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Sumário

Apresentação ...................................................................................................................................................................................... 3

Aula 01 - Ampliando a visão: como as coisas estão na GRS no Brasil? ...................................................................... 5

Alguns conceitos de GRS.............................................................................................................................................................. 5

Gestão NÃO É Gerenciamento .................................................................................................................................................... 6

GRS na PNRS .................................................................................................................................................................................... 7

Aula 02 - Políticas públicas em diálogo com a Gestão de Resíduos Sólidos (GRS) ............................................ 17

A PNRS e a Educares .................................................................................................................................................................... 20

Educares........................................................................................................................................................................................... 23

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Apresentação

Olá, caro(a) cursista, que alegria ter você aqui, na primeira etapa da nossa jornada.
Bom, na Apresentação, vimos que no Módulo 01, falaremos sobre a gestão de resíduos, a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a Educares e outras políticas que se articulam com a GRS.
Para tanto, neste módulo, teremos os seguintes objetivos:

Objetivos do Módulo

Objetivo geral:
Aprofundar o conhecimento sobre GRS e suas políticas relacionadas.

Objetivos específicos:
Promover reflexão inicial sobre GRS.
Apresentar o panorama brasileiro geral da gestão de resíduos e seus desafios.
Trabalhar uma visão geral das políticas públicas ligadas a GRS, aprofundando na PNRS e Educares.

Ao longo de todo o curso antes de começarmos um novo conteúdo faremos uma breve retomada do
que já foi visto. Na aula passada, que foi a Apresentação, falamos da estrutura geral do curso e a forma como
vamos passar por ele.
Muito bem! Após esta pequena contextualização, já podemos dar início à Aula 01, que traz uma visão
mais ampla da GRS brasileira.
Mas antes de falarmos de gestão de resíduos, você sabe o que são resíduos sólidos e quais os tipos de
resíduos existentes?
Vamos ver?

Segundo a PNRS, Lei nº 12.305 fala que resíduos sólidos:

Capítulo II – Definições:
XVI - resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades
humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder,
nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades
tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções
técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (BRASIL, 2010, on-line).

Caro(a) cursista, além da classificação citada, o texto introdutório da PNRS propõe outra forma para
agrupar tais resíduos, que considera o local ou atividade em que a geração ocorre, vejamos.

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01) Resíduos Sólidos Urbanos: divididos em materiais recicláveis (metais, aço, papel, plástico, vidro
etc.) e matéria orgânica.
02) Resíduos da Construção Civil: gerados nas construções, reformas, reparos e demolições, bem
como na preparação de terrenos para obras.
03) Resíduos com Logística Reversa Obrigatória: pilhas e baterias; pneus; lâmpadas fluorescentes
de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; produtos
eletroeletrônicos e seus componentes; entre outros a serem incluídos.
04) Resíduos Industriais: gerados nos processos produtivos e instalações industriais; normalmente,
grande parte são resíduos de alta periculosidade.
05) Resíduos de Serviços de Saúde: gerados em qualquer serviço de saúde.
06) Resíduos Sólidos de Mineração: gerados em qualquer atividade de mineração.
07) Resíduos Sólidos do Transporte Aéreo e Aquaviário: gerados pelos serviços de transportes, de
naturezas diversas, como ferragens, resíduos de cozinha, material de escritório, lâmpadas, pilhas etc.
08) Resíduos Sólidos Agrossilvopastoris (orgânicos e inorgânicos): dejetos da criação de animais;
resíduos associados a culturas da agroindústria, bem como da silvicultura; embalagens de agrotóxicos,
fertilizantes e insumos.
09) Resíduos Sólidos do Transporte Rodoviário e Ferroviário: gerados pelos serviços de
transportes, acrescidos de resíduos sépticos que podem conter organismos patogênicos.

Muito bem! Depois de vermos a definição e a classificação dos resíduos sólidos, vamos falar de gestão
de resíduos sólidos. E vamos começar com uma reflexão.

Para começarmos o curso da melhor forma possível, pedimos que você reflita
sobre as questões a seguir, pensando em como aplicá-las na sua realidade para
criação e fortalecimento de redes de apoio (clique nas lixeiras para saber mais).
1) Quais são as suas habilidades que julga relevantes para o processo de
gestão de resíduos?
2) Quais demandas enfrenta na sua realidade? Do que está precisando, o
que está em falta?
3) Como você poderia estabelecer contato com seus colegas para troca de
conhecimentos, experiências e dúvidas?

Lembre-se que mapear parcerias e construir soluções conjuntas! Comunicar habilidades, desafios e
potenciais é a base para potencializar ações.

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Aula 01 - Ampliando a visão: como as coisas estão na GRS no
Brasil?

