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PROJETO DE CONCLUSÃO DE CURSO

INSTITUTO POLITÉCNICO – Centro Universitário UNA

ESTUDO DE CASO DA SEDIMENTAÇÃO NA LIXIVIAÇÃO


Anderson Alves Ganem Rodrigues
andersonganem@gmail.com

Orientador Técnico
Roberto Fernando de Souza Freitas

Orientador Metodológico
Vinicius Vieira Costa

Coordenação de curso de Engenharia Química

Resumo – Lixiviação é um processo que tende a ter tempo prolongado para a


extração e/ou tendem a ter baixa eficiência na hora de separar o soluto do lixiviante.
Otimizar chega como uma forma de reparar erros nas reações/processos e
encontrar novas formas de aumentar a eficiência como um todo, seja
economicamente ou processualmente. O estudo de caso sobre a sedimentação
como um processo de separação gravítico toma grandes bases teóricas para o
avanço de uma otimização nunca utilizada, o aumento da temperatura para
aumentar com eficiência a separação da lama do lixiviante.

Palavras-chaves – Sedimentação, Lixiviação, Transferência de Calor, Transferência


de massa.

1 Introdução

A procura por metais data de milhares de anos, quando o homem primitivo utilizava
destes para a caça, construções e para o seu dia a dia. A medida que foram
passando os anos, percebeu-se que a demanda por metais, preciosos ou não,
aumentava e métodos de extração eram cada vez menos rudimentares, já que não
era possível retirá-los somente por escavação (CRISTINA,1995).

Bayer, o predecessor da lixiviação, deu um passo fundamental quando obteve


alumínio a partir da lixiviação da bauxita. Foi sucedido por McArthur, Forrests e

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Frash, que definiram métodos extrativos pela lixiviação que atualmente são básicos
para as atividades industriais (CRISTINA,1995). Devido ao aumento da procura por
matérias-primas juntamente com a necessidade de suprir o mercado, tornou-se
imprescindível criar novos métodos de extração e otimizar aqueles que não
poderiam ser drasticamente mudados.

O estudo do processo físico de separação na lixiviação é um tópico na comunidade


acadêmica que cada vez mais retém novas informações otimizadas e que
continuamente é analisado para haja mais melhorias.

Como uma forma diferenciada de encontrar novos meios para otimizar a separação
de um solvente do material lixiviado, é necessário avaliar a temperatura, viscosidade
e granulometria inserindo uma nova visão que fornece resultados e conclusões
ainda pouco explorados.

Diante dessa visão, define-se que um estudo mais aprofundado sobre este tema
poderá trazer resultados que modificariam teoricamente e/ou operacionalmente o
modo de sedimentara diferentes temperaturas e com diferentes granulometrias.
Posteriormente, poderá ser possível encontrar relações da granulometria,
viscosidade do solvente e temperatura, tendo o intuito de otimizar o processo de
sedimentação presente na lixiviação em corrente contínua.

O presente trabalho apresenta como objetivo estudar a influência da temperatura e


da granulometria com o intuito de acelerar o processo de sedimentação, criar
relações com a velocidade de sedimentação por temperatura e granulometria por
temperatura, analisar o aumento da temperatura por volume ideal de sedimentador e
analisar economicamente o aumento da temperatura nos sedimentadores.

2 Referencial Teórico

2.1 Transferência de massa

Transferência de massa é o processo onde existe cessão de uma espécie química


para outra ou múltiplas espécies, podendo estar no estado sólido, líquido ou gasoso.

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O Estudo deste processo começou no início do século 19 pelas obras do alemão
Adolf Eugen Fick tendo ênfase em seu trabalho sobre a difusão de gás através de
uma membrana líquida. Após isso, com o estudo deste processo imprescindível para
a Engenharia Química, Fick propôs a primeira lei da transferência de massa,onde
esta caracterizava que a difusão é sempre proporcional ao gradiente de
concentração, e através da técnica de derivação matematicamente deduziu,
encontrando uma das primeiras fórmulas da transferência de massa.

(1.1)

onde: J é a taxa de difusão molar do componente J por uma área a,

c1 é a concentração em mols do componente a no seio da solução,

c é a concentração em mols do componente a no interior do sólido,

D é difusividade.

