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A historia de Pierina subjetividade, crime e loucura Yonissa Marmitt Wadi EDYFU Br 28 Fe om 20 35 7 0 XI a3 2B 9 mento joensen, 656 raque7a. So Nin doen no 66 freauera t (35 Budo foi feando mais complicad 3a. aventura: rumo a Santa Casa de Porto, 2a ura histrias: 0 que nao foi, mas tersido ‘ 242 Informasao, desinformacao.. 25.0 retomo 26 Avdenea,contemporneos de um mesmo destino Capitulo 3 Labirintos.. 31. Enredando Pierina: 0 inquérito policial ‘eaconstrugio do processo-crime 52. Construndo imagens: juize testemunhas ‘equadram Pierina 33.Perinae seu crime, por ela mesma... 34. [-] realmente ela soffre das faculdades mentaes? 35. Epreciso salvara alma’: Pierina nos dominios da caridade e dafé 34 Enfim, entra em cena a medicina 32.0 Hospicio Sao Pedro e a complic Ueki rmplicada loucura 371. Vint e cinco e problemas, 372, ‘anos © uma trajet6ria recheada Acomplendaoucurad cura dos doutores Jm lugar para Pierina _ logo: Finitudes, Fontes Referencias se interpretacio histOri a as as de i ee mrava com SeUs pals Dre cal nao deve fazer suy rom taordinérios, chocan # eraeio de imigrantes a enfrentar 4 pcbes com outras comunidades de itn veido ocore em abril de 1908, em meig ma ina dP pct decln eye O antici letra deste ivr € muito cativante e nos permil asa vios pela autora para desvendi ineamenteo unverso de sua petsonagem, A pati de alguns poucos documentos pessoais, anex seu peonturio em 1909, no Hospicio de Sio Pedro, e Alege e do inquésito judicial feito pelas autoridadt do Vila Garibaldi, a historiadora resgatow uma série den e Pierina,reconstruindo aos poueos! ue teria sido, de inicio, um processo de constituigao de idem dade feminina, a comecar da propria necessidade, que st rina, de se explicar se fazer entender pelos familiares peo padres pelos dottores da policia, jute Je ha ativo no meio social {a colinia Conde DE provinha de um universo dell Imachistas exacerbados. Para a sobrevivencia dé i ee ntao do novo mundo ces fa ‘e convivio entre vial Veneto, na Lombardia of gem dos colon se tornass vtoridade do pai e dos: os controles, onde havi ouco contato com a civilizagdo. Esta autoridade paterna Por sua vez era ainda mais fortalecida por conta da proxi. ‘midade dos padres da pardquia da Vila Garibaldi. Plerina foi morar na mesma easa do pai, com o qual tinha relacoes sobrecarregadas de sentimentos ambiguios e na companhia cde um marido, homem italiano sem posses, humilhado no dla-a-dia pelo sogro e que vivia bébado, Nesse meio re- pressivo em que vivia Pierina, de normas fixas e ineontes- taveis, quando os policiais inelagaram dos seus vizinhos se hhavia problemas conjugais e familiares, estes responceram que de nada sabiam a nao ser que viviam em paz © harmo- nia, conforme os requisitos da Igreja Este elaborado exercicio de contextualizagao historica explorou uma multiplicidade de perspectivas e de fendme= nos que enredaram a vida de Pierina, nos primeitos anos do século XX, na colonia Conde D'Eu, na regiao serrana do Rio Grande do Sul, A pesquisa abordau aspectos diversos que se interrelacionavam no cotidiano dos imigrantes tais como a organizacao da familia, a distribuigao dos lotes, as duras condicoes de trabalho e de sobreviveneia dos que vieram da regido do Veneto, da Lombardia ou do Piemonte, paraa area serrana de colonizacio do Rio Grande do Sul. A historiado- ra nao poupou esforgos para entender 0s fatores de ordem geral, que tornavam quase invivel a vida dos colonos. Com admirivel sensibilidade para com pormenores e dados mi- rnuciosos, a que se deve atribuir © viés tedrico de sua in- terpretacao feminista, a autora enveredou por uma série de. aspectos os mais diversos, que contribuiram para dificultar a rotina diaria de trabalho incessante, deserita por Pierina ‘como vida de miséria e pendria. Documentou com cuidado, ‘o-excesso de trabalho que se esperava das mulheres que fica: ‘vam justamente encarregadas do cultivo da roca. Era traba- tho extenuante e ingrato, pois na divisio aleatoria de terras, ppara os colonos, seu pai recebera um lote de terras improd- tivas, Particularmente na época em que Pierina adoeceu, a situagdo se agravara, Os homens ainda tinham oportunidade 1 end nn ea levaral mor de mae jornal pops F Se tamente 0% orou as manifestag digoes oe Pe rizadamente documents secu XX, plas cond a suosatividades econmis wo un aasooalamplatspaumespaco publiegs nde podam fregientar bares, enquanto as mulheres nunca) Jexavam os seus trabalhos Seu matido chegava bébado em a0 ci, 0 que a deixava muito enfurecidas -rindau com aspectos 0s mais coneretos: vida de ierina no intuito de contrabalangar os sentidos gen cos do termos judas e dos diagnésticos médicos, sempk ' da moral familiar e sobretudoy © enorme espacoreservado ao significado do amor mater isda sociedad para o ser mulher nag colina italiana, Sb aselages sexuais obrigatris ea exigencta par as mulheres imigrantes de ter um fiho cada dois anos, Piesinal nava dato 0 Seu horror. Apésoit Ma ? meses de amamentagao, haa nina ter elses sens om o maida, pl i a vie sea, seo cobadal ee iliates © de vizinhangal "Ps 2.205 filhos wien es colonias italiana ‘> tnham pratiad@ ita os flhos paral mponesas. A consti "0 Seu quotidiano, ef casada, qual ino tivesse engravidado, Em sua carta aos dottores, a imigran- tenarrou a dificuldade imensa enfrentada para pagar a festa por ocasitio de seu easamento e lamentow a pobreza do seu noivo, imigrante solteiro e sem familia na colénia, possuindo de seu somente um cavalo. Era o que explicava o fato de ter se casado somente na Igreja. Nao tinham recursos suficientes, Para um casamento civil O rigor da pesquisa e a sensibilidade para com porme- notes coligidos sobre a vida familiar de Pierina e acerca da ‘mentalidade dos italianos da Colénia Conde D’ Eu resultou 1nos dois primeiros capitulos, em que a autora documentou. as condicbes de sobrevivéncia material eas queixas de Pieri- nna do estado de miséria em que vivia. Porgue ew no fenho nem terra nem casa nem nada. Apés meses sofrendo de anorexia ¢ judiando do préprio corpo, Pierina passou a ser cuidada ppelas freiras de. José, que Ihe deram banho, cortaram seus cabelos e a forgavam a comer, A autora entreteceu aos da- dos da pesquisa, muitas vezes a partir de pequenos indicios trabalhados por sua imaginagao, 0 que teriam sido essas mi- nuicias da vida de Pierina, O convivio da medicina cientifica ‘com as praticas de crendices populares, as ervas, os remé- dios a que recorriam as freiras tambem foram perscrutados. ‘A medicina da época pouco tinha a oferecer como cura para (05 males de Pierina, Entre dezembro de 1908 e fevereiro de 1909 sofreu algumas sangrias, que a teriam por certo enfra- quecico ainda mais. Parecia aos seus que ia morrer, de ta0 ‘magra que ficou. Durante uma dessas sangrias, teria tentado, se matar: chegow minha irma e viu o quarto todo sujo de sangue ella se assustou e me marar as mos Trata-se de um livro de narrativa cativante e ao mesmo tempo de uma sofisticada critica do ponto de vista do estudo, das relagoes de genero, do que teria sido a vida de Pierina como mulher e como indiciada, criminosa e louca, Em capitu- lo posterior, assinalou a _generalidade, sendo o descuido dos Procedimentos da policia, para formar © processo de acusa- ‘20, alem da presenca ostensiva dos prineipios lombrosianos, 2 ell aque levavam 0 sistem ‘ectem no exo dos ive facesso: 0 dos palicisise dda Medicina. histo cin eriminal ede pst P A énfase dada 2 das fontes ea covered ‘vida de Pierina © quanto os sistem noravam por compe sdoente,abstraindo ttn humans Estes cain das generalidades ie abistoriaoraa rake v0 dos textos pes quai almejou at como louca, A autora enfen cidtio de Porto Ale individualidade fefilha de imigra vamente es ima be recs equi psiquidtrico Igy ij, ocantetdo exp esos a fim de opor cases mundOs, mente apreendid dora reconstita tics para most 2 indiciada ou d des exstenciais 0 rina, atraves a soa € NAG) urais dos diversom cadeia, do judi spicio S40 Pea gum, a vé-la na Stal wvides sempre por ma mulher italiana ve trataram de dos tratamentog reteraro quant rina aceitar qual > acalentado pl Republica e pel dois anos apés crime. A sociedade da colonia da Vila Garibaldi nao somente a recebeu de volta, como deu-Ihe o espaco para uma vida de mulher, que acabou por enquadré-la no que os colonos italianos tinham como modelo de vida para uma imigrante trabalhadora e mae de muitos filhos. E como a historiadora ‘ encontrou, anos mais tarde, agora casada, também no civil, com o mesmo homem e boa mae de quatro filhos, ainda mo- radora da mesma colonia e talvez da mesma casa. A partir deste momento, porém, Pierina deixou-se calar, sem mais tentativas de se fazer ouvir, passando talvez a esconder-se no siléncio com que os documentos guardam o anonimato ddas qualidades femininas, que a imigrante acabou por en- carmar, acomodando finalmente sua existéncia aos valores ‘machistas dos colonos de Vila Garibaldi. Ficardo os leitores deste livro enriquecidos pelo rigor da pesquisa documental e pela sensibilidade critica com que a historiadora resgatou a tevolta de Pierina, em suas particularidades individuais e concretas, face a mentalidade dos meios sociais, que se man- tiveram surdos perantea turbuléncia desta mulher e firme mente apegados a generalidade dos valores culturais que reforcavam seus preconceitos, ‘Sao Paulo, 24 de agosto de 2008 ‘Maria Odila Leite da Silea Dias Historiadora da USP e da PUC-SP INTRODUGAO A GUISA DE ABERTURA Este livro conta uma historia, a da camponesa Pierina Cechini,! branca, casada, filha de imigrantes italianos, nasci- da e criada em Garibaldi - pequeno municipio encravado na parte superior da Encosta da Serra -, interior do Rio Grande do Sul. Contava com 28 anos quando sua historia levou-a de encontro ao que se configuraria como os marcos institucionais de sua memoria: a prisdo e ao hospicio. Em julho de 1909, foi 1 Osnomes de todas as pessoas diretamente envolvidas na hist6ria de Pierina ~ inclusive o seu proprio, de familiares, amigos e testemunhas ~ foram trocados por pseudénimos, conforme exigéncia do Conselho de Ftica na Pesquisa do Hospital Psiquiatrico Sa0 Pedro, Preservei, no entanto, os nomes originais de autoridade ptiblicas, médicos, lugares, etc. Preservei também a grafia original para as citades, nao sendo um erro de tipografia ou ortografia. 