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CAPA

A conformação da relação contratual no âmbito do CCP começa com a abertura do


concurso para a celebração do contrato, ou mesmo num momento anterior, caso se
trate, por exemplo de um empreendimento suscetível de provocar impactos ambientais
consideráveis.

1º SLIDE – PODERES DO CONTRAENTE PUBLICO


Os poderes do contraente publico encontram-se regulados no artigo 302º do CCP. São
poderes inerentes á função do contrato ressalvando o poder de aplicar sanções (alínea
d)). Estes poderes existem apesar da ausência de previsão contratual.
A alusão ao art 302º ao “disposto no contrato” deve ser entendida como uma
autorização de definição e não como uma restrição.

2º SLIDE- PODER DE DIREÇÃO


Surge como forma de colmatar lacunas de regulação ou densificação do modo de
execução das prestações, evitando que o escopo do contrato seja desviado do seu
objeto de prossecução do interesse publico (art 304º\1).
O exercício deste poder só se mostra possível porque as próprias prestações previstas
no contrato estão previstas apenas genericamente, o que permite depois que o
contraente publico possa dirigir a execução concretizando as obrigações previstas no
contrato. O exercício deste poder encontra-se limitado por 3 principios:

 A otimização do fim de interesse publico que o contrato prossegue - art 303º\1


e 304º\1.
 De respeito pela autonomia da contraparte (limitando-se ao estritamente
necessário) – art 303º\2 e 304º\1
 De não diminuição da contraparte – art 303º\3
Os dois primeiros princípios, apelam á concretização do principio da proporcionalidade,
a adequação e a proibição de excesso e fornecem ao julgador critérios de aferição da
conformidade das ordens, diretivas ou instruções, com o bloco de legalidade aplicável.
O 3º principio, traduz uma regra de responsabilidade e uma regra de repartição ou
responsabilidade, o preceito do art 303º\3, estabelece que a atuação telecomandada
do co-contraente não transfere a responsabilidade para a administração, mas também
não a exime de responder por danos que nas suas instruções tenham causa adequada
em eventual concurso de culpa com o co-contraente.
3ºSLIDE – PODER DE FISCALIZAÇÃO
Este poder desdobra-se em fiscalização de aspetos técnicos, financeiros e jurídicos do
modo de execução das prestações, artigo 305º\1.
No artigo 305º\2, este poder investe o co-contratante num dever de sujeição e obriga-
o a fornecer a informação.
No artigo 305º\3, inscreve-se em documentos que atestem formalmente os resultados
de diligencias desenvolvidos.
E por fim pode ser levada a cabo por comissões partidárias ou entidades publicas ou
privadas nas quais o adjudicante delegue tarefas (artigo 305º\4 e 5). Portanto a
administração tem o poder de vigiar de perto a execução do contrato, fiscalizando a sua
execução a nível técnico, financeiro e jurídico de modo a que possa introduzir correções
a essa execução caso efectuada defeituosamente.
Esta tarefa fiscalizadora facilita o exercício do poder de direção e permite fundamentar
a aplicação de sanções. Salvaguardar o interesse publico implica o cumprimento da
responsabilidade de vigiar a execução e identificar defeitos, sendo que se o poder de
fiscalização não tiver sido devidamente exercido, pode resultar em co-responsabilidade
do contraente publico.

4ºSLIDE- PODER DE MODIFICAR UNILATERALMENTE


A modificação do contrato pode ocorrer por via negocial, por decisão arbitral, ou por
atuação do poder de modificação unilateral da administração.
O poder de modificação unilateral tem várias vertentes, que irei depois aprofundar um
pouco mais no trabalho escrito, mas as vertentes seriam:
1. O poder de modificação, propriamente dito, este poder exprime-se através de
um ato administrativo praticado no âmbito do contrato o qual por força da
reconsideração das razões de interesse publico que lhe foram subjacentes,
implica uma alteração das suas clausulas e o conteúdo das prestações do co
contraente, sem pôr, no entanto, em causa a essência do contrato.

2. O factum principis, Marcello Caetano, considerava a modificação unilateral e o


factum principis noções equivalentes. Em ambos os casos, seriam alterações
introduzidas no contrato por ato do poder publico.

