafo 59 – (consequências da adição ao jogo)


168B

Temas: As consequências são diferentes consoante a gravidade da adição e os fatores que envolvem
a pessoa. A consequência mais frequente é uma degradação pessoal que resulta de um menor
76 cuidado com o próprio ao nível do sono e da alimentação. As consequências sociais são igualmente
significativas uma vez que esta prática limita o indivíduo ao contacto com outras pessoas com os
mesmos interesses, com clara fragilização das restantes relações significativas (familiares,
amizades,…). Projetos pessoais são abandonados pela sua incompatibilidade com o comportamento
aditivo. Há frequentemente implicações financeiras sobretudo quando o jogo é a dinheiro. No plano
psicológico, a dependência do jogo está frequentemente associada a processos depressivos que no
extremo podem envolver ideação suicida.

Parágrafo 61, 62 – (pedes mais dinheiro à mãe)


168B

Temas: A gestão do dinheiro: a rapidez com que o dinheiro se gasta. Ter ou não mesada/semanada
– luxo de quem tem posses ou um treino importante mesmo em famílias com menos recursos. Os
sermões das mães.

Parágrafo 63, 64, 67, 71 – (conversa com o Sr. Joaquim)


167B

Temas: Corresponder ao pedido de alguém – (in)disponibilidade, (im)paciência. Educação – “por


favor também se usa”. Ser brusco ou seco nas respostas. As suspeitas sobre o amigo – ser honesto
U U

ou ser leal . Preservar a reputação do amigo. Impacto da suspeita na relação.


U U

Parágrafo 66, 69, 70 – (café com a Maria)


169B

Temas: O risco de abandono escolar: O impacto no futuro. A falta de formação de base condiciona o
futuro profissional. As soluções a curto prazo vs. o investimento. Estratégias de motivação para o
percurso escolar: a definição de projetos, grupos de estudo (entreajuda), seguir uma via
profissionalizante. O Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF), enquanto medida de
exceção que se apresenta como remediação depois de terem sido rejeitadas outras respostas
existentes. O PIEF concretiza-se, mediante a elaboração de um Plano de Educação e Formação
(PEF) com base nos seguintes princípios: Individualização, tendo em conta a idade, a situação
pessoal, os interesses e as necessidades de inserção escolar e social do menor, com base em
diagnóstico inicial; Acessibilidade, permitindo a intervenção e a integração do menor em qualquer
momento do ano letivo; Flexibilidade, permitindo a integração do menor em percursos de educação
e formação ou de educação extraescolar, nomeadamente em ações suscetíveis de certificação ou de
creditação no quadro de percurso subsequente; Continuidade, procurando assegurar uma
intervenção permanente e integrada, através da frequência de atividades de desenvolvimento de

76
Manual Eu e Os Outros

competências, designadamente de carácter vocacional, de acordo com os recursos e as ofertas dos


serviços e entidades tutelados ou apoiados pelos Ministérios da Educação e da Segurança Social e
do Trabalho, em especial quando concluído o 2.º ciclo do ensino básico sem possibilidade de
ingresso imediato em percurso subsequente; Faseamento da execução, permitindo o
desenvolvimento da intervenção por etapas estruturantes do percurso educativo e formativo do
menor; Celeridade, permitindo a obtenção de certificados escolares em período de tempo mais curto,
nomeadamente de um ano e de dois anos para a conclusão dos 2º e 3º ciclos do ensino básico,
respetivamente; Atualização, permitindo a revisão e alteração do plano, em função das alterações de
situação e de necessidades do menor, disponibilizando-lhe apoio psicopedagógico e favorecendo-lhe
a frequência de atividades de orientação escolar e profissional. Lidar com a preocupação dos amigos.
77
Proposta de atividade: (1) promover um debate para discutir de que formas a Maria pode ajudar o
seu amigo. (2) pesquisar http://www.dge.mec.pt/programa-integrado-de-educacao-e-formacao para
HTU UTH

explorar as alternativas de formação.

Parágrafo 68 – (estratégias de prevenção)


170B

Temas: Mecanismos de autorregulação face aos comportamentos aditivos sem substância -


limitação do tempo de utilização da net/jogo (ex. despertador, contador de tempo, registo de tempo),
A alternância de tempos de descanso com tempos de atividade online (fazer pausas de hora a hora,
saindo do local). Regulação interna vs. Regulação externa: face à consciência da incapacidade de
se autocontrolar pode ser importante pedir a alguém que ajude na gestão do tempo. Sinal prévio ao
limite do tempo: de modo a evitar conflito face à imposição do limite, a pessoa que externamente
ajude à regulação poderá informar 15 minutos antes do limite que o tempo está a terminar de modo a
que o jogador/utilizador da net, possa preparar o encerramento da sua atividade. Escolha da
atividade em função do tempo e dos recursos disponíveis: não iniciar um jogo que não seja
realizável no tempo disponível evitará conflitos com os outros que exerção uma função de impor
limites. Reduzir o dinheiro disponível poderá limitar gastos em situações em que o jogo envolva
dinheiro. (estabelecer um plafond, usar um cartão de crédito com um limite reduzido). Em situações
extremas de dependência o jogador a dinheiro dispõe de mecanismos através dos quais possa
declarar a sua condição de dependência solicitando que lhe seja barrado o acesso a salas de jogo.
(pedido de Auto proibição: http://www.provedor-jus.pt/?action=5&idc=67&idi=14990 )

Parágrafo 71, 72, 73, 74, 77 – (crise familiar)


170B

Temas: A acusação – a injustiça , o tom de voz com que é feita, a agressividade . A conjugação de
U U U U U U

sinais. O dilema entre esclarecer e pôr o amigo em causa e proteger o amigo mantendo a crise.
Atitudes – passividade (não fazer nada), agressividade (subir o tom, contra-atacar), assertividade
(pedir para falar). A necessidade de pensar rápido vs. ganhar tempo para pensar melhor (confiem em
mim) – nem sempre ocorre a melhor resposta na altura. A desconfiança mesmo perante a verdade.

77
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 76 – (contas a situação do Xavier)


171B

Temas: O confronto entre lealdades: a família é mais importante que uma amizade? Na
adolescência, com a crescente autonomização da família as amizades tornam-se mais importantes do
que a família?

Parágrafo 78, 80 – (ir dar uma volta)


173B

Temas: A importância de organizar ideias para melhor ajudar. Afastar-se do problema como forma de
olhar a situação com maior distância. Pedir a opinião dos outros como forma de alargar a visão do
problema. A utilização da Linha 1414 como forma de apoio em termos informativos e em apoio à
78 tomada de decisão. O horário: das 10h às 20h. As regras: confidencialidade e anonimato. A
importância de saber o que se quer perguntar. As chamadas brancas e as brincadeiras como formas
de bloquear e desperdiçar um serviço público gratuito.
Proposta de atividade: o dinamizador pede aos jogadores que se organizem de modo a selecionar
os aspetos mais importantes da situação, escolham um porta-voz, liguem para alinha 1414 e peçam
uma orientação para a situação. Podem também recorrer ao e-mail. A pessoa que fizer a ligação deve
depois explicar aos colegas qual o resultado da sua conversa com o técnico da linha.

Parágrafo 79, 81, 82, 83, 85 – (Conversa com o Xavier)


172B

Temas: Confrontar o problema. Atitude face à reação do Xavier – ser passivo (arranjar o dinheiro), ser
assertivo (recusar o empréstimo propondo alternativas), ser agressivo (passares-te da cabeça).
Reagir à pressão: diferentes formas de ajudar – corresponder ao pedido ou recusando aquele pedido
específico de ajuda. Ajuda especializada: os Centros de Resposta Integrada e as Unidades de
Alcoologia das Administrações Regionais de Saúde – o que são, para que servem. Os diferentes
departamentos – prevenção, tratamento e reabilitação, monitorização formação e investigação. Os
Centros de Resposta Integrados enquanto respostas locais. A mediateca (onde se pode ir procurar
informação na área da toxicodependência), a Linha 1414 e os sites oficiais.

Parágrafo 82 – (Passas-te da cabeça)


176B

Temas: O limite da tolerância. A irritação como modo de tornar claro ao outro que está a ultrapassar
os seus limites. A diferença entre zanga/agressividade e violência. Acreditar no outro como base da
capacidade de ajuda. Ser honesto consigo vs. ser hipócrita.

Parágrafo 84, 87, 88 – (Questões para pensar)


Temas: O sofrimento da mãe do Xavier: justificação para esconder ou motivação para a mudança. A
falta de informação que não nos ajuda a decidir – a importância de pesquisar e ouvir uma opinião
técnica. A importância de contar com ajuda no processo de tratamento. A questão das recaídas como
parte do processo de cura. A necessidade de contar com um elemento de controlo externo numa
doença de perda de controlo (falar com a mãe). A vergonha e o medo de desapontar. A possibilidade
de recomeçar, desenhando um projeto que ajude a suportar o tratamento. A importância de fasear a
mudança: a tentativa de mudar tudo ao mesmo tempo resulta frequentemente na rutura. O preço da

78
Manual Eu e Os Outros

mudança corresponde à antecipação do esforço e à avaliação dos recursos existentes para fazer face
ao mesmo. Se a mudança é percecionada na sua totalidade o esforço antecipado é maior e o receio
de não ser capaz conduz à desistência precoce. A definição de etapas permite não apenas um
melhor doseamento do esforço mas também uma noção de progressão através do atingir de metas
intermédias.

177BParágrafo 86 – (Não acreditas, decides afastares-te)


Temas: A importância de definir os limites de cada um numa relação de ajuda. As ajudas que fazem
mal a quem ajuda. Quais são as condições necessárias para poder ajudar. A impossibilidade de
ajudar quando se perde a capacidade de acreditar no outro. 79
Proposta de atividade: dinâmica de grupos: Ingredientes para um Bom Ajudante: organizar grupos e
pedir que pensem na receita para fazer um Bom Ajudante, em termos das componentes que são
essenciais para que alguém possa ajudar outra pessoa. Explore a dinâmica em termos não apenas
dos ingredientes (ex. confiança, conhecimento, firmeza, etc.) mas também no tempo de confeção, no
modo de servir, na apresentação, etc.

178BParágrafo 89 – (Os processos de tratamento)


Temas: As diferentes formas de ajuda técnica – medicamentosa, psicológica, social, jurídica. A
desabituação – medicação sintomática que ajuda o dependente a suportar os efeitos da ressaca
psicológica: ansiedade, agitação psicomotora, agressividade, labilidade emocional. A abertura de
processo e o direito ao anonimato. O percurso do tratamento – a importância do trabalho
terapêutico de consolidação da paragem depois do final dos comportamentos aditivos (prevenção da
recaída). O trabalho de reabilitação social de apoio à inserção na vida ativa: o retomar das atividades
habituais - trabalho, estudo, etc. – sem prejuízo do processo de reabilitação. Os grupos de
autoajuda: apoio não técnico que é proporcionado por pessoas que partilham o mesmo problema.
Reuniões de partilha, o apoio entre adictos, os passos para a abstinência, a noção de que se trata de
uma doença crónica que pode ser controlada mas não erradicada.

BParágrafo 90 – (A formação profissional)


Temas: A formação profissional para jovens (https://www.iefp.pt/formacao-para-jovens) enquanto
medidas formativas alternativas à oferta escolar, dirigidas à inserção profissional de jovens entre os
14 e os 24 anos com o 9º ano mas sem conclusão do 12º ano. Permitem para além do
reconhecimento profissional (nível 3) a continuidade dos estudos caso o jovem assim o decida.
Estruturação da formação com forte componente prática. A formação em função da procura do
mercado de trabalho. A importância da distribuição dos conteúdos em função não apenas da
formação, teórica, prática e tecnológica mais igualmente da formação pessoal e do desenvolvimento
social. A consciencialização das nossas limitações e dos nossos recursos em função das limitações
dos outros. Poder dar valor a algo que se pensava abandonar. Reconsiderar, reformular projetos de
vida.

79
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 91, 92 – (Conversando em família)


179B

Temas: A capacidade de tranquilizar os outros. A importância de abordar os problemas no tempo


certo: a necessidade de não adiar as resoluções a tomar sob pena de se agir desfasadamente. Os
receios naturais e a confiança, nas pessoas e no grupo familiar.
Proposta de atividade: dinâmica de grupos: O Jogo dos Problemas

Parágrafo 93 – (Questionas a confiança que têm em ti)


180B

Tema: A importância de haver espaço para reconhecimento de responsabilidades e pedidos de


desculpa quando eles são devidos. O peso do passado na interpretação que fazemos das situações.
80

Parágrafo 94 – (A importância da família)


179B

Temas: A evolução da visão da família ao longo da adolescência – do papel central na pré-


adolescência para uma progressiva autonomia. A família como importante facto de proteção nas
dependências. A função de referência de valores, definição de limites e suporte na persecução dos
projetos de vida. O equilíbrio certo entre a proximidade/partilha e a necessidade de privacidade. O
trabalho familiar – vantagens e desvantagens.

80
Manual Eu e Os Outros

81

7.5 História 5: Amores e desamores


Personagem Principal: Catarina
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica, cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. O amor e as paixões;
2. A atracção;
3. Maus-tratos dentro da relação de casal;
4. A agressividade associada ao consumo de álcool;
5. O ciúme doentio;
6. Associações de apoio à vítima;
7. O comportamento de perseguição/Stalking;
8. Jogos de sedução;
9. A sexualidade;
10. A contracepção;
11. A lealdade na amizade;
12. Fidelidade numa relação;
13. Papel do telemóvel;

81
Manual Eu e Os Outros

14. Doenças/infecções Sexualmente Transmissíveis (DST’s/IST’s).

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Na esplanada com a Maria e a Filipa - do parágrafo 1 ao 26
2º Bloco – Falando com a mãe da Filipa – do parágrafo 26 a 47
3º Bloco – Gerindo o romance – do parágrafo 47 a 70
Sub Bloco – as decisões da Catarina em relação ao encontro
Sub Bloco – sexualidade da Maria
82 4º Bloco – No Hospital - do parágrafo 70 ao 93
Sub Bloco – a violência no namoro
Sub Bloco – entre a curte e a amizade

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 7, 9, 11, 12, 14 – (o telemóvel toca junto ao jardim)


Temas: O Papel do Telemóvel na vida das pessoas – as mensagens, a acessibilidade; As
chamadas não identificadas – (1) a curiosidade de saber quem é, (2) a irritação pela repetição; As
brincadeiras ao telefone – a diversão de quem telefona. O impacto em quem atende – irritação,
medo, desconfiança, etc. Reações possíveis – não atender, atender e pedir para parar com a
brincadeira, procurar identificar quem liga, desligar o telemóvel, mudar de número. Exploração das
redes sociais na internet – o domínio privado tornado público (público versus privado)

Parágrafo 2 – (és apanhada)


182B

Temas: Fugir ao diálogo –aspectos de evitamento de diálogo sem razões aparentes; falar com os
amigos sem iniciativa. As características mais marcantes dos nossos amigos – a energia, a alegria,
o mau feitio, a maluqueira…
Proposta de atividade:propor aos jogadores que façam uma lista de amigos significativos e
escrevam uma característica marcante para cada um deles.

Parágrafo 3, 8, 19 – (interessada no assunto)


183B

Temas: A atração: o que nos faz reparar em alguém – aspectos físicos (cor dos olhos, cabelos, as
mãos, as pernas, o peito, …) aspectos afectivos (ser meigo, ser forte e seguro, …) aspectos
comportamentais ou de atitude (ser cuidadoso, ser educado, ser rebelde…). Reações à sorte dos
outros – entusiasmo, cautela, inveja, ciúme, etc. O que nos faz avançar para a intimidade numa
relação, aspetos educacionais. As diferenças ao nível do género: não apenas o que varia no que

82
Manual Eu e Os Outros

atrai mas também nas reações face à atração. Definição e compreensão dos conceitos de sexo e
género.
Proposta de trabalho – Pedir aos jogadores para desenharem numa folha branca um homem nu ou
uma mulher nua, o/a mestre de jogo recolhe baralha os desenhos e redistribui. De seguida escreve
no quadro as características pelas quais identificam o homem e a mulher. Posteriormente pede aos
jogadores para desenharem um homem vestido e uma mulher vestida, recolhe novamente os
desenhos e redistribui aleatoriamente. No quadro enumera as características pelas quais os
jogadores identificam o homem e a mulher. No final no quadro estão identificados dois conceitos:
83
sexo e género – sexo: características biológicas inalteráveis; género: construção social, cultural que
se altera com o tempo. A partir da definição destes conceitos pode-se trabalhar o conceito de
estereótipo de género e como estes nos condicionam por vezes nas relações de afectividade que
estabelecemos (amizade, intimidade)

Parágrafo 4 – (Vais ter com a Maria)


184B

Temas: A aparência: os piercings, os penteados, a roupa, a maquilhagem, tatuagens, etc. A


importância destes aspectos na atracção. Sinais de identificação entre pessoas que pertencem ao
mesmo grupo ou à mesma cultura juvenil. A paixão: o carácter impulsivo, a intensidade, o
pensamento invasivo, as emoções associadas (entusiasmo, euforia, ansiedade, etc.)
Proposta de atividade:propor aos jogadores que individualmente definam quais os ingredientes
fundamentais para uma paixão. Depois confrontem as listas que foram feitas. Não excluir nenhum
ingrediente por muito estranho que seja.

Parágrafo 5 – (Não estás para conversas)


Temas: A falta de disposição para conversas – estar triste, não lhe apetecer certo tipo de conversas,
necessidade de tempo para pensar em coisas suas, outras coisas mais interessantes ocupam a
atenção…

Parágrafo 6 – (Não estás para conversas)


Temas: desconstrução do Mito: é melhor estar numa relação violenta do que estar sozinho: Entre
os adolescentes existe muita pressão para se “ter namorado/a”, conseguir namorar o rapaz/rapariga
mais popular da escola, turma, do grupo. Sujeitar-se a uma relação violenta e mantê-la para não se
sentir só ou mostrar que também temos namorado é anular-se a si próprio: cada pessoa tem a sua
própria identidade e a sua dignidade independentemente de viver ou não uma relação amorosa “Mais
vale só que mal acompanhado/a”

83
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 10 – (conversas sobre as chamadas)


185B

Temas: As mensagens de desconhecidos na internet. Os jogos de sedução e os desafios para


encontros. As descrições pessoais – ser mais bonito, mais velho, mais novo, ser do outro sexo, ser
melhor. As coisas que só se dizem porque não se conhece o outro. (ser mais arrojado(a)/corajoso(a),
mostrar-se mais aberto a algumas ideias, não se sentir tão envergonhado ou inibido, etc.). O receio
do confronto com o real – ter medo que o outro não goste do que encontre, medo que ele não seja
quem diz que é, medo do desenvolvimento do encontro para situações não controláveis. A
curiosidade: idealizar o outro – achá-lo mais perfeito. Imaginar o que poderia acontecer de bom. Um
84
admirador secreto: sentimento de valorização pessoal. As questões de segurança: quem é o outro
que está do outro lado? A noção de amigo virtual. Homossexualidade – nada na história nos diz que
o amigo da Maria é um rapaz. Porque partimos deste pressuposto? Não poderia ser uma rapariga?
Como é que os jogadores lidam com as diferentes orientações sexuais?

Parágrafo 13, 16 – (mudas de conversa)


186B

Temas: Sentir-se pouco à-vontade com a sexualidade/intimidade do outro – embaraço, vergonha,


nojo, etc. Na amizade podemos não estar disponíveis para falar de determinados assuntos (por ex.
relações de afectividade/amorosas).

Parágrafo 15 – (vais à banca dos feirantes)


189B

Temas: O interesse dos feirantes – o artesanato, os preços baixos, a vontade de ajudar quem faz
pela vida, o gosto no regatear, a curiosidade pelo que vendem, uma boa oportunidade. As
características mais marcantes dos nossos amigos – a energia, a alegria, o mau feitio, a
maluqueira…
Proposta de atividade: propor aos jogadores que façam uma lista de amigos significativos e escreva
uma característica marcante para cada um deles.

Parágrafo 17, 18 – (saber do futuro)


188B

Temas: As previsões sobre o futuro: crenças, ingenuidade. Os medos e desejos que se colocam nas
predições. A predisposição criada por uma previsão. Fontes de leitura do futuro – a linha da mão, os
signos, os astros, as runas, etc. Explorar as questões monetárias dos jovens, ou seja, as mesadas; a
forma como gerem o dinheiro. Desconstrução do Mito: “O príncipe encantado” – Ensinaram-nos
toda a vida que um dia encontraremos uma pessoa muito especial e que o amor por si só, pode
transformar o/a outro7a. A ideia de “amor romântico” pode fazer com que não se veja o que se está a
passar de errado na relação. O mito do “príncipe encantado” faz com que vejamos no/a outro/a coisas
positivas, desvalorizando quando somos maltratados/as. Nem tudo o que parece é!

84
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 20 – (o que farias no meu lugar)


Temas: A orientação sexual – heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade. O
desenvolvimento psicossexual – adolescência como período para a estabilização da orientação
sexual. Perceções da homossexualidade – processo natural de se reconhecer atraído por uma
pessoa do mesmo sexo, doença, comportamento desviante, comportamento imoral, etc. O
preconceito e o estereótipo. Reações à homossexualidade – vergonha, incómodo, nojo, ódio. A
homofobia – aversão/ódio à homossexualidade. Os papéis de género: as expetativas em termos do
comportamento sexual em função do sexo. As “coisas” que se dizem “tipicamente masculinas” ou
“tipicamente femininas.” Descentração: a capacidade de nos colocar na “pele” do outro quando 85
temos de tomar decisões.

Parágrafo 21, 22, 23 – (afrodisíacos)


191B

Temas: Substâncias que aumentam o desejo sexual vs. substâncias que podem aumentar o
desempenho sexual (ostras, trufa, aipo…) . Semelhanças e diferenças. Mitos e crenças. Aspetos
morais – a vergonha, a culpa, a reprovação…
Proposta de atividade: explorar com os jogadores o conhecimento nesta área com o levantamento
de uma lista de produtos naturais com influência no funcionamento sexual. Pesquisa sobre os
mecanismos fisiológicos responsáveis pelos efeitos destas substâncias no organismo.

Parágrafo 24 – (é melhor esquecer isso)


193B

Temas: A pressão dos outros no sentido de fazer algo que não se quer ou se tem medo (ser
necessário arriscar para evoluir). A importância da capacidade de dizer não.

Parágrafo 25 – (vontade de descobrir quem é)


194B

Temas: A curiosidade de desvendar o desconhecido. O perigo de ser alguém com más intenções. A
comparação com os outros (ser mais ou ser menos destemido, corajoso, curioso, tonto, …)

Parágrafo 26 e 27 – (vais para a escola)


187B

Temas: O desafio para um jogo – correr no escuro. Confiar em si e confiar em quem o protege. A
insegurança de estar de olhos fechados e não controlar o que se está a passar. O sentimento de
exposição ao ridículo. O corpo – a imagem corporal como elemento importante no contacto com os
outros e no estabelecimento de relações.
Proposta de atividade: dinâmica de grupos: Corrida no escuro

Parágrafo 29, 32 – (depois da aula)


190B

Temas: As bebidas isotónicas vs bebidas energéticas – a distinção: composição, objetivos, efeitos.


Diferenças: enquanto as primeiras se destinam a repor os líquidos, hidratos de carbono e electrólitos
após o exercício as segundas são hipertónicas, com concentração de nutrientes superior às do

85
Manual Eu e Os Outros

sangue, provocando mais sede. Riscos: Nas primeiras, serem usadas sem desgaste físico, pode
desequilibrar o metabolismo – já que não havendo nada a repor o que é ingerido aumenta as
concentrações existentes. Já nas segundas, a presença de cafeína e taurina pode aumentar a
frequência cardíaca, diarreias, úlceras gástricas. Sendo bebida para matar a sede, aumenta-a e
conduz ao aumento do consumo. A publicidade enganosa – utilização dos efeitos positivo
associados ao aumento de resistência física e mental sem referencia às consequências associadas
ao abuso destas substâncias com o aumento dos níveis de ansiedade, agitação psicomotora, dores
de cabeça insónias, entre outras. As misturas com outro tipo de substâncias: a Taurina associada às
bebidas alcoólicas pode retardar os efeitos do álcool criando a ilusão de maior resistência e
aumentando o risco de coma alcoólico. O convite de um estranho – o desafio, o risco, a excitação…
86
O perigo relativamente a estranhos de redes de internet. Reações possíveis – aceitar, recusar,
ignorar, partilhar, evitar, etc. Responder – capacidade de expressão, capacidade de disfarçar o que
se sente, capacidade de esperar pelo momento certo.
Proposta de atividade: pesquisa www.plataformacontraaobesidade.dgs.pt ou www.scielo.br
HTU UTH HTU UT

Parágrafo 30 – (as aulas)


195B

Temas: As disciplinas que dizem mais aos alunos. A internet como recurso (1) o potencial de
informação, a facilidade de contacto (2) os riscos da má utilização (pornografia, downloads não
autorizados, os trabalhos feitos com copy paste de textos retirados na internet, os blind dates). O que
distrai nas aulas – os pensamentos, as piadas, a agitação, os telemóveis, etc.

Parágrafo 31, 33, 34 – (acorrer ao pedido da mãe da Filipa)


196B

Temas: Corresponder a um pedido de ajuda. Medo de não saber ajudar. Não se querer ver
envolvido(a) em confusões. Apoiar quem ajuda, servir de suporte.
Proposta de atividade: pedir ao grupo que defina as características pessoais que facilitam a ajuda a
alguém. Fazer o mesmo em relação às características que dificultam a ajuda.

Parágrafo 35, 36, 37, 38, 40, 46 – (com a mãe da Filipa)


197B

Temas: A relação de ajuda – ouvir mais do que falar. Clarificar a situação com perguntas simples e
sem comentários moralistas. Explorar as iniciativas já adoptadas e respectivos resultados. Explorar
recursos não equacionados. Dar suporte à concretização de novas iniciativas e ajudar a manter
decisões tomadas (consistência das decisões). Valorizar as emoções, mas ser contentor (não deixar
que a gestão da situação se mantenha sob o domínio da emocionalidade). Sentimento de impotência
face ao sofrimento do outro – ficar bloqueado, ter vontade de fugir, dizer disparates, etc.… Os limites
da capacidade de ajuda. A alternância entre ciclos de afetividade e agressividade. Os conceitos de
ouvir e escutar.
Proposta de atividade: os/as jogadores/as deverão ouvir uma gravação que contenha várias
conversas e sons simultaneamente. No final é-lhe perguntado o que ouviram. Seguidamente irão

86
Manual Eu e Os Outros

escutar um relato de uma história que terão de recontar. Ouvir – processo fisiológico; escutar
processo cognitivo.

Parágrafo 37, 46 – (retirando da conversa)


197B

Tema: É importante explorar e compreender porque é que o assunto incomoda a Catarina. O que a
leva a evitá-lo? Gerir o Mito “entre marido e mulher não se mete a colher”: traduz uma crença
socialmente difundida durante décadas, e parcialmente aceite ainda hoje, de que a violência é um
fenómeno privado e que ninguém deve interferir. Esta é uma posição contrária à de hoje em dia de
87
violência doméstica como crime público, face ao qual toda a sociedade tem a responsabilidade de
agir, revelar, prevenir. É importante sensibilizar crianças e adultos para o exercício da cidadania ativa
e igualdade de género na prevenção, denúncia de situações de violência de género.

