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A Irracionalidade da Fé

Por David Wilkerson

Quando Deus diz à humanidade: "Creia", Ele pede algo que está totalmente além
da razão. A fé é inteiramente ilógica. A sua própria definição tem a ver com algo
irracional. Pense nisso: a carta de Hebreus diz que a fé é a substância de algo que
se espera, a prova que se não vê. Somos informados, em resumo, de que "inexiste
uma substância tangível. Inexiste prova absolutamente alguma". Mesmo assim
somos orientados a crer. Dá para você pensar numa exigência mais irracional do
que essa? Ela diz simplesmente: "Aceite isso sem provas. Confie no invisível". Está
totalmente além da lógica.

Estou focalizando esse assunto por uma razão importante. Nesse momento, por
todo o mundo, multidões de crentes estão se dobrando ao desencorajamento. O
povo de Deus está passando por provações, lutas, sofrimento, e todo tipo de caos.
O fato é que todos continuaremos a enfrentar desencorajamentos nessa vida.
Contudo, creio que se compreendermos a natureza da fé - a sua natureza ilógica e
irracional, encontraremos a ajuda que precisamos para prosseguir.

Veja a fé que foi exigida de Noé. Ele viveu numa geração que havia se
desgovernado inteiramente. Não dá nem para começar a se imaginar a malignidade
dos tempos em que esse homem viveu: violência e assassinatos crescentes.
Gigantes geraram homens "valentes". Uma impiedade indescritível havia se
disseminado com licenciosidade. A situação dos humanos ficou tão terrível, que
Deus não suportou mais. Finalmente, disse: "Chega! O homem está destruindo a si
próprio. Isso tem de parar".

Ele disse a Noé: "Destruirei toda a carne. Mas preservarei a você e sua família.
Então, quero que construa uma arca, Noé. E quero que você junte nela todas as
espécies animais, em casais. Enquanto você estiver fazendo isso, darei aos
habitantes da terra 120 anos de misericórdia. Aí então enviarei uma chuva que não
parará por 40 dias e noites. Haverá um grande dilúvio, que eliminará todo ser
vivente". Deus então prosseguiu dando a Noé as dimensões da grande arca - o
comprimento, largura e profundidade - em grandes detalhes.

Imagine o assombro de Noé ao tentar entender isso. Deus iria enviar um


cataclisma, que destruiria toda a terra. Ainda assim, tudo que foi dito para Noé em
relação a tal assunto foram estas breves palavras dos céus. Ele simplesmente
deveria aceitar isso pela fé, sem receber mais nenhuma orientação por 120 anos.

Pense no quê a fé estava exigindo de Noé. Ele recebeu a tarefa gigantesca de


construir uma enorme arca. E enquanto isso, teria de viver num mundo violento e
perigoso. Ele estava cercado de gigantes, criminosos, céticos, todos observando
cada passo dele. Tenho certeza de que zombaram de Noé enquanto ele
enfadonhamente trabalhava na arca ao longo dos anos. E, endurecidos pela
violência, provavelmente ameaçaram matá-lo. Porém a fé exigia que Noé
conservasse seu coração "temente a Deus" (v. Hebreus 11:7). Ele tinha de
continuar crendo, enquanto o mundo todo ao redor dele dançava, farreava e
mergulhava na sensualidade.

Basicamente, Deus havia dito a ele: "Você deve crer na Minha Palavra, Noé. Estou
pedindo que Me obedeça, sem desculpas. Se em algum momento começar a
duvidar, ou tiver vontade de desistir, você terá de confiar no que lhe disse. Não lhe
darei nenhuma prova, apenas a Minha promessa. Você deve agir baseado
unicamente nisso".

