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Lei do Voluntariado

Uma crítica à Lei 9.608 e suas alterações.

Seminário Teológico Evangélico Doutor Pedro Tarsier

DIREITO ECLESIÁSTICO
Prof. Gilberto Berger Saldanha

Abril de 2018

Márcio Giovane Rosa Araujo


Sumário
Introdução .................................................................................................................................................................... 2
Voluntariado: como tratar e formalizar essa atuação nas Igrejas ........................................................................... 3
Igreja deve indenizar fiel que se feriu em trabalho voluntário................................................................................ 4
O homem pintava o prédio da Igreja quando um prego lhe perfurou um dos olhos. A Igreja deve indenizar o
fiel ferido em trabalho voluntário........................................................................................................................ 4
Trabalho Voluntário e Termo de Voluntariado – Algumas decisões dos Tribunais Regionais do Trabalho ............ 5
4 Dicas para gerenciar os voluntários da sua Igreja ................................................................................................. 7
1ª Dica: Comunique claramente as expectativas................................................................................................. 7
2ª Dica: Forneça ferramentas e treinamento para que ele faça o trabalho ........................................................ 7
3ª Dica: Reconheça as contribuições do voluntário............................................................................................. 7
4ª Dica: Celebre o sucesso ................................................................................................................................... 7
Questões que afetam o caráter da Igreja .................................................................................................................... 8
Em meio aos recentes escândalos financeiros no meio evangélico, a questão do dinheiro vem se tornando uma
preocupação na Igreja, especialmente para os não-crentes. .................................................................................. 8
Igreja com expressiva demonstração de organização. ............................................................................................ 9
A administração da Igreja deve ser racional ou insensível à voz de Deus? ........................................................... 10
Como deve agir o gestor eclesiástico eficiente no que tange a gestão de pessoas? ............................................ 11
A Imagem da Igreja .................................................................................................................................................... 12
Introdução: A Imagem da Igreja Evangélica........................................................................................................... 12
A Imagem na Igreja Católica .................................................................................................................................. 12
A Imagem da Igreja Católica .................................................................................................................................. 13
Questões gerais contra a imagem da Igreja Católica que refletem no mundo cristão ......................................... 13
Conclusão: A Imagem da Igreja .............................................................................................................................. 13
Resenha: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo – Max Weber .................................................................. 14
1º Estudo de Caso - Resenha: Os Sentidos do Trabalho Voluntário: Um estudo com membros de uma instituição
Luterana ................................................................................................................................................................. 15
2º Estudo de Caso - Resenha: Os Serviços Voluntários e Religiosos como excludentes da relação de emprego . 16
Conclusão ................................................................................................................................................................... 19
Apêndice .................................................................................................................................................................... 20
Igreja Betel do Partenon – Termo de Posse ministerial (modelo) ......................................................................... 20
Bibliografia ................................................................................................................................................................. 21

1
Introdução
A presente obra discorre sobre a Lei do Voluntariado, a Lei 9.608 de 18/02/1998, e cita as suas
alterações.

É aqui desenvolvido, segundo a Lei do Voluntariado e de suas alterações, uma possível definição
do que é trabalho voluntário, recomendando uma aplicação prática de como tratar e de como
formalizar a ação voluntária nas Igrejas, além de referenciar algumas generalidades que
envolvem o trabalho voluntário.

Também é citado não só um caso onde o Tribunal de Justiça condena a Igreja diante de um
quadro inicial de voluntariado, como também algumas decisões do Tribunal Regional do Trabalho
que envolvem o trabalho voluntário.

Enquanto sugestão, são apresentadas quatro dicas para gerenciar os voluntários da Igreja, do
ponto de vista da aplicação prática da Lei 9.608 e suas alterações.

Em adição, é realizado uma análise discriminando algumas questões que influenciam na coesão
e nas demais relações de trabalho voluntário e geral, tais como o caráter da Igreja e a imagem
que esta passa à sociedade.

Ao final desta obra são feitos três resenhas: a primeira à obra de Max Weber – “A Ética
Protestante e o Espírito do Capitalismo”, fundamental para que se entenda as outras duas
resenhas enquanto estudo de caso aqui propostos: duas dissertações de mestrado - uma na
área da administração envolvendo os sentidos do trabalho voluntário, e a outra na área de direito
envolvendo os serviços voluntários e religiosos como excludentes da relação de emprego.

Isto posto, a missão da obra aqui realizada não é a de gerar uma sentença única acerca da Lei
do Voluntariado e de suas alterações, mas a de realizar uma crítica à luz desta Lei que ajude na
conscientização dos problemas típicos que advém do trabalho voluntário e do trabalho em geral,
e em especial, do trabalho voluntário junto à Igreja, diferenciando-o do trabalho religioso.

-Boa leitura!

2
Voluntariado: como tratar e formalizar essa atuação nas Igrejas

É característica de toda entidade sem fins lucrativos a prestação de serviço de forma voluntária
e tal situação não é diferente nas entidades religiosas (Taís Amorim de Andrade Piccinini, 2018).

Ainda que tenhamos muitas espécies de entidades religiosas, com doutrinas e visões de
diferentes, não há uma Igreja sequer que não atue, de alguma forma, com voluntários.

Em geral, tratados como ‘obreiros’, os voluntários são pessoas que atuam nas frentes de
trabalhos das Igrejas, tais como louvor, ministério infantil, capelania, coral, zeladoria, diaconia e
tantos outros diversos segmentos, que se amoldam conforme as peculiaridades de cada
entidade, sendo, sem dúvida, essenciais para o seu funcionamento.

Ainda que seja prática comum e seja eivada deste contexto espiritual (já que os ‘obreiros’
entendem que, mais do que servir à Igreja, servem à Deus), por se tratar de uma forma de
‘prestação de serviços’, requer-se cuidado na lida desta atuação, impondo-se, para maior
segurança da entidade religiosa, a devida formalização desta relação, a fim de que fique
devidamente documentada a condição da referida prestação de serviço, evitando-se eventuais
situações de vínculo empregatício e consequentemente, obrigações trabalhistas entre os
voluntários e a entidade religiosa, além de proteger a Igreja de outras obrigações de ordem civil
e trabalhista, oriundas do poder público.

O serviço do voluntario está regulado pela Lei 9.608, de 18/02/1998. Em seu artigo 1º
apresenta o serviço voluntário:

Art. 1o Considera-se serviço voluntário, para os fins desta Lei, a atividade não remunerada prestada
por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza ou a instituição privada de fins não
lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de
assistência à pessoa. (Redação dada pela Lei nº 13.297, de 2016)

Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza
trabalhista previdenciária ou afim.

Conforme prescreve o Art. 2º da supracitada lei:

Art. 2º O serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade,
pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, dele devendo constar o objeto e as
condições de seu exercício.

Tal preocupação do legislador visa assegurar à entidade a garantia da inexistência do vínculo


trabalhista com obrigações de natureza trabalhista, previdenciária ou afins.

Nesse sentido, as entidades religiosas devem se precaver em suas relações de voluntariado,


mantendo com todos os seus obreiros um Termo de Prestação de Serviço Voluntário,
devidamente assinado. Nesse termo, deverão constar os dados das partes, o tipo de trabalho
voluntário a ser prestado, dias, horários, bem como o responsável pelo ‘departamento’ onde o
voluntário atuará (vide um exemplo do Termo de Posse ministerial no apêndice).

Essa formalidade também protege a entidade quanto à eventuais indisposições por parte do
Ministério do Trabalho, que poderá julgar inequivocamente uma atuação de um obreiro, como se
um funcionário fosse, na eventualidade de inexistir tal documento assinado.

Importante destacar que uma das características do trabalho voluntário é a total ausência de
remuneração. Na forma da lei, o que se impõe é tão somente o reembolso de despesas
necessárias à execução do trabalho voluntário. E neste lugar é que muitas entidades religiosas
se equivocam no trato com seus voluntários. Muitos líderes religiosos, geralmente imbuídos de
um coração pastoral que visa sempre ajudar as ovelhas, acabam por ‘dar uma ajuda’ a alguns
3
obreiros, pagando – inadequadamente – algum valor pelo serviço prestado. Muitos pagam do
‘próprio bolso’, para não onerar a Igreja. No entanto, havendo pagamento, a relação de
prestação de serviço deixa de ser voluntária, e, portanto, ganha a natureza trabalhista, que impõe
todas as obrigações legais pertinentes.

Assim, ainda que o valor pago seja entregue pelo pastor ou por um membro qualquer (que muitas
vezes quer ‘ofertar’), estando o obreiro prestando serviço à Igreja, é dela a responsabilidade legal
e, nesse caso, não se descarta a possibilidade de ser reconhecido o vínculo de trabalho numa
eventual ação trabalhista, como não se descarta a possibilidade de o Ministério do Trabalho
autuar a Igreja por irregularidade e descumprimento da legislação trabalhista.

