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ANÁLISE DAS VARIAÇÕES DA BIODIVERSIDADE DO BIOMA CAATINGA

Suporte a estratégias regionais de conservação

República Federativa do Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Vice-Presidente José Alencar Gomes da Silva

Ministério do Meio Ambiente

Ministra

Marina Silva

Secretário-Executivo Cláudio Roberto Bertolo Langone

Secretaria de Biodiversidade e Florestas

Secretário João Paulo Ribeiro Capobianco

Diretor do Programa Nacional de Conservação da Biodiversidade Paulo Kageyama

Ministério do Meio Ambiente – MMA Centro de Informação e Documentação Luiz Eduardo Magalhães/ CID Ambiental Esplanada dos Ministérios – Bloco B - térreo 70068-900 Brasilia – DF Tel: 55 xx 61 317-1235 – Fax: 55 xx 61 224-5222 cid@mma.gov.br http://www.mma.gov.br

Ministério do Meio Ambiente Secretaria de Biodiversidade e Florestas

ANÁLISE DAS VARIAÇÕES DA BIODIVERSIDADE DO BIOMA CAATINGA

Suporte a estratégias regionais de conservação

Organizadores

Francisca Soares de Araújo Maria Jesus Nogueira Rodal Maria Regina de Vasconcellos Barbosa

Brasília - DF

2005

Gerente de Conservação da Biodiversidade Bráulio Ferreira de Souza Dias

Gerente do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira - PROBIO Daniela América Suárez de Oliveira

Equipe PROBIO Equipe técnica: Carlos Alberto Benfica Alvarez, Cilúlia Maria Maury, Cláudia Cavalcante Rocha Campos, Danielle TeixeiraTortato, Gláucia Jordão Zerbini, Júlio César Roma, Márcia Noura Paes, Rita de Cássia Condé Equipe Financeira: Arles Eduardo Noga, Danilo Pisani de Souza, Gisele de Silva, Karina Moraes Gontijo Pereira, Ronaldo Brandão dos Santos, Rosângela Abreu, Sérgio Luiz Pessoa Equipe Administrativa: Edileide Silva, Marinez Lemos Costa Gerente do PROBIO junto ao Banco Mundial: Adriana Moreira Ordenador de despesas do PROBIO no CNPq: Jovan Guimarães Gadioli dos Santos

Apoio Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira – PROBIO, Global Environment Facility- GEF Banco Mundial – BIRD Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico eTecnológico - CNPq Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - Projeto BRA/00/021

Realização Associação Caatinga, Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal de Campina Grande, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade Estadual do Ceará, Universida- de Estadual da Paraíba, Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Embrapa Meio-Norte, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do estado de Pernambuco, Associação dos Observadores de Aves de Pernambuco

Revisão de texto Lílian Aparecida Mudado Suassuna

Supervisão Editorial Cilúlia Maria Maury

Capa e Revisão de Editoração Ana Lúcia Leite Prates

Editoração

Eduardo Freire

ISBN 85-87166-76-X

Fotos da capa Maria de Jesus Rodal, Ciro Albano, Fernando Zanella, George Miranda, Yuri Lima, L.M. Brito e Maurício Albano

Fotos internas Equipe do Projeto

Catalogação na Fonte por Hamilton RodriguesTabosa – CRB-3/888

A689a Análise das variações da biodiversidade do bioma Caatinga:

suporte a estratégias regionais de conservação / Francisca Soares de Araújo, Maria Jesus Nogueira Rodal, Maria Regina de Vasconcelos Barbosa (Organizadores).- Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2005. 446 p.: il.

1 Bioma caatinga 2.Biodiversidade 3.Conservação 4. Flora 5. Fauna I.Título

CDD 333.95

CDU 581:626.875

Sumário

Prefácio 7

Os autores 9

Agradecimentos 11

Seção I

Análise da repartição da flora no bioma Caatinga a partir de dados secundários 13

1

Repartição da flora lenhosa no domínio da Caatinga 15

Seção II

Estudo de caso em áreas consideradas pelo MMA/PROBIO prioritárias para conservação de biodiversidade no bioma Caatinga nos Estados do Ceará (Serra das Almas), Paraíba (Curimataú) e Pernambuco (Betânia) 35

2

Diagnóstico do estado atual da cobertura vegetal em áreas prioritárias para conservação da Caatinga 37