É possível definir a difusividade por:

(1.2)

onde: D0 é o coeficiente de difusão máximo,

Ea é a energia de ativação,

R é a constante universal dos gases,

T é a energia do sistema em unidades absolutas.

Sabe-se que o estudo da transferência de massa é um fator importante para


identificar quais são as espécies que serão transportadas quando se tem o encontro
de 1 ou mais fases e diferentes compostos químicos.(McCabe,1993)

2.2 Lixiviação

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A lixiviação é definida como o processo de extração de minerais que se encontram
dentro de partículas sólidas por passagem de um solvente. Este processo é regido
pela transferência de massa primordialmente difusiva que, dependendo do tamanho
da partícula, pode levar milhares de anos até que seja completo.

Há dois métodos mais utilizados atualmente, para que se dê esse processo, sendo
estes, lixiviação por percolação através de um leito fixo (lixiviação em batelada) e
lixiviação de uma corrente contínua. O primeiro método consiste na passagem de
um solvente através do sólido em um tanque fundo, perfurado de modo que seja
possível drenar o líquido para voltar novamente para o início do tanque ou ser
carreado para o próximo processo. O segundo consiste de uma corrente de contato
constante entre o sólido e o líquido, podendo ser suas entradas contracorrentes,
multi-correntes, ou entrada única (MCCABE,1993)

Após a retirada do mineral desejado pelo solvente, é necessário que o sólido e o


líquido sejam fendidos por sedimentação, técnica que consiste na separação de um
fluido (líquido) e um sólido por decantação. Tal processo demanda de menos
maquinários envolvidos em comparação com a utilização de centrífugas e de
hidrociclones, favorecendo a redução de custos refletindo, em consequentemente,
na economia do processo como um todo (YOSHITAKE,2013).

A transferência de massa na lixiviação tem uma aprofundamento característico para


poder determinar o perfil de concentração de uma espécie química que se encontra

no interior de um particulado de densidade ρ e granulometria sendo necessário


extraí-lo percolando um fluido solubilizante que pode levar até milhões de anos
devido ao coeficiente de difusão que é muito baixo. Pode-se identificar este perfil da
transferência de massa como (Coulson,2002):

(2)

Onde: dM/dT é a massa de soluto transferido em um tempo t,

A é a área da interface sólido-líquido,

4
b é espessura do liquido que circunscreve o particulado,

c é a concentração de soluto na polpa em um tempo t,

é a concentração da solução saturada em contato com os particulados,

é o coeficiente de difusão.

Em um processo de lixiviação em batelada, onde a entrada de sólidos e a de


líquidos é a mesma em um volume fixo, e não existe uma entrada contínua de
reagentes, o processo de transferência de massa pode ser expressado por:

(3.1)

onde V é o volume do vaso reacional.

Figura 1 – Representação de um sistema em batelada. Fonte: EDISON,2016

Em um sistema batelada com agitação contínua a equação de transferência de


massa toma a forma:

(3.2)

5
onde: KL é o coeficiente de transferência de massa,

d é o diâmetro do reator,

DL é o coeficiente de difusão,

N é a quantidade de revoluções por unidade de tempo

ρ é a densidade da polpa,

μ é a viscosidade da polpa.

2.3 Cinética de Solubilização

2.3.1 Volume

O processo de lixiviação engloba também a cinética reacional, pois esta retém


parâmetros que determinam o volume mínimo para o reator não isotérmico em
estado estacionário, conversão e energia necessária para o sistema.

Para calcular o volume do vaso reacional na equação 2, é necessário utilizar da


equação de projeto de reatores:

(4.1)

Onde temos: X é a conversão em um tempo t,

-ra é a velocidade de reação de solubilização,

Vr é o volume do reator,

Na0 é a quantidade de mols da espécie a no tempo 0

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Sendo:

(4.2)

onde Ca0 é a concentração inicial da espécie a.

Sabendo que o volume é constante, integrando e juntando a equação 4.1 com a 4.2
tem-se:

(4.3)

Têm-se também que:

(4.4)

Juntando 4.3 com 4.4:

(4.5)

Integrando a equação 4.5 têm-se:

(4.6)

Esta equação representa a concentração final em um tempo t, com uma velocidade


de solubilização r, baseado na concentração inicial Ca0.

2.3.2 Velocidade solubilização

Sendo a velocidade da reação de solubilização dada por:

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(5.1)

Onde: Ca é a concentração inicial da solução a elevado ao seu subscrito,

Mt é a concentração de metal na solução em um tempo t elevado ao seu


subscrito.

