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1- Definir o conceito de excedente social usado pela Teoria Clássica. Indicar como o Excedente Social é obtido, definindo as grandezas que entram na sua determinação.

O conceito de excedente social é entendido como a quantidade de bens dos quais uma

sociedade pode dispor sem comprometer a reprodução, a cada período, do processo produtivo social numa mesma escala.

Considerando que os meios de produção empregados sejam totalmente consumidos, que os

meios de produção sejam reproduzidos anualmente, e que um ano seja a duração de um ciclo produtivo, teremos o excedente social calculado a partir da diferença entre produto social e o consumo necessário. Neste caso o produto social é a reintegração dos meios de produção que

se apresenta como um agregado físico de mercadorias. Por outro lado o consumo necessário é

a parte do produto social que deve ser destinada aos trabalhadores produtivos para prover sua

subsistência.

2- Quais são os elementos dados da Teoria Clássica (variáveis exógenas) que permitem determinar as variáveis endógenas ( os preços relativos e a taxa de lucro)? Por quais razões substanciais, na teoria clássica, esses elementos são tratados como grandezas conhecidas antes da determinação do excedente?

A teoria clássica considera como variáveis dadas as condições técnicas de produção, o produto

social, e a taxa de salário real. Os teóricos sustentaram que o salário real determinado separadamente das parcelas do produto que constituem o excedente pois consideravam que o salário real era determinado por um nível habitual de subsistência. (Acho que não precisa:

Apesar de Ricardo defender que o nível habitual de subsistência continha caráter histórico- social, que mudava de país para país, ou durante um período histórico, Smith defendia que o salário real tendia ao nível de subsistência porque os capitalistas tinham mais poder relativo de barganha sobre os trabalhadores, e Marx analisava essa tendência dos salários a partir do desemprego, onde o exercito de desempregados era um elemento que impedia o salário de

crescer até o ponto em que colocaria o lucro em perigo.)

O produto social, por sua vez, era determinado por sua composição física e seu tamanho. A

composição física estava relacionada com os níveis de acumulação e com a composição do consumo necessário. Já o tamanho dependia do nível alcançado pela acumulação de capital, expresso em geral pelo numero de trabalhadores produtivos empregados, e das condições técnicas de produção das quase dependia a magnitude do produto que se podia obter por cada trabalhador.

As duas principais variáveis são então determinadas em uma parte da teoria econômica separada daquela que determina a parcela do produto excluídos os salários.

3- Definir sucintamente a natureza do preço de mercado e do preço natural segundo Adam Smith e a tradição clássica.

Há uma básica diferença entre preço de mercado e preço natural segundo a teoria do autor clássico Adam Smith. Enquanto o preço natural é de caráter teórico e estrutural, o preço de mercado é empírico e conjuntural, como explicado a seguir através da definição de natureza de tais variáveis.

O preço de mercado equivale ao preço que uma mercadoria é vendida. Este preço é regulado pela proporção entre a quantidade que é colocada no mercado e a demanda daqueles que estão dispostos a pagar seu preço natural (ou seja, a demanda efetiva). Numa economia, é claro que teremos um conjunto de preços de mercado, ou seja, vários preços para diversas mercadorias. O preço natural é justamente o preço central ao redor do qual continuamente estão gravitando os preços de todas as mercadorias. Dessa forma, sabe-se que quando a quantidade colocada no mercado é menor que a demanda efetiva, o preço de mercado subirá acima do seu preço natural (oferta > demanda efetiva) seguindo uma proporção em que o grau de escassez da mercadoria ou a riqueza, audácia e luxo dos concorrentes acenderem mais ou menos a avidez em concorrer. De modo similar, se a quantidade colocada no mercado estiver abaixo da demanda efetiva, alguns dos componentes de seu preço como renda da terra, salários e lucros deverão ser pagos acima de sua taxa natural.

Obs: O preço natural é sustentável em condições de concorrência. Na abordagem clássica do excedente, o preço natural é o preço necessário, preço de produção.

Isso significa que devido ao mecanismo de concorrência, o que será determinante para a tendência dos preços são os custos de produção, que dependem da tecnologia e da distribuição de renda (determinante dos salários).

4- Quais são as duas principais conclusão comuns ao modelo do trigo de Ricardo, ao modelo do valor do trabalho de Marx, e ao modelo de Saffra?

Ricardo apresenta duas versões do modelo do trigo, que 1) modelo com salários pagos antecipadamente e 2) modelo com salários pagos post-factum. Em relação a essas versões e modelo de valor trabalho de Marx e modelo de Sraffa, sabe-se que coincidem a medida que os dados da teoria clássica do excedente são suficientes para determinar a taxa de lucro e que, de uma maneira compatível com a tal teoria, existe uma relação inversa entre salários e lucros.

5- Explicar a distinção entre bens básicos e bens não básicos no âmbito da abordagem do excedente.

Os bens básicos são caracterizados por ser aqueles que são necessários diretamente ou indiretamente para a produção de todos os bens da economia. Ele possui um importante papel no sistema econômico, já que se este não for produzido, nenhum outro bem poderá ser produzido na economia em questão, colocando em risco a reprodução deste sistema econômico. Também fazem parte da composição do salário real.