Alguns conceitos de GRS

Uma visão ampla implica em olhar para algo de vários ângulos, e é assim que abrimos esta aula,
trazendo várias abordagens para a GRS. Cada educando deve também analisar a maior diversidade possível
de visões (acessando os materiais aqui indicados e outros que julgue pertinente) e escolher a que mais se adapta
a sua realidade e está adequada à legislação vigente em seu contexto.
Existe uma diversidade de olhares sobre a gestão de resíduos – mais comumente chamada de Gestão
Integrada de Resíduos Sólidos (GIRS)* – que variam de acordo com a atividade do setor envolvido, seus
interesses socioeconômicos além, é claro, de seu conhecimento técnico e experiência.
*A Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos (GIRS) inclui todas as ações voltadas à busca de soluções para os resíduos
sólidos, incluindo os planos nacional, estaduais, microrregionais, intermunicipais, municipais e os de gerenciamento.
Os planos de gestão sob responsabilidade dos entes federados – governos federal, estaduais e municipais – devem tratar de
questões como coleta seletiva, reciclagem, inclusão social e participação da sociedade civil (BRASIL, [2017b], on-line).

Faça uma pesquisa na internet sobre estes temas:


Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (GIRS);
Gestão de resíduos;
Gestão do lixo;
Lixo.

Trazemos a seguir alguns exemplos dos diversos olhares sobre a GRS.

Da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)


A GIRS inclui todas as ações voltadas à implementação de soluções, procedimentos e regras para os
resíduos sólidos. O maior desafio desse processo é a articulação entre os entes federativos e os demais atores
sociais envolvidos no manejo dos resíduos sólidos (BRASIL, 2014a, p. 12).

Da pesquisa de Sonia Maria Dias sobre Fóruns Lixo e Cidadania no Brasil


A noção de GIRS reconhece três dimensões importantes que devem ser consideradas ao determinar e
planejar um sistema de gestão de resíduos sólidos: os atores envolvidos e afetados pela gestão dos resíduos; os
elementos práticos e técnicos do sistema; os aspectos de sustentabilidade do contexto local (ANSCHULTZ, 2004
apud DIAS, 2009, p. 02).

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Do Manual de boas práticas no planejamento de resíduos sólidos elaborado pela Associação
Brasileira de Empresas de Limpeza (ABRELPE)
O conceito de GIRS difere bastante da abordagem convencional da gestão de resíduos, por buscar a
participação dos interessados, cobrindo a prevenção de resíduos e a recuperação de recursos, incluindo as
interações com outros sistemas e promovendo uma integração de diferentes escalas de habitat (cidade, bairro,
unidade residencial). A GISR não trata a gestão de resíduos apenas como uma questão técnica, mas também
reconhece o fator político e social como o mais importante (ABRELPE, 2013, p.16).

Do site lixo.com.br - espaço para a troca de informações sobre práticas sustentáveis na área de
resíduos sólidos no Brasil e principalmente no Estado do Rio de Janeiro
GIRS é a maneira de conceber, implementar e administrar sistemas de Limpeza Pública considerando
uma ampla participação dos setores da sociedade com a perspectiva do desenvolvimento sustentável. A
sustentabilidade do desenvolvimento é vista de forma abrangente, envolvendo as dimensões ambientais,
sociais, culturais, econômicas, políticas e institucionais. Isso significa articular políticas e programas de vários
setores da administração e vários níveis de governo, envolver o legislativo e a comunidade local, buscar garantir
os recursos e a continuidade das ações, identificar tecnologias e soluções adequadas à realidade local
(GESTÃO..., [2017], on-line).

Gestão NÃO É Gerenciamento

Ao pensarmos em gestão de resíduos chamamos atenção para uma confusão comum entre os
conceitos Gestão e Gerenciamento. Um olhar atento traz uma percepção importante de que, embora
relacionados, GERENCIAMENTO e GESTÃO são processos diferentes.
A gestão de resíduos sólidos tem ênfase na dimensão estratégica refere-se ao processo de criar,
planejar, definir, organizar e controlar as ações que serão operacionalizadas por sistemas de gerenciamento de
resíduos.
O gerenciamento complementa e fornece ferramentas para que a gestão aconteça. Ocupa-se da
operacionalização e da tecnologia, buscando soluções para a prevenção da geração, redução, segregação,
acondicionamento, coleta, transporte, reutilização, reciclagem, tratamento, recuperação de energia e disposição
final de rejeitos.

Caro(a) cursista, esses conceitos complementares que vimos, envolvem diferentes ações e atores, e
atendem à responsabilidades diversas. Saber esta distinção é essencial para o sucesso da gestão de resíduos.

Ainda sobre as distinções desses dois termos, vamos pensar nas seguintes questões.

No seu local existe esta distinção entre gestão e gerenciamento? Caso exista, quais os atores
envolvidos e ações desenvolvidas em cada um dos processos?

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Entre os diversos olhares apresentados sobre a GRS qual o que mais se aproxima do adotado no
seu contexto de atuação?

Foco do material: conceito de GIRS e desenvolvimento sustentável.


Trecho sugerido: recomenda-se a leitura das páginas 13 e 14.
Fonte: MESQUITA JÚNIOR, J. M., SEGALA, K. (coord). Gestão Integrada de
Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro: IBAM, 2007.
(Disponível na plataforma digital do curso).

