Você está na página 1de 12

INTRODUÇÃO

Immanuel Kant nasceu na cidade de Königsberg, na Prússia, em 1724, onde


viveu toda a sua vida. Filho de um casal luterano, estudou em uma escola da
mesma religião na sua juventude. Se interessou por filosofia, matemática e física,
mas dedicou sua vida a estudar o universo espiritual humano, motivado pela
fundamentação última de critérios universais e necessários para o conhecimento e
para a ação humana. Kant tornou-se professor de Física, Antropologia, Geografia,
Lógica, Metafísica, dentre outras disciplinas; e além disso, escreveu alguns ensaios
sobre história e política. Ganhou fama internacional com a publicação de seu livro
Crítica da Razão Pura. É um dos filósofos mais estudados na modernidade por sua
tentativa de agregar o discurso Racionalista ao discurso Empirista. É considerado
por muitos como um dos maiores filósofos após os gregos (SILVEIRA, Instituto de
Física – UFRGS, 2002).

Uma Metafísica dos costumes é pois rigorosamente


necessária, não só por motivo de necessidade da
especulação, a fim de indagar a origem dos princípios
práticos que existem a priori em nossa razão, mas também
porque a própria moralidade está sujeita a toda a espécie
de perversões, enquanto carecer deste fio condutor e desta
norma suprema de sua exata apreciação. Com efeito, para
que uma ação seja moralmente boa, não basta que seja
conforme com a lei moral; é preciso, além disso, que seja
praticada por causa da mesma lei moral (KANT, 1964, p. 2).

Em seu livro, Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), Kant trata


a respeito da moral. Volta-se para a questão da moralidade humana. O fundamental
para Kant é encontrar ou definir uma lei moral universal; elaborar uma filosofia
moral. Para o filósofo, existe uma essência humana, que é a de ser moral, no
entanto, é preciso que haja uma lei que possa se aplicar a todos moralmente. Não
basta o ser humano ser moral, é preciso que todos sejam e tenham condutas
morais. Tratar a moral como um princípio, uma lei a ser seguida por todos, que
pudesse ser aplicada a todos os homens e mulheres, uma vez que essa lei tem
caráter moral:
Como aqui não tenho em vista senão propriamente a
filosofia moral, limito a estes termos a questão proposta:
não seria de suma necessidade elaborar, de vez, uma
Filosofia moral, pura, completamente expurgada de tudo
quanto é empírico e pertence à Antropologia? Que tal
filosofia deva existir resulta manifestamente da ideia

1
comum do dever e das leis morais. Deve-se concordar que
uma lei, para possuir valor moral, isto é, para fundamentar
uma obrigação, precisa de implicar em si uma absoluta
necessidade; requer, além disso, que o mandamento: "Não
deves mentir" não seja válido somente para os homens,
deixando a outros seres racionais a faculdade de não lhe
ligarem importância. (KANT, 1964, p.2)

Desse modo, o autor utiliza-se de certos termos como a boa vontade, a razão
e o dever. A boa vontade é aquela ação que é boa por si só. A boa vontade é o
regulador de nossas ações e talentos do espírito, pois tais talentos só são bons se
a vontade também for. É boa apenas pelo querer. Para uma ação ser considera
moral, esta ação deve ser pautada na boa vontade: “A boa vontade é tal, não por
suas obras ou realizações, não por sua aptidão para alcançariam fim proposto, mas
só pelo "querer " por outras palavras, é boa em si e, considerada em si mesma”
(KANT, 1964, p.5).

A razão tem seu destino prático na criação de uma boa vontade. Ela quem
norteia o homem a fazer a boa vontade. Esta só valeria por si mesma se
estabelecida pela razão. Ela influencia a vontade para produzir uma vontade boa
em si:

Com efeito, dado que a razão não é suficientemente capaz


de guiar com segurança a vontade no concernente a seus
objetos e satisfação de todas as nossas necessidades (que
ela em parte concorre para multiplicar), e que um instinto
natural inato a guiaria mais seguramente a esse fim;
atendendo entanto a que a razão nos foi outorgada como
potência prática; isto é, como potência que deve exercer
influência sobre a vontade, é mister que sua verdadeira
destinação seja produzir uma vontade boa, não como meio
para conseguir qualquer outro fim, mas boa cm si mesma;
para o que a razão era absolutamente necessária, uma vez
que, em tudo o mais, a natureza, na repartição de suas
propriedades, procedeu de acordo com. fins determinados
(KANT, 1964, p.6).