A concentração máxima passível de solubilização é descrita por:

(5.3)

onde: M concentração máxima de metal que pode ser solubilizado baseado na


concentração do soluto a,

k é a constante de velocidade de solubilização ou taxa de solubilização,

T é a temperatura do sistema.

Agrupando as equações 5.1, 5.2 e 5.3 têm-se:

(5.4)

2.4 Sedimentação

Para obtenção eficaz de parâmetros relacionados à sedimentação, é necessário,


primeiramente, determinar o fluido (líquido) a ser utilizado como meio separador. Se
esse detiver alta densidade, algo maior que 3 g/cm³, ou viscosidade superior a 1,490
cP, o processo de sedimentação tende a um tempo infinito, transformando em um
processo inviável (SINNOTT, 2005). Outra variável importante é o tamanho da
partícula em análise, pois esta precisa exercer uma força superior ao empuxo para
poder decantar, partículas muito pequenas não são sedimentadas e,
economicamente, tornam-se inviáveis por ter alto custo para a sua cominuição,
particulados grandes demais tornam o processo de lixiviação inviável devido ao alto

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tempo que levaria para a transferência de massa ser realizada e retirar o mineral de
interesse do interior da partícula (LATSA,1999).

A sedimentação gravítica pode ser separada em dois grupos: Clarificadores ou


Espessadores. Ambos compartilham a mesma técnica para determinação das
variáveis físicas e operacionais envolvidas tais como, número de Reynolds, diâmetro
do tanque, etc, e têm equipamentos parecidos. Clarificadores são utilizados na
separação de um sólido de um efluente, sendo desejado somente o líquido,
enquanto Espessadores são empregados para concentrar o sólido, o líquido serve
somente como agente separador (MCCABE,1993).

Sedimentação (Clarificadores ou Espessadores) resume-se a grandes tanques


cilíndricos com pás rotatórias no fundo para juntar e retirar os sólidos que foram
decantados. Quando utilizados para tratamento de um alto volume de líquido,o
processo de sedimentação retém um custo para implementação e operacional
relativamente menor que as centrífugas (SINNOTT, 2005).

O projeto de sedimentadores tem por base uma análise primária das forças de
empuxo e peso da partícula em análise. Após a determinação dessas entra em
análise as forças inerciais e viscosas do fluido, sendo esse dado pelo número de
Reynolds. Sabendo-se que o aumento da temperatura afeta diretamente a
viscosidade, a queda deste aumentaria a eficiência dos sedimentadores
(GEANKOPOLIS,1993).

Figura 2 – Tabela com alcance do equipamento por tamanho da partícula. Fonte:SVAROVSKY,2000.

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2.4.1 Equacionamento Matemático

Partindo de um pressuposto de que a partícula tem comportamento de uma esfera


com esfericidade igual a 1 e sofre força gravitacional têm-se a equação inicial:

(7.1)

onde: Fb é a força que a partícula realiza perpendicular à força gravitacional,

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Vp é o volume da partícula,

é a densidade do líquido,

g é a força gravitacional.

Outra força que é exercida é a força de resistência, que tem por equação:

(7.2)

onde: Cd é coeficiente de arraste,

v² é a velocidade,

A é a área superficial da partícula.

juntando as equações 7.1 e 7.2 e derivando em relação ao tempo é encontrado a


equação da velocidade terminal:

(7.3)

onde: é a densidade do sólido,

Dp é o diâmetro da partícula.

Esta é a equação fundamental a ser resolvida para que seja determinado a


velocidade de sedimentação de particulados sólidos. Analisando a equação pode

notar que se é impossível sedimentar o particulado. Se o diâmetro da


partícula for muito pequeno a velocidade de sedimentação é extremamente
pequena. Se o coeficiente de arraste é muito alto a velocidade tende ao infinito.

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Este último pode ser definido por equações mas existem limites em que estas
podem ser utilizadas. Para um regime laminar, também conhecido como lei de
Stokes, a equação é:

(8.1)

onde Nr é o número de Reynolds dado por:

(8.2)

onde μ é a viscosidade da polpa.

