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Projeto de

estruturas
Afonso Henrique Mascarenhas de Araújo
de edificações
Arlene Maria Sarmanho com perfis
tubulares
Eduardo de Miranda Batista
Joao Alberto Venegas Requena

de aço
Ricardo Hallal Fakury
Roberval José Pimenta

Belo Horizonte, 2016


Índice
1.7.1 - Generalidades__68
1.7.2 Aplicação e vantagens dos elementos mistos
tubulares__70
1.8. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS __ ?
PREFÁCIO ___________________ 6
Capítulo 2 - AÇÕES, COmPOR-
Capítulo 1 - Considera- TAMENTO, SEGURANÇA, MODELA-
ções gerais sobre estruturas GEM E ANÁLISE ESTRUTuRAL ____73
tubulares_______________________ 9
2.1. GENERALIDADES__73
1.1 Histórico__ 9
2.2. AÇÕES__73
1.2 Aplicações__ 19 2.2.1. Definição e classificação __73
2.2.2. Informações sobre os valores das ações per-
1.3 - Aços Estruturais__34 manentes e variáveis__74
2.2.3. Significado dos valores das ações__74
1.4 - Propriedades geométri-
cas das seções tubulares __ 48
2.3. MÉTODO DOS
1.4.1 - Propriedades geométricas dos tubos ESTADOS-LIMITES __ 75
circulares __49
2.3.1. Fundamento__75
1.4.2 - Propriedades geométricas dos tubos retan-
gulares e quadrados (Figura 1. 60)__49 2.3.2. Estados-limites Últimos__75
2.3.3. Estados-limites de Serviço__80
1.5 - Tubos de aço com
e sem costura __ 51
2.4. ANÁLISE ESTRUTURAL__ 85
1.5.1 - Fabricação de tubos sem costura__52
2.4.1. Ideias Iniciais__85
1.5.2 - Fabricação de tubos com costura__55
2.4.2. Componentes Resistentes e Não Resisten-
1.5.3 - Fabricação de tubos retangulares__57 tes a Ações Horizontais__85
1.5.4 - Classificação das seções tubulares segundo 2.4.3. Análise de Segunda Ordem__87
as principais normas internacionais__57
2.4.4. Consideração dos Efeitos de Imperfei-
ções__90
1.6 - Tolerâncias
dimensionais __ 59
2.5. MODELAGEM ESTRUTuRAL __ 92
1.7 - Elementos estruturais 2.5.1. Ideias Gerais__92
mistos de aço e concreto__ 68
2.5.2. Condições de Extremidade das Barras__95
2
2.6. CONSIDERAÇÕES SOBRE A 3.1. GENERALIDADES__ 139
ANÁLISE DOS TRELIÇADOS ESPA-
CIAIS __ 99
3.2. BARRAS SUBMETIDAS A FORÇA
2.7. VERIFICAÇÃO AUTOMATIZADA AXIAL DE TRAÇÃO__ 139
DA SEGURANÇA ESTRUTURAL__101
3.2.1. Uso e Aplicação__139

2.8. ANÁLISE DE MEIOS CONTÍ- 3.2.2. Estados-limites últimos__140


NUOS PELO MEF__ 102
3.2.3. Limitação do Índice de Esbeltez__145

2.9. ANÁLISE ESTRUTURAL PARA


ESTADOS-LIMITES ÚLTIMOS__ 103 3.3. BARRAS SUBMETIDAS A FORÇA
AXIAL DE COMPRESSÃO__ 145
2.9.1. Classificação das Estruturas__103
3.3.1. Uso e Aplicação__145
2.9.2. Procedimentos__104
3.3.2. Estados-limites Últimos__146
2.9.3. Possibilidade de Análise de
Primeira Ordem__105 3.3.3. Limitação do Índice de Esbeltez__156

2.10. ANÁLISE ESTRUTURAL PARA ES- 3.4. BARRAS SUBMETIDAS A


TADOS-LIMITES DE SERVIÇO __ 105 FLEXÃO __ 157
3.4.1. Uso e Aplicação__157
2.11. EXEMPLOS 3.4.2. Estados-limites Últimos__157
DE APLICAÇÃO __ 106
2.11.1. Esforços Solicitantes de Cálculo em Es- 3.5. BARRAS SUBMETIDAS
trutura de Dois Andares__106 A TORÇÃO__ 167
2.11.2. Análise de Sistema Treliçado como Subes- 3.5.1. Uso e Aplicação__167
trutura de Contraventamento__115
3.5.2. Estados-limites Últimos__167
2.11.3. Esforços Solicitantes e Verificação da Fle-
cha em Barra Birrotulada__118
2.11.4. Análise e Dimensionamento de Viga Tre- 3.6. BARRAS SOB COMBINAÇÃO DE
liçada de Planta Industrial__121 ESFORÇOS SOLICITANTES__ 168
2.11.5. Análise de Vigas Treliçadas 3.6.1. Uso e Aplicação__168
Invertidas de Passarela para Pedestres__130 3.6.2. Estados-limites Últimos__169
3.6.3. Força Axial e Flexão em Relação aos Dois
2.12. REFERÊNCIAS Eixos Centrais de Inércia__170
BIBLIOGRÁFICAS __ 138
3.6.4. Força Axial, Flexão em Relação a Um Eixo
Central de Inércia e Torção__171

Capítulo 3 - DIMENSIONA- 3.7. EXEMPLOS DE APLICAÇÃO__172


MENTO DE BARRAS DE AÇO_____ 139 3.7.1. Dimensionamento de Diagonal de Treliça
Axialmente Tracionada com Perfil Tubular Circu-
lar Laminado__172 3
3.7.2. Verificação de Diagonal de Treliça Axial-
mente Comprimida com Perfil Tubular Circular
Laminado__174 Capítulo 4 - DIMENSIONA-
3.7.3. Verificação de Barra de Treliça Axial- MENTO DE ELEMENTOS MISTOS
mente Tracionada e Comprimida com ___ 209
Perfil Tubular Circular Soldado__176
3.7.4. Dimensionamento de Viga com Perfil Tu- 4.1. GENERALIDADES__209
bular Retangular Soldado__177
3.7.5. Verificação ao Momento Fletor de Tramo 4.2. COMPORTAMENTO DA LIGA-
de Viga em Perfil Tubular Retangular Soldado ÇÃO AÇO-CONCRETO – CONEC-
com Mesa Contida Lateralmente e Momentos TORES DE CISALHAMENTO_____209
Negativos nas Extremidades__182
3.7.6. Verificação ao Momento Fletor de Tramo 4.3. VIGAS MISTAS__212
de Viga com Perfil Tubular Retangular Soldado 4.3.1. Vigas Mistas de Alma Cheia__212
com Mesas Livres e Momentos Negativos nas Ex-
tremidades__184 4.3.2. Vigas Mistas Treliçadas__213
3.7.7. Verificação de Viga com Perfil Tubular Cir-
cular Soldado__186 4.4. Pilares mistos__216
3.7.8. Verificação de Pilar Flexo-comprimido com 4.4.1. Comportamento dos pilares mistos__217
Perfil Tubular Quadrado Laminado__188
4.4.2. Dimensionamento dos pilares mistos tubu-
lares em temperatura ambiente__220
3.7.9. Verificação de Pilar Submetido a
Compressão, Flexão e Torção, com Perfil 4.4.3. Dimensionamento dos pilares mistos tubu-
Tubular Quadrado Laminado__191 lares em temperatura elevada__232
3.7.10. Verificação de Banzo Flexo-Comprimido 4.4.4. Dispositivos especiais para introdução de
de Treliça com Perfil Tubular Retangular Lamina- cargas__243
do__192
3.7.11. Verificação de Barra submetida a Flexão 4.5. LIGAÇÕES MISTAS__245
em Relação aos Eixos x e y e a Forças Axiais de
Tração e Compressão com Perfil Tubular Retan- 4.5.1. Conceitos – Escopo__245
gular Laminado__197
4.5.2. Método dos componentes – caracterização
3.7.12. Verificação de Barra Submetida a Mo- e comportamento__247
mento Fletor e Torção com Perfil Tubular Circu-
lar Laminado__205 4.5.3. Capacidade de rotação necessária__253

3.8. REFERÊNCIAS 4.6. EXEMPLOS DE


BIBLIOGRÁFICAS__208 UTILIZaÇÃO __254

4.7. REFERENCIAS
BIBLIOGRÁFICAS__384

4
5.5.2. Flanges retangulares __557
Capítulo 5 - Ligações __ 385 5.5.3. Combinação de força axial e momento fle-
tor __559
5.1. INTRODUÇÃO__385 5.5.4. Exercícios __560

5.2. LIGAÇÕES SOLDADAS – 5.6. Bibliografia__578


SISTEMAS TRELIÇADOS__388
5.2.1. Tipologia e geometria de ligações em perfis
tubulares__389
5.2.2. Modos de falha de ligações soldadas__391
5.2.3. Nomenclatura, parâmetros geométricos e
FOntes __ 580
fatores relacionados ao estado de tensão nos ban-
zos__401
5.2.4. Condições de validade das equações__404
5.2.5. Equações de dimensionamento__409
5.2.6. Estratégias para o projeto de ligações __438
5.2.7. Exercícios__447

5.3. LIGAÇÕES SOLDADAS –


SISTEMAS TRELIÇADOS__522
5.3.1. Definições e Considerações Gerais__522
5.3.2. Comportamento da Ligação __524
5.3.3.Dimensionamento da Ligação – Teoria e
Método de Cálculo __526
5.3.4. Dimensionamento da placa de base e dos
chumbadores __527
5.3.5. Dispositivos Especiais para Transmissão de
Força Cortante __534
5.3.6. Exercícios __539

5.4. Dimensionamento da li-


gação – teoria e método de
cálculo __553

5.5. Ligações flangeadas __555


5.5.1. Flanges circulares __556

5
PREFACE / PREFÁCIO

It is most pleasing to see this first Portuguese-lan- Through numerous visits to Brazil I have perso-
guage book on the topic of steel hollow structural nally seen the steady growth in technical know-
sections. Moreover, this group of authors are re- -how related to tubular steel design, as well as the
nowned personalities in the field of tubular struc- evolution of the manufactured products themsel-
tures in Brazil and expertly positioned to synthe- ves. This can largely be attributed to the nurturing
size contemporary knowledge in this field.  They of local R&D in Brazil by Vallourec (formerly
have been very active in the development and pu- V&M do Brasil) from their base in Minas Gerais. 
blication of the recent (2013) Brazilian standard, Indeed, international-level research on tubular
“Design of Steel and Composite Structures for steel structures in the remainder of South Ame-
Buildings using Hollow Sections”, ABNT NBR rica is almost non-existant.  The calibre and com-
16239, published by the Brazilian Technical Stan- mitment of Brazilian researchers was also recog-
dards Association, so this book is a perfect and nized when the venue for the 15th “International
timely complement to this national specification.  Symposium on Tubular Structures” (ISTS15) was
It will be an invaluable guide for practicing struc- chosen to be in Brazil by the International Institu-
tural engineers as well as an important resource te of Welding Sub-commission on Tubular Struc-
for academics, students and researchers. tures.  The success of this Symposium, held in Rio
de Janeiro in May 2015, is another testament to
The five chapters introduce and describe the pro- the influence of Brazilian work in the field of tu-
perties and behaviour of various types of manu- bular structures. 
factured tubing, delve into the modelling and
analysis of tubular structures, cover member and To all authors, congratulations on the compila-
importantly connection design, as well as tubular tion of this impressive text!éns pela compilação
steel-concrete composites.  It is very gratifying to deste texto impressionante!
see the inclusion of this latter topic (included as
well in the ABNT 2013 code) because this is a
rapidly evolving construction practice, yet most Jeffrey A. Packer, PhD, DSc, FCAE, PEng
Bahen/Tanenbaum Professor in Civil Engineering
design recommendations worldwide deal with
University of Toronto
this separately and focus on steel-only structures. Toronto, Canadá
Jan 2016

6
É muito gratificante ver este primeiro livro em Através de inúmeras visitas ao Brasil eu vi pessoal-
Português sobre estruturas tubulares de aço. Além mente o crescimento constante do conhecimento
disso, os autores são personalidades de renome no técnico relacionado com o projeto de estruturas
campo de estruturas tubulares no Brasil e devida- tubulares de aço, bem como a evolução dos pró-
mente preparados para sintetizar o conhecimen- prios produtos fabricados no país. Isso pode ser
to contemporâneo nesta área. Eles foram muito atribuído em grande parte aos trabalhos de P & D
ativos no desenvolvimento e publicação da recen- desenvolvidos no Brasil pela Vallourec (ex-V&M
te  norma brasileira, “Projeto de estruturas de aço do Brasil) a partir de sua base em Minas Gerais.
e de estruturas mistas de aço e concreto de edifi- Na verdade, a pesquisa de nível internacional em
cações com perfis tubulares”, ABNT NBR 16239, matéria de estruturas tubulares de aço no restante
editada pela Associação Brasileira de Normas Téc- da América do Sul é quase inexistente. A qualida-
nicas em 2013. Este livro é um complemento per- de e o compromisso dos pesquisadores brasileiros
feito e oportuno para essa norma nacional e será foram também reconhecidos quando o Brasil foi
um guia inestimável para a prática de engenheiros escolhido para sediar o 15º. “Simpósio Interna-
estruturais, bem como um importante recurso cional de estruturas tubulares” (ISTS15) pelo In-
para acadêmicos, estudantes e pesquisadores. ternational Institute of Welding Sub-commission
on Tubular Structures. O sucesso desse Simpósio,
Os cinco capítulos apresentam e descrevem as realizado no Rio de Janeiro em maio de 2015,
propriedades e o comportamento de vários tipos é outra demonstração da influência do trabalho
de tubos, aprofundam na modelagem e análise de brasileiro na área de estruturas tubulares.
estruturas tubulares, cobrem o projeto de barras e
de forma importante o projeto de ligações tubu- Para todos os autores, parabéns pela compilação
lares, bem como os elementos tubulares mistos de deste texto impressionante!
aço e concreto. É muito gratificante ver a inclusão
deste último tema (incluído também na norma da
ABNT de 2013), o qual representa uma prática Jeffrey A. Packer, PhD, DSc, FCAE, Peng
Bahen / professor Tanenbaum em Engenharia Civil
de construção que vem evoluindo rapidamente,
University of Toronto
porém a maioria das recomendações de projeto no Toronto, Canadá
mundo lidam com as estruturas de aço e as estru- Jan 2016
turas mistas separadamente, focando apenas nas
estruturas de aço.

7
8
1 Considerações gerais
sobre estruturas tubulares

garantia a vinda de produtos industrializados para


1.1 Histórico o Brasil. Nesse período, o aço utilizado nas constru-
ções no Brasil era importado e edifícios inteiros de
A história da construção brasileira se inicia no pe- “ferro pré-fabricado”, produzidos na Europa, aqui
ríodo colonial, quando as construções eram feitas chegavam. Esses edifícios ficaram conhecidos como
com madeira e barro. Esses eram os materiais mais “arquitetura metalúrgica”. As peças fundidas para
abundantes e de maior utilização, em função da construção de teatros, mercados, estações ferroviá-
pouca qualificação da mão de obra da construção rias, elementos urbanos e também para residências
nacional naquela época. Posteriormente foi intro- eram importadas e vistas como símbolo de pro-
duzido o tijolo de barro por sua facilidade de ma- gresso. Esse quadro só mudou depois da Primeira
nuseio, transporte e por se tratar de um material Guerra Mundial e da crise de 1929, quando a im-
relativamente leve. A matéria-prima abundante e portação de qualquer produto se tornou inviável, e
barata associada à facilidade da sua aplicação con- a indústria foi obrigada a se desenvolver.
sagrou o tijolo como sendo o material de constru-
ção dos brasileiros. A história dos tubos de aço advém da “segunda
revolução industrial”, iniciada na segunda metade
O concreto armado segue no mesmo contexto. do século XIX, a do aço e da eletricidade, quando
Composto por materiais baratos e fáceis de serem o rápido desenvolvimento da siderurgia abriu um
encontrados, tais como a areia e o pedrisco, o con- novo nicho de mercado: a transformação do aço
creto tornou-se um material moderno, que podia em tubos, perfis e estampados.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


ser preparado na própria obra de forma artesanal.
Em 22 de agosto de 1886 os irmãos Reinhardt
O êxito do concreto no Brasil não pode ser ex- e Max, filhos do industrial Mannesmann conse-
plicado unicamente por razões econômicas, entre- guiram fabricar seu primeiro tubo sem costura na
tanto não se pode duvidar que esse foi um fator fábrica de limas e grosas em Remscheid, perto de
fundamental. Além disso, a preparação do concre- Düsseldorf. Esse processo de produção de tubos
to no próprio canteiro de obra sem exigir operá- de aço revolucionou a indústria de tubos. Como
rios qualificados também foi um dos motivos para relatado na sua patente de 1886, o processo con-
a disseminação dessa tecnologia, visto que esses siste “em uma laminação progressiva de um corpo
profissionais eram escassos. de aço furado, fixado numa armação adequada,
e animado de um movimento de vaivém que vai
A industrialização nacional foi retardada em fun- transformá-lo, aos poucos, em um tubo”.
ção da política alfandegária do período imperial,
que favorecia a exportação do café para os mer- Entre 1886 e 1888, com a ajuda da família Siemens
cados norte-americano e europeu e, em troca, e de grandes bancos alemães, os Mannesmann,
9
pai e filhos, construíram quatro fábricas de tubos
em Bous (Sarre), Komotau (Boêmia, atual Cho-
mutov), Landore (Grã-Bretanha) e Remscheid, per-
to da fábrica de limas e grosas da família. A empresa
Mannesmannröhren-Werke tem aí seu início.

Nessa época, tendo como fundo a corrida arma-


mentista, multiplicavam-se requisições de obuses,
navios de guerra, caldeiras, etc., e é nesse contexto
favorável que, na França, em 1896, inaugurava-se
uma fábrica de tubos soldados e de cilindros em aço.
Figura 1.1 - Palácio da Abolição - Fortaleza, CE
O início da indústria siderúrgica moderna no
Brasil aconteceu em 1946 com a construção da Mais recentemente outras obras significativas foram
Companhia Siderúrgica Nacional - CSN. Até en- executadas com a utilização de estruturas tubulares,
tão todas as obras com estruturas metálicas rea- tais como a Ópera de Arame, um dos principais
lizadas no país utilizavam material importado. A cartões-postais de Curitiba, Figura 1.2, inaugurado
partir de 1950, com o início da produção da Usi- em 1992, no Parque das Pedreiras. Sua estrutura é
na Presidente Vargas, em Volta Redonda, RJ, pela totalmente tubular. A transparência da obra é dada
falta de tradição de uso de estruturas metálicas, a por sua cobertura e suas fachadas em policarbonato
CSN teve dificuldade em comercializar seus pro- transparente. Possui palco de 400m² destinado a
dutos no mercado interno e, com a finalidade de apresentações artísticas e culturais, com capacidade
criar esse novo mercado, instalou uma fábrica de para 2.400 espectadores.
estruturas para consumir a própria produção de
laminados e incentivar a sua utilização, a Fábrica
de Estruturas Metálicas, FEM.

Em 12 de agosto de 1954, foi inaugurada a Usina


Integrada do Barreiro, em Belo Horizonte, pela
Mannesmannröhren-Werke, a pedido do governo
brasileiro, cujo objetivo era atender à demanda de
tubos de aço sem costura por parte da emergente
indústria petrolífera nacional.

Desde então, embora o tubo sem costura estivesse


disponível no mercado, sua utilização na constru-
ção civil era insignificante. Seu emprego passou
a ser identificado em algumas obras isoladas tal
como a construção do “Palácio da Abolição”, Fi-
gura 1.1, sede do Governo do Ceará, inaugurado
em 1970 e projetado pelo arquiteto carioca Sérgio
Bernardes. O Palácio seguiu o estilo modernista
em concreto e aço, com varandas circundando
todo o prédio principal, com jardins concebidos
por Fernando Chacel, que tem como inspiração o
modelo paisagístico de Burle Max. Figura 1.2 - Ópera de Arame - Curitiba, PR

10
Na mesma época, ainda em Curitiba, no Jardim
Botânico, foi construído o prédio da estufa de três
abóbadas, Figura 1.3, totalmente em estrutura tu-
bular, no estilo art nouveau, inspirada no Palácio
de Cristal de Londres do século XIX.

Figura 1.4 - Rua 24 Horas - Curitiba, PR

Outro modelo construtivo, frequentemente em-


pregado em coberturas de grandes vãos, são as
estruturas espaciais tubulares, as quais foram im-
pulsionadas no Brasil a partir da construção do
Centro de Exposições do Anhembi, em 1971,
Figura 1.5.
Figura 1.3 - Jardim Botânico - Curitiba, PR

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


A Rua 24 Horas com 120 metros de extensão e 12
metros de largura, coberta por 32 arcos, também
em estrutura tubular, é outra mostra, em Curiti-
ba, Figura 1.4, da potencialidade e graciosidade
propiciadas por essa modalidade construtiva.

Figura 1.5 - Centro de Exposições do Anhembi - São Paulo, SP

11
Esse sistema estrutural, desenvolvido na Euro-
pa e nos Estados Unidos após a Segunda Guer-
ra Mundial, provavelmente surgiu a partir do
desenvolvimento feito pelo escocês Alexander
Graham Bell (1847-1922), também conhecido
como “o pai do telefone”. Em 1907, aos 60 anos,
no Canadá, inventou o que foi, provavelmente,
a primeira estrutura em elementos modulares
tetraédricos, pré-fabricados em usina e unidos
no canteiro de obra. Tal estrutura gerou uma
torre de 30 metros de altura, utilizada como ob-
servatório para experiências com aeroplanos.
Figura 1.6 - Estruturas espaciais - Unicamp - Campinas, SP
As estruturas espaciais são normalmente compos-
As estruturas espaciais possuem como elemento
tas por malhas planas ou curvas, tridimensionais,
construtivo básico a forma geométrica da pirâmi-
sendo a malha superior comumente denominada
de (de base quadrada ou retangular) ou o tetrae-
“banzo superior” e a inferior “banzo inferior”, as
dro (com base triangular equilátero ou isósceles),
quais são interligadas por meio de barras, denomi-
Figura 1.7-a. Essa forma geométrica origina um
nadas diagonais, Figura 1.6.
módulo de malha piramidal formada por barras,
Figura 1.7-b. Os módulos posicionados lado a
lado, unidos pelo vértice, por meio de barras for-
mam um sistema estrutural de grande rigidez de-
nominado malha espacial, Figura 1.7-c.

Figura 1.7(a) Formas geométricas piramidais

Figura 1.7(b) Módulo em malha piramidal

12
Figura 1.7(c) Malhas espaciais planas e curvas Figura 1.8(a) Nó esférico rosqueável tipo “Mero”
Figura 1.7 - Malhas espaciais

Os componentes dessas malhas estruturais apresen-


tam alto grau de padronização em função da uni-
formidade modular, o que possibilita sua pré-fabri-
cação e, consequentemente, sua industrialização.

O uso das estruturas espaciais em coberturas de


grandes vãos como ginásios de esportes, obras in- Figura 1.8(b) Nós em chapa parafusada
dustriais, hangares, terminais rodoviários e aero-
viários despertou o interesse por pesquisas nessa
área, originando assim diversos sistemas paten-
teados que se diferenciam basicamente por seus
“nós”. Os elementos e dispositivos mais frequen-
temente empregados para formar os nós da estru-
tura são os apresentados na Figura 1.8.

Os nós esféricos caracterizam-se por convergir Figura 1.8(c) Nós com ponta amassada
para um mesmo ponto, no centro da esfera, os

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.8 - Nós empregados em estruturas espaciais
eixos de todas as barras que chegam ao nó, o que
lhes confere muita eficiência estrutural e bom as- Entre os tipos mencionados, o nó mais sofisticado
pecto estético, Figura 1.8-a (Nó Mero). e mais recomendado para aplicação em estruturas
espaciais é o nó esférico tipo “Mero”, no qual to-
Os conhecidos “nós cruzetas” são formados por das as barras têm sua linha de ação convergindo
chapas metálicas ligadas por solda, pertencentes para um mesmo ponto e que apesar de desper-
aos planos definidos pelas barras. Esse tipo de dis- tar grande interesse pela sua praticidade e aspec-
positivo estrutural apresenta menor custo de pro- to agradável, também teve disseminação restrita,
dução que os nós esféricos, Figura 1.8-b. provavelmente em função de seu custo.
Nós com ponta amassada são muito empregados É importante salientar que uma avaliação criterio-
em estruturas de menor responsabilidade devido sa na definição do nó a ser empregado na estrutu-
ao seu baixo custo, Figura 1.8-c. Deficiência de de- ra é fundamental por ser esse elemento de extrema
sempenho estrutural nesse tipo de nó tem origem responsabilidade no comportamento estrutural.
nas excentricidades nas extremidades das barras. 13
Adicionalmente, é possível perceber que as estru-
turas espaciais tubulares têm seu custo fortemente
dependente da solução adotada para os nós.

De uma forma geral, a partir do ano 2000, pô-


de-se observar um crescente impulso na utiliza-
ção das estruturas tubulares no Brasil. A Vallourec
desenvolveu uma linha de produtos voltada para
a construção civil, com aços compatíveis com os
mais frequentemente empregados na construção
metálica convencional, os quais possuem resis-
tência ao escoamento de 250, 300 e 350 MPa,
Figura 1.10(a) equipamento de conformação a frio de tubos
podendo ainda esses aços serem patináveis (mais
resistentes à corrosão), Figura 1.9.

Figura 1.10(b) curvamento por indução de tubos


Figura 1.10 - Processo de conformação a frio e
curvamento de tubos de aço por modulação

Além disso, buscou estimular o uso de máquinas


de última geração, Figura 1.11, para executarem
os cortes tridimensionais em “boca de lobo”, cor-
tes esses apropriados às ligações soldadas entre tu-
bos circulares, Figura 1.12.

Figura 1.9 - Passarelas com estruturas tubulares - Belo Horizonte , MG

A empresa Vallourec buscou ainda o desenvolvi-


mento de parceiros prestadores de serviços volta-
dos para a construção tubular, tendo estimulado os
mesmos a produzirem tubos de seção retangular e
quadrada, a partir dos tubos circulares laminados
a quente, Figura 1.10.

14
as condições necessárias ao progresso do setor. As
universidades muito contribuíram nesse avanço
tecnológico por meio dos programas de Pesquisa e
Desenvolvimento firmados com a Vallourec Rese-
arch Center do Brasil.

Dissertações de mestrado, teses de doutorado,


software e artigos técnicos e científicos envolven-
do pesquisas de novas soluções foram geradas nos
programas de P&D firmados, oriundos de análi-
ses numéricas e ensaios de laboratório, Figura 1.13.
Profissionais foram qualificados, gerando assim a
cultura de estruturas tubulares. Uma nova norma,
Figura 1.11 - Máquina da HGG para cortes tridimensionais de tubos
a ABNT NBR 16239: 2013, voltada para as ques-
tões particulares do dimensionamento das estru-
turas tubulares foi desenvolvida, através de amplo
apoio do meio acadêmico e dos profissionais. Além
da formação de novos profissionais aptos ao trabalho
com as estruturas tubulares, o apoio ao desenvolvi-
mento de profissionais do mercado propiciou maio-
res facilidades para a concepção de novos projetos,
tanto na arquitetura quanto na engenharia.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.12 - Cortes tridimensionais de tubos circulares e ligação
com corte em “boca de lobo”

Enfim, buscou propiciar ambiente adequado ao


desenvolvimento desta nova tecnologia no país.
Visando a evolução da construção tubular, a
Vallourec não se restringiu ao desenvolvimento
do processo de produção. Em cooperação com di-
versas universidades, buscou desenvolver a tecno-
logia de estruturas tubulares, disseminando a cul-
tura da nova tecnologia, formando mão de obra
especializada, buscando criar um ambiente com Figura 1.13 - Ensaios em laboratório de estruturas
15
Estimulados pelo desafio da nova tecnologia, ar-
quitetos, fabricantes e projetistas criaram novas
oportunidades de desenvolvimento, e obras como
shopping centers, galpões industriais, ginásios,
centros de exposição, terminais de ônibus, está-
dios, aeroportos e passarelas foram concebidas
com o uso de tubos de aço, Figura 1.14.

Figura 1.15 - Galpão Açotubo - São Paulo, SP

A criatividade tem gerado formas exuberantes e


obras diferenciadas em estrutura tubular, concebi-
das por experientes arquitetos e engenheiros, permi-
tindo a combinação entre estética e arrojo de formas
e sistemas estruturais, Figura 1.16. Novas concep-
ções foram desenvolvidas com conceitos próprios
das estruturas tubulares, soluções para os projetos
complementares (instalações e acabamento) foram
bem trabalhadas e as obras bem solucionadas.

Figura 1.14 - Parque de Exposições da Festa da Uva - Caxias do Sul, RS

Investimentos diversos foram feitos buscando-se


melhorar o desenvolvimento profissional, adequar
projetos às possibilidades de execução dos fabri-
cantes nacionais, disseminar a tecnologia tubular,
desenvolver soluções junto aos projetistas, viabi-
lizando sua produção. É importante destacar que
esses fabricantes não estavam preparados para a
construção tubular, certamente pela falta de opor-
tunidades. Na Figura 1.15 é apresentada a solução
de adequação de fabricação de treliças tubulares
utilizando chapas como elemento do nó. Figura 1.16 - Estação BRT São Gabriel - Belo Horizonte, MG
16
À medida que a tecnologia do uso dos tubos de ra tubular treliçada, para a extensão da cobertura
aço na construção civil foi se disseminando, as das arquibancadas, trabalhando solidariamente
oportunidades começaram a surgir e a engenha- com a estrutura original de concreto armado,
ria nacional soube responder, tirando proveito da construída nos anos 60, propiciou uma solução
ocasião. A primeira aciaria do mundo em estrutu- mista extremamente econômica e de rápida exe-
ra tubular, Figura 1.17, foi desenvolvida em um cução, Figura 1.18.
projeto pioneiro e arrojado e a obra projetada e
fabricada por empresas nacionais.

Figura 1.17- Primeira aciaria do mundo em estrutura tubular -

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


VSB - Jeceaba, MG

Muito se caminhou nos últimos anos, grandes


Figura 1.18 - Cobertura do Mineirão em estrutura tubular -
obras foram executadas em estrutura tubular, pro- Belo Horizonte, MG
fissionais foram formados, fábricas foram adequa-
das para o trabalho com tubos, uma tecnologia
nacional foi desenvolvida, tornando a construção
tubular uma realidade no país, como ilustram as
obras apresentadas nas Figuras 1.18 a 1.25.

Destaca-se a obra da reforma do estádio Gover-


nador Magalhães Pinto, conhecido como Mi-
neirão, que premiou a engenharia nacional com
uma solução pioneira. A adoção da nova estrutu-
17
Figura 1.19 - Aeroporto Guararapes - Recife, PE

Figura 1.21 - Centro Administrativo Vallourec - Belo Horizonte, MG

Figura 1.22 - Arena Corinthians - São Paulo , SP

Apesar do muito que se fez para o desenvolvimento


das estruturas tubulares no Brasil, muito ainda há
que ser feito para a plena utilização desse sistema
construtivo que apresenta excelentes características
estruturais e plástica privilegiada, além de ser uma
solução econômica competitiva. A tecnologia das
Figura 1.20 - Galpão Vallourec - Belo Horizonte, MG estruturas tubulares continua em desenvolvimento
no Brasil em busca de sua excelência estrutural.
18
1.2 Aplicações
Como todos os produtos, os tubos têm característi-
cas que lhes são peculiares e tais características dire-
cionam sua melhor forma de aplicação. O emprego
correto da seção tubular conduz a soluções leves e,
por consequência, econômicas e competitivas.

No caso das seções circulares, a homogênea dis-


tribuição de sua massa em torno do eixo longitu-
dinal confere iguais propriedades geométricas em
relação a qualquer eixo que passe pelo centro geo-
métrico da seção transversal. Essa distribuição da
massa, para o caso de barras comprimidas, conduz
a iguais resistências em relação a quaisquer eixos,
otimizando assim a capacidade resistente da barra.
Por esse motivo, o momento de inércia do tubo de
seção transversal circular é cerca de 1,8 vez supe-
rior e o raio de giração cerca de 1,4 vez superior
aos equivalentes de um perfil H de mesma massa
(nessa comparação, buscou-se utilizar perfis sol-
Figura 1.23 - Arena Independência - Belo Horizonte, MG
dados compostos por chapas comerciais de mesma
dimensão que os tubos e cujas massas sejam as mais
próximas possíveis) e mesma dimensão em relação
ao eixo de menor inércia, Figura 1.26-a.

De forma semelhante, Figura 1.26-b, os tubos


com seções transversais quadradas apresentam
momentos de inércia cerca de 2,0 vezes superior
e raio de giração da ordem de 1,4 vez superior
ao eixo de menor inércia de seções H equivalen-
tes em massa.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.24 - Pipe-rack - VSB, Jeceaba, MG

Figura 1.26(a) Seção transversal tubular circular/H de mesma


dimensão

Figura 1.25 - Terminal de metrô - São Paulo, SP


19
As Tabelas 1.1 e 1.2 apresentam comparação entre
os momentos de inércia e raios de giração em rela-
ção ao eixo y (Iy e ry ) de perfis tubulares circulares
laminados e perfis H soldados de mesma dimen-
são e peso semelhante e perfis tubulares quadrados
e perfis H soldados de mesma dimensão e peso
semelhante.

Figura 1.26(b) Seção transversal tubular quadrada/H de mesma


dimensão
Figura 1.26. Seções transversais tubulares circular e quadrada /
seção H de mesma dimensão

Tabela 1.1 - Comparação do momento de inércia e raio de giração entre perfis equivalentes, tubulares circulares e perfis H soldados

Tubo de Seção Circular H equivalente em peso


Relação Relação Relação
d tt At It rt h=b t tw AH IY ry
At/AH It/IH rt/rh
(mm) (mm) (cm2) (cm4) (cm) (mm) (mm) (mm) (cm2) (cm4) (cm)
25,0 300 54.702 13,5 406,4 31,5 12,5 299 35.244 10,8 1,00 1,55 1,25
406,4 16,0 196 37.449 13,8 406,4 19,0 12,5 200 21.261 10,4 0,98 1,76 1,33
10,0 125 24.476 14,0 406,4 12,5 6,3 126 13.984 10,6 0,99 1,75 1,32
25,0 260 35.677 11,7 355,6 31,5 12,5 261 23.612 9,54 1,00 1,51 1,23
355,6 16,0 171 24.663 12,0 355,6 19,0 12,5 175 14.244 9,13 0,98 1,73 1,32
10,0 109 16.223 12,2 355,6 12,5 8,00 115 9.369 9,29 0,94 1,73 1,32
25,0 152 7.298 6,92 219,1 31,5 9,50 153 5.523 6,02 1,00 1,32 1,15
219,1 16,0 102 5.297 7,20 219,1 19,0 9,50 100 3.332 5,71 1,02 1,59 1,26
10,0 65,7 3.598 7,40 219,1 12,5 8,00 70,3 2.192 5,78 0,93 1,64 1,28
12,5 35,0 354 3,18 101,6 16,0 4,75 35,8 280 2,83 0,98 1,27 1,13
101,6 8,00 23,5 260 3,32 101,6 8,00 8,00 23,1 140 2,44 1,02 1,85 1,36
4,00 12,3 146 3,45 101,6 4,75 3,00 12,4 83,0 2,60 0,99 1,76 1,33

Média
1,77 1,39

20
Tabela 1.2 - Comparação do momento de inércia e raio de giração entre perfis equivalentes, tubulares quadrados e perfis H soldados

Tubo de Seção Quadrada H equivalente em peso


Relação Relação Relação
b tt re ri At It rt h=b tf tw AH IY ry
At/AH It/IH rt/rH
(mm) (mm) (mm) (mm) (cm2) (cm4) (cm) (mm) (mm) (mm) (cm2) (cm4) (cm)
20,0 60,0 40,0 207 25.634 11,1 300 31,5 12,5 219 14.179 8,05 0,95 1,81 1,38
300
12,5 37,5 25,0 137 18.348 11,6 300 19,0 9,5 139 8.552 7,85 0,99 2,15 1,47
16,0 48,0 32,0 139 12.047 9,32 250 25,4 8,00 143 6.616 6,80 0,97 1,82 1,37
250 11,0 33,0 22,0 100 9.231 9,61 250 16,0 8,00 97,4 4.168 6,54 1,03 2,21 1,47
8,00 20,0 12,0 75,2 7.229 9,80 250 12,5 6,30 76,7 3.256 6,52 0,98 2,22 1,50
16,0 48,0 32,0 107 5.625 7,26 200 25,4 9,50 116 3.388 5,41 0,92 1,66 1,34
200
8,80 22,0 13,2 64,6 3.850 7,72 200 12,5 8,00 64,0 1.667 5,10 1,01 2,31 1,51
16,0 48,0 32,0 74,8 2.009 5,18 150 19,0 12,5 71,0 1.071 3,88 1,05 1,88 1,33
150
6,40 16,0 9,60 35,4 1.189 5,80 150 8,00 8,00 34,7 451 3,60 1,02 2,64 1,61
12,5 37,5 25,0 37,0 410 3,33 100 16,0 6,30 36,3 267 2,71 1,02 1,54 1,23
100
5,60 11,2 5,60 20,3 296 3,81 100 8,00 4,75 20,0 133 2,58 1,0 2,22 1,48
Média
2,04 1,43
Pelo até aqui exposto e considerando as peças com
o mesmo comprimento destravado em relação aos
seus eixos principais e observando que os tubos
têm, em média, um raio de giração cerca de 40%
superior aos perfis H equivalentes, pode-se concluir
que os tubos são elementos que possuem uma
seção transversal adequada para suportar esforços
de compressão axial e, quando comparados com
as seções abertas, são mais eficazes, conduzindo
a seções com menor consumo de aço. Por esse
motivo são largamente empregados como barras
axialmente comprimidas em estruturas tais como
pilares de edificações Figura 1.27-a, barras de

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


contraventamentos, Figura 1.27-b, treliças, Figura
1.27-c, entre outras.

Figura 1.27(a) Prédio Comercial - Taubaté, SP


Vallourec - Belo Horizonte, MG 21
Figura 1.27(b) Edifício garagem Aeroporto - Dusseldorf, Alemanha | Figura 1.27(c) Terminal Rodoviário - São Paulo, SP
Cobertura Largo do Batata - São Paulo, SP Vallourec Sumitomo - Jeceaba, MG

Figura 1.27 - Exemplos de barras axialmente comprimidas

22
Um caso particular das seções tubulares é o dos 3.000 mm e 6.000 mm, usando-se aços de mes-
tubos laminados a quente sem costura e resfria- ma resistência ao escoamento. As duas últimas
dos ao ar livre até a temperatura ambiente (ver colunas apresentam as relações entre a massa do
Item 1.5). Essa categoria caracteriza-se por possuir tubo laminado a quente (sem costura) e a do
baixo nível de tensão residual, o que, associado às perfil H soldado e entre as resistências das duas
vantagens advindas de suas propriedades geomé- seções equivalentes. Na última coluna observa-
tricas até aqui abordadas, torna-os imbatíveis na se que os dois produtos têm aproximadamente
resistência aos esforços de compressão axial. Esse a mesma resistência (relação aproximadamente
menor nível de tensão residual existente na seção igual a 1) enquanto a massa da seção tubular
transversal do tubo laminado a quente (tubos clas- pode ser até a metade (relação igual a 2,03) da
sificados como Hot Finished, conforme DIN EN massa do perfil H equivalente, dependendo da
10210-1 ou Classe “C” da norma CSA G40.20- esbeltez das barras.
04) faz com que seu comportamento a compres-
são seja regido pela melhor classificação segundo De uma forma geral, a diferença a favor dos tu-
a curva de resistência à compressão (conforme bos laminados a quente sem costura em relação às
classificação da Tabela 6.2: Selection of buckling demais seções transversais fechadas e aos perfis H
curve for a cross-section da EN 1993-1-1:2010- pode ser observada nos gráficos apresentados na
12), garantindo assim um melhor desempenho à figura 1.28, os quais foram elaborados para aços
compressão da seção transversal tubular, confor- com resistência ao escoamento de 300MPa.
me abordado no Capítulo 3. Essa mesma classi-
Os gráficos apresentados mostram as curvas de
ficação pode ser obtida pelos tubos soldados ou
resistência à força axial (eixo das ordenadas) em
pelos tubos conformados a frio, quando esses
função do comprimento destravado (eixo das abs-
tubos são tratados termicamente, com o objetivo
cissas), de barras comprimidas com seções trans-
de obter condições metalúrgicas equivalentes às
versais diferentes, onde pode-se observar a nítida
dos produtos laminados a quente, reduzindo-se,
vantagem dos tubos conformados a quente e res-
assim, de forma significativa, os níveis de tensão
friados até a temperatura ambiente ao ar livre, de
residual. É importante destacar que, nesse caso, o
seção transversal quadrada ou circular em relação
fabricante pode ser solicitado a fornecer dados que
às demais seções transversais.
demonstrem que o tubo conformado a frio e pos-
teriormente tratado termicamente é comparável ao Buscou-se nessa comparação, a partir dos perfis
de igual seção, sem costura laminado a quente. abertos laminados existentes no mercado, obter
perfis H soldados e perfis tubulares de mesma
Esses diferenciais que as seções tubulares possuem

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


área de seção transversal do perfil W. Para diver-
a seu favor (geometria favorável e baixo nível de
sos comprimentos destravados foram calculadas
tensão residual), frente às demais seções transver-
as resistências à força axial de compressão dos di-
sais, podem gerar reduções de consumo de mate-
versos perfis, conforme normas vigentes no país,
rial nas barras comprimidas de até 50% em peso.
ABNT NBR 8800:2008 e ABNT NBR 16239:
Como ilustração, a Tabela 1.3 foi desenvolvida 2013, e dessa forma traçadas as curvas de resis-
para se comparar a massa requerida por duas tência das barras à compressão axial das diversas
seções transversais diferentes (perfil soldado H seções transversais.
conforme ABNT NBR 5884:2013 e tubo de
seção transversal circular laminado a quente)
para resistir a esforços de compressão axial de
aproximadamente mesmo valor, com dimensões
equivalentes e comprimentos destravados, rela-
tivos aos seus dois eixos principais de inércia de
23
Tabela 1.3(a) Comparação de peso entre Perfis Tubulares circulares e Perfis H equivalentes, para mesma força axial de compressão e mesmo
comprimento destravado (3.000 mm)

Designação
ao escoamento Tubo Sem Costura

Comprimento
Perfis Soldados CS conforme norma NBR 5884

Destravado
Resistência

Resistência
de Cálculo
Espessura
Diâmetro

da parede
Resistência Relação Relação
do aço

Massa
Altura x Massa de Cálculo mt/mcs Rd,t/Rd,CS

fy d t m Rd,t hw m Rd,CS
(mm)
(MPa) (mm) (mm) (kgf/m) (kN) (mm) (kgf/m) (kN)
300 3.000 153,7 5,00 18,3 586 PS 150 x 25,5 586 1,389 1,00
300 3.000 153,7 5,60 20,5 653 PS 150 x 28,9 676 1,411 1,04
300 3.000 153,7 8,00 28,7 912 PS 150 x 37,3 880 1,297 0,96
300 3.000 153,7 10,0 35,4 1119 PS 150 x 45,1 1087 1,272 0,97
300 3.000 204,0 6,40 31,2 1057 PS 200 x 38,8 1078 1,243 1,02
300 3.000 204,0 7,10 34,5 1168 PS 200 x 41,2 1129 1,195 0,97
300 3.000 204,0 8,80 42,4 1433 PS 200 x 50,2 1401 1,186 0,98
300 3.000 204,0 11,0 52,4 1769 PS 200 x 60,8 1716 1,161 0,97
300 3.000 244,5 7,10 41,6 1428 PS 250 x 48,7 1466 1,172 1,03
300 3.000 244,5 8,00 46,7 1603 PS 250 x 51,8 1545 1,110 0,96
300 3.000 244,5 10,0 57,8 1986 PS 250 x 65,8 1974 1,139 0,99
300 3.000 298,5 7,10 51,0 1765 PS 300 x 62,4 1828 1,223 1,04
300 3.000 298,5 12,5 88,2 3048 PS 300 x 95,3 3008 1,081 0,99
300 3.000 298,5 14,2 99,6 3442 PS 300 x 109 3452 1,095 1,00
Médias
1,21 0,994
Tabela 1.3(b) Comparação de peso entre Perfis Tubulares circulares e Perfis H equivalentes, para mesma força axial de compressão e mesmo
comprimento destravado (6.000 mm)

Designação
Tubo Sem Costura
Perfis Soldados CS conforme norma NBR 5884
ao escoamento

Comprimento
Destravado

Resistência
Resistência

de Cálculo
da parede
Espessura

Relação Relação
Diâmetro

Altura x Massa Resistência de Cálculo


do aço

Massa

mt/mcs Rd,t/Rd,CS

fy d t m Rd,t hw m Rd,CS
(mm) (mm) (kgf/m)
(MPa) (mm) (mm) (kgf/m) (kN) (kN)
300 6.000 141,3 4 13,5 190 PS 150 x 25,5 197 1,88 1,03
300 6.000 141,3 5 16,8 233 PS 150 x 28,9 234 1,72 1,00
300 6.000 153,7 5 18,3 295 PS 150 x 37,3 308 2,03 1,04
300 6.000 153,7 7,1 25,7 404 PS 150 x 45,1 394 1,76 0,97
300 6.000 177,8 6,4 27,1 542 PS 200 x 38,8 552 1,43 1,02
300 6.000 177,8 6,4 27,1 542 PS 200 x 41,2 554 1,52 1,02
300 6.000 193,7 7,1 32,7 733 PS 200 x 50,2 725 1,54 0,99
300 6.000 204,0 8 38,7 920 PS 200 x 60,8 920 1,57 1,00
300 6.000 235,0 6,4 36,1 997 PS 250 x 48,7 953 1,35 0,96
300 6.000 235,0 6,4 36,1 997 PS 250 x 51,8 977 1,44 0,98
300 6.000 244,5 8 46,7 1.323 PS 250 x 65,8 1.268 1,41 0,96
300 6.000 273,0 6,4 42,1 1.284 PS 300 x 62,4 1.358 1,48 1,06
300 6.000 298,5 10 71,1 2.248 PS 300 x 95,3 2.251 1,34 1,00
24 300 6.000 298,5 12,5 88,2 2.777 PS 300 x 109,0 2.611 1,24 0,94
Médias
1,55 0,998
Figura 1.28(a)

Figura 1.28(b)
Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

25
Figura 1.28(c)

Figura 1.28(d)
26 Figura 1.28 - Gráficos comparativos de resistência à compressão axial entre perfis tubulares e perfis abertos
A Figura 1.28 ilustra de forma clara e objetiva a As propriedades geométricas das seções compostas
significativa redução de consumo de material que devem ser devidamente avaliadas quando passam
pode ser obtida com o adequado emprego dos a ter comportamento de conjunto. Sua geometria
produtos, especialmente quando se aplicam mate- irá influenciar de forma definitiva no adequado
riais com baixo nível de tensão residual, como os comportamento do elemento estrutural e na oti-
perfis laminados a quente e resfriados ao ar livre mização da obra. Todas essas opções são soluções
até a temperatura ambiente. que devem ser avaliadas conforme a necessidade
do projeto ou da obra, inclusive estética. É evi-
Além do até aqui exposto, as barras axialmente dente que envolvem custos de produção diferen-
comprimidas podem também ser empregadas tes, uma vez que são soluções diferenciadas, custos
como uma composição de tubos, Figura 1.29, estes que dependem também das especificidades
seja por necessidade de obtenção de maiores de cada fabricante para execução dos serviços.
resistências, seja por imposições arquitetônicas ou
outras. Além da composição entre tubos, podem
também ser empregadas composição de tubo
com outras seções transversais, gerando aí uma
infinidade de possibilidades construtivas.

Figura 1.29 - Composição de tubos de seção circular


Figura 1.30(a) Figura 1.30(b)
A ligação entre os dois componentes da seção
composta pode ser feita de forma contínua (como
através de chapa continuamente ligada aos tubos
formadores da seção composta, Figuras 1.30-
a e b ou de forma discreta, Figuras 1.30-c e d.
Essa ligação é fundamental para a definição do

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


comportamento estrutural da barra axialmente
comprimida, fabricada com perfis laminados a
quente, uma vez que nos casos de ligações por
processos contínuos esses irão introduzir tensões
residuais nas peças ligadas. Nesse caso, tais barras
deverão ser analisadas como seções conformadas
a frio e deverão ser dimensionadas como tais.
O mesmo não ocorre com as seções compostas
ligadas entre si de forma discreta. Nessa situação, a Figura 1.30(c) Figura 1.30(d)
barra composta será dimensionada como barra de Figura 1.30 - Composição de tubos de seção circular
baixo nível de tensão residual, e sendo, portanto,
adotado o fator de redução de barras comprimidas Outra associação muita empregada que conduz
prescrito pela ABNT NBR 16239:2013. a resultados vantajosos é a de tubos preenchidos
com concreto, conhecidos como pilares mistos
27
(Figura 1.31), nos quais o aço e o concreto traba- são constituídos de dois tubos circulares, e na pas-
lham solidariamente para resistir às forças axiais. sarela da Figura 1.32-b cada tirante é constituído
Os pilares mistos podem também conter arma- por um tubo.
duras em seu interior devidamente posicionadas,
que, além de favorecerem a resistência à compres-
são, irão prover melhor resistência ao fogo.

Os pilares mistos serão devidamente abordados


no Capítulo 4 deste livro.

Figura 1.32(a) Edifício garagem - Alemanha

Figura 1.32(b) Passarela Bairro Belvedere - Belo Horizonte, MG


Figura 1.32 - Barras tracionadas

O emprego das seções tubulares em barras fletidas,


especialmente as circulares e quadradas, pode, a
princípio, apresentar certa dificuldade na visualiza-
ção de sua aplicação de forma eficiente, uma vez
que seções abertas, tais como os perfis I, possuem
Figura 1.31 - Pilares mistos inércia bem superior que o tubo equivalente (de
mesma massa), seja ele de seção transversal circular,
Da mesma forma que nas barras comprimidas, quadrada ou retangular.
as seções tubulares são extremamente eficientes
quando tracionadas, uma vez que sua maior rigi- A comparação entre as inércias relativas ao eixo x
dez reduz a possibilidade de vibrações da estrutu- de perfis equivalentes, como a apresentada ante-
ra sob efeito de cargas cíclicas. Seu emprego em riormente, mostra isso. No entanto, não se pode
situações como as apresentadas na Figura 1.32 é perder de vista o fato de que algumas vezes os
muito vantajosa. tubos são usados como vigas de forma vantajosa,
principalmente em decorrência de razões estéticas
Observa-se que no edifício garagem da Figura ou em casos de flexão em torno de ambos seus
1.32-a, os tirantes externos que suportam os pisos eixos principais. Como exemplo de aplicação efi-
28
ciente e econômica dos tubos retangulares pode-se
citar as barras sujeitas a flexão oblíqua, tais como
terças de coberturas como a apresentada na Figura
1.33-a. Observe que tal característica permite a
eliminação das linhas de correntes, simplificando
de forma preponderante o trabalho de montagem
em altura.

A Figura 1.33-b mostra um perfil de seção retangu-


lar na cobertura de um aeroporto. A Figura 1.33-c
ilustra o emprego de tubo de seção circular como
barra fletida de uma passarela. A Figura 1.34 ilus-
tra a utilização de dois tubos de seção transversal
circular unidos, formando vigas da estrutura do Figura 1.34 - Viga tubular circular - Palácio da Abolição - Fortaleza , CE
Palácio da Abolição de Fortaleza.
O tubo empregado como barras de vigas treli-
çadas, onde os esforços de compressão e tração
predominam no dimensionamento, encontra
sua melhor condição de trabalho. Essas treliças
são frequentemente empregadas em estruturas de
grandes vãos, uma vez que, além de leves, propi-
ciam um agradável aspecto de leveza na estrutura,
Figura 1.35.

Figura 1.33 (a) Galpão da Laminação da VSB - Jeceaba, MG


A solução de treliças planas, devido à sua esbeltez,
necessita ter os banzos comprimidos contidos la-
teralmente por meio de contraventamentos (Figu-
ra 1.35-c). Entretanto, essa contenção lateral pode
ser mais espaçada nas obras com seções tubulares,
em função de seu melhor comportamento à com-
pressão. Essa redução de elementos de contenção
lateral das treliças simplifica os trabalhos de fabri-
cação e montagem, uma vez que reduz o número

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


de peças a serem utilizadas nessas operações.
Figura 1.33(b) Aeroporto de Confins - Belo Horizonte, MG

Figura 1.33(c) Shopping Dom Pedro - Campinas, SP


Figura 1.35(a) Vigas Treliçadas da Cobertura Aeroporto
Figura 1.33 - Barras fletidas Guararapes - Recife, PE
29
voltada para o menor comprimento destravado da
treliça, comprimento esse definido como sendo a
distância entre os nós do treliçamento. Observe na
Figura 1.36 que as diagonais comprimidas possuem
diâmetro superior ao das diagonais tracionadas, pro-
movendo assim o aproveitamento do material.

Figura 1.35(b) Vigas Treliçadas em Balanço da Cobertura estádio


Mineirão - Belo Horizonte, MG

Figura 1.36 - Viga treliçada com cordas compostas - Centro


Georges Pompidou - Paris

As treliças multiplanares ou espaciais apresenta-


das nas Figuras 1.37 propiciam uma maior es-
tabilidade lateral e por isso são frequentemente
Figura 1.35(c) Vigas Treliçadas da Cobertura Aciaria VSB - Jeceaba, MG
empregadas sem a necessidade de contenção la-
teral. Isso facilita significativamente o processo
de montagem da estrutura, tanto pela redução de
peças a serem montadas quanto pela facilidade
de movimentação do elemento.

Na Figura 1.37-c pode-se observar a treliça multi-


planar do estádio Independência, com 120 metros
de vão, sendo erguida por dois guindastes, sem ser
necessário cuidados especiais para estabilidade la-
Figura 1.35(d) Vigas Treliçadas Mistas do Prédio da Festa da Uva
teral da peça.
- Caxias do Sul, RS
Figura 1.35 - Vigas treliçadas

Nas treliças planas a composição de tubos também


se aplica. A Figura 1.36 mostra a solução empre-
gada nas treliças do Centro Georges Pompidou,
em Paris, onde o banzo superior comprimido é
constituído por dois tubos de seção circular, afas-
tados por meio de espaçadores. Essa geometria
propiciou maior inércia do conjunto na direção
do maior comprimento destravado, evitando a ne-
cessidade de travamento lateral do banzo compri- Figura 1.37(a) Viga Treliçada Multiplanar de Cobertura - Fábrica
de Luvas da VSB, Jeceaba, MG
mido enquanto a menor inércia do conjunto ficou
30
As vigas treliças tubulares podem também ser em-
pregadas como elemento de suporte de pisos, seja
como vigas treliçadas simples, seja como vigas tre-
liçadas mistas de aço e concreto. Tais elementos
fletidos suportam lajes de pisos e de coberturas,
podendo estas serem pré-moldadas ou maciças de
concreto armado, Figura 1.38.

Figura 1.37(b) Viga Treliçada Multiplanar de Cobertura - Galpão


VBR - Rio das Ostras, RJ

Figura 1.38(a)

Figura 1.37(c) Montagem Viga Treliçada Multiplanar de Cober-


tura - Estádio Independência - Belo Horizonte, MG

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.37(d) Viga Treliçada Multiplanar de Cobertura - Estádio
Independência - Belo Horizonte, MG

Figura 1.38(b)
Figura 1.38 - Sistema de vigas treliçadas mistas
Sede Vallourec - Belo Horizonte, MG
Figura 1.37(e) Fábrica de luvas da VSB, Jeceaba, MG
Figura 1.37 - Vigas treliçadas multiplanares
31
Quando empregadas para suportar lajes maciças
de concreto armado, podem trabalhar como mis-
tas onde o banzo superior trabalhará solidariamen-
te com a laje de concreto, resistindo aos esforços
de compressão, advindos da flexão. Nesse caso, os
conectores de cisalhamento são os elementos res-
ponsáveis por essa união e transmissão dos esforços,
Figura 1.39-c. Essa solução é muito interessante e
econômica para edifícios. Podem dispensar esco-
ramentos quando dimensionadas para suportar
as cargas da fase construtiva, Figura 1.39-a. Fica
evidente nas imagens a facilidade introduzida no
processo construtivo por ter dispensado qualquer Figura 1.39(b) Sistema de vigas treliçadas mistas - laje painel pré-
moldado - Sede Vallourec - Belo Horizonte, MG
escoramento. É também possível serem utilizados
painéis de concreto pré-moldados como pré-laje,
os quais servem como forma da laje maciça e após
concretagem, estarão incorporados à laje, fazendo
parte efetiva da mesma, Figura 1.39-b, ou decks
metálicos conhecidos como “steel deck” para a
confecção da laje fundida in loco. A limpeza da
obra é outro fator que deve ser destacado, possi-
bilitando trabalhos sem interferências e gerando
maior agilidade no processo construtivo.

A Figura 1.39-e dá uma visão final da obra, onde


se destacam os grandes vãos obtidos pela solução
Figura 1.39(c) Sistema de vigas treliçadas mistas - Conector de
tubular mista, propiciando flexibilidade aos am- cisalhamento “U” - Sede Vallourec - Belo Horizonte, MG
bientes. Os espaços no centro da treliça, entre suas
diagonais, foram utilizados para a passagem de du-
tos de utilidades, facilitando as instalações da edi-
ficação.

Figura 1.39(d) Sistema de vigas treliçadas mistas - Vista inferior


da laje - Sede Vallourec - Belo Horizonte, MG

Figura 1.39(a) Sistema de vigas treliçadas mistas - construção sem


escoramento - Sede Vallourec - Belo Horizonte, MG

32
Diversas outras soluções criativas podem ser em-
pregadas na flexão, como o ilustrado na Figura
1.41 da estrutura mista do piso do edifício gara-
gem. A flexão nessa solução é combatida pelo bi-
nário formado pela laje de concreto trabalhando
como mesa comprimida e pela barra de seção cir-
cular tubular trabalhando como mesa tracionada.
Esses elementos estão ligados entre si por intermé-
dio de consoles soldados nos tubos e conectados à
laje por meio de conectores de cisalhamento, for-
mando a seção mista, conforme apresentado na
Figura 1.39(e) Vista interna da obra em fase final Figura 1.41.
Sede Vallourec - Belo Horizonte, MG

Figura 1.39 - Treliça mista em sistema de piso com laje painel

A simplicidade para futuras modificações no


layout e o aspecto moderno inerente à solução
foram destaque para a arquitetura e para os em-
preendedores.

A viga mista executada com dois tubos circulares


unidos por chapa, empregada na obra do vestiário
da Vallourec, Figura 1.40, é outra opção constru- Figura 1.41 - viga mista executada com tubo circular e conectores
de cisalhamento soldados no console
tiva que conduz a baixo peso estrutural.
Nos casos das barras submetidas a momento fletor
e força axial, utilizados em pilares e vigas de um
sistema estrutural, a opção por treliças é certamen-
te uma solução eficiente e leve, o que certamen-
te conduz a soluções econômicas. A Figura 1.42
apresenta esse tipo de solução, onde os caminhos
de rolamento são suportados por pilares treliçados.
Na Figura 1.42-a os pilares treliçados da estrutura
possuem banzos constituídos por um único tubo.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Na Figura 1.42-b uma composição de quatro tubos
formam os banzos dos pilares treliçados.

Figura 1.40 - Viga mista tubular - Vestiário Vallourec


- Belo Horizonte, MG
Figura 1.42(a) Galpão Industrial Vallourec - Rio das Ostras, RJ
33
1.3 - Aços Estruturais
O aço produzido para a fabricação dos tubos sem
costura ou para a fabricação das chapas é geral-
mente proveniente da redução do minério de
ferro nos altos-fornos, os quais são carregados ba-
sicamente com minério de ferro, carvão e calcá-
rio. Outros processos menos frequentes como os
que utilizam sucatas em fornos elétricos não serão
mencionados. A queima do carvão no interior do
Figura 1.42(b) Galpão Industrial VSB - Jeceaba, MG alto-forno, onde em sua parte inferior é injetado
ar quente, produz calor e monóxido de carbono
Figura 1.42 - Pilares flexocomprimidos
que reduzem o óxido de ferro a ferro líquido com
Outra solução adotada para as barras submetidas alto teor de carbono e impurezas, Figura 1.44.
a momento fletor e força axial é o sistema “Vie-
rendeel”, como o apresentado na Figura 1.43. Os
pilares foram constituídos por tubos de seção re-
tangular formando quadros rígidos. Essa é tam-
bém uma boa solução que tem como característica
o aspecto com menos interferências visuais.

