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5 de dezembro, 2017

A indecisão do tucano

As Últimas 168 Horas..................................................................................................................................... 2


A Indecisão do Tucano ........................................................................................................................... 2
Ó o Gás!!! ........................................................................................................................................... 6
As Próximas 168 Horas .................................................................................................................................. 9
Operações Abertas............................................................................................................................................ 16
Operações Encerradas ................................................................................................................................... 17

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As Últimas 168 Horas

A indecisão do tucano

A Previdência continuou dominando o noticiário brasileiro e fazendo preço na Bolsa – as


idas e vindas do PSDB têm se refletido no humor do mercado, que sobe e desce à medida
que o partido se aproxima ou se afasta do projeto, ao melhor estilo “tá quente, tá frio”.

No momento, a aproximação de Alckmin e Temer parece ter animado bastante os


investidores, que puxaram o pregão desta segunda-feira (4).

Apesar dos dados econômicos que confirmam a retomada gradual do Brasil, continuamos
acreditando que o que deve fazer preço daqui para a frente são as reformas e as eleições.
A forte onda de IPOs (BR Distribuidora, Burguer King, Neonergia), que deve movimentar
cerca de R$ 14,2 bilhões, e as remessas de capital também estão pesando nos preços das
demais ações.

Mas por que mesmo com um boletim Focus indicando um crescimento do PIB de 2,6%,
IPCA de 4,02% e Selic de 7% para 2018 a Bolsa se manteve mais no vermelho nessas últimas
semanas?

Fonte: Banco Central

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É preciso voltar um pouco no tempo para tentar entender. Em 2015, estávamos com dados
econômicos péssimos, que não indicavam nenhuma melhoria, e a inépcia de Dilma não
permitia ver a luz no fim do túnel – era o famoso “alçapão depois do fundo do poço”
vislumbrado por Luis Stuhlberger (fundo Verde).

No entanto, um fato importantíssimo ocorreu no meio do caminho que, até então, era
tenebroso: veio o impeachment de nossa excelentíssima presidente e o túnel escuro se
transformou na ponte para o futuro de Temer – a Bolsa subiu até outubro de 2017 batendo
sua máxima histórica no dia 13 daquele mês, a 76.989 pontos, quebrando uma marca que
já durava quase dez anos.

Fonte:
Fontes: Empiricus e Bloomberg

Se tirar Dilma do Planalto não fez a inflação ficar controlada da noite para o dia e muito
menos o PIB voltar a crescer, por que a Bolsa subiu com tanta força? A palavra-chave para
entender essa pergunta é: expectativa dos agentes da economia.

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Com as expectativas de que o Banco Central e o Ministério da Fazenda passariam a ser
controlados, respectivamente, por Ilan Goldfajn e Henrique Meirelles, o mercado financeiro
soube que dali pra frente teria uma melhor previsibilidade do futuro da economia, passando
a confiar mais nas políticas monetária e fiscal.

Mais do que a mudança nos nomes da equipe econômica, a nova mentalidade do presidente
era muito mais compatível com a agenda de reformas e ajustes necessários para o país.
Temer indicou nomes de peso também para outros cargos estratégicos, com destaque para
Pedro Parente na Petrobras e Wilson Ferreira Júnior para o comando da Eletrobras.

Vislumbrando um futuro melhor, as expectativas dos agentes foram se ajustando, à medida


que uma série de medidas iam tomando forma ao longo do governo:

- Redução da exigência do conteúdo nacional de 80% para 40% nos leilões de petróleo;

- Aprovação da PEC do teto, limitando o crescimento dos gastos públicos ao Orçamento do


ano anterior corrigido pelo IPCA;

- Mudança na gestão das estatais (Eletrobras, Petrobras, BNDES);

- Substituição da TJLP pela TLP, que ao longo dos próximos cinco anos vai aproximar a taxa
de juros de captação do BNDES à taxa de empréstimo.

