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Conclusão

A realização da entrevista joga luz, ao menos preliminarmente, sobre algumas questões


fundamentais na relação entre Universidade Estadual de Feira de Santana, em geral, e
curso de Psicologia, em específico, e a comunidade circunvizinha.

Primeiro, a dependência econômica que se estabelece num bairro como o Feira VI, que
consolida cada vez mais características de bairro universitário. A população não-
universitária enxerga uma possibilidade de complementar a renda ou inclusive de gerar
sustento com distintas atividades voltadas para o público universitário, desde a criação
de pequenas lanchonetes, restaurantes, da venda de uma miríade de serviços (como os
cosméticos ofertados pela entrevistada), até, num grau mais avançado, o aluguel de
partes da casa ou da casa inteira. Esse tipo de relação econômica modifica o
funcionamento do bairro e talvez crie certa retroalimentação para a presença do público
universitário, porque a população não-universitária se beneficia financeiramente com os
serviços voltados àquele público, ao passo que o aumento desses serviços atrai ainda
mais universitários.

Segundo, a relação institucional entre a população não-universitária e a Universidade


parece, pela entrevista, ainda bastante insuficiente na medida em que o acesso aos
serviços reconhecidos (especificamente da educação básica) é extremamente difícil1.
Pode ser inclusive indicativo de como os serviços da UEFS estão pouco enraizados nas
comunidades ao redor a fala da entrevistada de que os serviços que a Universidade
oferece são de “vários tipos de empresa”: talvez a ambiguidade da palavra “serviço”
(que pode ser compreendida como a venda da força de trabalho) diga algo sobre quais
“serviços” essa população não-universitária está acessando.

Ao mesmo tempo, a entrevista ressalta a importância dos serviços de Saúde


desenvolvidos pela Universidade, na medida em que possibilitam desafogar os hospitais
graças a um menor deslocamento (consequentemente, menor custo para os usuários) da
população usuária, o que aponta para a justeza da construção do Ambulatório do CSU
para os cursos próximos à área de Saúde.

Em relação à Psicologia, mais especificamente, percebe-se que é um campo do


conhecimento fortemente associado com a prática clínica no senso comum, o que pode
apontar para a necessidade de se fortalecer as práticas psicológicas de outras áreas junto
a população não-universitária; simultaneamente, há uma necessidade concreta de oferta
de atendimento psicológico de baixo custo para a população não-universitária, pois em
determinadas situações a prática clínica pode ser fundamental para a promoção de saúde
junto a essa população.

Em suma, a entrevista possibilitou abrir minimamente alguns caminhos para a


compreensão da relação entre Universidade e comunidades vizinhas, evidenciando não

1
Há que se abrir um parêntese aqui pra denotar a composição da creche, que já é restritiva pra
população universitária: apenas os funcionários públicos tem acesso garantido, ao passo que o corpo
discente só pode utilizar as vagas que porventura sobrarem. (http://www.grh.uefs.br/?page_id=132)
só a necessidade de aprofundamento dessa compreensão por meio de outras pesquisas,
como também de aprofundamento da informação sobre os serviços existentes e da
criação de serviços junto a essa comunidade. É importante pra nossa própria formação
termos espaços consolidados de contato com a população feirense nas suas necessidades
mais básicas, pois fora aqueles que atuarem em clínicas particulares, é esta população
que precisaremos compreender, dialogar, orientar e buscar promover, junto a ela,
mudança.