23 sir ato Alegre COM a 8 oe de Porto Al a pin Se entais' depois de ser it = a a i po evel os dos its ss pra CO rs como a Fa cos dau ear -sivel que 0S fragmento Torn gere io qe tao pasel cues ST vidal narrados po el chegssem 22% \0 prontusirio de Pierina - hoi: sob a guarda do Argui vo mae ce Fstado do Rio Grande do Sul ~ encon tte Snes intmads no Hgco so Pio de Porto Ale mie aveT emo de 1911 AP mascara ding deg sua "queria tm utube 3 Snead ~ apenas mee Sha ogc oi Bernakta Da Sata Cas Da Seo ste Anes a iveiment 8 ou soja, entre 5 de carta dirgida as ‘Sex dlicos legistas da Cheat 20 20 He Paocrne ma for iain, ’ Processo histérico de s tempo! suet durante muito tempo perecbides- ato pparcelas signifcaivas de seus contemporsneos quanto pel proprio conhecimento hist6rico - como 'sem importancia’: sulleres, 05 loucos, as mulheres loucas Resgatar a hi «te uma mulher singular, mostrando que amplas conflitantes, tensas e contraversas podem ser as ¢ Possibilidades de uma vida pode, por outro lado, nna tarefa de desvelar como é miltiplo 0 social e q diem ser enganosas a mpressdes sobre a importa tos sujetossocais, Esta necesidade de resgatar diversas jt fot indicada por Maria Odila Leite .] como possibildade de abrir caminhos novos cimento das sociedades humanas. Em outta i de "identidades femininas’, como diz a autora, ou de 05 ¢ espacossingulares como os ocupados Juco, "somente vido a luz na medida em que Vividas em diferentes conjunturas [u] forem g 1"? Quando se trata dos loucos, sejam. ‘homens - sem desconsiderar as malhas da d ‘nero utilizada como instrumento da ampla a pelo saber pelqulatricn ape "suturar [suas questdes de vida’, pode ter al alcangar "seus problemas de vida ‘Os condicionamentes, os compor Awsome Pn: sue cM LI mas das interpretagdes sugeridas pela esceitura de Pierina © pela imaginagdo desta historiador, ys tds. 0 a vim du yar eventos seer eH st ca ta A ose dere As cartas de Plevina e ulgumas leituras postveis jounad vn historiad ona areca ens st © Regulamento do Hosplelo Sito Petro, que vigorava Saunas nu ‘x 6poea em que Perna por It passou,celxava bem clara que eres em eam eto tempo « Haga 8 'Nenhum escripta poderfial aerrecebldo ou enviada polos en mater salt Mapes wugeridas por (OntGa forms vem previa auctoriacdo dos médicos' Esta reser, posi ua’ por om esses esta vigente env praticamente todos ov grandes hospitals pslquide 2 nes Toco = que aromente Pu tvicos brasileiro « extrangetos,jstifcavarse plenamient no A Asim, parece-ma gh plano tedrico do saber psiquistrico, Na esrita dos tidos como sea ‘loucos! ov allenistasaereditavam poder perceber com malvelae 172008 intomas da ‘doen que acomvetera, Ax histénlas de algumas pessoas que foram submetidas a exames elinicose p= ricials,narradas por Magali Engel, revelam segundo ela, are reenataialgoda vida de Perina ~ inter pra vida restaram ~ pode torna mos em conta outras interpretag mn as construidas pelos im xdores do Direto ou por ela mesma, Ek divi iam de forma precisa para a prOpk tes sueitos Perina ao longo de sua fi {.-J aimportaneia atribuida aos eseritos dos observados pelos Piquiatras, Assim, carts pessoas, distiosintimos e, atémes- ‘mo, opisculos, panfletos, livros, publicados ou inéditos,eram vist pelos médicos psiquiatrase legistas como verdadeiros ‘mapas da mina, cuja decifracao viabilizaria a elaboraczo de diagnosticos seguros." farina Malu, refletindo sobre eset culo XIX, "ti Jo ser lido a pal 2 Da mesma fon formagoes qu mente uma i (Ocxame atento de "quaisquer documentos procedentes da pena do alienado® era obrigagao de todo médico que tives- se sob sua observacao e cuidado um deles e era recomendado pelo Dr. A. F. Santos, para quem: ‘A analise destes escritos deveria pautar-se nao apenas sobre (0 que existe nem a descrigé ivida por Pier At 28 RIO GRANDE DO SUL Secretaria de Estado dos Negécios do Interior e Exterior. Regulanento do Hospcs So Peo, Port Alege, 7 fe. 1980 (AHIRS/CL 63?) © CE: ENGEL. Magal, Os dros da io: médica, louos e hospicos (Rio de Janeiro, 1830-1930), Rio de Janeiro For, 200, p 157, 2 - us Aver 9 Pom superna, ye ver sua fi er uma Tour! € ste diagndstico ~fruto de uma observacio demorada de ade o stim dan sen afih da meses (quase dos anos), mas que os lgistas haviam ‘adianta- sn ea las me dik 4o no primeiro ‘olhat langado a Pierina ~ fora também, em ita ma co grande part, resultado, segundo eles, das palestras que tive- ova as io, da fa vi detera mie lca elas ord a fi +am com elae da traduao - da instabilidade de seu psiquismo ~ nas cartas que escreveu.” Cartas estas que os alienistastive- ram - sob seu ponto de vista ~ a sabedoria de guardar juntoaos clocumentos oficiais da passagem de Pierina pelo hospicio. nin aS - Banda mis esquesido do mas me tieste crime por amon, Senne Do mm. queuma me que mata seus fil nai. op icra d Tg, as inv ma porter ‘Orara eiura doa pecitos Ga Rletoapa conieet repro dinate dar um bora ficado como "textos melodramaticos" escritos para convencer sacs gol et ganda fesidade la lena ‘0s doutores ou os homens do dieito,primeiro da sua nao lou- fs parame ard pasar esos com o maida cura, depois, quig de sua inocéncia. Sendo foram concebidos como tas, podem, a0 menos, terem sido percebidos dessa for- usta apresetada por Perna, em sua "card ‘ma pelos "homens de saber” Atos pra ter matado a lk, sem cvida,acresce ‘Ruth Harris, ao analisar uma série de crimes passionais. Baas elemento impo femininos.e seus desdobramentos na esfera da justiga eda me- ser incorporado a colega@y Ben cp eet ei Hance ns pc nce ana tae spar: ena ee dott 22 cine apresentava uma pall cculino oficial das avaliagdes psiquiatricas e andlises judicia Faeyr Pilar a depeneracso infer ‘com © mundo feminino das "defesas pessoais dramiaticas € ue tangia a responsabilidade das mulheres: Do ponto de vista legal, elas eram, como todos os néus este in * ity, come clita vcura moral iss tupnigin al" natradugdo dO i Tinea «Antonio Carin Peni em 10 de mao de 1911 = Gabinete Mé- doen ioLegal da Cheatra de Poli do stad do Rio Grande do ambos Hospicio $AQI tm: JUI20 DISTRITATDO CIVEL E CRIMEDEGARIBALDI. Pras " Ine LM =P. C.(APRS ago 30st. 29 an 1909) O testa amb = 0-2. ‘i ane ao prontuaro de Pring acim cade. f feltao medio lea! dos Dr Joo Pita Pio Antonie Carlos Pen i 0 Cares Pel fe em 10 de malo de II. JUIZO DISTRITAL DO CIVEL E CRIME DE st Cat de Pol CGARIBALDL 199. oso ita a tee — se pride a uma forte consciencia i se oe tT or yes labora ainda assim 05 i ras como agentes ee ; : ve ova 2 2 ce des is, 8p gi degneracio here Nea oc ape acemvam lgun acto sto rd um gato de iesyorsbidade a ama tr amp do ceo vl bil fein. Esses dol te vata espcniados eam acrescios de Outras es Alem ds dvr autobigrfcas durante ‘eyo mundo pes ds lores sabia. aos invest sats deals como carta amor es vezes, di ‘sop als tivo do crime. © mais importa tus carts aes. fata de seem relatos py Aesespr do cme eda iva viveniados, a que a. ‘erm pra jsifearomomento de insanidade te ‘ue segues, causa anna ara ator ainda que as Hora ainda que as imagens de incapacidal femining ivesem tvessem muita fora na das legais e médi ilizavam-se de uma combif ‘A esronn o& Poy unenvnane ena &Loucuna para certo destino de Pierina ~ apés ser indiciada em pro- ote cesso crime e ter passaclo quase dois anos no hospicio - € again a uma tarefa quase impossivel de realizar. De qualquer for- cat nia | ma, é bastante provavel que a propria "transicao’ entrevista Dewar er como, 0 cE, vores, as demonstragdes de arrependimento do crime co- CE coer ae meres Ton ea acta at eo ir eye iro quero ser conde Segundo Harris, “em intimeros [.] casos, 0 que mot poreme qu into cond ea vvava as mulheres envolvidas coincicia exatamente com visio nto io mera ew fila, Sg moral dos juizese psiquiatras intervenientes!* Nao ¢ exata- cena inka gent nen apes 'mente este o caso de Pierina, pois tanto os homens do Direito msn.com marie nen con oe ae «quanto os homens da Medicina nao parecem ter aceitado suas is conbi justficativas - "ser pobre’, 'ndo se dar com o marido, estar Eat ange gu pre, que Deng "possulda pelo diabo" ~ para matar sua filha, Eles buscaram 5 oe ‘outros lugares, como veremos no decorrer deste texto, uma explicagio para um ato to condendvel nos padres morale dlaquele tempo e lugar. Porém, as alegagdes de Pierina nao foram de todo desconsideradas, somente foram mobilizadag em sentido diverso do que Ihes quis dar ela, Os homen: bios, que representavam poderes¢ escrtes uma forma pela qual le dizer roprios veredictos, de olvida, maz estou sha de i arespondelg visam, um 15.4 “rato, Os Senhores sescita de toda nite “ow 38208 € F 4 c + rater ’ f ® , o muito Pe os médicos reiv i tendo em vista nj’ & a meio Penal da Replica ~ qu ie mmmeter 0 crime” rac de sentido @ i : ‘que se debrugaram sobre rsponsivel, no sentic ns comettendo o crime d pio, cetamente, eve a ide pea da i A wson on Prous sue cm Loin ‘Acescritura de Pierina despertaoutrainterpretaglo que em nada se parece com asanteriores ainda que alguns dos aspects, ‘agora em voga, pudessem ser mobilizados pelos médicos de ou- tnora em sua aaliago do psiquism de Perina a fungaocatar- tica ea possibilidade ce reinvencao de si através da escita. Pierina nao registrou uma historia ~ a sua historia ~ como uma escritora 6 faria, "experimentando a fascinagio da imagem: fingindo-se outra ou fingindo emocdes alheias.Es- na relagéo com outros, (@ 1 papéis sociais..) € que rém, em contextos diferentes com temporalidades diversas, ‘a experiencia da loucura como jé nos alertou brilhantemen- te Michel Foucault ~ adquire também contornos diferencia- dos.” Neste texto, que nao foi construido para responder se Pierina 'sofria ou nao sofria das faculdades mentais’ ou se 'era ou nao era louca’, reconstituir e desvendar fragmen- tos da sua pessoal experiéncia de loucura ~ a tinica tarefa ; er coltvidade, Ee possivel ao historiador- & no entanto, também um abjetiva rn inspec cha importante, A reconstusio da historia de Pierina acaba por ce multiplicidad ser uma possibilidade impar de mobilizar tudo o que se en vives Ga contra em jogo quando se rata de destnar um lugar acertas neto, mas também pessoas diferentes. Olhar para Pierina ~ a partir de como ela aie ‘mesma se olhou ~ ¢ também uma forma de enxergar 0 rosto, SE en ee dle quem, na maior parte das vezes, tem apenas um nome, vis ronidies ¢ nips ia tum niimero, as vezes uma foto ou uma digital impressa em reir ‘uma papeeta médica de um prontusrio perdido no meio de meee um imenso arquivo, Transforma-se na possbilidae de en. ) shi gets ns 0 ened a E so suportavam os pal nando-se avo de diferentes capture tra, Neste seni, asingularidade de rina lidades historicamente di X Yes em suas cartas = ag Feit ua aproximaci de aspect ie “Ss pesos tio estan, “70 sles ou sen mm sua diversidadal 1s relagdes ent aviv fern Fe joi 3s danas qe PrOVOCARAA ro eto nas vidas ntimas © 10 PFOCESEA Moats em dados momentos histOricggy ied tes sociedades.