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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DO TRABALHO DA 1ª VARA DO

TRABALHO DA COMARCA DE ARAGUAÍNA/TO.

TÍCIO FOLIADO, brasileiro, solteiro, frentista, CPF, nº (...), RG, nº (...), CTPS
nº (...), série (...), PIS, nº (...), residente e domiciliado à Rua 21 de julho, nº 300, Bairro
(...), Araguaína/TO, vem respeitosamente perante a Vossa Excelência propor:

AÇÃO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA

Em face de Posto de Gasolina rebelde Ltda, pessoa jurídica de direito privado,


CNPJ de nº (...), situada na Rua Presidente Dutra, nº 102, Setor Itapuã, Araguaína/TO,
CEP (...), o que faz de acordo com os fundamentos fáticos e jurídicos a seguir expostos:

I. DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Cumpre salientar que o Requerente não possui condições financeiras para


arcar com custas processuais e honorários advocatícios, sem prejuízo ao seu próprio
sustento e de sua família, requerendo desde já os benefícios da justiça gratuita, nos
termos do art. 5º, LXXIV da CF/88 e art. 98 do CPC/2015.

II. DOS FATOS

O Reclamante foi admitido pela Reclamada no mês de setembro de 2012, para


exercer a função de FRENTISTA, percebendo o salário mensal de R$ 1.100,00 (mil e cem
reais), nenhum valor além d informado acima. O Reclamante cumpria uma jornada de 10
horas de segunda à sexta-feira, das 7h00min às 19h00min com intervalo de 2h para
almoço. Ocorre que, apesar da relação de emprego ser inegável como será demonstrado
adiante.
No mês de março de 2017, o Reclamante foi dispensado sem justa causa, sem
receber, contudo, aviso prévio e nenhuma verba rescisória a que possui direito de acordo
com a legislação trabalhista pátria.
Tendo em vista os argumentos jurídicos a seguir apresentados, interpõe-se a
presente Reclamação Trabalhista no intuito de serem satisfeitos todos os direitos do
Reclamante.

III. DO DIREITO
1. DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO

O Reclamante estava registrado pela Reclamada para exercer a função de


FRENTISTA em posto de combustível, intitulado de Posto de Gasolina Rebelde Ltda. Foi
admitido em 20 de setembro de 2012, permanecendo nessa função até o dia 24 do mês
março de 2017, quando foi dispensado injustamente.
No art. 3º da CLT, o legislador trouxe o conceito de empregado estabelecendo
todos os requisitos necessários para que um agente seja reconhecido como empregado.
Dessa forma, todos os requisitos trazidos pela legislação devem estar preenchidos
cumulativamente. O Reclamante portanto, estava registrado como mostra cópia em anexo
da das filhas da CTPS onde consta a matricula.
.
2. DO SALDO DE SALÁRIO

O Reclamante trabalhou 24 dias no mês março de 2017, mês que foi


dispensado sem justa causa, nada recebendo a título de saldo de salários.
De acordo com o art. 4º da CLT, considera-se como tempo de serviço o tempo
efetivamente trabalhado pelo empregado, integrando-se os dias trabalhados antes de sua
dispensa injusta a seu patrimônio jurídico, consubstanciando-se direito adquirido de
acordo com o art. 7º, IV e art. 5º, XXXVI, ambos da CF/88, de modo que faz o Reclamante
jus ao saldo salarial no valor de R$ 1.623,48 (mil seiscentos e vinte e três reais e quarenta
e oito centavos) relativos a 24 dias trabalhados no mês da dispensa.
3. DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO

Tendo em vista a inexistência de justa causa para a rescisão do contrato de


trabalho, surge para o Reclamante o direito ao Aviso Prévio indenizado, prorrogado o
término do contrato para o mês de abril de 2017, uma vez que o § 1ºdo art. 487, da CLT,
estabelece que a não concessão de aviso prévio pelo empregador dá direito ao
pagamento dos salários do respectivo período, integrando-se ao seu tempo de serviço
para todos os fins legais.
Dessa forma, o período de aviso prévio indenizado, corresponde a mais 30 dias
de tempo de serviço para efeitos de cálculo do 13º salário, férias e mais 40%. Portanto, o
reclamante faz jus, ao recebimento do Aviso Prévio indenizado, perfazendo valor de R$
2.029,35 (dos mil e vinte e nove reais e trinta e cinco centavos).