3

Vegetação e flora em áreas prioritárias para conservação da Caatinga 81

3.1

Vegetação e flora fanerogâmica da área Reserva da Serra das Almas, Ceará 91

3.2

Vegetação e flora fanerogâmica da área do Curimataú, Paraíba 121

3.3

Vegetação e flora fanerogâmica da área de Betânia, Pernambuco139

3.4

Flora criptogâmica da área do Curimataú, Paraíba 167

4

Diversidade de mamíferos em áreas prioritárias para conservação da Caatinga 181

5

Diversidade de aves em áreas prioritárias para conservação da Caatinga 203

6

Diversidade de répteis e anfíbios em áreas prioritárias para conservação da Caatinga 227

6.1

Herpetofauna da área Reserva Serra das Almas, Ceará 243

6.2

Herpetofauna da área do Curimataú, Paraíba 259

6.3

Herpetofauna da área de Betânia, Pernambuco 275

7

Diversidade de peixes da bacia do Curimataú, Paraíba 291

8

Diversidade de artrópodes em áreas prioritárias para conservação da Caatinga 319

8.1

Formigas (Hymenoptera: Formicidae) da área Reserva Serra das Almas, Ceará 327

8.2

Aranhas (Araneae, Arachnida) da área Reserva Serra das Almas, Ceará 349

8.3

Besouros Scarabaeidae (Coleoptera) da área do Curimataú, Paraíba 367

8.4

Abelhas (Hymenoptera, Apoidea, Apiformes) da área do Curimataú, Paraíba 379

8.5

Membracidae (Hemiptera, Auchenorrhyncha) e suas plantas hospedeiras na região do Curimataú, Paraíba 393

8.6

Colembolofauna (Hexapoda: Collembola) da área do Curimataú, Paraíba 405

Seção III

Recomendações sobre estratégias para conservação da biodiversidade e pesquisas futuras no bioma Caatinga 413

9

Estratégias para conservação da biodiversidade e prioridades para a pesquisa científica no bioma Caatinga 415

Anexos

Anexo I Perfil das instituições parceiras e resumo dos currículos dos autores 433

Prefácio

Esta publicação é resultado do esforço colaborativo de 57 pesquisado-

res, bolsistas e estagiários voluntários ligados a dez instituições de ensino

e pesquisa, organizações não governamentais, principalmente do Nordeste

brasileiro, à Embrapa Meio-Norte e ao Instituto Nacional de Pesquisas Es- paciais, com o objetivo de obter um diagnóstico sobre a biodiversidade de áreas prioritárias para conservação do bioma Caatinga. Neste livro, apresentam-se os resultados do subprojeto PROBIO de título “Análise das variações da biodiversidade do bioma Caatinga com o apoio de sensoriamento remoto e sistema de informações geográficas para

suporte de estratégias regionais de conservação”. A partir de uma caracteri- zação geral da repartição dos conjuntos florísticos no bioma Caatinga, são introduzidos três estudos de caso sobre o estado atual da cobertura vegetal

e análise de variações da biodiversidade em áreas consideradas prioritárias pelo MMA/PROBIO nos estados do Ceará, Paraíba e Pernambuco. Para tanto, esta publicação foi dividida em três seções:

Seção I - Análise da repartição da flora no bioma Caatinga a partir de dados secundários.

Seção II – Estudo de caso em áreas consideradas pelo MMA/PROBIO prioritárias para conservação de biodiversidade no bioma Caatinga nos estados do Ceará (Serra das Almas), Paraíba (Curimataú) e Per- nambuco (Betânia).

Seção III - Estratégias para conservação da biodiversidade e pesquisas futuras no bioma Caatinga.

Francisca Soares de Araújo Maria Jesus Nogueira Rodal Maria Regina de Vasconcellos Barbosa