® tempo pr die ahecimento, a0 desvelar uma multipli renes dos “ideologicamente determi ‘ui contemporaneamente, por ou dades plurais, liberae 2 [x] de um Sujeito Ak ago da categoria epistemol ‘Ao me propor a resgatat, nas narrativas deixadag, ndente e exclu mentos jguradas em cada momento da existénela pre fazer algo provimo a uma biografia, Biografia @ 6 no mesmo tem ala cle outros homens e mulheres do mesmo tei bilidace de deseobs 1 cla se mostrayll que conhecdt 0 outrora lemon Natalie nas DIAS 19 OURDIE, Pe A INZBURG Cars Pn Gao, de ae een bo Die 19% pet DAVES Nabe Zimen 0 ar Ne Zen On ' AMADO, Janina: FERREIRA lode nt: FOV, 2 pests marger del oma eM ain Gare Ride ani: Paz oT # ‘A tas 0 Pua: suv cen Por isto, nao. a » NO se espantem lel presses como talvez, possiveln linguager *m historiografica costumam significar, e naa menos qua integra ave raraloene pontualnee de ele «oiler Peron me nargonde inten “cote deine ae gas << popleacmprender xperitninn evens werner ieveinesemano hi foemprenconcionnes tc patio a coin apininoa renin buscando as efomaieipuates ne enlnne e muito provavel- bis, que chamo invengio, iio contrardo acliante é, antes de tudo, um exercicio. Um exercicio de interpretagio critica das possibilidades indmeras que qualquer testo & qualquer vida apresentam a quem sobre eles se debrugar, Uma interpretagio, como a que Ihes ofereco a seguir, ccaracterfstica dle ger maltipla, ambigua, fu 4s vezes, pois €0 resultado de uma "fusto na linha do horizonte, ponto de encontro do historlador eneaizaclo nas do mundo contempordneo, e ys tradigdes do condigos pasado que busca interpretar Mas, ¢ justamente neste exereiclo le coragem, no qual cconsiste a interpretagio hermentutica, que todo historiador experimentado, sempre experimentador” = tem a cl Ai a ee ee te Big Na OS Tee ce EE a Cacia ie Op uetamgm es nso Se te 2 ae ei ” ndeda historia, "que nunca € 0 pg ‘lore ontingencial, 0 fort ria de Pierina = g Jando a voets a historia de a rian sete mpis,&margem do nonmal vislumbrados por presubversivos da ordem, do permanente, cuja existe : F *socultando as possibilids nterpretacdo ensjado neste liv istriadisciplin Ao desdobrard rina, 0 execcio de temporal emis). hist fem PROLOGO O crIME DE PierINA i ‘odin 26 de ari 1908, uma fa man ono, uma muther de 28 anos, chamada Pi habitante do distrito Estrada Geral, do de Garibaldi, encravado na Serra, interior do Rio ¢ hi cerea de 2 dear comrades ainhose parentes mais canada mina destino dia dopa de Pierina, 0 an Antonie a faa reuin-se para ir cap Pena, povaeimenteencntr alguma desculpa p seaman, cand assmasés com Elvira near em pica um plano teagado alguns dias antes. ‘Asim que seu marido Giacomo Brunell, sua m +a ote amis eo viznhosdeixaram 0 I vez por vlade ito horas da mana -confoeme i das testemurhas no inguéit -, Pirina fechou toda «eae so Frou coin a peysena Evi he un in, daqudas bem grades queserviam pat roped famicom um peo igua -provav tum po gu vapor pete nelaeniow a cabega Bento com dress meses dead, até que ela crime tornow: ie Perina, de testemnun w instaurado @ os suas motivagBes dos limites dp ree de vizinhanca ou de pal semis de prc das capes ep Peet pocado da regio ou se to jomalisicn Se nog al CAMINHOs.. 11, Pierina,o trabalho ea familia principal desta histéria, Rio Grande do Sul, em um, 880, fazia poucg, fe imigracao em iy ras, destacand ide de Sao P s6 na pai (, transfe m, experimenta ormaram, temunhos ( ws coli Dna Kak Conde Eg so ls Chg s¢ remete a infancia, a sua adolescéncia, Tanto em seus di- vversos depoimentos as autoridades pablicas quanto em suas tartas, sio 0s eventos, que ela identifica como mais direta- mente ligados ao acontecido - ou sea, a morte da filha - que ela rememora, conjugando-os de forma a dar sentido ao ato {que cometera. No entanto, ao narrar acontecimentos de sua vida, especialmente a partir do momento de seu casamento, fragmentariamente, surgem sinais de sua vida como um todo, fundamentais para compreender a construcio do sujeito Pie- rina. Acontecimentos diversos marcaram 0 corpo e a mente de Pierina e seu grupo de convivéncia (familiares, vizinhos, amigos, marido, etc), experiéncias miiltiplas transpassaram fe penetraram vidas que se cruzaram, construindo os sujeitos sociais, Sao estes acontecimentos, estas experiencias que se me apresentam ainda na forma de um quebra-cabega muito com- plicado, formado por pecas minusculas e com arestas difice encaixar, que tentarei agora reconstruir. Pierina relata em sua carta enderecada aos "dottores’ Bo. Hons SASARalipi candace a 24 ance pessow dia e noite para poder viver Anson Pv: sumer, aoa ‘Testemunhos de algumas dezenas de familias descen- jentes de imigrantes italianos ainda residentes no interior de yxias do Sul ~ uma das coldnias fundadas na mesma épo- ‘ca da Coldnia Conde D'Eu onde viveu Pierina ~ indicam 0 quanto a mulher era responsavel pelo provimento da casa & ‘pelo bem-estar da familia. Elas Cabiam, assim faziam pio, a massa, os doces e as marmeadas: com leit fa- ziam o queij ea “puna” (especie de coalhada); das partes no _aproveitiveis do porco faziam o sabto para 0 ano intro. AS roupas da fanuliaeram fits em cast, a noite com o ciaret’ (pequena lanterna a querosene) ou, aos domingos, quando chovi, as mulheres aprovetavam para costurar€remendar eres cabin a roupas,impeza dal Gala eesti esa das eee pad mero de pews cadet leet, 0700 de peu os peque rte, 2 ord + consertos de er ase sempre, Quando Pierina, mais tarde, depois de casada, rememo- ‘ava, cansada, o costurar e remendar intimeras vezes a roupa dela e de toda a familia, pode-se imaginar quantas noites © domingos teré passado fazendo isto. AA iteratura sobre a vida nas regides de colonizacio ‘abunda em descrigdes que separam as atividades masculinas thos aiais hos resi mlm fequent — ee auxiliares" em suas: ela compa specimen na 90° dia-adiaeconforme Noreaidade ssrcesidts 2 mulhes desempenhavam qualquel fe femininas. Naqueles tempos, o artesanato, especialmente teu pecmete quando os homens se ausentavall aquele em palha de trigo que servia para fazer cestos e princi ppalmente chapéus ~astrancas para chapéua que se refere Pie- rina ~ eram atividades de mulheres, mas podiam ser também atividades de homens, desde que contribuissem efetivamente ‘para aumentar a renda familiar, Jé as criangasacompanhavam, (0s adultos para realizarem os trabalhos mais leves e mais sim- pontes ou de outrass ino da far pois co Segundo dadosapresentados por Machado, na. Fer sede ge cit ul ples, dos quais as fontes nao trazem indicagoes mais precisas. © dasa oa (© artesanato, enquanto atividade feminina que ocu- Sits ice are ppava Pierina e suas contempordneas nas coldnias de imi- Crittves ee tera atividade a ser realizada a noite, nos grantes italianos, lias de chuva, nos domingos e dias santos, perfodos pres- 5,0 plano eos cuidados com as CUIEU bias alm do preparo reparo dos cereais coll Fins cdo plo projet ements Cultural ds Artigas Colin Ia Fan. oe Rio Grande do Sel da Universidade de Cains do are eer Ucs que enteveto descendents de iiantes tains a io de Cauas do Sul apod MACHADO, 183,106 - theres operdriag Nesta em Hite 9 5 ‘onot ol ‘A astou be Pea: suneb4ng eRe E LUCA gescans0, 108 48 pilidade CO} [... a atividade artesanal nao se transformou em simples pas- cs cs 1s de es individual satempo de entre cotheitas, ou de dias de chuva em que nio dda # eS am om aides a se trabalhava a terra, ou ocupagao apenas de mulheres le se ham ui ora meta constiuia em atividade ate mesmo de rendimento familiar, ativdades indivi al se incu princtPa tuma vez que vinha suprir no 36 a propria casa como a dos ‘nao oad 90 18 Sts artes COMO OG a Ara AOD Seas Dea Pe es anal, cutvand dere Pe Vizinhos, dependendo da maior ou menor habilidade de v tn a oar ose ras GeO tagio dos objetos produzidos ..] a tradigao familiar d bo ee fis, o preparo do flo de Tink sgrante era muito forte e que, sea mulher eos filhos igualmen- em de 18 gu ssa, o trancado da pall revs ¢ cestos. Muitas twiam para lavoura trabalhara terra por certo, desde que se alcancassem rendimentos, a mulher poderia dedicar-se, ou. 0s filhos, a outras atividades que ndo a lavoura, mas mantendo- se a estrutura de igual dedicagao a manutengao do lar, que sempre se constituia em generalidade entre os imigrantes.” a fabri trigo para as mulheres ocop da para enfita magi ro guises, solar-se para a realiz : 0 de chap iambém em fazer flores des que uma ou outra mi Poni, fad dade, Em familias extensas, onde virias Bere {mais proceente pensar nestes momentos, conse. Mesmo nas chamadas atividades sociais, que consistiam ‘em "filés' (visitas a parentes ou amigos) ou visitas as coma des, as maos femininas nao paravam de funcionar. Quando © grupo familiar eos vizinhos se reuniam, a noite, para con- versar ou cantar, as mulheres da casa (imagino que também as Visitas) sempre se faziam acompanhar por algum tipo de tra- batho manual, como trangara palha de trigo, bordar ou fazer 6 macramé. Quandlo a reunidio era feita no galpao, geralmente se ocupavam de debulhar 0 milho,fosse 0 delas, fosse 0 dos vizinhos que visitavam abtavam moments de