O dever é a necessidade de uma ação em conformidade com a lei. Uma


ação praticada por dever tem valor moral. Agir segundo o dever é agir segundo a
lei. Agir por dever é fazer o certo por ser o certo a se fazer. É ajudar uma senhora
atravessar a rua por ser o certo a se fazer. Agir de acordo com o dever é fazer o
certo buscando algo em troca, buscando algum benefício próprio no final. Ajudar

2
uma senhora a atravessar a rua porque ela poderia dar uns trocados depois. Só o
agir por dever é que tem valor moral, pois age de acordo com a boa vontade.

Ser benfazejo, quando se pode, é um dever; contudo há


certas almas tão propensas à simpatia que, sem motivo de
vaidade ou de interesse, experimentam viva satisfação em
difundir em volta de si a alegria e se comprazem em ver os
outros felizes, na medida em que isso é obra delas. Mas
afirmo que, em tal caso, semelhante ação, por conforme ao
dever e por amável que seja, não possui valor moral
verdadeiro; é simplesmente concomitante com outras
inclinações, por exemplo, com o amor da glória, o qual,
quando tem em vista um objeto em harmonia com o
interesse público e com o dever, com o que, por
conseguinte, é honroso, merece louvor e estímulo, mas não
merece respeito; pois à máxima da ação falta o valor moral,
que só está presente quando as ações são praticadas, não
por inclinação, por dever (KANT, 1964, p. 8).

O QUE É MORAL PARA KANT

Moral tem sua origem no latim, mores, significando costumes. Moral, então,
é um conjunto de normas que mediam comportamento humano, por meio da
tradição e pelos costumes. A moral tem caráter obrigatório porque é ela quem
norteia as atitudes e ações do ser humano, além de levar aos homens e mulheres
a discernirem entre o bem e o mal.

Para Kant, a moral é universal. É um conjunto de leis que se aplicam a todos,


que faça toda a gente agir moralmente, mesmo que seja quase impossível. Para
ele, a moral não se aplica a seres que não podem fazer escolhas racionais, uma
vez que os princípios morais podem ser obtidos da razão prática e por meio da
consciência. A moral, por exemplo, não se aplica a uma cadeira, pois a cadeira não
é um ser racional, é um objeto, e, portanto, irracional. Agir moralmente é cumprir o
dever, ou seja, obedecer à lei moral, e a lei moral é a máxima que se torna uma lei
universal: “agir de tal modo que a máxima de tua ação se possa tornar princípio de
uma legislação universal”.

A moral regularia as ações dos seres humanos. Uma ação, no entanto, só


seria moral se valesse por si mesma, e não no que ela poderia resultar.

Portanto, o valor moral da ação não reside no efeito que


dela se espera, como nem em qualquer princípio da ação

3
que precise de tirar seu móbil deste efeito esperado. Com
efeito, todos estes resultados (contentamento de seu
estado, e até mesmo contribuição para a felicidade alheia)
poderiam provir de outras causas; não é necessária para
isso a vontade de um ser raciona, muito embora somente
nesta se possa encontrar o supremo bem, o bem
incondicionado. Por isso a representação da lei cm si
mesma, que seguramente só tem lugar num ser racional,
com a condição de ser esta representação, e não o
resultado esperado, o princípio determinado da vontade, eis
o que só é capaz de constituir o bem tão excelente que
denominamos moral, o qual já se encontra presente na
pessoa que age segundo essa ideia, mas que não deve ser
esperado somente do efeito de sua ação (KANT, 1964).

Para Kant, a razão nos influencia a seguir uma lei moral. Essa lei é aquela
que todos deveriam cumprir, pois, uma vez cumprida por todos, traria benefícios.
No entanto, se quisermos que todos cumpram essa lei universal, surge a ideia de
um dever, ou seja, um obedecer a lei.

Kant propõe uma questão fundamental que é a de como o ser humano deve
agir. Para ele, é por meio da moral. E uma moral intimamente ligada ao dever.
Immanuel Kant defende que nosso agir é pelo dever, sem visar o resultado desta
ação, e sim, agir certo por ser o certo a se fazer, sem interesse. O homem ou mulher
que age por suas inclinações e desejos, mesmo agindo conforme o dever, não
pratica atos morais.

