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Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é característica da “modernidade líquida” vivida no século XX. No entanto, a prática do bullyingreflete essa realidade no tecido social brasileiro. O Brasil possui poucas medidas efetivas em relação ao assunto. Nesse sentindo, deve-se analisar como o Governo inobservante e a ineficácia constitucional garantem a perpetuidade do problema em questão.

Em primeira instância, é importante salientar que a tese Marxista disserta acerca da inescrupulosa atuação do Estado, que assiste apenas interesses da classe dominante. Dessa forma, alienados pelo capitalismo selvagem e pelos subvertidos valores líquidos da atualidade, os governantes negligenciam a necessidade fecunda de mudança dessa distópica realidade envolta da prática do bullyingnas escolas do Brasil. Assim, as nefastas políticas públicas que visem a coibir a violência física-ou psicológica no âmbito educacional, por exemplo, fomentam a permanência dessas incoerentes práticas no país. As consequências para as vitimas muitas vezes são síndrome do pânico e baixa autoestima.

Em segunda instância, é importante pontuar que a Constituição Brasileira e a sua atuação estejam entre as causas desse mal. Conforme defendeu Aristóteles, em que a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Logo, é possível perceber que no Brasil, a lei de número 13.185 Anti-Bullying, aprovada em 2017, foi um grande progresso em relação à violência escolar. No entanto, há falhas que permitem a ocorrência de novos crimes. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a presença de casos de bullyingaumentou de 5% para 7%, provenientes da ineficácia da legislação. Porém, embora caótica, essa situação é mutável.

Torna-se evidente, portanto, que a prática do bullyingno Brasil é grave e deve ser combatida. Em razão disso, a sociedade civil organizada deve exigir do Estado, por meio de protestos, a observância da violência no âmbito escolar. Ademais, o Ministério da Justiça, aliado à Associação Brasileira dos Advogados, deve intensificar as leis já existentes e instituir delegacias especializadas que visem a criminalização do bullying. A escola deve instituir em parceria com as Ongs, práticas de conduta e orientação de pais e familiares, promovendo assistência psicológica social e jurídica. Talvez, assim, a liquidez descrita por Bauman será contornada.