comartlhamento entre as diversas de mulheres que habitavam a mesma casa. A av6, a mae assoltease as noras, provavelmente,sentavam a0 Fe dee nica mesa) erealzavam suas atividades, apr para coloar em di as conversasetrocando novi is ¢ialvez pequenos segredos femininos, Eran romp wenores que corriam) awe Geren elarando algun cuidado, Engi Bebra ae 2 roupa da familia, Quando o padre visitava a capela, aos domingos ou em dias Ps gases outa trancava a palhal 4 santos, todos iam a missa, mas quando o padre nao aparecia, Noentato,seesta ly atividade fosse vital para a SO) heres podria an sam envolvidas com ela All era costume rezar, a tarde, o rosario’ do qual as mulheres par ticipavam. Terminando 0 rosério, os homens iam para ‘copa! da Igrej,jogarcartas ou a 'mora' eas mulheres voltavam para. ‘asa, para os seus afazeres, Belmira Bove Ghidini, num de- sabafo, deixa transparecer 0 sentimento que, maitas vezes, nens da familia. Para Hohlfeldt, TIOHLFEDT, Antonio, Desenvolvimento cultural na zona de imigragt It sen fei lana, I: INSTITUTO SUPERIOR BRASILEIROSITALIANO DE ESTUDOS vode do Sul Ill | EESGUSA Ine nine exon, Po Alpe: ST Co oS SE CS, 1979 p25 Os do Sul: UGS 6 Avasoau oe Pa: sarong, cn Loucea jdiana da om sje quotidian ag possibilitavam, fazia-se necessario um regime de conten= ifs so do superfuo, Neste sentido, as artes das mulheres com a agulha, com ; 4 tesoura, com fios, papeis,tecdios, etc, confeccionando pegas, ios da colonizacao, Pik de vestuario, ce cama e mesa, assim como os aderecos ~ 0s java todas a atividade pequenos, muitas vezes simples, porém, delicados enfeites, ddapropriedade rural de = para "as pegas mais importantes de uso pessoal e de uso, so executava certas doméstico que substituiam as rendas e bordados importados,, porémeste ms s privilégio de uma minoria’, auxiiavam tremendamente na pecasu tice ‘organizagio do problematico orcamento familiar.® ferfdam que aqules que ocupassem o ugar das i Por outro lado, © que parece ter-se constituido, tam- peer aia ram motivo de e5¢f ‘bem, numa rotina para as familias dos primeiros imigran- das demi tes, & que os homens ~ especialmente os chefes de farnilia, = podiam empregar-se como jornaleiros, vendendo seu tra- balho a Comissao de Terras, na abertura de picadas, no des- ™matamento e em outros servigos junto as obras de estradas de ferro e mesmo no porto de Rio Grande. Estes trabalhos ‘ocupavam geralmente os homens no periodo da entressa- fra quando, entio, todo 0 servico do lote ficava a cargo de que habitaram as ene vas como mascln rmoastidascomo em tarefas tds como fein debe ou mesmo de discrimi Para cna no entant, fava claro que a0 hor a as avdndslcativas es mulheres as atividadl Iara. Tiare, por exemplo, ra servo das mil as quando lees desinva a0 comércio, ent sr dosh Ds om» dik ros uaafedlhes ee Lee Bree al neo hone © « mulher na Cechini, Em uma de suas cartas Pirina, refere-se a0 seu rica mscona determing pai como sendo zelador da estrada de ferro, ganhando para eb oa’ isto "30,000 (eis) por més’, dinheiro este que, nas palavras = dela, "garantia sustento da familia e alguma economia" mnt cid conmias mrcram as Vi Ji bastante idoso - cerca de 70 nos na época que Pierina i doin - como afta de Pierina ap rememorou ~ esta, possivelmente, era a atividade principal reslado de ue ea Subsistence condicionadl de seu pai Antonio, ficando a roga por conta dos demais hia er abondae Tpt boa, M membros da familia.” tes prob ‘A insercdo dos colonos em trabalhos relacionados a wines Anda que bras publicas, principalmenteestradas construidas a custos , ‘levadissimos e financiadas pelo governo imperial - medida fee . mantida pelos posteriores govemos republicanos ~ foi uma trocas que RIDER, TONTAZZO, 1979, 234 Carta aon dottores, HOSPICIO SAO PEDRO, Proto 38120 (APs =Cx.) i 08, 108) e Anson oe Pan sue, ca oun otras por et PA antes 523 ve axe para possbilitar a sexu Sev sustento até a Pri se gn Picci gee eer eee en hs at GR icirent a comer PPierina, especialmente depois dle seu casamento, quando entao iimnt ap 107 nc si im ev be apropriava detoco dinero geno pelo nove cas, danio 5 con alga 00 2 ada de fern ele apenas alguns réis por més. Da mae, Maria Sereni, pouco se ‘uve falar, como em geral das intimeras mulheres silenciadas ppelasfontesoficais. Este silencio das fontes sobre a mae de Pie- tina, de certa forma tracuz (mesmo que de forma deturpada) a posigdo que ela ocupava na hierarquia familiar.* ‘A maioria dos autores que discutem a organizagio fa- ‘iliar dos imigrantes italianos considera que, na chamada "regido italiana" do Rio Grande do Sul, a familia era do tipo ppatriarcal no sentido de lideranca dos mais velhos, homens, ‘ou mulheres. O pai assumia a direcao politica e econdmica da familia e a mulher se ocupava das lides domésticas e da exlucacao dos filhos. Para Oro, em certos meios sociais das regides de colonizagao italiana, 05 avés (nonnos), desfruta- vam de prestigio elevado, particularmente as avés (nonnas),, que detinham importante autoriclade moral.” Como nas atividades tidas como mais importantes para ‘ sustento da familia (administragao das terras, determinacao ica Pech constato cna construcdo de ferroviag svidade de etna de soos qu, residindo longe dos centrasy calddes de dil acess, ¢ et dat simplesmente a ontrando-se em situa vm tanto sur edesmatada com tanto saci gui § Argentina ou a0 Chile Segundo F De Vet, outro representante italian Baa desi oni dacoloizacio,o governo imperial al Imabalos pablcos om ntuito de ocupar os colons, pOk me rome do pl de Perna ¢ refer, vss vezes nos conjures de doc menton preferénias (km de em outros secures), de que se serve ete Iie pa construir uma versio de ua Pistia, sj 0 processo-cime nO {ual fot indciada eo prontuiiopigutico indica de ua pasagem pelo lspci Si Pero de Porto Alegre Jaonome da mie de Paria no aparece ‘enum ver ests 56 fl possive dscabio através da busca de outros documentos, especialmente fonts paroquas, como por exemplo: PARO- ‘QUIA SAO PEDRO. Rigi de Olio de A.C. Liveo 01 de Obie, de 18843 1925, Garibaldi, p, 62 0s documentos relativos compra ou pagamento do ote que seu mari adguiriy na coldna, como: RIO GRANDE DOSUL May ‘tats tt Clit Conde DE com ne dos fos demonstra do to tis eonos cena Nacional, orto Alege, a. (AHIS~ Fendo Documental Tmgraco, Terra Colonizao}, Cdice C312, 0.18). Os nomes de ton ox ‘membros da familia de Perna siocitados por COSTA ta, 1999p. 302 (As lia ales Do sable Conde DE) ORO, Ari P. Mi son tala: consiceragoes sobre identidadeetrica dos des tersdentes de ialiangs do Rio Grande do Sul. In: BONI, Luiz Alberto de. (Org). A presentations no Brasil Port Alege: EST, 199, v3, p, 611-640 ios gata nos armazéns pra rio que se Ihes dava em 2 On em ins, que os comerciantes a annie Chie de sua fami, © Jems nas rememoragdes dado imigrant 6 Avosron oe Pann: sunemoabe, cau LoucuRs Este costume talvez tenha se mantido, quando do casa- mento de Pierina, pesando na decisao sobre o local de mora- dia dos noivos, Parece ter sido ao pai (apoiado pela mae) que coube a decisao final (e possivel) ce permitir que os recém- sy vital das ative ve, criou-se tama para a ede dad nua pe fies dealla— ae casados morassem em sua casa, A contrapartida por parte os: erat 5 caer as mulheres 2 resPOnS dos noivos seria o amparo a Antonio em sua velhice, pois Ser ee este jtinha, na época, cerca de 71 anos. Nao tenho eviden- “he ia cias de que o pai agiu exatamente assim, e nem que houve amu ssuriaa deo d passividade naaceitaglo de sua decsio. Parece-me ter havi- senor ret do SPOS ido de fato uma espécie de acordo interessante para ambos: ee ewe al an ets See ee seguir, nao cumpria alguns dos requisites importantes para oie air sempre exteve centrada assumir uma familia; e, por outro lado, Antonio Cechini te- screw popes renemoragtes de Pirina, Ea Tia quem cuidasse de 'sua velhice como diz Pierina, spe de nibs sade, portanto, merecedora No entanto, 0 demasiado controle administrative dos “eae chefes de familia criava embaragos aos recémvcasados, na ‘organizagao e administragdo da propria familia. Vivendo na casa de seus pais e sob autoridade do pai, Pierina e seu marido eram obrigados por ele a Ihe entregarem todo o di- ‘heiro que ganhavam, fosse com o trabalho na roca, com a venda do artesanato produzido ou com o trabalho do mari- do na estrada de ferro. As mengbes a figura paterna, feitas por Pierina em suas cartas, relacionam-no sempre ao con- trole do dinheiro da familia, a quantia de dinheiro que ele = admins cabiam a0 chefe de Fann polo a |. O manejo das plan as aquantidade de cereals ip pai consultasse st importante (¢ ; ne teria guardado, a certa mesquinhez em redistributt entre nts nator ca s membros da familia - especialmente ela e seu maride s : tree ‘uma quantia minima que permitise o suprimento das nec ‘cessidades pessoais de cada um, Segundo Costa, 0 poder restritivo dos pais, riados aspectos (seja no afetiv es provoc s, mantinha-se ll em seus va- wie = ‘0 seja no econdmico), muitas ve~ va nos ilhos revolta e decisdes contrétias, Pierina {ambem parece ter sido afetada pelo exercicio do poder pater. ne aue pela manipulagio do dinheiro do grupo familiar que er m-se apenas) i275 P-.Tambem em COSTA, 179,204 (Valores da imiggae o Em pin ugar, €possivel que ner ness mas nacas patra, < otivacoes quea refed mete aconteceria e poss orce confirMAr A ue pres spulheres de qualquer Scio oS dusiod mina tosa.a pedir es cn ga morte ds EUS so dep ote nem er Partir do travessdo, que poderia ser tm ou dois em cada l- §ua,eram clemarcados 0s lotes. © niimero médio de lotes por ‘avessio era de 32, enquanto que em cada légua seu namero ‘médio de 132. Estes nGmeros médios néo representam a igual- dade de lotes por travessio, jé que em alguns o niimero era bastante superior ¢ em outros bastante inferior a esta mélia™ sn nasoéncia desta mesma frase Por outro lado, 259 eee 8 diviio da te8 Go pi apés sua morte da ela mesma) €2 mae: + | depois sein ew unto pore minha iy Hee ae i sims [1% Ea terior ~ bem como a tradicao ~, Pol Apesar dea legislagio vigente prever que o médulo ru- coo rani al nas colonias possuisse 25 hectares, e da divisao formal da Paria ce osheriios =P pod terra ter realmente sido feita desta forma, por ocasiao da ven- Onn ge ee oe dda dos lotes, e mesmo apés o assentamento, o colono pode Pierina € que fcou morando com adquirir terras em numero de hectares bem menor = no aso idaquelas que se encontravam préximas da sede da colénia -, mu bem maior, no caso das terras que ficavam nos limites das terras destinadas a conservacdo das florestas. Assim, entre 1875 e 1886, na antiga Colonia Caxias, por exemplo, se a0 tamanho da propi fe possuia Antonio Cech baie ea queer nica heranca que podial em 1.600 fotes distribuides, dos 2.200 postos a disposicao pela Comissio de Terras, apenas 611 tinham as dimensies legais (25 hectares), o que corresponde a apenas 37,96% do total dos lotes vendidos. Destes lotes,34% tinham érea infe- na ocupacio do solo nas antigadl "or exgia legalmentenquantoapenss 2% nam ea Rio Grande do Sul nao correspondeut & superior a legal sta pela empresa colonizadora do GOVE 'nicio do assentamento dos colonost ee ler sido o fator determinant Segundo G CGIKON, Loraine. Ocooperativismovinclagaécho:aonganizasdo ina In: DE HONI Luis A. (Org). A pres alt no Bras Pon Alege EST, 1987. 