Você está na página 1de 7

POSSÍVEIS FATORES QUE EXPLICAM A SOBREVIVÊNCIA DAS

MICRO E PEQUENAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO


DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO NO BRASIL

Ana Alice Viola Rensi (Graduanda em Administração UEM) anaalice@melfinet.com.br

RESUMO

Este trabalho procura apontar alguns dos possíveis fatores que justificam a
sobrevivência das micro e pequenas empresas (MPEs) que prestam o serviço de
monitoramento eletrônico no Brasil. Através de pesquisas bibliográficas, pesquisas no
site do Sebrae e entrevistas com proprietários de empresas prestadoras de serviço de
monitoramento eletrônico, foi possível analisar os principais problemas enfrentados
pelas MPEs, e dessa forma elaborar alguns procedimentos fundamentais a serem
seguidos para que as empresas em geral possam manter-se de forma saudável e
duradoura no mercado brasileiro.

Palavras-chave: Fatores. Sobrevivência. Empresas prestadoras de serviço.


Monitoramento eletrônico.

ABSTRACT

This paper tries to indicate some of the possible factors which justify the survival of
micro and small enterprises (MSEs) that provide the service of electronic monitoring in
Brazil. Through bibliographic searches, searches on the web site of Sebrae and
interviews with the owners of companies that offer security monitoring systems, it was
possible to analyze the main problems faced by MSEs, and thus establish some basic
procedures to be followed by companies in general in order to remain healthy and
sustainable in the Brazilian market.

Keywords: Factors. Survival. Providing services companies. Electronic monitoring.

1 INTRODUÇÃO

Atualmente as micro e pequenas empresas (MPEs) representam 99,2% das empresas


brasileiras, porém são responsáveis por apenas 20% de todo o Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro. Todo ano surgem aproximadamente 460 mil novas empresas no Brasil,
e a grando maioria é desse tipo de empresas, onde cerca de 80% são da área de serviços
2

e comércio. Em 2005 haviam em média 5 milhões de MPEs, as quais englobam


padeiros, advogados, contadores, costureiras, entre outros.

De acordo com a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, são consideradas micro
empresas aquelas com um faturamento anual de, no máximo, R$240 mil. Dessa forma,
as pequenas empresas são aquelas que faturam entre R$240.000,01 e R$240 milhões
por ano. O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) utiliza-
se de uma outra classificação, a qual considera as micro empresas como aquelas que
empregam até nove pessoas no caso de comércio e serviços, ou até 19 pessoas no caso
das indústrias ou setores de construção. Já as pequenas empresas são as que empregam
de 10 a 49 pessoas no comércio ou prestação de serviços, e de 20 a 99 pessoas nos
setores industriais e em empresas de construção.

As MPEs começaram a surgir principalmente na década do 1990, com o aumento do


processo de terceirização das áreas que as organizações não consideravam essenciais,
como por exemplo na área de segurança patrimonial e de limpeza geral. Assim surgiram
empresas de pequeno porte especializadas nesses serviços.

De acordo com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social),


as MPEs são as grandes responsáveis pela geração de empregos e representam um papel
fundamental na renovação da economia brasileira. Por esses motivos, identificar as
causas da mortalidade e encontrar soluções para resolver esse problema é um desafio
muito importante para o governo do país.

2 DESENVOLVIMENTO

Como referencial teórico, a pesquisa partiu dos estudos realizados por entidades de
apoio às micro e pequenas empresas como o Sebrae e o BNDES. Ambas organizações
realizaram pesquisas de âmbito nacional e até internacional para reunirem dados que
auxiliem o governo na tomada de decisões referentes a essas empresas, e que auxiliem
também as pessoas que desejam se tornar empreendedores.

Uma outra fonte de pesquisa veio a partir da leitura de autores como Renata Lèbre La
Rovere (professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro), Henrique
Rattner (professor da FEA - USP, IPT e membro da Associação Brasileira para o
Desenvolvimento de Lideranças - ABDL), Luiz Carlos Barboza (diretor-técnico do
Sebrae Nacional), Irene Lôbo e Gláucia Gomes (repórteres da Agencia Brasil) e
Gustavo Bernardez (publicitário). Esses autores abordaram a temática da perspectiva de
sobrevivência das micro, pequenas e médias empresas, enfatizando as causas que levam
à morte prematura, e indicando algumas possíveis soluções para que elas cresçam e se
desenvolvam.