4. DAS FÉRIAS PROPORCIONAIS E MAIS 1/3

O reclamante tem direito a receber o período incompleto de férias, acrescido


do terço constitucional, em conformidade com o art. 146, parágrafo único da CLT e
art. 7º, XVII da CF/88, que prevê o direito do empregado ao período de férias na
proporcional a 1/12 (um doze avos) por mês trabalhado ou fração superior a 14 dias.
Sendo assim, tendo o contrato iniciado no mês de setembro de 2012 e
terminado no mês de março de 2017, o reclamante faz jus as férias proporcionais
acrescidas do terço constitucional no valor de R$ 20.794,45 (vinte mil setecentos e
noventa e quatro reais e quarenta e cinto centavos).

5. DO 13º SALÁRIO PROPORCIONAL

As leis 4090/62 e 4749/65 preceituam que o décimo terceiro salário será pago
até o dia 20 de dezembro de cada ano, sendo ainda certo que a fração igual ou superior
a 15 dias de trabalho será havida como mês integral para efeitos do cálculo do 13%
salário. Assim sendo, tendo iniciado o contrato do Reclamante no mês de setembro de
2012 com o término em abril de 2014, deverá ser paga a quantia de 12/12 em relação à
remuneração percebida, computado valor R$ 4.254,52 (quatro mil duzentos e cinquenta
e quatro reais e cinquenta e quatro centavos).
6. DO FGTS E DA MULTA DE 40%

Diz o art. 15 da lei 8036/90 que todo empregador deverá depositar até o dia 7
de cada mês na conta vinculada do empregado a importância correspondente a 8% de
sua remuneração devida no mês anterior.
Sendo assim, Vossa Excelência, deverá condenar a Reclamada a efetuar os
depósitos correspondentes.
Além disso, por conta da rescisão injusta do contrato de trabalho, deverá ser
paga uma multa de 40% sobre o valor total a ser depositado a título de FGTS, de acordo
com § 1º do art. 18 da lei 8036/90 c/c art. 7º, I, CF/88, o que em valores tem-se, R$
13.159, 64 (treze mil cento e cinquenta e nove reais e sessenta e quatro centavos).

7. DA IDENIZAÇÃO DA CIPA

De acordo com o disposto no art. 164 e art. 165, ambos da CLT e art 10 do Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), e anunciado 349 do C. TST. o
empregado membro titulares da CIPA goza de estabilidade no emprego desde o registro
da candidatura até um ano após o final de seu mandato. Dessa forma o Reclamante não
poderia ter sido demitido. Dessa maneira computa-se como indenização em favor do
Reclamante, valor de R$ 30.440,00 (trinta mil quatrocentos e quarenta reais).

8. DO REOUSO SEMANAL REMUNERADO (RSR)

Nos termos do art. 1º Lei 605/49 todo empregado tem direito ao RSR de 24h
consecutivas e de preferência aos domingos, além de feriados civis e religiosos. A
Constituição Federal em seu Art 7º, XV também diz que o empregado faz jus ao repouso
semanal remunerado, aos domingos. O art. 67, da CLT assegura o RSR. A Súmula 172,
TST, deve incidir no cálculo do RSR as horas extras habitualmente prestadas. Como visto
o Reclamante tem direito a receber o RSR. Assim a Vossa Excelência deverá condenar a
Reclamada a pagar o valor de R$ 4.355,45 (quatro mil trezentos e cinquenta e cinco reais
e quarenta e cinco centavos).
9. JORNADA DE TRABALHO - DAS HORAS EXTRAS