Um quadro totalmente ilógico. Certamente às vezes Noé se frustrava, tanto externa


como interiormente. Quantos dias ficou desencorajado? De quanto em quanto
tempo se perguntou "Isso é uma besteira. Como posso saber que era a voz de
Deus?". Mas Noé fez como Deus mandou. Continuou confiando na palavra que
recebeu, por mais de um século. E por sua obediência, dizem as escrituras, Noé "se
tornou herdeiro da justiça que vem da fé" (v. Hebreus 11:7).

Veja Abraão. Deus disse a esse homem: "Levante-se, saia, e deixe a sua terra".
Certamente ele ficou imaginando: "Mas para onde, Senhor?". Deus respondeu
simplesmente: "Não vou dizer. Apenas vá".

Isso não era lógico. Era uma exigência totalmente não razoável para qualquer ser
pensante. Vou ilustrar perguntando à qualquer esposa cristã: o que aconteceria se
o seu marido chegasse em casa um dia, e dissesse: "Arrume as malas, amor - nós
vamos mudar". É claro, você iria querer saber por que, ou para onde, ou como. Mas
a única resposta que ele lhe dá é: "Não sei. Eu só sei que Deus mandou fazer isso".
Inexiste correspondência racional a esse tipo de exigência. Ela simplesmente não é
lógica.

Contudo essa foi exatamente a direção ilógica que Abraão seguiu. "Pela fé, Abraão,
quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por
herança; e partiu sem saber aonde ia" (Hebreus 11:8). Abraão fez as malas da
família e saiu, sem saber onde acabaria a viagem. A única coisa que sabia era a
breve palavra que Deus havia lhe dado: " Vá, Abraão, e Eu estarei contigo. Nenhum
mal chegará a ti". A fé exigia que Abraão agisse baseado em nada além desta
promessa.

Em uma noite estrelada, Deus diz a Abraão: "Olhe para o céu. Está vendo as
inúmeras estrelas? Conte-as se puder. Essa será a quantidade de descendentes que
você terá" (v. Gênesis 15:5). Abraão deve ter abanado a cabeça diante disso. Ele
era velho então, bem como sua esposa, Sara. Há muito havia passado o tempo da
possibilidade de terem um filho. Contudo aqui ele recebe a promessa de que se
tornaria o pai de muitas nações. E a única evidência que possuía para prosseguir
era uma palavra dos céus: " Eu sou o Senhor" (Gênesis 15:7).

Mas Abraão obedeceu. E a Bíblia diz o mesmo em relação a ele que diz de Noé: "Ele
creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça" (15:6). De novo, vemos uma
cena ilógica. Mesmo assim a fé de um homemé traduzida para justiça.

Veja os filhos de Israel. Pense nas situações de provação às quais foram levados
por Deus. Ele os livrou das garras do faraó no Egito só para se verem encurralados
no mar Vermelho. Os israelitas ficaram cercados pelas montanhas por dois lados,
com o exército do faraó rapidamente caindo sobre eles por trás. Era uma situação
desesperadora, sem nenhuma saída humana. O coração do povo deve ter se
agitado ao ouvir o ribombar dos carros do faraó, e vendo o pó levantado pelos
cavalos.

Mesmo conhecendo o desdobramento desta cena, a minha carne quer argumentar


com Deus: "Não parece justo, Senhor. Que tremendo trauma para as famílias e
seus filhos. Eles ficaram presos lá, sem barcos ou jangadas, se perguntando o que
fazer. Deus, uma noite o Senhor matou todos os primogênitos do Egito. Por que não
matou todos esses soldados no deserto? É irracional, com todas aquelas crianças
chorando, e os homens e mulheres tremendo de medo. Eles tinham Lhe obedecido
- mesmo assim o Senhor permitiu que isso lhes sobreviesse. Por que levá-los a
passar por isso?".

Não há como escapar deste fato: Deus os levou à essa situação. E a cena inteira é
totalmente ilógica, completamente irracional. Deus simplesmente esperava que eles
cressem na palavra que já havia lhes dado: "Vou pegá-los em meus braços e
carregá-los através do deserto. Nenhum inimigo prosperará contra vocês, pois
estarei consigo. Vocês simplesmente se aquietem e vejam a salvação do Senhor".

