Você está na página 1de 16

Pesquisa em Síntese

Análise da metodologia de
ensino de ciências nas escolas
da rede municipal de Recife
Kênio Erithon Cavalcante Lima
Simão Dias Vasconcelos

Resumo
O professor de Ciências enfrenta uma sé- importância de uma educação continuada
rie de desafios para superar limitações meto- como mecanismo de atualização conceitual e
dológicas e conceituais de formação em seu metodológica.
cotidiano escolar. Este trabalho buscou conhe- Palavras-chave: Educação continuada.
cer as principais dificuldades Escola pública. Perfil do educador. Avalia-
e metodologias de ensino de ção. Recursos didáticos.
Ciências da rede pública mu- Kênio Erithon Cavalcante Lima
nicipal do Recife. Através de Mestrando em Ensino das Abstract
entrevista com 42 professo- Ciências, Universidade Federal
res de 31 escolas, observa- Rural de Pernambuco
Analysis of
mos que eles usam o livro Professor da Rede Estadual de science
didático como o recurso mais Educação de Pernambuco
freqüente, diversificam suas keclima@ig.com.br teaching
estratégias de avaliação, e Simão Dias Vasconcelos methodology
buscam, na medida do pos- PhD, University of Oxford
sível, desenvolver atividades Coordenador de Extensão
used by
extra-classe. Consideram do Centro de Ciências teachers from
como os assuntos mais difí- Biológicas, UFPE
ceis de abordar os temas li- simao@ufpe.br public schools
gados à Física e Química, e in Recife, Brazil
como os assuntos que mais despertam a aten- Science teachers face
ção de seus alunos os temas de Sexualidade e several challenges in order to overcome
Meio Ambiente. Os professores citam o custo methodological and conceptual limitations
alto dos livros e revistas científicas e a falta de in their daily profession. This study aimed
tempo como principais empecilhos para sua at detecting the main difficulties and
atualização pedagógica, e mantém fraca inte- methodologies of Science teaching in
ração com universidades locais. Destaca-se a public schools of the city of Recife, Brazil.

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
398 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

By interviewing 42 teachers from 31 que ellos utilizan el libro didáctico como


schools, we observed that they use el recurso más frecuente, varían sus
textbooks as the most frequent resource, estrategias de evaluación y intentan,
diversify their evaluation strategies and, as cuando es posible, desarrollar actividades
much as possible, develop outside extra clase. Ellos consideran como tópicos
didactic activities. They consider Chemistry más difíciles la Química y la Física,
and Physics to be the most difficult mientras los que más despiertan interés
subjects, whilst the most interesting topics del estudiante son aquellos relacionados
for the students are those related to al Medio Ambiente y la Sexualidad. Los
Sexuality and Environment. The teachers profesores citan el elevado costo de libros
cite the high cost of scientific books and y revistas científicas y la falta de tiempo
journals and the lack of time as the main como los mayores obstáculos para su
obstacles for their update on pedagogic actualización pedagógica y tienen una
practices, and have a very weak mínima interacción con las universidades
interaction with local universities. We locales. Destacamos la importancia de
stress out the importance of continuing una educación permanente como
education as a tool for overcoming mecanismo de actualización conceptual y
limitations and providing continuing metodológica.
theoretical and technological knowledge. Palabras clave: Educación continuada.
Keywords: Continuing education. Public Escuela pública. Perfil de lo educador.
school. Educator’s profile. Evaluation. Evaluación. Recursos didácticos.
Didactic resources.
Introdução
Resumen O professor e as
Análisis de la metodología exigências das novas
de la enseñanza de abordagens educacionais
O educador em Ciências tem sido histori-
ciencias en las escuelas camente exposto a uma série de desafios, os
de la red municipal de quais incluem acompanhar as descobertas ci-
entíficas e tecnológicas, constantemente ma-
Recife, Brasil nipuladas e inseridas no cotidiano, e tornar os
Los profesores de Ciencias enfrentan una avanços e teorias científicas palatáveis a alu-
serie de desafíos para superar nos do ensino fundamental, disponibilizando-
limitaciones metodológicas y conceptuales as de forma acessível. Isto requer profundo
de formación en su cotidiano profesional. conhecimento teórico e metodológico, e dedi-
Este estudio ha intentado conocer las cação para (tentar) se manter atualizado no
principales dificultades y metodologías de desempenho de sua profissão. Para muitos edu-
enseñanza de las Ciencias de la red cadores, tais desafios são agravados por defi-
pública de la municipalidad de Recife, ciências em suas licenciaturas – de universi-
Brasil. A través de entrevistas con 42 dades públicas ou privadas - pois a rapidez
profesores de 31 escuelas, observamos com que os conceitos se ampliam e surgem