Autores

1

Airton de Deus Cysneiros Cavalcanti

2

Alfredo Ricardo Langguth

3

Amélia Iaeca Kanagawa

4

Ana Carolina Borges Lins e Silva

5

Antônio AlvesTavares

6

Antônio Domingos Brescovit

7

Antônio José Creão-Duarte

8

Bárbara Lins Caldas de Moraes

9

Celso F. Martins

10

Ciro Ginez Albano

11

Cristina Arzabe

12

Diva Maria Borges-Nojosa

13

Douglas Zeppelini Filho

14

Edinilza Maranhão dos Santos

15

Edson Paula Nunes

16

Emmanuelle da Silva Costa

17

Fagner Ribeiro Delfim

18

Fernando Groth

19

Fernando Roberto Martins

20

Fernando Zanella

21

Flávia Michele Vasconcelos do Prado

22

Francisca Soares de Araújo

23

Gabriel de Barros Moreira Beltrão

24

Gabriel Skuk Sugliano

25

George Emmanuel C. de Miranda

26

Gilmar Beserra de Farias

27

Gindomar Gomes Santana

28

Hérika Geovânia de Araújo Carvalho

29

Josevaldo Pessoa da Cunha

30

Katiannne Cristina da Silva Veríssimo

31

Luciana Maranhão Pessoa

32

Luiz Augustinho Menezes da Silva

33

Luzinalva Mendes Revoredo Mascarenhas Leite

34

Malva Isabel Medina Hernández

35 Marcos Antônio Nóbrega de Sousa

36 Maria Adélia Oliveira Monteiro da Cruz

37 Maria Angélica Figueiredo

38 Maria de Fátima Agra

39 Maria do Céo Rodrigues Pessoa

40 Maria Jesus Nogueira Rodal

41 Maria Regina de Vasconcellos Barbosa

42 Martinho Cardoso de Carvalho Júnior

43 Olívia Evangelista de Souza

44 Osman José Pinheiro Júnior

45 Paulo Cascon

46 Rafael Carvalho da Costa

47 Rembrandt Romano de A. D. Rothéa

48 Ricardo Souza Rosa

49 Rita Baltazar de Lima

50 RobsonTamar da Costa Ramos

51 Rodrigo Castro

52 Stephenson Hallyson Formiga Abrantes

53 Telton Pedro Anselmo Ramos

54 Vítor Celso de Carvalho

55 Weber Andrade de Girão e Silva

56 Yuri Cláudio Cordeiro de Lima

57 Yves Patric Quinet

Agradecimentos

Aos pesquisadores abaixo relacionados pela revisão dos capítulos deste livro, cuja contribuição foi impres- cindível para a melhoria do conteúdo. À Bióloga Morgana Maria Arcanjo Bruno (bolsista DTI PROBIO/CNPq-sub- projeto mapeamento do bioma Caatinga) pela valiosa colaboração na organização final do livro. À professora Dra. Arlete Aperecida Soares e ao Mestre Itayguara Ribeiro da Costa pela ajuda nas correções finais do texto.

2. Diagnóstico do estado atual da cobertura vegetal em áreas prioritárias para conservação da Caatinga. Marico Meguro e Marisa Dantas Bitencourt Universidade de São Paulo Departamento de Biociências Rua do Matão,Trav. 14, n° 321 05508-900, Cidade Universitária – São Paulo

3. Vegetação e flora em áreas prioritárias para conservação da Caatinga. Everardo Valadares de Sá Barreto Sampaio Universidade Federal de Pernambuco Centro deTecnologia Departamento de Energia Nuclear AV. Prof. Luís Freire 1000 Cidade Universitária 50740-540, Recife, PE, Brasil.

Ana Cecília Menezes Fortes Xavier Universidade Federal do Ceará Centro de Ciências Campus do Pici Departamento de Biologia, Bloco 906 60455-760, Fortaleza, CE, Brasil

4. Diversidade de mamíferos em áreas prioritárias para conservação da Caatinga. João Alves de Oliveira Universidade Federal do Rio de Janeiro Museu Nacional Departamento de Vertebrados Quinta da Boa Vista, s/n , São Cristóvão 20940040, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

5. Diversidade de aves em áreas prioritárias para conservação da Caatinga. Luís Fábio Silveira Universidade de São Paulo Departamento de Zoologia Caixa Postal 11461 05422-970, São Paulo, SP, Brasil.

Caio Grago Machado Universidade Estadual de Feira de Santana Departamento de Ciências Biológica BR 116, Km 03, Avenida Universitária, Módulo I, LABIO. 44031-460, Feira de Santana, BA, Brasil

6. Diversidade de répteis e anfíbios em áreas prioritárias para conservação da Caatinga. Guarino R. Colli Universidade de Brasília Departamento de Zoologia Instituto de Ciências Biológicas 70910900, Asa Norte – Brasília, DF, Brasil.

Rogério Pereira Bastos Universidade Federal de Goiás Instituto de Ciências Biológicas Departamento de Biologia Geral Caixa postal 131, Laboratório de Comportamento Animal 74001-970, ST.Itatiaia – Goiânia, GO, Brasil.

