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SERVIÇO DE CAPELANIA

CURSO DE FORMAÇÃO DE ASSISTENTES ESPIRITUAIS EM CAPELANIA HOSPITALAR

PASTOR JOÃO SILVIO ROCHA

CAPELÃO HOSPITALAR

NOVEMBRO DE 2017

(Material do Serviço de Capelania da Unicamp, não pode ser reproduzido sem autorização)

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CURSO DE FORMAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS VISITADORES

APRESENTAÇÃO

A MISSÃO DA CAPELANIA
O Serviço de Capelania destes Hospitais tem como finalidade, elaborar e realizar um conjunto de
ações que visam o bem estar completo do paciente, seus familiares, dos profissionais da saúde e
funcionários em todos os níveis e também da própria instituição hospitalar, em autêntico espírito
de comunhão e participação, para em serviço mútuo, anunciar o Reino de Deus e colaborar na
promoção da saúde integral do ser humano.

Para isso nos propomos aos seguintes objetivos:

1 - Desenvolver uma ação evangelizadora para que toda a comunidade hospitalar reconheça
ainda mais a dignidade do paciente, respeite os seus direitos e lhe proporcione assistência
integral, com competência e amor, pois assumimos a sacralidade da vida humana.
2 - Zelar, em parceria com o Hospital, pela humanização e evangelização do ambiente
hospitalar, visando o bem estar de todos no hospital; médicos, pacientes, familiares, alunos e
funcionários.
3 - Acompanhar aos pacientes, procurando proporcionar a todos, solidariedade, conforto
humano e espiritual, respeitando sempre a pessoa e suas convicções religiosas.
4 - Estimular e promover um clima de amizade, fraternidade e compreensão entre toda
comunidade da área de saúde.
5 - Proporcionar apoio espiritual e emocional aos familiares de pacientes em estado grave,
principalmente os que estão em fase terminal. Em casos de falecimento apoio e ajuda no
processo de elaboração do luto.
6 - Anunciar a Boa Nova do Evangelho a todos, para que saibam que são amados por Deus
e em Jesus Cristo possam encontrar esperança e sentido em suas dores e vidas.

7 - Ajudar a promover o valor da vida humana em toda comunidade, mostrando que diante
de Deus todos são dignos de amor e respeito. Combater toda forma de preconceito.
8 - Colaborar com os profissionais da saúde em suas atividades, participando de equipes multi-
disciplinares, sobretudo nos casos que implicam questões éticas e religiosas.
9 - Promover Cultos, Missas, Estudos Bíblicos, Palestras e administrar os sacramentos aos
pacientes, familiares e profissionais.
10 - Promover e organizar celebrações em eventos especiais como, Natal, Páscoa, Dia das
Mães, Dia do Enfermo, Dia da Saúde, Dia do Médico e outros.
11 - Promover cursos de formação, seminários, palestras, com temas ligados à espirituali
dade, ética, moral e bioética, etc.
12 - Formar e capacitar uma equipe de voluntários visitadores – ASSISTENTES ESPIRI
TUAIS (leigos e outros), para colaborar nas atividades da Capelania, aqui na Unicamp.
13 - Colaborar na instituição e formação de Serviço de Capelania em outras localidades.

14 14 - Ser elo entre a instituição hospitalar e as Igrejas Católica, Evangélicas e outras.

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CONCEITO DE VOLUNTARIADO

Para nos auxiliar nestas orientações nos servimos de alguns autores, que possuem larga
experiência em Capelania Hospital e Pastoral da Saúde. Padre Mateo Bautista em seu livro “Visita
ao doente”, páginas 22 e 23, nos diz:

“Voluntariado é a organização de pessoas com grande dose de humanidade que, em


consonância com suas possibilidades, suas boas atitudes e aptidões, e seu tempo, oferecem um
serviço entusiasta, desinteressado, estruturado, constante e eficaz em diferentes instituições ou
campos sociais com graves carências. É importante destacar como fator indispensável à
GRATUIDADE DO SERVIÇO. O voluntariado não é mão-de-obra barata, invasão ou estorvo da
atitude profissional, suplência ou tempo de experiência para ascender a um posto de trabalho.
Entre seus objetivos está o de ser uma PRESENÇA: acolhedora, de escuta, respeito;
iluminadora de situações conflitivas, pessoais ou sociais; mediadora nas relações
pessoais e de busca de solução; humanizadora, trabalhando "ao lado", nunca "em
lugar" do ajudado; potencializadora da capacidade da pessoa para participar na
autopromoção integral...
religiosa, sendo sinal da misericórdia do Senhor Jesus Cristo.
Ser voluntário não é uma maneira de fazer coisas, mas uma forma de viver.
Certas carências podem ser satisfeitas com dinheiro; mas existem outras que só podem ser
satisfeitas de forma gratuita e fraterna: ninguém pode ser contratado para dar amizade,
solidariedade, compreensão, transmitir fé; e essas necessidades são tão básicas como a falta de
comida, vestuário ou limpeza.”
Portanto, o voluntário visitador a serviço da Capelania, deve ser uma presença de Deus, de
Jesus Cristo, que nos ensina a DAR tempo e talentos para pessoas que não irão retribuir! O
esforço de Deus em nos assistir, incentiva-nos ao trabalho voluntário, em IR até à pessoa enferma
e paciente! Deus não desiste de nós!

PORQUE SER VOLUNTÁRIO VISITADOR ESPIRITUAL?

Temos uma boa base bíblica e histórica para trabalharmos com pessoas enfermas, isto acontece
tendo como exemplo maior o próprio Senhor Jesus.

1 - Visitar e assistir aos doentes, viúvas, órfãos, faz parte da “boa religião” ( Tg 1,27).
2 - “Eu quero misericórdia e não holocaustos...” ( Mt 12 ,7b ).
3 - “Estava nu e me vestistes, enfermo e me visitastes...” ( Mt 25,36).
4 - “Como quereis que os homens vos façam, assim fazei vós também a eles...”( Lc 6,31).
5 - Parábola do “Bom Samaritano” ( Lc 10, 25-37).
6 - “Aquele que diz que está Nele, também deve andar como Ele andou” ( 1Jo 2,6).
7 - “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com Espírito Santo e poder, o qual andou por toda
parte fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At
10,38).
8 - “...Eu Sou o Senhor que te sara” ( Ex 15,26). Deus está do lado da cura e não da doença,
por isso estamos ao lado do doente, para lhe trazer saúde espiritual, emocional e cooperar
com outros profissionais para sua saúde física.
9 - Portanto, a solidariedade, a compaixão, a misericórdia, o amor e o cuidado com o outro
são temas centrais na teologia cristã. O próprio Senhor Jesus nos ensinou a amar e a
servir: “Vão e façam o mesmo” (Jo 13,15). O que faz que com cristãos estejam presentes
intensamente em obras de cuidados para com as pessoas fragilizadas.

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A ARTE DE VISITAR BEM

E continua o Pe. Mateo Bautista: “Visitar é um ato de generosidade. Visitar bem é uma arte.
Existem visitas breves que confortam, outras, longas, que cansam; existem visitas que
incomodam, outras que fazem amadurecer. Visitar não se improvisa. Exige que se tenha uma
motivação transparente, desinteressada. Implica maturidade afetiva e um equilíbrio emocional
saudável. Demanda respeito absoluto às idéias, religião, opiniões, valores do visitado, como
também, conhecimento de técnicas de relações, objetivos claros para explicar a presença. Toda
visita deve ocasionar uma saudável relação de ajuda.
O visitador, no hospital, não deve buscar protagonismos. Precisa trabalhar em equipe, com um
projeto organizado, com humildade, simplicidade, desejando contribuir e aprender. Não se
defende nem ataca, não impõe ou expõe seus critérios, deixando o visitado sempre em liberdade.
Na visita o agente pastoral não deve fazer nenhum tipo de proselitismo. A visita do voluntário deve
ser respeitosa e mediadora com a condição religiosa, social do doente.
O visitador precisa recordar que só se produzem encontros verdadeiramente humanos e
educativos quando se dão autênticas relações interpessoais; nunca quando são exclusivamente
funcionais ou profissionais”. (Visita ao doente, página 26-27)

O VOLUNTÁRIO VISITADOR

A pessoa interessada em visitar enfermos internados (paciente) dever ter convicção do seu
chamado para este ministério e preparar-se para ele. É muito comum haver um entusiasmo inicial
com a oportunidade de visitar, mas quando conhecem o hospital, muitos desistem, pois vêem que
as coisas não são tão simples assim. Vejamos agora algumas características que o visitador deve
possuir. Nos fundamentamos na experiência dos Padres Camilianos, Ordem Religiosa que
trabalha na área da saúde, concretamente através do Pe. Léo Pessini e Pe. Anísio Baldessin. O
boletim ICAPS (Instituto Camiliano da Pastoral de Saúde) em muito contribuiu para esta produção
que segue abaixo.

1 - Ter uma experiência pessoal de conversão a Jesus Cristo.