Figura 1.44 - Corrida do alto-forno

O calcário converte o pó do carvão e os minerais


terrosos existentes no minério em escória. O pro-
duto final do alto-forno é denominado ferro-gusa
ou ferro fundido, o qual é transportado ainda em
Figura 1.43 - Galpão industrial em Dusseldorf - Alemanha estado líquido até a aciaria, através de carros torpe-
dos, onde o gusa será refinado em equipamentos
denominados conversores de oxigênio, transfor-
mando-se em aço, Figura 1.45. Esse refinamento
consiste em remover o excesso de carbono e redu-
zir as impurezas a limites prefixados, através da in-
jeção de oxigênio dentro da massa líquida de ferro
fundido. O oxigênio injetado retira o carbono na
forma de monóxido de carbono (CO) e dióxido
de carbono (CO2). O aço é analisado e nessa fase
são feitos ajustes em sua composição química até
se obter a composição desejada.

34
te, em um processo denominado lingotamen-
to contínuo, formando barras maciças de seção
transversal retangular ou circular, as quais são cor-
tadas por maçarico nas dimensões desejadas, Fi-
gura 1.46. Cada bloco é identificado pelo número
da corrida do aço.

Figura 1.45(a) Carro torpedo


Figura 1.46(a) Lingotamento contínuo

Figura 1.45(b) Aciaria

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.45 - Processo de produção do aço Figura 1.46(b) Corte do lingote por maçarico

Gases existentes no aço líquido, absorvidos da at-


mosfera e da escória podem, no resfriamento da
massa líquida, formar vazios indesejáveis no aço.
Para se minimizar esse problema, os aços, agora
em panelas, recebem a adição de elementos como
o alumínio e o silício, os quais promovem a deso-
xidação do aço.

Das panelas, o aço é depositado em formas me-


tálicas denominadas lingoteiras, onde irá se soli-
dificar formando os lingotes ou blocos que serão
Figura 1.46(c) Barras maciças de aço de seção circular
a matéria-prima das laminações. Nas usinas mais
modernas os lingotes são moldados continuamen- Figura 1.46 - Lingotamento contínuo
35
O processo de produção do aço, até a confecção Os aços-carbono são os mais comuns, possuem
dos blocos, é o mesmo, seja para a fabricação boa soldabilidade e normalmente possuem carbo-
de tubos sem costura, seja para a produção de no equivalente de no máximo 0,45%. O aumento
chapas de aço. do teor de carbono eleva a resistência e a dure-
za do aço, e reduz sua ductilidade, tornando-o
Define-se aço como sendo uma liga à base de fer- mais quebradiço e com considerável piora em sua
ro, com até cerca de 2% de carbono (a partir desse soldabilidade. Como exemplos de aço-carbono
valor a liga é denominada ferro fundido) que pos- para chapas podem ser citados o ASTM A-36 e
sui também em sua composição outros elementos o ASTM A-570 e para tubos laminados, os aços
provenientes das matérias-primas usadas na sua ASTM A500 e ASTM A501, assim como aços
fabricação (elementos contaminantes do aço) que com designação comercial, como os VMB250,
não puderam ser completamente eliminados e VMB300 e VMB350 produzidos pela Vallourec
elementos de liga, adicionados intencionalmente Tubos do Brasil S.A., entre outros.
durante a fabricação do aço, para otimização das
suas propriedades ou do processo produtivo. Os aços de baixa liga nada mais são que os aços-
carbono com adição de pequenas quantidades de
Entre os elementos que compõem o aço, o carbono elementos de liga, tais como nióbio, cobre, man-
é o elemento que exerce maior influência nas suas ganês, cromo, molibdênio e vanádio, entre outros.
propriedades. Também são frequentemente encon- A adição de ligas provoca a alteração da microes-
trados na composição dos aços elementos como o trutura para grãos finos, provocando um aumento
silício, enxofre, manganês, fósforo e outros (o enxo- de resistência. Pode-se obter uma resistência eleva-
fre e fósforo normalmente são elementos residuais da com um teor de carbono da ordem de 0,20% e
ou contaminantes, só sendo adicionados em algu- boa soldabilidade. Como exemplo desses aços po-
mas aplicações quando se busca melhoria da usina- dem ser citados para chapas os aços ASTM A 572
bilidade do aço). e ASTM A 441 e para tubos laminados os aços
Os aços estruturais combinam resistência me- ASTM A 595/A 595M, ASTM A 618/A 618M,
cânica, trabalhabilidade, disponibilidade e baixo ASTM A 714 e ASTM A 847 entre outros.
custo, sendo por isso um material de fundamental Os aços de baixa liga podem ser patináveis. Esses
importância para a construção civil. As principais aços com pequena variação na sua composição
características que o aço estrutural deve possuir química, através da adição de alguns componen-
para adequada aplicação são: boa ductibilidade tes como o vanádio, cromo, cobre, níquel e alu-
(capacidade de se deformar plasticamente antes mínio, têm sua resistência à corrosão atmosférica
de romper); elevada relação entre a resistência à aumentada de duas a quatro vezes. Como exem-
ruptura e a resistência ao escoamento (mínima plo desses aços pode-se citar para chapas o aço
de 1,18); boa soldabilidade (caracterizada por ASTM A588, e para tubos laminados a quente, o
possuir carbono equivalente Ceq não superior a aço ASTM A 847, dentre outros.
0,45%, conforme será apresentado posteriormen-
te) e possibilitar o corte por chama sem endureci- As normas especificam a composição química a
mento. Normalmente possuem teor de carbono ser adotada na fabricação dos aços e consequen-
inferior a 0,3%. temente definem suas propriedades mecânicas
como a resistência ao escoamento (fy), a resistên-
Os aços estruturais são normalmente classificados cia à ruptura (fu) e o alongamento percentual. Os
como aços-carbono não ligados ou aços de baixa certificados de inspeção de matéria-prima devem
liga ou microligados. acompanhar o produto produzido pela siderúrgi-
ca. Veja exemplos nas Figuras 1.47 e 1.48

36
Figura 1.47 - Parte do Certificado de Inspeção de Matéria-Prima - Tubo

Figura 1.48 - Parte do Certificado de Inspeção de Matéria-Prima - Chapa

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Os principais elementos químicos de liga utiliza- aços estruturais é limitado a 0,3% ou menos,
dos na composição dos aços e as suas principais dependendo dos outros elementos presentes e
influências no aço estrutural são descritas a seguir, da soldabilidade e tenacidade desejadas;
ressaltando-se que a combinação de mais de um
• cobre (Cu) - aumenta, de forma eficaz, a resis-
elemento pode alterar o efeito de um elemento
isolado: tência à corrosão atmosférica do aço para adi-
ções de até 0,35%. Aumenta também a resis-
• carbono (C) - é o principal elemento para o tência à fadiga. Reduz pouco a soldabilidade, a
aumento de resistência e dureza do aço. Nor- ductilidade e a tenacidade;
malmente o acréscimo de 0,01% do teor de
• silício (Si) - é um desoxidante (a desoxidação
carbono conduz a um acréscimo de 0,35 MPa
na resistência ao escoamento, porém esse ganho tem por objetivo eliminar todo ou parte do oxi-
de resistência é acompanhado por uma redução gênio, dependendo da estrutura que se deseja
da ductilidade, da tenacidade e da soldabilida- obter para o aço). Propicia o aumento da resis-
de. Consequentemente, o teor de carbono dos tência à tração e a temperabilidade (a têmpera
37
tem como objetivo a obtenção de uma microes- aumenta a resistência à deformação lenta. Aços
trutura que proporcione propriedades de dure- com adição de cromo são menos suscetíveis à re-
za e resistência mecânica elevadas - a peça a ser dução da resistência em temperaturas elevadas;
temperada é aquecida e em seguida é submetida
a um resfriamento brusco); • molibdênio (Mo) - aumenta a resistência me-
cânica a quente, a resistência à corrosão e a tem-
• enxofre (S) - aumenta a fragilidade a quente do perabilidade. Diminui a fragilidade dos aços re-
aço. Teores elevados de enxofre podem causar venidos (O revenimento consiste em reaquecer
porosidade e fissuração a quente durante a sol- o aço temperado a temperaturas inferiores à
dagem. Podem causar retração a quente, como de transformação austenítica e resfriá-lo até a
resultado de inclusões de sulfito de ferro, as temperatura ambiente ao ar livre - aumenta a
quais se enfraquecem e podem romper quan- ductilidade do aço);
do aquecidas. Essas inclusões podem conduzir
à ruptura frágil, uma vez que funcionam como • níquel (Ni) - aumenta a resistência dos aços re-
pontos de concentração de tensões, a partir dos cozidos a tenacidade em temperaturas criogêni-
quais a ruptura pode se iniciar. É conveniente cas (criogenia é um ramo da físico-química que
que o teor de enxofre esteja abaixo de 0,05%; estuda tecnologias para a produção de tempe-
raturas muito baixas - abaixo de −150°C). Pro-
• manganês (Mn) - também é um desoxidante. move o refinamento de grão via aumento da
Aumenta a temperabilidade e a dureza. Con- temperabilidade;
trabalanceia a fragilidade a quente propiciada
pelo enxofre; • titânio (Ti) - reduz a dureza martensítica (nome
dado a um arranjo atômico do ferro) e a temperabili-
• fósforo (P) - aumenta a fragilidade a frio do dade de aços médio Cr. Auxilia no controle de grãos
aço, porém favorece a usinabilidade. Aumenta a altas temperaturas;
as resistências ao escoamento e à ruptura e a
resistência à fadiga e reduz a soldabilidade. A • vanádio (V) - eleva a temperatura de cres-
adição de alumínio aumenta a tenacidade (ca- cimento do grão austenítico, promove o refi-
pacidade de suportar tensões ocasionais acima namento de grão, aumenta a temperabilidade
da tensão de escoamento sem se fraturar) dos (quando dissolvido), resiste ao revenido e pro-
aços que contêm fósforo; voca acentuado endurecimento secundário;

• alumínio (Al) - é um desoxidante eficiente no • nióbio (Nb) - quando empregado em pequenas


processo de fabricação do aço e auxilia no re- quantidades produz significativo aumento da
fino dos grãos. Quando adicionado a um aço resistência ao escoamento do aço, mas aumen-
acalmado com silício (aço acalmado é desoxi- tos menores da resistência à ruptura. Auxilia no
dado de tal modo que o desprendimento de controle do refino dos grãos a altas temperatu-
gás é evitado durante a solidificação), reduz a ras. Reduz de forma considerável a tenacidade
temperatura de transição e aumenta a tenacida- de elementos espessos.
de. Adições excessivas de alumínio dificultam O conhecimento das principais propriedades dos
a obtenção do grau de acabamento superficial aços estruturais tais como suas características de
desejado nos produtos laminados; elasticidade e inelasticidade, fadiga e fratura é de
• cromo (Cr) - aumenta a resistência à corrosão fundamental importância, sendo o diagrama ten-
atmosférica e a resistência mecânica à abrasão, são x deformação obtido do simples ensaio de tra-
além de auxiliar no refino dos grãos via aumen- ção, uma valiosa ferramenta para tal.
to da temperabilidade. Piora a soldabilidade e

38
O ensaio de tração consiste em submeter, através
de uma máquina de ensaio de tração, um dado
corpo de prova, de forma e dimensões padroni-
zadas, retirado do material a ser analisado, Figura
1.49, a um esforço uniaxial que tende a esticá-lo
ou alongá-lo, até a sua ruptura. As tensões apli-
cadas e respectivas deformações são registradas, a
cada estágio de carga aplicada, gerando o diagra-
ma tensão x deformação.

Figura 1.50(a) Esquema de máquina de ensaio


Figura 1.49(a) Corpo de Prova

Figura 1.49(b) Retirada de corpos de provas em tubos

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.49 - Retirada de corpo de prova

A máquina de tração, Figuras 1.50 e 1.51, dispõe


de dois dispositivos, dinamômetro e extensôme-
tro, os quais medem, respectivamente, a cada es- Figura 1.50(b) Foto máquina de ensaio
tágio de carga aplicada, a intensidade da carga e o
Figura 1.50 - Máquina de ensaio de tração
alongamento Dℓ, de um trecho de comprimento
inicial ℓ0 de referência.

39
Quando uma barra de aço é tracionada, sua seção
transversal diminui, Figura 1.52. Dessa forma, a
tensão real em cada estágio de carregamento é obti-
da dividindo-se a carga no estágio de carregamento
pela área da seção transversal naquele estágio. De
forma simplificada, define-se como sendo tensão
convencional a obtida pela razão entre a carga apli-
cada pela área inicial da seção transversal.
• Tensão convencional:
σ0 = P A0 (1.1)

onde:
σ0 = Tensão convencional
P = Carga aplicada
A0 = Área inicial do corpo de prova

e tensão verdadeira como a obtida pela razão


entre a carga aplicada e a área instantânea do
corpo de prova
• Tensão verdadeira:
Figura 1.51 - Detalhes do ensaio de tração
σi = P Ai (1.2)

onde:
σi = Tensão verdadeira
P = Carga aplicada
Ai = Área instantânea do corpo de prova

A deformação convencional ε é calculada em fun-


ção do comprimento inicial do corpo de prova ℓ0.
• Deformação convencional:

ℇ =(ℓ𝓁𝓁i - ℓ𝓁𝓁0 )/ℓ𝓁𝓁0 (1.3)

onde:
ℇ = Deformação convencional
ℓ𝓁𝓁0 = Comprimento inicial do corpo de prova
Figura 1.52 - Estricção e ruptura do corpo de prova ℓ𝓁𝓁i = Comprimento instantâneo do corpo
de prova
40
e a deformação verdadeira é calculada como a seguir: A parte inicial da curva típica tensão x deformação
de um aço estrutural é praticamente linear e cor-
• Deformação verdadeira: responde ao regime elástico (lei de Hooke), válido
εi = ℓn (ℓi - ℓ0 ) (1.4)
até determinada tensão. A tangente à curva tensão
x deformação desse trecho do diagrama é defini-
onde: da como sendo o módulo de elasticidade longi-
tudinal “E” do aço que, para os aços estruturais,
εi = Deformação verdadeira as normas brasileiras definem o valor de 200.000
MPa.
ℓ0 = Comprimento inicial do corpo de prova
Define-se como Elasticidade do aço a capacidade
ℓi = Comprimento instantâneo do corpo de prova
que possui de retornar à sua forma original, após su-
Dispondo no eixo das abscissas os valores dos cessivos ciclos de carregamento e descarregamento.
alongamentos unitários ε e no eixo das ordenadas A deformação elástica (regime elástico) é reversível,
os valores das tensões convencionais 𝜎𝜎!,   tem-se ou seja, desaparece quando a tensão é removida.
um diagrama tensão x deformação que representa
Após o regime elástico, o aço apresenta uma pro-
o comportamento do aço sob ação de cargas está-
priedade conhecida como escoamento, que se ca-
ticas, Figura 1.53.
racteriza pelo aumento das deformações com uma
tensão praticamente constante. A tensão que pro-
σ
voca o escoamento é conhecida como resistência
resistência à
ruptura - fu ao escoamento (fy) do aço. A resistência ao escoa-
resistência ao
mento é a mais importante propriedade dos aços
escoamento - fy patamar de estruturais e, para esses, seus valores mínimos são
escoamento
definidos pelas normas dos aços, variando nor-
Limite de malmente entre 250 a 450 MPa.
propocionali-
dade - fp
εn εy εS εt εu
A fase onde o aço deforma-se sem mudança apre-
ε ciável na tensão é conhecida como fase plástica.
regime regime rup-
elástico plástico encruamento tura Nessa fase escoamentos localizados ocorrem em
linear
diversas regiões do aço até que esses pontos en-
Figura 1.53(a) Representação gráfica do ensaio cruam. Outras seções começam sequencialmente
a escoar até que todas as seções elásticas se esgo-

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


tem totalmente, com deformações que variam de
quatro a dez vezes a deformação elástica. A partir
desse ponto a tensão começa a aumentar e um en-
cruamento geral ocorre.

No encruamento o material apresenta acréscimo


de tensões, porém, geralmente, tal acréscimo não
é considerado no cálculo, uma vez que ocorre após
grandes deformações. Durante a fase de encrua-
mento praticamente não há redução local na área
Figura 1.53(b) Diagrama obtido pela máquina de ensaio
da seção transversal do corpo de prova, até que a
Figura 1.53 - Diagrama de tensão x deformação carga máxima seja atingida. Nessa fase, o corpo de
prova experimenta então uma estricção local, co-
nhecida por “estrangulamento do corpo de prova”.
A tensão correspondente, baseada na área original
41
são de cisalhamento t x distorção g, ver Figura 1.55.
do corpo de prova, é denominada resistência à
ruptura do aço à tração (fu) e também pode ser
observada no diagrama tensão x deformação.

Existem também aços que não possuem o pata-


mar de escoamento bem definido, tais como o
aço carbono tratado termicamente utilizado na
fabricação dos parafusos de alta resistência ASTM
A325 e o aço de baixa liga, também tratado ter-
micamente, utilizado na fabricação do parafuso
ASTM A490, os quais possuem diagrama tensão
x deformação similar ao apresentado na Figura
1.54. Esses aços sofrem tratamento térmico cujo
principal objetivo é o aumento de sua resistência. Figura 1.55 - Diagrama de tensão cisalhamento x distorção

A resistência ao escoamento por cisalhamento


fvy, obtida através de ensaios de cisalhamento, é
proporcional à resistência ao escoamento fy. Expe-
rimentalmente obtém-se a relação:

fvy ≈0,6fy  
(1.5)

A inclinação do diagrama t x g é denominada mó-


dulo de elasticidade transversal do aço “G”. No
regime elástico o valor de G é dado por:

Figura 1.54 - Diagrama de tensão x deformação de aço sem


patamar de escoamento E
G= (1.6)
2 1+ν
Para esses aços, após o regime elástico, o descarre-
gamento de um ensaio de tração ocorre segundo onde ν é o coeficiente de Poisson do aço (coefi-
uma reta paralela à curva de carregamento (mes- ciente de deformação transversal do aço) igual a
mo módulo de elasticidade E) no diagrama tensão 0,3. Dessa forma, o valor do módulo de elastici-
x deformação, resultando assim em uma deforma- dade transversal do aço foi adotado pelas normas
ção residual permanente. nacionais como igual a 77000 MPa.
Nos aços cujo patamar de escoamento não é bem A ductilidade é a propriedade que o aço possui de
definido, denomina-se limite de escoamento con- se deformar plasticamente, sem sofrer fraturas. Os
vencional à tensão correspondente a uma defor- aços dúcteis, sob tensões locais elevadas, sofrem
mação residual permanente de 0,2% (fy0,2). deformações plásticas capazes de redistribuir essas
A tensão correspondente ao regime elástico, onde tensões. Tal propriedade conduz à ocorrência de
o material segue a lei de Hooke, é denominada de um mecanismo de falha, o qual é acompanhado
limite de proporcionalidade ou de elasticidade de grandes deformações. Em ligações parafusadas,
do aço (fel). o comportamento plástico propicia a distribuição
uniforme de esforços nos parafusos.
Semelhante ao ensaio de tração, através do ensaio de
cisalhamento simples, obtém-se o diagrama de ten- O alongamento percentual é uma medida con-
42
vencional da ductilidade obtida no ensaio de tra-
ção e avaliada após a ruptura, com o comprimento
final do corpo de prova. É expressa em percenta-
gem e seu valor é informado nos certificados de
qualidade dos aços estruturais.

A% = (ℓf - ℓ0 )/ℓ0 (1.7) Figura 1.57(a)

onde:

A% = Alongamento percentual

ℓ0 = Comprimento inicial do corpo de prova

ℓf = Comprimento final do corpo de prova

O contrário da ductilidade é a Fragilidade. Os


materiais frágeis ou quebradiços quebram com
valores relativamente baixos de deformações, Fi-
Figura 1.57(b)
gura 1.56. O concreto, o vidro e o ferro fundido
são exemplos de materiais frágeis. Esses materiais Figura 1.57 - Ensaio de Charpy
rompem de forma brusca, sem grandes deforma-
ções, razão pela qual seu comportamento deve Avalia-se, nesse ensaio, a energia necessária para
ser bem conhecido. Em algumas circunstâncias, romper os corpos entalhados a diferentes tem-
por ação de agentes externos, os aços podem se peraturas. O ensaio consiste em soltar uma mas-
transformar em material frágil. Como exemplos sa (martelo) de uma altura h, de maneira a bater
de agentes externos, podem ser citados a baixa tem- no corpo de prova e provocar o rompimento do
peratura ambiente e os efeitos térmicos locais pro- mesmo. Registra-se, então, a altura atingida pelo
vocados por soldas, efeito de encruamento, etc. pêndulo após a fratura e a energia absorvida será
fornecida pela máquina Charpy. Esses ensaios só
são solicitados quando as condições de serviço da
estrutura exigirem, como, por exemplo, estruturas
que irão trabalhar em baixa temperatura com carre-

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


gamentos cíclicos, tais como guindastes de navios.

Denomina-se Tenacidade à capacidade de um


material absorver energia, quando deformado
plasticamente, ou seja, é a capacidade de supor-
tar tensões ocasionais acima da resistência ao
Figura 1.56 - Diagrama de tensão x deformação típico de material frágil escoamento sem fraturar. Em outras palavras, é
a capacidade de um material resistir a tensões
O ensaio de impacto Charpy, Figura 1.57, é empre- ocasionais sem se romper por fratura frágil. A te-
gado na avaliação da tendência à fratura frágil de nacidade também pode ser definida como a área
metais. Neste, submete-se um corpo de prova com sob a curva tensão x deformação correspondente
forma e dimensões padronizadas, no qual é efetua- ao regime plástico.
do um entalhe, a um esforço de flexão por impacto.
A Resiliência é a quantidade de energia elástica
que pode ser absorvida, quando o aço é deforma-
43
do elasticamente. Pode ser definida como a área É importante observar que a Norma brasileira
sob a curva tensão x deformação correspondente que estabelece os requisitos básicos que devem
ao regime elástico. ser obedecidos no projeto de estruturas de aço,
ABNT NBR 8800:2008, limita o valor da resis-
A resistência que um material oferece ao ser pun- tência ao escoamento máximo (fy) em 450 MPa e
cionado por outro corpo, de forma e dimensões ainda determina que a relação entre resistência à
apropriadas, denominado penetrador, causando- ruptura (fu) e ao escoamento (fy) deve ser igual ou
lhe deformação plástica localizada é denominada superior a 1,18.
Dureza. Nesse ensaio, a velocidade de aplicação
da carga é pequena e por isso o ensaio é dito está-
fu
tico. Os métodos mais frequentemente utilizados fy ≤ 450 MPa e ≥1,18
são o Brinell, Rockwell, Vickers e Knoop. Esses fy
se distinguem basicamente pela forma do pene-
trador, tempo de aplicação da carga e forma de As propriedades mecânicas dos aços estruturais que
determinar o valor da dureza no regime plástico. devem ser consideradas para fins de cálculo são as a
seguir relacionadas, conforme as normas nacionais:
Uma das principais características que os aços es-
truturais devem atender é quanto ao requisito de • massa específica
boa soldabilidade. Essa característica é função da pa= 7.850 kg/m3;
composição química do aço e uma das formas de
se avaliar esse quesito é através da determinação • módulo de elasticidade
da porcentagem de carbono equivalente do aço, E = Ea = 200.000 MPa;
onde a influência relativa de cada elemento quí-
mico que compõe o aço é expressa em termos de • coeficiente de Poisson
carbono equivalente, conforme a seguir: ν = 0,3;

Mn Cr+Mo+V Ni+Cu
• módulo de elasticidade transversal
%Ceq =% C+ + +   (1.8) G = 77.000 MPa;
6 5 15

• coeficiente de dilatação térmica


Nessa expressão, o teor de cada elemento é expres- βa = 1,2 × 10-5 oC-1.
so em porcentagem sendo que, quanto maior for
o carbono equivalente, pior é a soldabilidade do Para os tubos estruturais sem costura, produzi-
aço. Aços com carbonos equivalentes inferiores dos por laminação a quente, cujo aço é fabricado
a 0,45% são os mais recomendados. Aços com para a produção dos lingotes (barras) circulares
alto carbono e/ou carbono equivalente mais al- maciços, Figura 1.58, que serão laminados, estes
tos tendem a ter pior soldabilidade, requerendo devem atender às normas específicas de fabrica-
condições especiais para execução da solda, tais ção de tubos, tais como a ASTM A501, entre
como necessidade de préaquecimento da peça a outros, as quais fornecem a composição química
ser soldada e/ou controle do resfriamento da sol- dos aços, suas resistências mínimas ao escoamen-
da, de modo a torná-lo mais lento para diminuir to (fy) e à ruptura (fu).
a possibilidade de trincas na solda (trinca por hi-
drogênio); além disto, as propriedades mecânicas
da junta soldada de aços de alto carbono e/ou car-
bono equivalente tendem a ser piores (tendência
de ter dureza mais alta, com consequente maior
fragilidade e pior tenacidade).

44
Já os tubos estruturais com costura, os quais são
produzidos a partir de chapas conformadas e sub-
sequentemente soldadas, para atender às especifica-
ções de fabricação de tubos, deverão ser produzidos
com chapas que atendam às prescrições das nor-
mas específicas de fabricação de tubos com costura,
tais como a ASTM A500, entre outras.

É importante destacar que a norma ASTM A501


é aplicável a tubos com ou sem costura, confor-
mados a quente ou tratados termicamente.

As Tabelas 1.4 apresentam as especificações


normativas dos aços estruturais mais frequente-
mente utilizados em estruturas tubulares, suas
propriedades mecânicas e as principais caracte-
rísticas dimensionais.

Figura 1.58(a) Lingotes circulares no leito de resfriamento

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

Figura 1.58(b) Lingotes estocados para posterior laminação

Figura 1.58 - Lingotes de seção transversal circular

45
Tabela 1.4(a) Especificações dos aços para tubos estruturais

Resistência ao es- Resistência


Espessura à ruptura do
Norma Título Grau coamento (fy) aço à tração (fu/fy)
(mm) (MPa) (MPa)
STANDARD SPECIFICATION A - 205 330 1,61
ASTM FOR PIPE, STEEL, BLACK AND
A53 HOT -DIPPED, ZINC-COATED, B - 240 415 1,73
WELDED AND SEAMLESS
STANDARD SPECIFICATION A - 205 330 1,61
ASTM FOR SEAMLESS CARBON STEEL B - 240 415 1,73
A106 PIPE FOR HIGH-TEMPERATURE
SERVICE C - 275 485 1,76
A - 230 310 1,35

Circular
B - 290 400 1,38
STANDARD SPECIFICATION C - 315 425 1,35
ASTM FOR COLD-FORMED WELDED
A500 AND SEAMLESS CARBON STEEL D - 250 400 1,60
STRUCTURAL TUBING IN
ROUNDS AND SHAPES B - 315 400 1,27

Perfiladas
Outras
Seções C - 345 425 1,23
D - 250 400 1,60
STANDARD SPECIFICATION A - 250 400 1,60
ASTM FOR HOT-FORMED WELDED
A501 AND SEAMLESS CARBON STEEL B - 345 483 1,40
STRUCTURAL TUBING

ASTM STANDARD SPECIFICATION FOR


A 595/A STELL TUBE, LOW-CARBON OR A - 380 450 1,18
595M HIGH-STRENGTH LOW-ALLOY,
TAPERED FOR STRUCTURAL USE
Ia, Ib e II ≤ 19 345 485 1,41
19 < t ≤ 38 315 460 1,46
STANDARD SPECIFICATION
ASTM FOR HOT-FORMED WELD- Para o Grau II, quando o material for normalizado, as resistências mínimas ao escoamen-
A618/ ED AND SEAMLESS HIGH- to e à ruptura requeridos devem ser reduzidas de 35 Mpa.
A618M STRENGTH LOW-ALLOY Os aços Graus Ia e Ib são patináveis e podem, quando apropriadamente expostos à
STRUCTURAL TUBING atmosfera, serem usados sem pintura em várias aplicações.
III - 345 450 1,30

Espes- Resistência ao Resistência à


escoamento (fy) ruptura do aço
Norma Título Grau sura à tração (fu) (fu/fy)
(mm) (MPa) (MPa)
I e II - 345 485 1,41
III - 345 450 1,30
IV - 250 400 1,60
Os aços Classe IV são patináveis e podem, quando apropriadamente
STANDARD SPECIFICATION FOR expostos à atmosfera, serem usados sem pintura em várias aplicações.
ASTM A HIGH-STRENGTH LOW ALLOY V (Tipo F) - 275 380 1,38
714 WELDED AND SEAMLESS STELL
PIPE V e VI
(Tipo E e S) - 315 450 1,43

VII ≤ 12,5 310 450 1,45


(Tipo E e S)
VIII - 345 485 1,41
(Tipo E e S)
STANDARD SPECIFICATION FOR
ASTM COLD-FORMED WELDED AND
A847/ SEAMLESS HIGH-SRENGTH, - - 345 485 1,41
LOW-ALLOY STRUCTURAL TUBING
A847M WITH IMPROVED ATMOSPHERIC
46 CORROSIN RESISTANCE
Tabela 1.4(b) Especificações dos aços em tubos estruturais

Resistência Resistência à
Espessura ao escoa- ruptura do aço
Norma Título Grau (mm) mento (fy) à tração (fu) (fu/fy)
(MPa) (MPa)

t≤3 235 1,53


3 < t ≤ 16 235 1,53
16 < t ≤ 40 225 1,60
360-510
S235JRH 40 < t ≤ 63 215 1,67
63 < t ≤ 80 215 1,67
80 < t ≤ 100 215 1,67
100 < t ≤ 120 195 350-500 1,85
t≤3 275 430-580 1,56
STANDARD SPECIFICATION FOR HOT 3 < t ≤ 16 275 1,49
FINISHED STRUCTURAL HOLLOW 16 < t ≤ 40 265 1,55
SECTIONS OF NON-ALLOY AND FINE
GRAIN STEELS. S275J0H 40 < t ≤ 63 255 410-560 1,61
EN10210 PART 1 : TECHNICAL DELIVERY CON- S275J2H
DITIONS 63 < t ≤ 80 245 1,67
PART 2: TOLERANCE, DIMENSIONS
AND SECTIONAL PROPERTIES. 80 < t ≤ 100 235 1,74
100 < t ≤ 120 225 400-540 1,78
t≤3 355 510-680 1,44
3 < t ≤ 16 355 1,32
16 < t ≤ 40 345 1,36
S355J0H
S355J2H 40 < t ≤ 63 335 470-630 1,40
S355K2H
63 < t ≤ 80 325 1,45
80 < t ≤ 100 315 1,49
100 < t ≤ 120 295 450-600 1,53
t<3 235 1,53
S235JRH 3 ≤ t ≤ 16 235 360-510 1,53
STANDARD SPECIFICATION FOR 16 < t ≤ 40 225 1,60
COLD FORMED WELDED STANDARD
SPECIFICATION FOR STRUCTURAL t<3 275 430-580 1,56
EN10219 HOLLOW SECTIONS OF NON-ALLOY S275J0H 3 ≤ t ≤ 16 275 1,49
AND FINE GRAIN STEELS - PART 1: S275J2H

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


410-560
TECHNICAL DELIVERY CONDITIONS 16 < t ≤ 40 265 1,55
PART 2: TOLERANCE, DIMENSIONS
AND SECTIONAL PROPERTIES. t<3 355 510-680 1,44
S355J0H
S355J2H 3 ≤ t ≤ 16 355 1,32
S355K2H 470-630
16 < t ≤ 40 345 1,36

47
europeias anteriormente mencionadas limitam os
1.4 - Propriedades raios de canto das seções retangulares em função
geométricas das seções da espessura da sua parede, conforme segue:
tubulares
Tubos estruturais cuja forma final é
As principais expressões empregadas para o cálcu- obtida por processo a quente:
lo das propriedades geométricas das seções tubu-
lares circulares e retangulares (as seções quadradas • Raio de canto externo máximo (re ):
são um caso particular das retangulares), para fins 3,0 t
de projetos estruturais, são apresentadas a seguir.
Para fins de cálculo das propriedades geométricas
As normas europeias EN10210-2 para tubos la- são adotados os seguintes valores para os raios de
minados a quente e a norma EN10219-2 para canto:
tubos conformados a frio apresentam as seguin-
• Raio de canto externo (re )
tes limitações de espessura de parede e dimensões
re = 1,5 t
máximas externas da seção transversal:
• Raio de canto interno (ri )
Tubos estruturais cuja forma final é obtida por
ri = 1,0 t
processo a quente:
Tubos estruturais cuja forma final é
• Espessura máxima de parede (t)
obtida por conformação a frio:
t ≤ 120 mm
• Raio de canto externo (re ):
• Seção circular - dimensão externa máxima

d ≤ 2.500 mm
Para t ≤ 6,3 mm
• Seção retangular - dimensões externas máximas re= 2,0 t
750 mm x 500 mm

Para 6,3 mm <t ≤ 9,5 mm
• Seção quadrada - dimensões externas máximas re = 2,5 t
800 mm x 800 mm
Para 9,5 mm <t ≤ 37,5 mm
Tubos estruturais cuja forma final é obtida por re = 3,0 t
conformação a frio:
• Raio de canto interno (ri ):
• Espessura máxima de parede (t)
t ≤ 40 mm Para t ≤ 6,3 mm
• Seção circular - dimensão externa máxima ri = 1,0 t
d ≤ 2.500 mm
Para 6,3 mm < t ≤ 9,5 mm
• Seção retangular - dimensões externas máximas ri = 1,5 t
500 mm x 300 mm
Para 9,5 mm < t ≤ 37,5 mm
• Seção quadrada - dimensões externas máximas ri = 2,0 t
500 mm x 500 mm
Observa-se que as espessuras das paredes dos tu-
As propriedades geométricas dos tubos retangula- bos obtidos por conformação a frio que limitam
res dependem dos raios de canto obtidos na lami- aos valores dos raios de canto foram adaptadas ao
nação ou na conformação a frio. Assim, as normas padrão brasileiro.
48
As fórmulas a serem empregadas na determinação • Módulo de Resistência Plástico:
das propriedades geométricas das seções retangulares
e quadradas, lembrando que esta última é um caso d 3 -(d - 2t )3
Zx = Z y = Z = (1.15)
particular da seção retangular, para fins de avaliação 6
da capacidade resistente, são apresentadas a seguir.
• Constante de Torção:
Tabelas contendo valores das propriedades geomé-
J=2  I   (1.16)
tricas de tubos sem costura e com costura de seção
transversal circular (TC), retangular (TR) ou qua- • Módulo de Resistência à Torção Elástico:
drada (TQ) são apresentadas no Apêndice A.
WT =2 W (1.17)

1.4.1 - Propriedades geométricas dos tubos


circulares (Figura 1.59) 1.4.2 - Propriedades geométricas dos tubos
retangulares e quadrados (Figura 1. 60)

Figura 1.59 - Tubo de seção transversal circular - TC

• Área da seção transversal:


Ag = π(d t-t2 )   (1.9)

• Área da superfície por unidade de


comprimento:
U=  π d (1.10)

• Massa por unidade de comprimento:


m = ρa Ag (1.11)

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


• Momento de Inércia:
π d 4 - (d - 2t )4  Figura 1.60 - Tubos de seção transversal retangular (TR) e quadrada (TQ)
Ix = I y = I = (1.12)
64
• Área da seção transversal:
• Raio de giração:
Ag =2t b+h-2t - 4-π re 2 -ri 2 ≅   (1.18)
I (1.13) 2t b+h-2t -0,858 re 2 -ri 2
rx = ry =r=
A
• Área de superfície por unidade de comprimento:
• Módulo de Resistência Elástico:
U=2(h+b-4re +πre )   (1.19)
2I
Wx = W y = W = (1.14)
d
49
• Massa por unidade de comprimento: hb2 (h-2t)(b-2t)2
m=ρa Ag   Zy = - - 4(Ar bg -Aξ bξ ) (1.28)
(1.20) 4 4

• Momentos de Inércia:
• Constante de Torção:
Em relação ao eixo x
u
bh3 (b-2t)(h-2t)3 J= t3 3 +2KAh (1.29)
Ix = - - 4(Ig +Ar hg 2 -Iξξ -Aξ hξ 2 )
12 12 • Módulo de Resistência à Torção Elástico:
(1.21)
J
• Em relação ao eixo y WT = (1.30)
k
3
hb (h-2t)(b-2t) 3 t+ t
Iy = - -  4(Ig +Ar bg 2 -Iξξ -Aξ bξ 2 )
12 12
onde:
(1.22)

• Raio de Giração: Ar = 1-
π
re 2   ≅ 0,215 r2e (1.31)
4
Em relação ao eixo x
π
Aξ = 1- ri 2   ≅ 0,215 r2i (1.32)
Ix 4
rx = (1.23)
A
1 π 1
Ig = - - r 4  ≅ 0,00755 r4e (1.33)
Em relação ao eixo y 3 16 3(12-3π) e

Iy 1 π 1
ry =     Iξ = - - r 4 ≅ 0,00755 r4i (1.34)
A 3 16 3(12-3π) i
(1.24)

u  =  2(b+h-2 t)-2rc (4-π)  ≅  2(b+h-2 t)-1,72 rc


• Módulo de Resistência Elástico: (1.35)
re +ri
Em relação ao eixo x rc = (1.36)
2
2 Ix
W x= (1.25)
Ah =(b-t)(h-t)-rc 2 (4-π)  ≅  (b-t)(h-t)-  0,858 r2c
h
(1.37)
Em relação ao eixo y 2 Ah t
2 Iy K= (1.38)
W y= (1.26) u
b
• Módulo de Resistência Plástico:
Em relação ao eixo x
Em relação ao eixo x
bh2 (b-2t)(h-2t)2 h 10-3π h
Z x= - - 4(Ar hg -Aξ hξ ) (1.27) hg = - re  ≅   -  0,223re (1.39)
4 4 2 12-3π 2

Em relação ao eixo y h-2t 10-3π h-2t


hξ = - ri ≅   -  0,223ri (1.40)
2 12-3π 2
50
Em relação ao eixo y

b 10-3π b
bg = -   re  ≅   - 0,223  re (141)
2 12-3π 2

b-2t 10-3π b-2t


b! = - ri  ≅   - 0,223  ri (1.42)
2 12-3π 2
re - ri
rc = (1.43)
2
Figura 1.61(b) Solda de composição do tubo com costura

1.5 - Tubos de aço com


e sem costura
Os tubos estruturais de aço podem ser produzidos
de maneiras distintas tais como os tubos produ-
zidos por extrusão e os centrifugados (técnica de
fundição), porém dois processos de produção se
distinguem por serem os mais utilizados:
Figura 1.61(c) Tubo sem costura
• tubos sem costura laminados a quente, Figuras
1.61- a e c;
• tubos com costura, provenientes de chapas
devidamente conformadas e soldadas, Figuras
1.61- b e d.

Figura 1.61(d) Tubo com costura

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


Figura 1.61. Processo de fabricação de tubos

Figura 1.61(a) Laminação de tubo sem costura

51
1.5.1 - Fabricação de tubos
sem costura
Os tubos sem costura são provenientes da perfu-
ração por laminação a quente de blocos maciços
de aço de seção transversal circular, produzidos
pelo processo conhecido como Mannesmann,
Figura 1.62.

Figura 1.62(d) Vista do processo de laminação do tubo


Figura 1.62 - Processo de fabricação de tubos sem costura

No Brasil, existem duas usinas siderúrgicas que pro-


duzem tubos de aço sem costura laminados a quente.
Uma é a Vallourec Tubos do Brasil S.A. - VBR (an-
tiga Mannesmann) - e a outra é a recém-inaugura-
da Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil - VSB -,
Figura 1.62(a) Bloco circular maciço sob alta temperatura sendo cuja produção de tubos teve início no final de 2011.
conduzido para o laminador
A Vallourec Tubos do Brasil S.A., embora tenha se
instalado no país em 1954, com foco na produção
de tubos para o mercado de exploração e produ-
ção de petróleo, atualmente produz tubos para
várias aplicações, incluindo tubos para aplicação
estrutural, atendendo a várias normas nacionais e
internacionais.

Para ambas as empresas, a produção dos tubos


sem costura ocorre a partir de matéria-prima (car-
vão vegetal e minério de ferro) fornecida pelas
subsidiárias Vallourec Florestal Ltda e Vallourec
Mineração Ltda, sendo que o carvão utilizado na
Figura 1.62(b) Vista geral do laminador de tubos
produção do aço é carvão vegetal, proveniente de
reflorestamento.

A laminação dos tubos inicia-se com o aqueci-


mento dos blocos em forno rotativo, Figura 1.63,
ou de vigas caminhantes, normalmente a gás.
Para a laminação esses blocos devem estar a uma
temperatura final que varia de 1.200 a 1.300 °C.
Os blocos aquecidos são transportados automa-
ticamente, por rolos e transportadores rápidos, a
um laminador perfurador (conforme descrito an-
Figura 1.62(c) Visão esquemática interna do mandril de teriormente, Figura 1.62-d).
laminação do tubo

52
O processo de conformação a quente do tubo sem
costura começa por um laminador denominado per-
furador (processo Mannesmann), onde um pistão
empurra lentamente o bloco aquecido a ser perfura-
do contra a entrada do laminador. O bloco é forçado
pelo movimento de rotação oblíqua dos rolos contra
a ponta de um mandril (Figura 1.62.c), posicionado
no centro do bloco e dos rolos (Figura 1.64), geran-
do a forma tubular. Após a perfuração, outras etapas
de laminação são aplicadas até a obtenção do tubo
em sua forma final, através de diversos tipos de pro-
cessos de laminação de tubos sem costura (lamina-
ção contínua, laminação com mandris e outros).

Por exemplo, no caso do processo de laminação


automática, depois de perfurado, esse produto
inicial, denominado lupa, é movido rapidamente
por um transportador até um segundo lamina-
dor de mandril, no qual as dimensões finais de
espessura de parede são alcançadas. Os rolos de
trabalho do laminador, com seções semicircula-
res, usinados, giram de modo a dar uma forma
circular à lupa. Um mandril interno é usado para
conformar a lupa durante a laminação.
Figura 1.63 - Forno rotativo

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

Figura 1.64 - Processo Mannesmann

53
As lupas são então imediatamente transporta-
das à entrada dos laminadores “reeler”, também
conhecido como laminador “alisador”. O movi-
mento de rotação dos rolos produzem pequenas
deformações nas lupas, melhorando a rugosidade
da superfície, tanto externa quanto internamen-
te. Após esse processo os tubos são reaquecidos
para homogeneização da temperatura, até cerca de
9000 C e então são submetidos à conformação fi-
Figura 1.65 - Leito de resfriamento
nal do diâmetro externo (laminador calibrador).

Ao final deste processo de conformação a quente, No leito de resfriamento, o tubo resfria-se até a tem-
os tubos são transportados para o leito de resfria- peratura ambiente, ao ar livre, de forma uniforme,
mento, Figura 1.65. conforme se pode observar na Figura 1.65. Essa for-
ma de resfriamento é responsável por uma das mais
importantes características dos tubos laminados a
quente, que possui baixo nível de tensões residu-
ais, conferindo-lhes assim melhores características
à compressão. De uma forma resumida, o esquema
apresentado na Figura 1.66 ilustra todo o processo
produtivo dos tubos sem costura.

Figura 1.66 - Processo de fabricação de tubos sem costura


54
No caso da VBR, por ser uma usina integrada, ou especificações internacionais tais como a ASTM
seja, que produz seu próprio aço, os tubos lami- A501 ou outras, as quais especificam limites de
nados a quente podem atender a quaisquer nor- composição química dos aços, suas resistências
mas nacionais ou internacionais. Normalmente mínimas ao escoamento (fy) e a ruptura (fu), Ta-
são também produzidos conforme especificação bela 1.5.
de aços proprietários, Tabela 1.6, ou atendem às

Tabela 1.5 - Propriedades mecânicas tubo estrutural ASTM A501

A501 “Standard Specification for Hot-Formed Welded and Seamless Carbon Steel StructuralTubing”
Grau do Aço fy (MPa) fu (MPa)
A 250 400
B 345 483

Tabela 1.6 - Propriedades mecânicas tubos estruturais VBR

Aços estruturais VMB EspecificaçõesASTM Similares aos Aços


VMB
Limite de Limite de Resistên-
Designação Escoamento (fy) cia à Tração (fu) Norma Grau
Comercial
(MPa) (MPa)
VMB 250 ≥ 250 ≥ 400 ASTM A501 A
VMB 300 ≥ 300 ≥ 415 EN10210 S275J2H
Laminados VMB 350 ≥ 350 ≥ 485 ASTM A501 B
(circulares) VMB 250cor ≥ 250 ≥ 400 ASTM A714 Grau IV
VMB 300cor ≥ 300 ≥ 415 - Ia, Lb e II
VMB 350cor ≥ 350 ≥ 485 ASTM A 618 III

1.5.2 - Fabricação de tubos com costura


Os tubos com costura são produzidos por confor-
mação mecânica, normalmente a frio, de chapas

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


ou tiras de bobina de aço e subsequente soldados,
efetuando a emenda contínua da chapa. Esses tu-
bos soldados podem ser conformados de forma
que a disposição da solda seja longitudinal, Figura
1.67-a, ou helicoidal, Figura 1.67-b. Eles também Figura 1.67(a) Tubo com costura - solda longitudinal
se distinguem quanto ao processo de soldagem
empregado, podendo ser esta solda por fusão com
adição de material (arco submerso “SAW”, ele-
trodo revestido “SMAW”, Plasma “PAW”, etc.)
ou a solda no estado sólido sem adição de ma-
terial (Solda por resistência elétrica “ERW” ou
indução “HFW”).

Figura 1.67(b) Tubo com costura - solda helicoidal


Figura 1.67 - Tubos com costura
55
No mercado nacional existem diversos fabricantes de tubos com costura, os quais adquirem as chapas
e bobinas de aço das siderúrgicas nacionais (tais como a Usiminas, ArcelorMittal, CSN e Cosipa) ou
outras, produzindo os tubos a partir desse material.

Os tubos estruturais com costura são produzidos a partir de chapas e essas devem atender, após conforma-
das, às prescrições das normas de fabricação de tubos tais como a ASTM A500 para ERW e a EN 10219
para SAW ou outras, as quais fornecem, além da composição química dos aços, suas resistências mínimas
ao escoamento (fy) e à ruptura (fu), Tabela 1.7.

Tabela 1.7 - Propriedades mecânicas tubo estrutural - EN 10219-1 e ASTM A500

EN 10219-1 - “Cold formed welded structural hollow section of non-alloy and fine grain steels -
Part 1: Technical delivery conditions”
Grau do Aço fy (MPa) fu (MPa)
Espessura especificada (mm) Espessura especificada (mm)
Nome Número
t ≤ 16 16 < t ≤ 40 <3 3 ≤ t ≤ 40
S235JRH 1.0039 235 225 360-510 360-510
S275J0H 1.0149
275 265 430-580 410-560
S275J2H 1.0138
S355J0H 1.0547
S355J2H 1.0576 355 345 510-680 470-630
S355K2H 1.0512
A500 “Standard Specification for Cold-Formed Welded and Seamless Carbon
Steel Structural Tubing in Rounds and Shapes”
Grau do Aço fy (MPa) fu (MPa)
A 230 310
Tubos de Seção B 290 400
Circular C 315 425
D 250 400
A 270 310
Tubos de Seção B 315 400
Retangular C 345 425
D 250 400

Assim, os aços das chapas a serem utilizados na Os processos de produção dos tubos conformados
fabricação dos tubos devem ser tais que após o a frio são especificados nas referidas normas e de-
processo de conformação e soldagem sejam garan- ve-se ter uma atenção especial nos procedimentos
tidas as propriedades mecânicas mínimas apresen- de soldagem recomendados. Existem restrições de
tadas nas normas de tubos. processos de soldagem e conformação do tubo que
devem ser observadas, atendendo às prescrições
É importante destacar que os tubos conformados constantes dos itens de Fabricação (“Manufactu-
a frio e produzidos segundo a ASTM A500, po- re”) dos itens de fabricação das referidas normas.
dem não ser adequados para aplicações sujeitas
a cargas dinâmicas ou que requeiram adequadas
propriedades de tenacidade à baixa temperatura.
56
1.5.3 - Fabricação de tubos retangulares Os tubos retangulares (com ou sem costura) que
foram conformados a frio podem na sequência
Os tubos retangulares e quadrados, Figura 1.68- passar por um tratamento térmico com o obje-
a, podem ser produzidos por laminação a quen- tivo de reduzir e uniformizar as tensões residuais
te, como acontece com produtos produzidos pela introduzidas no processo de conformação a frio.
Vallourec da Alemanha ou por conformação a frio Conforme a norma canadense G40.20-04 - “Ge-
de tubos circulares, como o que ocorre no Brasil, neral requirements for rolled or welded structural
onde as seções quadradas e retangulares são confor- quality steel”  esses tubos após tratamento térmi-
madas a frio através de equipamentos de perfilação co a temperaturas iguais ou superiores a 450 oC e
(quadradoras) como o apresentado na Figura 1.68- resfriados até a temperatura ambiente ao ar livre
b. Essa conformação pode ser feita tanto em tubos podem ser classificados como tubos conformados
sem costura como nos tubos com costura. a quente, sendo assim enquadrados na norma
ASTM A501.
Tubos circulares laminados a quente, sem costura
(ASTM A501), e que venham a ser conformados
a frio para obtenção de seções retangulares ou
quadradas passam a ser classificados como tubos 1.5.4 - Classificação das seções
conformados a frio, assim como os tubos soldados tubulares segundo as principais normas
internacionais
que passam por esse processo (ASTM A500).
Perfis tubulares estruturais usados em construções
on-shore são produzidos em diversos lugares do
mundo, utilizando uma variedade de normas que
abordam os processos de produção dos tubos, seja
por conformação a quente ou por conformação a
frio. Essas normas definem, além dos processos de
produção, tolerâncias dimensionais e proprieda-
des mecânicas, definições essas que interferem nas
propriedades geométricas das seções tubulares.

As implicações em usar um material produzido


Figura 1.68(a) por uma norma particular, para aplicações com
carregamento estático ou dinâmico, em diversas
situações não são consideradas, sendo, portanto,

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


uma preocupação o desempenho desses perfis.

No Brasil, as normas consideradas como de maior


relevância e de uso mais frequente são as normas
Europeias EN 10210-1:2006-07 e EN 10219-
1:2006-07, as americanas A500/A500M e A501,
a norma canadense G40.20-04.

De uma forma geral essas normas classificam os


tubos quanto ao processo de produção como con-
formados a quente ou conformados a frio, “Hot
Finished” ou “Cold Formed”, cuja principal dife-
Figura 1.68(b) rença para fins estruturais é o nível de tensões re-
Figura 1.68 - Tubos quadrados e perfiladora de tubos siduais existentes na seção transversal, no produto
final. Essa diferença irá implicar na definição da
57
curva de resistência à compressão a ser adotada no Já os tubos conformados a frio são produzidos à
dimensionamento de uma barra tubular. temperatura ambiente, a partir de seções com ou
sem costura. A norma ASTM A500, como nos
Para as normas europeias, os tubos estruturais casos anteriores, especifica os processos de pro-
“Hot Finished” são aqueles com seções transver- dução dos tubos, tolerâncias e propriedades me-
sais circulares, quadradas, retangulares ou elípti- cânicas requeridas nos diversos graus dos aços. É
cas, conformadas a quente ou as conformadas a importante destacar que, para o grau D, a norma
frio com subsequente tratamento térmico, que recomenda o tratamento térmico do tubo, à tem-
tenha como objetivo obter as condições metalúr- peratura de pelo menos 590 oC, por um tempo
gicas equivalentes às obtidas nos produtos lami- de uma hora por polegada de espessura de parede.
nados a quente.
A norma canadense G40.20-04 classifica como
A EN10210-1 é a atual norma europeia para seções tubulares classe “C” as seções tubulares
perfis tubulares laminados a quente, fabricados conformadas a frio provenientes tanto de um tubo
principalmente na Alemanha, França e Brasil. sem costura quanto por tubo com costura produ-
Esse material de granulação fina possui tensões zido por processo automático de solda elétrica
residuais baixas e está disponível em vários tama- continua. São classificados como seções classe H
nhos e espessuras, usando normalmente o grau os tubos sem costura ou os soldados produzidos
S355J2H, cujas propriedades mecânicas podem por solda contínua e processo automático de solda
ser encontradas na Tabela A3 do Anexo A da re- elétrica e conformados a quente para obtenção de
ferida norma. sua forma final, assim como os tubos sem costu-
ra ou os tubos soldados por processo contínuo de
Os tubos estruturais conformados a frio são os
solda e conformados a frio e posteriormente tra-
tubos estruturais com ou sem costura, circula-
tados termicamente a temperaturas de 450 0C ou
res, quadrados ou retangulares, cuja forma final é
superiores e resfriados no meio ambiente.
obtida à temperatura ambiente sem subsequente
tratamento térmico. A EN10219-1 é a atual nor- Salienta-se que, conforme a norma canadense
ma europeia para perfis tubulares estruturais for- G40.20-04, o fabricante pode ser solicitado a
mados a frio, feitos principalmente pelo processo fornecer dados representativos que mostrem que
ERW. As propriedades mecânicas e geométricas a relação entre a tensão média e a deformação
são muito parecidas com a EN10210. média, obtidas em um ensaio de compressão para
uma peça curta do tubo conformado a frio tratado
As dimensões, tolerâncias e propriedades geomé-
termicamente, é comparável à de igual seção de
tricas das seções são abordadas na Parte 2 dessas
tubo sem costura laminado a quente.
normas (EN 10210-2 e EN 10219-2).
Além das normas de tubos estruturais anterior-
Os processos de produção dos tubos estruturais
mente mencionadas, existem ainda a norma bra-
são descritos nas normas citadas anteriormente.
sileira ABNT NBR 8261:2010 para tubos estru-
Também as normas norte americanas classificam turais de seção transversal circular e retangular e as
os tubos estruturais por seu método de produ- normas ASTM A53, ASTM A106 e a API 5L, de
ção, como seções acabadas a quente cujos tubos tubos com seção transversal circular, destinadas a
estruturais devem ser produzidos por laminação dutos de condução (dutos que conduzem fluidos
a quente sem costura ou por um dos processos de sob pressão), que também são utilizados em apli-
soldagem especificados na norma ASTM A501. cações estruturais. As Tabelas 1.8 a 1.11 fornecem
as propriedades mecânicas mínimas dos principais
graus de aços utilizados.

58
Tabela 1.8 - Propriedades mecânicas dos tubos estruturais segundo a ABNT NBR 8261:2010

Propriedades Grau
Mecânicas A B C
TUBOS DE SEÇÃO CIRCULAR
fu (MPa) 310 400 427
fy (MPa) 228 290 317
TUBOS DE SEÇÃO RETANGULAR
fu (MPa) 310 400 427
fy (MPa) 269 317 345

Tabela 1.9 - Propriedades mecânicas dos tubos estruturais segundo a ASTM A53

Propriedades Grau
Mecânicas A B
fu (MPa) 330 415
fy (MPa) 205 240

Tabela 1.10 - Propriedades mecânicas dos tubos estruturais segundo a ASTM A106

Propriedades Grau
Mecânicas A B C
fu (MPa) 330 415 485
fy (MPa) 205 240 275

Tabela 1.11 - Propriedades mecânicas dos tubos estruturais segundo a API 5L

Propriedades Grau
Mecânicas A B X42 X46 X52 X56 X60 X65
fu (MPa) 335 415 415 435 460 490 520 535
fy (MPa) 210 245 290 320 360 390 415 450

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


1.6 - Tolerâncias os tubos quadrados e retangulares conformados a
dimensionais frio e que não foram tratados termicamente para
alívio de tensões.
As dimensões, tolerâncias e propriedades geo-
métricas dos tubos estruturais são definidas por As normas ASTM que abordam as dimensões e
normas internacionais, sendo que na Europa as tolerâncias dos tubos estruturais são a A500 e a
normas que abordam esses assuntos são a EN A501. A ASTM A500 é aplicável aos tubos sol-
10210-2 e a EN 10219-2. dados por resistência elétrica (tubos “ERW”) ou
aos tubos sem costura (laminados a quente) e
A EN 10210-2 se aplica aos tubos produzidos a posteriormente conformados a frio para obtenção
quente, como os laminados no Brasil pela Vallou- de sua forma final quadrada, retangular ou outra,
rec e aos tubos tratados termicamente para alívio sem posterior tratamento térmico para alívio de
de tensões, enquanto a EN 10219-2 é aplicável aos tensões, exceto para o grau D. De acordo com a
tubos produzidos a frio como os tubos soldados e referida norma, os produtos produzidos confor-
59
me esta especificação não devem ser empregados ser solicitada a remoção de rebarbas do lado ex-
em estruturas soldadas sujeitas a cargas dinâmicas, terno, do lado interno ou ambas;
etc., onde a tenacidade a baixa temperatura pode
ser importante. • certificado de conformidade do produto;

A ASTM A501 aplica-se aos tubos sem costu- • aplicação final do produto;
ra produzidos a quente como os laminados pela • condição de fornecimento (galvanizado ou não);
Vallourec ou soldados produzidos por solda con-
tínua executada em forno, sejam eles circulares, • outros requisitos especiais.
quadrados ou retangulares. Também se enqua-
dram nessa norma os tubos soldados por resistên- É importante destacar que pode ocorrer que nem
cia elétrica ou arco submerso produzidos a frio, todas as bitolas listadas nas normas EN 10210-2 e
e posteriormente conformados a quente para ob- EN 10219-2 são produzidas pelos fabricantes de
tenção de sua forma final, ou aqueles que após tubos, mesmo na Europa, e por esse motivo deve-
a conformação a frio são tratados termicamente se limitar aos produtos e respectivas características
para alívio de tensão. listadas nos catálogos dos fabricantes. Além disso,
seções especiais podem ser conformadas e nesses
O fornecimento de tubos estruturais deve atender casos as propriedades geométricas devem ser obti-
às especificações de compra fornecidas ao fabri- das pelas expressões fornecidas neste capítulo.
cante na colocação do pedido, especificações essas
que devem ser baseadas nas prescrições das refe- As características e imperfeições dimensionais e
ridas normas, ou outras similares, que atendam de forma dos tubos estruturais são apresentadas
aos requerimentos do projeto. Normalmente são na Figura 1.69 e devem estar limitadas às tolerân-
exigidas as seguintes informações mínimas para a cias apresentadas nas Tabelas 1.12 a e 1.12-b para
colocação do pedido: especificações conforme as normas EN 10210-2
e EN 10219-2 e Tabelas 1.12-c e 1.12-d para as
• quantidade (preferivelmente em metros); normas ASTM A501 e ASTM A500.
• designação do material: Para fins deste livro, adotar-se-á apenas a desig-
nação de tubo retangular (TR) sem mencionar os
»» norma de referência e respectivo grau do aço;
tubos quadrados (TQ), por serem estes um caso
• Processo de produção: particular dos tubos retangulares, onde a altura
“h” e a base “b” do tubo retangular são iguais.
»» tubo sem costura;
As dimensões externas dos tubos devem ser medi-
»» tubo com costura; das a uma distância mínima “d” da extremidade
da barra para as seções circulares e “h” para as se-
• dimensões (diâmetro externo e espessura de pa- ções retangulares, com um mínimo de 100 mm.
rede para seções circulares dimensões externas
e espessura de parede para seções quadradas e As medições de dimensões da seção transversal
retangulares); para os tubos circulares (diâmetro d) e dimensões
externas dos tubos quadrados e retangulares (b &
• comprimento (faixa, múltiplos ou fixos) - o so- h) devem ser feitas de forma direta com o uso de
licitante deve estabelecer na ordem de compra o paquímetro ou, para tubos de seção circular, com
tipo de comprimento do fornecimento; “circumference tape”- fita de aço graduada para di-
• condições de extremidade. Normalmente os
âmetro, a critério do fabricante.
tubos estruturais são fornecidos com corte reto
nas extremidades. Para tubos com costura pode
60
Seção Transversal Circular Retangular

Dimensões Externas

Espessura de Parede

Retilineidade

Ovalização

Perpendicularidade
dos Lados

re
Raio de Canto c2

c1

Concavidade/ Convexidade Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

Torção

Figura 1.69 - Imperfeições de forma e retilineidade de tubos estruturais


61
Na Figura 1.70 encontram-se indicadas as posi-
ções recomendadas para a medição das dimensões
“b”, “h” e “t” dos tubos de seção transversal qua-
drada e retangular.

h,b
C1

C2
t
h,b

Figura 1.70 - Posição para medição das dimensões h, b & t para


as seções tubulares retangulares

A ovalização dos tubos estruturais de seção transver-


sal circular deve ser calculada pela equação a seguir
apresentada, expressa em termos de percentagem:
Figura 1.71 - Concavidade e convexidade

d max- d min A deformação da retilineidade “e” do tubo estrutural,


O(%) = × 100 (1.44)
d expressa em percentagem é calculada como a seguir
apresentado e deve ser medida do ponto de desvio
A concavidade (x1) e a convexidade (x2) das faces máximo até a linha que une as duas extremidades
dos tubos estruturais retangulares devem ser me- do tubo estrutural (ver Figura 1.69), sendo ℓ o com-
didas conforme apresentado na Figura 1.71 e ex- primento de fornecimento do tubo pelo fabricante.
pressa em porcentagem, calculada pelas expressões
ℯ (1.46)
a seguir apresentadas: ×100
ℓ𝓁𝓁
x1 x2 x1 x2 Os raios de canto externos dos tubos estruturais
x 100%;     x 100%;     x 100%;     x 100%
b b h h retangulares devem ser medidos com calibrador
(1.45) de raio (“radius gauge”) ou pela medida da distân-
cia entre a intersecção da face plana com o arco
Onde “b” e “h” são as dimensões dos lados que de canto e as projeções dos lados planos (C1 e C2),
contêm a concavidade x1 ou a convexidade x2. conforme Figuras 1.70 e 1.71.

