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Exemplos de linguagem corporal

A linguagem corporal é responsável pela “primeira impressão” que temos de uma pessoa – a
impressão que fica registrada na memória e que tem grande influência em nossas atitudes posteriores.
Receitas não se aplicam a todos - Cada pessoa é única, por isso seus sinais corporais podem ter outros
significados. Na verdade, pessoas que viveram experiências diferentes das nossas, particularmente
aquelas que têm outras origens culturais, apresentarão sinais corporais diferentes.
Vamos ver a seguir alguns exemplos de linguagem corporal.
Autoconfiança
Tente lembrar a primeira vez que você conheceu alguém no trabalho ou na faculdade. Ou a última
vez em que assistiu a uma aula, palestra, apresentação. Quais foram as suas impressões? A pessoa
conseguiu te convencer? Você sentiu confiança? Você teve vontade de aproximar-se da pessoa, conhecê-
la melhor ou preferiu afastar-se dela?
Ao observar outras pessoas, você pode perceber sinais que demonstram se elas estão sentindo-se
confiantes ou inseguras. Coisas típicas para se observar em pessoas confiantes são:
• Postura – esguia; ombros para trás.
• Contato visual – sólido e com um rosto “sorridente”.
• Gestos abertos e determinados, com o uso dos braços e mãos.
• Velocidade da fala – devagar e clara.
• Tom de voz – moderado ou baixo.
Atitude defensiva
Em algumas situações importantes, como o fechamento de um negócio ou a assinatura de um
contrato, seu interlocutor pode adotar uma atitude defensiva, fechando-se para seus argumentos e
informações, parando de ouvir o que você tem a dizer. É claro que isso pode colocar tudo a perder.
Mas como saber se isto está acontecendo? Alguns sinais comuns de que uma pessoa está na
defensiva são:
• Os gestos são curtos (tímidos), mãos e braços próximos ao corpo.
• Expressões faciais são mínimas.
• O corpo mantém-se distante de você.
• Braços estão cruzados na frente do corpo.
• Os olhos evitam contato, a cabeça está baixa.
Desmotivação
Há momentos em que desejamos a atenção total de uma audiência, além do seu engajamento e
entusiasmo. A apresentação de um plano de negócios para um conjunto de investidores é um bom
exemplo. Mas nem sempre conseguimos que todos fiquem atentos em uma apresentação. Como
identificar os sinais da desmotivação e do desinteresse?
• A cabeça está baixa.
• O olhar está vidrado ou voltado em outra direção.
• As mãos provavelmente estão mexendo em algum objeto ou nas roupas.
• A pessoa está tombada ou “escorregando” na cadeira.
Se perceber que alguém demonstra esses sinais, você pode tentar fazer algo para trazer de volta
sua atenção, como fazer uma pergunta direta ou mudar o foco do assunto.
Reflexão
Em entrevistas ou negociações, é necessário saber quando uma pergunta feita é muito importante
para seu interlocutor. Da mesma forma, você pode indicar a importância de um assunto demonstrando que
precisa refletir melhor antes de responder. Os sinais da reflexão são:
• Os olhos desviam-se por um momento, mas o contato visual firme é retomado na hora da
resposta.
• O dedo acaricia o queixo.
• A cabeça inclina-se, com os olhos fixando o alto.
Raiva
A raiva é um sentimento forte, que pode dominar uma pessoa e criar muitos problemas em
situações da vida cotidiana e em situações profissionais. Uma pessoa com raiva tem dificuldade para
ouvir e uma tendência maior a perceber apenas os aspectos negativos de uma situação ou de uma
mensagem.
Os sinais mais comuns da raiva são:
• Pescoço e/ou face vermelho ou corado.
• Mostrar e ranger os dentes.
• Mãos cerradas.
• Inclinar-se para frente ou invadir o espaço corporal do interlocutor.
• Gestos agressivos.
O poder dos videntes
Segundo os especialistas Allan e Bárbara Pease (2005), videntes se utilizam de uma técnica
conhecida como “leitura a frio”, que consiste na observação atenta dos sinais da linguagem corporal.
Pesquisas indicam que esta técnica, aliada ao entendimento da natureza humana e ao conhecimento de
probabilidades, é capaz de proporcionar uma precisão de cerca de 80% quando se “lê” uma pessoa
desconhecida.