GRS na PNRS

A PNRS define a GIRS como:

[...] um conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a
considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa
do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2012c, p. 11).
Como vemos para a PNRS, a gestão de resíduos traz a premissa da integração, apontando para a
importância da articulação entre os atores que participam do processo, a dimensão das soluções técnicas e as
características do contexto onde a gestão acontece.
A abordagem da GIRS, adotada na PNRS, também traz para o processo a participação e controle
social, peças indispensáveis para o envolvimento de toda a sociedade.
Partindo desse movimento amplo, a gestão integrada se propõe a dar conta da redução do consumo
de recursos e produtos, o que afeta diretamente a redução do volume de resíduos gerados. Na outra ponta do
processo produtivo, a abordagem integrada leva a ações de recuperação dos recursos.
Pensando em uma dimensão estratégica, você percebe que a GIRS amplia seu processo de gestão para
além das soluções técnicas e operacionais, incluindo o fator político e social, colocando-os como origem e
centro do processo.

A GRS no Brasil

A conscientização e preocupação ambiental no país vêm crescendo nos últimos anos, acompanhando
um movimento mundial. Os reflexos podem ser observados nas legislações recentes tais como:
• Lei Federal de Saneamento Básico (Lei n° 11.445/07, disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/lei/l11445.htm)

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• PNRS (Lei n° 12.305/10, disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/lei/l12305.htm)

A gestão de resíduos é um desafio para a sociedade e para a gestão pública em razão do volume e
diversidade dos resíduos, do crescimento populacional, do ritmo do consumo, da ampliação das áreas urbanas
e da forma histórica de gestão que se mostra ineficiente e errônea.
Uma relação que chama atenção é o crescimento da população X volume de resíduos gerados. Segundo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2010), a população brasileira cresceu 12% na última década
e a geração de resíduos cresceu 90%.

O volume de geração de resíduos por pessoa está muito acima do sustentável e reforça a
urgência da revisão dos padrões de produção, consumo e descarte.

Em outra pesquisa divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), segundo dados de 2008
divulgados pelo IBGE, por meio da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), temos:
“”[...] 99,96% dos municípios brasileiros têm serviços de manejo de Resíduos Sólidos, mas 50,75% deles
dispõem seus resíduos em vazadouros; 22,54% em aterros controlados; 27,68% em aterros sanitários. Esses
mesmos dados apontam que 3,79% dos municípios têm unidade de compostagem de resíduos orgânicos;
11,56% têm unidade de triagem de resíduos recicláveis; e 0,61% têm unidade de tratamento por incineração. A
prática desse descarte inadequado provoca sérias e danosas consequências à saúde pública e ao meio ambiente
e se associa ao triste quadro socioeconômico de um grande número de famílias que, excluídas socialmente,
sobrevivem dos ‘lixões de onde retiram os materiais recicláveis que comercializam’” (SRHU, [2017], on-line).

Para visualizar melhor os dados sobre locais de disposição dos resíduos nos municípios veja os gráficos
a seguir:

As formas ambientalmente corretas e sanitariamente seguras da destinação final dos resíduos têm sido
pouco utilizadas no Brasil.
Segundo o CEMPRE/IPT (2000), estimativa do IBGE indica que 76% dos municípios do país despejam os
resíduos gerados a céu aberto, constituindo os vazadouros.

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No lixão, os resíduos sólidos são depositados a céu aberto; no aterro
controlado, o solo recebe uma cobertura; e no aterro sanitário, o solo é
impermeabilizado (Jennifer Rocha Vargas Fogaça - Formação em Química
Ambiental). Leia na íntegra:
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/diferenca-entre-lixao-aterro-
controlado-aterro-sanitario.htm

Neste gráfico, vemos formas menos utilizadas de destinação final dos resíduos. As usinas de triagem
se destacam neste grupo, mas não ocorriam em mais de 12% dos municípios, à época do levantamento das
informações.

Unidade de Unidade de Tratamento por


compostagem de triagem resíduos incineração
resíduos recicláveis
orgânicos

Uma estratégia importante para reverter o quadro de formas irregulares e insustentáveis de disposição
dos resíduos é a classificação destes materiais. Os resíduos são classificados em grandes grupos com
características comuns segundo a PNRS.
Caro(a) cursista, mais a diante falaremos mais sobre isso, mas por enquanto, vamos ver alguns dados
da situação de geração, coleta e disposição final partindo de alguns grupos desta classificação.

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Uma das últimas pesquisas que temos sobre resíduos sólidos em geral, e em particular sobre a questão
da disposição final dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), foi desenvolvida pela ABRELPE (2014) comparando os
dados de 2013 e 2014. Os resultados obtidos nos mostram um pouco da dinâmica de avanços e retrocessos em
aspectos ligados à gestão de resíduos no país.
Segundo relatório ABRELPE de 2014, o país gerou aproximadamente 78,6 milhões de toneladas de
RSU. Os dados de geração anual e per capita em 2014, comparados com 2013 são estes:

Olhando para a coleta temos que entre os anos 2013 e 2014 houve um aumento no total coletado de
3,20%. Veja os detalhes na figura abaixo:

Pensando em um panorama nacional, vemos ao lado a participação das regiões no total de


resíduos sólidos urbanos coletados.

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Observe a figura e veja qual é a contribuição da sua região no volume de resíduos sólidos
urbanos gerados.