272 GION, 1987, p.273 ~ ail ortantil ‘Aston or reo: uvierave, cat voucune 1 de familias, portanty gue na época em que Pierina re. ae embra os acontecimentos de sua vida, 0 pai tivesse cedido oun. omo heranga uma parte da terra a um de seus filhos vars tora, "nao es seguindo a tradicao, xo de ilhos da familial O valor do pedaco de terra adquirido por Antonio esta- ! fragmentagdo dos va determinado em 1505000 (3 réis a "braca quadrada"). Po- a ae eieda Coloria® +ém,a divida contraida pela familia nao terminava ai, pois a0 i gwen de terra com ea valor do lote somavam-se os '20% do art. 6 do regulamento a agricultura, pat "de 19 de janeiro de 1867: 30000" e os 'adiantamentos feito ie dos pregos que 4798100", totalizando "6595100". Tomando-se como referén- 4, nem a0 nme cs ‘como necesséria para aig asa ca correspond ta irada. Na colonia Caxias, ent! 1985 dados citados por Giron, nao parece que a familia de eahades por bast quad eitoréis, sendo que PPierina tena pagado um prego injusto pela fracio de lote que 86. irae em comprou. Mas, posso imaginar que, para sua aquisigio, os Ce- Fn de a chini tenham agido de modo semelhante aos primeiros colo. dos espculadoreslevou a que Para Giron ‘nos que compraram terras na Colénia Caxias, que t nie variago nos pregos cobrados pelos entre 1875 e 1885, nas léguas Te VI, puderam obter lotes pe- {quenos ou grandes e fragDes deles. A explicacio para essas Aaquisigdes podera ser a da tradigao, mas também o fato de Jaconado qualidade do solo, nema decors def |. Nioh igualdade de distribu de res de ts eds 2s colonos, Muitas Vea preferirem, por mativos econdmicos, as unidades js demarea- muerte RIOCRANDE DO SUL, (Mapa Esato de Canis Conde D' Eo) ® ‘Aston Pa: sameeoaon, cate eLocuna uirido sua parcela, a Em 13 de abril de 1909 - quase nove anos passados e con nuco antes de Pierina matar sua filha ~ alguém, que parece + © mesmo Luigi Cechini citaco acima, envia novo requeri- ‘mento ao governo do Estado, solcitando que: £0 dirtam sociedade com ou no proc {bs tendo pago ao governo o ote n. Ida linha Rio Grande em decada situacio particu ‘nome de seus filhos menores Alfredo Cechini e irmas, con- a povoar Conde forme consta do talao do titulo de divida colonial n, 77 de 27/ " re enentaram (so ced 14/1908, e tendo agora feito doacdo, aos seus fihos, do late n- i ado govero, tc) fizeFam 12 da linha '15 cle novembre}, vem respetosamente, inpetrar A preva. Assim, nao € dificil ue digneisordenar que sejapassadoo titulo definitive docta- sy asuatentatva de Manter-s do ote. 1 da linha Rio Grande’ em nome do petiiondrio eae de um peda por par. sta no foi uma situa Os dois requerimentos s80 enviados de Guaporé, uma Lespieartis das colénias mais recentes, criada em 1898, apenas alguns : am suficient ‘anos apés 0 término da imigracao em massa (1892). Nas no- i spor Gul vas colénias, como Guaporé, encontrava-se uma "populacdo srk trade peas Ce italiana ou de origem italiana proveniente das areas de loca- Tizagao mais antiga" e a formacao destas, segundo alguns au- tores, deveu-se a que "o alto grau de fertilidade das familias «colonicas ~ em media 8-10 filhos - havia provocado um exces- 80 de populagdo, que se viu obrigado a abandonar o proprio Jar em busca de terras virgens'* Estas circunstaneias fazem pensar na probabilidade de que o Luigi Cechini, autor dos re- guerimentos, seja o mesmo Luigi Cechini, irmao de Pierina Herdeiro em potencial na tradi¢ao do minorinato, ofilho mais jovem de Antonio, no pode, no entanto, seguir a tradicao, Pois as conjunturas, os desdobramentos, as alternativas possi. Weis, ndo permitiram que assim fosse. A busca, pelo irmao mais jovem, de novas terras para os sell plantar e viver ~ em novas colénias do Estado, ou fora dele, i, io menos um dos irmé ardes' de Ani jo de Colonis » Rio Grane mde 1900€ aceciem =| edendo um) RIO GRANDE DO SUL. Repuerenfo 33. Guapore, 199. (ARS - Fundo nto" Colonizado, Terrase Titigrasae). MANFROI, Olivia Halanos ne Rio Grande do Sul, In: DE BONI, Luis A (0%). A presen tla no Bras Porto Alegre: Escola Superior de Teologes So Lourenso de Bends, 197. p. 178-179, 7 ssreivindicagbes 66 jo sorinho para 0 Brasil 4 -¢ uma hipal dle maiore pal pa on) (ol a prema Jo na casa d08 f ual me refer m ional entre os it muitos dos imi Grande do Sul Jencla: o futuro) egundo a legit se a Giacol ‘A iso oP suns cn # cus 0° Quando nto havia trabalho, Glacome fleava em casa, casa ‘ta no qual pagava "um mil ress por dia de comida’ ‘A velhice se aproximando, a auséncla dos filhos varoe, ada melhor due um genro para cuidar da roga ¢ ajudar ro sustento da casas "vardé, nolé mia rico, ma Ye wi toso del quale no se pol dire nhente, Ghe piase laorar e 1 pro= prio sério (ele ndo ¢ rico, mas ¢ bom rapaz, trabalhador e de ‘quem no se pode dizer nada)", Teria pensado assim An- tonio para concordar com o easamento de Pierina com um rapaz tdo pobre, que ndo podia oferecer a ela nem ao menos ‘uma casa para morar, exigencia primordial naquele contexto historico?” Ou teria sido a auséncia de outros pretendentes para ‘uma filha ja em dade de casar? Entre os imigrantes italianos, naqueles tempos, 9s rapazes casavam-se em média com 20 ou 25.anos eas mogas até mesmo antes, dependendo dos pais. No rntanto, Pierina jd tinha 25 anos quando se casou, Da mesma forma, 0 casamento com a consequente constituicao de uma nova familia parecia sero grande objetivo da vida de pessoas ccujas ambigdes eram pautadas nos preceitos crist3os.. Da uniao do til ao agradavel, como apregoa o dito po- polar, resultara o casamento de Pierina? Ou fora ela obrigada 4 casar com um pretendente eseolhido por seu pai? Ou, pelo ‘ata aes dations: HOSPICIO SAO PEDRO: Prous w® 38.120 — PC APRS-Cx 6) DE BONI, Luts Ay COSTA, Rovio Os italianes do Rio Grande do Sul Porto gr: Escola Superior de Telogia Sto Lourengo de Brides; Casas do Su Unversidade de Cais do Su: Corot Riograndense, 1984p 158. © Extrem condigdes eoneretas de saretvéncia para a nova fala que se ‘cemara com o'casameno ea fundamental pra que este se realsase © clever ser uma preocupasio de pals e noives. Segundo De Boni Cos- 'u- a csos de ovens qe no se castram ou 0 zea depeis da dade “tendida, por falta de ents para agus da era e constracio da “ats uan eign ct Ee a, riya ay sce porque o pena comm ea gue [ar de aluguel na caénia no fevitevivers DEBONE COSTA #84. 136 Segundo. Azevedo (1975, p23), rico sabre as decisbes da fihos quanto a excotha do cOnuge, quanto 2k econdmica eo eomportamento pessoal tetardando thes a completa ” a ‘A wst04 oe rena: saneroan, cx voucona © grupo vicinal, ou seja, aquelas familias que ocu- pavam terras lim(trofes na mesma linha constituiam uma espécie de extenséo natural da familia. Segundo De Boni © Costa, 0 grupo vicinal era considerado tao ou mais im- portante que 0 grupo parental, muitas vezes havendo uma equivaléncia entre eles. Era no grupo de vizinhos que sur- siam as grandes amizades, que empréstimos matuos de ob- jetos eram feitos e que aconteciam as trocas ea prestacao de auxilios, por isso sua grande importancia. Porém, no grupo rave nao sto descartaVeis vicinal, além dos encontros que geravam grandes amiza- ra mentoseascircunst des, podiam surgir também édios intenso: Fer fragments destas. VIN Um dos momentos importantes para o encontro e 0 ¢s- tabelecimento de relacoes entre os jovens era a época de 'ma- ios de Pe thar" © trigo. Nos primeiros decénios da colonizagao - época mas é bem possivel que fem que nasceu, cresceu, namorou e casou Pierina ~, 0s colo- oe manor, dae no», para "bater o trigo nao dispunham de trlhadeira ou de utras maquinarias. Batia-se o trigo no patio das casas!” F para bater 0 trigo manualmente, ou como diziam 'a mango- al’, ou mesmo utilizando umas poucastrilhadeiras com traca0 animal (boi ou cavalo) quando estas existiam, era necessario reunir varias familias que se deslocavam entre os lotes de li- seoes com a velhice @ oa Pa apa gue oda fa eras concoes dese os rela 3 pos ae estemuninam SUAS Te enconto um toanspais , es aot No hi mes contro com Giaom ‘ ssi ocainho com nha em tinha, ajudando-se mutuamente na colheita do trigo, jes do grupo vcnal ou d A chegada para 0 inicio da colheita era motivo de congraca- nao a ape, Com a pu mento e festa =i ®podiasurgir entre OV © congracamento se devia & necessidade de maior numero iis por oasio ds ests, en dle mao-de-obra ea festa se devia ao fato de que a trlhagem Prop contro entre do trigoexigia almogos especiais para os trabalhadores. Tam- is vezes da mesma linha ren amie no existam “olds, nem cercades para impetr mistura-secoma tera eansim, os imigraneseseus descendents wentaram [-] usa is - ‘ora quinn simples para oar os gros decreas da tra, Cavan ‘sterco novo de gado, dssolvianvno em Agus, formando ma composi no un a ue eta espaada no solo firme, seco e bem varido,Aos rales do seta stetecmento aml ‘tinpocgdosecava, impermeabliava o sol epossibiltava a debulha do to eranca cult trgo sem misturar com peri otra ste proceso