O que importa para Kant é o motivo e não o resultado da nossa ação. Clóvis
de Barros Filho, filósofo brasileiro, em uma palestra para seus alunos na USP
(Universidade de São Paulo), afirma que o homem pode agir mal e produzir alegria
e agir bem e produzir tristeza. Quando um homem rouba alguns pães na feira para
alimentar sua família que está sem comer há dias, por exemplo, ele agiu mal,
porém, trouxe alegria e supriu a fome de seus parentes. Já outro caso, é quando
uma mulher fala a verdade ao marido sobre estar o traindo. Agiu bem ao contar a
verdade mas provocou tristeza ao cônjuge por estar traindo. É por isso que, Kant,
afirma, como dito acima, que o que importa é o motivo das ações, e não o fim da
ação em si.

Kant também exemplifica a razão como um “tribunal”. A razão é quem julga


os nossos desejos e instintos. Posso ter o desejo de faltar a aula por um mês, mas

4
a minha razão julgará se devo ou não fazer isso, se é certo ou não. A razão,
portanto, seria a Boa Vontade, pois é a Vontade que impede que o homem ou
mulher faça ou não faça algo, se realiza ou não nossos desejos.

Visando apenas o fim da moral e a felicidade humana, o homem seria regido


pelos seus instintos, pelos seus desejos. Porém, quando o homem decide agir
segundo os seus instintos, ele não consegue priorizar aquilo que irá trazer, de fato,
uma felicidade duradoura, uma vez que, segundo René Descartes, os instintos e
sentidos nos enganam. Só a razão, portanto, poderia estabelecer ações benéficas
e duradouras, pois é ela quem julga o certo do errado, o efêmero do duradouro.

Dessa forma, Kant prega que a Boa Vontade age por um dever imposto por
uma Lei Universal. Esta, que seria a lei moral universal (“agir de tal modo que a
máxima de tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal”).

É destino da razão, segundo Kant, direcionar a Vontade


para um dever que valha por si mesmo e independa
totalmente das inclinações humanas: a razão deve
prevalecer sobre os instintos. Por isso, para o homem, a
vontade deve ser o bem supremo; só assim a razão poderá
ser exclusiva em sua determinação, mesmo que essa
determinação vá contra nossos instintos e inclinações. A
razão deve, portanto, “encarar” o dever e assumi-lo para si
como princípio a priori em seu direcionamento da vontade
humana. O dever precisa ser encarado como uma Lei, que
resulta da máxima que regula nossas ações de forma que
elas se tornem Lei Universal (JÚNIOR, Gilberto Miranda,
2009).

Quando o cidadão ou cidadã age em conformidade com a lei, suas ações


são pautadas no dever, que está ligado à nossa vontade. Vontade esta que é
racional e que vale por si mesma, tem seu fim em si mesma.

Uma boa ação pra Kant, então, é aquela que é motivada apenas pelo dever,
por uma Boa Vontade, e sem interesse no resultado que poderia se obter. Para
Immanuel, existem três tipos de ações: a ação contra o dever (por exemplo, matar,
uma vez que matar é contra a lei); a ação conforme o dever (ajudar uma velhinha
a atravessar a rua para obter algum benefício) e a ação por dever (ajudar uma
velhinha a atravessar a rua por ser o certo a se fazer). De qualquer forma, a ação
conforme o dever e a ação por dever, tem ações iguais, porém, intenções
diferentes. E isso, para Kant, não é moralmente aceito.

5
O que seria então agir moralmente? Para Kant, é cumprir o dever,
obedecendo a lei.

A MORAL CRISTÃ

A moral cristã é a moral que vem de Deus, o criador dos padrões morais. É
um padrão de vida correto e justo, que agrada a Deus e traz benefícios sociais e
espirituais enormes. A moral sempre existiu. Ela (a moral) não é um atributo
individual, dependente apenas do homem ou mulher para existir e ser praticada,
mas consiste nas nossas ações e atitudes para com os outros. Não é somente um
ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais. Essa característica
da moral se assemelha muito com o cristianismo, já que o cristianismo se encontra,
tem muito de seu valor dentro da sociedade e com a sociedade.

