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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE

DIREITODA VARA ESPECIALIZADA DE AÇÃO CÍVIL


PÚBLICA E AÇÃO POPULAR DA COMARCA DE
CUIABÁ-MT.

ALONSO ALVES PEREIRA, brasileiro, idoso


82 anos, RG 0744800-7, C.P.F. n.º. 006.567.631-91, com
endereço R. Prof. Gago Coutinho, 321 - Araés, Cuiabá-MT,
CEP 78.068-190, Mato Grosso, que por seu procurador infra
firmado, vem a presença deste Magistrado propor a
presente:

AÇÃO POPULAR DE REPARAÇÃO DE DANOS AO ERÁRIO


PÚBLICO CONTRA ATOS DE IMPROBIDADE
ADMINISTRATIVA EM DESFAVOR DA ADMINISTRAÇÃO
PUBLICA

em face de:

ANTONIO JOAQUIM MORAES RODRIGUES NETO, brasileiro, CPF,


093.507.991-20, Rua SUCUPIRAS, 420, JARDIM ITALIA, CUIABÁ –
MT, BRASIL. 78.061-320;

Ruy de Souza Gonçalves – Rua Aluízio de Azevedo 61, Sta. Cruz, Cuiabá-MT- (65) 9669-8525
Ação popular:

É o meio processual a que tem direito qualquer cidadão que deseje


questionar judicialmente a validade de atos que considera lesivos ao patrimônio público, à
moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Impessoalidade e economicidade e enriquecimento ilícito no exercício,


conforme previsto por lei.

A Lei Federal n° 8429/92 trata dos atos de improbidade praticados por


qualquer agente público.

As disposições desta alcançam todas as pessoas qualificadas como


agentes públicos, na administração direta, indireta e fundacional, ainda que
transitoriamente, com ou sem remuneração. E também as empresas
incorporadas ao patrimônio público e as entidades para criação ou custeio o
erário haja concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da
receita anual.
São abrangidos ainda aqueles que, mesmo não sendo agentes públicos,
induzam ou concorram para a prática do ato de improbidade ou dele se
beneficiem sob qualquer forma, direta ou indiretamente. Neste sentido, são
equiparados a agentes públicos, ficando sujeitos às sanções previstas
na Lei de Improbidade Administrativa, os responsáveis e funcionários de
pessoas jurídicas de direito privado que recebam verbas públicas e
promovam o seu desvio, apropriação, ou uso em desconformidade com as
finalidades para as quais se deu o repasse.

Os atos incrimináveis são aqueles que importam vantagem ilícita, ou que


causam prejuízo ao erário, ou que atentam contra os princípios da
administração pública.

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As penalidades envolvem ressarcimento do dano, indisponibilidade dos
bens, multa, perda do que foi obtido ilicitamente, perda da função
pública, suspensão dos direitos políticos (de 8 a 10 anos, conforme a
hipótese) e proibição de contratar com o poder público, em seu artigo 12.
Inciso I da lei 8429/92.

A Lei 8429/92 estabelece três espécies de atos de improbidade:

 os que importam enriquecimento ilícito (art. 9º);


 os que causam lesão ao patrimônio público (art. 10); e
 os que atentam contra os princípios da Administração Pública (art.11).

Muito embora tenham penalidades, os atos de improbidade administrativa


não são considerados "crimes". Há uma grande diferença entre ato de
improbidade administrativa e crime, pois se sujeitam a juízos dotados de
competências distintas - cível e criminal -, não havendo, quanto à
improbidade, a previsão e aplicação de penas restritivas de liberdade.
A lei não prevê punições de caráter penal, mas sim de natureza civil e
política, ou seja, incluem a perda da função pública, suspensão dos direitos
políticos, multas e reparação do dano.