- Reforma trabalhista

O atual governo promoveu um discurso que não era visto há muito tempo no Brasil: o
tamanho do Estado, a alta carga tributária, as ingerências nas estatais e o gasto público de
má qualidade passaram a ser discutidos nas redes sociais e prometem ser a principal pauta
nas eleições do ano que vem.

A partir do momento em que Temer assumiu com um discurso pró-mercado, mostrando que
tinha forças para conseguir implementar um ajuste fiscal, o mercado passou a rever suas
expectativas e a atuar em um novo compasso.

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Isso em um primeiro momento impulsionou a forte alta da Bolsa, só se convertendo há
pouco em vitórias no campo da economia real (crescimento do PIB, geração de empregos,
aumento do consumo das famílias e a retomada dos investimentos).

Quando compramos uma ação, não estamos interessados somente no que a empresa vai
gerar no próximo trimestre – a maior parte do valor das companhias está no longo prazo e
em sua capacidade de transformar investimentos em retornos atrativos.

Em paralelo, a reforma da Previdência altera uma série de premissas de longo prazo em


relação à sustentabilidade fiscal do país e permite que se pense o Brasil mais a longo prazo,
com taxas de juros mais palatáveis e possibilidades atraentes de investimento.

No campo da economia real, a semana nos trouxe a divulgação do desemprego, da inflação


medida pelo IGP-M e do PIB.

O IGP-M avançou 0,52% em novembro, acelerando após alta de 0,20% no mês anterior.
Apesar disso, no ano a taxa acumulada é negativa em 1,40%, dando sinais de que a inflação
ainda não é um problema a médio prazo.

O nível de desemprego seguiu caindo em outubro, de 12,4% para 12,2%. Por ser tratar de
um indicador defasado – aparece somente quando a economia já apresenta melhoras – a
recuperação do nível de empregos tem sido mais rápida do que os economistas previam, o
que tem fortalecido cada vez mais o consumo das famílias, que, segundo o IBGE, cresceu
1,2% no trimestre, puxando a recuperação do PIB.

O PIB seguiu mostrando uma recuperação gradual, crescendo 0,15% na comparação com o
trimestre anterior. Apesar de ter ficado abaixo do esperado pelo mercado (0,3%), tivemos
alguns sinais positivos, ainda mais depois da revisão (para cima) dos números do primeiro e
do segundo trimestres.

Finalmente, tivemos dados melhores dos investimentos e dos setores da indústria e


serviços. No geral, o PIB continuou sendo puxado pelo consumo no lado da demanda e pelo
setor agrícola no lado da oferta. A agricultura nesse trimestre contribuiu menos para a alta
do PIB, apesar de ainda ser o setor com maior peso no crescimento da economia.

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Fontes: Empiricus e IBGE

Ó o Gás!!!
A Bolsa encerrou a semana em queda de 1,31%. Entre nossas posições, destacamos a alta
de Bradespar (BRAP4), que subiu 3,71% no período. Entre as quedas, Sonae Sierra (SSBR3)
recuou 2,51% e Cesp (CESP6) caiu 3,88%.

Na última quinta-feira (30), participamos do Ultrapar Day. A ação da companhia (UGPA3),


que vem sendo penalizada pelo mercado recentemente, carrega múltiplos esticados e
qualquer indício de que não vá entregar o guidance de crescimento acaba causando pânico
nos investidores.

Na edição do dia 10 de outubro, abrimos as principais linhas de receita da empresa (que


podem auxiliar na leitura deste relatório). Segue o link: https://goo.gl/mEPjxj

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A Ultrapar possui posições em grupos que se mostraram resilientes diante da crise e ao
mesmo tempo se alavancam durante a recuperação da economia. Esperamos que os cinco
negócios da companhia sigam apresentando crescimento em 2018. Destacamos abaixo os
principais pontos e as perspectivas para os cinco grupos da empresa:

Ipiranga: para a principal fonte de receita do grupo, o aumento da venda de combustíveis e


conversão dos postos com bandeiras brancas são os principais drivers para continuar
apresentando crescimento. A empresa acredita que com embandeiramento possa crescer o
que viria da aquisição dos postos Ale, deal barrado pelo Cade.

