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UFPA / ITec / FEC

ELETRICIDADE APLICADA

PROF. FIRMINO GUIMARÃES

Belém, março / 2018

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UNIDADE 1 – NOTAÇÃO DE POTÊNCIAS DE
DEZ E O SISTEMA INTERNACIONAL DE
UNIDADES
1.1. NOTAÇÃO DE POTÊNCIAS DE DEZ

Algumas grandezas elétricas podem ter valores muito pequenos;


outras, valores muito grandes. Por exemplo, o valor de um
capacitor pode ser de 0,000000002 farads ou muito menor; uma
frequência pode ter valor de 70.000.000 hertz ou muito maior. Por
ser inconveniente a leitura de todos os primeiros e os últimos zeros
nestes números, usa-se geralmente a notação de “potência de dez”.
Esta noção se refere ao número 10 com expoente inteiro. Alguns
exemplos são apresentados a seguir:

1 000 000 = 10 x 10 x 10 x 10 x 10 x 10 = 106

100 000 = 10 x 10 x 10 x 10 x 10 = 105

10 000 = 10 x 10 x 10 x 10 = 104

1 000 = 10 x 10 x 10 = 103

100 = 10 x 10 = 10²

10 = 10 = 101

1 = 1 = 100

0,1 = 1/10 = 10-1

0,01 = 1/100 = 10-2

0,001 = 1/1000 = 10-3

0,0001 = 1/10 000 = 10-4

0,00001 = 1/100 000 = 10-5

0,000001 = 1/1 000 000 = 10-6

2
Nos exemplos acima, observa-se que uma potência de 10, com
valor l ou maior, tem expoente igual ao número de zeros: 100 tem
dois zeros e é igual a 102; 10000 tem quatro zeros e é igual a 104
etc. Para potências de 10 com valor menor que 1, o expoente é
igual ao negativo do número de zeros, inclusive o zero à esquerda
da vírgula decimal: 0,001 tem três zeros e é igual a 10-3; 0,00001
tem cinco zeros e é igual a l0-5 etc.

1.2. GRANDEZAS FÍSICAS: PREFIXOS, SÍMBOLOS E


POTÊNCIAS DE DEZ

1.2.1. Grandezas físicas


Apesar de existirem muitas grandezas físicas, são estabelecidos
padrões e definidas unidades que representam um número
mínimo de grandezas denominadas fundamentais. Utilizando as
grandezas fundamentais, definem-se unidades para todas as
demais grandezas, as chamadas grandezas derivadas.
A partir de uma das grandezas fundamentais, o comprimento, por
exemplo, cuja unidade é o metro ( ), pode-se definir as unidades
derivadas, como área ( ) e volume ( ). Utilizando o metro e
outra grandeza fundamental, a de tempo, definem-se as unidades
de velocidade (m/s) e aceleração (m/s2).

1.2.2. O Sistema Internacional (SI)


Até o final do século passado, era muito grande a quantidade de
padrões existentes. Cada região escolhia arbitrariamente as suas
unidades. Por motivos históricos, os países de língua inglesa

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utilizam até hoje os seus padrões regionais. O elevado aumento
nos intercâmbios econômicos e culturais levou ao surgimento do
Sistema Internacional de Unidades ou SI, o sistema métrico.

Em 1971, a 14ª Conferência Geral de Pesos e Medidas escolheu


sete grandezas como fundamentais, formando assim a base do SI.
Além das grandezas, definiram-se também os símbolos, unidades
derivadas e prefixos. A Tabela 1 mostra as unidades fundamentais
do SI. A Tabela 2 mostra algumas unidades derivadas do SI.

Tabela 1 – Unidades fundamentais do SI

GRANDEZA UNIDADE SÍMBOLO


Comprimento Metro m
Massa Quilograma kg
Tempo Segundo s
Corrente elétrica Ampère A
Temperatura Kelvin K
Quantidade de matéria Mol mol
Intensidade luminosa Candela cd

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Tabela 2 – Algumas unidades derivadas do SI

GRANDEZA UNIDADE SÍMBOLO


metro
Área
quadrado
Volume metro cúbico
quilograma
Densidade por metro
cúbico
metro por
Velocidade m/s
segundo
metro por
Aceleração segundo ao
quadrado

Força newton

Pressão pascal

Trabalho, Energia,
joule
Calor

Potência elétrica watt

Carga elétrica coulomb

Diferença de potencial Volt

Resistência elétrica Ohm

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Tabela 3 – Prefixos, símbolos e potência de dez

SÍMBOLO POTÊNCIA DE 10
PREFIXO

Pico P 10-12
Nano N 10-9
Micro µ 10-6
Mili M 10-3
Centi C 10-2
Deci D 10-1
Deca D 101
Hecto H 102
Quilo K 103
Mega M 106
Giga G 109
Tera T 1012

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UNIDADE 2 – CARGA ELÉTRICA, CORRENTE,
TENSÃO E POTÊNCIA
2.1. CARGA ELÉTRICA

Cientistas descobriram e denominaram duas espécies elementares


de carga elétríca: positiva e negativa. A carga positiva é
transportada pelas partículas subatômicas chamadas prótons, e a
carga negativa, pelas partículas subatomicas chamadas elétrons.
Todos os valores de carga são múltiplos inteiros destas cargas
elementares. Os cientistas também descobriram que as cargas
produzem forças umas sobre as outras: cargas de mesmo sinal se
repelem; e de sinais opostos se atraem. Além disso, num circuito
elétrico existe uma conservação de carga, que significa que a
carga elétrica total permanece constante — a carga não é gerada
nem destruída. (Os componentes elétricos interligados para
formarem pelo menos uma trajetória fechada compreendem um
circuito elétrico ou rede.)

7
Fig.1 – Partículas atômicas

2.1.1. Unidade de carga elétrica

A carga de um elétron (ou próton) é muito pequena para ser a


unidade de carga básica. Assim, a unidade SI de carga é o
coulomb* (C) – *Charles Augustin de Coulomb (1736 – 1806), físico
francês –. O símbolo de quantidade é Q para carga constante e q
para uma carga que varia com o tempo. A carga de um elétron é -
1,602 x 10-19 C, e a de um próton é 1,602 x 10-19 C. Em outras
palavras, a carga combinada de 6,241 x 1018 eletrons é igual a
-1 C, e a carga combinada de 6,241 x 1018 prótons é igual a l C.

8
Fig.2 - Gráfico de carga variante no tempo

2.2. CORRENTE ELÉTRICA

Definição: Quantidade de carga elétrica que flui em um condutor


em determinado intervalo de tempo.
𝐪
𝒊=
∆𝐭
𝑖 : corrente elétrica (em ampères*, A) – *André-Marie Ampère
(1775 – 1836), físico, filósofo, cientista e matemático francês.

q: carga elétrica (em coulombs, C)

∆𝐭: intervalo de tempo (em segundos, s) do movimento de carga


elétrica pela seção transversal do condutor.

Um ampère (1 A) de corrente é definido como o deslocamento de


um culomb (1 C) através de um ponto qualquer de um condutor
durante o intervalo de tempo de um segundo (1 s). Na tabela 4 são
mostrados submúltiplos do ampère.

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Tabela 4 – Submúltiplos do Ampère

NOME SÍMBOLO VALOR


Miliampère mA 10-3
Microampère µA 10-6
Nanoampère nA 10-9
Picoampère pA 10-12

A Tabela 5 apresenta os valores médios das correntes que


alimentam dispositivos elétricos.

Tabela 5 – Valores médios de corrente elétrica

Corrente
elétrica
Aparelho
(em
Ampères))
Lâmpadas 0,15 a 5,0
Rádio 0,25 a 1,0
Liquidificador 5,0
Televisor 2,0
Ferro elétrico 10
Verão 15
Chuveiro elétrico
Inverno 28
Torneira elétrica 18
Motor de arranque de automóvel 100
Locomotiva elétrica 1.000

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Fig. 3 – Graficos de correntes variantes no tempo

O sentido convencional da corrente elétrica é o de oposição ao


movimento dos elétrons, como mostrado na Fig. 4.

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Fig. 4 – Sentido da corrente elétrica

2.3. DIFERENÇA DE POTENCIAL (TENSÃO)

Em virtude da força do seu campo eletrostático, uma carga


elétrica é capaz de realizar trabalho ao deslocar outra carga por
atração ou repulsão. A capacidade de uma carga elétrica realizar

12
trabalho é chamada de potencial. Quando uma carga for diferente
da outra, haverá uma diferença de potencial entre elas.

A soma das diferenças de potencial de todas as cargas do campo


eletrostático é conhecida como força eletromotriz.
A unidade SI da diferença de potencial (ou tensão) é o volt* (V) –
*Alessandro Giuseppe Antonio Anastasio Volta (1745 – 1827), físico
italiano –, indica a capacidade de realizar trabalho ao se forçar os
elétrons a se deslocarem. Ou seja:

𝐖
𝑽=
𝐐

onde W é o trabalho, em joule (J), e Q é a carga (elétrons), em


coulomb (C).

O símbolo de quantidade de tensão V às vezes é acompanhado de


subscritos para indicar os dois pontos aos quais a tensão
corresponde. Se a letra “a” indica um ponto e “b” o outro, e se um
trbalho de W joules é exigido para deslocar uma carga de Q
coulombs de b para a, então Vab = W/Q. Observar que o primeiro
subscrito é o ponto para o qual a carga se desloca. O símbolo da
quantidade de trabalho às vezes é acompanhado de subscrito,
como em Vab=Wab /Q.

Se o movimento de uma carga positiva de b para a (ou uma carga


negativa de a para b) realmeate exige trabalho, então o ponto a é

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positivo em relação ao ponto b. Isto é a polaridade da tensão. No
diagrama de um circuito, esta polaridade de tensão é indicada por
um sinal positivo (+) no ponto a e um sinal negativo (-) no ponto b,
como mostrado na Figura 2.3 A, para o componente com tensão
de 6 V. Os termos usados para designar esta tensão são um
aumento de potencial ou tensão de 6V de b para a, ou,
equivalentemente, uma queda de potencial ou tensão de 6 V de a
para b,ou genericamente Vab como apresentado na Figura 2.3 B.

6V Vab
a b a b

+ - + -

A B

Figura 2.3

Uma fonte de tensão, como uma bateria ou um gerador, produz


uma tensão que, teoricamente, não depende do fluxo da corrente
pela fonte. A Figura 2.4A mostra o símbolo do circuito para uma
bateria. Esta fonte gera uma tensão E dada em volts (V). Este
símbolo também é frequentemente usado para uma fonte de
tensão contínua que pode não ser uma bateria. Outro símbolo de
circuito para uma fonte de tensão contínua é mostrado na Figura
2.4B. Uma bateria utiliza energia química para deslocar as cargas
negativas do terminal positivo de atração, onde existe um excesso
de prótons, para o terminai negativo de repulsão, onde existe um

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excesso de elétrons. Um gerador de tensão eletromecânico fornece
energia mecânica que faz girar um magneto passando por bobinas
de fio condutores onde ocorre a indução eletromagnética.