Desde a sua admissão, o Reclamante sempre prestou serviços em horários


extraordinários, visto que estava à disposição da Reclamada de Segunda à Sexta-feira
das 07h00min às 19h00min, com duas horas de intervalo para almoço. Assim, resta
configurado que o Reclamante realizava cerca de 11 horas extra semanalmente.
Nos termos do art. 59 da CLT, toda vez que o empregado prestar serviços ou permanecer
à disposição do empregador após esgotar-se a jornada normal de trabalho, haverá
trabalho extraordinário, que deverá ser remunerado com o adicional de, no mínimo, 50%
superior ao da hora normal.
O Reclamante possuía uma jornada diária além do limite legal da duração de
trabalho normal, conforme preceitua o art. 59, da CLT com redação dada pela Lei nº
13.467, de 2017 que são de 08 horas diárias, já que sua jornada diária de labor era de 10
horas. O que gera 3h extras por dia.
Por realizar 03 horas extras diárias, o Reclamante deveria ter recebido as 02
(duas) primeiras horas extras a 50,00% e as excedentes deveriam ser calculada sobre o
percentual de 100,00%, o que não ocorreu.
Conforme o artigo 7º, XVI e artigo 58 da CLT, são devidas as horas extras ao
empregado que trabalhou além da duração normal do trabalho. Portanto como mostra a
fundamentação jurídica, não resta dúvidas que foi violado o direito do empregado a ser
recompensado por seu trabalho suplementar realizado.
Neste sentido, peço vênia para colacionar trecho do julgado que segue:

(PROCESSO: 0000393-02.2012.5.04.0281 RO)


EMENTA. INTERVALOS INTRAJORNADA.
CONCESSÃO PARCIAL. Intervalos devidos pelo
período integral previsto em lei. Adoção da Súmula
n. 437, item I, do TST. ACÓRDÃO por unanimidade
de votos, dar parcial provimento ao recurso da
reclamante para: a) condenar a reclamada a retificar
a CTPS da trabalhadora, para que nela conste o
exercício da função de secretária e o salário inicial
de R$ 585,93; b) condenar a reclamada ao
pagamento de diferenças de férias com 1/3, 13º
salários, horas extras, adicional noturno, FGTS e
indenização de 40%, pela integração ao salário dos
valores pagos extra folha a contar de julho de 2009;
c) elastecer a condenação imposta no item c do
dispositivo da sentença a dois sábados por mês;
d) fixar o adicional de horas extras em 50% para
as duas primeiras horas diárias e de 100% para
as demais; [...] Grifo próprio

Por fim, o Reclamante faz jus ao recebimento do adicional de horas extras com
seus devidos reflexos legais, ou seja, o reflexo em repousos semanais remunerados,
férias acrescidas de 1/3, décimo terceiro salário e FGTS com multa de 40%. Assim o valor
a título indenizatório é de R$ 26.144,80 (vinte e seis mil sento e quarenta e quatro oitenta
centavos).

10. DA PERICULOSIDADE

O Reclamante trabalhou para a reclamada, desde 20 de setembro de 2012 até


24 de marco de 2017, conforme consta de sua CTPS, em atividade de RISCO
INFLAMÁVEL, conforme art. 193 da CLT, com exposição permanente, durante toda a
jornada de trabalho.
O Reclamante desenvolvia suas atividades na função de FRENTISTA, pelo que,
mantinha contato permanente com líquido altamente inflamável, tais como gasolina e óleo
diesel.
Assim, conforme a legislação vigente, faz jus ao ADICIONAL DE
PERICULOSIDADE de 30% (trinta por cento) calculado sobre seu salário, art. 193,
parágrafo 1º da CLT.
Inclusive, se o risco ocorresse apenas durante parte da jornada de trabalho, ou
de forma eventual, o adicional de periculosidade seria devido de forma integral conforme
têm entendido a jurisprudência dominante do TST:
SÚMULA Nº 361 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. ELETRICITÁRIOS. EXPOSIÇÃO
INTERMITENTE
O trabalho exercido em condições perigosas, embora de forma intermitente, dá direito ao
empregado a receber o adicional de periculosidade de forma integral, porque a Lei nº 7.369,
de 20.09.1985 não estabeleceu nenhuma proporcionalidade em relação ao seu pagamento.
(Res. 83/1998, DJ 20.08.1998)