A Lei nº 9.504/1997 - Lei das Eleições - define, em seu art. 73, condutas
vedadas aos agentes públicos nas eleições, sendo que a prática dessas
condutas é qualificada como atos de improbidade administrativa. Cuida-se
de proteger a igualdade das candidaturas e a lisura dos pleitos, mediante o
afastamento de interferências decorrentes do uso da máquina
administrativa. A punição desses atos, sob a égide da Lei de Improbidade
Administrativa, em respeito à independência das instâncias, não se dá
pela Justiça Eleitoral, mas no juízo cível, ordinariamente competente para
conhecer e julgar os atos de improbidade administrativa.

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“O ADMINISTRADOR PÚBLICO NÃO ESTÁ
LIDANDO COM BENS SEUS, E SIM COM BENS
COLIGIDOS COM MUITO SACRIFÍCIO PELA
COLETIVIDADE, OS QUAIS ELE
ESPONTANEAMENTE PEDIU PARA CUIDAR, E
AINDA É REMUNERADO PARA ISSO. ASSIM O
ADMINISTRADOR NÃO TEM O DIREITO DE SER
NEGLIGENTE COM RECURSOS PÚBLICOS;
PODE ATÉ SÊ-LO EM SUA VIDA PRIVADA,
NUNCA COM RECURSOS DA COLETIVIDADE.
ELE CONCORREU A UM CARGO PÚBLICO OU
FOI ELEITO OU NOMEADO PARA ELE; AO
TOMAR POSSE, IMEDIATAMENTE ASSUMIU UM
DEVER JURÍDICO, MAIS DO QUE MERAMENTE
MORAL, UM DEVER QUE TEM SANÇÃO:
ASSUMIU O DEVER DE N ÃO SER NEGLIGENTE,
DE NÃO SER DESIDIOSO, DE NÃO SER
IMPRUDENTE COM OS RECURSOS DA
COLETIVIDADE, QUE ELE ESCOLHEU G ERIR.
SE ELE É IMPRUDENTE,DESIDIOSO OU
NEGLIGENTE, ELE É DESONESTO – ASSIM O
CONSIDERA O ART. 11 DA LEI DE
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. (...) UM
ADMINISTRADOR HONESTO É ZELOSO – ISSO
FAZ PARTE DA DEFINIÇÃO DO ADMINITRADOR.
SER HONESTO É PRESSUPOSTO DE QUEM
EXERÇA CARGO PÚBLICO; NÃO É QUALIDADE”
(MAZZILLI, HUGO NIGRO. A DEFESA DOS
INTERESSES DIFUSOS EM JUÍZO. 15ª ED.SÃO
PAULO: SARAIVA, 2002, P. 159-160).

OBSERVAÃO INICIAL
O autor recebeu documentação de um
amigo, dando conta de uma prática ilícita, antiética e imoral
cometida pelo Requerido no exercício de suas funções na
administração Publica.
No presente caso, tratava-se de
documentação comprobatória que o Conselheiro do Tribunal
de contas estava a cometer atos ímprobos passível de
improbidade administrativa no recebimento indevido de
diárias do TCE-MT.

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A par desta documentação que o autor
recebeu, não restou alternativa se não a propor a presente
ação para reparação do rombos aos cofres Públicos.

DA SINOPSE FÁTICA

No dia 19 a 22 de janeiro de 2015, na


Espanha especificamente em Granada ocorreu um encontra
internacional de Juristas, onde contou com o lançamento do
livro “Jurista do Mundo”.

O requerido no exercício de seu


mandato participou do curso/evento.

De passagem ressaltam-se duas


observações sendo elas:

A PRIMEIRA: Que toda viagem gera


diárias a receber;
A SEGUNDA: Que o evento durou
04(quatro) dias - 19 a 22;

Pois Bem!

O requerido agindo de forma imoral,


sorrateira, antiética, com devido respeito, mas um assalto aos

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cofres públicos, ao invés de cumprir com a moralidade
devendo retornar ao Brasil para assumir o cargo que ocupa,
preferiu passear na Espanha, com dinheiro de diárias
recebidas indevidamente dos cofres públicos através do TCE-
Mt.
E como isso ocorreu?

