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APRESENTAÇÃO

Caros alunos,
Sejam bem-vindos à Rodada Gratuita do curso “Reta Final” TOP-MPPR.
O curso é formado por professores experientes na preparação para concursos
públicos, todos Promotores de Justiça. Para coordenar a equipe, foi designada a Liv
Severo, aprovadas em diversos concursos.
Na rodada gratuita, com o objetivo de apresentar o trabalho que será desenvolvido, os
professores elaboraram 15(quinze) questões objetivas, inéditas e comentadas –
elaboradas em conformidade com o perfil da banca do MPPR.
Sobre a sistemática que será adotada durante o curso: serão 8 (oito) rodadas, com 30
(trinta) questões objetivas inéditas e comentadas por ata, obedecendo ao seguinte
cronograma, com início previsto para 12/09/2016 e encerramento em 12/11/2016:
Cronograma TOP-MPPR

14.09.16 1ª Rodada
21.09.16 2ª Rodada
30.09.16 3ª Rodada
09.10.16 4ª Rodada
18.10.16 5ª Rodada
27.10.16 6ª Rodada
05.11.16 7ª Rodada
12.11.16 8ª Rodada

Ao final do curso, o aluno terá treinado 240 (duzentos e quarenta) questões


objetivas inéditas direcionadas ao MPPR.
Há dois sistemas para estudo e disponibilização das questões: o aluno poderá resolvê-
las on-line, no próprio portal do TOPJURIS – onde terá acesso a um "ranking" dos
alunos que responderam pela plataforma – ou poderá realizar o download imediato da
ata de cada rodada, com as questões comentadas.
Por fim: é impagável a energia positiva que temos recebido de vocês desde a abertura
das inscrições para o curso; queira Deus que possamos retransmiti-la. Fica registrado o
nosso agradecimento.
Para inscrições e maiores informações acessem www.topjuris.com.br
Felipe Motta e Equipe
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COORDENAÇÃO TOPJURIS

Felipe Motta. Coordenador-Pedagógico.


Advogado. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior. Pós-graduando
em Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduando em Direitos Humanos.
Cursando MBA Executivo em Coach.

Kleber Vinicius Bezerra Camelo de Melo. Coordenador-Financeiro.


Defensor Público Federal e Coach para Concursos Públicos. Aprovado nos
concursos para os cargos de Procurador Federal (2010), Analista Judiciário
do TJDFT (2010), Técnico Judiciário do CNJ (2009), Assistente de Apoio às
Atividades Jurídicas da PGDF (2008) e Técnico Administrativo da ANP

Alexandre Oliveira. Coordenador de Tecnologia.


Analista de Sistemas. Consultor do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento. Pós-graduando em Arquitetura de Software.

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PROFESSORES DO CURSO TOP-MPPR

Prof.ª e Coordenadora Liv Ferreira Augusto Severo Queiroz – Professora


das Matérias de Direito Constitucional, Penal e Eleitoral. Promotora de
Justiça do Estado do Rio Grande do Norte. Ex - Delegada de Polícia, do
Estado do RJ. Cursou a EMERJ.

Prof. Vinícius Lins Leão Lima – Professor das Matérias de Direito


Administrativo, Direito Processual Penal, Ação Civil Pública, Inquérito
Civil, Procedimento Preparatório e Procedimento Investigatório Criminal.
Ações Coletivas. Proteção ao Patrimônio Público. Promotor de Justiça no
Estado do Rio Grande do Norte. Pós-Graduação Lato Sensu em Direito
Público. Foi Procurador Federal. Aprovado ainda nos concursos de Analista
Judiciário do TRF da 5ª Região e Analista Judiciário - Área Judiciária, do
TRE/RN.

Prof.ª Gilcilene da Costa de Sousa – Professora das Matérias de Direito


Civil, Processual Civil e Direito Ambiental Promotora de Justiça do
Ministério Público do Rio Grande do Norte. Pós- graduada em Direito
Público pela Associação Nacional dos Magistrados Estaduais - Anamages e
Pós-graduada em Gestão de Segurança Pública pela Universidade Católica
de Brasília. Aprovada também nos concursos de Delegado de Polícia civil do
DF, Advogada da Minas Gerais Participações S.A, Analista Judiciário do TRF
da 1ª região, Analista Judiciário do TRE-MG.

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INSTRUÇÕES
1. Responda às QUESTÕES OBJETIVAS controlando o tempo e sem consulta a nenhum
material;
2. Confira o seu desempenho no GABARITO;
3. Consulte as QUESTÕES OBJETIVAS COMENTADAS para sanar dúvidas e aprofundar
os assuntos trabalhados na rodada;
4. Dê-nos o seu feedback apontando eventuais omissões ou erros materiais. O
TOPJURIS está em permanente construção e depende da contribuição de cada um
de vocês.

Para críticas e sugestões sobre a edição do material, entre em contato com o TOPJURIS
pelo e-mail contato@topjuris.com.br.

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QUESTÕES OBJETIVAS

Grupo 1
Direito Penal, Direito Eleitoral e Legislação do Ministério Público.

1. Sobre conflito aparente de leis penais e seus princípios, assinale a alternativa


INCORRETA:
a) O princípio da alternatividade terá aplicação diante de crimes tidos como de ação
múltipla ou de conteúdo variado, ou seja, crimes plurinucleares, nos quais o tipo penal
prevê mais de uma conduta em seus vários núcleos.
b) Pelo princípio da subsidiariedade, a norma dita subsidiária é considerada, na
expressão de Nélson Hungria, como um “soldado de reserva”, ou seja, na ausência ou
impossibilidade de aplicação da norma principal mais grave, aplica-se a norma
subsidiária menos grave. É a aplicação do brocardo ílex primaria derrogar leguei
subsidiariae.
c) O princípio da absorção é aplicável quando um crime é meio necessário ou normal
fase de preparação ou de execução de outro crime, bem como, nos casos de antefato e
pós-fato impuníveis.
d) O princípio da consunção se aplica nas hipóteses de crime complexo, crime
permanente, crime progressivo, progressão criminosa e atos impuníveis.
e) O critério da especialidade reclama duas leis penais em concurso, caracterizadas
pela relação de gênero e espécie, na qual esta prefere àquela, excluindo a sua
aplicação para fins de tipicidade. A lei específica deve abrigar todos os elementos da
genérica, apresentando, ainda, outras particulares características que podem ser
denominadas elementos especializantes, constituindo uma subespécie agravada ou
atenuada daquela.

2. Assinale a alternativa CORRETA:


a) Pela teoria da causalidade adequada, adotada pelo Código Penal Brasileiro,
considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
b) Dolo geral é aquele em que inexiste no tipo penal o indicativo do elemento subjetivo
do agente.
c) Com o surgimento do sistema finalista no qual vigora a teoria finalista da conduta, o
dolo foi transferido da conduta para a culpabilidade, passando a integrar o fato típico.
d) Diz-se causa concomitante absolutamente independente, aquela que ocorre
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simultaneamente à conduta do agente, e com esta é conjugada, numa relação de
complexidade, produzindo o resultado pretendido.
e) A teoria da imputação objetiva surge com a finalidade de limitar o alcance da
chamada teoria da equivalência dos antecedentes causais, sem desta se afastar,
passando a valorar uma relação de natureza jurídica, normativa.

3. Sobre a antijuridicidade, assinale a alternativa INCORRETA:


a) O Código Penal Brasileiro previu expressamente as causas que afastam a ilicitude da
conduta praticada pelo agente, além destas causas que encontram amparo em nossa
lei penal, outras ainda podem existir, mesmo não tendo sido expressamente previstas
em lei, são as chamadas causas supralegais de exclusão da ilicitude, como por exemplo,
o consentimento do ofendido.
b) O estado de necessidade justificante se configura quando o bem sacrificado é de
valor superior ao preservado. A ilicitude é mantida, mas, no caso concreto, pode
afastar a culpabilidade, em face da inexigibilidade de conduta diversa.
c) Não se admite em nosso ordenamento jurídico a legítima defesa recíproca (autêntica
versus autêntica), haja vista que as duas agressões são injustas, e, portanto, ambas as
condutas configuram-se contrárias ao ordenamento jurídico.
d) Excesso intensivo ou próprio é o que se verifica quando ainda estão presentes os
pressupostos das causas de exclusão da ilicitude. Há superação dos limites traçados
pela lei para a justificativa e o excesso assume perfil ilícito.
e) Se repelindo uma agressão injusta, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, o
agente atinge pessoa inocente, por erro no emprego dos meios de execução, subsiste
em seu favor, a legítima defesa, não podendo o agente responder criminalmente por
sua conduta.

4. Julgue as seguintes assertivas e assinale a CORRETA:


a) A assertiva “Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um terço até
metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é
dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o
disposto no artigo anterior.”, refere-se ao texto contido no art.70 do Código Penal, e
trata da hipótese de concurso formal.
b) No que diz respeito à sucessão de leis penais no tempo, o Supremo Tribunal Federal
tem decidido reiteradamente no sentido de que, se tratando de crime permanente, a
lei posterior, se mais gravosa, não será aplicada à toda cadeia de infrações penais, e
sim a de menor gravidade, em consonância com o princípio da irretroatividade da lei
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mais gravosa.
c) No caso de concurso de crimes, o juiz levará a efeito o cálculo da prescrição sobre o
total da pena aplicada, devendo-se conhecer, de antemão, as penas que por ele foram
fixadas a fim de que seja realizado o cômputo devido.
d) Da mesma forma que o concurso formal, no crime continuado, seja simples ou
qualificado, entende o Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o melhor critério
para a fixação do aumento de pena deve ser aquele que considera o número e espécie
de crimes praticados.
e) No que tange ao crime continuado, prevalece no âmbito jurisprudencial, inclusive,
no Supremo Tribunal Federal, a aplicação da teoria objetivo-subjetiva ou mista, a qual
afirma que, para configuração do crime continuado, não basta a presença dos
requisitos objetivos previstos no art.71, caput, do Código Penal. Reclama-se também a
unidade de desígnios, isto é, os vários crimes resultam de plano previamente
elaborado pelo agente.

5. Julgue as seguintes assertivas e assinale a CORRETA:


a) São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, de titulares de cargos
eletivos, ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito,
salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
b) São inelegíveis, para qualquer cargo, os que tenham contra sua pessoa
representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em
julgado, ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do
poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido
diplomados, bem como para as que se realizarem nos 5 (cinco) anos seguintes;
c) Para concorrência a outros cargos, Deputados Federais e Senadores devem renunciar
aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes do pleito.
d) A simulação e o desfazimento de vínculo conjugal ou de união estável com o
objetivo de evitar caracterização de inelegibilidade, reconhecidos por órgão judicial
colegiado, em decisão transitada em julgado, configura inelegibilidade para qualquer
cargo.
e) São inelegíveis, para qualquer cargo os que forem condenados à suspensão dos
direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
colegiado, pela prática de qualquer ato de improbidade administrativa que importe
lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito
em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena.

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6. Nos termos da Lei nº 8.625/93, qual destes órgãos não integra a Administração
Superior do Ministério Público:
a) o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Institucional.
b) a Corregedoria-Geral do Ministério Público.
c) o Colégio de Procuradores de Justiça.
d) o Conselho Superior do Ministério Público.
e) a Procuradoria-Geral de Justiça.

Grupo 2
Direito Constitucional, Constituição do Estado do Paraná, Direito Administrativo,
Direito Tributário, Filosofia do Direito, Sociologia Jurídica e Direito Previdenciário.

7. Sobe controle de constitucionalidade, Julgue as seguintes assertivas e assinale a


CORRETA:
a) A inconstitucionalidade por reverberação normativa ocorre quando há entre duas
normas uma relação de dependência – uma principal e outra acessória – sendo que a
declaração de inconstitucionalidade da principal enseja a declaração de
inconstitucionalidade da acessória, ainda que o pedido tenha se limitado à norma
principal.
b) No controle de constitucionalidade judicial-preventivo, ainda que haja perda
superveniente da condição de parlamentar, o encerramento do mandado do
impetrante não ocasionará a extinção da ação mandamental tendo em vista tratar-se
de matéria de ordem pública, bem como porque à época da impetração do mandamus
as condições da ação foram regularmente preenchidas.
c) Nos tribunais, o processo de controle de constitucionalidade difuso deverá observar
a chamada “cláusula de reserva de plenário”, prevista no art.97 da CF/88. O Supremo
Tribunal Federal, contudo, não se sujeita à referida cláusula, contudo, toda vez que
uma das turmas suscitar a inconstitucionalidade de uma norma, ocorrerá o envio da
“questão como um todo” para o plenário.
d) O Supremo Tribunal Federal recentemente manifestou-se em decisão proferida pela
Corte, pela impossibilidade de modulação temporal dos efeitos quando a norma,
objeto da análise, é pré-constitucional, não autorizando, por exemplo, a modulação
temporal de efeitos em um juízo de não recepção, sob pena de risco à segurança
jurídica ou ao interesse social.
e) O Supremo Tribunal Federal tem entendimento no sentido de não reconhecer a
fungibilidade entre a ADI e a ADPF, haja vista o princípio da subsidiariedade que se
aplica à ADPF, ou seja, se cabível a ação direta de inconstitucionalidade, não será
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admissível a propositura da ação de descumprimento de preceito fundamental, tendo
em vista a existência de outro meio eficaz.

8. Assinale a alternativa INCORRETA:


a) Nossa Federação não possui atualmente nenhum Território Federal, mas estes
podem ser criados, e, se surgirem, não possuirão autonomia, pois integrarão a
estrutura descentralizada da União, enquanto entidades autárquicas e seu regime
jurídico será definido por lei federal infraconstitucional.
b) A Constituição Federal estabelece, no art.18, §3º, que os Estados-membros podem
incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou
formarem novos Estados ou Territórios Federais, sendo necessária, para tanto, a
aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, aprovação do
Senado Federal, por meio da edição de uma lei complementar e a oitiva das
Assembleias Legislativas envolvidas.
c) Com relação aos Municípios, é correto afirmar que são quatro os requisitos
constitucionais exigíveis para que haja criação, incorporação, fusão e
desmembramento de municípios, quais sejam: (i) edição de lei complementar federal;
(ii) aprovação de lei ordinária federal; (iii) consulta prévia às populações dos Municípios
diretamente interessados, em plebiscito convocado pela Assembleia Legislativa e (iv)
aprovação de lei ordinária estadual;
d) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; II – orçamento;
III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; VI -
florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos
naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao
patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
e) O Distrito Federal, que não se confunde com os Estados, tampouco com os
Municípios, possui as competências destes dois entes federados, já que a Constituição
da República o prestigiou com uma competência cumulativa, prevendo que ao ente
serão atribuídas as competências legislativas reservados aos Estados e Municípios e a
competência tributária dos Municípios.

9. Sobre processo legislativo, assinale a alternativa INCORRETA:


a) A Constituição Federal estabelece um rol amplo daqueles que detém iniciativa para
o processo legislativo, atribuindo legitimidade para tanto, a qualquer membro ou
Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao
Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao
Procurador-Geral da República, ao Advogado Geral da União e aos cidadãos.
b) Segundo o Supremo Tribunal Federal, viola a inciativa privativa do Presidente da
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República, o ato do Poder Legislativo que, por emenda parlamentar, incorpora no texto
do projeto de lei de conversão da medida provisória dispositivo normativo que institui
cargos, ainda que represente integralmente o conteúdo de projeto de lei apresentado
pelo Poder Executivo.
c) Em homenagem ao princípio da simetria, o dispositivo constitucional que indica as
matérias de iniciativa privada do Presidente da República é de repetição obrigatória
para os demais entes federados, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal
a respeito do tema.
d) As medidas provisórias serão editadas pelo Presidente da República, se houver
previsão expressa na Constituição do Estado, e desde que respeitada a simetria,
Governadores também poderão editar medidas provisórias, válidas na esfera estadual,
sendo este o entendimento doutrinário e jurisprudencial que vem prevalecendo.
e) As resoluções, espécies normativas primárias, editadas pelo Poder Legislativo,
veiculam matérias privativas das casas legislativas e do Congresso Nacional, e,
portanto, não há sanção ou veto pelo Presidente da República, bem como,
promulgação e publicação são realizadas pela própria Casa Legislativa que expediu o
ato.

10. Acerca do tema relativo aos agentes públicos, assinale a alternativa INCORRETA:
a) os cargos em comissão, criados por lei, destinam-se somente às atribuições de
direção, chefia e assessoramento.
b) a chamada “ascensão funcional” constitui forma de provimento derivado
incompatível com a Constituição Federal.
c) a administração pública pode contratar pessoal, sem concurso público, para atender
à necessidade temporária de excepcional interesse público.
d) os particulares em colaboração episódica com a administração pública, a exemplo
dos jurados e dos mesários no dia das eleições, não são considerados agentes públicos.
e) é vedado ao Município que houver excedido 95% do seu limite com despesa de
pessoal prover cargo público, admitir ou contratar pessoal a qualquer título, à exceção
da reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de
educação, saúde e segurança.

Grupo 3
Direito Civil e Terceiro Setor, Direito Processual Civil e Direito Comercial.

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11. Quanto à prescrição e decadência do Código Civil, são verdadeiras as alternativas
abaixo, EXCETO:
a) Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela
prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206 do Código Civil.
b) A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão.
c) A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor.
d) Os prazos de prescrição podem ser alterados por acordo das partes.
e) Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus
assistentes ou representantes legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem
oportunamente.

12. Sobre os bens móveis, assinale a opção INCORRETA:


a) São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força
alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
b) Consideram-se móveis para os efeitos legais, dentre outros, as energias que tenham
valor econômico.
c) Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados,
conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da
demolição de algum prédio.
d) Os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes são bens móveis
para os efeitos legais.
e) Considera-se bem móvel para os efeitos legais o direito à sucessão aberta.