fo comum para a ns] a6, que clbutha esergem de cereals Conforme tsternunho de Paulo Montemezo ‘cs tansmitindg {iho de pas ge veram para Brasil em 193), concesido 3 COSTA etl once pes 1575p. 103 (ngaglaiane no Rp Gre do Sl. ledo Sul o Ariston o& Pras supervoane, cae Louie entre mocas erapazes, geralmente nos "encontros domingue’- 1os!, eram consideradas como "tempo de tentativa” de enamo- rar-se. O namoro propriamente dito s6 comegava quando os encontros se realizavam na casa da moga pretendida. Neste ‘momento, os jovens ja deviam contar com a permissao dos para engolir de encontro e diferentes, comida wen eras pais de ambos, eos rapazes, pts passova UM OU Lames da da til anc apa cash ‘para namorarem casa da pretendida futura companheita, de i ne le de) iam [..] combinar os horiries de namoro, bem como com- fae 0 i ees anporiva fords og prometer-sa respeitar as exigénciasimposts principalmen- eco matt ata [+ : tepela mae da jovem vane deconvivencia mai, entre MOSHE ‘Onnamoro, conta Antonio Fiori (filho de imigrantes, nas Un eda colbeita do trigo ou nas festas al cido em 1901) "comportava distancia e espaco entre os namo Ha amines de casamentos © enterFOay rads. Em geral, os namorados ficavam um, num lado da sala, e outro, em outro lado. Nada de sentar no mesmo banc: andar de bragos", Outros testemunhos dizem que, no ini ‘os namorados ficavam "em frente 4 janela principal da casa, a enn, fon estendendo 08 3a se vizinhos', os quais eram 0S “forges para formacio ds pares casamenteirOs vue aires pura estnder os casamentos paral al dle pé, S6 depois de algum tempo, a dona da casa oferecia ca- ace rai laabein biologi diras aos namorados!.’* Joana Demarchi, filha de imigrantes dle Treviso que vieram para o Brasil, em 1890, diz que onamo- inns ques tinham rapazes ou que SO tinh eee 2s Ou que tnham mogasidosas demais para TapaZeay cle uma conversa amiga de pessoas que se encontravam. Ja- ais nos foi permitido darmo-nos as miios e nosso namoro mpre foi a distancia. A infalivel presenga dos pais no per rmitia nem pensar diferentemente.” 10 teria sido encontro de Pierina com Gi era seh nto da colheita do trigo, quam lngta seu aval, aranta de seu sustentOp "zquando, apos trocarent 1 teza do tergo ou da COutra filha de imigrantes, Isabel Ferreto Gotardo, fala de zuma festa, Giacomo mandara Um ‘seu sentimento em relagao ao namoro em tom de queixa: "6 de uma cranga, como era com Somente uma vez por semana, o Emilio podia visitar-me, {A visita podia durar 15 minutos, no primeiro més. Depois, ico no qual ‘a vida afetiVal 93, p. 154 (stations sl Ro Grane st Su. 1.71 Ginga linen Rio Gre Su), Costs etal, 1975p. 72g tins no Rio Gram $s), 93 a ptem aio do qu faem creros de ‘nero efeqante com que os jomais da € dose dads de 1940) falavam da lib cobrando uma nat vgiancia dos pais sobs umindiatv fre de que os contats interp joversenrado no eram to inocentes alam muitos testemunhos. Da mesma form lnosconimam a quebra das repras rigidas, me vers aum aso alto, Todas as depoentes de 1 oa de muiteres que ‘etemeie em estado avancado de gravich nae ne oe Teve uma stip aces co ease Aig “Somme eave nto sb “mulher que ela ia fica ‘A soba oF Pana: sunrinaor, cra roucua « nada recebial muta Este 1 "diferentes formas em relevo, com "motives figurativos li- pane quina de costtFa Jos ao barroco italiano’, estas pecas traziam o resultado de cor edoenxoval, "dO Gt aprendizado exclusivamente feminino, eram uma heranca mato em croche."! Tambem no bati, deveriam estar guardados alguns rdanapos de croché™ destinados a enfeitar os poucos is que o quarto dos recém-casados conteria: possivel- stumes que pre mm a composi os nio pessoaist os, como ja S@ Sab deyapiceais Sendo assimy tum lencol de pano grosseiro, porém alvissimo.” Para, 2 com roupas} fe, quando safssem da cama ainda sonolentos, nao esfrias- va mae ja possul bm os pés antes de alcancarem as chinelas, Pierina pode ter se a Ua ido alguns tapetes de "palha branca e de cor de nimero, 3.5,7,9", daquela palha "bem bonita’,* pois, além da funcao tilitaria, eles serviam para enfeitar um pouco as ridas pe- ddas casas dos imigrantes, Segundo Michele Perrot, eos seus, Ta da cama e do Be iinnstca tdlaavten imac aaa rm TONIAZZ0, 1979, p.234 Eee ce nt, HOSMCIOSKOPEDRO. Pron 38120-P.C To aa dace cana ce these em ue o boda no era uma pratica €0 cos para cofescionaroenoval depentia, ‘Aniston or Payson, ce Etoucunn pas antes oa ide no dia do ea Apesar de uma festa ter ocorrido dando visibilidade soci iO" napartida, poder acontecimento, o enlace matrimonial de Pierina nao seguiu a Tadicao em todos os seus aspectos. Como se sabe, o noivo no [J elle me a em casa de seus pais, assim a festa ocorreu em um hotel Scoble cidade.” Provavelmente também nao fot uma grande festa, sho 0 de ido a condicao financeira dos noivos. izam o significa? a ‘Como talvez tenha acontecido no casamento de Pieri- sade decolonos alia © Giacomo, nos banquetes de casamento de familias po- este corporificado nasil participavam poucos convidados, preferencialmente os mocos do sei ares dos nubentes, os vizinhos de teas, algum amigo 9 dos quais fora eriadl ial € 0s parentes proximos, Dentre estes estavam os pa- ; muito anunciado ejay Hnhos, que faziam parte de uma das categorias de convida- fesua e outras familias preferenciais, pois normalmente eram escolhidos entre os tio significal entes ou vizinhos nes noivos. “A escolha de padrinhos nao passaseellla baseava nas posses, mas na amizade e nas ligacdes com a amilia’.” E também bastante provavel que, apesar da simpl Fdacle da festa, um pouco de danca tenha ocorrido, animada iniciando-se com a valsa nupcial Imagino que tenha sido isto 0 que ocorreu apés a cerimé- ia de casamento de Pierina Cechini e Giacomo Brunelli, em 5 agosto de 1905, Sobre esta ceriménia apenas mais algumas ras. O casamento fora realizado somente na Igreja, pois os churrasco ‘0s nao tinham dinheiro para o casamento civil, rememorou Je grandes fe jerina em sua carta a0s doutores.”" Normalmente, logo apés a 1 depois amento acon a cavalo S| cezes recebid os! «ov ainda por ntavam-se 10, IN ¢poca cm que Plena e Giacomo se cassram, hava pelo menos dois ho- : eis na cidade: o Hotel Casacutae o Hote! Faraon, Segundo Clemente ‘Ungaro Hotel Faraon fl nchsive aumentado em 190, pols proctns fra grandee, no salto de refegoes, eran realizadas estas CF CLEMENTE, : a Eivo; UNGARETT, Maura Hist de Gartld, Porto Alegre: EDIPUCRS “ bela Igreja os cz 5, sta uma festal (CLEMENTE: UNGARETT, 193, p70. No registro de csamento de Perna smo os ministil ‘om Giacomo, na Parggua S8o Pesro de Garibaldi conta 6 nome de Ppdrinhos, mas sim de testemunhas. PAROQUIA SAO PEDRO. Registro de is encontro Gone dP. cm PC. Livro 2 de Casamenos, 1905-1909, Garibalp : ave PAROQUIA SAO PEDRO. Regist de Caserta de J.P om P. C. Livro 2 ‘de Casamentos, 1951909, Ganbald p74 ve75 Talver em fangao da no c alzacio do case civil que Peina lena mantido, quand casada © Sobnenome de seu pa no assumindo o sobrenome do mario casa era fe Ao Suly 101 rhesna, em sve narativa,relembra qu Anson o¢ lina: sumeroane cnt ucika raccen saber oque queria "dicer maid ares umamaa sempre respetada por todos Dera che os costumes cos imigranteg Para os que seguiam vivendo com seus pais (os dele ou dela, como no caso de Pierina) nao existem relatos sobre Presentes recebiam, mas pode-se supor que fossem pecas (Os relatos 0 rndets, como 0 tados acim, enfatiza [Pudessem engrossar 0, muitas vezes pobre, enxoval da ‘dosexul completamente nula por parte dos pal iva, como objetos de cozinha, vestudrios, roupas de cama, sale conversa ou manfestacSo sobre 0 ail fetes varios. decorisoerdo ro queinplicaia iz) Findo este periodo, que se pode considerar ainda de }oracdes, as rememoracdes dos imigrantes e seus des- lentes dizem que "o casal entrava naquela rotina, dentro fa qual se previa um filho quase todo ano, 0 trabalho arduo, Parciménia, num ritmo de vida que reproduzia a histor fivida pela geracao anterior’. Entretanto, para Pierina e Gi 10a vida nao parece ter seguido esse mesmo ritmo, dade csades em meio aos rit | _O jovem casal comecou sua vida conjunta com dividas 7 herciadas cla cerimOnia de casamento, pois ao noivo coubera a ipra do vestido ce noiva, das aliangas e da cama do casal. Fi- am assim devendo '.. 45,000 do vestido [da noiva] ao arfaia- = 20,000 réis ao carpentero da cama, 20,000 da despesa na casa [-' em que morara Giacomo, antes de se casar. No principio da da de casados, conta-nos Pierina, o marido comegou a traba- har na roca fazendo os trabalhos mais necessarios (como limpar le preparar o solo para o plantio, com a enxada ou com o arado ide tracao animal), depois foi trabalhar fora para poder pagar as Hdividas que tinha. Trabathou na estrada de ferro durante dois favam pre Imeses, juntou o dinheiro ganho, voltando entio para pagar asd vidas. Repetir-se-ia, a partir de entao, a rotina da sobrevivencia: 0 {rabalho na roga para garantir parte da subsisténcia ea volta para ‘© trabalho na estrada de ferro para completi-la. Poupar, para ad- Quirir outros bens que nio a comida, parece ter sido um sonho. {iticil de realizar, como veremos.a seguir” Giacomo e Pierina entregavam tudo © que ganhavam Para o pai dela, pois ele assim o havia estabelecido quando in tersecasado coma intencdo de acompa ada propria morte e pensando em teF Wi a mais inelizes de todos 0 fu ios devem ter nesma forma quel s, de jovens out ‘om DE BONT: COSTA, 198, p.159 (Os italiaes SDE BON; COSTA, 1991, p16 (Fala Meri Cat aos dottones- HOSPICIO SAO PEDRO. Prot n’ 38:20 ~ PC (APRS-Cx.8). lo Grande do Su. ni" DE t™ 105 = : - CRIME (OUCURA ons en fee pras pessoas, A congregagdo de imigrantes em torno de sociedades © ei neces para COMPA associag0es foi um fendmeno bastante disseminado nas varias rem et. Segundo Pirin provincias brasileiras ~ dentre estas o Rio Grande do Sul -, “mesmo antes que se iniciasse o fenémeno de imigracao em massa". Jéem 1871, em Bagé, nasciaa"Societa Italiana di Mutuo ‘Soccorso e Beneficenza" e, em 1877, surgia em Porto Alegre a ‘Societa di Mutuo Soccorso e Beneficenza" que teve como seu presidente honordrio Giuseppe Garibaldi." Causas