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INTRODUÇÃO

Ventilar ambientes, processos e equipamentos industriais é um quesito


necessário para se estabelecer boas condições de higiene, segurança e bom
desempenho dos equipamentos.
A função básica de um ventilador é, pois, fornecer a energia necessária para
mover uma dada quantidade de ar por um sistema de ventilação a ele
conectado. Parte desta energia é fornecida na forma de aumento da pressão
estática, necessária para vencer as perdas do sistema, e parte na forma de
pressão dinâmica, necessária para manter o ar em movimento.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
No processo de ventilação a elevação da pressão da corrente fluida, pela
passagem pelo ventilador, normalmente é pouco significativa. Dessa forma,
despreza-se qualquer efeito de compressibilidade, isto é, o escoamento é
tratado como incompressível.
Em regime permanente, a soma das vazões mássicas que entram e saem de
um volume de controle são iguais. Em particular se houver uma entrada e uma
saída, tem-se
𝑚̇1 = 𝑚̇2 = 𝑚̇ (1)

mas
𝑚̇ = 𝜌𝑄 (2)

onde Q é a vazão volumétrica do fluido


𝑄 = 𝑉𝐴 (3)

Assim, a equação (1) fica na forma


𝜌1 𝑉1 𝐴1 = 𝜌2 𝑉2 𝐴2 (4)

Se o escoamento for considerado incompressível e as tubulações de entrada e


saída possuem o mesmo diâmetro, tem-se
𝜋𝐷2 (5)
𝑄1 = 𝑄2 = 𝑄 = 𝑉𝐴 = 𝑉
4

Para conhecer a vazão, é necessário medir a velocidade do escoamento, para


isso, usa-se um tubo de Pitot, mostrado na figura.
Assim a pressão de velocidade pode ser medida através da diferença entre a
pressão total e a pressão estática
𝑃𝑣𝑒𝑙 = 𝑃𝑡𝑜𝑡 − 𝑃𝑒𝑠𝑡 (6)

E a pressão de velocidade também é descrita, a partir da equação de Bernoulli,


por
2
𝜌𝑉𝑚𝑎𝑥 (7)
𝑃𝑣𝑒𝑙 =
2

Assim a velocidade máxima do escoamento é dada por


(8)
2𝑃𝑣𝑒𝑙
𝑉𝑚𝑎𝑥 =√
𝜌

Para se calcular a vazão é necessário conhecer a velocidade média do


escoamento e não em um único ponto. Portanto, o escoamento é turbulento,
assim pode-se considerar a velocidade média do escoamento como a
velocidade máxima.
𝑉 = 𝑉𝑚𝑎𝑥 (9)

Para representação dos resultados em curvas características, deve-se corrigir


os valores de rotação do ventilador para uma rotação média, esta correção
pode ser feita pela Lei de Semelhança dos ventiladores, dada por
Vazão: 𝑛 (10)
𝑄 = 𝑄0 ( )
𝑛0
Pressão: 𝑛 2 (11)
𝑃 = 𝑃0 ( )
𝑛0
Potência 𝑛 3 (12)
𝑊 = 𝑊0 ( )
𝑛0
E por fim, o rendimento global do ventilador é dado por
𝑄. 𝑃𝑇𝑉 (13)
𝜂𝐺 =
𝑊̇𝑒𝑙𝑒