Portanto, é inadequado e arriscado qualquer tipo de remuneração a obreiros/voluntários, sendo


que a Igreja, caso entenda que o voluntário faz jus a alguma remuneração, deverá fazer a devida
contratação, com registro em carteira e cumprimento das demais exigências legais.

Igreja deve indenizar fiel que se feriu em trabalho voluntário

O homem pintava o prédio da Igreja quando um prego lhe perfurou um dos olhos.
A Igreja deve indenizar o fiel ferido em trabalho voluntário.

A 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiu que uma Igreja
evangélica deve indenizar um fiel que sofreu um acidente enquanto realizava um trabalho
voluntário para a Igreja (Leiliane Roberta Lopes, 2018).

O ministério condenado é a Igreja do Deus Todo Poderoso de Piumhi. Segundo o pintor, foi o
próprio pastor que pediu para que os fiéis da Igreja realizassem o trabalho de reforma do prédio
da Igreja e ele se prontificou a ajudar.

Mas durante o trabalho o homem teve um olho perfurado por um prego e acabou perdendo a
visão.

Durante o processo, a Igreja chegou a alegar que se tratava de um trabalho voluntário, para não
arcar com os tributos referentes a acidentes trabalhistas. Em primeira instância, a ação de
pedido de indenização chegou a ser julgada como improcedente, mas o pintor recorreu.

No TJMG o relator do processo, o desembargador Manoel dos Reis Morais, ouviu as


testemunhas que confirmaram que o trabalho foi feito a pedido do pastor e mais: que os fiéis
foram coagidos a participarem sob ameaça de exposição frente à comunidade religiosa.

Mesmo sem ter vínculo trabalhista, o relator entendeu que a Igreja tomou serviços voluntários e
nessa condição tinha a obrigação de oferecer todo o equipamento necessário de proteção para
quem estava trabalhando na reforma do prédio [entenda-se o uso de EPI: Equipamento de
Proteção Individual, tais como: óculos, capacete, luvas, etc., dependendo do tipo de obra].

Morais determinou que neste caso o pintor deve receber os R$ 15 mil por danos morais pois:

“consistem no sofrimento resultante da lesão à integridade física do apelado causada


pelo acidente, que exigiu internação hospitalar, cirurgia, tratamento médico, uso
de medicação, além da dor, do desconforto e da significativa sequela de perder
a visão de um dos olhos, com inegável reflexo no desempenho de suas
atividades normais e profissionais”.

4
Trabalho Voluntário e Termo de Voluntariado – Algumas decisões dos
Tribunais Regionais do Trabalho

Há uma poderosa arma a favor da Igreja de Cristo, que se encontra a disposição na legislação,
e que, porém, infelizmente vem sendo subutilizada. É alertado ainda, que com a utilização de
forma correta deste instrumento através de uma boa gestão pode-se precaver as instituições
evitando assim as avassaladoras ações trabalhistas (Rodrigo Sottile, 2018).

“O primeiro trabalho realizado no mundo é o da Criação. É o que se verifica do Pentateuco, mais


precisamente do livro Gênesis, que descreve a origem do mundo: "E, havendo Deus terminado
no dia sétimo a sua obra que tinha feito; descansou..." (Gn 2:2). O trabalho aqui não faz
conotação à fadiga e o repouso não é com intuito de recuperação de esforços gastos. Ainda, em
Gênesis temos que "...Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden
para o cultivar e o guardar" (Gn 2:15). Denota-se que antes sequer do pecado original, Adão já
trabalhava; pois, o trabalho é a possibilidade de continuar a obra criada por Deus.”

Nesse enfoque, primeiramente, nos deparamos com a situação de creches, asilos, hospitais,
clínicas, outros tantos ministérios, necessitando de mão-de-obra e em contrapartida a sociedade
sem trabalhar.

Com o advento da Lei n°9.608/98, criou-se uma poderosa arma que pode e deve ser utilizada
pela Igreja de Cristo, pois, através desta Lei podemos não só regularizar as atividades dos
obreiros dentro da legalidade, como também, ampliar e qualificar os trabalhos realizados em
todos os ministérios.

A Lei em comento, descreve no artigo 1°, o trabalho voluntário, com sendo aquele exercido em
atividade não remunerada, prestada por pessoa física a entidade pública ou privada sem fins
lucrativos, com objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de
assistência à pessoa. O parágrafo único frisa que o serviço voluntário não gera vínculo
empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim.

O artigo 2º, determina que o serviço voluntário será exercido mediante a celebração de termo de
adesão entre a entidade e o prestador de serviço voluntário, devendo obrigatoriamente constar
o objeto e as condições do seu exercício. Porém, nada impede que as pessoas que já prestem
serviços voluntários (de forma gratuita) a entidades sem fins lucrativos anteriormente a
promulgação desta Lei, assinem o termo de adesão, formalizando a relação jurídica que se
encontra fora da esfera do Direito do Trabalho.

Ainda, o artigo 3º, determina que o prestador de serviço voluntário poderá ser ressarcido das
despesas que comprovadamente realizar no desempenho de suas atividades voluntárias, sendo
estabelecido no parágrafo único que as despesas a serem ressarcidas deverão obrigatoriamente
estar expressamente autorizadas pela entidade a que for prestado o serviço voluntário. Ex.:
despesas com locomoção, alimentação, dentre outras, despesas estas para o trabalho e não
pelo trabalho.

É esclarecido ainda, que não basta o voluntário assinar o termo de adesão ao trabalho voluntário
e exercer atividades/funções de um trabalhador comum, pois a entidade não poderá exigir do
voluntário a prestação habitual de serviços, posto que o voluntário não é funcionário ou
empregado, mas sim mero colaborador, com notável espírito humanitário e benevolência, não
podendo ser remunerado pelos serviços prestados, exceto as hipóteses do artigo 3° desta Lei.
Logo, não é passível de ordens de qualquer natureza, sob pena de ser caracterizado a
subordinação e consequentemente ser reconhecido o vínculo empregatício.

A Lei em destaque, além de incentivar esse tipo de atividade, veio também para resguardar as
entidades de eventuais ações trabalhistas. Vislumbra-se que a legislação determina a utilização
5
de contrato de adesão, sendo que “em tese” não haveria a necessidade, pois, o trabalho
voluntário por si só descaracteriza a relação de emprego, mas nota-se que o objetivo do
legislador foi o de deixar a questão solidificada de maneira que por mais que para nós pareça
redundante, não deixa de estar correto.

Sob o prisma da utilização e validade do Termo de Voluntariado é apresentado algumas decisões


dos Tribunais Regionais do Trabalho, na qual demonstra quão importante e legal é a utilização
deste Termo, senão vejamos:

“VÍNCULO DE EMPREGO INEXISTENTE – VOLUNTARIADO – L. 9.608/98 – A


reclamante iniciou a prestação de serviço com base em anúncio para trabalho
voluntário feito pela reclamada em veículo de comunicação local. Ao ser
selecionada, firmou ‘Acordo para Tarefa Voluntária’, não tendo sido provada a
existência de vício de consentimento que anulasse referido contrato. Também
não houve prova de que a autora tivesse recebido salários ou de que estivesse
subordinada juridicamente à reclamada, pois o próprio horário de trabalho era
estabelecido pela reclamante, nas condições que podia. Ainda que assim não
fosse, entende-se como razoável que o prestador de serviço voluntário seja
orientado, inclusive no que tange ao horário de prestação de serviços e responda
por esses últimos ao tomador de serviço voluntário, submetendo-se ao
acompanhamento dessas atividades voluntárias.”

“SERVIÇO VOLUNTÁRIO – ENTIDADE ASSISTENCIAL – INEXISTÊNCIA DE


RELAÇÃO DE EMPREGO – Segundo o disposto na Lei nº 9.608/98 o trabalho
voluntário, prestado por pessoa física à entidade assistencial, não gera vínculo
de emprego ou obrigação de natureza trabalhista.”

“HORAS EXTRAS – Igreja. Trabalho voluntário. Tendo a reclamada se desincumbido


de demonstrar o trabalho voluntário do reclamante, como membro da Igreja, nos
cultos e festividades, e uma vez inexistindo elemento material produzido pelo
obreiro capaz de infirmar a demonstração patronal, resta incólume a r. sentença,
que indeferiu o pleito de horas extras e reflexos.”

“TRABALHO VOLUNTÁRIO À COMUNIDADE RELIGIOSA - Não é empregada a


pessoa que, de forma espontânea e voluntária, presta serviços à comunidade
religiosa local. O fato de trabalhar sem remuneração durante o período já
constitui fator relevante para se rejeitar a pretensão de ver reconhecido um
vínculo empregatício.”

Assim é demonstrado a importância do despertar da Igreja de Cristo em regularizar a situação


dos obreiros e/ou alavancar os ministérios com a utilização do Termo de Voluntariado (vide um
exemplo do Termo de Posse ministerial no apêndice); para tanto, é sugerido aos irmãos em
Cristo que regularizem tais situações de obreiros ligados à instituição através da assinatura do
Termo de Voluntariado, desenvolvido com base na Lei nº 9.608/1998, para que assim, sejam
evitadas as indesejáveis “reclamatórias trabalhistas”.