Vejamos:

O evento durou 04(quatro) dias,


especificamente do dia 19 ao dia 22 de janeiro de 2015 na
cidade de Granada País Espanha, mas o requerido ao invés
de retornar logo no dia 23 de janeiro de 2015(posterior ao
encerramento) para assumir suas funções, preferiu arquitetar
uma falcatrua informando ao TCE-MT, que sua viagem a
evento teve duração de 15/01/2015(três dias antes do inicio)
e o término 28/01/2015, totalizando 14 diárias.

O que durou apenas 03(três dias) custou


aos cofres públicos 14.

Se não bastasse ter que tirar férias para


passear na Espanha, além de maquiar as tais “férias” como se
evento fosse, ainda foram pagos a título de diárias que no
caso em apreço exatamente 14 diárias totalizando montante
de R$ 23.660,00(vinte e três mil seiscentos e sessenta reais).

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Para passar 14 dias na Espanha seria
necessário o Conselheiro requerido tirar férias, mas ao
maquiar a duração do evento de apenas 3(três) dias para 14
conseguiu participar do evento, passear e ainda receber dos
cofres públicos para ostentar/bancar seu passeio.

DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

É consabido que as “diárias”, assim


como as “ajudas de custo”, têm natureza jurídica
indenizatória, ressarcindo o agente público das despesas
efetuadas de modo extraordinário, eventual, em
deslocamentos realizados por necessidade do serviço
público, incluindo-se a realização de cursos e seminários que
interessem ao aprimoramento de seu trabalho para a
Administração Pública.

A diária refere-se à espécie do gênero


indenização, servindo como reembolso das despesas
assumidas pelo agente público em razão e/ou por ocasião
da execução de suas responsabilidades. Nesse sentido, HELY
LOPES MEIRELLES, in Direito Administrativo Brasileiro, 26ª
edição, Malheiros, São Paulo, 2001, p. 460, assim conceitua as
diárias:
“Indenizações – São previstas em lei e
destinam-se a indenizar o servidor por gastos em razão da
função. Seus valores podem ser fixados em lei ou em decreto,

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se aquela permitir. Tendo natureza jurídica indenizatória, não
incorporam a remuneração, não repercutem no cálculo dos
benefícios previdenciários e não estão sujeitas ao imposto de
renda. Normalmente, recebem as seguintes denominações:
ajuda de custo – destina-se a compensar as despesas de
instalação em nova sede de serviço, pressupondo mudança
de domicílio em caráter permanente; diárias – indenizam as
despesas com passagem e/ou estadia em razão de
prestação de serviços em outra sede e em caráter eventual;
auxílio-transporte – destina-se ao custeio total ou parcial das
despesas realizadas pelo servidor com transporte coletivo nos
deslocamentos de sua residência para o trabalho e vice-
versa. Outras podem ser previstas pela lei, desde que tenham
natureza indenizatória. Seus valores não podem ultrapassar os
limites ditados por essa finalidade, não podem se converter
em remuneração indireta. Há de imperar, como sempre, a
razoabilidade.”

Assim, em se tratando do exercício da


vereança, as diárias têm validade legal desde que voltadas
ao atendimento das necessidades e atribuições do múnus
publico.
Nesse sentido, é o posicionamento
sedimentado nos Tribunais Pátrios, conforme se infere da
leitura dos seguintes arestos:
“TJ/MS – Apelação Cível nº 2008.036106-

7/0000-00 – Chapadão do Sul – Terceira

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Câmara Cível. “Ementa: Ação Popular –
Preliminares – Nulidade da sentença por
ofensa ao princípio do juiz natural – violação
ao princípio da correlação entre os
fundamentos da inicial – Afastadas –
Julgamento Ultra Petita – Acolhido – Mérito –
Atos de Improbidade Administrativa –
Recebimento indevido de indenizações de
viagens e diárias – Inexistência de prova de
que tais viagens foram realizadas em prol do
interesse público – Necessidade de
devolução das quantias recebidas
indevidamente”.

