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Artigo

Leishmaniose: Aspectos Gerais Relacionados com a Doença, o


Ciclo do Parasita, Fármacos Disponíveis, Novos Protótipos e
Vacinas
Blanco, V. R.; Nascimento-Júnior, N. M.*
Rev. Virtual Quim., 2017, 9 (3), 861-876. Data de publicação na Web: 24 de abril de 2017
http://rvq.sbq.org.br

Leishmaniasis: General Aspects Related with the Disease, the Parasite Cycle,
Available Drugs, Novel Prototypes and Vaccines
Abstract: Leishmaniasis is a neglected disease that has most part of the registered cases in third world
countries and as well as other neglected diseases, low investment in research and development of new drugs
is observed, especially because this disease affects mainly low-income population. In recent years,
globalization and migration resulted in many demographic changes and the disease has become endemic in
countries where only a handful of cases appeared. The main courses of treatment are extremely effective, but
high prices and side effects made it difficult in some parts of the world to provide a suitable treatment,
causing complications and the disease progress, in some cases leading to death. In this context, several
research groups have been looking for new drug candidates from natural sources or drugs with antiparasitic
effect. In this paper are discussed the main current treatments as well as novel compounds being developed,
searching for alternatives with mild side effects and more effectiveness in comparison with the current
treatments. The parasite cycle and a general understanding of the disease will also be discussed.
Keywords: Leishmaniasis; parasite cycle; bioactive compounds; structure-activity relationships.

Resumo
A leishmaniose é uma doença negligenciada que possui a grande maioria dos casos registrados em países
subdesenvolvidos e assim como outras doenças negligenciadas possui baixos investimentos em pesquisa e
desenvolvimento de novos fármacos, geralmente por atingir população de baixa renda. Com o passar dos
anos e fatores como a globalização, que proporcionou grande migração de pessoas e animais, a doença se
tornou endêmica em países onde não havia muitos casos confirmados. Os tratamentos atuais contra essa
doença são eficazes, porém os efeitos colaterais e o preço do tratamento completo em algumas partes do
mundo acabam impedindo o tratamento da doença ou não permitindo o tratamento completo, resultando
em evolução para os estágios mais graves da doença, podendo levar o paciente a óbito. Neste contexto,
diversos grupos de pesquisa têm buscado novos candidatos a fármacos a partir de fontes naturais ou de
medicamentos com função antiparasitária. Neste artigo são discutidas as principais formas de tratamento da
doença atualmente, assim como novos compostos bioativos que vem sendo desenvolvidos buscando
alternativas com menores efeitos colaterais e mais efetivas em comparação com os tratamentos atuais, além
do entendimento geral sobre a doença e seu ciclo.
Palavras-chave: Leishmaniose; ciclo do parasita; compostos bioativos; relação estrutura-atividade.
* Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Laboratório de Química Medicinal, Síntese Orgânica e
Modelagem Molecular (LaQMedSOMM), Instituto de Química, Departamento de Química Orgânica, Rua Professor
Francisco Degni, 55, Jardim Quitandinha, CEP 14800-060, Araraquara-SP, Brasil.
nailtonjr@gmail.com
DOI: 10.21577/1984-6835.20170055
Rev. Virtual Quim. |Vol 9| |No. 3| |861-876| 861
Volume 9, Número 3 Maio-Junho 2017

Revista Virtual de Química


ISSN 1984-6835

Leishmaniose: Aspectos Gerais Relacionados com a Doença, o


Ciclo do Parasita, Fármacos Disponíveis, Novos Protótipos e
Vacinas
Vinicius R. Blanco, Nailton M. Nascimento-Júnior*
Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Laboratório de Química Medicinal,
Síntese Orgânica e Modelagem Molecular (LaQMedSOMM), Instituto de Química,
Departamento de Química Orgânica, Rua Professor Francisco Degni, 55, Jardim Quitandinha,
CEP 14800-060, Araraquara-SP, Brasil.
* nailtonjr@gmail.com

Recebido em 7 de julho de 2016. Aceito para publicação em 23 de abril de 2017

1. Introdução
1.1. Ciclo e sintomas da doença
2. Fármacos e compostos bioativos em fase de desenvolvimento
2.1. Fármacos utilizados no tratamento da Leishmaniose
2.2. Compostos bioativos em fase de desenvolvimento
3. Vacinas
4. Conclusão