6
4 Dicas para gerenciar os voluntários da sua Igreja
Gerenciar de maneira efetiva a equipe de voluntários é um ponto crítico para uma Igreja. Muitas
Igrejas têm uma equipe de voluntários, pois não dispõem de recursos para contratar
colaboradores pagos. As Igrejas de maior sucesso têm sempre um sistema e um processo para
lidar com a sua equipe de voluntários (GESTÃO SUPER Retenção de Membros em 16 de janeiro
de 2017, 2018).

Gerenciar voluntários na Igreja


Um programa de voluntariado de sucesso precisa criar a estrutura e prover os recursos
necessários para que as pessoas façam aquilo que se espera delas. Eis as 4 Dicas para
gerenciar os voluntários da sua Igreja:

1ª Dica: Comunique claramente as expectativas

Um voluntário doa o tempo dele, por isso ele precisa ter claro o que a liderança da Igreja espera.
Tenha sempre uma descrição do cargo e do perfil que precisa preencher com um voluntário.
Uma descrição clara e objetiva ajuda a atrair as pessoas certas para realizar aquilo que a Igreja
realmente precisa. A pessoa certa, no lugar certo, fazendo a coisa certa.

2ª Dica: Forneça ferramentas e treinamento para que ele faça o trabalho

Quando o trabalho voluntário é uma experiência positiva para o voluntário, ele vai adorar ter se
candidatado ao cargo e vai ficar feliz com a ideia de ajudar. Ter um treinamento ou uma descrição
detalhada do que o voluntário precisa fazer é um fator crítico para o processo e para que ele
entenda exatamente o que se espera dele. Com isto, é possível de se controlar/corrigir o curso
de ação de todo o trabalho voluntário planejado.

3ª Dica: Reconheça as contribuições do voluntário

Assim como um funcionário, os voluntários devem ser reconhecidos e recompensados pelo bom
trabalho. Esse agradecimento pode vir de muitas formas, como:
-Uma menção pública durante um culto;
-Um e-mail de agradecimento, ou um cartão, ou ainda uma carta;
-A oportunidade de assumir novas responsabilidades;
-Um cartaz ou alguma menção no mural da Igreja.
O mais importante é fazer com que o voluntário saiba que o trabalho dele é importante e está
ajudando muito a Igreja. Um ajuda o todo e o todo ajuda um, que é o princípio da Comunhão.

4ª Dica: Celebre o sucesso

Qualquer um que tenha se envolvido na realização de um grande evento em uma Igreja sabe o
quanto de tempo e trabalho é consumido. Quando a sua equipe de voluntários realiza um evento
que está acima da média anterior, é preciso comemorar isso. A celebração do sucesso é uma
forma de reconhecer que sem a ajuda desses voluntários esse evento não seria possível, e este
reconhecimento pelo cumprimento de meta é um incentivo relacional que sustenta o voluntariado.

7
Questões que afetam o caráter da Igreja

Em meio aos recentes escândalos financeiros no meio evangélico, a questão do dinheiro


vem se tornando uma preocupação na Igreja, especialmente para os não-crentes.

O escândalo financeiro é ruim para o organismo e para a organização Igreja, pois passa aos
olhos do mundo não-crente a imagem da falta de credibilidade e de controle da Igreja, virando
um atestado genérico de ausência da direção de Deus a toda Igreja (Araujo, Questões que
afetam o caráter da Igreja, 2017).

Em se tratando desse escândalo acontecer no meio evangélico, há um aumento no preconceito


seguido de rejeição do mundo não-crente não só em relação à Igreja evangélica enquanto placa,
mas também ao corpo evangélico e aos missionários evangelistas.

Quando a Igreja evangélica é administrada pela obra da carne via seus dirigentes (ou em
exclusivo via pastor), cede-se à tentação, havendo apossamento de dinheiro que a esta chega.
Dado que a Igreja evangélica tem um CNPJ, e que sendo “sua” (da administração da Igreja) ou
tipicamente como sendo “seu” (do pastor), a Igreja evangélica erroneamente é vista como uma
empresa que vende um produto que não entrega, ou cobra por um serviço que jamais presta, e
em ambos os casos, se justifica se eximindo da culpa pela falta de fé na ovelha, mas que retém
e indevidamente usa o que a ovelha paga [ou investe].

O mais triste exemplo desta lógica carnal de administrar uma Igreja evangélica com fins lucrativos
é “a Igreja do pastor”, e não a Igreja de Cristo. Certamente é uma teologia que anuncia um
Evangelho contaminado, centrado na conveniência de quem prega, se buscando e se mantendo
a ovelha pela razão errada. Esta pseudo-Igreja que se intitula de Igreja evangélica muito
provavelmente tem um pastor carnal, autoritário, desconfiado e autossuficiente, de tal forma que
somente através da pessoa do pastor é que se sabe o correto destino do dinheiro recolhido do
gazofilácio dos dízimos e das ofertas: uma mansão com piscina, campos agropecuários e
hortifrutigranjeiros, alguns carros importados, jatinho e aeroporto particular, filhos estudando no
exterior, um megatemplo ostensivo, TVs, rádios, internet, ternos caros, extravagâncias pessoais
em gastos e etc., e em muitos casos até negligenciando a própria existência básica enquanto
Igreja evangélica, tais como o pagamento de: água, luz e ajuda de custo a seus integrantes.

Não somente fica uma imagem negativa para a placa da Igreja evangélica de uma localidade,
mas também para todas as Igrejas evangélicas que através dessa são genericamente
representadas e associadas ao escândalo financeiro, e não à obra de Deus.

Ainda que o problema fisicamente se limite a uma pequena comunidade de uma cidadezinha
qualquer no mundo, com o uso de redes sociais, que divulgam somente coisas que não edificam,
a vazão deste escândalo financeiro é praticamente instantânea, permanecendo o registro
negativo que dificilmente se apaga da rede. Quando esta péssima notícia de escândalo financeiro
da Igreja evangélica chega a um não-crente, certamente este brada afirmando: “Viu? Ir na Igreja
dar dinheiro pra pastor ladrão?! -Tô fora!”. E agora? Como explicar ao mundo que este não é o
único objetivo do existir da Igreja: o lucro encima das ovelhas. Certamente haverá um maior
incentivo ao afastamento do não-crente a todo e qualquer tipo de Igreja evangélica,
principalmente da presença de membros evangélicos fora da grei (sabendo-se do escândalo, o
não-crente não enxerga o membro da Igreja evangélica como ovelha, mas sim como um otário
sustentador de pastor ladrão, além de um enxerido na vida alheia na hora em que a ovelha está
em missão de proselitismo evangélico).

Na desesperadora maioria da população que anseia pela busca de paz e reconforto para: viver,
trabalhar, resolver-se numa vida amorosa, safar-se de uma doença, enfim, é necessário
apresentar Jesus. Até aqui não é problema. Todos, de uma forma ou de outra, passam por estas
8
necessidades. O problema residual de fato, o que fica e marca, face a divulgação de um
escândalo financeiro de uma Igreja evangélica, é que o mundo não-crente passa a não dar a
devida credibilidade à Igreja evangélica, enxergando-a como um problema a mais se fizer parte
de sua vida, e não como uma solução a todos os seus problemas. Isto é perda para o Reino de
Deus, e certamente satanás aplaude!

Isto posto, enxergo como a única maneira de se reverter este quadro de péssima imagem da
Igreja evangélica estar associada ao escândalo financeiro e/ou a demais problemas que
envolvam dinheiro é ter, sem exceção, toda a Igreja de joelhos, orando, clamando por presença
e orientação feita pelo Espírito Santo. A orientação plena de Deus tem que atingir os sacerdotes,
ministros, dirigentes e as ovelhas. Todos orando e agindo alinhados à vontade de Deus, a fim de
ter sustentação ao passar pelo deserto de problemas, ou pelo vale de crises comuns a todas as
Igrejas, quer no âmbito da sustentação, quer no de expansão, procedendo no agir
simultaneamente com caráter e com competência ao levar a Palavra de Deus a todo lugar.

Igreja com expressiva demonstração de organização.

Conforme 1Co 12:12 a Igreja é um organismo - um corpo com muitos membros, mas também
possui estrutura de uma organização civil. Hoje a Igreja tem demonstrado mais características
de organização do que de organismo.

Em 1Co 12:12 (Biblia Online versão ARA, 2018) “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos
membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com
respeito a Cristo.”.

Entendo que a Igreja enquanto organismo tem o princípio básico de servir, e a Igreja enquanto
organização não pode abrir mão de princípios administrativos para existir.

Neste aspecto, havendo hoje no Brasil um imenso número de placas de Igrejas que se dizem
cristãs, mas que pregam um Evangelho contaminado para essencialmente se manterem,
certamente esta maioria prima exclusivamente pela existência, ou seja, a Igreja brasileira reflete
mais as características de organização do que as de organismo.