Outro vetor de crescimento são as operações de redes de conveniência – a empresa vem


testando projetos pilotos com minimercado, restaurante e praça de alimentação pois
enxerga um potencial de penetração grande, se comparado a outros países.

Oxiteno: a empresa acredita que a recuperação da economia e o início das operações da


planta em Pasadena, no Texas (EUA), devem trazer aumentos para a receita da divisão.
Atualmente, o mercado de etoxilados dos Estados Unidos é sete vezes maior do que o
mercado brasileiro e será importante para diversificar a receita do grupo.

Ultragaz: conseguir a aprovação da compra da Liquigás com o Cade segue sendo um dos
maiores desafios para o grupo. No entanto, a companhia também enxerga crescimento no
uso do GLP em mercados que ainda são proibidos no Brasil, como em geradores, veículos e
utensílios para piscinas e saunas, como bombas e aquecedores.

Extrafarma: em seu investimento mais recente, o grupo conta com mais um modelo de
negócio resiliente em crises e alavancado no crescimento da economia, bem como capaz de
explorar os avanços demográficos do país (uma população mais velha e mais rica consome
mais medicamentos). O grupo Ultra deve continuar investindo para propiciar crescimento
acelerado no mercado de farmácias, que conta com muitas lojas ainda em período de
maturação.

Ultracargo: a volta das operações no Porto de Santos deve impactar positivamente a


operação de logística e armazenagem para granéis líquidos. Em 2015, um incêndio nos

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tanques de gasolina e etanol da empresa durou nove dias, prejudicando uma parte da receita
da operação, que desde então ficou em manutenção.

A Ultrapar segue sendo uma posição de longo prazo, focada na qualidade do grupo, com
boa diversificação e um excelente histórico de execução de seus investimentos.
Acreditamos que a médio prazo a companhia contorne os imprevistos e volte a surpreender
positivamente.

A Sonae Sierra (SSBR3) apresentou queda de 2,51% no período. O case que depende
bastante da maturação de três de seus empreendimentos (Passeio das Águas, em Goiás;
Boulevard Londrina e Uberlândia Shopping) perdeu uma parte do retorno que vinha dando
desde o início da recomendação.

Ainda que os dados do consumo continuem mostrando a família brasileira menos endividada
e com um salário menos impactado pela inflação, a empresa conta com ativos em maturação,
o que pode pesar mais em um cenário menos otimista.

Por isso, enxergamos a correção com naturalidade: em um período de maior incerteza sobre
a economia, é normal que haja uma certa aversão a ativos com as características de Sonae.
Seguimos acreditando que o Natal será forte (os dados da Black Friday foram positivos) e
esperamos bons números no 4Q17. Além disso, uma eventual maior consolidação do setor
poderia envolver a empresa em um M&A, o que seria positivo para as ações da Sonae Sierra.

Já a Cesp (CESP6) continua caindo desde que o leilão foi adiado e mesmo as notícias
ligeiramente positivas dos últimos dias são incapazes de animar os investidores.

Na última semana, a subsecretária do governo do Estado de São Paulo disse que a Cesp foi
tema de debate em meio às negociações e mudanças de nomes em Brasília. Assim, existe a
possibilidade de a definição dos moldes da privatização sair ainda este ano.

O governo já informou que o leilão deve sair de fato no 1T18 e por isso seguimos confiantes
no case, já que esperamos que o desenho do novo leilão seja mais atrativo para os
investidores e consiga um lance mínimo maior que o anterior, de R$ 16,80 por ação.

