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TEMA: QUANDO OS PAIS SE SEPARAM

Justificativa

A questão da separação conjugal e dos efeitos que isso pode ter sobre os
filhos tem sido cada vez mais discutida e sendo foco de pesquisas devido a
importância de se elaborar maneiras de definir a função materna e paterna, e
quanto à mediação de tais relações, entendendo a importância de criar um
ambiente que seja o mais leve possível para que o desenvolvimento desta
criança aconteça de maneira tranquila e equilibrada.

Os pais influenciam seus filhos de muitas maneiras, seja pelas ações


relacionadas aos filhos, seja pela relação exercida com o ex-cônjuge, e a
mediação correta desta relação deve ser feita a partir da visão dos filhos,
daquilo que será estritamente benefício da parte que mais sofre o impacto de
tal quebra de relações.

‘’Quem se separa é o par amoroso. O casal parental


continuará para sempre com as funções de cuidar,
de proteger e de prover as necessidades materiais e
afetivas dos filhos [...] Costumo afirmar que o pior
conflito que os filhos podem vivenciar, na situação
da separação dos pais, é o conflito de lealdade
exclusiva, quando exigida por um ou por ambos os
pais’’ ( Féres-Carneiro, 1998, p. 387)
A importância de se discutir o assunto central mostra as diversas maneiras de
ter um olhar crítico quanto ao assunto. Alguns autores como Wagner, Falcke e
Meza (1997) dizem que ‘’as consequências do divórcio nos filhos estão
diminuindo à medida que este está se tornando, a cada dia, mais comum e
aceitável’’ (p.156), outros, como Giddens (1999) entendem que a questão do
divórcio não influencia diretamente na maneira como o fato é entendido pelos
filhos. O autor ainda coloca que, "os efeitos do divórcio na vida dos filhos serão
sempre de difícil avaliação, porque não sabemos o que teria acontecido se os
pais estivessem juntos" (p.102).

Mediante as diferentes visões referentes ao divórcio e a maneira como os filhos


podem vir a enfrenta-lo, considerando a singularidade de cada um, e suas
relações com o ambiente externo, vê-se que é de suma importância
compreender a visão de cada uma das partes e seus impactos nas relações
futuras, já em outros momentos do desenvolvimento, chegando à vida adulta e
a maneira como cada questão abordada realmente influencia na relação pais e
filhos e nos impactos que poderão ter causado tais situações do passado.

Objetivo Geral

Descrever o que a literatura apresenta do sentimento da criança diante do


divórcio dos pais.

Objetivos específicos

Descrever o que a literatura apresenta sobre a separação dos pais para a


criança

Descrever o que a literatura apresenta sobre a síndrome da alienação parental

Descrever o que a literatura apresenta sobre o sentimento da criança quanto


ao processo de divórcio
Capitulo 1

A separação dos pais para a criança

A separação ocorre a partir de um processo de separação emocional, ante


mesmo da separação física, e para a criança, este processo por si só, já se
mostra doloroso e pode trazer consequências, sejam elas positivas ou
negativas. De acordo com Papalia e Feldman (2006), na visão da criança é
possível lidar com essa situação e cada uma vivencia à sua maneira, sendo
assim:

Ao avaliar os efeitos do divórcio precisamos


examinar circunstâncias específicas. Às vezes o
divórcio pode melhorar a situação de uma criança,
reduzindo a quantidade de conflito na família, e às
vezes não. As características pessoais das crianças
fazem diferença; crianças inteligentes e socialmente
competentes sem graves problemas de
comportamento, que possuem um senso de controle
sobre suas vidas, podem lidar melhor tanto com o
conflito entre os pais como com seu divórcio
(PAPALIA e FELDMAN 2006, p.411).

Barreto (2013) considera o divórcio como a situação divisora de águas no


processo de desenvolvimento da criança, e desta maneira enfatiza que para
essa, é sempre doloroso e irreparável o que tal processo pode causar, e por
isso define que:

Embora o divórcio possa ser a melhor solução para


um relacionamento familiar destruído e para oferecer
à criança a saída de um ambiente de estresse, bem
como a oportunidade para o crescimento pessoal, a
maioria das crianças experimenta a transição do
divórcio como dolorosa. Mesmo as crianças que
mais tarde estarão aptas a reconhecer que a
separação teve resultados construtivos, inicialmente
terão suportado um considerável sofrimento com o
rompimento da família. As primeiras respostas mais
comuns das crianças ao divórcio são a raiva, o
medo, a depressão e a culpa que persistem em geral
até por volta de um ano após a separação é quando
começa a emergir a redução da tensão e uma
crescente ponderança de bem-estar.(BARRETO,
2013, pg.39).