Parágrafo 39 – (falar com a filha)


199B

Temas: A importância de esclarecer as coisas antes de fazer um drama delas. A falta de coragem: o
medo da reacção dos outros. Saber o que se quer dizer mas não se saber como dizê-lo. A negação
das situações como defesa contra o que magoa: a repetição de uma ideia errada como forma de a
tentar tornar verdadeira. A relação mãe/filha: direitos e deveres. Meter-se na vida de alguém. As
dificuldades em se assumir a vivência de uma relação violenta: vergonha, receio, medo; as razões
que levam as vitimas a manterem-se na relação – exploração de fatores.
Proposta de atividade: fazer um levantamento dos riscos associados ao tomar a iniciativa de falar
com a filha. Explorá-los com recurso à dramatização. Escolher dois elementos entre os jogadores que
estejam dispostos a representar a mãe e a filha durante a conversa sobre o tema. Permitir a troca de
atores de modo a explorar como diferentes estilos requerem respostas diferentes.

200BParágrafo 41 – (porque é que ele é bêbado?)


Temas: O preconceito – atitudes que resultam de ideias erróneas que fazemos de alguma coisa ou
de alguém com base em estereótipos. O alcoolismo como doença e a sua incidência na
adolescência.

/198B Parágrafo 42, 44, 43, 45 – (outras opiniões)


Temas: A violência no namoro – a associação da violência ao consumo de álcool. Mito – o abuso de
álcool ou outras drogas surge muitas vezes associado a situações de violência, contudo não é
causa dessa violência. Tal como é correto dizer que o uso de álcool/drogas é desencadeador de
situações de violência (os efeitos do álcool potenciadores do comportamento agressivo – a
desinibição, o aumento da impulsividade), contudo é incorreto achar que a violência só ocorre sob
efeito dessas substâncias. Para contradizer podemos analisar dados de estudos em que se verifica
que há perpetradores de violência que não consomem álcool e que a maioria das pessoas que está
sob efeito álcool não agride a companheiro/a. O consumo de álcool funciona essencialmente como

87
Manual Eu e Os Outros

desculpa/estratégia de racionalização para evitar a responsabilidade pelos comportamentos, quer por


parte do agressor, quer da vitima. Recursos em situação de violência no namoro – em situação de
violência no namoro – a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG), Organizações
não-governamentais (ONG’s) (ex. a Associação de Apoio à Vítima (APAV), Órgãos de Polícia
Criminal (OPC’s) – PSP, GNR, a Igreja, o Profissionais de Saúde,
Proposta de atividade: (1) explorar com os jogadores diferentes sites sobre a violência no casal
www.cig.gov.pt , www.apav.pt www.umarfeminismos.org www.amcv.org.pt entre outras (2) Refletir
HTU UTH HTU UTH

sobre o tipo de resposta/ajuda uma Linha Telefónica pode dar. Serviço Informação a Vitimas de
Violência Doméstica – Linha Nacional, Gratuita (800 202 148)
88
Parágrafo 47, 49, 48 – (partilhar a mensagem com a Maria)
202B

Temas: Os limites da amizade – o que se conta e o que se guarda. Ser reservado, ter confiança,
tratar de forma diferente os temas ligados às relações afectivas e/ou à sexualidade. O direito à
intimidade. Aceitar a opinião dos amigos. Detestar conselhos, etc.
Proposta de trabalho: Duas Cartolinas – numa coloca-se “O que é ser amigo”, na outra “O que não
é ser amigo”. O grupo é dividido em dois: uns preenchem um cartaz e o segundo grupo preenche o
outro. A partir destas respostas promove-se a discussão.

Parágrafo 50, 51, 53, 54, 55 – (Nova mensagem do Gustavo)


201B

Temas: Gerir a persistência do desafio – o desgaste, a banalização ou a cedência. Estratégias –


confronto clarificador, afastar-se da fonte do desafio (desligar o telemóvel, mudar de número), alargar
os apoios (falar com outras pessoas, pedir opiniões), etc. Aceitar o desafio
Proposta de atividade: identificação das emoções associadas ao aceitar do convite – excitação,
medo, curiosidade, (in)segurança, alegria, ansiedade, etc. – e os comportamentos associados – rir
como uma tonta, morder os lábios, andar aos pulos pela rua, torcer as mãos, etc. Cada jogador
deverá pensar na situação e identificar como teria tendência a comportar-se se estivesse no lugar da
Catarina.

Parágrafo 52, 55, 56, 57, 58 – (com o Gustavo)


203B

Temas: A atração – determinantes: beleza física, as semelhanças e a valorização que o outro faz de
nós. O papel da auto-estima na atracção. Quanto mais baixa mais sensível à valorização do outro. A
vivência do tempo – passa depressa quando se gosta e lentamente quando não se gosta do que o
preenche. A paixão – a vivência do fascínio que se sobrepõe à racionalidade e à identidade (fazer
coisas que não têm nada a ver connosco, sentir-se tonto e incapaz de evitar pensar no outro, etc.). O
medo de se envolver – fugir de situações potencialmente agradáveis.

Parágrafo 59, 60, 62 – (a curte da Maria com o Guga)


204B

Temas: Diferentes graus de envolvimento afetivo/ sexual: o namoro, a curte, a transe, a amizade
colorida, etc. O álcool (shots) como facilitador de comportamentos sexuais menos controlados –

88
Manual Eu e Os Outros

desinibição, aumento da impulsividade. O mito do álcool aquecer – na prática o álcool arrefece. As


expectativas em relação ao acto sexual: deixar as coisas correrem ou procurar que as situações se
aproximem da forma como foram imaginadas. O significado do acto sexual: o prazer, a
demonstração de um sentimento profundo, a procriação, etc. Os riscos associados a relações sexuais
desprotegidas – a importância do preservativo (masculino ou feminino) – a gravidez, as infecções
sexualmente transmitidas. A pressão do desejo – capacidade de dizer não: clareza e consistência da
mensagem.
Proposta de atividade: (1) pesquisa das orientações fornecidas em diferentes sites quantoà vivência
saudável da sexualidade: www.sida.pt (CN Luta contra a SIDA/infeção VIH) ou www.apf.pt (Ass para
H H H H

o Planeamento Familiar) (2) Fazer uma pesquisa no www.google.pt sobre DST’s/IST’s, procurando
H H 89
elaborar uma listagem de todas, definindo-as de acordo com a forma de contágio, sintomas, formas
de tratamento.

Parágrafo 61, 64, 65, 66 – (criticas a Maria)


206B

Temas: Quanto tempo é necessário para acontecer o quê na relação? O viver a relação muito
depressa – pouco tempo entre o conhecer e o avançar para uma relação sexual. Condicionantes para
a evolução rápida da relação – o julgamento do outro (não avançar é ser careta ou retrógrado,
menino(a) da mamã ou coisas do género) o julgamento do grupo – necessidade de aprovação social
(valorização do correr riscos pelos adolescentes), julgamento pessoal em função das crenças
dominantes – só tem valor quem ultrapassa determinadas experiências de que a sexualidade faz
parte. (fantasia de que o estatuto se atinge através das experiências; indiferenciação entre a
qualidade e a quantidade). Precocidade das experiências – quando se é suficientemente maturo
(psicologicamente e fisicamente) para avançar para a relação sexual?

Parágrafo 63, 72, 75, 76, 78 – (a agressão à Filipa)


207B

Temas: O ciúme patológico – incapacidade de pensar de forma racional a interferência de outras


pessoas do mesmo sexo na relação do casal. Medo de perda e fantasias de traição que conduzem à
desconfiança constante e à agressão. A importância de dar ajuda (apoio psicológico) ao agredido
mas também ao agressor. A existência de pessoas que apesar de agredidas não conseguem deixar
de gostar do agressor. A tristeza associada à situação de agressão – dúvida sobre se terá havido
culpa ou responsabilidade no ter sido agredido(a). O controlo da vida pessoal por parte do agressor
– a perda de intimidade com a invasão dos contactos mantidos: telemóvel, página pessoal, etc. As
confidentes: são sempre do mesmo sexo? Podem ser do oposto? O mito – “o ciúme é sinal de
amor” – as agressões não devem ser entendidas como provas de interesse ou afecto positivo
Proposta de atividade: pesquisa informação sobre Grupos de Ajuda Mútua no âmbito da violência

Parágrafo 67, 68 – (o preservativo feminino)


205B

Temas: A importância da partilha de responsabilidade numa sexualidade segura. A não


dependência da mulher das crenças do homem quanto ao impacto do preservativo na prazer do
homem durante o acto sexual. A possibilidade do preservativo feminino poder ser colocado com

89
Manual Eu e Os Outros

grande antecedência (antes de sair de casa) permite uma maior protecção à mulher face a situações
de risco. Aprofundar formas de adquirir este tipo de preservativos.

Parágrafo 69, 77 – (mais pormenores da curte da Maria)


212B

Temas: A capacidade de dizer NÃO. A dificuldade de fazer parar alguém que não quer parar. As
razões para dizer não: (1) ter bebido, (2) não haver preservativo, (3) não ser o contexto/clima certo,
(4) haver pressão. A aflição de não ser capaz de se impor ao outro – o medo do abuso por perda de
controlo. A coragem de se impor vs a submissão. A diferença de experiência no decurso da relação
sexual. Ser cuidadoso ou só pensar em si. As marcas de uma má experiência. Os mitos que estão
90 por detrás do desrespeito – as raparigas quando dizem não, estão a fazer-se difíceis; quando se
vestem de determinada maneira estão a convidar à sexualidade; se vão sair apenas com rapazes são
interpretadas de forma negativa…
Proposta de atividade: pesquisa os 13 mitos em www.amorverdadeiro.com.pt
HTU UT

Parágrafo 70, 71, 73 – (o Guga está no hospital)


208B

Temas: Quando acontece algo de mal a uma pessoa próxima. A ansiedade de não saber noticias
sobre o estado de saúde. A urgência de acorrer.

Parágrafo 77 – (o que vai fazer a seguir?)


213B

Temas: A importância de pensar que há um depois da crise imediata que requer alguma precaução. A
possibilidade de retaliação posterior, perseguições e esperas. A existência de situações de violência
posterior que obriga a intervenção policial, judicial ou de protecção social. O impacto de uma má
experiência em relações futuras – a importância do apoio psicológico.

Parágrafo 79, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 89, 92 – (Desmascarando o Guga)
209B

Temas: Sentimento face à revelação – revolta, tristeza, medo de magoar a amiga, zanga, ódio, etc.
Variação do sentimento em função do amor-próprio: mais triste se mais desvalorizada, mais
zangada se mais segura de si. A reacção face à traição – agressividade (bater no Guga), passividade
(aceitar a encenação), assertividade (confronta-lo, falas com a Maria). Planos de reacção – física,
verbal, pública ou privada. A perda de controlo face à zanga – não conseguir parar. Gozar com os
sentimentos dos outros.

Parágrafo 80, 84, 88 – (Alinhas na encenação)


210B

Temas: Entre uma amizade e um namoro. Submeter-se em prole do outro (entre a falta de respeito
por si próprio e o altruísmo). Medo de não ter valor suficiente perante a amiga (evitar a perda de ser
trocada). Auto-punição – quem mandou acreditar que a relação com o Gustavo poderia dar certo. A
esperança de não perder o Gustavo alinhando com a representação dele: a paixão fala mais alto que
a amizade.

90
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 91 – (Ouvir o que ele tem para dizer)


211B

Temas: A tese do “amor moderno” – relações sem compromisso, multi-relações com conhecimento
mútuo. A importância de viver intensamente enquanto se pode como justificação de comportamentos
pouco corretos socialmente. Inconsciência ou insensibilidade ao sentimento provocado no outro.

91

91
Manual Eu e Os Outros

93

7.6 História 6:A Lei e as drogas


Personagem Principal: Daniel
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. A Legislação sobre as Drogas – posse, tráfico, etc.;
2. A descriminalização do consumo vs. a liberalização do consumo;
3. As estratégias de Dissuasão – as Comissões de Dissuasão da Toxicodependência;
4. O papel da Escola Segura;
5. A Justiça;
6. Interesses – a arte;
7. O Trabalho Infantil;
8. A lealdade na amizade;
9. A responsabilidade;
10. Ajuda espontânea vs. Ajuda especializada;
11. Crise Familiar.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente
cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Apanhado pela polícia - do parágrafo 1 ao 41

93
Manual Eu e Os Outros

Sub Bloco – Trabalho Infantil


Sub Bloco – Interação com a Escola Segura
2º Bloco – Lidando com as Consequências – do parágrafo 41 a 71
Sub Bloco – Conversa com o Patas
Sub Bloco – Na esquadra
Sub Bloco - No Tribunal
3º Bloco –Na Comissão de Dissuasão – do parágrafo 71 a 88

94
Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (no jardim junto à escola à espera dos amigos)


Temas: Mudanças de ciclo na escola: a adaptação a novos horários e a novos colegas

215B Parágrafo 2, 4 e 6 – (Interesse pela arte)


Temas: Estilos de arte plástica: a fotografia, a colagem, a pintura, a escultura... Combinação de
diferentes materiais. A integração das novas tecnologias na arte. As exposições: comportamento em
locais públicos; diversidade de gostos na apreciação das obras expostas

216B Parágrafo 3, 7, 9 – (Trabalhar no Sábado)


Temas: A exploração do Trabalho Infantil: definição, enquadramento legal, causas. O Trabalho
como ocupação juvenil (biscates) – a) motivações – integração num grupo de adultos (estatuto),
U U

desenvolvimento de massa corporal, autonomia económica; o prazer de construir ou produzir alguma


coisa b) fazer sacrifícios – o equilíbrio entre o custo e o benefício das escolhas c) posicionamento da
U U

família face ao trabalho dos jovens – trabalho no seio da família, trabalho para/com um amigo da
família, desconhecimento da família, etc. d) os limites legais para o trabalho infantil (a convenção 182
U

da OIT) e) tipos de trabalho e diferente aceitação social em função de faixa etária ou grupo social
U U

(preconceitos, o nível de risco, o nível de remuneração, etc.)


Proposta de atividade: pedir aos jogadores que (1) identifiquem áreas em que poderiam ou já
fizeram biscates (tomar conta de crianças, cozinhar, lavar carros, fazer limpezas, etc.) (2)
identificarem causas pelas quais eram capazes de sacrificarem o seu tempo livre (3) identifiquem
tipos de trabalho socialmente aceites ou que causem resistência social (4) pesquisar informação
sobre a Exploração do Trabalho Infantil ( http://www.cnasti.pt)
H

217B Parágrafo 5 – (Despachas o teu amigo)


Temas: Percursos no Consumo de Drogas – partilhar haxixe comprado por amigos, comprar a sua
própria substância de consumo, intensificar o consumo em quantidade ou frequência, alterar o
contexto de consumo do recreativo para o privado, mudar de substância. Riscos associados à compra
– Riscos Legais, Riscos na Qualidade da Substância (a substância – já por si danosa para a saúde:
U U

94
Manual Eu e Os Outros

ser misturada com produtos: também eles: prejudiciais à saúde por vendedores menos escrupulosos
para aumentar os ganhos), Indução para mudança de substância (os vendedores por vezes propõem
U U

aos compradores a experimentação de substâncias que promovam uma maior dependência e como
tal garantirem maior lucro). A consciência dos riscos – a ilusão de imunidade, a proteção da sorte, o
não ter nada a perder, o calculismo.
Parágrafo 7, 8, 11 e 12 – (Pesando a importância da amizade)
218B

Temas: As escolhas que as responsabilidades obrigam a fazer. O que permite que se escolha
trabalhar em vez de estar com os amigos: a necessidade, o sentimento de responsabilidade, o medo
das consequências, a segurança/confiança de que os amigos compreendem, a certeza de haver
outros momentos para estar com eles, a capacidade de esperar por esses momentos. 95

Parágrafo 9 – (A autonomia financeira)


219B

Temas: Ter o seu próprio dinheiro – semanadas/mesadas; Gestão do dinheiro – quanto tempo
dura, em que é que normalmente é gasto; O que se faz quando ele se gasta – pede-se mais, pede-se
emprestado, vende-se alguma coisa, recorre-se a esquemas?
Proposta de atividade construir com o grupo um quadro com informações sobre a gestão de
dinheiro. Ter em atenção os riscos associados às diferenças sociais que poderão criar
constrangimentos. A não quantificação de valores recebidos pode permitir uma reflexão sobre
comportamentos independentemente dos montantes.

Parágrafo 10 – (Fazer sacrifícios)


220B

Temas: As coisas que nos obrigam a crescer/ter mais responsabilidade – as necessidades que nos
obrigam a ganhar consciência de coisas que de outro modo não teríamos – o valor do dinheiro, a
contribuição de todos, a necessidade de partilhar as coisas que se têm. O impacto da separação dos
pais: menor disponibilidade financeira, afetiva, conflitos, dispersão, tristeza, medos, redução das
tensões anteriores, reorganização familiar.

Parágrafo 13, 14, 15 e 16 – (Reações ao João)


221B

Temas: Gerir o Orgulho: O que é necessário para reconhecer um erro e o que nos impede de o
fazer? – o medo do julgamento do outro, a segurança no seu valor, a dificuldade de ver o ponto de
vista dos outros.
Proposta de atividade propor ao grupo um debate entre os prós e os contras do orgulho,
organizando uma metade dos jogadores a favor e outra metade contra devendo cada parte reunir
argumentos em defesa e em acusação ao orgulho. No final o grupo dá o seu veredicto. (2) poderá
igualmente propor ao grupo que faça um levantamento de todos os sentimentos passíveis de serem
sentidos em reação ao João organizando esses sentimentos segundo critérios a definir pelo grupo
(ex. positivos/negativos, aceitáveis/reprováveis, intensos/frágeis, construtivos/destrutivos)

95
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 17, 18, 19, 20, 21, 23, 24, 25 – (Reações à aproximação da polícia)
Temas: Diferentes reações aos problemas – o fugir, o enfrentar, o negar, o distorcer a realidade, a
bajulação, a agressividade, etc. Características pessoais e contextos que levam a escolhas
diferentes. Rigidez (ser sempre igual) ou adaptabilidade (fazer escolhas diferentes consoante as
situações). Sentimentos e atitudes face à autoridade: submissão, oposição, respeito, colaboração,
ódio, inveja, desconfiança, etc.

Parágrafo 20, 32, 36 – (depois de uma tentativa falhada)


223B

96 Temas: Reações a um falhanço ou a um disparate – o sentimento de ridículo, a vergonha, a raiva


contra si ou contra os outros, rir de si próprio, apalhaçar, etc.

Parágrafo 22, 26, 28, 32, 33, 37, 40 – (para que se quer as mortalhas)
224B

Temas: Responder à autoridade: mentir, ser frontal, procurara alguma desculpa. Generalização –
reações a diferentes tipos de autoridade: a polícia, os pais, os professores, o treinador… Tipos de
poder: pela força, pelo estatuto, pela relação que estabelece, …
Proposta de atividade explorar com o grupo diferentes fontes de autoridade por eles conhecidas e
as formas como eles exercem o poder. Quais aquelas com quem se simpatiza mais e aquelas com
que se simpatiza menos e perceber quais os fatores que condicionam essa simpatia
Parágrafo 27, 29, 31, 33, 38 – (para que quer saber essa informação)
225B

Temas: A missão e as responsabilidades da Polícia:(1)proteger, dissuadir, identificar potenciais


riscos e infratores, aconselhar os cidadãos face aos riscos e perigos. (2) A Missão específica da
Escola Segura (3) o processo de identificação: obrigatoriedade por força da Lei , sendo para
U U

menores de 16 anos, regulada no art.º 50º, da Lei 166/99 (Lei Tutelar Educativa) e para maiores de
16 anos no art.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º.º. 250º do Código Processo Penal (CPP);
Proposta de atividade a turma pode explorar o site da PSP ( www.psp.pt ) em busca da informação
HTU UTH

sobre a Escola Segura

Parágrafo 30 – (surpresa de saberem tanto de ti)


226B

Temas: Ser anónimo: não se saber quem uma pessoa é – ou ser-se popular ou público – toda a
gente sabe que se é. Sentimentos associados à perda do anonimato – orgulho, vaidade, medo,
zanga, tristeza, vergonha, etc.
Proposta de atividade partindo do esclarecimento de que a linha 1414 respeita o anonimato das
pessoas que ligam, o dinamizador poderá explorar com o grupo vantagens e desvantagens de assim
ser e como se sentiriam se a sua identidade fosse descoberta e revelada, imaginando situações em
que isso pudesse ter de acontecer.

96
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 32, 61 – (fumar uns charrinhos/a culpa é da lei)


227B

Temas: A legislação sobre a droga – a confusão entre descriminalização, e despenalização e


liberalização ou legalização. O compreensivo da lei – a perigosidade da substância face à fase de
U U

desenvolvimento dos jovens e crianças, o impacto dos efeitos produzidos a curto, médio e longo
U

prazo (alteração da percepção e do relacionamento social (euforia, paranoia), dependência


psicológica, escalada dos consumos, desmotivação, riscos de descompensação psicótica) não
necessariamente em todas as pessoas mas claramente num número significativo delas. O carácter
U

precoce do início dos consumos de haxixe (não pode ser uma substância de livre consumo acima dos
U

16 anos porque uma parte significativa dos consumidores está abaixo dessa idade). A confusão entre
as vantagens medicinais da substância e a sua utilização para consumo livre – alguns defensores 97
da liberalização da substância recorrem a este argumento para sublinhar a sua utilidade – quase
todas as substâncias de consumo têm utilidades medicinais e começaram por ser conhecidas em
função dessa utilidade. O livre acesso às substâncias resultou na adulteração dessa utilidade e na
adoção de medidas restritivas. Outras realidades no Mundo – as leis sobre o consumo de droga
noutros países.
Proposta de atividade: dinâmica de grupo - O Julgamento (da droga) (2) pesquisa ao site do
Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência ( www.emcdda.europa.eu ) para pesquisa sobre
HU UT

realidades internacionais

Parágrafo 35 – (insistes em não te identificares)


228B

Temas: Os limites da oposição: o castigo, a imposição do poder. Tipos de castigo – físico,


restritivo, compensatório… A importância de castigar – perceber que há limites, perceber que as
ameaças são cumpridas e reais e como tal devem ser levadas a sério. A importância da
contingência entre o castigo e o comportamento castigado – de modo a evitar sentimentos de
incompreensão/injustiça face aos castigos. Adequar os castigos à gravidade do comportamento que
lhe deu origem – de modo a evitar sentimentos de injustiça.

Parágrafo 39, 41, 42, 44 – (já na Esquadra)


229B

Temas: Reações face à responsabilidade – negá-la, assumi-la, delegá-la… Diferenciação entre


posse para consumo próprio ou para tráfico (crime) – a diferenciação faz-se em função da
quantidade de substância em posse, sendo considerado crime acima de 10 vezes a quantidade
média de consumo que varia de substância para substância – no caso do haxixe a dose individual
média é assumida como 0,5gr. sendo o limite legal de posse para consumo os 5gr. Aspetos
processuais de um Auto de crime – identificação do menor, contacto com o responsável legal,
pesagem e confirmação do teor da substância, descrição objetiva da ocorrência, envio para o Tribunal
de Menores. Não sendo em situação de crime as autoridades poderão encaminhar diretamente para
as Comissões de Dissuasão da Toxicodependência.
Parágrafo 42, 44, 45, 51, 55, 58 – (Objetividade do Auto)
230B

Temas: A diferença entre o observado e o inferido – o auto da polícia, obriga a que este possa
sempre comprovar o conteúdo do Auto. A informação não verificada é um testemunho mas não pode
alterar a informação do que foi observado pelos agentes. A defesa do observado – muitas

97
Manual Eu e Os Outros

investigações são postas em causa face à mudança de posição das testemunhas. Os agentes podem
ser postos em causa por familiares dos menores com acusações de coação ou intimidação que no
limite podem implicar processos disciplinares e a expulsão.

Parágrafo 43, 48, 49, 52 – (Retiras-te)


231B

Temas: A necessidade de fugir – o medo (o julgamento dos outros, a reação da família), a


antecipação de consequências insuportáveis, reagir mal sob pressão, precisar de tempo para pensar
melhor. A irracionalidade – a necessidade de proteção é mais primária do que a preservação da
amizade.
98
Parágrafo 46 – (Não estás a ser simpático)
232B

Temas: O sentimento de Incompreensão: quando se atribuem significados diferentes aos


comportamentos. Erro de comunicação vs. Erro de interpretação. O Paternalismo: atitude de
protecionismo em que se relativiza a atitude do outro – a irritação por não se ser levado a sério.

Parágrafo 47, 50, 53, 54, 59 – (O que pode acontecer ao teu amigo)
233B

Temas: As penas associadas ao Crime de Tráfico: as contraordenações associadas a uma situação


de posse de substâncias psicoativas para consumo próprio. O envolvimento da família. O
encaminhamento do processo para outras estruturas – as comissões de proteção de crianças e
jovens em risco, as comissões de dissuasão da toxicodependência. A diferença entre uma
contraordenação e uma pena. A necessidade de um representante legal para a validação de um
testemunho.

Parágrafo 56 – (Perguntas ao Patas o que vai fazer)


234B

Temas: O Desafio: medir forças, demonstração da impotência do outro. O Crescendo do Conflito –


face à incapacidade de resolver um conflito, as partes vão subindo o tom e intensidade das ameaças.
A importância de parar este crescendo com um time out . A possibilidade de recorrer a uma opinião
neutra na resolução do problema (mediador).

Parágrafo 57, 62, 64, 68 – (No Tribunal)


235B

Temas: Falar sobre os problemas – O que é que eu sinto sobre o problema (plano emocional),
como o compreendo (enquadramento na experiência anterior), o que penso (plano cognitivo), o que
quero dizer (plano decisório), o que posso dizer (filtro social), saber como dizer (plano funcional). A
iniciativa – esperar que o outro diga alguma coisa ou ir ao encontro do outro. A Relação de ajuda –
como apoiar alguém que está em sofrimento? – (1) ouvir mais do que falar, (2) ajudar o outro a
expressar o que sente – perguntas abertas (3) ajudar o outro a perceber os aspetos mais importantes
do seu problema – intervenções de síntese ou de focagem, (4) ajudar o outro a sentir-se
compreendido – intervenções de ressonância afetiva, (5) ajudar o outro a não se conformar ou
defender por detrás da superficialidade ou simplificação – intervenções de confronto e finalmente, (6)
ajudar o outro a generalizar as suas conclusões alargando-as a outros contextos e situações –

98
Manual Eu e Os Outros

intervenções de transfere. Entraves à ajuda: moralidade, julgamento, crítica, humilhação,


paternalismo, …
Proposta de atividade propor ao grupo que faça uma pesquisa sobre como está organizada a
Justiça Portuguesa: os vários tipos de tribunais existentes e o tipo de processos sobre os quais se
debruçam (2) pedir a cada jogador que reflita sobre as características que uma pessoa teria de ter
para que lhe confiassem um problema seu.

Parágrafo 60 – (Recusas-te a assumir responsabilidade)


236B

Temas: As consequências – implicações associadas ao retirar-se da situação – (1) na relação com o


99
Tito, (2) na relação com o Patas, (3) na relação com o resto do grupo quando souberem da situação,
(4) com o resto da escola, (5) com a família caso o Patas cumpra com a sua ameaça.