+ +

E E

A B

Figura 2. 4

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Circuito com uma fonte de tensão.

2.4. POTÊNCIA

A razão pela qual alguma coisa absorve ou gera energia é a


potência absorvida ou desenvolvida. Uma fonte de energia gera ou
desenvolve potência e uma carga a absorve. A unidade SI da
potência é watt* (W) – *James Watt (1736 – 1819), matemático e
engenheiro escocês –. O símbolo de quantidade é P para potência
constante e p para potência variavel no tempo. Se 1 J de trabalho

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for absorvido ou desenvolvido numa razão constante de l s, a
potência correspondente será de l W. Em geral,
𝑾 (𝒋𝒐𝒖𝒍𝒆𝒔)
𝑷(𝒘𝒂𝒕𝒕𝒔) =
𝒕 ( 𝒔𝒆𝒈𝒖𝒏𝒅𝒐𝒔)

A potência absorvida por um componente elétrico é o produto da


tensão e da corrente, como mostrado na figura 2.5.

P (watts) = U (volts) x I (ampères)

Para a corrente passar por um bipolo, é necessário que seja


estabelecida uma diferença de potencial (U) nos seus terminais, ou
seja, uma tensão U diferente de zero. Sabendo-se o valor dessa
tensão e o valor da corrente que flui pelo bipolo, podemos calcular
o valor da potência elétrica através da fórmula mostrada no
quadro abaixo.

Fig 2.5

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A potência desenvolvida dos motores elétricos é geralmente
expressa numa unidade de potência chamada cavalo-vapor –
horsepower (hp), nos sistemas de origem americana; cv, nos
sistemas brasileiros –, mesmo não sendo esta uma unidade SI.

1 hp = 745,7 W
1 cv = 735,5 W

2.4.1. Rendimento (ou Eficiência)

Os motores elétricos e outros sistemas elétricos têm rendimento


(η) de operação definido por

η = (potência de saída / potência de entrada) x 100%

O rendimento também pode ser baseado no trabalho desenvolvido


dividido pelo trabalho absorvido. Nos cálculos, o rendimento é
geralmente expresso como uma fração decimal que é a
porcentagem dividida por 100.

2.5. ENERGIA ELÉTRICA

A energia elétrica, usada ou gerada, é o produto da potência


elétrica, absorvida ou desenvolvida, pelo tempo sobre o qual esta
absorção ou desenvolvimento ocorre:
W(joules*) = P (watts) . t (segundos)

*James Prescott Joule (1818 – 1889), físico britânico.

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A energia elétrica é a grandeza que os consumidores compram das
concessionárias de energia elétrica. Essas companhias não
utilizam o joule como unidade de energia, mas no seu lugar
utilizam, o quilowatt-hora (kWh), muito maior e mais convicente,
mesmo não sendo uma unidade SI. O número de quilowatt-horas
consumido é igual ao produto da potencia absorvida em
quilowatts pelo tempo em horas sobre o qual é absorvido:

W(quilowatt-horas)=P (quilowatts) . t (horas)

Para motores elétricos, utilizam-se também os termos “Potência


desenvolvida”, como sendo de saída ou no eixo da máquina, e
“Potencia absorvida”, como sendo potência de entrada ou a que a
máquina absorve da rede que a atende.

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO
1. Encontrar a carga, em coulombs, para:
(a) 5,31 × 1020 elétrons;
(b) 2,9 × 1022 prótons.
SOLUÇÃO (a) A carga de um elétron é: qe = -1,602 × 10-19 C.
Q = N . qe coulombs

𝟐𝟎 −𝟏,𝟔𝟎𝟐 ×𝟏𝟎−𝟏𝟗 𝑪
Q = 𝟓, 𝟑𝟏 × 𝟏𝟎 𝒆𝒍é𝒕𝒓𝒐𝒏𝒔 . = −𝟖𝟓, 𝟏 𝑪
𝟏 𝒆𝒍é𝒕𝒓𝒐𝒏

(b) A carga de um próton é qp = +1,602 × 10-19 C.

19
Q = N . qp coulombs

𝟏,𝟔𝟎𝟐× 𝟏𝟎−𝟏𝟗 𝑪
Q = 𝟐, 𝟗 × 𝟏𝟎𝟐𝟐 𝒑𝒓ó𝒕𝒐𝒏𝒔 . = 𝟒, 𝟔𝟒𝟓𝟖 × 𝟏𝟎𝟑 𝑪 = 𝟒, 𝟔𝟓 𝒌𝑪
𝟏 𝒑𝒓ó𝒕𝒐𝒏

2. Quantos prótons são necessários para formar uma carga de 6,8


pC?

SOLUÇÃO

Q = N . qp C; 1 pC = 𝟏𝟎−𝟏𝟐 𝑪

𝟔, 𝟖 × 𝟏𝟎−𝟏𝟐 𝑪 = N × 1,602 × 10-19 C

N = 4,25 × 𝟏𝟎𝟕 = 42,5 × 𝟏𝟎𝟔 𝒑𝒓ó𝒕𝒐𝒏𝒔.

3. Encontrar o valor da corrente através de um condutor, causado


pelo movimento constante de 60 C em 4 s.

𝑸 𝟔𝟎 𝑪
SOLUÇÃO 𝑰 = = = 𝟏𝟓 𝑪⁄𝒔 = 𝟏𝟓 𝑨
𝒕 𝟒𝒔

4. Verificar se um fusível com capacidade para 10 A irá se romper


para um fluxo constante de cargas de 45000 C/h?

𝑸 𝟒𝟓𝟎𝟎𝟎
SOLUÇÃO 𝑰 = = = 𝟏𝟐, 𝟓 𝑪⁄𝒔 = 𝟏𝟐, 𝟓 𝑨
𝒕 𝟑𝟔𝟎𝟎 𝒔

Como a corrente é superior a 10 A, o fusível irá se romper.

5. A carga total que uma bateria pode desenvolver é usualmente


especificada em ampères-horas (Ah). Um ampère-hora é a
quantidade de carga correspondente a uma corrente de 1 A
durante 1 h. Determinar o número de coulombs correspondente a
1 Ah.

20
SOLUÇÃO Como Q = 𝑰. t, então 1 C = (1 A).(1 s) = 1 As. Logo,
𝟑𝟔𝟎𝟎 𝒔
𝑸 = 𝟏 𝑨𝒉 × = 𝟑𝟔𝟎𝟎 𝑨𝒔 = 𝟑𝟔𝟎𝟎 𝑪
𝟏𝒉

6. Uma bateria de carro é especificada para 70 Ah. Por quanto


tempo essa bateria fornece 10 A aos faróis do veículo?

SOLUÇÃO Q = I . t, sendo I em Ampère e t em hora. Então,

𝟕𝟎 𝑨𝒉
𝒕= =𝟕𝒉
𝟏𝟎 𝑨

7. Se o deslocamento de uma carga positiva de 16 C de um ponto b


para um ponto a requer uma energia de 0,8 J, calcular a diferença
de potencial entre os pontos a e b.

𝑾𝒂𝒃 𝟎,𝟖
SOLUÇÃO 𝑽𝒂𝒃 = = = 𝟎, 𝟎𝟓 𝑽
𝑸 𝟏𝟔

8. Calcular a energia armazenada em uma bateria de carro de 12


V – 60 Ah.

SOLUÇÃO Da equação W = QV e sabendo que 1 As = 1 C,

𝟑𝟔𝟎𝟎 𝒔
𝑾 = 𝟔𝟎 𝑨𝒉 × × 𝟏𝟐 𝑽 = 𝟐, 𝟏𝟔 × 𝟏𝟎𝟓 𝑨𝒔 × 𝟏𝟐 𝑽
𝟏𝒉
= 𝟐, 𝟓𝟗𝟐 × 𝟏𝟎𝟔 𝑱 = 𝟐, 𝟓𝟗𝟐 𝑴𝑱

9. Quantos joules uma lâmpada de 60 W consome em 1 h?

SOLUÇÃO Da equação P = W/t, sendo 1 Ws = 1 J,

𝟑𝟔𝟎𝟎 𝒔
𝑷 = 𝑷𝒕 = 𝟔𝟎 𝑾 × 𝟏 𝒉 × = 𝟐𝟏𝟔𝟎𝟎𝟎 𝑾𝒔 = 𝟐𝟏𝟔 𝒌𝑱
𝟏𝒉

21
10. Qual a potência consumida por um forno se por ele circula
uma corrente de 10 A quando conectado a uma rede de 115 V?

SOLUÇÃO 𝑷 = 𝑽𝑰 = 𝟏𝟏𝟓 × 𝟏𝟎 𝑾 = 𝟏𝟏𝟓𝟎𝑾 = 𝟏, 𝟏𝟓 𝒌𝑾

11. Qual a corrente que circula em uma torradeira de pão de


potência 1200 W conectada a uma rede de 120 V?

SOLUÇÃO Da equação P = VI,

𝑷 𝟏𝟐𝟎𝟎
𝑰= = = 𝟏𝟎 𝑨
𝑽 𝟏𝟐𝟎

12. Calcular a corrente que circula em um motor CC alimentado


por uma tensão 115V, sendo que esse motor desenvolve uma
potência de 1 hp. Considere uma eficiência de operação de 100%.

SOLUÇÃO Da equação P = VI, sendo 1 W/V = 1A,

𝑷 𝟏𝒉𝒑 𝟕𝟒𝟓, 𝟕 𝑾 𝑾
𝑰= = = = 𝟔, 𝟒𝟖 = 𝟔, 𝟒𝟖 𝑨
𝑽 𝟏𝟏𝟓𝑽 𝟏𝟏𝟓𝑽 𝑽

13. Calcular a eficiência de operação de um motor elétrico que


desenvolve 1 hp enquanto absorve uma potência de entrada de
900 W.

SOLUÇÃO

𝑷 𝒔𝒂í𝒅𝒂 𝟏𝒉𝒑 𝟕𝟒𝟓, 𝟕𝑾


𝛈= × 𝟏𝟎𝟎% = = × 𝟏𝟎𝟎% = 𝟖𝟐, 𝟗%
𝑷 𝒆𝒏𝒕. 𝟗𝟎𝟎𝑾 𝟗𝟎𝟎𝑾

14. Qual a eficiência de operação de um motor CC de 2 hp que


consome uma corrente de 19 A quando ligado a uma tensão de 100

22
V? (A potência para a qual o motor é especificado é a potência de
entrada).

SOLUÇÃO A potência de entrada dada por

𝑷𝒆𝒏𝒕 = 𝑽𝑰 = 𝟏𝟎𝟎 𝒙 𝟏𝟗 = 𝟏𝟗𝟎𝟎 𝑾

A eficiência é

𝑷 𝒔𝒂í𝒅𝒂 𝟐 × 𝟕𝟒𝟓, 𝟕𝑾
𝛈= × 𝟏𝟎𝟎% = × 𝟏𝟎𝟎% = 𝟕𝟖, 𝟓%
𝑷 𝒆𝒏𝒕 𝟏𝟗𝟎𝟎𝑾

15. Calcular a potência de entrada de um motor de 5 hp que opera


com uma eficiência de 80%.