A torção (V ) da seção transversal dos tubos estrutu-


rais de seção retangular deve ser determinada confor-
me apresentado na Figura 1.69, onde o tubo deve ser
colocado em uma superfície horizontal com um lado
de sua extremidade pressionado contra a superfície
plana. Na extremidade oposta do tubo a diferença de
altura dos dois cantos inferiores da superfície hori-
zontal (V ) deverá ser medida conforme Figura 1.69.
Alternativamente pode-se executar a referida medição
com o auxílio de nível de bolha (“spirit level”) confor-
me apresentado na EN 10210-2 e EN 10219-2.
62
Tabela 1.12(a) Tolerâncias dimensionais para tubos estruturais laminados a quente ou soldados e conformados a quente conforme EN
10210-2 (2006)

Seção Transversal

Tolerância Circular Retangular


(TC) (TR)
± 1% com mínimo de
Dimensões Externas
±0,5 mm e máximo de ± 1% com mínimo de ±0,5 mm
(d, b, h)
± 10 mm
A espessura mínima de parede não deverá estar, em nenhum ponto, mais que 12,5%
Espessura de Sem Costura abaixo da espessura nominal especificada, em área não superior a 25% da circunferência
Parede e limitada à tolerância positiva de peso.
(t) -10%
Com Costura
Desvios positivos são limitados pela tolerância de massa
Massa Sem Costura - 6% / +8%
(ma ) Com Costura ± 6% por tubo
Retilineidade (e) 0,002 L limitado a 3 mm em qualquer comprimento de 1m
Faixa
4.000 ≤ L ≤ 16.000 10% das seções fornecidas poderão estar abaixo do mínimo para o intervalo solicitado,
para uma variação de 2000 mas não menor do que 75% do comprimento mínimo do intervalo.
por item da encomenda
Compri- Aproximado
±500 mm
mento 4.000 ≤ L ≤ 16.000
(L)
Fixo
-0 / +10 mm
2.000 ≤ L ≤ 6.000 -0 / +15 mm
> 6.000

d
≤100→2%
Ovalização (O) t -
d
>100→ acordada
t
Perpendicularidade dos Lados (θ) - 90º ± 1º
Raio Externo (C1 , C2 ou re ) - Máximo 3t
Concavidade/Convexidade (x1 , x2 ) * - 1%
Torção (V) - 2mm + 0,5mm/m

(*) A tolerância na concavidade e convexidade é independente da tolerância da dimensão externa.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

63
Tabela 1.12(b) Tolerâncias dimensionais para tubos estruturais soldados conformados a frio conforme EN 10219-2 (2007)

Seção Transversal
Tolerâncias Circular Retangular
(TC) (TR)

h, b < 100 → ± 1% com mín. de ± 0,5mm


Dimensões Externas ±1% com mínimo de ±0,5mm
100 ≤ h, b ≤ 200 → ± 0,8%
(d, b, h) e máximo de ±10mm
h,b > 200 → ± 0,6%

Para d ≤ 406,4mm:
t ≤ 5mm→±10%
Espessura de Parede t > 5mm→±0,5mm t ≤ 5 mm → ± 10%
(t ) t > 5mm → ± 0,5 mm
Para d > 406,4mm:
±10 com máximo de ±2mm
Massa (ma ) ± 6% por tubo
0,002L limitado a 3mm em
Retilineidade ( e ) qualquer comprimento de 1 m 0,0015L limitado a 3 mm em qualquer comprimento de 1m

Faixa
4.000 ≤ L ≤ 16.000
10% das seções fornecidas poderão estar abaixo do mínimo para o intervalo solicitado, mas não
para uma variação
menor do que 75% do comprimento mínimo do intervalo.
de 2000 por item
da encomenda
Compri-
Aproximado
mento -0 / +50mm
L ≥ 4.000
(L)
Fixo (*)
-0 / +5mm
L < 6.000 -0 /+15mm
6.000 ≤ L ≤ 10.000 -0 / +5mm+1mm/m
L >10.000
d
≤100→2%
Ovalização (O ) t -
d
>100→ acordada
t
Perpendicularidade dos Lados
- 90° ± 1°
𝜃𝜃
Espessura Raio de canto
Raio Externo (C1 , C2 ou re ) - t ≤ 6mm 1,6t a 2,4t
6mm < t ≤ 10mm 2,0t a 3,0t
10mm > t 2,4t a 3,6t
Concavidade / Convexidade Máximo 8% com mínimo de 0,5mm
-
x1 ; x2 (**)
Torção V - 2 mm + 0,5mm/m de comprimento
(*) Comprimentos normalmente encontrados são de 6 m e 12 m
(**) A tolerância de concavidade e convexidade é independente da tolerância de dimensões externas.

64
Tabela 1.12(c) Tolerâncias dimensionais para tubos estruturais laminados a quente ou soldados e conformados a quente conforme ASTM A501 - 07

Tolerância Seção Transversal


Circular d ≤ 48,3mm → +0,4mm - 0,79mm
d ≥ 60,3mm → ± 0,01d
h ≤ 63,5mm → ± 0,51mm
Dimensões Externas
63,5mm < h ≤ 88,9mm → ± 0,64mm
(d, b, h) Retangular
88,9mm < h ≤ 139,7mm → ± 0,76mm
139,7mm < h ≤ 254mm → ± 0,01h
h > 254mm → 0,02h
Circular e
Espessura (t ) -
Retangular
Circular e
Massa (ma ) -3,5% do peso teórico
Retangular
Circular
Retilineidade (e ) 2,08mm/m
Retangular

Para Comprimentos Fixos:


Circular
Comprimento (L) L ≤ 6,7m → -6,4mm + 12,7mm
Retangular
6,7m < L ≤ 13,4m → -6,4mm + 19,0mm

Circular
Ovalização (O ) -
Retangular
Perpendicularidade dos
Retangular 90° ± 2°
Lados θ
Raio Externo
Retangular re ≤ 3t
(C1 , C2 ou re )

Concavidade e As variações de Dimensões Externas admissíveis incluem provisões


Retangular
Convexidade x1 ; x2 para convexidade e concavidade.

h ≤ 38,1mm → 1,39mm
38,1mm < h ≤ 63,5mm → 1,72mm
63,5mm < h ≤ 101,6mm → 2,09mm
Torção V Retangular
101,6mm < h ≤ 152,4mm → 2,42mm
152,4mm < h ≤ 203,2mm → 2,78mm
h ≥ 203,2mm → 3,11mm

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

65
Tabela 1.12(d) Tolerâncias dimensionais para tubos estruturais laminados a quente ou soldados e conformados a quente conforme ASTM A500 -10a

Tolerância Seção Transversal


d ≤ 48,3 mm: ±0,5% (arredondamento 0,1mm)
Circular d ≥ 50 mm: ±0,75% (arredondamento 0,1mm)
As medidas devem ser feitas a pelo menos 5cm da extremidade do tubo
Dimensões Externas
h ≤ 65mm → ± 0,5mm
(d, b, h)
65mm < h ≤ 90mm → ± 0,6mm
Retangular
90mm < h ≤ 140mm → ± 0,8mm
(1)
h ≥ 140mm → ± 0,01h
As tolerâncias especificadas incluem a concavidade e convexidade
Circular
Espessura (t ) ±10 %
Retangular
Circular
Massa (ma ) -
Retangular
Circular
Retilineidade (e ) 2 mm/m
Retangular

Para Comprimentos Fixos:


Circular
Comprimento (L ) L ≤ 6,5m → - 6mm +13mm
Retangular
L > 6,5m → - 6mm +19mm
Circular
Ovalização (O ) -
Retangular
Perpendicularidade
Retangular 90° ± 2°
dos Lados Ɵ
Raio de Canto
Retangular re ≤ 3t
(C1 , C2 ou re )
As tolerâncias especificadas nesta tabela para “Dimensões Externas” contemplam à
Concavidade
Retangular concavidade e convexidade.
Convexidade x1 ; x2
h, b ≤ 40→1,3mm
40mm < h, b ≤ 65mm → 1,6mm
65mm < h, b ≤100mm → 1,9mm
Torção V Retangular
100mm < h, b ≤ 150mm → 2,2mm
150mm < h, b ≤ 200mm → 2,5mm
h, b ≥200mm → 2,8mm

(1) As tolerâncias para “Dimensões Externas” apresentadas na Tabela 1.12-d para tubos retangulares se aplicam também ao lado
h
menor dos tubos retangulares que possuem relação < 1,5 , incluindo-se ai os tubos quadrados. Quando esta relação for maior ou
b
igual a 1,5 a tolerância do lado menor deve ser conforme a seguir :
h
a) quando 1,5 < ≤ 3,0 aplicar para o lado menor a tolerância do lado maior multiplicada por 1,5
b
h
b) quando > 3,0 aplicar para o lado menor a tolerância do lado maior multiplicada por 2,0
b

Para os tubos estruturais retangulares conformados a frio, provenientes de tubos circulares laminados a quente,
como os produzidos pela Vallourec, as tolerâncias de parede e da massa a serem consideradas devem ser conforme o
produto que deu origem ao tubo, ou seja, conforme a EN 10210-2 e as demais tolerâncias conforme a norma EN
10219-2.

66
Tabela 1.12(e) Tolerâncias dimensionais para tubos de aço-carbono, formado a frio, com e sem solda, de seção circular, quadrada ou retan-
gular para usos estruturais - ABNT NBR 8261

Tolerância Seção Transversal


d ≤ 65 mm: ± 0,5mm
Circular 65mm< d ≤ 90 mm: ± 0,75%
(1) 90mm < d ≤ 140 mm: ± 0,75%
Dimensões Externas 140mm < d : ± 0,75%
(d, b, h) b, h ≤ 65 mm: ± 0,5mm
Retangular 65mm< b, h ≤ 90 mm: ± 0,6mm
(1) 90mm< b, h ≤ 140 mm: ± 0,8mm
140mm< b, h : ± 1%)
Circular
Espessura (t ) ±12,5 %
Retangular
A massa real do tubo não deve exceder a ±10% da massa teórica calculada pela expressão:
Circular
Massa (ma ) M=7,85 x 103 x St
Retangular
Onde M é a massa teórica em kg/m e St é a área da seção transversal, em mm2
Circular
Retilineidade (e ) 2,5 mm/m
Retangular

Circular
Comprimento (L ) -0 / +100mm
Retangular

Circular
Ovalização (O ) -
Retangular

Esquadros dos lados Retangular ±20 do ângulo reto

Raio de Canto
Retangular re ≤ 3t
(C1 , C2 ou re )

Concavidade
Retangular Incluída na tolerância das dimensões externas
Convexidade x1 ; x2
h, b ≤ 38mm → 1,3mm/m
38mm < h, b ≤ 63,5mm → 1,6mm/m
63,5mm < h, b ≤ 101,6mm → 1,9mm/m
Torção V Retangular
101,6mm < h, b ≤ 152,4mm → 2,2mm/m
152,4 < h, b ≤ 203,2mm → 2,5mm/m
h, b ≥ 203,2 → 2,8mm/m

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


(1) • As medições devem ser feitas em posições localizadas a pelo menos 100mm das extremidades;
• Excluindo os tubos de seção circular, as tolerâncias incluem a margem para abaulado, convexidade ou concavidade;
• Para tubos de seção retangular, as tolerâncias das dimensões do lado maior devem ser aplicadas também para o lado menor.

67
1.7 - Elementos estruturais
mistos de aço e concreto
1.7.1 - Generalidades
Denomina-se elemento misto de aço e concreto
aquele no qual um perfil de aço (laminado, solda-
do ou formado a frio) trabalha em conjunto com o
concreto armado, formando um pilar misto, uma
viga mista (tubular ou treliçada), uma laje mista
ou uma ligação mista. Os perfis tubulares podem
ser utilizados na formação de pilares mistos pre-
enchidos com concreto (com ou sem armadura) e
de vigas mistas, nas quais o componente de aço é
um tubo (viga mista tubular) ou uma treliça (viga
mista treliçada ou treliça mista), como se vê na
Figura 1.72.

Figura 1.72(b) Vigas mistas tubular e treliçada


Figura 1.72 - Elementos mistos de aço e concreto com perfis
tubulares
A interação entre o concreto e o perfil de aço pode
se dar por meios mecânicos, como conectores de
cisalhamento (por exemplo, nas vigas mistas - Fi-
gura 1.73), por atrito (por exemplo, na região de
introdução de carga de pilares mistos) ou, em al-
guns casos, por simples aderência e repartição de
cargas (como em pilares mistos sujeitos apenas à
força normal de compressão). Uma estrutura mis-
ta é formada por um conjunto de elementos mis-
tos e é normalmente empregada na construção de
edifícios e pontes.

Figura 1.72(a) Pilares mistos preenchidos com concreto de seção


circular e quadrada

68
Figura 1.74 - Concretagem da laje em viga mista tubular com
conectores tipo “U” laminado

Além da variedade de opções disponíveis e a possi-


bilidade de obtenção de benefícios arquitetônicos
e econômicos, os elementos mistos apresentam
outras vantagens, listadas a seguir.
• Com relação às contrapartidas em concreto
armado:
Figura 1.73 - Conectores de cisalhamento tipo “U” »» possibilidade de dispensa de fôrmas
e pino com cabeça
e escoramentos;
A utilização de elementos mistos amplia considera-
»» redução do prazo de execução da obra;
velmente o leque de soluções em concreto armado
e em aço. Para exemplificar, nos pilares mistos, a »» redução do peso próprio e do volume da
contribuição do aço na capacidade resistente total estrutura, com consequente redução dos
pode chegar a 90% (ABNT NBR 8800:2008), custos de fundação;
com a possibilidade de se utilizarem diferentes ti-
pos de perfis e de aços estruturais, bem como di- »» aumento da precisão dimensional
ferentes disposições construtivas, em comparação da construção.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares


com as estruturas de concreto armado (ABNT
NBR 6118:2014), onde essa contribuição não ul- • Com relação às contrapartidas em aço:
trapassa 60%. Nas vigas mistas, os perfis metálicos »» redução considerável do consumo de aço
têm sua capacidade resistente e rigidez aumentadas estrutural;
consideravelmente pela laje de concreto sobreposta
(Figura 1.74). »» redução das proteções contra incêndio e
corrosão;
Nos pilares tubulares preenchidos com concre-
to, outra vantagem adicional é a não utilização »» aumento da rigidez da estrutura.
de fôrmas com consequente dispensa da etapa de
desfôrma e redução da quantidade de armadura.

69
1.7.2 Aplicação e vantagens dos elemen-
tos mistos
tubulares
O uso de elementos estruturais mistos vem ga-
nhando espaço no mercado da construção civil
no Brasil. Mesmo em edifícios cuja estrutura seja
construída primordialmente com aço, pode-se
afirmar que, em sua quase totalidade, as vigas são
projetadas e executadas como vigas mistas (desde,
evidentemente, que existam lajes de concreto). As
vigas mistas já são previstas em normas brasileiras
desde 1986, na primeira edição (em estados-limi-
tes) da ABNT NBR 8800.

Dado sua grande capacidade resistente ao fogo,


os pilares mistos e as vigas mistas de aço e con-
creto, tanto em temperatura elevada como em
temperatura ambiente, foram contemplados
na ABNT NBR 14323:1999. Posteriormente,
esses elementos, em temperatura ambiente, fo-
ram incorporados à ABNT NBR 8800:2008,
e na nova versão da NBR14323 (ABNT NBR
14323:2013) ficaram apenas os elementos em
temperatura elevada. Com a entrada em vigor da
nova norma brasileira ABNT NBR 16239:2013,
ampliou-se ainda mais a gama de soluções em
estrutura mista com indicações para cálculo de
vigas mistas com perfis tubulares, inclusive cir-
culares, e a incorporação de dispositivos especiais
para as regiões de introdução de cargas em pila-
res mistos tubulares (Figura 1.75).

Figura 1.75 - Dispositivos especiais para regiões de introdução de


carga em pilares mistos

Os pilares mistos tubulares possuem uma série


de vantagens em relação aos seus equivalentes em
aço, concreto armado ou mesmo outros tipos de
pilares mistos. Por estar situado no perímetro ex-
terno da seção, portanto na posição de maior dis-
tância em relação ao centro geométrico, o perfil
de aço atua de forma mais eficaz na resistência a
tensões de tração oriundas das imperfeições geo-
70
métricas iniciais (curvaturas e excentricidades) e As vigas mistas com perfis tubulares são normal-
do momento fletor solicitante, e contribui signifi- mente utilizadas pelo seu apelo estético, muito
cativamente para aumentar a rigidez do pilar. apreciado pelos arquitetos em edificações com
estrutura exposta. Além disso, reduz bastante a
O concreto, situado no interior do pilar, contribui área de pintura e de proteção contra incêndio,
bastante para resistir a tensões de compressão em comparativamente com as vigas construídas com
aplicações típicas e aumenta a capacidade de resis- perfis abertos. E, dada à sua grande rigidez à tor-
tência à flambagem local no perfil de aço, particu- ção, não é sujeita ao estado-limite de flambagem
larmente no de seção retangular. Adicionalmente, lateral com distorção, quando utilizada como
observa-se que o tubo de aço confina o núcleo de viga mista contínua ou semicontínua.
concreto, o que aumenta a resistência à compres-
são dos pilares com seção circular e a ductilida- As vigas mistas treliçadas com perfis tubulares
de daqueles com seção retangular, em contraste são normalmente as mais utilizadas, graças não
com os pilares de concreto, com armadura trans- apenas ao seu apelo estético, mas principalmente
versal, onde o lascamento (“spalling”) do concre- por razões de ordem econômica, pela facilidade
to é sempre uma possibilidade, particularmente de execução das ligações (em especial nas treliças
em situação de incêndio. Nos pilares mistos tubu- com banzo de seção retangular), pela menor área
lares esse fenômeno nunca ocorre por causa da pre- de pintura e pelo excelente comportamento es-
sença protetora do tubo de aço. trutural desse tipo de seção (Figura 1.77).

O uso de pilares mistos tubulares (Figura 1.76)


conduz ainda a outras vantagens econômicas. O
tubo serve de fôrma para o concreto, reduzindo os
custos de material e mão de obra. Em edifícios de
altura moderada a grande, a velocidade de cons-
trução é substancialmente maior que a de estru-
turas de concreto armado, considerando que os
elementos de aço são montados antecipadamente,
sendo seguidos pelos trabalhos em concreto, com
frente de serviço que engloba vários pavimentos.

Capítulo 1 - Considerações gerais sobre estruturas tubulares

Figura 1.76 - Edifício com pilares mistos de seção Figura 1.77 - Edifício comercial com emprego de vigas treliçadas
quadrada e circular mistas - banzo de seção retangular
71
A seguir, nas Figuras 1.78 a 1.80, são apresentados
alguns edifícios que foram construídos utilizando-
se elementos tubulares mistos de aço e concreto.

Figura 1.79 - Edifício comercial com emprego de vigas treliçadas


mistas - banzo de seção retangular

Figura 1.78 - Edifício Porto Atlântico - Rio de Janeiro, RJ

Figura 1.80 - Edifício DHF - Taubaté, sp


72
2
2.1. GENERALIDADES
AÇÕES, COMPORTAMENTO, SEGURANÇA,
MODELAGEM E ANÁLISE ESTRUTURAL

As ações variáveis se caracterizam por apresentar


valores que se modificam significativamente du-
Neste capítulo será fornecida uma visão geral rante a vida útil da estrutura, podendo ter natureza
elementar a respeito das ações que podem atuar e intensidade normais, ou natureza ou intensida-
nas estruturas e sobre comportamento, seguran- de especial. As de natureza e intensidade normais
ça, modelagem e análise estrutural, assuntos que possuem valores significativos durante uma parte
constituem a base para o desenvolvimento de importante da vida útil da estrutura, embora, em
qualquer projeto. No seu conteúdo, procurou se alguns períodos, possam ser até nulas. É o caso
referir às prescrições incluídas nas normas ABNT das ações devidas ao uso e ocupação da edifica-
NBR 8800:2008 e ABNT NBR 16239:2013, ção como sobrecargas em pisos e coberturas e as
com destaque para as estruturas treliçadas. decorrentes de equipamentos e divisórias móveis,
do vento usual e da variação da temperatura (cau-
sada pelo clima ou por equipamentos) e, ainda,
2.2. AÇÕES as ações truncadas (ações cuja superação do valor
máximo estipulado é restringida por um dispositi-
2.2.1. Definição e classificação vo físico, como a água das caixas d’água). As ações

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


As ações, definidas como quaisquer influências variáveis de natureza ou intensidade especial são
que produzam tensões, deformações ou movimen- transitórias, com tempo de duração diminuto em
tos de corpo rígido em uma estrutura, para efeito relação à vida útil da estrutura, e possuem valores
de projeto estrutural, são usualmente classificadas mais elevados que os das outras ações variáveis,
quanto à variabilidade com o tempo. Nesse modo como é o caso das ações originadas de sismos e de
de classificação, elas podem ser permanentes, vari- transporte de equipamentos de grande peso.
áveis ou excepcionais. As ações excepcionais possuem valores importantes
As ações permanentes se caracterizam por apresen- apenas durante uma fração muito pequena da vida
tar valores praticamente invariáveis durante a vida útil da estrutura e, além disso, têm baixa probabili-
útil da estrutura, podendo ser diretas ou indiretas. dade de ocorrência. É o caso das ações decorrentes
São ações diretas o peso próprio da estrutura e dos de explosões, de choques de veículos ou embarca-
componentes da construção como pisos, paredes ções, de ventos extraordinários (furacão, tornado),
permanentes, revestimentos e acabamentos, ins- de incêndio, de sismos excepcionais, etc.
talações, equipamentos fixos, etc., e os empuxos A Figura 2.1 exemplifica o comportamento com o
devidos ao peso próprio de terras não removíveis. decorrer do tempo das ações permanentes, variá-
São ações indiretas a protensão, os recalques de veis normais e especiais, e excepcionais.
apoio e a retração dos materiais.
73
Figura 2.1 - Variação das ações com o tempo

Neste livro não são abordadas as ações variáveis nece também os fatores de majoração das forças
especiais e as ações excepcionais (as ações variáveis gravitacionais e os valores das forças horizontais
citadas a partir de agora são as de natureza e inten- decorrentes de impactos do funcionamento de
sidade normais). equipamentos móveis, como elevadores, talhas e
pontes rolantes (essas solicitações são muitas vezes
fornecidas pelos fabricantes, mas não podem ser
2.2.2. Informações sobre os valores das adotados valores inferiores aos da norma).
ações permanentes e variáveis No caso do vento usual, uma ação variável tam-
As ações permanentes são obtidas a partir dos pe- bém bastante comum, para obtenção de suas for-
sos específicos dos materiais utilizados na edifica- ças sobre a estrutura, deve ser obedecida a norma
ção. A norma brasileira ABNT NBR 6120:1980 brasileira ABNT NBR 6123:1988.
fornece os valores de muitos materiais usuais.

As ações variáveis mais comuns são as sobrecargas 2.2.3. Significado dos valores das ações
nos pisos e coberturas das edificações, decorrentes
de pessoas, móveis, utensílios e veículos. As sobre- As normas e especificações, de modo geral, for-
cargas têm os seus valores mínimos previstos pela necem os valores característicos das ações. Para
já mencionada norma ABNT NBR 6120:1980. as ações permanentes, o valor característico AG,k
é o valor médio e, para as ações variáveis, o valor
A ABNT NBR 8800:2008 fornece, em seu Ane- característico AQ,k é aquele que tem entre 25%
xo B, prescrições complementares sobre as ações e 35% de probabilidade de ser ultrapassado no
variáveis, estabelecendo, por exemplo, valores sentido desfavorável durante a vida útil da edifi-
mínimos de sobrecarga nas coberturas comuns e cação, conforme ilustra, de modo simplificado,
nas lajes em fase de construção. Essa norma for- a Figura 2.2.

74
AG,k

Figura 2.2 - Valores das ações considerando a variação com o tempo

Nas ações variáveis definem-se ainda os valores 2.3.2. Estados-limites Últimos


frequente, AQ,fr, e quase permanente, AQ,qp, mos-
trados na Figura 2.2. O primeiro se repete cerca 2.3.2.1. Definição
de 105 vezes durante a vida útil da estrutura, po-
Os estados-limites últimos se relacionam com a
dendo, para fins práticos, ser tomado como igual
segurança estrutural. A ocorrência desse tipo de
ao produto do valor característico AQ,k pelo fator
estado-limite significa colapso, total ou parcial.
de redução y1 dado na Tabela 2.1, fornecida no
Subitem 2.3.2.3.1. O segundo se manifesta por

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


um tempo da ordem da metade da vida útil da
estrutura, podendo ser tomado como igual ao 2.3.2.2. Condição de Dimensionamento
produto do valor característico AQ,k pelo fator de
redução y2, também dado na Tabela 2.1. Na verificação dos estados-limites últimos, deve
ser atendida a relação:


2.3. MÉTODO DOS Sd
≤ 1,0 (2.1)
ESTADOS-LIMITES Rd
2.3.1. Fundamento
onde Sd é o esforço solicitante de cálculo (força
O Método dos estados-limites é um método de
axial de tração ou compressão, momento fletor ou
dimensionamento pelo qual uma estrutura é ve-
força cortante, ou ainda, em situações específicas,
rificada sob condições extremas, caracterizadas
uma tensão) que causa o estado-limite, e Rd o es-
pelos chamados estados-limites últimos e estados-
forço resistente de cálculo.
-limites de serviço.


75




Muitos estados-limites últimos podem também ser causados simultaneamente por mais de um esforço
solicitante, quando são empregadas expressões de interação do tipo:

k k2 kn 1 kn
 S d ,1  1 S   S d ,n 1   S d ,n 
1     2  d ,2   ...  n 1    n    1,0   (2.2)
R  R  R  R 
 d ,1   d ,2   d ,n 1   d ,n 

em que Sd,1 a Sd,n são os n esforços solicitantes de ações e, para as ações variáveis, também os valores
cálculo, Rd,1 a Rd,n os correspondentes esforços re- reduzidos. Observa-se que valores iguais ou su-
sistentes de cálculo e w1 a wn e k1 a kn fatores e periores ao característico não estão ocorrendo no
potências de ajuste oriundos de resultados de aná- mesmo intervalo de tempo para as ações variáveis.
lises numéricas e experimentais, respectivamente. Como são duas as ações variáveis, devem ser fei-
tas as duas combinações seguintes, uma para cada
ação variável considerada como principal:
2.3.2.3. Determinação dos Esforços Solicitantes - C1 = AG,k + AQ,sc,k + AQ,ve,red
de Cálculo
- C2 = AG,k + AQ,ve,k + AQ,sc,red
2.3.2.3.1. Fundamentos da Combinação de Ações
onde AG,k é o valor característico da ação perma-
Se apenas uma ação variável solicita a estrutura, a nente, AQ,sc,k e AQ,sc,red os valores característico e re-
combinação de ações a ser utilizada pode ser ob- duzido da sobrecarga, respectivamente, e AQ,ve,k e
tida pela soma do valor característico dessa ação AQ,ve,red os valores característico e reduzido da ação
com os valores característicos das ações perma- do vento. A combinação que fornece o maior efei-
nentes, que estão sempre presentes. to deve ser adotada e a outra desprezada.
Se atuar mais de uma ação variável, é imprová-
vel que todas estejam com valor igual ou superior
ao característico no mesmo intervalo de tempo,
durante a vida útil da edificação. Por essa razão,
considera-se que o efeito mais desfavorável do
conjunto de ações ocorre quando uma das ações
variáveis encontra-se com seu valor característico
e as outras com valores chamados de reduzidos
(inferiores ao característico em até 50%, depen-
dendo do tipo da ação). Deve-se considerar o
valor característico de cada ação variável, o que
conduz a tantas combinações diferentes quantas
forem as ações variáveis, sendo que a combinação
que produz o maior valor do efeito é adotada e as
demais desprezadas. A ação variável com o valor
característico na combinação é denominada ação
variável principal. A Figura 2.3 ilustra a atuação
ao longo do tempo da ação permanente, da sobre-
carga e do vento e os valores característicos dessas
76
Ações
variáveis

Figura 2.3 - Combinação de ações

Obtêm-se os valores reduzidos das ações variáveis efetuando-se o produto entre o valor característico e
o fator de combinação y0. O valor desse fator depende do tipo da ação, do local em que ela atua e, em
alguns casos, do elemento estrutural, e encontra-se na Tabela 2.1.

Tabela 2.1 - Fator de combinação das ações variáveis y0 e fatores de redução y1 e y2

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Ações y0 y1 y2
Locais em que não há predominância de pesos e de equipamentos que perma-
necem fixos por longos períodos de tempo, nem de elevadas concentrações de 0,5 0,4 0,3
pessoas a)
Ações variáveis
causadas pelo uso e Locais em que há predominância de pesos e de equipamentos que perma-
necem fixos por longos períodos de tempo, ou de elevadas concentrações de 0,7 0,6 0,4
ocupação pessoas b)

Bibliotecas, arquivos, depósitos, oficinas e garagens e sobrecargas em coberturas 0,8 0,7 0,6

Vento Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral 0,6 0,3 0


Temperatura Variações uniformes de temperatura em relação à média anual local 0,6 0,5 0,3
Passarelas de pedestres 0,6 0,4 0,3
Cargas móveis e seus Vigas de rolamento de pontes rolantes 1,0 0,8 0,5
efeitos dinâmicos Pilares e outros elementos ou subestruturas que suportam vigas de rolamento
0,7 0,6 0,4
de pontes rolantes
a)
Edificações residenciais de acesso restrito.
b)
Edificações comerciais, de escritórios e de acesso público.

77
2.3.2.3.2. Consideração dos Coeficientes de Ponde- onde:
ração na Combinação de Ações
AGi,k são os valores característicos das ações per-
No dimensionamento estrutural, as ações par- manentes;
ticipantes de uma combinação devem ser majo-
radas por coeficientes de ponderação, para que AQ1,k é o valor característico da ação variável consi-
sejam consideradas incertezas quanto aos valores derada como principal na combinação, conforme
característicos. Além disso, como o que interessa definida em 2.3.2.3.1 (lembra-se aqui que deve
na verificação do colapso estrutural são os efeitos ser uma combinação para cada ação variável con-
das ações, os coeficientes de ponderação também siderada como principal);
levam em conta incertezas relacionadas à intensi- AQj,k são os valores característicos das demais ações
dade desses efeitos obtidos da análise estrutural, variáveis, consideradas secundárias, que podem
que utiliza um modelo idealizado, especialmente atuar concomitantemente com a ação variável
no que se refere às dimensões das peças estruturais principal;
e aos graus de rigidez das ligações entre as barras e
dos apoios. Assim, os efeitos das ações, por exem- ggi, gq1 e gqj são os coeficientes de ponderação das
plo, os esforços solicitantes de cálculo, Sd, devem ações permanentes, da ação variável principal e
ser obtidos a partir de análise estrutural feita com das demais ações variáveis, respectivamente, geral-
a seguinte combinação de ações, chamada de mente maiores que 1,0, dados na Tabela 2.2;
combinação última de ações:
y0j são os fatores de combinação das ações, já
mencionados em 2.3.2.3.1 e dados na Tabela 2.1.

(2.3)

Tabela 2.2 - Coeficientes de ponderação das ações

Ações permanentes (gg )

Diretas
Peso próprio de
Peso próprio
Combinações estruturas molda-
de elementos Peso próprio de ele-
Peso próprio Peso próprio de das no local e de Indiretas
construtivos mentos construtivos
de estruturas estruturas pré-mol- elementos cons-
industrializados em geral e equipa-
metálicas dadas trutivos industria-
com adições “in mentos
lizados e empuxos
loco”
permanentes
1,25 1,30 1,35 1,40 1,50 1,20
Normais
(1,00) (1,00) (1,00) (1,00) (1,00) (0)
1,15 1,20 1,25 1,30 1,40 1,20
De construção
(1,00) (1,00) (1,00) (1,00) (1,00) (0)

Ações variáveis (gq )


Combinações
Efeito da tem- Demais ações variáveis, incluindo as
Ação do vento Ações truncadas
peratura a) decorrentes do uso e ocupação

Normais 1,20 1,40 1,20 1,50

De construção 1,00 1,20 1,10 1,30


a)
O efeito de temperatura não inclui o gerado por equipamentos, o qual deve ser considerado como ação decorrente do uso e ocupação
da edificação.
78
As incertezas variam em função do tipo de ação. ponderação igual a 1,40, quando as ações variáveis
Assim, as incertezas relacionadas às ações per- decorrentes do uso e ocupação atuando em pisos
manentes são menores que as relacionadas às e coberturas forem iguais ou inferiores, em valores
ações variáveis, e mesmo entre estas, as incer- característicos, a 5 kN/m2. O coeficiente de pon-
tezas também não são as mesmas. Dessa forma, deração das ações permanentes pode ser reduzido
diferentes coeficientes de ponderação são pres- para 1,35 se as ações variáveis superarem 5 kN/m2.
critos para diferentes tipos de ações. Existem Nas combinações de construção e especiais, os co-
ainda coeficientes diferentes para as chamadas eficientes citados devem ser tomados iguais a 1,30
“combinações últimas normais”, que são aquelas e 1,25, respectivamente.
que devem ser usadas para os estados-limites úl-
timos que podem ocorrer durante a vida útil da Caso as ações permanentes diretas que aumentam
edificação, após a obra ter sido finalizada, e para o valor do efeito procurado tenham sido agrupadas,
as “combinações últimas de construção”, que de- as ações variáveis que aumentam o valor desse efei-
vem ser usadas para os estados-limites últimos to podem, também, ser agrupadas, com coeficiente
que podem ocorrer durante a construção. de ponderação igual a 1,40, quando as ações variá-
veis decorrentes do uso e ocupação forem iguais ou
As ações permanentes possuem dois coeficientes inferiores, em valores característicos, a 5 kN/m2, ou
de ponderação. Um desses coeficientes é maior 1,50 quando isso não ocorrer. Nas combinações de
que 1,0 e deve ser usado quando a ação perma- construção e especiais, esses coeficientes são iguais
nente aumenta o valor do efeito procurado (nesse a 1,20 e 1,30, respectivamente.
caso, a ação permanente é chamada de “desfavorá-
vel à segurança”). O outro, mostrado na Tabela 2.2 Evidentemente, quando se opta por agrupar as
entre parênteses, é igual a 1,0 ou nulo e deve ser ações variáveis, pode-se ainda, para simplificar os
usado quando a ação permanente reduz o valor do cálculos, conservadoramente, tomar todos os fato-
efeito procurado (nesse caso, a ação permanente é res de combinação dessas ações como 1,0. Nesse
chamada de “favorável à segurança”). A existência caso, a combinação de ações se torna ainda mais
desses dois coeficientes para as ações permanentes simples, bastando multiplicar todas as ações per-
é essencial para a segurança, pois esse tipo de ação manentes diretas que aumentam o valor do efeito
procurado por um único coeficiente de ponde-

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


não pode ser excluído das combinações.
ração, e todas as ações variáveis também por um
As ações variáveis que reduzem o efeito procurado único coeficiente (deixa de existir a ação variável
devem ser excluídas das combinações, até porque principal e, obviamente, a necessidade de se efetu-
esse tipo de ação pode ter intensidade nula em de- ar uma combinação para cada ação variável consi-
terminados intervalos de tempo. derada como principal).

2.3.2.3.3. Consideração de Ações Agrupadas 2.3.2.4. Determinação dos Esforços Resistentes


de Cálculo
Para combinar as ações de modo mais simples,
as ações permanentes diretas podem ser ponde- Um esforço resistente de cálculo é dado por:
radas por um único coeficiente, bem como as
ações variáveis. Rk
Rd    (2.4)
Nas combinações normais, as ações permanen- 
tes diretas que aumentam o valor do efeito pro-
curado (“desfavoráveis à segurança”) podem ser onde g é o coeficiente de ponderação da resis-
consideradas todas agrupadas, com coeficiente de tência, e Rk é o esforço resistente nominal para o
79
estado-limite último em consideração. A divisão 1975; Ellingwood et al., 1982; Galambos et al.,
do esforço Rk pelo coeficiente g permite levar em 1982; Ang e Tang, 1984; Haldar e Mahadevan,
conta o fato de que tal esforço pode ser menor que 2000; EN 1990:2002; ANSI/AISC 360-10), os
o previsto, devido à variabilidade das proprieda- coeficientes de ponderação da resistência, os co-
des mecânicas do aço, e ainda devido a incertezas eficientes de ponderação e os fatores de combi-
relativas ao comportamento das peças no colapso, nação das ações são estabelecidos de forma que a
à execução da estrutura, às dimensões das seções probabilidade de ocorrência de um estado-limite
transversais das peças, etc. seja extremamente reduzida, situando-se dentro
de limites considerados aceitáveis.
O coeficiente de ponderação da resistência do aço
dos perfis estruturais é desmembrado em dois ou-
tros coeficientes, ga1 e ga2, com ga1 aplicável aos es-
tados-limites últimos relacionados ao escoamento 2.3.3. Estados-limites de Serviço
e à instabilidade (incluindo a flambagem) e ga2 aos 2.3.3.1. Definição
estados-limites relacionados à ruptura, com os se-
guintes valores: Os estados-limites de serviço se relacionam à ca-
pacidade da estrutura de desempenhar satisfato-
a1 = 1,10  (2.5) riamente as suas funções. Sua ocorrência pode
prejudicar a aparência e a funcionalidade de uma
a2 = 1,35  (2.6) edificação, o conforto dos ocupantes e o funcio-
namento de equipamentos, além de causar racha-
duras e trincas em alvenarias e danos diversos a
No caso dos elementos estruturais mistos, adota-se:
portas, esquadrias, janelas, etc., e a materiais de
- para o concreto: acabamento.

c = 1,40  (2.7)
2.3.3.2. Condição de Dimensionamento
- para o aço das barras de armadura:
Para que não ocorram estados-limites de servi-
ço, certos deslocamentos da estrutura, obtidos
s = 1,15  (2.8)
a partir de uma combinação de ações de serviço
(ver 2.3.3.3), não podem superar valores máxi-
Observa-se que o coeficiente de ponderação do mos permitidos, estabelecidos pela ABNT NBR
aço é menor que o do concreto, uma vez que as 8800:2008 com base em experiências pregressas
incertezas relacionadas ao primeiro, que é um ma- (ver 2.3.3.4 e 2.3.3.5).
terial homogêneo e praticamente isotrópico, são
inferiores às do segundo.

2.3.2.5. Segurança Estrutural 2.3.3.3. Determinação dos Deslocamentos

Os esforços solicitantes são grandezas probabilís- 2.3.3.3.1. Combinações de Ações de Serviço


ticas e, conforme explicitado anteriormente, su-
jeitos a incertezas de diversas naturezas. Assim, Os deslocamentos de uma estrutura, para verifi-
não existe garantia plena de que uma estrutura cação dos estados-limites de serviço, devem ser
seja absolutamente segura. No entanto, via con- determinados com base em combinações de ações
ceitos e métodos da Confiabilidade Estrutural, de serviço. Essas combinações, de acordo com seu
que não serão abordados aqui (ver Ang e Tang, período de atuação na estrutura, são classificadas
em quase permanentes, frequentes e raras.
80
As combinações quase permanentes são aquelas danos aos fechamentos. Nessas combinações, as
que podem atuar da ordem da metade do período ações permanentes ficam com seus valores carac-
de vida útil da estrutura e devem ser usadas quan- terísticos AG,k, a ação variável principal é tomada
do se verifica apenas a aparência, o que é feito em com seu valor característico AQ1,k e as demais ações
situações nas quais os deslocamentos não provo- variáveis com seus valores frequentes y1AQ,k:
quem danos a componentes da construção. Nes-
sas combinações, as ações permanentes ficam com
 
m n
seus valores característicos AG,k e as variáveis com C ra ,ser  ∑ AGi ,k  AQ 1,k  ∑  1 j AQj ,k  
seus valores quase permanentes y2AQ,k (produto i 1 j 2
do valor característico pelo fator de redução y2): (2.11)

Os valores dos fatores de redução y1 e y2, que


 
m n
C qp ,ser  ∑ AGi ,k  ∑  2 j AQj ,k   (2.9) permitem chegar aos valores quase permanentes
i 1 j 1
e frequentes das ações variáveis, são fornecidos na
Tabela 2.1, em função do tipo de ação variável.
As combinações frequentes são aquelas que se re- Evidentemente, ações variáveis que reduzem o
petem por volta de 105 vezes no período de vida efeito procurado devem ser excluídas das combi-
útil ou que têm uma duração de aproximadamen- nações (por exemplo, caso se esteja calculando a
te 5% desse período e devem ser usadas quando flecha de uma viga, de sentido gravitacional, ações
se verificam estados-limites reversíveis, ou seja, que causam translações de baixo para cima não
que não causem danos permanentes à estrutura entram nas combinações).
ou a outros componentes da construção, incluin-
do os relacionados ao conforto dos usuários e ao Para diversas situações, a ABNT NBR 8800:2008
funcionamento de equipamentos, tais como vi- estabelece a combinação de ações ou, às vezes, até
brações excessivas, movimentos laterais excessivos mesmo uma ação específica, que deve ser utilizada
que comprometam a vedação, empoçamentos em na verificação de um determinado deslocamento.
coberturas e aberturas de fissuras. Nessas combi- Em outras situações, a norma brasileira deixa a
nações, as ações permanentes ficam com seus va- cargo do responsável técnico pelo projeto estrutu-

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


lores característicos AG,k, a ação variável principal é ral analisar criteriosamente o problema e decidir
tomada com seu valor frequente y1AQ1,k (produto que combinação deve ser adotada. Por exemplo,
do valor característico pelo fator de redução y1) e se o único aspecto relevante a ser levado em con-
as demais ações variáveis com seus valores quase ta é a aparência, deve-se usar a combinação quase
permanentes y2AQ,k: permanente. Se um elemento estrutural suportar
somente componentes da edificação não sujeitos
à fissuração e se seu comportamento em serviço
 
m n
C fr ,ser  ∑ AGi ,k  1 AQ 1,k  ∑  2 j AQj ,k   for elástico, pode-se considerar o deslocamen-
i 1 j 2 to excessivo como um estado-limite reversível e
(2.10) usar a combinação frequente. Por outro lado, se
o elemento suportar componentes da edificação
As combinações raras são aquelas que podem atuar sujeitos à fissuração ou se seu comportamento em
no máximo algumas horas durante o período de serviço levar à ocorrência de deformações plásti-
vida útil da estrutura e devem ser usadas quando cas, deve-se entender seu deslocamento excessivo
se verificam estados-limites irreversíveis, ou seja, como um estado-limite irreversível e usar a com-
que causem consequências permanentes à estru- binação rara.
tura ou a outros componentes da construção, e
aqueles relacionados ao funcionamento adequado
da estrutura, tais como a formação de fissuras e
81
2.3.3.3.2. Valores dos Deslocamentos longa duração das ações permanentes (se houver),
d3 é o deslocamento devido às ações variáveis, in-
O cálculo dos deslocamentos, usando as com- cluindo, se houver, os efeitos de longa duração de-
binações de ações de serviço, pode ser feito por vidos aos valores quase permanentes dessas ações,
procedimentos como a teoria da linha elástica dmax é o deslocamento máximo da viga no estágio
e o princípio dos trabalhos virtuais. Quando a final de carregamento levando-se em conta a con-
estrutura possui muitas barras ou alto grau de traflecha e dtot é a soma de d1, d2 e d3 (no cálculo
hiperestaticidade, é recomendável usar um pro- dos deslocamentos verticais a serem comparados
grama de computador. com os valores máximos dados na Tabela 2.3, po-
de-se deduzir o valor da contraflecha da viga até
o limite do valor da flecha proveniente das ações
2.3.3.4. Valores dos Deslocamentos Permitidos permanentes). Os efeitos de longa duração (fluên-
e Ações a Serem Consideradas cia e retração do concreto) devem ser levados em
conta utilizando-se uma norma brasileira aplicá-
Os valores máximos para os deslocamentos verti- vel ou, na sua ausência, uma norma internacional
cais (usualmente flechas) e horizontais são dados ou, ainda, simplificadamente, multiplicando-se a
na Tabela 2.3. No caso dos deslocamentos verti- razão modular (razão entre os módulos de elastici-
cais, tais valores têm como referência uma viga dade do aço e do concreto) por 3 e ignorando-se a
birrotulada, mostrada na Figura 2.4, na qual d0 participação do concreto na zona tracionada para
é a contraflecha da viga, d1 é o deslocamento de- determinação dos deslocamentos provenientes das
vido às ações permanentes, sem efeitos de longa ações permanentes e dos valores quase permanen-
duração, d2 é o deslocamento devido aos efeitos de tes das ações variáveis.

Figura 2.4 - Deslocamentos verticais a serem considerados

82
Tabela 2.3 - Deslocamentos máximos

a)
Descrição δ
L/180 b)
- Travessas de fechamento
L/120 c) d)
L/180 e)
- Terças de cobertura g)
L/120 f)

- Vigas de cobertura g) L/250 h)

- Vigas de piso L/350 h)

- Vigas que suportam pilares L/500 h)

Vigas de rolamento: j)
- Deslocamento vertical para pontes rolantes com capacidade nominal inferior a 200 kN L/600 i)
- Deslocamento vertical para pontes rolantes com capacidade nominal igual ou superior a 200 kN, exceto pontes
siderúrgicas L/800 i)
- Deslocamento vertical para pontes rolantes siderúrgicas com capacidade nominal igual ou superior a 200 kN
- Deslocamento horizontal, exceto para pontes rolantes siderúrgicas L/1000 i)
- Deslocamento horizontal para pontes rolantes siderúrgicas L/400
L/600
Galpões em geral e edifícios de um pavimento:
- Deslocamento horizontal do topo dos pilares em relação à base H/300
- Deslocamento horizontal do nível da viga de rolamento em relação à base H/400 k) l)
Edifícios de dois ou mais pavimentos:
- Deslocamento horizontal do topo dos pilares em relação à base H/400
- Deslocamento horizontal relativo entre dois pisos consecutivos h/500 m)

a)
L é o vão teórico entre apoios ou o dobro do comprimento teórico do balanço, H é a altura total do pilar (distância do topo à base) ou
a distância do nível da viga de rolamento à base, h é a altura do andar (distância entre centros das vigas de dois pisos consecutivos ou

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


entre centros das vigas e a base no caso do primeiro andar).
b)
Deslocamento paralelo ao plano do fechamento (entre linhas de tirantes, caso estes existam).
c)
Deslocamento perpendicular ao plano do fechamento.
d)
Considerar apenas as ações variáveis perpendiculares ao plano de fechamento (vento no fechamento) com seu valor característico.
e)
Considerar combinações raras de serviço, utilizando-se as ações variáveis de mesmo sentido que o da ação permanente.
f)
Considerar apenas as ações variáveis de sentido oposto ao da ação permanente (vento de sucção) com seu valor característico.
g)
Deve-se também evitar a ocorrência de empoçamento, com atenção especial aos telhados de pequena declividade.
h)
Caso haja paredes de alvenaria sobre ou sob uma viga, solidarizadas com essa viga, o deslocamento vertical também não deve exceder a
15 mm.
i)
Valor não majorado pelo coeficiente de impacto.
j)
Considerar combinações raras de serviço.
k)
No caso de pontes rolantes siderúrgicas, o deslocamento também não pode ser superior a 50 mm.
l)
O diferencial do deslocamento horizontal entre pilares do pórtico que suportam as vigas de rolamento não pode superar 15 mm.
m)
Tomar apenas o deslocamento provocado pelas forças cortantes no andar considerado, desprezando-se os deslocamentos de corpo
rígido provocados pelas deformações axiais dos pilares e vigas.

83
Embora os deslocamentos permitidos nas vigas se máximo do piso, desprezando as possíveis contra-
refiram a barras birrotuladas, eles podem ser usa- flechas das vigas, for menor que 20 mm;
dos em vigas com outras condições de contorno.
A única exceção diz respeito às vigas em balanço, b) nos pisos em que as pessoas saltam ou dan-
em que a flecha a ser limitada é o deslocamento çam de forma rítmica, como os de academias de
vertical na extremidade livre e o vão L a ser consi- ginástica, salões de dança, ginásios e estádios de
derado é igual a duas vezes o comprimento teórico esportes, a menor frequência natural não pode
do balanço (ver nota “a” da Tabela 2.3). ser inferior a 6 Hz, ou a 8 Hz se a atividade for
muito repetitiva, como ginástica aeróbica. Essas
Adicionalmente, para galpões em geral e edifícios condições ficam satisfeitas se o deslocamento
de um pavimento com paredes de alvenaria, deve vertical máximo, desprezando as possíveis con-
ser limitado o deslocamento horizontal (perpen- traflechas das vigas, for menor que 9 mm ou
dicular à parede) da estrutura, de forma que a 5 mm, respectivamente.
abertura da fissura que possa ocorrer na base da
parede não supere 1,5 mm, considerando a parede No cálculo do deslocamento vertical máximo do
como painel rígido (Figura 2.5). piso (nível mais baixo atingido pelo piso em rela-
ção ao nível antes de atuar o carregamento, consi-
derando os deslocamentos de vigas principais, se-
cundárias e apoios, conforme ilustra a Figura 2.6),
devem-se usar combinações frequentes de ações de
serviço, por se tratar de um estado-limite reversí-
vel, e considerar todas as vigas do piso como bir-
rotuladas (mesmo que possuam outras condições
de contorno). Além disso, pode-se excluir a parcela
dependente do tempo das ações permanentes.

Nível do piso
descarregado
Figura 2.5 – Deslocamento de parede como painel rígido

2.3.3.5. Limites para Vibrações em Pisos

Nos pisos de edifícios, deve-se efetuar análise di-


nâmica para verificar a possibilidade de ocorrência
de vibrações excessivas. Alternativamente, a ABNT dv,max= deslocamento vertical máximo
do piso, incluindo as contribuições
NBR 8800:2008 recomenda um método simplifi- das vigas principais e secundárias e
cado, advertindo que, eventualmente, seu emprego dos pisos
pode não levar a um resultado satisfatório. Esse mé-
todo é constituído pelas seguintes regras:
Figura 2.6 – Deslocamento vertical de pisos
a) nos pisos em que as pessoas caminham regular-
mente, como os de residências e escritórios, a fre-
quência natural não pode ser inferior a 4 Hz. Essa
condição fica satisfeita se o deslocamento vertical
84
A análise estrutural deve ser feita com um modelo
2.4. ANÁLISE ESTRUTURAL realista, levando-se em conta as deformações das
barras causadas por momento fletor e força axial
2.4.1. Ideias Iniciais e, quando for relevante, também a deformação
Denomina-se análise estrutural a obtenção das causada por força cortante. Quando necessário, a
respostas da estrutura, expressas usualmente em interação solo-estrutura e o comportamento das
termos de esforços solicitantes, tensões e desloca- ligações devem ser contemplados no modelo.
mentos, a uma combinação de ações, por meio do
De modo geral, são empregados programas com-
estabelecimento de relações de equilíbrio.
putacionais para a execução da análise estrutural,
A análise estrutural é classificada como elástica de pois permitem obter soluções numéricas para es-
primeira ordem se as relações de equilíbrio são es- truturas com alto grau de indeterminação. Esses
tabelecidas com base na geometria indeformada (ou programas, desenvolvidos com base em soluções
original) da estrutura, e os materiais dos elementos numéricas, são em geral associados a pré e pós
estruturais são considerados com comportamento processadores gráficos que facilitam sua interação
sempre elástico-linear. Esse tipo de análise é o mais com o usuário, tornando confortável o lançamen-
simples e bastante familiar dos profissionais que mi- to estrutural e a visualização dos resultados, esses
litam na área de engenharia de estruturas. últimos na forma de diagramas de distribuição dos
esforços solicitantes, escalas de cores das tensões e
Se as relações de equilíbrio são estabelecidas com da estrutura deformada. No entanto, eles exigem
base na geometria deformada da estrutura, com conhecimento e experiência de modo a permitir
os materiais considerados com comportamento uma avaliação criteriosa, distinguindo os resul-
sempre elástico, a análise é classificada como elás- tados válidos daqueles que não correspondem ao
tica de segunda ordem. Esse tipo de análise é mais comportamento real da estrutura.
complexo, pois como a geometria deformada da
estrutura não é conhecida durante a formulação
das relações de equilíbrio, é necessário o emprego 2.4.2. Componentes Resistentes e Não
de um procedimento incremental-iterativo. Nesse Resistentes a Ações Horizontais

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


procedimento, a geometria deformada, obtida de
um ciclo de cálculos anterior, é usada como base É possível identificar, dentro de uma estrutura, su-
para a formulação das relações de equilíbrio do bestruturas que, devido à grande rigidez lateral, su-
ciclo de cálculos seguinte. portam a totalidade ou a quase totalidade das ações
horizontais atuantes. Essas subestruturas, que esta-
Neste capítulo, será considerado que a análise bilizam a edificação, são denominadas subestruturas
elástica de primeira ordem já é conhecida. Assim, de contraventamento, e podem ser (Figura 2.7):
será dada ênfase à análise elástica de segunda or-
dem, com apresentação de alguns conceitos rele- - pórticos em forma de treliça, também chamados
vantes sobre a mesma e de um método simplifica- de sistemas treliçados ou, simplesmente, de con-
do para sua execução indicado pela ABNT NBR traventamentos;
8800:2008. Nesse contexto, como complemento
importante, procurar-se-á apresentar uma visão - pórticos nos quais a estabilidade é assegurada
geral do comportamento dos sistemas estruturais pela rigidez à flexão das barras e pela capacidade
no que tange à estabilidade lateral das edificações de transmissão de momentos das ligações, conhe-
e à necessidade de se efetuar análise elástica de se- cidos simplesmente como pórticos;
gunda ordem. Análises estruturais fora do regime
- paredes de cisalhamento, incluindo-se os núcleos
elástico não serão abordadas, uma vez que não são
de concreto.
utilizadas na maior parte dos projetos.
85
Figura 2.7 – Subestruturas de contraventamento e elementos contraventados

Observa-se que as estruturas são, na realidade, tri- horizontais e cargas gravitacionais. A Figura 2.8
dimensionais, e precisam dispor de subestruturas mostra uma barra engastada em uma extremidade
de contraventamento que as estabilizam nas duas e livre na outra (barra em balanço), uma barra bir-
direções principais. rotulada e uma barra engastada-rotulada, exem-
plos típicos de elementos isolados.
As estruturas podem apresentar também compo-
nentes com capacidade nula ou desprezável de re-
sistir às ações horizontais, cuja função básica é de
conduzir as cargas gravitacionais até as fundações.
Esses componentes são denominados elementos
contraventados e, na Figura 2.7, são os compo-
nentes verticais que não fazem parte das subestru-
turas de contraventamento. A estabilidade lateral
dos elementos contraventados é proporcionada
pelas subestruturas de contraventamento, ou seja,
as forças que tendem a desestabilizar os elementos
contraventados são transferidas para as subestru- Figura 2.8 – Exemplos de elementos isolados
turas de contraventamento, e precisam ser consi-
deradas no dimensionamento destas últimas.

Podem ainda existir elementos que não dependem


das subestruturas de contraventamento para sua
estabilidade lateral, e que também não são usados
para estabilizar outros componentes estruturais.
Esses elementos recebem a denominação de isola-
dos, possuem um comportamento independente
do restante da estrutura e podem suportar ações
86
2.4.3. Análise de Segunda Ordem
2.4.3.1. Efeitos Global e Local de Segunda Ordem

O efeito global de segunda ordem ou efeito P-D, conhecido vulgarmente como efeito “pê-deltão”, é ca-
racterizado pelas respostas aos deslocamentos horizontais relativos das extremidades das barras, obtidas
com o equilíbrio na configuração deformada da estrutura. Como exemplo, será tomada a estrutura de
dois andares da Figura 2.9, constituída por um pórtico e por um elemento contraventado, submetida a
um conjunto de forças horizontais e cargas verticais, cujos primeiro e segundo andares apresentam deslo-
camentos horizontais iguais a D1 e D2, respectivamente.

Figura 2.9 – Efeito global de segunda ordem

Quando se considera a carga gravitacional total As forças horizontais totais resultantes nos níveis
no primeiro andar deslocada de D1 e a carga gra- inferior e superior dos dois andares são as dife-
vitacional total no segundo andar deslocada de renças entre as forças H0 nesses níveis, conforme
D2 em relação à posição original, surgem nesses se vê na Figura 2.9. Essas forças podem alterar os

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


andares momentos de segunda ordem, respectiva- valores dos esforços solicitantes nas extremidades
mente iguais a: das barras, especialmente o momento fletor.

O efeito local de segunda ordem ou efeito P-d, co-


M0,1 = (P1,2 + P2,2 + P3,2 + P1,1 + P2,1 + P3,1) 1 
nhecido como efeito “pê-deltinha”, é caracteriza-
(2.12)
do pelas respostas decorrentes dos deslocamentos
transversais de cada barra da estrutura submetida
M0,2 = (P1,2 + P2,2 + P3,2) (2  1)  (2.13)
à força axial. A Figura 2.10 ilustra esse efeito para
barras com curvatura simples e curvatura reversa.
Esses dois momentos podem ser transformados A força axial de compressão P atuante na barra
nas forças horizontais equivalentes, de sentidos provoca um aumento do momento fletor nas se-
opostos, no primeiro e no segundo andar, respec- ções transversais situadas entre as duas extremida-
tivamente, dadas por: des dessa barra, cujo valor máximo é igual ao pro-
duto P vezes d, onde d é o máximo deslocamento
M 0,1
H 0,1    transversal provocado pela curvatura da barra (lo-
h1 (2.14) gicamente, o aumento do momento é nulo nas
M 0,2 extremidades e variável ao longo do comprimen-
H 0,2    to da barra). Se a força axial for de tração, ocorre
h2 (2.15) uma redução do momento fletor.
87
especializadas executam essa análise, fornecendo
resultados bastante precisos. Alternativamente, a
ABNT NBR 8800:2008 apresenta um método
simplificado, denominado Método da Amplifica-
ção dos Esforços Solicitantes (MAES), segundo o
qual a análise de segunda ordem é simulada, com
precisão aceitável, a partir de duas análises de pri-
meira ordem.

2.4.3.2.2. Método da Amplificação dos Esforços


Solicitantes
Figura 2.10 – Efeito local de segunda ordem, P-d, em barras com
curvaturas simples e reversa Usando-se o MAES, a estrutura analisada, chama-
da de Estrutura Original, é inicialmente substitu-
Obviamente, o efeito local de segunda ordem afe- ída pela soma de duas outras, conforme se vê na
ta exclusivamente o valor do momento fletor. Figura 2.11: uma estrutura com o carregamento
total e com nós impedidos de se deslocar lateral-
mente, pela colocação de contenções horizontais
fictícias em cada andar, chamada de Estrutura
2.4.3.2. Métodos de Execução
nt (“no translation”, ou seja, indeslocável lateral-
2.4.3.2.1. Ideia Geral mente), e uma estrutura submetida às reações das
contenções fictícias aplicadas em sentido contrá-
A análise estrutural de segunda ordem pode ser rio, nos mesmos pontos onde tais contenções fo-
feita por qualquer método que considere os efei- ram colocadas, chamada de Estrutura ℓt (“lateral
tos global P-D e local P-d. Muitos programas translation”, ou seja, deslocável lateralmente).
computacionais comercializados por empresas

Estrutura Original Estrutura nt Estrutura ℓt

Figura 2.11 – Estrutura Original decomposta na Estrutura nt e na Estrutura ℓt

88
Em qualquer ponto da estrutura analisada, o mo- sendo Mnt,Sd,1/Mnt,Sd,2 a relação entre o menor e o
mento fletor e a força axial solicitantes de cálculo, maior dos momentos fletores solicitantes de cál-
respectivamente MSd e NSd, são dados por: culo na Estrutura nt no plano de flexão, nas extre-
midades da barra, tomada como positiva quando
M Sd  B1 M nt ,Sd  B2 M t ,Sd   os momentos provocarem curvatura reversa e ne-
(2.16) gativa quando provocarem curvatura simples.