“TJ/SP – Apelação Cível nº 438 759 5/0-00 –


Vto nº 23.445. “Ementa: Ação Civil Pública.
Pagamento pela Câmara Municipal de
viagem e diárias de funcionários para
participação em curso. Impossibilidade.
Ausência de justificativa para o motivo de
interesse público real e concreto para as
despesas. Negado provimento”

Assim o requerido ao cursar um evento


de apenas 3 dias, mas receber por 14 dias diárias o montante
de R$ 23.660,00(vinte e três mil seiscentos e sessenta reais)

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incorreu na prática de ato de improbidade administrativa
causador de prejuízo ao erário público.

A referida conduta do requerido


Valdesson subsume-se ao disposto no caput do artigo 10 da
Lei nº 8.429/92, in verbis:

“Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão


ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que
enseje perda patrimonial, desvio, apropriação,
malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das
entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:”. A
respeito do disposto no artigo 10 da Lei de Improbidade
Administrativa, é oportuno transcrever a abalizada licão do
jurista Marino Pazzaglini Filho1:

“A técnica legislativa adotada pelo


requerido é idêntica à do artigo anterior, que trata dos atos
de improbidade administrativa que importam enriquecimento
ilícito.
Assim, no caput do art. 10, conceitua-se
a improbidade lesiva ao erário e seus incisos trazem o elenco
das espécies mais frequentes, que, em face do advérbio
notadamente, como já assinalado, é meramente
exemplificativo. (e não taxativo)”.

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Portanto, resta claro que, ao solicitar e
receber o pagamento de diárias indevidas (14), uma vez que
não existia interesse público real e concreto que justificasse a
realização da sobredita viagem em dias de excesso, tendo
em vista a duração do curso de apenas 3(três) dias, no
aludido o demandado cometeu ato de improbidade
administrativa causador de prejuízo ao erário público.

Em abono dessa ilação, calha reproduzir o


seguinte julgado: “TJ/RS – Apelação Cível nº
70027105188 21º Câmara Cível – data do
julgamento: 17/12/2008. Ementa: Apelação
Cível. Ação de Improbidade Administrativa.
Recebimento de diárias indevidas, com
prejuízo ao erário, caracteriza ato de
improbidade, na forma do art. 10 da LIA.
Recurso Desprovido”.

Destarte, a conduta do requerido


também caracteriza ato de improbidade administrativa
causador de prejuízo ao erário, que pode ser tipificada no
caput do artigo 10 da Lei de Improbidade, bem como nos
incisos IX (ordenação de despesa não autorizada) e XI
(liberação ou aplicação irregular de verba pública) da
aludida “Lex”.

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Partindo-se da premissa de que as
condutas realizadas pelo demandado caracteriza ato de
improbidade administrativa causador de prejuízo ao erário,
conclui-se que ambos deverão ser instados a devolver o valor
atinentes às referidas diárias indevidas com juros e correção
monetária para os cofre públicos em cumprimento do
disposto no artigo 37, § 4º, da Constituição Federal, e nos
artigos 5º e 12, inciso II, ambos da Lei nº 8.429/92.

Além disso, no entender do Ministério


Público, em várias de suas impetrações os promotores sempre
pedem a ganham que aos levianos de cofres públicos,
deverão ser aplicadas, em desfavor dos demandados as
seguintes sanções previstas no artigo 12, inciso II, da Lei de
Improbidade Administrativa: “perda dos bens ou valores
acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
circunstância, perda da função pública, suspensão dos
direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa
civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio
majoritário, pelo prazo de cinco anos” (art. 12, II, da Lei nº
8.429/92).
Urge ressalvar que, em se tratando de
ato de improbidade administrativa causador de prejuízo ao
erário, além de serem instados a ressarcir integralmente o

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dano causado ao erário, os agentes ímprobos devem ser
condenados em, pelo menos, uma das sanções previstas no
artigo 12, II, da Lei nº 8.429/92, uma vez que o ressarcimento
não pode ser considerado tecnicamente como sanção, sob
pena de haver indevido estímulo à perpetuação de atos de
improbidade desse jaez e violação ao disposto no artigo 12
da Lei de Improbidade, consoante entendimento
sedimentado no Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a seguir
reproduzido:
“Informativo nº 0409 Período: 28 de
setembro a 2 de outubro de 2009.

