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Aula 00

Direito Civil p/ OAB 1ª Fase XXVI Exame - Com videoaulas Professor: Paulo H M Sousa

00000000000 - DEMO

D IREITO C IVIL – OAB XXVI Teoria e Questıes Aula 00 – Prof. Paulo
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DIREITO CIVIL OAB XXVI

Teoria e Questıes Aula 00 Prof. Paulo H M Sousa

AULA 00

TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL:

PESSOAS E BENS

Sum·rio

Sum·rio

1

Direito Civil na Prova da OAB

3

Cronograma de Aulas

7

Metodologia do Curso

9

ApresentaÁ„o Pessoal

11

ConsideraÁıes Iniciais

12

1 - PESSOA

13

1.1 Pessoa e Sujeito

13

1.2

Personalidade e Capacidade

13

1.3 Incapacidade absoluta e relativa

15

1.4

EmancipaÁ„o

18

1.5 ExtinÁ„o da pessoa

20

1.6

AusÍncia e presunÁ„o de morte

20

1.7 ComoriÍncia

25

1.8 DomicÌlio

25

2. PESSOA JURÕDICA

27

2.1 PersonificaÁ„o

27

2.2 ClassificaÁ„o

29

2.3 Pessoas jurÌdicas em espÈcie

31

2.4 DesconsideraÁ„o da personalidade jurÌdica

34

3. DIREITOS DE PERSONALIDADE

36

3.1 CaracterÌsticas

36

3.2 Direitos especiais de personalidade no CC/2002

39

4. BENS

41

4.1

ClassificaÁ„o

41

Resumo da Aula

46

4.1 – ClassificaÁ„o 41 Resumo da Aula 46 Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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Lista de Questıes da Aula

57

ConsideraÁıes Finais

63

de Questıes da Aula 57 ConsideraÁıes Finais 63 Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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Direito Civil na Prova da OAB

Hoje vamos iniciar o nosso Curso de Direito Civil para o XXVI Exame da OAB, focado na prova objetiva, a ser realizada pela FGV data prov·vel de

29/07/2018.

N„o sei se vocÍ j· sabe, mas a FGV divulgou as datas das provas do Exame da OAB. Confira:

XXVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO •Edital: 29 de maio de 2018 •Prova 1™ fase: 29
XXVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO
•Edital: 29 de maio de 2018
•Prova 1™ fase: 29 de julho 2018
•Prova 2™ fase: 16 de setembro 2018
XXVII EXAME DE ORDEM UNIFICADO •Edital: 18 de setembro de 2018 •Prova 1™ fase: 18
XXVII EXAME DE ORDEM UNIFICADO
•Edital: 18 de setembro de 2018
•Prova 1™ fase: 18 de novembro 2018
•Prova 2™ fase: 20 de janeiro 2019

… hora de iniciar os estudos para a prova que est· chegando!

O Exame da OAB È composto por duas provas. A 1™ fase possui 80 questıes objetivas de m˙ltipla escolha, com quatro alternativas (A, B, C, D), dos mais variados conte˙dos jurÌdicos, estudados na graduaÁ„o.

Atualmente, essas questıes est„o distribuÌdas entre as seguintes disciplinas:

Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito do Trabalho, Direito Penal, Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Trabalho, Direito Internacional P˙blico, Direito Processual (Civil, Penal e do Trabalho), Direitos Humanos, CÛdigo do Consumidor, Estatuto da CrianÁa e do Adolescente, Direito Ambiental, Direito Internacional Privado, Filosofia do Direito, Estatuto da Advocacia, Regulamento Geral da OAB e CÛdigo de …tica e Disciplina da OAB.

No meio de tanta coisa, È de se destacar que o Direito Civil no XXV Exame, contou novamente com 7 questıes. O Direito Civil, portanto, corresponde a quase 10% da prova inteira!

E n„o sÛ. Se vocÍ analisar as disciplinas que s„o correlatas ao Direito Civil, essa matÈria se torna, praticamente, a mais importante do Exame. Por exemplo, mais abaixo vou falar sobre algumas estatÌsticas sobre a prova e vocÍ ver· que eu mencionarei que a parte de Responsabilidade Civil n„o È t„o forte na OAB. Por quÍ? Porque a Responsabilidade Civil aparece com muito mais frequÍncia nas provas de Direito do Consumidor e de Direito Administrativo. No entanto, a base est· aqui, no Direito Civil, daÌ a import‚ncia dessa disciplina. Veja alguns exemplos:

daÌ a import‚ncia dessa disciplina. Veja alguns exemplos: Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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a. Direito Empresarial: exige conhecimentos suficientes da Parte Geral (pessoa jurÌdica);

b. Direito Processual Civil: dispensa coment·rios!;

c. Direito Internacional Privado: toda a base est· na LINDB, importante tambÈm aqui;

d. Direito do Consumidor: Responsabilidade Civil e Contratos s„o imprescindÌveis;

e. Estatuto da CrianÁa e do Adolescente: sem Direito de FamÌlia, fica difÌcil estudar o ECA.

E qual a raz„o de tamanha import‚ncia para o Direito Civil? Pela extens„o da matÈria. Pra usar uma analogia r·pida, imagine qual é o “maior dos Códigos”. Assim, se vocÍ quer acertar as 7 questıes e carimbar seu sucesso em quase 10% da prova (e ajudar em outras tantas), o Direito Civil È imprescindÌvel!

Como fazer para saber o foco necess·rio para a prova? NÛs analisamos TODAS as questıes de TODOS os 25 Exames anteriores, de modo que vocÍ saiba no que se focar melhor. … possÌvel traÁar essas estatÌsticas de variados modos, mas vou usar um que alia a divis„o dos livros feita pela doutrina tradicional e a divis„o dos livros do prÛprio CC/2002:

a. Parte Geral

b. ObrigaÁıes

c. Contratos

d. Responsabilidade Civil

e. Coisas

f. FamÌlia

g. Sucessıes

(Parte Geral, Livros I, II e III); (Parte Especial, Livro I); (Parte Especial, Livro I); (Parte Especial, Livro I); (Parte Especial, Livro III); (Parte Especial, Livro IV); (Parte Especial, Livro V).

Com essa divis„o, chegamos ‡ seguinte conclus„o estatÌstica:

Parte Geral

40 30 20 10 0
40
30
20
10
0

Coisas

Sucessıes

ObrigaÁıes

Parte Geral 40 30 20 10 0 Coisas Sucessıes ObrigaÁıes FamÌlia Contratos Responsabilidade Civil Questıes da

FamÌlia

Contratos

Responsabilidade Civil

Questıes da 1™ Fase (I a XXV Exames)

Podemos observar desse gr·fico que as questıes aparecem um tanto quanto harmonicamente nas provas da OAB. H· um questionamento ligeiramente

nas provas da OAB. H· um questionamento ligeiramente Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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maior em dois temas: Contratos e Coisas. H· um questionamento evidentemente menor em Responsabilidade Civil. Isso se explica porque, como eu disse, geralmente as questıes que envolvem esse tema aparecem no Direito do Consumidor. Se unÌssemos as questıes de Direito do Consumidor (notadamente Contratos e Responsabilidade Civil), a Responsabilidade assumiria a dianteira juntamente com os Contratos.

Mais uma vez, a inconst‚ncia da FGV se mostrou sua const‚ncia. Como de h·bito, acertei em minhas previsıes. Veja:

Por isso, podemos esperar, no XIV Exame, uma prova mais desequilibrada, novamente, com um foco

Por isso, podemos esperar, no XIV Exame, uma prova mais desequilibrada, novamente,

com um foco especÌfico em algum “ramo”; espero, igualmente, uma questão certa – talvez duas?

com um foco especÌfico em algum “ramo”; espero, igualmente, uma questão certa – talvez duas? – de Responsabilidade Civil, já que ela anda meio de “escanteio” nas ˙ltimas provas. O Direito dos Contratos, grande campe„o das FGV, tambÈm deve

dos Contratos, grande campe„o das FGV, tambÈm deve aparecer novamente , mesmo que sem o mesmo

aparecer novamente, mesmo que sem o mesmo peso da prova do XXII Exame.

Dito e feito! No XXV Exame, realizado recentemente, tivemos uma prova bem “ desequilibrada ”,

Dito e feito! No XXV Exame, realizado recentemente, tivemos uma prova bem desequilibrada”, ao contrário da prova do XXIV Exame. O destaque ficou com o Direito das Sucessıes, mas principalmente a

Responsabilidade Civil, com duas questıes cada.

O destaque ficou com o Direito das Sucessıes, mas principalmente a Responsabilidade Civil, com duas questıes
Como eu disse, era de se esperar algum destaque ‡ Responsabilidade Civil. O Direito das

Como eu disse, era de se esperar algum destaque ‡ Responsabilidade Civil. O Direito das Sucessıes, tambÈm sempre escanteado, foi

destaque!

algum destaque ‡ Responsabilidade Civil. O Direito das Sucessıes, tambÈm sempre “ escanteado ” , foi

A FGV varia bastante, ora com provas mais focadas em um ou dois temas, ora com provas assim, “um pouco de tudo”:

XXV Exame da OAB 3 2 1 XXV Exame da OAB 0
XXV Exame da OAB
3
2
1
XXV Exame da OAB
0
de tudo” : XXV Exame da OAB 3 2 1 XXV Exame da OAB 0 Prof.
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Por isso,

podemos esperar, no XXVI Exame, uma prova mais equilibrada,

novamente. O Direito dos Contratos, grande campe„o das FGV, deve aparecer com forÁa novamente, bem como o Direito de FamÌlia. Talvez a FGV ainda invista em temas de Parte Geral, que andam meio esquecidos

nos ˙ltimos tempos

Assim, em vista das informaÁıes que levantamos desenvolveremos um Curso objetivo e direto, com base nos assuntos mais cobrados em prova.

e direto, com base nos assuntos mais cobrados em prova. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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Cronograma de Aulas

O nosso Curso compreender· 17 aulas, alÈm desta aula demonstrativa. Como vocÍs podem perceber as aulas s„o distribuÌdas para que possamos tratar cada um dos assuntos com tranquilidade, transmitindo seguranÁa a vocÍs para um excelente desempenho em prova.

AlÈm

disso,

teremos

3

aulas,

nas

quais

ser„o

disponibilizados

os

resumos para vocÍ.

Ou seja, no total, teremos 18 aulas, para que vocÍ possa

estudar de maneira programada e com tranquilidade.

As aulas todas ficar„o distribuÌdas conforme cronograma abaixo:

AULA

DATA

CONTE⁄DO

00

02/04/2018

Pessoas. Bens

01

24/04/2018

Fato jurÌdico. PrescriÁ„o

02

26/04/2018

ObrigaÁıes I

03

03/05/2018

ObrigaÁıes II

04

10/05/2018

Contratos I

05

15/05/2018

Contratos II

06

17/05/2018

Contratos III

07

24/05/2018

Responsabilidade Civil

08

31/05/2018

Direito das Coisas I

09

07/06/2018

Direito das Coisas II

10

12/06/2018

Direito das Coisas III

11

14/06/2018

Direito de FamÌlia I

12

19/06/2018

Direito de FamÌlia II

13

21/06/2018

Direito das Sucessıes I

14

28/06/2018

Direito das Sucessıes II

Extra 01

05/07/2018

Resumo I

das Sucessıes II Extra 01 05/07/2018 Resumo I Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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Extra 02

12/07/2018

Resumo II

Extra 03

19/07/2018

Resumo III

Eventuais ajustes de cronograma poder„o ser realizados por questıes did·ticas e ser„o sempre informados com antecedÍncia.

did·ticas e ser„o sempre informados com antecedÍncia. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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Metodologia do Curso

Vistos esses aspectos iniciais referentes ao exame, vamos tecer algumas observaÁıes prÈvias importantes a respeito do nosso Curso:

PRIMEIRA, como a disciplina e conte˙do s„o vastos vamos priorizar os assuntos mais recorrentes e importantes para a prova. Desse modo, os conceitos e informaÁıes apresentados ser„o objetivos e diretos, visando ‡ resoluÁ„o de provas objetivas.

SEGUNDA, ser„o utilizadas, ao longo do curso, as questıes anteriores da FGV. Como temos mais de uma centena de questıes, nos focaremos ˙nica e exclusivamente nas questıes da OAB, sem a necessidade de recorrer a outras provas. NOSSO INTUITO SER£, PORTANTO, FOCAR EXCLUSIVAMENTE NO EXAME DA OAB PARA QUE SUA PREPARA« O SEJA 100%!

… bom registrar que todas as questıes do material ser„o comentadas de forma analÌtica. Sempre explicaremos o porquÍ de a assertiva estar correta ou incorreta. Isso È relevante, pois o aluno poder· analisar cada uma delas, perceber eventuais erros de compreens„o e revisar os assuntos tratados.

TERCEIRA, os conte˙dos desenvolvidos observar„o a doutrina mais abalizada ‡ prova atualmente. AlÈm disso, dado o conte˙do exigido nas questıes, levaremos em consideraÁ„o especialmente a legislaÁ„o pertinente e, se necess·rio, o posicionamento dos tribunais superiores, notadamente do STJ, a respeito dos temas. Essa È a nossa proposta!