N Sd  N nt ,Sd  B2 N t ,Sd   Observa-se que valor de B1 é tanto maior quan-


(2.17)
to maior for o deslocamento d (ver Figura 2.10),
que depende do diagrama de momento fletor, re-
onde Mnt,Sd e Nnt,Sd são, respectivamente, o mo-
presentado pelo coeficiente Cm (notar, por exem-
mento fletor e a força axial solicitantes de cálculo,
plo, que Cm é maior na curvatura simples que na
obtidos por análise elástica de primeira ordem na
reversa), da força axial atuante, igual à soma de
Estrutura nt. Por sua vez, Mℓt,Sd e Nℓt,Sd são o mo-
Nnt,Sd e Nℓt,Sd (força maior provoca maior d), e da
mento fletor e a força axial solicitantes de cálculo,
rigidez da barra, representada pela força axial de
obtidos também por análise elástica de primeira
flambagem elástica Ne (quanto menor Ne, menor
ordem, na Estrutura ℓt.
a rigidez e maior d).
O coeficiente B1, que aparece na Equação (2.16),
O coeficiente B2, que aparece nas Equações (2.16)
tem o objetivo de considerar, em todas as barras
e (2.17), tem o objetivo de considerar, em todos
da estrutura (cada barra possui um B1), o efeito
os andares da estrutura (cada andar possui um B2),
local P-d no valor do momento fletor (a rigor,
o efeito global P-D nos valores do momento fletor
conforme foi explicitado anteriormente, esse efei-
e da força axial, e é dado por:
to é variável ao longo do comprimento da barra e
nulo nos nós, mas por simplicidade e conservado-
1
ramente, é considerado com sua intensidade má- B2 =
xima em toda a barra). Seu valor deve ser tomado 1 ∆ ∑  PSd
1- R   h  
como igual a 1,0 se a força axial que atua na barra S h ∑  HSd (2.20)
for de tração e, se essa força for de compressão,

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


como igual a: onde:

Dh é o deslocamento horizontal relativo entre


Cm
B1  ≥ 1,0   os níveis superior e inferior (deslocamento in-
N nt ,Sd  N t ,Sd terpavimento) do andar considerado, obtido na
1
Ne (2.18)
Estrutura ℓt (se Dh possuir valores diferentes em
um mesmo andar, deve ser tomado um valor
onde Ne é a força axial que provoca a flambagem ponderado para esse deslocamento, em função
elástica por flexão da barra no plano de atuação da proporção das cargas gravitacionais atuantes,
do momento fletor, calculada com o comprimen- ou ser assumido, de modo conservador, o maior
to real L da barra (Ne = p2EaI/L2) e Cm é um coe- valor);
ficiente de equivalência de momentos, igual a 1,0 Rs é um coeficiente que leva em conta a influ-
se houver forças transversais entre as extremidades ência do efeito local P-d na amplificação de Dh,
da barra no plano de flexão e, se não houver forças igual a 0,85 nas estruturas onde pelo menos
transversais, igual a: uma subestrutura de contraventamento seja
pórtico, e igual a 1,0 nas demais estruturas;
M nt ,Sd ,1
Cm  0,60  0,40  
M nt ,Sd ,2 h é a altura do andar;
(2.19)
89
SPSd é a carga gravitacional de cálculo total coeficientes B1 e B2 não entram em seu cálculo),
que atua no andar considerado, englobando as ou seja, igual ao da Estrutura Original ou igual a:
cargas atuantes nas subestruturas de contraven-
tamento e nos elementos contraventados (essa VSd = Vnt,Sd + Vt,Sd
carga é obtida da Estrutura Original ou da Es- (2.21)
trutura nt);
onde Vnt,Sd e Vℓt,Sd são, respectivamente, as forças
SHSd é a força cortante no andar, produzida cortantes solicitantes de cálculo na Estrutura nt e
pelas forças horizontais de cálculo atuantes na na Estrutura ℓt.
Estrutura ℓt (forças oriundas das reações das
contenções horizontais fictícias), usadas para
determinar Dh. 2.4.4. Consideração dos Efeitos
de Imperfeições
O valor de B2 é tanto maior quanto maiores
forem os deslocamentos D e as forças gravita- 2.4.4.1. Tipos de Imperfeições
cionais SPSd. Os deslocamentos D têm maiores
valores quando a rigidez da estrutura a desloca- Na análise estrutural, devem também ser consi-
mentos laterais é pequena, ou seja, quando as derados os efeitos das chamadas imperfeições ini-
relações Dh/h são elevadas. A força cortante no ciais. Essas imperfeições são de dois tipos: geomé-
andar, SHSd, não influi no resultado, uma vez tricas e de material.
que a relação Dh/SHSd é constante.
2.4.4.2. Imperfeições Geométricas
As deduções dos valores de B1 e B2, dados pelas
O efeito das imperfeições geométricas iniciais
Equações (2.18) e (2.20), respectivamente, po-
precisa ser considerado na análise da estrutura
dem ser obtidas em diversas publicações, entre as
por causa de possíveis desaprumos de monta-
quais Salmon et al. (2009).
gem. Para tal, considera-se, em cada andar, um
A força cortante solicitante de cálculo pratica- deslocamento horizontal relativo entre os níveis
mente não sofre influência dos efeitos de segunda inferior e superior (deslocamento interpavimen-
ordem, razão pela qual seu valor pode ser tomado to) de h/333, onde h é a altura do andar, confor-
igual ao da análise elástica de primeira ordem (os me ilustra a Figura 2.12.

Figura 2.12 – Imperfeições geométricas iniciais da estrutura


90
Para facilitar a consideração prática do efeito das imperfeições geométricas iniciais na análise estrutural, esse
efeito pode ser levado em conta por meio da colocação, em cada andar, de uma força horizontal fictícia, deno-
minada força nocional (Fnd), igual 0,3% das cargas gravitacionais de cálculo totais aplicadas no próprio andar,
incluindo as das subestruturas de contraventamento e dos elementos contraventados (Figura 2.13).

Figura 2.13 – Forças nocionais para consideração do efeito das imperfeições geométricas

O efeito das imperfeições geométricas iniciais deve 2.4.4.3. Imperfeições de Material


ser considerado em todas as direções relevantes da
estrutura, mas em apenas uma direção de cada vez. As barras que compõem a estrutura são normal-

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Assim, em uma estrutura com comportamento tri- mente dimensionadas com suas propriedades
dimensional, se forem utilizadas as forças nocionais, plásticas. Por essa razão, podem sofrer plastifica-
essas forças devem ser aplicadas nas duas direções ho- ções parciais, exacerbadas pelas tensões residuais
rizontais principais, mas não simultaneamente. Em presentes no aço e pela não linearidade do diagra-
cada direção, as forças devem ser aplicadas nos dois ma tensão versus deformação do concreto, que não
sentidos, com objetivo de obter os esforços solicitan- são detectadas na análise elástica, e que causam um
tes de cálculo mais desfavoráveis em cada uma das aumento dos deslocamentos e, como consequên-
barras da estrutura. cia, alteração nos valores dos esforços solicitantes
na análise de segunda ordem. Esse efeito, chama-
Para se evitar uma condição excessivamente conser- do de efeito das imperfeições iniciais de material,
vadora, o efeito das imperfeições geométricas não deve ser levado em conta na análise estrutural.
precisa ser inserido em combinações de ações em Um procedimento simplificado para isso consis-
que existam forças horizontais, como as decorrentes te em efetuar a análise da estrutura reduzindo a
de vento e equipamentos. Esse efeito, quando consi- rigidez à flexão e a rigidez axial de todas as barras
derado, também não precisa ser levado em conta no para 80% dos valores originais. Assim, as barras
valor das reações horizontais de apoio para dimen- de aço devem ser consideradas com um módulo
sionamento das bases dos pilares e das fundações. de elasticidade reduzido, Ea,red, igual a 80% de

91
200000 MPa, ou seja, igual a 160000 MPa, valor A análise de estruturas de barras requer do pro-
que deve ser utilizado inclusive no cálculo Ne para fissional experiência não apenas no manuseio das
obtenção do coeficiente B1 (ver Subitem 2.4.4.2). ferramentas computacionais, mas, na mesma me-
No caso dos elementos mistos de aço e concreto, dida, experiência como projetista de estruturas de
a rigidez obtida conforme o Capítulo 4 deve ser modo a traduzir no modelo de análise, da forma
multiplicada por 0,8. a mais adequada possível, as condições reais da es-
trutura. Para isso, merecem destaque as condições
dos apoios da estrutura (vínculos externos) e as
2.5. MODELAGEM ESTRUTURAL condições de extremidade das barras nas juntas
soldadas ou parafusadas, de modo a traduzir no
modelo de análise as condições da estrutura real
2.5.1. Ideias Gerais decorrentes da tipologia dos elementos de ligação
entre as barras. Isso se refere aos efeitos da con-
Conforme explicitado anteriormente, a análise figuração (geometria) dos elementos de ligação,
das estruturas permite a determinação dos des- como parafusos e soldas, além dos elementos de
locamentos, esforços solicitantes e tensões nos chapa e cantoneiras que em geral constituem o
elementos estruturais, sejam barras ou superfícies projeto da ligação entre perfis de aço. Adicional-
(placas ou cascas) planas ou curvas. Em aplicações mente, é necessária atenção com possíveis desali-
típicas de estruturas de aço dirigidas à construção nhamentos entre os eixos das barras concorrentes
civil, as barras podem ser representadas nos mo- em uma junta, originados do projeto estrutural
delos de análise pelos seus eixos, e as superfícies e que podem gerar momentos fletores adicionais
pelos seus planos médios. As barras são os pilares, originados das excentricidades nas extremidades
as vigas, as escoras, os elementos de contraventa- das barras.
mento, as terças das coberturas, entre outras, en-
quanto as lajes dos edifícios são placas planas e as Embora as estruturas estejam, em sua maioria,
superfícies de silos e reservatórios metálicos de se- dispostas em três dimensões, é sabido que em
ção circular, por exemplo, placas ou cascas curvas. grande parte dos casos é possível isolar partes das
estruturas, por exemplo, partes principais e secun-
No presente contexto, voltado para estruturas for- dárias, que podem ser analisadas separadamente
madas por perfis de aço de seção tubular retangular de forma satisfatória adotando-se modelos planos
ou circular, será dado enfoque ao lançamento de (2D). A Figura 2.14 apresenta um caso de pórticos
modelos para análise de estruturas de barras, apor- resistentes de uma estrutura de edifício de anda-
ticadas ou treliçadas. Serão igualmente comentadas res múltiplos, na qual os pilares são constituídos
as possibilidades de análise mais refinada das ten- por perfis tubulares circulares (TC) e as vigas por
sões, dirigida à avaliação do comportamento loca- perfis tubulares retangulares (TR), e a Figura 2.15
lizado de estruturas de barras compostas por perfis mostra o caso de treliças principais de uma cober-
tubulares, por meio da discretização do meio con- tura em aço, ligadas por vigas transversais leves do
tínuo com auxílio do método dos elementos finitos tipo joist. Ambos os exemplos ilustram a possibi-
(MEF). Embora esse tipo de análise com base no lidade de o projetista destacar em um modelo 2D
MEF não seja usual na prática corrente de projeto os conjuntos estruturais responsáveis por garantir
de estruturas civis, cabe referir sobre a possibilidade resistência e rigidez ao conjunto estrutural.
de sua aplicação, desde que os procedimentos se-
jam acompanhados por profissional com afinidade
no manuseio de programas computacionais volta-
dos para esse método.

92
Figura 2.14(a) Estrutura de edifício aporticado: modelo 3D

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural

Figura 2.14(b) Pórtico resistente para análise: modelo 2D

Figura 2.14 - Modelos de análise de estrutura de edifício em representações 3D e 2D

93
Figura 2.15(a) Modelo 3D de estrutura de cobertura com duas vigas treliçadas principais ligadas por joists transversais

Figura 2.15(b) Modelo de análise 2D da viga treliçada principal

Figura 2.15 - Modelos de análise de estrutura de cobertura metálica em representações 3D e 2D.

94
2.5.2. Condições de Extremidade das Barras
A Figura 2.16 ilustra duas condições principais de ligação em estruturas aporticadas entre vigas em perfis
I com o pilar em perfil tubular circular (TC): rotações livres ou restringidas nas extremidades das vigas, o
que significa, respectivamente, nas Figuras 2.16-a e 2.16-b, com ou sem transferência de momentos fletores
entre as barras. Tal condição, conforme salientado anteriormente, deve ser definida pelo projetista de forma
adequada, de modo a garantir sintonia entre o modelo de análise e a estrutura de aço fabricada e montada.

Figura 2.16(a) Região nodal aporticada de ligação entre vigas e pilar, com transferência de momentos fletores entre as barras das vigas e do pilar

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural

Figura 2.16(b) Região nodal na ligação entre vigas e pilar com ligações flexíveis, sem transmissão de momento fletor
Figura 2.16 - Ligações entre vigas em perfis abertos e pilar em tubo de aço com distintas condições de comportamento estrutural da região nodal
95
Já a Figura 2.17 ilustra dois tipos de ligações em
estruturas de barras em perfis tubulares do tipo
treliça. A Figura 2.17-a mostra as ligações para-
fusadas das diagonais com o banzo, constituindo
assim uma condição de extremidade com rotações
de flexão livres no plano da estrutura, sendo, por-
tanto, adequado o modelo de barras apresentado
na Figura 2.17-b para a análise estrutural. A Figu-
ra 2.17-c mostra o tipo de ligação soldada “a toda
volta” nas extremidades das diagonais (e montan-
tes, se houver), permitindo assim a transferência
de momentos fletores entre o banzo e as diago-
nais. Embora seja essa, rigorosamente, a condição
Figura 2.17(a) Diagonais com ligação parafusada no banzo
de extremidade dessas barras soldadas, o que cor-
responde ao modelo de análise com transferência
de momentos na junta indicado na Figura 2.17-d,
esse efeito poderá ser desconsiderado no mode-
lo de análise, sendo usual e aceitável a adoção do
modelo ilustrado na Figura 2.17-e, desde que: (a)
no sistema estrutural em viga treliçada, banzos e
diagonais sejam suficientemente flexíveis (baixa
rigidez à flexão) de modo a tornar desprezável o
valor do momento fletor nessas barras; e (b) as
excentricidades nos nós obedeçam às seguintes li- Figura 2.17(b) Modelo de análise com ligação contínua entre
mitações geométricas, onde e é a excentricidade, diagonais e banzo
d0 é o diâmetro do banzo e h0 é a altura da seção
transversal do banzo no plano da treliça:
• -0,55 d0 ≤ e ≤ 0,25 d0, para tubos circulares;

• -0,55 h0 ≤ e ≤ 0,25 h0, para tubos retangulares.

Figura 2.17(c) Diagonais com ligação soldada no banzo

Figura 2.17(d) Modelo de análise com ligação continua entre


diagonais e banzo
96
Adicionalmente, mesmo que o comportamento
estrutural nas extremidades das diagonais condu-
za a combinações de forças axiais e momentos fle-
tores que resultem no desenvolvimento de regiões
plastificadas do aço, esse efeito será sempre loca-
lizado, não evoluindo ao longo do comprimento
do tubo e, como consequência, dará origem à for-
mação de rótula plástica na extremidade da diago-
nal. Tal ocorrência não afeta a segurança estrutu-
ral, resultando em uma limitação da capacidade
Figura 2.17(e) Modelo de análise de treliça ideal: Válida desde de absorção de momentos fletores por parte da
que L/d1 ≥ 6
diagonal que, em última instância, corresponde e
está de acordo com o modelo estrutural preconi-
zado na Figura 2.17-f.

Já para os banzos, embora seja facultado o uso do


modelo de treliça da Figura 2.17-e para o caso de
barras esbeltas (L/hi>6), adotá-los como contí-
nuos no modelo de análise representa uma prática
adequada em qualquer situação, conforme está
ilustrado nos modelos das Figuras 2.17-b, 2.17-d
e 2.17-f. Consequentemente, os banzos devem ser
Figura 2.17(f ) Modelo de análise com os banzos contínuos, dimensionados levando em conta a presença da
apoiados nas diagonais. Rotações liberadas nas extremidades das
diagonais desde que L/d2 ≥ 6 combinação entre forças axiais de compressão ou
de tração com momentos fletores, caso ocorram.
Figura 2.17 - Tratamento de estrutura treliçada sem excentricida-
des nos nós, com ligação parafusada ou soldada entre diagonais e Adicionalmente, as limitações das excentricidades
banzo, para modelagem e análise estrutural
nos nós citadas anteriormente e relacionadas às
dimensões dos tubos que formam os ban-

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


zos (-0,55 d0 ≤ e ≤ 0,25 d0, para tubos circulares;
A rigidez das diagonais, montantes e banzos em -0,55 h0 ≤ e ≤ 0,25 h0, para tubos retangulares)
sistemas de treliças com barras de seção tubular decorrem em última instância das condições de
pode ser representada de modo simplificado pela verificação da capacidade resistente das ligações
relação entre seu comprimento, L, e a altura da soldadas: ligações com excentricidades fora desses
seção transversal, hi ou di, para seções retangula- limites devem ser dimensionadas levando em conta
res ou circulares, respectivamente. Recomendação o momento fletor nos banzos. Para os casos em que
da ABNT NBR 16239:2013 indica que as diago- esses valores limites são respeitados não há necessi-
nais podem ser tomadas com extremidades rotu- dade de se considerar o efeito do momento fletor
ladas conforme indicado no modelo das Figuras na verificação da capacidade resistente das ligações.
2.17-e e 2.17-f, desde que L/hi ou L/di supere 6.
Nessa condição, pode-se considerar que as dia- Como se vê, a tipologia das ligações (geometria e
gonais com extremidades soldadas desenvolvem elementos de ligação empregados na junta) define
momentos fletores de pouca importância em suas as condições de transferência de esforços entre as
extremidades se comparados com as forças axiais extremidades das barras. A adequada consideração
de tração ou de compressão absorvidas por essas dessas condições no modelo de análise é crucial
barras e, consequentemente, seu dimensionamen- para que o projeto estrutural resulte em sintonia
to poderá considerar unicamente as forças axiais. com a estrutura a ser fabricada e montada.
97
Portanto, a presença de excentricidade na ligação caso pode ser considerada como EaI/L, propor-
entre diagonais e banzo acarreta no desenvolvi- cional ao módulo de elasticidade do material Ea e
mento de momentos nas juntas, que devem se dis- ao momento de inércia da seção transversal I no
tribuir para as barras concorrentes. Essa situação, plano de flexão da viga treliçada, e inversamen-
ilustrada na Figura 2.18, embora indesejada, ocor- te proporcional ao comprimento L de cada barra
re com frequência em projetos de vigas treliçadas concorrente no nó). Nesse caso, a adoção de um
com juntas soldadas em que a geometria das bar- elemento auxiliar de ligação EL com a mesma se-
ras concorrentes impede a solução da junta com ção do banzo e módulo de elasticidade da ordem
a convergência dos eixos das barras em um ponto de duas a três vezes o valor do módulo do aço (E
de trabalho (PT) único. O modelo para análise = 400 a 600 GPa) costuma atender na análise
preconizado pela ABNT NBR 16239:2013 para da estrutura (considerando que a sua rigidez já é
esses casos está indicado na mesma Figura 2.18, muito elevada em comparação com as demais bar-
pelo qual é possível constatar a introdução de mo- ras dado o seu pequeno comprimento L). Valores
mentos fletores nos banzos na região da junta, ao do módulo de elasticidade muito maiores do que
mesmo tempo em que fica mantida a condição esses (ou valores de momento de inércia muito
descrita anteriormente para as diagonais, com ex- elevados) devem convergir para os mesmos resul-
tremidades rotuladas. Nessa solução, o elemento tados da análise, devendo-se, no entanto, evitar
auxiliar de barra (fictício) adicionado na junta, valores muito grandes da rigidez à flexão de modo
aqui denominado elemento de ligação (EL), deve a evitar problemas na solução numérica executada
ser suficientemente rígido de modo a garantir a pelo programa computacional de análise.
introdução do momento no nó (a rigidez nesse

Figura 2.18(a) Excentricidade positiva e modelo de análise com elemento de ligação EL

Figura 2.18(b) Excentricidade negativa e modelo de análise com elemento de ligação EL

Figura 2.18 - Viga treliçada com ligações soldadas e excentricidade nos nós
98
Outra possibilidade para a inclusão dos efeitos de bulares de seção circular representa a solução mais
excentricidade nos nós de estruturas treliçadas é o adequada nesse caso.
recurso comumente designado nos programas co-
merciais como offset, que permite associar distin-
tos nós do modelo de análise, de modo a vincular
seus deslocamentos (graus de liberdade) tornan-
do-os comuns. A Figura 2.19 indica o modelo de
viga treliçada onde as excentricidades nos nós de-
vem ser consideradas pelo recurso offset: graus de
liberdade dos pares de nós ij devem ser vinculados
com auxílio do recurso de offset.

Figura 2.20 - Treliçado espacial

No projeto dessas estruturas formadas por bar-


ras tubulares de seção circular, o lançamento do
modelo de análise do reticulado espacial deve ser
realizado com o auxílio de recursos computacio-
nais com base na computação gráfica, permitin-
do a automatização do processo além de facilitar
modificações de geometria durante o desenvolvi-
mento da solução, com o objetivo de se obter
Figura 2.19 - Recurso offset disponível em programas comerciais uma configuração final adequada e competitiva.
de análise de estruturas vinculam os deslocamentos dos nós i e j Os recursos de computação gráfica são variados
e oferecidos por inúmeros aplicativos comerciais.
Os resultados da análise de vigas treliçadas com Sistemas computacionais identificados pela sigla
barras tubulares com excentricidades nos nós, CAD (computer aided design) são próprios para o
aplicando-se os dois tipos de soluções: (a) com desenvolvimento gráfico da estrutura e cobertos

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


elementos adicionais rígidos EL (Figura 2.18) ou por uma larga gama de aplicativos computacionais
(b) com a adoção do recurso offset (Figura 2.19), comerciais. Os programas baseados em sistemas
são praticamente iguais, podendo, portanto, serem CAD fornecem distintas facilidades e, em geral,
adotados indistintamente. oferecem uma gama bem maior de recursos do que
os pré-processadores encontrados nos programas
de análise de estruturas, identificados como siste-
2.6. CONSIDERAÇÕES SOBRE A mas CAE (computer aided engineering), podendo
ANÁLISE DOS TRELIÇADOS ser trabalhados pelo projetista para o lançamento
ESPACIAIS de estruturas do tipo treliçados espaciais, as quais
Coberturas para grandes áreas podem ser con- guardam regularidade e repetição que conduzem
cebidas com auxílio dos denominados treliçados à padronização. Portanto, seu lançamento poderá
espaciais, conforme apresentado na Figura 2.20. ser gerado a partir dos elementos geométricos de
Tais estruturas são em geral montadas no solo e a um módulo básico a ser replicado. Recursos de
seguir erguidas para serem conectadas aos pilares. programação nos referidos sistemas computacio-
As estruturas treliçadas espaciais apresentam ex- nais CAD podem ser de grande valia, como são
celente desempenho para a cobertura de grandes os casos de recursos de programação interna em
vãos, podendo resultar muito leves e suficiente- macros, scripts e plug-ins, disponíveis no ambiente
mente rígidas, sendo que o emprego de barras tu- desses programas, permitindo o desenvolvimento
99
da estrutura reticulada por meio da entrada dos axiais NSd nas barras de uma estrutura treliçada es-
parâmetros geométricos que definem a geração pacial, indicados por seus valores, com as unidades
automática do reticulado. A Figura 2.21 apresen- em kN. Já a Figura 2.22-b apresenta os resultados
ta um exemplo de estrutura de treliçado espacial do coeficiente de aproveitamento das barras, ou
gerada com auxílio de linguagem script programa- seja, a relação entre as forças axiais solicitante NSd
da no interior de uma ferramenta CAD. e resistente NRd das barras, NSd /NRd . Desse modo, é
possível avaliar rapidamente o desempenho estru-
tural das barras do treliçado espacial, onde valores
superiores à unidade na Figura 2.22-b indicam
que a segurança normativa foi violada. Embora
esse recurso esteja disponível em vários programas
computacionais do tipo CAE, o fato de serem fre-
quentemente desenvolvidos em outros países não
permite introduzir os parâmetros de resistência
adotados nas normas brasileiras (procedimentos
de design checking disponíveis nos programas de
análise CAE incluem normalmente as normas
Figura 2.21(a) Representação unifilar
mais conhecidas, americanas, europeias, japone-
sas, etc.), o que acaba estimulando os projetistas
a dispensarem o uso dos documentos da ABNT.
A solução para essa lacuna pode ser obtida com
o auxílio de planilhas auxiliares de cálculo, facil-
mente programáveis pelos engenheiros projetistas,
conforme será comentado no item a seguir.

Figura 2.21(b) ) Representação volumétrica das barras tubulares


Figura 2.21 - Treliçado espacial formado com barras tubulares
gerado com recurso CAD

Os sistemas de barras representados por unifilares


gerados em sistemas computacionais CAD são em
geral “lidos” e “compreendidos” pelos programas
de análise de estruturas, ficando, portanto, a cri-
tério do projetista se limitar às facilidades gráficas
oferecidas pelo pré-processador gráfico do sistema
de análise estrutural do tipo CAE ou se utilizar
dos recursos CAD para a geração do modelo.

O caso dos treliçados espaciais se destaca pelo


grande número de barras, sendo, portanto, es-
sencial o acesso a recursos de pós-processamento
gráfico para visualizar os resultados dos esforços
solicitantes no conjunto estrutural. A Figura 2.22-a
apresenta um exemplo de visualização das forças
100
Figura 2.22(a) Resultados das forças axiais solicitantes de cálculo NSd (kN), a partir de pós processamento gráfico

Figura 2.22(b) Resultados dos coeficientes de aproveitamento das barras (NSd/NRd), a partir de pós processamento gráfico

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Figura 2.22 - Representação gráfica dos resultados da análise estrutural da estrutura espacial ilustrada na Figura 2.13, com auxílio de pro-
grama computacional (CAE)

2.7. VERIFICAÇÃO AUTOMATIZA- é possível de ser realizado) ou, ainda, extrair os


DA DA SEGURANÇA ESTRUTURAL resultados da análise de modo a confrontar os es-
forços solicitantes de cálculo Sd com os esforços
Conforme comentado anteriormente, dentro resistentes Rd prescritos nas normas nacionais.
da família de aplicativos comerciais CAE para a
análise de estruturas se destacam os recursos de Tendo como origem a análise computacional
verificação dos estados-limites últimos das bar- (CAE) de uma estrutura de barras tubulares de
ras formadas por perfis de aço, disponíveis em aço, a Figura 2.23 apresenta os resultados da ve-
vários desses programas com base em prescrições rificação da segurança estrutural individual das
de normas para o dimensionamento de estrutu- barras de uma estrutura em perfis tubulares retan-
ras. Levando em conta que muitos dos programas gulares com aço com resistência ao escoamento
de análise de estruturas usualmente adotados não igual a 300 MPa, em modelo 2D, onde se leem
incluem as normas nacionais da ABNT, fica com os esforços internos extraídos do programa com-
os projetistas de estruturas a tarefa de incluir tais putacional de análise (força axial NSd e momen-
prescrições nesses aplicativos (o que em geral não to fletor MSd), os respectivos esforços resistentes
101
(NRd e MRd) calculados segundo os critérios das vos do tipo texto com os resultados finais dos es-
normas ABNT NBR 16239:2013 e ABNT NBR forços internos calculados) na planilha preparada
8800:2008, as respectivas razões entre esforços so- pelo projetista. Esse procedimento, de grande al-
licitantes e resistentes (NSd/NRd e MSd/MRd) e, final- cance para a racionalização do dimensionamento
mente, o resultado da segurança estrutural de cada estrutural, permite a dispensa dos procedimentos
barra segundo as equações de interação da norma do tipo “steel checking” incluídos nos programas
ABNT NBR 8800:2008 para o caso de combina- de análise com base em normas estrangeiras. Fi-
ção de esforços solicitantes (≤ 1 atende; > 1 não nalmente, como um recurso adicional para o
atende, conforme indicado na coluna identificada conforto do projetista, os resultados obtidos das
como Verificação na Figura 2.23, onde A significa equações de resistência das normas brasileiras, re-
atende e NA não atende). Trata-se, portanto, de lacionando esforços solicitantes e resistentes, po-
um recurso facilmente programável com auxílio dem ser lançados graficamente no reticulado ori-
de planilhas de cálculo, após a obtenção dos resul- ginalmente gerado em sistema CAD (gerado na
tados da análise da estrutura, bastando para isso a fase de pré-processamento gráfico do modelo da
importação dos resultados gerados no programa estrutura) conforme ilustrado anteriormente na
de análise (sistemas CAE em geral salvam arqui- Figura 2.22.

NSd MSd NRd MRd Eq de


Barra Tubo NSd/NRd MSd/MRd interação Verificação
(kN) (kN.m) (kN) (kN.m)
..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..............
110 TQ100x 10 328,4 29,6 656,7 98,5 0,50 0,30 0,767 A
111 TQ100 x 10 525,4 39,4 656,7 98,5 0,80 0,40 1,156 NA
..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..... ..............

Figura 2.23 - Resultados da análise e dimensionamento de estrutura formada por tubos de aço

2.8. ANÁLISE DE MEIOS (shell). Esse recurso se presta, por exemplo, para
CONTÍNUOS PELO MEF a análise de tensões em uma região de uma jun-
ta soldada conforme se pode observar na Figura
A análise das estruturas como um meio con- 2.24, onde estão apresentados os resultados da
tínuo em 3D não é aqui o enfoque principal. análise de tensões elásticas e o mecanismo de
Conforme comentado anteriormente, as estru- colapso elastoplástico (a escala de cores iden-
turas regulares da construção civil se prestam à tifica valores das tensões de von Mises em re-
análise como estruturas de barras, exceto pela lação à resistência ao escoamento do aço, svm/
presença de lajes e paredes estruturais, as quais fy: em vermelho tensões da ordem de grandeza
podem, sem dificuldades maiores, serem mode- do escoamento do aço, indicando as regiões de
ladas com elementos finitos de placa em geral avanço da plastificação). Esse tipo de análise
disponíveis nos pacotes computacionais comer- pode ser aplicado na investigação dos fenôme-
ciais para análise numérica de estruturas. No nos localizados, incluindo as paredes dos perfis
caso de estruturas formadas por perfis tubula- tubulares e as regiões soldadas de ligação entre
res, a análise de um trecho da estrutura como as barras, permitindo a previsão do comporta-
contínuo pode ser realizada com base no MEF, mento e da capacidade resistente da junta.
102
utilizando para isso elementos finitos de casca
Figura 2.24 - Modelo de análise numérica de uma região nodal soldada formada por tubos de aço (corresponde à junta ilustrada na Figura
2.17) com auxílio do método dos elementos finitos

A Figura 2.25 apresenta um exemplo de colapso


de uma junta soldada formada por barras tubula- 2.9. ANÁLISE ESTRUTURAL PARA
res retangulares e circulares. A fratura no cordão ESTADOS-LIMITES ÚLTIMOS
de solda pode ser examinada com auxílio da aná-
lise pelo MEF comentada anteriormente, permi-
2.9.1. Classificação das Estruturas
tindo a identificação do mecanismo de falha. Esse O tipo de análise estrutural e os efeitos que devem
é um recurso muito útil na análise de acidentes ser considerados na determinação das respostas
estruturais desse tipo ou mesmo para auxiliar no para estados-limites últimos (essas respostas são
projeto de juntas especiais de barras tubulares, normalmente os esforços solicitantes) dependem

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


com tipologia não coberta nas normas de proje- da classificação das estruturas quanto à sensibili-
to de estruturas. No entanto, a aplicação desse dade a deslocamentos horizontais. Nesse contex-
tipo de análise numérica via MEF com programas to, as estruturas podem ser de:
computacionais comerciais requer habilitação e
experiência do profissional, de modo a adotar os - pequena deslocabilidade quando, em todos os
parâmetros de análise adequados e conduzir à so- seus andares, a relação entre o deslocamento la-
lução correta do problema. teral do andar relativo à base obtido na análise de
segunda ordem e aquele obtido na análise de pri-
meira ordem, em todas as combinações últimas de
ações possíveis, for igual ou inferior a 1,10;

- média deslocabilidade, quando a máxima relação


entre os deslocamentos supracitados for superior a
1,10 e igual ou inferior a 1,40;

- grande deslocabilidade, quando a máxima re-


lação entre os deslocamentos supracitados for
superior a 1,40.
Figura 2.25 - Ruptura de uma região nodal multiplanar soldada
formada por barras tubulares de seção quadrada e circular
103
Os limites de 1,10 e 1,40 são aplicáveis descon- binações de ações possíveis, não forem superiores a
siderando-se as imperfeições iniciais de material, 50% da força axial correspondente ao escoamento
ou seja, tomando as rigidezes originais da estrutu- (produto da área bruta da seção transversal pela resis-
ra. Se essas imperfeições são consideradas, o que tência ao escoamento do aço) dessas barras.
é feito usando-se as rigidezes reduzidas (80% das
rigidezes originais), os dois limites passam a ser A segunda opção é efetuar uma análise de segunda
1,13 e 1,55, respectivamente. ordem, como descrito no Subitem 2.4.4, levando
em conta o efeito das imperfeições geométricas, ex-
A relação entre os deslocamentos laterais da análise ceto nas combinações de ações em que atuem outras
de segunda ordem e da análise de primeira ordem forças laterais, como as devidas ao vento e a equipa-
pode ser aproximada, de maneira aceitável, pelo va- mentos (salienta-se que não é necessário colocar as
lor do coeficiente B2, dado pela Equação (2.20). imperfeições geométricas em combinações de ações
em que existam outras forças laterais), e desprezando
A classificação de uma estrutura depende da com- o efeito das imperfeições de material.
binação última de ações, o que significa que uma
mesma estrutura, sob uma combinação de ações, 2.9.2.2. Estruturas de Média Deslocabilidade
pode ser, por exemplo, de pequena deslocabilida-
de e, sob outra combinação, de grande deslocabi- Nas estruturas de média deslocabilidade, a determi-
lidade. Tal fato onera e dificulta substancialmente nação dos esforços solicitantes de cálculo deve ser
o cálculo estrutural. Para minimizar o problema, a feita como na opção de análise de segunda ordem
ABNT NBR 8800:2008 admite que a classificação das estruturas de pequena deslocabilidade, mas sem
da estrutura seja feita uma única vez, tomando a desprezar o efeito das imperfeições de material, que
combinação de ações que fornece os maiores valores deve ser considerado conforme descrito no Subitem
de B2, que é a combinação constituída pela maior 2.4.5.3, ou seja, utilizando as rigidezes reduzidas.
resultante de carga gravitacional.
2.9.2.3 Estruturas de Grande Deslocabilidade

Nas estruturas de grande deslocabilidade, deve-se


2.9.2. Procedimentos fazer uma análise rigorosa, levando-se em conta as
2.9.2.1. Estruturas de Pequena Deslocabilidade não linearidades geométricas e de material. Opcio-
nalmente, a critério do responsável técnico pelo pro-
Nas estruturas de pequena deslocabilidade, uma pri- jeto estrutural, pode ser utilizado o procedimento de
meira opção é a realização da análise estrutural sem análise apresentado em 2.9.2.2 para as estruturas de
levar em conta o efeito global de segunda ordem média deslocabilidade, mas adicionando os efeitos
P-D e o efeito das imperfeições de material. No caso das imperfeições geométricas iniciais às combina-
de se usar o Método da Amplificação dos Esforços ções últimas de ações em que atuem ações variáveis
Solicitantes (MAES - ver subitem 2.4.3.2.2), basta devidas ao vento.
que seja feita uma análise convencional de primeira
ordem, com os momentos fletores obtidos multipli- 2.9.2.4. Procedimento Unificado para Estrutu-
cados pelo coeficiente B1, dado pela Equação (2.18), ras de Pequena e Média Deslocabilidades
para consideração do efeito N-d (no cálculo desse
Para fins práticos, é interessante unificar os proce-
coeficiente, na obtenção do valor de Cm, a relação
dimentos de análise para estruturas de pequena e
Mnt,Sd,1/Mnt,Sd,2 deve ser obtida da própria Estrutura
média deslocabilidades, uma vez que essas estruturas
Original, uma vez que não são criadas as Estrutu-
constituem a grande maioria das utilizadas na enge-
ras nt e ℓt). O efeito das imperfeições geométricas,
nharia civil. Assim, recomenda-se usar diretamente
como visto no Subitem 2.4.5.2, deve ser considera-
o procedimento descrito em 2.9.2.2 para estruturas
do em todas as combinações de ações. No entanto,
de média deslocabilidade, eliminando-se a etapa de
essa opção só pode ser utilizada se as forças axiais
104
classificação da estrutura.
solicitantes de cálculo das barras, em todas as com-
Com esse procedimento unificado, se a estrutura for Existem situações específicas em que pode ser feita
de pequena deslocabilidade, os resultados serão ligei- análise convencional de primeira ordem, sem ne-
ramente conservadores. No entanto, deve-se assegu- cessidade de se levar em conta os efeitos das imper-
rar que a estrutura não seja de grande deslocabilida- feições. É o caso das treliças birrotuladas de pisos e
de. Isso pode ser feito facilmente, observando-se os coberturas (Figura 2.26). Essas treliças, como são
valores dos coeficientes B2, que não podem superar, componentes estruturais horizontais (ou quase),
mesmo que uma única vez, 1,55 (valor que delimi- praticamente não sofrem influência do efeito global
ta as estruturas de média e grande deslocabilidades de segunda ordem e das imperfeições geométricas
quando se usam as rigidezes reduzidas). iniciais, e o efeito local de segunda ordem não existe,
pois as barras são sujeitas apenas à força axial. Con-
Em resumo, no procedimento unificado: sequentemente, não faz sentido considerar também
- efetua-se uma análise de segunda ordem, como as imperfeições iniciais de material.
descrito no Subitem 2.4.4, para cada uma das
possíveis combinações últimas de ações que pode
solicitar a estrutura (ver 2.3.2.3);

- leva-se em conta o efeito das imperfeições geo-


métricas por meio de forças nocionais, conforme
o Subitem 2.4.5.2, exceto nas combinações de
ações em que atuem outras forças laterais;

- leva-se em conta efeito das imperfeições de ma-


terial usando as rigidezes reduzidas dos compo-
nentes estruturais, conforme o Subitem 2.4.5.3;
Figura 2.26 – Treliças birrotuladas de pisos ou coberturas
- observa-se a máxima relação entre os desloca-
Lembra-se que, na análise de primeira ordem, é vá-
mentos laterais obtidos nas análises de segunda e
lido o princípio da superposição dos efeitos, o que
primeira ordem, em todas as combinações últimas
permite a opção de se obter isoladamente as respos-

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


de ações (ou, caso se use o MAES, do máximo
tas da estrutura a cada ação e combinar posterior-
coeficiente B2), que não pode superar 1,55.
mente essas respostas.
É importante ainda frisar que as ações precisam ser
combinadas antes da análise de segunda ordem, pois
respostas da estrutura dependem da interação entre
essas ações.
2.10. ANÁLISE ESTRUTURAL PARA
2.9.2.5. Estruturas Indeslocáveis Lateralmente ESTADOS-LIMITES DE SERVIÇO

Se a estrutura for indeslocável lateralmente, somen- Para determinação das respostas da estrutura para
te precisa ser considerado o efeito local de segunda estados-limites de serviço (essas respostas são nor-
ordem P-d nos valores dos momentos fletores. Esse malmente os deslocamentos da estrutura), pode
tipo de estrutura possui, evidentemente, deslocabili- ser feita análise estrutural de primeira ordem, des-
dade nula e, por essa razão, como nas estruturas de de que a estrutura seja de pequena ou média des-
pequena deslocabilidade, não há necessidade de se locabilidade, usando-se as combinações de ações
considerar o efeito das imperfeições de material. de serviço (ver 2.3.3.3). Não é necessário conside-
rar os efeitos das imperfeições iniciais geométricas
2.9.3. Possibilidade de Análise de e de material.
Primeira Ordem
105
No pórtico prevê-se a atuação direta de:
2.11. EXEMPLOS DE APLICAÇÃO
- forças características decorrentes de ações per-
manentes, Pg,k,1, iguais a 24 kN;
2.11.1. Esforços Solicitantes de Cálculo
em Estrutura de Dois Andares - forças características decorrentes de sobrecarga,
Psc,k,1, iguais a 18 kN;
A estrutura de dois andares mostrada a seguir
pertence a uma edificação comercial e é cons- - forças características devidas ao vento, Fve,k,
tituída por uma subestrutura de contraventa- iguais a 6 kN.
mento formada por um pórtico, no qual os pi-
lares têm perfil laminado TQ  220  x  220  x  16 No conjunto de elementos contraventados, são
(Ag = 129 cm2; Ix    7818  cm4) e as vi- previstas:
gas perfil laminado TR  400  x  200  x  12,5 - forças características decorrentes de ações per-
(Ag = 140 cm2; Ix = 27100 cm4), fletidos em rela- manentes, Pg,k,2, iguais a 400 kN;
ção ao eixo de maior momento de inércia (eixo x),
e por um conjunto de elementos contraventados. - forças características decorrentes de sobrecar-
ga, Psc,k,2, iguais a 250 kN.

Sabe-se que as vigas não se deformam axialmente, a) Tipo de análise e combinações de ações
uma vez que existem lajes de concreto ligadas me-
canicamente na face superior dessas vigas, como é Deve ser feita análise elástica de segunda ordem,
usual nos edifícios de andares múltiplos. para todas as combinações últimas de ações possí-
veis, levando-se em conta as imperfeições iniciais
Considerando as ações agrupadas e sabendo-se geométricas nas combinações sem a presença de
que as ações variáveis não superam 5 kN/m2, de- forças de vento e as imperfeições iniciais de mate-
terminar os esforços solicitantes de cálculo nas rial, por meio do MAES.
barras do pórtico para uso normal da estrutura,
usando o Método da Amplificação dos Esforços Algumas combinações últimas, possivelmente as
Solicitantes (MAES). que conduzem aos maiores esforços solicitantes
nas barras, com os coeficientes de ponderação das
Verificar ainda se os deslocamentos laterais encon- ações agrupadas conforme o Subitem 2.3.2.3.3,
tram-se dentro de limites permitidos, no que se são mostradas a seguir:
refere à ocorrência de danos permanentes a com-
ponentes da construção.
106
Hipótese 1: Carga permanente mais sobrecarga, com imperfeições geométricas e de material (usar
Ea,red = 160000 MPa)

Hipótese 2: Carga permanente mais vento, com imperfeição de material (usar Ea,red = 160000 MPa)

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Hipótese 3: Carga permanente favorável à segurança, mais vento com imperfeição de material (usar
Ea,red = 160000 MPa)

107
Hipótese 4: Carga permanente mais sobrecarga (variável principal) mais vento, com imperfeição de ma-
terial (usar Ea,red = 160000 MPa)

Hipótese 5: Carga permanente mais vento (variável principal) mais sobrecarga, com imperfeição de ma-
terial (usar Ea,red = 160000 MPa)

108
b) Valores dos esforços solicitantes de cálculo Como ilustração, a seguir será apresentada, eta-
pa por etapa, a análise apenas para a hipótese 4,
Deve ser feita análise elástica de segunda ordem usando o MAES, observando-se que foi usado um
para as hipóteses de combinações últimas de ações programa computacional para obtenção das res-
apresentadas anteriormente, adotando o módulo postas das Estruturas nt e ℓt e que a área da seção
de elasticidade do aço igual a 160000  MPa, de transversal das vigas foi tomada com valor muito
modo a obter os valores dos máximos esforços so- elevado (10.000 vezes a área real) para impedir a
licitantes de cálculo em todas as barra da estrutura. deformação axial desses elementos:

Etapa 1: Decomposição da Estrutura Original na Estrutura nt e na Estrutura ℓt

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Etapa 2: Análise estrutural da Estrutura nt

Na análise da Estrutura nt, basta que seja processada a subestrutura de contraventamento, no caso o pór-
tico, com os apoios fictícios colocados diretamente nele. As figuras seguintes mostram os diagramas de
força axial, força cortante e momento fletor obtidos. As reações nos apoios fictícios RSd,1 e RSd,2 são iguais
a 5,04 kN e 2,52 kN, respectivamente, ou seja, iguais às forças horizontais aplicadas, como era esperado
em decorrência de as vigas não se deformarem axialmente.

109
Etapa 3: Análise estrutural da Estrutura ℓt

Na análise da Estrutura ℓt processa-se o pórtico com as reações dos apoios fictícios colocadas diretamente
nele (os elementos contraventados podem ser excluídos). As figuras seguintes mostram o carregamento
com os deslocamentos obtidos e os diagramas de força axial, força cortante e momento fletor.

Etapa 4: Determinação dos valores do coeficiente B1

O coeficiente B1 deve ser obtido em cada uma das barras do pórtico, por meio da expressão:

Cm
B1  ≥ 1,0  
N nt ,Sd  N t ,Sd
1
Ne

onde Cm é igual a 1,0 se houver forças transversais entre as extremidades da barra e, se não houver essas forças

M nt ,Sd ,1
Cm  0,60  0,40  
M nt ,Sd ,2

Logo, vem:

110
 

Nnt,Sd +  2 E a ,red I x
Ne 
Barra Cm + Nt,Sd L2 B1
(kN) (kN)
2
Pilar -294,00 +   16000  7818
 30,45  = 0,43
esquerdo 1º. 0,6  0, 4    0,41 + 1,90 =
400
2
(Usar 1,0)
andar  62,67  = -292,10
= 7716
39,25 + 1,0
Viga 1,0
+ 2,52 = - (força axial
1º. andar (há forças transversais aplicadas)
= 41,77 de tração)
2
-294,00 +   16000  7818
Pilar direito  30,45  = 0,43
0,6  0, 4    0,41 + (-1,90) =
400
2
1º. andar (Usar 1,0)
 62,67  = -295,90
= 7716
2
Pilar -147,00 +   16000  7818
 120,60  = 0,29
esquerdo 2º. 0,6  0, 4    0,28 + 0,54 =
400
2
(Usar 1,0)
andar  149,67  = -146,46
= 7716
2
-70,09 +   16000  27100
Viga 1,0 =
+ 1,26 = 2 1,02
2º. andar (há forças transversais aplicadas) 1200
= -68,83
= 2972
2
-147,00 +   16000  7818
Pilar direito  120,60  = 0,29
0,6  0, 4    0,28 + (-0,54) =
400
2
2º. andar (Usar 1,0)
 149,67  = -147,54
= 7716
 
  Etapa 5: Determinação dos valores do coeficiente B2

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


O coeficiente B2 deve ser obtido em cada andar do pórtico, por meio da expressão:

1
B2 =
1−
1 Δh ∑ PSd
Rs h ∑ H Sd
onde Rs é igual a 0,85, pelo fato de a subestrutura de contraventamento ser um pórtico. Assim, pode ser
feita a tabela a seguir:

Andar Δi Δh = Δi − Δi-1 H ΣNSd ΣHSd B2


i (cm) (cm) (kN) (kN)
1 0,243 0,243 – 0 = 0,243 400 2408,00 (1) 7,56 (3) 1,295
(2) (4)
2 0,405 0,405 – 0,243 = 0,162 400 1204,00 2,52 1,295
(1)
ΣPSd = 2 [(58,8 × 5) + 910] = 2408 kN
(2)
ΣPSd = (58,8 × 5) + 910 = 1204 kN
(3)
ΣHSd = RSd,2 + RSd,1 = 2,52 + 5,04 = 7,56 kN
(4)
ΣHSd = RSd,2 = 2,52 kN
  111
 
 
Como o maior coeficiente B2 não supera 1,55 (no caso, os coeficientes dos dois andares foram iguais), o
procedimento utilizado na análise da estrutura, para o carregamento em consideração, é válido. Nota-se
ainda que B2, que foi determinado com Ea,red, situa-se entre 1,13 e 1,55, indicando que a estrutura é de
média deslocabilidade.

- Etapa 6: Determinação dos valores finais dos esforços solicitantes de cálculo

Os valores dos esforços solicitantes de cálculo, a serem usados na verificação dos estados-limites últimos
da estrutura, são dados nos diagramas de esforços solicitantes mostrados a seguir:

- Força axial

O diagrama de força axial na subestrutura de contraventamento é obtido usando-se a expressão


NSd = Nnt + B2 Nℓt em todas as suas seções transversais. O resultado pode ser visto a seguir:

- Força cortante

O diagrama de força cortante na subestrutura de contraventamento é obtido simplesmente somando-se


os valores obtidos nas Estruturas nt e lt, ou seja, usando-se a expressão VSd = Vnt + Vlt em todas as suas
seções transversais:

- Momento fletor

O diagrama de momento fletor na subestrutura de contraventamento é obtido pela expressão


MSd = B1 Mnt + B2 Mℓt em todas as suas seções transversais:
112
Observa-se que: exemplo, aos nós) e a variação andar por andar do
valor do coeficiente B2, que muitas vezes ocorre
- neste exemplo, como o coeficiente B1 é igual a (neste exemplo, essa variação não foi percebida);
1,0, ou muito próximo de 1,0, em todas as barras
e os valores da força axial e do momento fletor na - a análise estrutural, feita por meio de programa
Estrutura lt são muito menores que na Estrutura de computador, levou em conta a deformação por
nt, os esforços solicitantes da análise de segunda força cortante. Caso essa deformação tivesse sido
ordem ficaram próximos dos da análise de primei- desprezada, os deslocamentos D1 e D2 seriam ligei-
ra ordem. No entanto, em muitos outros casos, as ramente menores. Para se levar em conta a defor-
diferenças podem ser significativas; mação por força cortante, de modo geral os pro-
gramas solicitam apenas que seja fornecida a área
- em casos reais, especialmente quando a subestru- que trabalha ao cisalhamento nas barras, igual a:
tura de contraventamento não é simétrica, deve-se

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


considerar a ação do vento nos dois sentidos (da • no caso de perfil tubular retangular, a área das
esquerda para direita e da direita para a esquerda). almas (elementos perpendiculares ao eixo de
Nas combinações de ações apenas com cargas gra- flexão), tomada igual a duas vezes a altura da
vitacionais, as forças nocionais também devem ser parte plana desses elementos multiplicada pela
consideradas nos dois sentidos; espessura (situação do presente exemplo);

- os esforços solicitantes ficaram ligeiramente dese- • no caso de perfil tubular circular, metade da
quilibrados em alguns nós da estrutura, por exem- área bruta da seção transversal;
plo, no encontro entre a viga do 2º. pavimento e
o pilar do lado direito, o momento fletor na viga - se fosse feita uma análise de segunda ordem
é de -156,86 kN.m e, no pilar, de -153,87 kN.m. computacional mais precisa, usando um progra-
Esses desequilíbrios são decorrentes de se estar ma desenvolvido para tal, ao invés de se usar o
usando um método de análise de segunda ordem MAES, toda a estrutura da edificação, incluindo
aproximado (MAES) mas, para fins práticos, po- os elementos contraventados, deveriam participar
dem ser considerados aceitáveis. Entre as aproxi- do processo desde o seu início;
mações, destacam-se o uso do coeficiente B1 para - os elementos contraventados, embora usual-
os valores do momento fletor em todo o compri-
mente contínuos ao longo da altura da edificação,
mento da barra (ele não deveria ser aplicado, por
como mostra a Figura 5.7, neste exemplo foram
113
simulados rotulados entre o primeiro e segundo c) Verificação dos deslocamentos laterais
andar. Esse tratamento, que pode ser usado na
prática, faz com que os elementos contraventados Supondo que B2 não supera 1,55 na verificação dos
não absorvam qualquer parcela das forças horizon- estados-limites últimos em todas as combinações
tais, que ficam todas resistidas pela subestrutura últimas possíveis (na hipótese de carregamento
de contraventamento. Se os elementos contraven- processada, isso de fato foi verdade), para verifi-
tados fossem simulados contínuos, apresentariam cação dos estados-limites de serviço, pode ser feita
uma curvatura causada pela não linearidade dos análise elástica de primeira ordem, sem considerar
deslocamentos no topo dos dois andares, e assim as imperfeições iniciais geométricas e de material.
uma parte muito pequena das forças horizontais Como se quer verificar a ocorrência de danos per-
seria resistida por eles, como mostra a figura a manentes a componentes da construção, deve-se
seguir, que ficariam submetidos, além das forças usar a combinação rara de ações de serviço, dada
axiais de compressão, a momentos fletores. No pela Equação (5.12), reproduzida a seguir:
entanto, os momentos fletores seriam de pequena
 
m n
intensidade e poderiam ser desprezados. C ra ,ser  ∑ AGi ,k  AQ 1,k  ∑  1 j AQj ,k  
i 1 j 2

Como no caso da estrutura em questão, a ação


decorrente do vento é claramente a mais importante
para o deslocamento horizontal, a mesma deve ser
adotada como ação variável principal. Assim, a com-
binação frequente é dada pelos valores característicos
das ações permanentes e de vento, mais os valores
característicos da sobrecarga minorados pelo fator de
combinação y1 igual a 0,6. Logo, vem:

Elemento contraventado rotulado entre pavimentos deforma-se


como um conjunto de segmentos retos e não absorve forças ho-
rizontais

Os deslocamentos laterais obtidos nos níveis dos


dois andares, lembrando que para estados-limites
Elemento contraventado contínuo flete e absorve parte extrema- de serviço o módulo de elasticidade do aço pode
mente pequena das forças horizontais ser tomado como igual a 200000 MPa, e ainda le-
vando em conta a deformação por força cortante,
são mostrados a seguir:
114
barras da subestrutura de contraventamento têm
perfil laminado TC 168,3 x 7,1, que possui área
da seção transversal de 36  cm2, obter as forças
axiais solicitantes de cálculo nas barras dessa su-
bestrutura e nos elementos contraventados para
a combinação última de ações mais desfavorável,
considerando uso normal da edificação, usando o
MAES e avaliando-se a sua validade.

Esses deslocamentos são os deslocamentos totais


no nível dos dois andares, e não apenas os desloca-
mentos provocados pelas forças cortantes. No en-
tanto, por simplicidade, de forma conservadora,
serão usados esses mesmos deslocamentos totais
para comparação com o deslocamento horizon-
tal relativo entre pisos indicado, de h/500 (se essa
condição for atendida, automaticamente a condi-
ção de deslocamento no topo limitado a H/400
fica também atendida). Assim, têm-se os seguintes
deslocamentos horizontais relativos: a) Combinação última de ações
• no andar 1: (D1 - 0 = 0,232 – 0 = 0,232 cm) < A combinação última de ações mais desfavorável
(h1/500 = 400/500 = 0,8 cm) " Atende! é constituída pela carga permanente e pela sobre-
carga, e possui a seguinte resultante gravitacional
• no andar 2: (D2 - D1 = 0,386 – 0,232 = 0,154 cm) < nos nós, para uso normal da edificação:
(h2/500 = 400/500 = 0,8 cm) " Atende!

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Pd = 1,35 (Pg,k) + 1,50 (Psc,k) =
1,35 (180) + 1,50 (120) = 423 kN
Salienta-se que essa verificação deve ser feita nas
prumadas dos dois pilares (em nenhuma prumada Como não atuam forças laterais, a essa resultante
os limites podem ser superados). No caso desse gravitacional deve ser acrescida a força nocional
exemplo, no entanto, os deslocamentos laterais Fnd, que simula as imperfeições iniciais geométri-
nas duas prumadas são praticamente iguais. cas, conforme se vê a seguir:

2.11.2. Análise de Sistema Treliçado como


Subestrutura de Contraventamento
A figura a seguir mostra a estrutura de uma edifi-
cação com uma subestrutura de contraventamen-
to, formada pelo sistema treliçado ABC, e com
dois elementos contraventados. Nessa estrutura,
Pg,k e Psc,k são forças características decorrentes ba-
sicamente de peso próprio de equipamentos fixos
e sobrecarga, respectivamente. Sabendo-se que as
115
b) Forças axiais solicitantes de cálculo nas barras da subestrutura de contraventamento

Deve ser feita a análise estrutural elástica de segunda ordem para a combinação última de ações apresentada
anteriormente por meio do MAES. Decompondo a Estrutura Original na Estrutura nt e na Estrutura ℓt, vem:

Estrutura nt

Estrutura Original

Estrutura nt

- Estrutura nt

Na Estrutura nt (basta que seja processado o sistema treliçado ABC, com o apoio fictício colocado dire-
tamente no mesmo), como as barras AC e BC têm o mesmo ângulo, em sentidos opostos, em relação a
uma linha vertical, RSd é igual a 3,81 kN, e apenas a carga gravitacional de 423 kN provoca forças axiais
nessas barras, conforme se vê a seguir:

116
Estabelecendo as condições de equilíbrio do nó C a forças horizontais e verticais, respectivamente, tem-se:

–Nnt,Sd,AC sen + Nnt,Sd,BC sen = 0  Nnt,Sd,BC = Nnt,Sd,AC


423
–Nnt,Sd,BC cos – Nnt,Sd,AC cos – 423 = 0  -2 Nnt,Sd,AC cos = 423  N nt ,Sd , AC  -  -208,71 kN
2  0,9868

Nnt,Sd,BC = –208,71 kN

- Estrutura ℓt

A Estrutura ℓt está submetida apenas à reação de apoio RSd de sentido contrário, como se vê a seguir:

Estabelecendo o equilíbrio do nó C a forças verticais e horizontais, respectivamente, tem-se:

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


–Nt,Sd,AC cos – Nt,Sd,BC cos= 0  Nt,Sd,AC = – Nt,BC

3,81
3,81 + Nt,Sd,BC sen – Nt,Sd,AC sen = 0  2 Nt,Sd,AC sen= 3,81  N t ,Sd , AC   11,58 kN
2  0,1645

Nt,Sd,BC = -11,58 kN

  - Valor do coeficiente B2

Com a força horizontal no nó C de 3,81 kN, deve-se calcular o deslocamento horizontal desse nó (DC)
tomando o módulo de elasticidade do aço como igual a Ea,red , ou seja, 16000 kN/cm2, para consideração
das imperfeições iniciais de material. Para isso será usado o Princípio dos Trabalhos Virtuais (PTV), se-
gundo o qual:
2
ni N i
C  ∑ Li  
E A
i 1 a ,red i

117
onde ni são as forças axiais nas barras AC e BC decorrentes de uma força horizontal unitária aplicada no
nó C (obviamente, essas forças axiais são iguais, respectivamente, a Nℓt,Sd,AC e Nℓt,Sd,BC divididas por 3,81)
e Ni são as forças axiais nas barras AB e BC decorrentes da força de 3,81 kN atuante no nó C (Nℓt,Sd,AC e
Nℓt,Sd,BC, respectivamente). Logo, tem-se:

11,58   11,58   1
C    11,58  608     11,58 608  0,074 cm
 3,81  3,81   16000  36
 
Com h = 600 cm, Rs = 1,00, Dh = DC  = 0,074 cm, e com

SNSd = 3 x 423 = 1269 kN


SHSd = 3,81 kN
vem
1 1
B2    1,043  
1  h ∑ N Sd 1 0,074 1269
1 1
R s h ∑ H Sd 1,0 600 3,81

- Valores das forças axiais solicitantes de cálculo

Os valores das forças axiais solicitantes de cálculo, a serem usados na verificação dos estados-limites últi-
mos da subestrutura de contraventamento, são obtidos conforme segue:

NSd,AC = Nnt,Sd,AC + B2 Nlt,Sd,AC = - 208,71 + 1,043 x 11,58 = -196,63 kN

NSd,BC = Nnt,Sd,BC + B2 Nlt,Sd,BC = - 208,71 + 1,043 (-11,58) = -220,79 kN

c) Forças axiais solicitantes de cálculo nos ele- 2.11.3. Esforços Solicitantes e Verifica-
mentos contraventados ção da Flecha em Barra Birrotulada
Os elementos contraventados ficam submetidos A barra birrotulada mostrada, com 6  m de vão,
à força axial de compressão solicitante de cálculo funciona como viga de cobertura e está subme-
igual a 423 kN. tida às forças gravitacionais características uni-
formemente distribuídas qcp,k e qsc,k, decorrentes
d) Verificação da validade do procedimento de principalmente de peso próprio de elementos
análise estrutural utilizado construtivos industrializados com adições in loco
Como o coeficiente B2 é igual a 1,043, não supe- e de sobrecarga, iguais a 4 kN/m e 2 kN/m, res-
rando, portanto, 1,55, o uso do MAES é válido. pectivamente, e a uma força axial característica
Observa-se ainda que B2, calculado com o módu- de compressão, causada pelo vento, Nve,k, igual a
lo de elasticidade do aço igual a 160000 MPa, é 2000  kN. Sabe-se que a barra é constituída por
inferior a 1,13, o que significa que a estrutura é de um perfil laminado TR  320  x  200  x  10, fletido
pequena deslocabilidade. em relação ao eixo de maior inércia (eixo x), que
118
possui momento de inércia (Ix) igual a 13250 cm4. Pede-se:

- considerando a sobrecarga como ação variável principal, determinar os máximos esforços solicitantes
de cálculo;

- verificar se a flecha atende aos limites permitidos, para estados-limites de serviço reversíveis, sabendo-
se que foi dada uma contraflecha igual a 80% da flecha causada pela carga permanente.

a) Determinação dos Esforços Solicitantes de Cálculo Máximos

A combinação última de ações, com a sobrecarga como ação variável principal, é mostrada na figura seguinte:

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Como os dois nós extremos da barra são indes- O momento fletor máximo ocorre na seção cen-
locáveis transversalmente, pode-se aplicar o dis- tral da barra e, na sua obtenção, como se afirmou
posto no Subitem 2.9.2.4 para estruturas com anteriormente, deve-se considerar o efeito local
deslocamentos laterais impedidos em que exis- P-d, ou seja, a influência da força axial no seu va-
tam momentos fletores. Assim, basta considerar lor. Pelo MAES, tem-se que:
na análise o efeito local P-d nos valores dos mo-
mentos fletores, sem levar em conta as imper- MSd = B1 M0
feições iniciais geométricas e de material. Dessa com
forma, a força axial de compressão solicitante q d L2 8,6  6 2
de cálculo máxima (Nc,Sd) é própria força axial M0    38,7 kN.m
8 8
de 1680 kN aplicada à barra e a força cortante
solicitante de cálculo máxima ocorre junto aos  e, como, nesse caso, Nnt,Sd mais Nℓt,Sd é igual a Nc,Sd,
apoios e é dada por:
Cm
B1  ≥ 1,0  
q d L 8,6 × 6 N c,Sd
VSd = = = 25,8kN 1
2 2 Ne
119

onde Cm é igual a 1,0 por existir forças transversais entre as extremidades da barra, Nc,Sd é a força axial de
1680 kN, e

 2 Ea I x  2  20000  13250
Ne    7265 kN
L2 600 2

Nota-se que neste cálculo  de Ne, como a imperfeição de material não precisa ser considerada, usou-se Ea
(igual a 20000 kN/cm2).
Finalmente:
1,00
B1   1,301  
1680
1
7265
e

MSd = 1,301 x 38,7 = 50,35 kN.m

É interessante ainda destacar que, conforme a teoria apresentada, o valor de MSd calculado é a soma dos
momentos causados na seção central da barra pela carga distribuída qd e pela força axial de compressão
Nc,d, este último momento decorrente do efeito local P-d.
Se a força axial fosse de tração, o coeficiente de amplificação B1 deveria ser tomado como 1,0 e o momento
fletor seria apenas aquele causado pela carga transversal concentrada (M0), ou seja, igual a 38,7 kN.m.
b) Verificação da Flecha

Inicialmente, devem ser obtidas as flechas máximas causadas pela carga permanente e pela sobrecarga, em
valores característicos. Essas flechas, que ocorrem no meio do vão, são iguais, respectivamente, a:

5  q cp ,k  L4 5  0,04  600 4
 cp    0,25 cm
384  E a  I x 384  20000  13250

5  q sc ,k  L4 5  0,02  600 4
 sc    0,13 cm
384  E a  I x 384  20000  13250

 
A contraflecha da viga será igual a:
dc = 0,80 x 0,25 = 0,20 cm
Como deve ser usada a combinação frequente de serviço, uma vez que o estado-limite é reversível, com
base na Equação (2.10), a flecha total será:
dt = 0,25 + 0,7 (0,13) – 0,20 = 0,14 cm

120
Comparando com a flecha máxima permitida (dp) para vigas de cobertura, igual a L/250, vem:

L 600
 t  0,14   p    2,40 cm
250 250
 
Portanto, a flecha da viga encontra-se dentro de limites aceitáveis. Observa-se, nesse caso, que mesmo que
não fosse dada contraflecha às vigas, não haveria problemas, pois a flecha total seria:
dt = 0,14 + 0,20 = 0,34 cm
valor ainda bastante inferior ao limite de 2,40 cm.