As pessoas não querem ouvir belas palavras ou sermões decorados. Querem ver o evangelho
vivo em nós, ouvir palavras que são fruto de nossa experiência com Deus. Ter condições de
testemunhar realmente o poder transformador de Jesus Cristo. Possui uma boa preparação
teológica, conhecimento da doutrina cristã e da Bíblia para dar razões de esperança quando for
questionado.

2 - Ser movido pelo Amor de Deus, a Jesus e as pessoas.


“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu...” ( Jo 3,16). A palavra amor tem sido muito
vulgarizada em nossos dias, e perdeu muito do seu sentido cristão. O Amor de Deus é um amor
doação, devemos assim seguir o exemplo de Deus e dar, nosso tempo, dons e, sobretudo amor,
para que assim possamos ser canais de bênçãos a todas as pessoas.

3 - Ter humildade e sabedoria, para reconhecer que não se é melhor que ninguém.
Muitas vezes nos deparamos com a aparência debilitada do paciente, e como, em sua
maioria são pessoas simples, podemos ter a tendência de achar que somos superiores ou
maiores do que ele. Se nos acharmos superiores não chegaremos calçados com o Evangelho da
Paz, mas com os saltos altos espirituais. – “Eu vim aqui para lhe ensinar algumas coisas”, e logo
despejamos nossa teologia sobre o doente e quase o matamos. “Fiz-me fracos para com os
fracos...”(1 Cor 9,22). Devemos nos colocar ao lado do paciente como seu igual e compartilhar
com ele os seus sofrimentos, dúvidas, anseios, mostrando-lhe que Jesus o ama do jeito que ele é
e está, e que o Senhor vai ajudá-lo da melhor forma possível.

4 - Desenvolver uma vida espiritual madura e sadia.

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É essencial que o visitador tenha uma espiritualidade madura, equilibrada. Para tanto, além do
aspecto pessoal (discípulo), que seja atuante em sua igreja local, tenha compromisso com o
Reino de Deus e sua expansão, seja fiel e submisso às autoridades eclesiásticas e tenha um
grande amor e temor de Deus. Seja constante na oração, no estudo e na meditação das
Escrituras. Ali pode nutrir sua vida espiritual, aprofundando sua fé e o serviço ao próximo carente.

5 - Motivações para visitar.


É essencial para o desenvolvimento de qualquer atividade ter as motivações certas, que é o
combustível que nos impulsiona.

5.1 - Vejamos algumas motivações negativas:

a) Quero visitar porque tenho piedade dos que sofrem.


b) Tenho curiosidade de ver paciente em estado grave, paciente com HIV/ Câncer/Influenza.
c) Tenho interesse em saber como uma pessoa morre.
d) Quero histórias sensacionais para contar na igreja.
e) Quero cumprir o meu dever cristão e aliviar a minha consciência.
f) Quero aumentar o número de visitas em meu relatório.
g) Quero ganhar um pedacinho no céu.

5.2 - Algumas motivações certas:

a) Solidariedade com a pessoa fragilizada.


b) Compaixão e misericórdia.
c) O amor de Cristo nos impele à caridade, nos envia em missão.
d) Colocar os talentos à serviço dos necessitados.

6 - O visitador tem de ser uma pessoa objetiva.


Normalmente não dispomos de muito tempo para conversar com o paciente, devido à rotina, o
entra e sai de médicos e enfermeiros, por isso o voluntário não deve ficar jogando conversa fora.
Temos um alvo, que é compartilhar o amor de Deus às pessoas, portanto qualquer conversa ou
atitude que não leve a isso deve ser rejeitada. Por isso deve ter facilidade de comunicação,
objetivo em situações de dor e sofrimento.

7 - É preciso cultivar uma personalidade cativante, paciente, amável e agradável.


A última coisa que um doente quer ver é pessoas desagradáveis e antipáticas.Deve ter o humor
estável, não ser pavio curto. Ter paciência com o paciente e a equipe do hospital é muito
importante, indispensável... Lembre-se que a paciência é também um fruto do Espírito Santo. (Gl
5,22). Nossa personalidade deve expressar, serenidade, amor e caráter de Cristo.

8 - Ter autocontrole das emoções.


Muitas vezes o aspecto físico, o cheiro e o estado geral do paciente pode nos causar um
impacto. Estando nesta situação não devemos demonstrar nojo ou comiseração, nem na voz e
nem na expressão, procure agir com naturalidade. Nada de cara assustada! Não tenha medo de
contágio!

9 - O voluntário deve gozar de boa saúde física, psicológica e espiritual. Esta estabilidade ajuda
e muito na presença junto ao paciente.Do contrário não visite enfermos!

10 - Ter profundo respeito por todas as religiões.

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Nossa missão não é pregar religião para ninguém. Temos que respeitar a todos, tentar influenciar
de maneira cristã, sem entrar em debate religioso/confessional. O Serviço de Capelania não
tolera proselitismo (“forçar o paciente à sua religião”)! Mas o paciente, livre e consciente, tem
o direito de usufruir de todos os recursos litúrgicos de sua religião: orações, eucaristia, unção, ...

11 - Ser uma pessoa que sabe se submeter a regulamentos e a autoridade constituída. Sabe
trabalhar em equipe e em conjunto, ser perseverante, de mentalidade aberta, desejoso de
aprender e aperfeiçoar-se. É importante o interesse constante em querer aprender (leitura
pessoal, cursos, encontros de estudo do Serviço de Capelania...)

12 - Ser constante e perseverante no trabalho. “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes,
inabaláveis, progredindo sempre na obra do Senhor, certos de que vossas fadigas não são em
vão, no Senhor”. (1 Cor 15,58):

13 - Ter discernimento e sensibilidade na conversação. Não julgar, não fugir do assunto e não
ser autoritário.

14 - Ter convicção quanto à dignidade do doente. Cada pessoa não importa quem, ou como
esteja, é uma pessoa especial, única e importante para Deus que deu o seu Filho por ela. O
doente por ser sujeito também se torna nosso evangelizador!

15 - Saber guardar confidências. É um imperativo ético guardar sigilo, corresponder à confiança


do paciente.

16 - Cuidar da aparência pessoal.


Roupas muito formais e elegante podem criar uma barreira, impedindo que o paciente se
identifique com você, pois ele esta despido até de suas vestes diárias. Apresentar-se de maneira
simples e discreta faz com que o paciente se sinta mais à vontade e próximo de nós. O voluntário
do Serviço de Capelania usa o jaleco, de comum acordo com a direção do Hospital, para facilitar
identificação e favorecer a igualdade das vestes

17 - Saber comunicar a Verdade de maneira simples e inteligível.


Não devemos falar com os pacientes em linguagem religiosa/teológica complicada. Jesus
ensinava de maneira simples e fácil. A leitura e memorização de textos bíblicos e outros pode
ajudar em muito na conversa com pacientes e familiares.

18 - Lembrar sempre que somos “semeadores” e não ceifeiros. Não devemos ter pressa em colher
resultados

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PASSOS E NORMAS GERAIS DE VISITAÇÃO HOSPITALAR

De acordo com o Padre Mateo Bautista surgem os questionamentos: “Como proceder a uma
visita pastoral? O que dizer, o que fazer, como se apresentar? Vejamos algumas indicações
simples que podem ajudar-nos.

1. CULTIVAR BOM RELACIONAMENTO COM OS PROFISSIONAIS, sobretudo a


enfermagem; antes de ir ao quarto, apresente-se no posto e siga as orientações. Pode
acontecer de você ser abordado por algum profissional que vem pedindo informação, ajuda,
oração... Esteja atento para acolhê-lo bem!

2. “APRESENTAR A SI MESMO, dando informações suficientes para responder às


perguntas básicas que os doentes não podem fazer: Quem é o senhor? Qual é a sua
função no hospital? Por que o senhor vem me visitar? Permitir que os doentes nos
observem. Se possível, é bom cumprimentar o doente. CRIAR UMA ATMOSFERA, com
questionamentos que mostrem interesse, respeito e desejo de ajudar. Criar uma
comunidade baseada na confiança e na abertura. Sentir-se presente fisicamente e
psicologicamente sereno, sem angústia, transmitindo paz e desejo de compartilhar.” (Pe.
Mateo Bautista - Visita ao doente, pg. 31-33). Não entre em nenhum quarto sem antes bater
na porta ou avaliar do lado de fora o estado do paciente, se ele pode ou não ser visitado
naquele momento (se não há procedimento médico, se o paciente não está se alimentando
ou dormindo...) Verifique se há qualquer sinal expresso, proibindo visitas ou indicações para
tomar-se cuidado/precaução de contato. Saiba o nome do paciente. Apresente-se com
clareza ao entrar no quarto. Não fazer discriminação. Indo a um quarto com pacientes
diversos procurar dar atenção a todos.

3. Coloque-se em uma posição no quarto, na qual o paciente possa vê-lo sem se mover ou se
esforçar. Se houver acompanhante dê atenção a este também. A família sofre junto e
merece nossa atenção!