Assim, pode-se afirmar que quando um bem básico passa por um progresso técnico, ocorre um aumento da taxa de lucro e uma queda do preço relativo.

Já os bens não-básicos, são caracterizados por não serem utilizados como insumos em todos

os setores da economia ou não são consumidos pelos trabalhadores (diferente dos bens

básicos), ou seja, são bens de luxo e são insumos de uso não generalizado.

Estes bens de luxo, quando passam por um progresso técnico não alteram a taxa de lucro e fazem cair o preço relativo.

6- Qual o mecanismo, na teoria clássica do excedente, leva à equalização das taxas de lucro na economia? Explicar como.

O mecanismo que provoca a equalização das taxas de lucro é a livre concorrência, já que no

caso de uma economia com a produção de 1 bem-básico (trigo) e 1 bem não-básico(tecido), é visto que a taxa de lucro do tecido, irá se ajustar taxa de lucro do trigo através do preço relativo do tecido (p2). Assim, é possível perceber que a taxa de lucro da economia é

determinada pelo setor que produz o bem básico.

7- Explicar, no âmbito do modelo do trigo, a seguinte afirmação de Ricardo: “a taxa de lucro de todos os negócios é regulada pela taxa de lucro do fazendeiro na terra que não paga renda”.

No modelo do Trigo Completo, há três hipóteses que devem ser consideradas: o trigo é o único insumo de uso universal e o único bem salário; há produção de somente 1 bem básico (trigo) e 1 bem não-básico (tecido) nesta economia; e o trigo é produzido em dois tipos de terra (I terra mais fértil e escassa e II terra menos fértil).

Ao ocorrer o fato de que a quantidade de terra mais fértil (I) for limitada, o cultivo em terras piores será forçado, gerando uma renda da terra mais fértil, já que uma terra mais melhor representa menores custos e maior lucratividade, e assim a concorrência pelo uso da terra mais fértil seria maior, aumentando o poder de barganha dos proprietários desta. Neste caso,

o único beneficiário deste fato são estes proprietários, pois enquanto os lucros caem (perda

dos capitalistas), esta renda da terra irá aumentar (representando um ganho para os proprietários de terra) e assim os preços irão subir (ocorre a perda de salário real para trabalhadores e duplo ganho para os proprietários). Assim, a taxa de lucro de todos os negócios tenderá a ser a taxa obtida da terra que não paga renda, pois não é permitido manter dois preços ao mesmo tempo (arbitragem), e além do mais, é preciso assegurar uma taxa de lucro que garanta a produção e o excedente.

8- Por que a Teoria do Valor do trabalho de Marx não é capaz de prover uma solução geral para o problema do valor enfrentado pela teoria clássica do excedente no caso de uma economia com mais de um bem básico?

A Teoria do Valor Trabalho de Marx não é capaz de prover uma solução geral para este

problema no caso de uma economia com mais de um bem básico, visto que neste caso há a necessidade de uma teoria do valor que possa ser capaz de determinar os preços relativos e a taxa de lucro apenas com variáveis exógenas da teoria clássica do excedente, que são a taxa real de salários e as condições técnicas. Assim, uma economia com um bem básico, em que a taxa de juros é determinada em termos materiais, sem considerar os preços relativos, não é o

suficiente para se ter uma teoria do valor.

9- Descrever de forma sucinta em que consiste a contribuição de Saffra para o problema do valor enfrentado pela teoria clássica do excedente no caso de uma economia com mais de um bem básico?

Quando mais de um bem básico é produzido a teoria clássica encontra o problema do valor. O problema consiste em que ao mesmo tempo em que os preços relativos dependem da taxa de lucro, a própria taxa de lucro depende dos preços relativos dos diversos bens básicos. Apesar da teoria do valor-trabalho permitir a determinação da taxa de lucro e dos preços relativos separadamente, ela só pode ser válida se houverem hipóteses restritivas acerca da tecnologia da economia.

A contribuição de Saffra consiste em propor a determinação simultânea da taxa de lucro e dos preços relativos para superar o problema do valor.

10- Definir os conceitos, criados por Marx, de valor do produto do trabalho e do valor da força de trabalho. Qual era o objetivo de Marx em distinguir valor do produto do trabalho do valor da força de trabalho?

11- Explicar a distinção, estabelecida em Marx entre Capital constante e capital variável. Por que Marx considerou que Quesnay e os fisiocratas foram os primeiros a ter uma definição satisfatória do capital?

A parte do capital que se converte em meios de produção não altera a grandeza de valor no processo de produção. É a parte constante do capital ou capital constante.

A parte do capital convertida em força de trabalho muda seu valor no processo de produção.

Ela reproduz seu próprio equivalente e produz um excedente que pode variar, ser maior ou menor. Essa parte do capital transforma-se de grandeza constante (devido ao valor da força de trabalho pago) em grandeza variável (devido ao que ela gera). É a parte variável do capital ou

capital variável.