É fácil de se constatar que há um atrativo enorme de doutrinas estranhas, de tal forma que “aqui
pode isto que lá na outra Igreja não se podia” tem o objetivo de atingir e angariar um maior
número de ovelhas para o específico fim de gerar e manter a existência da própria Igreja e de
seu crescimento.

Dentro do âmbito onde “Importa a Igreja crescer e competir com as outras.”, não há presença de
Deus. Neste carnal “menu de Igrejas” onde a ovelha “escolhe” o que deseja “ouvir”, de tal forma
que, após a escolha feita pela ovelha, venha esta a “não gostar ou não se sentir bem” por
quaisquer motivos, a ovelha vai para a próxima “opção de Igreja” no “menu”. Nestas buscas por
Igrejas que não anunciam o verdadeiro Evangelho, triunfa o sociocentrismo e o politicamente
correto, permitindo que a ovelha deixe de abrir mão do arrependimento de seus pecados,
praticando-os, enquanto comunga com os que “Ouvem a palavra que não transforma e nem
vivifica.”. Certamente a Igreja regida e destinada a um fim comercial, visando o lucro, o aumento
patrimonial, ou em última análise, voltada para o propósito de cumprir-se uma meta
administrativa não focada em pessoas, mas nos bens e serviços que venham a proporcionar o
crescimento próprio da organização Igreja, não é a Igreja de Cristo e sim a ➔ Igreja-Empresa.

A meta da Igreja-Empresa se fundamenta no “crescimento empresarial da Igreja”, e é


caracterizada por uma contínua e necessária busca de um número cada vez maior de
participantes que dizimem, ofertem, e que cumpram “outros desafios financeiros” projetados para
se aumentar o lucro.

9
A preocupação típica da Igreja-Empresa é a focada no operacional que a sustenta, relevando
para o segundo plano a pessoa (ovelha) de que dela compra ou investe. Tais preocupações são
notáveis quanto à constante necessidade de captação de dinheiro, de crescimento e de
manutenção de membros que efetivamente possam contribuir. A ideia por trás é vender o sonho
da mentira realizável, remontando quase a mesma estrutura em pirâmide do esquema Ponzi, ou
mais delicadamente, disfarçando este esquema através do “Marketing Multinível” da Igreja-
Empresa.

Cito alguns exemplos de preocupação constante da Igreja-Empresa, tais como: O testemunho


comercial de sucesso e de triunfalismo de alguns poucos membros “que alcançaram a graça”; A
divulgação nos meios de comunicação, redes sociais e internet com publicidades caras; A
geração de shows e/ou eventos com o fulano de tal que é “benção” numa “área de ostentação”;
“Outros pedidos de ajuda financeira extrema para o projeto tal”; Captação de recursos
significativos e imediatos para a tal data que se aproxima, enfim, nenhuma direção há do Espírito
Santo na Igreja-Empresa, senão o da administração técnica e comercial orientada ao lucro.

Para concluir, a Igreja-Empresa, que fortemente se caracteriza como organização, tem o


princípio exclusivo voltado para o lucro e não para as pessoas. Desta forma, é fácil enxergar as
obras da carne manifestas na direção, e, copiosamente, na própria grei. Não há fruto do Espírito
na Igreja-Empresa. Terrível e fatal engano é pensar que estão fazendo a obra de Deus ao
anunciar o Evangelho contaminado que sustenta a Igreja-Empresa.

A administração da Igreja deve ser racional ou insensível à voz de Deus?

A administração eclesial deve buscar o “meio termo” no racionalizar das decisões junto com
aquelas tomadas à luz do Espírito Santo. Para realizar-se a implementação deste “meio termo”,
é necessário que gestor eclesiástico busque a potencialização do melhor que cada um tem a
oferecer na distribuição de tarefas da Igreja e na própria composição de seus ministérios.

Em termos práticos, para se executar o “meio termo” é necessário ter uma estrutura eficiente de
administração da Igreja, formada por pessoas não somente talentosas ou em seu chamado, mas
que simultaneamente contemple o caráter e a competência dos membros componentes. Assim,
o “meio termo” se operacionaliza e efetivamente trabalha na execução de prioridades da Igreja,
relevando para segundo plano as demais necessidades.

O exemplo típico valendo-se do “meio-termo” envolve as contas de luz e de água da Igreja, onde
devem prioritariamente serem pagas, assim como salários e obrigações tributárias aplicáveis.
Não se ora a Deus para que estas contas apareçam sobrenaturalmente quitadas junto ao banco.
No máximo, pedir ao Senhor misericórdia para que as entradas médias de dízimo e de ofertas
se mantenham aproximadamente dentro do valor esperado para se cumprir com todas estas
obrigações, enquanto existir o trabalho envolvido de anunciar a sã doutrina. Jamais dizer: “Deus,
como a Igreja é tua, toma a tua conta e paga!”. Certamente Deus fará a Sua parte, se
primeiramente fizermos a nossa: orar e agir alinhado com a vontade dEle.

Outro exemplo valendo-se do “meio-termo” é o suprimento de necessidades. Toda Igreja cristã


gostaria de existir indefinidamente e de crescer até a volta de Jesus. Bem, a vontade humana é
alinhada pela vontade de Deus, e não ao contrário. Assim, o trabalho de sustento, de crescimento
e de missões não é obra exclusiva de um projeto humano bem articulado e nem dependente de
uma técnica operacional eficaz e eficiente que o execute, sim da direção plena do Espírito Santo
com fruto e propósito. Logo, cai por terra a afirmativa que Deus irá suprir todas as necessidades
da Igreja. Deus vai suprir e já supriu a todos com o que se precisa (o prioritário e básico), e não
necessariamente com o que se pede para satisfazer uma necessidade (o complementar e
expletivo). Com os exemplos práticos que aqui apresentei do “meio termo” em ação, concluo que
é possível administrar a Igreja sem deixar de sermos espirituais ou insensíveis à voz de Deus.

10
Como deve agir o gestor eclesiástico eficiente no que tange a gestão de pessoas?

A administração eclesiástica eficiente deve ser realizada por um líder que consiga gerenciar a
dimensão do coração (alma) e a do entendimento (espírito) de seus liderados, delegando
atividades e ministérios na busca equilibrada de pessoas, tendo em mente a execução de um
modelo ideal de gestão implementado através da articulação conjunta entre caráter e
competência, não tendencionando esta escolha somente pelo caráter, ou somente pela
competência, mas sim pela opção que simultaneamente contemple a ambas.

A dimensão do coração engloba as intenções, os reais valores, a centralidade, o equilíbrio, os


reais objetivos pessoais e coletivos, as paixões, o que realmente amamos, a fidelidade e o
caráter.

Já a dimensão do entendimento engloba o como fazemos, as técnicas que usamos, os bons


hábitos, a observância da lei, a prudência, a experiência e a competência.

O coração (alma) remete ao caráter, e o entendimento (espírito) remete à competência. O caráter


e a competência devem caminhar juntos e EQUILIBRADOS pelo poder de Deus. Eles são
interdependentes ➔ Não podem caminhar sozinhos na vida da Igreja. Deve haver um equilíbrio
entre essas forças.

O caráter nos faz espelhos para os discípulos, direciona nossas ações e respalda as nossas
atitudes.

A competência produz ações otimizadas, resultados produtivos e aperfeiçoa uma visão mais
pragmática, isto é, agrega forças em prol de um resultado de meta.

Então, se entendemos e nos apoiamos na necessidade de investirmos no nosso coração


(caráter) e no nosso entendimento (competência), temos uma base sólida para nos apoiar na
busca de uma solução para o nosso desafio de gestão nas Igrejas.

Cabe salientar aqui que o gestor eclesiástico eficiente investe 10% nos recursos materiais e 90%
nos recursos humanos [o oposto ao gestor da Igreja-Empresa]. O investimento maior deve ser
em pessoas, tais como no treinamento de como funciona a Igreja e para conhecimentos
específicos (ministérios). Há um tempo maior de maturação neste tipo investimento - investir em
pessoas - mas certamente melhorará o suporte e acolhimento que a Igreja poderá oferecer nela
e no além paredes. Outra vantagem de se investir em pessoas é a facilitação da supervisão do
planejamento eclesial, das metas e de conduta da Igreja, cujos resultados transcendem a sua
localização física, positivando ações de acompanhamento e de automotivação, e, se necessário,
do próprio realinhamento da atuação da Igreja.

O gestor eclesiástico eficiente está além da capacidade de se resolver conflitos de pessoas


(Ne 5:9-12). Antes, busca a potencialização do melhor que cada um tem a oferecer na pregação
e no anúncio do verdadeiro Evangelho: a sã doutrina citada por Paulo (2Tm 4:3) “Pois haverá
tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as
suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos;”.