13. Sobre as obrigações solidárias, mais precisamente quanto à solidariedade ativa,


assinale a alternativa INCORRETA:
a) O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o
julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor
tenha direito de invocar em relação a qualquer deles.
b) A um dos credores solidários pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis
as outros.
c) Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a
solidariedade.
d) Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da
prestação por inteiro.
e) O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento não responderá aos
outros pela parte que lhes caiba.
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14. Conforme reza a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos), são registrados no
Registro Civil das Pessoas Naturais, EXCETO:
a) os nascimentos.
b) os casamentos.
c) as alterações ou abreviaturas de nomes.
d) as emancipações.
e) as sentenças declaratórias de ausência.

15. Quanto ao Direito de Empresa assinale a alternativa INCORRETA:


a) Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
b) Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores,
salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
c) É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis
da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
d) O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de
outro Registro Público de Empresas Mercantis, estará dispensado de inscrevê-la.
e) A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário
rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

16. Quanto à petição inicial no Novo Código de Processo assinale a alternativa


INCORRETA:
a) A petição inicial deverá indicar os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência
de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou
no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a
residência do autor e do réu.
b) O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e
320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de
mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a
complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.
c) Na petição inicial o autor deverá indicar sua opção pela realização ou não de
audiência de conciliação ou de mediação.

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d) Não há necessidade de que petição inicial seja instruída com os documentos
indispensáveis à propositura da ação, podendo o autor requerer a juntada a qualquer
tempo.
e) Na petição inicial cabe ao autor indicar as provas com que pretende demonstrar a
verdade dos fatos alegados.

17. Com o Novo Código de Processo Civil houve efetiva racionalização da atuação do
Ministério Público no processo civil. Dentre as alternativas abaixo assinale a
INCORRETA:
a) De acordo com o novo Código de Processo Civil cabe ao Ministério Público exercer a
função de curador especial.
b) As manifestações ministeriais na condição de fiscal da ordem jurídica devem ser
feitas no prazo de 30(trinta) dias.
c) Nos casos de conflito de competência o Ministério Público somente intervirá se
participar do processo.
d) Nas ações rescisórias o Ministério Público atuará como parte ou como fiscal da
ordem jurídica quando o processo envolver interesse público ou social, interesse de
incapaz ou litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.
e) Quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o Ministério
Público, não se aplica o benefício do prazo em dobro.

18. Quanto às alternativas a seguir assinale a CORRETA:


a) A citação, ato pelo qual são convocados o réu ou o executado para integrar a
relação processual, é sempre indispensável, ainda que se trate de hipótese de
indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido.
b) Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão
todos os dias.
c) Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição é lícito às partes
plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às
especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e
deveres processuais antes ou durante o processo.
d) A participação da Fazenda Pública é motivo apto a obrigar a intervenção do
Ministério Público no processo.
e) Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia
distintos, em autos de processos físicos ou eletrônicos, terão prazos contados em
dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal,
independentemente de requerimento.
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19. O sistema da gratuidade da justiça foi bastante reformulado pelo Novo Código de
Processo Civil. Quanto ao tema, assinale a opção INCORRETA:
a) A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos
para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito
à gratuidade da justiça, na forma da lei.
b) A gratuidade da justiça compreende os emolumentos devidos a notários ou
registradores em decorrência da prática de registro, averbação ou qualquer outro ato
notarial necessário à efetivação de decisão judicial ou à continuidade de processo
judicial no qual o benefício tenha sido concedido.
c) A concessão de gratuidade afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas
processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência.
d) O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na
contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
e) Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua
revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na
sentença, contra a qual caberá apelação.

20. No Capítulo I, do Livro I do novo Código de Processo Civil, o legislador preocupou-


se em dispor sobre as normas fundamentais relativas ao processo civil. Sobre o tema
são verdadeiras as seguintes alternativas, EXCETO:
a) As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito,
incluída a atividade satisfativa.
b) Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo
com a boa-fé.
c) Cabe tão somente ao autor cooperar para que se obtenha, em tempo razoável,
decisão de mérito justa e efetiva.
d) É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e
faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de
sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
e) Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do
bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e
observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a
eficiência.

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Grupo 4
Direito Processual Penal, Execução Penal, Direito do Consumidor, Direito Sanitário e
Saúde do Trabalhador.

21. Acerca do rito estabelecido pela Lei nº 9.099/95, assinale a alternativa


INCORRETA:
a) O sursis processual e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos
sujeitos ao rito da Lei nº 11.340/2006.
b) O Juizado Especial Criminal tem competência para o julgamento das infrações
penais de menor potencial ofensivo, nelas compreendidas as contravenções penais e
os crimes com a pena máxima de 2(dois) anos, ainda que a lei preveja para elas
procedimento especial.
c) A composição civil dos danos, quando realizada e homologada pelo juiz, acarreta a
renúncia ao direito de queixa ou representação, extinguindo a punibilidade do agente
nestes casos.
d) Descumprida as cláusulas da transação penal, notadamente quanto à aplicação
imediata da pena restritiva de direitos, cabe ao Ministério Público prosseguir na
persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito
policial.
e) À luz da jurisprudência do STJ, além das condições legais previstas no artigo 89, §1º,
da Lei nº 9.099/95, o juiz pode estabelecer condições outras para que o acusado possa
vir a ser beneficiado com o sursis processual, desde que estas condições judiciais não
se assemelhem, na prática, com as sanções penais.

22. Sobre o tema da competência, assinale a alternativa CORRETA:


a) O número excessivo de acusados é causa obrigatória que impõe ao juiz a separação
dos processos conexos.
b) O desaforamento constitui causa modificativa da competência do Tribunal do Júri e
apenas deve ser deferido ante o juízo de certeza quanto à perda da imparcialidade dos
jurados.
c) A competência do Tribunal do Júri é restrita aos crimes dolosos contra a vida, logo,
os crimes conexos ao homicídio são julgados pelo juiz singular, afastando-se da
competência especial do Júri.
d) Policial Militar que comete homicídio doloso contra civil é julgado pelo Justiça
Comum.

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e) Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar os Governadores de
Estado nos crimes comuns e de responsabilidade.

23. Acerca do tema relativo à colaboração premiada, assinale a alternativa CORRETA:


a) a Lei nº 12.850/2013 impede que o réu sujeito a prisão cautelar celebre acordo de
colaboração premiada com o órgão do Ministério Público ou com a autoridade policial.
b) ao colaborador é assegurado o privilégio contra a autoincriminação ao longo dos
depoimentos que prestar ao membro do Ministério Público ou ao delegado de polícia
responsáveis pela investigação.
c) o Ministério Público poderá deixar de oferecer denúncia aquele que, não sendo o
líder da organização criminosa, for o primeiro a prestar colaboração efetiva e
voluntária à investigação ou ao processo criminal.
d) ninguém pode ser condenado com base em provas obtidas a partir das declarações
do agente colaborador.
e) o juiz interferirá nas negociações antecedentes à celebração do acordo de
colaboração premiada, inclusive sugerindo benefícios e indicando as provas
interessantes à investigação.

24. Considere a seguinte situação hipotética: MARCUS VAL é denunciado pelo


Ministério Público do Estado do Paraná pela prática do crime previsto no artigo 217-
A do Código Penal. Citado por edital, MARCUS VAL não compareceu, nem constituiu
advogado. O juiz, então, ordenou a suspensão do procedimento ordinário, na esteira
do artigo 366 do CPP. Três meses depois da suspensão do feito, o promotor natural
do caso requereu ao juiz a produção antecipada da prova, consistente na oitiva de
testemunha enferma. O magistrado indeferiu o requerimento da acusação, sob
alegação de que a antecipação do ato violaria o princípio da ampla defesa. Diante
deste quadro, pergunta-se: qual o recurso cabível contra a decisão do magistrado
singular que indeferiu o pedido do Parquet?
a) recurso em sentido estrito.
b) mandado de segurança.
c) carta testemunhável.
d) apelação.
e) embargos de declaração.

25. Qual dos problemas técnicos da denúncia listados abaixo NÃO provoca a inépcia
da inicial, segundo a jurisprudência dos Tribunais Superiores:

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a) nos crimes contra a ordem tributária, a denúncia limitar-se a descrever o tipo penal
e a asseverar que o denunciado é o administrador da sociedade empresária que
suprimiu o tributo.
b) no crime de venda ou exposição à venda de produto sem registro no órgão
competente (CP, art. 273, §1º-B), a peça acusatória deixar de especificar quais os
produtos sujeitos a registro o denunciado expôs a venda.
c) no crime de corrupção eleitoral (CE, art. 299), a denúncia omitir-se na descrição da
espécie de vantagem que o denunciado ofereceu ao eleitor em troca do voto
(“dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem”).
d) nos crimes de autoria coletiva, a peça acusatória deixar de descrever, de maneira
minudente, a conduta delituosa de cada denunciado.
e) no crime de corrupção passiva, a denúncia deixar de descrever o tempo e o lugar no
qual ocorreu o pagamento da vantagem indevida ao agente público corrupto.

26. Nos termos da Lei nº 7.210/1984, assinale a alternativa INCORRETA:


a) são considerados órgãos da execução penal, dentre outros, o Conselho
Penitenciário, o Patronato e o Conselho da Comunidade.
b) o Ministério Público fiscalizará a execução da pena e visitará anualmente os
estabelecimentos penais, registrando sua presença em livro próprio.
c) compete ao juiz da execução penal interditar, no todo ou em parte, estabelecimento
penal que estiver funcionando em desacordo com os dispositivos da Lei nº 7.210/84.
d) haverá, em cada comarca, um Conselho da Comunidade, composto por membros da
OAB, Defensoria Pública, dentre outros representantes de setores da sociedade civil
organizada.
e) pode o órgão do Ministério Público requerer a progressão de regime em favor do
apenado.

Grupo 5
Direito da Infância e da Juventude, Proteção ao Patrimônio Público, Direito
Ambiental, Ação Civil Pública, Inquérito Civil, Procedimento Preparatório e
Procedimento Investigatório Criminal, Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso,
Direitos Humanos e Habitação e Urbanismo.

27. Julgue as seguintes assertivas e assinale a INCORRETA:


a) As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, levando-se em conta,

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para a aplicação das mesmas, as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que
visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
b) Sem prejuízo da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de
violência ou abuso sexual e das providências a que alude a Lei 8069/90, o afastamento
da criança ou adolescente do convívio familiar é de competência exclusiva da
autoridade judiciária e importará na deflagração, a pedido do Ministério Público ou de
quem tenha legítimo interesse, de procedimento judicial contencioso, no qual se
garanta aos pais ou ao responsável legal o exercício do contraditório e da ampla defesa.
c) Constatada a impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à família
de origem, após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de
orientação, apoio e promoção social, será enviado relatório fundamentado ao
Ministério Público, que erá o prazo de 30 (trinta) dias para o ingresso com a ação de
destituição do poder familiar, salvo se entender necessária a realização de estudos
complementares ou outras providências que entender indispensáveis ao ajuizamento
da demanda.
d) Caso o menor não tenha definida a sua paternidade, será deflagrado procedimento
específico destinado à sua averiguação, nos termos da Lei no 8.560/1992, sendo,
contudo, indispensável o ajuizamento de ação de investigação de paternidade pelo
Ministério Público após o não comparecimento ou a recusa do suposto pai em assumir
a paternidade a ele atribuída, ainda que a criança seja encaminhada para adoção.
e) São medidas de proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, dentre
outras, as seguintes: (i) matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial
de ensino fundamental; (ii) requisição de tratamento médico, psicológico ou
psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; (iii) inclusão em programa oficial
ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos e (IV)
colocação em família substituta.

28. Sobre crimes e infrações administrativas previstos no Estatuto da Criança e do


Adolescente, assinale a alternativa CORRETA:
a) A infração administrativa, constante do Estatuto da Criança, narra a conduta de
divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de
comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou
judicial relativo a criança ou adolescente a que se atribua ato infracional, na forma do
art.247. Aplica-se ainda, a pena prevista no §2º do referido dispositivo legal, o qual
dispõe que se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora de rádio ou
televisão, além da pena prevista no artigo, a autoridade judiciária poderá determinar a
apreensão da publicação ou a suspensão da programação da emissora até por dois
dias, bem como da publicação do periódico até por dois números.
b) A venda de bebida alcoólica a criança ou adolescente, com a advento da Lei
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13.106/2015, deixou de ser infração administrativa prevista no Estatuto da Criança e do
Adolescente, e passou a configurar crime, na forma do art.243 do mesmo diploma
legal.
c) O Superior Tribunal de Justiça uniformizou o entendimento de que, para a
configuração do crime de corrupção de menores, previsto no art.244-B do Estatuto da
Criança e do Adolescente, basta que haja evidências da participação de menor de 18
anos no delito e na companhia de agente imputável, sendo irrelevante o fato de o
adolescente já estar corrompido, porquanto se trata de delito de natureza formal.
d) Se o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde
de gestante deixar de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo
referidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como de fornecer à
parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de
nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do
neonato incorrerá em infração administrativa, apenada com multa de três a vinte
salários mínimos.
e) Pratica crime, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, aquele que divulgar,
total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de comunicação,
nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou judicial relativo a
criança ou adolescente a que se atribua ato infracional.

29. Acerca das disposições da Lei de Improbidade Administrativa, assinale a


alternativa INCORRETA:
a) constitui ato de improbidade administrativa adquirir, para si, no exercício do cargo,
bem imóvel cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou renda do
agente.
b) os atos de improbidade administrativa que geram dano ao erário admitem tanto a
modalidade dolosa quanto a culposa.
c) constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública deixar, o agente público competente, de cumprir a exigência de
requisitos de acessibilidade previstos na legislação.
d) à luz do entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça, o elemento
subjetivo necessário à configuração dos atos de improbidade administrativa
capitulados no artigo 11 da Lei nº 8.429 é o dolo específico, consubstanciado na
especial vontade do agente de provocar prejuízo ao erário.
e) constitui ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário celebrar
parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie.

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30. Acerca do tema relativo à ação civil pública e ao inquérito civil, assinale a
alternativa CORRETA:
a) os órgãos públicos legitimados à propositura da ação civil pública poderão instaurar,
sob a sua presidência, inquérito civil, a fim de reunir elementos de convicção.
b) o inquérito civil constitui condição de procedibilidade para o ajuizamento da ação
civil pública.
c) o inquérito civil é instaurado por meio de despacho do membro do Ministério
Público com atribuição para apurar o fato noticiado.
d) o inquérito civil é procedimento dialético, bilateral, informado pelo princípio do
contraditório.
e) a representação anônima não poderá ser arquivada pelo Promotor de Justiça
quando ela trouxer informações suficientes sobre o fato lesivo e o seu provável autor,
e apresentar, desde logo, a qualificação mínima que permita sua identificação e
localização.

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GABARITO

01 “D”
02 “E”
03 “B”
04 “E”
05 “D”
06 “A”
07 “A”
08 “B”
09 “B”
10 “D”
11 “D”
12 “E”
13 “B”
14 “C”
15 “D”
16 “D”
17 “A”
18 “C”
19 “C”
20 “C”
21 “E”
22 “D”
23 “C”
24 “A”
25 “D”
26 “B”
27 “D”
28 “C”
29 “D”
30 “E”

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QUESTÕES OBJETIVAS COMENTADAS

Grupo 1
Direito Penal, Direito Eleitoral e Legislação do Ministério Público.

