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CONDICIONANTES PARA VIABILIDADE DE COLETA DE EMPREENDIMENTOS GRANDES

GERADORES DE RESÍDUOS NO MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS

A viabilidade de coleta de resíduos sólidos do empreendimento considerado como Grande


Gerador está condicionada a apresentação de Projeto de Gerenciamento Interno dos Resíduos
Sólidos, na fase de análise de projeto na Vigilância Sanitária do município de Florianópolis.

O Projeto de Gerenciamento Interno dos Resíduos Sólidos de Grandes Geradores tem


como objetivos: 1º) a redução, ao mínimo, dos resíduos sólidos, por meio do incentivo às
práticas ambientalmente adequadas, 2º) reutilização, 3º) reciclagem e 4º) recuperação dos
resíduos sólidos, 5º) disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, que são princípios
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da Lei 12.305/2010 . Além disso, visa estabelecer a infra-estrutura necessária para o
gerenciamento interno dos resíduos sólidos, melhorar as condições para coleta pública e
possibilitar a destinação final ambientalmente adequada destes resíduos.

Visando a reciclagem e a recuperação dos resíduos sólidos é necessária a separação dos


resíduos na fonte geradora, e, portanto é essencial que o empreendimento ofereça condições
para que os usuários que dele irão usufruir/habitar, possam realizar a triagem de seus resíduos
em suas próprias unidades habitacionais ou comerciais, levando-os já separados para um local
específico, dentro do empreendimento, com capacidade para abrigar os diferentes tipos de
resíduos sólidos.

Sendo assim, deverá constar do Projeto de Gerenciamento Interno dos Resíduos Sólidos
de Grandes Geradores todo o conjunto de atividades que engloba a definição das quantidades
e tipos de resíduos sólidos gerados diariamente, a segregação na fonte, o acondicionamento
dos resíduos, a movimentação interna, o armazenamento e disposição à coleta, seguindo,
basicamente, os seguintes itens:

1. Caracterização Quali-quantitativa dos resíduos sólidos a serem gerados:

1.1 Caracterização Qualitativa

Consiste na definição dos tipos de resíduos sólidos a serem gerados no empreendimento,


assim como o percentual de cada uma das frações em relação à produção diária (total) de lixo.
Este valor está diretamente relacionado ao tipo de uso da edificação.

Os resíduos sólidos são, basicamente, divididos em:

a. Recicláveis Secos

É a parte dos resíduos sólidos que pode ser utilizada como matéria prima na produção de
novos materiais. Como exemplos de materiais que podem ser reciclados estão o plástico, o
papel, o vidro e o metal.

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A referida lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 03 de agosto de 2010.

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b. Vidros

O vidro está enquadrado dentro do grupo de materiais recicláveis secos. Entretanto, os


cacos de vidro misturados com os demais resíduos podem causar acidentes, ferindo as
pessoas que vierem a manipular os resíduos, tanto no momento da coleta pública como na
triagem nas associações de catadores. Por isso é importante seu armazenamento diferenciado.

c. Recicláveis Orgânicos

É a fração orgânica do lixo que pode ser tratada por algum processo biológico, como a
compostagem, que transforma o resíduo orgânico em adubo de alta qualidade. Ex.: cascas e
bagaços de frutas, verduras e legumes, restos de comida, borra de café, chá, folhas secas,
flores, aparas de grama, mato, toalhas de papel molhadas ou engorduradas.

d. Rejeitos

Os rejeitos são os materiais que não podem ser encaminhados a coleta seletiva nem a um
processo de compostagem. Ex.: lixo de banheiro (papel higiênico, lenços de papel, absorvente
higiênico, fraldas descartáveis, preservativos, cotonetes, curativos com sangue, compressas,
algodão), papéis plastificados, metalizados ou parafinados (embalagens de salgadinhos e
biscoitos), papel celofane, papel carbono e fotografias, fitas e etiquetas adesivas, acrílico,
cerâmicas, pratos, vidros pirex e similares, tecidos e trapos sujos, pedaços de couro, restos de
cinzeiro, ciscos, poeira de varrição.

e. Resíduos Tóxicos

Aqueles que contém substâncias tóxicas capazes de causar danos à saúde e ao ambiente
quando depositado em local inadequado. Ex.: pilhas, baterias de automóveis e de celulares,
lâmpadas fluorescentes, remédios, venenos, tubos de TV, tintas, solventes.