2.11.4. Análise e Dimensionamento de


Viga Treliçada de Planta Industrial
As estruturas de suporte para correia transporta-
dora são equipamentos típicos de plantas indus-
triais para o transporte de granulados (carvão,
minérios, grãos ou brita em usinas de concreto).
A figura a seguir apresenta dois exemplos de siste-
mas de transporte, o primeiro elevado e o segun-
do de uma retomadora de minério, a qual inclui
um sistema de correia transportadora no interior Lança de uma recuperadora de minério com correia trans-
da sua lança, fabricada em perfis tubulares de aço. portadora no seu interior
Nessa figura observa-se também a seção transver-
sal da lança com a correia transportadora e a junta
soldada multiplanar da lança formada por tubos
de aço.

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Junta soldada multiplanar da lança formada por tubos de aço

Correia transportadora elevada

Seção transversal da lança com a correia transportadora 121


A estrutura a ser analisada é formada por duas treliças planas verticais laterais, que suportam o sistema
de correias transportadoras e demais equipamentos, sendo carregada nos nós superiores e inferiores. Esse
sistema implica em ligações no plano horizontal entre os banzos inferiores e superiores das duas treliças
principais verticais, garantindo desse modo a contenção lateral das vigas treliçadas verticais e aumentan-
do sua capacidade resistente à flambagem lateral. O modelo de análise adotado, que considera uma viga
treliçada isolada (2D), e o carregamento atuante, já em valores de cálculo, estão apresentados na figura
seguinte (Requena, 2013).

Geometria da treliça principal vertical lateral da transportadora (unidade: milímetro)

Geometria e dimensões da treliça principal vertical lateral da transportadora (unidade: milímetro)

Carregamento total em valor de cálculo, sem o peso próprio da treliça (unidade: tf )

122
Esses carregamentos correspondem às ações de cálculo (já majoradas). Nesses valores não está incluído o
peso próprio da treliça, porém, na análise da estrutura esse peso próprio foi levado em consideração pelo
programa computacional de análise, sendo majorado em 1,25.

As barras das treliças foram adotadas com aço estrutural VMB350, com resistência ao escoamento
fy=350 MPa e módulo de elasticidade Ea=200 GPa.
Serão explorados dois modelos de análise, conforme resumido na tabela a seguir.

Condições das ligações entre


Modelo de análise Excentricidades nos nós Tipo de ligação
diagonais e banzos
1) Treliçado ideal com as
As ligações com sobreposição ou com
diagonais concorrendo com os Sobrepostas ou com chapas
Inexistente chapa de ligação são mais complexas do
banzos no ponto de trabalho, de ligação
que as ligações com afastamento
PT
As ligações com afastamento podem ser
2) Treliça modelada
executadas com maior facilidade através
considerando as excentricidades Existente Com afastamento
de um único corte nas extremidades
das ligações
das diagonais
 
Será considerado inicialmente o modelo 1 sem excentricidades nos nós, sendo para isso necessário adotar
detalhe de ligação soldada sobreposta ou com chapas de ligação (passante ou de topo), conforme pode ser
observado na figura que segue (Requena, 2013).

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Posteriormente, será considerado o modelo 2 para análise, com adoção de junta soldada com afastamento,
sem, no entanto, anular as excentricidades nos nós, conforme ilustrado na figura a seguir (Requena, 2013).

O modelo 1, sem excentricidades nos nós, considera os banzos como barras contínuas apoiadas nas diago-
nais que, por sua vez, encontram-se com as extremidades sem restrições a rotações (rotuladas). Observa-se
que a condição real das ligações de extremidade das diagonais não garante a liberação da rotação nessas
posições, mas, no entanto, a esbeltez elevada desses elementos torna o efeito de extremidades desprezável,
condição essa que pode ser assegurada pela relação geométrica L/h > 6, onde L é o comprimento da barra
e h a altura da seção transversal. Os resultados obtidos da análise e dimensionamento das barras estão
incluídos na figura seguinte, onde se observam: (a) os perfis tubulares adotados, considerando o aço es-
trutural com resistência ao escoamento fy = 350 MPa, (b) o coeficiente de aproveitamento (relação entre
123
esforços solicitante e resistente de cálculo) levando-se em conta o coeficiente de flambagem K = 1,0 para
o banzo comprimido e as diagonais, e (c) o coeficiente de aproveitamento considerando o coeficiente de
flambagem K = 0,9 para o todas as barras (Requena, 2013). Mais detalhes a respeito do dimensionamento
podem ser encontrados no Capítulo 3.

A numeração das barras adotada no modelo de análise está ilustrada a seguir. A análise da estrutura foi
excutada com auxílio de programa computacional.

Para o dimensionamento das barras comprimidas fo- Com relação às condições de extremidade das
ram adotados dois critérios distintos: (i) segundo a cur- barras, o banzo comprimido, tomado como con-
va de flambagem da norma ABNT NBR8800:2008 e tínuo e apoiado nos pontos de ligação com as dia-
(ii) segundo a curva de flambagem da norma brasi- gonais, permite o desenvolvimento do modo de
leira ABNT NBR 16239:2013, dirigida a tubos de flambagem por flexão, formando uma meia onda
aço laminados a quente, sem costura, ou tubos com senoidal. O efeito da continuidade da barra afe-
ou sem costura desde que tratados termicamente ta o modo de flambagem, o qual não reproduz
para alívio de tensões residuais de fabricação. (embora sua deformada pareça análoga) o caso
clássico da “coluna de Euler”, para a qual as ex-
O uso de procedimentos de verificação automática tremidades devem estar apoiadas em rótulas ide-
da segurança estrutural disponível em programas ais, com liberação completa das rotações. O efeito
de análise estrutural, como é o caso do recurso Steel da continuidade promove condições de extremi-
Checking disponibilizado no programa SAP2000 dade com restrição parcial das rotações nos nós
[CSI, 2015], por exemplo, pode ser realizado se- intermediários do banzo, sendo possível calcular
guindo os critérios acima referidos das normas o valor teórico da força crítica de flambagem des-
brasileiras, desde que o usuário tome as seguin- sa barra com apoios intermediários. No entanto,
tes precauções, considerando que as prescrições para fins práticos, é considerado aceitável que os
das normas ABNT não estão incluídas em mui- trechos sob compressão axial do banzo de viga
to desses programas de análise: (i) para o caso da treliçada formada por tubos de aço sejam dimen-
ABNT NBR 8800:2008, adotar as prescrições da sionados tomando o coeficiente de flambagem
norma norte americana ANSI/AISC360-10, cuja K = 0,9, conforme a ABNT NBR 16239:2013.
curva de flambagem na compressão é a mesma, (ii)
para o caso da ABNT NBR 16239:2013, adotar os Adicionalmente, conforme preconizado pela
critérios da norma canadense CAN/CSA-S16-01, to- ABNT NBR 16239:2013, as diagonais e mon-
mando o cuidado de especificar o valor adequado do tantes tubulares, desde que ligados por solda a
expoente da equação da curva de flambagem válida toda a volta aos banzos, devem ser dimensiona-
para tubos de aço laminados a quente, sem costura, ou dos levando em conta o coeficiente de flambagem
tubos com ou sem costura desde que tratados termica- K = 0,9 ou 0,75, desde que o parâmetro geomé-
mente (1/2,24), conforme a equação a seguir. trico β (relação entre larguras ou diâmetros de
diagonais e banzos) obedeça aos seguintes valores
1 (mais detalhes sobre esse assunto encontram-se no
�� � ����
�⁄���� Capítulo 3):
�1 � �����
� �
124
K = 0,9 para β >0,6;

K= 0,9 para β ≤ 0,6.

As seguir estão indicados os tubos de aço adotados (tubos quadrados TQ e retangulares TR) e os
coeficientes de aproveitamento resultantes da análise estrutural para as seguintes condições: (i) coe-
ficiente de flambagem K das barras dos banzos igual a 1,0 ou 0,9, (ii) dimensionamentos das barras
comprimidas segundo a curva de flambagem da norma ABNT NBR 8800:2008 ou ABNT NBR
16239:2013, que coincidem com aqueles das normas ANSI/AISC 360-10 e CAN/CSA-S16-01,
respectivamente, conforme referido anteriormente.

Coeficiente de aproveitamento, no dimensionamento das barras, considerando o coeficiente de flambagem K = 1,0 em todas as barras.

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Segundo a norma ABNT NBR 8800:2008 (e ANSI/AISC 360-10).

Segundo a norma ABNT NBR 16239:2013 (e CAN/CSA-S16-01).

125
Coeficiente de aproveitamento, no dimensionamento das barras, considerando o coeficiente de flamba-
gem K = 0,9 em todas as barras.

Segundo a norma ABNT NBR 8800:2008 (e ANSI/AISC 360-10).

Segundo a norma ABNT NBR 16239:2013 (e CAN/CSA-S16-01).

Percebe-se dos resultados acima que a considera- de barra adicionais, rígidos (elementos de ligação
ção dos critérios da norma brasileira ABNT NBR EL, conforme apresentado na Figura 2.18), con-
16239:2013, combinados com o coeficiente de forme se observa na figura seguinte. Nesse caso,
flambagem K=0,9, conduz a uma verificação ade- os elementos adicionais são adotados com a seção
quada do dimensionamento (coeficiente de apro- dos tubos do banzo superior, módulo de elastici-
veitamento inferior a 1,0 em todas as barras), ao dade igual a 4 vezes o módulo convencional do
contrário das demais soluções apresentadas. aço Ea, ou seja, 800 GPa, e massa específica nula
(Requena, 2013).
Finalmente, comparando os resultados com a
adoção de K = 1,0 e K =0,9, confirma-se o bene- A consideração da treliça sem excentricidade re-
fício de se adotar uma restrição parcial na rotação sulta em ligações sobrepostas tanto no banzo
de extremidade dos banzos, resultando em uma superior quanto no banzo inferior. Para evitar a
redução dos coeficientes de aproveitamento. execução das ligações sobrepostas foi aplicado um
afastamento de 15 mm entre as barras das diago-
Já o Modelo 2, com ligações soldadas com afasta-
nais, tanto no banzo superior quanto no banzo
mento, certamente se beneficia da tipologia ado-
inferior. Esse afastamento resultou nas seguintes
tada para o processo de fabricação, mas resulta
excentricidades: banzo superior: 107,5 mm; e
em uma estrutura com excentricidades nos nós. A
banzo inferior: 82,5 mm.
análise dessa viga treliçada foi executada com a in-
clusão das excentricidades por meio de elementos
126
Coeficiente de aproveitamento, no dimensionamento das barras, considerando o coeficiente de flambagem K = 1,0 em todas as barras.

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


Segundo a norma ABNT NBR 8800:2008 (e ANSI/AISC 360-10).

Segundo a norma ABNT NBR 16239:2013 (e CAN/CSA-S16-01).


127
Coeficiente de aproveitamento, no dimensionamento das barras, considerando o coeficiente de flamba-
gem K = 0,9 em todas as barras.

Segundo a norma ABNT NBR 8800:2008 (e ANSI/AISC 360-10).

Segundo a norma ABNT NBR 16239:2013 (e CAN/CSA-S16-01).

Levando-se em conta as considerações anteriores e aplicando-se os mesmos critérios de análise descritos


para o Modelo 1, os resultados finais indicam algumas barras da treliça com aproveitamento superior a
1,0, ou seja, não compatíveis com os esforços atuantes. Portanto, para permitir a utilização da treliça com
excentricidades nos nós, foi necessário trocar algumas barras, conforme indicado a seguir.

Como apenas as duas barras das extremidades do banzo superior da treliça foram aprovadas com o perfil
TQ 150X150X8,2, considerando K = 1,0, foi adotado o mesmo perfil para todo o banzo superior da tre-
liça (TQ 150X150X12,7), de modo a uniformizar resultando na estrutura ilustrada a seguir.

128
Nessa condição, as análises considerando todas as hipóteses dotadas (K=1,0 ou 0,9 e normas ABNT
NBR 8800:2008 ou ABNT NBR 16239:2013) resultaram sempre adequadas conforme ilustrado a seguir.

Coeficiente de aproveitamento, no dimensionamento das barras, considerando o coeficiente de flamba-


gem K = 1,0 em todas as barras.

Segundo a norma ABNT NBR 8800:2008 (e ANSI/AISC 360-10).

Segundo a norma ABNT NBR 16239:2013 (e CAN/CSA-S16-01).

Coeficiente de aproveitamento, no dimensionamento das barras, considerando o coeficiente de flamba-


gem K = 0,9 em todas as barras.

Segundo a norma ABNT NBR 8800:2008 (e ANSI/AISC 360-10). Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural

Segundo a norma ABNT NBR 16239:2013 (e CAN/CSA-S16-01).


129
Esses exemplos serviram para apresentar a se- 2.11.5. Análise de Vigas Treliçadas
quência usual na definição da estrutura (geome- Invertidas de Passarela para Pedestres
tria, tipologia das ligações e perfis estruturais),
análise, verificação do atendimento da segurança Este exemplo apresenta uma passarela projetada
e eventuais adaptações do sistema estrutural origi- em perfis tubulares com ligações soldadas, ilustra-
nal até o atendimento da segurança requerida das da na figura a seguir, com sete vãos de 22 m e dois
barras. Além disso, apenas foram indicados os re- balanços extremos de 3,35 m cada. A estrutura
sultados das verificações da resistência das barras, foi concebida com duas vigas treliçadas do tipo
não estando no seu escopo a verificação das liga- Warren, invertidas e contínuas (sem juntas), sem
ções propostas. Os procedimentos para dimensio- contraventamento superior, com piso formado
namento de barras de viga treliçada apresentada por laje mista de aço e concreto com fôrma de aço
estão detalhados no Capítulo 3 e os procedimen- incorporada, sendo essa laje ligada às transversinas
tos para dimensionamento de ligações estão no por conectores de cisalhamento pinos com cabeça.
Capítulo 5.

A figura seguinte apresenta a vista lateral típica de um vão. Verifica-se que as ligações são projetadas com
afastamento, resultando nas seguintes excentricidades nos nós: diagonal-banzo superior e  =  59,8  mm;
diagonal-banzo inferior e = -30mm (convenção de sinais das excentricidades nos nós: para fora da treliça
e > 0, para dentro da treliça e < 0).

130
A seção transversal da passarela, no apoio e no vão, está ilustrada na próxima figura, com banzos superiores
e diagonais em tubos circulares, respectivamente TC 141,3 x 10,0 e TC 101,6 x 6,3, e banzos inferiores
em tubos retangulares TR 360 x 210 x 8,8. As transversinas que ligam os banzos inferiores são formadas
por tubos de seção quadrada TQ 150 x 6,3. As travessas de apoio são formadas por dois tubos retangulares
justapostos e ligados por solda. Os pilares são formados por tubos de aço de seção circular.

Seção transversal típica no apoio

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural

A seção transversal típica no vão caracteriza viga treliçada invertida do tipo pony truss. 131
Será examinada a condição julgada a mais desfa- O modelo de análise deve contemplar as excen-
vorável no presente caso, tomando o carregamen- tricidades nos nós seguindo o mesmo tipo de
to de multidão em vãos alternados. A ação variá- solução adotada no exemplo anterior. Na figu-
vel principal é, portanto, de QS =  5 kN/m2 sobre ra seguinte encontra-se a distribuição de forças
a laje, valor preconizado para o carregamento de axiais e momentos fletores nas barras (no plano
multidão em passarelas de pedestres pela ABNT da viga treliçada), com destaque para os mo-
NBR 7188:2013. A combinação última de ações mentos no banzo superior, que deverão ser leva-
para análise da flambagem inclui a ação perma- dos em conta nos cálculos da capacidade resis-
nente de peso próprio da estrutura, GS, e a ação tente das barras desses componentes de aço da
variável de multidão: treliça (flexocompressão). Adicionalmente, per-
cebe-se na mesma figura que o banzo inferior da
QS = 1,25GSa + 1,35GSc + 1,5QS viga treliçada, por servir de suporte para a laje
sendo GSa e GSc, respectivamente, as ações de peso através das barras transversinas (a laje se apoia
próprio da estrutura de aço e do concreto lança- sobre as barras transversinas, conforme referido
do no local para a execução da laje mista. Adicio- anteriormente), desenvolve momentos fletores
nalmente, como já explicado, a ação variável QS muito importantes, devendo ser dimensionado
deve ser aplicada na condição mais desfavorável, de forma adequada como elemento estrutural
em vãos alternados. Outras combinações devem tubular sob efeitos combinados de flexotração
ser examinadas (incluindo o vento e efeito de va- ou flexocompressão, respectivamente na região
riação de temperatura), mas, a título de exemplo, central do vão ou sobre o apoio.
será tomada apenas essa condição de carregamen-
to da estrutura.

Resultado da análise estrutural: forças axiais NSd

Forças axiais NSd (kN) para combinação normal: 1,25GSa + 1,4 GSc + 1,5QS
Barra 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Nsd -5,5 -206,9 -376,7 -484,2 -532,6 -521,7 -451,6 -322,0 -133,7 119,3
132
Resultado da análise estrutural: momentos fletores MSd

No presente exemplo, no entanto, o interesse reside recurso permite a identificação dos modos de
na investigação da flambagem lateral do banzo supe- flambagem elástica de forma precisa, sendo
rior, que se encontra destravado lateralmente. Con- em muitos casos indispensável na análise de
forme Ziemian (2010), esse tipo de sistema treliçado estruturas metálicas.
é conhecido como pony truss, sendo a flambagem do
banzo comprimido um estado-limite último a ser 2. Análise de forma aproximada da flambagem
verificado. Nesse caso, como se trata de viga treli- do banzo comprimido, utilizando para isso
çada contínua, os esforços de compressão no banzo procedimentos sugeridos na literatura por
superior na região central dos vãos podem conduzir Ziemian (2010) e outros autores para esses
à flambagem lateral do conjunto, cabendo às dia- casos, adotando-se modelos simplificados do
gonais contribuírem para a estabilidade dos banzos banzo como uma barra contínua e contida
comprimidos (no caso de treliça com montantes ver- lateralmente por apoios elásticos (como mo-
ticais esses elementos também devem ser considera- las de translação), que representam a ação das
dos na estabilização do banzo superior). As diagonais barras diagonais (e montantes, se houver).
encontram-se soldadas nos banzos inferiores, sendo Esse procedimento encontra-se atualmente
esses parcialmente impedidos de sofrerem torção bastante ultrapassado pelas soluções numéri-

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


pela sua própria rigidez à torção como elementos de cas de autovalor oferecidas por vários progra-
tubo, assim como pela contribuição das transver- mas computacionais de análise de estruturas
sinas, que atuam como elementos mistos de aço e (buckling analysis citado anteriormente).
concreto, condição essa garantida pelos conectores A figura a seguir apresenta o primeiro modo de
de cisalhamento. A eficiência desse sistema estrutural flambagem obtido do modelo completo de aná-
depende da rigidez à flexão do banzo comprimido, lise (3D), sendo possível identificar a flambagem
diagonais e transversinas mistas, de modo a evitar a lateral do conjunto das treliças planas. Esse mo-
ocorrência da flambagem lateral no banzo superior delo inclui as vigas treliçadas Warren (formada
comprimido. A verificação desse estado-limite de- por elementos de barra espaciais - seis graus de
pende fundamentalmente da análise da flambagem liberdade) e a laje (elementos de placa), essa úl-
elástica do sistema estrutural. Para isso, é possível tima devidamente conectada nas barras transver-
analisar o problema de duas formas distintas: sinas (elementos de barra). O valor calculado do
1. Análise da flambagem do conjunto estrutu- autovalor para esse primeiro modo de flambagem
ral, adotando para isso o recurso de “análise é igual a 4,2. Esse resultado indica que o modo
de flambagem” (solução de autovalores na de flambagem lateral identificado na figura ocorre
opção buckling analysis) em geral disponível para um carregamento, nomeado como “crítico”1,
nos programas de análise de estruturas for- igual a 4,2 vezes a combinação de ações aplicada
madas por barras, placas e cascas (CAE). Esse originalmente na estrutura.
133
1 - Da teoria da estabilidade, “carregamento crítico” indica condição de equilíbrio neutro em uma estrutura sem imperfeições geométricas iniciais, ou seja, para carregamento imediatamente
inferior a condição é de equilíbrio estável e, ao contrário, para carregamento imediatamente superior a estrutura encontra-se em equilíbrio instável.
Esse resultado, embora indique carregamento dos resultados da análise de flambagem, sendo
crítico de flambagem superior ao da combinação essa a parcela da contribuição elástica na resis-
escolhida como exemplo de análise do presente tência, à qual deve ser adicionada a contribui-
caso, não garante a segurança estrutural, sendo ção da evolução da plasticidade que, em última
ainda necessário verificar o estado-limite último instância, vai definir a formação do mecanismo
de resistência do conjunto estrutural associado ao de colapso estrutural.
modo de flambagem lateral identificado.
A solução do problema acima descrito passa pelas
A capacidade resistente da estrutura (das barras seguintes opções para a verificação do estado-li-
do banzo superior que desenvolvem o modo de mite último:
flambagem ilustrado na figura anterior) depende
134
a) A verificação realista implica na análise não linear da estrutura, levando em conta:

i. o desenvolvimento do modo de flambagem (amplificação gradual dos deslocamentos, esforços inter-


nos e tensões);

ii. o comportamento elastoplástico da estrutura, introduzindo para isso o efeito da ductilidade do aço
com base no modelo idealizado do material elastoplástico.

b) A verificação aproximada da capacidade resistente, segundo a qual é possível considerar o modo de


flambagem calculado numericamente, conforme a figura anterior, ao qual estão associadas as forças axiais
solicitantes de cálculo NSd, vistas anteriormente, multiplicadas pelo coeficiente de flambagem (buckling
factor) igual a 4,2. Desse modo, o carregamento crítico de flambagem do banzo superior comprimido
ocorre para as forças axiais indicadas na tabela seguinte.

Forças axiais no banzo superior na configuração crítica de flambagem e coeficiente de flambagem igual a 4,2 (unidade kN).
Barra 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
NSd -23,1 -869,0 -1582,1 -2033,6 -2236,9 -2191,1 -1896,7 -1352,4 -561,5 501,1

O primeiro procedimento, descrito na alínea “a”, flambagem, é recomendado para o presente caso,
deve permitir a identificação do mecanismo de pois permite o cálculo da capacidade resistente de
colapso, desde que: forma simplificada e aproximada. Desse modo, po-
de-se tomar a força axial solicitante máxima no tre-
1. o programa de análise (CAE) esteja habilitado cho considerado como a força crítica de flambagem
para esse tipo de análise (em geral, programas elástica Ne =  NSd =  532,6  x  4,2  =  2236,9  kN (ver
de análise dedicados a projetos de engenharia tabela anterior) e, a seguir, aplicar o fator de redu-
civil não incluem a não linearidade do material ção associado à resistência à compressão preconizado
– plasticidade – com base em modelos realistas nas normas brasileiras ABNT NBR 16239:2013 e

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


de plasticidade distribuída, apenas permitem ABNT NBR 8800:2008 para estruturas formadas
a consideração dos efeitos de grandes desloca- por tubos estruturais (ver esse assunto detalhada-
mentos em regime elástico na opção “análise mente no Item 3.3 do Capítulo 3). Para os tubos
incremental”). É necessário, portanto, o aces- laminados a quente (sem costura), ou, ainda, lami-
so a programas comerciais de análise mais ge- nados a frio ou soldados e submetidos a tratamento
ral pelo método dos elementos finitos, como térmico de alívio de tensões residuais, o fator de re-
o Ansys (Ansys Reference Manual, 2004) e o dução apresenta valores mais elevados do que para os
Abaqus (Simulia Corp., 2013), entre outros; tubos laminados a frio ou soldados sem tratamento
2. o responsável pela análise esteja habilitado para alívio de tensões residuais. Os resultados dos
(tenha conhecimento e experiência) no ma- cálculos da força de compressão resistente de cál-
nejo dessas rotinas computacionais. A análise culo do banzo comprimido (TC 141,3 x 10,0) da
não linear de estruturas, se implementada de viga treliçada, bem como do coeficiente de aprovei-
forma inadequada, pode levar a incorreções tamento, estão indicados na tabela seguinte para os
importantes, difíceis de serem identificadas dois casos comentados: (i) tubos laminados a quente
por usuários inexperientes. e tubos laminados a frio ou soldados com tratamen-
to de tensões residuais e (ii) tubos laminados a frio
Já o segundo procedimento, descrito na alínea ou soldados sem tratamento de alívio das tensões re-
“b”, que considera as forças axiais associadas à siduais de fabricação.
135
Tubo laminado a quente Tubo soldado, sem alívio de tensões residuais

Ag = 4120 mm2 Ag = 4120 mm2


fy = 300 MPa fy = 300 MPa
Ne = 2236,9 kN Ne = 2236,9 kN
Q = 1,0 Q = 1,0
QAf y QAf y
λ0 = = 0,74 λ0 = = 0,74
Ne Ne
1
2

x= = 0,90 x = 0,658λ0 = 0,79


(1+ λ04,48 )1/2,24 QxAf y
QxAf y N cRd = = 891,6KN
N cRd = = 1012,0KN λa1
λa1 Coeficiente de aproveitamento:
Coeficiente de aproveitamento: N Sd 532,6
= = 0,60
N Sd 532,6 N cRd 981,6
= = 0,53
N cRd 1012,0


Viu-se, portanto, que os procedimentos sugeridos ferior das vigas treliçadas invertidas. A figura se-
e comentados na alínea “a” (verificação realista) guinte também ilustra a diferença entre os modos
conduzem a cálculos fora da prática corrente em de flambagem para as fases de serviço e construti-
projeto de estruturas, enquanto os procedimentos va da estrutura, com destaque para a deformação
sugeridos na alínea “b” (verificação aproximada lateral das vigas treliçadas. Esses resultados confir-
da capacidade resistente do banzo superior) resul- mam a importância da modelagem adequada do
taram adequados no caso do presente exemplo. sistema estrutural com o objetivo de identificar,
Esse último é julgado aproximado pelo fato de as de forma realista, os modos de flambagem e as res-
forças axiais apresentarem variação no trecho con- pectivas combinações de carregamentos críticos
siderado, sendo essa a razão de se tomar a força em distintas fases construtivas.
solicitante máxima nas barras 4, 5 e 6.

A figura seguinte mostra o resultado da análise de


flambagem elástica (buckling analysis) para com-
binação de ações na fase construtiva - primeiro
modo de flambagem da estrutura de aço durante
lançamento do concreto da laje para a combina-
ção de ações de construção quando do lançamen-
to do concreto da laje (1,15GSa+1,30GSc+1,3QS ;
QS=1KN/m2, em vãos alternados). O autovalor
calculado foi igual a 8,9, associado ao modo de
flambagem apresentado. Nessa condição a estru-
tura de aço não conta com a contribuição da laje
mista e a flambagem lateral das vigas treliçadas
conduz ao modo indicado na figura, sendo evi-
dente que a deformação lateral inclui o banzo in-
136
Autovalor: 4,2
1,25GSa + 1,4GSc + 1,5QS Fase de serviço: estrutura mista
QS = 5KN/m2

A figura a seguir mostra a vista em planta dos distintos modos de flambagem da estrutura mista e da es-
trutura de aço, respectivamente nas fases de serviço e de construção durante o lançamento do concreto.

Autovalor: 8,9
1,15GSa + 1,3GSc + 1,3QS
QS = 1KN/m2

Fase de montagem e concretagem.


Estrutura de aço
Apoio

Capítulo 2 - Ações, comportamento, segurança, modelagem e análise estrutural


No caso estudado das vigas treliçadas Warren in- flambagem lateral do banzo superior, poderá ser
vertidas, para o caso da solicitação nas barras se considerada a troca por tubos de maior rigidez e
apresentar superior à capacidade resistente estima- resistência à compressão axial.
da, a solução deverá ser o aumento da rigidez dos
tubos que constituem as diagonais (e montantes Finalmente, conforme comentado anteriormente,
verticais, se houver) conferindo desse modo con- a estabilidade lateral das vigas treliçadas recebe im-
tenção lateral mais eficiente, com o consequente portante contribuição da rigidez à torção do banzo
aumento do carregamento crítico (buckling fac- inferior, sendo desse modo recomendado adotar
tor). Se, ainda assim, não for possível garantir a tubos de paredes mais espessas nessas barras.
segurança com relação ao estado-limite último de

137
ELLINGWOOD, B.; MACGREGOR, J. G.;
2.12. REFERÊNCIAS GALAMBOS, T. V.; CORNELL, C. A. Probabi-
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138
3
3.1. GENERALIDADES
DIMENSIONAMENTO
DE BARRAS DE AÇO

Neste capítulo serão apresentados procedimentos


para o dimensionamento de barras prismáticas
com seções tubulares de aço submetidas a força
axial de tração, a força axial de compressão, a fle-
xão, a torção e a atuação conjunta de dois ou mais
esforços solicitantes, admitindo-se que as ações
atuantes sejam estáticas.

3.2. BARRAS SUBMETIDAS A


FORÇA AXIAL DE TRAÇÃO Figura 3.1(b)Tesouras de cobertura treliçadas

3.2.1. Uso e Aplicação


As barras de aço com seções tubulares submetidas a
força axial de tração (barras tracionadas) aparecem
usualmente compondo treliças planas que funcio-
nam como vigas de piso e de cobertura (tesouras de
cobertura), pilares e contraventamentos (as barras
dessas treliças podem ser tracionadas ou comprimi-
das, dependendo do sentido das ações atuantes), e

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


ainda, como tirantes e pendurais (Figura 3.1).

Figura 3.1(c) Pilares treliçados


Figura 3.1(a) Vigas treliçadas de piso
139
Essas barras aparecem também com frequência
em algumas estruturas de grande vão, como são os
casos de passarelas de pedestres, onde funcionam
como elementos de treliças (no tabuleiro e nos pi-
lares) e como tirantes, e de treliças espaciais com
malha piramidal de cobertura, conforme mostram
as Figuras 3.2-a e 3.2-b, respectivamente.

Figura 3.1(d) Contraventamento

Figura 3.2(a) Passarela de pedestres

Figura 3.1(e) Tirantes

Figura 3.2(b) Treliça espacial com malha piramidal


Figura 3.2 – Casos de uso de barras axialmente tracionadas em
estruturas de grande vão

3.2.2. Estados-limites últimos


3.2.2.1. Identificação

Figura 3.1(f ) Pendurais Em uma barra tracionada podem ocorrer os se-


Figura 3.1 – Exemplos de sistemas com barras axialmente tracionadas guintes estados-limites últimos:

- escoamento da seção bruta (plastificação);

- ruptura da seção líquida.


140
3.2.2.2. Escoamento da Seção Bruta ga1 o coeficiente de ponderação da resistência, igual
a 1,10 para estados-limites últimos relacionados ao
Uma forma de colapso ocorre quando a força de escoamento, conforme visto no Subitem 2.3.2.4.
tração atuante em uma barra é igual à força axial
de escoamento da seção bruta, dada por:

Ny = Ag fy (3.1) 3.2.2.3. Ruptura da Seção Líquida


onde Ag é a área bruta da seção transversal e fy a resis- 3.2.2.3.1. Área Líquida Efetiva
tência ao escoamento do aço. Nessa circunstância, a
barra se encontra em situação de escoamento gene- Nas regiões de ligação das barras tracionadas a
ralizado (plastificação) e sofrerá um alongamento outros componentes da estrutura, muitas vezes se
excessivo, o que pode causar a ruína do sistema do tem uma área de trabalho inferior à área total da
qual faz parte. A esse estado-limite último dá-se o seção transversal, devido à presença de furos, no
nome de escoamento da seção bruta. Um exemplo caso de ligação parafusada, e também à distribui-
é apresentado na Figura 3.3, onde a diagonal tracio- ção não uniforme de tensões, causada por concen-
nada de uma treliça atingiu o escoamento por tração tração de tensões nas regiões por onde a força axial
e seu comprimento aumentou demasiadamente, al- é transmitida (nessas regiões se situam parafusos
terando a geometria da treliça e as forças axiais nas ou soldas e, muitas vezes, chapas de ligação, en-
barras para valores não previstos, o que precisa ser tre outros elementos). Nas barras tracionadas com
evitado, pois o resultado pode ser o colapso. perfis tubulares, por exemplo, uma ligação usual
consiste na colocação de uma chapa de ligação
soldada concêntrica, conforme um dos modelos
mostrados na Figura 3.4 (esses modelos podem
ser utilizados para perfis tubulares circulares e re-
tangulares). No primeiro modelo, o perfil tubular
é recortado e a chapa soldada longitudinalmente,
com folga entre sua extremidade e o final do re-
corte e, no segundo, a chapa é soldada também ao
longo da espessura, sem folga.

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


Figura 3.3 – Escoamento da seção bruta

Para que o escoamento da seção bruta não ocorra,


deve-se ter, conforme a ABNT NBR 8800:2008:

Ag f y
N t ,Sd ≤  
γ a1 (3.2)

onde Nt,Sd é a força axial de tração solicitante de cál-


culo, obtida com a combinação de ações de cálculo
apropriada (ver Subitem 2.3.2.3 no Capítulo 2), e
Figura 3.4(a) Tubo recortado e chapa com folga
141
primento da ligação superior ou igual ao diâme-
tro externo e menor que 1,30 vez esse diâmetro, e
nas barras com seção tubular retangular em que o
comprimento da ligação não seja inferior ao com-
primento total do lado paralelo à chapa concêntri-
ca, o coeficiente deve ser obtido pela seguinte ex-
pressão, fornecida pela ABNT NBR 8800:2008:

ec
C t = 1− ≤ 0,90   (3.4)
ℓc

onde ec é a excentricidade da ligação, igual à dis-


tância do centro geométrico G de cada uma das
duas partes da seção da barra separadas pela chapa
concêntrica ao plano de cisalhamento mais próxi-
mo, cujos valores são mostrados na Figura 3.5-b
(a ABNT NBR 8800:2008, simplificadamente,
Figura 3.4(b) Tubo recortado e chapa sem folga nas fórmulas mostradas nessa figura, suprime o
Figura 3.4 – Modelos de ligação entre chapa concêntrica e termo tc/2).
perfil tubular

Nessas ligações, as regiões da parede do tubo pró-


ximas da chapa concêntrica ficam submetidas a
uma tensão maior que outras mais distantes dessa
chapa. Por essa razão, considera-se uma área de
trabalho submetida a tensão constante, igual à
máxima atuante e, evidentemente, inferior à área
bruta da seção transversal. Essa área de trabalho é
denominada área líquida efetiva e dada por:
Ae = Ct Ag (3.3) Figura 3.5(a) Comprimento lc

onde Ct é um coeficiente de redução, no caso apli-


cado à área bruta Ag (chama-se aqui a atenção para
o fato de que nas barras onde existem furos para
ligação parafusada, a redução da capacidade resis-
tente causada por esses furos precisa ser considerada
e, para tal, usa-se no lugar da área bruta uma outra
área, denominada área líquida e simbolizada An).
Para o tipo de ligação mostrado na Figura 3.4, nas
barras com seção tubular circular em que o com-
primento da ligação lc (comprimento da solda na
direção da força axial - ver Figura 3.5-a) seja su-
perior ou igual a 1,30 vez o diâmetro externo da
barra d, o coeficiente Ct deve ser tomado, confor- Figura 3.5(b) Valores da excentricidade ec
me a ABNT NBR 8800:2008, igual a 1,0. Ainda
Figura 3.5 - Ligações com chapas concêntricas
nas barras com seção tubular circular, com com-
142
A ABNT NBR 16239:2013, com base em pes- desde que comprimento da ligação não seja infe-
quisas mais recentes (ver, por exemplo, Packer, rior ao comprimento total dos lados paralelos às
2006 e Martinez-Saucedo e Packer, 2009), permi- chapas (ver Figura 3.6, na qual é fornecido o valor
te que nas barras com seções tubulares circular e da excentricidade ec a ser adotada).
retangular, o coeficiente Ct seja determinado por:

−10
' ! $3,2 *
e
C t = )1+ # c & ,   (3.5)
)( " ℓ c % ,+

Essa equação é aplicável desde que a ligação entre a


chapa concêntrica e o perfil tubular seja executada de
acordo com Figura 3.4, como é óbvio, e que, ainda:
- nos perfis circulares, a relação entre diâmetro
Figura 3.6 - Ligação de perfil tubular retangular por chapas solda-
externo e espessura (d/t) não supere 45 e que o das em dois lados opostos
comprimento da ligação lc seja superior ou igual
ao diâmetro externo d da seção transversal; É interessante observar que a Equação (3.5), da
ABNT NBR 16239:2013, contempla com maior
- nos perfis retangulares, a relação entre a altura precisão o comportamento dos perfis tubulares que
da seção transversal perpendicular à chapa de o procedimento geral fornecido pela ABNT NBR
ligação e a espessura (h/t no caso da Figura 3.5- 8800:2008, que tem por base o ANSI/AISC 360-
b) não supere 45 e que o comprimento da liga- 05 (esse procedimento foi mantido no ANSI/AISC
ção lc não seja inferior ao comprimento total 360-10). De fato, por esse último procedimento,
do lado paralelo à chapa concêntrica (b no caso quando a razão entre comprimento da ligação e o
da Figura 3.5-b). diâmetro de um perfil tubular circular (lc/d) for
igual a 1,30, o valor do coeficiente Ct varia abrup-
Muitas vezes, as barras com seção tubular retangu-
tamente de 0,755 para 1,00, como mostra a Figura
lar são conectadas pelas extremidades por chapas
3.7, denotando uma clara inconsistência.
de ligação soldadas em dois lados opostos, situa-
ção em que Ct deve ser obtido pela Equação (3.4),

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

Figura 3.7 - Procedimento para determinação do coeficiente Ct da ABNT NBR 8800:2008


143
A Figura 3.8, por sua vez, baseada em Packer (2006), mostra a boa concordância entre um conjunto de
resultados de ensaios laboratoriais e análises numéricas para determinados perfis tubulares circulares e os
resultados obtidos pela Equação (3.5) da ABNT NBR 16239:2013. Nessa figura se vê também como os
valores obtidos com a Equação (3.4) da ABNT NBR 8800:2008 ficam distantes dos resultados dos en-
saios e análises numéricas na faixa em que lc/d se situa entre 1,0 e 1,3.

Figura 3.8 - Comparação entre procedimentos para determinação do valor do coeficiente Ct

Chama a atenção o fato de que quando lc/d está en- se caso, não há necessidade de se verificar o esta-
tre 1,0 e 1,3, os resultados dos estudos experimen- do-limite de ruptura da seção líquida, pois este
tais e numéricos e da ABNT NBR 16239:2013 fica automaticamente considerado no dimensio-
ficam bastante superiores aos da ABNT NBR namento da ligação, que deve ser feita de acordo
8800:2008 que, conforme já explicitado, são os com o Capítulo 5.
mesmos do ANSI/AISC 360-10. Isso pode ser
explicado considerando que o procedimento do
ANSI/AISC 360-10 baseou-se em ensaios de per-
fis tubulares circulares para lc/d próximo ou supe-
rior a 1,30 (possivelmente os únicos disponíveis
na época), nos quais se obteve Ct em torno de 1,0.
Assim, simplificadamente e conservadoramente,
para lc/d inferior a 1,30, acredita-se que o ANSI/
AISC 360-10 tenha optado por adotar o mesmo
procedimento desenvolvido e devidamente com-
provado para os perfis de seção aberta.

Também são utilizadas ligações em que se colo-


ca uma chapa de topo soldada na extremidade
do perfil tubular, como se vê na Figura 3.9. Nes- Figura 3.9 - Ligação de perfil tubular com chapa de topo soldada

144
3.2.2.3.2. Condição de Dimensionamento Essa recomendação tem o objetivo de evitar que as
barras tracionadas fiquem demasiadamente flexí-
Quando a tensão na área líquida efetiva alcança a veis e, como consequência, apresentem:
resistência à ruptura do aço (fu), a barra se rompe
junto à ligação, em um estado-limite último que - deformação excessiva causada pelo peso pró-
recebe a denominação de ruptura da seção líquida prio ou por choques durante o transporte e a
(Figura 3.10). montagem;

- vibração de grande intensidade quando atu-


arem ações variáveis, como fortes rajadas de
vento, ou quando existirem solicitações de
equipamentos vibratórios, como compresso-
res e peneiras, e equipamentos móveis, como
pontes rolantes, que podem transmitir vibração
para toda a edificação, causando sensações de
desconforto aos usuários.

3.3. BARRAS SUBMETIDAS A


Figura 3.10 - Ruptura da seção líquida em um perfil
tubular retangular FORÇA AXIAL DE COMPRESSÃO
Para que a ruptura da seção líquida não ocorra, 3.3.1. Uso e Aplicação
deve-se ter, conforme a ABNT NBR 8800:2008:
As barras com seções tubulares submetidas a força
axial de compressão (barras comprimidas), assim
Ae f u como as tracionadas (ver Subitem 3.2.1) aparecem
N t ,Sd ≤   (3.6)
γa2 usualmente compondo treliças planas que funcio-
nam como vigas de piso e de cobertura (tesouras
onde ga 2 é o coeficiente de ponderação da resis- de cobertura), pilares e sistemas de contraventa-
tência, igual a 1,35 para estados-limites últimos mento, e também na composição de treliças espa-
relacionados à ruptura, conforme visto no Subi- ciais com malhas piramidais. Pilares nos quais as
tem 2.3.2.4. vigas (ou outros elementos de cobertura ou piso)
se ligam por meio de rótulas são também barras
comprimidas que aparecem comumente nas es-
3.2.3. Limitação do Índice de Esbeltez truturas de aço (Figura 3.11).

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


O índice de esbeltez das barras tracionadas, to-
mado como a maior relação entre o comprimento
destravado Ld e o raio de giração r corresponden-
te, excetuando-se as barras que são montadas com
pré-tensão, não deve ser superior a 300, ou seja:

⎛ Ld ⎞
⎜ ⎟ ≤ 300 (3.7)
⎝ r ⎠ max

Figura 3.11 - Pilares axialmente comprimidos


145
3.3.2. Estados-limites Últimos 3.3.2.2.1. Descrição do Fenômeno

3.3.2.1. Identificação Considera-se que as barras sempre apresentem uma


curvatura inicial, com um deslocamento transversal
Em uma barra comprimida de seção tubular os v0 na seção central, proporcional ao comprimento L,
estados-limites últimos aplicáveis são: conforme se vê na Figura 3.12-a. Essas barras têm o
deslocamento transversal vt continuamente aumen-
- instabilidade global por flexão ou por torção;
tado com o acréscimo da força de compressão, até
- flambagem local. não conseguirem mais resistir às solicitações atuan-
tes, caracterizando um estado-limite último cha-
Se as dimensões da seção transversal e o compri- mado de instabilidade global por flexão. Em linhas
mento de flambagem por flexão e por torção da gerais, à medida que a força axial de compressão se
barra comprimida forem tais que esses estados-li- eleva, o deslocamento aumenta e, consequentemen-
mites não possam ocorrer, o colapso se dará por te, as tensões na barra. No caso de uma barra birro-
escoamento da seção bruta. Trata-se de um fenô- tulada, como a mostrada na Figura 3.12-a, a seção
meno de plastificação similar ao homônimo visto mais solicitada (seção central, que possui o maior
anteriormente no Subitem 3.2.2.2 para barras tra- momento atuante, igual ao produto da força axial
cionadas, com a barra comprimida sofrendo uma pelo deslocamento) sob ação da força axial Nr co-
redução excessiva de comprimento. meça a escoar (Figura 3.12-b), e esse escoamento vai
se propagando progressivamente (Figura 3.12-c) até
que se forme uma rótula plástica (o deslocamento
3.3.2.2. Instabilidade Global por Flexão transversal vt tende a infinito), o que caracteriza o
colapso (Figura 3.12-d).

Figura 3.12 – Comportamento de barra com curvatura inicial até o colapso

O início do escoamento na seção central (Figura 3.12-b), que se manifesta quando a máxima tensão de
compressão causada pela força axial e pelo momento provocado pela excentricidade desta somada à tensão
residual de compressão alcança a resistência ao escoamento do aço em alguma região, indica o final do
regime elástico. Quando isso ocorre, começa a redução de rigidez da barra, que antecede o colapso. Assim,
quanto maiores forem as tensões residuais, mais cedo começa o escoamento e também a redução de rigidez
146
da barra e, consequentemente, menor será a sua capacidade resistente, como ilustra a Figura 3.13.
Figura 3.13 - Diagrama da força axial versus deslocamento da seção central até o colapso

Além do valor das tensões residuais, influi também - para λ 0 ≤ 1,5  


na capacidade resistente a distribuição dessas ten-
sões. Se os seus maiores valores de compressão ocor- 2
λ
rerem nas regiões da seção transversal submetidas às χ = 0,658 0   (3.9-a)
máximas tensões normais de compressão aplicadas
pela força externa, a redução de rigidez se acentua. - para λ0 > 1,5  
Com base no exposto, a força axial de compressão
0,877
resistente nominal de uma barra, para instabilidade χ= 2   (3.9-b)
global por flexão (ver Figura 3.12-c), é dada por: λ0

Nessa expressão, l0 é o índice de esbeltez reduzi-


N c ,Rk ,g = χ Ag f y   (3.8) do da barra, dado por:

onde o produto Ag fy é a força de escoamento da seção Ag f y


bruta (como nas barras tracionadas), e c é um fator λ0 =   (3.10)
Ne
adimensional, menor ou igual a 1,0, que leva em con-
ta as influências das tensões residuais e da curvatura onde Ne é a menor força axial de flambagem elásti-
inicial da barra (influência das imperfeições iniciais). ca por flexão da barra, também chamada de carga
Esse fator, chamado de fator de redução associado à crítica de Euler, considerando os modos de flamba-
Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço
resistência à compressão, é obtido por meio de en- gem em relação aos eixos centrais de inércia x e y da
saios laboratoriais e análises numéricas sofisticadas, e seção transversal. Logo, Ne é o menor valor entre:
fornecido nos Subitens 3.3.2.2.1 e 3.3.2.2.2.
π 2 Ea I x
N ex = (3.11-a)
(KL )x2  
3.3.2.2.2. Equações Gerais do Fator c
O fator c para todas as barras axialmente com- e
primidas, o que implica que pode ser aplicado a
qualquer perfil tubular, conforme a ABNT NBR π 2 Ea I y
N ey = (3.11-b)
8800:2008, é igual a: (KL )y2   147
em que Ea é o módulo de elasticidade do aço, Ix e (KL)x são o momento de inércia da seção transversal e o
comprimento de flambagem por flexão da barra em relação ao eixo x, respectivamente, e Iy e (KL)y as mes-
mas grandezas em relação ao eixo y. Os comprimentos de flambagem são tratados no Subitem 3.3.2.2.3.

Para facilitar os cálculos, o fator c da ABNT NBR 8800:2008 é fornecido na Tabela 3.1 para valores de
l0 até 3,0.

Tabela 3.1 - Fator c para todos os perfis

λ0 0,00 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 λ0
0,0 1,000 1,000 1,000 1,000 0,999 0,999 0,998 0,998 0,997 0,997 0,0
0,1 0,996 0,995 0,994 0,993 0,992 0,991 0,989 0,988 0,987 0,985 0,1
0,2 0,983 0,982 0,980 0,978 0,976 0,974 0,972 0,970 0,968 0,965 0,2
0,3 0,963 0,961 0,958 0,955 0,953 0,950 0,947 0,944 0,941 0,938 0,3
0,4 0,935 0,932 0,929 0,926 0,922 0,919 0,915 0,912 0,908 0,904 0,4
0,5 0,901 0,897 0,893 0,889 0,885 0,881 0,877 0,873 0,869 0,864 0,5
0,6 0,860 0,856 0,851 0,847 0,842 0,838 0,833 0,829 0,824 0,819 0,6
0,7 0,815 0,810 0,805 0,800 0,795 0,790 0,785 0,780 0,775 0,770 0,7
0,8 0,765 0,760 0,755 0,750 0,744 0,739 0,734 0,728 0,723 0,718 0,8
0,9 0,712 0,707 0,702 0,696 0,691 0,685 0,680 0,674 0,669 0,664 0,9
1,0 0,658 0,652 0,647 0,641 0,636 0,630 0,625 0,619 0,614 0,608 1,0
1,1 0,603 0,597 0,592 0,586 0,580 0,575 0,569 0,564 0,558 0,553 1,1
1,2 0,547 0,542 0,536 0,531 0,525 0,520 0,515 0,509 0,504 0,498 1,2
1,3 0,493 0,488 0,482 0,477 0,472 0,466 0,461 0,456 0,451 0,445 1,3
1,4 0,440 0,435 0,430 0,425 0,420 0,415 0,410 0,405 0,400 0,395 1,4
1,5 0,390 0,385 0,380 0,375 0,370 0,365 0,360 0,356 0,351 0,347 1,5
1,6 0,343 0,338 0,334 0,330 0,326 0,322 0,318 0,314 0,311 0,307 1,6
1,7 0,303 0,300 0,296 0,293 0,290 0,286 0,283 0,280 0,277 0,274 1,7
1,8 0,271 0,268 0,265 0,262 0,259 0,256 0,253 0,251 0,248 0,246 1,8
1,9 0,243 0,240 0,238 0,235 0,233 0,231 0,228 0,226 0,224 0,221 1,9
2,0 0,219 0,217 0,215 0,213 0,211 0,209 0,207 0,205 0,203 0,201 2,0
2,1 0,199 0,197 0,195 0,193 0,192 0,190 0,188 0,186 0,185 0,183 2,1
2,2 0,181 0,180 0,178 0,176 0,175 0,173 0,172 0,170 0,169 0,167 2,2
2,3 0,166 0,164 0,163 0,162 0,160 0,159 0,157 0,156 0,155 0,154 2,3
2,4 0,152 0,151 0,150 0,149 0,147 0,146 0,145 0,144 0,143 0,141 2,4
2,5 0,140 0,139 0,138 0,137 0,136 0,135 0,134 0,133 0,132 0,131 2,5
2,6 0,130 0,129 0,128 0,127 0,126 0,125 0,124 0,123 0,122 0,121 2,6
2,7 0,120 0,119 0,119 0,118 0,117 0,116 0,115 0,114 0,113 0,113 2,7
2,8 0,112 0,111 0,110 0,110 0,109 0,108 0,107 0,106 0,106 0,105 2,8
2,9 0,104 0,104 0,103 0,102 0,101 0,101 0,100 0,099 0,099 0,098 2,9
3,0 0,097 - - - - - - - - - 3,0

As Equações (3.9) da ABNT NBR 8800:2008 3.3.2.2.3. Fator c para Perfis Tubulares Laminados
são as mesmas do ANSI/AISC 360-05 (mantidas a Quente ou com Alívio de Tensões
no ANSI/AISC 360-10) e não levam em conta
as particularidades do comportamento dos per- Entre os perfis que apresentam tensões residuais
fis no que se refere à magnitude e à distribuição menos severas (com menor intensidade e distri-
das tensões residuais. Assim, essas equações, para buição mais favorável) encontram-se os tubulares
diversos tipos de perfis, levam a um dimensiona- laminados a quente. Também possuem tensões re-
mento com índice de confiabilidade superior ao siduais pouco severas perfis tubulares tratados ter-
necessário. micamente para alívio de tensões, mesmo aqueles
com costura ou que tenham sofrido algum traba-
lho a frio para mudança de forma após a lami-
nação. Para se levar tal fato em conta, a ABNT
148
NBR 16239:2013 prescreve, como opção, o uso do fator de redução c que tem como origem a norma
canadense CAN/CSA S16.1:2003 e que foi desenvolvido para perfis com pequena influência das tensões
residuais na redução da força axial de compressão resistente. Esse fator é dado por:
1
χ=
(1 + λ )
4 ,48 1 2 ,24
0  
(3.12)

onde o índice de esbeltez reduzido l0 é dado pela Equação (3.10).

Para facilitar os cálculos, o fator c da ABNT NBR 16239:2013 é fornecido na Tabela 3.2 para valores de
l0 até 3,0.

Tabela 3.2 - Fator c para perfis tubulares laminados a quente ou com alívio de tensões

λ0 0,00 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 0,08 0,09 λ0
0,0 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 0,0
0,1 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 0,1
0,2 1,000 1,000 0,999 0,999 0,999 0,999 0,999 0,999 0,999 0,998 0,2
0,3 0,998 0,998 0,997 0,997 0,996 0,996 0,995 0,995 0,994 0,993 0,3
0,4 0,993 0,992 0,991 0,990 0,989 0,988 0,987 0,985 0,984 0,982 0,4
0,5 0,981 0,979 0,977 0,975 0,973 0,971 0,968 0,966 0,963 0,961 0,5
0,6 0,958 0,955 0,952 0,948 0,945 0,941 0,938 0,934 0,930 0,925 0,6
0,7 0,921 0,917 0,912 0,907 0,902 0,897 0,892 0,886 0,881 0,875 0,7
0,8 0,869 0,864 0,858 0,851 0,845 0,839 0,832 0,826 0,819 0,812 0,8
0,9 0,805 0,799 0,792 0,784 0,777 0,770 0,763 0,756 0,748 0,741 0,9
1,0 0,734 0,727 0,719 0,712 0,704 0,697 0,690 0,682 0,675 0,668 1,0
1,1 0,660 0,653 0,646 0,639 0,632 0,625 0,617 0,610 0,604 0,597 1,1
1,2 0,590 0,583 0,576 0,570 0,563 0,556 0,550 0,544 0,537 0,531 1,2
1,3 0,525 0,519 0,513 0,507 0,501 0,495 0,489 0,483 0,478 0,472 1,3
1,4 0,467 0,461 0,456 0,451 0,445 0,440 0,435 0,430 0,425 0,420 1,4
1,5 0,416 0,411 0,406 0,402 0,397 0,393 0,388 0,384 0,379 0,375 1,5
1,6 0,371 0,367 0,363 0,359 0,355 0,351 0,347 0,344 0,340 0,336 1,6
1,7 0,333 0,329 0,326 0,322 0,319 0,315 0,312 0,309 0,306 0,302 1,7
1,8 0,299 0,296 0,293 0,290 0,287 0,284 0,281 0,279 0,276 0,273 1,8
1,9 0,270 0,268 0,265 0,262 0,260 0,257 0,255 0,252 0,250 0,248 1,9
2,0 0,245 0,243 0,241 0,238 0,236 0,234 0,232 0,229 0,227 0,225 2,0
2,1 0,223 0,221 0,219 0,217 0,215 0,213 0,211 0,209 0,208 0,206 2,1
2,2 0,204 0,202 0,200 0,199 0,197 0,195 0,194 0,192 0,190 0,189 2,2
2,3 0,187 0,185 0,184 0,182 0,181 0,179 0,178 0,176 0,175 0,174 2,3
2,4 0,172 0,171 0,169 0,168 0,167 0,165 0,164 0,163 0,161 0,160 2,4

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


2,5 0,159 0,158 0,156 0,155 0,154 0,153 0,152 0,150 0,149 0,148 2,5
2,6 0,147 0,146 0,145 0,144 0,143 0,142 0,141 0,140 0,138 0,137 2,6
2,7 0,136 0,135 0,134 0,134 0,133 0,132 0,131 0,130 0,129 0,128 2,7
2,8 0,127 0,126 0,125 0,124 0,123 0,123 0,122 0,121 0,120 0,119 2,8
2,9 0,118 0,118 0,117 0,116 0,115 0,115 0,114 0,113 0,112 0,111 2,9
3,0 0,111 - - - - - - - - - 3,0

Como ilustração, a Figura 3.14 fornece os valores nados e soldados (curvas a e c dessa norma, res-
da razão entre o fator de redução associado à resis- pectivamente), em função do índice de esbeltez
tência à compressão, c, e o coeficiente de pondera- reduzido, l0. Lembra-se que ga1 é igual a 1,10 nas
ção da resistência, ga1, da ABNT NBR 8800:2008, duas normas brasileiras (ver Subitem 2.3.2.4 no
da ABNT NBR 16239:2013 e da norma europeia Capítulo 2) e seu correspondente na norma eu-
EN 1993-1-1:2007 para perfis tubulares lami- ropeia é igual a 1,0. O intuito de se mostrar aqui
149
a relação c/ga1 é proporcionar uma visão das di- de l0, em decorrência da diferença entre os valo-
ferenças entre os valores da força axial de com- res dos coeficientes de ponderação da resistência
pressão resistente de cálculo para o estado-limite dessas duas normas. Isso também ocorre com as
último de instabilidade global nessas normas, que forças axiais resistentes dos perfis tubulares sol-
dependem diretamente dessa relação. dados fornecidas pela ABNT NBR 8800:2008 e
pela curva c da norma europeia, mas nesse caso a
norma brasileira leva a valores superiores em até
cerca de 14% na faixa intermediária de l0 (entre
aproximadamente 0,6 e 2,0).

3.3.2.2.4. Comprimento de Flambagem por Flexão

O comprimento de flambagem por flexão é dado


pelo produto KL, onde K é o coeficiente de flam-
bagem e L o comprimento da barra. Na Tabela 3.3
são fornecidos os valores teóricos do coeficiente de
flambagem por flexão, K, para seis casos ideais de
Figura 3.14 - Valores da relação c/ga1 em função de l0 condições de contorno de elementos isolados (ver
Subitem 2.4.3 no Capítulo 2), nos quais a rotação
Pode-se notar que as forças axiais resistentes dos e a translação das extremidades são totalmente li-
perfis tubulares laminados fornecidas pela ABNT vres ou totalmente impedidas. Caso não se possa
NBR 16239:2013 e pela curva a norma europeia assegurar a perfeição do engaste, devem ser usados
se aproximam bastante, com diferenças maiores, os valores recomendados apresentados.
da ordem de 10%, para valores muito reduzidos

Tabela 3.3 - Coeficiente de flambagem por flexão de elementos isolados

150
Nas barras que integram as subestruturas de con- sem relação ao eixo x (flambagem no plano da tre-
traventamento e que fazem parte dos elementos liça), supondo que eles sejam formados por peças
contraventados (ver Subitem 2.4.3 no Capítulo contínuas, é igual a 0,90l, onde l é a distância
2), o coeficiente de flambagem por flexão pode ser entre dois nós adjacentes. Para flambagem em
tomado como igual a 1,0, tendo como justificati- relação ao eixo y (flambagem fora do plano), o
va o fato de que a análise estrutural, que deve ser comprimento de flambagem é igual a 0,90(2l),
feita conforme descrito no Item 2.9 do Capítulo ou seja, 1,80l, relacionado à distância entre dois
2, já leva em conta, quando necessário, os efeitos nós consecutivos aonde chega o sistema de con-
de segunda ordem. Nas barras que fazem parte dos traventamento.
elementos contraventados (ver Subitem 2.4.3 no
Capítulo 2), o coeficiente de flambagem por fle-
xão deve também ser tomado como igual a 1,0, a
menos que se demonstre que pode ser utilizado um
valor menor. O comprimento das barras, L, deve
ser considerado como igual à distância entre duas
seções com contenção contra translação no plano
em que a flambagem estiver sendo considerada.