Débora Leite Silvano Ministério do Meio Ambiente Secretaria de Biodiversidade e Florestas Núcleo de Biomas do Cerrado Esplanada dos Ministérios, Bloco “B” – 7° andar – sala 700 70068-900, Brasília, DF, Brasil.

7. Diversidade de peixes da bacia do Curimataú, Paraíba. Naércio Aquino Menezes Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo Avenida Nazaré, 481 04263-000, Ipiranga, SP, Brasil.

Cláudia Pereira de Deus e Silva Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Departamento de Biologia Aquática e Limnologia Divisão de Biologia e Ecologia de Peixes Avenida André Araújo, 1756, Aleixo 69011970, Manaus, AM, Brasil.

8. Diversidade de artrópodes em áreas prioritárias para conservação da Caatinga. Inara Roberta Leal Departamento de Botânica Universidade Federal de Pernambuco 50670-901, Recife, PE, Brasil.

Análise da repartição da flora no bioma Caatinga a partir de dados secundários

1 Repartição da flora lenhosa no domínio da Caatinga

Francisca Soares de

Maria Jesus Nogueira

Araújo

Rodal

Maria Regina de Vasconcellos

Barbosa

 

Fernando Roberto

Martins

Repartição da flora lenhosa

1. Introdução

No continente sul-americano, predominantemente úmido, ocorrem três núcleos áridos e semi-áridos, ocupando províncias geológicas e condi-

ções térmicas diferentes: 1) a diagonal arréica na franja oeste do continente, estendendo-se desde o golfo de Guaiaquil, a poucos graus do equador, até

o Estreito de Magalhães acima de 52º S; 2) o domínio semi-árido de Guajira,

na fachada caribeana da Venezuela, no extremo nor-noroeste do continen- te; 3) o domínio da Caatinga (vegetação lenhosa caducifólia espinhosa) nas baixas latitudes do Nordeste do Brasil (AB’SÁBER, 1974; SARMIENTO, 1975). Analisando a semelhança da flora em diversas áreas de formações secas da América do Sul, situadas naqueles três domínios, Sarmiento (1975) encon- trou baixa similaridade, sendo a Caatinga e as formações dos altos Andes, no domínio da diagonal arréica, as floras mais dissimilares. A região Nordeste brasileira tem uma área de 1.542.246 km² (IBGE, 1998), na qual o domínio semi-árido cobre mais de 750.000 km² (AB’SÁBER, 1977). O semi-árido brasileiro apresenta variações no grau de aridez eda- fo-climática que, em geral, estão associadas à distância do litoral (mar), à

altitude, à geomorfologia, ao nível de dissecação do relevo, à declividade e à posição da vertente em relação à direção dos ventos (barlavento, sotavento)

e à profundidade e composição física e química do solo (ANDRADE-LIMA,

1981; SAMPAIO et al., 1981; ARAÚJO, 1998; RODAL, 2002). Com o aumento da altitude, há redução na temperatura e aumento da precipitação e da dis- ponibilidade de água no solo, principal limitante da produtividade primária nos trópicos de clima semi-árido. Segundo Andrade-Lima (1981), o domínio da Caatinga está inserido no interior da isoieta de 1.000 mm. Porém, na maior parte desse domínio, chove menos de 750 mm anuais, concentrados e distribuídos irregularmente em três meses consecutivos no período de novembro a junho (verão ou verão- outono). As vertentes a barlavento das serras e chapadas, especialmente das situadas próximas da costa, recebem maior precipitação devido às chuvas de convecção forçada, que causam as chamadas chuvas de montanha. A média anual de temperatura varia pouco, em torno de 26ºC (NIMER, 1989), mas di- minui nas altitudes mais elevadas das serras e chapadas. Mabesoone (1978) dividiu o relevo do Nordeste do Brasil em três princi- pais unidades: 1) a área costeira; 2) a área do complexo embasamento cristali- no; 3) a área da bacia sedimentar neopaleozóica-mesozóica do Piauí-Maranhão (bacia do Meio Norte). A área da costa é representada por planícies arenosas quaternárias com baixas altitudes e por relevos sedimentares tabulares terciá- rios (formação Barreiras) abaixo de 100 m a.n.m. de altitude. A área do complexo