Eu lhe pergunto: quantos de nós hoje não ficaríamos lá com medo e chorando,
como os israelitas fizeram? Se formos honestos, sabemos que é exatamente assim
que reagimos agora, na maioria de nossas crises. A situação dos nossos corações
não é similar a deles?

Simplificando, a fé é muito exigente. Ela exige que uma vez tendo ouvido a Palavra
de Deus, a obedeçamos, sem nenhuma outra evidência ou prova para nos dirigir.
Não importa o quão grandes os nossos obstáculos possam ser, o quanto as nossas
circunstâncias sejam impossíveis. Devemos crer em Sua Palavra e agir baseados
nela, sem nenhuma outra prova para ir em frente. Deus diz: "A única coisa que
você necessita é da Minha promessa".

Creio Que Nada Mudou


Desde o Tempo em Que Estes Patriarcas Viveram

Tal como cada uma das gerações que nos antecederam, também nos perguntamos:
"Senhor, por que estou enfrentando este teste? Está além da minha compreensão.
O Senhor permitiu tantas coisas em minha vida que não fazem sentido. Por que não
há explicação para o que estou enfrentando? Por que a minha alma está tão
angustiada, cheia de provações tão grandes?".

Ouça-me mais uma vez: as exigências da fé são totalmente irracionaisà


humanidade. Assim, como o Senhor responde aos nossos gritos? Ele envia a Sua
Palavra, lembrando-nos de Suas promessas. E Ele diz: "Simplesmente Me obedeça.
Confie na Minha Palavra para você". Ele não aceita nenhuma desculpa, nenhuma
desobediência - não importa o quão impossível possam parecer as nossas
circunstâncias.

Por favor não me entenda mal. O nosso Deus é um Pai amoroso. E não permite que
o Seu povo sofra indiscriminadamente, sem nenhuma razão. Sabemos que Ele tem
ao Seu dispor o poder e a disposição para fazer com que todos os problemas e as
dores sejam removidos. Ele pode simplesmente pronunciar uma palavra, e nos
livrar de toda prova e luta.
Contudo, o fato é o seguinte: Deus não vai nos mostrar como ou quando irá
cumprir as Suas promessas para conosco. Por que? Porque Ele não nos deve
nenhuma explicação, uma vez já tendo nos dado a resposta. Ele nos deu tudo o
que precisamos para vida e piedade em Seu Filho, Jesus Cristo. Ele é a única coisa
que necessitamos para toda situação que a vida nos lança. E Deus vai se manter na
Palavra que já revelou: "Você tem a Minha Palavra ao seu alcance. As Minhas
promessas são sim e amém para todos os que crêem. Então, descanse na Minha
palavra. Creia nela e a obedeça".

A Bíblia nos diz que Israel "provocou" a Deus dez vezes no deserto. O quê foram
essas provocações? Foram dez situações quando os israelitas enfrentaram grandes
provações. Vez após outra o povo foi colocado em circunstâncias que pareciam
impossíveis. Talvez você às vezes tenha se perguntado, como eu, "Senhor, por que
tantos testes?".

Em cada exemplo, Deus estava buscando promover em Seu povo um vislumbre de


fé; estava procurando só uma pequena medida sobre a qual Ele pudesse edificar.
Veja, o Senhor queria dar ao mundo um testemunho de Sua fidelidade ao Seu
povo. E Israel era para ser esse testemunho. Deus estava dizendo, basicamente:
"Quando levo o Meu povo à situações difíceis, espero que eles ajam baseados nas
Minhas promessas para com eles. A Minha Palavra é vida a todo que crê. E quero
essa mensagem pregada e demonstrada a um mundo perdido e que está à morte".