1. Introdução leishmaniose visceral.2 A Organização


Mundial da Saúde (OMS) estima que ela seja
a segunda doença transmitida por insetos
A leishmaniose é uma doença tropical que mais mata no mundo. Há dois tipos de
causada por um parasita intracelular, classificação da leishmaniose segundo a
protozoário do gênero Leishmania, sendo o localização geográfica: a velho mundo que
se concentra na Ásia, África, a região do
vetor transmissor o flebotomíneo, inseto
pequeno pertencente ao gênero diptera. No mediterrâneo e o oriente médio e a novo
Brasil, esses insetos são conhecidos por mundo se concentra na América Central, na
mosquito palha.1 A apresentação clínica da América do Sul e no sul do Texas.3
doença depende da complexidade da Pelo fato da leishmaniose ser considerada
interação entre o sistema imunológico do uma doença negligenciada, junto com a
hospedeiro e o tipo de protozoário, existindo malária e a doença do sono, é difícil
quatro formas de apresentação da doença, determinar o número de pacientes infectados
sendo: leishmaniose cutânea, leishmaniose por essa doença, mas estima-se que há 12
mucoso cutânea, leishmaniose cutânea milhões de pessoas infectadas pela doença
disseminada e a considerada mais grave, do mundo, ameaçando a vida de mais de 350

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mil pessoas anualmente, sendo que 90% dos que mostra o ciclo da doença destacando
casos se concentram no Sudão e no ambas as fases do parasita dentro do vetor
subcontinente indiano.4 No Brasil, a doença transmissor e dentro do hospedeiro, a
tem sido descrita principalmente na região leishmaniose é transmitida através da picada
nordeste, apresentando grandes mudanças da fêmea do flebotomíneo. O parasita, na
no local de transmissão, onde se mantinha forma promastigota é transferido para a
predominantemente no ambiente rural. Com corrente sanguínea, onde é fagocitado por
o aumento da migração para as grandes uma célula saudável, passando para sua fase
cidades, diversos casos têm aparecido nos amastigota. Ao passar para sua segunda
centros urbanos.5 Como a doença afeta forma, sofre divisão binária. Após algum
outros mamíferos há estudos mostrando que tempo o parasita causa a lise da célula e
em países da Europa, onde a doença não começa a se espalhar infectando outras
existia, diversos casos foram identificados células, momento no qual o paciente começa
onde cães portadores da doença a exibir os sintomas. O ciclo então é
transmitiram para seres humanos.6 A completado quando a fêmea do
transmissão da doença não necessariamente flebotomíneo ingere o sangue contaminado.
é feita através do mosquito, podendo Dentro do mosquito, os parasitas na forma
também ser transmitida pelo amastigota são transformados novamente na
compartilhamento de seringas, transfusão de forma promastigota, onde no futuro podem
sangue ou através da placenta.2 infectar outros hospedeiros.8
A manifestação clínica da leishmaniose
ocorre com um espectro muito grande de
1.1. Ciclo e sintomas da doença
sintomas, desde de assintomático à forma
letal. A forma com que é apresentada
A leishmaniose é causada pelo depende de vários fatores como vetor da
protozoário do gênero leishmania. Das 30 doença, sistema imunológico do paciente,
espécies existentes que infectam os idade, estado nutricional e outros fatores
mamíferos, 21 delas afetam o ser humano, genéticos.2 A leishmaniose é considerada
sendo elas: L. donovani com duas espécies (L. uma doença com alta mortalidade, variando
donovani, L. infantum); a L. mexicana com desde apenas infecções de pele, começando
três espécies (L. mexicana, L. amazonensis, e com pápulas no local da inoculação do
L. venezuelensis); L. tropica; L. major; L. protozoário, podendo evoluir para formação
aethiopica; e o subgênero Viannia com de placas ou até mesmo úlceras,10 até a
quatro espécies (L. (V.) braziliensis, L. (V.) forma visceral, onde intensas hemorragias e
guyanensis, L. (V.) panamensis, e L. (V.) severa anemia causam a morte dos
peruviana). As diferentes espécies são pacientes, bem como em crianças podem
morfologicamente indistinguíveis, mas elas causar diminuição do crescimento.5 Com a
podem ser diferenciadas através de análises falta de tratamento e uma reação
enzimáticas ou através dos anticorpos imunológica inapropriada ocorre uma
produzidos pelo sistema imunológico.7 replicação descontrolada do parasita que leva
a formas incuráveis da doença.2
Conforme podemos observar na Figura 1,

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Figura 1. Ciclo da doença, destacando ambas as fases do parasita dentro do vetor transmissor
e dentro do hospedeiro9