Na prática, com o modelo ideal de pastoreio eficiente formado na escolha que contemple
simultaneamente ao caráter e à competência de membros, pode-se definir a execução de
prioridades da Igreja, relevando para segundo plano as demais necessidades.

11
A Imagem da Igreja
Introdução: A Imagem da Igreja Evangélica
A Igreja evangélica, seja ela Reformada, histórica, tradicional, pentecostal, neopentecostal ou o
que for, ela precisa saber, que o seu papel enquanto Igreja é o de ganhar almas para CRISTO.
Infelizmente, por razões econômicas de sobrevivência da Igreja enquanto organização e não
enquanto organismo que é o seu fim, não se prega o verdadeiro evangelho de JESUS CRISTO.
Antes, é enfatizado (para não dizer endeusado) (Araujo, A Imagem da Igreja, 2017):
► o financeiro; ► a cura; ► as bênçãos;
► o triunfalismo; ► a confissão positiva; ► a emoção;
► o sociocentrismo; ► o politicamente correto; ► o show de entretenimento.
Os pregadores de hoje estão querendo dizer o que o povo quer ouvir, e não o que o povo
precisa ouvir. Há a pregação de evangelho barato, que sai caro mesmo é para os seguidores
deles, primeiro espiritualmente e depois fisicamente. Não há caráter na Igreja.
É esquecido de ser dito que: SÓ JESUS CRISTO SALVA ➔ Logo, não está sendo pregando o
evangelho da salvação, porque pensam eles: “-Não dá ibope!” (não dando casa cheia, não se
sobrevive). Terrível é a imagem passada à sociedade deste tipo de Igreja.
Há a necessidade de se pregar o evangelho que transforma, O DO PODER DO SANGUE DE
JESUS VERTIDO NA CRUZ, que confronta direto com o pecador, que faz o homem reconhecer
o seu estado original de pecador, de se arrepender de seus pecados, de entregar a sua vida a
CRISTO, e de tremer e temer a Justiça de Deus no grande Dia.
Muitíssimo simples resolver isto tudo: é só falar do pecado, da Justiça de Deus e do Juízo Final,
dizendo ao homem que ele é pecador. Mais ainda: -Que CRISTO morreu para nos salvar,
bastando ao homem se arrepender, e aceitando que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador! O resto
é trabalho do Espírito Santo em convencer o pecador de seus pecados, buscando o Renovo.
É possível, sim, sair da zona de conforto e agir no mover de Deus inspirado pelo Espírito Santo,
partindo-se do pedestal, e realizando-se a missão de evangelizar em o nosso chamado, tendo
em mente que todo o trabalho de conversão, de fato, pertence a DEUS e é para Sua Honra e
Glória, sendo nós apenas os vasos na mão do Oleiro.
Finalizando, o problema da pregação que salva o perdido é não dar um grande retorno financeiro,
se, por exemplo, comparado ao evangelho da prosperidade! Muitos pastores evangélicos optam
pela Teologia da Prosperidade ➔ mesmo conhecendo os perigos que esta representa, e, por
conseguinte, tornam praticamente nula a possibilidade de haver candidato ao trabalho
voluntariado na Igreja (o voluntariado não coaduna e nem aspira na Teologia da Prosperidade),
dado o caráter e imagem errôneos de prosperidade que a Igreja-Empresa passa à sociedade.

A Imagem na Igreja Católica


UMA DAS MAIORES disputas entre católicos e evangélicos está, sem dúvida, na questão do
uso das imagens na Igreja. A Igreja Católica defendeu o seu uso desde a sua fundação, e depois
as Igrejas cristãs ortodoxas, ao contrário da visão protestante dita evangélica. A partir de Lutero,
novos grupos confessionalmente cristãos passaram a encarar a questão como um insulto ao
mandamento divino que proíbe a confecção de imagens (Êx 20:3-5):
3 Não terás outros deuses diante de mim.
Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas
4
debaixo da terra.
Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até
5
à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem

12
A Imagem da Igreja Católica
Os números crescentes de escândalos de pedofilia na Igreja Católica produzem uma imagem de
insegurança a crentes e não-crentes de levar uma criança e deixar aos cuidados da Igreja. Logo,
torna-se impossível colocar em prática os textos bíblicos de (Biblia Online versão ARA, 2018):

Pv 22:6 “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”.
Is 54:13 “Todos os teus filhos serão ensinados do SENHOR; e será grande a paz de teus filhos.”.
Mt 19:14 “Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.”.
Ef 6:1-3 “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento
com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra.”

A falácia noticiosa registrada pela mídia e redes sociais em truncamento declarativo acerca do
Papa Francisco que disse, no voo de volta de sua viagem ao Brasil: "Quem sou eu para julgar?"
em se referindo a questões de homossexualidade? Antes de alardear toda essa murmuração em
torno do que o Papa havia dito, é identificado aqui o velho problema do texto fora de contexto
que gera a heresia, de tal forma que importa colocá-la em seu devido contexto sem edições. O
Papa estava respondendo à pergunta do repórter acerca de que se a Igreja condenava ou não
os homossexuais, declarando: "Se uma pessoa é gay e procura o Senhor e tem boa vontade,
quem sou eu para a julgar?" Mas, depois, continuou: "O Catecismo da Igreja Católica explica
isso muito bem!". E o que diz o Catecismo da Igreja Católica, que naturalmente isto não foi
publicado? “Que as pessoas homossexuais são chamadas à castidade.". Logo, não havia
interesse em se publicar uma verdade Bíblica cristã contra a tendência homossexual, segundo o
ensinamento de Cristo → Lc 9:23.

23 Dizia a todos [Jesus]: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.

Questões gerais contra a imagem da Igreja Católica que refletem no mundo cristão
● Supermercado Católico? A neoindulgência tem preço e dono: casamento, batismo, funeral, (...).
● Ausência de lideranças? A hierarquia estrutural católica não prevê heróis da fé populares.
● Perda da identidade social? É culto católico, afro ou show? Ecumenismos em obra da carne.
● O Papa Bento XVI era nazista? Sim, era. Se não o fosse, teria morrido antes ir para o Seminário.
● Fuga de mulheres? A Igreja católica é contra o “empoderamento feminino” e contra o lesbianismo.
● A Santa Inquisição matou inocentes? A calvinista foi mais sádica, brutal e com mais vítimas.
● Comunicação centralizada? É possível participar de um culto à distância, porém sem comunhão.
● A romanização da Igreja é católica? A Bíblia não é propriedade da Igreja, sim dos cristãos.

Conclusão: A Imagem da Igreja

As Igrejas evangélicas reconhecem a existência de autoridades como lideranças eclesiásticas,


credos, concílios, confissões de fé, etc. Logo, a imagem da Igreja, independente da placa,
influencia a opinião de todos: crentes e não-crentes. A diferença é que nenhuma autoridade
humana ligada à Igreja é infalível. Antes, a autoridade delas está condicionada à autoridade
máxima das Escrituras. Isso significa que um pastor pode errar (se contrariar a Bíblia), que um
padre pode errar (se contrariar a Bíblia), que um credo pode errar (se contrariar a Bíblia), e assim
por diante. Isto posto, nenhum evangélico rejeita a priori o que alguma outra autoridade afirma –
só que temos o discernimento para acreditar que estas outras autoridades podem errar o alvo:
Jesus. Esta é essencialmente a correta imagem que a Igreja deve buscar e ter de si, segundo a
própria Escritura e o mover do Espírito Santo.

13
Resenha: A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo – Max Weber
Em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo’, Weber discorre sobre a relevância da
reforma protestante para a formação do capitalismo moderno, de modo que relaciona as
doutrinas religiosas de crença protestante, para demonstrar o surgimento de um modus operandi
de relações sociais, que favorece e caracteriza a produção de excedentes, gerando o acúmulo
de capital (Terminologia Atemporal em 02 de maio de 2013, 2018).

Há de se dizer, então, que o mundo outrora dominado pela religião católica, era também
concebido a partir da cultura por ela promulgada. Isso quer dizer que o modo de vida pregado
no catolicismo, era propagado para além dos limites da Igreja, perpassando a vida dos sujeitos.
Entretanto, o catolicismo condenava a usura, e pregava a salvação das almas através da
confissão, das indulgências e da presença aos cultos. Desta forma, o católico enxergava o
trabalho como modo de sustentar-se, mas não via prescrição em também divertir-se, buscando
modos de lazer nos quais empenhava seu dinheiro, e produzindo apenas para seu usufruto.
Menos temerário ao pecado que o protestante, e impregnado pela proibição da usura, o católico
pensava que pedir perdão a seu Deus seria suficiente para elevar-se ao “reino dos céus”. Assim,
seguindo esta cultura religiosa, a acumulação de bens não encontrou caminhos amplos, e
permaneceu adormecida.