As aulas em .pdf tÍm por caracterÌstica essencial a did·tica. Vamos abordar assuntos doutrin·rios, legislativos e jurisprudenciais com objetividade, priorizando a clareza, para facilitar a absorÁ„o.

Isso, contudo, n„o significa superficialidade. Pelo contr·rio, sempre que necess·rio e importante os assuntos ser„o aprofundados de acordo com o nÌvel de exigÍncia das provas anteriores.

Para tanto, o material ser· permeado de esquemas, gr·ficos informativos, resumos, figuras, tudo com o fito de “chamar atenção” para os conteúdos que possuem relevância para a prova. Sempre que houver uma “corujinha” no material redobre a atenÁ„o.

Sugere-se acompanhar as aulas com a legislaÁ„o pertinente. Citaremos, por razıes Ûbvias, apenas os dispositivos mais relevantes, dado o volume enorme de legislaÁ„o que existe no Direito Civil.

Outro aspecto muito importante dos nossos cursos È a possibilidade de contato direto e permanente com o Professor. Temos um fÛrum de d˙vidas, por intermÈdio do qual o aluno poder· manter contato com o Professor. Durante o estudo dos materiais, podem surgir d˙vidas ou dificuldades de compreens„o. … direito do aluno e dever do Professor atendÍ-lo.

Foco, objetividade e did·tica conduzir„o todo o nosso curso.

objetividade e did·tica conduzir„o todo o nosso curso. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
objetividade e did·tica conduzir„o todo o nosso curso. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
DOCARACTERÕSTICAS CURSO D IREITO C IVIL – OAB XXVI Teoria e Questıes Aula 00 –

DOCARACTERÕSTICAS

CURSO

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Destaque das principais aspectos de cobranÁa em prova.

UtilizaÁ„o de recursos did·ticos (esquemas, quadros, resumos, gr·ficos).

Questıes comentadas analÌticamente.

Material objetivo

FÛrum de D˙vidas

Por fim, nossas aulas seguir„o uma estrutura padronizada. Haver· uma parte inicial, onde abordaremos os assuntos que ser„o tratados, informaÁıes sobre aulas passadas (tais como esclarecimentos, correÁıes etc.) e informaÁıes sobre o andamento do Exame. Em seguida, teremos a parte teÛrica da aula, permeadas por questıes.

Por fim, alÈm da lista de questıes apresentadas, faremos o fechamento da aula, com sugestıes para a revis„o e dicas de estudo.

Vejamos a estrutura das aulas:

CONSIDERA«’ES INICIAIS AULA CONSIDERA«’ES FINAIS
CONSIDERA«’ES
INICIAIS
AULA
CONSIDERA«’ES
FINAIS

ObservaÁıes sobre aulas passadas, eventuais ajustes e assuntos a serem estudados

Teoria, questıes comentadas, esquemas e gr·ficos explicativos, legislaÁ„o pertinente, doutrina e jurisprudÍncia

Dicas e sugestıes de estudo e informaÁıes sobre a prÛxima aula.

sugestıes de estudo e informaÁıes sobre a prÛxima aula. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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ApresentaÁ„o Pessoal

Por fim, fica uma breve apresentaÁ„o pessoal. Se vocÍ ainda n„o sabe, meu nome È Paulo H M Sousa. Tenho GraduaÁ„o, Mestrado e Doutorado em Direito pela Universidade Federal do Paran· (UFPR). Fui, durante o Doutorado, Visiting Researcher no Max-Planck-Institut f¸r ausl‰ndisches und internationales Privatrecht, em Hamburgo/Alemanha.

Estou envolvido com concursos j· h· bastante tempo e desde os tempos da faculdade transito pelo Direito Privado. Estudo o Direito Civil h· mais de uma dÈcada; sou um civilista nato!

N„o sÛ um civilista nato, mas tambÈm um professor nato. ExerÁo a advocacia desde que fui aprovado na OAB e, apesar de ter sido aprovado e convocado em concurso de provas e tÌtulos para Procurador Municipal de Colombo/PR, n„o cheguei a assumir o cargo. No entanto, a docÍncia vem desde os tempos do Ensino MÈdio, quando j· ensinava matem·tica e fÌsica (pois È!) em aulas de reforÁo. Na faculdade fui monitor e, ainda no Mestrado, ingressei bem jovem na docÍncia em NÌvel Superior.

Essas s„o, para quem me conhece, minhas paixıes profissionais: o Direito Civil e a docÍncia! Atualmente, sou professor de Direito Civil, aprovado em concurso de provas e tÌtulos, na Universidade Estadual do Oeste do Paran·, a UNIOESTE, no campus de Foz do IguaÁu. Aqui no EstratÈgia, leciono Direito Civil, Direito Processual Civil e LegislaÁ„o Civil Especial (ou seja, sÛ Civil!).

Quanto ao EstratÈgia OAB, sou o respons·vel pelo Direito Civil tanto na 1™ Fase quanto na 2™ Fase, quando leciono Direito Civil Material e Processual, alÈm de Consumidor e CrianÁa e Adolescente. Fui aprovado num dos primeiros exames nacionais da OAB/FGV, em 2010, quando ele ainda n„o era totalmente unificado e o Paran· era conhecido pelas altas taxas de reprovaÁ„o.

AlÈm das minhas redes sociais, que est„o no rodapÈ da p·gina, deixo tambÈm meu e-mail, para eventual contato, e lembro que vocÍ tem acesso irrestrito ao FÛrum de D˙vidas:

prof.phms@gmail.comque vocÍ tem acesso irrestrito ao FÛrum de D˙vidas: FÛrum de D˙vidas do Portal do Aluno

FÛrum de D˙vidas do Portal do Alunoacesso irrestrito ao FÛrum de D˙vidas: prof.phms@gmail.com Agora È hora de comeÁar seus estudos. Direito Civil

Agora È hora de comeÁar seus estudos. Direito Civil e ponto!

È hora de comeÁar seus estudos. Direito Civil e ponto! Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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AULA 00 TEORIA GERAL DO DIREITO CIVIL:

PESSOAS E BENS

ConsideraÁıes Iniciais

Na aula de hoje tratarei vamos tratar dos conceitos iniciais de Direito Civil, com algumas noÁıes introdutÛrias importantes para a compreens„o da Parte Geral do CÛdigo.

AlÈm dos conceitos mais abrangentes, passaremos pelas noÁıes que formam a base de compreens„o dos demais institutos de Direito Civil, que costumam cair com grande frequÍncia nas provas. Embora pareÁa apenas introdutÛria, esta aula representa parcela significativamente importante da matÈria, com a abordagem de temas exigidos em provas anteriores de Exame de Ordem, frequentemente.

SÛ para vocÍ ver, nos ˙ltimos 25 Exames, tivemos 27 questıes envolvendo o tema “Parte Geral. Algumas delas, inclusive, foram bastante exigentes, para o nÌvel esperado de uma prova da OAB, por isso, fique atento!

Vale mencionar que na ˙ltima prova objetiva, a do XXV Exame, n„o tivemos questıes sobre a Parte Geral, mas nas provas do XXIII e do XIV Exames, sim. Por isso, È de se esperar questıes sobre isso no XXVI Exame!

isso, È de se esperar questıes sobre isso no XXVI Exame! Prof. Paulo H M Sousa
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1 - PESSOA

1.1 Pessoa e Sujeito

O termo “pessoa” vem do latim persona, que era a m·scara teatral utilizada para empostar a voz durante a apresentaÁ„o. Na perspectiva positivista, ser humano e pessoa s„o conceitos distintos, ainda que tenham um espaÁo de confus„o.

… possÌvel, portanto, haver pessoa que n„o È ser humano e ser humano que

n„o È pessoa. Como? A resposta ‡ primeira parte da pergunta ainda pode ser dada atualmente. Uma empresa, apenas de n„o ser humana, È considera uma pessoa. A resposta ‡ segunda parte da pergunta j· n„o È mais possÌvel, dado o

fim da escravid„o. PorÈm, atÈ 1888, determinados seres humanos n„o eram considerados pessoas, mas bens.

Mas, o que È ser humano? A resposta a essa pergunta n„o est· no mundo jurÌdico, porque esse conceito n„o È um conceito jurÌdico, È um conceito biolÛgico, mÈdico e histÛrico-sociolÛgico.

O Direito Civil, portanto, n„o se preocupa com essa divis„o entre humano e n„o-humano, mas com outra distinÁ„o: sujeitos e objetos. AÌ È que o conceito de Pessoa JurÌdica pode ser entendido, pois somente as pessoas s„o consideradas sujeitos, ainda quando n„o sejam humanas.

Cria-se, assim, a categoria de sujeito de direito: “Sujeito de direito È quem participa da relaÁ„o jurÌdica, sendo titular de direitos e deveres”. Esse conceito da doutrina parte do art. 1º do CC/2002, que estabelece que “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”.

A pessoa, portanto, È um estado jurÌdico de potÍncia em relaÁ„o ao direito, ou

seja, a possibilidade de ser titular de direitos e obrigaÁıes. N„o h·, portanto,

um sujeito sem direitos ou direitos sem sujeito que os titularize, por lÛgica. Atualmente, porÈm, a tendÍncia È confundir os conceitos, pois todo ser humano È tambÈm pessoa e, consequentemente, sujeito de direito.

È tambÈm pessoa e, consequentemente, sujeito de direito. Pessoa Pessoa S e r h u m

Pessoa

Pessoa
Pessoa
Pessoa

Pessoa

Pessoa
Pessoa
Pessoa

Ser humano

Coisa/Bem

FÌsica/Naturaldireito. Pessoa Pessoa S e r h u m a n o Coisa/Bem J u r

J u r Ì d i c a JurÌdica

Sujeito de

Direito

FÌsica/Natural J u r Ì d i c a Sujeito de Direito 1.2 – Personalidade e

1.2 Personalidade e Capacidade

A personalidade é “a possibilidade de alguém participar de relações jurÌdicas decorrente de uma qualidade inerente ao ser humano, que o

decorrente de uma qualidade inerente ao ser humano, que o Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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torna titular de direitos e deveres”. 1 Segundo Francisco Amaral, a capacidade È, portanto, uma qualidade intrÌnseca da pessoa.

O autor parte da concepÁ„o naturalista, lecionando que a personalidade È uma qualidade intrÌnseca, prÛpria, do ser humano. Se partirmos da concepÁ„o formalista, a qualificaÁ„o jurÌdica que transforma o ser humano em pessoa È exatamente a personalidade.

Assim, podemos dizer que a personalidade È a sombra de um ser humano projetado atravÈs de um vidro e esse vidro È o Direito. A personalidade È, assim, um valor, um princÌpio jurÌdico fundamental.

Ser humano

um valor, um princÌpio jurÌdico fundamental. Ser humano ConcepÁ„o naturalista Personalidade Ser humano Pessoa

ConcepÁ„o naturalista

Personalidade Ser humano Pessoa
Personalidade
Ser humano
Pessoa

ConcepÁ„o formalista

Personalidade Ser humano Pessoa ConcepÁ„o formalista Personalidade Pessoa De outro lado temos a capacidade. …

Personalidade

Ser humano Pessoa ConcepÁ„o formalista Personalidade Pessoa De outro lado temos a capacidade. … possÌvel que

Pessoa

De outro lado temos a capacidade. … possÌvel que alguÈm tenha personalidade, mas n„o plena capacidade; ou, ao contr·rio, que alguÈm tenha capacidade sem plena personalidade. No primeiro caso temos os menores de 16 anos, que tÍm personalidade, mas n„o tÍm capacidade, segundo estabelece o art. 3 , inc. do CC/2002. J· no segundo caso temos as Pessoas JurÌdicas, que tÍm plena capacidade, mas n„o tem plena personalidade, especialmente em relaÁ„o aos direitos de personalidade que s„o prÛprios das pessoas humanas (direito de disposiÁ„o do corpo, direito de voz, direito ‡ liberdade religiosa etc.)

A capacidade È a medida da personalidade. Pode-se fazer uma analogia com um copo: a personalidade È o copo, a capacidade È a marcaÁ„o desse copo. Alguns tÍm um copo pequeno, com poucas marcaÁıes de medida e pouca capacidade; outros possuem um copo grande, com muitas marcaÁıes e grande capacidade.

Por isso, pode-se ser mais ou menos capaz, mas nunca mais ou menos pessoa. A capacidade é “manifestação do poder de ação implícito no conceito de personalidade”. 2

1 Segundo AMARAL, Francisco. Direito Civil: introduÁ„o. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2014. 2 Segundo AMARAL, Francisco. Direito Civil: introduÁ„o. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2014.

: introduÁ„o. 8 ª Ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2014. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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XXVI Teoria e Questıes Aula 00 – Prof. Paulo H M Sousa Personalidade Capacidade 1.3 –
XXVI Teoria e Questıes Aula 00 – Prof. Paulo H M Sousa Personalidade Capacidade 1.3 –

Personalidade

Questıes Aula 00 – Prof. Paulo H M Sousa Personalidade Capacidade 1.3 – Incapacidade absoluta e

Capacidade

1.3 Incapacidade absoluta e relativa

Determinada pessoa pode ter capacidade jurÌdica, mas È faticamente limitada, em todos os sentidos. Nesses casos, a incapacitaÁ„o È absoluta, pelo que nenhum ato pode ser praticado, sob pena de nulidade. Os dois elementos limitadores da capacidade s„o a idade e a sa˙de.