2. Fármacos e compostos bioativos 2.1. Fármacos utilizados no tratamento


da Leishmaniose
em fase de desenvolvimento

Os derivados de antimônio têm sido


Ao longo do século XX diversos grupos de usados desde a Roma Antiga, mas o seu uso
pesquisa trabalharam na busca da cura da para a cura da leishmaniose começou com
leishamaniose. Desde da infecção controlada, Vianna em 1913. Diversos pesquisadores da
a leismanization,11 até o uso de compostos época constataram que o tratamento
inorgânicos como o antimônio pentavalente. apresentava diversos efeitos adversos e
Dentre os fármacos utilizados, a anfotericina ineficaz em regiões tropicais, por conta de
B (1) e os antimônios pentavalentes possuem outras complicações relacionadas à doença.12
alta taxa de eficácia, tendo 90% ou mais de Atualmente, o antimoniato de meglumina (2)
cura da doença, mas a alta toxicidade e tem sido utilizado como primeira escolha de
outros danos que podem ser causados por tratamento. O mecanismo que envolve a
estes medicamentos são severos. toxicidade deste fármaco ainda não foi
elucidado, mas é aceito que o Sb+5 é reduzido
a Sb+3 dentro do organismo, gerando a alta
toxicidade e ação contra leishmaniose.13 O
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tratamento necessita de três semanas, onde paromicina (3) é 21 mg/kg que deve ser
o paciente recebe 20 mg/kg por dia, sendo administrada ao longo de 5 dias.16
aplicado por via intramuscular. Os efeitos
A pentamidina (4), outro medicamento
colaterais vão desde dor no local da injeção
que é utilizado como segunda linha de
ao mais grave, cardiotoxicidade.14
tratamento, vem sendo muito aceito por
Um dos principais fármacos utilizados é a países da América do Sul e África para o
Anfotericina B (1) (Figura 2), um antifúngico tratamento contra a leishmaniose, devido ao
com cadeia carbônica cíclica poliidroxilada e seu custo mais baixo do que, por exemplo, a
insaturada, isolado da bactéria Streptomyces anfotericina B (1), e possuindo efeitos
nodosus, que inicialmente foi isolada por sua colaterais menos severos20,21 Outra facilidade
atividade antifúngica.15 Esse fármaco vem se dá pela forma como é administrada, não
sendo utilizado no chamado novo mundo necessitando de internação como a
desde os anos 60 como segunda linha de anfotericina B. (1), sendo em aerossol ou
tratamento.16 Apesar de sua alta taxa de injetável. O mecanismo de ação está
sucesso e ser uma alternativa quando os relacionado com a síntese de ácido nucleico
antimônios pentavalentes não são eficazes, do parasita, além de inibir o funcionamento
sua alta toxicidade pode causar febre com de outras enzimas. O tratamento usualmente
tremores, disfunção renal e até morte, sendo leva 3 semanas com um total de 300 mg do
necessário o acompanhamento do paciente medicamento.22
em um hospital durante o tratamento.17
A paromicina (3) originalmente era um
Formulações onde a anfotericina B (1) é
antibiótico, atuando contra infecções e a
utilizada, por meio da formação de
partir de 2006 foi aprovada para o
complexos lipídicos, se mostraram eficazes e
tratamento da leishmaniose.23 As vantagens
com menor toxicidade, mas o alto custo
desse fármaco se encontram no baixo custo,
impossibilita seu uso por populações de baixa
eficácia no tratamento, não sendo menos
renda, visto que enquanto o preço do
eficaz do que o tratamento com anfotericina
tratamento com anfotericina B (1) custa 250
B (1)24 e compostos de antimônio. Além da
dólares e o tratamento utilizando a
grande possibilidade de combinações com
paromicina (3) custa apenas 10 dólares .15 O
outros tratamentos.25 A aplicação consiste
mecanismo pelo qual a paromicina (3) atua é
em 11 mg/kg por 21 dias,25 podendo ser
se ligando a um esterol, uma cadeia lipídica
estendida, desde que com acompanhamento
que possui atividade biológica como em
médico. Como efeitos colaterais, podemos
hormônios e em sais biliares18 do parasita,
destacar náuseas, dor abdominal e
consequentemente, causando o rompimento
hepatotoxicidade, sendo necessária a
da sua membrana plasmática.19 A dose
realização de exames para verificar as
recomendada para o tratamento utilizando
enzimas hepáticas após o tratamento.23