Essa Palavra já estava disponível a Israel. Deus lhes havia dito: "Vou lhes tirar da
aflição, para uma terra onde jorra leite e mel. Ninguém conseguirá lhes enfrentar. O
EU SOU estará com vocês. E nenhuma promessa Minha falhará". O mesmo se aplica
ao povo de Deus hoje. Enquanto a terra existir, as Suas promessas permanecem as
mesmas: "Eu lhes tirarei das aflições. Confiem no grande EU SOU".

É por isso que o Deus de extrema paciência não tem paciência com a incredulidade
de Seus filhos. Hebreus diz: "Havendo-a alguns ouvido, o provocaram" (Heb. 3:16).
O quê ouviram? Eles tinham ouvido a Palavra de Deus: promessas de proteção,
orientação e bondade. Mas ao invés de confiarem nessa Palavra, se concentraram
nas situações desesperadoras. E permitiram que a incredulidade se apossasse de
seus corações. Deus respondeu dizendo: "Jurei na minha ira que não entrarão no
meu repouso" (Heb. 3:11).

Essas pessoas queriam algo racional. Queriam se firmar em algo que pudessem ver,
sentir e tocar. Queriam que Deus lhes detalhasse o trajeto que as aguardava à
frente. Mas isso não é fé. Fé significa dizer: "Deus me fez uma promessa. E vou
viver e morrer por essa promessa. Não importa o que será necessário para me
apropriar dela. Estou arriscando tudo, toda a minha vida - por Sua Palavra para
mim".

Hebreus pergunta: "Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi
porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou
que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos
que não puderam entrar por causa da sua incredulidade" (Heb. 3:17-19).

O fato é que todas as provações de Israel passaram. E Deus fielmente livrou-os de


cada uma delas. Ainda assim os mesmos israelitas que experiementaram a bondade
de Deus acabaram mortos no deserto. Por que? Toda vez que vinha uma luta, eles
murmuravam reclamando - e se endureciam, recusando a crer.

E você? Você nesse instante está numa situação de terror como Israel estava? Você
está sem esperança, vazio, despojado de tudo? A todos os que estiverem
enfrentando uma luta angustiante, eu digo: as suas provações também passarão.
Então, o que Deus espera de você agora, em meio a tudo que está acontecendo?

Talvez você esteja sofrendo, se angustiando com uma situação que parece não ter
fim. Você está cabisbaixo, mais desencorajado do que jamais esteve na vida. Os
seus amigos podem estar dizendo: "Não chore e não se lastime. Isso não é mostrar
fé". Mas não é assim. A verdade é que se você tem fé, será capaz de chorar. Não dá
para evitar a dor. Em verdade, há poder de cura em suas lágrimas. O seu lamento
não tem nada a ver com ter ou não confiança na Palavra de Deus.

Às vezes, você pode se perguntar: "Senhor, o quê fiz de errado? Que pecado
cometi? Será que isso é o Teu julgamento sobre mim?". Você pode até sentir
vontade de confrontá-Lo, dizendo: "Por que o Senhor deixou isso acontecer? O que
fiz para que o Senhor permitisse isso?". Posso lhe dizer: Deus lhe dá tempo para
estes questionamentos. Ele permite que a sua carne tenha os seus acessos de
raiva.

Aí, finalmente, o Senhor chega até você e diz: "Você teve o direito de sentir todas
essas emoções. Mas não tem razão em Me acusar ou em duvidar de Mim. Eu lhe dei
uma promessa. Na verdade, lhe dei tudo de que necessita. E você deve se apropriar
dessa promessa agora. Se o fizer, a Minha Palavra se transformará em vida para
você. Lhe trará cura maior do que a de qualquer remédio, mais poderosa do que
qualquer mar de lágrimas".

