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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC

CURSO DE ENGENHARIA DE MATERIAIS

MONIZE APARECIDA MARTINS

ESTUDO E CARACTERIZAÇÃO DE ADITIVOS ANTICHAMA EM TINTA BASE


ÁGUA

CRICIÚMA
2013
MONIZE APARECIDA MARTINS

ESTUDO E CARACTERIZAÇÃO DE ADITIVOS ANTICHAMA EM TINTA BASE


ÁGUA

Relatório de Estágio, apresentado ao curso de


Engenharia de Materiais da Universidade do
Extremo Sul Catarinense, UNESC, solicitado
na disciplina de Estágio Curricular.

Orientadora: Prof. M.Sc. Josiane da Rocha


Silvano

CRICIÚMA
2013
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 4

2 OBJETIVOS ............................................................................................................. 4

2.1 OBJETIVO GERAL .............................................................................................. 4

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................. 4

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................... 5

3.1 TINTAS.................................................................................................................. 5

3.1.1 Histórico ............................................................................................................. 5

3.1.2 Conceito ............................................................................................................. 6

3.1.3 Componentes básico de uma tinta ..................................................................... 6

3.1.4 Tinta base água .................................................................................................. 7

3.2 RETARDANTES DE CHAMA ................................................................................ 8

3.2.1 Tintas retardantes de chama/intumescentes ...................................................... 8

4 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS E METODOLOGIA ............................................. 9

4.1 ADITIVAÇÃO DA TINTA ....................................................................................... 9

4.2 MEDIDA DE VISCOSIDADE ................................................................................. 9

4.3 MEDIDA DE DENSIDADE................................................................................... 10

4.4 APLICAÇÃO E TEMPO DE SECAGEM .............................................................. 10

4.5 TESTE DE ADERÊNCIA ..................................................................................... 11

4.6 TESTE DE TONALIDADE ................................................................................... 12

4.7 TESTE DE ESTABILIDADE ................................................................................ 12

4.8 TESTE DE FLAMABILIDADE.............................................................................. 13

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 14

6 CONCLUSÃO ........................................................................................................ 19

REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 20
4

1 INTRODUÇÃO

O Brasil apresenta-se atualmente como um dos maiores mercado para


tinta em todo o mundo, sendo um dos cinco maiores mercados mundiais. As tintas
possuem diversas funções, como proteger superfícies, retardar o desgaste, melhorar
o aspecto visual, dentre outras. Existe uma grande variedade destes produtos, que
oferecem ao consumidor uma diversidade de cores, tipos de acabamentos e
texturas, além disso, as tintas podem desempenhar algumas funções específicas
(DONADIO, 2011).
A obtenção de materiais com propriedades diferenciadas é um dos focos
de estudos na área de engenharia de materiais. O mercado de tintas segue também
esta tendência. Tintas com propriedades inovadoras têm sido desenvolvidas nos
últimos anos, para tal são utilizados aditivos que conferem propriedades especificas
e diferenciadas a mesma. Por exemplo, podem-se obter tintas com características
biocidas, anticorrosão, retardantes de chama, dentre outras.
Neste trabalho realizar-se-á a aditivação de uma tinta acrílica base água
com aditivos retardantes de chama, aditivos estes que proporcionam a tinta uma
melhor capacidade de resistência ao fogo, evitando sua propagação e
conseqüentemente aumentando o tempo para que se possa controlar ou evitar um
incêndio.

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Incorporar aditivos retardantes de chamas em tinta base água e


caracterizar a mesma após aditivação.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Aditivar tinta base água com aditivos retardantes de chamas;


 Avaliar a densidade das tintas após aditivação;
 Analisar a viscosidade das tintas após aditivação;
5

 Verificar alterações no tempo de secagem provocadas pelo aditivo;


 Avaliar a estabilidade das tintas aditivadas;
 Caracterizar superficialmente as tintas aplicadas;
 Avaliar a capacidade retardante de chama das tintas aditivadas;
 Comparar as propriedades das tintas aditivadas com a tinta padrão.