Temos aqui uma importe e recente modificaÁ„o da legislaÁ„o civil trazida pela Lei 13.146/2015, a Lei Brasileira de Inclus„o da Pessoa com DeficiÍncia, ou Estatuto da Pessoa com DeficiÍncia. Por quÍ o Estatuto È relevante? Porque trouxe profundas alteraÁıes no CC/2002 em matÈria de capacidade e h· grande chance de que essa novidade seja explorada no seu Exame, por isso, toda atenÁ„o aqui!

O antigo art. 3 estabelecia trÍs casos de incapacidade absoluta, veja sÛ:

estabelecia trÍs casos de incapacidade absoluta, veja sÛ: I - os menores de dezesseis anos; II

I - os menores de dezesseis anos;

II -

discernimento para a pr·tica desses atos;

III - os que, mesmo por causa transitÛria, n„o puderem exprimir sua vontade.

o

os

que,

por

enfermidade

ou

deficiÍncia

mental,

n„o

tiverem

necess·rio

PorÈm, o novo art. 3 limita a incapacidade absoluta aos menores de 16 anos apenas. No caso de incapacidade absoluta, h· a representaÁ„o do incapaz pelos pais, tutores ou curadores, que exercem os atos em nome da pessoa. Em geral, os pais ser„o os representantes do menor, por facilidade. Eventualmente, porÈm, na ausÍncia dos pais, o absolutamente incapaz, por conta da idade (art. 3 , inc. I), ser· representado pelo tutor.

J· na incapacidade relativa a limitaÁ„o È parcial, pois se entende que o discernimento È maior. O art. 4 , igualmente modificado pelo Estatuto da Pessoa com DeficiÍncia, estabelece quais s„o os casos de incapacidade relativa:

estabelece quais s„o os casos de incapacidade relativa: I - os maiores de dezesseis e menores

I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos (foram retirados “os que, por deficiÍncia mental, tenham o discernimento reduzido”);

III - aqueles que, por causa transitÛria ou permanente, n„o puderem exprimir sua

vontade;

ou permanente, n„o puderem exprimir sua vontade; Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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IV - os prÛdigos.

ATEN« O ESPECIAL!!! O inc. III do art. 4 fala daqueles que, por causa transitÛria ou permanente, n„o puderem exprimir sua vontade. Antes do Estatuto da Pessoa com DeficiÍncia essa situaÁ„o se enquadrava na incapacidade absoluta; agora se trata de uma causa de incapacidade relativa!

As pessoas com deficiÍncia, inclusive, n„o tÍm mais limitaÁ„o ao testemunho. O art. 228, incs. II e III, do CC/2002 n„o admitia como testemunhas aqueles que, por enfermidade ou retardamento mental, n„o tinham discernimento para a pr·tica dos atos da vida civil e os cegos e surdos, quando a ciÍncia do fato que se quer provar dependa dos sentidos que lhes faltam. Essas limitaÁıes deixaram de existir e a avaliaÁ„o sobre o testemunho depende da an·lise judicial acerca das possibilidades especÌficas de cada pessoa.

Como ele far· isso? O ß1 estabelece que para a prova de fatos que sÛ elas conheÁam, pode o juiz admitir o depoimento das pessoas a que se refere este artigo. Nesse caso, diz o ß2 , a pessoa com deficiÍncia poder· testemunhar em igualdade de condiÁıes com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos de tecnologia assistiva.

Mas, e como ficou a quest„o da capacidade das pessoas com deficiÍncias depois da Lei n . 13.146/2015, o Estatuto da Pessoa com DeficiÍncia? Primeiro, vocÍ tem de entender que o objetivo do Estatuto È dar paridade de status ‡s pessoas com deficiÍncia. Tais pessoas n„o passam mais, a partir da vigÍncia da Lei, a se submeterem ao regime geral da tutela e curatela, tÌpico dos relativa e absolutamente incapazes.

O Estatuto reconhece, em seu art. 6 , que a deficiÍncia n„o afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:

afeta a plena capacidade civil da pessoa , inclusive para: I - casar-se e constituir uni„o

I - casar-se e constituir uni„o est·vel;

II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;

III - exercer o direito de decidir sobre o n˙mero de filhos e de ter acesso a informaÁıes

adequadas sobre reproduÁ„o e planejamento familiar;

IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilizaÁ„o compulsÛria;

V - exercer o direito ‡ famÌlia e ‡ convivÍncia familiar e comunit·ria; e

VI - exercer o direito ‡ guarda, ‡ tutela,

‡ curatela e ‡ adoÁ„o,

adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

como adotante ou

Em outras palavras, o Estatuto reconhece que as pessoas com deficiÍncia necessitam tomar suas decisıes autonomamente, mas com apoio especial daqueles que lhes apoiam, permanecendo intacto o princÌpio da dignidade humana, previsto na ConstituiÁ„o Federal, e estampado no art. 4 da Lei.

Para isso, È necess·rio avaliar a deficiÍncia da pessoa em quest„o, considerando, conforme estabelece o art. 2 do Estatuto:

I - os impedimentos nas funÁıes e nas estruturas do corpo;

II - os fatores socioambientais, psicolÛgicos e pessoais;

II - os fatores socioambientais, psicolÛgicos e pessoais; Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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III - a limitaÁ„o no desempenho de atividades; e

IV - a restriÁ„o de participaÁ„o.

Apenas quando necess·rio for a pessoa com deficiÍncia ser· submetida ‡ curatela, nos termos do art. 84, ß1 do Estatuto, que constitui medida protetiva extraordin·ria, proporcional ‡s necessidades e ‡s circunst‚ncias de cada caso, que deve durar o menor tempo possÌvel, conforme estabelece o ß3 do mesmo artigo. Extraordin·ria que È, na sentenÁa devem constar as razıes e motivaÁıes de sua definiÁ„o, preservados os interesses do curatelado (art. 85, ß2 )

Veja-se que, de maneira bastante interessante, o art. 1.768, inc. IV do CC/2002 permite que a prÛpria pessoa a pessoa com deficiÍncia tem legitimidade ativa para promover o processo que estabelece os termos da curatela. … o reconhecimento de que a pessoa tem capacidade suficiente inclusive para esclarecer quais s„o os limites do exercÌcio de sua capacidade para os atos negociais e patrimoniais.

Esse processo de tomada de decis„o apoiada foi instituÌdo pela criaÁ„o do CapÌtulo III, que estabelece, no art. 1.783-A do CC/2002 que estabelece, em seus 11 par·grafos, a chamada “tomada de decisão apoiada”, que é “é o processo pelo qual a pessoa com deficiÍncia elege pelo menos 2 (duas) pessoas idÙneas, com as quais mantenha vÌnculos e que gozem de sua confianÁa, para prestar-lhe apoio na tomada de decis„o sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os elementos e informaÁıes necess·rios para que possa exercer sua capacidade.”

Os relativamente incapazes n„o s„o representados, seja por tutor, seja por curador, como os absolutamente incapazes. Eles s„o assistidos, o que consiste na intervenÁ„o conjunta do assistente e do assistido para a pr·tica do ato.

do assistente e do assistido para a pr·tica do ato. Quest„o 44 – XVI Exame da
do assistente e do assistido para a pr·tica do ato. Quest„o 44 – XVI Exame da

Quest„o 44 XVI Exame da OAB

O Estatuto da CrianÁa e do Adolescente estabelece que pessoas com atÈ doze anos de idade incompletos s„o consideradas crianÁas e aquelas entre doze e dezoito anos incompletos, adolescentes. Estabelece, ainda, o Art. 2º, parágrafo único, que “Nos casos expressos em lei, aplica excepcionalmente este Estatuto ‡s pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade”. Partindo da análise do caráter etário descrito no enunciado, assinale a afirmativa correta.

C) O texto destacado no par·grafo ˙nico desarmoniza regra do CÛdigo Civil de 2002 que estabelece que a maioridade civil d·-se aos dezoito anos; por esse motivo, a regra indicada no enunciado n„o tem mais aplicabilidade no ‚mbito civil.

Coment·rios

tem mais aplicabilidade no ‚mbito civil. Coment·rios Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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Essa, a rigor, n„o È uma quest„o de Direito Civil, mas de ECA. Ainda assim, o item C È bastante importante para nÛs.

A alternativa C est· correta, pois essa regra era pensada para o CC/1916, cuja maioridade plena sÛ ocorria aos 21 anos. Assim, o ECA era aplic·vel, excepcionalmente, ‡s situaÁıes de maioridade, j· que a pessoa entre 18 e 21 anos era relativamente incapaz, ainda, para o CC/2002, mas j· n„o mais adolescente, mas adulto, para o ECA.

1.4 EmancipaÁ„o

A lei civil permite que o incapaz, em determinas situaÁıes, atinja a plena capacidade ainda que se inclua nos casos de incapacidade, por se entender que, apesar de lhe faltar a idade necess·ria, atingiu maturidade suficiente. A emancipaÁ„o, assim, È a aquisiÁ„o da plena capacidade antes da idade legal.

Quando isso ocorre? Segundo o art. 5 , par·grafo ˙nico, nas seguintes hipÛteses:

I - pela concess„o dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento

p˙blico, independentemente de homologaÁ„o judicial, ou por sentenÁa do juiz, ouvido o

tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;

II - pelo casamento;

III - pelo exercÌcio de emprego p˙blico efetivo;

IV - pela colaÁ„o de grau em curso de ensino superior;

V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existÍncia de relaÁ„o de emprego,

desde que, em funÁ„o deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia

prÛpria.

menor com dezesseis anos completos tenha economia prÛpria.   Quest„o 39 – X Exame da OAB
 

Quest„o 39 X Exame da OAB

Gustavo completou 17 anos de idade em janeiro de 2010. Em marÁo de 2010 colou grau em curso de ensino mÈdio. Em julho de 2010 contraiu matrimÙnio com Beatriz. Em setembro de 2010, foi aprovado em concurso p˙blico e iniciou o exercÌcio de emprego p˙blico efetivo. Por fim, em novembro de 2010, estabeleceu-se no comÈrcio, abrindo um restaurante. Assinale a alternativa que indica o momento em que se deu a cessaÁ„o da incapacidade civil de Gustavo.

A)

No momento em que iniciou o exercÌcio de emprego p˙blico efetivo.

B)

No momento em que colou grau em curso de ensino mÈdio.

C)

No momento em que contraiu matrimÙnio.

D)

No momento em

que se estabeleceu no comÈrcio, abrindo um

restaurante.

Coment·rios

 
abrindo um restaurante. Coment·rios   Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO 18
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Essa era uma quest„o que exigia que vocÍ decorasse as situaÁıes nas quais alguÈm pode se emancipar. Lembra?

A alternativa A est· incorreta, pois apesar de a situaÁ„o retratar uma causa

da emancipaÁ„o, h· outra causa prÈvia, ter ele j· contraÌdo matrimÙnio (art. 5 , inc. II).

A alternativa B est· incorreta, pois a emancipaÁ„o ocorre quando se cola grau

no ensino superior (art. 5 , inc. IV)

A alternativa C est· correta, pois contrair matrimÙnio permite a emancipaÁ„o

(art. 5 , inc. II)

A alternativa D est· incorreta, pois apesar de a situaÁ„o retratar uma causa

da emancipaÁ„o, h· outra causa prÈvia, o exercÌcio de emprego p˙blico (art.

5 , inc. III).

0

 

Quest„o 37 XVI Exame da OAB

Os tutores de JosÈ consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necess·rios para praticar os atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipaÁ„o. Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido:

A)

JosÈ poder· ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do

tutor sobre as condiÁıes do tutelado.

B) JosÈ poder· ser emancipado via instrumento p˙blico, sendo desnecess·ria a homologaÁ„o judicial.

C) JosÈ poder· ser emancipado via instrumento p˙blico ou particular, sendo necess·rio procedimento judicial.

D)

JosÈ poder· ser emancipado por instrumento p˙blico, com averbaÁ„o no

registro de pessoas naturais.

Coment·rios

 

Essa era uma quest„o que exigia que vocÍ decorasse as situaÁıes nas quais alguÈm pode se emancipar. Lembra?

A

alternativa A est· correta, pois a emancipaÁ„o do menor ainda incapaz pode

ser feita com intervenÁ„o judicial pelo tutor (art. 5 , inc. I).

A

alternativa B est· incorreta, pois somente os pais podem emancipar os

filhos ainda incapazes, sem intervenÁ„o judicial, mas n„o o tutor (art. 5 , inc. I).

A

alternativa C est· incorreta, pois a emancipaÁ„o n„o pode ser feita por

instrumento particular (art. 5 , inc. I).

A

alternativa D est· incorreta, pois somente os pais podem emancipar os

filhos ainda incapazes, sem intervenÁ„o judicial, mas n„o o tutor (art. 5 , inc.