Contudo, com o advento do protestantismo, a doutrina – e, portanto, a cultura – católica


modificou-se, e a salvação passou a ser para alguns, não mais passível de ser conquistada, mas
sim uma providência divina, onde o trabalho era meio crucial para glorificar-se. Para o
protestante, o trabalho enobrece o homem, o dignifica diante de Deus, pois é parte de uma rotina
que dá às costas ao pecado. Durante o período em que trabalha, o indivíduo não encontra tempo
de contrariar as regras divinas: não pratica excessos, não cede à luxúria, não se dá a preguiça:
não há como fugir das finalidades celestiais. E, complementando toda a doutrina protestante,
ainda é crucial pontuar que nesta religião não há espaço para sociabilidade mundana, pois todo
o prazer que se põe a parte da subserviência a Deus, fora considerado errado e abominável.
Assim, restava a quem acreditava nestas premissas, o trabalho e a acumulação, já que as horas
estendidas na produção excediam as necessidades destes religiosos, gerando o lucro.

Portanto, quando se fala em uma concepção tradicional de trabalho, trata-se da concepção


católica, que não acumulava e pensava o trabalho como meio de garantir subsistência. Já a
concepção que vê o trabalho como fim absoluto, é a protestante, que enxerga no emprego de
esforços produtivos a finalidade da própria existência humana, interligada com os propósitos
providenciais de Deus.

Esta mudança no comportamento social, além do choque de culturas exposto nos parágrafos
acima, suscita uma abrupta mudança no cenário econômico. Isso decorre do seguinte ciclo: O
católico trabalha para viver, o protestante vive para trabalhar. O protestante gera excedente, e o
acumula, investindo-o em cadernetas de poupança, gerando lucro. A finalidade protestante é
salvar-se, e se o trabalho é salvador, empregar outros auxilia na salvação alheia. Logo, o
protestante é dono dos meios de produção, detém os funcionários e acumula cada dia mais
excedentes, gerando mais capital. E assim, a gênese do capitalismo moderno é concebida.

Conclui-se, portanto, que a cultura – segundo Weber um modo de ser que detém as práticas –
ao ser modificada, gera novos costumes, um comportamento inusitado, que embora não tivesse
como objetivo estabelecer uma nova ordem econômica, e sim moral, passa a sustentar a
essência do sistema.

14
1º Estudo de Caso - Resenha: Os Sentidos do Trabalho Voluntário:
Um estudo com membros de uma instituição Luterana

A resenha foi feita a partir da dissertação de mestrado em administração de mesmo título


sublinhado acima da autoria de Pietra Borchardt da Universidade Federal do Espírito Santo, com
104 páginas, em 2015 (Borchardt, 2018).

Uma das preocupações iniciais que deu impulso a discussão de como os sentidos influenciam
no trabalho voluntário foi compreender como o sujeito consegue lidar com a inserção na Igreja,
mesmo que envolvido em outras instituições contemporâneas não tradicionais no seu cotidiano.

Todos os sentidos fazem parte de uma construção social, em que as experiências e a interação
com outras pessoas vão moldando quem o indivíduo é e a sua relação com a Igreja. Esses
sentidos - comunhão, ética, seriedade, imagem, respeito, acompanhamento, suporte e
reconhecimento - também estão ligados ao comprometimento, uma vez que se relacionam à
“identificação com a organização”. Assim, a forma de comprometimento é diretamente
proporcional a ligação emocional do indivíduo para com a organização.

A ligação emocional torna-se mais coesa quanto maior o aspecto de seriedade e de imagem da
instituição repassada à sociedade. Esta pode fazer com que os voluntários sintam orgulho de
participar da organização, fazendo com que permaneçam nela, ou não.

Ter um trabalho formal não significa não estar disposto ou apto a também fazer trabalho
voluntário, afinal, o voluntário abdica de tempo e de talentos em prol da sociedade, como uma
atitude solidária e altruísta.

O sentido do trabalho voluntário também clama pela verificação de esgotamento do voluntário


que permanece sempre em uma mesma função. Assim, a gestão deve considerar um
revezamento de atividades e apresentar novos desafios ao sujeito, para que ele se sinta
importante para a organização e queira continuar atuando, como uma espécie de plano de
carreira, em que possa evoluir naquela atividade voluntária, incentivando e sendo incentivado
pelo trabalho de outras pessoas da instituição.

A relação com a profissão é trazida de forma aproximada, ao se colocar o argumento de que o


voluntário busca experiência profissional, permitindo e se deparando com situações em que o
seu potencial seja explorado.

Laços afetivos são essenciais para a continuidade do trabalho voluntário. Este, portanto, é um
sentido voltado ao social, à necessidade de convivência agradável e pacífica. A satisfação social
gera bem-estar e faz com que o voluntário se sinta pertencente ao grupo e, consequentemente,
mais envolvido e comprometido com o trabalho.

Em termos de acompanhamento, suporte e reconhecimento, o trabalho voluntário consegue


preencher as lacunas de estima, de reconhecimento e de satisfação nos sujeitos, sendo um
momento de alívio de tensões sentidas no meio social.

Por fim, é importante entender o processo de construção dos sentidos ao longo da vida das
pessoas para que se consiga compreendê-las de fato. A partir do entendimento do que faz
sentido ou não para os trabalhadores é possível se falar de motivação, de qualidade de vida no
trabalho e de relações humanas no trabalho a qualquer estrutura organizacional, principalmente
àquela instituição sem fins lucrativos que clama pela contínua necessidade de trabalho
voluntariado.

15
2º Estudo de Caso - Resenha: Os Serviços Voluntários e Religiosos
como excludentes da relação de emprego

A resenha foi feita a partir da dissertação de mestrado em direito de mesmo título sublinhado
acima da autoria de Márcio Mendes Granconato, da PUC de São Paulo, com 168 páginas, em
2006 (Granconato, 2018).

Na prestação dos serviços voluntários e religiosos, sempre há a figura da pessoa humana. No


primeiro caso, nos serviços voluntários, o que move o homem a trabalhar é a solidariedade que
decorre de uma ordem moral natural da qual ele não pode se furtar; no segundo caso, ou seja,
nos serviços religiosos, o homem é movido por sua fé, que traduz a necessidade de satisfação
dos anseios do espírito, de ligação com o sobrenatural. Essas razões legitimam a existência de
prestações de serviços desprovidas das proteções dadas pelas leis trabalhistas, porque a
intenção das partes não é a de contratar.

Mas o estudo dos serviços voluntários e religiosos também passa pelo campo da teologia, ciência
que estuda o que a Bíblia como um todo ensina acerca de um determinado assunto. E a teologia
cristã, contrariando pensamentos históricos, ensina que o trabalho não é um mal em si, mas sim
uma bênção a ser desfrutada pelo homem, um mandamento dado por Deus. Essa visão bíblica
enaltece o valor do trabalho, coloca-o num merecido lugar de honra, legitima o reconhecimento
dos trabalhos voluntários e religiosos e, por fim, acarreta um avanço da sociedade, que passa a
rejeitar a ideia de que somente se trabalha por objetivos materiais.

No Brasil, os serviços voluntários sofreram expressiva influência com a abolição da escravatura,


mas sua existência remonta ao surgimento da primeira Santa Casa de Misericórdia, na cidade
paulista de Santos, em 1543. A partir do século XX, em especial com a era Vargas e, depois,
com a democratização do Estado, o voluntariado ganhou novo fôlego e mais recentemente
passou-se a falar em Terceiro Setor, ou setor sem fins lucrativos, que tem suprido a debilidade
da máquina administrativa governamental para resolver problemas ligados principalmente à
desigualdade social.

O crescimento do Terceiro Setor fez do amadorismo que envolvia o serviço voluntário algo do
passado, e esse avanço culminou na edição da Lei 9.608, de 18/02/1998, que impede o
reconhecimento de vínculo empregatício entre o prestador de serviços voluntários e a entidade
que o arregimenta, reforçando a tese de que é possível haver ajustes válidos de prestação de
serviços longe das raias do Direito do Trabalho.

Quanto aos serviços religiosos, seu desenvolvimento no Brasil evoluiu de um Estado que detinha
uma religião oficial no Império, qual seja, a Católica, para o de um Estado aconfessional, que se
separou da Igreja e atua junto às muitas religiões num sistema de colaboração mútua. A
liberdade religiosa adquirida com o passar do tempo trouxe um aumento significativo dos
movimentos religiosos e uma evolução crescente do número de pessoas que se dedicam às
obras que envolvem a fé, fato que tem demonstrado que é possível haver harmonia na
convivência, numa mesma ordem jurídica, dos trabalhos religiosos e aqueles protegidos pelo
Direito do Trabalho, em que pese o crescente número de demandas trabalhistas nos Tribunais
espalhados pelo País envolvendo aqueles trabalhadores.

O Direito do Trabalho não se aplica no âmbito dos serviços voluntários e religiosos.

Todavia, há princípios aplicáveis àquele ramo jurídico que se estendem a estas modalidades de
prestação de serviços, por serem universais e, portanto, reforçam a validade de ambas.