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 399

novas tecnologias faz com que a formação do escolas, uma “busca que inclui desde a pro-
professor possa ser considerada “obsoleta” cura por cursos, treinamentos ou leituras,
poucos anos após sua graduação. até uma troca constante de informação com
colegas considerados mais competentes ou
A realidade da educação brasileira, com especialistas na área” (DIAS-DA-SILVA, 1998,
superlotação nas salas de aula, desvaloriza- p. 37). Certamente, não há o método ideal
ção do profissional, e defasada estrutura físi- para ensinar nossos alunos a enfrentar a com-
ca, metodológica e didática nas escolas insti- plexidade dos assuntos trabalhados, mas sim
ga o docente a (se) questionar: “como” fazer e haverá alguns métodos potencialmente mais
“com que” fazer educação, adequando-se à favoráveis do que outros (BAZZO, 2000).
proposta projetada pelos parâmetros curricu-
lares e pelo mercado de trabalho? Afinal, as A superação dessas dificuldades susten-
escolas – especialmente da rede pública – ta-se sobre dois alicerces: uma graduação
constituem-se de alunos marcantemente hete- solidamente fincada na construção de ha-
rogêneos cultural e socialmente, o que requer bilidades e competências, e uma oferta de
do professor de Ciências o uso equilibrado formação permanente/contínua aos gradu-
de conceitos, de técnicas (competências) ade- ados, aumentando o contato das instituições
quadas à comunidade; e dos seus instintos de ensino básico com universidades e cen-
de educador (habilidades). Sem este equilí- tros de pesquisa, estabelecendo laços de
brio, o papel da escola em reduzir diferenças pesquisa/ conhecimento de interesse comum.
sociais e promover igualdade entre alunos,
independentemente de suas origens étnicas, Instrumentos de
sociais e culturais, bem como do nível de ha-
bilidades e predisposições inerentes do indiví- apoio didático
duo (FOLLESDAL, 2000, apud HOLMESLAND, Freqüentemente, ao trabalhar os con-
2003), acaba não sendo concretizado. teúdos, os educadores deparam-se com frá-
geis instrumentos de trabalho, o que pode
Alunos do ensino fundamental da rede gerar dependência ao uso do livro didáti-
pública na maioria das vezes deparam-se com co. Krasilchik (2004, p. 184), assume pos-
metodologias que nem sempre promovem a tura crítica diante desta situação:
efetiva construção de seu conhecimento. Tam- O docente, por falta de autoconfiança,
pouco lhes são oferecidos mecanismos de com- de preparo, ou por comodismo, restrin-
pensação por defasagens sociais, que vão ge-se a apresentar aos alunos, com o
desde problemas de natureza familiar ao limi- mínimo de modificações, o material pre-
tado acesso a livros, sites e outras fontes de viamente elaborado por autores que são
conhecimento. Cabe ao educador em Ciênci- aceitos como autoridades. Apoiado em
as superar tais obstáculos, construindo possi- material planejado por outros e produzi-
bilidades de mudança, ao estimular ativida- do industrialmente, o professor abre mão
des que priorizem questões de Ciências, Tec- de sua autonomia e liberdade, tornan-
nologia e Sociedade (CTS). Esta tarefa pressu- do-se simplesmente um técnico.
põe unificar experiências e estratégias de ensi-
no, para qualificar a educação desenvolven- Como alternativas, o educador hoje dis-
do novas competências a serem aplicadas nas põe da internet, experimentotecas, kits didáti-

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
400 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

cos e de revistas científicas que oferecem atua- Metodologia da pesquisa


lização sobre os mais diversos temas científi-
A pesquisa teve como público-alvo pro-
cos. Uma outra fonte, de grande relevância, é
fessores de Ciências do 3°e 4° ciclos do
a formação continuada, necessária para a
ensino fundamental das escolas municipais
atualização do conhecimento e criação con-
de Recife – PE, com a concordância da
junta de novas metodologias de ensino.
Secretaria de Educação da Prefeitura Mu-
nicipal do Recife. As entrevistas estrutura-
Neste contexto de múltiplas exigências,
das foram conduzidas entre novembro de
como os professores de Ciências trabalham os
2001 e março de 2002 pelo primeiro autor
conteúdos programáticos e estratégias de ava-
deste trabalho, e tiveram duração média
liação do conhecimento assimilado pelo alu-
de 20 minutos, após explicações iniciais
no? Será que seguem as propostas dos PCN,
sobre a natureza e objetivos da pesquisa.
aplicando metodologias que fogem ao tradici-
Foram entrevistados 42 professores de 31
onalismo, ou tendem a enfatizar propostas pe-
das 35 escolas de ensino fundamental man-
dagógicas inadequadas para a formação do
tidas pela Prefeitura.
aluno? Quais as principais dificuldades para
obtenção de outras fontes de conhecimento, além
As perguntas eram em sua maioria de na-
dos livros texto adotados? Como os professores
tureza objetiva, sendo cerca de 20% delas
de Ciências percebem a importância da edu- discursivas. Estas foram analisadas na pro-
cação continuada para aprofundar seu domí- posta de avaliação qualitativa de Bardin
nio de novos conceitos e tecnologias? (2004) e Silva e Azevedo (2005). O procedi-
mento foi realizado com autorização dos di-
Pertinência e objetivos da retores das escolas, e manteve-se o anoni-
mato dos entrevistados ao longo do estudo.
pesquisa A entrevista estruturada com o auxilio de um
Diante destas indagações, acreditamos que questionário abrangeu dois eixos temáticos:
iniciativas de melhoria da qualidade de ensino a) o perfil socioeconômico e a formação pro-
devem ter como ponto de partida a caracteriza- fissional do professor; e b) a metodologia de
ção do ensino per se; ou seja, conhecer o perfil ensino e avaliação em sala de aula. Buscou-
do professor, suas dificuldades, metodologias uti- se caracterizar o perfil do docente através de
lizadas em sala de aula (ou fora dela), e as pers- questões sobre idade, formação acadêmica,
pectivas de formação permanente. Partindo de tempo de exercício da profissão, faixa salari-
nossa interação com professores de Ciências da al, atividades profissionais complementares,
rede pública, e de nossa formação em Biologia, fontes de informação em Ciências, acesso à
escolhemos como objetivo da pesquisa caracte- internet e bibliotecas entre outros.
rizar o perfil dos educadores de ciências da 5ª a
8ª séries do fundamental da Rede Municipal do A metodologia de ensino e avaliação foi
Recife. Concentramos nosso estudo na análise caracterizada pelos seguintes parâmetros:
de sua metodologia de trabalho, sua formação material didático utilizado, incluindo livro texto
profissional, as fontes de atualização conceitual e fontes complementares, formas de trabalhar
e suas perspectivas de educação permanente. o conteúdo em sala de aula, atividades extra-
Ao longo do estudo, priorizamos temas relacio- classe, assuntos de maior dificuldade para o
nados ao ensino de conceitos biológicos. professor, tópicos que despertam maior inte-