f. Óleo de Cozinha

O óleo de cozinha usado pode trazer muitos danos ao meio ambiente se for despejado no
ralo da pia, no mar ou na rede de esgoto. Entre os principais problemas está a formação de
uma película na água que impede a troca gasosa, provocando a morte de plantas e animais
aquáticos.

g. Resíduos de Serviços de Saúde

Os resíduos sólidos dos serviços de saúde (RSS) compreendem todos os resíduos gerados
nos diferentes estabelecimentos que prestam serviços de saúde, como hospitais, clínicas
médicas e veterinárias, laboratórios de análises clínicas, farmácias, unidades básicas de
saúde. Ex.: culturas e estoques de microorganismos, descarte de vacinas de microorganismos
vivos ou atenuados, resíduos farmacêuticos (como medicamentos vencidos), materiais
radioativos, materiais perfuro-cortantes, ampolas de vidro, etc.

1.2 – Caracterização Quantitativa

Consiste no levantamento da quantidade de resíduos sólidos a ser gerado no


empreendimento. Este valor está diretamente relacionado ao número de contribuintes
(população residente da edificação).

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Considerando os dados obtidos na última pesquisa de caracterização do lixo de
Florianópolis, publicada no livro “Caracterização Física dos Resíduos Sólidos Urbanos de
Florianópolis” – Florianópolis, dezembro de 2002.

Sendo:

- produção percapta: 0,77 Kg/hab.dia (página 84)


- densidade aparente para o lixo misturado 131 Kg/m ³ (página 64)
- composição do lixo; reciclável seco 36% e reciclável orgânico e rejeitos 64% (pagina 53)
- densidade dos recicláveis: 73 Kg/m³ ( informação DPCR/DVVAR/Comcap).
- Índice médio esperado de participantes da coleta seletiva em condomínios – 50% da
população.
- Índice médio dos materiais possíveis de reciclagem que a população consegue separar –
50% (restante volta com o rejeito).

Logo teremos que:

- a população local produzirá: 91% de rejeitos. Equivalente a per capita de 0,7007


Kg/hab.dia.
- a população local produzirá: 9% de reciclável seco. Equivalente a per capita de 0,06936
Kg/hab.dia.

Portanto teremos a seguinte fórmula considerando a freqüência da coleta comum e coleta


seletiva:

V= P * p * K * 1000 (l)
d

Onde: P – população usuária da edificação;

p – produção per capita;

d – densidade;

V – volume útil do depósito em litros.

K – maior intervalo entre coletas.

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Tipo de Coleta Freqüência (vezes/semana) K
1 6
Seletiva
2 3
3 2
Convencional
6 1

Sendo assim, o cálculo do volume de lixo produzido será dividido em:

A. Resíduos Domiciliares de origem Residencial

O volume de resíduos sólidos produzido em residências pode ser obtido através da


seguinte fórmula:

a) Volume de Resíduos Sólidos para Coleta Seletiva (Reciclável Seco):

I. Com a coleta realizada 1 (uma) vez por semana, temos que:

V=P x 5,7

Onde:

V = Volume de Lixo para Coleta Seletiva em Litros;

P = População Contribuinte.

II. Com a coleta realizada 2 (duas) vezes por semana, temos que:

V=P x 2,85

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b) Volume de Resíduos Sólidos para Coleta Convencional :

I. Com a coleta realizada 3 (três) vezes por semana, temos que:

V=P x 10,78

Onde:

V = Volume de Lixo para Coleta Convencional em Litros;

P = População Contribuinte.

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Este valor considera o volume de resíduos sólidos contendo os recicláveis orgânicos e os
rejeitos, pois, atualmente a COMCAP não possui coleta diferenciada para estes dois tipos de
resíduos. Entretanto, a coleta e tratamento diferenciado para os recicláveis orgânicos é uma
tendência que logo será implantada, e inclusive está sendo prevista do Plano Municipal de
Saneamento Básico. Por isso é importante que os empreendimentos já estejam planejados
para a separação destes resíduos e para uma futura coleta diferenciada.

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II. Com a coleta realizada 6 (seis) vezes por semana, temos que:

V=P x 5,39

B. Resíduos Sólidos de outras origens

Para o caso dos estabelecimentos comerciais, hotéis, colégios e outros, o cálculo deverá
ser feito conforme tabela “Estimativa de Produção Diária de Resíduos Sólidos por tipo de
construção” (COMLURB, 2004),constante do Anexo I.

2. Depósito Interno de Resíduos Sólidos:

Deverá ser previsto no projeto básico de infra-estrutura do empreendimento, o Depósito


Interno de Resíduos Sólidos, que consiste de um compartimento destinado exclusivamente ao
armazenamento temporário dos resíduos sólidos produzidos na edificação e na área interna do
empreendimento, até o momento da coleta.