São eles os princípios da razoabilidade, da boa-fé e da não alegação da própria torpeza: a


razoabilidade atua como um freio na prestação desses serviços e, uma vez violado,
16
descaracteriza a natureza voluntária ou religiosa da prestação de serviços, dando ensejo a
contratos de trabalho típicos ou a relações vedadas pelo ordenamento jurídico brasileiro; a boa-
fé traduz a ideia de lealdade e reciprocidade, tem seus aspectos objetivos e subjetivos aplicados
no âmbito dos serviços voluntários e religiosos e, quando inobservado pelas partes, enseja o
surgimento de contratos de trabalho ou o direito a reparações de ordem moral ou material,
dependendo do caso; a não alegação da própria torpeza penaliza a conduta voluntariamente
maliciosa e tem especial relevância na esfera deste estudo porque aqui há maior autonomia no
ajuste estabelecido entre as partes, mostrando-se sempre aplicável o Art. 150 do Código Civil.

Também a Constituição Federal de 1988 legitima a prestação dos serviços voluntários e


religiosos, na medida em que aqueles servem de instrumento para dar vida aos princípios da
dignidade da pessoa humana e da promoção do bem comum, notadamente numa época em que
o Estado encontra-se incapaz de suprir todas as necessidades que se apresentam na sociedade;
já estes, os serviços religiosos, têm sua importância na colaboração prevista no Art. 19, I, da
Carta Magna.

Ao contrário do que muitos pensam, não se pode confundir os serviços voluntários com os
serviços religiosos, pois aqueles, como visto, são prestados por razões de solidariedade e
estes, por sua vez, por motivo de fé. E tanto isso é verdade que o Art. 1.º, caput, da Lei 9.608/98
não inseriu entre os tomadores dos serviços voluntários as instituições religiosas.

A atividade do voluntário, pessoa física, maior de 16 (dezesseis) anos, sempre, somente poderá
ocorrer junto a instituições públicas que prestem serviços públicos próprios, assim entendidos
aqueles que atendam às necessidades coletivas e que são assumidos diretamente pelo Estado,
e nunca por terceiros, bem como junto a instituições privadas sem fins lucrativos que tenham
objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência à pessoa. As
entidades que tenham fins não lucrativos, mas objetivos diversos daqueles acima verificados, as
empresas particulares, as empresas públicas e as sociedades de economia mista não podem
tomar serviços voluntários, pois estão excluídas do rol legal.

A lei não faz distinção alguma sobre o tipo de atividade a ser exercida pelo voluntário, de modo
que qualquer uma que guarde relação direta ou indireta com os objetivos da entidade em que
ele atua poderá ser admitida.

A atividade do voluntário via de regra não é remunerada, pois seu objeto não pode ser
dimensionado economicamente. Falta ao prestador de serviços a intenção onerosa, pois seu
objetivo é fazer bem aos outros.

O termo de adesão de que cuida o Art. 2.º da Lei 9.608/98 é dispensável para a validade do
trabalho voluntário, porque o importante será a análise prática da situação, ganhando destaque
aqui o princípio da primazia da realidade sobre a forma, que informa o Direito do Trabalho.

O ressarcimento de despesas somente acontecerá quando isso for previamente autorizado pela
instituição tomadora dos serviços. A lei não obriga a instituição a reembolsar as despesas do
voluntário, apenas cria uma faculdade nessa direção.

As alterações introduzidas pelas Leis 11.692/2008 e 13.297/2016 sobre a Lei 9.608/1998,


respectivamente: a primeira revoga todo o auxílio financeiro que União pagava ao prestador de
serviço voluntário, aos jovens egressos ou aos jovens trabalhadores, a entidades públicas ou
privadas sem fins lucrativos e à família; a segunda altera o objeto do artigo 1.º “assistência social,
inclusive mutualidade” e o transforma em “assistência à pessoa”.

Na relação de trabalho voluntário, podem coexistir os requisitos comuns da relação de emprego,


tais como a prestação de serviços por pessoa física, pessoalidade, não-eventualidade,

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onerosidade e subordinação. A diferença que há entre essas duas figuras jurídicas reside no
animus contrahendi, que elimina a onerosidade subjetiva e a intenção de contratar.

Resulta daí que o trabalhador voluntário pode ser conceituado como sendo a pessoa física que
presta serviços pessoais de natureza habitual ou não à entidade pública de qualquer natureza,
excluídas as sociedades de economia mista e as empresas públicas, ou à instituição privada de
fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou
de assistência à pessoa, sob o controle ou a coordenação destas e sem intenção onerosa.

No tocante às instituições religiosas, tal qual ocorre com as instituições sem fins lucrativos de um
modo geral, nada impede que figurem como empregadoras, nos termos do Art. 2.º, § 1.º, da CLT,
o que é até muito comum, principalmente nas Igrejas.

Já o § 2.º do Art. 2.º da CLT não encontra aplicação no âmbito religioso, pois o texto em questão
trata de pessoas jurídicas que tenham finalidade econômica.

O serviço tipicamente religioso, seja ele qual for, não gera vínculo empregatício e nem é
amparado pelo Direito do Trabalho. Todavia, nada impede que nele se encontrem presentes
requisitos clássicos desse ramo do Direito, tais como a prestação de serviços por pessoa física,
a pessoalidade, a habitualidade, a onerosidade e a subordinação, aqui em seus aspectos objetivo
e subjetivo.

A diferença fundamental entre empregados e religiosos, mais uma vez, funda-se no animus
contrahendi, pois neste caso a intenção do trabalhador é a de atender a um chamado, uma
vocação que tem enquanto homem de fé. Seus interesses não são materiais ou
contraprestativos, apesar dessa modalidade de trabalho quase sempre ser paga, de tal modo
que a onerosidade se apresenta apenas no plano objetivo e, por outro lado, não há a intenção
de se contratar. Essas razões, que encontram suporte no Art. 5.º, VIII, da Constituição Federal,
permitem que se conclua que o trabalhador religioso é toda pessoa física que, por motivos de
convicção religiosa ou fé, presta serviços pessoais de natureza habitual ou não à instituição
religiosa, subordinado objetiva e subjetivamente a ela e sem intenção onerosa.

É possível existir na sociedade prestações de serviços voluntários e religiosos legítimas sem que
haja vínculo empregatício entre seus atores, ainda que presentes os pressupostos clássicos que
caracterizam essa figura jurídica, tais como a habitualidade, a pessoalidade, a onerosidade e a
subordinação, na medida em que nesses casos importa mais a intenção das partes, ou seja, da
fiel execução do animus contrahendi.

O homem, nos serviços voluntários e religiosos, trabalha de forma livre, apesar de atender a um
chamado interior irrecusável, e não tem intenção onerosa, porque visa apenas ao bem comum,
ou à defesa e à promoção de uma fé.

Isto posto, olhar os serviços voluntários e religiosos sob esse prisma dá ao trabalho humano o
valor mais alto que ele merece, contribuindo para a construção de uma Nação mais coesa e
conferindo maior utilidade e dignidade à vida humana. Fatores estes que são imprescindíveis ao
desenvolvimento de quaisquer sociedade e que, portanto, ratificam a ideia de que pode (e deve)
haver harmonia entre a lei, a fé e a solidariedade.

18
Conclusão
A Igreja, num primeiro momento, criou o modelo de trabalho voluntariado e sobrevive dele até hoje. Num
segundo momento, a sociedade já beneficiada por este modelo, aplicou a essência deste trabalho
voluntariado e de sua ética, criando o trabalho empregador e o de empregado - raiz para o surgimento
das primeiras empresas e do próprio capitalismo, redundando na necessidade de administração e de
economia, fundamentais para o crescimento e prosperidade da organização social e do organismo Igreja.
Logo, para o bom funcionamento dessas relações de trabalho, fez-se necessário a criação de leis
trabalhistas, e por fim, de lei específica para o voluntariado.

O trabalho voluntariado é regulamentado no Brasil pela Lei 9.608 de 18/02/1998 e suas alterações. O
tomador de serviço de trabalho voluntário é toda entidade pública de qualquer natureza ou a instituição
privada de fins não lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos
ou de assistência à pessoa. O serviço voluntário é prestado exclusivamente pela pessoa física, e implica
não haver atividade remunerada. Em se tratando desta Lei, temos deveres e direitos entre o voluntário e
o tomador de serviço voluntário. A Lei 9.608 não diferencia o trabalho voluntário do trabalho religioso.

O dever do voluntário é realizar o seu trabalho com direção e continuísmo, conforme a meta do tomador
de serviço voluntário. É direito do voluntário realizar um trabalho que lhe seja por sua livre e consciente
escolha – destacando-se o animus contrahendi – em querer auxiliar na obra do tomador de serviço
voluntário, segundo o caráter e a imagem que a instituição passa à sociedade, razão pela qual o voluntário
colabora com notável espírito humanitário e de benevolência pela causa, em cronograma e horário auto
personalizados.