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 401

resse entre os alunos, sistema de avaliação, lários mínimos (valores de 2002). Devido a isto,
atividades complementares, entre outros. a maioria dos professores (64,3%) afirma ne-
cessitar trabalhar em mais de uma escola.
Resultados
Perfil socioeconômico e Livros-texto e outras
a formação profissional fontes de informação/
O perfil dos professores revela uma predo- atualização
minância de mulheres (60,0%) e de profissionais Os livros adotados oficialmente pela Prefei-
com curso superior concluído (88,1%). Dentre tura da Cidade do Recife durante a pesquisa
estes, a maioria é graduada em Licenciatura em foram “Os Seres Vivos”, de Carlos Barros e
Ciências Biológicas (85,7%), sendo as institui- Wilson Roberto Paulino (2001), e “Vivendo Ci-
ções de ensino superior de origem dos gradua- ências”, de Maria de La Luz e Magaly Terezinha
dos as duas universidades públicas federais de dos Santos (2002), dos quais o primeiro foi alvo
Pernambuco (41,7%), instituições particulares/co- de maior aprovação pelos professores. Os pro-
munitárias (55,5%) e estaduais (2,8%). fessores, no entanto, declararam utilizar outros
livros-texto além do adotado pela rede de ensi-
Observou-se que 31,0% dos professores têm no como fontes complementares, acrescidos de
menos de 35 anos, 33,3% possuem entre 36 e materiais didáticos de sua própria autoria. No
45 anos, e 35,7% possuem mais de 45 anos. entanto, cerca de 43,0% dos entrevistados afir-
Quase a metade dos professores (45,0%) pos- maram ter grandes dificuldades em obter maior
sui significativa experiência na docência, ensi- acervo de material de apoio didático, as quais
nando há pelo menos 15 anos. A faixa salarial incluem falta de tempo (67,0%), ausência de
da maioria dos professores é, conforme espera- bons textos científicos em Português (17,0%), e
da, baixa: 88,1% recebem em média até 8 sa- escassez de bibliotecas especializadas (16,0%).

Tabela 1 – Nível de satisfação dos professores da Rede Municipal


de Ensino do Recife em relação aos livros didáticos adotados pela
escola (N=42) (mais de uma resposta possível)

SATISFEITOS – (N = 27)
Comentários Freqüência
Linguajar adequado – 02 7,4%
Não fizeram comentários – 25 92,6%
INSATISFEITOS – (N = 15)
Comentários Freqüência
Não houve atualização no conteúdo – 02 15,3%
Não é detalhado (pouco didático) – 09 69,2%
Não trabalha bem os exercícios, poucas atividades com gráficos e figuras – 04 30,8%
Poucas atividades práticas – 02 15,3%
Falta de abordagem de conteúdos para a Região Nordeste – 03 23,0%

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
402 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

Como fontes complementares de infor- 81% dos professores têm acesso a esta fer-
mação em Ciências, 74,0% dos professores ramenta, principalmente em casa (74%), ou
afirmam ler revistas de divulgação científi- na escola (30%). A internet é pouco usada
ca/educacional, especialmente “Superinte- para desenvolver pesquisas sobre Ciências
ressante” (55,0% dos entrevistados); “Nova e/ou Educação; como também, elaborar
Escola” (36,0%), “Ciência Hoje” (33,0%) e aulas e outras atividades por 55% dos pro-
“Galileu” (14,0%). Entre os que afirmaram fessores entrevistados.
não possuir o hábito de ler revistas de divul-
gação, 90,0% indicaram a falta de tempo Quanto aos recursos mantidos pela UFPE
como o principal motivo, 20% atribuíram a que poderiam contribuir para a atualização
dificuldade de obtenção de tais revistas ao profissional de professores de Ciências, os
seu custo elevado. Ainda como fontes de entrevistados destacaram principalmente:
informação sobre Ciências/ Educação, a laboratórios (83,4%), cursos e palestras
maioria dos docentes (57,0%) afirmou não (83,4%), experimentotecas (69,0%), coleções
freqüentar regularmente bibliotecas especi- zoológicas (64,3%), herbários (38,0%).
alizadas. Questionados sobre suas fontes de
informação específicas em ciências, os pro- Assuntos abordados:
fessores manifestaram desconhecimento so-
bre periódicos científicos, uma vez que ne- dificuldades e interesses
nhum soube citar qualquer revista científica Ao serem questionados sobre quais as-
indexada nacional ou internacional em suas suntos despertam maior interesse dos alunos
respectivas áreas de atuação/interesse. da 5ª à 8ª do fundamental, os temas ligados
à sexualidade e reprodução são os que mais
Em relação à internet, observou-se que prendem a atenção dos alunos (Tabela 2).

Tabela 2: Assuntos que despertam maior interesse pelos alunos da 5ª, 6ª, 7ª e 8ª
séries, segundo professores de Ciências da Rede Municipal de Ensino de Recife (N=42).