cristalino proterozóico inclui as bacias sedimentares intracratônicas, freqüente- mente associadas a fossas, preenchidas por abundantes e extensivos sedimen- tos Cretáceos (ANDRADE, 1968). O complexo cristalino é predominantemente aplainado (300-500 m a.n.m,) e, sobre a extensa área aplainada, se elevam ser- ras e chapadas sedimentares com altitudes de 900 m a.n.m ou mais, sendo elas

o planalto da Borborema, desde o Rio Grande do Norte até o norte de Alagoas,

a chapada do Araripe entre os estados do Ceará e Pernambuco e a chapada Dia-

mantina na Bahia (MABESOONE; CASTRO, 1975). A bacia sedimentar do Meio Norte abrange a maior parte do Maranhão e do Piauí, e o bordo oriental, deno- minado planalto da Ibiapaba, ocupa uma estreita faixa ao oeste do estado do Ceará, onde atinge altitudes em torno de 900 m a.n.m (LINS, 1978).

1616

Associados à heterogeneidade do relevo, clima e solo no Nordeste do Brasil, dois tipos fisionômicos de vegetação dominam na área semi-árida. As fisionomias não florestais e as florestais, que variam quanto a deciduidade foliar, de perenefólias, semidecíduas a decíduas. A fisionomias não florestais são representadas pela vegetação lenhosa caducifólia espinhosa (caatinga em sentido restrito), encraves de cerrado, carrasco e outros tipos arbustivos sem denominações locais. A vegetação lenhosa caducifólia espinhosa (Sa- vana Estépica sensu VELOSO et al., 1991), regionalmente chamada de “Ca- atinga,” domina nas terras baixas do complexo cristalino e vertentes com sombra de chuvas de serras e chapadas distantes do litoral (ANDRADE-LIMA, 1981; SAMPAIO, 1995). Entremeados a outros tipos de vegetação ocorrem encraves de Cerrado ou Savana (SARMENTO; SOARES, 1971; FURLEY; RAT- TER, 1988; FIGUEIREDO, 1986, 1989; FERNANDES, 1990). Uma vegetação ar- bustiva densa caducifólia não espinhosa, chamada de carrasco, ocorre na chapada do Araripe e planalto da Ibiapaba (ARAÚJO, 1998; ARAÚJO; MAR- TINS, 1999; ARAÚJO et al., 1999). Ocorre também uma vegetação arbustiva na bacia do Tucano-Jatobá (chapada de São José em PE e Raso da Catarina na BA) (RODAL, 1984; RODAL et al., 1998, 1999; GOMES, 1999; FIGUEIRÊDO et al., 2000), sobre a chapada Diamantina na região do município de Seabra na Bahia e sobre a chapada das Mangabeiras na divisa entre os estados da Bahia, Pernambuco e Piauí (ARAÚJO, 1998). As florestas perenifólias (matas úmidas serranas) situam-se nas vertentes a barlavento das serras e chapadas próximas do litoral, enquanto as florestas semidecíduas e decíduas (matas secas) ocorrem nas vertentes a sotavento das serras e chapadas próximas da costa ou nas serras e chapadas situadas no interior da área semi-árida (FER- NANDES; BEZERRA, 1990; CORREIA, 1996; SALES et al., 1998;TAVARES et al., 2000; MOURA; SAMPAIO, 2001; NASCIMENTO, 2001; RODAL; NASCIMENTO, 2002; FERRAZ et al., 2003). As variações fisionômicas das formações florestais e não florestais re- fletem as variações abióticas (altitude, continentalidade e solos) encontradas no semi-árido brasileiro. Resta saber se os dois grandes domínios fisionômi- cos (florestal e não florestal) pertencem a um único conjunto florístico ou se a flora do complexo cristalino é diferente da flora encontrada nas áreas sedi- mentares, independentemente da altitude e da proximidade com o oceano e, nesse caso, a principal barreira fitogeográfica é o solo. Para testar a possível ocorrência desses padrões no semi-árido brasileiro, foram compiladas listas florísticas a partir de trabalhos já realizados no interior da isoieta de 1000 mm do Nordeste brasileiro. A urgência em definir uma política para conservação da biodiversidade da Caatinga fica patente quando se considera que, no bioma, há cerca de 36 unidades de conservação correspondentes a 7,1% da superfície total, porém, apenas cerca de 1,21% desse total são unidades de proteção integral (CAPO- BIANCO, 2002) e que estimativas mostram que 30% da área do bioma já foi alterado pelo homem, principalmente em função da agricultura. Dado esse quadro, espera-se rápida perda de espécies únicas, eliminação de processos- chave nos sistemas ecológicos e formação de extensos núcleos de desertifi- cação em vários setores da região. Espera-se que a resposta à pergunta mencionada seja considerada no estabelecimento de políticas públicas para a criação e implantação de unidades de conservação de biodiversidade e de programas de educação ambiental e no desenvolvimento de técnicas de manejo e uso sustentável da biodiversidade do bioma.