Em 2014, o Brasil apresentou um índice de 58,4% de massa coletada com disposição final adequada.
Porém, a quantidade de RSU destinada a locais inadequados (lixões e aterros controlados) ainda é alta. Em 2014,
geramos 29.659.170 toneladas de resíduos urbanos, que seguiram para lixões ou aterros controlados. Temos
uma visão deste quadro na figura abaixo que permite uma comparação entre os dados de 2013 e 2014:

Caro(a) cursista, outro fator que trazemos aqui para análise é o acesso e bom uso dos recursos
financeiros provenientes, tanto do setor público como do privado. Sabemos que muitos dos desafios para a
gestão de resíduos sólidos passam por esta questão.
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A dimensão municipal é a instância onde as políticas de todas as esferas (federal, estadual e municipal)
tomam forma. Se analisarmos a soma em dinheiro que cada município destina a uma determinada linha de ação,
podemos ter um indicativo de seu comprometimento e valor percebido para a área onde a ação se destina. Isto
se aplica à GRS.
No Brasil, em 2014 os municípios aplicaram na coleta de resíduos urbanos em média, R$ 119,76 por
habitante/ano na coleta de RSU e demais serviços de limpeza urbana, como vemos na figura a seguir:

Vejamos agora alguns aspectos ligados a outras categorias de resíduos que compõe uma parcela
significativa dos resíduos sólidos: os Resíduos de Construção e Demolição (RCD), também conhecidos como
Resíduos da Construção Civil (RCC), e os Resíduos dos Serviços de Saúde (RSS).
Nas figuras a seguir, temos algumas informações sobre estes dois tipos de resíduos mantendo a
apresentação de seu comportamento em 2013 e 2014:

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Em virtude da legislação atribuir aos geradores a responsabilidade pelo tratamento e destino final dos
RSS, grande parte dos municípios coletam e dão destinação final apenas para os resíduos gerados em unidades
públicas de saúde (ABRELPE, 2014, p 33).
É sob esta ótica que devem ser interpretados os dados apresentados a seguir:

Na pesquisa da ABRELPE se identificou que a coleta de RSS executada pela maioria dos municípios é
parcial, o que contribui significativamente para o desconhecimento sobre a quantidade total gerada, e o destino
real dos RSS no Brasil (2014, p 34).
Esta figura apresenta a destinação dos municípios para estes resíduos coletados em 2014, onde
“Outros” compreende a destinação para aterros, valas sépticas e lixões.

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Para enriquecermos mais o quadro geral sobre a situação dos resíduos sólidos no país, apresentamos
a seguir alguns dados da publicação do IBGE de 2015, sobre indicadores de desenvolvimento sustentável.
Primeiramente uma relação entre o número de domicílios e o acesso a coleta de lixo.

A situação que apresentamos aqui é ao mesmo tempo efeito e causa do quadro institucional que temos
no país. Existe uma fragilidade das prefeituras no que se refere a recursos técnicos e financeiros aplicados à GRS.
Observa-se pouca articulação com segmentos que dividem a responsabilidade compartilhada pelas
atividades na gestão, gerenciamento, busca e implementação de soluções. A criação de acordos e parcerias
de cooperação entre entes federados necessita ser fortalecida para que se colham as vantagens antevistas nos
consórcios públicos previstos pela Lei de Saneamento Básico (Lei nº 11.445/2007), Lei de Consórcios Públicos
(Lei nº 11.107/2005) e de seus respectivos decretos de regulamentação (Decreto nº 7217/2010 e Decreto nº
6.017/2007).

Faça um panorama da gestão de resíduos no país, por meio do artigo


intitulado: Três anos após a regulação da PNRS: seus gargalos e superações.
Sugiro que você leia o trecho entre as páginas 12 a 19. (Disponível na plataforma
digital do curso)
Fonte: PWC. Três anos após a regulação da Política Nacional de resíduos sólidos
(PNRS): seus gargalos e superações. PWC, 2014.

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Trazemos para você uma indicação de vídeo sobre GRS no país e os impactos da
antes e depois da PNRS: https://www.youtube.com/watch?v=yh2itUQ4K0A

A cada dia surgem novos desafios e soluções na GRS no país. Para qualificar o panorama atual, faça
uma busca por notícias e vídeos na internet e opte pelos conteúdos mais recentes. Vamos construir uma foto
do momento agora!

Acontecendo agora! Faça uma busca de notícias e vídeos usando as seguintes


palavras-chave:
• Cenário gestão resíduos;
• Panorama resíduos Brasil;
• Situação resíduos sólidos;
• Diagnóstico resíduos sólidos.

Ao final de cada aula, vamos te convidar a refletir sobre os temas tratados, buscando sempre uma
relação com a sua realidade.
Para que você aproveite da melhor forma os assuntos que escolhemos para cada encontro e também
o tempo que está conectado ao curso, é importante estabelecer um diálogo entre a teoria e os desafios,
descobertas e acertos que vivencia no seu cotidiano como participante da GRS.

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Para ajudá-lo(a) nesta tarefa, trazemos algumas provocações que você pode
responder sempre pensando em como aplicá-las na sua realidade ou no processo
de GRS que você esteja estudando:
1) Qual o conceito de gestão de resíduo aplicado no seu contexto? O que
você acha dele?
2) Qual a sua opinião sobre a forma como a PNRS entende gestão de
resíduos? O que você apontaria como fator(es) positivo e fator(es)
negativo?
3) O que você destaca na situação atual da gestão de resíduos no país?
Quais pontos fortes e fracos você percebe?