SÚMULA Nº 364 ADICIONAL DE PERICULOSIDADE. EXPOSIÇÃO EVENTUAL,


PERMANENTE E INTERMITENTE. (Conversão das Orientações Jurisprudenciais nº
258 e 280 da SBDI-1) - Res. 129/2005 - DJ 20.04.2005
I - Faz jus ao adicional de periculosidade o empregado exposto permanentemente ou que,
de forma intermitente, sujeita-se a condições de risco. Indevido, apenas, quando o contato
dá-se de forma eventual, assim considerado o fortuito, ou o que, sendo habitual, dá-se por
tempo extremamente reduzido. (ex-OJs nº 05 - Inserida em 14.03.1994 e nº 280 - DJ
11.08.2003)
II - A fixação do adicional de periculosidade, em percentual inferior ao legal e proporcional
ao tempo de exposição ao risco, deve ser respeitada, desde que pactuada em acordos ou
convenções coletivos. (ex-OJ nº 258 - Inserida em 27.09.2002).
Dessa forma o Reclamante tem direito a ser indenizado pela reclamada, valor de R$ 16.
285,50 (dezesseis mil duzentos e oitenta e cinco reais e cinquenta centavos).

IV.MULTA DO ART. 477 DA CLT

No prazo estabelecido no art. 477, § 6º, da CLT, nada foi pago ao Reclamante
pelo que se impõe o pagamento de uma multa equivalente a um mês de salário revertida
em favor do Reclamante, conforme § 8º do mesmo art. 477 da CLT. Portanto, R$ 1.100,00
(mil e cem reais).

V. MULTA DO ART. 467 DA CLT

A Reclamada deverá pagar ao Reclamante, no ato da audiência, todas as


verbas incontroversas, sob pena de acréscimo de 50%, conforme art. 467 da CLT,
transcrito a seguir. Dessa forma, protesta o Reclamante pelo pagamento de todas as
parcelas incontroversas na primeira audiência.
VI. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer:


1. Que seja deferido o benefício da assistência judiciária gratuita, devido à
precária situação econômica do autor, que não possui condições de custear o processo,
sem prejuízo próprio.
2. A notificação da Reclamada para comparecer à audiência a ser designada
para querendo apresentar defesa a presente reclamação e acompanha-la em todos os
seus termos, sob as penas da lei.
3. Julgar ao final TOTALMENTE PROCEDENTE a presente Reclamação,
condenando a empresa Reclamada a:
a) Pagar o Aviso Prévio indenizado, saldo de salário, 13º salário proporcional,
férias proporcionais + 1/3, os depósitos de FGTS de todo o período acrescido de multa
de 40% à título de indenização;
b) Liberar as guias do seguro-desemprego ou indenização correspondente;
c) Pagar honorários advocatícios no patamar de 20% sobre a condenação;
Além disso, condenar a Reclamada ao pagamento da multa prevista no § 8º,
do art. 477 da CLT, e, em não sendo pagas as parcelas incontroversas na primeira
audiência, seja aplicada multa do art. 467 da CLT, tudo acrescido de correção monetária
e juros moratórios.
Requer, ainda, seja a Reclamada condenada ao pagamento das contribuições
previdenciárias devido em face das verbas acima requeridas, visto que caso tiverem sido
pagas na época oportuna, não acarretariam a incidência da contribuição previdenciária.
Protesta provar o alegado por todos os meios no Direito permitidos,
notadamente oitiva de testemunhas e depoimento pessoal.
Dá-se à causa o valor de R$ 120.187,19 (cento e vinte mil cento e oitenta e
sete reais e dezenove centavos) para efeitos fiscais.
Nestes termos, pede e espera deferimento.
Araguaína, 25 de abril de 2018.
Advogado
OAB