4. Consultar a equipe multiprofissional, em caso de dúvida, sem interferir no trabalho dos


profissionais. Se ao entrar no quarto você encontrar algum profissional (médico, enfermeira,
...), não tenha medo, cumprimente-o fraternalmente e aguarde sua vez. Seu trabalho é
importante para o paciente, pois você é o ministro da espiritualidade naquele momento.

5. Tomar cuidado quando houver equipamentos ao redor do paciente (Respirador, bombas de


infusão, monitor cardíaco...)

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6. É proibido sentar-se ou apoiar-se na cama. Não “empurre” os chinelos do paciente e nem
seus pertences na mesinha. Observe se há fotos, mensagens, algum objeto religioso,... isto
pode te ajudar no diálogo com o paciente. Lembre-se, é a casa dele!!!

7. Tenha muito bom senso com relação ao tempo de duração da visita. Saiba avaliar a
situação e o tempo de visita, logo ao entrar no quarto. Tenha a sensibilidade de perceber
quando o paciente está cansado e necessitando de repouso.

8. Para compreender o doente é preciso colocar-se em seu lugar. Não é fácil. Se não o fizer, é
inútil discutir e argumentar com ele.

9. Alguém se perguntará: "O que posso dizer ao doente?". Não é tão necessário perguntar
nem falar, mas escutar. A escuta abre as portas do coração. “ESCUTAR - Para ouvir
melhor. “Sejam todos prontos para ouvir, lentos para falar e lentos para se irritar” (Tiago
1,19).
- Não interrompa a conversação.
- Não desvie o seu olhar da pessoa. Dê-lhe toda a atenção. Olho no olho
- Valorize os sentimentos do paciente. Incentive-o a continuar.
- Procure não competir com o paciente contando-lhe outra história. Dê-
lhe atenção total.
- Não critique e não julgue. Não discuta.
- Existem casos em que o paciente não pode falar, mas você pode se comunicar
através do olhar, de um gesto, de um toque. O amor não flui somente da nossa
boca. (Pe. Mateo Bautista - Visita ao doente, pg. 31-33)
-

O que posso dizer?


• Como o senhor esta hoje? Melhorou?
• E o tratamento? Conseguindo realizá-lo?
• Imagino sua alegria em ter a família por perto!
• Seus filhos/netos? Como estão? Que satisfação a sua! Vejo pelo brilho de seus olhos!
• No que posso ajudar?
• Deus nos conduz e nos da sua benção.
• A vida de Jesus nos estimula e à senhora também.
• Peço ao Pai celeste que a sustente neste tratamento!

Alguns textos bíblicos para sustentar o diálogo:


• “Ainda que passe pelo vale tenebroso das sombras, nenhum mal haverei de temer... pois
comigo Ele está... (Salmo 23..)
• “Vinde a mim vós todos que estais cansados...” (Mateus 11,25-30)
• “Esta é a vontade do meu Pai: que eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu...”
(João 6, 35-40)
• “Ele tomou as nossas dores e carregou as nossas enfermidades” (Mateus 8, 5-13) •
“Isto é o motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por
algum tempo aflitos” ( 1 Pedro 1, 3-9)
• “ Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor subsistirá...(Salmo 130,3-4)

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10.Mas também devemos aprender o que não falar. São comuns frases brotadas de nossa
espontaneidade, inocência e despreparo que, infelizmente, podem não ajudar numa visita.
Conforme Padre Léo Pessini e Padre Mateo Bautista, ei-las:

• “Oi.. tudo bem com o senhor?


• É a vontade de Deus.
• Deus nos manda somente aquilo que podemos suportar.
• Deus põe à prova aquele que mais ama.
• Jesus também sofreu. Por que não você?
• Deus o levou. Precisa dele junto a si.
• Deus não fecha uma porta sem abrir uma janela.
• Quando se queixa de Deus, você demonstra pouca fé.
• A doença é uma mensagem que Deus envia para que mudemos de vida.

• Ânimo, outros estão pior!


• O destino quis assim.
• Nascemos para sofrer.
• Seja forte. Não chore.
• O tempo cura todas as feridas, não se preocupe.
• Logo você vai sair daqui.
• Agora é que você deve provar a fé!
• O sofrimento purifica, por isso aproveite!”

Eis o que nos ensina o Pe. Léo Pessini: “A essa altura podemos perguntar-nos: o que dizer,
então? É difícil saber exatamente! Não há uma fórmula mágica, infalível para resolver o problema.
Mais fácil é tomar consciência do que não se deve dizer. Geralmente o que você não gostaria de
ouvir, o que lhe causaria sofrimentos adicionais, não diga ao outro, pois tem o mesmo efeito. Cada
pessoa e situações são diferentes umas das outras. A criatividade do amor nos faz ver o que é
mais conveniente e apropriado em cada circunstância. Devemos ser uma presença viva do
amor de Deus.” (Ministério da Vida, pg. 64).

“ESTAR ALI, oferecendo o apoio de nossa presença. - FALAR DE DEUS, fechando ou


concluindo nossa relação ou comunicação. Uma oportunidade de dizer "coisas profundas", se é
que ainda não foram ditas. Verbalizar a expressividade de nossa relação ou de nosso
acompanhamento. Um bom desejo, uma oração, uma bênção.” (Pe. Mateo Bautista - Visita ao
doente, pg. 31-33)

11.Não pergunte sobre a gravidade da doença. Não prometa nada ao paciente.

12.SER UM BOM OUVINTE - Por ser uma postura essencial nesta arte de visitar, para melhor
ouvir, apresentamos também quatro tipos de ouvintes, conforme nos relata o Pastor Rick
Warren (Pastor-fundador da Igreja Saddleback – USA):

A) “OUVINTE JULGADOR. É o que já tomou decisão e não quer ser confundido pelos fatos.
Ele é crítico, negativo e preconceituoso. Estudos mostraram que 17% das pessoas se
encaixam nessa categoria.

B) OUVINTE INTERROGADOR. É o que imagina que ser bom ouvinte é disparar uma série
de perguntas à pessoa que está falando. Perguntas são importantes numa conversa. Mas
interromper com perguntas aborrece. De acordo com pesquisas, 26% das pessoas usam esta
abordagem.

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C) OUVINTE CONSELHEIRO. Ouvem apenas o suficiente para fazer uma avaliação e,
então, passam a fazer exatamente o que pretendiam: oferecer conselhos não solicita dos. Eles
na verdade não ouvem. Não se concentram em tudo o que esta sendo dito; ouvem o suficiente
para poder responder. Cerca de 35% das pessoas se encaixam aqui.

D) OUVINTE EMPÁTICO. Este estilo é usado por apenas 22% das pessoas, mas é de longe
o mais eficiente. Ouve-se para capturar o sentimento de quem esta falando e não apenas as
suas palavras. Presta-se atenção ao tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal, que
são sinais não verbais. É dar e prestar atenção integral a quem esta se comunicando.” Texto
“BOM LIDER, BOM OUVINTE”, de autoria de Rick Warren, escritor e conferencista, autor do
best-seller "The Purpose-Drive Life" (Uma Vida Com Propó sitos), traduzido em várias línguas
através do mundo. Usado com a devida permissão.
Tradução de Mércia Padovani. Revisão e adaptação de J. Sergio Fortes. 2009.
http://mailing.cbmc.org.br/cgibin/dada7/mail.cgi/archive/cbmcbr/20090726190055/ -
acesso em 03 de abril de 2016.

13. “CAPACITAR PARA FAZER, oferecendo a possibilidade de ser útil, de servir. Dando ao
outro o sentido de utilidade e participação no seu ministério. Fazendo saber o quanto sua
história ou seu compartilhar te impressionou... Facilitando o ministério entre os pacientes
de uma mesma casa ou entre familiares. Utilizando alguns dons ou capacidades em
nossas orações... Convidando as pessoas a escrever sobre suas experiências de doença
e de fé, etc. FAZER, realizando um serviço para outra pessoa, a pedido seu, como: orar,
oferecer uma bênção ou algum sacramento,...” (Pe. Mateo Bautista - Visita ao doente, pg.
31-33)

14. Procurar orar com calma junto ao paciente. Tudo o que é feito com amor, evangeliza.

15. Não dê água ou qualquer outra coisa ao paciente sem a permissão da enferma
gem. Não leve nenhum tipo de alimento.

16. Não se pode fotografar/ filmar/ entrevistar qualquer paciente sem o conhecimento e
autorização do mesmo e dos responsáveis (Enfermagem, Relações Públicas)

17. Ainda que marcado pela solidariedade e compaixão, o voluntário deve ter cuidado e
critérios para não se envolver diretamente com pacientes e familiares, mesmo depois da
alta. Há situações e situações. Uma coisa é o contato no leito hospitalar, outro é a
convivência fora! Por isso prudência, discernimento e sabedoria. É recomendado não dar
telefone e outros dados pessoais ao paciente e seus familiares.