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As Próximas 168 Horas
A Wiz (WIZS3), antiga Par Corretora, é a corretora de seguros da Caixa e opera com
exclusividade na corretagem dos produtos de seguros, previdência, capitalização e
consórcios comercializados nos canais de vendas da estatal.

As receitas da companhia são, via de regra, provenientes de comissões (corretagem)


recebidas pela comercialização de contratos de seguro. A cada pagamento do cliente, a Wiz
fica com um percentual para remunerar seus esforços de venda e demais serviços prestados
que auxiliam o processo como um todo (backoffice).

No total, a Caixa tem mais de 80 milhões de clientes, 3,4 mil agências, quase 12 mil
correspondentes bancários e mais de 13 mil lotéricas espalhados pelo país inteiro – essa
base de atuação possibilita expansão das receitas da Wiz sem grandes investimentos
adicionais.

Historicamente, quase todas as receitas da companhia vinham de seguros da Caixa, o que


gera uma grande dúvida sobre a continuidade do business – com uma única fonte de
receitas, qualquer ruptura ou vencimento do contrato (com vigência até 2021) teria
consequências bastante negativas para a empresa.

Assim, boa parte dos esforços da equipe de gestão tem sido fechar parcerias e desenvolver
novos canais para garantir o crescimento e a continuidade do negócio como um todo, bem
como trabalhar para aumentar a segurança do acordo comercial com a Caixa.

Resumidamente, a companhia atua em quatro áreas de negócio distintas:

(i) Bancassurance – modalidades de seguro comercializadas nas agências bancárias


(Vida, Habitacional, Prestamista, Residencial e Empresarial). Responsável por cerca
de 75% das receitas da Wiz em 2017 e está totalmente relacionada ao contrato
de parceria com a Caixa.

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(ii) Produtos Tradicionais – comercializados fora da agência (Auto e Saúde),
representam cerca de 4% das receitas da companhia e também estão embaixo do
guarda-chuva do contrato com a Caixa.
(iii) Operação Corporate – são modalidades de seguro comercializadas fora das
agências e não dependem do contrato com a Caixa (garantias, Rural, Vida etc.).
Hoje, representam cerca de 8% das receitas da companhia.
(iv) Operação Parceiros – bastante focada na comercialização de Consórcios
(residencial e auto), é uma das principais verticais de crescimento da companhia.
Hoje, já é responsável por quase 10% das receitas da Wiz e tem suas atividades
desvinculadas do contrato de exclusividade com a Caixa.

O quadro a seguir tem um bom resumo das atividades da companhia:

Fonte: Wiz Corretora

Os bons níveis de rentabilidade são sustentados por um modelo de negócio “asset-light”


(demanda baixos níveis de investimentos em capital fixo) e isento de riscos atuariais, que
ficam todos com a Caixa Seguradora. Mas a alavancagem operacional também é clara, com
crescimento dos lucros (CAGR de 66% nos últimos quatro anos), visivelmente acima do
avanço das receitas e do Ebitda. Tudo isso amparado em nível de alavancagem bastante
confortável, com posição de caixa líquido.

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Com baixo endividamento e baixíssima necessidade de investimentos, a geração de caixa é
um dos pontos fortes da companhia, que, nos últimos 12 meses, possibilitou um Cash Flow
Yield de 9,9% aos preços atuais. Isso equivale dizer que, no último ano, a companhia gerou
caixa equivalente a 9,9% de seu valor de mercado.

Olhando para a distribuição de dividendos, o número também impressiona – foram


distribuídos R$ 0,94 por ação nos últimos quatro trimestres, o que nos dá um yield anual de
8,6% a preços atuais.

Oras, parece uma barbada, não?

Como costumamos dizer por aqui, o mercado pode até ser irracional, mas não é bobo:
dificilmente deixa dinheiro na mesa sem uma boa justificativa. Para entender por que os
níveis de rentabilidade estão tão elevados, precisamos conversar um pouco sobre a
estrutura acionária da companhia.