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Figura 2. Estrutura química de fármacos utilizados atualmente no tratamento da leishmaniose,


sendo os valores de CI50 baseados na espécie L. braziliensis, do subgênero Viannia.15,13,16,20,26

2.2. Compostos bioativos em fase de contra a leishmaniose.


desenvolvimento
Partindo da estrutura 6 foram sintetizados
novos análogos buscando maior atividade
(Figura 3). A estrutura 7 se mostrou inativa
A organela mitocôndria tem como
pela substituição do grupo amino por um
principal função a respiração em células
grupo nitro (em azul). Já na estrutura 8, com
eucariontes, onde o protozoário Leishmania
a adição de uma subunidade benzila, houve
se localiza. Através dessa função é possível
aumento da atividade, resultando no
gerar ATP, fonte de energia da célula, a partir
composto mais ativo dentro desta série. As
de reações de oxidação.27 Com a alteração da
estruturas 9 e 10 demonstram que a
quantidade de espécies de oxigênio reativo
presença de uma subunidade
que realizam essa oxidação, é possível levar à
heteroaromática nesta posição é favorável
morte as células do parasita.28 Portanto,
para o aumento de atividade em relação ao
recentes estudos buscando novos meios de
derivado 6. Um átomo de flúor (em azul) ao
combate a doenças causadas por
anel aromático central resultou em
protozoários vem buscando novos compostos
diminuição da atividade, como demonstrado
que aumentem a produção de espécies de
na estrutura 10. A adição de grupos elétron-
oxigênio reativo (ROS), como o flavonoide
doadores na subunidade benzila ligada à
quercetina29 e o galato de ipigalocatequina.28
amina se mostram favoráveis, apesar da
Outra classe de compostos, as
estrutura 11 possuir uma atividade
arilalquilaminas possuem a mesma
levemente menor que a estrutura 8, a qual
característica.30 Baseado nessa propriedade
possui uma subunidade benzila não
das arilalquilaminas, Iniguez et al.
substituída. A subunidade éster (em
propuseram uma série de análogos
vermelho) se mostra importante pois ao
estruturais, buscando um composto efetivo

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substituí-la por uma carboxila em 12, a partir Esses compostos são subdivididos em 9
da estrutura mais ativa da série 8, há perda subgrupos incluindo os flavonoides e as
da atividade demonstrando que um grupo chalconas.32 Chalconas são flavonoides de
mais polar se mostra desfavorável nesta cadeia aberta com duas subunidades
posição. fenólicas ligadas através de uma cetona ,-
Substâncias polifenólicas estão presentes insaturada. Essa classe de compostos se
em plantas e são conhecidas há muito tempo mostrou promissora pela facilidade de
por suas propriedades medicinais: síntese e versatilidade quanto à possibilidade
antibacteriana, antifúngica e antidiabética. de modificações na estrutura química.33

Figura 3. Arilalquilaminas desenvolvidas e testadas contra a Leishmania major.31

A partir da estrutura geral 13, foram subunidade 3-clorofenila não ter sido
construídos derivados por meio de promissora para os derivados 2,4,5-
modificações em ambos os anéis aromáticos trimetoxissubstituídos, como podemos
(Ar1 e Ar2) (Figura 4). Na subunidade observar em 14, ela resultou no derivado
destacada em azul (Ar1), foram exploradas as mais potente da série dentre os 2,4,6-
subunidades 2,4,5-trimetoxifenila e 2,4,6- trimetoxissubstituídos 15. Os derivados
trimetoxifenila. Já na subunidade destacada contendo as subunidades 2-clorofenila 18 e
em vermelho (Ar2), houve modificações 2,6-diclorofenila 20 também mostraram
explorando anéis aromáticos clorados, valores de potência próximos ao mais
nitrados e a subunidade naftila. Dentre as potente. Em comparação com o derivado 15,
moléculas contendo a subunidade 2,4,5- podemos destacar que a substituição do
trimetoxifenila, podemos observar que a átomo de cloro pelo grupo nitro em 19
presença da 3-clorofenila em 14, resulta em resulta em diminuição da potência. Dentre os
perda de potência, enquanto seu derivados 2,4,6-trimetoxissubstituídos,
regioisômero, contendo a 4-clorofenila 16, podemos observar que a introdução da
apresenta potência de 29,7 M. Já o derivado subunidade naftila (em vermelho) resulta em
17 contendo a subunidade 3,4-diclorofenila é perda de potência, possivelmente por fatores
menos potente que 16. estéricos ou de solubilidade.
O derivado 15 mostra que apesar da