Através dos artigos de Luíz Indriunas (Editor do How Stuff Works Brasil, jornalista
formado pela Universidade de São Paulo) foi possível compreender melhor o universo
das MPEs e como elas afetam a economia brasileira, e também foi possível entender um
pouco mais sobre a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, e como ela auxilia no
desenvolvimento dessas empresas.
3

2.1 Taxas de sobrevivência e mortalidade das MPEs do Brasil

O Sebrae divulgou um estudo feito entre 2003 e 2005 que divulga as taxas de
sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas empresas no Brasil apresentadas nos
quadros e no gráfico abaixo:

Gráfico 1 - Taxa estadual de mortalidade

Quadro 1 – Taxas de sobrevivência

Quadro 2 – Taxas de mortalidade

Fonte: SEBRAE. Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas
empresas no Brasil. Brasíla: [s.n] 2007, p. 14 e p. 16.

Observando que o percentual de empresas que fecham suas portas nos primeiros dois
anos passou de 49,4% em 2002 para 22% em 2005, pode-se concluir que 27,4% a mais
de MPEs continuam funcionando e movimentando a economia. Os principais fatores
apontados pelo Sebrae para justificar esse aumento na taxa de sobrevivência são a maior
qualidade empresarial e a melhoria do ambiente econômico.
4

Os empresários estão ingressando no mercado brasileiro com uma melhor capacitação


para enfrentar os desafios e com mais conhecimentos adquiridos atravéz de cursos,
como os cursos superiores: o percentual dos que os têm completo ou incompleto é de
79%. A redução e o controle da inflação, a gradativa diminuição de juros, o aumento do
crédito para as pessoas físicas e o aumento do consumo caracterizam a melhora do
ambiente econômico brasileiro.

Exemplos da taxa de sobrevivência das MPEs de alguns países desenvolvidos entre


2000 e 2002: Austrália (87,6%), Inglaterra (81,9%), Cingapura (75%), EUA (74%),
Portugal (72,6%), Itália (72,4%) e Finlândia (71,3%).

2.2 Fatores para o fechamento das MPEs

Os principais problemas que as MPEs encontram em seus primeiros anos de vida estão
abaixo citados:
• Comportamento empreendedor pouco desenvolvido;
• Deficiências no planejamento antes da abertura do negócio;
• Deficiências na gestão empresarial após a abertura do negócio;
• Políticas insuficientes de apoio às empresas;
• Conjuntura econômica reprimida;
• Problemas pessoais dos sócios-proprietários.

Os principais problemas das micro e pequenas empresas, estão na ausência


de segmentação, posicionamento e comunicação, o que ocorre em inúmeras
empresas de segmentos e ramos distintos. O obstáculo para o crescimento, e
o que é pior, o principal fator causador das mortes das micro e pequenas
empresas está na ausência dos itens destacados acima, mais do que na
própria economia (BERNARDEZ, 2005, p. 48)

De acordo com o Sebrae, as principais razões que as levam para a morte precoce são:
• Falta de capital de giro;
• Impostos elevados;
• Falta de clientes;
• Concorrência.

2.3 Fatores para o sucesso das MPEs

O sucesso das MPEs está diretamente ligado às habilidades gerenciais, à capacidade


empreendedora e à logística operacional.

2.3.1 Habilidades gerenciais


5

Está relacionada com o bom conhecimento do mercado em que o empresário atua, como
por exemplo conhecendo os hábitos e costumes da provável clientela, bem como as
melhores fontes para a compra de produtos e equipamentos. Está relacionada também
com uma boa estratégia de vendas, sabendo qual a melhor maneira de disponibilizar os
produtos e serviços à venda.

2.3.2 Capacidade empreendedora

As habilidades empreendedoras que são natas ao indíviduo devem ser melhoradas,


através de de novos conhecimentos, técnicas de liderança e de gestão, com treinamento
e desenvolvimento pessoal. Um bom empreendedor deve ser criativo, persistente,
perseverante, saber aproveitas as oportunidades de negócio, ser um bom líder e saber
assumir riscos. É aquele que antecipa tendências, trabalha com vigor e paixão, tem
senso de liderança, tem senso de negociação e sabe dividir tarefas e idéias.

O economista tcheco Joseph Schumpter definiu o empreendedor como “aquele que


destrói a ordem econômica existente através da introdução de novos produtos e
serviços, pela criação de novas formas de organização, ou pela exploração de novos
recursos ou materiais”. Schumpter (1949 apud INDRIUNAS, 2008)

2.3.3 Logística operacional

O conjunto de fatores da logística operacional representa a capacidade do empresário de


utilizar o capital, o trabalho especializado e os recursos tecnológicos disponíveis de
forma eficiente, para que a empresa alcance melhores resultados. Escolher um bom
administrador, utilizar capital próprio e buscar novas tecnologias são os principais
fatores do sucesso empresarial segundo a logística operacional.