Muito bem! Chegamos ao final da primeira aula.


Nesta aula, você viu que existem diversas abordagens de GRS, e que nós aqui no curso vamos sempre partir da
GIRS, de acordo com a PNRS. Vimos também a diferença entre gestão e gerenciamento e suas implicações na
esfera do planejamento e da implementação.
Por fim, viu um breve panorama dos resíduos sólidos no país, da gestão adotada, alguns fatores que
implicam nesta gestão e os seus resultados.
Na Aula 02, Políticas públicas em diálogo com a Gestão de Resíduos Sólidos (GRS), você verá
políticas que dialogam com a gestão de resíduos, aprofundará a visão sobre a PNRS e a Educares.

Espero por você lá!

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Aula 02 - Políticas públicas em diálogo com a Gestão de Resíduos
Sólidos (GRS)

Olá! É um prazer enorme ter você na segunda aula deste módulo. Antes de mais nada, que tal fazermos
algumas retomadas?
Bom, na aula passada, ampliamos nossa visão sobre conceitos e práticas de GRS, passando para um
olhar sobre a situação brasileira, seus potenciais e desafios.
Nesta aula, falaremos dos seguintes assuntos: Políticas que dialogam com a gestão; A PNRS e a
Estratégia Educares.

O atual padrão de produção e consumo tem acentuado problemas e conflitos em todas as dimensões
da sustentabilidade – social, econômica, ambiental e cultural/pessoal. A verdade é que o Desenvolvimento
Sustentável* tem sido posto em cheque e precisa evoluir.
*Desenvolvimento Sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a
capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.
Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir
e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental (WWF, [2017], on-line).

A sociedade tem demandado mudanças motivadas pelos elevados custos socioeconômicos e


ambientais que o atual estilo de vida demanda, o que demonstra que o modelo de desenvolvimento, mesmo
quando dito sustentável, não tem funcionado a contento.
A esfera política, que rege a convivência e seus acordos, precisa fazer seu papel, buscando além de
produzir resultados setoriais, contribuir para uma mudança de paradigma que efetivamente dê conta do desafio
da gestão de resíduos.
Nas políticas públicas têm-se uma grande oportunidade de estabelecer um marco regulatório para a
gestão de resíduos, induzindo o desenvolvimento social, econômico e ambiental. Para que isso funcione todos
os atores sociais devem se envolver, identificando e assumindo a sua responsabilidade no processo.

A visão de política pública deve trazer essa percepção ampla, definindo formas efetivas de participação
social, dialogando e trabalhando em sinergia com outras políticas de temas correlatos (saneamento, saúde,
educação, desenvolvimento urbano, entre outros), prevendo recursos e soluções financeiras. Enfim, para
alterarmos os rumos do consumo e geração de resíduos é preciso fortalecer políticas e tirá-las do papel.

Em resumo, seja qual for o ângulo por meio do qual se analise tanto a questão do controle social na
gestão de resíduos como na formulação de políticas transversais de meio ambiente, estas não se revelam nem
um pouco triviais. Os desafios de ordem institucional, político, social e até mesmo cultural são, sem dúvida,
complexos e de difícil superação.
De qualquer modo, considerando-se todos esses aspectos em seu conjunto, salta aos olhos a
importância de um mínimo de vontade política para enfrentar a crise ambiental. Mas essa "vontade política" não
pode e não deve ser confundida com um ato voluntário de um déspota esclarecido (como indivíduo ou como
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membro da elite). Por vontade política leia-se a construção de alianças políticas que permitam avançar não só
no tratamento de problemas ambientais contingentes, mas principalmente na construção de uma sociedade
socioambientalmente viável. Uma sociedade a um só tempo mais humana e com um relacionamento mais sadio
e menos prepotente com relação a seus sócios no mundo natural (BRASIL, 2013, p. 12).

Para a gestão de resíduos sólidos é claro que a PNRS desempenha o papel central. No entanto, como
colocado antes, outras políticas públicas setoriais também são relevantes:

Política Federal de Saneamento Básico Lei n° 11.445/07


Estabelece diretrizes nacionais para o conjunto de serviços de abastecimento público de água potável;
coleta, tratamento e disposição final adequada dos esgotos sanitários; drenagem e manejo das águas pluviais
urbanas, além da limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos (BRASIL, 2007, on-line).

Política Nacional de Educação Ambiental Lei n° 9795/99


A PNRS estabelece um papel de destaque a educação ambiental que é tida como instrumento a ser
contemplado nos planos de gestão de resíduos (BRASIL, 1999, on-line).

Lei Federal de Consórcios Públicos Lei n° 11.107/05


Os consórcios públicos recebem, no âmbito da PNRS, prioridade no acesso aos recursos da União ou
por ela controlados (BRASIL, 2005, on-line).

Política Nacional sobre Mudança do Clima Lei nº 12.187/09


Oficializa o compromisso do Brasil para redução de emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e
38,9% das emissões projetadas até 2020. Aponta ações diretas de gestão de resíduos sólidos tais como
recuperação de metano de locais de tratamento e ampliação da reciclagem (BRASIL, 2009, on-line).