O dever do tomador de serviço voluntário está em escolher um trabalhador voluntário com talentos e dons
que irão o potencializar no trabalho voluntário requerido, devendo, inclusive, primar por crescimentos e
reconhecimentos deste voluntário: o acolhendo da monotonia laboral – uma das típicas razões de não
mais se querer voluntariar; e dependendo do caso, fornecer ao voluntário as devidas ferramentas e o
respectivo treinamento - a fim de que o voluntário faça o seu trabalho. É direito do tomador de serviço
voluntário se defender de qualquer ação trabalhista feita pelo trabalhador voluntário.

A Lei do voluntariado, mesmo na presença do Termo de Adesão assinado, não garante total isenção de
indenização ao voluntário. Antes, depende do cenário onde é exercido o trabalho voluntário, e uma vez
provado em juízo as intenções e fatos ocorridos entre as partes - as do tomador de serviço voluntário e
as do voluntário, poderá ou não haver indenização. Melhor, em momento algum a Constituição Federal
deixa de amparar o ofendido e de equalizar Justiça. É citado o exemplo de acidente onde um pintor
voluntário de uma Igreja que vazou seu olho num prego. O pintor perdeu em primeira instância por ser
voluntário, e ter assinado o Termo de Adesão. Entretanto, ao recorrer da decisão, ganhou em segunda
instância R$ 15.000,00 da Igreja referente a DANOS MORAIS ao provar que foi coagido (Art. 22 Código
Penal) pelo pastor e de trabalhar sob ameaça – constrangimento ilegal (Art. 146 Código Penal). Faz-se
mister observar que, da parte do voluntário, caso ele efetue algum gasto em prol do seu serviço, somente
será indenizado pelo tomador de serviço voluntário – não pela força da Lei, mas por prévio acordo e
entendimento entre as partes daquilo que poderia ser possível de ressarcimento.

Os oito sentidos que ligam os indivíduos com a Igreja – a comunhão, a ética, a seriedade, o respeito, o
acompanhamento, o suporte e o reconhecimento que formam o caráter, além da imagem passada à
sociedade – se relacionam no campo de “identificação com a organização”. A forma de comportamento
é diretamente proporcional a esta relação. A ligação emocional torna-se mais coesa, quanto maior o
aspecto de caráter (seriedade) e de imagem passados, de tal forma que pode atrair ou repelir, manter ou
inibir a ação de trabalho voluntário. Assim, laços relacionais (afetivos) são essenciais para a continuidade
e para a manutenção do trabalho voluntário.

É possível haver harmonia entre a lei (trabalho comum), a fé (trabalho religioso) e a solidariedade
(trabalho voluntário). Todo trabalho é uma bênção de Deus. O de voluntariado é baseado em três
princípios: razoabilidade; boa-fé e não alegação da própria torpeza (Art. 150 Código Civil), consagrando
o disposto no Art. 19 inciso “I” da Constituição Federal. O fundamento legal destes três princípios é o
animus contrahendi, que elimina a onerosidade subjetiva e a intenção de se contratar, contudo, sem
proibir que a Igreja contrate funcionários e os remunere pelos seus serviços (Art. 2º § 1º CLT).

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Apêndice

Igreja Betel do Partenon – Termo de Posse ministerial (modelo)

Art. 1 Sendo meu nome indicado pelo Conselho Eclesial e aprovado em Assembleia Geral realizada na
data de dd/mm/aaaa conforme a Ata n° 99, eu FULANO DE TAL prometo exercer com diligência e
sabedoria a liderança do MINISTÉRIO [DA PALAVRA], conjuntamente com o BELTRANO DE TAL,
durante o ano de aaaa, ciente de que, de acordo com a Lei 9.608 de 18/02/1998, exerço uma função não
remunerada e voluntária.

Art. 2 Declaro ainda ter ciência do Art. 3 do Regimento Interno, que diz respeito sobre a necessária vocação
e capacitação para exercer tal função, promovendo o crescimento deste departamento, sem causar
dissensões ou cisões em outros trabalhos da Igreja. Também declaro possuir, prometendo ser Fiel e
Cumprir os requisitos do Art. 6 do Regimento Interno descrito a seguir:

I – Chamado, vocação e capacitação reconhecida para desempenhar a referida função.


II – Perfil de liderança cristã, visando o bem comum.
III – Entendimento acerca do princípio da autoridade, subordinação e submissão.
IV – Capacidade de articulação e organização.
V – Responsabilidade e perseverança.
VI – Imparcialidade (capacidade de atenuar e resolver conflitos).
VII – Bom comportamento, dando bom testemunho dentro e fora da Igreja.
VIII – Capacidade de promover o crescimento e união do Ministério e/ou departamento.

Conforme o Regimento Interno, no Art. 7, “O líder será escolhido para mandato de um (01) ano”. § 1 O
mandato do líder poderá ser revogado a qualquer tempo pelo Conselho Eclesial, “ad referendum” da
Assembleia Geral, ou quando for verificada a ausência dos requisitos acima expostos; quando os objetivos
do Ministério e/ou departamento forem desvirtuados, ou quando o líder incorrer em falta disciplinar.

Art. 3 No que diz respeito aos Recursos Financeiros, prometo cumprir o Regimento Interno conforme o
Art. 8 que diz: “Os Ministérios locais e departamentos poderão levantar recursos financeiros para a sua
manutenção e consecução dos seus objetivos, através de doações e promoções”. Parágrafo único: Todos
os valores arrecadados deverão ser contabilizados através de livro caixa ou controle similar, podendo a
Diretoria da Igreja e o Conselho Fiscal terem acesso a qualquer tempo para verificação.

Art. 4 Comprometo-me em priorizar a minha presença nas atividades referentes aos compromissos acima
assumidos, mas também estar regularmente presente nos cultos de Santa Ceia e nas atividades de Ensino e
Orações (Escolas Dominicais e Segundas à noite), bem como nas Reuniões e Atividades oficiais, sempre
que for convocada. Em caso de ausência, me disponho a “dar satisfação” comunicando preferencialmente
de fora prévia.

Art. 5 Com relação a formação da equipe de trabalho, utilizarei os critérios que levem em conta a
capacidade individual, chamado e bom testemunho, sempre mantendo a liderança da Igreja informada
destes nomes. Estou também disposto, em caso de dúvidas, problemas ou qualquer insatisfação, procurar
primeiramente o Pastor Titular Sicrano de Tal desta Igreja, e na ausência deste, o seu representante legal
para quaisquer esclarecimentos.

Porto Alegre, dd de mmmmmmmmm de aaaa.

_____________
_________________
Fulano de Tal

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Bibliografia

Araujo, M. G. (02 de dezembro de 2017). A Imagem da Igreja. Porto Alegre, RS, Brasil: Trabalho de Ética Cristã e
Ministerial STEDPT.

Araujo, M. G. (08 de outubro de 2017). Questões que afetam o caráter da Igreja. Porto Alegre, RS, Brasil: Prova de
Administração Eclesiástica STEDPT.

Biblia Online versão ARA. (14 de abril de 2018). Fonte: http://www.bibliaonline.net/

Borchardt, P. (14 de abril de 2018). Repositório da Universidade Federal do Espírito Santo - Vitória. Fonte:
dissertação de mestrado em Administração - Os Sentidos do Trabalho Voluntário: Um estudo com
membros de uma instituição Luterana, 104 pp, 2015:
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GESTÃO SUPER Retenção de Membros em 16 de janeiro de 2017. (14 de abril de 2018). Fonte: 4 Dicas para
gerenciar os voluntários da sua Igreja: http://retencaodemembros.com.br/4-dicas-para-gerenciar-os-
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Granconato, M. M. (14 de abril de 2018). Biblioteca Digital da PUC de São Paulo. Fonte: dissertação de mestrado
em Direito - Os Serviços Voluntários e Religiosos como excludentes da relação de emprego, 168 pp, 2006:
https://www.sapientia.pucsp.br/bitstream/handle/7217/1/Dissertacao%20MARCIO%20MENDES%20GRA
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Leiliane Roberta Lopes. (14 de abril de 2018). Gospel Prime em 26 de agosto de 2015. Fonte: Igreja deve indenizar
fiel que se feriu em trabalho voluntário: https://noticias.gospelprime.com.br/Igreja-indenizar-fiel-
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VOLUNTARIADO: http://www.institutojetro.com/artigos/legislacao-e-direito/trabalho-voluntario-e-
termo-de-voluntariado.html

Taís Amorim de Andrade Piccinini. (14 de abril de 2018). Direito Eclesisático. Fonte: VOLUNTARIADO: como tratar
e formalizar essa atuação nas Igrejas: http://www.direitoeclesiastico.com.br/voluntariado-como-tratar-e-
formalizar-essa-atuacao-nas-Igrejas.asp

Terminologia Atemporal em 02 de maio de 2013. (14 de abril de 2018). Fonte: Terminologia Atemporal - Resenha:
A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO – MAX WEBER:
https://terminologiaatemporal.wordpress.com/2013/05/02/resenha-a-etica-protestante-e-o-espirito-do-
capitalismo-max-weber/

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