2.4 Lei Geral da Micro e Pequena Empresa

A Lei Geral das MPEs entrou em vigor em junho de 2007 e seu objetivo é simplificar a
burocracia que os empresários são obrigados a enfrentar para abrir, manter e até mesmo
fechar um pequeno empreendimento, unificar a cobrança de impostos e estimular
oficialmente a inovação neste segmento de empresas.

Inicialmente essa lei fará com que o governo deixe de arrecadar cerca de R$ 5,4 bilhões
ao ano, porém com a unificação e simplificação tributária, espera-se que aquelas
empresas que atuam informamente sejam incentivadas a se formalizar e, dessa forma,
passar a contribuir com o pagamento de tributos.

3 METODOLOGIA
6

Em um primeiro momento foi realizada uma pesquisa feita através de meteriais


bibliográficos como livros e artigos e utilizando dados de pesquisas realizadas por
entidades de apoio à micro e pequena empresa brasileira. A partir da identificação dos
fatores que levam as empresas em questão à sua morte prematura e também os fatores
que justificam sua sobrevivência, foram realizadas entrevistas junto aos proprietários de
empresas prestadoras de serviço de monitoramento eletrônico, através de amostras
representativas da cidade de Jales (São Paulo).

4 RESULTADOS OBITIDS

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em relação ao objetivo geral deste trabalho, considera-se que o mesmo foi alcançado na
medida em que foram apresentados os fatores de sobrevivência das micro e pequenas
empresas do país, bem como a estratégia utilizada pelos proprietários de empresas
prestadoras de serviço de monitoramento eletrônico para que consigam se manter e se
desenvolver dentro da esfera econômica brasileira.

Como mencionado várias vezes, as MPEs são as grandes movimentadoras do mercado


não só brasileiro, mas como de todos os países, e por isso é de interesse do governo
conseguir mantê-las ativas durante o maior tempo possível, através de ajuda e
incentivos tais como a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, por exemplo.

Em relação aos objetivos específicos, pode-se dizer que foram identificadas as


principais causas de mortalidade das MPEs, foram apontados os possíveis
procedimentos que auxiliam na sobrevivência dessas empresas e o mercado brasileiro
de prestação de monitoramento eletrônico foi contextualizado.

6 REFERÊNCIAS

BARBOZA, Luiz Carlos. Taxa de sobrevivência das pequenas empresas: o que está
acontecendo? Fundação Nacional da Qualidade, São Paulo, jan. 2007. Disponível em:
<http://www.fnq.org.br/site/ItemID=884/366/default.asp>. Acesso em: 19 out. 2008.

BERNARDEZ, Gustavo. Marketing para pequenas empresas: dicas para a


sobrevivência e crescimento do seu negócio. Blumenau/SC: Hermann Baumgarten,
2005.

INDRIUNAS, Luíz. Como funcionam as micro e pequenas empresas. How Stuff


Works? Como Tudo Funciona, São Paulo, 2008. Disponível em:
<http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/micro-e-pequenas-empresas-no-brasil.htm>.
Acesso em: 19 out. 2008.
7

______. Como funciona a Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas. How Stuff
Works? Como Tudo Funciona, São Paulo, 2008. Disponível em:
<http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/lei-geral-para-micro-e-pequenas-
empresas.htm> Acesso em: 19 out. 2008.

LÔBO, Irene; GOMES, Gláucia. Cresce a taxa de sobrevivência de pequenas e micro


empresas, mostra pesquisa. Agência Brasil, Brasília, ago 2007. Disponível em:
<http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/08/20/materia.2007-08-
20.9510097480/view>. Acesso em: 19 out. 2008.

RATTNER, Henrique. Algumas hipóteses sobre as perspectivas de sobrevivência das


pequenas e médias empresas. Revista de Administração de Empresas, Rio de Janeiro, p.
72-75, out/dez .1982

ROVERE, Renata Lèbre La . Perspectivas das micro, pequenas e médias empresas no


Brasil. Revista de Economia Contemporanea, Rio de Janeiro, v. 5, n. Ed. Espec., p. 20-
38, 2001.

SEBRAE. Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e


pequenas empresas no Brasil. Brasíla: [s.n] ago 2007.