O depósito interno de resíduos sólidos deverá:

Estar localizado no pavimento térreo em área de uso comum dos condôminos;

Ter a área mínima suficiente para abrigar e permitir a livre movimentação da


quantidade mínima de contentores capazes de acondicionar o volume de lixo
gerado na edificação ao longo de 2 (dois) dias, dependendo da freqüência de
coleta da localidade do empreendimento.

Possuir piso revestido de material liso, impermeável, lavável e de fácil


higienização, e ser provido de ponto de água e ralo sifonado ligado à rede de
esgoto do empreendimento, para possibilitar a higienização do local e dos
contentores;

Haver recipientes específicos para o armazenamento de, no mínimo, cada um dos


tipos de resíduos descritos a seguir:

a) Recicláveis Secos;

b) Recicláveis Orgânicos;

c) Rejeitos;

d) Vidros;

e) Resíduos Tóxicos (pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes...);

f) Óleo de Cozinha.

Sugerimos também que o local possua um recipiente refrigerado para o armazenamento de


resíduos de fácil putrefação e que geram odores, até o momento da coleta, proporcionando,
assim, maior conforto aos usuários e contribuindo na prevenção de vetores no
empreendimento.

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3. Transporte Interno dos Resíduos:

Deverão ser traçados os fluxos de transporte de resíduos dentro do empreendimento,


seguindo os seguintes itens:

a) Identificar em planta o fluxo dos resíduos sólidos a partir da geração, nos apartamentos
ou salas comerciais, até o depósito interno de resíduos;

b) Identificar em planta o fluxo dos resíduos sólidos a partir do depósito interno de


resíduos sólidos até o depósito temporário externo de resíduos sólidos;

c) Identificar em planta o local destinado ao recuo para uso do caminhão coletor, e o fluxo
dos resíduos sólidos do depósito temporário externo de resíduos sólidos até o
caminhão coletor.

4. Acondicionamento dos Resíduos Sólidos

Define-se por acondicionamento, a colocação dos resíduos, previamente embalados em


sacos plásticos, no interior de recipientes apropriados e estanques, em regulares condições de
higiene, visando a sua posterior estocagem ou coleta.

Os resíduos deverão ser acondicionados para a coleta, conforme especificações da Lei


Municipal113/2003 e Resolução Recomendada - RDC 306/2004 da ANVISA, ou legislação
vigente.

5. Depósito Temporário Externo de Resíduos Sólidos

Deverá ser previsto no projeto básico de infra-estrutura do empreendimento, o depósito


temporário externo de resíduos sólidos, que consiste de um compartimento destinado
exclusivamente ao armazenamento dos contentores por curto período de tempo (no máximo,
até duas horas antes e duas horas depois da coleta de resíduos sólidos, conforme Lei
Municipal 113/2003).

O depósito temporário de resíduos sólidos deverá:

Estar situado junto ao alinhamento do muro frontal, em local visível, na parte


interna da propriedade, de modo a não obstruir o passeio público e facilitar o
serviço de coleta de resíduos sólidos.

Ter a área mínima suficiente para abrigar o número de contentores a serem


disponibilizados para a coleta convencional.

Observação: O depósito temporário externo de resíduos sólidos terá função exclusiva de


disposição dos contentores à coleta de resíduos sólidos. A lavagem dos contentores deverá ser
realizada no Depósito Interno de Resíduos Sólidos.

6. Depósito Temporário de resíduos de serviço de Saúde

Para o caso de empreendimentos de uso comercial ou misto, deverá ser previsto um


depósito temporário para o armazenamento de resíduos de serviços de saúde (RSS). Este

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depósito deverá ser dimensionado, para abrigar 20% (percentual de RSS previsto em edifícios
comerciais) do total de resíduos produzidos no prédio. Os itens básicos de infra-estrutura do
depósito temporário de RSS constam na RDC 306/2004 da ANVISA.

7. Recuo para uso do Caminhão Coletor

Deverá ser previsto no projeto básico de infra-estrutura do empreendimento, recuo para


uso do caminhão coletor, conforme especificações no Anexo II.

O recuo deverá estar localizado em frente ao empreendimento, com fácil acesso ao


Depósito Temporário Externo de Resíduos Sólidos, possibilitando a parada do caminhão no
momento da coleta, evitando assim, comprometer o fluxo viário local.