Os pais têm o dever de abrir mão dos desafetos e agir de maneira a beneficiar
a criança frto dessa relação. Para essa criança, as mudanças sociais são
complexas e requerem tempo de adaptação. Segundo Bee e Boyd (2011), ‘’É
importante lembrar que o divórcio não é uma variável unitária; as crianças são
provavelmente afetadas por uma quantidade de fatores relacionados ao
divorcio: Conflito parental, pobreza, rupturas da rotina diária, e assim por
diante’’ (p.378).

Para Carneiro (1998)

Quem se separa é o par amoroso, o casal conjugal.


O casal parental continuará para sempre com as
funções de cuidar, de proteger e de prover as
necessidades materiais e afetivas dos filhos...
Costumo afirmar que o pior conflito que os filhos
podem vivenciar, na situação da separação dos pais,
é o conflito de lealdade exclusiva, quando exigida
por um ou por ambos os pais (Féres-Carneiro,1998,
p.387).
Se por esta definição, entendemos a importância de separar a relação conjugal
recém interrompida da relação com o filho, sabemos também que é
imprescindível que os pais entendam a tensão e o turbilhão de sentimentos que
passa pela criança e desta forma tratar como diz Lamela, Figueiredo e Bastos
(2008),

O divórcio é um evento que pode funcionar como um


marcador desenvolvimental para mudanças positivas
e negativas nos percursos de vida dos adultos que o
experienciam [...] Concomitantemente, tendo como
referência o adulto divorciado como pai e membro de
uma família, e utilizando uma matriz sistêmica, o
divórcio é responsável por profundas alterações no
sistema familiar, obrigando os seus subsistemas a
proceder a reorganizações estruturais. A dissolução
conjugal é um evento stressor do sistema familiar,
sendo que a capacidade de absorção do seu
impacto sistêmico e a qualidade do funcionamento
adaptativo dos filhos estão dependentes das
características do sistema familiar durante o
casamento (p.12-13).

Desta maneira, é comum que surja nos filhos uma leva de problemas e
sintomas. Nesse aspecto, Souza e Ramires (2006), ‘’ os filhos têm que
enfrentar o medo de também serem separados: perder o contato com uma das
figuras parentais. Serem, de fato, abandonados”(p.199).

A partir das colocações referentes, já se têm uma idéia do quanto o divórcio


pode ser desastroso para o desenvolvimento e o andamento das relações
sociais da criança. Com isso, Novamente Bee e Boyd (2011), indagam que
“nos primeiros anos após um divórcio, as crianças tipicamente apresentam
declínios no desempenho escolar e mostram comportamento mais agressivo,
desafiador, negativo ou deprimido” (p.378 - 379). Para minimizar o impacto do
processo de separação e para que a situação possa ser vista de maneira
construtiva e positiva, Campos et al (2002), destaca que:

As atitudes dos pais de preparar a criança para a


separação através de uma comunicação sincera,
clara e objetiva do acontecimento e das possíveis
consequências, ajudam à criança a reagir melhor a
esse evento. Os cuidados realizados com atenção e
carinho na preparação na época da separação
valoriza a criança, o faz sentir-se amada, tranquila,
confiante e protegida. A existência dos bons
aspectos do vinculo entre os pais diminuem o
impacto da separação nos filhos, por compartilhar a
educação e o desenvolvimento infantil (p. 17).

Síndrome da Alienação Parental

Após o processo de separação, outras disputas surgem devido a necessidade


de definição do guardião do filho, fruto dessa relação. Gardner sugere a
seguinte definição de alienação parental:

A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é um


distúrbio da infância que aparece quase
exclusivamente no contexto de disputas de custódia
de crianças. Sua manifestação preliminar é a
campanha denegritória contra um dos genitores,
uma campanha feita pela própria criança e que não
tenha nenhuma justificação. Resulta da combinação
das instruções de um genitor (o que faz a “lavagem
cerebral, programação, doutrinação”) e
contribuições da própria criança para caluniar o
genitor-alvo. Quando o abuso e/ou a negligência
parentais verdadeiros estão presentes, a
animosidade da criança pode ser justificada, e
assim a explicação de Síndrome de Alienação
Parental para a hostilidade da criança não é
aplicável.

Gardner (2002) tambémm fala sobre a doutrinação da criança da SAP como


forma de abuso e acrescenta que ‘’ Em alguns casos, então, pode ser mesmo
pior do que outras formas de abuso - por exemplo: abusos físicos, abusos
sexuais e negligência’’, e que segundo ele, pode conduzir à destruição total
dessa ligação com alienação por toda a vida.