𝑷 𝒔𝒂í𝒅𝒂
SOLUÇÃO 𝛈 = = 0,8. Então,
𝑷 𝒆𝒏𝒕

Pent = Psaída ÷ 0,8 = 5 ÷ 0,8 = 6,25 hp

16. Calcular a corrente que circula em um motor que desenvolve


2 hp quando opera com eficiência de 85%, alimentado por uma
tensão de 110 V.

SOLUÇÃO De 𝑷𝒆𝒏𝒕 = 𝑽𝑰 = 𝑷𝒔𝒂í𝒅𝒂 /𝛈 ,

𝑷𝒔𝒂í𝒅𝒂 𝟐𝒉𝒑 𝟐 × 𝟕𝟒𝟓, 𝟕 𝑾


𝑰= = = = 𝟏𝟓, 𝟗𝟓 𝑨
𝛈 .𝑽 𝟎, 𝟖𝟓 × 𝟏𝟏𝟎 𝑽 𝟎, 𝟖𝟓 × 𝟏𝟏𝟎 𝐕

17. Qual a energia total consumida, em quilowatts-horas, por uma


lâmpada de 60 W acesa durante 8 h?

SOLUÇÃO

E = P × t = 60 × 8 = 480 Wh = 0,480 kWh

23
UNIDADE 3 – RESISTÊNCIA

3.1. LEI DE OHM

Resistência é a propriedade dos materiais de se opor ou resistir ao


movimento dos elétrons e exige a aplicação de uma tensão para
fazer passar a corrente. A unidade SI da resistência é o ohm com o
símbolo Ω, a letra grega maiúscula ômega. O símbolo de
quantidade é R. Nos condutores metálicos (e em outros tipos de
condutores), a corrente é proporcional à tensão aplicada:
dobrando-se a tensão, dobra-se a corrente; triplicando-se a tensão,
triplica-se a corrente, e assim por diante. Se a tensão aplicada
sobre um componente é V, a relação entre V e I será:

𝐕
𝑰=
𝐑
Onde R (em ohms) é a constante da proporcionalidade entre V
(em volts) e I (em ampères).

Esta relação é conhecida como a Lei de Ohm* – *Georg Simon


Ohm (1789 – 1854), físico e matemático alemão.

Segundo a Lei de Ohm, quanto maior for a resistência, menor


será a corrente, para qualquer tensão aplicada. Da mesma forma,

24
a resistência elétrica de um condutor será 1 Ω se uma tensão
aplicada de 1 V fizer passar uma corrente de 1 A.

O inverso da resistência também é útil. É chamado condutância e


seu símbolo de quantidade é G. A unidade SI da condutãncia é o
siemens* (S) – *Ernst Werner von Siemens (1816 – 1892), inventor e
industrial alemão –, que substitui a popular não unidade SI mho,
cujo símbolo é o ômega invertido, visto que a condutância é o
inverso da resistlacia, G =1/R. Em termos de condutância, a Lei de
Ohm é:

I(ampères) = G (siemens) x V(volts)

Onde se demonstra que, quanto maior for a condutância de um


condutor, maior será a corrente, para qualquer tensão aplicada.

O símbolo gráfico da resistência é

25
A seguir, são apresentadas algumas figuras mostrando
resistências:

26
3.2. RESITIVIDADE

A resistência de um condutor de seção transversal uniforme é


diretamente proporcional ao comprimento do condutor e
inversamente proporcional à área da seção transversal. A
resistência é também uma função da temperatura do condutor,
Para uma determinada temperatura, a resistencia de um condutor
é:

𝐥
𝐑=𝛒 (Ω)
𝐀

Onde l é o comprimento do condutor em metros, e A é a área da


seção transversal em metros quadrados. A constante da
proporcionalidade é a letra grega minúscula rô (𝛒), é o símbolo da
quantidade para resitividade, e fator que depende do tipo de
material.

A unidade SI da resistividadç é o “ôhmetro” com o símbolo de


unidade Ω • m. A tabela 3.1 mostra as resistividades de alguns
materiais a 20°C.

Tabela 3.1
Material Resistividade (Ω • m) a 20°C
Prata 1,64 X 10-8
Cobre recozido 1,72 X 10-8
Alumínio 2,83 X 10-8
Ferro 12,3 X 10-8
Constantana 49 X 10-8
Nicromo 100 X 10-8
Silício 2500
Papel 1010

27
Mica 5 X 1011
Quartzo 1017

Um bom condutor possui uma resistividade muito próxima a


10-8 Ω.m. A prata, o melhor condutor, é cara demais para a
maioria dos propósitos. O cobre é um condutor comum, assim
como o alumínio. Os materiais com resitividade maior que
1010 Ω•m são isoladores; e podem fornecer apoio físico sem fuga
significante da corrente. Da mesma forma, os revestimentos
isolantes nos fios impedem a fuga da corrente entre os fios que se
tocam. Os materiais com restividade na faixa de 10-4 a 10-7 Ω·m
são semicondutores, com os quais são fabricados os transistores.

A relação entre condutância, comprimento e área da seção


transversal é:

б𝐀
𝐆=
𝐥

onde a constante da proporcionalidade, a letra minúscula sigma


(б), é o símbolo de quantidade para a condutividade. A unidade SI
da condutividade é o siemens por metro (S·m -1 ).

3.3. EFEITOS DA TEMPERATURA

As resistências da maioria dos bons mateirais condutores


aumentam quase que linearmente com a temperatura acima da
faixa das temperaturas normais de operação, como mostrado pela
linha cheia da figura 3.1. Entretanto, alguns materiais, em

28
particular os semicondutores comuns, têm resistências que
diminuem com os aumentos das temperaturas.

Se a seção de linha reta na figura 3.1 se estender para a esquerda,


ela atravessará o eixo da temperatura, a uma temperatura T0 na
qual a resistência parece ser zero. Esta temperatura T0 é a
temperatura da resistência a zero graus inferida. (A temperatura
real da resistência a zero grau é -273°C). Se T0 é conhecida e se a
resistencia R1 em outra temperatura T1 é conhecida, então a
resistencia R2 em outra temperature T2 é determinada partindo da
geometria da linha reta pela expressão:

𝐑𝟏(𝐓𝟐 − 𝐓𝟎)
𝐑𝟐 =
(𝐓𝟏 − 𝐓𝟎)

29
A Tabela 3.2 apresenta as temperaturas da resistência a zero grau,
inferidas para alguns materiais condutores comuns.

Tabela 3.2
MATERIAL TEMPERATURA INFERIDA T0 (°C)

Tungstênio - 202

Cobre - 234,5

Alumínio - 236

Prata - 243

Constantana - 125.000

Uma outra forma, equivalente, de se achar a resistência R2 é através da


expressão

R2 = R1[1+ α1(T2 – T1)]

Onde α1 é o coeficiente da temperatura da resistência na temperatura


T1.

A tabela 3.3 mostra os coeficientes das temperaturas das resistências a


20°C para alguns materiais mais utilizados.

30
Tabela 3.3

ATERIAL COIFICIENTE DE TEMPERATURA


(°C-1 a 20°C)

Tungstênio 0,0045

Cobre 0,00393

Alumínio 0,00391

Prata 0,0038

Constantana 0,00008

Carbono - 0,0005

31
3.4. POTÊNCIA ABSORVIDA EM UM RESISTOR
Considerando que P = V . I, temos a potência absorvida por um resistor
linear em termos de Resistência usando-se a Lei de Ohm ( V = R . I):

P=V.I=V. V/R

𝐕²
𝐏= (watt)
𝐑

ou
P = V. I = R . I . I

P = R . I² (watt)

32
3.4.1. Potência nominal de um resistor
Todo resistor possui uma potência nominal referida a uma tensão
nominal, que é a potência de trabalho do resistor, de modo que ele
não tenha aquecimento superior ao estabelecido em seu projeto e
com isso não ser prejudicial à sua vida útil.

Pnr = R . (In)2

A seguir, são apresentados resistores e a forma de identificá-los


por código de cores.

33
34
35
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO

1. Um forno de 240 V possui uma resistência 24 Ω. Qual o valor de corrente


do fusível que deve ser usado na linha para proteger o forno?

SOLUÇÃO O fusível deve suportar a corrente requerida pelo forno:

𝑽 𝟐𝟒𝟎
𝑰= = = 𝟏𝟎 𝑨
𝑹 𝟐𝟒

2. Qual a resistência de um ferro de solda que solicita uma corrente de


0,8333 A quando ligada a uma tomada de 120 V?

SOLUÇÃO

𝑽 𝟏𝟐𝟎
𝑹= = = 𝟏𝟒𝟒 𝜴
𝑰 𝟎, 𝟖𝟑𝟑𝟑

3. Uma torradeira com uma resistência de 8,27 Ω opera com uma corrente
de 13,9 A. Que tensãoser deve aplicada à torradeira?

SOLUÇÃO

V = IR = 13,9 x 8,27 = 115 V

4. Determinar a condutância de um resistor de 560 k Ω.

SOLUÇÃO

𝟏 𝟏
𝑮= = 𝑺 = 𝟏, 𝟕𝟗 µ𝑺
𝑹 𝟓𝟔𝟎 𝒙 𝟏𝟎𝟑

5. Qual a condutância de um amperímetro que indica 20 A quando uma


tensão de 0,01 V é medida em seus terminais?

SOLUÇÃO

𝑰 𝟐𝟎
𝑮= = = 𝟐𝟎𝟎𝟎 𝑺
𝑽 𝟎, 𝟎𝟏

36
6. Calcular a resistência a 20°C de uma barra de cobre recozido de 3 m de
comprimento e 0,5 cm por 3 cm de seção reta retangular.

SOLUÇÃO A área de seção reta da barra é

A = (0,5 x 10-2) x (3 x 10-2) = 1,5 x 10-4 m2.

A resistividade do cobre recozido (Tab. 3.1) é: 𝝆 = 1,72 x 10-8 Ω m a 20°C.