Juntando as equações 7.3 e 8.1 é possível encontrar uma equação que tenha as
forças exercidas pelo sólido sobre as forças inercias do fluido:

(8.3)

Paralelamente o tempo de sedimentação de uma coluna com altura H é:

(8.4)

Existem métodos empíricos que determinam as equações em sistemas com


escoamento turbulentos, entretanto para maior compreensão deste trabalho, será
somente utilizado o escoamento laminar(GEANKOPOLIS,1993).

É possível relacionar a viscosidade de um fluido com a sua temperatura, dado por:

(8.5)

onde: D e B são constantes específicas da solução,

T é a temperatura expressada em kelvin.(ALMEIDA,1973)

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2.4.2 Comportamento Físico

A sedimentação de uma polpa teve seu comportamento estudado de modo que é


possível determinar as fases de concentração do sólido. A figura abaixo separa 4
zonas sendo estas, a zona de clarificado, zonas de suspensão homogênea, zona de
transição e zona de concentração de sólido. Demonstrados pelas colunas é possível
identificar as 4 zonas claramente, sendo a última coluna uma sedimentação que teve
seu limite de tempo tendendo ao infinito podendo separar permanentemente todo e
qualquer sólido presente nas zonas de suspensão e na zona de transição, de modo
que foi realizado graficamente um estudo e foi encontrado uma forma empírica para
determinar o tempo de sedimentação.

Figura 3 – Representação do processo de sedimentação e da curva de


sedimentação em escala laboratorial. Fonte: GEANKOPOLIS,1993

No gráfico foi determinados pontos teóricos no eixo x e y para poder passar a reta
tangente, que toca o eixo y determinando a altura real da interface de sólido e
líquido, e no eixo x determinando o tempo real do processo de
sedimentação(GEANKOPOLIS,1993).Figura 4 – Gráfico com representação da taxa de
sedimentação mássica por concentração volumétrica de sólido. Fonte: GEANKOPOLIS,1993.

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2.5 Transferência de Calor

Outro fator importante a ser definido é a transferência de calor, que é o estudo da


transmissão de calor de um fluido para outro, tendo como foco aquecer um fluido
secundário ou resfriar o fluido primário. Existem 3 mecanismos conhecidos para a
propagação de calor, sendo estes: Condução, Convecção e Radiação. A
transferência de calor é sempre proporcional ao gradiente de temperatura que é a
sua força motriz, sem esta não existe transferência de calor.

2.5.1 Condução

Condução é o processo de transferência intramolecular de uma molécula causado


por um gradiente de temperatura (Coulson,2002). Esta transferência ocorre por
contato direto de uma molécula com outra, este mecanismo é mais eficiente em
sólidos ou em fluidos que não estejam em movimento.

Este por ser equacionado como:

(9.1)

onde: Qk é a taxa transferência de calor condutivo,

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T1 é a maior temperatura,

T2 é a menor temperatura,

A é a área transversal ao gradiente de temperatura,

k é a condutividade térmica do corpo.

2.5.2 Convecção

Convecção é o mecanismo de transferência intermoleculares entre fluidos por


diferença de densidade, onde o fluido mais quente é o menos denso, este perde
energia e fica mais denso, criando um movimento advectivo juntamente com a
transferência de massa por difusão. Este movimento é chamado de convecção, que
pode forçado ou natural. Convecções forçadas tem um agente externo que influencia
na movimentação do fluido (ventilador por exemplo), enquanto o movimento natural
não tem esse agente externo (Coulson,2002).

O equacionamento da convecção se dá por:

(9.2)

onde: h é o coeficiente de película do fluido,

Qc é a taxa de transferência de calor por convecção.

2.5.3 Radiação

A radiação é o mecanismo de transferir calor por ondas eletromagnéticas ou por


fótons, de modo que este não tem um meio interveniente e depende somente da
temperatura superficial do corpo. Devido à pequena variação de temperatura
encontrada nos processos físico-químicos atualmente, com exceção de alguns
(exemplo fornalha), a radiação geralmente é desconsiderada (Coulson,2002).

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A radiação depende do tipo da emissividade que este corpo possui, podendo ser
definido como:

(9.3)

onde: ε é a emissividade do corpo,

σ é a constante de Stefan-Boltzmann,

As é a área superficial do corpo,

Ts é a temperatura superficial do corpo,

é a temperatura do ambiente,

Qr é a taxa de transferência de calor por radiação.