Por Toda a Bíblia,


Encontramos Homens e Mulheres de Deus
Que Atravessaram Profundos Tremores na Alma e no Espírito

Vez após outra o salmista inquire: "Por que a minha alma está abatida? Me sinto
inútil e abandonado. Há tanta inquietação dentro de mim. Por que, Senhor? Por que
me sinto tão fraco na aflição?". Estas perguntas falam em nome de multidões de
pessoas que têm amado e servido a Deus.

Veja o piedoso Elias, por exemplo. O vemos embaixo de uma árvore de zimbro,
suplicando que Deus o mate. Ele está tão deprimido, que chega ao ponto de querer
desistir da própria vida. Também encontramos o justo Jeremias afundado no
desespero. O profeta grita: "Deus, o Senhor me enganou. Me mandou profetizar
todas essas coisas, mas nenhuma delas aconteceu. Nada fiz toda a minha vida
senão buscá-Lo. E é assim que o Senhor me paga? A partir de agora não
mencionarei mais o Seu nome".

Cada um destes servos sofreu um ataque temporário de incredulidade. Mas o


Senhor entendeu a sua condição nas horas de confusão e dúvida. E após um
período, sempre lhes indicou uma saída. Em meio às suas aflições, o Espírito Santo
acendeu luz para eles. E as escrituras registram as suas experiências para nós.

Veja o testemunho de Jeremias sobre como ele saiu do buraco: "Achando-se as


tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu
coração" (Jeremias 15:16). Também Davi testifica: " Guardei a tua palavra". E Elias
diz: "Veio a mim a tua palavra". Certa hora, todos esses servos recordaram-se da
Palavra do Senhor. E ela se transformou na alegria e no júbilo de suas vidas,
puxando-os para fora do abismo.e me coloquei no lugar do servo.
A verdade é que durante todo o tempo que estas pessoas estavam lutando, o
Senhor estava sentado ao lado, aguardando. Ele ouviu o seu choro, a dor, suas
angústias. E após ter passado um certo tempo, lhes disse: " Você já chorou. Já
experimentou o sofrimento e a dúvida. Agora quero que confie em Mim. Poderia
você voltar para a Minha Palavra? Poderia se apropriar da promessa que fiz para
você? Se fizer isso, a Minha Palavra irá tomar conta de você".

Não importa como chegamos à nossa terrível situação. Algumas vezesé obra do
Senhor, levando-nos ao nosso limite. Às vezes é o inimigo nos atacando, como fez
com Jó. Às vezes é a nossa carne, seja através de tentação, ou por meio de
sofrimento mental ou físico. O fato é que não importa como foi que chegamos
àquela situação. O que importa é como saímos dela. E inexiste outro caminho
senão pela Palavra de Deus.

O Espírito Santo é fiel em nos falar. Ele faz com que saibamos quando chega a hora
de deixarmos de lado as nossas dúvidas e questionamentos. Se não fizermos isso -
se nos recusarmos a voltar a confiar na Palavra de Deus, permitindo que as Suas
promessas se tornem mais uma vez a alegria de nossas vidas - a incredulidade se
instalará. E se solidificará como concreto. Chegando a esse ponto, cairemos num
abismo do qual poderemos nunca sair. Então, cada um de nossos pensamentos em
relação a Deus será de dureza e acusação, ao invés de confiança. E a Sua ira é
contra todo aquele que abandona a confiança em Sua Palavra.

No Novo Testamento, Encontramos o Que Deve Ser a


Exigência Mais Irracional da Fé Que Deus Já Fez à Humanidade

Por séculos, os judeus haviam procurado o Messias que viria. Acreditavam que o
Salvador de Israel seria um rei em majestade e poder para governar em Jerusalém.
Seria um libertador poderoso, comandando um exército invencível. E romperia o
jugo que Roma havia colocado sobre Israel. E então superaria qualquer outro poder
sobre a face da terra.

Dá para imaginar a expectativa que todo judeu tinha para a vinda deste Salvador?
Ele iria acabar com todas as enfermidades, remover toda a dor, libertar os pobres
da pobreza, e dar às pessoas tudo o que os seus corações desejavam. Ele tornaria
Israel um grande povo e uma próspera nação. E faria tudo isso com incrível
demonstração de força.