Preferencialmente, o recuo deverá estar localizado nos extremos do terreno, para possível
compatibilização de uso com o recuo do empreendimento vizinho.

8. Destinação Final dos Resíduos

A destinação final dos resíduos deverá ser feita de acordo com o tipo de resíduo:

Os Recicláveis Secos serão recolhidos pela COMCAP, conforme dias e


horários da Coleta Seletiva na localidade do empreendimento, e encaminhados
para reciclagem;

Os Recicláveis Orgânicos poderão ser tratados no próprio empreendimento,


com o uso de composteiras, que transforma o resíduo orgânico em composto
para jardinagem.

Os Rejeitos serão coletados pela COMCAP, conforme dias e horários da


Coleta Convencional na localidade do empreendimento;

Os Vidros serão coletados pela COMCAP, juntamente com os resíduos


recicláveis secos, nos dias e horários da Coleta Seletiva na localidade do
empreendimento;

OS Resíduos Tóxicos (pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes...), deverão ser


entregues nos pontos de venda em que os mesmos foram comprados, para
que sejam devolvidos aos fabricantes destes produtos;

O Óleo de Cozinha poderá ser coletado, por programas de reciclagem de óleo


de cozinha, já existentes, no município de Florianópolis, como o ReÓleo, da
Acif – Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (para saber mais,
acesse: www.reoleo.com.br);

Os Resíduos de Serviços de Saúde deverão ser coletados por empresa


especializada pela coleta e destinação final deste tipo de resíduo.

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ANEXO I

TABELA ESTIMATIVA DE PRODUÇÃO DIÁRIA DE LIXO POR TIPO DE CONSTRUÇÃO

Classe de Geração de
Tipo de Construção
Geração Lixo (litros/m2)
UNIDADES COMERCIAIS
Escritórios Administrativos Normal 0,3
Lojas em Geral Alta 0,7
Confecções de Roupas e Artesanatos Muito Alta 1
Copiadoras e Gráficas Muito Alta 1
HOTELARIA
Motéis, Hospedagens, Pousadas e Estalagens Alta 0,7
Apart-hotéis Alta 0,7
Hotéis e Pensões Muito Alta 1
BARES E RESTAURANTES
Bares, Restaurantes, Lanchonetes e Similares Muito Alta 1
ESTABELECIMENTOS DE ENSINO
Colégios e Escolas Normal 0,3
Cursos Normal 0,3
Faculdades e Universidades Normal 0,3
Creches, Maternais e Jardins de Infância Alta 0,7
UNIDADES DE TRATO DE SAÚDE
Consultórios, Ambulatórios e Enfermarias Normal 0,3
Asilos e Casas de Repouso Normal 0,3
Farmácias Alta 0,7
Clínicas Médicas e Veterinárias Alta 0,7
Prontos Socorros e Postos de Assistência Médica Alta 0,7
Hospitais e Maternidades Muito Alta 1
LAZER E DIVERSÃO
Jardins,Parques,Gramados e Áreas de Lazer Baixa 0,1
Bibliotecas, Museus e Galerias de Arte Baixa 0,1
Quadras Poli esportivas sem Arquibancadas Baixa 0,1
Quadras Poli esportivas com Arquibancadas Alta 0,7
Academias de Ginástica e Esportivas Alta 0,7
Cinemas e Teatros Muito Alta 1
Estádios e Ginásios Esportivos Muito Alta 1
Parques Aquáticos, Temáticos e de Diversão Muito Alta 1
Pavilhões e Centros de exposição Muito Alta 1
UNIDADES FABRIS
Fábricas e Indústrias em Geral Muito Alta 1
PARQUEAMENTOS E CONGÊNERES
Garages Fechadas e Estacionamentos Baixa 0,1
Oficinas e Postos de Gasolina Alta 0,7
OUTRAS EDIFICAÇÕES
Auditórios Baixa 0,1
Templos Religiosos Baixa 0,1
Obs: 1 - O índice de geração se refere sempre à área útil das unidades;
2- Os empreendimentos com atividades mistas e industriais terão o cálculo da produção diária de lixo pelo
somatório das respectivas partes componentes.
Fonte: (COMLURB, 2004)

Disponível em: http://comlurb.rio.rj.gov.br/sistema_manuseio.pdf

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ANEXO II

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS PARA A CONSTRUÇÃO DO RECUO

Observações:
- O recuo não deve fazer parte da entrada e saída de veículos do empreendimento.
- Deverá ser construído nos extremos do terreno, para possível compatibilização de uso com o
recuo do empreendimento vizinho.