Parágrafo 63, 65, 66, 67 – (Chamados ao Juiz)


237B

Temas: A função de Juiz – Competências e responsabilidades do Tribunal. O confronto com uma


pessoa conhecida numa situação embaraçosa – a surpresa, a vergonha, o medo, a confusão… o
Testemunho: o papel da testemunha num julgamento, a responsabilidade, o compromisso com a
verdade. Dar o dito por não dito: a alteração de depoimento.

Parágrafo 69, 70 – (Achas que tens responsabilidade pelo que aconteceu)


238B

Temas: A Culpabilidade: o sentimento de culpa. A resposta à culpa – o pedir desculpa, o evitar o


outro… O enfoque moral da culpa associada ao pecado ou à falta. A Responsabilidade: a habilidade
de (cor)responder. Resposta à responsabilidade – a obrigação de melhorar uma resposta
insatisfatória como forma de corrigir a insuficiência. O enfoque na competência pessoal e social.

Parágrafo 71, 72, 75, 76, 85, 87 – (Na comissão de Dissuasão)


239B

Temas: Enquadramento Institucional das Comissões de Dissuasão – Da responsabilidade do


SICAD, em articulação com os Governos Civis. Competências e missão das CDT’s. Constituição
orgânica. A confiança em técnicos desconhecidos – contar a verdade ou alterá-la para melhorar a
imagem. O papel da psicologia. Consequências da não colaboração – desdobramento das sessões
de recolha de dados para o relatório, inclusão da informação de não colaboração no relatório. Não se
pode ajudar quem não quer se r ajudado – a pessoa que precisa de ajuda tem o poder de ser
U U

deixar ajudar.

Parágrafo 73 e 74, 82, 83, 86 – (Conversa com a família)


240B

Temas: O confronto: o medo de ser acusado/envergonhado publicamente. A importância da


mediação técnica do psicólogo. O contacto com o sofrimento dos outros. A procura de uma forma
de corresponder a esse sofrimento. A demonstração por palavras ou por comportamentos.
Parágrafo 73, 78, 79, 80 – (Consulta para adolescentes)
241B

Temas: O Apoio Psicológico: objetivos e funcionamento e enquadramento institucional. Os


sentimentos associados – vergonha, o medo de rotulação/estigmatização, a desvalorização

99
Manual Eu e Os Outros

pessoal, etc. As diferenças de uma intervenção de suporte de um tratamento à toxicodependência.


As respostas para a juventude na área da saúde: os Gabinetes de Apoio à Juventude e os Gabinetes
de Saúde Juvenil.
Proposta de atividade:(1) a turma pode ligar para alinha 1414 ou enviar um e-mail para o site do
SICAD ( www.tu-alinhas.pt ) em busca da informação sobre consultas para adolescentes associadas ao
HTU UTH

consumo de haxixe. (2) o dinamizador poderá promover uma pesquisa – na internet ou através de
contacto direto com as estruturas locais – sobre as respostas no âmbito da saúde juvenil: Centro de
Saúde, Instituto Português da Juventude e à Câmara Municipal

100 Parágrafo 81 – (O que te vai acontecer)


242B

Temas: O normal desenvolvimento dos processos nas CDT’s – abertura de processo, atribuição de
uma contraordenação em função do relatório produzido pelo psicólogo, período de avaliação.
Anulação do processo em função de boa evolução. Análise da situação em caso de reincidência.
Extremos da intervenção das CDT’s.

100
Manual Eu e Os Outros

101

7.7 História 7:Contexto Recreativo


Personagem Principal: Sabrina
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. Estereótipos ligados ao mundo da droga;
2. Gestão do stress;
3. Expectativas familiares face ao futuro profissional;
4. Pressão de pares;
5. Contexto recreativo noturno;
6. Substâncias de consumo recreativo: Cocaína, Álcool (shots), Ecstasy, Haxixe;
7. Trabalho das Equipas de rua;
8. Sexualidade (flirt e predação sexual);
9. Responsabilidade pelos amigos;
10. Funcionamento do Serviço de Emergência.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente
cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – A seguir ao desfile - do parágrafo 1 ao 40
Sub Bloco – Conversa com a Lígia

101
Manual Eu e Os Outros

Sub Bloco – Conversa com o Paulo


2º Bloco – Explorando o ambiente – do parágrafo 40 a 74
Sub Bloco – Junto ao balcão – conversa em torno do esctasy
Sub Bloco – Junto ao grupo do Paulo – esquemas com cocaína
Sub Bloco – Intervenções de proximidade – à conversa com o Filipe
Sub Bloco - Curtindo o ambiente
4º Bloco – Ajudando a Lígia - do parágrafo 74 ao 92

102
Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1 – (Nos bastidores do desfile)


Temas: O sentimento de realização pessoal: explorar junto aos jogadores momentos e contextos em
que tenham sentido algo parecido. A exposição ao público – satisfação vs. vergonha. O público como
validador das nossas qualidades/capacidades. O exibicionismo como extremo da satisfação por
exposição pública.

Parágrafo 2, 5, 9 – O sonho de ser modelo


244B

Temas: A importância dos sonhos – orientar as opções de vida, refúgio para quando as coisas
correm mal. Acreditar nos sonhos – otimismo, realismo ou ceticismo. Tipos de sonhos – realização
pessoal, afetiva, posse, conquista, etc… Brincar ao faz de conta. Os requisitos para atingir os
sonhos. A reação dos outros aos nossos sonhos
Proposta de atividade: explorar com os jogadores quais são os sonhos deles explorando os
requisitos necessários para cada um deles – formação, qualidades físicas, contactos, etc.

Parágrafo 3 – Comentas a Maluqueira


245B

Temas: A homossexualidade (masculina e feminina) – a associação à patologia (ter pancada); a


confusão entre orientação e comportamento (ser homossexual não significa ser exibicionista ou
exuberante). Padrões de comportamento exuberantes – regras de conduta diferentes – que rótulos se
atribuem (ter pancada, ser gay, serem esquisitos, etc.).

Parágrafo 4, 8 – Pensas na questão do stress


246B

Temas: O que é o stress – causas e consequências. Estratégias de lidar com o stress – as


substâncias como forma de lidar com o stress: os estimulantes SNC para lidar com o cansaço, os
depressores do SNC para reduzir a tensão…

Parágrafo 6, 7, 10, 11, 15, 16, 17, 18 – Gerir as expectativas dos outros
247B

Temas: Gerir o confronto entre diferentes perspetivas: abdicar, adiar o confronto ou lutar pelo ideal.
Riscos e ganhos. Avaliar os prós e os contras como passo para uma melhor decisão. A tradição

102
Manual Eu e Os Outros

familiar e o seu papel – orientar, traçar limites, dar suporte. O medo de dececionar – a anulação
pessoal. A negociação. A procura do compromisso. A capacidade de esperar pela oportunidade.

Parágrafo 12, 19, 20, 21 – Conciliar a moda e os amigos


248B

Temas: O preço de seguir os sonhos. Compatibilidade entre estilos de vida e amizades. O peso das
amizades nas decisões de futuro. A consciência de que as relações não permanecem sempre iguais.
As relações novas que tomarão o lugar das antigas. A necessidade de largar para poder dar espaço a
relações coisas. O sentimento associado ao esfriar de uma relação – zanga, traição, tristeza,
insegurança, etc. O impacto da distância nas relações.
103
Parágrafo 13 – Cuidar da imagem
249B

Temas: Múltiplas formas de manter o peso – o controlo sobre o que se come, o recurso a substâncias
que retiram o apetite e aceleram o metabolismo – riscos e benefícios. A insónia e a aceleração.
Efeitos secundários dos medicamentos. Alternativas naturais.

Parágrafo 14, 22, 23 – Os estereótipos em torno do mundo da moda


250B

Temas: A beleza, os excessos, o carácter seletivo, a competitividade. Um mundo que depende muito
da imagem. As questões ligadas ao envelhecimento.

Parágrafo 16 – Fazer as coisas às escondidas.


251B

Temas: Cumprir as obrigações como conquista do direito a poder ir ao encontro dos seus sonhos.
Esconder ou confrontar. A revelação – risco e consequências. Não querer pensar sobre os assuntos.
Acreditar que a sorte protege.

Parágrafo 18 – A crença no destino


252B

Temas: Pensamento otimista – “o mundo conspira a nosso favor”. Acreditar que as coisas acontecem
se “estiver escrito”. A importância de saber ler os sinais e aproveitar as oportunidades.

Parágrafo 24, 25 – Escutar a conversa


253B

Temas: A privacidade. O direito a ter um espaço (físico e/ou psicológico) próprio. Meter-se na vida
dos outros – ouvir conversas, mexer nas coisas. O sentimento associado à violação de privacidade –
desrespeito, ofensa, tristeza, desvalorização, etc. Entre a zanga e a vergonha quando pensamentos
pessoais são revelados.

Parágrafo 26, 27, 30, 32 - O rapaz por detrás da cortina


254B

Temas: Reação face a estranhos – o fascínio, o risco, o sentimento de ameaça. Estratégias de


proteção – retirada, recusar propostas, garantir a presença de outras pessoas que lhe deem
confiança, ganhar tempo para conhecer melhor o estranho. A sedução – o prazer do elogio. Resistir
à pressão.

103
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 28 – Fumar em locais fechados


255B

Temas: Proibição de fumar em espaços públicos. Condições especiais – espaços com ventilação
própria. Não cumprir com a regra – o desafio vs. fazer cumprir a regra – exercício de cidadania.
Como dizer – agressivo, assertivo, passivo. A gestão de conflitos

Parágrafo 29 – Fazer-se respeitar


256B

Temas: A humilhação – sentir-se rebaixado pela atitude do outro. Não reagir com medo de
desencadear a reação do outro – agressividade, desilusão, abandono, etc. Os limites da tolerância –
104 aceitar tudo, não permitir que se ultrapasse determinado nível: a agressão verbal, a ameaça, a
agressividade física… O desafio – aceitá-lo vs. recusar dar provas de valor ou coragem para ganhar
a aprovação do outro. A função de relaxação das substâncias psicoativas.

Parágrafo 30, 31, 35, 36, 37 – Reagir ao convite para sair


257B

Temas: O desejo de dar uma imagem de acordo com a expectativa do outro. Parecer mais forte, mais
velha(o), mais autónoma(o). A escolha entre a novidade e o amigo de sempre. A autorização e o
refazer combinações – ser honesta na justificação vs. inventar uma desculpa. Os dois lados da
situação – de quem desmarca e a quem recebe a desmarcação. Sentimentos associados. A recusa
preventiva – dizer um não para evitar ter de dizer muitos mais.

Parágrafo 33, 34, 42, 44,49, 52 – Reagir ao convite para consumir


258B

Temas: Aceitar ou não aceitar – condicionantes: (1) Informação (sobre efeitos imediatos e a médio ou
longo prazo) (2) pressão social – a exposição à reação dos outros, a percepção de normalidade (face
a experiencias anteriores ou às regras do contexto/local onde se está) (3) crenças – ideias
associadas ao consumo de substâncias – ganhar estatuto, ser visto como mais arrojado, desinibido
ou aberto a novas experiencias, etc… (4) estado de espírito – estar eufórico, triste, zangado… (5)
motivação prévia – o desejo, curiosidade ou intenção de experimentar. A capacidade de dizer NÃO –
os vários tipos de não – firme, inseguro, “agora não”, o “não” que é um “sim”, o não agido (retirada),
etc.

Parágrafo 34, 51, 52 – A importância dos outros na nossa proteção


259B

Temas: A segurança que vem de fora. A existência de alguém que ajuda a aumentar o controlo sobre
a situação – por ser mais velha, ter mais experiência, ter mais poder. Ter no grupo de amigos alguém
que desempenhe este papel.

Parágrafo 38 – Relaxação
260B

Temas: Estratégias de relaxação – a música, a concentração nas sensações do corpo (zonas de


tensão, contração/descontração de músculos, ritmo da respiração), tarefas simples e repetitivas (ex.
fazer colares), a meditação, etc.

104
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: explorar com os jogadores quais as estratégias que cada jogador tem para
se descontrair e refletir sobre o que têm em comum. Caso tenha recursos para isso – dominar as
técnicas ou ter acesso a profissionais que o façam ex. centro de saúde) poderá propor a
aprendizagem de técnicas específicas.

Parágrafo 40 – Contexto Recreativo Noturno


261B

Temas: As componentes de um espaço recreativo – (1) a frequência – as pessoas que lá estão (2)
a cultura – estar associado a um determinado tipo de pessoas que partilham formas de estar idênticas
(espaços gay-friendly, espaços conotados com a cultura africana, espaços ligados a subculturas
juvenis – gótico, punk, etc.) (3) a estética – o investimento no espaço de modo a torná-lo mais 105
atractivo para os frequentadores (4) o tipo de música, (5) a facilidade para que determinadas
situações aconteçam – espaços conotados com a possibilidade de envolvimento sexual, espaços
associados a confrontos físicos, espaços associados ao consumo de substâncias psicoativas. (6)
acessibilidade – conseguir lá chegar e conseguir entrar (7) ser um espaço in. Os itinerários na noite
– do café, para o bar, para a discoteca, para o afterhours. As coisas boas da noite – a descontração,
o ritmo, o anonimato, os amigos.

Parágrafo 41, 43, 56 – Dar um pulo ao balcão


262B

Temas: A promoção do consumo de álcool – as happyhours, as ladynights e outras estratégias que


levem a beber mais por menos dinheiro. Os shots como estratégia de atingir mais rapidamente um
estado de desinibição alcoólica. A estranheza de alguém beber água. Os rituais – demonstrar que se
aguenta bem o álcool. Diferenças de género na relação com o álcool – as mulheres são mais
sensíveis ao efeito do álcool. Da desinibição à perda de consciência – entre a euforia produzida
pelo álcool em pequenas quantidades à perda da noção do que se faz que resulta do consumo de
quantidades elevadas de álcool.

Parágrafo 42, 48, 49, 50 – Com o grupo do Paulo


263B

Temas: O consumo de Cocaína: os efeitos estimulantes e a sua associação à noite. A desinibição e


o menor autocontrolo associado a comportamentos sexuais de risco e ao aumento da agressividade.
O sentimento de exclusão que resulta de não alinhar com o que os outros estão a fazer. Ganhar
tempo como estratégia de resolução de problemas. O calão ligado às drogas: qual a importância de o
dominar.
Proposta de atividade: propor ao grupo que explore o site www.tu-alinhas.pt para compreender o
HTU UTH

efeito da Cocaína e avaliar o seu grau de conhecimento sobre o calão ligado à droga.

Parágrafo 44, 45, 47, 52, 57, 58 – à volta do Ecstasy


265B

Temas: Os efeitos da substância – sensação de mais energia, maior proximidade aos outros e
predisposição à relação (não necessariamente sexual), aumento da temperatura corporal. Riscos de
colapso cardíaco, e hipertermia, experiências de pânico e ansiedade. A importância da água e do
descanso para repor os níveis metabólicos – o aproveitamento comercial desta necessidade. O risco

105
Manual Eu e Os Outros

de misturas – a desidratação provocada pelo álcool agrava o desequilíbrio provocado pelo consumo
de ecstasy aumentando o perigo de hipertermia.
Proposta de atividade: propor ao grupo que explore o site www.tu-alinhas.pt para compreender o
HTU UTH

efeito do Ecstasy e avaliar o seu grau de conhecimento sobre o calão ligado à droga.

Parágrafo 46, 55, 59, 60, 61, 62, 63, 65, 66 – A equipa de rua
266B

Temas: O trabalho desenvolvido por técnicos fora dos gabinetes, junto às pessoas que precisam de
ajuda, nos lugares que elas frequentam. O trabalho desenvolvido em contexto recreativo: a
revenção no sentido de evitar ou retardar o consumo e a Redução de Riscos no sentido de evitar
P U U

106
danos maiores quando a pessoa já decidiu consumir. As principais características da Redução de
Riscos – (1) não ser controladora; (2) dar informação para que as pessoas tenham mais consciência
dos riscos, decidam melhor e saibam proteger-se sem impedir ou evitar que as pessoas façam o que
decidiram fazer; (3) não ser moralista – não fazer julgamento da decisão dos outros, (4) não
desvalorizar o consumo.

Parágrafo 53 – Arranjas-me um?


267B

Temas: O desejo/curiosidade de experimentar como fator de risco para o consumo. A exploração das
motivações que estão na base desse desejo: (1) curiosidade (2) querer sentir um determinado efeito
(3) querer ser como os outros, (4) Não querer passar por totó (5) querer impressionar alguém (6)
querer desafiar, … O risco associado à impureza das substâncias – a noção de que as substâncias
consumidas são adulteradas com aditivos que aumentem o lucro dos vendedores. No caso do
ecstasy o risco é maior porque a alteração do composto químico pode resultar num produto perigoso
para a saúde do consumidor que o toma acreditado que está a tomar MDMA.

Parágrafo 54 – Perguntas se é sempre assim


268B

Temas: O risco de construir uma imagem do todo a partir de uma parte. A imaturidade que leva ao
desaproveitar boas condições de vida. A baixa resistência à frustração que conduz ao desejo de ter
tudo ou à incapacidade de aceitar quando as coisas não correm como se quer. A perda de controlo.
Não dar valor às coisas que são fáceis de conseguir.

Parágrafo 64, 67, 68 – Cuidados a ter


269B

Temas: (1) Ir para a discoteca confortável – roupas que permitam o respirar da pele e o arrefecimento
do corpo, sapatos que não facilitem acidentes (entorses, escorregadelas, etc.). (2) levar óculos
escuros para proteger os olhos fragilizados pela noite no caso de sair da discoteca já de dia. (3) parar
regularmente para descansar; (4) beber água para repor os sais minerais perdidos, (5) Se se sentir
mal disposto procurar espaços arejados e tranquilos (6) não misturar substâncias porque elas
aumentam os riscos que isoladamente cada uma já tem; (6) se não está em condições de guiar,
deixar o carro ou a mota e peça boleia ou vá de transportes; (7) não abandonar os amigos que já não
estão capazes de tomar conta de si.

106
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 69, 70, 71, 72, 73 – Curtir o ambiente


277B

Temas: Tirar proveito das características de um espaço recreativo noturno – curtir o som, dançar,
observar as pessoas, conhecer novas pessoas, … A aproximação de desconhecidos – o medo das
intenções subjacentes, a indiferença, a curiosidade, … A desconfiança que nos faz ver os outros
como ameaças. O desejo de ler os desejos dos outros – prós e contras.
Proposta de atividade: aproveitar a ideia do personagem e propor aos jogadores que imaginem o
tipo de imagens que se associariam a cada desejo, dando total liberdade de imaginação ou
recorrendo a categorias como cores, sinais de transito, etc.

Parágrafo 74 – Ir ter com a Lígia


264B
107
Temas: Os jogos de sedução e o assédio – a “conversa da treta”. As dificuldades de comunicação –
entre os sinais de mal-estar ou desinteresse da pessoa assediada e as interpretações que conduzem
à continuação do comportamento por parte de quem assedia. As crenças que conduzem a estas
falhas de comunicação: “o não quer dizer sim”, “se estão na discoteca/bar é para encontrarem
companhia”, “quem se veste de forma arrojada está à procura de envolvimento sexual”, etc. O
sentimento provocado pelo assédio – impotência, ameaça, vulgaridade, culpa.

Parágrafo 75, 78 – Ida à casa de banho


270B

Temas: A confusão que às vezes se gera nestes locais. A diversidade das pessoas. A sexualidade
nos contextos recreativos – o engate, os comportamentos de risco (não utilização de preservativo, a
perda de controlo sob o efeito de substâncias psicoativas), diferentes orientações sexuais, etc. As
mensagens preventivas – qual o tipo informação e a quantidade de informação que é aceite naquele
contexto?
Proposta de atividade: pedir aos vários jogadores que produzam cartazes sobre o tema Redução
de Riscos face ao consumo de drogas que pudesse estar num bar ou numa discoteca

Parágrafo 76, 77, 79, 80, 81, 86, 87 – Tentando ajudar


271B

Temas: Estratégias de ajuda: (1) distrair, (2) procurar espaços arejados, (3) sentar a pessoa e
colocar-lhe a cabeça entre as pernas, (4) recorrer a ajuda técnica, (5) pedir ajuda a amigos, (6) estar
atento(a) aos sinais vitais e à respiração, (7) ser capaz de explicar o que se passou com a(o)
amiga(o). Os recursos de apoio – os amigos, a família, os técnicos de saúde, as forças de segurança,
… Face ao vómito – repor líquidos em pequenas quantidades com um pouco de açúcar. Se
inconsciente – deitar de lado para reduzir risco de sufocar.
Proposta de atividade: promover uma ligação a um serviço de emergência, tendo o cuidado de
refletir com o grupo as informações a dar ao técnico que atender e começando o telefonema por
esclarecer que se trata de uma situação de aprendizagem da adequada utilização dos recursos.

107
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 84 – Causas de uma má disposição


272B

Temas: Reação orgânica: indigestão, doença, alergia, fraqueza acentuada, substâncias psicoativas,
misturas de substâncias. O risco de colocarem alguma substância na bebida: existem relatos que são
de difícil demonstração. A importância de acautelar vs. a importância de evitar paranoias.

Parágrafo 85, 87, 88 – Entregar ao cuidado de alguém


273B

Temas: A ajuda de estranhos – confiar ou não. O que te leva a confiar – desespero, intuição,
demonstração de conhecimento, referências comuns, … O que te leva a desconfiar – a possibilidade
de ter sido ele a pôr qualquer coisa na bebida da tua amiga, ser tão disponível numa situação em que
108 as pessoas não gostam muito de se envolver.

Parágrafo 89, 90, 93, 94 – A chegada de reforços


274B

Temas: Resumir os acontecimentos – contar tudo ou não falar de aspectos que podem ser
embaraçosos. Contar os factos ou falar das suspeitas. Lidar com as reações dos outros – a crítica, os
preconceitos, a deceção, …:com tristeza, zanga, indiferença, frontalidade, etc. A capacidade de pedir
desculpa. O sentimento positivo de se sentir compreendida. Explorar as implicações da situação –
reação dos pais, ser ou não um caso de polícia, valer ou não a pena ir às urgências.

Parágrafo 91 – Reagir às bocas


275B

Temas: Os estereótipos – generalizações indevidas de casos particulares; constelações de atributos


normalmente negativos; forma económica de catalogar as pessoas e selecionar respostas sociais; os
erros de atitude que se dão em função dos estereótipos. O sentimento de injustiça associada aos
estereótipos.
Proposta de atividade: promover uma reflexão em torno dos estereótipos pedindo aos jogadores
que procurem lembrar-se se situações semelhantes associadas a outros grupos sociais.

Parágrafo 92, 95, 96 – Avisar os pais da Lígia


Temas: Os prós e os contras. O direito de saberem se a filha está em risco: o facto de ela ser menor.
Colocar a amiga em maus lençóis. O direito da Lígia decidir como e o que quer contar aos pais. A
coragem para enfrentar situações desagradáveis.

108
Manual Eu e Os Outros

109

7.8. História 8 – Os problemas que se escondem por detrás do álcool


Personagem central: Martim
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica, cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1) Os problemas ligados ao álcool
a. Motivação para o consumo
b. Desencadeantes e fatores de risco
i. Pessoais
ii. Familiares
iii. Relacionais
iv. Macro Sociais
c. Efeitos do álcool
d. Comportamentos de Risco – Sexualidade, Acidentes de Viação, Violência e
Consumo de Outras Substâncias.
e. Consequências do consumo
i. Físicas
ii. Psicológicas
iii. Relacionais
iv. Sociais
f. Intervenções - Prevenção e Redução de Riscos, Tratamento e Reinserção
2) A pessoa portadora de deficiência

109
Manual Eu e Os Outros

a. O processo de reabilitação
b. Autonomia e acessibilidade
c. A sexualidade
d. Descriminação positiva e negativa
3) O desporto adaptado
4) A Prevenção Rodoviária
a. A segurança do peão
b. Fatores de risco para os acidentes rodoviários
110 i. A condução sob o efeito de substâncias psicoativas
ii. A velocidade
iii. O cansaço
iv. A perda de visibilidade
v. O mau estado do veiculo ou da estrada
vi. A utilização do telemóvel
5) A intervenção na comunidade
a. O voluntariado
b. A entreajuda

Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente
cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Descobrindo a cidade - do parágrafo 1 ao 32
Sub Bloco – Decisões em casa
Sub Bloco – Decisões de autonomia
Sub Bloco – Encontro com o Botecas
Sub Bloco – Encontro no parque
2º Bloco – Equacionando a candidatura – do parágrafo 32 a 45
Sub Bloco – revelações sobre o acidente
3º Bloco – O treino – do parágrafo 45 a 69
Sub Bloco – Conversa com a mãe
Sub Bloco – Conversa com o Patas
4º Bloco – Concretizando o projeto de prevenção – do parágrafo 69 a 76
5º Bloco – A Festa – do parágrafo 76 a 106

110
Manual Eu e Os Outros

Sub Bloco – Junto ao Balcão


Sub Bloco –Na pista de dança
Sub Bloco – Atividades Radicais
Sub Bloco – À conversa com a Alice
Sub Bloco – No parque de estacionamento

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 2, 4, 6 – (Enfrentando as Mudanças) 111

Temas: Adaptação à mudança – (1) a alteração das referências (largar o que já se conhece em troca
pelo desconhecido), (2) o receio de não de adaptar à nova realidade (3) A ambivalência (sentir
simultaneamente sentimentos opostos) – estar dividido entre o medo e o entusiasmo; tentando ser útil
– confronto com os limites;
Proposta de trabalho: explorar com os participantes, qual a maior mudança que já viveram (em
qualquer área da sua vida – mudar de país, cidade, bairro, escola, clube, ginásio…).

Parágrafo 3, 5 – (Explorando o espaço)


Temas: Os espaços e os estados de espírito – procurar tranquilidade no parque, animação na cidade,
isolamento onde há menos gente, misturar-se entre as pessoas, ter espaço de bem-estar e exercício
no verde do parque, procurar história no centro, estar num sítio onde não seja observado ou visto
como diferente, procurar funcionalidade e áreas comerciais…
Proposta de trabalho: explorar com os participantes qual o espaço onde se sentem melhor –
características que o tornam especial, gosto em partilhá-lo, desejo de o proteger dos outros…

Parágrafo 7, 8, 9, 10 – (A Passagem superior - confrontando-se com as barreiras


arquitetónicas)
Temas: O atravessar da via pública - As Passadeiras: como atravessar em segurança, Passagem
superior ou inferior (local desnivelado em relação à via pública destinado à travessia de peões). Por
vezes a circulação de veículos é tão intensa que interrompê-la para deixar passar os peões seria
difícil. Por isso, existem as passagens superiores e inferiores, para que se possa passar com
segurança sem interromper a circulação de veículos. Sempre que existirem estas passagens devem
ser utilizadas, não atravessando assim pelos locais onde o risco é maior. Pedir ajuda– uma questão
de orgulho vs. uma questão de inteligência. Dificuldade em pedir ajuda: vergonha, medo,
desconfiança, orgulho, inibição. Marcar posição – resolver a curto prazo vs. resolver a longo prazo:
considerar que apesar de a ajuda poder solucionar o problema, esta não resolve a atitude de falta de
atenção que lhe está na base. O pensamento divergente – face a um problema procurar soluções
alternativas.