Segunda Turma IMPROBIDADE. MULTA.


RESSARCIMENTO. “Trata-se de ação civil
pública ajuizada contra prefeito em razão da
prática de improbidade administrativa
consistente na contratação temporária de
merendeiras sem o devido concurso público.
É certo que, caracterizado o prejuízo ao
erário, o ressarcimento não deve ser
considerado como propriamente uma
sanção, mas sim uma consequência
imediata e necessária do próprio ato
combatido. Desse modo, não há como
excluí-lo a pretexto de resguardo à
proporcionalidade das penas aplicadas
apregoado no art. 12 da Lei n. 8.429/1992

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(LIA). Esse mesmo artigo de lei prevê a
aplicação concomitante de diversas
sanções e do ressarcimento, que, pelo que
se entende de “ressarcimento integral do
dano”, deve compreender unicamente os
prejuízos efetivamente causados ao Poder
Público, sendo providência de índole rígida,
que sempre se impõe. Ao contrário, as
sanções de caráter elástico podem levar em
consideração outras coisas que não a
própria extensão do dano, tais como a
gravidade da conduta ou a forma pela qual
foi praticado o ato ímprobo. Elas podem ou
não ser aplicadas e, caso o sejam, expõem-
se à mensuração. A única exceção feita à
elasticidade das sanções é que pelo menos
uma delas deve acompanhar o dever de
ressarcimento. Essa diferenciação fazse
necessária porque, na seara da improbidade
administrativa, há duas consequências que
possuem cunho pecuniário: a multa e o
ressarcimento. Enquanto a primeira sanciona
o agente ímprobo, a segunda cauciona o
prejuízo do ente público. No caso, a
sentença impôs, entre outras sanções, a
condenação à multa (com parâmetro no
valor da remuneração percebida pelo

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agente), mas com o equivocado fim de
ressarcir o erário. Já o Tribunal a quo apenas
impôs o ressarcimento, considerando-o
como tal, mas mantendo o parâmetro da
remuneração para fixá-lo. Para a solução
dessa confusão de conceitos, deve-se
considerar que pelo menos o ressarcimento
deve estar presente, visto que é medida
imediata e necessária à condenação, ao
contrário da multa civil, que é opcional. Daí
que, tanto o acórdão quanto a sentença
enganaram-se ao fixar o valor a ser
ressarcido em montante superior ao dano
efetivamente suportado. Diante disso, poder-
se-ia até cogitar que haveria certo benefício
ao recorrente, pois seria condenado apenas
ao dever de ressarcir. Como isso não é
aceito pelo art. 12 da LIA nem pela
jurisprudência do STJ, mostra-se viável
manter a condenação pecuniária total
imposta (cinco vezes a remuneração do
prefeito), entendendo-a como ressarcimento
integral do dano, mas, se ele for menor que o
montante fixado, o que restar de saldo deve
ser considerado como condenação à multa
civil. Precedentes citados: REsp 664.440-MG,
DJ 8/5/2006, e REsp 1.019.555-SP, DJe

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29/6/2009. REsp 622.234-SP, Rel. Min. Mauro
Campbell Marques, julgado em 1º/10/20092
”.
À luz do exposto, resta clarividente que
os demandados praticaram ato de improbidade
administrativa, que acarretou prejuízo ao erário público
municipal, devendo, portanto, ressarcir integralmente o dano
ao erário, além de se sujeitarem às sanções previstas no artigo
12, inciso II, da Lei nº 8.429/92.