3. Por fim, a alteração de circunstâncias, resulta do artigo 312º\a), que no direito


administrativo a verificação de uma situação de alteração das circunstâncias dá
azo preferencialmente à modificação do contrato. Isto justifica-se pelo facto de
os contratos da administração estarem adstritos à prossecução de um fim
publico e não apenas de interesses particulares, pelo que a resolução terá de ser
a última alternativa.

Limites
O art 313º impõe limitações à modificação unilateral do contrato, que se prendem por
um lado com a intangibilidade do objeto e por outro lado com a garantia do respeito
pela concorrência (parte final do nº1).
Se estes limites forem violados, o ato administrativo de modificação ou o contrato
modificativo são impugnáveis judicialmente.
O contrato pode ainda ser alterado mas não pode ser mudado, ou seja, a alteração
operada não pode ser de tal modo que se altere o tipo de contrato inicialmente
celebrado. O exercício do poder de modificação (seja unilateral ou por acordo), terá que
respeitar limites advenientes dos princípios da contratação publica, de tal modo que
esta modificação não signifique uma frustração dos princípios da concorrência,
igualdade e transparência acautelada pré contratualmente através dos procedimentos
de contratação publica.
A limitação imposta pelo princípio da concorrência, consagrada no n.º 2 do artigo 313.º,
conhece um aligeiramento no caso dos contratos de natureza duradoura, “desde que o
decurso do tempo o justifique”. Isto justifica-se, porque um contrato duradouro está
mais sujeito a alterações supervenientes das circunstâncias.
Também há limites decorrentes do respeito pela margem de livre decisão
administrativa, quando esteja em causa um contrato sobre o exercício de poderes
públicos e da alteração das circunstâncias resulte uma modificação imposta por decisão
judicial ou arbitral que interfira com a margem de livre decisão administrativa (artigo
313.º, n.º 3). Neste caso, portanto, só se admite que seja a Administração a fazer essa
ponderação, a qual pode ter um de dois resultados: modificar o contrato por ato
unilateral, ou fazê-lo por acordo, nos termos do artigo 337.º, n.º 2.
O acórdão pressetext do tribunal de justiça, analisa as possibilidades de modificação do
contrato e permite ver com novas luzes o limite que não permite alterações daquele
tipo. O TJ indica 3 exemplos de alterações que introduzem “características
substancialmente diferentes no contrato inicial”:
• Alteração que introduza uma condição que, se tivesse figurado no procedimento
de adjudicação, teria permitido proponentes diferentes ou aceitar uma proposta
diferente;
• Alteração que alargue o contrato, numa medida importante, a serviços não
inicialmente previstos
• Alteração que modifique o equilíbrio económico do contrato a favor do co-
contraente de forma não prevista no contrato inicial.
A modificação com invocação da alteração das circunstâncias prevista no art 312º\a),
quando em causa estejam contratos com objeto passível de acto administrativo ou
sobre o exercício de poderes públicos, a reserva de não poder ser operada através de
decisão judicial ou arbitral, quando interfira com juízos e valorações próprias da função
administrativa ou interfira com a margem de livre apreciação administrativa (art
313º\3). O código pretende preservar o âmbito da discricionariedade administrativa nos
casos dos contratos cujo objeto é mais atinente.
Consequências
Alterar unilateralmente as condições de cumprimento de um contrato no decurso da
sua execução constituirá, sempre, uma perturbação das expectativas da contraparte e,
a maioria das vezes, uma violação do equilíbrio contratual.
• Se a alteração for imputável ao contraente publico, quer por razões de interesse
publico, quer por alteração das circunstancias, haverá lugar á reposição do equilíbrio
financeiro segundo os critérios do art 282º, art 314º\1
• Nos casos de alteração anormal e imprevisível haverá lugar a uma compensação
financeira segundo critérios de equidade, art 314º\2.
Em ambos os casos trata-se de proceder ao reequilíbrio financeiro entre as partes, com
fundamento constitucional no art 62º\1\2 CRP, por força dos interesses públicos
protegidos o contraente pode modificar unilateralmente o contrato e assim onerar o
seu co-contraente, este deve ser devidamente compensado.