1717

Repartição da flora lenhosa

2. Material e métodos

As técnicas de análises multivariadas permitem relacionar muitas va- riáveis simultaneamente (MANLY, 1994). Entre elas, técnicas de classificação (análise de aglomerados) e ordenação (componentes principais, coordena- das principais, classificação-ordenação dicotomizada) têm sido amplamente usadas em ecologia de comunidades (GAUCH, 1982; MANLY, 1994). As téc- nicas de análise de aglomerados permitem, a partir de uma matriz de seme- lhança ou distância, juntar sucessivamente o par de grupos mais próximo, até que permaneça um só grupo, enquanto as técnicas de ordenação são usadas para detectar gradientes (GAUCH, 1982; MANLY, 1994). Neste capí- tulo, serão usadas técnicas de análise multivariada de aglomerado com a finalidade de detectar a ocorrência de conjuntos e a proximidade florística entre as formações vegetacionais do nordeste semi-árido brasileiro no nível de espécie e família. Para analisar a ocorrência ou não de grupos e a afinidade florística entre as diferentes formações vegetacionais, foi construída uma matriz de presença e ausência (matriz binária) para as espécies e uma matriz com o número de espécies em cada família (matriz quantitativa). A matriz binária foi composta por 577 espécies arbustivas e arbóreas e a quantitativa, por 64 famílias, encontradas em 117 levantamentos quantitativos ou qualitativos (Tabela 1). As espécies e famílias foram consideradas descritores e as áreas levantadas, objetos. A partir da matriz binária, isto é, da presença e ausência das espécies em cada um dos levantamentos, foi calculada a matriz quadra- da e simétrica através do índice de similaridade de Jaccard [Sj = a / (a+b+c)], onde: a = número de espécies comuns às amostras A e B, b = número de es- pécies exclusivas da amostra B, c = número de espécies exclusivas da amos- tra A (KREBS, 1989). A partir da matriz quantitativa, isto é, do número de espécies por família em cada levantamento, foi calculada a matriz quadrada e simétrica de distância Bray-Curtis (KREBS, 1989),

D A-B = Σ|X Ai - X Bi | /Σ | X Ai + X Bi |

onde: D= coeficiente de dissimilaridade entre amostras A e B e XAi, XBi= nú- mero de indivíduos da espécie i em cada amostra (KREBS, 1989). A construção dos dendrogramas resultantes da análise de aglomerado foi feita através da média de grupo (EVERITT, 1981; KREBS, 1989). Para essas análises, foi usado o programa PC-ORD (McCUNE; MEFFORD, 1999).

1818

Tabela 1 - Lista dos levantamentos com os respectivos autores compilados para a elaboração das matrizes de espécies e famílias. Fitofisionomias= Savana Estépica (Se); Savana arborizada (Sa); Floresta estacional decídua (Fed); Floresta estacional semidecídua (Fes); Floresta estacional perene (Fep); Critério de inclusão = diâmetro no nível do solo (DNS), diâmetro a 50 cm do nível do solo (DN50), diâmetro a 130 cm do nível do solo (DAP), perímetro no nílvel do solo (PNS); Método de amostragem= parcela (pc); ponto-quadrante (pq); Riqueza taxonômica= número de espécie (NE); número de famílias (NF).

Altitude (m)

600

400

400

400

400

400

400

400

1020-1120

550-1036

800

120

210

-

         

596

600

400-500

Precipitação

(mm)

600

579,2-585,4

579,2-585,4

579,2-585,4

579,2-585,4

579,2-585,4

579,2-585,4

579,2-585,4

764

900

1095,9

848

732,8

590-684

-

-

-

-

-

700

689

474,6-713,7

Coordenadas

8° 24 11 30 S W 37° 21

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

39°49W 39°30-

8°04-8°17S

36°40’W

38°04W 38°02-

8°35-8°38S

37°11’W

38°44’W

4 o 4934S

589W

o

38

40°0715-40°1919W

6°3601-06°4435S

-

-

-

-

-

35°4742W

6°5252S

08°2650-08°5423S

42°1947-42°4551W

 