Vale acrescentar, ainda, que, na


aplicação das sanções previstas na Lei de Improbidade, o
Magistrado não pode perder de vista que a incidência das
penas tem um caráter pedagógico, devendo ser capaz de
configurar um fator inibidor da perpetuação dos atos de
improbidade administrativa. Todavia, caso Vossa Excelência
conclua que a conduta dos demandados não se amolda ao
disposto no artigo 10 da Lei nº 8.429/92, ainda assim, não
poderia ser olvidado que as referidas condutas representam
graves transgressões aos princípios da legalidade, da
moralidade pública e da economicidade, podendo, neste
caso, ser enquadradas no disposto no seguinte preceito legal:
“Lei nº 8.429/92.

“Artigo 11. Constitui ato de improbidade


administrativa que atenta contra os
princípios da administração pública,

Ruy de Souza Gonçalves – Rua Aluízio de Azevedo 61, Sta. Cruz, Cuiabá-MT- (65) 9669-8525
qualquer ação ou omissão que viole os
deveres de honestidade, imparcialidade,
legalidade e lealdade às instituições, e
notadamente”.

Isso porque, como leciona Marino


Pazzaglini Filho 3, “em síntese, pode-se dizer que a norma do
art. 11 constitui soldado de reserva (expressão do saudoso
jurista Nelson Hungria), configurando-se pelo resíduo na
hipótese de a conduta ilegal do agente público não se
enquadrar nas duas outras categorias de improbidade.

DO CABIMENTO DA AÇÃO POPULAR

A Constituição Federal em seu art. 5º inc.


LXVIII inovou à Constituição anterior ao abranger o meio
ambiente como objeto de proteção jurídica pela ação
popular constitucional, instituto que é regido pela Lei 4.717/65.

O instrumento da ação popular


ambiental visa prontamente atender a possibilidade jurídica
do cidadão exercer vigilância, sobretudo no interregno entre
a adequação dos fins persecutórios da atividade do poder
estatal à sua efetiva realização, circunscrita ao interesse
coletivo e no alcance do bem comum dos administrados.
Seus efeitos são de impugnar atos administrativos – preventiva
ou repressivamente, que causem dano ao meio ambiente e

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apurar a responsabilidade do agende agressor. Desta forma,
o cidadão é legitimado ao mecanismo de controle dos atos
e dos contratos da Administração Pública. Isto porque é
indistinta à personificação do direito ao meio ambiente
saudável e equilibrado, bem como a iniciativa à titularidade
de sua proteção legal, ainda que para sua efetividade seja
necessário ser proposta individualmente por um único
cidadão.
Deste modo, mediante a utilização do
instrumento da ação popular o cidadão individualmente –
titular deste direito, tem a possibilidade e o dever cívico de
exercer a proteção aos cofres públicos, impugnando atos
emanados da Administração Pública que consubstanciem
em lesão.

DA LEGITIMIDADE

Visando definir ação popular, no


ordenamento jurídico brasileiro, aferindo-se assim seu objetivo
e significado, devemos iniciar nossa tarefa, nos debruçando
sobre o texto constitucional de 1988, que assim dispôs acerca
do instituto no inciso LXXIII, do artigo 5º:

“Artigo 5º. Todos são iguais perante a lei, sem


distinção de qualquer natureza garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes: [...]

Ruy de Souza Gonçalves – Rua Aluízio de Azevedo 61, Sta. Cruz, Cuiabá-MT- (65) 9669-8525
LXXIII. qualquer cidadão é parte legítima para
propor ação popular que vise a anular ato
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de
que o Estado participe, à moralidade
administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor,
salvo comprovada má-fé, isento de custas
judiciais e do ônus da sucumbência; [...]”

Assim define MEIRELLES:

“Ação popular é o meio constitucional à


disposição de qualquer cidadão para obter a invalidação de
atos ou contratos administrativos – ou a estes equiparados –
ilegais e lesivos do patrimônio federal, estadual e municipal,
ou de suas autarquias, entidades paraestatais e pessoas
jurídicas subvencionadas com dinheiros públicos.”