𝒍 (𝟏, 𝟕𝟐 𝒙 𝟏𝟎−𝟖 )(𝟑)


𝑹=𝝆 = = 𝟑𝟒𝟒µ𝛀
𝑨 𝟏, 𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟒

7. Calcular a resistência de um condutor de alumínio cujo comprimento é


1000 m e o diâmetro é 1,626 mm. O condutor está a 20°C.

SOLUÇÃO A área de seção reta do condutor é: A = 𝝅𝒓𝟐

r = d/2 = 1,626 x 10-3/2 = 0,813 x 10-3m.

A resistividade do alumínio é: 𝝆 = 2,83 x 10-8Ω m.

𝒍 (𝟐, 𝟖𝟑 𝒙 𝟏𝟎−𝟖 )(𝟏𝟎𝟎𝟎)


𝑹=𝝆 = = 𝟏𝟑𝟔, 𝟑𝟓 𝛀
𝑨 𝝅(𝟎, 𝟖𝟏𝟑 𝒙 𝟏𝟎−𝟑 )𝟐

8. Considerar dois condutores feitos do mesmo material e sob a mesma


temperatura. Um dos condutores tem resistência de 15 Ω e o outro possui
1/3 do diâmetro e o dobro do comprimento do primeiro. Encontre a
resistência do segundo condutor.

SOLUÇÃO

𝒍𝟏
𝑹𝟏 = 𝝆
𝑨𝟏

𝒍𝟐
𝑹𝟐 = 𝝆
𝑨𝟐

37
𝑹𝟏 𝒍𝟏 𝒍𝟐
= 𝝆 /𝝆
𝑹𝟐 𝑨𝟏 𝑨𝟐

𝑹𝟏 𝒍𝟏 𝑨𝟐
= 𝒙
𝑹𝟐 𝒍𝟐 𝑨𝟏

𝑹𝟐 𝒍𝟐 𝑨𝟏
= 𝑹𝟏 𝒙
𝟏 𝒍𝟏 𝑨𝟐

𝟏𝟓 𝒙 𝟐
𝑹𝟐 = = 𝟐𝟕𝟎𝛀
(𝟏/𝟑)𝟐

9. Em uma rede aérea, um cabo de cobre possui uma resistência de 100 Ω a


uma temperatura de 20°C. Qual a resistência desse cabo quando aquecido
pelo sol e tem uma temperatura de 38°C.

SOLUÇÃO A temperatura inferida para resistência zero do cobre é:

𝑻𝟎 = -234,5°C

𝑹𝟐 = 𝑹𝟏 (𝑻𝟐 − 𝑻𝟎 )/( 𝑻𝟏 − 𝑻𝟎 ).

Dessa forma, a partir dos dados T2 = 38°C, R1 = 100 Ω, e T1 = 20°C, a


resistência do cabo a 38°C é

𝑻𝟐 − 𝑻𝟎 𝟑𝟖 − (−𝟐𝟑𝟒, 𝟓)
𝑹𝟐 = 𝑹𝟏 = 𝒙 𝟏𝟎𝟎 = 𝟏𝟎𝟕𝛀
𝑻𝟏 − 𝑻𝟎 𝟐𝟎 − (−𝟐𝟑𝟒, 𝟓)

10. Em uma rede aérea, um cabo de alumínio possui uma resistência de


150 Ω a uma temperatura de 20°C. Determinar a resistência desse cabo
quando aquecido pelo sol a uma temperatura de 42°C. Usar a fórmula de
temperatura inferida para resistência zero e, depois, a do coeficiente de
temperatura, para mostrar que as duas são equivalentes.

38
SOLUÇÃO A temperatura do alumínio para resistência zero é: 𝑻𝟎 = -
236°C. Assim,

𝑻𝟐 − 𝑻𝟎 𝟒𝟐 − (−𝟐𝟑𝟔)
𝑹𝟐 = 𝑹𝟏 = 𝒙 𝟏𝟓𝟎 = 𝟏𝟔𝟑𝛀
𝑻𝟏 − 𝑻𝟎 𝟐𝟎 − (−𝟐𝟑𝟔)

O coeficiente de temperatura da resistência do alumínio é: 𝜶𝟏 = 0,00391


°C-1 a 20°C. Assim,

𝑹𝟐 = 𝑹𝟏 [𝟏 + 𝜶𝟏 (𝑻𝟐 – 𝑻𝟏 )] = 𝟏𝟓𝟎 [𝟏 + 𝟎, 𝟎𝟎𝟑𝟗𝟏 (𝟒𝟐 − 𝟐𝟎)]


= 𝟏𝟔𝟑 𝜴

39
UNIDADE 4 – CIRCUITOS DE CORRENTE
CONTÍNUA: SÉRIE E PARALELO
4.1. RAMOS, NÓS, CIRCUITOS FECHADOS E MALHAS
Um ramo de um circuito é um componente isolado, tal como um
resistor ou uma fonte. Algumas vezes, no entanto, este termo é
usado para um grupo de componentes que transporta a mesma
corrente - componentes em série, especialmente quando eles são do
mesmo tipo.

Um nó é um ponto de conexão entre dois ou mais ramos. Num


diagrama de um circuito, um nó é, às vezes, indicado por um ponto
que pode ser um ponto de solda no circuito real. O nó também inclui
todos os fios conectados ao ponto. Em outras palavras, ele engloba
todos os pontos que estão ao mesmo potencial.
Um circuito fechado é qualquer trajeto num circuito.

Uma malha é o circuito fechado que não tem um trajeto fechado em


seu interior. Não existe componente dentro de uma malha.

4.2. LEI DA TENSÃO DE KIRCHHOFF


A Lei da Tensão de Kirchhoff* – *Gustav Robert Kirchhoff (1824 –
1887), físico alemão –, designada por KVL (Kirchhoff Voltage Law),
estabelece que “em um circuito fechado, no sentido do ponteiro do
relógio, ou contrário ao sentido do ponteiro do relógio, a soma
algébrica das quedas de tensão (nos componentes passivos) é igual à
soma algébrica dos aumentos de tensão (fontes de tensões)”.

40
A palavra “algébrica” significa que os sinais dos aumentos e quedas de
tensão são incluídos nas adições. Na aplicação da KVL, uma corrente
de circuito fechado é geralmente tomada como referência. É
fundamental a ordenação das polaridades dos componentes dos
circuitos para aplicação da KVL.

4.3. CONVENÇÃO PARA TENSÃO E CORRENTE

Quando o componente é um receptor:

i
+

Neste caso, p = v. i e o receptor recebe energia.

Quando o componente é um gerador:

i
+

41
Neste caso, p = v . i e o gerador fornece energia.

Um bipolo fica caracterizado quando se define sua relação tensão-


corrente.

42
4.4. ASSOCIAÇÃO DE BIPOLOS RESISTIVOS EM SÉRIE

Do circuito a seguir

Pode-se obter:

a) equações dos bipolos (3 equações, 6 variáveis):

b) equações de nós (3 nós, 2 equações independentes):

c) equação de malha (1 malha, 1 equação):

Resolvendo para i, tem-se:

Sob o ponto de vista da fonte, Rӏ e R2 estão em série, e podem ser


substituídos por um resistor equivalente. Desta última equação,
obtém-se:

v = (Rӏ + R2) i = Req . i, onde Req = Rӏ + R2.

43
Isto é: a resistência resultante de uma associação série de
resistores lineares é a soma das resistências dos componentes.

EXEMPLO DE RESISTÊNCIAS EM SÉRIE:

4.5. LEI DA CORRENTE DE KIRCHHOFF

A Lei da Corrente de Kirchhoff, conhecida por KCL


(Kirchhoff Current Law) estabelece que, “em qualquer nó de
um circuito, a soma algébríca das correntes que ‘entram’ em
um nó é igual à soma algébrica das correntes que ‘saem’ do
nó”.
A palavra "algébrica" significa que os sinais das correntes são
incluídos nas adições.

44
4.6. ASSOCIAÇÃO DE RESISTORES EM PARALELO
No circuito mostrado a seguir, temos uma fonte e dois resistores
conectados em paralelo.

Para este circuito, temos:

v = v1 = v2

i=I

i = i1 + i2

v1 = R1 i1

v2 = R2 i2
De posse dessa equações, podemos obter:

𝟏 𝟏 𝟏
Pela equação acima, = + e R é a resistência equivalente do
𝑹 𝑹𝟏 𝑹𝟐

circuito.

45
É importante observar que, para uma associação paralelo de dois
resistores, a resistência equivalente é igual ao produto das
resistências dividido pela soma das resistências componentes.

Se tivermos n resistências em paralelo, deve ser feito o cáculo da


resistência equivalente com a expressão

𝟏 𝟏 𝟏 𝟏
= + +...+
𝑹 𝑹𝟏 𝑹𝟐 𝑹𝒏

𝟏
Lembrando que a condutância é dada por . Então a
𝐑

condutância resultante de uma associação paralelo de resistores


lineares é a soma das condutâncias dos componentes. Ou

G = G1 + G2 +...+ Gn

46
EXEMPLO DE RESISTÊNCIAS EM PARALELO:

EXEMPLO DE RESISTÊNCIAS EM LIGAÇÃO MISTA:

47
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO

1. O esquema mostrado na figura (Fig. 1) representa a disposição dos


componentes do circuito de um dispositivo elétrico.

A
1 2 3
4

B
H C D E

G F
8 7 6 5
Fig. 1

Determine o número de nós e ramos mostrsdos no esquema.

SOLUÇÃO Os pontos 1 e 2 são um único nó, assim como 3 e 4 e também os


pontos 5 e 6. O ponto 7 é um nó e o ponto 8 também. Dessa forma, o circuito
possui cinco nós. Cada um dos componentes de A até H é um ramo – oito
ramos no total.

2. Que componentes do esquema do exercício anterior estão em série ou em


paralelo?

SOLUÇÃO Os componentes F, G e H estão em série porque, certamente,


serão percorridos por uma mesma corrente. Os componentes A e B, por
estarem conectados aos mesmos pontos, serão submetidos a uma mesma
tensão e por isso estão em paralelo. O mesmo se aplica aos componentes C,
D e E, que estão em paralelo. Além disso, o grupo paralelo formado por A e
B está em série com o grupo paralelo formado por C, D e E, que também
está em série com os componentes F, G e H.

48
3. Identificar os laços e as malhas do circuito mostrado na figura (Fig. 2) e
especificar quais componentes estão em série e quais os componentes que
estão em paralelo.

A B
E

C H

D G

Fig. 2

SOLUÇÃO São três laços: A-E-F-D-C, B-H-G-F-E e A-B-H-G-D-C. Os dois


primeiros laços são, também, malhas; o terceiro não é malha porque os
componentes E e F estão dentro dele. Os componentes A, C e D estão em
série (serão percorridos por uma mesma corrente). Também estão em série
os componentes E e F e os componentes B, H e G. Não há componentes em
paralelo.