8°10’S

6°67’S

4°18’S

-

UF

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

CE

CE

 

CE

CE

CE

CE

CE

 

PI

CE

Local/Município

Buíque

Parnamirim

Parnamirim

Parnamirim

Parnamirim

Parnamirim

Parnamirim

Parnamirim

Jataúba

Inajá/Floresta

Buíque

Capistrano

Quixadá

Aiuaba

Barbalha

Barbalha

Barbalha

Barbalha

Barbalha

Areia/Remígio

São Raimundo Nonato

Região dos Inhamuns

Geomorfologia

Bacia Tucano-Jatobá

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Bacia Tucano-Jatobá

Bacia Tucano-Jatobá

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Bacia do Araripe

Bacia do Araripe

Bacia do Araripe

Bacia do Araripe

Bacia do Araripe

Complexo Cristalino

Bacia do Meio Norte

Complexo Cristalino

NF

20

6

8

7

7

10

7

6

31

36

15

15

12

20

14

16

11

10

10

19

14

10

NE

33

10

16

10

10

13

9

10

63

108

26

30

27

55

27

25

19

20

14

39

25

34

Área

pontos

100

0,05 ha

0,05 ha

0,05 ha

0,05 ha

0,05 ha

0,05 ha

0,05 ha

0,3 ha

-

pontos

100

0,5 ha

5 ha

-

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

0,6 ha

1 ha

-

Método

 

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

-

 

pc

-

-

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

-

de

inclusão

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

 

DNS > 03cm

DNS > 03cm

 

Todos

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

 

Critério

Todos

Todos

Todos

Fitofisionomia

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Fes

Fes

Se

Se

Se

Se

Fes

Fes

Fes

Fes

Fes

Se

Se

Se

Autores

pqFigueirêdo

et al. (2000)

Santos (1987)

Santos (1987)

Santos (1987)

Santos (1987)

Santos (1987)

Santos (1987)

Santos (1987)

 

Moura e Sampaio (2001) Rodal e Nascimento

(2002)

pqRodal

et al. (1998)

Medeiros (1995)

Costa (2002 a)

CEOliveira

et al. (1988)

-Tavares

et al. (1974a)

-Tavares

et al. (1974a)

-Tavares

et al. (1974a)

-Tavares

et al. (1974a)

-Tavares

et al. (1974a)

PBPereira

et al. (2002)

Lemos e Rodal (2002)

Figueiredo (1983)

Levant.

L1

L2

L3

L4

L5

L6

L7

L8

L9

L10

L11

L12

L13

L14

L15

L16

L17

L18

L19

L20

L21

L22

1919

Repartição da flora lenhosa Tabela 1 (cont.)

Altitude (m)

750-759

750-760

750-760

830

 

530

-

-

-

230

240

 

280

280

 

230

                   

317

Precipitação

(mm)

838

838

838

1289

 

694

585

585

574

542,4

542,4

 

529

529

 

529

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

631,8

Coordenadas

40°55W 40°52-

5°28-5°43S

40°55W 40°52-

5°28-5°43S

40°55W 40°52-

5°28-5°43S

40°5924W

3°5434S

8°1418S

35°5520W

38°17W 38°00-

8°30-8°37S

38°17W 38°00-

8°30-8°37S

37°19’W

8°06’S

09°35-09°51S

37°35-37°37,7W

09°35-09°51S

37°35-37°37,7W

09°35-09°51S

37°35-37°37,7W

09°35-09°51S

37°35-37°37,7W

09°35-09°51S

37°35-37°37,7W

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

 

UF

CE

     

PE

PE

PE

PE

SE

SE

 

SE

SE

 

SE

CE

CE

CE

CE

CE

CE

CE

CE

CE

CE

PE

Local/Município

Fria, Novo

Baixa Oriente

Carrasco, Novo Oriente

Estrondo, Novo Oriente

Jaburuna, Ubajara

       

Barra, Poço

Fazenda

 

da

California,

Fazenda

do São

Francisco

Canindé

Canindé do

Curituba,

 

Canindé-

Estrada

do São

Quixadá

Quixadá

Quixadá

Quixadá

Quixadá

Tauá

Tauá

Tauá

Tauá

Tauá

 