E então? Foi assim que o Messias chegou? Não, sabemos que não. Ele nasceu num
estábulo, em meio a tantos lugares onde poderia ter nascido. E a história do Seu
nascimento é o aspecto mais ilógico e irracional de todos. Esse Messias não teve pai
terreno; foi concebido imaculadamente pelo Espírito Santo, e carregado no ventre
de uma virgem. A Sua chegada não foi anunciada por trombetas poderosas, mas
por um velho sacerdote e uma profetiza anciã. Eles simplesmente declararam: "Ele
é o esperado de Israel. Creiam nEle, pois Ele é Deus".

De quem estavam falando, exatamente? De um humilde nazareno, um carpinteiro.


Quando Jesus entrou em cena, as pessoas disseram: "Espere aí. Nós conhecemos
os pais dEle". Alguém até poderia ter dito: "José uma vez O trouxe à nossa casa
para ajudar a consertar a mesa". Como se poderia esperar que alguém cresse que
um homem desses era o Messias? Isso seria totalmente irracional.
Jesus não anunciou o Seu senhorio com um poderoso exército. Ele apareceu só com
doze discípulos iletrados, da classe trabalhadora. Estes não eram estudados na
grande teologia. Eram pescadores, trabalhadores avulsos, gente do comércio. E
Jesus não era diferente. Então, como alguém poderia aceitar que Ele fosse uma
autoridade na palavra de Deus? Todos sabiam que os reais líderes de Israel
assentavam-se aos pés de Gamaliel, prendendo com o mais proeminente intelectual
da época . Enquanto isso, esse filho de carpinteiro ensinava nos desertos e à beira
do mar. A Sua platéia era feita de viúvas, leprosos, prostitutas. E Ele dizia a todos
eles: "Sou Deus na forma humana. Creiam em Mim".

Imagine a reação que todo líder religioso deve ter tido: " Esse homem chega às
sinagogas declarando que é o Messias. Diz que foi enviado por Deus. Mas não tem
nascimento e nem linhagem real. Não tem nem onde reclinar a cabeça. Invade o
templo e expulsa todos os nossos comerciantes. E chama o templo de 'casa do Meu
Pai'. Mas Ele não explica de onde recebe essa autoridade. Em verdade, sustenta
que Ele é o templo de Deus. Diz que existia antes de Abraão."

"Ele diz que é a água viva, que é o pão dos céus, homem e Deus a mesmo tempo.
E aí usa uma linguagem esquisita, dizendo para comermos do Seu corpo, e
bebermos do Seu sangue. Diz que se O vemos, vemos o Pai. Mas que se não
cremos nEle, então não cremos em Deus. Mas, que autoridade tem para sustentar
tudo isso? É apenas a palavra dEle. Ele simplesmente chega e fala: 'Confiem em
Mim'".

Imagine esses líderes ouvindo Jesus dizer: "Quem ouve a minha palavra, e crê
naquele que me enviou, tem a vida eterna" (Jo. 5:24). Eles protestaram, dizendo a
Cristo: "Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro" (8:13).
Jesus responde a eles com ainda uma outra explicação não razoável: "Está...escrito
que o testemunho de dois homens é verdadeiro. Eu sou o que testifico de mim
mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou" (5:17-18).

Finalmente, Jesus coloca todo o assunto sob uma perspectiva. Ele lhes diz: "Por que
não entendeis a minha linguagem? por não poderdes ouvir a minha palavra"
(8:43). Ele estava dizendo: "Vocês não conseguem me compreender porque não
ouvem a Minha Palavra". O mesmo é verdade em relação a todo crente de hoje.
Tudo se resume a um ponto: confiar na Palavra de Deus. Unicamente a Sua Palavra
é a nossa vida e esperança.