Especificamente, nas treliças formadas apenas por


perfis tubulares, mesmo com a consideração de que
os nós sejam rotulados, de acordo com a ABNT
NBR 16239:2013, o comprimento de flambagem: Figura 3.15 - Comprimento de flambagem de banzos

- dos banzos constituídos por uma peça contínua Seria possível se ter o comprimento de flamba-
pode ser tomado como igual a 0,90 L (K = 0,9), gem em relação ao eixo y também igual a 0,90l,
no plano e fora do plano, onde L é o compri- introduzindo no sistema de contraventamento as
mento da barra, medido entre os nós no plano barras BKG e DMI (Figura 3.16-a), ligadas neces-
e o comprimento entre duas contenções laterais sariamente aos nós centrais K e M dos “Xs”, res-
fora do plano; pectivamente. Outra opção seria colocar as barras
BG e DI e substituindo os dois “Xs”, AH-FC e
- das diagonais e montantes ligados diretamente CJ-HE, por 4 novos, AG-FB, BH-GC, CI-HD
aos banzos por meio de solda em todo o seu perí- e DJ-IE. A introdução de barras horizontais que
metro pode ser tomado como igual a 0,90 L para não chegam a nós prévios do sistema de contra-
b maior que 0,60 ou 0,75 L para b inferior ou ventamento fora do plano, mesmo que ligadas às
igual a 0,60 (K = 0,9 ou 0,75), onde L é a dis- barras dos “Xs”, não reduz eficientemente o com-
tância entre nós e b é a relação entre o diâmetro primento de flambagem do banzo, pois as barras
Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço
médio ou largura das diagonais e montantes que que constituem os “Xs” teriam que resistir parte
chegam ao nó e o diâmetro ou largura do banzo da força desestabilizante do banzo por flexão e es-
(ver Capítulo 5), no plano e fora do plano. sas barras usualmente têm rigidez a flexão muito
reduzida (Figura 3.16-b). Nesse caso o compri-
No sistema com duas treliças paralelas mostrado
mento de flambagem fora do plano continuaria
na Figura 3.15 travadas entre si por um sistema
igual a 1,80l.
de contraventamento (barras AF, CH, EJ, AKH,
FKC, CMJ e HME) unindo seus banzos superio-
res, o comprimento de flambagem desses banzos

151
(a) Travamento para reduzir
o comprimento de
flambagem fora do plano

Barras sem
eficiência

Barras sem
eficiência
(b) Introdução de barras sem
eficiência para redução
do comprimento de
flambagem fora do plano

Figura 3.16 - Avaliação de outros arranjos para travamento de banzos fora do plano da treliça

3.3.2.3. Instabilidade Global por Torção Face ao valor elevado da constante de torção dos
perfis tubulares, dificilmente a força de flambagem
3.3.2.3.1. Descrição do Fenômeno elástica por torção é inferior à força de flambagem
por flexão, o que significa que a instabilidade glo-
As barras axialmente comprimidas podem flambar
bal por torção raramente prevalece.
por torção. Para esse modo de colapso, deve ser
usado a mesmo procedimento dado em 3.3.2.2,
apenas substituindo-se a força axial de flamba-
gem elástica por flexão pela força axial de flam- 3.3.2.4. Flambagem Local
bagem elástica por torção, Nez, dada por (no caso
dos perfis tubulares retangulares, essa fórmula é 3.3.2.4.1. Descrição do Fenômeno
conservadora, pois despreza a influência da rigidez Sob ação da força axial de compressão, pode ocorrer
ao empenamento, assunto que não será abordado a flambagem de um ou mais lados que compõem
neste livro): um perfil tubular retangular ou da parede de um
perfil tubular circular. Esse tipo de flambagem,
Ga J nos perfis tubulares retangulares, é caracterizado
N ez = (3.13)
ro2   pela formação de diversas semiondas longitudinais,
como se vê na Figura 3.17-a. Nos perfis tubulares
onde Ga é o módulo de elasticidade transversal do circulares usualmente utilizados, tendo em vista suas
aço da barra, J a constante de torção da seção trans- dimensões (comprimento, diâmetro e espessura), a
versal, dada no Item 1.4 do Capítulo 1 para os perfis flambagem se caracteriza inicialmente pela forma-
tubulares, e ro o raio de giração polar da seção trans- ção de semiondas nas direções longitudinal e radial,
versal. Esse raio, nos perfis tubulares, é igual a: em uma configuração conhecida como “xadrez”.
Atingindo, depois, outra forma de instabilidade as-
sociada a uma energia de equilíbrio menor desig-
ro = rx2 + ry2 (3.14) nada “diamante” (Ferreira et al.,2004; Kobayashi e
 
Mihara, 2009), conforme ilustra a Figura 3.17-b.

152
Modo
“xadrez“
Modo
(inicial)
“diamante“
(final)

(a) Retangulares (b) Circulares (baseado em Ferreira et al., 2004)

Figura 3.17 - Flambagem local de perfis tubulares

A força axial de compressão resistente nominal de


uma barra, para o estado-limite de flambagem lo-
cal, é dada por:

N c ,Rk ,local = Q Ag f y (3.15)


 

onde Q é um fator de redução total para levar em


consideração o fenômeno em foco. Seu valor é ob-
tido de maneira distinta para perfis retangulares e
circulares, conforme os subitens seguintes.

3.3.2.4.2. Fator de Redução Total Q para Perfis Tu- Figura 3.18 - Dimensões bp e t dos elementos componentes da
seção tubular retangular
bulares Retangulares
Se a relação bp/t ultrapassar o limite definido na
Se todos os elementos componentes da seção tu-
Equação (3.16) em algum elemento plano, esse
bular retangular obedecerem à condição:
elemento pode sofrer flambagem local. Nesse fe-
nômeno, no entanto, deve-se levar em conta que
bp Ea (3.16) o elemento, por ser apoiado nas duas bordas lon-
≤ 1,40
t fy gitudinais (elemento tipo AA, ou seja, apoiado-

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


-apoiado, conforme a ABNT NBR 8800:2008),
onde bp é a largura da parte plana do elemento, igual possui grande resistência pós-flambagem, o que
à largura total menos duas vezes o raio de canto ex- significa que o início da flambagem não implica em
terno e t sua espessura (Figura 3.18 - a parte plana de colapso. Assim, por exemplo, em uma parte plana
maior comprimento é designada por bp,1 e a de me- de um elemento suposta rotulada nas duas bordas,
nor comprimento por bp,2), a flambagem local não de largura bp e espessura t, submetida a uma força
ocorre e toma-se o fator de redução total Q igual a de compressão distribuída crescente qx (Figura 3.19),
1,0. Como a espessura t é constante, basta verificar se são observadas as seguintes fases de comportamento:
o elemento com maior largura da parte plana atende
à Equação (3.16). O valor do raio de canto externo - a tensão no elemento, s, causada por qx, é cons-
depende do processo de fabricação do tubo e é for- tante na largura bp, enquanto seu valor for inferior
necido no Item 1.4 do Capítulo 1. à tensão que causa o início da flambagem, sfl;
153
- quando s atinge a tensão sfl, o elemento co- adicionais, e o aumento de tensão é resistido
meça a deformar-se, mas as fibras transversais pelas regiões próximas dos apoios longitudi-
tornam-se tracionadas e passam a se opor ao au- nais. Assim, a tensão na largura bp torna-se não
mento das deformações, sendo esse o fenômeno uniforme, com maiores valores junto aos apoios
que proporciona a resistência pós-flambagem; longitudinais e menores valores na região cen-
tral, onde a tensão pode até se reduzir, ficando
- a influência das fibras transversais tracionadas com valores inferiores a sfl;
é grande junto às bordas longitudinais do ele-
mento e desprezável na região central. Por isso, - o colapso ocorre quando a tensão máxima nas
ao se aumentar mais ainda a força qx, acima bordas longitudinais, smax, atinge a resistência
do valor que dá início à flambagem, a região ao escoamento do aço, fy.
central fica sem condições de suportar tensões
espessura t
σmax = σfy
qx (colapso)

σ = σfl

σ < σfl

qx
b

Figura 3.19 - Resistência pós-flambagem de um elemento AA

Na prática, o que se faz é substituir a tensão não uniforme que atua no elemento por uma tensão uni-
forme, igual à tensão máxima nas bordas, σmax, atuando em uma largura bp,ef, chamada de largura efetiva,
menor que bp, conforme mostra a Figura 3.20.

bp bp,ef /2 bp,ef /2

σmax

tensão
não uniforme

região central
ignorada

Figura 3.20 - Largura efetiva


154
Tendo em vista as dificuldades de se obter o va-
lor preciso da largura efetiva bp,ef, que depende
( )
Aef = Ag − ∑ ⎡⎣ b p − b p,ef t ⎤⎦ (3.18)

de smax, a ABNT NBR 8800:2008 prescreve que


pode ser usado o seguinte valor empírico: com o somatório estendendo-se a todos os ele-
mentos citados.

Ea ⎡ 0,38 Ea ⎤ Finalmente, obtém-se o fator de redução total da


b p,ef = 1,92 t ⎢1− ⎥ ≤ bp força axial de compressão resistente para conside-
σ ⎢⎣ b p / t σ ⎥⎦
ração da flambagem local por meio da equação:
(3.17)
Aef
onde s é a máxima tensão que atua no elemento Q= (3.19)
analisado, podendo ser tomada, conservadora- Ag
 
mente, igual à resistência ao escoamento do aço fy.
Com essa expressão, obtêm-se as larguras efetivas Como ilustração, a Figura 3.21 mostra a largu-
de todos os elementos da seção transversal cuja ra efetiva das almas de um perfil tubular sujeitas
relação bp/t ultrapassa o limite estabelecido pela à flambagem local e sua área efetiva e as larguras
Equação (3.16), e chega-se à área efetiva da seção efetivas das almas e das mesas de um perfil tubular
transversal, Aef, pela expressão: sujeitas à flambagem local e sua área efetiva.

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

Figura 3.21 - Ilustrações de determinação de largura e área efetivas

155
3.3.2.4.3. Fator de Redução Total Q para Perfis Tu- 3.3.2.6. Dimensionamento
bulares Circulares
Considerando os dois estados-limites últimos supra-
Se, na seção tubular circular, for obedecida a con- citados, a força axial de compressão resistente de cál-
dição: culo das barras axialmente comprimidas é dada por:

d E χ Q Ag f y
≤ 0,11 a (3.20) N c, Rd = (3.23)
t f y   γa1  
onde d é o diâmetro externo da seção e t a espes- onde o numerador representa a força axial resis-
sura da parede, a flambagem local não ocorre e tente nominal, incluindo os fatores de redução da
toma-se o fator de redução total Q igual a 1,0. instabilidade global e da flambagem local, e ga1 o
coeficiente de ponderação da resistência para esta-
Se a relação d/t ultrapassar o limite definido na
dos-limites últimos relacionados ao escoamento e
Equação (3.20), mas não 0,45Ea/fy, deve ser usado
à instabilidade, igual a 1,10.
o seguinte valor para o fator de redução total da
flambagem local que, a exemplo dos perfis tubu- No dimensionamento, deve ser satisfeita a seguin-
lares retangulares, considera uma parcela de resis- te relação:
tência pós-flambagem:
N c ,Sd ≤ N c ,Rd   (3.24)
0,0379 Ea 2
Q= + (3.21)
d fy 3 onde Nc,Sd é a força axial de compressão solicitante
t   de cálculo, obtida com a combinação de ações de
cálculo apropriada, e Nc,Rd a força axial de com-
Não são previstos perfis em que d/t supere 0,45Ea/fy.
pressão resistente de cálculo, fornecida pela Equa-
ção (3.23).

3.3.2.5. Interação entre Instabilidade Global e


Flambagem Local 3.3.3. Limitação do Índice de Esbeltez
Como se viu em 3.3.2.4.1, pela Equação (3.15), O índice de esbeltez das barras comprimidas é
o fator de redução Q provoca uma diminuição do dado por:
valor da força de escoamento da seção transversal.
Essa força assim diminuída deve ser utilizada na
KL
determinação do índice de esbeltez reduzido para λ= (3.25)
efeito de instabilidade global, que passa a ser: r  

onde o produto KL é o comprimento de flamba-


Q Ag f y (3.22) gem e r o raio de giração da seção transversal. O
λ0 =
Ne valor máximo desse índice não pode ser superior
 
a 200. Essa exigência se justifica pelas mesmas ra-
zões anteriormente mencionadas para as barras
Essa equação, portanto, deve ser empregada no
tracionadas (ver Subitem 3.2.3) e, adicionalmen-
dimensionamento no lugar da Equação (3.10).
te, pelo fato de que barras comprimidas muito
esbeltas são bastante sensíveis a variações nas im-
perfeições iniciais.

156
O índice de esbeltez pode ser também obtido com
base na força axial de flambagem elástica Ne, subs-
tituindo-se na Equação (3.25) o raio de giração r
por seu valor I Ag  

KL
λ=   (3.26)
I / Ag

Como Ne = p2EaI/(KL)2, consequentemente


I = (KL)2Ne/p2Ea, e assim, substituindo-se essa ex-
pressão de I na Equação (3.26), chega-se a

Ea Ag (3.27)
Figura 3.22(b) ) Vigas de cobertura em perfil circular
λ=π  
Ne Figura 3.22 - Vigas constituídas por perfis tubulares

Usando nessa equação a menor força de flamba- 3.4.2. Estados-limites Últimos


gem elástica da barra, obtém-se seu índice de es-
beltez máximo (lmax). 3.4.2.1. Identificação

Nas barras fletidas de seção tubular podem ocor-


3.4. BARRAS SUBMETIDAS A FLEXÃO rer estados-limites últimos decorrentes da atuação
do momento fletor e da força cortante.
3.4.1. Uso e Aplicação
Na presença de momento fletor, nas seções tubu-
Os perfis tubulares podem ser empregados como lares retangulares, os estados-limites aplicáveis,
vigas (barras fletidas em relação a um dos eixos causados por tensões normais, são:
centrais de inércia da seção transversal) suportan-
do pisos ou coberturas, proporcionando à edifica- - flambagem lateral com torção (FLT);
ção um aspecto estético limpo e agradável, como
- flambagem local da mesa comprimida (FLM);
se vê na Figura 3.22 (na Figura 3.22-b, a curvatura
que se vê nas vigas é proposital e tem o objetivo de - flambagem local das almas (FLA).
atender ao projeto arquitetônico da edificação).
As seções tubulares circulares, por sua vez, são
axissimétricas e possuem capacidade resistente

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


muito elevada a torção, razões pelas quais não
sofrem flambagem lateral com torção e, assim, o
único estado-limite aplicável a elas é a flambagem
local da parede (FLP).

Na presença de força cortante, nas seções tu-


bulares circulares, o estado-limite aplicável é a
flambagem da parede causada por tensões de ci-
salhamento e, nas seções tubulares retangulares,
a flambagem das almas também causada por
Figura 3.22(a) Vigas de cobertura em perfil retangular
tensões de cisalhamento.
157
Se as dimensões da seção transversal e, no caso A FLT só se manifesta se o eixo de flexão for o de
dos perfis retangulares, também o comprimento maior momento de inércia da seção transversal.
destravado da viga forem tais que os estados-li- Portanto, os perfis tubulares retangulares subme-
mites últimos relacionados ao momento fletor tidos à flexão em relação ao eixo de menor mo-
supracitados não possam ocorrer, o colapso se dá mento de inércia e os perfis tubulares quadrados
por plastificação total da seção transversal (for- não estão sujeitos a esse modo de colapso.
mação de rótula plástica). Da mesma forma, se as
dimensões da seção transversal forem tais que os Para FLT, o momento fletor resistente nominal
estados-limites supracitados relacionados a força para flexão em relação ao eixo x (ver Figura 3.23),
cortante não possam ocorrer, o colapso se dá é dado por:
por plastificação da parte da área da seção trans- - para l ≤ lp:
versal que trabalha à cisalhamento (área efetiva
de cisalhamento).
M x ,Rk = M x , pl = Z x f y (3.28)
 
- para lp < l ≤ lr:
3.4.2.2. Efeito do Momento Fletor
⎡ λ − λ p ⎤
3.4.2.2.1. Seções Tubulares Retangulares M x ,Rk = Cb ⎢M x ,pl − (M x , pl − M r ) ⎥ ≤ M x , pl
⎢⎣ λr − λ p ⎥⎦
· Flambagem Lateral com Torção (FLT)  
(3.29)
Para determinados valores das ações aplicadas,
uma barra com seção tubular retangular sub- - para l > lr:
metida a momento fletor em relação ao eixo
de maior momento de inércia pode se tornar 2 Cb Ea
instável lateralmente. Tudo se passa como se a M x ,Rk = M x ,cr = J Ag ≤ M x ,pl
λ  
zona comprimida se comportasse como uma (3.30)
barra comprimida, restringida de forma contí-
nua pela zona tracionada, que exerce um efeito onde l é o parâmetro de esbeltez da barra, lp o
estabilizante. Dessa forma, o modo de flamba- parâmetro de esbeltez correspondente à plastifi-
gem envolve uma flexão em relação ao eixo de cação, lr o parâmetro de esbeltez correspondente
menor momento de inércia, representada pelo ao início do escoamento, Mr o momento fletor
deslocamento m(z) e uma torção, representada correspondente ao início do escoamento, Zx o
pela rotação f(z). Esse fenômeno, denominado módulo de resistência plástico em relação ao eixo
flambagem lateral com torção (FLT), é ilustra- x e J a constante de torção da seção transversal. As
do na Figura 3.23. duas últimas grandezas são dadas no Capítulo 1 e
as demais têm os seguintes valores:

Lb
λ= (3.31)
ry

0,13E a
λp = J Ag (3.32)
Zx f y

2 Ea
Figura 3.23 - Flambagem lateral com torção (FLT) de seção λr = J Ag (3.33)
tubular retangular Mr
158
translação lateral e a outra mesa encontra-se livre
M r = 0,7 f y Wx (3.34) para se deslocar lateralmente, com existência de
 
compressão em algum trecho da mesa livre. Nes-
onde Lb é o comprimento destravado da viga (dis- sas condições, deve-se tomar como comprimento
tância entre duas seções com contenção à flam- destravado Lb a distância entre duas seções com as
bagem lateral com torção) e Wx o módulo de re- duas faces impedidas de se deslocar lateralmente
sistência elástico da seção transversal, cujo valor é e, se as forças transversais atuantes, que podem
dado no Capítulo 2. possuir qualquer distribuição, tiverem sentido da
mesa travada para a mesa livre e existir momento
Nas Equações (3.29) e (3.30), Cb é o fator de mo-
que comprime a mesa livre (momento negativo)
dificação para diagrama de momento fletor não
em pelo menos uma extremidade do comprimen-
uniforme, e tem a função de levar em conta no
to destravado (Figura 3.25), usa-se:
valor do momento resistente a influência da varia-
ção de momento fletor ao longo do comprimento
2 M1 8 M2
destravado Lb, sendo dado por: Cb = 3,0 − −   (3.36)
(
3 M 0 3 M 0 + M 1* )
12 ,5 M max
Cb = ≤ 3,0 onde
2,5 M max + 3M A + 4 M B + 3MC  
(3.35) - M0 é o valor do maior momento fletor solicitan-
te de cálculo que comprime a mesa livre nas ex-
onde Mmax, MA, MB e MC são, em módulo, os va- tremidades do comprimento destravado, tomado
lores dos momentos fletores máximo no compri- com sinal negativo;
mento destravado, na seção situada a um quarto
do comprimento destravado, na seção central do - M1 é o valor do momento fletor solicitante de
comprimento destravado e na seção situada a três cálculo na outra extremidade do comprimento
quartos do comprimento destravado, respectiva- destravado, tomado com sinal negativo se com-
mente, conforme ilustra a Figura 3.24. primir a mesa livre, ou com sinal positivo se tra-
cionar a mesa livre;

- M*1 é igual a M1, mas tomado como igual a zero


se tracionar a mesa livre;

- M2 é o momento fletor na seção central do com-


primento destravado, tomado com sinal positivo
se tracionar a mesa livre, ou com sinal negativo se
comprimir essa mesa.

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


Figura 3.24 - Ilustração dos valores dos momentos para cálculo
do fator Cb

É interessante notar que Cb tem um valor mínimo


de 1,0, que ocorre quando o momento fletor é
constante ao longo do comprimento destravado,
uma vez que essa situação é a mais desfavorável
possível (a mesa comprimida fica com a máxima
tensão em todo o comprimento destravado).

Uma situação particular ocorre quando uma das


Figura 3.25 - Barra com mesa travada e forças com sentido dessa
mesas encontra-se continuamente travada contra mesa para a mesa travada
159
Se a barra estiver submetida a uma força trans-
versal uniformemente distribuída, com sentido
da mesa livre para a mesa travada (Figura 3.26),
deve-se usar:

- se os momentos nas duas extremidades traciona-


rem a mesa livre ou forem nulos (caso A da Figura
3.26)

Cb = 2,0 −
(M 0 + 0,6M1 )
(3.37)
M2  
- se o momento comprimir a mesa livre em apenas Caso A: momentos nas extremidades tracionando a mesa livre
(positivo) ou nulos
uma extremidade (caso B da Figura 3.26)
Caso B: momento comprimindo a mesa livre em apenas uma
extremidade (negativo)
Cb =
(0,165M 0 + 2,0M1 − 2,0M 2 )  
(3.38) Caso C: momento comprimindo a mesa livre em duas extremida-
(0,5M1 − M 2 ) des (negativo)
Figura 3.26 - Barra com mesa travada e forças com sentido da
- se os momentos nas duas extremidades compri- mesa livre para essa mesa
mirem a mesa livre (caso C da Figura 3.26)
Em todos os outros casos em que uma das mesas
encontra-se continuamente travada contra trans-
⎛ 1 M 1 ⎞ (M 0 + M 1 )
Cb = 2,0 − ⎜⎜ 0,165 + ⎟   (3.39) lação lateral, deve-se tomar Cb igual a 1,0.
⎝ 3 M 0 ⎟⎠ M2
Para as situações citadas em que uma das mesas
onde da viga possui contenção lateral contínua, na ve-
rificação da FLT, deve-se tomar como momento
- M0 é o valor do menor momento fletor que fletor solicitante de cálculo o maior momento que
traciona a mesa livre, tomado com sinal positivo comprime a mesa livre.
(caso A), ou do momento fletor que comprime a
mesa livre, tomado com sinal negativo (caso B), Adicionalmente, em trechos em balanço entre uma
ou do maior momento fletor que comprime a seção com restrição à translação lateral e à torção e a
mesa livre, tomado com sinal negativo (caso C), extremidade livre, deve-se tomar Cb igual a 1,0.
nas extremidades do comprimento destravado;
É interessante mencionar que, nas vigas supor-
- M1 é o valor do maior momento fletor que tra- tadas nas duas extremidades, o impedimento do
ciona a mesa livre, tomado com sinal positivo (caso deslocamento lateral da mesa comprimida torna a
A), ou do momento fletor que traciona a mesa livre, seção contida lateralmente. Caso se deseje conter
tomado com sinal positivo, ou momento nulo (caso uma seção nas vizinhanças do ponto de inflexão
B), ou do menor momento fletor que comprime a de vigas sujeitas à curvatura reversa, por medida
mesa livre, tomado com sinal negativo (caso C), nas de segurança, as duas mesas devem ter o desloca-
extremidades do comprimento destravado; mento lateral impedido. As vigas em balanço, por
sua vez, apresentam um comportamento diferen-
- M2 é o momento fletor na seção central do te na FLT, com a mesa tracionada tendendo a se
comprimento destravado, tomado com sinal instabilizar e apresentando deslocamentos laterais
positivo se tracionar a mesa livre ou negativo se maiores que os da mesa comprimida, como se vê
comprimir essa mesa. na Figura 3.27. Nessas vigas, deve-se impedir o
160
deslocamento lateral das duas mesas para se as- · Flambagem Local da Mesa Comprimida (FLM)
segurar que uma seção seja contida lateralmente.
A flambagem local da mesa comprimida (FLM)
de uma seção tubular retangular é um modo de
colapso caracterizado pela formação, nesse ele-
mento, na parte do comprimento da viga onde os
momentos fletores são maiores, de semiondas lon-
gitudinais, em decorrência da tensão normal de
compressão atuante (Figura 3.28). Essas semion-
das vão se atenuando e desaparecendo à medida
que o momento fletor diminui, bem como a ten-
são de compressão atuante na mesa provocada por
esse momento. Trata-se de um fenômeno similar à
flambagem local de elementos AA de barras axial-
mente comprimidas (ver Subitem 3.3.2.4).

Figura 3.27 - FLT de viga em balanço

O procedimento apresentado para determinação do


valor do momento fletor resistente nominal é válido
apenas para cargas transversais aplicadas no nível da
semialtura da seção transversal. Se as cargas, supostas
gravitacionais, estiverem aplicadas acima desse nível,
o movimento de torção é agravado e a capacidade
resistente da viga se reduz. Ao contrário, se as cargas
estiverem aplicadas abaixo do nível da semialtura, a
capacidade resistente da viga aumenta (é claro que, Figura 3.28 - Flambagem local da mesa comprimida (FLM) de
nesse caso, o uso do procedimento fornecido conduz seção tubular retangular

a valores conservadores).
Para a FLM, considerando uma seção com altura
Observa-se que a FLT é um estado-limite último total h e largura total b fletida em relação ao eixo
que dificilmente prevalece, dada à grande capa- central de inércia paralelo à largura, o momento
cidade resistente à torção que os perfis tubulares fletor resistente nominal é dado por:
possuem, em decorrência do valor elevado da
- para l ≤ lp
constante de torção J. Pela Equação (3.32), o valor

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


de lp é alto e, pelas Equações (3.33) e (3.34), veri-
fica-se que lr é muito superior a lp (25 a 32 vezes) M Rk = M pl = Z f y   (3.40)
e, assim, quando l é maior que lp, a queda da
capacidade resistente em relação ao momento de
plastificação Mpl, fornecida pela Equação (3.29), é - para lp < l ≤ lr
extremamente lenta, atingindo cerca de 10% ape-
nas para l igual a sete vezes lp, desprezando-se o λ − λp
fator Cb. Como na maioria das situações práticas, M Rk = M pl − (M pl − M r )   (3.41)
l não supera sete vezes lp e, ainda, Cb é maior que
λr − λ p
a unidade, o momento fletor resistente para FLT
raramente é inferior a Mpl.
161
- para l > lr

Wef2
M Rk = M cr = f y   (3.42)
W

onde l é o parâmetro de esbeltez da mesa com-


primida, lp o parâmetro de esbeltez correspon-
dente à plastificação, lp o parâmetro de esbeltez
correspondente ao início do escoamento e Mr o
momento fletor correspondente ao início do es-
coamento. Essas grandezas são dadas por:

bp
λ=   (3.43)
t
Ea Figura 3.29 – Ilustração das grandezas b, h, bp, bp,ef e hp
λ p = 1,12   (3.44)
fy
• Flambagem Local das Almas (FLA)
Ea
λr = 1,40   (3.45) A flambagem local das almas (FLA) de uma se-
fy ção tubular retangular é um modo de colapso
caracterizado pela formação, nesses elementos,
M r = f y Wef   (3.46) de semiondas longitudinais na parte do compri-
mento da viga onde os momentos fletores são má-
ximos, decorrente da presença de tensão normal
onde bp é a largura da parte plana da mesa e t a de compressão na sua semialtura (Figura 3.30).
espessura da seção transversal (Figura 3.27). As semiondas têm maior amplitude na semialtura
comprimida das almas e vão se atenuando e desa-
Nas Equações (3.42) e (3.46), Wef é o módulo de
parecendo à medida que o momento fletor - e a
resistência elástico mínimo em relação ao eixo de
tensão de compressão atuante - diminui.
flexão de uma seção que tem a mesa comprimi-
da de largura igual a bp,ef (Figura 3.29) dada pela
Equação (3.17). Na Equação (3.40), Z é o módulo
de resistência plástico e, na Equação (3.42), W é o
módulo de resistência elástico da seção transversal
em relação ao eixo de flexão, dados no Capítulo 1.

Figura 3.30 – Flambagem local de uma alma (FLA) de seção


tubular retangular
162
Para a FLA, considerando uma seção com altura Chama-se ainda a atenção para o fato de que, nos
total h e largura total b fletida em relação ao eixo perfis tubulares quadrados, a mesa comprimida e
central de inércia paralelo à largura, o momento as almas têm iguais valores de largura plana e es-
fletor resistente nominal é dado por: pessura, mas a mesa encontra-se submetida a uma
solicitação mais rigorosa (apenas compressão ver-
- para l ≤ lp sus compressão e tração das almas). Por essa razão,
nesses perfis, não é necessário verificar a flamba-
M Rk = M pl = Z f y   (3.47) gem local das almas, mas apenas verificar se o pa-
râmetro de esbeltez desses elementos não supera
lr , dado pela Equação (3.51).
- para lp < l ≤ lr • Dimensionamento considerando FLT, FLM e
FLA
λ − λp
M Rk = M pl − (M pl − M r )   No dimensionamento, deve ser atendida a seguin-
λr − λ p
(3.48) te condição:
onde l é o parâmetro de esbeltez das almas, lp M Sd ≤ M Rd   (3.53)
o parâmetro de esbeltez correspondente à plastifi-
cação, lr o parâmetro de esbeltez correspondente
onde MSd é o momento fletor solicitante de cálculo,
ao início do escoamento e Mr o momento fletor
obtido com a combinação última de ações apropria-
correspondente ao início do escoamento. Essas
da, e MRd o momento fletor resistente de cálculo.
grandezas são dadas por:
O momento fletor resistente de cálculo é dado por:
hp
λ=   (3.49) M Rk
t M Rd = (3.54)
γa1  
Ea
λ p = 2,42   (3.50)
fy onde MRk é o momento fletor resistente nominal,
fornecido anteriormente, em função do estado-li-
Ea mite último em consideração, e ga1 o coeficiente
λr = 5,70   (3.51)
fy de ponderação da resistência para estados-limites
últimos relacionados ao escoamento e à instabili-
M r = f y W   (3.52) dade, igual a 1,10.

Para flambagem lateral com torção, a condição ex-

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


onde hp é a largura da parte plana das almas e t a
pressa pela Equação (3.53) deve ser satisfeita em to-
espessura da seção transversal (Figura 3.27).
dos os comprimentos destravados da viga. Para FLM
Na Equação (3.47), Z é o módulo de resistência plás- e FLA, basta verificar o atendimento da condição na
tico e, na Equação (3.52), W é o módulo de resistên- seção de momento fletor máximo da viga.
cia elástico, ambos em relação ao eixo de flexão, cujas
expressões são fornecidas no Capítulo 1.
3.4.2.2.2. Seções Tubulares Circulares
Observa-se que não é prevista a situação em que
o parâmetro de esbeltez das almas, l, supera lr, Como explicitado em 3.4.2.1, o colapso das vigas
condição em que a flambagem ocorreria em regi- com seção tubular circular ocorre por flambagem
me elástico. local da parede. Trata-se de um fenômeno no qual
163
a parede da seção transversal sofre flambagem,
0,07 Ea
causada pelas tensões normais de compressão, λp =   (3.59)
conforme ilustra a Figura 3.31. Os deslocamentos fy
na parede causados pela flambagem se atenuam e
desaparecem à medida que o momento fletor, e 0,31 Ea
λr =   (3.60)
consequentemente a tensão de compressão atuan- fy
te, diminui.
onde d é o diâmetro externo da seção transversal e
t a espessura da parede.

Se l ≤ lp, não ocorre flambagem da parede, mas


sim escoamento total da seção transversal (o mo-
mento resistente é o momento de plastificação
Figura 3.31 - Flambagem local da parede de seção tubular circular
sob ação de momento fletor Mpl), se lp < l ≤ lr, ocorre flambagem em regime
inelástico e, se l > lr, ocorre flambagem em regi-
Para esse estado-limite último, o momento fletor me elástico (o momento resistente é o momento
resistente nominal é dado por: crítico elástico Mcr).
- para l ≤ lp No dimensionamento, a condição expressa pela
Equação (3.53) deve ser satisfeita na seção de mo-
M Rk = M pl = Z f y   (3.55)
mento fletor máximo da viga.

- para lp < l ≤ lr 3.4.2.3. Efeito da Força Cortante

3.4.2.3.1. Seções Tubulares Retangulares


⎛ 0 ,021 Ea ⎞
M Rk = ⎜ + f y ⎟W   (3.56) Para ilustrar os estados-limites últimos causados
⎝ λ ⎠
pela força cortante, será abordada uma viga birrotu-
- para l > lr lada constituída por perfil tubular retangular, sub-
metida a uma força concentrada P na seção central.
0,33Ea O diagrama de força cortante é constante e igual a
M Rk = M cr = W   (3.57)
P/2 em cada metade do vão L, conforme a Figura
λ
3.32. As almas são os elementos que mais sofrem a
onde l é o parâmetro de esbeltez da seção transver- ação da força cortante, onde as tensões de cisalha-
sal, lp o parâmetro de esbeltez correspondente à plas- mento (t) provocam compressão (C) e tração (T)
tificação, lr o parâmetro de esbeltez correspondente nas direções principais dos semivãos da viga.
ao início do escoamento, Z o módulo de resistência
plástico, cuja expressão é dada no Capítulo 1, e W o
módulo de resistência elástico da seção transversal,
cuja expressão também é dada no Capítulo 1. As de-
mais grandezas são iguais a:

d
λ=   (3.58)
t

164
Figura 3.32 - Tensões de cisalhamento e flambagem das almas por cisalhamento

A compressão em uma das direções principais pode - para l > lr


causar a ondulação das almas (Figura 3.33) nos
2
dois comprimentos L/2, que se constitui em um ⎛ λ ⎞ (3.63)
estado-limite último denominado flambagem por VRk =1,24⎜⎜ p ⎟⎟ V pl  
cisalhamento. Em resumo, quando esse fenômeno ⎝ λ ⎠
ocorre, as almas deixam de cumprir suas funções
adequadamente, caracterizando colapso estrutural. onde l é o parâmetro de esbeltez das almas, lp o
parâmetro de esbeltez correspondente à plastifica-
ção, lp o parâmetro de esbeltez correspondente ao
início do escoamento, Aw a área efetiva de cisalha-
mento do perfil e Vpl a força cortante correspon-
dente à plastificação das almas por cisalhamento.
Essas grandezas são dadas por (ver Figura 3.32):

hp (3.64)
λ=  
Figura 3.33 - Flambagem das almas por cisalhamento t

O valor da força cortante resistente nominal re- Ea


λ p = 2,46   (3.65)
lacionado a esse estado-limite último é dado por: fy

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


- para l ≤ lp Ea
λr = 3,06   (3.66)
fy
V Rk = V pl = 0 ,60 Aw f y   (3.61)
Aw = 2 h p t   (3.67)

V pl = 0 ,60 Aw f y   (3.68)
- para lp < l ≤ lr
A Equação (3.61) indica que se as almas têm o
λp (3.62) parâmetro de esbeltez l reduzido, não superior a
VRk = V pl   lp, a flambagem não se manifesta e o colapso se dá
λ
165
por deformação excessiva desses elementos, que se 3.4.2.3.2. Seções Tubulares Circulares
plastificam por tensões de cisalhamento. A Equa-
ção (3.62) indica, por sua vez, que se as almas têm Nos perfis tubulares circulares fletidos em relação
l superior a lp, mas não superior a lr, a flamba- a um eixo central de inércia, a área efetiva de cisa-
gem desses elementos ocorre em regime inelástico lhamento é igual a 50% da área bruta e, assim, a
e, finalmente, a Equação (3.63), que se l é maior força cortante resistente nominal, VRk, é dada por:
que lr, a flambagem ocorre em regime elástico.
VRk = 0,5 τ cr Ag   (3.71)
A Figura 3.34 ilustra a variação da força cortante re-
sistente nominal das vigas com seção tubular retan- Nessa equação, tcr é a tensão de flambagem elás-
gular em função do parâmetro de esbeltez das almas. tica por cisalhamento da parede da seção tubular
circular, dada pelo maior dos seguintes valores:

1,60 Ea
τ cr = 5/ 4
≤ 0 ,60 f y  
Lv ⎛ d ⎞
⎜ ⎟⎟
d ⎜⎝ t d ⎠ (3.72)

0 ,78 E a
τ cr = 3/ 2
≤ 0 ,60 f y  
⎛ d ⎞
⎜⎜ ⎟⎟
Figura 3.34 - Força cortante resistente nominal VRk em função de l ⎝ td ⎠ (3.73)

No dimensionamento, deve ser atendida a seguin-


te condição: onde d é o diâmetro externo da seção transversal,
td a espessura de cálculo da parede da seção trans-
versal, tomada igual a 0,93 vez a espessura nomi-
VSd ≤ VRd   (3.69)
nal t para tubos com costura e igual à espessura
nominal para tubos sem costura, e Lv a distância
onde VSd é a força cortante solicitante de cálculo entre as seções de forças cortantes máxima e nula.
máxima na viga, obtida com a combinação última
de ações apropriada, e VRd a força cortante resis- Observa-se que quando a Equação (3.72) ou
tente de cálculo. a Equação (3.73) fornece valor igual ou supe-
rior a 0,60fy, o colapso ocorre por escoamento
A força cortante resistente de cálculo é dada por: e, quando ambas fornecem valores inferiores a
0,60fy, por flambagem.
VRk
VRd =   (3.70)
γ a1 No dimensionamento, a condição expressa pela
Equação (3.69) deve ser satisfeita em todos os
onde VRk é o momento fletor resistente nominal, comprimentos entre seções de forças cortantes
fornecido anteriormente, em função do estado-li- máxima e nula, tomando VSd igual à força cortan-
mite último em consideração, e ga1 o coeficiente te solicitante de cálculo máxima.
de ponderação da resistência para estados limites
últimos relacionados ao escoamento e à instabili-
dade, igual a 1,10.

166
- para lr < l ≤ 260
3.5. BARRAS SUBMETIDAS A TORÇÃO 0,46 π 2 Ea WT
TRk = 2
  (3.76)
⎛ a p ⎞
3.5.1. Uso e Aplicação ⎜⎜ ⎟⎟
⎝ t ⎠
Os perfis tubulares possuem elevada capacidade
resistente ao momento de torção e, por essa razão, onde ap é o maior comprimento entre as partes
constituem uma solução natural quando esse tipo planas hp e bp , t a espessura da parede (ver Figura
de solicitação não pode ser evitado. 3.27) e WT é o módulo elástico de resistência à
torção da seção transversal, cuja expressão é for-
necida no Capítulo 1. Os valores do parâmetro
3.5.2. Estados-limites Últimos de esbeltez l, do parâmetro de esbeltez correspon-
dente à plastificação lp e do parâmetro de esbeltez
3.5.2.1. Identificação correspondente ao início do escoamento lr são
dados por:
O momento de torção provoca nos perfis tubu-
lares circulares tensões de cisalhamento e nos ap (3.77)
perfis tubulares retangulares tensões de cisa- λ=  
lhamento e tensões normais, mas estas últimas t
geralmente possuem pequena intensidade e po-
Ea (3.78)
dem ser desprezadas. λ p = 2,45  
fy
O estado-limite último causado pelas tensões
de cisalhamento é a flambagem local da parede
Ea (3.79)
da seção tubular, que pode ocorrer em regime λr = 3,07  
elástico ou inelástico. fy

Observa-se que se l ≤ lp, não ocorre flambagem


3.5.2.2. Dimensionamento
da parede, mas sim escoamento total da seção
3.5.2.2.1. Seções Tubulares Retangulares transversal, se lp < l ≤ lr, ocorre flambagem em
regime inelástico e, se l > lr, ocorre flambagem
Conforme 3.5.2.1, o colapso das barras com se- em regime elástico. Observa-se ainda que o proce-
ção tubular retangular submetidas a momento de dimento apresentado se limita às seções tubulares
torção ocorre por flambagem local da parede. Para retangulares nas quais l não supere 260.
esse estado-limite último, o momento de torção
No dimensionamento, deve ser atendida a seguin-
Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço
resistente nominal é dado por:
te condição:
- para l ≤ lp
TSd ≤ TRd   (3.80)
TRk = 0,60WT f y   (3.74)

onde TSd é o momento de torção solicitante de


- para lp < l ≤ lr cálculo, obtido com a combinação última de ações
apropriada, e TRd o momento de torção resistente
⎛ E ⎞ de cálculo.
0,60 WT f y ⎜ 2,45 a ⎟
⎜
⎝ f y ⎟⎠
TRk =   (3.75)
ap
167
t
O momento de torção resistente de cálculo é
dado por:
3.6. BARRAS SOB COMBINAÇÃO
TRk DE ESFORÇOS SOLICITANTES
TRd =   (3.81)
γa1

onde TRk é o momento de torção resistente no- 3.6.1. Uso e Aplicação


minal, fornecido anteriormente, e ga1 o coeficiente
As barras de aço sob combinação de esforços so-
de ponderação da resistência para estados-limites
licitantes tratadas aqui são aquelas submetidas si-
últimos relacionados ao escoamento e à instabili-
multaneamente a:
dade, igual a 1,10.
- força axial de tração ou compressão e flexão (mo-
mento fletor e força cortante) em relação aos dois
3.5.2.2.2. Seções Tubulares Circulares eixos centrais de inércia da seção transversal;

Para as barras com seção tubular circular, o mo- - força axial de tração ou compressão, flexão
mento de torção resistente nominal é dado pelo (momento fletor e força cortante) em relação a
maior dos valores a seguir: apenas um dos dois eixos centrais de inércia da
seção transversal e momento de torção.
1,23 WT Ea
TRk = 5/ 4
≤ 0,60 WT f y   (3.82) Barras em que atuam simultaneamente força
⎛ d ⎞ L axial e flexão aparecem com frequência, por
⎜ ⎟
⎝ t ⎠ d exemplo, compondo pórticos rígidos planos ou
espaciais, arcos (Figura 3.35-a) e as chamadas
vigas Vierendeel. Muitas vezes também, prin-
0,60 WT Ea cipalmente por razões econômicas ou constru-
TRk = 3/ 2
≤ 0,60 WT f y   (3.83)
⎛ d ⎞ tivas, vigas de cobertura ou de piso são consti-
⎜ ⎟
⎝ t ⎠ tuídas por trechos em treliça e trechos em viga
Vierendeel, como se vê na Figura 3.35-b. Ban-
onde d é o diâmetro externo e t a espessura da zos contínuos de treliças também podem estar
parede da seção transversal, L o comprimento da sujeitos à combinação entre força axial e mo-
barra e WT o módulo de resistência à torção elásti- mento fletor (ver Item 2.5 no Capítulo 2).
co da seção transversal, cuja expressão é fornecida
no Capítulo 1.

Observa-se que, se na Equação (3.82) ou na


Equação (3.83), o valor obtido superar o limite
de 0,60WT fy, não ocorre flambagem da parede,
mas sim escoamento total da seção transversal. Ao
contrário, se o valor obtido nas duas equações não
atingir esse limite, ocorre flambagem em regime
inelástico ou elástico.

Figura 3.35(a) Arco


168
b) flambagem lateral com torção causada pelo
momento fletor associada com a instabilidade
por flexão em relação ao eixo y causada pela for-
ça axial (a rotação f é causada pelo momento
fletor e o deslocamento lateral m pelo momento
fletor e pela força axial – Figura 3.36-b);

c) flambagem local, da mesa ou da alma, causa-


da pela tensão de compressão nesses elementos
devido à atuação conjunta da força axial e do
Figura 3.35(b) Vigas de cobertura com trechos em treliça e viga momento fletor (Figura 3.36-c);
Vierendeel
Figura 3.35 - Exemplos de barras submetidas a força axial e flexão d) se nenhum dos estados-limites citados ante-
riormente, ligados à flambagem e instabilidade,
Algumas vezes, os perfis tubulares são utilizados puder ocorrer, o colapso se dará pela formação
para suportar algum momento torção, que se ma- de rótula plástica no plano de flexão (plano yz),
nifesta em conjunto com flexão, e eventualmente causada pela atuação conjunta do momento fle-
também com força axial. Existem também as si- tor e da força axial (Figura 3.36-d).
tuações em que torção ocorre em decorrência da
atuação de forças transversais cuja linha de ação
não passa pelo centro de cisalhamento da seção
transversal, nesses casos sendo acompanhada usu-
almente de flexão.

Figura 3.36(a) Instabilidade em relação ao eixo x

3.6.2. Estados-limites Últimos


Quando atuam simultaneamente em uma barra
de aço diversos esforços solicitantes, podem ocor-
rer todos os estados-limites últimos decorrentes da
atuação de cada um dos esforços solicitantes iso-
lados, vistos nos itens precedentes, potencializados Figura 3.36(b) Flambagem lateral com torção
ou atenuados pelos outros esforços solicitantes. Em
algumas situações, estados-limites semelhantes de
dois ou mais esforços solicitantes se associam em

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


um só estado-limite resultante. Por exemplo, em
uma barra com seção tubular retangular sujeita si-
multaneamente a força axial de compressão e mo- Figura 3.36(c) Flambagem local
mento fletor em relação ao eixo de maior momento
de inércia (eixo x), os estados-limites últimos são:

a) instabilidade em relação ao eixo x, ou seja,


no próprio plano de flexão (plano yz), causada
pela força axial e potencializada pelo momento
fletor (Figura 3.36-a); Figura 3.36(d) Formação de rótula plástica
Figura 3.36 - Estados-limites últimos para força axial de compres-
são e momento fletor
169
Se a força axial fosse de tração, poderiam ocorrer N Sd
os estados-limites últimos a seguir: - para ≥ 0,2  
N Rd
a) escoamento da área bruta, causado pelaNforça N 8 ⎛ M M y ,Sd ⎞
Sd
axial e possivelmente potencializado pelo momen-≥ 0,2 :   Sd + ⎜ x ,Sd + ⎟ ≤ 1,0   (3.84-a)
N Rd N Rd 9 ⎜⎝ M x ,Rd M y ,Rd ⎟
⎠
to fletor;

b) ruptura da área líquida, também causada pela


força axial e possivelmente potencializada pelo N Sd
momento fletor; - para < 0,2  
N Rd
c) flambagem lateral com torção, causadaN pelo N ⎛ M x ,Sd M y ,Sd ⎞
momento fletor e atenuada pela força axial; Sd < 0,2 :   Sd + ⎜⎜ + ⎟ ≤ 1,0   (3.84-b)
N Rd 2 N Rd ⎝ M x ,Rd M y ,Rd ⎟⎠
d) flambagem local de mesa e ou alma, causada
pelo momento fletor e atenuada pela força axial; onde NSd e NRd são as forças axiais solicitante e re-
sistente de cálculo de tração ou de compressão, res-
e) se nenhum dos estados-limites citados anterior-
pectivamente, determinadas conforme o Item 3.2 ou
mente ocorrer, o colapso se dará pela formação de
3.3, o que for aplicável, Mx,Sd e Mx,Rd são os momen-
rótula plástica no plano de flexão, causada pelo
tos fletores solicitante e resistente de cálculo em rela-
momento fletor e pela força axial.
ção ao eixo x da seção transversal, respectivamente,
determinados conforme o Item 3.4, e My,Sd e My,Rd
são os momentos fletores solicitante e resistente de
3.6.3. Força Axial e Flexão em Relação cálculo em relação ao eixo y, respectivamente, deter-
aos Dois Eixos Centrais de Inércia minados também conforme o Item 3.4.

A Figura 3.37 mostra o “sólido de colapso” pro-


3.6.3.1. Consideração Geral jetado pelas Expressões (3.84-a) e (3.84-b). Se a
No dimensionamento, as barras submetidas à soma dos três termos do primeiro membro dessas
combinação de esforços solicitantes devem ser ve- expressões for inferior a 1,0, tem-se um ponto si-
rificadas simultaneamente, por meio de uma ex- tuado no interior do sólido, indicando uma con-
pressão de interação, aos estados-limites últimos dição segura. Se a soma for igual a 1,0, o ponto
causados por força axial e momento fletor e, iso- se situa em uma face do sólido, indicando ainda
ladamente, aos estados-limites últimos causados uma situação segura, mas no limite. Se a soma for
pela força cortante. superior a 1,0, o ponto se situa fora do sólido,
indicando uma situação não segura.

3.6.3.2. Estados-limites Causados por Força


Axial e Momentos Fletores

Estudos teóricos e experimentais mostram que to-


dos os estados-limites possíveis de ocorrer em bar-
ras submetidas a força axial e momentos fletores
ficam atendidos caso seja obedecida a limitação
fornecida pelas seguintes expressões de interação:

Figura 3.37 - “Sólido de colapso” das barras submetidas à combi-


170 nação de esforços
3.6.3.3. Estados-limites Causados pela
Força Cortante VSd = Vx2,Sd + Vy2,Sd   (3.85)

3.6.3.3.1. Seções Tubulares Retangulares

O dimensionamento das barras com seções tubu-


lares retangulares à força cortante deve ser feito
conforme o Subitem 3.4.2.3.1. Assim, para forças
cortantes na direção do eixo y, Vy,Sd (Figura 6.38-
a), esse subitem deve ser seguido rigorosamente.
Para forças cortantes na direção do eixo x, Vx,Sd
(Figura 6.38-b), esse subitem também deve ser
seguido rigorosamente, apenas substituindo-se a
largura da parte plana hp por bp.
Figura 3.39 - Soma vetorial entre Vx,Sd e Vy,Sd para obtenção de VSd

3.6.4. Força Axial, Flexão em Relação a


Um Eixo Central de Inércia e Torção
Estudos teóricos e experimentais mostram que,
para efeito de dimensionamento, todos os esta-
dos-limites possíveis de ocorrer em barras subme-
Figura 3.38(a) Força cortante na direção do eixo y tidas a força axial, flexão em relação a um eixo
central de inércia, envolvendo momento fletor e
força cortante, e momento de torção, ficam aten-
didos caso seja obedecida a limitação fornecida
pela seguinte expressão de interação:
2
N Sd M Sd ⎛ VSd TSd ⎞ (3.86)
+ + ⎜ + ⎟ ≤ 1,0  
N Rd M Rd ⎜⎝ VRd TRd ⎟⎠

Figura 3.38(b) Força cortante na direção do eixo x


onde NSd e NRd são as forças axiais solicitante e re-
Figura 3.38 - Forças cortantes em seção tubular retangular sistente de cálculo de tração ou de compressão, res-
pectivamente, determinadas conforme o Item 3.2 ou

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


3.3, o que for aplicável, MSd e MRd são os momentos
3.6.3.3.2. Seções Tubulares Circulares fletores solicitante e resistente de cálculo em relação
ao eixo de flexão da seção transversal, respectivamen-
O dimensionamento das barras com seções tubu-
te, determinados conforme o Item 3.4, VSd e VRd são
lares retangulares à força cortante deve ser feito
as forças cortantes solicitante e resistente de cálcu-
conforme o Subitem 3.4.2.3.2. Apenas, tendo em
lo em relação ao eixo de flexão da seção transversal,
vista a axissimetria da seção transversal, deve-se
respectivamente, determinadas também conforme
utilizar como força cortante solicitante de cálculo
o Item 3.4, e TSd e TRd são os momentos de torção
a resultante da soma vetorial das forças cortantes
solicitante e resistente de cálculo, respectivamente,
nas direções dos eixos y e x, Vy,Sd e Vx,Sd, respectiva-
determinados conforme o Item 3.5.
mente (Figura 3.39), dada por:

171
Se o momento de torção solicitante de cálculo, verificada apenas aos estados-limites causados pela
TSd, for inferior ou igual a 20% do momento de força axial e pelo momento fletor de acordo com
torção resistente de cálculo, TRd, o efeito da tor- o Subitem 3.6.3.2 e pela força cortante de acordo
ção pode ser desprezado e a Equação (3.86) não com o Subitem 3.6.3.3.
precisa ser utilizada. Nesse caso, a barra deve ser

3.7. EXEMPLOS DE APLICAÇÃO

3.7.1. Dimensionamento de Diagonal de Treliça Axialmente Tracionada com Perfil


Tubular Circular Laminado
A figura a seguir mostra parte de uma treliça Warren sem montantes. As diagonais têm 2,5 m de comprimento
e são ligadas aos banzos por meio de solda a uma chapa concêntrica de nó (essa chapa penetra nas diago-
nais 1,2 vez o diâmetro delas) com espessura, tc, de 8 mm. Considerar que os banzos já foram dimensio-
nados e têm como perfil o tubo laminado circular TC 323,8 x 17,5, fabricado pela Vallourec do Brasil
com aço estrutural VMB 300. Pede-se que seja dimensionada agora a diagonal tracionada mais solicitada,
usando também perfil tubular circular laminado da Vallourec do Brasil fabricado com aço VMB 300,
sabendo-se que nela a força de tração solicitante de cálculo é igual a 2000 kN.

a) Aço estrutural

VMB 300 → fy = 300 MPa = 30 kN/cm2; fu = 415 MPa = 41,5 kN/cm2

b) Pré-dimensionamento pelo escoamento da seção bruta

Ag f y Ag × 30 1,10 × 2000
N t ,Sd = 2000 kN ≤ N t ,Rd = = → Ag ≥ → Ag ≥ 73,33cm 2
γ a1

1,10 30

Tentar usar o perfil TC 168,3 x 16, que possui área bruta (Ag) igual a 76,6 cm2 e raio de giração (r) igual
a 5,41 cm.

172
c) Ruptura da seção líquida

Ae f u
N t ,Sd = 2000 kN ≤ N t ,Rd =  
γ a2
com Ae =Ct Ag

Como a relação entre diâmetro externo e espessura (d/t) do tubo é igual a 168,3/16 = 10,52, não superan-
do 45, e o comprimento da ligação lc é superior a d, pode-se usar a seguinte equação para obtenção de Ct:
−10
⎡ ⎛ e ⎞ 3,2 ⎤
C t = ⎢1+ ⎜ c ⎟ ⎥
⎢⎣ ⎝ ℓ c ⎠ ⎥⎦

d t c 16,8 0,8
ec = − = − = 4,95cm
π 2 π 2

ℓ c = 1,2d = 1,2 × 16,8 = 20,16cm

−10
⎡ ⎛ 4,95 ⎞ 3,2 ⎤
C t = ⎢1+ ⎜ ⎟ ⎥ = 0,89
⎣ ⎝ 20,16 ⎠ ⎦

Ae = 0,89 × 76,6 = 68,17 cm 2

Ae f u 68,17 × 41,5
N t ,Sd = 2000kN< N t ,Rd = = = 2096kN → Atende!
γ a2 1,35

Esbeltez
d)

⎛ Ld ⎞ = 250 = 250 = 46,21 < 300 → Atende!



⎝ r ⎠ max r 5,41

e) Conclusão Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

Usar o perfil TC 168,3 x 16 da Vallourec do Brasil com aço VMB 300.

f ) Considerações complementares

Se a diagonal fosse ligada diretamente ao banzo por meio de solda (sem a chapa de nó), bastaria efetuar a
verificação do escoamento da área bruta.
Se fosse usada a expressão da ABNT NBR 8800:2008 para determinar o coeficiente Ct, viria:
173

d 16,8
ec = = = 5,35cm
π π

ec 5,35
C t = 1− ≤ 0,90 → C t = 1− = 0,73
ℓc 20,16

Ae = 0,73 × 76,6 = 55,92 cm 2

Ae f u 55,92 × 41,5
N t ,Sd = 2000 kN>N t ,Rd = = = 1719kN → Não Atende!
γ a2 1,35

Portanto, com o coeficiente Ct calculado conforme a ABNT NBR 8800:2008, perfil TC 168,3 x 16 deveria ser
substituído por outro com maior área da seção transversal ou ter o comprimento da ligação aumentado, para
elevar o valor desse coeficiente.

3.7.2. Verificação de Diagonal de Treliça Axialmente Comprimida com Perfil Tubular


Circular Laminado
Verificar a diagonal comprimida mais solicitada da treliça Warren do exemplo do Subitem 3.7.1, na qual
a força axial de compressão solicitante de cálculo é igual a 2000 kN, tentando-se usar para essa barra o
mesmo perfil tubular da diagonal tracionada (TC 168,3 x 16 da Vallourec do Brasil com aço VMB 300),
visando à padronização.

a) Aço estrutural

VMB 300 → fy = 300 MPa = 30 kN/cm2

b) Dimensões e propriedades geométricas importantes da seção transversal da barra

Ag = 76,6 cm2
Ix = Iy = 2244 cm4
rx = ry = 5,41 cm
J = 4488 cm4

c) Flambagem local

d 168,3 E 20000
= = 10,52 < 0,11 a = 0,11 = 73,33 →Q = 1,0
t 16 fy 30

174
d) Instabilidade global e esbeltez

- Força de flambagem por flexão em relação aos eixos x e y:

π 2 E a I π 2 × 20000× 2244
N ex = N ey = = = 7087 kN
( K L )2 (1,0 × 250 )2

Notar que o coeficiente de flambagem foi considerado igual a 1,0, tendo em vista que a diagonal não está
ligada diretamente aos banzos por meio de solda.

- Força de flambagem por torção:

Ga J
N ez =
ro2

ro = rx2 + ry2 = 5,412 + 5,412 = 7 ,65 cm

Ga J 7700 × 4488
N ez = = = 590501kN
ro2 7,65 2

- Valores de Ne, lmax, l0 e c



N e = 7087 kN

E a Ag 20000× 76,6
λmax = π =π = 46,19 < 200 → Atende!
Ne 7087

Q Ag f y 1,0× 76,6× 30
λ0 = = = 0,57 → Tabela 3.2 ( perfil laminado ) → χ = 0,966
Ne 7087

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

e) Verificação final

χ Q Ag f y 0,966 × 1,0 × 76,6 × 30
N c ,Sd = 2000 kN < N c ,Rd = = = 2018kN → Atende!
γ a1 1,10

Logo, pode ser usado o perfil TC 168,3 x 16 da Vallourec do Brasil com aço VMB 300 como diagonal
comprimida da treliça.

175
f ) Considerações complementares

Se as diagonais da treliça fossem ligadas diretamente ao banzo por meio de solda (sem a chapa de nó),
haveria um aumento da força axial de compressão resistente de cálculo, pois o comprimento de flam-
bagem poderia ser reduzido. Assim, inicialmente, determina-se a relação entre o diâmetro médio das
diagonais que chegam ao nó e o diâmetro do banzo, dada por (ver Capítulo 5):

d1 + d 2 168,3 + 168,3
β= = = 0,52
2d 0 2 × 323,8

Como o valor de b é menor que 0,60, o comprimento de flambagem da diagonal comprimida pode ser
tomado como:

KL = 0,75L = 0,75 × 250 = 187,5 cm

π 2 E a I π 2 × 20000× 2244
N e = N ex = N ey = = = 12599kN
( K L )2 187,52

Q Ag f y 1,0× 76,6× 30
λ0 = = = 0,43 → Tabela 3.2 ( perfil laminado ) → χ = 0,990
Ne 12599

χ Q Ag f y 0,990 × 1,0 × 76,6 × 30


N c ,Rd = = = 2068kN
γ a1 1,10

Esse valor é cerca de 2,5% superior à força resistente da situação anterior, obtida no tópico “e”.

3.7.3. Verificação de Barra de Treliça Axialmente Tracionada e Comprimida com


Perfil Tubular Circular Soldado
Suponha que as diagonais tracionada e comprimida dos exemplos dos Subitens 3.7.1 e 3.7.2, respectiva-
mente, fossem executadas com um perfil tubular circular soldado com as mesmas dimensões e aço estru-
tural que, após conformação e soldagem, tenha resistência ao escoamento assegurada de 300Mpa, sem
alívio de tensões residuais. Determinar as suas forças axiais de tração e compressão resistentes de cálculo.

a) Força axial de tração resistente de cálculo

A determinação da força axial de tração resistente de cálculo do perfil soldado segue exatamente o mesmo
procedimento empregado para o perfil laminado. Assim, tem-se que Nt,Rd = 2089 kN.

176
b) Força axial de compressão resistente de cálculo

A determinação da força axial de compressão resistente de cálculo do perfil soldado segue o mesmo proce-
dimento empregado para o perfil laminado, apenas alterando-se o cálculo do fator de redução associado à
resistência à compressão, que passa a ser feito com o uso da Equação (3.9) no lugar da Equação (3.12), ou
da Tabela 3.1 no lugar da Tabela 3.2. Assim, vem:

λ00 == 0,57
0,57 → Tabela3.1
⇒Tabela 3.1(perfil
(perfilsoldado)
soldado)→
⇒χχ==0,873
0,873

χ Q Ag f y 0,873 ×1,0 × 76,6 × 30


N c, Rd = = = 1824 kN
γa1 1,10

Esse valor é cerca de 13% inferior ao obtido para o perfil laminado com as mesmas dimensões da seção trans-
versal. Como a força solicitante de cálculo é igual a 2000 kN, o perfil tubular circular soldado com diâmetro
externo de 168,3 mm e espessura de 16 mm fabricado com aço com resistência ao escoamento de 300 MPa
não poderia ser utilizado. Pode-se, no entanto, tentar usar um perfil com dimensões diferentes, por exemplo,
com maior diâmetro externo e menor espessura de parede, com área de seção transversal equivalente, que
possua força axial resistente de cálculo no mínimo igual a 2000 kN.