SÉRIE ASSUNTO Nº DE CITAÇÕES PERCENTAGEM (%)


Água e o ar 11 26,2
5ª Meio Ambiente 10 23,8
Programa de Saúde 08 19,0
Vertebrados 18 42,8
6ª Programa de Saúde 04 9,5
Sexualidade 04 9,5
Reprodução Humana 19 45,2
7ª Sexualidade 09 21,4
Programa de Saúde 02 4,8
Noções de Química 19 45,2
8ª Noções de Física 11 26,2
Sexualidade 06 14,3

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 403

Quando indagados sobre quais as- bre os motivos para tais dificuldades, os
suntos sentem mais dificuldade em ensi- entrevistados alegaram deficiências em
nar, os professores citaram principal- sua formação profissional, na qual afir-
mente Noções de Física (45%) e de Quí- mam ter recebido uma base menos apro-
mica (24%) (Fig. 1). Questionados so- fundada sobre aqueles temas.

Figura 1 – Assuntos abordados no ensino fundamental (5a. a 8a. séries) que oferecem
maiores dificuldades teóricas e metodológicas para os professores da Rede Municipal
de Ensino de Recife (N=42) (mais de uma opção possível).

40%

35%

30%

25%

20%

15%

10%

5%

0%

Noções de Noções de Meio Ambiente Corpo Humano Corpo Humano Seres Vivos Seres Vivos Outros Não sente
Física Química (Ar, Água, solo) (Gén./Reprod.) (Anat./Fisiolo.) (Plantas) (Animais) dificuldades
.

Atividades intra e extra- çar mão de outros formatos, tais como or-
ganização de feiras de ciências (93%), visi-
classe e mecanismos de tas a museus e parques (50%), condução
avaliação de de experimentos (41%), excursões didáticas
(38%), entre outros categorizados como ati-
aprendizagem vidades extra-classe. Apenas 5% dos pro-
Quando indagados sobre o material de fessores entrevistados afirmaram não utilizar
apoio didático usado em sala de aula ob- nenhuma destas atividades.
servou-se que livros (93%) e vídeos (60%)
são os recursos mais utilizados. Curiosamen- A metodologia de avaliação mais fre-
te, o uso do computador já parece estar as- qüentemente utilizada pelos professores de
sumindo um papel relevante nas escolas Ciências baseia-se na avaliação escrita (mais
públicas uma vez que 31% dos professores de 90% dos entrevistados). Tais avaliações
afirmaram utilizá-lo durante as aulas. Ou- consistem de questões discursivas sobre os
tros materiais citados incluem transparênci- tópicos apresentados ao longo do curso
as (utilizadas por 24% dos professores) e re- (90% das respostas) e questões de múltipla
vistas (7%). Além da exposição oral “con- escolha (“objetivas”, aplicadas por 86% dos
vencional”, os professores declararam lan- entrevistados). Percebem-se mudanças em

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
404 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

direção a um estilo mais contínuo e diversi- sido citado por 80% dos professores. Outra
ficado de avaliação, baseado em critérios forma de avaliação utilizada inclui seminá-
de participação do aluno nas atividades em rios (50% das respostas).
sala de aula e fora dela. Cerca de 95% dos
professores entrevistados afirmam lançar mão Entre as propostas citadas pelos profes-
de instrumentos de avaliação variada, que sores para compensar suas deficiências
incluem a elaboração de relatórios pelos metodológicas, as mais freqüentes foram:
alunos das atividades extra-classe; pesqui- maior interação UFPE/professores/alunos
sas na internet, livros e revistas de divulga- (34,4%); trabalhos e cursos de atualização
ção científica, e desempenho em Feiras de promovidos por instituições de ensino su-
Ciências, tendo este conjunto de atividades perior locais (18,8%) (Tabela 3).

Tabela 3: Comentários / perspectivas dos professores de Ciências da Rede Municipal de


Ensino de Recife quanto ao produto gerado por esta pesquisa (N=42).

COMENTÁRIOS / CRÍTICAS – Número de citações PERCENTAGENS


Que se tomem medidas concretas para resolver
problemas dos professores da rede pública – 6 18,8%
Maior interação das universidades com os professores
34,4%
da rede pública e os alunos da rede municipal – 11
Realização de palestras e experimentos nas escolas,
proporcionados pela universidade – 4 12,5%
Maior flexibilidade para que os professores da rede 15,6%
municipal possam fazer Pós-Graduação – 5
Trabalhos e cursos de atualização promovidos
18,8%
por Instituições de Ensino Superior locais – 6
Maior pesquisa para desenvolver ferramentas, material didático
9,4%
e outras formas de melhorar a qualificação do Ensino – 3
Realizar capacitações nos finais de semana para oportunizar
15,6%
aos que trabalham durante a semana – 05
Não realizaram comentários – 10 23,8%

Discussão O Modelo Didático Tradicional é ca-


racterizado por concepções de ensino
A educação “tradicional” como uma transmissão/transferência de
e suas limitações conhecimentos, por uma aprendizagem
receptiva e por um conhecimento abso-
A análise da metodologia de ensino nas
lutista e racionalista. Destas deriva uma
escolas recifenses revela que a educação
prática profissional que concebe os con-
tradicional ainda é adotada, resistindo e
teúdos de sala de aula como reprodu-
coexistindo com as novas propostas. Para
ção simplificada do conhecimento cien-
Kruger (2003, p. 71),