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 TINTAS

3.1.1 Histórico

As tintas são utilizadas há muitos séculos, inicialmente, sendo


empregadas unicamente por seu aspecto estético. Posteriormente, ao serem
introduzidas em países da América do Norte e da Europa, nos quais as condições
climáticas eram mais severas, o aspecto de proteção ganhou importância
(MATTIELO, 1946).
Como a maioria das ciências, a indústria de tintas e vernizes, que tinha
sofrido pequenas alterações ao longo do tempo, foi atingida pelo impacto científico e
tecnológico surgido no século XX. Novos pigmentos, melhoria nos óleos secantes,
resinas celulósicas e sintéticas e uma grande variedade de agentes modificadores
começaram a surgir nos laboratórios especializados e nas linhas de produção
industriais, transformando-se na base de uma corrente infindável de novos
revestimentos orgânicos. Diversas funções foram atribuídas às tintas, pode-se citar:
proteção contra desgastes, corrosão e ataque bacteriológico do substrato,
manutenção de condições higiênicas, controle de iluminação, sinalização de tráfego,
conservação, distribuição da iluminação, entre outras (MATTIELO, 1946; CASTRO,
2009).
O surgimento das emulsões aquosas e tintas com base em soluções
aquosas proporcionaram outra dimensão para a variedade, utilização e
complexidade no campo das tintas (MATTIELO, 1946).
6

3.1.2 Conceito

O conceito de tinta é bastante amplo, apresentando diversas definições


com diferentes graus de complexidade.
Em uma definição simples, tinta é uma mescla de pigmentos e veículos,
que juntos formam um líquido ou pasta que pode ser aplicada sobre uma superfície
formando um revestimento aderente que confere cor e proteção à mesma
(VERONA, 2004).
Tinta é uma dispersão pigmentária em um meio aglomerante que, ao ser
aplicada sobre uma superfície ou substrato, seca-se formando uma camada
termoplástica ou termofixa. É chamada de camada termoplástica quando não ocorre
nenhuma transformação química entre os elementos que a constitui, e termofixa
quando há ocorrência de uma reação química que é irreversível (FAZANO, 1995).
Tintas são misturas complexas de substâncias químicas, de maneira que
essas substâncias podem ser agrupadas em quatro grandes categorias: binders
(resinas), componentes voláteis, pigmentos, e aditivos (WICKS,1992).

3.1.3 Componentes básico de uma tinta

Os principais componentes de uma tinta são:


 Solvente: Tem como função reduzir a viscosidade das tintas, com o objetivo
de se obter uma maior facilidade de aplicação, alastramento, etc. Entre os
solventes mais comuns estão água, álcool, xilol, cetonas, entre outros.
 Resina: Também chamada de ligante, veículo ou suporte, tem como função
fornecer a continuidade do filme, protegendo a superfície na qual a tinta é
aplicada. A composição química depende da sua finalidade.
 Aditivos: São considerados componentes secundários, exibindo uma grande
variedade, como: catalisadores, espessantes.
 Pigmentos: Tem a finalidade de obtenção de cor, opacidade e outras
propriedades ópticas ou efeitos de aparência.
 Carga Mineral: Utilizada para diversos fins, até mesmo para dar opacidade à
tinta (como um complemento para os pigmentos) (LAMBOURNE, 1999).
7

3.1.4 Tinta base água

Castro (2009) define as tintas base água da seguinte forma:


As tintas base de água são também conhecidas por tintas de emulsão ou
látex. São misturas complexas e balanceadas, compostas de: cargas,
pigmentos, agentes dispersantes, antiespumantes, surfactantes,
modificadores de pH, substâncias secantes, uma emulsão de resina e água.