REGRAS DE ASSEPSIA

O ambiente hospitalar, infelizmente, também é morada de bactérias, vírus... “bichinhos


ruins ao corpo humano”. Por isso conhecer e seguir as regras de assepsia é muito
importante.

Bactérias: São os seres vivos mais antigos na natureza. São também os mais simples do
ponto de vista estrutural e os mais bem sucedidos em relação ao número de indivíduos. Elas
são microscópicas, unicelulares, sem núcleos e sem clorofila e se reproduzem por divisão
binária. Podem ter várias formas e serem de tamanhos variados, indo de 0,2 a 6,0
micrômetros (milésima parte do milímetro).

Vírus: São organismos extremamente simples, diferindo dos demais seres vivos por não
possuírem organização celular, metabolismo próprio e por não serem capazes de se

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multiplicar sem auxílio de uma célula hospedeira. São parasitas intracelulares obrigatórios.
Os vírus são os menores seres vivos conhecidos, visíveis apenas ao microscópio eletrônico.
São tão pequenos que podem penetrar na célula das menores bactérias que se conhecem.

a) Lavar as mãos e usar álcool/gel assim que chegar na enfermaria, ao tocar em paciente
ou objetos e antes de sair do hospital. A infecção hospitalar é transmitida na maior parte
das vezes por contato, por isso o procedimento mais eficaz no seu combate é a
higienização das mãos.

b) Usar equipamento de proteção individual (EPI) quando necessário: máscaras, avental,


luvas, etc.

c) Se tiver pequenos ferimentos, cubra-os com curativos.

d) Use roupas limpas, discretas e apresentáveis. Nada que atrapalhe pelo excesso ou pela
falta. JALECO sempre limpo e passado.

e) Em caso de cabelos longos, mantê-los preso. Para os homens, cuidado com barba e
cabelos compridos.

f) Evite comer ou ingerir líquidos (tomar água) nas enfermarias.

g) Evite usar perfume forte!

h) Cuide-se com boa higienização pessoal, bucal (evitar mal-hálito). Unhas cortadas e
limpas. Evite uso de pulseiras e anéis.

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QUESTÕES DE FÉ

Ao trabalharmos com o mistério da dor, sofrimento e morte nos deparamos com uma
questão inerente ao tema: “Quem Deus é?” Os pacientes e envolvidos despertam em si e
em nós esta reflexão. Como ajudá-los? Mas, precisamos primeiro responder a nós. A
Pastora Eleny Vassão de Paula Aitken, (Igreja Presbiteriana de São Paulo, apresenta esta
reflexão em seu livro “No leito da enfermidade.” (Editora Cultura Cristã - 2013): “Podemos
dar algumas orientações, tendo como base as dúvidas e distorções mais comuns que
encontramos entre os pacientes em relação à pessoa de Deus.

1 - O Deus Incompassivo.
Para muitos, principalmente aqueles que tiveram problemas com os pais,
especialmente o pai, na infância, é difícil entender a Deus como um Pai amoroso e
presente. O termo “pai” leva a pessoa a transferir para Deus seus ressentimentos,
imaginando-o um Deus rígido e incompassivo. Devemos ajudar

2 - O Deus Fraco.
Para muitas pessoas Deus não costuma agir como no passado. Ele fez grandes
obras no passado, mas hoje isto não acontece mais. Devemos mostrar que Ele é o mesmo
ontem, hoje e será eternamente ( Hb 13,8).

3 - O Deus que faz vistas grossas.


Para muitos, Deus é tão bonzinho que não se importa com os nossos pecados e nos
aceita sem que desejemos mudar de vida. Deus pagou um altíssimo preço pelo nosso
pecado, portanto devemos, sem acusação, mostrar que sem arrependimento não há
perdão.

4 - O Deus Perfeccionista.
Muitos pensam que Deus exige que sejamos 100% perfeitos, tentam serem super
homem ou mulher maravilha, e acabam se desiludindo por não alcançar pelas próprias forças
um alvo tão elevado. Devemos ser santos como Deus nos manda, mas isso não significa
perfeição absoluta. Santidade é possível somente no poder do Espírito Santo, pela graça de
Deus, que apesar de nossas imperfeições, nos garante a chegada ao alvo como vencedor.

5 - O Deus que faz barganha.


“Ó Deus, me faça isso, que eu te faço aquilo...” Esta é uma frase muito comum. São
as famosas promessas. Devemos mostrar que Deus não pode ser comprado ou
manipulado. Tudo o que Deus nos concede é fruto de sua Graça e Misericórdia. Nada
merecemos, mas em Cristo Ele tudo nos concede.

BATISMO:

1 - No Hospital só deve ser realizado em casos de emergência. Local próprio de celebrar o


Batismo é a Comunidade de fé a que pertence o enfermo. Configurando estado de
emergência, o Serviço de Capelania providenciará o que for preciso.

2 - Só pode acontecer a pedido do próprio paciente ou dos responsáveis.

3 - É realizado por infusão ou aspersão. A imersão (mergulho) é inviável no ambiente


hospitalar

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UNÇÃO DOS ENFERMOS:

A Unção é ministrada apenas quando pedido por um paciente ou seu familiar, desde que, de
fato, seja necessária. É conforto e força de Deus. Pode ser dada também mediante cirurgias
ou procedimentos invasivos.

AS RELIGIÕES

1 - PONTOS EM COMUM ENTRE CATÓLICOS E PROTESTANTES


Os dois maiores grupos religiosos cristãos têm muito em comum. A Reforma Protestante do
Século XVI foi iniciada por um monge, chamado Martinho Lutero, que não desejava criar uma
nova religião cristã, mas reformar a Igreja Católica.
Portanto a Igreja Protestante tem raízes no Catolicismo, e não apenas Lutero, mas muitos outros
trabalharam para que a teologia protestante tivesse a feição de hoje.

a) Cremos em um mesmo Deus, Pai Filho e Espírito Santo.


b) Cremos na Bíblia Sagrada, Antigo e Novo Testamento.
c) Cremos na Encarnação do Filho de Deus.
d) Cremos em Jesus Cristo como perfeito Deus e perfeito homem.
e) Cremos na morte sacrificial de Cristo pelos pecados.
f) Cremos na sua ressurreição.
g) Cremos na sua ascensão e glorificação.
h) Cremos que Ele voltará em Glória.
i) Cremos que Ele julgará a todos os homens.
j) Cremos no Céu e que os salvos viverão para sempre com Deus.
k) Cremos que os não salvos perecerão no inferno (ausência de Deus)
l) Cremos que Deus é o Criador do universo e da vida.

2 - IDENTIDADE/VALORES DA TEOLOGIA PROTESTANTE.


a) Os Protestantes não crêem na intercessão dos Santos.
b) Os Protestantes não crêem na doutrina do Purgatório.
c) Os Protestantes respeitam Maria mãe de Jesus, mas não a tem como intercessora ou
medianeira
d) Os Protestantes não adotam imagens ou ícones em sua prática religiosa.
e) Os Protestantes aceitam a livre organização de culto.
f) Os Protestantes aceitam a livre interpretação da Bíblia.
g) Os Protestantes crêem na justificação apenas pela fé em Jesus Cristo. Em recentes diálogos
ecumênicos este tem se tornado um ponto comum.

3 - IDENTIDADE/VALORES DA TEOLOGIA CATÓLICA.


a) Os Católicos crêem na transubstanciação, ou seja, crêem que o Pão e o Vinho
consagrados na missa são realmente o Corpo e o Sangue de Cristo.
b) Os Católicos crêem que a Missa é uma atualização do Sacrifício, que é tudo o que Jesus
realizou! Uma memória atual de sua Páscoa - morte e vida ( doar-se ).
c) Os Católicos crêem que a cruz faz parte do caminho para a vida eterna.
d) Os Católicos crêem que o Papa é o sucessor do Apóstolo Pedro e vêem nele a missão de
conduzir a Igreja. Portanto assumem e respeitam sua autoridade.
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e) Os Católicos crêem na vida pós-morte: céu/paraíso, purgatório e inferno.
f) Os Católicos crêem que a interpretação da Bíblia é permitida apenas ao magistério da Igreja.
g) Os Católicos usam uma liturgia fixa e as imagens/objetivos religiosos são tidos como
recursos simbólicos, não conotando nenhum tipo de idolatria. Indiscutivelmente os católicos
crêem em Jesus como mediador/pontífice da graça e da salvação.
h) Os Católicos crêem que a Tradição da Igreja e a Bíblia são duas colunas, fontes de vida
cristã.
i) A Bíblia Católica possui 07 livros a mais que a Protestante, presentes no Antigo Testamento
(Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc). Questão de interpretação.
Do resto é tudo igual.