1. Sobre conflito aparente de leis penais e seus princípios, assinale a alternativa


INCORRETA:
a) O princípio da alternatividade terá aplicação diante de crimes tidos como de ação
múltipla ou de conteúdo variado, ou seja, crimes plurinucleares, nos quais o tipo penal
prevê mais de uma conduta em seus vários núcleos.
b) Pelo princípio da subsidiariedade, a norma dita subsidiária é considerada, na
expressão de Nélson Hungria, como um “soldado de reserva”, ou seja, na ausência ou
impossibilidade de aplicação da norma principal mais grave, aplica-se a norma
subsidiária menos grave. É a aplicação do brocardo ílex primaria derrogar leguei
subsidiariae.
c) O princípio da absorção é aplicável quando um crime é meio necessário ou normal
fase de preparação ou de execução de outro crime, bem como, nos casos de antefato e
pós-fato impuníveis.
d) O princípio da consunção se aplica nas hipóteses de crime complexo, crime
permanente, crime progressivo, progressão criminosa e atos impuníveis.
e) O critério da especialidade reclama duas leis penais em concurso, caracterizadas
pela relação de gênero e espécie, na qual esta prefere àquela, excluindo a sua
aplicação para fins de tipicidade. A lei específica deve abrigar todos os elementos da
genérica, apresentando, ainda, outras particulares características que podem ser
denominadas elementos especializantes, constituindo uma subespécie agravada ou
atenuada daquela.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 5 - Aplicação da lei penal. Lei penal no tempo e lei
penal no espaço. Contagem dos prazos, frações, prazos da parte geral do Código
Penal e da legislação especial.
A alternativa A está correta. Este é o conceito utilizado por Rogério Greco, que indica
como exemplo de crime de ação múltipla, aquele previsto no art.33 da Lei
11.343/2006. É o exemplo do agente que adquire, tenha em depósito e venda drogas,
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praticando, desta forma, três dentre as condutas previstas pelo referido artigo. Neste
caso, não poderá ser punido como se tivesse cometido o delito em concurso material,
mas, sim, uma única vez, sem que se possa falar em concurso de infrações penais.
Desta feita, pelo princípio da alternatividade o agente será punido por uma das
modalidades inscritas nos chamados crimes de ação múltipla, embora venha a pratica
duas ou mais condutas descritas no mesmo tipo penal. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de
Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010. 30 p).
A alternativa B está correta. Haverá subsidiariedade entre duas leis penais quando se
tratar de estágios ou graus diversos de ofensa a um mesmo bem jurídico, de forma que
a ofensa mais ampla e dotada de maior gravidade, descrita pela lei primária, engloba a
menos ampla, contida na subsidiária, ficando a aplicabilidade desta condicionada à não
incidência da outra. (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral.
Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 151 p)
A alternativa C está correta. O conceito constante do enunciado é o utilizado por
Rogério Greco (Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010., 29
p), e, portanto, correto. E, de acordo com Cléber Madson, o princípio da consunção,ou
da absorção, o fato mais amplo e grave consome, absorve os demais fatos menos
amplos e grave, os quais atuam como meio normal de preparação ou execução
daquele, ou ainda como seu exaurimento. (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte
Geral. Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 153 p)
A alternativa D está INCORRETA, portanto, é o gabarito da questão. Cléber Madson
afirma que o princípio da consunção ou da absorção se concretiza em quatro
situações: crime complexo (também conhecido por crime composto), crime
progressivo, progressão criminosa e atos impuníveis. O crime complexo resulta da
fusão de dois ou mais crimes, que passam a desempenhar a função de elementares ou
circunstâncias daquele, tal como ocorre no roubo, originário da fusão dos delitos de
furto e ameaça ou lesão corporal, dependendo do meio de execução empregado pelo
agente, desta forma, parte relevante da doutrina aponta como hipótese de consunção
ao argumento de que o crime complexo absorve os delitos autônomos que compõem
a sua estrutura típica. O crime progressivo é o que se opera quando o agente,
almejando desde o início alcançar resultado mais grave, pratica, mediante reiteração
de atos, crescentes violações ao bem jurídico. Neste caso, o ato final, gerador do
evento originariamente desejado, consome os anteriores, que produziram violações
mais brandas ao bem jurídico atacado. Progressão criminosa dá-se quando o agente
pretende inicialmente produzir um resultado e, depois de alcançá-lo, opta por
prosseguir na prática delitiva e reinicia outra conduta, produzindo um evento mais
grave. Por tal motivo, a resposta penal se dará somente para o fato final mais grave,
ficando absorvidos os demais. Atos impuníveis são os que funcionam como meios de
execução do tipo principal, ficando por este absorvidos. A questão está incorreta,
porque o crime permanente não configura hipótese de aplicação do princípio da
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consunção ou absorção. (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral.
Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 154/155 p)
A alternativa E está correta. Pelo princípio da especialidade, a norma especial afasta a
aplicação da norma geral. O referido princípio impõe, ainda, sejam os delitos genérico
e específico praticados em absoluta contemporaneidade, ou seja, no mesmo contexto
fático. (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral. Esquematizado. 10 ed.
Editora Método, 2015., 148/149 p) .

Gabarito alternativa “D”

2. Assinale a alternativa CORRETA:


a) Pela teoria da causalidade adequada, adotada pelo Código Penal Brasileiro,
considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
b) Dolo geral é aquele em que inexiste no tipo penal o indicativo do elemento subjetivo
do agente.
c) Com o surgimento do sistema finalista no qual vigora a teoria finalista da conduta, o
dolo foi transferido da conduta para a culpabilidade, passando a integrar o fato típico.
d) Diz-se causa concomitante absolutamente independente, aquela que ocorre
simultaneamente à conduta do agente, e com esta é conjugada, numa relação de
complexidade, produzindo o resultado pretendido.
e) A teoria da imputação objetiva surge com a finalidade de limitar o alcance da
chamada teoria da equivalência dos antecedentes causais, sem desta se afastar,
passando a valorar uma relação de natureza jurídica, normativa.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 10 - Dolo. Conceito. Teorias. Elementos do dolo.
Espécies e elementos subjetivos diversos do dolo. Relação de causalidade. Causação
e imputação do resultado. Teorias.
A alternativa A está incorreta. A teoria da equivalência dos antecedentes causais, de
Von Buri, foi a adotada pelo nosso Código Penal, conforme se extrai do art.13, caput,
in fine, (“Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria
ocorrido”), na qual considera-se causa a ação ou a omissão sem a qual o resultado não
teria ocorrido. Isso significa que todos os fatos que antecedem o resultado se
equivalem, desde que indispensáveis à sua ocorrência. Verifica-se se o fato
antecedente é causa do resultado a partir de uma eliminação hipotética. Se,
suprimindo mentalmente o fato, vier a ocorrer uma modificação no resultado, é sinal
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de que aquele é causa deste último. A questão está incorreta uma vez que a Teoria da
Causalidade Adequada não foi a adotada pelo Código Penal Brasileiro, segundo esta
teoria causa é a condição necessária e adequada a determinar a produção do evento,
ou seja, para que se possa atribuir um resultado à determinada pessoa, é necessário
que ela, além de praticar um antecedente indispensável, realize uma atividade
adequada à sua concretização. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral.
12 ed. Editora Imputes, 2010., 209/210 p; (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte
Geral. Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 258/259 p).
A alternativa B está incorreta. O texto constante do enunciado refere-se ao conceito
de dolo genérico, da Teoria Clássica da conduta, que era aquele em que a vontade do
agente se limitava à prática da conduta típica, sem nenhuma finalidade específica.
Atualmente, com a superveniência da teoria finalista, utiliza-se o termo dolo para se
referir ao antigo dolo genérico. Fala-se em dolo geral, segundo Belzebu, “quando o
autor acredita haver consumado o delito quando na realidade o resultado somente se
produz por uma ação posterior, com a qual buscava encobrir o fato”. Esse erro é
irrelevante para o Direito Penal, de natureza acidental, pois o que importa é que o
agente queria um resultado e o alcançou. O dolo é geral e envolve todo o desenrolar
da ação típica, do início da execução até a consumação do delito. É o caso do agente
que após desferir golpes de faca na vítima, supondo-a morta, joga o seu corpo em um
rio, vindo esta a falecer em decorrência de afogamento. Dessa forma, atuou o agente
com inamus necanida (dolo de matar) ao efetuar os golpes de faca, deverá responder
por homicídio doloso, mesmo que o resultado morte tenha advindo de outro modo
que não aquele pretendido pelo agente. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal.
Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010., 184/185 p; (MASSON, CLEBER. Direito
Penal. Sol I. Parte Geral. Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 308/309 p).
A alternativa C está incorreta. A teoria finalista modificou profundamente o sistema
causal. A ação não mais podia dissociar-se da sua finalidade. Toda conduta humana
vem dotada de finalidade, seja esta lícita ou ilícita. O dolo, portanto, não poderia mais
ser analisado em sede de culpabilidade. Belzebu o transportou para o tipo, dele
afastando sua carga normativa, O dolo finalista é um dolo natural, livre da necessidade
de se aferir a consciência sobre a ilicitude do fato para a sua configuração. É através da
ação que percebemos a finalidade do agente, ou seja, a adequação da conduta ao
modelo abstrato previsto no tipo penal, somente pode ser realizada com perfeição se
conseguirmos visualizar a finalidade do agente. A questão é incorreta, sendo esta a
correta redação: Com o surgimento do sistema finalista no qual vigora a teoria finalista
da conduta, o dolo foi transferido da culpabilidade para a conduta, passando a integrar
o fato típico. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora
Imputes, 2010., 370/373 p).
A alternativa D está incorreta. Diz-se causa concomitante absolutamente
independente, aquela que ocorre numa relação de simultaneidade com a conduta do
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agente. Acontece no mesmo instante e paralelamente ao comportamento do agente.
Rogério Greco cita o seguinte exemplo: “Se A e B, com armas de calibres diferentes
atiram contra C (afastada a hipótese de coautoria) e ficar provado que o projétil de B é
que, atingindo o coração da vítima, a matou, ao passo que o de A alcançou levemente
um braço, somente B responde por homicídio.” Ressalte-se que, mesmo que o projétil
disparado pela arma de A tivesse atingido a vítima de forma grave, mas não sendo o
causador do resultado final, A responderia tão somente pelo seu dolo, ou seja, queria
matar e não conseguiu: tentativa de homicídio. ATENÇÃO: em todas as modalidades
das causas absolutamente independentes (preexistentes, concomitantes e
supervenientes), o resultado naturalístico ocorre independente da conduta do agente.
As causas surgem de forma autônoma, ou seja, não se ligam ao comportamento
criminoso do agente, e, por serem independentes, produzem, por si sós, o resultado
material. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora
Imputes, 2010., 184/185 p; MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral.
Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 308/309 p).
A alternativa E está CORRETA, portanto, é o gabarito da questão. O enunciado da
questão traz um dos conceitos da Teoria da Imputação Objetiva, preconizado pelo
doutrinador Rogério Greco, que muito bem trata do tema. De acordo com a teoria da
imputação objetiva, não basta que o resultado tenha sido produzido pelo agente para
que se possa afirmar a sua relação de causalidade. É necessário, também, que a ele
possa ser imputado juridicamente. Ao contrário do que seu nome parece em princípio
indicar, não se confunde com a responsabilidade penal objetiva. Sua função é
completamente diversa, ou seja, limita a responsabilidade penal, pois a atribuição de
um resultado a uma pessoa não é determinada pela relação de causalidade, sendo
necessário outro nexo, de modo que esteja presente a realização de um risco proibido
pela norma. Essa teoria é aplicada exclusivamente aos crimes materiais, nos quais
pode ser produzido um resultado naturalístico, sendo incabível nos crimes formais e
de mera conduta. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed.
Editora Imputes, 2010., 227/236 p; MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral.
Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 271/278 p).

Gabarito alternativa “E”

3. Sobre a antijuridicidade, assinale a alternativa INCORRETA:


a) O Código Penal Brasileiro previu expressamente as causas que afastam a ilicitude da
conduta praticada pelo agente, além destas causas que encontram amparo em nossa
lei penal, outras ainda podem existir, mesmo não tendo sido expressamente previstas
em lei, são as chamadas causas supralegais de exclusão da ilicitude, como por exemplo,
o consentimento do ofendido.
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b) O estado de necessidade justificante se configura quando o bem sacrificado é de
valor superior ao preservado. A ilicitude é mantida, mas, no caso concreto, pode
afastar a culpabilidade, em face da inexigibilidade de conduta diversa.
c) Não se admite em nosso ordenamento jurídico a legítima defesa recíproca (autêntica
versus autêntica), haja vista que as duas agressões são injustas, e, portanto, ambas as
condutas configuram-se contrárias ao ordenamento jurídico.
d) Excesso intensivo ou próprio é o que se verifica quando ainda estão presentes os
pressupostos das causas de exclusão da ilicitude. Há superação dos limites traçados
pela lei para a justificativa e o excesso assume perfil ilícito.
e) Se repelindo uma agressão injusta, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, o
agente atinge pessoa inocente, por erro no emprego dos meios de execução, subsiste
em seu favor, a legítima defesa, não podendo o agente responder criminalmente por
sua conduta.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 12 - Antijuridicidade. Conceito. Formas. Causas de
justificação. Os excessos. Consentimento do ofendido.
A alternativa A está correta. O Código Penal, em seu art.23, prevê expressamente
quatro causas que afastam a ilicitude da conduta praticada pelo agente, o que faz com
que o fato por ele cometido seja considerado lícito, a saber: estado de necessidade,
legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e o exercício regular de direito. O
consentimento do ofendido é uma das causas supralegais de exclusão da ilicitude, e
por tal motivo, não estando expressamente descrita no nosso Código Penal. O
consentimento do ofendido como tipo penal permissivo tem aplicabilidade restrita aos
delitos em que o único titular do bem ou interesse juridicamente protegido é a pessoa
que aquiesce (acordo ou consentimento) e que pode livremente dele dispor. Em
síntese, é cabível unicamente em relação a bens jurídicos disponíveis. Se indisponível o
bem jurídico, há interesse privativo do Estado e o particular não poderá dele
renunciar. Por fim, é correto afirmar que o consentimento do ofendido somente pode
afastar a ilicitude nos delitos em que o titular do bem jurídico é pessoa física ou
jurídica. Não tem a finalidade de excluir o crime quando se protegem bens jurídicos
meta individuais, ou pertencentes à sociedade ou ao Estado. (GRECO, ROGÉRIO. Curso
de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010. 358/361 p; MASSON,
CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral. Esquematizado. 10 ed. Editora Método,
2015., 431/432 p.)
A alternativa B está INCORRETA, portanto, é o gabarito da questão. No estado de
necessidade justificante, o bem sacrificado é de valor igual ou inferior ao preservado,
excluindo a ilicitude. No estado de necessidade exculpante o bem sacrificado é de
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valor superior ao preservado. A ilicitude é mantida, podendo, contudo, a depender do
caso concreto, ser afastada a culpabilidade, em face da inexigibilidade de conduta
diversa. Para teoria unitária adotada pelo Código Penal Brasileiro, todo estado de
necessidade é justificante, ou seja, tem a finalidade de eliminar a ilicitude do fato
típico praticado pelo agente. (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral.
Esquematizado. 10 ed. Editora Método, 2015., 446 p.; GRECO, ROGÉRIO. Curso de
Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010. 307/308 p)
A alternativa C está correta. De acordo com Rogério Greco, pela simples leitura do
art.25 do Código Penal, verifica-se a total impossibilidade de ocorrer a chamada
legítima defesa recíproca (autêntica versus autêntica). Isso porque as duas agressões
são injustas, não se cogitando, nessa hipótese, em legítima defesa, pois ambas as
condutas são contrárias ao ordenamento jurídico. Somente poderá ser aventada a
hipótese de legítima defesa, s um dos agentes agredir injustamente o outro, abrindo-
se ao ofendido a possibilidade de se defender legitimamente. Rogério Greco afirma
que o Promotor de Justiça, ao receber os autos do Inquérito Policial, e com base nas
provas produzidas não conseguir apontar o autor inicial das agressões, deverá oferecer
denúncia em face de ambos. De acordo com o doutrinador, o oferecimento da
denúncia em desfavor de ambos os contendores é tecnicamente perfeito, porque no
início da ação penal, a dúvida deve pender em favor da sociedade (in dúbio pro
societariado), a fim de que se permita, durante a instrução criminal e sob o crivo do
contraditório e da ampla defesa, tentar apurar o autor das agressões injustas. (GRECO,
ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010. 340 p)
A alternativa D está correta. O texto da questão transcreve o conceito de excesso
intensivo ou próprio, firmado por Cléber Madson a respeito do tema.(MASSON,
CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral. Esquematizado. 10 ed. Editora Método,
2015., 487/488 p). Rogério Greco afirma que ocorrerá excesso intensivo quando o
autor “por consternação, medo ou susto excede a medida requerida para a defesa”.
Ele afirma, ainda, que o excesso extensivo ocorre quando o agente, inicialmente,
fazendo cessar a agressão injusta que era praticada contra sua pessoa, dá continuidade
ao ataque, quando este já não mais se fazia necessário. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de
Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010. 346/347 p)
A alternativa E está correta. Trata-se da aplicação do instituto da legítima defesa em
casos de aberra tio íctus (erro na execução). Tal hipótese pode ocorrer quando
determinado agente, almejando repelir agressão injusta, agindo com inamus
defendendo, acaba ferindo outra pessoa que não seu agressor, ou mesmo a ambos.
Nesse caso, embora tenha sido ferida ou morta outra pessoa que não seu agressor, o
resultado advindo da aberração do ataque (aberra tio íctus) estará também amparado
pela causa de justificação da legítima defesa, não podendo por ele responder
criminalmente. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora
Imputes, 2010. 350 p).
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Gabarito alternativa “B”

4. Julgue as seguintes assertivas e assinale a CORRETA:


a) A assertiva “Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou
mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se
iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um terço até
metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é
dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o
disposto no artigo anterior.”, refere-se ao texto contido no art.70 do Código Penal, e
trata da hipótese de concurso formal.
b) No que diz respeito à sucessão de leis penais no tempo, o Supremo Tribunal Federal
tem decidido reiteradamente no sentido de que, se tratando de crime permanente, a
lei posterior, se mais gravosa, não será aplicada à toda cadeia de infrações penais, e
sim a de menor gravidade, em consonância com o princípio da irretroatividade da lei
mais gravosa.
c) No caso de concurso de crimes, o juiz levará a efeito o cálculo da prescrição sobre o
total da pena aplicada, devendo-se conhecer, de antemão, as penas que por ele foram
fixadas a fim de que seja realizado o cômputo devido.
d) Da mesma forma que o concurso formal, no crime continuado, seja simples ou
qualificado, entende o Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o melhor critério
para a fixação do aumento de pena deve ser aquele que considera o número e espécie
de crimes praticados.
e) No que tange ao crime continuado, prevalece no âmbito jurisprudencial, inclusive,
no Supremo Tribunal Federal, a aplicação da teoria objetivo-subjetiva ou mista, a qual
afirma que, para configuração do crime continuado, não basta a presença dos
requisitos objetivos previstos no art.71, caput, do Código Penal. Reclama-se também a
unidade de desígnios, isto é, os vários crimes resultam de plano previamente
elaborado pelo agente.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 22 - Concurso de crimes. Concurso material, concurso
formal e crime continuado. Princípios e critérios de aplicação.
A alternativa A está incorreta. A redação do Art. 70 é diversa daquela constante no
enunciado do item A, vejamos: “Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão,
pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas
cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um
sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou
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omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos,
consoante o disposto no artigo anterior. O texto da questão encontra-se incorreto pois
dispõe de forma diversa sobre o aumento da pena: “mas aumentada, em qualquer
caso, de um terço até metade”.
A alternativa B está incorreta. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento firmado
sobre o assunto. Nesse sentido é o teor da Súmula 711 do STF: “A lei penal mais grave
aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à
cessação da continuidade ou da permanência.” De acordo com Cléber Madson, a lei
mais gravosa deve ser aplicada a toda a série delitiva, pois o agente que insistiu na
empreitada criminosa, depois da entrada em vigor da nova lei, tinha a opção de seguir
ou não seus mandamentos. Ressalta, ainda, o doutrinador, que se o crime continuado
é um único delito para fins de aplicação da pena, deve incidir a lei em vigor por ocasião
da sua conclusão. (MASSON, CLEBER. Direito Penal. Sol I. Parte Geral. Esquematizado.
10 ed. Editora Método, 2015., 487/488 p).
A alternativa C está incorreta. O art.119 do Código Penal dispõe: “Art.119. No caso de
concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá sobre a pena de cada um,
isoladamente”. Ou seja, o juiz não poderá realizar o cálculo da prescrição sobre o total
da pena aplicada no caso de concurso de crimes, deverá conhecer as penas aplicadas e
correspondentes a cada uma das infrações praticadas isoladamente. (GRECO,
ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Imputes, 2010. 582 p).
A alternativa D está incorreta. A questão refere-se à dosagem da pena no crime
continuado, prevalecendo o entendimento no sentido de que tanto no concurso
formal como no crime continuado, seja simples ou qualificado, o percentual de
aumento da pena varia de acordo com número de infrações penais praticadas, sendo
este o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal
Federal (Agrg no AREsp 398516/RN AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL 2013/0322932-0). A questão está incorreta porque se refere a número e
espécie de crime, sendo este último requisito irrelevante para a dosagem da pena na
hipótese tratada. (GRECO, ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora
Impetus, 2010. 346/347 p)
A alternativa E está CORRETA, portanto, é o gabarito da questão. De acordo com
Rogério Greco, a teoria objetiva-subjetiva é a mais coerente com o nosso sistema penal
que não quer que as penas sejam excessivamente altas, quando desnecessárias, mas
que também não tolera a reiteração criminosa. Ou seja, o criminoso de ocasião não
pode ser confundido com o criminoso contumaz. (STF - HC 109.730/RS) (GRECO,
ROGÉRIO. Curso de Direito Penal. Parte Geral. 12 ed. Editora Impetus, 2010. 576/577
p).