Nos sistemas base água, a parte líquida é composta principalmente por


água. Estas tintas são baseadas em dispersões aquosas poliméricas (emulsões) tais
como: vinílicas, vinil acrílicas, acrílicas, estireno-acrílicas, dentre outras. A parte
volátil das tintas látex é constituída por 98% de água e 2% de compostos orgânicos.
As etapas a seguir descrevem o processo de fabricação de tintas base água:
1) Pré-mistura e dispersão: A água, aditivos, cargas e pigmento (dióxido de
titânio) são misturados em um determinado equipamento.
2) Completagem: Esta etapa é feita em um tanque onde são adicionados água,
emulsão, aditivos, coalescentes e o produto disperso.
3) Tingimento: Esta fase caracteriza-se pela realização dos acertos finais para
que a tinta exiba parâmetros e propriedades desejados, são realizados acerto
de cor. (EUCATEX, 2013)

Algumas vantagens apresentadas pelas tintas à base de água são:


 Melhor flexibilidade em longo prazo;
 Maior resistência a rachaduras e lascas;
 Maior resistência ao amarelecimento;
 Menor liberação de odor;
 Excelente lavabilidade.
(POLITO, 2006)
8

3.2 RETARDANTES DE CHAMA

Os retardantes de chamas são classificados como aditivos reativos que


são incorporados em polímeros com a finalidade de evitar ou reduzir a propagação
de chamas.
Segundo Fiori Júnior (2011), os aditivos retardantes de chamas
apresentam como principais funções:
Modificar o processo de degradação térmica do polímero através da
redução da quantidade de gás inflamável; gerar espécies de decomposição
que extinguem a chama através de reações com radicais combustíveis; e
reduzir a temperatura do material através da modificação da condução de
calor, diminuindo a permeabilidade gasosa.

O mecanismo de ação do retardante de chama pode estar relacionado a


reações do mesmo com o polímero durante o ciclo de combustão, ou pode não
ocorrer reação. Nos compostos halogenados, por exemplo, ocorre a liberação de
compostos altamente reativos o que provoca a interrupção dos gases voláteis
inflamáveis. Já os compostos fosforados agem como agentes intumescentes,
formando filmes passivantes na superfície do polímero, inibindo a passagem de
gases que atuam como comburente para chama (FIORI JÚNIOR, 2011).

3.2.1 Tintas retardantes de chama/intumescentes

A proteção de materiais contra fogo tornou-se uma questão importante na


indústria da construção. O uso de revestimentos retardantes de chama é uma das
formas mais simples, econômicas e eficientes para proteger materiais contra
incêndios. As tintas antichama apresentam duas grandes vantagens: impedem a
penetração do calor e impedem que as chamas se propaguem. Além disso, as
tintas não provocam modificações das propriedades intrínsecas dos materiais as
quais cobrirão. (GU, et al, 2007)
O termo intumescente deriva do latim “tumescere”, que significa iniciar,
expandir. A intumescência ocorre através da reação de componentes ativos sob
influência do calor, o que resulta em uma expansão significativa. Esses
componentes ativos podem se expandir até muitas vezes sua espessura inicial
quando aquecidos (40 a 60 vezes) em temperaturas próximas a 200ºC produzindo
9

uma camada carbonácea que protege o substrato sobre o qual o revestimento tenha
sido aplicado, atuando como isolante, e mantendo por determinado tempo a
estrutura em condições seguras (ANDRADE, 2010).

4 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS E METODOLOGIA

O estágio foi realizado no Laboratório de Materiais Avançados e


Processamento (LMPP), do Parque Científico e Tecnológico (Iparque)/UNESC. As
atividades desenvolvidas estão descritas nos itens a seguir.

4.1 ADITIVAÇÃO DA TINTA

A primeira etapa do estágio consistiu em aditivar uma tinta acrílica base


água comum, com dois diferentes tipos de aditivos retardantes de chama: Polifosfato
de Amônio (PFA) e Tripolifosfato de sódio (TPF). A incorporação foi realizada
através de um dispersor mecânico.

