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ANGELOLOGIA

Estudo sobre os anjos bons e os anjos

maus

ANJOS E DEMÔNIOS

Os anjos são seres espirituais que foram criados por Deus,

portanto finitos, que possuem um propósito definido na obra e

criação de Deus, possuindo personalidade, podendo ser de

vários tipos, obedecendo a uma hierarquia, podendo também ser

bons “anjos de Deus”, ou maus “demônios”.

O termo hebraico “malãk” tem como significado “mensageiro”. No

Antigo Testamento encontraremos esta palavra para significar

os anjos. Contudo levar mensagem não era apenas única

designação, mas também desincumbir-se de alguma outra

atividade específica, e representar de modo oficial aquele a

quem o enviara.1

No Novo Testamento a palavra que designa esses seres é

“angelos” que tem o mesmo significado “mensageiro”, ou

servidores.

A Bíblia fala em anjos bons e anjos maus, sendo que

originalmente todos foram criados bons e santos já que em

Gênesis tudo que Deus criou, Ele viu que era bom. Contudo
alguns se rebelaram e escolheram se voltar contra o criador o

que os levou a uma condição de “anjos decaídos”, também

possuem propósitos, e estão sob o controle de um chefe

“Lúcifer”.

ANJOS BONS

No período pré-exílico o anjo do Senhor (mal’akh yahweh) é o

agente direto da vontade de Deus, preservando uma

personalidade sem nome e sem se revelar nominalmente aos

homens. Alguns argumentam que as aparições a Hagar como em (Gn

16:7-13), e a Abraão no monte Moriá (Gn 22:11-18), a Moisés na

sarça ardente (Ex.3:2), como também a Gideão em Ofra (Jz

6:11), são apenas a tentativa aparente de suavizar o relato do

antropomorfismo do registro sagrado. 2 Além de mensageiros da

vontade divina, podem prestar socorro aos homens(1 Rs 19:5-7),

prestar ajuda militar (2 Rs 19:35). Os conceitos são muito

rudimentares na literatura rabínica quanto aos anjos guardiães

ou o anjo da morte, pois a visão desses seres ainda não é

clara quanto a sua originalidade.3

Já no período exílico e posterior esses seres ganham traços

mais firmes no sentido de propósito como também passa a ser

reconhecidos por nomes como vemos no livro de Daniel.

No Novo Testamento também encontramos a mesma designação dos

seres com relação a missão dos mesmos. “No entanto o conceito


de anjo guardião é aguçado como na literatura rabínica (Mt

18:10)”. Também estão associados na transmissão da lei e quase

sempre ligados a questão apocalíptica, ou seja, do julgamento

final.4

A Bíblia fala numa variedade de anjos bons, apesar de somente

Miguel e Gabriel terem seus nomes registrados (Dn 12:1, Ap

12:7), estão divididos em diferentes categorias como querubins

(Ez 10:1-3), serafins (Is 6:2), anjos com autoridade e

domínio(Ef 3:10,Cl 1:16), e espíritos ministradores angelicais

(Hb 1:13-14 , Ap 5:11).

Entre as suas funções está a adoração a Deus como vemos em

Salmo 103:20,21:

“Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos


em força, que cumpris as suas ordens,
obedecendo a voz da sua palavra! Bendizei ao
Senhor, vós todos os seus exércitos, vós
ministros seus, que executais a sua vontade!”

Os anjos apesar de exercerem essa adoração na presença de

Deus, em um momento, essa atividade se deu na terra por

ocasião do nascimento de Jesus Cristo, como está descrito em

5
Lucas 2:13,14.

Eles revelam, comunicam a mensagem divina aos homens, e ainda

estão profundamente envolvidos com o ministério da mediação

das leis no Antigo Testamento como vemos em At.7:53, Gl 3:19;


Hb 2;2. Apesar de não terem desempenhado função semelhante no

Novo Testamento, contudo são portadores da mensagem divina no

caso de Maria (Lc 1:26-38), Filipe (At.8:26) e etc. Eles

protegem, livram, socorrem aos servos de Deus nos momentos de

aflição em Atos 5:19 um anjo livrou da prisão pública os

apóstolos que ali estavam, para que eles fossem ao templo com

o propósito de falar de Cristo ao povo, assim também aconteceu

a Pedro como vemos em At.12:6-11, eles estão permanentemente

cuidando de nossas necessidades espirituais, travando por nós

as batalhas espirituais, no que diz respeito a anjos da

guarda, ou seja, o anjo específico que cuida de cada indivíduo

ao longo de sua vida, Erickson citando A.J.Maclean, diz que

essa idéia fazia parte da crença popular judaica nos tempos de

Jesus, mas que foi transferida para o pensamento cristão,

contudo não existe prova suficiente nas escrituras que provem

esse conceito.6 Os anjos executam julgamento sobre os inimigos

de Deus, ou sobre o próprio povo de Deus, trazendo destruição

e morte como diz a escritura (2 Rs 19:35; 2 Sm 24:26;

At.12:23).7

A figura do “Anjo do Senhor” aparece algumas vezes no Antigo

Testamento, esse anjo é representado como o ser celestial

enviado por Deus para tratar com os homens como Seu agente

pessoal e porta-voz. Algumas vezes ele é identificado como

Deus, sendo assim uma extensão da personalidade divina,


falando não somente em nome de Deus, mas fala como o próprio

Deus usando a primeira pessoa do singular como vemos em

Gn.16:7; 22:11; 31:13. No Novo Testamento não existe nenhuma

identificação, já que ele é personalizado como Gabriel

(Lc.1:19), ou o Espírito Santo (At.8:26-29).8

ANJOS MAUS

Com relação aos demônios, ou seja, os anjos maus a escritura

pouco relata a respeito de como se tornaram maus, como também

sua origem. No Antigo Testamento existem referências sobre os

demônios em Lv.17:7; 2 Cr.11:15 sob os nomes no hebraico de

sã’ir ou em Dt.32;17;Sl.106:37 o termo shedh, significando

ambas por cabeludo ou sátiro.