3.7.4. Dimensionamento de Viga com Perfil Tubular Retangular Soldado


Dimensionar a viga de piso birrotulada mostrada a seguir, usando perfil tubular retangular fabricado a partir
da conformação a frio de um tubo circular soldado com aço ASTM A572-Grau 50. Sabe-se que essa viga
tem vão de 8 m e que está submetida a uma força uniformemente distribuída de cálculo (qd) de sentido
gravitacional igual a 22 kN/m. Para efeito de obtenção da flecha, supor que a força distribuída de serviço é
igual 52% da força distribuída de cálculo.

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


a) Aço estrutural

ASTM A572-Grau 50 → fy = 345 MPa = 34,5 kN/cm2 (valor assegurado após as operações de confor-
mação e soldagem)

b) Esforços solicitantes de cálculo

Os diagramas de momento fletor e força cortante solicitantes de cálculo são mostrados na figura a seguir:

177
c) Pré-dimensionamento

Na situação mais favorável possível, o perfil escolhido atingirá o momento de plastificação Mpl. Assim,
deve-se ter:

M Rk M pl Z x f y
M Sd ,max ≤ M Rd = = =
γ a1 1,10 1,10

34,5 Z x
17600 ≤ → Z x ≥ 561cm 3
1,10

Tentar-se-á, inicialmente, usar um perfil com 300 mm de altura e 220 mm de largura, com espessura de
6,3 mm. Nesse perfil, tendo em vista a espessura, os raios de canto externo e interno são:

re = 2 t = 2 × 6,3 = 12,6 mm
ri = t = 6,3 mm

A área bruta e o módulo plástico em relação ao eixo x são:

Ag = 2t (b + h − 2t ) − 0,858 (re2 − ri 2 ) = 2 × 0,63 ( 22+ 30 − 2 × 0,63) − 0,858 (1,262 − 0,632 ) = 62,91cm 2


b h 2 (b − 2t ) ( h − 2t )
2

Zx =
4

4
(
− 4 Ar hg − Aε hε )
Ar = 0,215re2 = 0,215 × 1,262 = 0,34cm 2

h 30
hg = − 0,223re = − 0,223 × 1,26 = 14,72cm
2 2

Aε = 0,215ri 2 = 0,215 × 0,632 = 0,085cm 2

h − 2t 30 − 2 × 0,63
hε = − 0,223ri = − 0,223 × 0,63 = 14,23cm
2 2


22 × 302 ( 22 − 2 × 0,63) ( 30 − 2 × 0,63)
2

Zx = − − 4 ( 0,34 × 14,72 − 0,085 × 14,23) = 652cm 3 (> 561cm 3 )


4 4

178
d) Verificação do perfil TR 300 x 220 x 6,3 ao momento fletor

• FLM

bp b − 2re 200 − 2 × 12,6 194,8


λ= = = = = 30,92
t t 6,3 6,3

Ea 20000
λ p = 1,12 = 1,12 = 26,96
fy 34,5

Ea
λ = 30,92 > λ p = 26,96 → λr = 1,40 = 33,71
fy

λ − λp
λ p = 26,96 < λ = 30,92 < λr = 33,71 → M Rk = M pl − M pl − M r ( )λ −λ r p

M pl = Z x f y = 65234,5 = 222494 kN.cm

M r = f y Wef

b h 3 (b − 2t ) ( h − 2t )
3

I x =
12

12
(
− 4 I g + Ar hg2 − I ε − Aε hε2 )


I g = 0,00755re4 = 0,00755 × 1,264 = 0,019cm 4

I ε = 0,00755ri 4 = 0,00755 × 0,634 = 0,0012cm 4




22 × 303 ( 22 − 2 × 0,63) ( 30 − 2 × 0,63)
3

Ix = − − 4 ( 0,019 + 0,34 × 14,72


-4(0,019+0,34×14,72 2 2
14,232 ) =4 8245cm 4
− 0,0012 − 0,085 2×)=8245cm
-0,0012-0,085×14,23
12 12

8245 Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


Wx = = 550cm 3
15

Ea ⎡ 0,38 Ea ⎤ 20000 ⎛ 0,38 20000 ⎞


b p,ef = 1,92 t ⎢1− ⎥ = 1,92 × 0,63 1− = 24,50cm
fy ⎢⎣ b p / t f y ⎥⎦ 34,5 ⎜⎝ 30,92 34,5 ⎟⎠

179
Esse valor de bp,ef é menor que bp, que é igual a 19,48 cm. Logo, não há redução da largura da mesa, e:

Wx , ef = Wx = 550 cm3

M r = f y Wx,ef = 34,5 × 550 = 18975 kN.cm


λ − λp 30,92 − 26,96
M Rk = M pl − (M pl − M r ) = 22294 − (22294 − 18975) = 20442 kN.cm
λr − λ p 33,71 − 26 ,96

• FLA

hp h − 2re 300 − 2 × 12,6 274,8


λ= = = = = 43,62
t t 6,3 6,3

Ea
λ p = 2,42 = 58,27
fy

λ = 43,62 < λ p = 58,27 → M Rk = M pl = 22494kN.cm

• FLT

Lb
λ=
ry

h b 3 ( h − 2t ) (b − 2t )
3

I y =
12

12
(
− 4 I g + Ar bg2 − I ε − Aε bε2 )


b 22
bg = − 0,223re = − 0,223 × 1,26 = 10,72cm
2 2

b − 2t 22 − 2 × 0,63
bε = − 0,223ri = − 0,223 × 0,63 = 10,23cm

2 2

30 × 223 ( 30 − 2 × 0,63) ( 22 − 2 × 0,63)
3

Iy = − − 4 ( 0,019 + 0,34 × 10,72


- 4(0,019+0,34×10,72 2 2
× 10,232 )4 = 5133cm 4
− 0,0012 − 0,0852)=5133cm
-0,0012-0,085×10,23
12 12

I y 5133
ry = = = 9,03cm
Ag 62,91

800
λ= = 88,59
180 9,03

0,13E a
λp = J Ag
Zx f y
0,13E a
λp = J Ag
Zx f y

u
J = t3 + 2k Ah
3
u = 2 (b + h − 2t ) − 1,72rc
r − r 1,26 − 0,63i
rc = e i = = 0,315cm
2 2

u = 2 ( 22 + 30 − 2 × 0,63) − 1,72 × 0,315 = 101cm

A = (b − t ) ( h − t ) − 0,858r 2 = ( 22 − 0,63) ( 30 − 0,63) − 0,858 × 0,3152 = 628cm 2


h c

2Ah t 2 × 626 × 0,63


k= = = 8,83cm 2
u 101


101
J = 0,633 + 2× 8,83 × 628 = 9843cm 4
3

0,13 × 20000
λp = 9843 × 62,91 = 90,96
652 × 34,5

λ = 88,59 < λ p = 90,96 → M Rk = M pl = 22494 kN.cm

• Resumo

M Rk = 20442 kN.cm ( menor valor entre FLM, FLA e FLT )

M Rk = 20442 kN.cm < 1,5W x f y = 1,5 × 550 × 34,5 = 28463 kN.cm → M Rk = 20442 kN.cm

M Rk 20442
M Sd ,max = 17600 kN.cm < M Rd = = = 18584kN.cm → Atende!
γ a1 1,10

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


e) Verificação do perfil TR 300 x 220 x 6,3 à força cortante

hp
λ= = 43,62 ( já calculado na FLA )
t
Ea 20000
λ p = 2,46 = 2,46 = 59,22
fy 34,5
( )

λ = 43,62 < λ p = 59,22 → V Rk = V pl = 0,60 Aw f y = 0,60 2h p t f y = 0,60 × 2 × 27,48 × 0,63 × 34,5 = 717 kN
V Rk 717
VSd ,max = 88kN < V Rd = = = 652kN → Atende! 181
γ a1 1,10
= 43,62 ( já calculado na FLA )
p
λ=
t
Ea 20000
λ p = 2,46 = 2,46 = 59,22
fy 34,5
( )
λ = 43,62 < λ p = 59,22 → V Rk = V pl = 0,60 Aw f y = 0,60 2h p t f y = 0,60 × 2 × 27,48 × 0,63 × 34,5 = 717 kN
V Rk 717
VSd ,max = 88kN < V Rd = = = 652kN → Atende!
γ a1 1,10

f ) Verificação da flecha

A flecha máxima, lembrando que a força distribuída de serviço é igual 52% da força distribuída de
cálculo, é igual a:

5 ( 0,52q d ) L4 5 ( 0,52 × 22 × 10-2 ) 8004


δt = = = 3,70cm
384 E a I x 384× 20000×8245
5 ( 0,52q d ) L4 5 ( 0,52 × 22 × 10-2 ) 8004
δt =
Comparando = com a flecha máxima permitida
esse valor = 3,70cm(dp), igual a L/350 para vigas de piso, conforme
384 E a I x L 384×800
20000×8245
oδ tSubitem
= 3,70 cm >δp =
2.3.3.4, vem: = = 2,29cm
350 350

L 800
δ t = 3,70 cm > δ p = = = 2,29cm
350 350


Portanto, a flecha da viga encontra-se além do limite aceitável, sendo necessária a execução de uma contra-
flecha de pelo menos 1,41 cm (esse valor não pode ser superior à flecha provocada pela carga permanente).

g) Conclusão

O perfil tubular retangular escolhido (TR 300 x 220 x 6,3) atendeu às exigências de dimensionamento


com uma folga pequena (a pior condição encontrada se deu na verificação ao momento fletor, com a rela-
ção entre os momentos resistente e solicitante de cálculo igual a 1,06), havendo a necessidade de se efetuar
uma contraflecha de pelo menos 1,41 cm.

3.7.5. Verificação ao Momento Fletor de Tramo de Viga em Perfil Tubular Retan-


gular Soldado com Mesa Contida Lateralmente e Momentos Negativos nas Extre-
midades
Verificar ao momento fletor um tramo interno de 10 m de comprimento de uma viga que tem o perfil
tubular retangular soldado selecionado do exemplo do Subitem 3.7.4 (TR 300 x 220 x 6,3), fabricado
com o mesmo aço (ASTM A572-Grau 50). Esse tramo possui a mesa superior contida lateralmente ao
longo de todo o seu comprimento e encontra-se submetido a uma força gravitacional uniformemente
distribuída de 22 kN/m e a momentos negativos nas extremidades (momentos que comprimem a mesa
livre) iguais a 140 kN.m e 60 kN.m, em valores de cálculo, conforme mostra a figura a seguir:

182
a) Diagrama de momento fletor e valores dos momentos solicitantes de cálculo

O diagrama de momento fletor solicitante de cálculo no tramo de 10 m é mostrado a seguir:

Para verificação da flambagem local da mesa comprimida (as duas mesas estão comprimidas) e da flamba-
gem local da alma, o momento fletor solicitante de cálculo, MSd, é o maior momento no tramo, indepen-
dentemente de esse momento ser positivo ou negativo. Assim, seu valor é 17645 kN.cm.

Para verificação da flambagem lateral com torção, o momento fletor solicitante de cálculo, MSd, é o maior
momento que comprime a mesa livre (momento negativo), no caso igual a 14000 kN.cm.

b) Verificação da flambagem local da mesa comprimida (FLM) e das almas (FLA)

• FLM

MRk = 20442 kN.cm (valor já determinado no tópico “d” de 3.7.4)

• FLA

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


MRk = 22494 kN.cm (valor já determinado no tópico “d” de 3.7.4)

• Resumo

M Rk = 20442kN.cm ( menor valor entre FLM e FLA )

M Rk ≤ 1,5W x f y = 1,5 × 550 × 34,5 = 28463 kN.cm → M Rk = 20442kN.cm m

M Rk 20442
M Sd = 17645 kN.cm < M Rd = = = 18584kN.cm → Atende!
γ a1 1,10 183
c) Verificação da flambagem lateral com torção (FLT)

No tramo em análise, em que uma das mesas encontra-se continuamente travada contra translação lateral
e a outra mesa livre e com compressão em determinados trechos, deve-se tomar o comprimento destrava-
do Lb como igual a 10 m. Assim:

Lb 1000
λ= = = 110,74
ry 9,03

λ = 110,74 > λ p = 90,96 → λr =


2 Ea
Mr
(
J Ag λ p determinado no tópico "d" de 3.7.4 )

M r = 0,7 f y W x = 0,7 × 34,5 × 550 = 13283kN.cm


λr =
2 Ea
Mr
J Ag =
2× 20000
13283
(
9843 × 62,91 = 2370 J e Ag determinados em 3.7.4 )

⎡ λ − λp ⎤
⎢⎣
(
λ p = 90,96 < λ = 110,74 < λr = 2370 → M Rk = C b ⎢ M pl − M pl − M r ) ⎥ ≤ M pl
λr − λ p ⎥⎦

O fator Cb, para a situação do tramo em estudo, com a mesa superior contida lateralmente ao longo de
todo o seu comprimento, é dado pela Equação (3.36):

2 M1 8 M2 2 −60 ⎞ 8 175
Cb = 3,0 − − = 3,0 − ⎛ − = 5,62
3 M 0 3 ( M 0 + M1 )
*
3 ⎝ −140 ⎠ 3 ( −140 − 60 )

⎡ λ − λp ⎤ ⎡ 110,74 − 90,96 ⎤
⎢⎣
(
M Rk = C b ⎢ M pl − M pl − M r ) ⎥ = 5,62 ⎢ 22494 − ( 22494 − 13283)
λr − λ p ⎥⎦ ⎣ 2370 − 90,96 ⎥⎦
= 125967 kN.cm


(
Como esse valor supera M pl : M Rk = M pl = 22494 kN.cm menor que 1,5W x f y = 28463 kN.cm )
M Rk 22494
M Sd = 14000kN.cm < M Rd = = = 20449kN → Atende!
γ a1 1,10

3.7.6. Verificação ao Momento Fletor de Tramo de Viga com Perfil Tubular Retangular
Soldado com Mesas Livres e Momentos Negativos nas Extremidades
Verificar ao momento fletor o mesmo tramo interno do exemplo do Subitem 3.7.5, mantendo as mesmas
ações, mas eliminando a contenção lateral contínua da mesa superior.
184
Solução

Para a flambagem local da mesa comprimida e a flambagem local da alma, a verificação é a mesma do exemplo
do Subitem 3.7.5 (essas flambagens não sofrem influência de eventual contenção de mesa à translação lateral).

Para flambagem lateral com torção, com l, lp e lr determinados como em 3.7.5, vem:

⎡ λ − λp ⎤
⎢⎣
(
λ p = 90,96 < λ = 110,74 < λr = 2370 → M Rk = C b ⎢ M pl − M pl − M r ) ⎥ ≤ M pl
λr − λ p ⎥⎦

O fator Cb, para a presente situação, em que as duas mesas estão livres para se deslocar lateramente, é dado
pela Equação (3.35):

12 ,5 M max
Cb = ≤ 3,0
2,5 M max + 3 M A + 4 M B + 3 M C

Os valores de Mmax, MA, MB e MC são mostrados no diagrama a seguir:

MA = 86,25kN.m
MB = 175kN.m Mmax = 176,45 kN.m
140 kN.m
60 kN.m

Mc = 126,25 kN.m
2,5 m
5m
7,5 m

Logo:

12,5× 176,45
Cb = = 1,24
2,5× 176,45 + 3× 86,25 + 4× 175 + 3× 126,25

⎡ λ − λp ⎤ ⎡ 110,74 − 90,96 ⎤
M Rk ( )
= C b ⎢ M pl − M pl − M r ⎥ = 1,24 ⎢ 22494 − ( 22494 − 13283)
2370 − 90,96 ⎥⎦
= 27793kN.cm

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


⎢⎣ λr − λ p ⎥⎦ ⎣

Como esse valor supera Mpl : MRk = Mpl = 22494 kN.cm (menor que 1,5 Wx fy = 28463 kN.cm)

O momento fletor solicitante de cálculo, MSd, agora é o máximo momento no tramo, independentemente
do sinal, portanto igual a 17645 kN.cm. Dessa forma:

M Rk 22494
M Sd = 17645kN.cm < M Rd = = = 20449kN.cm → Atende!
γ a1 1,10

185
3.7.7. Verificação de Viga com Perfil Tubular Circular Soldado
Verificar se, alterando a seção transversal da viga do exemplo do Subitem 3.7.4 para um perfil tubular
circular soldado com diâmetro de 320 mm e espessura de 6,3 mm, mostrado na figura a seguir, mantendo
como aço estrutural o ASTM A572-Grau 50 e assegurando, após as operações de conformação e solda-
gem, uma resistência ao escoamento de 345Mpa, a viga continua resistindo às ações atuantes.

a) Verificação ao momento fletor

O único estado-limite último é a flambagem local da parede do tubo. Na verificação da viga a esse esta-
do-limite, faz-se:

d 600
λ= = = 50,79
t 8

0,07E a 0,07 × 20000
λp = = = 40,58
fy 34,5

0,31E a 0,31× 20000
λ = 50,79 > λ p = 40,58 → λr = = = 179,71
fy 34,5

0,021E a
λ p = 40,58 < λ = 50,79 < λr = 179,71 → M Rk = ⎛ + f y ⎞W
⎝ λ ⎠

π ⎡⎣ d 4 − ( d − 2 t ) ⎤⎦ π ⎡⎣324 − ( 32 − 2 × 0,63) ⎤⎦
4 4

W = = = 478cm 3

32d 32× 32

0,021E a ⎛ 0,021× 20000 ⎞
M Rk = ⎛ + f y ⎞W = ⎜ + 34,5⎟ 478 = 20444kN.cm
⎝ λ ⎠ ⎝ 50,79 ⎠

M Rk ≤ 1,5Wf y = 1,5 × 478 × 34,5 = 24737 kN.cm → Adotar M Rk = 20444kN.cm
M Rk 20444
M Sd ,max = 17600 kN.cm < M Rd = = = 18585kN.cm → Atende!
γ a1 1,10

186
b) Verificação à força cortante

VRk = 0,5 τ cr Ag

Ag = π ( d t − t 2 ) = π ( 32 × 0,63− 0,632 ) = 62,09cm 2

1,60 E a
τ cr = 5/4 ≤ 0,60 f y
Lv ⎛ d ⎞
d ⎜⎝ t d ⎟⎠
   Lv = 400 cm ( distância entre as seções de força cortante máxima e nula )    
   t d = 0,93t = 0,930,63 = 0,586cm ( valor para perfil soldado )

1,60 Ea 1,60 × 20000


τ cr = 5/4 = 5/4 = 60,97 kN/ cm
2

Lv ⎛ d ⎞ 400 ⎛ 32 ⎞
⎜ ⎟
d ⎜⎝ td ⎟⎠ 32 ⎝ 0,586 ⎠

0,78 E a 0,78× 20000


τ cr = 3/2 = 3/2 = 38,66kN/ cm
2

⎛ d⎞ ⎛ 32 ⎞
⎜⎝ t ⎟⎠ ⎜⎝ ⎟
d
0,586 ⎠

Adota-se o maior valor de tcr, ou seja, 60,97 kN/cm2. No entanto, esse valor não pode superar 0,60 fy, que
no caso é igual a 0,60 × 34,5 = 20,7 kN/cm2. Assim, assume-se que tcr = 20,7 kN/cm2, e:

V Rk = 0,5 × 20,7 × 62,09 = 643kN



V Rk 643
VSd,max = 88kN < V Rd = = = 585kN → Atende!
γ a1 1,10

c) Verificação da flecha

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


A flecha máxima é igual a:

5 ( 0,52q d 1 ) L4
δt =
384 E a I x

π ⎡⎣ d 4 − ( d − 2 t ) ⎤⎦ π ⎡⎣324 − ( 32 − 2 × 0,63) ⎤⎦
4 4

I x = = = 7640cm 4
64 64

5 ( 0,52q d ) L4 5 ( 0,52 × 22 × 10-2 ) 8004


δt = = = 3,99cm
384 E a I x 384× 20000× 7640
187
A flecha máxima permitida (dp) é igual a 2,29 cm, o que significa que é necessário efetuar uma contrafle-
cha de 1,70 cm.

3.7.8. Verificação de Pilar Flexo-comprimido com Perfil Tubular Quadrado Laminado


No pórtico rígido do Subitem 2.11.1 do Capítulo 2, verificar aos estados-limites últimos o pilar do 1º.
andar, da prumada da direita, com a hipótese de carregamento 5. Considerar que o pilar é rotulado na
base no plano perpendicular ao do pórtico e que, nesse plano perpendicular, o pilar é travado à translação
no nível do nó de ligação com a viga. Supor aço estrutural VMB 350.

a) Aço estrutural

VMB 350 → fy = 350 MPa = 35 kN/cm2

b) Dimensões e propriedades geométricas importantes da seção transversal

De acordo com o Subitem 2.11.1, no pilar em estudo foi usado o perfil laminado TQ 220 x 16, cuja seção
transversal possui as seguintes dimensões e propriedades geométricas:

Ag = 129 cm2
Ix = Iy = 7812 cm4
Wx = Wy = 710 cm3
Zx = 881 cm3
rx = ry = 7,78 cm
J = 13970 cm4

c) Esforços solicitantes de cálculo


Conforme o Subitem 2.11.1, a força axial de compressão e o momento fletor solicitantes de cálculo no
pilar, após a análise de segunda ordem, têm os seguintes valores:

188
d) Força axial de compressão resistente de cálculo

d1) Flambagem local

Como o raio de canto externo (re), para fins de cálculo, é igual a uma vez e meia a espessura, vem:

bp b − 2re b − 2 (1,5t ) 220 − 3 × 16 172


= = = = = 10,75
t t t 16 16

⎛ bp ⎞ E 20000
⎜ ⎟ = 1,40 a = 1,40 = 33,47
⎝ t ⎠ lim fy 35

bp b
= 10,75 < ⎛ ⎞ = 33,47 → Q = 1,0
t ⎝ t ⎠ lim

d2) Instabilidade global e esbeltez

- Força de flambagem por flexão em relação aos eixos x e y:

π 2 E a I π 2 × 20000× 7812
N ex = N ey = = = 9638kN
( K L )2 (1,0 × 400 )2

Notar que o coeficiente de flambagem no plano do pórtico (plano yz) foi considerado como igual a 1,0,
tendo em vista que foi feita análise de segunda ordem. No plano perpendicular ao do pórtico (plano xz),
o comprimento de flambagem é igual à distância entre as seções com translação impedida nesse plano.

- Força de flambagem por torção:

Ga J
N ez =
ro2

ro = rx2 + ry2 = 7,782 + 7,782 = 11,00cm

Ga J 7700 ×13970

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


N ez = = = 889000kN
ro2 112

N e = 9638kN

E a Ag 20000×129
λmax = π =π = 51,40 < 200 → Atende!
Ne 9638

Q Ag f y 1,0 x129 × 35 189


λ0 = = = 0,68 → Tabela 3.2 ( perfil laminado ) → χ = 0,930
Ne 9638
G J 7700 ×13970
Nroez == rxa22 + r=y2 = 7,78 2 = 889000kN
+ 7,78 2
= 11,00cm
ro 112

Ga JNe, 7700 ×13970


- Valores
N ez = de 2
= λmax, λ0 2e χ = 889000kN
ro 11
N e = 9638kN

E a Ag
N e == 9638kN 20000×129
λ max π =π = 51,40 < 200 → Atende!
Ne 9638

E a Ag 20000×129
λmax = πQ A f =π = 51,40 < 200 → Atende!
g Ny 1,0 x129 × 35
9638
λ0 = e = = 0,68 → Tabela 3.2 ( perfil laminado ) → χ = 0,930
Ne 9638

Q Ag f y 1,0 x129 × 35
λ0 = = = 0,68 → Tabela 3.2 ( perfil laminado ) → χ = 0,930
9638
χNQe Ag f y 0,930×1,0×129 × 35
N c ,Rd = = = 3817 kN
d3) Valor de γNa1c,Rd 1,10

χ Q Ag f y 0,930×1,0×129 × 35
N c ,Rd = = = 3817 kN
γ a1 1,10

e) Momento fletor resistente de cálculo

No caso de perfil tubular quadrado, na obtenção do momento fletor resistente de cálculo, conforme o Subitem
3.4.2.2.1, basta considerar a flambagem local da mesa comprimida (FLM), lembrando que o parâmetro de es-
beltez l não pode superar lr dado pela Equação (3.49), ou seja, 5,7 E a f y = 5,7 20000 35 = 136,26 . Assim:

bp
λ= = 10 ,75 (valor já determinado no tópico “d” e menor que 136,26)
t

Ea 20000
λ p = 1,12 = 1,12 = 26 ,77
fy 35

λ = 10 ,75 < λ p = 26 ,77 ⇒ M x ,Rk = M x , pl = Zx fy = 881 × 35 = 30835 kN.cm

(< 1,5 Wx fy = 1,5 × 710 × 35 = 37275 kN.cm)

M x ,Rk 30835
M x ,Rd = = = 28032 kN.cm
γ a1 1,10

190
f ) Efeitos combinados de Nc,Rd e Mx,Rd

N c ,Sd 296,46 N M
= = 0,08 < 0,20 ⇒ c ,Sd + x ,Sd ≤ 1,0
N c ,Rd 3817 2N c ,Rd M x ,Rd

296,46 7092
+ = 0,04 + 0,25 = 0,29 < 1,0 → Atende!
2 × 3817 28032

Como o valor obtido pela expressão de interação foi muito inferior a 1,0, a seção transversal utilizada
poderia ser substituída por outra com menor massa.

g) Efeito da força cortante

hp 220 − 3 × 16 172
λ= = = = 10,75 (já calculado no tópico “d” e igual a bp/4)
t 16 16

Ea 20000
λ p = 2,46 = 2,46 = 58,81
fy 35

( )
λ = 10,75 < λ p = 58,81→ V Rk = V pl = 0,60 Aw f y = 0,60 2h p t f y = 0,60 ( 2 × 17,2 × 1,6 ) 35 = 1156kN

V Rk 1156
VSd = 27,06kN < V Rd = = = 1051kN → Atende!
γ a1 1,10

3.7.9. Verificação de Pilar Submetido a Compressão, Flexão e Torção, com Perfil


Tubular Quadrado Laminado
Verificar novamente o pilar do Subitem 3.7.8 aos estados-limites últimos, supondo que ele esteja submeti-
do também a um momento de torção solicitante de cálculo, TSd, constante ao longo de seu comprimento
e igual a 160 kN.m. A seção transversal desse pilar possui módulo elástico de resistência à torção (WT)

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


tabelado igual a 1129 cm3.

191
Solução:

ap bp b − 2re b − 2 (1,5t ) 220 − 3 × 16 172


λ= = = = = = = 10,75
t t t t 16 16

Ea 20000
λ p = 2,45 = 2,45 = 58,57
fy 35

λ = 10,75 < λ p = 58,57 →TRk = 0,60WT f y = 0,60 × 1129 × 35 = 23709 kN.cm



T 23709
TRd = Rk = = 21554kN.cm
γ a1 1,10

TSd 16000
= = 0,74 → Atende!
TRd 21554

Como a relação TSd/TRd supera 0,2, deve ser verificada a interação entre força axial, momento fletor, força
cortante e momento de torção, por meio da seguinte expressão:

2
N Sd M Sd ⎛ VSd TSd ⎞
+ + ⎜ + ⎟ ≤ 1,0
N Rd M Rd ⎜⎝ VRd TRd ⎟⎠

Logo, considerando os valores dos esforços solicitantes e resistentes de cálculo do exemplo do Subitem
3.7.8, vem:

2
296,46 7092 ⎛ 27,06 ⎞
+ +⎜ + 0,74⎟ = 0,08 + 0,25 + 0,60 = 0,93 < 1,0 → Atende!
3817 28032 ⎝ 770 ⎠

3.7.10. Verificação de Banzo Flexo-Comprimido de Treliça com Perfil Tubular Retan-


gular Laminado
A figura a seguir mostra duas treliças paralelas Warren com montantes, com seus banzos superiores consti-
tuídos por peças contínuas e interligados por um sistema treliçado de travamento. Nesses banzos foi usado
perfil tubular retangular laminado TR 200 x 150 x 8, fabricado pela Vallourec com alívio de tensões, e
com aço VMB 350. Verificar esse perfil sabendo-se que o trecho mais solicitado desses banzos apresenta
força axial de compressão solicitante de cálculo igual a 1450 kN e momento fletor solicitante de cálculo
igual a 10 kN.m (a análise estrutural das treliças foi efetuada considerando os banzos contínuos e as dia-
gonais e os montantes rotulados).

192
a) Aço estrutural

VMB 350 → fy = 350 MPa = 35 kN/cm2

b) Dimensões e propriedades geométricas importantes da seção transversal

Ag = 53,1 cm2 Iy = 1816 cm4


Ix = 2829 cm4 Wy = 242 cm3
Wx = 283 cm3 Zy = 283 cm3
Zx = 233 cm3 ry = 5,85 cm
rx = 7,30 cm J = 3665 cm4

c) Força axial de compressão resistente de cálculo

c1) Flambagem local

- Lado de 200 mm (maior comprimento)

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


Como o raio de canto externo (re), para fins de cálculo, é igual a uma vez e meia a espessura da parede
do tubo, vem:

bp 200 − 2 (1,5t ) 200 − 3 × 8 176


= = = = 22
t t 8 8

⎛ bp ⎞ Ea 20000
⎜⎝ t ⎟⎠ = 1,40 f = 1,40 35
= 33,47
lim y

bp ⎛ bp ⎞
= 22< ⎜ ⎟ = 33,47 → Não há redução da largura da parte plana do lado.
t ⎝ t ⎠ lim
193

- Lado de 150 mm (menor comprimento)

Mais favorável que o lado de maior comprimento → não há redução da largura da parte plana do lado.

- Fator de redução total Q

Q = 1,0

c2) Instabilidade global e esbeltez

- Força de flambagem por flexão em relação ao eixo x:

π 2 E a I x π 2 ×20000× 2829
N ex = = = 5320kN
( K x Lx )2 (0,90 × 360)2

Notar que foi usado para o coeficiente de flambagem K o valor de 0,90, conforme o Subitem 3.3.2.2.3.

- Força de flambagem por flexão em relação ao eixo y:

π 2 Ea I y π 2 ×20000×1816
N ey = 2 = = 13659kN
(K L )
y y
( 0,90 × 180 )2

Notar que foi usado, novamente, para o coeficiente de flambagem K o valor de 0,90, conforme o Su-
bitem 3.3.2.2.3.

- Força de flambagem por torção:

Ga J
N ez =
ro2

ro = rx2 + ry2 = 7,302 + 5,852 = 9,35cm



Ga J 7700 × 3665
N ez = = = 322806kN
ro2 9,352

- Valores de Ne, lmax,l0 e c

N e = N ex = 5320 kN

E a Ag 20000 × 53,1
λmax = λ x = π =π = 44,39 < 200 → Atende!
Ne 5320

194 Q Ag f y 1,0× 53,1× 35


λ0 = = = 0,59 → Tabela 3.2 → χ = 0,961
Ne 5320
E a Ag 20000 × 53,1
λmax = λ x = π =π = 44,39 < 200 → Atende!
Ne 5320

Q Ag f y 1,0× 53,1× 35
λ0 = = = 0,59 → Tabela 3.2 → χ = 0,961
Ne 5320

c3) Valor de Nc,Rd

χ Q Ag f y 0,961×1,0 × 53,1 × 35
N c ,Rd = = = 1624 kN
γ a1 1,10

d) Momento fletor resistente de cálculo em relação ao eixo de flexão (eixo y)

• FLM

A mesa comprimida, para momento em relação ao eixo y, é constituída por um elemento de largura
plana igual a 176 mm (ver tópico “c”). Logo:

176
λ= = 22
8

Ea 20000
λ p = 1,12 = 1,12 = 26 ,77
fy 35

λ = 22 < λ p = 26,77 ⇒M y ,Rk = M y , pl = Z y f y = 283 × 35 = 9905 kN.cm

• FLA

As almas, para momento em relação ao eixo y, são constituídas pelos elementos de largura plana igual a
150 - 2(1,5 × 8) = 126 mm. Logo:

hp 126
λ= = = 15,75
tw 8
Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço
Ea
λ p = 2,42 = 57 ,85
fy

λ = 15,75 < λ p = 57 ,85 ⇒ M y ,Rk = M y , pl = 9905 kN.cm

195
• FLT

Como o eixo y é o de menor inércia:

M y , Rk = M y , pl = 9905 kN.cm

- Conclusão

My,Rk = 9905 kN.cm (< 1,5 Wy fy = 1,5 x 242 x 35 = 12705 kN.cm)


- Valor de My,Rd

M y , Rk 9905
M y , Rd = = = 9005 kN.cm
γ a1 1,10

e) Efeitos combinados de Nc,Rd e My,Rd

N c ,Sd 1450 N 8 ⎛ M y ,Sd ⎞


= = 0,89 > 0,20 → c ,Sd + ⎜ ≤ 1,0
N c ,Rd 1624 N c ,Rd 9 ⎝ M y ,Rd ⎟⎠

8 ⎛ 1000 ⎞
0,89 + ⎜ ⎟ = 0,89 + 0,10 = 0,99 < 1,0
9 ⎝ 9005 ⎠

como o valor da expressão de interação não supera 1,0, o perfil atende aos estados-limites últimos rela-
Logo,

cionados à atuação conjunta da força axial de compressão e dos momentos fletores. Observa-se também que o
coeficiente de aproveitamento (também conhecido como taxa de utilização) é muito alto (99%), indicando que
o dimensionamento foi feito praticamente sem folga e que a economia foi preservada.

f ) Considerações sobre a posição da seção transversal e o travamento fora do plano

Nota-se que a seção transversal foi disposta na posição que permitiu o melhor aproveitamento da barra no
que se refere à capacidade resistente à força axial de compressão, pois o maior comprimento de flambagem
foi relacionado ao maior momento de inércia e, consequentemente, o menor comprimento de flambagem
ao menor momento de inércia. Caso a posição da seção transversal fosse invertida, ficando o eixo y no
plano da treliça, viria:

π 2 E a I x π 2 ×20000× 2829
N ex = = = 21272kN
( K x Lx )2 (0,90 × 180)2

π 2 Ea I y
π 2 ×20000×1816
N ey = 2 = = 3415kN
196
(
K y Ly )( 0,90 × 360 )2

N e = N ey = 3415kN
π 2 E a I x π 2 ×20000× 2829
N ex = = = 21272kN
( K x Lx )2 (0,90 × 180)2

π 2 Ea I y
π 2 ×20000×1816
N ey = 2 = = 3415kN
(
K y Ly ) ( 0,90 × 360 )2

N e = N ey = 3415kN

E a Ag 20000 × 53,1
λmax = λ x = π =π = 55,40 < 200 → Atende!
Ne 3415

Q Ag f y 1,0× 53,1× 35
λ0 = = = 0,74 → Tabela 3.2 → χ = 0,902
Ne 3415

χ Q Ag f y 0,902 × 1,0× 53,1 × 35


N c ,Rd = = = 1524kN
γ a1 1,10

Esse valor é cerca de 7% inferior ao valor obtido anteriormente no tópico “c”. Com o perfil nessa nova
posição, a equação de interação do tópico “e” não seria atendida.

3.7.11. Verificação de Barra submetida a Flexão em Relação aos Eixos x e y e a Forças


Axiais de Tração e Compressão com Perfil Tubular Retangular Laminado
Na figura a seguir, vê-se um pilar, em perfil laminado TR 320 x 200 x 7,1, produzido com aço VMB 350,
com suas condições de contorno, solicitado pela combinação última de ações mais desfavorável (são mos-
trados os momentos atuantes, que flexionam o pilar em relação aos eixos x e y, e a força axial de compres-
são, com os diagramas de momento fletor, força axial e força cortante), sem consideração dos efeitos de
segunda ordem. Verificar se esse pilar resiste aos estados-limites últimos relacionados à atuação conjunta
da força axial e dos momentos fletores e, também, se resiste à força cortante.

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

197
a) Aço estrutural

VMB 350 → fy = 350 MPa = 35 kN/cm2

b) Dimensões e propriedades geométricas importantes da seção transversal

Ag = 70,6 cm2 Iy = 4818 cm4


Ix = 9898 cm4 Wy = 482 cm3
Wx = 619 cm3 Zy = 544 cm3
Zx = 749 cm3 ry = 8,26 cm
rx = 11,8 cm J = 10430 cm4

c) Esforços solicitantes de cálculo

Como as extremidades do pilar são indeslocáveis, não se leva em conta na análise estrutural o efeito global
de segunda ordem (P-D), nem as imperfeições geométricas e de material. No entanto, o efeito local de se-
gunda ordem (efeito P-d) precisa ser considerado. Assim, a força axial de compressão solicitante de cálculo
(Nc,Sd) é o próprio valor da análise de primeira ordem, igual a 800 kN. Os momentos fletores solicitantes
de cálculo são:

- Em relação ao eixo x:

Mx,Sd = B1 Mx,1a,Sd

Cm
B1 = ≥ 1,0
N + N lt ,Sd
1− nt ,Sd
N ex

⎛M ⎞ ⎛ 0 ⎞
Cm = 0,60 − 0,4 ⎜ x ,nt ,Sd ,1 ⎟ = 0,60 − 0,4 ⎜ = 0,60
⎝ M x ,nt ,Sd ,2 ⎠ ⎝ 79,2 ⎟⎠

π 2 E a I x π 2 ×20000× 9898
N ex = = = 7815kN
L2 5002

0,60
B1 = = 0,670 < 1,0 → Usar B1 = 1,0
800 + 0
1−
7815

Logo, os momentos fletores em relação ao eixo x são os da análise de primeira ordem.

198
- Em relação ao eixo y:

My,Sd = B1 My,1a,Sd

• Tramo superior

Cm
B1 = ≥ 1,0
N + N lt ,Sd
1− nt ,Sd
N ey

⎛ M y ,1a ,Sd ,1 ⎞ ⎛ 9,9 ⎞


Cm = 0,60 − 0,4 ⎜ = 0,60 − 0,4 ⎜ = 0,504

⎝ M y ,1a ,Sd ,2 ⎠ ⎝ 41,25 ⎟⎠

π 2 E a I y π 2 × 20000× 4818
N ey = = = 15217 kN (L = 250cm, entre travamentos)
L2 2502

0,504
B1 = = 0,532 < 1,0 → Usar B1 = 1,0
800 + 0
1
15217

• Tramo inferior

⎛ M y ,1a ,Sd ,1 ⎞ ⎛ 0 ⎞
Cm = 0,60 − 0,4 ⎜ = 0,60 − 0,4 ⎜ = 0,60

⎝ M y ,1a ,Sd ,2 ⎠ ⎝ 9,9 ⎟⎠

0,60
B1 = = 0,633 < 1,0 → Usar B1 = 1,0
800 + 0
1−
15217

Portanto, os momentos fletores em relação ao eixo y são, também, os da análise de primeira ordem.

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

d) Força axial de compressão resistente de cálculo

d1) Flambagem local

- Lado de 320 mm (maior comprimento)

Como o raio de canto externo (re) para fins de cálculo é igual a uma vez e meia a espessura do perfil, vem:

199
b p,1 320 − 2 (1,5t ) 320 − 3 × 7,1 298,70
= = = = 42,07
t t 7,1 7,1

⎛ bp ⎞ Ea 20000
⎜⎝ t ⎟⎠ = 1,40 f = 1,40 35
= 33,47
lim y

b p,1 ⎛ bp ⎞ Ea ⎡ 0,38 Ea ⎤
= 42,07 > ⎜ ⎟ = 33,47 → b p,ef ,1 = 1,92t ⎢1− ⎥ ≤ b p,1
t ⎝ t ⎠ lim f y ⎢⎣ b p,1 / t fy ⎥⎦

20000 ⎡ 20000 ⎤
b p,ef ,1 = 1,92× 0,71
35 ⎢1−
0,38
35 ⎥⎦
(
= 25,55cm < b p,1 = 29,87 cm )
⎣ 42,07

- Lado de 200 mm (menor comprimento)

b p,2 200 − 2 (1,5t ) 200 − 3 × 7,1 178,7


= = = = 25,17
t t 7,1 7,1

b p,2 ⎛ bp ⎞
= 25,17 < ⎜ ⎟ = 33,47 → b p,ef ,2 = b p,2 = 17,87 cm
t ⎝ t ⎠ lim

- Fator de redução total Q

( )
Aef = Ag − ∑ ⎡⎣ b p − b p,ef t ⎤⎦ = 70,6 − 2 ( 29,87 − 25,55) 0,71 = 64,47 cm 2

Aef 64,47
Q= = = 0,91
Ag 70,6

d2) Instabilidade global e esbeltez

- Força de flambagem por flexão em relação ao eixo x:

Nex = 7815 kN (valor já obtido no tópico “c”)

- Força de flambagem por flexão em relação ao eixo y:

Ney = 15217 kN (valor já obtido no tópico “c”)

- Força de flambagem por torção:

200
Ga J
N ez =
ro2

ro = rx2 + ry2 = 11,82 + 8,262 = 14,40cm



Ga J 7700 ×10430
N ez = = = 387302kN
ro2 14,402


- Valores de Ne, lmax, l0 e c

Ne = Nex = 7815 kN (menor força de flambagem)



E a Ag 20000 × 70,6
λmax = π =π = 42,23 < 200 → Atende!
Ne 7815

Q Ag f y 0,91× 70,6 × 35
λ0 = = = 0,54 → Tabela 3.2 → χ = 0,973
Ne 7815


d3) Valor de Nc,Rd

χ Q Ag f y 0,973 × 0,91× 70 ,6 × 35
N c ,Rd = = = 1989 kN
γ a1 1,10

e) Momento fletor resistente de cálculo em relação ao eixo x


• FLM

A mesa comprimida, para momento em relação ao eixo x, é constituída por um elemento de largura

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


plana igual a 178,7 mm (ver tópico “d”). Logo:

178,7
λ = = 25,17
7,1

Ea 20000
λ p = 1,12 = 1,12 = 26,77
fy 35

λ = 25,17 < λ p = 26,77 → M x ,Rk = M x , pl = Z x f y = 749 × 35 = 26215kN.cm

201
• FLA

As almas, para momento em relação ao eixo x, são constituídas pelos elementos de largura plana igual
a 298,7 mm (ver tópico “d”). Logo:

hp 298,7
λ = = = 42,07
tw 7,1

Ea
λ p = 2,42 = 57,85
fy

λ = 42,07 < λ p = 57,85→ M x ,Rk = M x , pl = 26215kN.cm

• FLT

Lb
λ=
ry

Lb = 250 cm (elementos impedem a translação do pilar na direção do eixo y na seção central)

Lb 250
λ= = = 30,27
ry 8,26

0,13E a 0,13 × 20000


λp = J Ag = 10430 × 70,6 = 85,10
Zx f y 749 × 35

λ = 30,27 < λ p = 85,10→ M x ,Rk = M x , pl = 26215kN.cm

- Conclusão

Mx,Rk = 26215 kN.cm (< 1,5 Wx fy = 1,5 × 619 × 35 = 32393 kN.cm)

- Valor de Mx,Rd

M x ,Rk 26215
M x ,Rd = = = 23832 kN.cm
γ a1 1,10

202
f ) Momento fletor resistente de cálculo em relação ao eixo y

• FLM

A mesa comprimida, para momento em relação ao eixo y, é constituída por um elemento de largura
plana igual a 298,7 mm (ver tópico “d”). Logo:

298,7
λ= = 42,07
7,1

Ea 20000
λ p = 1,12 = 1,12 = 26,77
fy 35

Ea
λ = 42,07 > λ p = 26,77 → λr = 1,40 = 33,47
fy

298,7 W y2,ef
λ = 42,07 >= λ42,07
r = 33,47 → M y ,Rk = M y ,cr = fy
7,1 Wy

Ea
bef = 25,55cm
λ p = 1,12 ( igual
= 1,12
20000
tópico=“d” )
26,77
fy 35
0,712
30,58 × + 2 × 20 × 0,71× 10 + ( 32 − 4,32 ) 0,71× 19,645
E
yGλ≅= 42,07 > λ2p = 26,77 → λr = 1,40 a = 33,47 = 9,72cm
30,58 × 0,71+ 2 × 20 × 0,71+ f y ( 32 − 4,32 ) 0,71

W y2,ef ⎛ 0,71⎞
70,6 (→ )M− (y 4,32 f y) 20 − 9,72 −
2
I y ,ef = >4818
λ = 42,07 λr =+33,47 10 −M9,72
y ,Rk = ,cr = × 0,71 = 4793cm 4
Wy ⎝ 2 ⎠

4793
befW=y ,ef25,55cm
= ( igual=tópico
7962 “d”)
= 466cm 3
20 − 9,72 10,18
0,712
× 2
30,58466 + 2 × 20 × 0,71× 10 + ( 32 − 4,32 ) 0,71× 19,645
yGM≅y ,Rk = 482 35
2 = 15769kN.cm = 9,72cm
30,58 × 0,71+ 2 × 20 × 0,71+ ( 32 − 4,32 ) 0,71

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço


0,71⎞
I y ,ef = 4818 + 70,6 (10 − 9,72 ) − ( 4,32 × 0,71) ⎛ 20 − 9,72 −
2
= 4793cm 4
⎝ 2 ⎠

4793 7962
W y ,ef = = = 466cm 3
20 − 9,72 10,18

4662
M y ,Rk = 35 = 15769kN.cm
482

203
• FLA

As almas, para momento em relação ao eixo y, são constituídas pelos elementos de largura plana igual a
178,7 mm (ver tópico “d”). Logo:

hp 178,7
λ = = = 25,17
tw 7,1

Ea
λ p = 2,42 = 57,85
fy

λ = 25,17 < λ p = 57,85→ M y ,Rk = M y , pl = Z y f y = 544 × 35 = 19040kN.cm

• FLT

Como o eixo y é o de menor inércia:

M y ,Rk = M y , pl = 19040kN.cm

M y ,Rk = M y , pl = 19040kN.cm
M y,Rk = 15769 kN.cm (< 1,5 Wy fy = 1,5 × 482 × 35 = 25305 kN.cm)
- Conclusão
M y ,Rk = M y , pl = 19040kN.cm
My,Rk = 15769 kN.cm (< 1,5 Wy fy = 1,5 × 482 × 35 = 25305 kN.cm)
M y ,Rk 15769
M
M = M ==19040kN.cm
y ,Rd = = 14335kN.cm
My,Rk y ,Rk= 15769 γ ya1, pl kN.cm 1,10(< 1,5 Wy fy = 1,5 × 482 × 35 = 25305 kN.cm)
- Valor de MM y ,Rk 15769
M y ,Rd = y,Rd = = 14335kN.cm
My,Rk = 15769 γ 1,10
(< 1,5 Wy fy = 1,5 × 482 × 35 = 25305 kN.cm)
M y ,RkkN.cm
a1
15769
NM =
800 = = 14335kN.cm
N 8⎛ M M y ,Sd ⎞
=
c ,Sd y ,Rd
γ a1= 0,391,10 > 0,20 → c ,Sd + ⎜ x ,Sd + ≤ 1,0
N c ,Rd 2033 N c ,Rd 9 ⎝ M x ,Rd M y ,Rd ⎟⎠
N c ,Sd M y ,Rk 15769
800 N 8⎛ M M y ,Sd ⎞
M y ,Rd== = =0,39 > 0,20 = 14335kN.cm
→ c ,Sd + ⎜ x ,Sd + ⎟ ≤ 1,0
N 8 ⎛20337920
γ 4125
1,10 ⎞ N 9 ⎝ M M ⎠
0,39 + ⎜800
c ,Rd a1 + ⎟⎠ = 0,39N+c ,Sd0,55
c ,Rd
8=⎛ 0,94
M x ,Sd< 1,0M y ,Sd ⎞
x ,Rd y ,Rd
g)NEfeitos
c ,Sd 9 ⎝ combinados
= 23832 14335de
= 0,39 > 0,20c,RdN , M
→ x,Rd + y,Rd e M + ≤ 1,0
N c ,Rd 82033 ⎛ 7920 4125 ⎞ N c ,Rd 9 ⎜⎝ M x ,Rd M y ,Rd ⎟⎠
0,39 + ⎜ + = 0,39 + 0,55 = 0,94 < 1,0
N c ,Sd 9800 ⎝ 23832 14335 ⎟⎠ N 8⎛ M M y ,Sd ⎞
=8 ⎛ 7920 = 0,394125 > 0,20⎞ → c ,Sd + ⎜ x ,Sd + ≤ 1,0
N c ,Rd + 2033
0,39 ⎜⎝ + ⎟⎠ = 0,39
N c+,Rd0,559 ⎝= M0,94 M y ,Rd ⎟⎠
< 1,0
9 23832 14335 x ,Rd

8 ⎛ 7920 4125 ⎞
0,39 + ⎜ + ⎟ = 0,39 + 0,55 = 0,94 < 1,0
9 23832 14335 ⎠

Logo, como o valor da expressão de interação não supera 1,0, o perfil atende aos estados-limites últimos
relacionados à atuação conjunta da força axial de compressão e dos momentos fletores.

204
h) Verificação à força cortante na direção do eixo y

A força cortante na direção do eixo y (causada pela flexão em relação ao eixo x), Vy,Sd, igual a 15,84 kN, deve ser
resistida pelos elementos de largura plana igual a 298,7 mm do perfil TR 300 x 220 x 7,1. Assim, faz-se:

hp 298,7
λ= = = 42,07 (já calculado no tópico “d”)
t 7,1

Ea 20000
λ p = 2,46 = 2,46 = 58,81
fy 35

( )
λ = 42,07 < λ p = 58,81 → V Rk = V pl = 0,60 Aw f y = 0,60 2h p t f y = 0,60 ( 2 × 29,87 × 0,71) 35 = 891kN

V Rk 891
VSd = 15,84kN < V Rd = = = 810kN → Atende!
γ a1 1,10

i) Verificação à força cortante na direção do eixo x

A força cortante na direção do eixo x (causada pela flexão em relação ao eixo y), Vx,Sd, igual a 20,46 kN,
deve ser resistida pelos elementos de largura plana igual a 164,5 mm do perfil TR 300 x 220 x 7,1. Assim:
hp 178,7
λ= = = 25,17 (já calculado no tópico “d”)
t 7,1

λ p = 58,81 (mesmo valor determinado no tópico “h”)

( )
λ = 25,17 < λ p = 58,81 → V Rk = V pl = 0,60 Aw f y = 0,60 2h p t f y = 0,60 ( 2 × 17,87 × 0,71) 35 = 533kN

V Rk 533
VSd = 20,46kN < V Rd = = = 485kN → Atende!
γ a1 1,10

3.7.12. Verificação de Barra Submetida a Momento Fletor e Torção com Perfil Tubular
Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço
Circular Laminado
Uma barra com comprimento L igual a 8 m, constituída por um perfil laminado TC 355,6 x 10 pro-
duzido com aço VMB 300, encontra-se submetida a um momento fletor solicitante de cálculo igual a
100 kN.m e a um momento de torção solicitante de cálculo igual a 240 kN.m. Verificar se essa barra
resiste aos estados-limites últimos relacionados a esses esforços solicitantes.

a) Aço estrutural

VMB 300 → fy = 300 MPa = 30 kN/cm2

205
b) Dimensões e propriedades geométricas importantes da seção transversal da barra

Ag = 109 cm2
I = 16223 cm4
W = 912 cm3
Z = 1195 cm3
rx = 12,2 cm
J = 32447 cm4
WT = 1825 cm3

c) Verificação ao momento fletor

O único estado-limite último é a flambagem local da parede. Na verificação do perfil a esse estado-limite, faz-se:

d 355,6
λ= = = 35,56
t 10
0,07E a 0,07 × 20000
λp = = = 46,67
fy 30

λ = 35,56 < λ p = 46,67 → M Rk = M pl = Z f y = 1195 × 30 = 35850kN.cm

M Rk ≤ 1,5Wf y = 1,5 × 912 × 30 = 41040kN.cm → Adotar M Rk = 35850 kN.cm

M Rk 35850
M Sd = 10000 kN.cm < M Rd = = = 32591 → Atende!
γ a1 1,10

d) Verificação ao momento de torção

Usando as Equações (3.82) e (3.83):

1,23 WT E a 1,23× 1825 × 20000


TRk = 5/4 = 5/4 = 109001 kN.cm
⎛d⎞ L ⎛ 35,56 ⎞ 800
⎝t⎠ d ⎝ 1 ⎠ 35,56
0,60 WT E a 0,60× 1825 × 20000
TRk = 3/2 = 3/2 = 103276 kN.cm
⎛d⎞ ⎛ 35,56 ⎞
⎝t⎠ ⎝ 1 ⎠

0,60WT f y = 0,60 × 1825 × 30 = 32850 kN.cm


206

TRk = 32850 kN.cm


TRk = ⎛ d ⎞ 5/4T La = ⎛ 35,56 ⎞ 5/4 800 = 109001 kN.cm
⎛ d ⎞ WT EdLa 0,60×
0,60 ⎞ ×35,56
⎛ 35,561825 800
20000
TRk = ⎝ t ⎠ 3/2 =⎝ 1 ⎠ = 103276 kN.cm
⎝ t⎛ ⎠d ⎞ d ⎝ 1⎛ 35,56
⎠ ⎞35,56
3/2

0,60
TRk = 0,60⎝ tW ⎠ T E a = 0,60× 1 ×⎠ 3/2
⎝ 1825 20000
d W 3/2E 0,60× 1825
35,56 × 20000 = 103276 kN.cm
T =
Adota-se
Rk
⎛ ⎞
o maior
T
3/2
a
= ⎛
valor de T35,56 ⎞
, ou seja,
3/2 = 103276 kN.cm
109001 kN.cm. No entanto, esse valor não pode superar:
⎛⎝ dt ⎞⎠ ⎛⎝ Rk1 ⎞⎠
⎝ ⎠ ⎝ ⎠
0,60WT f ty = 0,60 × 1825 × 301 = 32850 kN.cm

f y = kN.cm
0,60WTassume-se × 1825 × 30 = 32850 kN.cm
0,60que:
T
Assim,
Rk = 32850
0,60W T f y = 0,60 × 1825 × 30 = 32850 kN.cm

TRk = 32850 kN.cm


TRk = 32850 kN.cm TRk 32850
TSd = 24000 kN.cm <TRd =
Finalmente: = = 29864kN.cm → Atende!
γ a1 1,10
T 32850
TSd = 24000 kN.cm <TRd = TRk = 32850 = 29864kN.cm → Atende!
TSd = 24000 kN.cm <TRd = γ Rk
a1 = 1,10 = 29864kN.cm → Atende!
γ a1 1,10

e) Verificação da atuação conjunta do momento fletor e do momento de torção

TSd 24000
= = 0,80
TRd 29864
T 24000 2
ComoM
Sd
=a relação
⎛ TSd ⎞ =T0,80
Sd
/TRd supera 0,2, deve ser verificada a interação entre momento fletor e momento de
TRd Sd por
torção, +29864
meio ≤
da 1,0
seguinte expressão:
T ⎜
24000 ⎟
MSdRd= ⎝ TRd ⎠ = 0,80
TRd 29864 2
M ⎛T ⎞
10000Sd
+ ⎜ Sd24000 ≤ 1,02
M Rd +⎝ ⎛TRd ⎟⎠ 2 ⎞ = 0,31+ 0,65 = 0,96 <1,0 → Atende!
M Sd ⎛ ⎝TSd ⎞ ⎠
32591+ ⎜ 29864 ⎟ ≤ 1,0
M Rdvem:
Logo, ⎝ TRd ⎠ 2
10000 ⎛ 24000 ⎞
+ = 0,31+ 0,65 = 0,96 <1,0 → Atende!
32591 ⎝ 29864 ⎠ 2
10000 ⎛ 24000 ⎞
+ = 0,31+ 0,65 = 0,96 <1,0 → Atende!
32591 ⎝ 29864 ⎠

Capítulo 3 - Dimensionamento de barras de aço

207
3.8. REFERÊNCIAS MARTINEZ-SAUCEDO, G.; PACKER, J.A.
BIBLIOGRÁFICAS Static design recommendations for slotted end
HSS connections in tension. Journal of Con-
ABNT NBR 8800:2008. Projeto de estruturas structional Engineering, ASCE, Vol. 135, No.
de aço e de estruturas mistas de aço e concreto 7, p.797-805, July 2009.
de edifícios. Rio de Janeiro: Associação Brasileira
de Normas Técnicas, 2008. PACKER, J.A. Tubular brace member connections
in braced steel frames. In: SYMPOSIUM ON
ABNT NBR 16239:2013. Projeto de estruturas TUBULAR STRUCTURES, XI, 2006, Quebec.
de aço e de estruturas mistas de aço e concreto de Anais do…, Londres: CRC Press, 2006. p. 3-11.
edificações com perfis tubulares. Rio de Janeiro:
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2013.

ANSI/AISC 360-05. Specification for structural


steel buildings. Chicago, EUA: American Insti-
tute of Steel Construction, 2005.

ANSI/AISC 360-10. Specification for structural


steel buildings. Chicago, EUA: American Insti-
tute of Steel Construction, 2010.

CAN/CSA S16.1:2003. Steel structures for


buildings – Limit states design. Ontario,
Canadá: Canadian Institute of Steel Construc-
tion, 2003.

EN 1993-1-1:2007 - EUROCODE 3. Design


of steel structures-Part 1.1: General rules and
rules for buildings. Bruxelas, Bélgica: European
Committee for Standardization, 2007.

FAKURY, R. H.; CASTRO E SILVA, A. L. R.;


CALDAS, R. B. Dimensionamento de estrutu-
ras de aço e mistas de aço e concreto. São Paulo:
Pearson, 2015.(No prelo).

FERREIRA, B.; GORDO, J.; SOARES, C. G. Re-


sistência ao colapso de membros tubulares não re-
forçados. In: MÉTODOS COMPUTACIONAIS
EM ENGENHARIA. Lisboa, Portugal, 2004.
Anais do..., Lisboa: APMTAC, 2004. p.1-14.

KOBAYASHI, T.; MIHARA, Y. Postbuckling


analyses of elastic cylindrical shells under axial
compression. In: SIMULIA CUSTOMER
CONFERENCE. 2009. Anais do..., Simulia,
2009. p.1-15.

208
4
4.1. GENERALIDADES
DIMENSIONAMENTO DE
ELEMENTOS MISTOS

volvam-se forças longitudinais de cisalhamento. A


aderência natural entre os dois materiais, embora
possa atingir valores bastante elevados, não é nor-
Neste capítulo, tratar-se-á do dimensionamen- malmente levada em conta no cálculo, devido a
to dos seguintes elementos mistos de aço e con- sua baixa ductilidade e confiabilidade. Portanto,
creto utilizando-se perfis tubulares: vigas mistas exceto em alguns casos, como de pilares mistos
com perfis de seção retangular e circular, pilares tubulares, torna-se necessário o uso de conectores
mistos preenchidos, também de seção retangular de cisalhamento, conforme disposto na ABNT
e circular (em temperatura ambiente e em situa- NBR 8800:2008. Mesmo nesses casos, na região
ção de incêndio), e ligações mistas. Serão aborda- de introdução de cargas, pode ser necessário o uso
dos também detalhes construtivos, tais como os de conectores ou de outros dispositivos especiais –
dispositivos especiais de introdução de carga nos veja-se adiante.
pilares mistos. Inicialmente serão apresentados al-
guns conceitos e aspectos relacionados à ligação O comportamento misto é desenvolvido quando
na interface entre o aço e o concreto e aos conec- dois elementos estruturais são interconectados de
tores de cisalhamento. Considera-se que o leitor tal forma a se deformarem como um único elemen-
já esteja familiarizado com a teoria, o projeto e a to. Tome-se, por exemplo, o sistema da Figura 4.1,
execução dos demais elementos mistos, normal- formado por uma viga de aço biapoiada, suportan-
mente utilizados na indústria da construção civil. do uma laje de concreto em sua face superior.
São utilizadas no texto recomendações das normas
brasileiras ABNT NBR 8800:2008, ABNT NBR
6118:2014, ABNT NBR 14323:2012 e ABNT
NBR 16239:2013, assim como das seguintes pu-

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


blicações: “Elementos das estruturas mistas” (Queiroz
et al., 2001) e “Manual de Construção em Aço - Es-
truturas Mistas, Vols.1 e 2” (Queiroz et al., 2010).