I).

judicial, mas n„o o tutor (art. 5 , inc. I). Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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1.5 ExtinÁ„o da pessoa

Em realidade, o fim da pessoa significa o fim de sua capacidade. De acordo com o art. 6 do CC/2002, ela termina, no caso da pessoa natural, com

a morte. A extinÁ„o da pessoa jurÌdica tem regimento prÛprio, como veremos

mais adiante. Mais uma vez, assim como o termo ser humano, o termo morte È um conceito que n„o pertence ao Direito.

O que significa morte È, atualmente, um conceito mÈdico, de morte encef·lica,

ou seja, a cessaÁ„o da atividade cerebral atestada por mÈdico. Por isso, atualmente, a morte sempre deve ser estabelecida mediante atestado de morte, segundo o art. 9 , inc. I do CC/2002.

1.6 AusÍncia e presunÁ„o de morte

Em algumas situaÁıes, a pessoa n„o pode ter sua morte atestada por mÈdico, porque n„o se sabe se ela morreu, com absoluta certeza. AÌ È que entram as situaÁıes de ausÍncia e presunÁ„o de morte. A ausÍncia È estabelecida pelo art. 22 do CC/2002:

Art. 22. Desaparecendo uma pessoa do seu domicÌlio sem dela haver notÌcia, se n„o houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens, o juiz, a requerimento de qualquer interessado ou do MinistÈrio P˙blico, declarar· a ausÍncia, e nomear-lhe-· curador.

Art. 23. TambÈm se declarar· a ausÍncia, e se nomear· curador, quando o ausente deixar mandat·rio que n„o queira ou n„o possa exercer ou continuar o mandato, ou se os seus poderes forem insuficientes.

Em outras palavras, a ausÍncia ocorre quando a pessoa desaparece do domicÌlio sem deixar representante, havendo d˙vida quanto a sua existÍncia. Nesse caso, segundo tal artigo, instaura-se um processo para que possa o juiz decretar a ausÍncia. Esse processo È regulado pelo CC/2002 e pelo CPC. Como?

Primeiro, o juiz vai mandar arrecadar os bens do ausente e nomear um curador, que ser·, segundo o art. 25, prioritariamente, o cÙnjuge do ausente, sempre

que n„o estejam separados judicialmente, ou de fato por mais de dois anos antes da declaraÁ„o da ausÍncia. Caso n„o tenha cÙnjuge, ou seja, j· separado,

a curadoria dos bens do ausente ficar· a cargo dos pais, segundo o ß1 .

Se o ausente n„o tiver pais, ser„o seus descendentes nomeados, primeiro os mais prÛximos e depois os mais distantes. Ou seja, primeiro verifica se tem filhos, se n„o tiver, ser„o nomeados os netos. Por fim, se n„o tiver nenhuma dessas pessoas, o juiz nomeia o curador (ß3 )

Para facilitar sua compreens„o, eis um quadro que resume o procedimento todo:

compreens„o, eis um quadro que resume o procedimento todo: Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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Desaparecimento

NomeaÁ„o de Curador

ArrecadaÁ„o dos bens

NomeaÁ„o de Curador ArrecadaÁ„o dos bens Publica editais por 1 ano Se n„o reaparece, abertura da
NomeaÁ„o de Curador ArrecadaÁ„o dos bens Publica editais por 1 ano Se n„o reaparece, abertura da
NomeaÁ„o de Curador ArrecadaÁ„o dos bens Publica editais por 1 ano Se n„o reaparece, abertura da

Publica editais por 1 ano

Se n„o reaparece, abertura da Sucess„o ProvisÛria

CitaÁ„o dos herdeiros e do Curador

Sucess„o ProvisÛria CitaÁ„o dos herdeiros e do Curador HabilitaÁ„o dos herdeiros SentenÁa determinando a
Sucess„o ProvisÛria CitaÁ„o dos herdeiros e do Curador HabilitaÁ„o dos herdeiros SentenÁa determinando a
Sucess„o ProvisÛria CitaÁ„o dos herdeiros e do Curador HabilitaÁ„o dos herdeiros SentenÁa determinando a

HabilitaÁ„o dos herdeiros

SentenÁa determinando a

abertura da Sucess„o

ProvisÛria (6 meses depois)

Se ninguÈm requisitar em 30 dias a abertura do Invent·rio, vira heranÁa jacente (bens vagos)

abertura do Invent·rio, vira heranÁa jacente (bens vagos) Convers„o em Sucess„o Definitiva: certeza de morte, 10
abertura do Invent·rio, vira heranÁa jacente (bens vagos) Convers„o em Sucess„o Definitiva: certeza de morte, 10
abertura do Invent·rio, vira heranÁa jacente (bens vagos) Convers„o em Sucess„o Definitiva: certeza de morte, 10

Convers„o em Sucess„o

Definitiva: certeza de morte, 10 anos da abertura da

ProvisÛria ou se o ausente

for maior de 80 anos e passados 5 anos do sumiÁo

ausente for maior de 80 anos e passados 5 anos do sumiÁo Se regressa nos 10

Se regressa nos 10 anos seguintes, retoma os bens no estado em que se encontram

anos seguintes, retoma os bens no estado em que se encontram Se n„o regressa, termina a

Se n„o regressa, termina a Sucess„o Definitiva e n„o pode mais reclamar nada, ainda que retorne

Se, nesses 10 anos, o ausente n„o regressar e nenhum interessado promover a sucess„o definitiva, os bens arrecadados passar„o ao domÌnio p˙blico do MunicÌpio, Distrito Federal ou da Uni„o, a depender de sua localizaÁ„o (art. 39, par·grafo ˙nico do CC/2002).

sua localizaÁ„o (art. 39, par·grafo ˙nico do CC/2002). Quest„o 35 – IV Exame da OAB Rodolfo,

Quest„o 35 IV Exame da OAB

Rodolfo, brasileiro, engenheiro, solteiro, sem ascendentes ou descendentes, desapareceu de seu domicÌlio h· 11 (onze) meses e atÈ ent„o n„o houve qualquer notÌcia sobre seu paradeiro. Embora tenha desaparecido, deixou Lisa, uma amiga, como mandat·ria para a finalidade de administrar-lhe os bens. Todavia, por motivos de ordem pessoal, Lisa n„o quis exercer os poderes outorgados por Rodolfo em seu favor, renunciando expressamente ao mandato. De acordo com os dispositivos que regem o instituto da ausÍncia, assinale a alternativa correta.

o instituto da ausÍncia, assinale a alternativa correta. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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(A)

O juiz n„o poder· declarar a ausÍncia e nomear curador para Rodolfo,

pois Lisa n„o poderia ter renunciado o mandato outorgado em seu favor, j· que sÛ estaria autorizada a fazÍ-lo em caso de justificada impossibilidade ou de constatada insuficiÍncia de poderes.

(B)

A ren˙ncia ao mandato, por parte de Lisa, era possÌvel e, neste caso, o

juiz determinar· ao MinistÈrio P˙blico que nomeie um curador encarregado de gerir os bens do ausente, observando, no que for aplic·vel, o disposto a respeito dos tutores e curadores.

(C)

Os credores de obrigaÁıes vencidas e n„o pagas de Rodolfo, decorrido

1 (um) ano da arrecadaÁ„o dos bens do ausente, poder„o requerer que se determine a abertura de sua sucess„o provisÛria.

(D) Poder· ser declarada a sucess„o definitiva de Rodolfo 10 (dez) anos depois de passada em julgado a sentenÁa que concedeu a sucess„o provisÛria, mas, se nenhum interessado promover a sucess„o definitiva, nesse prazo, os bens porventura arrecadados dever„o ser doados a entidades filantrÛpicas localizadas no municÌpio do ˙ltimo domicÌlio de Rodolfo.

Coment·rios

 

A

alternativa A est· incorreta, pois o mandat·rio pode renunciar ao mandato a

qualquer tempo, sendo desnecess·ria qualquer justificativa (art. 23).

A

alternativa B est· incorreta, pois o juiz n„o pedir· ao MP para nomear o

curador, mas nomear· ele mesmo (art. 25, ß3 )

A

alternativa C est· correta, pois se publicados editais por um ano e o ausente

n„o retorna, podem os interessados proceder ‡ abertura da sucess„o provisÛria. Esses interessados s„o: o cÙnjuge n„o separado judicialmente; os herdeiros presumidos, legÌtimos ou testament·rios; os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte; os credores de obrigaÁıes vencidas e n„o pagas (art. 27, inc. IV).

A alternativa D est· incorreta, pois os bens do ausente, em caso de inexistÍncia de parentes, passam para o domÌnio do Estado (art. 39, par·grafo ˙nico).

Quest„o 40 XIV Exame da OAB

Raul, cidad„o brasileiro, no meio de uma semana comum, desaparece sem deixar qualquer notÌcia para sua ex-esposa e filhos, sem deixar cartas ou qualquer indicaÁ„o sobre seu paradeiro. Raul, que sempre fora um trabalhador exemplar, acumulara em seus anos de labor um patrimÙnio relevante. Como Raul morava sozinho, j· que seus filhos tinham suas prÛprias famÌlias e ele havia se separado de sua esposa 4 (quatro) anos antes, somente apÛs uma semana seus parentes e amigos deram por sua falta e passaram a se preocupar com o seu desaparecimento. Sobre a situaÁ„o apresentada, assinale a opÁ„o correta.

a situaÁ„o apresentada, assinale a opÁ„o correta. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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A) Para ser decretada a ausÍncia, È necess·rio que a pessoa tenha desaparecido h· mais de 10 (dez) dias. Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, n„o pode ser declarada sua ausÍncia, com a consequente nomeaÁ„o de curador.

B)

Em sendo declarada a ausÍncia, o curador a ser nomeado ser· a ex-

esposa de Raul.

C)

A abertura da sucess„o provisÛria somente se dar· ultrapassados trÍs

anos da arrecadaÁ„o dos bens de Raul.

D)

Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos

j· n„o soubessem dele h· 8 (oito) anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucess„o definitiva.

Coment·rios

 

Essa era uma quest„o que exigia que vocÍ decorasse as situaÁıes nas quais alguÈm pode se emancipar. Lembra?

A

alternativa A est· incorreta. O examinador tentou confundir. O prazo de 10

ANOS e n„o 10 DIAS È para a abertura da sucess„o definitiva. Para se proceder

‡ arrecadaÁ„o dos bens do ausente toma-se 1 ano (art. 26).

A alternativa B est· incorreta, pois a ex-esposa seria nomeada curadora caso

a separaÁ„o de fato tivesse ocorrido h· menos de 2 anos (art. 25).

A alternativa C est· incorreta, pois abertura da sucess„o provisÛria do ausente

ocorre 1 ano depois da arrecadaÁ„o dos bens (art. 26).

A alternativa D est· correta, pois “Pode-se requerer a sucess„o definitiva, tambÈm, provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele” (art. 38).

Pode haver a presunÁ„o de morte sem decretaÁ„o de ausÍncia? Sim, em situaÁıes especÌficas. Quando? Geralmente, em situaÁıes em que a morte È altamente prov·vel, ainda que n„o comprovada, segundo o art. 7 do CC/2002. PorÈm, para tanto, nesses casos somente poder· ser requerida a decretaÁ„o de morte presumida depois de esgotadas as buscas e averiguaÁıes, devendo a sentenÁa fixar a data prov·vel do falecimento:

devendo a sentenÁa fixar a data prov·vel do falecimento: 1. se for extremamente prov·vel a morte

1. se for extremamente prov·vel a morte de quem estava em perigo de vida (inc. I do art.

7 ), como nos casos de acidentes aÈreos no mar, desaparecido durante uma nevasca numa expediÁ„o de montanhismo, um jornalista em uma zona de dist˙rbio civil;

2. se alguÈm, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, n„o for encontrado atÈ dois

anos apÛs o tÈrmino da guerra (inc. II do art. 7 );

3. no caso de pessoas desaparecidas entre 02/09/1961 a 05/10/1988 (Regime Militar de

exceÁ„o vigente no paÌs, incluindo perÌodo prÈ-Golpe e pÛs-Golpe), sem notÌcias delas, detidas por agentes p˙blicos, envolvidas em atividades polÌticas ou acusadas de participar dessas atividades (Lei n . 9.140/1995).

Nesses casos, pula-se todo o procedimento inicial e se vai direto ‡ Sucess„o Definitiva.

inicial e se vai direto ‡ Sucess„o Definitiva. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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XXVI Teoria e Questıes Aula 00 – Prof. Paulo H M Sousa PresunÁ„o de morte (sem

PresunÁ„o de morte

(sem decretaÁ„o de

ausÍncia)

PresunÁ„o de morte (sem decretaÁ„o de ausÍncia) Guerra SituaÁıes de morte prov·vel Regime Militar
PresunÁ„o de morte (sem decretaÁ„o de ausÍncia) Guerra SituaÁıes de morte prov·vel Regime Militar
PresunÁ„o de morte (sem decretaÁ„o de ausÍncia) Guerra SituaÁıes de morte prov·vel Regime Militar
PresunÁ„o de morte (sem decretaÁ„o de ausÍncia) Guerra SituaÁıes de morte prov·vel Regime Militar

Guerra

SituaÁıes de morte

prov·vel

Regime Militar

(1961 a 1988)

de morte prov·vel Regime Militar (1961 a 1988)   Quest„o 43 – XX Exame da OAB
 

Quest„o 43 XX Exame da OAB

43. Cristiano, piloto comercial, está casado com Rebeca. Em um dia de forte neblina, ele n„o consegue controlar o avi„o que pilotava e a aeronave, com 200 pessoas a bordo, desaparece dos radares da torre de controle pouco antes do tempo previsto para a sua aterrissagem. Depois de v·rios dias de busca, apenas 10 passageiros foram resgatados, todos em estado critico. Findas as buscas, como Cristiano n„o estava no rol de sobreviventes e seu corpo n„o fora encontrado, Rebeca decide procurar um advogado para saber como deverá proceder a partir de agora.