111
Manual Eu e Os Outros

Propostas de trabalho: pedir aos jogadores que pesquisem vídeos na Internet acerca da mobilidade
reduzida e discutam acerca de situações semelhantes. Pedir aos jogadores que se identifiquem/se
percecionem como utentes vulneráveis, identificando os comportamentos seguros a adotar.

Parágrafo 11, 12, 13, 14, 19, – (No parque - conhecendo novas pessoas)
Temas: Curiosidade pelo outro – os pormenores em que reparamos num desconhecido; Risco do
desconhecido – a insegurança social (abuso sexual, assaltos, raptos, tráfico de órgãos,…), Ser
Diferente vs. Ser Igual – a valorização no outro dos aspetos semelhantes a nós e que reforçam as
nossas convicções ou a atracão pelo que é diferente e acrescenta algo à nossa experiência anterior;
112 O desejo de estar só – a necessidade de ter tempo para os seus pensamentos; o desejo de evitar as
perguntas indesejadas; As atividades de lazer - Patins, skates ou trotinetas sem motor. A circulação
com estes ou outros meios análogos é para todos os efeitos equiparada ao trânsito de peões. Devem
ser utilizados nos passeios, locais de lazer ou em vias apropriadas para esse fim. Se forem utilizados
nos passeios há que estar atento aos outros transeuntes de forma a não os incomodar. O peão não
deve: Circular pela faixa de rodagem; Agarrar-se aos veículos para ser rebocado. Os Velocípedes
(bicicletas). É o veículo com duas ou mais rodas acionado pelo esforço do próprio condutor por meio
de pedais ou dispositivos análogos. Para efeitos do Código da Estrada, os velocípedes com motor, as
trotinetas com motor, bem como os dispositivos de circulação com motor elétrico, autoequilibrados e
automotores ou outros meios de circulação análogos com motor são equiparados a velocípedes. A
utilização do velocípede apresenta vantagens quer para o condutor, quer para o meio ambiente (1)
Saúde: promove o exercício físico e a prevenção de doenças. (2) Economia: o seu custo aquisitivo e
de manutenção é inferior aos demais veículos. Não precisa de combustível para andar. (3) Rapidez:
quando há trânsito, chega a ser mais rápido do que o carro ou os transportes públicos; (4)
Estacionamento: o seu estacionamento é fácil e ocupa pouco espaço. (5) Ambiente: contribui para a
poupança de energia, melhoria da qualidade do ar e redução do ruído. (6) Desporto: para além de
nos transportar, permite a prática de desporto. (7) Universal: não há idades mínimas, nem máximas,
para andar de bicicleta; é só aprender e pedalar. (8) Segurança: aconselha-se a utilização do
capacete, embora não sendo obrigatório (quedas, traumatismos…);
Legislação: O condutor de velocípede deve ser portador de documento legal de identificação pessoal
- Bilhete de Identidade, Cartão do Cidadão ou Passaporte. Tratando-se de velocípede com motor, o
condutor que ainda tenha Bilhete de Identidade em vez do Cartão do Cidadão tem igualmente de se
fazer acompanhar do Cartão de Identificação Fiscal. Regras resultantes das alterações ao Código da
Estrada que afetam diretamente os velocípedes desde 2014:
 Os velocípedes deixam de estar obrigados a circular nas pistas que lhes são destinadas
podendo fazê-lo junto do restante trânsito se se considerar que esta seja uma alternativa
mais vantajosa.
 É aplicável ao velocípede o regime geral de cedência de passagem. Na ausência de
sinalização, sempre que se apresente pela direita, os restantes condutores devem ceder-lhe
passagem.
 Os velocípedes passam a poder circular nas bermas, desde que não ponham em perigo ou
perturbem os peões que nelas circulem.

112
Manual Eu e Os Outros

 Os velocípedes passam a poder usar toda a faixa de rodagem dentro das localidades e para
a execução de manobras.
 Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias de reduzida
visibilidade ou quando o trânsito é intenso e desde que não causem perigo ou embaraço ao
trânsito. Se pedalarem em grupo, devem fazê-lo em fila indiana ou aos pares, não sendo
possível a circulação em paralelo de mais de dois velocípedes.
 Nas rotundas os condutores de velocípedes podem ocupar a via de trânsito mais à direita,
mesmo que não pretendam sair da rotunda na primeira via de saída, sem prejuízo do dever
de facultar a saída aos condutores que pretendam sair da rotunda.
 O condutor de veículo a motor deverá ceder a passagem aos velocípedes que atravessem a
113
faixa de rodagem nas passagens a eles destinadas.
 As crianças até aos 10 anos podem circular de velocípede nos passeios, desde que não
ponham em perigo ou perturbem os outros peões.
 A circulação deve ser feita pelo lado direito da via de trânsito, conservando das bermas ou
passeios uma distância suficiente para evitar acidentes.
Propostas de trabalho: (1) pedir aos jogadores que se identifiquem/se percecionem como utentes
vulneráveis, identificando os comportamentos seguros a adotar em relação à utilização de bicicletas,
skates, etc. (2) pedir aos jogadores que discutam as vantagens da utilização do velocípede.

Parágrafo 15, 16, 17, 18 – (seguir para o centro)


Temas: A vida de uma cidade – os cheiros, as cores, as curiosidades, as pessoas… O
estacionamento em segunda fila – A noção de urgência que resulta no não cumprimento das regras.
Considerar que o incomodo temporário não afeta realmente o outro: não respeitar, não valorizar, não
pensar no assunto. Reagir a uma provocação – (1) com evitamento – reduzir os riscos de confronto,
(2) com retribuição do desafio – demonstração de força, de aceitação do desafio, (3) com imposição
de limites – não alimentar o desafio mas não se deixar ridicularizar. As consequências de uma
noitada – má disposição que resulta do cansaço acumulado, fotossensibilidade (reação à luz),
instabilidade de humor, menor capacidade de concentração e tomada de decisão.
Proposta de trabalho: fazer uma construção conjunta do caminho de casa do Martim até ao centro.
Cada participante vai à vez acrescentar algo que vai imaginando poder encontrar no caminho. Cabe
ao dinamizador ir integrando todos os contributos numa imagem que faça sentido.

Parágrafo 14, 20 – (impressionar o outro)


Tema: Demonstrar as habilidades – utilizar os pontos fortes para causar boa impressão. Diferentes
formas de demonstração de apreço – o elogio, o respeito silencioso, o bajular, o convite à
continuidade

Proposta de trabalho: propor que cada elemento do grupo selecione pontos fortes que possa utilizar
para impressionar os outros.

Parágrafo 20, 26, 27, 28 – (uma criança hiperativa)

113
Manual Eu e Os Outros

Tema: Reagir ao inesperado – (1) com receio – medo da fragilidade; (2) com diversão – alinhando
na brincadeira; (3) com calma – procurando controlar a situação.

Parágrafo 21, 22, 23, 24, 25, 29, 30, 31 – (a atividade da JUBA)
Temas: A intervenção comunitária – a importância do papel das associações no desenvolvimento de
comunidades problemáticas. Intervenção precoce – iniciar a intervenção com a população mais jovem
de modo a desenvolver competências de vida. O Voluntariado – a participação de jovens como
monitores de intervenções comunitárias. A Responsabilidade – por um lado cumprir com os
compromissos assumidos por outro lado ser displicente na forma como os cumpre. A dificuldade de
114 se por no lugar dos outros e avaliar da capacidade de interpretar os sinais deixados. A Incoerência
que fragiliza a intervenção – (uma ação de prevenção do alcoolismo promover a cerveja)

Parágrafo 32, 33, 35, 36, 37 – (Nos tempos que se seguiram – falando sobre o
acidente)
Temas: (1) Corresponder à curiosidade dos outros – falar da sua vida a desconhecidos: grau de
risco – contar o quê? Como nos damos a conhecer – ser um livro aberto vs. ser reservado. (2) As
causas para um acidente rodoviário – a velocidade: distância de segurança, de travagem,
condução em situações meteorológicas adversas; a fadiga/sono: diminuição dos reflexos.
A condução sobre o efeito de álcool – a condenação do acidente provocado mas desvalorização
da condução de risco – uma em cada três vítimas mortais em acidentes de viação apresentavam na
autópsia valores iguais ou superiores ao limite de 0,5 g/l (dados do Instituto de Medicina Legal, 2011).
Em 2011 o número de condutores detidos por condução sob o efeito de álcool ultrapassou os 13.000.
Os acidentes que envolvem jovens condutores sob o efeito do álcool, ocorrem essencialmente de
noite, em situação de lazer. Potenciais alterações introduzidas pelo álcool na condução:
 Audácia incontrolada - um dos primeiros efeitos do álcool é o frequente estado de euforia,
sensação de bem-estar e de otimismo, com a consequente tendência para sobrevalorizar as
próprias capacidades, quando, na realidade, estas já se encontram diminuídas. É talvez, um
dos estados mais perigosos.
 Perda de vigilância em relação ao meio envolvente - sob a influência do álcool as
capacidades de atenção e de concentração do condutor ficam diminuídas.
 Perturbação das capacidades sensoriais, particularmente as visuais - a presença de álcool no
sangue reduz a acuidade visual, quer para perto, quer para longe e leva à alteração dos
contornos dos objetos, quer estáticos, quer em movimento. A visão estereoscópica é
prejudicada, ficando o condutor incapaz de avaliar corretamente as distâncias e as
velocidades. A visão noturna e crepuscular ficam reduzidas. O tempo de recuperação após
encadeamento aumenta. Há um estreitamento do campo visual (o campo visual vai
diminuindo com a eliminação progressiva da visão periférica [lateral]) podendo, com o
aumento da intoxicação alcoólica, chegar à visão em túnel, situação em que a visão do
condutor abrange única e exclusivamente um ponto à sua frente, reduzindo, assim, a fonte de
informação contida no espaço envolvente). Estudos efetuados sobre o campo de visão, a
uma velocidade estabilizada, comprovam que este sofre, com uma TAS de 0,50g/l, uma

114
Manual Eu e Os Outros

redução de cerca de 30%. Pequenos aumentos da TAS traduzem-se em grandes reduções


do campo visual. Há perturbação das capacidades percetivas (a identificação da informação,
recebida pelos órgãos dos sentidos, fica prejudicada e torna-se mais lenta). Há um aumento
do tempo de reação (lentificação da resposta reflexa) Há uma diminuição da resistência à
fadiga. Está demonstrado que é mais perigoso o condutor que ingeriu qualquer bebida
alcoólica em quantidades pequenas ou moderadas do que o que está declaradamente
embriagado. Este não tentará conduzir. Contudo, mesmo com valores pouco elevados de
TAS as capacidades necessárias para a condução segura já se encontram diminuídas (tanto
mais quanto maior for a intoxicação alcoólica) muito antes do estado de embriaguez ser
atingido.
115
 Aumento do tempo de reação: designa-se por tempo de reação o tempo que medeia entre a
perceção de um estímulo e o início da resposta a esse estímulo. Face a um obstáculo ou
situação imprevista que possa surgir, quando em circulação - travagem brusca do veículo que
circula à frente, um obstáculo imprevisível ou qualquer outro fator inesperado - o condutor
deve estar apto a reconhecer prontamente a situação de perigo potencial, analisá-la, tomar
uma decisão e atuar corretamente de forma a minimizar os riscos. O álcool prejudica estas
capacidades aumentando, assim o tempo de reação. As bebidas alcoólicas ingeridas pelo
condutor afetam, ao nível do cérebro e do cerebelo, as capacidades percetivas e cognitivas,
as capacidades de antecipação, de previsão e de decisão e as capacidades motoras de
resposta a um dado estímulo, podendo afetar o próprio equilíbrio. Fica, assim, incapaz de
avaliar corretamente as diferentes situações de trânsito pelas dificuldades na recolha de
informação, na sua análise e ainda na tomada de decisão da resposta motora adequada e na
sua concretização. Em caso de necessidade de efetuar uma travagem brusca devido, por
exemplo, ao aparecimento de um obstáculo imprevisível na faixa de rodagem, o tempo de
reação será, nessa situação, o tempo que decorre entre a identificação, por parte do
condutor, do obstáculo e o momento de acionar o travão, ação que tem como objetivo a
imobilização atempada do veículo. A alcoolemia, tornando mais lento o processo de
identificação e aumentando o tempo de reação, leva, consequentemente, a um alongamento
da distância de reação (distância percorrida pelo veículo durante o tempo de reação do
condutor).
 O aumento da distância de paragem: sendo a distância de paragem o somatório da distância
de reação e da distância de travagem (distância percorrida pelo veículo entre o início da
travagem e a sua completa imobilização), qualquer fator que prolongue o tempo de reação
normal do condutor, como o álcool e a fadiga, leva a um aumento da distância de reação e
consequentemente da distância de paragem do veículo.
 A fadiga: o álcool desempenha um verdadeiro papel de analgésico ao nível dos centros
nervosos e se, numa determinada fase, pode contribuir para criar um estado de euforia, este
é posteriormente substituído por uma fadiga intensa que pode chegar até ao entorpecimento.
Da mesma forma, o álcool potencia o estado de fadiga quando este já se faz sentir.
 A coordenação psicomotora: sob o efeito do álcool, a coordenação psicomotora do condutor
é afetada, o que se pode traduzir em travagens bruscas desnecessárias, grandes golpes do
volante, manobras feitas com recurso ao acelerador e outros comportamentos desajustados a
uma condução segura.

115
Manual Eu e Os Outros

 Alteração dos estados emocionais: a ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo em pequenas


doses, pode transformar uma pequena contrariedade num grande problema e dar origem a
estados de agressividade, frustração, depressão ou outros que são, normalmente,
transferidos para a condução, com todos os riscos que isso comporta.
(3) As consequências do acidente: As lesões medulares - A lesão medular é uma agressão à
medula espinal, que pode causar perda parcial ou total da motricidade e/ou da sensibilidade (ao
toque, dor …), além de comprometer os sistemas urinário, intestinal, respiratório, circulatório, sexual e
reprodutivo. Resulta da morte dos neurónios da medula e da quebra de comunicação entre o cérebro
e todas as partes do corpo que ficam abaixo da lesão determinando diferentes tipos de alterações; O
116 processo de reabilitação – recuperação física, recuperação psicológica, aceitação da realidade,
partilha de experiências, sociabilização, reformulação do projeto de vida… As múltiplas áreas de
reabilitação –Recuperação física, recuperação psicológica, aceitação da realidade, partilha de
experiências, sociabilização, reformulação do projeto de vida… Adaptação das Atividades da Vida
Diária - avaliar e treinar os utentes na execução das suas atividades da vida diária, otimizando a sua
autonomia. Informar sobre as ajudas técnicas/produtos de apoio mais adequados para executar as
referidas atividades com segurança e menor dispêndio de energia, e avaliar a necessidade de
eliminar barreiras arquitetónicas e implementar as adaptações necessárias na habitação.
Fisioterapia - Maximização da funcionalidade e independência motora. Treino de marcha e controlo
postural.

Propostas de trabalho: pedir aos jogadores que explorem a sinalização de trânsito. Pedir aos
jogadores que efetuem simulações sobre o tempo de reação, distância de segurança, de travagem,
consoante a velocidade do condutor Sites de apoio sugeridos:
“A física dos acidentes”: https://pt-br.facebook.com/fisicadosacidentes)
PRP – velocidade: http://www.velocidade.prp.pt/default.aspx?Page=3958

Parágrafo 34, 38, 39, 40 – (convite para construir um projeto)


Temas: O Associativismo Juvenil – a criação de incentivos para um maior envolvimento dos jovens
na dinâmica social. A passividade dos jovens face às questões sociais. O empreendedorismo social
– capacidade de reconhecer necessidades e avançar iniciativas criativas de solução do mesmo no
sentido de maximizar o potencial da comunidade. (empowerment) - A gestão do convite: a
impulsividade da resposta que leva a aceitar uma coisa sem saber os pormenores; a exploração de
intensões que permite compreender um projeto, expectativas e papeis a desempenhar e a resistência
defensiva que antecipa dificuldades e promove uma atitude de evitamento/recusa. Prós e Contras –
falta de experiência, medo de falhar, ter outras prioridades/interesses, ser sensível, voluntarioso, ter
uma experiência de vida rica…

Parágrafo 41, 44 – (o que precisas de saber para decidires)

116
Manual Eu e Os Outros

Temas: Objetivos do Projeto – Encontrar um sentido para o investimento/esforço. A importância de


investir em questões que são importantes para nós e para aqueles que nos rodeiam. Perceber quais
são os alvos para poder orientar as ações e saber da eficácia das mesmas. Tipo de Projeto – Não
basta a importância da área de intervenção mas também que nos identifiquemos com os métodos e a
mensagem transmitida. Evitar o risco de nos envolvermos em coisas que nos colocam em conflito
com as coisas em que acreditamos Papel a ter no projeto - A discriminação positiva: ser beneficiado
ou valorizado em função de uma carência ou de uma deficiência. O aproveitamento da situação vs.
Reatividade ao tratamento desigual. A imagem que transmitimos aos outros: a maturidade que
resulta de um percurso de vida sofrido versus a inconsciência de quem pensa superficialmente nas
coisas: ter consciência do impacto de uma opinião, ser assertivo no dizer o que é pensado
117
oportunamente e não de forma oportunista. O desejo de mudança – As coisas que gostariam de
mudar. As prioridades (o que é mais urgente ou mais importante); as oportunidades (o que é mais
exequível, o que reúne mais apoios), as precedências (mudanças que requer outras, prévias, para
serem possíveis). A noção de readyness (estar pronto para…) – a necessidade de mudança não é
sinónimo de se estar pronto para mudar. Por vezes deseja-se uma coisa racionalmente e resiste-se a
ela irracionalmente. O preço da mudança – o que se tem de abdicar para que a mudança se dê.
Quanto mais elevado for esse “preço” mais difícil é conseguir a mudança.

Parágrafo 42, 48, 55 – (os objetivos do projeto)


Temas: A Mudança da Lei – O sistema neurológico está em processo de mudança até perto da
idade adulta. O consumo abuso de álcool altera a consolidação do sistema em mudança com
perturbação do rendimento pessoal, nomeadamente ao nível da memória, concentração,
planeamento e projeção no futuro. Simultaneamente alguns estudos apontam para que algumas
enzimas necessárias à metabolização do álcool apenas começam a ser produzidas por volta dos 16
anos. As Mudanças no Código da estrada - No dia 1 de Janeiro de 2014 entraram em vigor as
alterações ao Código da Estrada (CE) que reduzem o nível da TAS permitido por Lei para os
condutores recém encartados e para os condutores profissionais de 0,5 para 0,2. Retardar o início
dos Consumos – Alguns dados: (1) cerca de 90% dos estudantes de 15-16 anos beberam álcool em
algum momento da sua vida (2) o início dos consumos dá-se em média aos 12 ½ anos de idade; (3) a
primeira embriaguez acontece em média aos 14 anos (4) quando o início do consumo é retardado
para depois dos 18 anos, o risco de um jovem sofrer problemas com o álcool é reduzido em 50%. O
consumo de álcool na mulher grávida - Diminuir a exposição ao álcool e as suas consequências
nefastas em crianças por nascer e em crianças inseridas em famílias com problemas ligados ao
álcool. Impacto do álcool no desenvolvimento embrionário/fetal: malformações, parto prematuro,
morte fetal, alterações neurológicas com implicações no desenvolvimento infantil: dificuldades de
aprendizagem, dificuldades de concentração, hiperatividade; não há um “limiar” de alcoolização,
abaixo do qual o consumo deixará de constituir um risco durante a gravidez. Velocidade, Álcool,
Fadiga – Um Cocktail Mortal - De acordo com estudos os efeitos da fadiga na condução são
semelhantes aos efeitos provocados pelo excesso de álcool: uma privação de sono de 17 a 19 horas
corresponde a conduzir com uma taxa de álcool no sangue de 0,5 g/l; após 24 horas de privação, os
efeitos são idênticos a uma TAS de 1,00 g/l; O pico da fadiga e da sonolência surge entre as 2 e as
6h horas da madrugada e à tarde entre as 14 e as 16 horas, quando o ritmo biológico induz o sono.

117
Manual Eu e Os Outros

Principais sintomas da fadiga (no condutor): Bocejos frequentes; Dificuldade de concentração;


Dificuldade em manter os olhos abertos e em focar; Sensação de picadas nos olhos ou de olhos
pesados; Sensação de entorpecimento e cãibras; Impaciência, mau humor; Dificuldade em manter a
cabeça direita; Sensação de reagir com mais lentidão; Dificuldade em reter em memória
acontecimentos imediatamente anteriores; Pensamentos desconexos; Sensação de sonhar acordado;
Mudanças bruscas de velocidade; Alterações no desempenho da condução, como dificuldades no
manuseamento da caixa de mudanças; Sensação de que todos os outros condutores conduzem mal;
Sensação de alterações no ruído próprio do veículo. Estima-se que, após 2h de condução contínua, o
tempo de reação normal do condutor duplique e consequentemente a distância de reação e a
distância de paragem do veículo aumentem. A coerência na intervenção - A importância de estar a
118
transmitir uma informação ou promover um comportamento com o qual nos sintamos confortáveis. A
falta de coerência e de consistência arruína qualquer relação de confiança.

Parágrafo 43, 46 – (o tipo de projeto)


Temas: Mudar, Intervir ou Animar: agir em função das necessidades identificadas, das
preocupações ou do desejo de agradar aos outros. Nortear a linha de ação em função da imagem.
Intervenções Pontuais vs. Intervenções Continuadas – Algumas intervenções assentam sobre
ações de sensibilização ou de formações de curta duração. A informação, apesar de ser uma
componente preventiva de grande utilidade para apoiar a tomada de decisões, por si só não provoca
mudanças significativas no comportamento. Os limites das estratégias de sensibilização – os
debates como fatores de mobilização e motivação, mas com escassa capacidade de promover
mudanças de fundo, de caracter permanente. O papel das figuras de referência social enquanto
modelos de influência. As intervenções mais eficazes são as que incidem sobre os jovens em
idades prévias ao início dos consumos; que se baseiam em estratégias interativas; envolvem a
formação de professores; são organizadas de modo a ir ao encontro da realidade dos jovens e são
complementadas com intervenções dirigidas aos pais e a outras estruturas da comunidade. No caso
específico do álcool, o controlo da oferta (evitar a venda de álcool a menores), e o reforço dos
impostos que conduzem à subida dos preços, têm-se revelado estratégias eficazes, ainda que não
reúnam o apoio dos produtores e comerciantes. Componentes da Intervenção Preventiva: para
além da (1) informação e do (2) desenvolvimento de competências sócio emocional já referidos, a
(3) exploração e desconstrução de Crenças é um dos elementos essenciais da intervenção, evitando
que pensamentos errados potenciem o consumo e abuso de bebidas alcoólicas. As principais crenças
estão ligadas à facilitação dos contactos sociais proporcionado pelo efeito desinibidor do álcool mas,
rapidamente é posto em causa, quando o excesso resulta no descontrolo, na perda de consciência
dos limites e na redução da crítica social. Outra crença prende-se com o potencial energético do
álcool, que é muito reduzido, sendo essa crença alimentada pelo efeito analgésico do álcool e pela
desinibição, que conjugadas, resultam num sentimento de omnipotência. Esta crença de que o álcool
dá energia, alarga-se por vezes à ideia de que o álcool aquece. Essa crença resulta do facto de o
álcool produzir um efeito vasodilatador que resulta na afluência de sangue aos vasos periféricos.
Contudo esse efeito é ilusório, não havendo qualquer aumento da temperatura do corpo. Uma terceira
crença está ligada ao saciar da sede por parte de bebidas como a cerveja. O álcool ao requerer água
no seu processo de metabolização, resulta precisamente no efeito contrário de desidratação. A

118
Manual Eu e Os Outros

temperatura a que as bebidas são servidas cria a ilusão de refrescar mas, efetivamente, o corpo está
a desidratar-se à medida que o álcool é metabolizado. Finalmente outras crenças prendem-se com a
capacidade de lidar com o padrão de consumo envolvendo diferentes comportamentos que ajudam a
recuperar mais rapidamente do consumo abusivo ou a ocultar a taxa de alcoolémia atingida. Quer
passe por tomar muito café, fazer caminhadas, tomar duches, beber bebidas que ocultem o hálito não
alteram a concentração de álcool no sangue e consequentemente, a alteração provocada pelo álcool
no organismo. Quanto muito, poderão proporcionar a ilusão de sobriedade, que poderá acarretar um
risco acrescido que é, acreditar que se está na posse das suas capacidades de reação e de raciocínio
e estes manterem-se lentificados, apesar da sensação de aparente bem-estar. Para terminar, outra
das componentes passíveis de serem trabalhadas num projeto de prevenção envolve a exploração de
119
projetos de vida que funcionem como fatores de proteção face a determinadas decisões que sejam
antagónicas com o projeto traçado. Esses projetos, podem passar pela realização pessoal no plano
desportivo, académico, afetivo, etc. mas, necessariamente, serão projetos que sendo significativos
para o indivíduo o ajudem a regular-se nos seus excessos. As Respostas na Saúde – Nem todas as
respostas existentes são da responsabilidade do estado. Na Saúde, existem equipas/unidades de
tratamento (existe pelo menos uma em cada distrito), unidades de desabituação, quando é
necessário retirar a pessoa do seu contexto familiar/social, comunidades terapêuticas quando a
reabilitação da pessoa requer um tempo prolongado. A maior parte das últimas estruturas são
privadas podendo haver um apoio do estado no suporte ao tratamento. Após o mesmo, inicia-se um
processo essencial de estabilização da pessoa, que envolve a reinserção social e laboral da pessoa
que ultrapassou o tratamento ou que está numa fase adiantada do mesmo. Estes processos não são
lineares, havendo avanços e recuos que deverão ser encarados como parte natural dos mesmos. Há
uma linha de suporte (Linha 1414) e de informação para quem queira aprofundar estas questões.

