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LIÇÃO 8

SUBSÍDIO PARA O ESTUDO DA 8ª LIÇÃO DO 2º TRIMESTRE DE


2018 – DOMINGO, 20 DE MAIO DE 2018

ÉTICA CRISTÃ E SEXUALIDADE


Texto áureo

“Venerado seja entre todos o


matrimônio e o leito sem mácula;
porém aos que se dão à
prostituição e aos adultérios
Deus os julgará.” (Hb 13.4)
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE – 1 Coríntios 7. 1-16.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Dileto e prezado amigo leitor, esteja pronto para mais uma caminhada pelos
caminhos da Ética Cristã, e, desta feita, destacando o tema Sexualidade. Portanto,
nesta Lição de número 8, vamos estudar aspectos importantes sobre o sexo e a
sexualidade, distribuídos assim: Sexualidade: conceitos e perspectivas bíblicas; O
propósito do sexo segundo as Escrituras e o Casamento como limite ético para o
sexo.

Destarte, saber lidar com a sexualidade é um dever cristão, pois o sexo é


obra do criador por intermédio do ato de sua criação1; deste modo, não
negligenciemos este tão importante assunto. Assim, bons estudos, dileto leitor!

1
Quando falamos de criação, na verdade estamos utilizando um substantivo derivado do verbo Criar,
neologismo moderno em substituição do verbo latino Crear. Deste modo, Criar é a transição de uma
existência para outra existência (algo já criado); já o verbo Crear é a manifestação da Essência em
forma de existência, portanto, vocábulo mais próximo do verbo hebraico bara (crear do nada). Assim,
o sexo é algo bom, creado por Deus, para a procriação natural do ser humano.

1
I – SEXUALIDADE: CONCEITOS E PERSPECTIVAS BÍBLICAS

O assunto que vamos aferir aqui tem sido um verdadeiro tabu e com muita
assombração para as pessoas – mesmo no século 21, tido como o século do
conhecimento –, que vivem senão uma falsa identidade. É importante deixar bem
claro, que o sexo não é pecado, desde que praticado dentro do casamento e
segundo os padrões bíblicos.

Destarte, antes de conceituar sexo e sexualidade, convém sabermos um


pouco de como alguns povos antigos pensavam e agiam concernentes ao sexo;
percebê-lo na nossa contemporaneidade, para então melhor compreendermos a luz
da Bíblia.

Ora ao tratarmos de padrões morais, concernente ao sexo, o argumento


popular que se segue é que nada é anormal ou errado. Qualquer coisa que os
adultos consentirem entre si – é aceitável. Contudo, essa não é uma postura bíblica,
pois o Antigo Testamento estabelece regras específicas, legislando as mais bizarras
maneiras de comportamento sexual, ou desvio dele (Lv 20.10-16).

Entre os antigos, os romanos, por não terem essa base religiosa para tomar
decisões morais, dispunham justificativas para tudo que desejavam realizar. Assim,
o que o apóstolo Paulo escreveu na missiva aos Romanos vem de encontro
justamente à maneira deturpada e permissiva que aquela sociedade pensava e agia
(Rm 1. 26-31).

Entre os gregos, que influenciaram os romanos, também neste aspecto,


tinham comportamentos mais libertinos que estes e se jactavam disso. Por exemplo,
os espartanos tinham uma brigada de elite chamada de “os Amantes”, homens que
andavam em dupla, e que não se apartavam quaisquer que fossem as
circunstâncias. Tebas, no Egito, também tinha uma guarnição semelhante.
Sófocles, Sócrates e outros intelectuais da elite grega possuíam amantes
masculinos, até mesmo depois de velho.

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É fato, pelas artes de Pompéia2 e por escritos literários, que os romanos
envolviam-se, frequentemente, em práticas sexuais consideradas imorais,
hodiernamente.

É importante perceber que as reflexões sobre as noções de gênero, sexo e


sexualidade tiveram início no século passado, principalmente no campo da
Antropologia, com autores do porte de Marcel Mauss e Gayle Rubin, entre outros.

1. Conceito de Sexo e Sexualidade.

O que o termo Sexo significa? Biologicamente falando, e segundo vários


especialistas, o sexo refere-se a uma condição de tipo orgânica que diferencia o
macho da fêmea, o homem da mulher, seja em seres humanos, plantas e animais.