De certa forma, a moral cristã seria as condutas e práticas contidas na Bíblia,


os valores morais contidos na Bíblia. Diferentemente do pensamento atual, a moral
cristã não é, e não deve ser vista como uma moral religiosa, cheia de regras e leis.
Viver uma moral cristã não é ser uma pessoa moralista, aquela que se preocupa
mais com as regras a serem compridas do que com as pessoas. Os moralistas
cristãos são aqueles que preferem obedecer a Lei do que seguir o Evangelho real
de Cristo. “E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é
lícito? ” – (BÍBLIA, Marcos, 2.24). Neste versículo, Jesus estava curando um
enfermo no sábado, atitude que era contrária à Lei de Moisés, que era a Lei seguida
naquela época. Não podia curar os enfermos no sábado, e Jesus estava. Os
fariseus jogaram isso na cara de Jesus, que ele estava desobedecendo a Lei.
Esses fariseus moralistas estavam mais preocupados com a lei de que não podia
curar no sábado do que com a pessoa enferma, passando dores e tribulações.

No antigo testamento, desde a fundação do mundo até o nascimento de


Jesus, a moral era vista, sim, como condutas a serem seguidas, obedecidas, uma
vez que Deus estava disciplinando Israel e seus filhos, por meio de leis e condutas,
assim como um pai amoroso faz ao corrigir seu filho ao fazer algo errado. Quando
os povos começaram a desobedecer a Deus e adorar ídolos, Deus os disciplinou.

A moral seria tudo aquilo que agrada a Deus, que Deus quer que façamos.
No entanto, na era antes de Cristo Jesus, a moral era pautada na Lei. Por isso, no

6
antigo testamento, vê-se a importância de terem regras de condutas e leis escritas
para os demais povos, uma vez que é a forma de Deus lidar com eles, de “consertá-
los”. Os homens e mulheres da antiguidade tinham uma mentalidade primitiva, uma
consciência ainda primitiva, e por isso, agiam de forma que, hoje, seria uma coisa
horrorosa, um escândalo.

Para Deus preservar a fé cristã em um mundo que adorava deuses pagãos,


que diversas vezes viraram de costas para Deus, que esqueciam dos milagres e
bênçãos que Deus havia derramado sobre eles, escolheu a linhagem de Abraão
para formar o Seu povo e onde nasceria Jesus. Escolheu a linhagem de Abraão
para limpar o seu povo e preservar a fé e a esperança. No entanto, essa linhagem
havia recebido muitas tradições e costumes pagãos, oriundas do ambiente aonde
estavam (Mesopotâmia). Deus teve que limpar e purificar essa gente até se
tornarem homens e mulheres agradáveis a Deus. No entanto, Deus não fez essa
limpeza das tradições e costumes de seu povo rápida e bruscamente, pois dessa
forma Ele não seria entendido por eles nem estaria sendo paciente com Seu povo.

Deus começou pelo básico: eliminou o pensamento e costumes que eram


estritamente politeístas e pagãos. As outras ações, atitudes e costumes, foi de
forma gradual. Por meio dos profetas e de Sua mão, Deus foi implantando uma
moral cristã na mente e coração de Seu povo, fazendo com que eles fossem
crescendo espiritualmente, até chegar no ponto de ouvir a mensagem do
Evangelho: “Este é o meu preceito, que vos ameis uns aos outros, como Eu vos
amei” (BÍBLIA, João, 15.12) e não estranharem ou não entenderem.

Se Deus pregasse essa mensagem do Evangelho para o povo naquela


condição politeísta, pagã, de “olho por olho”, haveria uma verdadeira revolta. Se
Deus quisesse aplicar a moral cristã (a de amar uns aos outros, de ser respeito,
etc) naquela condição que Seu povo estava, além deles não entenderem, não
funcionaria com perfeição, uma vez que aqueles homens e mulheres, como dito
acima, tinham uma visão primitiva das coisas, da moral.

Por isso, no Antigo Testamento, Deus trabalha de forma gradual até a moral
cristã ser uma máxima para as pessoas e para o Evangelho.

7
O Evangelho sempre foi contra praticar atos ilícitos. A nossa consciência,
que é iluminada por Jesus, tem a clareza do que é certo e o que é errado, do bem
e do mal. O que é contra a Lei e contra a moral cristã, sempre foi mal aos olhos de
Deus, uma vez que o mal não depende de convenção humana para ser
caracterizado como mau ou bom. Porém, essa concepção nem sempre foi vista
pelos homens antigos, por causa da consciência moral pouco desenvolvida.