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 405

tifico ‘verdadeiro’, transmitido verbal- ção, sem valorizar o raciocínio e a apren-


mente pelo professor (metodologias dizagem por critérios que transcendam pro-
transmissivas), por um currículo fecha- vas para documentação e atribuição de
do e organizado de acordo com uma notas. Entretanto, em nosso público-alvo
lógica disciplinar e por uma avaliação percebemos a preocupação em utilizar ou-
classificatória e sancionadora. tras formas de avaliação, tais como semi-
nários, pesquisas e a participação do alu-
Esta abordagem consta do trabalho dos no nas atividades que relacionam o cotidi-
educadores pesquisados, para os quais o ano dos alunos e suas comunidades.
livro didático é o principal instrumento de
trabalho, em detrimento de atividades ex- Processos avaliativos devem buscar, na
tras, como aulas práticas e projetos de pes- concepção de Hadji (2001), integrar, tro-
quisa que explorem mais as habilidades car e negociar os interesses comuns entre
cognitivas do aluno. Como ressalta Loguer- os elementos participantes (avaliador e ava-
cio, Pino e Souza (2002), o livro didático liado), retratando a realidade com uma
tem significância nas construções curricu- compreensão que a ciência busca enfocar
lares, sendo muitas vezes o refúgio que e contextualizar, dando mais significado à
acaba por definir o trabalho docente. As aprendizagem do aluno, valorizando o ofí-
falhas dos livros didáticos têm sido alvo de cio da docência. O comentário de uma
diversas análises (SOUTO, 2003). Felizmen- docente entrevistada ilustra bem as dificul-
te, significativas correções estão sendo pro- dades envolvidas na avaliação:
postas e adotadas, qualificando e adap- Eu tento diversificar minhas ferramen-
tando nossos livros à necessidade do alu- tas de avaliação [...] já fiz excursão di-
no/comunidade. Ainda assim, é necessá- dática com elaboração de relatório,
rio quebrar a dependência a este recurso, observações no pátio da escola, deba-
complementando-o com outras fontes de tes [...] Mas sempre esbarro na falta de
conhecimento/atualização para o docen- motivação da maioria dos alunos. Eles
te, como livros e periódicos científicos. preferem coisas mais fáceis, como res-
ponder questionários com consulta no
Em parte por limitação de recursos di- caderno ou no livro didático que usa-
dáticos, muitos professores sentem-se obri- mos.” (M.A.S., professora).
gados a sobrecarregar os alunos com exa-
mes periódicos de conhecimento, superva- Para Hoffmann (2005, p. 91), “mediar a
lorizando testes escritos, discursivos e obje- mobilização diz respeito à provocação do
tivos, como mecanismos para aferir notas. desejo de aprender e/ou criar a necessidade
Devido à sobrecarga de trabalho, aos edu- de aprender – talvez um dos nossos compro-
cadores nem sempre resta tempo para tes- missos mais difíceis enquanto educadores”.
tar e/ou construir outros mecanismos/crité-
rios de avaliação. Além disso, há a cobran- Krasilchik (2004, p. 149-150) argumen-
ça para que se cumpra literalmente o con- ta que no ensino das Ciências, e mais es-
teúdo do livro, priorizando a quantidade pecificamente de Biologia, avaliações ba-
de informações a ser repassada ao aluno. seadas em práticas de laboratório e campo
Exige-se do estudante abusiva memoriza- são escassas e ainda mais complexas.

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
406 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

As dificuldades para elaborar uma pro- Os conteúdos devem ser tratados de


va prática são inúmeras e, possivelmen- forma globalizada, valorizando as ex-
te, por esta razão, raramente são feitas periências do cotidiano dos alunos, per-
e, quando o são, limitam-se a verificar a mitindo a relação entre teoria e prática,
capacidade que os alunos têm de mani- dando significado às aprendizagens re-
pular os instrumentos, sem aferir sua alizadas na escola, possibilitando que
capacidade de realizar uma investiga- estas sejam úteis na vida, no trabalho e
ção. [...] Essas habilidades não podem no exercício da cidadania.
ser medidas em provas escritas. É ne-
cessário colocar o aluno no laborató- Para alcançar tais objetivos, incorpo-
rio realizando os experimentos para rando-os às diretrizes pedagógicas das es-
verificar realmente o que aprendeu e colas, é importante que o professor tenha
como se comporta frente a um proble- boa formação e motivação, e que esteja
ma concreto. atualizado, como também consciente de seu
papel social, cultural e político a desempe-
O professor como nhar com e para seus alunos. Para Pereira
e Souza (2004, p. 205),
agente integrador Precisamos romper com a cultura da se-
Um desafio imposto ao professor é apli- letividade e da exclusão, atenuar postu-
car práticas pedagógicas acompanhadas ras avaliativas classificatórias e evoluir
de práticas conceituais; ou seja, relacio- para abordagens de ensino, de aprendi-
nar os conceitos à realidade do aluno, zagem e de avaliação mais compatíveis
dando significado e importância ao as- com as necessidades dos alunos, procu-
sunto apresentado. Tal desafio requer a rando construir uma escola mais demo-
integração de disciplinas, conhecimentos crática e acessível a todos, comprometi-
específicos e qualificações humanas, como da com a transformação da realidade.
habilidades, competências, atitudes e va-
lores. Neste sentido, percebemos que os O educador começa a perceber que o
entrevistados afirmam promover aulas de conhecimento não brota apenas das insti-
campo, com excursões e visitas a museus tuições de ensino; mas que estas devem-se
e parques como atividades extra-classe. comportar como ponto focalizador dos co-
Ainda, diversificam sua metodologia de nhecimentos científicos, culturais e pré-exis-
aula ao utilizar vídeos, leituras de revistas tentes aos alunos. Em contrapartida, a es-
e reportagens para discutir sobre temas do cola deve reconhecer as necessidades do
cotidiano dos educandos. Acreditamos que educador, valorizando seu trabalho, inclu-
tais iniciativas sejam o começo de um di- sive oferecendo remuneração coerente com
ferencial metodológico, entendendo-se o seu oficio e trabalho desempenhado. Afi-
educador não mais como detentor de todo nal, anos de desvalorização da categoria
o conhecimento, e sim como mediador nos docente, baixos salários e desprestígio em
processos de formação e desenvolvimento termos sociais desencadearam um fenôme-
dos saberes prévios dos estudantes, con- no de descrença na qualidade acadêmica
forme premissas dos PCN e lembrado por de professores em formação (TEDESCO,
Pereira e Souza (2004, p. 193): 2000). Jesus e Souza (2004, p. 45) reco-