OBS.: O voluntário do Serviço de Visitação deve mostrar total conhecimento da Teologia Cristã,
expressa nas Igrejas Católica e Protestante. Por isso a graça da convivência e da curiosidade
sadia. Deve ser uma pessoa que expresse respeito pela UNIDADE do Serviço na perspectiva
ecumênica. Jamais, dentro do ambiente hospitalar, deverá expressar opiniões conflitivas,
semeando discórdia. Iniciativas em favor dos pacientes e profissionais devem ser de
conhecimento da direção do Serviço de Capelania com a devida permissão. Ainda que feita por
um ou mais voluntário, será de responsabilidade de todo o Serviço.

4 - O QUE É SEITA?
É um grupo de pessoas, fechado em torno de si mesmo, de sua doutrina, de cunho radical,
sectário e proselitista. Para este grupo tudo e todos o que estão fora é errado. Uma pessoa
enferma precisa de acolhimento e respeito. Não aceitará ficar num grupo fechado. Portanto um
grupo religioso que se considera o único caminho e não reconhece os demais movimentos
religiosos, é uma seita.

A QUESTÃO DA CURA DIVINA


Todos nós conhecemos e nos maravilhamos quando lemos os Evangelhos e notamos as curas
maravilhosas operadas por Jesus. Normalmente a maioria dos Cristãos acredita na Cura Divina
e dentro deste assunto temos várias correntes de pensamento e práticas. Não pretendemos
mudar seus conceitos a este respeito, mas mostrar a maneira correta de agir dentro de um
hospital.
A questão da cura divina é um tanto complexa, especialmente no contexto hospitalar. De forma
direta nas Igrejas Pentecostais ou Movimentos Carismáticos, há grande ênfase na cura divina
como evidência da presença de Deus. A Bíblia relata muitas curas milagrosas, no Antigo
Testamento e, em especial, no Novo Testamento, com o ministério de Jesus e depois dos
discípulos. Não há dúvidas quanto à veracidade e autenticidade destas curas e também é
aceito de forma geral que Deus sempre atuou e continua atuando hoje, realizando curas. Há,
porém, algumas questões que devemos colocar, especialmente no contexto do Hospital:
1- Deus cura a todos? • Deus cura sempre? • E quando Deus não cura?

• Deus cura a todos?


Somos desafiados pela palavra “todos”. Nos Evangelhos encontramos esta palavra onde nos
diz que Jesus curava a todos (Mt 8,16). Mas por outro lado encontramos também personagens
de fé na Bíblia que passaram por enfermidades e até morreram enfermos (2 Rs 13,14; 2 Tm
4,20). Uma vez que apesar de regenerados em Cristo ainda somos mortais, e sujeitos aos
efeitos desta vida mortal. Embora a cura seja uma herança dos santos, Deus não cura a todos
mesmo quando oramos com fé. Devemos sempre crer na possibilidade da intervenção Divina e
orar por isso, mas não exigir isso de Deus.

• Deus cura sempre? Com base na Bíblia podemos dizer que Deus não cura sempre. Senão
nenhum cristão morreria enfermo.

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• E quando Deus não cura?
Está em moda já alguns anos a teologia da prosperidade, que ensina que o cristão é quase
sempre um super-homem, que não pode ficar doente, pois toda doença é de origem diabólica.
O cristão cheio de fé não precisa tomar remédios e outras coisas assim. Encontramos no
hospital, com certa regularidade, cristãos abatidos e amargurados consigo mesmos e cheios de
culpa por estarem doentes, como se ficar doente fosse um pecado.

→ Deus pode curar/ Deus pode não curar


a) por meios “dentro de nós” = ânimo, confiança, tranqüilidade, esperança...
b) por meios “fora de nós” = médicos, cirurgias, remédios, quimio, radioterapia...
c) por meios sobrenaturais = milagres
d) devemos ter fé em Deus e não fé em nossa fé.
e) Deus sempre cura a pessoa
f) A cura pode não ser um BEM = Is 38 e 39 (Doença e cura do Rei Ezequias)

→ O que é fazer o BEM? = “Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que
amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu desígnio”. (Rm 8,28) → Cuidado
para não confundir PENSAMENTO POSITIVO com FÉ.

2. Fé e Ciência
Um assunto polêmico em nossa área de trabalho. Não podemos fechar os olhos, ignorar o
desafio. Para nós, é certo que todo conhecimento vem de Deus, dono de todo saber. Deus na
Bíblia revela a si mesmo e da sabedoria e conhecimento ao homem, tendo este a capacidade
de aprender, pesquisar e criar coisas novas.
Historicamente, os primeiros cientistas era pessoas ligadas a religião, como médicos, astrólogos,
químicos etc.
Para o homem de boa fé, não há problemas ou confronto com a ciência, pois, esta é para a
pessoa de fé, um instrumento feito para o bem do homem, sendo que uma não anula a outra,
pois Deus é Senhor de todas as coisas: “E isto, para que todos sejam encorajados, unidos no
amor, para alcançar a riqueza do pleno entendimento e o conhecimento do mistério de Deus,
que é o Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.”(Cl
,2-3). Devemos inclusive orar pelos cientistas para que tenham sucesso em suas pesquisas, a
fim de descobrirem novos tratamentos e cura para as doenças, assim como produzirem
melhores condições de vida a toda criação sobre a face da terra, sobre a humanidade.

Portanto:
• Fé e Ciência não são inimigas e podem viver em harmonia. Em essência, uma não se opõe
a outra. No caso de embates que haja paciência, diálogo, respeito.
• A ciência não tem resposta a tudo e a fé também não.
• A ciência esta a serviço do homem e a fé a serviço de Deus, que atua na vida dos homens. A
ciência pode estar a serviço de Deus.
• Devemos saber manter os momentos de independência, mas também de unidade uma para
com a outra.

“O ponto de partida para o diálogo entre religião e ciência é a necessária abertura de um


conhecimento para o outro” (Mário Antonio Sanches - O diálogo entre Teologia e Ciências
Naturais, in: Buscar sentido e plenitude da vida - pg. 36).
Em alguns momentos da história passada e ate mesmo hoje, correu-se o risco de uma querer
ofuscar o caminho da outra. Entendemos que elas caminham paralelas, pois no fundo provem
do único mistério da vida. Uma pesquisa feita em São Paulo com pacientes mostra algo
interessante na mente das pessoas. “Uma outra pergunta foi feita: “Para você, quem cura a
doença é: o médico com a medicina, Deus pela oração do paciente ou o médico com a ajuda de

24
Deus?”. A resposta, com 77%, foi “o médico com a ajuda de Deus”. Essa resposta impressiona.
Ou seja, para o povo brasileiro, que ainda crê, Deus e o médico andam bem associados no
trabalho terapêutico. Nem tudo a Deus, nem tudo ao médico. Os dois juntos formam o todo
mais harmônico. Não é este um indicador de como o visitador deve orientar o doente em suas
relações com Deus e com o médico?” (Padre Julio Munaro, Reflexões para a Pastoral da
Saúde (páginas 21 e 22).

A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega.


( Albert Einstein - 1879-1955)

3 - Aspectos psicológicos do adoecimento, morte e luto nas instituições hospitalares


‘‘Atualmente, a maior parte das mortes ocorrem em hospitais, principalmente decorrentes de
doenças do coração, câncer, derrames, acidentes de trânsito entre outras. O paciente ao ser
hospitalizado entra em um processo de total despersonalização, deixa de ter o próprio nome e
passa a ser um número de leito ou então alguém que porta determinada patologia. A reação
psíquica determinada pela experiência de adoecimento e consciência da morte próxima ou
eminente apresenta, de acordo com Elizabeth Kluber Ross em sua obra “Sobre a Morte e o
Morrer” (1969), algumas etapas assim descritas:
Negação da doença, com mecanismos de defesa temporários do Ego contra a dor psíquica
diante da morte;
Raiva, que é expressa com hostilidades e revolta;
Negociação ou barganha o paciente manifesta acordos, buscando fazer algum tipo de pacto
de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes;
Experiência de um sofrimento profundo, tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo
são emoções bastante comuns e, finalmente,
Aceitação, quando a pessoa já não experimenta o desespero e não nega sua realidade.