Pinto (2012) complementando o que Gardner fala, ressalta as estatísticas


fornecidas pelo IBDFAM – Instituto Brasileiro de Direito de Família com relação
às consequências dessa propensão a um ou ao outro genitor a médio e longo
prazo:

72% de adolescentes que cometem crimes graves


e homicídios vivem em lares de pais separados; -
70% dos delinquentes adolescentes e pré-
adolescentes cresceram distantes de um genitor; -
Crianças sem a presença do pai têm 2 vezes mais
probabilidades de baixo rendimento escolar e
desenvolverem quadros de rebeldia a partir da 3ª
infância; - A taxa de suicídio (ou tentativa) entre
adolescentes de 16 e 19 anos de idade triplicou nos
últimos 5 anos, sendo que de um em cada quatro
suicídios ou tentativas de auto-extermínio, três
ocorreram em lares de pais ausentes ou distantes; -
Crianças na ausência do pai estão mais propensas
a doenças sexualmente transmissíveis; -Crianças na
ausência do modelo do pai estão mais propensas ao
uso de álcool e tabagismo e outras drogas; -Filhas
distantes de pai têm 3 vezes mais chances de
engravidarem ou abortarem ao longo da
adolescência; -Crianças na ausência do pai são
mais vulneráveis a acidentes, asma, dores,
dificuldade de concentração, faltar com a verdade e
até mesmo desenvolver dificuldades de fala; -
Vivendo em uma família sem o pai, a disciplina cai
vertiginosamente e as chances da criança se
graduar com êxito em nível superior cai em 30%; -
Meninas que crescem apenas com a mãe têm o
dobro de probabilidade de se divorciarem; -Meninas
que crescem distantes da figura do pai têm 5 vezes
mais chances de perderem a virgindade antes da
adolescência; -Meninas distantes do pai têm 3
vezes mais chances serem vítimas de pedofilia ou
mesmo de procurarem em qualquer figura
masculina mais velha; (IBDFAM apud PINTO, 2012,
p. 6).

Em outro ponto, Gardner descreve o conjunto de sintomas que caracterizam o


SAP e que podem aparecer principalmente na criança, sendo eles:

1. Uma campanha denegritória contra o genitor


alienado. 2. Racionalizações fracas, absurdas ou
frívolas para a depreciação. 3. Falta de
ambivalência. 4. O fenômeno do “pensador
independente”. 5. Apoio automático ao genitor
alienador no conflito parental. 6. Ausência de culpa
sobre a crueldade a e/ou a exploração contra o
genitor alienado. 7. A presença de encenações
‘encomendadas’. 8. Propagação da animosidade aos
amigos e/ou à família extensa do genitor alienado
(GARDNER, 2002, p. 3).
Segundo ele, as crianças que sofrem com SAP exibirão a maioria destes
sintomas, se não todos e salienta que, em determinados casos, não se
poderão ver todos, a não ser em casos progressivos de moderado e severo.

Pesquisa Bibliográfica

A pesquisa bibliográfica, na visão dos pesquisadores, é um problema de ordem maior


a ser solucionado devido à gama de artigos e pesquisas científicas disponíveis, pois
com tamanha disponibilidade de acesso, escolher o melhor artigo para fundamentar
uma tese sólida e fundamentada em bases confiáveis se tona tarefa árdua e
complexa.

A pesquisa, deste ponto de vista, faz com que o pesquisador tenha que estabelecer
métodos e estratégias para auxílio na identificação da melhor maneira de pesquisar
algo.

Segundo Pritchard (1969, p. 349) define-se bibliometria como ‘’[...] todos os estudos
que tentam quantificar processos de comunicação escrita [...], o que deixa claro ao
pesquisador que se deve haver uma análise com base estatística do referencial a ser
escolhido.

Para Lima e Mioto (2007, p.39) ‘’o processo de pesquisa se caracteriza como uma
atividade científica básica, que através da indagação e (re) construção da realidade,
fomenta a atividade de ensino e a renova frente à realidade’’.

Segundo Carmo e Prado (2005, p. 131) ‘’ a ciência é uma atividade social e, portanto,
precisa ser divulgada, debatida e refletida’’. Se por esta visão, entendemos que a
comunidade acadêmica é vista como replicadora do conhecimento a todos os
interessados pelos mais diversos assuntos, entendemos também a importância de se
disseminar a informação baseada em construtos confiáveis e fidedignos, capazes de
orientar, instruir, ajudar e formar alunos e professores capazes de mudar a forma de
pensar de si mesmos e de seus discentes, a fim de replicar mentes pensantes que
almejam a mudança constante do ambiente que os cerca.
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