Preleciona VITTA:

“[...] é o instrumento jurídico por meio do


qual pessoa física, nacional (cidadã), visa evitar ou anular ato
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, ou ato que atente à moralidade administrativa, ao
meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.”[6]

A norma infraconstitucional que cuida


do instituto, Lei nº. 4.717 de 19 de junho de 1965, assim dispõe
em seu artigo 1º:

Ruy de Souza Gonçalves – Rua Aluízio de Azevedo 61, Sta. Cruz, Cuiabá-MT- (65) 9669-8525
“Art. 1º Qualquer cidadão será parte
legítima para pleitear a anulação ou a
declaração de nulidade de atos lesivos ao
patrimônio da União, do Distrito Federal, dos
Estados, dos Municípios, de entidades
autárquicas, de sociedades de economia
mista (Constituição, art. 141, § 38), de
sociedades mútuas de seguro nas quais a
União represente os segurados ausentes, de
empresas públicas, de serviços sociais
autônomos, de instituições ou fundações
para cuja criação ou custeio o tesouro
público haja concorrido ou concorra com
mais de cinqüenta por cento do patrimônio
ou da receita ânua, de empresas
incorporadas ao patrimônio da União, do
Distrito Federal, dos Estados e dos
Municípios, e de quaisquer pessoas jurídicas
ou entidades subvencionadas pelos cofres
públicos.”

Assim, denotamos que “a ação popular


no direito brasileiro é, fundamentalmente, remédio para a
lesividade perpetrada contra o patrimônio público.

Por sua previsão no bojo do texto


constitucional de 1988, podemos atribuir ao instituto um
cunho constitucional, representando assim um instrumento
constitucional, colocado à disposição de qualquer cidadão
como forma de defesa dos interesses da coletividade.

Temos ainda, que “a ação


popular, prevista no art. 5º, LXXIII, e também na Lei nº
4.717/65, confere ao povo a legitimidade para resguardar por
meio judicial o interesse público”.

Ruy de Souza Gonçalves – Rua Aluízio de Azevedo 61, Sta. Cruz, Cuiabá-MT- (65) 9669-8525
Destaque merece ainda o texto
constitucional de 1988, por trazer em seu art. 5º inc. LXVIII uma
inovação no que tange ao objeto da ação popular, pois
cuidou de prever o meio ambiente como objeto de tutela por
meio da ação popular constitucional.

Com isso, a Constituição de 1988,


reconheceu o direito do cidadão, enquanto titular da ação
popular, exercer seu poder fiscalizador sob direitos inerentes
ao meio ambiente, incumbindo, portanto a partir deste
momento ao cidadão, o direito de impugnar atos da
administração pública, de maneira preventiva ou repressiva
que apresentem danos aos cofres públicos.

Logo considerando que a ação popular


é um instrumento constitucional a disposição de todo o
cidadão, comportando um rol de legitimados bem mais
abrangente, temos que ao cidadão assiste, portanto a
possibilidade de controlar os atos da administração pública.

Quanto a Lei da ação popular


portuguesa, assim leciona GRINOVER, 1996, p. 130:

“A nova lei da ação popular


representará um poderoso instrumento para a conquista de
um processo civil aderente à realidade sócio-política

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subjacente e adequado à solução dos novos conflitos,
próprios de uma sociedade de massa.”

Ainda como bem salienta MARINONI:

“Não é possível aplicar a lei na dimensão


dos direitos fundamentais através de uma interpretação da
Constituição que pretenda ser textualista. Isso pela simples
razão de que as normas constitucionais que afirmam direitos
fundamentais têm natureza aberta e indeterminada, e assim
são insuscetíveis de captação por meio dessa forma de
interpretação.” (grifos inexistentes no original).