Gabarito alternativa “E”


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5. Julgue as seguintes assertivas e assinale a CORRETA:
a) São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, de titulares de cargos
eletivos, ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito,
salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.
b) São inelegíveis, para qualquer cargo, os que tenham contra sua pessoa
representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em
julgado, ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do
poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido
diplomados, bem como para as que se realizarem nos 5 (cinco) anos seguintes;
c) Para concorrência a outros cargos, Deputados Federais e Senadores devem renunciar
aos respectivos mandatos até 6 (seis) meses antes do pleito.
d) A simulação e o desfazimento de vínculo conjugal ou de união estável com o
objetivo de evitar caracterização de inelegibilidade, reconhecidos por órgão judicial
colegiado, em decisão transitada em julgado, configura inelegibilidade para qualquer
cargo.
e) São inelegíveis, para qualquer cargo os que forem condenados à suspensão dos
direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
colegiado, pela prática de qualquer ato de improbidade administrativa que importe
lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação ou o trânsito
em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 8 - Inelegibilidades. Condições de Elegibilidade.
Inelegibilidades. Uso Indevido, Desvio ou Abuso do Poder Econômico ou do Poder de
Autoridade, ou Utilização Indevida de Veículos ou Meios de Comunicação Social.
Ação de Impugnação de Mandato Eletivo. Recurso Contra a Expedição do Diploma.
Condutas Vedadas aos Agentes Públicos. Captação Ilícita de Sufrágio. Arrecadação e
Gastos de Recursos (Art. 30-A, da Lei nº 9.504/97).
A alternativa A está incorreta. A redação do § 7º, do art.14, CF/88, dispõe: “São
inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes
consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da
República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou
de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já
titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.” O erro está na expressão “ de
titulares de cargos eletivos” que generalizou a vedação constitucional. A
inelegibilidade por parentesco ocorre apenas em razão do exercício de cargos no
Poder Executivo.
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A alternativa B está incorreta. A redação do art.1, I, “d” LC 64/90, dispõe de forma
diversa, afirmando que são inlegíveis para qualquer cargo, “d) os que tenham contra
sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão
transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de
abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham
sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes; ” O
texto da questão refere-se ao prazo de 5 (cinco) anos seguintes.
A alternativa C está incorreta. Não há exigência legal para que deputados federais e
senadores renunciem aos respectivos mandatos a fim de concorrerem a qualquer
cargo eletivo. O art.14, §6º, CF/88 dispõe: § 6º Para concorrerem a outros cargos, o
Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os
Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
A alternativa D está CORRETA, portanto, é o gabarito da questão. A redação contida
na questão provém do art.1º, I, “n”, LC 64/90 que dispõe: “n) os que forem
condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial
colegiado, em razão de terem desfeito ou simulado desfazer vínculo conjugal ou de
união estável para evitar caracterização de inelegibilidade, pelo prazo de 8 (oito) anos
após a decisão que reconhecer a fraude;”
A alternativa E está incorreta. O art.1º, I, “l”, LC 64/90 dispõe: l) os que forem
condenados à suspensão dos direitos políticos, em decisão transitada em julgado ou
proferida por órgão judicial colegiado, por ato doloso de improbidade administrativa
que importe lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito, desde a condenação
ou o trânsito em julgado até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o
cumprimento da pena;” A questão refere-se à prática de qualquer ato de improbidade
administrativa, não diferenciando se ato doloso ou culposo.

Gabarito alternativa “D”

6. Nos termos da Lei nº 8.625/93, qual destes órgãos não integra a Administração
Superior do Ministério Público:
a) o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Institucional.
b) a Corregedoria-Geral do Ministério Público.
c) o Colégio de Procuradores de Justiça.
d) o Conselho Superior do Ministério Público.
e) a Procuradoria-Geral de Justiça.

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Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 2 - Legislação do Ministério Público
Aqui está uma questão recorrente nos concursos para Promotor de Justiça Substituto
do MPPR. O tema foi cobrado nas duas últimas provas preambulares (2013 e 2014).
Para respondê-la basta a leitura do artigo 5º da Lei nº 8.625/93: “São órgãos da
Administração Superior do Ministério Público: I - a Procuradoria-Geral de Justiça; II - o
Colégio de Procuradores de Justiça; III - o Conselho Superior do Ministério Público; IV -
a Corregedoria-Geral do Ministério Público.” O Centro de Estudos de Aperfeiçoamento
Funcional é órgão auxiliar do Ministério Público (art. 8º, III). Não é órgão de
administração nem de execução. Deve-se sublinhar que esse modelo federal é
reproduzido no âmbito da LC nº 85/99, que é a Lei Orgânica Estadual do MPPR. No
entanto, no Paraná, o Órgão Especial do Colégio de Procuradores de Justiça é tido
como órgão da Administração Superior do Ministério Público, o que não se repete no
modelo da Lei nº 8.625/93.
Assim:
A alternativa A está CORRETA e corresponde ao gabarito da questão.
A alternativa B está incorreta.
A alternativa C está incorreta.
A alternativa D está incorreta.
A alternativa E está incorreta.

Grupo 2
Direito Constitucional, Constituição do Estado do Paraná, Direito Administrativo,
Direito Tributário, Filosofia do Direito, Sociologia Jurídica e Direito Previdenciário.

7. Sobe controle de constitucionalidade, Julgue as seguintes assertivas e assinale a


CORRETA:
a) A inconstitucionalidade por reverberação normativa ocorre quando há entre duas
normas uma relação de dependência – uma principal e outra acessória – sendo que a
declaração de inconstitucionalidade da principal enseja a declaração de
inconstitucionalidade da acessória, ainda que o pedido tenha se limitado à norma
principal.
b) No controle de constitucionalidade judicial-preventivo, ainda que haja perda
superveniente da condição de parlamentar, o encerramento do mandado do
impetrante não ocasionará a extinção da ação mandamental tendo em vista tratar-se
de matéria de ordem pública, bem como porque à época da impetração do mandamus
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as condições da ação foram regularmente preenchidas.
c) Nos tribunais, o processo de controle de constitucionalidade difuso deverá observar
a chamada “cláusula de reserva de plenário”, prevista no art.97 da CF/88. O Supremo
Tribunal Federal, contudo, não se sujeita à referida cláusula, contudo, toda vez que
uma das turmas suscitar a inconstitucionalidade de uma norma, ocorrerá o envio da
“questão como um todo” para o plenário.
d) O Supremo Tribunal Federal recentemente manifestou-se em decisão proferida pela
Corte, pela impossibilidade de modulação temporal dos efeitos quando a norma,
objeto da análise, é pré-constitucional, não autorizando, por exemplo, a modulação
temporal de efeitos em um juízo de não recepção, sob pena de risco à segurança
jurídica ou ao interesse social.
e) O Supremo Tribunal Federal tem entendimento no sentido de não reconhecer a
fungibilidade entre a ADI e a ADPF, haja vista o princípio da subsidiariedade que se
aplica à ADPF, ou seja, se cabível a ação direta de inconstitucionalidade, não será
admissível a propositura da ação de descumprimento de preceito fundamental, tendo
em vista a existência de outro meio eficaz.

Comentários

Regulamento do MPPR. Ponto 5 - Controle de constitucionalidade: preventivo e


repressivo. Sistemas concentrado e difuso. Controle incidental. Ação direta de
inconstitucionalidade genérica e interventiva. Ação direta de inconstitucionalidade
por omissão. Ação declaratória de constitucionalidade. Arguição de descumprimento
de preceito fundamental. Controle de constitucionalidade em âmbito estadual e
municipal.
A alternativa A está CORRETA, portanto, é o gabarito da questão. A questão traz o
exato conceito de Inconstitucionalidade consequencial, ou por arrastamento, por
atração ou por reverberação normativa. A expressão “reverberação normativa” foi
empregada pelo Ministro Carlos Ayres de Britto em voto proferido na ADI 1923-DF,
noticiado no Informativo 622, STF, e utilizada posteriormente em diversos outros
julgados, como no MS 28.666-DF, relatado pela Ministra Cármen Lúcia e noticiado no
Informativo 643, STF (MASSON, NATHALIA. Manual de Direito Constitucional. 4ª ed.
Editora Juspodivm, 2016. 1131 p)
A alternativa B está incorreta. O controle judicial-repressivo é modalidade de controle
de constitucionalidade excepcional e somente autorizada a tutelar o direito que os
parlamentares possuem de apenas participarem de um processo legislativo que
respeite as normas constitucionais. Se houver inobservâncias das normas
constitucionais referentes ao processo legislativo, autoriza ao Judiciário de intervir
quando devidamente provocado, com o fim de preservar as normas emanadas da
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Constituição da República e a intangibilidade de suas cláusulas referentes ao trâmite
do processo legislativo. Para tanto, os parlamentares têm legitimidade e interesse de
agir, provocando o Judiciário através da impetração de Mandado de Segurança, para
argumentar o desrespeito ao devido processo legislativo. Desta forma, a perda
superveniente da condição de parlamentar do impetrante ocasiona a extinção da ação
mandamental em virtude da ausência superveniente de legitimidade ativa ad causam,
segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal.(MASSON, NATHALIA. Manual de
Direito Constitucional. 4ª ed. Editora Juspodivm, 2016. 1136/1137 p)
A alternativa C está incorreta. Ao contrário do que afirma a questão, o Supremo
Tribunal Federal (composto pelo Presidente e duas turmas, com cinco ministro cada)
se sujeita à cláusula de reserva de plenário. Porém, toda vez que uma das turmas
suscitar a inconstitucionalidade de uma norma, ocorrerá o envio da “questão como um
todo” para o plenário (da questão da constitucionalidade, isto é, do incidente, e
também do pedido principal).(MASSON, NATHALIA. Manual de Direito Constitucional.
4ª ed. Editora Juspodivm, 2016. 1136/1137 p)
A alternativa D está incorreta. No que se refere à possibilidade de modulação
temporal dos efeitos quando a norma objeto de análise é pré-constitucional, vale
recordar que o Supremo Tribunal Federal recentemente alterou seu posicionamento
ao autorizar a modulação temporal de efeitos em juízo de não recepção no RE
600.885-RS (fazer a leitura).
A alternativa E está incorreta. O Supremo Tribunal Federal reconhece a fungibilidade
entre ADI e ADPF. Destarte, se a ADPF for equivocadamente ajuizada (porque cabível
ADI), a Corte poderá determinar o aproveitamento do feito como ação direita de
inconstitucionalidade, desde que preenchidos os requisitos exigidos à propositura
desta como legitimidade ativa, objeto, fundamentação e pedido etc. (MASSON,
NATHALIA. Manual de Direito Constitucional. 4ª ed. Editora Juspodivm, 2016.
1204/1205 p) .

Gabarito alternativa “A”

8. Assinale a alternativa INCORRETA:


a) Nossa Federação não possui atualmente nenhum Território Federal, mas estes
podem ser criados, e, se surgirem, não possuirão autonomia, pois integrarão a
estrutura descentralizada da União, enquanto entidades autárquicas e seu regime
jurídico será definido por lei federal infraconstitucional.
b) A Constituição Federal estabelece, no art.18, §3º, que os Estados-membros podem
incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou
formarem novos Estados ou Territórios Federais, sendo necessária, para tanto, a
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aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito, aprovação do
Senado Federal, por meio da edição de uma lei complementar e a oitiva das
Assembleias Legislativas envolvidas.
c) Com relação aos Municípios, é correto afirmar que são quatro os requisitos
constitucionais exigíveis para que haja criação, incorporação, fusão e
desmembramento de municípios, quais sejam: (i) edição de lei complementar federal;
(ii) aprovação de lei ordinária federal; (iii) consulta prévia às populações dos Municípios
diretamente interessados, em plebiscito convocado pela Assembleia Legislativa e (iv)
aprovação de lei ordinária estadual;
d) Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; II – orçamento;
III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; VI -
florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos
naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; VII - proteção ao
patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
e) O Distrito Federal, que não se confunde com os Estados, tampouco com os
Municípios, possui as competências destes dois entes federados, já que a Constituição
da República o prestigiou com uma competência cumulativa, prevendo que ao ente
serão atribuídas as competências legislativas reservados aos Estados e Municípios e a
competência tributária dos Municípios.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 9 - A União, os Estados, o Distrito Federal, os
Territórios e os Municípios: Organização, competências, autonomia e limitações.
A alternativa A está correta. Atualmente não existem Territórios Federais e, ainda que
novos sejam criados, conforme possibilidade factível prevista no art.18, §3º, CF/88,
não serão entes federados, na forma do art.18,§2º, CF/88. Integrarão a União como
meras descentralizações administrativo-territoriais e não possuirão qualquer resquício
de autonomia política.(MASSON, NATHALIA. Manual de Direito Constitucional. 4ª ed.
Editora Juspodivm, 2016. 555 p)
A alternativa B está INCORRETA, portanto, é o gabarito da questão. A CF/88
estabelece, no art.18, §3º, que os Estados-membros podem incorporar-se entre si,
subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos
Estados ou Territórios Federais, sendo necessária, para tanto, a aprovação da
população diretamente interessada, através de plebiscito, aprovação do Congresso
Nacional, por meio da edição de uma lei complementar e a oitiva das Assembleias
Legislativas envolvidas. A redação constante da questão refere-se à “aprovação do
Senado Federal”, sendo este o equívoco da questão.
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A alternativa C está correta. Art.18,§4º CF/88. (i) edição de lei complementar federal,
fixando de maneira genérica o período em que poderá ocorrer a criação, a
incorporação, a fusão e desmembramento de Municípios; (ii) aprovação de lei
ordinária federal, prevendo genericamente os requisitos a serem respeitados, bem
como a divulgação, a apresentação e a publicação dos estudos de viabilidade
municipal; (iii) consulta prévia às populações dos Municípios diretamente interessados,
em plebiscito convocado pela Assembleia Legislativa. De acordo com o STF (ADI 2.994-
BA), a manifestação plebiscitária deverá ser conduzida pelo TRE e não pode ser
substituída por pesquisa de opinião, abaixo-assinados ou declarações de organizações
comunitárias e (iv) aprovação de lei ordinária estadual, regulamentando a criação, a
fusão ou o desmembramento do Município;(MASSON, NATHALIA. Manual de Direito
Constitucional. 4ª ed. Editora Juspodivm, 2016. 562 p)
A alternativa D está correta. Trata-se da redação do Art. 24 da CF/88, nos seguintes
termos: “Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar
concorrentemente sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e
urbanístico; II – orçamento; III - juntas comerciais; IV - custas dos serviços forenses; V -
produção e consumo; VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza,
defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da
poluição; VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e
paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens
e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX - educação,
cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; X
- criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI -
procedimentos em matéria processual; XII - previdência social, proteção e defesa da
saúde; XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social
das pessoas portadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; XVI -
organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.”
A alternativa E está correta. A redação constante da questão encontra-se prevista
expressamente no art.32,§1º, CF/88 e art.147, CF/88. Ressalte-se que nem todas as
atribuições legislativas estaduais são também distritais, afinal de acordo com art.22,
XVII, CF/88 algumas instituições no DF, como Poder Judiciário, Ministério Público,
policias civil e militar e o corpo de bombeiros militar, serão organizadas e mantidas
pela União, portanto,serão objeto de legislação federal. (MASSON, NATHALIA. Manual
de Direito Constitucional. 4ª ed. Editora Juspodivm, 2016. 592 p).