É possível correlacionar as 3 equações de modo que têm-se:

(9.4)

2.5.4 Trocadores de Calor

Trocadores de calor são equipamentos que tem a capacidade de ceder ou retirar


calor de um ambiente ou de um fluido sem que haja contato direto entre eles por
meio de gradientes de temperatura. Trocadores de calor podem ser compactos,
tubos duplos, com escoamento cruzado, casco e tudo, dentre outros.

Devido à viscosidade da polpa e os particulados envolvidos, trocadores de calor de


tubo e cascos,com escoamento cruzado tornam-se ineficaz, pois a perda de carga é
muito alta, sendo necessário utilizar jaquetas aquecedoras, que são afixadas ao
redor das tubulações ou maquinários para poder ceder calor ao sistema
(COULSON,2002).

Para tanques cilíndricos o equacionamento torna-se:

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(9.5.1)

onde: Q é a taxa de troca de calor,

ΔT é a diferença média logarítmica de temperatura,

U é o coeficiente global de troca de calor,

As é a área superficial de troca.

Para encontrar UAs é necessário utilizar:

(9.5.2)

onde: hi se refere ao coeficiente de película do líquido interno,

he se refere ao coeficiente de película do líquido externo,

Ai é a área interna onde o fluido se encontra,

Ae é a área externa onde o fluido se encontra,

re é o raio externo do cilindro,

ri é o raio interno do cilindro,

k é a condutividade térmica do metal,

l é o comprimento do cilindro.

Observando os termos, têm-se que o termo 1 e 3 se referem às trocas convectivas


nos fluidos sendo eles interno e externo respectivamente. O termo 2 representa a
troca de calor condutiva, se o material utilizado for ferro, alumínio ou cobre é
possível assumir que o termo 2 seja igual a 0.

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Sendo assim:

(9.5.3)

(9.5.4)

onde: μs é a viscosidade da superfície da polpa,

μ é a viscosidade no seio da polpa,

Dv é o diâmetro do tanque,

L² é o tamanho da pá de agitação,

N é a quantidade de revoluções por unidade de tempo,

ρ é a densidade da polpa,

Cpi é a capacidade calorífica do fluido interno.

O próximo passo é definir o coeficiente de película he, sendo necessário definir o


coeficiente de película externo utilizando o adimensional de Nusselt
(Pietranski,2012):

(9.5.5)

Este têm equação na jaqueta como:

(9.5.6)

onde: R é o número de Reynolds,

Pr é o adimensional de Prandtl,

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μ é a viscosidade na temperatura média dentro da jaqueta,

μw é a viscosidade na temperatura da parede da jaqueta.

Juntando, rearranjando e expandindo as equações 9.5.5 e 9.5.6:

(9.5.7)

onde: Dj é diâmetro de fluxo equivalente da jaqueta,

v velocidade do fluido,

ρj é a densidade do fluido que se encontra na jaqueta,

Cpe é capacidade calorífica do fluido externo.

Juntando as equações 9.5.1, 9.5.3, 9.5.4 e 9.5.7 é possível encontrar a


equação que dimensiona um trocador de calor encamisado:

(9.6)

3 Metodologia

3.1 Tipos de pesquisa

A elaboração desse trabalho consiste em uma pesquisa exploratória, com o fim de


estudar o modelo de transferência de massa e de calor, tamanho da partícula,

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concentração de sólido, viscosidade e densidade da polpa tendo em vista os seus
efeitos na lixiviação e na sedimentação por consequência.

3.2 Universo e amostra

Serão realizadas iterações no programa Excel® mudando a temperatura para


analisar as variáveis de viscosidade, velocidade de sedimentação, velocidade de
reação e transferência de calor para posteriormente descrever o seu comportamento
por gráficos analisando uma relação de soluto/sólido em masa equivalente a 12 ,
utilizando Bauxita (Al2O3) o sólido a ser analisado com teor máximo de 40% e
diâmetro de partícula 200 μm. As análises feitas ocorreram a temperaturas de 200
°C à 280°C, com um tempo de 8 horas para ocorrer a lixiviação e a sedimentação
juntamente a uma solução de NaOH (0,4% v/v).

Será dimensionado um reator em batelada cilíndrico encamisado de 4 metros de raio


e 10 metros de altura, com pás que agitaram a mistura com uma rotação de 200Hz
com 1 metro de comprimento. O sistema detém um leito laminar com número de
Reynolds de 500 e tem uma entrada inicial de 100 kg de sólido. Este se encontra
fechado com um êmbolo que pode movimentar-se para mantar a pressão de 1 atm.