A moral no Novo Testamento não se difere da moral do Antigo Testamento,


uma vez que o que é certo, para Deus, é certo; e o que é errado, para Deus, é
errado. Não muda. No entanto, a moral já está mais clara e melhor concebida ao
povo. A nossa consciência nos permite ter mais clareza acerca do que é moral e
imoral. A Lei de Deus é aquela que contém os princípios morais.

Jesus veio para cumprir a Lei de Deus, mas também, para se sobrepor a Lei.
Por meio de Jesus, podemos chegar até Deus de forma deliberativa, não
precisando da Lei para nos levar até Ele. Não precisamos mais seguir a Lei, e sim,
seguir Jesus. A Lei diz “olho por olho, dente por dente”; Jesus Cristo nos diz para
não resistirmos ao mau e oferecermos a outra face. A Lei diz para combatermos o
adultério; Jesus diz para combatermos a luxúria também.

A Lei, que contém a moral de Deus, não deve ser abolida. Mas, agora,
podemos seguir Jesus, que é moral em toda a Sua essência.

A MORAL KANTIANA E A MORAL CRISTÃ

O cristianismo tem uma moral, mas esta, não se reduz à moral. O


cristianismo não se trata apenas de obedecer às leis, tradições, regras e costumes.
É definido como maior que a moralidade justamente por isso, por não se restringir
a uma série de costumes que devem ser seguidos. É definido pela graça
sobrenatural de Deus através de Jesus Cristo. Pelo amor com os outros.

A moral é uma atitude social. A própria lei moral universal de Kant ratifica
isto ao declarar que devemos agir de tal modo que o que fazemos possa ser feito
à nós também; nossas atitudes devem ser benéficas a todos que, deliberadamente,

8
praticarem também. E a moral cristã tem essa visão também, de ser relacional.
“Ame o seu próximo como a ti mesmo” (BÍBLIA, Mateus, 22.39).

A Lei de Deus, que contém os princípios morais Dele, e a moral Kantiana


tem reflexo na sociedade, nas pessoas como um todo. A Lei de Deus exprime essa
ideia, no versículo 12 do capítulo 7 de Mateus da Bíblia Sagrada: "Portanto, tudo o
que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lo também vós, porque esta é a
lei e os profetas”.

Com Aristóteles, o mundo antigo formulou uma concepção


teleológica da ética, ou seja, toda a ação do homem deveria
vislumbrar um fim, não se importava os meios que se
utilizava, o importante era a finalidade. É com Immanuel
Kant (1724-1804) que acontece uma reversão no que se
refere à ética. A teleologia cedeu espaço para a
deontologia. Para Kant, o nosso agir é pelo dever. Não
devemos nos perguntar qual será o resultado de nossa
ação, mas agir simplesmente por dever, sem interesse. O
próprio Cristo já afirmava há dois milênios atrás o valor de
uma prática que não vise um interesse, uma recompensa.
Ele era enfático em questionar os fariseus, que muito
sabiam e pregavam sobre as Sagradas Escrituras, mas não
agiam conforme a própria pregação. O intento era apenas
de se aparecer frente às outras pessoas. Assim, é
importante observar a grande semelhança da ética kantiana
com a ética cristã. Ambas procuram agir segundo o dever e
não buscando tirar algum proveito da ação. É a prática
desinteressada de qualquer desejo próprio que faz do
homem um ser virtuoso e correto, segundo ambos os
pensamentos. (PEDROTTI, Henrique, 2004).

CONCLUSÃO

Em vista dos argumentos apresentados, Kant buscou em sua obra,


apresentar o seu conceito de moral, dever, boa vontade, ligando-os à uma conduta
que os homens e mulheres devem ter. Como a moral deve reger as nossas práticas
e condutas. Kant se questionava acerca de algo que possa ser considerado como
uma lei moral e usou como exemplo a felicidade, mas viu que este é um conceito
que não pode ser universalmente aceito, uma vez que a felicidade é relativa e
subjetiva. Dessa forma, o autor chegou a uma máxima de que a lei moral universal
é aquela que ao fazermos algo à alguém, possa ser feito à nós também.