Com base no relato apresentado, assinale a afirmativa correta.

A)

A esposa deverá ingressar com uma demanda judicial pedindo a

decretaÁo de ausÍncia de Cristiano, a fim de que o juiz, em um momento

posterior do processo, possa declarar a sua morte presumida.

B) A esposa n„o poderáば requerer a declaraÁo de morte presumida de Cristiano, uma vez que apenas o MinistÈrio Publico detÈm legitimidade para tal pedido.

C)

A declaraÁo da morte presumida de Cristiano poderáば ser requerida

independentemente de previa decretaÁ„o de ausÍncia, uma vez que esgotadas as buscas e averiguaÁıes por parte das autoridades competentes.

D)

A sentenÁa que declarar a morte presumida de Cristiano n„o deverá

fixar a data prov·vel de seu falecimento, contando-se, como data da morte, a data da publicaÁ„o da sentenÁa no meio oficial.

 

Coment·rios

Bem, o art. 7º, inc. I, esclarece que “Pode ser declarada a morte presumida, sem decretaÁ„o de ausÍncia, se for extremamente prov·vel a morte de quem estava em perigo de vida”.

Quero crer que cair de uma aeronave, no meio do nada, havendo resgate de menos de 5% das vÌtimas, depois de v·rios dias de buscas, signifique que era

depois de v·rios dias de buscas, signifique que era Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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extremamente prov·vel que a pessoa tenha morrido, atÈ porque, v·rios dias por aÌ, apÛs um acidente aÈreo gera, inegavelmente, perigo de vida.

Logo, cabe aÌ a declaraÁ„o de morte presumida. SÛ? N„o, pois o par·grafo único desse artigo estabelece que “A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poder· ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento”. Bom, cessaram-se as buscas? Segundo o enunciado, sim, pelo que, de fato, pode a presumida vi˙va requerer ao juiz a declaraÁ„o de morte presumida do presumido morto.

Portanto, a alternativa C est· correta.

1.7 ComoriÍncia

A comoriÍncia È a presunÁ„o de morte simult‚nea de pessoas reciprocamente herdeiras (art. 8 do CC/2002). … importante observar dois pontos.

Primeiro, deve-se esgotar as possibilidades de averiguar medicamente a precedÍncia de quem morreu. Se houver meio de identificar quem morreu primeiro, n„o se aplica a regra da comoriÍncia. Segundo, apesar de o artigo n„o mencionar, uma pessoa deve ser herdeira da outra, ou ter outro direito patrimonial derivado dessa relaÁ„o, ou a verificaÁ„o da comoriÍncia È desnecess·ria.

1.8 DomicÌlio

O domicÌlio È a localizaÁ„o espacial da pessoa, ou seja, local o onde ela estabelece suas atividades. Como um atributo da personalidade, o domicÌlio È considerado a sede jurÌdica da pessoa, seja ela pessoa fÌsica/natural ou pessoa jurÌdica.

pessoa, seja ela pessoa fÌsica/natural ou pessoa jurÌdica. REQUISITOS Objetivo Subjetivo ひ ResidÍncia ひ ¬nimo

REQUISITOS

Objetivo

Subjetivo

ひ ResidÍncia
ひ ResidÍncia
ひ ¬nimo definitivo
ひ ¬nimo definitivo

O domicÌlio segue trÍs regras:

ひ ¬nimo definitivo O domicÌlio segue trÍs regras : Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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Todos tÍm domicÌlio, ainda que residÍncia n„o tenham (art. 73 do CC/2002).

Ou seja, o domicÌlio È necess·rio, sempre. O domicÌlio È obrigatÛrio e mesmo os que n„o tÍm residÍncia tÍm domicÌlio, como os sem-teto ou os errantes,

que se deslocam constantemente. Em geral, como se fixa o domicÌlio dos que

n„o tÍm residÍncia? Utiliza-se o local onde for encontrada a pessoa como seu domicÌlio, segundo o art. 73 do CC/2002.

A. Necessidade
A. Necessidade

O domicÌlio È fixo, apesar de se permitir mutabilidade (art. 74 do CC/2002).

Por isso, È possÌvel tem domicÌlio e residÍncia diferentes. Como? Imagine que, aprovado na OAB vocÍ resolva seguir a carreira policial e È aprovado num Concurso de Delegado da PolÌcia Federal. Durante um semestre, vocÍ passar·

um perÌodo em BrasÌlia/DF, fazendo um curso de treinamento. Se vocÍ n„o È

de BrasÌlia, nesse perÌodo em que vocÍ estiver l·, seu domicÌlio continua sendo a sua cidade de origem, mas a sua residÍncia ser·, nesse caso, BrasÌlia;

Toda pessoa tem apenas um domicÌlio. O Direito brasileiro admite pluralidade de domicÌlios, excepcionalmente (art. 71 do CC/2002). Assim, o ator que tem

uma casa em S„o Paulo/SP, uma casa no Rio de Janeiro/RJ e outra casa em

sua cidade de origem, pode ter considerado qualquer dessas residÍncias como domicÌlio seu.

B. Fixidez
B.
Fixidez
C. Unidade
C.
Unidade

O domicÌlio, como disse antes, em geral se fixa com a residÍncia. A partir do CC/2002 podemos estabelecer uma divis„o do domicÌlio em dois:

A. DomicÌlio volunt·rio: em regra, o domicÌlio È volunt·rio, salvo as exceÁıes legais;

B. DomicÌlio necess·rio/legal: È a situaÁ„o em que a Lei determina um domicÌlio mesmo que a pessoa queira ter outro. Quando isso acontece? Vejamos:

a pessoa queira ter outro. Quando isso acontece? Vejamos: Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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ヱく PWゲゲラ;ゲ キデキミWヴ;ミデWゲ ふ;ヴデく Αンぶぎ さTWヴ-se-· por domicÌlio da pessoa natural, que n„o デWミエ; ヴWゲキSZミIキ; エ;Hキデ┌;ノが ラ ノ┌ェ;ヴ ラミSW aラヴ WミIラミデヴ;S;ざき

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portos etc.);

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Por isso, como j· localizamos nossa pessoa no espaÁo (domicÌlio) e no tempo (extinÁ„o da pessoa), vamos focar no nosso prÛximo tema da aula de hoje.

2. PESSOA JURÕDICA

2.1 PersonificaÁ„o

Mas, o que È pessoa jurÌdica? As pessoas jurÌdicas s„o entidades que conglobam seres humanos, bens ou ambos, seres humanos + bens. Elas s„o aptas a titularizar relaÁıes jurÌdicas de maneira bastante ampla e, por isso, as pessoas jurÌdicas tÍm personalidade jurÌdica, como as pessoas fÌsicas ou naturais.

E quais s„o as caracterÌsticas da pessoa jurÌdica? Depende do autor que vocÍ escolher, mas podemos indicar, a partir de diversas obras, as seguintes, mais importantes do ponto de vista pr·tico:

a. Capacidade de direito e capacidade de fato;

pr·tico: a. Capacidade de direito e capacidade de fato; Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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b. Estrutura organizativa artificial;

c. Objetivos comuns dos membros que a formam;

d. PatrimÙnio prÛprio e independente dos membros que a formam;

e. Publicidade de sua constituiÁ„o, dado que, diferente da pessoa fÌsica, a pessoa jurÌdica

n„o tem nascimento fÌsico.

Quais s„o as caracterÌsticas da Pessoa JurÌdica?

Capacidade f·tica e jurÌdica

da Pessoa JurÌdica? Capacidade f·tica e jurÌdica Estrutura organizativa Objetivos comuns dos membros

Estrutura organizativa

Capacidade f·tica e jurÌdica Estrutura organizativa Objetivos comuns dos membros PatrimÙnio prÛprio e
Capacidade f·tica e jurÌdica Estrutura organizativa Objetivos comuns dos membros PatrimÙnio prÛprio e

Objetivos comuns dos membros

Objetivos comuns dos membros

PatrimÙnio prÛprio e independente

comuns dos membros PatrimÙnio prÛprio e independente Publicidade de constituiÁ„o Segundo a Teoria da Realidade

Publicidade de constituiÁ„o

prÛprio e independente Publicidade de constituiÁ„o Segundo a Teoria da Realidade TÈcnica, adotada pelo

Segundo a Teoria da Realidade TÈcnica, adotada pelo CC/2002, a pessoa jurÌdica resulta de um processo tÈcnico, a personificaÁ„o, que depende da lei. Assim, a pessoa jurÌdica È assim uma realidade, ainda que produzida pelo Direito, a partir de uma forma jurÌdica. Essa teoria, por conta do Positivismo JurÌdico, È a teoria mais aceita no mundo.

Atualmente, ela se encontra no art. 45 do CC/2002, que assim dispıe:

ComeÁa a existÍncia legal das pessoas jurÌdicas de direito privado com a inscriÁ„o do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necess·rio, de autorizaÁ„o ou aprovaÁ„o do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alteraÁıes por que passar o ato constitutivo.

Ou seja, cumpridos os atos exigidos por lei, a pessoa jurÌdica passa a existir, como se pessoa fosse (no sentido de “ser humano”).

A esse processo se d· o nome de personificaÁ„o, que nada mais È do que dotar de personalidade jurÌdica algo que n„o tem personalidade ainda, para que esse “algo” possa se tornar uma pessoa. Pode ser um ser humano, que ainda n„o È pessoa, lembre-se, por sÛ se tornar pessoa apÛs o nascimento com vida, segundo o art. 2 do CC/2002. Ou pode ser um aglomerado de seres humanos, bens ou ambos, seres humanos + bens, que precisa de um “processo de personificação” para se tornar algo diferente do que realmente È.

Diferentemente da pessoa fÌsica/natural, é possível anular o “nascimento” de uma pessoa jurÌdica. Isso se descumpridos os requisitos legais de sua instituiÁ„o. … o que estabelece o art. 45, par·grafo ˙nico do CC/2002:

o que estabelece o art. 45, par·grafo ˙nico do CC/2002: Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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Decai em trÍs anos o direito de anular a constituiÁ„o das pessoas jurÌdicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicaÁ„o de sua inscriÁ„o no registro.

2.2 ClassificaÁ„o

Quais s„o as pessoas jurÌdicas trazidas pelo CC/2002? S„o dois grupos, as pessoas jurÌdicas de direito p˙blico e as pessoas jurÌdicas de direito privado, conforme dicÁ„o do art. 40 do CC/2002. As pessoas jurÌdicas de direito p˙blico s„o regidas por regime jurÌdico de direito p˙blico, tÌpico do Direito Administrativo, e as pessoas jurÌdicas de direito privado s„o regidas por regime jurÌdico de direito privado, tÌpico do Direito Civil/Empresarial.