Parágrafo 49 (consumo nas mulheres)


Temas: Diferente capacidade de metabolização – o organismo das mulheres tem uma menor
capacidade de metabolizar o álcool por comparação com o homem. Riscos associados à
sexualidade – o abuso de álcool surge, frequentemente, associado a comportamentos sexuais de
risco, com menor consciência dos riscos – infeções sexualmente transmissíveis, gravidez na
adolescência. Maior vulnerabilidade à predação sexual (abuso sexual, aceder a ter relações sexuais
desprotegidas). O papel do efeito amnésico do álcool no facilitar da interação sexual de risco,
resultando na incapacidade de recordar o que se passou. O álcool e a afirmação de género -
algumas raparigas fazem dos consumos uma área de demonstração de igualdade de género mesmo
quando o seu organismo não está preparado para esse tipo de competição. Implicação do álcool na
gravidez - uma alcoolização aguda e transitória constitui maior risco no início da gravidez

Parágrafo 45, 50, 51, 52 – (a caminho do treino)


Temas: (1) Condução: O cinto de segurança – a obrigatoriedade de seu uso. Entre a segurança e o
desconforto. A utilização do telemóvel durante a condução: telefonar e conduzir ao mesmo tempo
implica uma "carga mental" que prejudica a realização segura da tarefa da condução. Concretamente,
o nosso cérebro não pode prestar a atenção necessária a duas tarefas diferentes realizadas
simultaneamente. As principais consequências que esta duplicação de atividades pode originar: (1)

119
Manual Eu e Os Outros

diminuição da capacidade de vigilância do condutor e dispersão da atenção; (2) aumenta 4 vezes a


probabilidade de acidente. Esta probabilidade aumenta para 6 durante os 5 primeiros minutos de
conversação. Os utentes mais assíduos do telemóvel têm uma taxa de mortalidade rodoviária dupla
da dos utilizadores ocasionais. Este risco mantém-se ainda alguns minutos depois de a "chamada" ter
terminado; (3) aumento, em cerca de 50%, do tempo de reação, levando assim o condutor mais
tempo a atuar perante uma dada situação de trânsito, podendo incorrer em perigo em situações de
risco potencial; (4) Má avaliação do posicionamento do veículo na via; (5) Dificuldade de
descodificação dos sinais e da sua memorização, perdendo, assim, informação essencial para uma
condução segura. Frequentemente a sinalização é mesmo ignorada; (6) Desrespeito da regra de
cedência de passagem nos cruzamentos e entroncamentos; (7) Não sinalização da manobra de
120
mudança de direção, não dando assim a conhecer aos restantes utentes da via a sua intenção de
efetuar a manobra; (8) Má avaliação da velocidade - a maior parte dos condutores julga que reduz a
velocidade quando atende o telefone, quando na realidade a mantém inalterável; (9) Redução do
campo visual - a conversa telefónica afeta as capacidades de exploração visual do condutor. Há
modificações significativas da direção do olhar durante e após a comunicação telefónica, em que é
privilegiado o olhar a direito para a via, prejudicando a visão periférica e a informação visual recolhida
através dos retrovisores. Tudo se passa como se a via se transformasse num écran sobre o qual se
misturam ou alternam imagens reduzidas do ambiente rodoviário, da face do interlocutor e do objeto
da conversa. Existe uma fixação do olhar durante a comunicação. (10) Tendência para não parar nas
passagens de peões a fim de lhes permitir atravessar a faixa de rodagem com mais segurança -
cerca de ¾ dos condutores ao telefone não cumprem esta regra do Código da Estrada.
Frequentemente os condutores nesta situação não se apercebem dos peões. (11) Aumento do stress
provocado pela situação de atendimento ou marcação de chamada telefónica, stress esse que pode
ser acrescido pelo teor da conversa. Facilmente se pode concluir que embora o uso de um "kit mãos
livres", permitindo manter as 2 mãos no volante, já reduz alguns riscos pela maneabilidade que
possibilita, não resolve todos os problemas. O condutor deve ter presente todos os outros fatores de
risco e evitar o telemóvel, seja qual for a sua forma de utilização, durante o ato de condução. Se
receber ou necessitar de fazer uma chamada telefónica o condutor deve parar em local apropriado e
só então utilizar o telemóvel.
(2) O desporto adaptado como fator de integração – a prática conjunta de uma atividade desportiva
entre pessoas ditas normais e pessoas portadoras de deficiência. A inclusão inversa – a
sensibilização da pessoa dita normal à prática do desporto adaptado; a descentração – colocar-se
no lugar do outro; dar valor às dificuldades e às competências exigidas na prática desportiva
adaptada; Os 3 principais objetivos do desporto adaptado – (1) terapêutico funcional do desporto
adaptado – servir de base para a recuperação física e mental no decurso do processo de reabilitação
(2) a vertente informal de lazer – permitir o convívio, o exercício e a inclusão (3) a atividade
desportiva de alto rendimento – a competição. As Modalidades Segregárias – modalidades como
o Goalball desenvolvida exclusivamente para pessoas com deficiência visual; a diferenciação da
competição em desporto adaptado em função do tipo de deficiência e do grau de incapacidade – não
se aplica a todas as modalidades – Tipos de deficiência diferenciada – cognitiva, paralisia cerebral,
malformações congénitas, deficiências traumáticas e adquiridas (ex. amputações, lesões medulares,
outras)

120
Manual Eu e Os Outros

Proposta de Trabalho: (1) O dinamizador poderá promover um levantamento das modalidades de


desporto adaptado conhecidas pelos jogadores. Poderá igualmente promover uma pesquisa ao site
da Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência. Se houver condições poderá
ainda promover uma experiência de prática de alguma das modalidades adaptadas com o apoio ou
do professor de educação física ou mediante contacto com o IPDJ.
Proposta de Trabalho: (2) propor aos jogadores que comentem o vídeo da campanha “Embrace life”
http://www.youtube.com/watch?v=QFvPqStODUo
Proposta de Trabalho: (3) propor a reflexão sobre os riscos do uso do telemóvel pelo peão por 121
comparação com os associados ao uso do mesmo aparelho pelo condutor. Pesquisa do site Think
http://think.direct.gov.uk/index.html

Parágrafo 53 (A importância dos desafios)


Temas: A Resiliência – conseguir retirar das más experiências fatores de crescimento pessoal. O
aumento da resistência/tolerância à frustração e ao sofrimento – a prática desportiva como espaço de
superação, gestão do esforço e da dor, enquadramento da regra e promotor da autorregulação.

Proposta de Trabalho: Pesquisar a origem do termo “resiliência” na física. Promover uma reflexão
sobre a aplicação deste conceito às pessoas. Procurar exemplos entre o grupo.
Parágrafo 54, 57 (Comparando-se com o Patas)
Temas: Os fatores familiares – (1) enquanto fator protetor – a família é o principal fator protetor até
aos 12/13 anos no desenvolvimento da criança e do pré adolescente; mantém-se ainda como fator
fundamental ao longo da adolescência. A importância dos (a) modelos positivos, das (b) regras e dos
limites, da (c) capacidade de comunicar e (d) negociar; do (e) suporte e acompanhamento no delinear
de um projeto de vida (monitorização parental) (2) enquanto fator de risco – a instabilidade emocional
(violência/agressividade, maus tratos); as perdas e ruturas (separações/mortes/ doenças); os
modelos negativos (alcoolismo, consumo de substâncias psicoativas); a ausência ou fragilidade das
figuras de referência (pouco envolvimento afetivo; incapacidade de impor limites); a negligência (falta
de atenção, atitude displicente em relação às regras e obrigações); a confusão de papéis
(imaturidade dos pais, filhos desempenhando funções parentais, competição no seio da família, ciúme
fraternal). Alcoolismo na Família - O clima de inconsistência e imprevisibilidade, regras quotidianas
confusas, e pela rigidez e inversão dos papéis familiares leva frequentemente a perturbações consigo
e com o outro envolvendo a perda de confiança em si e nos outros, dificuldades de identificar e
exprimir emoções, gerir os afetos, rigidez e culpabilidade com possível evolução depressiva. Risco de
reprodução da dinâmica familiar em relações futuras; Limites e castigos – (1) a importância de haver
limites na vida em comum (2) a necessidade de haver consequências face ao desrespeito pelas
regras (3) a adequação do castigo face à falta; (4) a contiguidade do castigo face à falta, (5) a
participação de todos na definição das regras e das consequências como forma de as tornar mais
aceitáveis e justas (6) o círculo vicioso entre o desafio e o castigo – a importância de interrompe-lo

121
Manual Eu e Os Outros

com a participação de ambas as partes – valorização do significado do desafio e as alternativas ao


castigo (ex. trabalho ao serviço da comunidade/família).

Parágrafo 57, 58 (á conversa depois do treino)


Temas: A condescendência face à deficiência – uma das formas de descriminação positiva –
sobrevalorizar capacidades ou subvalorizar as incapacidades. Adoção de uma atitude diferente da
que tomaria face a uma pessoa sem deficiência.

122 Parágrafo 59, 60, 61 (a competição no desporto adaptado)


Temas: Desporto adaptado - a Lei n.º 38/2004, de 18 de Agosto – Lei de Bases da Prevenção e da
Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência – faz referência ao valor da prática desportiva
para os cidadãos portadores de deficiência, nomeadamente no que se refere ao desporto e à
recreação como medidas para a habilitação e reabilitação (artigo 25.º). Estabelece que “cabe ao
Estado, adotar medidas específicas necessárias para assegurar o acesso da pessoa com deficiência
à prática do desporto e à fruição dos tempos livres” (artigo 38.º), incluindo o acesso à prática do
desporto de alta competição (artigo 39.º). Cabe à Federação Portuguesa de Desporto para pessoas
com Deficiência entre outras coisas promover das modalidades existentes e divulgação das novas
modalidades adaptadas. Há 38 modalidades referenciadas nesta federação. O Basquete em cadeira
de rodas pratica-se desde a 2ª guerra mundial. A sua história está ligada aos hospitais de
reabilitação. O primeiro jogo em Portugal terá acontecido em 1972 enquanto a primeira competição
organizada remonta a 1991/92. Joga-se num campo que obedece às mesmas marcações do
basquete convencional sendo as regras muito semelhantes. Os Jogos Paralímpicos são o maior
evento desportivo para atletas com deficiência. Realizaram-se pela primeira vez em 1962 assumindo
desde então uma regularidade de 4 em 4 anos na mesma cidade onde se realizam os Jogos
Olímpicos. Em 2012 a competição envolveu 20 modalidades. Portugal já esteve representado em 9
edições deste evento tendo ganho até à data 88 medalhas, com destaque para o atletismo e o
Boccia.

Parágrafo 61, 62, 63, 64, 65, 67, 69 (Falando de Sexualidade)


Temas: A adaptação a uma sexualidade diferente – Este é um tema central nos processos de
reabilitação de jovens adolescentes com deficiências adquiridas. Em situações de lesão medular ao
nível da zona do sacro o individuo perde o controlo muscular e motor dos membros inferiores,
perdendo com isso a capacidade de ter ereção. Esta limitação não afeta o desejo sexual mas
condiciona a vivência da sexualidade obrigando à redescoberta de formas alternativas de procura de
prazer, não centrado sobre os genitais em relação aos quais não há sensibilidade. Estes processos
de reaprendizagem exigem geralmente o apoio psicológico que permita integrar a mudança; A
sexualidade e o consumo de álcool/drogas - Estudos europeus de 2003 demonstraram que 1/3
dos jovens estavam sob efeitos de substâncias quanto tiveram a sua primeira relação sexual. O efeito
amnésico do álcool resulta que após estas experiências possam ser escassas as recordações dessa
relação. Um estudo Italiano aponta para que é 10x mais provável verificar-se uma disfunção eréctil

122
Manual Eu e Os Outros

entre os consumidores problemáticos de álcool. A mistura de álcool, anfetaminas e ecstasy está


associada a impotência induzida.

Parágrafo 65, 66 (estereótipos ligados à deficiência mental)


Temas: A rotulação – são muitas as crenças erróneas associadas à deficiência. A mais frequente é
que, quando esta envolve défices intelectuais estes são acompanhados por menor sensibilidade ou
capacidade de compreender a realidade que os rodeia. Outra crença errada é que a pessoa
deficiente por ser eventualmente mais dependente, não tem os mesmos direitos que os demais,
tornando-se deste modo alvo mais fácil para situações de abuso ou maltrato. A hipocrisia – não ser
coerente em relação a uma determinada atitude, assumindo-a em determinadas contextos, períodos 123
ou situações mas a generalizando para outras situações semelhantes.

Parágrafo 68 (comentando a fase besta)


Temas: A discriminação e violência face à pessoa diferente (bullying); O álcool associado a
comportamentos de oposição ou agressividade -

Parágrafo 70 (a vida continua)


Temas: Entreajuda – A entreajuda tem sido desenvolvida como estratégia complementar a
processos de tratamento e de intervenção comunitária. Assenta na perspetiva de que as pessoas que
nos rodeiam e são significativas assumem uma função de ajuda espontânea normalmente mais
acessível que a ajuda técnica. Capacitar as pessoas a desempenhar funções de apoio e contenção
aumenta a abrangência da intervenção desdobrando a capacidade de trabalho dos técnicos. As
competências de ajudam são trabalhadas com base na escuta ativa que permite uma compreensão
do problema, uma análise das alternativas de solução, o apoio a sua tomada e manutenção. Em
alguns casos pessoas sem formação académica, recebem formação para assumir funções de ajuda
mais estruturadas. Estas abordagens são também denominadas por estratégias de intervenção por
pares. Ideias para o Projeto: (1) Dar informação – A informação foi desde sempre um dos núcleos
centrais da intervenção preventiva. A informação fidedigna permite uma melhor decisão. (b) A contra
informação de quem quer promover o consumo - nem sempre a informação disponível é a correta (c)
perigo do efeito teratogénico da informação – atrair a atenção/curiosidade para temas ou assuntos
desconhecidos. (d) a importância de apresentar a informação numa linguagem próxima da do grupo
alvo; mensagens curtas, claras e impactantes; atratividade da mensagem/imagem; (2) Intervir ao
nível da autoestima – Algumas decisões são influenciadas pela insegurança da pessoa ou pelo nível
de autoestima que ela tem. As situações de pressão de pares são das mais sensíveis a estes fatores.
Alguns projetos apostam no aumento da autoconsciência (capacidades, interesses, limites) como
base de trabalho visando o aumento da capacidade de se autoproteger (3) Visibilidade social do
projeto (festa) – (a) A importância do Marketing social – espaços onde se procura ganhar a
comunidade para a intervenção, mostrando a pertinência da mesma e o seu produto (b) A
importância de encontrar um equilíbrio entre agradar a curto prazo (atividades mais superficiais e
animadas) e o prazer que requer investimento e espera (intervenção continuada; formação de
mediadores entre os jovens, etc.). Na intervenção continuada, a predominância do agradar a curto

123
Manual Eu e Os Outros

prazo predispõe o outro a uma gratificação constante reduzindo a sua disponibilidade para situações
que requerem mais investimento e esforço. A predominância do prazer conquistado, resulta por vezes
numa exigência à qual o outro não está disposto a corresponder aumentando o risco do abandono da
relação. O ideal é a capacidade de garantir o equilíbrio entre agradar a curto prazo (consumo) e
requerer do outro um esforço para merecer a gratificação (investimento). É muito fácil cair na tentação
de corresponder ao desejo dos outros apesar da superficialidade que resulta deste tipo de aposta. A
credibilidade do interventor – o crédito que os jovens dão a um interventor na área da prevenção
depende da honestidade, não normatividade, rigor informativo, capacidade de aceitar o outro nas
suas convicções; Figuras de referência / profissionais de referência – o recurso a figuras públicas
na passagem de determinadas mensagens; a mobilização de profissionais de áreas específicas
124
(agentes de segurança, especialistas…).

Parágrafo 71 (Criar o folheto)


Temas: (1) Tipo de bebidas Alcoólicas /Teor Alcoólico das bebidas –As bebidas podem ser
Fermentadas – obtidas através da transformação química de sumos açucarados por ação de
agentes biológicos (leveduras) Destiladas – obtidas por transformação de bebidas fermentadas
mediante evaporação por aquecimento seguida de condensação pelo frio utilizando um alambique ou
Desenhadas – bebidas gaseificadas obtidas pela combinação de sumos frutados com bebidas
destiladas, de teor alcoólico controlado, vendidas engarrafadas. A Graduação de uma bebida
corresponde à quantidade de álcool puro por litro de bebida -O teor alcoólico das bebidas alcoólicas
varia de acordo como seu tipo, sendo as primeiras menos graduadas que as segundas: Cerveja (3 a
8º); Vinho (7 a 14º); Aperitivos (16 a 40º); Licores (30 a 40º); Aguardente e outras bebidas brancas
(40 a 45º). Tradução de informação sobre as bebidas alcoólicas – a informação de que uma
cerveja tem graduação de 4o = 4% = 0,04lt = 40ml de álcool puro num litro de cerveja. Conversão de
volume de álcool em gramas – Um mililitro de álcool puro tem 0,8g de álcool puro. Deste modo num
Litro de vinho com 12º há 120 mililitro de álcool que corresponde a 96 gr de álcool (por multiplicação
de 120mlx0,8). (2) Unidades Padrão - Uma unidade de bebida-padrão, segundo a OMS contém: 10 g
de álcool etílico. Deste modo consoante o tipo de bebida a UP corresponde a 250 ml de cerveja a 5º;
125 ml de vinho a 12º; 50 ml de aperitivo a 25º; 25 ml de bebida destilada a 40º (3) Taxa de
alcoolémia (TAS) -Alcoolemia, é a quantidade de álcool existente num dado momento no sangue do
indivíduo. É expressa em gramas de álcool por litro de sangue. Uma TAS de 0,5g/l corresponde a 0,5
g de álcool puro, por litro de sangue. Fatores que condicionam a TAS – sexo, idade, constituição
física, tolerância, alimentação; estado anímico. O cálculo da TAS pode-se fazer segundo a seguinte
fórmula TAS = álcool ingerido (em gramas) / peso corporal (em Kg) X Coeficiente (0,6 para as
mulheres e de 0,7 para os homens) x 1,1 caso o consumo de álcool tenha ocorrido durante a refeição;
(4) Padrões de Consumo / Metabolização - o pico máximo atinge-se cerca de 45 minutos após a
ingestão, sendo que a partir daí decresce a uma velocidade bastante menor. Se o organismo em
média leva 1h para eliminar 0,1g/l então se eu tiver uma tas de 0,5g/l, levarei cerca de 5 horas a
eliminar o álcool na totalidade – isso depende dos fatores que fazem variar a taxa de absorção. Por
exemplo, um consumo maciço e rápido acelera a subida de alcoolémia. A abstinência vs. consumo
responsável – a importância da praticabilidade da mensagem na sua aceitação – defender o não
consumo de álcool numa sociedade tolerante onde o consumo está banalizado pode levar à recusa
na mensagem por ser demasiado extrema. A defesa de um consumo responsável pode ser

124
Manual Eu e Os Outros

confundida com a aceitação social do mesmo e com a desvalorização dos riscos que lhe são
inerentes. A importância de encontrar um equilíbrio que promova a resistência ou adiamento do início
dos consumos de bebidas alcoólicas mas igualmente a responsabilização individual pelo controlo e
regulação de comportamentos face ao consumo. (5) Outros temas possíveis - A diferença de
impacto do álcool nos dois sexos; o risco acrescido de comportamentos de risco – relação sexual
desprotegida, violência, risco de acidentes rodoviários, maior vulnerabilidade a assaltos e predação
sexual, os riscos de saúde ligados à mistura de substâncias (desidratação, paragem cardíaca, …)
Proposta de Trabalho: O dinamizador poderá propor ao grupo um concurso de folhetos de
prevenção dos problemas ligados ao álcool. Potencial articulação com o professor de TIC para a de
construção de trípticos. 125

Parágrafo 72 (The Coolest Cooler)


Temas: Uma das motivações associadas ao consumo prende-se com o impressionar positivamente
os outros, ser aceite e/ou corresponder às expectativas dos outros. Nesse sentido o álcool está
associado a um estatuto que poderá envolver maturidade, nível socioeconómico, autonomia, etc.
Uma abordagem que destaque outras componentes da nossa identidade que nos tornam especiais
para os outros e que por vezes essas componentes são fragilizadas pelo abuso do álcool pode ser
uma estratégia de reduzir o recurso ao álcool como forma de afirmação. (ver dinâmica de grupo –
escrever bem nas costas).
Parágrafo 73, 74, 75, 76 (A Organização da festa)
Temas: (1) O controlo da oferta – a eficácia das medidas de controlo da oferta; não venda a
menores; não venda a pessoas já muito alcoolizadas; cartões de registo de bebidas, fitas de
diferenciação de idades; Acessibilidade às bebidas alcoólicas a menores: o controlo da oferta
(venda de bebidas a menores) é uma das estratégias mais eficazes para o retardar da idade do início
de consumos. A importância de um esforço articulado para que o comércio não se sobreponha às
medidas preventivas e de promoção de saúde. A venda de álcool a menores – falta de monitorização
ou fiscalização dos agentes comerciais (bares, supermercados, etc.) na venda de álcool a menores.
O papel da pressão social (dos cidadãos organizados, pais, professores, pares) na responsabilização
de quem proporciona a oferta. Processos de sensibilização da comunidade – a mobilização da
autarquia em complemento ao trabalho da escola. (2) Medição do grau de alcoolémia; - O
alcoolímetro é o instrumento que serve para avaliar, de forma indireta, o teor de álcool no sangue,
apresentando os valores já convertidos em gramas de álcool por litro de sangue. (3) Oferta de
alternativas de prazer – atividades culturais; bebidas sem álcool;(4) Fazer da festa, um
investimento de todos. O protagonismo que promove um sentimento de pertença. A conjugação
entre a diversão e a aprendizagem – integrar conteúdos curriculares como base de atividades de
lazer.

Parágrafo 77 (Abordagem Comunitária)


Temas: (1) o Envolvimento dos Pais – por vezes o padrão de consumo estabelece-se por imitação
do que é observado em casa. Nesse sentido, o envolvimento da família poderá não só proporcionar
uma atitude mais pedagógica e afetivamente enquadrada, de descobrir as bebidas alcoólicas como

125
Manual Eu e Os Outros

poderá igualmente criar uma base de confiança e de consistência na imposição de limites para
abusos futuros. Simultaneamente o envolvimento das famílias nas intervenções comunitárias pode
ser essencial na colocação de pressão sobre os comerciantes que não cumprem a lei e que vendam
BA a menores. (2) O papel da Comunicação Social – A comunicação social pode ter um papel
essencial na intervenção comunitária, não só começando por sensibilizar a população para a
necessidade de se envolverem em processos de mudança perante números preocupantes, mas
também dar visibilidade ao trabalho desenvolvido e colocando pressão sobre os decisores no sentido
de criarem condições facilitadoras da intervenção ou aplicarem a legislação vigente no controlo de
contextos facilitadores;(3) O envolvimento de parceiros (Escola de Hotelaria, Policia, Centros de
Saúde, Autarquia…) – As parcerias são formas essenciais de partilhar os recursos necessários por
126
varias fontes, potenciando saberes e alargando a abrangência da intervenção. Para que as parcerias
funcionem é essencial negociar e pôr em evidência os ganhos que a intervenção pode trazer a cada
parte.

Parágrafo 78 (Prontos para a festa)


Temas: A presença dos pais – a monitorização parental; o controlo; tempos de partilha, a cedência
estratégica; A Música – rituais de pertença; o efeito do som na indução de estados de alheamento da
realidade; a associação de estilos musicais com culturas juvenis e comportamentos; Medidas de
controlo da venda de bebidas alcoólicas em função da idade. Aspetos associados à festa –
excesso, consumo, tolerância, redução de limites. A crença de que não há festa sem álcool.
Proposta de Trabalho: O dinamizador poderá pedir a cada participante que se imagine à entrada da
festa e organize um conjunto de expectativas, que poderiam ter para a festa em que iam entrar
(diversão, envolvimento sexual, novas experiências, etc.) De modo a evitar situações de desafio, as
expectativas poderão ser reunidas por “voto secreto” sem que os autores se revelem. A partir desta
tarefa poderá ser desenvolvida uma reflexão sobre as expectativas associadas à festa.

Parágrafo 79, 80, 81, 86, 87 (No balcão)


Temas: Rapazes vs. raparigas face ao consumo de álcool – riscos adicionais no feminino – a gravidez
na adolescência; padrões de consumo (os rapazes bebem mais que as raparigas e em maior
quantidade embora as raparigas atenuem/invertam esse padrão nas idades mais precoces e venham
a aproximar-se do padrão de consumo dos rapazes) e preferências (cerveja para os rapazes vs.
bebidas espirituosas para as raparigas) o Mito do álcool enquanto facilitador da interação social; O
Mito do álcool enquanto fonte de energia; Alguns efeitos do álcool (desinibição, exuberância,
descontrolo motor, analgesia… ). Prós e contras para aceitar beber – Exemplos de contras - ter uma
responsabilidade, já ter bebido antes, não ter nada no estômago, interferir com outros objetivos para a
noite ou para o dia seguinte… Exemplos de a favor – relaxar, ser bem visto pelos outros, saber bem,
ficar mais desinibido… Diferentes formas de dizer não; A condução na sequência do consumo
abusivo – estratégias de dissuasão - a presença da polícia junto aos parques de estacionamento, a
disponibilização de testes de alcoolémia em proximidade à hora de saída dos eventos, a existência de
campanhas como o condutor 100% cool, ou de iniciativas de bares e discotecas de não vender mais
BA a pessoas muito alteradas e garantir o transporte para casa, evitando que essa pessoa arrisque a
condução em estado de embriaguez.

126
Manual Eu e Os Outros

Proposta de trabalho: pedir aos jogadores que investiguem o site referente a esta campanha
http://www.100porcentocool.pt/#/homepage

Parágrafo 83, 79, 89 (Juntas-te à Alice)


Temas: As Causas/Motivações para o consumo; O choque de atitudes entre quem bebem e quem
não bebe. (1) Esquecer problemas – maus tratos, acontecimentos de vida de forte carga emocional,
lidar com situações de descriminação ou insucesso (2) Ser aceite pelo grupo – desejo de integração,
corresponder às expectativas ou à compreensão das regras do contexto onde está inserido, crenças
127
de normatividade, (3) Relaxar – procurar a redução de tensão acumulada em contextos competitivos
ou muito exigentes em termos de concentração e controlo pessoal (4) Diversão – procura de estados
de euforia ou desinibição facilitadores do envolvimento em interações promotoras de novas
sensações, mais intensas, e eventualmente com menor alinhamento social. (5) Facilitador do
envolvimento sexual – redução do pensamento crítico, associação ao Viagra como forma de
contornar o efeito miorrelaxante que por vezes condiciona a ereção.

Parágrafo 84, 90, 91, 95, 96 (Da pista de dança à conversa com o Patas)
Temas: Quantidades de álcool ingerido; a tolerância; o papel dos pares na proteção – reunir
informação sobre os consumos efetuados ao longo da noite; Alguns efeitos do álcool: a desidratação,
a descoordenação motora, dificuldades de articulação, a alteração do estado de consciência e de
raciocínio; labilidade emocional (riso descontrolado, choro) amnésia, menor controlo do impulso (risco
de maior agressividade); o Mito do álcool como bebida que tira a sede; a mistura de bebidas e a
mistura com outras substâncias; os limites da conversa com alguém em estado de embriaguez;
Atitude face a situações de risco – retirar a pessoa de espaços confusos, arejar, hidratar, manter a
pessoa acompanhada…

Parágrafo 85 (Nas atividades Radicais)


Temas: O aumento de adrenalina associada à vivência do risco. O Natural High – estados de bem-
estar induzidos por processos naturais – meditação, atividade física, contextos ótimos de
desenvolvimento pessoal. Os comportamentos ordálicos – comportamentos de risco que devolvem o
sentimento/direito de estar vivo. Procura de atividades desportivas alternativas - práticas estruturadas
que exploram o risco e a aventura, confrontando os limites e a transgressão, no desejo de superar os
seus próprios limites.

Parágrafo 92, 93 (A iniciação de menores)


Temas: Rituais de passagem – o álcool associado a um estatuto de adulto. O desejo de ser visto
como tal. Corresponder aos desafios como forma de se mostrar ao nível das exigências e do estatuto.
A adoção de comportamentos de risco que ultrapassam a tolerância pessoal. O papel da plateia na
indução e manutenção desses comportamentos. A normalização de comportamentos anómalos.