Todos as variáveis se encontram no sistema internacional.

3.3 Coleta de dados

Estes experimentos serão realizados somente teoricamente com base em estudos


prévios sobre a lixiviação tendo a sua ênfase na sedimentação, sendo assim será
utilizado sistemas otimizados para maior compreensão do processo em si, e da
importância das varáveis que afetam a sedimentação em um todo.

3.4 Métodos de análise

Serão feitos estudos teóricos da velocidade terminal de uma lixiviação, analisando


as variáveis de cada operação unitária, primeiramente utilizando como base o

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processo sem a transferência de calor e depois comparado com um processo que
existe a transferência de calor. Os resultados serão processados pelo Software
Excel® e posteriormente discutidos de modo a procurar relações entre a
transferência de calor, transferência de massa, solubilidade, viscosidade e
velocidade de sedimentação. Todos os valores a serem definidos partirão de bases
da literatura ou experimentos realizados por outros pesquisadores.

4 Resultados e Discussão

4.1 Resultados

De acordo com Li,2014, foi possível analisar uma melhora no processo de extração em
até 20% com o aumento da temperatura, tendo o seu ápice em 91%. O processo teve
uma faixa de temperatura de 230 °C até 280°C. Foi possível analisar também que a
relação entre solvente/sólido com maior aproveitamento foi a de 12.

Para todos os cálculos subsequentes foram retirados da literatura ou de outros artigos


científicos, variáveis e constantes que só poderiam ser encontradas
experimentalmente. Devido à falta de recursos a equação utilizada para o cálculo da
viscosidade teve seus parâmetros comparados aos da água, mas posteriormente foram
ajustados com um fator de correção.

Com os resultados dos cálculos foi possível a criação de 3 gráficos que demonstram
gradientes físicos e químicos, perfis de relações diretas e indiretas da fórmula de
velocidade terminal da partícula podendo abrir um novo olhar nas condições
operacionais de um sistema que pode receber otimizações sem que altere com as
reações que ocorrem dentro do reator.

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Gráfico 1 – Representa a relação entre a viscosidade como função da temperatura.

Gráfico 2 – Representa o aumento da velocidade terminal da partícula com a


temperatura.

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Gráfico 3 – Representa a quantidade de calor transferida para o sistema e o aumento
da velocidade de reação sendo que esta é uma função da temperatura.

4.2 Discussão de Resultados

Com os resultados obtidos foi possível encontrar uma relação teórica entre a
velocidade de sedimentação e a temperatura partindo do pressuposto que o sistema é
um sistema perfeito e que não hajam perdas de calor e massa para o ambiente.

O gráfico 1 permite visualizar uma relação clara com o aumento da temperatura e a


queda da viscosidade, pois após receber energia as moléculas tendem a se expandir
diminuindo assim as forças inercias intrínsecas dos fluidos.

Já o gráfico 2 demonstra um aumento na velocidade terminal das partículas, essa que


expressa uma relação inversa com a viscosidade e relação direta com a densidade.
Diminuir a densidade de um fluido iria aumentar o gradiente físico que é a força motriz
da sedimentação.

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De acordo com os gráficos 3 foi comprovou-se que o aumento da temperatura
influencia no processo de lixiviação aumentando a transferência de massa global
juntamente com a agitação, criando um gradiente químico favorável ao processo de
lixiviação.

5 Conclusões

Foi possível encontrar uma relação entre a calor recebido pelo sistema com a
velocidade terminal da partícula e o tempo de sedimentação, afim de confirmar que a
otimização de um processo em batelada pode advir com o aumento da temperatura do
sistema, já que existe aumento da solubilidade, velocidade de reação, transferência de
massa e por fim sedimentação como um processo de separação gravítico que
demandaria menos recurso e teria uma eficiência de maquinário utilizando.

Entretanto não é possível definir se existe uma economia monetário devido à grande
quantidade de calor envolvido que será necessário ser repassado para o sistema.

É necessário realizar experimentos práticos de modo que possam comprovar a


existência de uma relação entre temperatura e velocidade terminal da partícula a fim de
otimizar com mais eficiência o processo de lixiviação.

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