5ºSLIDE- PODER SANCIONATÓRIO

O poder de aplicar sanções, previsto no artigo 302º/d), traduz-se na prática de actos


administrativos que visam compelir o co-contratante à boa execução das obrigações
contratuais ou, no limite, resolver o contrato.
O exercício do poder sancionatório pode redundar na resolução do contrato ou na
aplicação de sanções de resolução unilateral do contrato". Note-se, todavia, que se a
ponderação do interesse público for no sentido da não resolução do contrato, este limite
é elevado para 30% (artigo 329º/3).
Assim pode a titulo sancionatório pode:
o Resolver o contrato;
A resolução sancionatória é regulada no art 333º\1, quanto aos fundamentos que vão
desde a inexecução à execução defeituosa, da obstaculização ao exercício do poder de
fiscalização ao incumprimento de decisões judiciais ou arbitrais.
A entidade adjudicante pode, para além da aplicação de sanções pecuniárias
compulsórias nos termos da lei e/ou do contrato, optar pela aplicação da sanção da
resolução (cfr. também o artigo 329º/1 e 2). Trata-se, fundamentalmente, de sancionar
o co-contratante pelo não cumprimento do contrato com vista à realização do interesse
público que lhe está subjacente, ou pela não observância de deveres contratuais
acessórios, mas cujo desrespeito põe em causa a relação de confiança essencial à
manutenção da relação contratual.
o Aplicar sanções previstas no contrato ou na lei, conforme resulta do artigo 329º,
estas são essencialmente de natureza pecuniária, está aberta por força do artigo
333º\1\e), a via da resolução sancionatótia, que só é evitada se houver na resolução um
grave dano para o interesse publico, o que eleva o mencionado limite da sanção para
30% do preço contratual, conforme o previsto no art 329º\3.
As sanções pecuniárias aplicadas de acordo com o previsto no contrato gozam de uma
importante garantia, pois nos termos no art 296º\1\a), as cauções prestadas pelo co-
contraente podem ser executadas pelo contraente publico, sem necessidade de prévia
decisão judicial ou arbitral para satisfação das sanções pecuniárias aplicadas, ou seja, o
contraente publico detém.

6ºSLIDE- PODER DE RESOLUÇÃO UNILATERAL


Há duas hipóteses que podem redundar na resolução do contrato administrativo: por
um lado, a inexecução do contrato ou a violação grave de deveres contratuais; por outro
lado, a superveniência de um motivo de interesse público que obriga à cessação do
vínculo contratual.
Temos portanto a resolução- sanção, já mencionada anteriormente e a resolução por
razões de interesse publico.
Compreende-se que, além da resolução sancionatória, por incumprimento de deveres
contratuais, a Administração goze também do poder de pôr fim ao contrato,
independentemente do seu fiel cumprimento, por "razões de interesse público",
devidamente fundamentado, e mediante o pagamento ao co-contratante de justa
indemnização" (artigo 334º/1). Esta compensação cobre, nos termos do artigo 334º/2,
danos emergentes e lucros cessantes, deduzindo-se destes o benefício que resulte da
antecipação de ganhos previstos.
É habitual considerar-se este poder como discricionário, No entanto, a margem de livre
decisão da Administração encontra limites, ainda que não expressos, de natureza
material e procedimental.
 A resolução por imperativo de interesse público tem que ter um mínimo assento
nas circunstâncias de facto com que a Administração se confronta. A causa de
resolução deve ser actual e não futura e hipotética,

 A resolução por motivo de interesse público não deve ser utilizada como forma
de mascarar o incumprimento da entidade adjudicante. O respeito pelo fim da
competência — a prossecução do interesse público — deve ser observado, sob
pena de desvio de poder;

 O exercício do poder de resolução unilateral encontra-se subordinado ao


princípio da proporcionalidade, na vertente do equilíbrio: se a Administração
puder modificar, não deve resolver o contrato (até porque o quantum
indemnizatório é tendencialmente equivalente em ambos os casos);

 A fundamentação garante a imparcialidade da opção (a ponderação dos


interesses relevantes e a exclusão dos interesses irrelevantes), além de
constituir uma arma decisiva no âmbito da impugnação do acto que decreta a
resolução, quer pelo contraente, quer por terceiros (Ministério Público e
autores populares incluídos).