Os arts. 41 e 42 do CC/2002 classificam as pessoas jurÌdicas de direito p˙blico da seguinte forma:

PJ de Direito Interno PJ de Direito P˙blico Externo Uni„o Estados da comunidade internacional Estados
PJ de Direito Interno
PJ de Direito P˙blico
Externo
Uni„o
Estados da
comunidade
internacional
Estados
Demais pessoas
MunicÌpios
regidas pelo Direito
Internacional P˙blico
Distrito
Federal
TerritÛrios
Autarquias
AssociaÁıes
ConsÛrcios

Cuidado com o art. 41, par·grafo ˙nico! As pessoas jurÌdicas de direito p˙blico interno que tiverem estrutura de direito privado ser„o regidas pelas regras do Direito Privado. Ou seja, apesar de serem p˙blicas s„o tratadas como se privadas fossem. Ainda assim, h· diferenÁas, analisadas pelo Direito Administrativo, que n„o nos interessam aqui.

pelo Direito Administrativo, que n„o nos interessam aqui. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
pelo Direito Administrativo, que n„o nos interessam aqui. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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O art. 44 do CC/2002 classifica as pessoas jurÌdicas de direito privado da seguinte forma:

1. AssociaÁıes (art. 44, inc. I): s„o pessoas jurÌdicas de direito privado formadas para fins n„o econÙmicos;

3. FundaÁıes (art. 44, inc. III): s„o um complexo de bens. Curiosamente, s„o pessoas jurÌdicas sem

quaisquer pessoas fÌsicas/naturais em sua

composiÁ„o;

5. Partidos polÌticos (art. 44, inc. V): s„o associaÁıes com ideologia polÌtica, cujos membros

se organizam para alcanÁar o poder e satisfazer os

interesses de seus membros. Os partidos, apesar de serem pessoa jurÌdicas de direito privado, regem-se pela legislaÁ„o eleitoral especÌfica (art. 44, ß 3 );

7. Sindicatos (art. 8 , inc. VII da CF/1988 e art. 511

da CLT): s„o associaÁıes de defesa e coordenaÁ„o dos interesses econÙmicos e profissionais de

empregados, empregadores e trabalhadores

autÙnomos;

9. OrganizaÁıes Sociais (art. 1 da Lei n .

9.637/1998): s„o organizaÁıes cujas atividades

sejam dirigidas ao ensino, ‡ pesquisa cientÌfica, ao

desenvolvimento tecnolÛgico, ‡ proteÁ„o e preservaÁ„o do meio ambiente, ‡ cultura e ‡ sa˙de;

2. Sociedades (art. 44, inc. II): s„o a reuni„o de pessoas e bens ou serviÁos com objetivo econÙmico e partilha de resultados, ou seja, tÍm

natureza eminentemente lucrativa;

4. OrganizaÁıes religiosas (art. 44, inc. IV): tÍm por objetivo a uni„o de leigos para o culto religioso, assistÍncia ou caridade. Por isso, n„o podem ter fim econÙmico, segundo estabelece o art. 53 do

CC/2002. Sua criaÁ„o, organizaÁ„o e

funcionamento n„o podem sofrer intervenÁ„o

estatal (art. 44, ß 2 );

6. Empresas individuais de responsabilidade limitada - EIRELI (art. 44, inc. VI);

8. OSCIPs (art. 1 da Lei n . 9.790/1999): s„o

organizaÁıes da sociedade civil de interesse p˙blico;

10. Cooperativas (art. 1 da Lei n . 5.764/1971):

conglomerado de pessoas que reciprocamente se

obrigam a contribuir com bens ou serviÁos para o

exercÌcio de uma atividade econÙmica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Elas tambÈm podem ser p˙blicas.

sem objetivo de lucro. Elas tambÈm podem ser p˙blicas. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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Como disse mais acima, o nascimento da PJ depende de um ato formal, j· que ela “naturalmente” não existe. Esse ato È o registro do ato constitutivo, consoante regra do art. 45 do CC/2002. Mas, o que È necess·rio para o registro? O art. 46 do CC/2002 estabelece quais s„o os requisitos gerais do registro, em seus incisos:

I - a denominaÁ„o, os fins, a sede, o tempo de duraÁ„o e o fundo social, quando houver;

II - o nome e a individualizaÁ„o dos fundadores ou instituidores, e dos diretores;

III - o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e

extrajudicialmente;

IV - se o ato constitutivo È reform·vel no tocante ‡ administraÁ„o, e de que modo;

V - se os membros respondem, ou n„o, subsidiariamente, pelas obrigaÁıes sociais;

VI - as condiÁıes de extinÁ„o da pessoa jurÌdica e o destino do seu patrimÙnio, nesse

caso.

Cumpridos esses requisitos, a pessoa jurídica “nasce”, adquire personalidade e passa a ter autonomia completa, desde que seus administradores exerÁam seus poderes nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo, na dicÁ„o do art. 47.

O art. 52, por fim, traz dicÁ„o bastante polÍmica. Consolidou-se o entendimento de que os direitos da personalidade eram parte subjetiva da prÛpria personalidade, pensada, na corrente formal, para ser a qualificaÁ„o jurÌdica do ser humano, transformando-o em pessoa. Partindo dessa premissa, o art. 52 estabelece que se aplica ‡s pessoas jurÌdicas, no que couber, a proteÁ„o dos direitos da personalidade. A extens„o dos direitos da personalidade ‡ pessoa jurÌdica depende, obviamente, da possibilidade de a pessoa jurÌdica poder ser titular de determinados direitos e obrigaÁıes.

2.3 Pessoas jurÌdicas em espÈcie

O CÛdigo detalha diversas espÈcies de pessoas jurÌdicas. Algumas delas, porÈm, s„o prÛprias do estudo do Direito Empresarial, pelo que n„o vamos nos deter nelas. Duas delas, no entanto, est„o tratadas na Parte Geral do CÛdigo, pelo que sua prova da OAB pode questionar algum aspecto relevante nesse sentido. Vamos ver cada uma delas

aspecto relevante nesse sentido. Vamos ver cada uma delas 1. AssociaÁıes As associaÁıes s„o pessoas jurÌdicas

1. AssociaÁıes

As associaÁıes s„o pessoas jurÌdicas de direito privado formadas para fins n„o econÙmicos, conforme estabelece o art. 53 do CC/2002.

No entanto, pode a associaÁ„o ter lucro? Pode ela exercer atividades produtivas? Pode, mas o objetivo da associaÁ„o n„o pode ser a distribuiÁ„o de lucro social, exatamente o contr·rio de uma sociedade. Se h· distribuiÁ„o de lucro, portanto, trata-se de uma sociedade, e n„o de uma associaÁ„o.

Os requisitos da associaÁ„o encontram-se no art. 54:

Os requisitos da associaÁ„o encontram-se no art. 54: Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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I - a denominaÁ„o, os fins e a sede da associaÁ„o;

II - os requisitos para a admiss„o, demiss„o e exclus„o dos associados;

III - os direitos e deveres dos associados;

IV - as fontes de recursos para sua manutenÁ„o;

V

- o modo de constituiÁ„o e funcionamento dos Ûrg„os deliberativos e administrativos;

V

o modo de constituiÁ„o e de funcionamento dos Ûrg„os deliberativos;

VI - as condiÁıes para a alteraÁ„o das disposiÁıes estatut·rias e para a dissoluÁ„o.

VII a forma de gest„o administrativa e de aprovaÁ„o das respectivas contas.

Todos esses requisitos devem estar contidos no Estatuto Social. Esse Estatuto pode prever categorias de associados com vantagens especiais, mas todos eles devem ter iguais direitos (art. 55 do CC/2002). Por isso, nenhum associado poder· ser impedido de exercer direito ou funÁ„o, a n„o ser nos casos e pela forma previstos na Lei ou no Estatuto (art. 58 do CC/2002).

O Estatuto ainda tem de prever normas de admiss„o e a possibilidade de

demiss„o dos associados. A exclus„o do associado, assim, sÛ È admissÌvel se houver justa causa, assim reconhecida em procedimento que assegure direito

de defesa e de recurso, nos termos previstos no Estatuto, conforme estabelece

o art. 57.

Ele deve prever, ainda, os Ûrg„os deliberativos e os administradores. Em regra, tais previsıes podem ser feitas livremente, desde que se obedeÁa a alguns limites legais.

2. FundaÁıes

As fundaÁıes s„o um complexo de bens, ou seja, s„o pessoas jurÌdicas sem quaisquer pessoas fÌsicas/naturais em sua composiÁ„o. Ela, assim, configura o caso mais explÌcito da concepÁ„o formal de pessoa, bem como da Teoria da Realidade TÈcnica.

O objetivo das fundaÁıes È sempre p˙blico, apesar do car·ter privado que possuem. Esses objetivos podem ser assim resumidos, segundo o art. 62

do CC/2002:

I assistÍncia social;

II cultura, defesa e conservaÁ„o do patrimÙnio histÛrico e artÌstico;

III educaÁ„o;

IV sa˙de;

V seguranÁa alimentar e nutricional;

VI

desenvolvimento sustent·vel;

VII pesquisa cientÌfica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernizaÁ„o de

do

defesa,

preservaÁ„o

e

conservaÁ„o

do

meio

ambiente

e

promoÁ„o

sistemas de gest„o, produÁ„o e divulgaÁ„o de informaÁıes e conhecimentos tÈcnicos e

cientÌficos;

VIII promoÁ„o da Ètica, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos;

IX atividades religiosas.

e dos direitos humanos; IX – atividades religiosas. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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Na instituiÁ„o da fundaÁ„o, seu instituidor deve designar o patrimÙnio que a compıe. Quando, porÈm, insuficientes os fundos para constituir a fundaÁ„o, os bens a ela destinados ser„o, se de outro modo n„o dispuser o instituidor, incorporados em outra fundaÁ„o que se proponha a fim igual ou semelhante, segundo dispıe o art. 63 do CC/2002.

Contrariamente ‡s associaÁıes, a alteraÁ„o do Estatuto das fundaÁıes tem algumas exigÍncias legais, conforme estabelece o art. 67 do CC/2002:

I - seja deliberada por dois terÁos dos competentes para gerir e representar a fundaÁ„o;

II - n„o contrarie ou desvirtue o fim desta;

III - seja aprovada pelo Ûrg„o do MinistÈrio P˙blico, e, caso este a denegue, poder· o juiz

supri-la, a requerimento do interessado.

IV seja aprovada pelo Ûrg„o do MinistÈrio P˙blico no prazo m·ximo de 45 dias, findo o

qual ou no caso de o MinistÈrio P˙blico a denegar, poder· o juiz supri-la, a requerimento

do interessado.

poder· o juiz supri-la, a requerimento do interessado.   Quest„o 43 – XIX Exame da OAB
 

Quest„o 43 XIX Exame da OAB

J˙lia, casada com JosÈ sob o regime da comunh„o universal de bens e m„e de dois filhos, Ana e Jo„o, fez testamento no qual destinava metade da parte disponÌvel de seus bens ‡ constituiÁ„o de uma fundaÁ„o de amparo a mulheres vÌtimas de violÍncia obstÈtrica. Aberta a sucess„o, verificou-se que os bens destinados ‡ constituiÁ„o da fundaÁ„o eram insuficientes para cumprir a finalidade pretendida por J˙lia, que, por sua vez, nada estipulou em seu testamento caso se apresentasse a hipÛtese de insuficiÍncia de bens.

Diante da situaÁ„o narrada, assinale a afirmativa correta.

C) Os bens de J˙lia ser„o incorporados ‡ outra fundaÁ„o que tenha propÛsito igual ou semelhante ao amparo de mulheres vÌtimas de violÍncia obstÈtrica.

D) Os bens destinados ser„o incorporados ‡ outra fundaÁ„o determinada pelos herdeiros necess·rios de J˙lia, apÛs a aprovaÁ„o do MinistÈrio P˙blico.

Coment·rios

Parte dessa quest„o È de Direito de FamÌlia, pelo que falaremos dela adiante novamente. PorÈm, analisemos a parte que nos interessa aqui.

A

alternativa C est· correta, pois segundo o art. 63, “Quando insuficientes

para constituir a fundaÁ„o, os bens a ela destinados ser„o, se de outro modo n„o dispuser o instituidor, incorporados em outra fundaÁ„o que se proponha a fim igual ou semelhante”.

A alternativa D est· incorreta, pois contraria a redaÁ„o do mencionado art. 63,

que os bens ir„o a outra FundaÁ„o.

art. 63, j· que os bens ir„o a outra FundaÁ„o. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms
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2.4 DesconsideraÁ„o da personalidade jurÌdica

JosÈ Lamartine CorrÍa de Oliveira apontou um fenÙmeno que ele chamou de dupla crise da pessoa jurÌdica. N„o È uma crise do conceito de pessoa jurÌdica ou da prÛpria noÁ„o de pessoa jurÌdica, mas da deformaÁ„o causada pelo formalismo. Esse formalismo atribui um apartamento absoluto entre a pessoa jurÌdica e a pessoa fÌsica/natural.

E esse apartamento absoluto È fonte de abuso pela pessoa fÌsica/natural,

que se aproveita disso para se utilizar da pessoa jurÌdica com fins diversos do imaginado a ela. Mas, o que caracteriza o abuso, mencionado pela teoria?

Se configuraria no caso de abuso de direito, de fraude, de descumprimento de obrigaÁıes contratuais e legais, de atos ilÌcitos praticados pela sociedade, de confus„o patrimonial entre o patrimÙnio pessoa do sÛcio e o patrimÙnio da pessoa jurÌdica, de desvio da finalidade contratual prevista no Estatuto etc.

de desvio da finalidade contratual prevista no Estatuto etc. Ao contrário, cabe também a chamada “

Ao contrário, cabe também a chamada “desconsideraÁ„o inversa da personalidade jurídica”, quando a pessoa fÌsica se utiliza da pessoa jurÌdica, indevidamente, para se “blindar” de ataques contra seu patrimônio.

E quando cabe a desconsideraÁ„o? Depende da situaÁ„o. Se for uma relaÁ„o trabalhista, h· regra prÛpria por aplicaÁ„o do art. 2 da CLT. Se for uma relaÁ„o tribut·ria, h· aplicaÁ„o dos arts. 134 e 135 do CTN. Na parte do Direito Privado, È preciso compreender duas diferentes teorias.

A primeira teoria È a chamada Teoria Maior, adotada pelo art. 50 do CC/2002.

Esse artigo diz que:

Em caso de abuso da personalidade jurÌdica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confus„o patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do MinistÈrio P˙blico quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relaÁıes de obrigaÁıes sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sÛcios da pessoa jurÌdica.

Em outras palavras, alÈm de se verificar um abuso na utilizaÁ„o da personalidade jurÌdica, deve se caracterizar o desvio de finalidade ou a confus„o patrimonial. Se n„o se caracterizar nem uma dessas situaÁıes, n„o se pode desconsiderar a personalidade jurÌdica, ainda que a pessoa jurÌdica seja insolvente, por exemplo. DaÌ o nome de Teoria Maior, pois ela exige a verificaÁ„o de mais requisitos.