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 407

nhecem que “limitações nas condições de tendo em vista que não souberam citar tí-
trabalho e o baixo nível remuneratório le- tulos de revistas cientificas, alegando custo
vam muitos professores a investir a sua ne- elevado e pouco tempo para a leitura das
cessidade de expansão e de formação em mesmas. Tais respostas não se justificam
atividades fora da escola, profissionais co- totalmente nos dias de hoje, consideran-
munitários ou familiares, empenhando-se do-se a disponibilidade de textos científicos
o mínimo possivel na profissão docente”. na internet. Sites como SciELO (Scientific
Registramos ainda o envolvimento dos do- Electronic Library On-line)1, disponibilizam
centes em outras instituições de ensino, gratuitamente artigos completos de revistas
como escolas particulares, além de ofícios de qualidade internacional. Neste ponto,
distintos da educação, como efeito colate- consideramos que estão sendo sub-utiliza-
ral dos baixos salários recebidos. dos os recursos da Internet, tendo em vista
que mais de 80% dos professores pesqui-
A educação permanente sados afirmaram ter acesso a esta ferramen-
ta. Curiosamente, este percentual contraria
de professores de Ciências dados de Silva e Azevedo (2005), desta-
Diferenças no tempo de conclusão dos cando que muitos professores da educa-
estudos formais podem resultar em profes- ção pública estadual não dispõem de com-
sores de Recife estão pouco familiarizados putadores, mas gostariam de possuir.
com novas tecnologias e atualizações de
terminologia. Isto abre espaço para a dis- Frazzon (2001) destaca a distância en-
cussão: como promover ações de educa- tre universidade e professores do ensino
ção permanente que respeitem as priorida- básico; e também ressalta que as institui-
des do educador e do educando? Vianna ções superiores podem ser uma via cons-
e Carvalho (2000) destacam a importân- tante de atualização dos professores que,
cia de o educador interagir com cientistas, por sua vez, refletirão seus trabalhos na
ressaltando que muitos educadores não ti- qualificação do ensino fundamental e mé-
veram a oportunidade, durante sua forma- dio. Neste contexto, a Universidade Fede-
ção, de ter contato com pesquisas de labo- ral de Pernambuco –UFPE, tem colabora-
ratório e campo. Ressalta, ainda, a impor- do com instituições de ensino básico, abrin-
tância de despertar no educador o desejo do suas portas para visitas a laboratórios,
de gerar conhecimento científico. Caso não oferecendo tecnologia e conhecimento para
tenha acesso a laboratórios, o docente pode professores e alunos do ensino médio e fun-
consultar publicações ou participar de even- damental. Há ainda a participação de pro-
tos que discutam os avanços científicos de fessores de escolas públicas e particulares
sua área de trabalho/interesse. em eventos de extensão realizados pelo
Centro de Ciências Biológicas (CCB), os
Entre os entrevistados, a interação com quais incluem Simpósios, cursos, oficinas,
pesquisadores das IES – Instituições de En- visitas técnicas e semanas de atualização.
sino Superior, é pífia. A leitura de artigos
científicos específicos à educação ou das Periodicamente, a UFPE disponibiliza
Ciências não é ainda um hábito difundido, espaço para ações de educação continua-
1
Disponível em: <www.scielo.org.br>.

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
408 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

da em parceria com outras instituições de tam ainda outros assuntos, talvez decor-
ensino básico, incluindo visitas a coleções rentes das rápidas mudanças de conceito e
didáticas, laboratórios e herbários. Contri- abordagem e/ou pela complexidade de sua
bui ainda para a construção de experimen- natureza, o que pode gerar insegurança em
totecas e disponibiliza material biológico sala de aula, levando alguns simplesmente
para exposições em feiras de ciências pro- a dedicar menor atenção aos referidos te-
movidas por escolas particulares e públicas mas. Destes assuntos, os mais citados in-
locais. Por esse motivo, conhecer o perfil do cluem temas ligados ao meio ambiente e
professor é vital no momento de formular ao corpo humano.
propostas para uma educação continuada
que corresponda aos anseios do educador Em contrapartida, relatam que os assun-
e às necessidades do sistema de ensino. tos de maior “atratividade” para os alunos
são os referentes à sexualidade, genética
No nosso estudo, algumas colocações moderna e questões ambientais. Isto é com-
aproximaram-se das registradas por Kru- preensível, pois muitos alunos encontram-
ger (2003, p. 78), em seu estudo envol- se na puberdade, quando começam a des-
vendo 28 professores do ensino básico, cobrir suas próprias transformações corpo-
principalmente de Ciências, durante curso rais e emocionais. No entanto, percebe-se
de especialização em Ensino de Ciências em Recife uma incrível carência de discipli-
em Lajeado (RS), os quais nas (isoladas ou conjuntas), e materiais de
[...] queixaram-se da carga horária ele- apoio didático voltados para o ensino de
vada e da ‘falta de tempo para se atuali- Orientação Sexual como tema transversal,
zar e preparar aulas’, manifestaram a conforme orienta os PCN. Uma breve análi-
necessidade de compartilhar idéias e se dos cursos de Licenciatura em Ciências
angústias profissionais e de ‘crescer Biológicas de Pernambuco revela que ne-
dentro de seu trabalho’, além de senti- nhum deles possui qualquer disciplina es-
rem ‘falta de estudos, de debates e de pecífica sobre Ensino de Sexualidade. No
embasamentos’. Muitas vezes não sa- curso de Licenciatura da UFPE, tal discipli-
bem como ‘lidar com questões discipli- na não foi inserida na nova estrutura curri-
nares’, pois gostariam de ‘compreen- cular por absoluta falta de professores inte-
der as dificuldades dos alunos’, ‘tornar ressados e/ou que se declaram “capazes”.
o conteúdo atrativo’, ‘aproximar con- A defasagem de conhecimento sobre Gené-
ceitos da realidade’ e discutir ‘formas tica Moderna assusta professores de Ciênci-
de avaliação’. as, ainda mais quando se observa a cres-
cente popularização de temas de Genética
Os programas de atualização/formação Molecular, desde filmes e novelas, a testes
permanente devem ter como ponto de par- de paternidade dramatizados em programas
tida as dificuldades detectadas em visitas de televisão. Por sua vez, a temática do meio
às próprias escolas. Por exemplo, os pro- ambiente é constantemente abordada em
fessores de Ciências da Rede Municipal de jornais, revistas, televisão e internet, o que
Recife destacam que, por deficiência em sua aguça a curiosidade dos alunos do ensino
formação, sentem dificuldades em traba- fundamental. Esses assuntos têm sido temas
lhar conceitos de Física e Química. Rela- de eventos de extensão organizados pela