Embora a consideração das fases como descritas ajudem a compreender que o luto decorrente
da morte seja um processo, como tal, ele é experienciado de modo singular por cada pessoa,
por cada família, de maneira particular. Diante do adoecimento e morte iminente, angústias são
despertadas e o luto pode se tornar patológico ou apresentar quadros de melancolia. Importante
perceber que voluntários na Capelania dos hospitais devem estar preparados para lidar com
essas situações no âmbito hospitalar. Participar desse importante momento na vida das
pessoas e lidar com o processo de morte e luto faz com que voltem para sua própria morte e as
angústias a ela relacionadas. Estar com os enfermos e suas famílias nesse momento de dor
expõe o voluntário a emoções e sentimentos que revelam os fantasmas de suas próprias
realidades de perdas, mortes e lutos relembrando fatos do histórico familiar, medos infantis de
separação e de sua própria imortalidade.
Para lidar com essas angústias, a religiosidade é uma abordagem fundamental para ajudar os
enfermos e familiares a produzir novos sentidos e significados perante aquela vivência.
Enquanto fenômeno humano, a religiosidade é uma das mais marcantes e complexas
dimensões da experiência cotidiana que constitui nossa subjetividade, que ganha especial
significado no momento de adoecimento e morte. Há certo consenso entre cientistas sociais,
filósofos e psicólogos sociais que a religião é uma importante instância de significação e
ordenação da vida, de seus reveses e sofrimentos. Ela está relacionada a um sentido positivo e
que traz alívio, conforto e alargamento da capacidade psíquica para lidar com o sofrimento.
Portanto, estar ao lado e acompanhar um enfermo e sua família à beira do leito numa instituição
hospitalar rumo à despedida da vida terrena significa também colocar-se como agente
acolhedor do sofrimento extremo do outro, numa atitude de compaixão e amor, apoiando num
processo de aceitação dessa realidade genuinamente humana.’’ (Profa. Dra. Daniele Sacardo
Nigro –FCM/Unicamp -2016)

4 - Dor e Sofrimento:

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São situações presentes na vida do ser humano. Aparecem muito em nossa área de atuação:
“Não tenho medo de morrer, mas sim de sofrer e sentir dor”. Tentemos entender:

DOR - Experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real


ou potencial dos tecidos (relacionado ao corpo - sistema nervoso central). Para resolver a dor
necessitamos de medicamentos, analgésicos, tratamentos. Cada indivíduo aprende a utilizar
esse termo através das suas experiências anteriores. A expressão da dor varia não somente de
um indivíduo para outro, mas também de acordo com as diferentes culturas... Além de gerar
estresses físicos e emocionais para os doentes e para os seus cuidadores, a dor é razão de
fardo econômico e social para a sociedade.” Prof. Dr. Manoel Jacobsen Teixeira -
Neurocirurgião, Fac. De Medicina da USP- Sociedade Brasileira para Estudo da Dor). Acesso
em 04.04.2016 http://www.sbed.org.br/materias.php?cd_secao=76

SOFRIMENTO: O sofrimento é o padecimento que uma pessoa sente. Trata-se de uma


sensação, consciente ou inconsciente, que se reflete no esgotamento (ou depressão) ou na
infelicidade. Perante o sofrimento, produz-se uma série de emoções ou estados, como a
frustração ou a ansiedade. O sofrimento emocional também pode ter correlação com o
organismo através da sede ou até a perda de consciência. O sofrimento costuma estar
associado à dor psicológica. A sua origem tem raiz na reação do indivíduo perante os fatos, e
não tanto na realidade em si mesma. Noutros termos, a dor surge na mente, e não na realidade,
uma vez que entram em jogo diversas questões como os medos, os receios, os desejos e as
necessidades de cada pessoa. O sofrimento se resolve dando a ele um sentido, um significado
que transcende o que sente. Acesso em 04.04.2016 ►http://conceito.de/sofrimento

Segundo Viktor Frankl, “o ser humano não é destruído pelo sofrimento, mas pelo sofrimento
sem sentido” (O homem em busca de sentido,2008) Por que Deus permite o sofrimento?

• Fazer a obra de Deus na pessoa e glorificar a Deus: “Jesus ia passando, quando


viu um cego de nascença... Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus
pais?... Nem ele, nem seus pais... mas é uma ocasião para que se manifestem nele as
obras de Deus” (Jo 9,1-4) “Ora, havia um doente, Lázaro, de Betânia,... Senhor, aquele que
amas está doente... Esta doença não leva à morte, mas é para a glória de Deus...” (Jo 11,1-
4)

• A graça nos basta: “... Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se
realiza plenamente”. Por isso, de bom grado, me gloriarei das minhas fraquezas, para que a
força de Cristo habite em mim; e me comprazo nas fraquezas,... nas dificuldades,... por
causa de Cristo. Pois, quando estou fraco, então é que sou forte.” ( 2Cor 12, 9-10)

• Todo “sofredor” é estigmatizado! Por si mesmo e pelos outros! É correto esta


compreensão? Como trabalhar a questão?

Orientações: Para facilitar a ação da Assistência Espiritual, através do Serviço de Capelania, em


comunhão com nossa visão teológica de cura, determinamos:

a) Não prometer nem declarar cura ao paciente.


b) Não interferir no tratamento do paciente.
c) Se o paciente diz ter fé e que será curado, ajudá-lo em sua fé, mas mostrar que Deus age
também de outras maneiras.
d) Orar sempre pedindo a Deus pelo restabelecimento da saúde do paciente, de acordo com
o mistério divino, e não na força da chantagem/pressão.
e) Impor as mãos apenas se for necessário para uma benção.

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f) Restringimos:
• o uso de elementos religiosos como, óleo, água, sal, medalhas e outros, salvo
apenas o uso do óleo pelo Padre e pelo Pastor.
• a distribuição sem autorização e desordenada de textos, mensagens (ditos
“santinhos”) de qualquer procedência.

DEPRESSÃO

A depressão tem sido chamada a doença da pós-modernidade. Um dos grandes males de


nossos dias. Nunca ouvimos e vimos tantas pessoas sofrendo desta forma. Atinge pessoas de
todas as classes e religiões. Há muitos fatores da vida moderna que fazem aumentar os casos
de depressão. Eis alguns, entre tantos:
• A vida muito corrida e agitada. Sentimento de impotência
• Desilusões. Perdas. Frustração.
• O medo e as exigências das grandes cidades, sobretudo para quem deixa o interior/rural
• Relacionamentos superficiais.
• Quebra dos vínculos familiares tradicionais.
• Depressão pós-parto
• Consumismo e materialismo.
• Pressão da mídia. Excesso de informações... Você sabe de tudo na hora do ocorrido,
sobretudo as tragédias, desgraças. Notícias boas são poucas.
• Pressão da religiosidade/moralismo descabido.
• Uso de alguns medicamentos.
• Falta ou excesso de hormônios.

• Cuidado para não confundir:

• Surtos psíquicos - o que são?


• Libertação espiritual - exorcismo - como entender?

Portanto, não podemos demonizar simplesmente ou tratar como um caso de fraqueza da pessoa.
Podemos ajudar, mas não substituir o tratamento médico.

QUESTÕES DE BIOÉTICA

Bioética é o campo de estudo sobre a ÉTICA DA VIDA. A reflexão bioética hoje está presente
em vários campos da vida humana = Meio Ambiente, Economia, Saúde Pública, mas é mais
visível no âmbito da Medicina / Genética / Biologia/ Ecologia... sobretudo quando se trata de
assuntos ligados ao início e término da vida, onde temos algumas questões polêmicas que
chamam a atenção da sociedade em geral e mais ainda, na área hospitalar: Aborto, Eutanásia,
Distanásia, Ortotanásia, Cuidados Paliativos que comentamos resumidamente a seguir.
“Portanto um movimento que defende a vida, humana e não humana, em suas inter-relações..
visando sua proteção e valorização, podendo ser encarada também como uma nova proposta
de paradigma para nossa cultura pós-moderna, tão carente de sentido” (Dr. Venâncio Pereira
Dantas Filho – FCM/Unicamp, 2015). Ou seja, a Bioética é uma nova bandeira da paz em favor
da santificação da vida!

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Entendemos que o homem não pode ser “desmembrado” em suas dimensões. A própria
Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1983, redefine SAÚDE como “completo bem estar
físico, psíquico, social e espiritual e não somente a ausência de doença ou enfermidade”.
É pertinente, portanto, a discussão da ligação entre ESPIRITUALIDADE E BIOÉTICA. As duas
visam o bem estar do ser humano. “Espírito → Sopro de vida! / Bioética → Busca a dignidade
da vida! Quando falamos de Espiritualidade na Bioética, estamos supondo um conjunto seletivo
de aspirações e inspirações que levem na direção da responsabilidade, da proteção e do
cuidado diante da vida” (Pe. Márcio Fabri dos Anjos – Para compreender a espiritualidade em
bioética, in Buscar Sentido e Plenitude de Vida, Paulinas/Centro Universitário São Camilo,2008,
pg. 26).

O ABORTO:
O aborto é a interrupção da gravidez, que pode ser por causas naturais, por doenças, por
problemas na gravidez e ainda o aborto induzido, legalmente ou não. Existem muitas
discussões sobre quando começa a vida humana, se quando nasce, quando se forma o sistema
nervoso, quando é concebido etc. Por isso muitos defendem o aborto, por não verem no feto
um ser humano ainda completo, digno de ser tratado como uma pessoa. Isso varia de acordo
com os valores pessoais e o conceito que se tem sobre quando começa e quanto vale uma vida
humana. No Brasil o aborto ainda é crime, tendo como exceção os casos de má formação do
feto que lhe impeça a vida, risco de vida iminente da mãe e nos casos de concepção após
violência sexual ou estupro. Nestes casos o aborto é permitido com autorização judicial.
A EUTANÁSIA:
Definido como crime no Código Penal Brasileiro, a eutanásia é a interrupção do suporte a vida
ou uma intervenção direta, com objetivo de provocar a morte do paciente. Não existem muitos
registros de eutanásia no Brasil.