127
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 94, 100, 101 (No estacionamento)


Temas: Os riscos ligados à condução sob o efeito de álcool – a perda de coordenação, redução dos
reflexos; o sentimento de omnipotência; Desafiar a morte; correr riscos para marcar posições; o
desespero perante a impotência de ajudar o outro. Rever-se no outro. O peso da responsabilidade
pelo mal causado aos outros; e irreversibilidade. O (não) uso do capacete (equipamento de
segurança) - motociclo é o veículo dotado de duas rodas, com ou sem carro lateral, com motor com
cilindrada superior a 50 cm3 ou que, por construção, exceda em patamar a velocidade de 45 km/h.
Ciclomotor é o veículo dotado de duas ou três rodas, com motor de cilindrada não superior a 50 cm3
e cuja velocidade máxima não exceda, em patamar e por construção, 45 km/h.
128
Parágrafo 97, 98, 99 (ser responsável)
Temas: Ser modelo para os outros – ter a noção da importância do seu comportamento para os
outros que o valorizam; dar o exemplo; o julgamento dos outros vs. o julgamento do próprio na
avaliação das implicações morais de um comportamento ou atitude. A Pressão de pares – induzir o
outro a ter um comportamento que não deseja. A banalização do comportamento por esbatimento
das diferenças pessoais (ser igual para todos). Expressar a zanga. As consequências das opções
pessoais nas relações com os outros.

Parágrafo 102, 103 (O coma alcoólico)


Temas: Estados extremos do consumo abusivo de álcool – a intoxicação alcoólica aguda. A perda de
consciência. Colapso do sistema nervoso central- o organismo deixa de reagir aos estímulos.
Indicação de Internamento hospitalar – reposição de glicose endovenosa. Risco de morte. Risco
acrescido por conjugação de fatores - inexperiência, jejum, alteração emocional, afastamento do seu
grupo de referencia. Alguns sintomas da intoxicação aguda – vómito, tontura, desmaio. Posição
lateral de segurança – deitado sobre um dos lados, perna que não está em contacto com o solo
dobrada em angulo reto, para estabilizar a posição, cabeça confortavelmente apoiada, braços
estendidos – vantagem de evitar que, em caso de vómito, a vítima sufoque.

Parágrafo 104, 105, 106 (As consequências do abuso)


Temas: A nível Familiar – o castigo, o sofrimento, o questionar sobre a educação dada e recebida; o
questionar sobre a responsabilidade parental, o defletir a responsabilidade para os outros; o
sentimento de impotência na proteção dos filhos. Os sinais de mal-estar – respostas possíveis –
desvalorizar, mobilizar apoio especializado, conter/penalizar. Os medos de uma evolução de novos
abusos/dependência. A nível Físico – necessidade de repor os índices de sais e açucares. A ressaca
– dor de cabeça, má disposição geral, eventuais dores de estomago. As consequências a
médio/longo prazo por consumo abusivo repetido – lesões no fígado, no aparelho digestivo,
estômago/intestinos, perturbação da consolidação das estruturas do sistema nervoso central ainda
em desenvolvimento. As consequências no plano funcional com alterações da atenção e
concentração, da memória, raciocínio, capacidade de aprendizagem… A nível Psicológico – a curto
prazo – a vergonha, a gabarolice, a médio/longo prazo – tristeza, isolamento, desmotivação,
abandono de projetos pessoais.

128
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 107 (uma reflexão final)


Temas: A exposição do Martim ao seu passado – o que foi e o que poderia ter sido; A relação de
entreajuda na gestão das crises. As leituras macrossociais sobre o enquadramento e aceitação do
álcool.
Proposta de Trabalho: O dinamizador poderá, pedir a cada participante que identifique as
aprendizagens retiradas desta narrativa; Poderá igualmente pedir que se ponha no lugar do Martim e
identifique o sentimento/pensamento dominante no retorno a casa.

129

129
Manual Eu e Os Outros

130

7.9 História 9: O futuro


Personagem central: Alice
Existe um conjunto de grandes temas que se distribuem ao longo desta história. Listaremos num
primeiro momento esses temas, trabalhando, depois de uma forma mais específica, cada um dos
parágrafos explorando pequenas questões que poderão ser orientadoras do processo de exploração
da narrativa. Deste modo os temas gerais são:
1. Perspetival do futuro: determinismo versus livre arbítrio;
2. O ambiente e as preocupações ecológicas
3. A autonomia, a responsabilidade e a capacidade de tomar decisões;
4. A autenticidade do ser humano e a sua individualidade;
5. O inesperado, o óbvio, o acaso e o absurdo;
6. O consumo de alucinogénios – perceções de (a)normalidade, contextos de consumo, pressão
de pares, efeitos da substância;
7. O poder de um grupo face aos poderes individuais;
8. Exigir, ceder e conciliar nas relações interpessoais;
9. A frustração e o regozijo da despedida – o respeito pela emancipação do outro.
Estes temas são explorados com maior e menor clareza no decurso da narrativa, contudo é no
processo de exploração dos temas, que os conteúdos poderão emergir de forma mais consistente
cabendo ao MJ não apenas a auscultação do grupo sobre estas matérias, mas acompanhá-los na
recolha de informação adicional que permita a consolidação ou a mudança de perceções.

130
Manual Eu e Os Outros

Estruturação da narrativa por blocos


1º Bloco – Pensando sobre as decisões vocacionais – 1 a 10
2º Bloco- À volta de uma encomenda - do parágrafo 10 ao 28
3º Bloco – Reunindo os amigos - do parágrafo 28 ao 78
Sub Bloco – No bar do Joca
Sub Bloco – No baixa
Sub Bloco – Na casa de jogos
Sub Bloco – No lugar da festa
131
3º Bloco – Resolvendo a confusão - do parágrafo 78 ao 103

Exploração de conteúdos de reflexão por parágrafo

Parágrafo 1, 2,4, 6 – (de regresso a casa)


Temas: Decisões de Futuro: perspetivar uma profissão. Escolher a área de formação. Critérios de
escolha de uma profissão:(a) pela realização pessoal, (b) pelo retorno financeiro, (c) pelo estatuto
social que proporciona; (d) pelo prazer que proporciona, (e) a partir da colocação no mercado de
trabalho (profissões com saída vs. profissões com elevada taxa de desemprego). …Bases para uma
escolha vocacional: (1) a partir dos interesses de cada um (2) a partir das capacidades, (3) a partir
das expectativas de quem os envolve, (4) a partir da acessibilidade à formação e à profissão, (5) a
partir das condicionantes pessoais e sociais para concretizar a vocação.

Proposta de atividade 1: cada elemento do grupo deve elencar numa folha de papel com duas
colunas, por um lado as áreas funcionais em que mais se valoriza (para que tenho jeito?) e por outro
lado as áreas profissionais que mais lhe interessam (de que é que eu gosto?).
Proposta de atividade 2:O dinamizador poderá propor ao grupo que, em coletivo se construa um
quadro com várias colunas em que cada um coloque profissões de que se recorde, organizando-as
em função dos critérios anteriormente referidos: dinheiro, prazer, estatuto, realização pessoal,…
podendo ainda acrescentar um coluna sobre as profissões que não gostaria de ter.

Parágrafo 3 – (a sessão com a psicóloga)


Temas: O papel da psicologia na escola. A que é para que serve a orientação vocacional – a ajuda
na reflexão sobre as opções de escolha quer a nível profissional quer no processo formativo que
conduza a essa profissão.

Parágrafo 5 – (face à segurança do Emanuel)


Temas: A reação à segurança dos outros: A irritação que nos provoca que os outros consigam o
que nos parece tão difícil. Outras emoções possíveis; a inveja, a admiração, o
desafio…Condicionantes de uma escolha vocacional: o acesso à faculdade (em que faculdades
existe o curso que proporciona o acesso a uma determinada profissão), quais a notas de acesso a

131
Manual Eu e Os Outros

esse curso (grau de procura da formação) qual a avaliação subjetiva do curso (antevisão da exigência
ou da qualidade da oferta formativa).

Parágrafo 7 – (As profissões dos pais)


Temas: A referência dos outros que nos rodeiam: que exemplos profissionais conhecemos em
função das pessoas com que convivemos? Quais são as profissões dos pais? De que é que constam
em termos funcionais? Gostaria de ser o que eles são? Qual a probabilidade de tal acontecer? Que
outras pessoas referência poderão servir de modelo em função da sua profissão (familiares, vizinhos,
conhecidos, …)
132
Parágrafo 8 – (As sugestões da psicóloga)
Temas: Ser ativo na procura de informação que ajude à decisão: a) a experimentação de
atividades relacionadas com a profissão em vista através de estágios, b) a recolha de informação
sobre a profissão através de conversas com pessoas que têm essa profissão; c) a exploração dos
contextos onde decorre a formação para a profissão através da participação em atividades
proporcionadas pelas universidades durante as interrupções letivas; d) a recolha de informação sobre
a oferta formativa: consulta de sites, a Futurália, como acontecimento anual de divulgação dos Cursos
e das Facultades do país.

Parágrafo 9 – (À porta de casa)


Temas: A importância de acreditar em si: a escolha vocacional é fortemente condicionada pela
confiança que cada um tem nas suas capacidades e conhecimentos. O risco de escolher em
função de outras condicionantes: a) ser condicionado pela falta de autonomia (não ir para longe),
b) pelas expectativas dos outros (os meus pais gostariam que eu fosse… ), c) pela exigência de
tempo ou dinheiro (a formação para se ser qualquer coisa custa muito dinheiro (ex. ser piloto de
aviões) ou requer muitos anos de formação (ex. ser médico(a)). A perspetiva de estudar no
estrangeiro – Os programas Erasmus: experiências formativas noutros países da europa. A
acessibilidade a estes programas. Os apoios existentes para ultrapassar limitações socioeconómicas
ou de outro tipo (ex. pessoas portadoras de deficiência). A alternativa da formação profissional:
não limitar as escolhas profissionais à oferta do ensino superior. A importância da formação
profissional na preparação para profissões de forte componente prática. A importância de combater a
falsa ideia de que só a universidade pode proporcionar um bom futuro profissional. O
reconhecimento de que para algumas profissões a aprendizagem se faz essencialmente pela
prática.

Parágrafo 10 – (a chegada a casa no fim do dia)


Temas: A ocupação do tempo livre: os diferentes interesses que nos preenchem o tempo: o
computador, a televisão, os livros, os jogos, os jogos de paciência, as coleções, a música, etc. A
utilização da internet: o uso e o abuso; as potencialidades da internet; a possibilidade de
conversação em tempo real com todo o mundo; a globalização social e cultural;

132
Manual Eu e Os Outros

Proposta de atividade: cada elemento do grupo deve elencar alguns dos seus amigos virtuais,
salientando a sua zona de residência no globo. De seguida proceder à análise dos dados e eleger
aquele que tem o amigo mais distante.

279B Parágrafo 11– (Desligas o computador e vais dar uma volta/abres o embrulho)
Temas: A curiosidade: a impulsividade movida pela curiosidade; a capacidade de lidar com a
frustração; As atividades entediantes; o equilíbrio entre as atividades dentro e fora de casa; Estar
informado: a importância de conhecer o interlocutor e saber quais as suas intenções.

133
310B Parágrafo 12 – (pegas no livro)
Temas: O prazer de ler: o tipo de livro: romance, policial, histórico, biográfico, ficção científica,
fantasia, etc. Os elementos para um bom livro: o enredo, as personagens, o ritmo da ação, a
capacidade de descrever os ambientes e as pessoas. A ideia de recuar no tempo – poder evitar
coisas, voltar a viver coisas de que se gostou muito, dar conselhos a alguém
Proposta de atividade: (1) propor ao grupo uma reflexão individual sobre a) como se imaginam
daqui a 15 anos b) se pudesse andar para trás no tempo e dar um conselho a si próprio com menos 5
anos, qual seria? (2) fazer um levantamento dos livros que cada um mais gostou de ler.

283B Parágrafo 13, 19, 52 – (Ida aos correios)


Temas: A reação dos outros; aquilo que aparentam saber e o que sabem verdadeiramente; as
perguntas com segundas intenções; o que se diz, o que não se diz e o seu impacto na relação com
os outros.
2

Parágrafo 14, 15 – (Metes-te na conversa/ Manténs-te no chat sem dizer nada)


80B

Temas: O destino; o determinismo e a incapacidade de controlarmos o nosso futuro; o livre arbítrio


e a responsabilização pelas tomadas de decisão; partilhar a nossa opinião versus observar e avaliar a
opinião dos outros.
Proposta de atividade: dinamizar debate sobre determinismo vs. indeterminismo no grupo de jogo.

311B Parágrafo 16, 17 – (Dás a tua opinião)


Temas: A influência da atitude negligente do Homem em relação ao ambiente nos acidentes
naturais que têm ocorrido – a poluição e o buraco de ozono, o aquecimento global. A participação de
cada um – formas de contribuir para um melhor ambiente – poupar água, poupar energia, separação
do lixo,
Proposta de atividade: propor ao grupo uma reflexão sobre (1) o que é que cada um
(individualmente e na família) põe em prática para a proteção do ambiente (2) outras coisas que
possam ser feitas – individualmente, coletivamente – para sensibilizar e aumentar o cuidado das
pessoas em torno deste tema. Sugere-se a exploração do site da Quercus para uma melhor atitude
face ao ambiente http://www.quercus.pt
HTU UTH

133
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 18, 20, 21, 22 – (Comer um gelado)


309B

Temas: Informação nutricional: A diferença entre o gelado e o sorvete – a presença de leite no


segundo. O carácter light do gelado – os teores de açúcar e de gordura com que o gelado é feito. Os
aditivos – os corantes (naturais ou artificiais), os aromatizantes (naturais ou sintetizados), os
conservantes. A produção caseira – misturas de sabor, prevalência da fruta e do leite. A atitude face
ao prazer: (1) tudo de uma vez, (2) capacidade de adiar (3) o equilíbrio

134 Parágrafo 23, 24 – (Face ao embrulho)


281B

Temas: Abrir o embrulho - dúvida e a incerteza: o não perceber o que se está a passar; perder o
controlo sobre os acontecimentos; o que fazer numa situação em que não se possui todas as
informações relevantes para formular um juízo de valor; procurar informação adicional. Ver o
remetente: ser cauteloso(a) face ao que nos é enviado. Perceber a origem para decidir se abre ou
não o embrulho: as ameaças e os enganos… A impulsividade que resulta da curiosidade. Não
conseguir controlar o impulso.

Parágrafo 25, 26, 28 – (Voltas para casa pensativa/ Telefonas à Catarina para
282B

saber a sua opinião)


Temas: A reflexão e o pensar como formas de organizar o pensamento; O acaso e as
coincidências: as coisas que acontecem quando menos se espera; atitudes face ao inesperado; a
reflexão solitária e o pensar em conjunto com amigos. As figuras de referência: a quem recorres
quando precisas de ajuda? Quais as características das pessoas a quem recorres? São mais velhas?
Mais experientes? Mais sensatas? São mais inteligentes? Já te desenrascaram em situações
anteriores?

Parágrafo 27 – (O SICAD como remetente)


291B

Temas: O Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências: A


instituição; as áreas de missão; A componente preventiva. A rede de respostas através da articulação
com outras valências da saúde.
Proposta de atividade: após pesquisa e recolha de dados sobre a instituição, dinamizar um debate
com o grupo sobre as principais funções do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e
nas Dependências. Propõe-se a consulta dos sites oficiais: www.sicad.pt ou www.tu-alinhas.pt

Parágrafo 29,30, 31, 34 (No bar do Joca: Consultar ou não o computador)


284B

Temas: O apoio dos amigos: A partilha de confidências e a opinião de quem se confia; o equilíbrio
entre a opinião dos outros e a vontade própria. A curiosidade e o inesperado: renunciar à satisfação
da curiosidade; A dificuldade em estabelecer raciocínios lógicos quando as evidências não fazem
sentido. A curiosidade e o inesperado: renunciar à satisfação da curiosidade; A dificuldade em
estabelecer raciocínios lógicos quando as evidências não fazem sentido; O resistir à curiosidade: A
partilha de confidências e a opinião de quem se confia; o equilíbrio entre a opinião dos outros e a

134
Manual Eu e Os Outros

vontade própria; A responsabilidade: Os objetos perdidos ou abandonados: ficar com eles, entregá-
los ao cuidado de alguém ou chamar a atenção dos responsáveis.

Parágrafo 32, 33, 36, 38, 39 – (Falar com o Botecas)


285B

Temas: Procurar ajuda: face à incompreensão procurar mais pontos de vista. A tolerância face a
decisões menos conseguidas (ver ou não o remetente). Reações à crítica.

286B Parágrafo 35 – (Sigam para o jardim)


Temas: A preocupação dos outros: o sentimento de culpa do Botecas por perder o rasto do Patas;
a gestão da culpabilidade; a responsabilização do grupo; o pedir ajuda. A Música Trance (ou Transe) 135
– o que a caracteriza (a batida, o som sintetizado e eletrónico), as suas raízes na música acidhouse e
no Techno. Os seus derivados – o GoaTransee o Transe Psicadélico

285B Parágrafo 40 – (Seguem para a baixa)


Temas: A preocupação de não encontrar um amigo: a preocupação com um ente querido; a
frustração de desconhecer o seu paradeiro e a ineficácia das estratégias da sua localização; o tipo de
estratégias de procura.

288B Parágrafo 37 – (Propões que procurem o Patas)


Temas: O pensar e o agir: a importância da reflexão na preparação da ação; o primeiro passo; a
ação como apaziguadora da ansiedade; a importância de estabelecer raciocínios lógicos antes de
agir.

292B Parágrafo 41, 43, 44 – (Na Casa de Jogos: Perguntam pelo vosso amigo)
Temas: A linguagem não verbal: o corpo e o comportamento como canais de comunicação; as
expectativas face ao outro; as (falsas) aparências.

Parágrafo 42, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51 – (Falam com o mestre africano)
90B

Temas: O misticismo e a adivinhação do futuro: a idade como sinal de experiência; o respeito


pelos mais velhos; a capacidade de prever o futuro; o crédito e a desconfiança no desconhecido; a
importância de uma linguagem clara e eficaz no processo de comunicação interpessoal.

293B Parágrafo 52, 53, 54 – (A caminho dos correios)


Temas: A estranheza face ao inesperado: reação face a questões filosóficas; a identidade de cada
um; As defesas maníacas: o recurso ao humor/agressividade para lidar com a insegurança e
incerteza; a reação face à dúvida. O Direito à Privacidade – divide-se no ireito de não ser
D

monitorizado, entendido como direito de não ser visto, ouvido, etc., o Direito de não ser registado ,
U U

entendido como direito de não ter imagens gravadas, conversas gravadas, etc. e o Direito de não ser
U

135
Manual Eu e Os Outros

reconhecido , entendido como direito de não ter imagens e conversas anteriormente gravadas
U

publicadas na Internet ou noutros meios de comunicação. (retirado da Wikipédia em 14/05/2010)

Parágrafo 55 – (tentas ligar para o SICAD)


312B

Temas: O sentimento de irritação quando não se consegue falar com quem se quer ou obter a
resposta que se deseja: (1) o caricato da situação, (2) a persistência de continuar a tentar; (3) a
reação à ideia de estar a ser gozado, (4) saber qual o momento para desistir
Proposta de atividade: as linhas telefónicas de ajuda (112, 1414, entre outras) são frequentemente
objeto de diversão de jovens e crianças que ligam para estes serviços com o único intuito de se
136
divertir. Propor ao grupo que se imagine na situação de atendimento e explore sentimentos e reações
associadas à situação

Parágrafo 56 – (Reagindo à senhora)


293B

Temas: O preconceito: tirar conclusões erradas a partir de informação insuficiente. A intolerância


social – a crítica fácil, a indisponibilidade para compreender o outro e disponibilizar ajuda. As
diferenças geracionais: os choques que resultam da diferença de vivências, ritmos e atitudes. A
crítica fácil. Não querer envelhecer assim.

Parágrafo 57, 60 – (encontro com o Jamal)


294B

Temas: O julgamento prévio: as expectativas face ao outro; a dedução de conclusões face ao


conhecimento que se tem do outro; as profecias auto-confirmatórias; o ser e o parecer.

Parágrafo 58, 59 – (os cogumelos mágicos)


296B

Temas: As substâncias alucinogénias: são substâncias que pertencem à família dos perturbadores
do SNC. Podem ter diversas apresentações. As mais conhecidas são o LSD e os cogumelos
mágicos. Têm por efeitos alterar a percepção da realidade por intensificação da percepção
(hiperestesia) ou por alucinação (percepção de um estímulo não presente); Normalmente as
expectativas face à substância prendem-se com a vivência de uma experiência psicadélica ou de
revelação pessoal; os riscos do consumo são elevados uma vez que o indivíduo invade uma parte do
seu aparelho psíquico que lhe é vedada podendo confrontar-se com experiencias de carga emocional
muito intensa (bad trips) podendo mesmo estar na origem de uma psicose tóxica. Do ponto de vista
antropológico estas substâncias, no seu formato natural, estavam muito associadas a rituais
religiosos havendo uma crença de que os seus efeitos permitiriam uma maior proximidade com os
deuses.
Proposta de atividade: propõe-se a pesquisa de mais informação no www.tu-alinhas.pt ou no
HTU UTH

www.SICAD.pt .
HTU UTH

Parágrafo 61, 62 – (avisar alguém por causa do Patas)


298B

Temas: A família como fator protetor: a família como suporte afetivo; a dinâmica familiar; Tal pai, tal
filho – o inato e o adquirido; A polícia como fator protetor: o papel protetor da polícia; a noção de

136
Manual Eu e Os Outros

regra e lei; o respeito pelas formalidades; o limite da ação policial; A noção de loucura: o normal e o
patológico; as expectativas face às evidências. O que é a loucura? E a normalidade?
Proposta de atividade: proposta de pesquisa do site da polícia judiciária em relação a situações de
desaparecimento de pessoas:
HTU http://www.policiajudiciaria.pt/PortalWeb/page/%7BDCDD1912-D7D2-4827-A009-5595BA832575%7D
UT

Parágrafo 63, 66, 68 – (local da festa/ o Patas no lixo)


297B

Temas: O cuidado com o meio ambiente: a perspetiva ecológica da vida urbana; a importância de
respeitar o meio ambiente; o prazer, o abuso e a noção de responsabilidade. A surpresa, a 137
estupefação e o alívio: o que se procura pode estar onde menos se espera; o alívio depois da
preocupação; as estratégias de controlo da ansiedade. A sensação de ser observado: o direito à
privacidade; o desconforto de se ser observado; a diferença entre sensação e percepção; o sexto
sentido humano. A paranoia enquanto traço de personalidade em função do qual os outros são
encarados como ameaça. Os seus comportamentos são lidos à luz desse traço havendo uma
desconfiança que pode ser, no limite, completamente perturbadora da vida social.

Parágrafo 64, 65, 74 – (mais perguntas “Quem és tu?”)


295B

Temas: O aumento do noneses: quando se acumulam sinais incompreensíveis. O aumento da


angusta que resulta da incompreensão.

Parágrafo 69, 70, 71, 72, 73 – (Ouves o Patas com atenção)


299B

Temas: A congruência do discurso: o delírio e a incongruência; a sensação de se ser perseguido; a


confidencialidade e a importância de se guardar um segredo; a confiança no outro e o respeito pela
sua privacidade. A diferença entre a ilusão (em que o estimulo é percebido de forma alterada), a
alucinação (em que é percecionado um estimulo que não está presente) e o delírio (em que é
organizada uma compreensão alterada da realidade com base estímulos inexistentes ou na análise
perturbada de deturpada de estímulos existentes. A reação à confusão do outro: a intolerância
(deve estar a brincar), o desvalorizar (não ligar), a procura de uma justificação (deve ter
enlouquecido, está sob o efeito de alucinogénios).

Parágrafo 75, 76 – (retiras-te para te organizares)


302B

Temas: a necessidade de um retiro: face à confusão o silêncio ajuda a reorganização de ideias. A


importância do tempo pessoal. Os nossos refúgios: os sítios onde nos sentimos melhor.
Proposta de atividade:(1) cada elemento do grupo deve elencar algumas estratégias que usa para
se acalmar no seu dia-a-dia e partilhar aquelas que considera particularmente indicadas em situações
de tensão eminente. (2) cada elemento pensa qual é o seu refúgio – as características que ele tem –
calmo, longe, bonito, com vista, com história, etc.

137
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 77, 78 – (tentam contactar o Emanuel)


Temas: As coincidências: as obras do acaso; quando o desejo parece fazer com que as coisas
aconteçam. Acreditar em energias positivas que atraem coisas boas.

Parágrafo 79, 80, 81– (dialogo com o Imman)


303B

Temas: noção de identidade e autonomia: ser ou não ser, eis a questão! O que é ser? O que é ser
autónomo? Como se pode ter a certeza que se é? Em que evidências nos baseamos para podermos
afirmar que somos realmente qualquer coisa? O real e o imaginário: a capacidade de distinguir a
138
realidade da fantasia.

Parágrafo 82, 83, 85 – (investigar a informação)


303B

Temas: um programa de prevenção que se baseia em histórias de vida: porquê criar um


programa assim? A importância de que os assuntos abordados tenham a ver com a vida de quem
participa no programa. A importância de aprender com a vida dos outros, mesmo que sejam
personagens de uma história. A conjugação da informação num todo com sentido: quando os
elementos se começam a conjugar. Entre o alívio de compreender e o medo que resulta daquilo que
se compreende. Preferir manter-se na ignorância ou saber apesar das consequências.

Parágrafo 84 – (jogarem com a vossa vida)


303B

Temas: O sentimento de impotência: ter a sensação de que nada está nas nossas mãos. O
sentimento de manipulação: ter a sensação de que se é conduzido para se atingir um determinado
propósito. O sentimento de dependência: ter a sensação de a nossa vida pertence ou é governada
por outros e por consequência, não é realmente nossa.

Parágrafo 86, 96, 97 – (Procurando uma solução: ouves a ideia do Patas)


307B

Temas: A perseverança: o acreditar de que se é capaz; a capacidade de interferir nas coisas que
nos acontecem;

Parágrafo 87, 88, 89, 90, 91, 92, 93, 94, 95 – (o que os outros acham)
305B

Temas: A opinião de cada um: as expectativas sobre a opinião do outro face ao que se conhece
dele; as surpresas e as confirmações; as estratégias de cada para resolver um dilema: o estilo
agressivo, passivo, mais ou menos assertivo…
Proposta de atividade: apresentar aos jogadores as reações de cada personagem, numa folha de
papel, retirando os aspectos que permitam identificar, dentro das descritas acima, qual o tipo de
reação que cada uma tem. Uma vez lidas as 8 reações os jogadores deverão tentar atribuir cada
reação a um personagem e justificar a sua escolha. Só depois deste processo é que o dinamizador
deverá dar continuidade à aplicação permitindo que eles explorem as respostas incluídas no material.

138
Manual Eu e Os Outros

Parágrafo 98; 99, 100, 101 – (balanço final)


Temas: Balanço final: o saldo positivo de viver esta aventura; as coisas menos boas;
Proposta de atividade: debate em torno do tema: Quem sou eu?

Parágrafo 102, 103 – (FIM)


308B

Temas: A despedida: A frustração e o regozijo da despedida; o respeito pela emancipação do outro.