Medo, ansiedade, nervosismo
O medo ocorre quando as necessidades básicas de um indivíduo são ameaçadas. Existem vários
níveis de medo, desde uma fraca ansiedade até o terror cego. As mudanças corporais são as seguintes:
• Suor frio
• Palidez
• Boca seca (pessoa molha os lábios constantemente ou tosse, limpando a garganta)
• Falta de contato visual
• Olhos úmidos
• Lábios trêmulos
• Variações na velocidade da fala
• Erros na fala
• Tremor na voz
• Alta pulsação (visível por tremor nas veias do pescoço ou nos membros)
• Tensão muscular
• Respiração profunda ou entrecortada
Mentira
Perceber que uma pessoa está mentindo pode nos ajudar a enfrentar e solucionar uma situação
difícil. Os sinais típicos da mentira são:
• A pessoa evita o contato visual, ou faz muitos movimentos rápidos com os olhos (piscar com
maior frequência ou piscar muito rapidamente).
• Geralmente mãos ou dedos estão na frente da boca, ou a pessoa coça o nariz quando fala.
• O corpo inclina-se para trás, ou há movimentos corporais incomuns; corpo tende a se retrair ao
contar uma mentira, encolhendo braços, pernas – ocupando “pouco espaço”.
• A respiração é mais rápida – pequenas e rápidas golfadas de ar, alternadas com suspiros longos e
profundos.
• A aparência geral da pessoa é diferente de alguma forma, por exemplo: aparecimento de áreas
vermelhas na face ou no pescoço.
• A transpiração aumenta.
• Há mudanças na voz, alterações no tom, gaguejos, travas no diálogo com o uso excessivo de
pausas e comentários como “hmmm”, “hã” ou “você sabe”; limpeza da garganta ou engolir em seco.
• Pode haver mudança brusca de humor.
• A pessoa, em geral, tenta ganhar mais tempo na elaboração de uma resposta, por exemplo,
pedindo que o interlocutor repita a pergunta feita.
• A pessoa usa humor ou sarcasmo para mascarar o assunto incômodo.
• As pupilas de quem está mentindo podem dilatar.
• Quando alguém está mentindo, sorri menos que o habitual.
Estes sinais podem ser muito úteis em entrevistas de contratação e em situações de negociação.
Mas lembre-se de que a linguagem corporal pode mudar de pessoa para pessoa. Não tire conclusões
apressadas quando identificar alguns sinais de mentira. Muitos desses sinais podem indicar um simples
nervosismo. Faça mais perguntas e explore mais a situação antes de acusar alguém.
Como melhorar sua comunicação corporal em ambientes profissionais
Você pode melhorar a sua linguagem corporal praticando regularmente e observando a si mesmo
em situações variadas. Maus hábitos podem levar algum tempo para serem corrigidos, mas comece
devagar e não desanime.
Para manter uma postura corporal adequada, demonstrando naturalidade e autoconfiança, siga as
recomendações a seguir.
Não cruze braços e pernas. Isto pode ser interpretado como uma posição defensiva ou de cautela.
Mantenha contato visual, mas não encare. Não fazer contato visual pode ser um sinal de
insegurança. Se você está falando com várias pessoas, procure ter contato visual com todas elas para criar
um bom vínculo. No entanto, contato visual em excesso pode causar desconforto na outra pessoa.
Não tenha medo de ocupar o seu espaço. Por exemplo, sentar-se de forma confortável é um sinal
de autoconfiança. Sente de forma ereta, mas relaxada (sem escorregar ou parecer desleixado).
Relaxe seus ombros. Ombros travados e levantados expressam tensão e nervosismo.
Ao ficar em pé, mantenha os pés apoiados de forma que o peso do corpo seja distribuído de forma
equivalente. Os joelhos nunca devem estar totalmente travados, mas levemente flexionados.
Tente manter os pés inteiramente apoiados ao chão, as costas completamente
apoiadas no encosto da cadeira e joelhos em ângulo de 90°.
Acene com a cabeça. Acenar de vez em quando é um sinal de que você está ouvindo com atenção.
Mas cuidado para não exagerar – ficará parecendo um“pica-pau”.
Incline-se, mas não muito. Ao se apresentar, aproxime-se do interlocutor inclinando o corpo
levemente em sua direção, este é um sinal de abertura para a comunicação. Se desejar demonstrar
interesse no que alguém está dizendo, incline-se na direção da pessoa. Mas não se incline demais ou
poderá parecer desesperado por atenção. Se desejar passar autoconfiança, incline-se um pouco para trás.