A DISTANÁSIA:
É o termo usado para definir o conjunto de procedimentos usados hoje pela medicina para
prolongar a vida do paciente internado, especialmente nas UTIs, de forma obstinada. É um
drama vivido pelas equipes que trabalham em terapia intensiva, pois o ensino médico os leva a
sempre tentar manter a vida, mas o dilema é: até quando?

A ORTOTANÁSIA
O termo significa o “morrer bem”, e engloba procedimentos que não visam prolongar ou diminuir
a vida do paciente, mas sim lhe dar qualidade de vida, conforto no final de sua vida.

CUIDADOS PALIATIVOS
É a abordagem que promove qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doenças
que ameacem a continuidade da vida, através de prevenção e alívio do sofrimento. Requer a
identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e de outros problemas de
natureza física, psicossocial e espiritual. (Organização Mundial da Saúde, 2002). Ou seja, os
Cuidados Paliativos não procuram dar mais dias à vida do paciente sem perspectiva
terapêutica e sim mais vida aos seus dias, através da analgesia, atendimento psicológico,
espiritual e outros.

→ No momento terminal de um paciente, não se omita. Esteja ao lado dele, ao lado dos
familiares. A Teologia Cristã atesta a grandeza da Morte, como momento de passagem.
Cremos na Ressurreição! “Não é a morte que vem ao nosso encontro... é DEUS!. Não
morremos, entramos para a VIDA ETERNA!” Diante do imutável, manifeste a firmeza da
FÉ e mantenha o silêncio aos pés da CRUZ. O paciente terminal não precisa de fórmulas
mágicas, apenas o conforto de que não esta sozinho em sua Páscoa! Os familiares
aceitarão melhor os desígnios divinos através de sua presença consoladora, com
recitação oportuna da liturgia do momento (há textos próprios). Confirme os

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profissionais que carregam a árdua tarefa de assistir o paciente em seus derradeiros
suspiros. Devemos ajudar a enxugar as lágrimas e não contê-las.

COMENTÁRIOS:
As Igrejas Cristãs, baseadas nas Sagradas Escrituras são defensoras da vida em todos os
sentidos, por isso nas discussões bioéticas, que são multidisciplinares, sempre a visão cristã
terá a tônica da defesa vida do ser humano em qualquer fase da sua existência, ou seja,
cremos que a vida começa na concepção, sendo que o feto desde o princípio já é um ser
humano digno de ser reconhecido e tratado como tal.

PERGUNTAS COMUNS NO CURSO

02) - Este curso me dá o direito de fazer visitas em qualquer hospital?


Resposta = Não.

Este curso:

 Pode ser útil na abertura de oportunidades para instituir o


serviço em outros hospitais, de comum acordo com a direção da
instituição, assim como em parceria com outros grupos religiosos, de
acordo com o modelo de Serviço de Capelania eficazmente instituído
na Unicamp, que tem dado bons frutos e autêntico testemunho
cristão de parceria, originando plausível respeito e aceitação da
comunidade interna e externa.

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BIBLIOGRAFIA MÍNIMA PARA O VOLUNTÁRIO/VISITADOR

1) Como Visitar um Doente

Pe. Anísio Baldessin, Edições Loyola, 2006

1) - Como Cuidar de um Doente em Fase Terminal


Tânia Mara de Moraes, Editora Paulus e Centro Universitário São Camilo, 2008

2) - Visita ao Doente
Pe. Mateo Bautista – Edições Paulus, 5ª Ed, 2007

3) - Ministério da Vida
Pe. Leo Pessini – Ed. Santuário e Centro Univ. São Camilo, 25ª Ed, 2005

4) - Assistência Religiosas aos Doentes: aspectos bíblicos Pe. Anísio


Baldessin, Edições Loyola, 2008

5) - Assistência Religiosa aos Doentes: aspectos psicológicos Pe.


Anísio Baldessin, Edições Loyola, 2007

6) - Assistência Religiosa aos Doentes: aspectos práticos Pe. Anísio


Baldessin, Edições Loyola, 2010

7) - Como organizar a Pastoral da Saúde


Pe. Anísio Baldessin, Edições Loyola e Centro Universitário São Camilo, 2007

8) - É importante a espiritualidade no mundo da saúde? Pe. Alexandre


Andrade Martins
Editora Paulus e Centro Universitário São Camilo, 2009

9) - Espiritualidade e arte de Cuidar – O sentido da fé para a saúde.


Pe. Léo Pessini - Edições Paulinas e Centro Universitário São Camilo, 2010

10) - Buscar Sentido e Plenitude de Vida


Pe. Léo Pessini, Pe. Christian de Paul de Barchifontaine Edições Paulinas e Centro
Universitário São Camilo, 2008

11) - Bioética, pessoa e vida.


Dr. Dalton Luiz de Paula Ramos – Difusão Editora – 2009

12) - Problemas Atuais de Bioética


Pe. Léo Pessini, Pe. Christian de Paul de Barchifontaine Edições Loyola e Centro
Universitário São Camilo, 8ª Ed, 2007

13) - Entre a vida e a morte - MEDICINA E RELIGIÃO Pe. Anísio Baldessin


- Edições Loyola, 2012

14) - Reflexões para a Pastoral da Saúde - Pe. Júlio Serafim Munaro.


Textos organizados por Pe. Anísio Baldessin -

30
Centro Universitário São Camilo e Edições Loyola, 2013

15) - Assistência Espiritual aos doentes - O que e como fazer?


Pe. Anísio Baldessin - Centro Universitário São Camilo e Edições Loyola, 2015

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LEI 9982/00 | LEI NO 9.982, DE 14 DE JULHO DE 2000

Dispõe sobre a prestação de assistência religiosa nas entidades hospitalares públicas e


privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais civis e militares.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono


a seguinte Lei:

Art. 1o Aos religiosos de todas as confissões assegura-se o acesso aos hospitais da rede
pública ou privada, bem como aos estabelecimentos prisionais civis ou militares, para dar
atendimento religioso aos internados, desde que em comum acordo com estes, ou com seus
familiares no caso de doentes que já não mais estejam no gozo de suas faculdades mentais.

Parágrafo único. (VETADO)

Art. 2o Os religiosos chamados a prestar assistência nas entidades definidas no art. 1o deverão,
em suas atividades, acatar as determinações legais e normas internas de cada instituição
hospitalar ou penal, a fim de não pôr em risco as condições do paciente ou a segurança do
ambiente hospitalar ou prisional.

Art. 3o (VETADO)

Art. 4o O Poder Executivo regulamentará esta Lei no prazo de noventa dias.

Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 14 de julho de 2000; 179o da Independência e 112 o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

José Gregori

Geraldo Magela da Cruz Quintão

José Serra

Este texto não substitui o publicado no D.O.U de 17.7.2000

32
DECRETO Nº 44.395, DE 10 DE NOVEMBRO DE 1999

Regulamenta a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de


internação coletiva de que trata a Lei nº 10.066, de 21 de julho de 1998

MÁRIO COVAS, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,

Decreta:
Artigo 1º - A prestação de assistência religiosa nos hospitais da rede pública e privada,
manicômios e estabelecimentos penitenciários do Estado é garantida aos representantes
de todas as crenças, atendidos os requisitos previstos neste regulamento.
§ 1º - A prática de culto envolvendo cerimônias coletivas somente será realizada em local
apropriado dos hospitais e estabelecimentos penais.
§ 2º - Em situações urgentes, a assistência religiosa poderá ser prestada fora dos horários
normais de visita.
§ 3º - A atuação religiosa não poderá implicar em ônus para os cofres públicos.

Artigo 2º - Nenhum paciente acolhido nos hospitais da rede pública ou privada e nenhum
preso ou internado nos estabelecimentos penais do Estado será obrigado a participar de
atividade religiosa ou a aceitar os serviços religiosos.
Parágrafo único - Na impossibilidade de manifestação da própria vontade, a autorização
para a prestação dos serviços deverá ser providenciada pelos familiares.

Artigo 3º - Fica garantido o acesso dos representantes credenciados às dependências dos


hospitais, manicômios e penitenciárias para fins de prestação de assistência religiosa.
§ 1º - Para o acesso às dependências dos estabelecimentos previstos neste artigo e para a
realização das atividades religiosas os representantes dos cultos contarão com a colaboração
dos funcionários e servidores.
§ 2º - Na ausência de colaboração do servidor público e se o fato constituir infração aos deveres
funcionais, será ele apurado na forma prevista nos Estatutos.
§ 3º - Salvo autorização especial a ser dada pelo responsável da unidade hospitalar, não é
permitido o uso de instrumentos musicais durante as atividades religiosas.
§ 4º - Ficarão suspensos os serviços religiosos nos estabelecimentos hospitalares durante a
assepsia dos pacientes ou nos momentos em lhes que estiverem sendo aplicados
medicamentos, devendo ser aguardada a liberação do local pelo serviço de enfermagem.
§ 5º - O acesso dos representantes religiosos nos setores de terapia intensiva dos hospitais
ficará condicionado às determinações da autoridade médica de plantão.
§ 6º - As restrições contidas nos parágrafos anteriores não se operam no caso de unção dos
enfermos.
§ 7º - Fica facultado ao paciente internado em hospital da rede privada, de orientação religiosa
distinta daquela por ele professada, solicitar ao responsável pelo estabele- cimento, a presença
de membro de sua crença, para prestação de serviços de assistência espiritual.