diversas recizo chorar, elle respondia que el motivaram a disseminagao da vida associativa no Brasil e no Rio Grande do Sul, como: 0 isolamento dos imigrantes nas co- lonias distantes de centros urbanos e com precdrias vias de co- genro Giacomo, :municagao, a divulgagdo do conhecimento da lingua materna, miles no Domingo) porém, a difusdo de mercadorias, de praticas desportivas, de crencas, ri no crasuficentepara as despessjéestabeleGHe politcase, prineipalmente, © auxilio em casos de acidentes de guts por eu maid, quanto mais para qual trabalho ou aassisténeia médica, pst evra cu mesmo para as despesas dea." Chegando a Garibaldi, sozinho, sem parentes e sem a No rl das despsas habitual de seu maridO perspectiva de conseguir um pedaco de terra, pelo menos nao em prineio lugar, o pagamento da mena pelas mesmas vias que seus conterraneos chefes de famili Scio Sec Giacomo Brunelli encontrou na vida associativa uma forma de aproximagao com 5 demas italianos da comunidade. Mas, também, uma forma de garantir certa seguranga em caso <ée doenga ou necessidade, problemas para os quais 0 perten- recisava mandar ferar' fazia parte das despesas do mario de Pierina, Giacomo tinha de seu apenas este "cavalo insilha- {io Segundo relatos colhidos por historiadores da imigracto, «posse de um cavalo = especialmente de um cavalo de sela : ei "0 S6 de tagio = garantia um certo prestigio a quem o pos- ‘gt . indo da igrejal suia, entre seus conterraneos, Se assim fosse, talvez a posse 1 “este nico “capital” tenha sido'o que abriu as portas do con- ‘vio social, do trabalho e mesmo do casamento, para Giaco- \ Branellt, Portanto, era preciso manté-o. Mas isto custava sent, Por out i guano’ fora, dae en sana em ces waklhar na edi para elle, mas: cr uminten das do delle, ou pedit, para ! ade lalhiana de Moito Socoro, est ios "para tara 0b o controle masculino, o que nfo € verdadeiro, dada = dar vazao 2 intensa aividade econdmica exercida pelas mulheres, 080 vem 06 toe raras vezes como maior geradora da renda familiar)! Se as lembrangas recontadas pela historiografiafalam de priticas de sociabilidade restritas aos domingos, ou aos mo- ‘mentos de congragamento familiar ou vicinal realizados sob 4s vistas da Igreja, as lembrangas de Pierina remetem a outros ‘momentos e a outros compartilhamentos na vivencia de pra ticas de sociabilidade. Pierina relembra que seu marido Giacomo, nos perio- cdos em que permanecia "in casa", nos intervalos dos trabalhos lito de algae ‘COSTA et al, 197, p. 8285 (ng alin no Rio Grande do Su). FAVARO, 194, p26 (Ingen omnis). 1 re eerincore ° oa et fogs OTN nn de etapa cast i ie ipiamo venir sd a buon diamo, que domani dob aay uc aman teres que evantat cede Names como cidar ds animals, pot ex a cer er elads 2 oa reuentade Gacomo fase proximal ae de de Vile Gail ois as distant vine de deligaco no permitiam deslocament Gmina a0 longo da Estrada Geral, pouco ‘companheiros, que eram vizinhos, iam deixando 6 egndose pra suas casas, Talvez nesta cami Siglo a ua cass Giacomo e seus compan gasp, entoassem canses como: "A dgua apod ses 0 vinho me faz cantar, Vino bom e legit a Deus nasalture Toma teu copo de vinho e deixal gu 20 sevmoinho! nada renga popular~ também pres comchrgaosa ets contapbens alguns hal regio de colonizago italiana, como Francisco Ghel ‘inho conduza 3 embriaguez e fag ™dvida, Que sso enhaacontecido niko POU rain. Em COSTA et al, 19 Pratca de vam a eons al ‘ersos que ndo 5 P ‘endas ou bodega er mulheres. A sociabili ‘um momento no par de nio produsso ~ frente parece, gerou inameros confits pistasdeixadas por Pierina, Por outro lado, a exch «de sociabilidade mais com’ cin walidade que permaneceu depois pvimeiros anos da coloniz primeiros anos da colonizagaos Rs Franco Ghali, nasido em 1010391 1. Sea em 18, CE COSTA et al 1975 Son oa Crt 0 ex, HOSPICIO SAO PEDRO, Prone (ans 8) ! ws peer" romicamente © 38 WEZES, aritaredade 0 e5POS0. promocoes, asta (anabe esis ve rc ees omens rear eens 0 LST ances, qando nao amentand ae a vida apertada em casa jane do eps Joa bse mass evetualmentee em a reine cojpptastndo mules Sua maior diverst0, re ‘cesanteroment, ea oencontro com as amigas, fs como ni oti dear de ser, atalizavam-se m ee Tal’ Atividades hoje consideradas como partel ‘mos lugares de sociabilidade e : da joada de trabalho doméstico dio (mas no Re semelhantes ~, € cuja educagao anterior ao casamen- recterelzadasnesta etapa) endo como formas dela to como a sua, fora praticamente nula, Pierina ja soubesse «ostumeiramente realizadas pelas mulheres das col6h que se tratava de uma crendice a idéia "de que os bebés depen fencer dell cram trazcos por uma velha num gesto de palha se en- tio, superado © primeiro susto em relagdo ao casamento ~ ou seja, o de saber o que queria ‘dizer marido' ja estivesse informada das possiveis conseqiiéncias do relacionamento intimo que era esperado dos casados, poderia reconhecer «s mudancas de seu corpo como prentincios de uma gravi- diez." Se enfim, Pierina jd estivesse preparada para seguir 4 tradicao das familias de imigrantes de esperar um filho lzer das mulher «cada ano, a auséncia da menstruagao, um certo inchaco igo alana nas dtimas di ‘nos seios, tonturas, momentos de dor e enjoos freqtientes do século XX. = até mesmo frente a cheiros e gostos tdo conhecidos como © da erva-mate, da polenta, do frango cozido -, anunciou, vez no sem objets, como fazem crer, ta pasa roup, prepa bos, fazer tic pha de trigo para a confeccdo de cestas otf lao mith, costurar eremendar ho, costurare remendar roupas, ete ok 8, Vagar = sindnimas de laze era lg lazer na contempa endo servem para explicar Poderiam ser consid Guano homens do grape _ ar a 1 WORT COSTA. ea Ta a “sande deportes de Far (D3, p. 3605 [= As mop mo saa “20m da cancha de B ‘ota, Algumas ficavam sabendo pelo mari, que explicava Has iam para is) or aper “sn sem sar de ida Bu nga n,n a Par ‘ve tf oe deter tear ete eR ri 5 ocupave som deseo Ene ern gene cette pense “i aes Gom un ap ue amine seamen euro "i aes com mem ae ava gravida Acre “es feet ane que ne ang ea ais po mares a “nd ae an segue ne mee sue aA mink aman ise ada uw esperavamy vin, ouetodcsansiosamente prime lho esefernecessirio aqui. BP Uap lianos, realizado oo igntes i oe ape nied encomenda! de um. ihe eee er asd etal familiar, £0556 a0 Fae Dees do primei, er cuts doe fos pao Norativas de imigrantes Seu ia aoe vatzam aida de uma pote Numerosa GOK Outros autores, trabathando com fontes orais, indicam rm de De 4 «we o nascimento dos filhos,além da emogio que gerava na Anuncada a gravider, comecavam imeda ‘amilia, era de fato marcado por uma expectativa diferencia- ow te nice apenas ~ a8 especulageg : BONT; COSTA, 196.10 (Os alias do lo Grande dS). By para bom andamento de uma gra qe usualmente parecem ter passado po antes eseus descendents referiam-se. 20 estiro ova uma sre de cuidados 4 Simpatas ou supesies que podiam f Ince do bb Segundo as simpatias, seria duane o prod de gesaco, a mae tomas os ue pia ‘evitar males futuros a seus fil rips 4 Nama fai ‘ganbo dela Pein e de Gi ‘neg n pai da moa com 0 di Ceci comprometid — xo prepara por erin par seu bob slguma pouas pegs. Talvez muitas er algunas de suas irmés,cunhadas 0 {hum flhos,Povavelmente faziam pi fn camisoles, uma touquinha (a scifi ‘cabra da cana, um ou dois cueiros 7 embruthsiae us fdas. Tudo mpulsionadas pelo puder, por padries conn pera ser ates por parti (-Jeomparithavam das vidas das mulheres ‘vendo seus Hincimodos, guardando seus ‘suasamizades.Eram mulheres que exerciam 0 ‘tiinos que as demais, mas também ‘aso de alguma doenae,principalmente ajudavam ‘dae uz, Tham uma profunda insene8o piso doméstio,incuindo as cransas, 08 ‘num unverso goverad pelos valores eae as poi chee a camideandoe ees valores, 0620 il sr ina guardados Dasa oo medio &casa de Anton plod wma parte so eoe teal se de ' Fi ad ‘sliredo Chaves (atual ci ae e atendeu a cerca de fora que nao tvera Tanto oa pact tua scol para dei i cena tum os nframen ata de medic ono campo feninino, enfin, ado isto constitata un a tradigao, mas especialmente, Sykes ops ennino-e en Rm qe mules prcam poe a parbeice pss intensivahatatha para mi nos texto 6 ee the cneco, tran bastante provavel po das mulheres, : lta dela seu saa mulheres muta des ssa compa ra dese icades com ours ml fn nha rena feito por uma parteira, fren mis cies do auc med, Nc ‘isco aignas do Rio Grande do Sula como se dav 0 ppagamento das parteiras, € também | gue a pti que realaa part de Pena tena recebido slgum™ sien de faniles to nance TTTRONIT COSTA, 191, p, 18-16 (Far Meri Cano rao shes Rea itr as coli ete 27 Do ii pened ial dean oa Sn ade er clonns parse ass, son cay aie doom de aH ocean SBE BONT To pa (acon dom 4 Bea 7 HOM COSTA 18 pe (Osis de Be Gand Sa lbs © cidades, com we —— yoo Mower A ent port. No se 0 (dR 8 7 spi brasee menos do que ‘costumavam cobrar ‘ao doa poe nao ter reed nada sean eta por Pena quanto a0 dis eps ser inerpetad cOM0 OUTS a esento da fill, como com 0 enxoval W rsciment, pr exemplo. {ina lkima reflex sobre o parto merece re Going efetindo sobre as diferencas entre ‘re leptiase egitias na Inglaterra do sécu lagu, paras prineiras~ as males consideradass alin de prose "um perodo a ser planejado com o apoio semipblico, formado pela viz 1m er também una questo de dor e trabalho, B opto sent suas does evivenciar 0 traba il mdse mosends vena arsine de outa meres, fazia earnest ae " ‘alando das me ws do Rio Grande do Sul, Favaro di Settee pat po temas ao nl ‘Suportar a dor; a aver outa pacdade de =r em Pietina, e em out ° tempo todo, il ta dito, mas qué all "0, para noe to de 192, para ores colyaadl c serclhandass a privada dow pol e208 filhos fi rm, chamada El ome dealguma falvez mesmo, de algun deixou de ser eumprid filha, como segundo nome, Fivira Maria 'veio ao 1907 seu nascimento foi, re’, diziam as vizinhas, eiam todas: que tivera o filho.! Essas cheg sando uma galinha velha e bem ge ; ae (caldo de galinha), ovos, azeite de oliva, agdcar ou outras Udolicadezas! para agradar e ajudar a recém-mamae a supe- raro perfodo da ‘quarentena!. : Acabado o trabalho relativo ao parto, feita a higiene