Figura 4.1(a) sem ação mista Figura 4.1(b) com ação mista
4.2. COMPORTAMENTO DA
LIGAÇÃO AÇO-CONCRETO – Figura 4.1 - Comparação de vigas fletidas com e sem ação mista
CONECTORES DE CISALHAMENTO
Não existindo qualquer ligação ou atrito na in-
O comportamento de estruturas mistas é baseado terface, os dois elementos se deformarão indepen-
na ação conjunta entre o perfil de aço e o con- dentemente, sem qualquer interação, cada qual
creto armado. Para que isso ocorra, é necessário suportando um quinhão da carga imposta. Ao se
que na interface entre o aço e o concreto desen- deformar, cada superfície da interface estará sub-
209
metida a diferentes tensões longitudinais: enquanto a superfície superior da viga apresenta tensões de
compressão e, portanto se encurta, a superfície inferior da laje está sujeita a tensões de tração e se alonga;
haverá, portanto um deslizamento relativo entre as superfícies na região de contato. Nota-se a formação
de dois eixos neutros independentes, um no centro de gravidade do perfil de aço e outro no centro de
gravidade da laje de concreto, como se observa na Figura 4.2-a. O momento total resistente é dado pela
soma das resistências individuais:
(4.1)
∑ M isol = M laje + M viga
 
 
 
   

Figura 4.2(a) Nenhuma interação Figura 4.2(b) Interação completa Figura 4.2(c) Interação parcial

Figura 4.2 - Sistema misto – variação de deformação na viga

Considerem-se agora os dois elementos interliga- Essa situação é conhecida como interação com-
dos por conectores de rigidez e resistência infinitas pleta ou ação mista total. Mesmo que a resistên-
para que possam se deformar como um único ele- cia e a rigidez dos conectores não sejam infinitas,
mento. Desenvolvem-se então forças horizontais pode-se ainda considerar a interação completa se
que encurtam a face inferior da laje e alongam a tanto uma como a outra forem de valores suficien-
face superior da viga, de forma que não haja des- tes a não permitir que haja deslizamento relativo
lizamento relativo entre o aço e o concreto. Assu- significativo na interface. Define-se então como
mindo-se que as seções planas permanecem pla- interação completa a situação em que o aumento
nas, o diagrama de deformações apresenta agora do número de conectores não aumenta mais a re-
apenas uma linha neutra – Figura 4.2-b. O mo- sistência da viga.
mento resistente torna-se:
Porém, quando a interligação não for suficiente-
mente rígida e resistente, ter-se-á um caso inter-
∑ M mis = Te = Ce > ∑ M isol   (4.2) mediário onde haverá ainda duas linhas neutras,
porém não independentes; sua posição depen-
210
derá do grau de interação entre os dois sistemas,
Figura 4.2-c. Haverá também deslizamento re-
lativo entre as superfícies, todavia menor que o
ocorrido na situação não mista. Esse caso é deno-
minado interação parcial ou ação mista parcial e
é o mais utilizado na prática em vigas mistas, por
razões de ordem econômica.

Além das forças de cisalhamento longitudinais,


nas vigas mistas, os conectores estão também su-
jeitos a forças verticais que tendem a separar os
dois elementos componentes do sistema misto.
Essas forças são, todavia, muito inferiores às forças
de cisalhamento longitudinais, não sendo necessá-
rio calculá-las na prática, pois os conectores usu-
ais possuem dispositivos que garantem resistência
suficiente a essa solicitação (Queiroz et al., 2001). Figura 4.4 - Conectores tipo U

Os tipos usuais de conectores previstos na ABNT A principal e mais relevante característica do com-
NBR 8800:2008 são os pinos com cabeça (Figura portamento dos conectores de cisalhamento é a re-
4.3) e os perfis U, laminados ou formados a frio lação entre a força de cisalhamento transmitida e o
(Figura 4.4). O primeiro tipo é o mais utilizado deslizamento relativo entre as superfícies de contato
na prática e consiste de um pino especialmente dos elementos componentes de um sistema misto.
projetado para funcionar como um eletrodo de Essa relação é normalmente determinada por meio
solda por arco elétrico e, após a soldagem, como de ensaios padronizados pelas normas técnicas (EN
conector de cisalhamento. 1994:2010) e permite classificar o comportamento
dos conectores quanto à ductilidade. Conectores
dúcteis são aqueles com capacidade de deformação
suficiente para justificar a suposição de compor-
tamento plástico ideal da ligação ao cisalhamento
longitudinal do elemento misto considerado e são
normalmente os únicos tipos utilizados na prática.
Conforme a ABNT NBR 8800:2008, um conec-
tor tipo pino com cabeça é considerado dúctil se
seu comprimento não for inferior a quatro vezes

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


Figura 4.3 - Conectores tipo pino com cabeça
seu diâmetro – há ainda outras exigências para vigas
mistas com interação parcial, vejam-se ABNT NBR
8800:2008 e Queiroz et al., 2010.

Para que não haja perdas na resistência dos conecto-


res tipo pino com cabeça e a ocorrência de estados
limites não previstos, devido à flexão local da mesa
superior, a relação entre o diâmetro do pino e a es-
pessura da parede do tubo deve ser sempre igual ao
superior a 2,5. Como o diâmetro usual desse tipo de
conector é de 19 mm, na prática não se pode utilizar
perfis tubulares com espessura inferior a 8 mm.
211
mesmas formulações apresentadas no Anexo O da
4.3. VIGAS MISTAS ABNT NBR 8800:2008 para perfis I laminados e
soldados, observando-se as seguintes adaptações:
4.3.1. Vigas Mistas de Alma Cheia
• para os perfis retangulares, deve-se substituir d
Esta seção aplica-se a vigas mistas de edificações,
por h, bf por b, tw por 2t e tf por t, onde h, b e t
formadas por um perfil tubular e uma laje de
são a altura, a largura e a espessura da parede do
concreto moldada no local, apoiada na face su-
perfil tubular, respectivamente, e d, bf, tf e tw são
perior do perfil, havendo ligação mecânica por
a altura, a largura das mesas e as espessuras das
meio de conectores de cisalhamento entre o per-
mesas e da alma do perfil I, respectivamente;
fil e a laje, de forma que ambos funcionem como
um conjunto para resistir à flexão no plano que • para os perfis circulares, na falta de cálculos
passa pelo centro geométrico do perfil – ver Fi- mais precisos, pode-se considerar um perfil re-
gura 4.5. O concreto pode ter densidade normal tangular equivalente com a mesma espessura da
ou leve. Não constituem escopo desta seção vigas parede, em que a altura total h e a largura b
de pórticos, vigas sujeitas a fadiga e vigas em si- sejam tomadas iguais a d e 0,55d, respectiva-
tuação de incêndio. mente, onde d é o diâmetro do tubo.
São previstas vigas biapoiadas, contínuas ou se- Para os perfis retangulares em vigas biapoiadas,
micontínuas. No caso de vigas semicontínuas, para a classificação da seção como compacta, de-
abordam-se apenas os casos onde a continuidade ve-se
  ter, segundo a ABNT NBR 16239:2013:
é obtida por meio das ligações mistas de resistên-
cia parcial descritas neste capítulo. Na região de he E
momento positivo podem ocorrer duas situações ≤ 2,42
relacionadas à interação entre o perfil de aço e o t fy
(4.3)
concreto: interação completa e interação parcial.
Para a região de momento negativo, só é prevista onde he é a distância entre as faces internas das me-
interação completa, ou seja, a resistência de cál- sas, subtraída de duas vezes o raio de concordância
culo dos conectores situados nessa região deve ser entre a mesa e a alma e t é a espessura da parede
igual ou superior à resistência de cálculo das bar- do perfil. Com isso, aplicam-se as prescrições de
ras de armadura que fazem parte da viga mista. O.2.3.1.1 da ABNT NBR 8800:2008, ou seja,
podem-se utilizar as propriedades plásticas da
seção mista. Porém, se:

E h E
2,42 ≤ e ≤ 5,70   (4.4)
fy t fy

aplicam-se as prescrições de O.2.3.1.2, em que se


utilizam as propriedades elásticas da seção e, caso
a viga seja escorada, a superposição de tensões
Figura 4.5 – Viga mista com perfil tubular antes e depois do endurecimento do concreto.
Para as vigas contínuas e semicontínuas, a ABNT
Com base nas exigências apresentadas acima, em NBR 8800:2008 exige,para que se possa utilizar a
especial as relacionadas ao plano de flexão e si- análise rígido-plástica, que a seção seja compacta,
metria da seção de aço, para a determinação do isto é:
momento resistente de cálculo de vigas mistas, a
ABNT NBR 16239:2013 permite se utilizar as
212
Igualando as duas expressões acima e utilizando a
hp E igualdade das áreas, chega-se às relações hm = dm e
≤ 2,42   (4.5)
t fy bm =(π/2 – 1) dm – simplificadamente, h = d e b =
0,55d. Pode-se demonstrar que essa simplificação
conduz a erros inferiores a 3%.
be E
≤ 1,12   (4.6)
t fy

onde o termo hp deve ser tomado como o dobro


da altura da parte comprimida da alma, subtraído
de duas vezes o raio de concordância entre a mesa
e a alma e be é a largura da mesa inferior, subtraída
de duas vezes o raio de concordância.

Para os perfis circulares, para que se possam con-


siderar as expressões da ABNT NBR 8800:2008,
com as adaptações apresentadas, a seção deve ser Figura 4.6 - Viga mista com perfil circular - simplificação
compacta, ou seja:
Ressalta-se que, tanto para o perfil retangular
d E quanto para o circular, não se aplica o estado li-
≤ 0,07   (4.7)
t fy mite de flambagem lateral com distorção, dada a
elevada resistência a torção dos perfis tubulares.
A simplificação de cálculo para os perfis circulares
baseia-se na consideração de que a área e o mo-
mento estático do perfil circular e do retangular 4.3.2. Vigas Mistas Treliçadas
equivalente, em relação ao eixo que passa pelo cen-
tro da espessura da mesa superior sejam iguais – Para as vigas mistas treliçadas, nenhuma adap-
veja-se a Figura 4.6. A área do perfil circular pode tação é necessária, uma vez que esse tipo de
ser dada por πdmt, onde dm é o diâmetro médio do elemento com perfis tubulares já é previsto na
tubo, e a do perfil retangular equivalente pode ser ABNT NBR 8800:2008. Chama-se apenas a
dada, sem erro apreciável, por 2(bm + hm )t, onde atenção para que o dimensionamento das pe-
bm e hm são, respectivamente a altura e a largura ças componentes, ou seja, os banzos, diagonais
médias do perfil. O momento estático em relação e montantes, assim como das ligações entre
ao eixo que passa pelo centro da espessura da mesa elas, seja realizado conforme a ABNT NBR

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


superior do perfil retangular equivalente pode ser 16239:2013.
dado pelas expressões abaixo, para o perfil circular Segundo a norma brasileira, as treliças mistas
(Msc) e retangular (Msr), respectivamente: devem ser biapoiadas e ainda atender aos se-
guintes requisitos:
2
d
M sc = π m t   (4.8) • interação completa com a laje de concreto;
2
• linha neutra situada na laje de concreto;
M sr = hm (bm + hm )t   (4.9) • a área do banzo superior deve ser desprezada na
determinação, tanto do momento fletor resis-
tente de cálculo quanto da flecha.
213
Na fase final, devem-se utilizar os carregamentos
totais: peso próprio da estrutura, da laje de con-
Em consequência do disposto acima, a força cor- creto e de todos os revestimentos, demais ações
tante solicitante de cálculo a ser resistida pelos co- permanentes aplicáveis e todas as ações variáveis
nectores de cisalhamento deve ser determinada em pertinentes. Deve-se utilizar a combinação última
função do banzo inferior. Ou seja, o somatório das normal de ações.
forças resistentes de cálculo individuais dos conec-
tores de cisalhamento deve ser igual ou superior à Para a análise de vigas mistas treliçadas, tanto na
força resistente de cálculo do banzo inferior. fase inicial quanto na fase final, pode-se utilizar
o modelo conforme apresentado na Figura 4.7.
Por razões de economia, embora o projeto como Neste, o banzo superior é tomado igual à seção de
escorada seja também possível, as treliças mistas aço nas análises da fase inicial e igual à seção efe-
são projetadas invariavelmente como não escora- tiva da laje de concreto nas da fase final. As barras
das. Dessa forma, há a necessidade de se dividir fictícias, utilizadas para simular a excentricidade,
o dimensionamento desses elementos estruturais devem ser tomadas com rigidez muito grande em
em duas fases: a fase inicial, ou de construção, an- comparação com as demais barras. Caso não haja
tes de o concreto atingir uma resistência igual a excentricidade nas ligações, faz-se o comprimento
0,75fck, e a fase final. e igual a zero – veja-se o Capítulo 2. Chama-se a
Na fase inicial, consideram-se os seguintes carre- atenção para o fato de que no banzo superior sem-
gamentos: peso próprio da estrutura e da laje de pre haverá alguma excentricidade, a depender da
concreto e uma carga acidental (sobrecarga de locação da linha de trabalho – Figura 4.8. Se esta
construção), normalmente igual a 1,0 kN/m2, re- for coincidente com o eixo do perfil de aço, have-
ferente ao peso dos operários e equipamentos de rá excentricidade em relação à laje de concreto na
montagem e construção. Caso a situação exija, fase final – Figura 4.8-a; se for coincidente com a
deve-se utilizar uma sobrecarga de construção de seção efetiva da laje de concreto, haverá excentri-
valor superior. Na combinação de ações, pode-se cidade em relação ao perfil de aço, na fase inicial
adotar a combinação última de construção – veja- – Figura 4.8-b. Para projeto, recomenda-se a se-
se o Capítulo2. gunda opção, para facilitar o cálculo da laje – caso
se utilize a primeira opção, a excentricidade deve
ser levada em conta no dimensionamento da laje.

Banzo superior de concreto ou de aço


(usar I e A transformados)
Valores fictícios I e A
C.G. da laje
e
1 3 6 8 10 13 15 17 20 22 24 27 29 31 34 36 38 41 43
2 4 7 11 14 16 18 21 23 25 28 32 35 44
9 30 37 39 42
5 12 19 26 33 40
Banzo inferior de aço C.G. do banzo de aço

Figura 4.7 –-Modelo de análise de viga mista treliçada

214
Banzo superior de aço
C.G. da laje
1 3 6 8 10 13 15 17 20 22 24 27 29 31 34 36 38 41 43
2 4 7 11 14 16 18 21 23 25 28 32 35 44
9 30 37 39 42

5 12 19 26 33 40
C.G. do banzo de aço
Banzo inferior de aço

Figura 4.8(a)

Banzo superior de concreto


(usar I e A trasnformados)
C.G. da laje
1 3 6 8 10 13 15 17 20 22 24 27 29 31 34 36 38 41 43
2 4 7 11 14 16 18 21 23 25 28 32 35 44
9 30 37 39 42

5 12 19 26 33 40
C.G. do banzo de aço
Banzo inferior de aço

Figura 4.8(b)

Figura 4.8 - Excentricidade em vigas mistas treliçadas

Chama-se ainda a atenção para o cálculo das De acordo com a ABNT NBR 8800:2008, o mo-
diagonais e montantes da treliça mista, respon- mento fletor resistente de cálculo é dado por (veja-
sáveis por resistir à totalidade da força cortante se a Figura 4.9):
de cálculo, conforme a ABNT NBR 8800:2008,

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


ou seja, o modelo estrutural adotado deve ser tal M Rd = Tad d 2   (4.10)
que não permita a transmissão de forças cortantes
pelo banzo superior na fase final, no caso, a se- Onde Tad e d2 são, respectivamente, a força axial de
ção efetiva da laje de concreto – veja-se a Figura tração resistente de cálculo do banzo inferior e a
4.8-b, onde o banzo superior é rotulado nos nós. distância entre as forças de tração e compressão da
Além disso, para se evitar complicações adicionais treliça mista, dadas por:
no cálculo, referentes a carregamentos parciais,
recomenda-se que a força cortante solicitante de Tad = Abi f yd   (4.11)
cálculo para dimensionamento de quaisquer dia-
gonais ou montantes não seja inferior a 25% da
maior força cortante solicitante de cálculo – veja- d2 = d1 + (h ou d)/2 + hf + tc - a/2 (4.12)
se o exemplo adiante.
215
Figura 4.9 - Distribuição de tensões nas treliças mistas

Nas expressões acima, Abi é a área do banzo infe-


rior, fyd é a resistência ao escoamento de cálculo 0,85 f cd bt c ≥ Abi f yd   (4.14)

do aço do banzo inferior, d1 é a distância entre


os eixos dos banzos inferior e superior da treliça ΣQ Rd ≥ Abi f yd   (4.15)
(banzo superior da fase inicial), h ou d é a altura
da seção retangular ou o diâmetro da circular, hF
é a altura da fôrma de aço ou da pré-laje, tc é a
espessura da laje (acima da altura da fôrma ou da 4.4. Pilares mistos
pré-laje), e a é a espessura da região comprimida
da laje, dada por: Pilar misto tubular é um elemento estrutural su-
jeito a compressão ou à combinação de compres-
Tad são e flexão, formado por tubo de aço (circular ou
a=   (4.13) retangular) preenchido com concreto, construído
0,85 f cd b de forma que aço e concreto trabalhem em con-
junto, sem escorregamento relativo significativo
em que fcd é a resistência à compressão de cálculo na superfície de contato.
do concreto da laje e b é a largura efetiva da laje
(determinada conforme as expressões do Anexo O Nesta seção serão apresentados conceitos básicos
da ABNT NBR 8800:2008). do comportamento de pilares mistos em tempe-
ratura ambiente, com ênfase nos de seção tubular,
Vale lembrar que, para que sejam atendidas as os métodos adotados pelas normas brasileiras para
condições de validade das expressões apresentadas, seu dimensionamento e detalhes construtivos
segundo a norma brasileira, a linha neutra deve se usualmente utilizados em projeto. Serão apresen-
situar na laje de concreto e a interação deve ser tados também métodos de cálculo de pilares mis-
completa, isto é: tos tubulares em temperatura elevada (situação de
216
incêndio), tanto os métodos simplificados apre- mesmo impede o lascamento do concreto. Além
sentados na norma brasileira ABNT NBR disso, a presença do concreto restringe a possibi-
14323:2012, quanto métodos mais avançados. lidade de flambagem local das paredes do tubo.
Para tubos retangulares sem preenchimento de
concreto, a flambagem local ocorre com a for-
4.4.1. Comportamento dos pilares mistos mação de ondas consecutivas e alternadas que se
aproximam e se afastam do eixo longitudinal do
Mesmo quando se considera um pilar como pu- tubo – veja-se a Figura 4.10-a.
ramente comprimido, ele é sujeito a momentos
fletores oriundos de imperfeições iniciais (cur- A presença do núcleo de concreto impede a defor-
vaturas e excentricidades) não previstas. Esses mação das paredes para dentro do tubo, reduzindo
momentos fletores e também os já previstos na a possibilidade de flambagem local pela mudança
análise (associados a translações dos nós ou a para um modo superior de flambagem, ou seja, do
cargas transversais ao eixo do pilar) são alterados modo de flambagem de tubo puramente de aço
pelos efeitos de segunda ordem (efeitos da força [Figura 4.10-a] para o modo de tubo preenchi-
normal de compressão na estrutura deformada) do [Figura 4.10-b, Han, 2002]. A diferença nas
– veja-se o Capítulo 2. De maneira geral, o co- condições de contorno das paredes deformadas
lapso de um pilar sujeito à ação combinada de conduz à maior carga de flambagem associada ao
compressão e flexão dá-se por plastificação da se- modo do tubo preenchido. Para os tubos circula-
ção transversal crítica devida ao efeito combina- res o efeito é semelhante, embora menos pronun-
do da força axial de compressão e do momento ciado, dada a diferença nos modos e formas das
fletor (com efeitos de imperfeições iniciais e de deformadas (Leon et al., 2007; Ziemian, 2010).
segunda ordem incluídos).
O comportamento estrutural de pilares preen-
No início do carregamento, as tensões são pro- chidos com concreto é consideravelmente afeta-
porcionais às deformações até o limite de pro- do pela diferença entre os coeficientes de Poisson
porcionalidade dos materiais. A partir daí, o au- do tubo de aço e do núcleo de concreto – Figura
mento nas tensões provoca um aumento superior 4.11. No estágio inicial de carregamento, o coefi-
nas deformações até que seja atingido um estado ciente de Poisson do concreto (νc ≈ 0,15 a 0,20)
próximo ao de distribuição plástica de tensões. O é menor que o do aço (νa ≈ 0,3), não havendo,
estado limite último da maioria das seções reves- portanto, qualquer efeito de confinamento do
tidas com concreto é atingido pelo esmagamento núcleo de concreto. À medida que a deformação
ou lascamento do revestimento. Antes de atingir o longitudinal avança, quando a tensão no concreto
esmagamento ou o lascamento, o revestimento de ultrapassa um valor em torno de 0,5fck, inicia-se
o comportamento de dilatação do concreto pela

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


concreto restringe ou mesmo impede a flambagem
tanto da armadura longitudinal quanto das partes progressão das microfissuras e o valor aparente
comprimidas da seção de aço (flambagem local). do coeficiente de Poisson torna-se gradualmente
A perda da eficácia do revestimento é seguida de superior ao do aço. Essa expansão do concreto é
flambagem da armadura longitudinal, fratura da restringida pelo tubo de aço que fica submetido
armadura transversal, flambagem local pós-esco- a tensões radiais de tração. O núcleo de concreto
amento da seção de aço e, consequentemente, do fica submetido a um estado triaxial de tensão e o
colapso total da seção mista (Viest et al., 1997). tubo de aço, a um estado biaxial. Sob esse estado
biaxial, de compressão na direção longitudinal e
Nas seções preenchidas com concreto, a situação tração na direção perpendicular, o aço não é capaz
é um pouco diferente. Como já comentado na In- de sustentar um valor de tensão correspondente à
trodução, a presença do tubo de aço restringe ou resistência ao escoamento uniaxial.

217
Figura 4.10(a) Modo de flambagem do tubo sem preenchimento Figura 4.10(b) Modo de flambagem para tubo preenchido

Figura 4.10 - Mudança do modo de flambagem

Tensão
longitudinal
Tensão de compressão

Tensão
longitudinal
circunferencial

Tensão
radial

Tensão
longitudinal
(a) νa > νc

Tensão
longitudinal
Tensão de tração
circunferencial

Tensão de
confinamento

(b) νa < νc

Figura 4.11 – Estados de tensão no aço e no concreto: (a) νa > νc ; (b) νa < νc
218
No estágio inicial, a maior parte da carga é sus- Onde M2 é o momento fletor, incluindo os efeitos
tentada pelo tubo, até que seja atingida a resis- locais de segunda ordem, M1 é o momento fletor
tência ao escoamento do aço (em estado biaxial). obtido da análise estrutural, N é a força axial so-
Nesse momento, inicia-se a transferência de carga licitante e Ne é a carga crítica de Euler. Para cada
do tubo para o núcleo e o aumento subsequente par N-M1, obtém-se um novo par N-M2, por meio
da carga é sustentado apenas pelo núcleo de con- de equação acima, e, repetindo-se o procedimento
creto, até que este atinja a máxima resistência à para um número suficiente de pontos e dividindo-
compressão. Após esse estágio, inicia-se um pro- -os pelos valores de plastificação, obtém-se a curva
cesso de redistribuição de carga do concreto para completa do carregamento gradativo (curva a), ou
o aço, que já se encontra na fase de encruamento, de solicitação, do pilar. De maneira similar, pode-
bastante similar à do estado uniaxial. se obter a curva para outras condições de contor-
no e de solicitação do pilar.
A resistência de uma seção mista pode ser repre-
sentada pelo diagrama de interação momento 1,1

1,0
fletor versus força axial, similar ao apresentado 0,9
b
na Figura 4.12. O método de compatibilidade 0,8
a
de deformações é utilizado para gerar as curvas 0,7

momento-curvatura para diferentes níveis de for- 0,6

N/Npl
0,5
ça axial atuante na seção mista. Alternativamen- 0,4

te, por simplicidade, pode-se utilizar também o 0,3

método plástico – de uma maneira geral, ambos 0,2

0,1
os métodos são aceitos pelas normas técnicas que 0,0
0,0
tratam de estruturas mistas. O momento fletor
0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3
M/Mpl
máximo obtido para uma dada força axial define
Figura 4.12 – Diagrama de interação momento fletor versus
um ponto da curva de interação momento fletor- força axial
força axial. Repetindo-se o procedimento até que
pontos suficientes sejam obtidos, obtém-se o dia- Geralmente, no método de compatibilidade de
grama completo. deformações, as seguintes hipóteses são adotadas:

Na Figura 4.12, a curva a representa o carrega- • as seções planas permanecem planas e as deforma-
mento gradativo do pilar (levando-se em conta ções nos elementos são proporcionais à distância
os efeitos locais de segunda ordem) até o colapso ao eixo neutro (hipótese de Bernoulli-Euler);
por plastificação da seção transversal crítica, que
• não há escorregamento relativo entre o perfil de
é representado pela interseção das duas curvas,
aço, a armadura e o concreto (interação completa);
considerando que não haja tensões residuais no

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


perfil de aço. A curva tracejada b representa o car- • as tensões são calculadas em função das defor-
regamento do pilar sem levar em conta os efeitos mações.
locais de segunda ordem.
Além disso, os seguintes efeitos também são fre-
Considere-se inicialmente um pilar birrotula- quentemente considerados, principalmente em
do nas extremidades, submetido a força axial procedimentos numéricos pelo método dos ele-
de compressão e momento fletor, provocando mentos finitos:
curvatura simples.Tem-se que (Timoshenko e
Gere, 1961): • tensões residuais nos perfis de aço;

• confinamento do concreto proporcionado pe-


⎛ π N ⎞
M 2 = M 1 sec⎜⎜ ⎟  
⎟ (4.16) los estribos e pelo perfil de aço.
⎝ 2 Ne ⎠ 219
A hipótese de não haver escorregamento relativo g. o projeto das armaduras, incluindo espaça-
entre os elementos componentes da seção mista, mento, cobrimento de concreto, distância
ou seja, a de haver continuidade de deformação, livre entre as barras e o perfil, contenção con-
o que simplifica sobremaneira a análise, não foi tra flambagem das barras, etc. deve atender
comprovada em muitos ensaios experimentais às prescrições da ABNT NBR 6118:2014;
onde a interface entre os materiais foi monitora-
da. Porém, os erros introduzidos foram insigni- h. a flambagem local de elementos da seção do
ficantes no cálculo da resistência última e muito perfil de aço, devida à força normal ou ao mo-
pequenos na determinação da rigidez. mento fletor, não pode ser motivo de falha do
pilar, devendo ser atendidas as condições:
Como se pode perceber, o processo de determi-
nação da capacidade de resistência de uma seção Para seções retangulares
mista é análogo ao de uma seção de concreto ar-
mado. É evidente a complexidade envolvida e a h b E
e ≤ 2,26   (4.17)
necessidade de se adotarem métodos mais simpli- t t fy
ficados para projeto.
Para seções circulares
4.4.2. Dimensionamento dos pilares mis- d E
tos tubulares em temperatura ambiente ≤ 0 ,15   (4.18)
t fy
Nesta subseção, serão apresentados os métodos de
cálculo de pilares mistos tubulares utilizados pe- Veja-se que as condições acima refletem a restrição
las normas brasileiras em temperatura ambiente. à flambagem local proporcionada pelo concreto,
Para que os procedimentos aqui indicados sejam pois esses valores limites para os tubos sem pre-
válidos é necessário que as hipóteses e limitações a enchimento seriam 1,40 (E/fy)0,5 e 0,11E/fy, para
seguir sejam atendidas: seções retangulares e circulares, respectivamente.
Isso significa um aumento superior a 60% para os
a. a interação entre o concreto e o perfil deve
tubos retangulares e de cerca de 35% para os cir-
ser completa;
culares, confirmando o efeito mais pronunciado
b. o concreto deve ter densidade normal; para as seções retangulares.

c. a relação entre a maior e a menor dimensões


externas da seção deve ser inferior a 5; 4.4.2.1. Propriedades principais
dos pilares mistos
d. o fator de contribuição do aço, δ (veja-se o
item 4.4.2.1), deve ficar entre 0,2 e 0,9; O módulo de elasticidade do concreto em perfis
tubulares preenchidos não necessita ser reduzido pe-
e. a maior esbeltez relativa do pilar, λ0,m (veja-se los efeitos de retração e deformação lenta, de acor-
o item 4.4.2.1), não deve ser maior que 2,0; do com a ABNT NBR 8800:2008. O módulo de
elasticidade do aço deve ser tomado igual a 200000
f. para que uma armadura longitudinal seja MPa e 210000 MPa para o tubo e a armadura, res-
considerada na resistência da seção, sua área pectivamente, conforme as normas ABNT NBR
deve ficar entre 0,3% e 4% da área de con- 8800:2008 e ABNT ABNT NBR 6118:2014.
creto (telas soldadas não podem ser usadas
para essa finalidade); As rigidezes efetivas das seções mistas tubulares
são dadas por:
220
a. Rigidez efetiva à compressão axial (para utili-
zação em análise elástica): Aa f yd
δ= (4.22)
N pl ,Rd
(EA)e = EaAa + EcAc + EsAs (4.19)
A esbeltez relativa do pilar λ0,m é definida pela ex-
b. Rigidez efetiva à flexão (para utilização em pressão abaixo:
análise elástica e determinação da força axial
de flambagem elástica) segundo a ABNT N pl , R
NBR 8800:2008 (veja-se 4.4.2.4 adiante): λ0 , m = (4.23)
Ne
(EI)e = EaIa + 0,6Ec Ic + EsIs (4.20)
onde
Nessas expressões:
Npl,R é a resistência à plastificação total por força
Ea, Ec e Es são os módulos de elasticidade do aço axial de compressão, calculada de forma análoga a
do perfil, do concreto e do aço da armadura, Npl,R, sem os coeficientes de segurança:
respectivamente;
Npl,R = Aafy + Ac(αfck) + Asfys (4.24)
Aa , Ac e As são as áreas das seções do perfil, do
concreto não fissurado e da armadura, respec-
tivamente; Ne é a força de flambagem elástica, dada por:

Ia , Ic e Is são os momentos de inércia das seções π 2 (EI )e


do perfil, do concreto não fissurado e da arma- Ne = (4.25)
(KL )2
dura, respectivamente, em relação ao eixo de
simetria considerado; (EI)e é a rigidez efetiva à flexão em relação ao eixo
o coeficiente 0,6 refere-se aos efeitos de fissura- de simetria perpendicular ao plano de flambagem
ção do concreto e à calibração com resultados considerado;
experimentais. (KL) é o comprimento de flambagem do pilar no
A resistência de cálculo da seção à plastificação to- plano de flambagem considerado, determinado
tal por força axial de compressão é dada por: conforme a ABNT NBR 8800:2008.

O momento fletor resistente de plastificação de cál-


N pl ,Rd = Aa f yd + Ac (α f cd ) + As f sd (4.21) culo, Mpl,Rd, em relação ao eixo x ou ao eixo y (respec-
tivamente Mpl,x,Rd e Mpl,y,Rd) pode ser calculado por:

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


onde
M pl,Rd, = f yd (Z a − Z an ) + 0,5α f cd (Z c − Z cn ) + f sd (Z s − Z s
a é um coeficiente igual a 0,95 para seções cir-
Mepl,0,85
culares f yd (Z
Rd, =para a − Zretangulares;
seções an ) + 0 ,5α f os
cd (Z c − Z cn ) + f sd (Z s − Z sn )
demais
(4.26)
termos têm os significados usuais.
O momento fletor máximo resistente de plastifi-
Observa-se que o fator a maior para as seções cir-
cação de cálculo, Mmax,pl,Rd, em relação ao eixo x ou
culares reflete o maior confinamento do núcleo
ao eixo y (respectivamente Mmax,pl,x,Rd e Mmax,pl,y,Rd)
de concreto proporcionado por esse tipo de perfil.
pode ser calculado por:
O fator de contribuição do aço, δ, definido como
a razão entre a resistência plástica da seção de aço M max, pl,Rd, = f yd Z a + 0,5α f cd z c + f sd Z s (4.27)
e a da seção mista, é dado pela seguinte expressão:
221
onde:
Za é o módulo de resistência plástico da seção do perfil de aço;
Zs é o módulo de resistência plástico da seção da armadura do concreto;
Zc é o módulo de resistência plástico da seção de concreto, considerado não fissurado;
Zan, Zcn e Zsn são módulos de resistência plásticos definidos abaixo.
a. Para seção retangular [Figura 4.13-a]:
- eixo x:

(4.28)

(4.29)

(4.30)

(4.31)

(4.32)

(4.33)

- eixo y:
Neste caso devem ser utilizadas as equações relativas ao eixo x, permutando-se entre si as dimensões
h e b, bem como os índices subscritos x e y. Então:

(4.34)

(4.35)

(4.36)

(4.37)

(4.38)

(4.39)

222
b. Para seção circular [Figura 4.13-b]: Neste
caso podem ser utilizadas as equações relati-
vas às seções tubulares retangulares, com boa
aproximação, substituindo-se h e b por d e r
por (d/2 - t). Então:

(4.40)

(4.41)

(4.42)

Figura 4.13(a) retangular


(4.43)

(4.44)

(4.45)

Nas expressões acima, Asn é a soma das áreas das


barras da armadura na região de altura 2hn, Asni é a
área de cada barra da armadura na região de altura
2hn, eyi e exi são as distâncias dos eixos das barras
da armadura aos eixos x e y, respectivamente, hn é
a posição da linha neutra plástica em relação aos
eixos x ou y, o que for aplicável e r é o raio de con-
cordância das paredes dos tubos retangulares. A Figura 4.13(b) circular
posição da linha neutra foi determinada por equi- Figura 4.13 - Dimensões das seções mistas
líbrio entre as forças resistentes de cálculo de com-
pressão e de tração, considerando-se as seguintes

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


tensões de cálculo:
4.4.2.2. Procedimento de cálculo
fyd para áreas tracionadas e comprimidas do perfil;
As solicitações de cálculo devem ser determina-
fsd para áreas tracionadas e comprimidas da ar- das por meio de análise elástica de segunda ordem
madura (por simplicidade, a seção de cada bar- (global e local) com a devida consideração das
ra da armadura pode ser considerada com seção imperfeições da estrutura (item 4.9.7 da ABNT
quadrada); NBR 8800:2008) – veja-se o Capítulo 2 e o Mo-
delo de Cálculo II adiante. Devem ser considera-
a fcd para áreas comprimidas do concreto (a resis- dos os estados limites últimos dados a seguir.
tência à tração do concreto deve ser desprezada).

223
a. Falha por plastificação ou instabilidade N Sd 8 ⎛ M x,Sd M y,Sd ⎞ N
devida à força axial de compressão + ⎜ + ⎟⎟ ≤ 1,0 para Sd ≥ 0,2
N Rd 9 ⎜⎝ M x,Rd M y,Rd ⎠ N Rd
Quando o pilar for sujeito apenas a força
axial de compressão, deve-se ter (4.49-a)
N Sd M M y,Sd N
+ x,Sd + ≤ 1,0 para Sd < 0,2
NSd ≤ NRd (4.46) 2 N Rd M x,Rd M y,Rd N Rd

onde
(4.49-b)
NSd é a força axial de compressão solicitante
Mx, Sd e My,Sd são os momentos fletores solicitan-
de cálculo;
tes de cálculo em relação aos eixos x e y da seção
NRd é a força axial de compressão resistente transversal, respectivamente;
de cálculo, dada por:
Mx,Rd e My,Rd são os momentos fletores resisten-
tes de cálculo em relação aos eixos x e y da se-
NRd = χNpl,Rd (4.47) ção transversal, respectivamente, iguais a Mpl,x,Rd
e Mpl,y,Rd determinados conforme o item anterior.
Npl,Rd é determinada como no item anterior;

c é um fator de redução determinado em - Modelo de Cálculo II:


função de λ0,m, conforme item 5.3.3 da
ABNT NBR 8800:2008, ou seja: A verificação dos efeitos da força axial de com-
pressão e dos momentos fletores pode ser feita por
para λ0,m ≤ 1,5
2
χ = 0,658λo ,m meio das seguintes inequações de interação:
(4.48-a)
0,877 N Sd ≤ N Rd
para λ0,m > 1,5 χ= 2 (4.48-b)
λo,m
M x ,tot ,Sd M y ,tot ,Sd (4.50)
+ ≤ 1,0
Vale dizer que nas expressões acima já estão µ x M c,x µ y M c, y
sendo consideradas, de forma indireta, as im-
perfeições locais do pilar, geométrica e física onde:
– veja-se o item 4.4.3.2 adiante.
µx é um coeficiente igual a:
b. Falha devida à ação conjunta de força axial
1. Para NSd ≥ Npl,c,Rd
de compressão e momento fletor
A verificação deve ser feita por um dos mode- N Sd − N pl ,c ,Rd
los apresentados na ABNT NBR 8800:2008 µx = 1−
N pl ,Rd − N pl ,c ,Rd (4.51-a)
– veja-se também em 4.4.3.4 o modelo suge-
rido pela ABNT NBR 16239:2013. N pl ,c ,Rd
2. Para ≤ N Sd < N pl ,c ,Rd
- Modelo de Cálculo I: 2
⎛ M ⎞⎛ 2 N ⎞ M
O pilar deve obedecer às seguintes inequa- µ x = ⎜⎜1 − d ,x ⎟⎟⎜ Sd
− 1⎟ + d ,x (4.51-b)
ções de interação: ⎜
M c ,x ⎠⎝ N pl ,c ,Rd ⎟ M c ,x
⎝ ⎠

224
N pl ,c ,Rd Onde Ne,x e Ne,y são as forças de instabilidade
3. Para N Sd < elástica do pilar (cargas de Euler) dadas no
2
item 4.3.2.1, tomando-se Kx = Ky = 1,0. Ao
2 N Sd ⎛ M d ,x ⎞ (4.51-c)
se entrar com os valores de Mx,tot,Sd e My,tot,Sd na
µx = 1+ ⎜ M − 1⎟
⎜ ⎟ inequação de interação, deve-se considerar o
N pl ,c ,Rd ⎝ c ,x ⎠ momento devido às imperfeições ao longo
do pilar em relação apenas a um dos eixos, o
μy é um coeficiente calculado da mesma forma que que levar ao resultado mais desfavorável. Isso
μx, trocando-se as grandezas referentes a x por y; implica que se Mx,i,Sd for considerado com seu
Npl,c,Rd é a força axial resistente de cálculo da seção valor diferente de zero, My,i,Sd deve ser toma-
de concreto à plastificação, tomada igual a Acαfcd; do igual a zero, e vice-versa.

Npl,Rd é a força axial resistente de cálculo da É evidente que, para seções circulares, não faz
seção transversal à plastificação total, dada no sentido a diferenciação de eixos e podem-se uti-
item anterior; lizar sempre as expressões para o eixo x. Tam-
bém para seções retangulares, pode-se mostrar
Mc,x e Mc,y são dados, respectivamente, por que não há razão para diferenciar as imperfei-
0,9Mpl,x,Rd e 0,9Mpl,y,Rd ; ções em função do eixo de flambagem, poden-
do-se tomar as expressões referentes ao eixo x
Md,x e Md,y são dados, respectivamente, por (mutatis mutandis), para ambos os eixos.
0,8Mmax,pl,x,Rd e 0,8Mmax,pl,y,Rd, onde Mmax,pl,x,Rd e
Mmax,pl,y,Rd são os momentos fletores máximos resis- c. Falha da seção mista devida à força cortante
tentes de plastificação de cálculo em relação aos eixos
x e y. Caso Md,x seja menor que Mc,x, então Md,x deve ser De acordo com a ABNT NBR 8800:2008,
tomado iguala Mc,x; mutatis mutandis para Md,y e Mc,y. as forças cortantes que agem segundo os ei-
xos de simetria da seção mista podem ser as-
Mx,tot,Sd e My,tot,Sd são os momentos fletores solici- sumidas como atuando apenas no perfil de
tantes de cálculo totais, dados por: aço. Embora não esteja explicito na ABNT
NBR 8800:2008, é óbvio que se pode assu-
M x,tot ,Sd = M x,Sd + M x,i ,Sd mir também que as forças cortantes sejam
(4.52-a)
resistidas apenas pela seção de concreto. As-
M y ,tot ,Sd = M y ,Sd + M y ,i ,Sd (4.52-b) sim, conservadoramente, a força cortante re-
sistente de cálculo da seção mista pode ser
Onde Mx,i,Sd e My,i,Sd são os momentos devido às tomada como o maior valor entre a da seção
imperfeições ao longo do pilar (veja-se o item de aço (determinada conforme o item 5.4.3

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


4.2.2.3), respectivamente em relação aos eixos x da ABNT NBR 8800:2008) e a da seção
e y, dados por: de concreto (determinada conforme o item
17.4.2 da ABNT NBR 6118:2014).
N Sd Lx
M x ,i ,Sd = (4.53-a) Porém, a norma brasileira ABNT NBR
⎛ N ⎞ 16239:2013, assim como a estadunidense
200⎜⎜1 − Sd ⎟
⎟ ANSI/AISC 360-10 (especificação do AISC,
⎝ N e ,x ⎠
versão de 2010), permite considerar como força
N Sd L y cortante resistente de cálculo o maior valor entre:
M y ,i ,Sd = (4.53-b)
⎛ N ⎞ - a soma das forças resistentes da seção de aço
150⎜1 − Sd ⎟
(Va,Rd) e da armadura transversal da seção
⎜ N e ,y ⎟
⎝ ⎠ de concreto (Vs,Rd);
225
- a força resistente do concreto ao cisalha- de cálculo, sendo essa tensão calculada com
mento (Vc,Rd). coeficientes de ponderação das ações iguais
a 1,0. MSd,max é o maior momento fletor so-
Assim sendo, a força resistente de cálculo dos licitante de cálculo do trecho em análise do
pilares mistos tubulares pode ser dada pelo pilar. Conservadoramente e por simplicida-
maior dos dois valores abaixo: de, pode-se considerar Vc,Rd = Vc0. As demais
grandezas são definidas abaixo:
VRd 1 =Va,Rd +V s ,Rd (4.54-a)

VRd 2 =Vc ,Rd (4.54-b)


(4.58-a)
onde (conforme as normas brasileiras):
(4.58-b)
!2hetf yd
# (4.55-a)
Va,Rd = " 0,5τ cr A
# γ
$ a1 (4.55-b)

(4.59)
!0,27αv 2 f cd bw d c (4.56-a)
V s ,Rd = menor entre "
#( As s ) 0,9d c f sd (4.56-a)
(4.60)

! M0 $
Vc ,Rd =Vc 0 #1+ & ≤ 2Vc 0 (4.57) (4.61)
" M Sd ,max %
Observa-se que as resistências relativas ao con-
Nas expressões acima, he é a distancia entre
creto armado, mostradas acima, foram obti-
as faces internas do tubo subtraída de duas
das de acordo com o Modelo de Cálculo I da
vezes o raio de concordância; A é a área do
ABNT NBR 6118:2014. É claro que essas re-
perfil circular; bw é a largura efetiva da se-
sistências também podem ser obtidas de acor-
ção de concreto, podendo ser tomada igual a
do com o Modelo de Cálculo II, fazendo-se as
(b – 2t) para seções retangulares e a (d – 2t)
adaptações adequadas.
para seções circulares (conforme ANSI/ACI
318-11); dc é a altura útil da seção, devendo d. Cisalhamento das superfícies de contato
ser tomada igual à distância da borda com- entre o concreto e o perfil de aço nas regi-
primida do núcleo de concreto ao centro de ões de introdução de cargas
gravidade da armadura de tração para seções
retangulares e podendo ser tomada igual a A base do pilar, as regiões de emenda do pilar e
0,8(d – 2t) para seções circulares (conforme as regiões onde o pilar é ligado a vigas são deno-
ANSI/ACI 318-11); As é a área da armadura minadas regiões de introdução de cargas. Em
transversal (seção transversal dos estribos); s é tais regiões deve-se evitar a ocorrência de escor-
o espaçamento dos estribos, medido segundo regamento relativo entre o concreto e o perfil
o eixo longitudinal do pilar. M0 é o valor do de aço que prejudique a ação conjunta entre
momento fletor que anula a tensão normal os dois componentes. Considera-se o compri-
de compressão na borda da seção, provocada mento de introdução de carga igual a duas ve-
pelas forças normais de diversas origens con- zes a menor dimensão da seção do pilar ou um
comitantes com a força cortante solicitante terço da distância entre as seções onde ocorre a
introdução, o que for menor.
226
Na base e nas regiões de emenda pode haver
Vll,,Sd =V Sd (δ
VSd δ) (4.64)
descontinuidade de algum componente do V Sd =
pilar, por exemplo, a armadura longitudinal. M plpl,,aa,,Rd
⎛⎛⎜ M Rd ⎞⎞⎟
Assim, quando essa armadura for considera- M ll,,Sd
M =M
Sd = M Sd
Sd ⎜ ⎟⎟ (4.65)
⎜⎜ M M Rd ⎟⎠
da na resistência do pilar, deve haver outro ⎝⎝ plpl,,Rd ⎠
mecanismo de transmissão dos esforços que
compense a referida descontinuidade. Uma em que:
solução possível é a instalação de conecto-
res (ou outros dispositivos similares, veja-se VSd é a força cortante solicitante de cálculo
adiante) capazes de transmitir os esforços so- na ligação;
licitantes de cálculo das barras da armadura
para elementos de aço adicionais que restaurem d é o fator de contribuição do aço;
a resistência de cálculo total do pilar misto. O MSd é o momento fletor solicitante de cálculo
comprimento dentro do qual devem ser insta- na ligação;
lados os conectores é igual ao comprimento de
introdução de carga, já definido, respeitando-se Mpl,a,Rd é a contribuição do perfil de aço para
o comprimento de ancoragem das barras da ar- Mpl,Rd em relação ao eixo de simetria consi-
madura, determinado conforme as prescrições derado, levando em conta a posição da linha
da ABNT NBR 6118:2014. neutra plástica. Utilizando-se o item P.5.4.1
da ABNT NBR 8800:2008, o valor de Mpl,a,Rd
Nas regiões de ligação do pilar com vigas, é igual a fyd (Za - Zan);
as tensões de cisalhamento na interface en-
tre o aço e o concreto, no comprimento de Mpl,Rd é o momento fletor resistente de plasti-
introdução de carga, obtidas com base nos ficação de cálculo do pilar misto.
esforços solicitantes de cálculo Vl,Sd e Ml,Sd,
não podem superar os valores de tRd dados na e. Cisalhamento das superfícies de contato
Tabela P1 da ABNT NBR 8800:2008. Esses entre o concreto e o perfil de aço entre re-
valores são iguais a 0,40 MPa e 0,55  MPa, giões de introdução de cargas
respectivamente para as seções retangulares e
Devem ser usados conectores (ou outros dis-
circulares. Caso essas tensões sejam excedi-
positivos similares) nos trechos entre regiões
das, devem ser usados conectores de cisalha-
de introdução de cargas para garantir o fluxo
mento (ou outros dispositivos similares) para
de cisalhamento longitudinal entre o perfil
resistir à totalidade dos efeitos de Vl,Sd e Ml,Sd.
de aço e o concreto, sempre que as tensões
Os valores de Vl,Sd e Ml,Sd devem ser determi- na interface ultrapassarem os valores de tRd.

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


nados pelas seguintes expressões: Se forem necessários, devem ser dimensiona-
dos para a totalidade do fluxo. As tensões na
- quando a viga estiver ligada apenas ao perfil interface devem ser determinadas com base
de aço do pilar nas forças cortantes solicitantes de cálculo,
considerando-se o concreto não fissurado e
Vl , Sd == V
V VSd ((11 −− δδ )) (4.62) comportamento elástico.
l , Sd Sd

⎛⎛ M pl ,a , Rd ⎞⎞⎟ Não é necessário prever conectores nos tre-


M l , Sd == M
M M Sd ⎜⎜11 −− M pl ,a , Rd ⎟⎟ (4.63) chos entre regiões de introdução de cargas
l , Sd ⎜
Sd ⎜ M pl , Rd ⎟⎠
⎝⎝ M ⎠
pl , Rd
quando a relação entre a força axial de com-
pressão solicitante de cálculo e a força axial
- quando a viga estiver ligada apenas ao con- de compressão resistente de cálculo à plastifi-
creto do pilar cação total da seção for superior a 0,3. 227
f. Falha do pilar tubular de aço na fase de peia EN 1994-1-1:2010 (Eurocode 4) e que deriva
construção do método rígido-plástico de interação entre força
axial e momento fletor, bastante mais simples que o
Caso a concretagem do pilar misto seja fei- método da compatibilidade de deformação.
ta após a montagem do perfil de aço (caso
mais usual na prática), este deve resistir a A Figura 4.14, ilustra a metodologia do Modelo de
todas as ações de cálculo aplicadas antes Cálculo II, para flexão uniaxial. A curva contínua,
do endurecimento do concreto. A verifica- de linha mais espessa, representa o lugar geométrico
ção deve ser feita de acordo com a ABNT dos pares M e N capazes de plastificar completamen-
NBR 8800:2008 ou com a ABNT NBR te a seção transversal do pilar misto (em valores de
16239:2013, onde aplicável. A aplicação cálculo). Foi obtida variando-se a posição da linha
das cargas de construção depende do mé- neutra plástica e obtendo-se o equilíbrio da seção,
todo construtivo e do cronograma da obra. relativo à força axial e ao momento fletor. Conside-
Usualmente, consideram-se a carga perma- ra-se que a seção transversal esteja completamente
nente (peso próprio da estrutura e da laje) plastificada, sendo a seção de aço sujeita à tensão
e a acidental (sobrecarga de construção, fyd (tração ou compressão, dependendo da posição
normalmente igual a 1,0 kN/m2) referente de cada elemento em relação à linha neutra plásti-
a quatro pavimentos simultaneamente. Vale ca) e a seção de concreto, à tensão αfcd (despreza-se
lembrar que pode ser usada a combinação a resistência à tração do concreto). A integração das
última de construção. tensões na área mista total conduz ao valor da força
axial (N), e o momento estático das tensões, integra-
das nas áreas acima e abaixo do eixo que passa pelo
4.4.2.3. Comentários sobre os procedimentos centro geométrico da seção, ao valor do momento
de cálculo da ABNT NBR 8800:2008 fletor (M). Variando-se adequadamente a posição da
linha neutra plástica ao longo da seção, obtém-se a
Os modelos de cálculo de pilares mistos à flexo curva completa.
compressão da ABNT NBR 8800:2008 são base-
ados em duas filosofias distintas. O modelo I ba- Os pontos denominados A, B, C e D na Figura
seia-se no modelo de cálculo de pilares de aço, de 4.14 correspondem a pares convenientemente es-
acordo com as prescrições da própria norma brasi- colhidos da curva de interação. Os pontos A e C
leira, que por sua vez é derivado do mesmo mode- referem-se à plastificação total da seção, somente
lo adotado pela norma estadunidense ANSI/AISC pela força axial (0, Npl,Rd) e somente pelo momen-
to fletor (Mpl,Rd , 0), respectivamente. O ponto D
360-10. É um modelo bastante simples e que con-
corresponde à posição da linha neutra onde a se-
duz a resultados a favor da segurança. Porém, em
ção é capaz de suportar o momento fletor máximo
muitos casos é um modelo extremamente conser-
(Mmax,pl,Rd) e o ponto B, àquela em que a seção é ca-
vador, podendo levar a resultados antieconômi-
paz de suportar a máxima força axial em conjun-
cos. Mas, nas situações em que o momento fletor
to com o momento fletor de plastificação, Mpl,Rd.
solicitante for de pequena monta – geralmente
Observa-se que os valores da força axial, corres-
quando a relação entre MSd e Mpl,Rd não supera 0,3
–, o modelo I pode ser convenientemente aplica- pondentes aos pontos B e D, são iguais a Npl,c,Rd e
0,5Npl,c,Rd, respectivamente.
do, obtendo-se resultados seguros e econômicos,
de forma simples e adequada. Por razões de calibração com resultados ex-
perimentais e para evitar resultados contra a
Já o modelo II assemelha-se ao modelo de cálculo
segurança (quando a força axial for inferior a
adotado pelas principais normas de concreto ar-
0,5Npl,c,Rd), os valores Mpl,Rd e Mmax,pl,Rd foram
mado, inclusive a norma brasileira ABNT NBR
multiplicados por fatores de redução iguais a
6118:2014. É um modelo com base na norma euro-
228
0,9 e 0,8, respectivamente, dando origem aos misto, deve-se ter, além de NSd ≤ NRd,, Mtot,Sd ≤ µMc.
pontos B’ (0,9Mpl,Rd, Npl,c,Rd), C’(0,9Mpl,Rd, 0) e Considerando os dois eixos, chega-se, portanto, às
D’(0,8Mmax,pl,Rd, 0,5Npl,c,Rd). inequações apresentadas na norma brasileira:
Por simplicidade, a norma brasileira adota então N Sd ≤ N Rd
como curvas de interação (ou superfície, consi-
derando os dois eixos x e y) aquelas ligando os M x ,tot ,Sd M y ,tot ,Sd (4.50)
+ ≤ 1,0
pontos A e B’, B e D’ e D’ e C’, correspondentes µ x M c,x µ y M c, y
respectivamente aos intervalos 1, 2, 3 do méto-
do de cálculo II, apresentado na alínea b do item Esse procedimento conduz a resultados menos
4.4.2.2. Vale lembrar que, caso 0,8Mmax,pl,Rd seja conservadores – e mais próximos dos resultados
menor que 0,9Mpl,Rd, o ponto D’ deve ser tomado experimentais – que os obtidos pelo Modelo de
igual a (0,9Mpl,Rd, 0,5Npl,c,Rd). Cálculo I, mas apresenta algumas inconsistências,
1,1
como mostrado a seguir.
A 1,0
0,9 Considere-se um pilar birrotulado com seção
0,8 transversal tubular quadrada (300x10), compri-
S
0,7
µMc mento de 4000 mm, aço com fy igual a 350 MPa,
B
N/Npl, Rd

0,6

0,5
B’ concreto com fck de 40 MPa, sem armaduras. Ini-
0,4 cialmente, considere-se que esteja submetido ape-
0,3
D’ D nas à força de compressão axial. De acordo com
0,2

0,1
a norma brasileira, a força de compressão axial
0,0
0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0 1,1 1,2 1,3
resistente de cálculo é igual a 4930kN. Suponha-
M/Mpl, Rd C’ C se então que esse mesmo pilar esteja submetido
Figura 4.14 – Curva de resistência de pilares mistos a um momento fletor solicitante de cálculo igual
(método rígido-plástico) a 100kN.m. Conforme o Modelo de Cálculo II,
a força de compressão axial resistente de cálculo,
Na Figura 4.14, o ponto S representa o par agindo em conjunto com esse momento é igual
Mtot,Sd-NSd, respectivamente o momento fletor a 3825kN.m. Considere-se agora, ainda de acor-
solicitante de cálculo total (considerando os do com o modelo II, que o momento fletor so-
efeitos de imperfeição e de segunda ordem) e a licitante de cálculo seja reduzido até atingir um
força axial de compressão solicitante de cálcu- valor muito pequeno, no limite igual a zero. A
lo. O valor µMc (ou µxMcxe µyMcy, considerados força axial de compressão, nessa situação é igual a
eixos x e y), apresentado na figura, corresponde 4545kN, diferente da obtida anteriormente (cerca
ao máximo momento que o pilar misto con- de 8% inferior), considerando apenas a presença

Capítulo 4 - Dimensionamento de elementos mistos


segue suportar em conjunto com a força axial da força axial. Ou seja, o modelo II, no limite, não
de compressão solicitante de cálculo, NSd. Ou, conduz aos mesmos valores obtidos com a formu-
em outras palavras, é o momento fletor resis- lação dos pilares submetidos à compressão axial,
tente de cálculo do pilar misto na presença de o que denota inconsistência dos modelos. A razão
NSd. Vale dizer que as expressões para cálculo dessa inconsistência é apresentada a seguir.
de µ, dadas no item 4.4.2.2, foram obtidas por
simples geometria, considerando a interseção Conforme apresentado na alínea a do item 4.4.2.2,
da reta horizontal que contém o par Mtot,Sd-NSd a força de compressão resistente de cálculo é obtida
com as retas que ligam os pontos A, B’, D’ e C’. por meio do fator de redução c. Esse fator de redu-
ção conduz à curva reduzida de resistência à força
Portanto, para evitar que seja ultrapassado o esta- de compressão axial, em função da esbeltez redu-
do limite de falha por flexo compressão do pilar zida do pilar, λ0,m (λ0, no caso de pilares de aço).
229
Determinada por meio de estudos teóricos, nu- Pode-se demonstrar também que L/250 é um va-
méricos e experimentais em pilares constituídos lor adequado para representar a curva da ABNT
por perfis de aço, essa curva de resistência leva em NBR 8800:2008 em relação ao eixo de menor
conta imperfeições físicas e geométricas, inevitá- inércia (eixo y). Portanto, para aços com resistên-
veis e inerentes ao processo de execução, como cia ao escoamento igual ou inferior a 450 MPa,
por exemplo, as tensões residuais na seção trans- pode-se dizer que L/350, para o eixo de maior
versal e a falta de retilineidade do eixo dos pilares. inércia e L/250, para o eixo de menor inércia, são
De um modo geral, os efeitos dessas imperfeições valores da imperfeição geométrica equivalente
também podem ser considerados – dentro de uma que conduzem a uma boa representação da curva
precisão razoável - por meio de uma imperfeição de resistência da ABNT NBR 8800:2008.
geométrica equivalente.
Pelo mesmo método apresentado acima, pode-se
Tome-se, por exemplo, o pilar birrotulado com se- mostrar que um valor de κ em torno de L/250 para
ção transversal W-200x46,1 (laminado), aço com pilares mistos preenchidos, independentemente
resistência ao escoamento igual a 450 MPa (máxi- do eixo de flambagem, também é adequado, con-
mo permitido pela norma brasileira), submetido a forme se observa na Figura 4.16 (pilar retangular
força de compressão axial (N), com possibilidade de dimensões 400x200x10, aço com resistência
de flambagem em torno do eixo de maior inércia ao escoamento igual a 450 MPa, concreto com fck
(eixo x) e com uma imperfeição inicial geométrica igual a 50 MPa, sem armaduras e flambagem em
equivalente (ei = L/κ, onde κ é um número con- torno do eixo de maior inércia).
venientemente escolhido). O pilar então estará
1,10
submetido também ao momento fletor, M, igual 1,00

a Nei. Considerando que a imperfeição geométri- 0,90

ca equivalente seja representada por uma senóide, 0,80

pode-se demonstrar que o valor de segunda or-


0,70
N/Npl, Rd

0,60
dem da imperfeição (valor final ef) é dado por: 0,50

0,40

ei 0,30

ef = (4.66) 0,20

N 0,10
1−
Ne
0,00
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80 2,00
λ0 NBR
Eqv

onde Ne é a carga de Euler. Figura 4.15 – Comparação entre a curva da ABNT NBR
8800:2008 e a com imperfeição de L/350

Assim sendo, para cada comprimento do pilar, e Observou-se, nos estudos, que o valor de κ não
consequentemente para cada λ0, pode-se determi- é muito sensível às dimensões do perfil, mas é
nar a força de compressão axial resistente (utili- afetado pela resistência ao escoamento do aço de
zando-se um modelo similar ao Modelo de Cál- maneira similar ao dos pilares de aço. Os estudos
culo II, para perfis de aço). Variando-se λ0, tem-se mostraram ainda que, em pilares de seção tubular
a curva de resistência à compressão axial completa retangular, o valor de κ para flambagem em tor-
do perfil para um dado valor de κ, como mostrado no do eixo de menor inércia é ligeiramente maior
na Figura 4.15 (traço intermitente). Observa-se que que o valor para flambagem em torno do eixo de
o valor de κ em torno de L/350 conduz a uma boa maior inércia e intermediário para seções quadra-
representação da curva de resistência da ABNT NBR das e circulares. Além disso, constatou-se que o
8800:2008 (traço contínuo).Estudos mostram que o aumento da resistência à compressão do concreto
valor de κ não é sensível às dimensões do perfil, mas reduz de maneira pouco significativa o valor de κ.
é afetado pelo valor de fy do aço: quanto menor o Vale lembrar que no EN-1994:2010 o valor da
valor de fy, maior é o valor de κ.
230
imperfeição para esse tipo de seção, com taxa de
armadura não superior a 3%, é de L/300, corres- M x ,Sd M y ,Sd
pondente à curva a, ligeiramente inferior à curva + ≤ 1,0 (4.67-a)
da ABNT NBR 8800:2008. M x ,Rd M y ,Rd

Conclui-se, portanto, que os valores da imperfei-


ção geométrica equivalente adotada pela norma - Para NSd > Nc,Rd
brasileira, para cálculo de pilares mistos no mode-
lo II, não são adequados para reproduzir a curva N Sd − N c .Rd M x ,Sd M y ,Sd
de resistência à compressão axial de pilares mistos + + ≤ 1,0 (4.67-b)
tubulares e esse é o motivo da inconsistência en- N Rd − N c .Rd M x ,Rd M y ,Rd
contrada. Vale dizer que essa inconsistência ocorre
também para as demais seções mistas previstas na Onde Nc,Rd é a força axial de compressão de cál-
ABNT NBR 8800:2008. culo referente apenas à parcela do concreto, dada
1,10
pelo produto cNpl,c,Rd. As demais grandezas são
1,00 como já definidas anteriormente.
0,90

0,80
O diagrama de interação dado pelas expressões
0,70