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§ 8º - O acesso aos estabelecimentos penais deverá obedecer às normas de segurança e
disciplina interna, respeitadas as peculiaridades da instituição.
Artigo 4º - Para fins de credenciamento de seus representantes, as entidades religiosas
deverão cadastrar-se junto à Secretaria da Saúde ou da Administração Penitenciária,
conforme o caso, mediante a apresentação de cópia autenticada de seus atos
constitutivos, devidamente registrados.
§ 1º - O credenciamento dos representantes dos cultos religiosos cadastrados será realizado
mediante a apresentação do documento de identidade pessoal e de declaração da entidade
relativa à sua filiação, expedindo-se carteira de identificação.
§ 2º - Os requisitos para expedição da carteira de identificação de que trata o parágrafo
anterior serão indicados em resolução a ser editada respectivamente pelo Secretário da Saúde
e pelo Secretário da Administração Penitenciária.
§ 3º - A resolução indicará ainda os locais e horários para realização das cerimônias religiosas,
e a forma de sua distribuição entre as entidades cadastradas.

Artigo 5º - Os prestadores de assistência religiosa já cadastrados junto aos


estabelecimentos penais do Estado deverão requerer credenciamento na forma deste
regulamento.
Parágrafo único - Será mantido cadastro das entidades religiosas e dos credenciamentos
outorgados a seus representantes contendo os documentos que possibilitaram o registro, nos
órgãos próprios das Secretarias da Saúde e da Administração Penitenciária.

Artigo 6º - No caso de comportamento incompatível do religioso com as finalidades do


credenciamento, a autorização poderá ser suspensa pelo prazo máximo de 90 (noventa)
dias, garantido o direito de defesa ao imputado.
§ 1º - Na mesma suspensão poderá incorrer o representante religioso que provocar disputa ou
confronto durante as celebrações com membros de outra comunidade religiosa.
§ 2º - A suspensão do credenciamento será comunicada à entidade à qual pertença o religioso.
§ 3º - O prazo da suspensão poderá ser interrompido por ato do Secretário da respectiva Pasta
mediante requerimento da entidade religiosa.
§ 4º - Na hipótese de reincidência, o credenciamento poderá ser cancelado.

Artigo 7º - Este regulamento deverá ser afixado, de forma visível, nos locais de acesso do
público aos estabelecimentos, preferencialmente nas portarias.
Parágrafo único - Pelo descumprimento do disposto neste artigo será aplicada ao responsável
pela instituição multa no valor de 100 (cem) Ufirs que deverá ser recolhida aos cofres do
Tesouro dentro do prazo de 30 (trinta) dias a contar de sua notificação.

Artigo 8º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação.


Palácio dos Bandeirantes, 10 de novembro de 1999
MÁRIO COVAS
Celino Cardoso, Secretário-Chefe da Casa Civil
Antônio Angarita, Secretário do Governo e Gestão Estratégica
Publicado na Secretaria de Estado do Governo e Gestão Estratégica, aos 10 de novembro de
1999.

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LEI 11209/02 | LEI Nº 11209 DE 29 DE ABRIL DE 2002 DE CAMPINAS
DISPÕE SOBRE A PRESTAÇÃO DE ASSISTÊNCIA RELIGIOSA EM ESTABELECIMENTOS
HOSPITALARES DO MUNICÍPIO DE CAMPINAS, PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO
BRASILEIRA.

Autoria: Vereador Luiz Franco A Câmara Municipal aprovou e eu, Prefeita do Município de
Campinas, sanciono e promulgo a seguinte Lei:
Art. 1º - Ficam os hospitais, clínicas e entidades civis e militares de internação coletiva, sediados
no Município, obrigados a permitir o ingresso de representantes religiosos, em suas
dependências de internação, para prestação de assistência religiosa, nos termos do art. 5º,
inciso VII, da Constituição Federal.
Art. 2º - O ingresso de representantes religiosos nas Unidades e Centros de Tratamento Intensivo
- C.T.I. e U.T.I., somente será permitida com autorização do médico responsável.
Art. 3º - As visitas dos religiosos deverão ocorrer no horário compreendido entre 8:00hs e
17:00hs, em todos os dias da semana, inclusive em sábado, domingo e feriados.
Art. 4º - O ingresso dos representantes religiosos respeitará as normas internas do
estabelecimento hospitalar devendo os mesmos estar devidamente trajados, portando crachá de
identificação, no qual constarão obrigatoriamente:
I - Nome da Instituição Religiosa;
II - Nome completo e assinatura do representante religioso;
III - Nome completo e assinatura do responsável pelo instituição;
IV - Número da cédula de identidade - RG; V - Fotografia recente.

Parágrafo Único - No verso do crachá de identificação constará o número da presente Lei e


sua ementa.
Art. 5º - O representante religioso observará rigorosamente o regimento interno do
estabelecimento hospitalar, enquanto permanecer em suas dependências.
Art. 6º - Fica expressamente proibida a distribuição ou doação de qualquer tipo de alimento ou
produto, devendo o religioso colocar à disposição da segurança, quando solicitado na portaria,
todos seus pertences.
Art. 7º - O infrator da presente Lei fica sujeito às seguintes penalidades:
I - Retirar-se das dependências do estabelecimento hospitalar;
II - Na reincidência, suspensão definitiva dos direitos constantes na presente Lei.
Art. 8º - As visitas dos religiosos, independem de estarem ou não acompanhados de familiares
dos pacientes.
Art. 9º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.
Campinas, 29 de abril de 2002. IZALENE TIENE
Prefeita Municipal

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LEI Nº 13.234 DE 07 DE JANEIRO DE 2008

(Publicação DOM de 08/01/2008:03)

Dispõe sobre a Divulgação da Assistência Religiosa a ser Prestada nos Hospitais


Localizados no Município

A Câmara Municipal aprovou, e eu Prefeito do Município de Campinas, sanciono e promulgo a


seguinte lei:

Art. 1º - Os hospitais localizados no Município ficam obrigados a divulgar, através de placas ou


cartazes afixados em locais de ampla visibilidade, preferencialmente nas portarias, o direito à
prestação de assistência religiosa previsto na Lei Estadual n. 10.066, de 21 de julho de 1988 e
Lei Municipal n. 11.209, de 29 de abril de 2002, informando à população sobre a autorização
de livre acesso aos ministros de cultos religiosos, desde que apresentem as credenciais
específicas para o desempenho de suas atribuições, mesmo que fora dos horários normais de
visitas, em caso de unção dos enfermos e/ou em situações urgentes.

Art. 2º - O não cumprimento desta Lei acarretará ao infrator :


I – Advertência;
II – Multa de 100 (cem) UFIC's.
Parágrafo único – Na reincidência o dobro da multa imposta.

Art. 3º - O Poder Executivo, através de seu órgão competente, fiscalizará o cumprimento do


disposto nesta Lei.

Art. 4º - O Poder Executivo regulamentará esta Lei, no que couber, no prazo de 60 (sessenta)
dias, a partir da publicação.

Art. 5º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.

Campinas, 07 de janeiro de 2008

DR. HÉLIO DE OLIVEIRA SANTOS


Prefeito Municipal

AUTORIA: VEREADORES ZÉ CUNHADO E ANTONIO FLORES


PROT.: 07/08/12.552

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com estas rápidas e sinceras reflexões e orientações, queremos oferecer aos voluntários
visitadores espirituais, uma oportunidade de conhecerem e aprofundarem a graça da visita, pois
“tudo o que fizerdes ao menor dos irmãos, a mim estará fazendo” (Mt 25,40)
Um visitador “é uma pessoa rica em humanidade, que comunica proximidade, acolhida e
carinho; capaz de escutar e de acolher o outro em sua história pessoal, sua individualidade e
oferecer-lhe hospitalidade em seu coração” (Guia Pastoral da Saúde/CELAM)
Só temos que bendizer a agradecer a vida e o SIM de tantos homens e mulheres que ao longo
destes anos se dedicam à arte da visitar pessoas enfermas nesta nossa área hospitalar. O
Serviço deve muito à presença silenciosa, competente e disponível de vocês. Uma larga
estrada vem sendo percorrida. Deus os abençoe!

Campinas (SP), 05 de novembro de 2016.

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SERVIÇO DE CAPELANIA

Hospital de Clínicas
U N I C A M P Hospital da Mulher
Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti
(CAISM)

Impressão e Acabamento

19 3233.0002 | 3276.1100
Av. Barão detapur
I a, 1846 - Guanabar
a - Campinas

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