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Figura 4. Chalconas desenvolvidas e testadas contra a forma promastigota da espécie L.


braziliensis.33

Derivados de salicilamidas apresentam vermelho). Grupos estericamente pequenos


atividade frente a protozoários, como o apresentaram potência elevada, como
Trypanosoma cruzi, causador da doença de observado quando os substituintes da
Chagas e contra os protozoários da espécie subunidade em vermelho são trifluormetila
leishmania, causadores da leishmaniose.34 (22), metila (27) e metoxila (28). Quando o
Outros compostos derivados das salicilamidas substituinte em para é a morfolina (24)
como as tioazolidas tem sido utilizados para o também observamos potência elevada, assim
combate a outros protozoários como como no caso de outro derivado contendo
Neospora caninum, mas estudos uma subunidade (em vermelho)
comprovaram que esses compostos estericamente maior na mesma posição, a t-
apresentam alta toxicidade para as células do butila (26), sendo o composto mais potente
hospedeiro apesar de uma boa atividade.35 da série. Ao contrário dos derivados (24) e
(26), quando subunidades que possuem
Na Figura 5, é mostrada uma série de
grupos elétron-retiradores e estericamente
salicilamidas sintetizadas e avaliadas frente a
maiores são os substituintes em para, há
forma promastigota da espécie L. donovani.
perda de potência, como podemos observar
Estes compostos foram planejados com base
nos casos dos derivados contendo as
na junção de salicilamidas (em azul) e
subunidades éster 23 e sulfona 25.
cetonas aromáticas substituídas em para (em

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Figura 5. Salicilamidas desenvolvidas e testadas contra a forma promastigota da espécie L.


donovani34

As almiramidas, compostos de padrão substituída (29) e outro contendo a mesma


estrutural peptídico que podem ser subunidade N,N-dimetilssubstituída (32), mas
encontrados em cianobactérias, têm não poderiam ser utilizados como forma de
apresentado atividade contra a Trypanosoma tratamento por apresentarem alta toxicidade
brucei36 e contra a L. donovani,37 onde foi em baixas concentrações. Apesar de possuir
inicialmente testada. Esses compostos, menor potência, o peptídeo alquilado
encontrados principalmente em países do contendo uma ligação tripla e a subunidade
Caribe e da América do Sul, podem causar em vermelho N,N-dimetilssubstituída (31) é o
alguns tipos de dermatite, mas também melhor da série, pelo fato de possuir valores
possuem atividade contra parasitas e alguns de CI50 próximos das moléculas 29 e 32 e
tipos de câncer.38 menor toxicidade. Quando subunidades
alquila insaturadas são substituídas por uma
Na Figura 6, são mostradas almiramidas
subunidade hidrocarbônica carbonilada, há
desenvolvidas e testadas contra a forma
perda da potência, conforme podemos
promastigota da espécie L. donovani. Dentre
observar no peptídeo 30. Também é
os seis derivados mostrados, podemos
importante destacar que os peptídeos
destacar dois peptídeos alquilados
alquilados insaturados contendo uma
insaturados (dupla ligação) com elevada
carboxila (33) e (34) no lugar de uma amida
potência, contendo um deles uma
também são potentes.
subunidade em vermelho (-NH2) não

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Figura 6. Almiramidas desenvolvidas e testadas contra a forma promastigota da espécie L.


donovani36

Sais quinolínicos são sais heterocíclicos Podemos observar na Figura 7 sais


aromáticos que possuem um átomo de quinolínicos desenvolvidos e testados contra
nitrogênio carregado positivamente e o a forma promastigota da espécie L. major,
mesmo pode estar ligado a outro grupo apresentando grupos alquila de cadeia longa
alquila.39 Um grupo desses sais quinolínicos ligados ao oxigênio em R1 (em vermelho) e
tem ganhado cada vez mais importância na subunidades aromáticas, um átomo de
Química Orgânica Sintética pela grande bromo ou o hidrogênio em R2 (em azul),
atividade frente a alguns protozoários, como como é possível observar na estrutura geral
a leishmania e o trypanossoma.40 35. Quando o substituinte R1 é apenas uma
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metila, os compostos avaliados não derivados contendo uma para-toluíla (40),


apresentam potência frente a L. major, uma naftila (41) ou uma fenila (42) em R2. O
independentemente do substituinte em R2 derivado não substituído em R2 apresenta
ser um átomo de bromo (38), uma fenila (39) potência elevada (36) e uma cadeia alquíla
ou uma naftila (37). Em contrapartida, a com 18 átomos de carbono, entretanto o
presença de grupos alquila com mais de 5 derivado bromado em R2 contendo bem
átomos de carbono (em vermelho) contribui menos átomos de carbono em R1 (43) é
para a potência desta classe de compostos, menos potente.
conforme podemos observar para os