4. Repetir o exemplo 3 para o circuito da figura (Fig. 3).

B D

A C E

Fig. 3

49
SOLUÇÃO Há três laços que são, também, malhas: A-B-C, C-D-E e F-D-B.
Há, ainda, os laços A-B-D-E, A-F-E, A-F-D-C e F-E-C-B. Dessa forma, esse
circuito possui três malhas e sete laços. Não existem componentes em série
ou em paralelo.

5. Qual a tensão de circuito aberto no circuito mostrado na figura (Fig. 4)?

+ -
60 V
40 V
-

20 V
+
V
+ 10 V -
+ -

Fig. 4

SOLUÇÃO A soma das quedas de tensão no sentido horário, começando do


canto superior esquerdo, é

60 - 40 + V - 10 + 20 = 0, que resulta em V = - 30 volts.

Na soma, aparecem 40 V e 10 V com sinal negativo, porque são elevações de


tensão no sentido horário. O sinal negativo da resposta indica que a tensão
de circuito aberto possui polaridade oposta à mostrada como referência.

6 - Encontrar as tensões desconhecidas no circuito da figura (Fig. 5).

SOLUÇÃO A LKT pode ser aplicada facilmente em laços onde apenas uma
tensão não é conhecida. Assim, para o laço formado por V 1, 10 V, 8 V e 9 V,
a soma das quedas de tensão na direção horária é

10 - 8 + 9 - V1 = 0, que resulta em V1 = 11 V.

50
Da mesma forma, para V2, a soma das quedas de tensão na malha de cima é

V2 + 8 - 10 = 0, que resulta em V2 = 2 V.

Para a malha de baixo, na direção horária, a soma das quedas de tensão é

- 8 + 9 + V3 = 0, que resulta em V3 = -1 V.

O sinal negativo de V3 indica que a polaridade atual da tensão é oposta à


indicada como referência.

+ +
10 V V2
+
-
- 8V
V1 +

- - +

V3 9V
+ -

Fig. 5

7. Qual a resistência total dos resistores 2 Ω, 5 Ω, 8 Ω, 10 Ω e 17 Ω


conectados em série?

SOLUÇÃO A resistência total (ou equivalente) de resistores em série é a


soma das resistências individuais:

RT = 2 + 5 + 8 + 10 + 17 = 42 Ω.

8. Qual a resistência total de trinta resistores de 6 Ω conectados em série?

SOLUÇÃO A resistência total é o número de resistores multiplicado pelo


valor da resistência comum:

51
RT = 30 . (6 Ω) = 180 Ω.

9. Qual a resistência total dos resistores de 4, 10, 16, 20 e 24 ohms


conectados em paralelo?

SOLUÇÃO

𝟏 𝟏 𝟏 𝟏 𝟏 𝟏
= + + + +
𝑹𝑻 𝟒 𝟏𝟎 𝟏𝟔 𝟐𝟎 𝟐𝟒

𝟏
= 𝟎, 𝟓𝟎𝟒
𝑹𝑻

𝑹𝑻 = 𝟏, 𝟗𝟖 Ω

10. Um enfeite para árvores de Natal possui 8 lâmpadas incandescentes


conectadas em série, onde cada lâmpada possui a seguinte especificação:
6 W – 15 V. Qual a corrente que circula pelo enfeite de lâmpadas quando
conectado a uma tensão de 120 V? Qual a resistência de cada lâmpada?

SOLUÇÃO A potência total do enfeite é: P = 8 . (6 W) = 48 W.

De P = V. I obtém-se a corrente:

I = P / V = 48 / 120 = 0,4 A.

De P = I2 . R obtém-se a resistência de cada lâmpada:

R = P / I2 = 6 / (0,4)2 = 37,5 Ω.

11. Um circuito série é composto de uma fonte de 240 V e de resistores de


12, 20 e 16 ohms. Determinar a resistência equivalente do circuito, a
corrente e a tensão em cada resistor do circuito.

SOLUÇÃO A resistência equivalente é a soma das resistências individuais:

Req = 12 + 20 + 16 = 48 Ω.

52
A corrente é a tensão aplicada dividida pela resistência equivalente: 𝐈 =
𝟐𝟒𝟎
= 𝟓 𝐀.
𝟒𝟖

A tensão em cada resistor é a corrente multiplicada pela resistência


correspondente:

V12 = 5 . 12 = 60 V;

V20 = 5 . 20 = 100 V; e

V16 = 5 . 16 = 80 V.

Como verificação do resultado, verifica-se que a soma das tensões nos


resistores é 60 + 100 + 80 = 240 V, que é o valor da tensão aplicada (fonte).

12. (DEVER DE CASA) Três resistores – 10 Ω, 8 Ω e 4 Ω – estão ligados em


paralelo e conectados a uma fonte de 240 V. Para esse circuito, calcular:

a) a resistência equivalente;
b) a corrente;
c) a corrente em cada resistor;
d) a potência dissipada em cada resistor; e
e) a potência total.

53
UNIDADE 5 – CAPACITORES E CAPACITÂNCIA

5.1. INTRODUÇÃO

O capacitor é um dispositivo muito usado em circuitos elétricos,


com a finalidade de armazenar cargas elétricas. É constituído por
dois condutores separados por um isolante. Os condutores são as
placas (ou armaduras) do capacitor e o isolante é o dielétrico do
capacitor. De acordo com a forma das armaduras, existe capacitor
plano, capacitor cilíndrico, capacitor esférico etc. O dielétrico
pode ser um isolante como o vidro, a parafina, o papel e, muitas
vezes, o próprio ar.

A quantidade de carga armazenada na placa de um capacitor é


diretamente proporcional à diferença de potencial entre as placas.
O quociente entre carga (Q) e diferença de potencial (V) é então
uma constante para um determinado capacitor e recebe o nome de
capacitância (C).

54
Quando o capacitor possui um isolante elétrico entre suas placas,
sua capacitância aumenta. Este isolante dificulta a passagem das
cargas de uma placa para a outra, o que descarregaria o
capacitor. Dessa forma, para uma mesma diferença de potencial, o
capacitor pode armazenar uma quantidade maior de carga.

Os capacitores são amplamente utilizados em rádios, gravadores,


televisores, circuitos elétricos de veículos, correção de fator de
potencia etc.

5.2. A FÍSICA DO CAPACITOR


Visão geral:

Os formatos típicos consistem em dois eletrodos ou placas que


armazenam cargas opostas. Estas duas placas são condutoras e
são separadas por um isolante ou por um dielétrico. A carga é
armazenada na superfície das placas, no limite com o dielétrico.
Devido ao fato de cada placa armazenar cargas iguais, porém
opostas, a carga total no dispositivo é sempre zero. A figura
abaixo apresenta um capaciotr chamado de placas paralelas.

55
56
Como mostrado na imagem, o dielétrico é um material isolante
que separa as duas placas condutoras que armazenam cargas
opostas. A carga é armazenada na superfície das placas, no limite
com o dielétrico. Devido ao fato de cada placa condutora
armazenar cargas iguais, porém opostas, a carga total no
dispositivo é sempre zero.

Os elétrons não podem passar diretamente através do dielétrico de


uma placa do capacitor para a outra. Quando uma voltagem é
aplicada a um capacitor através de um circuito externo, a corrente
flui para uma das placas, carregando-a, enquanto flui da outra
placa, carregando-a, inversamente. Em outras palavras: quando a
voltagem (ou tensão) em um capacitor muda, o capacitor será
carregado ou descarregado.

57
SÍMBOLO DO CAPACITOR

No Sistema Internacional de Unidades (SI), um capacitor tem a


capacitância de 1 farad (F) quando 1 coulomb de carga causa uma
diferença de potencial de 1 volt entre as placas. O farad é uma
unidade de medida considerada muito grande para circuitos
práticos, por isso, são utilizados valores de capacitâncias expressos
em microfarads (μF), nanofarads (nF) ou picofarads (pF).

5.3. CAPACITÂNCIA (C)

Capacitância é a capacidade que o capacitor apresenta de


armazenar mais ou menos cargas elétricas por unidade de tensão.
Ou

Onde C é expresso em farad* (F) e Q em coulomb (C).

*Michael Faraday (1791 – 1867), físico e químico inglês.

58
A capacitância (em farads) de um capacitor de placas condutoras
paralelas constituído de dois eletrodos planos idênticos de área A
separados por uma distância constante d por um material isolante
de permissividade elétrica ε, é aproximadamente igual a:

𝛆𝐀
𝐶=
d
5.3. CONSTANTE DIÉLETRICA
A constante dielétrica 𝛆 de um material isolante é definida pela
expressão
𝛆
𝛆𝐫 =
𝛆𝐨
Onde:

εo é a permissividade elétrica do vácuo (εo = 8,85 pF/m); e

εr é a constante dielétrica ou permissividade relativa do material


isolante utilizado.

Valores da constante dielétrica de alguns materiais isolantes:

Material isolante Constante dielétrica εr


Ar 1,0006
Papel parafinado 2,5
Mica 5
Vidro 7,5
Cerâmica 7500

59
5.4. CORRENTE EM UM CAPACITOR
Vimos que quando a voltagem ou tensão em um capacitor muda, o
capacitor será carregado ou descarregado.
A corrente em um capacitor é expressa pela varação da carga com
o tempo, ou seja:
𝐝𝐐
𝑰=
𝐝𝐭

Como Q = C.V, então


𝐝𝐕
𝑰=𝐂
𝐝𝐭

Isto é: No capacitor a corrente é diretamente proporcional à


variação de tensão.

5.5. ASSOCIAÇÃO DE CAPACITORES

5.5.1. Associação de capacitores em paralelo


Considerar o circuito

+ i
+ i1 + i2 + i3

v v1 C1 C2
v2 v3
- - -

60
A corrente total que flui no circuito é dada por
i = i1 + i2 + i3 = C dv/dt, onde C é a capacitância do circuito. Então
C dv/dt = C1 dv1/dt + C2 dv2/dt + C3 dv3/dt.

Em paralelo, os capacitores têm a mesma tensão: v1 = v2 = v3 = v,


logo,
C dv/dt = C1 dv/dt + C2 dv/dt + C3 dv/dt
C dv/dt = (C1 + C2 + C3) dv/dt
C = C1 + C2 + C3

Ou seja: o capacitor equivalente tem capacitância igual à soma


das capacitâncias individuais da associação.

Este resultado pode ser generalizado para qualquer número de


capacitores em paralelo; para n capacitores, teremos:
C = C1 + C2 + C3 + ... + Cn

5.5.2. Associação de capacitores em série


Considerar o circuito
C1 C2 C3

+ i
+ - + - + -

v v1 v2 v3

61
A equação para o circuito mostrado na figura é:

v = v1 + v2 + v3

Como o circuito é em série, a corrente i é a mesma que circula


em cada capacitor, ou seja:

i= i1 = i2= i3

Para o capacitor equivalente:

C
v

i = C dv/dt, de onde se obtém:

v = 1/C ʃ idt.