J· a Teoria Menor È adotada pelo art. 28 do CDC, que assim dispıe:

O juiz poder· desconsiderar a personalidade jurÌdica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infraÁ„o da lei, fato ou ato ilÌcito ou violaÁ„o dos estatutos ou contrato social. A desconsideraÁ„o tambÈm ser· efetivada quando houver falÍncia, estado de insolvÍncia, encerramento ou inatividade da pessoa jurÌdica provocados por m· administraÁ„o.

Veja que o juiz pode desconsiderar a personalidade jurÌdica ainda que n„o tenha havido confus„o patrimonial ou desvio de finalidade, basta que se configure alguma das hipÛteses previstas no art. 28. DaÌ o nome de Teoria Menor, pois ela exige menos requisitos para ser aplicada.

Menor, pois ela exige menos requisitos para ser aplicada. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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No Direito Civil, portanto, aplica-se a Teoria Maior:

Sousa No Direito Civil, portanto, aplica-se a Teoria Maior : TEORIA MAIOR previs„o: art. 50 do
TEORIA MAIOR previs„o: art. 50 do CC Requisitos: abuso de personalidade + desvio de finalidade
TEORIA MAIOR
previs„o: art. 50 do CC
Requisitos:
abuso de personalidade +
desvio de finalidade ou
confus„o patrimonail
+ desvio de finalidade ou confus„o patrimonail   Quest„o 40 – XV Exame da OAB Paulo
 

Quest„o 40 XV Exame da OAB

Paulo foi casado, por muitos anos, no regime da comunh„o parcial com Luana, atÈ que um desentendimento deu inÌcio a um divÛrcio litigioso. Temendo que Luana exigisse judicialmente metade do seu vasto patrimÙnio, Paulo comeÁou a comprar bens com capital prÛprio em nome de sociedade da qual È sÛcio e passou os demais tambÈm para o nome da sociedade, restando, em seu nome, apenas a casa em que morava com ela. Acerca do assunto, marque a opÁ„o correta.

A)

A atitude de Paulo encontra respaldo na legislaÁ„o, pois a lei faculta a

todo cidad„o defender sua propriedade, em especial de terceiros de m·-fÈ;

B)

… permitido ao juiz afastar os efeitos da personificaÁ„o da sociedade nos

casos de desvio de finalidade ou confus„o patrimonial, mas n„o o contr·rio, de modo que n„o h· nada que Luana possa fazer comunic·veis.

C)

Sabendo-se que a “teoria da desconsideração da personalidade jurídica”

encontra aplicaÁ„o em outros ramos do direito e da legislaÁ„o, È correto afirmar que os par‚metros adotados pelo CÛdigo Civil constituem a Teoria Menor, que exige menos requisitos.

D) No caso de confus„o patrimonial, gerado pela compra de bens com patrimÙnio particular em nome da sociedade, È possÌvel atingir o patrimônio da sociedade, ao que se dá o nome de “desconsideração inversa ou invertida a se desconsiderar o negÛcio jurÌdico, havendo esses bens como matrimoniais e comunic·veis.

Coment·rios

 
matrimoniais e comunic·veis. Coment·rios   Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO 35
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Essa era uma quest„o que exigia que vocÍ decorasse as situaÁıes nas quais alguÈm pode se emancipar. Lembra?

A alternativa A est· evidentemente incorreta, dado que quem est· a agir de

m·-fÈ È Paulo, esvaziando seu patrimÙnio com o uso inadequado da Pessoa JurÌdica.

A alternativa B est· incorreta, pois, como dissemos, È possÌvel o uso “invertido” da desconsideração da personalidade jurídica.

A alternativa C est· incorreta, pois, ao contr·rio, o CÛdigo Civil adota a Teoria

Maior.

A alternativa D est· correta, pois o intuito de Paulo era exatamente evitar a

comunicaÁ„o do patrimÙnio com Luana.

3. DIREITOS DE PERSONALIDADE

3.1 CaracterÌsticas

Quando adquire personalidade, a pessoa passa a ter uma sÈrie de direitos oriundos dessa personalidade. Esses s„o os direitos de personalidade, que tÍm por objeto os bens e valores essenciais da pessoa humana.

S„o direitos subjetivos e, portanto, conferem ‡ pessoa o poder de defender sua personalidade no aspecto psicofÌsico de modo amplo. Por isso, a tutela dos direitos de personalidade È bastante ampla tambÈm, abrangendo o plano internacional, o plano constitucional, o plano civil e o plano penal.

Diferentes esferas, portanto, protegem os diferentes direitos da personalidade de diferentes formas. A base dos direitos de personalidade È o princÌpio mais fundamental da CF/1988, a dignidade da pessoa humana. O objetivo dos direitos de personalidade È, assim, a adequada proteÁ„o e tutela da pessoa humana.

Mas, quais s„o as caracterÌsticas dos direitos de personalidade?

s„o as caracterÌsticas dos direitos de personalidade? Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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XXVI Teoria e Questıes Aula 00 – Prof. Paulo H M Sousa Absolutos: IndisponÌveis Irrenunci·veis

Absolutos:

Absolutos: IndisponÌveis Irrenunci·veis ImprescritÌveis Extrapatrimoniais Inatos ひ Os direitos de

IndisponÌveis

Irrenunci·veis

ImprescritÌveis

Extrapatrimoniais

Inatos

Os direitos de personalidade s„o eficazes contra todos, ou seja, s„o erga omnes. PorÈm, existem in˙meros direitos de personalidade que s„o relativos, sobretudo aqueles que diretamente dependem da intervenÁ„o estatal. S„o os chamados direitos subjetivos p˙blicos, como a sa˙de, a educaÁ„o, o meio ambiente, a moradia etc.;

Os direitos de personalidade s„o insuscetÌveis de alienaÁ„o, ou seja, n„o podem ser さIラマWヴIキ;ノキ┣;Sラゲざく M;ゲが ゲ?ラ Sキゲヮラミケ┗Wキゲ ラゲ WaWキデラゲ ヮ;デヴキマラミキ;キゲ SW デラSラゲ ラゲ SキヴWキデラゲ SW personalidade e mesmo alguns direitos de personalidade s„o disponÌveis, a depender da situaÁ„o concreta. N„o consegue visualizar? … sÛ imaginar os participantes dos reality shows, como o BBB, em que os participantes negociam seus direitos de imagem, as consequÍncias patrimoniais dela e mesmo sua prÛpria intimidade, ao ficarem expostos 24h por dia;

Os direitos de personalidade s„o insuscetÌveis de ren˙ncia ou limite. Mas, mais uma vez, s„o

renunci·veis os efeitos patrimoniais de todos os direitos de personalidade e mesmo alguns dos prÛprios direitos de personalidade s„o renunci·veis, a depender da situaÁ„o concreta. Determinados cantores lanÁam, na internet, suas m˙sicas gratuitamente, renunciando ao direito autoral que possuem; quando somos submetidos ‡ vacinaÁ„o, renunciamos ao nosso direito ao Iラヴヮラが ヮラキゲ ┌マ ;ェWミデW キミaWIIキラゲラ ゲWヴ= キミデヴラS┌┣キSラ Wマ ミラゲゲラ Iラヴヮラが さ┗キラノ;ミSラざ ミラゲゲ; ゲ;ミキS;SW fÌsica;

Os direitos de personalidade n„o tÍm prazo para que sejam utilizados e n„o deixam de existir pelo simples decurso do tempo. Novamente, porÈm, os efeitos patrimoniais dos direitos de personalidade prescrevem. A indenizaÁ„o por dano moral torna f·cil ver isso;

ひ Os direitos de personalidade n„o s„o avali·veis em dinheiro. No entanto, por uma quest„o
ひ Os direitos de personalidade n„o s„o avali·veis em dinheiro. No entanto, por uma quest„o
ひ Os direitos de personalidade n„o s„o avali·veis em dinheiro. No entanto, por uma quest„o

Os direitos de personalidade n„o s„o avali·veis em dinheiro. No entanto, por uma quest„o pr·tica, para evitar que as pessoas violem os direitos de personalidade dos demais sem qualquer puniÁ„o, a jurisprudÍncia j· h· tempos fixou a possibilidade de patrimonializaÁ„o dos direitos de personalidade extrapatrimoniais.

Os direitos de personalidade nascem com a pessoa e morrem com ela. Mas, como dito antes, a personalidade comeÁa antes do nascimento e continua mesmo apÛs a morte. … por isso que os herdeiros podem pleitear dano moral em relaÁ„o a fato de alguÈm j· morto e o nascituro pode entrar com uma aÁ„o de alimentos contra o pai. Isso est· estabelecido no art. 12, par·grafo ˙nico Sラ CCっヲヰヰヲぎ さEマ ゲW デヴ;デ;ミSラ SW マラヴデラが デWヴ= ノWェキデキマ;N?ラ ヮ;ヴ; ヴWケ┌WヴWヴ ; マWSキS; ヮヴW┗キゲデ; ミWゲデW ;ヴデキェラ ラ Iレミテ┌ェW ゲラHヴW┗キ┗WミデWが ラ┌ ケ┌;ノケ┌Wヴ ヮ;ヴWミデW Wマ ノキミエ; ヴWデ;が ラ┌ Iラノ;デWヴ;ノ ;デY ラ ケ┌;ヴデラ ェヴ;┌くざ

ヮ;ヴWミデW Wマ ノキミエ; ヴWデ;が ラ┌ Iラノ;デWヴ;ノ ;デY ラ ケ┌;ヴデラ ェヴ;┌くざ
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Essas caracterÌsticas est„o presentes no art. 11 do CC/2002, que estabelece que:

Com exceÁ„o dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade s„o intransmissÌveis e irrenunci·veis, n„o podendo o seu exercÌcio sofrer limitaÁ„o volunt·ria.

PorÈm, j· na sequÍncia o CC/2002 traz exceÁ„o ‡ regra:

Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaÁa, ou a les„o, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuÌzo de outras sanÁıes previstas em lei.

Par·grafo ˙nico. Em se tratando de morto, ter· legitimaÁ„o para requerer a medida prevista neste artigo o cÙnjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral atÈ o quarto grau.

parente em linha reta, ou colateral atÈ o quarto grau.   Quest„o 37 – VII Exame
 

Quest„o 37 VII Exame da OAB

A

proteÁ„o da pessoa È uma tendÍncia marcante do atual direito privado, o

que leva alguns autores a conceberem a existÍncia de uma verdadeira cl·usula geral de tutela da personalidade. Nesse sentido, uma das mudanÁas mais celebradas do novo CÛdigo Civil foi a introduÁ„o de um capÌtulo prÛprio sobre os chamados direitos da personalidade. Em relaÁ„o ‡

disciplina legal dos direitos da personalidade no CÛdigo Civil, È correto afirmar que

A) havendo les„o a direito da personalidade, em se tratando de morto, n„o

È mais possÌvel que se reclamem perdas e danos, visto que a morte pıe

fim ‡ existÍncia da pessoa natural, e os direitos personalÌssimos s„o intransmissÌveis.

B)

como regra geral, os direitos da personalidade s„o intransmissÌveis e

irrenunci·veis, mas o seu exercÌcio poder· sofrer irrestrita limitaÁ„o volunt·ria.

C)

È permitida a disposiÁ„o gratuita do prÛprio corpo, no todo ou em parte,

com objetivo altruÌstico ou cientÌfico, para depois da morte, sendo que tal

ato de disposiÁ„o poder· ser revogado a qualquer tempo.

D)

em raz„o de sua maior visibilidade social, a proteÁ„o dos direitos da

personalidade das celebridades e das chamadas pessoas p˙blicas È mais flexÌvel, sendo permitido utilizar o seu nome para finalidade comercial,

ainda que sem prÈvia autorizaÁ„o.

Coment·rios

 

A alternativa A est· incorreta, pois no caso do morto os parentes tÍm poder para intervir em seu favor (art. 12, par·grafo ˙nico).

A alternativa B est· incorreta, pois apesar de poder a pessoa restringir voluntariamente seus direitos de personalidade (vide os BBBs que autolimitam sua intimidade), essa restriÁ„o n„o È irrestrita. Veja-se que o CÛdigo estabelece no art. 11 que sequer pode haver restriÁ„o volunt·ria, mas, na pr·tica, isso È possÌvel.

volunt·ria, mas, na pr·tica, isso È possÌvel. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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A alternativa C est· correta. Esse item È transcriÁ„o literal do art. 14, como

veremos mais adiante.

A alternativa D est· incorreta, pois a proteÁ„o dos direitos da personalidade

n„o muda apenas porque a pessoa È uma celebridade.

3.2 Direitos especiais de personalidade no CC/2002

necess·rio passar pelos direitos de personalidade estabelecidos pelo CC/2002.

O

CÛdigo trata, num primeiro momento, dos direitos de personalidade relativos

ao

corpo.

Primeiro, n„o pode a pessoa dispor de seu prÛprio corpo, quando o ato importar diminuiÁ„o permanente da integridade fÌsica, ou contrariar os bons costumes, segundo dicÁ„o do art. 13. A exceÁ„o fica por conta de exigÍncias mÈdicas, como uma cirurgia, que poder· trazer algum prejuÌzo ‡ integridade fÌsica da pessoa, mas que È necess·ria.