Política Federal de Saneamento Básico e Política Nacional de Educação Ambiental


Essas duas políticas possuem estreita relação com a PNRS, sendo citadas em seu texto como políticas
articuladas, demarcando a convergência de objetivos, o potencial de compartilhamento de estruturas e a
realização de ações conjuntas.
Ambas as políticas se desdobram em planos, estratégias e programas que estabelecem o caminho entre
a dimensão teórica e ações concretas. Podemos citar, por exemplo, o Programa de Educação Ambiental e
Mobilização Social no Saneamento (PEAMSS) e o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA).
Outra legislação de âmbito nacional que se articula com a PNRS é a Lei Federal de Consórcios
Públicos, sendo que a PNRS dá prioridade a esse tipo de arranjo entre municípios para o acesso a incentivos
destinados pelo governo federal para gestão de resíduos.

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Do diálogo entre a educação ambiental, comunicação social e a PNRS surgiu a Estratégia Nacional de
Educação Ambiental e Comunicação Social na Gestão de Resíduos Sólidos (Educares)*, trazendo para a
gestão de resíduos sólidos importantes contribuições do campo da educação ambiental.
*Apoia a implementação da PNRS, atuando para transversalizar a educação ambiental e comunicação social na gestão de
resíduos, buscando um continuado processo de aprendizado social. A Educares traz para a gestão de resíduos diversas ferramentas que
planejam, avaliam e dão capilaridade à gestão na sociedade, entre elas, os planos de resíduos sólidos dos estados e municípios.

A Educares é um dos temas centrais de nosso curso, e retomaremos esse tema até o final desta aula!
De uma forma mais indireta surgem várias outras políticas que convergem e compartilham objetivos
com a PNRS, pois a temática resíduos sólidos é ampla e permeia muitos aspectos da vida atual.
Desse grupo, destacamos a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), que compartilha
com a PNRS o regramento da etapa de disposição final dos resíduos, buscando alternativas que reduzam os
impactos nocivos ao ambiente e à sociedade.

Uma das articulações entre a PNRS e a PNMC se dá por meio do Plano de Ação para Produção e
Consumo Sustentáveis (PPCS) que é um documento que orienta ações do governo, do setor produtivo e da
sociedade para padrões mais sustentáveis de produção e consumo.
Esse Plano, portanto, norteia-se pelos seguintes princípios:

Do desenvolvimento sustentável;
Da responsabilidade compartilhada;
Da liderança governamental por meio do exemplo;
Da precaução;
Da prevenção;
Da participação da sociedade civil e transparência;
Da cooperação;
Da educação ambiental.

Posteriormente, veremos com mais detalhes outros pontos de contato entre a PNRS e demais políticas
públicas. Falaremos mais a frente dos Planos de Resíduos Sólidos, um instrumento da PNRS que detalha o
processo de gestão e traz para o diálogo outros tantos instrumentos, planos e estratégias de áreas que dividem
o ambiente com a gestão de resíduos sólidos.
Estamos falando aqui, por exemplo, dos planos municipais de saneamento, do plano diretor municipal,
dos planos de resíduos estaduais, municipais e intermunicipais, das políticas de gestão territorial, dos
licenciamentos ambientais, da gestão de recursos hídricos.

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E por aí como é?
Algumas questões para refletir e pesquisar que vão dar mais clareza na relação
entre os diversos setores envolvidos no processo de gestão e as políticas a eles
ligadas. Lembrando que o foco aqui é na sua realidade. Vamos pensar nas
questões seguintes, clique nas setas a seguir:
Quais são as políticas públicas que dialogam com o processo de gestão de
resíduos no seu local de atuação?
Quais as leis municipais, estaduais e federais que estão influenciando o
processo de gestão?

Leia o texto: Planos de gestão de resíduos sólidos: manual de orientação


Dê ênfase as políticas que dialogam com a gestão de resíduos. Então, sugiro a
você, caro(a) cursista, a leitura das páginas 17 a 22.
Fonte: BRASIL. Ministério do Meio Ambiente, ICLEI – Brasil. Planos de gestão de
resíduos sólidos: manual de orientação. Brasília, 2012.
(Disponível na plataforma digital do curso)

É sempre bom lembrar que ao longo de toda a atividade, tome nota do que achar importante. Nada
muito longo, um parágrafo para cada reflexão, colocando os pontos-chave! Dessa forma, você, caro(a) cursista,
estará ampliando os resultados do curso e de seu esforço em participar desta formação!

A PNRS e a Educares

A PNRS, Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, é um marco legal na gestão de resíduos. Essa afirmação
surge de diversas fontes de setores variados. Trazemos aqui trechos de publicações que ilustram a importância
da PNRS.

“[...] após vinte e um anos de discussões no Congresso Nacional marcou o início de uma forte articulação
institucional envolvendo os três entes federados – União, Estados e Municípios -, o setor produtivo e a

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sociedade em geral, na busca de soluções para os problemas na gestão de resíduos sólidos que comprometem
a qualidade de vida dos brasileiros. A aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos qualificou e deu novos
rumos à discussão sobre o tema.
A partir de agosto de 2010, baseado no conceito de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos
produtos, a sociedade como um todo – cidadãos, governos, setor privado e sociedade civil organizada – passou
a ser responsável pela gestão ambientalmente adequada dos resíduos sólidos” (BRASIL, 2016, p. 04-05).