Se v = v1 + v2 + v3 e i = i1 = i2= i3, então

1/C ʃ idt = 1/C1 ʃ idt + 1/C2 ʃ idt +1/C3 ʃ idt

1/C ʃ idt = (1/C1 + 1/C2 +1/C3) ʃ idt

1/C = 1/C1 + 1/C2 + 1/C3

62
Para n capacitores associados em série, o capacitor equivalente
terá a capacitância obtida da soma dos inversos das capacitâncias
individuais:

1/C = 1/C1 + 1/C2 + 1/C3 + ... + 1/Cn

Esquemas série e paralelo e seus carregamentos:

No esquema (a), Q = q; em (b), Q = q1 + q2 + q3.

5.6. ENERGIA ARMAZENADA NO CAPACITOR


A energia armazenada em um capacitor é igual ao trabalho
realizado para carregá-lo.
Considerar um capacitor com capacitância C, com uma carga +q
em uma placa e –q na outra. Movendo um pequeno elemento de
carga dq de uma placa para a outra, a diferença de potencial
V = q/C necessita de um trabalho dW, definido por:

dW = (q/C)dq (Joules)

A energia armazenada é a integral da equação acima:

63
𝐐
𝐪 𝟏
𝐖=∫ 𝐝𝐪 = 𝐐𝟐 /𝐂
𝟎 𝐂 𝟐

Como Q = C.V,
𝟏
𝐖= 𝐂𝐕 𝟐
𝟐

EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO

1. Qual é a carga armazenada num capacitor de 2µF com 10 V sobre ele?

SOLUÇÃO Partindo de C = Q/V,

𝑸 = 𝑪𝑽 = (𝟐 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )(𝟏𝟎) = 𝟐𝟎 𝝁𝑪

2. Determinar a capacitância de um capacitor de placas paralelas se as


dimensões de cada placa retangular são 1cm x 0,5 cm, e se a distância entre
as placas é de 0,1 mm. O dielétrico é ar. Determinar também a capacitância
se o dielétrico for mica.

SOLUÇÃO A constante dielétrica do ar está tão próxima de 1 que a


permissividade do vácuo pode ser usada para aquela do ar, na fórmula do
capacitor de placas paralelas. Assim, para o ar como dielétrico,

𝐀 (𝟖, 𝟖𝟓 𝐱 𝟏𝟎−𝟏𝟐 )(𝟏 𝐱 𝟏𝟎−𝟐 )(𝟎, 𝟓 𝐱 𝟏𝟎−𝟐 )


𝐂=∈ = = 𝟒, 𝟒𝟑 𝐩𝐅
𝐝 𝟎, 𝟏 𝐱 𝟏𝟎−𝟑

Para a mica como dielétrico:

𝐀 𝟓𝐱 (𝟖,𝟖𝟓 𝐱 𝟏𝟎−𝟏𝟐 )(𝟏 𝐱 𝟏𝟎−𝟐 )(𝟎,𝟓 𝐱 𝟏𝟎−𝟐 )


𝐂=∈ = = 22,15 𝐩𝐅
𝐝 𝟎,𝟏 𝐱 𝟏𝟎−𝟑

64
3. Achar a distância entre as placas de um capacitor de placas paralelas de
0,01 µF se a área de cada placa é 0,07 m2 e o dielétrico é vidro.

SOLUÇÃO Da equação C = ∈ A/d, e usando-se 7,5 como a constante


dielétrica do vidro, obtém-se:

𝐀 𝟕, 𝟓 (𝟖, 𝟖𝟓 𝐱 𝟏𝟎−𝟏𝟐 )(𝟎, 𝟎𝟕)


𝐝=∈ = = 𝟎, 𝟒𝟔𝟓 𝐦𝐦
𝐂 𝟎, 𝟏 𝐱 𝟏𝟎−𝟔

4. Um capacitor de placas paralelas tem um dielétrico de cerâmica em


forma de disco com 0,5 cm de diâmetro e 0,521 mm de espessura. O disco é
revestido de prata em ambos os lados, sendo, este revestimento, as placas.
Determinar a capacitância.

SOLUÇÃO A constante dielétrica da cerâmica é 7500, então:

𝑨 𝟕𝟓𝟎𝟎 (𝟖,𝟖𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟏𝟐 ) [𝝅 𝒙 (𝟎,𝟐𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟐 )𝟐 ]


C= ∈ = = 𝟐𝟓𝟎𝟎 𝒑𝑭
𝒅 𝟎,𝟓𝟐𝟏 𝒙 𝟏𝟎−𝟑

5. Um capacitor de placas paralelas com 1 F tem um dielétrico de cerâmica


com 1 mm de espessura. Se as placas são quadradas, achar o comprimento
de um dos lados de uma placa.

SOLUÇÃO Sendo a placa quadrada, o comprimento de um lado é 𝒍 = √𝑨 .


Com este resultado, e 𝐂 = 𝛜𝐀/𝐝,

𝒅𝑪 𝟏𝟎−𝟑 𝒙 𝟏
𝒍= √ =√ = 123 m
∈ 𝟕𝟓𝟎𝟎 (𝟖,𝟖𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟏𝟐 )

Observa-se que cada lado tem 123 metros de comprimento ou,


aproximadamente, 1,3 vezes o comprimento de um campo de futebol. Este
exercício serve para demonstrar que o Farad é uma unidade extremamente
grande.

6. Quais as diferentes capacitâncias que podem ser obtidas com capacitores


de 1µF e 3µF?

65
SOLUÇÃO Os capacitores podem produzir 1 µF e 3 µF individualmente,
como também 1 µF + 3 µF = 4 µF em paralelo, e (1 x 3)/(1 + 3) = 0,75 µF em
série.

7. Na associação mista mostrada na figura a seguir:

60 µF 90 µF 30 µF

10 µF 25 µF 60 µF

Determinar a capacitância total.

SOLUÇÃO Na extremidade oposta à entrada (à direita, do ponto de vista


frontal à figura), os capacitores de 30 µF e 60 µF estão em série e perfazem
uma capacitância de (30 x 60)/(30 + 60) = 20 µF, que, em paralelo ao
capacitor de 25 µF, totaliza 20 + 25 = 45 µF, em série com o capacitor de
90µF. As capacitâncias de 45 µF e 90 µF, associadas, totalizam (45 x 90)/(45
+ 90) = 30 µF, em paralelo ao capacitor de 10 µF, e, com este somado,
resulta em 30 + 10 = 40 µF em série com capacitor de 60 µF. Finalmente, a
capacitância total (ou equivalente) do esquema mostrado na figura é:

𝟔𝟎 𝒙 𝟒𝟎
𝑪𝒕𝒐𝒕. = = 𝟐𝟒 𝝁𝑭
𝟔𝟎 + 𝟒𝟎
8. Três capacitores, um de 4 µF, um de 6 µF e um de 8 µF, estão em paralelo
alimentados por uma fonte de tensão de 300 volts. Determinar:

(a) a capacitância total;

(b) o valor da carga armazenada por cada capacitor; e

(c) a energia total armazenada.

66
SOLUÇÃO A carga do capacitor é definida por Q = CV.

(a) Em paralelo, a capacitância total ou equivalente é a soma das


capacitâncias individuais: C = 4 + 6 + 8 = 18 µF.

(b) Para os capacitores de 4 µF, 6 µF e 8 µF, respectivamente, as cargas são:


(4 x 10-6)(300) = 1,2 mC; (6 x10-6)(300) = 1,8 mC; e (8 x 10-6)(300) = 2,4 mC.

(c) A capacitância total pode ser usada para e obter a energia total
armazenada:

𝟏 𝟐
𝐖= 𝐂𝐕 = (𝟎, 𝟓)(𝟏𝟖 𝐱 𝟏𝟎−𝟔 )(𝟑𝟎𝟎)𝟐 = 𝟎, 𝟖𝟏 𝐉
𝟐
9. Repetir o exercício anterior para os três capacitares ligados em série. No
item (b), em vez das cargas, determinar a tensão em cada capacitor.

SOLUÇÃO

(a) Em série, a capacitância total é a recíproca da soma das recíprocas das


capacitâncias individuais:

𝟏
𝑪= = 𝟏, 𝟖𝟒𝟔 𝝁𝑭
𝟏⁄𝟒 + 𝟏⁄𝟔 + 𝟏⁄𝟖

(b) A tensão sobre cada capacitor depende da carga armazenada, que é a


mesma para cada capacitor. Esta carga pode ser obtida da capacitância
total e da tensão aplicada:

𝑸 = 𝑪𝑽 = (𝟏, 𝟖𝟒𝟔 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )(𝟑𝟎𝟎) = 𝟓𝟒𝟒 𝝁𝑭

Sendo V = Q/C, as tensões individuais dos capacitares são, respectivamente,

𝟓𝟓𝟒 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 𝟓𝟓𝟒 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 𝟓𝟓𝟒 𝒙 𝟏𝟎−𝟔


= 𝟏𝟑𝟖, 𝟓 𝑽; = 𝟗𝟐, 𝟑 𝑽; 𝐞 = 𝟔𝟗, 𝟐 𝑽
𝟒 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 𝟔 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 𝟖 𝒙 𝟏𝟎−𝟔
Observa-se que V = 138,5 + 92,3 + 69,2 = 300 volts.

(c) A energia total armazenada é:

67
𝟏 𝟐
𝑾= 𝑪𝑽 = (𝟎, 𝟓)(𝟏, 𝟖𝟒𝟔 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )(𝟑𝟎𝟎)𝟐 = 𝟖𝟑, 𝟏 𝑱
𝟐
10. Uma fonte de 24 volts e dois capacitores estão ligados em série. Se um
capacitor tem 20 µF de capacitância e tem 16 volts sobre ele, qual a
capacitância do outro capacitor?

SOLUÇÃO Pela KVL, o outro capacitor tem 24 – 16 = 8 V sobre ele. Da


mesma forma, a carga sobre ele é a mesma que aquela sobre o outro
capacitor: Q = CV = (20 x 10-6)(16) = 320 µC. Portanto, a capacitância do
outro capacitor é C = Q/V = (320 x 10- 6 )/8 = 40 µF.

11. No circuito da figura

6 µF 12 µF

+ - + - +
V1 V2

100 V 5 µF V3 1 µF
VV

Determinar a tensão de cada capacitor.

SOLUÇÃO As tensões a serem determinadas são 𝑽𝟏 , 𝑽𝟐 e V3. Para tanto,


recomenda-se determinar a capacitância equivalente e usá-la para
determinar a carga e, depois, determnar as tensões sobre os capacitores de 6
µF e 12 µF, que têm esta mesma carga por estarem em série com a fonte de
100 V.