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 409

UFPE, os quais contam com a participação Ouvir as percepções e anseios dos pro-
de professores de Ciências. fessores do ensino básico é o primeiro pas-
so para que a universidade cumpra sua
Considerações finais função de pólo gerador de conhecimento
aplicado à comunidade. É injusto respon-
Nossa pesquisa teve como ponto de
sabilizar apenas os docentes por eventuais
partida a necessidade de maior interação
falhas na qualidade da escola pública.
entre os cursos de Licenciatura oferecidos
Mudanças recentes nas relações de “po-
nas universidades públicas locais e a reali-
der” em sala de aula têm exposto professo-
dade das escolas públicas. Acreditamos que
res a situações (muitas vezes constrange-
para o êxito na aprendizagem dos alunos e
doras) para as quais não estavam prepa-
na metodologia adotada pelo educador,
rados. A falta de interesse de alunos – uma
seria necessário
reclamação que pode ser repetida em to-
Efetivar uma prática pedagógica diferen-
dos os níveis, até em nível universitário –
ciada, promovendo o atendimento às
desestimula o educador a ousar metodolo-
diferentes necessidades dos alunos; uti-
gias de ensino mais inovadoras e de avali-
lizar técnicas e instrumentos de avalia-
ação mais criativas. Somente um processo
ção da aprendizagem que dêem mais li-
em médio prazo de valoração do profes-
berdade aos alunos para revelarem seus
sor, que permita o investimento em pesqui-
avanços e suas dificuldades e, conse-
sa educacional, poderá gerar aprendiza-
qüentemente, reorientar e implementar
gem transformadora.
o processo didático; estabelecer peque-
nas metas a serem alcançadas – que con-
templem a formação da competência e Agradecimentos
habilidades essenciais aos novos tem- Agradecemos aos professores que se
pos – que possam desencadear ações dispuseram a participar de nossa pesqui-
que tenham por perspectivas utopias fun- sa, bem como aos diretores de escolas pelo
damentadas na prática de uma escola apoio disponibilizado. À Prefeitura do Re-
pública verdadeiramente mais democrá- cife por seu apoio, interesse e autorização;
tica. (PEREIRA; SOUZA, 2004, p. 204). a Emanuel Souto pela ajuda de campo.

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
410 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

Referências
BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3. ed. Lisboa: Editora 70, 2004.

BARROS, C.; PAULINO, W. R. Os seres vivos. 66. ed. São Paulo: Ática, 2002.

BAZZO, V. L. Para onde vão as licenciaturas?: a formação de professores e as políticas


públicas. Educação, Santa Maria, RS, v. 25, n. 1, p. 53-65, 2000.

DIAS-DA-SILVA, M. H. G. F. O professor e seu desenvolvimento profissional: superando a


concepção do algoz incompetente. Caderno CEDES, Campinas, SP, v. 19 n. 44, p. 33-45, 1998.

FRAZZON, L. M. O compromisso da Universidade com a formação continuada do


professor. Revista Roteiro, Joaçaba, RS, v. 26, n. 46, p. 81-91, 2001.

HADJI, C. Avaliação desmistificada. Porto Alegre: ARTMED, 2001.

HOFFMANN, J. Avaliar para promover: as setas do caminho. 7. ed. Porto Alegre:


Mediação, 2005.

HOLMESLAND, I. S. Qualidade e equidade no acesso ao conhecimento: experiências de


uma sociedade igualitária. Educação, Porto Alegre, ano 26, n. 50, p. 45–70, 2003.

JESUS, S. N.; SOUZA J. C. V. Desenvolvimento profissional e motivação dos professores.


Educação, Porto Alegre, ano 27, v.1, n. 52, p. 39-58, 2004.

KRASILCHIK, M. Prática de ensino de biologia. 4. ed. São Paulo: Ed. da USP, p.198, 2004.

KRUGER, V. Formação continuada de professores de ciências: o trabalho docente como


referencia. Educação, Porto Alegre, ano 26, n. 51, p. 69-85, 2003.

LA LUZ, M.; SANTOS, M. T. Vivendo ciências. São Paulo: FTD, 2002.

LOGUERCIO, R. Q.; PINO, J. C. D.; SOUZA, D. O. G., A educação e o livro didático:


implicações sociais. Educação, Porto Alegre, ano 25, n. 48, p. 183-193, 2002.