Até o Dia de Hoje


Deus Está Impaciente Com a Incredulidade do Seu Povo

Vivemos no perído da maior revelação do evangelho na história. Há mais


pregadores, mais livros, mais saturação evangélica pela mídia do que nunca.
Contudo nunca houve mais angústia, aflição e perturbação mental entre o povo de
Deus. Os pastores de hoje programam os sermões só para pegar as pessoas, e
ajudá-las a tratar do desespero. Pregam sobre o amor e a paciência de Deus.
Lembram-nos que Ele compreende os nossos tempos de desencorajamento.
Ouvimos: "Fique firme, forte. Até Jesus sentiu-se abandonado pelo Pai".

Não há nada errado nisso. Eu mesmo prego essas verdades. Contudo creio que
existe ainda uma razão pela qual vemos tão pouca vitória e libertação:
incredulidade. O fato é que Deus tem falado com grande clareza nestes últimos
dias. E é isso o que tem dito: "Já lhes dei uma Palavra. Está terminada e completa.
Agora, baseiem-se nela".

Que ninguém lhe diga que estamos experimentando fome da Palavra de Deus. A
verdade é: estamos experimentando fome de ouvir a Palavra de Deus, e de
obedecê-la. Por que? Fé é tão irracional. E a fé nunca nos vem pela lógica ou pela
razão. Paulo declara simplesmente: "A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de
Deus" (Rom. 10:17). Essa é a única maneira pela qual a verdadeira fé algum dia se
elevará no coração de qualquer crente. Ela vem pelo ouvir - ou seja, crer, confiar e
agir baseado em - a Palavra de Deus.

Quero encerrar com uma conversa imaginária entre o Senhor e um cristão


desencorajado:

-O cristão: "Deus, estou afundado e sem coragem. O Senhor prometeu que não
permitiria que eu carregasse qualquer carga que fosse pesada demais sem que me
permitisse um escape. Mas nesse exato momento estou aniquilado. Que pelo
menos o Senhor pudesse me dizer do que se trata tudo isso".

-O Senhor: "Eu te dou a Minha palavra". "Sendo assim, todo homem piedoso te
fará súplicas...Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão. Tu
és o meu esconderijo; tu me preservas da tribulação e me cercas de alegres cantos
de livramento. Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as
minhas vistas, te darei conselho" (Salmo 32:6-8).

-O cristão: "Senhor, me sinto tão fraco. A minha força está quase no fim; a minha
mente está inundada de medo e dúvidas. Não vejo saída. O futuro me parece sem
chance".

-O Senhor: "Eu te dou a Minha palavra". "Eis que os olhos do Senhor estão sobre os
que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia, para livrar-lhes a alma da
morte, e, no tempo da fome, convervar-lhes a vida. Nossa alma espera no Senhor,
nosso auxílio e escudo" (Salmo 33:18-20).

-O cristão: "Senhor, às vezes sinto que devo Lhe ter ofendido. Essa provação de
agora seria então um tipo de julgamento? Será que algum dia isso vai acabar?".

-O Senhor: "Eu te dou a Minha palavra". "Clamou este aflito, e o Senhor o ouviu e o
livrou de todas as suas tribulações. O anjo acampa-se ao redor dos que o temem e
os livra. Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que
nele se refugia..."

"Os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos ao
seu clamor... Clamam os justos, e o Senhor os escuta e os livra de todas as suas
tribulações... Mutas são as aflições do justo, mas o Senhor de todas os livra...O
Senhor resgata a alma dos seus servos, e dos que nele confiam nenhum será
condenado" (Salmo 34:6-8,15,17,19,22).

Em apenas três Salmos, recebemos o suficiente da Palavra de Deus para expulsar


toda incredulidade. Insisto com você agora: ouça-a, confie nela, obedeça-a. E
finalmente, repouse nela. Esse será o nosso testemunho do nosso fiel Deus, em
meio à toda provação e aflição.

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