A Par Corretora nasceu dentro da Caixa e teve seu IPO realizado em 2015. Em 2017, a
companhia mudou de nome e passou a assumir uma nova diretriz estratégica, justamente
para reduzir sua dependência das atividades da Caixa. Seu capital é dividido entre a Fenae
(fundação de funcionários da Caixa), a Caixa Seguradora e o mercado (free-float).

A Caixa Seguradora, por sua vez, é uma joint venture – entidade formada pela parceria entre
a Caixa, a CNP Assurances (grupo de seguros francês) e o INSS.

As relações entre a Wiz e a Caixa Seguridade são regidas por um contrato de exclusividade
de distribuição com validade até 2021 que é vinculado ao acordo firmado entre Caixa e CNP
para a constituição da Caixa Seguridade.

O entendimento inicial da companhia e de todo o mercado é de que, por força contratual,


caso a Caixa e a CNP estendessem sua parceria, a renovação do contrato entre Caixa
Seguridade e Wiz seria automática.

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Fonte: Wiz Corretora

Destacamos aqui um ponto negativo: os detalhes dos contratos (entre CNP e Caixa e entre
Caixa Seguridade e Wiz) nunca foram amplamente divulgados, o que deixou muitos
investidores no escuro e, até por isso, Wiz sempre negociou com desconto para seus pares
locais e internacionais.

O pulo do gato é o seguinte: há alguns meses, a CNP e a Caixa começaram a negociar um


novo contrato para uma parceria ainda maior e mais longa nas operações de seguro da
estatal brasileira. À medida que as negociações evoluíam, a falta de transparência sobre o
futuro da Wiz foi deixando o mercado apreensivo, com consequências negativas para a
cotação de WIZS3.

A sangria culminou com a divulgação, em setembro deste ano, de que Caixa e CNP chegaram
a um acordo para a exploração conjunta de seguros de vida, prestamista e previdência até
2041, válido já a partir de janeiro de 2018 – à data, a CNP informou que renunciou aos
direitos de exclusividade para a distribuição de produtos de seguridade no balcão a partir
de 1º de janeiro de 2018.

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Como você pode ver no gráfico abaixo, o mercado não gostou nada disso e começou a
“amassar” os papéis da corretora, que atingiram níveis mínimos no fechamento de ontem.

Fontes: Empiricus e Bloomberg

Basicamente, o grande medo do mercado e dos investidores em geral é que, de fato, a Wiz
fique de fora do novo acordo e se veja sem sua principal fonte de receitas a partir do dia 1º
de janeiro de 2018.

Vale destacar que, como os contratos de seguro em bancassurance estão vinculados a um


produto financeiro com prazo variável (como o financiamento de um imóvel), mesmo que a
Wiz não participe dos novos contratos, ela tem direito a receber as comissões geradas em
contratos passados – uma receita de estoque, por assim dizer.

Exemplificando: se um contrato de seguro está associado ao financiamento de um imóvel


pelos próximos 20 anos, cada parcela paga do financiamento engloba uma parcela do prêmio
do seguro e gera um valor de comissão a ser repassado para a Wiz. Essa comissão é paga à
vista, reconhecida como receita somente quando do seu recebimento e não possui custos
significativos associados a ela.

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Assim, pelos próximos 20 a 25 anos, a Wiz tem uma fonte de receitas decrescentes
garantida, independentemente do que ocorrer com o contrato atual com a Caixa
Seguridade.

Tivemos uma longa conversa com o management e realizamos uma série de cálculos para
estimar o valor dessas receitas de estoque em conjunto com as operações que são
desvinculadas do contrato com a Caixa.

Assumindo que a companhia tenha facilidade em cortar custos (demissão de funcionários,


basicamente), e que o contrato seja unilateralmente rompido em janeiro de 2018,
estimamos que as ações de Wiz teriam valor mínimo de R$ 9,70 – 9,4% abaixo do atual.