Dessa forma, seguindo os passos mostrados no exercício 7, na extremidade


oposta à fonte, os dois capacitores em paralelo têm uma capacitância total
de 5 + 1 = 6 µF, em série com os demais capacitores. A apacitância
equivalente será, então:

68
𝟏
𝑪= = 𝟐, 𝟒 𝝁𝑭
𝟏⁄𝟔 + 𝟏⁄𝟏𝟐 + 𝟏⁄𝟔
A carga desejada é

𝑸 = 𝑪𝑽 = (𝟐, 𝟒 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )(𝟏𝟎𝟎) = 𝟐𝟒𝟎 𝝁𝑭

que é a carga no capacitor de 6 µF, como também no capacitor de 12 µF.


Logo, como V = Q/C,

𝟐𝟒𝟎 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 𝟐𝟒𝟎 𝒙 𝟏𝟎−𝟔


𝑽𝟏 = = 𝟒𝟎 𝑽 ; 𝑽𝟐 = = 𝟐𝟎 𝑽;
𝟔 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 𝟏𝟐 𝒙 𝟏𝟎𝟔

e, pela KVL, V3 = 100 – V1 – V2 = 40 V.

12. Se a tensão sobre um capacitor de 0,1 µF é de 3000t volts, determinar a


corrente do capacitor.

SOLUÇÃO A corrente do capacitor é igual ao produto entre a capacitância


e a derivada, no tempo, da tensão. A derivada de 𝒗 = 3000t é

𝒅𝒗 𝒅
= (𝟑𝟎𝟎𝟎𝒕) = 𝟑𝟎𝟎𝟎
𝒅𝒕 𝒅𝒕

e a corrente no capacitor

𝒅𝒗
𝒊=𝑪 = (𝟎, 𝟏 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )(𝟑𝟎𝟎𝟎) = 𝟎, 𝟑 𝒎𝑨
𝒅𝒕
que é um valor constante.

69
UNIDADE 6 – INDUTORES E INDUTÂNCIA

6.1. INTRODUÇÃO
O indutor, também conhecido como solenóide ou bobina, é um
componente elétrico capaz de armazenar energia em um campo
magnético gerado pela corrente que o circula. Essa capacidade
é chamada de indutância e é medida em henrys* (H) – *Joseph
Henry (1797 – 1878), cientista estadunidense.

De maneira geral, um indutor é composto por um fio condutor


enrolado em forma de espiral. Cada volta da bobina é chamada
de espira e a sua quantidade influencia diretamente na
intensidade do campo magnético gerado.

Indutores são amplamente utilizados em circuitos analógicos e


em processamento de sinais. Juntamente com capacitores e
outros componentes, formam circuitos ressonantes, os quais
podem enfatizar ou atenuar indutâncias específicas.

As aplicações possíveis vão desde o uso de grandes indutores em


fontes de alimentação, como forma de remoção de ruídos
residuais, além de bobinas de ferrite ou toroidais para filtragem
de rádio-frequência, até pequenos indutores utilizados em
transmissores e receptores de rádio e TV. Indutores também
são empregados para armazenamento de energia em algumas
fontes de alimentação chaveadas.

70
Dois ou mais indutores acondicionados juntos em um mesmo
circuito magnético formam os chamados transformadores, os
quais são elementos fundamentais em inúmeros sistemas
elétricos.

Os indutores reais apresentam perdas devido à resistência


elétrica dos condutores, além de perdas magnéticas geradas por
correntes parasitas (correntes de Foucault*), pela histerese e
saturação do material, além de outros fatores.
*Jean Bernard Léon Foucault (1819 – 1868), físico e astrônomo
francês.

As correntes parasitas são induzidas pela variação do fluxo


magnético em corpos metálicos. São vantajosas em algumas
aplicações, mas extremamente nocivas em muitos casos, pois
acarretam grande dissipação de energia, principalmente na
forma de calor.

A histerese magnética pode ser entendida, de forma bastante


simplificada, da seguinte maneira: um material, ao ser
submetido a um campo magnético, retém um fluxo magnético
residual, mesmo após haver cessado o campo magnético. Tal
“efeito memória” ocasiona grandes perdas em circuitos de
corrente alternada, principalmente em altas indutâncias. A
histerese depende do tipo de material empregado, por isso, para

71
cada aplicação será empregado um material ferromagnético
diferente.
A saturação pode ser definida como o máximo de magnetização
que um material pode assumir. Um aumento do campo
magnético acima do limiar de saturação não provocará nenhum
aumento da magnetização.

6.2. PRINCIPAIS TIPOS DE INDUTORES


Bobinas com núcleo de ar: São indutores que não utilizam
núcleo de material ferromagnético.

Bobinas com núcleo ferromagnético – Empregam materiais


ferromagnéticos no núcleo, aumentando consideravelmente o
valor da indutância, devido ao aumento e concentração do
campo magnético. Entretanto, apresentam diversos efeitos
colaterais, tais como correntes de Foucault, histerese, saturação
etc.

Bobinas com núcleo laminado – Muito utilizadas em


transformadores e outros indutores que operam em baixa
indutância. O núcleo dessas bobinas é feito de finas camadas de
aço-silício, envolvidas por uma cobertura de verniz isolante. O
verniz isolante previne a formação de correntes parasitas
(Foucault) e a adição de silício ao aço reduz a histerese do
material.

A seguir, são apresentados alguns tipos de indutores.

72
6.3. FLUXO MAGNÉTICO

Os fenômenos magnéticos são explicados usando-se o fluxo


magnético, ou apenas fluxo, que está relacionado ás linhas
magnéticas ou linhas de força que, através de um magneto, se
estende em linhas contínuas do polo norte magnético ao polo sul
fora do magneto e do polo sul ao polo norte dentro do magneto.
Isto está ilustrado na Fig. 6.1. A unidade SI do fluxo é o weber*
(Wb) – *Wilhelm Eduard Weber (1804 – 1891), físico alemão –. O
símbolo de quantidade é Ф para fluxo constante e Ø para fluxo
variável no tempo.

73
(a)

(b)

Fig 6.1

A corrente que passa num fio também produz fluxo. A relação entre a
direção do fluxo e a direção da corrente pode ser lembrada de uma
versão da regra da mão direita. Se o polegar da mão direita está
colocado junto ao fio na direção do fluxo da corrente, os quatro dedos
da mão direita se enroscam na direção do fluxo em torno do fio. O
enrolamento deste fio aumenta o fluxo, assim como ao se colocar
material, chamado material ferromagnético, dentro e em torno da
bobina.

74
6.3.1. Permeabilidade magnética ( µ )

Uma corrente passando numa bobina enrolada num núcleo cilíndrico de


ferro produz mais fluxo do que a mesma corrente passando numa
idêntica bobina enrolada num cilindro de plástico. Isso ocorre devido à
propriedade de magnetização dos materiais ser uma característica de
cada material. Esta propriedade é quantificada pela permeabilidade
magnética.
A permeabilidade magnética de um material tem como unidade o
henry por metro (H/m).
A permeabilidade magnética do vácuo é µ0 = 0,4 . π . 10-6 H/m.

6.3.2. Permeabilidade relativa ( µr )

A permeabilidade relativa de um material é a razão entre a


permeabilidade magnética do material e a permeabilidade magnética do
vácuo. Ou seja:

µr = µ / µ0

A maioria dos matériais tem permeabilidade relativa aproximadamente igual


a 1 . Entretanto, o ferro puro tem permeabilidade relativa na faixa de 6000
a 8000 e o níquel na faixa de 400 a 1000; o permalói, uma liga composta por
78,5% de níquel e 21,5% de ferro, tem uma permeabilidade relativa de
80000. Os equipamentos elétricos como máquinas e transformadores são
construídos com materiais ferromagnéticos de elevada permeabilidade relativa.

75
6.4. CONSTRUÇÃO DE UM INDUTOR E INDUTÂNCIA
Algumas voltas de fio enroladas de modo a formar uma bobina nos levam a
um importante componente eletrônico.

As bobinas ou indutores apresentam propriedades elétricas principalmente


em relação às variações rápidas de corrente, estas propriedades são dadas
pelo que chamamos de indutância.

A indutância de uma bobina é medida em henry (H) e também é comum o


uso de seus submúltiplos como o milihenry (mH) que vale a milésima parte
do henry e o microhenry (µH) que equivale à milionésima parte do henry.

As bobinas podem ter muitas ou poucas espiras, com núcleos (para


aumentar a indutância) ou sem núcleo. Geralmente as bobinas de muitas
espiras, podem ter núcleos de ferrite ou mesmo de ferro laminado e
trabalham com correntes de médias e baixas frequências. Na figura abaixo
são mostrados alguns tipos de bobinas e indutores com seus respectivos
símbolos, estes componentes podem ser encontrados nos computadores e em
muitos dos circuitos eletrônicos dos aparelhos.

76
As bobinas são componentes importantes de qualquer circuito onde estejam
instaladas e podem ser encontradas em diversas funções.Uma das principais
funções das bobinas é fazer circuitos de sintonia em rádios, TVs, mas
também é comum encontrar bobinas na função de filtrar variações muito
rápidas da corrente que poderiam afetar o funcionamento de certas partes
críticas de equipamentos elétricos ou eletrônicos. As maquinas elétricas e
transformadores utilizam de bobinas para o seu funcionamento. Os filtros
de linha e alguns outros tipos de filtros fazem uso desta propriedade das
bobinas.

6.4.1. Cálculo da indutancia de uma bobina

A indutância de uma bobina depende do formato da bobina, da


permeabilidade magnética do núcleo da bobina, do número de espiras, da
distância entre as espiras, e de outros fatores.

Considerar as bobinas de uma só camada mostradas nas figuras a seguir.

77
l
(b)

( c)

78
O valor da indutância para cada uma bobina mostrada acima é determinado
com grande aproximação pela expressão

𝐍²𝛍𝐀
𝑳=
𝐥
Onde: L é a indutância em henry; N é o número de espiras; A é a área da
seção transversal do núcleo em m²; l é o comprimento da bobina em
metro; e µ é a permeabilidade magnética do material do núcleo.

É importante observar que, quanto maior for o comprimento da


bobina em relação ao diâmetro do núcleo, mais exata será a indutância
calculada pela expressão acima. Por exemplo: para um comprimento de
bobina de 10 vezes o diâmetro do núcleo, o erro é de aproximadamente 4
por cento.

6.5. TENSÃO DO INDUTOR E RELAÇÃO DA CORRENTE

79
Se uma bobina de N espiras estiver ligada a uma fonte, circulará
por esta bobina uma corrente elétrica que produzirá acoplamento
indutivo de fluxo magnético por espira de valor Ø. A relação
entre a tensão aplicada e o fluxo é dada pela equação:

𝒅 (𝑵Ø)
𝒆=−
𝐝𝐭

Isto é conhecido como Lei de Faraday. A polaridade da tensão é tal


que qualquer corrente resultante desta tensão produz um fluxo que
se opõe à taxa de variação do fluxo. Uma vez determinada a
polaridade deve-se trabalhar com a equação sem o sinal negativo.