Ressalta-se que o sexo de um organismo é definido pelos gametas que


produzem. O sexo masculino produz gametas masculinos conhecidos como
espermatozoides, enquanto o sexo feminino produz gametas femininos chamados
de óvulos. Gametas são células sexuais que permitem a reprodução sexual dos
seres vivos.
Da combinação de ambos os gametas resultará a descendência que possuem
as características genéticas pertencentes aos pais. Os cromossomos serão
transmitidos de uma geração a outra em um processo de combinação de gametas.
Cada uma das células terá a metade de cromossomos correspondentes ao pai e
outra metade à mãe. As características genéticas estão contidas no DNA ou ácido
desoxirribonucleico dos cromossomos.
Já quando os organismos são capazes de produzir ambos os tipos de
gametas, são considerados hermafroditos. Além disso, na linguagem corrente
quando se menciona a palavra sexo também pode referir-se a outras questões: ao
conjunto dos seres pertencentes ao mesmo sexo, aos próprios órgãos genitais
propriamente ditos, por isso é que muitas vezes se usa a palavra como sinônimo de
genital; e à sexualidade ou atração sexual.

2
Indubitavelmente, aos leitores, que espetáculo as ruínas de Pompéia, na Itália, oferecem à atenção
dos visitantes. Ruas inteiras, ladeadas por casas esqueléticas ali surgiram quando as cinzas,
vomitadas pelo vulcão Vesúvio em 79 d. C., foram tiradas. A quem sugira que Pompéia foi destruída
como castigo dos deuses, pela forma dissoluta de viver. Não seria uma punição de Deus?

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E Sexualidade? Para Sigmund Freud, pai da psicanálise, “a sexualidade pode
ser entendida como uma carga energética que se distribui pelo corpo de maneiras
distintas”. Segundo a Associação Mundial de Sexologia: “A sexualidade é parte
integrante da personalidade de cada ser humano. Seu desenvolvimento depende da
satisfação de necessidades humanas básicas tais como desejo de contato,
intimidade, expressão emocional, prazer, ternura e amor…”. Já a jornalista, Thaís
Gurgel expressou-se, assim, sobre a sexualidade:

“Apreciar a textura de um sorvete, relaxar numa massagem, desfrutar o


beijo da pessoa amada: tudo o que se relaciona ao prazer com o corpo está
ligado à sexualidade. Embora pelo senso comum ela se confunda com o
erotismo, a genitalidade e as relações sexuais, o fato é que esse campo do
desenvolvimento humano pode ser entendido num sentido mais amplo e
deve incluir a conscientização sobre o próprio corpo e a forma de se
relacionar amorosamente.”

Portanto, o termo sexualidade refere-se ao conjunto de condições


anatômicas, fisiológicas e psicológico-afetivas que caracterizam cada sexo. E por
outro lado, a sexualidade também é o conjunto de comportamentos, práticas que se
relacionam com a busca do prazer sexual e se necessário à reprodução, e que sem
dúvidas, marcarão o ser humano de maneira determinante em todas e cada uma das
fases de seu desenvolvimento.

2. O sexo foi criado por Deus.

Em Gênesis capítulo 1 e versículo 27 (ARC), assim está escrito: “ E criou


Deus o Homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”,
e ainda em Gn 1.31a (ARC): “ E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito
bom.”

O sexo do ponto de vista divino é uma fonte de prazer promovida pelo


bondoso Deus para felicidade e gozo no casamento. Deus, o criador, destinou o
homem e a mulher na sexualidade para um relacionamento estável em vista da
procriação, crescendo e se aprofundando como cooperadores de um Deus santo.

Deus concedeu a atividade sexual ao ser humano como um ato de


comunicação interpessoal. O criador conferiu ao ser humano à integração de sua

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sexualidade com equilíbrio, dentro de uma pluralidade de atividades e interesses. O
sexo, portanto, é um ato construtivo de afeto, de amor, de carinho, re reciprocidade,
na sua condição biopsíquica e também de reflexo espiritual.

3. A sexualidade é criação divina.

O texto de Gênesis 1.28, assim está escrito: “Então Deus os abençoou e lhes
disse: Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes
do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a
terra.”; no mesmo livro, capítulo 2 e versículo 24, temos: “Portanto deixará o homem
a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne”.