Esse número envolve a quebra de contrato e gostaríamos de destacar que, se a CNP abrir
mão da exclusividade, o fará para obter vantagens em um novo contrato com a Caixa em
detrimento dos interesses dos minoritários da Wiz, algo que caracteriza um claro conflito
de interesses.

De acordo com os gestores da corretora, a câmara arbitral designada para resolução dos
conflitos contratuais é a B3 que, historicamente, tem um viés pró-minoritário. Assim, nosso
entendimento é de que o contrato teria que ser cumprido até o seu fim ou uma indenização
deveria ser paga à Wiz.

Nosso cenário-base é ligeiramente mais otimista: assim que a CNP e a Caixa definirem todos
os parâmetros de sua nova parceria, chamarão a Wiz para negociar um novo contrato,
provavelmente em termos menos favoráveis do que os atuais (uma corretagem menor por
contrato vendido, por exemplo), mas com prazo também até 2041.

Entendemos isso porque a Wiz é a candidata natural para executar essas funções, dados a
integração dos sistemas, o pessoal já treinado atuando nas agências da Caixa e até mesmo
por uma questão reputacional – às vésperas de realizar o IPO da Caixa Seguridade, a Caixa
não tem interesse em se “queimar” no mercado.

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Neste cenário, calculamos que o valor justo para as ações da companhia seria de R$ 20,97
(potencial de 92% de valorização), desde que o contrato seja estendido até 2041 e o valor
das comissões seja reduzido em cerca de 30%, apenas.

Em nossos dois cenários, o custo médio de capital (WACC) ficou em 13% e o crescimento
na perpetuidade estimado foi de 2,5% (nominal).

Dada a assimetria dos cenários, estamos recomendando investimento de 5% da carteira em


WIZS3, até o limite de R$ 11,50 por ação. Para financiar a compra, recomendamos vender
o mesmo montante de suas LFTs.

O que pode dar errado?


Como todo e qualquer investimento em renda variável, as ações da Wiz estão sujeitas às
flutuações do mercado em geral, mas dada a particularidade do caso, entendemos que o
papel deve responder menos às oscilações de humor com notícias no front
político/econômico e deve flutuar mais de acordo com o desenrolar das negociações entre
seus controladores – para o bem ou para o mal, é um caso micro e não macro.

Nada garante que o contrato será mantido e não descartamos que haja uma longa batalha
judicial pela frente. Nosso pior cenário contempla uma ruptura quase que imediata do
contrato e não enxergamos muito downside para o case, mas nada garante que o preço não
fique significativamente abaixo de R$ 9,70 por um longo período de tempo.

Nossos cálculos foram feitos com base em informações apresentadas pelo management e
em diversas estimativas realizadas por nós. Não há como garantir sua veracidade nem
ocorrência futura.

Direto ao Ponto
Investir 5% da carteira em WIZS3 até o limite de R$ 11,50 por ação – vender LFTs para
financiar a compra.

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Operações Abertas
Operações Abertas

Data de Preço Preço Limite Peso Resultado


Ativo Tipo de Alocação Preço Entrada Recomendação
Inclusão Atual p/ Compra Recomendado Acumulado

Ações

BRAP4 Tática 18/08/2017 23,89 26,55 25,00 MANTER 5,0% 11,13%


UGPA3 Estratégica 09/02/2017 66,14 70,90 72,00 COMPRAR 5,0% 7,19%
SSBR3 Tática 21/02/2017 20,34 24,86 19,25 MANTER 5,0% 22,25%
HYPE3 Estratégica 27/03/2017 28,94 33,67 29,50 MANTER 10,0% 16,34%
CCRO3 Tática 10/07/2017 17,05 16,57 17,10 COMPRAR 5,0% -2,81%
POMO4 Tática 10/08/2017 3,35 3,65 3,50 MANTER 5,0% 8,89%
CESP6 Tática 12/09/2017 14,80 12,40 15,00 COMPRAR 10,0% -16,22%
RAIL3 Tática 26/09/2017 11,20 12,80 11,70 MANTER 5,0% 14,29%
CIEL3 Tática 24/10/2017 21,70 23,38 22,79 MANTER 5,0% 7,74%
WIZS3 Tática 05/12/2017 10,75 10,75 11,50 COMPRAR 5,0% 0,00%

