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ANEXO

1. NOTA TÉCNICA A cevada (Hordeum vulgare L.) é uma importante opção de cultivo de inverno para os produtores de grãos de Santa Catarina. Por ser precoce e tolerante ao frio, pode ser semeada e colhida mais cedo do que os demais cereais de inverno. No entanto, as adversidades climáticas, como estiagens verificadas no período inicial de desenvolvimento da cultura, temperaturas altas no início do inverno adiantando o ciclo da planta, além das fortes geadas ocorridas no final de agosto e

início de setembro, têm sido determinantes para a redução significativa dos rendimentos da cevada, observada nas últimas safras no Estado de Santa Catarina. Portanto, o plantio da cevada deve ser antecedido por um planejamento que vise à utilização de um conjunto de técnicas que possam propiciar boa produção em termos de produtividade e qualidade, incluindo, entre outros aspectos, o tipo de solo e a escolha de cultivares, em função das condições de cultivo e das exigências de mercado. Objetivou-se, com o zoneamento agrícola, identificar as áreas aptas e os períodos de semeadura com menor risco climático para o cultivo da cevada, em condições de sequeiro, nos diferentes municípios do Estado. Os períodos de semeadura foram determinados com base no balanço hídrico da cultura, na análise de ocorrência de geada no período de espigamento (período crítico de 10 dias antes da antese e 5 dias após esse estádio) e do excesso de chuva por ocasião da colheita (período crítico entre o estádio de maturação fisiológica e 15 dias após). As variáveis pertinentes aos critérios modelados para a cultura foram:

a) cultivares de ciclo precoce/médio;

b) probabilidade, superior a 0,7 do 3º ao 7º decêndio do plantio, de

ocorrência de temperatura mínima média entre 4 ºC e 12 ºC;

c) probabilidade, superior a 0,8 nos decêndios 9º a 14º do plantio, de

ocorrência de temperatura média igual ou inferior a 20ºC;

d) probabilidade, inferior ou igual a 0,8 no mês correspondente aos decêndios

8º e 9º do plantio, de ocorrência de geada (mensal);

e) precipitação decendial provável (probabilidade de 0,75) inferior ou igual a

120 mm, nos decêndios 13º e 14º do plantio; e

f) balanço hídrico da cultura para os solos tipo 1, tipo2 e tipo 3, com

capacidade de armazenamento de água de 20 mm, 30 mm e 40 mm, respectivamente. Foram realizadas simulações para períodos descendiais de semeadura, entre os meses de maio e agosto. Para cada data, o modelo estimou os índices de satisfação da necessidade de água (ISNA), definidos como sendo a relação existente entre evapotranspiração real (ETr) e a evapotranspiração máxima (ETm) para cada fase fenológica da cultura e para cada estação pluviométrica. Em seguida, aplicaram-se funções

freqüenciais para obtenção do nível de 80% de ocorrência dos ISNA’s. Os valores de ISNA foram georeferenciados e combinados com os mapas de

probabilidade de ocorrência de temperatura mínima média, probabilidade de ocorrência de geada e de precipitação pluviométrica na época da colheita, para definir as datas de semeadura com menor risco climático o cultivo da cevada no Estado. Foram adotados os seguintes critérios de déficit hídrico:

a)

ISNA 0,55: áreas inaptas (alto risco);

a)

0,55 < ISNA 0,65: áreas intermediárias (médio risco); e

c)

ISNA 0,65: áreas favoráveis (baixo risco).

Consideraram-se aptos os municípios que apresentaram ISNA’s superiores a

0,65.

Com base nas análises realizadas, observou-se que as datas de semeadura da cevada de ciclo precoce não variaram em função dos tipos de solos recomendados para a semeadura no Estado.

2.

TIPOS DE SOLOS APTOS AO CULTIVO

O zoneamento agrícola de risco climático para o Estado de Santa Catarina contempla como aptos ao cultivo da cevada os solos Tipos 2 e 3, especificados na Instrução Normativa nº 10, de 14 de junho de 2005, publicada no DOU de 16 de junho de 2005, Seção 1, página 12, alterada para Instrução Normativa nº 12, através de retificação publicada no DOU de 17 de junho de 2005, Seção 1, página 6, que apresentam as seguintes características: Tipo 2: solos com teor de argila entre 15 e 35% e menos de 70% areia, com profundidade igual ou superior a 50

cm; e Tipo 3: a) solos com teor de argila maior que 35%, com profundidade igual ou superior a 50 cm; e b) solos com menos de 35% de argila e menos de 15% de areia (textura siltosa), com profundidade igual ou superior a 50 cm. Critérios para profundidade de amostragem:

Na determinação da quantidade de argila e de areia existentes nos solos, visando o seu enquadramento nos diferentes tipos previstos no zoneamento de risco climático, recomenda-se que:

a) a amostragem de solos seja feita na camada de 0 a 50 cm de

profundidade;

b) nos casos de solos com grandes diferenças de textura (por exemplo:

arenoso/argiloso, argiloso/muito argiloso), dentro da camada de 0 a 50 cm, esta

seja subdividida em tantas camadas quantas forem necessárias para determinar a quantidade de areia e argila em cada uma delas; c) o enquadramento de solos com grandes diferenças de textura na camada de 0 a 50 cm, leve em conta a quantidade de argila e de areia existentes na subcamada de maior espessura;

d) as amostras sejam devidamente identificadas e encaminhadas a um

laboratório de solos que garanta um padrão de qualidade nas análises realizadas.

Para o uso dos solos, deve-se observar a legislação relativa às áreas de preservação permanente.