Estes textos e outros nos mostra o aspecto da sexualidade atuante na vida de


dois seres – homem e mulher, ou se preferirmos, entre um macho e uma fêmea,
denotando o caráter singular do sexo na criação (“creação”, como já explicado) de
Deus. Em Cantares 4. 10-12, vemos demonstrado de forma poética, o amor entre
um casal apaixonado, segundo os moldes do Antigo Próximo Oriente.

Santo Agostinho, um dos mais importantes teólogos e filósofos dos primeiros


anos do cristianismo, reconheceu a função da sexualidade como criação divina.
Destarte, na ótica teológica, a sexualidade do ser humano constitui-se parte
substancial da nutureza humana, inexistindo matrimônio entre pessoas do mesmo
sexo. Portanto, segundo o médico, professor e escritor, Josué de Catro, “casamento
é uma unição divina para a perpetuação da espécie humana com a a família”

II – O PROPÓSITO DO SEXO SEGUNDO AS ESCRITURAS

1. Multiplicação da espécie humana.

Segundo as Sagradas Escrituras, em Gn 1.28, entendemos que o sexo por


intermédio do casamento, entre um macho e uma fêmea, a saber – Adão e Eva –,
visava à multiplicação da espécie humana. Assim, qualquer tipo de relacionamento
que fuja dos padrões bíblicos da heterossexualidade não promove a glória de Deus
e é, consequentemente, contrário aos Seus santos princípios.

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2. Satisfação e prazer conjugal.

Já se tem dito que a satisfação conjugal está associada a sentimentos de


prazer, de bem-estar, e de felicidade na vida em geral (Narciso, 1994/1995), e por
isso é um fator bastante importante na relação conjugal.

Segundo especialistas, a satisfação sexual é vista como: uma resposta afetiva


que surge da avaliação subjetiva das dimensões positivas e negativas associadas à
relação sexual que a pessoa mantém com o seu companheiro (Lawrence & Byers,
1995); ou como o grau no qual a atividade sexual de uma pessoa corresponde aos
seus ideais (Delamater, 1991); e é uma parte importante no relacionamento conjugal
(Whisman, 2004).

Pois bem, a Sagrada Escritura, através de textos como Pv 5. 18, 19; Ec 9.9; 1
Co 7.5, dentre outros, já nos apresentava a satisfação e o prazer sexual saudável,
isto é, entre o marido e a sua esposa, de modo a viverem de forma saudável,
recreativa e afetuosa.

3. O correto uso do corpo.

Auferimos pontos importantes do texto de 1 Co 6, concernentes ao uso


correto do corpo do ponto de vista bíblico, relacionado ao tema em apreço. Vejamos:

 Deus, o nosso bondoso pai, está comprometido com o nosso corpo, portanto,
Ele o ressuscitará. (vv, 12-14);

 Jesus Cristo comprou e redimiu o nosso corpo, portanto, pertencemos, agora,


a Deus. (vv. 15-18);

 O Espírito Santo habita em nosso corpo, assim, ele é templo vivo do Espírito
Santo. (v, 19);

 O propósito no corpo do Senhor não é para a impureza, mas, para o Senhor


mesmo, e o Senhor, para o corpo. (v. 13);

 A interação do corpo é para com o Senhor, destarte, somos membros de


Cristo. (vv. 15-17);

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 A habitação do corpo é por intermédio do Senhor, logo, o corpo é santuário do
Espírito. (v.19);

 A redenção do corpo vem pelo Senhor, assim, somos propriedades de Deus.


(v.20);

 Glorificamos a Deus em nosso corpo (v.20), portanto, o Espírito Santo nos foi
dado com o propósito de glorificarmos a Cristo. (Jo 16.14).

III – O CASAMENTO COMO LIMITE ÉTICO PARA O SEXO.

1. Prevenção contra a fornicação.

Em 1Co 7.2 (ARC), assim, está escrito: “ Mas, por causa da prostituição, cada
um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”.

Mas o que significa a palavra prostituição nesse texto? Na ARA – Almeida


Revista Atualizada, esta palavra foi traduzida por impureza. Contudo no grego koinê
esta palavra é Porneías, no plural mesmo. Na Bíblia de Jerusalém, na Brasileira e na
Maredsous foi traduzida por fornicação; na versão de Phillips, por imoralidade
sexual; na Bíblia na Linguagem de Hoje, por imoralidade e na Bíblia Viva, por
pensamentos impuros, só para citar algumas.