O par·grafo ˙nico do art. 13 ainda estabelece que esse ato de violaÁ„o da

integridade fÌsica ser· admitido para fins de transplante, na forma estabelecida em lei especial. Esse È o caso de transplante de Ûrg„o de uma

pessoa fÌsica, cÙmoda doaÁ„o de um rim ou de parte do fÌgado.

ApÛs a morte, porÈm, È v·lida, com objetivo cientÌfico, ou altruÌstico, a disposiÁ„o gratuita do prÛprio corpo, no todo ou em parte, segundo o art. 14. Como a pessoa faz isso? Mediante um documento h·bil, que pode ser livremente revogado a qualquer tempo, na leitura do par·grafo ˙nico desse artigo.

A ˙ltima disposiÁ„o do CC/2002 sobre o corpo abre a possibilidade de a pessoa

recursar-se a tratamento mÈdico quando este significar risco de vida. Na dicÁ„o

do art. 15:

NinguÈm pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento mÈdico ou a intervenÁ„o cir˙rgica.

Quanto ao nome, o CC/2002 d· proteÁ„o ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome, no art. 16. Igualmente, o pseudÙnimo adotado para atividades lÌcitas goza da mesma proteÁ„o que se d· ao nome, segundo o art. 19. Em outras palavras, toda forma de identificaÁ„o da pessoa È protegida pelo ordenamento, desde que lÌcita.

Esse nome n„o pode ser empregado por terceiros em publicaÁıes ou representaÁıes que a exponham publicamente, ainda quando n„o haja intenção difamatória. O art. 17, assim, pretende proteger a “honra” e a “fama” associadas ao nome.

DaÌ surge a limitaÁ„o do art. 18, que proÌbe que, sem autorizaÁ„o, se use o nome alheio em propaganda comercial. Aqui a proteÁ„o · patrimonial, pois,

‡s vezes, o nome em si traz elementos de confianÁa em relaÁ„o ao p˙blico.

si traz elementos de confianÁa em relaÁ„o ao p˙blico. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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Quest„o 43 XII Exame da OAB

 

Jo„o Marcos, renomado escritor, adota, em suas publicaÁıes liter·rias, o pseudÙnimo Hilton Carrillo, pelo qual È nacionalmente conhecido. VÌtor, editor da Revista “Z”, empregou o pseudônimo Hilton Carrillo em vários artigos publicados nesse periÛdico, de sorte a expÙ-lo ao ridÌculo e ao desprezo p˙blico. Em face dessas consideraÁıes, assinale a afirmativa correta.

A)

A legislaÁ„o civil, com o intuito de evitar o anonimato, n„o protege o

pseudÙnimo e, em raz„o disso, n„o h· de se cogitar em ofensa a direito da personalidade, no caso em exame.

B) A Revista “Z”pode utilizar o referido pseudônimo em uma propaganda comercial, associado a um pequeno trecho da obra do referido escritor sem expÙ-lo ao ridÌculo ou ao desprezo p˙blico, independente da sua autorizaÁ„o.

C)

O uso indevido do pseudÙnimo sujeita quem comete o abuso ‡s sanÁıes

legais pertinentes, como interrupÁ„o de sua utilizaÁ„o e perdas e danos.

 

D) O pseudÙnimo da pessoa pode ser empregado por outrem em publicaÁıes ou representaÁıes que a exponham ao desprezo p˙blico, quando n„o h· intenÁ„o difamatÛria.

Coment·rios

 

Essa era uma quest„o que exigia que vocÍ decorasse as situaÁıes nas quais alguÈm pode se emancipar. Lembra?

A

alternativa

A

est·

incorreta,

pois

o

pseudÙnimo

È

protegido

pelo

ordenamento brasileiro, desde que utilizado licitamente (art. 19).

 

A

alternativa B est· incorreta, pois quando h· utilizaÁ„o comercial, o

pseudÙnimo, para ser utilizado, precisa de autorizaÁ„o do dono (art. 18).

 

A alternativa C est· correta, pois o uso indevido do pseudÙnimo permite que o juiz, a requerimento do interessado, adote as providÍncias necess·rias para impedir ou fazer cessar ato contr·rio a esta norma (art. 21)

A

alternativa D est· incorreta, pois mesmo sem intenÁ„o difamatÛria o

pseudÙnimo È protegido pela lei (art. 17).

 

J· o art. 20 limita a divulgaÁ„o de escritos, a transmiss„o da palavra, ou

a publicaÁ„o, a exposiÁ„o ou a utilizaÁ„o da imagem de uma pessoa aos casos em que h· autorizaÁ„o ou quando for necess·rio ‡ administraÁ„o da justiÁa ou ‡ manutenÁ„o da ordem p˙blica. PorÈm, a requerimento da

pessoa e sem prejuÌzo da indenizaÁ„o, esses atos podem ser por ela proibidos,

se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem

a fins comerciais. … a proteÁ„o ‡ intimidade, honra, imagem, escritos,

privacidade etc. das pessoas.

Por fim, vale lembrar que o STF decidiu em 10/06/2015, na ADI 4.815 que n„o È necess·rio o consentimento da pessoa para que seja publicada biografia sua:

da pessoa para que seja publicada biografia sua : Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000
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O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto da Relatora, julgou procedente o pedido formulado na aÁ„o direta para dar interpretaÁ„o conforme ‡ ConstituiÁ„o aos artigos 20 e 21 do CÛdigo Civil, sem reduÁ„o de texto, para, em conson‚ncia com os direitos fundamentais ‡ liberdade de pensamento e de sua express„o, de criaÁ„o artÌstica, produÁ„o cientÌfica, declarar inexigÌvel o consentimento de pessoa biografada relativamente a obras biogr·ficas liter·rias ou audiovisuais, sendo por igual desnecess·ria autorizaÁ„o de pessoas retratadas como coadjuvantes (ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas).

4. BENS

4.1 ClassificaÁ„o

MÛveis e imÛveis

A noÁ„o de bens imÛveis est· no art. 79 do CC/2002: o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Igualmente, ainda que n„o sejam, na pr·tica, imÛveis, consideram-se imÛveis para os efeitos legais, segundo os arts. 80 e 81:

==0==

I - os direitos reais sobre imÛveis e as aÁıes que os asseguram;

II - o direito ‡ sucess„o aberta.

III - as edificaÁıes que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local;

IV - os materiais provisoriamente separados de um prÈdio, para nele se reempregarem.

J· no conceito do art. 82 do CC/2002, s„o mÛveis os bens suscetÌveis de movimento prÛprio, ou de remoÁ„o por forÁa alheia, sem alteraÁ„o da subst‚ncia ou da destinaÁ„o econÙmico-social.

Ainda que n„o sejam visivelmente mÛveis, consideram-se mÛveis para os efeitos legais, segundo os arts. 83 e 84:

I - as energias que tenham valor econÙmico;

II - os direitos reais sobre objetos mÛveis e as aÁıes correspondentes;

III - os direitos pessoais de car·ter patrimonial e respectivas aÁıes.

IV - os materiais destinados a alguma construÁ„o, enquanto n„o forem empregados, conservam sua qualidade de mÛveis;

V - os materiais provenientes da demoliÁ„o de algum prÈdio.

os materiais provenientes da demoliÁ„o de algum prÈdio. Quest„o 41 – X Exame da OAB Os

Quest„o 41 X Exame da OAB

Os vitrais do Mercado Municipal de S„o de Paulo, durante a reforma feita em 2004, foram retirados para limpeza e restauraÁ„o da pintura. Considerando a hipÛtese e as regras sobre bens jurÌdicos, assinale a afirmativa correta.

A) Os vitrais, enquanto separados do prÈdio do Mercado Municipal durante as obras, s„o classificados como bens mÛveis.

durante as obras, s„o classificados como bens mÛveis. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 -
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B) Os vitrais retirados na qualidade de material de demoliÁ„o, considerando que o Mercado Municipal resolva descartar-se deles, ser„o considerados bens mÛveis.

C) Os vitrais do Mercado Municipal, considerando que foram feitos por grandes artistas europeus, s„o classificados como bens fungÌveis.

D)

Os

vitrais

retirados

para

restauraÁ„o,

por

sua

natureza,

s„o

classificados como bens mÛveis.

 

Coment·rios

 

Essa era uma quest„o que exigia que vocÍ decorasse as situaÁıes nas quais alguÈm pode se emancipar. Lembra?

A

alternativa A est· incorreta, pois como os vitrais foram retirados apenas

temporariamente para as obras, presume-se que ser„o recolocados no lugar, pelo que n„o perdem o caráter de imóveis (art. 81, inc. II: “Não perdem o car·ter de imÛveis os materiais provisoriamente separados de um prÈdio, para nele se reempregarem”).

A

alternativa B est· correta, pois se os vitrais foram retirados definitivamente

como material de demoliÁ„o e n„o ser„o recolocados no lugar, perdem o caráter de imóveis (art. 81, inc. II: “Não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prÈdio, para nele se reempregarem”).

A alternativa C est· incorreta, pois, como veremos adiante, se os vitrais foram feitos por grandes artistas, n„o podem ser substituÌdos por outros iguais, pelas peculiaridades (art. 85)

A

alternativa D est· incorreta, pois como os vitrais foram retirados para

restauraÁ„o, presume-se que ser„o recolocados no lugar, pelo que n„o perdem o caráter de imóveis (art. 81, inc. II: “Não perdem o caráter de imóveis os

materiais provisoriamente separados de um prÈdio, para nele se reempregarem”).

FungÌveis e infungÌveis

Na dicÁ„o do art. 85 do CC/2002, s„o fungÌveis os mÛveis que podem substituir-se por outros da mesma espÈcie, qualidade e quantidade. InfungÌveis, portanto, ser„o aqueles que, ao contr·rio, possuem peculiaridades prÛprias que os tornam ˙nicos, insubstituÌveis.

ConsumÌveis e inconsumÌveis

S„o consumÌveis os bens mÛveis cujo uso importa destruiÁ„o imediata da prÛpria subst‚ncia, sendo tambÈm considerados tais os destinados ‡ alienaÁ„o, segundo leciona o art. 86. InconsumÌveis, consequentemente, aqueles cuja fruiÁ„o os mantÈm hÌgidos, sem destruiÁ„o.

cuja fruiÁ„o os mantÈm hÌgidos, sem destruiÁ„o. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000 - DEMO
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DivisÌveis e indivisÌveis

Os bens divisÌveis s„o os que se podem fracionar sem alteraÁ„o na sua subst‚ncia, diminuiÁ„o consider·vel de valor, ou prejuÌzo do uso a que se destinam, consoante o art. 87 do CC/2002. AlÈm disso, os bens naturalmente divisÌveis podem tornar-se indivisÌveis por determinaÁ„o da lei ou por vontade das partes (art. 88).

Singulares e coletivos

A regra do art. 89 do CC/2002 estabelece que s„o singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais. … o caso, por exemplo, de uma ·rvore frutÌfera ou de uma garrafa de refrigerante.

Coletivos ser„o os bens singulares iguais ou diferentes reunidos em um todo. Passa-se a considerar o todo, ainda que n„o desapareÁa a peculiaridade individual de cada um. … o caso de um pomar de ·rvores frutÌferas ou de um carregamento de garrafas de refrigerante.

Nesse sentido, inclui-se a universalidade de fato, que constitui a pluralidade de bens singulares que, pertinentes ‡ mesma pessoa, tenham destinaÁ„o unit·ria, conforme o art. 90. … o caso de uma biblioteca que, apesar de poder ser compreendida atravÈs de cada um dos livros, constitui uma destinaÁ„o unit·ria, um todo maior.

J· a universalidade de direito, como o nome diz, n„o constitui uma totalidade na pr·tica. PorÈm, para efeito do Direito, determinado o complexo de relaÁıes jurÌdicas, de uma pessoa, dotadas de valor econÙmico, constitui uma unitariedade, segundo o art. 91. … o caso, por exemplo, da heranÁa ou do patrimÙnio. Ambos, ainda que na pr·tica constituam diversas singularidades, s„o tomadas como uma universalidade, juridicamente falando.

Principais e acessÛrios

Segundo o art. 92 do CC/2002, principal È o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Exemplo È o solo, ou um veÌculo automotor. J· o bem acessÛrio È aquele cuja existÍncia pressupıe a existÍncia do principal, como, por exemplo, a casa que se liga ao solo ou os pneus do carro.

exemplo, a casa que se liga ao solo ou os pneus do carro. 1. Frutos Os

1. Frutos

Os bens acessÛrios podem ser subdivididos em: 1. Frutos; 2. Produtos; 3. Benfeitorias; 4. Acessıes; 5. PertenÁas; 6. Partes integrantes. Vejamos cada um deles:

S„o os bens que se derivam periodicamente do bem principal, sem que ele se destrua, ainda que parcialmente, como, por exemplo, as frutas de uma ·rvore ou o aluguel de um imÛvel. O art. 95 do CC/2002 estabelece que, apesar de ainda n„o separados do bem principal, os frutos podem ser objeto de negÛcio jurÌdico.

principal, os frutos podem ser objeto de negÛcio jurÌdico. Prof. Paulo H M Sousa prof.phms 00000000000