“A aprovação da PNRS, em 2010, é um marco histórico para a gestão ambiental do Brasil. Após 20 anos de
discussão entre governo, universidades, setor produtivo e entidades civis, a Política e o PNRS se constituem em
um grande potencial de transformação do comportamento da sociedade como um todo, especialmente em
relação aos modos de produção, consumo e destinação do que até agora era denominado lixo.
O ponto central da PNRS é transformar o que era visto como uma reta em um ciclo onde as pontas se juntam.
É o princípio da gestão integrada na qual quem legisla, quem produz, quem consome, quem recicla e quem
cuida do destino final são corresponsáveis porque tudo o que vai, volta” (BRASIL, [2017a], on-line).

Um dos aspectos que retrata os avanços da PNRS são seus 11 princípios, sendo que alguns destes
serão abordados ao longo do curso. São eles:
I – a prevenção e a precaução;
II – o poluidor-pagador e o protetor-recebedor;
III – a visão sistêmica, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social,
cultural, econômica, tecnológica e de saúde pública;
IV – o desenvolvimento sustentável;
V – a ecoeficiência, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens
e serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a redução do
impacto ambiental e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de
sustentação estimada do planeta;
VI – a cooperação entre as diferentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos
da sociedade;
VII – a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
VIII – o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor
social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania;
IX – o respeito às diversidades locais e regionais;
X – o direito da sociedade à informação e ao controle social;
XI – a razoabilidade e a proporcionalidade.

Outro passo importante foi a demarcação explícita da articulação com as políticas de educação
ambiental e saneamento básico. Isto permite a abordagem sistêmica sem a qual a gestão de resíduos fica
limitada, e gera, como vimos anteriormente, convergência e complemento no planejamento e implementação
de ações.
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Fruto dessa articulação, a educação ambiental assume o papel de instrumento da PNRS e sua inserção
é um dos aspectos inovadores da Política. A educação ambiental ocupa então o centro do planejamento das
ações que vão tirar a PNRS do papel e trazê-la para a prática.
Pela via da educação ambiental crescem as chances de permear o cotidiano do poder público, do setor
privado e da sociedade em geral (consumidores passivos ou cidadãos engajados) com ações que promovam
não só a informação, mas principalmente o sentido de pertencimento e mobilização permanente.
Condição indispensável para o exercício da responsabilidade necessária à gestão de resíduos.
Questionar nosso modo de reagir aos apelos do consumo, as mensagens tentadoras das propagandas
são desafios que podem ser superados com a contribuição da educação ambiental, na medida em que ela tiver
êxito em promover um olhar crítico sobre o processo de produção-consumo e seus reflexos na sociedade
e no ambiente.
A educação ambiental, na perspectiva transformadora e emancipatória adotada na Educares, tem
a missão de dialogar com os cidadãos em seus variados contextos auxiliando na adoção de atitudes coerentes
com o papel que cada um desempenha no processo de gestão dos resíduos.
Por outro lado, é necessário exercitar o olhar crítico e realista e identificar qual é o seu papel (indo além
do consumidor passivo) e qual seu espaço de ação dentro de nossa sociedade complexa, desigual e muito
diversa.
A relação da educação ambiental com a Educares e a PNRS permeia todo o conteúdo de nosso curso,
pois ele por si só é uma ação que surge do encontro desses três elementos, colocando-se como estratégia de
formação e de comunicação social. Estamos buscando aqui no curso o exercício da educação ambiental
transformadora e emancipatória com os mesmos objetivos descritos no a seguir:

“À EA cabe, em uma perspectiva transformadora e emancipatória, permitir que a sociedade,


entendendo os processos e seus desdobramentos, possa decidir melhores formas de agir, de intervir ativamente,
identificando suas consequências. Mais que a mera difusão de informação, deve haver um chamamento às
atitudes das pessoas, realçando o papel de cada um, insubstituível. Sem ela, corre-se o risco de apenas seguir o
instrumental legalista da legislação brasileira que, apesar de ser vanguardista e exemplo de construção social e
democrática, não dá conta de enfrentar e resolver, sozinha, os problemas sociais e ambientais relacionados à
gestão dos resíduos sólidos. A complexidade desses problemas e suas causas são históricas e transcendem o
arcabouço legal e as estruturas institucionais de gestão” (BRASIL [2], 2013, p. 12).

A redação da PNRS traz muitas inovações e conceitos importantes, sua leitura pode
contribuir muito para o entendimento da GRS no Brasil. Convidamos você, caro(a)
cursista, para aproveitar este momento de estudo e olhar com mais detalhes o texto da
PNRS, mais precisamente as páginas 1-37. (Disponível na plataforma digital do curso)
Fonte: BRASIL. Lei n. 12.305, de 2 de agosto de 2010. Política nacional de resíduos sólidos
[recurso eletrônico]. – 2. ed. – Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2012.