DAS PROVAS

 Comprovantes do extrato de pagamento de 14 diárias;


 Diário Oficial;
 Comprovante da duração do evento de 03 dias;

CONCLUSÃO
Trata-se de ação popular que visa
requerer o ressarcimento de ato lesivo ao patrimônio público
e à moralidade administrativa praticada pelo réu na
concessão de diárias injustificáveis, ferindo assim a carta
política de 1988 e as leis infraconstitucionais.

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O requerido, nobre julgador, solicitou a
concessão de 14 diárias, totalizando o valor de R$
23.660,00(Dois Mil, Trezentos e Sessenta e Seis Reais) cada
uma, para participar do XII Congresso Internacional de juristas
na cidade de Granada, Espanha, compreendendo entre os
dias 15/01/2015 a 28/01/2015 (conf. doc. incluso).

Acontece, Excelência, que o Congresso


Internacional só ocorreu entre os dias 19/01/2015 a 22/01/2015
(conf. doc. anexados), e não se estendeu até o dia
28/01/2015, conforme anteriormente informado pelo réu no
processo administrativo do Tribunal de Contas de Mato
Grosso, para a concessão das diárias, e causando um
prejuízo de mais de R$ 20.000,00(vinte mil reais), aos cofres
públicos.

A pretensão do requerido, Excelência,


em fazer turismo gratuito com o dinheiro público e notório,
conforme os documentos anexados nesta exordial, utilizando-
se de um evento jurídico de tamanha envergadura, para o
seu intento. Além de não ter apresentado nenhum trabalho
cientifico durante o Congresso, justificando implicitamente o
ato lesivo.

DOS PEDIDOS
A notificação do requerido para,
querendo, oferecerem manifestação prévia por escrito, que

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poderá ser instruída com documentos e justificações, dentro
do prazo de quinze dias (artigo 17, § 7º, da Lei n. 8.429/92);

O recebimento da inicial, transcorrido o


prazo descrito na alínea anterior;

Seja determinada a ulterior citação do


requerido, no endereço constante do preâmbulo, para,
querendo, contestarem a presente ação, sob pena de revelia
e confissão ficta quanto à matéria fática;

Sejam cientificados, o Ministério Publico


Estadual, Gaeco, Governo do Estado de Mato Grosso, para
fins investigações em farras que podem estar ocorrendo ans
diárias do TCE-Mt, bem como providências que entenderem
cabíveis, ou para que, querendo, integrem a lide, conforme
lhes faculta o artigo 17, § 3º, da Lei n. 8.429/92;

O deferimento da produção das provas


anteriormente indicadas;

Seja julgada totalmente procedente a


presente demanda para condenar o requerido em virtude da
prática de atos de improbidade administrativa causadores
de prejuízo ao erário (art. 10 da Lei de Improbidade), nas
seguintes sanções do inciso II do art. 12 da Lei n. 8.429/92:
ressarcimento integral do dano, acrescido de correção

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monetária e juros de mora), perda dos bens ou valores
acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
circunstância, perda da função pública, suspensão dos
direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa
civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de
contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou
incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio
majoritário, pelo prazo de cinco anos;

Caso este Juízo repute que as condutas


dos demandados não se amoldam ao disposto no artigo 10
da Lei nº 8.429/92, a título de pedido sucessivo (art. 289 do C.
P.C.), a condenação dos requeridos, em virtude da prática
de atos de improbidade que atentaram contra os princípios
da Administração Pública, nas seguintes sanções do inciso III
do artigo 12 do referido diploma legal: ressarcimento integral
do dano acrescido de correção monetária e juros de mora),
perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de
três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem
vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e
proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou
indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica
da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos;

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Seja o demandado condenado ao
pagamento das custas processuais;

Atribui-se à causa o valor de R$ 30.000,00


(trinta mil reais).
Termos em que
Pede deferimento

Cuiabá-MT, 22 de fevereiro de 2016

RUY DE SOUZA GONÇALVES


OAB-MT 12.133

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