Gabarito alternativa “B”

9. Sobre processo legislativo, assinale a alternativa INCORRETA:


a) A Constituição Federal estabelece um rol amplo daqueles que detém iniciativa para
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o processo legislativo, atribuindo legitimidade para tanto, a qualquer membro ou
Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao
Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao
Procurador-Geral da República, ao Advogado Geral da União e aos cidadãos.
b) Segundo o Supremo Tribunal Federal, viola a inciativa privativa do Presidente da
República, o ato do Poder Legislativo que, por emenda parlamentar, incorpora no texto
do projeto de lei de conversão da medida provisória dispositivo normativo que institui
cargos, ainda que represente integralmente o conteúdo de projeto de lei apresentado
pelo Poder Executivo.
c) Em homenagem ao princípio da simetria, o dispositivo constitucional que indica as
matérias de iniciativa privada do Presidente da República é de repetição obrigatória
para os demais entes federados, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal
a respeito do tema.
d) As medidas provisórias serão editadas pelo Presidente da República, se houver
previsão expressa na Constituição do Estado, e desde que respeitada a simetria,
Governadores também poderão editar medidas provisórias, válidas na esfera estadual,
sendo este o entendimento doutrinário e jurisprudencial que vem prevalecendo.
e) As resoluções, espécies normativas primárias, editadas pelo Poder Legislativo,
veiculam matérias privativas das casas legislativas e do Congresso Nacional, e,
portanto, não há sanção ou veto pelo Presidente da República, bem como,
promulgação e publicação são realizadas pela própria Casa Legislativa que expediu o
ato.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 13 - Processo legislativo e espécies normativas.
Medida provisória: natureza, cabimento e efeitos.
A alternativa A está correta. Trata-se da redação contida no art.61, caput, CF/88,
vejamos: “Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer
membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso
Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais
Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos
previstos nesta Constituição.”
A alternativa B está INCORRETA, portanto, é o gabarito da questão. De acordo com o
entendimento do Supremo Tribunal Federal, NÃO viola a iniciativa privativa do
Presidente da República, o ato do Poder Legislativo que por emenda parlamentar,
incorpora no texto do projeto de lei de conversão de medida provisória dispositivo
normativo que institui cargos, desde que tal preceito represente integralmente
conteúdo de projeto de lei apresentado pelo Poder Executivo. De acordo com a
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decisão da Corte Suprema, na ADI 3942-DF (informativo 773/STF), não há violação ao
art.63,CF/88 que veda emendas parlamentares que ocasionem aumento de despesa
em projetos de iniciativa do Chefe do Executivo, pois a emenda parlamentar, no caso
concreto, apenas anexou ao projeto de lei de conversão, conteúdo que já constava de
outro projeto apresentado pelo Poder Executivo e que se encontrava em tramitação
no Poder Legislativo. Sendo assim, por se tratar a emenda parlamentar uma simples
reprodução de projeto de lei de iniciativa do Presidente da República, não foram a ela
aplicadas, em decorrência desta característica singular, as limitações do art.63, I,
CF/88. (MASSON, NATHALIA. Manual de Direito Constitucional. 4ª ed. Editora
Juspodivm, 2016. 805 p).
A alternativa C está correta. Os entes federados ao regulamentarem o processo
legislativo em sua Constituições Federais e Leis Orgânicas Municipais e Distrital, devem
observar rigorosamente a previsão contida na CF/88, reservando ao chefe do Poder
Executivo respectivo, a possibilidade de deflagrar o processo legislativo (ADI 822-RS,
STF). (MASSON, NATHALIA. Manual de Direito Constitucional. 4ª ed. Editora
Juspodivm, 2016. 562 p).
A alternativa D está correta. De acordo com ADI 425-TO, STF, Rel Min. Maurício
Corrêa (Informativo 280, STF). Fazer leitura.
A alternativa E está correta. Redação correta. Vale destacar, contudo, que com relação
à resolução editada pelo Senado Federal no uso de sua atribuição na forma do art.52,
X, CF/88, atuará após decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal pela
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo proferida no controle difuso de
constitucionalidade. (MASSON, NATHALIA. Manual de Direito Constitucional. 4ª ed.
Editora Juspodivm, 2016. 592 p).

Gabarito alternativa “B”

10. Acerca do tema relativo aos agentes públicos, assinale a alternativa INCORRETA:
a) os cargos em comissão, criados por lei, destinam-se somente às atribuições de
direção, chefia e assessoramento.
b) a chamada “ascensão funcional” constitui forma de provimento derivado
incompatível com a Constituição Federal.
c) a administração pública pode contratar pessoal, sem concurso público, para atender
à necessidade temporária de excepcional interesse público.
d) os particulares em colaboração episódica com a administração pública, a exemplo
dos jurados e dos mesários no dia das eleições, não são considerados agentes públicos.

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e) é vedado ao Município que houver excedido 95% do seu limite com despesa de
pessoal prover cargo público, admitir ou contratar pessoal a qualquer título, à exceção
da reposição decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de
educação, saúde e segurança.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 12 - Direito Administrativo.
A alternativa A está correta. A assertiva reproduz o texto do artigo 37, V, da
Constituição Federal: “as funções de confiança, exercidas exclusivamente por
servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos
por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em
lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.” Essas são
as balizas que a Constituição Federal fixou para a criação dos cargos em comissão e das
funções de confiança: atribuições de direção, chefia e assessoramento. Fora de tais
critérios, temos ofensa direta à Constituição. A propósito: “Violação ao art. 37, II e V,
da Constituição. Os cargos em comissão criados pela Lei 1.939/1998 do Estado de
Mato Grosso do Sul possuem atribuições meramente técnicas e que, portanto, não
possuem o caráter de assessoramento, chefia ou direção exigido para tais cargos, nos
termos do art. 37, V, da CF. Ação julgada procedente.” (ADI 3.706/MS)
A alternativa B está correta. A ascensão funcional ou interna significa movimentação
de cargo de uma carreira para outra (exemplo: lei estadual permite ao agente da
polícia civil ascender, após 10(dez) anos de carreira, ao cargo de delegado). É uma
forma de provimento derivado incompatível com a regra constitucional do art. 37, II,
da CF, pois permite o provimento de cargos sem a submissão prévia do interessado ao
concurso público. “Estão, pois, banidas das formas de investidura admitidas pela
Constituição a ascensão e a transferência, que são formas de ingresso em carreira
diversa daquela para a qual o servidor público ingressou por concurso, e que não são,
por isso mesmo, ínsitas ao sistema de provimento em carreira, ao contrário do que
sucede com a promoção, sem a qual obviamente não haverá carreira, mas, sim, uma
sucessão ascendente de cargos isolados.” (STF, ADI 231). Conferir, ainda, a Súmula 685
do STF: “É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie servidor
investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado a seu provimento,
em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido”.
A alternativa C está correta. A assertiva reproduz o texto do artigo 37, IX, da
Constituição Federal: “a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse
público”. Lembrar que as duas exceções à regra do concurso público são para os cargos
em comissão referidos no inciso II do art. 37 e a contratação de pessoal por tempo
determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.
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A alternativa D está INCORRETA. Portanto, é ela o gabarito da questão. Os
particulares em colaboração com o Estado estão incluídos sim na categoria dos
“agentes públicos”. Em verdade, são pessoas alheias ao aparelho estatal que prestam
serviço à administração, porém sem vínculo empregatício ou estatutário. Na visão de
Gasparini (2008, p. 166), os particulares colaboradores são os agentes que “prestam
serviços a Administração Pública por vontade própria, por compulsão, ou com a sua
concordância”. A larga maioria dos autores do direito administrativo incluem os
“particulares em colaboração com o Poder Público” como espécie de agentes públicos,
ao lado dos agentes políticos, servidores públicos e empregados públicos.
A alternativa E está correta. A alternativa reproduz o texto do artigo 22, parágrafo
único, IV, da Lei de Responsabilidade Fiscal: “Se a despesa total com pessoal exceder a
95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao Poder ou órgão referido no
art. 20 que houver incorrido no excesso: (...) IV - provimento de cargo público,
admissão ou contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição
decorrente de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação,
saúde e segurança.” Note que a lei não impede que o Poder ou órgão que houver
incorrido no excesso realize concurso público visando ao provimento futuro de cargos
públicos. O impedimento legal é para o provimento do cargo, que significa “o ato
administrativo por meio do qual é preenchido o cargo público, com a designação do
seu titular” (Marcelo Alexandrino e Vicente Paulo, Direito Administrativo
Descomplicado, 18. ed., p. 341).

Gabarito alternativa “D”

Grupo 3
Direito Civil e Terceiro Setor, Direito Comercial e Direito Processual Civil.

11. Quanto à prescrição e decadência do Código Civil, são verdadeiras as alternativas


abaixo, EXCETO:
a) Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela
prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206 do Código Civil.
b) A exceção prescreve no mesmo prazo em que a pretensão.
c) A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor.
d) Os prazos de prescrição podem ser alterados por acordo das partes.

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e) Os relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus
assistentes ou representantes legais, que derem causa à prescrição, ou não a alegarem
oportunamente.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 8 - Decadência. Prescrição. Causas que impedem,
suspendem e interrompem a prescrição. Prazos.
A alternativa A está correta. Art. 189, caput do CC.
A alternativa B está correta. Art. 190 do CC.
A alternativa C está correta. Art. 196 do CC.
A alternativa D está INCORRETA é o gabarito da questão. O artigo 192 obsta a
alteração dos prazos de prescrição por acordo das partes.
A alternativa E está correta. Art. 195.

Gabarito alternativa “D”

12. Sobre os bens móveis, assinale a opção INCORRETA:


a) São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força
alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
b) Consideram-se móveis para os efeitos legais, dentre outros, as energias que tenham
valor econômico.
c) Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados,
conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da
demolição de algum prédio.
d) Os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes são bens móveis
para os efeitos legais.
e) Considera-se bem móvel para os efeitos legais o direito à sucessão aberta.

Comentários

Regulamento do MPPR. Ponto 4 - Bens. Classificação geral dos bens. Bem de família.
A alternativa A está correta. Art. 82do CC.
A alternativa B está correta Art. 83,I do CC.
A alternativa C está correta. Art. 84 do CC.
A alternativa D está correta. Art. 83, II do CC.
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A alternativa E está INCORRETA é o gabarito. Art. 80 do CC. O direito à sucessão
aberta considera-se bem imóvel para os efeitos legais.

Gabarito alternativa “E”

13. Sobre as obrigações solidárias, mais precisamente quanto à solidariedade ativa,


assinale a alternativa INCORRETA:
a) O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais, mas o
julgamento favorável aproveita-lhes, sem prejuízo de exceção pessoal que o devedor
tenha direito de invocar em relação a qualquer deles.
b) A um dos credores solidários pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis
as outros.
c) Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a
solidariedade.
d) Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da
prestação por inteiro.
e) O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento não responderá aos
outros pela parte que lhes caiba.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 10 - Conceito de obrigações. Classificação das
obrigações. Obrigações em relação ao seu vínculo (obrigação civil, moral e natural).
Obrigações quanto ao seu objeto (dar, fazer e não fazer). Obrigações em relação à
pluralidade de sujeitos (obrigação divisível e indivisível e obrigação solidária).
Obrigações quanto ao seu conteúdo (obrigação de meio, resultado e garantia).
A solidariedade ativa ocorre quando em uma obrigação houver dois ou mais credores,
sendo possível a qualquer deles exigir a dívida toda.
A alternativa A está correta.. Art. 274 do Código Civil. O Artigo 1.068 do CPC-2015
alterou o artigo 274. A redação do artigo foi aperfeiçoada.
Boa parte da doutrina tecia críticas ao artigo 274 do Código Civil em sua redação
original. Argumentava-se que o dispositivo era contraditório e abria margem para
interpretação equivocada, pois dava a entender ser possível o julgamento em favor do
autor da ação fundado em exceção de caráter pessoal.
Sobre o tema vale a leitura de artigo do Professor Fredie Didier Jr., intitulado: "CPC-
2015, COISA JULGADA, OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS E A NOVA REDAÇÃO DO ART. 274 do
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CÓDIGO CIVIL". Disponível para consulta em: Revista de Doutrina e Jurisprudência:
RDJ, Brasília, v. 106, n.2,2015.
No artigo citado, o doutrinador traz um resumo bastante didático sobre o dispositivo e
suas reflexões sobre a coisa julgada e aponta:
"O que se pretende afirmar no Código Civil é, em suma, o seguinte:
a. se um dos credores solidários vai a juízo e perde, qualquer que seja o motivo
(acolhimento de exceção comum ou pessoal), essa decisão não tem eficácia em relação
aos demais credores;
b. se um dos credores vai a juízo e perde, a coisa julgada lhe pode ser oposta por
qualquer dos devedores, a menos que a improcedência do pedido se baseie em
fundamento que respeite apenas àquele devedor que fora demandado;
c. se o credor vai a juízo e ganha, essa decisão beneficiará os demais credores, salvo se
o(s) devedor(es) tiver(em) exceção(ões) pessoal(is) que possa(m) ser oposta(s) a outro
credor não participante do processo, pois, em relação àquele que promoveu a
demanda, o(s) devedor(es) nada mais pode(m) opor (art. 506 do CPC);
d. se o credor vai a juízo e ganha, essa coisa julgada favorável não se estende aos
demais devedores solidários que não tenham sido demandados".
A alternativa B está INCORRETA e corresponde ao gabarito. "Art. 273. A um dos
credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos
outros".
A alternativa C está correta. "Art. 271. "Convertendo-se a prestação em perdas e
danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade".
A alternativa D está correta. "Art. 267 Cada um dos credores solidários tem direito a
exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro."
A alternativa E está correta. "Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido
o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba".

Gabarito alternativa “B”

14. Conforme reza a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos), são registrados no
Registro Civil das Pessoas Naturais, EXCETO:
a) os nascimentos.
b) os casamentos.
c) as alterações ou abreviaturas de nomes.
d) as emancipações.
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e) as sentenças declaratórias de ausência.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 9 - Registros Públicos. Finalidade. Presunção de fé
pública. Prioridade. Especialidade. Legalidade. Continuidade. Registros facultativos e
obrigatórios. Registro Civil das Pessoas Naturais. Registro Civil das Pessoas Jurídicas.
Registro de títulos e documentos. Registro de imóveis. Transcrição, inscrição,
averbação e registro. Procedimento de dúvida. Registro tardio. Retificação, anulação,
suprimento e restauração do registro civil.
A alternativa A está correta. Art. 29, I da Lei 6.015/73.
A alternativa B está correta. Art. 29, I da Lei 6.015/73.
A alternativa C está INCORRETA. Art. 29, § 1º, f da Lei 6.015/73. As alterações ou
abreviaturas de nomes serão averbadas.
A alternativa D está correta. Art. 29, IV da Lei 6.015/73.
A alternativa E está correta. Art. 29, VI da Lei 6.015/73.
O artigo 29 da Lei de Registros Públicos traz um rol dos casos em que é obrigatório o
registro e outro (art. 29, § 1º) rol dos casos em que é obrigatória a averbação.
"Art. 29. Serão registrados no registro civil de pessoas naturais:
I - os nascimentos;
II - os casamentos;
III - os óbitos;
IV - as emancipações;
V - as interdições;
VI - as sentenças declaratórias de ausência.
VII - as opções de nacionalidade;
VIII - as sentenças que deferirem a legitimação adotiva."
"§ 1º. Serão averbados:
a) as sentenças que decidirem a nulidade ou anulação do casamento, o desquite e o
restabelecimento da sociedade conjugal;
b) as sentenças que julgarem ilegítimos os filhos concebidos na constância do
casamento e as que declararem a filiação legítima;
c) os casamentos de que resultar a legitimação de filhos havidos ou concebidos
anteriormente;
d) os atos judiciais ou extrajudiciais de reconhecimento de filhos ilegítimos;
e) as escrituras de adoção e os atos que a dissolverem;
f) as alterações ou abreviaturas de nomes."

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Gabarito alternativa “C”

15. Quanto ao Direito de Empresa assinale a alternativa INCORRETA:


a) Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços.
b) Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza
científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores,
salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa.
c) É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis
da respectiva sede, antes do início de sua atividade.
d) O empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de
outro Registro Público de Empresas Mercantis, estará dispensado de inscrevê-la.
e) A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário
rural e ao pequeno empresário, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 1 - Empresário.
A alternativa A está correta. Art. 966, caput do Código Civil.
A alternativa B está correta. Art. 966, parágrafo único do Código Civil.
A alternativa C está correta. Art. 967 do Código Civil.
A alternativa D está INCORRETA é o gabarito. Art. 969 do Código Civil. "Art. 969. O
empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de
outro Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também inscrevê-la, com a
prova da inscrição originária."
A alternativa E está correta. Art. 970 do Código Civil.

Gabarito alternativa “D”

16. Quanto à petição inicial no Novo Código de Processo assinale a alternativa


INCORRETA:
a) A petição inicial deverá indicar os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência
de união estável, a profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou
no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a
residência do autor e do réu.
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b) O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e
320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de
mérito, determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a
complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido ou completado.
c) Na petição inicial o autor deverá indicar sua opção pela realização ou não de
audiência de conciliação ou de mediação.
d) Não há necessidade de que petição inicial seja instruída com os documentos
indispensáveis à propositura da ação, podendo o autor requerer a juntada a qualquer
tempo.
e) Na petição inicial cabe ao autor indicar as provas com que pretende demonstrar a
verdade dos fatos alegados.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 7 - Processo de Conhecimento e Cumprimento de
Sentença. Procedimento Comum. Procedimentos Especiais de Jurisdição
Contenciosa. Procedimentos de Jurisdição Voluntária. Formação. Suspensão.
Extinção do Processo. Petição Inicial. Requisitos. Emenda. Indeferimento.
Improcedência Liminar do Pedido. Recursos. Retratação. Audiência de Conciliação ou
de Mediação.
A alternativa A está correta. Art. 319, II do NCPC.
A alternativa B está correta. Art. 321 do NCPC.
A alternativa C está correta. Art. 319, VII do NCPC
A alternativa D está INCORRETA é o gabarito. Art. 320. Conforme disposição expressa
do art. 320 do Novo CPC "A petição inicial será instruída com os documentos
indispensáveis à propositura da ação".
A alternativa E está correta Art. 319, VI do NCPC.