“Nessas passagens há o pensamento que as


deidades que foram ocasionalmente servidas por
Israel não são verdadeiros deuses, mas em
realidade eram demônios (Cf 1 Co.10:19 e
Seg.).Contudo o assunto não se reveste de
grande interesse no Antigo Testamento, enquanto
9
que as passagens relevantes são poucas.”

No Novo Testamento o termo grego usado é daimonion, o que

seria um diminutivo de daimon. No Novo Testamento essa

expressão sempre se refere aos seres espirituais que são


hostis a Deus e aos homens, estes anjos maus estão sob o

comando de Belzebú, também conhecido por Satanás o acusador.

Suas atividades estão ligadas a todas formas de tentação e

engano, como também a infligir doenças como vemos em (mc

9:17;9:25;Mt 12:22; At.8:7), contudo uma das funções mais

destacadas desses seres é a de impedir o progresso espiritual

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do povo de Deus (Ef.6:12).

Hoje alguns advogam que a possessão demoníaca era apenas a

forma como os antigos viam a enfermidade ou a loucura, já que

em muitos casos a possessão provocava como já dissemos

sintomas não muito diferentes de doenças como mudez,

paralisia, epilepsia, cegueira e etc.,ou então da loucura como

recusa em vestir roupas, viver em sepulcros. Só que a Bíblia

distingue possessão de enfermidade ou loucura como vemos em

Mt.4:24; Lc 13:32.

Segundo Erickson os demônios podem até falar usando a voz da

pessoa possessa, e habitar não somente em seres humanos mas

também animais como se vê em Mt.8:29,31; Mc cap.5.

Diabo ou diabolos no grego é a forma comum para designar o

chefe dos demônios. Ele é identificado como a antiga serpente

e dependendo da interpretação que se faça de Ezequiel 28:12-16

da profecia contra o rei de Tiro, é visto como um anjo

poderoso que por causa do seu orgulho intentou ser igual a

Deus, sendo expulso do jardim de Deus. Mesmo tendo perdido sua

posição Satanás continuou a exercer poder sobre a terra e a


ter acesso ao céu na condição de hassãtan, ou seja, o

“acusador” (Jó 1:9;2:4; Zc 3:1) exercendo o papel de um

promotor público. Contudo com a morte e ressurreição de

Cristo, Satanás foi lançado fora dos céus para não mais acusar

(Jo 12:31; Ap 12:10).11

Mesmo possuindo poder, o Diabo é limitado, não pode fazer

contra Jó nada que Deus não tivesse permitido, o homem pode

resistir ao Diabo através do poder que há no Espírito Santo

(Tg.4:7; Rm 8:26; 1Co 3:16).12


CONCLUSÃO

Os cristãos atuais na sua maioria ignoram a atividade destes

seres, sejam eles bons ou maus, por isso, muitos têm submetido

a derrotas no campo espiritual. Outros, contudo pela sua

curiosidade tem colocado os anjos no lugar de Cristo como

intermediadores entre Deus e o homem o que leva também a

heresia.

“Tanto o Antigo como o Novo Testamento relutam


em dar proeminência a esses servos celestiais
do Senhor, mesmo porque seria uma proeminência
indevida. Mas o crescente interesse nos agentes
espirituais negativos, demoníacos e outros, e o
fascínio popular pelas várias fantasias de
ficção científica devem levar o crente a
meditar às vezes sobre os “milhares e milhares
de anjos”, esses abençoados e radiosos cidadãos
das hostes celestiais que, entre outras coisas,
se ocupam dos nossos interesses, (Hb 1:14;
12:22).” 13

Wagner de Castro Pinna (Formado em Bacharel em Teologia pelo


Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil com
especialização na área pastoral, membro da 1ª Igreja Batista
em Alcântara, atualmente trabalha na Frente Missionária em
Mutondo em São Gonçalo - RJ)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1- HARRIS, R. Laird: Dicionário Internacional de Teologia do A.T.p.762

2- DOUGLAS, J.D: O Novo Dicionário da Bíblia. p.80

3- Ibid. p. 80

4- Ibid. p. 81

5- ERICKSON, Millard J.: Introdução à Teologia Sistemática. p.196

6- Ibid. p. 197

7- Ibid.p.196

8- DOUGLAS, J.D: O Novo Dicionário da Bíblia. p.81,82

9- Ibid.p.398

10-ERICKSON, Millard J.: Introdução à Teologia Sistemática. p.199

11- HARRIS, R. Laird: Dicionário Internacional de Teologia do A.T.p.1474-5

12-ERICKSON, Millard J.: Introdução à Teologia Sistemática. p.199

13-MILNE, Bruce: Estudando as Doutrinas da Bíblia p.81


BIBLIOGRÁFIA

ERICKSON, Millard J.: Introdução à Teologia Sistemática.

Trad. Lucy Yamakami, São Paulo; Ed. Vida Nova, 1997.

MILNE, Bruce: Estudando as Doutrinas da Bíblia

São Paulo: ABU Editora, 4ª ed., 1995.

DOUGLAS, J.D.: O Novo Dicionário da Bíblia

São Paulo: Ed.Vida Nova, 2ª ed. 1995.

HARRIS, R.Laird: Dicionário Internacional de Teologia do A.T.

São Paulo; Ed. Vida Nova, 1998.

BÍBLIA SAGRADA :De acordo com melhores textos

Rio de Janeiro; JUERP, 1994.