PEREIRA, L. C.; SOUZA, N. A. Concepção e prática de avaliação: um confronto


necessário no ensino médio. Estudos em Avaliação Educacional: revista da Fundação
Carlos Chagas, São Paulo, n. 29, p. 191-208, 2004.

SILVA, C. M. T.; AZEVEDO, N. S. N. O significado das tecnologias de informação para


educadores. Ensaio: avaliação e políticas públicas em educação: revista da Fundação
Cesgranrio, , v. 13, n. 46, p. 39-54, 2005.

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
Análise da metodologia de ensino de ciências nas escolas da rede municipal de Recife 411

SOUTO, E. Intervenções alternativas e análise do material de apoio didático no ensino


de zoologia. 2003. 53 f. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal)-Universidade
Federal de Pernambuco, Recife, 2003.

TEDESCO, J. C. Los nuevos desafíos de la formación docente. Revista de Tecnología


Educativa, Santiago, Chile, v. 14, n. 3, p. 323-337, 2000.

VIANNA, D. M.; CARVALHO, A. M. P. Formação permanente: a necessidade da


informação entre a ciência dos cientistas e a ciência da sala de aula. Ciência e
Educação, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 31-42, 2000.

Recebido em: 22/01/2005


Aceito para publicação em: 08/09/2006

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006
412 Kênio Erithon Cavalcante Lima e Simão Dias Vasconcelos

APÊNDICE 1
ROTEIRO DE ENTREVISTA - PERFIL DO PROFESSOR DE CIÊNCIAS DO RECIFE
I-) SOBRE O PROFESSOR:

1. Sexo: ( ) M ( ) F 2. Instituição de ensino: ______. Outra: ___________


3. Idade: ( ) até 25 anos ( ) 25 a 35 ( ) 35 a 45 ( ) mais que 45
4. Formação acadêmica: ( ) Ensino médio ( ) Superior. Instituição, curso e ano de graduação

5. Há quantos anos ensina Ciências? ( ) < 5 ( ) 5 a 10 ( ) 10 a 15 ( ) 15 a 20 ( ) > 20


Que série (s)? EF: ( ) 5ª ( ) 6ª ( ) 7ª ( ) 8ª EM: ( ) 1º ( ) 2º ( ) 3º
6. Você recebe por mês (somente com ensino) ( ) < 3 SM ( ) 4 a 8 ( ) 9 a 12 ( ) > 12
7. Ensina em mais de uma escola? ( ) não ( ) sim = ( ) só pública ( ) pública + particular
8. Tem fonte de renda adicional (não relativa a ensino) ? ( ) sim( ) não

II) SOBRE FONTES DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS:


1. Costuma ler revista / periódico de divulgação cientifica? ( ) sim ( ) não.
Qual? ( ) superinteressante ( ) Galileu ( ) Ciência Hoje ( ) Outros: _______________
2. Caso negativo, por que não? ( ) custo ( ) falta de tempo ( ) outros: ______________
3. Que livro(s) costuma consultar para tirar duvidas em Ciências?
4. Costuma freqüentar bibliotecas para se atualizar / tirar duvidas em Ciências? ( ) sim ( ) não
5. Tem acesso à Internet? ( ) sim ( ) não. Onde? ( ) casa ( ) escola ( ) outros _________
6. Utiliza a Internet para elaborar aulas ou pesquisar sobre Ciências?___ Caso negativo, por que não?
7. Sente dificuldade em encontrar material didático sobre biologia? ( ) sim ( ) não
Quais? ( ) custo dos livros ( ) ausência de biblioteca especializada ( ) falta de livrarias técnicas
( ) falta de tempo ( ) ausência de bons textos em português ( ) Outros:

III) SOBRE O ENSINO DE BIOLOGIA:


1. Você considera a carga horária de Ciências suficiente para cumprir o programa? ( ) sim ( ) não
2. Que recursos utiliza em sala de aula? ( ) livros ( ) vídeo ( ) slides ( ) transparências
( ) computador ( ) outros.
3. Que atividades extra-classe desenvolve? ( ) Feira de Ciências ( ) excursões ( ) experimentos
( ) visitas ( ) outros
4. Qual o livro / apostila de Ciências / Biologia é adotado pela escola?
5. Está satisfeito(a) com este material? ( ) sim ( ) não. por quê? (Comentários).
6. Que assunto de Ciências desperta mais interesse do aluno?
7. Que assunto de Biologia você tem mais dificuldade para ensinar? Por quê?
( ) Meio ambiente: Ar, Água, Solo ( ) Noções de Ecologia ( ) Seres Vivos: Animais
( ) Seres Vivos: Microorganismos ( ) Seres Vivos: Plantas ( ) Programa de Saúde
( ) Corpo Humano: Citologia e Histologia ( ) Corpo Humano: Reprodução e Genética
( ) Corpo Humano: Anatomia e Fisiologia ( ) Noções de Química ( ) Noções de Física.
8. Qual o seu método de avaliação da aprendizagem dos alunos?
( ) questões objetivas ( ) questões discursivas ( ) participação em atividades
( ) pesquisas ( ) seminários ( ) outros. Especificar
9. Que atividade / recurso mantidos na UFPE seriam mais úteis ao professor de Ciências?
( ) Coleções zoológicas ( ) manutenção de animais e plantas vivos ( ) experimentotecas
( ) herbários ( ) cursos e palestras de atualização em Biologia ( ) laboratórios ( ) outros
10. Comentários adicionais.

Ensaio: aval. pol. públ. Educ., Rio de Janeiro, v.14, n.52, p. 397-412, jul./set. 2006