Gabarito alternativa “D”

17. Com o Novo Código de Processo Civil houve efetiva racionalização da atuação do
Ministério Público no processo civil. Dentre as alternativas abaixo assinale a
INCORRETA:
a) De acordo com o novo Código de Processo Civil cabe ao Ministério Público exercer a
função de curador especial.
b) As manifestações ministeriais na condição de fiscal da ordem jurídica devem ser
feitas no prazo de 30(trinta) dias.

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c) Nos casos de conflito de competência o Ministério Público somente intervirá se
participar do processo.
d) Nas ações rescisórias o Ministério Público atuará como parte ou como fiscal da
ordem jurídica quando o processo envolver interesse público ou social, interesse de
incapaz ou litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.
e) Quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o Ministério
Público, não se aplica o benefício do prazo em dobro.

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Regulamento do MPPR. Ponto 4 - Sujeitos do Processo. Partes. Capacidade
Processual. Deveres Processuais. Responsabilidade. Sucessão e Substituição.
Procuradores. Litisconsórcio. Modalidades. Poderes. Limitação. Intervenção de
Terceiros. Espécies. Características. Incidente de Desconsideração da Personalidade
Jurídica. Amicus Curiae. Juiz. Poderes. Deveres. Responsabilidades. Impedimento.
Suspeição. Auxiliares da Justiça. Ministério Público. Advocacia Pública. Defensoria
Pública.
A alternativa A está INCORRETA e é o gabarito. Art. 72, parágrafo único do CPC.
Dispõe expressamente que cabe à Defensoria Pública exercer a curatela especial.
A alternativa B está correta. Art. 178, caput.
A alternativa C está correta.Art. 65, parag. único. Nos conflitos de competência, o
Ministério Público somente será ouvido nos processos em que sua intervenção é
obrigatória - fiscal da ordem jurídica (artigo 178) ou quando for parte naqueles em que
suscitar (artigo 951, parágrafo único).
A alternativa D está correta.Art. 178 c/c art. 967, parag. único. O Ministério Público
permanece com legitimidade para propor a ação rescisória nas hipóteses do artigo
967, III, a, b e c, e nas hipóteses do artigo 178 do CPC deverá ser ouvido como fiscal da
ordem jurídica quando não for parte.
A alternativa E está correta.. Artigo 180, § 2º. O Ministério Público somente gozará de
prazo em dobro para manifestações quando não houver previsão expressa de prazo
(prazo próprio).

Gabarito alternativa “A”

18. Quanto às alternativas a seguir assinale a CORRETA:


a) A citação, ato pelo qual são convocados o réu ou o executado para integrar a
relação processual, é sempre indispensável, ainda que se trate de hipótese de
indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido.
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b) Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão
todos os dias.
c) Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição é lícito às partes
plenamente capazes estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às
especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus, poderes, faculdades e
deveres processuais antes ou durante o processo.
d) A participação da Fazenda Pública é motivo apto a obrigar a intervenção do
Ministério Público no processo.
e) Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia
distintos, em autos de processos físicos ou eletrônicos, terão prazos contados em
dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal,
independentemente de requerimento.

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Regulamento do MPPR. Ponto 1 - Direito Material e Direito Processual. Processo e
Constituição. Normas Fundamentais do Direito Processual Civil. Acesso à Justiça.
Lesão. Ameaça. Instrumentalidade. Efetividade. Razoabilidade. Meios Alternativos
de Solução de Conflitos. Aplicação das Normas Processuais. Ponto 5 - Atos
Processuais. Conceito. Classificação. Forma. Prática Eletrônica. Atos das Partes.
Negócios Jurídicos Processuais. Pronunciamentos do Juiz. Tempo e Lugar dos Atos
Processuais. Prazos. Comunicação. Nulidades.
A alternativa A está incorreta: Art. 239. A citação é indispensável, salvo os casos de
improcedência liminar do pedido e de indeferimento da petição inicial.
A alternativa B está incorreta. Art. 219. Pelo dispositivo na contagem dos prazos em
dias, computar-se-ão somente os dias ÚTEIS.
A alternativa C está CORRETA e corresponde ao gabarito. Artigo 190 do NCPC.
A alternativa D está incorreta. Artigo 178, parágrafo único do NCPC.
A alternativa E está incorreta Art. 229, parágrafo único. A regra do prazo em dobro
para litisconsortes com procuradores de escritórios diversos NÃO se aplica quando os
autos forem eletrônicos.

Gabarito alternativa “C”

19. O sistema da gratuidade da justiça foi bastante reformulado pelo Novo Código de
Processo Civil. Quanto ao tema, assinale a opção INCORRETA:

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a) A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos
para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito
à gratuidade da justiça, na forma da lei.
b) A gratuidade da justiça compreende os emolumentos devidos a notários ou
registradores em decorrência da prática de registro, averbação ou qualquer outro ato
notarial necessário à efetivação de decisão judicial ou à continuidade de processo
judicial no qual o benefício tenha sido concedido.
c) A concessão de gratuidade afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas
processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência.
d) O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na
contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
e) Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua
revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na
sentença, contra a qual caberá apelação.

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Regulamento do MPPR. Ponto 4 - Sujeitos do Processo. Partes. Capacidade
Processual. Deveres Processuais. Responsabilidade. Sucessão e Substituição.
Procuradores. Litisconsórcio. Modalidades. Poderes. Limitação. Intervenção de
Terceiros. Espécies. Características. Incidente de Desconsideração da Personalidade
Jurídica. Amicus Curiae. Juiz. Poderes. Deveres. Responsabilidades. Impedimento.
Suspeição. Auxiliares da Justiça. Ministério Público. Advocacia Pública. Defensoria
Pública.
A alternativa A está correta. O tema da gratuidade da justiça foi tratado pelo NCPC
nos art. 98 e ss. Vários artigos da Lei 1.060/50 foram revogados (art. 1.072, III).
O NCPC dissipou divergência doutrinária e jurisprudencial quanto aos beneficiários.
Por muito tempo, discutiu-se, inclusive no âmbito do STJ, sobre a possibilidade da
pessoa jurídica ser beneficiária. O novo CPC de forma expressa indicou que "A pessoa
natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar
as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios tem direito à
gratuidade da justiça, na forma da lei".
Como requisito impôs o legislador a demonstração de insuficiência de recursos para
pagar as custas, as despesas processuais e os honorários.
Porém, cabe ressaltar que quando a declaração de insuficiência for firmada pela
pessoa natural há presunção de veracidade. Art. 99, § 3º do NCPC.
A alternativa B está correta. “Art. 98, § 1oA gratuidade da justiça compreende:

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(…) IX - os emolumentos devidos a notários ou registradores em decorrência da prática
de registro, averbação ou qualquer outro ato notarial necessário à efetivação de
decisão judicial ou à continuidade de processo judicial no qual o benefício tenha sido
concedido.
Neste caso, há grande inovação porque o NCPC traz hipótese de gratuidade para fora
do âmbito da justiça.
Ainda sobre o tema, o novel CPC traz a possibilidade de o tabelião, após registrar,
suscitar dúvida quanto a atual situação de insuficiência de recursos da parte.
Art. 98, §8o Na hipótese do § 1o, inciso IX, havendo dúvida fundada quanto ao
preenchimento atual dos pressupostos para a concessão de gratuidade (insuficiência
de recursos)***, o notário ou registrador, após praticar o ato, pode requerer, ao juízo
competente para decidir questões notariais ou registrais a revogação total ou parcial
do benefício ou a sua substituição pelo parcelamento de que trata o § 6o deste artigo,
caso em que o beneficiário será citado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se sobre
esse requerimento. (Acrescido de grifos).
A alternativa C está INCORRETA e é o gabarito. Conforme o art. 98, § 2o A concessão
de gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas
processuais e pelos honorários advocatícios decorrentes de sua sucumbência.
Art. 99, § 3o . Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência
ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se,
nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o
credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que
justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais
obrigações do beneficiário.
A alternativa D está correta.. O pedido é feito por petição simples. Tanto na fase inicial
quanto no curso do processo. O pedido é feito nos próprios autos e não suspende o
processo. Artigo 99, caput e § 1º.
A alternativa E está correta.. O sistema recursal relativo à gratuidade da justiça foi
tratado no Art. 101.
"Art. 101. Contra a decisão que indeferir a gratuidade ou a que acolher pedido de sua
revogação caberá agravo de instrumento, exceto quando a questão for resolvida na
sentença, contra a qual caberá apelação."
Decisão que INDEFERIR ou REVOGAR a Gratuidade: caberá AGRAVO DE
INSTRUMENTO.
Neste caso, peculiarmente, o agravo tem efeito suspensivo automático, porque a parte
não precisa pagar as custas (objeto) para recorrer.
"Art. 101, § 1o O recorrente estará dispensado do recolhimento de custas até decisão
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do relator sobre a questão, preliminarmente ao julgamento do recurso."

Importante: A gratuidade da justiça NÃO afasta o dever de pagar as MULTAS


processuais. Art. 98, § 4º.

Gabarito alternativa “C”

20. No Capítulo I, do Livro I do novo Código de Processo Civil, o legislador preocupou-


se em dispor sobre as normas fundamentais relativas ao processo civil. Sobre o tema
são verdadeiras as seguintes alternativas, EXCETO:
a) As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito,
incluída a atividade satisfativa.
b) Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo
com a boa-fé.
c) Cabe tão somente ao autor cooperar para que se obtenha, em tempo razoável,
decisão de mérito justa e efetiva.
d) É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e
faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de
sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
e) Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do
bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e
observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a
eficiência.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 1 - Direito Material e Direito Processual. Processo e
Constituição. Normas Fundamentais do Direito Processual Civil. Acesso à Justiça.
Lesão. Ameaça. Instrumentalidade. Efetividade. Razoabilidade. Meios Alternativos
de Solução de Conflitos. Aplicação das Normas Processuais.
A alternativa A está correta. Art. 4º. O novo CPC elenca entre as normas fundamentais
o princípio da primazia da decisão de mérito. As partes têm o direito de obter no
processo uma sentença de mérito. O juiz deve buscar sempre resolver o conflito e dar
uma decisão de mérito.
A alternativa B está correta. Art. 5º do novo CPC.

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A alternativa C está INCORRETA e é o gabarito da questão. Art. 6º. Todos os que
participam do processo devem atuar em cooperação para um processo findo em
tempo razoável, e no qual se obtenha uma decisão justa e efetiva. Princípio da
cooperação aplica-se a todos os sujeitos do processo.
A alternativa D está correta. Art. 7º. Igualdade entre as partes.
Art. 7º (primeira parte). Consagra a igualdade processual.
"Art. 7o É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de
direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à
aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório."
Concretizações da cláusula da igualdade das partes: imparcialidade do juiz, igualdade
no acesso à jurisdição, redução das barreiras ao acesso à justiça, regras da gratuidade
da justiça, redução das dificuldades geográficas, de dificuldades de comunicação -
acesso para os deficientes por meio de libras e humanização do tratamento às pessoas
com deficiência (linguagem de sinais, humanização da interdição que foi totalmente
reformulada pela Lei 13.146/15-Estatuto da Pessoa com Deficiência), paridade de
informações, tramitação prioritária.
O artigo 1.048 também consagra a igualdade, vez que visa dar prioridade àqueles
sujeitos processuais que estejam em situação mais desvantajosa em razão da idade
avançada, doença, etc.
"Art. 1.048. Terão prioridade de tramitação, em qualquer juízo ou tribunal, os
procedimentos judiciais:
I - em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60
(sessenta) anos ou portadora de doença grave, assim compreendida qualquer das
enumeradas no art. 6o, inciso XIV, da Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988;
II - regulados pela Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente).
1o A pessoa interessada na obtenção do benefício, juntando prova de sua condição,
deverá requerê-lo à autoridade judiciária competente para decidir o feito, que
determinará ao cartório do juízo as providências a serem cumpridas.
§ 2o Deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria que evidencie o
regime de tramitação prioritária.
§ 3o Concedida a prioridade, essa não cessará com a morte do beneficiado,
estendendo-se em favor do cônjuge supérstite ou do companheiro em união estável.
§ 4o A tramitação prioritária independe de deferimento pelo órgão jurisdicional e
deverá ser imediatamente concedida diante da prova da condição de beneficiário.”
- Comprovada a situação a que se refere o artigo 1.048, cabe ao juiz determinar a
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tramitação prioritária, não há discricionariedade.
A alternativa E está correta Art. 8º. Conforme a redação do artigo 8º do NCPC, o juiz
ao aplicar o ORDENAMENTO JURÍDICO, ou seja, mais amplo, (Não somente a lei, mas
todas as normas), atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum,
resguardando e promovendo a dignidade humana e observando a proporcionalidade,
a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.

Gabarito alternativa “C”

Grupo 4
Direito Processual Penal, Execução Penal, Direito do Consumidor, Direito Sanitário e
Saúde do Trabalhador.

21. Acerca do rito estabelecido pela Lei nº 9.099/95, assinale a alternativa


INCORRETA:
a) O sursis processual e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos
sujeitos ao rito da Lei nº 11.340/2006.
b) O Juizado Especial Criminal tem competência para o julgamento das infrações
penais de menor potencial ofensivo, nelas compreendidas as contravenções penais e
os crimes com a pena máxima de 2(dois) anos, ainda que a lei preveja para elas
procedimento especial.
c) A composição civil dos danos, quando realizada e homologada pelo juiz, acarreta a
renúncia ao direito de queixa ou representação, extinguindo a punibilidade do agente
nestes casos.
d) Descumprida as cláusulas da transação penal, notadamente quanto à aplicação
imediata da pena restritiva de direitos, cabe ao Ministério Público prosseguir na
persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de inquérito
policial.
e) À luz da jurisprudência do STJ, além das condições legais previstas no artigo 89, §1º,
da Lei nº 9.099/95, o juiz pode estabelecer condições outras para que o acusado possa
vir a ser beneficiado com o sursis processual, desde que estas condições judiciais não
se assemelhem, na prática, com as sanções penais.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 24 - Direito Processual Penal.
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Questão referente ao item 24 do grupo 4, matéria Direito Processual Penal, do
programa do concurso.
A alternativa A está correta. Enunciado da Súmula nº 536 do STJ: “ A suspensão
condicional do processo e a transação penal não se aplicam na hipótese de delitos
sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha.”
A alternativa B está correta. Artigos 60 e 61 da Lei nº 9.099/95. A redação originária
do artigo 61 da Lei nº 9.099/95 excluía da competência do JECRIM o julgamento das
infrações penais de menor potencial ofensivo sujeitas a procedimento especial
(exemplo: art. 3º da Lei nº 4.898/65). No entanto, com a Lei nº 10.259 houve a
derrogação tácita do artigo 61 da Lei nº 9.099/95, e, com isso, a “derrubada” da
ressalva anterior presente na redação originária: “se a nova lei que não fez qualquer
ressalva acerca dos crimes submetidos a procedimentos especiais, todas as infrações
cuja pena máxima não exceda a dois anos, inclusive as de rito especial, passaram a
integrar o rol dos delitos de menor potencial ofensivo, cuja competência é dos
Juizados Especiais.” (STJ, HC 32.924/SP)
A alternativa C está correta. Artigo 74, parágrafo único, da Lei nº 9.099/95.
A alternativa D está correta. Enunciado da Súmula Vinculante nº 35 do STF: “A
homologação da transação penal não faz coisa julgada material e, descumpridas suas
cláusulas, retoma-se a situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a
continuidade da persecução penal mediante o oferecimento da denúncia.”
A alternativa E está INCORRETA e é o gabarito. Ver o REsp. 1.498.034-RS, julgado em
Recurso Repetitivo: “Não há óbice a que se estabeleçam, no prudente uso da
faculdade judicial disposta no art. 89, § 2º, da Lei n. 9.099/1995, obrigações
equivalentes, do ponto de vista prático, a sanções penais (tais como a prestação de
serviços comunitários ou a prestação pecuniária), mas que, para os fins
do sursis processual, se apresentam tão somente como condições para sua incidência.”

Gabarito alternativa “E”

22. Sobre o tema da competência, assinale a alternativa CORRETA:


a) O número excessivo de acusados é causa obrigatória que impõe ao juiz a separação
dos processos conexos.
b) O desaforamento constitui causa modificativa da competência do Tribunal do Júri e
apenas deve ser deferido ante o juízo de certeza quanto à perda da imparcialidade dos
jurados.

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c) A competência do Tribunal do Júri é restrita aos crimes dolosos contra a vida, logo,
os crimes conexos ao homicídio são julgados pelo juiz singular, afastando-se da
competência especial do Júri.
d) Policial Militar que comete homicídio doloso contra civil é julgado pelo Justiça
Comum.
e) Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar os Governadores de
Estado nos crimes comuns e de responsabilidade.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 6 - Direito Processual Penal.
Questão referente ao item 6 do grupo 4, matéria Direito Processual Penal, do
programa do concurso.
A alternativa A está incorreta.. Art. 80 do Código de Processo Penal. Este dispositivo
estabelece as hipóteses de separação facultativa dos processos conexos, ao passo que
o artigo 79 cuida da separação obrigatória. O número excessivo de acusados é uma
causa facultativa com base na qual o juiz pode determinar a cisão dos processos
conexos.
A alternativa B está incorreta. Art. 427, caput, do CPP. O dispositivo fala em “dúvida”
sobre a imparcialidade do júri como causa de pedir do desaforamento, e não em
“certeza”. Entende-se, assim, que o legislador se contenta com um juízo de dúvida,
não sendo necessária a certeza da parcialidade. Na doutrina: BADARÓ, Processo Penal,
4. ed., p. 678.
A alternativa C está incorreta. Art. 78, I, do CPP. Havendo conexão ou continência
entre crime doloso contra vida e infração penal de natureza diversa, o Tribunal do Júri
julgará ambas, impondo a sua competência constitucional sobre a do juiz singular.
A alternativa D está CORRETA e corresponde ao gabarito. Art. 9º do Código Penal
Militar.
A alternativa E está incorreta. Art. 105, I, a, da CF. O dispositivo não prevê o foro
especial aos Governadores por crime de responsabilidade.