4.2 MEDIDA DE VISCOSIDADE

A viscosidade de tintas em indústrias é geralmente medida através de


viscosímetro Brookfield KU, que permite a leitura digital em unidade Krebs (KU).
Entretanto, devido a não disponibilidade deste equipamento optou-se pelo emprego
da técnica do Copo Ford.
O ensaio consiste em, primeiramente, nivelar o equipamento.
Posteriormente deposita-se a amostra do produto no copo retirando-se o excesso
com auxilio de uma placa, e mantendo-se o orifício bloqueado. Quando a vazão é
liberada, com auxilio de um cronômetro, mede-se o tempo que todo volume do fluido
leva para escoar por completo pelo orifício do copo.
Com a obtenção do tempo de escoamento (em segundos) é possível
obter a viscosidade cinemática em centistokes (cSt), utilizando a equação
correspondente ao número do copo, apresentada no procedimento operacional
padrão. Como o copo utilizado foi o de número 4, a equação aplicada foi a seguinte:

𝑣 = 3,85(𝑡 − 4,49)
10

Onde:
t = tempo de escoamento em segundos.

4.3 MEDIDA DE DENSIDADE

A densidade da tinta medida em laboratório é dada como a massa de um


determinado volume da tinta em um recipiente conhecido como picnômetro. O
procedimento consiste em:
1) Pesar o picnômetro limpo e seco e anotar a massa;
2) Encher o picnômetro com o produto até que o mesmo extravase pela abertura
localizada na tampa do picnômetro;
3) Limpar o picnômetro para que não fique nenhum resíduo do produto na parte
externa do aparelho;
4) Pesar o picnômetro contendo o produto e anotar a massa;
5) Calcular a densidade do produto conforme a equação a seguir:

𝑚
𝑑=
𝑉
Onde:
d = densidade;
m = massa do picnômetro com produto;
V = volume.

4.4 APLICAÇÃO E TEMPO DE SECAGEM

As tintas foram aplicadas sobre uma superfície de concreto. Conferiu-se


se o tempo de secagem das tintas aditivadas sofreram alterações em relação a
padrão, especificado pela embalagem: duas horas ao toque e doze horas para
secagem completa. Verificaram-se também as características visuais de aplicação,
como a presença de pontos e sujeiras.
11

4.5 TESTE DE ADERÊNCIA

A aderência das tintas foi avaliada de acordo com a norma ABNT NBR
11003 utilizando-se o método B – corte em grade, que consiste em efetuar seis
cortes na película de tinta até atingir a base, paralelos entre si, e outros cortes
perpendiculares aos primeiros, formando um quadriculado (grade). Com a grade
pronta aplica-se sobre a mesma uma fita padronizada que é removida de maneira
completa e uniforme. Após a remoção da fita compara-se o resultado do
destacamento com as figuras apresentadas na norma (tabela 1).

Tabela 1 – Destacamento na área quadriculada


Código Figura

Gr 0 - Nenhuma área da película


destacada

Gr 1 - Área da película destacada,


cerca de 5% da área quadriculada

Gr 2 - Área da película destacada,


cerca de 15% da área quadriculada

Gr 3 - Área da película destacada,


cerca de 35% da área quadriculada

Gr 3 - Área da película destacada,


cerca de 65% da área quadriculada

Fonte: Norma ABNT NBR 11003


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4.6 TESTE DE TONALIDADE

Para analisar a ocorrência de variação na tonalidade, amostras das tintas


aplicadas foram colocadas em câmara de raios ultravioleta por 15 dias para simular
a exposição ao sol, e verificar a ocorrência de alguma variação de tonalidade entre
tinta aditivada com antichama e a tinta padrão.

4.7 TESTE DE ESTABILIDADE

O teste de estabilidade foi desenvolvido para representar o


comportamento das tintas durante o tempo de armazenagem. Para isto utilizou-se o
procedimento descrito pela norma NBR 5830 (1976), neste a tinta é transferida para
recipientes cilíndricos de 225 mL (semelhantes a latas de tinta, figura 1) que são
fechados e armazenados em estufa a 60°C por 16 horas. Na abertura inicial do
recipiente não poderá ser identificado excesso de sedimentação, coagulação,
empedramento, separação de pigmento e formação filme, que não possa tornar-se
homogêneo através de agitação manual.