da parturiente e do bebé, agora era chegado o momento de cui- ‘ar da sobrevivéneia do pequeno e da recuperagao da mae. ‘ quarentena, momento de repouso e cuidados especiais que “undo Favaro (1994, p 245), a imagem que resultados depoimentos de mnt da Reso Colonia Taiana do RS, sempre uma imagem de orca [osc Comprovala, separa de im part's ferr= mostande a difcal “nds, sempre nferiores asa capacidade de sportarosofrimento ~U30 ‘a, dsacands os inpreisos eas eign para eer og © rome da mie de Gath Maia Brunei refed em: CARTORIO/TA- BELIONATO DE LACY RAIMUNDI Rei de Oo dP Livro C6 de oon ey 4/04/1985 finda em 17/0/98 22 43180, ars temo 2772, PAROQUIA SAO PEDRO. Resto de Batismo de Me P. Livro 10 de Bats ‘01903 1908, Garibaldi p89 (COTA eta 195, pt (Ong tatoo Ri Grade Se. Bs i. <0 pao ties ooo durante o ‘caso de Perna - ou em dias dec esasse tomar um copo de vinho,e "sctm-nascid merge ua puncva " ike de spc fie onan de maisu io [ra uma nova pomolae Nota oe he mana sto& mal pecan Pcl), amb, mais roupa atin, Seo catvesse outros ETROS, 68 dive Surtarlebraghe,ow'surtare le c6tole tarascakas ov enc a aia, conforme 3e Oil ern ou mein, Encarta aaa ou calgas 6 gor paca comprar mas coupa, fazer mag redoirmas™ rile da ratalidade.. vee qu poseriahaver Um De Boni e Costa: Preferéncias frustradas quanto ao sexo do bebal seeqrosvon en tas populares ue bs eo 01 =e nao traduzia o de tain de unt peta eres nee ‘hes open es, mas vem nascer outra filha, en através do dito i pul depois 0 homens Eta sti de compe Prefers linia ments, pe rocedimentos, uacaram possively ee essiveimentea gravida el cE ty to Acct Matis ec desennei dea ordacies de: a "S,onascimenta at deen ‘antos outros perso una’ (cama Pr ter sido usada d para que 0 bebe esta pega usual ‘especialmente a Enfaixados " tadas, para evitar q cem-nascidos passat ‘aixa, [-Jaqueles para.ey «estas para nd er «20 italiana no Rio cias varias vezes a0 dia, momen do corpo” do recém-nascida, tentanto, nao aconteciam a noite, mesmo molassem, pis era fren ques PERS Shacos com sua propria rina = tos e sadios".!** ne ‘b Outra dimenstio, do, naseiinen iS Aid peuserin nnndoyacee pee pled rn propa cas), cabend ‘om hea soa ropredade om ut Sac parerenpe ro ea gaan dePetna ee Det form. o que ners destacan te rganzacio familiar predominante era ‘en fami em que os fi Insane os oem ei ros ls mas por todos que 6 sane tom rages menor ene dan 4 ds mulheres au cava encrregada cast am na colonia ou and chegava ahora da {m 9 responsabilidad eal eo acompanhal open “ltacbes de diet Sm a8 criancas fea ‘outros membros da mesma casa, ios rural, at teria se consti instalago = no 6 are social secu “inner do RS, mostra a lange Segundo Fone (cies enalvend erlang “joao 0 more don pa a Se path (ie MLE gen eae nN ice ie aa pa, 1992; STONE, Lawrence: Famili S30 ¥ 7000. “Meaico, Fonda de Cultura Econémica, 19% FONSECA, Claudia. ie ee mateo e Billiogréfce de Cinias Socias, Rio de Janeiro, r. 27, P {oi uma idéia que ela "sempre" manteve setnioe outubro daguele ano de 1 dias comin dos, tres no, comia inp [de] Outubro, na Seta fra, que. Prine sun esolh’ ~ de uma forma I snorerou,tlvez, penasa forma possivel d cavirosofrimento que a preenchera de form ‘ansmadou-e em um movimento acelerado a0 que parece rum impulo incontrolavel, e tar outa formas de morte ot de pe {-1fonacornha gare uma varia, bot ® ole rst den, quando vi que nf, ‘te fiz sto porque naquella noite queria, ir mé yam tudo de perto, fue come deo no fhe neque pa sinivel ~ misto de {rmandimaa mani chedo, me alevanto, € Val pelovras pronuneiad face at mre, i mal ane elles dormindo, fi perto de casa ten Ul pe raat meses ina mae pe ‘nunciada von velo 5 me evan arid, donde, eu esta, ome vy, and, ‘cla pogo a la sa agora, con FAVARO/ 99% p ana aos otto, HO (APRS Cx 6 20 contro -e isto hé uma aproxi {ena ocorrdo com Pierina nos primeitos {urfacto-niohavia uma diminuigdo das ai ‘i doen, continuavam trabalhando no ‘itm intenso servi and Sib om iad ey "Ginho das mulheres, CE MAES Lemonina Sto fas DS ia foe 195 e DIAS, Maria elena 0%, Ana Gertudes de 18h So z Hospicio chegou, ‘fmando existir ascendente. °scunlor,chefe dee nigosemelhante a sua? Uma opiniao que, quem sabe, que ndo conseguira su dade do ‘nono figura a quem se devia ~co oxida pea ern Perec mtd dsemacions ae ‘Stetp os mpoinnor pon ee aay tered fc ace ipureenttt® 1 me dope ea seca de den ee Oa Sen enn dure ee ables tases HOS chs rhs Pa 8 none di ra um dos pot io pla busca para or asic 4 “eric. CC DE BON, 67,6 208 (A cloniag a Cra aos dottres, APRS - Cx. 6) 7 PICIO SAO PEDRO, as Negdeios do Interin € "erinod Hospi, Pad. com 0 cunhado fereiro ~ sersagbes de cobranc, podem também ter emengido len dehistrias sobre paentes,conhecidos da: mar, que passaram por experncias de in tiuies psiguistricas Espcialmente, quanto a ue tis experiencia teria tido para 0 _sr0po mais amplo de convivénia dos envolvi ‘ranga deat, a fama de Perna tinha: a de deta = Andrea ou Luigi», que estvera tae amos ntes,"conseqhéncia..| do aleoolismo!, ‘xrladose ahi mesmo fem lonando © vicio aleostic,escreveram, em SHH Garibaldi, once vivfia ‘3tornada doenge cados por ‘ela, seus descendentes = eménio, fazia com “rd de maiade 1911 =a "tao do to Grande do Sul slivulgar uma imagem positiva do. Estes deviam ser vistos como 'o lugar p a ” juizo DSs- de abr de 19 ® do subdelegado de Poll em . VAL EMME DECARBALDL 1 As resis oso ent ean, referee eta on / 2683 Guedes Riteir, pois se encontrava, «oda comarce, econvocou Pierina para {6rio formal, Naquele momento, Arama dePierina, uma nova etapa do proc vezjuridica, ‘Numna sala reservada da Intendéncia ribald, o Juiz Dstt procedew ao prime de ern, rasta pl exrvao do cago. AS Prave quanto ao seu nome, idade, naturalidal tempo em que residia no local e meios de vid ines ins Flaivas ao crime. Segundo atta anos de idade, ser asada, "deste. me ‘argo para que foi [fot apresenta Prerina, Nesta, qu ve ysTRITAL DO 28 de abril de 1909. JUIZO 0? P patria ciminosa ce SIME EERIME DEGARIBALDL I, yur DESTRIALPO VLE CRIME DEGARIBALDI 190 ‘r(o promotor) ‘testemunhas pa REA, pe one oxen pura a constitu da eeu a ‘manipladore tenicos da justi, iment En de mai de 199, veram inl so airmou no éecis sets do proceso de Perna, oo eis). Pen Dist na casa da Intendéncia Munipal opr cae Pre ps do ie cathe a tea adj, paren inquirir cada uma sep ales ments, Nad fora aero soutesem ou no ouviase luna ts ere asd conform pl segunda est ‘rocesso Penal do Rio Grande do Sul to 4 anos, agricultor, ‘Um olhar lancado sobre 0 tol de testemu ‘al n’ 4, 2° segdo, oO ‘esos depinenes permite divi ag Ges Bes Um dos bcs er oma poh eth ou coeds de longa data ag we «xordo,principalmente por ‘eopareceu ao haga onan ¥ Fee bes O outro S creanca fora bec pi coms aca Rt ue tinham uma ag A {oimento que *mantinhare fe sabi Pan 25. mado Giacomo eae 40°55 gato anos mais ov mens! «abe Ss I, de etna eS revestem se de uma BM “ssl vivia bem [..] pois assim OUVia CT ao que vida viva e compat ® perguntado se sabia ahora em OF 27, Num lugar inte Primo de Pirin, ero teem rela oct jo de 1909 JUIZO DSTRITAL mento des M, em 8 dma RIMEDE ARIMA DI, 198. tei ese ar te uh a tapendd ga Sedge epee rena Pr vai pe ndoisincadetrgae ceca dees No ental ie cinenin dey S,emade ai aa GAEDE GARIBALDL 190, CINE DE CARA 9/020 DSTRITAL como podfiam] atestar os vizinhos A kim testemunha ingui ano casa, empregad publico (oficial 13 Vil Garibaldi e cunhado da denunciag «time. Carlo remeteu-se ao passado, esse como causa! ou 'o motivo’ ‘que "Pierina Cechin, doen, jarmorre, wo que tal do ato comet Fi nove ou cez mezes en cn, dlimentando, e dizendo seguid Pot ser pobre, néo ter roupas, Dp PERRIS 8 emesde ARIAT 10 JUI20 DISTRETAE 5:5 irmaos e irmas, ‘wWaisquer, podiam ser mio de P, emé demalode 1% ‘CRIME DE GARIBALDI. 192. Fert eno alguma das vizinhas de ll {s5~nahorado part, nos fils de fim de ta 1 lee, no veléro do pai; ox mesmo a ‘€Om de Elvira quando esta esteve afas estas mulheres eram cya) e apes uma semasTi20 70 ino Bett Pepe B RME DESMO SERA [N20 DSTRITALDG CIEL ESI: mas Jenin fora ide Janet: Fo BOL. crn “ostculo, Ride] * sinda que de brs, Vamos a hos em conta Joana Pedro ‘Serge nests oon. A ul de mulheres ‘za Num ogo Pternidadeacusand Pocuram, em tia 19, ».7 (Press sun arta 90s dot 2a de roupaa ‘Senos dla hou (se mportant Ss de roupas noe to ent ao ua ‘ilo pega le achada que era "Que justifeassm sea ieee it Eira, como es icicles oxen eetrrio, aspectos! feuds do dna ed strtura de ireosqunisela fama ena qu cabia mulheres foam desconst Do elaterio do a stag de agents malpos dente ees crnial qu levouad reels Sir cequisitou a cnt nares 2s rofundas dren nemo denim ses os Gesve da 2 fngotse ms veces lena ple nas - ster fine ds Sac com uo dts nasa 8 {alr (cue responsabilidade de manuteng@OlRe ‘es todos os filtros pelos gi sobrea mulher sugerem 0 reforg [ada YEE ‘parece estar destituida ‘Sts doe valores burguess. Essa situaciol delmim eo havia sofrimento, conte Aa Ao contrévio, dizem os depo ade eno aro na autor arid. Se exitosaa mulher Fl Pls sais dea exigides cau one oma mortal ‘ofimento em que vivia Pi ‘srrazoamento’. Porém, Cerament geraa inten 9 colcadh na hab ‘obreosihos eo Persad pls (0-1984, p 261-2626 rodape aa he ran prea a te enone in ta pa at a cro epee doa 0 a religto eo Sobre a i ‘verdict ea eben no hom tse dal ia moral isk ent ataves das ern espe Giacomo, exjas respostasindicaram q mento adequado, um maridocorretoe que ddecomum asua condicao de filha de imigr ddecolonizasao recente, ou seja, pobre, 5 "Ao ingirrtestemunhas e informants oral das ré,o que fica conigurado é uma t pifcaras mies desnaturadas, cometedoras d prowocadoras de aboros’ cliz Joana Pedro. ‘so de Pirin, sobre quem néo era cabivel qu Posivel comportamento amoral no campo Seuuldade ov um exceso de vaidade pessoal f2masdashistrias de infantcidas ou ‘abortei Po Joana Pedro, outro foi ocaminho encontrad ter vivaaideologa do amor matemo inato: a d Sev ato como um ato de loucura Casadalegalmente, muito re severe como esos, me don S4¥4L 20 que parece, Perna ny ligiosa, cumpridor u-de-casa,trabalha resentara adequag ol per nen in roduc levar consigo os filhos