Gabarito alternativa “D”

23. Acerca do tema relativo à colaboração premiada, assinale a alternativa CORRETA:


a) a Lei nº 12.850/2013 impede que o réu sujeito a prisão cautelar celebre acordo de
colaboração premiada com o órgão do Ministério Público ou com a autoridade policial.
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b) ao colaborador é assegurado o privilégio contra a autoincriminação ao longo dos
depoimentos que prestar ao membro do Ministério Público ou ao delegado de polícia
responsáveis pela investigação.
c) o Ministério Público poderá deixar de oferecer denúncia aquele que, não sendo o
líder da organização criminosa, for o primeiro a prestar colaboração efetiva e
voluntária à investigação ou ao processo criminal.
d) ninguém pode ser condenado com base em provas obtidas a partir das declarações
do agente colaborador.
e) o juiz interferirá nas negociações antecedentes à celebração do acordo de
colaboração premiada, inclusive sugerindo benefícios e indicando as provas
interessantes à investigação.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 23 - Direito Processual Penal.
Questão referente ao item 23 do grupo 4, matéria Direito Processual Penal, do
programa do concurso.
A alternativa A está incorreta. A Lei das Organizações Criminosas não traz qualquer
óbice a que pessoas presas possam colaborar com o MP ou com a Polícia Judiciária. O
que se exige é a voluntariedade da colaboração, que quer dizer “ato produzido por
vontade livre e consciente do sujeito, ainda que sugerido por terceiros, mas sem
qualquer espécie de coação física ou psicológica” (DAMÁSIO DE JESUS, in
http://www.editorajc.com.br/2005/11/estagio-atual-da-delacao-premiada-no-direito-
penal-brasileiro/). A custódia cautelar do réu, nesse ponto, não derrui a liberdade e
consciência necessárias à manifestação da vontade de colaborar.
A alternativa B está incorreta. Ao dispor-se a colaborar, o investigado renuncia ao
direito ao silêncio, abrindo-se integralmente ao esclarecimento do fato probante. Por
essa razão, a Lei nº 12.850/2013 cuidou expressamente de advertir, no artigo 4º, §14,
que: “nos depoimentos que prestar, o colaborador renunciará, na presença de seu
defensor, ao direito ao silêncio e estará sujeito ao compromisso legal de dizer a
verdade.”
A alternativa C está CORRETA e é o gabarito da questão. Portanto, é ela o gabarito da
questão. Essa é uma das novidades da Lei nº 12.850/2013 em comparação à lei
anterior que regulamentava o assunto (Lei nº 9.807/99). Hoje, pelo direito novo, o MP
pode deixar de oferecer denúncia contra o agente colaborador que preencher os
requisitos do artigo 4º, §4º, da Lei nº 12.850/2013: “o Ministério Público poderá deixar
de oferecer denúncia se o colaborador: I - não for o líder da organização criminosa; II -
for o primeiro a prestar efetiva colaboração nos termos deste artigo.” Como observado
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por VLADIMIR ARAS, “é facultada ao Ministério Público a formalização de acordos de
imunidade entre o Ministério Público e o suspeito, tal como se dá na common law. O
suspeito – ainda que indiciado – não será denunciado pelo Ministério Público e a
investigação contra ele será arquivada por falta de interesse de agir, delineado pelo
princípio da oportunidade (discricionariedade) da ação penal.”
(https://blogdovladimir.wordpress.com/2015/05/12/beneficios-legais-na-colaboracao-
premiada/)
A alternativa D está incorreta. O que a lei e a Constituição impedem é a condenação
do delatado baseada exclusivamente nas palavras do agente colaborador. Tal decisão,
fundada apenas nas declarações do colaborador, violaria o princípio do contraditório e
ampla defesa. Daí porque a própria Lei nº 12.850/2013 fez questão de ressaltar que
“nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas
declarações de agente colaborador.” (art. 4º, §16). No entanto, a condenação pode
lastrear-se em provas cuja obtenção só foi possível graças à indicação do agente
colaborador. "Daí a importância daquilo que a doutrina chama de regra da
corroboração, ou seja, que o colaborador traga elementos de informação e de prova
capazes de confirmar suas declarações (v.g., indicação do produto do crime, de contas
bancárias, localização do produto direto ou indireto da infração penal, auxílio para
identificação de números de telefone a serem grampeados ou na realização de
interceptação ambiental etc.)." (LIMA, Renato Brasileiro de. Legislação criminal
especial comentada. Salvador: Juspodivm, 2015, p. 545).
A alternativa E está incorreta. Não é dado ao julgador participar “das negociações
realizadas entre as partes para a formalização do acordo de colaboração (...)” (art. 4º,
§6º). Em verdade, esta é uma regra que procura assegurar o princípio acusatório,
afastando o magistrado da fase preliminar da persecução criminal. Nesta fase, o
magistrado atua excepcionalmente como o garantidor dos direitos fundamentais do
suspeito ou do acusado.

Gabarito alternativa “C”

24. Considere a seguinte situação hipotética: MARCUS VAL é denunciado pelo


Ministério Público do Estado do Paraná pela prática do crime previsto no artigo 217-
A do Código Penal. Citado por edital, MARCUS VAL não compareceu, nem constituiu
advogado. O juiz, então, ordenou a suspensão do procedimento ordinário, na esteira
do artigo 366 do CPP. Três meses depois da suspensão do feito, o promotor natural
do caso requereu ao juiz a produção antecipada da prova, consistente na oitiva de
testemunha enferma. O magistrado indeferiu o requerimento da acusação, sob
alegação de que a antecipação do ato violaria o princípio da ampla defesa. Diante
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deste quadro, pergunta-se: qual o recurso cabível contra a decisão do magistrado
singular que indeferiu o pedido do Parquet?
a) recurso em sentido estrito.
b) mandado de segurança.
c) carta testemunhável.
d) apelação.
e) embargos de declaração.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 18 - Direito Processual Penal.
Cabe recurso em sentido estrito contra a decisão judicial que indefere requerimento
de produção antecipada de prova formulado pela acusação. Esta é a orientação
consolidada em vários acórdãos do Superior Tribunal de Justiça: “é passível de
impugnação, segundo orientação firmada nesta Corte, por recurso em sentido estrito,
decisão interlocutória de primeiro grau que indefere a produção antecipada de provas,
para que se verifique, no caso concreto, a necessidade dessa providência processual,
ressalvada a posição do relator (Precedentes).” (REsp. 1.054.044-RS). O detalhe está no
fato de a lei ser omissa em relação ao recurso contra a decisão em tela. De fato, a
decisão que indefere pedido de produção antecipada de prova não está prevista no rol
de atos judiciais impugnáveis via recurso em sentido estrito. No entanto, a doutrina
caminhou para o entendimento de que o rol do artigo 581 do CPP admite
interpretação extensiva e analógica. Assim, embora não enumerada no artigo 581 do
CPP, cabe recurso em sentido estrito contra a decisão que denega requerimento de
produção antecipada de prova. Cabe alertar aos candidatos de que a decisão poderia
ser igualmente atacada por meio de mandado de segurança, porém o MS é uma ação
autônoma de impugnação, e não recurso. Por outro lado, a apelação, a carta
testemunhável e os embargos de declaração possuem outras hipóteses de cabimento
previstas em lei, não se prestando ao fim de reformar decisão interlocutória que
resolve requerimento de prova da acusação.
Portanto:
A alternativa A está CORRETA e corresponde ao gabarito da questão.
A alternativa B está incorreta.
A alternativa C está incorreta.
A alternativa D está incorreta.
A alternativa E está incorreta.

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Gabarito alternativa “A”

25. Qual dos problemas técnicos da denúncia listados abaixo NÃO provoca a inépcia
da inicial, segundo a jurisprudência dos Tribunais Superiores:
a) nos crimes contra a ordem tributária, a denúncia limitar-se a descrever o tipo penal
e a asseverar que o denunciado é o administrador da sociedade empresária que
suprimiu o tributo.
b) no crime de venda ou exposição à venda de produto sem registro no órgão
competente (CP, art. 273, §1º-B), a peça acusatória deixar de especificar quais os
produtos sujeitos a registro o denunciado expôs a venda.
c) no crime de corrupção eleitoral (CE, art. 299), a denúncia omitir-se na descrição da
espécie de vantagem que o denunciado ofereceu ao eleitor em troca do voto
(“dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem”).
d) nos crimes de autoria coletiva, a peça acusatória deixar de descrever, de maneira
minudente, a conduta delituosa de cada denunciado.
e) no crime de corrupção passiva, a denúncia deixar de descrever o tempo e o lugar no
qual ocorreu o pagamento da vantagem indevida ao agente público corrupto.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 7 - Direito Processual Penal.
Inepta é a denúncia que não descreve o fato criminoso com todas as suas
circunstâncias, que não permite ao denunciado compreender com clareza a acusação
que lhe é dirigida pelo autor da ação penal. A lei estabelece como requisito da
denúncia “a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias” (CPP, art.
41). BADARÓ adverte, a propósito, que “não basta, portanto, repetir os termos da lei,
por exemplo, associaram-se para a prática reiterada de crimes. Em tal caso, a denúncia
permanece no campo abstrato do preceito penal incriminador, esquecendo-se que o
fato processual penal é um fato concreto, um acontecimento histórico, e não um tipo
penal ideal” (Processo penal, 4. ed., p. 202). Na questão sob exame, as denúncias
referidas nas alternativas “a”, “b”, “c” e “e” são ineptas, porque padecem do mesmo
vício de não descreverem adequadamente o fato criminoso, omitindo-se na exposição
concreta de algum dado do tipo penal incriminador. Há tempos, a nossa Suprema
Corte consolidou o entendimento segundo o qual “para ser apta, a referida peça [a
denúncia] deve projetar ao caso concreto todos os elementos da figura típica em
comento. Ao contrário, a inicial acusatória sem a definição dos elementos estruturais
que componham o tipo penal e que não narre, com precisão e de maneira
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individualizada, os elementos tanto essenciais como acidentais pertinentes ao tipo
incorre em afronta à Constituição. Inq. 3.752/DF, rel. min. Gilmar Mendes, julgado em
26-8-2014, acórdão publicado no DJE de 22-10-2014. (Informativo 756, Segunda
Turma). Por outro lado, o próprio STF e o STJ têm abrandado o rigor desta exigência
quando a denúncia narra crimes de autoria coletiva, liberando o órgão acusador do
ônus de descrever pormenorizadamente a conduta de cada um dos denunciados.
Neste sentido: “Não há necessidade de detalhamento da denúncia nos crimes
de autoria coletiva, pelo que não há como definir-se o modus operandi de cada
participante, no caso policiais rodoviários federais envolvidos na quadrilha dos talibãs
para obtenção de vantagem ilícita (CP, art, 288). Precedentes citados: RHC 17.360-SP,
DJ 28/11/2005, e HC 39.587-SP, DJ 2/5/2005.” (HC 47.697-PI, Rel. Min. Hélio Quaglia
Barbosa, julgado em 14/3/2006).
De maneira que:
A alternativa A está incorreta.
A alternativa B está incorreta.
A alternativa C está incorreta.
A alternativa D está CORRETA e corresponde ao gabarito da questão.
A alternativa E está incorreta.

Gabarito alternativa “D”

26. Nos termos da Lei nº 7.210/1984, assinale a alternativa INCORRETA:


a) são considerados órgãos da execução penal, dentre outros, o Conselho
Penitenciário, o Patronato e o Conselho da Comunidade.
b) o Ministério Público fiscalizará a execução da pena e visitará anualmente os
estabelecimentos penais, registrando sua presença em livro próprio.
c) compete ao juiz da execução penal interditar, no todo ou em parte, estabelecimento
penal que estiver funcionando em desacordo com os dispositivos da Lei nº 7.210/84.
d) haverá, em cada comarca, um Conselho da Comunidade, composto por membros da
OAB, Defensoria Pública, dentre outros representantes de setores da sociedade civil
organizada.
e) pode o órgão do Ministério Público requerer a progressão de regime em favor do
apenado.

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Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 4 – Execução Penal.
A alternativa A está correta. Ela arrola três dos oito órgãos da execução penal. Com
efeito, na dicção do artigo 61 da Lei nº 7.210/84, são órgão da execução penal: “I - o
Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária; II - o Juízo da Execução; III - o
Ministério Público; IV - o Conselho Penitenciário; V - os Departamentos Penitenciários;
VI - o Patronato; VII - o Conselho da Comunidade. VIII - a Defensoria Pública.”
Recomendamos ao aluno do curso a leitura dos artigos 61 a 81-B da Lei de Execução
Penal, pois esse tema, órgãos da execução penal, foi objeto de questões nas duas
últimas provas preambulares.
A alternativa B está INCORRETA e corresponde ao gabarito da questão. Portanto, é
ela o gabarito da questão. Cabe ao Ministério Público realizar inspeções mensais, e não
anuais, nos estabelecimentos penais, registrando sua presença em livro próprio. Essa é
a inteligência do artigo 68, parágrafo único, da LEP: "O órgão do Ministério Público
visitará mensalmente os estabelecimentos penais, registrando a sua presença em livro
próprio.” A Resolução nº 56 do CNMP, que regulamenta este dispositivo, estabelece,
igualmente, que “os membros do Ministério Público incumbidos do controle do
sistema carcerário devem visitar mensalmente os estabelecimentos penais sob sua
responsabilidade, registrando a sua presença em livro próprio” (art. 1º).
A alternativa C está correta.. Trata-se de uma importante competência que a Lei nº
7.210/84 estabelece ao juízo da execução penal. Está positivada no artigo 66, VIII, da
LEP: “Art. 66. Compete ao Juízo da Execução: (...) interditar, no todo ou em parte,
estabelecimento penal que estiver funcionando em condições inadequadas ou com
infringência aos dispositivos desta Lei;”.
A alternativa D está correta. A composição do Conselho da Comunidade está prevista
no artigo 80 da Lei: “Haverá, em cada comarca, um Conselho da Comunidade
composto, no mínimo, por 1 (um) representante de associação comercial ou industrial,
1 (um) advogado indicado pela Seção da Ordem dos Advogados do Brasil, 1 (um)
Defensor Público indicado pelo Defensor Público Geral e 1 (um) assistente social
escolhido pela Delegacia Seccional do Conselho Nacional de Assistentes Sociais.”
A alternativa E está correta. Pode o MP requerer a progressão do regime do apenado,
quando este cumpre os requisitos para tanto. Nesse sentido, estabelece o artigo 68, II,
e, da LEP: “Art. 68. Incumbe, ainda, ao Ministério Público: (...) II – requerer: (...) e) a
conversão de penas, a progressão ou regressão nos regimes e a revogação da
suspensão condicional da pena e do livramento condicional.” Como observa RENATO
MARCÃO, “as atividades fiscalizatória e postulatória o legitimam [o MP], inclusive, a

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formular postulações em favor do executado.” (Curso de execução penal. 10. ed. p.
117).

Gabarito alternativa “B”

Grupo 5
Direito da Infância e da Juventude, Proteção ao Patrimônio Público, Direito
Ambiental, Ação Civil Pública, Inquérito Civil, Procedimento Preparatório e
Procedimento Investigatório Criminal, Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso,
Direitos Humanos e Habitação e Urbanismo.

27. Julgue as seguintes assertivas e assinale a INCORRETA:


a) As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, levando-se em conta,
para a aplicação das mesmas, as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que
visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
b) Sem prejuízo da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de
violência ou abuso sexual e das providências a que alude a Lei 8069/90, o afastamento
da criança ou adolescente do convívio familiar é de competência exclusiva da
autoridade judiciária e importará na deflagração, a pedido do Ministério Público ou de
quem tenha legítimo interesse, de procedimento judicial contencioso, no qual se
garanta aos pais ou ao responsável legal o exercício do contraditório e da ampla defesa.
c) Constatada a impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à família
de origem, após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de
orientação, apoio e promoção social, será enviado relatório fundamentado ao
Ministério Público, que erá o prazo de 30 (trinta) dias para o ingresso com a ação de
destituição do poder familiar, salvo se entender necessária a realização de estudos
complementares ou outras providências que entender indispensáveis ao ajuizamento
da demanda.
d) Caso o menor não tenha definida a sua paternidade, será deflagrado procedimento
específico destinado à sua averiguação, nos termos da Lei no 8.560/1992, sendo,
contudo, indispensável o ajuizamento de ação de investigação de paternidade pelo
Ministério Público após o não comparecimento ou a recusa do suposto pai em assumir
a paternidade a ele atribuída, ainda que a criança seja encaminhada para adoção.
e) São medidas de proteção prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, dentre
outras, as seguintes: (i) matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial
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de ensino fundamental; (ii) requisição de tratamento médico, psicológico ou
psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; (iii) inclusão em programa oficial
ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos e (IV)
colocação em família substituta.

Comentários

Regulamento do MPPR. Ponto 6 - As medidas de proteção.