Figura 1 – Recipientes com tintas para o teste de estabilidade

Fonte: Autora
13

4.8 TESTE DE FLAMABILIDADE

O ensaio de flamabilidade foi realizado de acordo a adaptação da norma


UL-94, para polímeros, pois não existe norma específica para este tipo de teste em
tintas. Foram confeccionados corpos de prova de tinta para realização deste ensaio.
Utilizou-se o método B (posição vertical), na variante que utiliza provetes no formato
de placas (figura 2). Neste, o provete é fixado na posição horizontal, e faz-se
incendir uma chama (inclinada em um ângulo de 20°) sobre a superfície do mesmo
durante 5 segundos. Passados 5 segundos faz-se incidir novamente a chama
durante mais 5 segundos. Esta operação é repetida cinco vezes. A figura 2
apresenta uma representação do ensaio. São atribuídas as gradações 5V, 5V-A e
5V-B, de acordo com a tabela 2.

Figura 2 – Ensaio de resistência à chama segundo a norma UL-94, método B

Fonte: http://www.ctb.com.pt/?page_id=1950

Tabela 2 – Resistência à chama: gradações 5V, 5V-A e 5V-B


Grau Requisitos
 Nenhum provete deve permanecer em
combustão chamejante ou com brilho
durante mais de 60 segundos, depois
das cinco aplicações da chama;
5V
 Os provetes não devem gotejar;
 Os provetes não devem ficar
destruídos na zona onde foi aplicada a
chama;
 Nenhum provete deve permanecer em
combustão chamejante ou com brilho
5V-A durante mais de 60 segundos, depois
das cinco aplicações da chama;
 Os provetes não devem gotejar
partículas incandescentes que
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inflamem o algodão;
 Os provetes do tipo placa não devem
apresentar perfuração pela chama.
 Nenhum provete deve permanecer em
combustão chamejante ou com brilho
durante mais de 60 segundos, depois
das cinco aplicações da chama;
5V-B  Os provetes não devem gotejar
partículas incandescentes que
inflamem o algodão;
 Os provetes do tipo placa podem
apresentar perfuração pela chama.
Fonte: Norma UL-94

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A incorporação do aditivo na tinta foi satisfatória, sendo que inicialmente


todos os percentuais dos aditivos testados dissolveram-se adequadamente na tinta.
Após a incorporação dos aditivos realizaram-se as medidas de
viscosidade, com a técnica do Copo Ford, e de densidade utilizando-se o
picnômetro. O mesmo foi realizado para a tinta padrão. Os resultados obtidos estão
exibidos na Tabela 1:

Tabela 1 – Resultados de viscosidade e densidade


Tinta Padrão Tinta com TPF Tinta com PFA
Percentual de Aditivo - 5% 10% 15% 15% 20%
Viscosidade de
78,38 69,92 30,06 29,29 45,08 38,69
aplicação (cSt)
Densidade (g/mL) 1,472 1,504 1,536 1,580 1,511 1,523
Fonte: Autora

Percebe-se que as tintas com TPF e PFA apresentaram o mesmo


comportamento: a quantidade de aditivo incorporado foi proporcional ao aumento da
massa de tinta para um determinado volume, ou seja, ocorreu aumento da
densidade. Já a viscosidade reduz à medida que se aumenta o percentual, isto
ocorreu possivelmente devido a quebra da emulsão.
A etapa seguinte consistiu em aplicar as tintas sobre uma superfície e
verificar se o tempo de secagem da tinta aditivada foi o mesmo da padrão,
especificado pelo fabricante. O tempo de secagem ao toque é de duas horas, e de
secagem completa doze horas. Todas as composições de tinta aditivada
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apresentaram o mesmo comportamento da tinta padrão, estando dentro do


especificado pelo fabricante.
Através da análise visual da superfície percebeu-se a presença de alguns
pontos na tinta aditivada com TPF nos percentuais de 5% e 10%, já para 15%,
apesar de não serem observados pontos, obteve-se uma superfície mais áspera.
Nas tintas aditivadas com 15% e 20% de PFA também se visualizam pontos, além
de empedramento de aditivo na primeira.

Figura 3 – Superfície das tintas aplicadas a) padrão b) 5% TPF c) 10% TPF


d) 15% TPF e) 15% PFA f) 20% PFA

Fonte: Autora

Os resultados dos testes de aderência apresentam-se na figura 4.