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Trazemos para você uma sugestão de vídeo com uma entrevista com o promotor
de justiça do Ministério Público do DF, Roberto Carlos Batista, para o programa
Antes & Depois da Lei, que fala sobre a PNRS e a GRS:
https://www.youtube.com/watch?v=9CCXQBrDm9o

Educares
Como já comentamos anteriormente, a Estratégia Nacional de Educação Ambiental e
Comunicação Social na GRS (Educares) surge desse contexto favorável de articulação entre a PNRS e a PNEA.
Enquanto estratégia, a Educares enfrenta o desafio de transpor a resolução dos complexos problemas
da gestão de resíduos promovendo o necessário processo continuado de aprendizado social, integrando as
contribuições da educação ambiental e da comunicação social de forma complementar.
Uma forma de apresentar a Educares é apresentada na seguinte forma:
“A Educares é uma ação do Governo Federal para apoiar a implementação da PNRS. Além da
plataforma, há duas matrizes de transversalização da EA e CS, um plano integrado de avaliação e materiais
pedagógicos fazem parte da Estratégia.A Estratégia busca um continuado processo de aprendizado social, no
qual a EA e a CS assumem papéis complementares e indispensáveis no desafio da sociedade de desencadear
processos capazes de transformar realidades por meio da GRS. Ela visa contribuir para a transversalidade da EA
e da CS com as diversas ferramentas que planejam, avaliam e dão capilaridade à gestão na sociedade, entre elas,
os planos de resíduos sólidos dos estados e municípios” (BRASIL, [2017b], on-line e BRASIL, 2014b, on-line).

A estratégia aprofunda o aporte da EA e da CS na transformação cultural necessária para que a gestão


de resíduos aconteça em toda a sociedade. A PNRS já traz essa percepção do papel da EA como vetor de
transformação e emancipação da sociedade, que se torna capaz de escolher como agir ciente das
consequências de suas intervenções.
A Educares traz também, formas de concretizar o chamamento das pessoas para uma atuação cidadã,
tornando real a responsabilidade compartilhada. Fica explícita a relação entre a ação individual e seus
reflexos no coletivo, e partindo disto são trabalhadas formas de mudança de atitude pessoais, de redes
e organizações.

Outro chamamento feito é para a reconexão entre indivíduo, sociedade e natureza, novamente
remetendo para inter-relação e interdependência entre natural e cultural, levando a reflexão sobre produção e
consumo.

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Na figura a seguir, mostramos de forma esquemática a estrutura geral da Educares que traz um
conjunto de conceitos que traduzem as visões conceituais e operacionais da Educares, e a forma como se
relacionam entre si.

As relações indicadas na figura descrita anteriormente são entendidas desta forma:

O Conceito Integrador corresponde ao Ator: ambos são responsáveis pela integração do processo
dos resíduos sólidos. O conceito integrador da Educares é Resíduo é Recurso, e com essa afirmação busca-se
reverter o princípio fragmentador ao gerar nos atores um conjunto de reflexões necessárias à mudança cultural
desejada na PNRS.
Os Conceitos Geradores correspondem à Posição no Processo: são eles os responsáveis por manter
claras as culturas que precisam ser mudadas: de resíduos sólidos para recursos sólidos; da irresponsabilidade à
responsabilidade compartilhada; da fragmentação à unidade na diversidade; da atitude consumidora para a
atitude cidadã.
Os Conceitos Multiplicadores correspondem às Responsabilidades: referem-se ao exercício de
compartilhar responsabilidades e remetem à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.
Os Conceitos Operativos correspondem às Ações: são a interface direta entre a Visão Conceitual e a
Visão Operacional.

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De tudo que trouxemos até agora da Educares, é importante perceber que o ponto de partida para a
transformação de hábitos, valores e, consequentemente, do ciclo produção-consumo, passa pela mudança da
percepção de resíduo para recurso.

O conceito integrador trabalha para uma mudança de postura diante dos resíduos de se
“esquecer o que vai” passando a perceber que “o que vai volta”. Partindo dessa mudança cultural, as
demais acontecem em cascata e, dessa forma, a Educares contribui para os objetivos da PNRS.

Muito bem! Chegamos ao final da nossa aula, e também chegou o momento de reservar as últimas
energias para refletir sobre os temas tratados buscando sempre uma relação com a sua realidade.
Lembramos que esta ação final aumenta suas possibilidades de melhor aproveitar o curso
estabelecendo um diálogo entre a teoria e os desafios, descobertas e acertos que você, caro(a) cursista, vivencia
no seu cotidiano como participante da GRS.

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Como suporte à esta tarefa, trazemos algumas provocações que você pode
responder sempre pensando em como aplicá-las na sua realidade ou no processo de GRS
que você esteja estudando.
01) Quais políticas são articuladas com a gestão de resíduos no seu contexto? Você percebe
que está faltando diálogo com alguma política setorial?
02) Quais os desafios e potencialidades que você percebe para incrementar o diálogo entre
a PNRS e outras políticas públicas?
03) Como você percebe a relação entre a gestão de resíduos no seu local e ações de
educação ambiental e comunicação social? O que faria para melhorar? O que já está
trazendo bons resultados?

Nesta aula, você viu algumas políticas públicas importantes que dialogam com a PNRS e reforçam os
processos de GRS. Falamos também da PNRS, da Educares e da forma como elas se relacionam.
No Módulo 02, estudaremos alguns conhecimentos-chave para a GRS e apresentaremos alguns
conceitos para a gestão de resíduos partindo da abordagem da Educares.

Espero por você! Até mais.

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