A alternativa A está correta. Trata-se da redação literal dos artigos 99 e 100 do
Estatuto da Criança e do Adolescente, vejamos: “Art. 99. As medidas previstas neste
Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a
qualquer tempo. Art. 100. Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as
necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos
vínculos familiares e comunitários.
A alternativa B está correta. Trata-se de texto proveniente da norma contida no §2º
do artigo 101 do Estatuto da Criança e do Adolescente, vejamos: “§ 2o Sem prejuízo
da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de violência ou abuso
sexual e das providências a que alude o art. 130 desta Lei, o afastamento da criança
ou adolescente do convívio familiar é de competência exclusiva da autoridade
judiciária e importará na deflagração, a pedido do Ministério Público ou de quem
tenha legítimo interesse, de procedimento judicial contencioso, no qual se garanta
aos pais ou ao responsável legal o exercício do contraditório e da ampla defesa.”
ATENÇÃO: o candidato deve atentar à atribuição expressa do Ministério Público
referente ao pedido de afastamento da criança ou adolescente do convívio familiar
visando a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência ou abuso sexual.
A alternativa C está correta. Trata-se da redação literal dos §§9º e 10º do artigo 101
do Estatuto da Criança e do Adolescente, vejamos: “§ 9o Em sendo constatada a
impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à família de origem,
após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de orientação,
apoio e promoção social, será enviado relatório fundamentado ao Ministério
Público, no qual conste a descrição pormenorizada das providências tomadas e a
expressa recomendação, subscrita pelos técnicos da entidade ou responsáveis pela
execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar, para a
destituição do poder familiar, ou destituição de tutela ou guarda. § 10. Recebido o
relatório, o Ministério Público terá o prazo de 30 (trinta) dias para o ingresso com a
ação de destituição do poder familiar, salvo se entender necessária a realização de
estudos complementares ou outras providências que entender indispensáveis ao
ajuizamento da demanda.” ATENÇÃO: o candidato deverá atentar sempre à atuação
do Ministério Público na proteção de crianças e adolescentes, na hipótese.
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A alternativa D está INCORRETA, portanto, é o gabarito da questão. A questão
encontra-se em sentido contrário com o que expressamente prevê o Estatuto da
Criança e do Adolescente no art.102, §§ 3º e 4º, isso porque se a criança for
encaminhada à adoção, ainda que o suposto pai não compareça ou se recuse a assumir
a paternidade, será dispensável o ajuizamento de ação de investigação de paternidade
pelo Ministério Público. Cumpre transcrever a redação dos referidos dispositivos para
a leitura do candidato: “§ 3o Caso ainda não definida a paternidade, será deflagrado
procedimento específico destinado à sua averiguação, conforme previsto pela Lei
no8.560, de 29 de dezembro de 1992. § 4o Nas hipóteses previstas no § 3odeste
artigo, é dispensável o ajuizamento de ação de investigação de paternidade pelo
Ministério Público se, após o não comparecimento ou a recusa do suposto pai em
assumir a paternidade a ele atribuída, a criança for encaminhada para adoção.”
A alternativa E está correta. Trata-se de texto proveniente da norma contida no 101
do Estatuto da Criança e do Adolescente, vejamos: I - encaminhamento aos pais ou
responsável, mediante termo de responsabilidade; II - orientação, apoio e
acompanhamento temporários; III - matrícula e frequência obrigatórias em
estabelecimento oficial de ensino fundamental; IV - inclusão em serviços e programas
oficiais ou comunitários de proteção, apoio e promoção da família, da criança e do
adolescente; V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em
regime hospitalar ou ambulatorial; VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de
auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;VII - acolhimento
institucional; VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; IX - colocação em
família substituta.”

Gabarito alternativa “D”

28. Sobre crimes e infrações administrativas previstos no Estatuto da Criança e do


Adolescente, assinale a alternativa CORRETA:
a) A infração administrativa, constante do Estatuto da Criança, narra a conduta de
divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de
comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou
judicial relativo a criança ou adolescente a que se atribua ato infracional, na forma do
art.247. Aplica-se ainda, a pena prevista no §2º do referido dispositivo legal, o qual
dispõe que se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora de rádio ou
televisão, além da pena prevista no artigo, a autoridade judiciária poderá determinar a
apreensão da publicação ou a suspensão da programação da emissora até por dois
dias, bem como da publicação do periódico até por dois números.
b) A venda de bebida alcoólica a criança ou adolescente, com a advento da Lei
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13.106/2015, deixou de ser infração administrativa prevista no Estatuto da Criança e do
Adolescente, e passou a configurar crime, na forma do art.243 do mesmo diploma
legal.
c) O Superior Tribunal de Justiça uniformizou o entendimento de que, para a
configuração do crime de corrupção de menores, previsto no art.244-B do Estatuto da
Criança e do Adolescente, basta que haja evidências da participação de menor de 18
anos no delito e na companhia de agente imputável, sendo irrelevante o fato de o
adolescente já estar corrompido, porquanto se trata de delito de natureza formal.
d) Se o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde
de gestante deixar de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo
referidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, bem como de fornecer à
parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de
nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do
neonato incorrerá em infração administrativa, apenada com multa de três a vinte
salários mínimos.
e) Pratica crime, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, aquele que divulgar,
total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de comunicação,
nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou judicial relativo a
criança ou adolescente a que se atribua ato infracional.

Comentários

Regulamento do MPPR. Ponto 12 - Os crimes e as infrações administrativas.


A alternativa A está incorreta. A redação do §2º, do art.247 do Estatuto da Criança e
do Adolescente, teve a expressão “ou a suspensão da programação da emissora até
por dois dias, bem como da publicação do periódico até por dois números” declarada
inconstitucional pela ADI 869-2 pelo Plenário do STF, motivo pelo qual penalidade não
é mais aplicável. O julgamento foi realizado em agosto de 1999 (ADI 869-2/DF),
publicado no Diário da Justiça de 04 de junho de 2004, e o acórdão foi assim
ementado: “AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI FEDERAL 8069/90.
LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO, DE CRIAÇÃO, DE EXPRESSÃO E DE
INFORMAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO. 1. Lei 8069/90. Divulgação total ou
parcial por qualquer meio de comunicação, nome, ato ou documento de procedimento
policial, administrativo ou judicial relativo à criança ou adolescente a que se atribua
ato infracional. Publicidade indevida. Penalidade: suspensão da programação da
emissora até por dois dias, bem como da publicação do periódico até por dois números.
Inconstitucionalidade. A Constituição de 1988 em seu artigo 220 estabeleceu que a
liberdade de manifestação do pensamento, de criação, de expressão e de informação,
sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerá qualquer restrição, observado o
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que nela estiver disposto. 2. Limitações à liberdade de manifestação do pensamento,
pelas suas variadas formas. Restrição que há de estar explícita ou implicitamente
prevista na própria Constituição. Ação direta de inconstitucionalidade julgada
procedente”.
A alternativa B está incorreta. A venda de bebida alcoólica a criança ou adolescente,
com a advento da Lei 13.106/2015, não deixou de ser infração administrativa prevista
no Estatuto da Criança e do Adolescente, passando, contudo, a configurar crime, na
forma do art.243 do mesmo diploma legal. Em realidade, com o advento da Lei
13.106/2015 ambas as normas prevaleceram, sendo a venda de bebida alcoólica a
crianças e adolescentes conduta que configura crime e infração administrativa, sem
que haja bis in idem, haja vista a natureza jurídica diversa de ambas as sanções. Nesse
sentido, cumpre transcrever os dispositivos legais que tratam da referida conduta,
vejamos: “Art. 258-C. Descumprir a proibição estabelecida no inciso II do art.
81:(Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015) Pena - multa de R$ 3.000,00 (três mil
reais) a R$ 10.000,00 (dez mil reais);(Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)
Medida Administrativa - interdição do estabelecimento comercial até o recolhimento
da multa aplicada.(Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015)” O art.81, II, Lei
8069/90, trata da proibição de venda de bebida alcoólica a crianças e adolescentes:
“Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adolescente de: (…) II - bebidas
alcoólicas;”. Tem-se, portanto, que tal conduta, proibida pela lei, permanece sendo
infração administrativa, com as penalidades que lhe são cabíveis. Por outro lado, a Lei
13.106/2015, trouxe a seguinte alteração legislativa, contida no art.243 do ECA: Art.
243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de
qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa,
outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica.
Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime
mais grave.(Redação dada pela Lei nº 13.106, de 2015) ”
A alternativa C está CORRETA, portanto, é o gabarito da questão. O STF em recente
decisão, manifestou-se no seguinte sentido: “ (...)3. A Terceira Seção deste Superior
Tribunal, no julgamento do Recurso Especial Representativo da Controvérsia n.
1.127.954/DF, uniformizou o entendimento de que, para a configuração do crime de
corrupção de menores, basta que haja evidências da participação de menor de 18
anos no delito e na companhia de agente imputável, sendo irrelevante o fato de o
adolescente já estar corrompido, porquanto se trata de delito de natureza formal.
Incidência da Súmula 500 do STJ.”(AgRg no AREsp 539297/DF AGRAVO REGIMENTAL
NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2014/0160103-7 - T5 - QUINTA TURMA - DJe
29/08/2016)
A alternativa D está incorreta. Cometerá crime, na forma do Art. 228, e não infração
administrativa, o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de
atenção à saúde de gestante que deixar de manter registro das atividades
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desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como de fornecer
à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de
nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do
neonato: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Se o crime é
culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.”
A alternativa E está incorreta. Praticará infração administrativa, e não crime, aquele
que, na forma do Art. 247, divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por
qualquer meio de comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial,
administrativo ou judicial relativo a criança ou adolescente a que se atribua ato
infracional. Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em
caso de reincidência.”

Gabarito alternativa “C”

29. Acerca das disposições da Lei de Improbidade Administrativa, assinale a


alternativa INCORRETA:
a) constitui ato de improbidade administrativa adquirir, para si, no exercício do cargo,
bem imóvel cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou renda do
agente.
b) os atos de improbidade administrativa que geram dano ao erário admitem tanto a
modalidade dolosa quanto a culposa.
c) constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública deixar, o agente público competente, de cumprir a exigência de
requisitos de acessibilidade previstos na legislação.
d) à luz do entendimento firmado no Superior Tribunal de Justiça, o elemento
subjetivo necessário à configuração dos atos de improbidade administrativa
capitulados no artigo 11 da Lei nº 8.429 é o dolo específico, consubstanciado na
especial vontade do agente de provocar prejuízo ao erário.
e) constitui ato de improbidade administrativa que causa prejuízo ao erário celebrar
parcerias da administração pública com entidades privadas sem a observância das
formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 1 - Proteção ao Patrimônio Público.
A alternativa A está correta. A conduta está tipificada no artigo 9º, VII, da Lei nº
8.429/92: “adquirir, para si ou para outrem, no exercício do mandato, cargo, emprego
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ou função pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à
evolução do patrimônio ou renda declarada do agente”. É interessante ver que o ilícito
acima exige do autor da ação de improbidade apenas a prova da aquisição do bem e
da sua desproporcionalidade com a evolução patrimonial do funcionário. Em outras
palavras, não é exigida a prova da procedência ilícita do bem cuja aquisição é
questionada. Cabe sim ao réu da ação de improbidade provar a regularidade da
aquisição. (Emerson Garcia e Rogério Pacheco: Improbidade administrativa. 8. ed.,
2014, p. 493 e 494).
A alternativa B está correta. A Lei nº 8.429/92 pune a ação ou omissão culposa que
causa dano ao erário. Essa é a dicção do artigo 10, caput, da Lei: “constitui ato de
improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão,
dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação,
malbarateamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art.
1º desta lei (...)”. Atenção: as outras categorias de atos de improbidade administrativa,
quais sejam, os que importam em enriquecimento ilícito e os que atentam contra os
princípios da administração pública, exigem, necessariamente, para sua adequação ao
tipo sancionador, ação ou omissão dolosa.
A alternativa C está correta A conduta está tipificada no artigo 11, VIII, da Lei nº 8.429:
“constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente: (...) VIII - deixar
de cumprir exigência dos requisitos de acessibilidade previstos na legislação”. Trata-se
de uma boa questão a ser cobrada na prova do MPPR, porque este inciso foi incluído
no último ano de 2015, com o advento do Estado da Pessoa com Deficiência (Lei
13.146/2015). Lembrar, igualmente, de ler o artigo 52 do Estatuto da Cidade, que
prevê em seus incisos tipos especiais de atos de improbidade administrativa.
A alternativa D está INCORRETA. Portanto, é ela o gabarito da questão. A alternativa
está incorreta, porque basta o dolo genérico para a punição do agente em relação aos
atos de improbidade administrativa capitulados no artigo 11 da Lei nº 8.429/92. Essa a
posição firme do STJ com a qual o candidato deve se apegar. O trecho do acórdão
citado a seguir espelha bem o entendimento do STJ sobre o assunto: “o elemento
subjetivo, necessário à configuração de improbidade administrativa censurada nos
termos do art. 11 da Lei 8.429/1992, é o dolo genérico de realizar conduta que atente
contra os princípios da Administração Pública, não se exigindo a presença de dolo
específico” (REsp 765.212/AC).
A alternativa E está correta. A conduta está tipificada no artigo 10, XVIII, da Lei nº
8.429/92: “constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário
qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbarateamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
referidas no art. 1º desta lei, e notadamente: (...) XVIII - celebrar parcerias da
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administração com entidades privadas sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie.”

Gabarito alternativa “D”

30. Acerca do tema relativo à ação civil pública e ao inquérito civil, assinale a
alternativa CORRETA:
a) os órgãos públicos legitimados à propositura da ação civil pública poderão instaurar,
sob a sua presidência, inquérito civil, a fim de reunir elementos de convicção.
b) o inquérito civil constitui condição de procedibilidade para o ajuizamento da ação
civil pública.
c) o inquérito civil é instaurado por meio de despacho do membro do Ministério
Público com atribuição para apurar o fato noticiado.
d) o inquérito civil é procedimento dialético, bilateral, informado pelo princípio do
contraditório.
e) a representação anônima não poderá ser arquivada pelo Promotor de Justiça
quando ela trouxer informações suficientes sobre o fato lesivo e o seu provável autor,
e apresentar, desde logo, a qualificação mínima que permita sua identificação e
localização.

Comentários
Regulamento do MPPR. Ponto 1 - Proteção ao Patrimônio Público.
A alternativa A está incorreta.. A prerrogativa legal de instaurar inquérito civil para
subsidiar a propositura da ação civil pública é exclusiva do Ministério Público. Nenhum
outro colegitimado à propositura da ACP a detém. A Lei nº 7.347 apenas concede ao
MP o instrumento do inquérito civil: “§ 1º O Ministério Público poderá instaurar, sob
sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer organismo público ou
particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual
não poderá ser inferior a 10 (dez) dias úteis.” Vale copiar aqui o comentário de Hugo
Nigro Mazzilli sobre o assunto: “só o Ministério Público está autorizado a instaurar
inquérito civil; não os demais colegitimados à ação civil pública. A União, os Estados, os
Municípios, as autarquias, as empresas públicas, as sociedades de economia mista, as
fundações ou as associações civis podem propor a ação civil pública ou coletiva; antes
de propô-la, é natural que recolham elementos de convicção necessários, e farão isso
em procedimentos quaisquer, mas inquérito civil propriamente dito só o Ministério

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Público pode instaurar.” (disponível em
http://www.mazzilli.com.br/pages/artigos/concinqciv.pdf.)
A alternativa B está incorreta. O Ministério Público pode propor a ação civil pública
baseado em quaisquer elementos de informação que cheguem ao seu conhecimento.
Pode, por exemplo, ajuizá-la com base em procedimentos administrativos de natureza
diversa (ex. sindicâncias, relatórios de comissões parlamentares de inquérito etc.). O
Parquet não precisa, necessariamente, do inquérito civil para propor as ações coletivas
que estão a seu cargo. Nesse sentido, o artigo 1º da Resolução nº 23 do Conselho
Nacional do Ministério Público cuida expressamente de dizer que “O inquérito civil não
é condição de procedibilidade para o ajuizamento das ações a cargo do Ministério
Público, nem para a realização das demais medidas de sua atribuição própria.”
A alternativa C está incorreta. O inquérito civil é instaurado mediante portaria do
membro da Instituição, e não por despacho. É aquela modalidade de ato, ou seja,
portaria, que dá início ao inquérito civil. Assim dispõe o artigo 4º da Resolução nº 23
do CNMP: “O inquérito civil será instaurado por portaria, numerada em ordem
crescente, renovada anualmente, devidamente registrada em livro próprio e autuada
(...)”. Outra informação importante diz respeito aos requisitos que devem constar da
portaria inicial do inquérito civil. Aqui, sugiro a leitura dos seis incisos do artigo 4º da
Resolução nº 23 do CNMP. Lembrar sempre que na portaria devem constar, dentre
outros elementos, a descrição do objeto do inquérito civil e as diligências iniciais para
apuração do fato investigado.
A alternativa D está incorreta. O inquérito civil é procedimento unilateral, cujo
impulso e os atos são definidos pelo membro do Ministério Público. Não há
contraditório no inquérito civil, porque nele não se impõem sanções ou restrições aos
interesses dos investigados. Como bem explica MAZZILLI, “o inquérito civil não é
processo administrativo e sim procedimento; nele não há uma acusação nem nele se
aplicam sanções; dele não decorrem limitações, restrições ou perda de direitos. No
inquérito civil não se decidem interesses; não se aplicam penalidades. Apenas serve
para colher elementos ou informações com o fim de formar-se a convicção do órgão
do Ministério Público para eventual propositura ou não da ação civil pública. Assim,
não sendo um fim em si mesmo, o inquérito civil não é contraditório; é o mesmo que
ocorre com o inquérito policial, e, pois, a fortiori, é o que se dá com o inquérito civil.”
(http://www.mazzilli.com.br/pages/artigos/pontoscontic.pdf)
A alternativa E está CORRETA. Portanto, é ela o gabarito da questão. A denúncia
anônima é meio válido de comunicação acerca de fatos lesivos aos interesses
transindividuais. Por esse motivo, deve o membro do MP recebê-la e apurar
preliminarmente a procedência das informações encaminhadas. A propósito,
estabelece o artigo 2º, §3º, da Resolução nº 23 do CNMP: “§ 3º O conhecimento por
manifestação anônima, justificada, não implicará ausência de providências, desde que

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obedecidos os mesmos requisitos para as representações em geral, constantes no
artigo 2º, inciso II, desta Resolução.”

Gabarito alternativa “E”

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