NORMAS
O experimento seguiu algumas normas importantes e relacionadas ao assunto
como, a AMCA Standard 210-74 para a montagem da bancada de testes e
procedimentos para o ensaio, a ANSI/AMCA 210-85 (1985) para que se possa
caracterizar as variáveis de desempenho dos ventiladores como pressão total,
estática, dinâmica, potência absorvida e vazão e a ASME PTC9 para vazão
volumétrica na entrada do compressor.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Para a presente atividade, foram utilizados os livros Introdução à Mecânica dos
Fluidos do FOX, McDonald e Printchard para consulta das equações, utilizando-
as nos cálculos necessários e fazer uso de conceitos didáticos essenciais para
complementar a explicação dada em sala de aula afim de elaborar e fundamentar
esta atividade. Também foram utilizados normas e catálogos para caracterização
de elementos do ensaio.
DESCRIÇÃO DO APARATO EXPERIMENTAL
Para o melhor entendimento do experimento são apresentadas as
especificações dos equipamentos envolvidos, sendo utilizado um motor de
indução monofásico MEBSA MJ445BAT1, uma fonte regulada FR 3015, um
controlador de ventilador comum e um damper estilo persiana.
Já na parte de medição temos um tacômetro de contato ICEL 5030, um tubo de
pitot, um multímetro Minipa ET – 3200A, um wattímetro Politerm POL – 64 e
um manômetro diferencial INSTRUTEMP MP120.
INSTRUMENTAÇÃO
Visando sempre trazer melhorias para o experimento, é importante fazer uma
correlação da instrumentação utilizada com as propostas ideais para a melhor
aquisição dos dados. Muitos dos dados são adquiridos por meio da inspeção
visual, portanto são passíveis de erros como: paralaxe, incerteza de medição,
mal posicionamento do instrumento, entre outros.
Uma solução ideal para tais problemas pode ser a mudança da aquisição
manual, para uma aquisição automática de dados, utilizando-se de softwares
como o Labview e equipamentos que permitam a correta comunicação dos
sistemas.
Outra forma de solucionar esses erros, seria efetuando a troca dos
equipamentos por outros métodos mais sofisticados. Podemos citar como
exemplo, o Tubo de Pitot e o Tubo de Impacto utilizados poderiam ser fixados
na posição correta para evitar erros de mal posicionamento, ou ainda serem
substituídos por modelos de alta precisão. O manômetro diferencial, da mesma
forma, poderia ser substituído por um digital, para evitar erros de leitura.
Para as medições relativas ao motor foram utilizados 3 equipamentos. O
tacômetro digital de contato, onde temos muitos erros devido ao seu correto
posicionamento, sugerimos uma instalação fixa ou ainda substituí-lo por um
tacômetro óptico. Tanto o multímetro quanto o wattímetro utilizados (ambos
digitais) são considerados eficientes para a situação.
É importante ressaltar que a precisão é um fator de extrema importância,
porém devido ao fato do sistema ser utilizado para fins didáticos, fez-se a
opção por modelos onde haveria um bom custo-benefício.
INSTALAÇÃO E EQUIPAENTOS CORRELATOS
O Experimento foi realizado no laboratório de Refrigeração e Ar condicionado
do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
conforme a descrição dos equipamentos esboçados anteriormente, no entanto
tal experimento pode ser elaborado de maneira que resultados mais completos
possam ser obtidos e novas interpretações possam ser feitas conforme a
qualidade e variedade dos recursos existentes. Uma planta didática de tal
ensaio pode ser composta por duas bancadas: uma com um microcomputador,
onde é instalado todo o sistema supervisório (Indusoft Web Studio), e uma
composta por motores (trifásicos de 1,5 CV, por exemplo), sistemas de
comando (painel elétrico), ventilação (ventiladores centrífugos e axiais),
refrigeração (compressores, válvulas solenóides, evaporadores, umidificadores
e aquecedores) , controle (dampers) e aquisição de dados (instrumentação por
sensoriamento de pressão, temperatura e vazão de ar, por exemplo) . Tais
recursos, possibilitam realizar estudos de eficiência energética, comparação
entre grandezas elétricas e mecânicas e levantamento de curvas de diversos
parâmetros com uma maior riqueza de informação, precisão e detalhes.
METODOLOGIA
- Colocar o ventilador em funcionamento;
- Para cada vazão Alta ou Baixa, fazer a regulagem no damper e fazer as
medições;
- Utilizando o manômetro diferencial realizar-se-á as medições da PTV, PEV e
PVV;
- Medir o diâmetro do duto e calcular a vazão com PVV, a rotação no
tacômetro, a potência no wattímetro e a tensão e corrente no multímetro;
- Corrigir os valores medidos pela calibração dos instrumentos;
- Corrigir os valores de PTV, PEV, vazão e potência elétrica para rotação média
(na vazão Alta e Baixa) por meio das Leis de Semelhança de Ventiladores;
- Aplicar as incertezas nas medições;
- Calcular os índices de desempenho e mostrar em gráficos apropriados.

ANÁLISE DE DADOS
Os valores das medições são mostrados:
Baixa Alta Baixa Alta Baixa
Alta rotação
rotação - rotação - rotação - rotação - rotação-
-Fechado
Aberto Aberto Semiaberto Semiaberto Fechado
PTV (Pa) 55 80 120 120 170 180
PEV (Pa) 10 15 90 100 170 180
Potência
295 291 273 296 197 173
(W)
Corrente
1,12 1,32 0,94 1,15 0,70 0,88
(A)
Tensão
213 214 215 213 213 213
(V)
Rotação
1505 1600 1590 1660 1700 1730
(rpm)
Pvel (Pa) 40 50 15 20 0 0
Tbs (°C) 24,5 25 25 25 25 25
Tbu (°C) 20 20 20 20 20 20
D (mm) 192 192 192 192 192 192

As incertezas e calibrações dos instrumentos são mostrados:


Medidor de
Multímetro
Pressão Multímetro Wattímetro Tacômetro Régua
- corrente
Diferencial - tensão (V) (W) (rpm) (mm)
(A)
(Pa)
Incerteza 0,5 0,005 0,5 0,5 0,5 0,5
Calibração - - - - - -
CÁLCULO DOS RESULTADOS
Para medir a vazão de ar, foi utilizado um tubo de Pitot na saída do ventilador,
que com a medida da diferença de pressão é possível encontrar a velocidade
do fluido naquele ponto, que é dada por:

2𝑃𝑣
𝑉𝑚𝑎𝑥 = √
𝜌

Foi utilizado a carta psicrométrica para encontrar a massa específica em cada


medição, ainda foi adotado a incerteza de 0,01 kg/m3 na massa específica,
devido às incertezas nas medições das temperaturas.
Como o escoamento é turbulento, foi considerado que a velocidade média do
escoamento é igual a velocidade calculada no tubo de Pitot.
E conhecida a velocidade média do escoamento e a área, é calculada a vazão
com sua incerteza:
Baixa Alta
Baixa Alta Baixa Alta
rotação - rotação -
rotação - rotação - rotação - rotação -
Semi Semi
Aberto Aberto Fechado Fechado
aberto aberto
Vazão (m3/h) 865,0 967,8 530,1 612,1 0,0 0,0
Incerteza (m3/h) 8,0 8,1 9,5 8,7 0,0 0,0

Para representação nos gráficos foi necessário fazer o ajuste dos valores para
uma rotação média. Na operação em baixa rotação a média foi de 1598,3 rpm
e na operação em alta rotação a média foi de 1663,3 rpm. Os valores de vazão,
potência consumida, PTV e PEV corrigidos com suas incertezas são
mostrados:

Baixa rotação
Aberto Semiaberto Fechado
(1598,3 rpm)

Vazão (m3/h) 918,6 532,8 0,0


Vazão - Incerteza (m3/h) 8,5 9,6 0,0
Pot (w) 353,34 277,30 163,72
Pot - Incerteza (w) 0,69 0,57 0,44
PTV (Pa) 62,03 121,26 150,27
PTV - Incerteza (Pa) 0,57 0,51 0,45
PEV (Pa) 11,28 90,94 150,27
PEV - Incerteza (Pa) 0,56 0,51 0,45
Alta rotação
Aberto Semiaberto Fechado
(1663,3 rpm)

Vazão (m3/h) 1006,1 613,3 0,0


Vazão - Incerteza (m3/h) 8,5 8,7 0,0
Pot (w) 326,92 297,77 153,75
Pot - Incerteza (w) 0,64 0,57 0,46
PTV (Pa) 86,46 120,48 166,39
PTV - Incerteza (Pa) 0,54 0,51 0,47
PEV (Pa) 16,21 100,40 166,39
PEV - Incerteza (Pa) 0,54 0,51 0,47

E por fim, é calculado o rendimento global e sua incerteza:

Baixa rotação
Aberto Semiaberto Fechado
(1598,3 rpm)

Vazão (m3/h) 918,6 532,8 0,0


Vazão - Incerteza (m3/h) 8,5 9,6 0,0
Rendimento global 4,48% 6,47% 0,00%
Rendimento global -
0,04% 0,03% 0,00%
Incerteza

Alta rotação
Aberto Semiaberto Fechado
(1663,3 rpm)

Vazão (m3/h) 1006,1 613,3 0,0


Vazão - Incerteza (m3/h) 8,5 8,7 0,0
Rendimento global 7,39% 6,89% 0,00%
Rendimento global -
0,05% 0,03% 0,00%
Incerteza
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Os gráficos para baixa rotação são mostrados:

Vazão x Potência consumida


400,00
Potência consumida (W)

350,00

300,00

250,00

200,00

150,00
0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0 800,0 900,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Vazão x PTV

150,00

130,00
PTV (Pa)

110,00

90,00

70,00

50,00
0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0 800,0 900,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Vazão x PEV
160,00
140,00
120,00
PEV (Pa)

100,00
80,00
60,00
40,00
20,00
0,00
0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0 800,0 900,0 1000,0
Vazão (m3/h)
Vazão x Rendimento global
10,00%
Rendimento global (%) 9,00%
8,00%
7,00%
6,00%
5,00%
4,00%
3,00%
2,00%
1,00%
0,00%
0,0 100,0 200,0 300,0 400,0 500,0 600,0 700,0 800,0 900,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Curvas Características
400,00 7,00%

350,00
6,00%

300,00
5,00%
Potência consumida (W)

Renfimento global (%)


250,00
4,00%
PTV (Pa)

200,00

3,00%
150,00

2,00%
100,00

1,00%
50,00

0,00 0,00%
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Polinômio (Potência) Polinômio (PTV) Polinômio (Rendimento global)


Os gráficos para alta rotação são mostrados:

Vazão x Potência consumida


350,00
330,00
Potência consumida (W)

310,00
290,00
270,00
250,00
230,00
210,00
190,00
170,00
150,00
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Vazão x PTV
170,00
160,00
150,00
140,00
PTV (Pa)

130,00
120,00
110,00
100,00
90,00
80,00
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Vazão x PEV
160,00
140,00
120,00
PEV (Pa)

100,00
80,00
60,00
40,00
20,00
0,00
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0
Vazão (m3/h)
Vazão x PEV
160,00
140,00
120,00
PEV (Pa)

100,00
80,00
60,00
40,00
20,00
0,00
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Curvas Características
350,00 8,00%

7,00%
300,00

6,00%

250,00
5,00%
Potência consumida (W)

Renfimento global (%)


200,00
4,00%
PTV (Pa)

3,00%
150,00

2,00%
100,00

1,00%

50,00
0,00%

0,00 -1,00%
0,0 200,0 400,0 600,0 800,0 1000,0
Vazão (m3/h)

Polinômio (Potência) Polinômio (PTV) Polinômio (Rendimento global)