Figura 7. Sais quinolínicos desenvolvidos e testados contra a forma promastigota da espécie L.


major39

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3. Vacinas Há indícios que essa proteína, A-2, também


atua no sistema imunológico do parasita,
deixando-o com resistência ao aumento de
temperatura.45 Já a proteína HASPB está
A prevenção da leishmaniose por meio de
presente na membrana plasmática da fase
vacinas se iniciou século XX,41 sendo o
amastigota e diversos testes com pacientes
primeiro processo, único efetivo em
portadores da forma visceral e cutânea
humanos, a leishmanization, onde o agente
causador da leishmaniose era diretamente mostraram que essa proteína é imunogênica
colocado sobre a pele de um indivíduo e tem como função auxiliar o parasita
saudável para que ele criasse resistência à durante a infecção no hospedeiro.46
doença protegendo-o no futuro, mas A LACK (receptores homólogos para a C-
algumas outras vacinas que protegiam contra cinase da leishmania) é outra proteína ligante
outras doenças perdiam seu efeito caso o no plasminogênio na leishmaniose, sendo
paciente estivesse infectado com a essa proteína análoga ao RACK que é
leishmaniose. Já a segunda geração de encontrado nos vertebrados. RACK
vacinas tem usado alvos específicos, (receptores homólogos para a C-cinase dos
incluindo proteínas recombinantes e mamíferos) tem como funções auxiliar a
poliproteínas. Atualmente diversos ligação de diversas proteínas e estabilizam a
candidatos a vacinas estão em fase de testes, forma ativa da proteína cinase C. Apesar de
mostrando resultados promissores no não se saber exatamente a principal função
combate à doença.11 da LACK, foi possível perceber que ela é
essencial na sobrevivência do parasita no
Na última década foram utilizadas várias
hospedeiro.47,48 A PSA 2, também conhecida
alternativas para criação de novas vacinas,
como GP 46, é uma membrana glicoproteica
uma delas foi explorar a protease cistína,
que está presente na superfície da forma
especialmente a família das catepsinas como
promastigota do parasita que vem se
a cpB e a cpL. Essas enzimas têm como
mostrando importante na criação de vacinas
principal função quebrar as ligações
peptídicas das proteínas. Esse tipo de enzima contra a doença, pois pela produção alta de
está presente desde em vírus até em animais INF-γ gara te u a i u idade atural via
Th1.38
vertebrados.42 Na espécie de Leishmania
trópica foi possível observar uma forma mais Apesar de diversos avanços tecnológicos,
branda da doença, com lesões mais finas, as vacinas contra leishmaniose ainda
mas não houve completa eliminação da precisam ser melhoradas para criação de
forma amastigota (fase intracelular).43 Já na uma vacina universal e efetiva. Um dos
espécie L. major foi possível analisar que a maiores problemas se encontra na grande
falta da enzima cpB causou extrema variedade genética do parasita, além da
dificuldade na sobrevivência do parasita, com grande dificuldade de se encontrar
alguns estudos mostrando a morte tanto in marcadores de resistência nos pacientes
vitro como in vivo.44 curados e falta de sistema semelhante ao
natural para uma avaliação melhor da
A proteína A-2, encontrada
vacina.49 A seguir estão algumas das vacinas
principalmente na variação L. donovani em
que obtiveram uma boa taxa de sucesso na
sua forma amastigota, é necessária à
imunização de animais, mas ainda são
sobrevivência nessa fase do parasita. A
necessários avanços significativos para testes
introdução desse gene em outras espécies
clínicos em humanos.
mostrou que houve aumento da resistência.

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Tabela 1. Vacinas em fase de testes. Os antígenos mostrados são conhecidos por serem
essenciais à sobrevivência do parasita11
Antígeno Fonte do antígeno Animal modelo Resultado
P36 LACK L. Infantum Ratos Proteção
P36 LACK L. Infantum Cães Proteção
A2 L. Donovani Cães Proteção parcial
Leish-111f L. Donovani Cães Proteção
HASPB1 L. Donovani Ratos Proteção parcial
Gp36 L. Major Ratos Proteção parcial
CPA e CPB L. Infantum Ratos Proteção

4. Conclusão
Referências Bibliográficas

Após diversos anos sendo considerada


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