Renda Fixa

LFT 2023 Estratégica 02/03/2017 8.589,08 9.222,19 - COMPRAR 40% 7,37%

Para renda fixa, o preço de entrada é o preço de compra no Tesouro Direto no dia da
recomendação, e o preço atual é o preço de venda de hoje.

Para ações, o preço de entrada e saída é o preço de abertura do dia da recomendação de


compra ou de venda, e o preço atual é o de fechamento do dia anterior.

Comprar: até o preço-teto e até o limite de peso no portfólio.

Manter: segurar a posição. Quem tem, fica. Quem não tem, espera.

Vender: desmontar a posição. Não recomendamos posições vendidas (short).

As alocações em seguro são opções. Antes de comprar, leia o tutorial na Área do


Assinante (Conteúdos Especiais: Guia de Opções).

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Operações Encerradas
Operações Encerradas

Data de Preço Preço de


Ativo Categoria Data de Saída Peso Sugerido Resultado
Inclusão Entrada Saída
Ações

GGBR3 Tática 03/02/2017 08/03/2017 8,83 11,20 5,0% 26,84%


KLBN11 Tática 14/02/2017 28/02/2017 15,73 14,28 5,0% -9,22%
WEGE3 Estratégica 01/02/2017 04/04/2017 14,55 17,40 10,0% 19,59%
PARD3 Tática 07/02/2017 05/04/2017 19,00 21,14 10,0% 11,26%
SAPR4 Tática 21/03/2017 12/04/2017 10,60 10,90 5,0% 2,82%
VALE5 Tática 19/04/2017 27/04/2017 24,76 26,10 5,0% 5,42%
MGLU3 Tática 08/05/2017 24/05/2017 260,89 248,19 5,0% -4,87%
BTOW3 Tática 08/05/2017 22/06/2017 14,14 11,48 5,0% -18,79%
GGBR4 Tática 22/06/2017 10/07/2017 9,32 10,99 5,0% 17,94%
FIBR3 Tática 31/03/2017 18/08/2017 31,81 38,01 5,0% 19,49%
FIBR3 Tática 31/03/2017 12/09/2017 31,81 43,05 5,0% 35,34%
BTOW3 Tática 08/05/2017 12/09/2017 14,14 18,95 5,0% 34,02%
BBDCU9 Seguro 25/05/2017 18/09/2017 1,24 0,00 2,5% -100,00%
BOVAV62 Seguro 25/08/2017 16/10/2017 0,23 0,00 1,0% -100,00%

Renda Fixa

LTN 2023 Estratégica 01/02/2017 14/03/2017 543,91 564,81 20% 3,84%


LTN 2023 Estratégica 19/05/2017 28/07/2017 534,67 599,18 10% 12,07%
LFT 2023 Estratégica 02/03/2017 10/08/2017 8.589,08 8.998,52 5% 4,77%
LFT 2023 Estratégica 02/03/2017 24/10/2017 8.589,08 9.148,42 5% 6,51%
LFT 2023 Estratégica 02/03/2017 05/12/2017 8.589,08 9.222,19 5% 7,37%
NTNB P 2024 Estratégica 20/02/2017 12/09/2017 2.013,84 2.174,40 20% 7,97%
NTNB P 2035 Estratégica 07/04/2017 12/09/2017 1.191,00 1.246,00 10% 4,62%

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ANALISTA RESPONSÁVEL
Alexandre Mastrocinque, CFA, Analista,CNPI*

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