80
Na análise de circuitos contendo indutores, a indutância é usada em
vez do fluxo. A equação relacionando a indutância, corrente e tensão
do indutor é encontrada substituindo-se NØ = Li em e = d(NØ)/dt. O
resultado é e = Ldi/dt. Observar que a tensão, em qualquer instante,
depende da razão de mudança da corrente do indutor.

Um fator importante de e = Ldi/dt é que, se a corrente de um indutor


não varia (constante), então a tensão do indutor é zero porque
di/dt = 0.

O circuito elétrico representando a equação UL = L dIL/dt, é mostrado


a seguir.

6.6. ASSOCIAÇÃO DE INDUTORES


Indutores ligados em série ou em paralelo também podem ser
substituídos por um indutor equivalente do ponto de vista da tensão e
da corrente nos terminais da associação.

81
6.6.1 Associação de indutores em série

A equação para o circuito mostrado na figura é:


v = v1 + v2 + v3 + ... + vN
v = L1 di/dt + L2 di/dt + L3 di/dt + ... + LN di/dt
v = (L1 + L2 + L3 + ... + LN )di/dt
Para o circuito equivalente temos:

VL = L di/dt
Com isso

L di/dt = (L1 + L2 + L3 + ... + LN ) di/dt

Ou seja, para indutores associados em série, o indutor equivalente


terá indutância equivalente dada pela soma das indutâncias
individuais:
L = (L1 + L2 + L3 + ... + LN )

82
6.6.2. Associação de indutores em paralelo
Seja o circuito:

Usando a lei dos nós e a Lei de Faraday temos:

i = i1 + i2 lembrando que v = Ldi/dt

i1 = (1/L1)∫v1 dt

i2 = (1/L2)∫v2 dt

Somando as correntes, observando que v1 = v2 = v, obtém-se

i = (1/L1 + 1/L2 )∫vdt

Para o indutor equivalente:

83
VL = v = Ldi/dt

i = (1/L)∫vdt = (1/L1 + 1/L2 )∫vdt

Logo

1/L = 1/L1 + 1/L2

Para n indutores associados em paralelo:

6.7. ARMAZENAMENTO DE ENERGIA EM UM INDUTOR:

A energia armazenada num indutor é dada pela equação

WL = ( ½) L i²
Sendo:
WL em Joules,
L em henrys,
i em ampères.

84
EXERCÍCIOS DE APLICAÇÃO
1. Determinar a tensão induzida numa bobina de 50 espiras quando um fluxo
constante de 104 Wb é produzido na bobina. Repetir o procedimeto para um
fluxo variável de 3 Wb/s.

SOLUÇÃO Se o fluxo é constante, ao atravessar a bobina não induz tensão.


Um fluxo variável de 3 Wb/s induz uma tensão de:

𝒅𝝓
v=N
𝒅𝒕

v = 50 x 3 = 150 V

2. Qual é a razão de mudança do fluxo atravessando uma bobina de 200


espiras quando 50 V são aplicados aos terminais da bobina?

𝒅𝝓
SOLUÇÃO Se v = N , então a razão de mudança é:
𝒅𝒕

𝒅𝝓 𝒗 𝟓𝟎
= = = 𝟎, 𝟐𝟓 𝑾𝒃/𝒔
𝒅𝒕 𝑵 𝟐𝟎𝟎

3. Qual é o número de espiras de uma bobina na qual uma variação de


0,4 Wb/s induz uma tensão de 20 V?

𝒅𝝓
SOLUÇÃO De v = N ,
𝒅𝒕

𝒗 𝟐𝟎
𝑵= = = 𝟓𝟎 𝒆𝒔𝒑𝒊𝒓𝒂𝒔
𝒅𝝓/𝒅𝒕 𝟎, 𝟒

4. Calcular a indutância de urna bobina de 100 espiras que é atravessada por


3 x 10-4 Wb quando uma corrente de 20 mA passa por ela.

SOLUÇÃO A fórmula pertinente é Li = NΦ. Assim, tem-se,

𝟏𝟎𝟎 𝒙 𝟑𝒙𝟏𝟎̄𝟒
𝑳= = 1,5 H
𝟎,𝟎𝟐

85
5. Calcular a indutância aproximada de urna bobina de uma só camada, com
300 espiras enroladas num cilindro de plástico de 12 cm de comprimento e 0,5
cm de diâmetro.

SOLUÇÃO A permeabilidade relativa do plástico está tão próxima de 1 que a


permeabilidade do vácuo pode ser usada na fórmula da indutância para uma
bobina cilíndrica de uma só camada:

𝑵𝟐 𝝁𝑨 (𝟑𝟎𝟎)𝟐 (𝟎, 𝟒𝝅 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )[𝝅 𝒙 (𝟎, 𝟐𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟐 )𝟐 ]


𝑳= = = 𝟏𝟖, 𝟓 𝝁𝑯
𝒍 𝟏𝟐 𝒙 𝟏𝟎−𝟐

6. Calcular a indutância aproximada de uma bobina de urna só camada, com


50 espiras enroladas num cilindro ferromagnético com 1,5 cm de comprimento
e 1,5 mm de diâmetro. O material ferromagnético tem uma permeabilidade
relativa de 7000.

SOLUÇÃO

𝑵𝟐 𝝁𝑨 (𝟓𝟎)𝟐 (𝟕𝟎𝟎𝟎 𝒙 𝟎, 𝟒 𝝅 𝒙 𝟏𝟎−𝟔 )[𝝅 𝒙 (𝟎, 𝟕𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟐 )𝟐 ]


𝑳= = = 𝟐, 𝟓𝟗 𝝁𝑯
𝒍 𝟏, 𝟓 𝒙 𝟏𝟎−𝟑

7. Um indutor de 3 H tem 2000 espiras. Quantas espiras devem ser


acrescentadas para aumentar a indutância para 5 H?

SOLUÇÃO Em geral, a indutância é proporcional ao quadrado do número de


espiras. De acordo com esta proporcionalidade:

𝟓 𝑵𝟐 𝟓
= 𝒐𝒖 𝑵 = 𝟐𝟎𝟎𝟎 √ = 𝟐𝟓𝟖𝟐 𝒆𝒔𝒑𝒊𝒓𝒂𝒔
𝟑 (𝟐𝟎𝟎𝟎)𝟐 𝟑

Portanto, 2582 - 2000 = 582 espiras devem ser acrescentadas sem provocar
quaisquer outras mudanças.

8. Achar a tensão induzida numa bobina de 150 mH quando a corrente é


constante. E também quando a corrente varia numa taxa de 4 A/s.

86
SOLUÇÃO Se a corrente é constante, di/dt = 0 e, portanto, a tensão da bobina
é zero. Para uma velocidade de variação de di/dt = 4 A/s,

𝒅𝒊
𝒗=𝑳 = (𝟏𝟓𝟎 𝒙 𝟏𝟎−𝟑 )(𝟒) = 𝟎, 𝟔 𝑽
𝒅𝒕

9. Determinar a tensão induzida numa bobina de 400 mH, de 0 a 8 ms, quando


a corrente mostrada na Figura 1 passa por ela.

Figura 1 Figura 2

SOLUÇÃO O método é achar di/dt, a inclinação do gráfico, e inseri-la em v = L


di/dt para os vários intervalos de tempo. Para o primeiro milissegundo, a
corrente diminui uniformemente de 0 para - 40 mA. Portanto, a inclinação é
(-40 x 10-3 – 0) / (1 x 10-3) = - 40 A/s, que é a variação na corrente dividida pela
variação correspondente no tempo. A tensão resultante é v = L di/dt = (400 x
10-3)(-40) = - 16 V. Para os próximos três milissegundos, a inclinação é [20 x 10-
3
- (-40 x 10-3)]/(3 x 10-3) = 20 A/s, e a tensão é v = (400 x 10-3)(20) = 8 V. Para os
próximos dois milissegundos, o gráfico da corrente é horizontal, o que significa
que a inclinação é zero. Consequentemente, a tensão é zero: v = 0 V. Para os
últimos dois milissegundos, a inclinação é (0 - 20 x 10-3)/(2 x 10-3) = - 10 A/s e v
= (400 x 10-3)(-10) = - 4 V.

A Figura 2 mostra o gráfico da tensão. Observar que a tensão do indutor pode


saltar e pode até mesmo mudar a polaridade instantaneamente.

87
10. Achar a indutância total de três indutores em paralelo com indutâncias de
45, 60 e 75 mH.

SOLUÇÃO

𝟏
𝑳𝑻 = = 𝟏𝟗, 𝟏 𝒎𝑯
𝟏⁄𝟒𝟓 + 𝟏⁄𝟔𝟎 + 𝟏⁄𝟕𝟓

11. Calcular a indutância do indutor que, quando ligado em paralelo com um


indutor de 40 mH, produz uma indutância total de 10 mH.

SOLUÇÃO Em paralelo, a recíproca da indutância total é igual à soma das


recíprocas das indutâncias dos indutores individuais em paralelo:

𝟏 𝟏 𝟏 𝟏
= + 𝒅𝒂 𝒒𝒖𝒂𝒍 = 𝟎, 𝟎𝟕𝟓 𝒆 𝑳 = 𝟏𝟑, 𝟑 𝒎𝑯
𝟏𝟎 𝟒𝟎 𝑳 𝑳

12. Achar a indutância total LT do circuito mostrado na Figura 3.

5 mH 9 mH

70 mH 30 mH
60 mH

8 mH

Figura 3

SOLUÇÃO O método é combinar as indutâncias começando com os indutores


na extremidade oposta aos terminais na qual LT é para ser encontrada. Lá, os
indutores em paralelo de 70 e 30 mH têm uma indutância total de 70.30/(70 +
30) = 21 mH. Isto é somado à indutância do indutor em série de 9 mH: 21 + 9 =
30 mH, que, combinado com a indutância do indutor em paralelo de 60 mH,

88
60.30/(60 + 30) = 20 mH. E, finalmente, este resultado é somado às indutâncias
dos indutores em série de 5 e 8 mH: LT = 20 + 5 + 8 = 33 mH.

13. Uma corrente i = 0,32t ampères passa por um indutor de 150 mH.
Calcular a energia armazenada em t = 4s.

SOLUÇÃO Em t = 4s, a corrente do indutor é i = 0,32 x 4 = 1,28 A e, portanto,


a energia armazenada é:

WL = ( ½) L i² = (0,5)(150 x 10-3)(1,28)2 = 0,123 J

89