Pois bem, Porneía, também citada em Gl 5. 19 é uma palavra bem geral para
as relações e relacionamentos sexuais ilícitos e imorais. Porneía é a prostituição, e
pornê é uma prostituta. Segundo estudiosos no assunto, há grandes possibilidades
de que todas estas palavras tenham ligação com o verbo pernumi, que significa
“vender”. Essencialmente, porneía é o amor que é comprado e vendido – aquele que
não é amor de modo algum. Deste modo esta pessoa envolvida neste ato é
considerada como um objeto, e não como uma pessoa de fato. Ele ou ela é mero
instrumento através de quem as exigências da concupiscência e da paixão são
satisfeitas.

É significativo que a vida sexual do mundo Greco-romano nos tempos do


Novo Testamento era um caos sem lei. J. J Chapman, descrevendo os tempos em

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que vivia Luciano de Samósata, o sátiro pagão do século II A.D., escreve: “Luciano
vivia em uma época em que a vergonha parecia ter sumido da terra”.

Na Grécia, as relações antes do casamento ou fora dele eram feitas sem


pudor algum. Demóstenes escreve como se fosse uma coisa comum, como de fato o
era: “mantemos amantes para nosso prazer, concubinas para as necessidades
diárias do corpo, mas temos esposas a fim de produzir filhos de modo legítimo e de
ter uma guardiã fidedigna dos nossos lares”. 3

Deste modo, quando o apóstolo Paulo escreveu esta carta, em Corinto, a


prostituição era já uma epidemia, isto é, a tentação poderia ser encontrada em toda
esquina; assim, o casamento era visto como um salvaguarda contra a impureza.
Talvez esta fosse uma concepção não tão bem vista, mas certamente Paulo está
considerando a realidade vivida daquela época, em que ficar solteiro fosse muito
tentador, temerário e perigoso. No que diz respeito as expressões “a sua própria
mulher” e “o seu próprio marido”, indicam a proibição da poligamia, e se referem à
vontade de Deus, desde o princípio – a monogamia (Gn 2.24; Mt 19.5; 1 Co 7.9).

2. O casamento e o leito sem mácula.

Em Hebreus 13.4 está escrito: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio,
bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros. (ARA)”

Pois bem, de acordo com Orton Wiley, em sua obra The Epistle to The
Hebrews, temos que nessa declaração bíblica supracitada, concisa, mas de caráter
amplo, torna claro que o ser humano é responsável pela santidade do matrimônio e
pelo cumprimento de sua finalidade divina. Afirma ainda que julgamentos severos
aguardam os que perverterem ou violarem este princípio.

No texto grego, segundo especialistas na matéria, é possível uma leitura:


“digno de honra seja o casamento” ou “o casamento é digno de honra”. Assim, o
texto acima deve ser aplicado aos que se acham dentro das relações matrimoniais
puras, incluindo as promessas de um amor eterno entre os cônjuges, seja em

3
Contra Neera, citado por Ateneo: Deipnosophistae 573.

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pensamentos, atitudes, ou atos, e de apoiar e sustentar um ao outro. O autor da
Epístola, evidentemente, tencionou transmitir uma advertência contra a depreciação
do casamento pela imoralidade e, talvez, também contra certa classe de gnósticos,
os quais, por causa de suas tendências ascéticas, tinham o casamento em pouca
estima ou proibiam-no totalmente (1 Tm 4.3).

A ênfase principal parece recair sobre o dever da castidade. O escritor de


Hebreus quer que todos compreendam quão severos são os juízos de Deus contra
os que transgridem a Sua santa ordenança, julgamentos que, frequentemente,
ocorrem nesta vida, mas também naquela que há de vir.

CONCLUSÃO

Portanto, vivamos sempre para a glória de Deus e isso inclui a nossa


sexualidade.

Louvemos ao Senhor, cantando a primeira estrofe do Hino da Harpa Cristã de


número 25:

Meu Jesus, Tu és bom!


Tu és tudo p´ra mim!
Foste morto, mas vives em mim;
Tu mereces louvor,
Ó Cordeiro de Deus!
Tu és tudo, sim, tudo p´ra mim!

[Professor. Teólogo. Tradutor. Jairo Vinicius da Silva Rocha – Presbítero,


Superintendente e Professor da E.B.D da Assembleia de Deus no Pinheiro.]
Maceió, 18 de maio de 2018.