Caruarú

Floresta

Floresta

Custódia

Redondo

Redondo

Poço Barra

Fazenda

Onça,

São Francisco

Francisco

Canindé

Brejo

Fasa, Floresta

Geomorfologia

 

Bacia do Meio Norte

Bacia do Meio Norte

Bacia do Meio Norte

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

 

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

 

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

NF

17

20

18

20

 

12

10

10

11

17

13

 

15

10

 

14

11

7

8

6

10

5

9

7

5

5

9

NE

35

34

37

44

 

22

19

20

18

30

23

 

27

19

 

24

14

9

12

7

12

9

12

10

7

7

20

Área

0,25 ha

0,25 ha

0,25 ha

1 ha

0,72 ha

pontos

100

pontos

100

pontos

100

0,15 ha

0,15 ha

 

0,15 ha

0,15 ha

 

0,15 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

0,05 ha

Método

pc

pc

pc

pc

 

pc

       

pc

pc

 

pc

 

pc

 

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

de

inclusão

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

PNS > 05cm

PNS > 05cm

PNS > 05cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

 

DNS > 03cm

DNS > 03cm

 

DNS > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DNS > 03cm

Critério

Fitofisionomia

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

 

Se

Se

 

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Autores

Bacia do Meio NorteAraújo

et al. (1998)

CEAraújo

et al. (1998)

CEAraújo

et al. (1998)

CEAraújo

et al. (1999)

Alcoforado-Filho et

al.(2003)

pqAraújo

et al. (1995)

pqAraújo

et al. (1995)

pqAraújo

et al. (1995)

Fonseca (1991)

Fonseca (1991)

 

Fonseca (1991)

Fonseca (1991)

 

Fonseca (1991)

-Tavares

et al. (1969a)

-Tavares

et al. (1969a)

-Tavares

et al. (1969a)

-Tavares

et al. (1969a)

-Tavares

et al. (1969a)

-Tavares

et al. (1974b)

-Tavares

et al. (1974b)

-Tavares

et al. (1974b)

-Tavares

et al. (1974b)

-Tavares

et al. (1974b)

Rodal (1992)

Levant.

L23

L24

L25

L26

L27

L28

L29

L30

L31

L32

 

L33

L34

 

L35

L36

L37

L38

L39

L40

L41

L42

L43

L44

L45

L46

2020

Tabela 1 (cont.)

Altitude (m)

317

542

542

                           

-

-

-

-

-

         

900

800

Precipitação

(mm)

631,8

650,9

650,9

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

590

590

Coordenadas

-

 

-

 

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

-

UF

PE

PE

PE

PB

PB

PB

PB

PB

RN

RN

RN

RN

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PE

PB

PB

Local/Município

Poço do Ferro, Floresta

(esquerda),

Custódia

(direita),

Custódia

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Bacia do Rio Piranhas

Ouricurí, Bodocó

Ouricurí, Bodocó

Ouricurí, Bodocó

Ouricurí, Bodocó

Ouricurí, Bodocó

Santa Maria Vista da Boa

Santa Maria Vista da Boa

Santa Maria Vista da Boa

Santa Maria Vista da Boa

Santa Maria Vista da Boa

Petrolina

Petrolina

Petrolina

Petrolina

Petrolina

Ouro Velho

Ouro Velho

Boa Vista

Boa Vista

Geomorfologia

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

         

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

Complexo Cristalino

NF

12

11

16

7

8

7

5

10

6

4

4

10

3

6

5

6

5

7

4

5

5

6

6

6

7

8

5

5

5

NE

23

20

24

9

10

10

6

13

8

4

5

12

5

13

9

10

9

10

8

11

12

10

11

11

11

14

10

6

7

Área

0,05 ha

0,05 ha

0,05 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

1 ha

0,1 ha

0,1 ha

Método

pc

 

pc

 

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

pc

de

 

inclusão DNS > 03cm

DNS > 03cm

DNS > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DN50 > 03cm

DNS > 05cm

DNS > 05cm

Critério

Fitofisionomia

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Se

Autores

Rodal (1992)

Rodal (1992)

Rodal (1992)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1975)

-Tavares

et al. (1970)

-Tavares

et al. (1970)

-Tavares

et al. (1970)

-Tavares

et al. (1970)

-Tavares

et al. (1970)

Complexo CristalinoTavares

et al. (1970)

Complexo CristalinoTavares

et al. (1970)

Complexo CristalinoTavares

et al. (1970)