3. TABELA DE PERÍODOS DE SEMEADURA

Períodos

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

 

11

12

 

11

21

11

21

11

21

 

11

21

Datas

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

10

20

31

10

20

29

10

20

31

10

20

30

Meses

 

Janeiro

Fevereiro

 

Março

 

Abril

 

Períodos

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

 

11

21

11

21

11

21

11

21

Datas

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

10

20

31

10

20

30

10

20

31

10

20

31

Meses

 

Maio

 

Junho

 

Julho

 

Agosto

 

Períodos

25

26

27

28

29

30

31

32

33

34

 

35

36

 

11

21

11

21

11

21

 

11

21

Datas

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

a

10

20

30

10

20

31

10

20

30

10

20

31

Meses

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

4. CULTIVARES INDICADAS PELOS OBTENTORES/MANTENEDORES Ciclo Precoce:

CIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – MN 721 e MN 743; EMBRAPA – Embrapa 127, BRS 225, BRS Borema, BRS Marciana e BRS

Suabia.

Ciclo Médio:

CIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS – MN 610, MN 836 e MN 858; EMBRAPA - BRS 195 e BRS Greta.

Notas:

1) Informações complementares sobre as características agronômicas, região de adaptação e reação a fatores adversos das cultivares de cevada indicadas, estão especificadas e disponibilizadas na Coordenação-Geral de Zoneamento Agropecuário, localizada na Esplanada dos Ministérios, Bloco D, 6º andar, sala 646, CEP 70043-900 – Brasília – DF e no endereço eletrônico www.agricultura.gov.br. 2) Devem ser utilizadas no plantio sementes produzidas em conformidade com a legislação brasileira sobre sementes e mudas (Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e Decreto nº 5.153, de 23 de agosto de 2004).

5. RELAÇÃO DOS MUNICÍPIOS APTOS AO CULTIVO E PERÍODOS INDICADOS PARA SEMEADURA A relação de municípios do Estado de Santa Catarina aptos ao cultivo de cevada não irrigada foi calcada em dados disponíveis por ocasião da sua elaboração. Se algum município mudou de nome ou foi criado um novo, em razão de emancipação de um daqueles da listagem abaixo, todas as indicações são idênticas às do município de origem, até que nova relação o inclua formalmente. A época de semeadura indicada para cada município não será prorrogada ou antecipada. No caso de ocorrer algum evento atípico que impeça o plantio nos períodos indicados, recomenda-se aos produtores não efetivarem a implantação da lavoura nesta safra.

 

CICLOS: PRECOCE e MÉDIO

MUNICÍPIOS

SOLOS: TIPOS 2 e 3

PERÍODOS

Abdon Batista

15

a 18

Abelardo Luz

15

a 18

Água Doce

18

a 21

Alto Bela Vista

13

a 17

Anita Garibaldi

15

a 18

Arroio Trinta

18

a 21

Bela Vista do Toldo

18

a 21

Bocaina do Sul

18

a 23

Bom Jardim da Serra

18

a 24

Bom Retiro

18

a 23

Brunópolis

15

a 18

Caçador

18

a 21

Calmon

18

a 21

Campo Alegre

15

a 18

Campo Belo do Sul

15

a 20

Campos Novos

15

a 18

Canoinhas

15

a 18

Capão Alto

18

a 23

Capinzal

13

a 17

Catanduvas

15

a 18

Celso Ramos

15

a 18

Cerro Negro

15

a 20

Chapadão do Lageado

18

a 23

Concórdia

13

a 17

Correia Pinto

15

a 20

Curitibanos

15

a 20

Erval Velho

15

a 18

Faxinal dos Guedes

15

a 18

Fraiburgo

18

a 20

Frei Rogério

15

a 18

Herval d'Oeste

15

a 18

Ibiam

18

a 20

Ibicaré

15

a 17

Iomerê

15

a 17

Ipira

13

a 17

Ipumirim

13

a 17

Irani

13

a 17

Irineópolis

15

a 18

Itaiópolis

15

a 18

Jaborá

15

a 18

Joaçaba

15

a 18

Lacerdópolis

13

a 17

Lages

18

a 23

Lebon Régis

18

a 21

Lindóia do Sul

13

a 17

Luzerna

15

a 17

Macieira

18

a 21

Mafra

15

a 18

Major Vieira

15

a 18

Matos Costa

18

a 21

Mirim Doce

15

a 20

Monte Carlo

18

a 20

Monte Castelo

18

a 21

Otacílio Costa

15

a 20

Ouro

13

a 17

Ouro Verde

15

a 18

Painel

18

a 23

Palmeira

15

a 20

Papanduva

15

a 20

Passos Maia

18

a 20

Peritiba

13

a 17

Pinheiro Preto

15

a 17

Piratuba

13

a 17

Ponte Alta

15

a 20

Ponte Alta do Norte

15

a 20

Ponte Serrada

18

a 20

Porto União

15

a 18

Presidente Castelo Branco

15

a 18

Rio das Antas

15

a 18

Rio do Campo

15

a 20

Rio Negrinho

15

a 18

Rio Rufino

18

a 24

Salto Veloso

18

a 21

Santa Cecília

18

a 21

Santa Terezinha

15

a 20

São Bento do Sul

15

a 18

São Cristovão do Sul

15

a 20

São Joaquim

18

a 24

São José do Cerrito

15

a 20

Tangará

15

a 17

Timbó Grande

18

a 21

Três Barras

15

a 18

Treze Tílias

18

a 21

Urubici

18

a 24

Urupema

18

a 24

Vargeão

15

a 18

Vargem

15

a 18

Vargem Bonita

18

a 21

Videira

15

a 18

Zortéa

13

a 17