A missão de prevenir: o que é prevenir? A importância de promover a saúde no espaço escolar;

139

139
Manual Eu e Os Outros

8.Dinâmicas de Grupo

É Obvio… Parece-me… Acho Que… – Jogo de grupo. Cada elemento diz o seu nome e numa
primeira fase diz algo que é óbvio em relação ao colega do lado direito. O que é óbvio tem de ser algo
que é observável. Numa segunda passagem do processo de apresentação cada jogador dá outra
informação sobre si (onde nasceu, por exemplo) e terá desta vez de dar um parecer sobre o seu
vizinho com base numa observação, devendo ser uma inferência feita a partir de algo que seja óbvio.
Finalmente numa terceira passagem o jogador acrescenta um ultimo elemento de apresentação (por
exemplo, o prato favorito ou o livro que anda a ler) e finalmente acrescenta uma impressão que lhe
141
fica do seu vizinho, sendo que esse parecer é intuitivo e não se baseia em nenhum facto. Temas de
Reflexão: Refletir na diferença dos três níveis de apresentação e como se confunde frequentemente
os factos com os pareceres e as impressões subjetivas. O receio de magoar o outro. O confronto com
a impressão que o outro tem de nós…

Apresentação Complementar –Jogo de pares/ em grupo. Material: folhas de papel cortadas em


metades (com formatos diferentes), cartas de jogar emparelhadas, etc. Descrição: Formam-se pares.
Durante um período de tempo definido pelo orientador - em função de desejar uma apresentação
mais profundo ou mais superficial - os dois jogadores apresentam-se um ao outro dentro dos temas
por eles escolhidos. No final desse período de conhecimento mútuo retorna-se ao grupo. Cada
jogador deverá apresentar o parceiro com quem este assumindo-se como se fosse ele, isto é, falando
sempre na primeira pessoa. No sentido de dar um maior dinamismo à atividade o orientador do grupo
poderá criar formas de emparelhamento jogadas, como por exemplo dar aleatoriamente (ou distribuir
ao acaso pela sala) cartas de um naipe aos jogadores e pedir que encontrem o seu correspondente
noutro naipe. Outro exemplo será o de cortar folhas de papel em duas metades, dando ao corte
formatos diferentes - ex. corte oblíquo, em serrilha, arredondado, etc. - distribuir essas metades pela
sala e pedir aos jogadores que recolham uma e procurem o seu complemento. A partir daí dá-se
início ao jogo de apresentação. Haverá outras alternativas possíveis de serem desenvolvidas a partir
da criatividade de cada orientador. Temas de Reflexão: A importância de nos pormos no lugar dos
outros e a compreensão que resulta da preocupação de dar coerência ao personagem que se
desempenha; dar atenção aos temas escolhidos na apresentação; refletir sobre áreas estereótipos,
grupos de referência, pontos comuns, etc.

O Que Eu Sei do Meu Nome –Jogo de Grupo. Descrição: Pedir aos jogadores que se apresentem e
digam o que sabem sobre o seu nome - porque foi escolhido pelos pais, origens do nome, histórias
verdadeiras ou imaginadas em torno do seu nome Temas de Reflexão: A descoberta das origens
das pessoas a partir no nome, as culturas e etnias e os nomes, os costumes, outros povos, etc.

Cumprimentos Rituais –Jogo de grupo Materiais: Pedaços de papel, cada um com uma forma de
cumprimento. Deverá haver dois papéis por cada forma diferente de cumprimento. Exemplos de
comprimentos: aperto de mão, beijo, continência, aceno de cabeça, esfregar narizes, highfive e
lowfive (com uma ou duas mãos), backlowfive, etc. O dinamizador poderá começar esta dinâmica por

141
Manual Eu e Os Outros

fazer um levantamento de todos os tipos de cumprimento conhecidos e construir o emparelhamento


de cumprimentos com base nessa listagem. Após receberem o seu papel cada jogador deverá
misturar-se com os outros cumprimentando-os com a sua forma própria de cumprimento (ensinando-
lhes o seu gesto) e aprendendo a forma de cumprimento dos outros (repetindo o gesto do outro).
Quando os dois jogadores que têm a mesma forma de cumprimento se encontram poderão retirar-se
do círculo facilitando o jogo àqueles que ainda não encontraram os seus pares. Temas de reflexão:
O papel dos cumprimentos ritualizados como forma de redução de riscos de confronto face à ameaça
do desconhecido. A curiosidade pelo que é diferente. O desinteresse pelo outro que não é igual. A
passividade vs. a pró-atividade. A exposição ao ridículo.
142
Jogo do Totem –Jogo individual Material: Grelha. Cada jogador recebe uma grelha com 5 linhas nas
quais deverá colocar o nome de 4 amigos aos quais juntará ao seu próprio nome. Deverá atribuir um
animal a cada um e justificar com características pessoais. No final põe-se em comum as escolhas de
todas as pessoas e comparam-se as atribuições feitas, à procura de coerências e contrastes. Em
alternativa, para evitar que haja pessoas que não sejam escolhidas para a atribuição do animal, o
dinamizador constrói as grelhas com nomes pré-definidos e distribui ao acaso. Neste caso deverá
deixar uma coluna não preenchida para que cada jogador possa colocar nela o seu nome, caso não
faça parte da lista de nomes que constam na sua grelha. Temas de reflexão: O que pensamos dos
outros e o que os outros pensam de nós; associar as nossas características a animais; receio de
magoar o outro; a autoestima e a autoimagem

O Guia e o Cego –Jogo de pares. Material: Vendas. O dinamizador solicita ao grupo que se organize
em pares, fornecendo uma venda a cada um. Os pares deverão organizar-se de modo a haver um
cego e um guia, cuja tarefa é proporcionar o maior número possível de experiencias ao cego. O jogo
deverá jogar-se em silêncio. A condução do cego é feita através do contacto de uma mão deste com
o ombro do guia. Sempre que este pretenda que o cego sinta a textura de alguma coisa, retira a mão
deste do seu ombro e leva-a à superfície a explorar, repondo-a de novo no seu ombro, terminada a
exploração. O dinamizador poderá dar sugestões aos guias no decurso do jogo, tipo experimentar
diferentes consistências (água, terra, algodão, etc.), diferentes sentidos (cheiro, tato, audição…)
diferentes níveis de intensidade (andar depressa, mudanças bruscas de movimento, situações
inesperadas, etc.). O tempo de jogo poderá variar de acordo com o planeamento e a riqueza do meio
a explorar. Os jogadores deverão poder trocar de papel. Temas de reflexão: A confiança em si e no
outro, a capacidade de reconhecer os estímulos, o medo do desconhecido, a preferência entre o
papel de guiar ou de descobrir a realidade circundante enquanto cego.

Responder com uma Pergunta –Jogo de competição entre dois grupos. O dinamizador começa por
definir um tema em torno do qual decorra cada confronto. Os grupos começam por definir uma ordem
de participação dos seus elementos. Com base no tema o primeiro elemento de uma equipa fará uma
pergunta ao outro grupo, o qual, através do seu jogador número um deverá responder com uma nova
pergunta dentro do tema definido. O segundo elemento do primeiro grupo deverá então responder
com uma nova pergunta e assim por diante, alternadamente. As respostas devem ser dadas dentro
de um período de 15 segundos. Se tal não acontecer é atribuído um ponto à última equipa a ter

142
Manual Eu e Os Outros

conseguido colocar uma pergunta. Não se pode repetir perguntas feitas anteriormente. Os temas
poderão ir mudando caso o dinamizador considere que se esgotaram as perguntas passíveis de
serem feitas. A ordem de resposta dentro dos grupos também pode ir mudando. (ex. Tema: cinema:
viste o filme de ontem? Qual aquele sobre extraterrestres? Esse não deu na semana passada? Achas
que era esse? …) Temas de reflexão: A dificuldade de pensar suficientemente rápido, a pressão da
competição, a necessidade de controlo para não responder à questão do outro grupo em vez de fazer
uma nova pergunta, a irritação quando fazem uma pergunta em que já tinhas pensado para tu
fazeres.

Círculo Do “Mata Moscas” –Jogo de grupo. Descrição: Os jogadores deverão formar um círculo à 143
distância de um braço, uns dos outros. O jogo começa com um elemento a agachar-se enquanto os
seus dois vizinhos lhe matam uma mosca sobre a cabeça batendo palmas. Imediatamente o vizinho
do lado direito daquele que se agachou, se agachará por sua vez, repetindo-se as palmas sobre a
sua cabeça (quem estava agachado, levantou-se entretanto tendo de bater as palmas sobre a cabeça
de quem se agachou ao seu lado. Este processo repete-se até que alguém se engane. Aquele que se
enganar sai de jogo. Temas de reflexão: Controlo do impulso; a alternância do comportamento
motor, a rapidez do jogo, a distração de estar a observar os outros e esquecer-se de jogar; a
competitividade…

Jogo do Porteiro –Jogo aos pares. O dinamizador começa por organizar os jogadores em pares. A
um deles deverá ser dito que é o porteiro cuja missão é não deixar ninguém passar. O outro jogador é
uma pessoa que tem uma enorme urgência/necessidade de entrar para o local à guarda do porteiro.
Exemplos: ter de ir à casa de banho, ter alguém em perigo de vida, precisar de saber se alguém está
lá dentro, etc. O jogador que enfrenta o porteiro deverá definir o contexto e explicá-lo ao colega antes
de iniciarem o jogo. Cabe ao porteiro justificar a recusa da passagem e ao outro jogador argumentar
sobre a necessidade de passar. O dinamizador deverá dar entre 5 a 10 minutos para a tarefa de
acordo com as capacidades dos jogadores e com ao risco de conflitualidade. No final do primeiro
exercício os jogadores trocam de papel. Temas de reflexão: A pressão de pares, a capacidade de
dizer não; o crescente de agressividade face à frustração; a difícil tarefa de recusar quando se quer
facilitar; ser consistente e coerente; quando faltam argumentos; os confrontos no feminino e no
masculino.

Jogo da Ocupação de Espaço –Jogo individual/coletivo. Cada jogador deve escolher um lugar fixo
na sala e procurar ocupar o máximo espaço possível. Seguidamente o dinamizador solicitará que,
sem sair do mesmo sítio, se tente ocupar o mínimo espaço possível. Comparar a sensação de cada
parte do exercício voltando a repeti-lo agora só em metade da sala, depois num quarto da sala e
assim sucessivamente até concretizar o exercício no canto da sala. Finalmente o dinamizador pedira
ao grupo que tentem ocupar o máximo espaço possível em grupo e seguidamente o mínimo espaço
possível Temas de reflexão: A importância do espaço pessoal; diferentes necessidades de espaço:
características pessoais vs. características culturais; o incómodo de partilhar cada vez menos espaço
com os outros, as estratégias de cada um para ocupar espaço face à proximidade do outro. A

143
Manual Eu e Os Outros

diferença entre ocupar espaço individualmente e coletivamente. O dentro e o fora: ocupar espaço
delimitando territórios.

Pára Agora –O dinamizador começa por pedir um voluntário para se colocar no centro da sala de
olhos fechados. Seguidamente um conjunto de colegas distribuídos em círculo pelos pontos cardeais
a uma distância de, pelo menos, 5 metros. À vez, e após indicação do dinamizador, os colegas vão
avançar lentamente (pequenos passos) na direção do jogador de olhos fechados, que os mandará
parar quando quiser definindo deste modo a distância a que quer manter esse colega. O exercício
repete-se até todos os colegas terem avançado e sido mandados parar. No final, o jogador poderá
144 destapar os olhos e verificar qual o território que definiu para si. Repetir o jogo com todos os
jogadores do grupo e comparar resultados. Temas de Reflexão: O espaço pessoal: as distâncias de
segurança; diferenças pessoais; a proximidade; o sentimento de ameaça: a distribuição diferente do
espaço em função da localização e da relação que se tem com quem se aproxima.

Balão Cola –Jogo de grupo. Materiais: Balões. Descrição: Formam-se pares e dá-se-lhes um balão
para ser enchido. A tarefa do par é a de ir transportando o balão a dois. O contacto com o balão vai
variando de acordo com a criatividade do dinamizador podendo ir da cabeça à anca, passando pelas
costas, braços, etc. O dinamizador poderá dar instruções que dificultem a tarefa do grupo como
sentarem-se sem deixar cair do balão, porem-se de gatas, subirem a uma cadeira, etc. Os jogadores
que forem perdendo o balão sentam-se no chão. O jogo termina quando apenas sobrar um par em
jogo. Temas de Reflexão: A distância crítica: se se afastam o balão cai, se se aproximam o balão
rebenta; o paralelismo com as relações de afeto: a dependência vs. o desapego; fazer coisas em
conjunto: a harmonia e a coordenação. Os riscos que conduzem à perda de contacto com o outro.
Respeitar o ritmo do outro; procurar um ritmo conjunto.

O Julgamento (da droga) –Jogo entre grupos. O dinamizador deverá começar por organizar os
jogadores em 4 grupos: os advogados de defesa, os de acusação, os juízes e os especialistas. A
droga vai a julgamento e os juízes deverão gerir a sessão dando tempo aos advogados primeiro para
organizarem a sua argumentação e depois para a expor. Os especialistas deverão aprofundar o tema
e apresentá-lo de forma rigorosa e científica sem tomar partido. Poderão ser questionados pelos
advogados de defesa ou de acusação. Cabe aos juízes tomarem uma decisão no final do jogo e
proferir a sentença Temas de reflexão: A importância de saber defender o seu ponto de vista, a
diferença entre uma opinião (crença) e um facto; conseguir ter uma perspetiva alargada antes de
tomar posições.

O Jogo dos Vizinhos –Jogo de grupo. Material: Cadeiras dispostas em círculo alargado. O grupo
deverá colocar-se em círculo, sentados em cadeiras. O dinamizador pede um voluntário, que se
deverá colocar no meio do círculo sem lugar para se sentar. O seu objetivo é recuperar um lugar.
Para tal, deverá dirigir-se a qualquer participante, colocando-lhe a seguinte questão: “Gostas dos teus
vizinhos?”, referindo-se aos dois elementos que estão em cada um dos lados da pessoa a quem se
dirige. Caso este responda afirmativamente, todo o grupo, com exceção do interrogado e dos seus
vizinhos, deverá levantar-se e correr para uma cadeira que se encontre distante daquela onde estava

144
Manual Eu e Os Outros

sentado. Não é permitido sentar-se na cadeira que se encontra ao seu lado. Quando a resposta é
negativa, acrescenta-se a pergunta: “Então, que vizinhos gostavas de ter?”. Quando a resposta
surgir, do tipo “gostaria de ter vizinhos que tenham calças de ganga” ou “quero vizinhos de olhos
azuis” ou ainda “quero vizinhos simpáticos”, os dois vizinhos terão sempre que ceder os lugares e
todos os elementos que possuam a característica indicada deverão procurar ficar com um dos dois
lugares anteriormente ocupados pelos vizinhos. Haverá sempre um elemento que fica sem lugar,
cabendo-lhe então reiniciar o processo. O dinamizador deverá garantir que o tipo de características
solicitadas para os vizinhos vai variando, indo de aspectos físicos, para gostos, interesses, e
finalmente, características pessoais. Temas de reflexão: O jogo como divertimento; a possibilidade
de nos darmos a conhecer de uma forma divertida; a curiosidade face ao outro; o respeito pelo outro
145
e pelo grupo, o receio de dececionar que me leva a dizer que gosto dos vizinhos, e o desejo de
provocar que me leva a pedir novos vizinhos. O sentimento de ridículo e de exposição por se estar no
centro sem cadeira…

Sentar nos joelhos –Jogo de grupo, não requer material. Os jogadores dispõem-se em círculo numa
roda muito fechada. À ordem do dinamizador, todos os elementos do grupo deverão tentar sentar-se
nos joelhos do elemento que estiver posicionado imediatamente antes deles. Se a tarefa for
conseguida o dinamizador poderá então solicitar que todos os elementos do grupo retirem um pé do
chão. Temas de reflexão: A necessidade de coordenação entre todos; a conjugação de esforços; a
proximidade física;

Cadeia de Mãos Trocadas –Jogo de grupo. Os jogadores sentam-se em círculo, próximos uns dos
outros. Cada jogador deverá colocar a sua mão direita sobre a perna esquerda do jogador da direita e
a mão esquerda em cima da perna direita do jogador da esquerda. Com a cadeia formada o jogador
dinamizador começa o jogo batendo uma pequena palmada na perna do vizinho que terá
continuidade através de uma pequena palmada da mão que se situa imediatamente a seguir e pela
outra seguinte e assim sucessivamente. Sempre que um jogador bater duas vezes seguidas o sentido
do jogo inverte-se devendo jogar não a mão seguinte mas aquela que está imediatamente antes.
Cada vez que um jogador se engane na sua vez de jogar perde retirando a mão com que se
enganou. O jogo prossegue até ficarem apenas três jogadores. Temas de reflexão: A necessidade
de concentração e capacidade de controlo; a competição; o sentimento de frustração; a
impulsividade; a capacidade de provocar o engano do adversário.

Jogo dos Problemas –Jogo de grupo. Materiais: Autocolantes. Cada jogador recebe um pedaço de
papel autocolante que lhes é apresentado como um problema de que cada um se quer
desembaraçar. A instrução é de uma vez em movimento por uma sala, ao sinal do orientador, todos
os jogadores tentem colar o seu autocolante nas costas de outros jogadores, descarregando assim o
seu problema em alguém, evitando simultaneamente que o façam consigo. Poderá ser feita nesta
altura uma primeira reflexão sobre quem tem mais autocolantes nas costas e o que justifica esta
situação (estar no centro, estar desatento, ter mais dificuldade em se proteger, etc.) Após um primeiro
ensaio o orientador dará instruções a três ou quatro jogadores limitando a sua capacidade de se
deslocar ou de se defender - exemplo: obrigatoriedade de ficar sempre no mesmo sítio, deslocar-se a

145
Manual Eu e Os Outros

pé coxinho ou com passos muito pequeninos, ter a mão direita no bolso, estar de olhos vendados.
Dadas as instruções, repete-se o jogo. No final desta segunda experiência poderá ser feita uma
segunda reflexão em torno de como as limitações de base atraem mais problemas. Finalmente o
orientador poderá definir dois grupos e, mantendo as regras e as instruções, repetir o jogo. No final de
cada ação contam-se o número de autocolantes presos nas costas de cada jogador. O orientador
poderá impor um limite de tempo para que a colagem dos autocolantes se efetue. Temas de análise:
Comparação dos autocolantes a problemas; a tendência para que aqueles que estão limitados
acumulem autocolantes; os elementos frágeis e as estratégias de ataque e de defesa/proteção.

146 Corrida no Escuro (hist. 5) –Jogo individual. Material: vendas de flanela preta. Joga-se em silêncio.
Cada participante depois de vendado corre para uma parede, onde outro elemento o deverá segurar
impedindo-o de colidir com esta. Num primeiro momento, poderá ser o orientador do grupo a segurar
os participantes que correm, de forma a transmitir ao grupo uma maior segurança. Temas de
reflexão: a dependência face ao outro quando eu me sinto em risco; o correr sem hesitar, fuga para a
frente; ou a impossibilidade de se mover: o medo paralisante; confrontar as discrepâncias entre o
sentimento que a situação suscita (ex. "isto não me mete medo nenhum") com a sua vivência (ex.:
"afinal não era assim tão fácil").

Um Lugar por um Sorriso –Jogo de grupo. Todos os elementos estão sentados em círculo, à
exceção de um que, em pé, não tem lugar. Para conseguir arranjá-lo deverá dirigir-se a alguém,
colocar-se na sua frente e dizer, "O teu lugar por um sorriso". A esse jogador cabe a tarefa de, sem o
menor esboço de sorriso, responder olhando o outro jogador nos olhos, "Gosto muito de ti mas não te
posso sorrir. Se queres um lugar vais bater a outra porta". Se não o conseguir, isto é, se no decurso
desta frase se rir, perde o lugar, cabendo-lhe agora a si a tarefa de fazer rir outra pessoa para ficar
com o lugar dela. Durante a tentativa de conseguir um lugar, o jogador não poderá repetir o mesmo
pedido mais do que duas vezes à mesma pessoa, devendo, em caso de insucesso passar a outra. No
processo de pedido, o dinamizador poderá impor a regra de que, o jogador do meio está impedido de
fazer cócegas ao parceiro. Variante: O dinamizador poderá criar a figura do cúmplice que é um
jogador que do lado de fora do círculo procura ajudar o jogador sem cadeira a fazer rir os elementos
sentados. Nesse caso o cúmplice também não poderá tocar nos elementos sentados enquanto ajuda.
Temas de reflexão: Será importante começar por ouvir as pessoas que passaram pelo centro;
trabalhar os temas ligados à sensação de ridículo, rejeição, frustração; o sentimento de quem diz
"não" a alguém que é seu amigo; a importância de pensar em si ao pensar nos outros; a pressão do
grupo e a influência nas decisões; a capacidade de resistir à sedução de quem está no meio, a
persistência dos participantes.

Escrever Bem nas Costas –Jogo de Grupo Material: Folhas de papel para prender nas costas dos
jogadores, canetas. Descrição: Cada jogador tem presa nas costas uma folha de papel. Com a
caneta que possui deverá escrever nas costas dos restantes colegas o que mais gostam nele,
enquanto o mesmo acontece consigo próprio. No final, cada jogador deverá ler o que escreveram
sobre si e deverá comentar. Ninguém é obrigado a fazê-lo, podendo simplesmente reservar para si
próprio os sentimentos despertos pelo que lhe foi dirigido. Temas de Reflexão: O que os outros

146
Manual Eu e Os Outros

pensam de nós; a comparação entre a imagem que provocamos nos outros e a nossa própria opinião;
as expectativas e o desejo de agradar; o receio daquilo que os outros pensam de nós.

Anjo da Guarda –Jogo de pares Material: Pedaços de papel com os nomes dos jogadores. Papel e
canetas Descrição: O dinamizador começa por escrever os nomes dos participantes em pedaços de
papel que deposita numa caixa. Cada participante sorteia um papel (como em um amigo secreto).
Ninguém poderá retirar seu próprio nome. Se tal acontecer, refaz-se o sorteio. Cada participante será
o anjo daquele que sorteou e, portanto, também terá seu anjo. Os nomes não devem ser revelados
até o término do jogo. O papel de cada anjo é de aproximar-se, dar atenção e interagir-se com a
pessoa que lhe saiu em sorte, de forma subtil, sem que esta perceba imediatamente quem é seu 147
anjo. Uma caixa de papel ou post-its poderá ser posta à disposição dos jogadores para que possam ir
deixando mensagens aos seus protegidos. A(s) caixa(s) devem ser deixadas em locais que permitam
que as mensagens possam ser deixadas sem levantar suspeitas. No final, cada um tenta adivinhar
quem é o seu anjo. Temas de Reflexão: Cuidar e ser cuidado; tratar bem sem dar nas vistas; sentir-
se bem a demonstrar atenção; curiosidade por quem o protege; deceção por não ter sido
reconhecido…

A Mensagem –Jogo entre pares. Material: Folhas com esquema gráfico a reproduzir. Papel e
canetas (uma por cada par) Descrição: Dividir o grupo em pares. Pede-se para que um elemento de
cada par se retire da sala para que os demais recebam as instruções. Solicita-se àqueles que ficaram
na sala que ajudem a arrumar o espaço, colocando as cadeiras do par uma de costas para a outra,
deixando alguma distância entre os conjuntos para que não haja interferência entre os pares. Aos
elementos que ficarem na sala o dinamizador deverá dizer que cada um será o recetor de uma
mensagem que o seu colega irá transmitir. Deverão sentar-se de costas para ele e usar a folha de
papel para anotar a mensagem que o emissor, seu colega, lhe irá transmitir. Não poderão fazer
perguntas ao emissor, nem interrompê-lo, em nenhuma situação. Não poderão emitir qualquer tipo de
reação que demonstre a maneira como está a receber (ou não) a mensagem.
Aos elementos que estiverem fora da sala o dinamizador entregará uma folha contendo um conjunto
de figuras que correspondem à “mensagem” que deverão transmitir ao seu colega. O objetivo do
emissor será descrever o melhor possível as figuras que constam na sua folha para que o recetor as
reproduza na sua folha de anotações. O emissor não deverá deixar que o recetor veja a folha com as
figuras. Não é permitido qualquer tipo de comunicação para além das instruções do emissor para o
recetor. Terminada a tarefa, cada colega pode mostrar ao outro, tanto a folha da mensagem original
quanto aquela que foi recebida. O instrutor poderá propor que cada par fixe a mensagem recebida na
parede, a fim de seja escolhida a melhor. Após a primeira reprodução os papeis invertem-se e repete-
se o jogo. Variante: (1) o dinamizador poderá utilizar vários modelos com diferente organização das
figuras a descrever de modo a reduzir o impacto das informações captadas de outros emissores. (2) o
dinamizador, utilizando o mesmo modelo para todos os pares, poderá colocar números de ordem nas
figuras a reproduzir, fazendo variar essa ordem de folha para folha Temas de Reflexão: a
dificuldade de passar e receber a mensagem; fatores que facilitam e dificultam a transmissão; a
dificuldade de não ter ou não poder dar feedback; a diferença entre a expectativa e o resultado final.

147
Manual Eu e Os Outros

Razões Para Dizer Não – Jogo de pares ou de pequeno grupo. Material: Lista de desafios.
Descrição: O dinamizador começa por fornecer a cada par ou pequeno grupo um conjunto de
propostas de desafios para a concretização de comportamentos socialmente questionáveis. À vez um
jogador colocará aos restantes o desafio cabendo a cada um encontrar uma razão para recusar sem
poder repetir qualquer das razões anteriores. Naturalmente algumas dos desafios são apetecíveis e o
dinamizador pode reconhecê-lo mas em jogo está a capacidade de resistir e nesse caso a aceitação
do desafio é a resposta mais fácil. Temas de Reflexão: A dificuldade de dizer não quando dá
vontade de dizer sim; a dificuldade de ser criativo na justificação para a recusa; a mudança da ordem
na resposta e o aumento da dificuldade na tarefa; a argumentação para convencer os outros a aderir:
é mais fácil desencaminhar…
148

A Queda da Árvore –Jogo de pares. Descrição: Formam-se pares. Os dois elementos de cada par
colocam-se frente a frente, devendo um deles (a árvore), de braços cruzados sobre o peito e pés
juntos, deixar-se cair para a frente, com o corpo rígido. O parceiro deverá amparar a queda,
segurando o participante que cai ao nível dos ombros, garantindo que este não dobra o corpo pela
cintura. Uma vez amparada a queda, deverão retomar a posição inicial e repetir o exercício,
procurando aumentar gradualmente a distância entre os dois elementos, sem nunca comprometer a
segurança daquele que cai. Quem segura deve transmitir o maior sentimento de segurança possível
promovendo, no entanto, a progressão no risco. Quando assim o entender, o dinamizador deverá dar
indicações para que se invertam os papeis. Temas de Reflexão: O prazer do risco vs. o desprazer do
medo; a (in)segurança de quem segura face à insegurança de quem é segurado; a responsabilidade
de quem segura face ao (des)conforto de quem é segurado; a dependência face ao outro; os limites
da confiança no outro; a ativação de mecanismos de proteção próprios.