Observa-se que a tinta padrão pode ser classificada como Grau 2, de acordo com a
norma ABNT NBR 11003 (tabela 1) enquanto todas as tintas com diferentes
percentuais de TPF e PFA assemelham-se mais com as grades correspondentes ao
Grau 1. Isto indica que possivelmente os aditivos contribuíram para o aumento da
aderência da tinta no substrato.
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Figura 4 – Resultado do teste de aderência a) padrão b) 5% TPF c) 10% TPF


d) 15% TPF e) 15% PFA f) 20% PFA

Fonte: Autora

Após 15 dias de exposição na câmara de raios ultravioleta as amostras


foram retiradas e como se percebe na figura 5, não houve variação de tonalidade, de
modo que todas as tintas aditivadas comportaram-se da mesma maneira que a tinta
padrão. Isto é um indicativo de que o aditivo não provocou mudanças na estrutura
da tinta.

Figura 5 – Tonalidade das tintas após exposição em câmara de raios ultravioleta

Fonte: Autora

Os resultados obtidos no teste de estabilidade são apresentados na


tabela 3, na qual “sim” indica que a característica está presente:

Tabela 3 – Resultados do teste de estabilidade


Características
Tinta Excesso de Separação Formação de
Coagulação Empedramento
Sedimentação de pigmentos filmes não solúveis
Padrão Não Não Não Não Não
15% PFA Não Não Não Não Sim
20% PFA Não Não Não Não Sim
5% TPF Não Não Não Não Não
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10% TPF Não Sim Não Não Sim


15% TPF Sim Sim Não Não Sim
Fonte: Autora

De acordo com os resultados expostos na tabela 3 a tinta com 5% do


aditivo TPF foi a que proporcionou melhor estabilidade, sendo que as demais
apresentaram como principal problema o empedramento, ou seja, a formação de
aglomerados de aditivo.
Através do teste de flamabilidade as tintas foram classificadas segundo a
norma UL-94 (tabela 2). O corpo de prova de tinta padrão quando exposto a chama
manteve-se em combustão por 30 segundos, entretanto, apresentou gotejamento de
partículas incandescente, sendo classificado como 5V-A.
Considerando o aditivo TPF, para os percentuais de 5% e 10% a chama
se extinguiu em 28 segundos e 5 segundos, respectivamente e para 15% o corpo de
prova não entrou em combustão. Desta forma, as tintas com TPF podem ser
classificadas como 5V. Para os percentuais de PFA (15% e 20%) nenhum dos
corpos de prova entrou em combustão, sendo classificados como 5V. Os resultados
obtidos encontram-se resumidos na tabela 4.

Tabela 4 – Resultados do teste de flamabilidade


Tempo de combustão Presença de partícula
Tinta Classificação
chamejante incandescente
Padrão 30 s Sim 5V-A
15% PFA - Não 5V
20% PFA - Não 5V
5% TPF 27 s Não 5V
10% TPF 5s Não 5V
15% TPF - Não 5V
Fonte: Autora

A figura 6 apresenta os corpos de prova após o ensaio de flamabilidade.


É importante ressaltar que nenhum corpo de prova apresentou perfuração pela
chama, os defeitos observados já estavam presentes em algumas composições
devido à dificuldade obter provetes estáveis de tintas.
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Figura 6 – Corpos de prova após ensaio de flamabilidade: a) Tinta padrão


b) 15% PFA c) 20% PFA d) 5% TPF e) 10% TPF f) 15% TPF

Fonte: Autora

Ambos os aditivos utilizados apresentaram resultados satisfatórios,


atuando como retardantes de chama. O mecanismo da reação pode ser explicado
da seguinte forma: quando a temperatura da superfície é próxima de 200°C, a resina
da tinta começa a amolecer, e os aditivos a base de fósforo (PFA e TPF) se
decompõe em ácido polifosfórico, que é utilizado nas reações químicas para
formação do sistema intumescente. Ocorre a formação de uma camada carbônica,
que atua como uma barreira, proporcionando isolamento térmico.
A tinta aditivada com PFA apresentou-se mais eficiente no teste de
flamabilidade, possivelmente devido à presença do grupo orgânico em sua estrutura
(figura 7a), que proporciona maior interação do aditivo com a tinta. Entretanto, sua
estabilidade térmica é menor em relação ao TPF, e durante a exposição ao calor a
reação favorece a liberação de amônia, o que é um ponto desfavorável.