Não exagere ou dará a impressão de arrogância e distanciamento.
Não invada o espaço corporal dos outros. Deixe que a outra pessoa mantenha seu próprio espaço.
Ficar perto demais pode causar um grande desconforto.
Sorria. Mantenha sempre uma expressão relaxada, com um leve ar de sorriso nos olhos. Se ouvir
algo engraçado, ria naturalmente. As pessoas tenderão a ouvi-lo com mais atenção, se você mostrar-se
agradável e positivo. Mas evite os extremos – rir demais (de piadas nem sempre engraçadas) pode passar
uma impressão de nervosismo ou necessidade urgente de aceitação.
Não fique tocando o rosto e os cabelos. Isto costuma ser interpretado como nervosismo e pode
distrair os ouvintes.
Mantenha a cabeça erguida. Não fique olhando para o chão, você parecerá inseguro e perdido.
Mantenha a cabeça reta e os olhos na direção do horizonte.
Vá um pouco mais devagar. Este é um bom conselho para muitas situações. Andar ou falar sem
pressa não apenas fará você parecer mais calmo e confiante, como também o fará sentir-se menos
estressado. Se alguém falar com você, evite virar-se bruscamente.
Evite dar sinais de impaciência, como balançar a perna repetidamente, bater os dedos rapidamente
na mesa ou fazer outros movimentos que possam ser interpretados como tiques nervosos.
Use as mãos de maneira confiante. Em vez de ficar com as mãos inquietas ou coçar o rosto, use-as
para auxiliar o processo de comunicação. Gestos com as mãos nos auxiliam a descrever coisas e a dar
maior peso a algum argumento. Mas aqui também é bom tomar cuidado com os excessos.
Use a técnica do espelho. Quando duas pessoas estão entendendo-se bem em uma conversa,
costumam, inconscientemente, espelhar (um pouco) a linguagem corporal uma da outra. Portanto, para
estabelecer uma conexão com outra pessoa, você pode ficar atento a isso, e fazer o “espelhamento” de
maneira consciente. Ou seja, se a pessoa recostar-se na cadeira ou segurar as mãos, faça o mesmo. Mas
seja sutil, não reaja instantaneamente e evite repetir tudo que a pessoa fizer – ou você parecerá muito
esquisito.
Por fim, mantenha uma boa atitude e trabalhe internamente sua autoestima.
O que você sente revela-se através da sua linguagem corporal.
Lendo a “linguagem do corpo”.
O objetivo deste exercício é aumentar sua habilidade para observar o comportamento não verbal, além de
mostrar os perigos de ter uma certeza excessiva de que é um perfeito leitor da linguagem corporal. Em
primeiro lugar, convide um amigo ou amiga para participar do exercício.
Depois, siga as seguintes instruções:
1. Na primeira parte do exercício, observe a maneira como seu parceiro se comporta. Note os
movimentos, os maneirismos, as posturas, o estilo de se vestir e assim por diante. Anote suas
observações. Você pode fazer esse exercício em qualquer lugar, como em uma sala de aula, em uma
lanchonete ou na sala de uma residência. Não há necessidade de deixar que as observações interfiram com
o que normalmente estaria fazendo: sua única tarefa nessa fase é compilar uma lista dos comportamentos
de seu parceiro. Nessa etapa, você deve tomar cuidado para não interpretar as ações do seu parceiro;
apenas registre o que vê.
2. Ao final do tempo marcado, partilhe o que você viu com o seu par, que deve fazer a mesma coisa com
você.
3. No período seguinte, seu trabalho é não apenas observar o comportamento de seu par, mas também
interpretá-lo. Dessa vez, você deve dizer ao seu par o que pensou que suas ações revelavam. Por exemplo,
a vestimenta descuidada sugere sono em demasia, falta de interesse na aparência ou o desejo de se sentir
mais à vontade? Se notou bocejos frequentes, achou que isso significava tédio, fadiga depois de uma noite
acordado até tarde ou sonolência depois de uma lauta refeição?
Não se sinta frustrado se nem todos os seus palpites tiverem sido corretos. Lembre-se de que as
indicações não verbais tendem a ser ambíguas. Você pode se surpreender, ao verificar como as dicas não
verbais que você observa podem ajudar a desenvolver o relacionamento com a outra pessoa.
(Adaptado de ADLER; TOWNE, 2002.)