Chamada às Cegas –Jogo de pares jogado por todo o grupo ao mesmo tempo. Materiais: Vendas.
Descrição: Formam-se pares. Um jogador é vendado e colocado num local longe do colega de
equipa. Ao sinal do orientador todos os jogadores sem vendas deverão começar a chamar em voz
baixa os seus colegas usando apenas o nome. A tarefa destes é distinguir a voz do parceiro entre as
restantes e segui-la até o encontrar. No final do jogo, os jogadores trocam de papel e recomeça o
jogo. Temas de Reflexão: a confusão e o sentimento de estar perdido ou até mesmo abandonado; a
vontade de poder chamar mais alto; facilitar a vida ao outro e o tornar a conquista menos valiosa;
dificultar a vida ao outro e o tornar um jogo numa experiência desagradável.

A QUEDA DA ÁRVORE – jogo de pares. Descrição: Formam-se pares. Os dois elementos de cada
par colocam-se frente a frente, devendo um deles (a árvore), de braços cruzados sobre o peito e pés
juntos, deixar-se cair para a frente, com o corpo rígido. O parceiro deverá amparar a queda,
segurando o participante que cai ao nível dos ombros, garantindo que este não dobra o corpo pela
cintura. Uma vez amparada a queda, deverão retomar a posição inicial e repetir o exercício,
procurando aumentar gradualmente a distância entre os dois elementos, sem nunca comprometer a
segurança daquele que cai. Quem segura deve transmitir o maior sentimento de segurança possível
promovendo, no entanto, a progressão no risco. Quando assim o entender, o dinamizador deverá dar
indicações para que se invertam os papéis. A mesma dinâmica pode ser repetida com a queda a dar-

148
Manual Eu e Os Outros

se para trás devendo o recetor ter o cuidado de se posicionar mais próximo do jogador que se deixará
cair. Do mesmo modo o nível de risco deverá aumentar para a segunda experiencia após a qual os
papeis se deverão inverter de novo. Variante: o mesmo jogo poderá ser jogado a três devendo a
árvore cair (em pendulo) ora para a frente ora para trás. Os jogadores deverão rodar pelas várias
posições. Temas de Análise: O prazer do risco vs. o desprazer do medo; a (in)segurança de quem
segura face à insegurança de quem é segurado; a responsabilidade de quem segura face ao
(des)conforto de quem é segurado; a dependência face ao outro; os limites da confiança no outro; a
ativação de mecanismos de proteção próprios.

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DA BEXIGA – Jogo de grupo Material: papéis com características. 149
Papel e Canetas, Tampões para os ouvidos, Vendas Descrição: O dinamizador inicia o jogo
distribuindo pelos jogadores papéis com instruções que dividirão o grupo em 5 partes: os cegos, os
surdos, os mudos, os paralíticos e aqueles que não têm limitações. Cada subgrupo será colocado
num dos cantos da sala excepto os que não têm problemas que se mantêm no centro. Aos mudos é
dada uma caneta e aos surdos é dado uma folha de papel. É transmitido ao grupo que subitamente
todos os elementos dos grupos com limitações sentiram uma inexplicável necessidade de ir à casa de
banho, situação que se deverá concretizar nos próximos 10 minutos após os quais se assumirá que a
necessidade foi, infelizmente, satisfeita na própria sala. A tarefa é grupal e não individual.
Naturalmente os paralíticos não podem andar, os cegos não podem ver os mudos não podem falar e
os surdos não podem ouvir. Os jogadores sem limitações podem fazer tudo menos sair da sala de
jogo. Ao sinal do dinamizador o grupo deverá procurar soluções para o problema e pô-las em prática.
Temas de Análise: ser ativo ou passivo em função das limitações atribuídas; a tendência ao
protecionismo por parte dos elementos sem problemas; a conjugação de esforços e a entreajuda; o
sentimento de impotência; a pressão do tempo; a necessidade de criação de canais de comunicação
alternativos…

VIAGEM DO CEGO - Jogo de pares. Material: Utilizar vendas de flanela preta. Descrição: Um
elemento está vendado, o outro é o guia. Não podem falar durante o jogo. O guia comanda o cego a
partir da mão que este coloca sobre o seu ombro. O objetivo do guia é o de transmitir o maior número
de sensações possíveis ao cego, para que este as possa identificar. (ex. I - sensações tácteis - a
parede rugosa, a água fria, etc. II. - auditivas - comandar o cego através de sons, III - olfativas - dar
algo a cheirar, de sabor - dar algo a provar - água, comida ... ). Trocam no final de 3 minutos. Variante
- O orientador poderá dar como indicação aos jogadores - condutores que, imaginem uma situação de
aventura e que, através de sons, posturas corporais, ou movimentos tentem transmiti-la ao jogador -
guiado. No final confrontar-se-á o que foi idealizado pelo condutor, com o que foi imaginado pelo
conduzido. Temas de Analise: a dificuldade de jogar de olhos vendados. A confiança. Sentir-se
melhor como condutor ou como conduzido; a descoberta do mundo a partir dos outros sentidos que
não a visão; confrontar os perigos reais com os medos imaginários ( ex.: "eu sabia que não corria
perigo, mas ..."); será que o meu medo diminui ao ser guiado por alguém em quem eu confio?; a
perceção diferente dos dois jogadores de uma mesma situação, a importância de ser capaz de se pôr
no lugar do outro.

149
Manual Eu e Os Outros

ESCRITOS NA TESTA - Jogo de grande grupo. Material: Papel autocolante/Rótulos com instruções
escritas. Descrição: O orientador do jogo começa por escrever em pequenos papéis características
pessoais que orientam as reações emocionais de quem as lê. Os cartões poderão ter frases como
“todos me admiram”, “têm medo de mim”, “tratam-me como um tonto”, “tratam-me mal”, “culpam-me
de tudo”, “todos me admiram”, “cuidem de mim”, etc. O dinamizador poderá incluir entre os escritos
da testa, informação que em vez de orientar o comportamento de quem lê, dá apenas informação
sobre a pessoa solicitando que cada um reaja consoante o estereótipo que tem face a esse tipo de
pessoas, nomeadamente “Sou alcoólico”, “Já bebi demais”, “Eu não bebo”, “Eu pago bebidas a
150 todos”. Cada jogador terá um desses papeis colado na sua testa, sem que seja do seu conhecimento
o que contém escrito. Os jogadores deambularão pela sala reagindo aos colegas em função da
característica que estes tenham “estampadas na testa”. A tarefa é de, através das reações dos
colegas, descobrir qual a sua característica. O orientador poderá ou não permitir que o jogo seja
falado, devendo contudo impedir que o principal componente da reação seja verbal. Poderá
igualmente incluir dois papéis iguais por instrução de maneira que os jogadores, tendo um igual em
jogo, procurem identifica-lo. Os conteúdos do jogo deverão ser preponderantemente emocionais e
reativos. Pode-se propor que os jogadores ponham em contato pessoas que pelos seus papéis
possam ajudar-se uma à outra. Temas de Análise: confusão de sentimentos; a dificuldade de estar
simultaneamente atento a si e aos outros; o confronto com a reação dos outros; as contradições de
algumas atitudes; causar boa ou má impressão nos outros; continuar a lutar para ser aceite ou
proteger-se do que nos confunde e nos magoa; a entreajuda e os estereótipos

ESCREVER BEM NAS COSTAS (ser cool porque) - Jogo de Grupo Material: Folhas de papel para
prender nas costas dos jogadores, canetas. Descrição: Cada jogador tem presa nas costas uma
folha de papel. Com a caneta que possui deverá escrever nas costas dos restantes colegas o que
mais gostam nele, enquanto o mesmo acontece consigo próprio. No final, cada jogador deverá ler o
que escreveram sobre si e deverá comentar. Ninguém é obrigado a fazê-lo, podendo simplesmente
reservar para si próprio os sentimentos despertos pelo que lhe foi dirigido. Temas de Análise: o que
os outros pensam de nós; a comparação entre a imagem que provocamos nos outros e a nossa
própria opinião; as expectativas e o desejo de agradar; o receio daquilo que os outros pensam de
nós.

150
Manual Eu e Os Outros

9.Protocolo de Avaliação

A aplicação deste projeto deve pressupor um processo avaliativo que forneça quer ao aplicador quer
à equipa técnica de suporte, quer ainda à coordenação central do projeto, uma noção quanto à
evolução do processo de implementação. Naturalmente, que o modelo de Avaliação que
preconizamos é mais vasto e complexo do que o que vamos propor nas próximas linhas. Este,
pressupõe um trabalho prévio de avaliação diagnóstica da situação bem como um trabalho final de
avaliação de impacte. Consideramos que estes dois campos fundamentais de avaliação requerem
uma abordagem mais técnica e aprofundada que não se justifica ver desenvolvida neste manual, que,
151
como já foi dito pretende ter um carácter mais prático. Assim sendo, centrar-nos-emos aqui
essencialmente na avaliação de processo, mais concretamente nos procedimentos que o aplicador
deve assegurar ao longo das diferentes fases de aplicação. Serão apresentados os instrumentos que
consideramos importantes ser utilizados para reunir informação e incluiremos em anexo os respetivos
questionários e grelhas.

9.1 Fichas de Identificação – As fichas de identificação dividem-se em


(1) ficha de identificação da Equipa de Suporte do CRI/UIL na qual são
identificados os técnicos de apoio. Nessa ficha deverá ser identificado o código do CRI/UIL, bem
como o código de cada técnico de suporte ao qual se acresce o nome, data de nascimento,
habilitação e contactos (telemóvel e e-mail).
(2) ficha de caraterização da instituição - Na sequência da ficha anterior para além
dos códigos anteriormente referidos (CRI e Técnico de Apoio) acresce-se agora o código da
instituição que deverá ser acompanhado pela identificação da mesma, tipo (escola, escola
profissional, lar, ATL, Campo de férias, etc.) com a respetiva morada e contactos.
(3) ficha de aplicadores/formandos - Aos códigos anteriores acresce-se agora o
código do aplicador, recolhendo-se deste o nome, data de nascimento, contactos, formação de base,
experiência prévia
(4) ficha de caracterização de grupo - Associando todos os códigos anteriores, esta
ficha descreve a o grupo inserindo o código dos jogadores (Iniciais do nome seguidas do dia de
aniversário), género, idade, turma, nº de retenções

9.2 Fichas de Acompanhamento – As fichas de acompanhamento destinam-se a sistematizar


a informação referente à implementação do Programa e traduzir a avaliação de cada sessão por
comparação com um planeamento prévio. As fichas dividem-se entre:

(1) Ficha de Planeamento da Intervenção - Define o enquadramento da intervenção e


traça genericamente como decorrerá a intervenção, a ser preenchido por grupo de aplicação e
por história a aplicar. Os dados recolhidos nesta ficha indicam o nome da instituição, o n.º de

151
Manual Eu e Os Outros

sessões previsto, o n.º de participantes e de aplicadores. A caracterização do grupo, temas,


objetivos e tempo de intervenção e a narrativa a aplicar.
(2) Ficha de Sessão – Planeamento e Avaliação - Define os objetivos do aplicador
para uma sessão específica em função da narrativa em aplicação. Define os temas a trabalhar, os
parágrafos a cobrir e outra atividades planificadas por sessão, nomeadamente a discussão de tarefas
solicitadas para o período entre sessões, a pesquisa de sites, a aplicação de dinâmicas ou o recurso
a materiais complementares. Engloba ainda uma avaliação da sessão, onde se deverá descrever os
temas trabalhados, a sequência dos parágrafos trabalhados e as atividades desenvolvidas. Bem
como um balanço qualitativo da sessão realizada.
152
(3) Ficha de Aplicação das sessões – é uma ficha que sistematiza todas as sessões
realizadas por cada grupo de aplicação, incluindo o n.º de participantes reais em cada sessão.
Permite fazer uma avaliação quantitativa de cada sessão realizada e deverá ir sendo preenchida após
cada sessão.
As sessões de acompanhamento funcionam com base nestas duas fichas a ficha de sessão e
a ficha de aplicação, explorando a avaliação das sessões já concretizadas e analisando o
planeamento das sessões futuras.

9.3. Questionários de avaliação de resultados - Um último grupo de instrumentos diz


respeito à avaliação de resultados. Para tal foram construídos 2 questionários com uma estrutura
semelhante, variando na incidência sobre narrativas específicas de acordo com as substâncias a
abordar. Assim para além de um questionário transversal (questionário 0) e um questionário focado
na narrativa 8 sobre o álcool. (questionário 8)

Apresenta-se abaixo os links de acesso aos questionários online de avaliação de resultados

Questionário (0) de Avaliação de Resultados do Programa Eu e os Outros -


http://questionarios.sicad.min-saude.pt/limesurvey/index.php?sid=17286&lang=pt

Questionário (8) de Avaliação de Resultados do Programa Eu e os Outros -


http://questionarios.sicad.min-saude.pt/limesurvey/index.php?sid=48357&lang=pt

A aplicação dos referidos questionários deverá obedecer à recolha de consentimento informado junto
aos encarregados de educação, a qual poderá e deverá ser integrada num consentimento mais
alargado referente à participação do jovem no Programa. Desse consentimento deverá constar de
forma clara que a eficácia do programa será avaliada mediante o tratamento de dados recolhidos
através de questionários de resposta online ou quando a tecnologia não está disponível, através de
questionários impressos. Deverá ser esclarecido que as respostas serão anónimas mediante a

152
Manual Eu e Os Outros

codificação da identidade do respondente, codificação essa essencial para permitir o


emparelhamento dos questionários pré-intervenção, pós intervenção ou de follow-up.

Os instrumentos e procedimentos de tratamento de dados serão submetidos à Comissão Nacional de


Proteção de Dados para aprovação bem como anualmente à Direção Geral de Educação, para o
mesmo efeito.

10.Referências 153

Transversalmente a todas as histórias aconselha-se a exploração dos sites:


 HTUwww.tu-alinhas.ptUTH- Instituto da Droga e da Toxicodependência – site infanto-juvenil.

 HTUwww.sicad.ptUTH- Instituto da Droga e da Toxicodependência.


 HTUwww.plataformacontraaobesidade.dgs.ptUTH - Direção Geral da Saúde – Plataforma contra a
obesidade.
 HTUhjuventude.gov.ptUTH - Instituto Português da Juventude.
 HTUsitio.dgidc.min-edu.ptUTH- Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular.
 HTUwww.scielo.brUTH - ScientificElectronicLibrary Online - biblioteca electrónica.

 HTUwww.portaldasaude.ptUTH - Ministério da saúde.


 HTUwww.saap.web.ptUTH - Sociedade Anti-Alcoólica Portuguesa.
 HTUmembers.fortunecity.com/dinamicoUTH - GERZA - Dinâmicas de grupo.

 HTUwww.psicologia.com.pt/instrumentos/dinamicasUTH - Portal dos Psicólogos - Dinâmicas de Grupo.


 HTUwww.infopedia.ptUTH - Enciclopédia.
 HTUwww.seguranet.ptUTH - Equipa de Recursos e Tecnologias Educativas/Plano Tecnológico da
Educação (ERTE/PTE), da Direção Geral da Inovação e Desenvolvimento Curricular, do Ministério da
Educação para a utilização segura da internet.
 HTUwww.inia.gov.ptUTH- Iniciativa para a Infância e Adolescência - iniciativa do Governo que visa a
definição de um plano de acção que garanta o respeito pela universalidade dos direitos das crianças.

História 1
313B

 HTUwww.miudossegurosna.netUTH - MiudosSegurosNa.Net é um projeto que ajuda Famílias, Escolas


e Comunidades a promover a segurança online de crianças e jovens.

 HTUwww.infarmed.pt/ UTH – Portal da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde. I.P.


Permite uma exploração de conteúdos relacionados com os medicamentos em termos de produção e

153
Manual Eu e Os Outros

riscos associados ao uso indevido dos mesmos. Permite ainda a exploração de conteúdos referentes a
cosméticos e outros produtos de beleza.
 HTUwww.plataformacontraaobesidade.dgs.ptUTH - a Plataforma Nacional contra a Obesidade é uma
medida estratégica, assumida politicamente a nível nacional, que visa criar sinergias intersectoriais, a
nível governamental e da sociedade civil para lidar com o aumento da incidência, a morbilidade e
mortalidade associadas à Obesidade.
 HTUwww.icap.ptUTH - ICAP – Instituto Civil da Autodisciplina da Comunicação Comercial.
 HTUwww.apan.ptUTH - APAN – Associação Portuguesa de Anunciantes.
154  HTUwww.cpmcs.ptUTH- CPMCS – Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social.
 HTUwww.mediasmart.com.ptUTH e HTUmediasmart@apan.ptUTH - Media Smart – é um programa
de literacia sobre a publicidade nos diversos media (meios de comunicação social), destinado a crianças
entre os 7 e os 11 anos de idade.

História 2
314B

 HTUwww.ifbb-portugal.comUTH - Federação Lusa de Cultura Física.


 HTUwww.bodybuilding-pt.com/forumUTH - Fórum Português de Bodybuilding.

 HTUwww.idesporto.pt/Docs/jovens.pdfUTH - Instituto Português do Desporto - informação sobre


substâncias proibidas no desporto.
 https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_subcultures - Culturas juvenis

História 3
315B

 HTUpt.wikipedia.org/wiki/M%C3%BAsicaUTH - informação sobre diferentes estilos de música.


 HTUwww.labes.fmh.utl.pt/programas/fitnessgramUTH - o Programa Fitness Gram foi trazido para
Portugal pela Faculdade de Motricidade Humana em parceria com o Ministério da Educação e é um
Programa que valoriza a saúde em detrimento dodesempenho desportivo, incluindo a avaliação da
Aptidão Física e aconselhamento individual.
 HTUwww.help-eu.comUTH- (em português), Por uma Vida Sem Tabaco – Comissão Europeia.
 HTUwww.smokefreekids.infoUTH- (inglês), Smoke Free Kids - Governement of South Australia.
 HTUwww.quitbecause.org.ukUTH- (inglês) – QUIT (UK).Quit Because…
 HTUwww.parar.netUTH- Programa para a paragem de cessação tabágica – Escola Nacional de Saúde
Pública – Projecto i-tpc.
 HTUwww.juventude.gov.ptUTH- Portal da Juventude do IPJ.
 HTUhttp://www.aventurasocial.com/main.phpUTH - Aventura Social (FMH).
 HTUhttp://www.youtube.com/watch?v=fNumIY9D7uYUTH-Ciberbullying.

154
Manual Eu e Os Outros

 HTUhttp://www.youtube.com/watch?v=nWJut7KQhI4UTH- Formas de ajuda por terceiros.


 HTUhttp://www.youtube.com/watch?v=1j6YA03hm4kUTH- Bullying verbal / bullying no feminine.
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volume 8, n.º 2.
MELO, R., (2002) - Os quês e os porquês da Prevenção Primária da Toxicodependência – parte 2 in Toxicodependências
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Prevenção Rodoviária

 Código da Estrada: http://www.ansr.pt/Default.aspx?tabid=256&language=pt-PT

Capítulo II: disposições especiais para motociclos, ciclomotores e velocípedes:

 Artº 90.º (regras de condução).


o Os condutores de motociclos e ciclomotores não podem:
o Conduzir com as mãos fora do guiador, salvo para assinalar qualquer manobra;
o Seguir com os pés fora dos pedais ou apoios;
o Fazer-se rebocar;
o Levantar a roda da frente ou de trás no arranque ou em circulação;
o Seguir a par, salvo se transitarem em pista especial e não causarem perigo ou embaraço para o
trânsito;
 Artigo 91.º (Transporte de passageiros):
o Nos motociclos, triciclos, quadriciclos e ciclomotores é proibido o transporte de passageiros de idade
inferior a 7 anos.

Capítulo III: Do trânsito de peões (alguns dos artigos mais importantes):

 Art.º 99.º (lugares em que podem transitar): 1 – os peões devem transitar pelos passeios, pistas ou
passagens a eles destinados ou, na sua falta, pelas bermas;
 Artº 100.º (posição a ocupar na via);
 Artº 101.º (atravessamento da faixa de rodagem).

Secção III (Velocidade). Alguns dos artigos mais importantes:

 Artº 24.º (princípios gerais);


 Artº 25.º (velocidade moderada);
 Artº 27.º (limites gerais de velocidade)

165
Manual Eu e Os Outros

Secção XII (regras especiais de segurança). Alguns dos artigos mais importantes:

 Artº 81.º (Condução sob influência de álcool ou de substâncias psicotrópicas):

1 - É proibido conduzir sob influência de álcool ou de substâncias psicotrópicas.


2 - Considera-se sob influência de álcool o condutor que apresente uma taxa de álcool no sangue
igual ou superior a 0,5 g/l ou que, após exame realizado nos termos previstos no presente Código
e legislação complementar, seja como tal considerado em relatório médico.
3 - Considera-se sob influência de álcool o condutor em regime probatório e o condutor de veículo
de socorro ou de serviço urgente, de transporte coletivo de crianças e jovens até aos 16 anos, de
táxi, de automóvel pesado de passageiros ou de mercadorias ou de transporte de mercadorias
166
perigosas que apresente uma taxa de álcool no sangue igual ou superior a 0,2 g/l ou que, após
exame realizado nos termos previstos no presente Código e legislação complementar, seja como
tal considerado em relatório médico.
4 - A conversão dos valores do teor de álcool no ar expirado (TAE) em teor de álcool no sangue
(TAS) é baseada no princípio de que 1 mg de álcool por litro de ar expirado é equivalente a 2,3 g
de álcool por litro de sangue.
 Artº 122.º (Regime probatório):

1 - A carta de condução emitida a favor de quem ainda não se encontrava legalmente habilitado a
conduzir qualquer categoria de veículos fica sujeita a regime probatório durante os três primeiros
anos da sua validade.
2 - Se, no período referido no número anterior, for instaurado contra o titular da carta de condução
procedimento do qual possa resultar a condenação pela prática de crime por violação de regras de
circulação rodoviária, contraordenação muito grave ou segunda contraordenação grave, o regime
probatório é prorrogado até que a respetiva decisão transite em julgado ou se torne definitiva.
 Artº 130.º (Caducidade e cancelamento dos títulos de condução):

3 - O título de condução é cancelado quando: a) Se encontrar em regime probatório e o seu titular


for condenado, por sentença judicial ou decisão administrativa transitadas em julgado, pela prática
de crime ligado ao exercício da condução, de uma contraordenação muito grave ou de segunda
contraordenação grave;
 Artº 145.º (Contraordenações graves)

1 - No exercício da condução, consideram-se graves as seguintes contraordenações:


l) A condução sob influência de álcool, quando a taxa de álcool no sangue for igual ou superior a
0,5 g/l e inferior a 0,8 g/l ou igual ou superior a 0,2 g/l e inferior a 0,5 g/l quando respeite a
condutor em regime probatório, condutor de veículo de socorro ou de serviço urgente, de
transporte coletivo de crianças e jovens até aos 16 anos, de táxi, de automóvel pesado de
passageiros ou de mercadorias ou de transporte de mercadorias perigosas;
 Artº 146.º referente a Contraordenações muito graves

j) A infração prevista na alínea l) do n.º 1 do artigo anterior, quando a taxa de álcool no sangue for
igual ou superior a 0,8 g/l e inferior a 1,2 g/l ou igual ou superior a 0,5 g/l e inferior a 1,2 g/l quando
respeite a condutor em regime probatório, condutor de veículo de socorro ou de serviço urgente,
de transporte coletivo de crianças e jovens até aos 16 anos, de táxi, de automóveis pesado de

166
Manual Eu e Os Outros

passageiros ou de mercadorias ou de transporte de mercadorias perigosas, bem como quando o


condutor for considerado influenciado pelo álcool em relatório médico;
Secção XII (regras especiais de segurança). Alguns dos artigos mais importantes:

Artigo 82.º (Utilização de dispositivos de segurança):

1. O condutor e passageiros transportados em automóveis são obrigados a usar os cintos e demais


dispositivos de segurança com que os veículos estejam equipados.
Artigo 84.º (Proibição de utilização de certos aparelhos):
1 - É proibido ao condutor, durante a marcha do veículo, a utilização ou o manuseamento de forma
continuada de qualquer tipo de equipamento ou aparelho suscetível de prejudicar a condução,
designadamente auscultadores sonoros e aparelhos radiotelefónicos. 167

 Guia do Peão:
http://www.ansr.pt/LinkClick.aspx?fileticket=d9OE4VWGPKY%3d&tabid=36&language=en-US
o Vídeos:
http://www.youtube.com/watch?v=8isFlo0bqTM;
http://www.youtube.com/watch?v=EVQwZlX9tJM
o Vídeo “Peões sobre rodas”:
http://www.youtube.com/watch?v=gJL-XBnYGE0

 Guia do condutor do velocípede:


http://www.ansr.pt/Default.aspx?tabid=135&itemId=669&language=pt-PT
http://www.ansr.pt/LinkClick.aspx?fileticket=JOVXqTiTmro%3d&tabid=36&language
=pt-PT
o Ficha temática “Velocípedes 2004-2013”:
http://www.ansr.pt/LinkClick.aspx?fileticket=dlGPcvkRQzc%3d&tabid=36&language
=en-US
o Campanha "Segurança dos Ciclistas, uma Responsabilidade Partilhada" - Iluminação da bicicleta:
https://www.youtube.com/watch?v=exWIGKx1QYg
o Campanha "Segurança dos Ciclistas, uma Responsabilidade Partilhada" - distância de segurança:
https://www.youtube.com/watch?v=NaUCE3CLkPk

 Relatório Anual da Sinistralidade Rodoviária 2013:


http://www.ansr.pt/Default.aspx?tabid=135&itemId=672&language=pt-PT
 Campanha de Verão: Modere a velocidade:
http://www.ansr.pt/Default.aspx?tabid=416&language=pt-PT
 Campanha 100% Cool (ANEBE)
http://www.100porcentocool.pt/#/homepage
 Uso do telemóvel durante a condução - site Think http://think.direct.gov.uk/index.html
 Uso do cinto de segurança - “Embrace life” http://www.youtube.com/watch?v=QFvPqStODUo

167
Manual Eu e Os Outros

 Sinistralidade rodoviária – “2 rodas” a motor:


http://www.ansr.pt/LinkClick.aspx?fileticket=AT963nD3QPg%3d&tabid=378&mid=10
41&language=pt-PT

Reabilitação e Desporto Adaptado

 Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão -


www.scml.pt/areas_de_intervencao/saude/centro_de_medicina_de_reabilitacao_do_alcoitao/
 Instituto Nacional de Reabilitação - www.inr.pt

168  Instituto Português do Desporto e da Juventude - http://www.idesporto.pt


 Federação Portuguesa do Desporto para a Pessoa com Deficiência - http://www.fpdd.org
 IWBF - International Wheelchair Basketball Federation Europe - www.iwbf.org
 Comité Paraolímpico Internacional (IPC) - www.paralympic.org

331B Sexualidade

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MELO de CARVALHO PEREIRA, M. M. (2006) - Guia de Educação Sexual e Prevenção do Abuso, Pé de Página
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NODIN, N. (2002) - Sexualidade de A a Z, Bertrand Editora, Lisboa.
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DAMIÃO, A. M. (2009) - Educar para uma Sexualidade Harmoniosa, Contra Margem.

332B Substâncias psicoactivas: Álcool e Drogas

ARAGÃO, M.J., SACADURA, R. (2002) - Guia Geral das Drogas, Terramar, Lisboa.
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CALAFAT A, FERNÁNDEZ C, JUAN M., BECOÑA E, (2007) - Mediadores Recreativos Y Drogas: Nueva Área Para La
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