Figura 7 – a) Estrutura química do polifosfato de amônio e b) tripolifosfato de sódio

a) b)
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6 CONCLUSÃO

A incorporação dos aditivos proporcionou aumento da densidade e a


redução da viscosidade na tinta. A mudança nestas propriedades, entretanto, não
provocou alteração no tempo de secagem, assim como não prejudicou a aderência
da tinta no substrato, do contrário, o teste mostrou que os aditivos podem ter
contribuído para melhoria da aderência.
Em relação aos aspectos visuais, o principal defeito observado foi a
presença de pontos. Ao expor as tintas em câmara de raios ultravioletas não se
constatou diferença de tonalidade entre a tinta padrão a as aditivadas, o que é um
indicativo que os aditivos não alteraram as características intrínsecas da tinta. No
ensaio de estabilidade o principal problema foi o empedramento de aditivo que não
foi apresentado apenas para a composição com 5% de TPF.
O teste de flamabilidade foi satisfatório para todas as composições, sendo
que as mesmas foram classificadas, segundo a norma UL-94, como 5V, ou seja, não
apresentaram problema de gotejamento, perfuração, ou combustão flamejante por
mais de 1 minuto. O aditivo PFA destacou-se suprimindo a combustão mais
rapidamente, contudo, sabe-se que o TPF também apresenta vantagens, como ser
mais estável termicamente e não liberar substâncias tóxicas durante a reação.
De maneira geral os resultados foram favoráveis, indicando que através
de pequenas mudanças na composição da tinta avaliada e/ou nos percentuais dos
aditivos utilizados pode-se obter uma tinta retardante chama sem alterar
negativamente as demais propriedades da mesma. Entretanto, é importante
ressaltar que o estudo realizado neste estágio foi preliminar, assim, necessita-se da
realização de mais ensaios para que a composição possa ser produzida
industrialmente e comercializada.
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REFERÊNCIAS

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http://www.aguiaquimica.com/upload/tiny_mce/manual/manual_basico_sobre_tintas.
pdf. Acesso em: 27/08/2013.

CASTRO, C. D. Estudo da influência das propriedades de diferentes cargas


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(Doutorado em Engenharia), UFRGS, Porto Alegre.

WICKS, Z; JONES, F.; PAPPAS, P. Organic Coatings: science and technology. Vol.
1. New York: John Wiley & Sons, 1992.

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http://www.eucatex.com.br/Imagens/files/tintas/Fluxograma_Tintas.pdf. Acesso em:
01/11/2013.

POLITO, G. Principais Sistemas de Pinturas e suas Patologias. Disponível em:


http://www.demc.ufmg.br/tec3/Apostila%20de%20pintura%20-
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GU, J.W; et al. Study on preparation and fire-retardant mechanism analysis of


intumescent flame-retardant coatings. Surface & Coatings Technology. v. 201 p.
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VERONA, C.C. Estudo do impacto da variabilidade de resinas alquídicas nas


propriedades de tintas. 2004. 124p. Dissertação (Mestrado Profissionalizante),
UFRGS, Porto Alegre.

FAZANO, C. T. V. Tintas – Métodos de controle de pinturas e superfícies. São


Paulo: Hemus Editora Limitada, 1995.

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1999.

FIORI JÚNIOR, J. Compósitos e nanocompósitos de poliolefinas/argilas com


propriedades retardantes de chamas. 2011. 152p. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Química) – UFSC, Florianópolis.

ANDRADE, C.C. Proteção térmica em elementos estruturais de aço. 2010. 194 p.


Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – UFSC, Florianópolis.
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Produção de tintas e vernizes: Eucatex. Disponível em:


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