9
Como proposto acima, houve uma tentativa em aproximar a moral kantiana
da moral cristã, mesmo que Kant não trate sobre a moral cristã nem sobre Deus,
uma vez que, para ele, Deus é uma antinomia da razão, ou seja, não é tema do
conhecimento e da razão, mas sim da fé (KANT, 1985, p. 412-414). Mesmo que
seja arriscada, é possível notar algumas similaridades da tese de Kant com as
práticas da vida e moral cristã. Há algumas semelhanças entre esses pensamentos,
que muitas vezes, são colocados em contraposição; agregar o discurso kantiano
com o discurso cristão é conferir à ambos uma multipluralidade de visões,
enriquecendo ambas ideias. Algumas ideias parecem bem semelhantes, mas não
se sabe se Kant usou dos conhecimentos cristãos para escrever a sua obra.

A filosofia de Kant se vê necessária no atual contexto político-social brasileiro


em que se predominam o ódio, o egoísmo e o ego. Um contexto atual brasileiro que
homens e mulheres têm pensado somente em si e no que suas atitudes e ações
poderão trazer de benefício para si mesmo.

Vivemos em uma sociedade e, por isso, o nosso compromisso deve ser com
o próximo como um todo. Não porque Kant nos diz isso; nem porque o Cristianismo
prega isso; e sim, por sermos seres sociais que não conseguem viver isolados,
isentos do convívio.

A moral cristã não começa por uma lista de mandamentos e condutas, mas
pelo relacionamento em Deus. Em consequência de ter fé em Cristo e conhece-lo,
tentamos seguir os seus passos em nossos atos. As leis morais de Deus evitam
que vivamos segundo os caprichos dos sentimentos.

A moral kantiana começa por agir moralmente, pelo dever. Os nossos atos
baseados em uma conduta moralmente aceita, fazendo o certo por ser o certo a se
fazer. A lei moral de Kant evita que façamos o errado.

Dessa forma, há um paralelo entre a moral kantiana e a moral cristã que


giram em torno da vida em sociedade, relacionamento com os outros.

10
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KANT, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Editora Nacional,


1785.

AQUINO, Professor Felipe. Entenda a Moral no Antigo Testamento. Blog Canção


Nova. Disponível em
<https://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2013/04/04/entenda-a-moral-do-
antigo-testamento-3/>. Acesso em 9 de junho de 2017.

SILVA, Prof. Jackislandy Meira de Medeiros. O Cristianismo como contraponto ao


Racionalismo de Kant. Blog Umas Reflexões, 2010. Disponível em <
http://umasreflexoes.blogspot.com.br/2010/06/o-cristianismo-como-contraponto-
ao.html>. Acesso em 9 de junho de 2017.

JÚNIOR, Gilberto Miranda. Resenha: Fundamentação da Metafísica dos


Costumes. Disponível em <
http://filosofiageral.wikispaces.com/Fundamenta%C3%A7%C3%A3o+da+Metaf%
C3%ADsica+dos+Costumes+-+Kant+%28Resenha%29> Acesso em 9 de junho de
2017.

LUTZ-BACHMANN, Matthias. A contribuição de A Religião nos Limites da Mera


Razão, de Kant, à Filosofia Política das relações internacionais. Tradução de Paulo
A. Soethe. 2004, p. 95-104

Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Tradução: Antônio Pinto de


Carvalho. Lisboa: Companhia Editora Nacional, 1964.

SILVEIRA, Fernando Lang da. A Teoria do Conhecimento de Kant: o idealismo


transcendental. Cad. Cat. Ens. Fís., v. 19, número especial: p. 28-51, mar. 2002.
Disponível em < https://www.if.ufrgs.br/~lang/Textos/KANT.pdf>. Acesso em 26 de
junho de 2017.

ANDRADE, R. C. L.; CARVALHO, A. B. O dever moral e o valor das ações humanas


segundo Kant. Kínesis, Vol. IV, n° 07, Julho 2012, p. 235-244. Disponível
em<https://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/Kinesis/renataandradealonso
bezerra235-244.pdf>. Acesso em 26 de junho de 2017.

11
Kant, I., 1985, Crítica da Razão Pura, tradução de M. P. dos Santos e A. F. Morujão,
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
BÍBLIA. N. T. In: Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de
Janeiro: Sociedade Bíblica do Brasil, 1996.
DESCARTES, R. Meditações sobre a filosofia primeira nas quais são demonstradas
a existência de Deus e a distinção real entre a alma e o corpo do homem. Antologia
de Textos Filosóficos, Secretaria de Estado da Educação do Paraná, p. 153-165.

12